VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quarta-feira, 23.04.14

Lagartagem

 

No rescaldo do merecidíssimo título, cuja conquista garantimos no passado domingo, para além das naturais manifestações de júbilo da parte dos benfiquistas tenho sido massacrado com manifestações épicas da azia e inveja secularmente acumuladas pela vizinhança sita no Lumiar, e que a nossa vitória desencadeou. Entre manifestos nas caixas de comentários (obviamente varridos para o lixo), e-mails, posts no Facebook, links para blogs do sportém, tenho levado de tudo um pouco. Textos racistas e insultuosos aos nossos Eusébio e Coluna, textos aziados, opiniões peregrinas que reclamam exclusividade do Marquês (fiquei a saber que o Marquês de Pombal é, aparentemente, um símbolo daquele clube), até já cheguei a ver um texto em que é dito que o Cosme Damião utilizou o sportém como modelo para fundar o Benfica (o nosso Cosme era pelos vistos uma pessoa ainda mais notável do que eu pensava, visto que em 1904 já tinha decifrado os mistérios das viagens no tempo - o motivo pelo qual uma das primeiras acções tomadas pelo sportém após a sua fundação em 1906 foi roubar oito jogadores ao Sport Lisboa deve ter sido precisamente porque eles já estavam num clube que tinha sido formado usando o sportém como inspiração). O que me parece ser mais ou menos evidente é que aquele pessoal acha que é de extrema importância o reconhecimento ou não que eles fazem acerca da justiça do nosso título - é para isso que cá andamos, e se não conseguirmos que o sportém reconheça mérito nas nossas vitórias, então nada disto vale a pena.

 

Posto isto, apeteceu-me responder a todas estas parvoíces. Isto é o que eu penso acerca do sportém, do segundo lugar que conquistaram, da melhor academia do mundo, da exclusividade do Marquês ou do mérito que nos reconhecem ou não na conquista do título:

por D`Arcy às 14:38 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Segunda-feira, 21.04.14

Campeões

Não vale muito a pena estar a escrever uma crónica extensa para este jogo. Ganhámo-lo, como se esperava e exigia que o fizéssemos, e garantimos a conquista do título. O único ponto negativo no jogo e na festa foi a lesão do Salvio, que partiu o braço e ao que tudo indica terá terminado a época mais cedo.

 

 

O Benfica entrou rápido e decidido a resolver cedo a questão, mas o acerto na hora de finalizar foi pouco, e durante os primeiros minutos de jogo desperdiçámos oportunidades flagrantes suficientes para poder fazer de todo o jogo um imenso e ininterrupto festejo - as oportunidades falhadas pelo Rodrigo (acertou mal na bola) e pelo Lima (atirou por cima com a baliza escancarada) foram particularmente escandalosas. Com o acumular de oportunidades falhadas pareceu-me que algum nervosismo se instalou na equipa, o que eu não esperava que acontecesse - e um exemplo disso foi uma ocasião flagrante (a única durante todo o jogo) de golo do Olhanense, nascida de um mau controlo de bola do Garay. O domínio do jogo por parte do Benfica foi quase total perante um Olhanense quase só preocupado em defender, mas a má finalização determinou que saíssemos para intervalo ainda com o nulo no marcador. 

 

Na segunda parte nada mudou, e o desacerto na finalização continuava - mais um remate disparatado do Lima por cima quando parecia ter tudo para marcar foi disso exemplo. Mas depois de tanto falhanço, acabou por ser mesmo o Lima a tornar-se no herói do jogo, quando apareceu no sítio certo para fazer a recarga de uma defesa incompleta do guarda-redes a um primeiro remate do Gaitán e inaugurar o marcador. Foi aos cinquenta e sete minutos, e dois minutos depois arrumou de vez o assunto, correndo meio campo com a bola para depois rematar por entre as pernas do guarda-redes, com a bola a viajar muito devagarinho até ultrapassar a linha. Estava tudo resolvido, o Olhanense nada ameaçou, e o tempo até final decorreu em ambiente de festa antecipada, que poderia até ter ficado mais abrilhantada com alguns golos, pois continuámos a desperdiçar ocasiões soberanas para marcar (Rodrigo e Lima, em particular) e ficou um penálti claro sobre o Rodrigo por marcar.

 

O Lima foi o homem do jogo pelos dois golos que marcou, mas podia ter marcado pelo menos outros tantos. O Salvio estava a ser dos melhores na primeira parte, o Enzo fez aquilo que costuma fazer, e achei que houve muito menos Gaitán do que costuma ser habitual. A entrada do Markovic foi importante.

 

Somos outra vez campeões nacionais, e com toda a justiça. Somos a melhor equipa, temos o ataque mais concretizador, a defesa menos batida, temos o nosso maior adversário e ex-tricampeão a quinze pontos, e a equipa que nos deu mais luta a sete, mesmo tendo esta há muito tempo que jogar apenas uma vez por semana, e menos dezasseis jogos (são vinte e quatro horas de futebol) nas pernas - e quando os defrontámos vulgarizámo-los de uma forma brutalmente evidente. Hoje festejamos este título, amanhã é tempo de nos concentrarmos já no que ainda há para ganhar. Devemos sentir orgulho nesta conquista, mas não podemos pensar que o trabalho acabou. O Benfica tem que manter o lugar de hegemonia do futebol português que lhe pertence, e para isso é fundamental continuarmos a ganhar, não repetindo os erros de 2010/11.

por D`Arcy às 12:12 | link do post | comentar | ver comentários (16)

33

 

Não jogamos nadinha, vai ser outra época igual. E o Jorge Jejum está comprado pelo PC, enquanto ele estiver no Benfica não vamos ganhar nada. O Cardozo é que tem razão. O PC é que se antecipou e fez bem, foi buscar o Paulo Fonseca quando nós é que devíamos ter aproveitado. À quinta jornada vamos estar afastados do título, e à procura de treinador. Do Natal o Jesus não passa. E a táctica que não presta. E os portugueses, que não jogam. Olhem mas é para o sportém, que com uma equipa de tostões vai ganhar mais do que nós. E perdemos com o PSG, que vergonha, metam o gajo na rua e vão buscar o Marco Silva. Enquanto o Jejum for treinador do Benfica não assino a Benfica TV nem pago quotas. Fiquem com o vosso 'benfiquinha', que este não é o meu Benfica. Somos um clube sem rumo nem liderança. Mas porque é que os portugueses não jogam? Agora vendemos o Matic a preço de saldo, o Vieira é um infiltrado que quer é destruir a equipa. Empatámos com o Gil Vicente, é o princípio do descalabro, fixem bem o que vos digo. E só ganhamos por um ou dois de diferença, que atitude vergonhosa, devíamos golear em todos os jogos. Ressuscitámos o Porto, é um escândalo, já lhes oferecemos a taça. Se o Jesus quer ir para o Porto é deixá-lo. Agora é que isto vai dar para o torto e vamos perder outra vez tudo no final, eu já sabia.

 


Somos campeões nacionais pela 33ª vez. Eu não disse? Nunca tive dúvidas.

por D`Arcy às 01:40 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Quinta-feira, 17.04.14

Épico

Simplesmente épico. Este foi um dos jogos a que assisti na Luz que mais prazer me deu ganhar. Foi um jogo em que o Benfica foi enorme, foi buscar forças onde provavelmente nem imaginávamos que existiriam, foi inteligente e soube reagir a todas as adversidades que lhe apareceram pela frente, e que incluíram uma expulsão madrugadora, e sofrermos um golo no primeiro (e único) remate digno desse nome que o Porto fez na direcção da nossa baliza.

 

 

Foram afinal várias as alterações que fizemos (algumas forçadas) no nosso onze habitual: Oblak, Luisão, Fejsa, Markovic e Lima, por um motivo ou outro, ficaram fora da equipa inicial. Como tem sido habitual, quem avançou para os seus lugares cumpriu a missão. Neste caso, Artur, Jardel, André Gomes, Salvio e Cardozo. Em relação ao jogo propriamente dito, começo por dizer que creio que nunca tinha visto um Porto entrar tão medroso na Luz, e já vi muitos jogos entre as duas equipas. O Porto entrou verdadeiramente 'borrado' em campo, encafuado no seu meio campo e procurando desde o apito inicial congelar o jogo e queimar tempo. O Benfica, pelo contrário, entrou como tinha que ser, caindo em cima do adversário e submetendo-o a pressão constante, o que ficou bem evidente quando assistimos a uma situação quase inédita de uma boa meia dúzia de cantos consecutivos a favor do Benfica. Houve jogadores como o Reyes (um jogador que voltou a parecer-me bastante medíocre e que o Porto quer fazer acreditar que nos 'roubou') que tremiam e muito sempre que pressionados, e no ataque o Porto era simplesmente inofensivo. Ou nem chegava lá, ou quando chegava o Quaresma encarregava-se de jogar sozinho e estragar quase todas as jogadas. O corolário lógico da nossa pressão foi o primeiro golo, construído em mais uma bonita jogada de envolvimento da nossa equipa, com o Gaitán a ser lançado na esquerda e depois a encontrar, com um cruzamento largo, o Salvio ao segundo poste, que cabeceou para o golo - a bola ainda bateu no poste antes de entrar. Demorámos dezassete minutos a anular a vantagem do Porto, e agora tínhamos pela frente mais cerca de uma hora e um quarto de futebol para vencer a eliminatória. E a julgar pelo que íamos vendo em campo, não parecia nada difícil conseguir isso. 

 

 

Mas o cenário alterou-se abruptamente ainda antes da meia hora, altura em que o Siqueira viu dois amarelos de rajada e nos deixou reduzidos a dez - não sei se o primeiro amarelo foi justo ou não, mas um jogador com um amarelo não podia ter entrado daquela forma, e por isso acho que foi um lance de profunda burrice da parte dele. O Benfica teve obviamente que se reorganizar e o sacrificado foi, naturalmente, o Cardozo, que cedeu o seu lugar ao André Almeida - nos últimos três jogos, contra o AZ jogou a lateral direito, contra o Arouca jogou a trinco, hoje jogou a lateral esquerdo, e em todos eles cumpriu. Só depois do Benfica assumir uma postura mais cautelosa, privilegiando sobretudo a organização defensiva, é que o Porto conseguiu passar a ter um pouco mais de bola e jogar mais no nosso meio campo, mas nunca conseguiu vincar qualquer tipo de superioridade em campo, criar uma oportunidade de golo, ou explorar a vantagem numérica. Apenas numa saída pouco ortodoxa do Artur, na sequência de um (raro) canto conseguiram criar algum tipo de sensação de perigo, mas para ser sincero, continuei sempre com a ideia de que continuavam com demasiado medo do Benfica.

 

 

A segunda parte não pareceu mostrar grandes diferenças em relação a isto. O Benfica manteve-se organizado, o Porto sem mostrar capacidade para fazer mossa. Foi por isso de forma algo surpreendente que, um pouco caído do céu, surgiu o golo do Porto. Foi uma grande iniciativa individual do Varela, que parecia não ter grande possibilidade de sucesso, mas que aproveitou o que me pareceu alguma passividade do André Almeida, que teve demasiado medo de meter o pé e fazer falta, furou pelo meio da defesa e rematou cruzado para o golo. O Benfica via-se agora em desvantagem numérica e na eliminatória, precisando de marcar dois golos. A resposta do Benfica foi à Benfica. Não houve baixar de braços (nem da equipa, nem do público), houve sim um arregaçar de mangas, ir buscar todas as forças possíveis, e partir para cima do adversário. O mais interessante foi que o Benfica não jogou exclusivamente em contra-ataque; o Benfica, apesar da inferioridade numérica, criava ocasiões de perigo em ataque organizado, em jogadas onde jogadores como o Enzo, Rodrigo, Gaitán, Salvio, Maxi, André Gomes pareciam multiplicar-se em campo e conseguir aparecer em todo o lado. O Porto não tirou qualquer benefício motivacional do golo, e pouco depois do golo já o Rodrigo desperdiçava uma ocasião quase de golo feito, a passe do Gaitán. Mas logo a seguir o Reyes derrubou claramente o Salvio na área, e incrivelmente o Pedro Proença assinalou penálti a nosso favor, que o Enzo transformou com muita calma e a fazer parecer que era fácil. 

 

 

A passagem na eliminatória estava agora a um golo de distância, o Porto abanou ainda mais, e não fosse o Rodrigo ter escorregado no último instante (depois de mais uma asneira do inevitável Reyes) e talvez esse golo tivesse chegado logo a seguir. O jogo foi-se aproximando do final, com o Porto a continuar a ser inofensivo e o Benfica, mesmo estando potencialmente eliminado, a nunca perder a cabeça ao ponto de cair na tentação de se atirar abertamente ao ataque, o que poderia proporcionar ao Porto a oportunidade de matar o jogo num contra-ataque. Até que, a dez minutos do final, apareceu o momento mágico e decisivo do jogo. Mais uma vez, num lance de ataque organizado, em que o Lima, o Gaitán e o André Gomes andaram a trocar a bola junto ao canto da área do Porto, no lado esquerdo, até que o Gaitán picou a bola para o André. Depois, dentro da área, ele recebeu-a no peito, sem a deixar cair levantou-a sobre o Fernando, e rodou para ficar cara a cara com o guarda-redes, rematando depois para o fundo da baliza para fechar um golo sublime. A Luz explodiu como poucas vezes a vi explodir, e apesar de ainda termos que enfrentar uns longos dez minutos até final, de alguma forma parecia ser quase impossível que o Porto conseguisse voltar a marcar um golo e impedir a nossa festa no final. A verdade é que até final pouco se jogou. Entre substituições, cartões, expulsões (de ambos os treinadores - e não percebo em que raio estava a pensar o Jesus para que de repente aparecesse dentro do campo - e do Quaresma, provavelmente com largos minutos de atraso) e o mero desnorte dos jogadores do Porto, a quem pouco mais ocorria do que enviar balões para a frente, já com o Mangala a avançado, os dezasseis minutos (dez de jogo mais seis de compensação) passaram a correr.

 

 

Mais uma vez, o maior destaque tem que ser a equipa. Uma equipa que ao ver-se em inferioridade numérica tão cedo nunca perdeu a cabeça, que soube reagir ao golo indo em busca daquilo que precisava para dar a volta à situação perante um adversário como o Porto, tem obrigatoriamente que ser uma grande equipa (e ainda por cima sabendo nós que nos faltaram jogadores que têm sido importantes esta época). Mas é impossível não ficar maravilhado com aquilo que jogadores como o Gaitán, o Enzo (encheu o campo), o Salvio (está definitivamente a regressar ao que nos habituou) ou o Rodrigo fizeram. Com o jogo enorme, e não, não é pelo golo, do André Gomes - já o elogiei antes e considerei injustas as críticas quase que formatadas que lhe fazem sobre a falta de velocidade ou intensidade: continuo a dizer que acho é um jogador que guarda bem a bola, sabe quase sempre o que vai fazer com ela assim que a recebe, e tem uma inteligência táctica invulgar. Com o pulmão do Maxi, a segurança do Garay, o espírito guerreiro do Jardel, hoje todos foram enormes.

 

Escreveu-se hoje uma página bonita da nossa história, mas o mais importante foi mesmo os fantasmas que foram exorcizados esta noite. A forma como fomos para cima do Porto, o receio e respeito que eles pareceram sempre ter por nós, até mesmo termos ganho um clássico arbitrado pelo Proença, tudo isto pode significar um passo muito importante para fazer desabar a 'estrutura' bafienta. A nossa Luz não esteve cheia, mas esteve muito bem composta e soube ser o décimo-primeiro jogador de que a equipa precisava, criando um ambiente incrível. Tenho pena de quem poderia ter ido e decidiu ficar em casa, porque perdeu uma noite linda de benfiquismo.

por D`Arcy às 02:54 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Quarta-feira, 16.04.14

27 anos

Gostaria só de recordar pela enésima vez a quem de direito (jogadores e equipa técnica do Glorioso) que, se não somos campeões há quatro anos, há mais de duas décadas e meia(!) que não ganhamos a dobradinha. Este ano temos novamente uma oportunidade de ouro para matar este borrego. Só isso bastaria para tornar o jogo de hoje muito importante. O mais importante dos últimos 27 anos.

 

Acontece que a importância deste jogo vai ainda mais além desse facto. Não vamos defrontar um adversário qualquer. Aliás, nem sequer vamos defrontar um adversário. Vamos defrontar o inimigo. Que representa, com uma competência assinalável, as forças do Mal. Estamos a falar da equipa de Mordor, meus caros jogadores e equipa técnica do Benfica. Tenham isto sempre em mente! O campeonato está muito perto de estar garantido, portanto é nossa obrigação NÃO deixarmos que a equipa que envergonha o desporto possa festejar ainda esta época. Este jogo é FUNDAMENTAL para eles, não tenhamos dúvidas. Viu-se pela gestão que fizeram em Braga. Se terminarem a época com as duas taças (a da Liga, no meio da eliminatória com a Juventus, será obviamente secundária para nós e eles, que sempre a desdenharam, não se atreverão a festejar se esse for o único troféu que ganhem este ano), não será uma época assim tão má. NÃO lhes podemos dar esta abébia, METAM isso na cabeça!

 

Com o domínio que evidenciámos, tendo o campeonato a meros dois pontos de distância, confesso que não ficarei totalmente satisfeito se nos limitarmos a ser campeões. Depois do que se passou no ano passado, merecemos festejar mais do que uma vez esta temporada. E a Taça de Portugal é a melhor oportunidade para tal. Para além da referida (e incontornável) questão dos 27 anos de jejum. Eles estão a 15 pontos de nós no campeonato. Nós somos MUITO melhor do que eles. Perante o inimigo, não há complacências! Não desperdicemos a oportunidade de os eliminar!

 

P.S. – O Estádio da Luz não esgotar num jogo desta importância é, não há outra maneira de o dizer, uma VERGONHA!

por S.L.B. às 08:04 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Segunda-feira, 14.04.14

Parabéns

 

O resultado desnivelado até pode deixar outra ideia a quem não tiver visto o jogo, mas a verdade é que os nossos miúdos nos deram todos os motivos para ficarmos orgulhosos com a sua prestação, e num dia de maior acerto o resultado poderia perfeitamente ter sido outro. Lutaram do primeiro ao último minuto do jogo, mas desta vez a sorte não esteve connosco e o Barcelona, com todo o mérito, foi mais eficaz e conquistou o troféu. Estão de parabéns todos os jogadores e estrutura técnica que os suporta. Agora é erguer a cabeça, tentar conquistar o bicampeonato de juniores, e da minha parte esperar que daqui a uns (poucos) anos possa ver alguns destes nomes no plantel principal.

por D`Arcy às 21:31 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Quase

Mais uma importante vitória a caminho do título, num jogo que dominámos do primeiro ao último minuto. A nossa exibição foi no entanto em crescendo: não entrámos bem, fizemos uma primeira parte aquém das expectativas, mas depois fomos melhorando, conseguindo uma segunda parte bastante melhor em que até poderíamos ter construído um resultado mais dilatado, pois o guarda-redes do Arouca foi um dos melhores em campo.

 

 

Duas ausências com alguma surpresa no onze inicial: o Luisão e o Fejsa. Para os seus lugares foram chamados o Jardel e o André Almeida. Perante uma autêntica Luz em miniatura, já que a onda vermelha lotou as bancadas do Municipal de Aveiro, o início do jogo não foi particularmente promissor. O Arouca apresentou-se conforme lhe competia, bem fechado atrás, com os jogadores muito juntos e organizados em frente à sua área e a procurar manter o nulo. O Benfica, ao contrário do que tem acontecido nos últimos jogos, pareceu entrar a jogar com demasiada lentidão. O Rodrigo ainda fez uma primeira ameaça logo nos primeiros minutos, num remate que obrigou o Cássio a uma defesa um pouco mais apertada, mas fomos anormalmente inofensivos durante a maior parte do tempo. Não sei se foi do calor, se do cansaço de alguns jogadores, ou algum excesso de confiança, mas a verdade é que a equipa pareceu-me demasiado estática durante a primeira parte. Até a relva parecia estar demasiado grande e não colaborar, pois a bola não rolava com muita velocidade. O jogo foi sendo animado por algumas iniciativas individuais, mas situações de verdadeiro perigo foram muito poucas. Houve um remate cruzado do Maxi, que não passou muito longe, e já na fase final da primeira parte houve a primeira grande oportunidade de golo para o Benfica (e em dose dupla). Primeiro foi o lima a aproveitar uma má intervenção de um adversário dentro da área para, completamente sozinho, rematar e ver o Cássio defender por instinto; a bola sobrou então para o Rodrigo, que fez a recarga para fora. Mas pouco depois foi a nossa vez de passar por um grande susto, quando o Oblak teve uma má saída até ao limite da área e não conseguiu afastar uma bola que tinha sido despejada para lá. A bola sobrou para um adversário, que em balão a encaminhou para a baliza, valendo-nos uma intervenção no limite do Maxi, que conseguiu afastá-la quase em cima da linha. Quando já se jogava o período de dois minutos de compensação, e parecia que o nulo ao intervalo era uma inevitabilidade, aconteceu o nosso golo. Foi mesmo na última jogada da primeira parte (faltavam quatro segundos para acabar) que o Lima fugiu pela direita, e uma intervenção desastrada de um defesa do Arouca na zona do segundo poste deixou a bola à frente do Rodrigo, que só teve que a empurrar para a baliza.

 

 

Depois daquela primeira parte, temi que na segunda o Benfica aproveitasse a vantagem no marcador para baixar ainda mais o ritmo, gerindo o resultado, mas felizmente não foi isso que aconteceu. Ao contrário do que tem sido mais habitual, o Benfica entrou com vontade de ampliar o resultado e conquistar maior tranquilidade no jogo, o que nem demorou muito a conseguir.  Com dez minutos decorridos o Markovic agarrou na bola e arrancou com ela pelo meio, ultrapassando adversários até à entrada da área, onde a deixou para o Gaitán. Depois o argentino limitou-se a picá-la com classe à saída do guarda-redes. No minuto seguinte, quase a repetição do cenário, pois o Makovic voltou a levar a bola até à área e a deixá-la nos pés do Gaitán, em posição privilegiada para marcar, mas desta vez o Cássio conseguiu evitar o golo. Com os dois golos de vantagem o Benfica continuou a controlar perfeitamente o jogo, embora num ritmo mais pausado, mas sem deixar de espreitar a oportunidade de ampliar a vantagem. O momento de maior preocupação foi o da lesão do Oblak, que depois de um choque violento com um adversário perdeu os sentidos e teve que ser substituído - pelos vistos teve mesmo um traumatismo craniano. Depois da lesão do Sílvio, esperemos que não tenhamos agora nova lesão grave num momento tão decisivo da época. Quanto ao jogo, tudo na mesma, com o Benfica a controlar e o Cássio a teimar em negar-nos o terceiro golo. Com mais uma boa defesa, voltou a evitar que o Gaitán marcasse o seu segundo golo, depois de um remate colocado. O jogo caminhou tranquilamente para o final, já com o Cardozo e o Salvio em campo (troca com o Rodrigo e o Markovic), com mais uma defesa enorme do Cássio a tirar-nos o terceiro golo, desta vez a remate do Lima, terminando com o estádio num clima de enorme festa feita pelos nossos adeptos.

 

 

Melhor em campo, para mim, mais uma vez o Gaitán. Já nem vale muito a pena estar a elogiar o momento de forma que atravessa - esta é sem dúvida a melhor época que faz desde que está no Benfica. O Jardel e o André Almeida cumpriram os seus papéis, como tem sido norma para qualquer jogador que é chamado a substituir um dos titulares mais habituais. Bom jogo do Siqueira, Enzo e Markovic.

 

E agora está mesmo quase, porque faltam apenas mais dois pontos. Dependemos só de nós para fazer a festa no dia de Páscoa, e se a nossa equipa mantiver a atitude e concentração, só muito dificilmente isso não acontecerá. Antes disso teremos porém um jogo difícil contra o Porto, para decidir o acesso à final da Taça de Portugal. Temos mais do que capacidade para ultrapassar este adversário e tentar conquistar mais um troféu esta época. Só teremos que ter cuidado com a 'atitude competitiva' do nosso adversário. É que a julgar pelo exemplo do primeiro jogo, ainda nos arriscamos a perder mais alguns jogadores para a fase decisiva da época.

por D`Arcy às 00:08 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 11.04.14

Da arte

Ortega y Gasset mostrou-nos como a depuração é a essência da beleza na arte. Muitos o secundaram e um dos meus escritores portugueses preferidos, Miguel Torga, mostrou-nos como a depuração do supérfluo conduz a uma arte substantiva, sem o elemento barroco do adjectivo desnecessário. A arte apresenta-se-nos assim, nua, crua e sem o subterfúgio da fuga ao tutano, à essência. Nesta perspectiva, tudo o que vá para além do tutano é uma traição à beleza. Aprecio esta visão da arte, mas quando chego ao universo do futebol vejo que a beleza dessa arte vai muito para além do tutano.

Vem tudo isto a propósito do mais recente jogo entre o Benfica e o Rio Ave. Para a história ficará um resultado feito da agradável banalidade de mais uma vitória expressiva do Benfica. Para a memória (e a memória constrói e transcende a história) fica esse ‘conflito’ entre o tutano de uma ideia de jogo (uma identidade competitiva construída pelo treinador que melhor pensa o futebol em Portugal) e a criatividade individual decorrente do génio de cada um dos futebolistas do nosso Benfica. Esse rasgo permanente de criatividade faz dos futebolistas mais do que meros executantes e eleva-os à qualidade de criadores que, criando em prol do todo, superam a banal recriação.

Ou seja, no tutano, na essência e sem nada de supérfluo está a arte de Jorge Jesus. No entanto, a beleza desta arte está entregue a Gaitan, Enzo, Markovic e tantos outros que à essência do resultado juntam a tal “nota artística” tão comentada pelo treinador do Benfica. Foi esta síntese entre a arte substantiva e o adorno da beleza adjectiva que aplaudimos no final do jogo com o Rio Ave.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Abril, para publicação na edição de 11/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

 

por Pedro F. Ferreira às 12:30 | link do post

Paciente

O Benfica soube ser muito paciente esta noite e tranquilamente resolveu a questão da passagem às meias-finais da Liga Europa, num jogo controlado de princípio a fim pela nossa equipa e que apenas ficou manchado pela grave lesão do Sílvio.

 

 

Uma vez mais meia dúzia de alterações no onze base do Benfica: Oblak, Enzo, Markovic, Lima, Gaitán e Maxi de fora (os dois últimos por castigo), e nos seus lugares Artur, André Gomes, Salvio, Cardozo, Sulejmani e Sílvio. O jogo começou da pior forma possível, já que praticamente na primeira jogada um choque entre o Sílvio e o Luisão resultou numa grave lesão do nosso defesa lateral, que foi substituído pelo André Almeida. O jogo foi, todo ele, a tender para o monótono. A atitude dos holandeses foi algo bizarra, uma vez que praticamente nunca abdicaram de extremas cautelas defensivas, tendo até durante várias ocasiões andado a perder tempo de forma ostensiva. O AZ meteu constantemente dez jogadores atrás da linha da bola, acantonados em frente à sua área, deixando apenas o avançado só na frente. E quando recuperavam a bola, raramente arriscavam vir para a frente com mais do que três ou quatro jogadores. A ideia com que se fica é a de que o maior receio deles era o de serem goleados caso arriscassem jogar olhos nos olhos, e portanto estava contentes a jogar pelo seguro e esperar por um qualquer lance fortuito que lhes pudesse proporcionar o golo que empataria a eliminatória. Como este tipo de postura não era exactamente um incómodo para o Benfica, não nos lançámos num ataque desenfreado, fazendo sim aquilo que tem sido apanágio da equipa este ano: circulação segura da bola e construção paciente das jogadas, na certeza quase absoluta de que a diferença de qualidade entre as duas equipas acabaria por fazer o jogo pender a nosso favor. Evidentemente que as únicas oportunidades que houve foram todas nossas, e a primeira delas até aparece cedo, num remate em arco do Cardozo de fora da área, que o guarda-redes do AZ defendeu bem. As outras oportunidades mais flagrantes tiveram o mesmo denominador comum: Cardozo. Primeiro viu o guarda-redes defender um remate seu perto da marca de penálti depois de um cruzamento do Rodrigo, e depois não conseguiu acertar na baliza quando estava em posição privilegiada para o fazer. Mas logo a seguir a este lance, quando faltavam cerca de cinco minutos para o intervalo, o Benfica chegou ao golo. O lance nasceu numa cavalgada fantástica do Salvio pela direita, junto à linha lateral, em que correu mais de metade do campo e foi deixando tudo e todos para trás, até centrar para a zona do segundo poste onde apareceu o Rodrigo para encostar. O golo dava justiça ao resultado e acrescentava ainda mais tranquilidade ao nosso jogo. Quanto ao AZ, durante toda a primeira parte, foi literalmente inofensivo. Não me recordo de um remate sequer, ou de uma defesa do Artur.

 

 

Na segunda parte a atitude dos holandeses continuou sem se alterar, mantendo a solidez defensiva como maior preocupação. O jogo foi por isso bastante monótono, sem qualquer lance digno de registo durante os primeiros minutos. Apenas quando se completou a hora de jogo assisti ao primeiro remate digno desse nome por parte do AZ, que passou fraco e rasteiro ao lado da baliza - cinco minutos depois disso voltaram a rematar, e finalmente o Artur foi obrigado a fazer algo que se podia classificar como defesa, embora o lance não tivesse trazido qualquer perigo à nossa baliza. Entretanto o Enzo foi chamado para o lugar do Fejsa, e assim que entrou começou a arrumar a casa, com efeitos práticos visíveis na qualidade do nosso jogo. O nosso segundo golo até surgiu pouco depois, a vinte minutos do final, mas num lance em que o Enzo não teve participação. Mais uma vez o mérito maior pertence inteirinho ao Salvio, que acreditou e insistiu num balão que parecia que levaria a bola a sair, levou a bola até perto da bandeirola de canto, e pressionado por dois adversários conseguiu cruzar por alto, novamente para a zona do segundo poste, onde o Rodrigo apareceu mais uma vez a encostar facilmente para o golo - a defesa holandesa não ficou nada bem na fotografia. Depois deste segundo golo o AZ (que já desde início não parecia ter grande crença na possibilidade de discutir a eliminatória) pareceu abandonar definitivamente qualquer tipo de esperança e relaxou mais em termos defensivos, o que fez com que até final o terceiro golo do Benfica fosse sempre uma ameaça. Falhou-o o Salvio (e bem teria merecido esse golo), que isolado após um passe do Luisão para as costas da defesa viu o seu remate ser defendido pelo pé do guarda-redes, e falhou-o o Cardozo, que não conseguiu controlar a bola após um passe açucarado do Enzo, depois de mais uma daquelas arrancadas em que foi deixando tudo e todos para trás. Um terceiro golo talvez deixasse a diferença de qualidade entre as duas equipas marcada de forma mais vincada, mas o Benfica também nunca pareceu ter necessidade de acelerar mais, e construiu a vitória de forma muito natural e sem grande esforço aparente.

 

 

O Salvio, pelas duas assistências, é o homem do jogo. foi muito bom ver, sobretudo no lance do primeiro golo, o 'velho' Salvio de regresso. Aquele que a complicada lesão nos retirou durante a maior parte da época, e que certamente teria sid muito útil. Mas ainda vem a tempo de ajudar. O Rodrigo teve o mérito de aparecer no lugar certo na altura certa, reforçando a sua confiança - a desmarcação para o primeiro golo é muito boa, e no segundo revelou grande oportunismo. Os centrais estiveram impecáveis, como habitualmente. O Sulejmani baixou muito de rendimento na segunda parte, e o Cardozo continua a revelar ainda muita falta de confiança, mas foi bonito ver e ouvir o apoio do público da Luz ao Tacuara na fase final de um jogo que não lhe correu bem.

 

A única coisa a lamentar foi mesmo a grave lesão do Sílvio. Nos últimos posts que tenho feito, por mais de uma vez o elogiei e revelei a minha vontade de passarmos a contar com ele no plantel de forma definitiva. Espero que possa recuperar rapidamente da lesão, e que esta não seja um entrave à sua eventual contratação. Para mim é um jogador que tem definitivamente lugar no nosso plantel. Quanto à Liga Europa, chegados a esta fase é óbvio que a possibilidade de conquistar um troféu que nos fugiu de forma tão injusta a época passada tem que ser considerada de forma séria. Vamos esperar pelo sorteio de amanhã e ver o que nos reserva. Gostaria de evitar a Juventus, porque não costumamos ser muito felizes contra equipas italianas. Mas a Liga Europa já passou, e quando regressar preocupar-me-ei com ela. Importante agora, mas mesmo importante, é ganhar ao Arouca.

por D`Arcy às 02:21 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Terça-feira, 08.04.14

7 anos

 

Cumprem-se hoje 7 anos de Tertúlia Benfiquista na blogosfera. Cada vez com menos tempo para o blogue e cada vez com mais prazer em participar nesta luta diária pelo benfiquismo. Por cá vamos andando e andaremos.

por Pedro F. Ferreira às 12:15 | link do post | comentar | ver comentários (21)

Classe

Não demos sequer hipótese de haver dúvidas. Na sequência daquilo que temos feito nos últimos jogos em casa para o campeonato marcámos cedo, praticamente resolvemos o jogo ainda na primeira parte, e depois limitámo-nos a gerir e a controlar um adversário que acabou por ser talvez a segunda equipa menos incómoda que passou pela Luz neste campeonato - acho que só mesmo o Sporting conseguiu ser ainda mais inofensivo - deixando a tarefa de animar a segunda parte às pinceladas de classe dos nossos jogadores.

 

 

Duas alterações, esperadas, no onze-tipo: André Almeida no lugar do lesionado Fejsa e Sílvio no do castigado Siqueira. Desde o apito inicial que o jogo teve um só sentido. Nem sequer foi uma cavalgada frenética do Benfica na procura do golo, foi sempre algo feito com paciência e método, mas constante, com a bola a rondar a área e a baliza adversária, e sem que o Rio Ave conseguisse praticamente passar do meio campo. Foi portanto com alguma naturalidade que o Benfica marcou o primeiro golo, quando estavam passados dezassete minutos de jogo. Tudo começou num grande passe do Enzo, a levar a bola da direita para a esquerda do campo. O Sílvio amorteceu-a de primeira para o Gaitán à entrada da área, este tirou um adversário do caminho e em vez de rematar descobriu o Rodrigo dentro da área, que controlou e colocou a bola rasteira junto ao poste. Uma jogada muito bonita e fluida. Não entrámos imediatamente em modo de gestão a seguir ao golo: continuámos a procurar de forma paciente a baliza adversária, pressionando alto e impedindo que o adversário conseguisse sair de forma organizada, para depois causar perigo sempre que a bola era recuperada ainda em zonas adiantadas do campo. Logo no minuto seguinte ao do golo, o Gaitán teve oportunidade para aumentar a vantagem depois de uma dessas recuperações, mas se dessa vez o remate dele foi interceptado por um adversário, o mesmo já não se passou um pouco antes da meia hora, altura em que marcou mesmo. Foi depois de um remate do Rodrigo ter embatido num adversário, levando a bola a subir em balão para cair à entrada da área, onde surgiu o Gaitán para fazer um remate rasteiro de primeira que só parou no fundo da baliza. Jogo praticamente resolvido, mas o Benfica manteve o ritmo e com o Gaitán a espalhar classe de cada vez que a bola lhe chegava aos pés, o resultado parecia estar longe de estar feito. O resultado ao intervalo era lisonjeiro para o Rio Ave, porque o Benfica poderia ter feito o marcador funcionar novamente.

 

 

A segunda parte iniciou-se numa toada mais tranquila. O Benfica resguardou-se um pouco e o Rio Ave conseguiu ser um bocadinho mais atrevido,embora o Oblak tenha continuado a ser pouco mais do que um mero espectador na partida. Mas depois de uns primeiros vinte minutos algo aborrecidos, os nossos jogadores devem ter começado a sentir-se também aborrecidos e resolveram acelerar um pouco e abrir o livro. E em mais uma jogada colectiva muito bonita em que a bola voltou a passar pelos pés de vários jogadores (foi quase um minuto e meio com a bola em nosso poder, 33 passes, e todos os onze jogadores tocaram na bola), no final o Rodrigo deixou de calcanhar para o Maxi, já dentro da área, e este foi derrubado para penálti. Oportunidade flagrante para o recém entrado Cardozo (tinha substituído o Lima) regressar aos golos, e desta vez o paraguaio não facilitou, convertendo o penálti ao seu melhor estilo: bola colocadíssima e em força para um lado, guarda-redes para o outro. Aconteceu aos setenta e sete minutos, e daqui até final a nossa equipa jogou de forma descontraída e alegre, mostrando sempre vontade de marcar mais golos e com o Gaitán, bem acompanhado pelo Enzo, a dar espectáculo. O Djuricic já estava em campo, no lugar do Rodrigo, e também ajudou a revitalizar o nosso ataque. Vimos a nossa equipa construir mais jogadas bonitas que só por muito pouco não acabaram em golo, e mesmo com três golos de vantagem parecia que isso nem se ajustava ao que o Benfica produzia em campo. O marcador compôs-se um pouco mais já em período de descontos, quando o Enzo teve uma das suas arrancadas habituais, deixando tudo pelo caminho até ser derrubado em falta já dentro da área. Chamado novamente para converter, o Cardozo voltou a fazê-lo de forma irrepreensível, enviando novamente a bola para um lado e o guarda-redes para o outro.

 

 

Não creio que tenha havido uma má exibição no jogo de hoje, mas o homem do jogo é indiscutivelmente o Gaitán. Abriu caminho à vitória com a assistência para o primeiro golo e marcou o segundo. Está numa forma fantástica, e neste momento eu fico antecipadamente entusiasmado quando a bola lhe chega aos pés, porque espero que dali saia sempre algo interessante. Depois do jogo apagado em Braga, o Enzo voltou às boas exibições. A importância dele no nosso jogo é imensa, devido às inúmeras opções de ataque que cria. Quando os colegas estão todos marcados e não tem linhas de passe, tem a capacidade para pegar na bola e ir para cima dos adversários, deixando-os pelo caminho. Nessas altuas torna-se verdadeiramente num extremo a jogar pelo meio, e o lance do último golo é um exemplo disso. O Rodrigo continua num grande momento, e o André Almeida cumpriu na perfeição o papel que lhe foi entregue. Não sei qual terá sido o motivo para o 'castigo' que o fez ficar sem jogar durante tanto tempo, mas é um jogador com o qual podemos contar, e é ali no meio campo que pode render mais. Por último, mais uma menção para o Sílvio. Gosto quase sempre de o ver jogar, e se me parece que o Siqueira é excessivamente caro, gostaria que pelo menos o Benfica fizesse os possíveis para manter o Sílvio no plantel.

 

Com esta vitória garantimos que na pior das hipóteses poderemos decidir o campeonato nos próximos dois jogos que faremos em casa, contra Olhanense e Setúbal. Na melhor das hipóteses até poderíamos resolver o assunto já na próxima jornada, mas para isso dependemos ainda de terceiros. A cerca de apenas um mês do final da época, a exibição de hoje deixa-nos cheios de confiança para tudo o que ainda há para jogar e decidir.

por D`Arcy às 01:30 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Sexta-feira, 04.04.14

As boas-vindas

Esta é a terceira vez que digo “bem-vindo sejas” ao Nuno Gomes. A primeira vez já vai longínqua, era a saudação a uma jovem promessa do futebol. A segunda vez já era a saudação a uma certeza do futebol, feita de benfiquismo, de classe e inteligência fora e dentro do campo. O primeiro regresso foi um momento de renovar a esperança no futuro e uma garantia de que Nuno Gomes era um fiel depositário dessa esperança. Regressou já como um capitão, um líder da equipa, independentemente de ostentar ou não a braçadeira. Nas doze épocas de Benfica soube ser e soube estar, soube ser o tempo e o modo, soube ser o profissional, o adepto e assumir o papel de símbolo que a muito poucos está reservado e que, no futebol moderno, é cada vez mais escasso. Para se ser símbolo é necessário ter a mística, a fidelidade, a classe e a paixão pelo Clube. Nuno Gomes soube ter tudo isto. Nos tempos que correm, estes símbolos escasseiam e são essenciais como referência. Depois de ter saído para terminar a carreira noutras paragens (nunca gostei da ideia de o ver jogar por outro clube português que não o nosso), regressa pela segunda vez à nossa casa. Em Maio do ano passado, no aeroporto de Amesterdão, depois de uma final europeia perdida, encontrei o adepto Nuno Gomes, anónimo na multidão, de cachecol, aborrecido com a derrota, mas orgulhoso pelo benfiquismo. Disse-lhe pessoalmente que estava chegado o momento de lhe dar, novamente, as boas-vindas ao Benfica, agora na condição de dirigente. Quase um ano depois, as boas-vindas estão consumadas. O futuro do Benfica constrói-se dirigido, também, com símbolos como Rui Costa e Nuno Gomes. Dêmos, então, as boas-vindas ao futuro.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Abril, para publicação na edição de 04/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 18:34 | link do post

Tranquilo

Exibição quase sempre segura, resultado positivo, boas perspectivas de apuramento para as meias-finais, e gestão do plantel mais uma vez conseguida num jogo tranquilo. Pedir mais do que isto, só mesmo que não tivesse havido a infelicidade da lesão do Rúben Amorim - esperemos que não seja demasiado grave.

 

 

Como esperado, muitas alterações em relação ao onze-tipo do Benfica. A defesa foi a habitual, mas na baliza jogou o Artur. No meio campo, Rúben Amorim e André Gomes, com o Salvio e o Gaitán nos flancos. E na frente tivemos a dupla Rodrigo/Cardozo. Fiquei um pouco surpreendido com a não titularidade do Djuricic e do Sulejmani. Como ambos os jogadores conhecem bem o campeonato holandês, pensei que o Jorge Jesus apostasse neles, até mesmo para manter a lógica que ele tinha dito estar por detrás da titularidade do Sílvio em Braga. O início de jogo foi complicado para o Benfica, como AZ a ter mais bola e a tentar pressionar bastante, enquanto que nós assumimos uma atitude mais expectante, para tentar manter o jogo num ritmo mais calmo. Os holandeses rondaram mais a nossa baliza, tiveram um cruzamento/remate que deixou a sensação de perigo, e apenas ao fim do primeiro quarto de hora o Benfica deu o primeiro sinal de inconformismo, numa boa acção de toda a equipa que levou a bola a andar durante algum tempo nas imediações da área do AZ, sem que no entanto tivéssemos descobrir uma aberta para o remate. Ficou no entanto a sensação que se o Benfica quisesse apertar um pouco, conseguiria encostar os holandeses atrás. Mas pouco depois disso foram os holandeses quem, no espaço de apenas um minuto, tiveram duas grandes oportunidades para inaugurar o marcador, e nas duas vezes o Artur respondeu da melhor forma. Primeiro ao defender com a perna o remate de um adversário isolado, e depois com uma palmada a afastar um remate que levava muito perigo à nossa baliza. Embora estivesse longe de assim o parecer, a verdade é que essas duas oportunidades foram praticamente o canto do cisne do AZ no jogo, porque a seguir a isso o Benfica espevitou e tomou conta do jogo, não voltando a permitir grandes veleidades ao adversário (apenas à beira do intervalo o Artur foi obrigado a nova intervenção um pouco mais esforçada). A bola passou a aparecer mais vezes junto da baliza holandesa, e os remates começaram a aparecer mais frequentemente, ainda que sem a direcção desejada. Perto do intervalo aconteceu o infortúnio da lesão do Rúben Amorim, que a julgar pela reacção dele (saiu do campo em lágrimas) pode ser grave. Para o seu lugar entrou o André Almeida.

 

 

O regresso para a segunda parte foi perfeito. Logo no reinício o Salvio ficou perto de marcar, a passe do Gaitán. E com três minutos decorridos, marcou mesmo. Depois do Cardozo ter aproveitado uma má intervenção de um defesa adversário para se isolar e ver o seu remate defendido pelo guarda-redes, na recarga sobre o limite da área, em pontapé de moinho, o Salvio atirou para a baliza deserta. O golo teve bastante impacto no jogo: o AZ acusou-o imenso e ficou meio perdido em campo, enquanto que o público no estádio ficou praticamente silenciado. Nos minutos que se seguiram o Benfica construiu jogadas e oportunidades para voltar a marcar, tendo sido então a vez do AZ ser salvo pelo seu guarda-redes com algumas intervenções decisivas. Noutras ocasiões foi mesmo por falta de acerto que a bola não entrou (estou a recordar-me da situação em que quase em cima da linha de golo o Rodrigo não conseguiu acertar bem na bola e enviou-a para a bancada) ou por mau aproveitamento de situações que exigiam melhores decisões - uma jogada sobre o final em que fazemos um contra-ataque com três jogadores para dois defesas adversários e acabámos por não conseguir sequer rematar é o melhor exemplo disso. O facto relevante é que durante toda a segunda parte o 2-0 para as nossas cores foi quase sempre uma possibilidade, enquanto que os holandeses tentavam atacar de forma descoordenada e praticamente não conseguiram levar qualquer perigo à nossa baliza. Houve apenas um momento de tensão, já mesmo a acabar o jogo, quando o Artur teve a única falha durante os noventa minutos e após ter saído ao limite da área para agarrar um cruzamento acabou por largar a bola, mas a nossa defesa acabou por resolver o problema.

 

 

Apesar desta falha mesmo a acabar, o Artur é um dos destaques da nossa equipa. As defesas que fez no período inicial do jogo, em que o AZ esteve mais perigoso, foram fundamentais, e as coisas poderiam ter-se complicado se os holandeses tivessem chegado ao golo cedo. Para não variar, voltei a gostar dos nossos centrais, e em especial do Garay. O Salvio vai regressando à melhor forma, e hoje para além do golo gostei do trabalho defensivo que fez, até porque o Maxi continua a dar muito espaço atrás sempre que sobe. Bom jogo do Gaitán (continuo extremamente agradado com a evolução táctica dele e a forma como ajuda a defender e a lutar pela recuperação da bola), e estava a gostar de ver o Rúben Amorim. Nada mal também o André Almeida, sobretudo se tivermos em conta que entrou praticamente a frio e há meses que não jogava. O André Gomes é frequentemente criticado por ser 'lento', mas eu honestamente gosto de o ver jogar e irrita-me um bocado essa mania. Nem todos os jogadores têm que jogar de forma eléctrica, e agrada-me que ele pareça sempre já saber o que fazer à bola quando a recebe. Além disso é inteligente na movimentação em campo, e praticamente nunca é desarmado quando tem a bola nos pés.

 

 

Foi mesmo uma noite europeia praticamente perfeita para nós, e agora se mantivermos a concentração não deverá ser complicado assegurarmos a passagem às meias-finais, porque temos muito mais futebol do que este AZ. Agora é mais uma vez altura de voltarmos a pensar muito a sério no próximo jogo do campeonato, porque muito do possível sucesso desta época deverá passar pela capacidade para conseguirmos arrumar a questão do título o mais cedo possível. Vou também ficar a torcer para que a lesão do Rúben não seja grave. É um jogador muito útil e que nos faz muita falta.

por D`Arcy às 02:31 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 31.03.14

Passo

Mais uma vitória importantíssima, e mais um passo dado em direcção ao título. O jogo não foi dos mais conseguidos na vertente artística, tendo o Benfica talvez abusado um pouco na gestão do esforço, mas o que interessava mais hoje era mesmo o resultado, e por isso podemos considerar que a missão foi cumprida a contento.

 

Regresso dos titulares que tinham ficado de fora no último jogo, sendo a única alteração no onze habitualmente titular a presença do Sílvio na direita de defesa em vez do Maxi. Desde o apito inicial que deu para perceber que não iríamos ter vida fácil, porque o Braga entrou a pressionar de forma bastante agressiva e com a equipa a jogar muito compacta e subida no campo. Mas durante os primeiros minutos o Benfica conseguiu sair dessa pressão e através de movimentações rápidas na frente criar algumas situações de perigo. O primeiro aviso foi dado pelo Gaitán, que depois de se desmarcar e ultrapassar o guarda-redes rematou com o pior pé à rede lateral. O mesmo Gaitán voltou a ter uma boa ocasião, na qual finalizou mal, e pouco depois, aos treze minutos de jogo, o Benfica colocou-se em vantagem. Arrancada do Rodrigo pela esquerda, a percorrer todo o meio campo do Braga, e depois, já junto da linha de fundo, deixou o marcador directo para trás com uma finta e centrou rasteiro para a finalização do Lima, que se tinha desmarcado bem entre os defesas contrários. Novamente a dupla de avançados a fazer estragos. Colocarmo-nos em vantagem cedo era o melhor que poderíamos fazer para simplificar a tarefa, mas a seguir ao golo o Benfica baixou demasiado o ritmo. Nem sequer posso considerar que o que fizemos foi gestão do jogo ou do resultado, porque isso já o vi ser feito pela nossa equipa com resultados magros. Hoje não procurámos guardar a bola do adversário, mas sim tentar impedir que o adversário pudesse criar ocasiões de perigo. E não conseguimos no entanto criar ocasiões para chegar a um segundo golo que nos desse mais tranquilidade, pois revelámos dificuldades em libertarmo-nos da pressão do Braga de forma eficiente, que nos permitisse as habituais transições rápidas para o ataque - neste aspecto notou-se o jogo menos feliz do Enzo hoje. Verdade seja dita que fomos relativamente eficazes na tarefa de manter a nossa baliza longe de perigo, já que apenas na sequência de um canto o Braga ameaçou seriamente marcar - mas em mais de uma ocasião foi necessário que o nosso último defesa fizesse um corte no limite para evitar males maiores.

 

A segunda parte foi mais animada, tendo no início ficado com a impressão de que o Benfica iria tentar procurar o segundo golo. Durante os primeiros minutos atacámos mais e levámos perigo à baliza do Braga, mas depois o Braga respondeu com um cruzamento perigoso, ao qual o seu jogador não soube dar o melhor seguimento (falhou a primeira emenda, e depois tentou uma finalização de calcanhar) e o Benfica pareceu retrair-se. E portanto, durante um longo período da segunda parte voltámos a assistir ao mesmo cenário da primeira parte, em que o Benfica não geria coisa nenhuma e apenas se limitava a tentar defender bem e evitar que o Braga conseguisse causar perigo. Mas embora tenhamos sido eficazes nisto, já que o Oblak praticamente não teve trabalho nem foi obrigado a qualquer intervenção mais complicada, durante todo este tempo permaneceu sempre a tensão de sabermos que a vantagem era magra, e que um golo fortuito pode acontecer a qualquer altura. A meio do segundo tempo entrou o Rúben Amorim, mas tacticamente não mudámos a nossa forma de jogar, já que foi uma troca directa com o Enzo. A equipa ganhou alguma solidez com esta troca, já que como disse antes o Enzo hoje não esteve nos seus melhores dias. Mas apenas nos últimos dez minutos é que o Benfica voltou a aparecer novamente com mais insistência no ataque, talvez aproveitando alguma fadiga do adversário, que já concedia mais espaço para sairmos para o ataque - a forma como correram e tentaram pressionar durante quase todo o jogo já devia fazer-se sentir nas pernas por essa altura. Já no período de descontos assisti ao evento raríssimo de ver o Pedro Proença assinalar um penálti a favor do Benfica (juro que não me lembro da última vez que tal aconteceu, se é que alguma vez tinha acontecido). Incompreensivelmente, estando o Lima em campo, foi o Rodrigo quem tentou converter, e falhou. Não sei qual foi o motivo para a escolha - talvez recompensá-lo por ter sido dos melhores - mas o Lima ultimamente tem sido irrepreensível na marcação de penáltis, e além disso com o golo poderia aproximar-se mais do topo da tabela dos melhores marcadores, com a motivação extra que isso poderia representar. É certo que o jogo estava quase no final, mas dada a importância do mesmo não me pareceu correcto facilitar assim.

 

Não fosse o penálti falhado e talvez escolhesse o Rodrigo como o melhor jogador do Benfica esta tarde. Está muito confiante, a jogada do golo é muito boa, e de cada vez que consegue arrancar com a bola controlada ficamos à espera que saia dali perigo. A defesa no geral esteve bem, e o Gaitán foi outro dos mais activos no ataque.

 

Ficam agora a faltar oito pontos para garantir o título, o que significa que, com três jogos por disputar em casa, bastará vencê-los para resolver o assunto. Quanto mais cedo conseguirmos resolver isto, melhor, porque então poderíamos inverter a programação e passar a fazer a gestão de esforço no campeonato, para nos concentrarmos nos restantes objectivos que ainda podem ser conquistados. Do jogo de hoje trazemos uma vitória importantíssima e difícil, e a certeza de que estamos cada vez mais próximos do merecidíssimo título de campeão.

por D`Arcy às 00:58 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Sexta-feira, 28.03.14

O Destino não nos dá tréguas

Quando, após aquele final de época 2012/13 em que do tudo nos restou o nada, a Direcção do Benfica renovou com Jorge Jesus, eles, os especialistas, garantiram que se acabara de perder o actual campeonato. Nós, que vivemos o benfiquismo, não acreditámos. O mesmo aconteceu quando Cardozo ficou no plantel e tantos peroravam como isso seria fatal para a época corrente. Com a derrota na primeira jornada, acentuou-se a ladainha do apocalipse. À terceira jornada e com apenas uma vitória, eles, os especialistas, já nos tinham feito a extrema-unção e encomendado a alma. Quando estivemos a cinco pontos do primeiro lugar (à época ocupado pelo FCP da estrutura perfeita) aconselharam-nos a começar a preparar a nova época. Os empates caseiros com Arouca e Belenenses fizeram com que os especialistas garantissem a infalibilidade das suas teses. A suspensão de Jorge Jesus por um mês deu aos especialistas permanentes e aos abutres de ocasião a oportunidade para fazer sangue, acertar contas antigas com o treinador e garantir a falência desportiva da época. Mais tarde, foi a lesão de Cardozo a dar-lhes o alento para agoirarem (vindo dos especialistas, até os agoiros são científicos) a época. Atendendo a que a realidade sempre se encarregou de desmentir os seus desejos disfarçados de opiniões, esperaram pela saída de Matic para garantir que isso é que faria com que deixássemos de contar para a vitória no campeonato. Sempre que eles, os especialistas, garantiram que tínhamos o campeonato perdido, nós, os que vivemos o benfiquismo, não acreditámos e continuámos, com os nossos, a lutar. Agora, porque faltam seis jornadas e temos sete pontos de avanço para o segundo classificado e doze para o terceiro (o FCP da estrutura perfeita), eles, os especialistas, querem convencer-nos de que temos o campeonato ganho. E nós, os que vivemos o benfiquismo, continuamos a não acreditar neles, pois sabemos que em Portugal só há um clube que ganha de véspera e nós, Benfica, não ganhamos nem perdemos de véspera. Lutamos sempre para construir permanentemente um destino que não nos dá tréguas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24 de Março, para publicação na edição de 28/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 27.03.14

Desvantagem

Jogo pouco inspirado do Benfica, particularmente durante os primeiros minutos, e que foi justamente penalizado por uma derrota pela margem mínima, devido a um golo sofrido ainda muito cedo - precisamente na pior fase do Benfica no jogo.

 

A coerência com o discurso de termos como principal aposta vencer o campeonato manteve-se: deixámos seis titulares de fora para este jogo. Mantiveram-se o Maxi, Luisão, Garay, Fejsa e Rodrigo, completando o onze o Artur, Sílvio, Sulejmani, Salvio, Rúben Amorim e Cardozo. Não fiquei nada surpreendido com esta opção: esperava-a e, mais do que isso, desejava-a. A entrada do Benfica no jogo foi má (toda a primeira parte foi bastante fraca, aliás) e a do Porto foi forte. Foi recompensada muito cedo, logo aos seis minutos, num golo de cabeça do Jackson após a marcação de um canto, em que se antecipou ao Garay. O Benfica foi quase inofensivo no ataque, porque raramente conseguia sair de forma rápida e organizada. O Porto teve muito mais posse de bola, mas nunca chegámos a assistir a qualquer massacre à baliza do Artur - foram muito poucos os remates feitos, e as oportunidades de golo ainda menos. Mas as poucas que aconteceram, quase todas para o Porto, foram perigosas. A maior de todas deixou o Varela cara a cara com o Artur, num lance em que não percebo como é que o Fernando não viu um vermelho directo pela entrada horrível que teve sobre o Fejsa (foi de tal forma que provavelmente por vergonha a SportTV não mostrou mais do que uma repetição sorrateira). O Artur correspondeu com uma defesa miraculosa com a ponta da bota. As respostas do Benfica foram muito tímidas, e apenas me lembro de um mau cabeceamento do Rodrigo (nem acertou com a cabeça na bola, mas sim com o ombro) quando estava em posição para fazer melhor, e uma bola solta na área que o Maxi rematou contra os defesas do Porto.

 

A segunda parte foi mais equilibrada. O Benfica não pareceu particularmente incomodado com a desvantagem, e preocupou-se mais em controlar o ritmo do jogo. Prova disto o facto de apenas a quinze minutos do final o Porto ter feito o primeiro remate da segunda parte, pelo Herrera (remate perigoso, diga-se). As substituições feitas (entradas de Gaitán, Lima e Markovic, já na fase final do jogo) fizeram com que o Benfica se atrevesse um pouco mais no ataque, mas o jogo continuou a ser de muito poucas oportunidades de golo, ainda que a bola aparecesse mais vezes junto de uma e outra baliza. O Benfica criou apenas uma grande ocasião para marcar, através de um pontapé de canto no qual o Rúben Amorim apareceu solto na área a rematar, mas o Fabiano correspondeu com uma grande defesa. Houve ainda mais um cruzamento perigoso, que o Fabiano afastou e depois o Markovic não conseguiu fazer o chapéu de primeira, passando a bola perto do alvo. Mas a melhor ocasião foi mesmo do Porto, num remate do Jackson ao poste, com a sorte da bola depois ressaltar para o alívio do Luisão e não de outro jogador do Porto que estava em boa posição. Para além disso, já muito perto do final, o Porto libertou dois jogadores nas costas da nossa defesa mas depois o passe final do Quintero não saiu.

 

Não houve destaques esta noite, num jogo cinzento da nossa equipa. Mas houve decepções. Eu gosto do Cardozo e por isso custa-me escrever isto, mas neste momento jogar com ele na equipa é jogar com dez. Não creio que consiga fazer uma contribuição positiva que seja. Chega atrasado a todos os lances, perde todas as bolas divididas, e às vezes parece totalmente alheado do jogo. Jogo muito fraco também do Sulejmani, particularmente pelo elevado número de vezes que conseguiu perder a bola devido a agarrar-se demasiado a ela. O Salvio também continua muito longe da melhor forma, e o Maxi não me dá segurança a defender.

 

A opção pelo campeonato foi bastante clara neste jogo, e sobre isso não tenho nada a criticar. Se vencermos em Braga no domingo, considerarei esta semana positiva. Acho no entanto que, mesmo tendo em conta a rotatividade, poderíamos ter feito um pouco melhor, sobretudo no ataque - marcar um golo teria sido muito importante. Quanto à Taça de Portugal, a desvantagem de um golo está muito longe de ser irrecuperável. A jogar na Luz, e com uma equipa mais completa, não tenho dúvidas de que o Benfica tem capacidade mais do que suficiente para dar a volta ao resultado e conquistar o direito a regressar ao Jamor. Mas isso é coisa para pensarmos na altura, e nem vou preocupar-me demasiado a digerir este resultado - e não, isto não é abdicar da Taça de Portugal, que também desejo, e muito, vencer; é racionalizar e lembrar-me que isto é uma eliminatória a duas mãos, que temos a segunda mão em nossa casa e que a desvantagem é mínima. Mas a prioridade tem mesmo que ser vencer em Braga.

por D`Arcy às 01:01 | link do post | comentar | ver comentários (55)
Quarta-feira, 26.03.14

Vamos lá a ver se nos entendemos...

Jorge Jesus, eu vou dizer isto muito devagarinho para ver se o senhor percebe de vez: N.Ã.O S.E O.F.E.R.E.C.E B.A.L.Õ.E.S D.E O.X.I.G.É.N.I.O À.S F.O.R.Ç.A.S D.O M.A.L!!! Eu já sei que isto é só a 1ª parte da eliminatória, ainda temos o jogo da 2ª mão, nada está perdido, o campeonato é que é o mais importante (e é) etc. e tal, MAS, e este MAS é muito relevante, quis o destino que tivéssemos que defrontar o CRAC para as duas taças: E NÃO SE OFERECEM VITÓRIAS AO CRAC NEM NO TORNEIO DO BERLINDE!!! Derrotá-los nestas duas taças significa deixá-los a zeros no que toca a títulos e não se pode perder uma oportunidade destas! (Escuso de lhe recordar as humilhações a quem fomos sujeitos, com o senhor a treinador, em mais do que um jogo contra eles nos últimos quatro anos, não escuso? Não acha que já está mais que na altura de pagar isso com juros?!)

 

"Rodar a equipa"? Tudo muito certo, mas jogar com nove durante 77' (neste momento, o Cardozo e o Salvio não contam para o Totobola) e ainda por cima tirar o nosso melhor jogador (Rodrigo) aos 67' é... como dizer... estúpido! Perante um CRAC muito fraco (mas que mesmo assim poderia ter marcado mais golos, dado que a nossa defesa fartou-se de dar abébias), é INCONCEBÍVEL que tenhamos perdido o jogo da maneira que perdemos. Colocámos em risco a qualificação para a final da Taça de Portugal (a propósito, os jogos consecutivos a marcar e tal é muito bonito, mas já não ganhamos uma dobradinha há 26 anos...!) por única e exclusiva culpa nossa. Ou melhor, sua!

 

Ah, e por último, já que iremos ter que ir ao antro (pelo menos) mais duas vezes até final da época, se calhar já estava mais que na altura de não entrarmos em campo com medo do adversário (aliás, se me permite a pergunta: medo, porquê?!), pode ser? É que aquela 1ª parte, perante um adversário que está a 12 pontos de nós no campeonato, foi confrangedora...

por S.L.B. às 23:05 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Terça-feira, 25.03.14

Braga

 

No próximo domingo, em Braga, teremos que estar ao nosso melhor nível e ser simplesmente perfeitos, já que iremos defrontar o adversário mais difícil da época. Estava guardadinho para a fase mais decisiva.

por D`Arcy às 15:20 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Segunda-feira, 24.03.14

Passeio

Três golos, outras tantas bolas nos ferros, jogadas de alta qualidade estética e oportunidades mais do que suficientes para construir um resultado ainda mais folgado. O Benfica fez com que este jogo de fim de tarde contra a Académica acabasse por parecer ser pouco mais do que um mero passeio.

 

 

Uma única alteração no onze habitual do Benfica, apresentando o Sílvio na lateral direita em vez do Maxi Pereira. Nem sequer foi uma entrada das mais fortes do Benfica no jogo, mas a exemplo do que tem acontecido na maior parte dos jogos em casa esta época, chegámos ao golo bastante cedo - praticamente na primeira verdadeira ocasião de perigo que criámos. Foi aos onze minutos, numa jogada entre o Rodrigo e o Lima. O Rodrigo atirou ao poste, e depois o Lima conseguiu meter o pé e desviar para a baliza a tentativa de alívio do defesa da Académica. A partir deste momento tudo se tornou ainda mais fácil para o Benfica, que nunca deu sequer a impressão de ter realmente carregado a fundo no acelerador. Mesmo com a Académica a nunca abandonar o esquema cauteloso de duas linhas de defesa bem juntas, o talento e concentração dos nossos jogadores e uma ideia muito definida de jogo chegaram e sobraram. Antes de cumprida a meia hora de jogo (e com um penálti por assinalar a nosso favor pelo meio) o Benfica duplicou a vantagem, numa jogada de equipa muito bonita. Numa ocasião em que a Académica procurou pressionar alto, já bem junto à nossa área, os nossos jogadores nunca perderam a calma e libertaram-se da pressão fazendo a bola circular de pé para pé entre os seus jogadores, viajar da esquerda até à direita, onde o Sílvio avançou com ela no terreno, desmarcou o Markovic, e dos pés do sérvio saiu um cruzamento rasteiro para a zona do segundo poste, onde o Lima finalizou com facilidade. Continuou o Benfica a dominar completamente o jogo com enorme facilidade, e foi uma pena que mesmo em cima do intervalo não tivesse chegado ao terceiro golo em mais uma jogada fantástica de toda a equipa, que incluiu três passes de calcanhar, e que deixou o Siqueira em frente ao guarda-redes. Infelizmente o remate dele foi defendido - teria sido perfeito se tivesse tocado a bola para o lado, onde tinha o Gaitán completamente sozinho.

 

 

O domínio absoluto e tranquilo do Benfica no jogo continuou na segunda parte. E com a ameaça constante de voltar a marcar. O Benfica nem sequer precisava de carregar muito, simplesmente conseguia manter a bola em seu poder com relativa facilidade, e depois aproveitava as movimentações dos seus jogadores para ir explorando os espaços concedidos para se aproximar da baliza adversária. O terceiro golo chegou quando se finalizava o primeiro quarto de hora: bola recuperada pelo Enzo a meio do meio campo adversário, tabela com o Rodrigo, e finalização à saída do guarda-redes, já em desequilíbrio após ter sido empurrado pelo adversário (era lance para penálti). Logo a seguir, o Rodrigo ficou muito perto de fazer o golo que bem merecia, mas o remate, já de ângulo apertado depois de ultrapassar o guarda-redes, bateu no poste. A seguir foi o Fejsa quem ficou perto do golo. O resultado prometia não ficar por ali, mas com uma vantagem tão confortável no marcador o Benfica relaxou mesmo, e depois das saídas do Gaitán, Rodrigo e Enzo (por troca com o Salvio, Cardozo e Amorim), a velocidade ficou mais reduzida e o jogo perdeu bastante interesse. Deu até para a Académica, quando faltavam pouco mais de vinte minutos para o final, criar a primeira ocasião de perigo no jogo, num cabeceamento que passou bem perto do poste da nossa baliza. Um livre que também passou perto do poste, pouco tempo depois, completou a produção ofensiva da Académica durante todo o jogo, isto numa altura em que o Benfica já permitia à Académica ter um pouco mais a bola e até jogar no nosso meio campo. Mas mesmo assim foi o Benfica quem voltou a estar perto de aumentar a vantagem, e por duas vezes, já muito perto do apito final. Na primeira o Salvio voltou a enviar a bola aos ferros da baliza da Académica, e na segundo o Lima falhou o hat trick, permitindo a defesa ao guarda-redes - poderia ter tocado para o lado, onde tinha o Cardozo completamente sozinho.

 

 

Toda a equipa esteve num bom nível e bastante homogénea. O Lima merece o natural destaque pelos dois golos marcados, mas hoje também pareceu mais solto e confiante. O golo de bola corrida marcado ao Nacional deve ter-lhe feito bem. O Rodrigo voltou a ser preponderante na manobra ofensiva da equipa, e bem merecia ter saído do campo com um golo. Depois de um par de jogos mais discretos, o Enzo voltou a subir de nível, a dupla de centrais exibiu a categoria habitual e o Fejsa ajudou a voltar a fechar os caminhos para a nossa baliza. O Sílvio exibiu a competência do costume (sinceramente, acho que me sinto mais seguro com ele a jogar do que com o Maxi).

 

Jornada positiva porque mantivemos a vantagem sobre o segundo classificado, e agora falta menos um jogo para o final. Positivo também o facto de termos 'descomplicado' o jogo bastante cedo, o que nos permitiu fazer uma boa gestão de esforço antes de uma sequência de jogos importantes e potencialmente complicados que se avizinham - fiquei com a sensação de que a equipa não teve mesmo que se esforçar muito, e que chegou ao final do jogo bastante fresca. Muito se vai jogar nos jogos que se seguem. Confio que a nossa equipa consiga manter o nível que tem exibido ultimamente, e que apoiada pela nossa incomparável massa associativa (49.320 espectadores hoje) consiga aproximar-se ainda mais dos seus objectivos.

por D`Arcy às 00:57 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sexta-feira, 21.03.14

Dispensável

Um empate a dois golos com o Tottenham confirmou um apuramento para os quartos-de-final da Liga Europa que já tinha ficado praticamente assegurado na primeira mão. Mas a exibição do Benfica hoje, sobretudo na parte final do jogo, foi no mínimo sofrível, e causou-nos alguma ansiedade que era perfeitamente dispensável, tendo mesmo chegado a colocar a eliminatória em risco.

 

 

O Benfica entrou em campo com a defesa habitual, mas daí para a frente mudou tudo. Nada de surpreendente, tendo em conta a gestão que tem sido feita na Liga Europa e o resultado trazido da primeira mão. Amorim e André Gomes no meio campo, Salvio e Sulejmani nas alas, Djuricic e Cardozo na frente. Entrámos no jogo como esperava, num ritmo pausado e a a tentar controlar a posse de bola. O Tottenham era quem precisava de assumir a iniciativa, mas também não parecia disposto a arriscar demasiado. Mas foi ainda assim a equipa mais objectiva na procura da baliza adversária, tendo conseguido construir duas boas situações de golo, ambas desperdiçadas pelo Soldado. O Benfica jogou quase sempre a uma velocidade bastante calma, sem fazer aquelas saídas rápidas para o ataque que nos são características - a presença do Cardozo (na forma em que se encontra) na frente fez muita diferença em relação ao que temos visto ultimamente. Também me pareceu que explorámos pouco os cruzamentos para a área, tendo em conta os problemas que o Tottenham tinha no centro da defesa, vendo-se mesmo obrigado a jogar com uma adaptação (Sandro). O jogo foi portanto bastante desinteressante na maior parte do tempo, e quando o Benfica chegou ao golo, praticamente na única oportunidade digna desse nome que criou, ainda mais desinteressante ficou, porque o Tottenham pareceu acusar o golpe e perdeu a pouca iniciativa que tinha mostrado até então. O golo surgiu aos trinta e quatro minutos, numa entrada do Salvio pela direita que terminou com um cruzamento muito bem medido para a o cabeceamento fulgurante do Garay. Depois disso, nada mais de realce aconteceu até ao intervalo.

 

 

A segunda parte foi ainda mais morna. Para o Benfica, naturalmente, com a vantagem que tinha no marcador e na eliminatória, o que lhe interessava era mesmo deixar correr o relógio e aguardar pelo final do jogo. O Tottenham arriscava ainda menos do que na primeira parte, parecendo ter receio de ser surpreendido por algum contra-ataque do Benfica que ampliasse o resultado. Creio que esta toada do jogo foi de tal forma aborrecida que o Benfica praticamente adormeceu no jogo, confiando que o Tottenham estaria entregue ao seu destino e exibindo mesmo alguma sobranceria. Além disso, a partir do meio da segunda parte pareceu-me que o Salvio 'deu o berro' fisicamente, e passamos a jogar com nove - estávamos a jogar com dez desde o início do jogo, dada que o Cardozo esteve num daqueles dias em que está mais virado para assistir ao jogo do que para participar nele. Por isso a primeira substituição feita surpreendeu-me. Quando faltavam vinte minutos para o final entrou o Enzo para o lugar do Djuricic, para reforçar a presença no meio campo, mas os referidos dois jogadores mantiveram-se em campo (e o Sulejmani também já não me parecia estar nas melhores condições). Cinco minutos depois foi a vez de finalmente trocar o Cardozo pelo Lima, mas a doze minutos do final começaram os problemas. No espaço de um minuto, e quando nada o fazia prever, o Tottenham marcou dois golos de rajada e de repente ficou apenas a um de igualar a eliminatória. E com isto o Benfica tremeu, enquanto que o Tottenham acreditou e cresceu, tendo criado uma nova situação de golo quase de seguida, salva por um corte do Luisão. O jogo abriu, o Benfica ainda respondeu numa situação em que o Salvio poderia ter feito muito melhor do que rematar para as mãos do Friedel, mas foi o Oblak quem nos salvou já em tempo de compensação, com uma grande defesa a negar o golo que empataria a eliminatória. Praticamente na resposta, naquela que seria a última jogada do encontro, o Lima sofreu um penálti claro e converteu-o, evitando a derrota já que árbitro terminou de imediato o jogo.

 

 

Não é fácil fazer grandes destaques num jogo destes, em que passámos grande parte do tempo a jogar devagar. Gostei do Salvio enquanto teve forças, o Amorim também parece não saber jogar mal, e a dupla de centrais esteve relativamente bem, não me parecendo ter culpas nos golos sofridos - no segundo o Luisão tentou colocar o adversário em fora-de-jogo, mas foi demasiado no limite. No extremo oposto esteve o Cardozo. Continua a mostrar uma enorme falta de ritmo, mas pior que isso, hoje pareceu mostrar também muita falta de vontade. E Djuricic mais uma vez não aproveitou a oportunidade.

 

Vencemos a eliminatória, que foi o mais importante, rodando jogadores e num jogo em que, dada a velocidade a que se jogou na maior parte do tempo, não terá havido grande desgaste físico para os titulares que alinharam. Não deixa de ser preocupante o abanão naqueles minutos finais, que poderiam ter deitado tudo a perder. Gerir o resultado sim, mas sobranceria e excessos de confiança são desnecessários e nada aconselháveis, por isso espero que o que se passou hoje tenha servido de aviso. Agora quero é ganhar à Académica. Vai ser um jogo difícil, dirigido por um árbitro em quem não confio nada.

por D`Arcy às 00:42 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Terça-feira, 18.03.14

Juniores

 

Está mais uma vez de parabéns a nossa equipa de juniores, que foi a Inglaterra carimbar o apuramento para as meias-finais da UEFA Youth League, derrotando o Manchester City por 2-1 (golos de Gonçalo Guedes - para mim um dos jogadores mais promissores desta equipa - e Estrela). Na final four, a disputar na Suíça, iremos disputar o acesso à final com o Real Madrid.

Quem acompanha a nossa formação sabe do bom trabalho que tem vindo a ser feito ao longo dos últimos anos. As nossas equipas conquistam cada vez mais títulos, e as convocatórias das selecções jovens começam cada vez mais a ter uma maioria de jogadores benfiquistas (a última convocatória, a semana passada, para os sub-17 foi uma autêntica cabazada). Falta agora o passo final, que é num futuro não muito distante podermos começar a ver alguns destes jogadores a aparecer no plantel principal.

por D`Arcy às 22:18 | link do post | comentar | ver comentários (12)

Reacção

Mais uma vitória importantíssima para a conquista do título, num jogo em que entrámos mal mas onde também tivemos uma reacção muito boa e demos a volta a um resultado adverso, deixando mais uma boa demonstração da enorme confiança que existe na nossa equipa e da qualidade do nosso plantel.

 

Apenas a alteração esperada no onze que vem sendo habitual, o Rúben Amorim no lugar do castigado Fejsa. O Benfica teve uma má entrada no jogo - ou, vistas as coisas de outra maneira, foi o Nacional quem entrou muito bem. Bastante agressivos e a pressionar alto, os jogadores do Nacional mantinham o Benfica no seu meio campo e não davam tempo nem espaço para que saíssemos a jogar de forma organizada. E cedo tiveram a recompensa, chegando à vantagem com seis minutos decorridos, através de um penálti. O golo sofrido não motivou uma reacção imediata do Benfica, que continuou a mostrar algumas dificuldades para impor o seu futebol. Só depois dos vinte minutos de jogo é que o Benfica deu o primeiro ar da sua graça no jogo, num remate do Rodrigo que quase deixou a sensação de golo, levando a bola à malha lateral. E pouco tempo depois (aos vinte e quatro minutos) chegámos ao empate, num golo bonito que começou com um cruzamento rasteiro do Markovic na direita, para depois o Rodrigo no interior da área amortecer e deixar a bola redondinha para o remate de primeira do Lima. A partir daqui soltou-se o vendaval ofensivo do Benfica, e o Gaitán, Markovic, Lima e Rodrigo passaram a executar um carrossel ofensivo que parecia incontrolável. As oportunidades começaram a aparecer, e o Gaitán por duas vezes teve o golo nos pés (ainda me parece incrível como não marcou na segunda dessas ocasiões), mas quase nem deu tempo para ficar irritado com isso, já que na jogada seguinte o Rodrigo apanhou a bola na direita, flectiu para o meio e desferiu um pontapé indefensável ao ângulo. Um golão. Estavam decorridos trinta e três minutos, o que significa que no espaço de nove minutos o Benfica tinha construído quatro oportunidades flagrantes de golo e dado a volta ao resultado. Não parou de atacar o Benfica, enquanto o Nacional procurava responder sempre, e o jogo entrou numa toada muito animada, disputado em grande velocidade e com a bola a viajar rapidamente de um lado ao outro do campo. Mas o Benfica mostrava ser mais forte, e quase sobre o intervalo dilatou a vantagem, num canto marcado pelo Enzo para a zona do segundo poste, onde surgiu o Garay quase sobre a linha final a cabecear a bola, levando-a a bater ainda no poste mais distante e a entrar. Pareceu-me que a intenção seria colocar a bola na frente da baliza para que alguém finalizasse, mas o forte vento que se fez sentir terá dado uma ajuda a que a bola entrasse directamente.

 

Com uma vantagem relativamente confortável ao intervalo, impunha-se baixar o ritmo de jogo na segunda parte, e foi o que o Benfica foi fazendo sem grande dificuldade. Procurando contra-atacar apenas pela certa e mantendo a bola na sua posse o máximo possível, o Benfica conseguiu que o jogo fosse bem mais lento e quase sem qualquer ocasião de perigo. Nem sequer esperava que houvesse algum sobressalto, dado que noutras ocasiões esta época já vimos o Benfica a gerir tranquilamente resultados mais magros. Mas de forma algo inesperada, já que salvo uma saída um pouco mais apertada para aliviar uma bola com os pés depois de uma falha do Siqueira, o Oblak tinha sido pouco mais do que um espectador na segunda parte, o Nacional reduziu a diferença quando faltavam dez minutos para o final. Aproveitando a subida da equipa do Benfica no terreno, um contra-ataque rápido (no qual me pareceu que terá havido alguma hesitação do Oblak em sair imediatamente da baliza) deixou o Djaniny numa situação de finalização simples. Depois de parecer que tínhamos o jogo completamente controlado, adivinhavam-se agora uns minutos finais de algum sofrimento. A verdade é que a pressão do Nacional foi tudo menos sufocante, mas ainda passámos por um calafrio num livre que fez a bola cruzar toda a nossa área, aparecendo depois um adversário na zona do segundo poste que felizmente não conseguiu cabecear a bola com êxito. As dúvidas sobre o resultado dissiparam-se no entanto completamente a um minuto do final. Numa jogada em que parecia que o interesse principal do Benfica seria manter a bola na zona da bandeirola de canto, o Sílvio arrancou um bom cruzamento e o Garay, na zona da marca de pnálti, cabeceou de forma colocada para junto da base do poste, deixando o guarda-redes sem reacção.

 

É complicado decidir entre o Garay e o Rodrigo para o melhor em campo. Talvez a escolha mais justa seja o Rodrigo, pela importância que teve na reacção da equipa ao mau início de jogo e à desvantagem no marcador, sendo decisivo na reviravolta do marcador. Nesse período foi uma seta apontada à baliza do Nacional, deu o primeiro sinal de perigo do Benfica, fez a assistência para o golo do Lima e marcou o golão que foi o nosso segundo. Pelo meio ainda teve uma simulação fantástica, a deixar passar a bola para o Gaitán, num lance que continuo sem perceber como não deu golo. O Garay mereceria sempre destaque pelos dois importantes golos que marcou, mas esteve também em muito bom nível a defender, sendo o mais esclarecido da nossa defesa. Gostei também do jogo do Gaitán. O Maxi revelou bastantes dificuldades na primeira parte, quando apanhou com o Candeias pela frente. E achei o Oblak algo inseguro hoje. Se no lance do segundo golo do Nacional ainda posso compreender alguma hesitação, dado que a bola foi para perto da linha de fundo e o vento provocava trajectórias esquisitas na bola (e tenho dúvidas que conseguisse chegar primeiro à bola), já no lance perto do final em que o Nacional ameaçou empatar achei que deveria ter atacado a bola em vez de ficar na baliza.

 

Mais uma etapa superada, e restam agora sete para o final. Estamos no topo, com o melhor ataque e defesa do campeonato, e dependemos só de nós próprios: a conquista de catorze dos vinte e um pontos que faltam disputar garantir-nos-á o título. O melhor do jogo de hoje foi mesmo ver a forma como a nossa equipa não se deixou abalar e teve uma reacção firme e confiante às adversidades. Se conseguirmos manter esta atitude, tudo será mais fácil.

por D`Arcy às 01:54 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 14.03.14

Um olival de eucaliptos

Os dirigentes dos clubes profissionais reúnem em consílio com o intuito de “reformar” o futebol português. Aglomeram-se em torno de um poder bafiento, com métodos camorristas, e, no final, enviam um moço de recados anunciar ‘urbi et orbi’ que querem fazer um “25 de Abril” no futebol. Ou seja, pudemos todos observar gente que se aproveita da liberdade conquistada para escarrar na democracia e, em nome dela, anunciar uma revolução que pretende perpetuar no poder os que atiraram o nome do futebol português para o anedotário em que se encontra. Os dirigentes do Benfica, Sporting e Marítimo afastaram-se daquilo. Garantidamente, nesse momento, os adeptos destes três clubes sentiram orgulho nos seus dirigentes. Pois, ao contrário do que alguns pensam, a maioria dos adeptos não se revê neste futebol que mais parece um olival feito de oliveiras com raízes de eucalipto, das que secam tudo em seu torno. Ao quererem atirar para o poder mais um títere do olival, pretendem garantir que o bolo dos direitos televisivos se mantenha nas mãos que distribuem migalhas aos serviçais que lhe sustentam a negociata. A falência moral do futebol português tem rostos e nomes que se preparam para deixar herança. Disfarçado numa espécie de manto de vitalidade esconde-se o fervilhar de podridão de um pântano estagnado há três décadas e em que aforismos de falência moral como “o que hoje é verdade amanhã é mentira” são publicamente assumidos e vividos entre gargalhadas boçais, fina ironia e charutos mamados (como escrevia o Eça) em prostíbulos e lupanares sobejamente conhecidos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Março, para publicação na edição de 14/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 15:23 | link do post

Simples

Mais uma exibição muito personalizada e segura valeu-nos uma vitória que até pareceu simples e natural em White Hart Lane, com um resultado que nos deixa com enormes probabilidades de apuramento para os quartos-de-final da Europa League, embora não possamos descurar a segunda mão.

 

 

Menos mudanças e poupanças do que eu esperava (e, confesso, desejava). Afinal foram apenas quatro as trocas no onze: Sílvio, Amorim, Sulejmani e Cardozo nos lugares do Maxi, Enzo, Gaitán e Lima. Esperava um assalto do Tottenham à baliza nos minutos iniciais, e foi isso que os ingleses tentaram fazer. Mas o Benfica joga neste momento com uma segurança defensiva muito grande, e como tal conseguiu manter o adversário quase sempre muito bem controlado, não lhe dando hipóteses de ameaçar a nossa baliza. Nas poucas vezes em que o Tottenham conseguia furar a primeira linha de defesa, constituída pelos nossos médios, aparecia sempre um defesa para fazer o corte - muitas vezes o Luisão, que parecia estar em todo o lado. O Benfica neste momento tem os seus jogadores cheios de confiança e joga o seu futebol de forma imperturbável, independentemente do campo ou do adversário - e hoje em Londres acho que até se ouviram mais os adeptos do Benfica do que os do Tottenham, por isso o ambiente nem foi tão adverso assim. Sustido o ímpeto do Tottenham, o Benfica tentava depois as saídas rápidas para o contra-ataque, como tanto gosta de fazer, e a forma de jogar do adversário, com a defesa muito subida a deixar demasiado espaço nas suas costas que podia ser explorado, ainda convidava mais a que isso acontecesse. Durante a primeira meia hora de jogo não conseguimos fazê-lo muitas vezes, pelo que assistimos a um jogo muito disputado a meio campo mas algo morno, sem grandes oportunidades. Mas na primeira vez que o Benfica chegou à baliza adversária, marcou. Tudo começou num passe brilhante do Rúben Amorim precisamente para esse espaço nas costas da defesa, e depois o Rodrigo fez o resto: desmarcou-se saindo da direita para o meio, e à saída do guarda-redes colocou muito bem a bola, rasteira, junto do poste mais distante. Não houve qualquer reacção do Tottenham ao golo. O que se viu foi o contrário, ou seja, os ingleses pareceram acusar muito o golpe e tornaram-se ainda menos incómodos.

 

 

A segunda parte foi diferente da primeira. Foi mais aberta, com mais jogadas de ataque e contra-ataque de parte a parte, mais espaços e velocidade. Começou com a primeira boa ocasião que o Tottenham criou no jogo, onde o Adebayor apareceu solto sobre a esquerda da nossa defesa mas rematou torto e fraco, ao lado da nossa baliza. Mas depois dessa situação era o Benfica quem parecia mais perto do segundo, pois o Tottenham cada vez descurava mais a defesa e abria espaços atrás que podiam ser explorados pela velocidade do Rodrigo, Sulejmani ou Markovic. Isto quando em White Hart Lane só se ouviam mesmo os nossos adeptos a cantar pelo Benfica. Com treze minutos decorridos o Benfica recuperou uma bola perto da área adversária e o Rúben Amorim quase marcou num remate ainda de fora da área, que acabou defendido para canto. Na marcação do mesmo, o Rúben enviou a bola para a entrada vitoriosa de cabeça do Luisão. O Tottenham parecia definitivamente derrotado mas voltou ao jogo cinco minutos depois com um golo de livre directo, após uma perda de bola algo infantil da nossa equipa. Pressentindo o perigo de um possível empolgamento do adversário, o JJ respondeu com as entradas do Gaitán e do Enzo para os lugares do Cardozo e do Sulejmani, reforçando o meio campo e deixando o Rodrigo como homem mais adiantado. Resultou, porque nós passámos a ter um pouco mais de bola e o Tottenham praticamente não voltou a ameaçar a nossa baliza, não retirando portanto qualquer vantagem anímica do golo marcado. Mais uma vez foi o Benfica quem esteve mais perto de marcar, o que quase conseguiu depois de uma asneira grande do Lloris, que esteve perto de oferecer um golo de bandeja ao Rodrigo. Não marcámos nessa ocasião, mas marcámos mesmo a seis minutos do final. Mais uma bola parada, neste caso um livre apontado do lado esquerdo pelo Gaitán, um primeiro cabeceamento do Garay a ser defendido em dificuldade pelo Lloris, e depois o Luisão apareceu na pequena área para fuzilar a baliza, marcando um golo que nos dá muito maior tranquilidade e margem de manobra para a segunda mão. E ainda estivemos muito perto de marcar um quarto golo na jogada final, mas o Lloris conseguiu defender quando o Siqueira lhe apareceu sozinho à frente após tabela com o Gaitán.

 

 

O Luisão foi um autêntico monstro hoje. Marcou dois golos, claro, mas para além disso esteve simplesmente intransponível na defesa, parecendo estar em todo o lado para cortar todas as bolas, ganhar nas alturas ou desarmar adversários. Fantástico também, como tem sido sempre que é chamado a assumir a titularidade, esteve o Rúben Amorim. Para além do trabalho no meio campo, foi ainda o autor de assistências para dois dos golos - e o passe para o primeiro golo foi simplesmente lindo de ver. O grande azar do Rúben Amorim neste momento é o facto do concorrente directo que tem pela titularidade dar pelo nome de Enzo Pérez. Outro gigante em campo foi o Fejsa, e se calhar um dos maiores elogios que lhe posso fazer é que hoje parecia o Matic a jogar. Garay, Rodrigo, Sulejmani (enquanto teve pilhas) foram outros dos que me agradaram. O mais apagado foi mesmo o Cardozo, que continua a acusar falta de ritmo - e cujas características também não serão as mais apropriadas para um jogo como este, em que era necessária velocidade no ataque.

 

 

É sempre agradável vencer em provas europeias e ver a nossa equipa jogar com a personalidade que mostrou hoje. Claro que agora vamos ouvir que o Tottenham está mal, ou que jogou com as reservas, ou que o treinador está a prazo, e outras coisas do mesmo teor a que já nos habituámos. O facto é que vencemos em casa do quinto classificado da Premier League com uma limpeza e deixando uma sensação de facilidade que me encheram de satisfação. Agora é altura de pensar no importantíssimo jogo de segunda-feira na Madeira. Jornadas europeias são muito bonitas, mas eu quero é que o Benfica ganhe o campeonato.

 

P.S.- Não gostei mesmo nada do gesto do JJ para o Tim Sherwood.

por D`Arcy às 01:23 | link do post | comentar | ver comentários (45)
Quinta-feira, 13.03.14

Pedido a Jorge Jesus

Nós sabemos que o campeonato é o grande objectivo,* mas acho que não seria pedir muito se hoje em Londres pudéssemos entrar em campo com a porta fechada no trinco, em vez de estar escancarada. É que, caso não tenha reparado, mister, nós não temos nenhum Casillas no banco. E ainda todos nos recordamos do que aconteceu com o Júlio César em Liverpool, não é verdade…? Seria pouco inteligente se deitássemos fora uma eliminatória por causa disso, tal como aconteceu há quatro anos. Os sinais estão todos lá: frente ao Leixões na Taça da Liga e em ambos os jogos contra o PAOK. Pelo menos, um frango está garantido, a diferença é que duvido que os Spurs não o aproveitassem como os outros adversários.

 

Vamos lá pensar melhor nisto, ok mister? É que há toda uma Taça da Liga para fazer a rotação nesse lugar específico. Aliás, tal como aconteceu no ano passado, em que só nessa competição é que se fez a rotação. Pode ser? É que os guarda-redes não se cansam assim tanto… Muito obrigado pela atenção e boa sorte para mais logo.

 

* No entanto, já agora, é só o campeonato, mister; não existem “competições” mais importantes do que a Liga Europa, é só uma e mesmo assim é só porque estamos de jejum há algum tempo, porque bem vistas as coisas se não somos campeões há três anos, não ganhamos uma prova europeia há mais de 50… E não foram os campeonatos nacionais que nos tornaram conhecidos a nível mundial…

por S.L.B. às 10:13 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 09.03.14

Seguro

Mais um passo seguro dado no caminho para a conquista do título. O Benfica hoje não deu qualquer hipótese ao Estoril: controlou completamente o jogo e o adversário, venceu por números que até são escassos para aquilo que se passou durante os noventa minutos, e ainda viu alargar-se a vantagem sobre o segundo classificado.

 

 

O onze mais habitual para defrontar um Estoril que, face a tudo o que se disse e escreveu durante esta semana, parecia ser um colosso do futebol mundial. Por vezes tinha que verificar que iríamos de facto defrontar o Estoril e não o Bayern, tal o agigantamento com que o nosso adversário foi pintado na comunicação social na antecipação a este jogo. Por mim, sempre considerei que o nosso maior adversário só poderíamos ser nós mesmos, porque um Benfica ao seu nível estaria sempre completamente fora do alcance do melhor Estoril que pudesse aparecer na Luz. E o Benfica fez os possíveis para que o seu trabalho fosse o mais fácil possível. Entrámos mais uma vez a todo o gás: logo na primeira jogada já o Lima falhava o golo na cara do guarda-redes. Ficou dado o mote, e aos quatro minutos foi o Gaitán a obrigar o guarda-redes a nova defesa apertada para canto. Mas na sequência do mesmo, marcado pelo Gaitán, o Luisão cabeceou de forma imparável para as redes. Obtida a vantagem, o meu receio era uma repetição de jogos anteriores, em que depois de estarmos em vantagem no marcador tirámos imediatamente o pé do acelerador para passarmos a gerir o resultado, por vezes até com toques de displicência. Não foi isso que aconteceu desta vez, pois o Benfica manteve-se concentrado, até porque o Estoril é uma equipa contra a qual não convém facilitar. Tem uma ideia de jogo bem definida e não abdica dela, apresentando-se na Luz sem especiais cautelas defensivas e a jogar de forma desinibida. O problema para eles é que neste momento é muito difícil marcar-nos golos. Toda a equipa defende e preenche os espaços quando não tem a bola (é impossível não reconhecer mérito do treinador quando vemos o trabalho defensivo de jogadores como o Gaitán, Rodrigo ou Markovic), pressiona bem e depois sai rapidamente para o ataque mal a recupera, especialmente quando a bola vai parar aos pés do Gaitán, Enzo ou Rodrigo. Aos dezanove minutos de jogo marcámos o segundo golo, um grande remate de primeira do Rodrigo no interior da área, após um cruzamento do Siqueira na esquerda, e apesar do muito tempo que ainda havia para jogar fiquei com muito poucas dúvidas sobre a vitória neste jogo. Fiquei com a clara sensação de que o Estoril teve a partir daí mais posse de bola do que o Benfica, mas foi uma posse quase inócua, já que não me consigo recordar de uma única oportunidade de golo do nosso adversário (nem sei se terá chegado a fazer um remate). Já o Benfica, por mais do que uma vez poderia ter ampliado o resultado.

 

 

No geral, e apesar de não termos marcado mais nenhum golo, até gostei mais de ver o Benfica no segundo tempo, porque geriu o jogo de forma muito confortável e segura. Permitimos menos posse de bola ao Estoril, e procurámos marcar o terceiro golo, que chegámos mesmo a conseguir, pelo Lima, a finalizar uma bonita jogada colectiva, mas infelizmente o golo acabou por ser (mal) anulado por fora-de-jogo. O Estoril foi mantido quase sempre bem longe da nossa baliza - teve, em todo o jogo, apenas uma oportunidade de golo, num livre do Evandro que desviou na barreira e levou a bola ainda a raspar no poste. Já o Benfica, mesmo sem forçar muito, teve ainda mais ocasiões para voltar a marcar para além do golo anulado. Em especial uma arrancada fantástica do Rodrigo, que merecia ter tido melhor sorte, mas depois de correr meio campo com a bola o seu remate foi defendido pelo guarda-redes. Todos os jogadores parecem estar cheios de confiança, e até chegámos a ver o Garay arrancar e desmarcar-se nas costas da defesa do Estoril, sendo desarmado no limite, quando poderia rematar para golo. Houve muitas esperanças tontas depositadas pelos nossos adversários neste jogo com o Estoril, mas a verdade é que o Estoril não teve qualquer hipótese hoje. Desta vez não houve um golo em fora-de-jogo, ou uma expulsão parva do Carlos Martins, ou um prémio extra no final do jogo. O Benfica jogou concentrado do princípio ao fim, e obteve o resultado que desejava sem sequer ter parecido necessário esforçar-se demasiado. Com este tipo de gestão de esforço eu só posso concordar.

 

 

Jogo praticamente perfeito da nossa dupla de centrais, em particular do Luisão, que está de facto num momento de forma fantástico. Em grande forma também continua o Gaitán, que hoje não marcou mas esteve nos dois golos (marcou o canto para o primeiro, que já tinha resultado de uma defesa a um remate seu, e desmarcou o Siqueira no lance do segundo). Gostei também muito do Rodrigo, que com a sua velocidade causou inúmeros problemas ao Estoril, e marcou um golo soberbo. O Lima continua a trabalhar muito, mas continua a mostrar falta de confiança na finalização. foi uma pena terem-lhe anulado aquele golo, porque de certeza que teria feito maravilhas pela sua confiança. Mas de uma forma geral praticamente todos os nossos jogadores estiveram bem neste jogo.

 

Quase cinquenta e sete mil espectadores na Luz neste fim de tarde proporcionaram um ambiente fantástico. Parece que finalmente o público da Luz começa a acordar e a juntar-se à onda vermelha, que nos jogos fora de casa já há algum tempo parece ser evidente. Quanto à equipa, foi digna deste ambiente e proporcionou-nos um dos jogos mais concentrados e confiantes desta época, a par dos jogos contra Porto e Sporting. Temos agora a conquista do título completamente ao nosso alcance, e se soubermos ser competentes e nos mantivermos concentrados neste objectivo, isso poderá ser uma realidade em breve.

por D`Arcy às 23:52 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Sexta-feira, 07.03.14

Águas, Coluna e Eusébio

José Águas, Eusébio e Coluna são os três nomes mais míticos da minha “educação” benfiquista. Nascido no início dos anos setenta, ouvi vezes sem fim a narração dos grandes feitos do Benfica da década de sessenta. Os mais velhos da família passavam testemunho das grandes finais europeias, das conquistas, das jogadas, das goleadas… e na voz dos narradores, nascia a epicidade dos heróis. De entre todos, aquela “santíssima trindade” sobressaía. Os golos, a elegância, o jogo aéreo e a eficácia do Águas, o grande capitão das finais conquistadas; a excelência superior do “Rei”, do maior de todos, o Eusébio; e a força, o pulmão, a inteligência, a determinação e a liderança do Coluna. Estes três eram míticos para a História do Benfica e heroicos no imaginário de quem, sem nunca ter tido o privilégio de os ver jogar ao vivo, cria uma imagem sonhada e, como tal, mais vincada e duradoura. Aconteceu comigo e com milhões de outros benfiquistas que cresceram no benfiquismo, tendo como referência homens que julgamos eternos na medida em que se eternizam no nosso imaginário colectivo. Com o falecimento do Senhor Mário Coluna, deixámos de ter o último representante da tal trindade que, sendo maiores entre os maiores, percebiam que eram pequenos perante o Benfica. Repito que não vi o Coluna jogar, mas vi-o, ao vivo, ajoelhar, com humildade e agradecimento, perante a Águia de Ouro que o Benfica lhe ofereceu como reconhecimento do seu papel cimeiro na história do Clube. Ali, naquele momento, estava mais uma, a derradeira, lição de liderança e benfiquismo que o Senhor Coluna nos deu: ensinou-nos a ser humildes na gratidão ao Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Março, para publicação na edição de 07/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 08:51 | link do post
Domingo, 02.03.14

Feio

Mais uma vitória magra mas importante do Benfica, num jogo bastante feio de ver e que apesar de ter sido quase todo controlado pela nossa equipa me pareceu que teve períodos de 'q.b.' a mais do Benfica, o que nos poderia ter custado bastante caro.

 

 

Regresso do Benfica, esperado, ao onze mais habitual nos últimos tempos. Percebeu-se logo desde o início que não seria fácil jogar com grande velocidade, porque a relva, alta e molhada, travava bastante a bola. Mas o Benfica teve uma boa entrada do Benfica no jogo, rapidamente remetendo o Belenenses para junto da sua área. Foi interessante ver a forma como a equipa, apesar de jogar num teórico 4-4-2, conseguiu sempre uma superioridade numérica muito grande no meio campo, com o Gaitán e o Markovic sempre a fechar muito bem no meio, e ainda o Rodrigo ou o Lima a baixar também. A boa entrada do Benfica no jogo foi recompensada logo aos sete minutos, num lance em que todo o mérito vai para o Gaitán. Num lance individual fantástico, agarrou na bola ainda no nosso meio campo e arrancou por ali fora, deixando todos pelo caminho, para depois finalizar com um chapéu ao guarda-redes feito ainda bem de fora da área. Marcar cedo num jogo destes era o melhor que se podia pedir para o Benfica. Mas depois do golo o Benfica foi progressivamente adormecendo o jogo, jogando a uma velocidade cada vez mais reduzida, sobretudo quando o intervalo estava mais próximo. Mas o controlo do jogo foi praticamente total durante toda a primeira parte - nem sei se o Belenenses chegou a fazer um remate durante esse período, e quase só chegou perto da nossa baliza, sem perigo, através de livres despejados para a área.

 


No início da segunda parte o Benfica voltou a acelerar na procura de um segundo golo, que nos daria maior tranquilidade. Vimos os nossos jogadores a  conseguir ganhar frequentemente a linha de fundo e construímos algumas boas ocasiões para marcar (Gaitán, Rodrigo, Maxi, Garay) mas o golo não surgiu, e findo o primeiro quarto de hora o Benfica voltou a desacelerar. O Belenenses acreditou que seria possível conseguir alguma coisa do jogo e arriscou mais no ataque, mas continuou a ser inofensivo e o Oblak a ser pouco mais do que um espectador no jogo, com a bola a continuar a chegar perto da nossa baliza sobretudo através de livres despejados para a área. O Belenenses chegou mesmo a introduzir a bola na nossa baliza, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo que não me pareceu existir, pelo menos ao jogador que fez o remate. Este lance pelo menos pareceu servir para despertar o Benfica, que voltou a empurrar o Belenenses para o seu meio campo, ainda que mantendo o ritmo de jogo irritantemente lento. Mais fáceis ficaram as coisas nos últimos dez minutos, quando o Belenenses ficou reduzido a dez. Apesar da diferença mínima no marcador, o Benfica controlou o jogo e o resultado à vontade, trocando a bola entre os seus jogadores com o Belenenses a fazer pouco mais do que correr atrás dela. Estivemos até próximos de alargar a vantagem, através do Salvio, mas o guarda-redes do Belém conseguiu defender com o pé.

 


O melhor do Benfica foi novamente o Gaitán. Está num excelente momento de forma, e voltou a demonstrar a sua qualidade no fantástico golo que marcou. Gostei também da dupla de centrais, do Enzo e do Maxi. O Fejsa conseguiu irritar-me com a quantidade excessiva de faltas que cometeu, algumas delas perfeitamente desnecessárias - felizmente foram quase todas cometidas na zona do meio campo.


Na altura em que termino de escrever isto fico a saber que aumentámos para nove pontos a vantagem sobre o Porto. São boas notícias. Mas temos manter os pés assentes na terra e preparar com muito cuidado a recepção ao Estoril. O Estoril é uma das boas equipas da Liga, e é a segunda equipa que mais pontos conquistou fora de casa (atrás de nós). Para além disso, o jogo será disputado antes de um jogo europeu com o Tottenham. Já sofremos dissabores antes de jogos europeus, e por mais que digam que o campeonato é o objectivo principal, a verdade é que desconfio que na cabeça dos jogadores a oportunidade de se exibirem para o mercado inglês possa pesar. Não podemos dar-nos ao luxo de perder a concentração.

por D`Arcy às 21:57 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 28.02.14

As fugas e os ratos

No dia 2 de Dezembro de 2004, um conhecido dirigente de um clube estava em terras galegas, no “Parador de Tui”. Nesse mesmo dia, pelas 7 da manhã, a Polícia Judiciária fazia uma busca à casa desse dirigente, para o deter e conduzir ao tribunal. A coincidência da ausência fez com que se abrisse uma investigação. Da investigação, formou-se, por parte dos investigadores, a convicção de que houvera uma fuga de informação, da qual resultou a fuga do referido dirigente para a Galiza. Passados uns meses, a questão das fugas foi arquivada por impossibilidade de provar quem fora o homem que provocara a fuga de informação. Mais tarde, e segundo noticiava o jornal “Expresso”, em Junho de 2007, os inspectores que realizaram a investigação consideravam que "Quanto à(s) pessoa(s) que possam ter perpetrado tal ilícito, deixam-nos tão mais decepcionados quanto o seu universo é o mesmo em que exercemos o nosso ministério, o da realização da Justiça".

 

No dia 23 de Fevereiro de 2014, um conhecido dirigente de um clube estava à porta da garagem de um estádio a falar para a comunicação social, no intervalo de uma aparente ameaça a um jornalista e da suposta recusa em acatar uma decisão policial (coisas que, a julgar pela falta de repercussão na comunicação social, devem ser banais e costumeiras lá por aquelas bandas). No solilóquio comunicacional a que se propusera, o dito dirigente garantia que “só os ratos é que fogem”.  Desta consideração pouco abonatória para com a bicheza vil e roedora depreende-se que este dirigente estaria a ofender de forma incisiva e garantidamente injusta o outro dirigente de quem se diz ter fugido para a Galiza. Ora, em defesa do bom nome do suposto fugitivo de 2004, aguarda-se um pedido de desculpas por parte deste dirigente que agora acusa o outro de ser um rato.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Fevereiro, para publicação na edição de 28/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post

110 anos

 

Viva o Benfica!

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Pragmático

Um Benfica bastante pragmático, como nos tem vindo a habituar esta época, jogou pacientemente com o resultado trazido da primeira mão e acabou por conquistar uma vitória robusta e carimbar a passagem aos oitavos-de-final da Liga Europa. A expressão da vitória até pode deixar a ideia de algumas facilidades que, na verdade, não foram assim tantas, ainda que a nossa superioridade no jogo tenha sido por demais evidente.

 

 

Mais uma vez assistimos a sete mudanças no onze em relação ao que tem sido o habitualmente titular. Destaque para as presenças do Cardozo e do Salvio no onze inicial, algo que já não acontecia há algum tempo. A baliza foi entregue ao Artur, e a defesa foi o sector com menos mexidas, tendo apenas havido uma troca na lateral esquerda, onde jogou o Sílvio. Do meio campo para a frente, para além dos mencionados Cardozo e Salvio, Amorim, André Gomes e Djuricic juntaram-se ao Gaitán. O jogo na primeira parte pouco diferiu daquilo que vimos na primeira mão. Apesar do PAOK estar obrigado a atacar para recuperar da desvantagem, preferiu manter a mesma atitude cautelosa que tinha tido na Grécia. O Benfica limitou-se a ser bastante paciente, jogando com a convicção de que o tempo corria a seu favor e portanto sem ter necessidade de se lançar desenfreadamente ao ataque. O domínio do jogo pertenceu-nos claramente, a bola rondou sempre preferencialmente a área grega, mas o Benfica optou sempre por construir as suas jogadas de ataque de forma paciente, nunca se expondo ao contra-ataque adversário. As ocasiões mais evidentes de golo surgiram quase todas pelo Cardozo: na primeira isolou-se, evitou o guarda-redes, mas perdeu ângulo de remate e acertou na rede lateral; depois num cabeceamento em posição frontal que deveria ter tido melhor destino, após um grande cruzamento do Salvio, e finalmente num livre em que a bola me pareceu ter sofrido um ligeiro desvio, obrigando o guarda-redes a uma enorme defesa. O PAOK foi praticamente inofensivo no ataque, e só assustou numa quase oferta do Artur, que quase deixou a bola escapar para dentro da baliza depois um remate desferido de muito longe por um jogador grego. O nulo ao intervalo era apenas preocupante por nos deixar ao alcance de um qualquer lance fortuito, porque o PAOK não parecia ter capacidade para nos incomodar seriamente.

 

 

Tudo na mesma para a segunda parte. O PAOK organizadinho no seu meio campo, e o Benfica a jogar tranquilamente, fazendo a bola viajar pelos pés dos seus jogadores, pacientemente à espera de uma abertura. O jogo só começou a mudar quando ao fim do primeiro quarto de hora o Jorge Jesus mexeu na equipa, isto depois de termos sofrido o segundo susto do jogo, quando após um canto o inevitável Katsouranis surgiu ao primeiro poste a ganhar de cabeça, com um colega a não conseguir a emenda no segundo poste. Retirou do campo os jogadores com menos ritmo, Salvio e Cardozo, e fez entrar o Lima e o Markovic. O Salvio deixou alguns bons pormenores no tempo que jogou, mas o Cardozo foi quem revelou mais falta de ritmo, pois esteve demasiado estático na frente de ataque, sendo presa fácil para os defesas adversários e não abrindo linhas de passe para os colegas. Com a entrada do Lima isto mudou, e o próprio Djuricic subiu de rendimento, aproveitando melhor os espaços que as movimentações do Lima abriam. Apenas nove minutos depois destas substituições aconteceu o momento decisivo do jogo. O André Gomes trabalhou muito bem no meio campo e desmarcou o Lima, que depois foi derrubado sobre a linha da área pelo Katsouranis. Vermelho directo para o Katsouranis (que saiu de campo sob merecidos aplausos), e livre directo apontado de forma exemplar pelo Gaitán. Acho que folha mais seca do que aquela era impossível, e o guarda-redes grego limitou-se a ficar estático enquanto contemplava o arco que a bola fez sobre a barreira até entrar junto à base do poste. Num minuto o PAOK ficava em desvantagem no jogo, reduzido a dez jogadores, e perdia precisamente o seu jogador mais importante, que coordenava toda a manobra defensiva da equipa. O desnorte dos gregos em campo passou a ser evidente, e nove minutos depois já o Benfica vencia por três a zero, depois de marcar dois golos de rajada no espaço de um minuto. Primeiro num penálti convertido pelo Lima, a castigar uma mão dentro da área, e depois foi o Markovic quem aproveitou um corte do Luisão para as costas da defesa grega e fez o golo. E até final até poderiam ter sido mais, porque nessa altura o Benfica já fazia o que queria em campo e o PAOK parecia estar apenas à espera que o jogo terminasse rapidamente (o árbitro fez-lhes a vontade e nem sequer deu quaisquer descontos).

 

 

Melhor do Benfica: Gaitán. O jogo acelerava sempre que a bola lhe chegava aos pés, e basta ver o seu toque de bola para se perceber que é um jogador extraordinário. A forma como marcou o livre foi sublime. Os nossos centrais, em particular o Luisão, estiveram impecáveis, e voltei a gostar do jogo do Sílvio. É um lateral agressivo, com grande qualidade técnica, que apoia bem o ataque, joga nos dois flancos e ainda por cima é formado no clube. Sei que não temos opção de compra neste empréstimo, mas gostava que em vez de andarmos para a próxima época outra vez com a rábula do lateral-esquerdo, o comprássemos e arrumássemos de vez com essa questão. O Djuricic fez uma primeira parte bastante má, mas soltou-se na segunda parte e melhorou bastante. A entrada do Lima no jogo foi importantíssima.

 

Mais um jogo em que seria difícil pedir melhor. Vitória robusta, gestão do plantel feita, e passagem à próxima eliminatória carimbada, onde agora iremos encontrar o Tottenham. Certamente que serão jogos que nos irão obrigar a correr bastante mais. Mas o que interessa agora é mesmo ganhar ao Belenenses.

por D`Arcy às 01:06 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Terça-feira, 25.02.14

Monstro Sagrado


Que grande equipa temos lá em cima...

Descanse em paz, grande capitão. De todos os jogadores do Benfica, passados e presentes, o Senhor Coluna foi sempre o meu maior ídolo, aquele que sempre olhei como o maior exemplo e bandeira da Mística do Benfica e por quem maior admiração sempre tive. Nestas coisas as comparações nunca fazem sentido, mas a verdade é este desaparecimento dói-me ainda mais do que o do Eusébio.

 

E do outro lado o menino Eusébio continua a ter o Senhor Coluna a olhar por ele.

por D`Arcy às 17:30 | link do post | comentar | ver comentários (17)

Indiscutível

Vitória magra mas indiscutível num jogo controlado do princípio ao fim pelo Benfica, ainda que sem grande fulgor e com uma segunda parte jogada a um ritmo por vezes demasiado pausado.

 

 

Onze esperado, onde nos lugares dos habituais titulares Maxi, Garay e Gaitán surgiram Sílvio, Jardel e Sulejmani. Entrada a todo o gás do Benfica no jogo, a criar a primeira oportunidade de golo logo na primeira jogada, tendo o Benfica exercido uma pressão quase sufocante durante os primeiros cinco minutos. O azar foi que nessa altura o Jardel e o Enzo chocaram um com o outro, deixando a cabeça do Jardel muito mal tratada. Os longos minutos que o jogo esteve interrompido para prestar atenção ao nosso central fizeram-nos muito mal, e quando o jogo recomeçou parecia outro. A velocidade da nossa equipa caiu muito, e o Guimarães acalmou e começou a conseguir fazer aquilo faz em quase todos os jogos contra nós, que é 'entupir' o nosso futebol, à custa de boa organização, sobrepovoamento do meio campo, mas também de faltas e faltinhas. A excepção durante a primeira parte foi mesmo o Markovic, já que houve alturas em que a nossa equipa quase parecia ele e mais dez. Sempre que a bola lhe chegava aos pés, arrancava imparável por ali fora e oferecia lances de perigo aos colegas, que depois se encarregavam de as desperdiçar, com o Rodrigo em particular destaque nesse aspecto esta noite. O Guimarães pouco fazia no ataque, mas ainda conseguiu obrigar o Oblak a mostrar atenção e qualidade numa grande defesa a um remate cruzado do Maazou. Depois de todas aquelas arrancadas do Markovic desperdiçadas pelos colegas, tinha comentado que o melhor seria mesmo ele pegar na bola e entrar com ela para dentro da baliza, e acabou por ser isso mesmo que ele fez, a cinco minutos do intervalo. O Rodrigo teve a sua melhor intervenção da noite ao fazer um passe para as costas da defesa vitoriana, e depois o talento do Markovic fez o resto: chapéu perfeito ao guarda-redes, para a seguir controlar a bola e levá-la para dentro da baliza, num golo de grande classe. Justiça no resultado, e justiça no marcador do golo, já que ninguém merecia tanto marcá-lo.

 

 

A segunda parte foi acima de tudo bastante aborrecida. O Benfica forçou muito pouco no ataque, preferindo controlar o jogo e o adversário, o que acabou por conseguir sem grandes sobressaltos - apenas por uma vez o Vitória ameaçou a nossa baliza, quando o Maazou apareceu bem posicionado para cabecear junto á pequena área, mas felizmente para nós o cabeceamento não lhe saiu bem e o Oblak defendeu facilmente. Do nosso lado, três lances dignos de realce: um remate do Sílvio de fora da área, que obrigou o guarda-redes a defesa apertada; uma oportunidade flagrante do Lima, que depois de isolado evitou o guarda-redes e rematou ao lado da baliza; e uma jogada de envolvimento de todo o ataque que foi concluída com um remate cruzado do Salvio, que merecia uma melhor conclusão. Mas no geral a segunda parte foi jogada a uma velocidade bastante reduzida, com muita disputa de bola a meio campo, muitos passes falhados e futebol de pouca qualidade. Nos minutos finais, após a entrada do Rúben Amorim, deu para notar uma melhoria do nosso futebol, que contribuiu também para que os minutos finais tivessem sido passados com relativa tranquilidade apesar da magra vantagem no marcador.

 

 

O homem do jogo é obviamente o Markovic. Apesar de ter brilhado menos na segunda parte aquilo que fez na primeira, em que parecia quase imparável, foi mais do que suficiente para merecer o destaque. E, claro, foi o autor do golo que decidiu o jogo, numa jogada em que deixou bem vincada a sua qualidade técnica. Para além do Markovic, gostei dos dois laterais (sobretudo do Sílvio) e do Fejsa. Bem o Oblak, a fazer aquilo que se espera de um guarda-redes do Benfica: pouco trabalho, mas sempre atento e a aparecer com segurança nas alturas em que foi chamado. Pela negativa, os dois avançados, que foram perdulários e pouco combativos, e o Sulejmani, que pareceu começar o jogo já cansado.

 

Tínhamos quatro pontos de avanço no início da jornada, temos agora cinco 'e meio', reforçando a posição invejável de sermos a única equipa dependente apenas de si própria. Para largarmos o primeiro lugar, teremos agora que perder dois jogos, o que não será fácil de acontecer se nos mantivermos concentrados e humildes. E sobretudo, que não percamos o rumo: a conquista do campeonato é (tem sempre que ser) o principal objectivo.

por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Sexta-feira, 21.02.14

Os túneis da justiça

A Justiça (que não desportiva) condenou os futebolistas Hulk, Sapunaru, Cristian Rodriguez, Helton e Fucile por agressão a ‘stewards’, no túnel do Estádio da Luz, no dia 8 de Dezembro de 2009. A condenação surge em Fevereiro de 2014. Pelo caminho ficou o interessante acórdão em que se equiparou os ‘stewards’ a espectadores e ficou o papel desempenhado por um conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça nesse acórdão que ditou a redução dos castigos a Hulk e Sapunaru Este tipo de elaboração diz-nos mais sobre o papel desempenhado por certos juízes no mundo do futebol do que sobre o papel dos ‘stewards’. Olhemos para o papel que desempenhou um conhecido juiz, que foi presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, aquando das alegadas conversas com o famigerado árbitro Carlos Calheiros. Edificante foi também o papel de um outro conhecido juiz a pedir, segundo decorre das escutas do caso “Apito Dourado”, dois bilhetes para um jogo internacional do seu clube (alegadamente é Dragão de Ouro). Num outro âmbito, mas igualmente interessante e importante, foi o papel do Juiz António Mortágua no mundo da justiça desportiva portuguesa. Oiça-se, a este respeito, as escutas decorrentes do “Processo Apito Dourado”. Olhando para os protagonistas percebemos as decisões tomadas pelo mundo da Justiça Desportiva. Como manda a Lei e a Ordem, acatámos essas decisões como legítimas e expectáveis. Quatro anos depois da Justiça Desportiva ter deliberado como deliberou relativamente ao caso das agressões no túnel da Luz, a Justiça (que não desportiva) deliberou de forma bastante diferente. É o mesmo Portugal, todos são igualmente juízes e todos eles são julgados pela opinião pública quando julgam.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Fevereiro, para publicação na edição de 21/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:57 | link do post

Personalidade

Creio que gostei de tudo o que se passou no jogo esta noite. A começar pelo resultado, claro. Mas também das escolhas do treinador, fazendo uma verdadeira rotatividade do plantel e, mais importante para mim, demonstrando pelo menos hoje por actos a afirmação de que a prioridade é a Liga. Gostei da resposta que as 'segundas escolhas' deram neste jogo. Gostei ainda de ver o regresso do Salvio. Mas acima de tudo, gostei da grande demonstração de personalidade e maturidade que a equipa deu, conseguindo ignorar completamente e, imperturbável, até silenciar o suposto ambiente difícil que os gregos iriam criar.

 

 

Apenas quatro jogadores daquele que será nesta altura o onze-tipo do Benfica foram titulares esta noite: Maxi, Luisão, Enzo e Lima. De resto, tudo novidades. Algumas esperadas, como o Jardel ou o Sulejmani, outras bem mais surpreendentes, como o Djuricic, o Artur ou o André Gomes a fechar o lado direito do meio campo. Na lateral esquerda surgiu o Sílvio, e o Rúben deu seguimento à boa exibição em Paços mantendo a titularidade ao lado do Enzo no meio campo. Cedo se percebeu que o jogo não seria dos mais emocionantes de assistir. O PAOK, apesar de jogar em casa, revelou muito respeito pelo Benfica, e optou por uma estratégia de juntar linhas dentro do seu meio campo, oferecer a iniciativa de jogo ao Benfica, e depois pressionar bastante já no último terço do campo para recuperar a bola e sair rápido para o contra-ataque. Mas o Benfica vinha com um plano de jogo pensado, e não se afastou dele, não caindo na tentação de aproveitar o domínio territorial que lhe era oferecido para se lançar desenfreadamente ao ataque. A equipa soube ser paciente e jogou com muita calma e personalidade, sabendo que o tempo jogava a nosso favor. O resultado prático disto foi mesmo um jogo extremamente disputado na zona do meio campo (quase sempre já dentro do meio campo grego), com as duas equipas a anularem-se mutuamente e onde as oportunidades de golo foram praticamente inexistentes. Os (poucos) desequilíbrios foram causados pelas subidas dos laterais de ambas equipas, em especial do Sílvio pela parte que nos tocou, mas poucas jogadas foram dignas de realce.

 

 

E a segunda parte foi mais do mesmo. O PAOK recusava-se a abandonar a estratégia mais cautelosa, e o Benfica também não tinha vontade nenhuma de arriscar lançar-se no ataque. Houve finalmente uma jogada de perigo logo no reinício, quando perdemos uma bola numa saída para o ataque e o remate dos gregos passou muito perto do poste, mas depressa tudo voltou à estaca zero. Parecia ser muito pouco provável que o jogo acabasse com outro resultado que não o nulo no marcador, mas quando estava a terminar o primeiro quarto de hora o Benfica chegou ao golo. O Enzo fez um passe picado para o interior da área, onde o Djuricic tentou receber de peito mas acabou por deixar a bola à disposição de um remate de primeira do Lima, que deixou o guarda-redes sem reacção. Diga-se que o Lima estava em posição claramente irregular no lance, e é-me difícil perceber como é que o auxiliar validou o golo. Foi um erro grosseiro. Como este golo dava cabo da estratégia do PAOK, era de prever que os gregos finalmente arriscassem sair um pouco mais do seu meio campo. Quase a seguir ao golo o nosso treinador antecipou isso mesmo e resolveu fechar os caminhos para a baliza, trocando o Enzo pelo Fejsa. Foi uma boa alteração: o Fejsa entrou bem no jogo e um dos nossos jogadores mais importantes foi poupado a meia hora de esforço. À medida que o jogo ia caminhando para o final o PAOK foi de facto mais atrevido, em especial depois da entrada do Stoch (não percebo porque razão começou no banco), mas o Benfica controlou sempre o jogo com imensa calma. Houve alturas em que conseguimos manter a posse de bola de forma a roçar o brilhante, fazendo-a circular pelo campo quase todo enquanto os gregos andavam a correr atrás dela sem a conseguir sequer cheirar. O empate nunca esteve sequer perto de acontecer, e a única oportunidade de golo que houve foi para o Benfica, num remate do Markovic. Para uma alegria extra, foi possível ver o regresso do Salvio para jogar os últimos quinze minutos.

 

 

Em mais um jogo em que o principal destaque foi a equipa num todo (isto começa a tornar-se cada vez mais comum, felizmente), digo que gostei do jogo do Sílvio e da nossa dupla de centrais. O Lima também esteve bem, tal como o Sulejmani ou o Rúben. Quem terá estado mais discreto foi o André Gomes, mas é compreensível que revelasse alguma dificuldade nas funções que teve que assumir.

 

Tínhamos à nossa espera um inferno, onde a equipa da casa ainda não tinha perdido uma única vez esta época. Chegámos lá, fizemos o nosso jogo de forma personalizada e imperturbável, silenciámos o suposto inferno e saímos de lá com a vitória (com um golo ilegal é certo, mas esta noite nunca perderíamos este jogo). E isto descansando meia equipa habitualmente titular. A eliminatória está ainda longe de estar resolvida, mas ficou muito bem encaminhada.

por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 16.02.14

Luta

Não foi possível ter grande nota artística, mas a equipa soube vestir o fato de trabalho e vencer um jogo complicado e importante em Paços de Ferreira. Para além da vitória, o pormenor que mais me agradou no jogo de hoje foi verificar a imensa onde vermelha que encheu o estádio, e que fez com que o Benfica jogasse praticamente em casa.

 


 

Onze sem surpresas, tendo como única alteração forçada a presença do Rúben Amorim no lugar do Enzo. Não consigo escrever muita coisa sobre a nossa primeira parte. Acima de tudo, foi fraca. Tivemos sempre superioridade no jogo, mas a qualidade do nosso futebol deixou sempre algo a desejar, e as oportunidades de golo foram poucas. Apesar da bola passar a maior parte do tempo nos pés dos nossos jogadores, fomos incapazes de transformar essa posse de bola e domínio territorial em situações de perigo, pois jogámos em velocidade algo reduzida - e o próprio estado do relvado não ajudava nada a que se conseguisse jogar em velocidade ou com muita qualidade. Mas também, por outro lado o Paços de Ferreira foi praticamente inofensivo durante este período, não provocando qualquer tipo de ameaça à nossa baliza. O interesse deles era simplesmente arrastar o nulo o máximo de tempo possível, e a julgar por aquilo a que íamos assistindo, não era de todo improvável que o conseguissem fazer por noventa minutos. De qualquer forma, era escusada a ajudinha extra, já que o Boaventura deveria ter visto o segundo amarelo mesmo a fechar a primeira parte (acabou por ser o Siqueira a ver o amarelo, por tê-lo pedido para o adversário). Toda a primeira parte fez lembrar um pouco aquilo que já tínhamos feito na primeira parte em Barcelos, com as consequências finais que sabemos.


Entrámos melhor para a segunda parte, pelo menos a pressionar bastante o adversário e a conseguir sair com mais velocidade para o ataque. E não foi necessário esperar muito para que o golo chegasse. Marcámos um conto na direita do ataque de forma rápida (ainda nem os centrais tinham subido até à área) e depois da bola ter viajado para trás um pouco, o Rúben fugiu pela direita e arrancou um grande cruzamento para a entrada vitoriosa do Garay, que entretanto tinha subido tarde até à área e apareceu junto da pequena área livre de marcação para cabecear. Sinceramente, após marcarmos o golo, e mesmo tendo em conta o quão perigoso o resultado de 1-0 é, fiquei convencido que a vitória estava assegurada. Não só pela incapacidade para criar perigo que o Paços mostrou durante todo o jogo, mas também porque neste momento eu acho que a nossa equipa está bastante eficaz a manter os adversários longe da nossa baliza (um golo sofrido nos últimos onze jogos atesta bem esse facto). E mais garantida ficou ainda a nossa vitória quando, aos sessenta e oito minutos, o Markovic fez o segundo golo. Numa saída rápida para o ataque o sérvio arrancou com a bola controlada na velocidade que lhe é tão característica, deixou os adversários para trás, e quando se calhar se esperaria um centro para o Rodrigo optou pelo remate directo à baliza, fazendo a bola entrar junto ao poste mais próximo. Depois do segundo golo, o Benfica geriu o jogo sem qualquer problema, sendo mais previsível um terceiro golo nosso do que qualquer golo do Paços que relançasse o jogo.


Num jogo de muito trabalho e pouca arte, não me pareceu que houvessem exibições de grande brilho. O Rúben Amorim voltou a cumprir na perfeição o que lhe foi pedido, como acontece sempre que é chamado à titularidade, e foi um dos melhores. O Garay revelou a segurança habitual e marcou o importantíssimo primeiro golo, com o seu parceiro do centro da defesa a exibir-se também de forma muito segura. O Lima continua a conseguir irritar-me.


Todas as vitórias são importantes, e esta não foge à regra. Era fundamental aproveitar o momento positivo e manter a vantagem confortável no topo da tabela. E é também importante que mesmo quando não é possível resolver os jogos com a superior capacidade técnica da nossa equipa, ela consiga arregaçar as mangas e ir à luta pela vitória. A parte desagradável deste jogo foi que dois dos nossos jogadores, Maxi e Gaitán, viram o quinto amarelo e agora ficarão de fora na recepção ao Guimarães.

por D`Arcy às 22:16 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sábado, 15.02.14

O primeiro título da época

 

Este não é um post sobre o Benfica. Espera aí... estou redondamente enganado! CLARO que é um post sobre o Benfica! O Grande Toni fez história ao conquistar a Taça do Irão pelo Tractor, a primeira da história do clube. Que teve ainda mais mérito por ser conseguida em casa do adversário. Este troféu não vai para o Museu Cosme Damião, não entra no palmarés oficial do Benfica, mas não tenho a menor dúvida que entra no palmarés afectivo dos benfiquistas. Porque uma pessoa como o Toni merece tudo! E quando o Toni do Benfica ganha um troféu, todos nós também celebramos.

 

MUITOS PARABÉNS, MISTER!

por S.L.B. às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Sexta-feira, 14.02.14

Os especializados em tudo

Foi com surpresa que observei que os opinadores profissionais que pululam pelos órgãos de comunicação a perorar sobre futebol são todos, mas mesmo todos, especialistas em tudo. Já os vira exercer a especialidade de limpadores solícitos da corrupção e abrilhantadores de corruptores. Por vezes, aquando da apresentação dos relatórios e contas dos clubes, mostram-se especialistas em finanças, gestão, contabilidade e administração de sociedades desportivas e conhecimento empírico de gestão de mercearias de bairro. Durante os períodos de aquecimento das equipas, é ouvi-los como sumidades em fisiologia do treino desportivo e da pedagogia do desporto, enquanto momento de exercitação da especulação jornalística. Aquando das lesões de atletas, são sempre os mais habilitados a diagnosticar problemas, sugerir terapias e garantir a incompetência dos departamentos médicos dos clubes. Nesta semana que passou, vimo-los exercer a ‘supinidade’ excelsa de demonstrarem ao comum mortal a sua sapiência em estruturas metálicas e coberturas de bancadas de estádios. Eles demonstraram que tudo sabem sobre corrosão galvânica, corrosão uniforme, corrosão atmosférica, reacções electroquimícas (anódica e catódica) e tensões residuais. Teorizaram com autoridade académica sobre porcas, arruelas, rebites e parafusos. Eles, do alto da sua infalibilidade de especialistas em generalidades banais, chegam a passar atestados de incompetência aos aventureiros que sendo especialistas em segurança e protecção civil vêm para a televisão falar de… segurança e protecção civil. Eles só não sabem como e quando usar o verbo “evacuar”, o que fez com que evacuassem imbecilidades sempre que falaram da evacuação e segurança do Estádio da Luz.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Fevereiro, para publicação na edição de 14/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 10:39 | link do post
Quarta-feira, 12.02.14

Fácil

Muito fácil mesmo. Se no papel a superioridade da nossa equipa sobre a do sportém é por demais evidente, hoje ela ficou bem expressa em campo. Cumprimos portanto a nossa obrigação de vencê-los, e o resultado acaba apenas por ser escasso perante aquilo que se passou durante os noventa minutos, mesmo considerando que durante quase metade da segunda parte me pareceu que tirámos o pé do acelerador e assumimos uma postura demasiado expectante no jogo.

 

 

Existem duas realidades distintas: aquilo que esta equipa do sportém vale, e aquilo que eles pensam que valem. A diferença entre estas duas realidades é ainda enorme. Felizmente para nós, o Jardim montou uma equipa baseada na segunda realidade. Ao ter o desplante de vir jogar à Luz de início com dois pontas-de-lança, num 4-4-2 clássico, ele abdicou da única vantagem de que poderia tirar partido, que é o facto do JJ regularmente oferecer a vantagem numérica no meio campo ao adversário. Confesso que nem consegui perceber porque motivo os adeptos deles estavam entusiasmados com esta táctica, e até achavam que o adiamento os prejudicava por ter estragado a 'surpresa'. Surpresa sim, mas muito agradável para nós: quando o jogo foi adiado, o meu stress era mesmo que o Shrek reconsiderasse e resolvesse não entrar em campo hoje a jogar com a mesma táctica. Porque nem era precisa qualquer preparação especial para a contrariar, tanto que o Benfica entrou também com a mesmíssima equipa que estava escalada para domingo. Com ambas as equipas a jogar em esquemas semelhantes, o valor individual dos jogadores torna-se ainda mais decisivo. E jogador por jogador, a verdade é que em todo o plantel do sportém existem apenas dois jogadores que poderiam ambicionar a entrar nos nossos convocados, sendo que um deles estava suspenso. Sim, eu sei que nos devaneios deles jogadores que vêm da segunda divisão brasileira são grandes centrais, pontas-de-lança que não vingam na competitiva MLS são vedetas de classe mundial, e marrecos espanhóis que passam o tempo a atirar-se para o chão são extremos de classe, mas depois, com o tempo, a realidade encarrega-se de ir demonstrando o contrário.

 

 

Como se este bónus não bastasse, juntou-se a ele o medo cénico que o sportém pareceu mostrar, e que começa a ser um hábito quando vêm à Luz. A nossa equipa entrou em campo muito agressiva, a pressionar muito alto e a cair rapidamente em cima do portador da bola, e frente a isto o que vimos foi um adversário que pareceu quase petrificado de medo, e que deve ter demorado o primeiro quarto de hora até conseguir passar da linha do meio campo. Podíamos ter dado início às festividades ainda antes de terminar o primeiro minuto, porque praticamente na primeira jogada o Cedric tremeu, fez asneira, e só não acabou em golo porque o Gaitán complicou demasiado a jogada. A história da primeira parte resume-se ao controlo absoluto do jogo por parte do Benfica, com uma posse de bola avassaladora, enquanto que o sportém ficava remetido ao seu meio campo e não conseguia alinhar uma jogada digna desse nome, já que os seus jogadores perdiam quase sempre a bola ainda antes de chegar à linha do meio campo. Depois revelavam grandes dificuldades quando o Markovic, Rodrigo ou Gaitán apareciam soltos entre as linhas deles (que jogaram muito afastadas) para receber a bola. Demorou mais do que seria justo até aparecer o primeiro golo, pois foi necessário esperar até aos vinte e sete minutos. Mais uma recuperação de bola dentro do meio campo adversário, pelo Fejsa, cavalgada do Maxi pela direita e cruzamento perfeito para a entrada do Gaitán, perto da marca de penálti, marcar um raro golo de cabeça, com a bola a passar por entre as pernas do Patrício. Nada mudou com este golo: o Benfica continuou a mandar completamente no jogo, e o sportém praticamente só se aproximava da nossa baliza através de livres que eram despejados desde muito longe para a nossa área. A vantagem ao intervalo era justa, mas escassa, porque a nossa produção na primeira parte merecia pelo menos mais um golo - o Gaitán, perto do intervalo, falhou de forma escandalosa o que poderia ter sido esse golo.

 

 

Nada mudou nas equipas à entrada para a segunda parte, e o Benfica entrou como tinha acabado a primeira: a falhar o segundo golo de forma algo escandalosa, desta vez pelo Rodrigo. Mas depois de alguns minutos, pareceu-me claramente que o Benfica levantou o pé. Deixámos de pressionar alto, e baixámos as linhas para o nosso próprio meio campo, assumindo uma atitude mais expectante, para depois tentar fazer transições rápidas para o ataque sempre que recuperávamos a bola. Durante alguns minutos o sportém conseguiu respirar um pouco e até ter mais bola. Não que isso tivesse causado qualquer tipo de complicação, porque não me recordo do Oblak ter sido obrigado a fazer qualquer defesa mais apertada, e apenas numa ocasião o Heldon conseguiu criar uma situação de algum perigo, mas o remate cruzado que fez foi na direcção da bancada. Mas de qualquer forma o resultado era perigoso, porque em qualquer altura um lance fortuito poderia estragar tudo - basta recordarmo-nos do que tinha acontecido no jogo da taça, em que dominámos durante mais de uma hora e depois duas bolas paradas quase deitaram tudo a perder. Era necessário marcar o segundo, e o Benfica voltou a acelerar, sem que o sportém tivesse capacidade para responder. Voltámos a acercar-nos da baliza adversária, e a um quarto de hora do final tivemos a merecida recompensa, sentenciando o jogo. O Patrício conseguiu defender um primeiro remate do Rodrigo, que apareceu isolado, mas depois a jogada prosseguiu e o Enzo voltou a recuperar a bola ainda no meio campo do sportém, foi até à entrada da área, fez o que quis do Dier, e rematou de pé esquerdo, deixando o Patrício sem reacção. Não é que houvessem ainda grandes dúvidas sobre quem venceria o jogo, mas nessa altura acabaram completamente. Até porque o sportém não conseguiu qualquer reacção ao golo. Ou melhor, minto. A uns cinco minutos do final o Montero conseguiu fazer o primeiro remate do sportém à nossa baliza (fraco e à figura do Oblak). Considerando a produção deles durante todo o jogo, se calhar até se pode considerar isto uma reacção fortíssima. A vitória final foi clara, inequívoca, e escassa. Nem sequer teremos que gramar com a habitual choradeira dos penáltis: para reclamá-los seria preciso primeiro que conseguissem chegar à nossa área.

 

 

Homem do jogo, para mim sem dúvidas, o Enzo. Não apenas pelo golo, que foi uma demonstração clara da qualidade que tem. Por tudo o resto. Pela atitude, por nunca baixar o ritmo, pelo sangue frio com a bola nos pés - não sei se terá perdido a posse de bola uma única vez durante o jogo - e por ser o principal iniciador das nossas jogadas de ataque. Com a saída do Matic, ele é agora a jóia do nosso meio campo. Foi hoje muito bem acompanhado pelo Fejsa, que fez também um jogo enorme. Recuperou inúmeras bolas (o nosso primeiro golo nasce numa bola recuperada por ele) e parece que vai ganhando confiança para expandir mais o seu raio de acção, pois começamos a vê-lo cada vez mais frequentemente a pressionar em zonas mais adiantadas do campo. Achei que o Garay fez um jogo impecável, e quanto ao Rodrigo só foi pena ter sido perdulário. Bom jogo também do Markovic, que está cada vez menos individualista e mais um jogador de equipa.

 

Com a vitória de hoje alargámos para quatro pontos a nossa vantagem sobre o segundo classificado e somos agora a única equipa que depende apenas de si própria para ser campeã. Temos que começar já a pensar cuidadosamente na deslocação a Paços, onde não poderemos contar com o Enzo, que viu o quinto amarelo hoje. O momento é nosso, e não podemos desperdiçá-lo como o temos feito noutras ocasiões.

por D`Arcy às 00:49 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Quinta-feira, 06.02.14

Paciência

Foi preciso acima de tudo bastante paciência para eliminar o Penafiel e carimbar o apuramento para as meias-finais da Taça de Portugal. Perante uma equipa muito fechada no seu meio campo, disciplinada tacticamente e muito lutadora, o Benfica nunca perdeu a cabeça e acabou recompensado já perto do final, numa altura em que, confesso, já me sentia preocupado com a possibilidade de um prolongamento, ou até mesmo com um golo fortuito do adversário (o que, diga-se, nunca foi sequer uma ameaça).

 

 

Apresentámos um onze muito diferente do de Barcelos, já que apenas dois jogadores mantiveram a titularidade: Maxi e Luisão. O Benfica até entrou relativamente bem no jogo, ameaçando seriamente a baliza adversária durante os primeiros minutos. Mas depois de uma perdida inacreditável do Jardel, que apareceu completamente solto na pequena área e conseguiu cabecear a bola cruzada pelo Sulejmani para fora, o Penafiel foi acertando as marcações e tornou-se cada vez mais complicado para o Benfica encontrar os caminhos para a baliza. Para isso também contribuiu a fraca noite da dupla atacante escolhida para esta noite, que a tornou presa fácil para a defesa do Penafiel. O Cardozo mostrou ainda uma natural falta de ritmo, e passou a maior parte do jogo demasiado estático, sendo até apanhado diversas vezes deslocado. O Djuricic pareceu muitas vezes afastado do jogo, e entregue à marcação adversária a maior parte do tempo - as poucas vezes em que apareceu foi quando decidiu recuar e posicionar-se entre as linhas do Penafiel para criar linhas de passe e receber a bola. Pena que não o tivesse feito mais vezes - isto pode ser consequência da insistência em querer fazer dele um 'nove e meio', o que o empurra para zonas onde não parece sentir-se à vontade. O resultado disto foi que a equipa até fez bem a pressão sobre o adversário, jogando subida no terreno e matando quaisquer possíveis tentativas de contra-ataque logo à nascença. O problema era depois a falta de mobilidade no ataque, o que fazia com que andássemos imenso tempo a circular a bola no meio campo, fazendo-a viajar de um lado ao outro sem que aparecesse uma opção de passe em progressão - isto levou a que por vezes os médios (Rúben e André Gomes) até arriscassem demasiados passes de rotura que saíram mal, na tentativa de criar lances de desequilíbrio.

 

 

Este foi o registo do jogo durante a maior parte do tempo, até que o Benfica tomou a decisão de mexer na equipa. A troca dos dois jogadores mais adiantados pelo Rodrigo e o Lima aumentou a presença e mobilidade no ataque, e os defesas do Penafiel começaram a revelar muito mais dificuldades em tapar todos os buracos. O Rodrigo mexeu imediatamente com o jogo, e lances de maior perigo começaram a aparecer mais frequentemente. A entrada do Lima, a dez minutos do final, teve impacto quase imediato, já que o Benfica chegou ao golo apenas três minutos depois. Numa jogada em que intervieram precisamente o Lima e o Rodrigo, com o passe do primeiro a encontrar o segundo desmarcado à entrada da área e depois, quando até parecia que o Rodrigo poderia ter aproveitado para rematar, a bola seguiu mais para a esquerda, para o Sulejmani, que flectiu um pouco para o meio e marcou de pé direito. E diga-se que nenhum outro jogador esta noite mereceu mais o golo do que ele. Afastado ficou assim o espectro de um prolongamento que seria altamente inconveniente logo no início num mês já de si carregado de jogos - o Penafiel, destruída que estava a estratégia de defender o nulo, tentou então vir para a frente, mas foi completamente inofensivo, sendo mesmo o Benfica quem esteve perto de ampliar o resultado, num remate do Lima.

 

 

Conforme dito, o Sulejmani foi para mim o melhor jogador do Benfica esta noite, e sê-lo-ia mesmo que não tivesse marcado o golo que decidiu a eliminatória. Jogando encostado à esquerda foi sempre o jogador mais incisivo da equipa, sendo igualmente agressivo no auxílio ao Sílvio para a recuperação imediata da bola. Gostei dos dois médios, e as entradas dos dois avançados foram importantes. Esperava um pouco mais do Ivan Cavaleiro, que no lado direito não conseguiu ter um rendimento que se aproximasse ao do Sulejmani no lado oposto.

 

Mais uma vez, obrigação cumprida. Presença nas meias-finais garantida em noventa minutos, sem ter sido necessário desgastar a equipa titular. Agora, dois jogos contra o Porto separam-nos de mais uma presença no Jamor.

por D`Arcy às 00:21 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 02.02.14

Idiota

De uma forma perfeitamente idiota, interrompemos a nossa série de bons resultados. Perdemos dois pontos contra uma das piores equipas da Liga (estamos a ficar peritos nisso) e com isso perdemos também a possibilidade de tirar o máximo partido da derrota do Porto e deixá-los a seis pontos, com todo o impacto psicológico que isso acarretaria.

 

Um dos adversários mais incómodos do Benfica neste jogo, foi visível logo desde o início, foi o relvado, em péssimo estado. Isso e, pelo menos na minha forma nervosa de ver os jogos do Benfica, a derrota do Porto. Porque para mim é quase uma fórmula matemática: sempre que temos oportunidade de arrancar e deixar decisivamente o Porto para trás, fazemos asneira. A equipa que o Benfica apresentou não teve surpresa alguma, sendo a habitual dos últimos jogos. O Gil Vicente tambem não foi surpresa nenhuma: jogou exactamente da mesma maneira que tinha jogado a semana pasada, no Restelo, frente às nossa reservas. Tudo encafuado no seu meio campo, e abdicação quase total de atacar. O Benfica até entrou a jogar de uma forma razoável, face a estas condicionantes. Sobretudo por influência do Gaitán, muito activo na esquerda e o principal criador de lances de ataque do Benfica, e também do Rodrigo, que jogava com bastante mobilidade e conseguia quase sempre aparecer solto para dar opções de passe aos colegas. Ainda cedo no jogo vimos precisamente o Rodrigo falhar um golo quase certo por culpa do mau estado do relvado, mas a verdade é que frente a um adversário tão fechado atrás e impossibilitados de jogar de forma mais rápida, as ocasiões de golo foram raras. Para além da ocasião do Rodrigo, apenas um remate do Siqueira, quase sobre o intervalo, deu a sensação de perigo. De resto, os poucos remates que conseguimos fazer foram quase todos frouxos e levaram sempre a direcção do guarda-redes do Gil Vicente, que os defendeu sem grande dificuldade.

 

Até gostei da entrada do Benfica na segunda parte. A metade do campo para a qual atacámos parecia estar em condições ligeiramente melhores, e o nosso jogo atacante foi também melhor, ainda e sempre com o Gaitán como jogador em maior destaque. Só que, ainda não tinha terminado o primeiro quarto de hora, num momento de profunda idiotice o Siqueira viu o segundo amarelo e foi expulso. A situação complicava-se, mas não houve muito tempo para preocupações, porque apenas três minutos depois o Benfica chegou à vantagem. Penálti assinalado depois do Gaitán (claro) ser atingido de forma atabalhoada com um pontapé nas costas, e o Lima marcou com a segurança do costume nestes lances. O mais difícil estava feito, perante uma equipa que até então, a exemplo do jogo da Taça da Liga, não tinha feito um remate no jogo. Esperava que o Benfica, em vantagem, fizesse alguma alteração, com o reforço do meio campo por troca com um dos avançados - o Gaitán nesta altura actuava como lateral esquerdo, mas não havia ninguém no banco para fazer esta posição. O Gil Vicente reagiu ao golo e incrivelmente conseguiu, com sessenta e cinco minutos de jogo decorridos, fazer o primeiro remate no jogo. Pouco depois, fez o segundo e infelizmente marcou. Aproveitando um alívio do Luisão para a entrada da área, após um canto, o jogador adversário rematou de primeira e a bola entrou mesmo, com enormes culpas para o Oblak. A bola era defensável, porque não foi muito colocada, mas fiquei com a sensação que ele tentou fazer uma defesa para a fotografia e acabou por dar uma palmada na bola para dentro da própria baliza. O Benfica foi novamente obrigado a fazer as despesas do jogo, porque o Gil Vicente voltou a remeter-se á defesa, e mesmo com dez o nosso controlo do jogo foi quase completo. Nos cerca de vinte minutos que se seguiram ao golo do empate, acho que atacámos e rematámos mais do que tínhamos feito no jogo até então. O Cardozo (que tinha entretanto substituído o Rodrigo) falhou um golo de forma incrível, ao acertar na perna do guarda-redes. Mas o pior foi no período de descontos: o Bruno Paixão inventou um penálti a nosso favor (pareceu-me uma  carga normalíssima sobre o Djuricic, sem qualquer falta) e o Cardozo fez aquilo que de pior por vezes resolve fazer: fechou os olhos e chutou a direito com força. Acertou no guarda-redes.

 

O Gaitán foi o melhor jogador do Benfica, o Siqueira obviamente o pior. O Rodrigo esteve bem a espaços, o Lima lutou bastante e movimentou-se bem, mas continua a ser um desastre na finalização (excepção feita ao penálti). Muito mal o Oblak no golo sofrido. Para sofrer um golo no único remate que o adversário faz à baliza já lá estava o Artur.

 

Mais dois pontos perdidos, a juntar aos que perdemos com o Arouca e com o Belenenses, contra uma equipa indescritivelmente má. Menos mal que o Porto do Fonseca fez o que se esperava e por isso ainda lhes ganhámos um ponto, mas isso não apaga a frustração de dois pontos muito mal perdidos. Nem um penálti caído do céu soubemos aproveitar.

por D`Arcy às 00:23 | link do post | comentar | ver comentários (48)
Sexta-feira, 31.01.14

Os insubstituíveis

O futebolista Matic deixou o Benfica e foi para o Chelsea receber um ordenado chorudo e fora das possibilidades de qualquer clube português. O Benfica recebeu por esta venda um valor bem significativo, ainda que aquém das expectativas criadas. Objectivamente, no plano desportivo, o Benfica deixou partir um dos seus futebolistas mais importantes. Isto é um problema e, para o ultrapassar, há que arranjar uma solução. Há no Benfica quem já nos tenha dado provas de que as soluções existem e são implementadas. É, também, para encontrar soluções que muitos dos profissionais do futebol do Benfica recebem ordenados chorudos e fora das possibilidades do cidadão comum. As saídas de Witsel e Javi Garcia foram lidas como apocalípticas até que Enzo e… Matic demonstraram ser soluções com claras mais-valias desportivas relativamente aos que haviam saído. O mesmo já acontecera com David Luís e Garay e, anteriormente e com outros contornos, na substituição de Ramires por Sálvio ou, ainda que mais demorada, a de Simão por Di Maria. Em todos estes casos se gritou pelo apocalipse e se carpiram antecipadamente profecias de desgraças futuras. É natural, faz parte de uma ‘voluptas dolendi’, um comprazimento na dor, que enforma e enferma a alma lusitana. Recordo que as deserções de Pacheco e Paulo Sousa também levaram a que se antecipasse o pior, mas que foi sem eles, e também a eles, que ganhámos por 3-6, em Alvalade. Aliás, desde que vi o Dito e o Rui Águas saírem para o FCP e substituídos pelo Ricardo (o melhor central que vi no Benfica, depois do Humberto) e pelo Vata (que acabou como melhor marcador do campeonato), percebi que no futebol só a bola é insubstituível. Haja optimismo nos adeptos e competência nos profissionais para, mais uma vez, se substituir o “insubstituível”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Janeiro, para publicação na edição de 31/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

por Pedro F. Ferreira às 08:49 | link do post
Sábado, 25.01.14

Agradável

O jogo era só para cumprir calendário e pouco interesse competitivo tinha, mas a verdade é que me agradou vê-lo, e só fiquei com pena de que aqueles minutos finais, depois da entrada dos três miúdos da equipa B, não tivessem sido mais. 

 

 

Foi obviamente uma equipa completamente secundária aquela que entrou no relvado do Restelo. Mas isso, e o facto do jogo ser a feijões, não impediu que se apresentasse motivada. A atitude foi excelente do início ao fim, frente a um adversário que, incompreensivelmente, se limitou a defender. Num jogo que nada decidia, não sei o que é que procuravam conseguir com isto. Gostei de ver a equipa alinhar com as linhas muito subidas, em pressão constante sobre o adversário, que conseguiu a proeza de acabar o jogo com zero remates feitos. Não se se alguma vez tinha visto algo assim. Não foram muitas as oportunidades criadas durante a primeira parte (era difícil perante tantos adversários a defender), mas mesmo assim deveríamos ter chegado ao intervalo a vencer, até porque desperdiçámos um penálti (Funes Mori muito mal na marcação). O merecido golo, que acabou por garantir a vitória, acabou por chegar aos cinquenta e seis minutos, numa recarga do Sulejmani a um cabeceamento do Funes Mori, que levou a bola à barra da baliza. O jogo, que foi disputado quase exclusivamente no meio campo do Gil Vicente (devemos ter acabado com mais de 70% de posse de bola), ficou mais animado nos últimos quinze minutos, quando o Benfica fez entrar o Bernardo Silva, o Hélder Costa e o João Cancelo (estreia absoluta para os dois últimos na equipa principal do Benfica, pois o Bernardo já tinha alinhado alguns minutos na Taça de Portugal, contra o Cinfães). O adversário finalmente quis arriscar um bocadinho mais, e com isso deu mais espaços atrás, que a irreverência e vontade dos miúdos em mostrar serviço explorou e poderia ter aproveitado melhor para ampliar o resultado. Isso esteve muito perto de acontecer - qualquer um dos três teve pelo menos uma ocasião para o fazer.

 

 

Tal como no jogo contra o Leixões, para a mesma competição, o Rúben Amorim voltou a destacar-se. Sempre bem nas tarefas defensivas, mostrou depois a sua grande técnica de passe na construção de jogo. Gostei também muito do André Gomes, embora admita ser suspeito nesta apreciação porque é um jogador que eu aprecio bastante, e dos que mais me irrita não ver serem concedidas mais oportunidades na equipa principal. A saída do Matic dá-me alguma esperança que ele possa voltar a jogar mais regularmente, mas é mesmo esperar para ver. O Ivan Cavaleiro também jogou bem, e pareceu-me bastante solto e confiante. Se calhar o facto do jogo não decidir nada permitiu-lhe soltar-se e mostrar diversos pormenores que costumamos vê-lo fazer pela equipa B. Desta vez se calhar até foi excessivamente generoso, procurando sempre servir colegas em melhor posição- em particular o Funes Mori, a quem parecia especialmente apostado em oferecer um golo. Por falar no Funes Mori, confesso que é um jogador que até me custa um pouco criticar. A verdade é que de jogo para jogo reforço a ideia que tenho dele: é tecnicamente limitadíssimo (vulgo: um cepo). Mas tem uma atitude muito boa no jogo, pois nunca vira a cara à luta e trabalha durante os noventa minutos. Marcou o penálti de forma horrível, mas o cabeceamento que fez à barra após o cruzamento do André Almeida, e do qual resultou o nosso golo, foi muito bom. Conforme referi, gostei da entrada dos três miúdos da equipa B. Espero que possamos aproveitá-los - e que eles saibam também aproveitar as oportunidades que lhes forem sendo concedidas. O Bernardo Silva e o Cancelo são nomes que já nos são mais familiares, porque há algum tempo que se vai falando deles, mas o Hélder Costa entrou muito bem no jogo, e tenho gostado bastante do que tenho visto dele na equipa B - ainda nesta última quarta, contra o Penafiel, na fase em que a equipa ficou reduzida a nove acabou a ocupar a posição de lateral-esquerdo e impressionou-me a forma como conseguiu sempre fazer, mesmo no final dos noventa minutos, todo o corredor.

 

 

Mais uma vitória, mais um jogo sem sofrer golos, e fim de um mês de Janeiro perfeito. Ficamos agora à espera de adversário nas meias.

por D`Arcy às 19:33 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Sexta-feira, 24.01.14

A encomenda

A “estrutura perfeita” perdeu no Estádio da Luz e viu os cinco pontos de vantagem que lhe garantia loas ao plantel e encómios ao líder da fina ironia transformarem-se em três de atraso para o Benfica.

A “estrutura perfeita” reagiu insurgindo-se contra o árbitro, Artur Soares Dias. O mesmo Soares Dias que herdou o apito e consolidou carreira sempre na sombra da Torre das Antas. Ao culpar o dito Soares Dias, a “estrutura perfeita” limpou a imagem do seu treinador, Paulo Fonseca. O mesmo Paulo Fonseca que herdou o cargo e consolidou a carreira na sombra da última jornada do campeonato transacto. Ao culpar o dito Soares Dias, a “estrutura perfeita” desculpabilizou-se de ter substituído James e Moutinho por Licá e Josué. Mas a “estrutura perfeita” foi mais longe e exigiu a nomeação do amigo Proença para as próximas contendas com o Glorioso. A tradição ainda é o que era e desde Garrido que há sempre um Proença a ser desejado e “nomeado” para participar e contribuir para a festança. Assim, com uma “nomeação” tão atempada como avisada, não admira que a “estrutura perfeita” tenha um treinador a garantir que festejará na última jornada do campeonato. Aliás, diga-se que esse treinador, apesar da curta carreira, já tem alguma experiência em garantir campeonatos na derradeira jornada. E é assim que a “estrutura perfeita” garantia há uns meses que só os estúpidos é que falavam de arbitragem e que agora, falando de arbitragens, não só deixaram de ser estúpidos como encomendam os foguetes para jornada final. Faltou-lhes apenas dizer que a culpa da derrota na Luz se deveu ao facto de terem jogado à tarde, quando a tradição os habituara a jogar no calor da noite. Mas, garantidamente, a “estrutura perfeita” valer-se-á, também, do retomar dessa tradição.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 21 de Janeiro, para publicação na edição de 24/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Segunda-feira, 20.01.14

Tranquila

Uma vitória tranquila do Benfica (por vezes até excessivamente tranquila) permitiu mantermo-nos isolados no topo da classificação. Num jogo disputado grande parte do tempo a um ritmo muito pausado, as coisas ficaram resolvidas na primeira parte, e só faltou que na segunda tivéssemos aproveitado as oportunidades para construir um resultado mais dilatado. Foi a oitava vitória consecutiva, e a décima segunda nos últimos treze jogos (apenas o empate com o Arouca pelo meio estragou esta série).

 

 

Jogámos com apenas uma alteração no onze que venceu o Porto, tendo o Fejsa, como era mais do que previsível, ocupado o lugar que era do Matic. A primeira coisa a saltar à vista desde o início do foi a aparente pouca intensidade metida pelo Benfica no jogo. Continuo a achar que o estado actual do relvado - parece-me demasiado pesado, devido à chuva constante - não ajuda muito a que se disputem os jogos a uma velocidade muito elevada, mas mesmo assim pareceu-me que a 'calma' do Benfica chegou a ser excessiva. Por vezes o jogo parecia ser um jogador com a bola nos pés e os dez colegas parados a olhar para ele, à espera de ver o que é que iria fazer. Houve excepções, como o Gaitán ou o Markovic, que procuravam acelerar assim que a bola lhes chegava aos pés, mas o jogo foi em geral enfadonho. Num jogo que até então praticamente não tinha tido oportunidades de golo, o Benfica inaugurou o marcador numa das primeiras ocasiões que criou, que nasceu precisamente de uma arrancada do Gaitán. O passe a solicitar o Lima foi cortado por um defesa do Marítimo, mas o corte deixou a bola à disposição do Rodrigo, que descaído sobre a esquerda rematou rasteiro, de primeira, para o golo. Depois do golo, obtido aos dezanove minutos, o jogo animou. O Benfica ameaçou o segundo, num cabeceamento do Garay e num centro do Gaitán a que o Rodrigo não chegou por muito pouco, e o Marítimo respondeu com um período de alguns minutos de pressão e cantos consecutivos, que obrigaram o Oblak a algumas defesas mais apertadas. Mas foi quando o Marítimo estava na sua fase melhor que o Benfica chegou ao segundo golo, numa altura em que faltavam dez minutos para o intervalo. Infantilidade do último defesa do Marítimo, que se agarrou à bola sobre a linha do meio campo quando estava pressionado pelo Rodrigo e pelo Markovic, e a bola acabou por sobrar para o primeiro, que correu metade do campo sozinho e finalizou sem problemas - o golo é no entanto precedido de ilegalidade, já que o Rodrigo estava adiantado quando o Markovic desarmou o defesa. O segundo golo acabou com o ímpeto do Marítimo, e o jogo arrastou-se calmamente até ao intervalo.

 

 

As coisas não mudaram muito após o intervalo. O Benfica preocupou-se sobretudo em gerir o resultado e controlar o jogo, o que conseguiu sem muitos sobressaltos. O Marítimo tentou subir no terreno na busca de um golo que relançasse o jogo, mas com isso ficou exposto aos contra-ataques do Benfica. Mesmo sem grandes correrias, o Benfica acabou por ter pelo menos quatro grandes oportunidades, de que me recorde, para ampliar a vantagem, quase todas construídas precisamente em saídas rápidas para o ataque. Uma para o Rodrigo/Markovic, que acabaram por trocar demasiado a bola entre si sem que nenhum deles se decidisse pelo remate na altura ideal. O Lima teve duas, ambas negadas por boas defesas do guarda-redes. Na primeira há mérito no remate espontâneo do Lima, mas na segunda, apesar de ser uma grande defesa, julgo que naquela situação o Lima poderia ter feito melhor, pois estava sozinho em frente ao guarda-redes e tinha tempo para fazer o que quisesse. Finalmente, houve também uma bola na barra, num raro cabeceamento do Enzo. A única resposta do Marítimo foi uma ocasião já a poucos minutos do final, a que o Oblak respondeu com uma defesa apertada que ainda fez a bola embater no poste. Não esqueço também o que me pareceu um penálti evidente sobre o Markovic, que o Hugo Miguel, com toda a sua experiência em não marcar penáltis a favor do Benfica (lembremo-nos do que ele fez em Coimbra há dois anos, em que transformou um penálti sobre o Aimar em falta ofensiva) conseguiu dar amarelo ao nosso jogador. Provavelmente o Markovic deveria era ter-se deixado cair sem que ninguém lhe tocasse, ainda fora da área. Isso parece resultar melhor com o Hugo Miguel (ou isso, ou não equipar de vermelho).

 

 

O Rodrigo tem que ser considerado o homem do jogo. Está definitivamente a atravessar um grande momento de inspiração no que diz respeito aos golos, e a fazer lembrar o jogador que era antes do Bruto Alves o ter ceifado. Se calhar há umas semanas atrás a perspectiva de o vender por uma quantia interessante até não me incomodaria muito. Hoje, e ainda para mais com a indisponibilidade do Cardozo e a franca desinspiração goleadora do Lima, já não me sinto tão tranquilo com essa possibilidade. Para além do Rodrigo, agradaram-me também as exibições do Gaitán, Enzo e Markovic.

 

Completámos hoje uma volta do campeonato sem conhecer a derrota. Falta-nos apenas o encontro do próximo fim-de-semana contra o Gil Vicente, para a Taça da Liga, para fecharmos um mês de Janeiro perfeito, no qual até agora contamos por vitórias todos os jogos disputados, isolámo-nos no primeiro lugar da Liga, apurámo-nos para os quartos-de-final da Taça de Portugal, para as meias-finais da Taça da Liga, e não sofremos um único golo. Nada mau para uma equipa em crise e sob críticas constantes.

por D`Arcy às 01:33 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sexta-feira, 17.01.14

As duas Taças gémeas

Vou repetidamente ao nosso Museu Cosme Damião, ao ninho das águias, para ver aquelas duas Taças dos Clubes Campeões Europeus tão parecidas, tão irmanadas e, no entanto, tão diferentes.

 

Para o observador incauto são as barrigudinhas gémeas, iguais e indistintas. Para o benfiquista são inconfundíveis. Olham para nós de forma idêntica, sorriem-nos ambas como marcos únicos do benfiquismo, mas não são iguais. Na segunda estão já o Eusébio e o Simões. Na primeira estão ainda o Neto e o Santana. Erguem-se ambas em cima de dois colossos europeus, mas uma com tom castelhano e outro catalão. Uma ganhou-se a um húngaro que se confundia com Barcelona e outra a um argentino que se fundiu com Madrid. Em ambas está a liderança do Coluna, a eficácia e elegância do José Águas e a categoria do Germano. Olhamo-las nos olhos e percebemos o testemunho da imagem do Águas a erguê-las aos céus como agradecimento da dádiva feita pelos deuses aos eleitos. Observamo-las atentamente e percepcionamos promessas de lutas, reveses e sucessos futuros. Sabemos que em ambas reside a garantia da renovação do benfiquismo. Carregam nelas a herança de atletas da cepa de Rogério “Pipi”, Francisco Ferreira ou Julinho, na mesma medida em que anunciam glórias como Bento, Humberto, Néné ou Chalana. Como todas as gémeas, falamos delas no plural, mas sabemo-las singulares e únicas.

 

Como tributo ao facto de elas nos terem dado o cognome de “Glorioso” até as denomino com os nomes das duas gémeas mais importantes da minha vida: à de 60-61 chamo Catarina e à de 61-62 chamo Maria.

 

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Artigo de opinião publicado na edição de 17/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 16:11 | link do post
Quinta-feira, 16.01.14

O vazio

Só alguém com a inteligência de jornalista deportivo português é que consegue ver a polémica em declarações em que ela não existe. É tudo o que eu tenho a dizer sobre o vazio que é a não notícia da "revolta" dos jovens benfiquistas.

por Pedro Valente às 19:51 | link do post | comentar | ver comentários (25)

Resolvido

São jogos com esta qualidade que se calhar (também) ajudam a que a Taça da Liga seja uma competição que desperta pouco interesse. Do jogo desta noite, que não teve grande história, o melhor foram os dois bonitos golos que marcámos e a vitória por dois a zero, que nos garantiu desde já o primeiro lugar no grupo e consequente apuramento para as meias finais da competição.

 

 

O Benfica entrou em campo com uma equipa de segundas escolhas - nenhum dos jogadores do onze que defrontou o Porto foi titular hoje. Seria uma boa oportunidade para que alguns dos jogadores menos utilizados mostrassem serviço. Houve quem aproveitasse, mas houve também quem mostrasse a razão pela qual fica de fora das primeiras escolhas. À parte a curiosidade para ver jogar alguns desses jogadores em acção, o jogo teve pouco interesse. A superioridade do Benfica foi sempre indiscutível, mas o ritmo de jogo foi relativamente lento, e provavelmente o relvado pesado terá também contribuído para isso. A fase inicial de jogo foi particularmente má, com os nossos jogadores a fazerem uma quantidade inusitada de passes disparatados, muitos deles para terra de ninguém. Perto da meia hora aconteceu um dos momentos altos do jogo, que foi o golo do Djuricic. Livre do Rúben na posição central, enviando a bola para perto da linha de fundo onde apareceu o Jardel a cabeçear para trás na direcção do Djuricic, que controlou a bola no peito e rematou para o golo sem a deixar cair. Um pormenor de grande qualidade técnica num jogo pobre nesse particular. A segunda parte, durante a qual entraram Markovic, Lima e Rodrigo, fica apenas assinalada por mais um bonito golo, já quase a fechar o jogo, da autoria do Ivan Cavaleiro. A passe do Rúben (grande pormenor na jogada), tirou um adversário do caminho e fuzilou de pé esquerdo. Finalmente, depois de já ter estado tantas vezes tão perto, o Ivan marcou pela equipa principal. Podíamos ter marcado mais golos, mas tal não aconteceu não por desperdício de ocasiões de golo, mas mais por termos falhado no chamado último passe.

 

 

Para mim o melhor jogador do Benfica foi, de longe, o Rúben Amorim, que teve intervenção directa nos dois golos e foi um dos jogadores que esteve sempre a um ritmo mais elevado. Foi digno da braçadeira de capitão que envergou. Sílvio, Fejsa e Jardel também me pareceram bem, embora o sérvio falhe ou complique demasiado sempre que tenta construir jogo. Por falar em complicação, é talvez um aspecto a corrigir no Ivan Cavaleiro. Gostei do jogo que fez, mas continuo a achar que em várias jogadas peca por se agarrar demasiado à bola e não a soltar no momento certo. Apesar do bonito golo, esperava ver mais do Djuricic neste jogo. Teve um ou outro pormenor de qualidade, mas no geral pareceu-me desmotivado e alheado do jogo - bastou ver a forma como (não) festejou o golo, e calculo que até tenha sido por isso que o Rúben foi falar com ele nesse momento. Outro jogador que parece ter um problema de empenho é o Ola John. Dá pena ver tanto talento desperdiçado por falta de vontade em correr. Pelo contrário, o Funes Mori é um jogador que trabalha bastante e não vira a cara à luta, mas reforcei a opinião de que é tecnicamente limitado. E fiquei surpreendido pela negativa com a exibição do Steven Vitória, porque o que eu vi dele o ano passado no Estoril e até este ano pela equipa B faz-me esperar mais e melhor. O regressado Artur teve uma falha que poderia ter sido comprometedora, mas recompôs-se e esteve bem durante o resto do jogo.

 

Foi bom termos ficado já com o tema do apuramento resolvido. Assim podemos encarar a recepção ao Gil Vicente na última jornada com total tranquilidade, e resta-nos ficar à espera para saber qual a desagradável visita que teremos que fazer no jogo da meia-final.

por D`Arcy às 02:00 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Segunda-feira, 13.01.14

Arranque

Apesar do mau historial recente em jogos contra o Porto, creio que todos os benfiquistas tinham hoje uma crença quase absoluta na vitória. Simplesmente não era imaginável outro resultado que não a vitória no clássico. E os nossos jogadores corresponderam a esta expectativa. Não com um jogo rico em pormenores técnicos de qualidade, mas com muita raça, empenho e concentração, oferecendo-nos uma vitória que há demasiado tempo nos fugia, numa tarde que fica marcada pela linda homenagem ao nosso King Eusébio antes do início da partida.

 

 

A grande surpresa para mim foi a manutenção da titularidade do Oblak. Não que não fosse justificada, porque a verdade é que depois de uma série infeliz de jogos consecutivos a sofrer golos, desde que o Oblak assumiu a baliza que nem por uma vez a bola voltou a tocar as nossas redes. Não sei se tem tido muito trabalho ou não, mas o que tem tido, tem-no feito bem. Menos surpreendente foi a manutenção da aposta nos dois avançados que, confesso, não é do meu agrado em jogos contra o Porto. A primeira parte do jogo foi muito pouco interessante no que à qualidade do futebol diz respeito. As equipas acabaram por encaixar uma na outra, houve pouco espaço para jogar e muitos lances divididos, sempre disputados com grande intensidade. Os desequilíbrios e oportunidades de golo foram poucos, e a primeira vez que isso aconteceu resultou no golo do Benfica. Com uma dúzia de minutos decorridos, o Markovic aproveitou um mau passe de um adversário para recuperar a bola perto do círculo central, arrancou por ali fora com a bola controlada deixando adversários para trás, e na altura certa passou a bola para o Rodrigo que, descaído sobre a esquerda, desferiu um remate de primeira imparável para o golo. Ao contrário do que aconteceu com alguma frequência nos jogos mais recentes contra o Porto, desta vez fomos nós a adiantarmo-nos no marcador relativamente cedo, e isso fez muita diferença. O Benfica esta época parece jogar pouco para a nota artística, e em vez disso ter um espírito mais virado para o 'resultadismo'. Se calhar noutras épocas recentes, a seguir ao primeiro golo o Benfica embalaria na busca de um segundo. Desta vez optou por manter uma atitude mais resguardada e sóbria, controlando um Porto que se viu obrigado a ir em busca do golo. E, verdade se diga, fizeram-no exemplarmente. É que o Porto, que durante a primeira parte teve mais posse de bola, não conseguiu construir uma oportunidade de golo - não me recordo de, nas últimas épocas, alguma vez ter visto um Porto tão inofensivo na Luz. A única forma que o Porto tinha de levar a bola para perto da nossa baliza era através de livres, que eram aproveitados para despejar a bola para a área a partir de qualquer posição dentro do nosso meio campo, mas a nossa defesa hoje esteve sempre concentrada, e não foi por aí que criaram qualquer perigo.

 

 

A segunda parte começou praticamente com um livre muito perigoso a favor do Porto, à entrada da área, que acabou com a bola nas mãos do Oblak. O Benfica respondeu com uma ocasião do Markovic, defendida para canto. Na sequência desse canto, houve um penálti flagrante cometido pelo Mangala, por mão na bola, que incompreensivelmente não foi assinalado. A jogada seguiu para novo canto, e na marcação deste, quando ainda se reclamava o penálti não assinalado, surgiu a entrada fulgurante do Garay, que de cabeça fuzilou a baliza do Porto. O golo aconteceu logo aos oito minutos, havendo portanto ainda muito tempo para jogar, mas praticamente dissipou quaisquer dúvidas sobre o vencedor, porque este Porto nunca pareceu mostrar qualquer capacidade para poder anular uma desvantagem de dois golos. O Benfica, com muito empenho e raça de todos os jogadores, continuou a manter o adversário longe da sua baliza, e tal como na primeira parte o Porto foi incapaz de criar uma oportunidade de golo que fosse. O Benfica, pelo contrário, em transições rápidas ia ameaçando dilatar ainda mais a sua vantagem, e dispôs de mais do que uma ocasião para o fazer. A melhor de todas esteve nos pés do Rodrigo, que se isolou e em frente ao Hélton acabou por chutar com o seu pior pé (o direito) por cima da baliza. A um quarto de hora do final o Porto ficou reduzido a dez, e a nossa tarefa ficou ainda mais facilitada. Se calhar o Benfica até poderia ter forçado na procura de mais um golo, mas o jogo já estava ganho e não valia a pena correr riscos desnecessários. Nestes últimos anos já vi o Benfica jogar de forma bem mais vistosa contra o Porto e não ganhar. Prefiro ver-nos jogar de forma mais realista e conseguir o resultado que nos interessa. Após o final do jogo, fiquei infelizmente com a nítida sensação de que o Matic se despediu do público da Luz.

 

 

O maior destaque do jogo de hoje é para a equipa num todo. Tiveram a atitude e concentração certas para vencer um jogo sempre difícil, e que foi de luta intensa. Já há algum tempo que não via o Benfica impor-se ao Porto de forma tão natural. Em termos individuais, é com agrado que vamos assistindo à evolução do Markovic na vertente táctica do seu jogo. Depois, o talento natural dele ajuda a fazer a diferença, o que foi o caso hoje. O Rodrigo está a atravessar um momento bom de forma (ao contrário do Lima, que continua francamente desinspirado). Se calhar, agora que ele parece estar a regressar à forma 'pré-atropelamento pelo Bruto Alves', arriscamo-nos a vê-lo ser vendido. Gostei do Enzo e do Garay, o Maxi continua a subir de forma, e por fim o Matic, naquele que poderá ter sido o seu último jogo na Luz, despediu-se com mais uma boa exibição.

 

Debaixo de constantes críticas da imprensa e dos seus próprios adeptos, a ter que superar a carga psicológica negativa do terrível final da época passada, com diversos jogadores fulcrais indisponíveis por lesão, com o treinador suspenso durante um mês, o Benfica foi a melhor equipa da primeira volta do campeonato, mesmo que outros tenham sido os campeões das loas. Estamos em primeiro com todo o mérito, e apesar das inúmeras contrariedades que nos têm afligido. Espero que a vitória de hoje possa ser o arranque definitivo para a conquista desta Liga.

por D`Arcy às 00:19 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 10.01.14

O Rei

Os grandes reis ficam na História pelo cognome. No entanto, há um que difere de todos os outros ao ponto de se lhe substituir o nome pelo cognome. Para nós, Rei é Eusébio e Eusébio é um outro nome de Benfica, cujo cognome é Glorioso. É assim que no nosso imaginário o Rei é o Glorioso. É assim que no Benfica se edifica História. Mas este Rei é único, na medida em que não é herdeiro da coroa que ostenta nem deixou herdeiros para a sua coroa. Ele é o Rei único e insubstituível numa corte de vários príncipes e milhões de súbditos. Este Rei não nasceu herói, construiu-se herói ao longo da sua vida e nessa construção ajudou determinantemente o Benfica a transformar-se num Clube de dimensão universal e intemporal. É assim com os que são enormes entre os grandes: edificam-se, edificando um edifício maior do que a dimensão do sonho. Ao vivenciarmos Eusébio deveremos perceber que, muito esporadicamente, a História dá-nos o privilégio de assistir à metamorfose do homem que transcende da sua condição ao ponto de se tornar um mito. Um dia, o homem parte e fica o mito. Quando o que restava de humano partiu no domingo passado, ficou a herança e a responsabilidade dos seus súbditos perceberem que houve uma fase em que Eusébio jogou e ganhou para o Benfica. Fê-lo durante anos, golos, vitórias, lesões e sacrifícios a fio. Agora, é chegada a hora de o Benfica jogar e ganhar pelo Eusébio. Apenas assim os súbditos do Rei continuarão a construir o Glorioso.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Janeiro, para publicação na edição de 10/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Domingo, 05.01.14

Eusébio

 

Hoje morreu um pouco do nosso Benfica. Fica a saudade, a gratidão ilimitada e o dever de estar à altura do maior símbolo do nosso Benfica. Tudo o que não foi dito não cabe nas metáforas, fica em nós connosco, na família benfiquista.

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por Pedro F. Ferreira às 11:32 | link do post | comentar | ver comentários (31)

Agradável

A pausa de Natal parece ter-nos feito bem. Uma exibição agradável do Benfica - talvez das melhores a que assistimos nos últimos meses - permitiu-nos resolver o jogo bastante cedo, e depois gerir o resultado calmamente e avolumá-lo com naturalidade.

 

 

O Benfica não fez quaisquer poupanças e entrou em campo com o onze mais forte que seria possível apresentar neste momento. Entrou também com uma atitude boa, a jogar com rapidez e agressividade, e foi recompensado logo aos dois minutos, altura em que chegou ao primeiro golo. Foi numa jogada bastante bonita, que envolveu o Siqueira, o Markovic e o Gaitán, sendo do pé esquerdo deste último que saiu o cruzamento para o cabeceamento certeiro do Rodrigo. Conforme disse, a atitude com que o Benfica entrou no jogo foi muito boa, com toda a equipa em bloco a exercer uma pressão forte sobre o Gil Vicente, o que resultou numa posse de bola quase permanente do Benfica. E quase sempre que a bola era recuperada, as transições para o ataque foram feitas em boa velocidade, o que permitia apanhar o adversário desposicionado e criar ocasiões de golo com frequência. Quando chegámos ao final do primeiro quarto de hora e marcámos o segundo golo, no intervalo de tempo entre os dois golos já tínhamos criado pelo menos três ocasiões flagrantes para voltar a marcar. O segundo golo foi da autoria do Markovic após uma boa combinação com o Rodrigo na cara do guarda-redes, depois de um bom passe do Enzo sobre a defesa que os deixou a ambos isolados. Com uma vantagem confortável adquirida tão cedo, o Benfica pôde jogar com tranquilidade e a partir da meia hora pareceu-me ter abrandado um pouco o ritmo, mas sem nunca ter largado o controlo absoluto do jogo. E ainda chegou ao terceiro golo, numa saída rápida para o ataque concluída mais uma vez pelo Rodrigo, que rematou para a baliza deserta a passe do Gaitán. Este tipo de jogadas costumavam ser bastante frequentes na nossa equipa, mas já há algum tempo que não as via. Neste caso pareceu-me particularmente importante a rapidez de decisão do Oblak na altura de lançar imediatamente a bola para o ataque assim que a agarrou. Como a equipa do Gil Vicente tinha subido até à área para a marcação de um livre, isto permitiu-nos partir para o ataque rapidamente e apanhar o adversário desprevenido e desorganizado - já disse várias vezes que as constantes indecisões e hesitações do Artur na altura de lançar os contra-ataques são um dos pormenores que mais me enervam nele. 

 

 

Tendo a primeira parte rendido a confortável vantagem de três golos, era mais do que esperada uma segunda parte muito menos agitada e de maior gestão de esforço por parte da nossa equipa. Foi exactamente isso que aconteceu. Mas desta vez o Benfica fez uma gestão equilibrada do jogo, pois não cometeu o erro habitual de simplesmente encostar-se atrás e entegar completamente a iniciativa de jogo ao adversário, limitando-se a defender a vantagem. Estivemos sempre por cima no jogo, mesmo jogando a uma velociade mais pausada nunca permitimos qualquer veleidade ao adversário, e apesar das oportunidades de golo serem em menor quantidade a possibilidade do resultado se avolumar esteve sempre presente. Esta confirmou-se com apenas treze minutos decorridos, quando o Lima converteu um penálti a castigar um derrube claro do guarda-redes ao Maxi. Depois deste golo o Benfica poupou-se mais ainda, retirando do jogo os sempre importantes Enzo e Matic, mas nem mesmo assim deixou de estar sempre por cima. O Lima esteve perto do quinto do Benfica e seu segundo da noite num toque de calcanhar defendido por instinto ou acaso pelo guarda-redes, mas acabou por marcar mesmo já em período de descontos, finalizando quase sobre a linha de golo um cruzamento tenso do Maxi.

 

 

Muito boa a primeira parte do Rodrigo, que para mim foi o homem do jogo: marcou dois golos e fez a assistência para o Markovic marcar. Markovic que hoje esteve diferente para melhor. Para variar, o Benfica não jogou com menos um porque esta noite o sérvio mostrou uma atitude diferente, empenhando-se até a recuar no terreno para auxiliar a defesa e recuperar a bola. O Siqueira é um jogador que pode acrescentar muito à nossa equipa, e espero por isso que os problemas físicos que apresentou durante a primeira metade da época estejam definitivamente resolvidos. O Matic esteve ao seu nível, gostei também do Gaitán (duas assistências), e o Maxi voltou a estar bem melhor do que a mediocridade que andou a exibir durante uma boa parte da época até agora. No geral toda defesa mostrou-se mais segura - eu acho que isto não é de forma alguma alheio ao facto de termos mudado de guarda-redes, mas não tenho problema nenhum em confessar o meu facciosismo nesta questão.

 

Depois deste bom regresso é agora altura de pensar no próximo jogo contra o Porto. Pode ainda faltar meio campeonato para jogar, mas para mim será um jogo absolutamente decisivo. E espero que toda a gente dentro do clube tenha consciência disso.

por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Terça-feira, 31.12.13

Nacional

Não tenho muito a dizer sobre este jogo. O fundamental é que conseguimos arrancar uma vitória num terreno difícil, ainda que mais uma vez em serviços mínimos. O jogo foi bastante disputado mas geralmente feio, sem muitas ocasiões de golo ou jogadas de encher o olho, e ficou resolvido com um autogolo, à meia hora de jogo, quando o Mexer desviou para a sua baliza um cruzamento do Gaitán (na minha opinião o nosso melhor jogador esta noite). O Nacional ainda teve, a meio da segunda parte, um período de maior fulgor em que conseguiu carregar mais e tentou chegar ao empate, mas apenas numa ocasião ameaçou seriamente a nossa baliza, tendo acertado no poste. A entrada do Rúben Amorim, a quinze minutos do final, estabilizou a equipa e esfriou os ânimos do Nacional.

 

Dada a forma como a Taça da Liga se disputa, com a vitória desta noite o Benfica deu um passo de gigante para passar às meias-finais e agora só mesmo uma grande surpresa/asneira nos jogos com o Leixões ou o Gil Vicente na Luz é que poderá impedir que isso aconteça.

 

Votos de um bom ano de 2014 para todos.

por D`Arcy às 03:53 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sábado, 21.12.13

Vitória

Uma vitória complicada mas sem contestação do Benfica em mais um jogo onde a qualidade do futebol da equipa esteve longe de deslumbrar, particularmente durante os primeiros quarenta e cinco minutos, que deverão ter sido dos mais pobres que já apresentámos esta época.

 

 

A novidade, esperada, foi a titularidade do Oblak na nossa baliza. Também esperado, pelo menos por mim, foi o esquema táctico apresentado pela equipa. Assim que, durante a semana, li que estava previsto o regresso do Enzo para jogar na direita, então já sabia que o resultado disso seria a manutenção da dupla de avançados e do 4-4-2, que o Jorge Jesus irá continuar a manter até ao limite do indefensável. Aparentemente, despovoar o meio campo e entregar sistematicamente o controlo do mesmo ao adversário pode não ser suficiente. Como o raio de acção do Matic quando joga na posição 6 é suficientemente amplo para conseguir por vezes, em conjunto com o Enzo, equilibrar mesmo a desvantagem numérica, agora pelos vistos há também a opção de jogarmos com um jogador mais fixo nessa posição, que fica mais encostado aos centrais e deixa o Matic ainda mais isolado no meio campo. E já que temos pouca gente nessa zona, porque não retirar-lhe ainda quase toda a criatividade, encostando o Enzo a uma ala e mantendo-o quase à margem do jogo? O resultado disto foi o que se viu na primeira parte. Ou melhor, o que não se viu, porque se eu quisesse escrever sobre aquilo que o Benfica produziu durante esse período, então este parágrafo ficaria em branco. É que não se viu mesmo nada. Nem sei se chegámos a fazer um remate, isto contra uma equipa que passou o jogo todo com onze jogadores atrás da bola, a fazer faltas constantes e a mostrar bastante vontade de armar confusão e arrastar os nossos jogadores para quezílias desnecessárias. Sendo o nosso adversário o Setúbal, e o nosso próximo jogo para a Liga contra o Porto, se calhar não foi apenas por acaso.

 

 

Na segunda parte trocámos o Fejsa pelo Sulejmani, o que felizmente permitiu o regresso do Enzo ao centro. Não evoluímos para algo brilhante, mas pelo menos com a dupla Matic/Enzo nas posições onde mais rendem deu para melhorar bastante o nosso futebol, ao ponto de conseguirmos construir jogadas de ataque, levar perigo à baliza adversária e, fundamentalmente, rematar - não sei se me recordo de algum jogo em que o Benfica tivesse demorado cinquenta minutos até fazer o primeiro remate à baliza adversária. Não foi sequer preciso esperar muito para vermos o primeiro golo, porque hoje, e ao contrário do habitual, fomos eficazes: ao segundo remate à baliza, marcámos. Estavam decorridos nove minutos da segunda parte e o Rodrigo deu o melhor seguimento a um cruzamento da direita do Gaitán, com um toque subtil de cabeça que fez a bola entrar junto ao poste. Em desvantagem, à entrada para a última meia hora o Setúbal tentou arriscar um pouco mais e desmontou a estrutura defensiva que tinha apresentado até então. Tentaram subir no terreno e durante alguns minutos até conseguiram pressionar um pouco o Benfica, ainda que nunca tivessem criado uma verdadeira ocasião de perigo. Mas esta situação acabou por durar pouco tempo, porque a vinte minutos do final o Benfica matou o jogo, através de um penálti convertido pelo Lima, a castigar uma mão na área indiscutível. A partir desse momento o Benfica controlou o jogo como quis, baixando consideravelmente o ritmo de jogo e conservando a bola em seu poder a maior parte do tempo, com o apito final a chegar sem grandes sobressaltos.

 

 

Não houve exibições particularmente inspiradas na nossa equipa. O Enzo e o Matic foram, naturalmente, importantes na melhoria verificada na segunda parte. Boa assistência do Gaitán para o primeiro golo, e boa finalização de cabeça do Rodrigo no mesmo (o jogo de cabeça não é propriamente um aspecto que eu lhe considere forte). O Oblak esteve seguro a titular, sem que tivesse sido obrigado a alguma intervenção mais difícil. Não gostei do Fejsa no meio tempo que jogou. Demasiado faltoso e complicativo - às vezes fico com a sensação que tenta fazer o mesmo que o Matic faz quando joga naquela posição, mas não tem capacidade para isso e como tal acaba por borrar a pintura. É melhor para ele quando joga simples. Também não gostei muito do jogo do Garay, que ultimamente tem andado menos seguro do que o habitual. O Lima marcou bem o penálti, e é o elogio que lhe posso fazer.

 

 

Uma vez mais acabamos por ter que nos satisfazer com a vitória e os três pontos. Mas exige-se que se consiga retirar muito mais de um grupo de jogadores com a qualidade do nosso. Por outro lado, posso sempre pensar que uma vez que já chegámos a Dezembro e a equipa parece ter andado pelo menos metade deste tempo a jogar a passo (já perdi a conta aos jogos em que damos uma parte de avanço aos adversários), pode ser que desta vez não chegue ao final da época de rastos.

por D`Arcy às 01:17 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sexta-feira, 20.12.13

António Simões

Nunca vi jogar o Simões. Tenho do Simões uma memória construída no imaginário das mil e uma histórias que dele sempre ouvi contar pela geração dos meus pais, a geração do Simões. Aquela geração dos que, do alto da autoridade dos seus 70 anos, olham para os miúdos de 40 com a incompreensão de quem nos ouve falar do Benfica sem termos visto o Eusébio, o Zé Águas, o Germano ou o Simões. Como é que eu poderei algum dia expressar o quanto devo (devemos) ao Simões, se nunca o vi jogar? Como é que poderei algum dia explicar que o primeiro e mais duradouro imaginário que construí do Benfica é mítico exactamente porque se baseia na narrativa de heróis míticos? Terá o Simões a noção de que ele surgia nas narrativas do cimentar do meu benfiquismo no mesmo patamar em que Gama ou Ulisses surgem como semente de impérios sonhados pelos épicos de outrora? O Simões será sempre o protótipo do pequeno que se fez gigante pela esquerda do campo, pela esquerda da vida, desafiando defesas e ultrapassando adversários no campo com a mesma ousadia com que, fora dele, desafiava as injustiças pela força do verbo e do exemplo. Dizem que está a comemorar 70 anos. No meu imaginário, o Simões já não tem idade, porque a lenda quando escorre para a realidade deixa de ter idade, passa para o patamar da intemporalidade. Sabemo-lo o mais jovem benfiquista a ser sagrado campeão europeu. Já nesses tempos tinha a marca dos heróis, dos que perduram para além da ditadura dos anos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 17 de Dezembro, para publicação na edição de 20/12/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Segunda-feira, 16.12.13

Disparates

Vitória complicada mas preciosa, sobretudo considerando todas as condicionantes que enfrentámos antes deste jogo. Mas a maior parte da culpa pelas dificuldades acrescidas que enfrentámos, podemos assacá-la a nós próprios e aos cada vez mais frequentes disparates cometidos a defender.

 

 

Esperava algumas dificuldades neste jogo. Não tanto pela valia do adversário, que está numa situação difícil na tabela (mesmo considerando o nosso mau historial perante equipas na mesma situação), mas mais pelas várias indisponibilidades na nossa equipa. Para além do treinador continuar suspenso do banco, foram seis os potenciais titulares indisponíveis para este jogo: Cardozo, Salvio, Enzo (estes três são apenas jogadores importantíssimos na nossa equipa), Siqueira, Markovic e Rúben Amorim. Isto não pretende servir de desculpa única para más exibições ou resultados - uma equipa como o Benfica tem que ter um plantel preparado para fazer frente a contrariedades deste calibre, em particular perante adversários como Arouca ou Olhanense - mas por vezes parece-me que a crítica especializada tem a mão demasiado leve para bater no Benfica, ignorando sistematicamente pormenores destes. Se normalmente basta um pequeno pormenor para servir de motivo para regressarmos à dupla Lima/Rodrigo no ataque, então com tanta ausência nem sequer era preciso esperar pela constituição da equipa para saber que isto iria acontecer. 

 

 

A entrada no jogo até me pareceu boa, com a equipa a pressionar bastante e agressiva. O pior foi que, para não variar, da primeira vez que o Olhanense foi à frente, marcou. Com sete minutos decorridos, um passe disparatado do Sílvio entregou a bola a um adversário, e no seguimento da jogada o Artur ainda defendeu o primeiro remate, mas nada podia fazer para evitar a recarga. Não sei se terá sido efeito do mau estado do relvado, mas a verdade é que sobretudo durante a primeira fase do jogo por diversas vezes vi os nossos jogadores fazerem passes disparatados, quer a atacar, quer a defender, e que nos causaram problemas. A equipa reagiu bem ao golo e continuou no mesmo registo de jogo, tendo chegado ao empate dez minutos depois, após um bom trabalho do Gaitán na esquerda, que centrou para um cabeceamento cruzado do Lima (estava em posição irregular) que fez a bola entrar junto ao poste oposto. Continuou o Benfica bastante por cima no jogo e a pressionar em busca da vantagem no marcador - tive sempre a sensação de que a defesa do Olhanense era bastante permeável, e que a pressão continuada do Benfica inevitavelmente acabaria por dar frutos. Mas o Olhanense teve uma eficácia quase total e, quando pouco se esperaria, voltou a colocar-se em vantagem. À passagem da meia hora, num remate desferido de muito, muito longe, a bola entrou mesmo na nossa baliza. É um grande golo, o remate é bom e bem colocado, e a bola ainda bate no chão antes de entrar, mas considerando a distância a que foi desferido, pareceu-me que só acabou por entrar devido à falta de reacção do Artur, que demorou demasiado tempo a lançar-se (a lentidão em chegar aos remates rasteiros é para mim um dos pontos mais fracos dele). O Olhanense ficou motivado e nos minutos seguintes tentou pressionar mais alto e impedir que o Benfica continuasse a dominar o jogo, mas de pouco lhe valeu, já que bastaram apenas seis minutos para que voltássemos a empatar o jogo, num grande remate do Matic de fora da área, que não deu qualquer hipótese de defesa ao guarda-redes.

 

 

Ao intervalo trocámos o Ivan Cavaleiro pelo Sulejmani, que se foi encostar à esquerda e veio o Gaitán para a direita. A troca não podia ter sido mais feliz, já que um minuto após o reinício foi do pé do Sulejmani que surgiu o nosso terceiro golo. A passe do Rodrigo, entrou na área pela esquerda e depois finalizou com um remate cruzado de trivela para o poste mais distante. O Benfica entrou muito forte nesta segunda parte, com o Matic e o Fejsa a aparecerem em terrenos muito adiantados para pressionar a saída de bola do Olhanense, e nesta fase parecia que não teríamos grande dificuldade em voltar a marcar, o que nos deixaria a salvo de mais alguma asneira na defesa e resolveria definitivamente o jogo. Durante quase vinte minutos a presença do Benfica no meio campo contrário foi constante, a bola rondou várias vezes as imediações da baliza adversária, e o Olhanense praticamente não existiu em termos ofensivos, já que se limitava a despejar a bola para a frente e era incapaz de construir qualquer jogada de ataque devido à pressão dos nossos jogadores. Mas depois deu-se o lance da lesão do Artur, que provocou uma interrupção relativamente extensa do jogo, e isto parece quebrar bastante o ritmo da equipa. O Artur teve mesmo que ser substituído (nunca é agradável quando um jogador se lesiona, mas gostei de ver o Oblak estrear-se na nossa baliza em jogos para o campeonato) e depois disso o jogo não voltou a ser o mesmo. Foi quase sempre mal jogado de parte a parte, com o Olhanense nos minutos finais a conseguir subir um pouco mais, fruto da aposta num futebol directo, mas sem conseguir causar qualquer tipo de perigo junto da nossa baliza - as melhores oportunidades ainda assim foram todas nossas.

 

 

Matic e Fejsa foram, para mim, os jogadores de melhor rendimento no Benfica. Na ausência do Enzo o Matic pegou na batuta do meio campo e foi o principal dinamizador da equipa, tendo marcado um grande golo. O Fejsa recuperou inúmeras bolas, mesmo em terrenos mais adiantados do que aqueles que lhe são mais familiares, e até esteve mais activo na própria fase de construção de jogo. O Maxi deu seguimento à subida de forma que pareceu mostrar nos últimos jogos e esteve bem também. E o Sulejmani entrou muito bem no jogo, marcou o golo decisivo e foi dos jogadores mais em jogo durante toda a segunda parte, explorando sempre bem o lado esquerdo. Um bocado surpreendentemente o Ola John voltou a jogar, mas continuou a mostrar uma falta de empenho nas jogadas que não lhe permitem aspirar a mais minutos de jogo.

 

Mais uma vez conseguimos dificultar a nossa tarefa com erros tontos na defesa, e é preocupante que esta época continuemos a cometer estes erros com tanta frequência. Mas pelo menos conseguimos dar a volta às contrariedades e regressar do Algarve com os três pontos. Dadas as condicionantes já referidas, no fim de tudo acabo por me dar por satisfeito com o resultado final.

por D`Arcy às 00:14 | link do post | comentar | ver comentários (39)
Sexta-feira, 13.12.13

Virar costas

O nosso Benfica empatou em casa com o Arouca. Perdemos ingloriamente dois pontos, virámos (por agora) as costas ao primeiro lugar e, se não aprendermos com os erros cometidos, poderemos acrescentar outros tantos “perderes” a este perder.

Nós, benfiquistas nas bancadas, começámos a perder quando percebemos (e foi logo nos minutos iniciais) que pagáramos para ver um jogo de futebol e assistiríamos a um anti-jogo de futebol. Aquilo foi um não acabar de simulações de lesões, perdas de tempo absurdas, gente a cair fora do campo e arrastar-se para dentro do campo no intuito de queimar tempo… e o árbitro a promover que aquele triste espectáculo de anti-jogo se transformasse em regra aceite e legitimada. Foi igualmente notório que a sorte nos virava costas nas ocasiões de golo que se não conseguiam concretizar. No entanto, as costas que a sorte nos voltou não são suficientemente largas para arcar com as responsabilidades todas. Também a qualidade e a competência nos viraram costas nos golos sofridos e nos golos esbanjados. Além disso, a atitude que se exige aos nossos profissionais virou-nos costas, quando percebemos que os nossos encararam aquele jogo como um jogo que se “ia resolvendo” em vez de ser um jogo “para resolver”. O treinador, na bancada, teve opções que viraram costas ao senso comum de quem, também na bancada, não percebia as opções tomadas.

Para cúmulo dos cúmulos, no final do jogo, enquanto esperávamos que os futebolistas (como exige a tradição benfiquista) se dirigissem ao centro do relvado para agradecer aos que na bancada sempre os apoiaram, observámos que a nossa equipa nos virava as costas. No final de tudo isto, fica a certeza de que nós, os amadores, não viramos costas à equipa e continuaremos lá, na bancada, a abraçar o Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Dezembro, para publicação na edição de 13/12/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 11:36 | link do post
Quarta-feira, 11.12.13

Insuficiente

Exibição agradável, que deu para vencer o PSG mas foi, conforme esperado, insuficiente para garantir a passagem à próxima fase da Champions, já que o resultado do jogo na Grécia não nos serviu.

 

 

Regresso ao 4-3-3, sendo o Rodrigo o avançado preterido. O trio do meio campo foi formado pelo Fejsa, Matic e Enzo, com este último a jogar numa posição mais avançada, muitas vezes em apoio directo ao ponta-de-lança. Na defesa, realce para o regresso do Sílvio à esquerda. Boa entrada do Benfica no jogo, com o Enzo a dar logo o primeiro sinal de perigo num bom remate de fora da área, que obrigou o guarda-redes a uma defesa mais apertada. O PSG tentou fazer o mesmo que tinha feito no jogo em França, procurando manter a posse de bola trocando-a entre os seus jogadores no seu meio campo defensivo, sem grande progressão e tentando manter o ritmo de jogo baixo, mas acabou por ter que abandonar essas intenções devido à pressão que o Benfica procurou fazer logo em zonas mais adiantadas do campo. Só o Benfica parecia ter iniciativa no jogo, e foi por isso natural que as oportunidades acontecessem quase exclusivamente para o nosso lado. Infelizmente a falta de eficácia voltou a ser um problema o que explica que o resultado se fosse mantendo em branco. Houve duas ocasiões em particular que deveriam ter sido mais bem aproveitadas, pelo Gaitán, num remate cruzado, e pelo Matic, num cabeceamento em que ele apareceu completamente livre de marcação no interior da área. Em ambas as ocasiões a bola passou muito perto do alvo. Já é um chavão que quem não marca arrisca-se a sofrer, e mais uma vez isso se verificou. O PSG apenas por uma vez, num remate cruzado do Ménez, tinha dado um verdadeiro sinal de perigo no ataque. Da segunda vez que o fez, conquistou um canto, e na sequência do mesmo mais uma vez a nossa equipa revelou dificuldades em afastar a bola (não percebi bem como, mas pareceu-me que à saída da área o Gaitán e o Markovic desentenderam-se e nenhum deles acabou por atacar a bola) e na insistência da jogada o Cavani marcou à boca da baliza. Faltavam oito minutos para o intervalo, mas este tempo foi suficiente para que o Benfica corrigisse a injustiça no marcador, já quase a terminar a primeira parte, num penálti do Lima a castigar uma falta sobre o Sílvio.

 

 

A entrada do Benfica na segunda parte foi bastante positiva. A equipa surgiu mais adiantada e ainda mais agressiva na pressão sobre o adversário, conseguindo recuperar diversas bolas ainda no meio campo deste. durante este período praticamente só houve Benfica em campo, e o segundo golo surgiu como consequência natural disto mesmo, quando estavam decorridos treze minutos nesta segunda parte. Uma incursão do Maxi pela direita, em que combinou com o Enzo, terminou com um centro rasteiro que foi mal interceptado por um defesa, o que permitiu ao Gaitán aparecer em corrida para finalizar dentro da pequena área. Nos minutos que se seguiram o Benfica continuou a jogar da mesma forma, e parecia possível chegarmos a um terceiro golo, mas mais uma vez o pouco acerto na hora de decidir ou finalizar (com o Lima numa noite particularmente infeliz neste aspecto) foi quem levou a melhor. Depois disso o PSG dispôs de uma oportunidade flagrante para chegar ao empate, nos pés do Lavezzi, e este lance pareceu de alguma forma intimidar o Benfica, que passou a arriscar menos no ataque e optou por jogar de forma mais segura. O resultado disto foi um jogo bem menos interessante e até mesmo mal jogado de parte a parte, com jogadas desgarradas, várias perdas de bola e passes disparatados, e quase nenhumas oportunidades de golo - do PSG não houve uma única, e do Benfica talvez apenas um remate do Ivan Cavaleiro já na fase final do jogo.

 

 

No geral toda a equipa esteve uns furos acima daquilo que mostrou na passada sexta-feira (o que não era nada difícil). Matic em muito bom plano, e o Enzo com o andamento do costume. Não se, a correr aquilo que ele corre em todos os jogos, ele conseguirá aguentar este ritmo durante muitos mais tempo. Mas parece que há mais gente preocupada com a saúde física dele, e portanto ofereceram-lhe um jogo de descanso já no próximo fim-de-semana. Gostei também de ver o regresso do Sílvio, e pareceu-me que o Maxi esteve melhor do que aquilo que tem feito ultimamente. Pela negativa, o Lima, que praticamente apenas esteve bem na marcação do penálti. A confiança com que o marcou pareceu estar completamente ausente em praticamente todas as outras jogadas em que interveio, onde perdeu tempo de remate ou oportunidades de passe por se agarrar demasiado à bola ou dar sempre mais um toque.

 

Fez-se o possível, mas o nosso destino só muito dificilmente seria alterado. O mais normal seria que dez pontos fossem suficientes para nos apurarmos, mas desta vez não foi o caso, o que nos atira para a Liga Europa - e o consequente sobrecarregar do calendário. Pena foi que não tivessem jogado desta forma contra o Arouca. Trocava esta vitória pelos três pontos nesse jogo.

por D`Arcy às 02:52 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Sábado, 07.12.13

Miserável (II)

Desabafado aquilo que me ia na alma no final do jogo, altura para tentar escrever um pouco sobre o jogo em si - não que haja grandes considerações a tecer. O jogo classifica-se exactamente pelo adjectivo que deu título ao post anterior: miserável.

 

Apenas duas alterações no onze que venceu o Rio Ave: Cortez em vez do André Almeida, e Markovic em vez do castigado Matic. O jogo esperava-se (exigia-se) fácil para o Benfica. O Arouca é uma das piores equipas da nossa liga, e o Benfica entrava em campo supostamente motivado com a ultrapassagem ao Porto. Praticamente na primeira jogada de ataque que fizemos, o golo esteve muito próximo de acontecer, mas o cabeceamento do Lima, em posição privilegiada após cruzamento do Rodrigo, passou ao lado. No pontapé de baliza que se seguiu (estamos a falar de algo que aconteceu aos três minutos de jogo), ficou evidente aquilo que o Arouca vinha fazer à Luz, pois imediatamente o seu guarda-redes tratou de queimar tempo de forma absurda para marcá-lo. Para quem se recordar, este tipo de antijogo total foi exactamente o mesmo que o treinador Pedro Emanuel apresentou o ano passado quando veio à Luz com a Académica, tendo na altura o Benfica ganho com um golo de penálti já a acabar o jogo. O Benfica durante a primeira parte tentou chegar ao golo de forma paciente, jogando pelos flancos e fazendo a bola viajar muitas vezes de um lado ao outro do campo, de forma a desposicionar a muralha defensiva do Arouca, que nada mais fazia do que defender - nove em cada dez passes que tentavam fazer para a frente eram praticamente alívios que saíam directamente para fora. Rematámos algumas vezes, mas com má direcção. Os problemas maiores para o Benfica começaram aos dezoito minutos. Na primeira vez que o Arouca foi ao ataque, o Fejsa cometeu uma falta na zona lateral esquerda da nossa área (depois de, mais uma vez, o Cortez ter sido batido após ter entrado 'à queima' ao adversário). O livre foi marcado pelo David Simão para o interior da área, onde o Artur, preocupadíssimo com a possibilidade da bola acertar no poste mais próximo, conseguiu precaver com sucesso essa situação, cobrindo-o com garbo. Pena foi que para o fazer tivesse deixado o outro lado da baliza completamente aberto, que foi onde a bola entrou sem que ninguém lhe tivesse tocado. Uma espécie de déjà vu do golo do Estoril a época passada, que foi para mim o momento em que perdemos o campeonato. O Benfica acusou o golpe, e o nervosismo pareceu começar a tomar conta da nossa equipa. Ainda assim conseguiu continuar a tentar chegar ao golo de forma razoavelmente organizada. Teve oportunidades para tal, sendo um cabeceamento do Lima para grande defesa do Cássio uma das melhores, mas apenas a cinco minutos do intervalo marcou mesmo, numa finalização fácil do Rodrigo, à boca da baliza, após uma boa incursão do Maxi pela direita concluída com um cruzamento rasteiro.

 

Ao intervalo o Benfica deixou o Cortez no balneário para entrar o Sulejmani, com o Gaitán a fingir de lateral - apesar do péssimo jogo do Cortez, colocar aquele que tem sido um dos nossos maiores desequilibradores e criadores de oportunidades nessas funções se calhar já indicava algum desnorte na cabeça da nossa equipa técnica. A segunda parte deixou-me preocupado logo de início. Isto porque me pareceu que os nossos jogadores acusaram muito cedo demasiada ansiedade - decorridos poucos minutos parecia que já jogavam de forma precipitada, como se faltasse pouco tempo para terminar o jogo. O Arouca encolheu-se ainda mais dentro da sua área e passou a queimar ainda mais tempo, o tempo foi correndo, e a verdade é que apesar da posse de bola esmagadora raramente vimos o guarda-redes adversário ser posto à prova ou mesmo qualquer remate verdadeiramente perigoso da nossa equipa. Depois foi o costume: o Arouca foi à frente, teve oportunidade para despejar a bola para a área em lançamentos laterais longos que não conseguimos afastar eficazmente, e num deles o Luisão tocou a bola de cabeça para trás, permitindo a um adversário um cruzamento acrobático de um poste para o outro, onde apareceu alguém completamente sozinho para marcar. Com pouco mais de quinze minutos para jogar até final, o espectro da derrota era bastante real. Chegámos ao empate através de um penálti convertido pelo Lima, depois de falta sobre o Sulejmani, deixando ainda sete minutos por jogar. E durante este período de tempo tivemos duas grandes oportunidades para vencer o jogo: primeiro num remate do Ivan Cavaleiro ao poste, e depois num cabeceamento do Luisão que, com a baliza escancarada, fez a bola bater no chão e subir demasiado. O ridículo período de compensações dado mostrou ainda que o estratagema de simulação de lesões e abusiva queima de tempo em qualquer oportunidade acaba sempre por compensar.

 

Não houve nenhuma exibição muito meritória no Benfica. O Rodrigo foi dos menos maus, o Enzo dos que mais lutaram, e o Sulejmani agitou um pouco as coisas no ataque. O Fejsa consegue cumprir no apoio à defesa, mas está bastante longe de ser um Matic. O Markovic continua a ser um corpo estranho na equipa encostado a uma ala. O Cortez foi péssimo na parte que jogou. Perdeu várias vezes a bola a atacar por não se libertar rapidamente dela e insistir em iniciativas individuais, e na defesa cometeu erros infantis. Quando eu jogava futebol (e era defesa lateral) uma das coisas que os treinadores mais me martelavam na cabeça era para não ir 'à queima' quando o adversário vinha para cima de mim com a bola controlada. O Cortez fez isso diversas vezes. E em todas elas, sem excepção, foi ultrapassado com facilidade. Custa-me também compreender porque razão foi lançado a titular vindo de uma lesão quando o André Almeida até tinha cumprido em Vila do Conde. Quanto ao Artur, voltou a comprometer. Já disse aqui diversas vezes que não sou fã dele - não tenho qualquer confiança nele. Não vou dizer que é mau guarda-redes, porque isso seria um exagero. É simplesmente um guarda-redes normal, sem grande capacidade para o extraordinário - a melhor defesa do Artur desde que está no Benfica foi feita com o jogo já interrompido. Em dias bons cumpre e não compromete. Em dias maus tem falhas grosseiras que nos custam caro. Resumidamente, na minha opinião é um guarda-redes incapaz de nos valer pontos, mas perfeitamente capaz de no-los custar.

 

Mais uma exibição miserável em casa contra uma equipa fraquíssima, situada no fundo da tabela quando entrou no relvado da Luz, e mais dois pontos deitados fora. Tal e qual como contra o Belenenses, em vésperas de um confronto da Champions. Deve ser apenas coincidência, certamente.

por D`Arcy às 09:04 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Sexta-feira, 06.12.13

Miserável

Uma equipa incapaz de vencer um adversário tão miserável (o pior que vi esta época) como o Arouca em casa não pode aspirar a ganhar o que quer que seja. Caros jogadores/técnicos do Benfica: vão todos à merda.

 

 

 

Especialmente tu, Artur.

por D`Arcy às 22:48 | link do post | comentar | ver comentários (38)

Dos ideais de uns e das ânsias de outros

Rui Moreira – recém-eleito presidente da Câmara da cidade do Porto, portista conhecido por ter fugido de um estúdio de televisão quando confrontado com as escutas do caso de corrupção denominado “Apito Dourado” – afirmou que o FCP espelha o que é a cidade do Porto. Os portuenses não mereciam esta ofensa, na linha da de Mourinho quando designou o Porto como Palermo. São dois equívocos afinal tão próximos e tão míopes. Da miopia de quem confunde o cotão no umbigo com a Torre dos Clérigos.

 

Após mais um insucesso, um grupo de adeptos do FCP recebeu a sua própria equipa (o presidente da mesma seguia prudentemente à parte) com insultos, murros no autocarro, arremesso de tochas e ameaças várias. Esperaria o observador incauto que a ‘estrutura perfeita’ condenasse esses actos, mas, ao invés, arranjou-se um ex-treinador adjunto chamado Rui Quinta para dizer que “um número enorme de treinadores gostariam de estar naquele autocarro a levar com tochas". Sem dúvida, uma declaração edificante. Pelo caminho, puseram o actual treinador a prestar contas dos insucessos perante membros da SAD que gere o Clube e também perante membros de uma… claque. Estas práticas espelham os ideais da ‘estrutura perfeita’ e nunca demasiadamente louvada.

 

Entretanto, o Benfica passou para o primeiro lugar, garantindo às carpideiras que anunciavam a sua morte como um facto consumado que estavam ligeiramente enganadas e histericamente ansiosas.

 

Enfim, como escreveu o semi-heterónimo Bernardo Soares: “Tantos nobres ideais caídos entre o estrume, tantas ânsias verdadeiras extraviadas entre o enxurro!”

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 02 de Dezembro, para publicação na edição de 06/12/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:17 | link do post
Segunda-feira, 02.12.13

Eficácia

Vitória importante, conseguida num jogo que ficou marcado sobretudo pela eficácia no ataque, e em que a nossa boa reacção ao golo sofrido acabou por ser decisiva.

 

 

Regresso aos dois avançados na dupla Lima/Rodrigo. No meio campo o Fejsa jogou à frente dos centrais, com o consequente adiantamento do Matic no terreno. E face aos três laterais esquerdos lesionados, mais uma vez o André Almeida foi pau para toda a obra e ocupou a posição. Pareceu-me que na primeira parte o Benfica tentou regressar ao mais original dos 4-4-2 do Jesus, jogando numa táctica semelhante à da sua primeira época na Luz, com o Enzo a fazer as vezes de Ramires, ou seja, a dividir a sua zona de acção entre o meio e a direita. Sobre a primeira parte, pouco há a dizer. Foi um jogo extremamente repartido e sem muitos motivos de interesse, visto que quase não houve remates a uma ou a outra baliza e as ocasiões de perigo rarearam. Acabou por ser mais feliz o Benfica, que a sete minutos do intervalo se colocou em vantagem no segundo remate que fez durante todo o primeiro tempo (o primeiro tinha sido um do Enzo que passou bem longe do alvo). O golo resultou de uma fuga do Lima pela esquerda, com o guarda-redes adversário a fazer um disparate enorme ao tentar interceptar o cruzamento - julgo que terá tentado agarrar a bola, mas acabou por largá-la, o que deixou ao Rodrigo a simples tarefa de a empurrar para a baliza deserta. Face ao pobre futebol que foi apresentado durante o primeiro tempo (por ambas as equipas), podíamos considerar-nos felizes com a vantagem ao intervalo.

 

 

Para a segunda parte veio um Benfica tacticamente diferente, já que o Rodrigo deixou de jogar como segundo avançado e encostou-se à direita, ficando a outra faixa entregue ao Gaitán e permitindo ao Enzo fixar-se no centro. Mas isto aparentemente não provocou grandes alterações no desenrolar do jogo, já que este mantinha-se teimosamente como na primeira parte, desinteressante e em ritmo lento. Tudo se alterou no entanto quando ainda antes de findo o primeiro quarto de hora o Rio Ave empatou, após um cruzamento largo da esquerda que o André Almeida não conseguiu interceptar da melhor maneira, o que deixou o Ukra solto na zona do segundo poste para controlar a bola e fazer o golo. Ao contrário do que temos visto acontecer frequentemente esta época, o Benfica reagiu bem ao golo, e demorou apenas cinco minutos para voltar a colocar-se em vantagem, num livre directo superiormente marcado pelo Lima, que colocou a bola no ângulo. Poucos minutos após este golo a tarefa ficou ainda mais facilitada, visto que o Rio Ave ficou reduzido a dez por acumulação de amarelos do Wakaso. A partir daqui o Benfica controlou o jogo com enorme facilidade, e mesmo sem muito esforço acabou por chegar ao terceiro golo a dez minutos do final e matou de vez o jogo. Novamente o ressurgido Lima a marcar, desta vez num bom remate rasteiro de primeira, de pé esquerdo, a dar seguimento a um cruzamento do Rodrigo na esquerda - tinha passado para esse lado após a entrada do Markovic para o lugar do Gaitán.

 

 

O homem do jogo é evidentemente o Lima, que em boa hora resolveu reaparecer e acabar com o jejum de golos. Ambos os golos foram muito bons: o livre foi marcado de forma perfeita, e o segundo golo é um remate muito bom e colocado de primeira. Espero que este Lima (o da época passada) tenha regressado para ficar, para que não fiquemos tão dependentes do Cardozo. Gostei também do Rodrigo hoje, pois esteve muito mais activo e até o vi a recuar e a recuperar bolas. Provavelmente o golo na Bélgica terá contribuído para melhorar a sua confiança.

 

Com este importante resultado está consumada a ultrapassagem ao Porto. Mesmo sem jogar nada, com um treinador que já ultrapassou o prazo no clube, com os adeptos pouco motivados pela equipa, com o Salvio, o Cardozo, o Amorim e três defesas esquerdos lesionados, conseguimos entrar no segundo terço do campeonato na frente da tabela, ainda que com companhia. Portanto resta-me ter esperança que com os regressos dos jogadores lesionados e uma inevitável subida da confiança quer da equipa, quer dos adeptos associada à liderança repartida, as coisas só possam melhorar daqui para a frente.

por D`Arcy às 00:16 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Sábado, 30.11.13

Oportunidade

Diz-se que não estamos a jogar bem. É um facto que começámos mal o campeonato e que muitos de nós (eu incluído) puseram em causa se o Benfica estaria à altura para disputar o título.
Entre outras coisas, questionámo-nos se a renovação de contrato com Jorge Jesus terá sido melhor opção, a "novela" Cardozo demorou tempo a ser resolvida (e a realidade é que, mais uma vez, Cardozo tem-se revelado decisivo), temos sido assolados por lesões em jogadores importantes e temos estado a adaptar-nos a um "novo" esquema táctico.
Objectivamente, ainda observo uma certa passividade em processos defensivos (em lances de "bola parada" e, por vezes, na recuperação de bola) e que há jogadores, sobretudo no sector ofensivo, que tardam em "aparecer".

Mas apesar de todas estas contrariedades, o facto é que o Benfica tem jogado o suficiente para ganhar. Mesmo com alguma felicidade à mistura, o Benfica deve a si mesmo as vitórias que conquistou até agora. Embora a qualidade das exibições não seja ainda a desejada, tem vindo a melhorar gradualmente (mesmo apesar das lesões e a "necessidade" de usar um esquema táctico diferente).
Apesar das minhas dúvidas no início da época (e que não estão - se é que alguma vez estarão - completamente dissipadas), nunca deixei de acreditar na capacidade do Benfica em "dar a volta". Esta boa reacção da equipa, tem-me devolvido a convicção de que temos capacidade para discutir o título e que melhorias necessárias irão acontecer.
Ao invés, aquele que tem sido o nosso principal adverário ao longo dos últimos anos, chegou a um ponto em que nem com tentativas de reedição do Académica-FCP de 1985/86 consegue sequer chegar ao empate.

Amanhã temos um jogo no terreno de um adversário que tradicionalmente nos causa dificuldades. As vitórias que temos conseguido em Vila do Conde têm exigido muita paciência e eficácia. Sabemos que teremos ser eficazes ofensivamente, pois não deverá haver muitas oportunidades de golo, e defensivamente, pois uma desatenção poderá (mais uma vez) custar-nos um golo sofrido. Será, por isso, crucial que o Benfica apresente melhorias no seu jogo, pois é evidente que ainda há margem para o fazer.
Para mais, do resultado do jogo disputado hoje em Coimbra surge uma oportunidade ainda maior que temos de aproveitar: alcançar o 1º lugar (ainda que, eventualmente, ex-aequo). Uma oportunidade, também, para a equipa mostrar que está à altura para disputar o título e que está motivada, o que é essencial para alcançar as melhorias necessárias.

O que poderá acontecer a seguir, caso alcancemos a desejada vitória em Vila do Conde, pouco importa agora.
Porque agora só quero mesmo é ganhar ao Rio Ave.
Sexta-feira, 29.11.13

As palavras alheias

Sven-Goran Eriksson, um dos treinadores mais conceituados do mundo, apresentou recentemente a sua biografia. De entre várias revelações, sobressai a constactação do óbvio: «Durante os cinco anos que passei fora de Portugal, o futebol lá tinha-se tornado mais sujo, mais corrupto. Havia muitos escândalos e conversas sobre árbitros.» O sueco confirma o que todos conhecem e que em Portugal se tenta lavar pelo silêncio.

 

Walter Casagrande, ex-futebolista internacional brasileiro, em Abril deste ano, declarou e repetiu que foi dopado no FCP em quatro ocasiões (tendo feito apenas seis jogos para o campeonato nacional). Em Portugal, e como resposta, antigos colegas garantiram que era mentira e Casagrande passou a ser proscrito. Um destes dias, ainda se arrisca a ser apagado das fotografias oficiais do clube.

 

Alex Fergusson, que está entre os melhores treinadores de sempre, há uns anos, dizia, a propósito do FCP, que «(…) eles compram o campeonato no Tesco (supermercado). Eles ganham todos os anos. Sempre que compram um pacote de leite somam mais três pontos».

 

Declan Hill, jornalista e investigador de corrupção no futebol à escala global, denuncia no seu livro ‘The Fix’: «Mencionem a qualquer português o nome de Pinto da Costa e verão no seu rosto uma expressão de resignação, parecida com a que os ingleses assumem quando se lhes fala do tempo horrível que faz em Inglaterra. Ele é um fenómeno português, tão desagradável, tão poderoso e, aparentemente, tão natural ao ambiente.»

 

Leio o que em Portugal se escreve sobre a corrupção no futebol e nada é concretizado, nada é denunciado, tudo é vago e as frases passam a ter um sujeito algures entre o indefinido e o indeterminado. Entre as loas de uns e o silêncio de outros fica um dobre a finados sobre o futebol português.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 26 de Novembro, para publicação na edição de 29/11/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Quinta-feira, 28.11.13

Complicada

Vitória escusadamente complicada na Bélgica, que nos garante a Liga Europa e mantém em aberto o possível apuramento para os oitavos de final da Champions. Mais uma vez fiquei com a convicção de que o maior adversário do Benfica foi ele próprio, porque me parece que poderíamos ter evitado tanta complicação para ganhar este jogo.

 

 

Novas mexidas no onze, a principal delas no meio campo, para onde entrou o Fejsa. Na defesa as laterais foram entregues ao Maxi e ao André Almeida. Em teoria o Benfica deveria jogar em 4-3-3, mas na prático o que vimos acontecer por diversas vezes foi o Markovic a vir para o meio, enquanto que o Enzo ocupava a direita, deixando a equipa mais próxima de um 4-4-2 tradicional. A entrada do Benfica no jogo foi positiva, já que assumimos maior iniciativa e controlámos a posse de bola, enquanto que o Anderlecht se fechava perto da sua área para depois tentar explorar algum contra-ataque. Não criámos muitas ocasiões de golo, mas era o Benfica quem parecia estar claramente por cima. Só que, como tem vindo a acontecer frequentemente, praticamente da primeira vez que o Anderlecht deu sinal de si no ataque, chegou ao golo. Primeiro o Artur defendeu para canto um remate perigoso, e na insistência do canto um dos centrais adversários aproveitou da melhor maneira uma bola embrulhada entre ele e o Luisão para fazer o golo. O golo belga aconteceu aos dezoito minutos, e o Benfica acusou o golpe, pois durante os minutos que se seguiram passámos por algumas dificuldades, com o Anderlecht, empolgado pelo público, a ganhar algum ascendente no jogo. Mas quinze minutos depois chegámos ao empate, num cabeceamento do Matic após livre do Enzo, e a equipa voltou a serenar.

 

 

A segunda parte começou bem para o Benfica, pois com apenas sete minutos decorridos conseguimos colocar-nos em vantagem, numa jogada de contra-ataque construída pelo Gaitán e pelo Enzo. Com um toque fantástico o Gaitán tirou um adversário da jogada já dentro da área, e depois o remate para o poste mais distante (que iria para fora) tabelou num adversário e acabou em golo. Este golo foi um golpe muito forte para o Anderlecht, e fiquei com pena e até mesmo irritado que não o tenhamos aproveitado, por falta de jeito ou de vontade. O Anderlecht foi verdadeiramente ao tapete, e adiantou-se quase sem nexo no terreno, deixando-nos verdadeiras auto-estradas para explorar, mas faltou-nos o killer instinct para acabarmos de vez com a questão. em vez disso optámos por tentar congelar o jogo e gerir a vantagem, o que nos deixava obviamente ao alcance de um qualquer lance fortuito. Esta nossa opção ficou ainda mais evidente quando a primeira substituição feita retirou do campo o Gaitán, que estava a ser claramente um dos melhores em campo. Pagámos pela falta de ambição, e o Anderlecht chegou mesmo ao empate a treze minutos do final. Parecia que tínhamos mais uma vez deixado escapar uma vitória na Champions que estava completamente ao nosso alcance, e já perto do final retirámos ainda do jogo outro dos jogadores de maior rendimento - Enzo, para dar o lugar ao Rodrigo. Mas acabou por ser mesmo o Rodrigo a tirar partido do muito espaço que o Anderlecht deixava na retaguarda para, num contra-ataque em que foi lançado pelo Sulejmani, marcar aos noventa minutos e decidir o jogo a nosso favor.

 

 

Sem qualquer surpresa os jogadores em maior destaque foram o trio do costume: Gaitán, Enzo e Matic. São os jogadores em melhor forma neste momento, e aqueles que dão pormenores de classe à nossa equipa. Afastar o Enzo no centro do campo, como me pareceu que se tentou fazer durante o período inicial do jogo, prejudica bastante a equipa. O seu posicionamento nessa zona já deixou de ser uma adaptação: aquela é a posição natural dele, e é um desperdício vê-lo encostado à linha. O Matic parece sentir alguma atrapalhação quando tem alguém a jogar ao lado dele, ou até um pouco mais recuado, como aconteceu hoje com o Fejsa, mas fez um jogo sempre em crescendo, e voltou a marcar um golo. Quanto ao Gaitán, por vezes parecia ser o único com vontade de pegar na bola, ir para cima dos adversários e jogar com os olhos postos na baliza. Sem surpresa também os destaques negativos. O Lima continua a sua senda desinspiradíssima, deixando-nos com ainda mais saudades do Cardozo sempre que joga. Mas ainda pior do que ele foi o Markovic. Foi uma nulidade absoluta neste jogo, e não consegui perceber como é que aguentou tanto tempo em campo. Acho que se somássemos o número de passes errados e perdas de bola dele e do Lima durante este jogo, chegaríamos a um valor assustador.

 

O resultado desejado e exigido foi conseguido. Arrancado a ferros e com muito mais dificuldade que seria necessária, mas conseguido. Já não dependemos apenas de nós próprios para seguir na Champions, mas pelo menos a continuidade nas competições europeias está assegurada. Agora só quero é ganhar ao Rio Ave.

por D`Arcy às 01:10 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sábado, 23.11.13

Sofrida

Vitória feliz e sofrida, num jogo difícil e após uma exibição sofrível do Benfica. Mas apesar da qualidade ter andado bastante arredada do nosso jogo, pelo menos a equipa nunca baixou os braços e manteve uma boa atitude, acabando por ser recompensada no final.

 


Algumas ausências na nossa equipa esta noite, a começar logo pelo banco, onde o Jorge Jesus não se pôde sentar por estar a cumprir suspensão. Alterações na defesa, onde o Siqueira regressou, empurrando assim o Sílvio para a direita e o André Almeida para fora do onze. Havia também a curiosidade sobre quem seria o escolhido para ocupar o lugar do Rúben Amorim, acabando a escolha por recair no Djuricic. Finalmente, no ataque, destaque óbvio para a presença do Lima, com o Cardozo a ficar fora dos convocados. Relativamente aos últimos jogos, pareceu-me que o Rúben e o Cardozo fizeram muita falta. O Cardozo pelos golos, obviamente, e o Rúben porque vinha sendo o principal municiador do ataque, com diversos passes de rotura para criar situações de perigo. O Braga não foi uma equipa nada fácil: apresentou-se sempre muito bem organizado, com as linhas fechadas em frente à sua área, dando muito pouco espaço para que o Benfica procurasse os caminhos para a baliza. O Benfica também ajudou a complicar: jogámos a uma velocidade que em nada ajudaria a desequilibrar a estrutura do Braga, e insistimos demasiado pelo centro, porque o Markovic passou o tempo todo a fugir para o centro, deixando-nos sem um verdadeiro ala direito - O Sílvio foi quem tentou assumir essa função, mas esteve perfeitamente desastrado na altura de centrar. Com dificuldades em construir jogadas de ataque, e quase sempre pouca gente na zona de finalização - o Djuricic passou ao lado do jogo, e o Lima teve mais uma exibição a dar sequência à desilusão que tem sido esta época - foram raríssimas as ocasiões de golo que criámos. Acho que contei apenas uma após um canto, em que o Matic, quase à vontade no meio da área, rematou para onde estava virado (para fora). A melhor ocasião pertenceu mesmo ao Braga, num remate do Éder que o Artur ainda conseguiu desviar para a barra. Resumidamente: muita posse de bola do Benfica sem grande produção ofensiva para mostrar.

 

 

O Braga pareceu entrar melhor na segunda parte, e durante os primeiros minutos chegaram-se até a ouvir alguns assobios à nossa equipa - a única ocasião em que isso aconteceu durante toda a partida, pois de resto o apoio do público foi constante. Foi nesta altura que, pela segunda vez no jogo, vimos a bola embater na barra da nossa baliza, depois de um remate de fora da área do Rafa que não daria qualquer possibilidade de defesa ao Artur. Só depois o Benfica pareceu despertar um pouco, mas voltámos ao cenário da primeira parte, com o Braga muito bem organizado na defesa mas agora a parecer capaz de sair melhor para o contra-ataque, e o Benfica a mostrar pouca inspiração e capacidade para baralhar a organização adversária. Criámos uma boa ocasião, que o Markovic rematou disparatadamente por alto após centro rasteiro do Djuricic, e já com o Ivan Cavaleiro no lugar do primeiro criámos outra, numa tabela entre ele e o Siqueira, para uma grande defesa do Eduardo. Pouco tempo depois disso, quando já faltavam pouco mais de quinze minutos para os noventa, chegámos ao golo. Face à desinspiração colectiva, não foi por isso surpresa que tivesse surgido numa insistência individual: o Matic pressionou e recuperou a bola na zona defensiva do Braga, e depois entrou na área pela esquerda e rematou cruzado e rasteiro para o poste mais distante. Obtido o importante golo, o Benfica procurou diminuir o ritmo do jogo, mas sem grande sucesso, pois não fomos capazes de fazer uma gestão da posse de bola eficaz. Também fomos desastrados no aproveitamento dos espaços que o Braga passou a dar atrás na sua tentativa de chegar ao empate. Mas por outro lado o Braga também não conseguiu responder ao nosso golo, e pese um maior balanceamento ofensivo, nunca conseguiu colocar a nossa baliza em perigo.

 

 

O destaque do Benfica vai para o Matic por ter marcado o golo que decidiu o jogo, especialmente sendo numa jogada de sua exclusiva iniciativa. Gostei também do Enzo, apesar de por vezes ter demorado demasiado a soltar a bola. O Djuricic passou praticamente ao lado do jogo - não me parece que ele encaixe na nossa táctica, e parece passar grande parte do jogo algo perdido em campo. O Markovic fez um jogo péssimo: não se assumiu como extremo, ajudando a afunilar o nosso jogo, perdeu inúmeras bolas de forma quase infantil, e exibiu uma atitude competitiva que deixou muito a desejar, voltando as costas à bola por diversas vezes ou recuperando a passo de cada vez que a perdia. O Lima continua na sua senda desinspirada, e não sei se terá conseguido fazer alguma contribuição positiva durante todo o jogo.


É mais um daqueles jogos em que se tem que dizer que o mais importante foi que ganhámos. E melhor ainda, esta vitória permitiu-nos recuperar dois pontos para o primeiro lugar. O resto, se jogámos bem, se jogámos mal, são pormenores. Prefiro que aconteça como hoje, em que a exibição foi sofrível e ganhámos, do que o que aconteceu em Atenas, onde demos espectáculo e perdemos.

por D`Arcy às 22:43 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 22.11.13

Glorioso hóquei em patins

Durante anos, mais de uma década, vimos como a Federação de Patinagem de Portugal fechou os olhos a roubos em cima de roubos e calcados com mais roubos que impediram que o Benfica lutasse em pé de igualdade com o rival que somou títulos alicerçados nos ditos roubos.

 

Tivemos de ser de uma competência imaculada para conseguir vencer o campeonato nacional de 2011/12 (o nosso 22º, sim, porque o troféu de 1961/62 é, na sua concepção, um campeonato a que deram outro nome). Toda a Glória internacional que agora vivemos começou aí, com essa conquista caseira, arrancada a ferros, contra tudo e todos. Nestes momentos sucessivos de conquistas europeias e mundiais é importante não esquecer aquela 29ª jornada do campeonato nacional de 2011/12, em que Sérgio Silva liderou o nosso Benfica para a antecâmera do campeonato que se confirmaria em Almeirim. Bastou uma vez, uma única vez em que derrotámos o “sistema” (e que “sistema”!) em Portugal, para podermos mostrar ao Mundo que a sua melhor equipa de hóquei joga com a nossa camisola e com o nosso emblema. As conquistas da Liga Europeia, Taça Continental e Taça Intercontinental decorrem daquele campeonato de nacional de 2011/12.

 

Assim, neste momento de merecida celebração da equipa que mais alto subiu na história do hóquei em patins português é de extrema importância recordar que a consolidação deste estatuto internacional é um imperativo, mas que, para que estas vitórias gloriosas tenham sequência, é essencial interiorizar que é dentro de portas, na mesquinhez de um hóquei ainda carregado de viciação, que temos de recomeçar a ganhar, contra tudo e contra todos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 19 de Novembro, para publicação na edição de 22/11/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 10:19 | link do post
Sábado, 16.11.13

Intercontinental


Campeões intercontinentais de hóquei em patins, após batermos o Sport Recife por 10-3 em Torres Novas.

Ou, se seguirmos uma certa doutrina/contabilidade peculiar, somos campeões do mundo.
por D`Arcy às 23:05 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Domingo, 10.11.13

Óscar

Nem sei o que escrever sobre este jogo. Talvez tenha sido um grande jogo, daqueles com muitos golos de que toda a gente gosta. Eu não me diverti nada, como é habitual nesta situação: não gosto de jogar contra esta gente, detesto tê-los em minha casa, e fico demasiado enervado durante todo o tempo que tenho que os aturar. Ainda estou, aliás, enervado. Estou satisfeito porque ganhámos e nos vimos livres deles, mas insatisfeito por não termos resolvido o jogo de forma mais convincente, em noventa minutos, e por termos desperdiçado uma vantagem de dois golos voltando a sofrer golos perfeitamente imbecis no seguimento de bolas paradas. O Benfica tem a obrigação de fazer muito mais frente a uma equipa com uma fracção do nosso orçamento, e que dispõe de menos qualidade e opções, posição por posição, no plantel.

 


Uma única mexida no onze de Atenas, mas sem alteração da táctica: André Almeida em vez do Maxi na direita da defesa. O jogo foi disputadíssimo e equilibrado desde o apito inicial, com a bola a andar longe das balizas, mas da primeira vez que o Benfica rematou à baliza, marcou. Foi um livre directo na zona preferida do Cardozo, perto da área e descaído para a direita, e o remate rasteiro deste passou sob a barreira sem deixar possibilidade de reacção ao guarda-redes. Quase de seguida ficámos perto do segundo golo, num lance em que o Enzo amorteceu para o remate de primeira do Cardozo, que foi correspondido com uma grande defesa do guarda-redes. Continuou o jogo na mesma toada, intensamente disputado, jogado a um ritmo elevadíssimo, mas com muito poucas ocasiões de remate para qualquer uma das equipas. Isto mudou no período louco que foram os últimos dez minutos da primeira parte. Primeiro sofremos o golo do empate, num grande cruzamento vindo da esquerda da nossa defesa que encontrou um jogador adversário solto do lado contrário para uma boa finalização de primeira, sem qualquer hipótese para o Artur. Depois foi uma boa reacção do Benfica ao golo sofrido, respondendo com dois golos de rajada, aos quarenta e dois e quarenta e quatro minutos. Ambos, inevitavelmente, da autoria do Cardozo. O primeiro numa jogada em que o Enzo desmarcou o Gaitán na esquerda, que com um cruzamento perfeito enviou a bola para o segundo poste, onde o Cardozo apareceu solto a cabecear de forma certeira. O segundo em novo cruzamento da esquerda, desta vez rasteiro, do Rúben, que o Cardozo se encarregou de finalizar com uma bomba de pé esquerdo. O jogo parecia (e deveria) ter ficado resolvido naquele momento. Mas muito mais estava para vir.

 

 

Entrou bem o Benfica na segunda parte. A vantagem dava confiança e o adversário parecia afectado por aqueles dois golos sofridos logo a seguir a ter chegado à vantagem. Era o Benfica quem tinha mais bola e se acercava mais da baliza adversária, deixando no ar a possibilidade de poder ampliar o resultado. Mas a situação alterou-se num instante, passados os primeiros quinze minutos. Primeiro, um remate muito perigoso ainda bem de fora da área obrigou o Artur a uma intervenção difícil, e no canto que se seguiu sofremos o segundo golo, com um dos centrais adversários a surgir na zona do primeiro poste para um cabeceamento cruzado. O golo relançou a incerteza no vencedor do jogo, o nosso adversário ganhou confiança, e o Benfica pareceu-me ter decidido arriscar menos no ataque, optando por tentar reter a bola e desacelerar o ritmo do jogo. A substituição forçada do Rúben, a vinte minutos do final, também não nos favoreceu, pois o Gaitán, que foi deslocado para o centro, não tem a mesma capacidade de luta e como tal perdemos alguma força nessa zona do campo. Mas de qualquer forma o tempo ia correndo a nosso favor, e a verdade é que ameaças às balizas (e nomeadamente, à nossa) eram quase inexistentes. Mais uma vez, tudo mudou nos minutos finais. Primeiro o Markovic, de cabeça e após livre do Gaitán, enviou a bola à barra; logo de seguida foi o Cardozo, depois de mais um grande cruzamento do Gaitán, que tirou o defesa da jogada e viu o quarto golo ser-lhe negado por uma grande defesa do guarda-redes; finalmente, e quase na resposta, foi o nosso adversário quem viu a bola ser devolvida pelo poste numa jogada em que o seu jogador se isolou frente ao Artur. E foi já no tempo de compensação que em mais uma bola parada consentimos o empate. Num livre marcado sobre a direita da nossa área o Garay não conseguiu cabecear e nas suas costas surgiu um adversário a cabecear para o golo e a levar o jogo para prolongamento.

 

 

E no prolongamento a sorte acabou por sorrir-nos. O jogo parecia estar de volta à toada de equilíbrio, mas um lançamento de linha lateral do Sílvio, na esquerda, resultou numa embrulhada entre o Luisão e um adversário, e já no chão o nosso capitão ainda conseguiu cabecear a bola, que de forma frouxa e enrolada passou por debaixo da pernas do guarda-redes, que já não conseguiu evitar que ela ultrapassasse a linha. Foi um frango enorme de um guarda-redes que durante o jogo já tinha evitado o nosso golo num par de ocasiões, e ainda viria a evitá-lo novamente até final. Este golo fez o jogo pender para as nossas cores novamente. Durante o prolongamento voltámos a ganhar alguma serenidade (a entrada do André Gomes sobre os noventa minutos e o regresso do Gaitán à esquerda trouxeram mais algum equilíbrio à equipa), o adversário foi obrigado a expor-se mais, e nós aproveitámos os espaços para criar algumas situações que poderiam ter resolvido o jogo mais cedo - as mais flagrantes nos pés do Ivan Cavaleiro e do André Gomes, que atirou ao poste. Do lado adversário, uma grande ocasião também, num cabeceamento que passou muito perto da nossa baliza quando quase parecia ser mais fácil marcar. Nos minutos finais, beneficiámos ainda de superioridade numérica após a expulsão de um dos centrais adversários.

 

 

Oscar Cardozo, indubitavelmente, o homem do jogo. Marcou um hat trick dos verdadeiros. O terceiro golo foi muito bom, pois o remate de primeira foi indefensável, mas gostei particularmente do segundo, pois toda a jogada foi bonita e o Cardozo apareceu no sítio certo a cabecear de forma exemplar e certeira - ainda para mais quando o jogo de cabeça até nem é um dos seus pontos mais fortes. Gostei muito, para não variar, do Enzo, que trabalhou imenso e saiu esgotado, e do Gaitán, que foi o nosso jogador mais criativo (ele por norma costuma jogar quase sempre muito bem contra o adversário desta noite). O Garay não esteve ao seu nível no seu centésimo jogo com a nossa camisola. Os dois golos sofridos de bola parada são prova disso.

 

 

Ganhámos, como devíamos ter ganho e era expectável que o fizéssemos. Mas podia ter sido melhor. Devia ter sido melhor. Eram dispensáveis o prolongamento e o sofrimento. O jogo estava ganho ao intervalo. Não podemos continuar a cometer erros estúpidos nas bolas paradas. Temos o mesmo treinador e os mesmos jogadores. Não há justificação para que de um momento para o outro tenhamos desatado a sofrer golos desta forma em catadupa.

por D`Arcy às 01:18 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Sexta-feira, 08.11.13

Silêncio e hipocrisia

«Silêncio e hipocrisia sobre incidentes do Dragão» escrevia Miguel Sousa Tavares no jornal “A Bola” do dia 05 de Novembro. Descontando a fina ironia que é começar um texto plagiando uma expressão de Sousa Tavares, considero, tal como o escriba citado, que o silêncio e a hipocrisia são recorrentes na forma como se abordam “incidentes” no futebol português. Assim, o que dizer sobre a hipocrisia que está encerrada no silêncio acerca do comportamento do director de comunicação do FCP no passado fim-de-semana, no Restelo? Ouvi claramente, na Antena 1, um jornalista relatar que viu o referido comunicador do Porto a pontapear um outro jornalista. Em seguida, ficou o silêncio conivente de uns e a voz envergonhada de outros. Chamar “incidentes” às agressões é silêncio ou hipocrisia? E como se caracteriza o silêncio que se impôs a quem garantia – antes de repensar as garantias – que vira responsáveis do clube do guarda Abel a agredir um delegado da Liga, em Setúbal? E o silêncio acerca da violência de que foi vítima o jornalista Valdemar Duarte (à época estava ao serviço da TVI) enquanto trabalhava no Dragão? Quando todos os jornalistas se calam, que nome se dá a isso? E os comunicadores, cronistas e afins que tanto se esforçam por silenciar toda e qualquer referência às escutas do Apito Dourado presentes no youtube e que agora falam de silêncios? Em que sílaba da palavra “hipocrisia” cabem as palavras dos escribas que agora se queixam de silêncios? Lembro-me de uma vez ter ouvido o saudoso Jorge Perestrelo perguntar, em directo, na rádio, se os jornalistas “fariam parte de uma classe de merda ou de uma merda de classe” (‘ipsis verbis’). Em seguida ficou o silêncio, mas a hipocrisia ficou afastada do discurso.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Outubro, para publicação na edição de 08/11/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 11:44 | link do post
Quinta-feira, 07.11.13

Hipocrisia

O comunicado de hoje do fóculporto sobre a futura estátua de Cosme Damião (projecto que faz parte do Orçamento Participativo da CML, que foi votado pelos munícipes lisboetas) e a brutal comparticipação da CML que terá que sair do bolso de todos os 'portugueses de Monção a Vila Real de Santo António' consegue ser ainda mais reles e hipócrita do que eu poderia esperar vindo dali. E isso não é nada fácil.

Gosto particularmente da frase "Em causa não está tratar-se deste ou daquele clube[...]". Todos nós acreditamos nisso. E também acreditamos que o Centro de Estágios de Gaia  não custou um tostão aos 'portugueses de Monção a Vila Real de Santo António', que o fóculporto não paga pela sua utilização menos do que uma pessoa paga de renda por um T1 em Lisboa, ou que nas escutas do Apito Dourado era um tipo qualquer a imitar o presidente do fóculporto, que na altura até estava na missa a rezar.

por D`Arcy às 18:28 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Terça-feira, 05.11.13

Roberto

Aquilo que mais me irrita no resultado desta noite é mesmo o facto de termos perdido contra uma equipa que é claramente inferior à nossa. E foi possível verificar isso mesmo durante o jogo: eu vi o melhor Benfica da época, que foi imensamente superior ao adversário do primeiro ao último minuto, mas esbarrou de frente com um gigantesco Roberto, que resolveu exibir as qualidades que nos levaram a contratá-lo há três anos.

 

 

A maior novidade para mim foi que, num jogo teoricamente de dificuldade mais elevada, o nosso treinador optou por não entregar logo a abrir a superioridade numérica no centro do terreno. Três médios de início, com a titularidade do Rúben Amorim junto dos habituais Matic e Enzo. Na esquerda da defesa surgiu o Sílvio, e no ataque foi o Markovic a ocupar o lugar que nos últimos jogos tinha sido do Ivan Cavaleiro. Não houve inferno nenhum em Atenas - o Benfica entrou a todo o gás, a jogar de forma completamente descontraída e a empurrar o adversário para junto da sua área. Os primeiros dez minutos foram o modelo perfeito daquilo que viria a ser o jogo inteiro: ataque constante do Benfica, com o Olympiacos praticamente a não passar do meio campo, e duas enormes oportunidades de golo, ambas negadas de forma sublime pelo Roberto. Primeiro num remate rasteiro de primeira do Cardozo, e depois na cara do isolado Markovic. Não marcar duas oportunidades claras como estas num jogo da Champions já seria uma situação suficientemente lamentável, mas aquilo foi apenas uma amostra do que estava para vir. Pior ainda, praticamente da primeira vez que o Olympiacos subiu à nossa área (acabaram por fazer dois remates à nossa baliza durante todo o jogo), marcou. Nós defendemos os cantos à zona, mas quando a bola é enviada para uma 'zona de ninguém' há sempre o risco de acontecer o que aconteceu, que foi um dos centrais adversários aparecer livre de marcação, vindo do limite da área, para cabecear para o golo. Já disse antes que tenho alguma embirração com o Artur, por isso eu próprio darei o devido desconto à opinião com que fiquei do lance, mas a verdade é que acho que o Artur poderia ter feito melhor do que defender a bola para dentro da baliza. Ao contrário do que já vimos esta época, a nossa equipa não reagiu mal ao golo sofrido, e continuou a jogar exactamente da mesma forma, dominando o jogo e o adversário e tentando chegar ao golo de todas as formas. Foi já perto do intervalo que voltámos a ter uma grande oportunidade, e desta vez (talvez a única durante todo o jogo) não foi o Roberto o responsável por não a concretizarmos. Foi mesmo desconcentração ou displicência do Matic, que se apanhou sozinho em frente à baliza após um canto, e provavelmente pensou que estaria em fora-de-jogo, tendo por isso tentado um toque displicente com o calcanhar.

 

 

A segunda parte começou exactamente na mesma toada da primeira. Com mais uma defesa do Roberto, desta vez a remate do Markovic. Foi apenas o mote para uma exibição ainda mais memorável do nosso antigo guarda-redes. É que a superioridade do Benfica foi ainda maior durante o segundo tempo. Foi um ataque constante à baliza grega, com tentativas de vários dos nossos jogadores, mas sempre com um denominador comum: Roberto intransponível. A verdade é que à parte a concretização (com a devida parte de 'culpa' do Roberto), pouco ou nada tenho a apontar à nossa equipa ou aos nossos jogadores. Eu gostei sinceramente daquilo que vi hoje. Jogámos com uma velocidade e uma vontade como há algum tempo não via, tivemos criatividade e variedade de argumentos para construir diversas ocasiões de golo, mas no final o resultado foi-nos, de forma extremamente injusta, desfavorável. O velho chavão de que ganha quem marca voltou a aplicar-se, e vitórias morais de pouco nos servem. A verdade é que na segunda parte foram pelo menos meia dúzia de oportunidades claras de golo, todas elas negadas de forma brilhante pelo Roberto. Se tivermos má vontade ou estivermos particularmente irritados podemos sempre cascar na equipa e nos jogadores por as terem falhado, mas eu sinceramente prefiro dar o mérito a quem o mereceu, que foi o Roberto.

 

 

Nem vou fazer destaques individuais. Gostei de toda a equipa em geral, achei que os 'estreantes' titulares Rúben e Sílvio fizeram boas exibições, e senti-me mais tranquilo com a presença de um terceiro médio em campo. O resultado foi péssimo, mas em termos exibicionais não tenho dúvidas de que este foi o melhor jogo que a nossa equipa fez esta época, e merecia muito melhor sorte. Espero que seja isto que retenham do jogo de hoje, e que o resultado negativo não tenha efeitos negativos. Em relação ao jogo da Taça que se segue, gostaria muito que a estrutura táctica que apresentámos neste jogo se mantivesse.

por D`Arcy às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Domingo, 03.11.13

Continental

 

Contra o Vendrell, cinco a três em Espanha e cinco a zero na Luz, num ambiente a fazer lembrar o velhinho Pavilhão nº1 debaixo do Terceiro Anel. E o Benfica juntou assim a Taça Continental à Liga Europeia de hóquei em patins. Parabéns, rapazes!

por D`Arcy às 11:35 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sábado, 02.11.13

Três

Jogo resolvido com dois golos no espaço de três minutos, e vitória por três a zero no final. Mais um pequeno passo dado na tentativa de recuperação dos níveis exibicionais e de confiança da nossa equipa. Hoje tivemos o seguimento natural do último jogo, frente ao Nacional, com nova exibição segura e o triunfo mais claro e tranquilo da época.

 

 

Apenas duas alterações no onze do Nacional: Lima e Cortez em vez de Siqueira e Rodrigo. As recordações que tenho dos nossos últimos jogos em Coimbra não eram as melhores: dois empates, com forte influência da arbitragem, e exibições pouco conseguidas. O jogo desta noite também não começou de forma muito promissora. Não é que jogássemos mal, porque desde o início que o Benfica me pareceu jogar com alguma segurança e manter o adversário muito bem controlado. O maior problema pareceu-me ser a velocidade que imprimimos ao jogo - demasiado lenta para que parecesse provável chegarmos ao golo. As jogadas mais promissoras surgiam invariavelmente quando o Gaitán deixava a ala esquerda para aparecer no meio, nas costas dos avançados, onde podia criar lances de maior perigo, tendo sobretudo a colaboração do Enzo nas tentativas de imprimir maior velocidade. Até que um pouco depois da meia hora a qualidade individual dos nossos jogadores acabou por fazer a diferença. Logo a seguir a um remate perigoso do Gaitán, que obrigou o guarda-redes da Académica a aplicar-se, o Cardozo desferiu um remate cruzado e rasteiro ainda de fora da área, que inaugurou o marcador. Talvez o Benfica não estivesse a ser propriamente brilhante até então, mas estava claramente a ser a melhor equipa no jogo e a única que merecia chegar ao golo. Três minutos depois, após um centro do Gaitán, dois defesas da Académica embrulharam-se com o Cardozo na disputa da bola, que acabou por cair sobre a cabeça de um dos defesas e entrar na baliza. Com esse segundo golo, e face ao que tinha visto até então, fiquei com muito poucas dúvidas sobre o desfecho final do jogo, pois apesar do muito tempo que ainda havia para jogar achei que só mesmo uma hecatombe poderia evitar a nossa vitória.

 


A segunda parte encarregou-se de confirmar esta ideia. O Benfica, tranquilo sobre a vantagem de dois golos, teve sempre o jogo controladíssimo, e pareceu-me que a nossa equipa fez uma óptima gestão de esforço e da posse de bola, sobretudo considerando o jogo europeu que se segue. Mesmo a jogar sem grande intensidade, tive sempre a sensação de que o terceiro golo estava mesmo ali ao nosso alcance e poderia surgir a qualquer momento. A subida de rendimento da dupla Enzo/Matic foi notória neste jogo, e os resultados práticos disso também. O controlo do Benfica no jogo ficou ainda mais evidente nos minutos finais, quando o meio campo foi reforçado com a entrada do Rúben para o lugar do Lima. Chegámos a ver o Benfica trocar a bola entre os seus jogadores, a toda a largura do campo, durante largos períodos de tempo, sem que a Académica fosse capaz de recuperá-la. E quando era o adversário a ter a bola, as linhas de pressão mais subidas com que o Benfica jogou permitiam a rápida recuperação da mesma - isto já esteve bem mais próximo daquilo a que esta equipa me habituou. A recompensa surgiu a quatro minutos do final, num bom passe do Rúben para a desmarcação do Markovic, que depois, com um simples toque na bola, concluiu a jogada com classe para assinar o golo mais bonito da noite, colocando a bola sobre o guarda-redes à saída deste. Pareceu-me que houve alguma vontade de classificar o resultado como exagerado, mas para mim foi uma expressão perfeitamente natural daquilo que se passou em campo. O Benfica foi claramente superior, controlou o jogo como quis e sem grande esforço, e o resultado avolumou-se de forma natural.

 


Matic a subir de forma, Enzo mais uma vez em bom plano e o Cardozo outra vez decisivo. Gostei também do Gaitán e da segurança dos nossos centrais. Ainda não consego partilhar do entusiasmo geral em relação ao Ivan Cavaleiro. É um jogador esforçado, mas por enquanto ainda não me parece pronto para a equipa principal do Benfica, e deverá perder o lugar assim que os lesionados recuperarem.


Vitória importante, quer pelos números, quer pela exibição segura associada. Ainda por cima num campo que ultimamente vinha a ser problemático para nós. Não está a ser um processo fácil, mas creio que é notória alguma evolução no estado anímico da equipa e na qualidade do nosso jogo nos últimos tempos. Apesar do pouco interesse que a competição me desperta, espero que em Atenas possamos manter esta tendência.

por D`Arcy às 01:30 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Sexta-feira, 01.11.13

O vento, o interesse público e as oliveiras maduras

Houve tempo em que as oliveiras balançavam ao sabor do vento. Agora é tempo do vento soprar ao sabor das oliveiras. [link]

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por Pedro F. Ferreira às 15:48 | link do post

As coisas relativas

Grupos organizados promovem violência gratuita, planeada e anunciada. Utilizam o futebol para dar azo a violência extremada e actos criminosos perpetrados em público com direito a visibilidade mediática.

A recorrência destes crimes é cada vez maior. Uns publicam livros a vangloriarem-se dos crimes, dão entrevistas e transforma-se em personagens periféricas ao desporto com influência directa nos resultados desportivos. Outros são conhecidos nos “bas-fond” como elementos ligados directamente à criminalidade organizada e em larga escala. Alguns servem de guarda pretoriana a dirigentes desportivos que fazem da corrupção uma bandeira. Comum a todos é sensação de completa impunidade de que gozam. Comum a todos é o aproveitamento que fazem da desculpabilização pública que se segue à violência. Tudo é desculpado na relativização da violência. Relativiza-se a morte de um adepto num estádio; relativiza-se o apedrejamento selvático do autocarro de um clube à entrada de um estádio; relativiza-se a tentativa de homicídio de um presidente de um clube com o apedrejamento do carro em plena auto-estrada; relativiza-se o fogo posto na bancada de um estádio; relativiza-se o arremesso de bolas de golfe aos autocarros dos clubes e aos futebolistas no relvado; relativizam-se as agressões públicas a jornalistas que retiram as queixas por falta de proteção… Tudo isto se relativiza desde que se relativizou a violência encomendada de um tristemente famoso Abel em tempos idos.

Tudo isto se relativiza com o mesmo à vontade com que se relativiza a corrupção desportiva e as provas escutadas da mesma. Tudo isto se relativiza ao ponto de hoje em dia conceitos como “estado de direito”, “democracia” e “valores civilizacionais” serem umas coisitas relativas e pouco significantes perante o valor absoluto e inquestionável do regabofe assumido com fina ironia no futebol português.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Outubro, para publicação na edição de 01/11/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:58 | link do post
Terça-feira, 29.10.13

Coerência

Então os nossos vizinhos só agora é que descobriram que lá em cima se intimidam jornalistas e se utilizam as tácticas mais rasteiras de destabilização e intimidação dos adversários? Tendo em conta aquilo que todos sabemos, e as minhas visitas ao Ladrão e às antigas Antas, até acredito que tudo aquilo que relatam em mais um dos seus incontáveis e enfadonhos comunicados se tenha mesmo passado. Mas tem piada: quando nós, desde há décadas, todos os anos passamos pelo mesmo eles normalmente riem-se alarvemente, assobiam para o lado e festejam as nossas derrotas.

 


Quanto ao facto de considerarem que uns cartazes tontos com bocas ao Patrício são "uma mesquinhez regional, não compatível com o Seculo XXI em que vivemos, e como tal um desrespeito por Portugal", parece-me particularmente hipócrita que esta acusação venha da parte de um clube que já permitiu faixas vergonhosas como a da imagem anexa sobre o maior jogador de sempre da selecção portuguesa (e constantemente permite coisas de semelhante teor às suas claques). É a habitual coerência daquele pessoal.


P.S.- E um comunicado a queixarem-se da forma como foram recebidos no Ladrão era capaz de dar para levar um pouco mais a sério se o totó do presidente deles não tivesse andado, nas semanas antes do jogo, a declarar desejar ser mal recebido lá.

por D`Arcy às 00:45 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 27.10.13

Descansada

Deve ter sido uma das vitórias mais descansadas do Benfica esta época, mas o nível exibicional ainda continua longe do desejável. Mas se continuamos sem capacidade para jogar bem, pelo menos valeu a vitória sobre um adversário que no início desta jornada estava no quarto lugar, apenas um ponto atrás de nós, e a forma um pouco mais segura como ela foi obtida.

 

 

Factos de maior realce no onze do Benfica foram as presenças do Rodrigo e do Ivan Cavaleiro nos lugares que tinham sido ocupados pelo Lima e pelo Ola John no jogo da passada quarta-feira. A entrada do Benfica no jogo foi boa, a exemplo do que até tem acontecido ultimamente - o problema é que esse ímpeto inicial normalmente dura pouco tempo e depois a equipa parece cair numa estranha inércia. O melhor que nos poderá portanto acontecer será marcar um golo durante esses minutos, e felizmente foi o que aconteceu hoje. Ao fim do primeiro quarto de hora, o Siqueira subiu bem, tabelou na perfeição com o Cardozo, e em frente ao guarda-redes não perdoou. Seria de esperar que um golo motivasse uma equipa, mas o que eu vi foi o contrário. A seguir ao golo marcado pareceu-me que o Benfica atravessou aquele que foi o seu pior período no jogo. Não fomos exactamente pressionados pelo Nacional, que durante os noventa minutos praticamente não criou uma oportunidade de golo (apenas num livre o Artur foi obrigado a uma intervenção mais apertada), mas o nosso adversário passou a ter muito mais posse de bola, e a jogar mais tempo no nosso meio campo, enquanto que o Benfica assumiu uma postura mais expectante e tentava sair em contra-ataque quando recuperava a bola, mas pouco ou nada conseguia produzir em termos atacantes. Vimos mais um jogador nosso sofrer uma lesão muscular (Siqueira), e vimos nos minutos finais da primeira parte o Benfica melhorar um pouco e voltar a aproximar-se da baliza adversária, tendo estado perto de voltar a marcar pelo Cardozo.

 

 

Uma boa reentrada para a segunda parte valeu-nos o segundo golo, depois de uma bola recuperada logo à entrada do meio campo ter sido bem trabalhada pelo Gaitán, que deixou o Cardozo com tudo para marcar, e o paraguaio não falhou. Os dois golos de vantagem deram à nossa equipa uma tranquilidade maior, e já passou a ser possível ver a espaços alguns pormenores interessantes dos nossos jogadores. Mas ainda me pareceu haver falta de confiança, porque não é muito habitual ver a nossa equipa jogar com as linhas tão recuadas quando o adversário tem a bola. De qualquer forma esta aposta na segurança - reforçada com a troca do Rodrigo pelo Rúben Amorim, passando a equipa a jogar com mais um homem no meio campo - permitiu-nos manter o jogo sob controlo com relativa facilidade (não me recordo de qualquer oportunidade clara de golo do Nacional), e foi o Benfica quem esteve sempre mais perto de ampliar a vantagem. Foram algumas as ocasiões que criámos para o fazer, quase sempre através de transições rápidas para o ataque após recuperarmos a bola (já tinha algumas saudades de ver a nossa equipa fazer algumas jogadas destas). Foi pena que, numa delas, o Ivan Cavaleiro tenha visto o guarda-redes adversário negar-lhe a oportunidade para assinalar a sua estreia na Liga com um golo. Negativamente, fiquei mais uma vez com a impressão de que os nossos jogadores não andam nas condições físicas ideais. Se até posso achar compreensível que o Ivan Cavaleiro tenha ficado esgotado, houve outros jogadores (como por exemplo o Enzo ou o Gaitán) que me pareceram estar excessivamente fatigados ainda bem antes do jogo chegar ao fim.

 

 

O homem do jogo é o Cardozo. Marcou e deu a marcar, e para além disso esteve geralmente bem no ataque a abrir espaços para os colegas e a criar linhas de passe. Depois do jogo desastroso da passada quarta-feira, o Matic esteve bem melhor hoje. Gostei também do Garay, e o André Almeida entrou muito bem no jogo - foi naturalmente muito menos interventivo no ataque do que estava a ser o Siqueira, mas esteve praticamente perfeito a defender. Quanto ao estreante Ivan Cavaleiro, na primeira parte pareceu-me nervoso e a cometer bastantes erros devido à sua inexperiência, mas depois acalmou na segunda parte, ganhou confiança e subiu bastante o nível do seu jogo.

 

Espero que a nossa equipa tenha capacidade para voltar a acreditar em si própria e brindar-nos com futebol com a qualidade que vimos a época passada. Enquanto tal não é possível, pelo menos é importante que consigamos ganhar jogos e somar pontos. Hoje vi alguma evolução (não muita, é certo) em relação ao passado mais recente. Espero que seja para manter, até porque em breve teremos uma semana com jogos decisivos.

 

P.S.- Acho que vou fazer uma t-shirt a dizer 'Eu vi o Ola John correr'.

por D`Arcy às 23:55 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sexta-feira, 25.10.13

A lição

Gosto muito da Taça de Portugal, quando é jogada mano-a-mano, os grandes contra os pequenos, com os futebolistas dos pequenos a terem a humildade que, por vezes, os fazem, durante 90 minutos, serem gigantes; e os futebolistas dos gigantes, por vezes, durante 90 minutos, a sofrerem de um nanismo pouco compatível com o estatuto, o ordenado e os privilégios com que se pavoneiam. Como adepto ferrenho do Benfica (o maior dos Gigantes), espero sempre que os nossos futebolistas saibam que só serão gigantes se souberem, sempre, partir para o jogo com a humildade de um David.

Recordo o primeiro jogo que vi, ao vivo, para a Taça de Portugal: foi em Castelo Branco, no “mítico” pelado do Vale do Romeiro, no dia 04 de Janeiro de 1981. O Benfica de Castelo Branco recebia o Benfica. Lajos Baroti apresentou praticamente todos os titulares (trocou o Bento pelo Botelho) e lá se apresentaram gigantes como Chalana, Humberto, Alhinho, Bastos Lopes, Carlos Manuel, João Alves, Néné, Shéu… Enfim, uma constelação que teve como oponente um Benfica de Castelo Branco que tinha em Balacó (que faria carreira na primeira divisão, no Espinho e no Portimonense) a grande figura. O Benfica ganhou, naturalmente, com três golos (um de Reinaldo, um de Carlos Manuel e outro do inevitável Néné). Eu, do alto dos meus dez anos, saí do campo maravilhado por ter visto, ao vivo, os meus heróis, naquele simples e honrado pelado. O meu único lamento era não ter visto em campo o maior dos meus ídolos, o Bento. Não entendia o chorrilho de críticas com que os mais velhos se despediam de uma equipa que acabara de ganhar 3-0. Diziam esses mais velhos que ao Benfica se exigia muito mais do que um mero jogo para entreter; outros acusavam os jogadores de terem lá ido brincar… e eu, puto em aprendizagem, apenas me queixava de não ter visto o Bento. Aprendi, nesse dia, a lição de que os profissionais do Benfica não se podiam satisfazer com essa coisa parca e diminutiva de “fazer os mínimos contra adversários que dão o máximo”. Nesse dia, Baroti não se vangloriou de nada, não se gabou de nada e certamente percebeu que, apesar da vitória, se exigia muito mais do que o que a sua equipa mostrara.

Há lições que nunca se esquecem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Outubro, para publicação na edição de 25/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:02 | link do post
Quinta-feira, 24.10.13

Fraco

Mais um fraco jogo do Benfica valeu-nos um empate sofrido contra o Olympiacos, que nos deixa numa situação bastante desconfortável se por acaso aspiramos ao apuramento para a segunda fase da Champions.

 

 

Dois avançados de início, para não variar (Cardozo e Lima), André Almeida a confirmar a condição de titular na Europa, e Ola John também no onze. O Benfica deixou pelo menos a ilusão de uma entrada forte, com um período de ataque constante e cantos consecutivos, mas em poucos minutos isso se desvaneceu. Os gregos jogavam organizados na defesa, e limitavam-se a esperar pelas nossas perdas de bola, para depois contra-atacarem, normalmente utilizando para isso apenas três ou quatro jogadores, e explorando muitas vezes um vazio muito grande que constantemente existia na zona central do meio campo. Quanto ao futebol do Benfica voltou a ser lento, pouco imaginativo e previsível, com a maior parte dos jogadores a exibirem-se a um nível bastante aquém daquilo que sabem e são capazes. Para além disso explorámos muito mal os flancos, não tirando assim partido daquela que sabemos ser a principal lacuna do Roberto, os cruzamentos. O Matic foi um dos jogadores que se exibiu muito abaixo do exigível, e isso ficou evidente no lance do golo grego, que nasceu numa perda de bola disparatada dele à entrada da nossa área. Depois aconteceu aquilo que temos visto ultimamente: a equipa acusou imenso o golo sofrido, e se já pouco vinha jogando até então, durante os cerca de quinze minutos que passaram até ao intervalo não fez rigorosamente mais nada digno de registo.

 

Do intervalo veio o estreante Ivan Cavaleiro no lugar do inoperante Ola John. A chuva incessante que teimava em cair conseguiu empapar o relvado da Luz, coisa que não é fácil, e durante praticamente metade desta segunda parte foi impossível jogar futebol. Assistimos a um espectáculo mais em linha com aquilo que se costuma ver numa qualquer divisão distrital, e que me fez recordar com alguma nostalgia os tempos em que jogava futebol e assim que tinha a bola nos pés durante mais de dois segundos ouvia os urros do treinador a mandar-me chutar a bola para a frente. Curiosamente, esta impossibilidade de jogar futebol de qualidade pareceu espevitar os nossos jogadores, que se apresentaram com uma atitude mais aguerrida e foram à procura do empate. Isto não evitou, no entanto, que a melhor oportunidade de golo durante este período pertencesse aos gregos, e só mesmo o estado alagado do relvado impediu que fizessem o segundo golo. Quando a chuva finalmente parou, foi possível ver a fantástica capacidade de recuperação do relvado, que em poucos minutos voltou a ficar praticável. O nosso futebol é que não havia forma de recuperar, e continuou em níveis muito pouco recomendáveis, salvando-se apenas mesmo a atitude batalhadora dos jogadores, que foi reconhecida pelo público presente na Luz, incansável no apoio à equipa mesmo quando a qualidade do nosso futebol era tão má. A recompensa veio a sete minutos do final, num cenário algo familiar: canto marcado da esquerda, cruzamento para perto da pequena área, Roberto aos papéis e o Luisão a surgir solto no segundo poste para cabecear, permitindo ao Cardozo marcar quase sobre a linha de golo. Foi mesmo o melhor que conseguimos.

 

Não consigo fazer destaques muito positivos na nossa equipa. O Enzo foi um dos que mais tentou remar contra a maré enquanto teve pernas, mas no final já se agarrava demasiado à bola e tentava fazer tudo sozinho. Já destaques negativos, sim, e se menciono apenas alguns jogadores é só porque não quero perder tempo a falar de quase toda a equipa. O Matic fez um jogo fraquíssimo, como há muito não o via fazer. Mesmo considerando a má forma que vem apresentando em comparação com a época passada, o jogo de hoje foi ainda pior. O Lima continua a sua senda de maus jogos, parece estar sem confiança nenhuma e, para piorar, o espírito combativo que o caracteriza anda ausente. Sobre o Ola John é melhor nem me alongar, para não ser desagradável.

 

O Olympiacos não me pareceu ser uma equipa particularmente forte, mas a nossa exibição medíocre impediu que levássemos de vencida este adversário, acabando o empate por ter que ser considerado um mal menor. Parece-me que depois deste resultado apenas uma vitória na Grécia nos permitirá continuar a pensar seriamente no apuramento. Mas para o conseguirmos será necessário jogar mais e melhor do que aquilo que fizemos hoje.

por D`Arcy às 01:17 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sábado, 19.10.13

Taça

Vitória tangencial sem grandes problemas num jogo sem brilho, que ficou marcado apenas pelas estreias oficiais na equipa principal do Benfica de diversos jogadores: Jan Oblak, Steven Vitória, Victor Lindelöf, Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva e Funes Mori. Não houve grandes destaques ou pormenores de grande interesse no nosso jogo. O resultado talvez pudesse ter sido mais dilatado, já que sobretudo na fase inicial falhámos algumas oportunidades que mereciam outra conclusão - com o mote dado logo no primeiro minuto de jogo, quando o Ivan Cavaleiro, isolado, falhou o golo. Talvez fosse ele o jogador sobre cuja estreia haveria maior interesse. O adversário era fraco e ele mostrou alguns bons pormenores, mas esteve infeliz na finalização e em várias ocasiões achei que se agarrou demasiado à bola - embora este pormenor já seja algo habitual nele nos jogos pela equipa B. Fiquei satisfeito por ver finalmente o Oblak jogar por nós - não porque se tenha destacado, já que quase não teve trabalho, mas sim porque acredito que ele tem qualidade para poder vir a ser o futuro titular da nossa baliza. Fiquei apenas algo desiludido por ainda não ter sido desta que o Cancelo teve a sua oportunidade.

por D`Arcy às 18:05 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sexta-feira, 18.10.13

O descrédito

O número de espectadores por jogo, nos jogos das competições futebolísticas nacionais, é escandalosamente baixo. Os espectadores estão a deixar de ir ao futebol e os motivos são vários: desde a crise profunda em que estamos mergulhados até ao descrédito completo em que caiu o futebol português. As pessoas que gostam de futebol recusam-se a pagar e a fazer sacrifícios para assistir a farsas. Sobram os que pagam o bilhete levados pela paixão clubística. Os erros de arbitragem grosseiros e sistemáticos já não se conseguem travestir de qualquer inocência. Assumiu-se, vencidos pelo cansaço e pela boçal impunidade, que a corrupção no futebol português é uma espécie de fenómeno atmosférico com o qual temos de conviver. Habituamo-nos, resignamo-nos, encolhemos os ombros e deixamos de acreditar que aquele jogo não está viciado. Logo, deixamos de ir ao estádio. Que não se duvide de que esta é uma (talvez mesmo a maior) das causas para o número confrangedor de espectadores que temos nos estádios portugueses. Os dirigentes dos clubes sabem que assim é e os dirigentes dos órgãos de gestão do futebol português também o sabem. Lemos, ouvimos e vemos declarações de circunstância, outras de pompa, umas quantas de ocasião e uns recados disfarçados de ironia mais ou menos fina oriundos de vários dirigentes de clubes, mas nada, absolutamente nada que sirva realmente para alterar esta triste realidade. Por parte de quem dirige a Liga ouve-se o eco do silêncio. Por parte de quem dirige a Federação ouvem-se umas banalidades perfeitamente inconsequentes e, pontualmente, um desabafo sobre aquilo que realmente o preocupa nos dias que correm: o papel da Benfica TV como entrave à sua cruzada de centralizar (controlar) os direitos de transmissão televisiva. Esvaziam-se os estádios, mas preenche-se o ego dos verbos de encher que dirigem os órgãos de gestão do futebol luso.

 

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 15 de Outubro, para publicação na edição de 18/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:12 | link do post
Segunda-feira, 07.10.13

Difícil

A exibição voltou a não ser daquelas de encher o olho, mas discordo completamente do catastrofismo que hoje tenho visto acerca da mesma. Para mim o Benfica fez uma exibição relativamente segura, tendo conseguido assim trazer os três pontos de um campo difícil. Se a equipa neste momento tivesse um pouco mais de confiança em si própria, provavelmente teria sido uma vitória mais tranquila, mas mesmo assim acabei por achar que o jogo foi bem menos problemático do que eu antecipava.

 

 

A nota mais relevante de início foi o regresso do Rodrigo ao onze, formando dupla com o Lima e relegando o Cardozo para o banco. No meio campo, regresso à fórmula da época passada, com o Enzo no meio a fazer companhia ao Matic, tendo assim o lado direito ficado entregue ao Markovic. Se os minutos de entrada até fizeram pensar num jogo mais movimentado e emocionante, essa ideia depressa desapareceu. O jogo foi extremamente disputado, sim, mas a bola passou a maior parte do tempo longe das balizas, com as oportunidades a escassearem. O Benfica chegou cedo ao golo, num cruzamento teleguiado do Gaitán que descobriu o Lima completamente sozinho na zona do segundo poste, permitindo-lhe um golo fácil de cabeça - felizmente para nós, nesse momento o Lima mostrou acerto na finalização, algo que não voltou a mostrar durante o resto do jogo. A reacção do Benfica ao golo madrugador foi tentar diminuir o ritmo de jogo. Talvez por reflexo da pouca confiança que a equipa parece continuar a ter em si própria, o Benfica pareceu apostar em fazer um jogo o mais seguro possível. Não nos remetemos à defesa, mas simplesmente arriscámos muito pouco - tentando fazer apenas passes de pouco risco, transições menos rápidas e com menos jogadores a sair rapidamente para o ataque, e poucas iniciativas individuais. O resultado foi o tal jogo algo aborrecido, com poucas ocasiões de perigo, e muita disputa na zona do meio campo. Não me recordo de qualquer defesa mais apertada de qualquer um dos guarda-redes, sendo que a resposta do Estoril foi dada sobretudo através de tentativas de remate de fora da área. A meio da primeira parte ficámos sem o Markovic devido a uma lesão muscular (mais uma...) e mesmo sobre o intervalo tivemos uma ocasião soberana para deixar o jogo muito bem encaminhado, pois vimos finalmente um penálti ser assinalado a nosso favor. Mas na ausência do Cardozo foi o Lima quem foi chamado, e ele permitiu a defesa do guarda-redes.

 

 

No regresso do intervalo o jogo continuou mais ou menos na mesma toada, mas sinceramente até me pareceu que o Benfica conseguiu adormecer ainda mais o ritmo de jogo, e consequentemente controlar melhor qualquer possível ameaça do Estoril. Passámos a gerir melhor a posse de bola, ainda que, sempre, sem arriscar quase nada. O cenário ficou ainda mais favorável com a expulsão de um jogador adversário, após terem decorrido apenas dez minutos, mas nem mesmo assim o Benfica pareceu interessado em imprimir um ritmo maior ao jogo, preferindo continuar a jogar pelo seguro. As oportunidades continuavam a ser muito poucas, mas estive sempre com a sensação de que seria mais provável o Benfica fazer o segundo golo, e nunca me senti particularmente nervoso com a possibilidade do Estoril empatar. E a vinte minutos do final o Benfica chegou mesmo a esse golo (um minuto antes já tinha estado perto, mas o Enzo não conseguiu controlar a bola quando estava solto na marca de penálti). O golo foi um pontapé fantástico do Cardozo, à meia volta, de primeira e de pé direito, depois de um cruzamento do Maxi na direita. A bola descreveu um arco e entrou quase no ângulo, sem qualquer hipótese de defesa para o guarda-redes. Pensei então eu que, com dois golos de vantagem e um jogador a mais, teríamos a questão resolvida. Mas o Estoril quase marcou no pontapé de saída - o Artur defendeu com dificuldade para canto a tentativa de chapéu, que aproveitou bem o vento e o seu adiantamento - e na sequência do mesmo o Balboa reduziu a vantagem, num cabeceamento demasiado à vontade no centro da área. O golo voltava a lançar alguma incerteza no resultado, mas não me pareceu que a nossa equipa tivesse acusado muito o golpe. Poderíamos aliás ter reposto a vantagem imediatamente a seguir, mas o Lima falhou de forma grosseira uma oportunidade soberana que o Cardozo lhe proporcionou. Até final do jogo o Benfica continuou a guardar a bola e o Estoril pouco ou nada conseguiu ameaçar ou pressionar na procura do empate, mas nos instantes finais tudo poderia ter mudado. O Maxi viu o segundo amarelo a um minuto do fim, e na última jogada do jogo a nossa defesa (guarda-redes incluído) atrapalhou-se, tendo proporcionado um remate muito perigoso ao Estoril, ainda que de ângulo muito apertado.

 

 

Num jogo sem grandes destaques individuais, gostei bastante de ver o Gaitán. Sobretudo pela atitude que mostrou durante todo o jogo - não é muito habitual vê-lo tão activo e empenhado na luta pela recuperação da bola e na ajuda à defesa. Para além disso foi dele o cruzamento perfeito para o primeiro golo, e foi dos jogadores mais activos no ataque. Achei também que o Enzo fez um bom jogo, e o Cardozo teve uma boa entrada - marcou um grande golo e ofereceu outro ao Lima, que era bem mais difícil de falhar do que marcar.

 

É certo que a exibição não foi das mais vistosas, mas repito que não concordo com o que hoje já li sobre a mesma. O jogo era difícil, e a vitória acabou por ser alcançada de forma bem menos complicada do que eu esperava. Pareceu-me perfeitamente natural que uma equipa que anda com os níveis de confiança por baixo, vinda de uma derrota pesada, tivesse apostado em não arriscar demasiado quando estava em vantagem no marcador, em vez de se lançar numa cavalgada desenfreada sobre o adversário, deixando a equipa desequilibrada e exposta a eventuais contra-ataques - ainda por cima quando todos sabemos que esse é precisamente um dos pontos mais fortes do Estoril. Talvez aqueles dois lances no final (expulsão do Maxi e a oportunidade do Estoril) tenham contribuído para deixar uma imagem mais negativa da nossa exibição, mas na minha opinião a vitória do Benfica só pode ser colocada em causa por manifesta má vontade.

por D`Arcy às 13:20 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Sexta-feira, 04.10.13

Reescreva-se a História

Para descanso e consolo dos chefes de redação da imprensa desportiva, dos altos e mui dignos dirigentes da arbitragem, dos supinos representantes dos órgãos de poder do futebol (desde a Liga até à Federação, passando pelos gerentes de casas de alterne e outros lupanares de igual elevação), chegará o dia em que nos convencerão a reescrever a História. Criar-se-á uma espécie de evangelho segundo São Jorge Nuno. E lá, na cartilha da verdade, todos aprenderemos que Pedro Proença foi, sem dúvida, o melhor árbitro do mundo e arrabaldes. Bertino Miranda foi o bandeirinha que melhor auxiliou os que, providencial e justamente, lhe encomendaram o auxílio. Constará nos autos que Vítor Pereira nomeou sempre e bem os árbitros que, pela meritocracia do reconhecimento imediato do dono, ascenderam à primeira categoria e ao estatuto de internacional. Cantar-se-ão loas às sucessivas levas de árbitros que justamente ajuizaram em prol da verdade dourada e apitada. As gerações futuras aprenderão que Fortunato Azevedo, Martins dos Santos, José Guímaro, Carlos Xistra, Jorge Coroado, a irmandade Calheiros, Hugo Miguel e tantos outros foram excelentes representantes da imparcial dinastia Garrido. Ainda assim, a História não fará justiça aos grandes obreiros da verdade desportiva em Portugal. Deste modo, por uma questão de sincera humildade, Fernando Gomes, actual presidente da FPF, não verá retratado nos pergaminhos o seu papel edificante e educativo, enquanto tratava das facturas e contabilidade das musas inspiradoras de árbitros que pululavam pelas bancadas do Estádio do Dragão. No entanto, a bem da História e da verdade, ainda não perdemos a esperança de que nos próximos dias se prove que o FCP foi fundado, há 120 anos, pelo seu actual presidente. Menos do que isto é mentira e todos sabemos como a mentira não é compatível com a verdade do futebol português.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Outubro, para publicação na edição de 04/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 17:30 | link do post
Quarta-feira, 02.10.13

Óbvio

Resultado óbvio: uma derrota mais do que natural e esperada (pelo menos por mim) esta noite em Paris. Nem deu para ficar particularmente irritado com a nossa equipa: ganhou, com toda a naturalidade, a melhor equipa, que tem os melhores jogadores. Triste talvez apenas pelos nossos adeptos em França, a quem esta derrota e exibição devem ter custado muito. Nem vou perder tempo a escrever grande coisa sobre o jogo, porque pouco vi dele. Fui acompanhando o resultado e espreitando alguns momentos, mas se já antes de começar pouco interesse me despertava, com o evoluir do resultado ainda menos me interessou. Não vou ficar a remoer um resultado que já esperava; o que me interessa mesmo é ganhar no Estoril.

 

 

O PSG, pelo que vi, limitou-se a esconder a bola da nossa equipa, e sem bola é muito difícil fazer o que quer que seja. Ainda por cima nunca soubemos pressionar o adversário de forma eficaz para o fazer perder a bola. Depois, do outro lado, o PSG foi simplesmente tremendamente eficaz: se não estou em erro, nos primeiros três remates que fez à baliza fez três golos (enquanto que nós nem um remate na direcção da baliza conseguimos fazer durante esse período). E assim o jogo ficou rapidamente resolvido. Chamem-lhe falta de ambição se quiserem, mas para mim a Champions continuará sempre a ser uma prova que pouco me interessa: o Benfica não tem, realisticamente, hipóteses de sonhar sequer com a sua conquista quando defronta adversários como o desta noite, que pode gastar mais de sessenta milhões de euros num único jogador (que eu nem aprecio particularmente, diga-se). Não me custa nada ser realista, assumir as nossas limitações, e pensar que chegar aos quartos-de-final já será um desempenho brilhante. O que me custa sempre é hipotecar objectivos que estão ao nosso alcance e que temos a obrigação de conquistar para em vez disso perseguir miragens e objectivos utópicos. Enquanto ia acompanhando o desenrolar do jogo desta noite, só pensava frequentemente: foi para isto que deitámos dois pontos fora contra o Belenenses?

por D`Arcy às 21:34 | link do post | comentar | ver comentários (54)
Sábado, 28.09.13

Vergonhoso

Exibição verdadeiramente miserável e resultado a condizer: dois pontos deitados fora contra uma das piores equipas da Liga (se não a pior mesmo). Não foi apenas a pior exibição do Benfica esta época; deve ter sido a pior exibição do Benfica dos últimos anos, porque há muito, muito tempo que não me lembro de ver a minha equipa produzir tão pouco e, pior ainda do que isso, com tão pouca vontade de fazer mais. Tudo hoje - a exibição, a atitude e o resultado - foi simplesmente vergonhoso.

 

 

Três alterações no onze: o inevitável regresso aos dois avançados, com a entrada do Lima, e mudanças nas laterais da defesa, onde regressaram o Maxi e o Cortez. O Benfica até entrou bem no jogo. A jogar abertamente ao ataque, em pressão constante sobre o adversário, remetendo-o bem para dentro do seu meio campo, e conseguindo vários remates e cantos quase consecutivos. O resultado disso foi o golo do Cardozo, decorrido o primeiro quarto de hora, num cabeceamento após cruzamento do Lima na esquerda. E depois disto... nada. O jogo praticamente acabou para o Benfica nesse preciso instante. Não sei se se convenceram que o mais difícil estava feito, e que já nem seria necessário esforçarem-se muito, mas eu não consigo mesmo lembrar-me de mais nada de positivo que tenhamos feito durante todo o resto do jogo. Claro que o Belenenses agradeceu e apareceu finalmente no jogo, mesmo que sem ameaçar grande coisa porque, convenhamos, eles são mesmo muito maus. Mas à meia hora de jogo tiveram um canto, a bola foi para a área e o Garay, o Fejsa e o Cortez ficaram a olhar uns para os outros enquanto um adversário cabeceava para o golo no meio deles. O pior de tudo nem foi o empate, foi perceber logo naquela altura, quando ainda teríamos mais de uma hora para jogar, que perante a atitude que a equipa vinha mostrando só muito dificilmente acabaríamos por ganhar o jogo. A (não) reacção ao golo sofrido encarregou-se de confirmar esta perspectiva nada agradável.

 

Para a segunda parte veio o regressado Gaitán no lugar do Markovic (novo jogo para esquecer), mas nada mudou. O Benfica simplesmente esqueceu-se de como jogar futebol. Uma lentidão irritante e uma falta de ideias exasperante foi tudo o que vi. Quase nunca conseguimos ganhar a linha para fazer um cruzamento, e andámos imenso tempo a trocar a bola aparentemente sem objectivo entre os nossos jogadores. Quando nos aproximávamos da área, sem ideias sobre o que fazer, a bola lá voltava para trás e viajava da direita para a esquerda e vice-versa, sem progressão ou sem que algum jogador quisesse arriscar um cruzamento ou um remate. Foi confrangedor ver a incapacidade gritante que tivemos para criar ocasiões de golo. E quando perdíamos a bola, a equipa ficava partida ao meio porque os jogadores da frente recuavam a passo e nem lutavam pela recuperação - o mais grave é que comecei a ver este comportamento ainda durante a primeira parte. O Belenenses lá foi fazendo o seu trabalho, a queimar tempo simulando lesões ou retardando as reposições da bola em jogo o mais que podia. De resto, bastava manter os jogadores acumulados nas imediações da sua área para ir aliviando as bolas que o Benfica, com o passar do tempo, ia despejando cada vez mais para essa zona com muito pouco nexo. O empate acaba por ser um resultado óbvio para tão pobre exibição, e só não foi pior porque, repito, o Belenenses é mesmo muito mau. Pelo menos os fanáticos da estatística da 'posse de bola' devem estar contentes hoje - não vi os números, mas devemos ter arrasado nesse capítulo. Não fizemos nada com a bola, mas fartámo-nos de ter posse. Aliás, devemos ter dominado tudo o que é estatística. Assim é que é bonito.

 

Não consigo - é mesmo impossível - encontrar algum destaque neste jogo. A maioria dos jogadores até parecia estar cansada, ou apática e sem vontade de jogar. O Matic parece que após avançar no terreno se está a transformar num jogador banal. O Lima tem sido uma lástima esta época, e hoje voltou a fazer um jogo inacreditavelmente mau, salvando-se apenas pelo cruzamento para o golo. Menciono estes apenas por ser notória a diferença para aquilo que sabemos que podem produzir, não porque ache que tenham estado piores do que os colegas hoje.

 

Espero que na próxima quarta-feira, em Paris, a nossa equipa jogue muito bem, faça um brilharete, e que com isso os nossos jogadores ou técnicos possam aspirar a um bom contrato ou uma transferência interessante. Têm toda a probabilidade de o conseguir; afinal de contas, hoje passaram oitenta minutos a descansar. Por mim, podem meter a Champions num certo sítio. Estou-me positivamente nas tintas (já o disse no passado e vou continuar sempre a dizer o mesmo) para a Champions, e provavelmente nem me incomodarei a ver o jogo. É uma prova de que não gosto e que, na minha opinião, só serve sempre para atrapalhar o campeonato. Sobretudo quando o profissionalismo parece escassear.

por D`Arcy às 22:49 | link do post | comentar | ver comentários (66)
Sexta-feira, 27.09.13

Regresso à normalidade

"Regresso à normalidade na Invicta" é o título da crónica do zerozero sobre o primeiro jogo desta jornada. É um título lúcido, de quem conhecerá bem o campeonato português. Na semana passada, o Estoril foi ousado, atreveu-se a jogar futebol contra o FCP, uma anormalidade corrigida esta semana pelo Guimarães, que viu o Abdoulaye deparar-se com problemas físicos assim que chega ao recinto do clube com que tem contrato (vale a pena ver e rever a expressão facial do Rui Vitória quando confrontado, na flash interview e na conferência, com a pergunta sobre a ausência do jogador, e vale a pena ouvir o discurso que ele trazia ensaiado e que repete duas vezes ipsis verbis). Na semana passada, um árbitro enganou-se contra o FCP, uma anormalidade ainda maior, que muito rapidamente foi corrigida pela nomeação do solícito Pedro Proença, que, na segunda parte, marca o golo da vitória do FCP (e o Rui Vitória, treinador do Guimarães, recorde-se, considera-o "o melhor do mundo"). Na semana passada, o treinador do FCP ainda não tinha saído do relvado e já tinha visto as imagens de um penalty mal marcado, uma anormalidade que a surpreendente ausência de televisões no estádio do seu clube corrigiu. Voltou tudo à normalidade, felizmente o fim-de-semana passado foi apenas um susto.

por Pedro Valente às 22:19 | link do post | comentar | ver comentários (31)

O boneco do ventríloquo

A excelência do ventriloquismo é uma arte ao alcance de poucos. Há que ser um bom ventríloquo, encontrar o tom certo, as palavras adequadas e o boneco apropriado. Depois, treinar, praticar com o boneco, fazê-lo abrir e fechar a boca ao ritmo da vontade do dono; pô-lo a mexer os bracinhos, atribuir-lhe expressões faciais, pô-lo a fingir-se aborrecido, indignado, feliz ou satisfeito, consoante a ocasião e a determinação do dono.

 

O momento supremo desta arte ocorre quando se consegue colocar a audiência a comentar as palavras do boneco como se ele as tivesse efectivamente dito sem ter uma mão pelos entrefolhos a controlar-lhe os movimentos. No futebol português temos, há umas três décadas, um excelente ventríloquo bonecreiro que consegue, repetidamente, colocar, à vez, um qualquer boneco de ocasião a debitar banalidades em tom de “fina ironia”. Aquilo está tão bem feito que chega mesmo a parecer que o boneco tem ideias, voz e vontade própria. Mas, caramba, depois de tantos bonecos e de tanta repetição de discurso, já é tempo da audiência (feita de jornalistas, opinadores e espécimes afins) perceber que comentar as palavras do boneco é contribuir para a mentira encenada. O boneco, esse, vive na esperança de que não será, a curto prazo, apenas mais um dos bonecos condenado a ser atirado para o canto de uma arrecadação esconsa, onde já moram tantos outros bonecos que vivem na ilusão de que ainda têm voz própria, sem se terem apercebido de que esta ficou agarrada às mãos que os manipularam durante a efemeridade do espectáculo.

 

No passado fim-de-semana, pudemos assistir à estreia de um novo boneco, num velho, aborrecido e previsível espectáculo de ventriloquismo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24 de Setembro, e publicado na edição de 27/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Domingo, 22.09.13

Luta

Uma vitória num jogo dificílimo, de luta intensa do primeiro ao último minuto contra uma equipa que se apresentou muito organizada contra nós, a conseguir tapar os caminhos para a sua baliza e a anular os nossos pontos fortes.

 

Entrámos em campo com o mesmo onze que defrontou o Anderlecht na passada terça-feira, e cedo se viu que a tarefa que tínhamos pela frente seria muito complicada. O Guimarães foi uma equipa solidária, a jogar sempre com os jogadores muito próximos uns dos outros e sem quaisquer problemas em meter o pé. O relvado, que me pareceu pesado e longe das melhores condições, também terá contribuído para que assistíssemos a um jogo muito disputado mas com bastante falta de qualidade, onde as defesas se superiorizaram quase sempre aos ataques, a bola passou muito tempo na zona do meio campo, e se viram muito poucas jogadas vistosas. Nem sei se durante a primeira meia hora de jogo terá havido sequer um remate à baliza feito por qualquer uma das equipas. Este rumo das coisas seria obviamente mais interessante para o Guimarães do que para o Benfica, pois a manter-se assim o nulo era o resultado mais previsível, a não ser que algum lance fortuito ou um erro de alguma das equipas acabasse por provocar um golo. No Benfica apenas o Enzo parecia ser capaz de inventar alguma coisa, mas de facto não há muito mais para dizer acerca de uma primeira parte sem grandes motivos de interesse.

 

O Benfica regressou melhor do intervalo, tendo subido as linhas para pressionar o Guimarães mais no seu meio campo, mas ainda assim longe de deslumbrar. Mas de qualquer forma nem quero estar a criticar muito a exibição do Benfica, porque julgo que o grande culpado por isto foi mesmo o Guimarães, que se bateu de forma intensa e tudo fez para nos anular. As oportunidades de golo continuaram a escassear, mas com o primeiro quarto de hora decorrido o Guimarães ficou reduzido a dez, depois de uma segundo amarelo após nova falta sobre o Enzo, e o Benfica aproveitou para pressionar ainda mais. O apagado Djuricic deu o lugar ao Lima, e com isso a nossa presença junto à baliza adversária foi mais constante. A recompensa acabou por chegar aos setenta e três minutos, num remate frouxo do Cardozo após canto do Enzo, que um jogador do Guimarães desviou de forma desastrada para dentro da sua própria baliza (e se a bola não entrasse, tenho a impressão de que seria penálti e vermelho). Ironicamente, achei que foi depois de se colocar em vantagem que o Benfica passou pelo pior momento no jogo. Em vantagem numérica e no marcador deveríamos ter sido capazes de gerir muito melhor a posse de bola, mas em vez disso foi o Guimarães quem teve mais tempo a bola em seu poder e conseguiu aproximar-se da nossa área. Depois veio o inevitável livre concedido quase no final do jogo, com as consequentes bolas despejadas para a área e o nervosismo daí resultante, mas a preciosa vantagem foi mesmo preservada até ao final.

 

O Fejsa voltou a ser um dos jogadores em destaque, a par do inevitável Enzo, que durante a maior parte do tempo pareceu ser o único jogadfor de quem poderíamos esperar um rasgo que evitasse o nulo final. Gostei também do trabalho da dupla de centrais. O Matic teve um jogo longe daquilo a que nos habituou, demasiado complicativo e faltoso, e o Markovic esteve apagadíssimo - parece que jogar encostado à linha não será a opção que mais beneficia o seu jogo. O Djuricic esteve demasiado 'macio' para um jogo destes.

 

Acabou por ser uma jornada benéfica para nós, pois arrancámos uma vitória num campo que nos é tradicionalmente complicado, e conseguimos assim reduzir a desvantagem para o primeiro lugar. Mesmo que a exibição não tenha sido das mais vistosas, fico sempre contente quando o Benfica consegue arregaçar as mangas e vencer um jogo como este, de luta intensa e em que o adversário praticamente come a relva, e em que a somar a isto temos ainda razões de queixa da arbitragem - como ganhámos, posso falar do árbitro, certo?

por D`Arcy às 23:22 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Sexta-feira, 20.09.13

Um discurso inconveniente

A modorra da banalidade instalou-se no universo dos comentadores desportivos. Estão todos ocupados em falar de assuntos sérios e de índole soberba e não abordam aquelas coisitas pequenas e inoportunas que ajudam a decidir campeonatos e a fazer de párias heróis.

 

Assim, não se pode incluir no comentário desportivo o facto de o Sporting andar há três das quatro jornadas a marcar golos precedidos de fora de jogo e a beneficiar de penáltis que não são assinalados aos seus adversários. É mais prático endeusar um Montero que está a aprender a aproveitar as linhas de fora de jogo que se calculam entre a miopia do fiscal de linha, a cegueira do árbitro, a surdez dos comentadores e a histeria daquele novo delegado sportinguista. Do mesmo modo, não convém falar do facto de o FCP não ter, em quatro jornadas, um único jogo em que não tenha beneficiado de um golo irregular ou de um penálti inexistente. Tudo isto é assunto tabu ou, pelo menos, varrido para debaixo do tapete da já proverbial bajulação bacoca, parola e subserviente com que o jornalismo desportivo insiste em limpar a imagem de agentes desportivos que contribuem diariamente para que tenhamos a corrupção a assentar arraiais ao lado da incompetência. Tal como, em Portugal, ninguém comenta uma interessante investigação feita por jornalistas franceses, no programa ‘Cash Investigation’, do Canal France 2, que muito nos dizem sobre a metodologia dos negócios da “estrutura perfeita” do clube da Torre das Antas e o tristemente famoso agente D’Onofrio, com declarações esclarecedoras de Maurizio Delmenico, administrador da Robi Plus.


De nada disso convém falar, a nada disso convém dar tempo de antena e, com o tempo, ainda nos vão querer convencer de que nada disto aconteceu.



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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Setembro, e publicado na edição de 20/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 17:33 | link do post
Terça-feira, 17.09.13

Suficiente

Esteve longe de ser uma exibição brilhante do Benfica, mas foi suficiente para vencer o Anderlecht sem muitas dificuldades e entrar da melhor maneira na Champions desta época.

 

 

André Almeida, Fejsa e Djuricic foram as alterações no onze em relação ao jogo com o Paços. Saíram Maxi, Rúben e Lima. A entrada no jogo foi, tal como no referido jogo com o Paços, a melhor. Mais uma vez já aos quatro minutos estávamos em vantagem, com um golo em que o Djuricic foi o mais rápido a reagir a uma bola largada para a frente pelo guarda-redes belga após um primeiro remate do Enzo de fora da área. Durante os primeiros minutos o Benfica mostrou uma boa dinâmica e exerceu muita pressão sobre os jogadores do Anderlecht logo à saída da sua área, exercendo claro domínio no jogo. A dupla sérvia do meio campo era responsável por matar logo à partida a maior parte das jogadas de ataque dos belgas, e na frente o Cardozo mostrou-se bem mais solto e activo, ainda que algo longe da sua eficácia habitual. Também como contra o Paços, o Benfica aumentou a vantagem com alguma facilidade. Foi sobre a meia hora de jogo, num golo do Luisão, que recebeu no peito e rematou de primeira após uma insistência do André Almeida num canto. Depois do segundo golo pareceu-me que o Benfica diminuiu a intensidade do seu jogo, ficando-se com a sensação que se carregasse e acelerasse um pouco mais talvez fosse possível aumentar ainda mais a vantagem. De qualquer forma, e até ao intervalo, o Anderlecht pareceu estar sempre completamente fora do jogo e da discussão do resultado.

No reinício do jogo as coisas foram diferentes. Os belgas vieram do intervalo a jogar bem melhor, e passaram a estar muito mais perto da nossa baliza, com mais tempo de posse de bola enquanto que o Benfica parecia querer apostar no contra-ataque para eventualmente surpreender o adversário. O trabalho incansável do Fejsa e do Matic no meio campo, e o bom jogo dos nossos centrais significou que o Anderlecht não conseguiu sufocar-nos ou criar oportunidades de golo em número significativo, mas os belgas nunca deixaram de rondar as imediações da nossa área, e tendo em conta anossa história recente no que diz respeito a golos sofridos, nunca consegui sentir-me particularmente tranquilo, pois a qualquer momento um golo do adversário poderia relançar a discussão do jogo. Mas as melhores oportunidade para voltar a fazer funcionar o marcador até foram nossas, pelo Cardozo e pelo Markovic. Não voltámos a marcar, mas também não conseguiu marcar o Anderlecht, o que significou o fim da indesejável série de jogos sempre a sofrer golos, e os primeiros três pontos na Champions.

O melhor jogador do Benfica foi, na minha opinião, o Fejsa. Confirmou as boas indicações que tinha deixado no jogo com o Paços, e fez um jogo praticamente perfeito. Deverá ter sido o principal recuperador de bolas da equipa, raramente perdeu um duelo individual, e esteve impecável tacticamente, aparecendo sempre na altura ideal para dobrar os colegas. Para mim foi quase como se, de repente, o Javi tivesse regressado à equipa. Gostei também do Matic, do André Almeida e da dupla de centrais. O Cardozo esteve bastante mais solto e activo,
mas esteve infeliz na concretização.

Não houve nenhuma desgraça na Champions, conforme alguns previam. O Benfica venceu o seu jogo com relativa facilidade, e cumpriu aquilo que era a sua obrigação. Foi mais uma vitória, que esperemos que possa continuar a contribuir para injectar confiança na nossa equipa. A Champions não é uma prova qualquer, e uma vitória é sempre uma vitória, e um resultado importante.

por D`Arcy às 23:48 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Domingo, 15.09.13

Competente

Uma exibição competente deu ao Benfica uma merecida e relativamente tranquila vitória sobre o Paços de Ferreira, num jogo em que assistimos à estreia de dois jogadores com a nossa camisola.


 

Sendo mais ou menos óbvio que o Enzo iria ser desviado para a direita, para ocupar a posição do lesionado Salvio, durante a semana especulou-se sobre quem iria acompanhar o Matic no centro. Falou-se do Fejsa, do André Gomes, mas quem acabou por surgir no onze foi o Rúben Amorim. Com o Gaitán também lesionado, a esquerda ficou entregue ao Markovic, e no ataque alinhou a dupla Cardozo/Lima. Na defesa, estreou-se conforme esperado o Siqueira. Dificilmente o Benfica poderia ter tido uma entrada melhor no jogo. A equipa apresentou-se agressiva e a pressionar alto no terreno, e isso resultou logo num primeiro aviso, em que um mau alívio do guarda-redes do Paços deixou a bola nos pés do Lima, que depois não conseguiu dar o melhor seguimento à jogada. Mas com apenas quatro minutos decorridos o Benfica colocou-se em vantagem. Um passe do Rúben desmarcou o Lima pela esquerda, e o cruzamento deste escapou por pouco ao Cardozo no centro da área, para depois surgir o Enzo ao segundo poste a finalizar de primeira. O Benfica pareceu com vontade de resolver o assunto cedo, e não baixou o ritmo, perante um Paços que mostrou sempre vontade em jogar futebol e nunca baixou os braços, rematando várias vezes mas quase sempre apenas de fora da área. O Lima ameaçou o segundo, com um bom remate também de fora da área que obrigou o guarda-redes adversário a uma defesa mais apertada, e aos vinte e três minutos o Benfica ampliou mesmo a vantagem, num lance 'de laboratório'. Livre descaído sobre a direita, após falta sobre o Enzo, e quando se esperaria um remate directo do Cardozo saiu em vez disso um passe rasteiro para o interior da área, toque de primeira do Enzo a devolver para a direita e a desmarcar o Markovic, e centro rasteiro também de primeira para a finalização do Garay à boca da baliza. Tudo simples, rápido e bem feito. Sofremos depois um contratempo com a lesão do Rúben Amorim - que estava a fazer um bom jogo - o que nos permitiu assistir à estreia do Fejsa. Com uma vantagem confortável no marcador, o Benfica abrandou um pouco a marcação e o Paços dispôs de mais bola, embora sem conseguir praticamente criar uma oportunidade de golo digna desse nome. Foi o Benfica quem poderia ter ampliado ainda mais a vantagem, mas o Lima, completamente isolado, acabou por desperdiçar a ocasião, permitindo a defesa ao guarda-redes. Só mesmo sobre o apito para o intervalo é que o Paços conseguiu criar a sua primeira ocasião clara de golo, num lance em que o inevitável Bebé conseguiu ganhar em força ao Garay, ultrapassou o Artur, e de ângulo apertado viu o seu remate ser cortado pelo Luisão quase em cima de linha de golo.

 

 

O início da segunda parte foi animado. Como que a dar sequência à ameaça a fechar a primeira parte, o Paços conseguiu chegar ao golo, numa jogada aparentemente inofensiva em que me pareceu que a nossa defesa ficou meio a dormir. Não excluo a possibilidade da minha visão do lance no estádio ter sido influenciada pelo facto de andar sem paciência nenhuma para o Artur, mas o que me pareceu foi que ele saiu à bola (e fiquei com a sensação que com todas as possibilidades de chegar lá primeiro) e isso fez com que o Luisão desistisse do lance. Só que a meio da viagem o Artur mudou de ideias e parou, permitindo que o jogador do Paços chegasse à bola e finalizasse com alguma facilidade. Foi um golo algo inesperado, visto que o Paços tinha sido pouco perigoso até então (a única excepção foi o referido lance no fecho da primeira parte) e o Benfica parecia ter o jogo completamente controlado. Felizmente este golo acabou por não trazer males maiores, isto porque o Benfica respondeu no minuto seguinte com mais um golo para repor a diferença no marcador. Canto apontado na direita pelo Enzo, e o Garay a ir ao terceiro andar para cabecear cruzado para o fundo da baliza. Isto permitiu ao Benfica manter a tranquilidade, e gerir o esforço durante o resto da partida. Para a fase final do jogo o Cardozo deu o lugar ao Ola John (antes disso já o Siqueira tinha sido poupado, pois deu sinais de fadiga) e o Benfica jogou com o meio campo mais reforçado, pois o Enzo foi para o centro. O Paços raramente conseguiu voltar a ameaçar-nos (recordo-me apenas de um remate mais perigoso do Bebé), e mesmo a jogar com menor velocidade o Benfica aparentou sempre ser a equipa com maior probabilidade de voltar a marcar.

 

 

O homem do jogo foi, para mim, claramente o Enzo. Marcou o primeiro golo, participou na jogada do segundo (sofreu a falta e fez o passe para o Markovic) e marcou o canto para o terceiro golo. É neste momento um dos jogadores que mais aprecio ver no Benfica, pois tem inteligência a jogar, garra e uma enorme qualidade técnica. Durante a semana senti-me sempre pouco confortável com a ideia de o retirar do centro, onde me parece que podemos tirar melhor partido da sua qualidade, mas hoje na direita (e no centro, e na esquerda, e por todos os sítios por onde andou durante o jogo) esteve ao seu melhor nível. O Garay, com dois golos, foi obviamente outro dos destaques evidentes. Talvez esta época ele consiga recuperar o estatuto de central goleador que trazia da liga espanhola. Quanto aos estreantes, o Siqueira fez um jogo seguro, sem arriscar subir muito e tentando não complicar. Quanto ao Fejsa, gostei muito do que vi. É agressivo na conquista da bola, tem um raio de acção bastante grande, pois vimo-lo a pressionar em zonas bem distantes da nossa área, e tenta jogar em antecipação. Foi apenas um jogo, mas pareceu-me ser uma alternativa bastante válida ao Matic.


Sem deslumbrar, ainda assim pareceu-me que o jogo de hoje terá sido o mais sólido que o Benfica fez até agora esta época. Espero que a nossa equipa reforce os níveis de confiança e nos vá mostrando cada vez mais aquilo que sabemos que tem qualidade mais do que suficiente para fazer. A desvantagem para o nosso adversário directo já é dilatada para uma fase tão madrugadora da época, e a margem de manobra para erros é praticamente nula.

por D`Arcy às 00:03 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 13.09.13

A contabilidade dos basbaques

Há uma nova forma de calcular méritos, qualidades e desempenhos. Na lhaneza das mentes simples, a mera adição de números é o suporte de teses infalíveis acerca do papel dos homens na História.

Seguindo este processo – que ultimamente tem permitido a que um número significativo de basbaques apresente Cristiano Ronaldo como o português que suplantou os méritos futebolísticos de Eusébio, pelo simples motivo de ter marcado mais golos na Selecção Portuguesa – chegaríamos à conclusão de que Tony Carreira, a julgar pelo número de discos vendidos, seria um compositor / músico com mais méritos do que o compositor português do século XVIII Carlos Seixas. Da mesma forma que, para quem professa essa corrente de pensamento, o facto de Margarida Rebelo Pinto suplantar Miguel Torga no número de livros vendidos lhe confere um papel cimeiro na História da Literatura Portuguesa. Aliás, neste particular, Luís Vaz de Camões que se cuide, pois esta basbacagem da contabilidade não tem pejos em garantir méritos e deméritos em função de números absolutos que ignoram realidades relativas e não comparáveis por quem tenha o mínimo de decência e honestidade intelectual. Diga-se ainda que, quando alguém, utilizando as mesmas armas espúrias, lhes indica números que conduzem a reflexão em sentido oposto ao da moda, ignoram convenientemente esses números. Só assim se explica que a média de Ronaldo de 0,40 golos por jogo na Selecção seja, pasme-se, “superior” à de 0,64 de Eusébio, o que levaria a que, caso Eusébio tivesse feito os 106 jogos que Ronaldo já fez pela Selecção, provavelmente (a julgar pela média) teria marcado 68 golos contra os 43 de Ronaldo. Parece correcta e intelectualmente honesta esta análise? Obviamente que não, mas é tão injusta quanto as que os basbaques têm feito em tudo quanto é órgão de comunicação social nas últimas semanas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09de Setembro, e publicado na edição de 13/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 06.09.13

Como se faz um internacional

Em 14 de Setembro de 2006, noticiava o jornal “Público”, em texto assinado por Adelino Gomes, que, no processo Apito Dourado, o árbitro Hugo Miguel era um daqueles sobre os quais recaíam indícios de corrupção. Segundo a notícia, na época 2002/2003, arbitrou o jogo Porto B/Gondomar e «os investigadores da PJ apuraram que o árbitro e a respectiva equipa foram ‘premiados’ com objectos em ouro. A situação acabou depois por ser arquivada, porque a má qualidade de som da fita gravada impedia que as incidências do jogo pudessem ser analisadas pela equipa de peritos.» Acerca desse mesmo jogo, há uma escuta em que Pinto de Sousa garante a Pinto da Costa que Hugo Miguel não prejudicaria o FCP.

 

A 25 de Fevereiro de 2012, Hugo Miguel foi o árbitro de um célebre Académica-Benfica. Segundo o observador desse jogo, José Ferreira, o árbitro sonegou ao Benfica duas grandes penalidades, tendo ficado com a nota de 2,1. No entanto, voz atenta e influente aconselhou o árbitro a reclamar do relatório. Hugo Miguel assim o fez e a nota subiu o suficiente para poder chegar a árbitro internacional.

 

Na última jornada da época passada, Hugo Miguel foi o escolhido para apitar o jogo do FCP com o Paços de Ferreira. Com o resultado a zeros, com um título nacional a jogar-se em 90 minutos, Hugo Miguel conseguiu ver num tropeção de James em si próprio, a aproximadamente um metro da área, uma grande penalidade a favor do FCP, com consequente expulsão do futebolista do Paços.

 

Na terceira jornada do actual campeonato, na deslocação do Benfica a Alvalade, Hugo Miguel sonegou uma grande penalidade a favor do Benfica e permitiu que o golo do Sporting fosse precedido de um claro fora de jogo.

 

Olhando para este percurso, e como está provado que no futebol português não há corrupção, resta-me concluir que é necessária uma grande dose de incompetência para que um árbitro seja premiado com o estatuto de internacional.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 02 de Setembro, e publicado na edição de 06/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 10:58 | link do post
Terça-feira, 03.09.13

Salvio

 

Força 'Toto'. És um jogador fundamental, e dos que mais prazer tenho em ver jogar com a nossa camisola. Rápidas melhoras, e que regresses melhor ainda.

por D`Arcy às 22:18 | link do post | comentar | ver comentários (30)

Siqueira

Depois da venda do Melgarejo (com a qual continuo a não conseguir concordar) e da lesão do Sílvio, o Benfica fez o óbvio e num sprint final antes do fecho do mercado contratou mais um defesa esquerdo, Guilherme Siqueira - que já tinha sido hipótese a época passada. Tenho uma boa opinião sobre ele, e só desejo que não acabe por ser mais um a juntar-se à enormíssima lista daqueles que, actuando nessa posição, são imediatamente queimados ao fim de quinze minutos do primeiro jogo que fazem.

por D`Arcy às 01:12 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Domingo, 01.09.13

Frustração

Podemos olhar para este jogo de duas formas. Ou como um péssimo resultado - não ganhar a estes tipos é, para mim, sempre um mau resultado - ou como um mal menor, dado todos os azares que nos aconteceram no jogo. Consigo olhar um pouco para a segunda opinião como consolo, mas a verdade é que este resultado me deixa acima de tudo com uma sensação de frustração. Sabemos que somos muito melhores do que isto e temos obrigação de o mostrar.

 

 

Mais uma vez, num jogo em que é óbvio que o domínio da zona central será sempre fundamental, entramos em campo com o Lima e o Rodrigo, oferecendo a superioridade numérica nessa zona ao adversário e obrigando trabalho redobrado à dupla Enzo/Matic. Já o tinha escrito na crónica do jogo anterior: fico sempre menos confiante quando entramos em campo com esta dupla de avançados. Seria previsível que o nosso adversário desta noite, moralizado após duas vitórias robustas contra equipas teoricamente do seu campeonato, iria tentar aproveitar esse ímpeto para ter uma entrada forte no jogo e chegar ao moralizador golo madrugador. Foi isso mesmo que aconteceu, com apenas nove minutos decorridos, após uma perda de bola no ataque na sequência de mais um livre 'de laboratório' horrivelmente marcado (que basicamente serviu para meter a bola directamente nos pés de um adversário). A jogada foi simples e rápida, e deixou o Montero à vontade para cabecear na cara do Artur (estava deslocado no início da jogada, mas recordemos que não estamos a falar de um golo do Benfica, por isso não tem importância nenhuma - a posição era 'duvidosa' ou 'milimétrica', como sempre contra nós). O nosso adversário esteve claramente melhor durante toda a primeira parte, controlando a posse de bola e sendo muito mais rematador, embora não tenha conseguido criar mais nenhuma oportunidade flagrante de golo. O Benfica mostrava dois problemas: a referida inferioridade numérica no centro do campo, agravada ainda pelas sucessivas descidas do Montero para vir buscar a bola atrás, e ainda imenso espaço nas costas dos laterais, que foram sucessivamente deixados ao abandono pelos médios que jogavam à sua frente e não tinham velocidade para acompanhar os adversários directos. Mesmo sem jogar grande coisa, o Benfica conseguiu criar duas ocasiões: um cabeceamento do Lima à barra (embora me parecesse que o Patrício tinha o lance controlado) e um falhanço clamoroso do Salvio, que praticamente sobre a linha da pequena área conseguiu rematar o centro do Cortez para a bancada. Tivemos ainda dois azares grandes: as lesões de dois jogadores fundamentais como o Enzo e o Salvio, que obrigaram à sua substituição. A desvantagem ao intervalo era um resultado justo, porque a verdade é que produzimos muito pouco durante este período.


 

A segunda parte começou praticamente com mais um azar: nova lesão, desta vez do Gaitán, que dentro do pouco que o Benfica tinha feito na primeira parte ainda assim tinha sido dos nossos jogadores menos desinspirados. Talvez apostando no factor psicológico, o nosso treinador decidiu-se pela entrada do Cardozo, desviando o Rodrigo para a ala. Embora fosse claro que o Benfica tinha falta de uma presença mais forte entre os centrais adversários (mais uma vez a questão da dupla Lima/Rodrigo andarem por tudo quanto é sítio), tendo em conta a falta de ritmo do Cardozo, teria preferido outra opção, como o Djuricic. Ainda para mais adivinhando-se que o Markovic, que praticamente não treinou durante a semana, poderia não estar nas melhores condições físicas. Mas a verdade é que o Benfica melhorou, dando o primeiro sinal precisamente pelos pés do Markovic, que pegou na bola depois de um mau passe de um adversário e foi por ali fora correndo quase meio campo 'armado em Messi', deixou tudo e todos pelo caminho, e na cara do Patrício viu o golo ser-lhe negado por uma enorme defesa deste, que ainda voltou a defender a recarga do Rodrigo. O Benfica entrou então naquele que foi o seu melhor período no jogo, equilibrando um pouco mais as contas na posse de bola e fazendo-a andar mais tempo no meio campo adversário, ainda que nunca tivesse podido ficar descansado com os contra-ataques que podiam sempre surgir. O golo do empate acabou por surgir, com vinte minutos decorridos, e inevitavelmente pelo Markovic. Não resultou à primeira, resultou à segunda. Mais uma vez recebeu a bola, desta vez na zona central, arrancou em direcção à baliza, deixou todos para trás e meteu a bola entre as pernas do Patrício. Infelizmente o Benfica não durou muito mais: houve ainda um remate relativamente perigoso do Matic, mas o factor físico pareceu começar a pesar nos nossos jogadores. O Markovic eclipsou-se, o Cardozo mostrou estar, como esperado, longe da forma ideal, e a equipa foi-se retraindo cada vez mais, com o adversário a voltar a ganhar superioridade em campo. Mas os únicos lances de algum perigo que criou vieram apenas dos sucessivos livres que o amigo Hugo Miguel foi assinalando, de forma unilateral e em catadupa, à medida que o final se aproximava, pelo que nunca senti que houvesse grande probabilidade de perdermos este jogo.

 

 

Os destaques do Benfica vão para o Luisão na defesa, e obviamente para o Markovic, que voltou a demonstrar ter qualidades únicas para brilhar com grande intensidade na nossa equipa esta época. O Matic melhorou na segunda parte, o Rúben teve uma boa entrada em jogo e foi muito útil na desigual luta do meio campo, e o Gaitán foi dos menos maus na primeira parte, pelo que a sua lesão foi uma contrariedade grande. Pela negativa estiveram sobretudo o Lima e o Maxi. Sinceramente, em relação ao Maxi, a sua má forma tem sido tão frequente nos últimos meses que começa a tornar-se quase a norma. Parece ter perdido pelo menos metade da velocidade que tinha, e vejo-o frequentemente tomar decisões absurdas.

 

Para mim, no papel, este empate é um mau resultado. É um jogo que estamos habituados a vencer, e são dois pontos que podemos perder para o nosso principal adversário. Mas considerando tudo o que aconteceu durante este jogo, tenho mesmo que olhar para isto como um mal menor. É um mau resultado, mas também não tem que ser o fim do mundo. Podemos além disso tentar ser um pouco positivos e não olhar apenas para a parte negativa (acima de tudo, o facto de termos voltado a jogar bem pior do que aquilo que seria exigível) e ver um ponto positivo: assistimos à confirmação (como se nesta altura ainda fosse necessária, depois daquele cartão de apresentação de sonho em Coimbra há dois anos) de mais um dos valores emergentes da arbitragem portuguesa. Será certamente uma aposta segura para o futuro, e prevejo que se cruzará connosco muitas mais vezes em jogos de dificuldade mais elevada.

por D`Arcy às 01:04 | link do post | comentar | ver comentários (55)
Sexta-feira, 30.08.13

Entre linhas

Eu, leigo na matéria da leitura táctico-técnica das basculações ofensivas e outras ‘freitaslobices’ que tais, muito tenho ouvido os especialistas da dita perorarem sobre as dificuldades do nosso Benfica em jogar ofensivamente “entre linhas”. Aparentemente, do padecimento desta maleita resulta um cataclismo de muitas outras que leva a que especialistas em futebol perorem horas a fio.

Um dos antídotos para essa maleita parece estar a ser colocado em prática pelo FCP (o tal da “estrutura perfeita” a malhar também em delegados da Liga). A forma como o FCP joga ofensivamente entre as linhas defensivas do adversário parece-me ter ficado clara na última jornada da época passada (com o Paços de Ferreira), quando o solícito árbitro Hugo Miguel transformou tudo o que era espaço entre a linha de meio-campo e o começo da grande área em zona passível de grande penalidade a favor do clube das viagens Calheiros-Amorim. Deste tipo de aproveitamento do espaço “entre linhas” muitos se parecem ter aproveitado, inclusivamente, aquele que, à época, era treinador do Paços, uma vez que agora é ele quem beneficia da “inovação” táctica. Aliás, esse conceito táctico teve de tal forma o apoio, conivência e incentivo dos opinadores de serviço e de bolso que, logo na segunda jornada do actual campeonato (contra o Marítimo), o diligente árbitro Jorge Ferreira decidiu aproveitar o tal espaço “entre linhas” e marcar a grande penalidade da ordem a favor do clube que, a julgar pelas escutas do Apito Dourado, costuma dar essas ordens.

Assim, o conceito de jogar “entre linhas” ganha uma nova dimensão e quem estiver atento fica a saber que, para o clube da “estrutura perfeita”, jogar “entre linhas” é aplicar a táctica de beneficiar dentro das quatro linhas dos jogos feitos nas margens e à margem das ditas.

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Agosto, e publicado na edição de 30/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:00 | link do post
Quinta-feira, 29.08.13

Sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões

Vamos lá brincar novamente aos sorteios.

 

 

Pote “Este era o que eu queria”:

 

BENFICA

Schalke 04

Ajax

Áustria Viena

 

Temos contas a ajustar com os alemães, que parecem menos fortes do que no passado, e geralmente damo-nos bem com equipas holandesas, sendo Benfica - Ajax um clássico europeu. Com os austríacos, temos a obrigação de fazer seis pontos.

 

 

Pote “O 1º lugar é obrigatório”:

 

BENFICA

CSKA Moscovo

Basileia

Viktoria Plzen

 

Contra suíços e checos, é para fazer o mínimo de 10 pontos. Mais quatro frente aos russos e seremos cabeças-de-série nos oitavos.



Pote “E não querem que joguemos ao pé-coxinho para ser ainda mais difícil?”:

 

BENFICA

Atlético Madrid

Borrusia Dortmund

Nápoles

 

Sem comentários…

 

 

Pote “Se formos parar à Liga Europa, ao menos é com honra”:

 

BENFICA

AC Milan

Manchester City

Celtic

 

Três enchentes praticamente garantidas na Luz. E a possibilidade de nos vingarmos do que o Celtic nos fez no ano passado...

 

 

Estando nós no pote 1, uma não-qualificação para os oitavos seria sempre vista como um falhanço, a não ser que o sorteio seja mesmo muito difícil. É utópico pensar que podemos chegar à final em nossa casa, mas até porque o campeonato é a prioridade era bom que conseguíssemos a qualificação. A (conquista da) Liga Europa continua a ser um espinho na minha garganta, mas este ano é bom que fique em stand-by...

por S.L.B. às 13:29 | link do post | comentar | ver comentários (6)

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