VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 28 Janeiro 2012
Se for necessário, ajudo a regar o pessegueiro

 

 

Primeiro comentário deste vídeo no youtube:

 

"Bruno Esteves, há-de te nascer um pessegueiro no cu. Depois chama-lhe Pinto da Costa"


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escrito por Anátema Device às 17:20
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Sexta-feira, 27 Janeiro 2012
O Sportém está de volta, e trouxe o Salema

É com indisfarçável emoção que registo o regresso do Salema à estrutura da lagartagem osgalhada. Regista-se o tom low profile do regresso, sem qualquer anúncio oficial nem lançamento de confetes e flores, nem paradas de gente vestida de cabedal justinho no Lumiar (como todos acreditamos que ele desejaria). Mas a mim não me enganam: o homem (no sentido lato) voltou. A não ser que o Paulo 'todaagenteéinocenteatélevarumasgalhetas' Jurássico Cristóvão tenha afinal uma costela bem mais ‘sensível’ e ‘artística’ do que deixa antever o ar de porteiro de casa de alterne e seja ele o responsável pelas recentes medidas mais coloridas para os lados do Alvalixo. Não me parece, sinceramente. Desde Nero que não há pirómanos conhecidos de sexualidade dúbia.

Não, isto cheira claramente a Salema. Senão, vejamos.

 

Redecoração do túnel de acesso aos balneários

Girassóis. Borboletas. Prados. Restam dúvidas? Parece evidente que a decoração anterior tinha sido obra do bruto insensível do Jurássico e que recorreram ao Salema em desespero de causa para corrigir a coisa. Parece que os estou a ouvir:

S: 'ai que horrôre!! Poses agressivas, planos desenquadrados, gente com excesso de peso e barretes inestéticos comprados na feira. Ainda percebo as fotos em tronco nu de gente de evidente masculinidade, também tenho muitas espalhadas em casa, mas pela santa, fotos dos coletes dos stewards? Gordinho, mas quem é decorou isto, valha-me o visconde.'

GL:'shhh, fala baixo, que ele tem isto tudo cheio de escutas. Foi o marginal do Cristóvão. Faz-me a vida num inferno. Obrigou-me a aprovar, com ameaças de porrada e fez chantagem com o caso dos paquetes da Expo. Que contava tudo à imprensa, que me arrancava as patilhas à dentada e que depois de acabar comigo e me partir as perninhas, em vez de medir 1,25 m, ficava a medir 50 cm. Tenho medo. Não durmo à noite, e só me lembro das galhetas na noite das eleições.'

S: ‘ai que bruto. Bom, isto tem de ir tudo. Vamos encher isto de girassóis e borboletas, tapar os burgessos e os atentados ao bom gosto. Tenho uma ideia para colocar uns cortinados em fúcsia degradé…’

PPC (pelos altifaltantes): ‘estás aqui estás a cair pelas escadas e a comer esse cachecol tricotado’

S (a olhar em redor, com um ar apavorado. Uma mancha negra cresce no fundo das calças): ‘ah ah, estava a brincar, se calhar ficamos pelos girassóis e pelas borboletas…’

 

Massagens

“Na Holanda, jogamos como treinamos. Aqui, quase nem se treina. Adoro! Treinamos uma hora por dia e antes dos jogos fazemos imenso tempo de massagens!”: Ricky Van Volkswagen.

‘Imenso tempo de massagens’? Salema.

 

Musical

Musical? Gente a dançar de meias até ao joelho e vestidos de barracas de praia? Salema.

Preciso de vos recordar da festa do Núcleo Sportinguista de Portimão e da banda de totós, um espectáculo produzido pelo Salema no auge do seu output criativo? As maracas, a imitação do Zé Cabra pelo Dias Ferreira, o Ernesto não sei das quantas a fazer qualquer coisa que ele achava que era dançar vestido de banana?

Este musical pode não ser a materialização do sonho do Salema (o tal projecto muito pessoal da adaptação para musical da Casa na Pradaria, que implicava vestir todos os jogadores como filhas adolescentes do Michael Landon), mas anda lá muito perto.

 

Podem não saber jogar contra 11, o que é lixado, mas sabem montar um espectáculo burlesco. Há que reconhecer o sucesso do marreta da Expo que, em declarações à imprensa, sustenta que aceitou "o repto de ser presidente do clube (...) por querer colocar um sorriso no rosto dos sportinguistas".

Conseguiu, mas ao contrário. Colocou um sorriso no rosto de toda a gente, excepto no dos sportinguistas.

 

Deixo-vos com algumas imagens do espectáculo, que é bem bonito.

 



escrito por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:22
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Uma Liga lá deles

Um alargamento do número de clubes na principal competição futebolística portuguesa para alguns é desejável, para outros inevitável e para outros tantos é inaceitável. Mas, assumamo-lo, é possível.

 

O que subjaz a um hipotético alargamento prende-se com uma reflexão prévia e alargada que possa trazer diferentes abordagens e perspectivas para o tema em apreço. Importa saber qual a fundamentação, as motivações, o suporte desportivo e a sustentação legal. Importa perceber se há mercado que sustente, com o mínimo de dignidade, um acréscimo de clubes, se as infra-estruturas estão adequadas ao cariz profissional da prova. Essencialmente, importa perceber se há uma sustentação minimamente racional que faça de um alargamento um melhoramento. Caso contrário, um alargamento não passa de um alastrar de uma enfermidade.

 

O novo presidente da Liga sustentou o alargamento pretendido num único pressuposto: a sua eleição. Ou seja, fez tábua-rasa dos pressupostos de uma liderança em troca de uma eleição. Demonstra, entre muitas outras coisas, que, apesar de ter sido eleito, nunca será um líder. Esse estatuto foi vendido aos Fiúzas desta vida que, à primeira ocasião, vieram reclamar publicamente a entrega da mercadoria comprada e prometida. A primeira medida que se reconhece a este novo presidente da Liga é a tentativa de mudar as regras a meio do jogo, fazendo com que a verdade desportiva saia moribunda de um lodaçal em que já é ferida sucessivamente. Ou seja, o novo presidente da Liga apresentou-se aos adeptos com uma mensagem ‘interessante’: em prol da vitória ajusta-se o conceito de verdade à mentira de circunstância.

 

Objectivamente, há trinta anos que vemos a essa manipulação da verdade no futebol português, mas ainda não a tínhamos visto como promessa eleitoral.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24de Janeiro e publicado na edição de 27/01/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quinta-feira, 26 Janeiro 2012
Terá o Tivoli seguro contra incêndios?

No Tivoli a lagartagem osgalhada celebra a sua humorística história com um espectáculo de vaudeville.

 

 

Repare-se onde colocam os adeptos...



escrito por Anátema Device às 22:20
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O futebol em Portugal



escrito por Pedro Valente às 18:47
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Apoiar por fora, para ganhar lá dentro

Esta ideia de apoiar por fora [http://apoiamosporfora.blogspot.com/2012/01/ideia.html] é, se houver união e capacidade de olhar para além do imediato, uma boa medida para nos ajudar a ganhar lá dentro. Dentro do campo, dentro dos campos minados que vão matando a verdade desportiva no futebol português.

 



escrito por Pedro F. Ferreira às 11:11
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Quarta-feira, 25 Janeiro 2012
25 de Janeiro

 

Em 1942 nasce Eusébio. Em 2004 morre Fehér.

 

Um e outro tornam-se símbolos do Benfica. Eusébio acrescenta glória ao Benfica, ajuda a dar-lhe nome internacional e transforma-se, após José Maria Nicolau, no novo aglutinador de vontades benfiquistas. Eusébio trouxe uma nova vida ao Benfica. Fehér morreu após sorrir, com o nosso símbolo ao peito, em jogo, no campo, ajudando à conquista de mais uma vitória, debaixo de chuva.

 

Festeja-se hoje a vida de um e lembra-se, com saudade, a vida do outro.

 

Que os seus exemplos sirvam para ajudar a unir os benfiquistas em torno do Benfica.



escrito por Pedro F. Ferreira às 00:50
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Segunda-feira, 23 Janeiro 2012
Sorte

Foi justa a vitória do Benfica mas esteve longe de ser fácil, e foi necessário um golpe de sorte para desatar um nó muito complicado. O Gil Vicente foi um adversário complicado e bem organizado, que dificultou (e valorizou) muito a nossa vitória.

O regresso do Garay foi a maior novidade esta noite num onze onde o Gaitán também apareceu a titular, relegando o Bruno César para o banco. Os primeiros minutos de jogo deixaram logo antever uma noite complicada para a nossa equipa. O nosso jogo parecia demasiado lento, sobretudo nas saídas para o ataque, nas quais parecia que 'mastigávamos' sempre a bola nos pés dos centrais ou dos médios, e depois já apanhávamos o adversário bem posicionado defensivamente. Mas isto foi também culpa, precisamente, da boa organização queo Gil Vicente apresentou. Montaram duas linhas muito juntas, com um jogador solto à frente da defesa quase sempre atento às movimentações do Rodrigo, e só muito raramente foram apanhados fora de posição, conseguindo pressionar bem sempre que chegávamos ao último terço do campo. O resultado disto foi que o Benfica, apesar do domínio territorial e da posse de bola, quase não criava oportunidades de golo, porque nem sequer chegava a rematar. Foi por isso com uma certa dose de alívio que vi o Benfica chegar ao golo praticamente na primeira vez que conseguiu rematar na direcção da baliza (apenas aos vinte e sete minutos!), após um livre do Nolito na esquerda ao qual correspondeu o Cardozo com uma boa cabeçada. Só que o Gil Vicente estava mesmo disposto a complicar-nos a vida e mostrava-se sempre capaz de criar perigo em contra-ataques. Para nossa infelicidade, a cinco minutos do intervalo conseguiu mesmo repor a igualdade, num remate forte de fora da área após ter beneficiado de dois cantos consecutivos, deixando-nos a perspectiva de uns segundos quarenta e cinco minutos de sofrimento.

Perspectiva essa que se acentuou ao ver que a segunda parte nada trouxe de novo. Não havia meio de o Gil Vicente se desorganizar na defesa, e o Benfica continuava a mostrar-se lento e previsível, sem capacidade para ultrapassar o autocarro de Barcelos. O próximo passo a tomar era evidente: a entrada do Aimar, porque há poucos jogadores como ele com a capacidade para inventar e ver espaços. Mas à medida que o tempo ia passando e os nossos jogadores se iam balanceando cada vez mais para o ataque (o Jorge Jesus retirou mesmo o Javi García do campo, entregando ao Witsel as funções de médio recuperador), íamos também deixando mais espaços atrás para os contra-ataques do Gil Vicente, e em mais de uma ocasião acabou por ser um corte ou um desarme de última hora a evitar males maiores - logo no início da segunda parte tinha sido uma grande defesa do Artur a evitar que o Gil Vicente se colocasse em vantagem. Foi portanto com um suspiro de alívio que nos vi sermos bafejados pela sorte, quando já a menos de vinte minutos do final um remate do Rodrigo, ainda bem longe da baliza, fez a bola tabelar num adversário e trair o guarda-redes. Dois minutos depois o Aimar recebeu um passe do Nolito e, já dentro da área, deixou que a sua classe descansasse mais os benfiquistas, fazendo o terceiro golo e sentenciando efectivamente o jogo.

O Aimar foi um jogador decisivo, já que a sua entrada permitiu ao Benfica melhorar e acelerar o seu jogo. E acabou por marcar o terceiro golo, com toda a classe que lhe reconhecemos. O Nolito não esteve tão inspirado como tem sido habitual, mas foi dos mais inconformados - a par do Maxi do lado oposto - e acabou por juntar mais duas assistências à sua conta pessoal. Gostei também da dupla de centrais, que teve diversos cortes muito oportunos, e o Bruno César também entrou bem no jogo. Menos bem o Gaitán, que continua longe da melhor forma, pese o facto de ter mostrado mais empenho hoje.

Mais uma difícil etapa ultrapassada no caminho que nos separa do título. Hoje também contando com a ajuda de um golpe de sorte (ou, como se costuma dizer nestas coisas, 'estrelinha'), mas que a equipa soube procurar, uma vez mais com o apoio da onda vermelha, que levou 43.000 espectadores à Luz.



escrito por D`Arcy às 00:29
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Sexta-feira, 20 Janeiro 2012
Direitos televisivos

Num momento em que o Benfica domina o campeonato, o nosso Estádio enche e se perspectivam tempos de algum apaziguamento, há um assunto que nos tem preocupado nestes, aparentemente, plácidos tempos de benfiquismo: a anunciada renegociação dos direitos televisivos.

 

Há quem defenda que se deve fazer o melhor negócio possível, independentemente do interlocutor da negociação; há quem defenda que nem se deveria levantar a possibilidade de renegociar com a Olivedesportos; há quem defenda que a Benfica TV, com outro enquadramento, é a melhor solução; há quem defenda que se está a precipitar o tempo da decisão relativamente a este assunto… O tema está longe de ser pacífico e, no meio de tudo isto, surge uma nova personagem na presidência da Liga que defende e promete, demagogicamente e servindo interesses que não me parecem os do Benfica, a negociação colectiva dos ditos direitos.

 

A informação acerca do assunto é quase diária e nem sempre é credível. Há muito ruído e pouco esclarecimento. Deste modo, defendo que, neste momento, Luís Filipe Vieira deverá encontrar uma solução que permita, dentro da família benfiquista, discutir a situação, esclarecer os sócios acerca das suas intenções e ficar esclarecido acerca das intenções dos associados.

 

Nem sempre as emoções das massas são o melhor conselheiro na condução racional dos negócios do nosso Clube. Ainda assim, o assunto em apreço é de tal ordem sensível que uma decisão tomada apenas na solidão de um gabinete e indiferente à vontade dos sócios pode colocar em causa a própria decisão.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 17 de Janeiro e publicado na edição de 20/01/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quinta-feira, 19 Janeiro 2012
Obrigação

A exibição foi pouco entusiasmante na primeira parte e foi necessário recorrer a três trunfos guardados no banco, mas lá cumprimos a obrigação de vencer e mantermo-nos no primeiro lugar do nosso grupo.

Onze cheio de alterações, a começar pela defesa, onde não alinhou um único dos habituais titulares. Apenas o meio campo tinha nomes que estamos mais habituados a ver na equipa titular: Javi García (hoje capitão), Gaitán e Bruno César. O toque de exotismo era dado na entrega de funções de organização e distribuição de jogo ao Matic. A primeira parte do Benfica não foi digna de qualquer realce. A equipa foi quase sempre demasiado lenta e previsível, com o Matic a revelar pouca competência para as funções que lhe entregaram, e o jogo pelos flancos praticamente a não funcionar - o Gaitán jogou quase a passo, e o Bruno César não esteve inspirado. Para além disso os dois laterais (André Almeida e Capdevila) pouco ajudaram no ataque, e quando o fizeram foram quase sempre desastrados. O nosso jogo foi por isso demasiado previsível e muito feito pelo centro do campo, não tendo o Santa Clara grandes dificuldades para aguentar o nulo no marcador, pese o facto do Benfica ter muito mais posse de bola. Apenas algumas movimentações do Saviola iam causando algumas dificuldades, e foi mesmo de uma iniciativa individual dele que surgiu a melhor oportunidade de golo do Benfica na primeira parte, já mesmo sobre o intervalo.

A segunda parte trouxa a mais que esperada alteração no centro, ficando o Matic no balneário e entrando o Witsel para o seu lugar. O Benfica entrou bastante melhor do que na primeira parte, o que aliás era difícil não acontecer, e esteve perto de marcar precisamente pelo Witsel, mas depressa voltou a cair na monotonia e previsibilidade. Era necessário dar mais velocidade e repentismo ao nosso jogo, e foi portanto sem surpresas que o Jorge Jesus lançou no jogo o Rodrigo e o Nolito, numa altura em que restavam apenas vinte e cinco minutos de jogo. Com efeitos praticamente imediatos, já que três minutos depois de estar em campo, o Nolito entrou pela esquerda e assistiu o Nélson Oliveira para, com uma finalização simples, marcar o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. E o espanhol veio mesmo dar um enorme safanão no jogo, causando sempre inúmeros problemas quando a bola lhe chegava aos pés. Tanto assim foi que, sete minutos depois do primeiro golo, voltou a oferecer outro golo, desta vez com um passe fantástico em profundidade, feito de primeira, que desmarcou o Witsel para uma finalização de classe. O jogo ficou resolvido com o segundo golo, e durante os quinze minutos finais ficou a curiosidade de vermos se o Benfica voltaria a marcar, tendo sido o Rodrigo um dos mais empenhados em fazer que isso acontecesse.

O melhor do Benfica foi o Nolito, que nos vinte e cinco minutos que jogou conseguiu fazer mais do que todos os outros em noventa. Duas assistências e a resolução de uma situação que já ameaçava tornar-se incómoda. Bom jogo também do Witsel, cuja presença na posição antes ocupada pelo Matic ajudou também a fazer a diferença. Dos jogadores que alinharam de início, o melhor terá sido o Javi García. O Eduardo mostrou segurança sempre que foi chamado. Não gostei do Matic, e o André Almeida confirmou mais uma vez as impressões que me tinha deixado nos jogos da pré-época.

Basta-nos agora um empate na última jornada, em casa frente ao Marítimo, para nos qualificarmos para as meias finais da Taça da Liga. Já que vencemos as últimas três edições da prova, gostaria de manter a tradição.



escrito por D`Arcy às 01:03
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Terça-feira, 17 Janeiro 2012
Enzo

Assim, de repente, lembro-me do falecido Enzo Bearzot, grande futebolista e treinador da azzurra desde 1975 até 1986. Campeão do Mundo em 82 e sempre com aquela imagem de malandro com o seu inseparável cachimbo.

 

Além desse, recordo o Enzo Francescoli, o uruguaio que se transformou em símbolo do River e sinónimo de classe e elegância como futebolista.

 

Falam-me num outro Enzo, um tal de Pérez, um que se julga enorme, mas que é muito pequeno perante a dimensão do nome que carrega. Pode ser que um dia…



escrito por Pedro F. Ferreira às 11:04
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Nomeação [ou qualquer coisa] para blog do ano...

 

Na opinião da malta do Aventar, a Tertúlia Benfiquista merece uma nomeação para blog desportivo (espaço para gargalhadas) do ano. Muito obrigado pela nomeação e quem quiser votar pode fazê-lo neste link (Blogs do ano 2011).

Votem num blog benfiquista, sff.

 

[afinal parece que não foi uma nomeação, foi algum leitor - que eu saiba não foi nenhum dos escribas - que inscreveu a Tertúlia naquilo]



escrito por Pedro F. Ferreira às 10:22
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Domingo, 15 Janeiro 2012
Imparáveis

E mais uma goleada. Num Estádio da Luz com um grande ambiente, o Benfica foi claramente superior ao Setúbal e terminou a primeira volta da Liga sem qualquer derrota e isolado na liderança.

Apesar da confiança na nossa equipa, confesso que tinha alguns receios para este jogo, devido à falta de três jogadores importantes: Garay, Javi e Aimar. Ainda por cima sendo os três jogadores do centro, pelo que se poderia faltar que nos faltava a 'espinha dorsal' da equipa. Mas o Benfica neste momento está muito moralizado, e parece que mesmo quando falta algum jogador importante, outros encarregam-se de resolver. Faltaram os três referidos (e ainda tínhamos o Gaitán a regressar de lesão), jogaram o Jardel, o Matic e o Rodrigo, dando conta do recado. O jogo até nem começou da melhor maneira, já que aos seis minutos o Setúbal, no primeiro remate que fez, chegou ao golo, com a tentativa do Luisão de cortar o remate do Neca a acabar por trair o Artur. Mas quando a confiança é alta, coisas destas acabam por ser pouco mais do que um pequeno soluço. Antes do golo já o Benfica tinha criado perigo, sobretudo através do Rodrigo, e depois do golo continuou a jogar como se nada se tivesse passado, carregando sobre o Setúbal em busca da igualdade, e debaixo do apoio constante dos benfiquistas. Apesar de por vezes parecermos ter alguma dificuldade na zona central do campo, devido à superioridade numérica que o Setúbal apresentava nessa área, o Witsel foi dando conta do recado, e depois o trio Cardozo/Rodrigo/Nolito, com apoio constante do Maxi pela direita, ia desgastando a defesa do Setúbal e mostrando que seria apenas uma questão de tempo até que o golo aparecesse.

O Cardozo ameaçou e viu um remate com selo de golo ser defendido pelo guarda-redes, mas aos vinte e quatro minutos a igualdade voltou mesmo ao marcador, pelos pés do Nolito. Passe do Witsel, à entrada da área, a desmarcar o Nolito na esquerda, e o espanhol fez o golo com um remate rasteiro colocadíssimo ao segundo poste. O jogo continuou a ter praticamente um só sentido, e apesar de um susto, quando vimos a bola bater no poste da nossa baliza após um raro erro do Artur, era previsível que novo golo chegasse ainda antes do intervalo. E aconteceu ao minuto trinta e três, quando o Cardozo, no interior da área e rodeado de adversários, conseguiu marcar num remate rasteiro mais uma vez para o segundo poste. A equipa do Setúbal pareceu acusar muito este segundo golo, e até ao intervalo pareceu perder a compostura em termos tácticos e não só, com vários dos seus jogadores a parecerem estar mais interessados em arranjar discussões (o Ricardo Silva, com a escola que tem, não foi surpresa nenhuma neste aspecto, mas o que é certo é que conseguiu arrancar um amarelo ao Cardozo). Até ao intervalo o Diego teve oportunidade de brilhar novamente, negando o golo ao Rodrigo, mas já mesmo sobre o apito não conseguiu evitar novo golo do Cardozo, após uma grande arrancada do Rodrigo, que deixou o paraguaio com caminho livre para a baliza.

Com dois golos de vantagem, o Benfica abrandou um pouco o ritmo na segunda parte, nunca deixando no entanto de controlar o jogo e procurar voltar a marcar, mas permitindo também ao Setúbal ter um pouco mais de bola e dando mais espaços. O Setúbal foi atrevido e tentou pressionar mais alto no campo, mas se o Benfica conseguia libertar-se dessa primeira zona de pressão e sair com a bola controlada, depois causava quase sempre perigo da forma como mais gosta, ou seja, através de transições rápidas para o ataque. Muitas das jogadas mais perigosas do Benfica apareciam pelos pés do Rodrigo, que recuava frequentemente para vir receber a bola e depois, quando se virava e embalava com ela em direcção à baliza, só muito dificilmente era travado. Depois de várias ameaças o quarto golo surgiu finalmente a vinte minutos do final, quando o regressado Gaitán teve tempo na direita para centrar com precisão para o cabeceamento do Matic, que assim marcou o seu primeiro golo pelo Benfica. Este quarto golo não diminuiu o ímpeto do Benfica na procura de mais golos, mas a expulsão do Cardozo, a cinco minutos do final por acumulação de amarelos, acabou na prática por significar o apito final para o Benfica, que depois disso limitou-se a aguardar pelo final do jogo. Tempo ainda para substituir o Rodrigo para o merecido aplauso, e estrear o Luís Martins na Liga.

Cardozo, Rodrigo, Nolito e Witsel foram, para mim, os melhores esta noite, acompanhados de perto pelo Maxi. O Cardozo está a atravessar a melhor fase da época, marcando com regularidade e parecendo até estar bem mais móvel e rápido do que lhe é habitual. Hoje juntou mais dois golos à conta pessoal e isolou-se como melhor marcador da Liga. Talvez seja a companhia do Rodrigo na frente que o ande a motivar. Hoje ao Rodrigo só faltou mesmo o golo, porque de resto foi sempre uma ameaça constante. Foram inúmeras as arrancadas em velocidade, com a bola bem controlada, a causar perigo, quer em remates, quer em passes perigosos para os colegas. O Nolito resolveu o 'problema' do golo do empate e voltou a mostrar toda a sua valia. Para mim a inspiração ofensiva do Benfica nos últimos jogos (dezassete golos nos últimos quatro jogos) não é alheia à titularidade do espanhol, que mostra também uma enorme evolução na forma como se entrega às tarefas defensivas. O Witsel encheu o meio campo e o Maxi foi a locomotiva do costume pela direita, compensando até uma noite menos fulgurante do Bruno César.

56.155 espectadores na Luz mostram que a onda vermelha é uma realidade. Ela está aí, e cabe-nos não a deixar esmorecer, porque sabemos muito bem até onde nos poderá levar. Viu-se hoje o quão importante é, na forma como o público reagiu ao golo madrugador do adversário, no ambiente que se viveu em vários momentos no estádio, e no apoio dado à equipa.
Temos que continuar a alimentá-la e a fazê-la crescer. Juntos, somos imparáveis.



escrito por D`Arcy às 01:11
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Sexta-feira, 13 Janeiro 2012
O Silêncio

António Oliveira disse e repetiu, para que não houvesse dúvidas, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol é um títere que tem como função servir os interesses de uma empresa privada, a Olivedesportos. Disse que o anterior presidente também cumpria diligentemente esse trabalho e que o mesmo acontece na Liga de Clubes. Disse que ninguém é eleito para esse cargo sem o beneplácito do seu irmão e sócio maioritário da Olivedesportos.

 

Disse-o convictamente, num canal público de televisão, disse-o sem gaguejar e repetiu-o. A personagem que o disse é antigo sócio da dita empresa. Em seguida ficou o silêncio. Um silêncio quase total por parte da comunicação social. Um silêncio total dos visados. Um silêncio absoluto do poder político. Um silêncio que procura apenas uma coisa: o esquecimento, para que se possa perpetuar a mentira e a farsa em que se foi transformando isto. Os dias passam e toda a gente finge que nada se passou. Com que cara, com que legitimidade, com que dignidade alguém pode dirigir uma instituição quando sobre ele está lançada a acusação séria de que há quem mande em quem finge mandar? A cara com que esta gente se apresenta aos clubes e seus dirigentes por todos é conhecida. Mas com que cara é que esta gente se pretende apresentar perante os adeptos? Como é que ainda há quem ouse pensar que com o seu silêncio se pode limpar a nódoa em que se transformou o dirigismo desportivo em Portugal? No silêncio de todos está a conivência com a vergonha. No silêncio de todos está bem à vista a etiqueta e o respectivo preço. Não é o futebol português que está à venda, são os seus agentes que se venderam. É a vergonha que ficou penhorada algures por Penafiel.

 

Lamento, mas não pode haver silêncio quando se impõe um grito de indignação justa.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Janeiro e publicado na edição de 13/01/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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O novo presidente da Liga...

 

chama-se Mário Silvares Figueiredo e é advogado na sociedade civil de advogados de Adelino Caldeira e Gil Moreira dos Santos. Adelino Caldeira é administrador da SAD dos andrades e Gil Moreira dos Santos defendeu Pinto da Costa no processo "Apito Dourado".

 

Boa noite e bons sonhos, o futebol limpo regressará daqui a alguns aninhos.



escrito por Anátema Device às 00:09
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Domingo, 8 Janeiro 2012
Sós

Enfim, sós. À segunda oportunidade para descolarmos da desagradável companhia que connosco partilhava, há meses, o primeiro lugar não facilitámos. O rolo compressor apareceu, conseguimos a terceira goleada consecutiva, e saímos da Marinha Grande isolados no topo.

Dois imprevistos de última hora (Aimar e Gaitán) ditaram a presença do Rodrigo no onze inicial, e a entrega das alas ao Bruno César e ao Nolito, com o resto da equipa a não apresentar surpresas. Quanto ao jogo, este foi disputado desde o primeiro minuto a um ritmo muito intenso e até pouco usual para a Liga portuguesa, com muita pressão sobre a bola. O primeiro momento de perigo até foi dado pelo Leiria, que viu o Maxi Pereira afastar a bola sobre a linha de golo, quando o Artur já estava batido. A resposta dada pelo Benfica foi marcar um golo. Aos dez minutos de jogo o Bruno César recolheu a bola à entrada da área, após um alívio da defesa, e sem a deixar cair desferiu um remate colocadíssimo que fez a bola entrar junto ao poste. Um golaço do 'pequeno Buda'. A partir daqui o jogo literalmente só deu Benfica. Foi um vendaval ofensivo que resultou em diversas oportunidades de golo, com o resultado a manter-se teimosamente na diferença mínima muito por culpa do guarda-redes do Leiria, que com uma série de excelentes intervenções foi evitando que o Rodrigo ou o Cardozo dessem uma expressão mais justa ao marcador.

Na segunda parte, o 'sofrimento' pela magra vantagem acabou cedo: com dois minutos decorridos, o Rodrigo solicitou o Cardozo em velocidade e o paraguaio, depois de progredir alguns metros com a bola, disparou uma bomba à entrada da área que levou a bola a entrar junto ao ângulo superior da baliza do Leiria, sem quaisquer hipóteses de defesa. E ao contrário daquilo que fizemos diversas vezes esta época, nunca descansámos sobre a vantagem conseguida. Nunca baixámos o ritmo e continuámos sempre a pressionar na procura de mais golos, acabando por ser recompensados. No espaço de três minutos (73 e 76) o Rodrigo, numa altura em que já jogava como homem mais adiantado devido à substituição do Cardozo pelo Saviola, fez dois golos e construiu a goleada. O primeiro num toque subtil a desviar a bola do guarda-redes, após passe do Bruno César. E o segundo numa conclusão fácil em frente à baliza, a centro do Maxi, que tinha sido desmarcado por um grande toque de calcanhar do Bruno César. E assim assinalámos a liderança isolada em estilo.

O Benfica fez hoje uma das melhores exibições desta época, e consequentemente todos os jogadores estiveram num bom nível. Destaque natural para o Bruno César, pelo excelente golo que marcou e pela assistência para o terceiro golo (e ainda a intervenção que teve na jogada do quarto). Referindo mais alguns jogadores, o Rodrigo, que até teve uma primeira parte algo apagada, em que perdeu algumas bolas por insistir demasiado em jogadas individuais e falhou uma ocasião na cara do guarda-redes, acabou por fazer uma grande segunda parte, na qual assistiu o Cardozo para o segundo golo (depois de ter sido ele a recuperar a bola no meio campo) e marcou dois golos. E o Maxi Pereira aproveitou muito bem o espaço que foi concedido pelo seu lado, sobretudo depois do intervalo, e foi sempre muito influente no auxílio ao ataque.

Mais uma goleada e uma excelente exibição, e sem sentirmos sequer a falta do Aimar ou do Gaitán. Estamos onde queremos e merecemos. Agora é não voltarmos a abrir mão desta posição.



escrito por D`Arcy às 22:32
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As declarações de António Oliveira

As declarações de António Oliveira, feitas ontem na RTP Informação, não acrescentam nem retiram absolutamente nada à credibilidade e autoridade que lhe reconheço, ou seja, quase nenhuma. Independentemente disso, ontem proferiu declarações demasiado polémicas para poderem ser ignoradas.

 

No seu discurso, aludiu, num aparte, à falta de seriedade no “sorteio” dos jogos da Taça de Portugal, reconheceu a superioridade do Benfica relativamente ao Porto e ao Sporting e confirmou que a Olivedesportos tem na mão os dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga. Mais disse: que quem controla as entidades que superintendem o futebol em Portugal são controladas e condicionadas pela Olivedesportos.

 

Isto obriga a que, e mais uma vez o escrevo e digo, o presidente do Benfica repense toda a estratégia de apoio a personagens como Fernando Gomes e a reaproximação, mais ou menos velada, a entidades como a Olivedesportos. Repito: acompanhar e apoiar este tipo de personagens é uma prática que, enquanto benfiquista, considero reprovável.

 

Além disso, obriga o poder político a intervir, pois urge que seja feito um inquérito que demonstre se o poder da Olivedesportos inquina ou não a validade de entidades que, para terem o estatuto de utilidade pública, não podem estar ao serviço de dúbios interesses privados.

 

[link]



escrito por Pedro F. Ferreira às 13:50
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Sábado, 7 Janeiro 2012
Uma imitação de clube

Quando inauguraram um fosso rodeado de bancadas e uma epécie de relvado, chamaram-lhe estádio e pintaram cadeiras às cores para fingir a presença de público. Uns anos depois, pintaram de verde a areia e os tufos de erva para imitar relva...

 

Esta malta diverte-me.



escrito por Pedro F. Ferreira às 23:55
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Sexta-feira, 6 Janeiro 2012
É isto

É simbologia nazi, é o exercício da violência e da intimidação a serem assumidos como política oficial e imagem de marca. É o Sporting.

 

 

 

«Adeptos das claques em poses agressivas, desafiando os seguranças. Outros de cara tapada e com tochas na mão. Outro numa pose que sugere uma saudação fascista. Outro ainda com um tatuagem com a cruz de ferro, um símbolo que, não sendo exclusivo do nazismo, está muito associado a movimentos da extrema-direita. Foram estas as imagens que o Sporting colocou, nesta época, no corredor que dá acesso aos balneários da equipa visitante, no Estádio de Alvalade — um caminho que tem de ser percorrido pelos jogadores visitantes para se equiparem e depois no caminho de ida e regresso do relvado.» [link]

 

in

 

Público Sexta-Feira 06/01/2012

 

___

 

E a saga continua... [link]



escrito por Pedro F. Ferreira às 10:51
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Exemplos

O ano começou com uma boa notícia para o benfiquismo: Saviola renovou o contrato com o Benfica.

 

Independentemente da melhor ou pior forma que este argentino atravesse, a sua supina qualidade é inquestionável. O pior Saviola é melhor do que a esmagadora maioria dessa cinzenta mediania de caceteiros esforçados que se arrastam pela maioria dos nossos relvados. O melhor Saviola é arte e inteligência em campo. Com Saviola em campo, os colegas percebem que tudo se pode tornar mais fácil, que aquele espaço entre os defesas e o guarda-redes passa a ser uma probabilidade quando muitas vezes parece uma impossibilidade.

 

Saviola e Aimar são, por mais que custe a muitos dos teóricos do nosso futebol, os únicos futebolistas no futebol português que têm uma dimensão verdadeiramente mundial. E, para exemplo de muitos colegas de profissão que têm uma dimensão meramente mediana, demonstram publicamente uma humildade que apenas os engrandece. Saber que Saviola renovou é sinónimo de que os que são verdadeiramente grandes sabem estar ao serviço dos clubes ainda maiores.

 

Em sentido contrário, ficamos a saber que Ruben Amorim se sente incomodado no Benfica. Não conheço os motivos que levam a que um benfiquista que tudo teve para se vir a tornar um símbolo, um capitão, uma referência, aparentemente queira sair. Ainda assim, nós, adeptos, vamos sentindo e fazendo sentir na bancada que nos identificamos com aqueles que se identificam connosco e não com os que viram as costas ao Clube.

 

Ficam os exemplos e a certeza de que há quem saiba reconhecer o bem que tem e outros que insistem em não perceber que estão bem. Ficam os exemplos dos que ficam na memória e dos que caminham para o esquecimento.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Janeiro e publicado na edição de 06/01/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quarta-feira, 4 Janeiro 2012
Regresso

Boa regresso do Benfica em 2012 e entrada da melhor forma na defesa do troféu que nos pertence há três épocas consecutivas.

Não houve grandes poupanças no onze: para além da expectável troca do Artur pelo Eduardo, dos titulares mais habituais faltaram apenas o Gaitán e o Cardozo, tendo alinhado o Nélson Oliveira e o Saviola, com o Witsel a fechar mais a direita. Uma repetição da táctica já utilizada contra o Rio Ave, na última jornada, e que no fundo é muito semelhante à da época do último título, com o Witsel a fazer de Ramires. O Benfica teve uma entrada bastante forte, causando dificuldades ao Guimarães e chagando ao golo aos dez minutos, depois de o Nolito ter, com um bonito passe a rasgar da esquerda para a direita do ataque, encontrado o Witsel solto na área, e com o belga a rematar por entre as pernas do guarda-redes. A reacção do Guimarães foi forte, e nos minutos a seguir ao golo o Benfica passou por dificuldades, valendo-nos o Eduardo e o desacerto dos jogadores do Vitória para que nos mantivessemos à frente no marcador. O Vitória passou a exercer uma forte pressão, em zonas bastante altas do campo, e o Benfica durante essa fase desiludiu um pouco na capacidade para manter a posse de bola e conseguir sair de forma organizada para o ataque. Só nos minutos finais da primeira parte é que me pareceu que nos organizámos um pouco mais, mas ainda assim falhámos algumas transições para o ataque devido a má qualidade no passe.

A segunda parte trouxe duas alterações no Benfica, com o Cardozo e o Bruno César a surgirem nos lugares do Nélson Oliveira e do Saviola. O Bruno César foi para a direita, encostando-se o Witsel mais ao Javi no centro. A segunda parte trouxe também o golo do empate logo a abrir, na sequência de um livre na esquerda da nossa defesa. Tal como o Guimarães tinha feito, também o Benfica reagiu bem ao golo sofrido, porque a partir desse momento, quase só deu Benfica. E a coisa acentuou-se ainda mais quando, a meia hora do final, o Guimarães ficou reduzido a dez, devido ao segundo amarelo mostrado ao Pedro Mendes. O Benfica geriu a vantagem numérica de forma bastante inteligente e eficaz, fazendo a bola circular muito e abrindo o jogo, explorando os flancos com eficácia com subidas constantes dos dois laterais. Apenas cinco minutos depois da expulsão e o Cardozo, com um grande remate cruzado à entrada da área, desfazia a igualdade. E o que se seguiu foi um domínio completo do Benfica, com várias oportunidades criadas. Algumas desperdiçadas por falta de pontaria, outras por mérito do guarda-redes, e mais dois golos. A dez minutos do final o segundo da noite para o Cardozo, num cabeceamento após cruzamento da direita do Maxi; e quase a fechar o jogo, o quarto do Benfica pela cabeça do Rodrigo (tinha entrado para o lugar do Aimar), numa recarga a um primeiro cabeceamento do Cardozo. Foram quatro, mas até podiam ter sido mais dois ou três.

O Cardozo foi obviamente o homem do jogo. Entrou ao intervalo e foi a tempo de marcar dois golos - o primeiro deles espectacular - tendo ainda visto o guarda-redes do Guimarães negar-lhe pelo menos outros dois, acabando ainda por ter influência directa no quarto golo, já que foi na sequência de uma defesa a um cabeceamento seu que o Rodrigo fez a recarga. Gostei também muito do Nolito. Quase sempre que recebeu a bola na esquerda, construiu uma jogada de perigo. Ou pelos seus próprios pés, ou em solicitações para os colegas. É um desequilibrador nato, mostra grande evolução nos aspectos defensivos do jogo, e neste momento fico sempre satisfeito quando o vejo a titular.

Espero agora que este jogo seja um bom prenúncio para Domingo, quando uma vitória contra o Leiria será de extrema importância. Gostei de termos iniciado 2012 da mesma forma que fechámos 2011: a golear.



escrito por D`Arcy às 00:19
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Sexta-feira, 30 Dezembro 2011
O da Joana

Passou quase despercebido, não foi capa de jornal nem deu direito a finas ironias, mas um dirigente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, no intervalo de um jogo do seu clube, abordou o árbitro Artur Soares Dias. Este ter-se-á sentido de tal maneira incomodado com a peculiaridade da abordagem que, alegadamente, mandou um agente da PSP identificar o referido dirigente. Ou seja, a pedido de um árbitro, um dirigente do Sporting foi identificado por um polícia.

 

Este dirigente é o mesmo que recentemente, qual anão de saltos altos, se imaginou à altura do nosso Benfica e tentou, com declarações vergonhosas, achincalhar o nosso clube. O melhor que conseguiu foi “apenas” contribuir para que um grupelho de bandalhos arruaceiros incendiasse umas cadeiras da bancada onde haviam estado instalados para verem mais uma derrota do clube deles.

 

Ao ter conhecimento do comportamento do dito Cristóvão e da alegada identificação de que foi alvo, perguntei-me se algum dirigente do Sporting viria para a imprensa ameaçar Artur Soares Dias com uma gravação da referida conversa. O que se sabe é que a abordagem foi feita e que Artur Soares Dias não terá ficado nada agradado com a mesma. Felizmente para a saúde do árbitro não houve nenhum tropeção na escadaria de acesso aos balneários e pôde arbitrar a segunda parte do jogo…

 

Quanto ao senhor Cristóvão, já teve tempo e oportunidades de sobra para perceber que nem tudo é legítimo apenas porque um grupo de imbecis lhe legitima as atitudes com palmadinhas nas costas. Ou seja, já é tempo de o senhor Paulo Pereira Cristóvão perceber que, como diz o povo, “isto não é o da Joana”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Dezembroe publicado na edição de 30/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Sábado, 24 Dezembro 2011
Feliz Natal



escrito por Pedro Valente às 11:55
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Sexta-feira, 23 Dezembro 2011
Que descanses em paz, João Gomes.

[Faleceu João Gomes, presidente da Casa do Benfica em Coimbra]

 

 

Morreu o João Gomes, grande benfiquista. Conheci-o há uns anos, veio ter comigo falando apaixonadamente do seu benfiquismo. Percebia-se que fazia do benfiquismo uma missão de vida. Mais tarde, noutros encontros, deu-me conta da quantidade de actividades em que se empenhava para divulgar e defender o Benfica e o benfiquismo. Pude testemunhar alguns momentos em que o vi abdicar do seu tempo para dar tempo de si ao Benfica. Vi, ainda que a alguma distância, o seu empenho e militância na liderança da Casa do Benfica em Coimbra. Falei com ele, pessoalmente, pela última vez no dia 28 de Fevereiro deste maldito ano que teima em não querer terminar, no dia em que festejámos mais um ano de vida do nosso Benfica.

 

Morreu hoje, demasiado cedo, demasiado jovem.

 

Deixo aqui os meus (nossos) sinceros sentimentos à sua família.



escrito por Pedro F. Ferreira às 22:37
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Futebol de rua

Noite de sexta-feira, Estádio da Luz, durante a partida Benfica-Rio Ave, minuto 36. Nolito recebe a bola, caminha para a área – passa a bola, penso eu. Ultrapassa o primeiro adversário, caminha para a linha de fundo – passa a bola, penso eu. Enfia-se literalmente na linha de fundo, passa o segundo adversário, fica sem ângulo para marcar, aparentemente perde a noção do tempo e do espaço. Dali é impossível marcar, a física e a geometria provam-no – passa a bola, grito eu da bancada. Golo. Todo o Estádio festeja o golo e a decisão do Nolito de não ter passado a bola. Nolito enfiara-se numa cabine telefónica, fintou dois defesas, iludiu o guarda-redes e saiu pela porta.

 

Festejava-se o futebol irreverente, o futebol de rua, o futebol em que o puto malandro se entretém a provar que isso dos impossíveis é preocupação de adultos cinzentos com medo da ousadia. O Nolito é essencialmente isto: o miúdo feito homem que se diverte no mundo profissional com a mesma ‘reguilice’ com que um puto enfrenta a baliza demarcada por duas mochilas da escola. Para trás ficam os aborrecimentos de quem pensa o futebol parametrizado em “basculações”, “transições ofensivas e defensivas” e “movimentos de rotura”. Ali, em Nolito, o futebol é um espaço que existe em função da localização da baliza. O tempo mede-se em adversários que têm de ser ultrapassados até chegar à baliza. O modo vive-se pelo gozo do momento. O resto são meros aborrecimentos de gente grande que se esqueceu de que a génese do futebol é a rua.

 

Feito o golo e festejado o momento, levanta-se a questão: como conciliar a irreverência do futebol de rua com as obrigações do futebol profissional? Haverá lugar para ‘Garrinchas’ no futebol actual? Verdadeiramente preocupante é tentar perceber que futebol é este em que se questiona se há nele lugar para os que acreditam que se podem marcar golos impossíveis.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Dezembroe publicado na edição de 23/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Domingo, 18 Dezembro 2011
Desafio

Desafio as pessoas a ver, sem comentários (para não haver acusações de facciosismo), o penálti assinalado pelo Pedro Proença do Yebda sobre o Lisandro, no Estádio do Ladrão. E depois a quantidade de penáltis por ele não assinalados a favor do Benfica desde que é árbitro da primeira categoria. E isto é para dar apenas um exemplo e não ter puxar mais da memória, desfiando exemplos de Olegários, Costas, Guímaros, Donatos, Fortunatos, Isidoros, Martins dos Santos, ou Josés Amorims.

 

Se é para se ser demagógico, qualquer um pode sê-lo. Alguns com a vantagem de serem capazes de se lembrar de mais algumas coisas: ou por não terem memória selectiva, ou por não terem o cérebro carcomido pela sífilis.



escrito por D`Arcy às 19:42
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Sábado, 17 Dezembro 2011
Agradável

Exibição agradável e vitória tranquila e robusta no jogo que fechou 2011 para o Benfica.

Alguma surpresa com a presença do Saviola no onze, o que atirou com o Bruno César para o banco, sendo o Witsel a jogar mais sobre a direita. O Benfica entrou no jogo a praticar um futebol agradável, sendo também rapidamente evidente que o Rio Ave cumpria o prometido pelo seu treinador, e não se apresentava na Luz preocupado em jogar exclusivamente para o empate. O futebol agradável do Benfica não encontrava no entanto expressão em remates ou ocasiões muito perigosas, sobretudo porque o último passe teimava em não sair bem. Além disso as coisas não estavam a ser feitas com muita velocidade, e grande parte dos jogadores estavam algo presos às suas posições, vivendo o Benfica das subidas do Maxi pela direita, das explosões do Nolito na esquerda, e das constantes deambulações do Saviola para criar linhas de passe. Tudo sob a batuta do maestro Aimar. O Rio Ave tentava sempre responder, sobretudo através dos dois alas bastante rápidos que tinha em campo, mas algo contra a corrente do jogo que se colocou em vantagem, após vinte e quatro minutos. Num lance em que o Javi se deslocou até à direita não houve uma compensação eficaz na zona à frente da defesa, e foi aí que surgiu um dos alas solto para rematar colocado de trivela, obtendo um bonito golo.

Nos últimos jogos por vezes parece que o Benfica, assim que se apanha em vantagem, e sobretudo quando isto acontece cedo, abranda imediatamente o ritmo de jogo. Desta vez isso não aconteceu, e até pareceu fazer-nos bem o susto de nos vermos em desvantagem. A reacção da equipa foi boa, a velocidade aumentou, e dez minutos depois estava reposta a igualdade. Depois de já termos ameaçado com remates do Cardozo e do Saviola, o golo acabou por surgir na transformação de um penálti pelo Cardozo, a castigar um corte com a mão. Dois minutos depois já estávamos em vantagem, após um golo improvável do Nolito, que com a raça habitual fez tudo sozinho na esquerda, ultrapassando o defesa, ganhando o ressalto ao guarda-redes, e rematando praticamente sobre a linha final, com a bola a bater no poste antes de entrar. Em vantagem no marcador, desta vez o Benfica não abrandou e foi recompensado com o terceiro golo mesmo antes de sair para intervalo. O lance começou mais uma vez nos pés do Nolito pela esquerda, que fez um passe rasteiro atrasado para à entrada da área, na direcção do Aimar. Depois foi a classe de El Mago a fazer um passe de calcanhar de primeira na direcção do Saviola, que controlou com o peito e rematou para o golo.

O Benfica saiu da primeira parte a marcar, e entrou na segunda a fazer exactamente o mesmo. Julgo que o Rio Ave nem sequer tinha ainda tocado na bola quando esta parou no fundo da sua baliza. Livre descaído sobre a esquerda, após falta sobre o Nolito, marcado pelo Aimar para o segundo poste, onde o Garay ganhou posição sobre o defesa adversário com aparente facilidade, e cabeceou cruzado para o golo. Depois deste golo, aí sim, o Benfica abrandou claramente e passou a gerir calmamente o resultado, sem no entanto deixar de criar oportunidades para o aumentar, quase sempre com o Nolito envolvido nas jogadas. Foi por isso sem surpresa que o espanhol voltou mesmo a marcar, quando faltavam vinte minutos para o final. Recebeu a bola no interior da área após um canto, e com um remate pouco ortodoxo (apareceu ter escorregado na altura do remate) conseguiu que a bola passasse pelo meio de uma floresta de pernas e só acabasse nas redes do Rio Ave. Daí até final, salvo um remate do Rodrigo (tinha entrado para o lugar do Saviola) a obrigar o guarda-redes a uma defesa mais apertada, pouco mais se passou que seja digno de realce.

O homem do jogo é o Nolito. Dois golos e envolvimento nas jogadas de outros dois, para além de ter sido sempre um perigo constante para a defesa do Rio Ave, pela velocidade e objectividade que colocou sempre em jogo. Aimar mais uma vez muito bem - é um privilégio podermos vê-lo jogar com a nossa camisola, privilégio esse que espero que possamos prolongar, e o Maxi muito activo a fazer todo o seu corredor. Gostei também do Saviola: mesmo tendo tido algumas perdas de bola, nunca se escondeu do jogo, esteve sempre em movimento abrindo linhas de passe para os colegas, e foi justamente recompensado com um golo. Menção também para o bom jogo do Emerson, porque é justa e para não falar dele apenas quando erra. No geral, toda a equipa esteve a um bom nível.

Foi uma forma agradável de terminar o ano, garantindo, com a vitória mais expressiva da época até ao momento,
que entraremos em 2012 no topo da tabela da Liga. Apesar de algumas críticas, os números falam por si, e o que eles dizem é que estamos melhor do que quando fomos campeões, há dois anos atrás. Motivo de sobra para nos mantermos confiantes.



escrito por D`Arcy às 02:51
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Sexta-feira, 16 Dezembro 2011
Sorteio da Liga dos Campeões

Calhou-nos o Zenit de São Petersburgo nos oitavos-de-final da Champions. Em teoria, não foi um mau sorteio, embora entre os possíveis adversários só o Milan fosse de facto um tubarão. Mas mais vale o Zenit do que o Nápoles, Lyon ou Marselha.

A nosso favor, temos o facto de o campeonato russo estar a sair da pausa de Inverno na altura dos jogos, o que nos pode dar vantagem na questão do ritmo de jogo (porém, convém não esquecer que na época do Trapattoni defrontámos o CSKA Moscovo também em Fevereiro e fomos eliminados). Independentemente disso, há que assumir sem complexos o favoritismo nesta eliminatória, já que, para além de nós sermos cabeças-de série, é a primeira vez que o Zenit se qualifica para os oitavos-de-final da Champions e eles encontram-se abaixo de nós no ranking da Uefa.

Eu sei que o Zenit deu recentemente uma grande alegria a todos os desportistas ao eliminar da Champions um clube assumidamente corrupto, mas por isso mesmo a sua tarefa já foi cumprida. Escusa de ir mais além, no entanto o Danny que fique descansado que cá estaremos nós para continuar a defender o bom-nome de Portugal, tal como ele o fez.

P.S. – Todavia, atenção que todas as cautelas são poucas. Também no ano passado fiquei contente com o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões e depois da Liga Europa, e foi o que se viu… Muito cuidado com o jogo da 1ª mão, se eles ficarem em vantagem, são muito bons no catenaccio, ou não fossem treinados por um italiano.



escrito por S.L.B. às 14:27
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Quinta-feira, 15 Dezembro 2011
Calimerdas

Dias agridoces para a lagartagem osgalhada. Na semana em que celebram a maior façanha desportiva da sua história (uma vitória acidental e estéril sobre o clube que lhes povoa os pesadelos, numa época em que malharam com os cornos no quarto lugar no campeonato e o tal clube foi campeão - sim, é patético, mas estamos a falar da lagartagem osgalhada, patético is their middle name), morre-lhes o líder espiritual (link).  



escrito por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 12:13
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Segunda-feira, 12 Dezembro 2011
Superiores

Foi difícil, sofremos por ver o tempo a passar e o golo a não surgir, mas fomos superiores contra onze, fomos muito superiores contra dez, e vencemos com justiça num dos campos mais difíceis da Liga.

Alguma surpresa ao ver o Rodrigo e o Cardozo no onze inicial, mas depois vimos que eles não formavam uma dupla de avançados tradicional, pois o Rodrigo jogava mais encostado à direita - embora depois tenha passado a vaguear mais pelo ataque. O jogo na primeira parte foi muito semelhante ao que tínhamos visto para a Taça. O Benfica com mais posse de bola, muita disputa a meio campo, e o Marítimo a tentar sair em contra-ataques rápidos com bolas para o Sami e o Baba sempre que recuperava a bola. Mas após o primeiro quarto de hora (durante o qual o Marítimo criou a sua única verdadeira oportunidade de golo durante todo o jogo) o Benfica foi progressivamente encostando o Marítimo mais atrás, e conseguindo construir oportunidades para chegar à vantagem. Duas delas flagrantes: primeiro foi o Aimar, que ficou isolado após um passe de calcanhar do Bruno César, mas em vez de rematar preferiu tentar a finta para a linha de fundo e o Peçanha tirou-lhe a bola; depois a mais escandalosa de todo o jogo, com o Cardozo a rematar ao lado após um centro rasteiro do Maxi que o deixou solto de marcação, de baliza escancarada e a pouco mais de dois metros da linha. Falhas graves, que normalmente em jogos desta dificuldade podem significar resultados desastrosos, e que explicam que se tenha saído para intervalo com o nulo no marcador.

Para a segunda parte o Benfica veio tacticamente diferente, com o Witsel mais encostado à direita e o Rodrigo a jogar mais perto do Cardozo no centro. Logo aos dois minutos o Olberdan foi expulso com segundo amarelo, e o domínio territorial do Benfica acentuou-se. A tarefa de chegar ao golo, no entanto, não ficou grandemente facilitada, já que o Marítimo cerrou fileiras junto da sua área e foi conseguindo defender de forma organizada. E quando as duas linhas de defesa falhavam, ainda aparecia o Peçanha a estragar-nos os planos. No último quarto de hora de jogo o Benfica conseguiu aumentar ainda mais a pressão, e as oportunidades começaram a surgir com mais frequência, muito também por influência do Nolito, que apesar de apenas ter entrado a dez minutos do final (na minha opinião, devia ter entrado antes) conseguiu causar bastante mais perigo pelo lado esquerdo do nosso ataque do que o Rodrigo ou o Bruno César, que alternaram nessa posição. A cinco minutos do final o Cardozo redimiu-se do falhanço escandaloso da primeira parte, e aproveitando uma série de ressaltos após um remate cruzado do Nolito (que já veio na sequência de uma grande defesa do Peçanha a um cabeceamento do Jardel) colocou finalmente a bola no fundo da baliza do Marítimo. Nos minutos finais o Marítimo atacou de forma desesperada, não criando qualquer perigo mas deixando muitos espaços atrás, que com um pouco mais de calma poderíamos ter aproveitado para voltar a marcar.

Não houve nenhum jogador que se tivesse destacado muito, numa exibição homogénea da nossa equipa. Os centrais pareceram-me seguros, e o Javi também mostrou a solidez do costume. O Nolito entrou muito bem no jogo, e só foi pena não ter conseguido marcar naquela oportunidade que teve já nos descontos. O Cardozo teve um jogo fraco, mas acabou por fazer aquilo que habitualmente faz, aparecendo no lugar certo para atenuar o jogo menos conseguido com mais um golo decisivo.

Seguimos no topo da tabela, sem derrotas, e caminhamos para o fim de uma primeira volta em que já visitámos o Porto, Braga e os Barreiros. Julgo que temos todos os motivos para nos sentirmos satisfeitos com o desempenho da nossa equipa na Liga. Hoje foi um daqueles jogos que normalmente se consideram marcantes em qualquer trajecto que leve à conquista de um campeonato.

P.S.- Cada vez mais se vai aproximando o momento em que o Benfica poderá dar um chuto na SportTV. E à medida que isso acontece, esta parece ir adoptando um comportamento mais raivoso contra o nosso clube. Foi vergonhosa a entrevista rápida, com o repórter a parecer querer à viva força arranjar polémica com a arbitragem e arrancar declarações aos jogadores e treinador do Marítimo que colocassem em causa a nossa vitória por culpa da arbitragem (ainda há-de chegar o dia em que tentar conotar o Jorge Sousa com o Benfica). O Pedro Martins acabou por fazer a vontade ao desesperado moço que segurava o microfone, acabando por deixar a impressão de que estava inebriado, pois falou de um jogo qualquer que certamente não foi aquele a que assistimos.



escrito por D`Arcy às 00:25
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Sexta-feira, 9 Dezembro 2011
Dormir na ocasião

Ao ver a desonrosa eliminação do nosso Benfica da Taça de Portugal, recordava-me das palavras de Padre António Vieira no “Sermão de Santo António aos Peixes”.

 

Em 1654, o ilustre pensador lusitano, referindo-se aos peixes roncadores, e criticando a soberba dos mesmos, dizia que “O muito roncar antes da ocasião, é sinal de dormir nela”. Nesta simples frase lá ia explicando o nosso grande orador que não é digno dos grandes falar antes da ocasião, pois corre-se o risco de ser a ocasião a ultrapassá-los.

 

Antes da eliminação frente ao Marítimo, foi um corre-corre de encómios e louvores: os resultados frente ao Manchester e ao Sporting deram azo a que as manchetes fossem feitas com as referências à sequência de vinte e tal jogos invictos. De repente, vi entrevistas exclusivas de futebolistas nossos a jornais desportivos e até a jornais que sobrevivem às custas de mentiras torpes sobre o nosso Benfica. As conferências de imprensa dividiram-se entre o auto-elogio e a tal estatística da invencibilidade… ou seja, roncou-se muito antes da ocasião. Resultado: dormiu-se nela. Foi-se a invencibilidade, foi-se a Taça de Portugal, espero sinceramente que se tenha ido, definitivamente, a falta de humildade no discurso. E, além da falta de muitas outras coisas – desde a sorte a alguns habituais titulares – a humildade foi o que de mais deficitário o nosso Benfica teve naquele Estádio dos Barreiros.

 

De uma derrota só tira algo de positivo quem tem a capacidade de perceber os erros próprios como uma lição, uma aprendizagem. Quero acreditar que todos, sem excepção, a tenhamos aprendido.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Dezembroe publicado na edição de 09/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quinta-feira, 8 Dezembro 2011
Preguiça

Vitória alcançada controlando o jogo em serviços (muito) mínimos, primeiro lugar do grupo conquistado. Obrigação cumprida, portanto.

Se calhar a melhor palavra para descrever a exibição do Benfica neste jogo é 'preguiça', dada a forma como pareceu não querer mesmo fazer mais do que o mínimo necessário. Por outro lado, olhando para este jogo de forma meramente racional, lembramo-nos que era um jogo da Champions e vemos que mesmo sem brilho vencemos como se exigia, e controlámos o jogo sem sofrer grandes sobressaltos, criando algumas oportunidades para marcar mais golos. Paradoxalmente, o Benfica parece ser uma equipa à qual quase sempre faz mal marcar cedo, ou até mesmo colocar-se em vantagem num jogo. Quase de imediato parecemos meter imediatamente uma mudança mais baixa, e para o adepto que vê o jogo aparentamos uma sobranceria que chega a roçar mesmo a preguiça. Acaba por ser exasperante por sabermos que a equipa pode e vale muito mais.Desta vez o golo chegou mesmo muito cedo - aos sete minutos, depois de um trabalho muito bom do Witsel na direita, a segurar a bola rodeado de adversários e a soltá-la no momento certo para o Gaitán fazer mais uma assistência na Champions, permitindo ao regressado Cardozo uma finalização fácil na pequena área. Depois disto, foi simplesmente controlar o jogo. Com uma enormidade de posse de bola, por vezes parecia que o Benfica ou não queria marcar mais golos, ou então queria entrar com a bola para dentro da baliza. Nem sequer se arriscavam centros para a área, fazia-se sempre mais um passe, e remates quase que nem vê-los. De tal forma que o Otelul, com pouco mais de 30% de posse de bola, perto do final da primeira parte conseguia ter o dobro dos remates do Benfica. Mas também é verdade que apenas numa ocasião - que acabou por ser a única durante os noventa minutos - ameaçaram seriamente a nossa baliza, permitindo mais uma vez ao Artur mostrar qualidade ao suster o remate de um adversário isolado e ainda desviando a recarga.

A segunda parte foi simplesmente monótona. O Otelul não tinha qualidade para fazer grande coisa, e quanto ao Benfica, acho que se resume a três lances: um a abrir, num remate acrobático do Bruno César à figura do guarda-redes (mais pelo facto de ter sido uma das poucas jogadas com princípio, meio e fim do que pelo perigo causado); outro a meio, numa combinação entre o Nolito e o Cardozo que terminou com uma defesa complicada do guarda-redes; e um a fechar, onde o Rodrigo, isolado, não conseguiu acertar na baliza. Nos períodos entre estes lances viu-se sobretudo um futebol bastante aborrecido (talvez ficasse melhor chamar-lhe 'pragmático'), em que o Benfica parecia seguro da incapacidade do adversário para causar problemas, e demasiado preguiçoso para forçar um pouco mais o andamento e resolver de vez a questão. As alterações feitas pouco mudaram, pois se me pareceu que ficámos a ganhar alguma coisa com a troca do Bruno César pelo Nolito, com a saída do Aimar perdemos um dos poucos jogadores que ainda ia trazendo alguma fantasia aos lances de ataque e criando alguns desequilíbrios, já que o Gaitán, que aparecia aos soluços, já estava a entrar na fase de apagamento e acabou mesmo por sair lesionado. O 1-0 final foi mesmo o espelho fiel deste jogo.

Os melhores do Benfica foram, para mim, os três do meio campo: Aimar, Javi e Witsel. Se calhar acabaram também por estar mais em jogo devido ao facto do Benfica ter passado grande parte dele privilegiando a posse de bola, mas para mim foram mesmo os jogadores que estiveram melhor. O Gaitán apareceu a espaços, mas como vem sendo habitual ultimamente foi-se apagando à medida que o tempo passava. O Bruno César teve um jogo bastante apagado, com demasiados passes falhados e perdas de bola.

O importante foi mesmo ganhar, o que nos permitiu terminar a fase de grupos sem derrotas e no primeiro lugar. Olhando para os segundos classificados, que constituem a lista de adversários possíveis na próxima eliminatória, creio que não há nenhum que seja particularmente assustador. Por mim, desde que evitemos equipas italianas (pronto, é um trauma que tenho depois ver o Benfica ser eliminado por Milan, Roma, Juventus, Parma, Milan outra vez, Lazio, Inter...), fico satisfeito.



escrito por D`Arcy às 01:24
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Quarta-feira, 7 Dezembro 2011
Lembrete

Só para relembrar a quem de direito que jogar contra o Bayer Leverkusen, Marselha, Zenit São Petersburgo, (e no campo das hipóteses prováveis) Ajax, Lille ou Nápoles não é propriamente a mesma coisa que defrontar o Barcelona, Real Madrid, Bayern Munique, Chelsea, Inter de Milão ou Arsenal (claro que o Milan no primeiro grupo ou o poderoso Apoel no segundo seriam a fava e o brinde, respectivamente).

 

Portanto, vamos lá tratar de ganhar em casa ao último classificado do nosso grupo, que em cinco jogos ainda não conseguiu pontuar, ok? Para desilusões, já nos bastou o que aconteceu na passada Sexta-feira…



escrito por S.L.B. às 00:01
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Sábado, 3 Dezembro 2011
Ás de Trunfo (ou a falta dele...)

Eu admito que sou um gajo com algumas idiossincrasias às vezes pouco compreensíveis para muita gente. Uma das quais é uma derrota na Taça de Portugal ser a mais dolorosa para mim. Porque uma derrota no campeonato geralmente não é decisiva, uma nas competições europeias também não (e, se for, ganhar essa competição nunca é um objectivo primordial) e não me lembro da última vez que perdemos para a Taça da Liga (por acaso, até me lembro, foi frente ao V. Setúbal na terrível época de 2007/08). Por isso, fico absolutamente lixado com F maiúsculo quando somos eliminados da Taça de Portugal. Especialmente por causa disto: porque ficamos sem o nosso ás de trunfo para a temporada. Ou seja, por muito mal que corra uma época, se ganharmos a Taça de Portugal, especialmente por ser o último jogo do ano futebolístico (e a última imagem é a que fica com mais nitidez – época passada, anyone?!), as coisas terminam inevitavelmente numa nota positiva.

 

Além disso, há outros factores que contribuem para a importância desta competição: tem imensa tradição e prestígio, só os provincianos não gostam do local da final (com uma envolvência difícil de igualar), somos o clube com mais troféus conquistados e melhor que ganhar o campeonato é fazer a dobradinha. Numa nota pessoal, gosto imenso de ir ao Jamor e já há imenso tempo que não ponho lá os pés.

 

Por tudo isto, custa-me a aceitar que há sete anos que não vamos a uma final e há oito que não a ganhamos. E custa-me especialmente a aceitar a 2ª parte que fizemos frente ao Marítimo, nomeadamente depois de estarmos a ganhar ao intervalo. Havia que comer a relva para se estar à altura da história do Benfica nesta competição. E não se fez isso. Lamentavelmente.

 

P.S. -  O último jogo do campeonato antes da pausa natalícia é no dia 16 de Dezembro e o da próxima eliminatória é no dia 21, não é? Pois bem, mandasse eu no Benfica e os jogadores só iriam para férias no dia 22. E mais: obrigá-los-ia a irem ver ao vivo o jogo em que deveriam estar em campo. Ou seja, reservava já bilhetes para o Belenenses - Marítimo.

 

P.P.S. – Agora, se fazem favor, senhores jogadores e equipa técnica do Sport Lisboa e Benfica, vamos lá ganhar o campeonato para podermos esquecer isto, ok?!



escrito por S.L.B. às 23:59
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Sexta-feira, 2 Dezembro 2011
Eliminação

Uma segunda parte imbecil e algo displicente resultou na primeira derrota da época e na consequente eliminação da Taça de Portugal. Ainda não será desta que o Jorge Jesus consegue vencer este troféu.

Onze com algumas mudanças para além da esperada troca do Artur pelo Eduardo: Rúben, Matic, Saviola e Nolito nos lugares do Maxi, Javi, Aimar e Bruno César. Boa entrada do Benfica no jogo, com o Marítimo a mostrar que seria sempre um adversário complicado, pois tentava sempre pressionar o portador da bola e não dava muito espaço nem tempo para jogar. O Benfica ia no entanto dominando a posse de bola e criando as únicas oportunidades no jogo, já que em termos de ataque o Marítimo limitava-se a jogar bolas longas para o Baba, que ia sendo facilmente anulado pelo Jardel. Chegámos à vantagem no marcador aos vinte e sete minutos, através de um penálti convertido pelo Saviola. O lance é todo ele mérito do Nolito, que insistiu no meio de vários adversários até entrar na área e cair. Depois do golo, não se notou grande reacção da parte do Marítimo, tendo o intervalo chegado sem que o Eduardo tivesse feito uma única defesa.

Para a segunda parte o Marítimo veio naturalmente mais adiantado em campo, na procura do golo do empate. E mesmo connosco ainda em vantagem no marcador, já eu me estava a sentir profundamente irritado com a displicência do Benfica no ataque. O maior atrevimento do Marítimo significava, naturalmente, mais espaços dados na defesa, que nós poderíamos aproveitar para matar o jogo. Mas apesar de surgirem lances em que os nossos jogadores apareciam em igualdade ou mesmo em superioridade numérica, o que aconteceu quase sempre foi o portador da bola baixar a cabeça e tentar fazer tudo sozinho, acabando por ir para cima dos adversários e perdendo a bola - quantas vezes se viu o Nolito completamente solto na esquerda, e ninguém se lembrava de meter para lá a bola? Logo a abrir o Rodrigo falhou, isolado, o que poderia ter sido o segundo golo. O Marítimo respondeu com um remate que proporcionou a primeira defesa - e uma grande defesa, diga-se - do jogo ao Eduardo. e ao fim de quinze minutos chegou ao empate, num lance em que não há nada a fazer, porque um remate a vinte e cinco metros da baliza que leva a bola ao ângulo não deixa quaisquer hipóteses. Cinco minutos depois, só nova grande defesa do Eduardo evitou o segundo do Marítimo. E a vinte minutos do final, logo a seguir à entrada do Aimar, o previsível segundo golo madeirense apareceu mesmo, numa lances simples: balão para as costas da defesa, e o extremo Sami veio 'calmamente' desde a linha até ao meio para fazer um chapéu ao Eduardo, enquanto o Emerson assistia ao lance em posição privilegiada. Com o Aimar o nosso jogo subiu muito, mas a equipa esteve desastrada na finalização: contei pelo menos quatro oportunidades flagrantes (duas do Aimar, uma do Nolito e uma do Rodrigo) que desperdiçámos. E assim não admira que tenhamos ficado fora da Taça.

Melhor no Benfica o Jardel. Não foi por ele que o Benfica perdeu, e conseguiu controlar com facilidade o jogador adversário mais perigoso. Gostei também do Witsel, e dos vinte minutos do Aimar, pese as oportunidades falhadas. Para variar, não gostei do Rodrigo: esteve praticamente escondido do jogo, exagerou no individualismo e quando apareceu conseguiu falhar duas oportunidades flagrantíssimas para golo. O Gaitán, nem consegui perceber se jogou a segunda parte. Também não gostei do Emerson. Julgo que à vontade terá feito 90% dos passes para trás, porque arrisca pouquíssimo. A jogada típica foi a bola chegar-lhe aos pés, ele ver um adversário a dez metros, voltar-se para trás e atrasar a bola. Foi de tal forma que no início da segunda parte o Marítimo deu-se ao luxo de não colocar ninguém a controlar as suas eventuais subidas, preferindo reforçar o centro. Para piorar, foi interveniente directo no golo que deu a vitória ao Marítimo, pois deixou o seu adversário directo escapar e antecipar-se-lhe.

Eu percebo a necessidade de se gerir o plantel e tudo mais. Mas se queríamos mesmo vencer a Taça de Portugal, então tenho mais dificuldade em compreender que num jogo desta dificuldade nos demos ao luxo de deixar de fora jogadores como Maxi, Javi ou Aimar. Viu-se claramente a diferença que fez no nosso futebol a entrada do Aimar no jogo. Para além disso, o tempo de reacção à entrada do Marítimo na segunda parte foi tardio: viu-se desde início o reforço da zona central, e julgo que se teria imposto a troca de um avançado por um médio mais cedo, e não apenas depois de o mal estar feito. Enfim, depois das coisas acontecerem, criticar é fácil. Foi a primeira derrota da época, e alguma vez acabaria por acontecer. A Taça está perdida, resta-me apenas evitar histerias, desejar que se tenha aprendido alguma coisa com isto, e que no próximo fim-de-semana consigamos trazer a vitória deste mesmo estádio.



escrito por D`Arcy às 22:42
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Responsabilidades

No passado fim-de-semana, após mais uma derrota do seu clube frente ao Benfica, alguns adeptos do Sporting incendiaram propositada e premeditadamente uma bancada do Estádio da Luz.

 

Antes disso, um vice-presidente do Sporting acicatou ânimos, insultou o Benfica e chegou a dizer, entre outas alarvidades, que a Direcção do Sporting se recusava a frequentar lugares como o camarote presidencial da Luz e camarotes adjacentes.

 

Após o criminoso acto pirómano dos seus adeptos, não há sportinguista com voz na comunicação social e responsabilidades no clube que não tenha vindo alijar responsabilidades próprias, fazendo piruetas com a coluna vertebral, para desresponsabilizar os responsáveis materiais do crime. Desta forma, acabam todos por ficar, moralmente, no patamar indecoroso dos criminosos que perpetraram o crime. Assim, há um grupelho de vândalos que vê os seus actos cobardemente protegidos pela desresponsabilização, escondendo-se por trás do grupo e de uma vergonhosa cultura de impunidade.

 

No mesmo fim-de-semana, mas numa outra latitude, um jornalista da TVI alega ter sido agredido e insultado na presença, e com a aquiescência, do presidente de um clube que prima pelas boas práticas exemplificadas nas escutas do processo “Apito Dourado”.

 

Neste reino pantanoso da irresponsabilidade, o absurdo não tem limites e, às tantas, ainda veremos as canetas de aluguer do costume a afirmar que as galhetas que o tal jornalista apanhou lá para as bandas do Freixo se deveram a uma rede no Estádio da Luz.

 

O Presidente da Liga assiste a tudo isto com a desresponsabilização do silêncio. E neste silêncio reside a mais fina ironia de tudo isto…

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Novembro e publicado na edição de 02/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Terça-feira, 29 Novembro 2011
Diferentes, como as atracções do circo

Sim, vamos todos acreditar no burlão dos paquetes da Expo 98. ‘Temos uma gravação’. Devem ter, devem. Deve estar guardada no mesmo sítio onde guardaram os 3.000 votos fantasma que lhe compraram as eleições.

Agora, em desespero, tentam usar uma eventual fúria do Presidente do Benfica (que a existir, seria mais que justificada, porque personificaria a indignação de todos os Benfiquistas ao ver o seu Estádio vandalizado) para alimentar a campanha de vitimização e lançar fumo sobre o acto criminoso nas bancadas e as declarações ordinárias e provocatórias do jurássico Cristóvão. São ridículos. E diferentes, dizem. Lá isso são.

 

É diferente sacar mentira esfarrapada atrás de mentira esfarrapada da cartola, em fuga desenfreada para a frente, para tentar justificar o injustificável.

É diferente ter um presidente que, fez 9 anos em Março, foi preso pela PJ por corrupção activa e branqueamento de capitais no caso dos paquetes da Expo 98, mas que se apresenta como um paladino da verdade e da justiça.

É diferente – é fino, dizem - embrulhar processos de eleições (com votos contados à patorra, como na pré-história, o que também é diferente) em sessões de pancadaria e saudar os vencedores (apurados com os tais 3.000 votos fantasma) com saraivadas de galhetas nas trombas.

É diferente ter um ruminante jurássico (que tem a reputação de gostar de brincar à Gestapo) a apregoar que já tinham passado há muito a pré-história enquanto um conjunto de macacos selvagens descobria o fogo nas bancadas da Luz.

É diferente gostar de se proclamar como arautos da moral e dos bons costumes e nem por um momento condenar sem reservas actos de vandalismo e agressões a bombeiros. Dizer que ‘não se revêem’ nisso e que que ‘não sabemos quem provocou o incêndio’ é simplesmente, sem meias palavras, ser um real e ordinário filho da puta, sacudir a água do capote e não condenar rigorosamente nada. Se calhar foi a Fada dos Dentes ou o Coelhinho da Páscoa que andaram de jerrican de gasolina a regar as cadeiras.

É diferente queixar-se da acomodação em estádios seguros quando malham com os cornos em fossos no próprio estádio. Fossos cuja construção é da inteira responsabilidade do senhor lá de cima, o burlão da Expo 98.

É diferente ser esquizofrénico ao ponto de achar que os outros lhes deviam fornecer milhares de bilhetes para os amigos imaginários, quando normalmente nem enchem metade do próprio estádio.

É diferente ser comido há 30 anos pela malta da fruta e continuar a ser conivente com a corrupção, comendo as migalhinhas, enquanto se berra ódio ao Benfica.

É diferente ser levado ao colo pelas arbitragens e estar permanentemente a queixar-se, construindo realidades virtuais para assegurar o futuro.

É diferente ter como cântico fundamental, em todas as circunstâncias, uma música que invoca o clube que os assombra.

É diferente viver como fidalgo apesar de estar virtualmente na falência e estar constantemente a ser resgatado por dirigentes com demasiada influência na banca (ou por banqueiros com demasiada influência na lagartagem, take your pick).

É diferente ser um clube que é, na sua essência, a negação de outro.

 

E é, na verdade, diferente ter uma necessidade premente de se estar permanentemente a afirmar que se é diferente.

 

Sou, obviamente, pelo corte de relações. Mas, convenhamos, sempre fui. Relações com lagartos sempre me soou demasiado a zoofilia.



escrito por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 11:16
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Domingo, 27 Novembro 2011
Benfiquismo


escrito por Pedro Valente às 14:09
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Competência

Acabou por ser preciso sofrer um bocadinho mais do que o necessário e expectável, sobretudo devido à expulsão do Cardozo, mas no final conseguimos o resultado esperado, e atirámos com a lagartagem para quatro pontos de distância. Como satisfação extra, o facto do golo decisivo ter sido marcado por um dos meus jogadores preferidos. O jogo foi bastante disputado, não muito bem jogado, mas com várias oportunidades de golo repartidas pelas duas equipas.

As escolhas por parte do Jesus do Jardel para o lugar do Luisão e do Cardozo para o lugar de ponta-de-lança não foram surpresa. Apesar do Miguel Vítor ser presença mais assídua no banco, sempre que é preciso substituir de início um dos centrais titulares a escolha tem sido o Jardel, e o Cardozo já tem uma longa história de golos contra o sportém. Quanto ao jogo em si, as equipas encaixaram tacticamente bem uma na outra, e o futebol jogado não foi dos melhores: ambas pareciam ter algum receio de perder a bola no meio campo, e optavam muito pelo futebol mais directo em vez de tentarem construir jogadas mais elaboradas. A posse de bola foi sempre muito disputada, com nenhuma das equipas a conseguir uma clara supremacia nesse aspecto. Pela parte do Benfica era o Aimar quem mais se destacava na construção, enquanto que do lado do sportém era o espanhol marreco quem parecia ser capaz de criar mais perigo pelo seu lado. Entrou bem o sportém, até ao primeiro grande abanão no jogo, dado pelo Gaitán com um grande remate que acabou no poste. Respondeu o sportém com uma boa oportunidade também, numa combinação entre os dois holandeses que terminou com um remate ao lado. O jogo manteve-se sempre nesta toada de equilíbrio, até que a cinco minutos do intervalo, na sequência de um canto, o Javi surgiu ao primeiro poste e aproveitou a falha do tronco americano para desfazer o nulo. Dado o cariz do jogo, parecia-me ser fundamental marcar primeiro, até porque sabemos como jogam as equipas do Domingos e como podem complicar as coisas quando se apanham à frente do marcador.

Parecia que a segunda parte poderia ter o cenário ideal para o Benfica aproveitar o progressivo balanceamento do sportém na procura do empate e decidir o jogo, e logo após cinco minutos o Cardozo teve oportunidade para fazer isso mesmo, mas viu o golo ser-lhe negado pelo Patrício. O jogo continuava no mesmo ritmo da primeira parte, e o sportém respondeu dez minutos depois com um cabeceamento do Elias, que proporcionou ao Artur uma defesa fantástica. Aos vinte minutos as coisas complicaram-se muito para o Benfica, pois o Cardozo fez-se expulsar e o sportém passou então a ter um controlo claro da posse de bola, com o Benfica a remeter-se à defesa da vantagem mínima. Logo no minuto seguinte o Artur quase borrava a pintura, ao confiar que uma bola sairia pela linha de fundo e acabando por ver um remate do Elias passar muito perto do poste. Mas o período de algum desnorte do Benfica durou pouco, pois a equipa depressa se acalmou e, com grande espírito de entreajuda e uma grande organização passou até a conseguir manter o sportém longe da nossa baliza com uma aparente maior facilidade do que o vinha fazendo com onze. A tarefa foi ficando facilitada também porque eles começaram a optar cada vez mais por despejos longos para a área, ou tentativas estéreis de jogadas individuais, sobretudo pelo espanhol marreco, que terminavam com este a deixar-se cair à espera de alguma falta. O Benfica conseguiu mesmo, apesar da inferioridade numérica, criar ocasiões de perigo e acabou por ver o Gaitán acertar outra vez no ferro, numa tentativa de canto directo, e o Patrício negar o golo ao Rodrigo, que se isolou pela esquerda a passe do recém entrado Nolito. O apito final acabou por soar com o resultado inalterado, para alegria dos benfiquistas e azia da viscondagem, que depois se dedicou ao seu habitual mau perder - não percebo porque razão é que continuam a comportar-se assim quando perdem connosco. Já deviam estar habituados. Afinal de contas, já vamos em 1009 dias.

Fiquei satisfeito com a capacidade de luta que a equipa mostrou durante todo o jogo, e em especial quando se apanhou em inferioridade numérica. Javi García foi um gigante: marcou o golo decisivo mas também apareceu em todo o lado, cortando uma infinidade de lances pelo ar e pelo chão. Também Aimar, Witsel, Garay e Artur estiveram muito bem. O Jardel, na complicada tarefa de substituir o Luisão, não tremeu, e o Maxi conseguiu suster as investidas do espanhol marreco e do Insúa, e ainda dar a habitual ajuda lá à frente.

Sempre ouvi dizer que se devia 'dar asas ao sonho'. Isso deve querer dizer que os sonhos podem voar. É capaz de ser é um bocadinho complicado manterem-se lá em cima durante muito tempo quando estão enjaulados e atrelados a um tractor. Não admira portanto que acabem por estampar-se, e isto torna-se particularmente cómico quando a aterragem é invariavelmente feita com os dentes e com uma elegância paquidérmica. Para tanta bazófia com que andaram durante semanas enquanto venciam jogos contra equipas que lutam pela manutenção, é estranho que não tenham conseguido sequer empatar contra uma equipa reduzida a dez durante meia hora. Isto para uma equipa que, segundo um dos inúmeros cabeças-de-vento que têm como dirigentes, apenas o Barcelona e o Real Madrid podem ambicionar ombrear com ela, parece-me um desempenho algo decepcionante. Quanto a nós, invencibilidade mantida por mais um jogo e primeiro lugar preservado. Com muita competência.

P.S.- Quero desde já repudiar as condições infra-humanas que foram proporcionadas à malta de sangue azul do Lumiar no nosso estádio. Fechados naquele espaço, não se conseguiam ouvir, comprovando a teoria lançada pelo Salema, esse grande pensador dos tempos modernos - a rede utilizada era especial, e deflectia o som quando ele tentava passar pelos buracos. Ainda por cima estavam todos ao molho - aquelas clareiras que se viam naquele espaço não significam nada, porque aquilo é gente importante e precisa de muito espaço individual. Quanto ao tempo que tiveram que esperar para entrar no estádio, até acredito que tenham razão em queixar-se, mas a culpa deve ser da organização da PSP. É que quando eu vou ao Alvalixo costumo ter exactamente o mesmo problema. Ainda assim, e provavelmente fazendo uso dos fósforos que esconderam nos sapatos de vela e nos pólos Lacoste que levavam sobre os ombros, conseguiram pegar fogo ao nosso estádio. Para a próxima não é na estrutura de segurança que ficam. É na rua mesmo, e pagamos a multa.



escrito por D`Arcy às 09:09
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Betos com fósforos

A lagartagem - a osgalhada, se quiserem, que já me tentaram processar por usar o termo anterior (a sério) - é, como se sabe, essencialmente um conjunto de betos invejosos que vivem ancorados num ressentimento gravado a pedra nos cornos de cada uma destas criaturas sapudas. Como tal, e como nós - o objecto do ressentimento, o Benfica, os Benfiquistas - não lhes ligamos puto, o que fazem invariavelmente é criar 'casos' do nada, inventando situações em que são 'injustiçados' pelo Benfica, para depois e sistematicamente (i) justificarem a sonora queda com os dentes e cornos no chão sempre que se metem connosco e (ii) mostrarem uma indignação histérica contra o Glorioso para unir a lagartagem osgalhada, normalmente tresmalhada à primeira contrariedade. Em todos os manuais que ensinam como ser um bom lagarto uma boa osga vem como primeiro mandamento e conceito estratégico fundamental o ataque ao Benfica para ganhar o apreço dos demais lagartos osgas.
Hoje foram longe demais. O Benfica, e muito bem, desenhou um novo modelo de segurança para os adeptos organizados adversários. Frise-se o 'organizados', porque toda a gente pôde ver muito bom lagarto muito boa osga espalhada pelo Estádio, em todos os sectores, em amena cavaqueira com os tolerantes adeptos Benfiquistas. O que, como a besta jurássica do Paulo Pereira Cristóvão muito bem sabe, não se vê no Alvalixo, onde a tolerância só é praticada para com os amigos corruptos do Norte.

O Benfica, como dizia, desenhou um novo modelo de segurança e resolveu aplicá-lo, como qualquer entidade inteligente o faria, no primeiro jogo em que se recebe gente que não se sabe comportar (a malta da fruta ainda não veio cá este ano). O que faz, como se esperaria, a lagartagem osgalhada?
Um chinfrim hipócrita e cretino, e a geração espontânea de mais um caso que nasce do buraco do cu dos fantoches que os dirigem para unir a lagartagem osgalhada e ganhar a simpatia dos sapos já desinchados na eventualidade de baterem com os cornos no chão. Vão incendiando o ambiente - que até estava razoavelmente pacífico - e como a coisa corre de facto mal, tendo batido mais uma vez de forma tonitruante com o focinho na calçada, no final do jogo um cretino pré-histórico da direcção lagarta osga faz um discurso extraordinário - na medida em que é efectuado na sua totalidade com a abertura do ânus (cuidem-se os ventríloquos e os proctologistas) - em que incendeia ainda mais os ânimos, a birrinha dos betos e, consequentemente, parte do estádio. Literalmente.


Parece-me claro que estes ordinários jurássicos têm de ser responsabilizados. Mande-se-lhes a factura do belo serviço que as osgas pirómanas fizeram no nosso Estádio. Corte-se as relações com estes profissionais da hipocrisia. E proíba-se a entrada futura deste tipo de animais. Eu, pela minha parte, estou disposto a contribuir com o que for preciso para as multas que resolverem inventar.


Ver o meu Estádio vandalizado por betos com fósforos? Não, obrigado. Há um limite para a tolerância com o louco da aldeia, e normalmente acaba quando este nos começa a incendiar a casa.



escrito por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 00:18
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Sexta-feira, 25 Novembro 2011
Old Trafford

Não fui ver o Benfica a Old Trafford. O Benfica não ganhou em Old Trafford. Ouvi o Benfica desde Old Trafford. O Benfica ganhou Old Trafford.

 

Eu sei que estava lá o Aimar e o Luisão, o Artur e o Javi, o Jorge Jesus e o Pietra, mas o Benfica que ganhou Old Trafford foi um Benfica de adeptos, sócios, simpatizantes, portugueses e benfiquistas. Foi um Benfica nascido na vontade e expressado na voz e na emoção de quem gritou a alma benfiquista durante mais de noventa minutos. Foi o Benfica de quem não renova contratos, pois assinou no benfiquismo um compromisso para a vida, um compromisso incondicional e intemporal. O Benfica que ganhou Old Trafford foi o Benfica de três mil vozes que deram voz a milhões de vontades. No Benfica que venceu Old Trafford estava a eficácia de Rogério Pipi, a elegância de José Águas, o magnetismo de Coluna, a rapidez de Simões, a abnegação de Toni, a determinação de Bento, o génio de Chalana, o benfiquismo de Rui Costa, a magia de Aimar… Mais do que tudo, estavam também as lágrimas do benfiquista desconhecido a quem me abracei no Bessa, no jogo do título no ano de Trapattoni; o sofrimento do benfiquista de pelo menos sete décadas que se senta atrás de mim no Estádio da Luz e que, sempre em silêncio, festeja os golos do Benfica apertando as mãos (fundindo as mãos) como se naquele aperto estivesse a capacidade de transformar o caos em cosmos. No Benfica que venceu Old Trafford estavam os sorrisos, as lágrimas, os abraços, os impropérios, as injustiças, as esperanças de todos os que sabem que, se não fossem benfiquistas, não seriam as pessoas que vieram a ser.

 

Dizem os jornais que o Benfica empatou em Old Trafford. Mentira, o Benfica ganhou Old Trafford, porque, durante mais de noventa minutos, o que se ouvia era a voz do Benfica cantando bem alto o nome do Glorioso. O resto foi um teatro de sonhos a silenciar-se perante a voz do Benfica, a nossa voz.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Novembro e publicado na edição de 25/11/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quarta-feira, 23 Novembro 2011
Apurados

Ainda não foi desta que perdemos o primeiro jogo. Sobrevivemos em Old Trafford, arrancando um empate que garante a passagem à próxima fase e que coloca o primeiro lugar no grupo dependente apenas de nós próprios.

Onze sem qualquer surpresa, já que a única dúvida que poderia eventualmente haver seria quem jogaria como avançado: Cardozo ou Rodrigo. A escolha foi o espanhol, apoiado mais de perto pelo Aimar. O Benfica teve uma entrada muito boa no jogo, naturalmente ajudado por um golo madrugador: logo aos dois minutos, após uma boa jogada que envolveu vários passes em progressão, a bola só acabou no fundo da baliza inglesa, quando o Jones a enviou para lá na tentativa de impedir que chegasse aos pés do Rodrigo, que ao segundo poste aguardava o cruzamento do Gaitán. Na fase inicial do jogo a equipa mostrou confiança, trocando bem a bola e, quando não estava na posse dela, pressionando de forma inteligente, de forma que o Manchester era incapaz de sair a jogar, o que chegou a provocar o desagrado dos próprios adeptos. Mas infelizmente esta boa fase durou apenas cerca de vinte minutos. Aos poucos o Manchester começou a libertar-se, e o Benfica não pareceu lidar bem com as movimentações dos avançados ingleses, que recuavam e conseguiam quase sempre receber a bola no espaço entre a defesa e o meio campo. O empate surgiu à meia hora de jogo, num cabeceamento do Berbatov - quando se joga com a defesa em linha corre-se sempre o risco de falhar e deixar um adversário em jogo, ou que um fora-de-jogo mais no limite possa passar despercebido, e foi o que aconteceu nesse lance. O empate fez mal ao Benfica: é verdade que a equipa manteve-se concentrada e a organização defensiva não abanou muito, mas o mesmo não se pode dizer em relação ao ataque, já que fomos progressivamente deixando de conseguir construir lances ofensivos, e nem sequer conseguíamos manter a posse de bola por muito tempo. Podíamos ter sofrido o segundo golo logo de seguida, não fosse a excelente intervenção do Artur, mas ainda conseguimos responder através do Aimar, tendo depois o resto da primeira parte decorrido sem grandes sobressaltos.

O início da segunda parte foi penoso. Aquilo que de mau tínhamos mostrado após o golo do empate acentuou-se ainda mais, e o Benfica literalmente deixou de ter bola, limitando-se a deter as vagas de ataque do Manchester. As tentativas de saída para o ataque só conseguiam ser feitas através de passes longos, o que obviamente o Manchester agradecia. O golo do Manchester adivinhava-se, e só mesmo a forma solidária (e às vezes quase desesperada) como o Benfica ia defendendo, e a classe do Artur conseguiam ir adiando o inevitável. Para piorar as coisas, ao fim do primeiro quarto-de-hora o Luisão lesionou-se e teve que ser substituído pelo Miguel Vítor, e o Manchester acabou mesmo por marcar logo a seguir. As coisas podiam ter ficado muito complicadas para o Benfica nesta altura, mas tivemos a sorte do nosso lado e conseguimos empatar quase na resposta, com o Bruno César a aproveitar um mau alívio do De Gea e a jogada a acabar com o Aimar a finalizar à boca da baliza. Este golo 'esvaziou' o ímpeto do Manchester, e com a ajuda das entradas do Matic (boa entrada no jogo) e do Rúben, acabámos por conseguir controlar o jogo até final sem muitos sustos, isto apesar do Manchester ter continuado sempre a ter muito mais posse de bola.

O primeiro realce é para a organização, solidariedade e maturidade de toda a equipa. Quanto a destaques individuais, escolho o Artur, que defendeu tudo o que era humanamente possível, e até algumas impossíveis; o Garay, que mostra cada vez mais ser o complemento ideal do Luisão no centro da nossa defesa, o Witsel, que foi um gigante no meio campo, e o Aimar, que lutou e trabalhou até à exaustão e foi recompensado com o golo que carimbou o nosso apuramento. Quero mencionar ainda o Miguel Vítor, que entrou a frio no jogo, logo para o lugar do Luisão, e viu a equipa sofrer um golo logo a seguir. Mas não tremeu, e cumpriu a sua função até final com distinção.

É impossível não fazer comparações com o Benfica na Champions o ano passado. Esta equipa está muito mais adulta, e hoje fez ao Manchester aquilo que nos fizeram várias vezes o ano passado. Quando o adversário falhou, aproveitou de forma terrivelmente fria eficaz essas falhas. O ano passado perdemos todos os jogos da fase de grupos disputados fora de casa, sem marcar um único golo; este ano não perdemos um único. A experiência nota-se e a equipa sente-se mais confortável a jogar na Champions. E nós, adeptos, sentimo-nos também mais confortáveis e confiantes ao vê-la nesta competição. Foi fantástico ouvir, durante largos períodos de tempo, Old Trafford silenciado por cânticos de apoio ao nosso Benfica. Agora que a questão do apuramento está arrumada, é tempo de passar a pensar no jogo de Sábado. E esperar que esteja tudo bem com o nosso capitão.



escrito por D`Arcy às 00:03
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Sexta-feira, 18 Novembro 2011
Tormenta

Péssimo relvado, mau jogo, sofrível exibição, bom resultado. E o Benfica passou incólume pela tormenta e está na próxima eliminatória da Taça de Portugal, que é o que mais interessa.

Onze inicial com várias alterações, conforme esperado. Eduardo na baliza, Miguel Vítor e Capdevila nas laterais, Rúben Amorim na direita do meio campo, e um dupla de avançados constituída pelo Mora e o Nélson Oliveira. O problema maior deste jogo, e que acabou por condicioná-lo do princípio ao fim, foi o estado do relvado, completamente alagado devido à chuva torrencial que teimou em cair durante quase todo o jogo. Houve sempre muita luta e pouco futebol jogado, com o Benfica a tentar naturalmente assumir as despesas do ataque, mas sendo muito difícil construir jogadas minimamente elaboradas, já que jogar em passes curtos era quase impossível, e progredir com a bola nos pés muito difícil. Ainda assim conseguimos criar três boas oportunidades de golo, pelo Nélson Oliveira, Mora e Nolito, mas o nulo ao intervalo era perfeitamente normal para o futebol que se conseguiu jogar.

Pouco ou nada mudou na segunda parte, tendo-se caído numa situação em que praticamente só se conseguia levar a bola para o ataque com pontapés para a frente, porque tentar fazê-lo de outra forma era um suplício. Qualquer livre tinha que ser aproveitado para despejar a bola para as imediações da área, mas o Benfica hoje não mostrou muita inspiração para criar perigo através destes lances, ou dos vários cantos que conseguiu conquistar. A Naval também conseguiu ser um pouco mais perigosa, sobretudo através de contra-ataques, mas também esses lances foram afectados pelo estado do relvado (com uma grande excepção, que por pouco não resultou em golo). Mas mais uma vez foi o Benfica quem criou mais e melhores oportunidades para marcar: Javi García, com a bola a ficar presa na lama quando ele estava pronto para, à boca da baliza, a empurrar para o golo; Bruno César, a cabecear na pequena área após boa iniciativa do Nolito, e a ver o guarda-redes da Naval fazer uma defesa pouco ortodoxa com o pé, quando já estava em desequilíbrio; e Rúben Amorim, num remate de fora da área que passou muito perto do poste. Foi preciso recorrer ao novo menino bonito da Luz, Rodrigo, que saltou do banco a oito minutos do final e, da primeira vez que tocou na bola, marcou o golo decisivo. Foi após mais um livre despejado para a área pelo Rúben, com um defesa da Naval a falhar o corte e a deixar a bola morta no centro da área, para um remate rasteiro de primeira e à meia volta do Rodrigo. Eliminatória resolvida, e prolongamento evitado.

Apesar de ser difícil fazer muitos destaques num jogo destes, elejo Rúben Amorim, Nolito e Luisão como melhores neste jogo. O Rúben jogou 'à Rúben': fez três posições durante o jogo, e foi muito competente em todas elas - talvez onde tenha estado melhor foi no centro do terreno. O Nolito foi sempre dos mais batalhadores e irrequietos no ataque, sendo autor de muitas das nossas jogadas mais perigosas. E o Luisão foi o patrão do costume, num jogo em que teve muito trabalho devido ao elevado número de lances aéreos que foi obrigado a disputar.

Vitória justa, missão cumprida na Figueira, e agora pensemos em garantir a passagem aos oitavos-de-final da Champions já em Manchester.



escrito por D`Arcy às 22:52
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O novo Fenómeno

Tal como o Ronaldo com este epíteto, também nasceu no Brasil, evidenciou-se em Espanha e o seu nome começa por R...



escrito por tma às 22:11
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O lamaçal

A Selecção da Federação Portuguesa de Futebol foi obrigada a jogar num campo de futebol bósnio que tinha um relvado num estado miserável e, para o piorar, os malvados bósnios até ousaram regar os poucos tufos de relva antes do jogo.

 

Não houve alma ligada ao futebol luso que não se tivesse indignado. Todos foram profícuos na adjectivação da situação: vergonhoso, ultrajante, inaceitável… Todos, sem excepção, condenaram o crime de lesa futebol, lesa verdade desportiva e lesa virilidade lusitana que os bósnios perpetraram. Houve jornalistas e opinadores que se revoltaram contra o facto de a Direcção da FPF se revoltar apenas nas entrevistas e não se revoltar formalmente, em documento próprio e enviado à UEFA, FIFA, ONU e Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O Madaíl, antes que os indignados o atolassem no lamaçal bósnio, lá preencheu a papelada e, formalmente, lavrou protesto. Os indignados suspiraram de alívio e o Madaíl também. Jogaram, mas jogaram sob protesto. Foi comovente ver tamanha indignação, tamanha revolta e tamanha luta pela dignidade que deve ser inerente a qualquer partida de futebol.

 

Assim, percebemos todos que um ervado mal semeado e abundantemente regado é, obviamente, algo de inaceitável para quem manda no futebol português e para os jornalistas desportivos lusos. Pelo contrário, apedrejar selvaticamente um autocarro com os futebolistas lá dentro, obrigar a equipa adversária a equipar-se fora do balneário, agredir os jogadores adversários com bolas de golfe durante os jogos, interromper sucessivamente um jogo com apagões de luz, receber árbitros no domicílio na antevéspera de um jogo, oferecer prostituas a árbitros depois dos jogos ou aliciar futebolistas adversários com futuros contratos… são práticas consideradas normais.

 

Abençoado futebol bósnio.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 12 de Novembro e publicado na edição de 18/11/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quinta-feira, 17 Novembro 2011
Pergunto

Um jogador fez publicamente uma acusação grave sobre o Javi. É um facto e ficou levantada a suspeita. É também um facto que o suposto comportamento do Javi tem um enquadramento legal, tal como o suposto comportamento do outro jogador - o levantar uma suspeita infundada, em particular esta, relacionada com racismo - tem também uma penalização prevista nos termos legais. Haverá, porém, apenas um crime: ou o Javi foi racista ou o outro jogador levantou um falso testemunho. Portanto, sendo certa a existência de um ilícito, por que razão não há uma investigação que limpe o nome de um dos jogadores?

 

Diz-se por aí que se passaram coisas estranhas no último jogo do Benfica. Eu, para não parecer tendencioso, direi que houve coincidências. Por coincidência, a luz faltou quando o Benfica estava a tomar conta do jogo. Não, isto seria tendencioso. Por coincidência, a luz faltou aproximadamente 30 minutos que, ao que parece, é o tempo máximo de interrupção de um jogo, período após o qual deve ser marcado novo jogo. Mais uns minutos e jogaríamos no dia seguinte à luz do dia, e certamente não se daria a coincidência de o sol se apagar. Por coincidência, apenas os jogadores do Benfica vestiram os casacos para se protegerem do frio na última vez em que a luz faltou. Estando frio, tendo havido duas interrupções, não manda a lógica que se vistam os casacos? Os outros jogadores não vestiram porquê? Uma vez mais, por que razão não houve uma investigação que limpasse o alegado bom nome da instituição em cujo estádio isto se passou? E ainda: por que razão veio a referida instituição defender-se imediatamente de uma queixa que ninguém tinha feito?

 

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Adenda:

 

O nuno gomes foi capitão, com justiça, do Benfica durante anos. Marcava golos, batia no peito e beijava o nosso símbolo. Para nós, estes gestos não são gestos inconsequentes, antes vinculam ao clube quem os pratica, porque quem os faz fala-nos ao coração. Não obstante, este mesmo jogador mudou-se para um clube em que ocorrem as coincidências contra o clube cujo símbolo beijou, sendo, passivamente (espero eu), conivente este ano com essas mesmas coincidências. Ainda há quem o queira de volta no Benfica? Eu não!



escrito por Pedro Valente às 19:54
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Carlos Martins

O caminho é difícil. Que Deus te dê forças e à tua família.

 

 



escrito por Pedro F. Ferreira às 00:53
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Sábado, 12 Novembro 2011
Golo de Eusébio

 

São anos e anos a levar com a merda da propaganda de uma cáfila de revisionistas. Eusébio, sempre enorme, põe as coisas no seu sítio e chama os bois pelos nomes.



escrito por Anátema Device às 21:45
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Sexta-feira, 11 Novembro 2011
Coisas estranhas

Antes do início do jogo, o treinador do nosso Benfica pediu apenas que, desta vez, em Braga, não ocorressem “coisas estranhas”.

 

Findo o jogo, constatámos que todo ele foi feito, mais uma vez, de coisas estranhas. Estranhamente faltou a luz por três vezes, durante a primeira parte do jogo. A EDP terá declinado responsabilidades, quem tem responsabilidades em organizar o jogo diz que é alheia a qualquer responsabilidade, o presidente da Liga de clubes demite-se de responsabilidades e de apurar responsáveis – nada de novo, vindo de quem vem – e o próprio Braga, num comunicado que poderia fazer parte do anedotário nacional, ainda acaba por ameaçar quem ousar questionar as suas hipotéticas responsabilidades no sucedido. Pela minha parte, quando as coisas são estranhas, questiono e não é com ameaças mais ou menos veladas que deixarei de as questionar. As coisas estranhas começam a acontecer com uma tal recorrência naquele estádio, aquando das visitas do nosso Benfica, que seria cegueira não as questionar.

 

Por falar em cegueira, pergunto-me o que terá levado o árbitro do jogo, o inefável Proença, a não querer ver uma grande penalidade sobre Luisão, uma agressão de Djamal a Gaitan, uma entrada violentíssima de Alan sobre Javi Garcia e a querer ver uma muito discutível grande penalidade do Emerson. Não incluo a exibição do senhor Proença no rol das coisas estranhas, pois a sua carreira habituou-nos a decisões deste teor, sempre extremamente criteriosas, que fazem dele um digno sucessor de árbitros da estirpe de Jorge Coroado ou Fortunato Azevedo.

 

Para finalizar, deixo ainda uma palavra a Alan e à sua indignação perante as palavras que, supostamente, Javi Garcia lhe teria dedicado. Alan habituou-nos a duas coisas: a enganar, através da simulação de agressões, a verdade desportiva; e a obedecer, de forma solícita, às orientações que lhe são dadas pelos seus superiores. Logo, não estranho as suas declarações, estranho o crédito que alguns lhe dão.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Novembro e publicado na edição de 11/11/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Segunda-feira, 7 Novembro 2011
Javi

Quem costuma ler aquilo que habitualmente escrevo neste espaço saberá perfeitamente que nutro uma enorme admiração pelo Javi García. É um dos jogadores que mais admiro no Benfica, e que mais gosto tenho em ver com a nossa camisola. Admiro-o pela qualidade que tem como jogador, pela raça com que joga, e pelo profissionalismo exemplar que demonstra desde que chegou ao nosso clube. Já afirmou diversas vezes que para ele é um orgulho vestir a nossa camisola, e eu penso sempre que sinto também orgulho em que ele a vista, porque o considero um jogador 'à Benfica'.

 

 

O Javi García é, para mim, um dos jogadores mais importantes no Benfica do Jorge Jesus, pelo equilíbrio táctico que confere à equipa. Por vezes é fácil passar quase despercebido num jogo, mas basta prestar um bocadinho de atenção à forma como se movimenta em campo, especialmente quando a bola ainda está longe, para se perceber o quão importante é. E alguns dos nossos adversários, mesmo que não tenham honestidade suficiente para lhe reconhecer publicamente o valor que tem (preferem apelidá-lo sistematicamente de caceteiro, a exemplo do que fizeram no passado com outro jogador nosso de enorme qualidade - Katsouranis), também percebem muito bem essa importância. Não é por acaso que o sonso do MST há muito tempo que elegeu o Javi como um dos seus alvos predilectos nas crónicas que escreve para 'A Bola', tendo mesmo chegado a apelidá-lo de 'jogador mais sujo do campeonato'. A verdade é que o Benfica é normalmente uma equipa diferente quando o Javi não pode jogar, e é por isso do maior interesse dos nossos adversários que isso aconteça.

 

Vem isto a propósito do quê? É que uma serigaita batoteira que anda há anos a arrastar pelos campos do país um penteado que deixaria orgulhosa qualquer prostituta de berma de estrada num país do quarto mundo resolveu agora, passadas vinte e quatro horas sobre um jogo em que mesmo com empurrões proencianos e tropeções em cabos eléctricos não nos conseguiram vencer, acusar o Javi de racismo. Não sei quem lhe terá encomendado o discurso, mas convinha que tivessem escolhido outro jogador para o fazer, não um batoteiro que ganha a vida a enganar árbitros e a defraudar os esforços de colegas de profissão à custa de batota. Se calhar está ressabiado porque o Javi se recusou a cumprimentá-lo durante o jogo. Isso só aumenta a minha admiração pelo Javi, porque eu ainda me lembro desta criatura o ano passado a rebolar-se pelo chão em agonia, agarrado ao pescoço como se estivesse a sufocar, conseguindo com essa batota ajudar a colocar um ponto final numa série de dezoito vitórias consecutivas do Benfica. E é este traste que agora se quer fingir ofendidinho por lhe terem chamado qualquer coisa durante o jogo?

 

Que o Javi García não é nenhum racista, disso não tenho dúvidas nenhumas. E se tiver chamado alguma coisa ao batoteiro durante o jogo, o que quer que tenha sido não só foi merecido, como ainda terá sido pouco. Força, Javi!



escrito por D`Arcy às 22:26
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Domingo, 6 Novembro 2011
Pouco

Não sei dizer se ganhámos um ponto ou perdemos dois, sei apenas que não estou satisfeito com o resultado, nem particularmente impressionado com a nossa exibição, embora reconheça a dificuldade do jogo e ainda a influência dos vários factores desestabilizadores que ocorreram.


Algumas alterações na equipa titular, sendo a mais surpreendente a titularidade do Rúben Amorim na direita do meio campo, saindo o Bruno César do onze. Na frente, desta vez foi o Cardozo quem começou o jogo, ficando o Rodrigo no banco. E quanto à primeira parte, sinceramente, não me é possível dar uma opinião pormenorizada. Quando decorrem oitenta minutos desde o apito inicial do árbitro até à saída para intervalo, devido a constantes falhas de luz, o mais natural é perder interesse no jogo, porque o ritmo é constantemente interrompido e a qualidade sofre com isso. Pelo que me consegui aperceber, o jogo foi equilibrado, disputado sobretudo na zona do meio campo, e com muito poucas oportunidades flagrantes de golo - da nossa parte apenas me recordo de um cabeceamento do Cardozo, que passou muito perto do poste. Mesmo a fechar os oitenta minutos, surgiu uma obra de arte do nosso amigo desdentado Proença, a dar continuidade à sua longa história de assinalar penáltis contra nós, e nunca os assinalar a nosso favor (não vá alguém acusá-lo de ser benfiquista). Lá descortinou uma mão intencional do Emerson, e o Braga saiu para intervalo na frente.

Na segunda parte a aposta arriscada foi retirar um médio para entrar um segundo avançado (Rodrigo), e pareceu-me que o Braga tirou partido disso para ganhar superioridade na zona do meio campo. O jogo continuou a ser mais disputado que bem jogado, com muito poucas oportunidades de golo, e sinceramente pensei que só mesmo numa jogada fortuita é que conseguiríamos evitar a primeira derrota da época. Irritou-me um pouco o facto de me parecer que explorámos pouco as alas, sabendo-se que o Braga tinha sobretudo um problema na esquerda da defesa - curiosamente, o Maxi até foi dos que mais arriscou atacar por aquele lado, e acabou por fazer um jogo abaixo do seu habitual, com diversas perdas de bola no ataque e passes errados. O golo do empate acabou mesmo por surgir de uma forma algo feliz, com um remate enrolado do Rodrigo, aproveitando um mau alívio da defesa, a ser desviado por um defesa e a trair o amuadinho da baliza. Até final, apesar de ambas as equipas mostrarem vontade em conseguir mais, mostraram também falta de inspiração para fazer melhor - no caso do Benfica, só mesmo na última jogada do encontro é que voltei a ver uma boa ocasião de golo, num remate cruzado do Rodrigo.

Fiquei com a impressão de que houve jogadores importantes que hoje passaram ao lado do jogo. Já citei o Maxi, mas também não gostei do que jogou o Aimar, Cardozo ou Gaitán (com a excepção da boa jogada em que ofereceu o golo ao Cardozo, no tal cabeceamento que passou perto do poste), por exemplo. Não estou a dizer que estiveram muito piores do que os colegas, porque acho que a equipa toda até esteve mais ou menos homogénea em termos exibicionais. Apenas esperava mais destes jogadores num jogo importante como este.

Um empate em Braga é melhor do que aquilo que conseguimos nos dois últimos anos. E tal como nesses dois anos, com o Sousa e o Xistra, o Braga voltou a contar com um reforço de peso (Proença) - sempre tão estrito em tudo o que seja contra o Benfica, sempre tão permissivo no que seja a favor. Por isso mesmo talvez o empate acabe por ser um mal menor. Mas, obviamente, sabe-me a pouco, porque desejava mais.



escrito por D`Arcy às 22:00
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Sexta-feira, 4 Novembro 2011
Jogo decisivo

Neste próximo fim de semana o nosso Benfica vai jogar a Braga, cidade de grande implementação de benfiquismo.

 

Tradicionalmente, os jogos contra o Sporting de Braga, em Braga, eram jogos difíceis, disputados galhardamente, mas sempre extremamente leais e com respeito mútuo entre atletas e adeptos. Recentemente, fruto de uma tentativa de descaracterização dos pergaminhos do clube minhoto, as deslocações a Braga transformaram-se em vergonhosas demonstrações de violência, intolerância, provocações várias, frases incendiárias proferidas pelo ‘speaker’ de serviço e uma agressividade inaudita por parte dos atletas bracarenses. Tudo isto nas barbas dos dirigentes da Liga, tudo isto numa impunidade espúria, tudo isto fruto de uma cultura alheia que tem parasitado o ilustre clube minhoto.

 

É contra tudo isto que o Benfica tem de jogar e é a tudo isto que temos de ganhar. A vitória nestas partidas com o Braga, fora e em casa, é determinante para o futuro do campeonato. Apesar dos bons resultados desportivos da história recente do Braga, é minha convicção de que ainda não são candidatos ao título de campeão. Da mesma forma, é também minha convicção de que aquele, de entre os candidatos a campeão, que menos pontos perder nos jogos contra o Braga é o que estará mais próximo de alcançar o título.

 

Assim, este próximo jogo, que marca o final do primeiro terço do campeonato, assume um carácter decisivo, ainda que não definitivo. É neste tipo de jogos que se demonstra quem tem mais vontade de vencer, quem tem menos receio de se sacrificar em prol da equipa, quem tem a crença nas suas forças e encontra motivação na adversidade. Acredito nos nossos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Novembro e publicado na edição de 04/11/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quinta-feira, 3 Novembro 2011
Desleixo

Empate justo a castigar uma exibição desinspirada e até mesmo desleixada do Benfica. Numa noite em que poderíamos ter já deixado a questão da qualificação resolvida, preferimos acomodar-nos e acabámos por adiar o assunto para os próximos jogos.

Para a posição de lateral esquerdo a escolha foi a mais natural: Luís Martins, evitando qualquer tipo de adaptação. As outras alterações ao onze habitual foram o Matic no lugar do Javi, e a escolha do Rodrigo para o lugar de ponta-de-lança, relegando o Cardozo para o banco. O jogo teve uma entrada de rompante do Benfica e do Rodrigo: um remate ao poste no primeiro minuto e um grande golo aos quatro, num remate de primeira sem deixar a bola cair no chão, a levar a bola ao ângulo. O bom momento do Benfica durou uns vinte minutos, mas a partir daí a equipa foi perdendo velocidade e agressividade, assumindo cada vez mais uma atitude expectante e limitando-se a ver os suíços jogar, preferindo aguardar pelo erro para depois sair para o ataque. Mas mesmo estas saídas para o ataque foram-se tornando progressivamente mais lentas e previsíveis.

A segunda parte deu continuidade ao que de mau estava a ser feito na primeira. O Benfica continuou expectante, limitando-se a assistir enquanto permitia ao Basileia assentar e fazer o seu jogo com relativo à vontade no relvado da Luz. É verdade que os suíços não encostavam o Benfica lá atrás porque simplesmente não têm futebol para isso, e ainda por cima faltava-lhes a dupla de avançados habitual - os que jogaram esta noite são muito inferiores aos titulares Frei e Streller. Mas a passividade e mesmo indolência do Benfica tornava previsível que o golo do empate pudesse chegar. Até porque no ataque pouco ou nada fazíamos, dada a velocidade com que insistíamos em jogar. O empate lá surgiu, a meio da segunda parte e logo após uma pouco compreensível substituição do Luís Martins (cumpriu sem deslumbrar ou comprometer) pelo Miguel Vítor, mas a reacção do Benfica foi pouco intensa. A forma como o marcador do golo apareceu solto à entrada da área não surpreende, dada a forma macia como o nosso meio campo insistiu em actuar durante quase todo o jogo. Os suíços pareceram ficar encantados com o resultado, e os jogadores do Benfica, salvo raras excepções, insistiram em jogar a passo, pelo que o empate lhes assenta muito bem.

A exibição dos nossos jogadores foi, no geral, cinzenta. Maxi e Rodrigo talvez dos poucos a mostrar alguma vontade mais, e a dupla de centrais esteve segura. O Matic, por mais que queiram elogiá-lo, continua a irritar-me naquela posição. É apenas uma opção de recurso, e para mim não chega aos calcanhares do Javi. Continua a insistir em agarrar-se demasiado à bola, e com ele perdemos logo dois ou três segundos no primeiro passe na saída para o ataque; quanto ao sentido posicional e inteligência táctica, prefiro não me alongar. O Witsel esteve também muito discreto, quase não se dando por ele no jogo.

Este jogo era da Champions, e nesta competição não se pode dar nada por garantido. Não faz sentido nenhum dar a iniciativa de jogo ao adversário quando se está na frente do marcador por uma margem mínima - e 'dar' é o verbo correcto, porque fiquei sempre com a impressão de que não foi o Basileia a pressionar para controlar o jogo, mas sim nós a 'encostarmo-nos' e deixarmos que eles fizessem o que muito bem quisessem em campo. Não sei se foi a pior exibição do Benfica esta época, mas foi certamente a que mais me irritou. Porque foi daqueles jogos que me deixam com a sensação de que só não fizemos mais porque não quisemos.



escrito por D`Arcy às 04:19
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Sábado, 29 Outubro 2011
Vale o que vale...

Para muitos até convém que não valha nada, mas, com a vitória de hoje sobre o Olhanense, o Benfica consegue o melhor começo de temporada das últimas duas décadas. O resto é conversa.



escrito por Pedro F. Ferreira às 22:35
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Sexta-feira, 28 Outubro 2011
Onda vermelha

O Benfica foi jogar e ganhar a Aveiro. Mais de vinte mil benfiquistas nas bancadas ajudaram a trazer vida a um estádio novo e já decrépito, fruto de um investimento mal pensado aquando do Euro 2004, e com uma decrepitude resultante de uma gestão de merceeiro que não permite uma manutenção minimamente digna. Vinte mil benfiquistas serviram de bodo ao Beira-Mar, da mesma forma que vão servindo de bodo a tudo quanto é clube espalhado por este Portugal de mão estendida em busca de esmola.

 

A chico-espertice de uns quantos dirigentes associada a uma vergonhosa falta de eficaz regulação dos preços dos bilhetes leva a que se aproveitem despudoradamente dos benfiquistas a cada deslocação do nosso clube a casa alheia. Vemos, ano após ano, clubes a subsistirem desportivamente num beija-mão subserviente a um dono alheio que vai satelitizando e parasitando clubes com treinadores, jogadores e até dirigentes e outros homens de trazer no bolso. E vemos que esses mesmos clubes subsistem financeiramente em grande parte graças à receita que conseguem aquando da visita do Benfica.

 

Na presente época, devido aos bons resultados da equipa, começamos a ver crescer essa onda vermelha que acompanha a nossa equipa para todo o lado. A onda que recentemente mostrou em Basileia como é que, jogando fora na Champions, acabávamos por ter um apoio superior aos da casa é a mesma que em Aveiro demonstrou um apoio massivo e inequívoco à equipa. Desta onda fazem parte os três mil que se deslocaram recentemente, a meio da tarde, ao Estádio da Luz para ver um… treino.

 

Esta onda vermelha de crença e benfiquismo merece uma equipa vencedora e profissionais dignos e empenhados, mas merece também que quem regula o futebol em Portugal saiba tratar com respeito os que, pela sua presença nos estádios, garantem a subsistência do futebol em Portugal. Infelizmente, nem a Liga nem a Federação nos têm respeitado.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Outubro e publicado na edição de 28/10/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Terça-feira, 25 Outubro 2011
Eleições para a FPF

Na quinta-feira da semana passada, almoçando com 3 ilustres benfiquistas, sendo um deles um verdadeiro expert – talvez mesmo o benfiquista que melhor conhece a FPF – em assuntos respeitantes à Federação Portuguesa de Futebol, alguém garantia que, se nos próximos dias Fernando Seara surgisse na lista de Carlos Marta, seria um sinal muito forte de que Fernando Gomes não ganharia as eleições para a FPF.

Demorou menos de 24 horas a surgir o dito apoio de Fernando Seara e demorou muito menos para que se instalasse o pânico na candidatura de Fernando Gomes.

Entre um Fernando Gomes em quem não confio e um Carlos Marta alavancado por Lourenço Pinto... venha o diabo e escolha. Ou seja, escolher-se-á  a frigideira ou o lume, sendo que, aparentemente, em qualquer dos casos, Benfica e Sporting já foram comidos.



escrito por Pedro F. Ferreira às 10:09
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Segunda-feira, 24 Outubro 2011
Capdevila

A situação actual do futebol do Benfica é a seguinte: dezasseis jogos oficiais disputados, nenhuma derrota, liderança repartida da Liga, qualificação tranquila para a fase de grupos da Champions League, onde vai ocupando a liderança isolada do seu grupo, e presente na Taça de Portugal, tendo mesmo agora o sorteio ditado a Naval como adversário na quarta eliminatória. A equipa vai ganhando jogos com naturalidade, conseguindo até algo raro no Benfica - resultados positivos mesmo quando nem joga muito bem - e é perfeitamente capaz de arrancar uma exibição mais conseguida quando tal é necessário. Basicamente, o Benfica este ano parece quase sempre conseguir jogar q.b. para arrancar o resultado necessário ou desejado. Este cenário acaba por ser um tanto ou quanto aborrecido (e até, se calhar, surpreendente, tendo em conta a muita berraria a que uns poucos se dedicaram durante a pré-época), porque é preciso algo com que implicar, já passou muito tempo desde o empate com o Gil Vicente, e já cansa estar sempre a embirrar com o Jesus só por causa do penteado ou das declarações que faz. É preciso algo mais substancial.

 

Nada melhor, portanto, do que recuperar o assunto Capdevila. O Capdevila é apenas mais um na longa linha de jogadores que, por não serem opção regular para o Jorge Jesus, são considerados jogadores fabulosos, que nos permitiriam ganhar todos os jogos por pelo menos seis a zero com a sua simples presença em campo. O Urretamessivizcaya, o Shaffer ou o Nuno Gomes são mais alguns exemplos desta classe de jogador. Na situação actual, basta que o Emerson faça uma asneira qualquer para que se volte a falar do Capdevila. Acho que, no fundo, é o treinador de bancada que existe em cada um de nós, e que no íntimo acha que até era capaz de fazer algumas coisas melhor do que o Jesus. O Capdevila até é um argumento de peso: afinal, trata-se de um jogador campeão europeu e mundial pela sua selecção. Pessoalmente, no entanto, isso não me convence muito sobre uma superior valia dele em relação ao Emerson. A selecção espanhola foi campeã europeia e mundial e o Capdevila, fazendo parte dessa equipa, ganhou esses títulos. Mas honestamente, não me parece que tenha grande concorrência pelo lugar na selecção (alguém consegue nomear um actual defesa esquerdo espanhol de nível?), e isso em parte explicará o facto de, aos 33 anos, continuar a ser opção do seleccionador. Os principais clubes espanhóis têm estrangeiros no lugar de lateral esquerdo, e o próprio Capdevila fez toda a sua carreira em clubes de segunda linha (Deportivo e Villarreal, depois de uma passagem fugaz pelo Atletico), o que explica que tenha pouquíssimos títulos conquistados em clubes (uma Taça e duas Supertaças, se não estou em erro). Nas (poucas) oportunidades que teve esta época, não mostrou mais do que aquilo que o Emerson tem feito - e quem estiver familiarizado com os jogos da selecção espanhola, sabe perfeitamente o tipo de jogador que é: um defesa certinho, pouco dado a exuberâncias. Para mim, campeão do mundo ou não, o Capdevila é apenas mais uma opção no nosso plantel, e considero que o treinador tem toda a legitimidade para escolhê-lo ou não para titular.

 

Eu não acho que o Jorge Jesus esteja sempre certo. Comete erros, como toda a gente, e muitos deles por teimosia ou casmurrice. Acho mesmo que no caso do Capdevila cometeu um erro crasso ao não o inscrever na Champions, e a desculpa que deu para não o ter feito foi perfeitamente esfarrapada. Ao contrário do que ele afirmou, o Jardel não pode fazer mais nenhuma posição a não ser a de defesa central (aliás, tremo só de imaginá-lo a fazer qualquer outra posição), e para aí poderíamos ter o Miguel Vítor e, em caso de muita necessidade, o Javi García. Não faz muito sentido deixarmos a posição de lateral esquerdo entregue a um único jogador, tendo como opção de emergência um outro que ainda não fez um único jogo sénior na sua carreira. Mas apesar de não concordar sempre com ele, sou um apoiante entusiástico do Jorge Jesus. Porque o que eu quero, acima de tudo, é que o Benfica ganhe, seja com o Emerson ou o Capdevila em campo. E a verdade é que, com o Jesus, o Benfica ganha muitas vezes, surpreendendo-me por vezes a memória curta que muitos benfiquistas têm em relação a isto. Parece-me que no caso de um treinador cuja percentagem de vitórias no Benfica é apenas superada pelo inigualável Jimmy Hagan, os resultados falam por si.

 

Eloquentemente, diga-se.



escrito por D`Arcy às 12:26
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Domingo, 23 Outubro 2011
Suada

Vitória suada mas justa e preciosa do Benfica em Aveiro, num jogo aborrecido e no qual tecnicamente não deslumbrou, parecendo até por vezes mostrar uma certa ressaca do último jogo da Champions.

Algumas surpresas no onze inicial, com as ausências do Javi García, Gaitán e Aimar. Mas o Benfica este ano tem mais opções no plantel, e para os seus lugares entraram o Matic, Nolito e Saviola. Na direita da defesa o regressado Rúben Amorim substituiu o lesionado Maxi Pereira. O Benfica teve uma boa entrada no jogo, mas o Beira Mar mostrou que não seria um adversário fácil. Apostando sobretudo em defender, o que soube fazer de forma bastante organizada - por algum motivo eram e continuam a ser a defesa menos batida da Liga - conseguia por vezes sair de forma rápida para o ataque, causando problemas à nossa defesa. Depois da primeira meia hora o jogo começou a ficar mais equilibrado, e mesmo continuando o Benfica a ter muita posse de bola, adivinhava-se uma tarefa difícil conseguir quebrar a resistência aveirense, porque as oportunidades escasseavam. O golo acabou por surgir de forma algo inesperada, quando o guarda-redes do Beira Mar deu uma 'rosca' na tentativa de pontapear um passe longo do Saviola, permitindo ao Cardozo cabecear para a baliza deserta.

A segunda parte teve poucos motivos de interesse. Se o Beira Mar tem a melhor defesa da Liga, também é verdade que tem o pior ataque, com apenas três golos marcados (e todos no mesmo jogo), pelo que se adivinhava difícil que conseguissem evitar a derrota. Mas o Benfica também não mostrou grande inspiração para conseguir marcar o golo da tranquilidade - lembro-me talvez do remate do Rúben ao poste, e pouco mais - pelo que havia sempre o risco de um lance fortuito resultar num golo do adversário. E à medida que o tempo foi passando o Beira Mar foi acreditando e tentando pressionar mais em busca desse golo, mas nunca conseguiu assumir um claro domínio no jogo, criando também apenas uma real oportunidade de golo. Não fosse o nervoso miudinho pelo facto de a vantagem do Benfica ser mínima e a segunda parte teria sido praticamente um longo bocejo. O melhor mesmo foi o apito final, e a confirmação de mais três pontos nas nossas contas.

O jogador do Benfica que mais me agradou ver jogar foi o Witsel, que neste jogo esteve claramente acima dos restantes. Artur e a dupla de centrais também estiveram sólidos, mas no geral não houve propriamente muitas exibições de encher o olho.

Saimos de Aveiro com os três pontos no bolso, e isso é o mais importante. Aliás, agrada-me que presentemente tenha a sensação de que mesmo quando não fazemos uma exibição brilhante, conseguimos vencer jogos. Não é possível jogar sempre bem, mas podemos ambicionar vencer sempre. São vitórias em jogos como este que também dão campeonatos.



escrito por D`Arcy às 02:23
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Sexta-feira, 21 Outubro 2011
A Catedral da Luz

Para a semana, celebrar-se-á mais um aniversário do nosso estádio. 25 de Outubro de 2003 foi a data de inauguração do actual ninho das águias, oficialmente denominado como Estádio do Sport Lisboa e Benfica. No entanto, é popularmente chamado como ‘Estádio da Luz’ e é apaixonadamente denominado como ‘A Catedral’.

 

Luz, Catedral… as amarras do nome oficial são quebradas pela identificação nominalista da universal família benfiquista. Assim, toda a nomeação é uma espécie de sacralização de um espaço profano, uma sacralização de origem profana, de simbólica profana, mas de linguagem sagrada. A mesma linguagem que nos leva a dizer que a camisola do Benfica é o ‘manto sagrado’ ou que o Benfica é o único clube que não permite a utilização da expressão ‘velhas glórias’, pois os que são denominados como ‘glória’ do clube jamais envelhecem na memória colectiva do benfiquismo.

 

Deste modo, temos a sacralização do espaço, do tempo, do símbolo e dos que, de entre todos, melhor o serviram. Olhar para a nossa Catedral, com todos os adeptos, os fiéis, ritualmente levantados durante a audição do “Ser Benfiquista” (para quando o regresso do nosso hino, “Avante, Avante p’lo Benfica”, ao nosso estádio?), levantando o cachecol antes de o recolocar, qual estola, em ombros, enquanto se espera a vénia dos nossos futebolistas aos adeptos tem algo de litúrgico. É a junção do ritual ao tempo, ao espaço e ao modo.

 

Compreende-se que vulgarmente se diga que o Benfica é uma religião. Objectivamente, não é. No entanto, sentimos que uma ida à nossa Catedral, à nossa casa, é mais do que uma viagem – é mais do que meramente passar por cima de uma experiência – é, essencialmente, uma forma profana de peregrinação. Ou seja, ir à nossa Catedral é viver uma experiência de crença no benfiquismo, de partilha de uma ideia de clube e de comunhão de uma vontade comum.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Outubro e publicado na edição de 21/10/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Terça-feira, 18 Outubro 2011
Fundamental

Mais uma exibição muito personalizada e confiante da nossa equipa, e uma vitória fundamental no terreno de um adversário directo na luta pela qualificação. A equipa soube pressionar e atacar na altura certa, defender bem quando foi preciso, e até sofrer quando não houve alternativa. Em todos esses momentos mostrou sempre eficácia, simplicidade de processos, e muita calma.

A grande surpresa que o Jorge Jesus reservou para o onze desta noite foi a entrega da titularidade ao Rodrigo na frente de ataque, em detrimento do Cardozo. A táctica foi a esperada, com o Witsel a ajudar no trabalho do meio campo e o Aimar a fazer a ligação com o ataque. O Basileia pareceu entrar no jogo com vontade de mostrar serviço, mas o ímpeto inicial dos suíços durou pouco tempo. O Benfica depressa tomou conta da bola, soube guardá-la, e passou a pautar o ritmo do jogo. Quando não tínhamos a bola, a pressão (alta) era feita de forma eficaz, e impedia o Basileia de sair a jogar e construir jogadas de ataque. E quando a recuperávamos e havia oportunidade para isso, nas transições rápidas, aproveitando também a mobilidade do Rodrigo, íamos causando perigo. O primeiro golo do Benfica acabou por surgir aos vinte minutos de jogo, numa bonita jogada de ataque. O Gaitán arrancou pela direita e depois, com tudo a ser feito ao primeiro toque, tabelou com o Aimar e passou a bola para o Rodrigo. Este, no centro da área e num pormenor genial, deixou-a passar entre as pernas para nas suas costas surgir o Bruno César, completamente solto, a colocar a bola rasteira junto do poste. O golo desnorteou ainda mais o Basileia, que apenas nos minutos finais conseguiu carregar um pouco em busca do golo do empate, mas os seus avançados caíram frequentemente na armadilha do fora-de-jogo.

Na segunda parte o Benfica continuou a controlar o ritmo do jogo, tendo tido largos momentos em que fez a bola rodar por quase toda a equipa e a toda a largura do campo, sem que o Basileia a pudesse tocar. Faltava era marcar o golo da tranquilidade, que o Benfica ia ameaçando, mesmo que por vezes até parecesse estar a jogar numa velocidade de cruzeiro. Com dez minutos decorridos, O Emerson teve uma ocasião para fazer esse golo, ao aparecer completamente solto dentro da área, sobre a esquerda. Mas infelizmente preferiu tentar o remate cruzado, que foi defendido pelo guarda-redes, quando lhe bastaria tocar a bola para o lado, onde o Rodrigo estava completamente solto. A partir do meio da segunda parte o Basileia começou a arriscar mais na procura do golo, e construiu mesmo uma grande oportunidade de golo, negada em estilo pelo Artur, que fez bem a mancha aos pés do Streller. Logo a seguir entrou o Cardozo para o lugar do Rodrigo, e cinco minutos depois de estar em campo deu a machadada final nas aspirações dos suíços. Livre bem à sua maneira, descaído sobre a direita da área (por falta cometida sobre ele), e o remate a partir rasteiro, passando a bola sob a mini-barreira do Basileia para entrar junto ao poste mais próximo. Depois do segundo golo, veio o período mais negro do Benfica no jogo: de repente perdemos o Maxi por lesão (entrou o Miguel Vítor para lateral), o Emerson por expulsão (foi o Bruno César fingir que era lateral), e o Gaitán andou no campo a fazer figura de corpo presente, já que estava claramente diminuído fisicamente. A juntar à festa, o Jorge Jesus conseguiu ser mandado para a rua. Apesar de tudo isto, durante todo esse tempo nem por uma vez o Basileia conseguiu criar uma verdadeira jogada de perigo, e nem deu para ficar nervoso à espera que o jogo acabasse.

Já vem sendo um hábito destacar, acima de tudo, a equipa num todo, e hoje creio que mais uma vez isso se justifica. Em termos individuais, achei que o Luisão esteve simplesmente imperial, sem cometer uma única falha durante todo o jogo. Foi bem acompanhado pelo Garay. Muito bem também o Artur, sem ter tido muito trabalho mas a mostrar muita segurança sempre que interveio, e classe nos momentos mais difíceis. Gostei também muito da exibição dos dois médios mais recuados, Javi e Witsel. Quem menos me agradou foi o Emerson, que se deixou ultrapassar demasiadas vezes na primeira parte no um para um - o seu adversário directo, Shaqiri, pareceu ser um dos jogadores mais rápidos e perigosos do Basileia, mas precisamente por isso o Emerson não lhe deveria ter dado tantas vezes tempo e espaço para receber a bola e arrancar com ela controlada. E depois ainda juntou a isto uma expulsão desnecessária.

O Benfica e o Jorge Jesus parecem ter aprendido bem as lições da Champions da época passada. Na altura, por diversas vezes vimos o Benfica dominar jogos e atacar às vezes de forma quase desesperada, para depois acabar por sofrer golos e perder jogos de forma inacreditável. Este ano a equipa tem vindo a demonstrar uma calma e maturidade na abordagem aos jogos que já é mais consentânea com a prova que a Champions League é. Hoje conseguimos uma vitória importantíssima, que significou um passo de gigante para a qualificação. Falta-nos agora jogar dois jogos em casa e um fora, pelo que poderemos utilizar a vantagem de jogar na Luz para carimbar essa mesma qualificação. Para a recepção ao Basileia, a maior dor de cabeça será mesmo encontrar uma alternativa ao Emerson. Laterais esquerdos inscritos na Champions para além do Emerson, só o Luís Martins e... o Peixoto.



escrito por D`Arcy às 23:50
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Sexta-feira, 14 Outubro 2011
Paciente

Vitória tranquila do Benfica numa exibição paciente e competente, que nos deu a passagem à quarta eliminatória da Taça de Portugal. A superioridade do Benfica nunca foi posta em causa, e o resultado foi conseguido sem ser necessário despender grandes esforços.

Dos jogadores que jogam mais habitualmente, o Jorge Jesus manteve apenas a dupla de centrais e dois médios-ala (Nolito e Bruno César). De resto, vários jogadores a disputarem os primeiros minutos oficiais da época: Eduardo, Miguel Vítor, David Simão e Nélson Oliveira, e ainda a estreia a titular do Rodrigo. A completar o onze, Matic e Capdevilla. O Benfica foi obrigado a ser paciente neste jogo porque o Portimonense apresentou uma estratégia digna dos tempos áureos do catenaccio, faltando-lhe apenas o jogo sujo para ser uma imitação perfeita de uma equipa italiana dessa era. Jogaram sem um único avançado de raiz, e acumularam jogadores atrás, o que resultou num jogo disputado quase na maioria do tempo no último terço do campo, junto à área do Portimonense. Nestas condições era complicado apresentar um futebol com muita qualidade, até porque, ainda por cima, o relvado estava em más condições e ainda dificultava mais a tarefa aos nossos jogadores. Também tivemos a nossa quota de responsabilidade nisto, porque não empregámos muita velocidade e pareceu-me que não explorámos muito os flancos, acabando por insistir muito pelo meio, precisamente a zona onde o Portimonense acumulava mais jogadores. As oportunidades acabaram por não ser muitas: o Nélson Oliveira teve um remate cruzado perigoso, ainda na fase inicial, e depois disso julgo que se destacarão apenas um livre do Capdevilla que levou a bola ao poste e um remate do Matic depois de uma boa iniciativa individual, defendido em dificuldade pelo guarda-redes.

Para a segunda parte o Benfica entrou com o Saviola no lugar do Nélson Oliveira e também com um pouco mais de velocidade, e logo no primeiro minuto teve outra boa oportunidade para marcar, mas o cabeceamento do Luisão, após livre do Nolito na direita, passou a rasar o poste. Antes de terminado o primeiro quarto de hora, e pouco depois de o Witsel ter substituído o David Simão, o Benfica finalmente furou a muralha defensiva dos algarvios, através de um livre do Bruno César. A bola foi rematada rasteira e a rodear a barreira, entrando no lado coberto pelo guarda-redes. Obrigado a abrir um pouco mais, o Portimonense começou a dar mais espaços para os ataques do Benfica, tornando-se mais previsível um novo golo. Este apareceu aos setenta e dois minutos, numa boa transição do Benfica. Ao bom passe do Bruno César correspondeu o Rodrigo com uma bonita desmarcação nas costas da defesa do Portimonense, finalizando depois com muita calma à saída do guarda-redes. Até final, tempo para mais uma estreia (Rodrigo Mora) e ainda algumas situações para ampliar a vantagem - a mais flagrante do Bruno César, que ficou solto na área mas demorou demais a decidir e acabou por não fazer o remate.

O jogador benfiquista que mais se destacou foi naturalmente o Bruno César, com um golo e uma assistência. Mas o nosso maior interesse residia em ver os jovens estreantes. Não foi um jogo fácil para eles, já que tinham responsabilidades no ataque e durante a maior parte do tempo apanharam com uma floresta de jogadores do Portimonense à frente, que poucos espaços concederam. O Nélson Oliveira não se viu muito, mas gostei de alguns pormenores do David Simão. Gostaria de ter visto se poderia aproveitar os espaços que o Portimonense concedeu depois de se ver a perder. Quem melhor aproveitou a oportunidade foi o Rodrigo, que tirou precisamente partido do maior atrevimento do adversário para marcar um golo na estreia a titular. É um jogador no qual depositamos grandes esperanças, e julgo que neste jogo justificou que mantenhamos as nossas expectativas altas.

Acabou por ser uma noite praticamente ideal para nós: a obrigação de vencer e passar a eliminatória foi cumprida, e foi-o sem ser necessário um grande esforço físico, permitindo-nos poupar jogadores para o importante jogo da Champions na Suíça, na próxima terça-feira. E apesar de utilizarmos uma equipa com jogadores habitualmente menos utilizados, a vitória foi clara e indiscutível (a não ser que se esteja inebriado ou se seja o treinador do Portimonense).



escrito por D`Arcy às 23:55
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A arte na ciência

A expressão não fez parangonas, não deu para grandes comentários, nem deu azo a que os pasquineiros tentassem criar uma crise artificial no seio do Benfica. A expressão era simples, Jorge Jesus disse que Aimar tinha a capacidade de transformar, no futebol, a ciência em arte.

 

Esta capacidade referida por Jorge Jesus vai ao encontro da ideia do professor Manuel Sérgio de que não há ciência sem imaginação. Ou seja, para que a sublimação se verifique é necessário esse arrojo de transformar os postulados científicos em algo que os transcenda: em arte. Interpretar dinamicamente os conceitos e os princípios de jogo defendidos por um treinador não está ao alcance de qualquer futebolista. Acrescentar, com qualidade, a essa dinâmica a tal imaginação está apenas ao alcance dos predestinados.

 

Temos, ao longo dos anos e mesmo após a geração de Eusébio, tido a felicidade de ver com o nosso emblema alguns desses predestinados. Chalana acima de todos, porque era o mais desconcertante, o mais imprevisível, o que conseguia, pela técnica e velocidade de execução, desequilibrar o adversário, empolgar a sua equipa e maravilhar plateias. Conheço muitos que, não sendo benfiquistas, iam à Luz para apreciar a arte de Chalana.

 

Actualmente é Aimar quem melhor sublima o futebol no nosso Benfica. Estranhamente, não tem o perfil dos que costumam empolgar as plateias. Não corre desenfreadamente pelas alas, não finta sucessivamente adversários, não surge com aquela irreverência de quem rejeita amarras tácticas e cria arte como solista. Não, o futebol em Aimar é arte na medida em que tem a imaginação para obrigar a que todos os que o rodeiam joguem com mais arte do que a que pensavam ter. Ou seja, Aimar tem a arte de potenciar a arte nos companheiros de equipa. E isto é uma ciência que poucos têm.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Outubro e publicado na edição de 14/10/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Sexta-feira, 7 Outubro 2011
Comunicação

Engana-se todo o que olha para o futebol e o considera essencialmente como uma actividade física. O futebol é antes de qualquer outra coisa uma actividade humana.

 

Nesta perspectiva percebe-se a importância da comunicação no desempenho do futebolista, da equipa, do clube. Perceber qual o tempo e o modo da mensagem é, quase sempre, tão importante como a própria mensagem. É impensável ter uma equipa onde não há uma cumplicidade entre os seus membros. É impensável a cumplicidade numa liderança equívoca ou que comunica numa polifonia de vozes contraditórias.

 

Muitos não sabem, mas o último título de campeão vencido pelo Benfica foi alicerçado também num esforço enorme de comunicação abrangente, envolvendo muitos benfiquistas e com uma definição clara de objectivos. Percebemos a mensagem, interpretámos correctamente o tempo e o modo, agimos em conformidade e, desde o futebolista sem lugar a titular até ao adepto de bancada, passando pelo treinador, dirigentes e diferentes meios de comunicação do grupo Benfica (sítio na internet, jornal, televisão, revista) toda a gente comunicou um benfiquismo feito de abdicação de interesses próprios em prol do interesse colectivo.

 

Desde o início desta época que noto com agrado um renovado esforço na comunicação, na tentativa de aglutinar o clube em torno de um rumo comunicacional. Concordando ou não, esse rumo está lá, existe e tem sido cumprido. Por vezes, o que o pode fazer desmoronar é a ausência de vitórias. Felizmente, estas têm surgido. Resta agora que saibamos todos, desde os técnicos ao atleta menos utilizado, passando pelos dirigentes, lidar com o tempo e o modo da comunicação em tempo de vitória.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Outubro e publicado na edição de 07/10/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quarta-feira, 5 Outubro 2011
Inequivocamente

"Inequivocamente", o apoio de Luís Filipe Vieira a Fernando Gomes é um tremendo equívoco. Como tal, repito, não subscrevo, não assino.



escrito por Pedro F. Ferreira às 11:44
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Domingo, 2 Outubro 2011
Confiança

Vitória tranquila, muito tranquila do Benfica sobre o Paços de Ferreira esta noite. Tamanha foi a superioridade da nossa equipa sobre o adversário que a confiança exibida por vezes quase pareceu roçar a sobranceria.

O Benfica entrou em campo a jogar em 4-4-2, com a dupla Saviola/Cardozo na frente. Apesar do Aimar ter tarefas mais ofensivas do que o Matic, jogou mais como médio centro do que na sua habitual posição de número dez, aparecendo frequentemente em zonas muito recuadas quer para fazer o transporte da bola para a frente, quer para ajudar a defender quando não tínhamos a bola (provavelmente deve ter acabado o jogo como o jogador mais faltoso do Benfica). De resto, a equipa esperada, cabendo hoje o lugar no onze inicial ao Bruno César na cada vez mais habitual alternância entre ele e o Nolito. A superioridade do Benfica no jogo pode ser exemplificada pelo facto de que quando chegámos ao golo, aos vinte e dois minutos de jogo, fizemo-lo na quinta oportunidade clara de golo de que dispusemos. Antes do Saviola aparecer a finalizar o esforço do Cardozo ao cabecear junto da linha de fundo um cruzamento um pouco largo demais do Maxi, já o mesmo Cardozo (por duas vezes), o Gaitán e o Aimar tinham desperdiçado grandes oportunidades para marcar. Na primeira delas, logo aos seis minutos, a bola chegou mesmo a entrar na baliza do Paços à terceira tentativa, mas o golo foi anulado por um eventual fora-de-jogo que me deixou muitas dúvidas. Esta foi a tónica de toda a primeira parte: Benfica ao ataque, apesar de parecer estar a fazer tudo sem grande esforço, e Paços praticamente inofensivo, remetido ao último terço do campo e apenas conseguindo chegar perto da nossa área através dos tradicionais livres a meio do meio campo despejados para a frente. Não admira portanto que tenha feito apenas um remate em toda a primeira parte, já depois de meia hora, e que passou muito longe da baliza. A dois minutos do intervalo o Benfica marcou o segundo golo e deu uma expressão mais justa ao marcador. Foi simplesmente um golo clássico do Saviola, em que toda a gente se esquece dele ao segundo poste na marcação de um canto, e depois o talento dele faz o resto: Neste caso, um remate de primeira para o poste mais distante, sem hipóteses de defesa.

Apesar da vantagem de dois golos, com alguma surpresa o Benfica entrou na segunda parte a jogar a uma velocidade maior e foi para cima do adversário. Na primeira jogada o Saviola esteve perto do hattrick, mas viu o golo ser-lhe negado pelo Cássio. Depois de passarmos os primeiros cinco minutos praticamente dentro da área do Paços, com ataques e cantos sucessivos, o Paços foi lá à frente, beneficiou de um penálti, e no primeiro remate que fez à baliza marcou um golo que, de todo, não justificava. Não acusou o golpe o Benfica, que continuou a empurrar o adversário para a sua área, mas não se livrou de um susto cinco minutos depois, quando só uma defesa por instinto do Artur negou ao Melgarejo (pode ser facciosismo devido ao facto de ser nosso jogador, mas para mim foi claramente o melhor jogador do Paços esta noite) o golo, evitando assim o segundo golo do Paços noutros tantos remates à nossa baliza. Após o primeiro quarto de hora veio a troca habitual do Bruno César pelo Nolito, e o espanhol veio espevitar ainda mais o nosso ataque, adivinhando-se o terceiro golo a qualquer momento. Este surgiu aos sessenta e cinco minutos num lance estudado, com o Aimar a marcar um livre lateral colocando a bola na zona do segundo poste, onde surgiu solto de marcação o Luisão
(não foi por acaso que ele ali estava; a sua movimentação para aparecer ali é excelente), que depois se limitou a cabecear a bola colocadíssima para junto do poste oposto. E na jogada seguinte o Benfica fez o quarto, numa tabela entre o Nolito e o Saviola, com o espanhol a ficar na cara do guarda-redes e depois a esperar que ele caísse para finalizar com calma. Depois disto o Benfica praticamente 'fechou a loja', limitando-se a gerir o resultado sem forçar muito, sendo nesses minutos finais mais interessante o ambiente criado pelos adeptos no estádio do que o jogo propriamente dito.

O melhor jogador do Benfica foi o reaparecido Saviola. Marcou dois golos, assistiu o Nolito para outro, foi o jogador mais rematador do Benfica, e mostrou-se muito mais confiante e com maior mobilidade do que aquilo que tem sido mais habitual nos jogos desta época. Que este Saviola possa vir para ficar, porque nos faz muita falta. Bom jogo do Aimar, mesmo que nas funções assumidas hoje seja menos influente no ataque. Gostei também dos nossos dois laterais, e está a agradar-me ver o Emerson progressivamente mais confiante a atacar. Para terminar, apenas o reparo do costume em relação ao Matic: nas funções que desempenha, tem que aprender a decidir mais rápido e a libertar-se mais rapidamente da bola.

O jogo desta noite foi uma boa forma da equipa se despedir dos adeptos antes da pausa de três semanas na liga. A exibição não foi constantemente brilhante, mas teve bons momentos e, conforme já escrevi, a superioridade do Benfica foi tanta que quase não houve necessidade de carregar mais. Quando o Paços reduziu, o Benfica pressionou um pouco mais e viu-se o resultado. Agrada-me ver que esta equipa parece estar a ficar com muita confiança em si própria. Saí do estádio a pensar que uma goleada bem mais volumosa esteve ali mesmo à mão de semear.

P.S.- Não conhecia bem o árbitro Bruno Esteves. A arbitragem desta noite pareceu-me fraca, conseguindo o feito de irritar o público num jogo fácil para o Benfica e controlado praticamente do princípio ao fim. O auxiliar do lado da Bancada Meo, em particular, pareceu ser incapaz de acertar com um fora-de-jogo, e se ainda sou capaz de dar o benefício da dúvida no lance sobre o Aimar, perto do intervalo, não compreendo como foi possível não assinalar aquele deliberado atraso ao guarda-redes por parte de um defesa do Paços.



escrito por D`Arcy às 05:02
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Sexta-feira, 30 Setembro 2011
Anda muita gente a dormir…

A propósito disto e disto.

 

Há certamente madrilenos que ainda não foram ver o Guernica. Há de certeza parisienses que ainda não puseram os olhos ao vivo na Mona Lisa. E o Estádio da Luz ainda não está todo ocupado com Red Passes. A diferença, meus caros, é que o Picasso e o Da Vinci estarão para sempre naquelas cidades, enquanto este Senhor está no seu último ano de contrato. E, mesmo que o renove (como revelaria inteligência da nossa parte), não ficará cá a vida toda.

 

 

Vá… depois não digam que eu não avisei. Não desperdicem a oportunidade de ver ao vivo uma obra-prima a cada toque na bola!



escrito por S.L.B. às 14:25
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A banalidade

Banalmente, o Benfica empatou no estádio do FCP. Um empate é um resultado banal. O jogo foi banal. E nesta banalidade reside a novidade.

 

O facto de o Benfica ter ido jogar contra o FCP e ter acontecido apenas a banalidade de um jogo de futebol é algo de extraordinário. Não houve agressões gratuitas, não houve violência bárbara, não houve apedrejamento do autocarro dos nossos, não houve ameaças aos profissionais do nosso clube, não se criou um clima de terror, não se assistiu a espectáculos deprimentes dados por títeres de apito na boca e ninguém se lembrou de inocentemente incendiar o ambiente com ironia dita fina.

 

Tudo isto deveria ser referido, louvado e dado como a primeira explicação para que o Benfica pudesse sair do estádio do adversário com a ligeira vantagem de ter empatado no terreno do principal rival na luta pelo título. No entanto, e cito as palavras de Eça de Queirós, “Neste país, no meio desta prodigiosa imbecilidade nacional” o que serviu de tema para discussão foi (pasme-se!) um imaginado pontapé do Cardozo no rabo do Fucile. Pontapé que não existiu e que provocou em Fucile o acto reflexo de se queixar da cabeça antes de se lembrar que talvez fosse melhor queixar-se do traseiro. Sempre dava mais verosimilhança à encenação. Depois, foi um corre-corre de especialistas em física, cinética, balística e generalidades afins para provarem como a simples deslocação do ar junto à região glútea pode provocar dores imediatas na cabeça e, como tal, o malvado Cardozo deveria ter sido expulso por nunca ter agredido o Fucile.

 

Afinal, a banalidade manteve-se no pós-jogo. Por cá, já é banal fazer de um não existente pontapé no rabo um assunto de interesse nacional. Por outro lado, a corrupção no desporto, de tão banal, já nem é discutida. É, como tantos outros assuntos, convenientemente esquecida e diligentemente silenciada.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Setembro e publicado na edição de 30/09/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Terça-feira, 27 Setembro 2011
Dominado

Vitória justa e incontestável do Benfica, num jogo dominado do princípio ao fim. Podemos eventualmente queixar-nos de não termos resolvido o jogo mais cedo e conseguido um resultado um pouco mais folgado, mas o mais importante são os três pontos, e esses foram conquistados sem grande dificuldade.

Com o Bruno César e o Saviola como alterações no onze que jogou no Porto (saíram Aimar e Nolito), o Benfica mostrou desde o apito inicial uma enorme superioridade sobre os romenos do Otelul Galati. O que vimos nos primeiros minutos foi o exemplo daquilo que se veria durante o resto do encontro, com o Benfica a ter quase sempre a bola em seu poder e a jogar no meio campo adversário. O jogo nem sequer parecia ser da Champions, assemelhando-se mais a um jogo típico do Benfica para a liga portuguesa, com o nosso adversário encolhido junto da sua área, a jogar com as linhas muito juntas, e aproveitando qualquer falta, mesmo que assinalada quase sobre a linha do meio campo, para mandar toda a gente lá para a frente e despejar a bola para as imediações da nossa área. Sem ser assim, não conseguiam aproximar-se sequer da nossa baliza. Mas os romenos mostraram que sabem defender de uma forma razoavelmente organizada, e por isso conseguiram evitar que o domínio claro do Benfica se traduzisse numa enxurrada de oportunidades de golo. Estas foram, no entanto, aparecendo esporadicamente, e os maiores desequilíbrios apareciam quase sempre dos pés do Gaitán. A cinco minutos do intervalo foi ele quem inventou um grande passe a solicitar uma diagonal do Bruno César, da esquerda para o centro, e depois o 'chuta-chuta', em frente ao guarda-redes, marcou com aparente facilidade o golo que resolveu o jogo.

Na segunda parte o campeão romeno tentou obviamente vir um pouco mais para a frente e pressionar mais alto o Benfica, logo na saída de bola da nossa defesa. Aos dois minutos conseguiram mesmo o primeiro remate à nossa baliza - o que mostra bem o quanto estiveram controlados durante o jogo. Mas com mais ou menos vontade, a verdade é que mostraram pouca capacidade para nos incomodarem seriamente. Apesar do esforço extra dos romenos nos ter dificultado um pouco mais a gestão da posse de bola, já que a nossa qualidade de passe caiu um pouco, a posse de bola continuou a ser avassaladora para o Benfica, o jogo tornou-se progressivamente mais aborrecido, e o único eventual factor de irritação era mesmo não darmos a machadada final no jogo. Não que estivesse particularmente preocupado com a capacidade do Otelul conseguir remeter-nos para a nossa área e pressionar-nos na procura do empate, mas com uma vantagem mínima tememos sempre que algum lance de infortúnio possa roubar-nos uma vitória mais do que merecida. Só aos noventa minutos é que o Otelul (sem surpresas, depois de mais um livre no círculo central despejado para a área) conseguiu fazer o seu segundo remate na direcção da baliza, à figura do Artur, que ao não segurar a bola permitiu uma recarga que passou perto da baliza. Seguiu-se a resposta do Benfica com um remate perigoso do Rodrigo, e o final do jogo.

O Gaitán foi claramente o melhor jogador do Benfica, tendo quase todas as melhores iniciativas atacantes nascido dos seus pés. A demonstrar isto, a assistência fantástica para o único golo do jogo. Jogo sólido da dupla de centrais, Luisão e Garay, e também gostei da actuação do Javi e do Witsel.

Pontuar fora, e particularmente vencer na Champions é fundamental, e este resultado é por isso muito importante para as contas da qualificação para a próxima fase. Sem grande fogo de artifício, o Benfica cumpriu hoje a sua obrigação de forma eficaz e profissional, e isso é algo que começa a tornar-se uma constante esta época. O empate do Basileia em Old Trafford não é, à partida, uma boa notícia para o Benfica, pois mantém os suíços na corrida. O duplo confronto com eles que se segue deverá definir muita coisa.



escrito por D`Arcy às 23:15
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Domingo, 25 Setembro 2011
Honestamente...

...se a melhor justificação que o treinador e jogadores do Porto conseguem arranjar para o empate de ontem à noite é a actuação de um árbitro (ainda por cima o Jorge Sousa) que assinalou mais do dobro de faltas a favor do Porto, e em particular uma suposta expulsão do Cardozo por motivos que só um alce bêbado é que poderá descortinar, então só posso sentir-me cada vez mais confiante num desfecho favorável para este campeonato.



escrito por D`Arcy às 00:51
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Sábado, 24 Setembro 2011
Sóbria

Uma exibição sóbria, personalizada e concentrada permitiu-nos sair do Porto com um empate, conquistado num jogo difícil, e após uma transfiguração da equipa da primeira para a segunda parte.

Onze esperado do Benfica, sem quaisquer 'surpresas' de última hora. Os primeiros dez minutos de jogo pareceram ser de estudo mútuo, mas depois o Porto pareceu acordar com uma jogada individual do Hulk, que com um remate de meia distância obrigou o Artur a uma grande defesa. A partir daí, e durante o resto da primeira parte, o Porto esteve quase sempre por cima no jogo, controlando a posse de bola e sendo muito mais rematador. No entanto este domínio do Porto nunca chegou a deixar-me muito nervoso, porque fiquei sempre com a sensação de que a nossa equipa mantinha uma serenidade que, sinceramente, não nos é muito habitual naquele estádio. Apesar de mais pressionada, manteve-se sempre bastante organizada e concentrada, dando poucas oportunidades claras de golo ao adversário, que apesar de muito mais rematador, via a maior parte desses remates surgirem de longa distância, e quase sempre pelo Hulk (quer de bola corrida, quer em livres). Uma enorme excepção no entanto à passagem da meia hora, quando o Fucile teve uma oportunidade flagrante para marcar, surgindo à vontade na área para proporcionar a segunda grande defesa da noite ao Artur. A grande lacuna no jogo do Benfica foi no entanto no ataque, já que praticamente não conseguimos construir jogadas ofensivas ou sequer sair para o ataque da forma rápida como fazemos habitualmente - não houve no entanto apenas demérito do Benfica nisto, pois foi também o resultado da pressão que o Porto exerceu. Se o Benfica ia mantendo a concentração defensiva no jogo corrido, tal já não aconteceu numa bola parada: um livre sobre a zona lateral direita da nossa área permitiu ao Porto colocar-se em vantagem, graças a um bom cabeceamento cruzado do Kléber, que se antecipou com alguma facilidade ao Maxi. O golo surgiu quando faltavam pouco menos de dez minutos para jogar na primeira parte, e só depois é que o Benfica conseguiu dar alguns sinais de querer sacudir a pressão, mas o Porto continuou na mó de cima até ao apito para intervalo.

Não foi necessário esperar muito para vermos que as coisas seriam diferentes na segunda parte. Antes ainda de estarem decorridos dois minutos, já festejávamos o empate. Depois de uma recuperação de bola ainda no meio campo defensivo do Porto, a bola chegou até ao Nolito, que já dentro da área fez um excelente passe para o Cardozo, tendo este aguentado a carga do defesa para depois rematar por baixo do corpo do Hélton. Só que como já vimos acontecer noutras ocasiões naquele estádio, o Benfica não conseguiu tirar partido da vantagem motivacional de chegar ao empate, porque quatro minutos depois já estava novamente em desvantagem. Nova bola parada: um canto marcado à maneira curta, com a bola a chegar ao Varela na zona do primeiro poste, e depois o centro rasteiro a encontrar o Otamendi à boca da baliza para empurrar a bola. Este golo no entanto foi praticamente o canto do cisne do Porto no jogo, já que não conseguiram voltar a criar qualquer oportunidade de golo, e creio que apenas por mais uma vez (uma tentativa de chapéu do Guarín) remataram na direcção da baliza.

O Benfica conseguia agora manter o Porto bem mais longe da sua baliza e, recuperada a bola, já mostrava a qualidade das tais 'transições ofensivas'. Numa delas poderíamos ter chegado mesmo mais cedo ao empate, mas o Cardozo (outra vez a passe do Nolito) acabou por acertar com o seu remate no Hélton quando parecia ser mais fácil marcar. A vinte minutos do final o Jorge Jesus substituiu o Nolito e o Aimar pelo Bruno César e Saviola. Se a troca do Nolito pelo Bruno César não pareceu ter grande efeito (eu estava a gostar da exibição do Nolito), já a entrada do Saviola para o lugar do esgotado Aimar trouxe resultados, pois o Saviola começou a surgir solto nas costas dos médios do Porto, fazendo de forma eficaz a ligação entre o meio campo e o ataque. E foi mesmo aí que o Saviola, a oito minutos do final, inventou um passe fantástico entre os centrais do Porto para encontrar a desmarcação do Gaitán. Depois o talento deste fez o resto, rematando de primeira de forma imparável para o fundo da baliza. O Porto, que pouco tinha feito depois do segundo golo, não mostrou capacidade para reagir a este golo, e o Benfica pareceu ficar satisfeito com o empate.

Individualmente gostei do Artur - sem culpas nos golos e duas grandes defesas. Gostei também das exibições do Luisão, do Nolito e do Gaitán. É verdade que sofremos dois golos, mas acho que o nosso capitão fez uma exibição muito sólida, ganhando quase todos os lances que disputou, muitos deles em antecipação. O Nolito e o Gaitán foram sempre os nossos jogadores mais perigosos: o Nolito mais no passe e o Gaitán mais rematador.

Sabemos do péssimo historial que temos nas visitas ao Porto, pelo que este empate pode considerar-se um bom resultado.
No jogo de hoje gostei acima de tudo da forma sóbria e concentrada como a equipa jogou, mesmo durante os piores períodos do jogo, em que o Porto estava por cima. Já vi bastantes jogos disputados no Porto em que o nosso erro foi precisamente perdermos a cabeça em situações negativas, mas hoje isso nunca me pareceu estar perto de acontecer. Nem sequer com as patéticas simulações do Fucile.



escrito por D`Arcy às 06:57
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Sexta-feira, 23 Setembro 2011
Haja alguém daquele clube que perceba!

Em dia de jogo frente ao fcp, recupero a palavra (antiga) de um sportinguista. Dos (infelizmente) poucos adeptos do Sporting que é mesmo sportinguista e não apenas lagarto.

 

"Porque o Porto não é um adversário. É, com a bonomia e ausência de ódio que o futebol exige, o que de mais próximo há de um inimigo. Contra o Benfica move-nos o futebol. Contra o Porto move-nos a civilização contra a barbárie. Os portistas não são nem melhores nem piores do que os outros. Mas a sua direcção é de natureza diferente. Move-se pelo tráfico de influências, a batota e métodos inaceitáveis num Estado de Direito. Baseia a sua paixão num bairrismo provinciano, que se mistura facilmente com o ressentimento contra Lisboa." Daniel Oliveira, 5 Novembro 2010, artigo de opinião no jornal Record.



escrito por Lord Henry Wotton às 14:07
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Quarta-feira, 21 Setembro 2011
Por isso é que eles têm andado relativamente sossegados...

Jorge Sousa vai arbitrar o nosso jogo de próxima 6ª feira.

 

 



escrito por tma às 15:30
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No comments

Reforçando o post abaixo do Pedro F. Ferreira, que concordo a 100% (tudo o que vem lá de cima, e está ou esteve ligado ao Papa, deve ser tratado como contaminado e merecer da nossa parte a maior distância e oposição possíveis - é sempre bom estar atento aos cavalos de Tróia...), e alertado por um post no Facebook do excelente blog Benfiquistas desde pequeninos, deixo aqui estas imagens que falam por si.

 

 

Aquela gente está enganada há mais de 30 anos. O futebol não é, nem pode ser uma guerra. E enquanto não perceberem isto, nunca irão deixar de ser um clube pequeno, mesquinho e tacanho. Por muitos títulos que comprem, perdão, ganhem.



escrito por Lord Henry Wotton às 11:37
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Terça-feira, 20 Setembro 2011
Não subscrevo, não assino

Fernando Gomes, presidente da Liga de Clubes, anunciou a sua candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Diz-se (no momento em que escrevo este texto é apenas isso mesmo) que esta candidatura poderá ter o apoio da Direcção do Benfica.

 

Fernando Gomes está ligado ao maior escarro da história do futebol português. Surge numa posição pouco abonatória nas escutas do processo “Apito Dourado” e, após uma mal encenada divergência com o presidente do FCP, surgiu como candidato a presidente da Liga. Venceu, também com o apoio do Benfica, e o máximo que lhe ouvi foi um silêncio conivente com as “olegarices” que ajudaram a atirar com o Benfica para fora da luta pelo título nas primeiras jornadas da época passada. Silêncio que foi para mim compreensível, pois as ditas “olegarices” estavam em perfeita sintonia com as práticas do clube que fiel e servilmente serviu durante anos e com as quais sempre anuiu, como mostram as escutas no youtube.

 

A hipotética eleição desta personagem nem sequer faz justiça à máxima de Lampedusa, pois neste caso nada muda e tudo fica na mesma. Pior, num momento em que surgem notícias sobre a renegociação dos direitos televisivos por parte do Benfica (renegociação individual e com valores compatíveis com o real valor desses mesmos direitos), esta candidatura traz consigo uma visão contrária às pretensões do Benfica, defendendo uma negociação colectiva desses mesmos direitos, hipocritamente em nome de uma propalada maior justiça competitiva. Se este Fernando Gomes quer, realmente, uma maior justiça competitiva, deve começar por combater as práticas que continuam a medrar no mesmo edifício onde ficou conhecido como o “Nandinho das facturas”.

 

Acerca deste hipotético apoio do Benfica à candidatura de Fernando Gomes, repito as palavras do poeta Jorge de Sena, “Não, não, não subscrevo, não assino”.

_____

 

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 19:19
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Segunda-feira, 19 Setembro 2011
Esforçada

Uma exibição esforçada do Benfica. A vitória frente a uma equipa que tem sido feliz nos últimos anos quando nos visita é justa e indiscutível, mas o resultado final talvez esconda um pouco as dificuldades que o adversário nos colocou durante várias fases do jogo.

Três jogadores nucleares na equipa foram poupados: Javi García, Aimar e Gaitán. Nos seus lugares surgiram o Matic, Saviola e o regressado Nolito. Destaque também para a presença do Bruno César no onze. A Académica apresentou-se na Luz a jogar de forma desinibida e sem muitas preocupações defensivas. O resultado foi um jogo relativamente aberto e disputado a boa velocidade, com o Benfica a ter naturalmente mais posse de bola e a pressionar mais, mas com a Académica a tentar sempre sair rapidamente para o ataque quando recuperava a bola, e a conseguir surgir por vezes com algum perigo no ataque, rematando mesmo mais vezes que o Benfica. Após a boa entrada da Académica, a partir dos dez minutos o Benfica passou tomar cada vez mais conta do jogo e foi aumentando a pressão, desperdiçando lances de ataque, muitas vezes por precipitação no último passe ou hesitação na altura do remate. Mas o crescimento do Benfica acabou por dar frutos aos vinte e cinco minutos, quando uma insistência do Saviola encontrou o Bruno César solto na direita da área, e este com classe aproximou-se da baliza, evitou um defesa, e marcou à saída do Peiser. Em vantagem no marcador, o Benfica continuou por cima no jogo, mas continuou a desperdiçar ocasiões para construir um resultado mais tranquilo - em particular uma situação do Saviola. E como quem não marca, normalmente sofre, isso aconteceu mesmo a cinco minutos do intervalo, quando uma falha de marcação da nossa equipa permitiu que surgisse um adversário completamente solto à entrada da área, de nada valendo a estirada do Artur (ainda tocou na bola) para deter o seu remate. As coisas podiam ter-se complicado nesta altura, mas praticamente na resposta o Nolito, pela esquerda, pegou na bola (boa recuperação do Matic), enfiou-se pelo meio de uma multidão de adversários, e conseguiu rematar cruzado para recolocar o Benfica em vantagem.

A segunda parte foi simplesmente má. Jogada a um ritmo mais lento do que a primeira parte, mas sobretudo sem muitas jogadas de relevo. A Académica tentou subir e vir à procura do empate, mas foi o Benfica quem continuou a controlar a posse de bola. Só que durante largos minutos fomos incapazes de construir praticamente uma jogada de ataque digna desse nome. O jogo foi-se arrastando assim e as coisas pareciam pouco inclinadas a alterar-se, mas a vinte minutos do final entraram o Aimar e o Gaitán para os lugares do Saviola e do Bruno Cesar, e as coisas melhoraram um pouco, sobretudo por influência do nosso número dez. Nesta altura a Académica arriscava muito na procura do golo do empate, e jogava com a defesa ainda mais subida - quase encostada à linha do meio campo. Com a entrada do Aimar passámos a ter um jogador capaz de segurar a bola e esperar pelo momento certo para lançar os colegas nas costas da defesa. A oito minutos do final foram mesmo os dois jogadores que entraram que construíram o lance do golo da tranquilidade: um bom cruzamento do Gaitán na esquerda, a fugir do guarda-redes, que falhou a saída e deixou a bola ir ter com o pequeno Aimar, que no meio de dois defesas cabeceou à vontade para a baliza vazia. O resultado final foi construído já nos descontos, com um passe do Aimar a desmarcar o Nolito nas costas da defesa, e depois o espanhol finalizou com facilidade utilizando o pouco habitual pé esquerdo.

O melhor jogador do Benfica terá sido o Nolito. Marcou dois golos, sobretudo o importantíssimo segundo golo do Benfica, pela altura em que aconteceu. Hoje foi utilizado durante vários períodos no lado direito, trocando de posição com o Bruno César, e também esteve bem aí, mas parece ser mesmo na esquerda que se sente à vontade, jogando numa função muito semelhante à que vemos o Villa fazer no Barcelona. Bom jogo também do Bruno César, que parece estar cada vez mais bem adaptado ao nosso futebol. Como habitualmente, o Luisão esteve num nível muito bom. E, claro, muito bons os vinte e poucos minutos com que o Aimar contribuiu para o jogo. Menos bem esteve o Saviola. Até começou bem, fazendo a assistência para o primeiro golo e estando envolvido na maior parte dos lances mais perigosos do Benfica, mas pareceu ter ficado afectado pela oportunidade flagrante que falhou perto do final da primeira parte, e a partir daí foi sempre a descer. A segunda parte então foi para esquecer, com muitos passes falhados e perdas de bola. Menção ainda para o Matic: neste momento é praticamente um jogador em formação. É bom jogador e vai ser-nos muito útil, mas parece estar ainda a aprender como é que um trinco tem que jogar neste Benfica, tendo que aprender a não arriscar tanto quando tem a bola e que corrigir algumas movimentações. Neste momento ainda não me parece uma alternativa forte ao Javi.

Já vi o Benfica jogar melhor e ganhar por menos. Hoje o empenho dos nossos jogadores acabou por ser recompensado com um resultado generoso. A vitória desta noite teve ainda o extra de nos ter permitido alcançar o topo da classificação, nas vésperas de nos deslocarmos ao Porto. Esperemos que isto sirva de motivação extra para um jogo que poderá ser marcante para esta época.



escrito por D`Arcy às 01:38
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Importa-se de repetir?

«Se qualquer outra equipa pode ganhar, porque não a Académica? A ideia é chegarmos lá e demonstramos que temos possibilidades e capacidade para disputar o resultado. Mas qualquer equipa pode ganhar na Luz, como já viram no passado e verão, provavelmente, no futuro». Pedro Emanuel dixit.



escrito por Pedro Valente às 00:02
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Quinta-feira, 15 Setembro 2011
Vê lá se aprendes!

 

 

Peço desculpa pela violência da linguagem, mas é para ver se ele mete isto na cabeça de vez.

 

Olha lá, ó Cardozo, que história é esta de dominares a bola de peito, bateres o defesa do vice-campeão europeu com uma rotação de tronco e atirares uma bomba para dentro da baliza com o teu pior pé?! E, ainda por cima, tu que só sabes marcar golos "de encostar" e perante "equipas fraquinhas"... Quanto é que tu metes nessa tua cabeça que um avançado não está lá para marcar golos, hein?! O que a malta quer, e muito bem, é um Usain Bolt na frente de ataque e que de preferência seja bom na "nota artística". Agora, um que só saiba meter a bola na baliza não nos serve para nada! Vamos lá ter isso em atenção e vê lá se é preciso que a malta te continue a assobiar para ver se aprendes de uma vez por todas, ok?



escrito por S.L.B. às 15:00
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Orgulho

Tenho muito orgulho no meu clube. 

Se calhar, antes do jogo, ficaria razoavelmente satisfeito com a perspectiva de um empate contra o Manchester United. Depois de vistos os noventa minutos esse mesmo empate, apesar de se aceitar, já me sabe a pouco.

 

 

A Luz pôs-se linda esta noite para receber a estreia do Benfica na fase de grupos da Champions. Casa cheia e um ambiente fantástico, daqueles que nos fazem sentirmo-nos privilegiados pelo simples facto de podermos estar ali. O Ferguson tinha prometido que para este jogo iria apostar na experiência e cumpriu, apresentando uma equipa bastante diferente daquela que temos visto na Premier League. O meio campo foi onde isto mais se notou, aparecendo jogadores como Carrick, Giggs, Park, Valencia ou Fletcher. Claro que aqueles do costume irão agora argumentar que eles jogaram com as 'reservas', mas se calhar poderiam reparar que sete dos onze jogadores com que o Manchester entrou em campo esta noite estavam no onze que, há quatro meses, entrou em campo para jogar a final da Champions frente ao Barcelona. E as mudanças do Ferguson não se ficaram pelos jogadores, já que a própria táctica mudou, com o Manchester a abandonar o 4-4-2 habitual e a alinhar em 4-5-1, deixando o Rooney sozinho na frente. Da parte do Benfica, a principal alteração foi a entrada do Rúben Amorim para a direita do meio campo, tendo provavelmente como principal objectivo controlar as subidas do Evra pelo seu lado.

 

 

O jogo em si pareceu-me ficar marcado por muito respeito (ou receio) de parte a parte. O Manchester já o tinha mostrado na escolha do onze e da táctica, e o Benfica mostrou-o em campo. A nossa equipa arrumou-se em duas linhas de quatro jogadores - o Witsel jogava praticamente ao lado do Javi - encostando a linha do meio campo à da defesa, deixando ao Aimar a tarefa de fazer a ligação com o muito sozinho Cardozo na frente. Isto deixou bastante espaço ao Manchester para fazer posse de bola em zonas mais recuadas, mas não conseguindo converter essa posse de bola em lances de ataque de real perigo, já que raramente conseguiu encontrar maneira de furar as duas linhas do Benfica. Com menos posse de bola, o Benfica tentava aproveitar as recuperações de bola para sair em velocidade para o ataque e explorar todo o espaço que o Manchester deixava atrás, conseguindo assim ser mais rematador. Mas foi bastante evidente que mesmo neste aspecto houve cautelas, porque estas saídas eram quase sempre feitas com grande certeza, raramente fazendo passes de risco. Foi numa saída destas que, na esquerda, o Gaitán inventou um grande passe de trivela que foi encontrar o Cardozo praticamente um para um com o Evans. Depois o paraguaio, com um grande trabalho, matou no peito, ultrapassou o defesa puxando a bola com o pé esquerdo, e de pé direito rematou cruzado para o primeiro golo, após vinte e quatro minutos de jogo. Nada mudou com este golo, mantendo-se o mesmo cariz no jogo: mais posse de bola para o United, e o Benfica coeso na defesa e mais rematador. Mas a três minutos do intervalo 'esquecemo-nos' do Giggs, ele meteu-se no espaço entre as linhas e, à entrada da área, desferiu um remate sem qualquer hipótese de defesa para o Artur. Foi o primeiro remate que o Manchester fez à baliza no jogo, pelo que era já com a sensação de alguma injustiça que fomos para o intervalo.

 

 

A segunda parte trouxe um Manchester mais pressionante. Continuavam sem conseguir criar muitos lances de perigo, mas jogavam mais sobre a nossa área e o Benfica agora já raramente conseguia sair para o ataque. Esta melhor fase dos ingleses prolongou-se durante vinte minutos, e culminou com um grande oportunidade de golo, mais uma vez pelo Giggs, que serpenteou entre os nossos defesas e de repente apanhou-se isolado, valendo-nos uma defesa por instinto do Artur, com a ponta do pé. Este susto como que despertou o Benfica, que imediatamente respondeu com uma boa ocasião de golo: o Nolito (tinha entrado para o lugar do Rúben Amorim), após passe do Gaitán, rematou cruzado para uma grande surpresa do dinamarquês Lindegaard. Talvez motivado por aqueles bons primeiros vinte minutos, o Ferguson decidiu fazer entrar o Nani e o Chicharito e mudar para 4-4-2, mas o tiro saiu-lhe pela culatra, porque a verdade é que os jogadores que entraram pouco trouxeram ao jogo e o Manchester caiu bastante, passando o Benfica a ter algum ascendente. Talvez o Benfica, do ponto de vista do adepto, pudesse ter arriscado algo mais nos últimos quinze minutos, quando o Aimar saiu. O Jorge Jesus preferiu a solução mais conservadora de manter o esquema táctico, entrando o Matic e subindo o Witsel, e não temos forma de saber se outra opção teria dado melhor resultado. A verdade é que o Benfica manteve-se melhor no jogo e criou mais duas boas oportunidades para vencer o jogo, pelo Gaitán e pelo Nolito, que contribuíram para aumentar a frustração por vermos uma possibilidade de vencer o Manchester United escapar-nos.

 

 

Houve vários jogadores que estiveram num nível bastante alto esta noite, mas acima de todos esteve o Luisão. O nosso capitão esteve simplesmente imperial, dominou a sua zona de acção, meteu o Rooney ao bolso e mais qualquer um que se aventurasse por ali, e dobrou colegas na defesa e até no meio campo com enorme eficácia. Grande jogo do Cardozo na missão de sacrifíco a que foi obrigado. Marcou um grande golo (se fosse tão tosco como gostam de o chamar de certeza que não conseguiria marcar um golo daqueles) e cumpriu a missão de segurar a bola e fazer jogar os colegas do meio campo. Javi García, Maxi Pereira e Gaitán também muito bem.

 

Volto a dizer que me sinto orgulhoso daquilo que a nossa equipa fez esta noite. Tacticamente esteve quase perfeita, limitando o Manchester United, que tem goleado a torto e a direito esta época, a três remates na primeira parte e dois na segunda. Criou ocasiões suficientes para poder vencer, e se o empate se pode considerar lisonjeiro para alguém, é para os ingleses. Os nossos jogadores bem mereceram o aplauso com que a Luz se despediu deles esta noite.

 

P.S.- Uma das curiosidades desta noite de Champions foi que aquela equipa 'fraquíssima' que foi eliminada pelo Benfica (agora repescada porque na Turquia pelos vistos a federação é um bocado mais séria do que em Portugal), de nome Trabzonspor, foi ganhar ao Inter no Giuseppe Meazza.



escrito por D`Arcy às 01:05
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Domingo, 11 Setembro 2011
Suficiente

O jogo não foi fácil, até porque o Benfica não fez uma exibição de encher o olho, mas ao contrário daquilo que o resultado de 2-1 possa fazer crer, não me pareceu que a vitória do Benfica tenha sido muito complicada ou sofrida, e creio que nunca esteve sequer em causa.

Supostamente não haveria poupanças neste jogo, mas a verdade é que quando soou o apito inicial o Aimar estava sentado no banco, e o Saviola no onze inicial. Outra alteração ao onze habitual foi a presença do Bruno César no lugar habitual do Nolito, mas esta já vinha sendo anunciada ao longo da semana. O Vitória entrou bem no jogo, mostrando que não vinha à Luz para se remeter simplesmente à defesa, o que é habitual nas equipas do Rui Vitória. Quando não tinham a bola, tentaram pressionar-nos e fechar espaços, e tiveram sempre a atenção de não nos deixarem sair a jogar desde a nossa defesa, obrigando quase sempre o Artur a pontapear a bola para a frente. O Benfica mostrou-se pouco lesto no ataque e algo lento de movimentos, sendo as maiores sacudidelas no jogo dadas pelas subidas do Maxi e pelas movimentações do Saviola. Durante a maior parte do primeiro tempo o maior interesse foi mesmo a parte táctica, porque tecnicamente o jogo estava a ser pobre. Depois vieram os penáltis, que desembrulharam a coisa. Já depois de perdoado um, por aquilo que me pareceu uma mão evidente do Alex, pouco depois da meia hora foi assinalado o primeiro por falta sobre o Saviola, que o Cardozo converteu. Depois o segundo, dois minutos mais tarde, após uma óptima defesa de um jogador do Guimarães a um remate do Witsel, que o Cardozo atirou à barra. E finalmente o terceiro, mesmo a fechar a primeira parte, após nova mão de um defesa do Guimarães, que de braços abertos bloqueou um remate do Saviola, e que o Cardozo marcou a papel químico do primeiro. E pouco mais há a dizer.

Na segunda parte o Benfica entrou um pouco melhor. Continuando a contar com a colaboração activa do Maxi pela direita, o Benfica conseguiu construir algumas jogadas interessantes, e também foi desperdiçando oportunidades para ampliar a vantagem, sendo as mais escandalosas uma cabeceamento desastrado do Saviola ao segundo poste, e outro do Garay, quase na pequena área e solto de marcação, que saiu por cima. Pouco depois de findo o primeiro quarto de hora, com a entrada do Aimar, notou-se uma ligeira melhoria no nosso jogo, mas quando nada o fazia adivinhar, o Guimarães reduziu, num lance algo fortuito que começou num pontapé do guarda-redes para a frente e depois o Edgar, sozinho e rodeado por três defesas do Benfica, conseguiu rematar cruzado para o golo. Pareceu-me que o Artur poderia ter feito algo mais neste lance. O golo do Guimarães veio lançar alguma incerteza no resultado, mas sinceramente creio que esta incerteza foi mais resultado do factor psicológico de sabermos que estávamos ao alcance de um qualquer lance fortuito do que de jogo jogado. Porque o Benfica, mesmo sem entusiasmar, continuou a ser melhor sobre o terreno, e desperdiçou as melhores oportunidades para voltar a marcar - em particular um lance do Gaitán. Aliás, nem deveria dizer que o Benfica desperdiçou as melhores oportunidades para voltar a marcar; o Benfica desperdiçou, isso sim, as únicas oportunidades para voltar a marcar. Por isso mesmo digo que a nossa vitória não foi particularmente complicada nem esteve em causa. Não me recordo de nenhum lance de real perigo do Guimarães a seguir ao golo (mesmo antes do golo não foram muitos), ou de qualquer defesa do Artur.

O melhor jogador do Benfica neste jogo foi para mim o Maxi Pereira, incansável no lado direito. Gostei da primeira parte que o Saviola fez, da entrada do Aimar no jogo, e achei que o Luisão fez um jogo muito sólido, ao nível a que nos habituou. Gostei também do jogo do Garay, mas fica com o senão de ter sido batido pelo Edgar na fase inicial do lance do golo, quando me pareceu que deveria ter ganho aquela bola. E o Cardozo teve um jogo bem conseguido, com a pena de ter desperdiçado mais um penálti.

Julgo ter sido evidente que a exibição não foi das melhores, mas parece-me que o Benfica fez o suficiente para vencer este jogo. Também não fiquei com a impressão de que tenha sido um jogo que exigiu muito dos nossos jogadores na parte física - apenas o Cardozo, na fase final do jogo, me pareceu estar claramente esgotado, mas provavelmente será resultado das viagens à selecção a meio da semana - o que serão boas notícias para o jogo de estreia na Champions, na próxima quarta-feira. É que aí teremos que jogar muito mais do que jogámos hoje se queremos entrar com o pé direito na prova.



escrito por D`Arcy às 03:31
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Sábado, 10 Setembro 2011
O costume

Passando rapidamente pelas notícias on-line (e respectivos comentários) que dão conta da vitória do Benfica, mais uma vez se conclui que, para muita gente, não interessa se os penáltis são bem ou mal assinalados. Apenas interessa o facto de terem sido assinalados 3 penáltis a favor do Benfica (ignorando que 1 penálti nítido ficou por assinalar, antes dos 3 já mencionados), como se houvesse algum limite de penáltis de que o Benfica pode beneficiar num só jogo.

 

(De qualquer forma, na próxima 4ª feira o Benfica tem de jogar mais do que aquilo que fez hoje...)



Adenda: também concluo que há muita gente que não vê futebol pelo menos há 25 anos...

 



escrito por tma às 21:53
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Sexta-feira, 9 Setembro 2011
Das certezas inabaláveis

Terminou a época de transferências. Ao longo de dois longos meses, depositamos a esperança de que as contratações sejam reforços e não desilusões. Sofremos com a possibilidade de vermos alguns dos nossos futebolistas preferidos a mudar de ares e vamos desconfiando do discernimento de quem tem a responsabilidade de formar um plantel equilibrado e capaz.

 

Há uns três anos, levei uma das maiores lições de futebol de que me recordo. Habituado que estava a formar planteis em diferentes jogos de computador e em muitas conversas de café, lá parti eu, cheio de certezas alicerçadas no empirismo de quem nunca teve a responsabilidade de formar um plantel com futebolistas reais num mundo real, para uma conversa com uma das maiores glórias do futebol português e internacional, e que tinha como função concretizar a construção de um plantel para ser campeão. Em poucos minutos percebi que eu nada sabia do que era um plantel, de como se formava, dos pressupostos. Poucos minutos bastaram para perceber que a ignorância é ousada e que muitas (mas não todas) das críticas que se fazem ao trabalho dos profissionais se deve ao puro desconhecimento do que é a realidade. Nesse dia, antes daquela conversa, achava que aquele plantel estava desequilibrado e não oferecia grandes esperanças. Após a conversa, percebia a lógica e a coerência que estavam subjacentes à sua construção.

 

No entanto, continuava teimosamente convicto de que havia decisões muito erradas, particularmente na construção de todo o lado esquerdo da equipa. Lembro-me bem de que, nesse dia, critiquei desbragadamente a saída de Reyes, a decisão de manter Di Maria no plantel e a possibilidade de um dia vir a ter o Fábio Coentrão como defesa esquerdo…

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 06 de Setembro e publicado na edição de 09/09/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Sábado, 3 Setembro 2011
Supertaça

 

Uma boa maneira de começar a nova época, que se espera muito melhor do que a anterior. Parabéns ao nosso futsal!



escrito por D`Arcy às 21:16
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Sexta-feira, 2 Setembro 2011
A lista de Jesus

Foi hoje divulgada a lista de inscritos para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Há duas escolhas de Jorge Jesus que estão muito longe de ser consensuais.

 

A decisão de não incluir na lista o espanhol Capdevila não é pacífica, mas dou o benefício da dúvida a Jorge Jesus. Ele é que trabalha com Capdevila todos os dias, ele lá saberá se o espanhol está ou não interessado em trabalhar de acordo com as orientações do treinador. Ou seja, J.J. tinha de abdicar de um dos estrangeiros e abdicou de quem, neste momento, lhe dá menos garantias. Não seria a minha escolha, mas aceito que possa haver argumentos que a defendam e que o treinador não possa tornar públicos.

 

Por outro lado, a decisão de incluir na lista o César Peixoto é, para mim, incompreensível. Não está em causa a qualidade, ou falta dela, de Peixoto. Está em causa o passado recente em que soubemos que o futebolista teria recusado fazer parte do plantel, caso o treinador o tencionasse utilizar como defesa esquerdo. Esta atitude do futebolista só pode ter um destino: porta da rua é serventia da casa. O destino, aparentemente, seria este. No entanto, o referido auto-proscrito foi incluído na lista para a Champions e excluído da lista para o Campeonato Nacional. E isto, apesar do argumento da necessidade de ter mais um português para podermos inscrever mais futebolistas, é uma decisão que arrepia uma gestão desportiva de bom-senso. Após um arrumar da casa em que não foi necessário andar envolvido em transferências de última hora, esta decisão é preocupante, pois faz lembrar decisões tomadas em cima do joelho que me pareciam definitivamente arredadas do Clube. E isto ultrapassa o arbítrio do treinador, pois envolve todos os que, com ele, são co-responsáveis por esta decisão.

 

No meio de toda esta salgalhada dispensável e desnecessária com o defesa esquerdo, desejo muitas felicidades ao Luís Martins, caso tenhamos a necessidade de substituir o Emerson. Aliás, já vi grandes carreiras começarem, aproveitando ‘excentricidades’ destas.



escrito por Pedro F. Ferreira às 19:13
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Jaime Graça e os dribles da vida

Em 2008, escrevi o seguinte texto n'O Cromo dos Cromos:

 

 

O Jaime Graça foi um dos mais talentosos meio-campistas da sua geração. Irmão do Emídio Graça, recentemente aqui recordado, o Jaime levou a sua capacidade de drible para fora das quatro linhas: driblou a morte no famoso episódio do falecimento do Luciano (salvou-se a si, ao Eusébio e ao Malta da Silva) e driblou-a novamente no grave acidente de automóvel, em 1972. Continua ligado ao futebol e ao Benfica.

 

Hoje, desejo sinceramente que o nosso Jaime Graça consiga, mais uma vez, driblar a morte e que celebre mais um grande golo da vida.

 

[segundo um email que recebi, o Jaime Graça  está, no Hospital de S. José, a recuperar de uma cirurgia ao cérebro]



escrito por Pedro F. Ferreira às 15:59
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Ricardo Gomes

A notícia surgiu e, mais uma vez como em tantas outras ocasiões, obrigou-nos a reflectir. Ricardo Gomes apanhado à traição por um avc corria risco de vida.

 

No sítio do Benfica na internet (www.slbenfica.pt) surgiu o comunicado que fazia eco dos desejos de todos os benfiquistas. Nesse comunicado, Ricardo era considerado o “nosso” Ricardo. O que leva um futebolista a ser identificado com o sentir colectivo de milhões de adeptos do nosso Benfica? O que leva a que um futebolista, tanto tempo após ter terminado o seu percurso profissional no clube, possa ser considerado um dos nossos? Que relação emocional é esta com os adeptos de um clube (e com o clube) que ultrapassa contratos, cláusulas, adendas e outras minudências que transformam a paixão em razão?

 

Após os tempos de Humberto Coelho, Ricardo foi o melhor defesa-central que vi no Benfica. Jogava de cabeça levantada, comandava toda a defesa e liderava toda a equipa. Parecia jogar de smoking, tal era a classe do seu futebol. Impunha-se com a serenidade de quem sabe melhor do que os outros qual a melhor forma de ser eficaz. Vi-o como capitão de equipa do Benfica. Foi, salvo erro, o primeiro capitão de equipa do nosso clube que não tinha a nacionalidade portuguesa. Pela sua dimensão, essa “heresia” foi por todos encarada como uma virtude canónica. O Ricardo ultrapassava essa questão de ser português ou não. Para nós, o Ricardo era de nacionalidade benfiquista… mesmo quando envergava a braçadeira de capitão da canarinha.

 

Nos anos em que o vi com a camisola do Benfica senti (sentimos) que a sua presença ultrapassava o tempo do ‘agora’. O Ricardo é um dos nossos, essencialmente porque se distinguiu no Benfica como um grande Homem antes de ser um grande futebolista.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Agosto e publicado na edição de 02/09/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quinta-feira, 1 Setembro 2011
'Dia de Benfica' - um novo blog

Eu e o autor do blog "Dia de Benfica" estamos pontual e saudavelmente em desacordo relativamente ao nosso Benfica (e lá vão uns telefonemas e uns jantares para compreendermos a razão do outro), mas é, sem dúvida, um dos benfiquistas com quem ainda me vai dando algum prazer discutir o Benfica. Anda há muito tempo pela blogosfera e, hoje, abriu um novo espaço: "Dia de Benfica".



escrito por Pedro F. Ferreira às 19:58
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Terça-feira, 30 Agosto 2011
Justa

Vitória difícil mas inteiramente justa num campo e contra um adversário tradicionalmente complicados para o Benfica.

Apenas uma alteração forçada no onze que nos apurou para a fase de grupos da Champions, com a entrada do Jardel para o lugar do lesionado Garay. Da primeira parte não há muito para dizer, porque na verdade o nevoeiro pouco deixou ver. O Nacional teve uma entrada forte no jogo, e podia ter marcado cedo, não fosse o Artur defender com o pé o remate do isolado Mateus. Aos onze minutos o jogo foi interrompido por falta de visibilidade, e essa interrupção pareceu fazer bem à nossa equipa, que regressou mais concentrada, chegando ao golo à passagem dos vinte minutos, com o Cardozo, bem no centro da área, a corresponder com um cabeceamento exemplar, de cima para baixo, a um centro do Gaitán na direita. Do pouco que se conseguiu ver no resto da primeira parte (o jogo voltou a ser interrompido após a meia hora) realce apenas para um grande remate do Cardozo, a proporcionar uma boa defesa ao guarda-redes do Nacional.

Felizmente o nevoeiro foi-se embora na segunda parte, e permitiu-nos ver o Benfica a controlar perfeitamente o jogo, já com o Bruno César no lugar do Nolito. E de controlar o jogo o Benfica passou a dominá-lo após a expulsão do João Aurélio, por duplo amarelo, permanecendo em campo o Felipe Lopes, que se dedicava e continuou a dedicar afincadamente a distribuir porrada em tudo o que mexia (demonstrando particular afeição pelo Witsel) perante o olhar complacente do Soares Dias. Durante a meia hora que decorreu até ao final do jogo o Benfica desperdiçou várias ocasiões para marcar o golo que sentenciaria o jogo, mantendo-nos nervosos até quase ao final. E só não foi mesmo até ao final porque na última jogada do encontro, quando já passavam quatro minutos da hora, o Bruno César aproveitou a subida da equipa quase toda do Nacional para um canto, agarrou na bola à saída da nossa área e foi por ali fora, direito à baliza do Nacional, correndo uns bons setenta metros com a bola até finalizar sem dar hipóteses ao guarda-redes.

Não consigo escolher um jogador que me tenha impressionado particularmente. Se calhar fiquei condicionado pelo aborrecimento que foi não se conseguir ver quase nada da primeira parte. Fiquei satisfeito sobretudo com a organização que a equipa teve quase sempre (a excepção foram mesmo aqueles minutos iniciais até à primeira interrupção), a forma como ocupou bem os espaços em campo, e garra que os jogadores demonstraram num jogo que foi durinho.

A equipa continua a aparentar estar a crescer em futebol jogado e em confiança em si própria. Pelo menos já conseguimos melhor este ano do que tínhamos conseguido o ano passado no mesmo campo. Só tenho pena que agora tenhamos que parar por duas semanas para aturar os estarolas da equipa da FPF.



escrito por D`Arcy às 01:40
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Sábado, 27 Agosto 2011
Curiosidades

Nos 30 jogos da Liga Sagres do ano passado, os jogadores do fcp foram admoestados com 1 cartão vermelho directo e 2 cartões vermelhos por acumulação de amarelos. A cada 900 minutos de jogo, houve, portanto, um jogador expulso. Na Liga Europa, em 17 jogos, os mesmos jogadores viram 2 cartões vermelhos directos e dois cartões vermelhos por acumulação de amarelos, ou seja, precisaram de menos de metade do tempo (383 minutos) para serem expulsos. Apresento estes dados, apenas, por serem verdadeiros (de acordo com o zerozero.pt), e sempre servir a verdade para alguma coisa, e, também, para auxiliar quem se dedique a decifrar enigmas. Quanto a mim, lembrei-me disto porque achei curioso o facto de no jogo da Supertaça europeia a referida equipa ter visto tantos vermelhos directos quantos os que viu ao longo de um ano inteiro na Liga portuguesa. Quase que é caso para dizer que o senhor Björn Kuipers não deve ter gostado da fruta que lhe serviram na época passada. Quase.

 

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Adenda

Uma segunda curiosidade (por sugestão de alguns leitores): na Liga portuguesa do ano passado, foi expulso um jogador do Benfica a cada 300 minutos de jogo, mas nos jogos europeus, em 1260 minutos de jogo, foi expulso apenas um jogador.



escrito por Pedro Valente às 20:53
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Sexta-feira, 26 Agosto 2011
Quem protege o jogo?

O que há de mais fascinante no jogo é a imprevisibilidade do desfecho. Não sendo aleatório, é sempre impossível de determinar. Na esperança que antecede todos os jogos reside o fascínio do jogo. Antes do início de um jogo acreditamos que um desfecho é uma possibilidade e nunca uma certeza. Essa incerteza é o que nos faz ter a paixão pelo futebol.

 

Agora, imaginemos que deixamos de acreditar na imprevisibilidade, deixamos de acreditar que o desfecho do jogo se encontra no final do mesmo e passamos a saber que o desfecho do jogo foi determinado antes do seu início. Deixará de ser um jogo, passará a ser um embuste. Quando isso acontecer, matar-se-á o jogo, acabar-se-á o futebol, porque se acaba a inocência de acreditar.

 

Actualmente, o jogo está seriamente ameaçado. Declan Hill, em 2008, publicou “The Fix”, uma excelente obra sobre a falta de verdade no futebol. Essa obra foi recentemente publicada em Portugal e titulada “Máfia no Futebol”. Aconselho a sua leitura, sabendo que, após essa leitura, perdemos o que nos restava de inocência, mas percebemos melhor o comportamento de árbitros, dirigentes e futebolistas. Compreendemos melhor o que leva um determinado treinador, num qualquer minuto 58, a substituir os dois futebolistas que melhor estavam a jogar; compreendemos por que motivo um treinador se vê obrigado a substituir um excelente guarda-redes, ao intervalo, com o medo que esse futebolista facilite na segunda parte; compreendemos como a prostituição é tão importante para poder chantagear quem tem o poder de decidir um jogo…Percebemos que nem os jogos das fases finais dos Campeonatos do Mundo estão a salvo de serem decididos antes de terem começado.

 

Mais do que tudo, percebemos que a protecção do jogo não está na competência das regras, das leis ou dos regulamentos, está na seriedade das pessoas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 23 de Agosto e publicado na edição de 26/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 08:08
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Quinta-feira, 25 Agosto 2011
Brinquemos aos sorteios

Pote “Este era o que eu queria”:

 

Barcelona

BENFICA

BATE Borisov

Genk

 

Tenho a pecha de não ter visto o Maradona ao vivo, não queria passar pelo mesmo em relação ao Messi. Esta questão podia ficar despachada já e, com este grupo, o 2º lugar TINHA de ser nosso. Além disso, não levaríamos com o Barça nos oitavos.

 

 

Pote “O 1º lugar é possível”:

 

Arsenal

BENFICA

Basileia

Otelul Galati

 

Sem o Fabregas e o Nasri, os gunners estão mais fracos. Já lhes ganhámos este ano na Eusébio Cup. Os campeões suíços e os romenos têm que estar ao nosso alcance e 12 pontos contra eles não deveriam ser utopia.

 

 

Pote “E não querem que joguemos ao pé-coxinho para ser ainda mais difícil?”:

 

Real Madrid

BENFICA

Manchester City

Borrusia Dortmund

 

Sem comentários…

 

 

Pote “Se formos parar à Liga Europa, ao menos é com honra”:

 

Manchester United

BENFICA

Bayer Leverkusen

Nápoles

 

Perspectivas de grandes jogos e casas-cheias na Luz. Leverkusen traz-nos MUITO gratas recordações.

 

 

Agora mais a sério: estando no pote 2 somos sempre favoritos à qualificação para os oitavos-de-final, mas repito pela enésima vez que, dinheiro à parte, prefiro uma conquista da Liga Europa do que a chegada aos oitavos-de-final da Champions. O primeiro entra no palmarés, o segundo não. Isto por duas razões: por um lado, a Liga Europa do ano passado ainda me está atravessada na garganta, por outro, teremos mais hipóteses de ultrapassar os oitavos se ficarmos no 1º lugar e evitarmos os tubarões dos outros grupos.

 

Mas dado que o nosso grande objectivo é o campeonato, temos ainda mais razões para passarmos a fase de grupos da Liga do Campeões, onde teremos previsivelmente menos jogos que na Liga Europa. Espero que todos no Benfica tenham aprendido com a lição do ano passado e que este ano dispensemos Lacazettes para chegar onde quer que seja.



escrito por S.L.B. às 14:36
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Quarta-feira, 24 Agosto 2011
Brilho

O Benfica esta noite massacrou literalmente o Twente e carimbou com distinção e brilho o apuramento para a fase de grupos da Champions League. A vitória tranquila por três a um só peca, e muito, por escassa. E para explicar isto nem sequer seriam necessárias muitas palavras, bastaria apresentar os seguintes números: durante o jogo, o Benfica fez vinte e cinco remates à baliza do Twente, enquanto que os holandeses apenas conseguiram rematar por quatro vezes.

Sem surpresas, o Jorge Jesus fez o Witsel regressar ao onze, voltando o Benfica a jogar com apenas um avançado de raiz, o Cardozo. Quanto ao Twente, sinceramente, não sei se o Adriaanse já se esqueceu dos tempos em que trabalhou em Portugal, ou se é simplesmente lírico, porque a forma como o Twente se apresentou na Luz foi mesmo estar a pedir que algo assim acontecesse. Não há muitas equipas que tenham a capacidade de vir à Luz de peito feito e tentar jogar de igual para igual com o Benfica. E o jogo de hoje mostrou que o Twente, claramente, não é uma delas. Sistematicamente metiam pelo menos quatro jogadores na frente de ataque, deixando o meio campo e defesa bastante desprotegidos face a transições rápidas para o ataque. O resultado disso foi uma primeira parte massacrante do Benfica, e exasperante para os adeptos. Exasperante por vermos o tempo a passar e o Benfica a não ser capaz de aproveitar os muitos lances de ataque e ocasiões criadas, sabendo-se que bastaria ao Twente marcar um golo fortuito para se colocar em vantagem na eliminatória. Até ao intervalo o Twente conseguiu fazer apenas um remate contra quinze do Benfica, o que diz muito sobre o sentido do jogo. Faltou-nos apenas mais calma e alguma pontaria para traduzirmos esta avalanche ofensiva em golos.

Calma é o que nunca parece faltar ao Axel Witsel, e foi ele quem, logo no reinício do jogo, se encarregou de dar mais descanso aos adeptos e começar a colocar a eliminatória completamente fora do alcance do Twente. Logo na primeira jogada o Cardozo sofre uma falta sobre a direita do meio campo, o Gaitán marcou o livre para a área, o Luisão tocou de cabeça e depois surgiu o Witsel, de costas para a baliza, e rematar quase em bicicleta para o golo. Nada mudou com o golo, o Benfica continuou muito por cima no jogo, voltou a falhar (Cardozo, depois de um bom trabalho individual), mas antes de fechar o primeiro quarto de hora conseguimos mesmo dissipar quaisquer ténues dúvidas que ainda restassem sobre o desfecho da eliminatória. O Luisão, que tinha sido homenageado antes do jogo, retribuiu a homenagem surgindo ao primeiro poste para desviar de cabeça para o golo um canto da esquerda do Aimar. A partir daqui o Benfica limitou-se a deixar o jogo correr a seu favor, mantendo-se sólido a defender - apesar do Twente ter posse de bola, não conseguia sequer rematar - e depois aproveitando o muito espaço concedido pelos holandeses para criar perigo em transições rápidas de cada vez que recuperava a bola. Chegou assim ao terceiro golo, numa jogada bonita que começou numa recuperação de bola do Emerson, e continuou com diversos passes até o Cardozo isolar o Witsel, que depois correu quase meio campo sozinho para finalizar com um remate cruzado à saída do guarda-redes. A seguir a este terceiro golo o Benfica talvez tenha relaxado um pouco, e o Twente até conseguiu criar uma grande oportunidade de golo, com o Artur a fazer uma defesa impossível a um cabeceamento do Bryan Ruiz. Defendeu, literalmente, um golo. Já não conseguiu voltar a fazer o mesmo a cinco minutos do final, quando o mesmo Bryan Ruiz de cabeça - e tal como na primeira mão, após cruzamento do Ola John - fez um golo que o Twente não mereceu. Coincidência ou não, o golo aconteceu numa ocasião em que o Luisão estava ausente do centro da defesa, porque tinha ido fazer uma dobra à direita. Mas este golo não colocou em causa a justeza da nossa vitória.

O Witsel marcou dois golos e se calhar é o homem do jogo, mas quem me maravilhou foi mesmo o inigualável Pablo Aimar. É verdadeiramente um orgulho e um privilégio vê-lo jogar no nosso clube. Fez um jogo absolutamente fantástico, sendo o pivot de quase todos os nossos lances de ataque. Pareceu também estar numa forma física muito boa, tendo jogado os noventa minutos, o que nem é muito habitual. Claro que o Witsel é também um dos grandes destaques. É talvez o melhor reforço do Benfica esta época, não menosprezando os outros. Tacticamente é excelente, em qualquer função que lhe entreguem no meio campo. É bom na recuperação de bola e na construção de jogo. Mas o que mais me impressiona mesmo é a calma que revela em todos os momentos de jogo. A bola definitivamente não queima nos seus pés, e é quase impossível desarmá-lo, sendo frequente vê-lo sair a jogar ou entregar a bola jogável a um colega mesmo quando está rodeado de adversários. Grande jogo do Luisão, bem também o Cardozo numa missão de esforço, apesar de não ter estado feliz a finalizar, e talvez tenha sido o melhor jogo que vi o Emerson fazer desde que chegou ao Benfica.

Só para colocar as coisas em perspectiva: o Twente, vencedor da Supertaça da Holanda e líder do campeonato só com vitórias, foi simplesmente vulgarizado esta noite pelo Benfica. Escrevo isto porque sei que alguns, perante o que o Benfica conseguiu, vão agora tentar da forma do costume - desvalorizar o adversário - tirar valor ao que foi feito. O Twente não é uma equipa fraca. Foi o Benfica que o fez fraco.



escrito por D`Arcy às 23:34
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Domingo, 21 Agosto 2011
Sofrido

Por culpa exclusivamente nossa, sofremos mais do que seria previsível para levarmos de vencida o Feirense. E as culpas distribuem-se entre o desperdício no ataque - em particular na primeira parte - e a insegurança na defesa a partir do momento em que consentimos o golo do empate.

O Jorge Jesus neste momento parece uma espécie de viciado, incapaz de largar o hábito a que está agarrado. Quando pensamos que já temos provas suficientes sobre qual é o sistema táctico que melhor parece adaptar-se às características do plantel, e que o treinador também já estará convencido, de repente distraímo-nos um pouco e quando damos por isso lá está ele outra vez agarrado aos velhos hábitos e a lançar o 4-1-3-2 para dentro do campo, relegando o Witsel para o banco. Foi o que aconteceu hoje, com o Benfica a apresentar um onze cuja maior novidade foi a presença do Capdevilla na esquerda da defesa. Mesmo sem grande brilho, o Benfica dominou completamente uma primeira parte de sentido único, durante a qual o Artur foi um mero espectador. Já depois de uma primeira grande oportunidade de golo desperdiçada, pelo Saviola, o golo chegou relativamente cedo, um pouco antes de atingido o primeiro quarto de hora, e pelo suspeito do costume: Nolito. Depois de um lançamento lateral do Maxi, o Cardozo na zona do primeiro poste tocou de cabeça para trás e o espanhol apareceu solto de marcação para fazer o seu quinto golo em cinco jogos. Daqui para a frente, a descrição da primeira parte quase que se resume às oportunidades falhadas pelo Benfica. Ou por falta de pontaria, ou por inspiração do guarda-redes Paulo Lopes, fomos incapazes de dar maior expressão ao resultado, e vimos o Aimar, o Nolito ou o Gaitán (acertou no poste) desperdiçar boas ocasiões, pelo que a vantagem mínima do Benfica com que se chegou ao intervalo era justa, mas escassa.

A segunda parte iniciou-se sob o mesma tendência do desperdício: depois de um canto do Aimar, o Luisão apareceu completamente sozinho junto da pequena área a cabecear (nem precisou de saltar) mas conseguiu o mais difícil, não acertando na baliza. Aos oito minuto, o Feirense teve uma rara subida ao ataque, beneficiou de um canto (tavez o primeiro do jogo) e, como não podia deixar de ser, marcou. O Benfica atá teve uma reacção positiva ao golo durante alguns minutos, voltou a criar perigo (teve um fora-de-jogo muito mal tirado ao Saviola, que o deixaria isolado), mas findo o primeiro quarto de hora o jogo ficou completamente aberto, atravessando-se um período em que o próprio Feirense parecia poder aspirar a vencer o jogo. Viu-se aquilo que costuma acontecer muitas vezes quando jogamos com esta táctica, ou seja, assim que a condição física começou a falhar um pouco a equipa ficou praticamente partida ao meio, com metade a defender, outra metade a atacar, e um vazio no meio, que ia sendo preenchido com esforço pelo Aimar. Após quinze minutos nesta indefinição, o Maxi decidiu ir por ali fora, ganhou a linha de fundo, entrou na área e centrou rasteiro para o Cardozo, em esforço, tocar para o golo. O mais difícil estava conseguido, mas o descanso só apareceu já em período de descontos com um grande golo do Bruno César, que tirou vários adversários do caminho, entrou na área pela esquerda, e com um remate cruzado fez um grande golo.

Num jogo em que não me pareceu haver grandes motivos de destaque, os melhores do Benfica acabaram por ser, para mim, o Nolito, pelo golo marcado e por estar envolvdo na maioria dos lances de ataque mais perigosos, e o Aimar, cujos esforços para fazer a ligação entre os sectores da equipa chegam a cansar so de ver. O Witsel teve uma boa entrada em jogo e ajudou a trazer mais alguma organização ao nosso meio campo.

Saí da Luz satisfeito com o resultado, mas não muito contente com a exibição. O Benfica não deveria ter que sofrer tanto para levar de vencida o Feirense. Houve, mais uma vez, desperdício no ataque, mas mais preocupante foi o muito espaço que a nossa defesa deu a partir do momento em que sofremos o golo. Além disso isto foi um jogo que, pela forma como correu, me pareceu ter obrigado os nossos jogadores a um esforço mais intenso do que seria desejável antes do playoff da Champions. Esperemos que não haja consequências disto na quarta-feira.



escrito por D`Arcy às 04:30
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Parabéns, miúdo, foste enorme.

 

Nélson Oliveira



escrito por Pedro F. Ferreira às 04:29
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Sábado, 20 Agosto 2011
Resposta a um excelente post no BnRb

 

Pergunta-se no BnRb (de onde foi olegariada esta imagem) até quando?

 

Até que os benfiquistas se deixem de paneleirices do género "temos é de olhar para nós", "não falemos dos outros", "temos de ser superiores a estas coisas". Até que tenhamos memória superior a 7 meses (será que conseguem?) e no final do campeonato não se esqueçam de que estas merdas roubam campeonatos.

 

Além disso, há tijolos e pedras da calçada que costumam argumentar bem (que o diga o Ricardo Bexiga), mas nós não iremos por esse caminho.

 

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(final do post alterado, para que as mentes mais sensíveis não vomitem escandalizadas)



escrito por Anátema Device às 12:00
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Sexta-feira, 19 Agosto 2011
Quem é o Árbitro Rui Silva? De onde veio e para onde vai?

Árbitro que esteve suspenso 20 meses no âmbito do "Apito Dourado" vai apitar FC Porto - Gil Vicente

 

 

 

 

Continue a ler aqui: Planeta Benfica.

 

 

 

E depois continuem a dizer que sobre este tipo de merdas não se deve escrever...



escrito por Anátema Device às 13:32
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De cócoras

Numa das escutas telefónicas que imortalizam a prestação do sr. Costa como dirigente desportivo, ouve-se o dito defender que Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, fica bem de cócoras.

 

De facto, os ‘vitores pereiras’ que andam há trinta anos pelo futebol português têm-se habituado a ter perante o sr. Costa essa atitude de fiel subserviência de quem abana o rabo na expectativa do osso. Só assim se percebe a nomeação de Olegário Benquerença para apitar o jogo do clube do sr. Costa frente ao Vitória de Guimarães. Já na época passada, este mesmo Olegário decidiu contribuir para a farsa de campeonato a que assistimos, ao ir àquele mesmo estádio prejudicar despudoradamente o nosso Benfica. Agora, foi lá prejudicar os da casa. Nos dois casos há uma constante: de cócoras, foi beneficiado o clube do sr. Costa. Para os mais saudosistas, dá para reviver os tempos de António Garrido, José Pratas, Martins dos Santos, Carlos Calheiros, José Guímaro, António Costa, Isidoro Rodrigues, Donato Ramos, Fortunato Azevedo e tantos outros ‘Coroados’ da vida.

 

No final, e afinal, está tudo como sempre esteve. E, de cócoras, a comunicação social subverte o primeiro dos seus propósitos, ou seja, silencia-se. Fá-lo de forma cobarde, conivente e hipócrita. No final da primeira jornada, todos – e bem – escreveram como o Benfica perdeu pontos por culpas e responsabilidades próprias; mas todos se esqueceram de referir que o clube do sr. Costa ganhou pontos à custa de ajudas alheias. E, assim, de cócoras e branqueando a voz do dono, ainda nos querem convencer de que as palavras de Falcao a pedir que o deixem sair é apenas uma brilhante estratégia urdida por quem nunca falha, nunca, nem quando o treinador lhe foge na véspera do começo da época…

 

Nesta imensa farsa, os únicos que nunca falham são os que, solícitos, ficam de cócoras perante o sr. Costa. Esses, realmente, há trinta anos que não lhe falham.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Agosto e publicado na edição de 19/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



escrito por Pedro F. Ferreira às 09:09
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Quinta-feira, 18 Agosto 2011
22,5 = 40 = 45

 

o sr. Costa, exímio negociador, exímio estratega, exímio conselheiro matrimonial e exímio frequentador de lupanares, garantia que o Falcao só sairia por 45 milhões. Garantia e repetia a garantia.

 

o dito Falcao é envolvido num negócio de 45 milhões, 40 milhões pelo colombiano e 5 milhões pela Micaela. Ou seja, Falcao saiu por 22,5 milhões

 

a comunicação social que insulta o presidente do Benfica quando permite a saída de jogadores abaixo da cláusula de rescisão é a mesma que louva o excelente negócio feito pelo sr. Costa.

 

os lorpas comem a limpeza da imagem, comem o sabão com que a comunicação social limpa a imagem ao sr. Costa e ainda fazem bolhinhas com a boca. Continuem…

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atendendo à salgalhada que vai na caixa de comentários, adenda:

 

- Há pouco mais de uma semana, o sr. Costa repetiu "Ninguém sairá abaixo da cláusula".

 

- O Atlético de Madrid pagou por Falcao e Micaela 45 milhões. Pelos dois. As contas foram distribuídas em 40 + 5. Vai dar ao mesmo que 22,5 + 22,5 ou 30 + 15 ou 35 + 10... é indiferente. Nos cofres do fcp entram, por esses dois jogadores, 45 milhões. 45 milhões era a cláusula de um deles. A do outro era de 30 milhões. Objectivamente, o Atlético levou, por 45 milhões, dois futebolistas cujas cláusulas de rescisão somavam 75 milhões.

 

- Garantidamente, se esse negócio fosse feito pelo SLB teríamos a notícia dada como um fracasso negocial, pois tinham os dois saído por valores abaixo das cláusulas, com uma diferença de 30 milhões, depois do sr. Costa ter garantido que ninguém sairia abaixo da cláusula. Sempre que isso aconteceu no Benfica, gerou-se o Carnaval de que todos nos lembramos...

 

- Repito, se fosse um negócio do Benfica, sujar-se-ia a imagem do negócio e haveria muitos a emprenharem pelos ouvidos. Como foi do fcp, limpou-se o negócio e continuam os mesmos a emprenhar pelos ouvidos.

 

- Em momento algum digo que o negócio foi bom ou mau. O que questiono no post é  a forma como o negócio é apresentado. De forma muito bondosa, demasiado bondosa. No entanto, a julgar pela quantidade de sabão engolido, vejo que também foi muito eficaz.



escrito por Pedro F. Ferreira às 22:06
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Quarta-feira, 17 Agosto 2011
A luta que nos espera

 

 

"Benfica vende jogos por €40 milhões e ataca Sport TV" fonte: Expresso

 

Se isto se concretizar, poderá abrir-se uma grande oportunidade de expurgar do futebol português grande parte da podridão que o tem atacado nestas últimas três décadas. Poderá isto ser a grande oportunidade de termos o Benfica a competir acima deste limbo terceiro-mundista em que nos encontramos enleados.

 

Até à efectivação deste negócio, o Benfica será atacado como nunca foi na sua história. Tentar-se-á envenenar a opinião pública contra o Clube, colocar-se-á, de forma ainda mais cobarde do que a habitual, em causa a credibilidade e o bom nome de quem estiver prestes a assinar o contrato.

 

Far-se-á tudo, mas mesmo tudo, para evitar que isto aconteça e que se acabe com uma das piores e mais poderosas faces de uma farsa com trinta anos de existência. A única forma de resistir aos ataques que sofreremos é sermos unidos, não emprenharmos pelos ouvidos, não credibilizarmos as palavras que os inimigos (é o termo) colocarão estrategicamente na comunicação social. É essencial que não façamos eco dessas palavras. É essencial que não sejamos nós, os próprios adeptos, a fazer o jogo do inimigo. O assunto é sério, muito mais sério do que parece.

 

Escolhida a trincheira, não há lugar a deserções.

 

 

_____

a foto é de Rui Bento



escrito por Pedro F. Ferreira às 20:30
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Positivo

O Benfica regressa da Holanda com um resultado positivo, após um jogo muito movimentado e agradável de seguir. No final fico com um sentimento misto de frustração e alívio. Frustração porque me pareceu que poderíamos ter praticamente sentenciado a eliminatória neste jogo, e porque acabámos por consentir o empate num lance irregular, mas alívio também porque as coisas poderiam ter corrido de forma completamente oposta, não fosse a noite inspirada do nosso guarda-redes a evitar um possível resultado negativo.

Benfica de regresso ao 4-3-3 (ou 4-5-1, é conforme preferirem), com o Cardozo na frente, regressos do Maxi e do Luisão na defesa, e entrada do Witsel para o meio campo no lugar de um dos avançados. Logo a abrir, oportunidade soberana para marcarmos, num lance em que o Gaitán misturou talento e sorte em doses iguais e viu-se na cara do guarda-redes, mas permitiu-lhe a defesa. Quase imediatamente a seguir, ficámos em desvantagem, pois o Twente marcou num lance em que o De Jong recuou para fugir à marcação dos centrais, recebeu um passe longo, e rematou cruzado de fora da área. Estar a perder após seis minutos é um cenário bastante desfavorável, mas o Benfica manteve a organização e a calma. O Twente também não complicou muito as coisas, já que eles próprios quase que pareceram surpreendidos com esta vantagem obtida tão cedo, e procuraram fazer posse de bola à saída ou mesmo dentro do seu meio campo, sem arriscarem ou pressionarem muito. Isto resultou no período mais morno de todo o jogo, que foi subitamente interrompido aos vinte minutos, quando o incansável Aimar conseguiu roubar uma dessas bolas que o Twente procurava manter no meio campo, e colocou-a nos pés do Cardozo para o contra-ataque. O paraguaio foi por ali fora sem oposição, olhou para a baliza, e ainda de muito longe nem sequer chutou com a força que lhe é habitual: colocou simplesmente a bola de forma perfeita fora do alcance do guarda-redes, empatando o jogo.

O jogo animou claramente após este golo, e a resposta do Twente foi imediata, com o Artur a fazer a primeira das suas grandes defesas para negar o golo aos holandeses logo na jogada a seguir ao nosso golo. Com o Twente a arriscar mais no ataque, começaram a ver-se mais espaços de um e de outro lado, e consequentes jogadas a ameaçar perigo para qualquer uma das balizas. Mas jogada mesmo foi a que o Benfica fez para chegar ao segundo golo, quinze minutos após ter feito o empate. Tudo começou num lançamento lateral do Maxi, com a bola depois a passar quase sempre ao primeiro toque pelo Gaitán, Witsel, Cardozo, Gaitán e Witsel outra vez, e finalmente um passe de morte do belga para o inevitável Nolito rematar para uma baliza aberta e marcar o seu quarto golo em quatro jogos oficiais pelo Benfica. Se toda a jogada é fantástica, o pormenor do Witsel, com tudo para rematar à baliza e rodeado de defesas, ter tido a visão e a calma para fazer aquele passe para o Nolito é revelador da qualidade deste jogador. O mais difícil estava feito, mas não foi sem dificuldades que o Benfica conseguiu manter a vantagem até ao intervalo, pois o Artur foi obrigado a mais duas grandes defesas já muito perto do apito, primeiro a um livre do Ruiz, e depois a um remate de primeira do Landzaat que levava selo de golo.

Na segunda parte o Twente resolveu arriscar tudo, colocando logo mais um avançado em campo. O Benfica fechou linhas e encostou-se mais atrás, procurando eventualmente explorar todo o espaço que os holandeses deixavam para o contra-ataque, mas com isto foi sujeito a uma pressão constante, com várias bolas despejadas para a área ou as suas imediações, e algumas delas resultarem em lances de perigo. O primeiro deles até resultou da única falha do Artur no jogo, ao atacar mal uma bola, o que resultou numa confusão dentro da área que felizmente acabou por não dar em golo. O período mais 'louco' do jogo foram os últimos vinte e cinco minutos, depois da troca do Aimar pelo Saviola (a saída do Aimar já se adivinhava, mas esperaria a entrada de outro médio, e não de um segundo avançado). O Saviola não entrou bem, e nunca conseguiu pressionar e incomodar os adversários da mesma forma que o Aimar o estava a fazer. Com os holandeses a darem o tudo por tudo, o Artur foi obrigado a pelo menos mais três defesas de grande dificuldade, mas do lado oposto os espaços eram cada vez maiores, e em mais de uma ocasião o Benfica viu-se em situações de igualdade ou mesmo vantagem numérica perante os defesas do Twente, não tendo sabido aproveitá-las. Foi pena que a dez minutos do final, numa fase em que o Twente já parecia estar a perder o fôlego, tenhamos sofrido o golo do empate. O lance começa numa asneira do Maxi, que se deixou antecipar e perdeu uma bola que devia ser sua, e terminou com um cabeceamento do Ruiz para o golo. Há falta evidente do Ruiz quando salta à bola, empurrando e apoiando-se sobre as costas do Emerson, mas mais uma vez o árbitro de baliza aproveitou para mostrar que não serve para absolutamente nada. O empate pareceu satisfazer o Twente, que quase não pressionou mais até ao apito final, tendo cabido ao Benfica a maior oportunidade para desfazer o empate, com o Nolito, isolado após tabela com o Saviola, a não conseguir bater o guarda-redes Mihaylov.

Melhor jogador do Benfica claramente o Artur. Contei-lhe pelo menos meia dúzia de grandes defesas, a evitarem golos do Twente, e não teve qualquer hipótese nos golos sofridos. Bem o Witsel, o Aimar (pode não aguentar os noventa minutos a correr daquela maneira, mas quando sai do campo já deu tudo o que aquele corpo franzino tem para dar), Nolito e Javi. Hoje não gostei muito do Maxi. Pareceu-me algo lento, e revelou sempre muitas dificuldades a partir do momento em que o número 24 (Ola John) entrou e se foi colar ao lado esquerdo. No lance do segundo golo ele não deveria ter perdido aquela bola a meio campo.

Partimos em vantagem para a segunda mão, e sinto-me confiante que, somando essa vantagem ao factor casa, conseguiremos daqui a uma semana confirmar o apuramento para a fase de grupos da Champions. O Twente mostrou alguma qualidade no ataque, mas certamente não é uma equipa fora-de-série, estando perfeitamente ao nosso alcance. Basta que mantenhamos a concentração e soltemos o talento dos jogadores que temos.



escrito por D`Arcy às 02:20
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Segunda-feira, 15 Agosto 2011
Análise ao Twente (por Sérgio Berenguer)

 

Sérgio Berenguer, comentador da Benfica TV, partilha com os leitores da Tertúlia Benfiquista a sua análise ao próximo adversário do Sport Lisboa e Benfica:

 

_____

 

 

 

«Não sendo o mais importante adversário do Sport Lisboa e Benfica, a verdade é que ultrapassar o F.C.Twente no “Play-off” de acesso à fase de grupos da Champions League assume grande importância (económica, sim, mas sobretudo moral e mobilizadora) para o que será o Benfica na temporada 2011/12 que agora se inicia.

 

Campeão em 2009/2010, sob a batuta do inglês Steve McClaren somando 86 pontos (mais um que o Ajax, mais 8 que o PSV e mais 23 que o Feyernoord) e Vice-Campeão em 2010/2011 (perdeu o jogo e o título para o Ajax na última jornada da competição) sob o comando técnico de Michel Preud´Homme, o F.C. Twente é um digno representante do futebol tecnicista e de ataque do país das tulipas.

 

Agora comandado por Co Adriaanse (que curiosamente perdeu com o Glorioso em casa e fora no ano em que treinou em Portugal), o Twente apresentou recentemente para esta época um modesto orçamento de 45,5 milhões de euros, sendo que entre saídas (fez uma única transferência relevante por 3 milhões de euros de Theo Janssen para o Ajax) e entradas (de baixo custo como o lateral direito Cornelisse, proveniente do FC Utrecht, e o médio Willem Janssen oriundo do Roda), pouco se alterou a estrutura do plantel para esta nova época, que se iniciou com “saborosa” vitória na Supertaça sobre o Ajax (2-1) com quem discute actualmente o domínio da Liga Holandesa.

 

Se é verdade que a laranja mecânica, e tudo o que se lhe seguiu com origem nela, foram esquemas revolucionários, a verdade é que o futebol holandês não está mais na linha da frente quanto á revolução táctica, mantendo contudo no seu ADN a filosofia ofensiva como principal característica. Ainda que seja equipa (independentemente da era McClaren, Preud’Homme ou Adriaanse) que mantenha por principio a colocação rápida da bola nos flancos, dando largura ao campo, circulando jogo, partilhando do tradicional sistema táctico holandês do 4x3x3, este Twente é, ainda assim, por norma, o mais conservador dos clubes que dominam a Liga Holandesa.

 

 

 

Na baliza, apenas alguma indisponibilidade física impedirá Mihailov de ser titular, o que colocaria na baliza do Twente o veterano (40 anos) Boschker (como ocorreu na 1ª jornada da Liga Holandesa 2011/2012). O quarteto defensivo manterá, tudo indica, intacta a dupla de centrais formada pelo brasileiro Douglas (muito forte no jogo aéreo, muito sereno e com bom domínio de bola) e Peter Wisgerhof (na ausência/indisponibilidade de algum deles o provável substituto será o sueco Rasmus Bengtsson), com Cornelisse (ex- FC Utrecht) como provável lateral direito (o venezuelano Rosales pode ser outra opção, ele que pode jogar nesta posição ou mais adiantado como ala) e Tiendalli como lateral esquerdo (a alternmativa pode ser o belga Buysse).

 

No meio campo, e tal como na época transacta, o Twente parece surgir em 2011/12 a apostar muitas vezes num duplo-pivot formado por Brama, mais defensivo, ele que fora acompanhado em 2010/11 por Theo Janssen e cuja responsabilidade das transições parece ser agora, em 2011/12, assumida por Willem Janssen. Este duplo-pivot liberta para o apoio ao gigante austríaco Marc Janko, as duas principais figuras da equipa: De Jong e Brian Ruiz.

 

Sobre Luuk de Jong sabe-se (conforme descrito no trabalho “Os 20 negócios de jogadores que recomendamos em 2011” pelo FUTEBOL FINANCE) tratar-se de um “avançado centro de origem, também capaz de actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, viveu a sua época de afirmação na Eredivisie, ao juntar 12 assistências a 12 golos em 32 jogos. Muito inteligente a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, e extremamente oportuno em zona de finalização, sabe tirar partido do seu bom remate com os pés - o direito é o que melhor define - e do seu poderoso jogo aéreo. Muito trabalhador e com grande sentido colectivo, revela muito bons apontamentos no passe, de costas ou de frente para a baliza, e, apesar da sua elevada estatura, é rápido, móvel e capaz de produzir desequilíbrios no um para um”. Os noventa minutos jogados por De Jong na final da Supertaça frente ao Ajax (30-07-2011) serviram para confirmar todas estas características.

 

Quanto a Brian Ruiz, o conhecido mestre do “tico-tico” da Costa-Rica  - que foi falado como potencial reforço do Sport Lisboa e Benfica e vê agora o seu nome associado ao Totenham)  –  é claramente jogador para outros voos (entenda-se: clube de maior dimensão e aspiração no futebol internacional).  

 

Em Maio de 2010, Luís Feitas Lobo descrevia este jogador não como “um ala, longe disso, nem será verdadeiramente só um avançado. É um vagabundo da ligação entre meio-campo e ataque que, movendo-se a toda a largura dos últimos 30 metros, sabe ler os espaços na hora certa para passar ou surgir a rematar”. Para melhor o descrever, dele disse: “A sua forma de jogar, elegante, toque de bola perfeito, cabeça levantada e serenidade a cada passe ou remate, contrastam com a clássica imagem guerreira do jogador da América latina (…). Quase uma ironia de classe no futebol da Costa Rica. Chegou à Europa (…) quando o Gent da Bélgica o descobriu no Aljulense, na pátria dos tico-tico, o nome que tornou célebre a selecção costa-riquense. (…) Parecendo quase deslizar pelos relvados, abalou as estruturas do futebol das tulipas” no ano em que o uruguaio Luis Suarez (hoje no Liverpool) mesmo marcando 35 golos não fez do Ajax campeão, o qual caiu aos pés do Twente de Mclaren, do duplo-pivot Brama-Janssen, do extremo esquerdo Stoch e do vagabundo… Ruiz.

 

Para as posições normalmente desempenhadas por Ruiz e De Jong – e quando estes perdem alguma capacidade física - Co Adriaanse tem chamado (com menor eficácia e intensidade) o holandês Ola John e/ou o alemão Thilo Leugers.

 

Finalmente, no flanco esquerdo do meio campo / ataque do Twente, o holandês de 20 anos Steven Berghuis foi titular no jogo da Supertaça e na 1ª jormada frente ao NAC pelo que parte como principal candidato ao lugar, o qual pode ser igualmente desempenhado quer pelo sueco Bajrami (muito rápido, sobre a esquerda, finta menos mas extremamente objectivo a procurar a área) ou o belga (de origem marroquina) Chadli, que é normalmente jogador que arranca com muita mobilidade desde a esquerda e surge por dentro, em diagonais com sentido único: a baliza adversária.

 

Como sérios avisos ao Benfica, deverão constar a vitória do Twente na fase de Grupos da Champions League no ano passado em Bremen (0-2) e os resultados suados do todo poderoso Inter Milão (1-0 em Milão e 2-2 na Holanda) que lhe garantiram o 3º lugar no grupo atras de Inter e Tottenham, de onde transitou para a Liga Europa. Nessa competição em que o Benfica atingiu as meias-finais, o Twente eliminou o Rubin Kazin (2-0 e 2-2) nos 1/16 Final, depois o Zenit (3-0 e 0-2) nos 1/8 Final, caindo aos pés do Vilarreal nos 1/4 Final com duas derrotas (1-3 em casa e 5-1 em Espanha). É uma equipa que, tal como Benfica, normalmente marca pelo que todos os cuidados defensivos serão poucos... fora e em casa, onde tudo certamente se decidirá.

 

Certo, certo é que se tratará de duelo difícil entre duas equipas cujo ADN as obriga a fazer do ataque a sua melhor defesa.»

 

texto de Sérgio Berenguer



escrito por Pedro F. Ferreira às 12:27
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a fotografia do topo é de Isabel Cutileiro
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