VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Terça-feira, 19.04.16

Susto

Conseguimos os importantíssimos três pontos, mas a exibição na segunda parte foi paupérrima e não ganhámos para o susto, já que o jogo poderia ter terminado com um enorme balde de água fria depois de um erro individual grosseiro. Quando deixamos uma vantagem mínima no marcador arrastar-se até final, estamos sempre sujeitos a este tipo de sobressaltos.

 

 

O Benfica voltou ao onze mais próximo do habitual, com a novidade do Nélson Semedo na direita da defesa. O Gaitán e o Mitroglou recuperaram das lesões que os tinham afastado do jogo com o Bayern, e foram titulares. O início do jogo foi desastroso, já que concedemos um golo logo na primeira jogada, com catorze segundos decorridos. A bola entrou pela esquerda da nossa defesa, e o cruzamento foi finalizado com grande facilidade por um adversário bem no centro da área. Não sei se foi simplesmente infelicidade, ou falta de concentração, porque a verdade é que já com o Braga só não sofremos um golo assim porque a bola foi ao poste. A reacção da equipa (e das quase 55.000 pessoas que preencheram as bancada, diga-se) foi no entanto a melhor possível, e nos minutos que se seguiram assistiu-se a um verdadeiro vendaval ofensivo por parte do Benfica. O assalto à baliza do Setúbal foi constante, e só a noite inspirada do seu guarda-redes, aliada a alguma falta de pontaria dos nossos jogadores, ia adiando o empate. Ainda sofremos mais um grande susto, pois na segunda vez que o Setúbal foi à nossa área esteve muito perto de voltar a marcar. Mas face ao que se passava em campo, o golo do empate parecia uma inevitabilidade, o que acabou por se confirmar aos dezanove minutos. Inevitavelmente, pelo pé do Jonas, que apareceu à boca da baliza para concretizar um cruzamento do Eliseu, que sofreu um ligeiro desvio de cabeça do Gaitán. E logo a seguir, o segundo golo esteve muito perto de aconter, mas o remate do Fejsa embateu num defesa. Mas não foi preciso esperar muito mais: aos vinte e quatro minutos estava concretizada a reviravolta no marcador, numa cabeçada do Jardel após canto do Gaitán na esquerda, mais um de vários que o Benfica já tinha conquistado. Depois de obtida a vantagem o Benfica tirou um pouco o pé do acelerador, mas continuou a controlar perfeitamente o jogo, dispondo ainda antes do intervalo de uma oportunidade soberana para ganhar uma vantagem mais confortável. Mas depois de ficar completamente isolado por um grande passe do Fejsa, o Pizzi quis finalizar de forma artística com um chapéu ao guarda-redes e a bola foi cortada por um defesa do Setúbal sobre a linha.

 

 

O desacelerar do Benfica ainda na primeira parte já me deixava algo desconfiado e nada tranquilo para a segunda, porque achava que seria muito importante conseguirmos o golo da tranquilidade. Mas nada me poderia fazer prever aquilo que de facto jogámos neste período. Acredito que pode ter sido alguma consequência do cansaço, que fez com que a equipa já não conseguisse voltar a acelerar depois de ter relaxado um pouco a seguir ao golo da vantagem, mas aquilo que vi foi provavelmente o pior futebol do Benfica no Estádio da Luz, incluindo os jogos do início desta época. É que não tenho praticamente nada de positivo para dizer, porque a diferença para a primeira parte foi como do dia para a noite. Na primeira parte devemos ter tido mais de 70% de posse de bola, enquanto que na segunda parte na maioria das vezes mal conseguíamos passar da linha do meio campo com a bola controlada. A quantidade de passes errados e entregas de bola ao adversário foi simplesmente aberrante. Não houve velocidade no nosso jogo, aliás, não houve sequer jogo como equipa, foi tudo aos repelões, com vários pontapés para a frente - e muitas das vezes nem sequer os chutões para a frente saíam bem, e em vez disso saíam roscas sem direcção, que ou mandavam a bola directamente para fora, ou a faziam subir para cair quase no mesmo sítio. A nossa equipa, mais do que cansada, parecia estranhamente nervosa. Criámos talvez duas ocasiões dignas desse nome, uma do Fejsa num pontapé de canto, e outra do Mitroglou, que cabeceou torto e para fora quando tinha tudo para fazer melhor. Perante tão pouco acerto da nossa parte, o Setúbal começou a acreditar e foi subindo no terreno, o que ainda aumentou mais o nervosismo dos nossos jogadores e consequentemente a quantidade de asneiras cometidas. Perante um Benfica irreconhecível, valeu-nos no entanto o apoio quase constante das bancadas, que nos momentos de menor acerto tudo fizeram para motivar a equipa. E nos minutos finais até parecemos ganhar um pouco mais de compostura e segurar melhor o jogo - ainda que o Setúbal, mesmo nos nossos piores momentos, não tenha conseguido criar ocasiões de golo em número suficiente para causar grande nervosismo em relação ao resultado. Mas quando chegamos tão perto do final com uma vantagem tão magra, é natural temer-se algum azar. Que esteve muito, muito perto de acontecer. Exemplificando perfeitamente a segunda parte desastrada de toda a equipa, o Pizzi, já em período de descontos, fez um passe para trás perfeitamente escusado e disparatado, que deixou isolado um adversário. Valeu-nos a atenção e rapidez do Ederson, que saiu da baliza e no limite da área conseguiu, com o pé, cortar a bola. Esta seguiu para os pés de outro jogador do Setúbal, que de muito longe não conseguiu acertar com a baliza.

 

 

Como o que fica é sobretudo a péssima imagem da segunda parte, é difícil fazer destaques, mas para escolher alguém terão que ser os dois centrais, e em especial o Lindelöf, que me pareceu dos mais esclarecidos da nossa equipa na segunda parte. E também o Ederson, que fez uma defesa absolutamente decisiva. O Jonas foi deixando pinceladas de classe ao longo do jogo e marcou o seu golo, mas esteve menos inspirado do que o habitual. No polo oposto, o Pizzi e o Eliseu fizeram um jogo muito abaixo daquilo que é exigível. O facto de estar a destacar os centrais e o guarda-redes num jogo em casa contra o Setúbal, que apenas venceu um jogo na segunda volta, diz bastante sobre a qualidade do nosso futebol esta noite.

 

O Benfica fez o suficiente para vencer este jogo, mas estamos habituados a mais e melhor. Às vezes o suficiente não chega, e hoje esteve muito perto de não chegar. Estamos na fase decisiva deste campeonato, faltam apenas quatro jogos, e precisamos de dar o máximo em todos eles. A satisfação que sinto neste momento é por ver passada mais uma etapa no caminho até ao objectivo que todos desejamos. Mas vai ser necessário  fazer melhor do que aquilo que fizemos hoje para que consigamos chegar ao final desejado.

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por D`Arcy às 02:26 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Quinta-feira, 14.04.16

Orgulho

A eliminatória teve o desfecho natural e passou a equipa mais forte, mas acho que podemos todos sentir orgulho na réplica que o Benfica conseguiu oferecer a uma das equipas mais fortes do mundo. Lutámos com as armas que temos, mesmo perante diversas contrariedades fizemos o melhor que podíamos, não foi suficiente para passar, mas caímos de cabeça levantada.

 

 

Já tinha escrito no final da primeira mão que o Bayern continuava a ser o grande favorito na eliminatória e que, aliás, o resultado desse jogo quando muito apenas reforçaria esse mesmo favoritismo. Mas nada nos impedia de lutar para sermos felizes. A tarefa para esta segunda mão de repente afigurou-se ainda mais difícil quando fomos obrigados a apresentar um ataque totalmente novo, já que à suspensão do Jonas juntaram-se as ausências por limitações físicas do Gaitán e do Mitroglou. Não as vou lamentar, porque os dois jogadores ficaram nestas condições depois da batalha que foi a conquista dos três pontos em Coimbra. Mais batalhas semelhantes virão, e não faria sentido arriscar pô-los a jogar e depois perdê-los por um período mais prolongado. Além disso já nos habituámos a que os que são chamados a substituir os ausentes normalmente dão boa conta do recado. Jogaram então o Jiménez e o Carcela no lugar dos lesionados, e o Pizzi no lugar do suspenso, indo o Salvio ocupar a vaga na direita. O jogo foi o que se esperava, com o Bayern a impor o seu futebol de muita posse de bola e pressão a toda a largura do campo. Em posse de bola os extremos permanecem sempre bem abertos e os laterais sobem no campo não para jogarem como médios ala, mas sim como médios interiores. Se os nossos laterais cumprem a obrigação de fechar o espaço entre si e os centrais, os extremos ficam sem marcação. Se são atraídos pela marcação aos extremos, então abre-se um espaço enorme entre eles e os centrais, que pode ser explorado pelos laterais adversários. Têm que ser os nossos alas a ter especial atenção com os extremos adversários, e isso raramente aconteceu. Outro problema foi a quase completa liberdade que o Xabi Alonso teve para jogar. Ele joga a passo, mas se lhe derem espaço coloca a bola onde quer. E espaço foi coisa que nunca lhe faltou neste jogo. 

 

 

O primeiro remate do jogo até foi do Benfica, num livre marcado pelo Eliseu. O Bayern tinha controlo quase total do jogo e da posse de bola, mas o Benfica mantinha uma boa organização defensiva que ia evitando grandes calafrios e ocasiões de remate para os alemães. O jogo foi-se mantendo nesta toada, quando aos vinte e sete minutos, numa rara ocasião em que apanhámos a equipa do Bayern desposicionada, marcámos. Depois de uma mudança rápida de flanco, o Eliseu ficou com muito caminho livre à sua frente para progredir, e depois fez um passe em profundidade para a área, onde o Jiménez se antecipou aos defesas e ao guarda-redes para cabecear para a baliza. A eliminatória ficava empatada e o Estádio da Luz explodiu. E logo a seguir, não marcámos o segundo porque se calhar até o Jiménez ficou surpreendido com tantas facilidades, já que depois de uma insistência do Salvio pela direita recebeu a bola quase à vontade no meio da área, e acabou por rematar frouxo e à figura do Neuer. O Benfica parecia estar melhor no jogo durante esta fase, mas o Bayern não se impressionou e chegou à igualdade dez minutos depois do nosso golo. Depois de uma investida do Lahm pela direita, o Ederson afastou o cruzamento para a entrada da área, onde surgiu o Vidal solto de marcação para fazer o golo com um remate indefensável de primeira. A nossa equipa acusou o golo, que dificultava exponencialmente uma tarefa que já à partida era extremamente difícil. Perdeu-se por isso aquele ímpeto que tínhamos revelado logo a seguir ao golo, e algum do entusiasmo com que as bancadas tinham empurrado a equipa.

 

 

O Bayern entrou para a segunda parte tranquilo e a impor o seu jogo, agora com confiança acrescida, e bastante mais perigoso do que durante a primeira parte. E não demorou muito tempo a chegar ao segundo golo, através de um canto. A bola foi enviada para a zona do segundo poste, onde o Javi Martínez ganhou nas alturas e a devolveu para o lado oposto, para a finalização do Müller à boca da baliza. Fiquei com a sensação de alguma passividade da nossa defesa neste lance, já que os jogadores do Bayern vêm de trás e os nossos defesas ficaram algo estáticos, sem atacar a bola. A eliminatória estava agora praticamente resolvida e nos minutos que se seguiram o Benfica mostrou alguma desorientação, com a equipa a esquecer a disciplina e organização defensiva com que tinha iniciado o jogo, e a tentar diversas vezes sair sem grande critério para o ataque, em iniciativas individuais, que resultavam em perdas de bola e consequentes ocasiões de contra-ataque para o Bayern. Nos minutos a seguir ao golo, só por mérito do Ederson e alguma dose de sorte é que o Bayern não ampliou o resultado, tendo até atirado uma bola ao poste. O Benfica fez entrar o Talisca e o Gonçalo Guedes, poupando o Pizzi para outras lides e retirando também o Salvio, que continua longe da forma ideal. O jogo arrastava-se neste pendor, com mais um golo do Bayern a parecer o cenário mais provável, quando de repente o Gonçalo Guedes escapa-se em direcção à baliza e é derrubado quase no limite da área (o Javi Martínez viu o amarelo, mas parece-me que o cartão deveria ter sido de outra cor). Do livre resultante, o Talisca marcou um golão, enviando a bola ao ângulo, e a Luz reacendeu-se. Uma reviravolta na eliminatória era altamente improvável, mas a equipa lutou como se isso estivesse mesmo ao virar da esquina, e o público seguiu-a nessa crença. Foi portanto debaixo de um apoio impressionante que se jogaram os minutos até final, durante os quais o Benfica poderia até ter marcado por duas vezes, em mais um livre do Talisca e num remate do Jovic (tinha entrado para o lugar do Eliseu), e o Bayern também poderia ter marcado, mas o Ederson correspondeu mais uma vez bem quando tinha o Lewandowski isolado à sua frente.

 

 

Não vou elogiar ninguém em particular, apenas e mais uma vez a equipa num todo. Estão todos de parabéns, representaram o nosso clube condignamente nesta competição e caíram aos pés de uma das mais fortes equipas do mundo. Quando se dá tudo o que temos, temos que nos sentir orgulhosos do nosso esforço. Da minha parte, só tenho a dizer um enorme 'Obrigado!' por tudo o que fizeram nesta edição da Champions.

 

Apesar da eliminação, a parte positiva disto é o reforço da confiança desta equipa, e da comunhão entre ela e os adeptos. Quem esteve no Estádio da Luz esta noite e pôde testemunhar o ambiente que se viveu durante todo o jogo, e em especial nos minutos finais do jogo e após o fim do mesmo percebe que a nossa confiança em nada ficou abalada com este resultado. Acreditamos nesta equipa, e estamos incondicionalmente ao lado dela até ao fim. Agora, vamos à luta por aquilo que ainda temos para conquistar.

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por D`Arcy às 01:09 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Terça-feira, 12.04.16

Volúveis


Nos meios de comunicação social foram feitas várias declarações (por pessoas com vínculo profissional a um clube) desrespeitosas dirigidas ao Renato Sanches enquanto jogador da Selecção Nacional. Sabendo-se que há proximamente uma fase final do Campeonato da Europa importante para a nossa Selecção, esta atitude demonstra uma mesquinhez clubística, não compatível com o Século XXI em que vivemos, e como tal um desrespeito por Portugal.

A adaptação livre é minha, mas não posso reclamar o mérito total por esta frase forte, que é da autoria dos reis dos comunicados. Hoje por acaso lembrei-me que aqueles que agora atacam de forma reles e incompreensível o Renato Sanches são precisamente os mesmos que se abespinharam e indignaram quando os adeptos do FCP gozaram com um frango do Rui Patrício ao serviço da Selecção Nacional. Aparentemente, os interesses nacionais e o mais alto respeito por Portugal são coisas muito volúveis. Dependem sobretudo do clube representado pelo jogador em questão.

por D`Arcy às 23:48 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 10.04.16

Crença

Mais um jogo de grande sofrimento contra um aflito desesperado por pontos. A Académica jogou um futebol de antanho, com toda a gente metida em cima da sua área, jogadores a simular lesões para perder tempo com assistências ainda na primeira parte, e para piorar marcou um golo no único remate que fez em noventa e nove minutos de jogo. Só mesmo um Benfica muito persistente e lutador, mesmo depois do esforço de Munique, conseguiu arrancar os mais do que merecidos três pontos.

 

 

E foi mesmo praticamente a mesma equipa de Munique aquela que iniciou o jogo de hoje, com apenas uma alteração: Samaris no lugar do Fejsa. E sem querer estar a exagerar, ao fim de cinco minutos de jogo já estava a prever que a tarefa seria muito complicada. É que a Académica não saía da defesa, juntava uma multidão de gente à frente da sua baliza, e o Benfica não revelava arte ou velocidade para encontrar soluções, insistindo em tentar entrar pelo meio, obviamente sem grande sucesso. Demorámos mais de um quarto de hora até fazer o primeiro remate do jogo, o que é completamente atípico na nossa equipa. E esse remate até foi uma boa situação, na qual o Gaitán deixou a bola para o Mitroglou, que rematou para as nuvens. Claro que quando defrontamos uma equipa a jogar assim, não fico muito nervoso logo nos primeiros minutos, porque sei que bastará marcarmos um golo que toda a estratégia adversária ruirá. O problema é que se por vezes marcar esse golo é difícil, então se por acaso o adversário marca primeiro, então a tarefa torna-se difícil a dobrar. E para nosso azar, foi precisamente isso que aconteceu. Praticamente na resposta ao nosso primeiro remate, a Académica rematou também e marcou, após um mau alívio do Eliseu que deixou a bola à entrada da área à mercê de um adversário. Foi aí que comecei a sentir-me realmente nervoso, porque o Benfica continuava a revelar-se pouco rematador perante um adversário que deve ter batido o record negativo de posse de bola neste campeonato. A única coisa que os jogadores da Académica faziam era destruir jogo e deixar-se cair no chão - o Benfica é que jogou a meio da semana para a Champions, mas os jogadores da Académica é que já conseguiam ter cãibras com pouco mais de metade do jogo decorrido. Só depois da meia hora é que o Benfica pareceu conseguir acelerar mais e variar mais o seu jogo, começando finalmente a produzir situações de maior perigo, o que acabou por resultar no golo do empate. Marcou o Mitroglou a cinco minutos do intervalo, num cabeceamento muito colocado ao poste mais distante depois de um centro largo do Pizzi (um minuto antes tinha falhado um outro cabeceamento após um canto). E só não saímos a ganhar para o intervalo porque o Pizzi, depois de uma das melhores jogadas que fizemos, ultrapassou o guarda-redes e conseguiu de forma incrível embrulhar-se com a bola e permitir o corte de um defesa sobre a linha de golo.

 

 

Esperava que o Benfica conseguisse manter a dinâmica na segunda parte, mas tal não aconteceu. O segundo tempo foi desesperante de ver, porque era simplesmente ver o tempo a passar e o Benfica a tentar encontrar uma aberta na muralha adversária, mas com muitas dificuldades para fazê-lo, regressando ao estilo de jogo do início da primeira parte. Muita circulação de bola, mas pouca capacidade para criar ocasiões de golo, porque a Académica tapava todos os caminhos para a sua baliza, e os seus jogadores continuavam a padecer das piores maleitas imagináveis. O pobre guarda-redes da Académica, imagino, deve ter saído do estádio directamente para o hospital, tantas foram as vezes que teve que ser assistido. Perante um adversário que abdicava completamente de atacar, o Benfica foi naturalmente assumindo mais riscos e apostando cada vez mais declaradamente no ataque. Entrou o Carcela para o lugar do Pizzi, o Talisca para o lugar do Samaris - o que deixou o Renato Sanches a fazer o meio campo quase sozinho. À medida que arriscámos cada vez mais, os remates e ocasiões de perigo começaram a surgir mais frequentemente, em especial através de investidas pela esquerda do Gaitán ou do Eliseu. Numa jogada de risco quase total, a dez minutos do final trocámos o Eliseu pelo Jiménez, ficando o Gaitán a fazer o lado esquerdo todo. Com tanta gente na frente, pelo menos agora as bolas metidas para dentro da área já eram mais vezes ganhas pelos nossos jogadores - às vezes até parecia ser tanta gente lá que eram os nossos próprios jogadores a atrapalharem-se uns aos outros, como aconteceu entre o Carcela e o Jardel num canto. A persistência acabou recompensada a cinco minutos do final. Mais um centro largo vindo da direita, desta vez do André Almeida, e o Jiménez com um toque colocou a bola à sua frente e a seguir fuzilou autenticamente a baliza. Explosão de alegria num estádio quase completamente pintado de vermelho, mas ainda foi preciso esperar mais uns longos treze minutos (cinco de tempo regulamentar, mais seis de compensação, mas dois de compensação sobre a compensação) até podermos celebrar a vitória - e como tínhamos a equipa completamente descompensada, algum azar poderia acontecer. Mas nem mesmo com os seus jogadores a ficarem miraculosamente curados de todas as mazelas de que padeceram durante todo o tempo até ao nosso segundo golo a Académica conseguiu somar um remate ao único que tinham feito até então.

 

 

Mais uma vez no final fico com a sensação de que jogámos sobretudo como equipa, e que não houve jogadores a destacar-se muito. Não foi um jogo de grande brilho artístico, mas sim de muito suor derramado e de luta do primeiro ao último minuto. E já que falamos de luta, uma menção para o Renato Sanches, que trabalhou que se fartou durante todo o jogo. Chegou a ser, praticamente sozinho, o meio campo do Benfica, e na fase final do jogo até como uma espécie de defesa esquerdo actuou, já que o Gaitán estava nas últimas e foi ele quem andou a fechar o lado esquerdo da defesa. E um elogio especial para o Jiménez, que no pouco tempo que esteve em campo conseguiu resolver uma situação muito complicada com um grande golo. Continuo a achar que ele marcaria muitos mais se jogasse mais tempo na zona de finalização, em vez de se perder demasiado em movimentações noutras zonas do campo. Para isso temos o Jonas.

 

E pronto, mais um obstáculo superado. O número continua a diminuir, e a nossa vantagem a manter-se. Vai ser assim até final; todas as equipas querem ter a glória de serem eles a travar o Benfica e eventualmente a impedir o tri. Mas esta nossa equipa tem uma alma gigantesca, e a onda vermelha que a acompanha suporta-a do primeiro ao último minuto. Hoje, a minutos do final do jogo, empatados, o que se ouvia constantemente eram cânticos a incitar a equipa. Nem um assobio, apenas uma crença imensa de que estamos tão perto de poder fazer história mais uma vez. E agora, podemos voltar a pensar em continuar a dignificar o nome do Benfica na Europa. Porque hoje, nem por um instante que fosse me pareceu que a cabeça dos nossos jogadores estivesse nesse jogo. Entregaram-se à luta e deram tudo o que tinham. Como tem sido em todos os jogos.

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por D`Arcy às 00:51 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 06.04.16

Enorme

Um enorme jogo da nossa equipa, em casa de uma das mais fortes equipas do planeta, que me deixou cheio de orgulho. Perdemos pela margem mínima e até podíamos ter empatado, porque tivemos ocasiões flagrantes para o fazer. E foi lindo passar a segunda parte quase toda a ouvir apenas os nossos adeptos.

 

 

Porque é importante uma equipa manter a sua identidade, o onze apresentado em Munique foi exactamente o mesmo que tinha goleado o Braga na última sexta-feira. E este pormenor transmite logo uma imagem de confiança - quantas vezes, num passado não muito distante, vimos a equipa ser muito alterada antes de jogos de dificuldade acrescida, quase sempre com maus resultados? O início de jogo fez temer o pior, com o Bayern a chegar à vantagem ainda antes de se completarem dois minutos na partida. Um cruzamento a partir do lado direito da nossa defesa foi encontrar o Vidal, que entrou vindo de trás no espaço entre o lateral esquerdo e o central sem que ninguém o acompanhasse e cabeceou sem dar qualquer possibilidade de defesa ao Ederson. A primeira impressão do lance seria a de que quem falhou foi o Eliseu, mas ele estava preocupado com o extremo adversário e o que falhou foi o acompanhamento da movimentação do Vidal por um dos médios (Renato Sanches). O Bayern fazia o seu jogo habitual, com muita posse de bola mantendo sempre os extremos bem abertos, que depois aproveitava com variações rápidas do flanco do jogo. Os laterais jogavam de forma bastante ofensiva e integravam-se frequentemente no ataque, o que obrigava os nossos alas a atenções defensivas redobradas para evitar situações de 2x1 sobre os nossos laterais. Isto foi particularmente evidente sobre o nosso lado direito, onde até o Pizzi acertar com a marcação ao Bernat o André Almeida se viu muitas vezes em dificuldades - foi assim mesmo que o lance do golo nasceu. Durante os primeiros vinte minutos o Benfica passou por dificuldades, com o Ederson a ter que se mostrar num par de ocasiões. As nossas tentativas de saída para o ataque eram sobretudo através de pontapés longos para o Mitroglou, para que este segurasse a bola ou a ganhasse no ar aos defesas alemães para solicitar os colegas. O grego estava nesta fase algo desacompanhado, pois o Jonas recuou muito e trabalhou imenso a meio campo e até junto da nossa área. Depois deste período o Benfica conseguiu adaptar-se melhor à forma de jogar do Bayern, e depois de conseguir afastar o adversário da nossa área começou a aparecer também mais vezes na frente. Com o jogo mais repartido, pareceu ser possível conseguirmos mesmo marcar um golo, e isso esteve perto de acontecer mesmo sobre o intervalo, quando o Gaitán surgiu dentro da área em óptima posição para marcar, mas o remate acabou por ser interceptado por um jogador alemão.

 

 

Esperava uma reentrada forte do Bayern, mas isso não aconteceu. Vimos sim o jogo reiniciar-se na mesma toada com que tinha sido interrompido, mas com o Benfica a parecer jogar mais subido no campo. A nossa linha defensiva actuava vários metros à frente da área, o que permitiu cortar as jogadas de ataque e ainda apanhar os jogadores do Bayern deslocados por diversas vezes. À medida que o tempo passava a confiança dos nossos jogadores parecia também ir aumentando e a equipa soltou-se mais - por vezes, sinceramente, até me parecia demasiado solta, pois sabemos o perigo que o Bayern consegue causar nas transições e o Benfica posicionava-se de forma tão descomplexada que temia que pudéssemos ser surpreendidos numa recuperação de bola. O Jonas deu mais um sinal de perigo, depois de conseguir rodar sobre um defesa no interior da área, mas rematou de forma a permitir a defesa do Neuer. Pouco depois, o empate voltou a estar perto de acontecer, quando oo André Almeida ganhou uma bola na direita e fez o passe rasteiro para o interior da área, onde surgiu o remate de primeira do Jonas, que foi bater no corpo de Javi Martínez quando parecia ter tudo para dar golo. Nesta altura na transmissão televisiva já praticamente só eram audíveis os cânticos de apoio dos nossos adeptos, o que aliás se prolongou durante quase todo o tempo até ao final do jogo. O jogo estava numa fase bem mais equilibrada, em que conseguíamos manter o Bayern longe da nossa baliza e quase anular o jogo deles - parecia quase estranho vê-los a trocar a bola atrás quase sem ideias ou opções sobre como sair para o ataque, o que levou até a alguns assobios por prte do público da casa. O Benfica conseguia defender muito bem sem jogar deliberadamente à defesa e sem autocarros de qualquer espécie. Nos dez minutos finais, no entanto, o Bayern conseguiu voltar a acelerar o jogo e procurou um segundo golo, tendo construído duas excelentes ocasiões para tal. Primeiro o Ribéry numa iniciativa individual teve alguma felicidade num ressalto, e depois rematou cruzado para uma boa defesa do Ederson com o pé. E já mesmo sobre o final, o Lewandowski apareceu isolado após um grande passe para as costas da nossa defesa, mas quando o Ederson lhe saiu ao encontro tentou o passe para o Lahm, que lhe saiu demasiado adiantado. Seria um castigo demasiado pesado para a nossa exibição.

 

 

Grande elogio, como já o fiz em várias outras ocasiões esta época, para a equipa num todo. Entrar praticamente a perder naquele campo, onde tantas outras equipas já foram goleadas, e nunca perder a cabeça para depois conseguir fazer uma exibição tão personalizada não é para todos. Grande jogo dos nossos dois centrais, que conseguiram quase anular o perigoso Lewandowski durante todo o jogo. A única excepção foi o lance referido no final do jogo. Em particular, uma exibição quase sem mácula do Lindelöf, que cometeu apenas um erro no jogo, quando inventou mais do que é costume e isso acabou por custar-lhe um cartão amarelo. Grande exibição também do Jonas, de imenso trabalho e a quem só faltou ter aproveitado uma daquelas ocasiões para concretizar o golo. Quase que ia escrever que nos vai fazer falta no segundo jogo, mas sinceramente, esta época já aprendi que é um erro ficar a lamentar a ausência de qualquer jogador. De certeza que quem entrar no seu lugar cumprirá. E claro, Ederson. Nada podia fazer no lance do golo, mas esteve quase perfeito em tudo o que fez. O ano passado jogava no Rio Ave, começou esta época a fazer jogos na equipa B, e agora defende a nossa baliza sem acusar minimamente a pressão. Na minha opinião, temos aqui o dono da nossa baliza para os próximos anos. Destaco estes, mas todos os jogadores estiveram muito bem, com mais ou menos falha. Mas quando algum falhava, havia sempre outro para ajudar e corrigir, porque uma equipa é isto mesmo.

 

Uma derrota é sempre uma derrota, mas há derrotas que podem ser motivantes. Parece-me que é o caso de hoje. Para mim o resultado de hoje em nada muda a perspectiva da eliminatória. O Bayern era o grande favorito, e continua a sê-lo, porque tem capacidade para ganhar em qualquer campo. Aliás, até terá reforçado esse favoritismo, já que começa o próximo jogo em vantagem. Mas tendo em conta o enterro anunciado e as goleadas prometidas pelos nossos inimigos (não pelo Bayern, de quem só vi respeito pelo Benfica - o que não admira, porque o respeito pelo Benfica lá fora sempre superou em muito a imensa inveja por nós cá dentro) este jogo mostrou que temos equipa para honrar o nosso prestígio nesta competição, contra qualquer adversário. É claro que para outros, este foi o dia em que o Bayern mostrou que não é tão forte assim, o Guardiola mostrou que não percebe nada de bola, ou até em que o Bayern se poupou porque ainda está preocupado com o Dortmund na Bundesliga. Mas agora o mais importante mesmo não é a segunda mão desta eliminatória. É preciso esquecer completamente o Bayern, e dar tudo o que temos contra a Académica. Nada mais importa até ao apito final desse jogo.

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por D`Arcy às 03:06 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Segunda-feira, 04.04.16

Confiança

O resultado deste jogo não é mais do que o espelho da enorme confiança que reina na nossa equipa. Uma vitória por margem tão dilatada frente ao Braga certamente que não estaria nas previsões da maior parte de nós, e ainda menos depois daquele início de jogo. Mas os nossos jogadores voltaram a mostrar uma confiança inabalável, e com a ajuda de um ambiente fantástico criado por um Estádio da Luz praticamente cheio, ultrapassaram mais este difícil obstáculo na caminhada para o título.

 

 

Depois da razia que sofremos para o jogo contra o Boavista, desta vez já pudemos apresentar um onze mais forte e com menos adaptações. O Ederson manteve-se na baliza e o André Almeida regressou à lateral direita, já que o Fejsa já estava apto. No centro da defesa, o Lindelöf agarrou com unhas e dentes a oportunidade e continua a manter a titularidade, apesar do Lisandro já estar recuperado. Importantíssimos também foram os regresso do Gaitán e do Mitroglou à equipa. O início do jogo foi assustador. Logo nos primeiros segundos vimos uma bola embater no poste da nossa baliza. O Braga entrou a exercer uma pressão em todo o campo, e a nossa equipa demorou a atinar com as movimentações dos adversários, que jogavam com dois avançados bastante móveis, cujas movimentações abriam espaços para as diagonais de jogadores mais recuados. A pressão do Braga também dificultava as nossas saídas em ataque organizado, acabando quase sempre os nossos jogadores por ter que optar por um pontapé para a frente, sob pena de perder a bola. Apanhámos novo susto quando o Rafa apareceu isolado, mas felizmente a tentativa de chapéu ao Ederson saiu demasiado torta. Felizmente para nós, voltámos a mostrar a eficácia que nos tem caracterizado em grande parte dos jogos esta época, e praticamente na primeira ocasião que criámos, marcámos (digo praticamente porque pouco antes já o Mitroglou tinha tido uma boa ocasião para rematar, após um pontapé de baliza muito longo). Acabou por ser o Braga a provar o seu próprio veneno, já que ao tentar sair a jogar acabou por permitir a recuperação do Gaitán, com a bola a acabar nos pés do Mitroglou que, isolado, não perdoou. O golo, que apareceu aos dezassete minutos, alterou significativamente o jogo, e a partir desse momento o Benfica ganhou superioridade. Também atinámos com as marcações e o Braga deixou de conseguir criar jogadas de perigo para a nossa baliza. E a superioridade do Benfica acabou por materializar-se com dois golos quase de rajada, aos trinta e sete e quarenta minutos, que deixaram tudo quase resolvido. O primeiro foi marcado pelo Jonas, de penálti, a punir uma mão na bola depois de uma boa iniciativa do Renato Sanches pela direita. O segundo teve a autoria do Pizzi, num remate rasteiro de fora da área após um lançamento longo do Gaitán e uma assistência com as costas do Jonas.

 

 

Talvez o Braga pudesse ter alguma esperança de reentrar na partida caso conseguisse marcar logo a seguir ao intervalo. Mas quem esteve mais próximo de marcar mal o jogo se reiniciou foi o Benfica, com destaque para um lance em que a bola só não entrou porque o Mitroglou ficou na frente do remate do Gaitán. Durante os primeiros dez minutos, o resultado só não aumentou porque o Benfica foi pouco eficaz, ou porque o guarda-redes do Braga brilhou - excelente defesa a um remate em jeito do Pizzi que tinha tudo para dar golo. Depois disso o Braga voltou a ter uma fase melhor, durante a qual conseguiu discutir o jogo com o Benfica, ser mais rematador, e até mesmo voltar a atirar uma bola ao poste, pelo Hassan. Mas o Benfica pôs cobro a quaisquer veleidades do Braga, e mais uma vez com dois golos quase de rajada, aos setenta e um e setenta e cinco minutos. O primeiro nasce de mais um passe do Gaitán para o Jonas, a rasgar a linha defensiva do Braga e que deixou o brasileiro isolado pela esquerda. À saída do guarda-redes, não houve qualquer egoísmo e em vez de tentar fazer o golo, passou a bola para o Mitroglou. O grego ainda se embrulhou um bocado com a bola mesmo à boca da baliza, mas acabou por conseguir concretizar mesmo o golo, depois de evitar um defesa. Pouco depois foi o Samaris - que tinha entrado dez minutos antes para o lugar do Fejsa - a revelar dotes pouco conhecidos nos livres directos, marcando de forma exemplar um descaído para a esquerda da área. Faltavam quinze minutos para o final, mas o jogo praticamente terminou aí, pois o Benfica preocupou-se sobretudo em poupar esforços, tendo mesmo substituído o Gaitán e o Jardel. A única mancha no jogo acabou por ser já em período de descontos, quando o Nélson Semedo cometeu um penálti que assim nos impediu de prosseguir na perseguição ao notável registo do Sporting de Lisboa de quase cinco anos sem ter um penálti assinalado contra. O Pedro Santos concretizou o penálti sem dificuldade e estabeleceu assim o resultado final.

 

 

Foi mais um bom jogo da nossa equipa, no qual diversos jogadores estiveram num nível muito bom. Nem se notou que o Jonas veio directamente da selecção e nem treinou para este jogo. A classe dele dá e sobra para compensar pormenores destes. O colega de ataque esteve também muito bem, somou mais dois golos à conta, e a este ritmo ainda nos arriscamos a acabar o campeonato com os dois primeiros lugares da tabela dos melhores marcadores a pertencerem a jogadores nossos. O Gaitán foi outro que fez um jogo muito bom, estando directamente envolvido nas jogadas de três dos nossos golos. O Pizzi não começou bem, mas foi subindo muito de produção e marcou um óptimo golo.

 

Mais um obstáculo superado, o que reduz agora para seis os passos que faltam dar. No papel este seria o jogo mais complicado até final, mas isso não passa de teoria mesmo. Temos que continuar a encarar cada jogo como uma final, e a manter exclusivamente nas nossas mãos a possibilidade de chegarmos ao título. Agora será necessário mudar de registo para o jogo mais complicado de toda a época. Enquanto nos dedicamos a isso, deixemos os outros a digerir a frustração de verem o final cada vez mais próximo e a nossa equipa a não vacilar.

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por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Terça-feira, 22.03.16

Dificílimo

Foi uma vitória arrancada a ferros no último suspiro de um jogo dificílimo, que deve servir de exemplo para aquilo que nos espera nas sete finais que sobram. Mas a nossa equipa nunca desistiu de perseguir esta vitória e foi recompensada com os três pontos e a importante motivação adicional que ganhar um jogo desta forma proporciona.

 

 

Dificilmente o Benfica poderia ter mais contrariedades para formar uma equipa para este jogo. Mais de meia equipa indisponível - Júlio César, Luisão, Jardel, Fejsa, Gaitán, Mitroglou seriam, em condições normais, titulares - significaram um onze com muitas alterações. O Ederson manteve-se naturalmente na baliza, o Samaris formou dupla com o Lindelöf no centro da defesa, e na direita jogou o Nélson Semedo para permitir que o André Almeida jogasse no meio campo. O Salvio foi titular pela primeira vez esta época e 'empurrou' o Pizzi para a esquerda, tendo sem surpresas o Jiménez ocupado a vaga do Mitroglou no ataque. Com uma equipa tão alterada foi natural que o nosso jogo tenha sofrido com isso. O Pizzi perde influência na esquerda, no meio campo o André Almeida não tem a mesma influência no início da construção de jogo que o Samaris consegue ter - aliás, vi por diversas vezes o André Almeida a ficar atrás enquanto era o próprio Samaris quem subia da defesa com a bola, para dar início aos ataques - o Nélson Semedo e o Salvio ainda parecem estar longe da forma ideal, e no ataque o Jiménez dá uma presença na área menos forte do que o Mitroglou, que serve de referência e prende mais os centrais adversários. Por via disso o Vinícius teve muito mais liberdade para andar por ali a ser o bombeiro de serviço e a limpar quase tudo o que lhe aparecia pela frente, e o Jonas acabou também por ter menos liberdade. O Boavista fez o que podia para nos complicar ao máximo a tarefa, exercendo pressão quase no campo inteiro e inclusivamente atribuindo ao Renato Sanches a honra de ter um jogador praticamente dedicado a marcá-lo homem a homem assim que o Benfica tentava sair para o ataque. Depois houve também o incendiário de serviço, um tal de Rúben Ribeiro, que à menor brisa que lhe soprasse se deixava cair em estertores agonizantes, enquanto tentava armar quezílias e provocar qualquer jogador nosso que lhe passasse ao alcance. Resultou tudo isto num jogo em que dispusemos de uma quantidade anormalmente baixa de ocasiões de golo. Na primeira parte apenas me recordo de duas situações, uma num remate acrobático do Jiménez que foi defendido por instinto pelo Mika, para depois o Lindelöf fazer a recarga por cima, e a outra numa boa iniciativa do lado esquerdo, com a bola a chegar ao Pizzi que, depois de evitar bem um adversário, já dentro da área rematou ao lado. O Boavista tentava surpreender em saídas rápidas para o contra-ataque, mas apenas deu verdadeira sensação de perigo num lance em que o Ederson foi obrigado a sair aos pés do adversário para evitar males maiores. Nulo algo natural ao intervalo, portanto, e perspectivas de muitas dificuldades para o resto do jogo.

 

 

Perspectivas essas que se confirmaram, porque muito pouco se alterou no regresso do descanso. O Benfica tinha mais bola mas continuava a ter dificuldades em arranjar espaços para rematar à baliza adversária, e o Boavista começou até a conseguir ser mais perigoso nos contra-ataques, aproveitando os riscos cada vez maiores que o Benfica corria. Foi aliás deles o primeiro sinal de perigo, num remate cruzado que desviou ligeiramente no Lindelöf e fez a bola passar muito perto do poste da nossa baliza. Apesar do evidente domínio territorial do Benfica, começava a ser desesperante a incapacidade para o transformar em lances de perigo e a desinspiração da equipa para conseguir ultrapassar a pressão constante que os jogadores do Boavista continuavam a conseguir exercer sobre o portador da bola. Quando se quer e se precisa de ganhar um jogo, se não conseguimos sequer rematar à baliza então a nossa tarefa está muito complicada. As melhores ocasiões da segunda parte pertenceram, aliás, ao Boavista, que sempre a jogar em contra-ataque acabava por conseguir por vezes situações potencialmente perigosas em que apanhavam a nossa equipa com muito pouca gente a defender. Para além do remate que já referi, pelo menos por duas outras ocasiões criaram perigo, valendo-nos que os remates nunca saíram na direcção da nossa baliza. Na segunda dessas ocasiões, a cinco minutos do final, o Boavista saiu para o contra-ataque numa situação de três para apenas dois defesas nossos, e com um pouco mais de calma poderiam ter dado um golpe fatal no jogo. Nessa altura já o Benfica jogava em modo de risco quase total, com três avançados em campo (o Jovic tinha-se estreado, entrando para o lugar do Pizzi) mais o Talisca atrás deles, o Eliseu como uma espécie de lateral/extremo a fazer o flanco esquerdo todo, o Carcela na direita, o Renato era o meio campo do Benfica e a estratégia era despejar bolas para perto da área o mais depressa possível. Felizmente o que nos faltou em inspiração nunca faltou em querer, e já com dois minutos decorridos do período de descontos esse querer foi recompensado. O Eliseu despejou a bola para a entrada da área, o Carcela apareceu mais ou menos à vontade (com tanta gente na frente, alguma bola haveria de sobrar para nós) para tocá-la de cabeça para o interior, e o Jonas, descaído para a esquerda e talvez na primeira vez que conseguiu aparecer solto durante todo o jogo, rematou suavemente e de primeira com o pé esquerdo para marcar o golo que fez explodir o Bessa.

 

 

Foi um jogo de muita luta e pouco brilho individual, uma batalha entre duas equipas na qual não houve grandes oportunidades para brilharetes individuais. Parabéns portanto a todos os jogadores da nossa equipa, que juntos ultrapassaram mais este adversário, e apenas um cumprimento especial para o Jonas: uma oportunidade, um golo. Os grandes jogadores são mesmo assim.

 

Conforme escrevi no início, só com uma dose inusitada de infelicidade poderia o Benfica poderia apresentar-se mais desfalcado para um jogo do campeonato. Acho por isso perfeitamente natural que o nosso futebol tenha sofrido com isso, até porque do outro lado esteve uma equipa que nos complicou muito a tarefa. Por isso mesmo, por ter bem presentes as contrariedades que tivemos (e que temos tido nos últimos meses, para as quais a equipa continua sempre a encontrar soluções) quase me dá vontade de rir quando ouço 'especialistas' satisfeitos porque acham que este jogo mostra que o Benfica está em queda. Deviam era estar preocupados como facto de, mesmo assim, termos conseguido vencer e mantermo-nos no topo da tabela. É que nem assim perdemos pontos. E dificilmente voltaremos a apresentar uma equipa tão desfalcada até ao final da época.

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por D`Arcy às 02:24 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Terça-feira, 15.03.16

Passeio

Não foi das exibições mais conseguidas ou agradáveis do Benfica mas mesmo assim, perante o último classificado da liga, acabámos por construir mais uma goleada. E foi obtida de forma muito natural, quase em ritmo de passeio, ainda que tenha ficado com a sensação de que o resultado até acaba por ser generoso para aquilo que foi o jogo.

 

 

O grande handicap do Benfica para este jogo era, em princípio, a ausência do Renato Sanches, que tem sido um dos dínamos da equipa. Tendo em conta o que já tinha sido feito na recepção ao União da Madeira, não surpreendeu que a escolha para o substituir tenha voltado a ser o Talisca. A única meia surpresa foi a manutenção do Nélson Semedo na direita da defesa face à disponibilidade do André Almeida. O Benfica não teve uma entrada muito forte no jogo, pois pareceu abordá-lo com alguma calma (se calhar a ausência do Renato no meio campo dá logo essa ideia). O Tondela jogava com três homens bem abertos na frente e procurava pressionar logo a saída de bola do Benfica, que mostrava alguma lentidão nas transições para o ataque, com a bola a demorar demasiado tempo nos pés dos dois médios centro, e o Talisca a mostrar pouca precisão no passe. Mas esta equipa está com uma confiança muito alta e tem tido uma eficácia muito grande, conseguindo regularmente concretizar logo um golo nas primeiras ocasiões que consegue criar. E hoje isso voltou a acontecer, pois no primeiro remate digno desse nome que fizemos, com onze minutos decorridos, marcámos. Após um canto marcado pelo Gaitán na esquerda, o Jardel soltou-se da marcação e cabeceou para o golo. O Tondela procurou reagir a este golo - verdade seja dita que, não sei se por influência do golo madrugador, o Tondela nunca se remeteu exclusivamente à defesa e tentou sempre pressionar em todo o campo - mas o Benfica foi uma vez mais terrivelmente eficaz e aos vinte e quatro minutos voltava a marcar, na segunda oportunidade criada e depois de ter acelerado um bocadinho. Desta vez o golo foi resultado de uma jogada muito bonita (a mais bonita de todo o jogo, parece-me) em que a bola passou pelos pés de diversos jogadores, quase sempre ao primeiro toque, até ao passe atrasado do Gaitán para o interior da área, onde o inevitável Jonas finalizou com um remate rasteiro de pé esquerdo. Assim quase sem forçar muito, o Benfica apanhava-se com o jogo praticamente resolvido, e isso notou-se no resto da primeira parte, que foi morna e sem muitos mais motivos de interesse.

 

 

O jogo só não estava completamente resolvido porque o Tondela nunca baixou os braços nem desistiu de tentar voltar ao jogo. A pressão em todo o campo manteve-se na segunda parte, e a sensação que tinha era a de que o jogo estava num ponto em que podia cair para um de dois cenários: ou o Tondela reduzia, e aí o Benfica poderia sofrer um bocado, ou então o Benfica fazia o terceiro golo e arrumava definitivamente a questão. A primeira hipótese até foi a que esteve perto de acontecer primeiro, pois o Tondela fez a primeira ameaça na segunda parte com um remate por cima, e logo a seguir dispôs de uma ocasião muito boa para reduzir, mas o remate do seu jogador saiu muito ao lado quando estava em condições para fazer muito melhor. Faltava dinâmica ao nosso meio campo e cedo o nosso treinador fez uma alteração para corrigir isso, retirando o Talisca e colocando o Salvio, com o Pizzi a passar para o meio. Logo na primeira intervenção o argentino deu uma boa ocasião ao Mitroglou, mas a tentativa deste marcar de calcanhar não saiu bem. Logo a seguir, nova alteração, com a saída do Gaitán (pediu para sair, aparentemente tocado) e a entrada do Gonçalo Guedes. O nosso futebol agora tinha um pouco mais de velocidade e o jogo começou a pender nitidamente para a hipótese do terceiro golo que arrumaria a questão. Que surgiu aos sessenta e nove minutos, pelo inevitável Jonas, que no seguimento de um ressalto após um lançamento de linha lateral, com um cabeceamento sem muita força mas bem colocado colocou a bola fora do alcance do guarda-redes. A partir daqui a questão passou apenas a ser quantos golos mais conseguiríamos marcar, e apesar de mais algumas ocasiões a resposta foi apenas mais um, a três minutos do final, pelo Mitroglou. Um lance do mais simples que poderia haver, em que o Jardel fez um alívio desde a nossa defesa e a bola foi cair nas costas da defesa do Tondela, para depois o Mitroglou ganhar em velocidade aos adversários e marcar à saída do guarda-redes. Mas não gostei que tivesse tirado a camisola nos festejos, porque isso valeu-lhe o amarelo que completou a série de cinco e assim o deixou de fora do próximo jogo. Na última jogada do encontro, o Tondela conseguiu chegar ao golo de honra (que em abono da verdade, fez por merecer) depois do Pizzi perder uma bola no ataque quando a nossa equipa estava toda balanceada para tentar obter mais um golo, e depois fomos surpreendidos no contra-ataque.

 

 

Tenho alguma dificuldade em fazer destaques na exibição desta noite. O Gaitán somou duas assistências e mostrou mais empenho do que tem sido habitual nos últimos jogos. O Jonas marcou dois golos, mas até achei que à parte isso não foi dos jogos mais conseguidos dele. Acho que gostei do trabalho da dupla de centrais, mas foi pena o disparate que custou o amarelo ao Jardel que o retira também do próximo jogo, embora a culpa nesse lance seja repartida com o Fejsa. Mas o Fejsa voltou a mostrar ser um reforço muito importante para atacar a fase final da época.

 

Está ultrapassado o primeiro dos nove desafios até final. Confesso que apesar da diferença classificativa entre as duas equipas, até tinha algum receio deste jogo, por temer uma certa descompressão da equipa após vencer dois encontros decisivos. Mas a nossa equipa deu uma boa resposta e permitiu aos mais de cinquenta e um mil benfiquistas que numa noite de segunda-feira preencheram as bancadas da Luz criar um ambiente de entusiasmo quase permanente durante todo o jogo. Espero agora nova 'mini-Luz' no Bessa, para empurrar a nossa equipa e ajudá-la a superar mais um obstáculo no caminho para o desejado tricampeonato.

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por D`Arcy às 02:48 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Quinta-feira, 10.03.16

Brilhante

Com um central disponível. Com um (enorme) guarda-redes a estrear-se na Champions - e que se estreou no passado fim-de-semana na liga. Com um golo adversário claramente precedido de uma ilegalidade. Mesmo assim, vitória e brilhante apuramento para os quartos da Champions League. E tudo isto sem cérebro.

 

 

Era uma tarefa complicada que tínhamos pela frente, quer pela margem mínima que levávamos para a Rússia, quer pelas ausências por lesões e castigos na defesa. Foi necessário recuar o Samaris para jogar ao lado do nosso quarto central do plantel, enquanto que na direita jogou o Nélson Semedo. No meio campo, em boa hora regressou o Fejsa. Quem esperava que o Benfica fosse jogar dedicado exclusivamente à defesa da magra vantagem deve ter tido uma surpresa, porque fomos tudo menos uma equipa defensiva na primeira parte. Tentámos jogar o jogo pelo jogo, sabendo que a vantagem era demasiado curta para podermos passar os noventa minutos a defendê-la, e sabendo que  um golo deixaria o desfecho da eliminatória muito favorável para as nossas cores. Por isso mesmo a posse de bola foi bastante repartida entre as duas equipas, com ataques de um lado e de outro. Na defesa, cedo se viu que o Samaris não estava a estranhar a nova posição, e que não seria por ali que a equipa iria tremer, até porque a dupla de centrais contou com a preciosa contribuição do Fejsa, que regressou ao mesmo nível em que estava quando se lesionou. Não foram muitas as ocasiões de perigo durante a primeira parte, e as que houve foram igualmente distribuídas entre as duas equipas. A nossa melhor ocasião foi um remate do Renato Sanches, que passou muito perto do poste, e do outro lado houve duas ocasiões nos pés do mesmo jogador, Dzyuba. Numa, o remate cruzado também passou muito perto do poste, e na outra foi o Ederson quem saiu aos pés do avançado e evitou o pior. À saída para o intervalo, as perspectivas eram as melhores: não só nunca passámos por nenhum sufoco, como a probabilidade do golo aparecer parecia ser igual para ambas as equipas, o que obviamente nos favorecia.

 

 

O segundo tempo não mostrou grandes mudanças logo no início, embora fosse já visível que era o Zenit quem agora conseguia ter mais posse de bola, mas depois do primeiro quarto de hora decorrido o cenário alterou-se bastante. Após uma dupla substituição operada pelos russos, a pressão destes aumentou e o perigo passou a rondar mais frequentemente a nossa baliza. Depois de algumas ameaças, a vinte minutos do final o golo chegou mesmo, quase a seguir à nossa primeira substituição (Jiménez no lugar do Mitroglou) e num lance em que pareceu haver uma falta clara cometida sobre o Nélson Semedo. Mas como não foi assinalada, o Zhirkov pôde progredir sem oposição até entrar na área e depois, já mesmo sobre a linha de fundo, centrar para a entrada de cabeça do Hulk já dentro da pequena área. Com o Zenit a chegar ao empate na eliminatória desta forma, isto podia ter sido um golpe capaz de abalar a confiança da equipa, mas isso não se verificou e a resposta surgiu quase de imediato. No seguimento de um canto o Lindelöf cabeceou a bola para o sítio certo, mesmo ao ângulo superior da baliza, só que o guarda-redes russo correspondeu com uma enorme defesa. O jogo voltava a ficar mais equilibrado, mas a grande oportunidade que se seguiu voltou a ser dos russos, quando o gigante Dzyuba resolveu arrancar com a bola por ali fora, deixando para trás todos os nossos jogadores que lhe saíram ao caminho até que o Ederson, que era o último obstáculo entre ele e o golo, conseguiu defender o remate. E a cinco minutos do final, numa altura em que o espectro do prolongamento já pairava, o Jiménez inventou um remate fantástico ainda de muito longe que levou a bola mais uma vez na direcção do cantinho superior da baliza. E mais uma vez o guarda-redes russo fez uma defesa fabulosa, só que desta vez fez a bola ir bater na trave e ressaltar para a frente da baliza, onde apareceu o Gaitán completamente à vontade a cabecear para o golo. A eliminatória ficava ali resolvida mas não o jogo, porque o Talisca, que tinha entrado já no período de descontos, ainda foi a tempo de, na primeira intervenção que teve e literalmente na última jogada da partida, aproveitar uma insistência do Gaitán pela zona central para tirar um adversário da frente e de pé direito marcar o golo da vitória.

 

 

Numa exibição muito personalizada e sólida da nossa equipa, o destaque maior vai para o regressado Fejsa, que foi um gigante no meio campo. Se dúvidas houvesse, o jogo de hoje só mostra o quanto o Benfica tem andado a perder com a sua indisponibilidade por lesão. Os miúdos Ederson e Lindelöf voltaram a mostrar que podemos contar com eles para o que der e vier, e o Samaris esteve praticamente impecável no centro da defesa - se calhar até melhor do que no meio campo, porque optou por jogar simples e limpar as jogadas, em vez de fazer daqueles passes de risco que ele por vezes resolve inventar. De resto, praticamente toda a equipa esteve num nível elevado, embora tenha sido visível o motivo pelo qual o Nélson Semedo não conseguiu recuperar a titularidade e é o André Almeida quem continua a merecê-la.

 

Aconteça o que acontecer daqui por diante, este é já um desempenho notável da nossa equipa nesta edição da Champions, ainda para mais tendo em conta todas as ausências e consequentes dificuldades para formar uma defesa para este jogo. Agora temos que mudar o registo e pensar no campeonato, pois segue-se a primeira das nove finais que temos para disputar. Depois de duas importantes e difíceis vitórias, a recepção ao Tondela tem que ser encarada com exactamente a mesma mentalidade desses dois jogos. O maior obstáculo que pode haver no caminho para o título somos nós quem o pode criar, se entrarmos num registo de excesso de confiança.

por D`Arcy às 04:13 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 06.03.16

Feito

Está feito. Sem gritarias, sem arrogância, sem faltas de educação ou de respeito. Com humildade, união, espírito de sacrifício e muito trabalho. À Benfica. 

 

 

Já sabíamos que o miúdo Lindelöf iria ter mais uma prova de fogo esta noite (se é que ele precisa de prestar mais alguma prova) mas pouco antes do jogo ficámos a saber da lesão do Júlio César, que implicava lançar o Ederson para a titularidade. Acredite quem quiser, mas não fiquei minimamente preocupado, e disse-o aos que me acompanharam nas bancadas de Alvalade. O Ederson tem dado sempre excelente conta de si sempre que foi chamado, e se formos ver bem as coisas, apesar do Júlio César ser um dos esteios da equipa, a verdade é que os jogos contra o Sporting nem foram dos que lhe correram melhor (teve peso na eliminação da taça, por exemplo). Aliás, confesso que já há muito tempo que não ia a Alvalade ver o Benfica sentindo-me tão tranquilo. Para além de uma inexplicável confiança de que iríamos sair de lá com um bom resultado (quanto maior a fanfarronice e as sucessivas faltas de respeito vindas daqueles lados, maior era a minha confiança), desde o empate do nosso adversário em Guimarães que praticamente deixei de me preocupar com este jogo. Simplesmente tinha a convicção de que mesmo em caso de derrota, face aos calendários de ambas as equipas até final, quatro pontos não seriam suficientes para o Sporting conseguir segurar a liderança. O jogo começou a ser jogado de forma relativamente aberta, o que até é habitual nestes jogos até que ambas as equipas encaixem uma na outra. Surpreendeu-me um pouco ver o que me pareceu ser uma maior insegurança do Sporting na defesa do que aquilo que esperava, já que logo nos instantes iniciais os defesas deixaram várias vezes passar bolas ou fugir os nossos jogadores, e revelando uma pouco usual permeabilidade pelo meio. Era notória a preocupação do William com as movimentações do Jonas, usando quase sempre até os braços para o agarrar em cada bola que disputava, mas hoje o Jonas revelou-se mais móvel do que tem sido habitual nestes jogos e por diversas vezes caiu para as faixas ou recuou muito no terreno para conseguir libertar-se e combinar com os colegas. A acção do Mitroglou na frente também era importante, ganhando bolas aos defesas e segurando-a para dar maior profundidade ao nosso jogo.

 

 

O jogo andou neste figurino durante a fase inicial, e achei mais uma vez que o primeiro golo seria determinante - na primeira volta o início de jogo também foi semelhante, e depois o nosso adversário marcou na primeira ocasião que teve e foi o que se viu. Mas durante esta fase do jogo o Benfica era a equipa mais perigosa e estava por cima no jogo, conseguindo ignorar e até controlar a euforia quase incontida com que os adeptos da casa encaravam este jogo, e por isso não me surpreendeu que fôssemos nós a conseguir esse importante primeiro golo, com vinte minutos decorridos. O lance começa no Jonas, que sobre a esquerda centra largo para o Pizzi. A defesa do Sporting consegue aliviar para a entrada da área, onde o Samaris tenta o remate de primeira. A bola bate no William e sobra para o Mitroglou, que se voltou mais rápido (enquanto o William foi para o chão) e na cara do Patrício fez aquilo que um matador sabe fazer. Um a zero para o Benfica. Pouco depois o Jesus fez uma alteração táctica, passando o Ruiz, que até então estava a jogar como segundo avançado, para a esquerda, o Bruno César para a direita, e colocando o João Mário mais no meio como apoio ao avançado. Com isto o Sporting começou a ter mais frequentemente superioridade numérica no meio campo, até porque hoje o Pizzi esteve muito mais preso à faixa direita, já que tinha que ter em atenção as subidas do Jefferson. O Sporting passou a ter mais bola e a jogar mais tempo no nosso meio campo, mas felizmente quase sempre sem conseguir criar grandes ocasiões de perigo frente a uma equipa quase sempre muito certinha a defender, que conseguia manter as linhas muito juntas e dar pouco ou nenhum espaço para o Sporting jogar entre a defesa e a linha média, e onde o miúdo Lindelöf chegava e sobrava para o melhor avançado do mundo e arredores que os malvados benfiquistas tentaram à viva força arredar deste jogo. A excepção a esta quase constante tranquilidade (e que excepção) surgiu a cinco minutos do intervalo, quando o Gaitán ficou a ver o Bruno César progredir à vontade pela direita e fazer um passe atrasado para a entrada da área, onde a bola acabou por sobrar para o Jefferson que atirou com estrondo à barra.

 

 

Na segunda parte o Benfica pareceu querer entrar mais ou menos como o tinha feito no início do jogo, e ainda teve um par de remates nos minutos iniciais, do Renato Sanches e do Gaitán, que não passaram longe do alvo, mas depressa se tornou evidente que a preocupação maior era mesmo jogar com segurança e manter a vantagem no marcador. Manter a maior parte da equipa atrás da linha da bola, a defesa organizada (mesmo sem o Luisão em campo, hoje a linha do fora de jogo esteve quase sempre bastante bem coordenada) e mesmo quando a bola era recuperada, sair para o contra-ataque com poucos jogadores. O Benfica recuou linhas, o Sporting instalou-se definitivamente no nosso meio campo, e a partir do primeiro quarto de hora desta segunda parte o Sporting teve a sua melhor fase no jogo, e consequentemente foi aquela em que passámos mais dificuldades. Foi nesse período que o Sporting teve as suas melhores ocasiões de golo na segunda parte, ambas nos pés do Ruiz. Na primeira, com a baliza completamente aberta e a dois ou três metros da linha de golo, atirou inacreditavelmente por cima. Muita sorte para o Benfica neste lance. Na segunda, tentou fazer a bola passar sobre o Ederson mas este evitou o golo com a ponta dos dedos. Foi por altura desta segunda ocasião, quando faltava pouco mais de um quarto de hora para jogar, que o nosso treinador trocou o Pizzi pelo Fejsa e começou a resolver o problema da superioridade do Sporting no centro do campo. Minutos depois o treinador do Sporting deu a machadada final quando fez uma dupla substituição, na qual trocou de laterais direitos mas, mais importante, retirou um médio (Adrien) para colocar um extremo (Gélson). O Sporting praticamente morreu nesse momento, pois o Benfica ganhou superioridade total no meio - pouco depois ainda a reforçámos, pois trocámos o Jonas pelo Salvio e passámos a jogar em 4-3-3. Daí até final, incluindo os cinco minutos de tempo adicional dados pelo árbitro, apenas num remate desferido bem de longe pelo João Mário é que o Sporting conseguiu dar alguma ideia de perigo e foi, pelo menos de forma aparente, extremamente fácil ao Benfica levar a vantagem no marcador até ao apito final.

 

 

Foi uma exibição muito solidária da nossa equipa, e uma vitória que exigiu muito trabalho. É certo que mostrámos muito pouco no ataque, mas para conseguir limitar as ocasiões de golo de uma equipa treinada pelo Jesus apenas às três que mencionei no texto foi preciso um grande trabalho. E apesar da equipa num todo estar de parabéns, o primeiro que quero destacar é o Ederson. Repito, não me senti minimamente intranquilo por saber que ele iria jogar, e no jogo confirmou que não tinha mesmo razões para tal. Esteve sempre seguríssimo, e começou nele esta vitória. Destaque também para a exibição dos nossos centrais, e em especial para o nosso puto sueco, que voltou a revelar uma frieza e lucidez impressionantes, boa colocação em campo e boa leitura do jogo. Acho que durante os noventa minutos deve ter tido um erro, em que falhou um cabeceamento. O Slimani praticamente não rematou à nossa baliza, e isso em muito se deveu à actuação da nossa dupla central. Menciono em mais uma crónica, e não me vou cansar de o fazer, o 'patinho feio' da nossa equipa, o Eliseu. Sim, não é um dos mais virtuosos do plantel. Mas dá sempre o que tem e o que não tem, e a sua experiência é cada vez mais importante. É benfiquista e sente a camisola. Para mim já merecia uma proposta de renovação. A dupla de avançados trabalhou muito, o Jonas não marcou mas ao contrário de outros jogos deste calibre, em que parece apagar-se, hoje esteve bastante em jogo, mesmo com a carraça do William a agarrar-se a ele o tempo todo. O Mitroglou teve a importância que já referi, e na altura certa mostrou o instinto de matador. Uma oportunidade, um golo. Não se lhe pode pedir mais. O Gaitán esteve apagado, tal como o Pizzi, ambos mais preocupados em fechar as alas e menos influentes pelo centro, como é mais habitual. O Renato Sanches foi importante na ocupação dos espaços e na batalha táctica no meio campo, mas perdeu-se demasiado em iniciativas individuais. O Samaris foi importante a destruir jogo e cortar linhas de passe, mas continua a ser demasiado perigoso nos passes que faz.

 

Com o Ederson, o Lindelöf e o Renato Sanches no onze, que não tiveram que nascer sequer duas vezes, quanto mais dez, fomos a casa do campeão auto-anunciado desde Julho passado conquistar a liderança e passar a ser a única equipa que agora depende apenas de si própria para conquistar o título. E fizemo-lo bem nas trombas do ordinário que anda a brincar aos presidentes de clube. Temos agora mais nove finais pela frente, que há que encarar com a mesma seriedade e humildade para que possamos, em Maio, ter mais uma vez a satisfação do dever cumprido.

 

P.S.- É algo que o Benfica já fazia a época passada, mas não deixa de merecer elogio a acção motivacional fantástica de preparar o balneário nos jogos fora para ficar como vemos na foto inicial que ilustra este post. Ninguém diria que se trata de um dos balneários do estádio de Alvalade.

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por D`Arcy às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Terça-feira, 01.03.16

Inequívoca

Foi a exibição possível frente a uma equipa do União que veio à Luz para jogar da forma mais retraída possível. Não sendo brilhante, o Benfica jogou no entanto mais do que o suficiente para vencer de forma inequívoca, devendo a si próprio (e ao guarda-redes do União) um resultado mais desnivelado.

 

 

O perigo de suspensão para o próximo jogo fez com que apresentássemos um onze algo diferente do habitual, no qual o André Almeida e o Renato Sanches cederam os seus lugares ao Nélson Semedo e ao Talisca. O único jogador em risco de exclusão que fez parte da equipa foi o Jardel, tendo ao seu lado o Lindelöf, que continua a manter a titularidade apesar da recuperação do Lisandro. Na esquerda da defesa, devido à suspensão do Eliseu, o Grimaldo teve a oportunidade de se estrear em jogos da liga. O jogo foi aquilo que se esperava, com um União ultra defensivo acantonado nos últimos trinta metros e que saía para o ataque com dois, no máximo três jogadores, e o Benfica a fazer a bola circular na tentativa de encontrar uma brecha naquela muralha defensiva. Felizmente aconteceu o melhor que podia acontecer num jogo assim, que foi marcar um golo cedo. Logo aos cinco minutos, um mau alívio da defesa do União a um livre marcado pelo Pizzi na esquerda fez a bola ir parar aos pés do Jonas, que no limite da área rematou sem deixar a bola cair para um bonito golo. A grande vantagem de um golo cedo num encontro em que o adversário só vem para defender é que evita o acumular do nervosismo à medida que o tempo corre e o nulo se mantém. Outra possível vantagem é obrigar o adversário a desmontar a estratégia defensiva, mas não foi esse o caso com o União, que se manteve a jogar exactamente da mesma forma, como se ainda estivesse empatado. O Benfica continuou o exercício de paciência, e nos minutos seguintes construiu diversas ocasiões claras de golo que poderiam ter permitido resolver desde logo o assunto. O Pizzi e o Mitroglou, por duas vezes cada, tiveram oportunidades claras para marcar, mas o guarda-redes do União acabou por resolver. União que, conforme disse, quase não atacava e quando o fazia era com dois ou três jogadores, mas mesmo assim ainda conseguiu criar uma ocasião de bastante perigo, numa bola colocada nas costas da nossa defesa, que obrigou o Júlio César a sair da área para cortar de carrinho perante um adversário isolado. Nos minutos finais da primeira parte o Benfica abrandou bastante o ritmo e quase se limitou a circular a bola lentamente entre os seus jogadores, sem criar grandes ocasiões - apenas me recordo de um cabeceamento do Pizzi já quase sobre o intervalo.

 

 

O ritmo lento manteve-se no regresso para a segunda parte, o que ao fim de algum tempo até levou a alguns sinais de impaciência por parte dos adeptos - apesar do controlo absoluto do jogo por parte do Benfica, a vantagem mínima deixava-nos sempre expostos a um qualquer azar que pudesse ocorrer, mesmo tendo em conta que o União conseguia agora ser ainda mais inofensivo no ataque do que o tinha sido durante a primeira parte. A posse de bola do Benfica deve ter andado por valores à volta dos 70% ou ainda superiores, mas faltava-nos velocidade para desorganizar o amontoado de jogadores do União em redor da sua área, e por isso, ao contrário do que tinha sucedido na primeira parte, não estávamos a ser capazes de criar ocasiões de golo. Melhorámos um pouco nesse aspecto na segunda metade desta parte, sobretudo depois do nosso treinador ter decidido retirar finalmente o Talisca do jogo, substituindo-o pelo Salvio e passando o Pizzi para o centro. Houve também mais envolvimento ofensivo do Néslon Semedo e do Grimaldo, e o Benfica carregou mais na busca do golo da tranquilidade. Que surgiu a um quarto de hora do final, pelo inevitável Jonas. Na jogada anterior o guarda-redes do União tinha conseguido negar, de forma incrível, o golo ao Mitroglou, com uma defesa por instinto para canto. Na sequência do mesmo, novo remate do Mitroglou, mas desta vez um desvio subtil do Jonas tirou a bola do caminho do guarda-redes. Com a vitória praticamente assegurada, foi então possível gerir tranquilamente o jogo até final - o único risco foi mesmo que não havia nenhum defesa central no banco que permitisse retirar o Jardel do campo. Houve apenas um sobressalto, quando um jogador adversário conseguiu ficar completamente isolado, mas complicou demasiado na hora de rematar e acabou desarmado à entrada da área.

 

 

O Jonas foi inevitavelmente o homem do jogo, com mais dois golos - o primeiro foi muito bom - que decidiram o jogo. O Lindelöf voltou a mostrar grande sobriedade e segurança na defesa nas poucas vezes que teve que intervir. É um defesa que joga simples e não complica nada, e acima de tudo é isso que se lhe pede nesta fase. Também me agradou a exibição do Pizzi, embora me irrite o facto de parecer ter desaprendido a marcar cantos. O Grimaldo fez um jogo em crescendo, nada de muito brilhante mas parecendo ganhar confiança à medida que os minutos passavam. Mas neste momento parece-me claro que o Eliseu é o dono do lugar. O Nélson Semedo ainda está com notória falta de ritmo. O Gaitán foi muito pouco influente neste jogo, e dele espera-se sempre algo especial. O pior mesmo, para mim, foi o Talisca, que jogou a um ritmo excessivamente pausado e não pareceu mostrar grande empenho.

 

Reduzimos a diferença para o topo da tabela para um ponto, e no próximo jogo teremos a oportunidade para disputar essa posição. O Benfica é neste momento uma equipa muito diferente daquela que, na fase inicial da época, tão má imagem deixou, pelo que me parece legítimo acalentar esperanças que possamos conquistar um resultado que nos deixe em aberto todas as possibilidades de continuarmos a defender o título que nos pertence. Haja atitude e brio para lutar por esse objectivo, e deixar orgulhosos os benfiquistas que não deixam de acreditar nesse objectivo - e que hoje voltaram a marcar presença significativa na Luz.

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por D`Arcy às 02:23 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 22.02.16

Sólida

Uma primeira parte menos conseguida do Benfica fez com que a vitória fosse uma tarefa mais difícil de concretizar do que o esperado, frente a um Paços de Ferreira bem organizado e que deu bastante luta.

 

 

Uma única alteração no onze que tinha derrotado o Zenit, com a troca do lesionado Gaitán pelo Carcela. O Lisandro continua lesionado, portanto o jovem Lindelöf manteve a titularidade no centro da defesa, ao lado do Jardel. Ao fim dos primeiros minutos já dava para perceber que a nossa tarefa não seria fácil, porque se por um lado o Benfica parecia não estar a conseguir colocar muita velocidade no jogo, por outro a dificuldade em fazê-lo parecia também ser bastante por culpa do Paços, que se mantinha sempre muito bem organizado atrás da linha da bola, com os seus jogadores a ocuparem muito bem os espaços no campo, e depois conseguindo frequentemente sair bem e com velocidade para o contra-ataque. Mas de repente as coisas até começaram a parecer mais facilitadas, pois praticamente na primeira vez que o Benfica chegou com perigo à baliza do Paços, o Mitroglou marcou, concluindo uma jogada entre o Carcela e o Jonas, que incluiu um toque de calcanhar deste último. Provavelmente o jogo da Champions terá tido alguma influência, mas o Benfica desta vez não pareceu muito interessado em exercer um domínio avassalador e carregar sobre a baliza adversária mesmo depois de alcançada a vantagem, e as ocasiões de golo continuaram a escassear. Apenas aos vinte e dois minutos voltámos a levar perigo à baliza do Paços, num bom remate de fora da área do Renato Sanches, que obrigou o guarda-redes a defender para canto. Na sequência do mesmo, contra-ataque do Paços conduzido exclusivamente pelo Diogo Jota, que só acabou com a bola dentro da nossa baliza. Nenhum dos nossos jogadores envolvidos no lance ficaram bem na fotografia: o Lindelöf deixou-se ultrapassar com demasiada facilidade, o Eliseu encolheu-se e não meteu o pé, e o Júlio César estava mal posicionado, pois ficou tão adiantado que foi com naturalidade que o jogador do Paços fez a bola passar-lhe por cima (ainda ele estava a preparar o remate e já eu estava a antecipar o golo). O empate veio complicar mais o cenário, que se mantinha tal como no início: dificuldades do Benfica para desposicionar o Paços, e estes a saírem sempre que possível bem no contra-ataque - por mais de uma vez conseguiram chegar perto da nossa área em superioridade numérica. No período de descontos, o árbitro assinalou penálti sobre o Jonas depois de uma iniciativa individual do mesmo, e o melhor marcador do campeonato não desperdiçou, levando-nos a vencer para o intervalo.

 

 

Foi um Benfica diferente para melhor que regressou do intervalo, e que foi à procura do golo da tranquilidade, colocando-se a salvo de mais alguma surpresa. Houve mais insistência no jogo pelas faixas, com os laterais a envolverem-se mais no ataque, e com o Pizzi bastante activo na zona central. E não foi preciso muito tempo (apenas doze minutos) para que esse golo surgisse, na sequência de um livre lateral marcado pelo Pizzi. O Jardel ganhou a primeira bola nas alturas e colocou de cabeça para que o Lindelöf, sobre a pequena área, atirasse para o fundo da baliza. Para um miúdo que foi atirado às feras há um par de semanas atrás, esta deve ter sido uma semana para recordar: estreia na Champions League e, quatro dias depois, primeiro golo pelo Benfica. E o Benfica continuou a carregar depois do golo, construindo ocasiões mais do que suficientes para dilatar o resultado. Mas faltou melhor finalização em algumas dessas situações, e noutras houve excesso de individualismo - contei pelo menos duas em que bastaria aos nossos jogadores terem feito o passe para o Jonas, que estava isolado no meio da área, mas em vez disso preferiram tentar o remate de ângulo apertado. Como o jogo parecia mais ou menos resolvido, deu para dar mais alguns minutos de jogo ao Salvio e ao Nélson Semedo, e esperava também que o Benfica aproveitasse para forçar o quinto amarelo aos jogadores que estão em risco de exclusão, mas isso não aconteceu com todos. O André Almeida até acabou por sair em dificuldades físicas, o Eliseu forçou claramente o amarelo e conseguiu-o, mas estranhamente o Renato Sanches nada fez por isso. Pode ser um risco, até porque a forma como ele joga o expõe normalmente ao risco de ver cartões, mas foi esta a estratégia escolhida. Ainda antes do final, tempo para o Júlio César com duas intervenções se redimir do golo sofrido, a segunda das quais uma excelente defesa a um bom remate do inevitável Diogo Jota - não sei se ele estará mesmo já contratado pelo Benfica, mas se está então o jogo de ontem confirmou que foi uma boa aposta.

 

 

Não encontro grandes destaques individuais para fazer na nossa exibição. O Jonas e o Pizzi foram importantes na melhoria do nosso jogo na segunda parte, o Mitroglou também não esteve mal, mas regra geral toda a equipa esteve bastante homogénea em termos das exibições individuais.

 

Foi mais uma vitória importante, como todas o são. Não tendo tido a exuberância de triunfos anteriores, ainda assim a equipa exibiu-se de forma sólida na segunda parte e venceu de forma inequívoca um adversário complicado. Temos agora um período um pouco mais alargado de recuperação para recebermos um adversário que no jogo da primeira volta, de forma inesperada (e muito por culpa nossa) nos tirou pontos. É por isso importante manter os níveis de concentração mesmo perante adversários que pareçam teoricamente mais acessíveis.

por D`Arcy às 02:25 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 17.02.16

Justa

Uma boa reacção ao mau resultado no último jogo e uma vitória justa, mesmo que arrancada no último suspiro do jogo, sobre o Zenit no regresso à Champions.

 

 

Apresentando um onze sem qualquer surpresa, o Benfica foi sempre a equipa que mais procurou a vitória, frente a um Zenit que pareceu mais preocupado em levar da Luz um nulo do que em obter um sempre valioso golo fora de casa. Apesar de só a vitória interessar o Benfica nunca se lançou deliberadamente ao ataque, o que me pareceu natural dado que se tratava de um jogo da Champions League, onde os erros defensivos normalmente se pagam muito caro. As nossas saídas para o ataque foram quase sempre feitas de forma racional e cautelosa, pelo que os desequilíbrios foram raros. Frente a um Zenit mais preocupado com a segurança defensiva e que atacava quase sempre com pouca gente (praticamente apenas com os três jogadores mais adiantados) isto resultou numa primeira parte monótona, com o Benfica a ter muito mais posse de bola mas em que os dedos de uma mão chegam e sobram para contar o número de ocasiões de golo das duas equipas juntas. A postura das equipas não só se manteve como se acentuou na segunda parte, e ainda mais à medida que o final do jogo se foi aproximando. Creio que contei apenas um remate do Zenit feito na direcção da baliza, enquanto que o Benfica foi aproveitando a quebra física dos russos para carregar mais na procura de um golo que parecia mesmo que não iria surgir, sobretudo depois do Gaitán desperdiçar aquela que até à altura foi a melhor ocasião de golo de todo o jogo. Foi já em período de descontos que na sequência de um livre (que custou a expulsão por acumulação de amarelos do lateral esquerdo do Zenit, Criscito) marcado pelo Gaitán, o Jonas apareceu no meio da área, num cacho de jogadores, a cabecear para o merecido golo, com a bola a entrar bem junto do poste. Até final ainda deu tempo para o Benfica voltar a ameaçar num bom remate do Samaris, que obrigou o guarda-redes a uma defesa mais apertada.

 

 

Creio que merece destaque a exibição do jovem Lindelöf no centro da defesa. Tem correspondido desde que foi chamado a assumir a titularidade e hoje, num jogo da Champions, não tremeu e terá feito o seu melhor jogo pelo Benfica até agora. Isto quando teve quase sempre que travar uma luta algo desigual com o gigante Dzyuba. Uma boa indicação, até porque terá que jogar a segunda mão, já que o Jardel estará suspenso e certamente que ainda não haverá Luisão. Quero mencionar também o jogo que o Eliseu fez, ate porque não sendo um portento de jogador ainda assim acho sempre que leva muito mais 'porrada' dos benfiquistas do que aquela que merece. Hoje esteve praticamente impecável e conseguiu controlar sem grandes problemas o Hulk, que seria em teoria o jogador mais perigoso para nós. Não sei se terá sido ultrapassado uma única vez. Depois, nos mais habituais, há sempre espaço para mencionar o Renato Sanches, que continua a ser o pulmão da equipa.

 

Uma vitória por 1-0 em casa é um bom resultado na Champions. Evitámos conceder um sempre comprometedor golo em casa, e partimos para o segundo jogo em vantagem e sabendo que se marcarmos um golo na Rússia tornaremos a tarefa muito complicada ao Zenit. E tendo em conta a apetência que a nossa equipa tem para marcar golos, não parece de todo improvável que o consigamos fazer. Por agora, é tempo de nos focarmos no campeonato e voltarmos a mostrar que o que aconteceu da última jornada não passou de um jogo menos feliz.

 

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por D`Arcy às 01:00 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 12.02.16

Inacreditável

Sofremos uma derrota difícil de digerir, mas a verdade é que num jogo de extrema importância acabámos por falhar demasiadas vezes, e isso normalmente paga-se caro. 

 

 

O jogo pode resumir-se ao inacreditável número de ocasiões flagrantes de golo falhadas pelo Benfica num lado do campo (já goleámos em vários jogos em que tivemos menos ocasiões do que hoje) e a ofertas inadmissíveis do outro lado do campo, que permitiram que o Porto em três ou quatro ocasiões marcasse dois golos (não me recordo de uma defesa digna desse nome por parte do Júlio César). E nem foi tanto pelo inexperiente Lindelöf que cedemos - no primeiro golo houve uma inaceitável passividade, onde ninguém saiu ao encontro do jogador do Porto, que teve todo o tempo do mundo para à entrada da área preparar o remate e escolher onde queria colocar a bola, e no segundo quem falhou grosseiramente foi o Jardel. Falhámos também, a meu ver, nas substituições feitas, porque tenho dificuldades em compreender as entradas do Talisca e do Salvio, que há nove meses que não jogava, enquanto que, por exemplo, o Gaitán permaneceu os noventa minutos em campo em claro sub-rendimento. Nem consigo criticar muito a equipa porque jogaram o suficiente para vencer - mesmo numa segunda parte de qualidade bastante inferior à primeira, ainda assim bastaria termos concretizado uma das ocasiões claras que criámos para que o resultado fosse diferente - mas num momento crucial faltou-nos frieza e maior concentração para conseguirmos dar um passo que poderia ser muito decisivo na luta pelo título.

 

Enfim, hoje foi um daqueles jogos em que as coisas não correm tão bem, e se calhar neste momento ainda poderíamos andar a fazer tiro ao boneco ao Casillas que a bola continuaria a não entrar. Foi um revés, mas nada está perdido e há que continuar no rumo traçado sem perder a cabeça. Dessa forma, depressa regressaremos aos bons resultados.

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por D`Arcy às 23:46 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Sábado, 06.02.16

Atropelamento

Mais um jogo, mais uma goleada, a juntar às muitas que o Benfica tem coleccionado desde que entrou nesta sequência impressionante de vitórias. Desta vez a vítima do atropelamento foi o Belenenses, que em sua própria casa pouco conseguiu fazer para evitar nova derrota pesadíssima frente ao Benfica.

 

 

Na constituição do onze a dúvida prendia-se com a escolha de quem actuaria ao lado do Jardel no centro da defesa. Foi a escolha óbvia: Lindelöf. É jovem e tem pouca experiência na primeira liga, mas é quem está disponível e não vale a pena inventar adaptações. Sobre o jogo, escreverei o que conseguir já que o vi praticamente ao nível do relvado, algo a que não estou habituado e que me dificulta conseguir perceber bem tudo o que se vai passando. Duas coisas foram visíveis logo de entrada: o Benfica foi para cima do Belenenses, como se esperava, e o Belenenses nunca tentou fechar-se na defesa e jogar para o pontinho - o seu treinador cumpriu portanto aquilo que tinha prometido na antevisão. Tentou jogar o jogo pelo jogo e nunca desistiu de procurar chegar ao golo. O Benfica poderia ter chegado à vantagem logo no primeiro minuto de jogo, mas o Gaitán falhou a ocasião de forma quase inacreditável, rematando ao lado da baliza quando apareceu completamente à vontade no interior da área depois de receber um passe do Pizzi. O Benfica cedo se instalou no meio campo adversário, enquanto que o Belenenses tentava responder sobretudo através de lançamentos longos para as costas da nossa defesa, pelas alas. Apesar do domínio territorial do Benfica, remates propriamente ditos à baliza não eram muitos na fase inicial, sobretudo porque o Benfica tentava tabelas ou mais um passe na zona central, que acabava interceptado. Por outro lado, a pressão alta do Benfica provocava erros na defesa do Belenenses quando tentava sair a jogar para o ataque. Da parte do Benfica parecia haver bastante confiança (às vezes quase a roçar a sobranceria) de que o golo acabaria inevitavelmente por aparecer, o que se veio a confirmar a quatro minutos do descanso. Depois do Renato Sanches progredir com a bola pelo centro (uma das muitas vezes que o fez durante o jogo), soltou-a para o Pizzi na direita, que centrou para o cabeceamento certeiro do Mitroglou, de cima para baixo, contando com a colaboração do guarda-redes Ventura (o Rúben Pinto, que de forma algo surpreendente estava a jogar a central, não conseguiu o corte de cabeça). O golo dava justiça ao resultado e reflectia o domínio do Benfica no jogo, mas tendo em conta aquilo que se tem passado nos últimos jogos, era previsível que depois de obtido o primeiro a equipa não parasse por ali.

 

 

A segunda parte começou como a primeira, com uma boa oportunidade para o Benfica, mas o remate do Pizzi foi na direcção do guarda-redes. Depois disso o Belenenses pareceu querer responder e durante alguns minutos andou perto da nossa baliza, tendo ameaçado após uma asneira do Jardel resolvida a custo pelo Júlio César, e depois num bom remate do Miguel Rosa. Mas aos oito minutos o Benfica chegou ao segundo golo e praticamente sentenciou o jogo. Bola recuperada pelo Renato ainda no nosso meio campo, seguiu para o Gaitán, e dele para o Jonas, que dentro da área tirou um adversário da frente com uma finta de corpo e rematou em arco e com muito jeito para o poste mais distante, Belíssimo golo. Cinco minutos depois, novo golo, desta vez do Mitroglou, mais uma vez com o Renato no início da jogada, a progredir pela esquerda, bola para o outro lado no Pizzi, que dentro da área evitou os defesas e cruzou rasteiro para que o grego empurrasse para a baliza. Estava visto que vinha aí nova goleada, mas como disse no início o Belenenses nunca se entregou e teve duas ocasiões quase seguidas para reduzir a diferença. Primeiro o Miguel Rosa atirou ao lado após uma intercepção falhada do Lindelöf (única falha que teve em todo o jogo), e a seguir o Júlio César brilhou ao defender um livre do Carlos Martins e ainda a recarga (embora o jogador do Belenenses estivesse em fora de jogo, assinalado). O jogo continuou a ser disputado numa toada bastante aberta, e a um quarto de hora do final o Mitroglou chegou ao hat trick. Erro de um defesa do Belenenses, que deixou escapar uma bola para o Gaitán e o argentino, de calcanhar, deixou ao Mitroglou a tarefa simples de finalizar em frente ao guarda-redes. Nesta altura já o Benfica tinha trocado o Eliseu pelo Sílvio, protegendo-o de um amarelo que o deixaria de fora do próximo jogo. Minutos depois foi a vez do Pizzi dar o lugar ao Carcela, que entrou bastante activo e acabou mesmo por, já nos instantes finais, oferecer mais um golo ao Jonas, depois de combinar com o André Almeida na direita e conseguir o passe atrasado já sobre a linha de fundo.

 

 

Depois de um jogo destes é fácil fazer destaques, e o maior terá que ser para o jogador que marcou três golos. Mas o Mitroglou fez mais do que marcar, pois jogou e fez jogar os colegas, segurou a bola quando era preciso, progrediu com ela, solicitou colegas e até mostrou pormenores técnicos que pouco lhe são vistos. Foi sem qualquer dúvida o melhor jogo que fez desde que chegou ao Benfica. Depois há destaques que já se começam a tornar quase rotina: o Pizzi, com mais duas assistências para golo, o Jonas com mais dois golos e também, e muito, o Renato Sanches. Impressionante o raio de acção do seu jogo, parece estar sempre em todo o lado, e é sempre fantástico ver a forma como consegue progredir em velocidade (e força) com a bola nos pés. Não foi por acaso que teve intervenção directa nos três primeiros golos do Benfica - é um jogador fantástico e infelizmente duvido que o consigamos segurar no Benfica por muito tempo. Menção também para um bom jogo do André Almeida (o regresso do Nélson Semedo à competição e consequente luta pela titularidade parecem tê-lo motivado a ser mais interventivo no ataque) e para o estreante a titular Lindelöf. Fez um jogo quase sempre seguro (conforme disse, registei-lhe apenas uma falha) e não foi por ali que a equipa tremeu - aliás, falhou mais vezes o mais experiente Jardel.

 

O Benfica atravessa sem qualquer dúvida o seu melhor momento da época, quer em termos exibicionais, quer nos níveis de confiança. E a equipa parece continuar ainda a crescer, pois faz um bom jogo e no jogo seguinte consegue superar-se a si própria e fazer ainda melhor (no início desta época nunca pensei que pudesse ver esta equipa jogar desta forma). É a altura certa para desafios mais difíceis como o serão certamente Zenit e Porto. Espero que, com o incansável apoio da onda vermelha (que hoje no Restelo disse mais uma vez 'presente'), consigamos prolongar esta série fantástica.

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por D`Arcy às 13:52 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 01.02.16

Superioridade

Não há dois jogos iguais, mas a superioridade do Benfica em mais um encontro frente ao Moreirense foi novamente incontestável, e a goleada saiu outra vez de forma muito natural. Pode não ter sido um jogo tão fácil como o da Taça da Liga tinha sido, mas voltou a ser mais um passeio do Benfica por Moreira de Cónegos, com quatro golos lindos que resultaram de quatro jogadas de equipa em bola corrida.

 

 

Houve apenas uma alteração no onze que tem sido mais habitual nos últimos jogos do campeonato. Com o regresso do Gaitán alguém teria que sair, e foi o Carcela. O Nélson Semedo pode já estar recuperado mas o André Almeida não quer ceder o seu lugar sem luta, e o Samaris tenta aproveitar a ausência do Fejsa no meio campo. A entrada do Benfica no jogo foi fortíssima, rapidamente remetendo o Moreirense para o seu meio campo e limitando o adversário a tentativas de saída para o ataque através de pontapés longos para os jogadores mais adiantados. O Benfica apresentou o carrossel habitual no ataque, com deambulações e trocas de posição constantes do Jonas, Pizzi e Gaitán, e com o Renato Sanches muito activo a preencher os espaços. A boa entrada foi recompensada aos dezasseis minutos, com o golo do Jonas. O Samaris libertou o Pizzi na direita, que centrou para a entrada fulgurante de cabeça do nosso goleador. Depois de alcançada a vantagem, o Benfica abrandou um pouco e então lá se viu um pouco mais de Moreirense no jogo, mas sempre com o Benfica a aparentar ter o jogo completamente sob controlo. Houve um ou outro lance mais apertado, o Júlio César ainda teve que se aplicar num lance, mas sobre o intervalo foi o Benfica quem, com muita naturalidade, aumentou a vantagem. Mais um golo bonito, no qual o Renato progrediu pelo meio com a bola, solicitou o Eliseu na esquerda, e o centro deste mesmo no limite for rematado de primeira pelo Mitroglou, que voltou a fuzilar a baliza adversária. Depois do golo de calcanhar na última jornada, mais um bonito golo do nosso avançado grego.

 

 

Na segunda parte a toada manteve-se, ou até se agudizou, porque o Benfica pareceu estar mesmo interessado em congelar o jogo e gerir o esforço. O Moreirense tentava chegar ao golo que relançasse o resultado e ameaçava quase sempre pelo mesmo jogador, o Iuri Medeiros. O Benfica dava a impressão de estar simplesmente a deixar correr o tempo, e que em qualquer altura poderia acelerar e dar a estocada final - mesmo que o Moreirense, por acaso, tivesse chegado ao golo, a ideia com que fiquei foi que isso de forma alguma faria abanar a equipa, e esta rapidamente voltaria a pegar no jogo e a resolvê-lo. Prova disso a lesão do Lisandro, que forçou a sua saída - entrou o Lindelöf para o seu lugar e não se notou qualquer tipo de abanão no Benfica com a presença do jovem sueco na defesa. Mas nem foi preciso preocuparmo-nos, porque a meio da segunda parte, e em mais uma jogada brilhante, desta vez entre o Pizzi e o Jonas, o Benfica fez o terceiro golo e matou o jogo. Para além das trocas de bola entre os jogadores, muito bonita também a frieza do Jonas na cara do guarda-redes e a forma como o evitou para depois rematar para a baliza deserta. O Benfica passou então a jogar perfeitamente à vontade e a um quarto de hora do fim chegou ao quarto golo. O Gaitán tinha marcado dois a meio da semana e não quis passar este jogo sem voltar a marcar, o que conseguiu em mais uma jogada muito bonita, na qual o Jonas deu o toque final para que ele entrasse pelo centro e, em frente ao guarda-redes, finalizasse de forma fácil, de trivela. Só foi pena o golo concedido já no período de descontos, inevitavelmente marcado pelo Iuri Medeiros, que deve ter feito 90% dos remates do Moreirense.

 

 

Destaques para alguns dos suspeitos do costume. Jonas, com dois golos e uma assistência e a habitual importância das suas movimentações em zonas mais recuadas e combinações com os colegas. O Pizzi, que continua a jogar como nunca o tinha visto fazer, que desta vez não marcou mas fez duas assistências e voltou a ser um dos motores da equipa. E por falar em motores, o Renato Sanches foi também um deles no meio campo. Continua a ter algumas perdas de bola, mas recupera ainda mais e o saldo é francamente positivo, até porque ele é um dos jogadores que actua sempre em alta rotação e está constantemente a proporcionar linhas de passe no meio campo. No geral, toda a equipa me pareceu ter actuado a um bom nível.

 

A sequência de bons jogos continua. Mais do que as vitórias, o que me dá confiança é ver agora a equipa a praticar um futebol que nunca vi nos primeiros meses do Rui Vitória no cargo. Mesmo que eventualmente voltemos a ter um mau jogo (espero que não) sei aquilo que a equipa pode produzir. Esta é uma equipa completamente transfigurada daquela que vimos no início da época, e sempre que conseguir apresentar esta qualidade de jogo, será muito difícil não vencer.

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por D`Arcy às 01:33 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quarta-feira, 27.01.16

Passeio

Era um jogo decisivo para decidir a passagem às meias-finais da Taça da Liga, e acabou por ser um autêntico passeio em Moreira de Cónegos. O Benfica goleou por seis a um, e conseguiu fazê-lo deixando uma imagem de tremenda facilidade, de tal forma que se pensarmos no jogo e nas ocasiões que o Benfica ainda assim desperdiçou, se calhar não seria chocante se tivéssemos chegado aos nove ou dez golos.

 

 

Como seria de esperar, muitas trocas na equipa, com apenas três jogadores a manterem a titularidade: Jardel, Samaris e Renato Sanches. Oportunidade também para dar minutos aos recém recuperados Nélson Semedo e Gaitán. O Benfica pareceu abordar o jogo de início de forma bastante descontraída, sem forçar muito o andamento, mas depois revelou-se mortífero e extremamente eficaz. No curto espaço de oito minutos, entre os doze e os vinte, já o jogo ficava resolvido com três golos de rajada. Primeiro num penálti marcado pelo Talisca, a punir uma falta sobre o Gonçalo Guedes; dois minutos depois novamente o Talisca, num remate de primeira a aproveitar um mau alívio de um defesa pressionado pelo Gaitán; e finalmente uma obra de arte do Gaitán a concluir uma jogada iniciada no Gonçalo Guedes, que passou pelo Talisca, e terminou com o mago argentino a passar pela defesa toda do Moreirense, guarda-redes incluído, e praticamente a entrar pela baliza dentro com a bola. O Moreirense ainda reduziu, mas à meia hora de jogo o Jiménez repôs a diferença, depois de pressionar um defesa e ganhar-lhe a bola, para depois fazer um chapéu ao guarda-redes. Mesmo sobre o intervalo, o Gaitán atirou uma bola à barra. Na segunda parte o Benfica apostou sobretudo em gerir o resultado e a poss de bola, o que conseguiu fazer com bastante facilidade. Mesmo assim, deu para ir criando ocasiões de golo flagrantes que seriam suficientes para construir um resultado ainda mais dilatado. Os dois médios foram substituídos e poupados a mais esforços, deu para estrear o Grimaldo (mostrou ter vocação ofensiva) e na fase final do jogo acelerámos um bocadinho e chegou-se a uma verdadeira goleada. Aos oitenta e três minutos o Talisca assinou outro grande momento no jogo, chegando ao golo num grande remate cruzado, ainda de fora da área. E sobre o apito final o Gonçalo Guedes fugiu pela direita, ganhou a linha de fundo, e fez o passe atrasado para o Gaitán marcar de pé direito.

 

 

Os maiores destaques do jogo são obviamente para o Talisca, que independentemente do hat trick aproveitou muito bem o espaço que teve para se assumir como organizador de jogo, quer quando jogou como segundo avançado, quer quando recuou para o meio campo, e para o Gaitán, que marcou dois, deixou inúmeros pormenores da sua classe, e se não tivesse entrado num registo de algum relaxamento e vontade em jogar para o espectáculo talvez pudesse também ter pelo menos marcado tantos golos como o Talisca. O Nélson Semedo parece estar a recuperar a forma, e o Gonçalo Guedes, apesar de algumas coisas lhe continuarem a sair mal (e foi notória a sua frustração quando isso acontecia) ainda assim conseguiu ficar directamente ligado a três dos golos - fiquei particularmente satisfeito com a jogada do último golo. Parece-me que fica a ganhar quando pode jogar com o Nélson Semedo na lateral direita.

 

O apuramento para as meias-finais foi conseguido de forma brilhante, e agora resta repetir a fórmula frente a este mesmo adversário já no próximo domingo. Por muita satisfação que este resultado nos dê, a verdade é que também poderá ser perigoso para nós se de alguma forma se reflectir num excesso de confiança da nossa equipa para esse jogo. O jogo desta noite já é passado, agora é preciso encarar o próximo com a máxima concentração para evitarmos surpresas.

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por D`Arcy às 01:37 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 24.01.16

Consistente

Mais uma vitória tranquila e indiscutível para o Benfica, num jogo em que o vencedor começou a ficar determinado muito cedo, o que terá talvez até contribuído para uma segunda parte algo relaxada demais da nossa equipa.

 

 

A lesão do Fejsa, que foi dos jogadores em melhor forma nos últimos jogos, significou o regresso do Samaris ao onze. O outro grego do plantel reconquistou a titularidade na frente de ataque, relegando o Jiménez para o banco. Dificilmente o jogo poderia ter começado de melhor forma para o Benfica, que logo no terceiro minuto se colocou em vantagem. Aproveitando da melhor forma um toque de cabeça do Jonas, o Pizzi surgiu na zona frontal da área a rematar de primeira para fazer o golo. O Benfica apresentou o futebol que tem sido habitual ultimamente, com os dois extremos, o Jonas e o Renato Sanches a darem bastante dinâmica na zona do meio campo, em especial o Pizzi, que parece jogar com grande liberdade para vaguear pelo campo. Hoje também achei que os nossos laterais estiveram mais participativos no jogo ofensivo da equipa, e que o André Almeida pareceu estar bastante confiante. O regresso do Nélson Semedo deve estar a espicaçá-lo para manter a titularidade.  Benfica manteve a pressão sobre o Arouca, e acabou por chegar ao segundo golo aos dezanove minutos. Na sequência de um canto do Pizzi, toque de cabeça do Lisandro e depois o Mitroglou, à boca da baliza, finalizou com um toque de calcanhar. Apanhando-se a vencer por dois golos tão cedo, pareceu-me que os nossos jogadores resolveram relaxar. Mantivemo-nos sempre claramente por cima no jogo, e mais perto do terceiro golo, mas os nossos jogadores começaram a apostar mais em iniciativas individuais ou em enfeitar demasiado as jogadas. O momento mais perigoso foi já perto do intervalo, numa iniciativa individual do Jonas, que ultrapassou vários adversários mas depois viu o Bracali negar-lhe o golo com o pé.

 

 

A reentrada na segunda parte não foi a melhor. Ainda tivemos duas situações logo a abrir em que poderíamos ter dado a machadada final no jogo, pelo Mitroglou e o Jonas, mas o primeiro rematou à figura do guarda-redes e o segundo fez a bola tirar tinta ao poste. Mas depois disso pareceu-me mesmo que a atitude reinante na maior parte dos jogadores apontava mais para a gestão do esforço e do resultado, o que acabou por permitir ao Arouca ter a sua melhor fase no jogo, com mais posse de bola e até algumas situações de perigo, que não resultaram em males maiores por deficiente finalização dos seus jogadores. Claro que o maior balanceamento do Arouca para o ataque deixava muito mais espaço atrás, que os nossos jogadores podiam aproveitar para criar perigo. A vinte e cinco minutos do final assistimos ao regresso do Gaitán, que praticamente na primeira intervenção que teve deixou o Mitroglou isolado em frente ao guarda-redes. O grego permitiu a defesa, mas na embrulhada que se seguiu o Jonas acabou por ser o último a empurrar a bola para a baliza, dando ainda mais descanso ao Benfica. O jogo pouco mais história teve depois disso, a não ser o Benfica a desperdiçar ocasiões para dilatar ainda mais a vantagem, quer por má finalização, quer por más opções do jogador que transportava a bola (quase sempre insistência em acções individuais). O Mitroglou e o Talisca voltaram a desperdiçar, ocasiões isolados à frente do guarda-redes (começa a ser preocupante a quantidade de vezes que os nossos jogadores conseguem desperdiçar este tipo de lances) mas acabou por ser o Arouca, já em período de descontos, a marcar. Foi depois de um canto, em que o Lisandro foi batido pelo ar por um dos centrais adversários. Podia ter sido uma goleada, acabou por ser uma vitória tranquila mas por uma margem que no final até acabou por me saber a pouco.

 

 

Não achei que tivessem havido exibições que se pudessem considerar brilhantes da parte dos nossos jogadores, mas no geral estiveram quase sempre bem. O Pizzi voltou a fazer um jogo positivo e a ser decisivo, tal como o Jonas, embora este tivesse estado um pouco menos feliz na finalização do que é habitual. Gostei bastante do Carcela, que esteve inclusivamente bastante activo em tarefas de auxílio à defesa. O André Almeida teve um jogo bastante conseguido, quase sempre seguro a defender (a excepção foram mesmo os minutos iniciais, em que teve alguma dificuldade em acertar a marcação ao adversário directo) e confiante a atacar. O Mitroglou marcou um golo mas podia, à vontade, ter acabado o jogo com uns três marcados.

 

A equipa continua a sua sequência de bons resultados e a apresentar um futebol bem mais consistente, que me deixa com mais confiança para o futuro. Atenções agora voltada para o Moreirense, que defrontaremos duas vezes seguidas fora. Espero que consigamos garantir a passagem às meias finais da Taça da Liga (quero mesmo voltar a conquistá-la) e mantermo-nos colados ao topo da tabela no campeonato.

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por D`Arcy às 01:08 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quarta-feira, 20.01.16

Mínimos

Mínimos alcançados, vitória conseguida sobre um Oriental que deu uma bela réplica e agora podemos ir para o último jogo dependendo apenas de nós próprios para continuar a defender o troféu que detemos e dominamos.

 

 

Apenas dois jogadores do último onze se mantiveram a titulares, Lisandro e Carcela, numa equipa onde o Nélson Semedo regressou à competição. Ederson, Lindelöf, Sílvio, Samaris, Talisca, Gonçalo Guedes, Djuricic e Mitroglou completaram as escolhas para este jogo. Sobre o qual há pouco a dizer. Foi um jogo de muita luta e pouco futebol, condicionado pelo mau estado do terreno, e no qual foi necessário ao Benfica adaptar o seu futebol a um estilo mais próximo daquele que se joga na segunda liga. Foi por isso um jogo quase sempre muito repartido em que o Benfica ia criando poucas ocasiões de golo - nas vezes em que o Mitroglou conseguiu ter espaço para rematar, fê-lo sempre na direcção do guarda-redes. Pareceu-me que, dadas as condições e o estilo de futebol jogado, o nosso meio campo constituído pelo Samaris e o Talisca era demasiado 'macio'. Achei por isso que o Renato Sanches até deveria ter entrado mais cedo do que entrou. Fomos obrigados a recorrer também ao Pizzi e ao Jiménez para ajudarem a chegarmos à vitória, que acabou por surgir apenas a um quarto de hora do final com um golo do Talisca. Nesta altura já ele jogava como segundo avançado, com o Jiménes encostado à esquerda e o Pizzi na direita, e aproveitou um alívio de bola para a entrada da área para rematar de primeira e decidir o jogo. Foi sobretudo a seguir ao golo que o Benfica foi mais perigoso, e até criou mais ocasiões para dilatar a vantagem, que incluíram um remate do Talisca à barra. Mas até lá as melhores ocasiões de golo tinham pertencido ao Oriental, e podemos agradecer ao Ederson o facto de não termos sofrido nenhum golo. É para ele que vai o meu destaque neste jogo, pois com três intervenções muito boas impediu que o Oriental se colocasse em vantagem. A forma como conseguiu tirar a bola dos pés de um avançado que estava isolado (depois de um disparate do Talisca) foi fantástica, e a defesa que fez com uma perna quando já estava em contrapé foi outro momento alto. Este foi apenas o segundo jogo que fez pelo Benfica (o primeiro tinha sido também para a Taça da Liga) e em ambos deixou muito boas indicações, quer a defender, quer a lançar a bola para o ataque.

 

Dependendo agora do resultado que o Moreirense consiga no jogo contra o Nacional, ficaremos depois a saber se teremos obrigação de vencer o último jogo em Moreira de Cónegos, ou se o empate bastará. Mas o mais importante é que dependeremos sempre apenas de nós próprios para podermos continuar a defender este título. Desprezada por muitos (que nunca a conseguem ganhar) eu acho sempre que esta competição é mesmo para levar a sério - é um troféu oficial - e dá-me sempre bastante alegria juntar mais uma ao nosso palmarés.

 

 

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por D`Arcy às 00:28 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Domingo, 17.01.16

Transformação

Uma transformação da equipa do Benfica ao intervalo permitiu alcançar uma reviravolta completa no resultado e a conquista de três importantes pontos, que aproximam a equipa do primeiro lugar e recompensaram também os muitos adeptos do Benfica que se deslocaram à Amoreira para empurrar a equipa para a vitória.

 

 

Mais uma vez não houve mexidas na equipa, e jogámos com o mesmo onze dos dois últimos encontros para o campeonato, onde o Fejsa se impõe cada vez mais como dono da posição seis. O Benfica entrou no jogo de forma decidida, com vontade de começar a resolver cedo o assunto. O primeiro sinal foi dado pelo Pizzi, num remate em arco que não passou longe, e pouco depois o Jonas acertou no poste, isto num lance em que me pareceu que poderia ter tentado o passe para o Jiménez, que estava completamente sozinho no meio. O Estoril tentava responder sobretudo com lançamentos longos sobre a direita da nossa defesa, aproveitando uma entrada no jogo um pouco tremida do André Almeida, mas acabou por ser pelo outro lado que, na primeira vez que desceu efectivamente até à nossa área e no primeiro remate que fez no jogo, chegou ao golo. Estavam passados doze minutos no jogo, e o Bonatini correspondeu da melhor forma a um cruzamento rasteiro, colocando a bola no lado oposto da baliza, com o Lisandro a ficar mal no lance, pois deixou escapar o adversário que estava a marcar. O golo pareceu afectar o discernimento da nossa equipa, que passou a apresentar um futebol confuso e revelava grandes dificuldades para ultrapassar uma equipa do Estoril que defendia com os onze jogadores atrás da bola, quase sempre acantonados junto à sua área. Até poderíamos ter começado a facilitar as coisas mais cedo, repondo rapidamente a igualdade, mas o Jiménez voltou a falhar um lance em que ficou isolado em frente ao guarda-redes, depois de um erro enorme de um defesa do Estoril. Insistimos demasiado pelo meio e acabámos por tornar fácil a tarefa de um Estoril que apenas se preocupava em defender - o remate que lhes deu o golo manter-se-ia como o único remate feito no jogo durante praticamente todo o encontro. Isto ajuda a explicar em parte o motivo pelo qual, apesar de termos tanto domínio territorial e posse de bola, para além da ocasião do Jiménez, poucas mais ocasiões de golo conseguimos criar.

 

 

Para a segunda parte, o Benfica regressou com o Mitroglou no lugar do Jiménez e com uma atitude guerreira, de querer encostar o Estoril às cordas desde o apito inicial. O que quer que tenha sido dito aos jogadores no intervalo, resultou. O grego deu-nos uma presença na área mais constante e incómoda para a defesa do Estoril, o Benfica subiu ainda mais as linhas de pressão - foram várias as vezes em que vimos o Fejsa a pressionar e a recuperar a bola praticamente à entrada da área adversária - e jogámos a toda a largura do campo, explorando muito mais frequentemente as laterais. A recompensa surgiu muito cedo, logo aos sete minutos, precisamente com um golo do Mitroglou (que minutos antes já tinha desperdiçado uma grande ocasião, também após cruzamento rasteiro da direita, em que colocou mal o pé na bola e atirou ao lado) que conseguiu receber um cruzamento rasteiro do Pizzi, rodar, e rematar, com a bola ainda a sofrer um desvio num adversário. Sempre impelidos pelo apoio constante vindo das bancadas, o assalto do Benfica à baliza estorilista prosseguiu, com o Estoril a não conseguir sequer chegar ao meio campo. Houve um lance em que se gritou golo do Benfica, após uma confusão que se seguiu a um cruzamento do Carcela na esquerda, mas eu estava do outro lado do campo e não posso opinar se de facto a bola terá ou não entrado. Mas nem deu para ficar muito tempo a pensar nisso, pois dois minutos depois (aos sessenta e sete) o Benfica consumava a reviravolta no marcador numa das melhores jogadas que teve no jogo. A bola passou pelos pés de vários jogadores e foi finalmente passada pelo Jonas ao Pizzi. O primeiro toque não foi dos melhores, e deixou a bola fugir ainda mais para a direita, mas quando parecia que a probabilidade de conseguir rematar era diminuta, acabou por sair mesmo um remate cruzado muito puxado ao segundo poste que deu golo - o Mitroglou estava completamente sozinho em frente à baliza para poder aproveitar um cruzamento. O golo foi praticamente o KO para o Estoril, que não tinha mais ideias para além de defender. Até tentou subir um pouco no campo, mas foi o Benfica quem desperdiçou mais de uma ocasião para ampliar a diferença, com especial destaque para uma situação em que o Jonas, depois de mais um excelente trabalho do Mitroglou no centro da área a segurar a bola e a soltá-la para o colega, não conseguiu fazer a bola ultrapassar o guarda-redes. Só mesmo no último lance do jogo é que o Estoril voltou a rematar à nossa baliza, na sequência de um canto e com um desvio de cabeça ao primeiro poste, a que o Júlio César correspondeu de forma excelente.

 

 

O meu primeiro destaque neste jogo vai para o Fejsa, que foi um autêntico monstro no meio campo. Recuperou inúmeras bolas e impôs-se quase à vontade por onde quer que andasse. Ganhou praticamente todos os lances que disputou, pelo chão ou pelo ar, cortou passes e foi o primeiro a lançar os contra-ataques. Foi simplesmente brutal. Em oposição,  o Renato Sanches teve um jogo menos conseguido, com demasiadas perdas de bola e passes errados. O segundo destaque vai para o Mitroglou, que foi um dos factores chave para a mudança da primeira para a segunda parte. Dominou dentro da área, aproveitando o poder físico para causar inúmeros problemas a defesa adversária e criar espaços para os colegas jogarem. O Pizzi voltou a mostrar a importância que tem no momento actual da equipa, e será um caso sério tirá-lo de lá, mesmo quando o Salvio regressar. O 'Cérebro' foi elogiado por aquilo que conseguiu retirar do Pizzi a época passada, mas neste momento ele está a jogar para aí o dobro disso. O André Almeida começou o jogo de forma algo tremida e revelou algumas dificuldades com a velocidade do Gerso, mas foi gradualmente subindo de produção e acabou por fazer uma segunda parte muito boa, incluindo no apoio ao ataque. O Carcela também subiu de produção na segunda parte, quando começámos a explorar mais as alas.

 

Estamos a atravessar uma boa fase - a melhor da época - que se reflecte em dez vitórias e um empate nos últimos onze jogos disputados para o campeonato. Pelo caminho, ganhámos já dez pontos aos adversários mais próximos (5+5) e o primeiro lugar já só dista dois pontos, o que significa que voltámos a depender exclusivamente de nós próprios para o alcançar. Tudo isto significa também o progressivo levantar do mar vermelho que sustenta a nossa equipa, e quem esteve esta noite no frio da Amoreira, a começar pelos próprios jogadores, sentiu bem o que isso significa. Talvez seja essa perspectiva que assusta quem nos odeia.

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por D`Arcy às 03:09 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Terça-feira, 12.01.16

Resposta

Depois de uma goleada a uma equipa da Madeira, fomos à ilha golear outra equipa num jogo disputado em dois episódios, devido à habitual aparição do nevoeiro na Choupana. Regressamos de lá com mais três pontos, a satisfação do dever cumprido com distinção, e a moral em alta.

 

 

Foi com o mesmo onze que tinha goleado o Marítimo que entrámos em campo. Sobre os sete minutos e meio disputados ontem pouco há a dizer, dado que eu pelo menos nem sequer consegui ver o que quer que fosse no meio das brumas. Mas hoje o mote foi dado logo na primeira jogada após o reatamento: canto para o Nacional, bola recuperada e rapidamente a equipa saiu para o ataque (sim, fizemos uma transição rápida) e deixou o Carcela na cara do guarda-redes, mas infelizmente a finalização não foi a melhor. Insistindo sobretudo pelo lado esquerdo, o Benfica entrava quase como queria pela defesa do Nacional, faltando apenas mais acerto na finalização para dar expressão à superioridade do Benfica no jogo. Esta fase inicial deu mesmo para ficar preocupado com a má finalização dos nossos jogadores, já que normalmente não se têm tantas ocasiões tão claras para marcar num jogo, e portanto o desperdício poderia sair caro. Especialmente quando até o Jonas, depois de uma jogada do Renato Sanches (mais uma vez pela esquerda) e centro, atirou por cima quando estava a pouco mais de um metro da linha de golo. Mas rapidamente o Jonas se redimiu do falhanço, pois mais uma investida pela esquerda culminou num centro perfeito do Carcela para um cabeceamento colocado, sem sequer ser necessário tirar os pés do chão. A resposta do Nacional foi dada apenas por um remate perigoso de fora da área, no qual o Júlio César mostrou estar atento, mas o Benfica continuou a mandar no jogo quase como queria, forçando mesmo o treinador do Nacional a fazer logo uma alteração ainda na primeira parte, para tentar reforçar o meio campo. Quando soou o apito para o intervalo a vantagem de apenas um golo para o Benfica já era curta para a superioridade por nós demonstrada.

 

 

Mais injusto se tornou o resultado logo aos cinco minutos após o intervalo, pois o Nacional chegou ao empate num lance que só se pode classificar de anedótico no qual os nossos centrais ficaram muito mal, pois foram muito pouco expeditos a aliviar a bola da área, andaram para ali a embrulhar-se com ela, e um adversário acabou por conseguir um remate enrolado que ainda foi desviado pelo pé do Júlio César, levando a bola a rolar muito devagarinho até ultrapassar a linha de golo. Mas o Benfica não abanou nada com o golo, e até respondeu logo no minuto seguinte com um golo do Jiménez, anulado por fora-de-jogo milimétrico. Mas sete minutos depois do empate o Benfica voltou à vantagem num golo lindo pela sua simplicidade. Três toques bastaram para colocar a bola no fundo da baliza do Nacional: lançamento de linha lateral executado pelo Eliseu, bola colocada directamente para o desmarcado Jiménez sobre a linha de fundo, cruzamento de primeira e remate também de primeira do Jonas, de pé esquerdo, a colocar a bola bem junto da base do poste sem qualquer possibilidade de defesa. E mais cinco minutos decorridos acabámos com quaisquer dúvidas, quando o Jonas completou o hat trick. Um daqueles cruzamentos longos que o André Almeida costumava tentar cinquenta vezes por jogo (verdade seja dita que, felizmente, tem vindo a abandonar esse hábito) saiu perfeitinho para a cabeçada do Jonas, mais uma vez a fazer a bola entrar bem juntinho do poste e sem possibilidades de defesa para o guarda-redes. A patir daqui as maiores expectativas passaram a ser ver se o nevoeiro não voltava a estragar tudo (e ameaçou diversas vezes) e se o Benfica conseguiria ainda ampliar a vantagem. Creio que a nossa equipa até ficou algo deslumbrada e chegou a mostrar alguma displicência, porque senão teria mesmo marcado mais golos - o pior exemplo até foi dado na defesa, quando um passe horrendo do Fejsa deixou um adversário completamente isolado e com tudo para marcar. Felizmente era um jogador que estava em inferioridade física, e a sua finalização foi ao nível do passe do Fejsa. Já sobre o final do jogo o Mitroglou (tinha entrado para o lugar do Jiménez) fez o quarto golo após uma boa iniciativa individual, num remate cruzado da direita, que pela quarta vez no jogo fez a bola entrar juntinho ao mesmo poste direito da baliza do Nacional (hoje os nossos jogadores estavam todos com a pontaria afinada para aquela zona da baliza). E o golo até resultou de (mais) uma transição rápida após uma recuperação de bola, com o passe decisivo a sair dos pés do Pizzi.

 

 

É claro que o homem do jogo é o Jonas. Começou com um falhanço muito pouco habitual nele, mas depois foi simplesmente mortífero em frente à baliza, obtendo três golos em outras tantas finalizações de primeira. Já o disse noutros jogos, ele joga, faz jogar e ainda marca. É um luxo termos um jogador com esta qualidade. Muito bom jogo do Fejsa também, que se impôs no meio campo e que à medida que vai ganhando ritmo parece estar bem mais atento e eficaz nas dobras aos colegas da defesa. A continuar na forma que tem apresentado nos últimos jogos, ganhou definitivamente o lugar ao Samaris. A única mancha na exibição foi mesmo aquele passe que isolou um adversário. Carcela e Pizzi também em bom plano, e a melhoria da qualidade do futebol do Benfica nos últimos jogos tem passado muito pela acção dos nossos alas e a forma como têm sabido participar nas acções do meio campo, aparecendo frequentemente bem metidos para dentro para dar linhas de passe e proporcionar oportunidades para a subida dos laterais.

 

Há duas semanas atrás, depois de perder no Estádio da Luz com um golo no último minuto, o treinador do Nacional criticou a nossa equipa por jogar tão pouco. Hoje a resposta que lhe demos foi apresentar algum do melhor futebol que lhe vimos jogar esta época, e ganhar confortável e inequivocamente um jogo tradicionalmente difícil. Após uns primeiros meses pouco motivadores, começo agora a ver sinais de evolução no nosso futebol, e isto com uma equipa muito desfalcada de alguns dos seus maiores valores. Mérito do treinador, e fico com a esperança de que a evolução seja para continuar.

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por D`Arcy às 03:25 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quinta-feira, 07.01.16

Excelente

Uma excelente vitória frente ao Marítimo, por meia dúzia de golos sem resposta, e a melhor forma de mostrar que os mind games da treta que o carroceiro da Porcalhota insiste em tentar (mas que todos sabemos não passar da simples manifestação de um profundo ressabiamento pelo que ele considera ser uma afronta, já que a sua vaidade não lhe permite aceitar o facto de ter sido descartado) não têm senão o efeito contrário ao por ele desejado.

 

 

Mais uma vez um onze sem surpresas, onde o Fejsa parece estar a ganhar vantagem ao Samaris na luta pela titularidade - tem menor raio de acção, mas comete muito menos erros que o grego - e em que o Carcela foi o escolhido para ocupar o lugar do Gaitán. Na frente, o Jiménez continua a merecer a preferência. A primeira fase do jogo não fazia adivinhar o resultado com que terminaria. O Marítimo entrou decidido a causar dificuldades, e foi disputando o jogo quase em pé de igualdade com o Benfica, que voltava nesta fase a revelar as habituais dificuldades para imprimir maior velocidade ao jogo, com os jogadores do ataque quase sempre demasiado estáticos e entregues às marcações. Ao contrário do que tem acontecido muitas vezes em jogos anteriores quando o Benfica revela este tipo de dificuldades, não se via o Renato Sanches a jogar quase a par do Fejsa, mas quase o extremo oposto: deve ter tido instruções para se adiantar no terreno e levou-as demasiado à letra, surgindo muitas vezes a encostar-se aos defesas, como se de um avançado se tratasse. De qualquer forma, o problema do vazio entre os jogadores mais recuados e os mais avançados revelava-se, pois durante a fase inicial do jogo o Jonas esteve muito amarrado na frente e nenhum dos alas flectia para dentro na tentativa de ocupar esses espaços. O Benfica deu o primeiro sinal de perigo numa perdida inacreditável do Jiménez, que depois de um grande passe do Jonas ficou isolado e com tudo para marcar. Fez quase tudo bem, esperou até que o guarda-redes caísse, mas depois conseguiu chutar contra ele. O Marítimo respondeu com uma grande ocasião também, na qual foi um corte do Lisandro no limite que evitou males maiores. Estava o jogo neste pé quando de repente, à meia hora de jogo e no espaço de pouco mais de cinco minutos, ficou completamente decidido a nosso favor, pois três golos de rajada deixaram o Marítimo nocauteado. Os dois primeiros foram quase a papel químico, surgindo de cruzamentos na esquerda que foram desviados por jogadores do Marítimo na zona frontal da baliza (no primeiro foi um defesa, no segundo foi o guarda-redes) indo a bola cair na zona do segundo poste, bem a jeito para os remates do Pizzi. Na jogada do primeiro golo destaque para a tabela entre o Eliseu e o Carcela, a permitir a desmarcação deste último, e no segundo foi o Carcela a fazer o passe para a desmarcação e cruzamento do Jiménez. O terceiro golo surgiu na sequência da bola a meio campo depois do segundo golo. Pressão muito forte do Benfica, bola recuperada, passe do Pizzi para o Jonas, remate cruzado defendido pelo guarda-redes e a bola outra vez para a zona do segundo poste, onde o Jiménez só teve que encostar. O Marítimo ainda conseguiu ter um lance de algum perigo, mas o remate do Marega passou pouco ao lado do poste.

 

 

O segundo tempo previa-se tranquilo, e cedo mais tranquilo ainda ficou, com mais dois golos para o Benfica ainda antes de decorridos dez minutos, na sequência de dois penáltis. O primeiro foi assinalado depois do Jonas ter sido abalroado por um defesa, após um cruzamento vindo da direita e toque de cabeça do Jiménez. O segundo por uma rasteira ao Carcela, que se escapava pela esquerda. Em ambos os penáltis o Jonas atirou rasteiro para o lado direito do guarda-redes, que ainda conseguiu tocar na bola no primeiro. Jogo tranquilíssimo para o Benfica, com os jogadores a parecerem bastante mais soltos do que o habitual e em movimentações constantes, o que permitia ver jogadas em progressão com a bola a passar pelos pés de vários jogadores - os dois alas, Pizzi e Carcela, estiveram sempre muito interventivos no jogo e apareciam frequentemente em zonas mais interiores para proporcionar várias opções de passe. Aliada a isto, uma boa agressividade na zona central, dada pelo Renato e o Fejsa. Com o jogo perfeitamente controlado e mais do que decidido deu para poupar jogadores importantes como o Jonas e o Renato Sanches, que foram substituídos a pouco mais de vinte minutos do final. E como era uma noite em que quase tudo corria bem, o Talisca, acabadinho de entrar, na sua primeira intervenção fez o sexto golo. Foi mais uma recuperação de bola no meio campo, seguida de um toque de calcanhar do Pizzi, e depois o Talisca progrediu pelo centro, ultrapassou um adversário, flectiu ligeiramente para a esquerda, e rematou ainda bem de fora da área (numa altura em que eu reclamava porque queria que ele passasse a bola mais para a esquerda para o Carcela, que estava sozinho) para fazer a bola entrar junto ao poste mais próximo, obtendo um bonito golo. Minutos depois o Jiménez teve a segunda perdida escandalosa da noite, quando ficou completamente à vontade depois de uma escorregadela de um defesa, mas tentou picar a bola sobre o guarda-redes de forma tão desajeitada que esta deve ter passado uns dez metros por cima da baliza. Foi substituído logo de seguida pelo Mitroglou, que entrou a tempo de também ele desperdiçar uma boa ocasião para ampliar o resultado, optando pela iniciativa individual quando tinha colegas mais bem colocados e vendo depois o José Sá fazer uma boa defesa ao seu remate.

 

 

Houve vários jogadores com boas actuações esta noite, mas creio que é justa a distinção do Pizzi como o melhor em campo. Marcou os dois primeiros golos e esteve directamente envolvido nas jogadas de mais três. Atravessa um bom momento e é nesta altura um dos jogadores mais influentes na nossa equipa. O Carcela justificou plenamente a oportunidade que lhe foi dada. É um jogador que nos pode ser extremamente útil quando coloca a capacidade técnica que tem ao serviço da equipa em vez de explorar quase exclusivamente as acções individuais. Foi o que fez esta noite, e creio que para isso terá contribuído muito o facto de ter jogado a maior parte do tempo na esquerda em vez da mais habitual direita, onde acaba sempre por ter tendência para flectir com a bola para o centro. O Jonas esteve ao seu nível, o Renato e o Fejsa controlaram o meio campo, e mesmo o Eliseu fez um jogo bastante positivo (continuo a achar que ele leva mais 'porrada' do que a que efectivamente merece por parte dos benfiquistas, que não lhe perdoam absolutamente nada). O Jiménez poderia ter saído de campo com uma exibição memorável e um hat trick. Mas um avançado de nível não pode falhar duas ocasiões daquelas num jogo.

 

Foi uma vitória muito motivadora. Gostei muito de certos pormenores que foi possível ver quando a equipa jogou de forma mais solta. Esperemos que a nossa equipa consiga seguir neste rumo, até porque se perspectivam os regressos de jogadores que virão acrescentar qualidade às opções do treinador. Há umas semanas, depois do desapontamento do empate com o União, ficámos com doze pontos (7+5) para recuperar aos adversários mais directos, o que parecia uma tarefa hercúlea. Agora são quatro.

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por D`Arcy às 03:17 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Sábado, 02.01.16

Batalha

Uma vitória importantíssima em Guimarães, num jogo que foi quase uma autêntica batalha, e no qual nos acabou por valer o crer e a vontade dos jogadores, já que qualidade no futebol jogado não houve muita - e naquelas condições era mesmo muito difícil que houvesse.

 

 

Num onze sem surpresas destaque para o regresso do Gaitán e para a escolha do Jiménez para a frente de ataque. No meio campo, como seria esperado, o Fejsa ocupou o lugar do castigado Samaris. Não foram precisos muitos minutos para perceber ao que o Guimarães vinha: agressividade em barda, com diversas faltas, uma atitude quezilenta e picardias constantes, num cenário que me fez lembrar, e muito, o arraial de pancadaria que o Benfica enfrentou o ano passado em Braga, na altura treinado pelo mesmo Sérgio Conceição. Na altura a táctica deu resultado, sob o olhar beneplácito e complacente do despromovido e agora auto-retirado Marco Ferreira. Hoje, de forma até algo surpreendente, o Xistra não deu rédea solta aos nossos adversários. Num jogo disputado neste cenário era difícil esperar futebol de qualidade, até pelas constantes interrupções, e foi exactamente isso que se viu. Houve muita disputa por cada bola, mas quase sempre longe das balizas, o que se reflectiu num número muito reduzido de remates por parte de ambas as equipas. Ainda assim foram do Benfica, que sobretudo na primeira metade deste primeiro tempo viveu muito das movimentações do Jonas em terrenos mais recuados, as melhores ocasiões para marcar. Um remate do Renato Sanches de fora da área quase traiu o guarda-redes, que defendeu também um forte remate do Jonas. Teve também uma saída em falso que o Jonas não conseguiu aproveitar para enviar a bola para a baliza, mas redimiu-se mesmo sobre o intervalo com uma defesa incrível por instinto a mais um remate do Jonas, que depois de um cruzamento do Renato Sanches parecia ter tudo para marcar. Do lado do Guimarães, a melhor ocasião teve o Licá isolado, mas não conseguiu ultrapassar o Júlio César e a tentativa de passe atrasado foi interceptada. O que é certo é que ao intervalo o Guimarães ia conseguindo os seus objectivos e mantendo o Benfica quase sempre longe da sua baliza. Nós, mais uma vez, tivemos muito maior posse de bola, mas a maior parte dessa posse foi inconsequente.

 

 

Na segunda parte o jogo manteve-se na mesma toada, e dado que não estávamos propriamente a assistir a um massacre à baliza do Guimarães, à medida que o tempo ia correndo o o cenário ia-se tornando cada vez mais complicado, porque o golo parecia pouco provável. Uma excepção flagrante foi naquela que terá sido a melhor jogada do Benfica em todo o jogo, entre o Gaitán, o Jonas e o Pizzi, que acabou com este último isolado em frente ao guarda-redes. Mas ele tentou colocar a bola entre as pernas do guarda-redes, que defendeu a bola e assim se perdeu uma enorme ocasião para desfazer o nulo (para um miúdo que se estreou há muito pouco tempo, fiquei bem impressionado com este Miguel Silva). O Pizzi aliás teve outras situações durante o jogo em que ganhou bem posição sobre a ala, mas acabou quase sempre por decidir mal, insistindo na iniciativa individual e acabando por rematar com pouco ângulo. O Guimarães teve uma boa ocasião na segunda parte, mas o Licá rematou muito por cima quando parecia ter condições para fazer muito melhor. Até que tudo acabou por se decidir a quinze minutos do final, e numa fase em que me parecia que o Guimarães tinha recuado mais no terreno e quando atacava, fazia-o sobretudo com pontapés para a frente e sem subir muito o bloco. Depois de um livre marcado sobre a esquerda da área a bola sobrou para o Renato Sanches, que rematou uma primeira vez contra um adversário, foi ainda recuperar a bola e descaído para a direita rematou cruzado para o ângulo do lado oposto. Uma bomba indefensável e um golaço do miúdo. Tendo em conta o jogo a que estava a assistir, com tão poucas ocasiões de golo, achei que aquele golo praticamente selava o resultado, o que acabou mesmo por acontecer. Nem por uma vez o Guimarães conseguiu ameaçar seriamente a nossa baliza até ao final - já nós, poderíamos ter talvez chegado a um segundo golo numa situação muito vantajosa de contra-ataque, mas mais uma vez o Pizzi decidiu mal e não passou a bola a um colega mais bem colocado.

 

 

O homem do jogo tem que ser obviamente o Renato Sanches. Sê-lo-ia pelo simples facto de ter marcado o golo (e que golo) que desatou um nó tão complicado como era este jogo naquela altura. Mas ele fez bastante mais do que isso, foi um trabalhador incansável no meio campo, nunca virou a cara à luta e às patadas dos adversários e foi aquilo que se espera que um 'box-to-box' seja, sendo igualmente interventivo a atacar e a defender. Gostei também do jogo do Jonas, e quanto ao resto da equipa, houve pelo menos entrega onde faltou maior qualidade.

 

Foi uma vitória muito importante num campo muito difícil, mas parece-me que justa. Foi o Benfica quem mais fez por ela, e quem dispôs de mais e melhores ocasiões de golo - por algum motivo o guarda-redes do Guimarães foi um dos destaques do jogo. Não consigo perceber as queixas do Sérgio Conceição a não ser por mau perder. Entraram no jogo a tentar bater em tudo o que mexia e em constantes tentativas de provocar quezílias. Não sei qual é o espanto de se apanharem cedo com três amarelos (por sinal, no final do jogo o Benfica até acabou com mais amarelos, quatro). Se calhar, se esses amarelos não tivessem saído, a pancadaria continuaria tal como em Braga o ano passado. O desespero de falarem na arbitragem quando perdem com o Benfica é tanto que na entrevista rápida no final o capitão do Guimarães (um jogador que já passou por nossa casa) conseguiu descobrir um penálti não se sabe onde para se queixar. Enfim, o costume.

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por D`Arcy às 22:51 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Quarta-feira, 30.12.15

Limite

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Uma vitória arrancada no limite, num jogo em que voltámos a ver mais do mesmo, apesar das diversas alterações promovidas na equipa: Ederson, Sílvio, Lindelöf, Cristante, Carcela e Talisca foram todos titulares. Continuo a ter sempre o mesmo pensamento quando vejo a nossa equipa jogar: como é possível conseguir ter-se tanta posse de bola e fazer-se tão pouco com ela? A primeira parte foi o exemplo perfeito disso, pois a posse de bola do Benfica deve ter tido números a rondar os 70%. No entanto, mais uma vez o nosso ataque foi um deserto de ideias. Os únicos safanões iam sendo dados pelo Carcela, que até conseguiu falhar um golo de forma inacreditável, depois de desmarcado por um passe de calcanhar do Mitroglou. A actuação do duo do meio campo roçou o desastroso, com a acumulação de passes errados por parte quer do Cristante (que teve um erro grotesco que poderia ter resultado na expulsão do Lisandro, caso o árbitro quisesse ser mais rigoroso), quer do Samaris. O Nacional manteve-se sempre organizado atrás - o que não era particularmente difícil porque, tendo em conta o nosso estilo de jogo, quase sempre que recuperávamos a bola fazíamos o favor de demorar o tempo necessário para que toda a equipa do Nacional recuperasse as suas posições no terreno antes de levarmos a bola para o ataque - e tentava depois as saídas rápidas para o contra-ataque (talvez os nossos jogadores tenham aproveitado para observar um conceito que nos é quase totalmente desconhecido esta época). Na segunda parte, especialmente no reinício do jogo, esta estratégia foi mais produtiva, e o Nacional dispôs das melhores ocasiões para marcar. Não marcou devido a um desarme quase miraculoso do Lisandro, ou por uma incrível falta de pontaria de um dos seus jogadores quando tinha tudo para marcar. Fomos obrigados a recorrer ao Jonas e ao Jiménez (ao intervalo já o Renato Sanches tinha substituído o Cristante), que à medida que o jogo caminhava para o final trouxeram um maior ímpeto atacante e compensaram o apagão do Carcela no segundo tempo. E foi mesmo no minuto final do tempo regulamentar, e numa altura em que já há largos minutos que o Nacional tinha praticamente abdicado do ataque e remetia-se quase exclusivamente à defesa, tentando segurar o empate, que o Jiménez aproveitou da melhor maneira um cruzamento do Pizzi para se antecipar a um defesa e rematar de primeira, colocando a bola rasteira junto ao poste e dando-nos a vitória que, é justo dizer, apesar de raramente o ter feito da melhor maneira, a nossa equipa nunca deixou de procurar.

 

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Os melhores jogadores do Benfica foram o Carcela na primeira parte e o Lisandro. O Lindelöf fez um jogo sóbrio e relativamente seguro, melhorando ao longo do tempo. Teve uma falha mais comprometedora, que acabou por lhe custar um cartão amarelo. Também não tenho nada a apontar ao Ederson, que fez a sua estreia oficial pela equipa principal do Benfica. Outros houve que não aproveitaram de todo a oportunidade dada. Caso flagrante o Cristante, que andou por ali perdido numa espécie de limbo, em que não é nem médio defensivo nem organizador de jogo, e ainda por cima acumulou erros no passe, que até costuma ser a sua característica mais forte. Outro caso gritante foi o Talisca. Esteve quase sempre ao lado do jogo, apareceu para marcar uns livres, mas acima de tudo revelou uma atitude muito pouco competitiva, o que me faz pensar se a sua motivação será a melhor nesta altura, ou se estará sequer com a cabeça no Benfica. O Eliseu acumulou erros atrás de erros, mas ao menos não se escondeu e participou activamente na fase final de assédio do Benfica à área do Nacional - e a actuação do Sílvio do lado oposto pode ser classificada praticamente da mesma maneira. O Samaris, muito sinceramente, neste momento parece-me ser metade (ou se calhar nem tanto) do jogador que era a época passada.

 

Enfim, o importante é mais uma vitória, que nos deixa desde já com o apuramento muito bem encaminhado, dado que o Nacional será, em teoria, o adversário mais complicado do grupo. Ao contrário de outras equipas, sempre levámos mais a sério a Taça da Liga, e temos a obrigação de defender os nossos pergaminhos numa competição na qual conquistámos seis das suas oito edições.

 

P.S.- Peço desde já desculpa pelo atraso na publicação, mas apesar do post estar escrito desde ontem, esqueci-me de o publicar. Um bom ano de 2016 para todos.

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por D`Arcy às 17:18 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Segunda-feira, 21.12.15

Importante

Conseguimos um resultado importante depois da desilusão na Madeira. Mas tal como na Madeira fizemos uma primeira parte muito sofrível, e apesar da justiça da nossa vitória ser incontestável, dá para nos perguntarmos porque motivo, tendo tido domínio territorial e superioridade na posse de bola evidentes, revelámos uma dificuldade tão grande para ganhar.

 

 

Houve uma única alteração no onze, que foi a troca do Samaris pelo Fejsa. Samaris que, como começa a ser habitual acontecer com os nossos médios defensivos, jogue ele ou o Fejsa, depressa foi brindado com um amarelo à primeira falta, e ficou suspenso para o próximo encontro. Mas antes disso já o Benfica tinha começado o jogo da melhor forma possível, inaugurando o marcador logo aos quatro minutos, pelo inevitável Jonas. O primeiro remate, a passe do Pizzi, ainda foi defendido pelo guarda-redes, mas a bola regressou-lhe aos pés depois de um toque do Gonçalo Guedes, e já não perdoou. O jogo estava aberto, já que o Rio Ave apresentou-se a jogar num 4-3-3 descomplexado, e a boa entrada do Benfica quase deu frutos outra vez logo de seguida, mas o remate do Renato passou um pouco ao lado. Mas o Rio Ave reagiu, e chegou ao empate ao treze minutos, através de um livre directo em posição frontal, marcado de forma exemplar pelo Bressan. O Benfica pareceu acusar o golo, e o resto da primeira parte foi mal jogado da nossa parte, revelando muitos dos problemas e maus hábitos que o nosso futebol tem mostrado esta época. Lentidão de processos, pouco envolvimento ofensivo por parte de pelo menos metade da equipa, muita gente parada a ver o colega transportar a bola (perdi a conta às vezes que vi hoje um jogador do Benfica a correr com a bola e a esbracejar por não ter nenhum colega a movimentar-se para dar linhas de passe) e uma insistência absolutamente exasperante em despejar (não posso nem consigo chamar aquilo de cruzamento) a bola para a área assim que entrávamos no último terço do campo perto de uma das laterais. O André Almeida então parecia um autómato: qualquer bola que apanhasse nos pés era prontamente despejada para a área. O resultado prático disso foi, obviamente, nulo. Até porque as bolas eram metidas sem qualquer critério, e raramente conseguiam sequer cair na zona de acção dos (poucos) jogadores do Benfica que eventualmente se encontrassem dentro da área. Como seria de esperar, todos estes factores conjugados deram um resto de primeira parte indescritivelmente mau e com pouquíssimos motivos de interesse, que levou o empate até ao intervalo.

 

 

Na segunda parte pareceu-me que houve mais vontade da parte do Benfica em imprimir uma maior velocidade ao jogo. Qualidade no futebol jogado continuou a não haver muita, até porque alguns jogadores também não dão mais do que aquilo, mas o Rio Ave foi remetido para o seu próprio meio campo e praticamente deixou de existir no ataque, enquanto que o Benfica se instalava definitivamente nas imediações da área adversária. O problema era mesmo encontrar uma fórmula para chegar ao golo que procurávamos, porque a insistência nos despejos da bola para a área sem grande critério persistia, e não parecia haver ideias para muito mais. A mais do que esperada troca do Gonçalo Guedes pelo Carcela aconteceu mais cedo neste jogo, quando ainda tínhamos meia hora para jogar, e juntamente com a troca, dez minutos mais tarde, do Mitroglou pelo Jiménez, veio dar mais velocidade e mobilidade ao nosso ataque. Mas apesar das tentativas dos nossos jogadores, a verdade é que ocasiões de verdadeiro perigo eram quase nenhumas. Apenas me recordo de um grande remate de meia distância do Renato Sanches, que obrigou o Cássio a aplicar-se. O jogo caminhava a passos largos para o final e parecia mesmo que o Benfica acabaria por ser castigado com mais um empate devido a muita inoperância no ataque, até porque o Rio Ave nem aparentava estar a ter muitas dificuldades para suster o nosso ímpeto. Mas a dez minutos do final desatou-se o nó, e ironicamente foi através de um cruzamento para a área. A diferença terá talvez estado no facto de ter sido um verdadeiro cruzamento, e não um despejo. O Carcela, sobre a direita, levantou a cabeça, viu que o Jonas tinha a frente ganha ao defesa adversário, e colocou a bola para o cabeceamento certeiro. A perder, o Rio Ave tentou subir as linhas e pagou imediatamente por isso. Ainda mal nos tínhamos sentado e já nos levantávamos outra vez para celebrar o terceiro golo, da autoria do Jiménez. Isolado pelo Jonas com um passe para as costas da defesa, rematou rasteiro e com violência para o fundo das redes, de nada valendo o toque que o Cássio ainda deu na bola. Já mesmo sobre o final, foi por muito pouco que o Pizzi não marcou o que seria o golo mais bonito do jogo, vendo o remate em arco desferido à entrada da área fazer a bola embater na barra, com o guarda-redes já batido.

 

 

Melhor jogador do Benfica neste jogo, para mim, Jonas. Dois golos, uma assistência, e um dos que mais tentaram durante os noventa minutos remar contra a maré e fazer a equipa jogar com algum critério, vindo atrás buscar jogo e puxar a equipa para a frente com ele - nem sempre o conseguiu, e por diversas vezes acabámos por vê-lo a conduzir a bola sozinho e a esbracejar à procura dos colegas. O Pizzi também foi dos mais activos, mas este jogo não lhe correu tão bem como outros anteriores. O Renato Sanches já é neste momento um jogador imprescindível no nosso meio campo pela dinâmica que lhe confere, mas parece-me que talvez estejamos a dar-lhe excessivas responsabilidades, o que o leva a assumir mais riscos e consequentemente a falhar muito mais do que quando joga simples. O Gonçalo Guedes voltou a mostrar que uma passagem pelo banco era capaz de lhe fazer bem. O André Almeida levou-me ao quase desespero com o processo robótico de chutar a bola para a área à primeira oportunidade que apanhava para o fazer. Mas custa-me acreditar que ele passasse noventa minutos a fazer aquilo se não tivesse instruções para o fazer.

 

Graças ao facto dos crónicos campeões antecipados do mestre da táctica terem conseguido a proeza de fazer ainda pior do que nós na Madeira, o mau resultado com o União foi como que anulado e ficámos a cinco pontos do primeiro lugar. Será agora muito importante conseguir vencer o próximo jogo, para tirarmos a maior vantagem possível do embate entre os dois primeiros classificados. Ainda em relação ao jogo de hoje, a arbitragem voltou a confirmar uma tendência que me parece por demasiado óbvia esta época. A eleição do Proença ainda está a ser paga.

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por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Sábado, 19.12.15

Épico

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por D`Arcy às 23:56 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quarta-feira, 16.12.15

Avassalador

Exibição avassaladora do Benfica, a confirmar aquilo que alguém disse (não me recordo bem quem foi), que não há no campeonato equipas a conseguir jogar com um domíno tão avassalador como nós. É de tal forma avassaladora a nossa forma de jogar que até nos podemos dar ao luxo de dar uma parte de avanço aos adversários, como o fizemos, e muito bem, hoje. Não convém cansar demasiado os nossos jogadores, nem sequer arriscar demasiado perante um adversário poderoso e perigoso como aquele com que nos deparámos hoje. Nestas ocasiões o melhor é jogar com segurança e dar conforto aos nossos jogadores, que é escusado andarem em grandes correrias. Com calma, o golo acabará por chegar.

 

Eu volto a repetir, como já o fiz diversas vezes neste espaço, que percebo pouco de futebol, e por isso, apesar de ter dificuldades em entender a necessidade de jogar com dois médios de contenção, amarrados cá atrás a par um do outro, durante uma parte inteira frente ao União da Madeira, ainda por cima quando a nossa forma de jogar é reconhecidamente avassaladora (não sou eu quem o diz, são pessoas entendidas na matéria), não vou questionar a validade dessa opção - mas quando vi que a escolha inicial era o Fejsa, certamente para dar a necessária segurança defensiva contra o União, torci logo o nariz. Nem sequer vou questionar a insistência autística em tentar furar pelo meio a organização defensiva de um adversário que enfiou onze jogadores à frente da área, ou de, em opção, definir jogar pelas alas não o tentar ganhar a linha de fundo mas sim o despejar sem nexo ou critério toda e qualquer bola que se apanhe nas imediações das laterais directamente para a área, apanhando os defesas adversários de frente. Retirar do campo o nosso melhor marcador e melhor jogador na ausência do Gaitán quando se está a precisar de marcar um golo foi certamente uma manobra estratégica para confundir o adversário - mesmo que não estivesse a jogar grande coisa, ainda assim achei que o Mitroglou estava ainda pior. De certeza que existe um propósito muito bem definido para todas estas opções. Só acaba por ser surpreendente que elas resultem num nulo frente ao União da Madeira, equipa de reconhecida solidez defensiva e que está a fazer um grande campeonato, ainda por cima atravessando neste momento um pico de forma. É também surpreendente o actual atraso pontual relativamente ao primeiro lugar, mas acredito que a nossa forma avassaladora de jogar depressa permitirá corrigir isso, e tomaremos avassaladoramente de assalto a liderança. Depois de ver a qualidade do nosso futebol esta noite, não me é possível acreditar noutro desfecho que não esse.

 

Mais a sério e abandonando o sarcasmo, pelo qual peço desculpa mas que é a única forma que me permite lidar minimamente com a irritação que sinto, não consigo escrever muito mais sobre o jogo de hoje, ou sobre o futebol jogado. Estou mesmo demasiado irritado com a exibição patética que fizemos, e com os dois pontos deitados fora, literalmente. Para mim não serve de desculpa que o adversário se tenha limitado a defender o tempo todo com os onze jogadores ou que tenha feito antijogo - isso é o que praticamente todos fazem contra nós, e cabe-nos encontrar antídotos para isso. Hoje não o conseguimos ou não o quisemos fazer. Sim, escrevo que não quisemos porque quem faz uma primeira parte vergonhosa como aquela que fizemos não parece mostrar grande vontade em vencer um jogo. Aquilo foi inaceitável. Não é que a segunda parte tenha sido muito melhor, mas pelo menos mostrámos um bocadinho mais de vontade. Mas na falta de qualidade, a vontade só não é suficiente.

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por D`Arcy às 00:33 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Domingo, 13.12.15

Quinta

O jogo acabou por ser mais fácil do que seria de antecipar, e apesar de não termos sabido geri-lo da melhor forma quando parecia estar morto e enterrado, obrigando-nos a alguns minutos de maior esforço, a vitória final em Setúbal, que foi a quinta consecutiva para a liga, é incontestável e nunca chegou a estar em perigo.

 

 

A maior novidade no Benfica esta noite era a ausência do Gaitán, que tem sido dos nossos jogadores mais decisivos esta época. A opção pelo Pizzi e Gonçalo Guedes nas alas acabou por corresponder ao que era esperado. No ataque, Jonas e Mitroglou formaram a dupla, enquanto que no meio campo desta vez foi o Samaris a ser o preferido, relegando o Fejsa para o banco. Os primeiros minutos de jogo foram algo confusos, com a bola a alternar rapidamente entre uma área e a outra, e nenhuma das equipas a conseguir manter a sua posse durante muito tempo. O Setúbal tentou pressionar alto para surpreender o Benfica, e essa pressão ainda conseguiu ser algo incómoda. Mas aos poucos o Benfica foi tomando conta do jogo, e o Setúbal acabou por ser empurrado para o seu meio campo. Quando perdíamos a bola, conseguíamos recuperá-la rapidamente, e as respostas do Setúbal começaram a limitar-se aos pontapés longos para a frente, na esperança de solicitar o coreano Suk. Sem ser particularmente brilhante no ataque - por vezes pareceu-me que afunilávamos demasiado o jogo e perdíamos jogadas no ataque devido a toques em demasia entre os nossos jogadores na zona frontal da área do Setúbal - o Benfica conseguia explorar bem as movimentações do Jonas ou do Pizzi entre as linhas do Setúbal. Na altura em que chegámos ao primeiro golo, a dez minutos do intervalo, já o Benfica estava completamente por cima no jogo, com uma vantagem muito significativa na posse de bola e quase sempre instalado no meio campo adversário. O golo surgiu numa boa iniciativa do Pizzi dentro da área, sobre o lado direito, onde tirou um adversário do caminho antes de rematar, com a tentativa de defesa do guarda-redes, que ainda tocou na bola, a ser insuficiente para a travar. Três minutos depois chegou o segundo golo e o desfecho do jogo começou a ficar claramente definido. Um lapso enorme de marcação da defesa do Setúbal permitiu ao Jonas cabecear, a um metro da linha de golo, a bola cruzada pelo André Almeida.

 

 

A ideia de que o jogo já estaria praticamente decidido ficou reforçada no início da segunda parte. Logo nos primeiros minutos o Jonas falhou o terceiro golo de forma incrível, quando completamente isolado tentou ultrapassar o guarda-redes e acabou por se embrulhar com a bola. Mas redimiu-se minutos depois com o passe que deixou o Mitroglou na cara do guarda-redes para fazer o terceiro golo. Por esta altura pensei mesmo que o jogo estaria, conforme escrevi antes, 'morto e enterrado', e que a única dúvida seria quantos mais golos marcaria o Benfica. Mas apenas quatro minutos depois o Setúbal chegou ao golo, na recarga a uma bola defendida pelo Júlio César para o poste (depois de uma jogada em que o Jardel ficou muito mal na fotografia, ao deixar-se ultrapassar de forma quase infantil pelo Suk) e voltou a acreditar. Tivemos assim que passar, de uma forma quase desnecessária, por cerca de vinte minutos de maior pressão por parte do Setúbal, que beneficiou de vários cantos e ainda teve algumas ocasiões para reduzir para a diferença mínima, o que nos poderia ter causado muitos mais problemas. Foi aliás na fase em que o Setúbal parecia estar mais perigoso que o Benfica acabou por chegar ao quarto golo e resolver definitivamente a questão. O Djuricic, que tinha entrado para o lugar do Jonas e se estreou assim oficialmente esta época, conduziu muito bem a bola num contra-ataque praticamente de uma área à outra, entregou a bola ao Gonçalo Guedes que, a exemplo do que fez em quase todo o jogo, conseguiu embrulhar-se com a bola e perder a ocasião para marcar, e esta acabou por sobrar para o remate do Mitroglou. A bola embateu no poste, depois no guarda-redes do Setúbal, foi novamente ao poste e finalmente ultrapassou a linha de golo. Faltavam então dez minutos para o final, mas o Benfica ainda acabou por consentir mais um golo já quase no fim, num remate desviado pelo Suk, que foi colocado em jogo pela demora do Lisandro a subir após um canto.

 

 

O Pizzi voltou a ser um dos melhores jogadores do Benfica, tendo feito um grande trabalho no primeiro golo. Gostei também do jogo do Jonas, em especial durante a primeira parte. O Samaris esteve bem na tarefa de destruir o jogo do Setúbal, mas cometeu algumas asneiras graves na saída de bola. O Renato Sanches, a exemplo do que já lhe tinha apontado no jogo da Champions, começa a cometer alguns exageros com a bola nos pés (e quem quer que visse regularmente os jogos da nossa equipa B deverá reconhecer este tipo de jogadas) e o número de bolas perdidas ou entregues ao adversário foram mais do que o desejável - não me surpreendeu a sua substituição. Há que saber gerir esta ascensão súbita a um quase estrelato, porque não nos podemos esquecer que este foi apenas o quarto jogo que ele fez a titular. O Gonçalo Guedes, sinceramente, está a precisar de algum tempo no banco. Hoje praticamente nada lhe saiu bem.

 

Boa vitória contra uma equipa que ainda não tinha perdido em casa. Agora é continuar neste caminho e já na próxima terça tentar somar a sexta vitória consecutiva para o campeonato. Vitórias trazem motivação, e motivação traz mais vitórias.

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por D`Arcy às 01:05 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quinta-feira, 10.12.15

Segundo

Não conseguimos o empate frente ao Atletico Madrid, que nos garantiria o primeiro lugar no grupo, e agora ficaremos numa expectativa maior sobre o que é que o sorteio nos poderá reservar para a próxima fase. Era relativamente previsível, apesar da surpresa que conseguimos no jogo em Madrid. Mas ontem ganhou a equipa mais forte.

 

 

A inovação para este jogo foi colocar o Jonas como homem mais avançado, com o Gaitán solto nas suas costas para permitir um maior reforço do meio campo. Mas o Atletico também jogou com muita gente no meio campo, abdicando de um avançado fixo.  A equipa dispunha-se, quando não tinha bola, num 4-1-4-1, que ocupava muito bem quase todos os espaços e pressionava a saída de bola de uma forma como vi muito poucas equipas fazer na Luz. É uma equipa muito bem orientada, na qual os jogadores sabem bem o que têm que fazer em campo, e por isso mesmo se explica que consiga bater-se de igual para igual com Real Madrid ou Barcelona tendo um orçamento muito menor (que é, no entanto, muito superior ao nosso). O Benfica acabou por ter mais posse de bola, mas foi quase sempre muito estéril, porque não conseguimos jogar com velocidade suficiente para ultrapassar a organização dos espanhóis. Durante muito tempo a posse de bola foi no nosso meio campo defensivo, com a bola a viajar entre os nossos defesas, guarda-redes, ou médios centro sem sermos capazes de ultrapassar a pressão feita pelo Atletico, que nos bloqueava quase por completo a saída de bola. Os espanhóis, por sua vez, saíam muito rapidamente para o ataque com três ou quatro jogadores assim que a recuperavam, e conseguiam causar perigo. Foi asism que chegaram ao golo, numa jogada rápida pela direita na qual conseguiram libertar um jogador para aparecer completamente à vontade na área e finalizar. Da parte do Benfica, sinceramente, não me recordo de um único remate feito durante a primeira parte.

 

 

Para a segunda parte apostámos numa presença mais fixa na área (Mitroglou) que poderia ter marcado logo na primeira intervenção que teve, aos trinta segundos. Faz tudo bem, tirou o adversário da frente, mas depois não acertou com a baliza. Estivemos um pouquinho melhor, mas não houve muitas diferenças para aquilo que vimos na primeira parte, pois o Atletico parecia continuar a conseguir manter o jogo sob controlo. E chegou mesmo ao segundo golo, num desvio subtil ao primeiro poste após centro vindo da direita. Não me parece que o Júlio César tenha ficado isento de culpas neste lance, já que tentou antecipar demais o cruzamento e acabou por desguarnecer demasiado o primeiro poste. Talvez devido à vantagem confortável, o Atletico pareceu afrouxar um pouco a pressão sobre o portador da bola, e foi nessa fase que o Benfica acabou por estar melhor no jogo. Conseguimos reduzir a um quarto de hora do final pelo Mitroglou (muito bom trabalho dentro da área, à ponta de lança, a receber e a rodar para marcar) e depois disso, muito mais com coração do que cabeça, conseguimos submeter o Atletico a alguma pressão e o empate até chegou a estar perto de acontecer em algumas ocasiões, como numa cabeçada do Jiménez (que tinha entretanto substituído o Jonas) que passou rente ao poste, ou num remate de longe do Renato Sanches, quase da mesma zona de onde tinha marcado à Académica, que também levou a bola a passar muito próxima do alvo. Foi uma fase mais atípica do jogo, mas bem mais interessante de ver (por uma questão de emotividade, não pela qualidade do futebol) do que aquela enfadonha primeira parte. Infelizmente a nossa pressão final acabou por não dar em nada, e vimos assim o primeiro lugar fugir-nos.

 

 

É difícil fazer um destaque no jogo de ontem. O Renato Sanches deu nas vistas, mas parece-me que se está a colocar demasiado peso nos ombros dele. O entusiasmo do público de cada vez que ele tem uma boa intervenção acaba por contagiá-lo, e isso leva-o a cometer alguns exageros de individualismo que lhe via na equipa B e à consequente perda de bola - embora, verdade seja dita, muitas vezes ele subia praticamente sozinho, já que os colegas não o acompanhavam, e depois ficava sem qualquer opção de passe.

 

O segundo lugar deixa-nos expostos a algumas equipas que seria muito bom evitar, embora, vendo as coisas de um forma pragmática, eu nunca achei que as nossas probabilidades de sucesso na próxima fase da Champions fossem particularmente altas, mesmo que terminássemos no primeiro lugar. Quando muito haveria uma ou duas equipas que nos permitiriam acalentar esperanças legítimas de qualificação (o Gent, por exemplo), mas a maior parte das equipas que passaram seriam sempre um obstáculo difícil. A Champions é para fazer dinheiro, e neste momento o objectivo mínimo está alcançado. Tudo o que vier a mais, será um bónus.

por D`Arcy às 00:17 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sábado, 05.12.15

85

A superioridade incontestável do Benfica num jogo em que a Académica praticamente não conseguiu dar réplica permitiu-nos alcançar uma vitória tranquila e perfeitamente natural, mesmo com uma exibição que esteve longe de ser exuberante.

 

 

Neste jogo vimos o regresso do Jonas à titularidade, saindo a fava ao Gonçalo Guedes, que face ao bom desempenho do Pizzi nos últimos jogos se viu relegado para o banco. Apesar da disponibilidade do Samaris, o Fejsa manteve a titularidade de Braga. A primeira parte do Benfica, e em especial os primeiros vinte e cinco a trinta minutos, foi pobre e revelou novamente muitos dos problemas que temos sentido este ano quando defrontamos equipas que se fecham completamente na defesa. E foi precisamente isto que a Académica veio fazer à Luz, já que praticamente abdicou do ataque e, como é habitual na maior parte das equipas que vêm à Luz, acantonou múltiplas linhas de defesa junto à sua área. Perante isto, o Benfica voltou a revelar-se demasiado lento e com pouca imaginação. No meio campo, e ao contrário do que temos visto, o Renato Sanches actuava quase paralelamente ao Fejsa, ficando o Benfica com dois médios quase sempre muito recuados e pouco participativos no ataque, o que roubou qualidade ofensiva ao nosso jogo. A equipa parecia estar mais uma vez a contar com as iniciativas individuais do Gaitán ou do Jonas, mas até nesse aspecto particular não fomos muito felizes. Os poucos fogachos que houve no jogo apareceram quase sempre pela direita e nos pés do Pizzi, so que esta noite ele esteve particularmente infeliz na altura de decidir, optando sempre pela finalização mesmo quando tinha colegas melhor colocados, e saindo-se sempre mal. O jogo parecia caminhar a passos largos para um nulo ao intervalo quando um penálti absolutamente desastrado do guarda-redes da Académica sobre o Gaitán nos deu a oportunidade para desfazer esse mesmo nulo. O Jonas agradeceu e não desperdiçou. A vantagem mínima ao intervalo era justíssima porque o Benfica foi a única equipa que a procurou, mas a exibição deixava muito a desejar.

 

 

 

Para a segunda parte a minha surpresa foi a manutenção do Fejsa em campo, já que ele próprio se tinha encarregado de ver um amarelo de forma absolutamente disparatada, e jogando ele na posição em que joga, e da forma como joga, o segundo amarelo e consequente expulsão eram um risco a ter em conta. O Benfica melhorou um pouco no segundo tempo, em parte porque o Renato pareceu ter mais liberdade para se adiantar mais no terreno, o que proporcionou logo mais opções nos movimentos atacantes da equipa. Mas a vantagem mínima manteve-se teimosamente durante muito tempo, sobretudo porque apesar da equipa ter conseguido construir algumas jogadas de ataque mais interessantes, ter estado mal da fase de decisão. Por diversas vezes os nossos jogadores conseguiram ganhar a linha de fundo ou ficar em posições privilegiadas, mas optaram mal ou executaram mal o último passe, pelo que remates com selo de golo foram muito poucos, e o guarda-redes da Académica não ia sendo obrigado a grande trabalho. A Académica mantinha-se quase inofensiva, sendo que o 'quase' se deve a uma única jogada de algum perigo, em que o Gonçalo Paciência conseguiu escapar à marcação do Lisandro e ganhar a linha de fundo, mas o passe para o colega que estava em posição para marcar foi interceptado no limite pelo Jardel. Até que ao minuto sessenta e oito o Benfica beneficiou de um segundo penálti claríssimo (num só jogo conseguimos ter o dobro dos penáltis que tínhamos até agora em toda a época) por mão na bola de um defesa da Académica. O Jonas voltou a não perdoar, e até marcou o penálti melhor, enviando a bola para o lado contrário daquele para onde o guarda-redes se lançou. O Samaris entretanto tinha entrado para o lugar do Fejsa, o que libertou ainda mais o Renato, e também as entradas do Gonçalo Guedes e do Carcela acabaram por mexer com o ataque do Benfica, que agora conseguia aproveitar os espaços que a Académica ia concedendo para criar mais perigo. E foi assim que, a cinco minutos do final, chegou o melhor momento do jogo, num golaço do Renato Sanches. Descaído sobre a esquerda, flectiu para o meio e desferiu um potente remate ainda bem de fora da área que fez a bola parar apenas no fundo da baliza adversária. Ao minuto oitenta e cinco um  grande golo do miúdo que joga com o 85 na camisola, que permitiu fechar o jogo com um resultado folgado e em clima de festa.

 

 

Volto a dizer que o jogo do Benfica não foi deslumbrante, pelo que tenho dificuldade em fazer grandes destaques. Mas para escolher alguém, tem que ser o Renato Sanches, sobretudo pelo que fez na segunda parte. Durante a primeira pareceu-me algo retraído - ainda que tenha tido um ou outro bom momento, como um passe a deixar o Pizzi em excelente posição para marcar - mas à medida que se foi libertando foi assumindo cada vez maior preponderância no nosso jogo, para terminar em alta com um golo soberbo.

 

Foi mais uma vitória por uma boa margem e sem sofrer golos. E, pareceu-me, também sem terem sido necessárias grandes correrias, o que pode ser um pormenor importante para o compromisso europeu que se segue. Podemos já estar apurados, mas terminar no primeiro lugar do grupo seria muito agradável. motivador, e dar-nos-ia uma posição mais confortável no sorteio da próxima eliminatória.

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por D`Arcy às 01:31 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Terça-feira, 01.12.15

Solidez

Apesar das várias ausências, uma disposição táctica diferente deu ao Benfica mais solidez, permitindo-nos aproveitar da melhor maneira uma boa entrada no jogo para regressar de Braga com a vitória e a subida ao terceiro lugar.

 

 

Sem Luisão, Samaris e Sílvio, o Benfica surpreendeu ao apresentar-se em Braga deixando o Jonas no banco. O Jiménez, que tinha marcado dois golos a meio da semana, cedeu o lugar na frente de ataque ao Mitroglou. Na defesa jogou o André Almeida à direita e o Lisandro fez dupla com o Jardel. E no meio campo, regressado de lesão, o Fejsa saltou directamente para a titularidade, ao lado do Renato Sanches. Ao Gaitán ficou entregue a função de ligação ao ataque, com o Pizzi a ocupar uma das alas. O Benfica teve a melhor entrada possível no jogo, com um golo logo aos três minutos - já o ano passado isto tinha acontecido, mas depois passou-se o que sabemos. Um grande trabalho individual do Mitroglou na área deixou a bola nos pés do Pizzi, que tirou um adversário da frente e, às três tabelas, rematou para o golo. O Braga pareceu ser surpreendido pela entrada do Benfica no jogo. O meio campo reforçado do Benfica, e muito por mérito das acções do Renato Sanches e do Pizzi, que constantemente fechava ao meio, conseguia (finalmente, acrescento eu) fazer uma pressão mais subida no terreno de forma eficaz. O facto do Renato cair imediatamente sobre o médio mais recuado do Braga (em vez de vermos aquele estatismo exasperante do Samaris e do Talisca lado a lado, por exemplo) baralhou muito a saída de bola do Braga. O Fejsa também se mostrou bastante agressivo na pressão, e tudo isto resultou em mais recuperações de bola junto à área adversária do que se calhar eu tinha visto na época inteira até agora. O jogo estava animado, e cada uma das equipas levou perigo à baliza adversária através de livres.O segundo golo surgiu aos onze minutos na sequência de uma bola que o cruzada para a área que o Braga não conseguiu afastar eficazmente. O Jardel ganhou nas alturas e a bola acabou por ir ter com o Lisandro bem no centro da área, que controlou no peito e rematou rasteiro para o golo. Respondeu quase de imediato o Braga, que enviou uma bola ao poste e depois viu o Júlio César negar-lhe o golo na recarga. Durante estes primeiros minutos o jogo esteve sempre bastante aberto, numa toada de parada e resposta, mas a partir da meia hora o Benfica começou a juntar mais as linhas e a querer acalmar o ritmo de jogo, apostando em maior segurança para depois tentar saídas rápidas para o contra-ataque. O Braga apostava mais em cruzamentos longos para a área, mas praticamente não conseguiu criar lances de perigo.

 

 

A segunda parte foi mesmo de quase total contenção por parte do Benfica. Que conseguiu, quase sempre de forma relativamente simples, os seus intentos. De facto, tendo em conta o que tem sido o historial mais recente do Benfica em Braga, este é bem capaz de ter sido um dos jogos mais tranquilos que o Benfica lá fez nos últimos tempos. Parece-me que também faltou a habitual agressividade extrema e consequente arraial de pancadaria que costumamos ver o Braga aplicar nos jogos contra o Benfica (basta lembrarmo-nos do ano passado, por exemplo). Apesar de haver muito mais posse de bola da parte do Braga, eles nunca conseguiram exercer nenhum tipo de sufoco sobre a nossa baliza, e não foram muitas as ocasiões de golo criadas. Os lances mais perigosos foram resultados de bola parada, um para cada lado. O Gaitán atirou uma bola à barra ainda na fase inicial desta segunda parte, e a resposta do Braga foi dada pelo Filipe Augusto, que também de livre fez exactamente a mesma coisa. Em ambos os lances, os guarda-redes estavam completamente batidos. O nosso amigo lagartão Hugo Miguel também teve oportunidade para deixar a sua marca no jogo, ignorando olimpicamente um penálti do tamanho da Sé de Braga cometido sobre o Pizzi, quando este se aprestava para fazer a recarga a um primeiro remate do Gaitán, numa das poucas ocasiões em que o Benfica, aproveitando já o total balanceamento atacante do Braga, explorou o contra-ataque. Mas a prioridade era mesmo manter a vantagem conquistada, e nesse aspecto o Benfica revelou-se hoje um pouco mais sólido na organização defensiva, preenchendo melhor os espaços e jogando com as linhas mais juntas. O que fez com que mesmo quando algum dos suspeitos do costume fizesse algum disparate na abordagem a um lance (o Lisandro ou o Fejsa são dos mais perigosos nesse aspecto particular) houvesse quase sempre alguém por perto para compensar ou emendar o erro.

 

 

Como destaque escolho o Pizzi, que repetiu a exibição positiva que tinha feito a meio da semana. Parece ter-se desadaptado às funções de médio que desempenhou durante a época passada, mas está a reencontrar-se no regresso às alas, sobretudo no aspecto táctico, já que foi sempre muito importante na recuperação da bola. Para além disso, marcou o sempre importante primeiro golo. Depois, menciono também o Renato Sanches. Nem precisa de deslumbrar ou fazer malabarismos com a bola. A simples presença de um verdadeiro médio 'todo o terreno' no onze já é suficiente para fazer diferença. Um dos problemas do Benfica tem sido a forma quase estática como os médios participam no jogo. Quase não pressionam, não fazem transporte da bola, e limitam-se quase apenas a ocupar posições lado a lado à frente da defesa. O Renato Sanches movimenta-se, dá linhas de passe e pressiona adversários. Mesmo cometendo erros ou exageros naturais para um jogador que ainda nem terminou a sua formação, creio que se continuar a evoluir desta forma acabará por se tornar imprescindível. Aliás, neste momento creio que já será difícil substituí-lo por alguém que consiga fazer o mesmo que ele tem andado a fazer. Nem tanto por achar que ele seja já algum fenómeno, mas sim porque não me parecer existir no plantel outro jogador com as mesmas características.

 

Foi uma vitória importantíssima, numa altura em que qualquer outro resultado poderia causar uma instabilidade muito difícil de controlar (os media bem me pareceram andar já a afiar as garras à espera de um deslize, sendo que o anão com o ego gigante, ponta-de-lança da lagartagem na comunicação social e porta-voz não oficial do nosso ex-treinador chegou a falar em eleições antecipadas e tudo). Este resultado permitirá acalmar um pouco as coisas e devolver confiança à equipa, que bem precisa dela.

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por D`Arcy às 01:08 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quinta-feira, 26.11.15

Sofrível

Uma exibição sofrível, um jogo que chegou a parecer muito mal parado, mas uma boa reacção permitiu evitar a derrota e ver o apuramento carimbado após a derrota do Galatasaray em Madrid.

 

 

Com várias ausências, vimos o Lisandro e o miúdo Renato Sanches serem chamados para a titularidade. Os flancos ficaram entregues ao Pizzi e ao Gonçalo Guedes, face à suspensão do Gaitán, e no ataque o Jiménez voltou a ser o escolhido. O Benfica começou o jogo por cima, mas foi mais uma vez surpreendido num contra-ataque rápido, que permitiu ao Astana colocar-se em vantagem. Por mais de uma vez esta época já dei comigo a pensar que tínhamos uma boa dose de infelicidade, já que os adversários marcavam na primeira oportunidade que tinham, ou de cada vez que subiam ao ataque marcavam. Mas ao fim de ver estas coisas acontecer tantas vezes, dá para chegar à conclusão de que se calhar não é propriamente azar ou infelicidade, mas sim um resultado concreto da forma como (não) defendemos. Se há um ponto que tem que ser muito trabalhado na nossa equipa, ele é mesmo a quase total ausência de rotinas defensivas. Os erros são sempre os mesmos e repetem-se jogo atrás de jogo. Inexistência de uma linha de fora de jogo coordenada, que permite que as bolas colocadas nas costas da defesa encontrem adversários em jogo, buracos abertos entre os centrais e os laterais (ou pior, entre os próprios dois centrais) que não são tapados ou compensados, marcações à toa em bolas paradas, etc. Por isso, sem surpresas, na segunda vez que o Astana chegou à nossa baliza fez o segundo golo, desta vez no seguimento de um livre lateral. Não é que a vitória fosse fundamental para as nossas aspirações em seguir em frente (veio depois a comprovar-se, com o resultado do Galatasaray em Madrid, que até com uma derrota ficaríamos apurados), mas estar, à meia hora de jogo, a perder por dois contra uma equipa de mongóis estreantes na Champions cuja táctica mais elaborada era chutar bolas para as flechas africanas da frente era demasiado mau.

 

 

Felizmente o Benfica conseguiu reduzir a diferença ainda antes do intervalo, numa jogada simples mas bonita e eficaz, na qual o Jonas explorou as costas do lateral num lançamento e centrou para um cabeceamento do Jiménez na zona do primeiro poste. Isto permitiu ao Benfica vir para a segunda parte mais confiante e partir à procura do golo do empate. Fomos mais pressionantes e aproveitámos também o que me pareceu ser um progressivo estoiro físico do Astana, que à medida que o tempo passava se dedicava cada vez mais apenas a defender. A entrada do Talisca resultou mais uma vez em nada - não que o Samaris estivesse a ser particularmente feliz, mas o Talisca na posição oito conseguiu ser pior do que o miúdo, que por sua vez também perdeu ao recuar no terreno. Mas a pressão do Benfica acabou por dar resultados a vinte minutos do final, numa jogada de envolvimento entre o Jiménez, o Jonas e o André Almeida (tinha entrado para substituir o lesionado Sílvio) pela direita, que terminou com um cruzamento rasteiro deste último para um remate meio enrolado do mexicano, levando a bola a bater no poste mais distante e a entrar. A partir deste momento, quase que me pareceu que houve um pacto de não agressão entre as duas equipas, que estariam então satisfeitas com o resultado. O Benfica trocou o Jonas pelo Cristante para reforçar o meio campo, mas não forçou muito frente a um Astana que nesta fase parecia estar fisicamente de rastos e a desejar que o jogo terminasse o mais rapidamente possível.

 

 

O destaque maior vai para o Jiménez, que marcou os dois golos. Se calhar marcaria mais golos se se dedicasse a estar sobretudo na zona do ponta de lança, em vez de vaguear tanto pelo ataque. Acaba muitas vezes a interferir nas zonas de acção do Jonas, e quando o Benfica quer colocar a bola na área não tem quase ninguém por lá. O Pizzi é capaz de ter feito o melhor jogo pelo Benfica em muitos meses. E não fazendo uma exibição fulgurante, acabei no entanto por ficar bastante agradado com o Renato Sanches. Quanto mais não seja porque conseguiu ser um médio muito menos estático do que os colegas mais consagrados têm sido nos últimos jogos. Ao contrário deles, o Renato mexe-se quando não tem bola para proporcionar linhas de passe. Tentou integrar-se nos movimentos de ataque da equipa, e pressionou os adversários para recuperar a bola quando a equipa defendia. E quando a bola era recuperada e lhe chegava aos pés, fazia uma coisa que quase me deixava surpreendido, visto que há muito tempo que não a via: corria com ela nos pés e transportava-a para o ataque, dando oportunidade para que se fizesse uma transição rápida. Desconfio que não via um médio do Benfica fazer isto para aí desde a última vez que o Enzo jogou com a nossa camisola.


A questão da Champions ficou então mais ou menos arrumada (falta decidir o primeiro lugar) e agora é altura de regressar aos jogos para consumo interno. Segue-se um jogo muito complicado em Braga, com ausências importantes e arbitrado pelo maior lagarto que existe na arbitragem nacional, que não perde uma oportunidade para prejudicar o Benfica. As coisas já não estão famosas, mas não ganhar o próximo jogo pode significar um adeus muito precoce a quaisquer ambições em relação ao título.

por D`Arcy às 16:06 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 22.11.15

Zero

É a única palavra que me vem constantemente à cabeça para descrever aquilo que o Benfica joga hoje em dia. Zero. Nadinha. Mandamos onze jogadores para dentro do campo, e depois pode ser que saia alguma jogada, ou alguma iniciativa individual. Porque em termos de equipa, nada me parece trabalhado nem vejo evolução por mais boa vontade que eu queira ter e por mais tempo que eu queira dar. Lamento, faço o que posso, mas simplesmente não consigo ver. A nossa equipa hoje em dia é uma manta de retalhos sem rei nem roque, que ataca mal e defende ainda pior e que vê cartões estúpidos numa série de jogos - hoje conseguimos ter dois jogadores expulsos por palavras (um deles no banco) - o que se calhar revelará alguma coisa acerca do estado de espírito actual do plantel.

 

 

Hoje até começámos da melhor maneira possível, com um golo no primeiro remate que fizemos, pelo Mitroglou logo aos seis minutos. Mas a mentalidade pequena não deu para mais, fomos recuando progressivamente no terreno, a partir do final do primeiro quarto de hora já o factor choque do golo a abrir tinha sido esbanjado, e como a equipa não sabe defender acabou por conceder um golo que só posso apelidar de anedótico no período de descontos antes do intervalo (quando o intervalo chegou, esse tal primeiro remate que fizemos e que deu golo continuava a manter-se teimosamente como o único remate feito). Depois pareceu que jogámos sobretudo a pensar no prolongamento, e a seguir a isso a pensar nos penáltis. Deu para o torto, sofremos mais um golo a oito minutos do final do prolongamento e acabou-se. E sim, o Jorge Sousa é um escroque, mas isso não é de hoje, é de sempre, e se calhar em vez de estarmos a fazer barulho agora deveríamos era não ter ficado a dormir no início da época enquanto os outros davam a golpada do Proença na Liga. Depois disso acontecer, tudo isto era previsível. Agora é chorar sobre leite derramado.

 

Para que conste, eu sou benfiquista e não um adepto do Jorge Jesus. A partir do momento em que ele é posto a andar do Benfica, é passado e assunto arrumado; estou-me positivamente nas tintas para ele. O meu problema, já o disse e volto a dizer, nunca foi dispensarem os serviços do Jorge Jesus. O meu problema foi sempre a escolha feita para o substituir. Era um ponto fulcral: era fundamental acertar na escolha. E na minha opinião, falhámos. Tenho a certeza de que o Rui Vitória tem o seu valor e as suas competências, mas sinceramente nunca o consegui ver como a pessoa certa para o lugar que ocupa. E quem me conhece sabe bem que esta já era a minha opinião muito antes de algum benfiquista sonhar sequer com a possibilidade de se trocar de treinador. Tendo em conta o futebol que sempre vi nas equipas por si orientadas, não acreditava que ele fosse o treinador certo para trazer sucesso ao clube. Infelizmente, e pelo menos até agora, ainda não consegui mudar de opinião. Eu não culpo o Rui Vitória pelo que se está a passar; ele faz o melhor que sabe e pode. Para mim a culpa é de quem o escolheu - e a culpa não mora apenas nessa escolha, porque houve ainda mais erros a acumularem-se, nomeadamente na construção do plantel. Mas pronto, o que eu mais desejo é estar espectacularmente errado e que no final da época venham aqui gozar comigo e acusarem-me de não perceber absolutamente nada sobre futebol depois dos títulos que conseguirmos conquistar. Acreditem que poucas coisas me darão tanto prazer.

 

Por agora, para julgar tenho apenas os números daquilo que foi feito até agora. E esses dizem-me que em quatro meses conseguimos acumular tantas derrotas frente aos patetas do Lumiar quantas aquelas que tínhamos averbado nas últimas oito épocas juntas. E pelo caminho, já perdemos dois troféus. Pode ser apenas coincidência, ou um indicador de que alguma coisa está errada. Ou então, se calhar, só é preciso ter paciência e dar mais tempo.

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por D`Arcy às 10:34 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Segunda-feira, 09.11.15

Indiscutível

Vitória indiscutível da única equipa que jogou para ganhar e que até poderia ter sido por números mais dilatados, ainda que a exibição tenha ficado longe do que seria mais desejável. Mas o Boavista nunca conseguiu apresentar argumentos em campo para dar ao Benfica uma oposição digna desse nome, em particular no ataque, e acabou por ser uma presa fácil.

 

 

Apenas uma alteração no onze que tinha jogado na Champions, com o regresso do Samaris a significar a saída do André Almeida das escolhas iniciais. O jogo foi, desde o início, aquilo que se esperava tendo em conta o conhecimento que tenho da equipa do Boavista. Montou um castelo em frente à sua área, apostou em defender o nulo até à exaustão, e literalmente não existiu em termos ofensivos - deixou apenas um homem sozinho na frente (Uchebo), que eu considero um dos avançados tecnicamente mais limitados que eu já vi jogar (a sério, o Martin Pringle seria um virtuoso comparado com este tipo). O Benfica no entanto revelou sempre muitas dificuldades para derrubar a muralha defensiva do Boavista. Pouca rapidez de processos, pouco jogo de equipa - frequentemente a imagem do portador da bola a esbracejar com os colegas porque estava quase toda a gente parada, entregue à marcação e sem dar linhas de passe - e assim ficámos dependentes sobretudo de acções individuais para tentar furar aquela defesa. O que, quando se apanha tanta gente à frente, tem menor probabilidade de sucesso. Mais uma vez houve a variação táctica de trocar os extremos, o que me deixa sempre com aquela sensação nostálgica de ter voltado vários anos atrás no tempo, mas que em termos concretos nos retira o melhor flanqueador que temos do seu lugar natural, e onde tem criado diversos golos para os colegas. O Gaitán na direita fez aquilo que, presumo, seria expectável e pedido dele, ou seja, flectiu sempre para o centro e tentou rematar, esbarrando sempre na floresta de defensores do Boavista. Claro que uma estratégia como a do Boavista desmorona-se assim que sofrem um golo, e felizmente conseguimo-lo a cinco minutos do intervalo, na melhor jogada da primeira parte (também não me recordo de muitas outras ocasiões de golo). Depois de um canto em que a bola foi aliviada, o Sílvio abriu na esquerda para o Jardel, este deixou para o Gaitán, e o passe atrasado para a entrada da área encontrou o Gonçalo Guedes, que com um remate colocado de primeira fez o golo.

 

 

A segunda parte foi um bocadinho melhor do que a primeira, o que até tem sido mais ou menos frequente esta época. Houve um pouco mais de velocidade, mais envolvimento ofensivo dos laterais, e provavelmente uma tímida tentativa do Boavista de subir mais terá também acabado por nos dar mais algum espaço para atacar. O Jonas ficou perto do segundo, num remate colocado de fora da área que levou a bola a bater pela primeira de três vezes nos ferros da baliza. As arrancadas sobretudo do Gaitán e do Gonçalo Guedes iam dando alguma animação ao jogo, que nesta altura me parecia ter apenas dois desfechos possíveis: ou ficava tudo como estava, porque conforme disse antes o Boavista não mostrava a menor capacidade para fazer o que quer que fosse no ataque, ou então o Benfica fazia o segundo golo e arrumava de vez com a questão. Acabou por se verificar a segunda hipótese, ainda que tenha sido necessário esperar quase até ao final do jogo para ver esse segundo golo acontecer. Antes disso o Talisca, de livre, fez a bola acertar pela segunda vez nos ferros, depois de desviar na barreira. Incrível a forma como não entrou mesmo tendo batido na parte interior do poste. Mas desta vez aplicou-se mesmo o ditado de que à terceira é de vez, porque já à beirinha do fim o Carcela (que tinha entrado para o lugar do Jonas) aproveitou a recarga a um cabeceamento do Jardel à barra para acabar com quaisquer dúvidas que pudessem haver, marcando pela segunda jornada consecutiva. O centro para o tal cabeceamento do Jardel veio, como não podia deixar de ser, dos pés do Gaitán. Até final, realce para a estreia do Renato Sanches no Estádio da Luz (que hoje esteve muito bem composto, com mais de 46.000 espectadores). Já se tinha estreado oficialmente pela equipa principal na última jornada, desta vez pôde fazer a estreia em casa. Foram apenas trinta segundos, mas ainda deu para tocar duas vezes na bola.

 

 

Não foi uma exibição de encher o olho e portanto nem houve desempenhos individuais particularmente brilhantes. O Gonçalo Guedes foi um dos melhores. Trabalhou como sempre, marcou o golo que desfez o nulo, e só fiquei com pena que não tivesse sido um pouquinho mais egoísta num lance em que, sozinho, teve uma arrancada fantástica onde deixou todos os defesas para trás, e quando estava em frente ao guarda-redes decidiu tentar passar a bola para a entrada da área em vez de finalizar. Se tivesse marcado esse golo, provavelmente via a cotação subir em flecha. O Gaitán esteve mais discreto do que é habitual, mas é impossível passar ao lado do jogo, e deixou a sua marca com uma assistência e a participação no lance do segundo golo. Gosto também quase sempre de ver o Samaris jogar, mas por vezes parece-me que se desperdiça a fazer mais do que aquilo que deveria ser necessário. Mas neste momento, fazendo dupla com o Talisca, por vezes parece que é o único médio da equipa. O Sílvio parece estar a subir lentamente de forma e hoje fez um jogo bastante razoável. Quanto ao Jonas, achei que hoje exagerou no individualismo e agarrou-se demasiado à bola - certamente também pelos motivos que apontei antes.

 

Foi uma vitória natural e esperada, mas importante como todas as vitórias o são. Agora vamos ver se conseguimos aproveitar a pausa competitiva para consolidar processos e continuar a recuperar jogadores. Anseio pelos regressos do Salvio e do Nélson Semedo, que nos trarão muito mais opções e qualidade.

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por D`Arcy às 01:12 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quarta-feira, 04.11.15

Merecida

Uma vitória suada mas inteiramente merecida do Benfica sobre o Galatasaray, que desde já garante a continuidade nas competições europeias e nos deixa também com muito boas perspectivas de apuramento para a fase seguinte da Champions (bastará para isso que o Galatasaray não vença os seus próximos dois jogos).

 

 

Com a equipa privada do contributo do Samaris (suspenso), o André Almeida regressou à titularidade no meio campo, ao lado do Talisca. Na defesa, a experiência Clésio não podia ser repetida porque ele não está inscrito na Champions, pelo que o Sílvio voltou para a direita e o Eliseu, depois de ter passado directamente da titularidade para a bancada, fez agora o percurso inverso. A entrada do Benfica no jogo foi animadora e prometia. Velocidade, agressividade, e o Benfica a carregar desde o apito inicial. Ameaçou o Gaitán, o Jiménez, e o jogo passava-se quase sempre no meio campo turco. O Galatasaray parecia satisfeito com o empate, o que era algo estranho considerando a sua posição no grupo. Mas a pujança do Benfica durou mais ou menos vinte e poucos minutos. Depois disso o nosso jogo foi-se tornando progressivamente menos fluido e cada vez mais confuso. Não ajudou, pelo menos na minha opinião, a opção de trocar os extremos de flancos. O Gaitán tem sido um enorme desequilibrador a jogar pela esquerda. É o jogador que mais facilmente consegue ganhar a linha de fundo (e na ausência do Nélson Semedo é praticamente o único que o faz) e tem criado diversos golos dessa forma. A jogar na direita a tendência era naturalmente a de flectir para o centro, onde os turcos amontoavam jogadores. Deixámos de ameaçar tanto a baliza adversária, pese uma ou outra jogada - ficou-me na memória sobretudo um passe do Gaitán que isolaria o Gonçalo Guedes na cara do guarda-redes, mas ele hoje não esteve nos seus dias e tropeçou quando tentava receber a bola. Por outro lado, também o árbitro da partida desatou a disparatar com um critério aparentemente aleatório na mostragem dos amarelos, tendo talvez perdoado o segundo a um jogador turco por jogar de forma ostensiva a bola com o braço.

 

 

Voltou o Benfica a entrar bem no início da segunda parte. Novamente mais velocidade, Gaitán de regresso à esquerda e com mais apoio do Eliseu nas acções ofensivas, e o Benfica a acercar-se da baliza turca. Cedo chegou ao golo, pois tinham decorrido apenas sete minutos quando isso aconteceu. Livre do Talisca para a cabeça do Jardel, a bola a ir ter com o Luisão que ficou meio embrulhado com ela, mas depois apareceu o Jonas para chutar de primeira de pé esquerdo e fazer o primeiro golo na Champions este ano. Parecia tudo bem encaminhado, mas fiquei com a sensação de que recuámos imediatamente após o golo. O Galatasaray, talvez pela primeira vez no jogo, veio para a frente e demorou apenas seis minutos a repor a igualdade. Foi num lance enervante em que a nossa defesa pareceu incapaz de afastar da área a bola vinda de um lançamento lateral, e esta acabou por sobrar para um remate cruzado de primeira do Podolski que não deixou possibilidade de defesa ao Júlio César. Praticamente no primeiro remate que os turcos fizeram à nossa baliza, marcaram. Lá teve que vir o Benfica novamente para a frente em busca da vitória, e voltou a empurrar o Galatasaray para o seu meio campo. Também não foi preciso esperar muito tempo para que o golo voltasse a surgir. Nove minutos após o empate, numa insistência após um canto o Jiménez cruzou a bola da zona do primeiro poste para o segundo, onde o Luisão, sozinho, a controlou e rematou para o ângulo da baliza. Desta vez o Benfica não cometeu o erro de querer defender logo a vantagem, e como resultado disso podia e devia tê-la aumentado, já que teve ocasiões para o fazer. As mais flagrantes tiveram assinatura do Gaitán, primeiro num livre onde fez passar a bola por baixo da barreira, mas a que o Muslera respondeu com uma grande defesa, e depois numa jogada individual de contra-ataque, na qual deixou a bola de calcanhar para um golo fácil do Jiménez. Mas o mexicano acabou por permitir a (grande) defesa do Muslera. A parte de maior sofrimento veio a cinco minutos do final, quando o critério disciplinar do árbitro valeu um segundo amarelo ao Gaitán e consequente expulsão. Aí foi tempo de cerrar fileiras e defender a vantagem. O que conseguimos fazer, embora passando por dois sobressaltos: um remate de fora da área que não passou muito longe, e uma situação já no período de descontos na qual após uma enorme defesa do Júlio César um jogador turco ficou com tudo para marcar na recarga, mas atirou por cima.

 

 

Não foi dos melhores jogos que já o vi fazer, mas ainda assim parece-me que o Gaitán foi dos jogadores em maior destaque na nossa equipa. Sobretudo quando jogou na esquerda - não gosto tanto de o ver do lado oposto. O Jiménez corre e luta muito, pressiona, mas um avançado vive de golos e estes parecem fugir dele. Ocasiões como a que desperdiçou hoje não podem acontecer. O Gonçalo Guedes hoje teve um jogo infeliz, em que pouca coisa lhe saiu bem. Nunca desiste e luta por todas as bolas, mas hoje não esteve nos seus dias. E porque passam a vida a bater no homem, sinceramente, achei que o Eliseu fez um jogo bastante razoável.

 

Esta vitória era fundamental para as nossas aspirações europeias, e foi por isso de extrema importância tê-la conseguido. Parece-me que o Benfica é uma equipa claramente superior ao Galatasaray, apesar de alguns nomes sonantes que jogam na formação turca, e por os jogadores sentirem isso a derrota na Turquia deve ter custado muito. Foi por isso muito bom corrigir o erro. Agora é tempo de voltar a centrar as atenções no campeonato e no jogo que se segue, contra o Boavista.

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por D`Arcy às 01:40 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Sábado, 31.10.15

Fácil

Um jogo que o Benfica cedo tornou fácil resultou numa vitória folgada, obtida sem grande esforço aparente. Foi o cenário ideal para recuperar de dois resultados negativos e ajudar a recuperar animicamente a nossa equipa.

 

 

Algumas alterações para este jogo, a começar nas laterais. O Sílvio passou da direita para a esquerda, e do outro lado a surpresa com a estreia absoluta do moçambicano da equipa B Clésio. O Eliseu passou directamente para a bancada. No meio campo, uma opção bastante mais ofensiva com o Talisca a fazer o André Almeida sair do onze após a desastrosa exibição do último jogo. Nem sequer deu tempo para começarmos a ter qualquer tipo de preocupação neste jogo, pois logo aos três minutos, e na primeira vez que chegámos à baliza adversária, marcámos. Mais uma assistência do Gaitán, que fez o cruzamento quase sobre a linha final, e mais um golo do Jonas, que cabeceou a bola sobre o guarda-redes adversário, aproveitando um certo mau posicionamento deste. Apenas mais alguns minutos decorridos e já o marcador funcionava novamente, desta vez num autogolo do Berger, que atabalhoadamente e sem estar sequer pressionado enviou uma rosca para dentro da própria baliza depois de um cruzamento do Jonas. Com dois golos de vantagem ao fim de doze minutos de jogo, as coisas ficavam praticamente resolvidas e portanto o Benfica pôde jogar de forma pausada quase descontraída, gerindo o esforço para o jogo da Champions. Pareceu-me que nos limitámos a controlar a bola e o ritmo sem forçar praticamente nada, pelo que o jogo nem foi particularmente interessante de seguir. O melhor momento acabou por surgir na jogada do terceiro golo, obtido perto do intervalo. Bom passe do Jonas para a desmarcação do Gonçalo Guedes, que evitou o guarda-redes e depois marcou de ângulo já algo apertado. Eficácia mais do que absoluta do Benfica, que chegou ao intervalo com três golos marcados em dois remates feitos. Melhor era difícil.

 

 

A segunda parte foi para mim ainda menos interessante de seguir. O Benfica pareceu dedicar-se quase em exclusivo a deixar correr o tempo sem despender grande esforço, e o Tondela fez o que podia para tentar chegar a algum golo que pudesse no mínimo lançar um pouco de incerteza no desfecho do jogo. Mas sinceramente nem me recordo de algum lance com sequer indício de perigo. Mesmo perante este ritmo o Clésio acabou por ceder fisicamente e teve que ser substituído na estreia. Quase que dava para adormecer a ver o tempo passar, mas as coisas lá acabaram por animar um pouco nos vinte minutos finais, depois da troca do Gaitán pelo Carcela. Apesar de algum excesso de individualismo, o marroquino acabou por mexer com o ataque na busca de um golo. Ameaçou com um remate muito bem colocado que foi correspondido com uma defesa muito boa do guarda-redes, mas pouco depois acabou por conseguir mesmo o desejado golo, num remate rasteiro de fora da área após um canto. Acabou por ser o ponto alto de uma segunda parte enfadonha, na qual há a assinalar a estreia do Renato Sanches pelo plantel principal, tendo entrado a quinze minutos do final para o lugar do Jonas.

 

 

A destacar alguém no Benfica, escolho o Jonas, que marcou um golo e assistiu para os outros dois (se por acaso se pode considerar uma assistência num autogolo). Gostei do Samaris, e o Carcela conseguiu mexer com o jogo quando entrou - mas, conforme disse, revelou-se demasiado individualista em algumas ocasiões. Sem ter nada contra ele, confesso que não percebi a aposta no Clésio. Nunca tinha jogado naquela posição, e mesmo na equipa B raramente é opção sequer para a posição dele. Durante o jogo não me impressionou, o que até acho natural dado que juntava à estreia na equipa principal a estreia também a lateral. O Rui Vitória disse no final que ele tem sido trabalhado naquela posição e tem evoluído bastante, e como quem trabalha com os jogadores durante a semana é ele, então saberá melhor os motivos para esta aposta.

 

É um tanto ou quanto estranho que tendo o Benfica vencido por números tão confortáveis, o apito final tenha chegado e eu tenha ficado ocom a sensação de que a exibição nem sequer foi de encher o olho. Se calhar os golos tão cedo permitiram ao Benfica jogar de forma mais pausada. De qualquer forma o importante é mesmo a primeira vitória fora, e por números dilatados. Parece-me que um jogo tranquilo destes era o que esta equipa necessitava nesta altura. Agora é trabalhar para dar um passo decisivo para a qualificação na próxima terça.

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por D`Arcy às 01:26 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Domingo, 25.10.15

Patética

Uma exibição patética e uma derrota vergonhosa. É o resumo mais simples que posso fazer do jogo de hoje. Se ainda conseguia dar algum benefício da dúvida às capacidades do Rui Vitória, apesar das reservas que sempre tive, hoje para mim essas dúvidas ficaram praticamente desfeitas. Perdemos o jogo porque a batalha táctica na zona do meio campo foi claramente perdida, e porque em três meses o JJ conseguiu ensinar a equipa dele a defender, enquanto que nesse mesmo espaço de tempo a nossa equipa desaprendeu a fazê-lo: nas três primeiras vezes que chegou à nossa baliza o adversário marcou três golos, qual deles o mais consentido. Já em termos atacantes, a nossa produção foi nula.

 

Até pode ser que o Rui Vitória aprenda, evolua, e consiga mais alguns brilharetes esta época, sobretudo em jogos nos quais não tenha a obrigação de assumir a iniciativa - espero sinceramente que sim. Mas quanto à minha confiança nas suas capacidades actuais, essa ficou seriamente abalada. Lamento, não gosto de ser excessivamente pessimista, mas para mim uma derrota assim é muito simplesmente um atestado de incompetência.

 

A coisa mais positiva do jogo de hoje foi o apoio constante vindo das bancadas, mesmo perante todas as adversidades. Com maior ou menor crença numa ou noutra pessoa, estaremos sempre com o Benfica.
por D`Arcy às 20:01 | link do post | comentar | ver comentários (51)
Sexta-feira, 23.10.15

Desconcentração

Não soubemos aproveitar uma entrada perfeita no jogo, e a desconcentração defensiva que se lhe seguiu permitiu a reviravolta ao Galatasaray e resultou numa derrota e no desperdício de uma grande oportunidade para dar um passo decisivo para a qualificação.

 

 

A indisponibilidade do Nélson Semedo foi resolvida da forma mais lógica, fazendo-se a sua substituição directa pelo Sílvio. Não faria muito sentido retirar o André Almeida do meio campo, onde até agora tinha dado boa conta de si, e com isso fazer duas alterações num onze que tem obtido bons resultados. O início de jogo dificilmente poderia ter sido melhor, já que ainda não estavam decorridos dois minutos e já estávamos em vantagem, fruto de mais um pormenor fabuloso do Gaitán. Depois de um livre marcado rapidamente pelo Jonas, o argentino recebeu dentro da área, ganhou no corpo a corpo com um defesa, sentou um segundo, e à saída do guarda-redes picou-lhe a bola por cima. Tudo perfeito e um grande golo. A reacção turca ao golo foi forte, e irritou-me que não tivéssemos sabido tirar partido da forma algo precipitada como eles o fizeram. Meteram muita gente na frente e com isso deixaram a defesa bastante desguarnecida, mas nunca fomos capazes de armar um contra-ataque em condições que pudesse explorar isso. O lado direito da nossa defesa foi o elo mais fraco da nossa equipa a defender, e foi por aí que o Galatasaray atacou repetidamente até chegar mesmo ao golo do empate, já depois de algumas ameaças. O golo surgiu na marcação de um penálti, a punir um corte com a mão do André Almeida. E não demorou muito até que surgisse o segundo golo, desta vez numa falha do outro lado da defesa: o Eliseu 'esqueceu-se' do Podolski, o Jardel ficou um pouco atrasado e colocou-o em jogo, e depois o remate do alemão fez a bola passar entre as pernas do Júlio César. Em meia hora o Galatasaray tinha conseguido inverter o resultado.

 

A segunda parte até pareceu começar mal, com uma bola a acertar no ferro da nossa baliza, mas o Galatasaray pareceu sobretudo interessado em defender a vantagem, que lhe permitiria pôr fim a um ciclo de dez jogos consecutivos sem vencer na Champions. O Benfica teve mais bola e procurou o golo do empate, mas uma combinação de falta de sorte e má finalização impediu que se conseguisse esse objectivo, apesar dos vários remates feitos. Gaitán, Jonas, Jiménez, qualquer um deles teve oportunidade para igualar o jogo. As substituições também não ajudaram: desta vez pareceu-me que o nosso treinador esteve pouco inspirado e falhou nas escolhas feitas. Custou-me aceitar a saída do Gonçalo Guedes ou a opção de, nos minutos finais, colocar o Gaitán como falso lateral, o que só o afastou da zona de decisão. A entrada do Pizzi de nada serviu, mas isso foi pouco surpreendente tendo em conta aquilo que tem feito nas últimas vezes em que foi chamado. O Benfica acabou com mais posse de bola e mais remates, mas na estatística que realmente conta, os golos marcados, perdeu. 

 

De uma forma geral gostei das exibições do Samaris e do Jardel. O Gaitán voltou a deixar uma marca de classe na Champions. Menos bem pareceu-me o Sílvio, que aparenta estar com muita falta de ritmo. Ou isso, ou então já me tinha habituado demasiado ao ritmo do Nélson Semedo e agora noto a diferença.

 

Foi uma derrota algo frustrante e pouco convincente, mas que em nada compromete os nossos objectivos. Por isso há que esquecê-la rapidamente e pensar em regressar às vitórias o mais rapidamente possível.

por D`Arcy às 02:39 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sábado, 17.10.15

Susto

Deixámos meia dúzia de titulares de fora, mas apresentámos uma equipa que era mais do que suficientemente forte para resolver este jogo sem grandes problemas. Mas apesar de termos controlado completamente o encontro durante 99% do tempo, ainda assim não nos livrámos de um pequeno susto e fomos obrigados a sofrer um pouco para vencer no tempo regulamentar.

 

 

O jogo começou com o Talisca isolado na cara do guarda-redes antes dos quinze segundos de jogo, a permitir a defesa deste. Foi o mote para que ele se tornasse uma das figuras do jogo, com várias defesas que contribuiram decisivamente para que o Benfica não avolumasse o resultado. Este lance não foi no entanto mote algum para o jogo do Benfica durante a primeira parte. De uma forma geral, e apesar do já referido controlo total do jogo (nem um remate do adversário) o nosso futebol foi lento, teve uma intensidade demasiado baixa e não criámos muitas ocasiões de golo. Salvou-se como momento alto o grande golo do Carcela aos trinta e oito minutos (até aí não tinha feito nada), num remate de primeira que levou a bola ao ângulo. No segundo tempo entrámos decididos a resolver o assunto, e nos primeiros minutos tivemos diversas ocasiões para o fazer - amais flagrante uma bola ao poste pelo Mitroglou - mas o desperdício e o guarda-redes do Vianense foram mantendo a diferença mínima no marcador. Como quem desperdiça muito corre sempre riscos, arrisca-se, foi isso mesmo que aconteceu. A quinze minutos do final o Vianense fez finalmente uma espécie de remate à baliza, e cinco minutos depois rematou mesmo a sério e saiu um golão. Um remate de muito longe levou a bola a entrar junto ao ângulo, sem hipóteses de defesa, e empatou o jogo. Animou-se o Vianense e voltou a rematar mais uma vez de longe com perigo, com a bola a passar muito perto depois de uma grande defesa do Júlio César. Só a um minuto do final é que o Jardel, na sequência de um canto marcado pelo Pizzi, nos deu a vitória e livrou-nos de meia hora extra de esforço.

 

Alguns dos jogadores chamados hoje à titularidade estiveram abaixo das expectativas. Não gostei do Pizzi ou do Talisca, por exemplo. O Sílvio parece ainda estar longe da melhor forma e enquanto isso acontecer vamos ter saudades do Nélson Semedo. O Carcela fez um primeira parte quase nula, mas o golo fez-lhe bem e na segunda parte melhorou. Importante mesmo acaba por ser a vitória e a passagem à eliminatória seguinte da Taça. E tendo em conta aquilo que vi, não me parece que os nossos jogadores tenham ficado particularmente cansados para o próximo compromisso da Champions.

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por D`Arcy às 00:52 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Terça-feira, 06.10.15

Convincente

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O desempenho do Bafo de Carvalho ontem na TVI é a explicação mais convincente que podia haver para o facto dele ter sido eleito presidente daquele clube e ser entusiasticamente apoiado pela enorme maioria dos seus adeptos (o olhar bovino-derretido do Barroso era por si só toda uma exuberante declaração de amor incondicional). Vaidade, falta de nível, hipocrisia e obsessão/ódio ao Benfica: Eis o Sporting actual.

 

O comportamento do representante do Benfica no mesmo programa esteve no mesmo baixo nível, alinhando numa peixeirada que não imagino que possa orgulhar alguém. Mas pelo menos tenho a satisfação de saber que a pessoa em questão não só não é, como com toda a certeza nunca poderia sequer sonhar ser presidente do meu clube.

 

Espero, sinceramente, da parte do Benfica uma resposta ao nível da consideração que esta personagem merece. Ou seja, deixá-lo simplesmente sem resposta. Alimentar peixeiradas é aquilo que o tipo mais deseja, e a lama onde se sente confortável a chafurdar.

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por D`Arcy às 18:06 | link do post | comentar | ver comentários (25)

10

Numa equipa de futebol, o número 10 é, tradicionalmente, atribuido àquele jogador que se distingue pela sua qualidade técnica acima da média e pela capacidade de utilizar essa mesma virtude em favor da equipa e ‘transformá-la’ em vitórias, não raras vezes “virando” um jogo que não está a correr de feição.

Ser o “10” de uma equipa de futebol é muito mais do que ocupar uma posição no terreno (tipicamente entre o meio campo e o ataque - até porque nem sempre o é...). Ser o 10” é ser aquele jogador que, nos momentos decisivos, é capaz de transportar a equipa para a vitória, marcando aquele golo decisivo ou conduzindo aquela jogada, concluída com aquele passe para golo que só um “10” é capaz de fazer consistentemente. Ou, do nada, fazer uma jogada genial que só um “10” se lembraria de fazer.
Jogando em diferentes posições, em modelos tácticos diferentes e em épocas diferentes, Pelé, Zico, Platini, Maradona e Zidane foram verdadeiros “10”, assim como é actualmente Lionel Messi.
No Benfica, Coluna, Eusébio, Chalana, Rui Costa e Aimar, cada um em seu tempo, cada um à sua maneira, cada um na sua posição, também fizeram jus ao número 10 que envergaram nas costas.

Osvaldo Nicolás Fabián Gaitán (re)confirmou, na 4ª feira passada, no Estádio Vicente Calderón, que também ele tem um lugar na história como “10” do Benfica.

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Mesmo considerando que durante vários anos ostentou o nº 20 nas costas, mesmo actuando mais sobre a esquerda, irei sempre associá-lo ao nº10, na certeza de que, como “verdadeiro 10” que é, ainda irá fazer pelo Benfica muitas mais coisas que um “10” é capaz de fazer. Para além do mais, é vice-capitão (continuando a braçadeira de capitão muito bem entregue ao Luisão).


Mas já que falei do “10” enquanto número conotado com uma determinada posição no terreno, não posso deixar de falar no Jonas. O Jonas “Pistolas”.

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A sua superior qualidade técnica, a inteligência com que se movimenta em campo e antevê o desenrolar das jogadas, o empenho com que, não raras vezes, recua no terreno (até junto da nossa área, se necessário) para ajudar em tarefas defensivas, para depois orquestrar jogadas de ataque e, de seguida, concluí-las (muitas vezes com sucesso), levam-me a olhar para ele como o “10 não-oficial” no actual modelo táctico do Benfica. Pode não ter o “10” nas costas (pois esse número está justamente atribuido ao Gaitán). Nos esquemas tácticos das televisões e sites desportivos, é sempre apresentado como (2º) ponta-de-lança. Mas considerando o “10” numa perspectiva funcional, o Jonas é, para mim, esse jogador.

Quinta-feira, 01.10.15

Remontada

Uma exibição muito personalizada, solidária e aguerrida valeu-nos um importantíssimo triunfo em Madrid frente ao Atlético, e de 'remontada', naquele que será em teoria o jogo mais difícil que tínhamos para disputar no nosso grupo da Champions League.

 

 

A troca do Mitroglou pelo Jiménez na frente foi a única alteração no onze, certamente com o intuito de dar maior mobilidade e velocidade no ataque para um jogo em que se adivinhava que o contra-ataque seria uma arma importante. O jogo iniciou-se como era previsível. O Atlético é uma equipa muito forte em casa e começou imediatamente a pressionar bastante alto e de forma muito agressiva. O Benfica tentou responder na mesma moeda e teve algum sucesso, mas acabou por ser naturalmente e progressivamente empurrado para o seu meio campo, com o Atlético a começar a criar ocasiões de golo e a revelar-se perigoso nas bolas paradas. O Benfica apenas conseguia responder esporadicamente, tendo criado uma ocasião de algum perigo na qual o Gonçalo Guedes, já sem o Oblak na baliza, não conseguiu colocar convenientemente a bola e esta foi cortada por um defesa quase sobre a linha. A pressão do Atlético acabou mesmo por dar resultado aos vinte e três minutos de jogo, numa jogada em que o Gaitán 'esqueceu-se' de acompanhar a subida do lateral Juanfran e o centro deste foi depois tocado para a desmarcação e golo do Correa. Foi uma boa jogada de ataque dos espanhóis, mas o Juanfran teve demasiado tempo e espaço para fazer o centro. Entusiasmou-se ainda mais o Atlético e nos minutos que se seguiram ao golo fomos felizes ao não consentir um segundo, que provavelmente nos deixaria sem hipóteses de discutir o resultado. Nesta fase por duas vezes o Jackson teve o golo nos pés, mas os ferros da baliza e o Júlio César evitaram o pior. Mas aos trinta e seis minutos surgiu o golo do empate, que acabou por mudar por completo o rumo do encontro. Começou num centro largo do Nélson Semedo, na direita, a bola é ligeiramente desviada de cabeça por um defesa, e veio cair aos pés do Gaitán do outro lado do campo, que com um remate de primeira não deu quaisquer hipóteses de defesa ao Oblak. O Atlético pareceu acusar este golo e não conseguiu voltar a ser a mesma equipa que tinha sido até então, sendo muito menos perigoso e permitindo ao Benfica manter mais facilmente a bola em seu poder.

 

 

Entraram os espanhóis para a segunda parte com a intenção de repetir o forte início de jogo, mas sofreram mais um rude golpe logo aos cinco minutos. É que num contra-ataque perfeito, conduzido pelo Gaitán (claro...) pela esquerda, o argentino, após tabela com o Jonas e progressão no terreno, inventou um passe de pé direito quase perfeito para o outro lado do campo. E digo quase perfeito porque o defesa do Atlético ainda conseguiu tocar muito ao de leve na bola, desviando-a mais para junto da linha final. Mas o Gonçalo Guedes, mesmo quase sem ângulo, ainda conseguiu rematar de primeira e colocar a bola junto do poste oposto, para um grande golo. Isto sim, praticamente arrumou com os espanhóis. Em desvantagem, e apesar de terem passado a ter a iniciativa quase toda no jogo, foram à procura do golo de forma muito pouco racional, com diversas investidas pelo centro, onde encontravam uma floresta de jogadores do Benfica, ou com cruzamentos largos que eram presa fácil para os nossos centrais. Apenas por uma vez (ou duas, ambas na mesma jogada) ameaçaram seriamente a nossa baliza, num remate que foi desviado de cabeça pelo Jackson e na recarga a esse mesmo remate. Em ambas as ocasiões o Júlio César respondeu ao mais alto nível, e com duas excelentes defesas evitou o pior. Isto aconteceu poucos minutos depois do nosso golo, pelo que se pode dizer que o Benfica conseguiu manter a vantagem no marcador durante mais de meia hora sem grandes sobressaltos e com aparente facilidade. E isto muito por culpa da forma solidária e organizada como a equipa jogou. Ajudou também a forma como o Rui Vitória mexeu na equipa: as alterações que fez resultaram (sobretudo a entrada do Fejsa) enquanto que o Simeone tomou opções um pouco mais estranhas e que claramente não trouxeram melhorias à equipa. Retirar o Griezmann e o Correa (que estava a ser o jogador mais perigoso do Atlético) pareceram-me más opções.

 

 

Já disse que para mim o mérito maior desta vitória está na equipa como um todo, e quanto a exibições individuais acho que podia elogiar todos os jogadores um a um. Menciono alguns, mas podia perfeitamente escolher outros. O Gaitán é uma das minhas escolhas. É o maior talento, aquele em quem depositamos sempre as maiores esperanças para que resolva, e foi isso mesmo que fez. Um golo, uma assistência, e os adeptos do Atlético talvez tenham começado a perceber hoje que o preço que sempre pedimos por ele não era nada exagerado. O Nélson Semedo continua simplesmente fantástico. Para quem via os jogos da nossa equipa B o ano passado, o mais impressionante é ver que ele joga na Champions exactamente como o fazia nesses jogos. Para ele parece não haver diferença. Aliás, se há diferença é para melhor, porque cada vez está mais seguro a defender. O Jardel esteve imperial na defesa. O Gonçalo Guedes, sem grandes alaridos e muita humildade, vai-se impondo como titular - o que ele trabalha para a equipa nas tarefas defensivas é digno de ver. André Almeida mais uma vez a justificar a validade da aposta em si, já que veio dar muita solidez defensiva. Uma menção também para um dos jogadores que é mais frequentemente criticado, até pelos próprios benfiquistas: gostei muito do jogo do Eliseu.

 

Esta vitória é, para mim, mais importante do que os três pontos e a liderança isolada do nosso grupo da Champions. É importante pela enorme injecção de confiança que dá à equipa, pela união que mostrámos, e também para acabar com as críticas ao mau registo nos jogos fora. A única coisa negativa desta noite foi o mau comportamento de um punhado dos nossos adeptos, que com atitudes estúpidas mancharam uma noite à Benfica.

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por D`Arcy às 02:42 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 27.09.15

Relaxado

Mais uma vitória num jogo em casa, jogo este que acabou por ser bastante semelhante à maioria do que temos visto em casa esta época, mas com a flagrante excepção de um pormenor fabuloso do Jonas nos ter permitido ir para o descanso em vantagem, o que teve o condão de nos permitir ter um fim de tarde mais relaxado.

 

 

O André Almeida foi recompensado pela exibição positiva no Porto com a manutenção da titularidade, pelo que apresentámos exactamente o mesmo onze da última jornada. Como afirmo que o jogo foi semelhante ao que tem sido muito habitual esta época em casa, quer isto dizer que a primeira parte foi muito morna e jogada a um ritmo demasiado baixo para uma equipa que quer marcar golos e ganhar o jogo. O défice de criatividade num meio campo constituído pelo André Almeida e o Samaris foi algo evidente. Não quero com isto dizer que acho que a dupla tenha feito um mau jogo, apenas que não podemos pedir-lhe que façam um grande trabalho quando desempenham funções para as quais se calhar não estão mais talhados. Mais uma vez as saídas para o ataque foram demasiado lentas e previsíveis, não se conseguindo aproveitar as situações em que o adversário não estava todo colocado a defender, porque havia demasiada hesitação na altura de fazer o passe, que muitas vezes acabava a ser feito para trás. Noutras ocasiões era simplesmente a equipa que não subia suficientemente depressa, pelo que o portador da bola ficava sem opções e era obrigado a segurar a bola ou a lateralizar. O nosso principal desequilibrador (Gaitán) também não esteve muito inspirado durante a primeira parte, e portanto mais uma vez tudo parecia coordenar-se para um nulo ao intervalo, dado que o Benfica pouco rematava à baliza adversária. A excepção acabou por ser o tal pormenor do Jonas, que com trinta e quatro minutos decorridos fez o primeiro remate do Benfica à baliza no jogo (se por acaso o Benfica já tinha feito algum antes disso confesso que não dei por ele, já que apenas me recordo de uma dupla tentativa do Gonçalo Guedes, que em ambas as vezes conseguiu acertar no Luisão) e conseguiu um golo fabuloso, já que ainda de fora da área fez a bola sobrevoar o guarda-redes e entrar perto do ângulo, depois de ainda tocar na barra. Meteu-a mesmo na gaveta, e isto com o pé esquerdo, que nem é o seu mais forte. Perto do intervalo esteve muito perto de repetir a proeza, mas desta vez o remate saiu ligeiramente ao lado do poste.

 

 

Segunda parte sem alterações na equipa e na forma de jogar, e ao fim de alguns minutos parecia mesmo que nos estávamos a 'pôr a jeito', como se costuma dizer, para levarmos com o golo do empate (não que o Paços estivesse a ameaçar grandemente, mas com uma vantagem mínima no marcador está-se sempre sujeito a surpresas desagradáveis). Só que, tal como em jogos anteriores, a partir do meio da segunda parte o Benfica transfigurou-se e acelerou, resolvendo o jogo num ápice. O Mitroglou teve a primeira grande ocasião para ampliar a vantage mas, isolado frente ao guarda-redes, falhou de forma escandalosa e permitiu a defesa. Pouco depois foi substituído pelo Jiménez. Para a melhoria do Benfica nesta fase muito ajudou o facto do Gaitán ter aparecido no jogo mais ao seu nível. E quando o Gaitán se apanha com a bola controlada num 1x1 com o defesa, passa por ele quase 100% das vezes e cria ocasiões de golo. Foi com intervenção directa dele que em pouco mais de cinco minutos o Benfica fez dois golos e dissipou quaisquer dúvidas. Primeiro fez o passe para o interior da área, onde o Gonçalo Guedes apareceu para marcar o seu primeiro golo pela equipa principal do Benfica, e depois fopi também dele o passe para a zona do segundo poste, onde uma vez mais o Gonçalo Guedes recebeu e fez a assistência para um golo fácil do Jonas. Tudo resolvido e tempo para não forçar demasiado, talvez a pensar no jogo da Champions que se segue. Deu até para voltar a ver o Carcela jogar alguns minutos e ainda para ver o Luisão acertar no poste, depois de falhar um cabeceamento e acertar com o ombro na bola.

 

 

Para mim o Jonas é o homem do jogo, por motivos óbvios. Parece-me que ele este ano está a recuar ainda mais no terreno para vir buscar jogo, o que é importante porque permite compensar o défice de criatividade que existe muitas vezes no meio campo. O Gaitán esteve bem, sobretudo na segunda parte, quando finalmente apareceu. O Gonçalo Guedes fica inevitavelmente na história do jogo, já que acaba-o com duas assistências e um golo. Sinceramente, até ao momento do golo não estava a ter uma exibição particularmente bem conseguida, agarrando-se demasiado à bola por diversas vezes e inevitavelmente perdendo-a. O golo deverá ter sido importante para lhe dar confiança, e logo a seguir esteve muito bem na assistência para o segundo golo do Jonas. Gostei do jogo que o André Almeida fez.

 

O registo em casa continua perfeito, é preciso agora passá-lo para os jogos fora. Mas parece-me que será também importante não continuar a entrar de forma tão relaxada e dar tantas facilidades aos adversários nas primeiras partes, porque nem sempre será possível resolver jogos nas suas fases mais adiantadas. Agora, recuperado que está parte do estrago da última derrota, é tempo de pensar no próximo compromisso para a Champions.

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por D`Arcy às 00:41 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 21.09.15

Infeliz

Uma derrota infeliz num jogo com duas partes muito distintas e que apareceu já perto do final, numa altura em que que o jogo parecia caminhar para um empate que seria, na minha opinião, o resultado mais ajustado ao futebol jogado dentro do campo.

 

Uma única alteração no onze, já esperada dada a necessidade de apresentar um meio campo com maior capacidade de recuperação da bola: André Almeida no lougar do Talisca. E o Benfica acabou por fazer uma primeira parte surpreendentemente boa, talvez das melhores que já fizemos esta epoca. A equipa toda a actuar num bloco sólido, a conseguir pressionar alto e a impedir que o Porto pudesse fazer o seu jogo mais típico de posse de bola constante. Ao bom jogo do Benfica faltaram os golos, já que pelo menos por duas vezes o Casillas salvou o Porto, após cabeceamentos do Mitroglou e do Luisão, com duas grandes defesas. Durante esta primeira parte mantivemos o Porto relativamente bem controlado, já que no ataque foi quase inofensivo e não causou quaisquer problemas ao Júlio César. Na segunda parte o cenário mudou completamente. O Porto entrou mais forte, acertou no poste logo a abrir e foi sempre a equipa mais perigosa e que esteve por cima do jogo. Não foi um sufoco constante, já que ocasiões de golo e mesmo remates foram poucos e apenas por uma vez o Júlio César teve que intervir, mas o Benfica é que praticamente desapareceu em termos ofensivos, e foi progressivamente parecendo cada vez mais conformado com o empate. As equipas equivaleram-se em termos de remates e ocasiões de golo, mas infelizmente a três minutos do final surgiu o lance que desequilibrou e resolveu o jogo, numa arrancada pelo meio do filho do maior e mais maldoso caceteiro que alguma vez pisou os relvados portugueses (o filho é consideravelmente melhor jogador do que o pai alguma vez foi). Houve uma enorme falha de cobertura por parte do nosso meio campo, que permitiu que se abrisse uma clareira enorme à frente da nossa defesa onde, depois de uma tabela com um colega, o André André se isolou e bateu o Júlio César com um remate rasteiro e colocado. Foi um golpe duro que ditou uma derrota num jogo que, na minha opinião, não merecíamos ter perdido.

 

Apesar da derrota parece-me que houve alguns sinais positivos que podemos retirar deste jogo, sobretudo relativamente à primeira parte que realizámos. É sempre muito mau perder com o adversário directo, mas também não é o fim do mundo e não vale a pena estar a chorar sobre leite derramado. Estamos na quinta jornada, há ainda muito para jogar, e o que eu vi esta noite não me permitiu vislumbrar qualquer superioridade incontestável da equipa que mais investiu (por larguíssima margem) para esta época e que mantém o treinador da época passada. O jogo foi perfeitamente equilibrado e acabou decidido num pormenor. Tenho esperança que melhores dias virão.

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por D`Arcy às 00:21 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Quarta-feira, 16.09.15

Tremida

Vitória mais tremida do que seria expectável à partida. A superioridade do Benfica nunca chegou a estar em causa, mas certamente que esperaríamos um triunfo mais folgado e com menos dificuldades do que aquele a que assistimos esta noite.

 

 

Foi obviamente o mesmo onze que tinha destroçado o Belenenses aquele que iniciou também o jogo contra o Astana. Os jogadores estavam lá, mas a equipa é que parecia faltar. É que hoje, durante a primeira parte, voltei a assistir ao reaparecimento do pior Benfica. Perante uma equipa que defendia com as linhas muito juntas o Benfica voltou a apresentar o futebol lento, previsível, sem chama e de posse de bola estéril com que já nos presenteou várias vezes esta época. Praticamente toda a primeira parte foi um deserto de ideias, com imensos passes para trás ou para os lados sem qualquer progressão, o já habitual afunilamento constante do jogo de ataque, agravado por inúmeros passes errados sempre que tentavam algum passe de ruptura pelo meio, e uma lentidão demasiado irritante para fazer a bola chegar até ao ataque, pois a bola passava demasiado tempo nos pés dos jogadores, que demoravam uma eternidade até decidir fazer o passe. Não sei se a equipa estaria a pensar já no jogo do Porto, mas chegou mesmo a parecer-me que os jogadores estavam a ser simplesmente displicentes, pois mesmo a defender raramente se davam ao trabalho de pressionar os jogadores adversários quando estes tinham a bola e se aproximavam da área (excepção feita ao Samaris, que pecou por excesso e andou a cometer falta atrás de falta até que o seu compatriota achou que já era demais e o amarelou). O resultado disto foi o óbvio, ou seja, mais um intervalo a chegar com o nulo no marcador, até porque remates dignos desse nome foram muito poucos. Em toda a primeira parte houve duas ocasiões de golo, ambas no pés do Jonas, e que terminaram da mesma forma - defesa do guarda-redes com o pé.

 

 

Estava à espera que o Benfica regressasse do intervalo já sem o Talisca, mas tal não aconteceu. Temi que a segunda parte fosse uma repetição da primeira, porque não parecia haver grande diferença de atitude e foi precisamente a falta dela que fez com que o Astana pregasse um enorme susto, ao atirar a bola ao poste. O certo é que este lance acordou a equipa, que empurrada pelo Gaitán finalmente imprimiu alguma velocidade ao seu jogo - já durante a primeira parte o Gaitán tinha sido dos poucos a dar alguns safanões na monotonia, mas a bola nunca lhe chegou aos pés tantas vezes quanto devia. E com seis minutos decorridos o golo lá chegou, inevitavelmente pelos pés do nosso jogador mais talentoso. Depois de duas boas jogadas individuais, à terceira, desmarcado pelo Mitroglou, entrou na área pela esquerda e rematou cruzado para o poste mais distante. O mais difícil estava feito, mas nos minutos seguintes o Benfica continuou a jogar um futebol agradável e a construir ocasiões de golo. O Mitroglou falhou um cabeceamento de forma escandalosa, atirando ao lado quando estava sozinho na linha da pequena área - grande passe do Samaris a desmarcar o Nélson Semedo na direita, e o cruzamento saiu direitinho. Mas pouco depois redimiu-se e concluiu mais uma boa jogada do Benfica pela esquerda, finalizando à boca da baliza a assistência do Eliseu- Mais uma vez o Gaitán esteve na jogada, progredindo com a bola numa iniciativa individual para depois passá-la ao Jonas, que de primeira desmarcou o Eliseu. Com os dois golos de vantagem e ainda meia hora para jogar até final, o Benfica voltou a acalmar e pareceu mais interessado em preservar a vantagem do que despender grandes esforços para a ampliar. Deu para fazer algumas poupanças de jogadores, e o jogo decorreu sem grandes incidentes até final.

 

 

Gaitán, outra vez ele, o maior destaque no jogo. Não me parece que tenha ficado minimamente incomodado por ficar no Benfica, e muito pelo contrário, está a jogar ainda melhor. Talvez seja este o seu melhor momento desde que está no Benfica, sabe que é o jogador mais decisivo em campo (a lesão do Salvio só lhe deu ainda mais responsabilidades neste aspecto) e parece sentir-se bastante confortável nesse papel. Nunca se esconde do jogo, está constantemente a pedir a bola nos pés e quando ela lhe chega, faz aquilo que poucos mais conseguem fazer. É um privilégio poder continuar a vê-lo no Benfica. O Mitroglou também fez um jogo que me agradou, manchado apenas por aquele falhanço clamoroso. Mas está a subir de forma e a tornar-se cada vez mais influente. Fiquei um pouco desiludido com o jogo do Gonçalo Guedes, que pareceu acusar a pressão de se estrear na Champions. O Talisca deve ter feito, sobretudo na primeira parte, o pior jogo pelo Benfica.

 

Três pontos são três pontos, e a eles somam-se os milhões que a vitória vale. E é sempre bom começar a participação europeia com uma vitória, para variar das últimas épocas. Mas no próximo fim de semana será necessário jogar muito mais e melhor do que aquilo que mostrámos hoje.

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por D`Arcy às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Domingo, 13.09.15

Barrigada

A melhor exibição da era Rui Vitória resultou numa barrigada de golos e consequente massacre do Belenenses. Neste jogo o Benfica conseguiu ser muito do que não tinha ainda conseguido ser esta época até agora, e os benfiquistas foram presenteados com uma exibição de gala que nos deixa cheios de confiança para os próximos desafios que temos pela frente.

 

 

No onze inicial vimos o Lisandro cedeu o lugar ao regressado Jardel e houve mais duas alterações, com o Talisca e o Gonçalo Guedes a merecerem a preferência do treinador, por troca com o Pizzi e o Víctor Andrade. Ao contrário do que já tinha acontecido esta época desta vez vimos o Benfica entrar no jogo logo em alta rotação, a pressionar muito alto e a apostar em triangulações rápidas com bastante incidência nos flancos, onde os laterais se envolviam frequentemente nas acções ofensivas, em vez da posse de bola estéril e lenta que tínhamos visto nos anteriores jogos em casa, com insistentes tentativas de furar pelo meio e que resultaram em nulos ao intervalo. Desta vez tivemos o Benfica dos últimos quinze minutos desses jogos durante praticamente todo o jogo, e o resultado não podia ter sido melhor. Até porque a confiança só pode ter ficado reforçada com o golo madrugador que abriu caminho à goleada, obtido logo aos seis minutos pelo Mitroglou, que com aparente facilidade cabeceou a bola cruzada pelo Jonas. O grego é um jogador muito diferente do Lima, mas que nos dá uma presença muito forte na área e que mesmo assim consegue ter mobilidade mais do que suficiente para oferecer outras soluções no ataque. Prova disso foi a sua participação na jogada do segundo golo, uma triangulação na esquerda em que ele acabou por libertar o Gaitán. A bola por ele centrada sofreu um primeiro desvio na cabeça do Gonçalo Guedes e foi parar aos pés do Jonas, que rematou certeiro. Foi aos dezasseis minutos de jogo, e logo por essa altura começou a cheirar a goleada. É que o Benfica jogava bem, mostrava uma grande eficácia no ataque, e asfixiava o Belenenses no seu meio campo - foi frequente ver os defesas centrais do Benfica, em especial o Luisão, bem dentro do meio campo do Belenenses a pressionar para recuperar a bola e não deixar que o Belenenses começasse sequer a organizar a saída para o ataque, recorrendo até muitas vezes à falta útil (este deve ter sido o jogo em que cometemos mais faltas, a maior parte delas no meio campo adversário). A cinco minutos do intervalo o Jonas voltou a marcar, no seguimento de um canto e de um primeiro desvio do Samaris, e a questão passou a ser apenas em que número iria parar o Benfica. Depois dos nulos ao intervalo e sofrimento dos jogos anteriores, foi uma muito agradável mudança ver a equipa para o balneário com o jogo praticamente resolvido.

 

 

No reatamento o Belenenses até pareceu ter vontade de mudar alguma coisa e procurar um eventual golo madrugador que pudesse voltar a lançar alguma incerteza no resultado, e conseguiu mesmo fazer um remate à nossa baliza (que acabou por ser o único no jogo) para forçar o Júlio César a ter algum trabalho. Mas foi mesmo apenas um fogacho, porque praticamente num abrir e fechar de olhos o Benfica fez o resultado crescer para números já pouco vistos. Foram três golos no espaço de dez minutos, entre os cinquenta e três e os sessenta e três, e se não tivessem havido poupanças depois disso se calhar os números teriam continuado a crescer até ao final. O Gaitán esteve absolutamente imparável e fez praticamente o que quis da defesa belenense, destroçando em particular o pobre lateral direito que tentou fazer-lhe frente. A jogada do quarto golo foi um exemplo disso, para depois uma tentativa de corte de um adversário fazer a bola chegar aos pés do Mitroglou, que imitou o Jonas e bisou na partida. A seguir, uma tabelinha com o Jonas permitiu que, com um toque de calcanhar, o brasileiro o deixasse na cara do guarda-redes para finalizar de pé direito. Para finalizar a goleada o Talisca enviou uma bomba de bem longe que só parou no fundo da baliza. Seis golos quando ainda faltava cerca de meia hora para o final até nos fazia pensar que o resultado poderia ser ainda mais histórico, mas seguem-se dois jogos importantes e a gestão do esforço dos jogadores nucleares era um factor que não podia ser ignorado. Deu para retirar do jogo o Mitroglou, o Jonas, e o Gaitán (com este a ter uma saída triunfal do campo) e com isto até fazer algo que era muito raro acontecer nas últimas épocas, que é dar oportunidade e minutos de jogo a jovens jogadores. Desta vez foi o Nuno Santos a poder estrear-se com a nossa camisola, tornando-se já o terceiro jogador vindo da equipa B a fazê-lo em apenas quatro jornadas. O jogo tornou-se naturalmente menos exuberante com as saídas dos três jogadores referidos, mas o Benfica nunca deixou de ter controlo absoluto, gerindo a posse de bola e o esforço de forma exemplar.

 

 

Houve vários jogadores que se destacaram, mas apesar da dificuldade na escolha, para mim o Gaitán conseguiu ser o melhor. Creio que o seu desagrado por ter permanecido no Benfica deve ter ficado bastante evidente em tudo aquilo que fez. É um jogador simplesmente fabuloso, como não há igual no nosso campeonato. Marcou um golo e esteve directamente ligado a mais três. Neste momento quando a bola lhe chega aos pés tenho a mesma sensação que tinha há umas épocas atrás sempre que o Di María pegava na bola, de que alguma coisa especial vai acontecer. O Jonas fez também uma exibição fantástica, com dois golos e duas assistências, e parece até sentir-se ainda mais confortável a jogar ao lado de um avançado com mais presença na área do que com um avançado mais móvel como o Lima. O Mitroglou fez dois golos e aos poucos vai recuperando a melhor forma. Pode vir a ser um jogador muito importante esta época e é um candidato a ocupar o lugar deixado vago pelo Cardozo, que nunca foi preenchido. Dos outros jogadores, menção para o Gonçalo Guedes, que fez um jogo muito agradável na direita e se mostrou menos egoísta e ansioso por mostrar serviço. Jogar mais para a equipa só o beneficia a ele e à própria equipa. Também gostei muito do jogo do Samaris.

 

Foi uma fantástica vitória contra um Belenenses que, ouço e leio hoje, 'não jogou nada', isto apesar de durante a semana me ter cansado de ouvir repetir que o Benfica iria passar um mau bocado frente à equipa que mais jogos oficiais tinha disputado esta época e que ainda não tinha perdido nenhum. O habitual, portanto. Importante agora é aproveitar o alento e confiança que este resultado dá para tentarmos manter este nível de jogo e conquistar os melhores resultados possíveis nos jogos que se avizinham.

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por D`Arcy às 03:40 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Domingo, 30.08.15

Ferros

Vitória arrancada a ferros sobre o Moreirense, num jogo em que mais uma vez jogámos muito mal durante a maior parte dele, para depois começar a resolver o problema que nos criámos a nós próprios outra vez a partir do minuto setenta e quatro. Acabou por ser um jogo bastante semelhante ao do Estoril, mas com duas diferenças: o resultado foi menos desequilibrado e, ao contrário desse jogo, desta vez quem o ganhou foi mais o querer e a qualidade individual dos jogadores e não tanto a equipa como um todo.

 

 

Desta vez o Victor Andrade foi titular no lado direito do ataque, sendo esta a única alteração ao onze que tinha iniciado o jogo frente ao Arouca. Quanto ao jogo jogado, infelizmente vi mais do mesmo. Ou até menos do que o mesmo a que me tenho vindo a habituar, porque sinceramente achei que hoje até jogámos pior do que nos jogos anteriores. Jogo muito mastigado, previsivelmente lento, e portanto uma presa demasiado fácil para um Moreirense que, sem surpresas, se acantonou à frente da sua área na defesa do empate. A ideia subjacente ao tipo de futebol que o Rui Vitória pretende implementar no Benfica é dar mais 'conforto' aos jogadores, ou seja, um futebol de maior posse de bola e menos correrias. O problema é que até agora isto resulta num estilo de jogo extremamente lento e previsível, e que definitivamente não parece ser a fórmula mais eficaz para ultrapassar a forma como a maioria das equipas se apresenta frente ao Benfica. A mim parece-me que transições rápidas, em que fazemos a bola e vários jogadores chegar a zonas de finalização o mais rapidamente possível e em que apanhamos o adversário desorganizado, dá melhores resultados do que ataques organizados lentamente a partir de trás, com toda a equipa a avançar em bloco, e que quando chegamos à frente apanhamos com os defensores todos posicionados e organizados, acabando nós a batalhar contra uma muralha e a tentar furá-la sobretudo pelo meio. Mas isto é apenas uma opinião minha, eu não tenho cursos de treinador e estou longe de ser um entendido na matéria. Falo apenas daquilo que eu gosto ou não de ver dentro do campo. O que é certo é que mais uma vez o que quer que tenhamos tentado fazer na primeira parte não resultou, ficámos sobretudo dependentes de acções individuais para tentar criar algum perigo e, pior ainda, o Moreirense colocou-se em vantagem assim que conseguiu fazer um remate à nossa baliza. Só depois disso é que vi o Benfica criar uma flagrante ocasião de golo, mas o Jonas conseguiu fazer o mais difícil e rematou ao lado quando tinha tudo para marcar. Quanto ao Moreirense, se já vinha jogar para o empate e tinha começado logo desde o início a praticar antijogo (aos cinco minutos já o guarda-redes estava a pedir assistência), ao apanhar-se a ganhar tornou a coisa ainda pior e mais flagrante. Foi vê-los a cair como moscas, e o jogo a arrastar-se penosamente até ao intervalo.

 


Contra o Estoril foram as alterações após uma hora de jogo que começaram a mudar o seu rumo. Desta vez o Rui Vitória decidiu não esperar tanto tempo e fez logo duas substituições ao intervalo, deixando o Pizzi e o Victor Andrade no balneário e trocando-os pelo Talisca e o Gonçalo Guedes. O Talisca até trouxe mais alguma verticalidade ao nosso jogo e o Guedes mais alguma agressividade ao flanco direito, mas no geral pouco mudou e continuámos a revelar imensas dificuldades para criar grandes embaraços à defesa do Moreirense. No ataque o Mitroglou ainda parece estar demasiado lento e preso de movimentos, mas tem presença física e hoje conseguiu por algumas vezes segurar a bola e abrir espaços para os colegas. Foi assim que proporcionou a segunda grande ocasião de golo ao Jonas, que desta vez rematou por cima da baliza. Instantes depois foi o próprio Mitroglou a desperdiçar uma grande ocasião, vendo o guarda-redes defender um cabeceamento seu para a barra da baliza (poderia ter finalizado bem melhor). O tempo continuava a escoar-se e o resultado não se alterava, o que levou o Rui Vitória a recorrer basicamente à mesma alteração que tinha tentado contra o Arouca. Fez entrar um terceiro avançado (Jiménez) trocando-o pelo Eliseu, e colocando um extremo a lateral esquerdo. Desta vez foi o Gaitán, contra o Arouca tinha sido o Carcela. A alteração foi feliz, pois um minuto após a entrada em campo o Jiménez cabeceou de forma irrepreensível um cruzamento do Gaitán para empatar a partida. E ainda o público nem se tinha acabado de sentar todo após os festejos do primeiro golo quando o Samaris, num remate de fora da área depois de um bom trabalho do Mitroglou, colocava o Benfica em vantagem. Parecia mesmo um déjà vu do jogo contra o Estoril, mas desta vez pareceu-me que nos retraímos após a obtenção da vantagem. Como tínhamos em campo uma equipa muito descompensada, com três avançados e com o Gaitán a lateral, defender a magra vantagem seria sempre uma estratégia que envolvia riscos. Infelizmente o Moreirense voltou mesmo a marcar, no segundo remate que fez à baliza em todo o jogo. É certo que o golo foi precedido de um fora de jogo tão evidente que custa (ou se calhar não) perceber como foi possível validá-lo, mas o que é certo é que foi mesmo validado e agora víamo-nos empatados em casa com apenas cinco minutos para jogar. Felizmente não foi preciso sofrer muito, porque um novo cruzamento certeiro do Gaitán permitiu tirar o máximo partido da presença dos três avançados em campo, com o Jiménez a arrastar o defesa e o Jonas a surgir sozinho no interior da área para rematar de primeira e voltar a colocar o Benfica em vantagem (parecendo depois pedir desculpa pelas duas ocasiões falhadas). Vantagem que conseguimos então controlar até final sem sobressaltos.

 

 

O homem do jogo para mim foi o Gaitán, que já soma quatro assistências para golo nos jogos disputados esta época. Vão ser dois dias muito longos até ao fecho da janela de transferências, porque na minha opinião a sua saída será praticamente impossível de colmatar com a mesma qualidade. Os miúdos Victor Andrade e Nélson Semedo não estiveram tão bem hoje, pecando por excesso de individualismo. Mas neste momento a minha maior preocupação começa a ser a forma do Luisão. Para mim é talvez o jogador mais importante do Benfica, mas esta época ainda está longe do nível a que nos habituou. Para além de erros individuais, vistos também na pré-época, vejo-o muitas vezes em situações onde se encontra completamente desposicionado, o que não é nada habitual nele. Espero que volte o quanto antes ao nível a que nos habituou.

 

O resultado foi a vitória, mas ele não faz com que eu esqueça aquilo que vi esta noite. De uma forma sucinta, a opinião que tenho é que ganhámos este jogo sobretudo porque temos melhores jogadores do que o Moreirense. Porque em termos de equipa propriamente dita, o que eu vejo é ainda muita balbúrdia e indefinição dentro do campo. A justiça da vitória é incontestável e todas as estatísticas do jogo mostrarão que o Benfica fez muito mais do que o Moreirense para o ganhar, mas há muito que trabalhar e há muito que melhorar para atingirmos o nível que esperamos do futebol do Benfica. Nem sempre o talento individual dos nossos jogadores ou um lance fortuito mais bem conseguido conseguirá resolver um jogo no qual oferecemos demasiado tempo ao adversário. Como contra o Arouca.

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por D`Arcy às 02:32 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Segunda-feira, 24.08.15

Desperdício

Tínhamos uma grande oportunidade para nos isolarmos no topo da tabela, aproveitando o empate do Porto na Madeira para ganharmos já uma vantagem pontual sobre eles. Mas infelizmente conseguimos fazer ainda pior, e registar uma inédita derrota frente ao Arouca jogando numa casa emprestada que foi praticamente nossa.

 

 

Apresentando um onze com uma única alteração em relação ao da primeira jornada (Samaris no lugar do Fejsa), o jogo acabou por ficar marcado e decidido pela má entrada que tivemos. A defender de forma desastrada, sofremos um golo logo aos dois minutos e andámos praticamente aos papéis nos minutos que se seguiram, só não vendo a desvantagem aumentar devido a uma boa intervenção do Júlio César. Depois, aos poucos, fomos melhorando e empurrando o Arouca para trás, remetendo-os a defender a sua área e a recorrer cada vez mais frequentemente às faltas para travar os nossos jogadores. Mas não soubemos tirar partido de nenhum dos livres daí resultantes. A segunda metade da primeira parte foi praticamente um assalto constante à baliza do Arouca, mas de uma maneira ou de outra aparecia sempre o guarda-redes ou um outro jogador adversário para fazer a defesa ou o corte no limite e impedir um golo que por vezes parecia certo. Quando não era isso a acontecer, era a falta de pontaria na finalização dos nossos jogadores a encarregar-se de manter o Arouca em vantagem no marcador até ao intervalo, um resultado que me parecia francamente injusto. Mas à saída para os balneários eu pensava que se o Benfica continuasse a jogar daquela forma e com aquele pendor ofensivo, o golo seria inevitável.

 

Infelizmente não foi isso que vi na segunda parte, para a qual regressou o Victor Andrade no lugar do Ola John (para variar até nem estava desagradado com o jogo do holandês). Continuámos sempre por cima do jogo, é certo, mas a produção ofensiva não foi a mesma. Para começar, a velocidade com que jogámos foi inferior, e mais uma vez se viu aquilo que tínhamos visto no jogo com o Estoril. Contra uma equipa que se fecha toda junto da sua área, se demoramos uma eternidade a fazer a bola chegar ao ataque apanhamo-los todos posicionados na defesa e depois torna-se muito complicado desmontar aquela fortaleza. Pareceu-me também que fomos insistindo cada vez mais pelo centro em vez de explorar mais as alas, facilitando assim a tarefa aos jogadores do Arouca - contra o Estoril foi pelas alas que conseguimos resolver o problema. Por diversas vezes vi os jogadores das alas a receber a bola e a virem para dentro para tentar o remate, que invariavelmente acabava por esbarrar em algum jogador adversário. Na fase final então acabámos a jogar com três avançados, quase numa de 'tudo à molhada' na área para ver se dali saí alguma coisa, mas já era tudo feito mais em desespero de causa do que com a cabeça, pelo que a probabilidade de sucesso era baixíssima. No cômputo final o Benfica fez mais do que o suficiente para ganhar este jogo, sobretudo durante a primeira parte, mas pagou bem caro uma entrada desconcentradíssima no jogo e uma segunda parte que não conseguiu acompanhar o que de melhor chegou a fazer durante a primeira parte, sobretudo por (pareceu-me) ter jogado com uma intensidade menor.

 

Num jogo que acabou por me deixar a imagem de demasiado confuso não consigo escolher jogadores que se tenham destacado claramente. Elogio o Júlio César pelo trabalho que fez, conseguindo evitar que o Arouca chegasse cedo a uma vantagem mais confortável e gostei dos passes do Pizzi no ataque durante a primeira parte. Mas acho que os jogadores estiveram todos num nível mais ou menos semelhante.

 

A primeira derrota acabou por surgir à segunda jornada, e que sabe ainda pior por causa do desperdício da oportunidade para nos distanciarmos do rival. Face ao início de campeonato teoricamente fácil que temos, teria sido muito importante somar doze pontos nas quatro primeiras jornadas e ainda melhor ir a seguir ao Porto com vantagem pontual. Mas já se sabe que se há uma forma mais fácil de fazer as coisas, normalmente não é essa a que escolhemos.

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por D`Arcy às 00:20 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 17.08.15

Estreia

Na estreia do Estádio da Luz esta época, primeira vitória com o novo treinador. Foi um jogo no qual vimos duas faces do Benfica: a primeira, que durou um pouco mais de uma hora, foi aquela que tínhamos visto durante os jogos da pré-época e na Supertaça; a segunda, dos vinte e cinco minutos finais, foi completamente diferente para muito melhor. Espero que essa face tenha vindo para ficar.

 

 

O onze escolhido para iniciar o campeonato não apresentou muitas novidades. O Nélson Semedo manteve a titularidade que tinha conquistado no jogo da Supertaça, tal como o Ola John à sua frente. A alteração principal foi a presença do Mitroglou como homem mais avançado, o que permitiu libertar o Jonas para as funções que ele tão bem sabe desempenhar. Alguma surpresa apenas pela escolha do Fejsa para actuar como médio mais recuado, pois esperaria que fosse o Samaris a jogar. A primeira parte do Benfica foi, conforme disse já, bastante fraca. Muitas dificuldades para sair para o ataque, muita lentidão e futebol muito confuso. Demorámos mais de vinte minutos até conseguir fazer o primeiro remate no jogo, o que espelha bem a pouca eficácia atacante da equipa. Iam-se destacando o Nélson Semedo e o Gaitán pelas iniciativas individuais, a que na maior parte dos casos eram mesmo forçados porque simplesmente não tinham colegas a quem passar a bola. O Estoril apresentou-se muito fechado junto à sua área e a jogar com bastante agressividade na disputa da bola, o que em nada facilitou a nossa tarefa. O que mais me preocupou foi a lentidão de processos na saída para o ataque, expressa em excessiva posse de bola e demasiados passes em zonas perigosas. Quando finalmente chegávamos à frente, já apanhávamos toda a equipa do Estoril posicionada e a dar muito pouco espaço. O Mitroglou teve uma boa ocasião para marcar, após centro do Jonas, mas o remate saiu para a bandeirola de canto, e para além disso apenas numa outra ocasião estivemos muito perto de marcar, e já perto do intervalo, quando após um canto o Gaitán assistiu de cabeça o Luisão para este rematar à barra. Mas o mesmo Luisão, já no período de descontos, marcou um livre a nosso favor de forma disparatada e acabou por ser o Júlio César a evitar o pior, ao defender o remate do adversário que se tinha isolado.

 

 

A forma como se iniciou a segunda parte não deixava antever grandes melhorias. Começou praticamente como tinha acabado a primeira, com o Estoril quase a chegar ao golo, valendo-nos uma vez mais o Júlio César com uma defesa por instinto a negar um golo praticamente feito. O jogo começou a mudar apenas quando, findo o primeiro quarto de hora, o nosso treinador fez duas substituições de uma assentada, trocando o Ola John e o Pizzi pelo estreante Victor Andrade e pelo Talisca. Acertou em cheio. Os dois jogadores que saíram estavam a ser das unidades com maior influência directa na lentidão dos processos ofensivos do Benfica. O Talisca acabou por ser fundamental para virar o jogo a nosso favor, e o Andrade foi o complemento ideal para o Semedo na direita. Pouco depois o Mitroglou falhou mais uma boa oportunidade, quando novamente a passe do Jonas rematou para a bancada. Mas à terceira foi de vez, e aos setenta e três minutos inaugurou mesmo o marcador. Fundamental na jogada a acção do Talisca, que com um passe para a esquerda desmarcou o Eliseu e permitiu finalmente uma transição rápida para o ataque. A bola seguiu para o Gaitán, que depois colocou a bola à mercê do cabeceamento certeiro do grego. Acho que o suspiro de alívio da equipa deve ter sido audível nas bancadas - diga-se que, indiferente a todo o ruído que se vai tentando fazer, os benfiquistas acorreram à Luz (mais de cinquenta e três mil espectadores) e apoiaram a equipa do princípio ao fim. Como que liberta da pressão de marcar o primeiro golo, a nossa equipa soltou-se e aproveitou também da melhor forma o facto do Estoril finalmente ter que arriscar um pouco mais, partindo para uma exibição muito agradável nos últimos minutos e construindo uma goleada que ao intervalo era de todo imprevisível. Até porque o segundo golo surgiu logo quatro minutos após o primeiro, num penálti do Jonas e novamente com intervenção decisiva do Talisca, autor do remate de primeira que foi cortado com a mão. E, decorridos mais quatro minutos, mais um golo, surgido numa combinação entre o Nélson Semedo e o Victor Andrade pela direita, com centro do brasileiro para a cabeçada colocada do Jonas. Mesmo para o final, estava reservado um momento alto, que foi o quarto golo a concluir uma bonita jogada de equipa. Novamente o Nélson e o Andrade na jogada (foram muitos jogos juntos na equipa B...) desmarcação do Gaitán e passe de calcanhar para o Nélson receber com o pé direito e rematar cruzado com o esquerdo. Golo mais do que merecido para um dos jogadores em destaque esta noite.

 

 

Alguns jogadores merecem destaque neste jogo. Começando pela baliza, onde o Júlio César teve pouco trabalho mas o que teve foi de altíssima qualidade, e a ele devemos o facto de o Estoril não ter chegado à vantagem antes de nós. O Nélson Semedo fez um jogo muito bom e sobretudo bastante desinibido para um jogador que se estava a estrear como titular no Benfica na Luz. Culminou a boa exibição com um bonito golo, mas ainda tem que corrigir alguns aspectos do posicionamento defensivo. Algo que a experiência seguramente trará. O Gaitán voltou a mostrar ser simplesmente o mais genial jogador do campeonato português. Hoje fez duas assistências e teve inúmeros pormenores de classe absoluta. Nos piores períodos da equipa por vezes exagerou nas iniciativas individuais, talvez devido a alguma frustração, e perdeu algumas bolas, mas sempre que isso aconteceu ele foi o primeiro a lutar pela sua recuperação. O Jonas somou dois golos e mais uma exibição de qualidade - com um bocado mais de pontaria do seu colega de ataque, teria somado outras tantas assistências. Gostei também do Lisandro, e conforme disse, o Talisca e o Victor Andrade entraram muito bem no jogo.

 

Chegou a parecer complicado, mas no final saímos da Luz a sorrir. Mérito para o Rui Vitória na forma como leu bem o jogo e fez duas alterações que acabaram por se revelar decisivas. Espero que esta vitória retire alguma da pressão sobre a equipa e lhe permita continuar a evoluir com maior tranquilidade. Temos umas primeiras jornadas da Liga teoricamente fáceis, o que é o ideal para assentar ideias e acumular vitórias que dêem confiança. Havendo isso, tudo o resto virá de forma mais fácil.

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por D`Arcy às 01:45 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Segunda-feira, 10.08.15

Benfica - 0 - Estrutura - 1

Sem surpresa nenhuma (infelizmente), perdemos a Supertaça para a lagartada por 0-1. O jogo resume-se muito facilmente: houve uma equipa que foi melhor, outra que usou (e abusou) do pontapé para a frente, um golo mal anulado para uma e um penalty não assinalado pelo Sr. Jorge Sousa para outra. O golo surgiu de um remate do Carrillo aos 53’, que foi inadvertidamente desviado por um jogador lagarto e traiu o Júlio César.

 

Posto isto (e porque fiz 1200 km em dois dias, de comboio e carro, prescindindo de dois dias de férias, estando acordado 22 horas seguidas, gastando uma pipa de massa só em transportes, e não estando assim muito satisfeito com o que vi), apraz-me fazer as seguintes considerações:

 

- Apesar do pouco tempo de treino, já se nota alguma coisa do treinador, com interessantes combinações atacantes e uma pressão sobre o adversário que não o deixou sair a jogar. No entanto, que escândalo foi este de colocar o Benfica a equipar de verde e branco?!?! [Ironic mode on] (Porque há sempre pessoas obtusas que não iriam perceber…)

 

- Metade dos objectivos que motivaram a troca de treinador (a “aposta na formação”) já estão cumpridos: o Nelson Semedo foi uma decisão arriscada, mas parece que teremos lateral direito para os próximos anos. Agora só falta a “estrutura” entrar em campo e começar a marcar golos… Como se percebeu, os títulos passaram a ser secundários no Benfica. (Caso contrário, não se teria prescindido de quem ganhou sete dos últimos oito troféus nacionais disputados….)

 

- Fizemos seis jogos até agora. Temos zero vitórias. Marcámos três golos, sendo que dois deles foram na 1ª parte do primeiro jogo. O que quer dizer que, nos últimos cinco jogos e meio, marcámos um(!) golo. Repito: em oito horas e 15 minutos de futebol, marcámos… um(!) golo. Sim, eu sei, os “adversários eram fortes”, “estamos no início de um processo”, “os resultados vão aparecer”, “o treinador tem pouco tempo de clube”… (Curiosamente, conheço um ou outro treinador para o qual não é preciso muito tempo para colocar a sua equipa a jogar à bola…)

 

- Vamos lá a ver o seguinte: 1) o Jonas NÃO é ponta-de-lança. É um CRIME colocá-lo a jogar no meio dos centrais e desgastar-se a disputar bolas aéreas com eles; 2) o Talisca jogou 57’ a mais do que devia. Nem devia ter entrado de início, porque aquele lugar de segundo avançado é do Jonas, mas no mínimo devia ter saído ao intervalo; 3) o Eliseu não é grande espingarda, mas foi titular durante toda a época passada. Jogar o Sílvio naquele lugar pareceu uma resposta à picardia do Jesus de dizer que o Rui Vitória tinha mantido tudo igual; 4) Jogar com o Fejsa e o Samaris é criar um fosso enorme entre os médios e os avançados. Faz lembrar a dupla Katsouranis e Yebda da excelente época do Quique…; 5) o Júlio César deve ter pontapeado a bola lá para a frente mais vezes neste jogo do que em toda a época passada. Como diz um amigo meu, alguém que diga a quem de direito que nós não jogamos com o Maazou na frente…

 

- Eu pensei que tínhamos cometido um erro histórico. Infelizmente, cada vez mais vou tendo a certeza de que cometemos ‘o’ maior erro da nossa história desportiva. O título do post não é, lamentavelmente, irónico. Temo que esta época prove que a “estrutura” que efectivamente ganha troféus foi a que nós oferecemos aos lagartos… (Que o homem nunca foi o paladino da educação já nós sabíamos há muito, mas já o era quando estava com as nossas cores. Mudou de camisola, mas está igual ao que sempre foi. Mas diz um outro amigo meu, e com muita razão, que não queria o Jesus para casar com as filhas. O que interessava é que ele nos punha a jogar bom futebol e, mais importante do que tudo, ganhava títulos. Tudo o resto é – devia ser – secundário. Se queríamos um treinador educado, tínhamos o Quique; se fosse por benfiquismo, temos sempre o Grande Toni).

 

Isto fica já escrito no início da época, porque eu nunca fui politicamente correcto, nem me revejo em pessoas que só fazem o totobola à 2ª feira. Terei todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.

 

P.S. - Pode ser que no próximo domingo no jogo de apresentação aos sócios, perdão, na 1ª jornada do campeonato, as coisas comecem a melhorar.

por S.L.B. às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Domingo, 09.08.15

Supertaça

Não vi o jogo, porque estava ocupado com outras coisas (e não tinha sequer particular interesse em vê-lo, confesso) e não vou agora dar-me ao trabalho de o ver. Não sei como jogámos nem sei sequer qual foi o onze escolhido, e também não vou dar-me ao trabalho de o saber. Soube agora do resultado, que não me surpreendeu particularmente, e a única coisa que digo é que começar uma época a perder com uns nabos que nos tinham ganho uma única vez nos últimos catorze ou quinze jogos não é certamente começá-la com o pé direito. Seguramente que a organização sabe o que anda a fazer, portanto eu ficarei simplesmente sentado à espera dos resultados.

por D`Arcy às 23:06 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Quinta-feira, 06.08.15

Mitroglou

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Se conseguir ser o avançado que era no Olympiacos, será um óptimo reforço. E vem colmatar uma lacuna óbvia desde a saída do Lima - passaremos a ter uma presença forte na área adversária, e um jogador que poderá complementar muito bem o Jonas, libertando-o para fazer aquilo que melhor sabe. Não sei se o 'roubámos' a quem quer que seja, nem me interessa saber. É um jogador com as características de que necessitávamos e provas dadas, estava disponível e fomos buscá-lo. Outros há que se comprazem e se orgulham com 'roubos', mesmo quando o que supostamente roubam estava no nosso caixote do lixo.

 

Bem vindo, e as maiores felicidades de águia ao peito.

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por D`Arcy às 23:10 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Terça-feira, 04.08.15

Regresso

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Final da pré-época e regresso das férias que decidi tirar deste espaço, porque não tenho grande paciência para a silly season que se repete todos os anos - ainda espero que alguns dos cerca de duzentos jogadores que foram apontados ao Benfica nas capas dos jornais cheguem.

 
Em relação aos jogos disputados, tenho a dizer que me deixaram com água na boca. Se o ano passado tivemos aquela pré-época miserável e depois acabámos por ganhar três troféus, pois bem, este ano não fizemos a coisa por menos e conseguimos fazer ainda pior do que o ano passado. Mas um pouco mais a sério, a verdade é que pelo menos até agora sinto motivos sérios de preocupação. Não pelos resultados conseguidos, porque resultados em jogos destes interessam muito pouco, excepção feita à Eusébio Cup - é um troféu criado por nós para homenagear uma das maiores figuras da nossa história, e como tal merece o maior respeito e uma representação condigna da parte do Benfica. E isso esteve muito longe de acontecer na madrugada de ontem.
 
Não, o motivo de preocupação para mim é mesmo o futebol jogado. E o facto de, até agora, não ter visto ao longo dos cinco jogos qualquer tipo de evolução. Pelo contrário, o que eu vi foi involução: o melhor foi a primeira parte do primeiro jogo, contra o PSG, e o pior foi a segunda parte do último jogo, contra o Monterrey. Neste momento é cedo demais para poder fazer qualquer tipo de avaliação muito concreta ao trabalho do Rui Vitória, sobretudo porque até agora ainda não vi quase nada que possa dizer que é mesmo cunho pessoal do treinador. Vi apenas uma equipa que parece presa num impasse entre uma forma de jogar a que esteve habituada durante seis anos mas que já não consegue adoptar na perfeição, e outra que eventualmente será mais familiar ao novo treinador. E com isso os jogadores parecem-me meio perdidos em campo. Muitas falhas a defender (a linha do fora de jogo desapareceu, porque não há coordenação e há sempre alguém que fica para trás e deixa o avançado em jogo, com passes atrás de passes a entrar entre o central e o lateral), ataques lentos e previsíveis (não sei se consegui ver uma única transição rápida para o ataque, daquelas que apanham a equipa adversária fora das suas posições) e quase absoluta ausência de jogo pelas faixas, com um crescente e irritante afunilar do jogo ofensivo à medida que o tempo passa. E que raio de mania é esta de colocar o Talisca, jogo atrás de jogo, à direita (mais uma contribuição decisiva para o afunilamento do jogo)? Já reclamávamos com o JJ quando ele o colocava na esquerda sempre que não tinha o Gaitán, agora temos esta inovação? Quanto à tão propalada 'aposta na formação', um dos supostos motivos principais para a troca de treinador, estou sentado à espera. Achei apenas estranho que nem nestes jogos de preparação tenhamos tido muitas oportunidades para ver o João Teixeira, o Nuno Santos, o Raphael Guzzo ou o Gonçalo Guedes, por exemplo. Vi um pouco do Nélson Semedo e gostei, embora já o conheça (e aos outros todos) da formação e da equipa B. Se o motivo é que ainda lhes falta qualidade, então só estarão a dar razão ao treinador que saiu.
 
Enfim, muito, mas muito para trabalhar e melhorar. Dou de barato que esta digressão, com diferentes fusos horários e muito calor, não deve ter ajudado em nada o rendimento da equipa. O dinheiro acaba quase sempre por falar mais alto, mas a vertente desportiva terá ficado claramente a perder, porque seguramente que teria sido mais proveitoso para um novo treinador poder ficar perto de casa, sem perder demasiado tempo com viagens e adaptações e a trabalhar de perto com um novo plantel para lhes transmitir as suas ideias. Mas seria importante, quanto mais não seja em termos anímicos, conseguir melhores resultados e exibições. Para um treinador acabado de chegar, mostrar tão pouco apenas serve para aumentar a pressão sobre ele e colocar demasiada importância no primeiro jogo oficial da época. Um fracasso flagrante nesse jogo arrisca-se a colocar em causa toda uma época.
 
Também me parece de todo errado que a menos de uma semana do início oficial da época ainda andemos ocupados a formar o plantel, sendo evidentes várias lacunas que é necessário colmatar - talvez a mais óbvia no ataque. Já o ano passado foi assim, mas depois acabou por nos sair a sorte grande com o Jonas e o Júlio César. E a sorte, umas vezes tem-se, outras vezes não. Nunca é bom abusar dela.
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por D`Arcy às 00:31 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Domingo, 14.06.15

Dobradinha

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Parabéns, rapazes. Foram, e por larguíssima margem, a melhor equipa de futsal em Portugal esta época. Terminaram a época com uma única derrota, após prolongamento e depois de uma arbitragem deplorável. E fecharam-na da melhor forma conquistando o título (e a dobradinha) em casa do principal adversário. Grande equipa, grande trabalho do Joel Rocha.

 

Com esta conquista as cinco modalidades de pavilhão do Benfica fecham a época com quatro dobradinhas conquistadas, fora diversos outros troféus conquistados. Nunca será por demais reaçar o notável trabalho que tem sido feito nas nossas modalidades. Somos o único clube representado em todas elas, e em todas apresentando equipas altamente competitivas, conforme os resultados mostram (apenas o andebol ficou em branco).

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por D`Arcy às 17:18 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Concisa

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As palavras do Fábio exprimem de forma concisa o que tem que ser a nossa atitude. Chateou-me o desfazer de uma fórmula vencedora (e a fórmula era 'Jesus + Benfica' e não apenas 'Jesus') mas Jesus saiu e agora é passado. O que fica, sempre, é o Benfica, e com o Benfica e os que cá estão estamos nós sempre.

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por D`Arcy às 00:38 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Sexta-feira, 12.06.15

Novo treinador

O Benfica confirmou oficialmente a contratação de Rui Vitória para as próximas… três épocas. A estrutura do Benfica considera que o Rui Vitória é melhor treinador do que o Jorge Jesus. Melhor dito: a estrutura do Benfica considera que o Rui Vitória está mais apto para nos levar ao tricampeonato do que o Jorge Jesus [pausa… para absorver a informação…]. Em favor da estrutura, há que dizer que eu também estava muito descrente quando o Jesus foi contratado (há links em catadupa no post anterior), mas ao segundo jogo de pré-época já se notava alguma coisa (“não deveremos embandeirar em arco, mas é impossível não ver que apresentamos uma consistência de jogo bastante razoável para esta altura da época”) e na final do Torneio de Amesterdão eu já estava praticamente convertido (“sinceramente cada vez me dá mais gozo ver-nos jogar à bola”). Peço a Eusébio que o mesmo aconteça com o Rui Vitória. Ou, se não for tão cedo, pelo menos que o seja no jogo da Supertaça.

 

Pelas declarações de quem os conhece e pelo que se sabe publicamente, não tenho a menor dúvida de que o Rui Vitória é uma pessoa muito mais urbana do que o Jesus, com um feitio… digamos… menos difícil e é benfiquista. Três qualidades essenciais num ser humano, mas acessórias num treinador. Porque no Benfica o essencial é ganhar títulos. Repito: o mais importante é continuar a ganhar títulos (e não “apostar na formação”…). Com o Jesus, isso era possível. Com o Rui Vitória, iremos ver.

 

P.S. - Eu peço desculpa, mas não consigo mudar o chip assim tão rapidamente… Isto leva o seu tempo e a bola terá de começar a rolar para eu desejar ardentemente ver sinais que me levem a engolir este enorme cepticismo. O que acontecerá com todo o gosto. Obviamente! De qualquer maneira, por princípio e para primeiro contrato, acho três anos muito tempo para um treinador. Posto isto, alguém sabe quando se começam a renovar os red pass?

por S.L.B. às 09:42 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Quinta-feira, 11.06.15

Vitória

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E pronto, está confirmado o acordo com o Rui Vitória para que este regresse ao Benfica e assuma o cargo de treinador da equipa principal de futebol. Conforme escrevi anteriormente, não era a escolha que mais me entusiasmava e que eu desejava, mas eu sou um mero adepto  e resta-me esperar que quem toma as decisões tenha voltado a acertar com esta escolha. O que interessa é que a partir de agora o Rui Vitória é o nosso treinador, e como tal tem todo o meu apoio e desejo que possa mostrar a sua competência de forma a que no final da próxima época possamos estar a celebrar a reconquista de um tricampeonato, que seria o sexto da nossa história. E independentemente da mudança de treinador a minha convicção nessa conquista mantém-se inabalável, porque é no Benfica que eu acredito sempre.

por D`Arcy às 16:43 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sábado, 06.06.15

O ego e O erro

Ponto prévio:

 

Da mesma maneira que um pessoa burra não passa a inteligente só porque está vestida com uma camisola do Benfica, quem é bom enquanto está no Benfica não deixa de o ser só porque saiu do Benfica. Vá ele para onde for.

 

O que eu mais temia, tal como exprimi no outro post, aconteceu: Jorge Jesus não vai ser o nosso treinador para a próxima época. Espero estar redondamente enganado, mas temo que tenhamos cometido um erro histórico. Antes de qualquer outra coisa, na hora da saída, é mais do que justo deixar-lhe aqui o meu mais profundo agradecimento por todas as conquistas destes seis anos e pelo futebol magnífico que fomos apresentando.

 

Eu estou particularmente à vontade para dizer isto, porque no início tive sérias dúvidas acerca da sua competência e mesmo durante o seu percurso houve uma série de coisas que não me agradaram nada (uma, duas, três, quatro, cinco e, principalmente, seis). MAS, e este MAS é essencial, o homem ganhou títulos! E, se não se quiser valorizar o facto de ele ter aprendido imenso nestes seis anos e se ver a evolução da equipa (o que me fez defender a sua continuidade em 2013 mesmo depois do que aconteceu no Jamor), isto é que deveria contar para se tomar a decisão de renovar com ele. Porque isto é que é essencial: enriquecer o palmarés. Seja com que jogadores for, é isto que nos interessa. Tenha o treinador o feitio que tiver, seja bem ou mal educado, isso não fica para a história. O que fica são as conquistas. E essas existiram em barda, especialmente nas últimas duas épocas.

 

O presidente diz que tem uma “ideia clara” para o Benfica: “um treinador sem medo de apostar nos nossos miúdos, que seja capaz de fazer projecto integrado dos escalões de formação até ao futebol profissional”. Eu acho isto óptimo em tese, mas já agora convinha que garantisse títulos. Porque eu escolho na hora um título com 11 estrangeiros na equipa em vez de vitórias morais com 11 portugueses. Aliás, esta história da “formação” tem muito que se lhe diga: os próprios lagartos, nos últimos 33 anos, só ganharam o campeonato quando não “apostaram na formação”. Portanto, só foram campeões duas vezes. Obviamente. Como justificação para não manter o Jesus, é muito fraca.

 

Por outro lado, acusa-se o Jesus de não partilhar os títulos com a “estrutura”. Em primeiro lugar, queria pedir encarecidamente o favor de não utilizarem esta palavra, porque eu começo logo a hiperventilar. Durante anos, ouvimos dizer que o CRAC ganhava campeonatos por causa da “estrutura” e todos nós sabemos o que isso significava. Aí sim, é que a “estrutura” ganhava jogos e campeonatos, com ajudas alimentares que só os acéfalos ignoram. Portanto, por favor, utilizem lá outra palavra que essa tem a conotação que tem. Além de que não me parece que tenha sido a “estrutura” a inventar um Fábio Coentrão a defesa-esquerdo, um Enzo Pérez e um Pizzi a médio-centro, um Jardel a central de eleição, etc. (a lista é muito grande e todos nós a conhecemos). Voltando ao tema, as taças não estão no museu? Não são propriedade do Benfica? Não se fica com um treinador porque ele não fala de nós? De novo, uma justificação muito pobrezinha para uma não-renovação.

 

O que me parece de todo inexplicável é esta evidência: como é que não se renova com um homem que ganhou três campeonatos em seis anos, foi bicampeão (coisa que não nos acontecia há 31 anos), ganhou seis dos últimos sete troféus nacionais e nos levou duas finais europeias seguidas (não íamos a nenhuma há 24 anos e a duas consecutivas há 53 anos!)?! É preciso estar mesmo a olhar para o acessório para não ver o cerne da questão. Alguém de bom senso acredita que o Jesus não é o melhor treinador português a seguir ao Mourinho? Não é suposto termos os melhores no nosso clube? Como é que o Benfica se dá ao luxo de prescindir de alguém assim?!

 

A partir do momento em que o Benfica não manifesta um desejo expresso de renovar com ele, é natural que o Jesus se tenha virado para outras paragens. Por isso, não tomo esta ida para a lagartada como uma “traição”. Não, não é, porque o desinteresse inicial partiu (inacreditavelmente) de nós.

 

E o que me custa mais neste processo todo é que deixámos sair o treinador que mais bem colocado estava para nos dar o 35. Sim, porque o 34 é todo mérito dele (o que fez nesta época a famosa “estrutura” foi retirar-lhe seis titulares, mais o André Gomes e o Cardozo, e compensá-lo com dois craques trintões e um Talisca que só durou meio ano…). E o 35 para a próxima época é fundamental, porque um tricampeonato nosso significaria a implosão de Mordor. A “estrutura” deles não aguentaria um terceiro ano de seca connosco a sermos campeões. E é uma pena que não se tenha dado o devido valor a isto e lhes acabemos por oferecer um balão de oxigénio, que já nem eles esperavam ter. Repito: é isto que me custa mais nesta história toda.

 

Pouco me interessa neste momento se o Jesus vai resultar ou não na lagartada. Enquanto lá estiver um presidente que faz mosh à equipa de hóquei em patins, estamos relativamente seguros. Com a sede de protagonismo que ambos têm, vai ser inevitável o choque de personalidades. No entanto, já estou mais preocupado com a performance do CRAC. E na tal estocada final que lhes poderíamos dar na próxima temporada.

 

Independentemente das razões aduzidas pelo próprio, o que mais transparece nesta decisão é o Luís Filipe Vieira a querer provar que consegue ganhar sem o Jorge Jesus. Porque o futebol é mesmo a única modalidade campeã do Benfica em que o treinador não vai continuar. E uma coisa destas é muito difícil de explicar e mais ainda de entender. No fundo, tudo se resume a uma questão de ego. Qualquer argumento utilizado esbarra logo na evidência de que o homem foi (bi)campeão. E quem é campeão tem sempre razão. Mesmo que utilize o Ola John em vez do Gonçalo Guedes.

 

Para bem de todos nós, nada me daria mais prazer do que vir aqui no final da próxima época fazer o meu mea culpa e elogiar esta decisão temerária do nosso presidente. Seria muito bom sinal.

 

P.S. – Muito, MUITO feia a rábula de fazer desaparecer o Jesus da estrutura em 3D dos bicampeões na loja do Benfica (ganhámos este campeonato sem treinador, é…?). Reescrever a história é estalinista e só deveria ser apanágio de outro clube mais a norte. Lamentável! (Parece que voltámos ao tempo dos apagões e das regas…) Também vir a público fazer-se declarações sobre a idoneidade do Jorge Jesus é algo que os responsáveis do Benfica se deveriam abster de fazer. Ou não tivessem trabalhado com ele durante seis anos. Já o conheciam, não? Independentemente do que aconteça no futuro, Jorge Jesus já está na história do Benfica como o mais titulado treinador português que passou pelo clube e, por conseguinte, um dos melhores de sempre. Saibamos respeitar isso. (Mesmo que ele no futuro hipoteticamente não o faça.)

 

P.P.S. – Também eu tenho reservas MUITO sérias em relação ao Rui Vitória (nunca achei que o futebol do V. Guimarães fosse assim grande coisa). Por mim, por todas as razões (experiência de clube grande e de Champions, vencedor de títulos mesmo com um presidente desestabilizador e resposta proporcional aos lagartos) mas PRINCIPALMENTE porque é melhor treinador, iria buscar o Marco Silva. De caras.

por S.L.B. às 18:00 | link do post | comentar | ver comentários (28)

Lição

O meu avô era do Sporting. O meu avô era a melhor pessoa do Mundo - só era pena ser do Sporting. O meu avô tinha um casaco com um símbolo do Sporting bordado por dentro. O meu avô, a quem nunca na vida tinha ouvido dizer uma asneira, uma vez mandou-me ir bardamerda por eu estar a gozar com o Sporting - seguido do momento em que, nos manifestamente poucos - dezasseis ou dezassete - anos que tive de convivência com ele, foi o que lhe reconheci de maior vergonha. Puxou-me para ele, pediu-me desculpa e um abraço, chamou-me malandro. E tudo isto enquanto eu não parava de rir. Foi o momento em que percebi que ele era mesmo sportinguista. Mas que tinha um bocadinho de Benfiquista - meu e do meu irmão, que éramos as pessoas de quem ele mais gostava no mundo.

 

Eu hoje em dia tenho pena do Sporting que já não é clube que era o do meu avô, que ele relembrava com saudade, ao tentar levar-me para o lado esverdeado, contando as histórias dos Violinos; as histórias dos grandes derbies lisboetas, de uma rivalidade que sempre foi feroz mas salutar, que não se compadecia com a gentinha de merda que aí anda hoje a desejar a morte uns aos outros - treinador bicampeão incluído.

-

Agora que te foste embora, Jesus, é que percebi que és mesmo sportinguista. Já tinha vislumbrado uns laivos disso, com uns dolorosos campeonatos mal perdidos e tudo mais, só que nos últimos dois anos, eu desculpei-te. Pedi a tua cabeça mais que uma vez, mas tu lá mostraste que sabes mais disto do que eu. Era só eu a ser adepto, coisa que tem pouco de racional.

 

Agora que vais treinar a lagartage, há uma coisa que de não te livras, que é esse bocado de Benfica que levas dentro de ti. É por isso que tens tanto lagarto a dizer que não te grama - sportinguistas talvez haja menos. Espero que um dia não olhes para trás e te arrependas - não de teres saído, mas de teres alinhado com gente que não presta. Que um dia não olhes para trás e digas que o momento de que mais te arrependes na vida é o de teres saído da Nossa Casa.

 

Vai lá treinar esse clube menor, que o Nosso é o Maior do Mundo, e não te desejo nada de bem por aí. Nem preciso de o desejar com muita força, porque quem se mete com napoleões com ilusões de uma grandeza perdida há muito, tende a ver a cabeça ser-lhes cortada. Às vezes mais depressa do que estava à espera.

 

A partir de hoje já não gosto de ti outra vez. Porque quando chegaste não te achava piada nenhuma, e mesmo enquanto foste o nosso treinador, sempre te senti como um corpo estranho, por mais que tivesse que reconhecer o teu valor. Quem tiver deixado de o fazer hoje, é desonesto e tão mitómano como o outro. O passado não se apaga, muito menos um que há tão pouco tempo também nos foi Glorioso.

 

Por tudo isso, quando voltares a esta Casa, que foi um bocadinho tua, mas só emprestada, eu não vou insultar-te, não vou achincalhar-te, não vou assobiar-te: vou levantar-me e bater-te palmas. É essa a lição que te vou dar.

 

É essa a lição de Benfiquismo que todos devíamos dar-te. Para teres ainda mais saudades da Nossa Grandeza. É que, convenhamos, nunca mais na vida a irás sentir, se não for assim.

 

Posto isto, olha... vai mas é bardamerda! Seu malandro.

por Onyros às 13:14 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quinta-feira, 04.06.15

Mudança

Estou obviamente desiludido. Porque, como já tinha dado a entender de forma bastante clara no que fui escrevendo ao longo da época, defendia uma política de continuidade. Gosto de estabilidade, detesto mudanças radicais, acredito que quando um projecto é sólido e bem fundamentado a continuidade acaba sempre por dar frutos, e neste caso já estava mesmo a dá-los. Queria portanto que o Jorge Jesus continuasse a ser o nosso treinador. Para minha pena, o Benfica não quis o mesmo e achou que estava na hora da mudança. E nem vale a pena estarem agora a querer fazer do Jorge Jesus o vilão ou o traidor, porque o que aconteceu é normal no futebol ou em quaisquer outras relações profissionais. Se ele vai deixar de ser treinador do Benfica, é porque o Benfica entendeu que não desejava que tal acontecesse. Nem o Jorge Jesus traiu o Benfica, nem quem quer que seja 'roubou' o Jorge Jesus ao Benfica. A partir do momento em que o Benfica o liberta, ele é livre de escolher o seu futuro, e qualquer um está obviamente à vontade para o contratar. Não lhe guardo qualquer rancor, considero-o um dos melhores treinadores que tive a oportunidade de ver no Benfica desde que comecei a acompanhar futebol e agradeço-lhe os títulos conquistados e as muitas alegrias que me proporcionou enquanto cá esteve. Agradeço ainda o muito que considero que aprendi sobre futebol a ver as suas (nossas) equipas jogar. Fica o amargo de boca de considerar que, neste momento, isto foi uma má decisão estratégica da parte de quem dirige os destinos do nosso clube, e espero que nunca venha a revelar-se ser um erro histórico. Os chavões não surgem por acaso, e quando se diz que 'em equipa que ganha não se mexe' é porque a experiência dita que essa é, na maioria dos casos, a melhor estratégia. Mas as pessoas passam e o Benfica continua, sempre e cada vez maior, e o meu apoio continuará a ser tão ou mais forte do que o era com o Jorge Jesus no banco.

 

Quanto a quem é apontado como o mais provável substituto do Jorge Jesus, Rui Vitória, mantenho também aquela que sabem ser a minha posição. Não é uma escolha que me agrade muito, não seria a minha primeira (ou segunda, ou sequer terceira) escolha e o futebol que as suas equipas apresentam nunca conseguiu despertar-me particular interesse. O meu nível de entusiasmo é comparável ao que senti em 2006, quando anunciaram o Fernando Santos como nosso treinador. Mas se for oficializado como treinador do Benfica, será a partir desse momento o nosso treinador, o meu treinador. Desejar-lhe-ei todo o sucesso do mundo e acreditarei nesse sucesso, porque terei todo o prazer em dar a mão à palmatória no final e reconhecer que estava completamente enganado sobre ele. Afinal, lembro-me perfeitamente que há seis anos atrás não estava nada satisfeito ou entusiasmado com a contratação do Jorge Jesus. O que só mostra que eu nem sequer percebo grande coisa disto.

por D`Arcy às 18:36 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Quarta-feira, 03.06.15

Superação

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Parece que estamos prestes a superar por LARGA margem a maior IDIOTICE da nossa história até ao momento.

 

P.S. - Quem achar que haverá algo me dará mais prazer do que vir aqui no final da próxima época reconhecer que idiota foi este post, pode ir já ao médico, porque claramente o cérebro está perdido em parte incerta.

por S.L.B. às 23:50 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sábado, 30.05.15

Tetra

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Continuando um ano simplesmente brilhante para as nossas modalidades, o basquetebol venceu estar tarde o terceiro jogo da final contra o Vitória de Guimarães e, com um clean sweep, garantiu a conquista do tetracampeonato. Mais do que isso, o basquetebol do Benfica este ano conquistou todos os troféus oficiais em disputa - Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga, Troféu António Pratas e Supertaça. Melhor era impossível, isto numa época em que até perdemos um dos nossos jogadores mais influentes (Betinho Gomes). Parabéns a toda a secção, e em particular ao grande Carlos Lisboa por todas as alegrias que nos continua a proporcionar, agora como treinador.

por D`Arcy às 23:50 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta

 

Mais uma Taça da Liga conquistada (a sexta em oito edições), mais um troféu no nosso historial, mais um 'triplete' (Supertaça, Liga e Taça da Liga) conquistado. Como já é quase um hábito, uma final contra uma equipa das chamadas mais pequenas acabou por resultar numa vitória pela margem mínima arrancada a ferros. O Marítimo não nos fez a vida fácil e usando (e muitas vezes abusando) de um jogo ríspido conseguiu manter o resultado incerto até final - beneficiando também, é certo, de um excessivo desacerto do Benfica na hora de atirar à baliza.

 

O inevitável Jonas abriu o marcador, de cabeça, numa jogada de laboratório - livre marcado pelo Pizzi para a zona lateral da área, onde surgiu o Jardel a controlar a bola e a enviá-la em balão para a marca do penálti para a cabeçada sem grande força mas com muita colocação do Jonas. Este golo surgiu já relativamente perto do intervalo, mas antes já o Benfica tinha desperdiçado uma flagrantíssima ocasião pelo Lima, que atirou ao lado quando estava isolado. A segunda parte iniciou-se num ritmo elevado, logo com uma oportunidade de golo para o Marítimo e outra para o Benfica na resposta. A seguir o Raul Silva foi finalmente expulso - finalmente porque viu o segundo amarelo à quarta ou quinta falta que fez merecedora disso. O Benfica ficou ainda mais por cima no jogo, o Lima voltou a desperdiçar uma excelente ocasião depois de ter feito quase tudo bem, mas num contra-ataque rápido o Marítimo fez o empate. Foi tudo bem feito, desde o passe para as costas da nossa defesa, passando pela desmarcação do João Diogo e depois a finalização foi muito boa também. A partir daqui o Marítimo apostou obviamente em tentar segurar o empate e levar o jogo para os penáltis, com queimas de tempo e quezílias, e mais uma vez o Benfica complicou a vida a si próprio desperdiçando ocasiões soberanas para marcar. As entradas do Talisca e do Ola John foram positivas e acabou por ser o holandês quem, a dez minutos do final, num remate cruzado a aproveitar uma sobra de uma boa intervenção do Jonas na área, fez o golo decisivo.

 

O Jonas foi o homem do jogo, com um golo e intervenção decisiva no outro. O nosso meio campo não esteve muito bem e falhou passes em demasia, em especial o Pizzi (embora o golo do Marítimo até tenha começado num mau passe do Samaris), pelo que se justificou a sua troca pelo Talisca. O Ola John entrou muito bem no jogo e dinamizou muito o nosso ataque, tendo literalmente oferecido um golo ao Maxi ainda antes de marcar o golo decisivo.

 

Assim se colocou um ponto final na época 2014/15. A tal que muitos entendidos (e não só) consideraram perdida à partida, em que os resultados da pré-época deram para exigir eleições antecipadas e em que a catástrofe era completamente previsível - só os fanáticos 'qualquercoisistas' é que se recusavam a constatar o óbvio. No final, conquistámos três dos quatro troféus internos em disputa mesmo depois da sangria que sofremos no plantel, conseguindo voltar a apresentar o melhor futebol que se viu em Portugal. Agora, na minha modesta opinião, será fundamental tentar manter a estrutura que nos deu todos estes títulos nas últimas épocas. E peça fundamental nesta estrutura é, para mim, o treinador. Espero que as pessoas saibam conversar e chegar a um entendimento que signifique o melhor para o Benfica.

por D`Arcy às 23:39 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Domingo, 24.05.15

Dobradinha

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A melhor equipa de hóquei portuguesa, que fechou hoje a época sem sofrer uma única derrota em competições nacionais, conquistou a décima quinta Taça de Portugal da nossa história e garantiu a segunda dobradinha das modalidades, depois do voleibol. Neste momento está até ainda em aberto a perspectiva de um, julgo que seria inédito, poker de dobradinhas nas modalidades de pavilhão, já que o basquetebol já venceu a taça e lidera por 2-0 a final do playoff da liga, e o futsal já venceu também a taça e lidera por 1-0 a meia-final do Campeonato Nacional. Mesmo que tal não venha a acontecer, nunca é por demais salientar o excelente trabalho que tem sido feito nas nossas modalidades, faltando agora apenas que o andebol consiga melhorar o desempenho e acompanhar as restantes.

 

A taça de hóquei foi ganha perante um adversário complicado, que passou o jogo quase todo enfiado dentro da baliza, com um guarda-redes sobre-humano (e que se calhar tomou alguma coisa estranha dado o estado alterado em que estava) e em quezílias constantes porque era a única forma que lhe poderia dar alguma hipótese de sacar um resultado. Não deu. A lógica acaba por imperar a maior parte das vezes, independentemente das estratégias que o adversário utilize. E a lógica dita que o Benfica é muito melhor do que o adversário de hoje. Por mais arruaças que tentem provocar e mau perder que tenham.

por D`Arcy às 23:04 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sábado, 23.05.15

Fecho

E pronto, está terminado mais um campeonato, o trigésimo quarto que conquistamos. Num jogo em clima de festa as duas equipas jogaram de forma descontraída e sem grandes preocupações defensivas, o que resultou num jogo aberto, com muitos remates e que poderia ter terminado com mais golos marcados de parte a parte. Como vem sendo habitual marcámos cedo, pelo Lima, mas depois disso parece-me que entrámos demasiado no clima de festa e permitimos a reacção do Marítimo, que acabou mesmo por chegar à igualdade. Mas ainda antes do intervalo o Jonas marcou e voltou a colocar-nos em vantagem.

 

 

A segunda parte foi diferente para melhor com o Benfica a ser mais dominador e a trabalhar para tentar dar ao Jonas a oportunidade de se sagrar o melhor marcador da Liga. Eram precisos dois golos, o Jonas marcou um e quanto ao que lhe faltou, pode-se queixar do auxiliar, que lhe anulou um golo limpo, mas também de si próprio, já que falhou pelo menos duas ocasiões flagrantes. Assim os quatro golos do Benfica ficaram distribuídos igualmente pela dupla de avançados, que terminam a época como segundo e terceiro melhor marcador e um total de trinta e nove golos entre si. Deu para mais dois jogadores se sagrarem oficialmente campeões, o Mukhtar e o Sílvio, com este último a ter ainda tempo para fazer uma assistência para um golo do Jonas. Infelizmente não deu para o Paulo Lopes fazer uns minutos também - infelizmente para ele, e infelizmente também para o Salvio, cuja lesão aparentemente grave foi a causa para que isso tivesse acontecido.

 

 

O Lima brilhou no fecho do campeonato, com dois golos e uma assistência. O Jonas marcou dois mas se estivesse num dia de maior acerto poderia ter marcado pelo menos outros dois. Quem brilhou também foi o Júlio César na baliza. Num jogo tão aberto o Marítimo acabou por ter mais ocasiões de golo do que seria expectável, e o nosso guarda-redes teve oportunidade para fazer diversas intervenções de grande qualidade.

 

Há mais um jogo para disputar antes de acabar a época e mais um troféu que podemos conquistar, perante o nosso adversário de hoje. Espero que a nossa equipa mantenha a concentração e uma atitude profissional nos últimos noventa minutos da época, a exemplo do que fez na segunda parte hoje - a primeira parte teve alguns momentos quase de displicência. Depois ficarei simplesmente à espera da confirmação da continuidade do Jorge Jesus à frente da nossa equipa.

por D`Arcy às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 17.05.15

34

 

Somos bicampeões, e grandes considerações futebolísticas passam para segundo plano. Entrámos a todo o gás e antes dos dez minutos já poderíamos ter o jogo mais do que resolvido. Durante a primeira parte deu até para pensar se não haveria mesmo alguma bruxaria ali pelo meio, tantas foram as ocasiões flagrantes de golo desperdiçadas. Por duas vezes a bola foi aos ferros, e o Lima e o Jonas falharam de forma inacreditável oportunidades que não é habitual perderem. A segunda parte foi bastante mais fraca, com menos ocasiões e cedo se percebeu que seria bastante difícil chegar ao golo que garantisse já a conquista do campeonato. Mas o Belenenses deu uma ajuda, marcou a cinco minutos do final e permitiu que se fizesse já a festa.

Foi a vitória do trabalho sério, de uma estrutura sólida, da continuidade e da crença num rumo. O resto é ruído de fundo.

Agora só espero ainda mais continuidade.

por D`Arcy às 22:57 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sexta-feira, 15.05.15

É hoje o jogo do título!

Toni Tractor3.jpg

Podemos conseguir hoje o primeiro troféu da época. O uso do plural não é, obviamente, por acaso. A equipa deste Senhor está na frente do campeonato e pode tornar-se hoje campeã iraniana pela primeira vez na sua história. Já na época passada, regozijámos pela conquista inédita da Taça do Irão e este Homem está a 90' de voltar a fazer história. Tu mereces tudo, grande Toni! Hoje somos todos Tractor! Força Toni!

por S.L.B. às 13:05 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 10.05.15

Qualidade

Mais uma vitória folgada, mais uma casa quase cheia e mais um passo dado em direcção ao bicampeonato. Desta vez até nem houve uma nota artística muito elevada e o jogo foi quase sempre disputado a um ritmo relativamente baixo, mas houve eficácia e lampejos de qualidade mais do que suficientes para vencer sem sobressaltos e deixar-nos a uma vitória do objectivo.

 

 

Regressou o Salvio ao onze mas confirmou-se a ausência do Gaitán, portanto em relação ao último jogo o Sulejmani passou da direita para a esquerda, mantendo-se o resto da equipa.O Benfica nem teve uma entrada em jogo tão fulgurante como tem sido habitual nos jogos em casa. O Penafiel, que lutava pela salvação (uma derrota selaria a descida de divisão) procurou pressionar no campo todo e apareceu a jogar de uma forma desinibida. Mas com sete minutos decorridos e praticamente no primeiro ataque digno desse nome, o Benfica construiu uma jogada muito bonita pela direita, com a bola a passar do Salvio para o Jonas e a seguir deste até ao Maxi, que cruzou de forma certeira para a cabeçada fulgurante e certeira do Lima. O Benfica marcou no primeiro remate que fez no jogo e com isso abria o caminho para um fim de tarde tranquilo. E quase de seguida esteve muito perto do segundo, numa arrancada do Salvio novamente pela direita que viu depois o seu passe para a zona do segundo poste ser cortado mesmo no limite por um defesa (quase fazia autogolo) quando o Lima já se preparava para bisar. O Benfica foi hoje uma equipa menos equilibrada no ataque, causando muito mais perigo pela direita, onde o Salvio e o Maxi estiveram sempre muito activos, do que pela esquerda, onde o Sulejmani teve um jogo bem mais apagado do que a semana passada. Não baixou os braços o Penafiel, que continuou a jogar da mesma forma, mas que obviamente dessa forma ficava mais exposto atrás e sujeito a contra-ataques perigosos. E foi dessa forma que o Benfica, à meia hora de jogo, chegou ao segundo golo, no segundo remate que fez no jogo - o facto de termos tão poucos remates feitos ao fim de meia hora é exemplificativo da menor exuberância do nosso jogo hoje. Depois de uma disputa de bola entre o Lima e um defesa adversário no meio campo a bola sobrou para o Salvio, que progrediu até à entrada da área e fez o passe para a zona central, onde o Jonas teve tempo para controlar e rematar a contar. Não atacámos muito durante a primeira parte, mas fizemo-lo quase sempre com qualidade e a causar muito perigo: até ao intervalo, por duas vezes mais a bola esteve muito perto de voltar a entrar na baliza do Penafiel. Primeiro foi o Jonas a obrigar o guarda-redes a uma grande defesa, a centro do Lima, e depois foi o Lima a cabecear ao poste uma bola cruzada pelo Pizzi.

 

 

A segunda parte não teve muita história. O Benfica foi mais dominador no jogo do que tinha sido durante a primeira, e após se cumprir uma hora de jogo selou a goleada com dois golos no espaço de três minutos, sempre com o Lima nas jogadas. O primeiro começou num alívio de cabeça do Jardel, ainda no nosso meio campo, que colocou a bola nas costas da defesa do Penafiel. O Lima ganhou em corrida aos adversários, subiu pela esquerda e fez um passe atrasado para a entrada da área, onde o Pizzi apareceu para rematar sem muita força mas de forma colocada, fazendo a bola entrar bem junto da base do poste. E logo a seguir o Lima recebu um péssimo passe atrasado de um jogador do Penafiel, contornou o guarda-redes e marcou com facilidade. Já teria sido bom se o jogo não tivesse tido mais qualquer acontecimento digno de ser mencionado, mas a vinte minutos do final deu-se o único facto negativo, que foi o amarelo mostrado ao Samaris e que o retira do próximo jogo em Guimarães. Num jogo mais do que decidido infelizmente o grego deixou-se levar pelas provocações do adversário (coincidência ou não, um jogador formado no Porto) e acabou por ver o cartão. O árbitro, aliás, que até aí tinha estado a fazer uma arbitragem com critérios bastante largos e sem mostrar qualquer cartão (e até acho que terá havido pelo menos um lance entre o Rabiola e o Luisão  e ainda um outro em que o Salvio foi pisado que se calhar mereciam sanção disciplinar) entrou depois num pequeno desvario e conseguiu mostrar cinco amarelos no espaço de cinco minutos. A partir do lance do amarelo ao Samaris o jogo praticamente acabou mesmo. O Benfica não voltou a criar mais nenhum lance de grande interesse, muito contribuindo para isto as péssimas entradas em jogo do Talisca e do Ola John, que substituíram o Sulejmani e o Salvio. O lance mais perigoso deu-se até junto da nossa baliza, quando um jogador do Penafiel se isolou e conseguiu evitar o Júlio César, mas acabou por ver o seu remate para a baliza ser cortado para canto pelo Jardel.

 

 

O Lima é indiscutivelmente o jogador em maior destaque, pois teve intervenção em todos os quatro golos que marcámos. Marcou dois, fez a assistência para o Pizzi, e no golo do Jonas está no iníco da jogada, quando a bola é recuperada, e no final, em que deixa o passe do Salvio passar para o Jonas. Para além disso esteve em praticamente todas as outras jogadas de perigo do Benfica no jogo. O Jonas esteve também em muito bom plano e voltou a mostrar toda a sua classe (o lance perto do final em que tem um controlo de bola incrível e depois consegue fazer o defesa adversário ir ao relvado é fantástico). Maxi e Pizzi também em bom plano, e bom regresso do Salvio.

 

E agora já só falta mais uma vitória. Ou ainda falta mais uma vitória, consoante se veja o copo meio cheio ou meio vazio. Para usar uma terminologia do vólei, que hoje brilhantemente foi aos Açores vencer a 'negra' e conquistar o primeiro tricampeonato da nossa história na modalidade, temos agora duas bolas de jogo. O ideal seria fechar as contas já na próxima jornada, mas a tarefa obviamente não será fácil. Se no entanto a nossa equipa mantiver a mesma atitude e concentração que tem mostrado nos últimos jogos, a vitória que nos falta poderá estar muito perto de acontecer.

por D`Arcy às 04:38 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 03.05.15

Passeio

Previa-se uma deslocação complicada do Benfica até Barcelos, por tudo aquilo que antecedeu o jogo, com a tentativa bacoca de pressão por parte de um cada vez mais desesperado Lopecoiso, que contou com a ajuda de uma sempre solícita comunicação social. E também porque, apesar da má classificação do Gil Vicente, aquele não é um campo do qual tenhamos muito boas recordações nas deslocações mais recentes. A somar a isto, algumas exibições menos convincentes que o Benfica fez fora de casa esta época, sobretudo em deslocações ao Norte do país. Mas no final o jogo acabou por ser quase um passeio triunfal perante o habitual mar vermelho que empurra a nossa equipa para as vitórias.

 

 

O factor surpresa na nossa equipa foi, para mim, agradável. Em vez de jogar o Talisca numa das alas, o que se ia adivinhando perante a indisponibilidade do Salvio e a não convocação do Ola John, surgiu o Sulejmani a titular. E a aposta deu resultado, porque o sérvio assinou uma exibição positiva à qual só terá mesmo faltado um golo. Num relvado que me pareceu estar claramente demasiado alto para aquilo que é habitual, o Benfica entrou no jogo decidido a resolver o assunto cedo, como tem feito em grande parte dos jogos esta época. E desde o início que deu para perceber que seria muito improvável que as coisas corressem mal para o nosso lado, porque o Gil Vicente parecia incapaz de controlar a dinâmica ofensiva do nosso jogo e as constante deambulações do Jonas ou do Gaitán. Pela direita o Maxi também raramente tinha oposição digna desse nome, aproveitando da melhor maneira os espaços que os movimentos do Sulejmani da ala para o centro lhe proporcionavam. E no centro do terreno o Samaris e o Pizzi impuseram-se facilmente. O Benfica demorou quinze minutos até abrir o marcador, numa jogada bonita em que o Capela desmarcou o Capela, e este em frente ao guarda-redes não foi nada egoísta e fez um passe para o lado e ligeiramente atrasado que permitiu uma finalização fácil ao Capela (com o Capela também já a aparecer para finalizar). Pronto, na verdade foi o Lima a desmarcar o Sulejmani -às vezes dá jeito ter um extremo a jogar a extremo - e o passe deste permitiu o golo ao Maxi com o Jonas também em boa posição para finalizar. Mas quem tivesse ouvido o Flopecoiso esta semana provavelmente pensaria que o Gil Vicente iria defrontar onze Capelas hoje. Sete minutos depois, e com uma defesa apertada do Júlio César pelo meio a negar a melhor ocasião de golo que o Gil Vicente teve no jogo, surgiu o segundo golo. Uma jogada toda ela do Gaitán, que subiu pela esquerda, ganhou posição ao lateral e sobre a linha de fundo fez o cruzamento atrasado para uma finalização de classe e de primeira do inevitável Jonas. Percebeu-se aí que o jogo já estava resolvido. O Benfica ainda abrandou um pouco e o Gil Vicente teve mais um lance de algum perigo, numa confusão que se seguiu a um livre perigoso, mas o jogo esteve quase sempre controlado. Pena foi que antes do intervalo tenhamos ficado privados do contributo do Gaitán, que estava a ser um dos melhores, tendo entrado o Fejsa para o seu lugar (o Pizzi deslocou-se para a direita, passando o Sulejmani para a esquerda). Esperemos que a lesão não seja grave e possamos contar com ele para estes últimos jogos.

 

Se havia algum receio de um eventual adormecimento do Benfica na segunda parte, depressa se dissipou. Logo na saída de bola o Benfica foi directo para o ataque e conquistou um canto, e na marcação do mesmo o Pizzi colocou a bola para a entrada de cabeça do Luisão. Três a zero, com trinta e quatro segundos decorridos na segunda parte. E um minuto depois quase chegou o quarto, pois o Sulejmani isolou-se pela esquerda e permitiu a defesa ao guarda-redes quando até poderia ter optado pelo passe para o Lima, que estava bem colocado no centro. Antes de se completar o primeiro quarto de hora já a vantagem tinha voltado a aumentar, num golo quase todo fabricado pelo Jonas, que fugiu pela direita e centrou a bola para que o Lima cabeceasse à boca da baliza. O Gil Vicente, apesar da goleada, nunca baixou os braços e pareceu arriscar ainda mais no ataque, o que o deixava completamente exposto aos nossos contra-ataques. É verdade que ainda conseguiu ter uma grande oportunidade de golo, num cabeceamento que passou muito perto do poste e que eu até pensei que tinha sido mesmo golo, mas nesta fase a questão principal era apenas saber quantos golos mais conseguiria marcar o Benfica. A estratégia do Gil Vicente era de risco total (não me parece que fosse de todo possível darem a volta a um resultado tão desnivelado, mas às vezes prémios tentadores fazem as pessoas perder a cabeça) e de cada vez que recuperávamos a bola o Lima ou o Jonas tinham dezenas de metros de terreno livre à sua frente para sair para o contra-ataque, e quando se dá tanto espaço a jogadores destes o resultado é previsível. Surpresa para mim foi termos marcado apenas mais um golo, numa recarga do Maxi a um remate do Lima depois de mais uma bonita jogada de entendimento entre a nossa dupla de avançados. Ainda deu para me irritar com um fora de jogo mal tirado ao Jonas, que o deixaria completamente isolado e que poderia dar-lhe mais um golo na luta pelo título de melhor marcador. E mesmo sobre o final, o Jonas perdeu mais uma boa ocasião para somar mais um à conta pessoal, ao chegar ligeiramente atrasado a um centro do Lima. Contas feitas no final, uma goleada das antigas que até poderia ter sido mais volumosa.

 

Um resultado destes permite destacar praticamente toda a equipa. Mas acabo sempre por, invariavelmente, falar no Jonas. Não tenho mais elogios para fazer-lhe. A importância que ele têm na forma como a equipa ataca, o que joga e faz os colegas jogar e a qualidade que tem na finalização fazem dele, seguramente, uma das melhores contratações do Benfica nas últimas décadas, sobretudo tendo em conta que veio a custo zero. Se acabarmos por ganhar este título, ele dever-se-á, e muito, ao Jonas. Destaque natural também para o Maxi que fez um jogo soberbo. Não é todos os dias que um lateral acaba um jogo com dois golos, obtidos com finalizações na zona dos avançados, o que mostra bem a propensão ofensiva que teve e o constante apoio que deu ao ataque. O Gaitán estava a ser dos melhores enquanto esteve em campo, o Samaris e o Pizzi também fizeram um bom jogo, e por último uma menção para o Sulejmani, que regressou à titularidade passado todo este tempo e teve uma participação muito positiva.

 

Mais um pequeno passo dado rumo à revalidação do título, passo este que nos deixa a duas vitórias do objectivo, com dois jogos para disputar em casa. Está perto, muito perto, mas creio que estamos todos vacinados contra excessos de euforia e a nossa equipa saberá manter-se focada no objectivo e não perderá a concentração. Mesmo tendo em conta a mais que previsível tentativa de desestabilização que continuará a vir lá de cima enquanto as contas não estiverem fechadas. O próximo jogo pode ser em casa contra o último classificado, mas terá que ser encarado como foi este jogo contra o penúltimo: como o jogo do título.

por D`Arcy às 01:03 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 27.04.15

Nulo

Parece-me que o resultado do jogo de hoje é o reflexo exacto daquilo que se passou dentro do campo. Ninguém pode sequer querer reclamar para si uma qualquer vitória moral. Foi um jogo entre duas equipas com mais receio de perder do que desejo de ganhar, com pouquíssimas ocasiões de golo ou jogadas de grande perigo, e portanto o nulo no marcador foi a consequência lógica.

 


O maior problema para o Benfica para este jogo foi a ausência do Salvio. O nosso treinador acabou por optar por uma solução que não me agradava, que foi a chamada do Talisca para actuar sobre uma ala. No Porto, o treinador também mostrou muitas cautelas e mexeu bastante na equipa que costuma ser mais habitual. Para além da mudança na baliza, alterou o 4-3-3 para um 4-4-2 em losango, com quatro médios de raiz, o que causou um sobrepovoamento no centro do terreno. Até porque, na ausência do Salvio e com a tendência do Talisca e do Gaitán em vir para dentro, nunca tivemos verdadeiros flanqueadores neste jogo, e houve alturas em que só se via um aglomerado enorme de jogadores no centro do terreno, com a bola a andar muito pelo ar de um lado para o outro e as equipas raramente a conseguirem fazer mais de três ou quatro passes sem perderem a posse de bola. Foi, essencialmente, um jogo feio, muito disputado, com imensas faltas de parte a parte, mas sem grandes motivos de interesse. Durante a primeira parte o Porto teve mais bola, sobretudo com posse na sua zona defensiva, mas foi quase inexistente no ataque. Tal como o Benfica, aliás, que nunca conseguiu fazer as típicas saídas rápidas para o ataque quando recuperava a bola, fruto também da pressão alta que o Porto exerceu. Em toda a primeira parte contei apenas uma verdadeira ocasião de golo, e foi para o Porto, numa bola que sobrou para o Jackson após um canto e que ele rematou demasiado por alto.

 

 

O Benfica nada mexeu para a segunda parte mas o Porto fez uma alteração, que pouco alterou a estrutura táctica da equipa. O jogo, esse, continuou praticamente no mesmo registo. Feio, disputado e pouco emotivo. Achei que o Benfica conseguiu melhorar um pouco no segundo tempo: na primeira parte o Porto esteve ligeiramente melhor, e na segunda foi o Benfica. Mas as diferenças foram mesmo muito poucas entre as duas equipas. A ligeira melhoria do Benfica esteve, para mim, ligada à troca do quase inexistente Talisca pelo Fejsa. Não achei que o Fejsa tivesse feito um jogo por aí além, mas veio dar mais presença ao Benfica na zona central e permitiu a deslocação do Pizzi para a direita, enquanto que o Talisca não estava a ser carne nem peixe: nem dava grande ajuda no meio, nem conseguia dar largura ao nosso jogo na ala. À medida que o jogo caminhou para o final o Porto alterou a forma de jogar para um modelo mais próximo do que lhe é familiar, fazendo entrar o Quaresma e o Hernâni e passando finalmente a jogar com extremos, mas à parte exigir mais umas corridas ao Eliseu - que depois avançou no terreno para médio esquerdo quando o André Almeida substituiu o Pizzi - poucos resultados práticos teve. Mais uma vez as ocasiões de perigo escassearam, tendo eu contado três para o Benfica e uma para o Porto. No Benfica houve uma cabeçada do Talisca que passou muito perto do poste, com o Hélton a desviar a bola com os olhos, e um remate do Pizzi à entrada da área que deveria ter saído muito melhor, na sequência de uma das raríssimas vezes que o Benfica conseguiu construir uma boa jogada de contra-ataque. Mas o remate saiu com pouca força e o Hélton defendeu facilmente. E depois houve uma ocasião muito semelhante à do Jackson na primeira parte, com a bola a sobrar para o Fejsa, que também finalizou da mesma forma, ou seja, demasiado por alto. Pelo Porto, um cabeceamento do Jackson depois de um canto, com a bola a não passar muito longe da nossa baliza. Foi, honestamente, um dos jogos entre Benfica e Porto menos emocionantes a que eu me lembro de assistir.

 

 

É difícil fazer um destaque num jogo destes. Achei que os nossos centrais estiveram seguros (com o Jardel a mostrar novamente que cresceu imenso como jogador desde que agarrou a titularidade), tal como o Samaris, que teve um jogo de muito trabalho. Os nossos artistas Jonas e Gaitán não tiveram grande possibilidade de mostrar grande serviço (como, aliás, os jogadores mais talentosos do outro lado - hoje não foi jogo para artistas). O Eliseu teve uma primeira parte fraca mas conseguiu melhorar ao longo do jogo. Não terá sido alheio a isso o facto de ter frequentemente o Talisca a jogar à sua frente, que perdeu inúmeras bolas e foi quase sempre incapaz de dar grande ajuda a defender, perdendo quase todos os duelos individuais contra qualquer um dos laterais do Porto e não os conseguindo acompanhar quando subiam no terreno.

 

O empate deixa quase tudo na mesma (mas o Porto deixou de depender de si próprio) e a conquista do título fica bem encaminhada. Temos quatro jogos para disputar e margem de manobra para errar. Mas é imperioso manter a concentração máxima e não facilitar nem um pouco. Para mim o passo decisivo para vencermos a liga é já no próximo fim-de-semana. Não tenho duvidas de que a grande aposta do Porto neste momento será que o jogo do Benfica em Guimarães, na penúltima jornada, seja decisivo. Mas para isso será necessário que o Benfica perca pontos até lá. O próximo jogo é fora contra o Gil Vicente, penúltimo classificado, e não duvido que se não encararmos este jogo como absolutamente determinante, passaremos um mau bocado. Certamente haverá muito jogo fora das quatro linhas, como talvez incentivos extra para os nossos adversários, e fico à espera de saber as nomeações (Artur Soares Dias, Hugo Miguel ou Marco Ferreira são as minhas apostas). As próprias declarações do treinador do Porto no final deste jogo quase me soaram a ameaça velada. A maior parte do trabalho está feito, agora não podemos facilitar absolutamente nada.

por D`Arcy às 02:01 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 19.04.15

Eficácia

Boa vitória num jogo não tão bom do Benfica esta tarde no Restelo. Não houve o futebol bonito que vimos a equipa produzir nos últimos jogos em casa mas houve Jonas e mais três pontos no bolso, que nos permitem entrar em vantagem no jogo da próxima semana, que pode ser decisivo para o título.

 

 

Não será uma crónica muito pormenorizada, porque conforme já escrevi noutras ocasiões tenho alguma dificuldade em ver os jogos quase ao nível do relvado, e foi isso que me aconteceu hoje. No onze inicial do Benfica houve uma grande surpresa na ausência do Salvio. Pelos vistos terá sido por lesão, por isso espero que possa recuperar durante a semana. Jogou o Ola John no seu lugar. No lugar do suspenso Maxi esteve, como era esperado, o André Almeida. O Benfica voltou a marcar cedo: cinco minutos decorridos, ainda com muita gente à espera para entrar no estádio, e já o inevitável Jonas abria o marcador, depois de aproveitar uma bola solta que tinha sido dividida entre o Lima e o guarda-redes no seguimento de um péssimo passe do Pelé (tanto barulho fizeram para que ele e o Dálcio jogassem, agora azar). Pouco antes já um corte no limite de um defesa do Belém quase tinha dado autogolo. Se se esperava que o golo madrugador permitisse um jogo tranquilo ao Benfica, essa esperança foi vã. Em termos atacantes o Benfica pouco mais conseguiu fazer na primeira parte, e foi o Belenenses quem assumiu as despesas do jogo e pressionou na procura do empate, quase sempre tentando tirar partido de livres do Carlos Martins (e teve muitos), que num deles obrigou o Júlio César a uma defesa muito apertada. O Benfica praticamente não conseguiu sair de forma organizada para o ataque, e tentava fazê-lo mais através de iniciativas individuais, sobretudo do Gaitán, mas sem grande sucesso. Na memória ficou-me apenas uma boa combinação no ataque que libertou o Gaitán, mas o seu remate foi interceptado no limite por um defesa.

 

 

O Belenenses não conseguiu no entanto manter o ritmo na segunda parte. O Benfica teve mais bola, e mesmo sem deslumbrar pareceu ter sempre o jogo bem mais sob controlo do que durante a primeira parte. E as coisas mais facilitadas ficaram quando, ao fechar o primeiro quarto de hora, fez o segundo golo. O Gaitán fez um passe largo da esquerda para a direita onde, para não variar, o Jonas controlou com o peito e com um remate cruzado bateu o guarda-redes. Este golo pareceu ter afectado bastante o Belenenses, que deixou fugir a réstia de fôlego que ainda ia aparentando ter. Por outro lado, teve o condão de dar ainda mais confiança ao Benfica para controlar o jogo sem grandes sobressaltos. A partir daqui o Belenenses já quase não incomodava no ataque, enquanto que o Benfica ia deixando o tempo correr e continuava a jogar sem muito brilho no ataque - o Gaitán insistiu bastante em jogadas individuais que acabavam por se perder por levá-las longe demais. Deu também finalmente para fazer alguma gestão (mínima) dos amarelos, retirando de campo o Jonas e o Samaris, este já bem perto do final. E por falar em perto do final, foi já em período de descontos que o Belenenses construiu uma claríssima ocasião de golo, na qual o Júlio César correspondeu com uma enorme defesa por instinto ao remate do Dálcio. Não foram muitas as ocasiões claras de golo do Belenenses, mas quando as teve o Júlio César correspondeu bem. Já do nosso lado, houve eficácia quase total.

 

 

Já se torna repetitivo, mas não há nada a fazer. O destaque óbvio no Benfica vai para o Jonas, decisivo uma vez mais. Dois golos e uma frieza enorme na altura de atirar à baliza. Bem o Júlio César, gostei também do jogo do Jardel, que teve uma vez mais trabalho adicional a fazer dobras à esquerda, e do Samaris.

 

Para a semana a questão do título poderá ficar quase decidida. Podem dar as voltas que quiserem, mas com esta vitória a manter a vantagem de três pontos a pressão está praticamente toda do lado do adversário. Para nós, qualquer resultado que não uma derrota deixa o título quase entregue, atendendo ao calendário que resta. E mesmo uma derrota, desde que pela margem mínima, deixar-nos-ia como única equipa dependente de si própria. Tendo em conta aquilo que tem sido a nossa produção em casa esta época, temos motivos para nos sentirmos confiantes.

por D`Arcy às 02:37 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sábado, 18.04.15

Campeões

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Parabéns, rapazes. Um campeonato quase perfeito, fechado a duas jornadas do final com mais uma vitória contundente sobre a única equipa que nos conseguiu acompanhar.

 

(A crónica do jogo do Restelo segue dentro de momentos, porque há muito, muito mais Benfica para além do futebol).

por D`Arcy às 21:53 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Domingo, 12.04.15

Arrasador

Um Benfica arrasador destroçou por completo uma Académica que ainda não tinha perdido qualquer jogo desde que trocou de treinador, resolvendo o jogo muito cedo e acabando por construir uma goleada que poderia até ter sido bem mais volumosa.

 

 

A única alteração no onze deveu-se à suspensão do Eliseu. Jogou o André Almeida no seu lugar e jogou muito bem. A primeira parte do jogo foi praticamente igual à do jogo anterior, contra o Nacional, sendo quando muito ainda mais avassaladora a pressão exercida pelo Benfica desde o apito inicial. A Académica apresentou-se na Luz com uma estratégia defensiva, utilizando três centrais de início talvez com a intenção de povoar mais a zona central e controlar melhor as movimentações dos dois avançados do Benfica, mas a estratégia muito cedo saiu furada. Estavam decorridos apenas oito minutos quando, após um canto à maneira curta, o Pizzi cruzou de forma certeira para o Jardel marcar de cabeça. E três minutos depois foi o André Almeida quem fez o cruzamento na esquerda para o Jonas marcar o segundo, também de cabeça. Apesar dos três centrais da Académica, foi pelo ar que o Benfica chegou aos dois primeiros golos. E não foi isso que fez com que o ritmo abrandasse. O vendaval ofensivo com os nossos jogadores em constante movimento continuou em pleno, e aos vinte minutos chegou o terceiro golo, marcado pelo Lima num penálti a castigar falta cometida sobre ele próprio. Aí sim, pareceu que o Benfica relaxou um pouco, mas mantendo sempre um controlo total sobre o jogo. A Académica mal passava do meio campo, e tal como no jogo do Nacional chegou ao intervalo sem ter feito um único remate. O relaxamento do Benfica notava-se mais na forma como os jogadores passaram a ser um pouco menos incisivos no ataque à baliza, tentando enfeitar mais os lances ou recorrendo mais a iniciativas individuais. Ainda assim deu para criar mais algumas ocasiões de golo, podendo a Académica dar-se por feliz pelo facto do marcador não ter voltado a funcionar até ao intervalo.

 

 

Na segunda parte o Benfica voltou a entrar forte e também a marcar com oito minutos decorridos. O lance começa numa iniciativa individual do Gaitán, que vem para o meio e descobre o Jonas na esquerda. Este ainda tabelou com o André Almeida e depois limitou-se quase a passar a bola para dentro da baliza, deixando o guarda-redes sem reacção. Muito bem o André Almeida na incursão ao ataque, somando assim a segunda assistência no jogo. Não houve relaxamento do Benfica por causa do golo. Pelo contrário, apoiado pelo muito público que esteve na Luz - mais de 56.000 espectadores - o Benfica carregou ainda mais sobre o adversário e foram várias as ocasiões flagrantes de golo que acabaram por ser desperdiçadas. O Jonas em particular poderia facilmente ter chegado ao hat trick. Com o jogo mais do que resolvido e ainda com meia hora para jogar foi tempo para proteger o Samaris do amarelo que o deixaria suspenso para o próximo jogo e para vermos o regresso do Fejsa quase um ano depois. Já o Maxi, acabou mesmo por ver o amarelo, ficando assim 'limpo' para a recepção ao Porto. Apesar do jogo continuar apenas e só a dar Benfica, foi a Académica quem chegou de forma algo surpreendente ao golo. E em mais um paralelo com o jogo contra o Nacional, fê-lo no primeiro (e único) remate que fez à nossa baliza, isto quando faltavam apenas dez minutos para o final. Foi um bom trabalho do Rafael Lopes, que sobre a esquerda recebeu um cruzamento largo vindo do lado oposto, mas pareceu-me que o Maxi poderia ter feito mais para o interceptar. O golo não arrefeceu no entanto o ânimo do público, que aplaudiu a equipa e foi recompensado quatro minutos depois com um dos momentos altos da tarde. Se já tinha sido bom ver o regresso do Fejsa à equipa, melhor ainda foi ver esse regresso coroado com um golo. Depois de recuperar a bola à entrada da área, progrediu uns metros e marcou com um remate em força a não dar qualquer hipótese de defesa. Um momento muito festejado por toda a equipa e público. Até final, nota para a estreia do Jonathan Rodriguez, que no entanto mal teve oportunidade para tocar na bola, e para mais uma ocasião flagrante de golo para o Benfica, que o Lima não conseguiu concretizar.

 

 

Jonas mais uma vez e para não variar em destaque. Marcou dois golos, podia até ter marcado mais, mas para além disso todo o carrossel atacante do Benfica passa muito por ele. A forma como está em constante movimento e oferece opções de passe ou abre espaços para os colegas é muito importante para dinâmica atacante da equipa. O Gaitán não esteve tão fulgurante como no último jogo, mas voltou a deixar pormenores de classe. E é ainda mais admirável vê-lo a perseguir e a pressionar adversários logo à saída da sua área, recuperando diversas bolas na raça. O André Almeida, como é costume quando é chamado, cumpriu perfeitamente nas tarefas defensivas e ainda conseguiu ir à frente para fazer duas assistência para os golos do Jonas. Quanto ao Fejsa, parece ainda um pouco hesitante nos lances divididos mas serão muito boas notícias para o Benfica se pudermos passar a contar com ele como uma opção válida para estes últimos jogos da época.

 

Foi mais uma exibição de gala, e seria bom que na difícil deslocação ao Restelo na próxima semana pudéssemos contar com este Benfica, e não com o de Vila do Conde. Até porque se conseguirmos resolver o jogo cedo poderemos gerir melhor a delicada situação dos jogadores à beira da suspensão. O campeonato decidir-se-á nos próximos jogos, e se a equipa se apresentar a este nível então o bicampeonato será quase uma inevitabilidade.

por D`Arcy às 02:12 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 05.04.15

Recital

Mais do que um festival, o Benfica esta tarde deu um autêntico recital de futebol bonito frente ao Nacional, que derrotou sem qualquer tipo de dificuldade ou problemas, tamanha foi a superioridade exibida. Se queixas tenho, só mesmo se for porque acho que o resultado merecia ser mais dilatado, e por a equipa se ter dado mais ou menos por satisfeita ao fim de uma hora de jogo.

 

 

Onze sem qualquer surpresa, onde o Lisandro ocupou o lugar do nosso capitão, a cumprir um jogo de suspensão. Nota de maior destaque para o regresso do fantástico Gaitán à equipa, que tanta falta nos fez contra o Rio Ave. Com ele a música é mesmo outra, e passa a ser uma sinfonia. Sobre o jogo, o que dizer? Foi praticamente um passeio triunfal do Benfica na primeira parte, perante um Nacional sem capacidade nem argumentos para montar qualquer tipo de oposição digna desse nome - zero remates feitos, e poucas mais devem ter sido as vezes em que sequer se aproximaram da nossa baliza. Os madeirenses até vinham com intenção de complicar, tentando exercer uma pressão a campo inteiro em que até colocavam três jogadores a tentar pressionar a nossa saída de bola. Mas como é que se consegue marcar e anular toda a gente quando temos Gaitán, Jonas ou Salvio como autênticos diabos vermelhos à solta sobre o relvado? Sempre em movimento, com constantes trocas de posição, e depois quase imparáveis com a bola nos pés, seja em iniciativas individuais ou em trocas de bola ao primeiro toque com os colegas, é quase impossível travá-los. Quanto a nós, que temos o privilégio de ter tais artistas na equipa, é relaxar, apreciar o espectáculo, e começar a ver as oportunidades a surgir umas a seguir às outras. O Gaitán deu o primeiro aviso, a seguir foi o Jonas, de cabeça, e o sufoco continuou até dar resultados com vinte minutos decorridos. Foi mais uma vez o Jonas, que aproveitou uma iniciativa do Salvio em que este ganhou a linha de fundo e fez o passe atrasado para o remate vitorioso. O recital continuou e foi com toda a naturalidade que chegou um segundo golo dez minutos depois. Desta vez foi o argentino da esquerda a fabricar o golo: o Gaitán entrou por ali, deixou o defesa para trás, e passou a bola para a cabeça do Lima facturar já na pequena área (a bola foi colocada com tanta precisão que aquilo para mim foi um passe e não um centro). Dois golos já davam uma certa tranquilidade, mas isso não significou um abrandar da parte do Benfica, que pouco depois ficou à beira do terceiro golo em mais uma fantástica jogada colectiva que deixou o Jonas na cara do guarda-redes, mas o toque para tentar desviar a bola acabou por deixá-la nas mãos dele. Tivesse o Jonas estado um bocadinho mais inspirado na finalização e não teria saído de campo apenas com dois golos marcados, porque mesmo antes do intervalo mais uma linda jogada de equipa deixou-o com tudo para marcar, mas o cabeceamento que fez levou a bola direitinha às mãos do guarda-redes. Face a tanto e tão bonito futebol mostrado na primeira parte, os dois golos de vantagem à saída para o intervalo até sabiam a pouco. Claramente, a elaborada táctica psicológica do Nacional ao escolher o campo ao contrário (isto anda a tornar-se um hábito entre as equipas que nos visitam) não estava a resultar.

 

 

Mas o massacre continuou na reentrada para o segundo tempo. Um tiro do Eliseu deu início às hostilidades e depois, num curto espaço de tempo, o Salvio teve duas perdidas flagrantes em cabeceamentos que não acertaram no alvo (a segunda foi particularmente má) e até um autogolo esteve muito perto de acontecer, numa tentativa desesperada para evitar o que seria com toda a probabilidade um golo do Lima. Nesta altura eu ficava entusiasmado de cada vez que o Benfica tinha a bola em seu poder, porque a sensação que tinha era a de que cada ataque poderia resultar numa ocasião flagrante ou em golo. Foi uma mão cheia de oportunidades em pouco mais de dez minutos, e o óbvio acabou mesmo por acontecer: golo do Benfica. O Salvio transportou a bola pela direita até à entrada da área, passou-a para o lado e o Jonas rematou de primeira e muito colocado, levando a bola a bater ainda na trave antes de entrar e deixando o guarda-redes Gottardi pregado ao relvado. Golaço. Só depois deste terceiro golo é que os nossos jogadores terão achado que já era suficiente e que já tinham dado motivos de sobra para justificar a ida à Luz dos quase 49.000 benfiquistas que lá estiveram hoje, tendo então abrandado finalmente o ritmo e entrado num registo mais relaxado. A saída do Jonas também terá contribuído um pouco para algum menor fulgor do nosso jogos, que continuava no entanto a ser pontuado aqui e ali por algum pormenor de classe da parte do Salvio ou do Gaitán. Mas o relaxamento do Benfica acabou por resultar num golo sofrido, numa jogada que começou numa entrega de bola infantil do Eliseu ao adversário, e que acabou num remate fantástico do Tiago Rodrigues de fora da área, sem qualquer possibilidade de defesa para o Júlio César. Foi pena o golo sofrido, que assim pôs termo à bonita série de jogos consecutivos sem sofrer golos em casa. Logo a seguir o Nacional ainda fez o seu segundo remate no jogo, que passou ao lado, e até se chegaram a ouvir alguns assobios, mas o Benfica depressa se recompôs e voltou a tomar conta do jogo. Estivemos até perto de dilatar o resultado, num cabeceamento do Jardel e posterior recarga do Lisandro, mas sobretudo numa jogada em que o Salvio faz uma finta fabulosa e depois remata para defesa do Gottardi (ou se calhar a bola ainda foi ao poste, porque no estádio nem consegui perceber).

 

 

É difícil escolher um jogador para melhor em campo, porque houve vários destaques. O Gaitán mostrou claramente que tudo é diferente para muito melhor com ele em campo. O argentino encheu o campo com pormenores de classe e fez jogar toda a equipa. Sinceramente, e a exemplo de outros jogadores que passaram pelo Benfica nas últimas épocas, este campeonato já é demasiado pequeno para um jogador como ele. O Jonas destacou-se com os dois golos que marcou (e como disse, poderia ter marcado pelo menos o dobro), mas tal como o Gaitán é também muito importante por aquilo que faz a equipa jogar. Tem uns pés de veludo, com os quais faz o que quer com a bola. A forma como se movimenta em campo é de uma inteligência enorme, pelas linhas de passe que proporciona e os espaços que cria para os colegas: ele é em 2014/15 aquilo que foi para nós o Saviola em 2009/10. Hoje assistimos também ao Salvio no seu melhor, e a quem faltou apenas mais acerto na finalização. Mas ficou com duas assistências na conta pessoal. Muitos outros destaques podia fazer, mas menciono apenas mais dois: o Samaris, que é cada vez mais importante nesta equipa e mostrou que estão cada vez mais longe os dias de adaptação às novas funções, e o 'patinho feio' Jardel, que na ausência do Luisão deixou bem claro que também temos nele um líder para a defesa.

 

Foi muito importante esta demonstração de força e classe depois da enorme desilusão da última jornada. Temos ainda muito trabalho e duras batalhas pela frente no caminho para a revalidação do título. E exibições deste calibre deixam uma certeza: se jogarmos assim, nenhuma equipa em Portugal consegue fazer-nos frente.

por D`Arcy às 01:34 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Domingo, 29.03.15
Domingo, 22.03.15

Desilusão

Não estive em Lisboa este fim-de-semana e não pude ver o jogo. Chegado agora a casa e sabendo o resultado, obviamente que não vou ver a gravação. Não comento portanto o jogo ou a exibição, apenas o resultado. Para mim foi uma enorme desilusão termos falhado no teste mais difícil que tínhamos até receberemos o Porto, ainda por cima tendo praticamente começado o jogo a ganhar. Parece que para nós é melhor entrar a perder, que assim damos a volta ao resultado e trazemos os três pontos - já em Braga tinha sido assim. E tal como aconteceu em Paços, nos instantes finais do jogo acabámos mesmo por deixar fugir o empate. Menos mal que o nosso adversário não passou na Madeira e assim recuperou apenas um ponto.

por D`Arcy às 18:54 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Domingo, 15.03.15

Comunhão

Acho que podia fazer este texto todo sem mencionar sequer o adversário que defrontámos hoje. Porque o Braga praticamente não existiu. Hoje só deu Benfica, num lindo cenário do Estádio da Luz cheio, com os adeptos em total comunhão com a equipa e tentando que a onda vermelha ajude a carregá-la até ao desejado bicampeonato. Para quem teve tanta garganta sobre tentarem vencer-nos, o Braga não conseguiu mostrar absolutamente nada. Aliás, quando nos eliminaram da taça já pouco mais tinham mostrado, mas desta vez não tiveram a mesma sorte que tinham tido nesse jogo - um guarda-redes praticamente intransponível e uma eficácia total no ataque.

 

 

Jogámos com o nosso onze mais forte e habitual neste momento, e praticamente desde o apito inicial ficou dado o mote para o jogo. Entrada muito forte do Benfica instalando-se no meio campo do Braga, que se encostou à sua área e foi tentando jogar com toda a calma do mundo nas reposições de bola, de forma a prolongar o nulo e enervar o Benfica. Também tentaram logo no primeiro minuto a rábula das quezílias, com o banco todo a saltar para tentar armar confusão assim que apanharam o Eliseu ao alcance. Mais tarde foi o anão do Agra que andou a provocar o nosso treinador quando passou pelo nosso banco para aquecer, ainda na primeira parte. Mas hoje não estávamos na pedreira, e as tácticas rascas dignas de um qualquer fóculporto dos anos noventa não deram em nada. Pareceu-me, aliás, que dentro do campo os jogadores do Braga até pareceram intimidados pelo ambiente, e portanto nem sequer se dedicaram afincadamente à táctica de distribuição de porrada avulsa que costumam empregar na pedreira como forma mais eficaz para travar o Benfica. Em jogo jogado, o Braga simplesmente andou a ver o Benfica jogar, quase sem conseguir passar do meio campo e quanto a remates, nem vê-los (julgo que conseguiram fazer um remate à nossa baliza em todo o jogo). O Benfica conseguia fazer funcionar o carrossel do seu jogo, com a bola a circular rapidamente entre os seus jogadores, muitas vezes ao primeiro toque e com trocas constantes de posição entre o Gaitán, o Lima, o Jonas, o Salvio, o Pizzi, com os dois laterais constantemente envolvidos nas jogadas de ataque e o Samaris a ganhar cada vez mais protagonismo em funções mais recuadas. Os ataques do Benfica sucediam-se uns aos outros, e foi com toda a naturalidade que chegámos ao primeiro golo com vinte minutos decorridos. Mais uma troca de bola entre o Gaitán, Lima e Jonas na zona frontal à área, com o argentino a deixar para o remate de primeira do Jonas, ainda bem de fora da área, que não deu hipóteses de defesa. Não houve qualquer reacção do Braga ao golo sofrido: continuou a carregar o Benfica, que à meia hora quase ampliou a vantagem, mas viu o Santos cortar sobre a linha uma bola rematada pelo Pizzi quando já se gritava golo. Era escasso o resultado ao intervalo.

 

 

Logo na entrada para a segunda parte não estivemos tão fortes como na primeira, e nos primeiros minutos o Braga até conseguiu fazer um remate para fora e conquistar um canto - isto acabou por ser o ponto mais alto da sua exibição esta tarde. Mas depressa o Benfica voltou a pegar nas rédeas do jogo e foi novamente para cima do Braga, em busca do golo da tranquilidade. A situação complicou-se ainda mais para o Braga quando, com ainda meia hora para jogar, ficou reduzido a dez depois do Tiago Gomes ver o segundo amarelo por uma falta grosseira e indiscutível sobre o Salvio (tinha visto o primeiro por cortar deliberadamente uma jogada com a mão, ainda na primeira parte). Na sequência do livre o Benfica só não chegou ao segundo golo porque o guarda-redes do Braga, Matheus, fez um autêntico milagre, defendendo com o pé um remate do Lima, que a uns três metros da baliza tinha tudo para marcar (e ainda na sequência dessa defesa, a recarga com desvio do Jonas quase deu golo também). Pouco depois um momento menos bom para nós, no qual o Gaitán viu um amarelo que o retira do próximo jogo, por tentar arrancar um penálti (honestamente, pareceu-me que foi bem mostrado). No meio dos ataques do Benfica em busca do segundo golo, começou então o duelo particular do Eliseu com a baliza do Braga. A primeira tentativa obrigou o guarda-redes a uma boa defesa para canto. Pouco depois a segunda tentativa fez passar a bola muito perto do ângulo superior da baliza. E à terceira foi mesmo de vez: o Samaris passou a bola para a esquerda na direcção do Gaitán, este não a conseguiu captar e ela seguiu mais para a esquerda, onde o Eliseu surgiu a rematar de primeira de fora da área sem possibilidades de defesa. Faltava então cerca de um quarto de hora para o final e o jogo ficou resolvido, pelo que o Benfica tirou o pé do acelerador e limitou-se a gerir o jogo e o esforço, retirando de campo o Gaitán, Samaris e Maxi.

 

 

O Jonas continua a ser um jogador em destaque, ajudando a decidir jogos com golos e pormenores de classe. Quase que vale a pena ver um jogo só para apreciar o toque de bola dele (o lance em que ele faz a bola 'morrer' no pé quando ela vinha a cair de grande altura é sublime). A inteligência na forma como se movimenta no campo para abrir espaços para a entrada dos colegas e dar linhas de passe é fundamental para o bom momento do Benfica. Mas para mim esta tarde o nosso melhor jogador em campo foi o Samaris. Não sei se terá feito alguma coisa errada durante todo o tempo que esteve em campo. Mais uma vez o nosso treinador está a fabricar um médio defensivo de enorme qualidade, que mostra cada vez mais uma leitura perfeita do jogo, na forma como faz as compensações aos laterais, como auxilia os centrais, ou como começa a construção das jogadas nas saídas para o ataque. Substituir o Matic não é fácil, mas o Samaris começa a mostrar que poderá ser muito capaz de o fazer.

 

Mais uma equipa em quem foram depositadas tantas esperanças que sai derrotada sem apelo nem agravo. Faltam cada vez menos jogos e continuamos teimosamente a ser a única equipa que depende apenas de si própria, para desespero cada vez maior de muita gente. Só temos que continuar neste registo. Quando a onda vermelha avança e puxamos todos para o mesmo lado, é quase impossível travar a nossa marcha.

por D`Arcy às 03:58 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Segunda-feira, 09.03.15

Mudança

Mais um jogo que começou muito complicado, mas que devido a uma mudança de atitude na entrada para a segunda parte acabou por se tornar mais fácil e acabar numa vitória relativamente tranquila para o Benfica.

 

 

Apresentando o onze habitual, no qual o Júlio César recuperou a titularidade, o Benfica dificilmente poderia ter tido uma entrada mais desastrosa no jogo. Logo nos primeiros minutos o Arouca colocou-se em vantagem, num golo em que o Eliseu fica mal na jogada. Primeiro porque é ele quem fica atrasado em relação à linha de defesa, colocando o adversário em jogo após um passe feito para a zona entre ele e o Jardel; e depois porque, quando tentou emendar, foi facilmente ludibriado por ele, permitindo o remate vitorioso. O golo madrugador e o pobre desempenho do Benfica na primeira parte, e em especial durante os primeiros vinte minutos causaram bastante preocupação. O Benfica foi quase inofensivo, incapaz fazer qualquer jogada digna desse nome e de sequer se aproximar da baliza adversária. Faltaram ideias, velocidade e qualidade ao nosso jogo. O relvado também ajudava pouco: estava irregular e ao contrário daquilo a que estamos mais habituados, não terá sido regado antes do jogo, pois era evidente que a bola não rolava com muita rapidez. A primeira ameaça dada pelo Benfica foi dada pelo Pizzi, num remate que obrigou o guarda-redes a aplicar-se, mas na verdade o Pizzi hoje esteve longe do rendimento dos jogos mais recentes, com demasiados passes falhados e demasiado disparatado nas bolas paradas, com a equipa a ressentir-se disso. O nosso jogo melhorou um pouco à medida que nos aproximámos do intervalo e fomos encostando o Arouca mais à sua área, mas apenas conseguimos causar algum perigo através do Salvio num par de ocasiões, numa delas obrigando o guarda-redes a mais uma boa intervenção e na outra acertando na barra quando parecia ser mais fácil marcar.

 

 

No arranque para a segunda parte o Samaris ficou no balneário e entrou o Talisca para o seu lugar. Sem um médio claramente mais defensivo a estratégia foi de muito maior risco, mas a verdade é que o Arouca praticamente não atacava e tinha chegado ao golo no único remate que tinha feito. A atitude da equipa foi completamente diferente para melhor, e lançou-se num assalto à baliza do Arouca que rapidamente deu resultados. Foi logo aos seis minutos que chegou o golo do empate, com o Jonas a aproveitar para rematar para a baliza deserta após um erro do guarda-redes Goicoechea, que pressionado pelo Lima acabou por rematar a bola contra ele. E cinco minutos depois estava consumada a reviravolta no marcador, mais uma vez num lance que resultou da pressão exercida pelo Benfica (e antes disso já o Lima tinha tido uma boa ocasião para marcar, mas rematou demasiado por cima). Desta vez foi o Gaitán a pressionar os defesas e a não desistir de uma bola do lado esquerdo, que fez chegar ao Jonas. Já dentro da área e perto da linha de fundo, num pequeníssimo espaço conseguiu libertar-se para rematar, para depois o Lima confirmar quase sobre a linha após a defesa incompleta do guarda-redes, e com quase metade da equipa do Arouca enfiada dentro da baliza ou da pequena área. O mais difícil estava feito, e foi conseguido de forma rápida e com aparente facilidade, tendo bastado ao Benfica aumentar a pressão sobre o adversário e o ritmo de jogo. A nossa tarefa ficou ainda mais facilitada findo o primeiro quarto de hora da segunda parte, com a expulsão de um defesa do Arouca, que placou o Lima quando este se iria isolar. Apesar de tudo, faltava ainda marcar o golo da tranquilidade e por isso nem sequer fiquei particularmente satisfeito quando o nosso treinador decidiu trocar o Gaitán pelo Ola John, a vinte minutos do final. Mas apenas cinco minutos depois de entrar, foi o holandês quem, com um bom passe, desmarcou o Lima e o deixou completamente isolado em frente ao guarda-redes, bastando-lhe depois escolher um lado e atirar a contar. O jogo ficou então definitivamente resolvido, e a partir daí limitámo-nos a gerir o esforço e o resultado até final.

 

 

O Lima é indiscutivelmente o homem do jogo. Foi o mais rematador da equipa, marcou dois golos e ainda teve intervenção directa e decisiva no outro. O Jonas também fez um bom jogo, marcando o golo da ordem que nos deu o empate e fabricando o golo da reviravolta. O Pizzi, conforme referi, esteve hoje uns furos abaixo daquilo que fez nos últimos jogos e foi importante a entrada do Talisca para nos dar a capacidade de distribuição de jogo que hoje faltou ao Pizzi.

 

O Benfica hoje viu serem-lhe sonegados dois penáltis claríssimos, o primeiro sobre o Gaitán quando o resultado ainda nos era desfavorável, e o segundo quando já ganhávamos por 2-1, por flagrante braço na bola, instantes antes da expulsão do jogador do Arouca. Expulsão essa que foi perfeitamente justa, de tão evidente que foi a placagem feita ao Lima quando este se preparava para se isolar - de tal forma que nem do lado do Arouca foi esboçado qualquer protesto. Não preciso de ver ou ouvir o que quer que seja para saber que as cobras cuspideiras que pululam nos programas de opinião futebolística irão no entanto assumir dores alheias e agarrar-se a esta expulsão para tentar mais uma vez fazer passar a mensagem de que o Benfica está a ser beneficiado pelos árbitros. Tenho aliás alguma curiosidade em ver quem será a isenta personalidade que será convocada esta semana para nos transmitir essa mensagem. Nas últimas semanas já vi o Jaime Magalhães, orgulhoso membro da geração precocemente calva do Porto, o colosso do futebol mundial Clayton também a dar a sua insuspeita opinião, e a semana passada o mítico Secretário, famoso por oferecer um campeonato ao Sporting e ter sido eleito a pior contratação da Liga Espanhola. Espero esta semana no mínimo uma estrela da mesma grandeza e de igual isenção. Entretanto, continuem a olhar para cima para nos poderem ver.

por D`Arcy às 02:24 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Domingo, 01.03.15

Gala

Em dia de aniversário, e uma vez que este ano nem houve Gala, os nossos jogadores encarregaram-se de fazer uma em pleno relvado do Estádio da Luz, assinalando a data com uma exibição que chegou a ter momentos brilhantes e que resultou na maior goleada deste campeonato até à data - e quem viu o jogo certamente terá ficado com a impressão de que se não se tivesse levantado ligeiramente o pé, os números poderiam ter sido ainda mais dilatados.

 

 

O principal destaque no onze inicial do Benfica foi o regresso do Gaitán, cuja genialidade muita falta nos fez nas semanas em que esteve ausente. De resto, e cada vez menos surpreendentemente, o Pizzi manteve a titularidade no meio campo, e o Samaris voltou após cumprido o jogo de suspensão. Quanto ao jogo, foi uma espécie de regresso ao rolo compressor. O Estoril nunca teve hipóteses - nem sequer a opção mesquinha de não respeitar a tradição na escolha do campo lhes valeu (aposto que houve dedo do Coiceiro nisto). Não conseguiu obstar nem ao de leve a imensa superioridade do Benfica, e ainda por cima apresentou-se na Luz de uma forma talvez demasiado optimista, com três jogadores na frente que quase nunca ajudaram grandemente na defesa, em particular os alas, o que deixou por diversas vezes os seus laterais desamparados em situações de um para um com o Salvio ou o Gaitán. A única estratégia do Estoril seria tentar prolongar o nulo no marcador o mais que fosse possível, mas deu logo para perceber que isso seria uma tarefa quase impossível e que assim que o primeiro entrasse muito provavelmente tudo ruiria como se de um castelo de cartas se tratasse. Com o Gaitán apostado em mostrar que a paragem não o afectou, o Salvio de regresso ao seu melhor, o Jonas endiabrado e a dupla Pizzi/Samaris a encher o campo, o Benfica cedo montou um assalto à baliza estorilista e as ocasiões começaram a suceder-se sem que o Estoril conseguisse sequer passar da linha do meio campo. O Jonas deu o primeiro aviso logo nos primeiros minutos, vendo um remate seu ser defendido para o poste. Depois voltou a estar pertíssimo de marcar, numa cabeçada bem colocada após centro do Gaitán na esquerda, que o guarda-redes voltou a defender de forma quase miraculosa com a ponta dos dedos. Do canto resultante, marcado pelo Pizzi, entrada imparável do Luisão ao primeiro poste e cabeceamento cruzado para o golo. A resistência do Estoril tinha durado pouco mais do que um quarto de hora.

 

 

A cabeçada do Luisão foi o ponto de partida para o massacre que foi a primeira parte, e daí para a frente foi o festival da nossa equipa, que no espaço de pouco menos de vinte minutos marcou mais três golos. Foram dez os que decorreram até o Salvio aparecer na cara do guarda-redes a empurrar para o fundo da baliza uma bola cruzada com toda a conta, peso e medida, como se costuma dizer, pelo Lima desde a esquerda do ataque. O Benfica continuou a desbaratar completamente a equipa do Estoril, sobretudo através de iniciativas pelos flancos, e tirando partido do constante movimento da dupla de avançados e da visão de jogo dos nossos dois médios. O terceiro golo apareceu depois de mais uma investida pela esquerda, na qual o Gaitán entrou na área e tentou centrar para o Salvio. A bola foi afastada pela defesa do Estoril para a entrada da área, onde surgiu o Pizzi que, com um remate colocado, não deu qualquer hipótese ao guarda-redes. E o quarto golo veio logo a seguir: recuperámos a bola praticamente no pontapé de saída do Estoril, e a partir daí o adversário não voltou mais a tocar-lhe enquanto ela viajou de pé para pé dos nossos jogadores, até que já dentro da área o Gaitán deixou de calcanhar para a entrada do Maxi, que depois cruzou rasteiro para o Jonas fazer um golo fácil à boca da baliza. Um momento sublime de futebol. Não parou aí o Benfica, que continuou a vulgarizar a equipa do Coiceiro e poderia ter acrescentado mais um golo ao resultado antes do intervalo. Desmarcado por um grande passe do Samaris, o Gaitán apanhou-se completamente isolado na cara do guarda-redes e tentou passar-lhe a bola por cima, mas esta acabou por sair ligeiramente ao lado.

 

 

Depois da gala da primeira parte, quase que poderia dizer que a segunda parte foi um desapontamento, mas isso até ficaria mal num jogo como este, e a verdade é que o que quer que jogássemos só muito dificilmente não empalideceria em comparação com a grande primeira parte a que tínhamos acabado de assistir.  A verdade é que com o jogo na prática ganho ao intervalo, o Benfica abrandou um pouco o ritmo e os nossos jogadores pareceram querer jogar um pouco mais para o espectáculo, enfeitando mais as jogadas. Ainda assim a nossa superioridade nunca foi colocada em causa, e conseguimos acrescentar mais dois golos à nossa conta. O primeiro num penálti do Lima, a castigar falta sobre o Jonas que cortou mais uma brilhante jogada ofensiva do Benfica, que chegou ao ponto de andar a trocar a bola dentro da área do Estoril sem que os nossos opositores conseguissem fazer mais do que ficar a ver. Pouco depois, ainda com cerca de meia hora por jogar, o Estoril ficou reduzido a dez. Não vou dizer que a nossa tarefa ficou mais facilitada porque isso seria ridículo, mas o Benfica nem sequer tirou grande partido desta vantagem numérica. O Estoril até conseguiu criar a sua única ocasião de golo durante todo o jogo, mas o Artur conseguiu ainda desviar para o poste o remate do jogador que lhe surgiu isolado pela frente. O jogo do Benfica também perdeu algum fulgor com o menor envolvimento do Gaitán, que acusou natural falta de ritmo após a paragem e acabou substituído, e também com a troca do Pizzi pelo Talisca. Ainda assim deu para chegar ao sexto golo já perto do final, novamente pelo Jonas, que fez a recarga a um primeiro remate do Ola John depois de um bom passe do Lima.

 

 

Num jogo destes daria para destacar praticamente toda a equipa. Nomeio apenas alguns, mas se outros há que não menciono é apenas por ser escusado estar a falar de todos. Há vários candidatos ao melhor em campo e eu não consigo escolher apenas um. O Pizzi voltou a fazer um jogo fantástico. À medida que vai conquistando minutos e ganhando rotina à posição, cresce a olhos vistos e neste momento não creio que o Talisca possa ambicionar a recuperar a titularidade. Um golo (o primeiro pelo Benfica para o campeonato), uma assistência, intervenção em várias jogadas perigosas, incluindo de golo, visão de jogo e capacidade de passe muito acima da média. E já repararam como voltámos a ser muito mais perigosos nos pontapés de canto desde que o Pizzi começou a marcá-los? O Gaitán voltou e a diferença notou-se logo. Desequilibra pela esquerda, desequilibra quando faz diagonais para o centro, joga que se farta e faz jogar os colegas - o Eliseu é um exemplo de um jogador que passa a ser um muito mais perigoso e interventivo nas jogadas de ataque da equipa. Hoje só lhe faltou um golo, que bem mereceu. Não sou especialista, por isso não vou afirmar que é o mais talentoso jogador a actuar em Portugal. Mas eu não o trocava por nenhum outro. O Salvio despertou de uma sequência de jogos enervante em que pouco jogava para a equipa, e hoje já foi novamente o jogador que nos habituámos a ver. O Samaris é outro caso exemplar da forma como o nosso treinador trabalha os jogadores. Depois do exemplo do Matic eu preferi manter-me calado quando logo após os primeiros jogos o grego começou a ser criticado e apontado como uma dispendiosa contratação falhada. Parece-me que vai mostrando que os críticos estavam enganados, e continua ainda a crescer de jogo para jogo, a medida que se sente mais confortável nas tarefas defensivas e se vai soltando no apoio ao ataque. O Jonas foi outro que brilhou e marcou dois golos, mas o Lima também merece destaque, não apenas pelo golo mas também pelo que jogou, com intervenção directa na maior parte das jogadas dos golos. E o Luisão também. Porque é o Luisão, porque hoje igualou o número de jogos do imortal Simões pelo Benfica e porque ficou tão bem em dia de aniversário ser ele a dar início à festa.

 

Ganhámos, goleámos, demos espectáculo. Hoje deixámos toda a gente contente. Até os adversários, que podem pegar no penálti e na expulsão do jogador do Estoril, descontextualizá-los como têm feito com praticamente todas as situações deste tipo, e adicioná-los à sua contabilidade particular que lhes permite fingir que é por algum motivo que não o futebol jogado que continuam a ter que olhar para cima e a ranger os dentes quando querem ver o Benfica.

 

Parabéns Benfica pelos teus 111 anos de Glória, e da minha parte nunca conseguirei encontrar as palavras que me permitam agradecer o suficiente por todos os momentos inesquecíveis que me tens proporcionado ao longo da vida.

por D`Arcy às 03:08 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 25.02.15

Respeito

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Para mim, mesmo sem nunca o ter visto jogar ao vivo, sempre representou a Mística personificada. Um ano de saudade.

por D`Arcy às 16:50 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 22.02.15

Complicada

Foi uma vitória demasiado complicada para a superioridade que o Benfica demonstrou em campo durante todo o jogo. A falta de eficácia poderia ter custado caro, já que apesar do domínio completo do jogo não fomos capazes de o exprimir em golos e vimos o Moreirense colocar-se em vantagem no único remate que fez à nossa baliza, obrigando-nos depois a correr atrás do resultado.

 

 

Sem surpresa, o André Almeida foi o escolhido para ocupar a vaga no meio campo deixada pela suspensão do Samaris, mantendo-se o resto do onze como esperado. O Benfica entrou bem no jogo, instalando-se imediatamente no meio campo adversário e remetendo o Moreirense para junto da sua área. Ao contrário do que tinha visto nos três jogos anteriores contra esta mesma equipa, desta vez o Moreirense apostou numa atitude claramente defensiva, tentando tapar todos os caminhos para a sua baliza acantonando os seus jogadores na zona defensiva e tentando queimar tempo em qualquer reposição de bola em jogo desde o primeiro minuto. Apesar do domínio total do jogo, o Benfica não conseguiu traduzir isso em muitas ocasiões flagrantes de golo. Fomos evidentemente muito mais rematadores (quase mesmo a única equipa a rematar), conquistámos diversos cantos, mas apenas me recordo de uma ocasião flagrante de golo, na qual o Jonas acertou no poste depois de um centro do Pizzi. Foi portanto completamente contra a corrente do jogo que o Moreirense se colocou em vantagem. Tudo começou numa perda de bola do Salvio perto da linha do meio campo, que originou um contra-ataque pelo lado direito da nossa defesa. O André Almeida veio fazer a dobra, porque o Maxi estava adiantado, mas ninguém foi compensar a sua ausência no meio, o que permitiu que o jogador do Moreirense recebesse a bola na zona frontal à nossa área e tivesse todo o tempo do mundo para olhar e colocar o remate. Se as coisas já pareciam complicadas, pior ficaram, e se o Benfica já dominava completamente o jogo desde o apito inicial, era necessário imprimir mais velocidade no nosso jogo e maior agressividade na hora de atacar a baliza adversária, porque mais uma vez, e perante a floresta de jogadores do Moreirense, os nossos jogadores eram pouco expeditos e revelavam pouca vontade de arriscar rematar, perdendo-se jogadas sempre com mais um toque, um passe para o lado, ou uma finta.

 

 

Foi essa atitude que o Benfica trouxe para a segunda parte, e devido a isso a pressão sobre o Moreirense tornou-se cada vez mais intensa. Os pontapés de canto continuaram a acumular-se, o guarda-redes do Moreirense viu finalmente o amarelo por perder tempo (quando logo na primeira parte este amarelo já se justificava, isso diz muita coisa). O golo do empate acabou por aparecer ainda antes de se completar o primeiro quarto de hora. Depois de uma dúzia de pontapés de canto que nada deram, foi num que até nem era (o Salvio foi o último a tocar na bola) que chegámos ao golo. Canto marcado na direita pelo Pizzi e entrada fulgurante de cabeça do nosso capitão Luisão ao primeiro poste. Logo a seguir o Moreirense facilitou-nos a vida, já que ficou reduzido a dez devido a palavras dirigidas ao árbitro por um jogador seu. Por efeito directo da expulsão ou não, a verdade é que não tardou muito até que o Benfica resolvesse o jogo. Apenas cinco minutos depois da expulsão, e na sequência de mais um canto, num remate de ressaca de fora da área o Eliseu fez o segundo golo. O guarda-redes não ficou muito bem no lance, porque o remate foi relativamente fraco e feito com o pé direito, mas a bola passou pelo meio de um monte de jogadores e bateu à frente dele antes de entrar. E depois, para acabar com quaisquer dúvidas, bastaram mais sete minutos para marcarmos o terceiro golo. Cruzamento tenso e rasteiro do Salvio na direita, e o Jonas apenas teve que encostar quase em cima da linha. Com este golo o jogo ficou definitivamente resolvido, e os minutos finais passaram-se sem grande história, ficando no ar apenas a dúvida sobre se o Benfica ainda conseguiria ampliar a vantagem - e esteve muito perto de o conseguir, num grande remate do Talisca.

 

 

O Pizzi voltou a ser dos jogadores que mais me agradaram. Tem obviamente que evoluir no aspecto defensivo - no golo do Moreirense pareceu-me que houve passividade - mas foi dos mais activos e criativos no ataque. Além disso dá jeito que saiba marcar cantos de uma forma mais eficaz do que o Talisca, porque já andava cansado de ver os nossos cantos serem quase todos cortado ao primeiro poste devido à bola nunca ser suficientemente levantada. Muito bem o nosso capitão, a liderar por exemplo e a dar início à reviravolta. O Salvio acabou por fazer a assistência para o terceiro golo, mas nos últimos jogos tem conseguido irritar-me por excessos de individualismo que resultam em diversas perdas de bola.

 

Obviamente que há gente suficientemente desonesta para tentar fazer um cavalo de batalha do canto que resultou no golo do empate. Não era obviamente pontapé de canto, já que foi o Salvio o último a tocar na bola e o auxiliar claramente enganou-se (e confesso que também não acho, ao contrário do que alguns defendem, que fosse lance para penálti sobre o Salvio). Mas o Benfica já tinha conquistado uma dúzia de cantos, e querer fazer passar uma imagem de benefício ao Benfica pelo facto do árbitro ter assinalado mais aquele, como se soubesse que era mesmo naquele que o Benfica iria marcar, parece-me profundamente estúpido. Como seria igualmente estúpido se eu achasse que tínhamos sido prejudicados quando o árbitro, na primeira parte, transformou um pontapé de canto a nosso favor em pontapé de baliza, porque tinha a certeza que era naquele que o Benfica marcaria. O importante é que passou mais uma jornada e mantivemos a nossa vantagem no topo da tabela. É isso que deixa alguma gentinha mais nervosa, e a põe a disparatar ainda mais do que é costume.

por D`Arcy às 23:46 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Segunda-feira, 16.02.15

Calmo

Um jogo muito calmo e quase sem história, de tão fraca que foi a réplica dada pelo Setúbal. O Benfica marcou cedo, controlou o jogo como quis, e conquistou uma vitória folgada que talvez só peque por escassa.

 

 

Neste momento o Pizzi parece levar vantagem sobre o Talisca na luta por um lugar no onze inicial, e foi ele quem surgiu ao lado do Samaris na zona central do meio campo. De resto vimos as escolhas que têm sido habituais ultimamente. Ao contrário daquilo que aconteceu no jogo da passada quarta-feira, o Benfica pegou no jogo desde o apito inicial, isto perante um Setúbal encostado à sua área e claramente apostado em defender o nulo. Não teve muito tempo para se dedicar a essa actividade, porque logo aos oito minutos o Benfica inaugurou o marcador. Canto na esquerda marcado pelo Pizzi, e cabeceamento vitorioso do Jardel. O golo no entanto não demoveu o Setúbal da intenção inicial, porque continuou a jogar com cautelas defensivas e sem grandes pressas, talvez ciente de que uma desvantagem mínima poderia ser anulada num lance fortuito. E aliás, pouco depois do nosso golo até teve mesmo uma ocasião (porventura a única durante todo o jogo) para fazer isso mesmo, quando aproveitou um livre para colocar a bola na área e obrigar o Artur a uma defesa que me pareceu quase que por instinto. Mas tirando esse lance, o Setúbal praticamente não existiu em termos ofensivos e limitou-se a tarefas defensivas. Mas nem foi tanto por mérito defensivo do Setúbal que o resultado se manteve teimosamente na diferença mínima. O Benfica pode-se, isso sim, queixar de si mesmo por não ter conseguido marcar o segundo golo mais cedo, porque construiu ocasiões para o fazer, desperdiçando algumas delas de forma quase escandalosa - ficou-me na memória uma situação em que primeiro o Jonas e depois o Maxi conseguiram aquilo que parecia ser mais difícil, que era não marcar. Foi já perto do intervalo que o segundo golo chegou, num lance em que o Ola John ganhou no corpo a corpo com um defesa do Setúbal, entrou na área pela esquerda, e já perto da linha de fundo esperou o máximo que podia até conseguir colocar a bola atrasada para o remate do Lima, e a quase certeza de que a vitória já não fugiria.

 

 

A segunda parte foi ainda mais calma do que a primeira. Jogou-se uma grande parte do tempo apenas no meio campo do Setúbal, e a exemplo do que aconteceu noutras ocasiões o Benfica fica a dever a si próprio um resultado mais dilatado do que aquele que conseguiu, porque desperdiçámos ocasiões de sobra para marcar mais golos. Até o Luisão esteve perto de marcar com uma nota artística elevada, num chapéu ao guarda-redes que saiu ligeiramente por cima. O terceiro golo lá acabou por surgir inevitavelmente, a vinte minutos do final, e de uma forma talvez mais difícil do que noutras ocasiões que desperdiçámos. Numa jogada de insistência do Salvio e do Maxi pela direita, em que pressionaram os defesas do Setúbal, conseguiram recuperar a bola junto à área e ao cruzamento do Salvio correspondeu o Lima com um cabeceamento junto à relva, marcando assim um bonito golo. Depois disto vimos o Rúben Amorim e o Gonçalo Guedes ganharem mais uns minutos na equipa principal, o primeiro para ganhar ritmo e o segundo para ganhar calo. Continuámos a falhar golos - o Jonas não esteve nos seus dias em termos de finalização e teve mais uma perdida incrível - e na fase final do jogo os nossos jogadores entretiveram-se a coleccionar cartões amarelos, o que inclusivamente serviu para que o Samaris ficasse excluído do nosso próximo jogo.

 

 

O Lima merece ser distinguido pelos dois golos que marcou. É bom que se reencontre com o golo, uma vez que esta época parece andar menos concretizador do que é habitual. Gostei bastante do Pizzi mais uma vez. A qualidade de passe naquela zona do campo é uma mais valia, e quando conseguir adquirir as rotinas defensivas poderá ser um caso sério. Por falar em rotinas defensivas, o Samaris tem mostrado uma evolução brutal na sua posição, e hoje voltou a fazer uma exibição muito boa. Os nossos centrais mostraram a segurança do costume. Por último, acho que hoje vi o Ola John correr mais do que o tinha feito nos últimos três meses juntos.

 

Passou mais uma jornada e mantemo-nos como a única equipa dependente apenas de si própria para chegar ao título. Quanto mais tempo conseguirmos manter esta situação, maior será a frustração e pressão sobre o nosso adversário na luta pelo título. A margem é curta e não permite falhas de concentração.

por D`Arcy às 02:10 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Quinta-feira, 12.02.15

Momentos de ridicularidade, de estupidismo e de hipocrisidez.

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O Sportém, agremiação que muito faz pelo humor neste país e que é presidida por um antigo membro de uma claque (e que se continua a comportar como lá estivesse no meio) - legalizada e apoiada oficialmente pela direcção do Sportém, que incendiou parte do Estádio da Luz, que se comportou como gado bovino com o cio durante os minutos de silêncio em honra do Bento, do Eusébio e do Coluna, e que todas as semanas mostra faixas ordinárias, que apelam à violência e descem à mais baixa condição humana (e que sim, brincam com a vida humana, já que agora se fala muito nisto) - resolveu cortar as relações com o clube que norteia as suas vidas (o que demonstra no mínimo ingratidão) por este não repudiar uma faixa (também ela ordinária) exibida por meia dúzia de adeptos parvos do Benfica, de forma individual, sem o patrocínio do Benfica, e que não representam, decididamente, os seus adeptos. Isto nem sequer é ironia e, decididamente, não é fina. É hipocrisia, e da grossa.

 

Esta estratégia de vitimização hipócrita e manipulação da imprensa desportiva amestrada por parte da lagartagem tem sido ao longo dos anos a principal estratégia para a abordagem a, bom, basicamente, quase tudo. É de uma “ridicularidade” que nem o Presidente da Liga dos Bombeiros (que queimou as finanças municipais de Vila Nova de Poiares - e isto sim, é fina ironia) consegue atestar. O Presidente da Liga dos Bombeiros e Vice-Presidente do Sportém, esse exemplo vivo de coerência que, como bom bombeiro, condenou veementemente o incêndio causado por adeptos do Sportém no Estádio da Luz. Ah, esperem, dizem-me que afinal não...

 

Podia vir aqui falar dos pirómanos instigados pela direcção da lagartagem que colocaram gente e a estrutura de um estádio (construído sem favores da banca nem esmolas da Câmara) em perigo (pode-se considerar isto também tentativa de homicídio, Parvalho?), dos castigos e multas que isso nem sequer gerou, da factura desses estragos que está por pagar, dos depósitos canhestros em contas de fiscais de linha para incriminar outros, das faixas repugnantes a ofender o Eusébio depois da sua morte, da extrema elegância das publicações no twitter oficial da lagartagem (em provocações sistemáticas ao Benfica, e a responder - porra, é incrível, isto - a adeptos individuais do Benfica), das declarações sistemáticas e ordinárias do Burro Parvalho sobre o Benfica, do vandalismo a estabelecimentos comerciais de árbitros que resolvem arbitrar sem favores ao Sportém, do vandalismo e destruição de murais e a estátuas alusivas ao Benfica (tanto em residências particulares, como em Casas do Benfica), da proibição do uso de cachecóis do Benfica no alvalixo sem ser na zona destinada às claques (desafio-vos a dizer que alguma vez viram isso no Estádio da Luz), das agressões a adeptos com símbolos do Benfica no alvalixo com a conivência dos seguranças (desafio-vos a dizer que alguma vez viram isso no Estádio da Luz), das t-shirts ordinárias da claque da lagartagem que estiveram na génese deste escalar de palhaçada. Podia, mas não tenho tempo, percebem? Porque material, ui, disso há muito. Não estou para isso, a hipocrisia é de difícil cura, e os lagartos estão em fase terminal, muito para além de ajuda médica.

 

É de uma bizarra desonestidade intelectual pensar que se pode continuar a invocar um incidente trágico de 1996 – praticado por um indivíduo que não se pode confundir com a massa adepta do Benfica ou com o Benfica - para desculpar toda o festival de produto intestinal que a lagartagem faz a toda a santa hora. Ou que se pode vomitar agora que “não têm moral para falar” porque um palhaço resolveu lançar petardos no jogo de Domingo. É como argumentar, por exemplo, que os tibetanos não têm moral para se queixar das agressões da República Popular da China porque houve um tibetano que uma vez deu um tiro num chinês. Percebem o quanto esta linha de raciocínio é ridícula? Não fui eu, não foi a massa adepta do Benfica, nem foi o Benfica que lançaram o very light em 96 ou que lançaram petardos no Domingo, e dizer que não temos moral para falar e denunciar os comportamentos imbecis do Parvalho e discípulos por causa disso é não perceber nada, é confundir tudo, é ser estúpido.

É estúpido confundir a filhadaputice oficial e ratificada pela direcção de um clube na recepção a outro – as ameaças a quem tenciona ir para a tribuna do alvalixo, a omissão do 11 do Benfica, o “hino” (slb slb sblb fds slb) do Sportém, a palhaçada do “visitante”, a ordinarice do speaker, as faixas das claques legalizadas a ofender o Eusébio e adeptos falecidos do Benfica, e a desejar a morte aos demais - com a bestialidade de animais que não têm lugar dentro de um estádio de futebol. Bestialidade essa que é semelhante à de animais que começam a incendiar estádios, instigados, aí sim, por elementos da direcção de um clube que deviam ser responsabilizados.

Não fui eu nem foi o Benfica que atiraram petardos, foram idiotas a título individual. Mas é o Sportém que apoia oficialmente as suas claques e foi a direcção do Sportém que promoveu a inacreditável recepção de Domingo, foi a direcção do Sportém que foi moralmente responsável pelo incêndio no Estádio da Luz (pela mão do Cristóvão dos depósitos de 2.000 euros), foi a direcção do Sportém que nunca repudiou esse incidente, foi a direcção do Sportém (que é quase a mesma coisa que uma claque) que não repudiou nunca faixas ofensivas sobre a morte do Eusébio, foi a direcção do Sportém que nunca repudiou faixas ofensivas sobre a morte de adeptos do Benfica.

 

Moral? Enganam-se, não têm moral nenhuma para invocar rigorosamente nada. Nunca tiveram, desde os tempos de clube do regime no Estado Novo (ao invés da ideia que hipocritamente tentam fazer passar há anos pela comunicaçao social amestrada), dos dirigentes que acumulavam cargos no Sportém e na PIDE/DGS, passando pelos tempos em que tentaram fazer acordos com o porto para acabar com o Benfica. Nem nunca hão-de ter, porque nasceram tortos e nunca se endireitaram. Por isso, pseudo-lições de moral vindas de quem vem, não as aceito. Não as aceito e devolvo-as, com a dignidade tranquila de quem vive em função de um caminho próprio e de quem sabe o que é justo, seja ao minuto 92, ao minuto 94 ou pela eternidade fora.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (29)

Fácil

Jogo que começou mal mas que acabou por se tornar demasiado fácil para o Benfica, que assim garantiu a passagem à sexta final da Taça da Liga em oito edições.

 

 

O Benfica apresentou um onze com várias alterações em relação ao do último jogo: Sílvio, Lisandro, Cristante, Pizzi, Gonçalo Guedes, Talisca e Derley foram titulares esta noite, mantendo-se no onze apenas Artur, Jardel, Eliseu e Ola John. O Setúbal entrou de rompante no jogo e esteve muito perto de marcar logo nos minutos iniciais, com o Benfica a ser salvo por um corte quase milagroso do Lisandro. Só a partir dos dez minutos é que me pareceu que o Benfica conseguiu assentar um pouco o seu jogo, mas mesmo depois disso jogámos sempre numa toada algo lenta e devido a isso não foi fácil ultrapassar a organização defensiva do Setúbal, que quando perdia a bola acumulava vários jogadores em frente à sua área. Só a cinco minutos do intervalo é que as coisas se começaram a facilitar, com um penálti cometido sobre o Gonçalo Guedes que custou a expulsão ao jogador do Setúbal, já que o nosso jogador estava em posição privilegiada para marcar. O Talisca converteu no primeiro golo e, quatro minutos depois, esteve na origem do segundo, já que depois de uma perda de bola infantil da defesa do Setúbal foi sobre ele que novo penálti foi cometido. Desta vez foi o Pizzi a convertê-lo, o que levou a equipa para intervalo a vencer por dois e com mais um jogador em campo.

 

 

Não se esperava por isso uma segunda parte particularmente emotiva ou problemática para o Benfica, e foi o que aconteceu. A exibição do jovem Gonçalo Guedes estava a ser um motivo de interesse e ele até esteve perto de marcar um grande golo, mas o remate desferido de bastante longe embateu com estrondo na barra. Pouco depois foi substituído pelo Salvio. O Setúbal não conseguiu fazer qualquer tipo de oposição e a segunda parte foi por isso jogada quase por inteiro em metade do campo, com a bola a rondar muito a área mas houve pouco acerto da nossa equipa, que desperdiçou várias jogadas em que poderia e deveria ter feito melhor. Mas o jogo continuou a ser disputado a um ritmo pouco intenso e por vezes foi até monótono de assistir - não sei se me recordo de estar num estádio a assistir a outro jogo durante o qual tenha bocejado tanto. Ainda acertámos mais uma vez a bola nos ferros da baliza adversária, desta vez pelo Salvio, e só mesmo o inevitável Jonas (tinha entrado para o lugar do Cristante ao intervalo) acabou por fazer o gosto ao pé, após jogada de entendimento que envolveu o Ola John e o Derley. É de assinalar também o momento do regresso aos relvados do Rúben Amorim, que pode ser um importante reforço para estes últimos meses da época.

 

 

Gostei do Lisandro. Já disse antes que tenho pena que ele pareça render mais a jogar na posição do Luisão, porque assim tem a presença no onze muito mais dificultada. O Gonçalo Guedes teve bons pormenores e é bom vê-lo ir ganhando experiência. Também fiquei agradado com a exibição do Pizzi.

 

Passagem à final sem grande esforço ou sobressaltos era o que eu esperava. Expectativas cumpridas. Agora é preparar novo jogo contra este mesmo adversário no domingo.

por D`Arcy às 02:04 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Terça-feira, 10.02.15

Delirium lacerta

Se o derby não foi muito bem jogado e só teve emoção nos últimos sete minutos, o que se passou à volta dele merece realce por si só. Já se sabe que está cientificamente provado que nunca ninguém aprendeu nada a discutir bola com um lagarto. Porque aquelas criaturas vivem numa dimensão paralela cuja semelhança com a realidade anda aproximadamente ao nível do… zero. Como prova o facto de todos eles terem visto um jogo que… não aconteceu!

 

Ainda só ouvi lagartos dizerem que “massacraram” o Benfica, que o resultado foi “muito injusto”, que tiveram “muito mais oportunidades” de golo, que o Artur fez uma série de “defesas de golo” e foi o “melhor em campo”, etc. Eu sei que é escusado mostrar a realidade a um lagarto, porque vivendo eles num mundo paralelo, nunca a conseguirão ver, mas for the record: 1) o Artur fez uma grande defesa na primeira das duas únicas oportunidades de golo que tiveram (não conto a defesa ao remate anterior ao golo, porque ele aconteceu na recarga); 2) dez cantos que não criaram perigo e maior posse de bola não é “massacre”, porque, lá está, há aquelas coisas que se chamam balizas nas quais é preciso tentar meter a bola…; 3) dois remates perigosos à baliza, um golo, não é assim “muito mais oportunidades” do que um remate, um golo. Quanto à “injustiça” do resultado, estamos conversados.

 

Outra crítica que se ouve é que o Benfica parecia o Arouca, a jogar para o empate. E que só criou um lance de perigo. E que marcou um golo fortuito. Isto vindo de adeptos do clube que esteve sete(!) anos sem marcar um golo na Luz. Repito: sete anos! Nenhuma outra equipa da I Liga esteve este tempo todo em branco na Luz. Nem o Arouca. Foram avalanches atacantes nesses sete anos, que nem vos digo nada… É como diz o Nuno Aleixo, quando é o Mourinho a jogar com o Inter em Barcelona ou com o Pepe a trinco também frente ao Barça, ou o Simeone a conseguir fechar os caminhos da sua baliza ao Real Madrid, são ambos génios da táctica. Quando é o Jesus e o Benfica, já é péssimo. Porque o Benfica deveria é jogar à maluca e golear no WC. Mas mesmo assim, é como comentou o meu amigo F.S.C., “sim, foi um Benfica mauzinho; sim, foi um bom Esportem. Conclusão: um mau Benfica chegou para um bom Esportem”. O que o jogo revelou foi que o Jesus está perfeitamente consciente de que este nosso plantel é possivelmente o mais fraco de todos os que teve e há que saber adaptar-se a isso para continuar a conseguir bons resultados. E que, se não se pode ganhar no WC, ao menos que não se perca. Para este peditório do “não jogam nada”, eu recuso-me a dar: como se nós não tivéssemos sido DE LONGE a equipa que melhor futebol jogou nas duas épocas em que perdemos o campeonato para o Vítor Pereira. E isso não nos valeu de nada! Prefiro obviamente o pragmatismo deste ano.

 

Pelo que se vai lendo e ouvindo por aí, só tenho pena é de não ter acções da farmacêutica do Kompensan, porque iria ficar rico por estes dias. A lagartada está muito desalentada por terem perdido aos 94’ a possibilidade de… ficar a quatro pontos(!) do 1º lugar. Como se nós não tivéssemos perdido muito recentemente um campeonato e uma Liga Europa aos 92’ e com quatro dias de intervalo! Esqueçam… “vocês sabem lá”!

 

A lagartada está sempre a dizer que é um “clube diferente”, mas depois o speaker do estádio não anuncia a equipa do Benfica e quando diz o resultado refere-se ao Benfica como “visitante”. Não me parece que seja muito “diferente” do que se passa em Mordor (ou em Braga). Revela apenas tacanhez e mediocridade. Por outro lado, a noção do ridículo é algo que não lhes assiste (como diria o outro): antes do jogo, pediu-se uma “grande ovação” para os campeões nacionais de 81/82 que subiram ao relvado! Foi o delírio… na nossa bancada! Aplausos e vivas com fartura! Eu até percebia se subisse ao relvado um jogador ou se fosse o próprio dia em que tivessem ganho aquele campeonato, mas agora a equipa toda só porque iam jogar contra o Benfica… por favor! Eu sei que estamos a falar de um clube que detém o recorde de estar 18 anos sem ganhar um campeonato, cuja nova série já vai em 12 e que nos últimos 32 anos ganhou… dois(!), mas mesmo assim um bocadinho de noção do ridículo não lhes ficaria mal. Falta de noção do ridículo igualmente com a enésima entrevista do speaker ao Manuel Fernandes para falar de um resultado numa época em que o Benfica… ganhou a dobradinha! Enfim, cada clube tem os títulos que merece.

 

Mas de uma coisa pode a lagartada estar tremendamente orgulhosa e ter motivos para festejar efusivamente: é que é a primeira vez nas últimas sete(!) épocas que não vão perder uma única vez com o Benfica. Mais um título para o museu!

 

P.S. – Como de costume, houve adeptos do Benfica que entraram com o encontro a decorrer e eu vi uma série de lagartos a sentarem-se no seu lugar aos 27’ de jogo! Não resolvam o problema das entradas naquele estádio que não é preciso…

por S.L.B. às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Segunda-feira, 09.02.15

Alternativa

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Bem, chego à conclusão de que ontem estive numa realidade alternativa qualquer. É que pelos vistos houve um Sporting x Benfica no qual o Sporting fez uma exibição de encher o olho, massacrou o Benfica (que ficou o jogo todo enfiado dentro da sua área a ver o Sporting jogar e a queimar tempo) e no final o Sporting viu-lhe ser negada a mais que merecidíssima vitória por um golpe de azar. É terrivelmente frustrante deixar fugir um resultado no último suspiro e infelizmente nós, benfiquistas, sabemo-lo bem por experiência própria, até porque recentemente não foram apenas resultados mas sim títulos que nos fugiram nos últimos segundos de um jogo. Mas não inventem coisas que não aconteceram.


Eu estive no estádio de Alvalade e vi um jogo no qual achei que o Benfica não esteve ao seu nível e em que nos faltou ambição porque nunca parecemos ter grande vontade para ir à procura de algo mais do que o empate. Mas vi também um jogo bastante disputado e equilibrado, o que aliás a própria estatística da posse de bola (52% - 48%) parece confirmar. O Patrício não fez uma defesa? O Artur fez uma 'e meia' (a 'meia porque o lance resultou em golo na recarga). O Benfica marcou na única oportunidade que teve? OK, mesmo dando de barato o lance em que o Jonas apareceu isolado na área e decidiu passar ao Lima em vez de rematar, o Sporting teve duas oportunidades: um cabeceamento do Carrillo e a outra oferecida por um passe infeliz do Samaris do qual resultou o golo. Eu acho que o Benfica teve sorte ao conseguir chegar ao golo quando tinha já tão pouco tempo para reagir após o golo sofrido. Ou que durante esses seis minutos resolveu mostrar a vontade e ambição que lhe faltaram no resto do jogo. Portanto parece-me que definitivamente não estive a assistir ao mesmo jogo. Deve ter sido porque o jogo a que assisti foi o Sporting x Visitante.

Ou então os que hoje falam do fantástico massacre ao qual o Benfica foi ontem submetido eram aqueles que ontem aos noventa minutos andavam a dar 'olés'.

por D`Arcy às 15:32 | link do post | comentar | ver comentários (11)

Sorte

Tendo em conta as circunstâncias tenho que considerar o resultado do jogo desta noite como um mal menor, que nos mantêm em posição privilegiada na luta pela renovação do título de campeão. Mas não deixo de me sentir algo desapontado pelo facto do Benfica ter passado a maior parte do jogo numa estratégia de risco mínimo e aparentemente satisfeito com o empate. É certo que o jogo era muito mais decisivo para o Sporting do que para nós e que não pudemos contar com o nosso maior desequilibrador, mas esperava mais da nossa parte.

 

 

A estratégia de maior segurança ficou visível logo na escolha do onze inicial - visto a olho, já que o clube anfitrião fez questão de não anunciar a constituição da equipa do Benfica, ou melhor, do 'visitante', porque durante todo o tempo foi assim que se referiram à nossa equipa (certamente em casas de viscondes e gente diferente é assim que se demonstra classe). André Almeida em vez do Talisca, com a equipa a dispor-se em campo num 4-4-2 em que o Samaris e o André actuaram praticamente lado a lado, em vez do mais habitual 4-1-3-2. Sobre o jogo jogado, tenho pouco a dizer. Foi um jogo bastante táctico, em que as defesas se superiorizaram aos ataques e não houve uma única ocasião de golo para qualquer uma das equipas durante os primeiros quarenta e cinco minutos. Senti bastante a falta do Gaitán, uma vez que o seu substituto Ola John foi um dos jogadores mais desinspirados de toda a equipa e não fez uma contribuição positiva que fosse para o nosso jogo. Atrás dele também o Eliseu esteve longe do desejável, pelo que a nossa asa esquerda praticamente não serviu para nada. Também é justo referir que na direita o Salvio foi tudo menos brilhante, pecando por individualismo excessivo e por complicar jogadas em que se impunha a opção mais simples. No centro o Samaris, pelo contrário, esteve sempre muito bem e juntamente com o André e os frequentes recuos no campo do Jonas encaixaram no meio campo do Sporting, impedindo que tirassem partido de alguma teórica superioridade numérica nessa zona do terreno. 

 

 

Não vi grandes diferenças no início da segunda parte. Nenhuma das equipas parecia querer correr grandes riscos, e da parte do Benfica via uma aparente ainda maior vontade em deixar correr o marfim e satisfazer-se com o nulo. Uma vez que era ao Sporting a quem menos interessava este resultado, na fase final do jogo foi por isso natural que tentassem carregar mais na procura do golo. O facto de termos ficado com ambos os laterais e os dois médios centro (o Samaris já perto do final) amarelados creio que também contribuiu para uma menor agressividade a defender e para que os extremos do Sporting passassem a ter um pouco mais de liberdade - vi vários lances em que claramente os nossos jogadores se retraíram e não arriscaram meter o pé. Mas apesar disso o jogo nunca ficou particularmente desequilibrado, e recordo-me apenas de uma boa ocasião para o Sporting, num cabeceamento do Carrillo (no qual o Eliseu ficou a assistir de cadeirinha) que obrigou o Artur a uma boa defesa. No Benfica apenas me chamou a atenção um bonito passe do Samaris André Almeida para o Jonas, que dentro da área decidiu tentar assistir o Lima quando me pareceu que poderia ter rematado. Parecia-me que o jogo estava inevitavelmente destinado a um nulo, e que apenas algum lance fortuito poderia alterar o estado das coisas. E nos minutos finais, foi mesmo isso que acabou por acontecer, e por duas vezes. Primeiro, e porque no melhor pano cai a nódoa, o Samaris, que estava até então a fazer um jogo sem mácula, teve um mau corte que isolou o João Mário entre os nossos centrais. O Artur defendeu o remate, mas já não conseguiu evitar a recarga do Jefferson. Um duro golpe a três minutos dos noventa, ainda por cima sendo o golo marcado por um dos jogadores que eu mais detesto à face da terra (desde que lesionou o Salvio por seis meses que não suporto aquele animal). Claro que os adeptos da casa soltaram logo a sua tradicional arrogância e desataram a dar 'olés', como se o jogo medíocre a que se assistia sequer o merecesse. Levaram o castigo merecido para isso, porque já em período de descontos uma confusão dentro da área que se seguiu a um lançamento lateral do Maxi e posterior insistência com um despejo da bola para lá acabou com a bola a sobrar para o Jardel, que rematou no meio da confusão para o golo do empate.

 

 

Apesar da má intervenção que resultou no golo do adversário creio que o Samaris fez um jogo muito bom. O Artur também merece referência porque depois da campanha vergonhosa levada a cabo pelo Record durante a semana para o desestabilizar fez um jogo seguro e defendeu o que havia para defender. Não foi muito, mas o que fez fê-lo bem e nada mais poderia fazer no golo sofrido. O Jardel mereceria destaque quanto mais não fosse pelo golo, mas também esteve sempre bem na defesa, sobretudo tendo em conta o trabalho adicional a que foi muitas vezes sujeito para compensar o Eliseu. E também gostei do Maxi, que nunca revelou grandes dificuldades para controlar o jogador potencialmente mais desequilibrador do Sporting. O Nani passou praticamente ao lado do jogo, e isso muito por culpa do Maxi.

 

Perdemos dois pontos para o rival na luta pelo título, mas objectivamente mantemo-nos como a única equipa que depende apenas de si própria para conquistar o título. Espero que a sorte que tivemos hoje ao obter o empate no último fôlego de um jogo que poderíamos perfeitamente ter deixado fugir tenha sido também uma boa injecção de motivação adicional para que consigamos fazer a festa no final do campeonato.

por D`Arcy às 00:35 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Domingo, 01.02.15

Inequívoca

Ganhámos tranquilamente e sem aparente grande esforço ao Boavista, mas não terão sido muitas as vezes em que saí da Luz irritado depois de vencer um jogo por três a zero. Irritado por causa da lesão do Júlio César, e também porque a nossa superioridade sobre o Boavista foi tão inequívoca que o resultado me soube a pouco. Talvez seja eu que estou a ser demasiado exigente, mas fiquei mesmo com a sensação que os nossos jogadores nos ficaram a dever uma goleada das antigas.

 

 

Foi quase o mesmo onze que alinhou em Paços de Ferreira que entrou hoje em campo. Uma única alteração, que foi o Pizzi no lugar do Talisca. Não tenho acompanhado com muita atenção os jogos do Boavista esta época, por isso não sei se hoje foi um dia particularmente mau ou se isto tem sido o padrão da época, mas muito sinceramente, ao fim de dois ou três minutos de jogo já tinha uma opinião formada, que era que só mesmo um alinhamento absolutamente impossível dos astros conseguiria fazer com que conseguissem sacar qualquer coisa deste jogo. Juro que não estou a exagerar no que digo, até porque tenho respeito pelo Petit por motivos óbvios, mas o Boavista foi uma das piores equipas que eu vi jogar na Luz esta época, se não mesmo a pior. O único objectivo que pareceram ter foi acantonar jogadores à frente da área, e nos raros momentos em que conseguiam recuperar a bola não pareciam sequer saber o que fazer com ela. Quase todos os jogadores pareceram-me bastante limitados e sem qualidade suficiente para uma primeira liga normal, mas nesta aberração de dezoito equipas que temos o Boavista até consegue estar fora da zona de despromoção (embora desconfie que o sintético do Bessa seja o seu maior trunfo). Assim se compreende que durante a primeira parte o Boavista não tenha construído uma jogada de ataque (ou melhor, uma jogada sequer que os fizesse passar do meio campo sem ser através de chutões para a frente). E que mesmo com o amontoado de jogadores em frente à sua área tenha parecido relativamente simples ao Benfica ultrapassar a muralha defensiva: uma tabela rápida ou um passe de ruptura para as costas da defesa e aparecia logo um jogador nosso solto. Só mesmo algum nervosismo ou falta de confiança da nossa parte pode explicar a falta de eficácia que fez com que demorássemos vinte e três minutos a chegar ao golo. Foi nessa altura que o Lima aproveitou uma assistência do Maxi, que picou a bola sobre os defesas, para de cabeça fazer a bola passar sobre o Mika e desfazer o nulo. Isto já depois de um par de perdidas algo flagrantes da parte do Ola John e do Salvio. Não demorou muito até surgir o segundo golo, da autoria do Maxi, que depois de um canto marcado à maneira curta entrou à vontade pela quina da área e rematou cruzado de pé esquerdo. Até ao intervalo o resultado podia e devia mesmo ter sido ampliado, com destaque para a segunda perdida do Salvio, isolado em frente ao guarda-redes.

 

 

Acho que as facilidades que o Benfica encontrou ou soube criar fizeram com que a equipa jogasse de forma mais relaxada na segunda parte, e tivesse perdido uma boa ocasião para construir um resultado ainda mais desnivelado. Logo a abrir, pareceu-me ter ficado um penálti por assinalar após falta sobre o Lima, em mais uma tabela rápida com o Jonas que o deixaria na cara do golo. Não foi assinalado esse lance, foi erradamente assinalado outro com dez minutos decorridos. Um slalom individual do Samaris terminou com uma falta perto do limite da área, mas ainda fora, que o árbitro Hugo Miguel transformou em penálti e o Jonas converteu. De assinalar também que este lance ocorreu imediatamente a seguir a mais uma perdida escandalosa do Benfica, na qual o Luisão surgiu completamente sozinho quase na pequena área e com tempo para tudo, mas rematou de forma a permitir a defesa do Mika quando tinha o Lima completamente solto ao seu lado. A ganhar por três o nosso treinador mesmo assim resolveu arriscar a entrada do Talisca, e deu ainda oportunidade ao Gonçalo Guedes de somar mais alguns minutos pela equipa principal.  Quanto ao jogo, foi um desfilar de ocasiões perdidas ou mal aproveitadas, com os nossos jogadores a parecerem querer sempre dar mais um toque na bola, fazer mais um passe ou uma tabela, como se quisessem entrar com a bola pela baliza dentro. Pelo meio o Boavista teve a sua primeira e única ocasião no jogo, quando após um livre despejado para a área o Júlio César foi obrigado a fazer uma defesa fantástica para evitar o golo após um cabeceamento. E ate final, duas situações a mencionar: primeiro, a incrível lesão do Júlio César, que depois de passar o jogo quase todo ao frio e sem nada para fazer fez um sprint para tentar evitar um possível canto e ficou agarrado à coxa. Isto significa que há agora a possibilidade de para a semana o Sporting poder contar com o jogador que foi mais decisivo para que conseguisse arrancar um empate no jogo da primeira volta. A segunda foi mais um penálti evidente cometido sobre o Lima, já perto do final, e que não só não foi assinalado como resultou ainda na expulsão do Pietra do banco. Até estranharia se o lagartão Hugo Miguel acabasse um jogo nosso sem um saldo negativo para nós.

 

 

Na minha opinião o destaque em termos individuais vai para o Maxi, sobretudo pelo que fez na primeira parte. Assistência para o primeiro golo e marcador do segundo, para além de ter sido sempre dos mais activos e lutadores da equipa. O Samaris voltou a fazer um bom jogo e está a crescer bastante naquela posição. Gostei também do Jonas e do Lima, e quanto ao Salvio, apesar de muito participativo esteve trapalhão hoje. Não é normal vê-lo desperdiçar duas ocasiões isolado em frente ao guarda-redes.

 

Obrigação cumprida sem sobressaltos, e agora é começar a pensar no jogo que se segue. Com Artur ou Júlio César na baliza, é indiferente. O objectivo é o mesmo de sempre e em todos os jogos, seja qual for o adversário.

por D`Arcy às 03:20 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Segunda-feira, 26.01.15

Nabos

Obviamente que o Benfica não aproveitou a oportunidade para dar aquilo que poderia ter sido um golpe decisivo no campeonato. Entrámos bem no jogo, vimos o Jonas falhar uma ocasião que quase nunca desperdiça, mas a partir do momento em que o Lima falhou o penálti nunca mais nos encontrámos. Depois disso fomos uma equipa que pareceu descrente e nervosa, e fomos castigados mesmo sobre o final com uma derrota que nos impediu de tirar quaisquer dividendos da derrota do adversário directo na Madeira. Não soubemos encontrar soluções para ultrapassar uma equipa que defendeu quase sempre com os onze jogadores atrás da bola, e à medida que o tempo foi passando perdemos completamente o discernimento e só vi disparates uns atrás dos outros - incluindo no banco. Podemos até queixar-nos da infelicidade de ver a bola bater por três vezes nos ferros da baliza adversária, mas a verdade é que estivemos muito, muito abaixo daquilo que era exigível. Jogámos pouco como equipa e por demasiadas vezes os nossos jogadores tentaram fazer as coisas individualmente e tomaram péssimas decisões - por exemplo, aquele momento em que o Talisca, completamente sozinho sobre o lado esquerdo, decide tentar um remate acrobático de primeira em vez de controlar a bola era motivo para substituição imediata. O penálti que nos custou o jogo foi bem assinalado e um disparate monumental do Eliseu, a juntar aos outros que os nossos jogadores foram cometendo à medida que o tempo ia passando.

 

Estamos na mesma situação em que estávamos antes desta jornada, no primeiro lugar com seis pontos de avanço. Mas desperdiçar ocasiões destas para cimentar a liderança é um erro de principiante. Esta noite fomos uns nabos.

por D`Arcy às 22:11 | link do post | comentar | ver comentários (30)
Quinta-feira, 22.01.15

A melhor notícia do ano!

O adeus de Pedro Proença

 

Eu disse do ano?! Dos últimos 14 anos! Já fiz mais do que um post com estas imagens, mas nunca é demais recordar os momentos mais inolvidáveis do "melhor árbitro do século" em Portugal. Vai respirar-se melhor nos relvados a partir de hoje. E não te preocupes, nós não te esqueceremos. Nunca! E jamais te perdoaremos. Obviamente!

 

Da minha parte, revejo pela enésima vez os dois lances no Bessa e especialmente o do Lisandro, e a tua posição no campo diz-me tudo o que preciso de saber sobre ti. Não tenhas receio, nós sabemos bem que não "erraste dentro de campo".

 

Infelizmente para nós, acabaste a carreira com 14 anos de atraso. Não deixas saudades. Nenhumas!

 

Máquina

Bastava o empate para seguirmos para as meias-finais da Taça da Liga, mas mesmo trocando diversos jogadores a nossa equipa não mudou o registo que tinha apresentado na Madeira e, com mais uma exibição altamente competente, venceu o Moreirense e fez o pleno nos jogos do seu grupo. O que mais me impressionou neste jogo foi a forma como, mesmo trocando diversos jogadores, o Benfica conseguiu controlar de forma tão absoluta o jogo e o adversário, a exemplo do que fizemos contra o Marítimo. Assim que pegámos no jogo nunca mais o largámos, e a partir daí não consigo recordar-me sequer de uma jogada de perigo da parte do Moreirense.

 

 

Os repetentes do onze titular na Madeira foram três defesas - Luisão, Jardel e Eliseu - mais o Jonas na frente de ataque. Depois foram novidades: Artur na baliza, André Almeida na direita da defesa, Cristante e Pizzi no meio campo, Ola John e Sulejmani nas alas, e Pizzi como homem mais avançado. O Moreirense teve uma boa entrada no jogo, bastante semelhante ao que tinha mostrado em nossa casa no jogo do campeonato, com uma pressão bastante agressiva logo na saída de bola do Benfica. Durante os primeiros quinze minutos esteve melhor no jogo e construiu uma ocasião em que fez um remate cruzado com algum perigo, mas o Artur respondeu bem. Depois disso o Benfica começou a assentar o seu jogo e a fazer a bola circular e nunca mais o Moreirense regressou ao jogo. Não foi possível continuar a pressionar quando a circulação de bola era feita de forma tão coordenada, com todos os jogadores a ocupar correctamente os espaços e a saber exactamente o que fazer dentro de campo. A estatística da posse de bola depressa se desequilibrou completamente para o nosso lado, até porque quando o Moreirense recuperava a bola não conseguia construir nada e perdia-a quase sobre a linha do meio campo. Mesmo tendo passado a estar completamente por cima no jogo, o Benfica parecia mais preocupado em controlá-lo do que em atacar desenfreadamente a baliza adversária, como se estivesse confiante que mais cedo ou mais tarde o golo acabaria por aparecer. Ensaiámos várias jogadas em tabelas pelo centro, tirando sobretudo partido das movimentações do Jonas na zona frontal à área adversária, e a ameaça mais séria surgiu dos pés do brasileiro, num remate que passou perto do poste. Houve mais uma ocasião em que foi o Jonas a atrapalhar uma boa combinação entre o Eliseu e o Derley, na qual o nosso lateral esquerdo ficaria em muito boa posição para marcar.

 

 

O controlo do Benfica manteve-se na segunda parte, e acentuou-se ainda mais quando ainda na fase inicial trocámos o jogador que me parecia estar com menor rendimento (Sulejmani) pelo Samaris, passando o Pizzi para a direita. Faltava apenas um golo que desatasse o nó e que seria certamente decisivo, pois o Moreirense não mostrava ser capaz de reentrar no jogo. O Benfica já vinha a ameaçar muito mais a baliza adversária desde o reinício, e esteve perto de marcar num remate do Jonas defendido com dificuldade pelo guarda-redes, ou num cabeceamento do Luisão, que surgiu completamente solto na área mas cabeceou sem direcção. O golo acabou por surgir com vinte minutos decorridos. O inevitável Jonas recebeu a bola à entrada da área, entregou-a ao Derley já dentro da área, e este deixou-a novamente para o Jonas, que marcou num remate em arco muito bem colocado para o poste mais distante. O golo fez a equipa do Moreirense desmoronar-se completamente, ainda por cima quando um segundo golo se seguiu apenas quatro minutos depois. Mérito do Derley, que aproveitou uma má intervenção de um defesa para controlar a bola e fugir em direcção à baliza, para depois desviar a bola do guarda-redes quando já estava pressionado. Com o jogo e o apuramento mais do que resolvidos, tempo para a entrada do Gonçalo Guedes no jogo, que ainda veio trazer alguma animação. O resultado ficou nos dois golos de diferença, mas poderia ser bem mais dilatado porque o guarda-redes Marafona defendeu dois golos quase certos, um que seria um autogolo, e outro num remate à queima-roupa do Derley após um canto. E perto do fim assistimos a um dos falhanços da época, no qual o Pizzi, completamente sozinho no interior da área depois de servido pelo Gonçalo Guedes, conseguiu acertar num defesa sobre a linha de golo quando nem sequer havia guarda-redes na baliza.

 

 

O Jonas mais uma vez espalhou a sua classe em campo. Acho que por vezes bastar-lhe-ia tocar na bola meia dúzia de vezes durante um jogo para fazer a diferença. Mas foi decisivo hoje, marcando o golo que desfez o nulo e lançou o Benfica para a meia-final. A forma como se movimenta em campo naquele espaço junto à área, como vem atrás buscar jogo e solicita os colegas é um espectáculo à parte. Um jogador destes a custo zero é sem dúvida uma das melhores contratações que eu já vi o Benfica fazer. O Ola John deu seguimento ao jogo na Madeira com mais uma exibição positiva, sobretudo quando actua sobre o lado esquerdo. Parece estar mais confiante (até já ganha algumas bolas divididas) e colabora mais nas tarefas defensivas. O Derley tem um estilo algo trapalhão, mas é um avançado muito lutador e hoje fez por merecer o golo que marcou (e o Marafona ficou a dever-lhe mais um). Mas volto a repetir que o maior destaque tem que ser para a equipa num todo, e para a forma altamente competente como abordou este jogo, a exemplo dos últimos. Mérito total para o nosso treinador pelo trabalho que tem sido feito.

 

Mais uma vitória, mais um jogo sem sofrer golos e num grupo com três adversários da primeira liga conseguimos terminar apenas com vitórias e nem um golo sofrido. Os jogadores parecem transpirar confiança e o mesmo espírito de união que na época passada resultou em tantas alegrias. Tal como nos últimos jogos, não fomos apenas melhores do que o adversário, fomos muito melhores. Olhando para o que fizemos neles, fico com a ideia que a nossa equipa é neste momento uma máquina muito bem oleada, na qual podemos ir trocando peças sem que o seu desempenho sofra. Que possamos continuar neste registo na próxima segunda-feira.

por D`Arcy às 01:59 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quarta-feira, 21.01.15

Bernardo

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Em termos puramente económicos, nada a apontar. É um excelente negócio para o Benfica, por números que seria irresponsável recusar. Mas não consigo evitar sentir-me triste com a venda do Bernardo Silva, sobretudo por mal ter tido a oportunidade de o ver jogar com a camisola da equipa principal. E não posso deixar de pensar se este negócio não estaria já acertado na altura em que o empréstimo foi feito, sem que tenha havido coragem suficiente para o assumir perante os sócios. Dá para desconfiar se será também este o destino já traçado para outros jogadores por nós formados que vão sendo emprestados.

por D`Arcy às 02:44 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Segunda-feira, 19.01.15

Bailinho

Será que dar quatro em casa de um Marítimo que tinha apenas uma derrota como visitado, somar mais um jogo sem sofrer golos e dar o bailinho que demos hoje na Madeira, tudo isto mesmo depois de termos ficado privados, por lesão, da genialidade do Gaitán ao fim de quinze minutos é suficiente? Suficiente para pelo menos atenuar um pouco o ladrar constante com que algumas cabecinhas ocas insistem em acompanhar a marcha desta equipa?

 

 

Nenhuma surpresa no onze inicial, onde se assinalam os regressos à titularidade do Salvio e do Luisão. A dupla Samaris/Talisca parece ser definitivamente a aposta para o meio campo pós-Enzo nesta fase, o que significa que apesar das boas indicações que vem deixando o Cristante ficou fora dos convocados. Sobre o jogo, resume-se praticamente a dizer que foi uma superioridade inconstestável do Benfica em toda a linha. Foi disputado intensamente, com as duas equipas a lutarem arduamente pela bola, mas durante a primeira parte não consigo recordar-me de uma única oportunidade do Marítimo, ou que pelo menos tivessem obrigado o Júlio César a esforçar-se um bocadinho. Aos quinze minutos de jogo ficámos sem o Gaitán, que esticou demasiado para recuperar uma bola e teve um problema muscular. Mas praticamente nem deu tempo para ficarmos preocupados, porque para o seu lugar entrou o Ola John, que três minutos depois já fazia o passe para o primeiro golo do jogo. Foi um passe bastante longo  e por alto para as costas da defesa do Marítimo, onde o Salvio ganhou posição a um defesa, controlou a bola e rematou para o fundo da baliza. Reacção do Marítimo ao golo não houve, porque o Benfica não deixou. O Marítimo foi uma equipa completamente controlada e manietada, que nem no meio campo conseguiu tirar algum partido de uma suposta superioridade numérica, uma vez que o Jonas é até mais do que um 'nove e meio' - quando a equipa não tem bola ele transforma-se praticamente em mais um médio. Até ao intervalo o nosso segundo golo foi sempre uma possibilidade bem mais real do que qualquer regresso do Marítimo à disputa do resultado.

 

 

Marítimo que regressou para a segunda parte parecendo querer pressionar o Benfica à procura do empate. Animaram-se os comentadores do jogo, mas durou pouco porque ao fim de oito minutos o Ola John acabou com a animação. A passe do Talisca, esperou pela saída do guarda-redes e picou-lhe a bola por cima para o segundo golo. E só para não haver dúvidas, cinco minutos depois o Salvio marcou mais um, com um remate cruzado desferido sobre a direita, a passe do Jonas. A resposta do Marítimo foi a única ocasião digna desse nome que teve durante os noventa minutos: um grande remate de fora da área da parte do Danilo, que levava a bola mesmo para o cantinho da baliza. Mas o Júlio César lá conseguiu ignorar a artrite e as dores nas costas e, com um golpe de rins, ainda conseguiu tocar ligeiramente na bola, o suficiente para que ela embatesse no ferro da baliza em vez de entrar. Mas essa situação foi uma excepção. Se o jogo já estava e sempre esteve completamente controlado até aí, com três golos de vantagem no marcador o Benfica entrou numa fase de quase festival, em que fazia a bola circular de pé para pé dos jogadores com o Marítimo a ver ou a correr atrás dela. Exemplo disso é a jogada do quarto golo, que começou num pontapé de baliza do Júlio César e viu a bola passar quase sempre ao primeiro toque entre o Jonas e o Salvio, para que este, mesmo em boa posição para marcar, oferecesse um golo fácil ao Lima. Tudo isto com o Marítimo a não poder fazer mais do que simplesmente ver jogar. Três golos em pouco mais de dez minutos, jogo decidido. Havia mais quase meia hora para jogar até final, mas esse tempo foi passado com o Benfica simplesmente a gerir, sem forçar sequer muito à procura de mais golos. De realçar apenas a expulsão que o Talisca parece ter forçado, sobre o final do jogo, e que assim o faz falhar o próximo jogo da Taça da Liga em vez do jogo em Paços de Ferreira para a liga.

 

 

O Salvio marcou dois golos e ofereceu mais um, e é obviamente o homem do jogo. Apesar de ter ainda o braço engessado, em boa hora se prontificou para regressar o mais depressa possível. É uma das jóias do nosso plantel, e imagino que seja um dos próximos alvos das novelas da nossa imprensa desportiva. Mas hoje podemos destacar muitos outros jogadores. O Ola John, que entrou bem no jogo e foi decisivo, com a assistência para o primeiro golo e marcando o segundo. O Jonas, que como já disse noutras ocasiões parece ser incapaz de fazer o que quer que seja mal feito. Tem um toque de bola sublime, e sabe jogar como poucos nos espaços entre as linhas adversárias. O Maxi, que faz aquela ala direita quase de olhos fechados com o Salvio, e que vem mostrando jogo após jogo que é um jogador que temos todo o interesse em não deixar sair no final do contrato. E, porque é inteiramente merecido, o Luisão. Quatrocentos e quarenta jogos oficiais pelo Benfica não é para todos. O Luisão já ganhou o direito ao seu lugar na história do Benfica, e ao fim de todos estes jogos a sua presença no onze é talvez mais importante que nunca, como foi possível voltar a comprovar hoje.

 

Imagino que a frustração de algumas criaturas deva ser ainda maior agora, depois de meses a esfregar as mãos à espera da saída do Enzo, e quando se pensava que 'agora é que é' a resposta da equipa tem sido o que temos visto. Não vou dizer que somos a equipa que está a jogar melhor futebol, porque isso é um 'título' que pertence, e há muitos, muitos anos, exclusivamente aos delirantes do Lumiar. Não vou dizer que temos algum melhor jogador do campeonato, porque esse título apenas pode ser atribuído com justiça a qualquer jogador que não jogue no Benfica. Melhor treinador? Bem, acho que até uma série de benfiquistas me quereriam bater se eu afirmasse isso. Nem vou dizer que somos os mais fortes candidatos ao título, porque todos sabemos que esse já está entregue desde Julho passado a outra equipa. Fico-me portanto por dizer que me vou dando por bastante satisfeito com o que temos. Agora é altura de pensar no jogo da próxima quarta, no qual eu espero que não haja demasiadas poupanças. O Moreirense tem uma boa equipa, e precisamos pelo menos de um empate.

por D`Arcy às 03:19 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Quinta-feira, 15.01.15

Tranquilidade

Tranquilidade absoluta na vitória gorda sobre o Arouca para a Taça da Liga. O resultado final acabou por ser o mesmo que se tinha verificado no jogo para o campeonato contra este mesmo adversário, mas as dificuldades foram muito menores esta noite.

 

 

Ao contrário do que aconteceu no primeiro jogo, contra o Nacional, esta noite houve muito mais alterações em relação ao nosso onze base. Apenas dois jogadores habitualmente titulares alinharam de início (Maxi e Jardel) num onze onde se assinalam as presenças do Gonçalo Guedes, Rui Fonte, Sílvio e Sulejmani. Todos eles se estrearam a titulares esta época - para o Rui Fonte foi estreia absoluta no Benfica, e o Sílvio fez os primeiros minutos após a prolongada lesão que sofreu a época passada. Foi bom vê-lo de regresso. O jogo não tem grande história a contar, dado que desde o apito inicial teve sentido único mesmo com o Benfica a jogar num ritmo pouco mais do que pausado. O golo inicial surgiu à meia hora de jogo num lance que praticamente sentenciou o encontro, pois resultou de um penálti cometido sobre o Rui Fonte no qual o jogador do Arouca foi expulso. O Pizzi - que tinha dado início à jogada com um bom passe para a desmarcação do Maxi - converteu sem problemas. A três minutos do intervalo surgiu o segundo golo, num remate de primeira do Cristante ainda de fora da área, com a bola ainda a sofrer um desvio num adversário e a trair o guarda-redes. A segunda parte, para a qual regressaram o Jonas e o Salvio nos lugares do Rui Fonte e do Gonçalo Guedes, foi geralmente pouco interessante, com o Benfica a insistir demasiadas vezes em tentar entrar pelo centro da defesa adversária em tabelas sucessivas, facilitando assim a tarefa ao Arouca. Acabou por ter como motivo de interesse apenas os dois golos de rajada já dentro dos últimos dez minutos, o primeiro marcado pelo Salvio, e o segundo pelo quase inevitável Jonas. No primeiro o Salvio ainda esperou até ao último momento que a bola rematada pelo Jonas e desviada pelo guarda-redes entrasse, mas acabou por ter que dar o toque final. Depois a bola foi ao meio campo, o Benfica recuperou-a imediatamente e o Pizzi colocou-a nos pés do Derley, que cruzou para uma finalização fácil do Jonas. De mencionar também o facto do Benfica ter jogado os últimos vinte minutos com o Benito a defesa central após lesão do César, mas o suíço não teve grandes problemas pois o Arouca foi completamente inexistente no ataque.

 

 

O jogador que mais se destacou foi o Pizzi, que teve intervenção directa nas jogadas dos quatro golos. No primeiro fez o passe para a desmarcação do Maxi e depois converteu o penálti; no segundo foi ele a conduzir a bola pela esquerda que depois acabou por sobrar para o remate do Cristante; no terceiro fez o passe que isolou o Jonas; e finalmente no quarto foi dele o passe a isolar o Derley. Gostei também do jogo do Maxi, que encara todos os jogos com a mesma atitude competitiva. O Cristante é um jogador que me agrada muito pela qualidade técnica que tem e capacidade de passe. Espero que possa evoluir muito sob orientação do nosso treinador. Em relação aos jogadores vindos da equipa B, o Rui Fonte viu-se pouco, talvez por estar a ambientar-se às funções de segundo avançado, e quase apenas apareceu no lance do penálti. O Gonçalo Guedes não precisa de mostrar que tem qualidade, porque já o sabemos. Teve algumas jogadas interessantes, mas no geral pareceu-me estar com demasiada vontade em mostrar serviço e as coisas nem sempre lhe saíram bem.

 

Estamos em primeiro lugar do grupo, isolados, e agora teremos que conquistar pelo menos um empate contra o Moreirense para garantir o acesso às meias-finais de uma prova que dominamos praticamente desde a sua criação. Tendo em conta que é o único objectivo que temos para além do campeonato, espero que o Benfica leve esta prova a sério e consiga defender o título que detém.

por D`Arcy às 01:03 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sábado, 10.01.15

Inconstestável

Superioridade incontestável do Benfica e vitória inquestionável sobre o Vitória de Guimarães numa das exibições mais convincentes que vi a equipa fazer esta época.

 

 

Faltou o Luisão e o Maxi, o Salvio começou no banco, O Fejsa e o Rúben continuam lesionados, desta vez até o Lisandro que tão bem tinha substituído o Luisão em Penafiel ficou também de fora por lesão. Mesmo assim, e mais uma vez, o Benfica voltou a apresentar um onze que depressa fez esquecer os ausentes, e onde se notou o regresso do Eliseu após várias semanas de fora. O Vitória, com todo o mérito, tem sido classificado como a equipa sensação deste campeonato e ocupa merecidamente o terceiro lugar na tabela. Mas nada conseguiu fazer esta tarde para contrariar a superioridade do Benfica, que dominou e controlou o jogo praticamente do primeiro ao último minuto. Depois do Vitória ter também resolvido fazer a jogadinha pouco educada de escolher o campo 'ao contrário', logo na saída de bola o Jonas apareceu sozinho em frente ao guarda-redes depois de um passe do Gaitán e só não marcámos aos dez segundos de jogo porque não conseguiu acertar bem na bola. Cinco minutos depois foi o próprio Gaitán a aparecer isolado, a passe do Ola John, mas o guarda-redes saiu de forma rápida e conseguiu fazer a mancha. Quando o golo inicial apareceu, estavam decorridos apenas treze minutos, mesmo assim já parecia tarde. Livre batido pelo Gaitán, na direita do ataque, e cabeçada certeira do Jonas, que se antecipou a toda a defesa adversária.

 

 

O Benfica praticava um futebol muito agradável de ver, fazendo a bola circular rapidamente e por toda a largura do campo. Na esquerda o Ola John esteve muito mais decidido do que o habitual, e na direita o Gaitán, a fugir frequentemente para o centro, abria o livro. No centro o Samaris vai ganhando influência e alargando o seu raio de acção, enquanto que o Talisca parece estar a saber aumentar a agressividade do seu jogo de acordo com a posição mais recuada em que tem jogado agora. E na frente de ataque o Lima e o Jonas complementaram-se muito bem, sempre em constante movimento - o Lima a cair sobre a direita para ocupar o espaço do Gaitán, o Jonas a recuar para fazer a ligação com o meio campo e a aparecer muitas vezes a jogar como um verdadeiro médio, inclusivamente no auxílio à defesa. As iniciativas de ataque do adversário eram quase todas cortadas ainda no meio campo, a superioridade do Benfica foi quase total, e o Vitória bem pode sentir-se feliz por não ter chegado ao intervalo a ser goleado, pois foram três as vezes em que a bola embateu nos ferros da sua baliza. Primeiro num livre do Gaitán cruzado para a área, no qual ninguém tocou na bola, depois num grande remate do Talisca à entrada da área, assitido pelo Ola John, e finalmente num remate do Jonas, com a bola a ser ainda ligeiramente desviada pelo guarda-redes. A tímida resposta do Vitória ficou-se por um remate de meia distância e por uma cabeçada muito perigosa após um canto cedido infantilmente pelo César. Em ambas as ocasiões o Júlio César repondeu em grande. A vantagem mínima ao intervalo era, claramente, escassa para tanto domínio.

 

 

Na segunda parte o Benfica o Benfica pareceu apostar sobretudo em controlar o jogo em segurança, e o nosso futebol foi menos exuberante do que na primeira parte. Sobretudo porque mais uma vez marcámos logo nos primeiros minutos, depois de uma boa iniciativa do Lima, que escapou ao marcador directo, ganhou a linha de fundo e passou atrasado para o Ola John falhar o remate com o pé direito e a seguir fuzilar a baliza com o pé esquerdo. Apesar de ainda faltar muito tempo para jogar, creio que não restariam muitas dúvidas sobre o vencedor do jogo, pois com este segundo golo o Benfica colocava-se a salvo de um qualquer golpe de azar. O Vitória aproveitou um certo relaxamento do Benfica para ter mais bola e ensaiar alguns remates à nossa baliza - certamente em maior número do que aquilo que tinha conseguido fazer durante a primeira parte - mas praticamente nunca conseguiu incomodar seriamente o Júlio César. Já no período final do jogo, durante o qual o Benfica efectuou as suas substituições, destaque para o regresso do Salvio, ainda de braço engessado, que ainda foi a tempo de fazer uma assistência para o golo que permitiu, já sobre a hora, fechar da melhor forma a homenagem ao nosso Eusébio. A jogada começou numa recuperação de bola do Samaris a meio campo (sobre o André André, que apesar de ser classificado pelo seu treinador como o melhor médio da liga ficou directamente ligado a dois dos golos do Benfica), o Lima voltou a fugir à marcação e a ganhar a linha de fundo e a sua tentativa de passe atrasado foi interceptada, com a bola a sobrar para o Salvio insistir e passar atrasado, permitindo um golo fácil ao Gaitán.

 

 

O Gaitán foi eleito no final como o homem do jogo, e eu concordo com a distinção. Esteve num dos seus dias, fez uma assistência e marcou um golo, e achei que quer a braçadeira de capitão, quer o número dez nas costas da camisola lhe assentaram muito bem num jogo em que o Eusébio foi recordado. O Ola John esteve bastante melhor, mas piorou na fase final quando pareceu perder frescura física, justificando-se plenamente a sua substituição. O Lima não marcou mas esteve muito batalhador na frente e teve intervenção directa em dois dos golos. O Jonas é um jogador que praticamente não faz nada errado, e até agora está a provar ser a pechincha da época. Estou a gostar bastante de ver a evolução do Samaris naquela posição. Está a ganhar agressividade e a alargar o seu raio de acção, e não me admirarei nada se daqui a algum tempo já for considerado imprescindível no onze. E para quem duvidava dele, pela idade ou por outro motivo qualquer, parece-me que o Júlio César é mesmo reforço.

 

Desta vez não terá sido o árbitro, nem o jogador emprestado pelo Benfica que não jogou (o Bruno Gaspar fez os noventa minutos), portanto prosseguindo pela lista de desculpas e justificações esfarrapadas que os nossos adversários gostam de utilizar imagino que a justificação será que o Guimarães não jogou nada. Durante esta semana imagino que passem de equipa sensação do campeonato a pior equipa do universo, porque naquelas cabeças só assim se justificará que o Benfica lhes tenha aplicado este correctivo. O que eu vejo são catorze vitórias em dezasseis jogos, oito delas consecutivas, e seis jogos seguidos sem sofrer golos. Agora é prosseguir neste caminho.

por D`Arcy às 23:58 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 05.01.15

Competente

Vitória fácil do Benfica na deslocação a Penafiel num jogo em que deixou a sensação de nem ter sido necessário jogar mais do que a meio gás. A expulsão de um jogador adversário facilitou o avolumar do resultado na fase final do jogo e para quem não tenha visto o jogo os números finais até poderão deixar a ideia de uma exibição mais espectacular do que realmente foi

 

 

Muito se especulou pela comunicação social fora depois da saída do Enzo, muita gente voltou a esfregar as mãos, já gastas de tanto esfregar, e pensou e disse 'Agora é que é', e de repente até parecia que o jogo em Penafiel seria um obstáculo de outra galáxia. De cada vez que o Porto ganha, os jornais fazem manchetes com a 'pressão' que coloca sobre o Benfica, como se não fossem seis os pontos que nos separam deles. Vale tudo para tentar criar instabilidade. Já não há Enzo, o Samaris está suspenso, há outros no plantel. Entrega-se o meio campo a dois miúdos de 19 e 20 anos, e vamos a jogo. O Luisão e o Eliseu continuam de fora, o André Almeida continua na esquerda e desta vez entrega-se o lugar no centro ao Lisandro, permitindo-lhe jogar na sua posição natural mais à direita (até agora tinha jogado sempre sobre a esquerda). O jogo, no qual o Benfica jogou praticamente em casa de tão maioritariamente favorável foi o apoio do público que encheu o 25 de Abril,  foi aquilo que se poderia esperar entre duas equipas com valia e objectivos completamente diferentes. O Penafiel jogou com as armas que tinha, tentou fechar atrás e manter-se o mais organizado possível para depois explorar algum lance fortuito no ataque. O Benfica, tendo quase sempre a bola em seu poder, nunca pareceu querer ou ter sequer a necessidade de forçar ou acelerar muito, fazendo um jogo paciente e parecendo seguro que mais cedo ou mais tarde as ocasiões apareceriam com naturalidade. Com o Penafiel a preferir remeter-se ao seu meio campo e esperar pelo Benfica, e portanto a não exercer sequer grande pressão sobre os nossos jogadores, os nossos médios puderam jogar com relativa liberdade e tempo para pensar e distribuir o jogo, mas encontrámos sempre dificuldades para descobrir espaços na defesa adversária. 

 

 

A primeira jogada digna de realce foi uma iniciativa individual do Ola John, que furou por entre os adversários e só pecou por não ter sabido soltar a bola para a sua esquerda, onde tinha o Gaitán completamente solto. De qualquer forma fiquei com a nítida impressão de que ele foi derrubado em falta quando estava prestes a isolar-se, mas o árbitro não assinalou nada. Pouco depois foi uma tabela entre o Jonas e o Lima que deixaria este último em posição privilegiada, não fosse ter sido derrubado em falta no último instante. Desta vez o livre foi assinalado, em posição frontal e perigosa, mas o Talisca rematou muito por alto. Seguiu-se nova situação de algum perigo, num lance de exclusiva responsabilidade do guarda-redes do Penafiel, que largou uma bola de forma atabalhoada e quase permitiu ao Jonas fazer o golo, mas ainda conseguiu emendar a mão a tempo de ceder canto. Quanto ao Penafiel, se havia alguma estratégia de contra-ataque, não resultou de forma alguma. A única forma que tinha de conseguir chegar à área do Benfica era através de livres nas zonas laterais do campo, aproveitados para colocar lá a bola - e sobretudo numa fase inicial os nossos jogadores concederam mais desses livres do que seria desejável. O golo que abriu o marcador acabou por surgir aos trinta e sete minutos de jogo, com o carimbo de qualidade do Gaitán e do Lima a permitir uma finalização fácil ao Talisca. Tudo começou num grande passe em profundidade do argentino para as costas da defesa adversária, onde o Lima teve um excelente controlo de bola, deixou um defesa no chão, e passou atrasado para o Talisca empurrar para a baliza deserta. Vantagem justa ao intervalo, e que só salvo alguma reviravolta pouco provável no sentido do jogo ou algum golpe de azar poderia ser anulada.

 

 

A verdade é que logo nos minutos iniciais da segunda parte o Penafiel até chegou a introduzir a bola na nossa baliza - na sequência de mais um livre lateral despejado para a área - mas o golo foi anulado. A repetição mostrou que o autor do golo estava de facto em posição irregular, mas fiquei com muitas dúvidas em relação à posição do auxiliar que assinalou a infracção. A bem da verdade desportiva, parece-me que essa é uma situação que deverá ser devidamente escrutinada, porque se calhar o auxiliar estava em posição irregular. De volta ao jogo, pouco mudou em relação à primeira parte. Para falar a verdade, até estava um pouco irritado com a aparente falta de vontade do Benfica para forçar um pouco mais em busca do golo da tranquilidade, parecendo satisfeito em controlar a posse de bola e deixando o tempo correr, até porque o Penafiel era um adversário muito pouco incómodo. E se já era pouco incómodo, ainda menos se tornou quando a vinte e cinco minutos do final o seu lateral direito foi expulso por acumulação de amarelos, depois de puxar a camisola do Jonas. A partir daí passou a ser apenas uma questão de deixar o tempo correr e ver se o Benfica ainda conseguiria marcar mais algum golo, porque a vitória quase de certeza já não fugiria. Mesmo sem acelerar muito o ritmo do jogo, o Benfica foi competente na forma como jogou em superioridade numérica, com frequentes variações rápidas do flanco de jogo que permitiam encontrar sempre um jogador sozinho nas pontas. Foi dessa forma que começámos a ver mais jogadas perigosas a surgir, e numa entrada pela direita do Maxi, a doze minutos do final, chegámos ao segundo golo. O cruzamento desviou num defesa e fez a bola passar sobre o guarda-redes, permitindo ao Jonas, quase sobre a linha de golo, marcar com o peito. E antes do final marcámos ainda um terceiro golo, num cabeceamento do Jardel sem qualquer oposição na pequena área, após canto marcado pelo Gaitán.

 

 

O Gaitán foi novamente decisivo. Até podia passar a maior parte de um jogo sem se dar por ele, que depois aparece e em dois ou três pormenores de classe desequilibra. Gostei de ver o Cristante, que mais uma vez mostrou ter uma qualidade de passe muito superior à média. Como hoje jogou com pouca pressão conseguiu aparecer mais. Creio que temos ali um jogador com muita qualidade, mas continuo a achar que pode render mais noutra posição com menos responsabilidades defensivas e mais liberdade para distribuir jogo. Outros jogadores que gostei de ver foram o Jonas, bem a fazer a ligação entre o meio campo e o ataque, o Maxi, e pareceu-me que o Lisandro esteve mais à vontade a jogar sobre a direita. Mas aquela posição é obviamente do Luisão.

 

Acima de tudo creio que foi uma exibição bastante competente da nossa equipa, que resultou numa vitória perfeitamente natural. Como escrevi antes, perdemos o Enzo mas confio que outros saberão ocupar o seu lugar. Por agora talvez seja altura de outros começarem a lançar mãos à obra para tentar fazer uma novela Nico. Quem sabe, se o Benfica o vender, desta é que vai ser.

por D`Arcy às 00:53 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 31.12.14

Frio

Mais uma exibição fraquinha no regresso das miniférias de Natal, mas ainda assim q.b. para vencer o Nacional no regresso a uma competição que dominamos desde que foi criada.

 

 

Não se pode dizer que tenham havido grandes poupanças, porque o Benfica apresentou um dos onzes mais fortes que seria possível fazer alinhar nesta altura. De fora por opção apenas o Gaitán e o Samaris, com a novidade do Pizzi ter jogado na sua posição original de extremo direito, enquanto que no meio campo foi o Cristante a ocupar a posição seis. Depois do Nacional se ter juntado à lagartagem no ilustre grupo dos clubes mal-educados que insistem em não respeitar a tradição na escolha do campo, a entrada no jogo não foi má, e logo para começar criámos um lance perigoso que me pareceu mal interrompido por um suposto fora de jogo. Aos onze minutos chegámos ao golo, num cabeceamento do Jonas após cruzamento do Maxi na direita. Pouco depois o Lima foi bem lançado por um passe do Jonas, mas acabou por permitir o corte de um defesa quando estava em boa situação para marcar. Depois disto o Benfica adormeceu um pouco e o Nacional começou a ter mais bola e a aparecer no jogo. Não incomodou grandemente, e quase só conseguia chegar à nossa area através de livres despejados para lá, sem causar problemas de maior. Apenas numa situação o Rondón apareceu  algo à vontade no interior da área, mas cabeceou muito mal e por cima da nossa baliza. O futebol apresentado de parte a parte foi feio e pouco interessante, e apenas a acabar a primeira parte houve um momento de maior emoção, quando o Maxi atirou uma bola à trave num remate cruzado.

 

Para a segunda parte o Gaitán regressou no lugar do Pizzi, e trouxe naturalmente algumas melhorias ao jogo. Que continuou sem qualidade por aí além, mas pelo menos houve mais ocasiões de perigo junto das duas balizas. O Benfica chegou a marcar um golo pelo Ola John, mas o lance foi invalidado por fora de jogo - estava do outro lado do estádio, por isso não tenho opinião sobre a validade do golo ou não. O Nacional respondeu e teve duas boas ocasiões para marcar, tendo o Júlio César correspondido bem em ambos os casos. A primeira foi criada por um atraso disparatado do André Almeida, que acabou por deixar a bola ao alcance de um adversário na zona da pequena área, mas o Júlio César acabou por ganhar o lance. Na segunda, fez uma defesa por instinto com o pé a um cabeceamento (na verdade, até me pareceu mais com o ombro ou algo assim) após um livre lateral. Pelo meio, o Gaitán isolou-se depois de mais um bom passe do Cristante mas acabou por deixar a bola fugir. A meio da segunda parte o Benfica trocou o Talisca pelo Samaris, e mesmo sem poder dizer que o grego tenha feito algo de particularmente meritório pareceu-me que o Benfica voltou a ganhar o meio campo após essa substituição, ficando com o controlo do jogo. O segundo golo ficou mais perto de acontecer, e fomos mais rematadores no período final do jogo. A entrada do Sulejmani nos minutos finais também deu uma ajuda, porque foi um jogador muito mais decidido do que o Ola John na abordagem aos lances e na agressividade que colocou em campo. ainda foi a tempo de participar em alguns lances de perigo e provocar a expulsão de um adversário.

 

Melhor do Benfica, o Maxi. O Gaitán entrou bem no jogo e também gostei do Jonas. Hoje prestei alguma atenção em particular ao Cristante. Não quero estar a ser peremptório porque com o JJ nunca se sabe, e ele já operou diversos 'milagres' de transformação de jogadores, mas acho difícil que ele se possa transformar num trinco à imagem daqueles que o JJ prefere. Se tivesse que encontrar um jogador para servir de exemplo ao estilo de jogador que o Cristante é, seria o Pirlo (com as devidas distâncias). O Cristante parece ser um jogador com boa capacidade técnica, boa visão de jogo e muito boa qualidade de passe (se calhar não existe outro jogador no plantel capaz de colocar a bola tão bem em passes longos). Mas não me parece ter a intensidade ou agressividade necessárias para fazer a posição seis da forma que o JJ costuma pretender. Julgo que seria mais bem aproveitado num meio campo a três, ou no mínimo com outro médio a jogar ao lado dele mais dedicado às tarefas defensivas. Passando à parte mais negativa, custou-me compreender como foi possível o Ola John passar quase oitenta e cinco minutos dentro do campo. A intensidade com que ele aborda cada lance é semelhante à de um tagliatelle cozido.

 

Mais uma vez tenho que terminar dizendo que o mais importante foi conseguido, que são os três pontos. Quanto à exibição, acho que não foi suficientemente agradável para conseguir compensar o tremendo frio a que me submeti para ver este jogo.

por D`Arcy às 02:40 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Terça-feira, 30.12.14

Enzo

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Muito obrigado por tudo o que fizeste enquanto defendeste a camisola do nosso clube. Obrigado pela garra, pela classe, e pelo enorme prazer que foi ver-te jogar com a águia ao peito - não demorou muito até que te tornasses num dos meus jogadores preferidos (se não mesmo o preferido) no Benfica. Tenho pena de te ver sair, mas no futebol o que fala é o dinheiro e benfiquismo é para quem está na bancada. Não há insubstituíveis, e assim como tu rapidamente fizeste esquecer o Witsel acredito que em breve outro conseguirá ocupar o teu lugar. Boa sorte para o resto da tua carreira, e cuidado com o degrau à saída.

por D`Arcy às 00:13 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Domingo, 21.12.14

Pobre

Exibição bastante pobre frente à pior equipa da Liga, que nos valeu a vitória pela margem mínima e a manutenção da vantagem de seis pontos no topo da tabela.

 

 

As ausências forçadas de três jogadores nucleares da equipa, como o são o Luisão, Enzo e Salvio, iria sempre fazer-se notar, mas de qualquer forma esperava mais da nossa equipa num jogo disputado em casa contra a pior equipa da liga, que ainda não conseguiu ganhar um único jogo. O nosso início foi lento e com pouca garra, como que a dar o mote para o que seria a maior parte do jogo. Depois lá acelerámos um pouco e começámos a conseguir aproximar-nos da baliza adversária, mas o nosso jogo foi quase sempre demasiado confuso e rendilhado, com excessiva insistência em acções pelo centro e muito pouca exploração das faixas laterais - se de um lado faltava o Salvio, do outro o Gaitán teve sempre a tendência de vir para o centro, onde acabava por cair na zona de acção do Talisca ou do Jonas. O Benfica teve uma posse de bola quase avassaladora mas nunca submeteu o adversário a uma pressão sufocante, e foram poucas as vezes em que o guarda-redes deles foi posto à prova. O Talisca deu o primeiro sinal num remate de muito longe, o Jonas também teve um remate que exigiu atenção, mas tirando isso não se viu muito mais. O golo que acabou por decidir o jogo surgiu à meia hora de jogo, num passe do Ola John para as costas da defesa, tendo o Maxi aparecido isolado e acertado no poste, para depois o Gaitán marcar na recarga. Até ao intervalo, apenas num cabeceamento do Jonas que levou a bola a passar perto do poste é que voltou a haver alguma sensação de perigo.

 

 

A segunda parte foi ainda pior do que a primeira. O Benfica continuou a ter naturalmente maior posse de bola, mas houve muito pouca inspiração no ataque. Lembro-me apenas de uma jogada em que a bola chegou aos pés do Talisca depois de uma boa iniciativa do Gaitán, e num remate de primeira obrigou o Adriano a uma defesa muito boa. Mas no geral o futebol jogado foi bastante fraco, e com tendência para ir sempre piorando à medida que o jogo ia caminhando para os minutos finais. As substituições operadas pouco ou nada de novo trouxeram ao jogo - o Bebé, por exemplo, entrou francamente desastrado - e acho que até contribuíram para o piorar. O que nos valeu é que o Gil Vicente, apesar de conseguir ser mais rematador no segundo tempo, revelou muita falta de qualidade no ataque, e apenas numa ocasião levou algum perigo à nossa baliza, quando conseguiu isolar um jogador nas costas da nossa defesa. Mas ele demorou tanto tempo a decidir que permitiu a recuperação do César, que cortou o lance para canto. Talvez a minha opinião seja fruto da minha irritação por ver-nos jogar tão pouco frente a um adversário tão limitado, mas quando penso no segundo tempo só consigo mesmo achar que foram uma longa espera de quarenta e cinco minutos pelo final do jogo. Todo aquele tempo, para aquilo que produzimos, foi simplesmente um desperdício.

 

 

Os melhorzinhos no Benfica foram o Gaitán, ainda que com uma exibição muito intermitente, e o Maxi, por ter sido aquele que teve a melhor atitude e deu o exemplo durante todo o jogo.

 

É óbvio que a nossa equipa perde muita qualidade com as ausências que houve hoje, mas creio que temos obrigação de, mesmo assim, produzir mais do que aquilo que mostrámos. Assim colocamo-nos em risco de num qualquer lance fortuito deitarmos pontos fora. Felizmente tal não aconteceu, e portanto passamos o ano confortavelmente sós no topo.

por D`Arcy às 23:47 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Quinta-feira, 18.12.14

Disparate

Sinceramente, tinha algum receio de que isto pudesse acontecer e que desperdiçássemos a injecção de moral trazida do Porto. Principalmente depois de saber das ausências forçadas do Luisão (sobretudo ele) e do Salvio. Não posso escrever muito pormenorizadamente sobre o futebol jogado esta noite porque fui desterrado para o Piso 0 e já são muitos anos a ver futebol do Terceiro Anel e do Piso 3, por isso tenho muita dificuldade em ver jogos ao nível do relvado - a mim parece-me sempre que os jogadores andam ali todos à molhada.

 

 

Fomos eliminados da taça de forma estúpida, mas no futebol é a eficácia que conta, como o provámos no fim-de-semana no Porto. O Benfica teve o domínio quase total do jogo, construiu oportunidades mais do que suficientes para ganhar folgadamente, mas apanhou pela frente um guarda-redes muito inspirado que defendeu quase tudo o que havia para defender e um adversário tremendamente eficaz nas oportunidades de que dispôs. Depois de chegarmos à vantagem pelo Jonas poderíamos ter ido para intervalo com o jogo praticamente resolvido, mas quem não mata arrisca-se a morrer - se é verdade que o guarda-redes esteve muito inspirado, há pelo menos uma ocasião do Jonas na primeira parte em que acho que há mais demérito dele do que do guarda-redes. Depois, num jogo em que já tínhamos as duas ausências referidas, deixar o Enzo no balneário ao intervalo (não sei se foi lesão ou opção) já me pareceu demasiado. A verdade é que no reinício do jogo o Braga foi duas vezes à nossa baliza e marcou dois golos, o primeiro num canto em que me pareceu que um jogador do Benfica falhou o corte, e o segundo num golo que pelo menos visto de onde eu estava me pareceu absolutamente ridículo. O marcador do golo correu completamente à vontade mais de metade do campo sem que qualquer jogador nosso caísse em cima dele ou no mínimo o pressionasse e em vez disso foram todos recuando sem fazer qualquer espécie de oposição - é um daqueles lances que eu acredito que nunca teria acontecido com o Enzo em campo. A seguir ao segundo golo o Braga não fez absolutamente mais nada a não ser segurar o resultado. O Benfica pressionou mas a maior parte das vezes foi incapaz de ultrapassar a organização defensiva adversária, e nas ocasiões em que o conseguiu o guarda-redes do Braga resolveu a questão.

 

Ser eliminado da Taça em casa é muito mau, e ainda pior por termos estado em vantagem e permitido ao adversário, que até aí se tinha revelado quase inofensivo, dar a volta ao resultado. Não sei se houve facilitismo, se foi azar ou simplesmente futebol. O que eu sei é que perdemos a oportunidade de renovar um título que nos pertence e que eu tinha legítimas ambições de ver o Benfica conquistar novamente esta época. Um tremendo disparate.

 

P.S.- Se quem jogava em casa éramos nós, não percebo porque motivo fomos nós a apresentar o equipamento alternativo.

por D`Arcy às 23:20 | link do post | comentar | ver comentários (14)

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