VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 06.11.17

Decisivo

Era um jogo difícil e extremamente importante para o Benfica. Mas tal como em anos anteriores, quando muitos esfregavam as mãos e afiavam já as facas à espera do escorregão do Benfica, a equipa respondeu com uma exibição sólida e de grande sobriedade táctica, conquistando uma vitória clara e inquestionável.

 

 

Foram várias as alterações no onze em relação a Manchester, mas como eu desejava manteve o modelo táctico. E como eu me sinto bem mais tranquilo nesta fase quando vejo que alinhamos com três médios. Luisão, André Almeida, Krovinovic, Eliseu e Jonas entraram no onze, em que na minha opinião se destaca o facto de pela primeira vez desde (pelo menos se a memória não me falha) a Supertaça de há dois anos ver o Rui Vitória apostar no Jonas como único avançado. Ao contrário dos últimos jogos, não vimos uma cavalgada do Benfica desde o apito inicial na procura de um golo. Mas depressa se notou a diferença dos três médios no onze. A primeira coisa que notei é haver muito mais frequentemente sempre uma opção de passe nos lances de ataque. Em vez de estarmos constantemente à procura do Pizzi, com o Krovinovic passamos a ter uma segunda opção para fazer o transporte da bola e a distribuição de jogo. E com o Jonas a descer frequentemente, abdicámos de uma presença mais constante na área mas as constantes movimentações e trocas de posição entre os cinco jogadores mais adiantados permitiram baralhar mais facilmente as marcações adversárias e abrir espaços. Depois, nas situações de perda de bola, a equipa não foi apanhada tão frequentemente descompensada, e foram raríssimas as ocasiões de golo flagrantes para o adversário. Se calhar eu estou apenas a ver as partes positivas porque há muito que desejava que o Rui Vitória passasse a apostar neste modelo táctico, com o qual provavelmente até estará mais familiarizado, mas repito o que disse: sinto-me bastante mais tranquilo a jogar desta forma. Chegámos ao golo aos vinte e dois minutos pelo inevitável Jonas, que surgiu desmarcado na marca de penálti para finalizar um cruzamento rasteiro do André Almeida, desmarcado na direita pelo Krovinovic. E depois do golo, não houve aquele recuo irracional a que já assistimos tantas vezes esta época. O Benfica manteve o jogo perfeitamente controlado, sem grandes correrias e sem dar qualquer possibilidade ao Vitória de criar qualquer tipo de perigo. Se não me recordo de uma única ocasião mais perigosa é mesmo porque ela não existiu. O Benfica é que, pelo Diogo Gonçalves e o Salvio, por duas vezes poderia ter ampliado a vantagem.

 

 

A resposta do Vitória deu-se após o intervalo. Nessa fase houve domínio territorial por parte dos nossos adversários, que se mostravam muito mais agressivos na tentativa de recuperação da bola e jogavam com maior velocidade. Mas mais uma vez, oportunidades de golo praticamente nem vê-las. A única situação de perigo foi criada num remate do Héldon, ainda bem de fora da área, que fez a bola passar muito perto do ângulo da nossa baliza. Imediatamente a seguir, o Rui Vitória fez uma substituição que acabou por se revelar decisiva e resolveu o jogo. O Pizzi já aparentava estar em dificuldades físicas e foi substituído pelo Samaris aos sessenta e quatro minutos. Em termos práticos invertemos o triângulo do meio campo, que até então tinha o Fejsa no vértice mais recuado e o Pizzi e o Krovinovic mais adiantados, e passámos a ter dois médios de características mais defensivas, deixando o Krovinovic mais adiantado. A maior combatividade no meio campo juntou-se também a algum desgaste que o Vitória começava a aparentar depois da cavalgada que foram aqueles primeiros minutos a seguir ao intervalo. E apesar de ter características mais defensivas, isso não impediu o Samaris de, aos setenta e seis minutos, receber um passe do Jonas, cavalgar por ali fora em direcção à baliza (apesar do esforço que um jogador do Vitória fez para o derrubar) e marcar o segundo golo. Três minutos depois, a machadada final: um bom passe do Diogo Gonçalves solicitou a corrida do Salvio pela direita, e à saída do guarda-redes ele finalizou picando a bola para o poste mais distante. Jogo mais do que resolvido, apesar de sabermos que o Vitória nunca se dá por vencido e continua sempre a tentar. Ainda conseguiram atenuar o resultado a cinco minutos do final, e poderiam tê-lo feito ainda mais graças a um penálti que o Soares Dias assinalou na última jogada do encontro, fazendo uso daquele critério que nunca consegue aplicar quando os lances favorecem o Benfica - este é o árbitro que o ano passado 'não viu' três penáltis em Alvalade, que noutro jogo no mesmo estádio 'não viu' o Polga a ceifar pela raiz o Gaitán dentro da área logo no primeiro minuto de jogo, que num Benfica x Porto 'não viu' uma mão descarada do Mangala dentro da área, a três metros dele e com ele de frente para o lance (depois o canto resultou num golo do Garay) e que no jogo de hoje também 'não viu' um lance mais descarado sobre o Salvio, na área do Vitória, e sobretudo na primeira parte deixou que os jogadores do Vitória andassem a placar os nossos à entrada da área as vezes que quisessem. Felizmente o jogador do Vitória encarregado de marcar o penálti fê-lo de forma disparatada para fora e o jogo acabou logo depois.

 

 

O destaque maior vai para o Jonas, o que é particularmente importante porque mostra que este esquema táctico pode funcionar com ele como único avançado. Marcou mais um golo (são nove jornadas consecutivas a marcar, igualando o feito do Eusébio) e esteve nas jogadas dos outros dois, já que é dele a assistência para o Samaris no segundo e é ele quem faz o passe para o Diogo Gonçalves no terceiro. Outro dos destaques é o Krovinovic. É muito agradável vermos mais uma opção naquela zona do terreno para fazer o transporte de bola, dar linhas de passe aos colegas e criar lances de perigo. E para além disso ainda dar alguma ajuda na recuperação da bola. Hoje fez quase tudo bem, e esteve também nas jogadas de dois dos golos. Muito importante também foi a entrada do Samaris, que nos ajudou a recuperar o controlo do jogo e marcou o golo da tranquilidade.

 

Este foi um daqueles jogos e vitórias que podem significar um ponto definitivo de viragem, e o arranque decisivo na perseguição ao objectivo do penta. Como vimos nesta jornada, a tarefa será árdua, não só pelo valor dos adversários como também pela 'verdade desportiva' que este ano anda por aí a atacar selvaticamente. Se ontem já tínhamos visto uma actuação brilhante da 'verdade desportiva' no Dragão, hoje então ali no Lumiar foi mesmo perder o último pingo de vergonha. Não é que mais provas fossem necessárias, porque os submissos do Lumiar têm sido sistematicamente protegidos por esta 'verdade desportiva' esverdeada, de tão rançosa que é. Mas hoje foi mesmo o descaramento total. Aqueles que para aí pela trigésima época consecutiva são os campeões auto-anunciados na pré-época só não largaram os três pontos porque, como vamos vendo, ao andrade e ao lagarto põe o VAR a mão por baixo.

tags:
por D`Arcy às 12:29 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 01.11.17

Amargo

Nova derrota na Champions, a piorar aquele que já era o pior registo de sempre do Benfica nesta competição, e o sabor amargo de uma das melhores exibições da época ter resultado neste desfecho. O Man Utd é melhor e mais forte do que nós, mas com uma pontinha de sorte a nossa exibição hoje poderia ter acabado num resultado completamente diferente.

 

 

O Benfica voltou a alinhar em 4-3-3, que me parece neste momento ser o esquema táctico mais ajustado para a nossa equipa e que mais estabilidade confere ao nosso futebol. A exibição como que confirma isso mesmo. O problema é que esta opção significa abdicar da posição de segundo avançado, ou seja, remete o Jonas para o banco. O que deixa o nosso treinador com um dilema que eu não gostaria de ter que resolver, que é escolher entre a táctica que parece ser mais ajustada e o nosso melhor jogador e marcador. Em anos anteriores talvez isto não fosse tão evidente porque o Jonas tinha capacidade física e mobilidade suficiente para fazer a ligação com o meio-campo, mas esta época isso já não acontece com tanta frequência e nota-se um maior distanciamento entre as zonas. Voltando ao jogo, o Benfica precisava absolutamente de pelo menos pontuar em Old Trafford para manter vivas alguma esperança minimamente realista de seguir em frente, ou de pelo menos ir para a Liga Europa, e subiu ao relvado para jogar de acordo com esse objectivo. Tentámos jogar de forma descomplexada, olhos nos olhos com o adversário, como quem nada tinha a perder. Acabámos por perder nos pormenores. O remate do Matic bateu no poste, depois nas costas do Svilar e entrou. O remate do Jiménez bateu no poste e foi para fora. O Rashford aproveitou um ligeiro encosto do Samaris para cavar um penálti (e vão quatro contra nós em igual número de jogos nesta competição, e na minha opinião ficaram outros tantos por assinalar a nosso favor) mas quando o Pizzi foi abalroado dentro da área o árbitro já não foi tão rigoroso. De positivo, para além da exibição, mais uma prova de que nos miúdos Svilar, Rúben Dias e Diogo Gonçalves ganhámos mais três opções sólidas para o onze. A equipa nunca baixou os braços e nunca deixou de tentar chegar ao golo, mesmo nos minutos finais, quando já perdíamos por dois. E os muitos adeptos benfiquistas que os foram apoiar a Inglaterra reconheceram isso mesmo, e no final quase que parecia que tínhamos ganho o jogo. Espero que essa manifestação de empatia entre adeptos e equipa seja aproveitada para de uma vez por todas arrancarmos para uma nova fase exibicional, que nos permita continuar a perseguir o sonho do penta.

 

Com o resultado no outro jogo do grupo, o nosso futuro ficou muito complicado. Se matematicamente o apuramento para a próxima fase ainda é possível, realisticamente ele é uma miragem devido à derrota desastrosa que sofremos em Basileia. Só mesmo vencendo ambos os jogos, e por margens confortáveis, é que poderemos ainda ter uma réstia de esperança em seguir para a Liga Europa, tendo ainda que esperar pela a colaboração do Man Utd para vencer os seus jogos, de preferência por margens dilatadas. Não me parece possível em dois jogos recuperar uma desvantagem de doze golos em relação ao Basileia, mas os seis de desvantagem em relação ao CSKA não são impossíveis.

tags:
por D`Arcy às 09:31 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sábado, 28.10.17

Apatia

Três pontos somados graças a uma vitória sem grande brilho contra o Feirense, num jogo que não terá deixado a maior parte dos benfiquistas que a ele assistiram minimamente satisfeita com a qualidade do futebol produzido. Salva-se o facto de termos conseguido somar três pontos a jogar mal, mas é incompreensível a aparente apatia da nossa equipa (que contagia as bancadas) depois de chegar à vantagem.

 

 

Para falar a verdade, o que seria apropriado sobre este jogo era deixar a página quase em branco. Não gosto de criticar o Benfica, e normalmente acho que se é para falar mal, mais vale ficar calado. E o que é que houve de bom neste jogo sobre o qual poderia escrever? O que já referi no início: conquistámos três pontos. Isso, e os primeiros onze minutos de jogo, período durante o qual jogámos um futebol agradável e interessante. Porquê só durante onze minutos? Porque foi nessa altura que se deu aquele acontecimento fatídico que esta época significa sempre um golpe brutal na equipa da qual ela raramente consegue recuperar: marcámos um golo. Até aí o Benfica tinha exclusivamente ao seu meio campo (que era o contrário do habitual, já que numa daquelas 'jogadas psicológicas' que para mim não passam de falta de etiqueta, o Feirense escolheu o campo ao contrário da tradição na Luz) um Feirense que aos trinta segundos de jogo já tinha a equipa médica em campo e aos cinco tinha o guarda-redes a ser avisado pelo árbitro por perda de tempo na reposição da bola em jogo. O principal dinamismo ao jogo do Benfica era dado pela ala esquerda, onde o Grimaldo e o Diogo Gonçalves combinavam muito bem e em velocidade, rasgando por diversas vezes a defesa do Feirense. Foi numa dessas jogadas pelo lado esquerdo (desta vez depois de um grande passe do Rúben Dias) que o Benfica quase marcou, depois de um passe atrasado do Diogo Gonçalves ter permitido um remate enrolado do Jonas, que o guarda-redes defendeu para canto. Na sequência desse canto, depois de alguns ressaltos a bola sobrou para o Jonas fazer o toque final para a baliza. E a seguir a isto, fechou-se a loja. A equipa foi perdendo progressivamente intensidade e agressividade, deixámos incompreensivelmente de jogar pela esquerda e passámos a preferir a direita, onde o Salvio e o André Almeida faziam uma dupla aterradora, e desaparecemos no ataque. Até porque a ausência de alguém que pudesse criar jogo no centro era por demais notória. Optarmos por dois médios de cariz defensivo num jogo em casa contra o Feirense é uma estratégia que apenas o nosso treinador poderá explicar. Eu passei o jogo todo a tentar perceber exactamente qual era o papel do Filipe Augusto na nossa táctica. Recuperador de bolas certamente que não, porque foram raríssimas as vezes em que ele se empenhou nessa tarefa, ou estava sequer na zona correcta do campo para o fazer, e era o Fejsa quem tinha que se multiplicar para acorrer a todos os fogos em várias zonas do terreno. Criador de jogo também não, porque o que eu o vi fazer mais frequentemente era, quando a equipa tinha posse de bola, recuar até junto dos centrais para receber a bola e imediatamente devolvê-la para os mesmos, ou fazer passes curtos laterais. Uma ou outra vez, arriscava um passe mais longo para uma das alas. Nem estou a referir-me à qualidade ou não da exibição dele, estou apenas a tentar compreender qual é a sua função em campo nesta táctica. O Feirense foi ganhando confiança e posse de bola, e progressivamente conseguiu instalar-se no nosso meio campo, embora apenas por uma vez tenha obrigado o Svilar a empenhar-se, num remate que ainda desviou num jogador nosso. A falta de crença dos nossos jogadores ficou, para mim, bem expressa num pontapé de canto, no qual o guarda-redes e um defesa do Feirense, sem nenhum jogador do Benfica por perto, disputaram a bola, embrulharam-se, e deixaram-na solta no interior da área. Ficaram cinco jogadores do Benfica parados a olhar para ela, e nem um havia perto da pequena área. Mesmo sobre o intervalo, o Feirense voltou a repetir a proeza de deixar uma bola solta na área, e desta vez o Jonas estava no sítio certo mas atirou para a bancada.

 

 

Certamente que a segunda parte seria melhor, certo? Errado. Mais do mesmo. Uma produção ofensiva e uma qualidade de jogo inadmissíveis para um jogo do Benfica em casa, ainda para mais contra o Feirense. De positivo o facto do Feirense praticamente não conseguir criar perigo - uma vez mais, apenas por uma vez o Svilar foi obrigado a intervir com maior dificuldade (e foi uma grande defesa) mas é normal que isto tenha acontecido. É que o Feirense não tem mesmo capacidade para fazer muito mais, e nem jogou especialmente bem esta noite. O Benfica é que jogou mesmo muito abaixo daquilo que se exige. De tal forma que conseguimos, por comparação, fazer com que parecesse que o Feirense estava a jogar bem. Nunca abdicámos dos dois médios mais defensivos - o Filipe Augusto incrivelmente fez o jogo todo - e as alterações que foram sendo feitas a partir do banco pouco melhoravam o nosso jogo. O Pizzi foi o primeiro a entrar, mas substituiu o Salvio e foi jogar encostado à ala, o que significou que passou a estar sob a influência malévola da brutal exibição do André Almeida esta noite. Ajudou-nos a ter um pouco mais de posse de bola no meio campo adversário, e deu-nos a ilusão de que numa ou noutra situação até era possível que saísse alguma jogada perigosa dali, mas ficou-se mais pelas ameaças do que pelos efeitos práticos. O Jiménez rendeu o Seferovic, mas apesar de estar um pouco mais mexido (pareceu-me que ainda durante a primeira parte o suíço fartou-se de andar a fazer diagonais à espera que alguém lhe metesse uma bola longa para as costas da defesa, para depois invariavelmente ver os colegas voltarem-se para trás ou para o lado e fazerem um passe curto para um colega) regra geral apenas contribuiu para aumentar a confusão no ataque. Durante este mau período na segunda parte, ainda assim o Benfica conseguiu ter duas grandes situações para marcar o golo da tranquilidade, em que viu jogadores ficarem isolados em frente ao guarda-redes. Na primeira foi o Salvio, desmarcado pelo Seferovic, e na segunda o Diogo Gonçalves, depois de uma combinação com o Grimaldo. Em ambos os casos, o guarda-redes do Feirense conseguiu a defesa. Perto do final, finalmente uma substituição que teve algum impacto no jogo: a troca do Jonas pelo Krovinovic. Depois disto, acho que nos dez minutos finais, finalmente com um criador de jogo na zona central, consegui ver mais mobilidade e imprevisibilidade no ataque do que tinha visto em mais de uma hora. Vi até uma jogada com princípio, meio e fim, que finalizou com o Krovinovic a servir o Jiménez na área para que ele atirasse à malha lateral.

 

 

Para destacar alguém no Benfica só mesmo o Fejsa e a dupla de centrais - o que é exemplificativo da falta de inspiração ofensiva da nossa equipa esta noite. O Grimaldo e o Diogo Gonçalves começaram muito bem no jogo e estiveram bem a espaços, mas à medida que a nossa equipa se foi deixando adormecer cometeram erros de excessos de individualismo que resultaram em perdas de bola, em especial na segunda parte. O André Almeida teve uma exibição tenebrosa, o que me deixa a perguntar se por acaso o Alex Pinto não estará já pronto para uma oportunidade. Pior do que isto não faz de certeza

 

Foram três pontos conquistados num jogo digno de uma boa luta pela manutenção. Chegámos à vantagem e depois foi jogar pelo seguro que não está tempo para grandes correrias. Isto foi manifestamente pouco para aquilo que se espera e se exige do Benfica - acho que só me recordo de ver exibições deste calibre na época do Trapattoni, e nessa altura não tínhamos o plantel que temos hoje. Temos que jogar muito mais e muito melhor. Não foi por acaso que, à saída do estádio, o ambiente entre os benfiquistas não era muito diferente do que seria se tivéssemos empatado o jogo. Estamos preocupados, e o jogo de hoje deu-nos motivos para nos sentirmos assim.

tags:
por D`Arcy às 00:18 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Segunda-feira, 23.10.17

Melhoria

O Benfica regressou às vitórias fora de casa para o campeonato graças a uma melhoria em relação às últimas exibições, conquistando um resultado que é escasso dadas as ocasiões de golo criadas - foi muito por culpa do veterano Quim, que na baliza do Aves fez uma exibição fantástica, que não construimos uma vitória bem mais dilatada.

 

 

A principal surpresa no onze inicial foi a ausência do Pizzi. Face ao regresso do Jonas, a opção do nosso treinador foi a de manter o Fejsa e o Filipe Augusto no meio campo. O que, face ao pesadíssimo e escorregadio relvado do Aves (os nossos jogadores passar o tempo todo a escorregar, e até o próprio árbitro caiu) é capaz de ter sido a melhor opção. Os jovens Svilar, Rúben Dias e Diogo Gonçalves mantiveram a titularidade, e na frente o Jiménez deu o seu lugar ao Seferovic. O Douglas tinha ficado de fora da convocatória, por isso foi sem surpresa que jogou o André Almeida. A exemplo daquilo que o Benfica tem feito quase toda esta época, entrámos bem no jogo. Lançámo-nos no ataque desde o apito inicial, e logo numa das primeiras jogadas o Quim mostrou logo que estava em dia inspirado e negou ao Diogo Gonçalves aquilo que seria um grande golo, num remate cruzado. O Aves respondeu quase de imediato com um remate de fora da área que obrigou o Svilar a uma defesa atenta, mas se isso fez alguém pensar que teríamos um jogo de parada e resposta, foi engano. Muito por culpa do péssimo relvado, o jogo estava a ser de um intensidade física grande, mas com o Benfica, apesar das escorregadelas, a ganhar claramente a luta e a instalar-se no meio campo do Aves, que se limitava a jogar para segurar o nulo, espreitando um ou outro tímido contra-ataque. O golo foi sendo adiado até perto da meia hora, altura em que o Diogo Gonçalves foi claramente derrubado dentro da área e, na marcação do respectivo penálti, o Jonas colocou-nos em vantagem (o péssimo estado da relva ainda ssim poderia ter feito com que o Jonas tivesse falhado o penálti). Depois disto, e também uma repetição daquilo a que já vimos acontecer várias vezes esta época, deu-se um apagão na equipa. Não encontro grandes explicações para isto acontecer tantas vezes, mas o facto é que o Aves, que até aí tinha sido quase inexistente em termos ofensivos, começou a aparecer com maior frequência na frente, enquanto que nós nos apagámos no ataque. Os minutos finais da primeira parte foram mesmo os piores que atravessámos em toda a partida, e naturalmente o melhor período do Aves na mesma. Mas apesar de um ou outro susto, conseguimos sair para intervalo em vantagem, o que era um reflexo justo daquilo que se tinha visto durante a primeira parte.

 

 

Na reentrada para o segundo tempo a nossa equipa pareceu vir com maior tranquilidade do que aquilo que tinha mostrado nos minutos antes do intervalo. Prioridade em manter a posse de bola, optando por passes seguros entre os seus jogadores e sem grandes correrias. E ao fim de cinco minutos a tranquilidade naturalmente aumentou com o segundo golo. Um remate do Jonas foi desviado por um defesa para a direita do nosso ataque, onde surgiu o Salvio solto para fazer um remate enrolado e com muito pouco ângulo, mas que fez a bola ultrapassar o Quim e encaminhar-se para a baliza, numa trajectória quase paralela à linha de golo. Muito provavelmente a bola entraria mesmo, mas ainda surgiu o Seferovic para confirmar o golo quase em cima da linha. Honestamente, pensei nesse momento que o jogo estivesse definitivamente decidido. Não via no Aves capacidade de reacção para marcar dois golos, até porque os minutos que se seguiram ao nosso segundo golo ainda reforçaram essa minha convicção. O Benfica continuou a ter o jogo perfeitamente controlado, e a única dúvida seria se marcaríamos mais algum golo, porque não só continuávamos a criar perigo na frente como também o Aves nada fazia que nos levasse a crer serem capazes de marcar. Mas como no futebol as coisas podem sempre mudar de um momento para o outro, a um quarto de hora do final, e no seguimento de um canto, o Aves reduziu. O Seferovic deixou-se antecipar por um dos defesas centrais adversários na zona do primeiro poste e a reacção do Svilar já não foi a tempo de evitar que a bola entrasse. O jogo estava agora, completamente contra as expectativas, relançado. Felizmente que por pouco tempo, porque bastaram três ou quatro minutos para que o Benfica voltasse a colocar a diferença em dois golos. Novo penálti, desta vez por falta sobre o Pizzi (tinha entrado há minutos para o lugar do Salvio) e novamente o Jonas a concretizar. Os jogadores do Aves ficaram a reclamar uma possível falta do Jonas no início da jogada que culminou no penálti, e sinceramente parece-me que poderão ter razão - mas clamarem pelo vídeo-árbitro não faz sentido porque não é suposto ele intervir em situações destas. Até final, o Quim continuou a evitar um resultado mais volumoso, ainda que pelo meio tenhamos visto uma bola embater no poste da nossa baliza, depois de ligeiramente desviada pelo Svilar.

 

 

Sem conseguir fazer grandes destaques a nível individual, já que o nível foi mais ou menos constante em toda a equipa, parece-me que pelo menos os 'miúdos' que jogaram não devem sair da equipa tão cedo. Pelo menos o Rúben Dias estará de pedra e cal na equipa, e à medida que vá somando minutos e ganhando experiência deverá assumir mesmo o estatuto de titular. O Diogo Gonçalves também esteve bem e é um jogador que eu aprecio bastante e em quem deposito grandes esperanças, mas a concorrência nas alas é forte. De qualquer maneira não vejo razões para sair da equipa. Na baliza, o Svilar não teve responsabilidades no golo sofrido e esteve sempre bem e transmitiu segurança.

 

Creio que neste jogo mostrámos um pouquinho mais daquilo que de positivo tínhamos conseguido ver no jogo da Champions, mas o caminho a percorrer ainda é longo. A quebra de rendimento após chegarmos à vantagem voltou a ver-se e isso é algo que tem que ser corrigido. Por outro lado, foi positivo ver a equipa a não se deixar afectar e a reagir rapidamente ao golo sofrido. Não foi uma exibição de encher o olho, mas foi mais do que suficiente para justificar a vitória neste jogo, e manifestamente melhor do que aquilo que tínhamos vindo a fazer nos últimos jogos para a liga. Agora é esperar que continuemos a progredir.

tags:
por D`Arcy às 00:51 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quinta-feira, 19.10.17

Infelicidade

O resultado do jogo desta noite acaba por ser uma infelicidade, mas não é de todo inesperado. O Manchester United era o favorito à partida e o objectivo do Benfica seria contrariar este favoritismo e conseguir conquistar um resultado que nos relançasse na discussão pelo apuramento. Não o conseguimos, mas pelo menos saí do estádio sem nada a apontar à atitude da equipa.

 

 

E a equipa apresentou algumas surpresas para este jogo. A começar pelo esquema táctico, já que finalmente abandonámos o suicídio que é jogar com apenas dois médios na Champions e em vez disso jogámos com três, tendo entrado o Filipe Augusto para que fosse o Pizzi a assumir o papel de terceiro médio a actuar mais perto do avançado - que foi o Raúl, tendo o Jonas ficado no banco. A outra surpresa da noite foi a titularidade do Diogo Gonçalves na esquerda do ataque, como reconhecimento da boa entrada que teve no último jogo. Destaque ainda para a manutenção da titularidade do Rúben Dias e do Svilar. O Benfica começou bem um jogo que foi sempre bastante táctico, disputado sobretudo no meio campo, com ambas as equipas a arriscar pouco e a raramente conseguirem criar ocasiões de golo flagrantes - uma excepção foi uma grande arrancada do Grimaldo, que ultrapassou meia equipa do United e meteu a bola na área para um remate de pé esquerdo do Salvio, que saiu demasiado torto. A alteração táctica do Benfica para povoar mais o meio campo notava-se sbretudo na ocupação dos espaços, e a defesa esteve quase sempre bem organizada, apanhando por diversas vezes os jogadores adversários na armadilha do fora-de-jogo. Mas a partir da meia hora de jogo a maior valia do Man Utd começou a fazer-se notar. É evidente que as armas de que uma e outra equipa dispõem não são as mesmas, e o maior poder do nosso adversário começou a fazer-se notar, conseguindo cada vez mais posse de bola (e os pratos da balança neste aspecto particular nunca mais pararam de se desequilibrar até final) sobretudo nas zonas do meio campo e da defesa, mas a conseguir jogar mais subido no terreno e a empurrar-nos mais para junto da nossa área (com o Matic a mostrar porque é um dos melhores médios do mundo). Mas as ocasiões de golo continuaram a escassear.

 

 

 

Isto foi aliás exactamente o mesmo figurino da segunda parte. O Man Utd a ter mais posse de bola e a tentar construir pacientemente, e o Benfica a tentar sair rapidamente para o ataque quando recuperava a bola, através dos laterais e extremos ou com lançamentos longos para o Raúl. O jogo, honestamente, parecia ter um nulo no marcador como quase uma certeza já quase desde o início, salvo algum acidente fortuito que acabasse por resultar em golo. Infelizmente foi isso mesmo que aconteceu, num erro grosseiro do Svilar. Num livre apontado na direita da nossa defesa, ainda muito longe da baliza, a bola saiu certamente com mais foça e sem a direcção pretendida pelo Rashford, e foi direita à baliza. Talvez por excesso de confiança, o Svilar tentou agarrar a bola - o normal seria não arriscar e socar a bola, ou tocá-la por cima da barra. Como ele estava adiantado e teve que recuar para agarrar a bola, acabou por não conseguir equilibrar o movimento e entrou na baliza com a bola nas mãos. Foi autogolo mesmo, porque ele ainda agarrou a bola antes dela ter passado a linha e depois entrou com ela nas mãos para dentro da baliza. Uma pena, tendo em conta que esteve bem no resto do jogo e mostrou bastante confiança, não parecendo acusar a pressão de estar a estrear-se na Champions  tão novo (o mais novo guarda-redes na história da competição). A partir daqui ficou mais ou menos evidente que o jogo estaria resolvido. Não porque a nossa equipa tivesse baixado os braços e desistido de lutar pelo resultado, mas sim porque o jogo estava no estado que referi antes. Um jogo fechado, frente a um adversário que defende de forma exemplar - em doze jogos feitos esta época, o Manchester United não sofreu golos em nove deles - e que estava a mostrar ser capaz de guardar a bola sem muita dificuldade. Ainda conseguimos criar uma ocasião de golo, na sequência de um canto, mas o Rúben Dias atirou de primeira por cima depois de surgir sem marcação. De positivo, a reacção dos benfiquistas, que aplaudiram imediatamente o Svilar depois do golo, e que até final nunca deixaram de apoiar a equipa. Aliás, até mesmo depois do final, pois muita gente ficou no final a aplaudir e a cantar pelo Benfica enquanto a equipa saía do campo - e ainda para aplaudir o Matic e o Lindelöf, que saudaram o público no final. De assinalar ainda a expulsão do Luisão perto do final, por acumulação de amarelos, e ainda o que me pareceu mais um penálti por assinalar a nosso favor nesta edição da Champions.

 

 

Acho que o melhor deste jogo foi a mudança, para melhor, da atitude da equipa. Não me parece que a qualidade de jogo tenha melhorado por aí além, mas quando há a atitude certa os adeptos reconhecem-no e é mais fácil conseguir resultado positivos. Quanto a destaques individuais, a minha preferência vai para o Rúben Dias. Fez um jogo quase sem mácula (lembro-me apenas de um erro, um mau passe já perto do final do jogo) com diversos cortes importantes, um deles simplesmente fabuloso que evitou um golo que seria quase certo. Acho que nesta fase já não há motivos para duvidar que ele está pronto para ser uma opção viável para o centro da defesa. Também gostei do Salvio, que teve que estar mais atento do que o habitual às tarefas defensivas devido ao pendor ofensivo do Douglas.

 

Depois dos resultados de hoje creio que o apuramento para a próxima fase da Champions é quase uma miragem. Foi uma infelicidade que um erro individual tenha acabado por impedir um resultado melhor. O nosso objectivo nesta competição deverá agora passar por discutir com o CSKA o acesso à Liga Europa, o que faz com que o jogo que disputaremos na Rússia seja absolutamente fundamental. Até lá, espero que a melhoria de atitude da equipa que vimos neste jogo traga uma consequente melhoria dos resultados.

tags:
por D`Arcy às 00:26 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Domingo, 15.10.17

Mínimos

Um grande golo do Gabriel Barbosa, uma estreia segura do miúdo Svilar na baliza, outra estreia na equipa principal, do João Carvalho, o Diogo Gonçalves a aproveitar os minutos que lhe foram dados para 'exigir' mais oportunidades, e os serviços mínimos para progredir para a próxima eliminatória da Taça de Portugal. Estes foram os pontos que eu retive do jogo desta noite. 

 

 

Sobre a qualidade do futebol jogado, pouco a dizer, porque ela foi baixa. Sim, dominámos o jogo, o que era obviamente exigível dado que defrontávamos uma equipa do terceiro escalão. Só nós tínhamos algo a perder neste jogo, e por isso mesmo a vitória foi importante. Mas creio que poderíamos ter aproveitado a oportunidade para mostrar mais qualidade no nosso jogo, e as várias alterações feitas no onze não servem de grande desculpa para o pouco futebol mostrado. Não sei exactamente o que é que estivemos a trabalhar durante estas duas semanas de pausa, mas espero que seja algo melhor do que aquilo que mostrámos hoje. Que foi uma espécie de 4-3-3 algo estranho, em que os supostos extremos vinham constantemente para dentro e deixavam aos dois laterais as tarefas de jogar pelas alas, e que resultou numa produção ofensiva muito fraca - teríamos obrigação de criar muito mais situações de perigo dada a diferença de valor entre as duas equipas. Confesso mesmo que estava quase a adormecer até ao momento em que entrou o Diogo Gonçalves, que finalmente veio animar o nosso ataque. Achei que vários dos jogadores a quem foram dadas oportunidades esta noite não as souberam aproveitar (e os titulares que jogaram também não brilharam propriamente). Outra das estreias, o Douglas, não me impressionou a defender, mas dou o desconto de saber que ele estava há uns quatro meses sem jogar.

 

Foi uma estreia morna na Taça de Portugal, muito semelhante à do ano passado, frente ao 1º de Dezembro. Só espero que o nosso percurso na competição acabe por ser também semelhante.

tags:
por D`Arcy às 02:24 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Segunda-feira, 02.10.17

Zero

Honestamente, já nem me apetece escrever sobre os nossos jogos. Porque estou cansado de ver a mesma história a repetir-se vezes sem conta: boa entrada, golo madrugador, e depois o encosto à magra vantagem que, invariavelmente, somos incapazes de segurar. Estou cansado de ver jogadores em campo de braços caídos, como se jogassem a medo e sem a menor crença em si mesmos à primeira contrariedade que sofrem. Nem o facto de podermos neste jogo, com uma vitória, recuperar quatro pontos aos amantes furiosos que nos antecedem na tabela classificativa e que hoje naturalmente empataram pareceu servir-nos de motivação.

 

slb2.jpg

 

Depois do desastre na Suíça, não houve qualquer revolução na equipa. Jogámos precisamente com a mesma equipa que colapsou na segunda parte desse jogo. Nem o equipamento mudou e foi novamente aquele cinzento horrível que nem as cores do nosso emblema tem. Foi o Salvio no lugar do Zivkovic de início e de resto o mesmo onze. O início de jogo foi bom. Muito bom mesmo, já que na primeira ocasião criada, ainda antes de se completarem dois minutos de jogo, o Jonas marcou um golão e colocou-nos em vantagem. Em condições normais, isto é o melhor que se poderia desejar. Vindos de um mau resultado, a jogar no campo de uma das equipas em melhor forma neste início de época (que neste momento é mesmo um concorrente directo na classificação), com um relvado que mais se assemelhava a um rancho de toupeiras, entrar a ganhar seria o melhor tónico que uma equipa poderia ter. Mas se há algo que eu tenho aprendido este ano é que marcar um golo é do pior que nos pode acontecer, porque imediatamente assisto a um relaxar por parte da equipa e a uma tentativa de, independentemente de quanto tempo falta para jogar, começarmos logo a 'gerir' o resultado. É incompreensível esta aparente sobranceria, ou medo, ou lá o que é. O que é certo é que depois de nos apanharmos em vantagem começamos a jogar como uma equipa pequena (e se querem um exemplo flagrante disso, basta ver a forma como o Júlio César começa imediatamente a fazer as reposições de bola em jogo - é exactamente da mesma maneira que nos leva a, na Luz, começarmos a perder a paciência com os guarda-redes adversários logo nos instantes iniciais de um jogo). O futebol jogado era, como aliás se exigia, sobretudo directo, porque aquele relvado não dava para ter ambições em jogar qualquer coisa mais evoluída. Mas deixámos progressivamente de pressionar os jogadores do Marítimo, que foi subindo no terreno, e sobretudo ganhando uma superioridade evidente no centro do terreno (onde o Pizzi foi completamente engolido e esteve entretido a coleccionar asneiras atrás de asneiras). De positivo o facto de não termos permitido ao adversário criar uma verdadeira ocasião de golo - até porque ultimamente, como já escrevi, bastam uma ou duas ocasiões aos nossos adversários para marcar-nos um golo.

 

A segunda parte até pareceu um pouco melhor. Pelo menos na primeira fase da mesma recuperámos algum controlo territorial e não permitimos ao Marítimo jogar tanto no nosso meio campo. Mas acho que todos nós sabemos, ou pelo menos tememos, que sem um segundo golo para dar tranquilidade à equipa o desastre está ali mesmo ao virar da esquina. E quando escrevo que 'todos nós sabemos' estou a incluir os jogadores neste grupo, porque eles parecem ser os primeiros a ter essa ideia a povoar-lhes os pensamentos o tempo todo. A primeira ocasião do Marítimo chegou, num remate de fora da área, e escapámos devido a uma grande defesa do Júlio César. À segunda já não tivemos tanta sorte (já seria estarmos a contrariar a regra de uma ou duas oportunidades para sofrer um golo) e o empate chegou mesmo. Nem foi preciso nada de particularmente elaborado, apenas o futebol que é possível praticar num terreno destes, ou seja, jogo directo. Um cruzamento largo desde a esquerda (o jogador que faz o cruzamento é deixado completamente à vontade) para o lado contrário e junto ao poste surgiu um jogador do Marítimo para cabecear. O André Almeida aproveitou para ficar a assistir ao lance de cadeirinha, adoptando a tão famosa estratégia da 'marcação com os olhos', e o Júlio César praticou um pouco de ornitologia e mesmo sem binóculos aproveitou para observar o belo voo daquela espécie de ave chamada 'bola', que planou majestosamente ao longo da sua baliza, fez escala na cabeça do jogador do Marítimo e foi repousar suavemente nas redes. Depois disto, o costume. Ou seja, o desvario e a desconcentração da maior parte dos nossos intervenientes - quando consigo afirmar sem grandes dúvidas que o Salvio terá sido o jogador mais esclarecido, isso diz muito sobre os outros jogadores. 

 

A reacção do banco também foi pouco convincente. Tacticamente nunca se mudou grande coisa, porque as substituições foram sempre troca por troca. Primeiro fez entrar o Rafa. OK, nada de pessoal contra o Rafa, mas isto já começa a ser um reflexo condicionado em mim: quando entra o Rafa é basicamente 'lasciate ogne speranza, voi ch'intrate' (ou seja, atravessámos os portões do Inferno, a coisa está mesmo mal e estamos tramados). Nem percebi bem a estratégia de meter o Rafa num terreno naquelas condições. Se num terreno bom e propício para explorar a velocidade dele, ele já demonstra frequentemente dificuldades no controlo da bola, no rancho de toupeiras dos Barreiros seria extremo optimismo esperar algo de melhor. Depois trocámos o Pizzi pelo Krovinovic. Aceita-se numa lógica de refrescar fisicamente aquela posição, até porque o Pizzi estava a produzir zero até então, mas também não aumentámos propriamente a capacidade de criação de jogo. Finalmente, saiu o Jonas para entrar o Seferovic. Numa altura em que estamos a precisar de marcar, sai o nosso melhor marcador. Mas tudo bem, assumi que seria para apostar ainda mais no futebol directo e tirar o melhor partido da capacidade física do suíço num terreno pesadíssimo. Mas surpreendentemente, quase não fizemos isso. Pelo contrário, começámos a recorrer novamente ao futebol de passes curtos e lateralizações, e tentativas de entrar pelas alas - e nas poucas ocasiões em que criámos espaço para fazer cruzamentos, estes saíram invariavelmente mal, ou demasiado largos, ou imediatamente interceptados pelo defesa mais próximo da bola. E depois, claro, os esperados disparates defensivos a polvilhar a nossa actuação, que normalmente acabam por ditar golos sofridos e derrotas quando procuramos o golo da vitória. Desta vez tivemos a felicidade disso não ter acontecido, mas o Jardel ainda deu um contributo para esse desfecho, perdendo a bola para um jogador do Marítimo progredir isolado para a baliza, valendo-nos uma defesa do Júlio César. É verdade que também tivemos uma grande ocasião de golo nos instantes finais, num remate do Jiménez defendido com dificuldade pelo guarda-redes do Marítimo, para depois a possível recarga do Salvio ser cortada no limite por um defesa.

 

Conforme já disse antes, o jogador que mais merece um elogio no jogo de hoje é o Salvio. Foi a larga distância o jogador mais perigoso, mais incisivo e mais empenhado em que o resultado tivesse sido outro. As ocasiões de que dispôs foram quase sempre construídas por si próprio, criou outras em que tentou oferecer a bola aos colegas, e ainda construiu uma situação que me parece que em condições normais seria assinalado penálti - por menos o Benfica teve um penálti assinalado contra si no jogo com o CSKA. Quase que me fez pena quando o vi, numa ocasião em que tivemos um lançamento de linha lateral perto da área do Marítimo e ele se aprestava para o marcar, a ter que insistir e quase suplicar aos centrais para subirem até à área, uma vez que estes pareciam estar confortavelmente instalados lá atrás.

 

Num jogo em que poderíamos ter aproveitado para recuperar terreno para a liderança e, apoiados nessa injecção de confiança, relançar a época, o que vimos foi praticamente zero, e no final o que eu sinto foi que levámos mais um duro golpe nas nossas ambições. E nem digo isto tanto pelo resultado, porque maus resultados acontecem. Digo isto pela quase total ausência de reacção que mostrámos. O que vimos foi exactamente o mesmo: o mesmo futebol e a mesma atitude que nos levaram à situação actual. Nada mudou. E se uma derrota copiosa contra uma equipa da terceira linha europeia, que há onze jogos não vencia na Champions, e a possibilidade de recuperar quatro pontos para a frente da tabela classificativa não são razões suficientes para motivar uma reacção, então infelizmente só posso concluir que o problema que nos afecta é demasiado grave.

tags:
por D`Arcy às 01:43 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 27.09.17

Desprestigiante

Uma exibição sem ponta por onde pegar e um resultado desastroso e desprestigiante para o Benfica. Nada, absolutamente nada daquilo que o Benfica fez durante os noventa minutos esta noite é digno de ser considerado positivo (só mesmo o comportamento dos nossos adeptos na bancada). Não é um jogo para esquecer, é para lembrar mesmo, porque apenas encontro paralelo a isto na nossa história mais recente nos episódios de Vigo e de Atenas.

 

 

Nem posso escrever muito sobre o futebol jogado num jogo em que, da parte do Benfica, praticamente não existiu. Podia começar a criticar a defesa, já que na primeira vez que o adversário passou a linha do meio campo - e isto infelizmente nem é uma força de expressão, porque foi mesmo literalmente na primeira vez que isso aconteceu - colocou-se em vantagem. Defender tão mal já é preocupante quando jogamos cá dentro, mas numa prova como a Champions, defender assim faz o adversário parecer uma equipa fabulosa. A sensação que dá neste momento é que basta o adversário ter um jogador mais veloz na frente para desbaratar por completo a nossa defesa. Foi mesmo em contra-ataque que o Basileia construiu este resultado: deu-nos a bola, nós andámos lá na frente a fazer aquilo que ultimamente melhor sabemos fazer, ou seja, mostrar zero objectividade no ataque e total incapacidade para criar ocasiões de golo (conseguimos acertar zero remates na baliza durante todo o jogo, apesar de termos mais posse de bola) e depois recuperar a bola e sair em contra-ataque, aproveitando as crateras da defesa. Podia por isso criticar de forma igualmente veemente um ataque completamente inoperante, incapaz de criar uma única real ocasião de golo apesar de ter a bola em seu poder muito mais tempo do que os suíços. Se eles em três ou quatro toques criavam uma situação complicada, nós em vinte na maioria das vezes acabávamos no mesmo sítio onde tínhamos começado. O segundo golo é, à falta de um adjectivo mais inspirado, anedótico. Sofremo-lo aos vinte minutos, na sequência de um canto a nosso favor e de um contra-ataque conduzido por dois jogadores. Dois jogadores. Contra quatro ou cinco nossos, e a bola acabou dentro da baliza. E o jogo ficou praticamente decidido aí, porque nessa altura já não via qualquer capacidade na nossa equipa para inverter o rumo dos acontecimentos, e apenas esperava que a coisa não acabasse num desastre.

 

Mas um desastre foi mesmo o que aconteceu. A substituição previsível ao intervalo (Salvio no lugar do Cervi), penálti do Fejsa a dar o terceiro golo, e depois desnorte completo da equipa. Quando um jogador com a experiência do André Almeida se faz expulsar (bem expulso, independentemente de ter motivos de queixa por não ter sido assinalada uma falta anterior sobre ele) daquela forma, está tudo dito quanto à estabilidade emocional da equipa. A mim parecia-me que nessa altura a única decisão racional seria reorganizar a equipa e tentar minimizar os estragos, mas nada disso aconteceu. O que eu vi foi uma equipa completamente à deriva, sem rei nem roque, com nove jogadores de campo a correr desmioladamente de um lado para o outro e a atacar sem critério, como se bastasse um golo para inverter o resultado, enquanto que a defesa (completamente entregue a si mesma, já que a equipa estava partida e os jogadores mais adiantados nem pareciam preocupar-se em ajudar a defender) deixava avenidas abertas para os jogadores adversários. O Basileia apenas teve que fazer o que tão bem tinha feito até aí: esperar calmamente pelos erros e aproveitá-los, sendo que nesta altura era ainda mais fácil tirar partido deles. O quarto golo surge após uma assistência brilhante do Pizzi, a solicitar a reconhecida velocidade e destreza de rins do Luisão, e no quinto acho que se fosse necessário ainda apareceria o guarda-redes suíço a fazer mais uma recarga sem que algum jogador nosso conseguisse afastar a bola. E mais alguns ficaram por marcar, como por exemplo numa jogada em que o Basileia enviou a bola por duas vezes aos postes.

 

Com duas derrotas (uma em casa, outra por números copiosos) frente às duas equipas teoricamente mais fracas do grupo, parece-me que a questão do apuramento para a próxima fase começa a ser uma miragem, e mesmo para a Liga Europa está severamente comprometida. A não ser que consigamos uns quatro pontos nos jogos contra o Manchester United, cenário que nesta fase me parece completamente inverosímil. Repito: nada se aproveita do jogo de hoje. Nem dentro (nem vou mencionar jogadores individualmente, porque conseguiria desancar cada um deles, da baliza ao ataque) nem fora do campo, já que para mim o banco revelou uma total incapacidade para meter a mão e segurar uma equipa perfeitamente desnorteada. Espero que mostre agora a capacidade para juntar os cacos e vencer já o difícil e importante jogo do próximo fim-de-semana. E contando com a nossa união ao redor da equipa - aquela que os nossos adeptos mostraram precisamente esta noite. Não há outro caminho possível.

tags:
por D`Arcy às 22:35 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 24.09.17

Safanão

Uma vitória tranquilíssima e sem espinhas para dar um safanão na recente sequência de maus resultados. Só foi pena não termos também aproveitado para conseguirmos uma injecção extra de confiança com uma goleada, que face ao volume de ocasiões criadas neste jogo poderia perfeitamente ter acontecido.

 

 

As principais notas de destaque no onze foram os regressos do Fejsa e do Cervi à titularidade, e a manutenção do Júlio César na baliza. Algo surpreendente foi o Rúben Dias ter-se mantido no onze, formando dupla com o Luisão, tendo o Jardel saído dos convocados. Surpreendente apenas por uma questão de estatuto, porque o nosso jovem central tem dado boa conta de si e não tem sido por ele que a defesa treme. O Benfica mostrou grande vontade de colocar um ponto final nos maus resultados. Logo desde o apito inicial lançámo-nos no ataque à baliza do Paços, tirando o melhor partido do bom jogo dos nossos extremos, Cervi e Zivkovic, bastante apoiados pelos dois laterais, que se revelaram hoje muito ofensivos. A primeira grande oportunidade de golo surgiu logo aos quatro minutos, com o Jonas a cabecear à figura do guarda-redes depois de um centro milimétrico do Cervi o ter deixado numa posição privilegiada. E esse foi o mote para mais de vinte minutos de pressão quase asfixiante do Benfica, período durante o qual vimos as oportunidades a acumularem-se, incluindo duas bolas a embater no poste da baliza ou remates que acabavam por desviar na floresta de pernas que o nosso adversário acumulava em frente à baliza. A presença do Fejsa no onze permite logo à equipa jogar vários metros mais à frente, porque o raio de acção e de influência dele não tem comparação com o de qualquer outro jogador que tenhamos no plantel para aquela posição. Apesar de ser ele quem caía para o meio dos centrais na saída de bola, vimo-lo frequentemente a recuperar bolas bem dentro do meio campo adversário, o que ajudou a manter constante a pressão sobre a área adversária. Este ímpeto atacante foi finalmente recompensado aos vinte minutos com um bonito golo do Cervi. O Zivkovic entrou pela direita e fez o passe rasteiro e atrasado para a entrada da área, onde surgiu o argentino a rematar de primeira sem dar qualquer possibilidade de defesa. Depois de obtida a vantagem, e sobretudo no quarto de hora final da primeira parte o Benfica baixou o ritmo do jogo. Isto foi algo que nos causou dissabores nos últimos jogos, mas ao contrário do que se passou nessas ocasiões, desta vez o Benfica não cedeu o controlo do jogo. O Paços de Ferreira foi completamente inofensivo no ataque, e o Júlio César não foi obrigado a uma única defesa digna desse nome.

 

 

De qualquer forma os últimos maus resultados, que ainda por cima ocorreram sempre depois do Benfica se colocar em vantagem, serviam de aviso e era portanto prudente procurar um segundo golo que tranquilizasse quer a equipa, quer os adeptos. Mal a segunda parte começou o Paços até conseguiu conquistar o seu primeiro canto na partida, mas isso foi mesmo uma excepção, porque depressa se verificou que o Benfica continuava completamente no controlo do jogo. Ainda que sem a intensidade mostrada na entrada da primeira parte, o Benfica ia pacientemente procurando esse segundo golo, que era cada vez mais previsível face à frequência com que a bola continuava a aparecer em zonas de finalização. O golo acabou por surgir na sequência de uma bola parada, pouco depois da hora de jogo. Canto na esquerda do nosso ataque marcado pelo Pizzi, desvio de cabeça do Seferovic ao primeiro poste, e a bola a ir ter com o Jonas que, quase em cima da linha de golo, à segunda e de forma algo atabalhoada lá fez a bola viajar para o fundo da baliza. Uma vez mais a seguir ao golo o Benfica baixou a intensidade do seu futebol, mas manteve-se bastante confortável no jogo, sem deixar que o Paços criasse sequer uma ocasião de perigo. E à medida que o jogo foi caminhando para o final, já com o Jiménez em campo por troca com o Seferovic e dando ainda mais uns minutos de jogo ao Krovinovic e ao Diogo Gonçalves, mesmo a jogar num ritmo muito mais pausado ainda ia conseguindo criar ocasiões de golo, algumas delas bastante flagrantes. O Jiménez desperdiçou mesmo uma situação em que ficou isolado perante o guarda-redes (e a recarga do Diogo Gonçalves foi cortada em cima da linha de golo por um defesa, para depois mais uma recarga do Zivkovic seguir para as mãos do guarda-redes), mas o Zivkovic, o Krovinovic e o Pizzi também dispuseram de excelentes ocasiões para marcar. No final fica uma exibição bastante segura do Benfica e uma vitória justíssima, que poderia ter acontecido por uma margem mais dilatada.

 

 

Neste jogo destaco três jogadores: o Fejsa, o Zivkovic e o Cervi. Sobre o Fejsa já não há muito a dizer. A influência dele no jogo e no posicionamento da equipa, e consequentemente até no próprio desempenho dos colegas é por demais evidente. Não creio que seja exagerado dizer que há um Benfica com ele em campo e outro sem ele. Quanto aos dois extremos, passou muito por eles a dinâmica ofensiva apresentada neste jogo. Na minha opinião, já há bastante tempo que considero que o lado esquerdo constituído pelo Grimaldo e o Cervi é o mais forte que podemos apresentar. Os dois jogadores complementam-se muito bem, às vezes parece que jogam de olhos fechados um com o outro, e por isso mesmo sinto sempre uma certa irritação quando a escolha para actuar à frente do Grimaldo é outra (mesmo gostando muito do Zivkovic, mas acho-o bastante melhor na direita). A boa exibição do Cervi foi coroada com um grande golo e espero que isso sirva para mantê-lo na equipa. O Zivkovic mostrou a qualidade técnica que sabemos que tem e uma excelente atitude durante todo o jogo - ainda que, sobretudo na segunda parte, tenha exagerado no individualismo num ou noutro lance. E depois de dois jogos em que fez as assistências para os golos que nos colocaram em vantagem, para depois acabarmos por perder esses jogos, desta vez pode ficar com a satisfação de isso não ter acontecido.

 

Foi um bom regresso a exibições mais consistentes em vésperas de dois jogos muito importantes. Na Suíça estará em jogo a possibilidade de nos mantermos na luta pelo apuramento para a próxima fase da Champions, e logo a seguir espera-nos uma das deslocações mais complicadas do campeonato, a um terreno onde perdemos a época passada e para defrontar um Marítimo num excelente momento, que o coloca mesmo acima de nós na classificação. Que este jogo tenha servido para devolver a confiança à nossa equipa, porque a falta dela parece-me ter sido um dos principais factores responsáveis pelos últimos maus resultados.

tags:
por D`Arcy às 02:28 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quinta-feira, 21.09.17

Remake

Muitas alterações esta noite, mas infelizmente quase o mesmo resultado dos últimos jogos. Apesar de se notar vontade em alguns jogadores, a qualidade da exibição voltou a deixar a desejar e a vitória voltou a fugir-nos, no remake de um filme a que temos assistido ultimamente.

 

 

Para além das muitas trocas no onze inicial, uma alteração táctica: talvez pela primeira vez desde que o Rui Vitória é o nosso treinador, a equipa alinhou numa disposição táctica mais próxima do 4-3-3, com um trio do meio campo formado por Samaris, Filipe Augusto e Krovinovic, e um ataque com Rafa, Jiménez e Gabriel Barbosa, este último a jogar sobre a direita. Na defesa regressaram o Jardel e o eliseu por troca com o Luisão e o Grimaldo, e a baliza ficou entregue ao Júlio César. O filme do jogo não foi muito diferente daquilo que tem acontecido nos últimos tempos. O Benfica nem entrou mal, e chegou relativamente cedo à vantagem, na sequência de um livre lateral, sobre a direita do nosso ataque. A bola foi ter com a cabeça do Jardel no poste mais distante, que a enviou para o centro e o alívio da defesa do Braga fê-la cair à entrada da área, onde o Jiménez rematou de primeira para o golo. Só que depois do golo, mais uma vez, ficou-se com a sensação de que a equipa se foi encostando ao resultado e revelou no geral alguma passividade. O Braga foi subindo no terreno e entretanto devem ter reparado que uma boa táctica era simplesmente deixarem-se cair de cada vez que disputavam uma bola com um jogador do Benfica, porque a certa altura fomos submetidos a uma autêntica barragem de livres perigosos nas imediações da nossa área. Mas a verdade é que em jogo jogado o Braga passou a ter mais bola, e embora o Benfica ainda conseguisse esporadicamente criar perigo junto da baliza adversária, parecia ser mais provável o golo do empate - a melhor ocasião para isso acontecer, no entanto, surgiu num lance que me pareceu claramente irregular, por fora-de-jogo de dois jogadores do Braga após (mais) um livre, mas incrivelmente o lance não foi interrompido.

 

 

Na segunda parte pouco mudou. O jogo pareceu-me ficar progressivamente mais partido e comecei a temer a repetição dos últimos jogos, até porque não estávamos a criar grandes ocasiões para marcar o golo da tranquilidade - apenas me recordo de uma boa ocasião, que foi interrompida devido a um fora-de-jogo (mal) assinalado ao Gabriel Barbosa. E o golo do empate inevitavelmente apareceu. Com tantos livres e cantos ao longo do jogo até seria de estranhar que não acabássemos por cometer um erro, e foi isso mesmo que aconteceu. No seguimento de um canto, de alguma forma conseguimos deixar que um dos centrais adversários aparecesse completamente à vontade para cabecear quase à entrada da pequena área - uma incompreensível falha de marcação que nos saiu bem cara. Depois do empate, foi o habitual correr atrás do resultado. Foi necessário lançar o Jonas e o Pizzi, e nos minutos até final o Benfica conseguiu atacar mais e ser mais perigoso do que em todo o tempo decorrido entre o nosso golo e o golo do empate. Infelizmente a inspiração na altura de finalizar não foi muita - o Zivkovic, por exemplo, tem um par de situações em que tem espaço e tempo na esquerda e os passes saem-lhe horrivelmente maus, e mesmo sobre o final, quando isso não aconteceu, foi uma enorme defesa do guarda-redes do Braga a negar um grande golo ao Jonas.

 

Com este empate desperdiçámos a oportunidade para nos colocarmos já em vantagem sobre aquele que deverá ser o nosso principal adversário no apuramento para a fase seguinte desta competição. É o terceiro mau resultado seguido, e o quarto jogo que não ganhamos nos últimos cinco (e o que ganhámos foi com extrema dificuldade). O mau momento é uma realidade e urge dar a volta a esta situação o quanto antes, sob pena de ficarmos desde já irremediavelmente afastados dos principais objectivos para esta época. E para isso é necessário jogarmos muito mais e uma atitude competitiva diferente. Custa compreender que, nos últimos três jogos, tendo estado sempre em vantagem, tenha parecido que nos deixámos sempre adormecer à sombra dessa mesma vantagem e tenhamos acabado por permitir a recuperação aos nossos adversários.

tags:
por D`Arcy às 02:14 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Sábado, 16.09.17

Miserável

De regresso de férias voltei a ver um jogo do Benfica, e mais valia não o ter feito. Uma exibição simplesmente miserável perante uma equipa que eu considero ser das piores do nosso campeonato, e uma consequente inaceitável derrota. 

 

 

Nem sequer conseguimos tirar partido de um golo madrugador que nos colocou em vantagem logo aos sete minutos de jogo para conquistar os três pontos que eram uma exigência absoluta. Agora que o jogo terminou até pode ser difícil de acreditar nisto, mas garanto que quando saímos para intervalo, face ao que tinha visto durante a primeira parte, disse para mim mesmo que seria muito difícil vencermos o jogo e que o mais provável seria mesmo uma derrota. Não é que a primeira parte tivesse sido um desastre absoluto (isso estava reservado para a segunda), porque até criámos mais uma ou outra ocasião para marcar, enquanto que o Boavista foi inofensivo. Mas com o resultado a manter-se na diferença mínima, e dada a insegurança da nossa defesa (hoje com a novidade do Rúben Dias no lugar do Lisandro) nos últimos jogos, as perspectivas não eram as melhores. E uma segunda parte simplesmente desastrosa confirmou isso mesmo. Neste momento uma equipa que jogue contra nós necessita de três ou quatro situações para nos marcar dois golos, e assim que o Boavista chegou ao empate tudo começou a ruir. O empate surge num lance digno de futebol dos distritais, em que uma molhada de jogadores do Benfica, a defender um lançamento de linha lateral, se comporta como se fossem os Keystone Cops (há sempre o Google para quem não perceber a referência) e é incapaz de afastar a bola, ficando depois a assistir enquanto um jogador adversário passa a direito pelo meio de todos eles e remata cruzado para o golo. 

 

Depois disto o Benfica apenas criou real perigo numa ocasião, através de um remate do Jonas. E se o primeiro golo sofrido já tinha sido ridículo, o que dizer do segundo? Um livre directo marcado a uma boa distância da baliza, com a bola a seguir direita às mãos do Varela, que de alguma forma consegue colocá-las de forma a que a bola batesse nelas e seguisse para dentro da baliza. Um frango daqueles que vai figurar em todas as compilações de lances anedóticos que se fazem no final das épocas. A partir daqui então foi o desnorte total, que aparentemente afectou também o banco. O Pizzi anda em sub-rendimento desde que se lesionou, e com isso sofre a equipa e a sua capacidade para construir lances de perigo. Em desvantagem, o nosso treinador teve a reacção de pânico habitual nestas situações em que se começa a lançar avançados para dentro do campo. O problema é que não basta tê-los lá; é necessário servi-los em condições. E certamente que retirar do campo um dos criativos da equipa (Zivkovic) não ajudará em nada a alcançar esse objectivo - para mim esta opção, embora já a antecipasse, foi muito difícil de aceitar. O que eu vi foram praticamente zero ocasiões de golo criadas desde que o Boavista se colocou em vantagem, porque passámos a jogar aos repelões e quase sem explorar as alas (o Grimaldo era o único que ainda ia fazendo um esforço, porque até o Rafa, que ao início até estava a conseguir furar pela direita, agora aparecia quase sempre no meio). Perdemos, naturalmente, e desconfio que se neste momento o jogo ainda não tivesse acabado ainda por lá andaríamos sem sucesso a tentar marcar um golo.

 

De uma forma objectiva: perdemos, durante o defeso, três jogadores de altíssimo nível. O Ederson concedo sem discussão que é insubstituível, mas se era impossível arranjar de imediato um guarda-redes do mesmo nível, impunha-se pelo menos encontrar uma opção que nos garantisse mais tranqulidade, sobretudo se o Júlio César não está em boas condições. Já na defesa, e como o afirmei na altura, parece-me que o Jardel e o André Almeida, obviamente não sendo a mesma coisa, conseguem pelo menos no imediato fazer as posições sem demasiados sobressaltos. O problema é que depois não há mais opções. Ainda por cima se ficamos sem o Fejsa, que quando joga vai tapando buracos e disfarçando algumas lacunas na defesa. O Filipe Augusto, lamento ter que estar a reafirmá-lo, não é para mim uma opção válida ao Fejsa (para mim nem teria lugar no plantel, e vou continuar a dizer que para isto preferia o Pêpê que foi emprestado ao Estoril). Não me parece que seja coincidência que assim que o Fejsa e o Jardel se lesionaram (situação agravada por uma lesão do Pizzi da qual ele parece ter regressado a jogar a um nível manifestamente inferior ao que apresentou no arranque da época) o rendimento da equipa tenha caído a pique. 

 

A equipa de futebol do Benfica atravessa nesta altura, no que diz respeito à qualidade de jogo, uma situação que me parece apenas comparável à que vimos no arranque da era Rui Vitória (este resultado terá equivalência à derrota que na altura sofremos contra o Arouca, com a agravante de não nos podermos sequer tentar justificar com graves erros de arbitragem). Na altura, depois de muito sofrimento, apenas a conseguimos ultrapassar com muita união e foco nos objectivos. É a isto que nós benfiquistas temos que apelar agora.

tags:
por D`Arcy às 21:08 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Domingo, 27.08.17

Pobre

O empate acabou por ser um mal menor no final de um jogo pobre da nossa equipa. Valeu a nossa reacção ao golo sofrido, já que só depois de nos termos visto em situação de desvantagem conseguimos subir um pouco a nossa produção ofensiva. O que até poderia ter acabado por nos dar a vitória, mas a verdade é que face ao que jogámos, em especial na primeira parte, se isso acontecesse seria um caso evidente de 'melhor o resultado do que a exibição'.

 

 

Uma alteração forçada no onze titular, Rafa por Salvio, não justifica a fraquíssima produção da equipa na primeira parte. Levámos a lição muito mal estudada sobre este adversário, que jogando com uma agressividade muito superior à nossa na disputa das bolas e uma linha de pressão alta pareceu surpreender-nos. Na zona do meio campo então fomos superados em toda a linha, com o Pizzi e o Filipe Augusto completamente perdidos no mar de camisolas do Rio Ave que por ali apareciam - e com o último a fazer-me esquecer as boas indicações que tinha deixado no jogo contra o Belenenses e a deixar-me com saudades do Fejsa (eu não sou fã do brasileiro, já o disse várias vezes, e por isso acrescento ainda que depois do que vi hoje acho que o próprio Pelé seria mais útil no plantel, pelo menos para aquela posição). Com vinte minutos de jogo decorridos eu não tinha ainda visto um único remate da parte do Benfica, e jogadas de ataque poucas mais seriam. Com o Pizzi literalmente asfixiado a melhor hipótese seria o Jonas assumir as funções de criativo, mas até mesmo ele teve uma noite bastante desinspirada e tomou quase sempre as piores opções. Os passes, quando saíam, eram quase sempre tarde e apanhavam os nossos jogadores em posição irregular. Da parte do Rio Ave, não havendo um propriamente um assalto à nossa baliza, via-se muito maior certeza no ataque, com jogadas a envolver vários jogadores, e não fosse a inépcia do avançado deles (Guedes) poderíamos ter-nos visto em desvantagem mais cedo. Ainda na primeira parte tivemos o contratempo da lesão do Jardel, obrigando à entrada do Lisandro. De uma forma resumida, a primeira parte do Benfica foi mais ou menos uma constante falta de espaço e tempo para pensar e jogar devido ao mérito do Rio Ave em asfixiar-nos.

 

 

Pior do que a primeira parte era difícil, pelo que assistimos a uma ligeira melhoria na segunda. Conseguimos equilibrar a posse de bola (embora pareça difícil de acreditar, esta era favorável ao Rio Ave na primeira parte) e jogar um pouco mais subidos no terreno, mas era ainda pouco para aquilo que se exigia. O Rio Ave voltou a falhar o golo devido à inépcia do Guedes, que em posição privilegiada cabeceou para fora, mas pouco depois ele acabou por estar envolvido no golo. O Varela largou para a frente uma bola disputada com ele, e apareceu o inevitável Lisandro com a destreza do costume a enviar a bola para dentro da própria baliza. Estávamos a meia hora do final mas confesso que face ao que tinha visto até então pensei que já seria muito difícil evitarmos a derrota. Mas a nossa equipa reagiu ao golo e tornou-se mais perigosa no ataque, tendo ainda a felicidade de chegar ao empate poucos minutos depois, num penálti convertido pelo Jonas, assinalado por falta sobre ele mesmo. Ainda tínhamos metade da segunda parte para tentar chegar à vitória e acabámos por criar ocasiões para isso. Mas nessa altura o Cássio evidenciou-se, conseguindo negar o golo em pelo menos três ocasiões flagrantes, ao Rafa, Seferovic e Jiménez. Mas se é verdade que podemos estar agora a lamentar essas ocasiões perdidas, temos também que lamentar o pobre futebol que apresentámos durante dois terços do jogo devido à incapacidade de contrariar os argumentos que o Rio Ave colocou em campo. Esse foi um dos factores determinantes para estes dois pontos perdidos.

 

 

Não tenho grandes destaques a fazer na nossa equipa. A mediocridade a todos afectou e não houve quem possa estar particularmente satisfeito com a sua exibição. Na defesa quando muito o Luisão terá sido quem melhor se safou, e o Zivkovic entrou relativamente bem no jogo, mas não me consigo mesmo lembrar de mais ninguém.

 

Foram os primeiros pontos perdidos da época, e espero que sirvam de aviso para o resto da mesma. Primeiras partes como aquela a que assistimos hoje  normalmente até têm consequências ainda mais graves. Estivemos irreconhecíveis durante grande parte do jogo e naturalmente pagámos o preço disso.

 

P.S.- Não escreverei nada sobre os próximos dois jogos que disputaremos. Não é nenhuma medida de protesto; simplesmente estarei ausente e duvido que consiga sequer vê-los.

tags:
por D`Arcy às 02:31 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Domingo, 20.08.17

Passeio

Creio que se começar este texto a dizer que a vitória por cinco golos sem resposta frente ao Belenenses foi um resultado que peca por escasso, isso será suficiente para dar uma imagem bastante concreta daquilo que foi a produção ofensiva do Benfica neste jogo. É que para além das cinco bolas que entraram, enviámos quatro bolas aos ferros e tivemos ainda mais uma mão cheia de oportunidades flagrantes que não concretizámos. Foi um passeio do Benfica frente ao Belenenses, que poderia ter acabado com um resultado histórico.

 

 

Já o escrevi anteriormente: o onze inicial do Benfica nesta fase inicial da época é bastante fácil de prever, sendo as únicas alterações provocadas por indisponibilidade de algum jogador. Desta vez foi o Fejsa, e também previsivelmente foi o Filipe Augusto quem ocupou a sua vaga. O treinador do nosso adversário tentou durante a semana fazer bluff e andou a dizer que não se apresentaria na Luz a jogar com o esquema táctico de três centrais que tinha utilizado nas jornadas iniciais. Mas acabou por não mudar nada; os três centrais mantiveram-se e qualquer eventual vantagem que pretendesse retirar do bluff esfumou-se rapidamente. É que com pouco mais de um minuto decorrido já festejávamos um golo do Jonas, que aproveitou um livre lateral do Pizzi (resultado de uma recuperação de bola do Salvio em zona adiantada) para fugir à marcação e cabecear sem oposição. E assim começámos logo a eliminar da equação deste jogo o factor antijogo que seria mais do que previsível numa equipa treinada pelo Domingos a jogar na Luz. O golo madrugador talvez fizesse antever uma cavalgada desenfreada do Benfica nos minutos seguintes, mas não foi isso que aconteceu. Esses minutos foram, aliás, o período em que o jogo esteve mais equilibrado, sem muitas ocasiões de golo de parte a parte - o Belenenses até teve aquela que terá sido a sua melhor situação em toda a partida, num remate forte à figura do Varela. Mas a partir dos vinte e cinco minutos o Benfica voltou a acelerar o ritmo e a fazer a bola chegar à frente de forma muito rápida, e a balança ficou definitivamente desequilibrada. O segundo e terceiro golos chegaram rapidamente, separados por cinco minutos, com o primeiro deles a surgir aos vinte e oito num grande remate de fora da área do Salvio, na sequência de um pontapé de canto que só não tinha acabado logo em golo porque o guarda-redes fez uma defesa quase impossível ao cabeceamento do Luisão, tendo depois o Belenenses sido incapaz de afastar a bola das imediações da área até que um toque do Filipe Augusto a deixou nos pés do argentino. O terceiro foi uma jogada do mais simples que podia haver: balão do Luisão para a zona do círculo central, toque de cabeça do Jonas para as costas da defesa e o Seferovic a correr quase meio campo isolado para finalizar com frieza. Ainda antes do intervalo, toda a gente de mãos na cabeça por ver aquele que seria um dos golos da época a fugir por tão pouco: o Jonas recupera a bola no círculo central, levanta a cabeça e remata dali mesmo em balão, fazendo a bola passar sobre o guarda-redes, bater na relva, e ir caprichosamente embater na trave da baliza. Num jogo com cinco golos, o facto deste ser provavelmente o lance de que quase todos falarão e se irão lembrar deste jogo diz muito sobre a qualidade e espectacularidade do mesmo.

 

 

Com o jogo resolvido ao intervalo, na segunda parte o Benfica tomou a decisão óbvia de baixar o ritmo do mesmo e privilegiar posses de bola mais prolongadas. O jogo em geral pareceu tornar-se um pouco mais monótono, mas mesmo sem forçar muito, sempre que o talento dos nossos jogadores aparecia as situações de golo eram uma consequência imediata. O Luisão acertou no poste, o Seferovic atirou ao lado depois de um grande passe do Filipe Augusto o deixar isolado, o cruzamento do Cervi saiu demasiado chegado à baliza e depois da bola sobrevoar o guarda-redes foi bater no poste, O Jardel cabeceou ao lado depois de um grande trabalho do Pizzi na direita, e assim por diante. Quando o jogo parecia estar mais monótono, de repente aparecia mais uma ocasião de golo. A meio desta segunda parte trocámos o Seferovic pelo Jiménez, e o mexicano veio animar um pouco mais as coisas no ataque, já que entrou com grande vontade de mostrar serviço. Por esta altura, mesmo com a vantagem confortável no marcador, o resultado já me parecia frustrantemente escasso para tanta ocasião, e o Jiménez continuou a aumentar a contabilidade dos golos por marcar. A cinco minutos do final trabalhou bem, fugiu à marcação mas acabou por rematar quase à figura do guarda-redes. Três minutos depois surgiu solto pela direita e rematou cruzado com estrondo ao poste. Aos noventa optou, e muito bem, pelo passe para o Jonas, que controlou a bola no peito e rematou de primeira de pé esquerdo, fazendo a bola entrar junto ao ângulo superior da baliza. Mais um golo fantástico daquele que é o melhor jogador da nossa liga desde que chegou ao Benfica. E ainda nos descontos deu para ampliar o resultado em novo lance com intervenção do Jiménez, que desmarcou o Pizzi pela direita para este fazer uma assistência que permitiu ao Jonas marcar um golo fácil, limitando-se a empurrar a bola já dentro da pequena área. Um resultado mais ajustado ao que se passou em jogo em mais uma noite fantástica na Luz. A parte negativa deste jogo foram as saídas do André Almeida e do Salvio por problemas físicos. Esperemos que sejam apenas situações pontuais e nada de mais grave.

 

 

O Jonas é o inevitável homem do jogo, com um hat trick e uma assistência. E ainda aquele lance que ficará na memória de todos. Já não há muitos mais elogios que lhe possamos fazer. E nesta fase pode-se dizer o mesmo do Pizzi, que continua em cada jogo a mostrar toda a sua qualidade e classe. De uma forma geral não tenho nada a apontar a qualquer um dos jogadores. Todos estiveram num nível bastante bom, e até mesmo o Filipe Augusto (de quem eu já afirmei diversas vezes não ser particular admirador) fez o seu melhor jogo pelo Benfica. Mas quero mencionar os nossos dois extremos, Salvio e Cervi, que na minha opinião foram também dos principais responsáveis pela excelente produção da equipa.

 

Foi mais um jogo na linha daquilo que a equipa tem vindo a produzir desde que a época teve início. Uma equipa com perfeito controlo dos ritmos e momentos do jogo, a exibir uma excelente condição física - dois golos nos instantes finais a mostrarem que conseguem manter o ritmo elevado durante os noventa minutos - e com uma união muito grande dentro do campo. Talvez estes quatro jogos tenham permitido acabar com muito do cepticismo em redor daquilo que podemos alcançar esta época. Temos uma base estável e um processo de jogo bem estabelecido, e desde que consigamos trabalhar sobre isso em vez de destruir o que temos o sucesso é uma consequência quase inevitável.

tags:
por D`Arcy às 21:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 15.08.17

Perseverança

Uma vitória alcançada no último suspiro de um jogo muito complicado, mas que se deve sobretudo à perseverança com que o Benfica a perseguiu e continuou sempre em busca da felicidade. Mesmo perante um adversário que à medida que o tempo corria se ia fechando cada vez mais na defesa de um ponto, o Benfica lutou literalmente até ao último segundo pela vitória e foi justamente recompensado pelo esforço.

 

 

Apesar de estarmos no início da época, nesta altura já conseguimos prever facilmente qual é o onze base do Benfica. Benefícios da estabilidade. Jogaram exactamente os mesmos que tinham defrontado o Braga, e provavelmente apenas o Grimaldo e o Júlio César, quando recuperados, entrarão na equipa. A primeira parte correspondeu às dificuldades que se esperavam à partida neste jogo. O domínio foi muito repartido, sem que o Benfica fosse capaz de impor a pressão alta que tinha dado tão bons resultados nos dois primeiros jogos, e consequentemente sem conseguirmos estabelecer um domínio territorial claro. A posse de bola foi dividida, mas numa coisa levámos vantagem: é que com a bola conseguimos ser sempre bastante mais perigosos no ataque do que o Chaves. Enquanto que o nosso adversário praticamente não criou uma ocasião clara de golo, o mesmo não se pode dizer de nós. O Salvio foi o nosso jogador mais perigoso e foi dos pés dele que saíram quase sempre as melhores ocasiões para marcar, mas a finalização voltou a não ser a melhor e quando não era esse o caso aparecia o guarda-redes Ricardo ou o defesa central Nuno André Coelho a negar o golo no limite (fizeram ambos um grande jogo). No Benfica pareceu-me que vimos pouco Jonas e Pizzi, o que obviamente afecta muito a nossa produção ofensiva, e o Seferovic jogou quase à Jiménez: participativo no jogo da equipa mas a maior parte do tempo longe das zonas de finalização. Numa das raras ocasiões em que vimos uma jogada típica dele, onde se desmarcou nas costas da defesa e correu para a baliza, apareceu o inevitável Nuno André Coelho com um corte providencial a evitar que o remate acabasse em golo. O empate ao intervalo era preocupante porque o jogo estava partido e nós já tínhamos desperdiçado daquelas ocasiões que normalmente se costumam lamentar no final de jogos assim.

 

 

Mas o preço de dividir um jogo com o Benfica e acompanhar o nosso ritmo é alto, e na segunda parte depressa se começou a ver o Chaves a ter que o pagar. Se nos primeiros minutos ainda pareceu que o jogo continuaria dividido e muito partido - duas boas situações para o Benfica, incluindo uma bola ao poste pelo Jonas, e a resposta do Chaves na sua ocasião mais perigosa de todo o jogo, que proporcionou ao Varela uma boa defesa - depressa foi visível a progressiva falta de pernas do Chaves para manter o ritmo, recuando cada vez mais para junto da sua área e acabando por passar a maior parte da segunda parte dedicado exclusivamente a defender o empate. O Pizzi e o Jonas foram aparecendo cada vez mais, o jogo pelas alas também, com o Cervi em destaque, e a pressão foi-se intensificando. Mas a floresta de pernas em frente à baliza do Chaves e o acerto que se mantinha das duas unidades que já referi pareciam ser capazes de ir evitando o nosso golo. O Benfica fez um alteração a vinte minutos do final que até nem pareceu muito lógica, trocando o Cervi pelo Rafa - e não me pareceu muito lógica porque, conforme disse, o Cervi estava a ser um dos jogadores em destaque na segunda parte - e dez minutos depois fez uma aposta ainda mais deliberada no ataque total com a entrada de um terceiro avançado (Jiménez) por troca com o Salvio, passando o Rafa para a direita. Entre estas duas alterações, uma pausa para descanso que o Chaves bem deve ter agradecido, porque muitos dos seus jogadores já quase não pareciam aguentar-se de pé. Um deles foi o lateral esquerdo Furlán, que depois de um jogo todo a levar com o Salvio e o André Almeida em cima cedeu de vez, e depois de estar dois minutos estendido com cãibras acabou mesmo por ser substituído. E foi precisamente por aquele lado que, em período de descontos e quando já muitos acreditariam que o nulo se manteria até final, surgiu a jogada do golo. A própria jogada parecia já que já não daria em nada: o passe do Pizzi para as costas do lateral foi muito bom, mas o Rafa acabou por fazer o cruzamento em esforço já perto da linha final e nem acertou bem na bola, que saiu rasteira e com pouca força para a zona do primeiro poste. Mas o Seferovic acreditou, antecipou-se ao defesa e com um desvio também sem grande força fez a bola passar entre as pernas do guarda-redes. Game over.

 

 

Na minha opinião o Pizzi voltou a ser um dos melhores. A qualidade de passe e visão de jogo dele está cada vez melhor, e então quando o Chaves recuou para junto da sua área e lhe permitiu ter mais espaço para jogar e pensar abriu o livro. Fez diversos passes a rasgar para as costas da defesa que só não tiveram melhor resultado porque o André Almeida não estava muito virado para os aproveitar, hesitando quase sempre os centésimos de segundo suficientes para já não chegar à bola em condições. O Jonas acordou na segunda parte e foi outro dos responsáveis pelo assalto á baliza do Chaves. Bom jogo dos nossos centrais (pena que não tivessem tido melhor finalização nos lances aéreos na área do Chaves, em particular o Jardel) e do Cervi até ser substituído. O Salvio foi ao mesmo tempo o jogador mais perigoso do Benfica na primeira parte e o mais exasperante também, com mais algumas daquelas jogadas em que se esquece que tem colegas com quem jogar.

 

Na antevisão da Liga já tinha previsto que este seria um dos obstáculos mais complicados par o Benfica na fase inicial da época, e isso confirmou-se. Mas com uma atitude competitiva louvável conquistámos os três pontos e superámos mais este desafio, com a equipa a exibir uma saúde física impressionante tendo em conta o alto ritmo mantido durante os noventa minutos - e isto foi, sem dúvida, uma das chaves para o sucesso, pois foi evidente a incapacidade do nosso adversário para nos acompanhar. Vontade de vencer é o que não falta aos nossos jogadores, e não foi o tetracampeonato que os tornou sobranceiros. É com jogos e vitórias como esta que poderemos sonhar com a conquista de um inédito penta.

 

P.S.- O fantástico vídeo-árbitro, herói da 'verdade desportiva', não foi suficiente para evitar que ficassem dois penáltis por marcar a favor do Benfica. Em relação a um deles, acho particularmente cómico assistir aos números de contorcionismo da chusma de avençados e cartilheiros para justificar que não senhor, aquilo é um 'choque normal entre dois jogadores que disputam a bola' e completamente diferente do lance do holandês mergulhador que permitiu aos crónicos campeões da pré-época e vencedores antecipados de todos os campeonatos sacar três pontos do jogo com o Setúbal. Quanto ao outro, a mesma chusma considera que 'era um lance impossível para o árbitro ver'. Pois, eu pensava que era precisamente para lances desses que existia um vídeo-árbitro...

por D`Arcy às 20:40 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quinta-feira, 10.08.17

Repetição

Depois de termos ultrapassado o Vitória na Supertaça, repetimos a dose frente aos seus vizinhos e rivais minhotos. E 'repetição' é mesmo uma boa forma de descrever o jogo desta noite, que teve um resultado e uma evolução do marcador igual, mas onde apesar de não termos conseguido fases prolongadas de domínio territorial tão flagrante como no jogo anterior, saí do estádio com a sensação de que a vitória foi mais fácil de conquistar.

 

 

O onze foi quase o mesmo da Supertaça, apenas com a troca forçada do Grimaldo pelo Eliseu. Esperava que o Benfica aplicasse a mesma fórmula de pressão em todo campo que tão bem tinha resultado na Supertaça, mas por estratégia ou incapacidade isso não aconteceu. O jogo, conforme disse, teve um domínio repartido, com as duas equipas a jogar de forma relativamente aberta e a tentarem chegar ao golo, mas depressa o Benfica começou a parecer mais perigoso e capaz de marcar primeiro. O que aconteceu aos quinze minutos, numa boa combinação entre os dois avançados que acabou com o Seferovic a concretizar ao segundo poste um cruzamento largo do Jonas. Depois de aberto o marcador, o domínio do Benfica intensificou-se, e depois de uma série de ocasiões em catadupa (Seferovic, Jonas, Salvio) o segundo golo apareceu com toda a naturalidade. Livre despejado de muito longe pelo Pizzi para a área e alívio de cabeça disparatado do Raúl Silva, que fez a bola subir e cair perto do limite da mesma. Onde estava o Jonas à espera dela para rematar de primeira sem a deixar cair, levando-a a entrar bem junto do poste. Este lance deu-me um pequeno prazer adicional, que foi o facto do disparate ter sido cometido por um de dois jogadores na equipa do Braga por quem nutro uma particular antipatia (o outro é o Jefferson). Depois foi a repetição do jogo com o Vitória, com o Benfica a continuar a dominar o jogo perante um Braga quase inofensivo e que quase só conseguia aproximar-se da nossa baliza quando aproveitava algum livre para despejar a bola para essa zona. E quando tudo indicava que o terceiro golo era o cenário mais provável, com o Salvio a assumir o mesmo destaque na vertente do desperdício, o Braga é que acabou por reduzir contra a corrente do jogo quase em cima do intervalo. Um lance em que me pareceu haver demasiada passividade por parte do Eliseu e, sobretudo, do Jardel, que permitiu que o Hassan lhe fugisse nas costas para depois finalizar bem já com um ângulo muito apertado. Nos instantes antes do intervalo, o Benfica ainda conseguiu criar mais uma boa ocasião, mas mais uma vez o Salvio não conseguiu finalizá-la da melhor forma.

 

 

Para evitar os sobressaltos do jogo anterior, o melhor seria mesmo marcar o terceiro golo nos primeiros minutos da segunda parte, e foi isso que o Benfica tentou fazer. O Braga não conseguia criar muitas situações de perigo, mas quando lá foi conseguiu assustar, porque fez mesmo a bola entrar na nossa baliza mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. Praticamente na resposta a esse lance, o Benfica chegou ao golo. Passe do Jonas para a desmarcação no Cervi pela esquerda, o cruzamento deste foi desviado por um defesa do Braga para a própria baliza, mas em cima da linha ainda apareceu o Salvio para confirmar. Estavam decorridos doze minutos, e por isso cumprimos o exigível para evitar sobressaltos. A partir daqui o vencedor do jogo ficou na prática decidido, mas não o resultado, porque o Benfica continuou a carregar e a mostrar que o quarto golo era uma probabilidade muito grande. Não aconteceu, umas vezes por mérito do guarda-redes do Braga, outras por falta de pontaria nossa, mas fica na retina a forma como a nossa equipa não descansou sobre o resultado e continuou sempre a tentar oferecer ao público que quase lotou a Luz mais explosões de alegria. O Braga por sua vez foi quase inexistente no ataque, mas quando foi à frente voltou a introduzir a bola na nossa baliza, com o lance a ser mais uma vez invalidado por fora-de-jogo. Nos minutos finais a substituição do costume para consolidar o meio-campo, com a troca do Salvio pelo Filipe Augusto, e uma pequena prenda mesmo a acabar para o Diogo Gonçalves, permitindo-lhe a estreia oficial na equipa principal do Benfica.

 

 

O Seferovic é um dos destaques deste jogo. Remate muito fácil e pronto com os dois pés, boa capacidade de desmarcação e muito lutador. Marcou na estreia oficial, voltou a marcar na estreia na Luz, e se continuar neste registo irá de certeza marcar muitos mais esta época. Jonas, sempre e obviamente. Um golo, uma assistência, e o passe decisivo para o Cervi no lance do terceiro golo. Antes de marcarmos o primeiro golo dizia para mim mesmo que o Jonas estava muito escondido do jogo. Assim que apareceu, ofereceu o golo ao Seferovic. Também inevitável destacar o Pizzi. É o cérebro da equipa e quase todo o jogo ofensivo passa pelos seus pés numa ou noutra fase. O Fejsa foi a regularidade do costume. Gostaria também de destacar o André Almeida. Não tem obviamente a técnica ou a velocidade do Nélson Semedo, mas é um pêndulo. Está completamente identificado com o futebol da equipa, sabe perfeitamente como e quando se integrar nos movimentos ofensivos ou defensivos e hoje exibiu uma confiança que até achei anormal nele, com vários toques e pormenores de classe. O Salvio fez um jogo muito à imagem de vários a que assistimos a época passada, alternando o bom com o disparate, conseguindo um golo que atenua as más decisões que tomou durante o jogo, sobretudo na primeira parte.

 

Dois jogos contra duas das melhores equipas da nossa liga, duas vitórias convincentes. Acho que as notícias da crise do tetracampeão começam a parecer manifestamente exageradas.

tags:
por D`Arcy às 02:37 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Domingo, 06.08.17

Regresso

 

Regresso à nova época exactamente no mesmo registo em que terminámos a anterior: a conquistar mais um troféu, com toda a naturalidade. A exemplo do futebol, também eu decidi fazer um defeso e ignorar completamente a pré-época. À falta de notícias, nos últimos anos passou-se a dar uma importância desmesurada a esta altura da época, e a tentar construir cenários e emitir opiniões quase definitivas sobre o que será toda uma época com base nestes treinos um pouquinho mais puxados. Já não tenho paciência para as opiniões dos 'especialistas' e para as previsões por eles feitas (agora só acredito no Nhaga) e estando ainda por cima vacinado com várias pré-épocas do Benfica classificadas de 'catastróficas' que depois resultaram em finais de época gloriosos, nesta altura opto por já nem sequer me dar ao trabalho de ver os jogos disputados em Julho. São 'jogos-treino', como se costumava chamar-lhes antes, e como tal não me merecem mais importância do que isso mesmo: um treino.

 

Quanto ao jogo desta noite, um mero regresso à normalidade. Sim, o Benfica perdeu três jogadores de valor (ou melhor, não perdeu, vendeu-os por um monte de dinheiro a clubes com maior poderio financeiro e que lhes podem proporcionar condições salariais com as quais não podemos competir) mas, embora ache que o Benfica fará bem em procurar soluções alternativas para essas posições caso a oportunidade apareça, não acho que estejamos em desespero de causa para contratar, porque as soluções imediatas existem dentro de casa e essas não implicarão necessariamente que a equipa abane demasiado. O André Almeida participou em todos os títulos do tetra e foi titular indiscutível no tricampeonato. O Jardel substituiu o Garay e foi também titular indiscutível no bicampeonato e no tricampeonato, perdendo esse estatuto a época passada devido às sucessivas lesões. E o Júlio César foi também o titular nesses dois campeonatos conquistados, perdendo a titularidade na fase final do segundo quando se lesionou e o Ederson agarrou a oportunidade. Não estamos a falar de uns jogadores quaisquer, sem experiência de Benfica, de campeonato nacional ou de serem campeões para que agora estejamos a traçar já cenários de desespero. 

 

Posto isto, o que esperava para esta noite foi o que aconteceu: com o fim das experiências de pré-época e o regresso a um onze mais rotinado, superioridade natural sobre o Vitória e conquista de mais um troféu. Uma entrada de rompante do Benfica, a pressionar o Vitória para junto da sua área, a conseguir por isso mesmo recuperar a maior parte das bolas ainda dentro do meio campo adversário e dois golos de rajada, aos sete pelo Jonas e aos onze pelo estreante Seferovic, a reflectirem essa grande entrada (para além do suíço, as outras 'novidades' no onze foram aqueles que substituíram os jogadores que foram vendidos: Varela na baliza, Jardel e André Almeida). Mesmo com dois golos de vantagem a superioridade do Benfica manteve-se ao longo de praticamente toda a primeira parte, ao ponto de achar que ao intervalo já o resultado do jogo deveria estar longe de qualquer tipo de discussão, tais foram as ocasiões flagrantes para o Benfica ampliar a vantagem. Mas já quase à saída para intervalo o Vitória conseguiu reduzir num golo literalmente caído do céu, porque até então nada tinha feito para o justificar, e assim reentrou na discussão pelo resultado. Na segunda parte o Vitória conseguiu estar melhor do que na primeira e disputou o jogo praticamente de igual para igual com o Benfica, dispondo mesmo de ocasiões para empatar e conseguindo durante certas ocasiões algum domínio territorial que nunca tinha sequer cheirado durante a primeira parte, mas com o Benfica também a dispor de ocasiões para fazer o terceiro e sentenciar de vez o encontro. O que acabou por acontecer a sete minutos do final, num bonito golo do recém-entrado Jiménez, que finalizou com um remate de primeira e em arco um passe do inevitável Pizzi. Pizzi que, diga-se, foi indiscutivelmente o homem do jogo, uma vez mais a mostrar (se por acaso a época anterior ainda não tiver sido prova suficiente disso) o quão fundamental é no futebol do Benfica.

 

Está feito, o Museu Cosme Damião vai ter que arranjar espaço para mais uma taça, e pode ser que pelo menos durante um par de dias possamos descansar e deixar de ouvir falar sobre as catástrofes que nos esperam para esta época, as conquistas que os nossos adversários já praticamente garantiram, e os camiões de jogadores que o Benfica terá obrigatoriamente que contratar se quiser ter a esperança de pelo menos lutar pelo acesso a um lugar europeu. Uma nota final para o vídeo-árbitro (vulgo 'verdade desportiva'), que pela segunda vez não conseguiu cumprir as enormes expectativas em si depositadas pelos nossos adversários, sendo incapaz de impedir que o Benfica conquistasse mais um troféu. Se esta tendência continuar, prevejo uma inversão radical no discurso deles, e uma rápida passagem do vídeo-árbitro de 'verdade desportiva' a vilão da época.

tags:
por D`Arcy às 02:27 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 29.05.17

Triplete

Ao conquistarmos a nossa vigésima sexta Taça de Portugal fechámos da melhor forma possível uma época quase perfeita (só faltou a Taça da Liga para o pleno). Foi também a conquista de um triplete 'à antiga' (Supertaça, Taça e Campeonato), algo que não era conseguido há muitos anos - em 2014 tínhamos conquistado as duas taças e o campeonato, ficando a faltar-nos a Supertaça.

 

 

Foi um jogo algo diferente dos outros que disputámos contra o Vitória esta época, mas que em comum teve a nossa incontestável superioridade. Durante a primeira parte o Vitória ainda manteve o jogo equilibrado, tapando de forma mais eficaz os caminhos pela zona central que tão bem tínhamos explorado no jogo anterior e recorrendo a um futebol musculado que pareceu dar resultados no terreno cada vez mais pesado devido à chuva que caía. Da nossa parte, sofremos também pelo excessivo apagamento do Jonas durante o primeiro tempo, demasiado amarrado na frente - confesso que a uma dada altura cheguei mesmo a ter a dúvida se ele estaria a jogar, porque é muito pouco habitual ver a bola passar-lhe tão poucas vezes pelos pés. A lesão do Fejsa, ocorrida antes do meio da primeira parte, também pareceu afectar um pouco a nossa equipa, já que o Vitória cresceu no jogo após a sua saída. Na segunda parte mudou tudo radicalmente. O Benfica entrou de rompante, o Jonas finalmente apareceu no jogo, e a partir do momento em que a ligação Pizzi-Jonas começa a funcionar os nossos adversários estão em apuros. Foram dois golos de rajada, o primeiro logo aos três minutos, do Jiménez numa recarga a um remate do Jonas (muito boa a forma como conseguiu picar a bola sobre o guarda-redes com ele quase em cima da bola) e cinco minutos depois veio o segundo, num grande cabeceamento do Salvio depois de um cruzamento do Nélson Semedo, a culminar toda uma jogada que começa na nossa área e durante a qual a bola circulou por mais de meia equipa, com dezenas de passes, sem que o adversário a cheirasse. Depois disso o jogo foi um bocado como aqueles dois que fizemos em Guimarães, desperdiçando ocasiões que dariam para construir um resultado bem volumoso. Apesar do nosso terceiro golo estar sempre mais perto de acontecer, foi o Vitória que conseguiu reduzir a doze minutos do final, na sequência de um canto (que tinha resultado de uma grande ocasião de golo, cortada no limite pelo Samaris) e num lance em que me pareceu que o Ederson não ficou isento de culpas. Mas apesar do golo ter lançado alguma incerteza no resultado, no jogo é que não alterou nada. Porque até ao final nem sequer deu para ter alguma preocupação junto da nossa baliza, e pelo contrário, foi o Benfica quem desperdiçou ocasiões flagrantes, pelo Pizzi e pelo Jiménez, de acabar com todas as dúvidas. No final, vitória justíssima e incontestável, mesmo com o o Hugo Miguel a arbitrar (aquela falta que ele inventou ao Samaris no último lance do jogo para dar uma oportunidade ao Vitória para despejar a bola para a área é Hugo Miguel vintage) e o vídeo-árbitro (aquela coisa mágica que vai fazer com que os nossos adversários passem a ganhar sempre) a ajudar.

 

 

Acho que a equipa esteve bem num todo, com jogadores como o Nélson Semedo, o Salvio (teria dado muito jeito que este Salvio não tivesse aparecido só a partir do jogo em Vila do Conde) ou o Pizzi a destacarem-se, na minha opinião.

 

 

E assim fechamos mais uma época brilhante na qual fomos a força dominadora do futebol em Portugal. Isto apesar de um presidente da Liga lá colocado pelos nossos adversários e sem o nosso apoio, de um presidente dos árbitros lá colocado pelos nossos adversários mais uma vez sem o nosso apoio, ou daqueles dados estatísticos a que em épocas anteriores os nossos supostos rivais na luta pelo título se agarram em desespero de causa, como penáltis a favor, ou expulsões de adversários, ou minutos em superioridade numérica mostrarem que ficámos em desvantagem clara em relação a eles. Mas ainda há quem, ignorando completamente aquilo que é a história fascista do seu clube (e do outro clube por quem se voltaram a apaixonar recentemente) consiga ter o desplante de falar em Liga Salazar. Só desejo que mantenham esta mentalidade pequenina durante as próximas épocas, porque é para o lado que eu durmo melhor. O futebol para mim entra agora de férias (conforme já estou farto de escrever, a equipa da FPF não me interessa absolutamente para nada) e ficarei na expectativa para ver se não perdemos muitos dos nossos jogadores mais importantes. Expectativa, mas não preocupação. É que depois de viver uma época destas tendo perdido o Gaitán e o Renato no final da época passada, é difícil sentir grande preocupação com saídas.

tags:
por D`Arcy às 23:51 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Domingo, 21.05.17

Brio

Era um jogo sobretudo para cumprir calendário, mas onde tínhamos o objectivo de fazer efectivamente campeões nacionais os elementos do plantel que ainda não o eram e proporcionar aos nossos adeptos do Norte uma oportunidade para festejarem o Tetra em conjunto com a nossa equipa. E foi agradável ver como uma equipa cheia de segundas escolhas se encheu de brio e decidiu que mesmo que o resultado já para pouco contasse, queria evitar a derrota a todo o custo e proporcionar uma festa ainda mais saborosa a esses adeptos.

 

 

Foi mesmo uma equipa alternativa aquela que entrou em campo no Bessa. Nem um dos jogadores que alinharam de início frente ao Vitória fez parte do onze titular. Três dos jogadores que ainda não eram campeões alinharam de início: Pedro Pereira, Hermes e Kalaica. O resto da equipa: Júlio César, Lisandro, Eliseu, Samaris, Filipe Augusto, André Horta, Zivkovic e Mitroglou. Um pouco surpreendentemente, foi o Hermes quem alinhou mais à frente na esquerda, com o Eliseu na lateral - esperaria o contrário, dado que o Eliseu tem experiência a jogar mais adiantado. A equipa que alinhou mostrou naturais problemas de entrosamento, em particular na defesa, onde ficávamos frequentemente expostos nas bolas metidas para as suas costas. Foi aliás assim que o Boavista chegou ao primeiro golo. No ataque as coisas também não eram melhores. Mais posse de bola do que o Boavista, mas muita incapacidade para criar perigo - não sei se chegámos sequer a fazer um remate durante toda a primeira parte. Ao intervalo saiu o Hermes, que se tinha mostrado completamente inadaptado à posição onde alinhou, e entrou o Rafa. O Benfica reentrou mais perigoso, mas foi o Boavista quem voltou a marcar, aproveitando um erro precisamente do Rafa. Mas uma bola para as costas da defesa e um remate cruzado para o poste mais distante. Com a troca do Filipe Augusto pelo Jiménez a equipa melhorou consideravelmente, não só pela acção do mexicano mas também com o recuo do André Horta para a posição oito. A diferença no marcador foi reduzida aos setenta e um minutos, num contra-ataque bem conduzido pelo Rafa (o toque do Jiménez, a amortecer a bola para ele no início da jogada é muito bom também) com um passe na altura exacta que deixou o Mitroglou na cara do guarda-redes, e já sabemos que nestas situações o grego raramente perdoa. O Benfica então carregou até final em busca do empate e esteve muito perto de o conseguir naquele que seria um grande golo do Rafa, mas o remate cruzado de trivela passou a centímetros do poste. De assinalar que, apesar de ser visível a vontade de não perder este jogo, sobrepôs-se o espírito de grupo do plantel: mesmo a perder, a última substituição foi mesmo para fazer entrar o Paulo Lopes, que ainda entrou a tempo de duas boas intervenções. A recompensa chegou ao minuto noventa: canto apontado pelo Zivkovic na esquerda do nosso ataque, e o Kalaica subiu mais alto que toda a gente para cabecear ao ângulo da baliza, com a bola a bater nos ferros e depois já para lá da linha. Explosão de alegria com toda a equipa e público a festejar o golo na estreia do nosso jovem central, e uma forma perfeita de fazer a festa.

 

 

Apesar da exibição não ter sido brilhante, louve-se a atitude da equipa e a vontade de evitar que a festa do Tetra ficasse manchada por uma derrota. Alguns dos jogadores aproveitaram esta oportunidade que lhes foi concedida, outros nem tanto. O Kalaica, mesmo sem o golo, já seria um dos que eu consideraria que tinha aproveitado. Mas a exibição dele não terá sido grande surpresa para quem já vinha acompanhando os seus jogos na equipa B ou na UEFA Youth League. Em contraste, o muito mais experiente Lisandro fez uma exibição bastante sofrível. Quanto aos outros estreantes, o Pedro Pereira cumpriu os mínimos, mas achei que esteve demasiado retraído. Um lateral do Benfica tem que participar muito mais nas acções ofensivas da equipa, e por diversas vezes vi os colegas fazerem passes para aquela zona à espera que o lateral entrasse, e a bola acabar por não encontrar ninguém. O Hermes não fez nada digno de realce, mas dou-lhe o desconto de estar a jogar numa posição onde provavelmente nunca terá jogado. O André Horta e o Samaris estiveram num bom nível, e o Rafa, pese o erro que deu o segundo golo do Boavista, mexeu bastante com o nosso jogo.

 

 

Em condições normais um empate com o Boavista não seria um bom resultado. Mas no cenário particular deste jogo, acaba por ser um resultado satisfatório, particularmente depois de termos anulado uma desvantagem de dois golos. Agora é altura de parar com os festejos e centrar as atenções na final da taça. Uma dobradinha fecharia a época em beleza.

tags:
por D`Arcy às 22:08 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 14.05.17

Tetra

É pouco importante escrever sobre um jogo quando o que mais importa, e aquilo que fica para a história, é a consequência do seu resultado: a conquista de um inédito tetracampeonato que tantas vezes já nos tinha escapado. Um pensamento que não me deixa a cabeça desde que esta conquista se tornou possível é o do quão privilegiados somos. O nosso Benfica tem 113 anos de uma história gloriosa e incomparável neste país, recheada de conquistas e feitos inigualáveis. Milhões de pessoas já passaram pelo nosso clube, já dedicaram todas as suas vidas a sofrer e a apoiá-lo, mas nós temos a sorte o privilégio de cá estarmos para viver este momento.

 

 

O Tetra não surge por acaso. É o resultado de um trabalho que começou há dezassete anos, quando foi necessário começar a reconstruir quase do zero toda a estrutura de um clube que tinha sido delapidada, negligenciada e mal gerida durante anos. E a partir do momento em que o nosso clube está organizado, as vitórias passam a ser quase uma consequência inevitável, porque a nossa dimensão é incomparável e nenhum dos nossos adversários mais directos pode sequer sonhar em se lhe comparar. E é isso que lhes dói mais. Porque mesmo que se juntem os dois numa união de facto, a dimensão e força dessa união continua a ser inferior à nossa. Neste momento a sensação (muito confortável, diga-se) que tenho é a de que a organização do futebol profissional do Benfica é o factor determinante nas conquistas do clube, e não estamos dependentes ou reféns de individualidades, sejam elas treinadores ou jogadores. Se de hoje para amanhã trocarmos de treinador, ou vendermos algum jogador importante, no dia seguinte continuarei a sentir a mesma confiança na capacidade para lutarmos por títulos (mas se quiserem assinar um contrato vitalício com o Fejsa, eu apoiarei entusiasticamente a decisão).

 

Quanto ao jogo do tetra propriamente dito, foi aquilo que todos sonhamos que seja. Resolver cedo, evitar qualquer tipo de preocupações, e depois passar a maior parte do jogo em clima de festa, contribuindo para ela com uma goleada. Apesar do grande respeito que tenho pela equipa do Vitória, a forma como os dominámos completamente esta época nos dois jogos que disputámos em casa deles, quando toda a gente antecipava complicações, dava-me confiança para este jogo. O Vitória foi fiel aos seus princípios de jogo e tentou jogar de igual para igual com o Benfica, voltando a pagar caro o atrevimento. Revelaram-se sobretudo particularmente vulneráveis pelo centro, e contra o Benfica isso é o pior que pode acontecer. A forma como o Benfica entrava pelo centro da defesa e construía ocasiões de golo cedo deixou antever uma goleada. O Cervi abriu as hostilidades logo aos onze minutos, na recarga a um remate do Jonas, e a partir daí foi só ir somando golos e desperdiçando outras tantas ocasiões para o fazer. Quatro minutos depois o segundo apareceu, com o Benfica finalmente a conseguir tirar partido do pontapé longo do Ederson. Num pontapé de baliza conseguiu colocar a bola no Jiménez, e o mexicano acabou por conseguir a dois tempos ultrapassar o guarda-redes e colocar a bola na baliza, a meias com um defesa. Deu para alguma irritação quando o Jonas, por duas vezes, entrou pelo meio e na cara do guarda-redes falhou dois golos cantados, parecendo que estava com vontade de recuperar o título de 'pior avançado do mundo' que em tempos teve. Mas depois combinou com o Pizzi (ainda e sempre pelo centro) para que este em frente ao guarda-redes não perdoasse e desse ainda mais tranquilidade. E à beira do intervalo, depois de mais uma recuperação de bola do Fejsa, o Jonas levou toda a gente para o descanso a cantar 'E o Benfica é campeão' ao fazer um chapéu perfeito ao guarda-redes para o quarto golo.

 

A segunda parte, apesar de ser jogada em ambiente de festa, foi de domínio completo do Benfica, de tal forma que foram construídas ocasiões flagrantes suficientes para que, somando-as à desperdiçadas na primeira parte, o resultado final pudesse ter sido o dobro daquele que se registou. Assim de repente lembro-me de um remate do Jiménez ao poste, de um chapéu do Pizzi salvo sobre a linha ou de uma defesa incrível do guarda-redes a mais um remate do Jonas que parecia ter o selo de golo. Isto para não falar em diversas outras ocasiões em que o Benfica conseguia sair rápido para o ataque, entrava pelas alas e colocava três ou quatro homens em posição perigosa, para depois o último passe sair um pouco torto ou ser interceptado no limite por um defesa. Somámos apenas mais um golo ao resultado, um penálti marcado pelo Jonas depois do Cervi ter sido derrubado na área, e parece-me que uma vitória por cinco golos sem resposta acompanhada de uma tamanha demonstração de superioridade face à equipa em melhor forma do campeonato, que seguia com sete vitórias consecutivas, é uma forma perfeita de selar um conquista tão histórica para o nosso clube.

 

Não houve quem jogasse mal hoje, todos os jogadores estão de parabéns e podia elogiá-los um por um. Escolho mencionar três ou quatro, mas podia escolher outros quaisquer. Um é o Fejsa, simplesmente imperial. O primeiro e quarto golos resultam directamente de recuperações de bola dele, no caso do primeiro à entrada da área adversária. Esteve em todo lado, dobrou toda a gente e dominou por completo o meio campo, em boa companhia do Pizzi, que mais uma vez pareceu ter encontrado mais uma réstia de energia para encher o campo, isto quando é o jogador do plantel com mais minutos nas pernas. Confesso que fiquei com pena que o Fejsa não tivesse sido chamado a converter o penálti, porque merecia marcar um golo não só neste jogo, mas no campeonato.  Em face de tudo o que tenho escrito sobre o Salvio nestes últimos meses, é merecido que o destaque hoje. Não tenho dúvidas nenhumas em afirmar que o Salvio fez hoje o melhor jogo da época. Foi absolutamente diabólico e finalmente voltámos a ver o Salvio que conhecemos. Não sei se o banco lhe fez bem e a assistência em Vila do Conde lhe restauraram a confiança, o que interessa é que jogue sempre assim. Uma última menção para o Cervi. Encanta-me. A capacidade técnica aliada ao espírito lutador que tem, não dando uma bola por perdida, é algo raro de se encontrar. Deverá tornar-se uma das grandes figuras da equipa nas épocas que se seguem.

 

Somos Tetracampeões, vamos festejar esta conquista inédita e depois começar a preparar o próximo jogo e a final da taça, porque a época ainda não terminou e a nossa sede de conquistas não desapareceu. A ambição de fazer sempre mais e melhor é o que nos move.

tags:
por D`Arcy às 12:11 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 08.05.17

Atitude

Mais um dificílimo obstáculo ultrapassado e um enorme passo dado no caminho que nos separa de um possível e histórico tetracampeonato. O jogo antevia-se complicado, mas o Benfica encarou-o com atitude de campeão e vontade de dar uma enorme alegria ao mar vermelho que inundou as bancadas em Vila do Conde. No final acabámos felizes, sobretudo porque trabalhámos e quisemos muito sê-lo.

 

 

Duas alterações no onze titular, que consoante o ponto de vista podem ou não ser consideradas surpresas. Rafa e Jiménez no onze, por troca com o Salvio e o Mitroglou. Se considerarmos o que tem sido o rendimento mais recente dos dois jogadores que saíram, as alterações nada têm de surpreendente. O Salvio há várias semanas que tem sido consistentemente um dos jogadores em pior forma na nossa equipa, e o Mitroglou também tem estado apagado nos últimos jogos, provavelmente por estar a jogar com dores e eventualmente o facto de ter sido pai recentemente também poderá ter alguma influência. Por outro lado, a aparente relutância que o nosso treinador tem revelado em fazer mexidas na equipa titular nos últimos jogos poderá ter feito com que estas alterações tenham surpreendido algumas pessoas - confesso que a mim surpreenderam mesmo, mas pela positiva e fiquei bastante agradado assim que ouvi a constituição da equipa. Nada contra o Salvio ou o Mitroglou, apenas gosto de ficar com a sensação de que joga quem está em melhor forma. O Rio Ave tem sido elogiado pelo futebol que pratica, e verdade seja dita que não abdicou da sua forma habitual de jogar só por estar a defrontar o líder. Mostrou boa organização defensiva, e acima de tudo vontade de jogar futebol, privilegiando a posse de bola e tentando quase sempre sair a jogar, evitando o chutão para a frente. Mas do outro lado estava o Benfica, e uma coisa é jogar assim contra a grande maioria das equipas da nossa liga, e outra contra as equipas mais fortes. Quer isto dizer que a posse de bola do Rio Ave foi bastante estéril, já que o Benfica conseguia tapar quase todos os caminhos para a frente e pressionava logo a saída de bola ao adversário. Por isso mesmo, apesar da posse de bola ser muito repartida entre as duas equipas - e isto é um elogio que se pode fazer ao Rio Ave, porque não são muitas as equipas que conseguem repartir a posse de bola num jogo connosco - o jogo disputava-se quase sempre dentro do meio campo do Rio Ave. O Benfica mostrou também uma boa dinâmica no ataque, onde o Rafa derivava frequentemente para o centro e deixava a ala aberta para o Nélson Semedo, e do outro lado o Cervi mostrava uma energia inesgotável. O Jiménez é um avançado muito mais móvel do que o Mitroglou, e as suas movimentações faziam com que diversas vezes olhássemos para a área e lá estivesse não o ponta-de-lança, mas sim o Jonas e o Rafa. Todos os jogadores do ataque se iam mostrando, e o Benfica foi naturalmente muito mais rematador - contra uma das equipas do campeonato que menos remates permite ao adversário. Mas num jogo em que as duas equipas se empenharam ao máximo, o nulo acabou mesmo por persistir até ao intervalo, embora fosse o Benfica quem dava sinais claros de poder chegar primeiro ao golo.

 

 

E esses sinais foram reforçados na reentrada para o segundo tempo. Nessa altura o Benfica submeteu o Rio Ave a uma forte pressão e procurou chegar cedo ao golo que nos colocaria numa posição bastante confortável no jogo. O Rio Ave foi lentamente sendo obrigado a recuar a linha de pressão cada vez mais, mas o golo do Benfica não chegava e estávamos sempre expostos a algum contra-ataque que pudesse explorar o nosso cada vez maior adiantamento no terreno - apesar do Benfica estar cada vez mais por cima no jogo, o Rio Ave conseguia agora ser mais perigoso quando saía para o contra-ataque. Ainda apanhámos um susto dessa forma, mas o Héldon foi algo egoísta, não passou a bola no momento certo, e depois acabou por fazer um remate cruzado que saiu ao lado da baliza. A vinte minutos do final, uma substituição que acabou por se revelar decisiva, que foi a troca do Rafa pelo Salvio. Porque cinco minutos depois da sua entrada, e pouco depois de mais uma jogada de algum perigo do Rio Ave (remate do Tarantini que saiu muito perto do poste, depois de um passe atrasado para a entrada da área) o Benfica desenhou um contra-ataque exemplar após um canto a beneficiar o Rio Ave. Assim que a bola foi recuperada, saímos a jogar desde a nossa área e a bola só parou no fundo da baliza adversária. Corte de cabeça do Lindelöf, bola no Cervi à saída da área, Cervi para o Jonas, toque do Jonas para a corrida do Salvio pela esquerda e desde a linha do meio campo até à entrada da área adversária, passe com conta, peso e medida para o Jiménez (corre tudo tão melhor quando nos lembramos que jogamos numa equipa e passamos a bola na altura certa, não é Salvio?) que entretanto se tinha desmarcado pelo centro, e o mexicano com tempo e calma suficiente deu um toque para controlar a bola, e outro para rematar rasteiro e colocado junto ao poste para o fundo da baliza, quando o guarda-redes saiu ao seu encontro. Nada mau para uma equipa que não tem processos. Num jogo destes, tal como o aconteceu o ano passado neste campo, um golo é quase sempre decisivo. Por isso nos minutos finais o Benfica optou por fechar os caminhos para a sua baliza, trocando o Jonas pelo Samaris, e fê-lo com eficácia, já que o Rio Ave não conseguiu pressionar-nos de forma consistente. Mas não nos livrámos no entanto de um enorme susto, quando um ressalto de bola nas costas do Lindelöf após um corte do Luisão deixou a bola solta no interior da área, e na sequência disso levámos com uma bola no poste e no ressalto, em muito boa posição, o Héldon rematou por cima. Faltavam três minutos para os noventa, e nesse lance tivemos estrelinha. Mas no cômputo geral, creio que a vitória do Benfica é inteiramente justa e inquestionável.

 

 

Grande atitude de toda a equipa em geral, a atitude que se exigia para conseguir ganhar um jogo desta dificuldade. O Jiménez foi o herói do jogo, mas não houve um jogador que se possa dizer que esteve mal. Já começo a ter saudades antecipadas do Nélson Semedo, porque tenho dúvidas que tenhamos a felicidade de o ver por cá mais uma época. O Fejsa foi o colosso do costume à frente da defesa, os centrias fizeram um jogo muito sólido, e o Cervi mostrou aquela garra tão pouco habitual nos jogadores tecnicistas que actuam na sua posição. Já o reclamava antes e continuo a afirmar que para mim seria sempre o mais indiscutível dos extremos do Benfica.

 

À entrada para esta jornada sabíamos que precisávamos de conquistar sete pontos nos três jogos que faltavam para garantir o título. No final da mesma esse número reduziu-se para dois pontos nos dois jogos que faltam. Falta muito pouco, é certo, mas ainda falta alguma coisa. Não é tempo de festejos ou triunfalismos descabidos, porque nada está ganho ainda. Nenhuma equipa gosta de fazer de figurante na festa do adversário, e para a semana vamos defrontar a equipa em melhor forma do campeonato, que certamente não estará nada para aí virada. O Vitória é uma excelente equipa, que não virá disposta a participar em festa alguma, até porque quererá marcar posição para a final da taça que se avizinha. Mostrámos uma atitude e empenho exemplares durante trinta e duas jornadas. Falta mantê-la por mais duas para que seja possível celebrar no final.

tags:
por D`Arcy às 04:12 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Domingo, 30.04.17

Alívio

Quando o árbitro apitou para assinalar o final da partida, antes de sentir alegria, ou até mesmo satisfação, a sensação mais imediata foi mesmo a de alívio. Por ver finalmente terminar com uma vitória um jogo tremendamente difícil no qual tivemos uma exibição longe do melhor que esta equipa sabe e pode fazer, com um período de apagão completo absolutamente inaceitável.

 

 

O regresso do Jonas ao onze significou a saída do Rafa. Uma alteração em relação ao jogos mais recentes, já que com o Jonas em campo até tinha sido o Rafa a escolha para o lado esquerdo, mas desta vez foi o Cervi a jogar. O jogo foi complicado desde o início, muito por nossa culpa, mas também por culpa do Estoril. Uma equipa muito bem organizada, que esteve longe de estacionar o autocarro - duas linhas quase sempre bastante juntas, mas subidas no terreno, a procurar pressionar logo à entrada do seu meio campo, e com jogadores que me pareceram muito fortes fisicamente, e que sistematicamente chegavam um pouco antes às bolas e ganhavam quase tudo o que eram lances divididos. A nossa culpa foi muito pela falta de velocidade e acutilância no nosso jogo. Grandes dificuldades para fazer a bola circular com a rapidez necessária para desposicionar a equipa do Estoril, demasiadas lateralizações, e incapacidade para conseguir colocar a bola entre as linhas do Estoril. Apesar de mais posse de bola, praticamente zero ocasiões de perigo, com o primeiro remate digno desse nome a surgir perto da meia hora de jogo. E esse remate deu golo, porque foi do Jonas na conversão de um penálti a castigar uma falta indiscutível do Licá sobre o Nélson Semedo - um dos poucos jogadores que ia de vez em quando tentando dar um safanão no jogo, e com o Salvio a realizar mais uma exibição na linha daquilo que nos tem vindo a habituar, fazia o trabalho de dois pelo lado direito. Depois deste golo o jogo não mudou muito, mas talvez por o Estoril ter arriscado um pouco mais o Benfica ainda conseguiu algumas situações de contra-ataque em que apanhou o adversário desprevenido. E ainda sem criar ocasiões em catadupa, poderia facilmente ter chegado ao intervalo com uma vantagem bem mais confortável, porque desperdiçámos um par de ocasiões soberanas para marcar. Na primeira o Cervi, servido de cabeça pelo Mitroglou, atirou de pé direito para a bancada quando estava junto ao poste e se calhar a um ou dois metros da baliza. Na segunda, mesmo a acabar a primeira parte, o passe do Nélson Semedo deixou o Salvio dentro da área completamente à vontade para marcar, mas por alguma razão que me escapa o argentino resolveu puxar a bola para o pior pé (o esquerdo) e depois fez um remate rasteiro para fora.

 

 

A exibição não tinha sido brilhante na primeira parte, mas o Benfica tinha sido claramente a melhor equipa em campo e merecia a vantagem. Por isso mesmo nada poderia fazer prever aquilo que se passou durante o primeiro quarto de hora da segunda parte. Acho que só posso descrevê-lo como descontrolo total da nossa equipa. O Estoril voltou do balneário a jogar de forma bastante agressiva e efectivamente massacrou-nos durante esse período. Vários cantos, remates perigosos (acertaram duas vezes nos ferros da baliza), o Ederson a ter que se aplicar, inclusivamente segurando uma bola quando o adversário lhe apareceu isolado à frente, e a dúvida já nem era se o Estoril chegaria ao empate, mas sim quando é que o faria. Da parte do Benfica, uma incapacidade total para pelo menos acalmar o jogo, manter a posse da bola durante algum tempo para permitir que as ideias se organizassem naquelas cabeças. Incapacidade também de reacção ou leitura do jogo da parte do nosso banco. Era por demais evidente a enorme superioridade do Estoril no centro do terreno. Entre a nossa linha de defesa e o meio campo havia um vazio enorme - porque perante a inferioridade no centro, o Fejsa frequentemente adiantava-se para tentar equilibrar a luta, e entretanto um dos avançados do Estoril (normalmente o Carlinhos, mas também o Kléber) recuavam para o espaço vazio e recebiam quase sempre a bola à vontade. Exigia-se a entrada de mais um médio, mas por algum motivo o nosso treinador não partilhava dessa opinião. E o golo do Estoril apareceu mesmo, e nessa altura julgo que não deve ter surpreendido a enorme maioria dos quase sessenta mil espectadores que encheram a Luz neste final de tarde. O golo nasce numa incursão do lateral esquerdo do Estoril, que flecte para o centro, deixa o Pizzi para trás com facilidade, coloca a bola para a desmarcação do Kléber, e este ganha em velocidade ao Lindelöf e aproveita ainda o escorregão do Ederson quando tentou sair para lhe meter a bola entre as pernas. Empate no marcador e, face ao que se tinha visto desde o início da segunda parte, perspectivas nada animadoras. Felizmente surgiu o génio do Jonas a resolver, apenas seis minutos depois. Na sequência de uma boa troca de bola entre ele, o Cervi e o Grimaldo, um potente e colocadíssimo remate de fora da área não deu qualquer possibilidade de defesa ao Moreira. O golo acalmou um pouco a nossa equipa e quebrou também o ímpeto ao Estoril. Mas o jogo só passou a estar mais controlado quando finalmente entrou o médio adicional que o jogo pedia há vários minutos. Depois da entrada do Filipe Augusto (preparava-se para entrar quando o Estoril marcou, e então acabou por entrar o Carrillo) o Benfica até conseguiu criar um par de ocasiões para descansar os adeptos, mas na primeira o Jiménez, estorvado por um defesa, foi incapaz de ao segundo poste desviar para a baliza com força suficiente o grande cruzamento do Nélson Semedo, acabando por fazer um passe para as mãos do Moreira, e na segunda o Grimaldo rematou para a bancada depois de entrar na área completamente solto pela esquerda. Nesta fase o Estoril já não conseguia criar perigo, e recorria apenas aos livres que os seus jogadores não se cansavam de tentar cavar para despejar bolas para a área. Sem sucesso.

 

 

O Jonas é obviamente o homem do jogo, e mais explicações são desnecessárias. Para além dele, consigo apenas destacar o Nélson Semedo - não é por acaso que esteve envolvido na maior parte dos lances de perigo que o Benfica conseguiu criar no jogo. Uma menção também para a atitude competitiva do Cervi. De resto, acho que mais ninguém conseguiu escapar à mediania ou até mesmo à mediocridade. O Lindelöf, depois do grande jogo da última jornada, revelou hoje enormes dificuldades para travar o Kléber. O Mitroglou foi uma sombra em campo. Até o Grimaldo não esteve bem, com algumas perdas de bola e passes errados que não são nada habituais. Sobre o Salvio, já nem vale a pena dizer nada.

 

Uma vez mais o verdadeiramente importante, que são os três pontos, foi conseguido. Temos agora menos uma jornada a separar-nos do nosso objectivo, e em vez de dez faltam agora conquistar sete pontos. Mas os próximos dois jogos serão contra duas das equipas que melhor futebol estão a praticar neste momento no nosso campeonato, orientadas por dois excelentes treinadores. Vai ser preciso estarmos ao nosso melhor - portanto, bastante melhor do que aquilo que vimos hoje - para não termos dissabores nesses jogos. A margem para erro é ínfima, e não podemos facilitar.

tags:
por D`Arcy às 02:35 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 24.04.17

Estofo

O futebol tem coisas assim. O Benfica, essa equipa em queda acentuada, forte contra os fracos, fraco contra os fortes, vai a casa da equipa que joga 'o melhor futebol do campeonato' (não é surpresa, eles jogam sempre o melhor futebol do campeonato há umas três décadas consecutivas, no mínimo), que possui a 'melhor dupla de avançados do futebol português', orientados por aquele que desde há dois anos a esta parte passou a ser o melhor treinador português, e quase que é possível ouvir o ruído dos milhares de mãos a esfregarem-se de satisfação perante a quase certeza (mais uma vez) de que é desta que caímos do primeiro lugar. Começamos o jogo a perder por causa de um erro grosseiro do nosso guarda-redes, temos motivos de queixa de um período de desorientação completa por parte da arbitragem, e mesmo assim a nossa equipa nunca perdeu o rumo, mostrou sempre uma frieza admirável, jogou em Alvalade como se estivesse a jogar noutro campo qualquer (OK, também seria difícil sentir-se intimidado quando estava a jogar num campo rodeado de panos com fábulas como 22 títulos de campeão, maior potência desportiva nacional e outras mentiras que eles gostam de repetir na esperança que alguém os leve a sério, e onde a equipa da casa é apresentada de óculos escuros, numa espécie de mau espectáculo burlesco) e foi buscar o resultado que lhe permite manter-se isolada no topo da classificação. A isto chama-se estofo de (tri)campeão.

 

 

Não foi possível ao nosso treinador apresentar o mesmo onze inicial pela terceira jornada consecutiva, uma vez que o Jonas não recuperou a tempo e nem no banco se sentou. Para o onze entrou o Cervi, que durante o jogo foi alternando de posição e de funções com o Rafa, variando ambos entre extremo e segundo avançado. Era difícil que o jogo tivesse começado de maneira pior. O Sporting entrou a pressionar, andou perto da nossa área logo nos instantes iniciais e viu um par de tentativas de remate serem bloqueadas pelos nossos defesas, mas aos quatro minutos uma asneira do Ederson, que recepcionou mal um bola com os pés e depois quando a tentou chutar já só encontrou o pé do Bas Dost, resultou num penálti evidente contra nós. Verifiquei também que não são apenas os adeptos, mas também os próprios jogadores do Sporting que desconhecem as regras do jogo, já que por algum motivo resolveram pressionar o árbitro para que expulsasse o Ederson, o que não faria qualquer sentido. Com o penálti convertido pelo Adrien, tudo indicaria que o cenário que os mais fervorosos antibenfiquistas tinham andado a imaginar e a prometer estaria montado. Nada de mais errado. O Benfica não acusou o toque e partiu para um exibição personalizada e tranquila, procurando chegar ao golo de forma sóbria. O jogo foi muito táctico, disputado na zona do meio campo e a bola andou quase sempre afastada de ambas as balizas, mas o Benfica parecia conseguir ganhar alguma superioridade no centro e manter mais posse de bola, enquanto mantinha as tentativas do Sporting de sair rapidamente para o ataque controladas. Ocasiões de golo a seguir ao penálti foram quase inexistentes - o Benfica ainda conseguiu um par de cruzamentos promissores, mas o Coates apareceu sempre bem colocado a evitar que a bola chegasse ao Mitroglou. A única situação de maior perigo surgiu já perto do intervalo, num livre directo marcado pelo Grimaldo ao qual o Rui Patrício correspondeu com uma boa defesa. Foi também nos últimos minutos da primeira parte que a equipa de arbitragem teve um período extremamente infeliz, durante o qual conseguiu, em série, ajuizar três lances dentro da área do Sporting sempre em desfavor do Benfica. Se no terceiro deles, entre o William e o Rafa, ainda consigo dar o benefício da dúvida, nos outros dois já é mais difícil. No primeiro, do Schelotto sobre o Grimaldo, a posição do árbitro permitiu-lhe ver perfeitamente o que aconteceu. E o segundo, do Bruno César sobre o Lindelöf, foi de tal forma evidente que pelo menos o auxiliar daquele lado tinha a obrigação de ter visto e assinalado, porque o gorducho chegou ao Lindelöf já bem tarde e quando o nosso jogador já estava completamente no ar, não tendo sequer saltado para disputar a bola. Foi um empurrão, puro e simples.

 

 

Na entrada para a segunda parte, o Sporting voltou a estar mais perigoso. O perigo vinha sobretudo das incursões do Gelson pela esquerda da nossa defesa, onde o Grimaldo revelava dificuldades para o travar, e subsequentes cruzamentos para o Bas Dost. Foi assim que o Sporting construiu uma grande ocasião para ampliar a vantagem, mas o holandês, que se apanhou completamente sozinho em frente ao Ederson após receber o passe do Gelson, acertou mal na bola e o remate saiu rasteiro e enrolado ao lado da baliza. A primeira alteração no Benfica teve bons resultados tácticos. O Jiménez entrou para o lugar do Rafa e foi dar mais companhia ao Mitroglou na frente, ocupando com maior frequência o espaço à frente da linha de defesa do Sporting. Isto obrigou o William Carvalho a ter que se preocupar mais com a presença de um jogador nessa zona, e a ficar mais fixo junto à linha defensiva, o que teve como consequência vermos o Adrien frequentemente muito mais só no meio campo perante os nossos jogadores. E por isso mesmo voltámos a ganhar superioridade nessa zona, o Pizzi beneficiou bastante da liberdade adicional e estabilizamos novamente o nosso jogo, acabando com os sucessivos contragolpes do Sporting da fase inicial da segunda parte. Mas as ocasiões de golo ainda continuavam a ser muito escassas, e apenas por uma vez o Mitroglou conseguiu libertar-se e rematar à baliza, mas fê-lo de forma fraca e sem causar grandes problemas ao Patrício. Quando os jogos estão assim, muitas vezes acabam por ser as bolas paradas a decidir, e este jogo não foi excepção. O Benfica beneficiou de um livre mais ou menos na mesma posição daquele que no final da primeira parte tinha proporcionado ao Grimaldo a ocasião para marcar, ou seja, perto da área e descaído para o lado esquerdo. O Grimaldo e o Lindelöf estavam perto da bola, mas surpreendentemente foi o sueco quem arrancou um pontapé fenomenal que não deu qualquer possibilidade de defesa ao Patrício. Já no livre da primeira parte ele estava perto da bola, mas não estava mesmo à espera que ele o marcasse. É uma qualidade que lhe desconhecia. A partir daqui o jogo teve pouca história, porque continuou na mesma toada de equilíbrio, quase sem ocasiões ou remates a qualquer uma das balizas. O empate era um resultado que se adequava perfeitamente aos nossos objectivos, e sem forçar absolutamente nada controlámos o resultado até final.

 

 

Na minha opinião os destaques maiores na equipa do Benfica vão para a dupla de centrais, o Fejsa e o Pizzi. Seria fácil destacar o Lindelöf simplesmente pelo golo, mas independentemente disso ele fez um jogo sem mácula, sempre bem posicionado, com vários cortes e recuperações de bola decisivos, e ao lado do Luisão anularam perfeitamente 'a melhor dupla de avançados em Portugal'. Fora de brincadeiras, apanharam pela frente o melhor marcador do campeonato, com larga vantagem, e conseguiram evitar que ele nos criasse muitos problemas, o que é de realçar. O Fejsa foi a presença habitual importante no meio campo defensivo, e um dos jogadores que mais bolas recuperou. O Pizzi foi um jogador renovado neste jogo, longe daquele jogador que nas últimas semanas parecia estar no limite da sua condição física. Foi o motor do nosso meio campo e travou uma luta enorme com aquele que foi um dos melhores jogadores do adversário, o Adrien. Grande, grande exibição. No geral, toda a equipa teve uma atitude muito boa, que é o mínimo que se pode exigir aos nossos jogadores num jogo destes.

 

 

Volto a repetir o que já escrevi após outros jogos: foi apenas mais um pequeno passo na direcção certa, rumo ao objectivo que estabelecemos no início da época. O tetracampeonato está agora mais perto, mas ao mesmo tempo continua ainda muito longe. De nada servirá a manutenção da liderança após o último jogo 'grande' (já agora, com este resultado o Benfica assegurou a vitória no chamado 'campeonato dos grandes', não tendo perdido um único jogo, o que não é nada mau para uma equipa dita 'fraca contra os fortes') se depois a perdermos em casa contra o Estoril, porque esse jogo tem os mesmos três pontos em disputa. Estoril que, como já mostrou no jogo para a taça, está uma equipa transfigurada desde que o Pedro Emanuel tomou conta dela. Todo o cuidado é pouco, e vamos precisar de manter a concentração máxima para os jogos que faltam - até porque o desespero para os outros lados continua a aumentar e consequentemente também o tom dos ataques desvairados vai aumentar.

 

P.S.- Hoje em dia é muito fácil escolher viver dentro de uma espécie de bolha, na qual apenas se tem acesso às opiniões com as quais concordamos ou em que queremos acreditar, e sem qualquer contacto com o contraditório. Ao fim de algum tempo as pessoas que vivem assim acabam por convencer-se que essa realidade virtual alternativa corresponde à realidade. É fácil identificar adeptos do Sporting nessa condição. Normalmente congregam-se em redor de sítios como uma Tasca do Cherba ou um Mister do Café, entre outros do mesmo quilate, que não passam de verdadeiros asilos de lunáticos virtuais, onde partilham as suas visões retorcidas da realidade. Onde o presidente do clube deles é um paladino da luta pela verdade no futebol e pela pacificação do mesmo. Onde o Benfica só ganha jogos porque os árbitros estão comprados por vouchers, ou porque as equipas adversárias facilitam, ou então porque qualquer jogador que tenha alguma vez passado de táxi em frente ao Estádio da Luz, quando defronta o Benfica, propositadamente prejudica a sua carreira e a sua própria equipa marcando autogolos ou cometendo penáltis intencionalmente (isto, já agora, é válido para todas as modalidades, em todos os escalões etários, masculinos ou femininos). Por outro lado, o Sporting é uma potência mundial que só não é campeão em Portugal por causa das manobras do Benfica e não é campeão europeu por causa da manobras da Doyen e da Gazprom. Se não fossem os 'factores externos', como não se têm cansado de repetir, estariam a lutar pelo título, e vão mostrar isso mesmo neste jogo humilhando o Benfica. Depois vão para estes jogos convencidos que são favas contadas, e a única dúvida naquelas cabeças é por quantos é que o Sporting vai golear e quantos golos vai marcar o Bas Dost. Começa o jogo e em vez de aparecer uma equipa que 'não joga nada' e que sem ajudas estaria provavelmente a lutar para não descer, apanham com um Benfica que apesar de um enorme contratempo logo a começar não está minimamente impressionado ou afectado com o 'poderio incomparável' da equipa deles, joga olhos nos olhos, e todos os erros de arbitragem que se podem apontar (que é a desculpa a que normalmente nestas situações se agarram sempre de forma desesperada, quais náufragos numa tempestade agarrados a uma tábua) foram em prejuízo clamoroso do Benfica. Isso deveria abalar seriamente algumas convicções. A resposta é a que se esperaria de um cão raivoso que pretende desviar as atenções o mais rapidamente e da forma mais rafeira possível. É ler os devaneios escritos hoje pela criatura que preside o Sporting e pelo homúnculo que lambe o chão que ele pisa para ver o melhor exemplo disso. E sem dúvida que a turba que os segue de forma quase religiosa continuará a aplaudir freneticamente.

tags:
por D`Arcy às 00:25 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Sábado, 15.04.17

Confortável

Vitória confortável contra um adversário teoricamente complicado, mas que acabou por ser uma desilusão. O Marítimo apresentou-se na Luz apostado apenas em jogar um futebol negativo e a partir do momento em que ficou em desvantagem deixou de ter objectivo no jogo. A nota artística não foi a melhor, mas perante um adversário a jogar desta forma era difícil fazer muito melhor, e não fosse o nosso desacerto na conclusão de diversas jogadas o jogo poderia ter acabado com um resultado bem mais desnivelado.

 

 

Entrámos em campo com exactamente o mesmo onze que tinha defrontado o Moreirense. E ficou evidente, desde o apito inicial, ao que o Marítimo vinha. Confesso que fiquei um pouco desiludido, porque esperava mais de uma equipa que tem sido uma das revelações da prova desde a mudança de treinador. Logo no primeiro pontapé de baliza do jogo, o guarda-redes começou a queimar tempo. Toda a equipa do Marítimo acantonou-se em frente à sua área, com o trinco a recuar para o meio dos centrais para formar um trio, e montando duas linhas de defesa muito juntas, tentando deixar o mínimo de espaço possível para o Benfica jogar. Saídas para o contra-ataque eram inexistentes. Um dos seus jogadores, o Raúl Silva, parecia estar em campo com algum tipo de missão ou encomenda em relação ao Jonas. Passou o tempo todo a provocá-lo e a tentar armar algum tipo de confusão. A única situação de algum perigo que o Marítimo criou surgiu num disparate do Ederson, que tentou fintar um adversário e quase que perdeu a bola. Quanto ao Benfica, revelou dificuldades para ultrapassar a estratégia do Marítimo. O jogo pelas alas não estava a funcionar, pelo que começámos progressivamente a insistir mais pelo meio. Mas na fase inicial do jogo até o Jonas parecia não estar em dia de muito acerto. Por quatro vezes conseguimos fazer a bola entrar entre as duas linhas do Marítimo e chegar aos pés dele, em posição frontal, mas os remates nunca saíram com a direcção ou a força desejadas - iam quase sempre à figura do guarda-redes. Depois de muito insistir, o Benfica acabou por marcar dois golos de rajada, a partir do trigésimo quarto minuto. O primeiro surgiu após uma boa iniciativa do Rafa pela esquerda, que depois cruzou rasteiro para a boca da baliza. O guarda-redes não chegou à bola, o Mitroglou estava preparado para empurrar, mas um defesa antecipou-se de carrinho e marcou na própria baliza (já antes o Marítimo estivera perto de fazer um autogolo, valendo-lhe o tempo de reacção do seu guarda-redes, inversamente proporcional à velocidade com que repunha a bola em jogo). Dois minutos depois, nova investida do Rafa pela esquerda, passe para o Pizzi à entrada da área, e novo passe para o Jonas desta vez rematar colocadíssimo, fazendo a bola entrar literalmente pelo buraco da agulha, juntinho à base do poste. E só não surgiu um terceiro golo de rajada porque o Mitroglou conseguiu falhar um golo cantado, depois do Nélson Semedo lhe colocar a bola à frente dos pés em posição frontal. Mas o Marítimo não se livrou de ir para o intervalo com três golos de desvantagem: na última jogada da primeira parte, canto marcado pelo Grimaldo na esquerda, o Luisão ganhou nas alturas, e o Jonas surgiu ao segundo poste para, à segunda tentativa, fazer o golo.

 

 

Com o jogo praticamente resolvido ao intervalo era expectável que a segunda parte pudesse ser pouco interessante, e isso verificou-se. O futebol jogado não foi da melhor qualidade, até porque o Benfica não tinha qualquer interesse em estar a aumentar o ritmo. Conseguimos controlar o adversário e gerir o jogo na perfeição, sem qualquer tipo de sobressalto - a única ocasião de algum perigo que o Marítimo criou foi mesmo a acabar o jogo, mas nem sequer conseguiu fazer um remate à baliza nessa ocasião, já que o seu jogador pareceu embrulhar-se com a bola dentro da pequena área. O Marítimo lá tentou sair um pouco lá de trás e, naturalmente, começou a abrir autênticas avenidas para serem exploradas pelos nossos jogadores. Que mesmo sem forçar, e quase em ritmo de passeio, construiram situações mais do que suficientes para pelo menos conseguirmos igualar o resultado que tínhamos conseguido frente a esta mesma equipa no jogo para a Taça. Só mesmo muita falta de inspiração na hora de finalizar ou definir as jogadas é que explicam que não tenhamos conseguido marcar um único golo durante a segunda parte. Que o Salvio faça disparates, nesta fase já quase que dou isso como um dado adquirido. Mas hoje até o Mitroglou estava em dia não, e durante o jogo desperdiçou ocasiões que não é nada habitual vê-lo falhar. O jogo deu para fazermos uma gestão tranquila do esforço, poupar o Jonas (saiu tocado; esperemos que não seja nada de grave) e o Pizzi (que evitou o amarelo, embora se considerarmos que o árbitro cometeu a proeza de conseguir não mostrar um único amarelo aos jogadores do Marítimo, apesar das sucessivas faltas que cometeram, seria demasiado 'azar' o Pizzi ser admoestado) e acabar o jogo em clima de festa, com as mais de 57.000 pessoas nas bancadas em comunhão com a equipa.

 

 

O Jonas merece o destaque que os dois golos que marcou lhe conferem, embora pudesse ter feito ainda mais. Achei também que ele me pareceu ficar demasiado nervoso com as provocações constantes do Raúl Silva. Eu sei que uma pessoa não é de ferro, mas ele é um jogador demasiado experiente para se deixar afectar por coisas destas - esteve bem o Luisão quando num determinado momento o foi afastar e pedir calma. O Rafa desta vez fez um jogo bastante melhor, esteve envolvido nos dois primeiros golos e no geral foi um dos jogadores mais activos e perigosos do nosso ataque - brilhante aquele contra-ataque que conduziu sozinho de uma área à outra, para depois deixar o Salvio sozinho na cara do guarda-redes (não deu golo, porque era o Salvio). O Lindelöf, Luisão e Fejsa estiveram num bom nível, mas uma das notas mais agradáveis foi mesmo verificar que o Grimaldo já se mostrou a um nível bem mais elevado. Esteva tão activo pelo seu lado que o Nélson Semedo por vezes quase pareceu um lateral contido no apoio ao ataque. Quanto ao menos bom, houve uma feroz concorrência entre o Salvio e o Mitroglou por essa distinção. Como não consigo desempatá-los, levam-na ex aequo.

 

Foi um bom resultado e um jogo que correu da melhor maneira possível, parecendo não exigir demasiado esforço físico ou psicológico dos nossos jogadores. Com isto garantimos o primeiro lugar por mais uma jornada, e agora faltam apenas cinco. O caminho para o título vai ficando cada vez mais curto.

tags:
por D`Arcy às 03:19 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Segunda-feira, 10.04.17

Sofrimento

Mais um jogo de sofrimento, como tenho a certeza que serão todos daqui até final. E mais uma vez, o melhor foi mesmo o resultado, uma vitória pela margem mínima que nos permite somar mais três pontos e a manutenção do primeiro lugar. O Moreirense comeu a relva, ou não fossem eles treinados pelo Petit, aproveitou também o mau jogo que fizemos, e criou-nos dificuldades - não fosse a falta de jeito dos seus jogadores na altura de finalizar e poderíamos estar agora a lamentar o resultado.

 

 

A maior nota de destaque são os regressos do Fejsa e do Grimaldo ao onze titular. É bom termos mais estas opções para o ataque à fase final da época, mas verdade seja dita que hoje não se notou grandemente a sua influência. No resto da equipa, a aposta nas alas manteve-se no Salvio e no Rafa, o que logo à partida me fez torcer o nariz. Num campo pequeno, onde o espaço não abunda, e perante uma equipa que certamente cerraria fileiras atrás, optar por dois jogadores que fazem da velocidade a sua principal arma em detrimento de dois alas mais tecnicistas e com capacidade para resolver em espaços mais curtos, como o são o Cervi e o Zivkovic, não me pareceu a melhor ideia. Mas adiante. Sobre o jogo propriamente dito nem há muito para escrever, porque para mim foi quase um deserto de ideias. Honestamente, neste momento quando vejo o Benfica jogar fico com a sensação de que regredimos ao tipo de futebol praticado durante os primeiros meses após a chegada do Rui Vitória. Muita posse de bola completamente estéril, fazendo-a andar de um lado para o outro, mas ocasiões de golo quase nenhumas, e nem sequer a perspectiva de aparecerem. A sério que quando nos vejo jogar assim, simplesmente não consigo vislumbrar sequer a possibilidade de conseguirmos construir uma jogada de golo. O golo que decidiu o jogo, surgiu quase que inevitavelmente de uma bola parada. Livre apontado na direita pelo Pizzi e o Mitroglou saltou nas costas do defesa para fazer o cabeceamento vitorioso, já quase sobre o intervalo. Honestamente, não me consigo recordar de muitas mais ocasiões de perigo flagrante criadas pela nossa equipa, pelo que a vantagem ao intervalo me parecia um resultado generoso - o jogo a que assistia às vezes parecia mais entre dois aflitos na fuga à despromoção do que entre primeiro e antepenúltimo classificados.

 

 

Mas se já não estava muito agradado com o jogo na primeira parte, pelo menos durante esse período nós conseguimos tê-lo relativamente controlado. A segunda parte foi muito pior. Durante vários períodos fomos uma equipa completamente desgarrada, cujo objectivo no jogo me era impossível de perceber. Nem pressionávamos em busca de um segundo golo que nos desse tranquilidade, nem geríamos o resultado mantendo uma posse de bola mais ou menos controlada. Num campo tão pequeno, só via os nossos jogadores demasiado dispersos, a jogar demasiado longe uns dos outros, e a proporcionar demasiado espaço para o Moreirense explorar o contra-ataque. Se não estamos com capacidade para o fazer, jogar com as linhas tão adiantadas e com ambos os laterais a tentar apoiar o ataque é um risco. E por mais de uma vez vimos o Moreirense a sair para o contra-ataque praticamente em igualdade numérica, perante apenas os nossos centrais e o Fejsa, conseguindo criar situações de verdadeiro perigo para a nossa baliza - mas o Ederson não deve ter feito sequer uma defesa digna desse nome, porque conforme disse, a falta de qualidade na finalização significou que o Moreirense atirou praticamente todas as bolas para fora, e na ocasião em que foi mesmo à baliza, foi o Lindelöf a evitar o golo. As coisas só melhoraram um pouco quando o nosso treinador decidiu mexer na equipa e trocou mesmo os dois alas pelo Cervi e o Zivkovic, e sobretudo quando o Samaris entrou para o lugar do Jonas. Não é que tacticamente esta mudança tenha alterado grande coisa, porque o Pizzi foi encostar-se à direita e o Zivkovic passou a fazer de Jonas, mas o Samaris colocou-se numa posição mais recuada, auxiliando o Fejsa a preencher aquela zona do terreno - antes disso havia por ali um vazio enorme, porque quando o Benfica perdia a bola no ataque na maioria das vezes o Pizzi não tinha capacidade para recuar rapidamente e recuperar a posição. Conseguimos assim segurar a vantagem preciosa, mas muito provavelmente teremos o Samaris suspenso porque no meio de uma confusão já em período de descontos, antes da marcação de um livre, ele agrediu um adversário. Não sei o que passa pela cabeça de um jogador experiente para, sabendo que tudo está a ser filmado e que ainda por cima há uma particular predilecção para esmiuçar todos os segundos dos jogos do Benfica à procura do que quer que seja, fazer um disparate daqueles.

 

 

O melhor do Benfica foram os benfiquistas. Aliás, são sempre. Hoje encheram mais uma vez o estádio da equipa adversária e fizeram com que o Benfica jogasse em casa. Mesmo quando a equipa nos presenteou com períodos de futebol muito pobre nunca deixaram de acreditar, e apoiaram-na no primeiro ao último segundo. Os três pontos que conquistámos também se devem, e muito, a todos eles.

 

Falta menos um jogo, mas os que faltam até final parecem uma eternidade. Teremos que subir a qualidade do nosso futebol para conseguirmos atingir os nossos objectivos. Hoje foi contra uma das equipas pior classificadas e vimos o quão difícil foi vencer o jogo. É apenas uma amostra daquilo que nos espera, sobretudo à medida que o número de jogos que restam for diminuindo e o desespero dos nossos adversários for aumentando. Só dependemos de nós, somos os únicos nessa condição, e não podemos de forma alguma abrir mão dela. É que ao contrário dos nossos adversários, não podemos ficar à espera que outros façam o nosso trabalho por nós.

tags:
por D`Arcy às 00:15 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Quarta-feira, 05.04.17

Nervos

A vantagem trazida da primeira mão e o facto deste jogo se disputar em nossa casa poderiam fazer-nos esperar por uma noite tranquila, mas acabámos com os nervos em franja. O melhor: estamos na final da Taça de Portugal, mesmo com as várias limitações que tínhamos para este jogo. O pior: um jogo inaceitavelmente mau da nossa parte, com falhas gritantes quer no ataque, quer na defesa. A equipa menos rotinada que alinhou não serve exclusivamente de desculpa, porque aqueles jogadores têm a obrigação de fazer melhor frente a uma equipa como o Estoril. Passámos no limite, mas não é um jogo que me tenha deixado particularmente satisfeito - pelo contrário, quando os noventa minutos terminaram estava bastante irritado, e estive à espera até agora para me acalmar antes de escrever alguma coisa.

 

 

Houve uma verdadeira revolução na equipa inicial, que deixou apenas três 'sobreviventes' do onze que alinhou contra o Porto: Lindelöf,  Samaris e Rafa. Pelo que soubemos, o jogo contra o Porto terá deixado algumas mazelas e obrigou o nosso treinador a mexer talvez mais na equipa do que desejaria. Assim, entrámos com quatro jogadores muito móveis na frente e sem um avançado fixo - Carrillo, Zivkovic, Cervi e Rafa. Na defesa, dois dos jogadores que entraram, Grimaldo e Lisandro, estavam com muita falta de ritmo, pois há vários meses que estavam afastados da competição. O início do jogo nem foi mau da parte do Benfica. entrámos a dominar e a desperdiçar ocasiões flagrantes de golo, com a inevitável participação do Rafa neste capítulo. Sobre a capacidade de finalização do Rafa acho que já escrevi aqui vezes suficientes. Direi apenas que nesta fase quando vejo o Rafa isolado à frente do guarda-redes já nem sequer fico entusiasmado. Depois aconteceu o habitual, ou seja, com tanto golo falhado, assim que o Estoril rematou pela primeira vez, marcou. Foi preciso esperar meia hora para que isso acontecesse, mas o que é certo é que assim que conseguiram lá chegar, meteram a bola na nossa baliza, e nem foi precisa uma jogada de golo tão evidente como aquelas que nós andámos alegremente a desperdiçar. Devo dizer que antes do remate sair já eu estava a adivinhar o golo, devido à irritante mania que os nossos defesas têm de marcar os adversários com os olhos (neste caso foi o Lindelöf). Quando se dá tempo e espaço ao avançado para, colocado à entrada da área, controlar a bola, levantar a cabeça e armar o remate sem sequer esboçar um movimento de cair em cima dele o resultado mais provável é sofrer um golo - e foi um grande golo mesmo, com a bola a entrar ao ângulo. Felizmente que empatámos quase na resposta, com o Carrillo a aproveitar um erro grosseiro do guarda-redes do Estoril quando tentou socar uma bola. Ela ressaltou no Samaris e caiu aos pés do peruano, que rematou de primeira para o golo. Saída para intervalo em vantagem na eliminatória, mas o Estoril estava a um golo de empatá-la. 

 

 

E o André Almeida fez o favor de, logo no pontapé de saída, de uma forma perfeitamente displicente oferecer-lhes isso mesmo. A resposta do Benfica foi boa em termos de atitude, mas péssima na execução: logo nos minutos seguintes o Cervi e o Zivkovic falharam o golo do empate de forma escandalosa. Até se pode elogiar o guarda-redes do Estoril pelas defesas, mas aquilo foi mais tiro ao boneco, porque foram sobretudo os nossos jogadores a rematar na direcção dele. Mas a pressão continuou e poucos minutos depois o Zivkovic redimiu-se do falhanço com um grande golo, num remate em arco, de pé esquerdo e de fora da área, que levou a bola ao ângulo. Depois foi o Carrillo a ficar muito perto de terceiro, num chapéu ao guarda-redes que terminou com a bola na barra. Nesta fase já se começava a notar a falta de ritmo dos jogadores escolhidos para esta noite. A nossa equipa estava cada vez mais partida, e quando falhávamos na frente o Estoril contra-atacava quase em igualdade numérica com os nossos defesas, ameaçando seriamente a nossa baliza - o terceiro golo só não surgiu porque o Júlio César, numa dupla defesa, o impediu. O Filipe Augusto já tinha sido obrigado a sair, lesionado (nem neste jogo conseguimos poupar o Pizzi) e depois também acabou por se dar a entrada previsível do Jonas. Jonas que, quase no primeiro toque que deu na bola, marcou o terceiro golo, a passe do Cervi. Faltavam dezoito minutos para o final e parecia que estava tudo resolvido, mas muito pelo contrário. O Benfica nos minutos finais já não era uma equipa de futebol, era um grupo de amigos que se tinha juntado para uma peladinha e a qualidade do jogo não era muito diferente daquilo que se vê nos distritais. Preocupações tácticas não existiam. Metade da equipa atacava e a outra metade defendia, sem qualquer ligação entre os sectores. E a metade que defendia, fazia-o mal, com erros grosseiros a roçar a displicência. O Estoril chegou ao empate em mais um desses erros - o Lindelöf fez um bom corte que impediu a bola de chegar ao avançado, a bola subiu dentro da área, e o Lisandro, completamente à vontade sem qualquer tipo de pressão sobre ele, fez um cabeceamento ridículo que deixou a bola nos pés de um adversário. Depois o mesmo Lisandro juntou-se ao André Almeida para ficarem os dois a assistir, impávidos e serenos, ao jogador do Estoril a passar calmamente por eles e a passar para a finalização de um colega à boca da baliza. com treze minutos para jogar, foi necessário cerrar fileiras e esperar em sofrimento o apito final que confirmou a presença no Jamor (ainda deu para ter um calafrio perto do final, em que nos valeu o Grimaldo para evitar um cabeceamento do Kleber que muito provavelmente daria golo).

 

 

Mesmo tentando conter-me para não bater demasiado nos nossos jogadores, é-me impossível não classificar as exibições do Lisandro e do André Almeida como inadmissivelmente más. O Lisandro ainda tem a desculpa do regresso após lesão, mas o André Almeida nem isso. Aquele espaço entre os dois não foi um buraco, foi uma cratera de dimensão semelhante à que foi criada pelo asteróide responsável pela extinção dos dinossauros, e foi explorado até à exaustão pelo Estoril. E peço desde já desculpa aos mais sensíveis nestas questões de críticas aos nossos jogadores, mas continuo com uma dúvida persistente desde o final de Janeiro: o que é que o Filipe Augusto está a fazer no Benfica? É que do que eu já conhecia do jogador antes e do que vi dele até agora no Benfica, tenho a firme convicção de que temos na equipa B quem faça tanto ou até melhor do que ele. Isto para não falar no André Horta, cujo eclipse ainda não consegui perceber. Ou está ali uma pérola muito escondida que ainda me vai surpreender, ou então parece-me que a época vai acabar e a dúvida vai permanecer.

 

Espero que os jogadores que estão diminuídos fisicamente possam recuperar rapidamente, e que possamos jogar muito mais e melhor no sábado em Moreira de Cónegos. Temos mesmo que jogar muito mais e melhor do que jogámos hoje. A situação na Liga não permite qualquer tipo de descuido ou escorregadela, nem os erros displicentes a que assistimos hoje.

tags:
por D`Arcy às 23:49 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 03.04.17

Pouco

No final, soube-me a pouco. Fiquei com a nítida sensação, como julgo que também terão ficado os milhares de benfiquistas que lotaram a Luz, de que perdemos uma grande oportunidade para dar um golpe quase decisivo no campeonato. Fomos a melhor equipa em campo, e fugiu-nos a possibilidade de vencer o jogo e deixar para trás o nosso adversário directo na luta pelo título.

 

 

Até fiquei um pouco surpreendido com a entrada do Benfica no jogo. Olhando para os onzes das duas equipas, a presença do Rafa nas nossas escolhas iniciais e a opção do Porto por um meio campo reforçado, abdicando de jogar com dois avançados fazia crer que assistíssemos a um cenário em que o Benfica entregaria mais a iniciativa de jogo ao adversário, para depois partir rápido para o ataque quando recuperasse a bola, enquanto que o Porto privilegiaria a posse de bola e um jogo mais seguro. Mas o Benfica entrou forte e caiu em cima do adversário desde o apito inicial. Para isso contribuiu muito quer as frequentes movimentações do Salvio e do Rafa para o meio, que nos davam equilíbrio e até superioridade numérica nessa zona e abriam espaço para a subida dos laterais - em particular do Nélson Semedo, já que o eliseu não arricou tanto - e ainda um Jonas muito activo, com um raio de acção muito alargado em que vinha frequentemente buscar jogo até à linha do meio campo. Durante este período inicial praticamente só deu Benfica, e o resultado disso foi imediato. Aos sete minutos o Salvio ultrapassou dois adversários pelo centro do terreno e deixou a bola no Jonas, que foi derrubado dentro da área. Encarregue da conversão, o aniversariante não falhou e colocou-nos em vantagem no marcador. Após isto o Benfica foi progressivamente acalmando o ritmo, e ao fim de mais alguns minutos o jogo caiu então no cenário que me parecia ser mais provável. Baixámos e juntámos as linhas, permitindo ao Porto ter mais bola, e depois tentávamos as saídas rápidas para o ataque, sobretudo através das faixas. E na verdade, fizemos o nosso trabalho muito bem feito. É que apesar de ter mais bola, o Porto nada mais conseguia fazer com ela a não ser circulá-la lateralmente até que eventualmente chegasse aos pés do Brahimi, que tentava então alguma iniciativa individual. Tanto assim foi que apenas consigo lembrar-me de uma ocasião de perigo para o Porto durante toda a primeira parte, naquele que terá sido também o único remate que fez. E este surgiu através de um livre cavado pelo Brahimi à entrada da área, marcado pelo mesmo e que obrigou o Ederson a uma grande defesa, evitando que a bola entrasse junto à base do poste. Da nossa parte, o maior lamento veio de uma jogada em que o Rafa mostrou ter o dobro da velocidade do Maxi, mas para não variar quando chegou à área definiu mal a jogada e não conseguiu colocar a bola no meio, onde tinha o Jonas e o Mitroglou completamente à vontade. Ao intervalo, o jogo parecia estar calmamente controlado.

 

 

Infelizmente para nós a reentrada no jogo acabou por deitar tudo a perder. Houve algum descontrolo e o Porto conseguiu alcançar o empate logo nos minutos iniciais. Tudo começou num disparate do Pizzi, que tentou sair a jogar com a bola nos pés e acabou por perdê-la para um adversário. A partir daí a bola chegou até ao Brahimi, que no 1x1 desequilibrou e depois numa jogada confusa em que na minha opinião houve demasiada apatia para afastar decisivamente a bola da área, ao fim de algumas recargas o Maxi acabou por empatar. Talvez se pudesse temer algum descontrolo do Benfica depois do golo, mas nada disso se passou. O Porto, obtido o empate, pareceu encantado com a sua sorte e pouco ou nada mais procurou do jogo - estranhei, já que quem ouvisse os especialistas ao longo destas últimas semanas ficaria convencido que o Porto era imparável e a vitória na Luz eram favas contadas. Já o Benfica, apoiado pela Luz, reagiu e foi à procura do segundo golo. E o maior motivo de queixa para não o termos conseguido é a falta de eficácia. O Porto em todo o resto da segunda parte apenas numa ocasião conseguiu assustar, numa bola metida para as costas da nossa defesa que obrigou o Ederson a sair aos pés do Soares. Quanto a nós, passámos outra vez a ter muito mais bola, e construímos ocasiões soberanas para marcar que, quando se falham, pagam-se. Foram pelo menos quatro situações claras que nos deveriam ter dado o golo e os três pontos. Pelo Jonas, assistido pelo Salvio após uma das melhores jogadas do jogo, quase toda ao primeiro toque, à qual o Casillas correspondeu com uma grande defesa. Depois foi novamente o Casillas a negar o golo ao Mitroglou, e logo a seguir ao Jonas na recarga (pelo menos pareceu-me que foi ele, mas pode ter sido algum jogador do Porto a cortar quase em cima da linha). E novamente o Jonas, no seguimento de um canto, surgiu completamente solto ao segundo poste e cabeceou um pouco ao lado da baliza. Nos minutos finais então o Porto já nem disfarçava, e o Casillas queimava deliberadamente tempo sempre que podia enquanto fazia gestos provocatórios para a bancada - imagino que aqueles que tanto se abespinharam com perdas de tempo num jogo que teve doze minutos de descontos já tenham entretanto mudado de opinião. No final a festa do Porto foi elucidativa do quanto queriam o empate, e da fé que colocam na outra metade da santa aliança antibenfica para fazer o resto do trabalho. No final veremos se justificada - é que o ano passado o pessoal do Lumiar nem sequer conseguiu fazer o trabalho para seu próprio benefício, portanto esperar que o façam em benefício de outros este ano pode ser um bocado optimista.

 

 

Na minha opinião, e até confesso a minha surpresa por isto, o Samaris foi um dos melhores jogadores do Benfica neste jogo. Aproveitou bem o espaço adicional de que beneficiou pelo facto dos médios do porto andarem excessivamente preocupados com o Jonas e o Pizzi para jogar um pouco mais adiantado no terreno e assumir até mais protagonismo na organização de jogo do que o próprio Pizzi. Em termos defensivos esteve mais disciplinado do que é habitual em termos posicionais, e até ganhou vários lances em antecipação, muito ao estilo do que o Fejsa costuma fazer. O Jonas fez também um bom jogo, mas infelizmente foi demasiado perdulário. A vitória do Benfica neste jogo perdeu-se nos pés (e na cabeça) dele. Luisão (meteu o Soares completamente no bolso, não o deixando usar a única arma que tem, que é o físico) e Nélson Semedo também num bom nível. O Salvio voltou a fazer muita asneira, mas esteve na jogada do golo e ainda ofereceu o segundo ao Jonas. Mas de qualquer forma pareceu-me acertada a sua substituição. Continuo é com dificuldade em perceber porque motivo o Cervi não joga mais.

 

Esquecendo a frustração pelo empate e olhando as coisas pelo lado positivo, mantemo-nos no primeiro lugar e somos a única equipa dependente apenas de si própria. A situação em que nos encontramos não difere muito daquela que enfrentámos a época passada, e que conseguimos superar com distinção. A receita é simples, temos sete finais pela frente e temos que as ganhar todas. Não me parece que o calendário do Porto seja particularmente mais fácil do que o nosso, e a exibição neste jogo deixa-me confiante para o que resta do campeonato, saiba a nossa equipa manter a atitude demonstrada. Além disso poderemos ter os 'reforços' Fejsa e Grimaldo para esta fase final, o que significará um plantel na máxima força para proporcionar todas as opções ao nosso treinador. Nunca como agora precisámos tanto de nos unir e empurrar a nossa equipa. Temos ao nosso alcance um objectivo histórico, e para lá chegarmos temos que começar já por pintar Moreira de Cónegos de vermelho no próximo fim-de-semana.

tags:
por D`Arcy às 01:35 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Sábado, 18.03.17

Zero

Se dissesse que não estava à espera de um resultado destes, estaria a mentir. Sou pessimista por natureza e sabia que era fundamental, para termos a tarefa mais facilitada na próxima jornada, não perder pontos em Paços de Ferreira. Os nossos inimigos estavam todos à espera que falhássemos. Obviamente que lhes fizemos a vontade, jogámos pouco, acabou tudo a zero e perdemos pontos em Paços de Ferreira, porque facilitismos não são para nós.

 

 

E não podemos queixar-nos de mais nada a não ser de nós próprios. Não foi o árbitro, não foi o antijogo do adversário - o Paços não o fez, limitou-se a jogar à defesa sem recorrer grandemente a simulação de lesões e perdas escusadas de tempo - não foi o estado do relvado (estava excelente), nem foi o ambiente adverso, porque o Benfica jogou em casa, com as bancadas repletas e quase todas pintadas de vermelho. Nós é que, de uma forma muito simples, não jogámos nada. Lamento, mas não encontro outra forma de descrever o nosso jogo. Fomos uma equipa completamente sem ideias, com extremos completamente desinspirados e uma dupla de avançados que fez praticamente tudo mal neste jogo. O Jonas foi uma sombra daquilo que sabe e pode fazer, e o Mitroglou parecia incapaz de controlar uma bola. Só assim se justifica que perante uma equipa que na primeira parte se limitou a defender, e tendo nós conseguido uma posse de bola avassaladora - bem acima dos 70% - tenhamos apenas conseguido construir, que eu me recorde, duas ocasiões de golo. Um cruzamento do Jonas na esquerda, ao qual o Salvio correspondeu no segundo poste atirando para a bancada quando tinha a baliza à sua mercê (mas já tinha chegado em esforço à bola) e um remate fabuloso do Eliseu, de muito longe, que levou a bola a embater no ângulo da baliza. Porque de resto, um jogo muito embrulhado, confuso, com demasiados passes redundantes e sem objectivo concreto, e uma preocupante falta de imaginação para encontrar soluções contra uma equipa acantonada junto à sua área. A segunda parte não foi melhor; foi aliás pior. À medida que o tempo ia passando, a qualidade do nosso jogo foi caindo cada vez mais, e a ausência de ocasiões de perigo foi cada vez mais notória - lembro-me de um remate do Pizzi para as mãos do guarda-redes, e talvez um cruzamento/remate do Nélson Semedo, e pouco mais. As substituições que foram sendo feitas pouco ou nada mudaram no jogo, e provavelmente até o tornaram ainda mais confuso. A atroz falta de ideias da nossa equipa ficou para mim demonstrada de forma dolorosamente evidente num dos últimos lances do jogo. Já em período de descontos, beneficiámos de um livre em posição frontal à baliza. Encarregado de o marcar, em vez de aproveitar para rematar o Jonas preferiu tentar picar a bola por cima da barreira, com tanto jeito que acabou por sair o que na prática foi um passe directo para a cabeça de um dos jogadores que estavam na barreira. 

 

 

Nem me vou dar ao trabalho de fazer destaques neste jogo. Sinto-me desiludido pela nossa equipa e pela qualidade de jogo que apresentou num encontro que era - como são todos até ao final - fundamental para que consigamos atingir o nosso objectivo. Por muito que custe, a verdade é que o nulo final ajusta-se ao pouco que o Benfica conseguiu produzir neste jogo em termos ofensivos. Nada está, obviamente, perdido. Mas com este resultado, e se o Porto vencer o seu jogo, parece-me que a situação da corrida para o título começa a ficar muito simplificada: ou vencemos o Porto na próxima jornada, ou então a nossa posição ficará muito fragilizada. Pode ser que de alguma forma isto acabe por ser positivo. A obrigatoriedade de vencer pode ser um estímulo para que façamos um bom jogo, o que poderia não acontecer se tivessemos a possibilidade de nos 'encostar' a um empate.

tags:
por D`Arcy às 23:52 | link do post | comentar | ver comentários (30)
Terça-feira, 14.03.17

Resposta

Para desilusão de muito boa gente o Benfica não se deixou abalar pelo pesado desaire em Dortmund para a Champions. A resposta foi uma goleada ao Belenenses, obtida de forma tranquila e sem que a equipa tenha parecido sequer esforçar-se muito. E assim o Porto foi obrigado a entregar a 'liderança' que tinha conquistado há uns dias - o Porto agora conquista sempre a 'liderança' quando joga antes do Benfica, ignorando-se quase sempre a parte do 'à condição'. Nem que seja por um par de horas, parece ser muito importante designar sempre que possível o Porto como 'líder' e reafirmar até à exaustão o quanto o Benfica está 'sob pressão'.

 

 

Uma surpresa no onze inicial, com a ausência à última da hora do Nélson Semedo. Tem sido um dos jogadores mais influentes esta época, mas no final do jogo não teríamos motivo de queixas do André Almeida, que foi quem naturalmente o substituiu. De resto foi o onze esperado, ainda com o Fejsa ausente. A entrada do Benfica no jogo foi agradável. A pressionar alto, remetendo o Belenenses à defesa e recuperando rapidamente a bola ainda no meio campo adversário. E a recompensa chegou cedo, logo aos doze minutos, resultando precisamente da postura mais agressiva dos nossos jogadores em campo. Um passe longo do Pizzi para as costas da defesa adversária parecia perdido, mas o André Almeida acreditou e acabou por conseguir aproveitar um erro grosseiro do Miguel Rosa, que com o peito tentou atrasar a bola para o seu guarda-redes e deixou simplesmente a bola à mercê do André para uma finalização simples. Parecia que estava tudo encaminhado para um jogo tranquilo, mas depois do golo deu a ideia de ter desligado. Imediatamente abrandou o ritmo e a pressão, parecendo mais interessada em manter a posse da bola e jogar pelo seguro. Havia pouca dinâmica na equipa em geral, com poucos jogadores a acompanhar o portador da bola para lhe proporcionar soluções de passe. De uma forma simples, quem tinha a bola corria com ela enquanto que o resto da equipa ficava a olhar. Isso era particularmente visível sempre que alguém tentava sair para o contra-ataque, porque em quase todas essas situações, a bola acabava por ser passada para trás até chegar aos pés dos centrais, para depois se dar início a um ataque organizado em que quase não havia progressão - em certas alturas isto tornou-se tão evidente que testou mesmo a paciência dos quase cinquenta e quatro mil espectadores que se deslocaram à Luz. Até porque o Belenenses não conseguia dar qualquer tipo de resposta, pelo que assistíamos a um jogo em que o Benfica tinha uma posse de bola esmagadora mas quase nada acontecia.

 

 

O Belenenses veio para a segunda parte um pouco mais atrevido, e já sabemos que quando uma equipa arrisca abrir mais na Luz normalmente o Benfica sabe aproveitar. O jogo recomeçou de forma visivelmente mais interessante do que aquilo que tinha sido durante mais de metade da primeira parte, com oportunidades a surgir para ambas as equipas. O primeiro grande aviso veio da parte do Belenenses, quando seis minutos após o reinício um grande remate de fora da área do Miguel Rosa levou a bola ao poste da nossa baliza. Praticamente na resposta, o Benfica fez o segundo golo. Na conclusão de uma transição rápida o Salvio deixou a bola num passe atrasado para o Mitroglou e de primeira, de fora da área, o grego colocou a bola sem hipóteses de defesa para o guarda-redes, que se limitou a seguir a bola com os olhos. O Belenenses respondeu com mais uma boa ocasião, na qual o Maurides cabeceou ao lado quando estava em óptima posição, mas aos sessenta minutos o Benfica matou de vez o jogo, com mais um remate de fora da área. Desta vez foi o Salvio quem recebeu um passe do Zivkovic e depois rematou rasteiro e colocadíssimo, levando a bola a entrar bem junto da base do poste e fora do alcance da estirada do guarda-redes. A partir deste terceiro golo o jogo abriu ainda mais, e um goleada do Benfica começou a ganhar contornos bem mais reais. O quarto golo, aliás, era quase uma inevitabilidade, e só não aconteceu antes porque o Jonas, depois de se isolar, pareceu querer oferecer o golo ao Mitroglou e a ocasião perdeu-se. Novamente o Jonas, num remate de primeira após um canto marcado para a entrada da área, esteve perto de marcar. E o Belenenses continuava a tentar responder e também criava situações para marcar, tendo numa delas obrigado o Ederson a uma boa defesa, e noutra visto o André Almeida impedir o desvio para a baliza depois da bola já ter passado pelo Ederson. Só que em cada contra-ataque o Benfica deixava a ideia de poder voltar a marcar, desperdiçando até várias jogadas por, na minha opinião, as adornar em demasia com mais um toque em habilidade, mais um passe difícil, ou parecer que queriam entrar com a bola pela baliza dentro. Mas já no período de descontos o Jonas obteve mesmo o golo que já merecia, depois de ficar isolado na área por um passe da esquerda do Mitroglou. Foi talvez uma punição demasiado severa para o Belenenses, mas a vitória do Benfica não merece qualquer contestação.

 

 

O André Almeida foi mesmo um dos melhores esta noite, destacando-se sobretudo da apatia geral durante quase toda a primeira parte. Não só pelo golo, mas também pelo envolvimento ofensivo, com vários cruzamentos de muito boa qualidade que mereciam melhor aproveitamento. O Luisão também esteve a um bom nível, e o Salvio deve ter feito o seu melhor jogo dos últimos três meses (pelo menos). Bastou para isso que levantasse a cabeça e jogasse com os colegas. O Mitroglou e o Jonas fizeram sobretudo uma boa segunda parte, mas o Jonas em particular não sabe jogar mal. Vários pormenores de classe, e hoje pareceu estar mais solto do que nos últimos jogos. Espero que tenha debelado de vez os problemas físicos. O Samaris não é o Fejsa, isso estamos fartos de saber, mas o principal problema são os inúmeros passes falhados. Sobretudo quando são passes de risco, e isso aconteceu diversas vezes hoje.

 

De volta à realidade nacional, o Benfica fez o que lhe competia. Impôs a sua superioridade sobre o adversário, venceu com relativa tranquilidade, respondeu à goleada do adversário directo com uma goleada igual e manteve a liderança do campeonato (sim, manteve porque nunca a perdeu). É mais uma etapa ultrapassada, e há que continuar neste registo.

tags:
por D`Arcy às 01:05 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quarta-feira, 08.03.17

Natural

Um desfecho natural e justo. Venceu o jogo quem mais o quis vencer e a melhor equipa passou com (excessiva) facilidade a eliminatória. Entrámos no jogo praticamente a perder, ainda conseguimos encontrar o rumo durante algum tempo, mas o segundo golo (e o terceiro, de rajada) acabaram com quaisquer ilusões.

 

 

A estratégia do Benfica passava claramente por segurar a magra vantagem conquistada na primeira mão, como o atesta a presença do André Almeida nas escolhas inicias para jogar no meio campo (cuja principal contribuição para o jogo foi andar a fazer faltas, mas pelo menos elogie-se a extensa área de acção, já conseguiu andar a fazê-las por todo o campo, desde a entrada da área do Dortmund até à entrada da nossa área). Mas qualquer estratégia de gestão da vantagem começou a ruir muito cedo, com o golo madrugador do Dortmund. Na sequência de um canto, bola ganha ao primeiro poste e depois o Aubameyang antecipou-se ao Nélson Semedo no segundo poste para cabecear com sucesso. O Benfica revelou grandes dificuldades para conseguir sair a jogar durante a fase inicial do jogo, e apenas a partir do meio da primeira parte conseguiu assentar um pouco o seu jogo e começar a sair com a bola controlada. Conseguimos manter o Dortmund longe da nossa baliza, e até dispusemos de um par de ocasiões para rematar, mas fizemo-lo sempre com pouca convicção e na direcção do guarda-redes suíço do Dortmund. Enquanto o resultado se mantivesse na margem mínima a eliminatória estava em aberto, e por isso a postura de contenção e de calma do Benfica perante o jogo foi-se mantendo. E nos instantes iniciais da segunda parte até tivemos uma ocasião soberana para dar outro rumo à eliminatória, quando o Cervi aproveitou uma sobra para receber a bola completamente à vontade no interior da área, em posição frontal. Mas o argentino demorou demasiado tempo a executar o remate, e este foi interceptado por um defesa. Este lance foi na prática o canto do cisne do Benfica no jogo, porque não voltámos a criar qualquer ocasião no jogo. 

 

 

Depois, jogos como o da primeira mão não acontecem todos os dias. O nível de desperdício que o Dortmund revelou nesse jogo dificilmente se voltaria a repetir, o que aliás já se tinha verificado quando eles marcaram logo na primeira (e praticamente única) ocasião que construíram na primeira parte. E à segunda, voltaram a não perdoar. A bola andou demasiado tempo na zona frontal da nossa área sem que algum dos nossos jogadores saísse a pressionar, o Piszczek teve tempo para levantar a cabeça e decidir o que fazer, e numa segunda vaga (o Ederson já tinha conseguido evitar o golo numa saída rápida aos pés do Aubameyang instantes antes) um passe para as costas da nossa defesa deixou o Pulisic isolado para picar a bola à saída do nosso guarda-redes. E dois minutos depois, a estocada decisiva na eliminatória. Cruzamento da direita, sem levar muita força, mas o Luisão não atacou decisivamente a bola e deixou-a passar para o Aubameyang aparecer completamente sozinho no meio a empurrar com facilidade para a baliza. Com mais meia hora para jogar pareceu-me que já estava tudo decidido, porque não reconhecia ao Benfica capacidade para marcar os dois golos que seriam necessários para se colocar em vantagem, e aliás tinha a sensação que com o Benfica a fazer substituições e muito provavelmente a arriscar mais no ataque, muito provavelmente seria o Dortmund a voltar a marcar. Acabou por marcar mesmo, a cinco minutos do final, numa altura em que o Benfica já era uma balbúrdia táctica (jogávamos com três avançados, depois da entrada do Jiménez), metade da equipa já nem recuava e a maior parte das marcações eram mais feitas com os olhos. Marcou o Aubameyang, que assim completou o hat trick, apesar de estar em posição irregular. Nenhum dos nossos centrais conseguiu interceptar o passe rasteiro feito a partir da esquerda da nossa defesa, e ele limitou-se a aparecer ao segundo poste para empurrar para a baliza deserta.

 

Agora o mais importante será saber separar as águas e não deixar que esta pesada derrota tenha qualquer influência no próximo jogo para o campeonato. O jogo de hoje passou a ser passado assim que o árbitro apitou para o seu final. Se o Benfica tivesse passado, seria um feito brilhante. Assim imperou simplesmente a lei do mais forte. A prioridade desta época é a conquista do tetra, e por isso é fundamental que a nossa equipa consiga rapidamente limpar a cabeça e regressar às vitórias.

tags:
por D`Arcy às 22:59 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Domingo, 05.03.17

Nervoso

Desta vez o Mitroglou não marcou, mas marcou o Pizzi e o seu golo valeu-nos mais três pontos e a manutenção no topo da tabela, num jogo que não foi fácil e que por não termos sido capazes de o matar acabou por me deixar mais nervoso do que desejaria. Não tanto pelo desenrolar do jogo, mas apenas pelo facto da margem mínima me deixar sempre com receio de sofrermos algum golpe de azar.

 

 

A ausência forçada do Nélson Semedo foi colmatada, como esperado, pelo André Almeida. No meio campo o Fejsa continuou de fora, portanto o Samaris voltou a ser opção, e manteve-se a aposta no Zivkovic para jogar nas costas do avançado. As alas ficaram entregues ao Salvio e ao Carrillo, o que significou a ida do Rafa para o banco. O jogo começou logo com uma ocasião de algum perigo para o Feirense nos primeiros segundos, depois de uma perda de bola infantil no nosso meio campo defensivo (um passe disparatado do Salvio) ter resultado num remate que desviou no Luisão e não passou nada longe da baliza. Os primeiros minutos mostraram um jogo dividido, no qual o Benfica tinha mais posse de bola mas não conseguia ser particularmente perigoso no ataque e as ocasiões de golo rareavam. A primeira grande oportunidade surgiu apenas aos vinte minutos, num contra-ataque muito rápido a seguir a um pontapé de canto a favor do Feirense. Conseguimos sair com quatro jogadores de forma muito rápida, mas depois o Salvio resolveu seguir o guião que o rege nos últimos tempos e esquecer-se que joga numa equipa. Com dois colegas completamente isolados em posição frontal à baliza, decidiu fazer tudo sozinho e a jogada acabou com um remate cruzado, rasteiro e com pouca força para as mãos do guarda-redes. A partir do meio da primeira parte o Benfica pareceu conseguir ser capaz de criar mais perigo pelas alas, e aproximou-se mais da baliza adversária, mas o jogo estava complicado porque assim que perdia a bola o Feirense recuava rapidamente e juntava os jogadores em frente à sua área, colocando toda a equipa atrás da linha da bola. O Mitroglou deu o sinal de perigo seguinte, num cabeceamento que foi defendido com alguma dificuldade. Mas o Feirense não era uma equipa inofensiva, e criou também uma grande ocasião para marcar, quando um cruzamento foi desviado pelo Luisão e deixou a bola à boca da nossa baliza e à mercê de um adversário, que no entanto chegou à bola já pressionado e acabou por atirar por cima quando Ederson já estava batido. Foi já muito perto do intervalo que chegámos ao golo, numa jogada em que o Zivkovic pressionou os jogadores do Feirense e impediu que conseguissem afastar a bola das imediações da área, e depois o Carrillo surgiu na zona central a fazer um excelente passe para o Pizzi, que no interior da área trabalhou de forma exemplar e trocou os pés ao marcador directo de tal forma que ele acabou no chão, e depois teve a calma suficiente para deixar o guarda-redes cair para um lado e colocar a bola para o outro.

 

 

Na segunda parte o Feirense tentou ser um pouco mais atrevido. Apareceu mais vezes junto da nossa área, mas com isso naturalmente que também abriu mais espaços atrás que permitiram ao Benfica criar mais ocasiões para marcar. Mas hoje estivemos menos inspirados na finalização e fomos adiando o golo da tranquilidade, o que acaba sempre por criar nervosismo à medida que o tempo vai passando. Nem sequer o Mitroglou esteve nos seus dias, e desperdiçou duas excelentes ocasiões para marcar. A primeira foi quando não aproveitou provavelmente aquela que terá sido a única contribuição positiva do Salvio no jogo, em que ganhou uma bola ao guarda-redes e a passou ao grego, para depois este rematar contra um defesa quando o guarda-redes estava fora da baliza. A segunda foi quando surgiu solto ao segundo poste, mas cabeceou de forma disparatada um bom cruzamento do André Almeida. O Cervi entretanto rendeu o Carrillo, e imediatamente desperdiçou também uma boa ocasião para marcar, permitindo o corte de um defesa no último instante quando estava em boa posição dentro da área. Pouco depois, assistiu o Salvio para este, mais uma vez em óptima posição e sem marcação no interior da área, rematar e fazer a bola passar a centímetros do poste. Pelo meio, o Feirense teve a sua grande ocasião de golo na segunda parte e pregou-nos o maior susto, quando após um canto alguém conseguiu um ligeiro desvio na direcção da baliza, mas por sorte o Ederson defendeu com os pés por instinto e a bola ficou ali parada, numa altura em que parecia ter perdido por completo a noção de onde ela estava, conseguindo depois ser o mais rápido a reagir para a agarrar. Mas isto acabou por ser uma excepção, porque a verdade é que o Benfica foi bastante eficaz na gestão do resultado e da posse de bola durante toda a segunda parte, sendo um bom exemplo disso o período de descontos, que foi quase todo passado com a bola nos pés dos nossos jogadores perto da área do Feirense - e só não foi mesmo todo porque nos instantes finais um jogador do Feirense se atirou para cima do Samaris e o árbitro assinalou falta, o que lhes permitiu despejar a bola para próximo da nossa área (e serem apanhados em fora de jogo).

 

 

Foi mais um daqueles jogos em que fiquei com a impressão de que a vitória se deveu sobretudo a um trabalho colectivo. O terreno estava pesado, o jogo foi difícil, e não foi ocasião para grandes brilhos individuais. Para mencionar alguém, só mesmo o Salvio e pela negativa. Foi um jogo bastante infeliz da parte dele, na sequência aliás do mau momento de forma que parece atravessar. E que se deve sobretudo à insistência em individualismos desnecessários. O lance de contra-ataque que desperdiçou foi de um egoísmo inaceitável que nos podia ter custado muito. Talvez fosse uma boa altura para experimentar o banco por algum tempo, porque o que não nos faltam são opções para jogar nas alas.

 

Se alguém ainda duvida das más intenções da SportTV em relação ao Benfica, basta que prestem atenção à realização do jogo desta noite para dissipar quaisquer dúvidas. Foi um compêndio. Qualquer lance em que um jogador do Feirense entrasse na nossa área era repetido até à exaustão, de todos os ângulos possíveis. À procura, literalmente, de qualquer coisa. Qualquer coisa a que se pudessem agarrar e criar polémica. No início da segunda parte há um lance em que um jogador do Feirense se isola. O lance só não criou mais problemas porque o Ederson foi rapidíssimo a sair da baliza e quando o remate é feito já o nosso guarda-redes está quase em cima da bola. Na primeira repetição dá para perceber perfeitamente que o jogador do Feirense está em posição irregular. Nunca mais a voltámos a ver, nem qualquer linha de fora de jogo. É com isto que temos que conviver, e isto é mais uma forma de pressionar os árbitros. Encobrir ou desvalorizar lances em que sejamos prejudicados (classificá-los de 'lances de televisão', ou 'dar o benefício da dúvida' ao árbitro) e andar literalmente a esquadrinhar todos os segundos de um jogo para encontrar qualquer coisa que possa ajudar a fazer passar a ideia de que fomos beneficiados, repetindo depois esses lances até à exaustão. Não nos podemos distrair, não podemos facilitar. Há toda uma campanha montada para nos desviar do tetra.

tags:
por D`Arcy às 00:58 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Quarta-feira, 01.03.17

Morno

Em dia de aniversário, um resultado positivo num jogo morno e pouco conseguido da nossa equipa deixou-nos com muito boas perspectivas de apuramento para o Jamor. Apesar do Benfica ter sido quem mais procurou a vitória, a qualidade do nosso jogo foi sofrível e isso ajuda a explicar a vitória arrancada quase no último suspiro contra um adversário que mostrou tão poucos argumentos.

 

 

Houve mudança na baliza, onde jogou o Júlio César, no centro da defesa, onde o Jardel substituiu o Luisão (também nas funções de capitão) e no meio campo, tendo jogado o Filipe Augusto e o Carrillo em vez do Pizzi e do Salvio. A exemplo da segunda parte contra o Chaves, foi o Zivkovic quem apareceu mais frequentemente a jogar atrás do avançado, e o Rafa encostado à esquerda. O Benfica, na minha opinião, fez um jogo em 'decrescendo'. Pareceu-me que entrámos relativamente bem e a jogar com alguma velocidade, mas ao longo do tempo a intensidade foi diminuindo e a segunda parte foi quase toda jogada a meio gás, com excepção dos últimos minutos. O jogo para mim fica inevitavelmente marcado por (mais) um desperdício inacreditável do Rafa logo nos minutos iniciais - tivesse esse golo sido marcado e provavelmente o jogo seria muito diferente. Depois de receber a bola, à vontade, e perto da linha da pequena área, o Rafa conseguiu acertar com a bola nas mãos do guarda-redes. Não consigo sequer considerar aquilo uma defesa, para mim é um falhanço mesmo porque era uma ocasião ainda mais flagrante do que um penálti. O Estoril jogava simplesmente para o empate, na esperança que algum erro do Benfica lhe proporcionasse um improvável golo, e um disparate do Júlio César, em que entregou a bola a um adversário, quase que satisfez esse desejo - felizmente não havia qualquer adversário no meio para aproveitar o centro quando a baliza estava completamente desguarnecida. O Benfica, apesar de ter mais bola e atacar mais, poucas ocasiões criava mas acabou por chegar ao golo aos trinta e seis minutos, pelo inevitável Mitroglou, que ao segundo poste desviou um cruzamento perfeito vinda da esquerda da autoria do Zivkovic. 

 

 

Pensei que o jogo estaria mais ou menos encaminhado, mais ou menos um golo para o Benfica, mas apenas quatro minutos depois o Eliseu cometeu um penálti perfeitamente escusado, ao interceptar um cruzamento com o braço, e o Estoril empatou. Nesse lance o Filipe Augusto lesionou-se e acabou substituído pelo Pizzi. A segunda parte foi, na sua maioria, um bocejo. O Estoril continuava a mostrar-se interessadíssimo num empate que o deixava já em desvantagem para a segunda mão, e o Benfica não parecia lá muito interessado em correr muito para ganhar o jogo. Muitas trocas de bola na zona do meio campo entre os médios e os defesas, quase sempre sem qualquer tipo de progressão no terreno. De relevante, do lado do Estoril um remate cruzado do Kléber que passou perto do poste, e do nosso (ainda) mais uma perdida do Rafa em boa posição. Só nos minutos finais, e já com as presenças do Cervi e do Jiménez em campo (saíram o Rafa e o Carrillo) é que as coisas se animaram um pouco. O Mitroglou deu o aviso, mas o remate após passe atrasado do Cervi falhou a baliza por pouco depois de tabelar num defesa. Mas marcou mesmo a um minuto do final, numa jogada em que o Eliseu, de calcanhar(!) desmarcou o Cervi pela esquerda da área e este fez o passe para o centro, onde o Mitroglou com um toque parou a bola e com outro marcou. Já ouvi dizer que estava adiantado, mas de onde eu estava no estádio é impossível confirmar isso. E antes do apito final foi por centímetros que o Zivkovic, numa cabeçada em salto rente à relva depois de um cruzamento do Cervi, não fez o terceiro golo. Como é fácil notar, há um ponto em comum nestas três situações que referi: o Cervi esteve envolvido em todas elas.

 

 

O Mitroglou, e como vem sendo hábito ultimamente, é o homem do jogo. Apesar de alguns cruzamentos sem nexo, gostei do Zivkovic, que foi sempre dos mais activos no jogo, inclusivamente em recuperações defensivas. O Jardel também fez um bom jogo e a entrada do Cervi foi importante, pois mexeu com um jogo que estava praticamente estagnado - custa-me um pouco a perceber a sua súbita perda de protagonismo relativamente à fase inicial da época. É certo que o Zivkovic recuperou da lesão e se tornou uma opção válida, mas por exemplo o Rafa ainda não deu muitos exemplos que justifiquem estar à frente do argentino nas escolhas. Acho que já escrevi isto antes, mas o Rafa é, muito provavelmente, o pior finalizador que eu já vi jogar pelo Benfica. Pode ter outras qualidades que serão úteis à equipa, mas meter a bola na baliza é definitivamente um ponto muito fraco do seu jogo.

 

Ficámos com a eliminatória bem encaminhada, mas agora é preciso voltar a focar atenções no campeonato. E será necessário jogar bem mais e melhor do que isto para trazermos os três pontos da visita ao Feirense. Porque senão só estamos mesmo a convidar dissabores.

tags:
por D`Arcy às 01:10 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sábado, 25.02.17

Bonito

Um triunfo importante frente a uma das boas equipas do nosso campeonato. Com uma equipa bem montada e organizada, o Chaves sabe tirar o melhor partido dos argumentos que possui, e mesmo sem recorrer a tácticas de antijogo conseguiu frequentemente criar dificuldades ao nosso ataque e vender cara a derrota. Foi um jogo bonito e agradável de acompanhar, ao contrário de tantos outros em que mesmo ganhando de forma mais confortável acabamos por nos irritar constantemente devido ao futebol negativo do adversário. O Chaves pode ter orgulho na forma como jogou e certamente que conquistou o respeito da grande maioria dos benfiquistas.

 

 

Apesar da recuperação do Jonas, o Benfica apresentou o mesmo onze que tinha alinhado em Braga à excepção do Fejsa, que estando lesionado deu o seu lugar ao Samaris. Já estou habituado a que de uma forma ou outra o Benfica acabe por arranjar soluções para as várias ausências com que temos sido confrontados esta época, mas confesso que fico sempre um pouco mais apreensivo quando o Fejsa não joga. Para mim ele é uma espécie de fulcro de toda a equipa; a peça que acaba por dar um necessário equiíbrio quer à defesa, quer ao meio campo. E a forma como o Samaris surgiu no jogo não contribuiu muito para me tranqulizar, sobretudo devido aos inúmeros passes falhados do grego. Na direita o Salvio continuou na saga quixotesca em que enveredou nos últimos tempos, na qual decide enfrentar sozinho o mundo inteiro. Insiste nos lances individuais, dá sempre pelo menos um toque a mais na bola, e decide quase sempre mal. Para compor um trio desinspirado, o Rafa insistia em mostrar que em jogos destes, contra equipas que fecham bem atrás e sobretudo bloqueiam quase tudo o que é caminho pela zona central, jogar como segundo avançado definitivamente não parece ser a melhor escolha. Resumindo, frente a um Chaves que mesmo sem autocarro, se organizava bem atrás a jogar num 4-4-2 bem arrumadinho, mantendo quase sempre todos os jogadores atrás da linha da bola, nós respondíamos com três finalizadores de jogadas natos - finalizadores porque a maior parte das jogadas acabavam quando a bola chegava aos pés de um destes jogadores. O pior era quando elas acabavam entregando a bola ao adversário - é que o Chaves conseguia quase sempre sair de forma muito orientada para o contra-ataque e rapidamente chegava à frente com três ou quatro jogadores. 

 

 

Foi aliás o Chaves quem criou a primeira boa ocasião, valendo-nos a saída rápida e decidida do Ederson aos pés do Fábio Martins, que lhe aparecia isolado. Pouco depois, aos dezoito minutos, o Benfica e o Mitroglou em especial voltaram a revelar a eficácia dos últimos jogos e o golo surgiu na primeira oportunidade criada. Cruzamento do Nélson Semedo na direita e cabeçada certeira do grego, de cima para baixo, aproveitando o facto de ter ficado à vontade depois da queda do defesa que disputava o lance com ele. Após o golo o nosso jogo melhorou um pouco, talvez também pelo facto de tentarmos fazer as coisas com um pouco mais de calma. Mas era importante fazer um segundo golo, porque os poucos contra-ataques do Chaves eram suficientes para se perceber que podiam perfeitamente chegar ao golo. Criámos duas excelentes situações para o fazer, mas na primeira o Rafa, em muito boa posição dentro da área, optou por tentar passar a bola e o lance perdeu-se. No segundo, já muito perto do intervalo, o Salvio controlou uma bola metida em balão para as costas da defesa do Chaves, provavelmente pela primeira vez no jogo tomou a decisão mais correcta e fez o passe para o Mitroglou, mas o grego rematou de pé direito para a bancada quando o golo parecia ser o desfecho mais provável. Não marcámos nesse lance e praticamente na resposta o Chaves empatou: incursão pela esquerda da nossa defesa, passe atrasado para a entrada da área e remate de primeira do Bressan, muito colocado e sem dar qualquer possibilidade de defesa ao Ederson. Um grande golo a levar tudo empatado para o intervalo.

 

 

Para a segunda parte não houve substituições mas houve um pequeno acerto táctico que acabou por fazer alguma diferença. O Rafa passou para a esquerda e foi o Zivkovic a assumir o papel de segundo avançado, o que fez com muito maior mobilidade do que o Rafa tinha feito durante a primeira parte, aparecendo com muito maior frequência a oferecer opções de passe aos colegas. E com cinco minutos decorridos o Benfica colocou-se de novo em vantagem. Dois dos jogadores que tinham estado menos inspirados na primeira parte acabaram por ter um papel decisivo no lance. Foi do Samaris o excelente passe para a desmarcação do Nélson Semedo, e foi o Rafa quem apareceu ao segundo poste para empurrar para golo a bola cruzada pelo Nélson, depois do Mitroglou não a ter conseguido desviar. Foi importante marcar cedo, porque assim evitámos o acumular de nervosismo caso o empate fosse persistindo. Mas já tínhamos provas mais do que suficientes que a margem de um golo era demasiado perigosa, pelo que seria fundamental alargá-la. Pouco depois do golo o desinspirado Salvio foi mesmo substituído, entrando o Jonas, e o nosso jogo melhorou. Mas o tempo ia passando e o terceiro golo teimava a não aparecer, com os nossos remates a passarem quase sempre um pouco ao lado do alvo: Mitroglou, Nélson Semedo, Zivkovic e Jonas atiraram sempre para fora. Num outro lance perigoso fiquei com a sensação de que o remate do Pizzi à entrada da área foi cortado com a mão, mas foi tudo muito rápido, e noutra ocasião foi um corte de um defesa a evitar no limite que o Jonas finalizasse uma óptima jogada de ataque conduzida pelo Zivkovic, que também passou pelo Mitroglou. Depois deu-se a progressão natural de um jogo nestas condições. Chegados aos minutos finais a equipa que está em vantagem tem a tendência para se retrair e a equipa que está em desvantagem começa a acreditar que pode chegar à igualdade e cresce. O Ederson ainda foi obrigado a uma defesa difícil a um remate de fora da área, mas já sobre os noventa minutos o Mitroglou encerrou a discussão com o seu segundo golo. Aproveitando um balão para as costas da defesa, foi mais forte do que o seu marcador directo e aproveitou um corte defeituoso deste quando estava pressionado para ficar isolado e finalizar com um remate de primeira.

 

 

 

É fácil destacar o Mitroglou como homem do jogo pelos dois golos (e não só, pelo que trabalhou e criou) mas eu coloco o Nélson Semedo no mesmo patamar. Foi dos jogadores mais interventivos no jogo, fez duas assistências, e infelizmente viu o cartão que completou a série de cinco que o deixará de fora do nosso próximo jogo para o campeonato. Não gostei do jogo do Salvio e do Samaris, e quanto ao Rafa melhorou na segunda parte depois de ter passado para a esquerda. O Zivkovic nunca esteve tão desastrado, mas também subiu de produção quando foi para o meio por alguns minutos e sobretudo quando passou para o lugar do Salvio na direita. O Jonas, como não podia deixar de ser, entrou bem e a qualidade do nosso jogo melhorou visivelmente com a sua presença em campo. Só lhe ficou a faltar um golo numa daquelas melhores jogadas de ataque que construímos - numa atirou para fora e na outra deixou-se desarmar no limite.

 

Foi mais uma vitória difícil mas justa, valorizada pela boa réplica dada pelo Chaves. E seria bom ver mais equipas a jogar desta forma. Não é necessário recorrer ao antijogo ou a estratagemas mais sujos para se jogar de forma mais cautelosa. O Chaves jogou de acordo com as armas que possui, e fê-lo de forma honesta e deixando uma boa imagem, não sendo por isso que teve menos possibilidades de discutir o resultado. Tempo agora para prepararmos a visita ao Estoril para começarmos a discutir a presença no Jamor. É mais uma competição que desejamos conquistar.

tags:
por D`Arcy às 02:41 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 20.02.17

Fundamental

O caldinho foi bem cozinhado e estava muita gente à espera que o resultado fosse o Benfica perder a liderança nesta jornada. Mas o Mitroglou acabou por estragar o arranjinho e o Benfica saiu da batalha de Braga com uma vitória fundamental para as nossas aspirações.

 

 

Sem Jonas, a aposta para o substituir foi a mais esperada, Rafa. O Júlio César defendeu a nossa baliza na suspensão do Ederson, e o Zivkovic regressou à titularidade no lugar do Carrillo. O jogo foi acima de tudo quase sempre bastante equilibrado, com muita disputa de bola a meio campo e sem que nenhuma das equipas se conseguisse impor claramente à outra. O Benfica entrou melhor, mas depois o Braga equilibrou o jogo e terminou a primeira parte com sinal mais. Não houve muitas ocasiões de golo de parte a parte, embora o Braga tenha sido mais rematador, mas nenhum dos guarda-redes foi obrigado a defesas de elevado grau de dificuldade. Houve uma grande ocasião para cada equipa, tendo o Braga enviado uma bola ao poste na sequência de um pontapé de canto e o Mitroglou atirado por cima quando estava muito perto da baliza, traído por um ligeiro desvio que o Marafona conseguiu fazer à bola. A segunda parte foi o inverso da primeira, com o Braga a entrar melhor e a ser mais perigoso, mas depois o Benfica foi conseguindo recuperar a bola em zonas mais adiantadas do terreno e passou a conseguir estar mais tempo perto da área do Braga. Foi importante a alteração que fizemos, quando trocámos o Zivkovic (jogo anormalmente discreto hoje) pelo Jiménez. O Rafa tem as suas qualidades, mas não me parece que esteja particularmente preparado para fazer a posição de segundo avançado, pelo menos de forma semelhante à do Jonas. O Rafa é um jogador talhado para o contra-ataque, e a jogar naquela posição posiciona-se quase sempre em zonas adiantadas, encostado à defesa adversária, oferecendo poucas possibilidades para construção de jogo - o melhor é receber bolas para aproveitar a sua velocidade. Com a entrada do Jiménez o Rafa foi para a ala e o mexicano conseguiu fazer melhor a ligação com o meio campo, e ajudar a desequilibrar a luta naquela zona. O golo que acabou por decidir o jogo surgiu a dez minutos do final, depois de uma recuperação de bola do Pizzi no meio campo. A bola seguiu para o Jiménez, que a fez chegar ao Mitroglou mais na direita. O grego entrou na área, ficou com a bola nos pés aquilo que parecia ser demasiado tempo, já que entretanto toda a defesa do Braga se tinha reposicionado, e quando parecia que a jogada já não iria dar em nada teve um trabalho individual que de alguma forma e com alguns ressaltos acabou com ele a passar no meio de quatro ou cinco adversários e a rematar para o fundo da baliza. Um lance ainda mais surpreendente quando todos sabemos que a técnica individual nem é um dos pontos fortes dele. E não tive qualquer dúvida que o jogo estava ganho, porque para além do pouco tempo que faltava até ao intervalo este era claramente um daqueles jogos em que quem marcasse ganharia.

 

 

Disse no início que o caldinho tinha sido cozinhado, e isso passou pela completa falta de senso na nomeação do Tiago Martins para este jogo, tendo em conta o episódio recente com o nosso treinador. Mas percebo a nomeação. Nem vou estar a analisar concretamente as decisões que tomou hoje e se as considero certas ou erradas, porque já disse várias vezes que o trabalho dos árbitros não é fácil. Mas registo isto: houve cinco lances duvidosos na área do Braga: um golo anulado ao Mitroglou por eventual posição irregular e quatro lances de possível penálti (queda do Salvio, puxão ao Mitroglou, e dois contactos entre a bola e o braço de um defesa do Braga). Em todos eles - todos - o Tiago Martins decidiu contra o Benfica. E são 'coerências' destas que me ajudam, e muito, a perceber a nomeação. Nem quero começar a imaginar o escarcéu a que assistiríamos caso os referidos lances tivessem acontecido na nossa área.

 

 

O homem do jogo é o Mitroglou porque marcou o golo que fez o resultado. De resto foi um árduo trabalho de equipa - sim, de equipa, porque achei patética a forma como a gente da SportTV imediatamente começou a querer fazer passar a mensagem, tendo inclusivamente feito a pergunta ao nosso treinador e ao Pizzi, de que tinha sido uma individualidade a resolver aquilo que o colectivo não tinha conseguido resolver, ou seja, uma forma suja de tentar retirar mérito à equipa do Benfica e ao seu treinador. Podia destacar um ou outro jogador como o Nélson Semedo ou apontar pormenores menos positivos noutros, mas parece-me que será mesmo mais justo realçar o trabalho de toda a equipa.

 

Para grande pena de muita gentinha e gentalha, a anunciada ascensão do Porto ao topo da tabela não se deu hoje. Temos pena. As tentativas para que isso aconteça, sobretudo através de manobras fora do campo, irão certamente continuar. Temos que manter a união e a cabeça fria para resistir às provocações e impor o nosso futebol. Sobretudo em jogos como este, em que não sendo possível jogar bom futebol conseguimos lutar pelo resultado e conquistar os três pontos. É de muitos jogos assim que se faz a conquista de um campeonato.

tags:
por D`Arcy às 01:14 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Quarta-feira, 15.02.17

Feliz

Jogámos a primeira metade da eliminatória claramente para o resultado e acabámos por conquistar uma vitória feliz, beneficiando de uma noite muito inspirada do Ederson e muito desinspirada do Aubameyang. Há jogos assim, e hoje tivemos que lutar muito para sermos felizes no final.

 

 

Tendo em conta a forma que tem apresentado nos últimos jogos, o Benfica tinha logo à partida uma baixa de peso para este jogo no Zivkovic. A que se juntou outra horas antes do seu início, quando se confirmou a indisponibilidade do Jonas. Para o lugar do sérvio entrou o Salvio, e para o do Jonas o Rafa. Já escrevi anteriormente que sou também adepto do Dortmund há vários anos (desde uma final da Taça UEFA que perderam em 1993 contra a Juventus, para ser mais preciso) e sigo todos os seus jogos, por isso não tinha quaisquer dúvidas sobre as dificuldades que enfrentaríamos neste jogo. Aquilo que jogaria a nosso favor seria alguma intranquilidade dos alemães devido aos últimos resultados negativos. Mas apesar de internamente estarem a atravessar uma fase menos boa, o valor do plantel do Dortmund somado à motivação adicional de disputar a Champions eram mais do que suficientes para saber a enorme tarefa que tínhamos pela frente. O que depressa se confirmou - efectivamente, pouco tenho a dizer sobre a nossa primeira parte em termos ofensivos porque muito pouco aconteceu. Embora os primeiros minutos até tenham dado a impressão enganadora de que seria um jogo aberto de parada e resposta, durante os quais o Salvio teve uma boa ocasião mas resolveu (sem surpresa) optar pela iniciativa individual até rematar de ângulo fechado para a bancada, depressa caiu para o cenário que me parecia mais provável. O Dortmund tomou conta da bola e começou a fazer o estilo de jogo em que se sente mais confortável, de construção lenta e trocas de bola em zonas mais recuadas à espera de alguma aberta para uma das três setas da frente (Reus-Aubameyang-Dembelé). O Benfica por sua vez cerrou linhas atrás, com a defesa e meio campo muito juntas, procurando bloquear todas as possíveis linhas de passe e possibilidade de jogo entre linhas. Fizemos uma coisa bastante positiva, que foi conseguir secar muito do jogo para o Weigl, que apesar de ser o médio mais defensivo é o jogador por onde se costuma iniciar quase toda a construção de jogo do Dortmund (estive em Alvalade em Outubro e foi por aí que eles começaram a ganhar o jogo). Mas se fizemos relativamente bem o trabalho defensivo, já não fomos capazes de construir jogo ofensivo de forma eficaz. Quase nunca conseguimos sair com critério para o ataque, entregando a bola rapidamente ao adversário e muitas vezes perdendo-a mesmo em zona proibída - a pressão do Dortmund era imediata, e os nossos jogadores insistiam em querer sair a jogar logo à entrada da área. As ocasiões de golo escassearam mas as poucas que houve foram todas do Dortmund, e quase sempre nascidas de erros individuais dos nossos jogadores. Uma perda de bola infantil do Pizzi acabou com o Aubameyang isolado a atirar por cima, na primeira grande perdida da noite. Nova perda de bola do Pizzi, seguida de demasiada cerimónia do Fejsa para aliviar a bola, resultou em mais uma boa ocasião, com o remate do Dembelé a ser desviado no limite para canto pelo Lindelöf. E a outra grande ocasião surgiu num lance em que o Lindelöf e o Ederson hesitaram e o Guerreiro conseguiu fazer o cruzamento sobre a linha de fundo, com a bola a passar ao longo de toda a baliza a poucos centímetros do golo, sem que o Aubameyang a conseguisse desviar.

 

 

Na segunda parte colocámos mais um médio, substituindo o Carrillo pelo Filipe Augusto, e mais uma vez nos primeiros minutos demos a ideia de querer ir para cima do adversário. Desta vez fomos felizes porque fomos recompensados com um golo logo aos quarenta e oito minutos. Canto da direita marcado pelo Pizzi, o Luisão ganhou nas alturas e o Mitroglou falhou o primeiro desvio, mas a bola acabou por ficar à sua frente quase em cima da linha de golo para que a empurrasse para lá da linha. Foi o primeiro remate do Benfica à baliza, e acabou por ser o último remate que fizemos no jogo. A partir daí o Dortmund voltou a tomar completamente conta do jogo, e a ordem do nosso lado era apenas segurar a vantagem. E foi bem difícil fazê-lo, porque o Dortmund foi bastante mais incisivo do que tinha feito na primeira parte. Apesar de termos mais um médio em campo, estranhamente o Weigl teve mais espaço para jogar, e isso paga-se. Foi uma segunda parte a cerrar fileiras contra os ataques sucessivos do Dortmund e a ver o Ederson resolver aquilo que por vezes parecia não ter solução. A resposta do Dortmund ao golo foi forte e imediata: minutos depois, e num curto espaço de tempo, o Ederson com uma mancha tirou o golo ao Dembelé, que viu a bola cair-lhe à frente depois de um disparate da nossa defesa, pouco expedita a aliviá-la, ao Reus, que surgiu solto na direita a rematar cruzado, e ao Piszczek, com uma excelente defesa a um remate de fora da área. Pelo meio, o Aubameyang voltou a atirar por cima quando ficou isolado após um passe a meias entre o Bartra e o árbitro do jogo. E logo a seguir, penálti para o Dortmund por mão do Fejsa, em mais um lance em que achei que a nossa defesa foi pouco lesta a atacar a segunda bola. O Aubameyang tentou marcar para o meio da baliza mas o Ederson esperou, não caiu e defendeu o remate com alguma facilidade. Depois desta fase de verdadeiro bombardeamento à nossa baliza o jogo acalmou um pouco. O Dortmund continuou a dominá-lo, mas acertámos melhor as marcações e a nossa defesa ia dando conta do recado com maior eficácia, com o Ederson a ter apenas trabalho na saída a cruzamentos. Ainda assim, a cereja no topo da grande exibição do nosso guarda-redes ainda estava para vir. Foi já perto do final, quando fez uma defesa do outro mundo a um remate de ressaca de fora da área que ainda fez a bola tabelar no Jiménez e desviar a direcção, e assim assegurou a vantagem para o jogo da segunda mão.

 

 

Depois do que já escrevi seria até desnecessário escrever que o Ederson foi o homem do jogo. Por todos os motivos já descritos. Foi um verdadeiro gigante na baliza e o principal responsável pela vitória. Gostei do jogo dos nossos centrais, com particular destaque para o Luisão no seu jogo 500 pelo Benfica. Se o Dortmund praticamente não criou perigo nos pontapés de canto de que dispôs foi porque o Luisão cortou praticamente todas essas bolas. Teve ainda desarmes fundamentais e esteve directamente ligado ao lance do golo. Bom jogo do Nélson Semedo, que durante diversos períodos do jogo parecia ser o único jogador capaz de sair para o ataque com a bola controlada e que conseguiu manter quase sempre sob controlo dois dos adversários mais perigosos, primeiro o Reus e depois o Dembelé (apenas por uma vez deixou o Reus solto). O Fejsa fez uma primeira parte atípica, pouco decidido e parecendo entrar a quase todos os lances de forma demasiado macia, mas melhorou na segunda parte apesar do penálti cometido. O Pizzi fez um jogo simplesmente desastroso e o Rafa um jogo inexistente - foi presa muito fácil para os centrais do Dortmund e a única coisa que o distingue do Pizzi é que ao menos não fez nada de prejudicial, enquanto que os erros do Pizzi quase que resultaram em golos sofridos.

 

Foi uma vitória 'injusta'? Talvez, mas tem piada que eu nunca vejo essas preocupações com injustiças quando o Benfica perde pontos na situação inversa. Vão lá ver os números dos jogos do Benfica contra o Setúbal ou contra o Marítimo, por exemplo. O domínio do Benfica nesses jogos foi ainda mais evidente, mas a crítica foi unânime nos elogios às equipas que nos venceram e à justiça dessas vitórias. Claro que também temos que ter em conta que o Dortmund é um adversário fácil - anteontem vi na SportTV um comentador a afirmar, sem se rir, que este Dortmund era mais fraco do que aquele que jogou em Outubro contra o Sporting. Dortmund esse que nessa altura tinha onze jogadores lesionados (metade do onze inicial de hoje não esteve no jogo de Outubro) sendo obrigado até a fazer alinhar jogadores que não estavam nas melhores condições físicas (e que saíram naturalmente lesionados). Mas este Dortmund é mais fraco do que esse, obviamente. Não estou a querer fazer qualquer tipo de comparação entre Benfica e Sporting; cada jogo é um jogo e o Sporting não é para aqui chamado. Apenas me irrita a constante necessidade que parece haver em desvalorizar antecipadamente os nossos adversários. Enfim, este jogo está ganho, daqui a três semanas voltamos a pensar no Dortmund. Agora o importante é o jogo que se segue, uma visita sempre complicada a Braga. Onde o herói deste jogo não estará disponível mas espero que, para nosso bem, não tenhamos assim tanta necessidade de um guarda-redes inspirado nesse jogo.

tags:
por D`Arcy às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sábado, 11.02.17

Classe

Se na última jornada escrevi que estávamos de regresso à normalidade, então hoje não foi mais do que a confirmação dessa mesma normalidade. Aquela em que vencemos confortavelmente os nossos jogos, exibindo uma superioridade tal que nos coloca até a salvo de eventuais decisões adversas por parte das equipas de arbitragem. Uma exibição segura e cheia de classe para silenciar algumas vozes mais histéricas. Para plagiar parcialmente o Mark Twain, diria que as notícias da crise no Benfica me parecem ser manifestamente exageradas.

 

 

Já era ponto assente que o Salvio ficaria de fora por precaução e seria poupado para o duelo da Champions, mas ainda ssim foi um pouco surpreendente ver o Carrillo nas escolhas iniciais para este jogo. O Zivkovic era mais ou menos uma certeza, mas provavelmente a maior parte das pessoas esperariam que fosse o Cervi ou o Rafa a ocupar o outro flanco. Mas a escolha do peruano acabou por ser acertada, já que ele realizou a sua melhor exibição desde que chegou ao Benfica e ficou directamente ligado aos golos e a esta vitória. Vitória que começou logo na atitude com que a nossa equipa entrou em jogo. A forma mais eficaz de gerir o esforço antes de um confronto europeu é resolver o jogo o mais cedo possível, para depois podermos fazer os jogadores descansar com posse de bola e substituirmos antecipadamente aqueles que apresentem maior cansaço. E foi precisamente isso que o Benfica tentou fazer. Com uma atitude dinâmica e muita velocidade, com o Zivkovic e o Nélson Semedo muito activos na direita, o Carrillo bem mais interventivo do outro lado e o Jonas a alargar o seu raio de acção para terrenos mais recuados, o Benfica desde o apito inicial que tomou conta do jogo, remetendo o Arouca quase exclusivamente para tarefas defensivas. E se o Benfica entrou bem no jogo, a pressão e velocidade imprimidas foram sempre aumentando à medida que o tempo decorria, tornando-se quase avassaladora a partir dos vinte minutos. A partir dessa altura os ataques sucediam-se uns aos outros, sem que o Arouca conseguisse sequer sair do seu meio campo. E as ocasiões obviamente começaram também a acumular-se. A primeira nem foi da nossa exclusiva responsabilidade, já que foi o Nuno Coelho quem, ao tentar interceptar um cruzamento do Zivkovic, enviou a bola à barra da sua própria baliza (por um lado ainda bem, porque tendo em conta que ele já passou pelo Benfica numa pré-época, se a bola entrasse de certeza que haveria por aí muitos maluquinhos de chapéu de folha de alumínio a desenvolver teorias da conspiração). Depois o Mitroglou marcou mesmo, mas o golo foi anulado por fora-de-jogo ao Jonas, que tentou jogar a bola mas não lhe conseguiu tocar. Na minha opinião, bem anulado. Mas confesso que será divertido observar a forma como aqueles que insistem que o terceiro golo que o Boavista nos marcou foi legal (e já agora, aquele que o Setúbal nos marcou na primeira volta) agora seguramente conseguirão, sem hesitação, dizer que este golo foi bem anulado. Indiferente a isto o Benfica continuou a carregar, e após um passe longo do Zivkovic foi o Luisão quem parou no peito e rematou, ficando muito perto de marcar, valendo ao Arouca a saída rápida da baliza do seu guarda-redes. Mas aos vinte e cinco minutos já nada pôde fazer para contrariar a cabeçada fulgurante e colocadíssima do Mitroglou, que correspondendo a um centro da direita do Jonas fez a bola entrar bem junto da base do poste.

 

 

Desta vez também não cometemos o erro de outras ocasiões, que foi baixar imediatamente o ritmo após obtermos o primeiro golo. E foi por isso com toda a naturalidade que, dez minutos após o primeiro golo, o Benfica aumentou a vantagem. A jogada desenvolveu-se pela esquerda, com um bom passe do Carrillo a solicitar a desmarcação do Eliseu. Já dentro da área, conseguiu chegar à bola antes do guarda-redes e fazer o passe para trás, onde surgiu o Mitroglou para rematar de primeira e com estrondo para o fundo da baliza. O segundo golo não era mais do que a expressão do domínio completo do Benfica no jogo. Da forma como estávamos a jogar, adivinhava-se uma goleada e um jogo muito confortável até final como o cenário mais provável. O Arouca quase não conseguia oferecer réplica, e só a cinco minutos do intervalo deu o primeiro sinal de perigo, num remate de fora da área ao qual o Ederson se opôs muito bem. Mas pouco depois desse lance deu-se outro que poderia ter mudado completamente o rumo do jogo. Depois de uma bola comprida colocada nas costas da nossa defesa, o Mateus perseguiu-a rodeado pelo Lindelöf e o Eliseu. O Ederson saiu da baliza, cortou a bola (que bateu no Eliseu e seguiu na direcção da baliza) e a seguir atingiu o Mateus. Numa primeira fase o árbitro mandou seguir, mas após ser alertado pelo auxiliar, assinalou falta e expulsou o Ederson. Na minha opinião a expulsão parece-me um claro exagero, já que o jogador do Arouca está rodeado por dois defesas nossos, o Ederson joga a bola e a sua única intenção é mesmo jogar a bola, sendo depois o contacto inevitável. Mas infelizmente para nós foi essa a decisão da equipa da arbitragem, o que nos deixou com uma tarefa teoricamente mais complicada para o resto do encontro, e pior ainda, sem o Ederson para a visita a Braga. Vimo-nos então obrigados a retirar o Mitroglou do encontro para a entrada do Júlio César, o que me pareceu uma opção natural, já que em inferioridade numérica não faria muito sentido jogarmos com um avançado mais fixo.

 

 

Mas face à visível diferença de qualidade entre as duas equipa a que se tinha assistido na primeira parte e à forma como o Benfica estava a jogar, nem sequer fiquei particularmente apreensivo para o que restava deste jogo. Comentei aliás ao intervalo que muito provavelmente o Benfica até iria aproveitar que o Arouca tinha finalmente desmontado a sua estrutura defensiva (o Vidigal efectuou uma substituição imediatamente a seguir à expulsão) e iria tentar adiantar-se no terreno para em contra-ataque marcar um terceiro golo e arrumar de vez com a questão. E a verdade é que isso acabou por acontecer quase de imediato assim que começou a segunda parte. Foi uma jogada de ataque muito bonita, talvez mesmo a mais bonita de todo o jogo. Depois da bola rodar pelos pés de vários jogadores, chegou até ao Nélson Semedo, ainda a meio do nosso meio campo. Ele combinou com o Zivkovic, arrancou como uma locomotiva junto à linha, flectiu para o centro, tabelou com o Jonas à entrada da área, deixou a bola no Pizzi, e este fez o passe para a entrada do Carrillo pela esquerda, que à saída do guarda-redes lhe picou a bola por cima. Grande golo, e a sensação de que quaisquer possíveis complicações na segunda parte estariam quase por completo eliminadas. O que foi exactamente o que veio a verificar-se. O Arouca teve naturalmente bastante mais bola do que tinha tido durante a primeira parte, mas mesmo em superioridade numérica durante tanto tempo apenas conseguiu criar uma ocasião de perigo: um cabeceamento do Kuca que desviou no Nélson Semedo e acabou por ser defendido com alguma dificuldade pelo Júlio César. De resto, o Benfica baixou notoriamente o ritmo do jogo e foi gerindo o esforço e deixando o tempo escoar. A melhor ocasião de golo de toda a segunda parte, aliás, pertenceu ao Benfica. No seguimento de um livre apontado pelo Pizzi, o Luisão surgiu completamente à vontade no interior da área e rematou muito por cima da baliza quando o mais fácil parecia ser marcar golo. Acabou por ser uma segunda parte bastante tranquila, que nos permitiu gerir eficazmente o esforço em antecipação do jogo da próxima terça-feira.

 

 

O Carrillo, conforme disse, fez seguramente o seu melhor jogo no Benfica. Não vou ao ponto de o considerar o melhor em campo, mas esteve num nível bastante bom e que justifica novas oportunidades. Acima de tudo interessa salientar a melhoria da atitude competitiva, parecendo muito menos alheado do jogo do que noutras ocasiões. O Mitroglou muito provavelmente hoje, não fosse a expulsão do Ederson, teria marcado mais do que dois golos. Parecia estar em dia sim, já que nas três ocasiões de que dispôs, marcou. O Nélson Semedo fez também um grande jogo, e neste momento parece estar fisicamente melhor do que já aparentou num passado não muito distante. Ajudou também ter à sua frente o Zivkovic, um jogador que não me canso de elogiar. Consegue quase sempre sair a jogar, ou entregar a bola bem redondinha nos pés de um colega. Grande capacidade técnica, enorme atitude competitiva, e cabeça fria para ser um autêntico saco de pancada para os jogadores do Arouca e continuar sempre a levantar-se e a voltar ao jogo. Bom jogo dos nossos centrais, e se o Luisão tem marcado aquele golo, a juntar ao pormenor técnico que exibiu com o jogo a acabar, acho que tinha saído em ombros. O Fejsa foi aquilo do costume, e até quando comete um ou outro erro no passe acabamos por desculpá-lo porque ele parte imediatamente para cima do adversário e insiste até recuperar a bola que acabou de perder. Jonas sempre importante, até sair exausto. E repito o que já disse: em boa hora regressou o Eliseu.

 

Foi uma vitória muito importante para estabilizar e dar confiança à nossa equipa, ainda por cima obtida em condições pouco favoráveis, já que não tínhamos o nosso treinador no banco e jogámos mais de meia parte em inferioridade numérica. Esperemos que motive a nossa equipa para uma grande prestação no difícil jogo europeu que se segue. Tenho uma enorme admiração pelo Dortmund (posso considerá-los a minha 'segunda equipa') mas acredito que se estivermos ao nosso melhor nível temos valor e qualidade suficiente para os contrariar.

tags:
por D`Arcy às 03:28 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 06.02.17

Normalidade

Regresso à normalidade, ou seja, a uma vitória tranquila, por margem dilatada e sem grandes sobressaltos. Depois dos últimos resultados menos positivos, foi bom regressar a casa e a um cenário a que estamos mais habituados. A exibição não foi brilhante, mas foi positiva e em crescendo, à medida que a equipa foi recuperando a sua confiança.

 

 

Num onze sem grandes surpresas, o Zivkovic manteve a titularidade, jogando na esquerda, e atrás dele regressou o Eliseu. E por muito boa vontade que o André Almeida tenha, aquela não é a posição dele e é sempre bom jogarmos com um lateral esquerdo de raiz. O início do jogo do Benfica deu para preocupar um pouco. A equipa pareceu acusar os últimos resultados e não entrou de forma muito decidida frente a um Nacional muito defensivo, que encostou duas linhas muito próximas à sua área. Tanto assim foi que apenas com catorze minutos decorridos o Benfica fez o primeiro remate do jogo, da autoria do Jonas. O Jonas era mesmo o jogador mais rematador do Benfica, mas durante a fase inicial do jogo pareceu-me mais uma vez que ele estava a jogar praticamente como um avançado fixo, quase sempre encostado aos defesas do Nacional. O Benfica precisa do Jonas mais móvel, que vem buscar a bola e criar jogo mais atrás, aliviando assim a pressão sobre o Pizzi - aparenta algum cansaço e tem sido algo criticado pela quebra de rendimento, mas parece-me que parte disso se deve também à menor influência do Jonas nestes últimos jogos. O Nacional era um adversário muito pouco incómodo, remetido à defesa e que quase não conseguia sair em contra-ataque - acho que apenas por uma vez em todo o jogo criou um lance de algum perigo, ainda com o resultado em branco, quando conseguiu um cruzamento na esquerda que o Ederson afastou para a entrada da área, onde estava um jogador do Nacional que rematou muito ao lado. A partir dos vinte minutos o Benfica acelerou um pouco e começou a ameaçar a baliza adversária com maior frequência, acabando o golo por surgir aos vinte e seis minutos. Depois de um canto marcado na direita pelo Zivkovic, a bola aliviada pela defesa do Nacional foi bem recuperada pelo Pizzi, que a devolveu ao Zivkovic e este fez o cruzamento certeiro para a cabeça do Jonas enviar a bola para o fundo da baliza. Alcançada a vantagem, o Benfica pareceu querer arrefecer um pouco o jogo e tentar chamar os jogadores do Nacional a subir um pouco no terreno, já que continuavam encafuados junto da sua área - isto provocou até alguns (pouco compreensíveis) assobios da parte de alguns adeptos mais impacientes. Mas foi precisamente numa dessas ocasiões, em que alguns já começavam a perder a paciência, que depois de uma troca de bola atrás o Nélson Semedo subiu pela direita, deixou a bola nos pés do Jonas, e este correu paralelo à linha da área e rematou colocadíssimo de pé esquerdo para o poste mais distante. Um bonito golo. Golo que pareceu devolver muita confiança à nossa equipa, o que fez com que assistíssemos a um futebol mais rápido e alegre nos dez minutos até ao intervalo, durante os quais só por muito pouco não voltámos a marcar, num cabeceamento do Mitroglou após novo cruzamento do Zivkovic.

 

 

Se na primeira parte o Nacional já pouca réplica tinha dado, na segunda então foi inexistente. Foram quarenta e cinco minutos tranquilíssimos por parte do Benfica, que controlou e dominou o jogo como quis, e que mesmo sem termos assistido a qualquer massacre (apesar do domínio, até foi um Benfica bastante menos rematador do que lhe é mais habitual) poderia ter construído um resultado muito mais volumoso. O Ederson foi quase um espectador, tendo a sua contribuição para o jogo sido quase só jogar a bola com os pés depois de lhe ter sido passada pelos colegas. O Nacional nesta segunda parte tentou de facto estender-se no campo, mas com isso deu mais espaço entre a defesa e o meio campo, que nós agradecemos e explorámos. O Mitroglou podia ter feito melhor num lance em que cabeceou directamente para as mãos do guarda-redes, mas acabou mesmo por conseguir chegar ao golo, a dez minutos do final, numa bonita jogada de ataque do Benfica. O lance começa numa recuperação de bola do Fejsa, que a passa para o Rafa (tinha entrado para o lugar do Salvio, e mexeu com o jogo). Este mete-a mais para a frente no Jonas, que avança junto à lateral e espera pela desmarcação do Rafa para lhe devolver a bola. O Rafa entra na área e faz o passe atrasado para o Mitroglou, que se tinha movimentado no sentido contrário ao da defesa, e o grego teve tempo para parar a bola e fuzilar a baliza. Até pareceu fácil, e o grego saiu logo a seguir para dar o lugar ao Carrillo - minutos antes do golo tínhamos assistido à estreia do Filipe Augusto, que rendeu o Pizzi. Pouco depois ainda desperdiçámos nova boa ocasião porque o Rafa e o Jonas se atrapalharam mutuamente quando se isolaram após uma tabela com o Zivkovic. Como nota final, apenas um breve comentário à actuação do árbitro neste jogo (Luís Godinho). Não o conhecia, mas deixou-me uma muito má primeira impressão. Uma má arbitragem, com um critério disciplinar incompreensível, e da qual o Benfica tem razões de queixa. O que não foge ao que tem sido norma ultimamente. A diferença foi que hoje o Benfica jogou suficientemente bem para ganhar apesar dos disparates do árbitro.

 

 

O destaque maior da nossa equipa tem que ser o Jonas. Dois golos e participação directa na jogada do terceiro são motivo mais do que suficiente. Foi também o jogador mais rematador da equipa. Parece-me que ainda não está ao seu melhor nível, e ainda passa longos períodos no jogo em que se esconde do mesmo, encostado aos defesas adversários, mas a sua qualidade é indiscutível e pode decidir jogos num pormenor. Outro destaque é o Fejsa, que depois do regresso menos conseguido em Setúbal voltou hoje ao que já nos habituou. Ainda cometeu um ou outro disparate no passe quando resolveu tentar passar a bola rapidamente para o ataque, mas no seu trabalho fundamental de recuperação da bola e auxílio à defesa esteve irrepreensível. O Zivkovic também fez um jogo muito bom. Já não é novidade a qualidade técnica, visão de jogo e capacidade de passe que tem, mas a isso soma também uma atitude competitiva irrepreensível, o que ficou bem expresso na quantidade de bolas que conseguiu recuperar, algumas mesmo em zonas mais adiantadas do campo. E é capaz de ser o jogador do plantel que melhor sabe cruzar uma bola. Destaque também para o Nélson Semedo, com uma exibição sempre em crescendo, e para o regresso do Eliseu. Pode até nem ter feito uma exibição de encher o olho, mas é uma diferença enorme entre tê-lo a ele ou o André Almeida naquela posição.

 

Foi um jogo e um resultado importantes para dar confiança à equipa, e que nos permite a manutenção no topo da tabela, mostrando imunidade a tentativas de pressão pífias como aquelas declarações do treinador do Porto ontem (a época passada fizemos quase um terço do campeonato a defender uma vantagem de dois pontos, por isso pressão é algo a que esta equipa está mais do que habituada). A obrigação de vencer tranquilamente o último classificado foi cumprida. Esperemos que este resultado seja também o sinal de um regresso à rotina de vencer regularmente e sem grandes sobressaltos, de forma a retomarmos a rota do tetra.

tags:
por D`Arcy às 02:08 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 30.01.17

Péssima

Obviamente que nunca há alturas boas para se perder pontos, mas esta foi uma ocasião particularmente má para o fazermos. Porque tendo o Porto um jogo difícil na próxima jornada, ao deixarmos que a nossa vantagem encurtasse para um mero ponto retirámos muita da pressão com que o nosso adversário poderia entrar em campo para esse mesmo jogo. Por outro lado aumentámos, e muito, a pressão do nosso lado. Foi uma derrota péssima que aumenta a motivação dos nossos adversários, ela que já estava em alta depois da magnífica conquista da Taça da Liga pelo Sporting ontem à noite.

 

 

Sobre o jogo, vou evitar escrever grande coisa sobre ele. Se eu já acho que quando ganhamos a maior parte das pessoas lê os meus posts na diagonal, quando isso não acontece então passam simplesmente por cima deles e vão directos para a caixa de comentários simplesmente para desabafar, desancar quem no seu entender tem responsabilidades na derrota, ou propor as suas soluções para o problema. Direi apenas que não foi um bom jogo da nossa equipa, isto apesar de o termos dominado do princípio ao fim mesmo jogando mal. Mas fomos derrotados sobretudo por dois problemas que têm apoquentado a nossa equipa nos últimos jogos: falta de eficácia e imaginação no ataque, e permeabilidade na defesa. Não é aceitável que não consigamos marcar nem um golo num jogo em que temos mais de 70% de posse de bola e rematamos vinte vezes. E ainda menos aceitável é que o adversário vá um par de vezes à nossa baliza e marque. Foi assim com o Boavista (nesse jogo ainda conseguimos ter um mínimo de eficácia no ataque para evitar a derrota), foi assim com o Moreirense, foi assim hoje, e já tinha sido assim com o Marítimo, contra o qual falhámos um número inacreditável de ocasiões de golo. Quando se conjugam estes dois factores, é muito complicado conseguir resultados positivos. E além disso parece-me que, devido à fase que a equipa atravessa, quando o adversário de repente marca um golo contra a corrente do jogo e se apanha em vantagem a ansiedade dos nossos jogadores aumenta e torna ainda mais difícil ter alguma clarividência na altura de finalizar as jogadas de ataque.

 

Estamos a passar por uma má fase, à qual claramente não estamos habituados. Mas isso não significa que possamos que baixar os braços. Pelo contrário, está na altura de cerrar fileiras e apoiar a nossa equipa como só nós o podemos fazer. Para que acordem e voltem a fazer aquilo que tão bem sabem fazer e a que nos habituaram: jogar bom futebol, marcar golos e ganhar jogos.

tags:
por D`Arcy às 23:14 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Quinta-feira, 26.01.17

Rídicula

Uma derrota simplesmente ridícula, num dos jogos mais disparatados que vi esta equipa fazer. Marcámos logo aos seis minutos, pelo Salvio, e depois passámos o resto da primeira parte a adiar o golo da tranquilidade, mais uma vez parecendo dar mostras de sobranceria. E depois, uma coisa que francamente não consegui compreender: será que os nossos jogadores não sabem escolher botas? Passámos o jogo todo a ver os nossos jogadores a patinar ou a escorregar, e a correr como se estivessem a fazê-lo sobre gelo. Mas teria dado perfeitamente para vencer o jogo, não fosse uma entrada na segunda parte absolutamente catastrófica, sofrendo um golo na primeira vez que o Moreirense foi à nossa baliza (e que só foi golo porque, mais uma vez, os nossos jogadores andaram a patinar enquanto que o 'remate' patético do jogador do Moreirense se encaminhava muito lentamente para a baliza). Não contentes com isto, na segunda vez que o Moreirense foi lá à frente, segundo golo, numa bola parada. E a partir daqui então foi o descalabro total. Os nossos centrais (com particular destaque para o Jardel) fizeram uma exibição épica de tão má que foi, e perdi a conta ao número de passes errados e entregas de bola que fizeram aos adversários. Em mais uma dessas entregas, o Jardel perdeu a bola a meio campo e daí resultou o terceiro golo ao Moreirense. Depois foi uma autêntica pelada até ao fim, quase sem táctica, sem meio campo, e com a equipa partida ao meio, o que significava que cada bola recuperada pelo adversário resultava numa situação de contra-ataque em superioridade numérica, porque já ninguém recuava para auxiliar a defesa. Enquanto isto, vários jogadores, como o Salvio ou o Pizzi, resolveram que a melhor receita seria jogarem sozinhos. Nos minutos finais, completamente balanceados para o ataque, entre a falta de sorte, com duas bolas nos ferros, a falta de pontaria, com finalizações para fora quando bastava quase acertar na baliza, e a inspiração do guarda-redes adversário, nem um golo conseguimos marcar.

 

Não vou escrever mais porque não quero estar a quente a desancar os nossos jogadores. Foi uma exibição inadmissível, sobretudo na segunda parte, com a defesa a mostrar-se inacreditavelmente permeável. Se sofrer três golos do Boavista já tinha sido mau, então sofrê-los do Moreirense é ainda pior. E só não foram mais porque eles não são realmente bons, já que os disparates cometidos a partir do terceiro golo foram ainda mais aberrantes e uma equipa com um mínimo de calma teria sabido aproveitá-los para construir um resultado ainda mais escandaloso.

 

Enfim, perdemos de forma vergonhosa um troféu que eu valorizo e que queria muito conquistar. Agora a única coisa a fazer é vencer já o Setúbal no próximo jogo. Não trará o troféu de volta, mas pelo menos ajudará a afastar a má imagem que este jogo mais o contra o Boavista e a primeira parte contra o Tondela têm vindo a construir.

tags:
por D`Arcy às 23:03 | link do post | comentar | ver comentários (37)
Segunda-feira, 23.01.17

Batalha

A vitória do Benfica sobre o Tondela foi inteiramente merecida, sobretudo pela segunda parte realizada, mas a margem folgada de quatro golos esconde as dificuldades por que passámos para conseguir derrubar a muralha defensiva que o nosso adversário ergueu nesta sua visita à Luz. Foi sobretudo a partir do segundo golo que começámos finalmente a ter mais espaço para jogar no ataque, que foi aproveitado para construir este resultado.

 

 

A novidade no onze hoje foi o Zivkovic, que depois das boas indicações que tem deixado nas oportunidades que lhe têm sido dadas surgiu como titular no lugar normalmente reservado ao Salvio. O Benfica começou bem o jogo, e logo nos primeiros dez minutos construiu duas boas ocasiões de golo. Primeiro, num pontapé de canto, o Luisão deixou a bola de cabeça para o remate do Samaris, mas o grego conseguiu atirar por cima quando o mais fácil seria acertar na baliza. Depois foi um remate de fora da área do Jonas, que obrigou o guarda-redes a uma boa defesa. Mas a partir daí as coisas complicaram-se. O Tondela cerrou linhas atrás - defendia na pratica com uma linha de seis defesas, com uma segunda linha logo à frente - e o Benfica começou a ver os caminhos para a baliza tapados. Houve vários problemas com o nosso jogo. O primeiro, a falta de velocidade, o que facilitava uma defesa com muita gente, que raramente era apanhada fora de posição. Depois, muito pouco jogo pelas alas e demasiada insistência pelo meio, onde se concentrava a maior parte dos adversários. O entendimento entre o Nélson Semedo e o Zivkovic nunca foi o ideal, e talvez por isso o Nélson nunca atacou tanto pelo seu lado como costuma fazer. Depois o outro problema que acontece frequentemente com o nosso jogo, que é quando o Pizzi se apaga, o resto da equipa ressente-se. O Pizzi passou uma boa parte do tempo na primeira parte quase escondido do jogo, e por via disso a bola passou demasiado tempo nos pés do Luisão ou do Samaris, que honestamente são talvez os últimos jogadores que eu desejo ver com a bola nos pés a dar início às jogadas de ataque. Foram por isso raras as situações de muito perigo que conseguimos criar. Para além das duas já citadas, acho que apenas me recordo de um cruzamento do Jonas no qual o Mitroglou ou falhou o cabeceamento, ou então tomou a má decisão de amortecer a bola em vez de a cabecear para a baliza. O Jonas, diga-se, pareceu-me demasiado amarrado no ataque, e raramente veio atrás buscar jogo. Em resumo, não foi uma boa primeira parte da nossa equipa.

 

 

Houve uma alteração importante na equipa ao intervalo, saindo o Cervi para dar o lugar ao Salvio - o Zivkovic passou para a esquerda. A entrada do Salvio dinamizou o nosso jogo pelo lado direito, e 'despertou' o Nélson Semedo. O Pizzi também ganhou muito maior protagonismo no jogo e passou a assumir muito mais jogadas. Mas o mais importante mesmo foi que toda a equipa teve uma atitude muito mais agressiva e decidida, jogando com muito mais velocidade. O próprio Estádio da Luz (cinquenta e seis mil espectadores num jogo contra o último classificado) teve um papel importante, empurrando a equipa rumo à baliza adversária com um apoio constante e ruidoso, enquanto que na primeira parte parecia ter ficado contagiado e anestesiado pela apatia em campo. O Tondela sentiu as dificuldades a aumentar e cedo tentou quebrar o ritmo do jogo, com simulação de lesões por parte do guarda-redes - é um fenómeno cada vez mais frequente nos campos de futebol nos dias que correm. Agora os guarda-redes lesionam-se quando fazem aquilo que estão lá precisamente para fazer, ou seja, uma defesa (quando o resultado interessa, obviamente). Não é um choque, não é uma bola dividida, nada. É um remate à baliza, eles atiram-se para fazer a defesa, e ficam lesionados. Foi o que aconteceu quando o guarda-redes defendeu um remate do Zivkovic logo nos primeiros minutos, quando eu já praticamente festejava o golo. Mas nada podia estancar a avalanche ofensiva do Benfica, e no fecho do primeiro quarto de hora o desejado golo surgiu mesmo. Depois de um canto a bola andou pela área até acabar nos pés do Samaris, que fez o passe atrasado para o remate de primeira do Pizzi. O mais difícil estava feito, mas ainda assim isso não foi suficiente para que o Tondela abandonasse a postura defensiva. Notava-se alguma vontade em avançar um pouco mais, mas a muralha mantinha-se no seu posto, por isso ainda sobrava algum nervosismo por estarmos expostos a algum lance fortuito que repusesse a igualdade - e teria que ser fortuito mesmo, porque o Tondela não criou uma única ocasião de golo. O golo da nossa tranquilidade apareceu a um quarto de hora do final, num raide do Nélson Semedo pela direita (grande passe do Samaris para as costas da muralha) que terminou num passe atrasado para mais uma finalização do Pizzi. Depois disso sim, o Tondela abriu finalmente espaços atrás que a nossa equipa, com a tranquilidade dos dois golos de vantagem, aproveitou para ampliar o resultado. A seis minutos do final, com o primeiro golo do Rafa com a nossa camisola: passe longo do Jonas para as costas da defesa, e ainda de fora da área o Rafa aproveitou a saída do guarda-redes para lhe fazer um chapéu. E no último lance do encontro, penálti por puxão ao André Almeida e golo do Jonas.

 

 

O Pizzi acaba por ser o homem do jogo pelos dois golos de desbloquearam uma situação que se ia complicando à medida que o tempo passava. Não gostei da primeira parte, na qual se escondeu demasiado do jogo, mas na segunda parte voltou a ser o jogador influente a que nos habituou. A entrada do Salvio foi importante para o jogo. Mesmo não tendo feito uma exibição de encher o olho, a sua presença deu mais largura ao nosso jogo e libertou também o Nélson Semedo, com quem tem um bom entendimento. Jogo seguro da nossa dupla de centrais.

 

Este jogo foi contra o último classificado, mas foi um bom exemplo daquilo que nos espera nesta segunda volta - como aliás já o jogo anterior contra o Boavista tinha sido. Cada jogo vai ser uma batalha, e não nos será permitido relaxar ou abrandar no caminho para o título, porque qualquer atitude desse género poderá ser paga com pontos. Mas para esta semana a luta será outra. É altura de centrar a nossa atenção na Taça da Liga, e tentar fazer o nosso historial nesta competição ainda mais inigualável. A começar na próxima quinta-feira contra o Moreirense, orientado por alguém que eu considero ser uma das personagens mais execráveis do futebol português. O que por si só deverá ser motivo suficiente para atenção redobrada.

tags:
por D`Arcy às 01:38 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Quinta-feira, 19.01.17

Desequilíbrio

Previa-se um jogo relativamente fácil para o Benfica, e as expectativas confirmaram-se. Foi um apuramento muito tranquilo para as meias-finais da Taça, perante um Leixões que não se deu por vencido e tentou ao máximo lutar com as armas que tem, mas o desequilíbrio de forças é demasiado grande. Foi de tal forma fácil o triunfo do Benfica que deu até para algum relaxamento excessivo na defesa, que ajudará a explicar os dois golos sofridos, e também para o André Almeida marcar um golo. E agora a crónica poderia ficar por aqui, porque se o André Almeida até marcou um golo então já nem seria necessário explicar muito mais.

 

 

O onze titular foi mexido q.b., com a troca do guarda-redes, centrais e alas, mantendo-se o resto da equipa. Em relação aos centrais, já o disse anteriormente, não vejo grande diferença de valor entre a dupla Lisandro/Jardel e aquela que tem jogado mais regularmente (a minha preferência pessoal continua a ser a dupla que jogou o ano passado, com o Lindelöf sobre a direita e o Jardel sobre a esquerda). Nas alas, provavelmente neste momento o Zivkovic estará até em melhor forma do que o Salvio, enquanto que o Carrillo parece estar finalmente a subir de produção. O Benfica entrou naturalmente dominador no jogo e a querer resolver cedo. A resistência do Leixões durou vinte e um minutos, altura em que um defesa aliviou um cruzamento do Semedo para a entrada da área, onde o Pizzi controlou a bola e rematou rasteiro para fazer o primeiro golo. Dez minutos depois, o momento alto do jogo, quando o André Almeida fez o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. Foi uma tentativa de cruzamento da esquerda, o Mitroglou esticou o pé mas não conseguiu tocar na bola, e esta descreveu um arco para ir entrar junto ao poste oposto. Grande festa de toda a equipa, que estava bem ciente do significado daquele momento. Aos trinta e oito, terceiro golo e a goleada a começar a desenhar-se. Nova incursão do Semedo pela direita, cruzamento atrasado para o Mitroglou ver o seu remate interceptado por um defesa quase sobre a linha, e recarga de trivela do Jonas, da ângulo muito apertado. À beira do intervalo o Leixões reduziu numa jogada simples e bonita, em que após uma boa desmarcação a bola foi cruzada rasteira da direita para um finalização fácil do Porcellis quase de baliza aberta.

 

 

Sem nada a perder e motivado pelo golo, o Leixões veio para a segunda parte apostado em jogar de forma completamente aberta. Meritória a atitude do nosso adversário, mas isto naturalmente que tornava o cenário da goleada ainda mais provável. No Benfica, troca do Pizzi pelo André Horta. O Mitroglou logo no reinício parecia querer confirmar que seria uma noite difícil para conseguir meter a bola na baliza, já que cabeceou a bola à trave depois de um cruzamento do Jonas. Depois de na primeira parte terem alternado bastante de posição, na segunda o Zivkovic fixou-se definitivamente na direita enquanto que o Carrillo se fixou na esquerda. Lá na frente, o Mitroglou continuava a sua penosa relação com o golo, vendo o guarda-redes do Leixões fazer uma grande defesa a mais um remate seu, após um toque brilhante do Jonas. Acho que o próprio Jonas entendeu que o esforço do grego para chegar ao golo merecia ser recompensado, e por isso quando o Benfica beneficiou de um penálti a punir uma falta sobre o Zivkovic, a meia hora do final, entregou-lhe a bola para que fosse ele a marcá-lo. O que ele fez de forma decidida, e isso pareceu pôr um fim à má relação com a baliza esta noite. O Leixões ainda voltou a fazer mossa, sete minutos depois, marcando um segundo golo em mais um lance simples e bonito, em que a bola foi metida pelo centro da nossa defesa para uma desmarcação e mais uma vez o passe rasteiro para o centro deixou ao Porcellis a tarefa relativamente simples de empurrar a bola para a baliza, ainda que pressionado pelo Lisandro. Parece-me que com o Fejsa em campo talvez não tivesse sido permitidas tantas liberdades ali na cabeça da nossa área. Mas na direita o Zivkovic estava imparável e ia fazendo a cabeça em água ao lateral do Leixões, e o Mitroglou estava agora de pontaria afinada. Por isso passaram apenas quatro minutos até o Benfica repôr a vantagem de três golos. Depois de uma incursão pela direita e pela área dentro, o centro rasteiro do Zivkovic foi desviado por um defesa na direcção da própria baliza. O guarda-redes ainda conseguiu defender a bola, mas esta ficou à mercê do Mitroglou, que não perdoou. O jogo continuou muito aberto mas apenas nos instantes finais o marcador voltou a funcionar, novamente com um golo do Mitroglou, desta vez depois de uma boa iniciativa do Carrillo no lado oposto, que dentro da área ganhou a linha de fundo e fez o passe atrasado para o grego fuzilar a baliza.

 

 

O Mitroglou é obviamente a figura em maior destaque. Foi o jogador mais rematador da equipa, durante muito tempo pareceu que esta não ia ser a sua noite, mas acabou por conseguir um hat trick (dos verdadeiros). Outro grande destaque é o Zivkovic, que mais uma vez aproveitou a oportunidade concedida para mostrar as suas qualidades. Grande toque de bola, transporta-a sempre bem colada ao pé esquerdo, muita qualidade individual que é quase sempre colocada ao serviço do colectivo - tenta quase sempre assistir os colegas - e boa atitude na hora de defender. É um valor seguro deste plantel, e só vai melhorar. Melhorias no Carrillo, que já no jogo em Guimarães tinha mostrado. No 1x1 quando arranca com a bola consegue quase sempre ganhar a frente ao adversário, pena que ainda lhe pareça faltar confiança e muitas das vezes opte por parar o jogo e lateralizar ou jogar para trás. A assistência que fez é um bom exemplo daquilo que pode produzir. E por último, claro, destaque para o golo do André Almeida. Não sei se já o tinha referido.

 

Mais uma presença nas meias-finais, e mantemos em aberto a possibilidade de conquistar todos os troféus nacionais numa época. O adversário que nos separa do Jamor é o Estoril, numa eliminatória a disputar a duas mãos. Mas isso ainda está longe, a até lá temos vários outros compromissos importantes. A começar já pelo Tondela no domingo à tarde.

tags:
por D`Arcy às 00:50 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sábado, 14.01.17

Disparates

Pagámos com dois pontos os disparates cometidos sobretudo na fase inicial de um jogo que mesmo assim poderíamos (e deveríamos) ter ganho. Vendo as coisas pelo lado positivo, ainda conseguimos salvar um ponto num jogo em que cedo nos apanhámos com uma enorme desvantagem.

 

 

É sempre fácil falar depois das coisas acontecerem, mas comecei logo a ficar com uma ligeira irritação ao ouvir a constituição inicial da nossa equipa. Iniciar um jogo em casa, contra uma equipa que previsivelmente se iria fechar atrás, sem um ponta de lança de raiz pareceu-me logo uma má ideia. Mas a opção foi fazer alinhar a dupla Jonas/Gonçalo Guedes, provavelmente como recompensa pela boa exibição do Guedes em Guimarães. A outra opção algo surpreendente foi a presença do Rafa no lugar do Cervi, na esquerda do ataque. Não é que os jogadores em questão tenham falta de qualidade ou que fosse impossível vencer com eles no onze, simplesmente pareceu-me uma estratégia errada. Depois, sabem aqueles jogos em que ao fim de cinco ou dez minutos ficamos logo com receio de que as coisas corram mal? Este para mim foi um desses jogos. Por causa da velocidade e forma de jogar da nossa equipa. Não quero chamar-lhe sobranceria, mas achei que estávamos a jogar de forma demasiado lenta, e muito pouco como equipa, com vários jogadores a agarrarem-se demasiado à bola e a insistirem em iniciativas individuais. Ainda construímos uma grande ocasião de golo nos primeiros minutos, na qual o Guedes, isolado, atirou ao lado. Mas aos catorze minutos, num livre directo muito bem marcado pelo Iuri Medeiros, o Boavista colocou-se em vantagem, naquele que terá sido o primeiro remate que fez. O Benfica não pareceu abanar e pelo contrário, reagiu bem e começou a jogar com maior velocidade, começando a criar ocasiões, às quais o guarda-redes do Boavista se foi opondo bem. Mas aos vinte minutos o Boavista, de forma muito fria, voltou a ir à frente e a marcar. Livre apontado do lado direito da nossa área, e no poste oposto surgiu um adversário a ganhar nas alturas para o cabeceamento vitorioso. E cinco minutos depois, novo ataque do Boavista e novo golo. Mais um cruzamento do lado direito, onde os nossos jogadores ficaram a marcar os adversários com os olhos e lhes deram o espaço e tempo mais do que necessário para construir a jogada, e do lado oposto surgiu um jogador do Boavista completamente à vontade para receber e assistir um companheiro no meio, que marcou à vontade. Vinte e cinco minutos decorridos, e desvantagem de três golos. O Boavista praticamente em três subidas à nossa área foi mortífero e colocava-se numa posição extremamente vantajosa no jogo e no marcador. Era difícil conseguirmos pior, e não sei se alguma vez tinha assistido a um início de jogo tão desastroso da nossa equipa em casa.

 

 

Desde o momento que o Benfica ficou em desvantagem que tinha alterado a sua forma de jogar, impondo maior velocidade no jogo e as ocasiões de golo começaram naturalmente a surgir, mas a concretização não foi a melhor, para além de ter apanhado pela frente um guarda-redes inspirado. Notava-se também alguma falta de presença na área, e como não havia propriamente muito mais para esperar, ainda antes de chegar o intervalo o nosso treinador fez a alteração que se impunha, enviando o Mitroglou para dentro do campo. Foi aos trinta e oito minutos, e o sacrificado foi o Rafa, passando o Gonçalo Guedes para a esquerda. O resultado foi quase imediato, pois a quatro minutos do intervalo o Mitroglou fazia o nosso primeiro golo. Depois de um remate do Pizzi, em posição frontal, que o guarda-redes conseguiu defender com pé, a bola subiu e foi recuperada pelo Salvio ainda dentro da área, assistindo depois o Mitroglou para um golo fácil, já que apenas teve que empurrar a bola para a baliza. Este golo reforçava a crença de toda a Luz - e nunca me pareceu que se tivesse sequer deixado de acreditar - de que ainda era perfeitamente possível conquistar os três pontos neste jogo. E podíamos até ter saído para intervalo com apenas um golo de desvantagem e o jogo completamente relançado. Uma bola longa, aparentemente perdida, foi na direcção da área do Boavista. Houve uma hesitação entre um defesa do Boavista e o seu guarda-redes, o André Almeida acreditou, e de repente viu-se completamente sozinho na área, com a bola controlada. Só que em vez de fazer o que o Salvio tinha feito no primeiro golo - um simples passe para o meio, onde o Mitroglou estava completamente sozinho - tomou a péssima decisão de tentar ele concretizar de ângulo mais apertado, quando tinha o guarda-redes quase em cima. Não sei se o facto dele nunca ter marcado um golo oficial pelo Benfica o terá influenciado, mas o caso é que foi a pior decisão possível, já que a concretização era difícil e o guarda-redes, como era mais provável, defendeu o remate. Pelos vistos o André estava distraído no lance do terceiro golo do Boavista, ou no do nosso primeiro golo. Se tivesse feito o que o Iuri e o Salvio fizeram nos referidos lances, muito provavelmente teria sido golo.

 

 

A entrada do Benfica para a segunda parte foi de risco total. O Luisão não regressou, e no seu lugar veio o Cervi, com a função teórica de falso lateral-esquerdo. Na prática o Benfica alinhava com três defesas apenas, o Lindelöf a cair para a direita, o André Almeida a fazer o mesmo do lado oposto, e o Samaris recuar para o meio, permitindo que o Cervi e o Semedo se aventurassem mais no ataque. Era naturalmente importantíssimo, para que conseguíssemos reentrar no jogo, reduzir a desvantagem logo nos minutos iniciais, e o Benfica conseguiu-o mesmo. Um slalom individual do Cervi pela esquerda só terminou numa grande penalidade, que o Jonas se encarregou de concretizar facilmente. Tinham decorrido apenas oito minutos na segunda parte, e portanto havia tempo de sobra para ir em busca do empate e a seguir da vitória. Mas sinceramente, não achei que o Benfica tivesse jogado particularmente bem na segunda parte. Aliás, paradoxalmente, apesar de termos chegado ao intervalo a perder por dois golos, achei que mostrámos mais qualidade no nosso jogo ofensivo durante esse período do que na segunda parte. Houve muito coração da parte dos nossos jogadores, mas as coisas nunca foram feitas com muita cabeça, por isso, apesar de uma maior pressão, isso não se reflectia no número de ocasiões criadas. O Boavista, aliás, depois do segundo golo do Benfica tomou a opção inteligente de não se enfiar todo dentro da área, e tentou de alguma forma que os seus jogadores mais adiantados pressionassem logo a primeira fase da nossa construção de jogo. Obviamente que, tendo em conta a forma como o Benfica se dispunha em campo e se lançava para o ataque, qualquer bola recuperada pelo adversário numa zona mais adiantada poderia resultar em mais um golo que dificultaria ainda mais a nossa tarefa. Já com o Zivkovic no lugar do Gonçalo Guedes, a sorte acabou finalmente por nos favorecer, e um cruzamento do sérvio, a partir da esquerda, resultou num autogolo depois de um jogador do Boavista ter cabeceado, de costas, para a sua própria baliza. O empate surgia assim aos sessenta e oito minutos de jogo, o que significava que, contando com as eventuais compensações, o Benfica dispunha ainda de uns bons vinte e cinco minutos para ir à procura da vitória. Infelizmente todo esse tempo não foi suficiente para que a nossa equipa se dedicasse a essa tarefa com relativa calma. Na minha opinião, aliás, o período que se seguiu ao golo do empate foi mesmo o pior, em termos de qualidade de jogo, da nossa equipa. Durante todo esse tempo não me consigo recordar de uma única grande oportunidade de golo que tenhamos criado, enquanto que o Ederson foi obrigado a empenhar-se para evitar que o Boavista marcasse num par de ocasiões quando o Benfica já jogava praticamente sem táctica, com os jogadores a correrem pelo campo todo sem grandes preocupações posicionais. Por outro lado, os jogadores do Boavista foram fazendo o seu trabalho e se já desde o início do jogo que usavam e abusavam de uma 'excessiva calma', a seguir ao empate dedicaram-se de forma afincada ao antijogo, e assim conseguiram segurar um empate que foi celebrado como se uma vitória no campeonato se tratasse.

 

 

Não tenho grandes destaques individuais a fazer neste jogo, já que achei que a equipa esteve quase toda abaixo do exigível. O Pizzi em particular teve um jogo desastroso. Raramente acertou um passe, tomou frequentemente as piores decisões, esteve desastrado no remate, e foi em geral lento a executar toda e qualquer jogada. E quando o Pizzi joga mal, a nossa equipa ressente-se. O Salvio também esteve particularmente irritante, tendo como única nota positiva a assistência para o golo do Mitroglou. De resto, os habituais disparates individualistas, onde agarra na bola, baixa a cabeça e não vê mais nada à frente. A nossa defesa em geral esteve muito abaixo do normal - ou não fossem três golos sofridos do Boavista prova evidente disso. Nem o Ederson esteve ao seu nível, com vários erros nas reposições, e pareceu-me também que no lance do segundo golo talvez pudesse ter feito melhor, já que estava à espera que tivesse saído ao cruzamento em vez de ficar sobre a linha de golo. O Samaris não é o Fejsa, isso já sabemos, e talvez também por aí tenha passado uma boa parte da insegurança na defesa. Por último, o nosso treinador: começar um jogo destes, em casa contra uma equipa que vem jogar à defesa, sem uma presença na área parece-me à partida uma decisão pelo menos discutível.

 

Foram dois pontos muito mal perdidos, e um ponto muito bem recuperado quando tudo indicava que seria quase impossível ir buscar alguma coisa deste jogo. Mas o que me causou maior frustração acabou mesmo por ser o mau futebol que apresentámos depois de ter conseguido o mais difícil, que foi recuperar dos três golos de desvantagem. Vinte e cinco minutos deveriam ter sido suficientes para conseguirmos chegar à vitória, ou pelo menos jogar com calma suficiente de forma a criarmos condições para isso. Pelo contrário, jogámos o nosso pior futebol durante esse período. Perdemos discernimento, jogámos de uma forma desorganizada e desgarrada, e com vários os nossos jogadores a parecerem ter dado um estoiro físico. Deitámos dois pontos fora, é passado, agora temos que focar-nos em vencer o Leixões e assegurar a passagem às meias-finais da Taça de Portugal. E para isso convém entrar no jogo de forma bem mais decidida do que o que fizemos hoje.

tags:
por D`Arcy às 20:29 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Quarta-feira, 11.01.17

Confirmação

E o Benfica neste momento é isto. Três dias depois de uma vitória numa das deslocações mais difíceis da nossa Liga, voltamos ao mesmo estádio, trocamos oito jogadores no onze titular, e vencemos novamente pela mesma margem, e de forma ainda mais convincente. Uma espécie de confirmação da nossa superioridade, especialmente dedicada aos mais cegos que insistem em não querer ver.

 

 

Os três 'sobreviventes' do jogo do passado sábado foram o Nélson Semedo, o André Almeida e o Pizzi. De resto, tudo novo, a começar na baliza, onde esteve o Júlio César. À sua frente uma dupla de centrais em quem confio tanto ou mais do que aquela que tem sido titular, Lisandro e Jardel. Samaris como médio defensivo, Carrillo e Zivkovic nas alas, e uma dupla de avançados rápida e móvel no Gonçalo Guedes e o Rafa. Depois o jogo foi completamente dominado por nós na primeira parte. Bastava-nos um empate para prosseguir na prova, mas isto é o Benfica e por isso jogámos para ganhar. Devido à enorme mobilidade e velocidade dos nossos jogadores o Vitória não conseguiu fazer a pressão alta que fez no primeiro jogo, e o Benfica aproveitou o espaço que teve para lançar vários ataques rápidos e causar perigo frequentemente. Resolvemos o jogo na primeira parte com dois golos de rajada no espaço de seis minutos (aos trinta e quatro e aos quarenta) muito parecidos, ambos da autoria do Gonçalo Guedes. No primeiro o Nélson Semedo ganhou a linha de fundo pela direita a passe do Pizzi e fez o passe atrasado para o remate, e no segundo foi o Carrillo, solicitado pelo próprio Gonçalo, a fazer o passe. Mas se calhar o resultado mais ajustado ao intervalo seriam cinco ou seis golos de diferença, tantas foram as ocasiões claras de golo criadas, que incluíram um penálti falhado pelo Pizzi logo aos dez minutos. Quem foi mantendo o Vitória no jogo foi o seu guarda-redes Miguel Silva - para mim continua a ser surpreendente que depois da época anterior fantástica que fez tenha perdido a titularidade esta época. Na segunda parte o Vitória foi fiel à sua personalidade e nunca baixou os braços, mas o Benfica limitou-se a gerir tranquilamente o resultado. Não houve uma única ocasião de perigo criada pelo Vitória, e tínhamos a sensação que a qualquer momento o Benfica poderia acelerar um pouco mais e voltar a marcar.

 

O destaque maior no jogo é o Gonçalo Guedes, acima de tudo pelos dois golos que marcou, mas também por toda a sua produção no jogo. O próprio segundo golo que marca nasce de uma iniciativa individual sua, em que transporta a bola quase metade do campo. O Zivkovic voltou a aproveitar a oportunidade que lhe foi dada, como o tem feito sempre que é chamado, e o Carrillo até conseguiu fazer um jogo menos mau. O Nélson Semedo fez mais um grande jogo, indiferente aos insultos que passou grande parte do jogo a ter que ouvir vindos da bancada, tal como o Pizzi. O Rafa tem imensas qualidades e foi outro dos jogadores em destaque, mas é provavelmente um dos piores finalizadores que vi no Benfica nos últimos tempos (não é um defeito de agora, já no Braga falhava imensos golos).

 

Estamos na Final Four e na disputa por mais uma Taça da Liga. Aquela competição para equipas pequenas, que não interessa para nada, mas que quando algumas equipas são eliminadas dela montam um circo do melhor e mais espalhafatoso que se pode ver, com palhaços do mais alto calibre. Foi mais uma demonstração da enorme qualidade que existe no nosso plantel, e da grande equipa que o nosso treinador construiu e continua a aperfeiçoar. Uma máquina bem oleada, à qual se podem trocar peças sem que o rendimento sofra. E por falar em sofrer, este foi o sétimo jogo consecutivo sem sofrer golos, o que diz muito da forma como a nossa equipa sabe defender. Segue-se agora um ciclo teoricamente favorável, com seis dos próximos sete jogos a ser disputados em casa (não estou a contar com os jogos da Final Four). Muitas oportunidades para encher a Luz consecutivamente. Esta equipa merece.

tags:
por D`Arcy às 00:56 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Domingo, 08.01.17

Cirúrgica

Foi uma exibição quase cirúrgica da nossa equipa e uma vitória importantíssima nesta caminhada, num dos campos mais difíceis da nossa Liga, contra um dos adversários mais complicados de defrontar. 

 

 

No onze inicial a principal nota de destaque foi a inclusão do Jonas e do Salvio no onze inicial. Não muita surpresa pela escolha do Jonas, porque já está recuperado há algum tempo e tem vindo a somar minutos e a ganhar ritmo, mas o Salvio já foi mais surpreendente, tendo em conta que já não jogava há algumas semanas (desde o jogo contra o Sporting). Mas ambas as escolhas acabaram por se revelar acertadas. Logo desde o apito inicial que foi fácil ver porque motivo o Vitória está a fazer um bom campeonato e é uma equipa difícil de defrontar. Tentam pressionar alto e em todo o campo, jogam com muita agressividade (no bom sentido) e os seus jogadores lutam por cada bola como se fosse a última. E por isso mesmo os minutos iniciais deixaram a ideia de que teríamos pela frente uma tarefa muito complicada. Só que a nossa equipa, em jogos nos quais é mais pressionada, costuma ter a capacidade para jogar de uma forma muito organizada, mantendo sempre a calma e sabendo esperar pelas ocasiões para ferir o adversário. E por isso mesmo, apesar da tentativa constante de pressão por parte do Vitória, nunca, em qualquer momento do jogo, fiquei com a sensação de que o mesmo estava sequer perto de fugir ao nosso controlo. Mesmo quando tivemos a infelicidade de perder o Fejsa, por lesão, ainda na fase inicial do jogo. É que quase de seguida, na primeira verdadeira ocasião de golo que construiu, o Benfica foi letal e colocou-se em vantagem. O lance começa numa bola ganha pelo Mitroglou no meio campo adversário, que esperou pela corrida do Salvio para lhe endossar a bola. O argentino correu pela direita, entrou na área, ultrapassou o adversário directo e fez o passe atrasado para o Jonas marcar, com a bola a tocar ainda na trave. O golo aconteceu aos dezanove minutos, e a reacção do Vitória resumiu-se praticamente a um remate à malha lateral da nossa baliza, quase imediatamente a seguir ao golo, na sequência de um par de maus alívios da nossa defesa. O Benfica continuou completamente tranquilo no jogo, e à beira do intervalo ampliou a vantagem, num contra-ataque conduzido pelo Jonas, que na altura certa passou a bola para o Mitroglou. À entrada da área o grego fez uma recepção perfeita e depois colocou a bola na baliza com um remate rasteiro e colocado, que nem saiu com muita força. E aparentemente quase sem grande esforço, o Benfica saía para intervalo com uma vantagem importante.

 

 

Esperava uma entrada forte do Vitória na segunda parte, na procura do golo que relançasse o jogo. E a segunda parte teve de facto sinal mais do Vitória em termos de posse de bola e domínio territorial. Pressionaram ainda mais alto e conseguiram de forma eficaz atrapalhar a nossa saída de bola. Mas o sinal mais do Vitória foi mesmo basicamente isso, porque depois não o conseguiram traduzir em muitas ocasiões de golo, pelo que o Benfica nunca passou por qualquer tipo de sufoco. Na retina ficaram-me apenas dois lances de maior perigo por parte do nosso adversário: um remate de primeira desferido já no interior da área, que passou muito por alto, e um cruzamento/remate que obrigou o Ederson a uma boa intervenção (a bola seguramente entraria na baliza). O Benfica, mesmo saindo poucas vezes para o ataque, quando o fazia era com muita segurança, e conseguiu assim criar até mais e melhores ocasiões para marcar do que o Vitória. Por três vezes conseguimos colocar um jogador em frente ao guarda-redes e em condições de marcar. Mas o Douglas opôs-se com eficácia às tentativas do Mitroglou, Pizzi e Salvio. Nas situações do Mitroglou e do Salvio, em particular, se os nossos jogadores tivessem sido um pouco menos egoístas talvez tivéssemos marcado mesmo - o Mitroglou tinha o Jonas sozinho no meio, e o Salvio tinha o Mitroglou solto na mesma posição. A pressão que o Vitória tentou exercer teve os seus custos, e à medida que o jogo se foi aproximando do final o nosso adversário foi progressivamente recuando a linha de pressão, até que nos minutos finais o Benfica já era capaz de controlar sem grandes problemas a posse da bola, rodando-a pelos pés dos nossos jogadores enquanto o tempo se escoava. No final, ficou mesmo a sensação (talvez um pouco enganadora) de que a vitória tinha sido relativamente fácil de conquistar.

 

 

Destaque maior para o Jonas no seu regresso à titularidade na Liga. O melhor jogador da Liga Portuguesa está de regresso. Um golo, uma assistência, e o reeditar da dupla letal com o Mitroglou. Tal como disse no jogo contra o Vizela, o rendimento do grego muda completamente com a presença do Jonas. Mas também, tendo em conta a classe do Jonas, acho que qualquer jogador beneficia por jogar ao lado dele. Foi também um jogo enorme do Luisão. O nosso capitão esteve simplesmente insuperável a liderar a nossa defesa. E o Samaris entrou bem no jogo, não nos deixando a lamentar a saída do Fejsa.

 

Confesso que encarava este jogo com alguma apreensão. Parecia-me ser daqueles jogos em que, a bem da Nação, o Benfica deveria perder pontos. É que a Nação tem andado bastante abespinhada nos últimos dias, e uns pontitos perdidos pelo Benfica seriam remédio santo para acalmar as hostes. Mas este Benfica é demasiado competente para se deixar afectar por todo o ruído que tentam criar, e vai seguindo o seu caminho rumo aos objectivos traçados. E cumprida a primeira parte da 'missão' Vitória, há que preparar a segunda com cuidado, porque normalmente dois jogos seguidos contra um mesmo adversário significam complicações adicionais no segundo jogo. E este Vitória não é um adversário qualquer.

tags:
por D`Arcy às 00:54 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quarta-feira, 04.01.17

Treino

O Benfica confirmou as expectativas e teve um jogo muito fácil frente a uma frágil equipa do Vizela, que se mostrou sempre completamente incapaz de montar qualquer tipo de oposição séria à nossa equipa. A superioridade do Benfica foi tal que quase se podia classificar este jogo como um treino um pouquinho mais puxado.

 

 

Muitas alterações, esperadas, na equipa titular, sendo de realçar a segunda oportunidade dada ao Yuri Ribeiro como titular, assim como a presença no onze do Zivkovic e ainda o regresso do Jonas à equipa inicial. O Carrillo também teve mais uma hipótese, a juntar às inúmeras que já teve, para tentar mostrar que vale mais do que aquilo que mostrou até agora. Dos mais habituais titulares nos últimos tempos, apenas o Ederson, o Pizzi, o André Almeida e o Mitroglou jogaram de início. O jogo foi de sentido único, disputado apenas em metade do campo, com o Benfica a cair em cima do adversário desde o apito inicial, jogando um futebol solto e agradável de ver, mesmo sem forçar muito. Rematámos muito, mas com alguma falta de pontaria, e por isso o nulo ainda se manteve durante mais alguns minutos do que a nossa superioridade justificaria. O golo chegou aos vinte e sete minutos, num cabeceamento fulgurante do Mitroglou após cruzamento do Zivkovic. A segunda parte foi de maior acerto na finalização, até porque começou praticamente com o segundo golo. Canto apontado pelo Zivkovic e cabeceamento do Lisandro quase em cima da linha de golo. Mas aquilo que toda a gente que estava no estádio esperava mesmo era o regresso do Jonas aos golos. A pontaria dele esteve desafinada na primeira parte, mas corrigiu isso na segunda e o regresso deu-se da melhor forma possível, com um livre exemplarmente marcado a levar a bola ao ângulo superior da baliza do Vizela. Foi aos cinquenta e sete minutos de jogo, e três minutos depois voltou a marcar, num cabeceamento colocadíssimo depois de mais um cruzamento do Zivkovic. O resto do jogo foi mais do mesmo, de domínio completo do Benfica, poupanças do Pizzi, Jonas e Mitroglou (estreia parao Jovic esta época) e o quinto golo sempre em vias de acontecer. O Vizela, durante todo o jogo, fez um único remate, de fora da área e que foi quase mais um passe para as mãos do Ederson do que outra coisa qualquer.

 

 

Os maiores destaques deste jogo foram o Jonas e o Zivkovic. A importância e influência do Jonas, quando em forma, na nossa forma de jogar é por demais conhecida e evidente. Toda a equipa se movimenta e articula de forma diferente no ataque, e mesmo tendo em conta que o adversário era uma equipa da segunda liga, creio que isto foi bem visível hoje. Outra faceta bastante visível da presença do Jonas no onze é a prestação do Mitroglou, que beneficia e muito dos espaços criados pelas movimentações do colega de ataque. Quanto ao Zivkovic, já o escrevi por diversas vezes, deposito enormes esperanças no valor dele. Tem uma técnica apuradíssima, e tal como o Cervi, uma atitude exemplar em campo, jogando sempre com a preocupação de servir a equipa. Hoje fez um hat trick de assistências, que espero sinceramente sirva para que passem a ser-lhe concedidos mais minutos de jogo e oportunidades para jogar, mesmo que seja a partir do banco. Uma palavra final para o Yuri, que voltou a cumprir a sua função sem quaisquer problemas e até se mostrou mais solto e confiante do que no jogo contra o Real.

 

 

Depois do resultado entre o Paços e o Guimarães bastaria uma vitória neste jogo para ficarmos a necessitar apenas de um empate no próximo jogo para passar à Final Four. Fizemos mais do que isso, e fomos presenteados com um jogo muito agradável da nossa equipa, mesmo com vários jogadores menos utilizados no onze, e com o bónus do regresso do Jonas aos golos. Era difícil pedir mais. Mas agora o importante mesmo é derrotar o Guimarães no jogo para o campeonato. Depois podemos então pensar no embate contra o mesmo adversário para a Taça da Liga.

 

P.S.- Não costumo fazê-lo, mas hoje vou mencionar a arbitragem, até porque este árbitro não costuma ser particularmente feliz nos nossos jogos. O golo anulado ao Mitroglou por suposto fora de jogo ainda passa, porque o lance foi muito rápido e seria sempre de dúvida. No estádio não me pareceu, e revendo o lance em casa parece-me que ele está claramente em linha, embora a simpática SportTV tenha optado por mostrar uma única repetição do lance, obviamente sem traçar a linha do fora de jogo, não fosse esta mostrar que o Benfica tinha sido prejudicado (a linha já apareceu quando na segunda parte um lance de ataque do Vizela foi interrompido por fora de jogo). Já o penálti sobre o Zivkovic é um pouco mais difícil de aceitar, porque ele sofre duas faltas na mesma jogada, ambas cometidas dentro da área, e acabámos com um livre assinalado fora da mesma.

tags:
por D`Arcy às 01:05 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sexta-feira, 30.12.16

Monotonia

Num jogo marcado pela monotonia, o Benfica apresentou pouco mais do que os serviços mínimos e isso foi mais do que suficiente para vencer o Paços de Ferreira e somar os três pontos na estreia nesta edição da Taça da Liga.

 

 

Quase que me vejo obrigado a pedir desculpa por ter tão pouco para escrever sobre este jogo, mas para além do baixo ritmo a que foi jogado, fui mais uma vez ludibriado pelo Benfica, como me acontece diversas vezes desde que sou detentor de Red Pass Total. Antes do jogo informam-me que a bancada onde fica o meu lugar estará fechada, eu vejo-me obrigado a trocar para outro lugar, e depois acabam sempre por abrir mesmo a bancada (o piso 3 da bancada BTV hoje estava praticamente cheio, por isso a decisão de informar as pessoas que a bancada estaria fechada pareceu-me um rotundo falhanço nas previsões do número de espectadores). O resultado disto é que acabei a ver o jogo quase atrás de uma baliza e praticamente ao nível do relvado. Para mim, que sempre fui 'sócio do Terceiro Anel', isto causa uma confusão enorme e desta perspectiva à qual não estou habituado parece-me sempre mais que estou a assistir a uma peladinha do que a um jogo de futebol (embora tenha a leve suspeita de que hoje não terá sido apenas o meu ponto de vista sobre o relvado o responsável por ficar com essa sensação).

 

 

O que é que posso dizer sobre o jogo? Houve pouco espaço para poupanças, já que da equipa habitual apenas ficaram de fora o Pizzi (suspenso) e o Lindelöf, jogando o Celis e o Jardel nos seus lugares. O Benfica ainda entrou relativamente bem no jogo, o Celis teve um remate perigoso e a seguir o Rafa falhou o golo de uma forma algo escandalosa, depois de ficar isolado por um belo passe do Jiménez, mas a seguir o jogo foi reduzindo a intensidade até se tornar francamente aborrecido. O golo que o resolveu surgiu a cinco minutos do intervalo, numa recarga do Cervi a um primeiro remate do Gonçalo guedes, salvo sobre a linha de golo por um defesa do Paços. Na segunda parte ficaram-me na retina apenas um bom trabalho do Jiménez que terminou com um remate ligeiramente ao lado, um bom remate do Gonçalo Guedes que obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada, e um cruzamento no qual o Jardel ficou a centímetros de conseguir fazer o desvio para o golo. De assinalar também mais uns minutos a somar à recuperação do Jonas, o regresso do André Horta à competição, um remate do Paços de Ferreira à figura do Ederson (acho que deve ter sido o único que fizeram na direcção da baliza em todo o jogo, e mesmo para fora não devem ter sido muitos mais) e um grande desarme do Jardel, que me parece estar mais do que pronto para voltar a assumir a titularidade caso a novela jornaleira do Lindelöf acabe com a saída do sueco.

 

 

Quanto a apreciações individuais, o Celis fez um jogo certinho (se calhar foi do melhor que o vi fazer, com o bónus de não ter oferecido nenhum golo ao adversário desta vez), o Gonçalo Guedes parece estar outra vez a entrar numa daquelas fases em que a bola atrapalha um bocado e portanto temos que contar com dois ou três tropeções na mesma durante um jogo, e o André Almeida, como operário competente que é, vai-se adaptando à posição que o mandaram tapar desta vez - teve uma participação importante no lance do golo. O Fejsa, o Jardel e o Ederson mostraram a competência a que já nos habituaram, e o Cervi trabalhou como sempre e lá marcou o golo da ordem.

 

Se a monotonia foi o tom dominante do jogo, o melhor de tudo foi mesmo a monotonia de mais uma vitória. Foram tantas durante este ano que felizmente podemos pensar assim. Agora é esperar que o próximo ano continue a alinhar nesta tendência.

tags:
por D`Arcy às 01:11 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quinta-feira, 22.12.16

Gestão

Um jogo que o Benfica começou a resolver cedo e depois se limitou a manter controlado no ritmo que mais lhe convinha, fazendo uma gestão bastante sóbria do esforço sem que alguma vez tivesse deixado a ideia de que a conquista dos três pontos pudesse estar em causa.

 

 

O Rio Ave entrava neste jogo apresentando as credenciais de estar 100% vitorioso desde que o Luís Castro assumiu o comando da equipa. Quatro vitórias noutros tantos jogos eram um sinal bastante claro que este jogo teria que ser encarado com toda a seriedade pelo Benfica. E foi isso mesmo que fizemos, desde o apito inicial. Com o Mitroglou a ser desta vez o escolhido para ocupar a posição mais avançada da equipa, o Benfica tomou imediatamente conta do jogo e remeteu o Rio Ave para a defesa, procurando chegar ao golo o mais cedo possível. Tirando partido sobretudo da grande mobilidade e constantes trocas de posição do Gonçalo Guedes, Rafa e Cervi, sempre com o apoio do Pizzi, o cerco à baliza adversária foi-se apertando e o golo chegou, com toda a naturalidade, com catorze minutos decorridos. O Mitroglou, que no início da jogada tinha demorado um pouco mais a concluir e acabou por tentar finalizar de calcanhar, acabou por ficar com a bola nos pés bem no centro da área depois de um remate enrolado do Gonçalo Guedes, e enquanto os defesas do Rio Ave pediam um fora de jogo inexistente finalizou com toda a calma. Conseguido o golo, o Benfica imediatamente levantou um pouco o pé. Não passou a defender o resultado, simplesmente começou a querer sair de forma mais organizada e estruturada para o ataque, privilegiando a posse de bola, e recuou também a linha de pressão. O Rio Ave aproveitou então para ter mais alguma bola, mas foi incapaz de construir qualquer lance de perigo, e pelo menos de memória digo que nem sequer um remate conseguiu fazer. O melhor que conseguiu foram alguns cruzamentos para a nossa área, que morreram quase todos nas mãos do Ederson. O Benfica, mesmo neste ritmo mais pausado, dava ideia de poder marcar um segundo golo sem precisar de forçar muito mais, pois as iniciativas individuais dos nossos jogadores eram suficientes para semear a atrapalhação na defesa adversária. Já quase sobre o intervalo veio a confirmação disto, quando o Pizzi arrancou com a bola, tabelou com o Rafa à entrada da área, e depois picou a bola sobre o guarda-redes à saída deste. Tudo aparentemente simples, a resultar num golo muito bonito.

 

 

Sobre a segunda parte, não tenho praticamente nada a dizer. Se com um golo de vantagem o Benfica já parecia estar tranquilo e sem grande vontade de forçar muito, então com dois isso foi ainda mais notório. Acho que as notas de maior destaque foram a entrada do Jonas, para somar mais alguns minutos à tarefa de ganhar ritmo de jogo, e uma grande defesa do Ederson, lá para o meio desta segunda parte, naquele que terá sido o primeiro (ou na melhor das hipóteses o segundo) remate do Rio Ave no jogo. Mais uma vez o Ederson a confirmar a sua qualidade e aptidão para guarda-redes de equipa grande: quase todo um jogo sem ter que fazer uma defesa, tendo tido mais acção a jogar com os pés para os colegas do que a tocar na bola com as mãos, e quando finalmente foi chamado, correspondeu de forma brilhante. O outro facto a realçar é a expulsão do Pizzi, forçada pelo próprio. O amarelo que tinha visto a meio da segunda parte (não percebi bem qual o motivo, só se foi por palavras e foi o único amarelo mostrado pelo árbitro em todo um jogo no qual teve um critério disciplinar larguíssimo, optando por deixar jogar sempre que era possível - e às vezes até quando isso não parecia ser a opção correcta) deixava-o suspenso para o próximo jogo do campeonato, em Guimarães. Por isso nos instantes finais ele retardou a marcação de um livre até ser admoestado com o segundo amarelo e consequente expulsão, o que faz com que se mantenha à beira da suspensão por amarelos, mas cumpra o jogo de castigo no próximo compromisso do Benfica, contra o Paços de Ferreira para a taça da liga. Parece estúpido, mas os regulamentos estão redigidos assim, e recordo-me perfeitamente de há uns anos o Fucile, então no Porto, ter feito a mesma coisa num jogo contra o Belenenses, de forma a estar disponível para jogar contra nós. Quanto ao jogo jogado, o Rio Ave ainda tentou durante alguns minutos chegar a um golo que relançasse o resultado, mas mostrou demasiada incapacidade para o fazer, e na fase final do jogo já nem sequer conseguia ter bola para tentar o que quer que fosse.

 

 

Destaques no Benfica, para mim, o Fejsa por mais uma exibição sólida e sóbria, a dobrar sempre bem os colegas da defesa e a cobrir com eficácia a sua zona, o Cervi e, a espaços, o Pizzi. Não foi jogo para grandes destaques individuais mesmo.

 

Gosto destes jogos. Não é necessária grande nota artística nem números de circo. Temos uma tarefa a cumprir, e fazemo-la de forma eficaz e segura. Quem tiver assistido ao jogo viu que em nenhuma altura do mesmo a vitória do Benfica pareceu ser algo menos do que uma certeza. E é assim que se somam três pontos em cima de três pontos, e que no final se conseguem somar mais pontos do que todos os outros adversários. É esta competência que nos permite passar o ano confortavelmente instalados no topo.

tags:
por D`Arcy às 01:11 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Segunda-feira, 19.12.16

Complicado

Uma vitória sofrida num jogo que se foi tornando complicado pelo mau aproveitamento das ocasiões criadas, em particular na fase inicial do jogo. Depois aconteceu o cenário habitual em que se vê o final do jogo aproximar-se com uma margem mínima no marcador e a equipa que está em vantagem tem tendência para se encolher, enquanto que a outra começa a acreditar ser possível chegar ao empate. Muitas vezes acontecem dissabores nestas ocasiões, e ontem isto esteve perto de acontecer.

 

 

Com o Salvio no estaleiro, o Cervi regressou ao onze e o Rafa manteve a titularidade conquistada no encontro frente ao Sporting. O Benfica teve uma entrada muito forte no jogo, e nos minutos iniciais teve três ocasiões soberanas para inaugurar o marcador. Foi particularmente gritante a sequência de duas ocasiões, primeiro um grande remate do Jiménez ao qual o Moreira correspondeu com uma grande defesa para canto, e na sequência do mesmo um falhanço inacreditável do Luisão, que apareceu completamente sozinho junto à baliza e acabou por cabecear por cima. Continuámos sempre por cima na primeira parte - apenas um susto, numa situação em que o Estoril acertou no poste - mas o Estoril conseguiu reajustar-se, movendo uma marcação cerrada ao Pizzi, e nós mostrámos menor capacidade para criar situações de golo. Na segunda parte o Benfica continuou por cima no jogo, mantendo o Estoril remetido à sua área, e acabámos por chegar ao golo à passagem da hora de jogo, num penálti convertido pelo Jiménez. O penálti foi para mim mais do que evidente, após uma mão claríssima de um jogador do Estoril, que em carrinho tentou desarmar o Cervi - só mesmo num país pejado de antis raivosos é que se conseguiria questionar o acerto da decisão. Logo a seguir ao golo o Benfica tentou acalmar um pouco o ritmo de jogo, isto apesar de termos reforçado a presença na área com a entrada do Mitroglou para o lugar do Cervi. Mas a vinte minutos do final o Estoril pregou-nos um enorme susto, após um escorregão do Luisão (isto anda a acontecer demasiadas vezes ultimamente) e o empate só não aconteceu porque o Ederson fez uma enorme defesa quando tinha o adversário sozinho à sua frente. 

 

 

O Benfica pareceu assustar-se com este lance e o Estoril começou a ser mais perigosos. No ataque, o Pizzi conseguiu uma sequência atroz de maus passes e bolas perdidas, que o Estoril aproveitava quase sempre para sair rapidamente no contra-ataque. Mais uma escorregadela do Luisão voltou a dar uma situação de perigo para o Estoril, desta vez salva pela intervenção do André Almeida. E logo a seguir, o Ederson teve que se mostrar atento a mais um remate perigoso, de fora da área. O Benfica só voltou a estabilizar um pouco mais o seu jogo quando a dez minutos do final Assistimos ao regresso do Jonas. Apesar da longa ausência, foi evidente que o Benfica continua a ser uma equipa completamente com a presença dele em campo, devido à inteligência e classe com que joga. E o regresso do Jonas esteve muito perto de ser perfeito, pois em dois cabeceamentos esteve muito perto de marcar. O primeiro fez a bola passar a centímetros do poste, e segundo obrigou o Moreira a uma defesa apertada. Tivemos nova oportunidade para matar o jogo ao minuto noventa, quando o Moreira evitou no limite que a bola chegasse aos pés do Mitroglou e depois, com o Moreira ainda no chão, o Pizzi fez a recarga directamente para as mãos dele. E como um resultado tão magro é sempre perigosíssimo, apanhámos um enorme susto já no período de descontos, quando na sequência de um canto e posterior desvio de cabeça na zona do primeiro poste (não pode acontecer...) vimos um adversário aparecer completamente sozinho ao segundo, mas felizmente um centésimo de segundo atrasado em relação ao lance, o que fez com que não conseguisse cabecear a bola na direcção da baliza.

 

 

Para mim o maior destaque do jogo é mesmo o regresso do Jonas à competição. Tudo o resto acabou por ficar mais ou menos ofuscado pela alegria que senti com isto, alegria que foi reforçada ao ver um efeito imediato da entrada dele no nosso jogo, mesmo depois de todo este tempo de ausência. Vou também elogiar o Ederson. Que ele é um enorme guarda-redes, isso já estamos fartos de saber. Mas ele é também um guarda-redes de equipa grande. Pode passar um jogo quase todo sem ter nada que fazer, e depois fazer uma enorme intervenção quando finalmente é chamado, como aconteceu neste jogo a vinte minutos do fim. Abrindo uma excepção, uma menção para um jogador do adversário. Tenho um respeito muito especial pelo Moreira, pelo seu benfiquismo e pelo percurso que tem no nosso clube, e fico satisfeito com o regresso dele à primeira liga. Neste jogo esteve a um nível muito bom, e confesso que já por várias vezes pensei que seria uma escolha perfeita para ocupar a vaga que eventualmente acabaremos por ter no plantel quando o Paulo Lopes terminar a carreira.

 

Já não há jogos fáceis, e os três pontos trazidos da Amoreira sabem-me tão bem quanto os três conquistados contra o Sporting na última jornada. E valem exactamente o mesmo, garantindo-nos desde já a passagem de ano no topo da tabela. Agora é começar já a trabalhar na recepção ao Rio Ave, para encerrarmos o ano, no que ao campeonato diz respeito, em beleza.

tags:
por D`Arcy às 00:24 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quinta-feira, 15.12.16

Tranquila

O apuramento para os quartos de final da Taça de Portugal foi garantido com uma vitória tranquila contra o Real, que resistiu de forma honesta e empenhada aquilo que lhe foi possível mas acabou por não conseguir oferecer grande réplica e foi derrotado por uma margem de três golos. O prémio para o esforço do nosso adversário acabou por ser a saída para o intervalo com o resultado ainda em branco.

 

 

Apenas dois jogadores do onze que iniciou o jogo do passado domingo mantiveram a titularidade: Ederson e André Almeida, desta vez a jogar na direita. As nove novidades foram: Yuri Ribeiro (estreia oficial na equipa principal do Benfica), Lisandro, Jardel, Samaris, Danilo, Carrillo, Zivkovic, Cervi e Mitroglou. O nulo com que se chegou ao intervalo reflecte o pouco interesse que a primeira parte teve. O Real fechava-se todo atrás da bola, concentrando jogadores no corredor central, e depois tentava sair o mais rapidamente possível para o ataque através de lançamentos para os jogadores mais avançados. O Benfica revelava dificuldades para ultrapassar a floresta de adversários que se lhe opunha, muito por culpa de um ritmo talvez exageradamente lento que impunha ao jogo. Não me parece que a isso fosse alheio o facto do nosso meio campo ser constituído pelo Samaris e o Danilo, dois jogadores que não são especialmente rápidos a executar ou têm grande criatividade. O Cervi actuava preferencialmente nas costas do Mitroglou, e apesar de ser dos mais empenhados não conseguia render tanto como quando joga na ala. Para a segunda parte regressou o Gonçalo Guedes para ocupar essa posição, passando o Cervi para o seu lugar e o Zivkovic para a direita (o Carrillo já não voltou) e a diferença foi notória. O Benfica, sobretudo pelas acções do Gonçalo e do Cervi, imprimiu muito mais velocidade no jogo e o Real passou a sentir muito maiores dificuldades, potenciadas por um golo madrugador do Benfica. Canto marcado pelo Zivkovic e cabeceamento do Mitroglou ao primeiro poste. Depois continuámos a assistir a um domínio completo do Benfica no jogo, embora teimássemos em adiar a marcação do segundo golo, com demasiada parcimónia no remate - os nossos jogadores tentavam muitas vezes passar a um colega quando podiam rematar, ou demoravam demasiado tempo e depois o remate quando saía embatia num adversário. Só nos últimos minutos ampliámos finalmente a vantagem, numa altura em que em termos físicos os jogadores do Real já pagavam a factura do esforço de terem andado a correr atrás da bola a maior parte do jogo. O segundo golo surgiu num penálti marcado pelo Mitroglou, a castigar uma falta sobre o Gonçalo Guedes, e o terceiro pelo Jiménez (tinha entrado um pouco antes para o lugar do Cervi), num bom trabalho individual em que tirou um defesa da frente antes de rematar, depois de receber um passe do mesmo Gonçalo Guedes.

 

 

Os jogadores em maior destaque foram o Cervi e o Gonçalo Guedes, cuja entrada foi decisiva para desequilibrar por completo o jogo na segunda parte. Bom jogo também do Zivkovic e, sinceramente, creio que hoje ficou reforçada a ideia que cada vez menos se justifica que o Carrillo tenha tantas mais oportunidades do que o sérvio. Se eu embirro com o Carrillo não é por achar que ele é mau jogador. O meu problema é com a atitude dele. Ninguém joga tão mal como ele jogou hoje, frente a um adversário muito mais fraco, se não for por uma questão de mera vontade. Se é esta a vontade que ele tem de jogar futebol, então não merece um lugar entre os convocados. Foi bom ver o Jardel de regresso, e quanto ao estreante Yuri, cumpriu perfeitamente. Não complicou, tentou jogar de forma simples e apoiar o ataque sempre que possível, e ainda teve um corte providencial numa das raras ocasiões de perigo criadas pelo Real na segunda parte.

 

 

Confesso que hoje tinha alguma expectativa em ver alguns minutos do Jonas, mas já deu para perceber que é uma situação que tem que ser gerida com muito cuidado, sem apressar o que quer que seja. O mais importante é que mais uma etapa da Taça de Portugal foi ultrapassada. Agora tratemos de nos dedicar à perseguição do objectivo do tetra, que passará por trazermos os três pontos da Amoreira no próximo sábado.

por D`Arcy às 02:05 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 12.12.16

Confirmada

Uma vitória importante no caminho para o título, que tem como principal consequência sermos à décima terceira jornada líderes isolados e a única equipa que depende apenas de si própria para ser campeã. Foi uma vitória difícil e sofrida, perante um adversário que mesmo com dois golos de desvantagem nunca desistiu e deu tudo o que tinha, obrigando-nos a suar e a trabalhar bastante para garantir os três pontos. Mas um estádio como o nosso, com um público como o nosso, não podia merecer menos do que uma vitória esta noite. Quem lá tiver estado de certeza que percebe porque motivo temos que ir à Luz sempre que possível. Que ambiente incrível.

 

 

Não esperava que o nosso treinador fizesse qualquer alteração no onze que alinhou nos últimos jogos, mas acabou por haver uma mudança: na esquerda foi o Rafa quem apareceu a titular, relegando o Cervi para o banco. Do outro lado, o Sporting apresentou o onze esperado. Sobre a primeira parte, acho que há pouco a dizer. Em termos tácticos as equipas encaixaram quase perfeitamente uma na outra e mostraram demasiado respeito (ou receio) mútuo, pelo que o jogo, apesar de sempre muito disputado, sobretudo na zona do meio campo, teve raras ocasiões de muito perigo. Desde cedo que foi evidente que a estratégia do Sporting passava muito por anular sistematicamente logo à partida com faltas as tentativas de saída rápida do Benfica para o ataque (acho que só mesmo um critério de arbitragem muito largo é que me permite compreender que o William tenha conseguido acabar o jogo sem um amarelo sequer, e que o Marvin tenha estado perto de conseguir o mesmo feito) mas acabou por ser mesmo numa transição rápida para o ataque que conseguimos inaugurar o marcador. Boa condução da bola do Gonçalo Guedes pelo centro do terreno, aproveitando a oferta do William e soltando-a na altura certa para a corrida do Rafa na esquerda, saindo depois um passe de trivela para o lado oposto, onde o Salvio conseguiu já com alguma dificuldade finalizar de primeira. Num jogo com este figurino era de capital importância marcar primeiro, e esse passo estava dado. O jogo não mudou muito com o golo, no entanto, e continuou com o equilíbrio a ser a nota dominante. Um ou outro lance de parte a parte a levar a bola mais perto das balizas, sobretudo a partir de bolas paradas, mas nada de muito emocionante. Só mesmo a fechar a primeira parte é que houve uma clara ocasião de golo, para nós, e surgida perfeitamente por acaso: o Bryan Ruiz teve uma péssima intervenção ao cortar um mau passe do Pizzi e colocou a bola nos pés do Jiménez, deixando-o sozinho em frente ao Rui Patrício. Mas o guarda-redes do Sporting respondeu com uma grande defesa e evitou aquilo que seria um duro golpe para a sua equipa mesmo antes do descanso.

 

 

Praticamente desde o apito inicial para a segunda parte que se viu que tudo seria diferente. No primeiro lance, o Gonçalo Guedes quase conseguia aproveitar um atraso arriscado do Coates para o Patrício; na resposta o Campbell (tinha entrado ao intervalo para o lugar do Bruno César) fugiu pela esquerda da nossa defesa e passou atrasado para o Bas Dost rematar com estrondo ao poste. E outra vez na resposta, foi o Rafa quem se isolou pela esquerda da área do Sporting, mas falhou o passe para o Gonçalo Guedes, que estava sozinho no meio. A bola seguiu no entanto até à direita, onde o Nélson Semedo ganhou a linha de fundo após passe do Salvio e centrou para o mergulho de cabeça do Jiménez, que se antecipou ao João Pereira e fez a bola entrar bem junto da base do poste. Num jogo tão equilibrado até então, uma margem de dois golos fazia supor que seria muito difícil ao Sporting reentrar na discussão do resultado. Só que com praticamente metade de um jogo por disputar, houve tempo para muitas alterações tácticas que acabaram por mudar completamente o jogo. Na minha opinião, o ponto de partida foi a substituição forçada do Salvio (que já não estava muito bem desde a primeira parte, em que depois de um choque ficou magoado no ombro). A opção tomada pelo nosso treinador surpreendeu-me, decidindo lançar o Danilo para o jogo e deslocando o Pizzi para a direita. Não me pareceu que a opção tenha resultado, pois a partir desse momento o Sporting ganhou o controlo do meio campo e consequentemente do jogo. O Danilo foi posicionar-se praticamente a par do Fejsa numa posição bastante recuada, passando a haver muito menos pressão sobre os médios do Sporting, que assim tinham mais tempo e espaço para ler o jogo e fazer a bola circular - quando havia pressão era apenas esporádica e porque o Jiménez recuava para fazer esse trabalho. Apesar de, em teoria, o jogador mais perigoso deles ser o Gelson, este foi sendo relativamente controlado pelo André Almeida e era pelo outro lado que aparecia o perigo, até porque entretanto o Campbell se tinha encostado a esse lado (depois da substituição do Bryan Ruiz pelo Alan homónimo) e o Nélson Semedo parecia ter pouco apoio nas tarefas defensivas. O Ruiz que entrou teve uma influência quase nula no jogo e mal se deu por ele, mas o Campbell na esquerda estava constantemente desacompanhado e causava muitos problemas. Durante o quarto de hora que se seguiu o Sporting mandou no jogo e devemos ao Ederson o facto de não terem reduzido mais cedo a diferença. O Benfica ainda voltou a mexer na equipa, trocando o Guedes pelo Cervi, mas com o argentino a ir encostar-se à direita e o Pizzi a passar para as costas do avançado, sem grandes resultados. E o que parecia inevitável acabou por acontecer mesmo: o Campbell surgiu mais uma vez pela esquerda e conseguiu fazer o centro para uma finalização de cabeça bastante fácil do Bas Dost, que estava completamente sozinho na pequena área, junto ao poste do lado oposto (enorme falha de marcação da nossa defesa, em particular do Lindelöf). 

 

 

Havia mais de vinte minutos para jogar, o jogo estava agora relançado e antevia-se uma pressão ainda maior do Sporting na procura do golo do empate, até porque alguns dos nossos jogadores pareciam estar nos limites físicos. Mas de forma algo surpreendente não foi isso que aconteceu. O Benfica entretanto trocou os alas, a equipa ganhou alguma consistência, conseguindo acalmar o ritmo do jogo, e sobretudo voltou a conseguir sair com bola para o ataque, coisa que durante o nosso pior período não tinha acontecido. Foi também importante para estabilizar a equipa o fantástico ambiente que o Estádio da Luz quase lotado conseguiu criar no apoio à nossa equipa. Mesmo nos períodos mais complicados o público nunca deixou de estar com a equipa e isso ajudou-nos, e muito. O sufoco que se poderia antecipar por parte do Sporting acabou por nunca acontecer, e honestamente não me recordo do nosso adversário ter conseguido criar mais nenhuma ocasião de perigo até ao final do jogo, isto apesar de ter continuado a ter mais bola. As situações mais perigosas junto da baliza até foram nossas, ambas pelo Rafa. Numa, depois de servido pelo Cervi, tentou o remate de primeira quando estava completamente à vontade e enviou a bola para a bancada. Na outra, libertou-se do Rúben Semedo, ultrapassou ainda o Rui Patrício junto à linha final, mas acabou por fazer mal o passe atrasado para o Cervi, que estava em posição privilegiada. O JJ ainda deu uma pequena ajuda quando, nos minutos finais, surpreendeu ao retirar o Bas Dost do campo para colocar o André - acho que a única explicação que encontro para essa substituição é alguma 'fezada' dele no brasileiro. Resumindo, acabou por nem ser particularmente complicado para o Benfica segurar a vitória durante o tempo que decorreu entre o golo do Sporting e o final do jogo.

 

 

Começo por destacar na nossa equipa o Ederson. A vitória começou por ele, já que esteve sempre muito seguro e defendeu o que havia para defender. Não havia nada que pudesse fazer no golo sofrido, mas a ele devemos o facto deste não ter aparecido mais cedo. Se isso tivesse acontecido de certeza que a nossa tarefa teria sido muito mais complicada. Outro dos destaques foi o Rafa, que foi sempre um dos nossos jogadores mais perigosos no ataque, com uma grande assistência para o primeiro golo. E se tivesse conseguido ser um pouco mais certeiro no último passe, poderia ter feito ainda melhor. A entrada do Cervi foi muito importante, sobretudo a partir do momento em que se fixou na esquerda. E já que falo na esquerda, uma menção para o André Almeida. Na posição de lateral esquerdo, a participação no processo ofensivo é praticamente inexistente (a diferença, no processo ofensivo, deste Benfica para aquele que pode contar com o Grimaldo é abissal, e até poder contar com o Eliseu já faria uma enorme diferença) mas em termos defensivos fez um jogo bastante bom. Se hoje o Gelson não teve a influência que lhe é mais habitual no jogo do Sporting, isso deve-se em boa parte à forma eficaz como o André Almeida conseguiu controlá-lo na maior parte do jogo. O Jiménez correu até à exaustão e fez por merecer o golo. Pena ter falhado aquela oferta do Bryan Ruiz.

 

Os três pontos estão ganhos, a liderança está confirmada e cimentada, a motivação aumentada e este jogo já é passado. Agora é altura de pensar já no Real, com quem iremos disputar o acesso à próxima eliminatória da taça, e a seguir no jogo contra o Estoril. Os três pontos desse jogo valem exactamente o mesmo destes três ganhos esta noite, e é essa a mentalidade que já nos levou à conquista do tricampeonato e que pode manter o sonho do tetra vivo.

 

P.S.- Enquanto saía do estádio dizia que o melhor era aproveitar a caminhada até casa enquanto o Sporting procurava pelos penáltis não assinalados que seriam necessários para ganhar o jogo. Claro que isso se confirmou mal cheguei a casa. Não é que seja necessário ter algum poder mediúnico para adivinhar estas coisas, porque sempre que o Sporting joga contra o Benfica só há dois cenários possíveis: ou é um 'banho de bola', se ganharem nem que seja por meio a zero com um golo marcado com as nádegas depois de uma rajada de vento ter desviado a bola de um pontapé de baliza; ou então, se não tiverem ganho, é uma 'roubalheira'. Têm o presidente da Liga que escolheram, têm o presidente dos árbitros que escolheram, têm até os árbitros de que gostam. Mas a conspiração universal contra o Sporting continua.

tags:
por D`Arcy às 00:49 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 07.12.16

Certa

Vitória certa da melhor equipa em campo esta noite. O Benfica raramente foi capaz de dominar o jogo e incomodar seriamente o Nápoles, que venceu claramente a batalha táctica do meio campo. Foi nessa zona que o encontro se decidiu, e depois quem pode dar-se ao luxo de ter um jogador como o Mertens no banco tem sempre um trunfo forte para lançar e resolver.

 

 

O jogo foi de domínio repartido durante a primeira parte, sem que alguma das equipas se conseguisse impor claramente no campo, e com as ocasiões a surgirem aos soluços de um lado ou do outro, muitas vezes através de lances mais fortuitos do que construidos. Mas o que ficou claro desde o início foi a capacidade do Nápoles para estrangular a construção do jogo ofensivo do Benfica logo à partida. A equipa italiana tinha clara supremacia na zona central do campo e raramente permitia que a bola chegasse ao Pizzi, que esteve sempre bem vigiado. Quando a bola lhe chegava, tinha que a despachar rapidamente pois era imediatamente pressionado por mais do que um adversário - a forma como o Nápoles conseguiu durante quase todo o jogo pressionar o portador da bola foi aliás outro dos factores que ajudaram a decidi-lo a seu favor. Sem capacidade de organizar jogo pelo centro, o Benfica optou demasiadas vezes pelos lançamentos longos ou por iniciativas individuais sobretudo pela direita, onde o Salvio tomou uma má decisão atrás da outra. Pela esquerda a equipa está claramente coxa. O André Almeida pode eventualmente servir para tapar aquele buraco nos jogos de consumo interno, mas para este nível já não dá. E o Cervi também pareceu ressentir-se disso, pois sem grande apoio nas acções ofensivas acabou por ter também um jogo bastante desinspirado. 

 

 

Na segunda parte, apesar do problema principal do meio campo se manter, o Benfica até pareceu entrar um pouquinho melhor, porque fiquei com a sensação de que o Pizzi recuou mais no terreno para conseguir receber a bola voltado para o meio campo adversário, mas nunca deixei de achar que o Nápoles continuava por cima e tinha o jogo perfeitamente controlado. E ao fim de quinze minutos chegou ao golo com alguma naturalidade. Um livre marcado de forma rápida, toque de primeira do Mertens (acabado de entrar) para as costas da defesa, e o Callejon fugiu com facilidade ao Lindelöf, isolou-se e marcou. O Benfica pareceu acusar em demasia este golo, e senti que só muito dificilmente iríamos conseguir alguma coisa deste jogo. As alterações tácticas que o Benfica foi fazendo nada mudaram em termos tácticos, e o problema no meio campo manteve-se. Nós não tínhamos espaço para jogar, e o Nápoles tinha sempre alguem solto para receber a bola e correr com ela. Ou então, sendo mais do que certa a derrota do Besiktas e o nosso apuramento, houve demasiado relaxamento e começou-se logo a pensar já no próximo jogo, o que também não me parece propriamente ideal, especialmente estando um prémio considerável e o primeiro lugar do grupo em jogo. O segundo golo apareceu também de forma natural, um lance individual do Mertens no qual recebu a bola à vontade à entrada da área e depois a defesa do Benfica assistiu em posição privilegiada ao slalom do belga até colocar a bola rasteira junto do poste. O melhor que o Benfica conseguiu fazer foi, a três minutos do final, ver o Jiménez aproveitar uma fífia do Albiol para se isolar e reduzir a diferença.

 

 

Felizmente as notícias vindas da Ucrânia foram as melhores, e garantimos o apuramento para a próxima fase da Champions. Fazer isto em duas épocas consecutivas não é um feito menor, e a nossa equipa está de parabéns. É um feito importantíssimo, quer em termos desportivos como financeiros. Mas no jogo de hoje foi visível que temos que conseguir fazer melhor para enfrentar os desafios que essa fase representará. O Nápoles foi tacticamente superior, e confesso que fiquei irritado com a aparente incapacidade de resposta vinda do banco. Foi como se a nossa equipa técnica não estivesse a ver o mesmo jogo que eu. Nenhuma das alterações feitas mudou grande coisa em termos tácticos ou fez o que quer que fosse para corrigir um problema que parecia ser por demais evidente. Algumas das substituições foram aliás perfeitamente inúteis (embora para mim isso seja algo que quase se pode dizer por defeito sempre que o Carrillo entra). Temos agora que concentrar-nos e preparar convenientemente o próximo jogo. A questão do defesa esquerdo é algo que neste momento me preocupa, e parece-me afectar a qualidade do nosso jogo mais do que qualquer outra das muitas lesões que já tivemos durante esta época.

tags:
por D`Arcy às 01:21 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sábado, 03.12.16

Desperdício

Pagámos um preço demasiado alto pela má entrada no jogo hoje. Uma derrota absurdamente injusta (um empate já teria sido uma injustiça tremenda) que se ficou a dever sobretudo ao muito desperdício no ataque, em especial na segunda parte. Tivesse o aproveitamento sido melhor, e o resultado final não teria andado muito longe daquele que aconteceu no jogo da taça.

 

slb2.jpg

 

Uma única alteração na equipa, esperada, com a utilização forçada do André Almeida na esquerda da defesa. A entrada em jogo do Benfica foi disparatada. Ao contrário do que tinha acontecido no jogo anterior contra este adversário, desta vez foram eles a marcar praticamente na abertura do jogo, num lance em que o Luisão se mostrou demasiado preso de movimentos, e em que depois o jogador do Marítimo acabou por ser feliz no remate - a bola ia para fora, mas um ligeiro toque no Nélson Semedo, que tentava interceptá-la, acabou por fazê-la entrar mesmo junto à base do poste, fora do alcance do Ederson. O golo madrugador pareceu afectar a nossa equipa, que se revelava nervosa na defesa, com o Luisão em particular demasiado inseguro. Do outro lado, a táctica do Marítimo era tentar pressionar e matar sempre que possível qualquer jogada do Benfica à nascença recorrendo à falta. O Gonçalo Guedes em particular, nesta fase inicial, sofreu faltas sucessivas (fora as que nem assinaladas foram) sem que houvesse mais do que o tradicional aviso aos jogadores adversários. O nervosismo do Benfica ficou patente num disparate do Pizzi, que se deixou desarmar à sobre a linha do meio campo e permitiu que um adversário seguisse isolado para a baliza, valendo-nos o Ederson, que com duas defesas evitou o pior. Só ao fim de uns bons vinte minutos é que o Benfica começou a assentar melhor o seu jogo, insistindo sobretudo pela direita devido às acções do Nélson Semedo (o Salvio estava num daqueles dias em que baixa a cabeça e corre com a bola, e só a levanta para ver a baliza). E antes da meia hora o azar do primeiro golo foi compensado com a sorte do golo do empate. Remate do Nélson Semedo ainda de fora da área, com a bola a embater no Guedes e a desviar para entrar junto da base do poste do lado oposto. Se o Benfica já estava a passar para cima do jogo, então depois do empate só deu mesmo Benfica. E começou o desperdício, com as ocasiões desperdiçadas a começarem a acumular-se - só o Mitroglou teve duas ocasiões soberanas para marcar e em ambas nem acertou com a baliza.

 

A segunda parte foi ainda pior. Começou praticamente com um falhanço inacreditável do Salvio, que servido pelo André Almeida conseguiu cabecear à barra quando estava a uns dois metros da linha de golo. O jogo foi de sentido único, com o Marítimo completamente acantonado à frente da sua área e o Benfica a atacar incessantemente na procura do golo da vitória. Mas ou os nossos jogadores não acertavam com a baliza, ou aparecia sempre uma perna ou uma cabeça de um jogador do Marítimo a desviar a bola, ou o guarda-redes fazia defesas inacreditáveis quando parecia impossível não ser golo. Depois aconteceu o velho estereótipo destes jogos, em que a equipa que está a jogar para o pontinho e não faz absolutamente nada para ganhar, no primeiro ataque que faz na segunda parte (não estou sequer a falar no primeiro remate, mas sim no primeiro ataque, porque mostraram as estatísticas dos ataques pouco depois do golo e o Marítimo na segunda parte tinha um ataque) chega ao golo. Num canto (que surgiu na sequência de um alívio horrível do André Almeida, que fez um balão para dentro da própria área) um defesa do Marítimo conseguiu cabecear no meio do Lindelöf e do André Almeida e fazer o golo (desconfio que os que tanto gostam de criticar os bloqueios que o Benfica faz nos cantos desta vez fiquem calados sobre o 'bloqueio' que o Ederson sofreu nesse lance). Faltavam nesta altura vinte e um minutos para o final do jogo, e o cenário era negro. Ainda assim o Benfica conseguiu desperdiçar de forma inacreditável mais algumas ocasiões para marcar, como por exemplo pelo Rafa (tinha entrado para o lugar do Salvio) ou pelo Jiménez (que entrou para o lugar do André Almeida, ficando o Cervi a fazer todo o corredor esquerdo). Não me agradou a forma mais atabalhoada como o Benfica procurou o golo nos minutos finais, mas também é preciso ter em conta que de qualquer forma praticamente já não houve jogo nos últimos quinze minutos. Os jogadores do Marítimo passaram obviamente a cair que nem tordos. Eram frequentemente atacados de cãibras, queimavam tempo em todas as reposições ou interrupções, enfim, fizeram o seu trabalho dado que o tempo corria a favor deles, e já se sabe que nestas coisas o crime compensa quase sempre. Por isso quando os nossos jogadores tinham a bola tentavam frequentemente saltar demasiados passos no processo ofensivo e resolver de forma demasiado rápida, individual e atabalhoada.

 

Nem vou fazer destaques positivos ou negativos hoje. Ganhamos como equipa, perdemos como equipa. Se há algumas coisas de que nos devemos queixar hoje é sobretudo da inacreditável falta de eficácia no ataque, e da forma disparatada como entrámos no jogo. É uma derrota impensável e injusta, mas tudo isto faz parte do jogo. Fiquei com a sensação de que a equipa fez tudo o que podia para vencer, mas há dias que correm assim e em que a bola parece que não quer entrar. O importante agora é corrigir o que se fez mal e olhar em frente para os próximos jogos. E sobretudo ignorar a canzoada que andava há meses à espera de um resultado destes, porque nos próximos dias vão ladrar muito.

tags:
por D`Arcy às 03:04 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 28.11.16

Simples

Depois de uma jornada europeia, nada melhor do que um jogo sem grandes complicações, que o Benfica soube tornar simples exercendo um domínio total no mesmo, vencendo com clareza e deixando a impressão de que nunca teve sequer que carregar muito no acelerador para o conseguir.

 

 

No onze inicial houve uma alteração em relação à equipa que tinha jogado em Istambul: troca de pontas-de-lança, com o Jiménez a jogar em vez do Mitroglou. Mas logo nos minutos iniciais fomos obrigados a uma alteração forçada, pois o Eliseu lesionou-se e teve que ceder o lugar ao habitual faz-tudo da nossa equipa, o André Almeida. O jogo foi como tantos outros que acontecem todas as épocas em nossa casa. Desde o apito inicial um adversário apenas e só interessado em prolongar o mais possível o nulo no marcador, e com especial falta de jeito para usar atacadores, já que os seus jogadores pareciam ser frequentemente afectados por problemas com os mesmos. Nada de novo mesmo na forma de jogarem: bloco bem fechadinho em cima da sua área, muita gente no caminho da bola, quase ou nenhuma propensão para tentarem sequer explorar algum contra-ataque quando conseguiam alguma recuperação. O que, diga-se, aconteceu poucas vezes, já que a posse de bola do Benfica foi largamente superior à do adversário. O Benfica encarou o jogo com bastante calma, aliás durante a primeira parte por vezes a calma quase que parecia excessiva e a roçar a sobranceria. Há muita confiança nos nossos jogadores, e por vezes a sensação com que se fica é que eles sabem que mais cedo ou mais tarde os problemas vão resolver-se e o golo vai aparecer, não sendo por isso necessário correr desenfreadamente à procura dele. Isto por vezes chega a ser algo enervante, porque jogamos sem muita velocidade e damos assim tempo ao adversário para se organizar e acantonar todo novamente à frente da baliza. Mas a verdade é que o tempo acaba quase sempre por dar-lhes razão, porque por volta da meia hora de jogo o golo apareceu. O Cervi conseguiu recuperar uma bola ainda no meio campo do Moreirense, apanhando assim o adversário desorganizado, progrediu pela esquerda e passou a bola para a entrada da área. O André Almeida por muito pouco não ficou com ela, que acabou por seguir para os pés do Pizzi e este apanhou-se numa situação tão confortável à frente da baliza que só faltou perguntar ao guarda-redes para que lado queria a bola. O chavão nestes jogos é que o mais difícil é o primeiro, e agora tínhamos uma boa hora de futebol pela frente para comprová-lo. O Moreirense, esse, continuava completamente inofensivo e controlado, tenho perto do intervalo feito o primeiro (que, pelo menos que eu me lembre, acabou por ser o único em todo o jogo) remate à nossa baliza, sem ter criado grandes dificuldades ao Ederson.

 

 

A tranquilidade manteve-se no segundo tempo. Até porque o Benfica resolveu jogar um bocadinho mais rápido, e se o Moreirense já não mostrava ter capacidade de resposta para o Benfica do primeiro tempo, muito menos teria para este. A ameaça do segundo golo ia pairando e o guarda-redes do Moreirense venceu o primeiro duelo pessoal que manteve com o Cervi esta noite, negando-lhe essa possibilidade. O Pizzi era o jogador em maior destaque e foi mesmo ele quem, aos cinquenta e oito minutos, fez o segundo do Benfica e da conta pessoal dele. Progressão do Salvio pelo centro, à entrada da área soltou a bola mais para a esquerda, e o Pizzi recebeu em corrida, entrou na área e rematou cruzado com o pé esquerdo. Depois deste golo assistimos a um cenário que também já vem sendo habitual, que é ver quantos golos mais consegue o Benfica marcar. Não é por acaso que temos o melhor ataque da competição: é raro o jogo em que o Benfica, apanhando-se vencer, descansa sobre o resultado. Estes períodos são também aproveitados para dar descanso a alguns dos mais utilizados e minutos a quem deles precisa, e por isso o Salvio cedeu o lugar ao Carrillo e depois o Gonçalo Guedes foi trocado pelo Rafa. Como principais pontos de interesse no jogo, era ver se o Pizzi conseguia chegar ao hat trick (não conseguiu, não porque não tivesse tido ocasiões para isso, mas sim porque a pontaria não foi a melhor, em particular num lance em que o Carrillo lhe colocou a bola à mercê para marcar, mas ele atirou por cima) e se o Cervi conseguiria vencer o duelo particular com o Makaridze, o guarda-redes do Moreirense. Também não o conseguiu, pois o duelo teve mais dois rounds em em ambos foi o guarda-redes quem saiu vencedor. Mas apesar disso o marcador ainda conseguiu funcionar mais uma vez, ao minuto oitenta e oito. Lançado por um excelente passe em profundidade do Pizzi, o Rafa conseguiu ultrapassar o guarda-redes, que lhe saiu ao caminho, aguentou-se de pé apesar de ter sido tocado, e depois rematou rasteiro para a baliza, onde um defesa do Moreirense ainda conseguiu evitar o golo. Mas a bola ficou a mercê do Jiménez, que desta vez até estava na zona do ponta-de-lança em vez de andar a correr por toda a frente de ataque, e o mexicano empurrou a bola para a baliza para deixar que os 55.970 espectadores que se deslocaram hoje à Luz (mais uma grande assistência) acabassem o jogo em festa.

 

 

Nem há qualquer discussão hoje, o homem do jogo é mesmo o Pizzi. Dois golos e intervenção decisiva num terceiro já seriam factor mais do que decisivo. Ele já estava em destaque enquanto alinhava na direita, na fase inicial da época, e aproveitou a lesão do André Horta para se fixar no centro e assumir um papel crucial na equipa. Está mais forte nas tarefas defensivas (também ajuda, e muito, ter por ali um senhor chamado Fejsa que raramente comete um erro) e é quase sempre a primeira peça da engrenagem do motor ofensivo da equipa, já que quase todas as jogadas começam com a bola a passar pelos seus pés. O Cervi continua a ser um jogador que me agrada em quase tudo o que faz, e sobretudo pelo empenho revelado nas tarefas mais defensivas. O sempre importante primeiro golo nasce numa recuperação de bola dele. O Salvio hoje teve uma recaída para a sua faceta mais individualista, mas pelo menos ainda conseguiu soltar a bola no momento certo para assistir o Pizzi no segundo golo. O Gonçalo Guedes também não teve um jogo muito conseguido - ficou na retina aquela situação de 3x2 em que insistiu no lance individual e acabou por perder a bola - mas revelou o empenho e atitude habituais. O Jiménez também mostrou boa atitude e foi recompensado com o golo no final. Mexeu-se muito, e talvez até demais - é aqui que se nota a principal diferença em relação ao Mitroglou, pois com ele em campo a equipa perde uma referência na área. Por outro lado, com isto também consegue arrastar consigo os defesas e criar espaços para a entrada dos colegas - o primeiro golo é um bom exemplo.

 

Não houve (como aliás julgo que qualquer benfiquista antecipava) qualquer drama ou consequência da vitória deixada fugir por entre os dedos em Istambul. A nossa equipa exibiu-se ao nível que esperamos dela e desembaraçou-se com aparente facilidade de mais um obstáculo no longo caminho que nos separa do objectivo que ambicionamos. Agora é abordar a viagem à Madeira com a mesma concentração e atitude, não deixando que a fácil vitória no jogo da taça contra este mesmo adversário nos convença que o jogo será fácil. A atitude da nossa equipa tem sido a principal vantagem sobre os nossos adversários mais directos, e o que nos permite ter a actual vantagem confortável no topo.

tags:
por D`Arcy às 01:46 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quinta-feira, 24.11.16

Frustrante

Uma primeira parte brilhante foi desbaratada por uma meia hora final disparatada, o que acabou por resultar num empate frustrante porque significou deitar fora a oportunidade para deixar resolvida de vez a questão doapuramento. Continua tudo nas nossas mãos, mas seria certamente preferível entrar em campo na última jornada tendo já tudo resolvido.

 

2.jpg

 

A primeira parte do Benfica foi simplesmente brilhante. Foi no fundo uma continuação do último jogo da taça, contra o Marítimo. Domínio total do jogo, uma equipa perfeitamente oleada e entrosada, com grande dinâmica, os alas a aparecerem frequentemente pelo meio para dar superioridade numérica e permitirem as entradas dos laterais, e a fecharem bem o seu lado no apoio ao lateral quando não tínhamos a bola. Num instante o Benfica conseguiu emudecer o inferno turco e vulgarizar o Besiktas, que tal como o Marítimo no último jogo mal conseguia fazer uma jogada com mais de três passes seguidos, pois jogávamos num bloco sólido com a defesa muito subida no terreno a sufocar o adversário no seu próprio meio campo. Esta superioridade acabou por reflectir-se de forma natural em golos, e foram logo três durante a meia hora inicial. Primeiro pelo Gonçalo Guedes, que isolado por um passe do Salvio contornou o guarda-redes com classe para marcar, depois pelo Nélson Semedo, um golão num remate de pé esquerdo à entrada da área, e finalmente pelo Fejsa, numa jogada quase inacreditável. Canto marcado na direita do nosso ataque, cabeçada do Mitroglou à barra, recarga de cabeça do mesmo Mitroglou novamente à barra, nova cabeçada, desta vez do Salvio, ao poste, e finalmente a recarga final vitoriosa do Fejsa. Com meia hora decorrida, o Benfica parecia ter praticamente carimbado o apuramento. Mas era necessário manter o nível, porque mesmo com a vantagem de três golos confesso que tive sempre o pressentimento de que se o Besiktas marcasse, ainda passaríamos um mau bocado - não é nenhuma premonição especial, eu no fundo penso assim em quase todos os jogos, porque para mim o 'resultado mágico' a partir do qual eu consigo pensar que o jogo está resolvido são quatro golos de diferença. Por isso ainda sofri um pouco à espera que o intervalo chegasse sem nenhum golo turco.

 

3.jpg

 

O Besiktas fez naturalmente alterações ao intervalo, mas o início da segunda parte não fazia temer o pior. O Benfica continuava seguro, e até parecia poder aproveitar o tudo por tudo dos turcos para explorar o contra-ataque e voltar a marcar. O que poderia mesmo ter acontecido logo nos primeiros mintuos, mas o Mitroglou desperdiçou de forma inacreditável o quarto golo, quando ficou completamente isolado depois de um passe do Salvio mas conseguiu atirar a bola um pouco ao lado da baliza à saída do guarda-redes. Foi pena, porque penso que esse golo teria acabado de vez com qualquer esperança turca, mas de qualquer maneira não pensei que acabaríamos o jogo a lamentar essa oportunidade perdida. Com um resultado destes, para mim a 'barreira psicológica' seria não sofrer um golo no primeiro quarto de hora, o que parecia pouco provável de acontecer dada a forma como o jogo ia decorrendo. Mas infelizmente foi mesmo a fechar esse período que o Besiktas marcou mesmo, provavelmente na primeira ocasião que criou até então. E foi um grande golo mesmo, um cruzamento largo da esquerda para a direita, onde apareceu um adversário a rematar cruzado de primeira, em pontapé de moinho, sem qualquer possibilidade de defesa para o Ederson. A parte infernal do jogo começou aí. É preciso dizer que o nosso treinador hoje não me pareceu ter acertado nas substituições: pouco depois do golo trocámos o Cervi pelo Rafa, e isto em nada nos beneficiou (não percebi mesmo o motivo da substituição). O Cervi é um jogador que consegue ter uma agressividade muito grande na recuperação da bola e apoia constantemente o lateral do seu lado nas tarefas defensivas. O Rafa não conseguiu fazer nada disso. E o golo dos turcos deveria ter sido o primeiro sinal de sério aviso para o que se estava a passar do outro lado do campo: o Salvio simplesmente eclipsou-se na segunda parte. O Besiktas deixou sempre um homem completamente encostado à direita da nossa defesa, e o Salvio simplesmente quase deixou de defender. O Nélson Semedo foi frequentemente confrontado com dois ou até três adversários sem ter qualquer apoio por parte do ala do seu lado.

 

1.jpg

 

Nos minutos a seguir ao golo o Besiktas pressionou bastante mais, mas o Benfica foi resistindo e o pior até parecia ter passado quando o jogo foi interrompido para assistência ao Ederson a cerca de um quarto de hora do final, após um choque com o Quaresma. O Benfica tinha entretanto tentado reforçar o meio campo com a entrada do Samaris para o lugar do Gonçalo Guedes, adiantando-se um pouco o Pizzi, mas para mim o problema não estava ali, era mesmo do lado direito, e na minha modesta opinião teria sido melhor trocar o Salvio pelo Samaris, encostando o Pizzi à direita, onde ele sabe muito bem ajudar a fechar. De qualquer forma, o Benfica parecia que seria capaz de resistir e sair de Istambul com a vitória, mas em seis minutos já perto do final deitámos tudo a perder. Numa altura em que os turcos já se limitavam a despejar bolas a torto e a direito para a área (quase sempre a partir da direita da nossa defesa, onde o Nélson Semedo às vezes devia pensar que apanhava pela frente metade da equipa adversária) o Lindelöf faz um penálti perfeitamente disparatado ao jogar a bola com o braço depois de falhar uma cabeçada. O Quaresma fez o segundo golo e a nossa equipa aí perdeu mesmo o Norte. O Besiktas continuava a fazer exactamente o mesmo, bombear bolas a torto e a direito para as imediações da área, mas agora os nossos jogadores já não tinham discernimento nenhum. Durante a maior parte do jogo, mesmo quando o Besiktas tentava pressionar-nos logo à saída da área, nós conseguíamos trocar a bola, ultrapassar assim a primeira linha de pressão, e sair a jogar. Agora os nossos jogadores simplesmente chutavam a bola para onde estavam virados, o que obviamente significava entregar logo a bola novamente ao Besiktas, para que voltassem a despejá-la para a área. Sem conseguirmos causar qualquer tipo de perigo no ataque, só convidávamos o adversário a avançar ainda mais e a acumular mais gente junto da nossa baliza. O golo do empate, surgido a um minuto do final, foi um exemplo do desnorte da nossa equipa. Houve um primeiro cabeceamento, perigosíssimo, do Aboubakar, que o Ederson defendeu de forma brilhante. Depois disso a bola andou quase um minuto sem sair das imediações da nossa área, a ser cruzada de um lado para o outro, sem que fôssemos capazes de a afastar dali. Até que finalmente um cruzamento do Quaresma (do lado direito da nossa defesa, claro) para a molhada acabou por resultar numa bola solta dentro da pequena área que o Aboubakar aproveitou.

 

4.jpg

 

A diferença das exibições da primeira parte para a última meia hora do jogo foi tão grande que é muito difícil dar grande destaque a alguém. Nalguns casos foi um verdadeiro 'Jekyll and Hyde', como por exemplo o Lindelöf, que foi brilhante na primeira parte e depois acabou por ficar directamente ligado ao empate. O Cervi foi um dos melhores, porque não esteve em campo precisamente na fase mais negra do jogo. O Nélson Semedo esteve absurdamente bem na primeira parte, mas na segunda apagou-se naturalmente perante a avalanche de adversários que surgiam pelo seu lado, que o deixavam exclusivamente dedicado a tarefas defensivas - e apesar de ter sido por aquele lado que surgiram os golos, eu não o culpo por isso, porque era difícil fazer melhor sem grande apoio. O Mitroglou não pode falhar aquele golo. Se tivéssemos ganho se calhar nem pensaríamos nisso agora, mas não foi o caso. O Pizzi foi outro jogador que desapareceu do jogo quando foi adiantado no terreno após a entrada do Samaris. Estranhamente, até pareceu que estaria a ser mais eficaz a defender do que o Samaris. Sobre o Salvio, acho que já disse quase tudo. Praticamente arrastou-se em campo durante a pior fase da nossa equipa.

 

Foram dois jogos contra o Besiktas em que tivemos a vitória na mão e a deixámos escapar nos minutos finais. Ao nível da Champions, este tipo de erros costumam pagar-se muito caro. Felizmente ainda temos mais uma oportunidade para compensar estes erros, deixando a questão do apuramento exclusivamente dependente de nós, num último jogo em casa. Convenhamos que a insatisfação por este resultado se prende sobretudo com a marcha no marcador e a forma como o empate aconteceu. Se antes do jogo me perguntassem se eu quereria empatar em Istambul, ainda por cima com um resultado que me garantisse a vantagem no confronto directo com o adversário, eu quase de certeza que responderia que sim. Um empate fora na Champions é normalmente um bom resultado. Mas é óbvio que temos motivos para ficar insatisfeitos e até preocupados com a forma como a equipa quebrou no último terço do jogo. Esta equipa já nos habituou a ter uma enorme personalidade e a manter a compostura em situações muito complicadas, e este tipo de comportamento é por isso uma surpresa. Enfim, há que olhar para o lado positivo da coisa e pensar que absolutamente nada está perdido. E a seguir, ganhar ao Moreirense.

tags:
por D`Arcy às 16:35 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 20.11.16

Recital

Acho que por mais que tente, não conseguirei encontrar as palavras certas para descrever com exactidão a exibição do Benfica esta noite contra o Marítimo, nem a satisfação que senti a ver este jogo. Cada um dos cerca de trinta mil espectadores que esteve na Luz esta noite deve sentir-se privilegiado por ter tido a oportunidade de assistir a um verdadeiro recital de futebol dado pela nossa equipa.

 

 

E esta opinião nem é exclusivamente assente no resultado de meia dúzia de golos sem resposta. Há jogos em que jogamos muito bem e perdemos (a derrota em casa contra o Porto, a época passada, é um exemplo disso) e outros em que nem jogamos nada de especial e goleamos. Hoje foi a conjugação quase perfeita entre o resultado e a exibição. Não houve poupanças nenhumas para este jogo, pese o próximo compromisso decisivo para a Champions. À parte a troca na baliza, onde o Júlio César rendeu o Ederson, apresentámos aquele que seria à partida o onze mais forte que seria possível apresentar nesta altura. As poupanças foram feitas no próprio jogo: resolvendo-o cedo e gerindo depois o ritmo do mesmo como nos era mais conveniente (embora nunca tenha sequer parecido ter havido um abrandamento evidente por parte dos nossos jogadores). O domínio do Benfica no jogo foi simplesmente absoluto. Nem um, um único remate para amostra conseguiu o Marítimo fazer durante toda a primeira parte. Na segunda parte fez dois, e ambos de livres à entrada da nossa área. A nossa equipa actuou de forma quase perfeita, com todos os jogadores entrosados e sabendo exactamente o que fazer em campo, e mais importante ainda, colocando o imenso talento que possuem ao serviço do colectivo (é um chavão, mas foi mesmo o que aconteceu). Toda a equipa vestiu o fato de gala quando a bola estava na nossa posse, e o fato de trabalho quando se tratava de recuperá-la - por isso mesmo o Marítimo perdia a bola tão rapidamente que mal conseguia passar do meio campo, e nós criámos diversas ocasiões de perigo resultantes de recuperações de bola ainda nas imediações da área adversária. 

 

 

Depois resta a história dos golos. Uma entrada de rompante, com um golo do Cervi logo ao segundo minuto de jogo - precisamente depois de uma recuperação de bola do Salvio e centro atrasado, na sequência de uma grande ocasião do Mitroglou defendida pelo guarda-redes. O segundo golo surgiu apenas aos trinta e oito minutos. E escrevo 'apenas' porque nessa altura já há largos minutos que o Benfica tinha justificado não só um segundo golo, mas mais ainda. O Mitroglou rodou e ganhou posição à entrada da área, soltando a bola para a entrada do Pizzi pela direita, que depois com um remate rasteiro e colocadíssimo fez a bola entrar junto do poste do lado oposto. E cinco minutos depois foi a vez do próprio Mitroglou marcar, num lance com grande mérito do Nélson Semedo. Começa num passe do Samaris a rasgar a defesa do Marítimo, a bola parece perdida mas o Nélson não desiste e com um toque de calcanhar mantem-na dentro do campo, saindo ele pela linha de fundo. Ainda foi a tempo de recuperá-la, com uma reviravolta à Zidane tirou o defesa da jogada, fez uma primeira tentativa de centro atrasado que não resultou, e a bola voltou-lhe aos pés para assistir o Mitroglou, que apenas teve que cabecear quase em cima da linha de golo. Saímos assim para intervalo com o apuramento para a próxima eliminatória praticamente no bolso, podendo agora gerir esforços para a deslocação à Turquia na próxima quarta.

 

 

Mas se alguém esperava algum relaxamento da parte do Benfica na segunda parte, não foi nada disso que se viu. O Benfica regressou com o mesmo onze e com a mesma atitude, quase como se o jogo ainda estivesse empatado. E a recompensa foi mais um golo com oito minutos decorridos, e mais um belíssimo golo também. Grande mérito para o passe do Cervi, que picou a bola para as costas da defesa e a corrida do Gonçalo Guedes. À saída do guarda-redes, toque ligeiramente atrasado para o lado e finalização de primeira do Mitroglou. Só depois começaram as poupanças, pois o grego foi substituído quase de seguida pelo Jiménez. Quem continuou a não querer abrandar nada foram os jogadores do Benfica ainda em campo, que mantiveram a pressão constante sobre o Marítimo. Provavelmente a única coisa que acabou por forçar alguma redução da velocidade foi mesmo a intensidade da chuva que entretanto caía, que tornou o terreno um pouco mais pesado. Mas isso não impediu que o Benfica marcasse mais um golo, a vinte minutos do final. Um bom cruzamento do Eliseu, uma defesa por instinto do guarda-redes a evitar que o cabeceamento do Jiménez desse golo, e depois um defesa do Marítimo impediu com o braço que a recarga do Salvio fosse para a baliza, sendo naturalmente expulso. Penálti convertido sem espinhas pelo Jiménez, e mais algumas poupanças, com a troca dos dois extremos: Salvio e Cervi pelo Carrillo e o Rafa, que assim teve direito à estreia no Estádio da Luz. Também não foi isto que fez com que o Benfica relaxasse, e até ao apito final foi ver os nossos jogadores a empenhar-se na luta por cada bola e a procurar ampliar o resultado. O prémio, quer para eles, quer para o público, chegou quase no final do jogo, na sequência de um canto - que tinha resultado de uma jogada em que o Pizzi quase marcava. O mesmo Pizzi marcou o canto para a entrada da área, onde o Gonçalo Guedes surgiu embalado para rematar de primeira, fazendo a bola entrar junto ao poste. Um grande golo, a fechar em beleza uma grande exibição da equipa e um desempenho fantástico do próprio Gonçalo Guedes.

 

 

Hoje é mesmo daqueles jogos em que não posso fazer destaques. Toda a equipa esteve fantástica, e durante o jogo pensei diversas vezes que gostaria muito de poder continuar a ver jogadores como o Nélson Semedo, o Lindelöf, ou o Gonçalo Guedes com a nossa camisola durante mais alguns anos. Sei que é difícil, mas quando olho para quantidade de talento que temos nesta equipa acho que será uma pena se não o pudermos apreciar por mais tempo. E isto numa época depois de termos perdido jogadores como o Gaitán e o Renato. E já nem vale a pena mencionar que não podemos contar com o Jonas, ou o Fejsa, ou o Jardel. Normalmente não é fácil eu sair do estádio completamente satisfeito. Há sempre uma coisa ou outra que me agrada menos ou que me irrita. Mas esta noite não tenho absolutamente nada a apontar à equipa. Foi uma exibição a roçar a perfeição, e que me fez sair da Luz com um sorriso. Se conseguirmos manter esta dinâmica na Turquia, temos enormes probabilidades de regressar de lá com o apuramento para a próxima fase garantido.

tags:
por D`Arcy às 01:57 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Segunda-feira, 07.11.16

Tradição

Não foi um óptimo resultado, mas foi um resultado bom. Pela forma como foi obtido, por ser em casa de um adversário na luta pelo título, e ainda com as condicionantes provocadas pelas ausências de jogadores-chave na nossa equipa. A história recente diz que normalmente não perder no Porto acaba na conquista do respectivo campeonato. Esperemos que este ano se mantenha a tradição.

 

Depois de termos perdido o Fejsa na última terça-feira, que tem sido uma espécie de fulcro do jogo da nossa equipa, mais más notícias nos dias que antecederam este jogo, quando se confirmou também a ausência do Grimaldo, que tem sido outro dos jogadores em destaque. Mas já tinha escrito anteriormente que nos temos vindo a habituar a não ficar a lamentar ausências, porque quem joga cumpre. As escolhas para substituir estes dois jogadores foram as esperadas, Samaris e Eliseu, e o Benfica entrou em campo com a mesma disposição táctica a que nos habituou. Apesar de uma entrada desinibida, depressa foi o Porto quem tomou conta das operações. Era notória a superioridade na zona do meio campo, onde o trio Danilo-Óliver-Octávio se impunha ao Pizzi e ao Samaris. Ao não contarmos com o Fejsa não só perdemos agressividade naquela zona, mas também perdemos metros na disposição em campo. O Fejsa empurra a equipa mais alguns metros para a frente, devido à sua capacidade para jogar em antecipação, e isso é algo que o Samaris não nos consegue dar. Outro contratempo para o Benfica foi a lesão do Luisão logo nos minutos iniciais, que obrigou à sua substituição pelo Lisandro. A primeira meia hora de jogo foi bastante complicada, com o Porto a ter muito mais posse de bola e a empurrar-nos para junto da nossa área. Nos intervalos entre os pedidos de penáltis (acho que durante o jogo os jogadores do Porto devem ter-se deixado cair pelo menos meia dúzia de vezes dentro da nossa área - a nostalgia criada pela recepção que as claques deles fizeram à nossa equipa deve ter contagiado os jogadores do Porto, que começaram a sonhar com tempos de árbitros bem mandados) o Porto criou três ocasiões flagrantes para marcar, valendo-nos intervenções do Ederson frente ao Corona em duas delas, e noutra a ligeira falta de pontaria do André Silva, que rematou de primeira um pouco ao lado da baliza vazia depois de um mau alívio do Samaris. Por falar na recepção à nossa equipa, confesso que foi com alguma satisfação que vi os nossos jogadores manterem sempre a calma e não se deixarem intimidar minimamente quer pelo público, quer pelos próprios adversários, que por diversas vezes pareciam estar interessados em causar picardias - tendo eu assistido ao vivo a vários jogos entre Porto e Benfica nas antigas Antas que começávamos a perder precisamente por aí, isto é sempre uma agradável mudança. Nos minutos que antecederam o intervalo o Benfica conseguiu finalmente sacudir um pouco a pressão do Porto e respirar com a bola nos pés. Mesmo a acabar, a melhor ocasião para o Benfica, quando num canto o cabeceamento do Lindelöf foi desviado por um adversário para o poste.

 

O Porto colocou-se em vantagem cedo no segundo tempo, quando apenas tinham passado cinco minutos. Depois de uma incursão da direita para o meio o Corona passou a bola para o Diogo Jota, que pressionado pelo Nélson Semedo rematou de um ângulo muito apertado, com a bola a entrar entre o Ederson e o poste. No melhor pano cai a nódoa e neste lance o nosso guarda-redes não ficou bem na fotografia. O Porto continuava melhor no jogo, até que a meia hora do final o nosso treinador trocou o Cervi pelo André Horta, acrescentando mais um elemento ao meio campo. Esta alteração táctica fez bastante diferença, e a partir desse momento o jogo passou a ser muito mais dividido, com a posse de bola a subir a nosso favor. O primeiro grande sinal de perigo que demos neste segundo tempo apareceu dos pés do Samaris, que com um remate de fora da área obrigou o Casillas a uma boa defesa. O Porto respondeu de livre, com o Ederson a somar mais uma boa intervenção, desta vez a remate do Telles. À medida que o tempo ia decorrendo, o Porto foi desaparecendo cada vez mais do ataque, parecendo mais apostado em tentar explorar alguma aberta para contra-atacar, mas a verdade é que depois do referido livre do Telles, que aconteceu aos sessenta e sete minutos, não me recordo de mais nenhum remate do Porto. Não é que o Benfica estivesse propriamente a pressionar muito o Porto ou a criar ocasiões para marcar, mas agora a bola passava claramente mais tempo nos pés dos nossos jogadores, enquanto o Porto se ia remetendo cada vez mais para o seu próprio meio campo. As alterações feitas também revelavam que o principal interesse do Porto era segurar a vantagem, apostando em reforçar o meio campo com as entradas do Rúben Neves e do Herrera, e ainda do Layún, que se foi encostar à esquerda à frente do Telles para ajudar a controlar as constantes subidas do Nélson Semedo. O Benfica respondia com a entrada de mais um avançado, o Jiménez, para o lugar do desinspirado Salvio. As tentativas de remate do Benfica eram quase todas de fora da área e com pouco perigo, mas já em período de descontos, ao minuto noventa e dois, o Herrera cedeu um canto quando tentava chutar a bola contra o Eliseu. Na marcação do mesmo, à maneira curta, a bola seguiu para o André Horta, que fez o centro para o cabeceamento vitorioso do Lisandro. A bola nem saiu com muita força, mas foi muito colocada para o poste oposto, e completamente fora do alcance do Casillas. Estava feito o empate, que nos mantém no topo com a confortável vantagem de cinco pontos. Não posso deixar de assinalar que nestes minutos finais, mesmo com a equipa em desvantagem, o que eu mais ouvia eram os cânticos de incentivo à nossa equipa. Os nossos adeptos foram incansáveis e inexcedíveis no apoio.

 

Sem surpresa para quem tiver visto o jogo, os maiores destaques no Benfica são para jogadores defensivos. A começar pelo Lisandro, que entrou muito bem no jogo, mesmo a frio, e esteve praticamente perfeito, coroando a exibição com o golo. Ao seu lado o Lindelöf também esteve impecável, e acho que não deve ter cometido um erro. Outro jogador cuja exibição me agradou muito foi o Nélson Semedo. Está definitivamente de regresso à sua melhor forma. Também o Ederson merece destaque. É certo que terá tido alguma responsabilidade no golo sofrido, mas teve quase uma mão cheia de intervenções de grande valor que compensam largamente esse lapso.

 

Com quase meia equipa ausente deste jogo conseguimos ir ao terreno do nosso maior adversário arrancar um resultado que se pode revelar importantíssimo. Costumam dizer vários treinadores que em jogos do campeonato se não conseguimos ganhar, é importante pelo menos não perder. E foi isso que conseguimos, um resultado para o campeonato e que faz com que o nosso adversário desta noite esteja neste momento numa situação em que não depende exclusivamente de si próprio para chegar à liderança. E isso é sempre uma vantagem psicológica importante.

tags:
por D`Arcy às 02:25 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Quarta-feira, 02.11.16

Competência

Foi um jogo mauzinho que acabou com um resultado bom e que para mim ficou ensombrado pela lesão do Fejsa, que forçou a sua substituição e muito provavelmente o terá retirado do jogo no Porto. No final fica acima de tudo a competência da nossa equipa, que conquistou o resultado que era fundamental para manter intactas as aspirações de prosseguir na Champions League.

 

 

Com o Benfica a apresentar o onze que tem sido mais utilizado nos últimos jogos, assistimos a uma partida pouco interessante e muito táctica. Os ucranianos, apesar de precisarem ainda mais de uma vitória do que nós, não pareciam interessados em arriscar muito no ataque, e fecharam muito os caminhos para a sua baliza, utilizando um médio defensivo que diversas vezes actuava mais como um terceiro central. O Benfica por seu lado apostava num jogo de paciência, sem grandes correrias e acelerações, mas que assim revelava dificuldades para criar grandes desequilíbrios na defesa adversária. A conjugação disto foi um jogo com poucas ocasiões de golo e situações de maior emoção, a roçar mesmo o aborrecido. Já sobre o intervalo, e na sequência de um livre lateral, surgiu quase que por acaso uma ocasião soberana para o Benfica se adiantar no marcador, quando o Vida cometeu penálti sobre o Luisão ao fazer-lhe uma verdadeira placagem dentro da área. O Salvio não desperdiçou a ocasião. Na segunda parte adivinhava-se que o Benfica pudesse aproveitar algum eventual atrevimento do Dínamo de Kiev, e o início foi mesmo mais movimentado, tendo como ponto mais alti um grande remate do Gonçalo Guedes, que esbarrou com estrondo na trave. Mas pouco depois surgiu o momento mais baixo do jogo, com a lesão do Fejsa depois de uma entrada de um adversário de pitons ao tornozelo dele (para mim foi um lance claríssimo de vermelho directo). Substituição forçada, entrou o Samaris, e o nosso jogo ressentiu-se. Perdemos força no meio campo, o Dínamo passou a ter alguma superioridade nessa zona, e aproximou-se mais da nossa baliza. O Benfica continuou a dispor de espaços para explorar e procurar o golo da tranquilidade, mas houve demasiada falta de clarividência na altura de decidir, e maus passes (ou a ausência destes, preferindo os jogadores insistir em iniciativas individuais) significaram que não os soubemos aproveitar. E quando não se aproveita. arrisca-se a sofrer, e foi isso que esteve quase a acontecer. A pouco mais de vinte minutos do final o Dínamo beneficiou de uma grande penalidade, por falta cometida pelo Ederson quando saiu aos pés do Derlis, depois de uma bola colocada nas costas da nossa defesa. Felizmente, o Ederson redimiu-se do erro e defendeu o penálti, mantendo a vantagem no marcador. O penálti foi, aliás, quase a única ocasião de golo digna desse nome durante todo o jogo para os ucranianos (houve uma outra situação depois de um escorregão do Lindelöf). Nos minutos finais o Benfica optou por segurar a vantagem, reforçou o meio campo com a troca do Gonçalo Guedes pelo André Almeida, e o tempo decorreu até ao apito final sem qualquer tipo de sobressalto.

 

 

Não achando eu que tenham havido exibições brilhantes e a merecer muito destaque, ainda assim gostei mais uma vez do Lindelöf, que está feito um óptimo central. Teve uma falha, na qual escorregou a meio campo e perdeu a bola, mas conseguiu recuperar e fez um corte brilhante quando o Derlis já tinha ultrapassado o Luisão e se aprestava para rematar para o golo. O Fejsa estava a ser mais uma vez um dos jogadores mais sólidos até se lesionar. O Grimaldo não foi tão influente a atacar como habitualmente, mas regressou em boa forma e contou com o precioso auxílio do Cervi, que não em qualquer problema em andar a correr atrás dos adversários para ajudar a defender e a recuperar a bola. E, claro, o Ederson tem que ser mencionado pela defesa decisiva do penálti. O Mitroglou hoje não fez um bom jogo, tendo falhado algumas ocasiões em que costuma ser bem mais eficaz - uma delas, na primeira parte, foi mesmo escandalosa.

 

Com mais um passo dado na campanha europeia, que nos garante pelo menos a passagem para a Liga Europa, é agora altura de começar a pensar no próximo jogo para o campeonato. É mais decisivo para os nossos adversários do que para nós, mas representa uma oportunidade para darmos um passo muito grande para a conquista do tetra. Ja dou como um dado adquirido a ausência do Fejsa desse jogo, mas se há alguma coisa a que nos habituámos esta época foi a não ficar a lamentar ausências. Jogue quem jogar, o objectivo será ganhar.

tags:
por D`Arcy às 00:09 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Sábado, 29.10.16

Imaculado

Mais um jogo quase imaculado do Benfica, mais uma vitória clara e incontestável, mais uma demonstração de força e confiança desta equipa. A vítima desta vez foi o Paços de Ferreira, que teve o atrevimento de tentar jogar olhos nos olhos connosco mas o resultado final é a melhor prova que lhe faltam muitos argumentos para o poder fazer.

 

 

Houve apenas uma alteração na equipa que tem alinhado nos últimos jogos, que foi a troca do Grimaldo pelo Eliseu. Tendo em conta a forma que o espanhol atravessa e a influência que tem no nosso jogo, não foi uma troca qualquer. Mas os últimos meses já nos habituaram a não ficar demasiado apreensivos quando há mexidas no onze por indisponibilidade de quem quer que seja. O Paços, como disse, veio com uma atitude positiva à Luz e entrou no jogo como que querendo jogar de igual para igual com o Benfica. Até foram deles os primeiros remates do jogo, ainda que sem muito perigo, mas ao fim de cinco minutos já o Benfica tinha tomado conta do jogo. E é de assinalar que o domínio do Benfica no jogo não foi daqueles domínios consentidos, em que uma equipa se encosta à sua área a defender e dá a iniciativa ao adversário. O Paços não montou nenhum autocarro, alinhou em 4-3-3 e tentava fazer pressão alta sobre o Benfica, de forma a impedir que conseguíssemos sair em ataque organizado desde trás. Aliás, a forma subida como o Paços se dispunha no campo até deu azo a que por vezes a equipa quase fosse surpreendida em pontapés de baliza muito longos do Ederson, que tentava colocar a bola directamente no Mitroglou, tirando partido da não existência de fora de jogo nesses lances. O domínio do Benfica no jogo foi imposto ao adversário, que foi sendo empurrado para trás e depois daqueles remates nos minutos iniciais apenas à beirinha do intervalo voltou a fazer um remate. Faltava então marcar para dar expressão à superioridade em campo, e até foi preciso esperar mais minutos do que seria expectável para que isso acontecesse. Mas a forma como o Benfica rondava constantemente a baliza adversária, uma vez mais com a fórmula do Restelo dos jogadores da frente em constante movimentação, apoiados sobretudo por um Nélson Semedo diabólico, fazia crer que mais cedo ou mais tarde o golo inevitavelmente apareceria. E apareceu de forma espectacular, numa jogada que começa num passe longo e rasteiro do Fejsa, ainda no nosso meio campo, para o Mitroglou, este deixou a bola mais para o meio no Cervi, e daqui, num passe de primeira, para a entrada do Gonçalo Guedes descaído sobre a direita. Depois de entrar em corrida na área, fuzilou autenticamente a baliza, com a bola a entrar junto ao poste mais próximo mas o remate levou tal potência que o guarda-redes não teve tempo de reacção. Depois de obtida a vantagem, o comportamento habitual: nem sinal de abrandamento e assalto constante à baliza adversária na procura pelo golo da tranquilidade. De tal forma que o golo de vantagem à saída para o intervalo era um resultado curto, muito curto mesmo para aquilo que a equipa tinha produzido.

 

 

A entrada na segunda parte foi um pouco como aquilo que se tinha passado no início do jogo, com o Paços atrevido nos primeiros cinco minutos e a conseguir novamente rematar. Mas tal como na primeira parte, uma vez mais o Benfica acabou por tomar conta das operações, ainda que a princípio sem o mesmo fulgor com que tinha acabado a primeira parte. Nunca, por um momento que fosse, pairou no ar qualquer tipo de receio que o Paços pudesse chegar à igualdade. O próximo golo do Benfica era quase uma certeza, faltando apenas saber quanto tempo ele demoraria a chegar. A confiança sente-se dentro do campo, nos jogadores, e à volta dele, em todos os adeptos na bancada. Não há assobios quando alguma coisa corre mal, apenas incentivos e uma enorme energia positiva no ar. E depois vemos o resultado disso quando o Eliseu, em estreia na Liga a substituir um dos jogadores em maior destaque no Benfica até agora, sobe pela esquerda depois de uma recuperação de bola do Fejsa, faz um passe rasteiro para a entrada da área, onde está o Mitroglou, e o grego deixa a bola passar para que o Salvio, num óptimo movimento, apareça atrás dele a rematar rasteiro e de primeira para fazer o segundo golo. Mais um bonito golo, mais uma bonita jogada de equipa, e mais uma vez o Estádio da Luz a explodir de alegria. Estavam decorridos sessenta e quatro minutos de jogo, mas tudo parecia mais do que decidido, apenas com o senão de se pressentir que o Benfica não ficaria por ali em termos de resultado. Já a pensar no próximo jogo vimos o Carrillo entrar para o lugar do Cervi e falhar o terceiro golo praticamente no primeiro toque que deu na bola (hoje o peruano esteve um pouco melhor), o Jiménez render o Mitroglou, a quem só faltou um golo, e o regresso do Samaris para dar uns merecidos minutos de descanso ao Fejsa. Para acabar em festa, o Pizzi enfiou-se com a bola pelo meio dos defesas do Paços após tabelar com o Jiménez e de alguma maneira acabou isolado em frente ao guarda-redes para marcar o terceiro golo. Um resultado que me parece ajustado ao que o Benfica produziu dentro do campo.

 

 

O Gonçalo Guedes merece a distinção de melhor em campo. Está a atravessar um óptimo momento de forma, não pára quieto no ataque, e está cada vez mais confiante. Movimenta-se bem para explorar os espaços no ataque, joga com e para a equipa, e quando arranca com a bola controlada e ganha velocidade, é cada vez mais difícil pará-lo. Marcou um grande golo, que já perseguia e merecia há algum tempo, e de certeza que isso aumentará ainda mais a sua confiança. É preciso não esquecer que tem apenas dezanove anos, e no entanto hoje alguém terá lamentado a ausência do Jonas? Outro jogador que está numa forma fantástica (talvez a melhor que já lhe vi) é o Nélson Semedo. Mais uma exibição a roçar a perfeição, quer a defender quer a atacar. Dizer que o Fejsa esteve bem já é quase uma banalidade. Surpreendente seria o contrário. Também gostei muito da exibição do Lindelöf. Jogar ao lado do Luisão parece só estar a fazer-lhe bem, e temos ali mais um central com perfil de líder. E pensar que há um ano atrás era o quarto central e quase que esteve para sair em Janeiro por empréstimo (que recusou). Hoje é titular da sua selecção e um valor indiscutível do Benfica.

 

E assim somámos mais uma vitória - são vinte vitórias e um empate nos últimos vinte e um jogos disputados para a Liga - e garantimos a liderança isolada quando para a semana formos ao Porto. Mas antes disso, jogamos o nosso futuro europeu na terça-feira. Espero voltar a ver a Luz com mais de cinquenta mil nas bancadas, a dar o mesmo apoio incondicional à nossa equipa. Ela merece-o.

tags:
por D`Arcy às 05:33 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Segunda-feira, 24.10.16

Força

Não houve ressaca europeia, nem mesmo depois de uma longa viagem à Ucrânia. Não houve desculpas nem poupanças. O Benfica entrou no Restelo para ganhar, marcou cedo, fez uma das melhores exibições da época e conquistou os três pontos, ficando a dever a si próprio uma goleada, tantas foram as ocasiões soberanas desperdiçadas.

 

 

Apesar de neste país se usar e abusar da justificação da ressaca europeia quando as coisas correm mal (a comunicação social é a primeira a agitar esse fantasma) uma equipa de topo tem que estar mais do que preparada para jogar duas vezes por semana. Toda a gente o faz por essa Europa fora, e às vezes parece que só aqui neste cantinho é que isso é um problema. Por isso nada melhor para refutar essas teorias do que entrar no Restelo com exactamente o mesmo onze que alinhou em Kiev. E mesmo com um campo pesado devido à chuva, partir para cima do adversário e dominar o jogo em todas as suas vertentes. O Benfica tirou partido do pendor ofensivo dos dois laterais, que faziam todos os respectivos corredores com bastante facilidade e assim permitiam muita liberdade aos extremos (com quem o entendimento foi quase perfeito) para deambularem pela frente de ataque e ajudarem a uma grande superioridade numérica no meio do terreno. As trocas de posição entre o Salvio, o Cervi, o Gonçalo Guedes (que jogou praticamente sem posição fixa no ataque) e o Pizzi eram constantes, num verdadeiro carrossel que baralhava por completo as marcações adversárias. Perdida a bola, a pressão começava logo à saída da área adversária e a bola era recuperada rapidamente e sem grandes dificuldades. O golo que abriu o marcador surgiu logo aos dez minutos, numa cabeçada fulgurante do Mitroglou depois de um canto do Pizzi, e depois foi quase apenas ver o Benfica ir somando ocasiões para dilatar a vantagem, com uma única grande ocasião de golo para o Belenenses pelo meio: uma cabeçada do Yebda à qual o Ederson correspondeu com uma enorme defesa. O resultado lisonjeiro para o Belenenses foi-se arrastando durante a primeira parte, com algumas situações de golo desperdiçado quase inacreditáveis, como o remate do Mitroglou que levou a bola a embater no poste (grande defesa do guarda-redes Joel, que ainda tocou ao de leve na bola) e a viajar ao longo de toda a linha de golo para sair pela linha de fundo do lado oposto. Ao intervalo a satisfação pela exibição do Benfica misturava-se com a frustração pela vantagem ser tão magra, mas a exibição da nossa equipa nem permitia sequer temer por outro resultado que não a vitória.

 

 

O Belenenses até regressou um pouco melhor do intervalo, e durante os primeiros minutos conseguiu andar mais frequentemente perto da nossa área, tendo beneficiado de um livre muito perigoso, na nossa meia lua, que atirou para fora. Mas o Benfica depressa voltou a acordar e a carregar na procura do golo da tranquilidade, debaixo do dilúvio que se abatia sobre o Restelo. Depois de mais uma ocasião inacreditavelmente desperdiçada, em que toda a jogada foi exemplar até ao passe para o Mitroglou, o grego, à boca da baliza e quando bastava empurrar para o golo com quase toda a baliza à sua mercê, conseguiu acertar mal na bola e enviá-la precisamente contra as pernas do guarda-redes já batido. Mas a frustração não durou muito mais tempo, e aos sessenta e cinco minutos finalmente apareceu o golo da confirmação da vitória. Uma boa iniciativa do Gonçalo Guedes pela esquerda para à entrada da área simular o remate e soltar a bola mais na esquerda para a corrida do Grimaldo, que de ângulo já apertado finalizou com um remate cruzado. Mesmo com a vantagem confortável o Benfica nunca abrandou e continuou à procura de mais golos, vendo logo a seguir o Cervi acertar com estrondo na barra depois de uma boa entrada do Salvio pela direita. Nunca o Benfica deixou de ter o jogo completamente controlado, tendo o Belenenses apenas criado uma situação de algum aperto para a nossa baliza quando o Ederson não conseguiu agarrar um centro rasteiro vindo da direita. Se algum tipo de queixa podemos ter deste jogo, é apenas que o resultado tenha sido só 2-0. A exibição do Benfica e o volume de ocasiões criadas mereciam uma vantagem bem mais dilatada.

 

 

Nem sei quem posso destacar com justiça neste jogo. Ao destacar alguém provavelmente estarei a ser injusto para outros. Foi muito bom ver a dinâmica ofensiva da equipa e o entrosamento de todos os jogadores, com várias jogadas ao primeiro toque e nas quais quase sempre o portador da bola tinha mais do que uma opção de passe. É excelente ver o Nélson Semedo a regressar à forma em que estava antes da lesão, e a dominar todo o seu corredor, o Salvio a mostrar que o talento continua todo lá e nenhuma lesão o deita abaixo, o Gonçalo Guedes a crescer e a ganhar maturidade e confiança com cada jogo que faz e cada minuto que soma, o tecnicista Cervi a lutar e a comer a relva  por cada bola perdida, e tantos outros a jogar bem. Porque não duvido que os próprios jogadores têm a consciência que terão que dar sempre o máximo para manter o privilégio que é ser titular nesta equipa. À medida que os lesionados vão recuperando, também a competição vai aumentando, e quem se desleixar provavelmente ver-se-á no banco ou até na bancada no jogo seguinte.

 

Este jogo foi acima de tudo uma demonstração de força e de confiança de uma equipa que apesar de todos os contratempos que tem sofrido desde o início da época soube fazer das fraquezas força, e que agora que os jogadores sobem de forma e os lesionados vão regressando está a subir os níveis exibicionais para perto do melhor que vimos a época passada. E isto sucede numa boa altura, já que se aproxima um mês de Novembro com vários jogos muito importantes.

tags:
por D`Arcy às 16:49 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quinta-feira, 20.10.16

Sóbria

O jogo era fundamental para as nossas aspirações europeias e a nossa equipa não desiludiu. Apesar de mais de metade do onze ser constituído por jogadores com 22 anos ou menos, fizemos uma exibição bastante sóbria e madura durante a maior parte do tempo e conquistámos os importantes três pontos que nos mantêm com todas as possibilidades de discutir o apuramento.

 

 

Com o Luisão a manter a titularidade no centro da defesa, formando dupla com o Lindelöf, as inovações foram o regresso do Pizzi ao centro, permitindo a entrada do Cervi para a esquerda, tendo o Gonçalo Guedes actuado como segundo avançado, atrás do Mitroglou. A entrada do Benfica no jogo foi personalizada e rapidamente recompensada, pois aos nove minutos um penálti cometido sobre o Gonçalo Guedes permitiu ao Salvio colocar-nos na frente do marcador. O golo deu ainda maior confiança, o que resultou numa primeira parte relativamente tranquila. Fomos uma equipa bastante coesa, com os jogadores a actuarem próximos uns dos outros e com grande espírito de entreajuda. O maior interesse era adormecer um pouco o ritmo do jogo, manter a posse de bola e evitar ficar expostos a contra-ataques do Dínamo, o que foi conseguido com relativa facilidade - foram quase nulas as ocasiões de perigo do adversário. Esperava que no regresso do intervalo aparecesse um Dínamo de Kiev mais agressivo na busca do empate, mas o jogo manteve-se na mesma toada. E praticamente na mesma altura em que tínhamos marcado na primeira parte, voltámos a fazê-lo na segunda. Uma investida do Salvio pela direita, em que teve felicidade no ressalto e conseguiu ir à linha de fundo já no interior da área, e um passe rasteiro e atrasado para o Cervi marcar à segunda tentativa, já que o primeiro remate bateu no Mitroglou. Foi só após este golo que supostamente nos dartia maior tranquilidade que as coisas ficaram algo intranquilas. O Dínamo pressionou mais e conseguiu criar algumas ocasiões flagrantes de golo, sendo então altura para o Ederson brilhar, com duas defesas frente a adversários isolados, uma delas em dose dupla - e teve uma falha muito parecida à do Júlio César em Nápoles, na saída a um cruzamento, mas felizmente que a bola saiu ao lado. Depois deste período turbulento, o jogo foi acalmando e o Benfica conseguiu ir mantendo o resultado com relativa facilidade, ainda que quase a acabar tenhamos tido um par de calafrios, primeiro num lance em que o Grimaldo salvou uma situação de golo quase certo, com um corte quase em cima da linha, e depois num canto em que a nossa defesa se deixou antecipar ao primeiro poste, mas felizmente o cabeceamento passou um pouco ao lado da baliza.

 

 

A equipa hoje jogou valeu sobretudo pelo todo, mas tendo que destacar alguns jogadores então a minha escolha vai para o Ederson, o Fejsa e o Gonçalo Guedes. Foram aqueles que mais me ficaram na retina; o primeiro pelas defesas que mantiveram o adversário em branco, o segundo pelo habitual trabalho incansável na recuperação da bola e auxílio á defesa, e o terceiro pelas arrancadas e empenho em dinamizar o ataque da equipa - o penálti que nos deu o primeiro golo foi uma excelente iniciativa dele.

 

Tarefa cumprida, agora é tentar repetir a receita no próximo jogo, quando recebermos o Dínamo na Luz, e se o conseguirmos significará pelo menos a garantia de continuidade nas competições europeias. Mas agora é tempo de nos concentrarmos no objectivo principal da época, e preparar o duríssimo embate contra o Hugo Miguel já no próximo domingo, no Restelo.

tags:
por D`Arcy às 03:14 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Sábado, 15.10.16

Taça

Já não há jogos fáceis, e o Benfica complicou ainda mais as coisas esta noite com uma exibição pouco conseguida. A possibilidade de acontecer taça neste jogo não foi assim tão baixa quanto aquilo que se preveria à partida.

 

 

Jogámos com uma equipa naturalmente muito diferente do habitual, na qual apenas o Ederson, o Nélson Semedo e o Luisão mantiveram a titularidade do último jogo. Jogadores como o Danilo ou o Eliseu fizeram os primeiros minutos da época, e o Zivkovic e o José Gomes foram titulares. A primeira parte foi simplesmente amorfa. Jogada a uma velocidade lentíssima, facilitámos muito a tarefa ao 1º de Dezembro, que simplesmente se manteve fechado e organizado atrás, deu alguma pancada com a complacência do árbitro (os laterais deles, e em especial o chinês, varriam tudo o que lhes aparecia à frente) e não teve grandes dificuldades em evitar que o Benfica tivesse qualquer ocasião de golo durante quase todo o tempo - a excepção foi quase a última jogada, em que o José Gomes cabeceou pouco ao lado depois de um bom cruzamento do Eliseu.. Para a segunda parte regressou o Gonçalo Guedes no lugar do Carrillo, sem qualquer surpresa e julgo que satisfazendo o desejo de praticamente todos os benfiquistas que assistiam ao jogo. A equipa melhorou um pouco e chegou rapidamente ao golo, da autoria do Danilo após uma boa iniciativa individual. O jogo estava completamente controlado e parecia que iria até final sem grande história quando o Celis faz um passe disparatado para trás, que isolou um jogador adversário, e o Ederson cometeu penálti. Foi marcado de forma exemplar e com classe pelo Martim Águas, e voltou tudo à estaca zero. O Benfica foi obrigado a ir à procura de novo golo e o 1º de Dezembro fechou-se mais ainda, tentando levar o jogo para prolongamento. À medida que o jogo caminhava para o final a pressão do Benfica intensificou-se e fomos mesmo obrigado a ir buscar o Pizzi e o Mitroglou ao banco, mas aparecia sempre um pé ou uma cabeça de um jogador adversário no caminho das tentativas de remate do Benfica (pareceu-me que insistimos demasiado em jogar pelo meio do terreno, onde se acumulavam muitos adversários). E foi no último suspiro do jogo, quando o prolongamento já parecia uma inevitabilidade, que o Pizzi finalmente marcou decentemente um canto e o Luisão foi lá acima para carimbar de cabeça a passagem à próxima eliminatória.

 

Alguns jogadores não conseguiram aproveitar a oportunidade que lhes foi dada neste jogo. O Celis não estava a jogar mal, mas borrou completamente a pintura com aquele passe que resultou no penálti.O Eliseu ainda não tinha jogado mas foi para mim um dos melhores do Benfica, tal como o Nélson do outro lado. O Gonçalo Guedes entrou bem no jogo, o Danilo marcou um bom golo, e alternou coisas boas com outras menos positivas. Gostei do Zivkovic, não fez um jogo brilhante mas mostrou boa capacidade técnica e também uma boa atitude no jogo, lutando sempre muito pela bola. O Carrillo na minha opinião devia ser para aí a oitava opção para extremo - estou a contar com os extremos da equipa B, e só não digo que ele devia ir ganhar ritmo para a equipa B porque não desejo que a boa campanha que estão a fazer este ano se estrague.

tags:
por D`Arcy às 01:54 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 03.10.16

Passeio

Foi mais um jogo que em termos exibicionais mostrou grandes diferenças entre a primeira e a segunda parte, mas independentemente do brilho da exibição o Benfica dominou por completo o Feirense e o jogo durante oitenta e nove minutos e conseguiu uma vitória por uma margem clara e que não deixa quaisquer dúvidas sobre a sua superioridade.

 

 

Depois da derrota em Nápoles esperavam-se algumas mudanças na equipa e estas começaram logo pela baliza, com o regresso do Ederson. Face à elevada quantidade de golos sofridos de cabeça e na sequência de bolas paradas, confesso que não evitei uma sensação de tranquilidade quando vi a equipa entrar para o aquecimento com o Luisão na equipa. Finalmente, o Salvio e o Gonçalo Guedes, que deixaram uma imagem positiva em Nápoles quando entraram, foram recompensados com a titularidade, por troca com os Andrés (Almeida e Horta) e o Pizzi deslocou-se para uma posição mais central. A entrada do Feirense no jogo foi forte - e daí eu ter escrito que o Benfica dominou por completo durante oitenta e nove minutos - e podia ter marcado praticamente a abrir o jogo, mas felizmente o remate saiu ao lado quando o golo parecia ser o resultado mais provável, depois de um cruzamento da direita que encontrou o jogador do Feirense quase à vontade à entrada da pequena área. Passado este primeiro susto, o jogo foi praticamente um passeio para o Benfica. Infelizmente, foi de tal forma assim que a nossa equipa deve ter levado um bocado o conceito à letra e resolveu jogar a primeira parte a ritmo de passeio mesmo. Mesmo assim, dava para ir criando ocasiões claras de golo. A primeira numa cada vez mais habitual combinação entre o Grimaldo e o Guedes, na esquerda, com um passe atrasado para o interior da área, mas que infelizmente o Mitroglou concluiu com um passe (nem posso chamar aquilo de remate) frouxo na direcção da baliza, que foi interceptado por um defesa. O Salvio por duas vezes também poderia ter inaugurado o marcador, vendo na primeira o Peçanha fazer uma enorme defesa ao seu cabeceamento (grande cruzamento do Grimaldo) e na segunda não conseguiu acertar com a baliza quando estava em boa posição. Já que não acertávamos com a baliza, encarregou-se um jogador do Feirense de o fazer por nós. Aos trinta e  cinco minutos, lançamento de linha lateral longo por parte do Salvio, e o adversário acertou uma 'rosca' na bola que a enviou para a sua própria baliza. Apesar de termos jogado a um ritmo demasiado lento, este golo dava ao Benfica uma vantagem perfeitamente justa na saída para o intervalo.

 

 

Na segunda parte, felizmente, o Benfica melhorou neste aspecto e começou a imprimir maior velocidade às suas acções. A pressão do Benfica intensificou-se, mas apenas foi recompensada novamente de uma forma pouco ortodoxa, ao fim de decorrido um quarto de hora. Depois de uma jogada confusa dentro da área, um defesa do Feirense tentou aliviar a bola mas o Salvio lançou-se para tentar interceptá-la e teve a felicidade (e o mérito de não ter desistido) da bola lhe bater no pé de forma a encaminhar-se, como se de um remate cruzado e colocado se tratasse, para o poste mais distante da baliza adversária. Este segundo golo soltou definitivamente a equipa e assistimos então, até final, ao melhor período do Benfica no jogo. Nove minutos depois o Benfica fez o terceiro golo, através de um cabeceamento do pequenino Cervi - tinha substituído o Carrillo - que surgiu no centro da área solto de marcação para aproveitar um bom cruzamento do Nélson Semedo. Três a zero, como se sabe, até pode ser um resultado perigoso, sobretudo se uma equipa (ou o respectivo treinador) de repente se achar a melhor equipa do mundo e perder a concentração, mas o Benfica continuou a ter um controlo firme no jogo e a jogar bem, na procura de mais golos. O Feirense apenas por uma vez, já muito perto do final, ameaçou a nossa baliza, mas o Ederson correspondeu com a defesa da tarde. De resto não houve mais sobressaltos e deu para dar mais alguns minutos ao miúdo José Gomes, que só não marcou porque complicou demasiado os lances ao agarrar-se muito à bola, e também para a estreia do Zivkovic com a nossa camisola - foram apenas alguns minutos, mas ainda ofereceu uma boa ocasião ao José Gomes e sofreu a falta da qual resultaria o quarto e último golo do Benfica. Foi na zona da meia lua, mesmo ao jeito do pé do Grimaldo, e depois de uma grande confusão na barreira, onde os jogadores do Feirense passavam o tempo todo a empurrar os nossos dali para fora, o Luisão foi até lá acabar com a rebaldaria e meter ordem naquilo, para que o Grimaldo, no último pontapé do jogo, fizesse com uma 'folha seca' um bonito golo.

 

 

Destaques habituais para o Grimaldo e o Fejsa. Já não há muito a acrescentar ao que acabo por dizer sobre eles no final de quase todos os jogos. O Luisão veio devolver-nos poderio nos lances aéreos e nem sei se terá perdido alguma bola pelo ar. Ofensivamente esteve por várias vezes perto de marcar, já que ganhava sempre as bolas e depois apenas ficava a faltar um pouco mais de pontaria no cabeceamento. Parece-me que, pelo menos até o Jardel regressar, deverá manter-se na equipa. Depois, logo se verá. O episódio da barreira no final do jogo: priceless. O Salvio, talvez intimidado pela presença à sua frente do maior queixo do futebol português (Vítor Bruno) estava a ter um jogo ao nível de muitos que ele fez esta época: muito complicativo e desastrado. Mas depois de ter feito o golo (e do queixo gigante ter sido substituído) transfigurou-se e acabou por ser um dos destaques da equipa. Gostei também do Gonçalo Guedes e do Nélson Semedo, este com um jogo em crescendo, como aliás a maior parte da equipa. Seria bom que mantivesse este nível. Do Carrillo já nem vou falar, porque não quero estar a bater muito mais no ceguinho. Que recupere rapidamente o ritmo ideal para que possa dar alguma contribuição à equipa. Porque a jogar aquilo que jogou hoje, não nos serve de nada. O Salvio durante a primeira parte provavelmente estava a jogar tão mal como ele. A diferença entre eles é a atitude. O Salvio mesmo com as coisas a correr mal não baixa a cabeça e continua a dar o que tem em cada lance. Assim é mais fácil ser-se feliz.

 

Depois da 'catástrofe' de Nápoles (e depois de algumas pessoas terem tido que esperar desde Abril por uma derrota do Benfica num jogo oficial, compreende-se a leviandade com que termos como este foram imediatamente utilizados) o Benfica respondeu da melhor maneira e aproveitou para ficar um bocadinho mais tranquilo na liderança. Agora é esperar que esta pausa no campeonato - só voltamos a jogar daqui a três semanas - seja suficiente para recuperar vários jogadores importantes, para melhor podermos defender a liderança e ainda tentar lutar pelo apuramento na Champions.

 

P.S.- 58.637 espectadores na Luz hoje, para um jogo com o Feirense. Adoro futebol à tarde.

tags:
por D`Arcy às 00:51 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quinta-feira, 29.09.16

Erros

Sofremos esta noite uma derrota pesada, por culpa de erros próprios e de uma grande eficácia do adversário. Felizmente o outro resultado do grupo acabou por ser o mais interessante para nós, o que significa que a questão do apuramento continua completamente em aberto.

1.jpg

Acho que desde que o Rui Vitória é o nosso treinador que não o tinha visto alterar tanto a equipa de um jogo para outro, sobretudo em termos tácticos. O Benfica hoje apostou no reforço do meio campo, numa disposição mais próxima do 4-2-3-1, colocando o André Almeida ao lado do Fejsa. O André Horta foi o terceiro médio, e na alas o Pizzi regressou à direita, tendo o lado esquerdo sido infelizmente entregue ao Carrillo (peço desculpa, mas eu não consigo gramar este gajo - sim, esteve praticamente um ano sem jogar e dou-lhe desconto por isso, mas eu já não conseguia perceber o que viam de tão especial nele quando estava no anterior clube). A estratégia até parecia estar a surtir efeito, porque a primeira parte foi equilibrada e o Benfica até teve duas ocasiões soberanas para se colocar em vantagem, ambas pelo Mitroglou. Mas aos vinte minutos o Nápoles confirmou o chavão das equipas italianas e na primeira ocasião de que dispôs, marcou. Mais um golo sofrido de cabeça, no seguimento de uma bola parada (um canto). O canto em si nem foi particularmente bem marcado, mas Fejsa não atacou a bola de forma decidida e deixou-se antecipar ao primeiro poste pelo Hamsik. O descalabro do Benfica aconteceu na entrada para a segunda parte, e num período muito curto - três golos sofridos no espaço de oito minutos, entre os cinquenta e um e os cinquenta e nove. Desconcentração da equipa e muito em particular do Júlio César, que me pareceu que poderia ter feito melhor no segundo golo (de livre directo), cometeu o penálti que deu o terceiro golo (afinal este sacana de árbitro sabe marcar penáltis) e fechou da pior forma esta série negra com uma saída e falso a um cruzamento e consequente falha primária, que permitiu o quarto golo ao Nápoles. O jogo estava perdido, restava ao Benfica tentar dignificar ao máximo a sua imagem. Honra aos nossos jogadores que não baixaram os braços e lutaram até final, tendo sido recompensados com dois golos, Gonçalo Guedes (ao fim de três minutos em campo já tinha feito mais do que o Carrillo) e do Salvio, que amenizaram o resultado.

 

Conforme escrevi no início, felizmente esta derrota acabou por não comprometer a possibilidade de apuramento. Espero que para o resto dos jogos já possamos apresentar uma equipa mais forte - em particular, com o Jonas e a dupla Lindelöf/Jardel na defesa, para ver se acaba esta série de golos sofridos em bolas paradas e pelo ar. E apesar do muito respeito que tenho pelo Júlio César, parece-me que o jogo de hoje poderá ter dado uma vantagem decisiva ao Ederson na luta pela titularidade. Enfim, o mal está feito, agora o único caminho é deitar isto para trás das costas e pensar em ganhar ao Feirense.

tags:
por D`Arcy às 02:05 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 26.09.16

Suor

Antevia-se um jogo difícil e as previsões não saíram furadas. O Benfica foi obrigado a pagar com suor para infligir a primeira derrota do Chaves no campeonato, com a tarefa tornar-se particularmente complicada depois de uma primeira parte aquém do exigível - também por culpa da boa réplica do adversário.

 

 

Uma única alteração no onze em relação ao último jogo, tendo o Ederson voltado a ocupar a nossa baliza. Imagino que tenhamos adoptado uma política de alternância na baliza, porque o Júlio César até tinha sido um dos melhores no jogo contra o Braga. O jogo na primeira parte foi essencialmente de muita posse de bola da parte de Benfica, mas pouca inspiração ou imaginação para fazer grande coisa com essa posse de bola. O André Horta pareceu jogar demasiado recuado, a aparecer mais na zona do Fejsa do que a fazer a ligação com o ataque. O Pizzi pela esquerda nunca é o mesmo jogador e perde influência no centro. Por isso pelo meio não se viu grande coisa. Pelas faixas, era sobretudo pela esquerda e devido à constante acção do Grimaldo e algumas movimentações do Gonçalo Guedes ou do Pizzi que conseguíamos criar algumas situações mais interessantes - a melhor delas foi uma combinação entre o Grimaldo e o Pizzi logo nos primeiros minutos com um passe atrasado, que só não deu bom resultado porque o Mitroglou e o Gonçalo Guedes se atrapalharam um ao outro. Do outro lado, era para esquecer. O Salvio esteve num daqueles dias em que resolve jogar sozinho e ainda por cima não estava inspirado, e o Nélson Semedo não esteve muito melhor. O Chaves jogava de forma a explorar o contra-ataque. Pressionava o Benfica ainda no seu meio campo, e assim que recuperava a bola conseguia sair rapidamente com três ou quatro jogadores e com o mínimo de passes possível, de preferência a tentar explorar o espaço nas costas da nossa defesa. A partir da meia hora de jogo pareceu-me que esta situação se agudizou. Até então o Chaves não tinha criado muito perigo, mas no último quarto de hora da primeira parte o Benfica começou a perder mais frequentemente a bola, com demasiados passes errados, e a revelar muito maior permeabilidade aos contra-ataques do Chaves. Até foi nesta fase em que o Mitroglou conseguiu fazer um golo que acabou por ser mal anulado por suposto fora de jogo, já que ele estava em linha com a defesa, mas aceito a decisão porque acho sempre ridículo estar a discutir questões de centímetros. A situação mais complicada para nós apareceu a cinco minutos do descanso, quando na mesma jogada o Chaves acertou por duas vezes no poste direito da nossa baliza, e depois ainda falhou a recarga de baliza aberta. Ficou o sério aviso para o Benfica.

 

 

A segunda parte só poderia ser melhor. O André Horta apareceu em terrenos mais avançados e isso ajudou logo a melhorar um pouco o nosso jogo apenas pela presença dele naquela zona. Por outro lado, o Chaves foi progressivamente pagando a factura do intenso esforço a que a pressão que tentou exercer durante a primeira parte o obrigou. Mas o factor decisivo acabou por ser a alteração feita à hora de jogo, quando o inconsequente Salvio deu o lugar ao Cervi. Não só pela entrada do Cervi, mas também porque nessa altura o Gonçalo Guedes se fixou mais na esquerda e o Pizzi passou a ocupar preferencialmente a zona central. A conjugação destes factores todos foi-nos dando cada vez mais superioridade no meio campo - algo em que estivemos claramente deficitários durante a primeira parte. O próprio Nélson Semedo subiu de rendimento depois do Salvio sair (ajuda ter à frente dele alguém que faça jogadas com ele em vez de constantemente baixar a cabeça e partir sozinho para cima de três adversários) e foi sobre ele que foi cometida a falta da qual nasceu o primeiro golo do Benfica. O livre foi marcado pelo Grimaldo de forma tensa e na direcção da baliza, e depois quase na pequena área surgiu o Mitroglou, mesmo pressionado por um defesa, a tocar ligeiramente de cabeça na bola e a desviá-la do guarda-redes. Isto aconteceu aos sessenta e nove minutos, e face ao que estava já a ver naquela altura fiquei convencido que depois de termos feito o mais difícil, só um golpe de azar nos tiraria a vitória. Parecia-me aliás muito mais provável o Benfica aumentar a vantagem, e esse cenário confirmou-se no resto do jogo. O Chaves durante toda a segunda parte foi quase inofensivo no ataque, e o golo do Benfica pareceu esvaziar por completo o pouco ar que ainda restava no balão. O segundo golo do Benfica e o da confirmação dos três pontos apareceu mesmo, a seis minutos do final. Mais um livre marcado pelo Grimaldo, quase sobre a linha da área, a bola embateu na barreira e na recarga o Pizzi rematou de forma colocada e sem hipóteses de reacção para o guarda-redes adversário. E quase no final até poderia ter mesmo surgido o terceiro golo (que, admito, seria um castigo demasiado pesado para o Chaves) mas o Carrillo viu o guarda-redes fazer uma grande defesa para evitar esse golo.

 

 

Os melhores do Benfica num jogo em que não houve muito brilho foram, para mim, o Grimaldo e o Mitroglou. O espanhol conseguiu fazer o flanco esquerdo praticamente sozinho e nos piores períodos da equipa conseguiu ser o jogador que mais a empurrou para a frente. Ainda há quem o critique por defender mal, mas sinceramente parece-me que ele tem sabido progressivamente equilibrar cada vez mais o seu jogo e não é por aquele lado que a defesa treme. O Mitroglou voltou a mostrar as suas qualidades de matador. Foi o jogador mais rematador do Benfica, colocou a bola no interior da baliza adversária duas vezes e viu os golos serem anulados (um mal, outro bem) e à terceira desatou finalmente o jogo. Quanto à parte negativa, apesar de vários jogadores terem estado pouco inspirados (Nélson Semedo, André Horta, até mesmo o Fejsa não esteve tão bem como nos tem habituado) é impossível não destacar o Salvio pela negativa. Deve ter sido o pior jogo que eu alguma vez o vi fazer. Não sei se ganhou um lance individual, e não sei se terá havido algum lance em que terá optado por passar a bola em vez da iniciativa individual. Foi inacreditavelmente mau, e não foi coincidência que o jogo do Benfica tenha melhorado substancialmente quando ele foi substituído. Se vai insistir por esta via, será o candidato número um a sair da equipa assim que o Rafa recuperar.

 

Foi um jogo menos conseguido do Benfica na primeira parte, e fomos felizes naquele lance específico das duas bolas no poste. Mas de qualquer maneira parecem-me manifestamente exageradas algumas das apreciações ao jogo que já li ou ouvi. A vitória do Benfica foi perfeitamente justificada porque mesmo com um jogo menos conseguido fomos a melhor equipa no terreno de jogo. Que as coisas podiam ter sido muito diferentes caso o Chaves tivesse marcado no referido lance, não duvido. Mas não se pode resumir todo um jogo a esse momento. Por mim, fica a satisfação de termos dado mais um pequeno passo na direcção certa (e um passo que seria sempre difícil sob quaisquer circunstâncias porque não me parece que defrontar este adversário naquele campo seja um jogo fácil) mesmo continuando a ter várias baixas importantes.

tags:
por D`Arcy às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Terça-feira, 20.09.16

Topo

Ainda bastante limitado nas opções devido às várias lesões em jogadores influentes, o Benfica conseguiu impor-se a um adversário complicado num jogo em que a liderança isolada estava em disputa e assim fechou a quinta jornada sozinho no topo da tabela.

 

 

O regresso do Mitroglou ao lote dos disponíveis significou a saída do Cervi do onze, tendo o Pizzi ocupado a posição mais à esquerda do ataque - alternando frequentemente de posição com o Gonçalo Guedes durante o decorrer do jogo. A única outra alteração, para mim até um pouco surpreendente, foi na baliza. Pensei que o Ederson tivesse voltado a agarrar o lugar, até pela exibição que tinha feito contra o Besiktas, mas foi o Júlio César quem jogou de início. E face ao que aconteceu durante a partida, podemos dizer que foi uma opção muito acertada. O jogo começou de forma frenética, com duas oportunidades claras de golo para cada uma das equipas logo nos primeiros dez minutos. Logo a abrir o Mitroglou rematou a centímetros do poste, e na resposta o Lisandro Fejsa ofereceu um golo ao Braga, que o Hassan, completamente isolado, falhou de forma inacreditável. Pouco depois foi o Júlio César que negou o golo ao Pedro Santos com uma grande defesa, e a seguir uma grande jogada do Benfica terminou com mais uma grande defesa, desta vez do Marafona a remate do Salvio (pouco antes o Guedes teve uma boa arrancada que foi travada em falta em posição frontal e perigosa, mas o Jorge Sousa - um dos meus ódios arbitrais de estimação - resolveu que não era nada). Interessante, sem dúvida, mas não fico exactamente descansado quando vejo um adversário jogar na Luz e a ter tantas oportunidades claras como o Benfica. Só que depois deste início electrizante entrou em campo o factor Marafona. Acredito que ele até se tivesse mesmo magoado porque me pareceu ter apoiado mal o pé. O que duvido é que a dor fosse assim tão forte para parar o jogo tanto tempo, e sobretudo que o parecesse atacar mais precisamente em alturas em que o Benfica acelerava e até dava um certo jeito quebrar o ritmo do jogo. E depois, sabemos que o crime compensa sempre e que os árbitros nunca compensam na totalidade todo este tempo pedido. 

 

 

O Benfica era a equipa que continuava a procurar o golo com mais insistência. Na esquerda, já que o Pizzi parece desaparecer do jogo sempre que ali joga, era o Grimaldo quem ia dando dinâmica por aquele lado, quase sempre a combinar bem com o Gonçalo Guedes quando este descaía para ali, e teve mais um remate a obrigar o Marafona a uma boa intervenção. Quanto à prova de que a dor do guarda-redes do Braga não devia ser assim tão forte foi que um par de minutos depois de mais uma longa interrupção o Benfica chegou ao golo, pelo Mitroglou, e daí até ao final do jogo o Marafona não voltou sequer a coxear. Quanto ao golo, nasceu de uma arrancada do Guedes pela esquerda, desmarcado por um toque de primeira, de calcanhar, do Pizzi, e depois do cruzamento rasteiro e algo atrasado para o interior da área (não sei se a direcção foi completamente intencional; no estádio até fiquei com a sensação de que o cruzamento saiu meio falhado) o Mitroglou ainda conseguiu recuperar a posição e rematar de primeira e cruzado para o golo. O golo aconteceu aos vinte e sete minutos de jogo, e durante mais algum tempo o Benfica continuou em cima do adversário em busca de um segundo golo. Mas nos minutos finais antes do intervalo pareceu-me haver algum relaxamento, o que permitiu que o Braga se aproximasse mais da nossa baliza e aí foi necessário um Júlio César inspirado para manter a vantagem no marcador. Primeiro, negou o golo ao Ricardo Horta quando este lhe apareceu isolado, descaído sobre a direita. Já quase sobre o intervalo mostrou grandes reflexos para evitar o golo do Braga, na sequência de um canto e cabeceamento ao primeiro poste, já muito perto da linha de golo. Na última jogada da primeira parte o Lisandro poderia ter feito melhor e permitido que o Benfica fosse mais tranquilo para o descanso, quando depois de um livre do Pizzi cabeceou ligeiramente ao lado. Já agora, diga-se que o tempo de descontos dados pelo Jorge Sousa foi de quatro minutos. O tempo gasto só a assistir o Marafona foi de cerca de seis minutos. O habitual, portanto.

 


O início da segunda parte até parecia que ia ser uma cópia do que se tinha passado em igual período da primeira, com o Braga a fazer dois remates nos primeiros minutos e o Benfica a responder num livre do Gonçalo Guedes que desviou ligeiramente na barreira e proporcionou uma fantástica defesa ao Marafona. Mas depois disso as coisas acalmaram e nenhuma das equipas conseguiu ser particularmente perigosa no ataque. Nos minutos que se seguiram, aliás, o futebol até foi de baixa qualidade e aborrecido, com demasiados passes falhados de parte a parte ou iniciativas individuais sem qualquer consequência. O jogo mudou no entanto quando o Benfica trocou o Salvio pelo Carrillo. O Salvio estava a fazer um jogo muito fraco e o Carrillo, conforme já disse antes, é um jogador pelo qual eu não nutro qualquer admiração - acho que temos mais e melhores extremos no plantel e que foi uma contratação pouco útil - mas a alteração teve efeitos positivos, sobretudo porque o Pizzi quando joga na direita é um jogador completamente diferente daquele que é na esquerda. Na esquerda não consegue ser um extremo eficaz e parece que perde influência no meio. Na direita consegue ser as duas coisas. E a presença mais fixa do Carrillo na esquerda (ainda que quase sempre a jogar a passo) travou um pouco as subidas do Baiano por aquele lado, que tinham sido uma constante até então sem que o Pizzi lhes desse a atenção devida. O primeiro safanão na monotonia foi dado pelo Gonçalo Guedes, num grande remate de fora da área que voltou a exigir a atenção do Marafona. E pouco depois, aos setenta e quatro minutos, o Benfica chegou ao segundo golo. Fê-lo de uma forma algo feliz, aproveitando uma intercepção defeituosa de um jogador do Braga a um passe do Mitroglou, que deixou o Pizzi isolado dentro da área para rematar de primeira para o golo. Mas nessa altura já o Benfica era quem mais perto estava de marcar. E quatro minutos depois arrumámos a questão. Num lance de insistência em que o Braga nunca conseguiu afastar a bola da sua área, o primeiro cruzamento do Nélson Semedo acabou por ir ter aos pés do Pizzi, já dentro da área, e depois de alguma forma ele conseguiu ainda cruzar já sobre a linha fundo e pressionado pelos defesa para o Mitroglou cabecear a pouco mais de um metro da linha de golo. Depois disto deu para relaxarmos um pouco, dar uns minutos ao miúdo José Gomes - que esteve perto de marcar, mas o Lázaro Marafona voltou a fazer uma boa defesa para lhe negar essa alegria - e a já quase tradição de substituir o Fejsa nos minutos finais e sofrer um golo. Foi já nos descontos, na sequência de um canto, através de um cabeceamento já na pequena área. O Benfica até agora sofreu quatro golos no campeonato, e os quatro golos foram marcados de cabeça, três deles na sequência de bolas paradas (um livre e dois cantos). Algo certamente a rever, e que o regresso do Jardel poderá ajudar a resolver (a marcação do Lisandro ao central do Braga que marcou o golo foi uma demonstração de como não se deve marcar um adversário directo nestes lances).

 

 

Quanto a destaques, começo pelo Júlio César, que foi um dos grandes responsáveis por não termos sofrido golos na primeira parte. Na segunda parte já quase não teve trabalho. É bom ver que temos dois guarda-redes em condições de lutar pela titularidade. O Fejsa esteve ao nível do costume, e é neste momento um dos jogadores que mais gosto de ver jogar no Benfica. Tem uma capacidade superior para antecipar os lances e recuperar bolas em antecipação e ontem até esteve bem no passe, que é normalmente o ponto mais fraco do seu jogo. Gosto também muito do Grimaldo, e ontem voltou a deixar-me boa impressão. Está cada vez mais forte a defender, e a atacar mostrou a qualidade habitual. Duvido que fique muito tempo no Benfica. O Mitroglou voltou e fez aquilo que sabe fazer. É quase uma espécie de Cardozo, ou seja, está ali para marcar golos e não lhe peçam para fazer coisas muito complicadas. Mas quanto a marcar golos, tem instinto e capacidade de finalização, e isso ontem fez a diferença. Quanto ao Pizzi, reforço aquilo que já escrevi. Não gosto dele como solução para a esquerda, mas quando joga na direita é um jogador fundamental para esta equipa. E depois, quando parece que passa quase despercebido, de repente reparamos que esteve directamente ligado a todos os golos do Benfica. O primeiro começa com um passe de calcanhar para a desmarcação do Gonçalo Guedes, o segundo marcou-o ele, e fez a assistência para o terceiro. Já que falo no Gonçalo Guedes, já merecia um golo. Continua a trabalhar muito, ontem fez uma assistência, e a continuar assim o golo acabará inevitavelmente por aparecer.

 

Chegámos à liderança isolada à quinta jornada. Não é nenhum título ou motivo para grandes celebrações, mas é bastante motivante quando pensamos que isto acontece nas condições que sabemos. Continuamos com vários lesionados, incluindo o nosso melhor defesa central, o nosso reforço mais caro e também o melhor jogador e marcador da última época. E mesmo assim, sem grandes alaridos, sem lamentações quanto às ausências e sem bazófias, vão-se encontrando soluções e lá chegámos. A luta para estarmos neste lugar quando o campeonato chegar ao fim vai ser longa e muito difícil. Mas o facto de termos lá chegado nestas condições é a prova mais forte da nossa determinação e valor para defendermos o título que nos pertence.

tags:
por D`Arcy às 14:18 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Terça-feira, 13.09.16

A/C do sr. Celis

Já o que o senhor fez no particular frente ao Lyon (para quem não se recorda: abalroar um adversário que estava quase de costas para a baliza no limite da grande área(!) fazendo um dos penalties mais estúpidos de todos os tempos) me tinha deixado muito mal impressionado. Dizem que não fazia mal, porque era jogo particular e eles servem mesmo para erros desses.

 

Pois, mas para mim não servem, porque um tal erro revela que o senhor não tem algo essencial que um jogador do Benfica deve ter se quer ser jogador do Benfica: não ser COMPLETAMENTE IDIOTA a jogar à bola e perceber o jogo. Ora, alguém que vai disputar a bola com a mão(!) perto da sua área no último minuto de jogo, sabendo que do outro lado está alguém especialista em bola paradas e que ainda no ano passado marcou dois golos importantes dessa maneira pelo clube que agora esse alguém até representa é, não há outro termo para o definir, BURRO QUE NEM UMA PORTA! E não me venham com a desculpa da idade: quando se é BURRO, é-se BURRO! Podem vir dizer: “ah e tal, o Gonçalo Guedes também tem culpa: falhou o 2-0 completamente isolado.” Certo, mas isso faz parte do jogo, todos falham, acontece. E o Guedes até foi dos melhores em campo. Agora, para se jogar com a mão(!), repito, com a mão(!) naquelas circunstâncias é preciso uma grande dose de atraso mental. É que nem sequer tentou disputar a bola com o pé ou peito: foi com a mão! E peço imensa desculpa, mas um jogador do Benfica não pode ter uma falta de neurónios deste género.

 

Por tudo isto, vou poupar trabalho ao sr. Celis apresentando-lhe o plano abaixo. É já amanhã de manhã e desejo que faça uma boa viagem. Os dois pontos que voaram hoje frente ao Besiktas são irrecuperáveis, mas espero que se prontifique a devolver os 500 mil o milhão de euros(!) que nos custou a sua falta de neurónios através do seu salário. Obrigado e boa continuação de carreira longe do Estádio da Luz. Até sempre.

Lisboa-Colômbia.jpg

por S.L.B. às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Segunda-feira, 12.09.16

(Muito) Desnecessariamente sofrido

NOTA: a pedido do D'Arcy (e por impossibilidade dele), desta feita têm que levar com a minha crónica.

 

Vencemos em Arouca na 6ª feira por 2-1 e continuamos no 2º lugar a dois pontos da lagartada. Perante um adversário que ficou num lugar europeu na época passada, esperava-se uma partida difícil e foi-o, mas essencialmente devido à nossa ineficácia, porque se a tivéssemos tido duvido que houvesse mais algum jogo no campeonato doravante com um resultado tão desnivelado.

 

Confesso que estava bastante apreensivo para este encontro, porque não me recordo de algum jogo em que não tivéssemos nenhum ponta-de-lança disponível. E é também por isso que eu detesto os jogos de selecções (desde o Bento, passando pelo Simão, se eu fosse fazer uma lista de jogadores nossos com lesões graves por causa das selecções este post ficaria quilométrico): graças a eles, perdemos o Jiménez e o Mitroglou! A isto juntou-se a lesão do Jonas (aparentemente ainda não recuperado a 100% da operação) e íamos para Arouca com a necessidade de ter o Rafa (com apenas dois treinos de Benfica!) a titular como ponta-de-lança, juntamente com o Gonçalo Guedes. O nosso primeiro lance de perigo coincidiu com o primeiro golo: aos 16’, abertura do Salvio para o Nélson Semedo na direita, o Bracalli sai, um defesa tenta o corte, mas acaba por rematar contra o nosso defesa-direito e a bola vai directa para a baliza. Foi um golo com uma grande dose de sorte à semelhança do primeiro frente ao Nacional. No entanto, a partir daqui mais que justificámos a vantagem e tivemos inúmeras oportunidades para a goleada (sim, goleada!). Rafa, por três vezes (uma das quais isolado e outra sem o guarda-redes na baliza!), Gonçalo Guedes e Pizzi poderiam (e deveriam) ter-nos feito ir para intervalo com o jogo decidido.

 

Para a 2ª parte, eu estava já a ver uma reedição da Choupana, em que também nos ficámos a dever uma vantagem segura e deixámos o Nacional empatar, antes de conseguirmos voltar para a frente do marcador. Porém, à falta de eficácia da 1ª parte, correspondeu uma boa entrada na 2ª: aos 51’, canto do Grimaldo na direita e cabeçada do Lisandro ao primeiro poste para o 0-2. Como o Arouca pouco ou nenhum perigo tinha criado, era expectável que tudo estivesse bem encaminhado, mas as coisas voltaram a ficar instáveis aos 56’ com o Walter González a reduzir num bom cabeceamento, com o Nélson Semedo a ficar nas covas. No entanto, na jogada anterior ao golo, há um empurrão claríssimo ao Rafa por trás na área, quando estava isolado, com o sr. Fábio Veríssimo a nada assinalar. Penalty e vermelho indiscutíveis! Uma vergonha! A nossa última aquisição saiu lesionada do lance (vai para um mês! O melhor seria abrirmos um hospital no Seixal, ainda fazíamos algum dinheiro…) e entrou o velocíssimo Carrillo. Até final, o Arouca ainda criou perigo em dois lances e nós também poderíamos ter dado a machadada final já perto dos 90’, numa óptima jogada do André Horta com o miúdo José Gomes (entretanto entrado) a não conseguir chegar e o Carrillo a rematar para boa defesa do Bracalli.

 

Em termos individuais, gostei bastante do Salvio (parece que finalmente está a voltar ao que era! Óptimas notícias!), do pique e de alguns pormenores do Rafa (tem que treinar mais os remates à baliza!) e do Gonçalo Guedes (que, com a profusão de lesões na frente, se arrisca a fazer boa parte da época a titular). A defesa não está muito segura e, se calhar, será preciso rever alguma coisa, porque atacar é muito bonito, mas a função primordial de um defesa é… defender. Quando entrou o Samaris, para (não) variar o nosso meio-campo ficou trancado (é aconselhável que passe a entrar mais cedo) e o José Gomes foi pena que não tenha mais 5 cm de comprimento nos pés, caso contrário teria tido uma estreia de sonho.

 

Num jogo em que não tínhamos nenhum ponta-de-lança, fizemos do melhor que se tem visto até hoje, com boas combinações atacantes e inúmeras oportunidades. Há que só melhorar o pequeno pormenor de meter a bola na baliza… Amanhã haverá Champions na Luz contra o Besiktas e veremos como a equipa vai responder perante um adversário mais poderoso. Depois deste bom aperitivo frente ao Arouca, estou muito expectante para ver.

por S.L.B. às 09:55 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Domingo, 28.08.16

Importante

Num jogo que assinalou o regresso do Jonas, o Benfica não fez uma exibição muito vistosa mas jogou mais do que o suficiente para vencer num campo difícil (ainda que, como sempre, com as bancadas completamente pintadas de vermelho) podendo apenas queixar-se da falta de eficácia como principal causa para algum sofrimento, já que com um pouco mais de pontaria poderia ter regressado da Madeira com um resultado muito mais confortável.

 

 

Com o regresso do Jonas à titularidade a experiência da última jornada do Pizzi atrás do avançado acabou, e ele foi desta vez colocado a jogar à esquerda, já que o Salvio manteve a titularidade do outro lado. A outra alteração foi a troca de avançados, tendo desta vez sido o Jiménez o escolhido. Sem surpresas, o Benfica assumiu o controlo do jogo desde o apito inicial, com o Nacional na atitude habitual de tentar explorar o contra-ataque, mas sem grande sucesso nisso - depois de um par de remates nos minutos iniciais, durante grande parte do resto do primeiro tempo o Nacional não conseguiu sequer rematar à nossa baliza. Com um futebol bastante activo pelas alas, sempre com muito envolvimento dos laterais, e mesmo com o Pizzi a ter uma noite para esquecer, o Benfica ia-se acercando da baliza adversária e ameaçando cada vez mais o golo, mas a pontaria dos nossos jogadores é que estava longe de ser a ideal, já que os remates iam quase sempre para fora. Acabou por ser um jogador do Nacional a conseguir acertar nela, e assim colocar-nos em vantagem no marcador. Depois de um livre marcado pelo Pizzi na direita, o guarda-redes do Nacional fez-se de forma completamente disparatada à bola, deixou-a passar e ela foi bater na cabeça de um defesa para depois se encaminhar para a baliza. O mais difícil estava feito, a tarefa agora era continuar no mesmo registo e colocar o resultado em números que não permitissem surpresas, mas se de facto conseguimos manter sempre o jogo completamente sob controlo, já o objectivo de ampliar a vantagem não foi conseguido, pois a finalização continuou a deixar muito a desejar - pelo menos um cabeceamento do Jonas e um remate do Grimaldo deveriam ter tido outra direcção.

 

Isto foi ainda mais gritante na fase inicial da segunda parte, pois num curto espaço de tempo desperdiçámos três ocasiões flagrantes para marcar. Primeiro o Salvio acertou no poste, depois o Jiménez, no interior da área, fez tudo bem mas o remate de pé esquerdo saiu enrolado e à figura do guarda-redes, e a seguir o Jonas, de forma absolutamente escandalosa, conseguiu rematar também à figura do guarda-redes quando ficou solto de marcação praticamente na pequena área. Depois aconteceu o velho chavão do futebol, em que quem não marca sofre. O Nacional respondeu com um livre de muito longe que o Júlio César não conseguiu segurar, resultando daí um canto, e desse mesmo canto resultou o golo do empate. Um golo praticamente caído do céu e que o Nacional pouco ou nada tinha feito por justificar até então. Faltava já um pouco menos de meia hora para jogar, e víamo-nos obrigados a ir novamente em busca da vitória. O Benfica reagiu com a troca do André Horta e do Pizzi pelo Celis e o Carrillo, e foi apenas necessário esperar cinco minutos para obter resultados e anular a injustiça no resultado. Tudo começa num passe fantástico do Jiménez para as costas da defesa do Nacional a solicitar a entrada do Salvio pela direita da área, que depois foi até à linha de fundo e fez o passe atrasado para a frente da baliza, deixando ao Carrillo a tarefa simples de meter a bola na baliza - ele ainda adornou o lance e tirou um adversário do caminho em vez de rematar de primeira. Se um golo quase por acaso já é normalmente difícil de alcançar, dois no mesmo jogo é ainda mais difícil, e o Nacional não foi capaz de qualquer reacção a este golo. Tentaram subir no terreno, mas nunca foram capazes de criar qualquer perigo e ainda pior ficou o cenário para eles quando a dez minutos do final, já com as três substituições feitas, o Ghazal ficou incapaz de prosseguir em campo (no lance do segundo golo ele tentou, de cabeça, cortar o passe rasteiro do Salvio e acabou por bater com a cabeça no chão). Aos noventa minutos de jogo o Jiménez esteve pertíssimo de marcar o golo da tranquilidade mas viu um adversário cortar a bola quase sobre a linha. Dois minutos depois, já em período de compensação, marcou mesmo. Depois de um alívio longo e por alto do Lisandro ele acreditou no lance, pressionou o último jogador do Nacional, ganhou a bola e, isolado à frente do guarda-redes mostrou que está a progredir: em vez de fazer o que era mais habitual nele (fechar os olho e rematar a direito com toda a força) levantou a cabeça e colocou a bola fora do alcance do guarda-redes, levando-a a entrar junto ao ângulo superior - tinha ainda o Gonçalo Guedes ao lado para passar a bola, se fosse necessário.

 

Para mim o Salvio foi o melhor jogador do Benfica. Parece estar aos poucos a recuperar a confiança e a forma física, e vai-se aproximando do jogador que conhecemos e de que tanto necessitamos. Hoje foi um dos jogadores mais activos da equipa e jogou em alta rotação os noventa minutos, tendo também feito frequentemente as movimentações típicas do Pizzi naquela posição, a fechar no meio quando necessário. O Fejsa também, sem surpresa, é outro dos destaques. Confesso que a defesa sem o Jardel e com os dois laterais tão ofensivos não me deixa muito descansado, e o Fejsa é quem dá uma boa parte do equilíbrio defensivo. Para além disso parece ter o dom de conseguir quase sempre adivinhar o que os adversários vão fazer, o que lhe permite recuperar inúmeras bolas em antecipação. O Lisandro também esteve relativamente bem e apreciei o que o Jiménez trabalhou, sendo recompensado com o golo no final - neste momento parece-me estar em melhores condições do que o Mitroglou na luta pela titularidade. O Jonas regressou mas naturalmente não está ainda no seu melhor. em condições normais, teria provavelmente acabado este jogo com dois ou três golos marcados, tendo em conta as ocasiões de que dispôs. O Pizzi foi um desastre neste jogo. Nada tenho contra ele e aprecio a contribuição que pode dar à equipa, mas hoje foi para esquecer. Não consigo compreender como é que um jogador que não tem na velocidade um dos seus pontos fortes consegue insistir tantas vezes em tentar ultrapassar os adversários com a bola controlada. O resultado foi sempre o mesmo: o adversário, mesmo partindo de trás, consegue ultrapassá-lo e fica com a bola. E a frequente insistência nas iniciativas individuais foi quase sempre a opção errada, porque tinha colegas melhor colocados a quem passar a bola. O André Horta parece estar a perder fulgor.

 

No final fica uma boa vitória num campo tradicionalmente complicado, apenas com um pouco mais de dificuldade do que o nosso jogo merecia. Muito por culpa própria e da nossa falta de eficácia. Era muito importante não escorregarmos duas vezes seguidas e regressarmos imediatamente ao trilho vitorioso.

tags:
por D`Arcy às 13:04 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Segunda-feira, 22.08.16

Desgarrada

Fizemos uma exibição desgarrada e com pouca chama durante 80% do jogo e fomos, sem surpresas, punidos com um empate.

 

 

Claro que na maior parte das vezes uma exibição menos conseguida do Benfica ainda dá para criar ocasiões suficientes para ganhar um jogo (e a haver um vencedor neste jogo, só poderia ser o Benfica) mas se tivéssemos jogado mais tempo com a atitude que mostrámos nos últimos quinze minutos provavelmente não estaríamos a lamentar os dois pontos deitados fora. É que ao fim de uns vinte minutos de jogo já eu estava a perceber que só muito dificilmente venceríamos o jogo. A equipa jogava com muito pouca velocidade, perante um adversário que se fechava atrás, com um guarda-redes que engatou para uma boa exibição, e cujos jogadores se deixavam cair como tordos, sempre com a respectiva falta a ser assinalada quer existisse mesmo ou não - 'critério largo' era apenas quando os nossos jogadores caíam. A opção hoje tomada de colocar o Pizzi como apoio mais próximo do avançado (jogou o Salvio na direita) claramente não resultou - o Pizzi hoje estava naqueles dias em que complica quase todas as jogadas e dá sempre um toque a mais na bola. As ocasiões que o Benfica conseguia criar vinham quase todas de bolas paradas, porque em bola corrida raramente conseguíamos chegar com velocidade suficiente à frente para provocar grande aflição à defesa do Setúbal.

 

No regresso para a segunda parte, mais do mesmo. Tendo em conta a forma como o Setúbal jogava, seria muito complicado conseguir criar grandes desequilíbrios a jogar com o ritmo que apresentámos. E quando, mais ou menos a meio desta segunda parte, parecemos começar a melhorar um pouco, sofremos um golo infantil, numa falha de marcação básica após um livre despejado de longe para o interior da área. Apesar do mau jogo que fizemos, uma derrota era um castigo demasiado pesado e o Benfica finalmente reagiu. Mesmo que tenha sido mais em desespero e com o coração, arriscámos tudo o que havia para arriscar, lançaram-se para dentro do campo todas as opções de ataque que havia no banco (o Jiménez e o Gonçalo Guedes foram úteis e mexeram com o jogo, o Carrillo foi, sem surpresas para mim, inútil) e a oito minutos do final chegámos ao empate num penálti marcado pelo Jiménez, a punir uma falta clara sobre o recém-entrado Gonçalo Guedes. Ainda havia tempo suficiente para procurar a vitória, que poderia mesmo ter acontecido nos minutos finais: depois de um livre muito bem marcado pelo Grimaldo, defendido pelo Varela, a recarga do Lindelöf levou a bola a bater na barra e depois a cair quase sobre a linha de golo, mas ninguém foi capaz de dar o toque final para dentro da baliza.

 

Em suma, não gostei do que vi. Nem da atitude demasiado mole da equipa durante grande parte do tempo, nem da qualidade do futebol apresentado, nem da falta de soluções para ultrapassar a forma como o adversário se fechou atrás. Foi dos jogos menos conseguidos da nossa equipa a que assisti nos últimos meses, e como acontece sempre que baixamos o nível, fomos imediatamente punidos pelo resultado. A atitude terá que ser necessariamente muito diferente no próximo jogo, a visita ao Nacional. Até por razões históricas: que eu me recorde, nunca o Benfica conseguiu ser campeão numa época em que não tenha ganho na Madeira ao Nacional.

tags:
por D`Arcy às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 14.08.16

Estreia

É sempre bom começar o campeonato com uma vitória, e depois de uma série de anos em que parecia que fazíamos questão de não o conseguir, hoje voltámos a dar um pontapé nessa má tradição e arrancámos uma vitória difícil mas inteiramente justa na estreia, em casa do Tondela.

 

 

Apresentámo-nos com o onze inicial esperado ou seja, apenas com uma alteração na equipa que tinha entrado em campo no jogo da Supertaça: Gonçalo Guedes substituiu o lesionado Jonas. O início de jogo foi frenético, com um para de boas ocasiões para cada uma das equipas a surgir dentro dos primeiros cinco minutos. Para o nosso lado, destaque para a ocasião em que o Mitroglou, logo no segundo minuto de jogo, ficou isolado frente ao guarda-redes mas rematou de forma a permitir a defesa deste. Depois deste início algo louco, as equipas encaixaram melhor uma na outra e deixou de haver tanta emoção junto das balizas, mas o jogo continuou a ser disputado de forma muito intensa. O que ficou claro desde o início foi que o Tondela nunca encarou o jogo com a postura típica de equipa pequena, de defender de forma exasperante e explorar o antijogo. O Tondela encarou o Benfica olhos nos olhos, tentou sempre exercer pressão a quase todo o campo, o que nos dificultava a saída de bola e obrigava muitas vezes ao pontapé longo, e durante vários períodos conseguiu supremacia na zona central do campo. Isto fez com que o Benfica não conseguisse criar muitas ocasiões de perigo, e passámos mesmo muito tempo sem conseguir sequer fazer um remate. Cedo no jogo tivemos o contratempo do Luisão se ter lesionado, o que forçou à sua substituição pelo Lisandro logo aos vinte e seis minutos, mas às vezes acontece que há males que vêm por bem, e foi mesmo o Lisandro quem nos colocou em vantagem no marcador. Depois de um livre muito bem marcado na direita pelo Pizzi, o Lisandro apareceu nas costas de defesa do Tondela para cabecear com sucesso - e se por acaso não tivesse chegado à bola, ainda tinha atrás dele o Lindelöf completamente à vontade. O golo surgiu já perto do intervalo (trinta e nove minutos) mas até lá ainda voltámos a estar perto do golo, num livre do Grimaldo.

 

 

A segunda parte começou quase como a primeira, com o Tondela quase a chegar ao empate, valendo-nos uma grande defesa do Júlio César, depois o Benfica respondeu com um remate do Gonçalo Guedes, e a seguir o Tondela voltou a ficar muito perto do golo, na sequência de um lançamento lateral seguido de um pequeno desvio de cabeça, para depois o jogador do Tondela falhar a emenda quase em cima da linha de golo. Respondeu o Benfica com um cabeceamento do Grimaldo que fez a bola passar muito perto do poste. Este tipo de jogo era demasiado perigoso para uma vantagem mínima no marcador. Poderíamos marcar o segundo golo que nos daria tranquilidade, mas também a qualquer momento o Tondela poderia empatar o jogo e colocar-nos numa situação complicada. Pareceu-me portanto que depois desta fase inicial muito aberta, o Benfica apostou em controlar mais  ritmo de jogo, e começou por fazê-lo com uma pequena alteração táctica, desviando o Gonçalo Guedes para a direita e colocando o Pizzi numa posição mais central, o que permitiu o reforço do meio campo. Alguns minutos depois esta opção foi reforçada com a troca do Cervi pelo Samaris - o Pizzi foi para a esquerda e o André Horta adiantou-se um pouco. A verdade é que depois disto o Tondela praticamente deixou de ameaçar seriamente a nossa baliza, e a nossa vitória começou a parecer-me muito mais certa. Em aberto estava ainda a oportunidade para marcar um segundo jogo que decidiria tudo, pois quando o Tondela subia no terreno ficava bastante exposto a contra-ataques. Isso acabou por acontecer mesmo, mas apenas em tempo de compensação, numa jogada individual do André Horta, que aproveitou uma bola recuperada para subir no terreno, ultrapassar três adversários à entrada da área e depois fuzilar a baliza quando ficou em frente ao guarda-redes. Foi um belo trabalho do nosso jovem médio e a forma ideal de se estrear na Liga com a camisola do seu clube do coração.

 

 

No Benfica começo por destacar o Fejsa. Continua a ser um gigante no meio campo e às vezes parece estar em todo o lado ao mesmo tempo. São incontáveis as bolas que recupera e o auxílio que presta à nossa defesa. Repito que será muito importante para a nossa época que consiga manter-se afastado das lesões o mais possível. Outro destaque é o Grimaldo. Já não é novidade para ninguém a importância que têm nas acções ofensivas pelo seu flanco, mas hoje pareceu-me francamente melhor no aspecto defensivo. Foram várias as bolas recuperadas e os cortes efectuados, com destaque para aquele desarme no limite quando um avançado do Tondela estava isolado em frente á nossa baliza e se preparava para rematar. O André Horta é outro jogador a merecer menção, e as últimas exibições parecem estar a cimentar o seu lugar na equipa. Comparando-o directamente com o seu antecessor naquela posição, parece-me que em relação ao Renato perdemos capacidade física e poder de choque naquela posição, mas ganhamos no capítulo da qualidade de passe e na técnica individual. Quando estiver mais rotinado e habituado a jogar no Benfica, poderá ser um jogador muito importante para nós. Por último, uma menção para o Lisandro. Tenho imenso respeito pelo Luisão, mas pareceu-me que a nossa defesa melhorou com a entrada dele. O Mitroglou continua a parecer-me ainda muito enferrujado.

 

Foi preciso lutar muito pelos três pontos, como julgo que será a norma durante toda a época. Somos tricampeões e o alvo a abater por todas as equipas, que ambicionam a glória de nos conseguirem bater. O Tondela foi um digníssimo adversário que valorizou a nossa vitória, e que se continuar a jogar desta forma não deverá passar pelas aflições da última época, e vai causar grandes dificuldades também às outras equipas. Mas como tem sido a norma desta nossa equipa, fomos humildes, fomos competentes e soubémos arregaçar as mangas e cumprir a nossa obrigação, mesmo com várias contrariedades - continuamos com diversos jogadores nucleares lesionados, incluindo o nosso melhor marcador. É isto que nos mantém cheios de confiança para a nova época.

tags:
por D`Arcy às 12:41 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Segunda-feira, 08.08.16

Hábito

E a nova época começa dando sequência ao hábito de ganhar das anteriores, com o Benfica a conquistar mais um troféu e a reafirmar o estatuto de equipa dominadora do futebol português nos últimos anos. Desta vez até a Supertaça, competição que nos costuma ser avessa, vai a caminho do nosso museu.

 

 

Apresentámos, como seria de esperar, um onze muito próximo do da época anterior, com apenas duas das novas contratações de início, André Horta e Cervi, que entraram precisamente para os lugares de dois jogadores que foram transferidos (Renato e Gaitán). A Supertaça começou a ser ganha com uma entrada fortíssima do Benfica no jogo: até à meia hora de jogo, praticamente só deu Benfica, e o golo inaugural, da autoria do Cervi, até era uma vantagem escassa para o domínio do Benfica. Os dois laterais que jogaram, Nélson Semedo e Grimaldo, integram-se muito no ataque e dão uma enorme dinâmica ao nosso jogo - o Nélson Semedo até esteve perto de marcar, acertando no poste. Por outro lado, este balanceamento ofensivo dos laterais tem o potencial para deixar a equipa desequilibrada na defesa caso o adversário recupera a bola e consiga sair rapidamente para o contra-ataque. Se a jogada não é cortada logo à nascença o adversário pode causar sérios problemas, e por isso não me parece que o Luisão seja a opção ideal para jogar quando temos este dois laterais, devido à sua menor velocidade. De qualquer maneira, e apesar do estatuto que tem no balneário, eu considero que a dupla de centrais titular continuará a ser aquela que terminou a época anterior. Voltando ao jogo, na fase final da primeira parte o Braga conseguiu travar o ímpeto ofensivo do Benfica, equilibrar o jogo e dispor de ocasiões para marcar, colocando o Júlio César à prova.

 

 

A segunda parte iniciou-se numa toada mais morna, mas aos poucos o Braga foi subindo no terreno e tornado-se cada vez mais perigoso, construindo mais uma série de ocasiões para chegar ao empate. Nesta fase achei que a nossa defesa se revelou demasiado permeável, o que poderá não ser alheio ao facto de estarmos a jogar sem quatro dos jogadores que faziam parte da defesa mais rotinada a época passada (Ederson, André Almeida, Jardel e Eliseu) e foi o Júlio César quem aproveitou para brilhar e ter uma contribuição decisiva para manter o adversário em branco. Outras vezes foi aselhice deles mesmo, como naquele falhanço escandaloso do Rafa num lance algo inadmissível, em que na sequência de um pontapé do guarda-redes adversário ficaram dois jogadores isolados. Na fase em que o Braga estava mesmo por cima no jogo e na minha opinião já justificava o empate, surgiu o inevitável Jonas a dar o golpe decisivo marcando o segundo golo. Iniciou a jogada, deixou a bola no Pizzi e desmarcou-se nas costas da defesa para receber o grande passe deste, e depois finalizar com a calma imperial e a classe que lhe reconhecemos. É a diferença que faz a qualidade individual dos nossos jogadores. Com este segundo golo a aparecer a um quarto de hora do final, o jogo ficou praticamente decidido e fechou mesmo da melhor maneira possível, com um grande golo do Pizzi já em período de descontos. Depois de uma iniciativa individual do Salvio que deixou o Jiménez isolado em frente ao guarda-redes, o mexicano permitiu a defesa mas a bola sobrou para o Pizzi, que com classe fez a bola passar por cima de toda a gente e acabar no fundo da baliza (apesar da azia do comentador da TVI, que resolveu dizer que o azar foi que o defesa que estava em cima da linha de golo era um dos 'baixinhos').

 

 

Com este golo e a assistência para o que marcou o Jonas, o Pizzi é um dos jogadores em destaque. Outro dos destaques foi o Júlio César que mostrou estar de regresso para discutir a titularidade com o Ederson. Gostei muito do Grimaldo, mas conforme disse, é preciso ter em atenção o aspecto defensivo do jogo - algo que também se aplica ao Nélson Semedo. Gostei do André Horta, sobretudo na primeira fase do jogo. Depois foi-se apagando e agarrou-se mais à bola. O Cervi confirmou os bons pormenores da pré-época e aquele lado esquerdo com ele e com o Grimaldo pode tornar-se um caso sério. O Jonas ainda não está no ponto ideal mas mostrou o instinto de matador e voltará a ser um dos pilares da equipa, tal como o Fejsa. Já o Mitroglou pareceu-me estar mais ou menos como começou a época passada, ainda algo preso de movimentos.

 

O resultado final até pode ser um pouco enganador, já que quem não viu o jogo poderá pensar que foi uma tarefa fácil conquistar esta sexta Supertaça. A vitória do Benfica é indiscutível, embora o Braga tenha conseguido dar uma boa réplica e feito o suficiente para justificar um resultado menos dilatado. Mas saber aproveitar as oportunidades criadas é também um indicador de qualidade, e nisso fomos largamente superiores.

tags:
por D`Arcy às 00:52 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quarta-feira, 27.07.16

Eusébio Cup

1.jpg

 

Pela primeira vez nesta pré-temporada não gostei do que vi. Acho que foi o primeiro jogo em que apresentámos futebol típico de pré-época mesmo. Na primeira parte apenas chegámos ao golo num lance confuso, em que a uma asneira do guarda-redes do Torino se seguiu uma confusão que terminou com um defesa do Torino a rematar para dentro da sua própria baliza, e o Torino respondeu num livre directo executado na perfeição, num lance que começou numa asneira do Fejsa. O resto do jogo teve mesmo pouco interesse. Foi tudo muito lento e pouco imaginativo, o Torino deu poucos espaços atrás, e pouco faltou para acabar por adormecer no estádio, de tão monótono que foi o jogo. Apenas nos minutos finais houve um pouco mais de emotividade, e nessa fase o Benfica ainda teve algumas ocasiões para marcar o golo que permitiria a conquista do troféu, mas a finalização não foi a melhor. No desempate por penáltis, ao sexto o Lindelöf acertou na barra.

 

Como achei que foi praticamente toda a equipa que esteve uns furos abaixo do que tinha mostrado nos jogos anteriores, nem vale a pena estar a individualizar comentários. Apenas digo que gostaria que o jogador que contratámos a custo zero aos nossos vizinhos fosse mesmo vendido sem chegar a jogar oficialmente por nós. Sim, eu sei que ele esteve vários meses parado. A questão é que mesmo quando ele estava no pico da sua forma do outro lado da estrada eu nunca tive uma opinião muito favorável sobre ele, por isso não alimento grandes expectativas. Pode ser que acabe surpreendido.

tags:
por D`Arcy às 23:29 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 25.07.16

Artur Correia

artur.jpg

Deixou-nos hoje um dos melhores defesas laterais da história do futebol português (valeria milhões se jogasse hoje) e um indefectível e fervoroso benfiquista, mesmo quando teve que defender as cores do rival - contava o próprio que ao intervalo a primeira coisa que fazia quando chegava ao balneário era perguntar qual era o resultado do Benfica. Que descanse em paz lá no Quarto Anel.

tags:
por D`Arcy às 23:20 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Domingo, 24.07.16

Confiança

Mais dois jogos de preparação, e a ideia deixada nos dois anteriores reforça-se. Mesmo considerando a derrota contra o Sheffield Wednesday, a equipa parece manter uma ideia de jogo muito consistente, que já vem da época passada, e os novos jogadores não têm revelado grandes dificuldades em assimilá-la. O grupo parece respirar confiança e joga um futebol alegre, que se se prolongar para os jogos a sério nos dará grandes alegrias. Cada vez mais o Nélson Semedo e o Salvio parecem próximos do seu melhor, o Fejsa está simplesmente impressionante (espero que a condição física não o traia esta época) e no jogo de hoje contra o Wolfsburg o Gonçalo Guedes e o Grimaldo estiveram num nível muito bom, enquanto o André Horta vai mostrando vontade de querer agarrar a oportunidade neste regresso a casa. Mas estar a escolher nomes para destacar é quase um exercício de futilidade, porque quase toda a gente tem-se mostrado a um nível que chega a ser quase surpreendentemente alto para uma pré-época. Todos querem mostrar ter valor para ficar no plantel.

 

Na próxima quarta-feira teremos a oportunidade de rever a nossa equipa no regresso a casa, num jogo com enorme significado histórico e há muito desejado frente ao Torino. Lá estarei, como espero que também muitos benfiquistas, porque a nossa equipa e este jogo em particular merecem-no.

tags:
por D`Arcy às 20:44 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sábado, 16.07.16

Algarve

Bem, finalmente regressou o futebol com algum interesse - que me desculpem os 'patriotas' e os fãs indefectíveis da equipa da FPF, mas campeões Europeus ou não, aquilo não me consegue mesmo entusiasmar. Se eu passo o ano inteiro a achar que certos jogadores são umas bestas, não é de um momento para o outro que vou conseguir começar a vibrar com os pontapés que eles dão numa bola, sobretudo quando não têm uma camisola com uma águia ao peito.

 

Serve o post apenas para isso mesmo, assinalar o regresso do futebol do Benfica, que é o que interessa. Uma pré-época que me parece bem mais sensata do que a anterior, e que começou com a conquista de um torneio triangular amigável no Algarve. Não vou estar já a avaliar os novos jogadores ao fim de dois jogos (aquele em quem eu deposito maiores esperanças, o Zivkovic, mal jogou) mas assinalo pelo menos o futebol bastante agradável que a equipa já conseguiu mostrar. Ao contrário da época passada, a continuidade ajuda. Dos jogadores que continuam, o Fejsa entra na nova época como se tivesse acabado de sair da última (espero sinceramente que não passe pela cabeça de ninguém deixá-lo sair) e o Nélson Semedo e o Salvio parecem estar a querer recuperar o tempo perdido. A goleada de 4-0 desta noite ao Derby County até peca por escassa (pena que um dos golos mais bonitos tenha sido mal anulado) mas acho que é fundamental assinalar o facto de que o André Almeida marcou um golo. Ainda continuamos à espera do primeiro golo oficial pela equipa principal do nosso 'tapa-buracos' preferido, mas marcar num amigável já é um feito assinalável.

tags:
por D`Arcy às 23:33 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sexta-feira, 27.05.16

O balanço da época – parte II

2) A nível desportivo

 

Comecemos pelo início: depois de termos conseguido algo pela primeira vez em 31 anos, o bicampeonato, fizemos uma das piores pré-épocas de sempre. Algo que nunca saberemos é como teria sido o nosso arranque de temporada se não tivéssemos passado o mês de Julho e Agosto a viajar pelas Américas. Eu percebo que houvesse compromissos para serem respeitados, mas com uma (tão grande) mudança desportiva, com um treinador novo que tinha o (enorme) fantasma do outro com que lidar, estava na cara que aquele género de preparação fosse correr tudo menos bem. E o grande problema é que iríamos encontrar o antigo treinador logo na primeira competição oficial da temporada. Que naturalmente perdemos.

 

Aliás, aqueles primeiros meses de futebol continuaram a deixar-me muito de pé atrás. Tivemos vitórias sofridas (Estoril e Moreirense) e derrotas incríveis (Arouca), com exibições globalmente medíocres, onde só a espaços conseguíamos apresentar bons momentos (os últimos 15’ do Estoril, por exemplo), intercaladas com derrotas em jogos em que estivemos bem (Mordor) e triunfos históricos (Madrid). Tivemos durante muito tempo uma montanha-russa exibicional, mas o que é certo é que íamos ganhando jogos, mesmo em campos bastante complicados onde no passado isso não acontecia. Como, por exemplo, em Braga (com alguma dose de sorte, 0-2 aos 11’ e três bolas sofridas nos ferros) ou em Guimarães (génio do Renato Sanches a resolver a 15’ do fim). Pelo meio, tivemos a derrota traumática na Luz frente à lagartada (mas em que a reacção do público no célebre minuto 70 foi um dos despertadores da época), a eliminação da Taça e a partida em que eu pensei que tínhamos entregue a época. Percebo muito disto…! Felizmente!

 

Devo dizer que o primeiro jogo do Benfica que me encheu as medidas em termos exibicionais foi o da Choupana frente ao Nacional. Já tínhamos tido algumas goleadas, mas em termos de futebol foi o primeiro a ser brilhante. A partir especialmente daí, entrámos na nossa melhor fase, com resultados convincentes, aliados a grandes exibições (Moreira de Cónegos e Belém, por exemplo). A equipa subia nitidamente de rendimento e, mais importante do que isso, de confiança, caso contrário aquela derrota injusta com o CRAC na Luz ter-nos-ia deitado abaixo. Outra questão que ajudou ao aumento dessa confiança foi a Champions, especialmente o facto de termos de termos eliminado o Hulk, Witsel, Garay, Javi García & Cia. com duas vitórias, tendo a da Rússia sido conseguida com Lindelof e Samaris como centrais(!), e os dois magníficos jogos frente ao Bayern (empatámos na Luz sem Gaitán, Jonas e Mitroglou!). No meio da eliminatória contra os russos, tivemos a vitória mais importante de todas, aquela que bem vistas as coisas foi essencial para o tri. Como se disse, podemos não ganhar os derbies todos, desde que ganhemos o certo! (Aliás, a bem da sã convivência, assim fica tudo contente: daqui a 20 anos, eles vão recordar e celebrar as três vitórias que tiveram sobre nós, tal como ainda fazem hoje em dia com os 7-1 em ano de dobradinha para os nossos lados, e nós faremos o mesmo por causa do tricampeonato. Cada clube celebra aquilo que é mais importante para ele.)

 

Depois do Bayern, a equipa pareceu mais cansada, mas aí valeu-lhe o coração: triunfos muito sofridos no Bessa (especialmente), Coimbra e Vila do Conde, e em casa frente aos dois Vitórias. Valeu-lhe o coração e valemos-lhe nós, o verdadeiro “colinho” como jogadores e técnicos se fartaram de reconhecer durante e no final da época.

 

Houve obviamente vitórias dentro do campo muito importantes, por diferentes razões (Braga, Estoril, WC e Bessa, por exemplo), mas um dos momentos-chave da época para mim foram as inacreditáveis declarações do Jesus acerca do Rui Vitória (a história do “não o qualifico como treinador”, “não sabe conduzir um Ferrari”, etc.). A partir daí, acabou-se o meu luto pelo anterior treinador. Há limites que não podem ser ultrapassados e o Jesus, ao ultrapassá-los, perdeu o respeito que ainda subsistia em alguns benfiquistas por ele. As declarações são inclassificáveis sob todos os pontos de vistas: um ataque nojento e desmedido a um colega de profissão, ao treinador do Benfica e, no limite, a nós, benfiquistas. Não deixa de ser significativo que, na sequência disso, o toque a reunir da equipa e dos adeptos, que já era forte (volte a lembrar-se o minuto 70), se tenha tornado inquebrável. Estávamos juntos.

 

Olhando exclusivamente para o futebol jogado pelas equipas do Benfica nos últimos anos, o do Jesus até pode ter sido mais espectacular (a célebre nota artística), mas é difícil preferi-lo a ele quando temos o recorde de pontos, recorde de golos e recorde de vitórias esta temporada (para além do melhor marcador e da segunda melhor defesa). E depois, há outra coisa que é secundária para mim (porque o que fica para a história são os títulos), mas que para quem vive as situações no presente sabe muito bem: temos um treinador civilizado, que tem nível, que diz sempre “nós”, e que sabe que o Benfica já era grande sem ele e vai continuar a ser grande quando ele sair. Como se diz, e estou completamente de acordo, agora ganhamos à Benfica: no campo e na atitude. Para além disso, o Rui Vitória é muito melhor treinador do que eu estava à espera. Fomos campeões alinhando nos últimos três meses da época com o ex-guarda-redes do Rio Ave, um suplente do ano passado, um ex-central da equipa B, um ex-jogador do Olhanense e o… Eliseu! Basta só comparar com a defesa titular do primeiro ano do tricampeonato (Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Siqueira) para se ver a diferença… Se isto não demonstra qualidade do treinador, não sei o que a demonstrará…! E já para não falar na coragem de apostar no Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Lindelof e Renato Sanches. Mesmo que alguns deles não tenham sido titulares durante a época toda, sempre foram mais importantes e úteis do que um Patrick, um Djaló, um Sidnei ou um Felipe Menezes, não…?

 

Foi um ano inesquecível e um dos títulos mais saborosos que tivemos. Não só por ter sido um tricampeonato histórico, como principalmente por causa de todas as condicionantes que tivemos. Muito obrigado a todos os que tornaram isto possível, com especial ênfase ao Luís Filipe Vieira e ao Rui Vitória!

 

VIVA O BENFICA!

por S.L.B. às 12:53 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Terça-feira, 24.05.16

O balanço da época – parte I

O prometido é devido e cá está o post a fazer o balanço final da época. Como isto ia ficar quilométrico, resolvi excepcionalmente dividi-lo em dois: balanço a nível pessoal e balanço a nível desportivo.

 

1) A nível pessoal

 

Uma das pessoas mais brilhantes deste país já disse muito daquilo que eu queria dizer. Para quem esteve em Marte e ainda não viu, cá está:

 

 

De tudo o que o grande RAP disse (incluindo obviamente o tom em que o disse), eu só alteraria uma coisa: no meu caso, não é a saúde das miúdas, é a saúde dos miúdos. Tudo o resto subscrevo integralmente.

 

Também eu deixei muito claro (uma e outra vez) que, se ganhássemos o campeonato, teria “todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.” Pois bem, eu sou um IDIOTA porque não acreditei (absolutamente NADA) que pudéssemos ser tricampeões! Quem se satisfizer com esta explicação (aliás, completamente verdadeira), pode ficar por aqui.

 

Para todos vocês, os cinco, que não se satisfizeram, continuarei. O facto de eu me assumir como idiota, não faz com que me arrependa do que escrevi (um leitor perguntou por este, este e ambos os posts do parágrafo anterior, e eu ainda acrescento este e este). Incoerência? Talvez não. Porque eu posso ter muitos defeitos, mas assumo sempre tudo o que escrevo e detesto quem reescreve ou oculta propositadamente a história para favorecer um determinado argumento. São ridículos aqueles posts à luz de hoje? Claro que sim! Eram-no na altura? Claro que não! A não ser por quem não tem espírito crítico ou tinha uma fé incomensurável fundada… em coisa nenhuma! Quantas pessoas, depois do empate na Choupana frente ao União, seriam capazes de apostar que iríamos ganhar 20 dos 21 jogos seguintes…?! Pois…! Meus caros leitores, é muito mais fácil fazer o Totobola à 2ª feira ou nunca expressar opiniões vinculativas para não sermos apanhados na curva. Mas eu não fui, não sou e jamais serei assim. Não é por um qualquer Patrick ou Pesaresi vestir a camisola do Benfica que se torna imediatamente no melhor lateral do mundo. Eu não sou abutre, mas também não sou foca. Critico quando acho que tenho que criticar e elogio quando acho que tenho de elogiar. Nunca tive feitio para defender publicamente aquilo em que não acredito. Pode ser um grande defeito no mundo contemporâneo, mas é como eu sou. Só defendo com unhas e dentes aquilo em que acredito profundamente e já estou velho demais para mudar. Agora, se me garantirem que, se eu fizer figura de idiota, ganharemos o campeonato todos os anos, vamos lá embora a isso, então: o Paulo Almeida foi indiscutivelmente um dos melhores trincos que passaram pelo campeonato português!

 

Não, o RAP sabe que não estava sozinho. Eu também não via mesmo luz nenhuma ao fundo do túnel desta época. Manifestei-o publicamente e não me arrependo de o ter feito. Arrepender-me-ia é se tivesse estado na posição confortável de nada dizer ou de fingir que a pré-época era ‘apenas’ a pré-época ou que chegar à 8ª jornada com quatro vitórias e três derrotas era ‘normal’ em período de transição. E porque é que me arrependeria? Porque, caros leitores, citando o grande RAP, estamos a falar da minha vida! Tal como ele diz, não se trata de querer ou desejar que o Benfica ganhe: trata-se de PRECISAR que o Benfica ganhe. Porque muita da minha vida está organizada à volta do Benfica e, se o Benfica não ganhar, ela nunca fará sentido na totalidade. Digo-vos sinceramente que eu poderia estar com o Euromilhões ganho que, se estivéssemos a fazer uma época tal como as dos finais dos anos 90, eu não estaria nada realizado. Acredite quem quiser, mas quem me conhece sabe bem que é verdade. Eu não pretendo evangelizar, nem ser modelo para ninguém, mas também ninguém me dá lições de benfiquismo. Não sou menos benfiquista por criticar, nem mais benfiquista por apoiar as decisões de quem representa o Benfica. E, por muito que até possam merecer, também não passo cheques em branco a ninguém. Se eu critico decisões que dirigentes, treinador e/ou jogadores do Benfica tomam, é porque acho que aquele não é o melhor caminho para o sucesso. FELIZMENTE que me engano às vezes (não sou como o outro que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas…). No entanto, tal como referiu igualmente o RAP, o princípio que motivou as minhas críticas no início da época estava errado. E continua a estar hoje: em teoria, não se deixa ir para o rival um treinador bicampeão. No fundo bem fundo, isso sempre me pareceu (e ainda continua a parecer) que era o presidente Luís Filipe Vieira a querer provar a toda a gente que poderia ganhar sem o Jorge Jesus. E AINDA BEM(!) que o conseguiu e que tudo correu ao contrário da teoria (também com a ajuda do próprio Jesus, mas isso fica para a segunda parte deste post), porém isso só aconteceu porque fizemos história. Nunca uma equipa campeã tinha feito tantos pontos num campeonato, nunca tinha marcado tantos golos e, principalmente, nunca tinha recuperado de uma desvantagem de sete pontos à 13ª jornada. Está explicada a razão pela qual a prática superou a teoria. Teve de haver história. E, graças a Eusébio, que houve! E, como houve, o mérito do LFV é total e é ele o principal responsável por este título, porque tenho a certeza que houve alturas em que ele era mesmo o único a acreditar que isto seria possível.

 

Dos 338 jogos (oficiais e particulares) que se disputaram na nova Luz desde que foi inaugurada, eu faltei a dois (este e este), já fiz pausas em casamentos, o jantar do 89º aniversário da minha avó teve de ser adiado por um dia, a celebração de um aniversário da minha mulher teve de ser ao almoço, porque ao jantar não podia ser, o segundo aniversário de um dos miúdos teve de ser lanche ajantarado, porque à tarde era impossível. Estes factos não servem para mostrar que sou mais benfiquista do que o próximo, porque comparações de benfiquismos sempre me pareceram muito estúpidas. A maioria de nós faz coisas pelo Glorioso que (incompreensivelmente) muitas pessoas não acham “normal”. Se eu conto isto, é para que se perceba que o Benfica não é uma brincadeira para mim. Eu levo isto muito a sério e, por consequência, ganhar ou não ganhar não é indiferente. Eu nunca gozo com amigos dos rivais no momento em que perdem, porque não admito que eles gozem comigo em caso inverso. Isso fazem todos aqueles que levam isto na desportiva. Eu não levo, portanto nenhum amigo tem sequer a veleidade de começar esse tipo de conversa comigo. Tendo o Benfica a importância que tem na minha vida, eu não o consigo viver sem paixão. E isso faz com que eu não me consiga calar quando acho que as coisas estão a ir por maus caminhos ou que estamos na iminência de cometer erros. Históricos ou não.

 

No entanto (e termino esta primeira – e longa - parte deste post, tal como a comecei), ainda bem que eu sou um idiota e que me enganei!

 

VIVA O BENFICA!

por S.L.B. às 11:23 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Domingo, 22.05.16

Consagração

O jogo que permitiu ao Benfica conquistar a sua sétima Taça da Liga em nove edições e vincar ainda mais o seu domínio incontestável nesta competição - que, precisamente por via deste domínio, continua a 'não ter interesse' para os outros - serviu também como uma nova consagração da equipa que com todo o mérito se sagrou tricampeã nacional.

 

 

Num jogo em que o Benfica se apresentou com algumas alterações no onze - Luisão, Grimaldo e Samaris foram titulares, deixando de fora Lindelöf, Eliseu e Fejsa - o Marítimo teve uma entrada muito forte, que permitiu desde logo verificar a falta de ritmo do Luisão e a enorme qualidade do Ederson na nossa baliza. Mas depois de uns primeiros cinco minutos complicados, o Gaitán pegou na batuta e assim que o Benfica se chagou à frente, num ápice deixou o jogo praticamente resolvido. Três golos na primeira parte, da autoria da nossa dupla de avançados, com o Jonas a abrir o activo e o Mitroglou a somar dois golos, poucas dúvidas deixaram sobre o vencedor do jogo. A nossa ala esquerda funcionou muito bem, com o Gaitán a abrir o livro e a ser muito bem acompanhado pelo Grimaldo, e fez do lado direito da defesa do Marítimo uma verdadeira auto-estrada. O Marítimo nunca baixou os braços, jogou olhos nos olhos com o Benfica e pagou por isso, mas mesmo a fechar a primeira parte ainda conseguiu marcar um golo, aproveitando uma má saída do Ederson, que lhes deixava uma réstia de esperança para a segunda parte. Por isso mesmo o Marítimo voltou a entrar decidido, em busca do golo que relançasse a partida, mas foi perdendo ímpeto e tudo ficou definitivamente resolvido com o grande golo do Gaitán, a treze minutos do final, numa jogada bem iniciada pelo Talisca que ainda passou pelo Jonas. O Gaitán foi substituído imediatamente a seguir a este golo e saiu em lágrimas do campo, porque terá sido este o último jogo que fez com a nossa camisola. Parece-me por isso muito apropriado que o último toque que ele deu numa bola com a camisola do Benfica vestida tenha sido para marcar este golo. O Marítimo ainda reduziu de penálti, mas já nos instantes finais o Benfica marcou por duas vezes de rajada e construiu um resultado bastante expressivo. Primeiro marcou o Jardel, de cabeça após livre do Pizzi, e depois o Jiménez, de penálti, que ele próprio tinha conseguido.

 

Um jogo enorme do Gaitán para se despedir de todos nós, e da parte que me toca digo que estou já com saudades. Foi um privilégio vê-lo jogar cá durante seis anos, e apesar de saber que um jogador com o talento dele estava destinado a deixar-nos mais cedo ou mais tarde, à medida que os anos passavam e ele ia ficando cada vez mais alimentava a esperança que ele fizesse o resto da carreira por cá, até pela sua personalidade, pouco típica para um jogador de futebol. O Grimaldo deixou muito boa imagem, a mostrar que é um candidato à titularidade. Ederson (apesar da falha no primeiro golo do Marítimo), Pizzi, Jonas e Mitroglou em bom nível, e o Renato Sanches também um pouco melhor do que naqueles pouco conseguidos jogos da fase final da época. O Talisca entoru bem no jogo. Luisão e Samaris foram os que estiveram menos bem.

 

E em ambiente de grande festa se fechou uma época que à partida quase todos esperavam que fosse para esquecer, mas que acabou por ser memorável. Acabámos por conquistar um tricampeonato que nos fugia há quase quarenta anos, manter o título da Taça da Liga, e ter uma presença mais do que condigna na Champions League. Isto enquanto vimos fortalecer-se a unidade entre clube e adeptos, e um espírito de equipa como há muito não via. Agora resta-me aturar a sempre insuportável silly season e ver quantos dos nossos jogadores serão vendidos duas ou três vezes cada. Para a próxima época teremos como motivação extra a possibilidade de um inédito tetra.

tags:
por D`Arcy às 21:33 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 16.05.16

(Tri)nta e Cinco

Ponto final na Liga, somos tricampeões como todos desejávamos e se calhar muito poucos acreditávamos na altura em que se deu o pontapé de saída para esta competição.

 

 

Sobre o jogo de hoje, pouco vou escrever. A qualidade do futebol jogado pouco importa, o que interessava mesmo era o resultado e as consequências dele. Ganhámos com toda a naturalidade, fizemos um jogo pouco exuberante mas tranquilo, a nossa superioridade foi sempre evidente e nunca deu sequer para ficarmos preocupados com a possibilidade do campeonato nos fugir por entre os dedos. Dois golos em cada metade, na primeira pelo Gaitán e pelo Jonas, e na segunda novamente pelo Gaitán e com o Pizzi a fechar com o golo mais bonito da tarde. Em período de descontos o Nacional conseguiu o seu golo de honra. Menção ainda para a oportunidade dada ao Paulo Lopes de se sagrar campeão nacional, compensando em parte a dor que tinha sentido no jogo final da época passada. E assim conquistámos o nosso sexto tricampeonato - o primeiro de que tenho memória, já que no anterior tinha apenas quatro anos (de qualquer maneira, seguramente já seria benfiquista). O jogador em maior destaque foi o Gaitán, que marcou dois golos e fez o passe para mais um, sendo bem acompanhado pelo Jonas. No final elegeram o público que lotou a Luz como homem do jogo, mas infelizmente ainda estou à espera do meu relógio Sector.

 

Esta foi uma vitória do Benfica como um todo, da união que nos guiou a todos até ao objectivo final. Mas é, e muito, uma vitória do treinador Rui Vitória. Porque não teve apenas que construir uma equipa para conquistar vitórias dentro do campo. Antes disso teve que vencer uma batalha muito mais difícil, que foi conquistar-nos a nós, adeptos, e consequentemente ao Benfica. Foi preciso vencer a desconfiança com que a grande maioria de nós o recebeu. Conseguiu-o com trabalho, com crença nas suas capacidades, e com uma postura quase sempre louvável. E essa foi a sua primeira grande vitória. A partir desse momento, o trabalho que se seguiu ficou mais facilitado. Por algum motivo o lema para esta época sempre foi, desde o seu início, 'Juntos'. Porque sempre que estamos assim somos quase imparáveis. Este campeonato é, também, uma vitória do presidente Luis Filipe Vieira. Goste-se ou não dele, ele manteve uma fé inabalável nas suas convicções. A escolha do Rui Vitória foi uma aposta pessoal dele, tal como o foi a 'mudança de paradigma' do nosso futebol, algo que só muito dificilmente poderia ter sido conseguido com a manutenção da anterior equipa técnica, não querendo colocar de forma alguma em causa a sua competência - a oposição que tivemos até ao último jogo por parte de um adversário que tradicionalmente 'nem conta para o totobola', como se costuma dizer, é prova evidente dela. Foi uma aposta de grande risco mudar algo que tinha tido sucesso recentemente, mas a aposta compensou. E provou que, ao contrário daquilo que muitos acreditavam ou queriam mesmo que fosse verdade, a 'estrutura' existe mesmo, e não começava e acabava no anterior treinador. E já agora, nesta que foi a quarta época do mandato da actual direcção, um pequeno balanço: alguém ainda se lembra do que foi dito há quatro anos atrás, quando foi anunciado o objectivo 3+1+50? Ainda há quem continue a contar?

Somos campeões com todo o mérito, apesar da cacofonia patética daqueles que insistem em falar de 'injustiça' enquanto se auto-atribuem o título de melhor equipa. É estranho que a 'melhor equipa' não tenha conseguido conquistar o título contra uma equipa que durante a época enfrentou lesões complicadas e prolongadas em muitas das suas principais figuras, e que por isso foi obrigada a recorrer a jogadores da equipa B como o Ederson, o Nélson Semedo, o Lindelöf, o Gonçalo Guedes, o Nuno Santos, o Clésio, o Victor Andrade ou o Renato Sanches, tendo alguns desses jogadores acabado por se afirmar como figuras na conquista do título. Parece-me que quem consegue não abanar e perder consistência mesmo com estas constantes contrariedades é que representa bastante bem o conceito de 'equipa'. É estranho que uma equipa que não é a melhor tenha acabado a época com o record de pontos conquistados num campeonato, com mais vitórias, com a melhor diferença de golos, fruto do melhor ataque, com o melhor marcador do campeonato, que foi também o melhor jogador, e ainda com o jogador revelação, alvo da mais vergonhosa e rasteira campanha de ataques que alguma vez aconteceu no futebol português. E como se isso não bastasse, ainda fomos conquistar o primeiro lugar, para não mais o largar, a casa da 'melhor equipa', bem nas barbas dos ordinários que constantemente nos atacaram de forma vil. 'Melhor equipa'? Pois, em títulos auto-atribuídos acredita quem os auto-atribui e mais ninguém. Tem tanto crédito como o de 'maior potência desportiva' - já agora, apesar de não estarmos constantemente a repetir uma mentira desse calibre a ver se acreditam, hoje até juntámos mais um título europeu de hóquei em patins à nossa colecção (e ontem, mais um campeonato nacional) porque o Benfica é mais, muito mais do que só futebol. Somos enormes em tudo. E por falar em ataques, a gratidão cai sempre bem e por isso agradeço também a quota-parte de responsabilidade deste título ao quarteto fantástico: Mitómano, Carinhas, Pirata e Gollum (houve outros personagens menores que contribuíram, mas estes quatro foram as principais figuras). Os ataques incessantes, os desrespeitos, as faltas de educação, só nos uniram ainda mais. A estratégia pacóvia da guerrilha sem qualquer nível falhou a toda a prova. Cada atoarda debitada na televisão, no Facebook ou nos jornais, uniu mais o plantel e os adeptos, motivou mais a equipa e deu-nos mais ânimo para derrotar aquela pandilha, sendo o exemplo perfeito o 'clique' que ocorreu depois daquela vergonhosa falta de respeito que o Carinhas teve pelo Rui Vitória. Por isso continuem por essa via, que nós agradecemos. Continuem a rastejar pela lama e a motivar-nos, que só os acompanha quem quer. E nós dispensamos companhias rastejantes - a águia voa sempre mais alto.

 

Somos campeões porque trabalhámos mais, porque acreditámos mais, porque quando as coisas nos começaram a correr bem a soberba nunca fez parte do nosso trabalho do dia-a-dia. E acima de tudo, somos campeões porque em Agosto, quando soou o apito inicial deste campeonato, o Bicampeão Nacional era o Sport Lisboa e Benfica e não um cérebro qualquer. E isto serve de lição para mim, que nessa altura também andava meio esquecido disso.

tags:
por D`Arcy às 01:01 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Quinta-feira, 12.05.16

Lindelöf

1.jpg

 

Claramente, os suecos também são burros que se limitam a avaliar jogadores pelas notícias que o Benfica planta na imprensa portuguesa (e desconfio que o Lindelöf deve ter pelo menos uns trinta anos; investigue-se).

 

Inteiramente merecida a convocatória para o Europeu de um jogador humilde, trabalhador, que subiu a pulso pelos vários escalões e soube esperar pela sua oportunidade, que agarrou com ambas as mãos - neste momento é o meu defesa central preferido no Benfica, e é digno da tradição sueca no nosso clube (quando celebrou a conquista do Europeu de esperanças da forma que a foto documenta, mostrou logo que foi muito bem formado). Que continue neste caminho, rumo a um futuro que se afigura muito promissor.

tags:
por D`Arcy às 00:14 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Segunda-feira, 09.05.16

Um

Num jogo em que tivemos que ultrapassar dificuldades acrescidas, acabámos por voltar a dar a melhor resposta, e vencemos mais uma das finais que nos separam da vitória final.Não foi fácil, como não tem sido nenhuma das vitórias que temos conquistado nos últimos tempos. Mas apesar da contrariedade de nos vermos reduzidos a dez elementos ainda com o resultado em branco e muito tempo para jogar (lá continuam a teimar em dar cabo das estatísticas ao javali) este jogo até acabou por ser consideravelmente mais tranquilo do que os últimos, e os números da nossa vitória até acabam por ser escassos para a superioridade que mostrámos em campo.

 

 

Onze inicial sem qualquer surpresa, onde o Carcela ocupou a vaga do Gaitán. O início de jogo foi, um pouco a exemplo do que tem acontecido mais recentemente, morno. Até demasiadamente morno para o nosso gosto, com o Benfica a não parecer ter grande pressa em ir à procura do golo. O Marítimo, ao contrário daquilo que têm feito os nossos últimos adversários, apesar de apostar numa táctica defensiva não entrou a apostar em estratégias sujas de anti-jogo, mas o Benfica jogava a um ritmo demasiado pausado conseguir desorganizar a defesa adversária. Durante quase metade do primeiro tempo, praticamente não se viu um remate ou mesmo uma jogada particularmente perigosa da nossa parte. Só a partir dos vinte e cinco minutos é que o Benfica, de repente, acelerou e começou a ameaçar seriamente a baliza do Marítimo, em particular pelo Jonas, que numa iniciativa individual atirou uma bola ao ferro, e pouco depois viu o guarda-redes Salin negar-lhe o golo com uma grande defesa a um cabeceamento seu. Agora sim, o Benfica estava completamente por cima no jogo e instalava-se definitivamente no meio campo adversário, parecendo que o golo seria apenas uma questão de pouco tempo até acontecer. Mas aos trinta e sete minutos sofremos um duro golpe, quando o Renato Sanches cometeu uma falta perfeitamente desnecessária que lhe valeu o segundo amarelo e consequente expulsão - tinha visto o primeiro quando o árbitro considerou que tinha simulado uma grande penalidade. Independentemente da justeza ou não desse primeiro amarelo, sabendo que o tinha não poderia ter sido imprudente ao ponto de fazer aquela segunda falta. Esta expulsão fez obviamente o Benfica abanar e interrompeu o período de maior fulgor do Benfica, que só em cima do intervalo voltou a ter uma ocasião de algum perigo, quando o Mitroglou rematou um pouco ao lado da baliza.

 

 

Com a expulsão o Benfica reorganizou-se deslocando o Pizzi mais para o centro e recuando o Jonas, que fazia a ligação entre o meio campo e o ataque, mas acabava por aparecer mais vezes a jogar como um verdadeiro médio do que como avançado. Abdicámos muito do jogo pelas alas, que ficaram praticamente entregues aos nossos laterais, mas achei que o nosso jogo até melhorou com este novo desenho táctico. Verdade seja dita que o Renato Sanches estava mais uma vez a ter um jogo pouco conseguido, e com esta forma de jogar passámos a ter uma presença mais forte no centro do campo, onde até então o Marítimo pareceu quase sempre ter superioridade numérica. E quando marcámos logo no início da segunda parte, senti que só muito dificilmente deixaríamos fugir a vitória. O golo surgiu num corte defeituoso de um jogador do Marítimo, que na tentativa de desarmar o André almeida acabou por colocar a bola nos pés do Mitroglou. Já no interior da área, e em frente ao guarda-redes, o grego finalizou de primeira com toda a frieza. Com vantagem no marcador, controlámos o jogo com aparente facilidade, pois nunca o Marítimo conseguiu ameaçar a nossa baliza ou mostrou capacidade para fazer perigar a nossa vitória. Aliás, a forma solidária como a equipa jogou fez com que nem se notasse que estávamos em inferioridade numérica. Conforme escrevi no início, o resultado final até peca por escasso, porque o Benfica poderia ter chegado ao golo da tranquilidade bem antes - incrível a forma como o Pizzi conseguiu acertar no guarda-redes quando este já estava no chão, após defesa a um grande remate do Jonas. O nosso treinador esteve muito bem nas substituições, e todos os jogadores que entraram (Talisca, Samaris e Jiménez) fizeram-no bem e acrescentaram qualidade ao nosso jogo. A oito minutos dos noventa (e não do final do jogo, porque houve dez minutos de tempo acrescentado) o Talisca arrumou de vez com a questão, num livre directo a punir uma falta sobre o Samaris, e antes do final ainda houve tempo para enviar nova bola aos ferros da baliza, desta vez pelo Jiménez.

 

 

Para mim os destaques individuais continuam a ser os do costume nestas últimas semanas - ainda que o destaque maior seja mesmo a equipa num todo. Só uma equipa muito solidária pode fazer das fraquezas forças e conseguir jogar ainda melhor em inferioridade numérica, com essa mesma inferioridade a passar quase despercebida. Fejsa mais uma vez a ser um monstro no nosso meio campo, sendo isto ainda mais evidente perante o apagamento do Renato Sanches. O Lindelöf é um pêndulo no centro da defesa que raramente comete um erro. O Jonas fez um belíssimo jogo, em que trabalhou imenso e só lhe ficou a faltar um golo, que bem fez por merecer. O Pizzi subiu de produção quando passou para terrenos mais interiores, e o Samaris entrou muito bem no jogo.

 

E agora falta um. Jogo a jogo, final a final, temos vindo a dar os passos necessários para nos levar ao objectivo final, o do tricampeonato. Mas falta mesmo esse um. Nada está ganho, e não podemos entrar em euforias antes de tempo. Mas tendo em conta a mentalidade desta nossa equipa, a união que exibem e a seriedade com que abordam cada jogo, cada adversário, cada passo desta longa caminhada, não tenho especial receio que isso aconteça. No próximo fim-de-semana vamos encher a Luz, e tentar ajudar a nossa equipa a dar esse passo que ainda falta.

tags:
por D`Arcy às 02:44 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 02.05.16

Cumprido

Em mais um jogo de duas partes muito distintas, o Benfica conseguiu dar a volta a um resultado negativo e carimbar mais uma presença na final da Taça da Liga - em nove edições da prova, esta será a nossa sétima final.

 

 

Houve naturalmente grandes mudanças no onze: Sílvio, Luisão, Grimaldo, Samaris, Salvio, Carcela, Talisca e Jiménez foram titulares. Da equipa habitual, mantiveram-se apenas três jogadores: Ederson, Lindelöf e Renato Sanches. A nossa primeira parte foi bastante fraca, jogada com pouca velocidade e na qual tivemos grandes dificuldades para ultrapassar a defensiva do Braga - recordo-me apenas de um par de boas ocasiões, num cabeceamento do Salvio e num remate do Jiménez. O Braga colocou-se em vantagem com um grande golo do Rafa, um remate em arco colocadíssimo de fora da área que levou a bola a embater no poste antes de entrar, e durante toda a primeira parte o Benfica não mostrou futebol suficiente para acreditarmos que seria possível inverter o resultado: pouco jogo pelas alas, falta de imaginação pelo meio, passes falhados em barda e toda a equipa demasiado estática. Para a segunda parte regressou o Jonas no lugar do Renato Sanches, e o nosso futebol melhorou significativamente. Logo durante os primeiro minutos revelámo-nos muito mais perigosos do que tínhamos sido durante toda a primeira parte, e quando o empate surgiu a fechar o primeiro quarto de hora, não surpreendeu. Grande passe do Carcela, na direita, para a entrada do Jonas no espaço entre os centrais, que depois marcou com facilidade em frente ao guarda-redes. Continuou o Benfica melhor e a carregar, chegando ao segundo golo a vinte minutos do final. Depois de uma bola metida para as costas da defesa do Braga, o Jiménez aproveitou um erro grosseiro do guarda-redes do Braga, que saiu da baliza e não acertou na bola quando tentava aliviar com pé, e marcou de baliza aberta. Nos minutos finais do jogo o Braga ainda subiu um pouco no terreno e foi à procura do golo do empate, mas nunca chegou a obrigar o Ederson a muito trabalho.

 

Dos menos habituais titulares, o Grimaldo e o Carcela deixaram boas indicações. O Sílvio e o Luisão também não estiveram mal, tendo em conta há quanto tempo não jogavam. O Lindelöf voltou a mostrar que neste momento é o central em melhor forma no Benfica. O Salvio teve uma primeira parte muito má e mostra estar ainda muito longe da forma ideal. Na segunda parte até estava bem melhor nos primeiros minutos, mas acabou substituído. O Renato Sanches voltou a fazer um jogo muito abaixo do exigível, e a equipa ganhou com a sua saída ao intervalo.

 

Todos os objectivos foram cumpridos neste jogo: qualificação para a final e rotação da equipa, permitindo o descanso da maior parte dos habituais titulares. Agora vamos centrar atenções e energias em vencer mais uma dura batalha que se nos vai apresentar no próximo domingo. O caminho para o tricampeonato passa pela Madeira.

tags:
por D`Arcy às 23:57 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Sábado, 30.04.16

Sofrido

Mais um triunfo sofrido, mais um pequeno passo dado. A vitória do Benfica foi tão suada quanto justa, perante um adversário que desde o primeiro minuto mostrou ao que vinha: antijogo aberrante e tentativa de arrastar o jogo para um clima o mais quezilento possível.

 

 

O Benfica apresentou o seu onze teoricamente titular, enquanto o Guimarães imitou outros adversários recentes da nossa equipa, e alterou a sua táctica habitual para passar a jogar num esquema de três centrais. Depois da Académica e do Setúbal, mais uma equipa a dar-nos a honra de termos uma táctica especialmente preparada para nós. O motivo pelo qual resolveram lutar tão afincadamente pelo pontinho, que para nada serviria ao Guimarães, só eles o saberão, mas que aquele pontinho parecia ter um valor equivalente a um campeonato do mundo, isso parecia. O Benfica também facilitou a tarefa ao adversário. Nos intervalos entre as quedas dos jogadores do Vitória, as quezílias armadas por eles e o dar pau como se não houvesse consequências, jogámos muito pouco futebol. Fomos uma equipa presa de movimentos e lenta de processos, com os dois avançados entregues às marcações e os alas completamente escondidos do jogo. Transições rápidas praticamente não houve, e os nossos ataques parecia terem forçosamente que fazer a bola recuar até aos centrais, para depois começarem a partir daí, já com toda a equipa adversária colocada nas suas posições defensivas. O futebol apresentado assemelhava-se a alguns jogos do início de época, que primavam sobretudo por muita posse de bola estéril - consequência também de uma qualidade de passe desastrosa por parte do Renato Sanches, e o Pizzi quase sem qualquer influência pelo centro, já que ficava amarrado à linha, onde fazia disparate quase sempre que recebia a bola. A maior parte dos desequilíbrios eram causados, de forma pouco usual, pelo André Almeida, que mostrou um pendor bastante ofensivo, e pelas subidas com bola do Lindelöf - muitas vezes pareciam ser quase uma medida de último recurso, já que à falta de opções ele simplesmente era obrigado a ir subindo com a bola. Fomos obviamente muito mais rematadores do que o Vitória, mas em toda a primeira parte apenas uma ocasião de golo me ficou na memória, quando após um livre despejado para a área a bola foi ter com o Mitroglou, que solto de marcação rematou de primeira com a bola a passar muito perto do poste. De assinalar que o antijogo do adversário foi de tal forma que acho que foi a primeira vez que vi um árbitro dar cinco minutos de compensação numa primeira parte.

 

 

A forma como o Vitória jogava contribuiu também para aumentar o aparente nervosismo com que a nossa equipa já tinha entrado no jogo, nervosismo esse que naturalmente se acentuaria com a passagem dos minutos. Era por isso importante marcar o mais cedo possível no regresso do balneário, e felizmente foi precisamente isso que aconteceu, pois tinham passado apenas dois minutos quando o nulo ficou desfeito. Depois de um livre sobre a direita, marcado pelo Gaitán, o Jardel surgiu na zona do primeiro poste para cabecear da forma mais certeira e provocar a explosão de alegria nas mais de 60.000 pessoas que encheram a Luz. Depois do golo a atitude do Vitória mudou completamente, e o jogo ficou muito mais aberto. O Benfica não foi declaradamente à procura do golo da tranquilidade, o que nos deixou expostos a algum infortúnio que pudesse acontecer. E mais uma vez, esteve mesmo perto de acontecer, e por culpa própria. Uma intervenção desastrada do Jardel deixou que um adversário se isolasse em direcção à baliza, e foi o André Almeida quem, por duas vezes, impediu o golo nesse lance. Numa outra ocasião, foi uma saída corajosa do Ederson aos pés de um adversário que evitou males maiores. O Benfica só melhorou um pouco com a entrada do Jiménez para o lugar do Mitroglou. O mexicano deu mais velocidade e agressividade ao ataque, e aproveitando uma atitude de maior risco por parte do Vitória, conseguimos ser mais perigosos no ataque. Foi aliás dos pés do Jiménez que saíram as melhores ocasiões que tivemos na segunda parte. A primeira foi uma tentativa de cruzamento de letra que acabou por fazer a bola passar muito perto, e a segunda um remate em arco à entrada da área que levou a bola a embater com estrondo na barra, com o guarda-redes já batido. Apesar do nervosismo natural com o resultado a manter-se na margem mínima, foi sem sobressaltos de maior que levámos o jogo até final e garantimos mais três pontos.

 

 

Os destaques maiores do Benfica voltaram a ser os jogadores que parecem estar em melhor condição física nesta fase da época, casos do Fejsa ou do Lindelöf. O Fejsa voltou a ter um raio de acção enorme, e a juntar ao intenso trabalho defensivo várias iniciativas na construção de jogo, aparecendo em terrenos mais adiantados do que aqueles que lhe são habituais. O Lindelöf esteve impecável na defesa e o Ederson continua a dar-nos imensa segurança na baliza. O André Almeida também fez um jogo bastante aceitável, apesar de algumas asneiras a atacar na segunda parte. O Jiménez teve um efeito positivo no nosso jogo quando entrou. Pela negativa, o Pizzi continua em muito má forma, e a nossa dupla de avançados parece estar longe da condição física ideal, com o Jonas em particular muito mais fixo e escondido do jogo. O Renato Sanches esteve mal no capítulo ofensivo, com diversos passes errados e más decisões.

 

Foi mais uma vitória dificílima, porque os pontos nesta fase estão mesmo muito caros. Qualquer adversário quer ter a glória de tirar o título ao Benfica, e eu não tenho ilusões nenhumas que é disso mesmo que se trata. Independentemente daquilo que o nosso adversário directo na luta pelo título fará ou não, a minha convicção é mesmo a de que se queremos ser campeões, teremos que vencer as duas finais que faltam e conquistar os seis pontos em disputa.

tags:
por D`Arcy às 19:58 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Terça-feira, 19.04.16

Susto

Conseguimos os importantíssimos três pontos, mas a exibição na segunda parte foi paupérrima e não ganhámos para o susto, já que o jogo poderia ter terminado com um enorme balde de água fria depois de um erro individual grosseiro. Quando deixamos uma vantagem mínima no marcador arrastar-se até final, estamos sempre sujeitos a este tipo de sobressaltos.

 

 

O Benfica voltou ao onze mais próximo do habitual, com a novidade do Nélson Semedo na direita da defesa. O Gaitán e o Mitroglou recuperaram das lesões que os tinham afastado do jogo com o Bayern, e foram titulares. O início do jogo foi desastroso, já que concedemos um golo logo na primeira jogada, com catorze segundos decorridos. A bola entrou pela esquerda da nossa defesa, e o cruzamento foi finalizado com grande facilidade por um adversário bem no centro da área. Não sei se foi simplesmente infelicidade, ou falta de concentração, porque a verdade é que já com o Braga só não sofremos um golo assim porque a bola foi ao poste. A reacção da equipa (e das quase 55.000 pessoas que preencheram as bancada, diga-se) foi no entanto a melhor possível, e nos minutos que se seguiram assistiu-se a um verdadeiro vendaval ofensivo por parte do Benfica. O assalto à baliza do Setúbal foi constante, e só a noite inspirada do seu guarda-redes, aliada a alguma falta de pontaria dos nossos jogadores, ia adiando o empate. Ainda sofremos mais um grande susto, pois na segunda vez que o Setúbal foi à nossa área esteve muito perto de voltar a marcar. Mas face ao que se passava em campo, o golo do empate parecia uma inevitabilidade, o que acabou por se confirmar aos dezanove minutos. Inevitavelmente, pelo pé do Jonas, que apareceu à boca da baliza para concretizar um cruzamento do Eliseu, que sofreu um ligeiro desvio de cabeça do Gaitán. E logo a seguir, o segundo golo esteve muito perto de aconter, mas o remate do Fejsa embateu num defesa. Mas não foi preciso esperar muito mais: aos vinte e quatro minutos estava concretizada a reviravolta no marcador, numa cabeçada do Jardel após canto do Gaitán na esquerda, mais um de vários que o Benfica já tinha conquistado. Depois de obtida a vantagem o Benfica tirou um pouco o pé do acelerador, mas continuou a controlar perfeitamente o jogo, dispondo ainda antes do intervalo de uma oportunidade soberana para ganhar uma vantagem mais confortável. Mas depois de ficar completamente isolado por um grande passe do Fejsa, o Pizzi quis finalizar de forma artística com um chapéu ao guarda-redes e a bola foi cortada por um defesa do Setúbal sobre a linha.

 

 

O desacelerar do Benfica ainda na primeira parte já me deixava algo desconfiado e nada tranquilo para a segunda, porque achava que seria muito importante conseguirmos o golo da tranquilidade. Mas nada me poderia fazer prever aquilo que de facto jogámos neste período. Acredito que pode ter sido alguma consequência do cansaço, que fez com que a equipa já não conseguisse voltar a acelerar depois de ter relaxado um pouco a seguir ao golo da vantagem, mas aquilo que vi foi provavelmente o pior futebol do Benfica no Estádio da Luz, incluindo os jogos do início desta época. É que não tenho praticamente nada de positivo para dizer, porque a diferença para a primeira parte foi como do dia para a noite. Na primeira parte devemos ter tido mais de 70% de posse de bola, enquanto que na segunda parte na maioria das vezes mal conseguíamos passar da linha do meio campo com a bola controlada. A quantidade de passes errados e entregas de bola ao adversário foi simplesmente aberrante. Não houve velocidade no nosso jogo, aliás, não houve sequer jogo como equipa, foi tudo aos repelões, com vários pontapés para a frente - e muitas das vezes nem sequer os chutões para a frente saíam bem, e em vez disso saíam roscas sem direcção, que ou mandavam a bola directamente para fora, ou a faziam subir para cair quase no mesmo sítio. A nossa equipa, mais do que cansada, parecia estranhamente nervosa. Criámos talvez duas ocasiões dignas desse nome, uma do Fejsa num pontapé de canto, e outra do Mitroglou, que cabeceou torto e para fora quando tinha tudo para fazer melhor. Perante tão pouco acerto da nossa parte, o Setúbal começou a acreditar e foi subindo no terreno, o que ainda aumentou mais o nervosismo dos nossos jogadores e consequentemente a quantidade de asneiras cometidas. Perante um Benfica irreconhecível, valeu-nos no entanto o apoio quase constante das bancadas, que nos momentos de menor acerto tudo fizeram para motivar a equipa. E nos minutos finais até parecemos ganhar um pouco mais de compostura e segurar melhor o jogo - ainda que o Setúbal, mesmo nos nossos piores momentos, não tenha conseguido criar ocasiões de golo em número suficiente para causar grande nervosismo em relação ao resultado. Mas quando chegamos tão perto do final com uma vantagem tão magra, é natural temer-se algum azar. Que esteve muito, muito perto de acontecer. Exemplificando perfeitamente a segunda parte desastrada de toda a equipa, o Pizzi, já em período de descontos, fez um passe para trás perfeitamente escusado e disparatado, que deixou isolado um adversário. Valeu-nos a atenção e rapidez do Ederson, que saiu da baliza e no limite da área conseguiu, com o pé, cortar a bola. Esta seguiu para os pés de outro jogador do Setúbal, que de muito longe não conseguiu acertar com a baliza.

 

 

Como o que fica é sobretudo a péssima imagem da segunda parte, é difícil fazer destaques, mas para escolher alguém terão que ser os dois centrais, e em especial o Lindelöf, que me pareceu dos mais esclarecidos da nossa equipa na segunda parte. E também o Ederson, que fez uma defesa absolutamente decisiva. O Jonas foi deixando pinceladas de classe ao longo do jogo e marcou o seu golo, mas esteve menos inspirado do que o habitual. No polo oposto, o Pizzi e o Eliseu fizeram um jogo muito abaixo daquilo que é exigível. O facto de estar a destacar os centrais e o guarda-redes num jogo em casa contra o Setúbal, que apenas venceu um jogo na segunda volta, diz bastante sobre a qualidade do nosso futebol esta noite.

 

O Benfica fez o suficiente para vencer este jogo, mas estamos habituados a mais e melhor. Às vezes o suficiente não chega, e hoje esteve muito perto de não chegar. Estamos na fase decisiva deste campeonato, faltam apenas quatro jogos, e precisamos de dar o máximo em todos eles. A satisfação que sinto neste momento é por ver passada mais uma etapa no caminho até ao objectivo que todos desejamos. Mas vai ser necessário  fazer melhor do que aquilo que fizemos hoje para que consigamos chegar ao final desejado.

tags:
por D`Arcy às 02:26 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Quinta-feira, 14.04.16

Orgulho

A eliminatória teve o desfecho natural e passou a equipa mais forte, mas acho que podemos todos sentir orgulho na réplica que o Benfica conseguiu oferecer a uma das equipas mais fortes do mundo. Lutámos com as armas que temos, mesmo perante diversas contrariedades fizemos o melhor que podíamos, não foi suficiente para passar, mas caímos de cabeça levantada.

 

 

Já tinha escrito no final da primeira mão que o Bayern continuava a ser o grande favorito na eliminatória e que, aliás, o resultado desse jogo quando muito apenas reforçaria esse mesmo favoritismo. Mas nada nos impedia de lutar para sermos felizes. A tarefa para esta segunda mão de repente afigurou-se ainda mais difícil quando fomos obrigados a apresentar um ataque totalmente novo, já que à suspensão do Jonas juntaram-se as ausências por limitações físicas do Gaitán e do Mitroglou. Não as vou lamentar, porque os dois jogadores ficaram nestas condições depois da batalha que foi a conquista dos três pontos em Coimbra. Mais batalhas semelhantes virão, e não faria sentido arriscar pô-los a jogar e depois perdê-los por um período mais prolongado. Além disso já nos habituámos a que os que são chamados a substituir os ausentes normalmente dão boa conta do recado. Jogaram então o Jiménez e o Carcela no lugar dos lesionados, e o Pizzi no lugar do suspenso, indo o Salvio ocupar a vaga na direita. O jogo foi o que se esperava, com o Bayern a impor o seu futebol de muita posse de bola e pressão a toda a largura do campo. Em posse de bola os extremos permanecem sempre bem abertos e os laterais sobem no campo não para jogarem como médios ala, mas sim como médios interiores. Se os nossos laterais cumprem a obrigação de fechar o espaço entre si e os centrais, os extremos ficam sem marcação. Se são atraídos pela marcação aos extremos, então abre-se um espaço enorme entre eles e os centrais, que pode ser explorado pelos laterais adversários. Têm que ser os nossos alas a ter especial atenção com os extremos adversários, e isso raramente aconteceu. Outro problema foi a quase completa liberdade que o Xabi Alonso teve para jogar. Ele joga a passo, mas se lhe derem espaço coloca a bola onde quer. E espaço foi coisa que nunca lhe faltou neste jogo. 

 

 

O primeiro remate do jogo até foi do Benfica, num livre marcado pelo Eliseu. O Bayern tinha controlo quase total do jogo e da posse de bola, mas o Benfica mantinha uma boa organização defensiva que ia evitando grandes calafrios e ocasiões de remate para os alemães. O jogo foi-se mantendo nesta toada, quando aos vinte e sete minutos, numa rara ocasião em que apanhámos a equipa do Bayern desposicionada, marcámos. Depois de uma mudança rápida de flanco, o Eliseu ficou com muito caminho livre à sua frente para progredir, e depois fez um passe em profundidade para a área, onde o Jiménez se antecipou aos defesas e ao guarda-redes para cabecear para a baliza. A eliminatória ficava empatada e o Estádio da Luz explodiu. E logo a seguir, não marcámos o segundo porque se calhar até o Jiménez ficou surpreendido com tantas facilidades, já que depois de uma insistência do Salvio pela direita recebeu a bola quase à vontade no meio da área, e acabou por rematar frouxo e à figura do Neuer. O Benfica parecia estar melhor no jogo durante esta fase, mas o Bayern não se impressionou e chegou à igualdade dez minutos depois do nosso golo. Depois de uma investida do Lahm pela direita, o Ederson afastou o cruzamento para a entrada da área, onde surgiu o Vidal solto de marcação para fazer o golo com um remate indefensável de primeira. A nossa equipa acusou o golo, que dificultava exponencialmente uma tarefa que já à partida era extremamente difícil. Perdeu-se por isso aquele ímpeto que tínhamos revelado logo a seguir ao golo, e algum do entusiasmo com que as bancadas tinham empurrado a equipa.

 

 

O Bayern entrou para a segunda parte tranquilo e a impor o seu jogo, agora com confiança acrescida, e bastante mais perigoso do que durante a primeira parte. E não demorou muito tempo a chegar ao segundo golo, através de um canto. A bola foi enviada para a zona do segundo poste, onde o Javi Martínez ganhou nas alturas e a devolveu para o lado oposto, para a finalização do Müller à boca da baliza. Fiquei com a sensação de alguma passividade da nossa defesa neste lance, já que os jogadores do Bayern vêm de trás e os nossos defesas ficaram algo estáticos, sem atacar a bola. A eliminatória estava agora praticamente resolvida e nos minutos que se seguiram o Benfica mostrou alguma desorientação, com a equipa a esquecer a disciplina e organização defensiva com que tinha iniciado o jogo, e a tentar diversas vezes sair sem grande critério para o ataque, em iniciativas individuais, que resultavam em perdas de bola e consequentes ocasiões de contra-ataque para o Bayern. Nos minutos a seguir ao golo, só por mérito do Ederson e alguma dose de sorte é que o Bayern não ampliou o resultado, tendo até atirado uma bola ao poste. O Benfica fez entrar o Talisca e o Gonçalo Guedes, poupando o Pizzi para outras lides e retirando também o Salvio, que continua longe da forma ideal. O jogo arrastava-se neste pendor, com mais um golo do Bayern a parecer o cenário mais provável, quando de repente o Gonçalo Guedes escapa-se em direcção à baliza e é derrubado quase no limite da área (o Javi Martínez viu o amarelo, mas parece-me que o cartão deveria ter sido de outra cor). Do livre resultante, o Talisca marcou um golão, enviando a bola ao ângulo, e a Luz reacendeu-se. Uma reviravolta na eliminatória era altamente improvável, mas a equipa lutou como se isso estivesse mesmo ao virar da esquina, e o público seguiu-a nessa crença. Foi portanto debaixo de um apoio impressionante que se jogaram os minutos até final, durante os quais o Benfica poderia até ter marcado por duas vezes, em mais um livre do Talisca e num remate do Jovic (tinha entrado para o lugar do Eliseu), e o Bayern também poderia ter marcado, mas o Ederson correspondeu mais uma vez bem quando tinha o Lewandowski isolado à sua frente.

 

 

Não vou elogiar ninguém em particular, apenas e mais uma vez a equipa num todo. Estão todos de parabéns, representaram o nosso clube condignamente nesta competição e caíram aos pés de uma das mais fortes equipas do mundo. Quando se dá tudo o que temos, temos que nos sentir orgulhosos do nosso esforço. Da minha parte, só tenho a dizer um enorme 'Obrigado!' por tudo o que fizeram nesta edição da Champions.

 

Apesar da eliminação, a parte positiva disto é o reforço da confiança desta equipa, e da comunhão entre ela e os adeptos. Quem esteve no Estádio da Luz esta noite e pôde testemunhar o ambiente que se viveu durante todo o jogo, e em especial nos minutos finais do jogo e após o fim do mesmo percebe que a nossa confiança em nada ficou abalada com este resultado. Acreditamos nesta equipa, e estamos incondicionalmente ao lado dela até ao fim. Agora, vamos à luta por aquilo que ainda temos para conquistar.

tags:
por D`Arcy às 01:09 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Terça-feira, 12.04.16

Volúveis


Nos meios de comunicação social foram feitas várias declarações (por pessoas com vínculo profissional a um clube) desrespeitosas dirigidas ao Renato Sanches enquanto jogador da Selecção Nacional. Sabendo-se que há proximamente uma fase final do Campeonato da Europa importante para a nossa Selecção, esta atitude demonstra uma mesquinhez clubística, não compatível com o Século XXI em que vivemos, e como tal um desrespeito por Portugal.

A adaptação livre é minha, mas não posso reclamar o mérito total por esta frase forte, que é da autoria dos reis dos comunicados. Hoje por acaso lembrei-me que aqueles que agora atacam de forma reles e incompreensível o Renato Sanches são precisamente os mesmos que se abespinharam e indignaram quando os adeptos do FCP gozaram com um frango do Rui Patrício ao serviço da Selecção Nacional. Aparentemente, os interesses nacionais e o mais alto respeito por Portugal são coisas muito volúveis. Dependem sobretudo do clube representado pelo jogador em questão.

por D`Arcy às 23:48 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 10.04.16

Crença

Mais um jogo de grande sofrimento contra um aflito desesperado por pontos. A Académica jogou um futebol de antanho, com toda a gente metida em cima da sua área, jogadores a simular lesões para perder tempo com assistências ainda na primeira parte, e para piorar marcou um golo no único remate que fez em noventa e nove minutos de jogo. Só mesmo um Benfica muito persistente e lutador, mesmo depois do esforço de Munique, conseguiu arrancar os mais do que merecidos três pontos.

 

 

E foi mesmo praticamente a mesma equipa de Munique aquela que iniciou o jogo de hoje, com apenas uma alteração: Samaris no lugar do Fejsa. E sem querer estar a exagerar, ao fim de cinco minutos de jogo já estava a prever que a tarefa seria muito complicada. É que a Académica não saía da defesa, juntava uma multidão de gente à frente da sua baliza, e o Benfica não revelava arte ou velocidade para encontrar soluções, insistindo em tentar entrar pelo meio, obviamente sem grande sucesso. Demorámos mais de um quarto de hora até fazer o primeiro remate do jogo, o que é completamente atípico na nossa equipa. E esse remate até foi uma boa situação, na qual o Gaitán deixou a bola para o Mitroglou, que rematou para as nuvens. Claro que quando defrontamos uma equipa a jogar assim, não fico muito nervoso logo nos primeiros minutos, porque sei que bastará marcarmos um golo que toda a estratégia adversária ruirá. O problema é que se por vezes marcar esse golo é difícil, então se por acaso o adversário marca primeiro, então a tarefa torna-se difícil a dobrar. E para nosso azar, foi precisamente isso que aconteceu. Praticamente na resposta ao nosso primeiro remate, a Académica rematou também e marcou, após um mau alívio do Eliseu que deixou a bola à entrada da área à mercê de um adversário. Foi aí que comecei a sentir-me realmente nervoso, porque o Benfica continuava a revelar-se pouco rematador perante um adversário que deve ter batido o record negativo de posse de bola neste campeonato. A única coisa que os jogadores da Académica faziam era destruir jogo e deixar-se cair no chão - o Benfica é que jogou a meio da semana para a Champions, mas os jogadores da Académica é que já conseguiam ter cãibras com pouco mais de metade do jogo decorrido. Só depois da meia hora é que o Benfica pareceu conseguir acelerar mais e variar mais o seu jogo, começando finalmente a produzir situações de maior perigo, o que acabou por resultar no golo do empate. Marcou o Mitroglou a cinco minutos do intervalo, num cabeceamento muito colocado ao poste mais distante depois de um centro largo do Pizzi (um minuto antes tinha falhado um outro cabeceamento após um canto). E só não saímos a ganhar para o intervalo porque o Pizzi, depois de uma das melhores jogadas que fizemos, ultrapassou o guarda-redes e conseguiu de forma incrível embrulhar-se com a bola e permitir o corte de um defesa sobre a linha de golo.

 

 

Esperava que o Benfica conseguisse manter a dinâmica na segunda parte, mas tal não aconteceu. O segundo tempo foi desesperante de ver, porque era simplesmente ver o tempo a passar e o Benfica a tentar encontrar uma aberta na muralha adversária, mas com muitas dificuldades para fazê-lo, regressando ao estilo de jogo do início da primeira parte. Muita circulação de bola, mas pouca capacidade para criar ocasiões de golo, porque a Académica tapava todos os caminhos para a sua baliza, e os seus jogadores continuavam a padecer das piores maleitas imagináveis. O pobre guarda-redes da Académica, imagino, deve ter saído do estádio directamente para o hospital, tantas foram as vezes que teve que ser assistido. Perante um adversário que abdicava completamente de atacar, o Benfica foi naturalmente assumindo mais riscos e apostando cada vez mais declaradamente no ataque. Entrou o Carcela para o lugar do Pizzi, o Talisca para o lugar do Samaris - o que deixou o Renato Sanches a fazer o meio campo quase sozinho. À medida que arriscámos cada vez mais, os remates e ocasiões de perigo começaram a surgir mais frequentemente, em especial através de investidas pela esquerda do Gaitán ou do Eliseu. Numa jogada de risco quase total, a dez minutos do final trocámos o Eliseu pelo Jiménez, ficando o Gaitán a fazer o lado esquerdo todo. Com tanta gente na frente, pelo menos agora as bolas metidas para dentro da área já eram mais vezes ganhas pelos nossos jogadores - às vezes até parecia ser tanta gente lá que eram os nossos próprios jogadores a atrapalharem-se uns aos outros, como aconteceu entre o Carcela e o Jardel num canto. A persistência acabou recompensada a cinco minutos do final. Mais um centro largo vindo da direita, desta vez do André Almeida, e o Jiménez com um toque colocou a bola à sua frente e a seguir fuzilou autenticamente a baliza. Explosão de alegria num estádio quase completamente pintado de vermelho, mas ainda foi preciso esperar mais uns longos treze minutos (cinco de tempo regulamentar, mais seis de compensação, mas dois de compensação sobre a compensação) até podermos celebrar a vitória - e como tínhamos a equipa completamente descompensada, algum azar poderia acontecer. Mas nem mesmo com os seus jogadores a ficarem miraculosamente curados de todas as mazelas de que padeceram durante todo o tempo até ao nosso segundo golo a Académica conseguiu somar um remate ao único que tinham feito até então.

 

 

Mais uma vez no final fico com a sensação de que jogámos sobretudo como equipa, e que não houve jogadores a destacar-se muito. Não foi um jogo de grande brilho artístico, mas sim de muito suor derramado e de luta do primeiro ao último minuto. E já que falamos de luta, uma menção para o Renato Sanches, que trabalhou que se fartou durante todo o jogo. Chegou a ser, praticamente sozinho, o meio campo do Benfica, e na fase final do jogo até como uma espécie de defesa esquerdo actuou, já que o Gaitán estava nas últimas e foi ele quem andou a fechar o lado esquerdo da defesa. E um elogio especial para o Jiménez, que no pouco tempo que esteve em campo conseguiu resolver uma situação muito complicada com um grande golo. Continuo a achar que ele marcaria muitos mais se jogasse mais tempo na zona de finalização, em vez de se perder demasiado em movimentações noutras zonas do campo. Para isso temos o Jonas.

 

E pronto, mais um obstáculo superado. O número continua a diminuir, e a nossa vantagem a manter-se. Vai ser assim até final; todas as equipas querem ter a glória de serem eles a travar o Benfica e eventualmente a impedir o tri. Mas esta nossa equipa tem uma alma gigantesca, e a onda vermelha que a acompanha suporta-a do primeiro ao último minuto. Hoje, a minutos do final do jogo, empatados, o que se ouvia constantemente eram cânticos a incitar a equipa. Nem um assobio, apenas uma crença imensa de que estamos tão perto de poder fazer história mais uma vez. E agora, podemos voltar a pensar em continuar a dignificar o nome do Benfica na Europa. Porque hoje, nem por um instante que fosse me pareceu que a cabeça dos nossos jogadores estivesse nesse jogo. Entregaram-se à luta e deram tudo o que tinham. Como tem sido em todos os jogos.

tags:
por D`Arcy às 00:51 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 06.04.16

Enorme

Um enorme jogo da nossa equipa, em casa de uma das mais fortes equipas do planeta, que me deixou cheio de orgulho. Perdemos pela margem mínima e até podíamos ter empatado, porque tivemos ocasiões flagrantes para o fazer. E foi lindo passar a segunda parte quase toda a ouvir apenas os nossos adeptos.

 

 

Porque é importante uma equipa manter a sua identidade, o onze apresentado em Munique foi exactamente o mesmo que tinha goleado o Braga na última sexta-feira. E este pormenor transmite logo uma imagem de confiança - quantas vezes, num passado não muito distante, vimos a equipa ser muito alterada antes de jogos de dificuldade acrescida, quase sempre com maus resultados? O início de jogo fez temer o pior, com o Bayern a chegar à vantagem ainda antes de se completarem dois minutos na partida. Um cruzamento a partir do lado direito da nossa defesa foi encontrar o Vidal, que entrou vindo de trás no espaço entre o lateral esquerdo e o central sem que ninguém o acompanhasse e cabeceou sem dar qualquer possibilidade de defesa ao Ederson. A primeira impressão do lance seria a de que quem falhou foi o Eliseu, mas ele estava preocupado com o extremo adversário e o que falhou foi o acompanhamento da movimentação do Vidal por um dos médios (Renato Sanches). O Bayern fazia o seu jogo habitual, com muita posse de bola mantendo sempre os extremos bem abertos, que depois aproveitava com variações rápidas do flanco do jogo. Os laterais jogavam de forma bastante ofensiva e integravam-se frequentemente no ataque, o que obrigava os nossos alas a atenções defensivas redobradas para evitar situações de 2x1 sobre os nossos laterais. Isto foi particularmente evidente sobre o nosso lado direito, onde até o Pizzi acertar com a marcação ao Bernat o André Almeida se viu muitas vezes em dificuldades - foi assim mesmo que o lance do golo nasceu. Durante os primeiros vinte minutos o Benfica passou por dificuldades, com o Ederson a ter que se mostrar num par de ocasiões. As nossas tentativas de saída para o ataque eram sobretudo através de pontapés longos para o Mitroglou, para que este segurasse a bola ou a ganhasse no ar aos defesas alemães para solicitar os colegas. O grego estava nesta fase algo desacompanhado, pois o Jonas recuou muito e trabalhou imenso a meio campo e até junto da nossa área. Depois deste período o Benfica conseguiu adaptar-se melhor à forma de jogar do Bayern, e depois de conseguir afastar o adversário da nossa área começou a aparecer também mais vezes na frente. Com o jogo mais repartido, pareceu ser possível conseguirmos mesmo marcar um golo, e isso esteve perto de acontecer mesmo sobre o intervalo, quando o Gaitán surgiu dentro da área em óptima posição para marcar, mas o remate acabou por ser interceptado por um jogador alemão.

 

 

Esperava uma reentrada forte do Bayern, mas isso não aconteceu. Vimos sim o jogo reiniciar-se na mesma toada com que tinha sido interrompido, mas com o Benfica a parecer jogar mais subido no campo. A nossa linha defensiva actuava vários metros à frente da área, o que permitiu cortar as jogadas de ataque e ainda apanhar os jogadores do Bayern deslocados por diversas vezes. À medida que o tempo passava a confiança dos nossos jogadores parecia também ir aumentando e a equipa soltou-se mais - por vezes, sinceramente, até me parecia demasiado solta, pois sabemos o perigo que o Bayern consegue causar nas transições e o Benfica posicionava-se de forma tão descomplexada que temia que pudéssemos ser surpreendidos numa recuperação de bola. O Jonas deu mais um sinal de perigo, depois de conseguir rodar sobre um defesa no interior da área, mas rematou de forma a permitir a defesa do Neuer. Pouco depois, o empate voltou a estar perto de acontecer, quando oo André Almeida ganhou uma bola na direita e fez o passe rasteiro para o interior da área, onde surgiu o remate de primeira do Jonas, que foi bater no corpo de Javi Martínez quando parecia ter tudo para dar golo. Nesta altura na transmissão televisiva já praticamente só eram audíveis os cânticos de apoio dos nossos adeptos, o que aliás se prolongou durante quase todo o tempo até ao final do jogo. O jogo estava numa fase bem mais equilibrada, em que conseguíamos manter o Bayern longe da nossa baliza e quase anular o jogo deles - parecia quase estranho vê-los a trocar a bola atrás quase sem ideias ou opções sobre como sair para o ataque, o que levou até a alguns assobios por prte do público da casa. O Benfica conseguia defender muito bem sem jogar deliberadamente à defesa e sem autocarros de qualquer espécie. Nos dez minutos finais, no entanto, o Bayern conseguiu voltar a acelerar o jogo e procurou um segundo golo, tendo construído duas excelentes ocasiões para tal. Primeiro o Ribéry numa iniciativa individual teve alguma felicidade num ressalto, e depois rematou cruzado para uma boa defesa do Ederson com o pé. E já mesmo sobre o final, o Lewandowski apareceu isolado após um grande passe para as costas da nossa defesa, mas quando o Ederson lhe saiu ao encontro tentou o passe para o Lahm, que lhe saiu demasiado adiantado. Seria um castigo demasiado pesado para a nossa exibição.

 

 

Grande elogio, como já o fiz em várias outras ocasiões esta época, para a equipa num todo. Entrar praticamente a perder naquele campo, onde tantas outras equipas já foram goleadas, e nunca perder a cabeça para depois conseguir fazer uma exibição tão personalizada não é para todos. Grande jogo dos nossos dois centrais, que conseguiram quase anular o perigoso Lewandowski durante todo o jogo. A única excepção foi o lance referido no final do jogo. Em particular, uma exibição quase sem mácula do Lindelöf, que cometeu apenas um erro no jogo, quando inventou mais do que é costume e isso acabou por custar-lhe um cartão amarelo. Grande exibição também do Jonas, de imenso trabalho e a quem só faltou ter aproveitado uma daquelas ocasiões para concretizar o golo. Quase que ia escrever que nos vai fazer falta no segundo jogo, mas sinceramente, esta época já aprendi que é um erro ficar a lamentar a ausência de qualquer jogador. De certeza que quem entrar no seu lugar cumprirá. E claro, Ederson. Nada podia fazer no lance do golo, mas esteve quase perfeito em tudo o que fez. O ano passado jogava no Rio Ave, começou esta época a fazer jogos na equipa B, e agora defende a nossa baliza sem acusar minimamente a pressão. Na minha opinião, temos aqui o dono da nossa baliza para os próximos anos. Destaco estes, mas todos os jogadores estiveram muito bem, com mais ou menos falha. Mas quando algum falhava, havia sempre outro para ajudar e corrigir, porque uma equipa é isto mesmo.

 

Uma derrota é sempre uma derrota, mas há derrotas que podem ser motivantes. Parece-me que é o caso de hoje. Para mim o resultado de hoje em nada muda a perspectiva da eliminatória. O Bayern era o grande favorito, e continua a sê-lo, porque tem capacidade para ganhar em qualquer campo. Aliás, até terá reforçado esse favoritismo, já que começa o próximo jogo em vantagem. Mas tendo em conta o enterro anunciado e as goleadas prometidas pelos nossos inimigos (não pelo Bayern, de quem só vi respeito pelo Benfica - o que não admira, porque o respeito pelo Benfica lá fora sempre superou em muito a imensa inveja por nós cá dentro) este jogo mostrou que temos equipa para honrar o nosso prestígio nesta competição, contra qualquer adversário. É claro que para outros, este foi o dia em que o Bayern mostrou que não é tão forte assim, o Guardiola mostrou que não percebe nada de bola, ou até em que o Bayern se poupou porque ainda está preocupado com o Dortmund na Bundesliga. Mas agora o mais importante mesmo não é a segunda mão desta eliminatória. É preciso esquecer completamente o Bayern, e dar tudo o que temos contra a Académica. Nada mais importa até ao apito final desse jogo.

tags:
por D`Arcy às 03:06 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Segunda-feira, 04.04.16

Confiança

O resultado deste jogo não é mais do que o espelho da enorme confiança que reina na nossa equipa. Uma vitória por margem tão dilatada frente ao Braga certamente que não estaria nas previsões da maior parte de nós, e ainda menos depois daquele início de jogo. Mas os nossos jogadores voltaram a mostrar uma confiança inabalável, e com a ajuda de um ambiente fantástico criado por um Estádio da Luz praticamente cheio, ultrapassaram mais este difícil obstáculo na caminhada para o título.

 

 

Depois da razia que sofremos para o jogo contra o Boavista, desta vez já pudemos apresentar um onze mais forte e com menos adaptações. O Ederson manteve-se na baliza e o André Almeida regressou à lateral direita, já que o Fejsa já estava apto. No centro da defesa, o Lindelöf agarrou com unhas e dentes a oportunidade e continua a manter a titularidade, apesar do Lisandro já estar recuperado. Importantíssimos também foram os regresso do Gaitán e do Mitroglou à equipa. O início do jogo foi assustador. Logo nos primeiros segundos vimos uma bola embater no poste da nossa baliza. O Braga entrou a exercer uma pressão em todo o campo, e a nossa equipa demorou a atinar com as movimentações dos adversários, que jogavam com dois avançados bastante móveis, cujas movimentações abriam espaços para as diagonais de jogadores mais recuados. A pressão do Braga também dificultava as nossas saídas em ataque organizado, acabando quase sempre os nossos jogadores por ter que optar por um pontapé para a frente, sob pena de perder a bola. Apanhámos novo susto quando o Rafa apareceu isolado, mas felizmente a tentativa de chapéu ao Ederson saiu demasiado torta. Felizmente para nós, voltámos a mostrar a eficácia que nos tem caracterizado em grande parte dos jogos esta época, e praticamente na primeira ocasião que criámos, marcámos (digo praticamente porque pouco antes já o Mitroglou tinha tido uma boa ocasião para rematar, após um pontapé de baliza muito longo). Acabou por ser o Braga a provar o seu próprio veneno, já que ao tentar sair a jogar acabou por permitir a recuperação do Gaitán, com a bola a acabar nos pés do Mitroglou que, isolado, não perdoou. O golo, que apareceu aos dezassete minutos, alterou significativamente o jogo, e a partir desse momento o Benfica ganhou superioridade. Também atinámos com as marcações e o Braga deixou de conseguir criar jogadas de perigo para a nossa baliza. E a superioridade do Benfica acabou por materializar-se com dois golos quase de rajada, aos trinta e sete e quarenta minutos, que deixaram tudo quase resolvido. O primeiro foi marcado pelo Jonas, de penálti, a punir uma mão na bola depois de uma boa iniciativa do Renato Sanches pela direita. O segundo teve a autoria do Pizzi, num remate rasteiro de fora da área após um lançamento longo do Gaitán e uma assistência com as costas do Jonas.

 

 

Talvez o Braga pudesse ter alguma esperança de reentrar na partida caso conseguisse marcar logo a seguir ao intervalo. Mas quem esteve mais próximo de marcar mal o jogo se reiniciou foi o Benfica, com destaque para um lance em que a bola só não entrou porque o Mitroglou ficou na frente do remate do Gaitán. Durante os primeiros dez minutos, o resultado só não aumentou porque o Benfica foi pouco eficaz, ou porque o guarda-redes do Braga brilhou - excelente defesa a um remate em jeito do Pizzi que tinha tudo para dar golo. Depois disso o Braga voltou a ter uma fase melhor, durante a qual conseguiu discutir o jogo com o Benfica, ser mais rematador, e até mesmo voltar a atirar uma bola ao poste, pelo Hassan. Mas o Benfica pôs cobro a quaisquer veleidades do Braga, e mais uma vez com dois golos quase de rajada, aos setenta e um e setenta e cinco minutos. O primeiro nasce de mais um passe do Gaitán para o Jonas, a rasgar a linha defensiva do Braga e que deixou o brasileiro isolado pela esquerda. À saída do guarda-redes, não houve qualquer egoísmo e em vez de tentar fazer o golo, passou a bola para o Mitroglou. O grego ainda se embrulhou um bocado com a bola mesmo à boca da baliza, mas acabou por conseguir concretizar mesmo o golo, depois de evitar um defesa. Pouco depois foi o Samaris - que tinha entrado dez minutos antes para o lugar do Fejsa - a revelar dotes pouco conhecidos nos livres directos, marcando de forma exemplar um descaído para a esquerda da área. Faltavam quinze minutos para o final, mas o jogo praticamente terminou aí, pois o Benfica preocupou-se sobretudo em poupar esforços, tendo mesmo substituído o Gaitán e o Jardel. A única mancha no jogo acabou por ser já em período de descontos, quando o Nélson Semedo cometeu um penálti que assim nos impediu de prosseguir na perseguição ao notável registo do Sporting de Lisboa de quase cinco anos sem ter um penálti assinalado contra. O Pedro Santos concretizou o penálti sem dificuldade e estabeleceu assim o resultado final.

 

 

Foi mais um bom jogo da nossa equipa, no qual diversos jogadores estiveram num nível muito bom. Nem se notou que o Jonas veio directamente da selecção e nem treinou para este jogo. A classe dele dá e sobra para compensar pormenores destes. O colega de ataque esteve também muito bem, somou mais dois golos à conta, e a este ritmo ainda nos arriscamos a acabar o campeonato com os dois primeiros lugares da tabela dos melhores marcadores a pertencerem a jogadores nossos. O Gaitán foi outro que fez um jogo muito bom, estando directamente envolvido nas jogadas de três dos nossos golos. O Pizzi não começou bem, mas foi subindo muito de produção e marcou um óptimo golo.

 

Mais um obstáculo superado, o que reduz agora para seis os passos que faltam dar. No papel este seria o jogo mais complicado até final, mas isso não passa de teoria mesmo. Temos que continuar a encarar cada jogo como uma final, e a manter exclusivamente nas nossas mãos a possibilidade de chegarmos ao título. Agora será necessário mudar de registo para o jogo mais complicado de toda a época. Enquanto nos dedicamos a isso, deixemos os outros a digerir a frustração de verem o final cada vez mais próximo e a nossa equipa a não vacilar.

tags:
por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Terça-feira, 22.03.16

Dificílimo

Foi uma vitória arrancada a ferros no último suspiro de um jogo dificílimo, que deve servir de exemplo para aquilo que nos espera nas sete finais que sobram. Mas a nossa equipa nunca desistiu de perseguir esta vitória e foi recompensada com os três pontos e a importante motivação adicional que ganhar um jogo desta forma proporciona.

 

 

Dificilmente o Benfica poderia ter mais contrariedades para formar uma equipa para este jogo. Mais de meia equipa indisponível - Júlio César, Luisão, Jardel, Fejsa, Gaitán, Mitroglou seriam, em condições normais, titulares - significaram um onze com muitas alterações. O Ederson manteve-se naturalmente na baliza, o Samaris formou dupla com o Lindelöf no centro da defesa, e na direita jogou o Nélson Semedo para permitir que o André Almeida jogasse no meio campo. O Salvio foi titular pela primeira vez esta época e 'empurrou' o Pizzi para a esquerda, tendo sem surpresas o Jiménez ocupado a vaga do Mitroglou no ataque. Com uma equipa tão alterada foi natural que o nosso jogo tenha sofrido com isso. O Pizzi perde influência na esquerda, no meio campo o André Almeida não tem a mesma influência no início da construção de jogo que o Samaris consegue ter - aliás, vi por diversas vezes o André Almeida a ficar atrás enquanto era o próprio Samaris quem subia da defesa com a bola, para dar início aos ataques - o Nélson Semedo e o Salvio ainda parecem estar longe da forma ideal, e no ataque o Jiménez dá uma presença na área menos forte do que o Mitroglou, que serve de referência e prende mais os centrais adversários. Por via disso o Vinícius teve muito mais liberdade para andar por ali a ser o bombeiro de serviço e a limpar quase tudo o que lhe aparecia pela frente, e o Jonas acabou também por ter menos liberdade. O Boavista fez o que podia para nos complicar ao máximo a tarefa, exercendo pressão quase no campo inteiro e inclusivamente atribuindo ao Renato Sanches a honra de ter um jogador praticamente dedicado a marcá-lo homem a homem assim que o Benfica tentava sair para o ataque. Depois houve também o incendiário de serviço, um tal de Rúben Ribeiro, que à menor brisa que lhe soprasse se deixava cair em estertores agonizantes, enquanto tentava armar quezílias e provocar qualquer jogador nosso que lhe passasse ao alcance. Resultou tudo isto num jogo em que dispusemos de uma quantidade anormalmente baixa de ocasiões de golo. Na primeira parte apenas me recordo de duas situações, uma num remate acrobático do Jiménez que foi defendido por instinto pelo Mika, para depois o Lindelöf fazer a recarga por cima, e a outra numa boa iniciativa do lado esquerdo, com a bola a chegar ao Pizzi que, depois de evitar bem um adversário, já dentro da área rematou ao lado. O Boavista tentava surpreender em saídas rápidas para o contra-ataque, mas apenas deu verdadeira sensação de perigo num lance em que o Ederson foi obrigado a sair aos pés do adversário para evitar males maiores. Nulo algo natural ao intervalo, portanto, e perspectivas de muitas dificuldades para o resto do jogo.

 

 

Perspectivas essas que se confirmaram, porque muito pouco se alterou no regresso do descanso. O Benfica tinha mais bola mas continuava a ter dificuldades em arranjar espaços para rematar à baliza adversária, e o Boavista começou até a conseguir ser mais perigoso nos contra-ataques, aproveitando os riscos cada vez maiores que o Benfica corria. Foi aliás deles o primeiro sinal de perigo, num remate cruzado que desviou ligeiramente no Lindelöf e fez a bola passar muito perto do poste da nossa baliza. Apesar do evidente domínio territorial do Benfica, começava a ser desesperante a incapacidade para o transformar em lances de perigo e a desinspiração da equipa para conseguir ultrapassar a pressão constante que os jogadores do Boavista continuavam a conseguir exercer sobre o portador da bola. Quando se quer e se precisa de ganhar um jogo, se não conseguimos sequer rematar à baliza então a nossa tarefa está muito complicada. As melhores ocasiões da segunda parte pertenceram, aliás, ao Boavista, que sempre a jogar em contra-ataque acabava por conseguir por vezes situações potencialmente perigosas em que apanhavam a nossa equipa com muito pouca gente a defender. Para além do remate que já referi, pelo menos por duas outras ocasiões criaram perigo, valendo-nos que os remates nunca saíram na direcção da nossa baliza. Na segunda dessas ocasiões, a cinco minutos do final, o Boavista saiu para o contra-ataque numa situação de três para apenas dois defesas nossos, e com um pouco mais de calma poderiam ter dado um golpe fatal no jogo. Nessa altura já o Benfica jogava em modo de risco quase total, com três avançados em campo (o Jovic tinha-se estreado, entrando para o lugar do Pizzi) mais o Talisca atrás deles, o Eliseu como uma espécie de lateral/extremo a fazer o flanco esquerdo todo, o Carcela na direita, o Renato era o meio campo do Benfica e a estratégia era despejar bolas para perto da área o mais depressa possível. Felizmente o que nos faltou em inspiração nunca faltou em querer, e já com dois minutos decorridos do período de descontos esse querer foi recompensado. O Eliseu despejou a bola para a entrada da área, o Carcela apareceu mais ou menos à vontade (com tanta gente na frente, alguma bola haveria de sobrar para nós) para tocá-la de cabeça para o interior, e o Jonas, descaído para a esquerda e talvez na primeira vez que conseguiu aparecer solto durante todo o jogo, rematou suavemente e de primeira com o pé esquerdo para marcar o golo que fez explodir o Bessa.

 

 

Foi um jogo de muita luta e pouco brilho individual, uma batalha entre duas equipas na qual não houve grandes oportunidades para brilharetes individuais. Parabéns portanto a todos os jogadores da nossa equipa, que juntos ultrapassaram mais este adversário, e apenas um cumprimento especial para o Jonas: uma oportunidade, um golo. Os grandes jogadores são mesmo assim.

 

Conforme escrevi no início, só com uma dose inusitada de infelicidade poderia o Benfica poderia apresentar-se mais desfalcado para um jogo do campeonato. Acho por isso perfeitamente natural que o nosso futebol tenha sofrido com isso, até porque do outro lado esteve uma equipa que nos complicou muito a tarefa. Por isso mesmo, por ter bem presentes as contrariedades que tivemos (e que temos tido nos últimos meses, para as quais a equipa continua sempre a encontrar soluções) quase me dá vontade de rir quando ouço 'especialistas' satisfeitos porque acham que este jogo mostra que o Benfica está em queda. Deviam era estar preocupados como facto de, mesmo assim, termos conseguido vencer e mantermo-nos no topo da tabela. É que nem assim perdemos pontos. E dificilmente voltaremos a apresentar uma equipa tão desfalcada até ao final da época.

tags:
por D`Arcy às 02:24 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Terça-feira, 15.03.16

Passeio

Não foi das exibições mais conseguidas ou agradáveis do Benfica mas mesmo assim, perante o último classificado da liga, acabámos por construir mais uma goleada. E foi obtida de forma muito natural, quase em ritmo de passeio, ainda que tenha ficado com a sensação de que o resultado até acaba por ser generoso para aquilo que foi o jogo.

 

 

O grande handicap do Benfica para este jogo era, em princípio, a ausência do Renato Sanches, que tem sido um dos dínamos da equipa. Tendo em conta o que já tinha sido feito na recepção ao União da Madeira, não surpreendeu que a escolha para o substituir tenha voltado a ser o Talisca. A única meia surpresa foi a manutenção do Nélson Semedo na direita da defesa face à disponibilidade do André Almeida. O Benfica não teve uma entrada muito forte no jogo, pois pareceu abordá-lo com alguma calma (se calhar a ausência do Renato no meio campo dá logo essa ideia). O Tondela jogava com três homens bem abertos na frente e procurava pressionar logo a saída de bola do Benfica, que mostrava alguma lentidão nas transições para o ataque, com a bola a demorar demasiado tempo nos pés dos dois médios centro, e o Talisca a mostrar pouca precisão no passe. Mas esta equipa está com uma confiança muito alta e tem tido uma eficácia muito grande, conseguindo regularmente concretizar logo um golo nas primeiras ocasiões que consegue criar. E hoje isso voltou a acontecer, pois no primeiro remate digno desse nome que fizemos, com onze minutos decorridos, marcámos. Após um canto marcado pelo Gaitán na esquerda, o Jardel soltou-se da marcação e cabeceou para o golo. O Tondela procurou reagir a este golo - verdade seja dita que, não sei se por influência do golo madrugador, o Tondela nunca se remeteu exclusivamente à defesa e tentou sempre pressionar em todo o campo - mas o Benfica foi uma vez mais terrivelmente eficaz e aos vinte e quatro minutos voltava a marcar, na segunda oportunidade criada e depois de ter acelerado um bocadinho. Desta vez o golo foi resultado de uma jogada muito bonita (a mais bonita de todo o jogo, parece-me) em que a bola passou pelos pés de diversos jogadores, quase sempre ao primeiro toque, até ao passe atrasado do Gaitán para o interior da área, onde o inevitável Jonas finalizou com um remate rasteiro de pé esquerdo. Assim quase sem forçar muito, o Benfica apanhava-se com o jogo praticamente resolvido, e isso notou-se no resto da primeira parte, que foi morna e sem muitos mais motivos de interesse.

 

 

O jogo só não estava completamente resolvido porque o Tondela nunca baixou os braços nem desistiu de tentar voltar ao jogo. A pressão em todo o campo manteve-se na segunda parte, e a sensação que tinha era a de que o jogo estava num ponto em que podia cair para um de dois cenários: ou o Tondela reduzia, e aí o Benfica poderia sofrer um bocado, ou então o Benfica fazia o terceiro golo e arrumava definitivamente a questão. A primeira hipótese até foi a que esteve perto de acontecer primeiro, pois o Tondela fez a primeira ameaça na segunda parte com um remate por cima, e logo a seguir dispôs de uma ocasião muito boa para reduzir, mas o remate do seu jogador saiu muito ao lado quando estava em condições para fazer muito melhor. Faltava dinâmica ao nosso meio campo e cedo o nosso treinador fez uma alteração para corrigir isso, retirando o Talisca e colocando o Salvio, com o Pizzi a passar para o meio. Logo na primeira intervenção o argentino deu uma boa ocasião ao Mitroglou, mas a tentativa deste marcar de calcanhar não saiu bem. Logo a seguir, nova alteração, com a saída do Gaitán (pediu para sair, aparentemente tocado) e a entrada do Gonçalo Guedes. O nosso futebol agora tinha um pouco mais de velocidade e o jogo começou a pender nitidamente para a hipótese do terceiro golo que arrumaria a questão. Que surgiu aos sessenta e nove minutos, pelo inevitável Jonas, que no seguimento de um ressalto após um lançamento de linha lateral, com um cabeceamento sem muita força mas bem colocado colocou a bola fora do alcance do guarda-redes. A partir daqui a questão passou apenas a ser quantos golos mais conseguiríamos marcar, e apesar de mais algumas ocasiões a resposta foi apenas mais um, a três minutos do final, pelo Mitroglou. Um lance do mais simples que poderia haver, em que o Jardel fez um alívio desde a nossa defesa e a bola foi cair nas costas da defesa do Tondela, para depois o Mitroglou ganhar em velocidade aos adversários e marcar à saída do guarda-redes. Mas não gostei que tivesse tirado a camisola nos festejos, porque isso valeu-lhe o amarelo que completou a série de cinco e assim o deixou de fora do próximo jogo. Na última jogada do encontro, o Tondela conseguiu chegar ao golo de honra (que em abono da verdade, fez por merecer) depois do Pizzi perder uma bola no ataque quando a nossa equipa estava toda balanceada para tentar obter mais um golo, e depois fomos surpreendidos no contra-ataque.

 

 

Tenho alguma dificuldade em fazer destaques na exibição desta noite. O Gaitán somou duas assistências e mostrou mais empenho do que tem sido habitual nos últimos jogos. O Jonas marcou dois golos, mas até achei que à parte isso não foi dos jogos mais conseguidos dele. Acho que gostei do trabalho da dupla de centrais, mas foi pena o disparate que custou o amarelo ao Jardel que o retira também do próximo jogo, embora a culpa nesse lance seja repartida com o Fejsa. Mas o Fejsa voltou a mostrar ser um reforço muito importante para atacar a fase final da época.

 

Está ultrapassado o primeiro dos nove desafios até final. Confesso que apesar da diferença classificativa entre as duas equipas, até tinha algum receio deste jogo, por temer uma certa descompressão da equipa após vencer dois encontros decisivos. Mas a nossa equipa deu uma boa resposta e permitiu aos mais de cinquenta e um mil benfiquistas que numa noite de segunda-feira preencheram as bancadas da Luz criar um ambiente de entusiasmo quase permanente durante todo o jogo. Espero agora nova 'mini-Luz' no Bessa, para empurrar a nossa equipa e ajudá-la a superar mais um obstáculo no caminho para o desejado tricampeonato.

tags:
por D`Arcy às 02:48 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Quinta-feira, 10.03.16

Brilhante

Com um central disponível. Com um (enorme) guarda-redes a estrear-se na Champions - e que se estreou no passado fim-de-semana na liga. Com um golo adversário claramente precedido de uma ilegalidade. Mesmo assim, vitória e brilhante apuramento para os quartos da Champions League. E tudo isto sem cérebro.

 

 

Era uma tarefa complicada que tínhamos pela frente, quer pela margem mínima que levávamos para a Rússia, quer pelas ausências por lesões e castigos na defesa. Foi necessário recuar o Samaris para jogar ao lado do nosso quarto central do plantel, enquanto que na direita jogou o Nélson Semedo. No meio campo, em boa hora regressou o Fejsa. Quem esperava que o Benfica fosse jogar dedicado exclusivamente à defesa da magra vantagem deve ter tido uma surpresa, porque fomos tudo menos uma equipa defensiva na primeira parte. Tentámos jogar o jogo pelo jogo, sabendo que a vantagem era demasiado curta para podermos passar os noventa minutos a defendê-la, e sabendo que  um golo deixaria o desfecho da eliminatória muito favorável para as nossas cores. Por isso mesmo a posse de bola foi bastante repartida entre as duas equipas, com ataques de um lado e de outro. Na defesa, cedo se viu que o Samaris não estava a estranhar a nova posição, e que não seria por ali que a equipa iria tremer, até porque a dupla de centrais contou com a preciosa contribuição do Fejsa, que regressou ao mesmo nível em que estava quando se lesionou. Não foram muitas as ocasiões de perigo durante a primeira parte, e as que houve foram igualmente distribuídas entre as duas equipas. A nossa melhor ocasião foi um remate do Renato Sanches, que passou muito perto do poste, e do outro lado houve duas ocasiões nos pés do mesmo jogador, Dzyuba. Numa, o remate cruzado também passou muito perto do poste, e na outra foi o Ederson quem saiu aos pés do avançado e evitou o pior. À saída para o intervalo, as perspectivas eram as melhores: não só nunca passámos por nenhum sufoco, como a probabilidade do golo aparecer parecia ser igual para ambas as equipas, o que obviamente nos favorecia.

 

 

O segundo tempo não mostrou grandes mudanças logo no início, embora fosse já visível que era o Zenit quem agora conseguia ter mais posse de bola, mas depois do primeiro quarto de hora decorrido o cenário alterou-se bastante. Após uma dupla substituição operada pelos russos, a pressão destes aumentou e o perigo passou a rondar mais frequentemente a nossa baliza. Depois de algumas ameaças, a vinte minutos do final o golo chegou mesmo, quase a seguir à nossa primeira substituição (Jiménez no lugar do Mitroglou) e num lance em que pareceu haver uma falta clara cometida sobre o Nélson Semedo. Mas como não foi assinalada, o Zhirkov pôde progredir sem oposição até entrar na área e depois, já mesmo sobre a linha de fundo, centrar para a entrada de cabeça do Hulk já dentro da pequena área. Com o Zenit a chegar ao empate na eliminatória desta forma, isto podia ter sido um golpe capaz de abalar a confiança da equipa, mas isso não se verificou e a resposta surgiu quase de imediato. No seguimento de um canto o Lindelöf cabeceou a bola para o sítio certo, mesmo ao ângulo superior da baliza, só que o guarda-redes russo correspondeu com uma enorme defesa. O jogo voltava a ficar mais equilibrado, mas a grande oportunidade que se seguiu voltou a ser dos russos, quando o gigante Dzyuba resolveu arrancar com a bola por ali fora, deixando para trás todos os nossos jogadores que lhe saíram ao caminho até que o Ederson, que era o último obstáculo entre ele e o golo, conseguiu defender o remate. E a cinco minutos do final, numa altura em que o espectro do prolongamento já pairava, o Jiménez inventou um remate fantástico ainda de muito longe que levou a bola mais uma vez na direcção do cantinho superior da baliza. E mais uma vez o guarda-redes russo fez uma defesa fabulosa, só que desta vez fez a bola ir bater na trave e ressaltar para a frente da baliza, onde apareceu o Gaitán completamente à vontade a cabecear para o golo. A eliminatória ficava ali resolvida mas não o jogo, porque o Talisca, que tinha entrado já no período de descontos, ainda foi a tempo de, na primeira intervenção que teve e literalmente na última jogada da partida, aproveitar uma insistência do Gaitán pela zona central para tirar um adversário da frente e de pé direito marcar o golo da vitória.

 

 

Numa exibição muito personalizada e sólida da nossa equipa, o destaque maior vai para o regressado Fejsa, que foi um gigante no meio campo. Se dúvidas houvesse, o jogo de hoje só mostra o quanto o Benfica tem andado a perder com a sua indisponibilidade por lesão. Os miúdos Ederson e Lindelöf voltaram a mostrar que podemos contar com eles para o que der e vier, e o Samaris esteve praticamente impecável no centro da defesa - se calhar até melhor do que no meio campo, porque optou por jogar simples e limpar as jogadas, em vez de fazer daqueles passes de risco que ele por vezes resolve inventar. De resto, praticamente toda a equipa esteve num nível elevado, embora tenha sido visível o motivo pelo qual o Nélson Semedo não conseguiu recuperar a titularidade e é o André Almeida quem continua a merecê-la.

 

Aconteça o que acontecer daqui por diante, este é já um desempenho notável da nossa equipa nesta edição da Champions, ainda para mais tendo em conta todas as ausências e consequentes dificuldades para formar uma defesa para este jogo. Agora temos que mudar o registo e pensar no campeonato, pois segue-se a primeira das nove finais que temos para disputar. Depois de duas importantes e difíceis vitórias, a recepção ao Tondela tem que ser encarada com exactamente a mesma mentalidade desses dois jogos. O maior obstáculo que pode haver no caminho para o título somos nós quem o pode criar, se entrarmos num registo de excesso de confiança.

por D`Arcy às 04:13 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 06.03.16

Feito

Está feito. Sem gritarias, sem arrogância, sem faltas de educação ou de respeito. Com humildade, união, espírito de sacrifício e muito trabalho. À Benfica. 

 

 

Já sabíamos que o miúdo Lindelöf iria ter mais uma prova de fogo esta noite (se é que ele precisa de prestar mais alguma prova) mas pouco antes do jogo ficámos a saber da lesão do Júlio César, que implicava lançar o Ederson para a titularidade. Acredite quem quiser, mas não fiquei minimamente preocupado, e disse-o aos que me acompanharam nas bancadas de Alvalade. O Ederson tem dado sempre excelente conta de si sempre que foi chamado, e se formos ver bem as coisas, apesar do Júlio César ser um dos esteios da equipa, a verdade é que os jogos contra o Sporting nem foram dos que lhe correram melhor (teve peso na eliminação da taça, por exemplo). Aliás, confesso que já há muito tempo que não ia a Alvalade ver o Benfica sentindo-me tão tranquilo. Para além de uma inexplicável confiança de que iríamos sair de lá com um bom resultado (quanto maior a fanfarronice e as sucessivas faltas de respeito vindas daqueles lados, maior era a minha confiança), desde o empate do nosso adversário em Guimarães que praticamente deixei de me preocupar com este jogo. Simplesmente tinha a convicção de que mesmo em caso de derrota, face aos calendários de ambas as equipas até final, quatro pontos não seriam suficientes para o Sporting conseguir segurar a liderança. O jogo começou a ser jogado de forma relativamente aberta, o que até é habitual nestes jogos até que ambas as equipas encaixem uma na outra. Surpreendeu-me um pouco ver o que me pareceu ser uma maior insegurança do Sporting na defesa do que aquilo que esperava, já que logo nos instantes iniciais os defesas deixaram várias vezes passar bolas ou fugir os nossos jogadores, e revelando uma pouco usual permeabilidade pelo meio. Era notória a preocupação do William com as movimentações do Jonas, usando quase sempre até os braços para o agarrar em cada bola que disputava, mas hoje o Jonas revelou-se mais móvel do que tem sido habitual nestes jogos e por diversas vezes caiu para as faixas ou recuou muito no terreno para conseguir libertar-se e combinar com os colegas. A acção do Mitroglou na frente também era importante, ganhando bolas aos defesas e segurando-a para dar maior profundidade ao nosso jogo.

 

 

O jogo andou neste figurino durante a fase inicial, e achei mais uma vez que o primeiro golo seria determinante - na primeira volta o início de jogo também foi semelhante, e depois o nosso adversário marcou na primeira ocasião que teve e foi o que se viu. Mas durante esta fase do jogo o Benfica era a equipa mais perigosa e estava por cima no jogo, conseguindo ignorar e até controlar a euforia quase incontida com que os adeptos da casa encaravam este jogo, e por isso não me surpreendeu que fôssemos nós a conseguir esse importante primeiro golo, com vinte minutos decorridos. O lance começa no Jonas, que sobre a esquerda centra largo para o Pizzi. A defesa do Sporting consegue aliviar para a entrada da área, onde o Samaris tenta o remate de primeira. A bola bate no William e sobra para o Mitroglou, que se voltou mais rápido (enquanto o William foi para o chão) e na cara do Patrício fez aquilo que um matador sabe fazer. Um a zero para o Benfica. Pouco depois o Jesus fez uma alteração táctica, passando o Ruiz, que até então estava a jogar como segundo avançado, para a esquerda, o Bruno César para a direita, e colocando o João Mário mais no meio como apoio ao avançado. Com isto o Sporting começou a ter mais frequentemente superioridade numérica no meio campo, até porque hoje o Pizzi esteve muito mais preso à faixa direita, já que tinha que ter em atenção as subidas do Jefferson. O Sporting passou a ter mais bola e a jogar mais tempo no nosso meio campo, mas felizmente quase sempre sem conseguir criar grandes ocasiões de perigo frente a uma equipa quase sempre muito certinha a defender, que conseguia manter as linhas muito juntas e dar pouco ou nenhum espaço para o Sporting jogar entre a defesa e a linha média, e onde o miúdo Lindelöf chegava e sobrava para o melhor avançado do mundo e arredores que os malvados benfiquistas tentaram à viva força arredar deste jogo. A excepção a esta quase constante tranquilidade (e que excepção) surgiu a cinco minutos do intervalo, quando o Gaitán ficou a ver o Bruno César progredir à vontade pela direita e fazer um passe atrasado para a entrada da área, onde a bola acabou por sobrar para o Jefferson que atirou com estrondo à barra.

 

 

Na segunda parte o Benfica pareceu querer entrar mais ou menos como o tinha feito no início do jogo, e ainda teve um par de remates nos minutos iniciais, do Renato Sanches e do Gaitán, que não passaram longe do alvo, mas depressa se tornou evidente que a preocupação maior era mesmo jogar com segurança e manter a vantagem no marcador. Manter a maior parte da equipa atrás da linha da bola, a defesa organizada (mesmo sem o Luisão em campo, hoje a linha do fora de jogo esteve quase sempre bastante bem coordenada) e mesmo quando a bola era recuperada, sair para o contra-ataque com poucos jogadores. O Benfica recuou linhas, o Sporting instalou-se definitivamente no nosso meio campo, e a partir do primeiro quarto de hora desta segunda parte o Sporting teve a sua melhor fase no jogo, e consequentemente foi aquela em que passámos mais dificuldades. Foi nesse período que o Sporting teve as suas melhores ocasiões de golo na segunda parte, ambas nos pés do Ruiz. Na primeira, com a baliza completamente aberta e a dois ou três metros da linha de golo, atirou inacreditavelmente por cima. Muita sorte para o Benfica neste lance. Na segunda, tentou fazer a bola passar sobre o Ederson mas este evitou o golo com a ponta dos dedos. Foi por altura desta segunda ocasião, quando faltava pouco mais de um quarto de hora para jogar, que o nosso treinador trocou o Pizzi pelo Fejsa e começou a resolver o problema da superioridade do Sporting no centro do campo. Minutos depois o treinador do Sporting deu a machadada final quando fez uma dupla substituição, na qual trocou de laterais direitos mas, mais importante, retirou um médio (Adrien) para colocar um extremo (Gélson). O Sporting praticamente morreu nesse momento, pois o Benfica ganhou superioridade total no meio - pouco depois ainda a reforçámos, pois trocámos o Jonas pelo Salvio e passámos a jogar em 4-3-3. Daí até final, incluindo os cinco minutos de tempo adicional dados pelo árbitro, apenas num remate desferido bem de longe pelo João Mário é que o Sporting conseguiu dar alguma ideia de perigo e foi, pelo menos de forma aparente, extremamente fácil ao Benfica levar a vantagem no marcador até ao apito final.

 

 

Foi uma exibição muito solidária da nossa equipa, e uma vitória que exigiu muito trabalho. É certo que mostrámos muito pouco no ataque, mas para conseguir limitar as ocasiões de golo de uma equipa treinada pelo Jesus apenas às três que mencionei no texto foi preciso um grande trabalho. E apesar da equipa num todo estar de parabéns, o primeiro que quero destacar é o Ederson. Repito, não me senti minimamente intranquilo por saber que ele iria jogar, e no jogo confirmou que não tinha mesmo razões para tal. Esteve sempre seguríssimo, e começou nele esta vitória. Destaque também para a exibição dos nossos centrais, e em especial para o nosso puto sueco, que voltou a revelar uma frieza e lucidez impressionantes, boa colocação em campo e boa leitura do jogo. Acho que durante os noventa minutos deve ter tido um erro, em que falhou um cabeceamento. O Slimani praticamente não rematou à nossa baliza, e isso em muito se deveu à actuação da nossa dupla central. Menciono em mais uma crónica, e não me vou cansar de o fazer, o 'patinho feio' da nossa equipa, o Eliseu. Sim, não é um dos mais virtuosos do plantel. Mas dá sempre o que tem e o que não tem, e a sua experiência é cada vez mais importante. É benfiquista e sente a camisola. Para mim já merecia uma proposta de renovação. A dupla de avançados trabalhou muito, o Jonas não marcou mas ao contrário de outros jogos deste calibre, em que parece apagar-se, hoje esteve bastante em jogo, mesmo com a carraça do William a agarrar-se a ele o tempo todo. O Mitroglou teve a importância que já referi, e na altura certa mostrou o instinto de matador. Uma oportunidade, um golo. Não se lhe pode pedir mais. O Gaitán esteve apagado, tal como o Pizzi, ambos mais preocupados em fechar as alas e menos influentes pelo centro, como é mais habitual. O Renato Sanches foi importante na ocupação dos espaços e na batalha táctica no meio campo, mas perdeu-se demasiado em iniciativas individuais. O Samaris foi importante a destruir jogo e cortar linhas de passe, mas continua a ser demasiado perigoso nos passes que faz.

 

Com o Ederson, o Lindelöf e o Renato Sanches no onze, que não tiveram que nascer sequer duas vezes, quanto mais dez, fomos a casa do campeão auto-anunciado desde Julho passado conquistar a liderança e passar a ser a única equipa que agora depende apenas de si própria para conquistar o título. E fizemo-lo bem nas trombas do ordinário que anda a brincar aos presidentes de clube. Temos agora mais nove finais pela frente, que há que encarar com a mesma seriedade e humildade para que possamos, em Maio, ter mais uma vez a satisfação do dever cumprido.

 

P.S.- É algo que o Benfica já fazia a época passada, mas não deixa de merecer elogio a acção motivacional fantástica de preparar o balneário nos jogos fora para ficar como vemos na foto inicial que ilustra este post. Ninguém diria que se trata de um dos balneários do estádio de Alvalade.

tags:
por D`Arcy às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Terça-feira, 01.03.16

Inequívoca

Foi a exibição possível frente a uma equipa do União que veio à Luz para jogar da forma mais retraída possível. Não sendo brilhante, o Benfica jogou no entanto mais do que o suficiente para vencer de forma inequívoca, devendo a si próprio (e ao guarda-redes do União) um resultado mais desnivelado.

 

 

O perigo de suspensão para o próximo jogo fez com que apresentássemos um onze algo diferente do habitual, no qual o André Almeida e o Renato Sanches cederam os seus lugares ao Nélson Semedo e ao Talisca. O único jogador em risco de exclusão que fez parte da equipa foi o Jardel, tendo ao seu lado o Lindelöf, que continua a manter a titularidade apesar da recuperação do Lisandro. Na esquerda da defesa, devido à suspensão do Eliseu, o Grimaldo teve a oportunidade de se estrear em jogos da liga. O jogo foi aquilo que se esperava, com um União ultra defensivo acantonado nos últimos trinta metros e que saía para o ataque com dois, no máximo três jogadores, e o Benfica a fazer a bola circular na tentativa de encontrar uma brecha naquela muralha defensiva. Felizmente aconteceu o melhor que podia acontecer num jogo assim, que foi marcar um golo cedo. Logo aos cinco minutos, um mau alívio da defesa do União a um livre marcado pelo Pizzi na esquerda fez a bola ir parar aos pés do Jonas, que no limite da área rematou sem deixar a bola cair para um bonito golo. A grande vantagem de um golo cedo num encontro em que o adversário só vem para defender é que evita o acumular do nervosismo à medida que o tempo corre e o nulo se mantém. Outra possível vantagem é obrigar o adversário a desmontar a estratégia defensiva, mas não foi esse o caso com o União, que se manteve a jogar exactamente da mesma forma, como se ainda estivesse empatado. O Benfica continuou o exercício de paciência, e nos minutos seguintes construiu diversas ocasiões claras de golo que poderiam ter permitido resolver desde logo o assunto. O Pizzi e o Mitroglou, por duas vezes cada, tiveram oportunidades claras para marcar, mas o guarda-redes do União acabou por resolver. União que, conforme disse, quase não atacava e quando o fazia era com dois ou três jogadores, mas mesmo assim ainda conseguiu criar uma ocasião de bastante perigo, numa bola colocada nas costas da nossa defesa, que obrigou o Júlio César a sair da área para cortar de carrinho perante um adversário isolado. Nos minutos finais da primeira parte o Benfica abrandou bastante o ritmo e quase se limitou a circular a bola lentamente entre os seus jogadores, sem criar grandes ocasiões - apenas me recordo de um cabeceamento do Pizzi já quase sobre o intervalo.

 

 

O ritmo lento manteve-se no regresso para a segunda parte, o que ao fim de algum tempo até levou a alguns sinais de impaciência por parte dos adeptos - apesar do controlo absoluto do jogo por parte do Benfica, a vantagem mínima deixava-nos sempre expostos a um qualquer azar que pudesse ocorrer, mesmo tendo em conta que o União conseguia agora ser ainda mais inofensivo no ataque do que o tinha sido durante a primeira parte. A posse de bola do Benfica deve ter andado por valores à volta dos 70% ou ainda superiores, mas faltava-nos velocidade para desorganizar o amontoado de jogadores do União em redor da sua área, e por isso, ao contrário do que tinha sucedido na primeira parte, não estávamos a ser capazes de criar ocasiões de golo. Melhorámos um pouco nesse aspecto na segunda metade desta parte, sobretudo depois do nosso treinador ter decidido retirar finalmente o Talisca do jogo, substituindo-o pelo Salvio e passando o Pizzi para o centro. Houve também mais envolvimento ofensivo do Néslon Semedo e do Grimaldo, e o Benfica carregou mais na busca do golo da tranquilidade. Que surgiu a um quarto de hora do final, pelo inevitável Jonas. Na jogada anterior o guarda-redes do União tinha conseguido negar, de forma incrível, o golo ao Mitroglou, com uma defesa por instinto para canto. Na sequência do mesmo, novo remate do Mitroglou, mas desta vez um desvio subtil do Jonas tirou a bola do caminho do guarda-redes. Com a vitória praticamente assegurada, foi então possível gerir tranquilamente o jogo até final - o único risco foi mesmo que não havia nenhum defesa central no banco que permitisse retirar o Jardel do campo. Houve apenas um sobressalto, quando um jogador adversário conseguiu ficar completamente isolado, mas complicou demasiado na hora de rematar e acabou desarmado à entrada da área.

 

 

O Jonas foi inevitavelmente o homem do jogo, com mais dois golos - o primeiro foi muito bom - que decidiram o jogo. O Lindelöf voltou a mostrar grande sobriedade e segurança na defesa nas poucas vezes que teve que intervir. É um defesa que joga simples e não complica nada, e acima de tudo é isso que se lhe pede nesta fase. Também me agradou a exibição do Pizzi, embora me irrite o facto de parecer ter desaprendido a marcar cantos. O Grimaldo fez um jogo em crescendo, nada de muito brilhante mas parecendo ganhar confiança à medida que os minutos passavam. Mas neste momento parece-me claro que o Eliseu é o dono do lugar. O Nélson Semedo ainda está com notória falta de ritmo. O Gaitán foi muito pouco influente neste jogo, e dele espera-se sempre algo especial. O pior mesmo, para mim, foi o Talisca, que jogou a um ritmo excessivamente pausado e não pareceu mostrar grande empenho.

 

Reduzimos a diferença para o topo da tabela para um ponto, e no próximo jogo teremos a oportunidade para disputar essa posição. O Benfica é neste momento uma equipa muito diferente daquela que, na fase inicial da época, tão má imagem deixou, pelo que me parece legítimo acalentar esperanças que possamos conquistar um resultado que nos deixe em aberto todas as possibilidades de continuarmos a defender o título que nos pertence. Haja atitude e brio para lutar por esse objectivo, e deixar orgulhosos os benfiquistas que não deixam de acreditar nesse objectivo - e que hoje voltaram a marcar presença significativa na Luz.

tags:
por D`Arcy às 02:23 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 22.02.16

Sólida

Uma primeira parte menos conseguida do Benfica fez com que a vitória fosse uma tarefa mais difícil de concretizar do que o esperado, frente a um Paços de Ferreira bem organizado e que deu bastante luta.

 

 

Uma única alteração no onze que tinha derrotado o Zenit, com a troca do lesionado Gaitán pelo Carcela. O Lisandro continua lesionado, portanto o jovem Lindelöf manteve a titularidade no centro da defesa, ao lado do Jardel. Ao fim dos primeiros minutos já dava para perceber que a nossa tarefa não seria fácil, porque se por um lado o Benfica parecia não estar a conseguir colocar muita velocidade no jogo, por outro a dificuldade em fazê-lo parecia também ser bastante por culpa do Paços, que se mantinha sempre muito bem organizado atrás da linha da bola, com os seus jogadores a ocuparem muito bem os espaços no campo, e depois conseguindo frequentemente sair bem e com velocidade para o contra-ataque. Mas de repente as coisas até começaram a parecer mais facilitadas, pois praticamente na primeira vez que o Benfica chegou com perigo à baliza do Paços, o Mitroglou marcou, concluindo uma jogada entre o Carcela e o Jonas, que incluiu um toque de calcanhar deste último. Provavelmente o jogo da Champions terá tido alguma influência, mas o Benfica desta vez não pareceu muito interessado em exercer um domínio avassalador e carregar sobre a baliza adversária mesmo depois de alcançada a vantagem, e as ocasiões de golo continuaram a escassear. Apenas aos vinte e dois minutos voltámos a levar perigo à baliza do Paços, num bom remate de fora da área do Renato Sanches, que obrigou o guarda-redes a defender para canto. Na sequência do mesmo, contra-ataque do Paços conduzido exclusivamente pelo Diogo Jota, que só acabou com a bola dentro da nossa baliza. Nenhum dos nossos jogadores envolvidos no lance ficaram bem na fotografia: o Lindelöf deixou-se ultrapassar com demasiada facilidade, o Eliseu encolheu-se e não meteu o pé, e o Júlio César estava mal posicionado, pois ficou tão adiantado que foi com naturalidade que o jogador do Paços fez a bola passar-lhe por cima (ainda ele estava a preparar o remate e já eu estava a antecipar o golo). O empate veio complicar mais o cenário, que se mantinha tal como no início: dificuldades do Benfica para desposicionar o Paços, e estes a saírem sempre que possível bem no contra-ataque - por mais de uma vez conseguiram chegar perto da nossa área em superioridade numérica. No período de descontos, o árbitro assinalou penálti sobre o Jonas depois de uma iniciativa individual do mesmo, e o melhor marcador do campeonato não desperdiçou, levando-nos a vencer para o intervalo.

 

 

Foi um Benfica diferente para melhor que regressou do intervalo, e que foi à procura do golo da tranquilidade, colocando-se a salvo de mais alguma surpresa. Houve mais insistência no jogo pelas faixas, com os laterais a envolverem-se mais no ataque, e com o Pizzi bastante activo na zona central. E não foi preciso muito tempo (apenas doze minutos) para que esse golo surgisse, na sequência de um livre lateral marcado pelo Pizzi. O Jardel ganhou a primeira bola nas alturas e colocou de cabeça para que o Lindelöf, sobre a pequena área, atirasse para o fundo da baliza. Para um miúdo que foi atirado às feras há um par de semanas atrás, esta deve ter sido uma semana para recordar: estreia na Champions League e, quatro dias depois, primeiro golo pelo Benfica. E o Benfica continuou a carregar depois do golo, construindo ocasiões mais do que suficientes para dilatar o resultado. Mas faltou melhor finalização em algumas dessas situações, e noutras houve excesso de individualismo - contei pelo menos duas em que bastaria aos nossos jogadores terem feito o passe para o Jonas, que estava isolado no meio da área, mas em vez disso preferiram tentar o remate de ângulo apertado. Como o jogo parecia mais ou menos resolvido, deu para dar mais alguns minutos de jogo ao Salvio e ao Nélson Semedo, e esperava também que o Benfica aproveitasse para forçar o quinto amarelo aos jogadores que estão em risco de exclusão, mas isso não aconteceu com todos. O André Almeida até acabou por sair em dificuldades físicas, o Eliseu forçou claramente o amarelo e conseguiu-o, mas estranhamente o Renato Sanches nada fez por isso. Pode ser um risco, até porque a forma como ele joga o expõe normalmente ao risco de ver cartões, mas foi esta a estratégia escolhida. Ainda antes do final, tempo para o Júlio César com duas intervenções se redimir do golo sofrido, a segunda das quais uma excelente defesa a um bom remate do inevitável Diogo Jota - não sei se ele estará mesmo já contratado pelo Benfica, mas se está então o jogo de ontem confirmou que foi uma boa aposta.

 

 

Não encontro grandes destaques individuais para fazer na nossa exibição. O Jonas e o Pizzi foram importantes na melhoria do nosso jogo na segunda parte, o Mitroglou também não esteve mal, mas regra geral toda a equipa esteve bastante homogénea em termos das exibições individuais.

 

Foi mais uma vitória importante, como todas o são. Não tendo tido a exuberância de triunfos anteriores, ainda assim a equipa exibiu-se de forma sólida na segunda parte e venceu de forma inequívoca um adversário complicado. Temos agora um período um pouco mais alargado de recuperação para recebermos um adversário que no jogo da primeira volta, de forma inesperada (e muito por culpa nossa) nos tirou pontos. É por isso importante manter os níveis de concentração mesmo perante adversários que pareçam teoricamente mais acessíveis.

por D`Arcy às 02:25 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 17.02.16

Justa

Uma boa reacção ao mau resultado no último jogo e uma vitória justa, mesmo que arrancada no último suspiro do jogo, sobre o Zenit no regresso à Champions.

 

 

Apresentando um onze sem qualquer surpresa, o Benfica foi sempre a equipa que mais procurou a vitória, frente a um Zenit que pareceu mais preocupado em levar da Luz um nulo do que em obter um sempre valioso golo fora de casa. Apesar de só a vitória interessar o Benfica nunca se lançou deliberadamente ao ataque, o que me pareceu natural dado que se tratava de um jogo da Champions League, onde os erros defensivos normalmente se pagam muito caro. As nossas saídas para o ataque foram quase sempre feitas de forma racional e cautelosa, pelo que os desequilíbrios foram raros. Frente a um Zenit mais preocupado com a segurança defensiva e que atacava quase sempre com pouca gente (praticamente apenas com os três jogadores mais adiantados) isto resultou numa primeira parte monótona, com o Benfica a ter muito mais posse de bola mas em que os dedos de uma mão chegam e sobram para contar o número de ocasiões de golo das duas equipas juntas. A postura das equipas não só se manteve como se acentuou na segunda parte, e ainda mais à medida que o final do jogo se foi aproximando. Creio que contei apenas um remate do Zenit feito na direcção da baliza, enquanto que o Benfica foi aproveitando a quebra física dos russos para carregar mais na procura de um golo que parecia mesmo que não iria surgir, sobretudo depois do Gaitán desperdiçar aquela que até à altura foi a melhor ocasião de golo de todo o jogo. Foi já em período de descontos que na sequência de um livre (que custou a expulsão por acumulação de amarelos do lateral esquerdo do Zenit, Criscito) marcado pelo Gaitán, o Jonas apareceu no meio da área, num cacho de jogadores, a cabecear para o merecido golo, com a bola a entrar bem junto do poste. Até final ainda deu tempo para o Benfica voltar a ameaçar num bom remate do Samaris, que obrigou o guarda-redes a uma defesa mais apertada.

 

 

Creio que merece destaque a exibição do jovem Lindelöf no centro da defesa. Tem correspondido desde que foi chamado a assumir a titularidade e hoje, num jogo da Champions, não tremeu e terá feito o seu melhor jogo pelo Benfica até agora. Isto quando teve quase sempre que travar uma luta algo desigual com o gigante Dzyuba. Uma boa indicação, até porque terá que jogar a segunda mão, já que o Jardel estará suspenso e certamente que ainda não haverá Luisão. Quero mencionar também o jogo que o Eliseu fez, ate porque não sendo um portento de jogador ainda assim acho sempre que leva muito mais 'porrada' dos benfiquistas do que aquela que merece. Hoje esteve praticamente impecável e conseguiu controlar sem grandes problemas o Hulk, que seria em teoria o jogador mais perigoso para nós. Não sei se terá sido ultrapassado uma única vez. Depois, nos mais habituais, há sempre espaço para mencionar o Renato Sanches, que continua a ser o pulmão da equipa.

 

Uma vitória por 1-0 em casa é um bom resultado na Champions. Evitámos conceder um sempre comprometedor golo em casa, e partimos para o segundo jogo em vantagem e sabendo que se marcarmos um golo na Rússia tornaremos a tarefa muito complicada ao Zenit. E tendo em conta a apetência que a nossa equipa tem para marcar golos, não parece de todo improvável que o consigamos fazer. Por agora, é tempo de nos focarmos no campeonato e voltarmos a mostrar que o que aconteceu da última jornada não passou de um jogo menos feliz.

 

tags:
por D`Arcy às 01:00 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 12.02.16

Inacreditável

Sofremos uma derrota difícil de digerir, mas a verdade é que num jogo de extrema importância acabámos por falhar demasiadas vezes, e isso normalmente paga-se caro. 

 

 

O jogo pode resumir-se ao inacreditável número de ocasiões flagrantes de golo falhadas pelo Benfica num lado do campo (já goleámos em vários jogos em que tivemos menos ocasiões do que hoje) e a ofertas inadmissíveis do outro lado do campo, que permitiram que o Porto em três ou quatro ocasiões marcasse dois golos (não me recordo de uma defesa digna desse nome por parte do Júlio César). E nem foi tanto pelo inexperiente Lindelöf que cedemos - no primeiro golo houve uma inaceitável passividade, onde ninguém saiu ao encontro do jogador do Porto, que teve todo o tempo do mundo para à entrada da área preparar o remate e escolher onde queria colocar a bola, e no segundo quem falhou grosseiramente foi o Jardel. Falhámos também, a meu ver, nas substituições feitas, porque tenho dificuldades em compreender as entradas do Talisca e do Salvio, que há nove meses que não jogava, enquanto que, por exemplo, o Gaitán permaneceu os noventa minutos em campo em claro sub-rendimento. Nem consigo criticar muito a equipa porque jogaram o suficiente para vencer - mesmo numa segunda parte de qualidade bastante inferior à primeira, ainda assim bastaria termos concretizado uma das ocasiões claras que criámos para que o resultado fosse diferente - mas num momento crucial faltou-nos frieza e maior concentração para conseguirmos dar um passo que poderia ser muito decisivo na luta pelo título.

 

Enfim, hoje foi um daqueles jogos em que as coisas não correm tão bem, e se calhar neste momento ainda poderíamos andar a fazer tiro ao boneco ao Casillas que a bola continuaria a não entrar. Foi um revés, mas nada está perdido e há que continuar no rumo traçado sem perder a cabeça. Dessa forma, depressa regressaremos aos bons resultados.

tags:
por D`Arcy às 23:46 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Sábado, 06.02.16

Atropelamento

Mais um jogo, mais uma goleada, a juntar às muitas que o Benfica tem coleccionado desde que entrou nesta sequência impressionante de vitórias. Desta vez a vítima do atropelamento foi o Belenenses, que em sua própria casa pouco conseguiu fazer para evitar nova derrota pesadíssima frente ao Benfica.

 

 

Na constituição do onze a dúvida prendia-se com a escolha de quem actuaria ao lado do Jardel no centro da defesa. Foi a escolha óbvia: Lindelöf. É jovem e tem pouca experiência na primeira liga, mas é quem está disponível e não vale a pena inventar adaptações. Sobre o jogo, escreverei o que conseguir já que o vi praticamente ao nível do relvado, algo a que não estou habituado e que me dificulta conseguir perceber bem tudo o que se vai passando. Duas coisas foram visíveis logo de entrada: o Benfica foi para cima do Belenenses, como se esperava, e o Belenenses nunca tentou fechar-se na defesa e jogar para o pontinho - o seu treinador cumpriu portanto aquilo que tinha prometido na antevisão. Tentou jogar o jogo pelo jogo e nunca desistiu de procurar chegar ao golo. O Benfica poderia ter chegado à vantagem logo no primeiro minuto de jogo, mas o Gaitán falhou a ocasião de forma quase inacreditável, rematando ao lado da baliza quando apareceu completamente à vontade no interior da área depois de receber um passe do Pizzi. O Benfica cedo se instalou no meio campo adversário, enquanto que o Belenenses tentava responder sobretudo através de lançamentos longos para as costas da nossa defesa, pelas alas. Apesar do domínio territorial do Benfica, remates propriamente ditos à baliza não eram muitos na fase inicial, sobretudo porque o Benfica tentava tabelas ou mais um passe na zona central, que acabava interceptado. Por outro lado, a pressão alta do Benfica provocava erros na defesa do Belenenses quando tentava sair a jogar para o ataque. Da parte do Benfica parecia haver bastante confiança (às vezes quase a roçar a sobranceria) de que o golo acabaria inevitavelmente por aparecer, o que se veio a confirmar a quatro minutos do descanso. Depois do Renato Sanches progredir com a bola pelo centro (uma das muitas vezes que o fez durante o jogo), soltou-a para o Pizzi na direita, que centrou para o cabeceamento certeiro do Mitroglou, de cima para baixo, contando com a colaboração do guarda-redes Ventura (o Rúben Pinto, que de forma algo surpreendente estava a jogar a central, não conseguiu o corte de cabeça). O golo dava justiça ao resultado e reflectia o domínio do Benfica no jogo, mas tendo em conta aquilo que se tem passado nos últimos jogos, era previsível que depois de obtido o primeiro a equipa não parasse por ali.

 

 

A segunda parte começou como a primeira, com uma boa oportunidade para o Benfica, mas o remate do Pizzi foi na direcção do guarda-redes. Depois disso o Belenenses pareceu querer responder e durante alguns minutos andou perto da nossa baliza, tendo ameaçado após uma asneira do Jardel resolvida a custo pelo Júlio César, e depois num bom remate do Miguel Rosa. Mas aos oito minutos o Benfica chegou ao segundo golo e praticamente sentenciou o jogo. Bola recuperada pelo Renato ainda no nosso meio campo, seguiu para o Gaitán, e dele para o Jonas, que dentro da área tirou um adversário da frente com uma finta de corpo e rematou em arco e com muito jeito para o poste mais distante, Belíssimo golo. Cinco minutos depois, novo golo, desta vez do Mitroglou, mais uma vez com o Renato no início da jogada, a progredir pela esquerda, bola para o outro lado no Pizzi, que dentro da área evitou os defesas e cruzou rasteiro para que o grego empurrasse para a baliza. Estava visto que vinha aí nova goleada, mas como disse no início o Belenenses nunca se entregou e teve duas ocasiões quase seguidas para reduzir a diferença. Primeiro o Miguel Rosa atirou ao lado após uma intercepção falhada do Lindelöf (única falha que teve em todo o jogo), e a seguir o Júlio César brilhou ao defender um livre do Carlos Martins e ainda a recarga (embora o jogador do Belenenses estivesse em fora de jogo, assinalado). O jogo continuou a ser disputado numa toada bastante aberta, e a um quarto de hora do final o Mitroglou chegou ao hat trick. Erro de um defesa do Belenenses, que deixou escapar uma bola para o Gaitán e o argentino, de calcanhar, deixou ao Mitroglou a tarefa simples de finalizar em frente ao guarda-redes. Nesta altura já o Benfica tinha trocado o Eliseu pelo Sílvio, protegendo-o de um amarelo que o deixaria de fora do próximo jogo. Minutos depois foi a vez do Pizzi dar o lugar ao Carcela, que entrou bastante activo e acabou mesmo por, já nos instantes finais, oferecer mais um golo ao Jonas, depois de combinar com o André Almeida na direita e conseguir o passe atrasado já sobre a linha de fundo.

 

 

Depois de um jogo destes é fácil fazer destaques, e o maior terá que ser para o jogador que marcou três golos. Mas o Mitroglou fez mais do que marcar, pois jogou e fez jogar os colegas, segurou a bola quando era preciso, progrediu com ela, solicitou colegas e até mostrou pormenores técnicos que pouco lhe são vistos. Foi sem qualquer dúvida o melhor jogo que fez desde que chegou ao Benfica. Depois há destaques que já se começam a tornar quase rotina: o Pizzi, com mais duas assistências para golo, o Jonas com mais dois golos e também, e muito, o Renato Sanches. Impressionante o raio de acção do seu jogo, parece estar sempre em todo o lado, e é sempre fantástico ver a forma como consegue progredir em velocidade (e força) com a bola nos pés. Não foi por acaso que teve intervenção directa nos três primeiros golos do Benfica - é um jogador fantástico e infelizmente duvido que o consigamos segurar no Benfica por muito tempo. Menção também para um bom jogo do André Almeida (o regresso do Nélson Semedo à competição e consequente luta pela titularidade parecem tê-lo motivado a ser mais interventivo no ataque) e para o estreante a titular Lindelöf. Fez um jogo quase sempre seguro (conforme disse, registei-lhe apenas uma falha) e não foi por ali que a equipa tremeu - aliás, falhou mais vezes o mais experiente Jardel.

 

O Benfica atravessa sem qualquer dúvida o seu melhor momento da época, quer em termos exibicionais, quer nos níveis de confiança. E a equipa parece continuar ainda a crescer, pois faz um bom jogo e no jogo seguinte consegue superar-se a si própria e fazer ainda melhor (no início desta época nunca pensei que pudesse ver esta equipa jogar desta forma). É a altura certa para desafios mais difíceis como o serão certamente Zenit e Porto. Espero que, com o incansável apoio da onda vermelha (que hoje no Restelo disse mais uma vez 'presente'), consigamos prolongar esta série fantástica.

tags:
por D`Arcy às 13:52 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 01.02.16

Superioridade

Não há dois jogos iguais, mas a superioridade do Benfica em mais um encontro frente ao Moreirense foi novamente incontestável, e a goleada saiu outra vez de forma muito natural. Pode não ter sido um jogo tão fácil como o da Taça da Liga tinha sido, mas voltou a ser mais um passeio do Benfica por Moreira de Cónegos, com quatro golos lindos que resultaram de quatro jogadas de equipa em bola corrida.

 

 

Houve apenas uma alteração no onze que tem sido mais habitual nos últimos jogos do campeonato. Com o regresso do Gaitán alguém teria que sair, e foi o Carcela. O Nélson Semedo pode já estar recuperado mas o André Almeida não quer ceder o seu lugar sem luta, e o Samaris tenta aproveitar a ausência do Fejsa no meio campo. A entrada do Benfica no jogo foi fortíssima, rapidamente remetendo o Moreirense para o seu meio campo e limitando o adversário a tentativas de saída para o ataque através de pontapés longos para os jogadores mais adiantados. O Benfica apresentou o carrossel habitual no ataque, com deambulações e trocas de posição constantes do Jonas, Pizzi e Gaitán, e com o Renato Sanches muito activo a preencher os espaços. A boa entrada foi recompensada aos dezasseis minutos, com o golo do Jonas. O Samaris libertou o Pizzi na direita, que centrou para a entrada fulgurante de cabeça do nosso goleador. Depois de alcançada a vantagem, o Benfica abrandou um pouco e então lá se viu um pouco mais de Moreirense no jogo, mas sempre com o Benfica a aparentar ter o jogo completamente sob controlo. Houve um ou outro lance mais apertado, o Júlio César ainda teve que se aplicar num lance, mas sobre o intervalo foi o Benfica quem, com muita naturalidade, aumentou a vantagem. Mais um golo bonito, no qual o Renato progrediu pelo meio com a bola, solicitou o Eliseu na esquerda, e o centro deste mesmo no limite for rematado de primeira pelo Mitroglou, que voltou a fuzilar a baliza adversária. Depois do golo de calcanhar na última jornada, mais um bonito golo do nosso avançado grego.

 

 

Na segunda parte a toada manteve-se, ou até se agudizou, porque o Benfica pareceu estar mesmo interessado em congelar o jogo e gerir o esforço. O Moreirense tentava chegar ao golo que relançasse o resultado e ameaçava quase sempre pelo mesmo jogador, o Iuri Medeiros. O Benfica dava a impressão de estar simplesmente a deixar correr o tempo, e que em qualquer altura poderia acelerar e dar a estocada final - mesmo que o Moreirense, por acaso, tivesse chegado ao golo, a ideia com que fiquei foi que isso de forma alguma faria abanar a equipa, e esta rapidamente voltaria a pegar no jogo e a resolvê-lo. Prova disso a lesão do Lisandro, que forçou a sua saída - entrou o Lindelöf para o seu lugar e não se notou qualquer tipo de abanão no Benfica com a presença do jovem sueco na defesa. Mas nem foi preciso preocuparmo-nos, porque a meio da segunda parte, e em mais uma jogada brilhante, desta vez entre o Pizzi e o Jonas, o Benfica fez o terceiro golo e matou o jogo. Para além das trocas de bola entre os jogadores, muito bonita também a frieza do Jonas na cara do guarda-redes e a forma como o evitou para depois rematar para a baliza deserta. O Benfica passou então a jogar perfeitamente à vontade e a um quarto de hora do fim chegou ao quarto golo. O Gaitán tinha marcado dois a meio da semana e não quis passar este jogo sem voltar a marcar, o que conseguiu em mais uma jogada muito bonita, na qual o Jonas deu o toque final para que ele entrasse pelo centro e, em frente ao guarda-redes, finalizasse de forma fácil, de trivela. Só foi pena o golo concedido já no período de descontos, inevitavelmente marcado pelo Iuri Medeiros, que deve ter feito 90% dos remates do Moreirense.

 

 

Destaques para alguns dos suspeitos do costume. Jonas, com dois golos e uma assistência e a habitual importância das suas movimentações em zonas mais recuadas e combinações com os colegas. O Pizzi, que continua a jogar como nunca o tinha visto fazer, que desta vez não marcou mas fez duas assistências e voltou a ser um dos motores da equipa. E por falar em motores, o Renato Sanches foi também um deles no meio campo. Continua a ter algumas perdas de bola, mas recupera ainda mais e o saldo é francamente positivo, até porque ele é um dos jogadores que actua sempre em alta rotação e está constantemente a proporcionar linhas de passe no meio campo. No geral, toda a equipa me pareceu ter actuado a um bom nível.

 

A sequência de bons jogos continua. Mais do que as vitórias, o que me dá confiança é ver agora a equipa a praticar um futebol que nunca vi nos primeiros meses do Rui Vitória no cargo. Mesmo que eventualmente voltemos a ter um mau jogo (espero que não) sei aquilo que a equipa pode produzir. Esta é uma equipa completamente transfigurada daquela que vimos no início da época, e sempre que conseguir apresentar esta qualidade de jogo, será muito difícil não vencer.

tags:
por D`Arcy às 01:33 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quarta-feira, 27.01.16

Passeio

Era um jogo decisivo para decidir a passagem às meias-finais da Taça da Liga, e acabou por ser um autêntico passeio em Moreira de Cónegos. O Benfica goleou por seis a um, e conseguiu fazê-lo deixando uma imagem de tremenda facilidade, de tal forma que se pensarmos no jogo e nas ocasiões que o Benfica ainda assim desperdiçou, se calhar não seria chocante se tivéssemos chegado aos nove ou dez golos.

 

 

Como seria de esperar, muitas trocas na equipa, com apenas três jogadores a manterem a titularidade: Jardel, Samaris e Renato Sanches. Oportunidade também para dar minutos aos recém recuperados Nélson Semedo e Gaitán. O Benfica pareceu abordar o jogo de início de forma bastante descontraída, sem forçar muito o andamento, mas depois revelou-se mortífero e extremamente eficaz. No curto espaço de oito minutos, entre os doze e os vinte, já o jogo ficava resolvido com três golos de rajada. Primeiro num penálti marcado pelo Talisca, a punir uma falta sobre o Gonçalo Guedes; dois minutos depois novamente o Talisca, num remate de primeira a aproveitar um mau alívio de um defesa pressionado pelo Gaitán; e finalmente uma obra de arte do Gaitán a concluir uma jogada iniciada no Gonçalo Guedes, que passou pelo Talisca, e terminou com o mago argentino a passar pela defesa toda do Moreirense, guarda-redes incluído, e praticamente a entrar pela baliza dentro com a bola. O Moreirense ainda reduziu, mas à meia hora de jogo o Jiménez repôs a diferença, depois de pressionar um defesa e ganhar-lhe a bola, para depois fazer um chapéu ao guarda-redes. Mesmo sobre o intervalo, o Gaitán atirou uma bola à barra. Na segunda parte o Benfica apostou sobretudo em gerir o resultado e a poss de bola, o que conseguiu fazer com bastante facilidade. Mesmo assim, deu para ir criando ocasiões de golo flagrantes que seriam suficientes para construir um resultado ainda mais dilatado. Os dois médios foram substituídos e poupados a mais esforços, deu para estrear o Grimaldo (mostrou ter vocação ofensiva) e na fase final do jogo acelerámos um bocadinho e chegou-se a uma verdadeira goleada. Aos oitenta e três minutos o Talisca assinou outro grande momento no jogo, chegando ao golo num grande remate cruzado, ainda de fora da área. E sobre o apito final o Gonçalo Guedes fugiu pela direita, ganhou a linha de fundo, e fez o passe atrasado para o Gaitán marcar de pé direito.

 

 

Os maiores destaques do jogo são obviamente para o Talisca, que independentemente do hat trick aproveitou muito bem o espaço que teve para se assumir como organizador de jogo, quer quando jogou como segundo avançado, quer quando recuou para o meio campo, e para o Gaitán, que marcou dois, deixou inúmeros pormenores da sua classe, e se não tivesse entrado num registo de algum relaxamento e vontade em jogar para o espectáculo talvez pudesse também ter pelo menos marcado tantos golos como o Talisca. O Nélson Semedo parece estar a recuperar a forma, e o Gonçalo Guedes, apesar de algumas coisas lhe continuarem a sair mal (e foi notória a sua frustração quando isso acontecia) ainda assim conseguiu ficar directamente ligado a três dos golos - fiquei particularmente satisfeito com a jogada do último golo. Parece-me que fica a ganhar quando pode jogar com o Nélson Semedo na lateral direita.

 

O apuramento para as meias-finais foi conseguido de forma brilhante, e agora resta repetir a fórmula frente a este mesmo adversário já no próximo domingo. Por muita satisfação que este resultado nos dê, a verdade é que também poderá ser perigoso para nós se de alguma forma se reflectir num excesso de confiança da nossa equipa para esse jogo. O jogo desta noite já é passado, agora é preciso encarar o próximo com a máxima concentração para evitarmos surpresas.

tags:
por D`Arcy às 01:37 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 24.01.16

Consistente

Mais uma vitória tranquila e indiscutível para o Benfica, num jogo em que o vencedor começou a ficar determinado muito cedo, o que terá talvez até contribuído para uma segunda parte algo relaxada demais da nossa equipa.

 

 

A lesão do Fejsa, que foi dos jogadores em melhor forma nos últimos jogos, significou o regresso do Samaris ao onze. O outro grego do plantel reconquistou a titularidade na frente de ataque, relegando o Jiménez para o banco. Dificilmente o jogo poderia ter começado de melhor forma para o Benfica, que logo no terceiro minuto se colocou em vantagem. Aproveitando da melhor forma um toque de cabeça do Jonas, o Pizzi surgiu na zona frontal da área a rematar de primeira para fazer o golo. O Benfica apresentou o futebol que tem sido habitual ultimamente, com os dois extremos, o Jonas e o Renato Sanches a darem bastante dinâmica na zona do meio campo, em especial o Pizzi, que parece jogar com grande liberdade para vaguear pelo campo. Hoje também achei que os nossos laterais estiveram mais participativos no jogo ofensivo da equipa, e que o André Almeida pareceu estar bastante confiante. O regresso do Nélson Semedo deve estar a espicaçá-lo para manter a titularidade.  Benfica manteve a pressão sobre o Arouca, e acabou por chegar ao segundo golo aos dezanove minutos. Na sequência de um canto do Pizzi, toque de cabeça do Lisandro e depois o Mitroglou, à boca da baliza, finalizou com um toque de calcanhar. Apanhando-se a vencer por dois golos tão cedo, pareceu-me que os nossos jogadores resolveram relaxar. Mantivemo-nos sempre claramente por cima no jogo, e mais perto do terceiro golo, mas os nossos jogadores começaram a apostar mais em iniciativas individuais ou em enfeitar demasiado as jogadas. O momento mais perigoso foi já perto do intervalo, numa iniciativa individual do Jonas, que ultrapassou vários adversários mas depois viu o Bracali negar-lhe o golo com o pé.

 

 

A reentrada na segunda parte não foi a melhor. Ainda tivemos duas situações logo a abrir em que poderíamos ter dado a machadada final no jogo, pelo Mitroglou e o Jonas, mas o primeiro rematou à figura do guarda-redes e o segundo fez a bola tirar tinta ao poste. Mas depois disso pareceu-me mesmo que a atitude reinante na maior parte dos jogadores apontava mais para a gestão do esforço e do resultado, o que acabou por permitir ao Arouca ter a sua melhor fase no jogo, com mais posse de bola e até algumas situações de perigo, que não resultaram em males maiores por deficiente finalização dos seus jogadores. Claro que o maior balanceamento do Arouca para o ataque deixava muito mais espaço atrás, que os nossos jogadores podiam aproveitar para criar perigo. A vinte e cinco minutos do final assistimos ao regresso do Gaitán, que praticamente na primeira intervenção que teve deixou o Mitroglou isolado em frente ao guarda-redes. O grego permitiu a defesa, mas na embrulhada que se seguiu o Jonas acabou por ser o último a empurrar a bola para a baliza, dando ainda mais descanso ao Benfica. O jogo pouco mais história teve depois disso, a não ser o Benfica a desperdiçar ocasiões para dilatar ainda mais a vantagem, quer por má finalização, quer por más opções do jogador que transportava a bola (quase sempre insistência em acções individuais). O Mitroglou e o Talisca voltaram a desperdiçar, ocasiões isolados à frente do guarda-redes (começa a ser preocupante a quantidade de vezes que os nossos jogadores conseguem desperdiçar este tipo de lances) mas acabou por ser o Arouca, já em período de descontos, a marcar. Foi depois de um canto, em que o Lisandro foi batido pelo ar por um dos centrais adversários. Podia ter sido uma goleada, acabou por ser uma vitória tranquila mas por uma margem que no final até acabou por me saber a pouco.

 

 

Não achei que tivessem havido exibições que se pudessem considerar brilhantes da parte dos nossos jogadores, mas no geral estiveram quase sempre bem. O Pizzi voltou a fazer um jogo positivo e a ser decisivo, tal como o Jonas, embora este tivesse estado um pouco menos feliz na finalização do que é habitual. Gostei bastante do Carcela, que esteve inclusivamente bastante activo em tarefas de auxílio à defesa. O André Almeida teve um jogo bastante conseguido, quase sempre seguro a defender (a excepção foram mesmo os minutos iniciais, em que teve alguma dificuldade em acertar a marcação ao adversário directo) e confiante a atacar. O Mitroglou marcou um golo mas podia, à vontade, ter acabado o jogo com uns três marcados.

 

A equipa continua a sua sequência de bons resultados e a apresentar um futebol bem mais consistente, que me deixa com mais confiança para o futuro. Atenções agora voltada para o Moreirense, que defrontaremos duas vezes seguidas fora. Espero que consigamos garantir a passagem às meias finais da Taça da Liga (quero mesmo voltar a conquistá-la) e mantermo-nos colados ao topo da tabela no campeonato.

tags:
por D`Arcy às 01:08 | link do post | comentar | ver comentários (12)

escribas

pesquisar neste blog

 

links

arquivos

recentes

tags

origem

E-mail da Tertúlia

tertuliabenfiquista@gmail.com

Visitas


blogs SAPO

subscrever feeds