VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 03.05.15

Passeio

Previa-se uma deslocação complicada do Benfica até Barcelos, por tudo aquilo que antecedeu o jogo, com a tentativa bacoca de pressão por parte de um cada vez mais desesperado Lopecoiso, que contou com a ajuda de uma sempre solícita comunicação social. E também porque, apesar da má classificação do Gil Vicente, aquele não é um campo do qual tenhamos muito boas recordações nas deslocações mais recentes. A somar a isto, algumas exibições menos convincentes que o Benfica fez fora de casa esta época, sobretudo em deslocações ao Norte do país. Mas no final o jogo acabou por ser quase um passeio triunfal perante o habitual mar vermelho que empurra a nossa equipa para as vitórias.

 

 

O factor surpresa na nossa equipa foi, para mim, agradável. Em vez de jogar o Talisca numa das alas, o que se ia adivinhando perante a indisponibilidade do Salvio e a não convocação do Ola John, surgiu o Sulejmani a titular. E a aposta deu resultado, porque o sérvio assinou uma exibição positiva à qual só terá mesmo faltado um golo. Num relvado que me pareceu estar claramente demasiado alto para aquilo que é habitual, o Benfica entrou no jogo decidido a resolver o assunto cedo, como tem feito em grande parte dos jogos esta época. E desde o início que deu para perceber que seria muito improvável que as coisas corressem mal para o nosso lado, porque o Gil Vicente parecia incapaz de controlar a dinâmica ofensiva do nosso jogo e as constante deambulações do Jonas ou do Gaitán. Pela direita o Maxi também raramente tinha oposição digna desse nome, aproveitando da melhor maneira os espaços que os movimentos do Sulejmani da ala para o centro lhe proporcionavam. E no centro do terreno o Samaris e o Pizzi impuseram-se facilmente. O Benfica demorou quinze minutos até abrir o marcador, numa jogada bonita em que o Capela desmarcou o Capela, e este em frente ao guarda-redes não foi nada egoísta e fez um passe para o lado e ligeiramente atrasado que permitiu uma finalização fácil ao Capela (com o Capela também já a aparecer para finalizar). Pronto, na verdade foi o Lima a desmarcar o Sulejmani -às vezes dá jeito ter um extremo a jogar a extremo - e o passe deste permitiu o golo ao Maxi com o Jonas também em boa posição para finalizar. Mas quem tivesse ouvido o Flopecoiso esta semana provavelmente pensaria que o Gil Vicente iria defrontar onze Capelas hoje. Sete minutos depois, e com uma defesa apertada do Júlio César pelo meio a negar a melhor ocasião de golo que o Gil Vicente teve no jogo, surgiu o segundo golo. Uma jogada toda ela do Gaitán, que subiu pela esquerda, ganhou posição ao lateral e sobre a linha de fundo fez o cruzamento atrasado para uma finalização de classe e de primeira do inevitável Jonas. Percebeu-se aí que o jogo já estava resolvido. O Benfica ainda abrandou um pouco e o Gil Vicente teve mais um lance de algum perigo, numa confusão que se seguiu a um livre perigoso, mas o jogo esteve quase sempre controlado. Pena foi que antes do intervalo tenhamos ficado privados do contributo do Gaitán, que estava a ser um dos melhores, tendo entrado o Fejsa para o seu lugar (o Pizzi deslocou-se para a direita, passando o Sulejmani para a esquerda). Esperemos que a lesão não seja grave e possamos contar com ele para estes últimos jogos.

 

Se havia algum receio de um eventual adormecimento do Benfica na segunda parte, depressa se dissipou. Logo na saída de bola o Benfica foi directo para o ataque e conquistou um canto, e na marcação do mesmo o Pizzi colocou a bola para a entrada de cabeça do Luisão. Três a zero, com trinta e quatro segundos decorridos na segunda parte. E um minuto depois quase chegou o quarto, pois o Sulejmani isolou-se pela esquerda e permitiu a defesa ao guarda-redes quando até poderia ter optado pelo passe para o Lima, que estava bem colocado no centro. Antes de se completar o primeiro quarto de hora já a vantagem tinha voltado a aumentar, num golo quase todo fabricado pelo Jonas, que fugiu pela direita e centrou a bola para que o Lima cabeceasse à boca da baliza. O Gil Vicente, apesar da goleada, nunca baixou os braços e pareceu arriscar ainda mais no ataque, o que o deixava completamente exposto aos nossos contra-ataques. É verdade que ainda conseguiu ter uma grande oportunidade de golo, num cabeceamento que passou muito perto do poste e que eu até pensei que tinha sido mesmo golo, mas nesta fase a questão principal era apenas saber quantos golos mais conseguiria marcar o Benfica. A estratégia do Gil Vicente era de risco total (não me parece que fosse de todo possível darem a volta a um resultado tão desnivelado, mas às vezes prémios tentadores fazem as pessoas perder a cabeça) e de cada vez que recuperávamos a bola o Lima ou o Jonas tinham dezenas de metros de terreno livre à sua frente para sair para o contra-ataque, e quando se dá tanto espaço a jogadores destes o resultado é previsível. Surpresa para mim foi termos marcado apenas mais um golo, numa recarga do Maxi a um remate do Lima depois de mais uma bonita jogada de entendimento entre a nossa dupla de avançados. Ainda deu para me irritar com um fora de jogo mal tirado ao Jonas, que o deixaria completamente isolado e que poderia dar-lhe mais um golo na luta pelo título de melhor marcador. E mesmo sobre o final, o Jonas perdeu mais uma boa ocasião para somar mais um à conta pessoal, ao chegar ligeiramente atrasado a um centro do Lima. Contas feitas no final, uma goleada das antigas que até poderia ter sido mais volumosa.

 

Um resultado destes permite destacar praticamente toda a equipa. Mas acabo sempre por, invariavelmente, falar no Jonas. Não tenho mais elogios para fazer-lhe. A importância que ele têm na forma como a equipa ataca, o que joga e faz os colegas jogar e a qualidade que tem na finalização fazem dele, seguramente, uma das melhores contratações do Benfica nas últimas décadas, sobretudo tendo em conta que veio a custo zero. Se acabarmos por ganhar este título, ele dever-se-á, e muito, ao Jonas. Destaque natural também para o Maxi que fez um jogo soberbo. Não é todos os dias que um lateral acaba um jogo com dois golos, obtidos com finalizações na zona dos avançados, o que mostra bem a propensão ofensiva que teve e o constante apoio que deu ao ataque. O Gaitán estava a ser dos melhores enquanto esteve em campo, o Samaris e o Pizzi também fizeram um bom jogo, e por último uma menção para o Sulejmani, que regressou à titularidade passado todo este tempo e teve uma participação muito positiva.

 

Mais um pequeno passo dado rumo à revalidação do título, passo este que nos deixa a duas vitórias do objectivo, com dois jogos para disputar em casa. Está perto, muito perto, mas creio que estamos todos vacinados contra excessos de euforia e a nossa equipa saberá manter-se focada no objectivo e não perderá a concentração. Mesmo tendo em conta a mais que previsível tentativa de desestabilização que continuará a vir lá de cima enquanto as contas não estiverem fechadas. O próximo jogo pode ser em casa contra o último classificado, mas terá que ser encarado como foi este jogo contra o penúltimo: como o jogo do título.

por D`Arcy às 01:03 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Segunda-feira, 27.04.15

Nulo

Parece-me que o resultado do jogo de hoje é o reflexo exacto daquilo que se passou dentro do campo. Ninguém pode sequer querer reclamar para si uma qualquer vitória moral. Foi um jogo entre duas equipas com mais receio de perder do que desejo de ganhar, com pouquíssimas ocasiões de golo ou jogadas de grande perigo, e portanto o nulo no marcador foi a consequência lógica.

 


O maior problema para o Benfica para este jogo foi a ausência do Salvio. O nosso treinador acabou por optar por uma solução que não me agradava, que foi a chamada do Talisca para actuar sobre uma ala. No Porto, o treinador também mostrou muitas cautelas e mexeu bastante na equipa que costuma ser mais habitual. Para além da mudança na baliza, alterou o 4-3-3 para um 4-4-2 em losango, com quatro médios de raiz, o que causou um sobrepovoamento no centro do terreno. Até porque, na ausência do Salvio e com a tendência do Talisca e do Gaitán em vir para dentro, nunca tivemos verdadeiros flanqueadores neste jogo, e houve alturas em que só se via um aglomerado enorme de jogadores no centro do terreno, com a bola a andar muito pelo ar de um lado para o outro e as equipas raramente a conseguirem fazer mais de três ou quatro passes sem perderem a posse de bola. Foi, essencialmente, um jogo feio, muito disputado, com imensas faltas de parte a parte, mas sem grandes motivos de interesse. Durante a primeira parte o Porto teve mais bola, sobretudo com posse na sua zona defensiva, mas foi quase inexistente no ataque. Tal como o Benfica, aliás, que nunca conseguiu fazer as típicas saídas rápidas para o ataque quando recuperava a bola, fruto também da pressão alta que o Porto exerceu. Em toda a primeira parte contei apenas uma verdadeira ocasião de golo, e foi para o Porto, numa bola que sobrou para o Jackson após um canto e que ele rematou demasiado por alto.

 

 

O Benfica nada mexeu para a segunda parte mas o Porto fez uma alteração, que pouco alterou a estrutura táctica da equipa. O jogo, esse, continuou praticamente no mesmo registo. Feio, disputado e pouco emotivo. Achei que o Benfica conseguiu melhorar um pouco no segundo tempo: na primeira parte o Porto esteve ligeiramente melhor, e na segunda foi o Benfica. Mas as diferenças foram mesmo muito poucas entre as duas equipas. A ligeira melhoria do Benfica esteve, para mim, ligada à troca do quase inexistente Talisca pelo Fejsa. Não achei que o Fejsa tivesse feito um jogo por aí além, mas veio dar mais presença ao Benfica na zona central e permitiu a deslocação do Pizzi para a direita, enquanto que o Talisca não estava a ser carne nem peixe: nem dava grande ajuda no meio, nem conseguia dar largura ao nosso jogo na ala. À medida que o jogo caminhou para o final o Porto alterou a forma de jogar para um modelo mais próximo do que lhe é familiar, fazendo entrar o Quaresma e o Hernâni e passando finalmente a jogar com extremos, mas à parte exigir mais umas corridas ao Eliseu - que depois avançou no terreno para médio esquerdo quando o André Almeida substituiu o Pizzi - poucos resultados práticos teve. Mais uma vez as ocasiões de perigo escassearam, tendo eu contado três para o Benfica e uma para o Porto. No Benfica houve uma cabeçada do Talisca que passou muito perto do poste, com o Hélton a desviar a bola com os olhos, e um remate do Pizzi à entrada da área que deveria ter saído muito melhor, na sequência de uma das raríssimas vezes que o Benfica conseguiu construir uma boa jogada de contra-ataque. Mas o remate saiu com pouca força e o Hélton defendeu facilmente. E depois houve uma ocasião muito semelhante à do Jackson na primeira parte, com a bola a sobrar para o Fejsa, que também finalizou da mesma forma, ou seja, demasiado por alto. Pelo Porto, um cabeceamento do Jackson depois de um canto, com a bola a não passar muito longe da nossa baliza. Foi, honestamente, um dos jogos entre Benfica e Porto menos emocionantes a que eu me lembro de assistir.

 

 

É difícil fazer um destaque num jogo destes. Achei que os nossos centrais estiveram seguros (com o Jardel a mostrar novamente que cresceu imenso como jogador desde que agarrou a titularidade), tal como o Samaris, que teve um jogo de muito trabalho. Os nossos artistas Jonas e Gaitán não tiveram grande possibilidade de mostrar grande serviço (como, aliás, os jogadores mais talentosos do outro lado - hoje não foi jogo para artistas). O Eliseu teve uma primeira parte fraca mas conseguiu melhorar ao longo do jogo. Não terá sido alheio a isso o facto de ter frequentemente o Talisca a jogar à sua frente, que perdeu inúmeras bolas e foi quase sempre incapaz de dar grande ajuda a defender, perdendo quase todos os duelos individuais contra qualquer um dos laterais do Porto e não os conseguindo acompanhar quando subiam no terreno.

 

O empate deixa quase tudo na mesma (mas o Porto deixou de depender de si próprio) e a conquista do título fica bem encaminhada. Temos quatro jogos para disputar e margem de manobra para errar. Mas é imperioso manter a concentração máxima e não facilitar nem um pouco. Para mim o passo decisivo para vencermos a liga é já no próximo fim-de-semana. Não tenho duvidas de que a grande aposta do Porto neste momento será que o jogo do Benfica em Guimarães, na penúltima jornada, seja decisivo. Mas para isso será necessário que o Benfica perca pontos até lá. O próximo jogo é fora contra o Gil Vicente, penúltimo classificado, e não duvido que se não encararmos este jogo como absolutamente determinante, passaremos um mau bocado. Certamente haverá muito jogo fora das quatro linhas, como talvez incentivos extra para os nossos adversários, e fico à espera de saber as nomeações (Artur Soares Dias, Hugo Miguel ou Marco Ferreira são as minhas apostas). As próprias declarações do treinador do Porto no final deste jogo quase me soaram a ameaça velada. A maior parte do trabalho está feito, agora não podemos facilitar absolutamente nada.

por D`Arcy às 02:01 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 19.04.15

Eficácia

Boa vitória num jogo não tão bom do Benfica esta tarde no Restelo. Não houve o futebol bonito que vimos a equipa produzir nos últimos jogos em casa mas houve Jonas e mais três pontos no bolso, que nos permitem entrar em vantagem no jogo da próxima semana, que pode ser decisivo para o título.

 

 

Não será uma crónica muito pormenorizada, porque conforme já escrevi noutras ocasiões tenho alguma dificuldade em ver os jogos quase ao nível do relvado, e foi isso que me aconteceu hoje. No onze inicial do Benfica houve uma grande surpresa na ausência do Salvio. Pelos vistos terá sido por lesão, por isso espero que possa recuperar durante a semana. Jogou o Ola John no seu lugar. No lugar do suspenso Maxi esteve, como era esperado, o André Almeida. O Benfica voltou a marcar cedo: cinco minutos decorridos, ainda com muita gente à espera para entrar no estádio, e já o inevitável Jonas abria o marcador, depois de aproveitar uma bola solta que tinha sido dividida entre o Lima e o guarda-redes no seguimento de um péssimo passe do Pelé (tanto barulho fizeram para que ele e o Dálcio jogassem, agora azar). Pouco antes já um corte no limite de um defesa do Belém quase tinha dado autogolo. Se se esperava que o golo madrugador permitisse um jogo tranquilo ao Benfica, essa esperança foi vã. Em termos atacantes o Benfica pouco mais conseguiu fazer na primeira parte, e foi o Belenenses quem assumiu as despesas do jogo e pressionou na procura do empate, quase sempre tentando tirar partido de livres do Carlos Martins (e teve muitos), que num deles obrigou o Júlio César a uma defesa muito apertada. O Benfica praticamente não conseguiu sair de forma organizada para o ataque, e tentava fazê-lo mais através de iniciativas individuais, sobretudo do Gaitán, mas sem grande sucesso. Na memória ficou-me apenas uma boa combinação no ataque que libertou o Gaitán, mas o seu remate foi interceptado no limite por um defesa.

 

 

O Belenenses não conseguiu no entanto manter o ritmo na segunda parte. O Benfica teve mais bola, e mesmo sem deslumbrar pareceu ter sempre o jogo bem mais sob controlo do que durante a primeira parte. E as coisas mais facilitadas ficaram quando, ao fechar o primeiro quarto de hora, fez o segundo golo. O Gaitán fez um passe largo da esquerda para a direita onde, para não variar, o Jonas controlou com o peito e com um remate cruzado bateu o guarda-redes. Este golo pareceu ter afectado bastante o Belenenses, que deixou fugir a réstia de fôlego que ainda ia aparentando ter. Por outro lado, teve o condão de dar ainda mais confiança ao Benfica para controlar o jogo sem grandes sobressaltos. A partir daqui o Belenenses já quase não incomodava no ataque, enquanto que o Benfica ia deixando o tempo correr e continuava a jogar sem muito brilho no ataque - o Gaitán insistiu bastante em jogadas individuais que acabavam por se perder por levá-las longe demais. Deu também finalmente para fazer alguma gestão (mínima) dos amarelos, retirando de campo o Jonas e o Samaris, este já bem perto do final. E por falar em perto do final, foi já em período de descontos que o Belenenses construiu uma claríssima ocasião de golo, na qual o Júlio César correspondeu com uma enorme defesa por instinto ao remate do Dálcio. Não foram muitas as ocasiões claras de golo do Belenenses, mas quando as teve o Júlio César correspondeu bem. Já do nosso lado, houve eficácia quase total.

 

 

Já se torna repetitivo, mas não há nada a fazer. O destaque óbvio no Benfica vai para o Jonas, decisivo uma vez mais. Dois golos e uma frieza enorme na altura de atirar à baliza. Bem o Júlio César, gostei também do jogo do Jardel, que teve uma vez mais trabalho adicional a fazer dobras à esquerda, e do Samaris.

 

Para a semana a questão do título poderá ficar quase decidida. Podem dar as voltas que quiserem, mas com esta vitória a manter a vantagem de três pontos a pressão está praticamente toda do lado do adversário. Para nós, qualquer resultado que não uma derrota deixa o título quase entregue, atendendo ao calendário que resta. E mesmo uma derrota, desde que pela margem mínima, deixar-nos-ia como única equipa dependente de si própria. Tendo em conta aquilo que tem sido a nossa produção em casa esta época, temos motivos para nos sentirmos confiantes.

por D`Arcy às 02:37 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sábado, 18.04.15

Campeões

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Parabéns, rapazes. Um campeonato quase perfeito, fechado a duas jornadas do final com mais uma vitória contundente sobre a única equipa que nos conseguiu acompanhar.

 

(A crónica do jogo do Restelo segue dentro de momentos, porque há muito, muito mais Benfica para além do futebol).

por D`Arcy às 21:53 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Domingo, 12.04.15

Arrasador

Um Benfica arrasador destroçou por completo uma Académica que ainda não tinha perdido qualquer jogo desde que trocou de treinador, resolvendo o jogo muito cedo e acabando por construir uma goleada que poderia até ter sido bem mais volumosa.

 

 

A única alteração no onze deveu-se à suspensão do Eliseu. Jogou o André Almeida no seu lugar e jogou muito bem. A primeira parte do jogo foi praticamente igual à do jogo anterior, contra o Nacional, sendo quando muito ainda mais avassaladora a pressão exercida pelo Benfica desde o apito inicial. A Académica apresentou-se na Luz com uma estratégia defensiva, utilizando três centrais de início talvez com a intenção de povoar mais a zona central e controlar melhor as movimentações dos dois avançados do Benfica, mas a estratégia muito cedo saiu furada. Estavam decorridos apenas oito minutos quando, após um canto à maneira curta, o Pizzi cruzou de forma certeira para o Jardel marcar de cabeça. E três minutos depois foi o André Almeida quem fez o cruzamento na esquerda para o Jonas marcar o segundo, também de cabeça. Apesar dos três centrais da Académica, foi pelo ar que o Benfica chegou aos dois primeiros golos. E não foi isso que fez com que o ritmo abrandasse. O vendaval ofensivo com os nossos jogadores em constante movimento continuou em pleno, e aos vinte minutos chegou o terceiro golo, marcado pelo Lima num penálti a castigar falta cometida sobre ele próprio. Aí sim, pareceu que o Benfica relaxou um pouco, mas mantendo sempre um controlo total sobre o jogo. A Académica mal passava do meio campo, e tal como no jogo do Nacional chegou ao intervalo sem ter feito um único remate. O relaxamento do Benfica notava-se mais na forma como os jogadores passaram a ser um pouco menos incisivos no ataque à baliza, tentando enfeitar mais os lances ou recorrendo mais a iniciativas individuais. Ainda assim deu para criar mais algumas ocasiões de golo, podendo a Académica dar-se por feliz pelo facto do marcador não ter voltado a funcionar até ao intervalo.

 

 

Na segunda parte o Benfica voltou a entrar forte e também a marcar com oito minutos decorridos. O lance começa numa iniciativa individual do Gaitán, que vem para o meio e descobre o Jonas na esquerda. Este ainda tabelou com o André Almeida e depois limitou-se quase a passar a bola para dentro da baliza, deixando o guarda-redes sem reacção. Muito bem o André Almeida na incursão ao ataque, somando assim a segunda assistência no jogo. Não houve relaxamento do Benfica por causa do golo. Pelo contrário, apoiado pelo muito público que esteve na Luz - mais de 56.000 espectadores - o Benfica carregou ainda mais sobre o adversário e foram várias as ocasiões flagrantes de golo que acabaram por ser desperdiçadas. O Jonas em particular poderia facilmente ter chegado ao hat trick. Com o jogo mais do que resolvido e ainda com meia hora para jogar foi tempo para proteger o Samaris do amarelo que o deixaria suspenso para o próximo jogo e para vermos o regresso do Fejsa quase um ano depois. Já o Maxi, acabou mesmo por ver o amarelo, ficando assim 'limpo' para a recepção ao Porto. Apesar do jogo continuar apenas e só a dar Benfica, foi a Académica quem chegou de forma algo surpreendente ao golo. E em mais um paralelo com o jogo contra o Nacional, fê-lo no primeiro (e único) remate que fez à nossa baliza, isto quando faltavam apenas dez minutos para o final. Foi um bom trabalho do Rafael Lopes, que sobre a esquerda recebeu um cruzamento largo vindo do lado oposto, mas pareceu-me que o Maxi poderia ter feito mais para o interceptar. O golo não arrefeceu no entanto o ânimo do público, que aplaudiu a equipa e foi recompensado quatro minutos depois com um dos momentos altos da tarde. Se já tinha sido bom ver o regresso do Fejsa à equipa, melhor ainda foi ver esse regresso coroado com um golo. Depois de recuperar a bola à entrada da área, progrediu uns metros e marcou com um remate em força a não dar qualquer hipótese de defesa. Um momento muito festejado por toda a equipa e público. Até final, nota para a estreia do Jonathan Rodriguez, que no entanto mal teve oportunidade para tocar na bola, e para mais uma ocasião flagrante de golo para o Benfica, que o Lima não conseguiu concretizar.

 

 

Jonas mais uma vez e para não variar em destaque. Marcou dois golos, podia até ter marcado mais, mas para além disso todo o carrossel atacante do Benfica passa muito por ele. A forma como está em constante movimento e oferece opções de passe ou abre espaços para os colegas é muito importante para dinâmica atacante da equipa. O Gaitán não esteve tão fulgurante como no último jogo, mas voltou a deixar pormenores de classe. E é ainda mais admirável vê-lo a perseguir e a pressionar adversários logo à saída da sua área, recuperando diversas bolas na raça. O André Almeida, como é costume quando é chamado, cumpriu perfeitamente nas tarefas defensivas e ainda conseguiu ir à frente para fazer duas assistência para os golos do Jonas. Quanto ao Fejsa, parece ainda um pouco hesitante nos lances divididos mas serão muito boas notícias para o Benfica se pudermos passar a contar com ele como uma opção válida para estes últimos jogos da época.

 

Foi mais uma exibição de gala, e seria bom que na difícil deslocação ao Restelo na próxima semana pudéssemos contar com este Benfica, e não com o de Vila do Conde. Até porque se conseguirmos resolver o jogo cedo poderemos gerir melhor a delicada situação dos jogadores à beira da suspensão. O campeonato decidir-se-á nos próximos jogos, e se a equipa se apresentar a este nível então o bicampeonato será quase uma inevitabilidade.

por D`Arcy às 02:12 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 05.04.15

Recital

Mais do que um festival, o Benfica esta tarde deu um autêntico recital de futebol bonito frente ao Nacional, que derrotou sem qualquer tipo de dificuldade ou problemas, tamanha foi a superioridade exibida. Se queixas tenho, só mesmo se for porque acho que o resultado merecia ser mais dilatado, e por a equipa se ter dado mais ou menos por satisfeita ao fim de uma hora de jogo.

 

 

Onze sem qualquer surpresa, onde o Lisandro ocupou o lugar do nosso capitão, a cumprir um jogo de suspensão. Nota de maior destaque para o regresso do fantástico Gaitán à equipa, que tanta falta nos fez contra o Rio Ave. Com ele a música é mesmo outra, e passa a ser uma sinfonia. Sobre o jogo, o que dizer? Foi praticamente um passeio triunfal do Benfica na primeira parte, perante um Nacional sem capacidade nem argumentos para montar qualquer tipo de oposição digna desse nome - zero remates feitos, e poucas mais devem ter sido as vezes em que sequer se aproximaram da nossa baliza. Os madeirenses até vinham com intenção de complicar, tentando exercer uma pressão a campo inteiro em que até colocavam três jogadores a tentar pressionar a nossa saída de bola. Mas como é que se consegue marcar e anular toda a gente quando temos Gaitán, Jonas ou Salvio como autênticos diabos vermelhos à solta sobre o relvado? Sempre em movimento, com constantes trocas de posição, e depois quase imparáveis com a bola nos pés, seja em iniciativas individuais ou em trocas de bola ao primeiro toque com os colegas, é quase impossível travá-los. Quanto a nós, que temos o privilégio de ter tais artistas na equipa, é relaxar, apreciar o espectáculo, e começar a ver as oportunidades a surgir umas a seguir às outras. O Gaitán deu o primeiro aviso, a seguir foi o Jonas, de cabeça, e o sufoco continuou até dar resultados com vinte minutos decorridos. Foi mais uma vez o Jonas, que aproveitou uma iniciativa do Salvio em que este ganhou a linha de fundo e fez o passe atrasado para o remate vitorioso. O recital continuou e foi com toda a naturalidade que chegou um segundo golo dez minutos depois. Desta vez foi o argentino da esquerda a fabricar o golo: o Gaitán entrou por ali, deixou o defesa para trás, e passou a bola para a cabeça do Lima facturar já na pequena área (a bola foi colocada com tanta precisão que aquilo para mim foi um passe e não um centro). Dois golos já davam uma certa tranquilidade, mas isso não significou um abrandar da parte do Benfica, que pouco depois ficou à beira do terceiro golo em mais uma fantástica jogada colectiva que deixou o Jonas na cara do guarda-redes, mas o toque para tentar desviar a bola acabou por deixá-la nas mãos dele. Tivesse o Jonas estado um bocadinho mais inspirado na finalização e não teria saído de campo apenas com dois golos marcados, porque mesmo antes do intervalo mais uma linda jogada de equipa deixou-o com tudo para marcar, mas o cabeceamento que fez levou a bola direitinha às mãos do guarda-redes. Face a tanto e tão bonito futebol mostrado na primeira parte, os dois golos de vantagem à saída para o intervalo até sabiam a pouco. Claramente, a elaborada táctica psicológica do Nacional ao escolher o campo ao contrário (isto anda a tornar-se um hábito entre as equipas que nos visitam) não estava a resultar.

 

 

Mas o massacre continuou na reentrada para o segundo tempo. Um tiro do Eliseu deu início às hostilidades e depois, num curto espaço de tempo, o Salvio teve duas perdidas flagrantes em cabeceamentos que não acertaram no alvo (a segunda foi particularmente má) e até um autogolo esteve muito perto de acontecer, numa tentativa desesperada para evitar o que seria com toda a probabilidade um golo do Lima. Nesta altura eu ficava entusiasmado de cada vez que o Benfica tinha a bola em seu poder, porque a sensação que tinha era a de que cada ataque poderia resultar numa ocasião flagrante ou em golo. Foi uma mão cheia de oportunidades em pouco mais de dez minutos, e o óbvio acabou mesmo por acontecer: golo do Benfica. O Salvio transportou a bola pela direita até à entrada da área, passou-a para o lado e o Jonas rematou de primeira e muito colocado, levando a bola a bater ainda na trave antes de entrar e deixando o guarda-redes Gottardi pregado ao relvado. Golaço. Só depois deste terceiro golo é que os nossos jogadores terão achado que já era suficiente e que já tinham dado motivos de sobra para justificar a ida à Luz dos quase 49.000 benfiquistas que lá estiveram hoje, tendo então abrandado finalmente o ritmo e entrado num registo mais relaxado. A saída do Jonas também terá contribuído um pouco para algum menor fulgor do nosso jogos, que continuava no entanto a ser pontuado aqui e ali por algum pormenor de classe da parte do Salvio ou do Gaitán. Mas o relaxamento do Benfica acabou por resultar num golo sofrido, numa jogada que começou numa entrega de bola infantil do Eliseu ao adversário, e que acabou num remate fantástico do Tiago Rodrigues de fora da área, sem qualquer possibilidade de defesa para o Júlio César. Foi pena o golo sofrido, que assim pôs termo à bonita série de jogos consecutivos sem sofrer golos em casa. Logo a seguir o Nacional ainda fez o seu segundo remate no jogo, que passou ao lado, e até se chegaram a ouvir alguns assobios, mas o Benfica depressa se recompôs e voltou a tomar conta do jogo. Estivemos até perto de dilatar o resultado, num cabeceamento do Jardel e posterior recarga do Lisandro, mas sobretudo numa jogada em que o Salvio faz uma finta fabulosa e depois remata para defesa do Gottardi (ou se calhar a bola ainda foi ao poste, porque no estádio nem consegui perceber).

 

 

É difícil escolher um jogador para melhor em campo, porque houve vários destaques. O Gaitán mostrou claramente que tudo é diferente para muito melhor com ele em campo. O argentino encheu o campo com pormenores de classe e fez jogar toda a equipa. Sinceramente, e a exemplo de outros jogadores que passaram pelo Benfica nas últimas épocas, este campeonato já é demasiado pequeno para um jogador como ele. O Jonas destacou-se com os dois golos que marcou (e como disse, poderia ter marcado pelo menos o dobro), mas tal como o Gaitán é também muito importante por aquilo que faz a equipa jogar. Tem uns pés de veludo, com os quais faz o que quer com a bola. A forma como se movimenta em campo é de uma inteligência enorme, pelas linhas de passe que proporciona e os espaços que cria para os colegas: ele é em 2014/15 aquilo que foi para nós o Saviola em 2009/10. Hoje assistimos também ao Salvio no seu melhor, e a quem faltou apenas mais acerto na finalização. Mas ficou com duas assistências na conta pessoal. Muitos outros destaques podia fazer, mas menciono apenas mais dois: o Samaris, que é cada vez mais importante nesta equipa e mostrou que estão cada vez mais longe os dias de adaptação às novas funções, e o 'patinho feio' Jardel, que na ausência do Luisão deixou bem claro que também temos nele um líder para a defesa.

 

Foi muito importante esta demonstração de força e classe depois da enorme desilusão da última jornada. Temos ainda muito trabalho e duras batalhas pela frente no caminho para a revalidação do título. E exibições deste calibre deixam uma certeza: se jogarmos assim, nenhuma equipa em Portugal consegue fazer-nos frente.

por D`Arcy às 01:34 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Domingo, 29.03.15
Domingo, 22.03.15

Desilusão

Não estive em Lisboa este fim-de-semana e não pude ver o jogo. Chegado agora a casa e sabendo o resultado, obviamente que não vou ver a gravação. Não comento portanto o jogo ou a exibição, apenas o resultado. Para mim foi uma enorme desilusão termos falhado no teste mais difícil que tínhamos até receberemos o Porto, ainda por cima tendo praticamente começado o jogo a ganhar. Parece que para nós é melhor entrar a perder, que assim damos a volta ao resultado e trazemos os três pontos - já em Braga tinha sido assim. E tal como aconteceu em Paços, nos instantes finais do jogo acabámos mesmo por deixar fugir o empate. Menos mal que o nosso adversário não passou na Madeira e assim recuperou apenas um ponto.

por D`Arcy às 18:54 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Domingo, 15.03.15

Comunhão

Acho que podia fazer este texto todo sem mencionar sequer o adversário que defrontámos hoje. Porque o Braga praticamente não existiu. Hoje só deu Benfica, num lindo cenário do Estádio da Luz cheio, com os adeptos em total comunhão com a equipa e tentando que a onda vermelha ajude a carregá-la até ao desejado bicampeonato. Para quem teve tanta garganta sobre tentarem vencer-nos, o Braga não conseguiu mostrar absolutamente nada. Aliás, quando nos eliminaram da taça já pouco mais tinham mostrado, mas desta vez não tiveram a mesma sorte que tinham tido nesse jogo - um guarda-redes praticamente intransponível e uma eficácia total no ataque.

 

 

Jogámos com o nosso onze mais forte e habitual neste momento, e praticamente desde o apito inicial ficou dado o mote para o jogo. Entrada muito forte do Benfica instalando-se no meio campo do Braga, que se encostou à sua área e foi tentando jogar com toda a calma do mundo nas reposições de bola, de forma a prolongar o nulo e enervar o Benfica. Também tentaram logo no primeiro minuto a rábula das quezílias, com o banco todo a saltar para tentar armar confusão assim que apanharam o Eliseu ao alcance. Mais tarde foi o anão do Agra que andou a provocar o nosso treinador quando passou pelo nosso banco para aquecer, ainda na primeira parte. Mas hoje não estávamos na pedreira, e as tácticas rascas dignas de um qualquer fóculporto dos anos noventa não deram em nada. Pareceu-me, aliás, que dentro do campo os jogadores do Braga até pareceram intimidados pelo ambiente, e portanto nem sequer se dedicaram afincadamente à táctica de distribuição de porrada avulsa que costumam empregar na pedreira como forma mais eficaz para travar o Benfica. Em jogo jogado, o Braga simplesmente andou a ver o Benfica jogar, quase sem conseguir passar do meio campo e quanto a remates, nem vê-los (julgo que conseguiram fazer um remate à nossa baliza em todo o jogo). O Benfica conseguia fazer funcionar o carrossel do seu jogo, com a bola a circular rapidamente entre os seus jogadores, muitas vezes ao primeiro toque e com trocas constantes de posição entre o Gaitán, o Lima, o Jonas, o Salvio, o Pizzi, com os dois laterais constantemente envolvidos nas jogadas de ataque e o Samaris a ganhar cada vez mais protagonismo em funções mais recuadas. Os ataques do Benfica sucediam-se uns aos outros, e foi com toda a naturalidade que chegámos ao primeiro golo com vinte minutos decorridos. Mais uma troca de bola entre o Gaitán, Lima e Jonas na zona frontal à área, com o argentino a deixar para o remate de primeira do Jonas, ainda bem de fora da área, que não deu hipóteses de defesa. Não houve qualquer reacção do Braga ao golo sofrido: continuou a carregar o Benfica, que à meia hora quase ampliou a vantagem, mas viu o Santos cortar sobre a linha uma bola rematada pelo Pizzi quando já se gritava golo. Era escasso o resultado ao intervalo.

 

 

Logo na entrada para a segunda parte não estivemos tão fortes como na primeira, e nos primeiros minutos o Braga até conseguiu fazer um remate para fora e conquistar um canto - isto acabou por ser o ponto mais alto da sua exibição esta tarde. Mas depressa o Benfica voltou a pegar nas rédeas do jogo e foi novamente para cima do Braga, em busca do golo da tranquilidade. A situação complicou-se ainda mais para o Braga quando, com ainda meia hora para jogar, ficou reduzido a dez depois do Tiago Gomes ver o segundo amarelo por uma falta grosseira e indiscutível sobre o Salvio (tinha visto o primeiro por cortar deliberadamente uma jogada com a mão, ainda na primeira parte). Na sequência do livre o Benfica só não chegou ao segundo golo porque o guarda-redes do Braga, Matheus, fez um autêntico milagre, defendendo com o pé um remate do Lima, que a uns três metros da baliza tinha tudo para marcar (e ainda na sequência dessa defesa, a recarga com desvio do Jonas quase deu golo também). Pouco depois um momento menos bom para nós, no qual o Gaitán viu um amarelo que o retira do próximo jogo, por tentar arrancar um penálti (honestamente, pareceu-me que foi bem mostrado). No meio dos ataques do Benfica em busca do segundo golo, começou então o duelo particular do Eliseu com a baliza do Braga. A primeira tentativa obrigou o guarda-redes a uma boa defesa para canto. Pouco depois a segunda tentativa fez passar a bola muito perto do ângulo superior da baliza. E à terceira foi mesmo de vez: o Samaris passou a bola para a esquerda na direcção do Gaitán, este não a conseguiu captar e ela seguiu mais para a esquerda, onde o Eliseu surgiu a rematar de primeira de fora da área sem possibilidades de defesa. Faltava então cerca de um quarto de hora para o final e o jogo ficou resolvido, pelo que o Benfica tirou o pé do acelerador e limitou-se a gerir o jogo e o esforço, retirando de campo o Gaitán, Samaris e Maxi.

 

 

O Jonas continua a ser um jogador em destaque, ajudando a decidir jogos com golos e pormenores de classe. Quase que vale a pena ver um jogo só para apreciar o toque de bola dele (o lance em que ele faz a bola 'morrer' no pé quando ela vinha a cair de grande altura é sublime). A inteligência na forma como se movimenta no campo para abrir espaços para a entrada dos colegas e dar linhas de passe é fundamental para o bom momento do Benfica. Mas para mim esta tarde o nosso melhor jogador em campo foi o Samaris. Não sei se terá feito alguma coisa errada durante todo o tempo que esteve em campo. Mais uma vez o nosso treinador está a fabricar um médio defensivo de enorme qualidade, que mostra cada vez mais uma leitura perfeita do jogo, na forma como faz as compensações aos laterais, como auxilia os centrais, ou como começa a construção das jogadas nas saídas para o ataque. Substituir o Matic não é fácil, mas o Samaris começa a mostrar que poderá ser muito capaz de o fazer.

 

Mais uma equipa em quem foram depositadas tantas esperanças que sai derrotada sem apelo nem agravo. Faltam cada vez menos jogos e continuamos teimosamente a ser a única equipa que depende apenas de si própria, para desespero cada vez maior de muita gente. Só temos que continuar neste registo. Quando a onda vermelha avança e puxamos todos para o mesmo lado, é quase impossível travar a nossa marcha.

por D`Arcy às 03:58 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Segunda-feira, 09.03.15

Mudança

Mais um jogo que começou muito complicado, mas que devido a uma mudança de atitude na entrada para a segunda parte acabou por se tornar mais fácil e acabar numa vitória relativamente tranquila para o Benfica.

 

 

Apresentando o onze habitual, no qual o Júlio César recuperou a titularidade, o Benfica dificilmente poderia ter tido uma entrada mais desastrosa no jogo. Logo nos primeiros minutos o Arouca colocou-se em vantagem, num golo em que o Eliseu fica mal na jogada. Primeiro porque é ele quem fica atrasado em relação à linha de defesa, colocando o adversário em jogo após um passe feito para a zona entre ele e o Jardel; e depois porque, quando tentou emendar, foi facilmente ludibriado por ele, permitindo o remate vitorioso. O golo madrugador e o pobre desempenho do Benfica na primeira parte, e em especial durante os primeiros vinte minutos causaram bastante preocupação. O Benfica foi quase inofensivo, incapaz fazer qualquer jogada digna desse nome e de sequer se aproximar da baliza adversária. Faltaram ideias, velocidade e qualidade ao nosso jogo. O relvado também ajudava pouco: estava irregular e ao contrário daquilo a que estamos mais habituados, não terá sido regado antes do jogo, pois era evidente que a bola não rolava com muita rapidez. A primeira ameaça dada pelo Benfica foi dada pelo Pizzi, num remate que obrigou o guarda-redes a aplicar-se, mas na verdade o Pizzi hoje esteve longe do rendimento dos jogos mais recentes, com demasiados passes falhados e demasiado disparatado nas bolas paradas, com a equipa a ressentir-se disso. O nosso jogo melhorou um pouco à medida que nos aproximámos do intervalo e fomos encostando o Arouca mais à sua área, mas apenas conseguimos causar algum perigo através do Salvio num par de ocasiões, numa delas obrigando o guarda-redes a mais uma boa intervenção e na outra acertando na barra quando parecia ser mais fácil marcar.

 

 

No arranque para a segunda parte o Samaris ficou no balneário e entrou o Talisca para o seu lugar. Sem um médio claramente mais defensivo a estratégia foi de muito maior risco, mas a verdade é que o Arouca praticamente não atacava e tinha chegado ao golo no único remate que tinha feito. A atitude da equipa foi completamente diferente para melhor, e lançou-se num assalto à baliza do Arouca que rapidamente deu resultados. Foi logo aos seis minutos que chegou o golo do empate, com o Jonas a aproveitar para rematar para a baliza deserta após um erro do guarda-redes Goicoechea, que pressionado pelo Lima acabou por rematar a bola contra ele. E cinco minutos depois estava consumada a reviravolta no marcador, mais uma vez num lance que resultou da pressão exercida pelo Benfica (e antes disso já o Lima tinha tido uma boa ocasião para marcar, mas rematou demasiado por cima). Desta vez foi o Gaitán a pressionar os defesas e a não desistir de uma bola do lado esquerdo, que fez chegar ao Jonas. Já dentro da área e perto da linha de fundo, num pequeníssimo espaço conseguiu libertar-se para rematar, para depois o Lima confirmar quase sobre a linha após a defesa incompleta do guarda-redes, e com quase metade da equipa do Arouca enfiada dentro da baliza ou da pequena área. O mais difícil estava feito, e foi conseguido de forma rápida e com aparente facilidade, tendo bastado ao Benfica aumentar a pressão sobre o adversário e o ritmo de jogo. A nossa tarefa ficou ainda mais facilitada findo o primeiro quarto de hora da segunda parte, com a expulsão de um defesa do Arouca, que placou o Lima quando este se iria isolar. Apesar de tudo, faltava ainda marcar o golo da tranquilidade e por isso nem sequer fiquei particularmente satisfeito quando o nosso treinador decidiu trocar o Gaitán pelo Ola John, a vinte minutos do final. Mas apenas cinco minutos depois de entrar, foi o holandês quem, com um bom passe, desmarcou o Lima e o deixou completamente isolado em frente ao guarda-redes, bastando-lhe depois escolher um lado e atirar a contar. O jogo ficou então definitivamente resolvido, e a partir daí limitámo-nos a gerir o esforço e o resultado até final.

 

 

O Lima é indiscutivelmente o homem do jogo. Foi o mais rematador da equipa, marcou dois golos e ainda teve intervenção directa e decisiva no outro. O Jonas também fez um bom jogo, marcando o golo da ordem que nos deu o empate e fabricando o golo da reviravolta. O Pizzi, conforme referi, esteve hoje uns furos abaixo daquilo que fez nos últimos jogos e foi importante a entrada do Talisca para nos dar a capacidade de distribuição de jogo que hoje faltou ao Pizzi.

 

O Benfica hoje viu serem-lhe sonegados dois penáltis claríssimos, o primeiro sobre o Gaitán quando o resultado ainda nos era desfavorável, e o segundo quando já ganhávamos por 2-1, por flagrante braço na bola, instantes antes da expulsão do jogador do Arouca. Expulsão essa que foi perfeitamente justa, de tão evidente que foi a placagem feita ao Lima quando este se preparava para se isolar - de tal forma que nem do lado do Arouca foi esboçado qualquer protesto. Não preciso de ver ou ouvir o que quer que seja para saber que as cobras cuspideiras que pululam nos programas de opinião futebolística irão no entanto assumir dores alheias e agarrar-se a esta expulsão para tentar mais uma vez fazer passar a mensagem de que o Benfica está a ser beneficiado pelos árbitros. Tenho aliás alguma curiosidade em ver quem será a isenta personalidade que será convocada esta semana para nos transmitir essa mensagem. Nas últimas semanas já vi o Jaime Magalhães, orgulhoso membro da geração precocemente calva do Porto, o colosso do futebol mundial Clayton também a dar a sua insuspeita opinião, e a semana passada o mítico Secretário, famoso por oferecer um campeonato ao Sporting e ter sido eleito a pior contratação da Liga Espanhola. Espero esta semana no mínimo uma estrela da mesma grandeza e de igual isenção. Entretanto, continuem a olhar para cima para nos poderem ver.

por D`Arcy às 02:24 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Domingo, 01.03.15

Gala

Em dia de aniversário, e uma vez que este ano nem houve Gala, os nossos jogadores encarregaram-se de fazer uma em pleno relvado do Estádio da Luz, assinalando a data com uma exibição que chegou a ter momentos brilhantes e que resultou na maior goleada deste campeonato até à data - e quem viu o jogo certamente terá ficado com a impressão de que se não se tivesse levantado ligeiramente o pé, os números poderiam ter sido ainda mais dilatados.

 

 

O principal destaque no onze inicial do Benfica foi o regresso do Gaitán, cuja genialidade muita falta nos fez nas semanas em que esteve ausente. De resto, e cada vez menos surpreendentemente, o Pizzi manteve a titularidade no meio campo, e o Samaris voltou após cumprido o jogo de suspensão. Quanto ao jogo, foi uma espécie de regresso ao rolo compressor. O Estoril nunca teve hipóteses - nem sequer a opção mesquinha de não respeitar a tradição na escolha do campo lhes valeu (aposto que houve dedo do Coiceiro nisto). Não conseguiu obstar nem ao de leve a imensa superioridade do Benfica, e ainda por cima apresentou-se na Luz de uma forma talvez demasiado optimista, com três jogadores na frente que quase nunca ajudaram grandemente na defesa, em particular os alas, o que deixou por diversas vezes os seus laterais desamparados em situações de um para um com o Salvio ou o Gaitán. A única estratégia do Estoril seria tentar prolongar o nulo no marcador o mais que fosse possível, mas deu logo para perceber que isso seria uma tarefa quase impossível e que assim que o primeiro entrasse muito provavelmente tudo ruiria como se de um castelo de cartas se tratasse. Com o Gaitán apostado em mostrar que a paragem não o afectou, o Salvio de regresso ao seu melhor, o Jonas endiabrado e a dupla Pizzi/Samaris a encher o campo, o Benfica cedo montou um assalto à baliza estorilista e as ocasiões começaram a suceder-se sem que o Estoril conseguisse sequer passar da linha do meio campo. O Jonas deu o primeiro aviso logo nos primeiros minutos, vendo um remate seu ser defendido para o poste. Depois voltou a estar pertíssimo de marcar, numa cabeçada bem colocada após centro do Gaitán na esquerda, que o guarda-redes voltou a defender de forma quase miraculosa com a ponta dos dedos. Do canto resultante, marcado pelo Pizzi, entrada imparável do Luisão ao primeiro poste e cabeceamento cruzado para o golo. A resistência do Estoril tinha durado pouco mais do que um quarto de hora.

 

 

A cabeçada do Luisão foi o ponto de partida para o massacre que foi a primeira parte, e daí para a frente foi o festival da nossa equipa, que no espaço de pouco menos de vinte minutos marcou mais três golos. Foram dez os que decorreram até o Salvio aparecer na cara do guarda-redes a empurrar para o fundo da baliza uma bola cruzada com toda a conta, peso e medida, como se costuma dizer, pelo Lima desde a esquerda do ataque. O Benfica continuou a desbaratar completamente a equipa do Estoril, sobretudo através de iniciativas pelos flancos, e tirando partido do constante movimento da dupla de avançados e da visão de jogo dos nossos dois médios. O terceiro golo apareceu depois de mais uma investida pela esquerda, na qual o Gaitán entrou na área e tentou centrar para o Salvio. A bola foi afastada pela defesa do Estoril para a entrada da área, onde surgiu o Pizzi que, com um remate colocado, não deu qualquer hipótese ao guarda-redes. E o quarto golo veio logo a seguir: recuperámos a bola praticamente no pontapé de saída do Estoril, e a partir daí o adversário não voltou mais a tocar-lhe enquanto ela viajou de pé para pé dos nossos jogadores, até que já dentro da área o Gaitán deixou de calcanhar para a entrada do Maxi, que depois cruzou rasteiro para o Jonas fazer um golo fácil à boca da baliza. Um momento sublime de futebol. Não parou aí o Benfica, que continuou a vulgarizar a equipa do Coiceiro e poderia ter acrescentado mais um golo ao resultado antes do intervalo. Desmarcado por um grande passe do Samaris, o Gaitán apanhou-se completamente isolado na cara do guarda-redes e tentou passar-lhe a bola por cima, mas esta acabou por sair ligeiramente ao lado.

 

 

Depois da gala da primeira parte, quase que poderia dizer que a segunda parte foi um desapontamento, mas isso até ficaria mal num jogo como este, e a verdade é que o que quer que jogássemos só muito dificilmente não empalideceria em comparação com a grande primeira parte a que tínhamos acabado de assistir.  A verdade é que com o jogo na prática ganho ao intervalo, o Benfica abrandou um pouco o ritmo e os nossos jogadores pareceram querer jogar um pouco mais para o espectáculo, enfeitando mais as jogadas. Ainda assim a nossa superioridade nunca foi colocada em causa, e conseguimos acrescentar mais dois golos à nossa conta. O primeiro num penálti do Lima, a castigar falta sobre o Jonas que cortou mais uma brilhante jogada ofensiva do Benfica, que chegou ao ponto de andar a trocar a bola dentro da área do Estoril sem que os nossos opositores conseguissem fazer mais do que ficar a ver. Pouco depois, ainda com cerca de meia hora por jogar, o Estoril ficou reduzido a dez. Não vou dizer que a nossa tarefa ficou mais facilitada porque isso seria ridículo, mas o Benfica nem sequer tirou grande partido desta vantagem numérica. O Estoril até conseguiu criar a sua única ocasião de golo durante todo o jogo, mas o Artur conseguiu ainda desviar para o poste o remate do jogador que lhe surgiu isolado pela frente. O jogo do Benfica também perdeu algum fulgor com o menor envolvimento do Gaitán, que acusou natural falta de ritmo após a paragem e acabou substituído, e também com a troca do Pizzi pelo Talisca. Ainda assim deu para chegar ao sexto golo já perto do final, novamente pelo Jonas, que fez a recarga a um primeiro remate do Ola John depois de um bom passe do Lima.

 

 

Num jogo destes daria para destacar praticamente toda a equipa. Nomeio apenas alguns, mas se outros há que não menciono é apenas por ser escusado estar a falar de todos. Há vários candidatos ao melhor em campo e eu não consigo escolher apenas um. O Pizzi voltou a fazer um jogo fantástico. À medida que vai conquistando minutos e ganhando rotina à posição, cresce a olhos vistos e neste momento não creio que o Talisca possa ambicionar a recuperar a titularidade. Um golo (o primeiro pelo Benfica para o campeonato), uma assistência, intervenção em várias jogadas perigosas, incluindo de golo, visão de jogo e capacidade de passe muito acima da média. E já repararam como voltámos a ser muito mais perigosos nos pontapés de canto desde que o Pizzi começou a marcá-los? O Gaitán voltou e a diferença notou-se logo. Desequilibra pela esquerda, desequilibra quando faz diagonais para o centro, joga que se farta e faz jogar os colegas - o Eliseu é um exemplo de um jogador que passa a ser um muito mais perigoso e interventivo nas jogadas de ataque da equipa. Hoje só lhe faltou um golo, que bem mereceu. Não sou especialista, por isso não vou afirmar que é o mais talentoso jogador a actuar em Portugal. Mas eu não o trocava por nenhum outro. O Salvio despertou de uma sequência de jogos enervante em que pouco jogava para a equipa, e hoje já foi novamente o jogador que nos habituámos a ver. O Samaris é outro caso exemplar da forma como o nosso treinador trabalha os jogadores. Depois do exemplo do Matic eu preferi manter-me calado quando logo após os primeiros jogos o grego começou a ser criticado e apontado como uma dispendiosa contratação falhada. Parece-me que vai mostrando que os críticos estavam enganados, e continua ainda a crescer de jogo para jogo, a medida que se sente mais confortável nas tarefas defensivas e se vai soltando no apoio ao ataque. O Jonas foi outro que brilhou e marcou dois golos, mas o Lima também merece destaque, não apenas pelo golo mas também pelo que jogou, com intervenção directa na maior parte das jogadas dos golos. E o Luisão também. Porque é o Luisão, porque hoje igualou o número de jogos do imortal Simões pelo Benfica e porque ficou tão bem em dia de aniversário ser ele a dar início à festa.

 

Ganhámos, goleámos, demos espectáculo. Hoje deixámos toda a gente contente. Até os adversários, que podem pegar no penálti e na expulsão do jogador do Estoril, descontextualizá-los como têm feito com praticamente todas as situações deste tipo, e adicioná-los à sua contabilidade particular que lhes permite fingir que é por algum motivo que não o futebol jogado que continuam a ter que olhar para cima e a ranger os dentes quando querem ver o Benfica.

 

Parabéns Benfica pelos teus 111 anos de Glória, e da minha parte nunca conseguirei encontrar as palavras que me permitam agradecer o suficiente por todos os momentos inesquecíveis que me tens proporcionado ao longo da vida.

por D`Arcy às 03:08 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 25.02.15

Respeito

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Para mim, mesmo sem nunca o ter visto jogar ao vivo, sempre representou a Mística personificada. Um ano de saudade.

por D`Arcy às 16:50 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 22.02.15

Complicada

Foi uma vitória demasiado complicada para a superioridade que o Benfica demonstrou em campo durante todo o jogo. A falta de eficácia poderia ter custado caro, já que apesar do domínio completo do jogo não fomos capazes de o exprimir em golos e vimos o Moreirense colocar-se em vantagem no único remate que fez à nossa baliza, obrigando-nos depois a correr atrás do resultado.

 

 

Sem surpresa, o André Almeida foi o escolhido para ocupar a vaga no meio campo deixada pela suspensão do Samaris, mantendo-se o resto do onze como esperado. O Benfica entrou bem no jogo, instalando-se imediatamente no meio campo adversário e remetendo o Moreirense para junto da sua área. Ao contrário do que tinha visto nos três jogos anteriores contra esta mesma equipa, desta vez o Moreirense apostou numa atitude claramente defensiva, tentando tapar todos os caminhos para a sua baliza acantonando os seus jogadores na zona defensiva e tentando queimar tempo em qualquer reposição de bola em jogo desde o primeiro minuto. Apesar do domínio total do jogo, o Benfica não conseguiu traduzir isso em muitas ocasiões flagrantes de golo. Fomos evidentemente muito mais rematadores (quase mesmo a única equipa a rematar), conquistámos diversos cantos, mas apenas me recordo de uma ocasião flagrante de golo, na qual o Jonas acertou no poste depois de um centro do Pizzi. Foi portanto completamente contra a corrente do jogo que o Moreirense se colocou em vantagem. Tudo começou numa perda de bola do Salvio perto da linha do meio campo, que originou um contra-ataque pelo lado direito da nossa defesa. O André Almeida veio fazer a dobra, porque o Maxi estava adiantado, mas ninguém foi compensar a sua ausência no meio, o que permitiu que o jogador do Moreirense recebesse a bola na zona frontal à nossa área e tivesse todo o tempo do mundo para olhar e colocar o remate. Se as coisas já pareciam complicadas, pior ficaram, e se o Benfica já dominava completamente o jogo desde o apito inicial, era necessário imprimir mais velocidade no nosso jogo e maior agressividade na hora de atacar a baliza adversária, porque mais uma vez, e perante a floresta de jogadores do Moreirense, os nossos jogadores eram pouco expeditos e revelavam pouca vontade de arriscar rematar, perdendo-se jogadas sempre com mais um toque, um passe para o lado, ou uma finta.

 

 

Foi essa atitude que o Benfica trouxe para a segunda parte, e devido a isso a pressão sobre o Moreirense tornou-se cada vez mais intensa. Os pontapés de canto continuaram a acumular-se, o guarda-redes do Moreirense viu finalmente o amarelo por perder tempo (quando logo na primeira parte este amarelo já se justificava, isso diz muita coisa). O golo do empate acabou por aparecer ainda antes de se completar o primeiro quarto de hora. Depois de uma dúzia de pontapés de canto que nada deram, foi num que até nem era (o Salvio foi o último a tocar na bola) que chegámos ao golo. Canto marcado na direita pelo Pizzi e entrada fulgurante de cabeça do nosso capitão Luisão ao primeiro poste. Logo a seguir o Moreirense facilitou-nos a vida, já que ficou reduzido a dez devido a palavras dirigidas ao árbitro por um jogador seu. Por efeito directo da expulsão ou não, a verdade é que não tardou muito até que o Benfica resolvesse o jogo. Apenas cinco minutos depois da expulsão, e na sequência de mais um canto, num remate de ressaca de fora da área o Eliseu fez o segundo golo. O guarda-redes não ficou muito bem no lance, porque o remate foi relativamente fraco e feito com o pé direito, mas a bola passou pelo meio de um monte de jogadores e bateu à frente dele antes de entrar. E depois, para acabar com quaisquer dúvidas, bastaram mais sete minutos para marcarmos o terceiro golo. Cruzamento tenso e rasteiro do Salvio na direita, e o Jonas apenas teve que encostar quase em cima da linha. Com este golo o jogo ficou definitivamente resolvido, e os minutos finais passaram-se sem grande história, ficando no ar apenas a dúvida sobre se o Benfica ainda conseguiria ampliar a vantagem - e esteve muito perto de o conseguir, num grande remate do Talisca.

 

 

O Pizzi voltou a ser dos jogadores que mais me agradaram. Tem obviamente que evoluir no aspecto defensivo - no golo do Moreirense pareceu-me que houve passividade - mas foi dos mais activos e criativos no ataque. Além disso dá jeito que saiba marcar cantos de uma forma mais eficaz do que o Talisca, porque já andava cansado de ver os nossos cantos serem quase todos cortado ao primeiro poste devido à bola nunca ser suficientemente levantada. Muito bem o nosso capitão, a liderar por exemplo e a dar início à reviravolta. O Salvio acabou por fazer a assistência para o terceiro golo, mas nos últimos jogos tem conseguido irritar-me por excessos de individualismo que resultam em diversas perdas de bola.

 

Obviamente que há gente suficientemente desonesta para tentar fazer um cavalo de batalha do canto que resultou no golo do empate. Não era obviamente pontapé de canto, já que foi o Salvio o último a tocar na bola e o auxiliar claramente enganou-se (e confesso que também não acho, ao contrário do que alguns defendem, que fosse lance para penálti sobre o Salvio). Mas o Benfica já tinha conquistado uma dúzia de cantos, e querer fazer passar uma imagem de benefício ao Benfica pelo facto do árbitro ter assinalado mais aquele, como se soubesse que era mesmo naquele que o Benfica iria marcar, parece-me profundamente estúpido. Como seria igualmente estúpido se eu achasse que tínhamos sido prejudicados quando o árbitro, na primeira parte, transformou um pontapé de canto a nosso favor em pontapé de baliza, porque tinha a certeza que era naquele que o Benfica marcaria. O importante é que passou mais uma jornada e mantivemos a nossa vantagem no topo da tabela. É isso que deixa alguma gentinha mais nervosa, e a põe a disparatar ainda mais do que é costume.

por D`Arcy às 23:46 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Segunda-feira, 16.02.15

Calmo

Um jogo muito calmo e quase sem história, de tão fraca que foi a réplica dada pelo Setúbal. O Benfica marcou cedo, controlou o jogo como quis, e conquistou uma vitória folgada que talvez só peque por escassa.

 

 

Neste momento o Pizzi parece levar vantagem sobre o Talisca na luta por um lugar no onze inicial, e foi ele quem surgiu ao lado do Samaris na zona central do meio campo. De resto vimos as escolhas que têm sido habituais ultimamente. Ao contrário daquilo que aconteceu no jogo da passada quarta-feira, o Benfica pegou no jogo desde o apito inicial, isto perante um Setúbal encostado à sua área e claramente apostado em defender o nulo. Não teve muito tempo para se dedicar a essa actividade, porque logo aos oito minutos o Benfica inaugurou o marcador. Canto na esquerda marcado pelo Pizzi, e cabeceamento vitorioso do Jardel. O golo no entanto não demoveu o Setúbal da intenção inicial, porque continuou a jogar com cautelas defensivas e sem grandes pressas, talvez ciente de que uma desvantagem mínima poderia ser anulada num lance fortuito. E aliás, pouco depois do nosso golo até teve mesmo uma ocasião (porventura a única durante todo o jogo) para fazer isso mesmo, quando aproveitou um livre para colocar a bola na área e obrigar o Artur a uma defesa que me pareceu quase que por instinto. Mas tirando esse lance, o Setúbal praticamente não existiu em termos ofensivos e limitou-se a tarefas defensivas. Mas nem foi tanto por mérito defensivo do Setúbal que o resultado se manteve teimosamente na diferença mínima. O Benfica pode-se, isso sim, queixar de si mesmo por não ter conseguido marcar o segundo golo mais cedo, porque construiu ocasiões para o fazer, desperdiçando algumas delas de forma quase escandalosa - ficou-me na memória uma situação em que primeiro o Jonas e depois o Maxi conseguiram aquilo que parecia ser mais difícil, que era não marcar. Foi já perto do intervalo que o segundo golo chegou, num lance em que o Ola John ganhou no corpo a corpo com um defesa do Setúbal, entrou na área pela esquerda, e já perto da linha de fundo esperou o máximo que podia até conseguir colocar a bola atrasada para o remate do Lima, e a quase certeza de que a vitória já não fugiria.

 

 

A segunda parte foi ainda mais calma do que a primeira. Jogou-se uma grande parte do tempo apenas no meio campo do Setúbal, e a exemplo do que aconteceu noutras ocasiões o Benfica fica a dever a si próprio um resultado mais dilatado do que aquele que conseguiu, porque desperdiçámos ocasiões de sobra para marcar mais golos. Até o Luisão esteve perto de marcar com uma nota artística elevada, num chapéu ao guarda-redes que saiu ligeiramente por cima. O terceiro golo lá acabou por surgir inevitavelmente, a vinte minutos do final, e de uma forma talvez mais difícil do que noutras ocasiões que desperdiçámos. Numa jogada de insistência do Salvio e do Maxi pela direita, em que pressionaram os defesas do Setúbal, conseguiram recuperar a bola junto à área e ao cruzamento do Salvio correspondeu o Lima com um cabeceamento junto à relva, marcando assim um bonito golo. Depois disto vimos o Rúben Amorim e o Gonçalo Guedes ganharem mais uns minutos na equipa principal, o primeiro para ganhar ritmo e o segundo para ganhar calo. Continuámos a falhar golos - o Jonas não esteve nos seus dias em termos de finalização e teve mais uma perdida incrível - e na fase final do jogo os nossos jogadores entretiveram-se a coleccionar cartões amarelos, o que inclusivamente serviu para que o Samaris ficasse excluído do nosso próximo jogo.

 

 

O Lima merece ser distinguido pelos dois golos que marcou. É bom que se reencontre com o golo, uma vez que esta época parece andar menos concretizador do que é habitual. Gostei bastante do Pizzi mais uma vez. A qualidade de passe naquela zona do campo é uma mais valia, e quando conseguir adquirir as rotinas defensivas poderá ser um caso sério. Por falar em rotinas defensivas, o Samaris tem mostrado uma evolução brutal na sua posição, e hoje voltou a fazer uma exibição muito boa. Os nossos centrais mostraram a segurança do costume. Por último, acho que hoje vi o Ola John correr mais do que o tinha feito nos últimos três meses juntos.

 

Passou mais uma jornada e mantemo-nos como a única equipa dependente apenas de si própria para chegar ao título. Quanto mais tempo conseguirmos manter esta situação, maior será a frustração e pressão sobre o nosso adversário na luta pelo título. A margem é curta e não permite falhas de concentração.

por D`Arcy às 02:10 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Quinta-feira, 12.02.15

Momentos de ridicularidade, de estupidismo e de hipocrisidez.

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O Sportém, agremiação que muito faz pelo humor neste país e que é presidida por um antigo membro de uma claque (e que se continua a comportar como lá estivesse no meio) - legalizada e apoiada oficialmente pela direcção do Sportém, que incendiou parte do Estádio da Luz, que se comportou como gado bovino com o cio durante os minutos de silêncio em honra do Bento, do Eusébio e do Coluna, e que todas as semanas mostra faixas ordinárias, que apelam à violência e descem à mais baixa condição humana (e que sim, brincam com a vida humana, já que agora se fala muito nisto) - resolveu cortar as relações com o clube que norteia as suas vidas (o que demonstra no mínimo ingratidão) por este não repudiar uma faixa (também ela ordinária) exibida por meia dúzia de adeptos parvos do Benfica, de forma individual, sem o patrocínio do Benfica, e que não representam, decididamente, os seus adeptos. Isto nem sequer é ironia e, decididamente, não é fina. É hipocrisia, e da grossa.

 

Esta estratégia de vitimização hipócrita e manipulação da imprensa desportiva amestrada por parte da lagartagem tem sido ao longo dos anos a principal estratégia para a abordagem a, bom, basicamente, quase tudo. É de uma “ridicularidade” que nem o Presidente da Liga dos Bombeiros (que queimou as finanças municipais de Vila Nova de Poiares - e isto sim, é fina ironia) consegue atestar. O Presidente da Liga dos Bombeiros e Vice-Presidente do Sportém, esse exemplo vivo de coerência que, como bom bombeiro, condenou veementemente o incêndio causado por adeptos do Sportém no Estádio da Luz. Ah, esperem, dizem-me que afinal não...

 

Podia vir aqui falar dos pirómanos instigados pela direcção da lagartagem que colocaram gente e a estrutura de um estádio (construído sem favores da banca nem esmolas da Câmara) em perigo (pode-se considerar isto também tentativa de homicídio, Parvalho?), dos castigos e multas que isso nem sequer gerou, da factura desses estragos que está por pagar, dos depósitos canhestros em contas de fiscais de linha para incriminar outros, das faixas repugnantes a ofender o Eusébio depois da sua morte, da extrema elegância das publicações no twitter oficial da lagartagem (em provocações sistemáticas ao Benfica, e a responder - porra, é incrível, isto - a adeptos individuais do Benfica), das declarações sistemáticas e ordinárias do Burro Parvalho sobre o Benfica, do vandalismo a estabelecimentos comerciais de árbitros que resolvem arbitrar sem favores ao Sportém, do vandalismo e destruição de murais e a estátuas alusivas ao Benfica (tanto em residências particulares, como em Casas do Benfica), da proibição do uso de cachecóis do Benfica no alvalixo sem ser na zona destinada às claques (desafio-vos a dizer que alguma vez viram isso no Estádio da Luz), das agressões a adeptos com símbolos do Benfica no alvalixo com a conivência dos seguranças (desafio-vos a dizer que alguma vez viram isso no Estádio da Luz), das t-shirts ordinárias da claque da lagartagem que estiveram na génese deste escalar de palhaçada. Podia, mas não tenho tempo, percebem? Porque material, ui, disso há muito. Não estou para isso, a hipocrisia é de difícil cura, e os lagartos estão em fase terminal, muito para além de ajuda médica.

 

É de uma bizarra desonestidade intelectual pensar que se pode continuar a invocar um incidente trágico de 1996 – praticado por um indivíduo que não se pode confundir com a massa adepta do Benfica ou com o Benfica - para desculpar toda o festival de produto intestinal que a lagartagem faz a toda a santa hora. Ou que se pode vomitar agora que “não têm moral para falar” porque um palhaço resolveu lançar petardos no jogo de Domingo. É como argumentar, por exemplo, que os tibetanos não têm moral para se queixar das agressões da República Popular da China porque houve um tibetano que uma vez deu um tiro num chinês. Percebem o quanto esta linha de raciocínio é ridícula? Não fui eu, não foi a massa adepta do Benfica, nem foi o Benfica que lançaram o very light em 96 ou que lançaram petardos no Domingo, e dizer que não temos moral para falar e denunciar os comportamentos imbecis do Parvalho e discípulos por causa disso é não perceber nada, é confundir tudo, é ser estúpido.

É estúpido confundir a filhadaputice oficial e ratificada pela direcção de um clube na recepção a outro – as ameaças a quem tenciona ir para a tribuna do alvalixo, a omissão do 11 do Benfica, o “hino” (slb slb sblb fds slb) do Sportém, a palhaçada do “visitante”, a ordinarice do speaker, as faixas das claques legalizadas a ofender o Eusébio e adeptos falecidos do Benfica, e a desejar a morte aos demais - com a bestialidade de animais que não têm lugar dentro de um estádio de futebol. Bestialidade essa que é semelhante à de animais que começam a incendiar estádios, instigados, aí sim, por elementos da direcção de um clube que deviam ser responsabilizados.

Não fui eu nem foi o Benfica que atiraram petardos, foram idiotas a título individual. Mas é o Sportém que apoia oficialmente as suas claques e foi a direcção do Sportém que promoveu a inacreditável recepção de Domingo, foi a direcção do Sportém que foi moralmente responsável pelo incêndio no Estádio da Luz (pela mão do Cristóvão dos depósitos de 2.000 euros), foi a direcção do Sportém que nunca repudiou esse incidente, foi a direcção do Sportém (que é quase a mesma coisa que uma claque) que não repudiou nunca faixas ofensivas sobre a morte do Eusébio, foi a direcção do Sportém que nunca repudiou faixas ofensivas sobre a morte de adeptos do Benfica.

 

Moral? Enganam-se, não têm moral nenhuma para invocar rigorosamente nada. Nunca tiveram, desde os tempos de clube do regime no Estado Novo (ao invés da ideia que hipocritamente tentam fazer passar há anos pela comunicaçao social amestrada), dos dirigentes que acumulavam cargos no Sportém e na PIDE/DGS, passando pelos tempos em que tentaram fazer acordos com o porto para acabar com o Benfica. Nem nunca hão-de ter, porque nasceram tortos e nunca se endireitaram. Por isso, pseudo-lições de moral vindas de quem vem, não as aceito. Não as aceito e devolvo-as, com a dignidade tranquila de quem vive em função de um caminho próprio e de quem sabe o que é justo, seja ao minuto 92, ao minuto 94 ou pela eternidade fora.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (29)

Fácil

Jogo que começou mal mas que acabou por se tornar demasiado fácil para o Benfica, que assim garantiu a passagem à sexta final da Taça da Liga em oito edições.

 

 

O Benfica apresentou um onze com várias alterações em relação ao do último jogo: Sílvio, Lisandro, Cristante, Pizzi, Gonçalo Guedes, Talisca e Derley foram titulares esta noite, mantendo-se no onze apenas Artur, Jardel, Eliseu e Ola John. O Setúbal entrou de rompante no jogo e esteve muito perto de marcar logo nos minutos iniciais, com o Benfica a ser salvo por um corte quase milagroso do Lisandro. Só a partir dos dez minutos é que me pareceu que o Benfica conseguiu assentar um pouco o seu jogo, mas mesmo depois disso jogámos sempre numa toada algo lenta e devido a isso não foi fácil ultrapassar a organização defensiva do Setúbal, que quando perdia a bola acumulava vários jogadores em frente à sua área. Só a cinco minutos do intervalo é que as coisas se começaram a facilitar, com um penálti cometido sobre o Gonçalo Guedes que custou a expulsão ao jogador do Setúbal, já que o nosso jogador estava em posição privilegiada para marcar. O Talisca converteu no primeiro golo e, quatro minutos depois, esteve na origem do segundo, já que depois de uma perda de bola infantil da defesa do Setúbal foi sobre ele que novo penálti foi cometido. Desta vez foi o Pizzi a convertê-lo, o que levou a equipa para intervalo a vencer por dois e com mais um jogador em campo.

 

 

Não se esperava por isso uma segunda parte particularmente emotiva ou problemática para o Benfica, e foi o que aconteceu. A exibição do jovem Gonçalo Guedes estava a ser um motivo de interesse e ele até esteve perto de marcar um grande golo, mas o remate desferido de bastante longe embateu com estrondo na barra. Pouco depois foi substituído pelo Salvio. O Setúbal não conseguiu fazer qualquer tipo de oposição e a segunda parte foi por isso jogada quase por inteiro em metade do campo, com a bola a rondar muito a área mas houve pouco acerto da nossa equipa, que desperdiçou várias jogadas em que poderia e deveria ter feito melhor. Mas o jogo continuou a ser disputado a um ritmo pouco intenso e por vezes foi até monótono de assistir - não sei se me recordo de estar num estádio a assistir a outro jogo durante o qual tenha bocejado tanto. Ainda acertámos mais uma vez a bola nos ferros da baliza adversária, desta vez pelo Salvio, e só mesmo o inevitável Jonas (tinha entrado para o lugar do Cristante ao intervalo) acabou por fazer o gosto ao pé, após jogada de entendimento que envolveu o Ola John e o Derley. É de assinalar também o momento do regresso aos relvados do Rúben Amorim, que pode ser um importante reforço para estes últimos meses da época.

 

 

Gostei do Lisandro. Já disse antes que tenho pena que ele pareça render mais a jogar na posição do Luisão, porque assim tem a presença no onze muito mais dificultada. O Gonçalo Guedes teve bons pormenores e é bom vê-lo ir ganhando experiência. Também fiquei agradado com a exibição do Pizzi.

 

Passagem à final sem grande esforço ou sobressaltos era o que eu esperava. Expectativas cumpridas. Agora é preparar novo jogo contra este mesmo adversário no domingo.

por D`Arcy às 02:04 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Terça-feira, 10.02.15

Delirium lacerta

Se o derby não foi muito bem jogado e só teve emoção nos últimos sete minutos, o que se passou à volta dele merece realce por si só. Já se sabe que está cientificamente provado que nunca ninguém aprendeu nada a discutir bola com um lagarto. Porque aquelas criaturas vivem numa dimensão paralela cuja semelhança com a realidade anda aproximadamente ao nível do… zero. Como prova o facto de todos eles terem visto um jogo que… não aconteceu!

 

Ainda só ouvi lagartos dizerem que “massacraram” o Benfica, que o resultado foi “muito injusto”, que tiveram “muito mais oportunidades” de golo, que o Artur fez uma série de “defesas de golo” e foi o “melhor em campo”, etc. Eu sei que é escusado mostrar a realidade a um lagarto, porque vivendo eles num mundo paralelo, nunca a conseguirão ver, mas for the record: 1) o Artur fez uma grande defesa na primeira das duas únicas oportunidades de golo que tiveram (não conto a defesa ao remate anterior ao golo, porque ele aconteceu na recarga); 2) dez cantos que não criaram perigo e maior posse de bola não é “massacre”, porque, lá está, há aquelas coisas que se chamam balizas nas quais é preciso tentar meter a bola…; 3) dois remates perigosos à baliza, um golo, não é assim “muito mais oportunidades” do que um remate, um golo. Quanto à “injustiça” do resultado, estamos conversados.

 

Outra crítica que se ouve é que o Benfica parecia o Arouca, a jogar para o empate. E que só criou um lance de perigo. E que marcou um golo fortuito. Isto vindo de adeptos do clube que esteve sete(!) anos sem marcar um golo na Luz. Repito: sete anos! Nenhuma outra equipa da I Liga esteve este tempo todo em branco na Luz. Nem o Arouca. Foram avalanches atacantes nesses sete anos, que nem vos digo nada… É como diz o Nuno Aleixo, quando é o Mourinho a jogar com o Inter em Barcelona ou com o Pepe a trinco também frente ao Barça, ou o Simeone a conseguir fechar os caminhos da sua baliza ao Real Madrid, são ambos génios da táctica. Quando é o Jesus e o Benfica, já é péssimo. Porque o Benfica deveria é jogar à maluca e golear no WC. Mas mesmo assim, é como comentou o meu amigo F.S.C., “sim, foi um Benfica mauzinho; sim, foi um bom Esportem. Conclusão: um mau Benfica chegou para um bom Esportem”. O que o jogo revelou foi que o Jesus está perfeitamente consciente de que este nosso plantel é possivelmente o mais fraco de todos os que teve e há que saber adaptar-se a isso para continuar a conseguir bons resultados. E que, se não se pode ganhar no WC, ao menos que não se perca. Para este peditório do “não jogam nada”, eu recuso-me a dar: como se nós não tivéssemos sido DE LONGE a equipa que melhor futebol jogou nas duas épocas em que perdemos o campeonato para o Vítor Pereira. E isso não nos valeu de nada! Prefiro obviamente o pragmatismo deste ano.

 

Pelo que se vai lendo e ouvindo por aí, só tenho pena é de não ter acções da farmacêutica do Kompensan, porque iria ficar rico por estes dias. A lagartada está muito desalentada por terem perdido aos 94’ a possibilidade de… ficar a quatro pontos(!) do 1º lugar. Como se nós não tivéssemos perdido muito recentemente um campeonato e uma Liga Europa aos 92’ e com quatro dias de intervalo! Esqueçam… “vocês sabem lá”!

 

A lagartada está sempre a dizer que é um “clube diferente”, mas depois o speaker do estádio não anuncia a equipa do Benfica e quando diz o resultado refere-se ao Benfica como “visitante”. Não me parece que seja muito “diferente” do que se passa em Mordor (ou em Braga). Revela apenas tacanhez e mediocridade. Por outro lado, a noção do ridículo é algo que não lhes assiste (como diria o outro): antes do jogo, pediu-se uma “grande ovação” para os campeões nacionais de 81/82 que subiram ao relvado! Foi o delírio… na nossa bancada! Aplausos e vivas com fartura! Eu até percebia se subisse ao relvado um jogador ou se fosse o próprio dia em que tivessem ganho aquele campeonato, mas agora a equipa toda só porque iam jogar contra o Benfica… por favor! Eu sei que estamos a falar de um clube que detém o recorde de estar 18 anos sem ganhar um campeonato, cuja nova série já vai em 12 e que nos últimos 32 anos ganhou… dois(!), mas mesmo assim um bocadinho de noção do ridículo não lhes ficaria mal. Falta de noção do ridículo igualmente com a enésima entrevista do speaker ao Manuel Fernandes para falar de um resultado numa época em que o Benfica… ganhou a dobradinha! Enfim, cada clube tem os títulos que merece.

 

Mas de uma coisa pode a lagartada estar tremendamente orgulhosa e ter motivos para festejar efusivamente: é que é a primeira vez nas últimas sete(!) épocas que não vão perder uma única vez com o Benfica. Mais um título para o museu!

 

P.S. – Como de costume, houve adeptos do Benfica que entraram com o encontro a decorrer e eu vi uma série de lagartos a sentarem-se no seu lugar aos 27’ de jogo! Não resolvam o problema das entradas naquele estádio que não é preciso…

por S.L.B. às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Segunda-feira, 09.02.15

Alternativa

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Bem, chego à conclusão de que ontem estive numa realidade alternativa qualquer. É que pelos vistos houve um Sporting x Benfica no qual o Sporting fez uma exibição de encher o olho, massacrou o Benfica (que ficou o jogo todo enfiado dentro da sua área a ver o Sporting jogar e a queimar tempo) e no final o Sporting viu-lhe ser negada a mais que merecidíssima vitória por um golpe de azar. É terrivelmente frustrante deixar fugir um resultado no último suspiro e infelizmente nós, benfiquistas, sabemo-lo bem por experiência própria, até porque recentemente não foram apenas resultados mas sim títulos que nos fugiram nos últimos segundos de um jogo. Mas não inventem coisas que não aconteceram.


Eu estive no estádio de Alvalade e vi um jogo no qual achei que o Benfica não esteve ao seu nível e em que nos faltou ambição porque nunca parecemos ter grande vontade para ir à procura de algo mais do que o empate. Mas vi também um jogo bastante disputado e equilibrado, o que aliás a própria estatística da posse de bola (52% - 48%) parece confirmar. O Patrício não fez uma defesa? O Artur fez uma 'e meia' (a 'meia porque o lance resultou em golo na recarga). O Benfica marcou na única oportunidade que teve? OK, mesmo dando de barato o lance em que o Jonas apareceu isolado na área e decidiu passar ao Lima em vez de rematar, o Sporting teve duas oportunidades: um cabeceamento do Carrillo e a outra oferecida por um passe infeliz do Samaris do qual resultou o golo. Eu acho que o Benfica teve sorte ao conseguir chegar ao golo quando tinha já tão pouco tempo para reagir após o golo sofrido. Ou que durante esses seis minutos resolveu mostrar a vontade e ambição que lhe faltaram no resto do jogo. Portanto parece-me que definitivamente não estive a assistir ao mesmo jogo. Deve ter sido porque o jogo a que assisti foi o Sporting x Visitante.

Ou então os que hoje falam do fantástico massacre ao qual o Benfica foi ontem submetido eram aqueles que ontem aos noventa minutos andavam a dar 'olés'.

por D`Arcy às 15:32 | link do post | comentar | ver comentários (11)

Sorte

Tendo em conta as circunstâncias tenho que considerar o resultado do jogo desta noite como um mal menor, que nos mantêm em posição privilegiada na luta pela renovação do título de campeão. Mas não deixo de me sentir algo desapontado pelo facto do Benfica ter passado a maior parte do jogo numa estratégia de risco mínimo e aparentemente satisfeito com o empate. É certo que o jogo era muito mais decisivo para o Sporting do que para nós e que não pudemos contar com o nosso maior desequilibrador, mas esperava mais da nossa parte.

 

 

A estratégia de maior segurança ficou visível logo na escolha do onze inicial - visto a olho, já que o clube anfitrião fez questão de não anunciar a constituição da equipa do Benfica, ou melhor, do 'visitante', porque durante todo o tempo foi assim que se referiram à nossa equipa (certamente em casas de viscondes e gente diferente é assim que se demonstra classe). André Almeida em vez do Talisca, com a equipa a dispor-se em campo num 4-4-2 em que o Samaris e o André actuaram praticamente lado a lado, em vez do mais habitual 4-1-3-2. Sobre o jogo jogado, tenho pouco a dizer. Foi um jogo bastante táctico, em que as defesas se superiorizaram aos ataques e não houve uma única ocasião de golo para qualquer uma das equipas durante os primeiros quarenta e cinco minutos. Senti bastante a falta do Gaitán, uma vez que o seu substituto Ola John foi um dos jogadores mais desinspirados de toda a equipa e não fez uma contribuição positiva que fosse para o nosso jogo. Atrás dele também o Eliseu esteve longe do desejável, pelo que a nossa asa esquerda praticamente não serviu para nada. Também é justo referir que na direita o Salvio foi tudo menos brilhante, pecando por individualismo excessivo e por complicar jogadas em que se impunha a opção mais simples. No centro o Samaris, pelo contrário, esteve sempre muito bem e juntamente com o André e os frequentes recuos no campo do Jonas encaixaram no meio campo do Sporting, impedindo que tirassem partido de alguma teórica superioridade numérica nessa zona do terreno. 

 

 

Não vi grandes diferenças no início da segunda parte. Nenhuma das equipas parecia querer correr grandes riscos, e da parte do Benfica via uma aparente ainda maior vontade em deixar correr o marfim e satisfazer-se com o nulo. Uma vez que era ao Sporting a quem menos interessava este resultado, na fase final do jogo foi por isso natural que tentassem carregar mais na procura do golo. O facto de termos ficado com ambos os laterais e os dois médios centro (o Samaris já perto do final) amarelados creio que também contribuiu para uma menor agressividade a defender e para que os extremos do Sporting passassem a ter um pouco mais de liberdade - vi vários lances em que claramente os nossos jogadores se retraíram e não arriscaram meter o pé. Mas apesar disso o jogo nunca ficou particularmente desequilibrado, e recordo-me apenas de uma boa ocasião para o Sporting, num cabeceamento do Carrillo (no qual o Eliseu ficou a assistir de cadeirinha) que obrigou o Artur a uma boa defesa. No Benfica apenas me chamou a atenção um bonito passe do Samaris André Almeida para o Jonas, que dentro da área decidiu tentar assistir o Lima quando me pareceu que poderia ter rematado. Parecia-me que o jogo estava inevitavelmente destinado a um nulo, e que apenas algum lance fortuito poderia alterar o estado das coisas. E nos minutos finais, foi mesmo isso que acabou por acontecer, e por duas vezes. Primeiro, e porque no melhor pano cai a nódoa, o Samaris, que estava até então a fazer um jogo sem mácula, teve um mau corte que isolou o João Mário entre os nossos centrais. O Artur defendeu o remate, mas já não conseguiu evitar a recarga do Jefferson. Um duro golpe a três minutos dos noventa, ainda por cima sendo o golo marcado por um dos jogadores que eu mais detesto à face da terra (desde que lesionou o Salvio por seis meses que não suporto aquele animal). Claro que os adeptos da casa soltaram logo a sua tradicional arrogância e desataram a dar 'olés', como se o jogo medíocre a que se assistia sequer o merecesse. Levaram o castigo merecido para isso, porque já em período de descontos uma confusão dentro da área que se seguiu a um lançamento lateral do Maxi e posterior insistência com um despejo da bola para lá acabou com a bola a sobrar para o Jardel, que rematou no meio da confusão para o golo do empate.

 

 

Apesar da má intervenção que resultou no golo do adversário creio que o Samaris fez um jogo muito bom. O Artur também merece referência porque depois da campanha vergonhosa levada a cabo pelo Record durante a semana para o desestabilizar fez um jogo seguro e defendeu o que havia para defender. Não foi muito, mas o que fez fê-lo bem e nada mais poderia fazer no golo sofrido. O Jardel mereceria destaque quanto mais não fosse pelo golo, mas também esteve sempre bem na defesa, sobretudo tendo em conta o trabalho adicional a que foi muitas vezes sujeito para compensar o Eliseu. E também gostei do Maxi, que nunca revelou grandes dificuldades para controlar o jogador potencialmente mais desequilibrador do Sporting. O Nani passou praticamente ao lado do jogo, e isso muito por culpa do Maxi.

 

Perdemos dois pontos para o rival na luta pelo título, mas objectivamente mantemo-nos como a única equipa que depende apenas de si própria para conquistar o título. Espero que a sorte que tivemos hoje ao obter o empate no último fôlego de um jogo que poderíamos perfeitamente ter deixado fugir tenha sido também uma boa injecção de motivação adicional para que consigamos fazer a festa no final do campeonato.

por D`Arcy às 00:35 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Domingo, 01.02.15

Inequívoca

Ganhámos tranquilamente e sem aparente grande esforço ao Boavista, mas não terão sido muitas as vezes em que saí da Luz irritado depois de vencer um jogo por três a zero. Irritado por causa da lesão do Júlio César, e também porque a nossa superioridade sobre o Boavista foi tão inequívoca que o resultado me soube a pouco. Talvez seja eu que estou a ser demasiado exigente, mas fiquei mesmo com a sensação que os nossos jogadores nos ficaram a dever uma goleada das antigas.

 

 

Foi quase o mesmo onze que alinhou em Paços de Ferreira que entrou hoje em campo. Uma única alteração, que foi o Pizzi no lugar do Talisca. Não tenho acompanhado com muita atenção os jogos do Boavista esta época, por isso não sei se hoje foi um dia particularmente mau ou se isto tem sido o padrão da época, mas muito sinceramente, ao fim de dois ou três minutos de jogo já tinha uma opinião formada, que era que só mesmo um alinhamento absolutamente impossível dos astros conseguiria fazer com que conseguissem sacar qualquer coisa deste jogo. Juro que não estou a exagerar no que digo, até porque tenho respeito pelo Petit por motivos óbvios, mas o Boavista foi uma das piores equipas que eu vi jogar na Luz esta época, se não mesmo a pior. O único objectivo que pareceram ter foi acantonar jogadores à frente da área, e nos raros momentos em que conseguiam recuperar a bola não pareciam sequer saber o que fazer com ela. Quase todos os jogadores pareceram-me bastante limitados e sem qualidade suficiente para uma primeira liga normal, mas nesta aberração de dezoito equipas que temos o Boavista até consegue estar fora da zona de despromoção (embora desconfie que o sintético do Bessa seja o seu maior trunfo). Assim se compreende que durante a primeira parte o Boavista não tenha construído uma jogada de ataque (ou melhor, uma jogada sequer que os fizesse passar do meio campo sem ser através de chutões para a frente). E que mesmo com o amontoado de jogadores em frente à sua área tenha parecido relativamente simples ao Benfica ultrapassar a muralha defensiva: uma tabela rápida ou um passe de ruptura para as costas da defesa e aparecia logo um jogador nosso solto. Só mesmo algum nervosismo ou falta de confiança da nossa parte pode explicar a falta de eficácia que fez com que demorássemos vinte e três minutos a chegar ao golo. Foi nessa altura que o Lima aproveitou uma assistência do Maxi, que picou a bola sobre os defesas, para de cabeça fazer a bola passar sobre o Mika e desfazer o nulo. Isto já depois de um par de perdidas algo flagrantes da parte do Ola John e do Salvio. Não demorou muito até surgir o segundo golo, da autoria do Maxi, que depois de um canto marcado à maneira curta entrou à vontade pela quina da área e rematou cruzado de pé esquerdo. Até ao intervalo o resultado podia e devia mesmo ter sido ampliado, com destaque para a segunda perdida do Salvio, isolado em frente ao guarda-redes.

 

 

Acho que as facilidades que o Benfica encontrou ou soube criar fizeram com que a equipa jogasse de forma mais relaxada na segunda parte, e tivesse perdido uma boa ocasião para construir um resultado ainda mais desnivelado. Logo a abrir, pareceu-me ter ficado um penálti por assinalar após falta sobre o Lima, em mais uma tabela rápida com o Jonas que o deixaria na cara do golo. Não foi assinalado esse lance, foi erradamente assinalado outro com dez minutos decorridos. Um slalom individual do Samaris terminou com uma falta perto do limite da área, mas ainda fora, que o árbitro Hugo Miguel transformou em penálti e o Jonas converteu. De assinalar também que este lance ocorreu imediatamente a seguir a mais uma perdida escandalosa do Benfica, na qual o Luisão surgiu completamente sozinho quase na pequena área e com tempo para tudo, mas rematou de forma a permitir a defesa do Mika quando tinha o Lima completamente solto ao seu lado. A ganhar por três o nosso treinador mesmo assim resolveu arriscar a entrada do Talisca, e deu ainda oportunidade ao Gonçalo Guedes de somar mais alguns minutos pela equipa principal.  Quanto ao jogo, foi um desfilar de ocasiões perdidas ou mal aproveitadas, com os nossos jogadores a parecerem querer sempre dar mais um toque na bola, fazer mais um passe ou uma tabela, como se quisessem entrar com a bola pela baliza dentro. Pelo meio o Boavista teve a sua primeira e única ocasião no jogo, quando após um livre despejado para a área o Júlio César foi obrigado a fazer uma defesa fantástica para evitar o golo após um cabeceamento. E ate final, duas situações a mencionar: primeiro, a incrível lesão do Júlio César, que depois de passar o jogo quase todo ao frio e sem nada para fazer fez um sprint para tentar evitar um possível canto e ficou agarrado à coxa. Isto significa que há agora a possibilidade de para a semana o Sporting poder contar com o jogador que foi mais decisivo para que conseguisse arrancar um empate no jogo da primeira volta. A segunda foi mais um penálti evidente cometido sobre o Lima, já perto do final, e que não só não foi assinalado como resultou ainda na expulsão do Pietra do banco. Até estranharia se o lagartão Hugo Miguel acabasse um jogo nosso sem um saldo negativo para nós.

 

 

Na minha opinião o destaque em termos individuais vai para o Maxi, sobretudo pelo que fez na primeira parte. Assistência para o primeiro golo e marcador do segundo, para além de ter sido sempre dos mais activos e lutadores da equipa. O Samaris voltou a fazer um bom jogo e está a crescer bastante naquela posição. Gostei também do Jonas e do Lima, e quanto ao Salvio, apesar de muito participativo esteve trapalhão hoje. Não é normal vê-lo desperdiçar duas ocasiões isolado em frente ao guarda-redes.

 

Obrigação cumprida sem sobressaltos, e agora é começar a pensar no jogo que se segue. Com Artur ou Júlio César na baliza, é indiferente. O objectivo é o mesmo de sempre e em todos os jogos, seja qual for o adversário.

por D`Arcy às 03:20 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Segunda-feira, 26.01.15

Nabos

Obviamente que o Benfica não aproveitou a oportunidade para dar aquilo que poderia ter sido um golpe decisivo no campeonato. Entrámos bem no jogo, vimos o Jonas falhar uma ocasião que quase nunca desperdiça, mas a partir do momento em que o Lima falhou o penálti nunca mais nos encontrámos. Depois disso fomos uma equipa que pareceu descrente e nervosa, e fomos castigados mesmo sobre o final com uma derrota que nos impediu de tirar quaisquer dividendos da derrota do adversário directo na Madeira. Não soubemos encontrar soluções para ultrapassar uma equipa que defendeu quase sempre com os onze jogadores atrás da bola, e à medida que o tempo foi passando perdemos completamente o discernimento e só vi disparates uns atrás dos outros - incluindo no banco. Podemos até queixar-nos da infelicidade de ver a bola bater por três vezes nos ferros da baliza adversária, mas a verdade é que estivemos muito, muito abaixo daquilo que era exigível. Jogámos pouco como equipa e por demasiadas vezes os nossos jogadores tentaram fazer as coisas individualmente e tomaram péssimas decisões - por exemplo, aquele momento em que o Talisca, completamente sozinho sobre o lado esquerdo, decide tentar um remate acrobático de primeira em vez de controlar a bola era motivo para substituição imediata. O penálti que nos custou o jogo foi bem assinalado e um disparate monumental do Eliseu, a juntar aos outros que os nossos jogadores foram cometendo à medida que o tempo ia passando.

 

Estamos na mesma situação em que estávamos antes desta jornada, no primeiro lugar com seis pontos de avanço. Mas desperdiçar ocasiões destas para cimentar a liderança é um erro de principiante. Esta noite fomos uns nabos.

por D`Arcy às 22:11 | link do post | comentar | ver comentários (30)
Quinta-feira, 22.01.15

A melhor notícia do ano!

O adeus de Pedro Proença

 

Eu disse do ano?! Dos últimos 14 anos! Já fiz mais do que um post com estas imagens, mas nunca é demais recordar os momentos mais inolvidáveis do "melhor árbitro do século" em Portugal. Vai respirar-se melhor nos relvados a partir de hoje. E não te preocupes, nós não te esqueceremos. Nunca! E jamais te perdoaremos. Obviamente!

 

Da minha parte, revejo pela enésima vez os dois lances no Bessa e especialmente o do Lisandro, e a tua posição no campo diz-me tudo o que preciso de saber sobre ti. Não tenhas receio, nós sabemos bem que não "erraste dentro de campo".

 

Infelizmente para nós, acabaste a carreira com 14 anos de atraso. Não deixas saudades. Nenhumas!

 

Máquina

Bastava o empate para seguirmos para as meias-finais da Taça da Liga, mas mesmo trocando diversos jogadores a nossa equipa não mudou o registo que tinha apresentado na Madeira e, com mais uma exibição altamente competente, venceu o Moreirense e fez o pleno nos jogos do seu grupo. O que mais me impressionou neste jogo foi a forma como, mesmo trocando diversos jogadores, o Benfica conseguiu controlar de forma tão absoluta o jogo e o adversário, a exemplo do que fizemos contra o Marítimo. Assim que pegámos no jogo nunca mais o largámos, e a partir daí não consigo recordar-me sequer de uma jogada de perigo da parte do Moreirense.

 

 

Os repetentes do onze titular na Madeira foram três defesas - Luisão, Jardel e Eliseu - mais o Jonas na frente de ataque. Depois foram novidades: Artur na baliza, André Almeida na direita da defesa, Cristante e Pizzi no meio campo, Ola John e Sulejmani nas alas, e Pizzi como homem mais avançado. O Moreirense teve uma boa entrada no jogo, bastante semelhante ao que tinha mostrado em nossa casa no jogo do campeonato, com uma pressão bastante agressiva logo na saída de bola do Benfica. Durante os primeiros quinze minutos esteve melhor no jogo e construiu uma ocasião em que fez um remate cruzado com algum perigo, mas o Artur respondeu bem. Depois disso o Benfica começou a assentar o seu jogo e a fazer a bola circular e nunca mais o Moreirense regressou ao jogo. Não foi possível continuar a pressionar quando a circulação de bola era feita de forma tão coordenada, com todos os jogadores a ocupar correctamente os espaços e a saber exactamente o que fazer dentro de campo. A estatística da posse de bola depressa se desequilibrou completamente para o nosso lado, até porque quando o Moreirense recuperava a bola não conseguia construir nada e perdia-a quase sobre a linha do meio campo. Mesmo tendo passado a estar completamente por cima no jogo, o Benfica parecia mais preocupado em controlá-lo do que em atacar desenfreadamente a baliza adversária, como se estivesse confiante que mais cedo ou mais tarde o golo acabaria por aparecer. Ensaiámos várias jogadas em tabelas pelo centro, tirando sobretudo partido das movimentações do Jonas na zona frontal à área adversária, e a ameaça mais séria surgiu dos pés do brasileiro, num remate que passou perto do poste. Houve mais uma ocasião em que foi o Jonas a atrapalhar uma boa combinação entre o Eliseu e o Derley, na qual o nosso lateral esquerdo ficaria em muito boa posição para marcar.

 

 

O controlo do Benfica manteve-se na segunda parte, e acentuou-se ainda mais quando ainda na fase inicial trocámos o jogador que me parecia estar com menor rendimento (Sulejmani) pelo Samaris, passando o Pizzi para a direita. Faltava apenas um golo que desatasse o nó e que seria certamente decisivo, pois o Moreirense não mostrava ser capaz de reentrar no jogo. O Benfica já vinha a ameaçar muito mais a baliza adversária desde o reinício, e esteve perto de marcar num remate do Jonas defendido com dificuldade pelo guarda-redes, ou num cabeceamento do Luisão, que surgiu completamente solto na área mas cabeceou sem direcção. O golo acabou por surgir com vinte minutos decorridos. O inevitável Jonas recebeu a bola à entrada da área, entregou-a ao Derley já dentro da área, e este deixou-a novamente para o Jonas, que marcou num remate em arco muito bem colocado para o poste mais distante. O golo fez a equipa do Moreirense desmoronar-se completamente, ainda por cima quando um segundo golo se seguiu apenas quatro minutos depois. Mérito do Derley, que aproveitou uma má intervenção de um defesa para controlar a bola e fugir em direcção à baliza, para depois desviar a bola do guarda-redes quando já estava pressionado. Com o jogo e o apuramento mais do que resolvidos, tempo para a entrada do Gonçalo Guedes no jogo, que ainda veio trazer alguma animação. O resultado ficou nos dois golos de diferença, mas poderia ser bem mais dilatado porque o guarda-redes Marafona defendeu dois golos quase certos, um que seria um autogolo, e outro num remate à queima-roupa do Derley após um canto. E perto do fim assistimos a um dos falhanços da época, no qual o Pizzi, completamente sozinho no interior da área depois de servido pelo Gonçalo Guedes, conseguiu acertar num defesa sobre a linha de golo quando nem sequer havia guarda-redes na baliza.

 

 

O Jonas mais uma vez espalhou a sua classe em campo. Acho que por vezes bastar-lhe-ia tocar na bola meia dúzia de vezes durante um jogo para fazer a diferença. Mas foi decisivo hoje, marcando o golo que desfez o nulo e lançou o Benfica para a meia-final. A forma como se movimenta em campo naquele espaço junto à área, como vem atrás buscar jogo e solicita os colegas é um espectáculo à parte. Um jogador destes a custo zero é sem dúvida uma das melhores contratações que eu já vi o Benfica fazer. O Ola John deu seguimento ao jogo na Madeira com mais uma exibição positiva, sobretudo quando actua sobre o lado esquerdo. Parece estar mais confiante (até já ganha algumas bolas divididas) e colabora mais nas tarefas defensivas. O Derley tem um estilo algo trapalhão, mas é um avançado muito lutador e hoje fez por merecer o golo que marcou (e o Marafona ficou a dever-lhe mais um). Mas volto a repetir que o maior destaque tem que ser para a equipa num todo, e para a forma altamente competente como abordou este jogo, a exemplo dos últimos. Mérito total para o nosso treinador pelo trabalho que tem sido feito.

 

Mais uma vitória, mais um jogo sem sofrer golos e num grupo com três adversários da primeira liga conseguimos terminar apenas com vitórias e nem um golo sofrido. Os jogadores parecem transpirar confiança e o mesmo espírito de união que na época passada resultou em tantas alegrias. Tal como nos últimos jogos, não fomos apenas melhores do que o adversário, fomos muito melhores. Olhando para o que fizemos neles, fico com a ideia que a nossa equipa é neste momento uma máquina muito bem oleada, na qual podemos ir trocando peças sem que o seu desempenho sofra. Que possamos continuar neste registo na próxima segunda-feira.

por D`Arcy às 01:59 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quarta-feira, 21.01.15

Bernardo

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Em termos puramente económicos, nada a apontar. É um excelente negócio para o Benfica, por números que seria irresponsável recusar. Mas não consigo evitar sentir-me triste com a venda do Bernardo Silva, sobretudo por mal ter tido a oportunidade de o ver jogar com a camisola da equipa principal. E não posso deixar de pensar se este negócio não estaria já acertado na altura em que o empréstimo foi feito, sem que tenha havido coragem suficiente para o assumir perante os sócios. Dá para desconfiar se será também este o destino já traçado para outros jogadores por nós formados que vão sendo emprestados.

por D`Arcy às 02:44 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Segunda-feira, 19.01.15

Bailinho

Será que dar quatro em casa de um Marítimo que tinha apenas uma derrota como visitado, somar mais um jogo sem sofrer golos e dar o bailinho que demos hoje na Madeira, tudo isto mesmo depois de termos ficado privados, por lesão, da genialidade do Gaitán ao fim de quinze minutos é suficiente? Suficiente para pelo menos atenuar um pouco o ladrar constante com que algumas cabecinhas ocas insistem em acompanhar a marcha desta equipa?

 

 

Nenhuma surpresa no onze inicial, onde se assinalam os regressos à titularidade do Salvio e do Luisão. A dupla Samaris/Talisca parece ser definitivamente a aposta para o meio campo pós-Enzo nesta fase, o que significa que apesar das boas indicações que vem deixando o Cristante ficou fora dos convocados. Sobre o jogo, resume-se praticamente a dizer que foi uma superioridade inconstestável do Benfica em toda a linha. Foi disputado intensamente, com as duas equipas a lutarem arduamente pela bola, mas durante a primeira parte não consigo recordar-me de uma única oportunidade do Marítimo, ou que pelo menos tivessem obrigado o Júlio César a esforçar-se um bocadinho. Aos quinze minutos de jogo ficámos sem o Gaitán, que esticou demasiado para recuperar uma bola e teve um problema muscular. Mas praticamente nem deu tempo para ficarmos preocupados, porque para o seu lugar entrou o Ola John, que três minutos depois já fazia o passe para o primeiro golo do jogo. Foi um passe bastante longo  e por alto para as costas da defesa do Marítimo, onde o Salvio ganhou posição a um defesa, controlou a bola e rematou para o fundo da baliza. Reacção do Marítimo ao golo não houve, porque o Benfica não deixou. O Marítimo foi uma equipa completamente controlada e manietada, que nem no meio campo conseguiu tirar algum partido de uma suposta superioridade numérica, uma vez que o Jonas é até mais do que um 'nove e meio' - quando a equipa não tem bola ele transforma-se praticamente em mais um médio. Até ao intervalo o nosso segundo golo foi sempre uma possibilidade bem mais real do que qualquer regresso do Marítimo à disputa do resultado.

 

 

Marítimo que regressou para a segunda parte parecendo querer pressionar o Benfica à procura do empate. Animaram-se os comentadores do jogo, mas durou pouco porque ao fim de oito minutos o Ola John acabou com a animação. A passe do Talisca, esperou pela saída do guarda-redes e picou-lhe a bola por cima para o segundo golo. E só para não haver dúvidas, cinco minutos depois o Salvio marcou mais um, com um remate cruzado desferido sobre a direita, a passe do Jonas. A resposta do Marítimo foi a única ocasião digna desse nome que teve durante os noventa minutos: um grande remate de fora da área da parte do Danilo, que levava a bola mesmo para o cantinho da baliza. Mas o Júlio César lá conseguiu ignorar a artrite e as dores nas costas e, com um golpe de rins, ainda conseguiu tocar ligeiramente na bola, o suficiente para que ela embatesse no ferro da baliza em vez de entrar. Mas essa situação foi uma excepção. Se o jogo já estava e sempre esteve completamente controlado até aí, com três golos de vantagem no marcador o Benfica entrou numa fase de quase festival, em que fazia a bola circular de pé para pé dos jogadores com o Marítimo a ver ou a correr atrás dela. Exemplo disso é a jogada do quarto golo, que começou num pontapé de baliza do Júlio César e viu a bola passar quase sempre ao primeiro toque entre o Jonas e o Salvio, para que este, mesmo em boa posição para marcar, oferecesse um golo fácil ao Lima. Tudo isto com o Marítimo a não poder fazer mais do que simplesmente ver jogar. Três golos em pouco mais de dez minutos, jogo decidido. Havia mais quase meia hora para jogar até final, mas esse tempo foi passado com o Benfica simplesmente a gerir, sem forçar sequer muito à procura de mais golos. De realçar apenas a expulsão que o Talisca parece ter forçado, sobre o final do jogo, e que assim o faz falhar o próximo jogo da Taça da Liga em vez do jogo em Paços de Ferreira para a liga.

 

 

O Salvio marcou dois golos e ofereceu mais um, e é obviamente o homem do jogo. Apesar de ter ainda o braço engessado, em boa hora se prontificou para regressar o mais depressa possível. É uma das jóias do nosso plantel, e imagino que seja um dos próximos alvos das novelas da nossa imprensa desportiva. Mas hoje podemos destacar muitos outros jogadores. O Ola John, que entrou bem no jogo e foi decisivo, com a assistência para o primeiro golo e marcando o segundo. O Jonas, que como já disse noutras ocasiões parece ser incapaz de fazer o que quer que seja mal feito. Tem um toque de bola sublime, e sabe jogar como poucos nos espaços entre as linhas adversárias. O Maxi, que faz aquela ala direita quase de olhos fechados com o Salvio, e que vem mostrando jogo após jogo que é um jogador que temos todo o interesse em não deixar sair no final do contrato. E, porque é inteiramente merecido, o Luisão. Quatrocentos e quarenta jogos oficiais pelo Benfica não é para todos. O Luisão já ganhou o direito ao seu lugar na história do Benfica, e ao fim de todos estes jogos a sua presença no onze é talvez mais importante que nunca, como foi possível voltar a comprovar hoje.

 

Imagino que a frustração de algumas criaturas deva ser ainda maior agora, depois de meses a esfregar as mãos à espera da saída do Enzo, e quando se pensava que 'agora é que é' a resposta da equipa tem sido o que temos visto. Não vou dizer que somos a equipa que está a jogar melhor futebol, porque isso é um 'título' que pertence, e há muitos, muitos anos, exclusivamente aos delirantes do Lumiar. Não vou dizer que temos algum melhor jogador do campeonato, porque esse título apenas pode ser atribuído com justiça a qualquer jogador que não jogue no Benfica. Melhor treinador? Bem, acho que até uma série de benfiquistas me quereriam bater se eu afirmasse isso. Nem vou dizer que somos os mais fortes candidatos ao título, porque todos sabemos que esse já está entregue desde Julho passado a outra equipa. Fico-me portanto por dizer que me vou dando por bastante satisfeito com o que temos. Agora é altura de pensar no jogo da próxima quarta, no qual eu espero que não haja demasiadas poupanças. O Moreirense tem uma boa equipa, e precisamos pelo menos de um empate.

por D`Arcy às 03:19 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Quinta-feira, 15.01.15

Tranquilidade

Tranquilidade absoluta na vitória gorda sobre o Arouca para a Taça da Liga. O resultado final acabou por ser o mesmo que se tinha verificado no jogo para o campeonato contra este mesmo adversário, mas as dificuldades foram muito menores esta noite.

 

 

Ao contrário do que aconteceu no primeiro jogo, contra o Nacional, esta noite houve muito mais alterações em relação ao nosso onze base. Apenas dois jogadores habitualmente titulares alinharam de início (Maxi e Jardel) num onze onde se assinalam as presenças do Gonçalo Guedes, Rui Fonte, Sílvio e Sulejmani. Todos eles se estrearam a titulares esta época - para o Rui Fonte foi estreia absoluta no Benfica, e o Sílvio fez os primeiros minutos após a prolongada lesão que sofreu a época passada. Foi bom vê-lo de regresso. O jogo não tem grande história a contar, dado que desde o apito inicial teve sentido único mesmo com o Benfica a jogar num ritmo pouco mais do que pausado. O golo inicial surgiu à meia hora de jogo num lance que praticamente sentenciou o encontro, pois resultou de um penálti cometido sobre o Rui Fonte no qual o jogador do Arouca foi expulso. O Pizzi - que tinha dado início à jogada com um bom passe para a desmarcação do Maxi - converteu sem problemas. A três minutos do intervalo surgiu o segundo golo, num remate de primeira do Cristante ainda de fora da área, com a bola ainda a sofrer um desvio num adversário e a trair o guarda-redes. A segunda parte, para a qual regressaram o Jonas e o Salvio nos lugares do Rui Fonte e do Gonçalo Guedes, foi geralmente pouco interessante, com o Benfica a insistir demasiadas vezes em tentar entrar pelo centro da defesa adversária em tabelas sucessivas, facilitando assim a tarefa ao Arouca. Acabou por ter como motivo de interesse apenas os dois golos de rajada já dentro dos últimos dez minutos, o primeiro marcado pelo Salvio, e o segundo pelo quase inevitável Jonas. No primeiro o Salvio ainda esperou até ao último momento que a bola rematada pelo Jonas e desviada pelo guarda-redes entrasse, mas acabou por ter que dar o toque final. Depois a bola foi ao meio campo, o Benfica recuperou-a imediatamente e o Pizzi colocou-a nos pés do Derley, que cruzou para uma finalização fácil do Jonas. De mencionar também o facto do Benfica ter jogado os últimos vinte minutos com o Benito a defesa central após lesão do César, mas o suíço não teve grandes problemas pois o Arouca foi completamente inexistente no ataque.

 

 

O jogador que mais se destacou foi o Pizzi, que teve intervenção directa nas jogadas dos quatro golos. No primeiro fez o passe para a desmarcação do Maxi e depois converteu o penálti; no segundo foi ele a conduzir a bola pela esquerda que depois acabou por sobrar para o remate do Cristante; no terceiro fez o passe que isolou o Jonas; e finalmente no quarto foi dele o passe a isolar o Derley. Gostei também do jogo do Maxi, que encara todos os jogos com a mesma atitude competitiva. O Cristante é um jogador que me agrada muito pela qualidade técnica que tem e capacidade de passe. Espero que possa evoluir muito sob orientação do nosso treinador. Em relação aos jogadores vindos da equipa B, o Rui Fonte viu-se pouco, talvez por estar a ambientar-se às funções de segundo avançado, e quase apenas apareceu no lance do penálti. O Gonçalo Guedes não precisa de mostrar que tem qualidade, porque já o sabemos. Teve algumas jogadas interessantes, mas no geral pareceu-me estar com demasiada vontade em mostrar serviço e as coisas nem sempre lhe saíram bem.

 

Estamos em primeiro lugar do grupo, isolados, e agora teremos que conquistar pelo menos um empate contra o Moreirense para garantir o acesso às meias-finais de uma prova que dominamos praticamente desde a sua criação. Tendo em conta que é o único objectivo que temos para além do campeonato, espero que o Benfica leve esta prova a sério e consiga defender o título que detém.

por D`Arcy às 01:03 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sábado, 10.01.15

Inconstestável

Superioridade incontestável do Benfica e vitória inquestionável sobre o Vitória de Guimarães numa das exibições mais convincentes que vi a equipa fazer esta época.

 

 

Faltou o Luisão e o Maxi, o Salvio começou no banco, O Fejsa e o Rúben continuam lesionados, desta vez até o Lisandro que tão bem tinha substituído o Luisão em Penafiel ficou também de fora por lesão. Mesmo assim, e mais uma vez, o Benfica voltou a apresentar um onze que depressa fez esquecer os ausentes, e onde se notou o regresso do Eliseu após várias semanas de fora. O Vitória, com todo o mérito, tem sido classificado como a equipa sensação deste campeonato e ocupa merecidamente o terceiro lugar na tabela. Mas nada conseguiu fazer esta tarde para contrariar a superioridade do Benfica, que dominou e controlou o jogo praticamente do primeiro ao último minuto. Depois do Vitória ter também resolvido fazer a jogadinha pouco educada de escolher o campo 'ao contrário', logo na saída de bola o Jonas apareceu sozinho em frente ao guarda-redes depois de um passe do Gaitán e só não marcámos aos dez segundos de jogo porque não conseguiu acertar bem na bola. Cinco minutos depois foi o próprio Gaitán a aparecer isolado, a passe do Ola John, mas o guarda-redes saiu de forma rápida e conseguiu fazer a mancha. Quando o golo inicial apareceu, estavam decorridos apenas treze minutos, mesmo assim já parecia tarde. Livre batido pelo Gaitán, na direita do ataque, e cabeçada certeira do Jonas, que se antecipou a toda a defesa adversária.

 

 

O Benfica praticava um futebol muito agradável de ver, fazendo a bola circular rapidamente e por toda a largura do campo. Na esquerda o Ola John esteve muito mais decidido do que o habitual, e na direita o Gaitán, a fugir frequentemente para o centro, abria o livro. No centro o Samaris vai ganhando influência e alargando o seu raio de acção, enquanto que o Talisca parece estar a saber aumentar a agressividade do seu jogo de acordo com a posição mais recuada em que tem jogado agora. E na frente de ataque o Lima e o Jonas complementaram-se muito bem, sempre em constante movimento - o Lima a cair sobre a direita para ocupar o espaço do Gaitán, o Jonas a recuar para fazer a ligação com o meio campo e a aparecer muitas vezes a jogar como um verdadeiro médio, inclusivamente no auxílio à defesa. As iniciativas de ataque do adversário eram quase todas cortadas ainda no meio campo, a superioridade do Benfica foi quase total, e o Vitória bem pode sentir-se feliz por não ter chegado ao intervalo a ser goleado, pois foram três as vezes em que a bola embateu nos ferros da sua baliza. Primeiro num livre do Gaitán cruzado para a área, no qual ninguém tocou na bola, depois num grande remate do Talisca à entrada da área, assitido pelo Ola John, e finalmente num remate do Jonas, com a bola a ser ainda ligeiramente desviada pelo guarda-redes. A tímida resposta do Vitória ficou-se por um remate de meia distância e por uma cabeçada muito perigosa após um canto cedido infantilmente pelo César. Em ambas as ocasiões o Júlio César repondeu em grande. A vantagem mínima ao intervalo era, claramente, escassa para tanto domínio.

 

 

Na segunda parte o Benfica o Benfica pareceu apostar sobretudo em controlar o jogo em segurança, e o nosso futebol foi menos exuberante do que na primeira parte. Sobretudo porque mais uma vez marcámos logo nos primeiros minutos, depois de uma boa iniciativa do Lima, que escapou ao marcador directo, ganhou a linha de fundo e passou atrasado para o Ola John falhar o remate com o pé direito e a seguir fuzilar a baliza com o pé esquerdo. Apesar de ainda faltar muito tempo para jogar, creio que não restariam muitas dúvidas sobre o vencedor do jogo, pois com este segundo golo o Benfica colocava-se a salvo de um qualquer golpe de azar. O Vitória aproveitou um certo relaxamento do Benfica para ter mais bola e ensaiar alguns remates à nossa baliza - certamente em maior número do que aquilo que tinha conseguido fazer durante a primeira parte - mas praticamente nunca conseguiu incomodar seriamente o Júlio César. Já no período final do jogo, durante o qual o Benfica efectuou as suas substituições, destaque para o regresso do Salvio, ainda de braço engessado, que ainda foi a tempo de fazer uma assistência para o golo que permitiu, já sobre a hora, fechar da melhor forma a homenagem ao nosso Eusébio. A jogada começou numa recuperação de bola do Samaris a meio campo (sobre o André André, que apesar de ser classificado pelo seu treinador como o melhor médio da liga ficou directamente ligado a dois dos golos do Benfica), o Lima voltou a fugir à marcação e a ganhar a linha de fundo e a sua tentativa de passe atrasado foi interceptada, com a bola a sobrar para o Salvio insistir e passar atrasado, permitindo um golo fácil ao Gaitán.

 

 

O Gaitán foi eleito no final como o homem do jogo, e eu concordo com a distinção. Esteve num dos seus dias, fez uma assistência e marcou um golo, e achei que quer a braçadeira de capitão, quer o número dez nas costas da camisola lhe assentaram muito bem num jogo em que o Eusébio foi recordado. O Ola John esteve bastante melhor, mas piorou na fase final quando pareceu perder frescura física, justificando-se plenamente a sua substituição. O Lima não marcou mas esteve muito batalhador na frente e teve intervenção directa em dois dos golos. O Jonas é um jogador que praticamente não faz nada errado, e até agora está a provar ser a pechincha da época. Estou a gostar bastante de ver a evolução do Samaris naquela posição. Está a ganhar agressividade e a alargar o seu raio de acção, e não me admirarei nada se daqui a algum tempo já for considerado imprescindível no onze. E para quem duvidava dele, pela idade ou por outro motivo qualquer, parece-me que o Júlio César é mesmo reforço.

 

Desta vez não terá sido o árbitro, nem o jogador emprestado pelo Benfica que não jogou (o Bruno Gaspar fez os noventa minutos), portanto prosseguindo pela lista de desculpas e justificações esfarrapadas que os nossos adversários gostam de utilizar imagino que a justificação será que o Guimarães não jogou nada. Durante esta semana imagino que passem de equipa sensação do campeonato a pior equipa do universo, porque naquelas cabeças só assim se justificará que o Benfica lhes tenha aplicado este correctivo. O que eu vejo são catorze vitórias em dezasseis jogos, oito delas consecutivas, e seis jogos seguidos sem sofrer golos. Agora é prosseguir neste caminho.

por D`Arcy às 23:58 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 05.01.15

Competente

Vitória fácil do Benfica na deslocação a Penafiel num jogo em que deixou a sensação de nem ter sido necessário jogar mais do que a meio gás. A expulsão de um jogador adversário facilitou o avolumar do resultado na fase final do jogo e para quem não tenha visto o jogo os números finais até poderão deixar a ideia de uma exibição mais espectacular do que realmente foi

 

 

Muito se especulou pela comunicação social fora depois da saída do Enzo, muita gente voltou a esfregar as mãos, já gastas de tanto esfregar, e pensou e disse 'Agora é que é', e de repente até parecia que o jogo em Penafiel seria um obstáculo de outra galáxia. De cada vez que o Porto ganha, os jornais fazem manchetes com a 'pressão' que coloca sobre o Benfica, como se não fossem seis os pontos que nos separam deles. Vale tudo para tentar criar instabilidade. Já não há Enzo, o Samaris está suspenso, há outros no plantel. Entrega-se o meio campo a dois miúdos de 19 e 20 anos, e vamos a jogo. O Luisão e o Eliseu continuam de fora, o André Almeida continua na esquerda e desta vez entrega-se o lugar no centro ao Lisandro, permitindo-lhe jogar na sua posição natural mais à direita (até agora tinha jogado sempre sobre a esquerda). O jogo, no qual o Benfica jogou praticamente em casa de tão maioritariamente favorável foi o apoio do público que encheu o 25 de Abril,  foi aquilo que se poderia esperar entre duas equipas com valia e objectivos completamente diferentes. O Penafiel jogou com as armas que tinha, tentou fechar atrás e manter-se o mais organizado possível para depois explorar algum lance fortuito no ataque. O Benfica, tendo quase sempre a bola em seu poder, nunca pareceu querer ou ter sequer a necessidade de forçar ou acelerar muito, fazendo um jogo paciente e parecendo seguro que mais cedo ou mais tarde as ocasiões apareceriam com naturalidade. Com o Penafiel a preferir remeter-se ao seu meio campo e esperar pelo Benfica, e portanto a não exercer sequer grande pressão sobre os nossos jogadores, os nossos médios puderam jogar com relativa liberdade e tempo para pensar e distribuir o jogo, mas encontrámos sempre dificuldades para descobrir espaços na defesa adversária. 

 

 

A primeira jogada digna de realce foi uma iniciativa individual do Ola John, que furou por entre os adversários e só pecou por não ter sabido soltar a bola para a sua esquerda, onde tinha o Gaitán completamente solto. De qualquer forma fiquei com a nítida impressão de que ele foi derrubado em falta quando estava prestes a isolar-se, mas o árbitro não assinalou nada. Pouco depois foi uma tabela entre o Jonas e o Lima que deixaria este último em posição privilegiada, não fosse ter sido derrubado em falta no último instante. Desta vez o livre foi assinalado, em posição frontal e perigosa, mas o Talisca rematou muito por alto. Seguiu-se nova situação de algum perigo, num lance de exclusiva responsabilidade do guarda-redes do Penafiel, que largou uma bola de forma atabalhoada e quase permitiu ao Jonas fazer o golo, mas ainda conseguiu emendar a mão a tempo de ceder canto. Quanto ao Penafiel, se havia alguma estratégia de contra-ataque, não resultou de forma alguma. A única forma que tinha de conseguir chegar à área do Benfica era através de livres nas zonas laterais do campo, aproveitados para colocar lá a bola - e sobretudo numa fase inicial os nossos jogadores concederam mais desses livres do que seria desejável. O golo que abriu o marcador acabou por surgir aos trinta e sete minutos de jogo, com o carimbo de qualidade do Gaitán e do Lima a permitir uma finalização fácil ao Talisca. Tudo começou num grande passe em profundidade do argentino para as costas da defesa adversária, onde o Lima teve um excelente controlo de bola, deixou um defesa no chão, e passou atrasado para o Talisca empurrar para a baliza deserta. Vantagem justa ao intervalo, e que só salvo alguma reviravolta pouco provável no sentido do jogo ou algum golpe de azar poderia ser anulada.

 

 

A verdade é que logo nos minutos iniciais da segunda parte o Penafiel até chegou a introduzir a bola na nossa baliza - na sequência de mais um livre lateral despejado para a área - mas o golo foi anulado. A repetição mostrou que o autor do golo estava de facto em posição irregular, mas fiquei com muitas dúvidas em relação à posição do auxiliar que assinalou a infracção. A bem da verdade desportiva, parece-me que essa é uma situação que deverá ser devidamente escrutinada, porque se calhar o auxiliar estava em posição irregular. De volta ao jogo, pouco mudou em relação à primeira parte. Para falar a verdade, até estava um pouco irritado com a aparente falta de vontade do Benfica para forçar um pouco mais em busca do golo da tranquilidade, parecendo satisfeito em controlar a posse de bola e deixando o tempo correr, até porque o Penafiel era um adversário muito pouco incómodo. E se já era pouco incómodo, ainda menos se tornou quando a vinte e cinco minutos do final o seu lateral direito foi expulso por acumulação de amarelos, depois de puxar a camisola do Jonas. A partir daí passou a ser apenas uma questão de deixar o tempo correr e ver se o Benfica ainda conseguiria marcar mais algum golo, porque a vitória quase de certeza já não fugiria. Mesmo sem acelerar muito o ritmo do jogo, o Benfica foi competente na forma como jogou em superioridade numérica, com frequentes variações rápidas do flanco de jogo que permitiam encontrar sempre um jogador sozinho nas pontas. Foi dessa forma que começámos a ver mais jogadas perigosas a surgir, e numa entrada pela direita do Maxi, a doze minutos do final, chegámos ao segundo golo. O cruzamento desviou num defesa e fez a bola passar sobre o guarda-redes, permitindo ao Jonas, quase sobre a linha de golo, marcar com o peito. E antes do final marcámos ainda um terceiro golo, num cabeceamento do Jardel sem qualquer oposição na pequena área, após canto marcado pelo Gaitán.

 

 

O Gaitán foi novamente decisivo. Até podia passar a maior parte de um jogo sem se dar por ele, que depois aparece e em dois ou três pormenores de classe desequilibra. Gostei de ver o Cristante, que mais uma vez mostrou ter uma qualidade de passe muito superior à média. Como hoje jogou com pouca pressão conseguiu aparecer mais. Creio que temos ali um jogador com muita qualidade, mas continuo a achar que pode render mais noutra posição com menos responsabilidades defensivas e mais liberdade para distribuir jogo. Outros jogadores que gostei de ver foram o Jonas, bem a fazer a ligação entre o meio campo e o ataque, o Maxi, e pareceu-me que o Lisandro esteve mais à vontade a jogar sobre a direita. Mas aquela posição é obviamente do Luisão.

 

Acima de tudo creio que foi uma exibição bastante competente da nossa equipa, que resultou numa vitória perfeitamente natural. Como escrevi antes, perdemos o Enzo mas confio que outros saberão ocupar o seu lugar. Por agora talvez seja altura de outros começarem a lançar mãos à obra para tentar fazer uma novela Nico. Quem sabe, se o Benfica o vender, desta é que vai ser.

por D`Arcy às 00:53 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 31.12.14

Frio

Mais uma exibição fraquinha no regresso das miniférias de Natal, mas ainda assim q.b. para vencer o Nacional no regresso a uma competição que dominamos desde que foi criada.

 

 

Não se pode dizer que tenham havido grandes poupanças, porque o Benfica apresentou um dos onzes mais fortes que seria possível fazer alinhar nesta altura. De fora por opção apenas o Gaitán e o Samaris, com a novidade do Pizzi ter jogado na sua posição original de extremo direito, enquanto que no meio campo foi o Cristante a ocupar a posição seis. Depois do Nacional se ter juntado à lagartagem no ilustre grupo dos clubes mal-educados que insistem em não respeitar a tradição na escolha do campo, a entrada no jogo não foi má, e logo para começar criámos um lance perigoso que me pareceu mal interrompido por um suposto fora de jogo. Aos onze minutos chegámos ao golo, num cabeceamento do Jonas após cruzamento do Maxi na direita. Pouco depois o Lima foi bem lançado por um passe do Jonas, mas acabou por permitir o corte de um defesa quando estava em boa situação para marcar. Depois disto o Benfica adormeceu um pouco e o Nacional começou a ter mais bola e a aparecer no jogo. Não incomodou grandemente, e quase só conseguia chegar à nossa area através de livres despejados para lá, sem causar problemas de maior. Apenas numa situação o Rondón apareceu  algo à vontade no interior da área, mas cabeceou muito mal e por cima da nossa baliza. O futebol apresentado de parte a parte foi feio e pouco interessante, e apenas a acabar a primeira parte houve um momento de maior emoção, quando o Maxi atirou uma bola à trave num remate cruzado.

 

Para a segunda parte o Gaitán regressou no lugar do Pizzi, e trouxe naturalmente algumas melhorias ao jogo. Que continuou sem qualidade por aí além, mas pelo menos houve mais ocasiões de perigo junto das duas balizas. O Benfica chegou a marcar um golo pelo Ola John, mas o lance foi invalidado por fora de jogo - estava do outro lado do estádio, por isso não tenho opinião sobre a validade do golo ou não. O Nacional respondeu e teve duas boas ocasiões para marcar, tendo o Júlio César correspondido bem em ambos os casos. A primeira foi criada por um atraso disparatado do André Almeida, que acabou por deixar a bola ao alcance de um adversário na zona da pequena área, mas o Júlio César acabou por ganhar o lance. Na segunda, fez uma defesa por instinto com o pé a um cabeceamento (na verdade, até me pareceu mais com o ombro ou algo assim) após um livre lateral. Pelo meio, o Gaitán isolou-se depois de mais um bom passe do Cristante mas acabou por deixar a bola fugir. A meio da segunda parte o Benfica trocou o Talisca pelo Samaris, e mesmo sem poder dizer que o grego tenha feito algo de particularmente meritório pareceu-me que o Benfica voltou a ganhar o meio campo após essa substituição, ficando com o controlo do jogo. O segundo golo ficou mais perto de acontecer, e fomos mais rematadores no período final do jogo. A entrada do Sulejmani nos minutos finais também deu uma ajuda, porque foi um jogador muito mais decidido do que o Ola John na abordagem aos lances e na agressividade que colocou em campo. ainda foi a tempo de participar em alguns lances de perigo e provocar a expulsão de um adversário.

 

Melhor do Benfica, o Maxi. O Gaitán entrou bem no jogo e também gostei do Jonas. Hoje prestei alguma atenção em particular ao Cristante. Não quero estar a ser peremptório porque com o JJ nunca se sabe, e ele já operou diversos 'milagres' de transformação de jogadores, mas acho difícil que ele se possa transformar num trinco à imagem daqueles que o JJ prefere. Se tivesse que encontrar um jogador para servir de exemplo ao estilo de jogador que o Cristante é, seria o Pirlo (com as devidas distâncias). O Cristante parece ser um jogador com boa capacidade técnica, boa visão de jogo e muito boa qualidade de passe (se calhar não existe outro jogador no plantel capaz de colocar a bola tão bem em passes longos). Mas não me parece ter a intensidade ou agressividade necessárias para fazer a posição seis da forma que o JJ costuma pretender. Julgo que seria mais bem aproveitado num meio campo a três, ou no mínimo com outro médio a jogar ao lado dele mais dedicado às tarefas defensivas. Passando à parte mais negativa, custou-me compreender como foi possível o Ola John passar quase oitenta e cinco minutos dentro do campo. A intensidade com que ele aborda cada lance é semelhante à de um tagliatelle cozido.

 

Mais uma vez tenho que terminar dizendo que o mais importante foi conseguido, que são os três pontos. Quanto à exibição, acho que não foi suficientemente agradável para conseguir compensar o tremendo frio a que me submeti para ver este jogo.

por D`Arcy às 02:40 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Terça-feira, 30.12.14

Enzo

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Muito obrigado por tudo o que fizeste enquanto defendeste a camisola do nosso clube. Obrigado pela garra, pela classe, e pelo enorme prazer que foi ver-te jogar com a águia ao peito - não demorou muito até que te tornasses num dos meus jogadores preferidos (se não mesmo o preferido) no Benfica. Tenho pena de te ver sair, mas no futebol o que fala é o dinheiro e benfiquismo é para quem está na bancada. Não há insubstituíveis, e assim como tu rapidamente fizeste esquecer o Witsel acredito que em breve outro conseguirá ocupar o teu lugar. Boa sorte para o resto da tua carreira, e cuidado com o degrau à saída.

por D`Arcy às 00:13 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Domingo, 21.12.14

Pobre

Exibição bastante pobre frente à pior equipa da Liga, que nos valeu a vitória pela margem mínima e a manutenção da vantagem de seis pontos no topo da tabela.

 

 

As ausências forçadas de três jogadores nucleares da equipa, como o são o Luisão, Enzo e Salvio, iria sempre fazer-se notar, mas de qualquer forma esperava mais da nossa equipa num jogo disputado em casa contra a pior equipa da liga, que ainda não conseguiu ganhar um único jogo. O nosso início foi lento e com pouca garra, como que a dar o mote para o que seria a maior parte do jogo. Depois lá acelerámos um pouco e começámos a conseguir aproximar-nos da baliza adversária, mas o nosso jogo foi quase sempre demasiado confuso e rendilhado, com excessiva insistência em acções pelo centro e muito pouca exploração das faixas laterais - se de um lado faltava o Salvio, do outro o Gaitán teve sempre a tendência de vir para o centro, onde acabava por cair na zona de acção do Talisca ou do Jonas. O Benfica teve uma posse de bola quase avassaladora mas nunca submeteu o adversário a uma pressão sufocante, e foram poucas as vezes em que o guarda-redes deles foi posto à prova. O Talisca deu o primeiro sinal num remate de muito longe, o Jonas também teve um remate que exigiu atenção, mas tirando isso não se viu muito mais. O golo que acabou por decidir o jogo surgiu à meia hora de jogo, num passe do Ola John para as costas da defesa, tendo o Maxi aparecido isolado e acertado no poste, para depois o Gaitán marcar na recarga. Até ao intervalo, apenas num cabeceamento do Jonas que levou a bola a passar perto do poste é que voltou a haver alguma sensação de perigo.

 

 

A segunda parte foi ainda pior do que a primeira. O Benfica continuou a ter naturalmente maior posse de bola, mas houve muito pouca inspiração no ataque. Lembro-me apenas de uma jogada em que a bola chegou aos pés do Talisca depois de uma boa iniciativa do Gaitán, e num remate de primeira obrigou o Adriano a uma defesa muito boa. Mas no geral o futebol jogado foi bastante fraco, e com tendência para ir sempre piorando à medida que o jogo ia caminhando para os minutos finais. As substituições operadas pouco ou nada de novo trouxeram ao jogo - o Bebé, por exemplo, entrou francamente desastrado - e acho que até contribuíram para o piorar. O que nos valeu é que o Gil Vicente, apesar de conseguir ser mais rematador no segundo tempo, revelou muita falta de qualidade no ataque, e apenas numa ocasião levou algum perigo à nossa baliza, quando conseguiu isolar um jogador nas costas da nossa defesa. Mas ele demorou tanto tempo a decidir que permitiu a recuperação do César, que cortou o lance para canto. Talvez a minha opinião seja fruto da minha irritação por ver-nos jogar tão pouco frente a um adversário tão limitado, mas quando penso no segundo tempo só consigo mesmo achar que foram uma longa espera de quarenta e cinco minutos pelo final do jogo. Todo aquele tempo, para aquilo que produzimos, foi simplesmente um desperdício.

 

 

Os melhorzinhos no Benfica foram o Gaitán, ainda que com uma exibição muito intermitente, e o Maxi, por ter sido aquele que teve a melhor atitude e deu o exemplo durante todo o jogo.

 

É óbvio que a nossa equipa perde muita qualidade com as ausências que houve hoje, mas creio que temos obrigação de, mesmo assim, produzir mais do que aquilo que mostrámos. Assim colocamo-nos em risco de num qualquer lance fortuito deitarmos pontos fora. Felizmente tal não aconteceu, e portanto passamos o ano confortavelmente sós no topo.

por D`Arcy às 23:47 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Quinta-feira, 18.12.14

Disparate

Sinceramente, tinha algum receio de que isto pudesse acontecer e que desperdiçássemos a injecção de moral trazida do Porto. Principalmente depois de saber das ausências forçadas do Luisão (sobretudo ele) e do Salvio. Não posso escrever muito pormenorizadamente sobre o futebol jogado esta noite porque fui desterrado para o Piso 0 e já são muitos anos a ver futebol do Terceiro Anel e do Piso 3, por isso tenho muita dificuldade em ver jogos ao nível do relvado - a mim parece-me sempre que os jogadores andam ali todos à molhada.

 

 

Fomos eliminados da taça de forma estúpida, mas no futebol é a eficácia que conta, como o provámos no fim-de-semana no Porto. O Benfica teve o domínio quase total do jogo, construiu oportunidades mais do que suficientes para ganhar folgadamente, mas apanhou pela frente um guarda-redes muito inspirado que defendeu quase tudo o que havia para defender e um adversário tremendamente eficaz nas oportunidades de que dispôs. Depois de chegarmos à vantagem pelo Jonas poderíamos ter ido para intervalo com o jogo praticamente resolvido, mas quem não mata arrisca-se a morrer - se é verdade que o guarda-redes esteve muito inspirado, há pelo menos uma ocasião do Jonas na primeira parte em que acho que há mais demérito dele do que do guarda-redes. Depois, num jogo em que já tínhamos as duas ausências referidas, deixar o Enzo no balneário ao intervalo (não sei se foi lesão ou opção) já me pareceu demasiado. A verdade é que no reinício do jogo o Braga foi duas vezes à nossa baliza e marcou dois golos, o primeiro num canto em que me pareceu que um jogador do Benfica falhou o corte, e o segundo num golo que pelo menos visto de onde eu estava me pareceu absolutamente ridículo. O marcador do golo correu completamente à vontade mais de metade do campo sem que qualquer jogador nosso caísse em cima dele ou no mínimo o pressionasse e em vez disso foram todos recuando sem fazer qualquer espécie de oposição - é um daqueles lances que eu acredito que nunca teria acontecido com o Enzo em campo. A seguir ao segundo golo o Braga não fez absolutamente mais nada a não ser segurar o resultado. O Benfica pressionou mas a maior parte das vezes foi incapaz de ultrapassar a organização defensiva adversária, e nas ocasiões em que o conseguiu o guarda-redes do Braga resolveu a questão.

 

Ser eliminado da Taça em casa é muito mau, e ainda pior por termos estado em vantagem e permitido ao adversário, que até aí se tinha revelado quase inofensivo, dar a volta ao resultado. Não sei se houve facilitismo, se foi azar ou simplesmente futebol. O que eu sei é que perdemos a oportunidade de renovar um título que nos pertence e que eu tinha legítimas ambições de ver o Benfica conquistar novamente esta época. Um tremendo disparate.

 

P.S.- Se quem jogava em casa éramos nós, não percebo porque motivo fomos nós a apresentar o equipamento alternativo.

por D`Arcy às 23:20 | link do post | comentar | ver comentários (14)

Hóquei

 

Depois do futebol, o hóquei. Foi tão, tão bom assistir a isto em directo ontem à noite. Festival do Carlos Nicolia, Guillem Trabal absolutamente brutal, um golo 'à Panchito' do Carlos López e fecho com chave de ouro, no fantástico golo que completou o poker do Nicolia.

por D`Arcy às 08:09 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 15.12.14

Maturidade

Hoje era a nossa noite. Concentração quase absoluta, muita solidariedade, grande disciplina táctica, eficácia quase total e uma dose de felicidade valeram-nos uma rara vitória no Porto, que nos deixa ainda mais folgados na liderança. Acima de tudo a nossa equipa deu hoje no Porto uma enorme demonstração de maturidade e reforçou o estatuto de maior candidata à conquista do campeonato.

 

 

No anúncio do onze titular para este jogo a presença do Lima em vez do Jonas terá causado alguma apreensão - afinal, o Lima tem atravessado uma fase muito pouco inspirada e nesta altura seria provavelmente o nosso avançado em pior forma. Mas o jogo encarregar-se-ia de dar razão, e de que maneira, à escolha do nosso treinador. Os primeiros minutos de jogo não foram fáceis: o Benfica tentou jogar com um bloco compacto e bastante subido no terreno, e o Porto respondeu com lançamentos longos para as costas da nossa defesa, aproveitados pelos jogadores das laterais. Isso valeu um amarelo ao André Almeida praticamente na primeira jogada de ataque do Porto, por falta sobre o Tello, e mais algumas situações de maior aperto que felizmente não resultaram em males maiores. Depois do primeiro quarto de hora o Benfica conseguiu assentar o seu jogo, conseguindo equilibrar a luta no meio campo e com isso fazendo com que o Oliver, que estava a ser o médio mais incómodo, deixasse de ter tanta liberdade. Conseguimos também bloquear a saída de bola do Porto e, mais importante, manter os extremos do Porto sob controlo. O Tello e o Brahimi praticamente não criaram um lance de perigo, sendo de destacar a forma como o Maxi conseguiu marcar o Brahimi, raramente deixando que ele pudesse receber a bola de frente para a baliza e arrancar com ela - e o Brahimi é, na minha opinião, um dos jogadores claramente muito acima da média na nossa liga. Depois de conseguirmos ter o Porto relativamente sob controlo - ainda tiveram uma grande oportunidade de golo, num remate do Jackson a que o Júlio César respondeu com uma grande defesa - o passo seguinte foi sermos eficazes e marcar na primeira ocasião digna desse nome de que dispusemos (antes disso apenas remates de fora da área do Gaitán e do Talisca). Num lançamento lateral longo do Maxi, para o interior da área, o Danilo ficou a dormir e viu o Lima antecipar-se-lhe e desviar a bola para a baliza com a barriga. Foi a dez minutos do intervalo, e não querendo parecer arrogante, a verdade é que quando nos colocámos em vantagem e depois de ver a forma como o Benfica tinha acalmado e jogava agora de forma tranquila no Porto, achei que só muito, muito dificilmente perderíamos este jogo.

 

Esperava uma reentrada forte do Porto no segundo tempo para tentar chegar ao empate o mais rapidamente possível, mas não foi isso que aconteceu. O jogo manteve-se num registo muito semelhante àquele com que a primeira parte tinha terminado. E à medida que a confiança da nossa equipa aumentava e o Porto ia concedendo mais espaços atrás, também o Benfica se ia atrevendo a explorá-los. Foi assim que, com onze minutos decorridos, o Benfica aumentou a vantagem. Foi um lance conduzido pelo Gaitán, que chamou a si diversos adversários e depois soltou a bola para o Talisca. O Fabiano foi incapaz de segurar o remate rasteiro desferido de fora da área e o Lima foi mais rápido a aparecer para a recarga. Se o primeiro golo já me tinha dado praticamente a certeza de que não perderíamos este jogo, o segundo fez com que ficasse convencido que a vitória não nos escaparia de forma alguma. Aliás, pela forma como o jogo decorria e o Porto se revelava absolutamente incapaz de ameaçar minimamente a nossa baliza (tinha posse de bola mas um domínio que era perfeitamente consentido pelo Benfica), até achei que fosse bastante provável o Benfica conseguir voltar a surpreender o Porto em contra-ataque e dilatar a vantagem. Mas a quinze minutos do final aconteceu a lesão do Luisão, que forçou a sua substituição pelo César. O Luisão não é apenas um defesa excepcional, é também o líder incontestável desta equipa dentro do campo e até à altura em que saiu estava a ter uma exibição quase imaculada. A sua saída poderia ter, portanto, consequências graves e fazer perigar uma vitória que até àquela altura parecia inevitável. E a verdade é que foi nesse período final que o Porto dispôs das suas melhores oportunidades, e foi a altura da dose de sorte aparecer. Por duas vezes o Jackson, na sequência de cruzamentos, cabeceou aos ferros da nossa baliza, e num desses lances até acabou mesmo por marcar um golo que foi correctamente anulado. Felizmente não houve consequências piores, e o apito final assinalou uma vitória para calar muito imbecil que pulula por essa comunicação social fora.

 

Podia destacar qualquer um dos jogadores que hoje defenderam a nossa camisola no Porto. O Lima tem que ser obviamente o homem do jogo, porque marcou os dois golos que abateram o adversário, mas podia elogiar a forma como o Maxi anulou o Brahimi, ou como o André Almeida apesar de amarelado logo no início do jogo conseguiu evitar a expulsão e continuar a cumprir as suas tarefas defensivas. Podia destacar a exibição dos nossos centrais, ou os quilómetros corridos pelos nossos médios - a propósito, será que depois do jogo de hoje já há quem consiga começar a ver um médio defensivo de qualidade no Samaris, ou ainda há muita falta de fé no Jesus? Ou a qualidade incomparável do Gaitán - passei o jogo todo a desejar que a bola lhe chegasse sempre aos pés de cada vez que atacávamos.

 

Falta ainda imenso campeonato por jogar, por isso a vitória de hoje foi tudo menos decisiva. Foi obviamente muito importante, por ter alargado a vantagem para o nosso rival na luta pelo título e também pela enorme injecção de confiança que proporciona. Especialmente quando estamos a entrar na fase em que tradicionalmente o Benfica treinado pelo Jesus costuma saltar para patamares de qualidade futebolística superiores. Mas tal como foi dito antes do jogo, foram apenas mais três pontos e há ainda muito trabalho pela frente. A começar já pelo difícil jogo da próxima quinta-feira frente ao Braga, em que defenderemos o nosso título de detentores da Taça de Portugal.

 

P.S.- Nunca pensei que algum dia pudesse escrever isto sobre o Jorge Sousa e em especial depois de um jogo contra o Porto no Dragão, mas tendo em conta que no passado ele sempre foi um dos meus ódios de estimação, tenho que admitir que hoje fez uma arbitragem praticamente sem falhas.

por D`Arcy às 01:11 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Domingo, 14.12.14

Resumo do jogo

Para quem não viu, foi isto que se passou. É só repetir nas próximas vezes. Como disse um amigo meu, enterrámos o anel! Somos Grandes!

Mordor.jpg

por S.L.B. às 23:36 | link do post | comentar
Quarta-feira, 10.12.14

Reservas

Um jogo que já nada decidia para o Benfica e que valia apenas pelo prestígio e o prémio monetário, uma noite fria, transmissão em canal aberto, um Benfica de reservas e o resultado disto foi uma das piores assistências que tenho memória de ver na Luz.

 

 

Um dos principais motivos de interesse para ter ido à Luz esta noite era mesmo a oportunidade para ver em acção alguns dos jogadores menos utilizados esta época, e oportunidade para isso não faltou: apenas um único dos onze jogadores que têm sido titulares ultimamente entrou de início, e foi ele o André Almeida. Artur na baliza, Benito, César e Lisandro a completarem a defesa, Cristante e Pizzi no meio campo, Ola John e 'Tiago' nas alas e uma dupla de avançados constituída pelo Lima e o Derley. Foi bastante evidente que o jogo foi disputado sem grandes preocupações de parte a parte, uma vez que o Leverkusen já estava apurado e apenas poderia eventualmente estar interessado na vitória para garantir o primeiro lugar. Mas isso não impediu que deixasse de fora jogadores importantes como o Son e, principalmente, o Kiessling. Durante a primeira parte foi o Benfica quem esteve melhor no jogo. Após uns primeiros minutos um pouco incertos, a equipa estabilizou e ganhou alguma superioridade, tentando aproveitar os extremos para sair rapidamente para o ataque. Infelizmente parece que o golo marcado ao Belenenses não foi suficiente para acabar com a desinspiração do Lima, que aos dez minutos desperdiçou de forma inacreditável um lance em que tinha tudo para marcar. Solto de marcação, perto da baliza e com esta escancarada (o guarda-redes estava no chão depois de ter desviado o cruzamento/remate do Ola John) conseguiu rematar por cima - a bola ainda tocou na barra. Apesar das diversas ausências, achei que a equipa até conseguiu, a espaços, produzir um futebol agradável, mas houve demasiada atrapalhação por parte de alguns jogadores, em especial no ataque. O Ola John começou bem mas foi-se tornando cada vez mais complicativo, o 'Tiago' teve algumas boas arrancadas mas perdeu-se demasiado em iniciativas individuais desnecessárias, e os dois avançados tiveram uma noite pouco inspirada. Nulo ao intervalo sem surpresa - se aquela ocasião do Lima não entrou, então seria difícil que alguma coisa entrasse.

 

 

O Leverkusen veio para a segunda parte a tentar pressionar mais alto e de forma mais agressiva, e com isso conseguiu equilibrar a posse de bola e ser mais perigoso do que tinha sido nos primeiros quarenta e cinco minutos. Mas a tónica geral do jogo continuou a ser mais ou menos a mesma, sem muitas preocupações defensivas por parte de nenhuma das equipas, com muita luta a meio campo e com cada equipa a ser incapaz de manter a bola em seu poder por muito tempo. Ao contrário da primeira parte, durante a qual não teve quase trabalho algum, o Artur foi obrigado a um par de intervenções mais complicadas, e no ataque continuou a haver demasiada atrapalhação dos nossos jogadores, algo que a troca do Lima pelo Talisca pouco ou nada alterou. No período final do jogo o Benfica teve um assomo de brio e procurou marcar um golo que lhe permitisse chegar à vitória, tendo construído algumas jogadas de relativo perigo - a mais flagrante delas uma em que o 'Tiago' surgiu desmarcado sobre a direita e depois acabou por demorar demasiado tempo a decidir, vendo a sua tentativa de remate ser interceptada por um defesa quando tinha o Talisca completamente sozinho no meio a pedir-lhe a bola. Mas houve outras situações em que conseguimos apanhar a defesa do Leverkusen desguarnecida em contra-ataque, e que não soubemos aproveitar ou por asneira do jogador que conduzia a bola, ou mesmo por falta de inteligência da parte de colegas que se colocavam em fora de jogo, impedindo assim que o passe fosse feito. Para variar, desta vez não fomos nós quem acabou um jogo da Champions em inferioridade numérica mas sim o nosso adversário, que à entrada para o período de compensação ficou reduzido a dez depois de uma falta sobre o estreante João Teixeira.

 

 

Gostei particularmente da exibição da dupla de centrais hoje. Estiveram sempre seguros e o adversário não criou perigo pelo centro ou pelo ar. O Artur também esteve bem. O Pizzi e o Cristante mostraram que podem ser opções válidas. O Ola John começou bem mas foi-se afundando ao longo do jogo. O 'Tiago' não aproveitou a oportunidade - teve algumas arrancadas interessantes durante a primeira parte, mas na maioria das vezes complicou sempre as jogadas e agarrou-se demasiado à bola. Além disso não compreendo o motivo pelo qual, tendo a compleição física que tem, foge quase sempre ao choque e às bolas divididas. A dupla de avançados esteve bastante apagada, e o Lima em particular teve uma noite para esquecer.

 

A péssima campanha europeia acabou de uma forma pouco digna de registo, sem golos numa noite gelada. Fica o empenho das segundas escolhas que jogaram. Agora espero que aqueles que foram poupados possam tirar o melhor partido do descanso para vencer o jogo do próximo domingo.

por D`Arcy às 02:53 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Sábado, 06.12.14

Paciência

Ganhou a única equipa que jogou para ganhar, num jogo de sentido praticamente único no qual o Benfica teve que ter paciência para conseguir ultrapassar o autocarro do Belenenses. O adversário mostrou boa organização defensiva, mas é evidente que se torna uma equipa mais fraca no ataque não podendo contar com o Miguel Rosa e o Deyverson, que mais uma vez não puderam jogar contra nós.

 

 

Não foi preciso passar muito tempo para percebermos o que é que o Belenenses vinha fazer à Luz. Onze jogadores constantemente a defender atrás da linha da bola, a tapar todos os caminhos para a baliza, e tímidas tentativas de saída para o ataque quando conseguiam alguma recuperação. Mas houve mérito na forma como o Belenenses defendeu, pois não se limitou simplesmente a acantonar jogadores à frente da baliza. Defendeu de forma organizada, sendo evidente que têm uma equipa bem orientada na qual os jogadores sabem bem o que têm que fazer dentro do campo - houve bastante entreajuda entre todos, de forma a que aparecesse sempre alguém para dobrar um colega que fosse ultrapassado ou ganhar uma segunda bola. Se houve mérito do Belenenses, houve também algum demérito do Benfica na forma como jogou na primeira parte. Acima de tudo, pareceu-me que houve alguma lentidão nas transições para o ataque. Se temos pela frente uma equipa a defender da forma como descrevi, então nas raras ocasiões em que eles saem para o ataque devemos conseguir fazer a bola chegar à frente o mais rapidamente possível assim que a recuperamos, mas não foi isso que aconteceu. Na maior parte dos casos o tempo que demorámos a sair significava que na altura em que chegávamos ao ataque já tínhamos novamente a fortaleza defensiva do Belenenses toda armada e organizada. Para além da pouca velocidade, outro dos problemas do Benfica foi algo que já se viu noutros jogos recentes, ou seja, a falta de presença dentro da área adversária. Os jogadores mais avançados, Talisca e Jonas, não jogam de forma muito fixa na frente e por isso em mais de uma ocasião os nossos jogadores ganharam a linha de fundo e acabaram por não cruzar a bola por não terem ninguém dentro da área. Foram por isso muito poucas as ocasiões de perigo que conseguimos criar: um remate do Talisca que desviou num defesa e obrigou o guarda-redes a uma intervenção mais apertada, um remate do Gaitán com o pé direito que passou ao lado e um cabeceamento do Luisão depois de um lançamento lateral que fez a bola passar muito perto do poste. O Belenenses respondeu com um cabeceamento que exigiu algum trabalho ao Júlio César.

 

 

Ao intervalo o Benfica fez uma substituição mais ou menos óbvia, retirando o apagado Talisca para fazer entrar um avançado - Lima. Viu-se desde o recomeço um Benfica mais agressivo que remeteu o Belenenses ainda mais para junto da sua baliza. No ar havia apenas a expectativa de se saber por quanto tempo mais o nosso adversário conseguiria manter a organização defensiva e segurar o nulo, já que outro objectivo não parecia ter neste jogo. a dificuldade, como tantas vezes acontece nestes jogos, seria marcar o primeiro golo, e a partir daí certamente que tudo se tornaria muito mais fácil. Este surgiu quando estávamos quase a completar vinte minutos da segunda parte, na sequência de um pontapé de canto. O Gaitán marcou-o na esquerda, o Jardel ganhou de cabeça junto da marca de penálti e a bola foi ter com o Jonas perto do segundo poste, que apenas conseguiu cabeceá-la por instinto para perto do outro poste, onde o Lima cabeceou para o golo quase sobre a linha. Depois do golo aconteceu o que se previa e a defesa do Belenenses desmoronou-se, permitindo ao Benfica ocasiões de golo suficientes para construir uma goleada. Cinco minutos depois do primeiro surgiu o segundo golo, da autoria do Enzo na conversão de um penálti cometido sobre ele próprio. E a sete minutos do final, já depois do Luisão ter feito a bola roçar a trave e do Salvio ter falhado na cara do guarda-redes, o golo mais bonito do jogo. Iniciativa individual do Gaitán, que começou no círculo central, foi deixando adversários pelo caminho, entrou na área descaído para a esquerda e centrou com perfeição para uma cabeçada fácil do Salvio ao segundo poste. Final tranquilo de jogo, que permitiu ao Benfica retirar o Enzo e o Maxi de campo de forma a evitar que um possível amarelo os retirasse do próximo jogo no Porto.

 

 

Melhores no Benfica, para mim, Enzo, Luisão e Gaitán. Achei também que se voltou a notar alguma evolução na adaptação do Samaris à posição de médio mais recuado, na sequência do que já tinha mostrado em Coimbra na última jornada. O Jonas é um jogador que raramente faz alguma coisa errada, e que provavelmente brilharia muito se jogasse nas costas de um avançado mais fixo. O Talisca voltou a ter uma actuação apagada, sendo acertada a sua saída ao intervalo.

 

Acabou por ser uma vitória relativamente tranquila da nossa equipa antes de um ciclo de dois jogos importantes, frente ao Porto e ao Braga (o jogo da Champions é apenas para cumprir calendário, e acredito que o Benfica vá apresentar uma equipa com bastantes jogadores que habitualmente não são titulares). Sobre o Miguel Rosa e o Deyverson, acho que seria positivo que de uma vez por todas fosse clarificado qual é o acordo que foi feito aquando da cedência destes dois jogadores ao Belenenses, em vez de termos que andar sempre a gramar constantemente com novelas 'joga ou não joga' até à última - obviamente aproveitadas por idiotas que quando os jogadores estavam no Benfica diziam que não valiam nada, mas que agora querem vender a ideia que com esses dois jogadores esta noite teriam sido favas contadas para o Belém.

por D`Arcy às 22:08 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Segunda-feira, 01.12.14

Controlo

Uma boa entrada que valeu um golo madrugador e um jogo em que o controlo do Benfica existiu praticamente do primeiro ao último minuto resultaram numa vitória aparentemente fácil frente a um adversário quase inofensivo, e que nos permite manter a liderança.

 

 

Digno de realce no onze do Benfica só mesmo a relegação do Lima para o banco, o que nem é uma surpresa dada a forma pavorosa que atravessa nos últimos tempos. Como homem mais avançado jogou então o Jonas, contando com o apoio do Talisca. Desta vez assistimos a uma boa entrada do Benfica no jogo, sob a batuta inspirada do Enzo e do Gaitán, que construíram o lance do primeiro golo logo aos sete minutos. O passe foi do Enzo para as costas da defesa, e depois a arte e a classe do Gaitán fizeram o resto: um toque com a ponta do pé para controlar a bola, outro toque com a coxa para evitar o guarda-redes, e um terceiro toque com a parte exterior do pé para o golo. Com o mais difícil já feito, o Benfica continuou dono e senhor do jogo, com o perigo a surgir quase sempre que a bola chegava aos pés do Gaitán, que em arrancadas sucessivas para a área parecia estar imparável. Podíamos e devíamos ter dilatado a vantagem mais cedo, e ocasiões para isso não faltaram. Mencionando apenas as mais flagrantes, o Jonas cabeceou a bola à trave após um centro do Gaitán (sempre ele), e o Enzo, depois de trabalhar bem no interior da área, rematou colocado e fez a bola passar muito perto do ângulo da baliza. Num jogo em que achei que o Samaris pareceu um pouco mais ambientado (apesar da gritaria constante que se ouviu da parte do Jesus, quase sempre dirigida a ele), o Benfica impôs-se sempre na zona do meio campo e a Académica quase só conseguia chegar à nossa área através de livres despejados de bastante longe lá para dentro. Já no período de compensação da primeira parte, foi precisamente a partir de um livre que o Benfica chegou ao merecido segundo golo. O livre foi apontado na esquerda pelo Enzo e o Luisão, dentro da área mas ainda bem longe da baliza, aproveitou a saída disparatada do guarda-redes adversário para cabecear para a baliza deserta - no entanto, no momento em que o livre foi marcado, o Luisão estava em posição irregular.

 

 

 Sobre a segunda parte, torna-se difícil escrever o que quer que seja. O Benfica baixou claramente o ritmo, e fez a sua preocupação principal gerir o resultado e a posse de bola, o que conseguiu sem grandes sobressaltos - pese a tentativa de reacção da Académica, que se revelou no entanto completamente infrutífera. Nem sei se o Júlio César terá sido obrigado a alguma defesa minimamente apertada. No que diz respeito a futebol jogado, o segundo tempo foi geralmente pobre e com muito pouco interesse. A partir da altura em que o Talisca cedeu o lugar ao Ola John e o Gaitán ocupou uma posição mais central ainda vimos algumas jogadas que quebraram um pouco a monotonia reinante, mas a ideia com que fiquei foi mesmo que ou o resultado se arrastaria exactamente como estava até final, ou então seria o Benfica a ampliar a vantagem sem no entanto despender demasiados esforços para isso. E durante o último quarto de hora o recém-entrado Derley, que rendeu o Jonas, teve duas boas ocasiões para o fazer, mas foi pouco expedito no remate e desperdiçou-as. Digno de realce até final apenas a carga policial sobre alguns adeptos que fez com que saíssem das bancadas para a pista e levou à interrupção do jogo durante alguns minutos (confesso que não sei qual foi o motivo para a intervenção policial, se é que houve motivo) e ainda o vermelho directo ao Marinho já em período de descontos, depois de uma entrada muito feia de sola no tornozelo do Samaris, e que poderia ter tido consequências graves.

 

 

Sem qualquer dúvida o Gaitán foi o melhor jogador em campo esta noite. Marcou um golo bonito, no qual exibiu toda a sua classe, e foi sempre o jogador de cujos pés mais jogadas de perigo surgiram. Gostei também da exibição do Enzo, que parece estar a atravessar um bom momento de forma. Confesso que nunca consegui compreender as acusações que por vezes ouço de alguns benfiquistas quanto a uma eventual falta de empenho da sua parte, associando-a a algum amuo que tenha surgido por não ter ido para o Valência. Para mim o Enzo é simplesmente um jogador que não sabe jogar mal. Talvez o início de época dele não tenha sido fulgurante, mas ele esteve no Mundial até à final e portanto começou a época com a preparação atrasada em relação aos restantes colegas (as dificuldades físicas que sentia nesse período eram visíveis). E junte-se a isso a falta de um colega rotinado à posição de médio defensivo, que o obriga a trabalho reforçado no meio campo. Se houve jogos que lhe correram menos bem certamente nunca foi por falta de empenho. O Talisca teve mais um jogo algo apagado, e o Salvio tem mesmo que agarrar-se menos à bola, porque o que tem feito ultimamente começa a ser um exagero.

 

Foi muito positivo vencer este jogo, porque isto ajuda a matar à nascença qualquer tipo de crise que tentem colar-nos depois da infeliz derrota na Rússia e consequente eliminação europeia. Foi, conforme escrevi na altura, uma desilusão grande, mas julgo que não temos motivos para nos queixarmos muito da prestação da nossa equipa na Liga. Compreendo que os nossos adversários tenham muito interesse em arrastar a onda negativa europeia para as competições internas, mas parece-me escusado que nós benfiquistas queiramos ajudá-los a conseguir esse intento.

por D`Arcy às 02:24 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quarta-feira, 26.11.14

Eliminado

Uma derrota pela margem mínima que tem algum sabor a injustiça, mas o resultado é o que conta e o facto é que o Benfica foi mais uma vez eliminado da Champions na fase de grupos.

 

 

Apresentando um onze sem qualquer novidade, o Benfica não entrou bem no jogo, revelando algum nervosismo durante os primeiros minutos, período durante o qual o Zenit esteve mais tempo no nosso meio campo. Passámos por um susto, numa bola que o Júlio César não conseguiu agarrar à primeira e que acabou por resultar numa grande confusão dentro da área até que o nosso guarda-redes acabou por agarrá-la novamente. Mas após esses minutos as equipas encaixaram uma na outra, o Benfica acalmou e o jogo passou a ser completamente repartido. Houve grande disputa na zona do meio campo, com nenhuma das equipas a conseguir impor-se, resultando daí um jogo pouco interessante e mesmo feio de seguir, em que a bola passou a maior parte do tempo longe das balizas e em que nenhuma das equipas conseguia construir jogadas dignas desse nome. Foi importante também a forma como o André Almeida acertou com a marcação ao Hulk, que era teoricamente o principal desequilibrador do Zenit, e que a partir desse momento praticamente desapareceu do jogo. Durante a primeira parte conseguimos criar uma boa ocasião de golo, na qual o Salvio apareceu ao segundo poste a receber um cruzamento longo do Gaitán na esquerda mas o remate, de ângulo apertado, foi defendido por instinto pelo pé do guarda-redes russo.

 

 

Na segunda parte entrámos bastante melhor, tendo mesmo conseguido encostar o Zenit atrás durante os primeiros minutos. Durante esse período criámos situações flagrantes de golo que fomos incapazes de finalizar. Primeiro o Luisão apareceu completamente solto na área, descaído para a direita, e o que acabou por fazer não foi nem um remate, nem um passe para o Lima, que aparecia no meio em posição de finalizar - acabou por ser algo entre um remate e um passe, e nem sequer percebi qual era a intenção. Depois foi o Gaitán quem furou pela esquerda e fez a bola atravessar a pequena área a pouco mais de um metro da linha de golo, sem que houvesse alguém capaz de lhe dar o toque decisivo. Durante este período creio que ficou mais ou menos evidente que uma das grandes lacunas do Benfica actualmente é a falta de um finalizador que ofereça maior presença na zona de decisão. Mantivemo-nos como a melhor equipa em campo até vinte minutos do final, altura em que o nosso treinador trocou o Talisca pelo Derley. A partir daí o Benfica desapareceu no ataque, e o Zenit voltou a aparecer no jogo. Na minha opinião a saída do Talisca até se justificava, já que estava bastante apagado no jogo, mas se calhar o risco de jogar com dois avançados puros foi demasiado, e pagámos por isso. Como tantas vezes acontece, quem não marca sofre e ao Zenit bastou criar uma ocasião de golo, a um quarto de hora do final, para marcar. Num lance em que o Jardel saiu da posição para perseguir o adversário até à zona lateral, a sua saída não foi devidamente compensada no centro (se tiver que apontar o dedo a alguém, será ao Samaris), e foi por aí que surgiu o Danny para fazer o golo num remate de primeira. A partir daí o resultado ficou praticamente selado, porque na minha opinião era claramente um jogo para ficar decidido com um golo, e porque o Zenit conseguiu congelar a bola e gastar o tempo junto das bandeirolas de canto. Antes do final, o Luisão foi expulso, conseguindo assim o Benfica o interessante registo de ter terminado reduzido a dez em três dos cinco jogos disputados até agora na Champions.

 

 

Num jogo sem exibições brilhantes menção para a forma eficaz como o André Almeida conseguiu travar o Hulk durante praticamente todo o jogo. Gostei do Enzo e do Gaitán, e pouco mais. O Talisca esteve muito apagado e o Lima continua, na minha opinião, a atravessar o pior momento desde que chegou ao Benfica (e este 'momento' já se arrasta há meses).

 

O grupo era difícil e o nosso destino era já bastante previsível desde que entrámos na competição com duas derrotas nos dois primeiros jogos, mas não deixa de ser um desapontamento ser-se efectivamente eliminado, restando saber quais as consequências disto em termos financeiros - esperemos por Janeiro para ver. No momento em que escrevo isto ainda não sei qual o resultado do Mónaco, mas em caso de vitória deles ficaremos definitivamente fora das competições europeias (e mesmo que não ganhem, ficaremos sempre dependentes de outros na última jornada) o que, a acontecer, será pouco menos que desastroso.

por D`Arcy às 20:51 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Domingo, 23.11.14

Fácil

Noite tranquila com uma vitória fácil (talvez até inesperadamente fácil, tendo em conta o que tínhamos visto deste adversário no jogo para a Liga há um par de meses) que ficou praticamente garantida logo nos instantes iniciais do jogo, permitindo depois uma boa gestão do esforço.

 

 

Não houve nenhuma revolução no onze, que apresentou apenas três novidades em relação ao que tem sido habitual: Benito, Cristante e Derley, com o André Almeida a passar para a direita. O Benfica teve uma entrada de rompante no jogo, e ao sete minutos já tinha feito o marcador funcionar por duas vezes, ambas com golos do Jonas. O primeiro num remate à entrada da área, muito colocado, a passe do Salvio, e o segundo num bom trabalho individual já dentro da área, depois de receber um passe da esquerda do Gaitán. Tudo simples, com jogadas em velocidade e pormenores de classe. O Salvio estava em noite endiabrada e era dos seus pés que surgiam grande parte dos lances de perigo. No meio campo o Cristante pareceu mais confortável na posição de médio defensivo, o que libertou o Enzo para uma exibição bastante positiva, aparecendo frequentemente a apoiar o ataque. E os dois avançados que jogaram hoje complementaram-se muito bem, com o Derley numa posição mais fixa a prender eficazmente os defesas e a conseguir segurar a bola para as entradas dos colegas, enquanto que o Jonas aproveitava para jogar mais solto e deambular pela frente, vindo atrás buscar jogo. O terceiro golo surgiu pouco depois dos vinte minutos, em mais uma jogada bonita que merecia ter acabado com o hat trick do Jonas. Mas o corte do defesa do Moreirense acabou por levar a bola para os pés do Salvio que, sobre a linha de fundo e quase encostado à baliza, finalizou com facilidade. O Moreirense ainda reduziu cinco minutos depois, num cabeceamento após um livre lateral, mas o golo não afectou o Benfica, que continuou tranquilo no jogo, ainda que com menos intensidade no ataque.

 

 

 

Para a segunda parte o Benfica trocou o Gaitán, que apesar da participação no segundo golo tinha estado relativamente apagado no primeiro tempo, pelo Ola John. O registo do jogo pouco mudou, com o Benfica a manter-se por cima e a ameaçar chegar ao quarto golo, o que aconteceu ainda antes de completado o primeiro quarto de hora. Novamente o Derley na jogada, a soltar para o Salvio já dentro da área, que depois passou pelo meio de um cacho de adversários e finalizou na cara do guarda-redes. Pouco depois o Benfica retirou o Salvio e a seguir o Enzo do campo, e com a saída daqueles que estavam a ser dos principais dinamizadores do nosso futebol o jogo ficou mais desinteressante e perdeu qualidade. Os jogadores que os substituíram (Talisca e Samaris) não mantiveram o nível exibicional dos dois argentinos e o nosso jogo ficou mais confuso e menos perigoso. O Moreirense tentou alguns remates de longe, a que o Júlio César se opôs sempre bem, e já nos últimos minutos - período durante o qual o Benfica voltou a melhorar um pouco o seu jogo - o Jonas esteve novamente perto do hat trick, mas viu o golo ser-lhe negado por uma boa defesa do guarda-redes do Moreirense.

 

 

 

A equipa em esteve geralmente bem, mas o destaque maior é para o Salvio, que marcou dois golos e fez a assistência para mais outro. Os dois golos do Jonas também merecem o natural destaque. O Derley não marcou mas na minha opinião fez uma exibição muito positiva, com participação activa em três dos golos. Hoje terá sido, na minha opinião, o melhor jogo (também não foram muitos, é verdade) que o Cristante fez desde que chegou ao Benfica. E conforme disse, creio que isso terá contribuído também para que o Enzo tenha podido jogar de forma mais solta e aparecer mais frequentemente a apoiar o ataque.

 

Jogo resolvido cedo e sem grandes dificuldade, apuramento para os oitavos e gestão eficaz de esforço antes de um decisivo jogo da Champions conseguida. Missão totalmente cumprida, portanto.

por D`Arcy às 00:26 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 10.11.14

Trabalho

Mais uma vitória pela margem mínima - a terceira consecutiva - num campo tradicionalmente complicado. Mérito para a forma como a equipa reagiu a um início de jogo adverso e conseguiu rapidamente inverter o resultado negativo.

 

O Benfica apostou na dupla Lima/Jonas para o ataque, deixando o meio campo para o Enzo e o Talisca. Na lateral esquerda manteve-se o André Almeida. O início de jogo dificilmente poderia ser pior: antes de se completar o primeiro minuto já o Nacional estava na frente do marcador, graças a um grande remate  muito colocado desferido de fora da área, na zona central, que levou a bola a embater ainda no poste antes de entrar. A resposta do Benfica foi quase imediata, e passados cinco minutos tinha restabelecido a igualdade: centro do Gaitán na esquerda e cabeceamento do Salvio, na zona do segundo paste, com o guarda-redes a defender para dentro da própria baliza. Os primeiros minutos deste jogo foram muito movimentados e com oportunidades claras de parte a parte, antevendo-se um jogo emocionante. O meio campo formado pelo Enzo e o Talisca parecia ser curto para tudo, e quando o Enzo saía do meio para acudir a fogos noutras zonas concedíamos demasiado espaço à frente da nossa defesa. O Nacional respondeu ao golo do Benfica com mais um remate na zona frontal que obrigou o Júlio César a uma enorme defesa, tendo mesmo introduzido a bola na nossa baliza no canto que se seguiu, mas o golo foi bem anulado por claro fora de jogo. A resposta do Benfica foi dada pelo Jonas, que com um remate colocado obrigou o guarda-redes a uma grande defesa para canto. No seguimento do mesmo, a bola voltou aos pés do Jonas depois de uma cabeçada do Luisão e desta vez o guarda-redes, mesmo tocando na bola, já não conseguiu impedir o golo. Estava consumada a reviravolta, e depois disso o jogo acalmou um pouco. Até ao intervalo houve ainda um par de boas ocasiões desperdiçadas pelo Benfica, a mais flagrante delas um cabeceamento torto do Salvio quando, sozinho ao segundo poste após cruzamento do Lima, parecia ter tudo para marcar.

 

A segunda parte foi completamente diferente da primeira. O Benfica esteve mais interessado em gerir o resultado e manter o jogo controlado, e conseguiu fazê-lo durante uma boa parte do tempo. Houve muito menor intensidade e menos espaços concedidos, e consequentemente muito menos ocasiões de golo, tornando-se o jogo cada vez mais enfadonho. Jogou-se também bastante pior, e da parte que nos toca fomos progressivamente sendo cada vez mais incapazes de organizar jogadas de ataque e manter a bola em nosso poder. Essa situação foi-se agravando nos minutos finais do jogo, em que o Nacional se conseguiu acercar mais da nossa área, dispondo também de diversos livres nas zonas laterais para despejar a bola lá para dentro. Foi bastante incómodo ver-nos incapazes de sair a jogar e levar a bola para o ataque, perdendo-a rapidamente e em sucessivas ocasiões para os adversários. Não assistimos propriamente a um sufoco por parte do Nacional, mas a bola andou demasiado tempo no nosso meio campo e nas imediações da nossa área para que me sentisse confortável, sobretudo estando nós a vencer apenas pela margem mínima. Houve dois grandes sustos, o primeiro num disparate dos nossos centrais que acabou num adversário a isolar-se, sendo-lhe erradamente assinalado fora de jogo (não houve qualquer golo anulado - ele rematou para a baliza com toda a gente parada). O segundo aconteceu já mesmo sobre o final da partida, quando um cruzamento largo vindo da esquerda encontrou um jogador do Nacional completamente solto na zona do segundo poste. Mas, imitando aquilo que o Salvio tinha feito na primeira parte numa situação praticamente igual, o cabeceamento saiu completamente disparatado por cima da baliza e poupou-nos a males maiores.

 

Honestamente, não consigo escolher um jogador para destacar pela positiva. Acho que a equipa esteve mais ou menos homogénea e conseguiu arrancar a vitória com bastante trabalho e empenho, mesmo sem grande nota artística. Pode ser apenas embirração minha, mas continuo a não estar convencido com a aposta sucessiva do André Almeida a lateral esquerdo. Fiquei sempre com a sensação de que os adversários conseguiam entrar por aquele lado com relativa facilidade, e que criavam grande parte do perigo por ali.

 

Acabei de saber que o campeão anunciado não passou na Amoreira, e portanto conseguimos dilatar a nossa vantagem sobre eles para três pontos, passando agora o Vitória de Guimarães a ser o adversário mais próximo. Acabou portanto por ser uma jornada ainda mais positiva. É importante e motivador conseguirmos continuar a vencer jogos destes, em que não sendo possível dar espectáculo conseguimos pelo menos lutar e trabalhar para arrancar o resultado desejado.

por D`Arcy às 02:37 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 05.11.14

Aberto

Vitória bastante sofrida num jogo de luta e com qualidade muito abaixo daquilo que se espera na Champions. A vitória acabou por sorrir-nos com mais um golo do suspeito do costume, mas também poderíamos ter perdido ou empatado, porque o jogo foi equilibrado e poderia ter caído para qualquer uma das equipas, ainda que com ligeira superioridade do Benfica, que conseguiu construir mais oportunidades de golo.

 


Relativamente ao jogo com o Rio Ave, duas alterações no onze: Jardel no lugar do Lisandro, e Derley no lugar do Lima. Quanto ao jogo, nem sei como posso conseguir escrever muito sobre ele. Achei-o francamente mal jogado, e acho que já vi jogos da nossa equipa B na segunda liga com mais qualidade. Os primeiros minutos até prometeram, com o Benfica a entrar relativamente bem devido sobretudo a algumas boas iniciativas do Gaitán, e com uma boa oportunidade desperdiçada pelo ultimamente desastrado Salvio. Mas depois disso o jogo depressa caiu para um nível muito pouco aceitável, com jogadores como o Salvio ou o Talisca muito desastrados, a perder bolas atrás de bolas e quase sem acertar um passe. Apenas o Enzo me pareceu ir mantendo lucidez e tentando empurrar a equipa para a frente de forma mais organizada. Oportunidades nem vê-las, e a bola a passar a maior parte do tempo na zona do meio campo a saltitar de uma equipa para a outra, com nenhuma delas a parecer ter muita vontade de arriscar. Sobretudo o Mónaco, que claramente entrou em campo interessado em manter o empate e eventualmente explorar algum contra-ataque ou erro do Benfica para obter algo mais. Só mesmo a fechar a primeira parte é que voltou a haver emoção, numa enormíssima oportunidade de golo que surgiu nos pés do Gaitán, após aquela que terá talvez sido a melhor jogada que o Benfica construiu durante todos os noventa minutos. Mas o Gaitán acabou por demorar um bocado e o remate foi desviado já no limite por um defesa.

 

 

A segunda parte continuou a ser mal jogada, mas foi bastante diferente da primeira. O jogo ficou muito mais partido, com vários remates à baliza de parte a parte. Numa fase inicial foi mais uma vez o Benfica quem tomou a iniciativa, mas depois de uns dez ou quinze minutos foi o Mónaco quem passou para cima. O Gaitán nesta fase parecia já estar em condições físicas bastante longe das desejáveis e ajudava pouco na defesa, limitando-se quase a correr apenas quando tinha a bola nos pés. Atrás dele o André Almeida claramente não estava a conseguir dar conta do recado - e o Jardel ajudava à festa - e o seu adversário directo (Ferreira-Carrasco) fazia dele o que queria, resultando daí que era pelo nosso lado esquerdo que o Mónaco ameaçava quase sempre. Numa dessas investidas foi este jogador a obrigar o Júlio César a uma enorme defesa, que nos salvou de males maiores e manteve o resultado em branco (já na primeira parte tinha feito uma enorme defesa, mas o lance foi anulado por fora de jogo). Na entrada para a fase final do jogo, e numa altura em que já jogávamos com dois avançados após a troca do Samaris pelo Lima, o Benfica voltou a aparecer mais no ataque e acabou por ser recompensado a oito minutos do final, com um golo do inevitável Talisca. No seguimento de um canto, desvio de cabeça do Derley ao primeiro poste e o Talisca surgiu completamente sozinho na zona do segundo poste para fazer o golo. Este era mesmo jogo para ser decidido por um único golo, e portanto a vitória já não nos fugiu, ainda que um disparate do Jardel pudesse ter deitado tudo a perder - resolveu fazer a parvoíce de tentar agarrar a bola depois de cair, esquecendo-se que o árbitro por acaso nem tinha assinalado falta e ainda que estava dentro da área.

 

 

O jogador que mais me agradou foi o Enzo, que foi sempre um dos jogadores mais lúcidos durante todo o jogo, e aquele que os companheiros procuravam para organizar jogo. O Gaitán deve mais uma vez ter-se sacrificado pela equipa, porque me pareceu que claramente estava bastante longe da sua melhor condição física. Ainda assim foi importante nas acções ofensivas quando teve a bola nos pés. Gostei também do Luisão, e o Talisca melhorou da primeira para a segunda parte. Não gostei nada do André Almeida esta noite, que teve demasiadas dificuldades com o seu adversário directo e concedeu demasiadas facilidades pelo seu lado. O Salvio continua a atravessar uma fase má, e a desperdiçar demasiadas jogadas por insistir num individualismo excessivo.

 

Esta vitória em conjunção com o resultado no outro jogo significa que voltou a estar tudo em aberto no grupo. A manutenção na Champions está apenas à distância de um ponto, e qualquer uma das equipas à excepção do Leverkusen poderá seguir em frente, cair para a Liga Europa, ou ficar eliminada. Mas creio que para o Benfica poder manter qualquer tipo de aspirações concretas, terá que pontuar na Rússia.

por D`Arcy às 00:44 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 03.11.14

Linhas

 

Para mim, a demonstração que a SicN fez sobre a linha de fora de jogo traçada no Benfica x Rio Ave não tem qualquer interesse em termos de provar ou não que o tipo estava mesmo deslocado. Quando entramos no detalhe de discutir posições irregulares por meros centímetros parece-me que para além de estupidez já entramos também no campo da mesquinhez. Já o disse antes e mantenho que é um daqueles lances em que qualquer decisão deveria ser aceite e compreendida, em vez de se estar a tentar louvar ou crucificar o auxiliar de acordo com a nossa cor clubística e a decisão que mais nos agradaria.

Para mim, a maior importância disto é mesmo ser uma demonstração de honestidade da Benfica TV. A linha foi traçada correctamente, ao contrário daquilo que diversas vezes já vimos acontecer na 'insuspeita' SportTV, e contrariamente às insinuações de desonestidade (aliás, insinuações não, acusações mesmo) que diversos imbecis se apressaram a fazer.

por D`Arcy às 17:11 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sábado, 01.11.14

Pontapé

Salvos por um pontapé inspirado do suspeito do costume, arrancámos uma vitória magra e suada sobre o Rio Ave. A vitória do Benfica é justa porque foi a equipa que mais procurou a vitória e melhores oportunidades criou durante o jogo, mas a qualidade de jogo apresentada foi pouco mais do que serviços mínimos.

 

 

Não gostei da primeira parte. Um raciocínio que me pareceu pouco linear da parte do nosso treinador - 'tenho um jogador num óptimo momento de forma, é o melhor marcador do campeonato, vou afastá-lo da posição em que tem rendido mais e amarrá-lo ao flanco' ou 'tenho um lateral esquerdo no banco, mas vou adaptar o melhor trinco de que disponho neste momento a essa posição' - fez com que o nosso lado esquerdo fosse simplesmente inexistente durante todo esse tempo. A ausência do Gaitán já seria complicada, mas as opções tomadas não me convenceram nada. Do outro lado as coisas não foram muito melhores, já que o Salvio em particular cada vez mais insiste em jogar sozinho e perder bolas atrás de bolas em iniciativas individuais condenadas ao insucesso. No centro o Samaris continua a mostrar estar ainda demasiado perdido relativamente às funções que deve desempenhar em campo. Hoje por diversas vezes o Enzo surgiu numa posição mais recuada para pegar na bola e tentar organizar o jogo desde trás, mas mesmo jogando um pouco mais adiantado o grego pareceu-me claramente o jogador em menor rendimento durante os primeiros quarenta e cinco minutos, e a aposta óbvia para a substituição ao intervalo. Salvaram-se então, para mim, as iniciativas do Enzo e as movimentações do Jonas, a recuar para encontras espaços à frente da área adversária, mas na maior parte dos casos o Benfica foi demasiado confuso e lento a atacar, não sabendo tirar partido disso. Em termos de oportunidades, o Benfica da primeira parte ficou-se por dois remates perigosos do Lima, que obrigaram o Cássio a defesas apertadas, e um cabeceamento do Lisandro num canto que, dada a forma como ele apareceu solto no meio da área, merecia melhor direcção do que ir direito ao guarda-redes.

 

 

 

Na segunda parte, e após a esperada substituição que trouxe o Gaitán ao jogo, o Benfica melhorou um pouco, quanto mais não seja na velocidade que tentou imprimir às jogadas de ataque. O facto de termos conseguido começar a atacar pelos flancos, quer na esquerda pelo Gaitán, quer na direita onde o Salvio melhorou um pouco e de vez em quando se lembrou que tinha colegas com quem podia trocar a bola ajudou também. Foram quinze minutos durante os quais o Benfica pareceu estar bem mais perto de poder marcar do que tinha estado durante a maior parte do primeiro tempo, e acabou por ser recompensado pela inspiração do Talisca. Depois de receber a bola na zona preferencial dele, ou seja, no meio campo defensivo adversário e em posição frontal, progrediu uns passos e enviou um míssil teleguiado quase ao ângulo da baliza do Rio Ave, sem quaisquer possibilidades de defesa. Nos minutos que se seguiram ao golo, estranhamente, o Benfica pareceu ficar algo desnorteado, e houve uma sucessão de jogadas com perdas de bola na saída para o ataque, logo á entrada do meio campo adversário, que foram aproveitadas pelo Rio Ave para contra-atacar com algum perigo. E chegaram mesmo a introduzir a bola na nossa baliza, em mais um lance de contra-ataque que se iniciou num canto a nosso favor, mas o golo foi invalidado por fora de jogo (que a existir, pelo que vi no estádio deve ter sido mesmo por muito pouco). O jogo nesta fase andou um bocado 'partido', e foi particularmente irritante ver inúmeras jogadas em que o Benfica chegava a área e depois andava por ali a trocar a bola entre os seus jogadores sem que ninguém se decidisse a rematar. havia sempre mais um passe a fazer, mais um toque a dar, mais uma finta a tentar, e no final algum adversário cortava a bola. Sem um segundo golo ficámos sempre sujeitos a algum contratempo até final, que não esteve assim tão longe de acontecer, pois houve uma bola cabeceada que não passou nada longe do poste.

 

 

 

Para mim o melhor do Benfica foi o Enzo. Volto a dizer que não achei que tivéssemos feito um jogo de grande qualidade, mas para mim o Enzo foi dos que mais se evidenciaram, quer a distribuir jogo, quer a transportar a bola para o ataque e a tentar empurrar a equipa para a frente. Pelo que vi até agora, agrada-me bastante o Jonas. Tem um toque de bola de grande qualidade (e que diferença, por exemplo, quando vemos a bola fugir sempre uns bons dois metros sempre que o Lima a tenta controlar), mas o que mais gosto é da forma como se movimenta e recua em campo para fugir às marcações. Talvez desde o Saviola que não tínhamos um avançado com esta capacidade de movimentação. Talisca novamente decisivo, a jogar numa posição central. Não me parece ter características (sobretudo velocidade) para ser um flanqueador. Fiquei algo estupefacto com o anúncio por parte do speaker, no final do jogo, de que o Salvio tinha sido eleito o homem do jogo. Não sei quem faz estas eleições, mas para mim ele foi um dos piores. Melhorou um bocadinho na segunda parte, mas durante a primeira achei exagerado o número de perdas de bola e de más opções que tomou, pecando quase sempre por excesso de individualismo. Eu sou fã do Salvio e considero-o um dos nossos jogadores mais importantes, mas este excesso de individualismo não foi uma coisa só de hoje; tem-se notado e até agravado nos últimos jogos (no Mónaco provavelmente não ganhámos por causa disto).

 

O jogo não foi particularmente bom ou entusiasmante, mas ganhámo-lo e somámos os três pontos. Tendo em conta os últimos tempos e todo o ruído que se fez em redor da equipa depois da muito desejada primeira derrota no campeonato ter acontecido, já me dou por satisfeito com isto.

por D`Arcy às 01:36 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Domingo, 26.10.14

Derrota

Por motivos pessoais não vi o jogo. Acabei de saber que o Benfica o perdeu, e portanto nem me vou dar ao trabalho de estar a vê-lo em diferido só para poder escrever uma crónica que as pessoas nem vão ler. Divirtam-se na caixa de comentários.

por D`Arcy às 22:39 | link do post | comentar | ver comentários (42)
Quinta-feira, 23.10.14

Nulo

Resultado nulo no Mónaco, que pouco serve aos nossos interesses. Num jogo sem muita qualidade e claramente prejudicado pelo péssimo relvado (se calhar ainda pior do que o da Covilhã no último jogo) acabamos com a sensação de que poderíamos ter conseguido algo mais, mas o resultado aceita-se.

 

 

Lisandro no centro da defesa e André Almeida na posição seis foram as duas alterações ao onze mais habitual. Mantendo a tendência desta época, o início de jogo do Benfica foi mau, com bastante dificuldade em lidar com a pressão bastante alta e agressiva exercida pelos jogadores do Mónaco e incapazes de ligar passes para sair de forma organizada para o ataque. Apesar da tal agressividade do Mónaco, cedo começámos a ver os amarelos a cair com alguma facilidade apenas para o nosso lado, e portanto com vinte minutos decorridos já dava para adivinhar que a probabilidade de não chegarmos ao fim com onze jogadores em campo era alta - cedo ficámos com a 'metade' esquerda da nossa defesa amarelada, já que o nosso lado esquerdo foi particularmente massacrado durante estes minutos iniciais e o Eliseu e o Lisandro revelaram dificuldades. Só após o primeiro quarto de hora, e já depois do Mónaco ter desperdiçado uma ocasião incrível para marcar por causa do mau estado do relvado, é que o Benfica conseguiu acalmar e começou a reequilibrar o jogo. Uma boa ocasião do Lima, a centro do Talisca, assustou o Mónaco e deu confiança à equipa, que começou a ser capaz de manter a posse de bola por períodos mais prolongados. O jogo no entanto era quase sempre extremamente desinteressante, com pouquíssimas oportunidades de golo e relativamente mal jogado, se bem que disputado, de parte a parte. No nosso ataque eram sobretudo as arrancadas do Gaitán que iam dando para animar um pouco, mas o nulo ao intervalo era o espelho mais fiel do mau jogo a que assistimos.

 

 

Mudaram as coisas um pouco para melhor na segunda parte. O Mónaco ainda deu o primeiro sinal de perigo, num remate cruzado que passou perto do poste, mas começou a ser visível a incapacidade para manter um bloco coeso como tinham feito durante quase toda a primeira parte: quando atacavam, os seus jogadores já demoravam mais tempo a recuperar, o que nos deu tempo e  espaços para explorar transições rápidas para o ataque. O Benfica foi crescendo no jogo e criámos algumas oportunidades de golo promissoras. Uma delas pelo génio do Gaitán, que infelizmente viu o seu remate ser defendido, mas a que mais custou ver desperdiçar esteve nos pés do Salvio, que optou por um remate cruzado (que o guarda-redes defendeu com o pé) quando tinha o Lima e o Gaitán em posição frontal completamente soltos. À medida que caminhávamos para o final do jogo o Benfica parecia estar claramente por cima, e era legítimo ter esperança que o golo surgisse, mas a quinze minutos do fim o Lisandro atingiu o Verme numa bola dividida e viu o vermelho directo. Na repetição é visível que tenta jogar a bola, mas pisa-a e o pé acaba por ressaltar para a perna do Verme. O árbitro não tem acesso a repetições e a entrada é dura, por isso parece-me que a expulsão é justificada. A expulsão mudou completamente o jogo, até porque o Benfica trocou o Gaitán (que estava a ser o nosso jogador mais perigoso no ataque) pelo César e nunca mais voltou a aparecer no ataque. O Mónaco ficou motivado e cresceu no jogo, mas não houve qualquer sufoco, e apenas no período de compensação teve uma oportunidade clara de golo, no seguimento de um canto.

 

 

O Gaitán foi para mim o melhor jogador do Benfica, criando desequilíbrios sempre que conseguia arrancar com a bola controlada. Foi pena que a jogada em que fez um túnel ao defesa não tenha resultado em golo. Bom jogo do Enzo, apesar de nos minutos finais me ter parecido que estoirou fisicamente. Gostei também do jogo do André Almeida, que neste momento parece ser o jogador do plantel que melhor entende a posição seis e as suas exigências tácticas.

 

O resultado não é o que nos interessava, de deixa-nos em sérias dificuldades para conseguirmos sequer o apuramento para a Liga Europa. Não vencermos o Mónaco (que, honestamente, me pareceu uma equipa perfeitamente ao nosso alcance) no próximo jogo em casa poderá significar praticamente o adeus à Europa esta época.

por D`Arcy às 00:56 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Domingo, 19.10.14

Difícil

Vitória difícil e suada de uma equipa de segundas escolhas no horrível relvado da Covilhã, que nos permitiu carimbar a passagem à eliminatória seguinte da Taça de Portugal. O cenário chegou a complicar-se, mas alguns toques de classe do Jonas acabaram por evitar males maiores.

 

 

O nosso treinador não foi nada meigo no que diz respeito a poupanças: foram dez os habituais titulares que ficaram de fora, nem tendo sequer feito a viagem até à Covilhã. Apenas o Artur manteve a titularidade, e daí para a frente tudo novo, com vários jogadores a estrearem-se como titulares e alguns deles a fazerem os primeiros minutos da época. A coisa até nem começou mal, pois logo na primeira jogada o Ola John entrou na área pela esquerda, foi puxado, e do respectivo penálti resultou o primeiro golo, marcado pelo Jonas. Poderíamos ter uma oportunidade para um jogo descansado, em que os menos utilizados pudessem jogar com pouca pressão a aproveitar para mostrar algum serviço ao mesmo tempo que acumulavam alguns minutos nas pernas. Mas a nossa defesa 100% renovada de hoje (André Almeida, César, Lisandro e Benito), seja por falta de ritmo ou de jeito, resolveu fazer um 'best of' daquilo que tínhamos visto durante a pré-época, e meteu água por todos os lados. Particular destaque para o Benito, autor de uma exibição desastrada e cujo erro grotesco teve como consequência directa o golo do empate do Covilhã, obtido aos nove minutos de jogo. O golo motivou o adversário e a partir daí vimos um jogo feio, em que os jogadores pareciam ter dificuldades em lidar com o relvado (ou escorregavam, ou controlavam mal a bola), quase não conseguimos ligar dois ou três passes seguidos, e em que o mau futebol parecia beneficiar sobretudo o Covilhã, certamente mais habituado a lidar com cenários destes. De positivo, uma jogada em que o Pizzi vê o Taborda negar-lhe o golo quase por acaso, depois de um centro do Bebé, e a estreia do Gonçalo Guedes na equipa principal. De negativo, a lesão do Ola John que permitiu essa mesma estreia, e o segundo golo do Covilhã já quase sobre o intervalo, no seguimento de um livre em que a bola foi cair no espaço entre os dois centrais, onde estava um adversário completamente livre de marcação.

 

 

A segunda parte não foi muito melhor no que diz respeito à qualidade do futebol apresentado. O Covilhã pareceu recuar um pouco mais no terreno e o Benfica teve (ainda) mais posse de bola. Foi bom que o empate tenha chegado ainda com poucos minutos decorridos, porque acalmou a equipa e evitou que entrássemos demasiado cedo em ansiedade, com o consequente chuveirinho sem critério para a área que se adivinhava que pudesse acontecer. Um passe magnífico do Cristante, longo e por alto para a desmarcação do Jonas nas costas da defesa, acabou com a finalização do brasileiro de primeira, sem deixar a bola cair no chão para um bonito golo. Depois do empate o domínio do Benfica acentuou-se ainda mais e o jogo passou a disputar-se quase exclusivamente no meio campo do Covilha, ainda que não assistíssemos propriamente a um sufoco, já que ocasiões de golo eram poucas. O golo decisivo acabou por surgir a vinte minutos do final, e curiosamente numa jogada de contra-ataque. Após uma subida do Covilhã à nossa área, o Artur teve um raro momento em que soltou a bola rapidamente para o contra-ataque. A bola foi conduzida pelo Gonçalo Guedes pela direita, foi entregue ao Pizzi na zona frontal da área, e depois uma tabela com o Jonas deixou o brasileiro novamente em posição privilegiada para marcar, assinando assim um hat trick na estreia como titular. Nos minutos finais o Covilhã ainda tentou pressionar para chegar novamente ao empate, mas sem conseguir causar grandes calafrios. A melhor ocasião de golo foi mesmo para o Benfica, já a fechar o jogo, quando o Gonçalo Guedes se isolou pela esquerda mas falhou por pouco a oportunidade de assinalar a estreia com um - provavelmente por ter sido pouco egoísta e ter perdido algum tempo a pensar se seria possível servir um colega no meio.

 

 

Homem do jogo, sem qualquer discussão, o Jonas. Marcou os três golos e dá para perceber simplesmente pelo toque de bola que é um jogador com qualidade. Para já leva quatro golos em um jogo e meio, o que é um óptimo cartão de visita. Gostei de ver o Gonçalo Guedes estrear-se na equipa principal. Não se pode dizer que tenha brilhado, mas não pareceu acusar qualquer nervosismo e cumpriu. Não gostei da exibição dos dois laterais da equipa, demasiado faltosos e desastrados. O Benito, em particular durante a primeira parte, foi um desastre e o erro que resultou no primeiro golo adversário foi muito mau (provavelmente também foi consequência do mau relvado, mas mais um motivo para não abordar o lance de forma tão descontraída). O Bebé não aproveitou a oportunidade, e estragou diversas jogadas na altura de centrar, depois de ter feito tudo bem para ganhar a linha de fundo. Apesar da assistência para o terceiro golo, não gostei particularmente de ver o Pizzi a fazer de Enzo. Pode ser que com o tempo se adapte melhor e evolua. O Derley também teve um jogo pouco conseguido.

Passou-se a eliminatória e pouparam-se quase todos os jogadores para o decisivo encontro com o Mónaco - para mim é decisivo no que diz respeito à continuidade nas competições europeias, porque uma derrota deverá com quase toda a certeza significar que nem para a Liga Europa iremos. Portanto podemos considerar que a missão foi cumprida, apesar dos sobressaltos.

por D`Arcy às 00:05 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Segunda-feira, 06.10.14

Enxurrada

Demorámos setenta e cinco minutos até conseguirmos furar a organização do Arouca (a dificuldade potenciada ainda por uma primeira parte jogada a um nível muito pouco aceitável da nossa parte), mas depois de conseguirmos marcar o primeiro golo tudo se tornou mais fácil, e a enxurrada de golos que se seguiu permitiu-nos acabar com uma goleada que nem espelha bem as dificuldades por que passámos neste jogo.

 

 

A nota de maior destaque no onze foi a ausência do Enzo. Jogou então o Derley de início, ficando o meio campo composto pelo Talisca e o Samaris. Na defesa, a já anunciada ausência do Jardel resultou na titularidade do Lisandro. A primeira parte foi muito complicada. Muito mérito do Arouca, que não veio estacionar o autocarro à frente da baliza, não fez antijogo, e soube manter-se muito bem organizado, ocupando bem os espaços todos, exercendo uma pressão muito forte sobre o portador da bola, e depois conseguindo sair rapidamente para o ataque sempre que a recuperava. O nosso meio campo revelou naturais dificuldades perante a superioridade numérica do adversário nessa zona, até porque o Talisca não está propriamente talhado para grande trabalho defensivo e o Samaris não podia estar em todo o lado ao mesmo tempo. Para complicar ainda mais as coisas, o Gaitán não estava nos seus dias, e sabemos bem que a sua criatividade é fundamental para inventar espaços e ultrapassar a organização defensiva dos adversários. As dificuldades do Benfica ficam bem expressas no facto de só bem depois dos vinte minutos termos conseguido fazer o primeiro remate do jogo (um remate disparatado do Gaitán) e ainda foi necessário esperar mais para vermos uma oportunidade de golo, num remate do Derley. O Arouca, pelo contrário, foi a equipa mais perigosa em campo durante a primeira parte, e bem podemos agradecer ao Artur o facto de não termos ido para o intervalo em desvantagem. Foram pelo menos três as defesas de grau de dificuldade elevado que lhe contei, e que ajudaram a manter o adversário em branco. Só nos minutos finais da primeira parte é que o Benfica finalmente conseguiu ameaçar um pouco mais e quase sempre através do Talisca, que rematava à baliza assim que tinha oportunidade. Mesmo sobre o final, o Lima lesionou-se e de ao Jonas a oportunidade de se estrear com a nossa camisola.

 

 

 

A segunda parte confirmou que o Gaitán de facto não deveria estar nas melhores condições, já que cedeu o seu lugar ao Ola John. Entrámos um pouco melhor para o segundo tempo e embora as dificuldades continuassem, pelo menos já se via a equipa acercar-se com mais perigo da baliza adversária, tendo mesmo enviado uma bola ao poste nos primeiros minutos, seguida de uma grande defesa à recarga do Jonas. A nossa equipa foi no entanto revelando um crescente nervosismo à medida que os minutos iam passando sem que o golo surgisse - para mim um nervosismo exagerado para o tempo que ainda havia para jogar. Quando nos aproximámos do meio da segunda parte o Arouca, tal como tinha acontecido com o Moreirense no último jogo em casa, começou a pagar a factura do grande desgaste físico que a pressão quase constante que tentaram exercer causou, e o espaço para jogar no meio campo começou a aumentar. Outro factor que na minha opinião acabou por ser decisivo foi a saída do Bruno Amaro. Durante todo o jogo ele ocupou a zona em frente à sua defesa e tinha como missão travar o Talisca de qualquer forma. Quando as pernas começaram a faltar, o recurso às faltas começou a ser cada vez mais frequente, até que o lagartão Hugo Miguel foi mesmo forçado a amarelá-lo para aí à sexta falta cometida. O Pedro Emanuel acabou por ser forçado a substituí-lo, porque se tornou evidente que acabaria por ser expulso - quando foi substituído já deveria mesmo estar na rua, mas o árbitro conseguiu não lhe dar o segundo amarelo depois de um flagrante e intencional corte com a mão. Coincidência ou não, minutos depois da sua saída (a quinze minutos do final) o Talisca arrancou pelo meio, tabelou com o Derley, e de pé direito fuzilou a baliza. A partir daí foi a derrocada do Arouca, que sofreu mais três golos em menos de um quarto de hora. Primeiro foi o Salvio que entrou pela direita e ofereceu ao Derley um mais que merecido golo, e depois foi o Ola John a fazer o mesmo por duas vezes pela esquerda, oferecendo o terceiro ao Salvio e o quarto ao estreante Jonas.

 

 

 

Os melhores jogadores do Benfica foram para mim o Talisca e o Derley. Não faço distinção entre ambos, porque foram igualmente importantes nesta vitória. O Talisca marcou o importante primeiro golo, que desatou o nó complicado em que o jogo se estava a tornar, mas mesmo durante a má primeira parte foi o mais rematador da equipa. O Derley merece a distinção pelo empenho que teve em todo o jogo. Fez a tabela com o Talisca no primeiro golo e marcou o segundo, mas acima de tudo gostei da atitude dele. Não é nenhum portento técnico, mas deu tudo o que tinha, lutou por cada bola que lhe chegou, e com ele o Benfica teve alguma capacidade para segurar a bola na frente. Muito importante também o Artur na primeira parte, em que foi o principal responsável por manter o resultado em branco. Gostei de ver o Samaris hoje, sobretudo quando se libertou da posição mais defensiva e avançou no terreno, já que parece sentir-se mais à vontade em zonas mais adiantadas. O Ola John, tal como contra o Moreirense, voltou a entrar bem e a ser decisivo. E para terminar, se calhar até é um bocado embirração minha com o Jardel, mas gostava mesmo que o Lisandro tivesse oportunidade para jogar mais alguns jogos a titular - mesmo tendo hoje cometido um erro na primeira parte.

 

O resultado pode ser algo injusto para o Arouca, que pelo que fez na Luz talvez não merecesse uma derrota tão pesada. Mas acabou por pagar a factura do enorme esforço que despendeu a tentar travar o jogo do Benfica, que teve o mérito de insistir até final sem sequer abrandar depois de alcançada a vantagem. Temos o ataque mais concretizador do campeonato, o Talisca, com quem os nossos adversários tanto gozaram na pré-época, é o melhor marcador e continua a resolver jogos, e mantemos os quatro pontos de vantagem sobre o nosso adversário. No final, é isso o que interessa.

por D`Arcy às 00:47 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Quarta-feira, 01.10.14

Fraca

Exibição muito fraca esta noite na Alemanha e derrota mais do que justa perante um Leverkusen que foi melhor em todos os aspectos do jogo. Já disse diversas vezes qual é a importância que eu dou à Champions, mas independentemente disso não posso ficar indiferente a um desempenho muito abaixo de qualquer mínimo aceitável, que foi aquilo a que assistimos esta noite.

 

 

Foi visível desde o apito inicial que seria muito difícil conseguirmos o que quer que fosse deste jogo. Os alemães submeteram-nos a uma pressão intensíssima e nós fomos praticamente incapazes de sair do nosso meio campo, e nem sequer de armar uma jogada com dois ou três passes seguidos. O Leverkusen foi superior em tudo, colectivamente e individualmente. Foi como se nós estivessemos a jogar de bicicleta e eles de BMW. Qualquer bola dividida entre um dos nossos e um alemão acabava quase invariavelmente da mesma forma: com o nosso jogador no chão e a bola nos pés do adversário. No meio campo fomos completamente atropelados, e os alemães insistiram sobretudo pelo lado esquerdo da nossa defesa, que foi incapaz de dar conta do recado. A pressão alemã foi impiedosa até que chegou finalmente a um merecido golo, aos vinte e cinco minutos de jogo - nesta altura o Benfica tinha feito zero remates no jogo o que, convenhamos, até tinha toda a lógica porque provavelmente ainda não tínhamos passado do meio campo. O golo resultou da recarga a um remate largado pelo Júlio César, que já antes tinha largado a bola. Poucos minutos depois chegou o segundo golo, numa jogada que já tinha sido repetida várias vezes: entrada pelo lado esquerdo, centro atrasado e remate de um adversário vindo de trás sem o devido acompanhamento pelos médios.

 

 

Só depois do segundo golo é que o Benfica conseguiu finalmente respirar um pouco, mas claramente mais como consequência de algum abrandamento por parte dos alemães do que por subida de rendimento da nossa parte. A segunda parte foi jogada mais nesse ritmo, em que pelo menos não éramos pressionados logo à saída da nossa área e ainda conseguíamos trocar a bola mais ou menos à vontade na nossa defesa, mas a partir do meio campo a história era diferente: parecia que só se viam camisolas vermelhas do Leverkusen por toda a parte, e quase nenhum espaço para jogarmos, sendo a bola perdida muito rapidamente. A meia hora do final, praticamente na primeira vez que o Gaitán conseguiu ter uma bola controlada perto da área adversária, deixou três adversários para trás e entregou ao Salvio na direita, que evitou um adversário e de pé esquerdo fez um golo que, com toda a honestidade, nada tínhamos feito por merecer. Mas nem deu sequer para começar a alimentar qualquer esperança de entrarmos na discussão do resultado, porque a bola foi ao meio campo e na jogada seguinte, numa raríssima ocasião em que um árbitro de baliza se lembrou que está lá para fazer algo mais do que ser um mero espantalho, assinalou um penálti no mínimo manhoso do Jardel sobre o Kiessling, e o resultado voltou outra vez para os dois golos de diferença. E o jogo terminou efectivamente aí, porque durante o tempo que restou jogou-se a um ritmo muito reduzido. O Leverkusen estava satisfeito e não parecia disposto a esforçar-se muito mais, mantendo o jogo sempre perfeitamente sob controlo, e nós não mostrámos qualquer capacidade para alterar o rumo dos acontecimentos.

Seria fácil estar a desancar alguns dos suspeitos do costume depois de um jogo destes, mas francamente, o nosso jogo desta noite foi tão mau sob todos os aspectos que seria injusto fazê-lo. Foi tudo demasiado mau.

 

Não vou entrar pelo discurso do 'há que levantar a cabeça' porque para mim nunca a baixamos. Mas no domingo já terei posto este jogo para trás das costas e lá estarei a apoiar os nossos contra o Arouca. O campeonato é a nossa principal prioridade e eu concordo completamente com essa estratégia. Mas esta noite estivemos muito mal, e se eu não estou à espera que o Benfica aposte as fichas todas na Champions, pelo menos espero que consigamos deixar uma imagem minimamente condigna ao nome do Benfica. E não foi isso o que aconteceu hoje.

por D`Arcy às 23:40 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 28.09.14

Masoquismo

Depois de uma entrada de rompante que parecia indicar um jogo tranquilo e deixou no ara até cheiro a possível goleada, de uma forma quase masoquista o Benfica desperdiçou uma vantagem de dois golos e foi obrigado a sofrer para trazer os três pontos da sua visita ao Estoril.

 

 

Com o Artur na baliza sendo a única alteração ao onze que tem sido habitual, o Benfica entrou de rompante no jogo e aos oito minutos já vencia por dois golos. O primeiro surgiu logo aos três minutos, numa iniciativa individua do Talisca, que percorreu metade do campo com a bola nos pés, deixando pelo caminho quem lhe apareceu à frente até rematar para o fundo da baliza. O segundo golo foi fruto da pressão alta que o Benfica exerceu, que resultou numa recuperação de bola do Gaitán para uma assistência que deixou ao Talisca apenas o trabalho de empurrar para a baliza deserta. E o Benfica não parou por aí, continuando a mandar no jogo como queria e a criar ocasiões em barda para marcar o terceiro golo - só perto da meia hora é que o Estoril finalmente conseguiu fazer o primeiro remate no jogo. Mas nos minutos finais da primeira parte o Benfica adormeceu e abrandou em demasia, o que permitiu ao Estoril criar algumas ocasiões e finalmente marcar mesmo o golo que lhes permitia reentrar na discussão do resultado. Depois de um primeiro remate ao poste, o Maxi acabou por desviar a recarga para dentro da própria baliza. A resposta do Benfica até foi quase imediata, com o Jardel a cabecear para enviar a bola ao poste pela segunda vez no jogo (a primeira tinha sido do Lima), mas foi com um sentimento de frustração que se foi para intervalo com uma vantagem mínima no marcador. A produção do Benfica merecia uma vantagem mais dilatada e o jogo praticamente resolvido, mas em vez disso adivinhavam-se dificuldades para a segunda parte.

 

 

O Benfica até nem reentrou muito mal, e criou algumas jogadas de perigo pelos flancos que foram muito mal finalizadas por demasiada indecisão na altura do passe. Mas infelizmente nem foi preciso esperar muito para que o Estoril empatasse o jogo, porque fizeram-no praticamente na primeira jogada de perigo que construíram - diga-se que foi uma boa jogada do ataque do Estoril, que permitiu ao Kléber uma finalização muito fácil à boca da baliza. A partir daqui o Benfica voltava a ter que correr atrás do resultado. A presença na frente foi reforçada com a troca do Talisca pelo Derley (nessa altura o Talisca já parecia ter quebrado fisicamente) e o Benfica voltou a ter total controlo do jogo - diga-se que o Estoril, depois do golo marcado logo aos nove minutos da segunda parte, nada mais conseguiu fazer em termos atacantes. A pressão do Benfica foi-se intensificando e as oportunidades aparecendo, mas a tarefa do Estoril ficou ainda mais complicada depois de ficar reduzido a dez por segundo amarelo ao Cabrera, após uma entrada dura sobre o Enzo. O expulsão aconteceu a vinte e cinco minutos do final, e o Benfica voltou à vantagem no marcador apenas cinco minutos depois, num lance em que o maior mérito é do Derley por não ter desistido da jogada. Depois da felicidade que teve ao ganhar o ressalto numa bola dividida com o guarda-redes, ainda conseguiu tocá-la já quase sobre a linha de fundo para que o Lima aparecesse a centímetros da baliza a fazer o golo. O Estoril já não parecia ter capacidade para reagir e o Benfica até poderia ter forçado um pouco mais na procura do golo da tranquilidade, mas faltou alguma inspiração na frente. Ao contrário da semana passada, desta vez o Ola John entrou desastrado no jogo, e o Lima continua a falhar em situações onde normalmente não perdoaria.

 

 

Os melhores do Benfica foram, para mim, o Gaitán, que foi o maior criador de lances de ataque da equipa, e o Enzo, que sobretudo na altura em que foi necessário vir para a frente à procura do terceiro golo pegou nas rédeas do jogo e fez mover toda a equipa. Foi também ele quem arrancou o segundo amarelo e consequente expulsão do jogador do Estoril. O Talisca marcou um golo muito bom e teve uma entrada no jogo bastante positiva, mas foi perdendo fulgor muito cedo, não sei se consequência da entrada que sofreu e que o obrigou a ser assistido.

 

Podia ter sido um resultado bem mais dilatado, mas acabámos por ser obrigados a sofrer muito mais do que eu cheguei a esperar quando vi aquela entrada no jogo. Ficam os importantes três pontos no bolso, e o alargamento da vantagem sobre o adversário na disputa do título para quatro pontos. Com maior ou menor brilhantismo, este continua a ser um dos melhores inícios de campeonato do Benfica nos últimos anos.

por D`Arcy às 02:34 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 22.09.14

Susto

Apanhámos um valente susto esta tarde, mas uma boa reacção final acabou por poupar-nos a males maiores e evitar uma derrota que durante uma boa parte do jogo chegou a parecer um cenário muito provável.

 

 

Apenas uma alteração, na baliza, em relação à equipa que tem sido utilizada nos últimos jogos, onde se estreou o Júlio César. Sobre a primeira parte acho que há muito pouco a dizer, e nada de positivo. O pior de tudo foi mesmo a forma como os jogadores pareceram encarar o jogo, porque a sensação com que fiquei foi que houve demasiada sobranceria e falta de atitude. Há jogos em que é um tanto ou quanto evidente perceber desde cedo que vamos ter dificuldades, e isso acontece quando vemos um jogador conduzir a bola e o resto da equipa a ficar praticamente a olhar para ele, sem que os jogadores se movimentem para criar opções de passe. Foi isso que aconteceu hoje, com o resultado de vermos os jogadores insistirem em iniciativas individuais quase sempre condenadas ao fracasso. Para complicar mais as coisas, do outro lado surgiu um adversário nada interessado em facilitar-nos a tarefa, sempre muito bem organizado a defender e bastante agressivo e eficaz a pressionar o portador da bola. Eficácia foi também o que o Moreirense revelou na altura de atirar à baliza: imediatamente a seguir a uma perdida escandalosa do Lima (que está realmente numa fase em que praticamente não acerta uma), na primeira e provavelmente única ocasião de golo que criou durante todo o jogo, chegou ao golo. Após um cruzamento da direita, o Eliseu deixou fugir o seu adversário directo, que cabeceou para o golo. E nem este golo (que surgiu ainda cedo, pouco depois do primeiro quarto de hora) acordou a equipa, que continuou a mostrar um futebol lento, sem ideias e desconexo. A substituição operada ainda na primeira parte, em que o Derley entrou para o lugar do Samaris para reforçar a presença na frente, pouco conseguiu mudar.

 

 

O início da segunda parte também não foi propriamente promissor. Mas à entrada para a última meia hora o Talisca teve uma iniciativa individual em que ultrapassou vários adversários até ser derrubado à entrada da área, o que resultou no segundo amarelo para o jogador do Moreirense que fez a falta. A partir daqui o jogo foi completamente diferente. O Benfica acelerou o ritmo, as oportunidades começaram a surgir, e houve ainda a substituição forçada do Talisca pelo Ola John, que fixou o Gaitán no centro e acabou por contribuir também de forma positiva para a qualidade do nosso jogo. O empate surgiu de forma espectacular, num remate cruzado do Eliseu a uns trinta metros da baliza que levou a bola a entrar junto ao poste, sem qualquer possibilidade de defesa. Faltavam pouco mais de vinte minutos  para o final e nesta altura o assalto do Benfica à baliza do Moreirense era constante: a expulsão e a incapacidade para continuarem a pressionar-nos da forma que o tinham feito durante a primeira parte encostaram o Moreirense à sua área, com o jogo a disputar-se exclusivamente em metade do campo. Por isso não espantou que fosse necessário esperar apenas cinco minutos para vermos o segundo golo (e com mais algumas oportunidades claras pelo meio). Depois de um cruzamento do Gaitán na esquerda, que o guarda-redes atacou mal e não conseguiu afastar, a bola sobrou para o Maxi no poste oposto, que matou no peito e atirou a contar. O jogo parecia estar resolvido, pois o Moreirense estava praticamente entregue e incapaz de criar qualquer perigo no contra-ataque. Mais cinco minutos se passaram e num penálti cometido sobre ele mesmo (e sim, é penálti mesmo porque o defesa dá um toque no pé do Lima que depois o leva a tropeçar em si próprio) o Lima aproveitou para acabar com o jejum de golos e acabar com quaisquer dúvidas que pudessem haver sobre o vencedor - mas pelos vistos não terá acabado completamente com o seu desacerto com a baliza, porque até final ainda voltou a falhar mais uma ocasião flagrante de golo.

 

 

Depois de uma primeira parte paupérrima qualquer destaque na nossa equipa deve-se apenas ao que fizeram na nossa melhor fase do jogo. Gostei do Enzo (irrita-me que às vezes pareça que as pessoas insistam em querer ver fantasmas onde eles não existem) e do Maxi, e achei que a entrada do Ola John foi bastante útil, pois dinamizou o nosso jogo pela esquerda. Destaque óbvio também para o golo fabuloso do Eliseu, mas contra si a falha de marcação no golo adversário. Quanto ao estreante Júlio César, é difícil dizer o que quer que seja porque praticamente não teve trabalho. Pelo menos pareceu sentir-se seguro a jogar com os pés. O Lima, pelo que já foi dito, continua extremamente desastrado na finalização (o falhanço imediatamente antes do golo do Moreirense é inacreditável) mas a seu favor o facto de nunca baixar os braços ou virar a cara à luta.

 

A equipa que os 'especialistas' condenaram à partida ao fracasso, e para a qual previram as maiores desgraças apanha-se isolada no topo da tabela logo à quinta jornada, à frente de maravilhas que iriam limpar isto tudo sem sequer terem que suar. Para mim não deixa de ser irónico que até agora este esteja a ser ser um dos melhores arranques de campeonato da era Jesus. Já não há respeito nenhum pelos entendidos da bola que peroram pela comunicação social.

por D`Arcy às 00:13 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Quarta-feira, 17.09.14

Dignos

Derrota sem espinhas num jogo que cedo começou a dar para o torto. O Zenit é uma equipa forte, com bons jogadores (muitos deles que bem conhecemos) e como sempre, a este nível, os erros normalmente pagam-se caro. Mas para mim o mais importante que aconteceu esta noite passou-se durante os minutos finais do jogo e aqueles que se seguiram ao apito final do árbitro.

 

 

Com toda a lógica, o Benfica entrou em campo com o mesmo onze que goleou o Setúbal. O início de jogo, no entanto, dificilmente poderia ter sido pior, já que antes de se cumprirem cinco minutos ficámos em desvantagem no marcador. Tudo começou num mau passe do Jardel quando saíamos para o ataque e depois foi simplesmente uma questão de colocar a bola nas costas do Eliseu, que já estava naturalmente adiantado, deixando o Hulk isolado para uma finalização simples. O Zenit já tinha entrado no jogo de forma confiante, e com este golo via a tarefa ficar ainda mais facilitada. Apesar de uma ténue reacção ao golo, as coisas ficaram definitivamente pior para nós ainda antes de chegarmos aos vinte minutos, e novamente por consequência de erros: primeiro, mais um mau passe do Jardel numa saída para o ataque, que entregou a bola a um adversário no círculo central, e depois do passe feito para as costas da defesa o Artur teve uma 'arturada' (leia-se: uma daquelas saídas em que ele hesita e acaba por ficar a meio do caminho quando temos a nítida sensação que seria perfeitamente possível chegar primeiro à bola), acabando por derrubar o Danny quando ele estava isolado. Falta e consequente vermelho evidentes, o que forçou à substituição do Talisca pelo Paulo Lopes. Como se a perspectiva de jogar mais de setenta minutos reduzidos a dez não fosse já suficientemente má, sofremos o segundo golo logo a seguir. Não foi no livre marcado pelo Hulk, que desviou ligeiramente na barreira, mas foi no canto que se seguiu, no qual deixámos o Witsel entrar na zona do primeiro poste a cabecear para um golo que não festejou. O Paulo Lopes ainda defendeu, mas a bola já tinha ultrapassado a linha. Com a vantagem confortável no marcador e superioridade numérica em campo, o Zenit procurou adormecer ainda mais o ritmo de jogo, mantendo a bola em seu poder sem arriscar muito.

 

 

O maior elogio que posso fazer à nossa equipa na segunda parte é que pouco se notou a inferioridade numérica. Os nossos jogadores correram até à exaustão, e conseguiram que o jogo fosse muito repartido entre as duas equipas - de facto, até me parece que acabámos por ser melhores com dez do que tínhamos sido nos menos de vinte minutos que jogámos com onze. É verdade que o Zenit poderia ter ampliado a vantagem e teve oportunidades para o fazer, mas o Benfica também teve ocasiões para marcar, tantas ou mais do que o Zenit. Mas o guarda-redes russo esteve sempre em bom plano, e também nos faltou maior discernimento na altura de finalizar algumas jogadas. Não vi ainda nenhumas imagens do jogo, mas no estádio também me ficou a sensação que terá havido um penálti por assinalar sobre o Salvio, poucos minutos após o reinício do jogo, e que a ser marcado poderia ter mudado um pouco as coisas. Mas conforme referi no início, o mais importante acabou por acontecer nos minutos finais do jogo. O público benfiquista soube reconhecer o enorme esforço e empenho dos nossos jogadores perante uma situação tão adversa, e o jogo terminou debaixo de cânticos e aplausos, que se prolongaram muito para além do apito final. Não duvido que esta manifestação de apoio terá motivado os nossos jogadores, e foi uma bonita demonstração de que os adeptos estão com a equipa. Fomos derrotados em casa após mais de dois anos sem que tal acontecesse, mas os nossos jogadores conseguiram ser dignos perante um cenário muito adverso, e puderam sair de cabeça erguida.

 

 

Num jogo em que o brio e o empenho dos nossos jogadores foram o mais importante, não há grandes destaques individuais a fazer. Mas o Jardel fica ligado de forma negativa ao jogo, já que foram dois maus passes seus que estiveram na origem das duas jogadas decisivas do jogo. E pior ainda, continuou a insistir em passes de risco na defesa durante o resto do jogo. Parece-me que o Jardel serve perfeitamente para consumo interno, mas confesso que, face ao que conheço dele, continuo a estranhar a relutância do nosso treinador relativamente ao Lisandro Lopez. Mas eu não trabalho com os jogadores todos os dias.

 

A minha opinião sobre a Champions já é sobejamente conhecida, por isso não me vou alongar sobre o assunto. Digo apenas que é suficiente para que este resultado não me deixe particularmente zangado. O que eu espero sobretudo é que ele não tenha qualquer influência no estado de espírito da equipa, e que esta saiba utilizar o que se passou no final do jogo para colocar isto para trás das costas e motivar-se para o próximo jogo do campeonato. Para mim a prioridade e aquilo que determina se a época é de sucesso ou não será sempre a reconquista do título.

por D`Arcy às 02:23 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sábado, 13.09.14

Passeio

Foi particularmente agradável regressar a Portugal, chegar a casa, atirar a mala para um canto sem sequer a desfazer, sentar-me à frente da TV para ver a gravação deste jogo sem saber ainda o resultado e ser recompensado com uma goleada triplamente agradável. Triplamente agradável por ser, em primeiro lugar, uma vitória folgada do Benfica; depois por ser sobre o Vitórria, que é um clube com o qual eu não simpatizo particularmente; e finalmente por ser sobre uma equipa treinada pelo Domingos Paciência, que é alguém com quem eu não simpatizo absolutamente nada.

 

 

A grande (na verdade, a única) novidade no onze foi a titularidade do Samaris na posição de médio defensivo. Uma lesão terá evitado a estreia do Júlio César na baliza, dando oportunidade ao Artur para tentar limpar um pouco a face depois do empate que ofereceu ao sportém. O Talisca manteve-se como apoio mais directo ao Lima, ainda que por diversas vezes recuasse um pouco no terreno ou trocasse de posição com o Gaitán, aparecendo este a jogar mais perto da área e pelo centro. No último jogo, contra o sportém, o Talisca já tinha deixado alguma indicações positivas. Hoje confirmou-as. O início do jogo mostrou um Setúbal atrevido e provavelmente também aquele que será o amarelo mais rápido deste campeonato, já que o Eliseu conseguiu ser admoestado antes dos dez segundos de jogo. O problema para a entrada atrevida do Setúbal foi a classe muito superior de alguns dos nossos jogadores, e a extrema eficácia que tivemos na primeira parte. Logo aos dez minutos, e no primeiro remate que fizemos, o Salvio inventou um golo fantástico praticamente do nada, com um remate de pé esquerdo de fora da área a não dar quaisquer hipóteses de defesa. Golaço. Reagiu bem o Setúbal, que continuou a querer discutir o jogo olhos nos olhos com o Benfica, mesmo que não tenha conseguido obrigar o Artur a uma única defesa digna desse nome. Mas a agressividade e o ritmo a que o Setúbal foi obrigado a jogar para tentar pressionar a nossa posse de bola teve o seu preço e a partir da meia hora de jogo a equipa pareceu dar o estoiro, assumindo então o Benfica o controlo quase total. Ameaçámos por duas vezes, em que o Talisca só por muito pouco não conseguiu esticar o pé para dar o toque final para a baliza, mas estava escrito que ele iria mesmo deixar o seu nome na lista dos marcadores, o que acabou por acontecer já na fase final da primeira parte. Aos trinta e oito minutos, depois de uma boa jogada de ataque que acabou com um mau cruzamento do Gaitán, um corte ainda pior de um defesa adversário deixou a bola à mercê do Talisca, que finalizou com um remate forte de pé esquerdo. E a dois minutos do intervalo o mesmo Talisca voltou a marcar, desta vez na conversão de um livre directo na meia lua, assinalado após falta cometida sobre ele.

 

 

A história da segunda parte quase que se resume aos golos do Benfica e às oportunidades falhadas pelo Lima, já que o controlo do jogo por parte da nossa equipa foi total. Se o Setúbal ainda alimentava qualquer esperança de poder fazer uma gracinha, cedo se desvaneceu. É que tal como na primeira parte, o Benfica marcou com dez minutos decorridos. Mais uma boa jogada com o Gaitán a progredir pelo meio e a desmarcar o Lima na esquerda, primeiro remate do Salvio (depois de uma simulação do Gaitán) defendido pelo guarda-redes, e depois a recarga do Talisca, de pé direito e de ângulo apertado, só parou no fundo da baliza. Hat trick para o brasileiro no jogo em que finalmente se estreou a marcar em jogos 'a sério'. Depois deste golo, e com o Setúbal entregue, ficava apenas por saber quantos golos mais conseguiria o Benfica marcar. Vimos o Lima desperdiçar várias oportunidades flagrantes de golo (está complicado acabar com a seca...), mas já que não marcou,pelo menos ainda conseguiu oferecer o quinto golo ao Ola John (o holandês tinha entretanto entrado para o lugar do Gaitán). Desmarcado pela direita após um passe do Salvio, fez o centro rasteiro para o poste mais distante, onde o Ola John só teve que empurrar para a baliza deserta. Houve ainda tempo para o Cristante se estrear com a nossa camisola, jogando os últimos vinte minutos sem que no entanto tenha tido oportunidade para mostrar muito, excepto alguma apetência para tentar passes em profundidade para as costas da defesa ou a variar o flanco de jogo.

 

 

O Talisca é obrigatoriamente o homem do jogo. Parece mais solto, confiante e integrado no nosso estilo de jogo, e hoje até conseguiu começar a justificar a fama de especialista em bolas paradas com que vem rotulado. Outros jogadores que me agradaram foram o Luisão, que como habitualmente limpou praticamente tudo o que apareceu na sua zona, e o Salvio. O Gaitán não esteve tão fulgurante como é habitual, mas nota-se sempre a sua influência quando aparece com a bola controlada na zona central. De uma forma geral continuo convicto que, tendo nós mantido o trio argentino Enzo/Salvio/Gaitán, do meio campo para a frente continuamos num nível acima da concorrência no que diz respeito a criatividade e qualidade técnica. Gostei do que vi do Samaris. Ainda vai de certeza evoluir muito nas mãos do Jorge Jesus, mas para um jogador que chegou há tão pouco tempo já se mostrou razoavelmente integrado e também parece ter bons pés, pelo que certamente não será um '6' exclusivamente dedicado a tarefas de destruição de jogo.

 

Acabou por ser um agradável passeio até ao Bonfim, que nos terá até permitido fazer alguma gestão de esforço para a estreia na Champions. Por enquanto continua a não haver sombra dos cenários mais catastrofistas que muitos nos previram durante a pré-época. O início da época não foi brilhante em termos exibicionais, mas foi relativamente sólido (bem melhor que o da época passada) e por agora apenas temos a lamentar o mau resultado da última jornada, fruto de um infeliz erro individual e de alguma falta de pontaria. Esta goleada ao Setúbal pode servir para dar mais confiança à equipa e catapultá-la para outros patamares exibicionais. E eu até tenho boas recordações de épocas com goleadas ao Setúbal.

por D`Arcy às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Terça-feira, 02.09.14

Ensaio sobre a lucidez

Sobre o empresário Jorge Mendes, diz Wallace, jogador emprestado pelo Braga ao Mónaco: "Disse-me para me preocupar em jogar o meu futebol, porque fora de campo ele resolvia tudo. E eu sei que estando bem e, com a força que ele tem fora de campo, com certeza vai dar tudo certo". É difícil encontrar tanta lucidez num jogador apenas.

por Pedro Valente às 22:30 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 31.08.14

Desperdício

Não vou perder muito tempo a escrever sobre este jogo: não me apetece, e o adversário não me merece atenção suficiente. Para mim foi um mau resultado: um empate com esta espécie de Estoril com esteróides são dois pontos deitados fora. Na pré-época disse várias vezes que para mim a perda do Oblak era a única que eu considerava irreparável. Hoje voltei a confirmar essa convicção, e sofremos as primeiras consequências disso. Tínhamos entrado bem no jogo, marcámos cedo numa bonita jogada finalizada pelo Gaitán, o jogo estava perfeitamente controlado, e depois aquele tipo que anda a fingir que é guarda-redes resolveu ressuscitar o adversário oferecendo-lhe um golo que literalmente caiu do céu, porque nada tinham feito para o justificar. É ridículo ver os nossos defesas a ficarem atrapalhados diversas vezes pelo simples facto de terem que evitar a todo o custo atrasar a bola ao guarda-redes.

 

 

A oferta do Artur não justifica tudo, pois bastaria que se tivesse aproveitado uma das várias oportunidades de golo construídas na segunda parte para vencer o jogo. Não o soubemos fazer (ao contrário do nosso guarda-redes, o deles fez o que lhe competia) e o Salvio fica muito mal na fotografia, pois desperdiçou duas oportunidades de golo feito: numa conseguiu permitir a defesa ao guarda-redes quando era só escolher onde queria colocar a bola, e na outra resolveu tentar o remate de ângulo quase impossível quando tinha o Lima completamente solto a seu lado, a dois metros da baliza. E até nos arriscámos a perder o jogo, pois quase no final o Artur teve a sua única contribuição positiva no jogo e evitou um golo que colocaria uma injustiça maior no resultado. Contas feitas e no final ficamos com um mau resultado frente a uma equipa inferior, que apesar da garganta toda e da chiadeira incessante é basicamente da mesma mediocridade que era o ano passado, reforçada com um dos jogadores mais burros que tenho memória de ver jogar. Não sei se o Julio César será solução para os problemas na baliza, mas o que eu sei é que a manutenção do Artur é insustentável. É visível que os próprios colegas de equipa não confiam nele, e neste momento até com o Thierry Graça à baliza eu me sentiria mais seguro.

por D`Arcy às 22:07 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 25.08.14

Amorim


Muita força, Rúben. Que recuperes bem e o mais rapidamente possível, para que ainda ajudes a defender os títulos do nosso Benfica é o meu desejo. Uma lesão estúpida e injusta de um jogador que já teve azar de sobra no que diz respeito aos joelhos.
por D`Arcy às 19:05 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Trabalho

Não sendo possível uma exibição de encher o olho, foi fazendo um jogo de muito trabalho que conseguimos uma vitória difícil mas justíssima contra o Boavista, o relvado artificial e uma arbitragem no mínimo irritante. Antes do jogo esperava mais do que uma vitória pela margem mínima, mas estou satisfeito com o mais importante, que são os três pontos conquistados.

 

 

O Enzo esteve em dúvida até à última para este jogo e acabou mesmo por ficar de fora, o que fez com que, em relação ao último jogo, o Talisca recuasse para médio centro e o Jara entrasse no onze. Quanto ao jogo, não consigo fazer grandes apreciações técnicas ou tácticas sobre o mesmo. Essencialmente, pareceu-me um jogo bastante feio e de muita luta. O Boavista foi um adversário bastante chato - não o classifico de incómodo porque foi praticamente inofensivo no ataque, não tendo criado uma única real ocasião de golo (as únicas vezes em que criou a sensação de perigo foi em jogadas já interrompidas por fora de jogo). Foi uma equipa muito à imagem do seu treinador Petit, a jogar de forma muito agressiva (mas não violenta): os seus jogadores caíam imediatamente em cima do adversário para pressionar e metiam sempre o pé sem contemplações ou receio de fazer falta - até porque a renitência do árbitro em apitar faltas contra o Boavista a isso ajudava, o que complicou a nossa capacidade para fazer jogadas organizadas. Outro adversário foi o relvado sintético do Bessa. É que não me lixem; que aquilo seja aprovado para se jogar lá futebol tudo bem, mas é completamente diferente de um relvado natural. A bola salta muito mais e os jogadores mostram muito maiores dificuldades para a controlar, sendo frequente vê-la a fugir-lhes dos pés ao mais ligeiro toque. De qualquer forma, com maior ou menor dificuldade, o Benfica assumiu o controlo do jogo desde o apito inicial e procurou chegar à vantagem, com o Eliseu e o Gaitán na asa esquerda a revelarem-se bastante activos. Foram aliás dos pés destes dois jogadores que surgiram as melhores ocasiões durante a primeira parte, sendo de realçar a apetência do Eliseu para rematar à baliza. Depois de ter feito um grande remate de fora da área, na ressaca de um canto, que obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada, foi já quase sobre o apito para o intervalo que num novo remate de fora da área, desta vez cruzado ao poste mais distante, marcou o golo que decidiu o jogo. A lamentar nesta primeira parte termos perdido o Rúben Amorim por lesão, que aconteceu não por culpa de alguma patada boavisteira, mas sim talvez do piso sintético (uma pena, até porque estava mais uma vez a fazer um bom jogo).

 

 

A segunda parte foi mais equilibrada na posse de bola. Sem que saibamos porquê, o Jorge Jesus apareceu na bancada ao lado do Manuel do Laço, já que terá sido expulso pelo árbitro Marco Ferreira. Provavelmente terá sido aplicado o mesmo critério da jogada que valeu o amarelo ao Jara na primeira parte. O Boavista conseguiu subir mais um pouco no terreno, mas o Benfica teve sempre o jogo controlado. Durante esta segunda parte, ao contrário da primeira, o Benfica insistiu no ataque mais pelo lado direito, através do Salvio e do Maxi, enquanto que do lado oposto o Eliseu esteve bem mais comedido nas subidas ao ataque e preocupou-se em fechar bem atrás. Conforme já referi, o Boavista não criou uma única ocasião de golo ou obrigou o Artur a qualquer intervenção de dificuldade mais elevada. Os dois remates perigosos que fizeram foram em jogadas que já estavam interrompidas por posição irregular dos seus jogadores, e as jogadas mais perigosas voltaram a ser nossas. O Gaitán falhou um chapéu ao guarda-redes por muito pouco, depois de duas excelentes intervenções do André Almeida, primeiro a recuperar a bola e a travar o contra-ataque do Boavista, e depois no passe longo para o argentino; e o Lima apareceu em boa posição depois de combinar com o Gaitán, mas só viu a baliza e rematou muito torto quando tinha o Salvio completamente solto do seu lado direito. O desvario do Boavista em tentar chegar ao golo do empate nos minutos finais, em que até subiu um central para o ataque e tentou despejar bolas de qualquer maneira para a frente, valeu-lhe ficar reduzido a dez nos últimos cinco minutos, depois de uma tentativa parva de um seu jogador de jogar voleibol em vez de futebol que lhe valeu o segundo amarelo.

 

 

Num jogo com poucos motivos de realce no aspecto técnico, o homem do jogo acaba por ser o Eliseu, quanto mais não seja pelo golo que marcou e fez o resultado final. O facto de já conhecer bem o treinador parece fazer com que se tenha identificado depressa com a forma de jogar da equipa, parecendo já completamente integrado na mesma. Houve suspeitas levantadas sobre o seu estado físico quando chegou ao Benfica, mas pelo que deu para ver até agora ou essas suspeitas eram infundadas, ou recuperou rapidamente a forma. Não me parece que tenham havido outros jogadores a destacarem-se em particular.

 

Como disse no início, antes do jogo começar esperava uma vitória mais tranquila do Benfica neste jogo, mas depois dos noventa minutos fiquei com a sensação de que seria difícil produzir futebol com muita qualidade esta noite. Por isso o que interessa mesmo é que trouxemos os três pontos do Bessa, e isso deixa-me satisfeito. Agora vou aguardar pelo final da semana, para ver se depois dá para descansar um pouco das novelas sobre os nossos cobiçados jogadores (antes que os jornais entrem em novas novelas sobre os mesmos, envolvendo os mercados turco ou russo).

por D`Arcy às 01:20 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 18.08.14

Início

Interrompemos finalmente o péssimo hábito, que já se vinha acumulando há nove épocas consecutivas, de não vencer na estreia no campeonato. Mas as coisas até poderiam ter sido bem mais complicadas, não fosse o Artur ter mais uma vez vestido o fato de herói para defender um penálti na fase inicial do jogo.

 

 

Entrámos em campo, sem surpresa, com o mesmo onze da Supertaça, onde o Talisca é quem tem a função de apoiar mais directamente o avançado. Não foi uma má entrada no jogo, pois cumprimos com a obrigação de entrar ao ataque e a tentar pressionar o adversário, mas a velocidade imprimida foi pouca e não criámos qualquer ocasião de golo durante os minutos iniciais. Quando o Paços respondeu e subiu até à nossa área, praticamente na primeira vez que lá chegou beneficiou de um penálti cometido de forma algo infantil pelo Eliseu - não sei se a famosa 'intensidade' terá sido suficiente para derrubar o adversário, mas a verdade é que ele lhe colocou as mãos nas costas e portanto a falta era o cenário mais provável. O árbitro era o Cosme Machado (que já tinha mostrado com o que se poderia contar ao amarelar o Enzo na primeira falta que fez, a meio campo) e portanto o desfecho foi previsível: penálti contra o Benfica. Mas o Artur adivinhou o lado e com uma boa defesa junto ao relvado evitou o golo. Este lance terá assustado o Benfica e motivado o Paços, que durante os minutos que se seguiram teve a sua melhor fase em todo o jogo, superiorizando-se ao Benfica no domínio da partida. No entanto, esta melhor fase do Paços, que durou cerca de um quarto de hora, terminou de forma abrupta com o golo do Benfica. No espaço de um minuto, primeiro ameaçámos numa boa jogada que terminou num remate do Lima a passar muito perto do alvo, após centro do Maxi, e logo a seguir marcámos mesmo, numa bonita tabela entre o mesmo Maxi e o Gaitán, que deixou o uruguaio isolado para finalizar de pé esquerdo com aparente facilidade. Com o golo veio um fase de equilíbrio no jogo e até mesmo de alguma monotonia, já que nenhuma das equipas foi capaz de criar qualquer ocasião de golo ou sequer construir uma jogada digna de realce. O único safanão na monotonia foi uma iniciativa individual do Gaitán, concluída com um remate torto quando tentou colocar a bola sobre o guarda-redes. Ainda antes do intervalo fomos obrigados a trocar o Enzo pelo Jara, o que significou o recuo do Talisca para uma posição mais central no meio campo.

 

 

A segunda parte iniciou-se mantendo a mesma toada de algum equilíbrio, embora fosse apenas o Benfica a conseguir aproximar-se da baliza adversária - o Paços apostava sobretudo em bolas longas para tentar tirar partido do físico do Cícero na frente, mas sem qualquer resultado prático. Com o decorrer do tempo o Benfica foi crescendo aos poucos no ataque e depois de algumas ameaças chegou mesmo ao golo que praticamente confirmava a vitória, quando faltavam pouco mais de vinte minutos para o final. Foi uma jogada argentina, em que o Jara ganhou a bola na esquerda, soltou-a para a corrida do Gaitán, e depois o pé esquerdo do nosso criativo enviou a bola teleguiada para a entrada do Salvio, de cabeça, do lado oposto, fazendo a bola entrar junto à base do poste. Uma jogada bonita e uma finalização muito boa. Este segundo golo confirmava a superioridade do Benfica no jogo e deixou o Paços praticamente entregue ao seu destino, já que continuou a ser incapaz de criar qualquer ocasião de golo - apenas em remates de longe, na marcação de livres pelo Sérgio Oliveira, conseguia tentar alvejar a nossa baliza. Até final ficou a ideia de que com um pouco mais de acerto e calma na altura da decisão até poderíamos ter marcado mais um golo, já que o Paços, na tentiva pouco eficaz de pressionar no ataque, ficou mais desorganizado atrás e passou a conceder mais espaços para explorarmos o contra-ataque. Mas creio que isso seria um castigo demasiado pesado para este Paços, que me pareceu uma equipa bem organizada durante uma boa parte do jogo. Mantenho uma boa opinião sobre o Paulo Fonseca como treinador, e duvido que o Paços passe pelas mesmas aflições que passou a época passada.

 

 

Para mim o homem do jogo foi o Gaitán. É dele que espero os rasgos de criatividade e as acelerações que decidem jogos. Quando a bola lhe chega aos pés antecipo sempre algo especial, e ele correspondeu com as assistências para os dois golos do jogo. Gostei também das exibições do Maxi, Salvio e Amorim. Menção também para o Artur, que com ou sem confiança, com ou sem simpatia por parte dos adeptos, cumpriu quando foi chamado e foi novamente decisivo. O Talisca ainda não me convenceu. A qualidade existe, mas parece-me jogar ainda com um ritmo e intensidade desadequados para o nosso estilo de jogo, e muitas vezes parece até travá-lo. Posicionalmente, sentiu dificuldades quando foi obrigado a recuar no terreno após a saída do Enzo, e o 'raspanete' que levou do Luisão após um lance em que um adversário apareceu completamente sozinho a receber a bola numa zona que seria supostamente sua foi plenamente justificado. O Jardel será provavelmente uma aposta do nosso treinador para esta época, e se isso se confirmar espero que seja um pouco mais expedito a jogar simples quando a situação a isso obriga. Continuo a achar que em algumas situações arrisca demasiado ao tentar sair a jogar, e isso poderá vir a causar sérios dissabores.

 

 

Foi importante iniciar o campeonato com uma vitória, e assim permitir que se continue a trabalhar na formação e entrosamento de uma equipa para atacar os objectivos desta época sem estarmos sujeitos à enorme pressão negativa que outro resultado provocaria - o exemplo do que se passou depois dos maus resultados nos jogos de preparação é suficiente para ter uma ideia do que um mau resultado num jogo 'a sério' poderia causar. O jogo de hoje voltou também a mostrar (e não me parece que tenhamos grandes dúvidas sobre isso) que muitas das nossas probabilidades de sucesso passarão pelos pés de jogadores como o Luisão, Enzo (mesmo que hoje tenha estado apagado). Gaitán ou Salvio. Tendo em conta que nesta altura se continua a falar com alguma insistência nas saídas de três destes jogadores, acho que só mesmo quando chegar o dia 1 de Setembro é que poderei ficar mais descansado (ou não).

por D`Arcy às 01:18 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 11.08.14

Escassa

Não sei se já consegui acalmar suficientemente a irritação que senti a ver este jogo para estar a escrever muito sobre ele. Fica o mais importante, que foi a conquista da Supertaça, e a confirmação do Benfica como o actual detentor de todos os quatro principais troféus domésticos, facto inédito no futebol português.

 

 

A irritação que senti ao ver este jogo deve-se ao facto de achar que uma vitória nos penáltis foi demasiado escassa e injusta para a produção do Benfica no mesmo. Com os regressos de jogadores fulcrais como o Luisão e o Enzo, o Benfica foi bem diferente para melhor daquilo que tinha mostrado nos jogos da pré-época. Fiquei algo surpreendido com a aposta no Talisca para jogar nas costas do avançado, mas durante a primeira parte vimos o melhor Benfica desde que regressámos ao trabalho. O maior lamento foi mesmo a falta de eficácia na finalização, o que fez com que saíssemos para intervalo com um nulo no marcador incrivelmente lisonjeiro para o Rio Ave, cuja produção ofensiva foi praticamente nula e pode agradecer ao Artur o facto de ter conseguido criar alguma sensação de perigo por uma vez. A segunda parte foi mais do mesmo, com o Benfica sempre muito por cima no jogo (a posse de bola raramente se afastou muito dos 70%), embora a conseguirmos criar menos ocasiões flagrantes de golo. O discernimento também foi faltando, até porque o ritmo de jogo ainda não será naturalmente o melhor, mas mais uma vez fizemos mais do que o suficiente para merecermos conquistar o troféu no tempo regulamentar.

 

 

Durante o injusto prolongamento que fomos obrigados a disputar notou-se muito a progressiva falta de pernas dos nossos jogadores, que no entanto nunca deixaram de tentar chegar ao golo que evitasse a lotaria dos penáltis, tendo lutado até a exaustão. Mas quase quarenta remates feitos não foram suficientes para marcar um golo que fosse, quer por inspiração do guarda-redes e defesas do Rio Ave, quer por falta de pontaria ou inspiração dos nossos jogadores, a verdade é que o jogo se foi arrastando teimosamente para o o risco daquilo que seria uma injustiça tremenda, a exemplo do que aconteceu na final da Liga Europa. O Rio Ave, esse, parecia satisfeitíssimo com a perspectiva de levar o jogo para essa lotaria e tudo fez ao seu alcance para que isso acontecesse. E podia até ter tido um prémio mais injusto já muito perto do final, quando mais um disparate do Artur, no seguimento de um pontapé de canto, quase resultou em golo já que o Jardel, de forma atabalhoada, acabou por chutar a bola contra a barra da nossa baliza. Chegada a tal lotaria, o Artur, que tinha sido o pior jogador do Benfica durante o jogo, teve a oportunidade de se redimir e acabou por ser o herói, defendendo três penáltis.

 

 

Não é que fosse necessário qualquer tipo de esclarecimento, mas depois do jogo de hoje terá ficado bem claro o peso que o Enzo e o Gaitán têm no nosso jogo, e o enorme rombo nas nossas ambições para esta época que poderá significar a perda de qualquer um deles. O regresso do Luisão (e do Jardel) deu logo muito mais solidez à nossa defesa, que praticamente apenas nos deslizes do Artur passou por alguma situação mais complicada - gostei de ver o Eliseu jogar. Por falar no Artur (que, repito, foi o pior jogador do Benfica esta noite), espero que a proeza de ter defendido três penáltis sirva para lhe devolver a confiança de que parece andar tão em falta. Não sei se vamos conseguir contratar mais algum guarda-redes ou não, mas é importante termos o Artur a num bom nível, e o que ele mostrou nos últimos jogos tinha sido mau demais. Parece-me também que a necessidade de um avançado ficou clara, já que estivemos mal na finalização e em diversas alturas fiquei com a sensação de que houve falta de presença na área adversária.

 

Apesar de apenas ter ficado decidida na lotaria dos penáltis, a mais do que justa conquista da Supertaça pode ter sido muito importante no lançamento de uma época em que todos desejamos conseguir defender os títulos conquistados há poucos meses atrás. Independentemente da enorme superioridade do Benfica durante os cento e vinte minutos do jogo em Aveiro, não custa nada imaginar o vendaval de críticas que se abateriam sobre a equipa caso a vitória nos fugisse. Assim, ganhamos um pouco de fôlego para a semana que antecede o início da Liga (e seria muito bom contrariar a péssima tendência dos últimos anos, começando a competição com uma vitória), e os nossos jogadores recebem uma injecção de confiança para ajudar a esquecer a má imagem deixada nos jogos de preparação.

por D`Arcy às 00:56 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Domingo, 10.08.14

Viva o Benfica!

Hoje era a sério. Hoje fizemos algo de inédito no futebol português: conquistámos tudo o que havia para ganhar (Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça).

 

Hoje e sempre, nos bons e nos maus momentos, viva o Benfica!

 

 

por Pedro F. Ferreira às 23:41 | link do post
Sábado, 09.08.14

Ainda a pré-época

O assunto é incontornável, a pré-época do Benfica passou a ser assunto de falatório nacional. Como todo o benfiquista minimamente consciente, tenho a noção de que nos jogos de pré-época não se ganham pontos, nem competições daquelas que nos fazem festejar. Ou seja, tenho a noção de que a pré-época é exactamente o tempo de experimentar possibilidades, identificar problemas e criar condições para entrar na “época” com as melhores soluções para alcançar os objectivos. Ainda assim, como todo o benfiquista minimamente consciente, é impossível não ter ficado preocupado com algumas das situações (e as situações ultrapassam os resultados) que fomos testemunhando. Não me preocupam as saídas de futebolistas que se assumiram como importantes nas brilhantes conquistas da época passada. As minhas preocupações derivam do valor ainda duvidoso de muitos dos reforços que vieram com o intuito de suprir as lacunas dos tais excelentes futebolistas que saíram. É neste deve e haver que se vão construindo expectativas mais ou menos optimistas para o futuro. O tempo urge e o que nós benfiquistas exigimos é, no imediato, a conquista de uma Supertaça que possa servir de ignição para um bi-campeonato que não se pode adiar, sob o risco de estarmos a adiar a consolidação do Benfica como líder do futebol nacional. Esta preocupação é, no entanto, bastante atenuada pelas competências de gestão do Clube, orientação e treino do plantel, e capacidade de deteção de talentos que já testemunhámos nos profissionais do Benfica. Fica uma nota final sobre esta pré-época para agradecer ao Cardozo as quase duas centenas de vezes que me fez festejar golos do Benfica. Soube-se construir na História do Glorioso.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Gosto, para publicação na edição de 08/08/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

por Pedro F. Ferreira às 14:56 | link do post
Segunda-feira, 04.08.14

Obrigado, Cardozo!

 

Meu caro Óscar,

 

Era inevitável, mas hoje é um dia muito triste para mim. Obviamente sabia que qualquer dia terias de sair do Benfica, talvez esta até tenha sido a melhor altura, já que estarás certamente consciente que, depois da grave lesão da época passada, nunca mais foste o mesmo e nem nós nem tu queríamos que a última imagem fosse menos positiva. Mas como um adepto de futebol age mais com o coração do que com a cabeça, secretamente eu ainda tinha a esperança que voltasses a ser o que sempre foste e via em cada toque teu bem conseguido, e cada tabelinha que entrava nesta pré-época, um sinal de que estavas a subir de forma. No entanto, vieram os turcos com uma boa proposta para ti e não seria justo cortarmos-te as pernas nesta fase da tua carreira.

 

Serve este post para te dizer, em meu nome e de todos os benfiquistas que não deixam o cérebro em casa quando vão ao estádio, e portanto sempre te admiraram, MUITO OBRIGADO por tudo o que fizeste no Glorioso. 171 golos em 293 jogos só não impressionam pessoas com acentuada deficiência cognitiva e que portanto acham que o mais importante do futebol não é… meter a bola na baliza! É que eu não tenho problemas nenhuns em confessar uma fraqueza minha: gosto de jogadores que… marquem golos com regularidade! Tens o teu lugar mais que assegurado na história do nosso clube (o melhor marcador estrangeiro de sempre, o segundo melhor marcador nas competições europeias – só atrás do teu ídolo Eusébio -, o nono melhor marcador de sempre), mas mais do que isso tiveste ao longo do tempo grandes demonstrações de que te tornaste benfiquista e que sentes muito o Glorioso (basta recordar como te comportaste no funeral do Eusébio). Por tudo isso, e como todos os adeptos têm uma predilecção especial por este ou aquele jogador, eu festejava os teus golos ainda com mais alegria (seguindo o que fazia com os golos do Manniche, Magnusson, João Pinto, Rui Costa ou Nuno Gomes). É que eram golos do Benfica e DE Benfica!

 

Tenho imensa pena que não tenhas tido oportunidade de te despedir de nós durante um jogo na Luz (pecha de que igualmente sofreram o Nuno Gomes e o Aimar, por exemplo), porque tu e nós merecíamo-lo. Gostaria de ter podido entoar o teu cântico uma última vez contigo a assistir. Não foi possível, mas espero que um dia destes voltes para nos visitar e tenhas a possibilidade de ir ao relvado antes de um jogo para te saudarmos uma última vez. Desejo-te imensas felicidade na Turquia e mais uma vez expresso-te o nosso AGRADECIMENTO eterno.

 

Até sempre, Tacuara! Serás sempre o Maior!

 

P.S. – Só a falta de sensibilidade materna para uma belíssima homenagem impediu que o meu filho mais novo se chamasse Óscar. Situação de que ainda hoje me arrependo, já que um dia depois de ele ter nascido, tu lembraste-te de enfiar três batatas aos lagartos no inolvidável jogo da Taça da época passada. Foi a melhor prenda de boas-vindas que ele poderia ter tido!

por S.L.B. às 23:52 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Domingo, 03.08.14

Pré-época

Terminou hoje a pré-época do Benfica, e deixo aqui algumas opiniões sobre a mesma. O balanço é obviamente muito negativo. Não é que eu tivesse logo à partida grandes expectativas para a mesma (até porque fazê-lo para uma pré-época nem me parece muito lógico), mas o que vi foi ainda pior do que eu esperava. As minhas expectativas eram baixas a partir do momento em que ficou claro que a orientação da direcção do nosso clube foi dar preferência à vertente financeira em relação à desportiva. Se as inúmeras vendas (não colmatadas até agora por aquisições de valor semelhante) não fossem por si só suficientes para concluir isso, os dois jogos na Suíça martelados no meio do calendário, que nos deixaram na confortável situação de disputar quatro jogos no espaço de cinco dias, mais reforçaram essa convicção - não consigo conceber outro motivo para este disparate a não ser o cachet que nos terá sido pago para essa ida à Suíça.

 

Estes jogos de preparação terão sido também afectados pela ausência de alguns jogadores importantes, em particular no centro da defesa. O facto do Sidnei ter sido titular em todos eles (não acredito que fique no plantel) é exemplificativo. A defesa foi um dos piores sectores em todos estes jogos, completamente descoordenada e a conceder golos infantis. Mas independentemente disso, a conclusão óbvia que podemos retirar destes jogos é que a nossa equipa perdeu qualidade em relação à época passada, o que não é espanto nenhum se olharmos aos jogadores que foram vendidos. A situação mais irreparável foi, na minha opinião, a perda do Oblak. Como ficou brutalmente evidente no jogo de hoje (embora não seja surpresa nenhuma) não podemos atacar uma época confiando a baliza ao Artur. Até estaríamos melhor servidos com o Varela ou outro guarda-redes da formação, porque ao menos esses são jovens e têm margem de progressão. O Artur é um jogador formado que já não vai evoluir mais e que, pelo contrário, com o tempo tem vindo a acentuar os defeitos que já tinha. A saída do Siqueira não é das que mais me preocupa, já que fiquei agradado com o Benito e teremos ainda em princípio o Sílvio quando recuperar, embora tenha quase a certeza de que o Eliseu irá ser o eleito porque é um jogador da confiança do treinador. No centro, apesar de obviamente o Garay ser muito difícil de substituir, a época passada o Jardel cumpriu sempre que foi chamado, e o Lisandro seria para mim a escolha óbvia para ocupar o lugar ao lado do Luisão (não consigo perceber que se contemple sequer a possibilidade de novo empréstimo). O César poderá ser um jogador interessante quando se adaptar ao nosso jogo e se for introduzido na equipa de forma gradual, ao lado de um colega mais experiente (nunca ao lado do Sidnei). Não querendo desancar à partida um jogador depois de ver tão pouco dele, ou o Luís Felipe está mesmo muito fora de forma depois de tanto tempo sem jogar, ou então é mais um erro de casting que nada vem acrescentar ao plantel.

 

Na zona central do meio campo tivemos outro problema durante estes jogos. Jogámos sem um verdadeiro '6', e a verdade é que no plantel apenas existe neste momento o Rúben para tentar fazer essa posição enquanto o Fejsa não estiver recuperado. O Talisca é um médio ofensivo e se existe a ideia de o converter a tarefas mais defensivas, isso levará certamente tempo (o Matic levou praticamente uma época inteira). A surpresa pela positiva foi o miúdo João Teixeira. Ainda revela naturais insuficiências pela falta de experiência e comete erros por causa disso, mas mostrou ter potencial e se for possível lançá-lo aos poucos no onze (como foi feito com o André Gomes, por exemplo) parece-me que poderá ser um jogador útil. Nas alas, creio que o Markovic poderá ser substituído pelo Salvio (que até seria em teoria o titular a época passada, já que o sérvio apenas assumiu a titularidade depois da lesão do argentino). Já a substituição do Rodrigo no ataque será outro problema de difícil resolução. Olhando para o plantel, o jogador que me parece ter características mais apropriadas para ocupar o lugar até seria o Bebé, ou eventualmente o Sulejmani. Mas até preferiria a solução de colocarmos o Gaitán a jogar nas costas do avançado.

 

De uma forma resumida, apesar de para mim ser evidente a perda de qualidade do plantel, acredito que existe matéria prima suficiente para montar uma equipa capaz de defender o título. Isto se (e é um enorme 'se') o Enzo e o Gaitán se mantiverem no plantel, e conseguirmos encontrar uma solução para o problema da baliza. Se tal não acontecer, então as perspectivas para esta época serão ainda mais sombrias.

por D`Arcy às 20:58 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sexta-feira, 01.08.14

Lógicas de pré-época

Há uns anos, o Benfica contratou maioritariamente reforços em Espanha e na América Latina. Na opinião publicada dizia-se que não podia ser, que era um balneário que falava espanhol e que, desde a redação da pasquinagem lusa até ao túmulo da Padeira de Aljubarrota, a pátria sofria em agonia o ultraje. Depois, bem recentemente, criticava-se a vinda da “armada sérvia”. Temia-se a balcanização do balneário e gritava-se a plenos pulmões que o Clube, os adeptos, os futebolistas e a Águia Vitória estavam irremediavelmente traumatizados com o final da tal época 2012-13. Pelo meio, zurzia-se a bom zurzir na decisão de Vieira ter mantido Jesus e ainda se antecipava o descalabro pela decisão financeiramente suicida de não vender os principais activos do plantel. Antes que me esqueça, devo lembrar que ainda se apresentava o vizinho SCP como exemplo a seguir, pois apostava inequivocamente na formação.

Os mesmos opinadores, na actual pré-época, não comentam a quantidade de falantes de língua espanhola que legitimamente os nossos rivais do FCP contrataram. Do mesmo modo, deixaram de comentar o facto de o SCP contratar futebolistas estrangeiros e “já feitos” que retiram espaço à tal aposta na formação da casa. Agora, passaram a comentar o facto de no Benfica se contratar muitos brasileiros. Passada a patética conversa sobre a incapacidade de sobreviver ao “trauma”, iniciaram a criação do chavão de que o Benfica desmembrou o plantel e que não será possível a reconstrução. Aproveitam e, pelo caminho, desancam nas vendas e no facto de não se ter feito uma política de não venda de activos. É, enfim, o esplendor das certezas absolutas dos habituais cata-ventos sazonais. Apesar de inúteis, ajudam a dar um tom pitoresco à sensaborona modorra da pré-época.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 28 de Julho, para publicação na edição de 01/08/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 19:38 | link do post
Sábado, 19.07.14

Benfica para além do óbvio

Na contabilidade desta pré-época contabilizámos quantos futebolistas da equipa principal ficam e quantos saem. Especulámos sobre o assunto e alternámos entre o apocalipse e a descontração. Tendemos a esquecer que acabámos de fazer uma época de excelência e o que passou parece ter deixado de entrar na contabilidade. No entanto, nesta contabilidade do que foi a época desportiva do Benfica importa ir um pouco além do óbvio. Importa perceber que há Benfica para além do excelente ‘triplete’ do futebol e que o nosso emblema triunfa num conjunto de actividades que têm tanto de eclético como de estruturantes em termos de formação e garantia de alicerces para o futuro. Há poucos dias tivemos dois atletas medalhados nos Europeus de Canoagem. A medalha de ouro de João Ribeiro e o bronze de Teresa Portela terão obrigatoriamente de ser motivo de orgulho e realce. Terão obrigatoriamente de entrar no ‘deve e haver’ do sentir benfiquista. No atletismo, a hegemonia de conseguirmos excelentes resultados (títulos!) na formação (juvenis, juniores e sub-23) deve significar mais do que uma nota de rodapé nas conversas entre benfiquistas. Diga-se que, na formação, o nosso Benfica obteve 28 títulos: 12 no atletismo; 5 no Hóquei em Patins; 4 no Futsal; 3 no Basquetebol; 3 no Voleibol; 1 no Andebol. Cada um destes títulos tem o nosso nome, o nosso símbolo, o esforço de muitos atletas, treinadores e dirigentes. Cada um destes títulos é sinal de esperança num futuro eclético de um Benfica que, sendo na essência futebol, é muito mais do que apenas futebol. Cada um destes títulos deve, obrigatoriamente, entrar na contabilidade de uma época brilhante e que mais brilho tem se soubermos ver o Benfica para além do óbvio.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 14 de Julho, para publicação na edição de 18/07/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 12:48 | link do post
Sábado, 12.07.14

Lições de benfiquismo

Oiço, recorrentemente, amigos benfiquistas esgrimirem opiniões contrárias (e a diferença civilizada de opiniões é de supina importância para o nosso Benfica) sobre a vida passada, presente e futura do Glorioso. Muitas das vezes a argumentação termina com aquela espécie de sentença categórica e irrefutável de que “ninguém me dá lições de benfiquismo”. Quantas vezes não disse eu isso? Quantas vezes (ainda que o não admitindo) já aprendi algo sobre o benfiquismo, ouvindo e vendo o benfiquismo alheio? Há benfiquistas que pela sua paixão, razão, vivência, experiência, saber ou entrega nos dão lições de benfiquismo. Sempre que no passado vi um benfiquista ser alvo de injustiças cometidas por alguém com passageiro poder dentro Benfica e, em nome do Benfica, calar a revolta e a razão, não as tornando públicas, vi uma lição de benfiquismo. Sempre que vi um dirigente abdicar da sua vida pessoal / familiar para servir abnegada e incondicionalmente o Benfica, vi uma outra lição de benfiquismo. Sempre que vejo um avô emocionado por poder levar o neto à Luz, vejo a lição do benfiquismo assente no passar do testemunho. Esta última lição de benfiquismo é, de todas, a mais importante, porque garante uma renovação do benfiquismo com memória. De todos os benfiquistas, são exactamente os benfiquistas com memória que mais lições têm para dar. Há benfiquistas como Arons de Carvalho, Alberto Miguéns, Manuel Seabra, Ricardo Palacin, Luís Fialho, Rui Costa, João Paulo Guerra, José Jorge Letria, Luís Filipe Vieira, Manuel dos Santos, Ricardo Araújo Pereira, António Melo e tantos outros mais ou menos anónimos que, directa ou indirectamente, me deram lições de benfiquismo. Resta-me apenas agradecer-lhes. No entanto, continuarei convicto a insistir que, tal como a todos os outros benfiquistas, “ninguém me dá lições de benfiquismo”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Julho, para publicação na edição de 11/07/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:43 | link do post
Quarta-feira, 25.06.14

Ronaldo e os outros

Dizia um jornalista português, num órgão de comunicação social público português, aquando da chegada da selecção da Federação Portuguesa de Futebol a Manaus, que se avistava o autocarro da selecção onde vinha «o melhor do mundo e os outros». Nas conferências de imprensa, noventa por cento das perguntas colocadas aos “outros” eram sobre o “melhor do mundo”, os outros dez por cento questionavam a preparação (aparentemente deficiente) da selecção para a temperatura e a humidade. Ou seja, antes do Mundial começar, a comunicação social comentava a cilindrada dos automóveis dos futebolistas, os penteados, as barbas, as ‘selfies’, os bonés, as cores das chuteiras, os litros de vinho do Porto e os quilos de bacalhau. Durante o estágio, interessavam-se pela cor e decoração dos quartos de hotel, pelo emparelhamento dos jogadores, pelo que publicavam nas redes sociais e pela quantidade de adolescentes histéricas que invadiam treinos. Depois chegou o futebol e chegaram os maus resultados. Quando se falou de futebol, insucessos, responsabilidades e soluções, toda a comitiva portuguesa se insurgiu contra as perguntas inconvenientes dos jornalistas. Alguns, muitos, demasiados atletas saíram de campo com lesões musculares (um pormenor de que não interessa falar), CR7 saiu chateadinho dos jogos e sem cumprimentar / agradecer ao público, e o selecionador enviou recados e ameaças veladas para os malandros que, em Portugal, questionavam competências e qualidades da selecção. No momento de apurar responsabilidades, continuamos a ver a diferença entre “o melhor do mundo e os outros”: os outros são responsabilizados, o melhor do mundo tem as ronaldetes na imprensa lusa sempre prontas a separá-lo dos outros, dos da equipa que capitaneia…

por Pedro F. Ferreira às 10:35 | link do post
Sexta-feira, 13.06.14

O que os faz correr

Sabemo-lo, porque ninguém se preocupou em escondê-lo, que a Liga de Clubes foi esvaziada de poderes. Tudo, a seu tempo e de forma obscenamente às claras, foi passado para o feudo da Federação Portuguesa de Futebol. Mesmo em termos disciplinares, a Liga ficou com uma pífia Comissão de Instruções e Inquéritos assente numa alínea a) que lhe garante o poder de “instaurar processos disciplinares ou de inquérito, por iniciativa própria ou na sequência de participação”. Uma alínea que serve apenas para que a FPF dela escarneça, fazendo publicamente tábua-rasa dos inquéritos dela emanados. Ou seja, a Liga foi esvaziada, mas não ficou vazia. Nas últimas semanas foi ver como muitos (tantos e tão fracos) se juntaram, separaram, conluiaram, traíram, conspiraram e envergonharam o futebol numa ânsia de cadeiras e microfones (como diria o poeta Jorge de Sena). Afinal, parece que naquele osso bem rapado da Liga sobra ainda um belo naco de carne que vale tanto como todo o resto de carne que a FPF já de lá comeu. Os chacais prepararam-se para filar o naco que respeita aos direitos televisivos do futebol português. E foi em torno destes direitos que tantos jogaram xadrez, escolhendo equipas para jogar num tabuleiro há muito dominado pela oligarquia que atirou o futebol português para isto, esta coisa em forma de interesses privados que se aproveita da coisa pública. A luta em torno dos direitos televisivos é a luta em torno do dinheiro e do poder. Manter os direitos televisivos como um feudo privado dos mesmos que durante anos influenciaram campeonatos, escolheram presidentes da Federação e selecionadores é ajudar a perpetuar um poder bafiento e ultrapassado. Garantir que os direitos televisivos ficam fora da alçada desta gente é a única esperança de que o futebol português possa voltar a ser algo de digno.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Junho, para publicação na edição de 13/06/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 15:01 | link do post
Sexta-feira, 30.05.14

Da Liga

Neste período de uma pós-época que ainda está longe do começo da pré-época, prepara-se a construção de plantéis e equipas técnicas nos diferentes clubes. É um período de renovação da esperança para os mais optimistas e, simultaneamente, uma época de desassossego e ansiedade para os adeptos mais pessimistas. No entanto, independentemente de feitios e estados de espírito, é um período em que os adeptos vivem na expectativa de que algo mude para melhor nos seus respectivos clubes. Ainda assim, há neste período algo de preocupante e que deveria preocupar quem dirige o futebol português. Avizinha-se uma luta eleitoral pela cadeira de Presidente da Liga de Clubes e de entre todas (e sublinho que são mesmo todas) as candidaturas apresentadas não há nenhuma em quem os adeptos confiem (falo do adepto comum, que paga bilhete e consome informação sobre futebol). Desconfiamos dos interesses que estão a montante das boas intenções que nos são prometidas a jusante. E esta desconfiança é transversal aos adeptos de todos os clubes. Ou seja, preparam-se os 'donos' da bola para entregar mais uma vez um órgão de poder a alguém em quem os consumidores do espectáculo (no sentido amplo do termo) não confiam. Isto é um facto, independentemente da cegueira que os dirigentes tenham ou não para o encarar.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Maio, para publicação na edição de 30/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:48 | link do post
Quinta-feira, 29.05.14

Parvo

Alguém devia explicar ao presidente do sportém o significado de 'ironia'.

Por exemplo, dizer que alguém lhe telefonou e afirmou que o seu melhor reforço eram as nomeações para passados alguns meses (depois de desmascarado) dizer que afinal ele não telefonou nada, não é ironia. É ser simplesmente mentiroso. Ou parvo. Ou as duas coisas.

Ironia seria, por exemplo, ele dizer que o sportém é o maior clube português. Não, pensando melhor, seria igualmente parvo e mentiroso.

por D`Arcy às 00:45 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 26.05.14

"Memória Gloriosa"

Em tempo de defeso clubístico (este particularmente feliz), nada melhor do que ir lavando os olhos no blog Memória Gloriosa que o nosso amigo Bakero em boa hora resolveu ressuscitar. Agora, é só não o deixar morrer outra vez, porque serviço público como este tem que estar sempre a ser actualizado. Ouviste, Bakero?! :-)

por S.L.B. às 16:53 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 23.05.14

Do sabor da vitória

Vencer, no Benfica, sabe a Benfica. Ou seja, sabe bem, sabe a justiça, a sofrimento e a prémio. Sabe, ainda, a Mística e a História. Por fim, vencer, no Benfica, sabe a futuro. Estas três vitórias nacionais [mais aquela outra da Liga Europa que um árbitro alemão na final, um inglês na meia-final e bastante desacerto na finalização conseguiram evitar] trazem com elas a justiça aos méritos de uma equipa técnica de excelência que no final da época passada foi crucificada na imprensa, no estádio e nas redes sociais (local por excelência em que se assiste ao esplendor da legitimação da imbecilidade) por muitos dos que agora os louvam, esquecendo-se de que já se preparavam para jogar aos dados a túnica do crucificado. Esta vitória sabe, e de que maneira, ao sofrimento dos que diariamente trabalharam mais do que todos os outros para que a máxima latina “ad augusta per angusta” se pudesse realizar no presente. De entre estes, à cabeça está Luís Filipe Vieira. Sabe a Mística, porque a Mística do Benfica é feita de vitórias honradas, limpas e sem a mácula de sabujos que garantem vitórias em troco de viagens ao Brasil, conselhos matrimoniais e prostitutas baratas em lupanares frequentados pelos agora profissionais da arbitragem. Esta vitória sabe, essencialmente, a futuro, na medida em que só faz verdadeiramente sentido se for potenciada como alicerce das vitórias futuras. Quando vemos jovens adeptos a dizer de viva voz que este Benfica é aquele de quem os pais e avós lhe narram façanhas épicas do passado, devemos perceber que é essencial que estes jovens possam no futuro ser testemunho vivo de muitas jornadas de glória como a que vivemos este ano. O resto é o agradável sabor de discutir entre benfiquistas se esta época é de cariz épico ou de cariz bíblico.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Maio, para publicação na edição de 23/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:00 | link do post
Terça-feira, 20.05.14

Época 2013 /2014

(clicar na imagem para aumentar)

 

 

Gosto de assistir à discussão de se esta foi uma época boa, óptima ou excelente. Diverte-me.

por Pedro F. Ferreira às 19:17 | link do post
Segunda-feira, 19.05.14

Tripleta

Foi difícil, bem mais difícil do que se calhar se esperaria. Mas após o sofrimento o jogo teve um final feliz, e o Benfica pôde celebrar a conquista da sua vigésima-quinta Taça de Portugal, recuperando um troféu que nos fugia há dez anos. A conquista significou ainda a nossa décima 'dobradinha', o que já não acontecia desde a longínqua época de 1986/87 (ainda me lembro bem dela, e dos dois golos com que o 'Diamante' abateu o Sporting no Jamor), e ainda uma inédita tripleta, que ainda não havia sido conquistado desde que existe a Taça da Liga.

 

 

O jogo teve duas partes muito distintas. Na primeira o Benfica, que teve o Enzo e o Salvio de regresso mas não viu o Siqueira recuperar a tempo de jogar, foi claramente superior. O Rio Ave optou por uma estratégia de contenção pura, sem ter sequer um ponta-de-lança em campo, e o Benfica dominou como quis, com uma posse de bola esmagadora e o jogo a disputar-se quase todo no meio campo do Rio Ave. Chegámos à vantagem num belíssimo golo do Gaitán, que mesmo à entrada da área controlou a bola e num pouco usual remate de pé direito levou a bola a entrar imparável junto ao ângulo. Poderíamos até ter ampliado a vantagem e estivemos perto de o fazer num cabeceamento do Garay, que só precisava ter desviado a bola um pouco mais do guarda-redes. Na segunda parte o Rio Ave entrou mais forte e pressionante, enquanto que a nossa equipa deu o estouro fisicamente. Os primeiros minutos foram complicados, depois conseguimos sacudir um pouco a pressão, mas à medida que o jogo ia caminhando para o final o objectivo passou mesmo a ser aguentar o resultado, já que não conseguimos responder muitas vezes aos ataques do Rio Ave (lembro-me apenas de uma grande ocasião do Markovic). Passámos por alguns sustos (levámos com uma bola no poste), mas o espírito de sacrifício e entreajuda dos nossos jogadores e intervenções do nosso fantástico guarda-redes impediram males maiores e deram-nos o direito a festejar com o apito final.

 

 

Nos jogadores, destaque óbvio para o Oblak - às vezes é fácil esquecer que tem apenas vinte e um anos. Temos aqui um guarda-redes para muitos e longos anos, se não no-lo vierem buscar entretanto. Bom jogo da dupla de centrais e do Maxi.

 

 

Depois da tempestade que foi o final da época passada, que se arrastou para o início desta, era difícil prever que este fosse o resultado final. Acabou por ser uma das melhores épocas da história do Benfica, e só não foi ainda mais memorável por termos falhado a conquista da Liga Europa da forma que sabemos. Estas conquistas são acima de tudo o resultado da crença no trabalho desenvolvido até aqui e na viabilidade de um projecto para o futebol. Quem lê o que eu escrevo aqui sabe bem que mesmo nos piores momentos do final da época passada defendi a continuidade do Jorge Jesus. Para mim, sempre foi uma questão meramente racional: quando se falham objectivos por meros pormenores, parece-me mais lógico trabalhar para corrigir esses pormenores que falharam do que deitar tudo abaixo e recomeçar do zero. Fico satisfeito pelo facto dos resultados terem recompensado quem se atreveu a decidir por essa via e não pela previsivelmente mais fácil via populista.

 

 

O final do jogo de hoje não significa que o trabalho esteja terminado. Pelo contrário, espera-nos ainda mais trabalho para a próxima época. Porque se a exigência no Benfica já de si é alta, depois de uma época destas aumenta ainda mais. Não queremos que se repita 2010/11, em que depois de sermos campeões na época anterior perdemos tudo. É fundamental mantermos a nossa posição de supremacia no futebol português, continuando a vencer jogos e a conquistar troféus. E para isso seria importante tentar manter o máximo possível desta equipa - é que confesso que há muito, muito tempo que não tinha a sensação de termos um grupo tão unido como o que vi esta época, e isto foi para mim uma das principais chaves do sucesso.

por D`Arcy às 00:44 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Sexta-feira, 16.05.14

Dos fantasmas

“Fantasmas é não chegar à final! Fantasmas!? Deixem-se dessas tretas.” Estas foram as palavras de Jorge Jesus quando, em momento de vitória do Benfica, foi confrontado pela enésima vez com os resultados das finais e momentos decisivos da época transacta. Estas foram as palavras que tantas e tantas vezes me apeteceu que fossem ditas pelos dirigentes / futebolistas / treinadores do Benfica sempre que foram confrontados com o “trauma”  e os “fantasmas” da época passada. Se há coisa para a qual já não há paciência é para essa conversa ‘ad nauseam’ por parte de jornalistas e comentadores do futebol português. Diga-se, aliás, que esta ladainha carpideira permanente de recordar constantemente o momento da derrota passada e acentuá-lo no momento da vitória presente diz muito mais sobre as fraquezas do comentador do que sobre a força do comentado. Se Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira enfermassem dessa lusitana tendência para a lamentação doentia e mesquinha, estaria ainda hoje o Benfica enterrado nessa espécie de fado do desgraçadinho de que tanto parecem gostar os apocalípticos com espaço e voz na comunicação social. Cheguei a ver num canal televisivo, 48 horas após a conquista do campeonato, um balanço do mesmo em que a primeira meia hora foi passada a dissecar o… pior momento da época. A meia hora seguinte foi para recordar os momentos finais (os tais “fantasmas”) da época passada e sobrou meia hora para perorar sobre as dificuldades que o Benfica terá no futuro em repetir as vitórias do presente. Amanhã (escrevo esta crónica antes da final da Liga Europa) estarei em Turim, com o Benfica, sabendo que, independentemente do resultado, no final do jogo seremos Benfica, sem traumas, sem fantasmas e sem tretas. Essas ficam para os comentadores.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Maio, para publicação na edição de 16/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 14:06 | link do post
Quarta-feira, 14.05.14

Injustiça

 

E para não variar, perdemos. Fomos a equipa que mais quis vencer o jogo, fomos aquela que mais o tentou fazer, mas apanhámos pela frente uma equipa que passou o jogo quase todo a defender e a jogar para os penáltis. Depois, como o futebol é tantas vezes injusto, é recompensada nessa lotaria. Podemos queixar-nos dos jogadores indisponíveis, do azar (temos dois extremos suspensos e logo nos primeiros minutos vemos outro sair lesionado), do árbitro que não quis marcar nenhum dos penáltis durante o jogo e que deixou o Beto defender um quando estava uns dois metros adiantado, mas acima de tudo a queixa maior é de nós próprios. Pela primeira parte fraca, pelas oportunidades desperdiçadas, ou até mesmo pela incompreensível escolha do Cardozo (falha sempre penáltis decisivos) ou do Rodrigo (que eu me lembre, falhou todos os penáltis que eu o vi marcar) para marcar penáltis.

Vitórias morais destas não servem de nada, nem me sabem a nada. Aprecio o esforço da nossa equipa, o facto de terem conseguido ser claramente a melhor equipa em campo apesar de todas as contrariedades, mas o que me deixa mais triste não é tanto perder, mas sim perder assim. Jogar duas finais seguidas, ser a melhor equipa dentro de campo em ambas, e não ganhar nenhuma é injustiça a mais.

Enfim, há que recuperar, que no próximo domingo temos uma dobradinha que nos escapa há muitos anos para tentar conquistar. Com a equipa toda.

por D`Arcy às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (84)
Sábado, 10.05.14

Digna

 

Steven Vitória, João Cancelo, Victor Lindelöf e Bernardo Silva. São estes os nomes dos mais novos campeões nacionais pelo Benfica e foi o que mais me interessou neste jogo que encerrou o campeonato, no qual o Porto até precisou da ajuda de um seu adepto - que por acaso andava por ali dentro do campo com um apito - para levar de vencida uma muito secundária equipa do Benfica, onde apenas Enzo e Salvio se podem considerar titulares habituais (o Markovic entrou a meia hora do final).

 

O Porto entrou melhor e marcou cedo, num remate cruzado do Ricardo. A nossa equipa ainda demorou algum tempo a acalmar e a conseguir jogar precisamente como equipa, já que na fase inicial os jogadores pareciam demasiado desgarrados e optavam muito por iniciativas individuais. Um penálti claro cometido pelo Reyes (cada vez gosto mais deste tipo) sobre o Salvio permitiu ao Enzo empatar, mas sabemos bem que o 'pecado' de assinalar um penálti no Porto contra a equipa da casa tem que ser rapidamente compensado, por isso foi só esperar que algum jogador do Porto se deixasse cair dentro da nossa área. Foi o Jackson, que se encostou ao André Almeida e teve uma súbita fraqueza nas pernas, sendo depois recompensado com a marcação do respectivo penálti. Na segunda parte jogámos de forma bem mais organizada e unida, e até poderíamos ter chegado ao empate (o Djuricic meteu uma bola na barra). No cômputo geral fiquei satisfeito com a equipa, que nos representou de forma digna tendo em conta os condicionamentos para este jogo.


As opções tomadas foram as esperadas e perfeitamente lógicas. A nossa equipa bateu-se bem e provavelmente, sem uma arbitragem que deixaria um Calheiros orgulhoso, até poderíamos ter saído do Porto com outro resultado. Parabéns a todos os que jogaram, e em especial aos jovens que se estrearam hoje no campeonato nacional pelo Benfica. Agora, é tempo de pensar e preparar Turim.

por D`Arcy às 19:56 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Sexta-feira, 09.05.14

Dos Sócios

Ser sócio do Benfica não é, obrigatoriamente, um atestado de amor ao Clube (muitos dos mais acérrimos benfiquistas que conheci não eram sócios). É, antes, oficializar uma relação de amor. É neste momento de euforia pelo presente e optimismo no futuro que surge uma interessante campanha de captação de novos sócios para o Benfica. O amor incondicional, a generosidade dos benfiquistas, o apelo do benfiquismo e a missão de ajudar o Benfica a crescer é, certamente, um desígnio a que saberemos responder. Como sócios, participamos mais activamente na vida do Clube e ganhamos uma legitimidade extra para podermos ser exigentes para com os profissionais que servem o Benfica. Como sócios, pedimos aos profissionais do Benfica que sejam competentes no seu espírito de missão, na mesma medida em que os profissionais pedem aos legitimamente amadores (aos que amam) que participem, apoiando, na vida do Clube. Assim, é essencial que os profissionais que servem de apoio aos sócios acompanhem os excelentes níveis de desempenho que observamos nos outros sectores do Clube e que não repitam demonstrações de amadorismo como as que testemunhámos na organização da venda de bilhetes para a Final da Liga Europa. É nesta exigente e apaixonante relação de pertencer ao que nos pertence que se vive o Clube. É nesta medida que se percebe a mensagem repetida e vivida permanentemente pelo presidente Luís Filipe Vieira de que o Benfica é dos benfiquistas e de que são os sócios a pedra angular do nosso Clube. Nesta cultura benfiquista de nos darmos na medida do que pedimos, chegaremos aos trezentos mil sócios, numa demonstração ímpar de oficialização do amor pelo Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Maio, para publicação na edição de 09/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 14:58 | link do post
Quinta-feira, 08.05.14

Inquestionável

A primeira final está ganha. Uma vitória inquestionável da nossa equipa esta noite deu-nos o segundo troféu da época, sendo que o a vantagem de dois golos se calhar até peca por escassa, já que o Rio Ave pode agradecer à inspiração do seu guarda-redes (e à má finalização dos nossos jogadores) o facto de ter conseguido manter-se no jogo até bem perto do final.

 

 

 

O Benfica entrou obviamente em campo com o mais forte onze disponível, no qual o Rúben Amorim ocupou a posição seis, pois o Fejsa continua lesionado. O treinador do Rio Ave tinha dito antes do jogo que sabia como e onde magoar o Benfica, e a estratégia dele talvez tenha sido tentar surpreender-nos com uma entrada forte e agressiva. E de certa forma conseguiu-o, pois o Rio Ave entrou muito bem no jogo e durante a fase inicial da partida foi a equipa mais perigosa. Exploraram bem o espaço nas costas da nossa defesa (em particular o nosso lado esquerdo) e os males só não foram maiores porque o Oblak, com uma grande defesa a um remate do isolado Pedro Santos, evitou o golo do Rio Ave logo aos cinco minutos. Aos poucos o Benfica foi assentando o seu jogo e empurrando o Rio Ave para trás, passando a ter cada vez mais bola e a levar o jogo a disputar-se maioritariamente no meio campo adversário. Os remates começaram a surgir, as ocasiões de perigo também, e o atrevimento inicial do Rio Ave acabou por esfumar-se, com o Benfica a terminar a primeira parte já claramente por cima no jogo. Foi já perto do intervalo que demos expressão no marcador a essa superioridade. No seguimento de um canto do Gaitán (depois de uma grande defesa do Ventura a um remate do Rodrigo, na conclusão de uma bonita jogada de ataque da nossa equipa), o Rúben ganhou a bola de cabeça no centro da área e enviou-a para o Rodrigo, que na zona do segundo poste a controlou e rematou rasteiro para o fundo das redes.

 

 

A segunda parte foi a continuação do final da primeira, mas de forma ainda mais evidente. O Rio Ave praticamente desapareceu do jogo, e o Oblak foi quase um espectador privilegiado. Só mesmo o desacerto dos nossos jogadores quer na finalização, quer na altura do último passe, aliados à inspiração do guarda-redes Ventura, foram mantendo alguma dose de incerteza no resultado. O Benfica, controlou e dominou o jogo como quis, e os meus nervos iam aumentando à medida que via o tempo passar e o segundo golo a não aparecer. Foi especialmente escandaloso o falhanço do Gaitán, que depois de uma bola recuperada pelo Maxi ainda no meio campo adversário viu-se isolado em frente ao guarda-redes, com todo o tempo e espaço para marcar, mas acabou por permitir que o seu remate fosse defendido pelo Ventura. Da parte do Rio Ave, já nem contra-ataques existiam, e qualquer iniciativa morria na melhor das hipóteses à entrada do nosso meio campo, quando não era logo perto da sua área. Foi preciso esperarmos até faltarem apenas doze minutos para os noventa para que acabassem quaisquer dúvidas sobre o vencedor. No melhor pano cai a nódoa, e depois da boa exibição que estava a fazer o guarda-redes do Rio Ave decidiu sair até bem longe da sua baliza para disputar uma bola aérea vinda de um livre do Enzo. Falhou a intercepção, e o Luisão, num cacho de jogadores, cabeceou para a baliza vazia. Antes do final até poderíamos ter ampliado a vantagem, mas o Lima falhou de forma incrível um golo quase feito, após passe do Rodrigo.

 

 

No geral gostei de toda a equipa e não tenho grandes destaques a fazer. Gostei que tivéssemos levado esta final muito a sério, que apresentássemos o onze mais forte, do empenho demonstrado por todos os jogadores (ver o Markovic, já a ganhar por 2-0, a correr como um louco para ajudar a recuperar a bola é um exemplo disso) e do ritmo que conseguimos impor na segunda parte, que me deixou com a sensação de que a equipa está bem fisicamente.

 

O Benfica soube fazer, ao longo destes anos, da Taça da Liga uma competição 'sua'. Cinco troféus em sete edições e apenas uma derrota sofrida atestam a nossa superioridade. Este ano conseguimos mesmo terminar a prova sem qualquer golo sofrido, o que é inédito. Por mais que outros desdenhem esta competição, eu gosto de a ganhar, e achava que a vitória hoje era fundamental. Porque temos mais duas finais para disputar e era importante manter a dinâmica de vitória e os jogadores confiantes e motivados. Agora temos uma semana para preparar a difícil final de Turim, onde as ausências de jogadores-chave se poderão fazer sentir. Pelo meio temos uma visita ao Porto para cumprir calendário, e agradou-me a possibilidade aventada pelo Jorge Jesus de utilizarmos jogadores da equipa B nesse jogo.

por D`Arcy às 01:53 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Domingo, 04.05.14

Descompressão

Num jogo em que houve mais festa do que futebol, um Benfica em clara descompressão fez um jogo fraquinho e acabou por empatar com um Setúbal que, por algum motivo que desconheço, meteu na cabeça que um empate esta tarde na Luz valia ouro.

 

 

Foi com uma equipa obviamente bastante diferente da habitual que o Benfica entrou em campo - apenas três dos habituais titulares de início (Maxi, Luisão e Siqueira) e oportunidade para o Paulo Lopes ser também efectivamente campeão nacional. Foi uma opção lógica e que eu esperava e espero aliás que se repita na próxima jornada, tendo em conta as três finais que temos por disputar. Sobre o jogo propriamente dito na primeira parte, pouco há a dizer. O Benfica foi demasiado lento e até apático, criou poucas ocasiões de golo, e acho que o Setúbal até deve ter rematado mais vezes. As poucas tentativas de dar algum safanão eram feitas sobretudo pelo André Gomes, acompanhado pelo Maxi e o Salvio na direita, mas era difícil causar muito perigo quando o ataque do Benfica praticamente não existia. Quer o Cardozo, quer o Djuricic estiveram demasiado estáticos, raramente criando uma linha de passe para os colegas, e na maior parte das vezes estragando até as jogadas sempre que a bola lhes chegava aos pés. O jogo foi-se arrastando sonolentamente até ao intervalo, com o mais que justificado nulo no marcador.

 

 

Voltámos do intervalo um pouco mais espevitados - a troca do Djuricic pelo Lima também ajudou a isso - e pela primeira vez no jogo vimos o Benfica a carregar claramente sobre a baliza adversária. Esta pressão exercida na reentrada acabou por resultar em golo, quando se completava o primeiro quarto de hora, numa tabela entre o André Gomes e o Cardozo (provavelmente a única contribuição positiva que conseguiu fazer em todo o jogo) que deixou o primeiro entrar na área para depois marcar num remate de pé esquerdo. O Setúbal respondeu ao golo com uma ocasião em que levou a bola, depois de defendida pelo Paulo Lopes, a tocar ainda na barra da nossa baliza, e o Benfica teve uma ocasião soberana para fazer o segundo, em que o Enzo (tinha entrado entretanto para o lugar do Siqueira) falhou o alvo depois de isolado pelo Lima. A um quarto de hora do final o Setúbal empatou, através de um penálti (claro) cometido pelo Maxi, e a partir daqui o Benfica, num assomo de brio, tentou carregar na procura do golo da vitória. Mas apesar da vontade, faltou algum jeito para procurar esse golo, até porque do outro lado o Setúbal parecia estranhamente convencido de que este empate era valiosíssimo, e dedicou-se a queimar o máximo de tempo que podia até final. Já mesmo a acabar tivemos a melhor oportunidade para voltar a marcar, mas o remate do Lima foi cortado em cima da linha de golo por um defesa adversário.

 

 

Os jogadores que me agradaram mais foram o André Gomes, Siqueira e Salvio. O Maxi também, mas fica com a exibição manchada pelo penálti cometido, que deu o empate ao adversário. No extremo oposto, o Cardozo e o Djuricic estiveram francamente desinspirados.

 

Não foi a despedida ideal dos adeptos em casa, mas a poupança de esforços e jogadores era completamente justificada. Temos três finais para disputar, e obviamente que desejo poder ganhá-las todas. Incluindo a da Taça da Liga, que é já o jogo que se segue. Um troféu é sempre um troféu, e o Benfica é um dos clubes que mais tem valorizado esta competição.

por D`Arcy às 22:54 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sexta-feira, 02.05.14

Do futuro

No final do jogo em que eliminámos o FCP na meia-final da Taça da Liga (tal como na meia-final da Taça de Portugal com 10 jogadores durante mais de uma hora) Jardel, o nosso 33, disse que “a época de sonho já começou na época passada, quando chegámos às finais”. Foi uma frase marcante que nos demonstra como o Benfica fez o que teoricamente é mais difícil: alicerçou as vitórias desta época nos insucessos do final da época passada. Ou seja, a gestão do insucesso foi essencial na conquista do sucesso. A questão, agora, é como lidar com o sucesso. Como gerir o sucesso, para garantir novo sucesso? Aquando da conquista do primeiro campeonato da era Jorge Jesus, a gestão do sucesso foi feita olhando mais para o caminho percorrido do que para o caminho a percorrer. E neste erro de perspectiva radicou algum do insucesso que se lhe seguiu. Neste momento, é essencial que a consciência benfiquista se obrigue a perceber que a época em curso não é um ponto de chegada, não é uma meta, mas apenas um alicerce importante na construção do futuro. Exige-se que se festeje sem soberba, que se conquiste com ambição e que se faça do momento da vitória um anseio de ir mais além. Que não acreditemos na ladainha de que o nosso principal rival está em fim de ciclo, pois no hipotético menosprezo da força do adversário pode residir a nossa maior fraqueza. Em suma, percebamos que, tal como escreveu Zeca e cantou Sérgio Godinho, «Quando uma cobra tem sede (…) corta-lhe logo a cabeça (…) encosta-a bem à parede». Neste caso, esta época vitoriosa encostou-a à parede, mas ainda faltam muitas vitórias nossas para que a cobra seja decapitada.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Abril, para publicação na edição de 02/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

 

por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post

Mística

Num jogo já à partida dificílimo, a que se foram somando ainda mais algumas contrariedades, o Benfica arrancou a ferros o nulo de que precisava em Turim para carimbar a presença na segunda final consecutiva da Liga Europa, e o regresso à mesma cidade para defrontar o Sevilha.

 

 

Como seria esperado, o Benfica entrou em campo com o onze mais forte disponível, faltando apenas o Fejsa para que fosse o onze base mais habitual - no seu lugar jogou o Rúben Amorim. A entrada do Benfica no jogo foi boa e confiante, deixando boas indicações para o que poderia acontecer durante o resto da partida - o ambiente adverso em nada pareceu afectar os nervos dos nossos jogadores. Durante os primeiros minutos parecemos controlar com relativa facilidade o ímpeto adversário, e jogámos até mais perto da sua área, mas com o decorrer do tempo a Juventus foi tomando conta do jogo e impondo o seu futebol. O Benfica retraiu-se para mais perto da sua área, começámos a não ser capazes de manter a bola em nosso poder, e com isso deixámos de conseguir construir lances de contra-ataque, que era o que a Juventus mais temia em nós. Verdade seja dita que os italianos também nunca estiveram particularmente inspirados no ataque e portanto nunca nos submeteram a um verdadeiro sufoco. Foram poucas as ocasiões de muito perigo criadas pela Juventus: um remate do Tévez no seguimento de um canto, que passou por cima da baliza, uma cabeçada do Bonucci ao primeiro poste, também depois de um canto, que cruzou toda a pequena área sem que alguém aparecesse para emendar, e uma única grande oportunidade de golo, já em cima do intervalo, em que foi o Luisão em cima da linha a evitar o golo do Vidal quando o Oblak já estava batido.

 

 

Na entrada para a segunda parte o Benfica pareceu querer sacudir a pressão da Juventus, e o Rodrigo até dispôs de uma boa ocasião, rematando no entanto demasiado por alto. O jogo e o tempo corriam claramente a nosso favor, e a Juventus era menos ameaçadora do que tinha sido no final da primeira parte - apenas num livre directo em que o Pirlo tentou surpreender o Oblak conseguiram causar perigo. Mas depois, no espaço de pouco mais de cinco minutos, o Enzo viu dois cartões amarelos e com metade da segunda parte por jogar vimo-nos reduzidos a dez. Não coloco em causa a justiça dos amarelos, apenas lamento que o critério do senhor Clattenburg não tenha sido mais uniforme, porque senão jogadores como o Asamoah também poderiam ter saído mais cedo, isto para não falar de outros lances com o Lichtsteiner, Chiellini ou Pogba, que conseguiram acabar o jogo ilesos. Se a preocupação principal do Benfica durante todo o jogo já era defender, a partir daqui então deixou de haver qualquer outro objectivo. Felizmente o Porto nos últimos tempos proporcionou-nos um bom treino para esta situação. A Juventus respondeu à vantagem numérica da forma mais tradicional e previsível. Meteu mais avançados em campo e desatou a despejar bolas para a área, o que até nem nos causou grandes problemas. O sofrimento era grande, obviamente, porque a pressão da Juventus era constante e a bola não parava de rondar a nossa área, mas o Benfica defendeu bem e conseguiu evitar grandes ocasiões para a Juventus. Houve um grande susto, quando a Juventus até meteu a bola na nossa baliza, mas o lance foi bem anulado por fora-de-jogo. Aguentámos os noventa minutos, aguentámos os seis minutos extra de compensação (que se estenderam até aos oito), aguentámos ficarmos reduzidos a nove depois do Garay ter sido atingido na cara pelo Pogba, e no final festejámos.

 

 

Toda a equipa foi grande, cada um dos jogadores um herói. Mesmo tendo havido alguns jogadores que fizeram exibições fantásticas, não quero destacar ninguém, porque seria injusto para todos os outros que trabalharam tanto.

 

Estamos em mais uma final, e a perspectiva de uma época de sonho continua. Não tenho palavras suficientes para conseguir descrever o orgulho que sinto em cada um dos jogadores que defendem a nossa camisola da forma como os vimos fazer hoje, e têm feito ao longo de toda a época. Na final teremos baixas importantes - Enzo, Markovic, Salvio - mas neste momento todos confiamos nos 'manéis' que ocuparão os seus lugares para nos ajudarem a tentar esquecer a injustiça do ano passado. Não interessa quem joga, o que interessa é que terão a águia ao peito e todo o nosso apoio incondicional. A Mística também é isto.

por D`Arcy às 09:04 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quinta-feira, 01.05.14

Heróis

Todos eles. Três jogos decisivos a jogar em inferioridade numérica, três apuramentos, três finais. Em casa do mais que provável tricampeão italiano, com muito sofrimento, garra e espírito de sacrifício aguentámos a vantagem mínima trazida de Lisboa e 'roubámos' a final em casa à Juventus mesmo debaixo das barbas do Pirlo. Acabámos o jogo com o Enzo expulso (e afastado da final), o Garay lesionado e o Salvio armado em Thomas Berthold (esta referência é para os que têm idade para se lembrarem do México '86), mas com o apuramento no bolso. Na final parece-me que teremos a equipa algo dizimada e terão que jogar alguns 'Manéis', mas a confiança na equipa será a mesma.

 

A Mística é isto.

por D`Arcy às 22:03 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Terça-feira, 29.04.14

Jean-François Larios

 

 

Defendo que Larios deveria ser o próximo presidente da UEFA.

por Pedro F. Ferreira às 21:57 | link do post

Descubra as diferenças.

 

As linhas com que se cose a corrupção.

por Pedro Valente às 11:48 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 28.04.14

Humilhação

Mesmo com uma equipa de segundas escolhas, mesmo a jogar novamente mais de uma hora com dez, uma vez mais o Porto foi incapaz de nos derrotar, e desta vez em casa. Na lotaria dos penáltis, fomos mais felizes, e garantimos a passagem à quinta final da Taça da Liga (em sete edições). Para o Porto, que durante anos desprezou a competição e que nestas últimas semanas lhe deu uma importância inusitada, mais uma humilhação.

 

Com toda a naturalidade, o Benfica mudou a equipa quase toda, apresentando apenas três habituais titulares de início: Oblak, Siqueira e Lima. As outras opções foram mais ou menos as esperadas, com destaque para o regresso do Rúben e a titularidade do Steven Vitória ao lado do Jardel no centro da defesa. A fase inicial do jogo foi má para nós: notou-se bastante a falta de ritmo do Steven (apenas um jogo disputado esta época, contra o Cinfães na Taça), e o Porto explorou-a bem, causando-nos bastantes problemas, sobretudo pelas movimentações do Herrera, raramente acompanhadas, e do Jackson. Valeu-nos o pouco acerto do Jackson e a atenção do Oblak para ir mantendo o marcador em branco. Por volta da meia hora de jogo deu-se o acontecimento que acabou se calhar por ser decisivo no jogo. O Jackson fugiu mais uma vez ao Steven e ele acabou por derrubá-lo à entrada da área, vendo o cartão vermelho. O livre muito perigoso não foi problema para nós, porque era óbvio que o Quaresma iria exigir marcá-lo. E a expulsão significou a entrada em jogo do Garay e uma muito melhor organização defensiva do Benfica, que a partir daí passou a conseguir controlar melhor os ataques do Porto (ainda com um grande susto logo a seguir à entrada do Garay, quando uma vez mais o Jackson não conseguiu marcar depois de aparecer isolado).

 

A segunda parte foi muito mais tranquila para nós. Entre a falta de ideias e soluções da parte do Porto para ultrapassar a nossa organização defensiva, e a colaboração do Quaresma a estragar jogadas de ataque, o Porto criou muito poucas ocasiões de verdadeiro perigo - recordo-me apenas de um remate do Herrera, já perto do final, que passou perto da baliza. Um dos momentos mais preocupantes foi quando o Luís Castro decidiu retirar o Quaresma do jogo, porque poderia ser que com isso o Porto se tornasse mais perigoso, mas o momento da substituição do homem foi bastante interessante. Foi uma boa demonstração do quão saudável deve ser ter um tipo daqueles num plantel - espero que o mantenham por lá durante muitos e bons anos. Foi por isso até com a sensação de alguma facilidade que o Benfica levou o jogo para os penáltis. E chegados aqui, a minha impressão era mesmo que a vantagem psicológica já estava do nosso lado - neste momento os fantasmas da última época já foram espantados, e parecem ter-se passado lá para cima. O Siqueira, o Jardel, e o Enzo (que classe!) marcaram, o Garay acertou na trave e o André Gomes permitiu a defesa ao Fabiano. Pelo Porto marcaram o Quintero, o Ghilas e o Varela, com o Jackson a chutar para a bancada e o Oblak a defender o penálti do Maicon. Fomos assim para a 'morte súbita' e aí o Ivan Cavaleiro não tremeu, enquanto o Fernando acertou no poste. Mais uma final para nós, mais uma humilhação para o Porto - não tanto por ter sido eliminado em casa, mas sim por isso ter outra vez acontecido depois de mais de uma hora a jogar contra dez.

 

Uma vez mais a equipa é o maior destaque: a solidariedade entre os jogadores e a disciplina táctica a defender foram o que nos garantiu este apuramento para a final. O Ivan e o Sulejmani estiveram impecáveis no auxílio aos laterais, e o Rúben fez também um jogo muito bom. O Garay entrou muito bem e o Jardel subiu imenso de produção a partir desse momento. O Oblak foi enorme, e uma das chaves deste resultado.

 

A motivação e força mental do nosso plantel é neste momento muito grande. A descrença que se instalou no final da época passada foi substituída por uma fé muito grande em si próprios e nas suas capacidades. Hoje, mesmo apresentando um onze menos forte e rotinado, conseguimos ainda assim em casa do maior adversário conquistar o acesso a mais uma final, e temos a oportunidade de lutar por um 'triplete' inédito nas provas nacionais. Mas como mal temos tempo para desfrutar cada vitória, é já altura de começarmos a pensar na tarefa hercúlea de quinta-feira, em Turim. Que poderá ser a diferença entre sonharmos com uma época brilhante, ou uma época inesquecível.

por D`Arcy às 01:16 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Sexta-feira, 25.04.14

Da coragem

Somos merecidamente campeões nacionais pela 33ª vez. Não fazendo o balanço da época, mas apenas do campeonato, importa fazer duas ou três considerações que, pela justiça, não posso esquecer.

Olho para este campeonato como aquele que se conquistou sob o signo da coragem. A coragem de um presidente que, contra quase todos, decidiu pelas suas convicções e não pelas encomendas externas e internas manter um treinador que se ficara pelo “quase” na época anterior. Ter a coragem de saber que uma convicção não é uma teimosia é um mérito. Ter a capacidade de não “emprenhar pelos ouvidos” (peço desculpa pelo plebeísmo, mas não estamos em tempos de floreados linguísticos) numa terra de alcoviteiras é um acto de coragem. Luís Filipe Vieira teve esse mérito. Jorge Jesus teve, além da coragem de enfrentar de peito feito as facas que já não lhe eram apenas espetadas nas costas, o talento de conseguir impor, pela qualidade, uma ideia de jogo, uma metodologia de treino e um conceito de futebol. Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus vivem e não precisam de se colocar em bicos de pés para que se saiba que vivem. Outros há que, ou porque “já foram algo” ou porque “aspiram a ser algo” no mundo do Benfica, fazem prova de vida nos momentos em que as coisas não correm bem. Note-se que não falo dos que exercem a crítica desinteressada, genuína, justificada e apaixonada. Essa crítica é essencial no nosso Benfica. Falo dos que ao sabor dos resultados, dos interesses pessoais ou das passageiras tendências de opinião surgem, sempre e apenas nos momentos de ausência de vitória, a cavalgar a derrota, para que, como anões de salto alto, a multidão benfiquista se lembre da existência deles.

Nesta diferença entre a convicção e o interesse, a crítica genuína e o ‘bota-abaixismo’, vai a diferença entre a coragem e a cobardia. Esta vitória no campeonato deve-se à coragem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Abril, para publicação na edição de 25/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post

Aberto

Um jogo de duas partes distintas resultou numa vantagem mínima na eliminatória, que deixa tudo em aberto para a segunda mão. Parece-me no entanto que podemos esperar grandes dificuldades em Turim, face ao que a Juventus mostrou esta noite.

 

 

Achei algo surpreendente a titularidade do Cardozo em vez do Lima. Na baliza jogou o Artur, e no lugar do Gaitán o Sulejmani. De resto, a equipa habitual, com o André Gomes a manter a titularidade no meio campo. O início do jogo foi de sonho para o Benfica, porque logo aos dois minutos já festejávamos o primeiro golo. Canto na esquerda apontado pelo Sulejmani (depois de uma arrancada do Enzo com passe para o Sulejmani desaproveitar) e cabeçada vitoriosa do Garay. A entrada do Benfica no jogo foi muito boa: conseguimos bloquear a construção de jogo da Juventus, não demos liberdade ao Pirlo (o Enzo ou o Rodrigo, à vez, caíam sobre ele) e fizemos uma boa posse de bola. Sempre que a Juventus tentava sair a jogar a partir da defesa, a nossa equipa subia muito no campo e bloqueava todas as possibilidades de passe para os três defesas e o médio defensivo, obrigando ao despejo da bola para a frente. Quando a Juventus se adiantava um pouco mais, fomos capazes de a manter em respeito com saídas rápidas para o contra-ataque. Neste particular foi onde se notou mais a ausência do Gaitán, pois o Sulejmani não tem a mesma velocidade com a bola nos pés, e muito menos ainda a técnica dele. Talvez com o argentino em campo tivéssemos conseguido marcar mais um golo na primeira parte. Mas à medida que o jogo foi caminhando para o intervalo a Juventus foi conseguindo assentar o seu jogo, e passou a ter cada vez mais bola. No entanto o Benfica manteve-se sempre organizado, não permitindo que a Juventus fizesse muito mais do que tentar surpreender com bolas longas para as costas da nossa defesa, capítulo em que os italianos estiveram muito pouco inspirados.

 

 

A segunda parte foi completamente diferente, e pertenceu à Juventus. A sensação que deu foi que os nossos jogadores acusaram o cansaço do trabalho que fizeram na primeira parte. No meio campo a Juventus ganhou superioridade, pois o Rodrigo deixou de recuar, o Pirlo passou a ter maior liberdade, e o Enzo não dá para tudo. Até porque o André Gomes passou a maior parte do jogo mais preocupado com uma marcação individual ao Pogba, e pouco ajudava no meio. A posse de bola passou a ser claramente favorável à Juventus, que passou a jogar mais no nosso meio campo e cada vez mais próxima da nossa área. O Benfica parecia mais preocupado em defender a magra vantagem, e a Juventus carregou, sendo agora a vez dos italianos exercerem uma pressão muito forte na saída de bola, que conseguiu fazer com que nós praticamente não jogássemos. Cada bola que recuperávamos era praticamente entregue no instante seguinte aos italianos. O cenário certamente não iria dar bons resultados, pelo que era necessário mudar algo. Quando o André Almeida substituiu o Sulejmani, que na altura já pouco mais fazia do que figura de corpo presente, pensei que fosse para passar o Rodrigo para a esquerda e reforçar a zona central, mas numa opção que me pareceu estranha foi o André Gomes quem ficou a fechar o lado esquerdo, ainda e sempre preocupado com o Pogba. Entrou também o Lima para o lugar do Cardozo (mais um jogo apagado), mas esta foi a pior fase do Benfica em todo o jogo. A Juventus era claramente a melhor equipa em campo, e acabou por chegar naturalmente ao golo, através do Tévez, que dentro da área conseguiu ultrapassar o Luisão e rematar à saída do Artur. Faltavam dezoito minutos para o final, e já não esperava que o Benfica conseguisse reagir, mas a entrada do Ivan Cavaleiro espevitou a equipa, e a seis minutos do final voltámos a colocar-nos em vantagem. Foi um golaço do Lima, num remate de primeira à entrada da área após uma simulação (ou um passe falhado, nem sequer percebi bem) do Ivan Cavaleiro a deixar passar a bola. Depois do golo, o jogo ficou mais aberto, e as duas equipas até poderiam ter voltado a marcar nos poucos minutos até ao final do jogo.

 

 

No Benfica destaco as exibições dos dois centrais, do Siqueira e do Enzo como as mais positivas. O Lima e o Ivan entraram bem no jogo e foram importantes para evitar a derrota. O André Gomes fez um jogo fraco. Andou demasiado tempo dedicado a funções de marcação para as quais não está claramente talhado, e foi até displicente em ocasiões nas quais tentou sair a jogar quando tal não era indicado. O Sulejmani não fez esquecer o Gaitán e o Cardozo fez aquilo que tem feito nos últimos tempos: quase nada (o jogo também nunca me pareceu, logo à partida, como o mais indicado para ele).

 

A discussão da eliminatória está em aberto, é certo, mas levamos uma vantagem bastante magra para Itália. Creio portanto que a estratégia do Benfica para a segunda mão deverá passar por tentar marcar em Turim, e não pensar exclusivamente em defender uma vantagem tão escassa (já vi o Benfica perder uma meia final assim, embora nesse caso a expulsão do Mozer à meia hora de jogo pouco mais nos deixasse fazer). Por aquilo que a Juventus mostrou na segunda parte, se formos para Itália apenas para defender parece-me que iremos passar um mau bocado.

 

P.S.- Acho que começo a perceber porque é que o Proença é tão bem cotado na UEFA.

por D`Arcy às 01:20 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quarta-feira, 23.04.14

Lagartagem

 

No rescaldo do merecidíssimo título, cuja conquista garantimos no passado domingo, para além das naturais manifestações de júbilo da parte dos benfiquistas tenho sido massacrado com manifestações épicas da azia e inveja secularmente acumuladas pela vizinhança sita no Lumiar, e que a nossa vitória desencadeou. Entre manifestos nas caixas de comentários (obviamente varridos para o lixo), e-mails, posts no Facebook, links para blogs do sportém, tenho levado de tudo um pouco. Textos racistas e insultuosos aos nossos Eusébio e Coluna, textos aziados, opiniões peregrinas que reclamam exclusividade do Marquês (fiquei a saber que o Marquês de Pombal é, aparentemente, um símbolo daquele clube), até já cheguei a ver um texto em que é dito que o Cosme Damião utilizou o sportém como modelo para fundar o Benfica (o nosso Cosme era pelos vistos uma pessoa ainda mais notável do que eu pensava, visto que em 1904 já tinha decifrado os mistérios das viagens no tempo - o motivo pelo qual uma das primeiras acções tomadas pelo sportém após a sua fundação em 1906 foi roubar oito jogadores ao Sport Lisboa deve ter sido precisamente porque eles já estavam num clube que tinha sido formado usando o sportém como inspiração). O que me parece ser mais ou menos evidente é que aquele pessoal acha que é de extrema importância o reconhecimento ou não que eles fazem acerca da justiça do nosso título - é para isso que cá andamos, e se não conseguirmos que o sportém reconheça mérito nas nossas vitórias, então nada disto vale a pena.

 

Posto isto, apeteceu-me responder a todas estas parvoíces. Isto é o que eu penso acerca do sportém, do segundo lugar que conquistaram, da melhor academia do mundo, da exclusividade do Marquês ou do mérito que nos reconhecem ou não na conquista do título:

por D`Arcy às 14:38 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 21.04.14

Campeões

Não vale muito a pena estar a escrever uma crónica extensa para este jogo. Ganhámo-lo, como se esperava e exigia que o fizéssemos, e garantimos a conquista do título. O único ponto negativo no jogo e na festa foi a lesão do Salvio, que partiu o braço e ao que tudo indica terá terminado a época mais cedo.

 

 

O Benfica entrou rápido e decidido a resolver cedo a questão, mas o acerto na hora de finalizar foi pouco, e durante os primeiros minutos de jogo desperdiçámos oportunidades flagrantes suficientes para poder fazer de todo o jogo um imenso e ininterrupto festejo - as oportunidades falhadas pelo Rodrigo (acertou mal na bola) e pelo Lima (atirou por cima com a baliza escancarada) foram particularmente escandalosas. Com o acumular de oportunidades falhadas pareceu-me que algum nervosismo se instalou na equipa, o que eu não esperava que acontecesse - e um exemplo disso foi uma ocasião flagrante (a única durante todo o jogo) de golo do Olhanense, nascida de um mau controlo de bola do Garay. O domínio do jogo por parte do Benfica foi quase total perante um Olhanense quase só preocupado em defender, mas a má finalização determinou que saíssemos para intervalo ainda com o nulo no marcador. 

 

Na segunda parte nada mudou, e o desacerto na finalização continuava - mais um remate disparatado do Lima por cima quando parecia ter tudo para marcar foi disso exemplo. Mas depois de tanto falhanço, acabou por ser mesmo o Lima a tornar-se no herói do jogo, quando apareceu no sítio certo para fazer a recarga de uma defesa incompleta do guarda-redes a um primeiro remate do Gaitán e inaugurar o marcador. Foi aos cinquenta e sete minutos, e dois minutos depois arrumou de vez o assunto, correndo meio campo com a bola para depois rematar por entre as pernas do guarda-redes, com a bola a viajar muito devagarinho até ultrapassar a linha. Estava tudo resolvido, o Olhanense nada ameaçou, e o tempo até final decorreu em ambiente de festa antecipada, que poderia até ter ficado mais abrilhantada com alguns golos, pois continuámos a desperdiçar ocasiões soberanas para marcar (Rodrigo e Lima, em particular) e ficou um penálti claro sobre o Rodrigo por marcar.

 

O Lima foi o homem do jogo pelos dois golos que marcou, mas podia ter marcado pelo menos outros tantos. O Salvio estava a ser dos melhores na primeira parte, o Enzo fez aquilo que costuma fazer, e achei que houve muito menos Gaitán do que costuma ser habitual. A entrada do Markovic foi importante.

 

Somos outra vez campeões nacionais, e com toda a justiça. Somos a melhor equipa, temos o ataque mais concretizador, a defesa menos batida, temos o nosso maior adversário e ex-tricampeão a quinze pontos, e a equipa que nos deu mais luta a sete, mesmo tendo esta há muito tempo que jogar apenas uma vez por semana, e menos dezasseis jogos (são vinte e quatro horas de futebol) nas pernas - e quando os defrontámos vulgarizámo-los de uma forma brutalmente evidente. Hoje festejamos este título, amanhã é tempo de nos concentrarmos já no que ainda há para ganhar. Devemos sentir orgulho nesta conquista, mas não podemos pensar que o trabalho acabou. O Benfica tem que manter o lugar de hegemonia do futebol português que lhe pertence, e para isso é fundamental continuarmos a ganhar, não repetindo os erros de 2010/11.

por D`Arcy às 12:12 | link do post | comentar | ver comentários (16)

33

 

Não jogamos nadinha, vai ser outra época igual. E o Jorge Jejum está comprado pelo PC, enquanto ele estiver no Benfica não vamos ganhar nada. O Cardozo é que tem razão. O PC é que se antecipou e fez bem, foi buscar o Paulo Fonseca quando nós é que devíamos ter aproveitado. À quinta jornada vamos estar afastados do título, e à procura de treinador. Do Natal o Jesus não passa. E a táctica que não presta. E os portugueses, que não jogam. Olhem mas é para o sportém, que com uma equipa de tostões vai ganhar mais do que nós. E perdemos com o PSG, que vergonha, metam o gajo na rua e vão buscar o Marco Silva. Enquanto o Jejum for treinador do Benfica não assino a Benfica TV nem pago quotas. Fiquem com o vosso 'benfiquinha', que este não é o meu Benfica. Somos um clube sem rumo nem liderança. Mas porque é que os portugueses não jogam? Agora vendemos o Matic a preço de saldo, o Vieira é um infiltrado que quer é destruir a equipa. Empatámos com o Gil Vicente, é o princípio do descalabro, fixem bem o que vos digo. E só ganhamos por um ou dois de diferença, que atitude vergonhosa, devíamos golear em todos os jogos. Ressuscitámos o Porto, é um escândalo, já lhes oferecemos a taça. Se o Jesus quer ir para o Porto é deixá-lo. Agora é que isto vai dar para o torto e vamos perder outra vez tudo no final, eu já sabia.

 


Somos campeões nacionais pela 33ª vez. Eu não disse? Nunca tive dúvidas.

por D`Arcy às 01:40 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Quinta-feira, 17.04.14

Épico

Simplesmente épico. Este foi um dos jogos a que assisti na Luz que mais prazer me deu ganhar. Foi um jogo em que o Benfica foi enorme, foi buscar forças onde provavelmente nem imaginávamos que existiriam, foi inteligente e soube reagir a todas as adversidades que lhe apareceram pela frente, e que incluíram uma expulsão madrugadora, e sofrermos um golo no primeiro (e único) remate digno desse nome que o Porto fez na direcção da nossa baliza.

 

 

Foram afinal várias as alterações que fizemos (algumas forçadas) no nosso onze habitual: Oblak, Luisão, Fejsa, Markovic e Lima, por um motivo ou outro, ficaram fora da equipa inicial. Como tem sido habitual, quem avançou para os seus lugares cumpriu a missão. Neste caso, Artur, Jardel, André Gomes, Salvio e Cardozo. Em relação ao jogo propriamente dito, começo por dizer que creio que nunca tinha visto um Porto entrar tão medroso na Luz, e já vi muitos jogos entre as duas equipas. O Porto entrou verdadeiramente 'borrado' em campo, encafuado no seu meio campo e procurando desde o apito inicial congelar o jogo e queimar tempo. O Benfica, pelo contrário, entrou como tinha que ser, caindo em cima do adversário e submetendo-o a pressão constante, o que ficou bem evidente quando assistimos a uma situação quase inédita de uma boa meia dúzia de cantos consecutivos a favor do Benfica. Houve jogadores como o Reyes (um jogador que voltou a parecer-me bastante medíocre e que o Porto quer fazer acreditar que nos 'roubou') que tremiam e muito sempre que pressionados, e no ataque o Porto era simplesmente inofensivo. Ou nem chegava lá, ou quando chegava o Quaresma encarregava-se de jogar sozinho e estragar quase todas as jogadas. O corolário lógico da nossa pressão foi o primeiro golo, construído em mais uma bonita jogada de envolvimento da nossa equipa, com o Gaitán a ser lançado na esquerda e depois a encontrar, com um cruzamento largo, o Salvio ao segundo poste, que cabeceou para o golo - a bola ainda bateu no poste antes de entrar. Demorámos dezassete minutos a anular a vantagem do Porto, e agora tínhamos pela frente mais cerca de uma hora e um quarto de futebol para vencer a eliminatória. E a julgar pelo que íamos vendo em campo, não parecia nada difícil conseguir isso. 

 

 

Mas o cenário alterou-se abruptamente ainda antes da meia hora, altura em que o Siqueira viu dois amarelos de rajada e nos deixou reduzidos a dez - não sei se o primeiro amarelo foi justo ou não, mas um jogador com um amarelo não podia ter entrado daquela forma, e por isso acho que foi um lance de profunda burrice da parte dele. O Benfica teve obviamente que se reorganizar e o sacrificado foi, naturalmente, o Cardozo, que cedeu o seu lugar ao André Almeida - nos últimos três jogos, contra o AZ jogou a lateral direito, contra o Arouca jogou a trinco, hoje jogou a lateral esquerdo, e em todos eles cumpriu. Só depois do Benfica assumir uma postura mais cautelosa, privilegiando sobretudo a organização defensiva, é que o Porto conseguiu passar a ter um pouco mais de bola e jogar mais no nosso meio campo, mas nunca conseguiu vincar qualquer tipo de superioridade em campo, criar uma oportunidade de golo, ou explorar a vantagem numérica. Apenas numa saída pouco ortodoxa do Artur, na sequência de um (raro) canto conseguiram criar algum tipo de sensação de perigo, mas para ser sincero, continuei sempre com a ideia de que continuavam com demasiado medo do Benfica.

 

 

A segunda parte não pareceu mostrar grandes diferenças em relação a isto. O Benfica manteve-se organizado, o Porto sem mostrar capacidade para fazer mossa. Foi por isso de forma algo surpreendente que, um pouco caído do céu, surgiu o golo do Porto. Foi uma grande iniciativa individual do Varela, que parecia não ter grande possibilidade de sucesso, mas que aproveitou o que me pareceu alguma passividade do André Almeida, que teve demasiado medo de meter o pé e fazer falta, furou pelo meio da defesa e rematou cruzado para o golo. O Benfica via-se agora em desvantagem numérica e na eliminatória, precisando de marcar dois golos. A resposta do Benfica foi à Benfica. Não houve baixar de braços (nem da equipa, nem do público), houve sim um arregaçar de mangas, ir buscar todas as forças possíveis, e partir para cima do adversário. O mais interessante foi que o Benfica não jogou exclusivamente em contra-ataque; o Benfica, apesar da inferioridade numérica, criava ocasiões de perigo em ataque organizado, em jogadas onde jogadores como o Enzo, Rodrigo, Gaitán, Salvio, Maxi, André Gomes pareciam multiplicar-se em campo e conseguir aparecer em todo o lado. O Porto não tirou qualquer benefício motivacional do golo, e pouco depois do golo já o Rodrigo desperdiçava uma ocasião quase de golo feito, a passe do Gaitán. Mas logo a seguir o Reyes derrubou claramente o Salvio na área, e incrivelmente o Pedro Proença assinalou penálti a nosso favor, que o Enzo transformou com muita calma e a fazer parecer que era fácil. 

 

 

A passagem na eliminatória estava agora a um golo de distância, o Porto abanou ainda mais, e não fosse o Rodrigo ter escorregado no último instante (depois de mais uma asneira do inevitável Reyes) e talvez esse golo tivesse chegado logo a seguir. O jogo foi-se aproximando do final, com o Porto a continuar a ser inofensivo e o Benfica, mesmo estando potencialmente eliminado, a nunca perder a cabeça ao ponto de cair na tentação de se atirar abertamente ao ataque, o que poderia proporcionar ao Porto a oportunidade de matar o jogo num contra-ataque. Até que, a dez minutos do final, apareceu o momento mágico e decisivo do jogo. Mais uma vez, num lance de ataque organizado, em que o Lima, o Gaitán e o André Gomes andaram a trocar a bola junto ao canto da área do Porto, no lado esquerdo, até que o Gaitán picou a bola para o André. Depois, dentro da área, ele recebeu-a no peito, sem a deixar cair levantou-a sobre o Fernando, e rodou para ficar cara a cara com o guarda-redes, rematando depois para o fundo da baliza para fechar um golo sublime. A Luz explodiu como poucas vezes a vi explodir, e apesar de ainda termos que enfrentar uns longos dez minutos até final, de alguma forma parecia ser quase impossível que o Porto conseguisse voltar a marcar um golo e impedir a nossa festa no final. A verdade é que até final pouco se jogou. Entre substituições, cartões, expulsões (de ambos os treinadores - e não percebo em que raio estava a pensar o Jesus para que de repente aparecesse dentro do campo - e do Quaresma, provavelmente com largos minutos de atraso) e o mero desnorte dos jogadores do Porto, a quem pouco mais ocorria do que enviar balões para a frente, já com o Mangala a avançado, os dezasseis minutos (dez de jogo mais seis de compensação) passaram a correr.

 

 

Mais uma vez, o maior destaque tem que ser a equipa. Uma equipa que ao ver-se em inferioridade numérica tão cedo nunca perdeu a cabeça, que soube reagir ao golo indo em busca daquilo que precisava para dar a volta à situação perante um adversário como o Porto, tem obrigatoriamente que ser uma grande equipa (e ainda por cima sabendo nós que nos faltaram jogadores que têm sido importantes esta época). Mas é impossível não ficar maravilhado com aquilo que jogadores como o Gaitán, o Enzo (encheu o campo), o Salvio (está definitivamente a regressar ao que nos habituou) ou o Rodrigo fizeram. Com o jogo enorme, e não, não é pelo golo, do André Gomes - já o elogiei antes e considerei injustas as críticas quase que formatadas que lhe fazem sobre a falta de velocidade ou intensidade: continuo a dizer que acho é um jogador que guarda bem a bola, sabe quase sempre o que vai fazer com ela assim que a recebe, e tem uma inteligência táctica invulgar. Com o pulmão do Maxi, a segurança do Garay, o espírito guerreiro do Jardel, hoje todos foram enormes.

 

Escreveu-se hoje uma página bonita da nossa história, mas o mais importante foi mesmo os fantasmas que foram exorcizados esta noite. A forma como fomos para cima do Porto, o receio e respeito que eles pareceram sempre ter por nós, até mesmo termos ganho um clássico arbitrado pelo Proença, tudo isto pode significar um passo muito importante para fazer desabar a 'estrutura' bafienta. A nossa Luz não esteve cheia, mas esteve muito bem composta e soube ser o décimo-primeiro jogador de que a equipa precisava, criando um ambiente incrível. Tenho pena de quem poderia ter ido e decidiu ficar em casa, porque perdeu uma noite linda de benfiquismo.

por D`Arcy às 02:54 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Quarta-feira, 16.04.14

27 anos

Gostaria só de recordar pela enésima vez a quem de direito (jogadores e equipa técnica do Glorioso) que, se não somos campeões há quatro anos, há mais de duas décadas e meia(!) que não ganhamos a dobradinha. Este ano temos novamente uma oportunidade de ouro para matar este borrego. Só isso bastaria para tornar o jogo de hoje muito importante. O mais importante dos últimos 27 anos.

 

Acontece que a importância deste jogo vai ainda mais além desse facto. Não vamos defrontar um adversário qualquer. Aliás, nem sequer vamos defrontar um adversário. Vamos defrontar o inimigo. Que representa, com uma competência assinalável, as forças do Mal. Estamos a falar da equipa de Mordor, meus caros jogadores e equipa técnica do Benfica. Tenham isto sempre em mente! O campeonato está muito perto de estar garantido, portanto é nossa obrigação NÃO deixarmos que a equipa que envergonha o desporto possa festejar ainda esta época. Este jogo é FUNDAMENTAL para eles, não tenhamos dúvidas. Viu-se pela gestão que fizeram em Braga. Se terminarem a época com as duas taças (a da Liga, no meio da eliminatória com a Juventus, será obviamente secundária para nós e eles, que sempre a desdenharam, não se atreverão a festejar se esse for o único troféu que ganhem este ano), não será uma época assim tão má. NÃO lhes podemos dar esta abébia, METAM isso na cabeça!

 

Com o domínio que evidenciámos, tendo o campeonato a meros dois pontos de distância, confesso que não ficarei totalmente satisfeito se nos limitarmos a ser campeões. Depois do que se passou no ano passado, merecemos festejar mais do que uma vez esta temporada. E a Taça de Portugal é a melhor oportunidade para tal. Para além da referida (e incontornável) questão dos 27 anos de jejum. Eles estão a 15 pontos de nós no campeonato. Nós somos MUITO melhor do que eles. Perante o inimigo, não há complacências! Não desperdicemos a oportunidade de os eliminar!

 

P.S. – O Estádio da Luz não esgotar num jogo desta importância é, não há outra maneira de o dizer, uma VERGONHA!

por S.L.B. às 08:04 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Segunda-feira, 14.04.14

Parabéns

 

O resultado desnivelado até pode deixar outra ideia a quem não tiver visto o jogo, mas a verdade é que os nossos miúdos nos deram todos os motivos para ficarmos orgulhosos com a sua prestação, e num dia de maior acerto o resultado poderia perfeitamente ter sido outro. Lutaram do primeiro ao último minuto do jogo, mas desta vez a sorte não esteve connosco e o Barcelona, com todo o mérito, foi mais eficaz e conquistou o troféu. Estão de parabéns todos os jogadores e estrutura técnica que os suporta. Agora é erguer a cabeça, tentar conquistar o bicampeonato de juniores, e da minha parte esperar que daqui a uns (poucos) anos possa ver alguns destes nomes no plantel principal.

por D`Arcy às 21:31 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Quase

Mais uma importante vitória a caminho do título, num jogo que dominámos do primeiro ao último minuto. A nossa exibição foi no entanto em crescendo: não entrámos bem, fizemos uma primeira parte aquém das expectativas, mas depois fomos melhorando, conseguindo uma segunda parte bastante melhor em que até poderíamos ter construído um resultado mais dilatado, pois o guarda-redes do Arouca foi um dos melhores em campo.

 

 

Duas ausências com alguma surpresa no onze inicial: o Luisão e o Fejsa. Para os seus lugares foram chamados o Jardel e o André Almeida. Perante uma autêntica Luz em miniatura, já que a onda vermelha lotou as bancadas do Municipal de Aveiro, o início do jogo não foi particularmente promissor. O Arouca apresentou-se conforme lhe competia, bem fechado atrás, com os jogadores muito juntos e organizados em frente à sua área e a procurar manter o nulo. O Benfica, ao contrário do que tem acontecido nos últimos jogos, pareceu entrar a jogar com demasiada lentidão. O Rodrigo ainda fez uma primeira ameaça logo nos primeiros minutos, num remate que obrigou o Cássio a uma defesa um pouco mais apertada, mas fomos anormalmente inofensivos durante a maior parte do tempo. Não sei se foi do calor, se do cansaço de alguns jogadores, ou algum excesso de confiança, mas a verdade é que a equipa pareceu-me demasiado estática durante a primeira parte. Até a relva parecia estar demasiado grande e não colaborar, pois a bola não rolava com muita velocidade. O jogo foi sendo animado por algumas iniciativas individuais, mas situações de verdadeiro perigo foram muito poucas. Houve um remate cruzado do Maxi, que não passou muito longe, e já na fase final da primeira parte houve a primeira grande oportunidade de golo para o Benfica (e em dose dupla). Primeiro foi o lima a aproveitar uma má intervenção de um adversário dentro da área para, completamente sozinho, rematar e ver o Cássio defender por instinto; a bola sobrou então para o Rodrigo, que fez a recarga para fora. Mas pouco depois foi a nossa vez de passar por um grande susto, quando o Oblak teve uma má saída até ao limite da área e não conseguiu afastar uma bola que tinha sido despejada para lá. A bola sobrou para um adversário, que em balão a encaminhou para a baliza, valendo-nos uma intervenção no limite do Maxi, que conseguiu afastá-la quase em cima da linha. Quando já se jogava o período de dois minutos de compensação, e parecia que o nulo ao intervalo era uma inevitabilidade, aconteceu o nosso golo. Foi mesmo na última jogada da primeira parte (faltavam quatro segundos para acabar) que o Lima fugiu pela direita, e uma intervenção desastrada de um defesa do Arouca na zona do segundo poste deixou a bola à frente do Rodrigo, que só teve que a empurrar para a baliza.

 

 

Depois daquela primeira parte, temi que na segunda o Benfica aproveitasse a vantagem no marcador para baixar ainda mais o ritmo, gerindo o resultado, mas felizmente não foi isso que aconteceu. Ao contrário do que tem sido mais habitual, o Benfica entrou com vontade de ampliar o resultado e conquistar maior tranquilidade no jogo, o que nem demorou muito a conseguir.  Com dez minutos decorridos o Markovic agarrou na bola e arrancou com ela pelo meio, ultrapassando adversários até à entrada da área, onde a deixou para o Gaitán. Depois o argentino limitou-se a picá-la com classe à saída do guarda-redes. No minuto seguinte, quase a repetição do cenário, pois o Makovic voltou a levar a bola até à área e a deixá-la nos pés do Gaitán, em posição privilegiada para marcar, mas desta vez o Cássio conseguiu evitar o golo. Com os dois golos de vantagem o Benfica continuou a controlar perfeitamente o jogo, embora num ritmo mais pausado, mas sem deixar de espreitar a oportunidade de ampliar a vantagem. O momento de maior preocupação foi o da lesão do Oblak, que depois de um choque violento com um adversário perdeu os sentidos e teve que ser substituído - pelos vistos teve mesmo um traumatismo craniano. Depois da lesão do Sílvio, esperemos que não tenhamos agora nova lesão grave num momento tão decisivo da época. Quanto ao jogo, tudo na mesma, com o Benfica a controlar e o Cássio a teimar em negar-nos o terceiro golo. Com mais uma boa defesa, voltou a evitar que o Gaitán marcasse o seu segundo golo, depois de um remate colocado. O jogo caminhou tranquilamente para o final, já com o Cardozo e o Salvio em campo (troca com o Rodrigo e o Markovic), com mais uma defesa enorme do Cássio a tirar-nos o terceiro golo, desta vez a remate do Lima, terminando com o estádio num clima de enorme festa feita pelos nossos adeptos.

 

 

Melhor em campo, para mim, mais uma vez o Gaitán. Já nem vale muito a pena estar a elogiar o momento de forma que atravessa - esta é sem dúvida a melhor época que faz desde que está no Benfica. O Jardel e o André Almeida cumpriram os seus papéis, como tem sido norma para qualquer jogador que é chamado a substituir um dos titulares mais habituais. Bom jogo do Siqueira, Enzo e Markovic.

 

E agora está mesmo quase, porque faltam apenas mais dois pontos. Dependemos só de nós para fazer a festa no dia de Páscoa, e se a nossa equipa mantiver a atitude e concentração, só muito dificilmente isso não acontecerá. Antes disso teremos porém um jogo difícil contra o Porto, para decidir o acesso à final da Taça de Portugal. Temos mais do que capacidade para ultrapassar este adversário e tentar conquistar mais um troféu esta época. Só teremos que ter cuidado com a 'atitude competitiva' do nosso adversário. É que a julgar pelo exemplo do primeiro jogo, ainda nos arriscamos a perder mais alguns jogadores para a fase decisiva da época.

por D`Arcy às 00:08 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 11.04.14

Da arte

Ortega y Gasset mostrou-nos como a depuração é a essência da beleza na arte. Muitos o secundaram e um dos meus escritores portugueses preferidos, Miguel Torga, mostrou-nos como a depuração do supérfluo conduz a uma arte substantiva, sem o elemento barroco do adjectivo desnecessário. A arte apresenta-se-nos assim, nua, crua e sem o subterfúgio da fuga ao tutano, à essência. Nesta perspectiva, tudo o que vá para além do tutano é uma traição à beleza. Aprecio esta visão da arte, mas quando chego ao universo do futebol vejo que a beleza dessa arte vai muito para além do tutano.

Vem tudo isto a propósito do mais recente jogo entre o Benfica e o Rio Ave. Para a história ficará um resultado feito da agradável banalidade de mais uma vitória expressiva do Benfica. Para a memória (e a memória constrói e transcende a história) fica esse ‘conflito’ entre o tutano de uma ideia de jogo (uma identidade competitiva construída pelo treinador que melhor pensa o futebol em Portugal) e a criatividade individual decorrente do génio de cada um dos futebolistas do nosso Benfica. Esse rasgo permanente de criatividade faz dos futebolistas mais do que meros executantes e eleva-os à qualidade de criadores que, criando em prol do todo, superam a banal recriação.

Ou seja, no tutano, na essência e sem nada de supérfluo está a arte de Jorge Jesus. No entanto, a beleza desta arte está entregue a Gaitan, Enzo, Markovic e tantos outros que à essência do resultado juntam a tal “nota artística” tão comentada pelo treinador do Benfica. Foi esta síntese entre a arte substantiva e o adorno da beleza adjectiva que aplaudimos no final do jogo com o Rio Ave.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Abril, para publicação na edição de 11/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

 

por Pedro F. Ferreira às 12:30 | link do post

Paciente

O Benfica soube ser muito paciente esta noite e tranquilamente resolveu a questão da passagem às meias-finais da Liga Europa, num jogo controlado de princípio a fim pela nossa equipa e que apenas ficou manchado pela grave lesão do Sílvio.

 

 

Uma vez mais meia dúzia de alterações no onze base do Benfica: Oblak, Enzo, Markovic, Lima, Gaitán e Maxi de fora (os dois últimos por castigo), e nos seus lugares Artur, André Gomes, Salvio, Cardozo, Sulejmani e Sílvio. O jogo começou da pior forma possível, já que praticamente na primeira jogada um choque entre o Sílvio e o Luisão resultou numa grave lesão do nosso defesa lateral, que foi substituído pelo André Almeida. O jogo foi, todo ele, a tender para o monótono. A atitude dos holandeses foi algo bizarra, uma vez que praticamente nunca abdicaram de extremas cautelas defensivas, tendo até durante várias ocasiões andado a perder tempo de forma ostensiva. O AZ meteu constantemente dez jogadores atrás da linha da bola, acantonados em frente à sua área, deixando apenas o avançado só na frente. E quando recuperavam a bola, raramente arriscavam vir para a frente com mais do que três ou quatro jogadores. A ideia com que se fica é a de que o maior receio deles era o de serem goleados caso arriscassem jogar olhos nos olhos, e portanto estava contentes a jogar pelo seguro e esperar por um qualquer lance fortuito que lhes pudesse proporcionar o golo que empataria a eliminatória. Como este tipo de postura não era exactamente um incómodo para o Benfica, não nos lançámos num ataque desenfreado, fazendo sim aquilo que tem sido apanágio da equipa este ano: circulação segura da bola e construção paciente das jogadas, na certeza quase absoluta de que a diferença de qualidade entre as duas equipas acabaria por fazer o jogo pender a nosso favor. Evidentemente que as únicas oportunidades que houve foram todas nossas, e a primeira delas até aparece cedo, num remate em arco do Cardozo de fora da área, que o guarda-redes do AZ defendeu bem. As outras oportunidades mais flagrantes tiveram o mesmo denominador comum: Cardozo. Primeiro viu o guarda-redes defender um remate seu perto da marca de penálti depois de um cruzamento do Rodrigo, e depois não conseguiu acertar na baliza quando estava em posição privilegiada para o fazer. Mas logo a seguir a este lance, quando faltavam cerca de cinco minutos para o intervalo, o Benfica chegou ao golo. O lance nasceu numa cavalgada fantástica do Salvio pela direita, junto à linha lateral, em que correu mais de metade do campo e foi deixando tudo e todos para trás, até centrar para a zona do segundo poste onde apareceu o Rodrigo para encostar. O golo dava justiça ao resultado e acrescentava ainda mais tranquilidade ao nosso jogo. Quanto ao AZ, durante toda a primeira parte, foi literalmente inofensivo. Não me recordo de um remate sequer, ou de uma defesa do Artur.

 

 

Na segunda parte a atitude dos holandeses continuou sem se alterar, mantendo a solidez defensiva como maior preocupação. O jogo foi por isso bastante monótono, sem qualquer lance digno de registo durante os primeiros minutos. Apenas quando se completou a hora de jogo assisti ao primeiro remate digno desse nome por parte do AZ, que passou fraco e rasteiro ao lado da baliza - cinco minutos depois disso voltaram a rematar, e finalmente o Artur foi obrigado a fazer algo que se podia classificar como defesa, embora o lance não tivesse trazido qualquer perigo à nossa baliza. Entretanto o Enzo foi chamado para o lugar do Fejsa, e assim que entrou começou a arrumar a casa, com efeitos práticos visíveis na qualidade do nosso jogo. O nosso segundo golo até surgiu pouco depois, a vinte minutos do final, mas num lance em que o Enzo não teve participação. Mais uma vez o mérito maior pertence inteirinho ao Salvio, que acreditou e insistiu num balão que parecia que levaria a bola a sair, levou a bola até perto da bandeirola de canto, e pressionado por dois adversários conseguiu cruzar por alto, novamente para a zona do segundo poste, onde o Rodrigo apareceu mais uma vez a encostar facilmente para o golo - a defesa holandesa não ficou nada bem na fotografia. Depois deste segundo golo o AZ (que já desde início não parecia ter grande crença na possibilidade de discutir a eliminatória) pareceu abandonar definitivamente qualquer tipo de esperança e relaxou mais em termos defensivos, o que fez com que até final o terceiro golo do Benfica fosse sempre uma ameaça. Falhou-o o Salvio (e bem teria merecido esse golo), que isolado após um passe do Luisão para as costas da defesa viu o seu remate ser defendido pelo pé do guarda-redes, e falhou-o o Cardozo, que não conseguiu controlar a bola após um passe açucarado do Enzo, depois de mais uma daquelas arrancadas em que foi deixando tudo e todos para trás. Um terceiro golo talvez deixasse a diferença de qualidade entre as duas equipas marcada de forma mais vincada, mas o Benfica também nunca pareceu ter necessidade de acelerar mais, e construiu a vitória de forma muito natural e sem grande esforço aparente.

 

 

O Salvio, pelas duas assistências, é o homem do jogo. foi muito bom ver, sobretudo no lance do primeiro golo, o 'velho' Salvio de regresso. Aquele que a complicada lesão nos retirou durante a maior parte da época, e que certamente teria sid muito útil. Mas ainda vem a tempo de ajudar. O Rodrigo teve o mérito de aparecer no lugar certo na altura certa, reforçando a sua confiança - a desmarcação para o primeiro golo é muito boa, e no segundo revelou grande oportunismo. Os centrais estiveram impecáveis, como habitualmente. O Sulejmani baixou muito de rendimento na segunda parte, e o Cardozo continua a revelar ainda muita falta de confiança, mas foi bonito ver e ouvir o apoio do público da Luz ao Tacuara na fase final de um jogo que não lhe correu bem.

 

A única coisa a lamentar foi mesmo a grave lesão do Sílvio. Nos últimos posts que tenho feito, por mais de uma vez o elogiei e revelei a minha vontade de passarmos a contar com ele no plantel de forma definitiva. Espero que possa recuperar rapidamente da lesão, e que esta não seja um entrave à sua eventual contratação. Para mim é um jogador que tem definitivamente lugar no nosso plantel. Quanto à Liga Europa, chegados a esta fase é óbvio que a possibilidade de conquistar um troféu que nos fugiu de forma tão injusta a época passada tem que ser considerada de forma séria. Vamos esperar pelo sorteio de amanhã e ver o que nos reserva. Gostaria de evitar a Juventus, porque não costumamos ser muito felizes contra equipas italianas. Mas a Liga Europa já passou, e quando regressar preocupar-me-ei com ela. Importante agora, mas mesmo importante, é ganhar ao Arouca.

por D`Arcy às 02:21 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Terça-feira, 08.04.14

7 anos

 

Cumprem-se hoje 7 anos de Tertúlia Benfiquista na blogosfera. Cada vez com menos tempo para o blogue e cada vez com mais prazer em participar nesta luta diária pelo benfiquismo. Por cá vamos andando e andaremos.

por Pedro F. Ferreira às 12:15 | link do post | comentar | ver comentários (21)

Classe

Não demos sequer hipótese de haver dúvidas. Na sequência daquilo que temos feito nos últimos jogos em casa para o campeonato marcámos cedo, praticamente resolvemos o jogo ainda na primeira parte, e depois limitámo-nos a gerir e a controlar um adversário que acabou por ser talvez a segunda equipa menos incómoda que passou pela Luz neste campeonato - acho que só mesmo o Sporting conseguiu ser ainda mais inofensivo - deixando a tarefa de animar a segunda parte às pinceladas de classe dos nossos jogadores.

 

 

Duas alterações, esperadas, no onze-tipo: André Almeida no lugar do lesionado Fejsa e Sílvio no do castigado Siqueira. Desde o apito inicial que o jogo teve um só sentido. Nem sequer foi uma cavalgada frenética do Benfica na procura do golo, foi sempre algo feito com paciência e método, mas constante, com a bola a rondar a área e a baliza adversária, e sem que o Rio Ave conseguisse praticamente passar do meio campo. Foi portanto com alguma naturalidade que o Benfica marcou o primeiro golo, quando estavam passados dezassete minutos de jogo. Tudo começou num grande passe do Enzo, a levar a bola da direita para a esquerda do campo. O Sílvio amorteceu-a de primeira para o Gaitán à entrada da área, este tirou um adversário do caminho e em vez de rematar descobriu o Rodrigo dentro da área, que controlou e colocou a bola rasteira junto ao poste. Uma jogada muito bonita e fluida. Não entrámos imediatamente em modo de gestão a seguir ao golo: continuámos a procurar de forma paciente a baliza adversária, pressionando alto e impedindo que o adversário conseguisse sair de forma organizada, para depois causar perigo sempre que a bola era recuperada ainda em zonas adiantadas do campo. Logo no minuto seguinte ao do golo, o Gaitán teve oportunidade para aumentar a vantagem depois de uma dessas recuperações, mas se dessa vez o remate dele foi interceptado por um adversário, o mesmo já não se passou um pouco antes da meia hora, altura em que marcou mesmo. Foi depois de um remate do Rodrigo ter embatido num adversário, levando a bola a subir em balão para cair à entrada da área, onde surgiu o Gaitán para fazer um remate rasteiro de primeira que só parou no fundo da baliza. Jogo praticamente resolvido, mas o Benfica manteve o ritmo e com o Gaitán a espalhar classe de cada vez que a bola lhe chegava aos pés, o resultado parecia estar longe de estar feito. O resultado ao intervalo era lisonjeiro para o Rio Ave, porque o Benfica poderia ter feito o marcador funcionar novamente.

 

 

A segunda parte iniciou-se numa toada mais tranquila. O Benfica resguardou-se um pouco e o Rio Ave conseguiu ser um bocadinho mais atrevido,embora o Oblak tenha continuado a ser pouco mais do que um mero espectador na partida. Mas depois de uns primeiros vinte minutos algo aborrecidos, os nossos jogadores devem ter começado a sentir-se também aborrecidos e resolveram acelerar um pouco e abrir o livro. E em mais uma jogada colectiva muito bonita em que a bola voltou a passar pelos pés de vários jogadores (foi quase um minuto e meio com a bola em nosso poder, 33 passes, e todos os onze jogadores tocaram na bola), no final o Rodrigo deixou de calcanhar para o Maxi, já dentro da área, e este foi derrubado para penálti. Oportunidade flagrante para o recém entrado Cardozo (tinha substituído o Lima) regressar aos golos, e desta vez o paraguaio não facilitou, convertendo o penálti ao seu melhor estilo: bola colocadíssima e em força para um lado, guarda-redes para o outro. Aconteceu aos setenta e sete minutos, e daqui até final a nossa equipa jogou de forma descontraída e alegre, mostrando sempre vontade de marcar mais golos e com o Gaitán, bem acompanhado pelo Enzo, a dar espectáculo. O Djuricic já estava em campo, no lugar do Rodrigo, e também ajudou a revitalizar o nosso ataque. Vimos a nossa equipa construir mais jogadas bonitas que só por muito pouco não acabaram em golo, e mesmo com três golos de vantagem parecia que isso nem se ajustava ao que o Benfica produzia em campo. O marcador compôs-se um pouco mais já em período de descontos, quando o Enzo teve uma das suas arrancadas habituais, deixando tudo pelo caminho até ser derrubado em falta já dentro da área. Chamado novamente para converter, o Cardozo voltou a fazê-lo de forma irrepreensível, enviando novamente a bola para um lado e o guarda-redes para o outro.

 

 

Não creio que tenha havido uma má exibição no jogo de hoje, mas o homem do jogo é indiscutivelmente o Gaitán. Abriu caminho à vitória com a assistência para o primeiro golo e marcou o segundo. Está numa forma fantástica, e neste momento eu fico antecipadamente entusiasmado quando a bola lhe chega aos pés, porque espero que dali saia sempre algo interessante. Depois do jogo apagado em Braga, o Enzo voltou às boas exibições. A importância dele no nosso jogo é imensa, devido às inúmeras opções de ataque que cria. Quando os colegas estão todos marcados e não tem linhas de passe, tem a capacidade para pegar na bola e ir para cima dos adversários, deixando-os pelo caminho. Nessas altuas torna-se verdadeiramente num extremo a jogar pelo meio, e o lance do último golo é um exemplo disso. O Rodrigo continua num grande momento, e o André Almeida cumpriu na perfeição o papel que lhe foi entregue. Não sei qual terá sido o motivo para o 'castigo' que o fez ficar sem jogar durante tanto tempo, mas é um jogador com o qual podemos contar, e é ali no meio campo que pode render mais. Por último, mais uma menção para o Sílvio. Gosto quase sempre de o ver jogar, e se me parece que o Siqueira é excessivamente caro, gostaria que pelo menos o Benfica fizesse os possíveis para manter o Sílvio no plantel.

 

Com esta vitória garantimos que na pior das hipóteses poderemos decidir o campeonato nos próximos dois jogos que faremos em casa, contra Olhanense e Setúbal. Na melhor das hipóteses até poderíamos resolver o assunto já na próxima jornada, mas para isso dependemos ainda de terceiros. A cerca de apenas um mês do final da época, a exibição de hoje deixa-nos cheios de confiança para tudo o que ainda há para jogar e decidir.

por D`Arcy às 01:30 | link do post | comentar | ver comentários (27)

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