VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 23.10.14

Nulo

Resultado nulo no Mónaco, que pouco serve aos nossos interesses. Num jogo sem muita qualidade e claramente prejudicado pelo péssimo relvado (se calhar ainda pior do que o da Covilhã no último jogo) acabamos com a sensação de que poderíamos ter conseguido algo mais, mas o resultado aceita-se.

 

 

Lisandro no centro da defesa e André Almeida na posição seis foram as duas alterações ao onze mais habitual. Mantendo a tendência desta época, o início de jogo do Benfica foi mau, com bastante dificuldade em lidar com a pressão bastante alta e agressiva exercida pelos jogadores do Mónaco e incapazes de ligar passes para sair de forma organizada para o ataque. Apesar da tal agressividade do Mónaco, cedo começámos a ver os amarelos a cair com alguma facilidade apenas para o nosso lado, e portanto com vinte minutos decorridos já dava para adivinhar que a probabilidade de não chegarmos ao fim com onze jogadores em campo era alta - cedo ficámos com a 'metade' esquerda da nossa defesa amarelada, já que o nosso lado esquerdo foi particularmente massacrado durante estes minutos iniciais e o Eliseu e o Lisandro revelaram dificuldades. Só após o primeiro quarto de hora, e já depois do Mónaco ter desperdiçado uma ocasião incrível para marcar por causa do mau estado do relvado, é que o Benfica conseguiu acalmar e começou a reequilibrar o jogo. Uma boa ocasião do Lima, a centro do Talisca, assustou o Mónaco e deu confiança à equipa, que começou a ser capaz de manter a posse de bola por períodos mais prolongados. O jogo no entanto era quase sempre extremamente desinteressante, com pouquíssimas oportunidades de golo e relativamente mal jogado, se bem que disputado, de parte a parte. No nosso ataque eram sobretudo as arrancadas do Gaitán que iam dando para animar um pouco, mas o nulo ao intervalo era o espelho mais fiel do mau jogo a que assistimos.

 

 

Mudaram as coisas um pouco para melhor na segunda parte. O Mónaco ainda deu o primeiro sinal de perigo, num remate cruzado que passou perto do poste, mas começou a ser visível a incapacidade para manter um bloco coeso como tinham feito durante quase toda a primeira parte: quando atacavam, os seus jogadores já demoravam mais tempo a recuperar, o que nos deu tempo e  espaços para explorar transições rápidas para o ataque. O Benfica foi crescendo no jogo e criámos algumas oportunidades de golo promissoras. Uma delas pelo génio do Gaitán, que infelizmente viu o seu remate ser defendido, mas a que mais custou ver desperdiçar esteve nos pés do Salvio, que optou por um remate cruzado (que o guarda-redes defendeu com o pé) quando tinha o Lima e o Gaitán em posição frontal completamente soltos. À medida que caminhávamos para o final do jogo o Benfica parecia estar claramente por cima, e era legítimo ter esperança que o golo surgisse, mas a quinze minutos do fim o Lisandro atingiu o Verme numa bola dividida e viu o vermelho directo. Na repetição é visível que tenta jogar a bola, mas pisa-a e o pé acaba por ressaltar para a perna do Verme. O árbitro não tem acesso a repetições e a entrada é dura, por isso parece-me que a expulsão é justificada. A expulsão mudou completamente o jogo, até porque o Benfica trocou o Gaitán (que estava a ser o nosso jogador mais perigoso no ataque) pelo César e nunca mais voltou a aparecer no ataque. O Mónaco ficou motivado e cresceu no jogo, mas não houve qualquer sufoco, e apenas no período de compensação teve uma oportunidade clara de golo, no seguimento de um canto.

 

 

O Gaitán foi para mim o melhor jogador do Benfica, criando desequilíbrios sempre que conseguia arrancar com a bola controlada. Foi pena que a jogada em que fez um túnel ao defesa não tenha resultado em golo. Bom jogo do Enzo, apesar de nos minutos finais me ter parecido que estoirou fisicamente. Gostei também do jogo do André Almeida, que neste momento parece ser o jogador do plantel que melhor entende a posição seis e as suas exigências tácticas.

 

O resultado não é o que nos interessava, de deixa-nos em sérias dificuldades para conseguirmos sequer o apuramento para a Liga Europa. Não vencermos o Mónaco (que, honestamente, me pareceu uma equipa perfeitamente ao nosso alcance) no próximo jogo em casa poderá significar praticamente o adeus à Europa esta época.

por D`Arcy às 00:56 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Domingo, 19.10.14

Difícil

Vitória difícil e suada de uma equipa de segundas escolhas no horrível relvado da Covilhã, que nos permitiu carimbar a passagem à eliminatória seguinte da Taça de Portugal. O cenário chegou a complicar-se, mas alguns toques de classe do Jonas acabaram por evitar males maiores.

 

 

O nosso treinador não foi nada meigo no que diz respeito a poupanças: foram dez os habituais titulares que ficaram de fora, nem tendo sequer feito a viagem até à Covilhã. Apenas o Artur manteve a titularidade, e daí para a frente tudo novo, com vários jogadores a estrearem-se como titulares e alguns deles a fazerem os primeiros minutos da época. A coisa até nem começou mal, pois logo na primeira jogada o Ola John entrou na área pela esquerda, foi puxado, e do respectivo penálti resultou o primeiro golo, marcado pelo Jonas. Poderíamos ter uma oportunidade para um jogo descansado, em que os menos utilizados pudessem jogar com pouca pressão a aproveitar para mostrar algum serviço ao mesmo tempo que acumulavam alguns minutos nas pernas. Mas a nossa defesa 100% renovada de hoje (André Almeida, César, Lisandro e Benito), seja por falta de ritmo ou de jeito, resolveu fazer um 'best of' daquilo que tínhamos visto durante a pré-época, e meteu água por todos os lados. Particular destaque para o Benito, autor de uma exibição desastrada e cujo erro grotesco teve como consequência directa o golo do empate do Covilhã, obtido aos nove minutos de jogo. O golo motivou o adversário e a partir daí vimos um jogo feio, em que os jogadores pareciam ter dificuldades em lidar com o relvado (ou escorregavam, ou controlavam mal a bola), quase não conseguimos ligar dois ou três passes seguidos, e em que o mau futebol parecia beneficiar sobretudo o Covilhã, certamente mais habituado a lidar com cenários destes. De positivo, uma jogada em que o Pizzi vê o Taborda negar-lhe o golo quase por acaso, depois de um centro do Bebé, e a estreia do Gonçalo Guedes na equipa principal. De negativo, a lesão do Ola John que permitiu essa mesma estreia, e o segundo golo do Covilhã já quase sobre o intervalo, no seguimento de um livre em que a bola foi cair no espaço entre os dois centrais, onde estava um adversário completamente livre de marcação.

 

 

A segunda parte não foi muito melhor no que diz respeito à qualidade do futebol apresentado. O Covilhã pareceu recuar um pouco mais no terreno e o Benfica teve (ainda) mais posse de bola. Foi bom que o empate tenha chegado ainda com poucos minutos decorridos, porque acalmou a equipa e evitou que entrássemos demasiado cedo em ansiedade, com o consequente chuveirinho sem critério para a área que se adivinhava que pudesse acontecer. Um passe magnífico do Cristante, longo e por alto para a desmarcação do Jonas nas costas da defesa, acabou com a finalização do brasileiro de primeira, sem deixar a bola cair no chão para um bonito golo. Depois do empate o domínio do Benfica acentuou-se ainda mais e o jogo passou a disputar-se quase exclusivamente no meio campo do Covilha, ainda que não assistíssemos propriamente a um sufoco, já que ocasiões de golo eram poucas. O golo decisivo acabou por surgir a vinte minutos do final, e curiosamente numa jogada de contra-ataque. Após uma subida do Covilhã à nossa área, o Artur teve um raro momento em que soltou a bola rapidamente para o contra-ataque. A bola foi conduzida pelo Gonçalo Guedes pela direita, foi entregue ao Pizzi na zona frontal da área, e depois uma tabela com o Jonas deixou o brasileiro novamente em posição privilegiada para marcar, assinando assim um hat trick na estreia como titular. Nos minutos finais o Covilhã ainda tentou pressionar para chegar novamente ao empate, mas sem conseguir causar grandes calafrios. A melhor ocasião de golo foi mesmo para o Benfica, já a fechar o jogo, quando o Gonçalo Guedes se isolou pela esquerda mas falhou por pouco a oportunidade de assinalar a estreia com um - provavelmente por ter sido pouco egoísta e ter perdido algum tempo a pensar se seria possível servir um colega no meio.

 

 

Homem do jogo, sem qualquer discussão, o Jonas. Marcou os três golos e dá para perceber simplesmente pelo toque de bola que é um jogador com qualidade. Para já leva quatro golos em um jogo e meio, o que é um óptimo cartão de visita. Gostei de ver o Gonçalo Guedes estrear-se na equipa principal. Não se pode dizer que tenha brilhado, mas não pareceu acusar qualquer nervosismo e cumpriu. Não gostei da exibição dos dois laterais da equipa, demasiado faltosos e desastrados. O Benito, em particular durante a primeira parte, foi um desastre e o erro que resultou no primeiro golo adversário foi muito mau (provavelmente também foi consequência do mau relvado, mas mais um motivo para não abordar o lance de forma tão descontraída). O Bebé não aproveitou a oportunidade, e estragou diversas jogadas na altura de centrar, depois de ter feito tudo bem para ganhar a linha de fundo. Apesar da assistência para o terceiro golo, não gostei particularmente de ver o Pizzi a fazer de Enzo. Pode ser que com o tempo se adapte melhor e evolua. O Derley também teve um jogo pouco conseguido.

Passou-se a eliminatória e pouparam-se quase todos os jogadores para o decisivo encontro com o Mónaco - para mim é decisivo no que diz respeito à continuidade nas competições europeias, porque uma derrota deverá com quase toda a certeza significar que nem para a Liga Europa iremos. Portanto podemos considerar que a missão foi cumprida, apesar dos sobressaltos.

por D`Arcy às 00:05 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Segunda-feira, 06.10.14

Enxurrada

Demorámos setenta e cinco minutos até conseguirmos furar a organização do Arouca (a dificuldade potenciada ainda por uma primeira parte jogada a um nível muito pouco aceitável da nossa parte), mas depois de conseguirmos marcar o primeiro golo tudo se tornou mais fácil, e a enxurrada de golos que se seguiu permitiu-nos acabar com uma goleada que nem espelha bem as dificuldades por que passámos neste jogo.

 

 

A nota de maior destaque no onze foi a ausência do Enzo. Jogou então o Derley de início, ficando o meio campo composto pelo Talisca e o Samaris. Na defesa, a já anunciada ausência do Jardel resultou na titularidade do Lisandro. A primeira parte foi muito complicada. Muito mérito do Arouca, que não veio estacionar o autocarro à frente da baliza, não fez antijogo, e soube manter-se muito bem organizado, ocupando bem os espaços todos, exercendo uma pressão muito forte sobre o portador da bola, e depois conseguindo sair rapidamente para o ataque sempre que a recuperava. O nosso meio campo revelou naturais dificuldades perante a superioridade numérica do adversário nessa zona, até porque o Talisca não está propriamente talhado para grande trabalho defensivo e o Samaris não podia estar em todo o lado ao mesmo tempo. Para complicar ainda mais as coisas, o Gaitán não estava nos seus dias, e sabemos bem que a sua criatividade é fundamental para inventar espaços e ultrapassar a organização defensiva dos adversários. As dificuldades do Benfica ficam bem expressas no facto de só bem depois dos vinte minutos termos conseguido fazer o primeiro remate do jogo (um remate disparatado do Gaitán) e ainda foi necessário esperar mais para vermos uma oportunidade de golo, num remate do Derley. O Arouca, pelo contrário, foi a equipa mais perigosa em campo durante a primeira parte, e bem podemos agradecer ao Artur o facto de não termos ido para o intervalo em desvantagem. Foram pelo menos três as defesas de grau de dificuldade elevado que lhe contei, e que ajudaram a manter o adversário em branco. Só nos minutos finais da primeira parte é que o Benfica finalmente conseguiu ameaçar um pouco mais e quase sempre através do Talisca, que rematava à baliza assim que tinha oportunidade. Mesmo sobre o final, o Lima lesionou-se e de ao Jonas a oportunidade de se estrear com a nossa camisola.

 

 

 

A segunda parte confirmou que o Gaitán de facto não deveria estar nas melhores condições, já que cedeu o seu lugar ao Ola John. Entrámos um pouco melhor para o segundo tempo e embora as dificuldades continuassem, pelo menos já se via a equipa acercar-se com mais perigo da baliza adversária, tendo mesmo enviado uma bola ao poste nos primeiros minutos, seguida de uma grande defesa à recarga do Jonas. A nossa equipa foi no entanto revelando um crescente nervosismo à medida que os minutos iam passando sem que o golo surgisse - para mim um nervosismo exagerado para o tempo que ainda havia para jogar. Quando nos aproximámos do meio da segunda parte o Arouca, tal como tinha acontecido com o Moreirense no último jogo em casa, começou a pagar a factura do grande desgaste físico que a pressão quase constante que tentaram exercer causou, e o espaço para jogar no meio campo começou a aumentar. Outro factor que na minha opinião acabou por ser decisivo foi a saída do Bruno Amaro. Durante todo o jogo ele ocupou a zona em frente à sua defesa e tinha como missão travar o Talisca de qualquer forma. Quando as pernas começaram a faltar, o recurso às faltas começou a ser cada vez mais frequente, até que o lagartão Hugo Miguel foi mesmo forçado a amarelá-lo para aí à sexta falta cometida. O Pedro Emanuel acabou por ser forçado a substituí-lo, porque se tornou evidente que acabaria por ser expulso - quando foi substituído já deveria mesmo estar na rua, mas o árbitro conseguiu não lhe dar o segundo amarelo depois de um flagrante e intencional corte com a mão. Coincidência ou não, minutos depois da sua saída (a quinze minutos do final) o Talisca arrancou pelo meio, tabelou com o Derley, e de pé direito fuzilou a baliza. A partir daí foi a derrocada do Arouca, que sofreu mais três golos em menos de um quarto de hora. Primeiro foi o Salvio que entrou pela direita e ofereceu ao Derley um mais que merecido golo, e depois foi o Ola John a fazer o mesmo por duas vezes pela esquerda, oferecendo o terceiro ao Salvio e o quarto ao estreante Jonas.

 

 

 

Os melhores jogadores do Benfica foram para mim o Talisca e o Derley. Não faço distinção entre ambos, porque foram igualmente importantes nesta vitória. O Talisca marcou o importante primeiro golo, que desatou o nó complicado em que o jogo se estava a tornar, mas mesmo durante a má primeira parte foi o mais rematador da equipa. O Derley merece a distinção pelo empenho que teve em todo o jogo. Fez a tabela com o Talisca no primeiro golo e marcou o segundo, mas acima de tudo gostei da atitude dele. Não é nenhum portento técnico, mas deu tudo o que tinha, lutou por cada bola que lhe chegou, e com ele o Benfica teve alguma capacidade para segurar a bola na frente. Muito importante também o Artur na primeira parte, em que foi o principal responsável por manter o resultado em branco. Gostei de ver o Samaris hoje, sobretudo quando se libertou da posição mais defensiva e avançou no terreno, já que parece sentir-se mais à vontade em zonas mais adiantadas. O Ola John, tal como contra o Moreirense, voltou a entrar bem e a ser decisivo. E para terminar, se calhar até é um bocado embirração minha com o Jardel, mas gostava mesmo que o Lisandro tivesse oportunidade para jogar mais alguns jogos a titular - mesmo tendo hoje cometido um erro na primeira parte.

 

O resultado pode ser algo injusto para o Arouca, que pelo que fez na Luz talvez não merecesse uma derrota tão pesada. Mas acabou por pagar a factura do enorme esforço que despendeu a tentar travar o jogo do Benfica, que teve o mérito de insistir até final sem sequer abrandar depois de alcançada a vantagem. Temos o ataque mais concretizador do campeonato, o Talisca, com quem os nossos adversários tanto gozaram na pré-época, é o melhor marcador e continua a resolver jogos, e mantemos os quatro pontos de vantagem sobre o nosso adversário. No final, é isso o que interessa.

por D`Arcy às 00:47 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Quarta-feira, 01.10.14

Fraca

Exibição muito fraca esta noite na Alemanha e derrota mais do que justa perante um Leverkusen que foi melhor em todos os aspectos do jogo. Já disse diversas vezes qual é a importância que eu dou à Champions, mas independentemente disso não posso ficar indiferente a um desempenho muito abaixo de qualquer mínimo aceitável, que foi aquilo a que assistimos esta noite.

 

 

Foi visível desde o apito inicial que seria muito difícil conseguirmos o que quer que fosse deste jogo. Os alemães submeteram-nos a uma pressão intensíssima e nós fomos praticamente incapazes de sair do nosso meio campo, e nem sequer de armar uma jogada com dois ou três passes seguidos. O Leverkusen foi superior em tudo, colectivamente e individualmente. Foi como se nós estivessemos a jogar de bicicleta e eles de BMW. Qualquer bola dividida entre um dos nossos e um alemão acabava quase invariavelmente da mesma forma: com o nosso jogador no chão e a bola nos pés do adversário. No meio campo fomos completamente atropelados, e os alemães insistiram sobretudo pelo lado esquerdo da nossa defesa, que foi incapaz de dar conta do recado. A pressão alemã foi impiedosa até que chegou finalmente a um merecido golo, aos vinte e cinco minutos de jogo - nesta altura o Benfica tinha feito zero remates no jogo o que, convenhamos, até tinha toda a lógica porque provavelmente ainda não tínhamos passado do meio campo. O golo resultou da recarga a um remate largado pelo Júlio César, que já antes tinha largado a bola. Poucos minutos depois chegou o segundo golo, numa jogada que já tinha sido repetida várias vezes: entrada pelo lado esquerdo, centro atrasado e remate de um adversário vindo de trás sem o devido acompanhamento pelos médios.

 

 

Só depois do segundo golo é que o Benfica conseguiu finalmente respirar um pouco, mas claramente mais como consequência de algum abrandamento por parte dos alemães do que por subida de rendimento da nossa parte. A segunda parte foi jogada mais nesse ritmo, em que pelo menos não éramos pressionados logo à saída da nossa área e ainda conseguíamos trocar a bola mais ou menos à vontade na nossa defesa, mas a partir do meio campo a história era diferente: parecia que só se viam camisolas vermelhas do Leverkusen por toda a parte, e quase nenhum espaço para jogarmos, sendo a bola perdida muito rapidamente. A meia hora do final, praticamente na primeira vez que o Gaitán conseguiu ter uma bola controlada perto da área adversária, deixou três adversários para trás e entregou ao Salvio na direita, que evitou um adversário e de pé esquerdo fez um golo que, com toda a honestidade, nada tínhamos feito por merecer. Mas nem deu sequer para começar a alimentar qualquer esperança de entrarmos na discussão do resultado, porque a bola foi ao meio campo e na jogada seguinte, numa raríssima ocasião em que um árbitro de baliza se lembrou que está lá para fazer algo mais do que ser um mero espantalho, assinalou um penálti no mínimo manhoso do Jardel sobre o Kiessling, e o resultado voltou outra vez para os dois golos de diferença. E o jogo terminou efectivamente aí, porque durante o tempo que restou jogou-se a um ritmo muito reduzido. O Leverkusen estava satisfeito e não parecia disposto a esforçar-se muito mais, mantendo o jogo sempre perfeitamente sob controlo, e nós não mostrámos qualquer capacidade para alterar o rumo dos acontecimentos.

Seria fácil estar a desancar alguns dos suspeitos do costume depois de um jogo destes, mas francamente, o nosso jogo desta noite foi tão mau sob todos os aspectos que seria injusto fazê-lo. Foi tudo demasiado mau.

 

Não vou entrar pelo discurso do 'há que levantar a cabeça' porque para mim nunca a baixamos. Mas no domingo já terei posto este jogo para trás das costas e lá estarei a apoiar os nossos contra o Arouca. O campeonato é a nossa principal prioridade e eu concordo completamente com essa estratégia. Mas esta noite estivemos muito mal, e se eu não estou à espera que o Benfica aposte as fichas todas na Champions, pelo menos espero que consigamos deixar uma imagem minimamente condigna ao nome do Benfica. E não foi isso o que aconteceu hoje.

por D`Arcy às 23:40 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 28.09.14

Masoquismo

Depois de uma entrada de rompante que parecia indicar um jogo tranquilo e deixou no ara até cheiro a possível goleada, de uma forma quase masoquista o Benfica desperdiçou uma vantagem de dois golos e foi obrigado a sofrer para trazer os três pontos da sua visita ao Estoril.

 

 

Com o Artur na baliza sendo a única alteração ao onze que tem sido habitual, o Benfica entrou de rompante no jogo e aos oito minutos já vencia por dois golos. O primeiro surgiu logo aos três minutos, numa iniciativa individua do Talisca, que percorreu metade do campo com a bola nos pés, deixando pelo caminho quem lhe apareceu à frente até rematar para o fundo da baliza. O segundo golo foi fruto da pressão alta que o Benfica exerceu, que resultou numa recuperação de bola do Gaitán para uma assistência que deixou ao Talisca apenas o trabalho de empurrar para a baliza deserta. E o Benfica não parou por aí, continuando a mandar no jogo como queria e a criar ocasiões em barda para marcar o terceiro golo - só perto da meia hora é que o Estoril finalmente conseguiu fazer o primeiro remate no jogo. Mas nos minutos finais da primeira parte o Benfica adormeceu e abrandou em demasia, o que permitiu ao Estoril criar algumas ocasiões e finalmente marcar mesmo o golo que lhes permitia reentrar na discussão do resultado. Depois de um primeiro remate ao poste, o Maxi acabou por desviar a recarga para dentro da própria baliza. A resposta do Benfica até foi quase imediata, com o Jardel a cabecear para enviar a bola ao poste pela segunda vez no jogo (a primeira tinha sido do Lima), mas foi com um sentimento de frustração que se foi para intervalo com uma vantagem mínima no marcador. A produção do Benfica merecia uma vantagem mais dilatada e o jogo praticamente resolvido, mas em vez disso adivinhavam-se dificuldades para a segunda parte.

 

 

O Benfica até nem reentrou muito mal, e criou algumas jogadas de perigo pelos flancos que foram muito mal finalizadas por demasiada indecisão na altura do passe. Mas infelizmente nem foi preciso esperar muito para que o Estoril empatasse o jogo, porque fizeram-no praticamente na primeira jogada de perigo que construíram - diga-se que foi uma boa jogada do ataque do Estoril, que permitiu ao Kléber uma finalização muito fácil à boca da baliza. A partir daqui o Benfica voltava a ter que correr atrás do resultado. A presença na frente foi reforçada com a troca do Talisca pelo Derley (nessa altura o Talisca já parecia ter quebrado fisicamente) e o Benfica voltou a ter total controlo do jogo - diga-se que o Estoril, depois do golo marcado logo aos nove minutos da segunda parte, nada mais conseguiu fazer em termos atacantes. A pressão do Benfica foi-se intensificando e as oportunidades aparecendo, mas a tarefa do Estoril ficou ainda mais complicada depois de ficar reduzido a dez por segundo amarelo ao Cabrera, após uma entrada dura sobre o Enzo. O expulsão aconteceu a vinte e cinco minutos do final, e o Benfica voltou à vantagem no marcador apenas cinco minutos depois, num lance em que o maior mérito é do Derley por não ter desistido da jogada. Depois da felicidade que teve ao ganhar o ressalto numa bola dividida com o guarda-redes, ainda conseguiu tocá-la já quase sobre a linha de fundo para que o Lima aparecesse a centímetros da baliza a fazer o golo. O Estoril já não parecia ter capacidade para reagir e o Benfica até poderia ter forçado um pouco mais na procura do golo da tranquilidade, mas faltou alguma inspiração na frente. Ao contrário da semana passada, desta vez o Ola John entrou desastrado no jogo, e o Lima continua a falhar em situações onde normalmente não perdoaria.

 

 

Os melhores do Benfica foram, para mim, o Gaitán, que foi o maior criador de lances de ataque da equipa, e o Enzo, que sobretudo na altura em que foi necessário vir para a frente à procura do terceiro golo pegou nas rédeas do jogo e fez mover toda a equipa. Foi também ele quem arrancou o segundo amarelo e consequente expulsão do jogador do Estoril. O Talisca marcou um golo muito bom e teve uma entrada no jogo bastante positiva, mas foi perdendo fulgor muito cedo, não sei se consequência da entrada que sofreu e que o obrigou a ser assistido.

 

Podia ter sido um resultado bem mais dilatado, mas acabámos por ser obrigados a sofrer muito mais do que eu cheguei a esperar quando vi aquela entrada no jogo. Ficam os importantes três pontos no bolso, e o alargamento da vantagem sobre o adversário na disputa do título para quatro pontos. Com maior ou menor brilhantismo, este continua a ser um dos melhores inícios de campeonato do Benfica nos últimos anos.

por D`Arcy às 02:34 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 22.09.14

Susto

Apanhámos um valente susto esta tarde, mas uma boa reacção final acabou por poupar-nos a males maiores e evitar uma derrota que durante uma boa parte do jogo chegou a parecer um cenário muito provável.

 

 

Apenas uma alteração, na baliza, em relação à equipa que tem sido utilizada nos últimos jogos, onde se estreou o Júlio César. Sobre a primeira parte acho que há muito pouco a dizer, e nada de positivo. O pior de tudo foi mesmo a forma como os jogadores pareceram encarar o jogo, porque a sensação com que fiquei foi que houve demasiada sobranceria e falta de atitude. Há jogos em que é um tanto ou quanto evidente perceber desde cedo que vamos ter dificuldades, e isso acontece quando vemos um jogador conduzir a bola e o resto da equipa a ficar praticamente a olhar para ele, sem que os jogadores se movimentem para criar opções de passe. Foi isso que aconteceu hoje, com o resultado de vermos os jogadores insistirem em iniciativas individuais quase sempre condenadas ao fracasso. Para complicar mais as coisas, do outro lado surgiu um adversário nada interessado em facilitar-nos a tarefa, sempre muito bem organizado a defender e bastante agressivo e eficaz a pressionar o portador da bola. Eficácia foi também o que o Moreirense revelou na altura de atirar à baliza: imediatamente a seguir a uma perdida escandalosa do Lima (que está realmente numa fase em que praticamente não acerta uma), na primeira e provavelmente única ocasião de golo que criou durante todo o jogo, chegou ao golo. Após um cruzamento da direita, o Eliseu deixou fugir o seu adversário directo, que cabeceou para o golo. E nem este golo (que surgiu ainda cedo, pouco depois do primeiro quarto de hora) acordou a equipa, que continuou a mostrar um futebol lento, sem ideias e desconexo. A substituição operada ainda na primeira parte, em que o Derley entrou para o lugar do Samaris para reforçar a presença na frente, pouco conseguiu mudar.

 

 

O início da segunda parte também não foi propriamente promissor. Mas à entrada para a última meia hora o Talisca teve uma iniciativa individual em que ultrapassou vários adversários até ser derrubado à entrada da área, o que resultou no segundo amarelo para o jogador do Moreirense que fez a falta. A partir daqui o jogo foi completamente diferente. O Benfica acelerou o ritmo, as oportunidades começaram a surgir, e houve ainda a substituição forçada do Talisca pelo Ola John, que fixou o Gaitán no centro e acabou por contribuir também de forma positiva para a qualidade do nosso jogo. O empate surgiu de forma espectacular, num remate cruzado do Eliseu a uns trinta metros da baliza que levou a bola a entrar junto ao poste, sem qualquer possibilidade de defesa. Faltavam pouco mais de vinte minutos  para o final e nesta altura o assalto do Benfica à baliza do Moreirense era constante: a expulsão e a incapacidade para continuarem a pressionar-nos da forma que o tinham feito durante a primeira parte encostaram o Moreirense à sua área, com o jogo a disputar-se exclusivamente em metade do campo. Por isso não espantou que fosse necessário esperar apenas cinco minutos para vermos o segundo golo (e com mais algumas oportunidades claras pelo meio). Depois de um cruzamento do Gaitán na esquerda, que o guarda-redes atacou mal e não conseguiu afastar, a bola sobrou para o Maxi no poste oposto, que matou no peito e atirou a contar. O jogo parecia estar resolvido, pois o Moreirense estava praticamente entregue e incapaz de criar qualquer perigo no contra-ataque. Mais cinco minutos se passaram e num penálti cometido sobre ele mesmo (e sim, é penálti mesmo porque o defesa dá um toque no pé do Lima que depois o leva a tropeçar em si próprio) o Lima aproveitou para acabar com o jejum de golos e acabar com quaisquer dúvidas que pudessem haver sobre o vencedor - mas pelos vistos não terá acabado completamente com o seu desacerto com a baliza, porque até final ainda voltou a falhar mais uma ocasião flagrante de golo.

 

 

Depois de uma primeira parte paupérrima qualquer destaque na nossa equipa deve-se apenas ao que fizeram na nossa melhor fase do jogo. Gostei do Enzo (irrita-me que às vezes pareça que as pessoas insistam em querer ver fantasmas onde eles não existem) e do Maxi, e achei que a entrada do Ola John foi bastante útil, pois dinamizou o nosso jogo pela esquerda. Destaque óbvio também para o golo fabuloso do Eliseu, mas contra si a falha de marcação no golo adversário. Quanto ao estreante Júlio César, é difícil dizer o que quer que seja porque praticamente não teve trabalho. Pelo menos pareceu sentir-se seguro a jogar com os pés. O Lima, pelo que já foi dito, continua extremamente desastrado na finalização (o falhanço imediatamente antes do golo do Moreirense é inacreditável) mas a seu favor o facto de nunca baixar os braços ou virar a cara à luta.

 

A equipa que os 'especialistas' condenaram à partida ao fracasso, e para a qual previram as maiores desgraças apanha-se isolada no topo da tabela logo à quinta jornada, à frente de maravilhas que iriam limpar isto tudo sem sequer terem que suar. Para mim não deixa de ser irónico que até agora este esteja a ser ser um dos melhores arranques de campeonato da era Jesus. Já não há respeito nenhum pelos entendidos da bola que peroram pela comunicação social.

por D`Arcy às 00:13 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Quarta-feira, 17.09.14

Dignos

Derrota sem espinhas num jogo que cedo começou a dar para o torto. O Zenit é uma equipa forte, com bons jogadores (muitos deles que bem conhecemos) e como sempre, a este nível, os erros normalmente pagam-se caro. Mas para mim o mais importante que aconteceu esta noite passou-se durante os minutos finais do jogo e aqueles que se seguiram ao apito final do árbitro.

 

 

Com toda a lógica, o Benfica entrou em campo com o mesmo onze que goleou o Setúbal. O início de jogo, no entanto, dificilmente poderia ter sido pior, já que antes de se cumprirem cinco minutos ficámos em desvantagem no marcador. Tudo começou num mau passe do Jardel quando saíamos para o ataque e depois foi simplesmente uma questão de colocar a bola nas costas do Eliseu, que já estava naturalmente adiantado, deixando o Hulk isolado para uma finalização simples. O Zenit já tinha entrado no jogo de forma confiante, e com este golo via a tarefa ficar ainda mais facilitada. Apesar de uma ténue reacção ao golo, as coisas ficaram definitivamente pior para nós ainda antes de chegarmos aos vinte minutos, e novamente por consequência de erros: primeiro, mais um mau passe do Jardel numa saída para o ataque, que entregou a bola a um adversário no círculo central, e depois do passe feito para as costas da defesa o Artur teve uma 'arturada' (leia-se: uma daquelas saídas em que ele hesita e acaba por ficar a meio do caminho quando temos a nítida sensação que seria perfeitamente possível chegar primeiro à bola), acabando por derrubar o Danny quando ele estava isolado. Falta e consequente vermelho evidentes, o que forçou à substituição do Talisca pelo Paulo Lopes. Como se a perspectiva de jogar mais de setenta minutos reduzidos a dez não fosse já suficientemente má, sofremos o segundo golo logo a seguir. Não foi no livre marcado pelo Hulk, que desviou ligeiramente na barreira, mas foi no canto que se seguiu, no qual deixámos o Witsel entrar na zona do primeiro poste a cabecear para um golo que não festejou. O Paulo Lopes ainda defendeu, mas a bola já tinha ultrapassado a linha. Com a vantagem confortável no marcador e superioridade numérica em campo, o Zenit procurou adormecer ainda mais o ritmo de jogo, mantendo a bola em seu poder sem arriscar muito.

 

 

O maior elogio que posso fazer à nossa equipa na segunda parte é que pouco se notou a inferioridade numérica. Os nossos jogadores correram até à exaustão, e conseguiram que o jogo fosse muito repartido entre as duas equipas - de facto, até me parece que acabámos por ser melhores com dez do que tínhamos sido nos menos de vinte minutos que jogámos com onze. É verdade que o Zenit poderia ter ampliado a vantagem e teve oportunidades para o fazer, mas o Benfica também teve ocasiões para marcar, tantas ou mais do que o Zenit. Mas o guarda-redes russo esteve sempre em bom plano, e também nos faltou maior discernimento na altura de finalizar algumas jogadas. Não vi ainda nenhumas imagens do jogo, mas no estádio também me ficou a sensação que terá havido um penálti por assinalar sobre o Salvio, poucos minutos após o reinício do jogo, e que a ser marcado poderia ter mudado um pouco as coisas. Mas conforme referi no início, o mais importante acabou por acontecer nos minutos finais do jogo. O público benfiquista soube reconhecer o enorme esforço e empenho dos nossos jogadores perante uma situação tão adversa, e o jogo terminou debaixo de cânticos e aplausos, que se prolongaram muito para além do apito final. Não duvido que esta manifestação de apoio terá motivado os nossos jogadores, e foi uma bonita demonstração de que os adeptos estão com a equipa. Fomos derrotados em casa após mais de dois anos sem que tal acontecesse, mas os nossos jogadores conseguiram ser dignos perante um cenário muito adverso, e puderam sair de cabeça erguida.

 

 

Num jogo em que o brio e o empenho dos nossos jogadores foram o mais importante, não há grandes destaques individuais a fazer. Mas o Jardel fica ligado de forma negativa ao jogo, já que foram dois maus passes seus que estiveram na origem das duas jogadas decisivas do jogo. E pior ainda, continuou a insistir em passes de risco na defesa durante o resto do jogo. Parece-me que o Jardel serve perfeitamente para consumo interno, mas confesso que, face ao que conheço dele, continuo a estranhar a relutância do nosso treinador relativamente ao Lisandro Lopez. Mas eu não trabalho com os jogadores todos os dias.

 

A minha opinião sobre a Champions já é sobejamente conhecida, por isso não me vou alongar sobre o assunto. Digo apenas que é suficiente para que este resultado não me deixe particularmente zangado. O que eu espero sobretudo é que ele não tenha qualquer influência no estado de espírito da equipa, e que esta saiba utilizar o que se passou no final do jogo para colocar isto para trás das costas e motivar-se para o próximo jogo do campeonato. Para mim a prioridade e aquilo que determina se a época é de sucesso ou não será sempre a reconquista do título.

por D`Arcy às 02:23 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sábado, 13.09.14

Passeio

Foi particularmente agradável regressar a Portugal, chegar a casa, atirar a mala para um canto sem sequer a desfazer, sentar-me à frente da TV para ver a gravação deste jogo sem saber ainda o resultado e ser recompensado com uma goleada triplamente agradável. Triplamente agradável por ser, em primeiro lugar, uma vitória folgada do Benfica; depois por ser sobre o Vitórria, que é um clube com o qual eu não simpatizo particularmente; e finalmente por ser sobre uma equipa treinada pelo Domingos Paciência, que é alguém com quem eu não simpatizo absolutamente nada.

 

 

A grande (na verdade, a única) novidade no onze foi a titularidade do Samaris na posição de médio defensivo. Uma lesão terá evitado a estreia do Júlio César na baliza, dando oportunidade ao Artur para tentar limpar um pouco a face depois do empate que ofereceu ao sportém. O Talisca manteve-se como apoio mais directo ao Lima, ainda que por diversas vezes recuasse um pouco no terreno ou trocasse de posição com o Gaitán, aparecendo este a jogar mais perto da área e pelo centro. No último jogo, contra o sportém, o Talisca já tinha deixado alguma indicações positivas. Hoje confirmou-as. O início do jogo mostrou um Setúbal atrevido e provavelmente também aquele que será o amarelo mais rápido deste campeonato, já que o Eliseu conseguiu ser admoestado antes dos dez segundos de jogo. O problema para a entrada atrevida do Setúbal foi a classe muito superior de alguns dos nossos jogadores, e a extrema eficácia que tivemos na primeira parte. Logo aos dez minutos, e no primeiro remate que fizemos, o Salvio inventou um golo fantástico praticamente do nada, com um remate de pé esquerdo de fora da área a não dar quaisquer hipóteses de defesa. Golaço. Reagiu bem o Setúbal, que continuou a querer discutir o jogo olhos nos olhos com o Benfica, mesmo que não tenha conseguido obrigar o Artur a uma única defesa digna desse nome. Mas a agressividade e o ritmo a que o Setúbal foi obrigado a jogar para tentar pressionar a nossa posse de bola teve o seu preço e a partir da meia hora de jogo a equipa pareceu dar o estoiro, assumindo então o Benfica o controlo quase total. Ameaçámos por duas vezes, em que o Talisca só por muito pouco não conseguiu esticar o pé para dar o toque final para a baliza, mas estava escrito que ele iria mesmo deixar o seu nome na lista dos marcadores, o que acabou por acontecer já na fase final da primeira parte. Aos trinta e oito minutos, depois de uma boa jogada de ataque que acabou com um mau cruzamento do Gaitán, um corte ainda pior de um defesa adversário deixou a bola à mercê do Talisca, que finalizou com um remate forte de pé esquerdo. E a dois minutos do intervalo o mesmo Talisca voltou a marcar, desta vez na conversão de um livre directo na meia lua, assinalado após falta cometida sobre ele.

 

 

A história da segunda parte quase que se resume aos golos do Benfica e às oportunidades falhadas pelo Lima, já que o controlo do jogo por parte da nossa equipa foi total. Se o Setúbal ainda alimentava qualquer esperança de poder fazer uma gracinha, cedo se desvaneceu. É que tal como na primeira parte, o Benfica marcou com dez minutos decorridos. Mais uma boa jogada com o Gaitán a progredir pelo meio e a desmarcar o Lima na esquerda, primeiro remate do Salvio (depois de uma simulação do Gaitán) defendido pelo guarda-redes, e depois a recarga do Talisca, de pé direito e de ângulo apertado, só parou no fundo da baliza. Hat trick para o brasileiro no jogo em que finalmente se estreou a marcar em jogos 'a sério'. Depois deste golo, e com o Setúbal entregue, ficava apenas por saber quantos golos mais conseguiria o Benfica marcar. Vimos o Lima desperdiçar várias oportunidades flagrantes de golo (está complicado acabar com a seca...), mas já que não marcou,pelo menos ainda conseguiu oferecer o quinto golo ao Ola John (o holandês tinha entretanto entrado para o lugar do Gaitán). Desmarcado pela direita após um passe do Salvio, fez o centro rasteiro para o poste mais distante, onde o Ola John só teve que empurrar para a baliza deserta. Houve ainda tempo para o Cristante se estrear com a nossa camisola, jogando os últimos vinte minutos sem que no entanto tenha tido oportunidade para mostrar muito, excepto alguma apetência para tentar passes em profundidade para as costas da defesa ou a variar o flanco de jogo.

 

 

O Talisca é obrigatoriamente o homem do jogo. Parece mais solto, confiante e integrado no nosso estilo de jogo, e hoje até conseguiu começar a justificar a fama de especialista em bolas paradas com que vem rotulado. Outros jogadores que me agradaram foram o Luisão, que como habitualmente limpou praticamente tudo o que apareceu na sua zona, e o Salvio. O Gaitán não esteve tão fulgurante como é habitual, mas nota-se sempre a sua influência quando aparece com a bola controlada na zona central. De uma forma geral continuo convicto que, tendo nós mantido o trio argentino Enzo/Salvio/Gaitán, do meio campo para a frente continuamos num nível acima da concorrência no que diz respeito a criatividade e qualidade técnica. Gostei do que vi do Samaris. Ainda vai de certeza evoluir muito nas mãos do Jorge Jesus, mas para um jogador que chegou há tão pouco tempo já se mostrou razoavelmente integrado e também parece ter bons pés, pelo que certamente não será um '6' exclusivamente dedicado a tarefas de destruição de jogo.

 

Acabou por ser um agradável passeio até ao Bonfim, que nos terá até permitido fazer alguma gestão de esforço para a estreia na Champions. Por enquanto continua a não haver sombra dos cenários mais catastrofistas que muitos nos previram durante a pré-época. O início da época não foi brilhante em termos exibicionais, mas foi relativamente sólido (bem melhor que o da época passada) e por agora apenas temos a lamentar o mau resultado da última jornada, fruto de um infeliz erro individual e de alguma falta de pontaria. Esta goleada ao Setúbal pode servir para dar mais confiança à equipa e catapultá-la para outros patamares exibicionais. E eu até tenho boas recordações de épocas com goleadas ao Setúbal.

por D`Arcy às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Terça-feira, 02.09.14

Ensaio sobre a lucidez

Sobre o empresário Jorge Mendes, diz Wallace, jogador emprestado pelo Braga ao Mónaco: "Disse-me para me preocupar em jogar o meu futebol, porque fora de campo ele resolvia tudo. E eu sei que estando bem e, com a força que ele tem fora de campo, com certeza vai dar tudo certo". É difícil encontrar tanta lucidez num jogador apenas.

por Pedro Valente às 22:30 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 31.08.14

Desperdício

Não vou perder muito tempo a escrever sobre este jogo: não me apetece, e o adversário não me merece atenção suficiente. Para mim foi um mau resultado: um empate com esta espécie de Estoril com esteróides são dois pontos deitados fora. Na pré-época disse várias vezes que para mim a perda do Oblak era a única que eu considerava irreparável. Hoje voltei a confirmar essa convicção, e sofremos as primeiras consequências disso. Tínhamos entrado bem no jogo, marcámos cedo numa bonita jogada finalizada pelo Gaitán, o jogo estava perfeitamente controlado, e depois aquele tipo que anda a fingir que é guarda-redes resolveu ressuscitar o adversário oferecendo-lhe um golo que literalmente caiu do céu, porque nada tinham feito para o justificar. É ridículo ver os nossos defesas a ficarem atrapalhados diversas vezes pelo simples facto de terem que evitar a todo o custo atrasar a bola ao guarda-redes.

 

 

A oferta do Artur não justifica tudo, pois bastaria que se tivesse aproveitado uma das várias oportunidades de golo construídas na segunda parte para vencer o jogo. Não o soubemos fazer (ao contrário do nosso guarda-redes, o deles fez o que lhe competia) e o Salvio fica muito mal na fotografia, pois desperdiçou duas oportunidades de golo feito: numa conseguiu permitir a defesa ao guarda-redes quando era só escolher onde queria colocar a bola, e na outra resolveu tentar o remate de ângulo quase impossível quando tinha o Lima completamente solto a seu lado, a dois metros da baliza. E até nos arriscámos a perder o jogo, pois quase no final o Artur teve a sua única contribuição positiva no jogo e evitou um golo que colocaria uma injustiça maior no resultado. Contas feitas e no final ficamos com um mau resultado frente a uma equipa inferior, que apesar da garganta toda e da chiadeira incessante é basicamente da mesma mediocridade que era o ano passado, reforçada com um dos jogadores mais burros que tenho memória de ver jogar. Não sei se o Julio César será solução para os problemas na baliza, mas o que eu sei é que a manutenção do Artur é insustentável. É visível que os próprios colegas de equipa não confiam nele, e neste momento até com o Thierry Graça à baliza eu me sentiria mais seguro.

por D`Arcy às 22:07 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 25.08.14

Amorim


Muita força, Rúben. Que recuperes bem e o mais rapidamente possível, para que ainda ajudes a defender os títulos do nosso Benfica é o meu desejo. Uma lesão estúpida e injusta de um jogador que já teve azar de sobra no que diz respeito aos joelhos.
por D`Arcy às 19:05 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Trabalho

Não sendo possível uma exibição de encher o olho, foi fazendo um jogo de muito trabalho que conseguimos uma vitória difícil mas justíssima contra o Boavista, o relvado artificial e uma arbitragem no mínimo irritante. Antes do jogo esperava mais do que uma vitória pela margem mínima, mas estou satisfeito com o mais importante, que são os três pontos conquistados.

 

 

O Enzo esteve em dúvida até à última para este jogo e acabou mesmo por ficar de fora, o que fez com que, em relação ao último jogo, o Talisca recuasse para médio centro e o Jara entrasse no onze. Quanto ao jogo, não consigo fazer grandes apreciações técnicas ou tácticas sobre o mesmo. Essencialmente, pareceu-me um jogo bastante feio e de muita luta. O Boavista foi um adversário bastante chato - não o classifico de incómodo porque foi praticamente inofensivo no ataque, não tendo criado uma única real ocasião de golo (as únicas vezes em que criou a sensação de perigo foi em jogadas já interrompidas por fora de jogo). Foi uma equipa muito à imagem do seu treinador Petit, a jogar de forma muito agressiva (mas não violenta): os seus jogadores caíam imediatamente em cima do adversário para pressionar e metiam sempre o pé sem contemplações ou receio de fazer falta - até porque a renitência do árbitro em apitar faltas contra o Boavista a isso ajudava, o que complicou a nossa capacidade para fazer jogadas organizadas. Outro adversário foi o relvado sintético do Bessa. É que não me lixem; que aquilo seja aprovado para se jogar lá futebol tudo bem, mas é completamente diferente de um relvado natural. A bola salta muito mais e os jogadores mostram muito maiores dificuldades para a controlar, sendo frequente vê-la a fugir-lhes dos pés ao mais ligeiro toque. De qualquer forma, com maior ou menor dificuldade, o Benfica assumiu o controlo do jogo desde o apito inicial e procurou chegar à vantagem, com o Eliseu e o Gaitán na asa esquerda a revelarem-se bastante activos. Foram aliás dos pés destes dois jogadores que surgiram as melhores ocasiões durante a primeira parte, sendo de realçar a apetência do Eliseu para rematar à baliza. Depois de ter feito um grande remate de fora da área, na ressaca de um canto, que obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada, foi já quase sobre o apito para o intervalo que num novo remate de fora da área, desta vez cruzado ao poste mais distante, marcou o golo que decidiu o jogo. A lamentar nesta primeira parte termos perdido o Rúben Amorim por lesão, que aconteceu não por culpa de alguma patada boavisteira, mas sim talvez do piso sintético (uma pena, até porque estava mais uma vez a fazer um bom jogo).

 

 

A segunda parte foi mais equilibrada na posse de bola. Sem que saibamos porquê, o Jorge Jesus apareceu na bancada ao lado do Manuel do Laço, já que terá sido expulso pelo árbitro Marco Ferreira. Provavelmente terá sido aplicado o mesmo critério da jogada que valeu o amarelo ao Jara na primeira parte. O Boavista conseguiu subir mais um pouco no terreno, mas o Benfica teve sempre o jogo controlado. Durante esta segunda parte, ao contrário da primeira, o Benfica insistiu no ataque mais pelo lado direito, através do Salvio e do Maxi, enquanto que do lado oposto o Eliseu esteve bem mais comedido nas subidas ao ataque e preocupou-se em fechar bem atrás. Conforme já referi, o Boavista não criou uma única ocasião de golo ou obrigou o Artur a qualquer intervenção de dificuldade mais elevada. Os dois remates perigosos que fizeram foram em jogadas que já estavam interrompidas por posição irregular dos seus jogadores, e as jogadas mais perigosas voltaram a ser nossas. O Gaitán falhou um chapéu ao guarda-redes por muito pouco, depois de duas excelentes intervenções do André Almeida, primeiro a recuperar a bola e a travar o contra-ataque do Boavista, e depois no passe longo para o argentino; e o Lima apareceu em boa posição depois de combinar com o Gaitán, mas só viu a baliza e rematou muito torto quando tinha o Salvio completamente solto do seu lado direito. O desvario do Boavista em tentar chegar ao golo do empate nos minutos finais, em que até subiu um central para o ataque e tentou despejar bolas de qualquer maneira para a frente, valeu-lhe ficar reduzido a dez nos últimos cinco minutos, depois de uma tentativa parva de um seu jogador de jogar voleibol em vez de futebol que lhe valeu o segundo amarelo.

 

 

Num jogo com poucos motivos de realce no aspecto técnico, o homem do jogo acaba por ser o Eliseu, quanto mais não seja pelo golo que marcou e fez o resultado final. O facto de já conhecer bem o treinador parece fazer com que se tenha identificado depressa com a forma de jogar da equipa, parecendo já completamente integrado na mesma. Houve suspeitas levantadas sobre o seu estado físico quando chegou ao Benfica, mas pelo que deu para ver até agora ou essas suspeitas eram infundadas, ou recuperou rapidamente a forma. Não me parece que tenham havido outros jogadores a destacarem-se em particular.

 

Como disse no início, antes do jogo começar esperava uma vitória mais tranquila do Benfica neste jogo, mas depois dos noventa minutos fiquei com a sensação de que seria difícil produzir futebol com muita qualidade esta noite. Por isso o que interessa mesmo é que trouxemos os três pontos do Bessa, e isso deixa-me satisfeito. Agora vou aguardar pelo final da semana, para ver se depois dá para descansar um pouco das novelas sobre os nossos cobiçados jogadores (antes que os jornais entrem em novas novelas sobre os mesmos, envolvendo os mercados turco ou russo).

por D`Arcy às 01:20 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 18.08.14

Início

Interrompemos finalmente o péssimo hábito, que já se vinha acumulando há nove épocas consecutivas, de não vencer na estreia no campeonato. Mas as coisas até poderiam ter sido bem mais complicadas, não fosse o Artur ter mais uma vez vestido o fato de herói para defender um penálti na fase inicial do jogo.

 

 

Entrámos em campo, sem surpresa, com o mesmo onze da Supertaça, onde o Talisca é quem tem a função de apoiar mais directamente o avançado. Não foi uma má entrada no jogo, pois cumprimos com a obrigação de entrar ao ataque e a tentar pressionar o adversário, mas a velocidade imprimida foi pouca e não criámos qualquer ocasião de golo durante os minutos iniciais. Quando o Paços respondeu e subiu até à nossa área, praticamente na primeira vez que lá chegou beneficiou de um penálti cometido de forma algo infantil pelo Eliseu - não sei se a famosa 'intensidade' terá sido suficiente para derrubar o adversário, mas a verdade é que ele lhe colocou as mãos nas costas e portanto a falta era o cenário mais provável. O árbitro era o Cosme Machado (que já tinha mostrado com o que se poderia contar ao amarelar o Enzo na primeira falta que fez, a meio campo) e portanto o desfecho foi previsível: penálti contra o Benfica. Mas o Artur adivinhou o lado e com uma boa defesa junto ao relvado evitou o golo. Este lance terá assustado o Benfica e motivado o Paços, que durante os minutos que se seguiram teve a sua melhor fase em todo o jogo, superiorizando-se ao Benfica no domínio da partida. No entanto, esta melhor fase do Paços, que durou cerca de um quarto de hora, terminou de forma abrupta com o golo do Benfica. No espaço de um minuto, primeiro ameaçámos numa boa jogada que terminou num remate do Lima a passar muito perto do alvo, após centro do Maxi, e logo a seguir marcámos mesmo, numa bonita tabela entre o mesmo Maxi e o Gaitán, que deixou o uruguaio isolado para finalizar de pé esquerdo com aparente facilidade. Com o golo veio um fase de equilíbrio no jogo e até mesmo de alguma monotonia, já que nenhuma das equipas foi capaz de criar qualquer ocasião de golo ou sequer construir uma jogada digna de realce. O único safanão na monotonia foi uma iniciativa individual do Gaitán, concluída com um remate torto quando tentou colocar a bola sobre o guarda-redes. Ainda antes do intervalo fomos obrigados a trocar o Enzo pelo Jara, o que significou o recuo do Talisca para uma posição mais central no meio campo.

 

 

A segunda parte iniciou-se mantendo a mesma toada de algum equilíbrio, embora fosse apenas o Benfica a conseguir aproximar-se da baliza adversária - o Paços apostava sobretudo em bolas longas para tentar tirar partido do físico do Cícero na frente, mas sem qualquer resultado prático. Com o decorrer do tempo o Benfica foi crescendo aos poucos no ataque e depois de algumas ameaças chegou mesmo ao golo que praticamente confirmava a vitória, quando faltavam pouco mais de vinte minutos para o final. Foi uma jogada argentina, em que o Jara ganhou a bola na esquerda, soltou-a para a corrida do Gaitán, e depois o pé esquerdo do nosso criativo enviou a bola teleguiada para a entrada do Salvio, de cabeça, do lado oposto, fazendo a bola entrar junto à base do poste. Uma jogada bonita e uma finalização muito boa. Este segundo golo confirmava a superioridade do Benfica no jogo e deixou o Paços praticamente entregue ao seu destino, já que continuou a ser incapaz de criar qualquer ocasião de golo - apenas em remates de longe, na marcação de livres pelo Sérgio Oliveira, conseguia tentar alvejar a nossa baliza. Até final ficou a ideia de que com um pouco mais de acerto e calma na altura da decisão até poderíamos ter marcado mais um golo, já que o Paços, na tentiva pouco eficaz de pressionar no ataque, ficou mais desorganizado atrás e passou a conceder mais espaços para explorarmos o contra-ataque. Mas creio que isso seria um castigo demasiado pesado para este Paços, que me pareceu uma equipa bem organizada durante uma boa parte do jogo. Mantenho uma boa opinião sobre o Paulo Fonseca como treinador, e duvido que o Paços passe pelas mesmas aflições que passou a época passada.

 

 

Para mim o homem do jogo foi o Gaitán. É dele que espero os rasgos de criatividade e as acelerações que decidem jogos. Quando a bola lhe chega aos pés antecipo sempre algo especial, e ele correspondeu com as assistências para os dois golos do jogo. Gostei também das exibições do Maxi, Salvio e Amorim. Menção também para o Artur, que com ou sem confiança, com ou sem simpatia por parte dos adeptos, cumpriu quando foi chamado e foi novamente decisivo. O Talisca ainda não me convenceu. A qualidade existe, mas parece-me jogar ainda com um ritmo e intensidade desadequados para o nosso estilo de jogo, e muitas vezes parece até travá-lo. Posicionalmente, sentiu dificuldades quando foi obrigado a recuar no terreno após a saída do Enzo, e o 'raspanete' que levou do Luisão após um lance em que um adversário apareceu completamente sozinho a receber a bola numa zona que seria supostamente sua foi plenamente justificado. O Jardel será provavelmente uma aposta do nosso treinador para esta época, e se isso se confirmar espero que seja um pouco mais expedito a jogar simples quando a situação a isso obriga. Continuo a achar que em algumas situações arrisca demasiado ao tentar sair a jogar, e isso poderá vir a causar sérios dissabores.

 

 

Foi importante iniciar o campeonato com uma vitória, e assim permitir que se continue a trabalhar na formação e entrosamento de uma equipa para atacar os objectivos desta época sem estarmos sujeitos à enorme pressão negativa que outro resultado provocaria - o exemplo do que se passou depois dos maus resultados nos jogos de preparação é suficiente para ter uma ideia do que um mau resultado num jogo 'a sério' poderia causar. O jogo de hoje voltou também a mostrar (e não me parece que tenhamos grandes dúvidas sobre isso) que muitas das nossas probabilidades de sucesso passarão pelos pés de jogadores como o Luisão, Enzo (mesmo que hoje tenha estado apagado). Gaitán ou Salvio. Tendo em conta que nesta altura se continua a falar com alguma insistência nas saídas de três destes jogadores, acho que só mesmo quando chegar o dia 1 de Setembro é que poderei ficar mais descansado (ou não).

por D`Arcy às 01:18 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 11.08.14

Escassa

Não sei se já consegui acalmar suficientemente a irritação que senti a ver este jogo para estar a escrever muito sobre ele. Fica o mais importante, que foi a conquista da Supertaça, e a confirmação do Benfica como o actual detentor de todos os quatro principais troféus domésticos, facto inédito no futebol português.

 

 

A irritação que senti ao ver este jogo deve-se ao facto de achar que uma vitória nos penáltis foi demasiado escassa e injusta para a produção do Benfica no mesmo. Com os regressos de jogadores fulcrais como o Luisão e o Enzo, o Benfica foi bem diferente para melhor daquilo que tinha mostrado nos jogos da pré-época. Fiquei algo surpreendido com a aposta no Talisca para jogar nas costas do avançado, mas durante a primeira parte vimos o melhor Benfica desde que regressámos ao trabalho. O maior lamento foi mesmo a falta de eficácia na finalização, o que fez com que saíssemos para intervalo com um nulo no marcador incrivelmente lisonjeiro para o Rio Ave, cuja produção ofensiva foi praticamente nula e pode agradecer ao Artur o facto de ter conseguido criar alguma sensação de perigo por uma vez. A segunda parte foi mais do mesmo, com o Benfica sempre muito por cima no jogo (a posse de bola raramente se afastou muito dos 70%), embora a conseguirmos criar menos ocasiões flagrantes de golo. O discernimento também foi faltando, até porque o ritmo de jogo ainda não será naturalmente o melhor, mas mais uma vez fizemos mais do que o suficiente para merecermos conquistar o troféu no tempo regulamentar.

 

 

Durante o injusto prolongamento que fomos obrigados a disputar notou-se muito a progressiva falta de pernas dos nossos jogadores, que no entanto nunca deixaram de tentar chegar ao golo que evitasse a lotaria dos penáltis, tendo lutado até a exaustão. Mas quase quarenta remates feitos não foram suficientes para marcar um golo que fosse, quer por inspiração do guarda-redes e defesas do Rio Ave, quer por falta de pontaria ou inspiração dos nossos jogadores, a verdade é que o jogo se foi arrastando teimosamente para o o risco daquilo que seria uma injustiça tremenda, a exemplo do que aconteceu na final da Liga Europa. O Rio Ave, esse, parecia satisfeitíssimo com a perspectiva de levar o jogo para essa lotaria e tudo fez ao seu alcance para que isso acontecesse. E podia até ter tido um prémio mais injusto já muito perto do final, quando mais um disparate do Artur, no seguimento de um pontapé de canto, quase resultou em golo já que o Jardel, de forma atabalhoada, acabou por chutar a bola contra a barra da nossa baliza. Chegada a tal lotaria, o Artur, que tinha sido o pior jogador do Benfica durante o jogo, teve a oportunidade de se redimir e acabou por ser o herói, defendendo três penáltis.

 

 

Não é que fosse necessário qualquer tipo de esclarecimento, mas depois do jogo de hoje terá ficado bem claro o peso que o Enzo e o Gaitán têm no nosso jogo, e o enorme rombo nas nossas ambições para esta época que poderá significar a perda de qualquer um deles. O regresso do Luisão (e do Jardel) deu logo muito mais solidez à nossa defesa, que praticamente apenas nos deslizes do Artur passou por alguma situação mais complicada - gostei de ver o Eliseu jogar. Por falar no Artur (que, repito, foi o pior jogador do Benfica esta noite), espero que a proeza de ter defendido três penáltis sirva para lhe devolver a confiança de que parece andar tão em falta. Não sei se vamos conseguir contratar mais algum guarda-redes ou não, mas é importante termos o Artur a num bom nível, e o que ele mostrou nos últimos jogos tinha sido mau demais. Parece-me também que a necessidade de um avançado ficou clara, já que estivemos mal na finalização e em diversas alturas fiquei com a sensação de que houve falta de presença na área adversária.

 

Apesar de apenas ter ficado decidida na lotaria dos penáltis, a mais do que justa conquista da Supertaça pode ter sido muito importante no lançamento de uma época em que todos desejamos conseguir defender os títulos conquistados há poucos meses atrás. Independentemente da enorme superioridade do Benfica durante os cento e vinte minutos do jogo em Aveiro, não custa nada imaginar o vendaval de críticas que se abateriam sobre a equipa caso a vitória nos fugisse. Assim, ganhamos um pouco de fôlego para a semana que antecede o início da Liga (e seria muito bom contrariar a péssima tendência dos últimos anos, começando a competição com uma vitória), e os nossos jogadores recebem uma injecção de confiança para ajudar a esquecer a má imagem deixada nos jogos de preparação.

por D`Arcy às 00:56 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Domingo, 10.08.14

Viva o Benfica!

Hoje era a sério. Hoje fizemos algo de inédito no futebol português: conquistámos tudo o que havia para ganhar (Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça).

 

Hoje e sempre, nos bons e nos maus momentos, viva o Benfica!

 

 

por Pedro F. Ferreira às 23:41 | link do post
Sábado, 09.08.14

Ainda a pré-época

O assunto é incontornável, a pré-época do Benfica passou a ser assunto de falatório nacional. Como todo o benfiquista minimamente consciente, tenho a noção de que nos jogos de pré-época não se ganham pontos, nem competições daquelas que nos fazem festejar. Ou seja, tenho a noção de que a pré-época é exactamente o tempo de experimentar possibilidades, identificar problemas e criar condições para entrar na “época” com as melhores soluções para alcançar os objectivos. Ainda assim, como todo o benfiquista minimamente consciente, é impossível não ter ficado preocupado com algumas das situações (e as situações ultrapassam os resultados) que fomos testemunhando. Não me preocupam as saídas de futebolistas que se assumiram como importantes nas brilhantes conquistas da época passada. As minhas preocupações derivam do valor ainda duvidoso de muitos dos reforços que vieram com o intuito de suprir as lacunas dos tais excelentes futebolistas que saíram. É neste deve e haver que se vão construindo expectativas mais ou menos optimistas para o futuro. O tempo urge e o que nós benfiquistas exigimos é, no imediato, a conquista de uma Supertaça que possa servir de ignição para um bi-campeonato que não se pode adiar, sob o risco de estarmos a adiar a consolidação do Benfica como líder do futebol nacional. Esta preocupação é, no entanto, bastante atenuada pelas competências de gestão do Clube, orientação e treino do plantel, e capacidade de deteção de talentos que já testemunhámos nos profissionais do Benfica. Fica uma nota final sobre esta pré-época para agradecer ao Cardozo as quase duas centenas de vezes que me fez festejar golos do Benfica. Soube-se construir na História do Glorioso.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Gosto, para publicação na edição de 08/08/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

por Pedro F. Ferreira às 14:56 | link do post
Segunda-feira, 04.08.14

Obrigado, Cardozo!

 

Meu caro Óscar,

 

Era inevitável, mas hoje é um dia muito triste para mim. Obviamente sabia que qualquer dia terias de sair do Benfica, talvez esta até tenha sido a melhor altura, já que estarás certamente consciente que, depois da grave lesão da época passada, nunca mais foste o mesmo e nem nós nem tu queríamos que a última imagem fosse menos positiva. Mas como um adepto de futebol age mais com o coração do que com a cabeça, secretamente eu ainda tinha a esperança que voltasses a ser o que sempre foste e via em cada toque teu bem conseguido, e cada tabelinha que entrava nesta pré-época, um sinal de que estavas a subir de forma. No entanto, vieram os turcos com uma boa proposta para ti e não seria justo cortarmos-te as pernas nesta fase da tua carreira.

 

Serve este post para te dizer, em meu nome e de todos os benfiquistas que não deixam o cérebro em casa quando vão ao estádio, e portanto sempre te admiraram, MUITO OBRIGADO por tudo o que fizeste no Glorioso. 171 golos em 293 jogos só não impressionam pessoas com acentuada deficiência cognitiva e que portanto acham que o mais importante do futebol não é… meter a bola na baliza! É que eu não tenho problemas nenhuns em confessar uma fraqueza minha: gosto de jogadores que… marquem golos com regularidade! Tens o teu lugar mais que assegurado na história do nosso clube (o melhor marcador estrangeiro de sempre, o segundo melhor marcador nas competições europeias – só atrás do teu ídolo Eusébio -, o nono melhor marcador de sempre), mas mais do que isso tiveste ao longo do tempo grandes demonstrações de que te tornaste benfiquista e que sentes muito o Glorioso (basta recordar como te comportaste no funeral do Eusébio). Por tudo isso, e como todos os adeptos têm uma predilecção especial por este ou aquele jogador, eu festejava os teus golos ainda com mais alegria (seguindo o que fazia com os golos do Manniche, Magnusson, João Pinto, Rui Costa ou Nuno Gomes). É que eram golos do Benfica e DE Benfica!

 

Tenho imensa pena que não tenhas tido oportunidade de te despedir de nós durante um jogo na Luz (pecha de que igualmente sofreram o Nuno Gomes e o Aimar, por exemplo), porque tu e nós merecíamo-lo. Gostaria de ter podido entoar o teu cântico uma última vez contigo a assistir. Não foi possível, mas espero que um dia destes voltes para nos visitar e tenhas a possibilidade de ir ao relvado antes de um jogo para te saudarmos uma última vez. Desejo-te imensas felicidade na Turquia e mais uma vez expresso-te o nosso AGRADECIMENTO eterno.

 

Até sempre, Tacuara! Serás sempre o Maior!

 

P.S. – Só a falta de sensibilidade materna para uma belíssima homenagem impediu que o meu filho mais novo se chamasse Óscar. Situação de que ainda hoje me arrependo, já que um dia depois de ele ter nascido, tu lembraste-te de enfiar três batatas aos lagartos no inolvidável jogo da Taça da época passada. Foi a melhor prenda de boas-vindas que ele poderia ter tido!

por S.L.B. às 23:52 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Domingo, 03.08.14

Pré-época

Terminou hoje a pré-época do Benfica, e deixo aqui algumas opiniões sobre a mesma. O balanço é obviamente muito negativo. Não é que eu tivesse logo à partida grandes expectativas para a mesma (até porque fazê-lo para uma pré-época nem me parece muito lógico), mas o que vi foi ainda pior do que eu esperava. As minhas expectativas eram baixas a partir do momento em que ficou claro que a orientação da direcção do nosso clube foi dar preferência à vertente financeira em relação à desportiva. Se as inúmeras vendas (não colmatadas até agora por aquisições de valor semelhante) não fossem por si só suficientes para concluir isso, os dois jogos na Suíça martelados no meio do calendário, que nos deixaram na confortável situação de disputar quatro jogos no espaço de cinco dias, mais reforçaram essa convicção - não consigo conceber outro motivo para este disparate a não ser o cachet que nos terá sido pago para essa ida à Suíça.

 

Estes jogos de preparação terão sido também afectados pela ausência de alguns jogadores importantes, em particular no centro da defesa. O facto do Sidnei ter sido titular em todos eles (não acredito que fique no plantel) é exemplificativo. A defesa foi um dos piores sectores em todos estes jogos, completamente descoordenada e a conceder golos infantis. Mas independentemente disso, a conclusão óbvia que podemos retirar destes jogos é que a nossa equipa perdeu qualidade em relação à época passada, o que não é espanto nenhum se olharmos aos jogadores que foram vendidos. A situação mais irreparável foi, na minha opinião, a perda do Oblak. Como ficou brutalmente evidente no jogo de hoje (embora não seja surpresa nenhuma) não podemos atacar uma época confiando a baliza ao Artur. Até estaríamos melhor servidos com o Varela ou outro guarda-redes da formação, porque ao menos esses são jovens e têm margem de progressão. O Artur é um jogador formado que já não vai evoluir mais e que, pelo contrário, com o tempo tem vindo a acentuar os defeitos que já tinha. A saída do Siqueira não é das que mais me preocupa, já que fiquei agradado com o Benito e teremos ainda em princípio o Sílvio quando recuperar, embora tenha quase a certeza de que o Eliseu irá ser o eleito porque é um jogador da confiança do treinador. No centro, apesar de obviamente o Garay ser muito difícil de substituir, a época passada o Jardel cumpriu sempre que foi chamado, e o Lisandro seria para mim a escolha óbvia para ocupar o lugar ao lado do Luisão (não consigo perceber que se contemple sequer a possibilidade de novo empréstimo). O César poderá ser um jogador interessante quando se adaptar ao nosso jogo e se for introduzido na equipa de forma gradual, ao lado de um colega mais experiente (nunca ao lado do Sidnei). Não querendo desancar à partida um jogador depois de ver tão pouco dele, ou o Luís Felipe está mesmo muito fora de forma depois de tanto tempo sem jogar, ou então é mais um erro de casting que nada vem acrescentar ao plantel.

 

Na zona central do meio campo tivemos outro problema durante estes jogos. Jogámos sem um verdadeiro '6', e a verdade é que no plantel apenas existe neste momento o Rúben para tentar fazer essa posição enquanto o Fejsa não estiver recuperado. O Talisca é um médio ofensivo e se existe a ideia de o converter a tarefas mais defensivas, isso levará certamente tempo (o Matic levou praticamente uma época inteira). A surpresa pela positiva foi o miúdo João Teixeira. Ainda revela naturais insuficiências pela falta de experiência e comete erros por causa disso, mas mostrou ter potencial e se for possível lançá-lo aos poucos no onze (como foi feito com o André Gomes, por exemplo) parece-me que poderá ser um jogador útil. Nas alas, creio que o Markovic poderá ser substituído pelo Salvio (que até seria em teoria o titular a época passada, já que o sérvio apenas assumiu a titularidade depois da lesão do argentino). Já a substituição do Rodrigo no ataque será outro problema de difícil resolução. Olhando para o plantel, o jogador que me parece ter características mais apropriadas para ocupar o lugar até seria o Bebé, ou eventualmente o Sulejmani. Mas até preferiria a solução de colocarmos o Gaitán a jogar nas costas do avançado.

 

De uma forma resumida, apesar de para mim ser evidente a perda de qualidade do plantel, acredito que existe matéria prima suficiente para montar uma equipa capaz de defender o título. Isto se (e é um enorme 'se') o Enzo e o Gaitán se mantiverem no plantel, e conseguirmos encontrar uma solução para o problema da baliza. Se tal não acontecer, então as perspectivas para esta época serão ainda mais sombrias.

por D`Arcy às 20:58 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sexta-feira, 01.08.14

Lógicas de pré-época

Há uns anos, o Benfica contratou maioritariamente reforços em Espanha e na América Latina. Na opinião publicada dizia-se que não podia ser, que era um balneário que falava espanhol e que, desde a redação da pasquinagem lusa até ao túmulo da Padeira de Aljubarrota, a pátria sofria em agonia o ultraje. Depois, bem recentemente, criticava-se a vinda da “armada sérvia”. Temia-se a balcanização do balneário e gritava-se a plenos pulmões que o Clube, os adeptos, os futebolistas e a Águia Vitória estavam irremediavelmente traumatizados com o final da tal época 2012-13. Pelo meio, zurzia-se a bom zurzir na decisão de Vieira ter mantido Jesus e ainda se antecipava o descalabro pela decisão financeiramente suicida de não vender os principais activos do plantel. Antes que me esqueça, devo lembrar que ainda se apresentava o vizinho SCP como exemplo a seguir, pois apostava inequivocamente na formação.

Os mesmos opinadores, na actual pré-época, não comentam a quantidade de falantes de língua espanhola que legitimamente os nossos rivais do FCP contrataram. Do mesmo modo, deixaram de comentar o facto de o SCP contratar futebolistas estrangeiros e “já feitos” que retiram espaço à tal aposta na formação da casa. Agora, passaram a comentar o facto de no Benfica se contratar muitos brasileiros. Passada a patética conversa sobre a incapacidade de sobreviver ao “trauma”, iniciaram a criação do chavão de que o Benfica desmembrou o plantel e que não será possível a reconstrução. Aproveitam e, pelo caminho, desancam nas vendas e no facto de não se ter feito uma política de não venda de activos. É, enfim, o esplendor das certezas absolutas dos habituais cata-ventos sazonais. Apesar de inúteis, ajudam a dar um tom pitoresco à sensaborona modorra da pré-época.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 28 de Julho, para publicação na edição de 01/08/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 19:38 | link do post
Sábado, 19.07.14

Benfica para além do óbvio

Na contabilidade desta pré-época contabilizámos quantos futebolistas da equipa principal ficam e quantos saem. Especulámos sobre o assunto e alternámos entre o apocalipse e a descontração. Tendemos a esquecer que acabámos de fazer uma época de excelência e o que passou parece ter deixado de entrar na contabilidade. No entanto, nesta contabilidade do que foi a época desportiva do Benfica importa ir um pouco além do óbvio. Importa perceber que há Benfica para além do excelente ‘triplete’ do futebol e que o nosso emblema triunfa num conjunto de actividades que têm tanto de eclético como de estruturantes em termos de formação e garantia de alicerces para o futuro. Há poucos dias tivemos dois atletas medalhados nos Europeus de Canoagem. A medalha de ouro de João Ribeiro e o bronze de Teresa Portela terão obrigatoriamente de ser motivo de orgulho e realce. Terão obrigatoriamente de entrar no ‘deve e haver’ do sentir benfiquista. No atletismo, a hegemonia de conseguirmos excelentes resultados (títulos!) na formação (juvenis, juniores e sub-23) deve significar mais do que uma nota de rodapé nas conversas entre benfiquistas. Diga-se que, na formação, o nosso Benfica obteve 28 títulos: 12 no atletismo; 5 no Hóquei em Patins; 4 no Futsal; 3 no Basquetebol; 3 no Voleibol; 1 no Andebol. Cada um destes títulos tem o nosso nome, o nosso símbolo, o esforço de muitos atletas, treinadores e dirigentes. Cada um destes títulos é sinal de esperança num futuro eclético de um Benfica que, sendo na essência futebol, é muito mais do que apenas futebol. Cada um destes títulos deve, obrigatoriamente, entrar na contabilidade de uma época brilhante e que mais brilho tem se soubermos ver o Benfica para além do óbvio.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 14 de Julho, para publicação na edição de 18/07/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:48 | link do post
Sábado, 12.07.14

Lições de benfiquismo

Oiço, recorrentemente, amigos benfiquistas esgrimirem opiniões contrárias (e a diferença civilizada de opiniões é de supina importância para o nosso Benfica) sobre a vida passada, presente e futura do Glorioso. Muitas das vezes a argumentação termina com aquela espécie de sentença categórica e irrefutável de que “ninguém me dá lições de benfiquismo”. Quantas vezes não disse eu isso? Quantas vezes (ainda que o não admitindo) já aprendi algo sobre o benfiquismo, ouvindo e vendo o benfiquismo alheio? Há benfiquistas que pela sua paixão, razão, vivência, experiência, saber ou entrega nos dão lições de benfiquismo. Sempre que no passado vi um benfiquista ser alvo de injustiças cometidas por alguém com passageiro poder dentro Benfica e, em nome do Benfica, calar a revolta e a razão, não as tornando públicas, vi uma lição de benfiquismo. Sempre que vi um dirigente abdicar da sua vida pessoal / familiar para servir abnegada e incondicionalmente o Benfica, vi uma outra lição de benfiquismo. Sempre que vejo um avô emocionado por poder levar o neto à Luz, vejo a lição do benfiquismo assente no passar do testemunho. Esta última lição de benfiquismo é, de todas, a mais importante, porque garante uma renovação do benfiquismo com memória. De todos os benfiquistas, são exactamente os benfiquistas com memória que mais lições têm para dar. Há benfiquistas como Arons de Carvalho, Alberto Miguéns, Manuel Seabra, Ricardo Palacin, Luís Fialho, Rui Costa, João Paulo Guerra, José Jorge Letria, Luís Filipe Vieira, Manuel dos Santos, Ricardo Araújo Pereira, António Melo e tantos outros mais ou menos anónimos que, directa ou indirectamente, me deram lições de benfiquismo. Resta-me apenas agradecer-lhes. No entanto, continuarei convicto a insistir que, tal como a todos os outros benfiquistas, “ninguém me dá lições de benfiquismo”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Julho, para publicação na edição de 11/07/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:43 | link do post
Quarta-feira, 25.06.14

Ronaldo e os outros

Dizia um jornalista português, num órgão de comunicação social público português, aquando da chegada da selecção da Federação Portuguesa de Futebol a Manaus, que se avistava o autocarro da selecção onde vinha «o melhor do mundo e os outros». Nas conferências de imprensa, noventa por cento das perguntas colocadas aos “outros” eram sobre o “melhor do mundo”, os outros dez por cento questionavam a preparação (aparentemente deficiente) da selecção para a temperatura e a humidade. Ou seja, antes do Mundial começar, a comunicação social comentava a cilindrada dos automóveis dos futebolistas, os penteados, as barbas, as ‘selfies’, os bonés, as cores das chuteiras, os litros de vinho do Porto e os quilos de bacalhau. Durante o estágio, interessavam-se pela cor e decoração dos quartos de hotel, pelo emparelhamento dos jogadores, pelo que publicavam nas redes sociais e pela quantidade de adolescentes histéricas que invadiam treinos. Depois chegou o futebol e chegaram os maus resultados. Quando se falou de futebol, insucessos, responsabilidades e soluções, toda a comitiva portuguesa se insurgiu contra as perguntas inconvenientes dos jornalistas. Alguns, muitos, demasiados atletas saíram de campo com lesões musculares (um pormenor de que não interessa falar), CR7 saiu chateadinho dos jogos e sem cumprimentar / agradecer ao público, e o selecionador enviou recados e ameaças veladas para os malandros que, em Portugal, questionavam competências e qualidades da selecção. No momento de apurar responsabilidades, continuamos a ver a diferença entre “o melhor do mundo e os outros”: os outros são responsabilizados, o melhor do mundo tem as ronaldetes na imprensa lusa sempre prontas a separá-lo dos outros, dos da equipa que capitaneia…

por Pedro F. Ferreira às 10:35 | link do post
Sexta-feira, 13.06.14

O que os faz correr

Sabemo-lo, porque ninguém se preocupou em escondê-lo, que a Liga de Clubes foi esvaziada de poderes. Tudo, a seu tempo e de forma obscenamente às claras, foi passado para o feudo da Federação Portuguesa de Futebol. Mesmo em termos disciplinares, a Liga ficou com uma pífia Comissão de Instruções e Inquéritos assente numa alínea a) que lhe garante o poder de “instaurar processos disciplinares ou de inquérito, por iniciativa própria ou na sequência de participação”. Uma alínea que serve apenas para que a FPF dela escarneça, fazendo publicamente tábua-rasa dos inquéritos dela emanados. Ou seja, a Liga foi esvaziada, mas não ficou vazia. Nas últimas semanas foi ver como muitos (tantos e tão fracos) se juntaram, separaram, conluiaram, traíram, conspiraram e envergonharam o futebol numa ânsia de cadeiras e microfones (como diria o poeta Jorge de Sena). Afinal, parece que naquele osso bem rapado da Liga sobra ainda um belo naco de carne que vale tanto como todo o resto de carne que a FPF já de lá comeu. Os chacais prepararam-se para filar o naco que respeita aos direitos televisivos do futebol português. E foi em torno destes direitos que tantos jogaram xadrez, escolhendo equipas para jogar num tabuleiro há muito dominado pela oligarquia que atirou o futebol português para isto, esta coisa em forma de interesses privados que se aproveita da coisa pública. A luta em torno dos direitos televisivos é a luta em torno do dinheiro e do poder. Manter os direitos televisivos como um feudo privado dos mesmos que durante anos influenciaram campeonatos, escolheram presidentes da Federação e selecionadores é ajudar a perpetuar um poder bafiento e ultrapassado. Garantir que os direitos televisivos ficam fora da alçada desta gente é a única esperança de que o futebol português possa voltar a ser algo de digno.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Junho, para publicação na edição de 13/06/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:01 | link do post
Sexta-feira, 30.05.14

Da Liga

Neste período de uma pós-época que ainda está longe do começo da pré-época, prepara-se a construção de plantéis e equipas técnicas nos diferentes clubes. É um período de renovação da esperança para os mais optimistas e, simultaneamente, uma época de desassossego e ansiedade para os adeptos mais pessimistas. No entanto, independentemente de feitios e estados de espírito, é um período em que os adeptos vivem na expectativa de que algo mude para melhor nos seus respectivos clubes. Ainda assim, há neste período algo de preocupante e que deveria preocupar quem dirige o futebol português. Avizinha-se uma luta eleitoral pela cadeira de Presidente da Liga de Clubes e de entre todas (e sublinho que são mesmo todas) as candidaturas apresentadas não há nenhuma em quem os adeptos confiem (falo do adepto comum, que paga bilhete e consome informação sobre futebol). Desconfiamos dos interesses que estão a montante das boas intenções que nos são prometidas a jusante. E esta desconfiança é transversal aos adeptos de todos os clubes. Ou seja, preparam-se os 'donos' da bola para entregar mais uma vez um órgão de poder a alguém em quem os consumidores do espectáculo (no sentido amplo do termo) não confiam. Isto é um facto, independentemente da cegueira que os dirigentes tenham ou não para o encarar.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Maio, para publicação na edição de 30/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:48 | link do post
Quinta-feira, 29.05.14

Parvo

Alguém devia explicar ao presidente do sportém o significado de 'ironia'.

Por exemplo, dizer que alguém lhe telefonou e afirmou que o seu melhor reforço eram as nomeações para passados alguns meses (depois de desmascarado) dizer que afinal ele não telefonou nada, não é ironia. É ser simplesmente mentiroso. Ou parvo. Ou as duas coisas.

Ironia seria, por exemplo, ele dizer que o sportém é o maior clube português. Não, pensando melhor, seria igualmente parvo e mentiroso.

por D`Arcy às 00:45 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 26.05.14

"Memória Gloriosa"

Em tempo de defeso clubístico (este particularmente feliz), nada melhor do que ir lavando os olhos no blog Memória Gloriosa que o nosso amigo Bakero em boa hora resolveu ressuscitar. Agora, é só não o deixar morrer outra vez, porque serviço público como este tem que estar sempre a ser actualizado. Ouviste, Bakero?! :-)

por S.L.B. às 16:53 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 23.05.14

Do sabor da vitória

Vencer, no Benfica, sabe a Benfica. Ou seja, sabe bem, sabe a justiça, a sofrimento e a prémio. Sabe, ainda, a Mística e a História. Por fim, vencer, no Benfica, sabe a futuro. Estas três vitórias nacionais [mais aquela outra da Liga Europa que um árbitro alemão na final, um inglês na meia-final e bastante desacerto na finalização conseguiram evitar] trazem com elas a justiça aos méritos de uma equipa técnica de excelência que no final da época passada foi crucificada na imprensa, no estádio e nas redes sociais (local por excelência em que se assiste ao esplendor da legitimação da imbecilidade) por muitos dos que agora os louvam, esquecendo-se de que já se preparavam para jogar aos dados a túnica do crucificado. Esta vitória sabe, e de que maneira, ao sofrimento dos que diariamente trabalharam mais do que todos os outros para que a máxima latina “ad augusta per angusta” se pudesse realizar no presente. De entre estes, à cabeça está Luís Filipe Vieira. Sabe a Mística, porque a Mística do Benfica é feita de vitórias honradas, limpas e sem a mácula de sabujos que garantem vitórias em troco de viagens ao Brasil, conselhos matrimoniais e prostitutas baratas em lupanares frequentados pelos agora profissionais da arbitragem. Esta vitória sabe, essencialmente, a futuro, na medida em que só faz verdadeiramente sentido se for potenciada como alicerce das vitórias futuras. Quando vemos jovens adeptos a dizer de viva voz que este Benfica é aquele de quem os pais e avós lhe narram façanhas épicas do passado, devemos perceber que é essencial que estes jovens possam no futuro ser testemunho vivo de muitas jornadas de glória como a que vivemos este ano. O resto é o agradável sabor de discutir entre benfiquistas se esta época é de cariz épico ou de cariz bíblico.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Maio, para publicação na edição de 23/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 10:00 | link do post
Terça-feira, 20.05.14

Época 2013 /2014

(clicar na imagem para aumentar)

 

 

Gosto de assistir à discussão de se esta foi uma época boa, óptima ou excelente. Diverte-me.

por Pedro F. Ferreira às 19:17 | link do post
Segunda-feira, 19.05.14

Tripleta

Foi difícil, bem mais difícil do que se calhar se esperaria. Mas após o sofrimento o jogo teve um final feliz, e o Benfica pôde celebrar a conquista da sua vigésima-quinta Taça de Portugal, recuperando um troféu que nos fugia há dez anos. A conquista significou ainda a nossa décima 'dobradinha', o que já não acontecia desde a longínqua época de 1986/87 (ainda me lembro bem dela, e dos dois golos com que o 'Diamante' abateu o Sporting no Jamor), e ainda uma inédita tripleta, que ainda não havia sido conquistado desde que existe a Taça da Liga.

 

 

O jogo teve duas partes muito distintas. Na primeira o Benfica, que teve o Enzo e o Salvio de regresso mas não viu o Siqueira recuperar a tempo de jogar, foi claramente superior. O Rio Ave optou por uma estratégia de contenção pura, sem ter sequer um ponta-de-lança em campo, e o Benfica dominou como quis, com uma posse de bola esmagadora e o jogo a disputar-se quase todo no meio campo do Rio Ave. Chegámos à vantagem num belíssimo golo do Gaitán, que mesmo à entrada da área controlou a bola e num pouco usual remate de pé direito levou a bola a entrar imparável junto ao ângulo. Poderíamos até ter ampliado a vantagem e estivemos perto de o fazer num cabeceamento do Garay, que só precisava ter desviado a bola um pouco mais do guarda-redes. Na segunda parte o Rio Ave entrou mais forte e pressionante, enquanto que a nossa equipa deu o estouro fisicamente. Os primeiros minutos foram complicados, depois conseguimos sacudir um pouco a pressão, mas à medida que o jogo ia caminhando para o final o objectivo passou mesmo a ser aguentar o resultado, já que não conseguimos responder muitas vezes aos ataques do Rio Ave (lembro-me apenas de uma grande ocasião do Markovic). Passámos por alguns sustos (levámos com uma bola no poste), mas o espírito de sacrifício e entreajuda dos nossos jogadores e intervenções do nosso fantástico guarda-redes impediram males maiores e deram-nos o direito a festejar com o apito final.

 

 

Nos jogadores, destaque óbvio para o Oblak - às vezes é fácil esquecer que tem apenas vinte e um anos. Temos aqui um guarda-redes para muitos e longos anos, se não no-lo vierem buscar entretanto. Bom jogo da dupla de centrais e do Maxi.

 

 

Depois da tempestade que foi o final da época passada, que se arrastou para o início desta, era difícil prever que este fosse o resultado final. Acabou por ser uma das melhores épocas da história do Benfica, e só não foi ainda mais memorável por termos falhado a conquista da Liga Europa da forma que sabemos. Estas conquistas são acima de tudo o resultado da crença no trabalho desenvolvido até aqui e na viabilidade de um projecto para o futebol. Quem lê o que eu escrevo aqui sabe bem que mesmo nos piores momentos do final da época passada defendi a continuidade do Jorge Jesus. Para mim, sempre foi uma questão meramente racional: quando se falham objectivos por meros pormenores, parece-me mais lógico trabalhar para corrigir esses pormenores que falharam do que deitar tudo abaixo e recomeçar do zero. Fico satisfeito pelo facto dos resultados terem recompensado quem se atreveu a decidir por essa via e não pela previsivelmente mais fácil via populista.

 

 

O final do jogo de hoje não significa que o trabalho esteja terminado. Pelo contrário, espera-nos ainda mais trabalho para a próxima época. Porque se a exigência no Benfica já de si é alta, depois de uma época destas aumenta ainda mais. Não queremos que se repita 2010/11, em que depois de sermos campeões na época anterior perdemos tudo. É fundamental mantermos a nossa posição de supremacia no futebol português, continuando a vencer jogos e a conquistar troféus. E para isso seria importante tentar manter o máximo possível desta equipa - é que confesso que há muito, muito tempo que não tinha a sensação de termos um grupo tão unido como o que vi esta época, e isto foi para mim uma das principais chaves do sucesso.

por D`Arcy às 00:44 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Sexta-feira, 16.05.14

Dos fantasmas

“Fantasmas é não chegar à final! Fantasmas!? Deixem-se dessas tretas.” Estas foram as palavras de Jorge Jesus quando, em momento de vitória do Benfica, foi confrontado pela enésima vez com os resultados das finais e momentos decisivos da época transacta. Estas foram as palavras que tantas e tantas vezes me apeteceu que fossem ditas pelos dirigentes / futebolistas / treinadores do Benfica sempre que foram confrontados com o “trauma”  e os “fantasmas” da época passada. Se há coisa para a qual já não há paciência é para essa conversa ‘ad nauseam’ por parte de jornalistas e comentadores do futebol português. Diga-se, aliás, que esta ladainha carpideira permanente de recordar constantemente o momento da derrota passada e acentuá-lo no momento da vitória presente diz muito mais sobre as fraquezas do comentador do que sobre a força do comentado. Se Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira enfermassem dessa lusitana tendência para a lamentação doentia e mesquinha, estaria ainda hoje o Benfica enterrado nessa espécie de fado do desgraçadinho de que tanto parecem gostar os apocalípticos com espaço e voz na comunicação social. Cheguei a ver num canal televisivo, 48 horas após a conquista do campeonato, um balanço do mesmo em que a primeira meia hora foi passada a dissecar o… pior momento da época. A meia hora seguinte foi para recordar os momentos finais (os tais “fantasmas”) da época passada e sobrou meia hora para perorar sobre as dificuldades que o Benfica terá no futuro em repetir as vitórias do presente. Amanhã (escrevo esta crónica antes da final da Liga Europa) estarei em Turim, com o Benfica, sabendo que, independentemente do resultado, no final do jogo seremos Benfica, sem traumas, sem fantasmas e sem tretas. Essas ficam para os comentadores.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Maio, para publicação na edição de 16/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 14:06 | link do post
Quarta-feira, 14.05.14

Injustiça

 

E para não variar, perdemos. Fomos a equipa que mais quis vencer o jogo, fomos aquela que mais o tentou fazer, mas apanhámos pela frente uma equipa que passou o jogo quase todo a defender e a jogar para os penáltis. Depois, como o futebol é tantas vezes injusto, é recompensada nessa lotaria. Podemos queixar-nos dos jogadores indisponíveis, do azar (temos dois extremos suspensos e logo nos primeiros minutos vemos outro sair lesionado), do árbitro que não quis marcar nenhum dos penáltis durante o jogo e que deixou o Beto defender um quando estava uns dois metros adiantado, mas acima de tudo a queixa maior é de nós próprios. Pela primeira parte fraca, pelas oportunidades desperdiçadas, ou até mesmo pela incompreensível escolha do Cardozo (falha sempre penáltis decisivos) ou do Rodrigo (que eu me lembre, falhou todos os penáltis que eu o vi marcar) para marcar penáltis.

Vitórias morais destas não servem de nada, nem me sabem a nada. Aprecio o esforço da nossa equipa, o facto de terem conseguido ser claramente a melhor equipa em campo apesar de todas as contrariedades, mas o que me deixa mais triste não é tanto perder, mas sim perder assim. Jogar duas finais seguidas, ser a melhor equipa dentro de campo em ambas, e não ganhar nenhuma é injustiça a mais.

Enfim, há que recuperar, que no próximo domingo temos uma dobradinha que nos escapa há muitos anos para tentar conquistar. Com a equipa toda.

por D`Arcy às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (84)
Sábado, 10.05.14

Digna

 

Steven Vitória, João Cancelo, Victor Lindelöf e Bernardo Silva. São estes os nomes dos mais novos campeões nacionais pelo Benfica e foi o que mais me interessou neste jogo que encerrou o campeonato, no qual o Porto até precisou da ajuda de um seu adepto - que por acaso andava por ali dentro do campo com um apito - para levar de vencida uma muito secundária equipa do Benfica, onde apenas Enzo e Salvio se podem considerar titulares habituais (o Markovic entrou a meia hora do final).

 

O Porto entrou melhor e marcou cedo, num remate cruzado do Ricardo. A nossa equipa ainda demorou algum tempo a acalmar e a conseguir jogar precisamente como equipa, já que na fase inicial os jogadores pareciam demasiado desgarrados e optavam muito por iniciativas individuais. Um penálti claro cometido pelo Reyes (cada vez gosto mais deste tipo) sobre o Salvio permitiu ao Enzo empatar, mas sabemos bem que o 'pecado' de assinalar um penálti no Porto contra a equipa da casa tem que ser rapidamente compensado, por isso foi só esperar que algum jogador do Porto se deixasse cair dentro da nossa área. Foi o Jackson, que se encostou ao André Almeida e teve uma súbita fraqueza nas pernas, sendo depois recompensado com a marcação do respectivo penálti. Na segunda parte jogámos de forma bem mais organizada e unida, e até poderíamos ter chegado ao empate (o Djuricic meteu uma bola na barra). No cômputo geral fiquei satisfeito com a equipa, que nos representou de forma digna tendo em conta os condicionamentos para este jogo.


As opções tomadas foram as esperadas e perfeitamente lógicas. A nossa equipa bateu-se bem e provavelmente, sem uma arbitragem que deixaria um Calheiros orgulhoso, até poderíamos ter saído do Porto com outro resultado. Parabéns a todos os que jogaram, e em especial aos jovens que se estrearam hoje no campeonato nacional pelo Benfica. Agora, é tempo de pensar e preparar Turim.

por D`Arcy às 19:56 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Sexta-feira, 09.05.14

Dos Sócios

Ser sócio do Benfica não é, obrigatoriamente, um atestado de amor ao Clube (muitos dos mais acérrimos benfiquistas que conheci não eram sócios). É, antes, oficializar uma relação de amor. É neste momento de euforia pelo presente e optimismo no futuro que surge uma interessante campanha de captação de novos sócios para o Benfica. O amor incondicional, a generosidade dos benfiquistas, o apelo do benfiquismo e a missão de ajudar o Benfica a crescer é, certamente, um desígnio a que saberemos responder. Como sócios, participamos mais activamente na vida do Clube e ganhamos uma legitimidade extra para podermos ser exigentes para com os profissionais que servem o Benfica. Como sócios, pedimos aos profissionais do Benfica que sejam competentes no seu espírito de missão, na mesma medida em que os profissionais pedem aos legitimamente amadores (aos que amam) que participem, apoiando, na vida do Clube. Assim, é essencial que os profissionais que servem de apoio aos sócios acompanhem os excelentes níveis de desempenho que observamos nos outros sectores do Clube e que não repitam demonstrações de amadorismo como as que testemunhámos na organização da venda de bilhetes para a Final da Liga Europa. É nesta exigente e apaixonante relação de pertencer ao que nos pertence que se vive o Clube. É nesta medida que se percebe a mensagem repetida e vivida permanentemente pelo presidente Luís Filipe Vieira de que o Benfica é dos benfiquistas e de que são os sócios a pedra angular do nosso Clube. Nesta cultura benfiquista de nos darmos na medida do que pedimos, chegaremos aos trezentos mil sócios, numa demonstração ímpar de oficialização do amor pelo Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Maio, para publicação na edição de 09/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 14:58 | link do post
Quinta-feira, 08.05.14

Inquestionável

A primeira final está ganha. Uma vitória inquestionável da nossa equipa esta noite deu-nos o segundo troféu da época, sendo que o a vantagem de dois golos se calhar até peca por escassa, já que o Rio Ave pode agradecer à inspiração do seu guarda-redes (e à má finalização dos nossos jogadores) o facto de ter conseguido manter-se no jogo até bem perto do final.

 

 

 

O Benfica entrou obviamente em campo com o mais forte onze disponível, no qual o Rúben Amorim ocupou a posição seis, pois o Fejsa continua lesionado. O treinador do Rio Ave tinha dito antes do jogo que sabia como e onde magoar o Benfica, e a estratégia dele talvez tenha sido tentar surpreender-nos com uma entrada forte e agressiva. E de certa forma conseguiu-o, pois o Rio Ave entrou muito bem no jogo e durante a fase inicial da partida foi a equipa mais perigosa. Exploraram bem o espaço nas costas da nossa defesa (em particular o nosso lado esquerdo) e os males só não foram maiores porque o Oblak, com uma grande defesa a um remate do isolado Pedro Santos, evitou o golo do Rio Ave logo aos cinco minutos. Aos poucos o Benfica foi assentando o seu jogo e empurrando o Rio Ave para trás, passando a ter cada vez mais bola e a levar o jogo a disputar-se maioritariamente no meio campo adversário. Os remates começaram a surgir, as ocasiões de perigo também, e o atrevimento inicial do Rio Ave acabou por esfumar-se, com o Benfica a terminar a primeira parte já claramente por cima no jogo. Foi já perto do intervalo que demos expressão no marcador a essa superioridade. No seguimento de um canto do Gaitán (depois de uma grande defesa do Ventura a um remate do Rodrigo, na conclusão de uma bonita jogada de ataque da nossa equipa), o Rúben ganhou a bola de cabeça no centro da área e enviou-a para o Rodrigo, que na zona do segundo poste a controlou e rematou rasteiro para o fundo das redes.

 

 

A segunda parte foi a continuação do final da primeira, mas de forma ainda mais evidente. O Rio Ave praticamente desapareceu do jogo, e o Oblak foi quase um espectador privilegiado. Só mesmo o desacerto dos nossos jogadores quer na finalização, quer na altura do último passe, aliados à inspiração do guarda-redes Ventura, foram mantendo alguma dose de incerteza no resultado. O Benfica, controlou e dominou o jogo como quis, e os meus nervos iam aumentando à medida que via o tempo passar e o segundo golo a não aparecer. Foi especialmente escandaloso o falhanço do Gaitán, que depois de uma bola recuperada pelo Maxi ainda no meio campo adversário viu-se isolado em frente ao guarda-redes, com todo o tempo e espaço para marcar, mas acabou por permitir que o seu remate fosse defendido pelo Ventura. Da parte do Rio Ave, já nem contra-ataques existiam, e qualquer iniciativa morria na melhor das hipóteses à entrada do nosso meio campo, quando não era logo perto da sua área. Foi preciso esperarmos até faltarem apenas doze minutos para os noventa para que acabassem quaisquer dúvidas sobre o vencedor. No melhor pano cai a nódoa, e depois da boa exibição que estava a fazer o guarda-redes do Rio Ave decidiu sair até bem longe da sua baliza para disputar uma bola aérea vinda de um livre do Enzo. Falhou a intercepção, e o Luisão, num cacho de jogadores, cabeceou para a baliza vazia. Antes do final até poderíamos ter ampliado a vantagem, mas o Lima falhou de forma incrível um golo quase feito, após passe do Rodrigo.

 

 

No geral gostei de toda a equipa e não tenho grandes destaques a fazer. Gostei que tivéssemos levado esta final muito a sério, que apresentássemos o onze mais forte, do empenho demonstrado por todos os jogadores (ver o Markovic, já a ganhar por 2-0, a correr como um louco para ajudar a recuperar a bola é um exemplo disso) e do ritmo que conseguimos impor na segunda parte, que me deixou com a sensação de que a equipa está bem fisicamente.

 

O Benfica soube fazer, ao longo destes anos, da Taça da Liga uma competição 'sua'. Cinco troféus em sete edições e apenas uma derrota sofrida atestam a nossa superioridade. Este ano conseguimos mesmo terminar a prova sem qualquer golo sofrido, o que é inédito. Por mais que outros desdenhem esta competição, eu gosto de a ganhar, e achava que a vitória hoje era fundamental. Porque temos mais duas finais para disputar e era importante manter a dinâmica de vitória e os jogadores confiantes e motivados. Agora temos uma semana para preparar a difícil final de Turim, onde as ausências de jogadores-chave se poderão fazer sentir. Pelo meio temos uma visita ao Porto para cumprir calendário, e agradou-me a possibilidade aventada pelo Jorge Jesus de utilizarmos jogadores da equipa B nesse jogo.

por D`Arcy às 01:53 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Domingo, 04.05.14

Descompressão

Num jogo em que houve mais festa do que futebol, um Benfica em clara descompressão fez um jogo fraquinho e acabou por empatar com um Setúbal que, por algum motivo que desconheço, meteu na cabeça que um empate esta tarde na Luz valia ouro.

 

 

Foi com uma equipa obviamente bastante diferente da habitual que o Benfica entrou em campo - apenas três dos habituais titulares de início (Maxi, Luisão e Siqueira) e oportunidade para o Paulo Lopes ser também efectivamente campeão nacional. Foi uma opção lógica e que eu esperava e espero aliás que se repita na próxima jornada, tendo em conta as três finais que temos por disputar. Sobre o jogo propriamente dito na primeira parte, pouco há a dizer. O Benfica foi demasiado lento e até apático, criou poucas ocasiões de golo, e acho que o Setúbal até deve ter rematado mais vezes. As poucas tentativas de dar algum safanão eram feitas sobretudo pelo André Gomes, acompanhado pelo Maxi e o Salvio na direita, mas era difícil causar muito perigo quando o ataque do Benfica praticamente não existia. Quer o Cardozo, quer o Djuricic estiveram demasiado estáticos, raramente criando uma linha de passe para os colegas, e na maior parte das vezes estragando até as jogadas sempre que a bola lhes chegava aos pés. O jogo foi-se arrastando sonolentamente até ao intervalo, com o mais que justificado nulo no marcador.

 

 

Voltámos do intervalo um pouco mais espevitados - a troca do Djuricic pelo Lima também ajudou a isso - e pela primeira vez no jogo vimos o Benfica a carregar claramente sobre a baliza adversária. Esta pressão exercida na reentrada acabou por resultar em golo, quando se completava o primeiro quarto de hora, numa tabela entre o André Gomes e o Cardozo (provavelmente a única contribuição positiva que conseguiu fazer em todo o jogo) que deixou o primeiro entrar na área para depois marcar num remate de pé esquerdo. O Setúbal respondeu ao golo com uma ocasião em que levou a bola, depois de defendida pelo Paulo Lopes, a tocar ainda na barra da nossa baliza, e o Benfica teve uma ocasião soberana para fazer o segundo, em que o Enzo (tinha entrado entretanto para o lugar do Siqueira) falhou o alvo depois de isolado pelo Lima. A um quarto de hora do final o Setúbal empatou, através de um penálti (claro) cometido pelo Maxi, e a partir daqui o Benfica, num assomo de brio, tentou carregar na procura do golo da vitória. Mas apesar da vontade, faltou algum jeito para procurar esse golo, até porque do outro lado o Setúbal parecia estranhamente convencido de que este empate era valiosíssimo, e dedicou-se a queimar o máximo de tempo que podia até final. Já mesmo a acabar tivemos a melhor oportunidade para voltar a marcar, mas o remate do Lima foi cortado em cima da linha de golo por um defesa adversário.

 

 

Os jogadores que me agradaram mais foram o André Gomes, Siqueira e Salvio. O Maxi também, mas fica com a exibição manchada pelo penálti cometido, que deu o empate ao adversário. No extremo oposto, o Cardozo e o Djuricic estiveram francamente desinspirados.

 

Não foi a despedida ideal dos adeptos em casa, mas a poupança de esforços e jogadores era completamente justificada. Temos três finais para disputar, e obviamente que desejo poder ganhá-las todas. Incluindo a da Taça da Liga, que é já o jogo que se segue. Um troféu é sempre um troféu, e o Benfica é um dos clubes que mais tem valorizado esta competição.

por D`Arcy às 22:54 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sexta-feira, 02.05.14

Do futuro

No final do jogo em que eliminámos o FCP na meia-final da Taça da Liga (tal como na meia-final da Taça de Portugal com 10 jogadores durante mais de uma hora) Jardel, o nosso 33, disse que “a época de sonho já começou na época passada, quando chegámos às finais”. Foi uma frase marcante que nos demonstra como o Benfica fez o que teoricamente é mais difícil: alicerçou as vitórias desta época nos insucessos do final da época passada. Ou seja, a gestão do insucesso foi essencial na conquista do sucesso. A questão, agora, é como lidar com o sucesso. Como gerir o sucesso, para garantir novo sucesso? Aquando da conquista do primeiro campeonato da era Jorge Jesus, a gestão do sucesso foi feita olhando mais para o caminho percorrido do que para o caminho a percorrer. E neste erro de perspectiva radicou algum do insucesso que se lhe seguiu. Neste momento, é essencial que a consciência benfiquista se obrigue a perceber que a época em curso não é um ponto de chegada, não é uma meta, mas apenas um alicerce importante na construção do futuro. Exige-se que se festeje sem soberba, que se conquiste com ambição e que se faça do momento da vitória um anseio de ir mais além. Que não acreditemos na ladainha de que o nosso principal rival está em fim de ciclo, pois no hipotético menosprezo da força do adversário pode residir a nossa maior fraqueza. Em suma, percebamos que, tal como escreveu Zeca e cantou Sérgio Godinho, «Quando uma cobra tem sede (…) corta-lhe logo a cabeça (…) encosta-a bem à parede». Neste caso, esta época vitoriosa encostou-a à parede, mas ainda faltam muitas vitórias nossas para que a cobra seja decapitada.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Abril, para publicação na edição de 02/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

 

por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post

Mística

Num jogo já à partida dificílimo, a que se foram somando ainda mais algumas contrariedades, o Benfica arrancou a ferros o nulo de que precisava em Turim para carimbar a presença na segunda final consecutiva da Liga Europa, e o regresso à mesma cidade para defrontar o Sevilha.

 

 

Como seria esperado, o Benfica entrou em campo com o onze mais forte disponível, faltando apenas o Fejsa para que fosse o onze base mais habitual - no seu lugar jogou o Rúben Amorim. A entrada do Benfica no jogo foi boa e confiante, deixando boas indicações para o que poderia acontecer durante o resto da partida - o ambiente adverso em nada pareceu afectar os nervos dos nossos jogadores. Durante os primeiros minutos parecemos controlar com relativa facilidade o ímpeto adversário, e jogámos até mais perto da sua área, mas com o decorrer do tempo a Juventus foi tomando conta do jogo e impondo o seu futebol. O Benfica retraiu-se para mais perto da sua área, começámos a não ser capazes de manter a bola em nosso poder, e com isso deixámos de conseguir construir lances de contra-ataque, que era o que a Juventus mais temia em nós. Verdade seja dita que os italianos também nunca estiveram particularmente inspirados no ataque e portanto nunca nos submeteram a um verdadeiro sufoco. Foram poucas as ocasiões de muito perigo criadas pela Juventus: um remate do Tévez no seguimento de um canto, que passou por cima da baliza, uma cabeçada do Bonucci ao primeiro poste, também depois de um canto, que cruzou toda a pequena área sem que alguém aparecesse para emendar, e uma única grande oportunidade de golo, já em cima do intervalo, em que foi o Luisão em cima da linha a evitar o golo do Vidal quando o Oblak já estava batido.

 

 

Na entrada para a segunda parte o Benfica pareceu querer sacudir a pressão da Juventus, e o Rodrigo até dispôs de uma boa ocasião, rematando no entanto demasiado por alto. O jogo e o tempo corriam claramente a nosso favor, e a Juventus era menos ameaçadora do que tinha sido no final da primeira parte - apenas num livre directo em que o Pirlo tentou surpreender o Oblak conseguiram causar perigo. Mas depois, no espaço de pouco mais de cinco minutos, o Enzo viu dois cartões amarelos e com metade da segunda parte por jogar vimo-nos reduzidos a dez. Não coloco em causa a justiça dos amarelos, apenas lamento que o critério do senhor Clattenburg não tenha sido mais uniforme, porque senão jogadores como o Asamoah também poderiam ter saído mais cedo, isto para não falar de outros lances com o Lichtsteiner, Chiellini ou Pogba, que conseguiram acabar o jogo ilesos. Se a preocupação principal do Benfica durante todo o jogo já era defender, a partir daqui então deixou de haver qualquer outro objectivo. Felizmente o Porto nos últimos tempos proporcionou-nos um bom treino para esta situação. A Juventus respondeu à vantagem numérica da forma mais tradicional e previsível. Meteu mais avançados em campo e desatou a despejar bolas para a área, o que até nem nos causou grandes problemas. O sofrimento era grande, obviamente, porque a pressão da Juventus era constante e a bola não parava de rondar a nossa área, mas o Benfica defendeu bem e conseguiu evitar grandes ocasiões para a Juventus. Houve um grande susto, quando a Juventus até meteu a bola na nossa baliza, mas o lance foi bem anulado por fora-de-jogo. Aguentámos os noventa minutos, aguentámos os seis minutos extra de compensação (que se estenderam até aos oito), aguentámos ficarmos reduzidos a nove depois do Garay ter sido atingido na cara pelo Pogba, e no final festejámos.

 

 

Toda a equipa foi grande, cada um dos jogadores um herói. Mesmo tendo havido alguns jogadores que fizeram exibições fantásticas, não quero destacar ninguém, porque seria injusto para todos os outros que trabalharam tanto.

 

Estamos em mais uma final, e a perspectiva de uma época de sonho continua. Não tenho palavras suficientes para conseguir descrever o orgulho que sinto em cada um dos jogadores que defendem a nossa camisola da forma como os vimos fazer hoje, e têm feito ao longo de toda a época. Na final teremos baixas importantes - Enzo, Markovic, Salvio - mas neste momento todos confiamos nos 'manéis' que ocuparão os seus lugares para nos ajudarem a tentar esquecer a injustiça do ano passado. Não interessa quem joga, o que interessa é que terão a águia ao peito e todo o nosso apoio incondicional. A Mística também é isto.

por D`Arcy às 09:04 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quinta-feira, 01.05.14

Heróis

Todos eles. Três jogos decisivos a jogar em inferioridade numérica, três apuramentos, três finais. Em casa do mais que provável tricampeão italiano, com muito sofrimento, garra e espírito de sacrifício aguentámos a vantagem mínima trazida de Lisboa e 'roubámos' a final em casa à Juventus mesmo debaixo das barbas do Pirlo. Acabámos o jogo com o Enzo expulso (e afastado da final), o Garay lesionado e o Salvio armado em Thomas Berthold (esta referência é para os que têm idade para se lembrarem do México '86), mas com o apuramento no bolso. Na final parece-me que teremos a equipa algo dizimada e terão que jogar alguns 'Manéis', mas a confiança na equipa será a mesma.

 

A Mística é isto.

por D`Arcy às 22:03 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Terça-feira, 29.04.14

Jean-François Larios

 

 

Defendo que Larios deveria ser o próximo presidente da UEFA.

por Pedro F. Ferreira às 21:57 | link do post

Descubra as diferenças.

 

As linhas com que se cose a corrupção.

por Pedro Valente às 11:48 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 28.04.14

Humilhação

Mesmo com uma equipa de segundas escolhas, mesmo a jogar novamente mais de uma hora com dez, uma vez mais o Porto foi incapaz de nos derrotar, e desta vez em casa. Na lotaria dos penáltis, fomos mais felizes, e garantimos a passagem à quinta final da Taça da Liga (em sete edições). Para o Porto, que durante anos desprezou a competição e que nestas últimas semanas lhe deu uma importância inusitada, mais uma humilhação.

 

Com toda a naturalidade, o Benfica mudou a equipa quase toda, apresentando apenas três habituais titulares de início: Oblak, Siqueira e Lima. As outras opções foram mais ou menos as esperadas, com destaque para o regresso do Rúben e a titularidade do Steven Vitória ao lado do Jardel no centro da defesa. A fase inicial do jogo foi má para nós: notou-se bastante a falta de ritmo do Steven (apenas um jogo disputado esta época, contra o Cinfães na Taça), e o Porto explorou-a bem, causando-nos bastantes problemas, sobretudo pelas movimentações do Herrera, raramente acompanhadas, e do Jackson. Valeu-nos o pouco acerto do Jackson e a atenção do Oblak para ir mantendo o marcador em branco. Por volta da meia hora de jogo deu-se o acontecimento que acabou se calhar por ser decisivo no jogo. O Jackson fugiu mais uma vez ao Steven e ele acabou por derrubá-lo à entrada da área, vendo o cartão vermelho. O livre muito perigoso não foi problema para nós, porque era óbvio que o Quaresma iria exigir marcá-lo. E a expulsão significou a entrada em jogo do Garay e uma muito melhor organização defensiva do Benfica, que a partir daí passou a conseguir controlar melhor os ataques do Porto (ainda com um grande susto logo a seguir à entrada do Garay, quando uma vez mais o Jackson não conseguiu marcar depois de aparecer isolado).

 

A segunda parte foi muito mais tranquila para nós. Entre a falta de ideias e soluções da parte do Porto para ultrapassar a nossa organização defensiva, e a colaboração do Quaresma a estragar jogadas de ataque, o Porto criou muito poucas ocasiões de verdadeiro perigo - recordo-me apenas de um remate do Herrera, já perto do final, que passou perto da baliza. Um dos momentos mais preocupantes foi quando o Luís Castro decidiu retirar o Quaresma do jogo, porque poderia ser que com isso o Porto se tornasse mais perigoso, mas o momento da substituição do homem foi bastante interessante. Foi uma boa demonstração do quão saudável deve ser ter um tipo daqueles num plantel - espero que o mantenham por lá durante muitos e bons anos. Foi por isso até com a sensação de alguma facilidade que o Benfica levou o jogo para os penáltis. E chegados aqui, a minha impressão era mesmo que a vantagem psicológica já estava do nosso lado - neste momento os fantasmas da última época já foram espantados, e parecem ter-se passado lá para cima. O Siqueira, o Jardel, e o Enzo (que classe!) marcaram, o Garay acertou na trave e o André Gomes permitiu a defesa ao Fabiano. Pelo Porto marcaram o Quintero, o Ghilas e o Varela, com o Jackson a chutar para a bancada e o Oblak a defender o penálti do Maicon. Fomos assim para a 'morte súbita' e aí o Ivan Cavaleiro não tremeu, enquanto o Fernando acertou no poste. Mais uma final para nós, mais uma humilhação para o Porto - não tanto por ter sido eliminado em casa, mas sim por isso ter outra vez acontecido depois de mais de uma hora a jogar contra dez.

 

Uma vez mais a equipa é o maior destaque: a solidariedade entre os jogadores e a disciplina táctica a defender foram o que nos garantiu este apuramento para a final. O Ivan e o Sulejmani estiveram impecáveis no auxílio aos laterais, e o Rúben fez também um jogo muito bom. O Garay entrou muito bem e o Jardel subiu imenso de produção a partir desse momento. O Oblak foi enorme, e uma das chaves deste resultado.

 

A motivação e força mental do nosso plantel é neste momento muito grande. A descrença que se instalou no final da época passada foi substituída por uma fé muito grande em si próprios e nas suas capacidades. Hoje, mesmo apresentando um onze menos forte e rotinado, conseguimos ainda assim em casa do maior adversário conquistar o acesso a mais uma final, e temos a oportunidade de lutar por um 'triplete' inédito nas provas nacionais. Mas como mal temos tempo para desfrutar cada vitória, é já altura de começarmos a pensar na tarefa hercúlea de quinta-feira, em Turim. Que poderá ser a diferença entre sonharmos com uma época brilhante, ou uma época inesquecível.

por D`Arcy às 01:16 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Sexta-feira, 25.04.14

Da coragem

Somos merecidamente campeões nacionais pela 33ª vez. Não fazendo o balanço da época, mas apenas do campeonato, importa fazer duas ou três considerações que, pela justiça, não posso esquecer.

Olho para este campeonato como aquele que se conquistou sob o signo da coragem. A coragem de um presidente que, contra quase todos, decidiu pelas suas convicções e não pelas encomendas externas e internas manter um treinador que se ficara pelo “quase” na época anterior. Ter a coragem de saber que uma convicção não é uma teimosia é um mérito. Ter a capacidade de não “emprenhar pelos ouvidos” (peço desculpa pelo plebeísmo, mas não estamos em tempos de floreados linguísticos) numa terra de alcoviteiras é um acto de coragem. Luís Filipe Vieira teve esse mérito. Jorge Jesus teve, além da coragem de enfrentar de peito feito as facas que já não lhe eram apenas espetadas nas costas, o talento de conseguir impor, pela qualidade, uma ideia de jogo, uma metodologia de treino e um conceito de futebol. Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus vivem e não precisam de se colocar em bicos de pés para que se saiba que vivem. Outros há que, ou porque “já foram algo” ou porque “aspiram a ser algo” no mundo do Benfica, fazem prova de vida nos momentos em que as coisas não correm bem. Note-se que não falo dos que exercem a crítica desinteressada, genuína, justificada e apaixonada. Essa crítica é essencial no nosso Benfica. Falo dos que ao sabor dos resultados, dos interesses pessoais ou das passageiras tendências de opinião surgem, sempre e apenas nos momentos de ausência de vitória, a cavalgar a derrota, para que, como anões de salto alto, a multidão benfiquista se lembre da existência deles.

Nesta diferença entre a convicção e o interesse, a crítica genuína e o ‘bota-abaixismo’, vai a diferença entre a coragem e a cobardia. Esta vitória no campeonato deve-se à coragem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Abril, para publicação na edição de 25/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post

Aberto

Um jogo de duas partes distintas resultou numa vantagem mínima na eliminatória, que deixa tudo em aberto para a segunda mão. Parece-me no entanto que podemos esperar grandes dificuldades em Turim, face ao que a Juventus mostrou esta noite.

 

 

Achei algo surpreendente a titularidade do Cardozo em vez do Lima. Na baliza jogou o Artur, e no lugar do Gaitán o Sulejmani. De resto, a equipa habitual, com o André Gomes a manter a titularidade no meio campo. O início do jogo foi de sonho para o Benfica, porque logo aos dois minutos já festejávamos o primeiro golo. Canto na esquerda apontado pelo Sulejmani (depois de uma arrancada do Enzo com passe para o Sulejmani desaproveitar) e cabeçada vitoriosa do Garay. A entrada do Benfica no jogo foi muito boa: conseguimos bloquear a construção de jogo da Juventus, não demos liberdade ao Pirlo (o Enzo ou o Rodrigo, à vez, caíam sobre ele) e fizemos uma boa posse de bola. Sempre que a Juventus tentava sair a jogar a partir da defesa, a nossa equipa subia muito no campo e bloqueava todas as possibilidades de passe para os três defesas e o médio defensivo, obrigando ao despejo da bola para a frente. Quando a Juventus se adiantava um pouco mais, fomos capazes de a manter em respeito com saídas rápidas para o contra-ataque. Neste particular foi onde se notou mais a ausência do Gaitán, pois o Sulejmani não tem a mesma velocidade com a bola nos pés, e muito menos ainda a técnica dele. Talvez com o argentino em campo tivéssemos conseguido marcar mais um golo na primeira parte. Mas à medida que o jogo foi caminhando para o intervalo a Juventus foi conseguindo assentar o seu jogo, e passou a ter cada vez mais bola. No entanto o Benfica manteve-se sempre organizado, não permitindo que a Juventus fizesse muito mais do que tentar surpreender com bolas longas para as costas da nossa defesa, capítulo em que os italianos estiveram muito pouco inspirados.

 

 

A segunda parte foi completamente diferente, e pertenceu à Juventus. A sensação que deu foi que os nossos jogadores acusaram o cansaço do trabalho que fizeram na primeira parte. No meio campo a Juventus ganhou superioridade, pois o Rodrigo deixou de recuar, o Pirlo passou a ter maior liberdade, e o Enzo não dá para tudo. Até porque o André Gomes passou a maior parte do jogo mais preocupado com uma marcação individual ao Pogba, e pouco ajudava no meio. A posse de bola passou a ser claramente favorável à Juventus, que passou a jogar mais no nosso meio campo e cada vez mais próxima da nossa área. O Benfica parecia mais preocupado em defender a magra vantagem, e a Juventus carregou, sendo agora a vez dos italianos exercerem uma pressão muito forte na saída de bola, que conseguiu fazer com que nós praticamente não jogássemos. Cada bola que recuperávamos era praticamente entregue no instante seguinte aos italianos. O cenário certamente não iria dar bons resultados, pelo que era necessário mudar algo. Quando o André Almeida substituiu o Sulejmani, que na altura já pouco mais fazia do que figura de corpo presente, pensei que fosse para passar o Rodrigo para a esquerda e reforçar a zona central, mas numa opção que me pareceu estranha foi o André Gomes quem ficou a fechar o lado esquerdo, ainda e sempre preocupado com o Pogba. Entrou também o Lima para o lugar do Cardozo (mais um jogo apagado), mas esta foi a pior fase do Benfica em todo o jogo. A Juventus era claramente a melhor equipa em campo, e acabou por chegar naturalmente ao golo, através do Tévez, que dentro da área conseguiu ultrapassar o Luisão e rematar à saída do Artur. Faltavam dezoito minutos para o final, e já não esperava que o Benfica conseguisse reagir, mas a entrada do Ivan Cavaleiro espevitou a equipa, e a seis minutos do final voltámos a colocar-nos em vantagem. Foi um golaço do Lima, num remate de primeira à entrada da área após uma simulação (ou um passe falhado, nem sequer percebi bem) do Ivan Cavaleiro a deixar passar a bola. Depois do golo, o jogo ficou mais aberto, e as duas equipas até poderiam ter voltado a marcar nos poucos minutos até ao final do jogo.

 

 

No Benfica destaco as exibições dos dois centrais, do Siqueira e do Enzo como as mais positivas. O Lima e o Ivan entraram bem no jogo e foram importantes para evitar a derrota. O André Gomes fez um jogo fraco. Andou demasiado tempo dedicado a funções de marcação para as quais não está claramente talhado, e foi até displicente em ocasiões nas quais tentou sair a jogar quando tal não era indicado. O Sulejmani não fez esquecer o Gaitán e o Cardozo fez aquilo que tem feito nos últimos tempos: quase nada (o jogo também nunca me pareceu, logo à partida, como o mais indicado para ele).

 

A discussão da eliminatória está em aberto, é certo, mas levamos uma vantagem bastante magra para Itália. Creio portanto que a estratégia do Benfica para a segunda mão deverá passar por tentar marcar em Turim, e não pensar exclusivamente em defender uma vantagem tão escassa (já vi o Benfica perder uma meia final assim, embora nesse caso a expulsão do Mozer à meia hora de jogo pouco mais nos deixasse fazer). Por aquilo que a Juventus mostrou na segunda parte, se formos para Itália apenas para defender parece-me que iremos passar um mau bocado.

 

P.S.- Acho que começo a perceber porque é que o Proença é tão bem cotado na UEFA.

por D`Arcy às 01:20 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quarta-feira, 23.04.14

Lagartagem

 

No rescaldo do merecidíssimo título, cuja conquista garantimos no passado domingo, para além das naturais manifestações de júbilo da parte dos benfiquistas tenho sido massacrado com manifestações épicas da azia e inveja secularmente acumuladas pela vizinhança sita no Lumiar, e que a nossa vitória desencadeou. Entre manifestos nas caixas de comentários (obviamente varridos para o lixo), e-mails, posts no Facebook, links para blogs do sportém, tenho levado de tudo um pouco. Textos racistas e insultuosos aos nossos Eusébio e Coluna, textos aziados, opiniões peregrinas que reclamam exclusividade do Marquês (fiquei a saber que o Marquês de Pombal é, aparentemente, um símbolo daquele clube), até já cheguei a ver um texto em que é dito que o Cosme Damião utilizou o sportém como modelo para fundar o Benfica (o nosso Cosme era pelos vistos uma pessoa ainda mais notável do que eu pensava, visto que em 1904 já tinha decifrado os mistérios das viagens no tempo - o motivo pelo qual uma das primeiras acções tomadas pelo sportém após a sua fundação em 1906 foi roubar oito jogadores ao Sport Lisboa deve ter sido precisamente porque eles já estavam num clube que tinha sido formado usando o sportém como inspiração). O que me parece ser mais ou menos evidente é que aquele pessoal acha que é de extrema importância o reconhecimento ou não que eles fazem acerca da justiça do nosso título - é para isso que cá andamos, e se não conseguirmos que o sportém reconheça mérito nas nossas vitórias, então nada disto vale a pena.

 

Posto isto, apeteceu-me responder a todas estas parvoíces. Isto é o que eu penso acerca do sportém, do segundo lugar que conquistaram, da melhor academia do mundo, da exclusividade do Marquês ou do mérito que nos reconhecem ou não na conquista do título:

por D`Arcy às 14:38 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 21.04.14

Campeões

Não vale muito a pena estar a escrever uma crónica extensa para este jogo. Ganhámo-lo, como se esperava e exigia que o fizéssemos, e garantimos a conquista do título. O único ponto negativo no jogo e na festa foi a lesão do Salvio, que partiu o braço e ao que tudo indica terá terminado a época mais cedo.

 

 

O Benfica entrou rápido e decidido a resolver cedo a questão, mas o acerto na hora de finalizar foi pouco, e durante os primeiros minutos de jogo desperdiçámos oportunidades flagrantes suficientes para poder fazer de todo o jogo um imenso e ininterrupto festejo - as oportunidades falhadas pelo Rodrigo (acertou mal na bola) e pelo Lima (atirou por cima com a baliza escancarada) foram particularmente escandalosas. Com o acumular de oportunidades falhadas pareceu-me que algum nervosismo se instalou na equipa, o que eu não esperava que acontecesse - e um exemplo disso foi uma ocasião flagrante (a única durante todo o jogo) de golo do Olhanense, nascida de um mau controlo de bola do Garay. O domínio do jogo por parte do Benfica foi quase total perante um Olhanense quase só preocupado em defender, mas a má finalização determinou que saíssemos para intervalo ainda com o nulo no marcador. 

 

Na segunda parte nada mudou, e o desacerto na finalização continuava - mais um remate disparatado do Lima por cima quando parecia ter tudo para marcar foi disso exemplo. Mas depois de tanto falhanço, acabou por ser mesmo o Lima a tornar-se no herói do jogo, quando apareceu no sítio certo para fazer a recarga de uma defesa incompleta do guarda-redes a um primeiro remate do Gaitán e inaugurar o marcador. Foi aos cinquenta e sete minutos, e dois minutos depois arrumou de vez o assunto, correndo meio campo com a bola para depois rematar por entre as pernas do guarda-redes, com a bola a viajar muito devagarinho até ultrapassar a linha. Estava tudo resolvido, o Olhanense nada ameaçou, e o tempo até final decorreu em ambiente de festa antecipada, que poderia até ter ficado mais abrilhantada com alguns golos, pois continuámos a desperdiçar ocasiões soberanas para marcar (Rodrigo e Lima, em particular) e ficou um penálti claro sobre o Rodrigo por marcar.

 

O Lima foi o homem do jogo pelos dois golos que marcou, mas podia ter marcado pelo menos outros tantos. O Salvio estava a ser dos melhores na primeira parte, o Enzo fez aquilo que costuma fazer, e achei que houve muito menos Gaitán do que costuma ser habitual. A entrada do Markovic foi importante.

 

Somos outra vez campeões nacionais, e com toda a justiça. Somos a melhor equipa, temos o ataque mais concretizador, a defesa menos batida, temos o nosso maior adversário e ex-tricampeão a quinze pontos, e a equipa que nos deu mais luta a sete, mesmo tendo esta há muito tempo que jogar apenas uma vez por semana, e menos dezasseis jogos (são vinte e quatro horas de futebol) nas pernas - e quando os defrontámos vulgarizámo-los de uma forma brutalmente evidente. Hoje festejamos este título, amanhã é tempo de nos concentrarmos já no que ainda há para ganhar. Devemos sentir orgulho nesta conquista, mas não podemos pensar que o trabalho acabou. O Benfica tem que manter o lugar de hegemonia do futebol português que lhe pertence, e para isso é fundamental continuarmos a ganhar, não repetindo os erros de 2010/11.

por D`Arcy às 12:12 | link do post | comentar | ver comentários (16)

33

 

Não jogamos nadinha, vai ser outra época igual. E o Jorge Jejum está comprado pelo PC, enquanto ele estiver no Benfica não vamos ganhar nada. O Cardozo é que tem razão. O PC é que se antecipou e fez bem, foi buscar o Paulo Fonseca quando nós é que devíamos ter aproveitado. À quinta jornada vamos estar afastados do título, e à procura de treinador. Do Natal o Jesus não passa. E a táctica que não presta. E os portugueses, que não jogam. Olhem mas é para o sportém, que com uma equipa de tostões vai ganhar mais do que nós. E perdemos com o PSG, que vergonha, metam o gajo na rua e vão buscar o Marco Silva. Enquanto o Jejum for treinador do Benfica não assino a Benfica TV nem pago quotas. Fiquem com o vosso 'benfiquinha', que este não é o meu Benfica. Somos um clube sem rumo nem liderança. Mas porque é que os portugueses não jogam? Agora vendemos o Matic a preço de saldo, o Vieira é um infiltrado que quer é destruir a equipa. Empatámos com o Gil Vicente, é o princípio do descalabro, fixem bem o que vos digo. E só ganhamos por um ou dois de diferença, que atitude vergonhosa, devíamos golear em todos os jogos. Ressuscitámos o Porto, é um escândalo, já lhes oferecemos a taça. Se o Jesus quer ir para o Porto é deixá-lo. Agora é que isto vai dar para o torto e vamos perder outra vez tudo no final, eu já sabia.

 


Somos campeões nacionais pela 33ª vez. Eu não disse? Nunca tive dúvidas.

por D`Arcy às 01:40 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Quinta-feira, 17.04.14

Épico

Simplesmente épico. Este foi um dos jogos a que assisti na Luz que mais prazer me deu ganhar. Foi um jogo em que o Benfica foi enorme, foi buscar forças onde provavelmente nem imaginávamos que existiriam, foi inteligente e soube reagir a todas as adversidades que lhe apareceram pela frente, e que incluíram uma expulsão madrugadora, e sofrermos um golo no primeiro (e único) remate digno desse nome que o Porto fez na direcção da nossa baliza.

 

 

Foram afinal várias as alterações que fizemos (algumas forçadas) no nosso onze habitual: Oblak, Luisão, Fejsa, Markovic e Lima, por um motivo ou outro, ficaram fora da equipa inicial. Como tem sido habitual, quem avançou para os seus lugares cumpriu a missão. Neste caso, Artur, Jardel, André Gomes, Salvio e Cardozo. Em relação ao jogo propriamente dito, começo por dizer que creio que nunca tinha visto um Porto entrar tão medroso na Luz, e já vi muitos jogos entre as duas equipas. O Porto entrou verdadeiramente 'borrado' em campo, encafuado no seu meio campo e procurando desde o apito inicial congelar o jogo e queimar tempo. O Benfica, pelo contrário, entrou como tinha que ser, caindo em cima do adversário e submetendo-o a pressão constante, o que ficou bem evidente quando assistimos a uma situação quase inédita de uma boa meia dúzia de cantos consecutivos a favor do Benfica. Houve jogadores como o Reyes (um jogador que voltou a parecer-me bastante medíocre e que o Porto quer fazer acreditar que nos 'roubou') que tremiam e muito sempre que pressionados, e no ataque o Porto era simplesmente inofensivo. Ou nem chegava lá, ou quando chegava o Quaresma encarregava-se de jogar sozinho e estragar quase todas as jogadas. O corolário lógico da nossa pressão foi o primeiro golo, construído em mais uma bonita jogada de envolvimento da nossa equipa, com o Gaitán a ser lançado na esquerda e depois a encontrar, com um cruzamento largo, o Salvio ao segundo poste, que cabeceou para o golo - a bola ainda bateu no poste antes de entrar. Demorámos dezassete minutos a anular a vantagem do Porto, e agora tínhamos pela frente mais cerca de uma hora e um quarto de futebol para vencer a eliminatória. E a julgar pelo que íamos vendo em campo, não parecia nada difícil conseguir isso. 

 

 

Mas o cenário alterou-se abruptamente ainda antes da meia hora, altura em que o Siqueira viu dois amarelos de rajada e nos deixou reduzidos a dez - não sei se o primeiro amarelo foi justo ou não, mas um jogador com um amarelo não podia ter entrado daquela forma, e por isso acho que foi um lance de profunda burrice da parte dele. O Benfica teve obviamente que se reorganizar e o sacrificado foi, naturalmente, o Cardozo, que cedeu o seu lugar ao André Almeida - nos últimos três jogos, contra o AZ jogou a lateral direito, contra o Arouca jogou a trinco, hoje jogou a lateral esquerdo, e em todos eles cumpriu. Só depois do Benfica assumir uma postura mais cautelosa, privilegiando sobretudo a organização defensiva, é que o Porto conseguiu passar a ter um pouco mais de bola e jogar mais no nosso meio campo, mas nunca conseguiu vincar qualquer tipo de superioridade em campo, criar uma oportunidade de golo, ou explorar a vantagem numérica. Apenas numa saída pouco ortodoxa do Artur, na sequência de um (raro) canto conseguiram criar algum tipo de sensação de perigo, mas para ser sincero, continuei sempre com a ideia de que continuavam com demasiado medo do Benfica.

 

 

A segunda parte não pareceu mostrar grandes diferenças em relação a isto. O Benfica manteve-se organizado, o Porto sem mostrar capacidade para fazer mossa. Foi por isso de forma algo surpreendente que, um pouco caído do céu, surgiu o golo do Porto. Foi uma grande iniciativa individual do Varela, que parecia não ter grande possibilidade de sucesso, mas que aproveitou o que me pareceu alguma passividade do André Almeida, que teve demasiado medo de meter o pé e fazer falta, furou pelo meio da defesa e rematou cruzado para o golo. O Benfica via-se agora em desvantagem numérica e na eliminatória, precisando de marcar dois golos. A resposta do Benfica foi à Benfica. Não houve baixar de braços (nem da equipa, nem do público), houve sim um arregaçar de mangas, ir buscar todas as forças possíveis, e partir para cima do adversário. O mais interessante foi que o Benfica não jogou exclusivamente em contra-ataque; o Benfica, apesar da inferioridade numérica, criava ocasiões de perigo em ataque organizado, em jogadas onde jogadores como o Enzo, Rodrigo, Gaitán, Salvio, Maxi, André Gomes pareciam multiplicar-se em campo e conseguir aparecer em todo o lado. O Porto não tirou qualquer benefício motivacional do golo, e pouco depois do golo já o Rodrigo desperdiçava uma ocasião quase de golo feito, a passe do Gaitán. Mas logo a seguir o Reyes derrubou claramente o Salvio na área, e incrivelmente o Pedro Proença assinalou penálti a nosso favor, que o Enzo transformou com muita calma e a fazer parecer que era fácil. 

 

 

A passagem na eliminatória estava agora a um golo de distância, o Porto abanou ainda mais, e não fosse o Rodrigo ter escorregado no último instante (depois de mais uma asneira do inevitável Reyes) e talvez esse golo tivesse chegado logo a seguir. O jogo foi-se aproximando do final, com o Porto a continuar a ser inofensivo e o Benfica, mesmo estando potencialmente eliminado, a nunca perder a cabeça ao ponto de cair na tentação de se atirar abertamente ao ataque, o que poderia proporcionar ao Porto a oportunidade de matar o jogo num contra-ataque. Até que, a dez minutos do final, apareceu o momento mágico e decisivo do jogo. Mais uma vez, num lance de ataque organizado, em que o Lima, o Gaitán e o André Gomes andaram a trocar a bola junto ao canto da área do Porto, no lado esquerdo, até que o Gaitán picou a bola para o André. Depois, dentro da área, ele recebeu-a no peito, sem a deixar cair levantou-a sobre o Fernando, e rodou para ficar cara a cara com o guarda-redes, rematando depois para o fundo da baliza para fechar um golo sublime. A Luz explodiu como poucas vezes a vi explodir, e apesar de ainda termos que enfrentar uns longos dez minutos até final, de alguma forma parecia ser quase impossível que o Porto conseguisse voltar a marcar um golo e impedir a nossa festa no final. A verdade é que até final pouco se jogou. Entre substituições, cartões, expulsões (de ambos os treinadores - e não percebo em que raio estava a pensar o Jesus para que de repente aparecesse dentro do campo - e do Quaresma, provavelmente com largos minutos de atraso) e o mero desnorte dos jogadores do Porto, a quem pouco mais ocorria do que enviar balões para a frente, já com o Mangala a avançado, os dezasseis minutos (dez de jogo mais seis de compensação) passaram a correr.

 

 

Mais uma vez, o maior destaque tem que ser a equipa. Uma equipa que ao ver-se em inferioridade numérica tão cedo nunca perdeu a cabeça, que soube reagir ao golo indo em busca daquilo que precisava para dar a volta à situação perante um adversário como o Porto, tem obrigatoriamente que ser uma grande equipa (e ainda por cima sabendo nós que nos faltaram jogadores que têm sido importantes esta época). Mas é impossível não ficar maravilhado com aquilo que jogadores como o Gaitán, o Enzo (encheu o campo), o Salvio (está definitivamente a regressar ao que nos habituou) ou o Rodrigo fizeram. Com o jogo enorme, e não, não é pelo golo, do André Gomes - já o elogiei antes e considerei injustas as críticas quase que formatadas que lhe fazem sobre a falta de velocidade ou intensidade: continuo a dizer que acho é um jogador que guarda bem a bola, sabe quase sempre o que vai fazer com ela assim que a recebe, e tem uma inteligência táctica invulgar. Com o pulmão do Maxi, a segurança do Garay, o espírito guerreiro do Jardel, hoje todos foram enormes.

 

Escreveu-se hoje uma página bonita da nossa história, mas o mais importante foi mesmo os fantasmas que foram exorcizados esta noite. A forma como fomos para cima do Porto, o receio e respeito que eles pareceram sempre ter por nós, até mesmo termos ganho um clássico arbitrado pelo Proença, tudo isto pode significar um passo muito importante para fazer desabar a 'estrutura' bafienta. A nossa Luz não esteve cheia, mas esteve muito bem composta e soube ser o décimo-primeiro jogador de que a equipa precisava, criando um ambiente incrível. Tenho pena de quem poderia ter ido e decidiu ficar em casa, porque perdeu uma noite linda de benfiquismo.

por D`Arcy às 02:54 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Quarta-feira, 16.04.14

27 anos

Gostaria só de recordar pela enésima vez a quem de direito (jogadores e equipa técnica do Glorioso) que, se não somos campeões há quatro anos, há mais de duas décadas e meia(!) que não ganhamos a dobradinha. Este ano temos novamente uma oportunidade de ouro para matar este borrego. Só isso bastaria para tornar o jogo de hoje muito importante. O mais importante dos últimos 27 anos.

 

Acontece que a importância deste jogo vai ainda mais além desse facto. Não vamos defrontar um adversário qualquer. Aliás, nem sequer vamos defrontar um adversário. Vamos defrontar o inimigo. Que representa, com uma competência assinalável, as forças do Mal. Estamos a falar da equipa de Mordor, meus caros jogadores e equipa técnica do Benfica. Tenham isto sempre em mente! O campeonato está muito perto de estar garantido, portanto é nossa obrigação NÃO deixarmos que a equipa que envergonha o desporto possa festejar ainda esta época. Este jogo é FUNDAMENTAL para eles, não tenhamos dúvidas. Viu-se pela gestão que fizeram em Braga. Se terminarem a época com as duas taças (a da Liga, no meio da eliminatória com a Juventus, será obviamente secundária para nós e eles, que sempre a desdenharam, não se atreverão a festejar se esse for o único troféu que ganhem este ano), não será uma época assim tão má. NÃO lhes podemos dar esta abébia, METAM isso na cabeça!

 

Com o domínio que evidenciámos, tendo o campeonato a meros dois pontos de distância, confesso que não ficarei totalmente satisfeito se nos limitarmos a ser campeões. Depois do que se passou no ano passado, merecemos festejar mais do que uma vez esta temporada. E a Taça de Portugal é a melhor oportunidade para tal. Para além da referida (e incontornável) questão dos 27 anos de jejum. Eles estão a 15 pontos de nós no campeonato. Nós somos MUITO melhor do que eles. Perante o inimigo, não há complacências! Não desperdicemos a oportunidade de os eliminar!

 

P.S. – O Estádio da Luz não esgotar num jogo desta importância é, não há outra maneira de o dizer, uma VERGONHA!

por S.L.B. às 08:04 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Segunda-feira, 14.04.14

Parabéns

 

O resultado desnivelado até pode deixar outra ideia a quem não tiver visto o jogo, mas a verdade é que os nossos miúdos nos deram todos os motivos para ficarmos orgulhosos com a sua prestação, e num dia de maior acerto o resultado poderia perfeitamente ter sido outro. Lutaram do primeiro ao último minuto do jogo, mas desta vez a sorte não esteve connosco e o Barcelona, com todo o mérito, foi mais eficaz e conquistou o troféu. Estão de parabéns todos os jogadores e estrutura técnica que os suporta. Agora é erguer a cabeça, tentar conquistar o bicampeonato de juniores, e da minha parte esperar que daqui a uns (poucos) anos possa ver alguns destes nomes no plantel principal.

por D`Arcy às 21:31 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Quase

Mais uma importante vitória a caminho do título, num jogo que dominámos do primeiro ao último minuto. A nossa exibição foi no entanto em crescendo: não entrámos bem, fizemos uma primeira parte aquém das expectativas, mas depois fomos melhorando, conseguindo uma segunda parte bastante melhor em que até poderíamos ter construído um resultado mais dilatado, pois o guarda-redes do Arouca foi um dos melhores em campo.

 

 

Duas ausências com alguma surpresa no onze inicial: o Luisão e o Fejsa. Para os seus lugares foram chamados o Jardel e o André Almeida. Perante uma autêntica Luz em miniatura, já que a onda vermelha lotou as bancadas do Municipal de Aveiro, o início do jogo não foi particularmente promissor. O Arouca apresentou-se conforme lhe competia, bem fechado atrás, com os jogadores muito juntos e organizados em frente à sua área e a procurar manter o nulo. O Benfica, ao contrário do que tem acontecido nos últimos jogos, pareceu entrar a jogar com demasiada lentidão. O Rodrigo ainda fez uma primeira ameaça logo nos primeiros minutos, num remate que obrigou o Cássio a uma defesa um pouco mais apertada, mas fomos anormalmente inofensivos durante a maior parte do tempo. Não sei se foi do calor, se do cansaço de alguns jogadores, ou algum excesso de confiança, mas a verdade é que a equipa pareceu-me demasiado estática durante a primeira parte. Até a relva parecia estar demasiado grande e não colaborar, pois a bola não rolava com muita velocidade. O jogo foi sendo animado por algumas iniciativas individuais, mas situações de verdadeiro perigo foram muito poucas. Houve um remate cruzado do Maxi, que não passou muito longe, e já na fase final da primeira parte houve a primeira grande oportunidade de golo para o Benfica (e em dose dupla). Primeiro foi o lima a aproveitar uma má intervenção de um adversário dentro da área para, completamente sozinho, rematar e ver o Cássio defender por instinto; a bola sobrou então para o Rodrigo, que fez a recarga para fora. Mas pouco depois foi a nossa vez de passar por um grande susto, quando o Oblak teve uma má saída até ao limite da área e não conseguiu afastar uma bola que tinha sido despejada para lá. A bola sobrou para um adversário, que em balão a encaminhou para a baliza, valendo-nos uma intervenção no limite do Maxi, que conseguiu afastá-la quase em cima da linha. Quando já se jogava o período de dois minutos de compensação, e parecia que o nulo ao intervalo era uma inevitabilidade, aconteceu o nosso golo. Foi mesmo na última jogada da primeira parte (faltavam quatro segundos para acabar) que o Lima fugiu pela direita, e uma intervenção desastrada de um defesa do Arouca na zona do segundo poste deixou a bola à frente do Rodrigo, que só teve que a empurrar para a baliza.

 

 

Depois daquela primeira parte, temi que na segunda o Benfica aproveitasse a vantagem no marcador para baixar ainda mais o ritmo, gerindo o resultado, mas felizmente não foi isso que aconteceu. Ao contrário do que tem sido mais habitual, o Benfica entrou com vontade de ampliar o resultado e conquistar maior tranquilidade no jogo, o que nem demorou muito a conseguir.  Com dez minutos decorridos o Markovic agarrou na bola e arrancou com ela pelo meio, ultrapassando adversários até à entrada da área, onde a deixou para o Gaitán. Depois o argentino limitou-se a picá-la com classe à saída do guarda-redes. No minuto seguinte, quase a repetição do cenário, pois o Makovic voltou a levar a bola até à área e a deixá-la nos pés do Gaitán, em posição privilegiada para marcar, mas desta vez o Cássio conseguiu evitar o golo. Com os dois golos de vantagem o Benfica continuou a controlar perfeitamente o jogo, embora num ritmo mais pausado, mas sem deixar de espreitar a oportunidade de ampliar a vantagem. O momento de maior preocupação foi o da lesão do Oblak, que depois de um choque violento com um adversário perdeu os sentidos e teve que ser substituído - pelos vistos teve mesmo um traumatismo craniano. Depois da lesão do Sílvio, esperemos que não tenhamos agora nova lesão grave num momento tão decisivo da época. Quanto ao jogo, tudo na mesma, com o Benfica a controlar e o Cássio a teimar em negar-nos o terceiro golo. Com mais uma boa defesa, voltou a evitar que o Gaitán marcasse o seu segundo golo, depois de um remate colocado. O jogo caminhou tranquilamente para o final, já com o Cardozo e o Salvio em campo (troca com o Rodrigo e o Markovic), com mais uma defesa enorme do Cássio a tirar-nos o terceiro golo, desta vez a remate do Lima, terminando com o estádio num clima de enorme festa feita pelos nossos adeptos.

 

 

Melhor em campo, para mim, mais uma vez o Gaitán. Já nem vale muito a pena estar a elogiar o momento de forma que atravessa - esta é sem dúvida a melhor época que faz desde que está no Benfica. O Jardel e o André Almeida cumpriram os seus papéis, como tem sido norma para qualquer jogador que é chamado a substituir um dos titulares mais habituais. Bom jogo do Siqueira, Enzo e Markovic.

 

E agora está mesmo quase, porque faltam apenas mais dois pontos. Dependemos só de nós para fazer a festa no dia de Páscoa, e se a nossa equipa mantiver a atitude e concentração, só muito dificilmente isso não acontecerá. Antes disso teremos porém um jogo difícil contra o Porto, para decidir o acesso à final da Taça de Portugal. Temos mais do que capacidade para ultrapassar este adversário e tentar conquistar mais um troféu esta época. Só teremos que ter cuidado com a 'atitude competitiva' do nosso adversário. É que a julgar pelo exemplo do primeiro jogo, ainda nos arriscamos a perder mais alguns jogadores para a fase decisiva da época.

por D`Arcy às 00:08 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 11.04.14

Da arte

Ortega y Gasset mostrou-nos como a depuração é a essência da beleza na arte. Muitos o secundaram e um dos meus escritores portugueses preferidos, Miguel Torga, mostrou-nos como a depuração do supérfluo conduz a uma arte substantiva, sem o elemento barroco do adjectivo desnecessário. A arte apresenta-se-nos assim, nua, crua e sem o subterfúgio da fuga ao tutano, à essência. Nesta perspectiva, tudo o que vá para além do tutano é uma traição à beleza. Aprecio esta visão da arte, mas quando chego ao universo do futebol vejo que a beleza dessa arte vai muito para além do tutano.

Vem tudo isto a propósito do mais recente jogo entre o Benfica e o Rio Ave. Para a história ficará um resultado feito da agradável banalidade de mais uma vitória expressiva do Benfica. Para a memória (e a memória constrói e transcende a história) fica esse ‘conflito’ entre o tutano de uma ideia de jogo (uma identidade competitiva construída pelo treinador que melhor pensa o futebol em Portugal) e a criatividade individual decorrente do génio de cada um dos futebolistas do nosso Benfica. Esse rasgo permanente de criatividade faz dos futebolistas mais do que meros executantes e eleva-os à qualidade de criadores que, criando em prol do todo, superam a banal recriação.

Ou seja, no tutano, na essência e sem nada de supérfluo está a arte de Jorge Jesus. No entanto, a beleza desta arte está entregue a Gaitan, Enzo, Markovic e tantos outros que à essência do resultado juntam a tal “nota artística” tão comentada pelo treinador do Benfica. Foi esta síntese entre a arte substantiva e o adorno da beleza adjectiva que aplaudimos no final do jogo com o Rio Ave.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Abril, para publicação na edição de 11/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

 

por Pedro F. Ferreira às 12:30 | link do post

Paciente

O Benfica soube ser muito paciente esta noite e tranquilamente resolveu a questão da passagem às meias-finais da Liga Europa, num jogo controlado de princípio a fim pela nossa equipa e que apenas ficou manchado pela grave lesão do Sílvio.

 

 

Uma vez mais meia dúzia de alterações no onze base do Benfica: Oblak, Enzo, Markovic, Lima, Gaitán e Maxi de fora (os dois últimos por castigo), e nos seus lugares Artur, André Gomes, Salvio, Cardozo, Sulejmani e Sílvio. O jogo começou da pior forma possível, já que praticamente na primeira jogada um choque entre o Sílvio e o Luisão resultou numa grave lesão do nosso defesa lateral, que foi substituído pelo André Almeida. O jogo foi, todo ele, a tender para o monótono. A atitude dos holandeses foi algo bizarra, uma vez que praticamente nunca abdicaram de extremas cautelas defensivas, tendo até durante várias ocasiões andado a perder tempo de forma ostensiva. O AZ meteu constantemente dez jogadores atrás da linha da bola, acantonados em frente à sua área, deixando apenas o avançado só na frente. E quando recuperavam a bola, raramente arriscavam vir para a frente com mais do que três ou quatro jogadores. A ideia com que se fica é a de que o maior receio deles era o de serem goleados caso arriscassem jogar olhos nos olhos, e portanto estava contentes a jogar pelo seguro e esperar por um qualquer lance fortuito que lhes pudesse proporcionar o golo que empataria a eliminatória. Como este tipo de postura não era exactamente um incómodo para o Benfica, não nos lançámos num ataque desenfreado, fazendo sim aquilo que tem sido apanágio da equipa este ano: circulação segura da bola e construção paciente das jogadas, na certeza quase absoluta de que a diferença de qualidade entre as duas equipas acabaria por fazer o jogo pender a nosso favor. Evidentemente que as únicas oportunidades que houve foram todas nossas, e a primeira delas até aparece cedo, num remate em arco do Cardozo de fora da área, que o guarda-redes do AZ defendeu bem. As outras oportunidades mais flagrantes tiveram o mesmo denominador comum: Cardozo. Primeiro viu o guarda-redes defender um remate seu perto da marca de penálti depois de um cruzamento do Rodrigo, e depois não conseguiu acertar na baliza quando estava em posição privilegiada para o fazer. Mas logo a seguir a este lance, quando faltavam cerca de cinco minutos para o intervalo, o Benfica chegou ao golo. O lance nasceu numa cavalgada fantástica do Salvio pela direita, junto à linha lateral, em que correu mais de metade do campo e foi deixando tudo e todos para trás, até centrar para a zona do segundo poste onde apareceu o Rodrigo para encostar. O golo dava justiça ao resultado e acrescentava ainda mais tranquilidade ao nosso jogo. Quanto ao AZ, durante toda a primeira parte, foi literalmente inofensivo. Não me recordo de um remate sequer, ou de uma defesa do Artur.

 

 

Na segunda parte a atitude dos holandeses continuou sem se alterar, mantendo a solidez defensiva como maior preocupação. O jogo foi por isso bastante monótono, sem qualquer lance digno de registo durante os primeiros minutos. Apenas quando se completou a hora de jogo assisti ao primeiro remate digno desse nome por parte do AZ, que passou fraco e rasteiro ao lado da baliza - cinco minutos depois disso voltaram a rematar, e finalmente o Artur foi obrigado a fazer algo que se podia classificar como defesa, embora o lance não tivesse trazido qualquer perigo à nossa baliza. Entretanto o Enzo foi chamado para o lugar do Fejsa, e assim que entrou começou a arrumar a casa, com efeitos práticos visíveis na qualidade do nosso jogo. O nosso segundo golo até surgiu pouco depois, a vinte minutos do final, mas num lance em que o Enzo não teve participação. Mais uma vez o mérito maior pertence inteirinho ao Salvio, que acreditou e insistiu num balão que parecia que levaria a bola a sair, levou a bola até perto da bandeirola de canto, e pressionado por dois adversários conseguiu cruzar por alto, novamente para a zona do segundo poste, onde o Rodrigo apareceu mais uma vez a encostar facilmente para o golo - a defesa holandesa não ficou nada bem na fotografia. Depois deste segundo golo o AZ (que já desde início não parecia ter grande crença na possibilidade de discutir a eliminatória) pareceu abandonar definitivamente qualquer tipo de esperança e relaxou mais em termos defensivos, o que fez com que até final o terceiro golo do Benfica fosse sempre uma ameaça. Falhou-o o Salvio (e bem teria merecido esse golo), que isolado após um passe do Luisão para as costas da defesa viu o seu remate ser defendido pelo pé do guarda-redes, e falhou-o o Cardozo, que não conseguiu controlar a bola após um passe açucarado do Enzo, depois de mais uma daquelas arrancadas em que foi deixando tudo e todos para trás. Um terceiro golo talvez deixasse a diferença de qualidade entre as duas equipas marcada de forma mais vincada, mas o Benfica também nunca pareceu ter necessidade de acelerar mais, e construiu a vitória de forma muito natural e sem grande esforço aparente.

 

 

O Salvio, pelas duas assistências, é o homem do jogo. foi muito bom ver, sobretudo no lance do primeiro golo, o 'velho' Salvio de regresso. Aquele que a complicada lesão nos retirou durante a maior parte da época, e que certamente teria sid muito útil. Mas ainda vem a tempo de ajudar. O Rodrigo teve o mérito de aparecer no lugar certo na altura certa, reforçando a sua confiança - a desmarcação para o primeiro golo é muito boa, e no segundo revelou grande oportunismo. Os centrais estiveram impecáveis, como habitualmente. O Sulejmani baixou muito de rendimento na segunda parte, e o Cardozo continua a revelar ainda muita falta de confiança, mas foi bonito ver e ouvir o apoio do público da Luz ao Tacuara na fase final de um jogo que não lhe correu bem.

 

A única coisa a lamentar foi mesmo a grave lesão do Sílvio. Nos últimos posts que tenho feito, por mais de uma vez o elogiei e revelei a minha vontade de passarmos a contar com ele no plantel de forma definitiva. Espero que possa recuperar rapidamente da lesão, e que esta não seja um entrave à sua eventual contratação. Para mim é um jogador que tem definitivamente lugar no nosso plantel. Quanto à Liga Europa, chegados a esta fase é óbvio que a possibilidade de conquistar um troféu que nos fugiu de forma tão injusta a época passada tem que ser considerada de forma séria. Vamos esperar pelo sorteio de amanhã e ver o que nos reserva. Gostaria de evitar a Juventus, porque não costumamos ser muito felizes contra equipas italianas. Mas a Liga Europa já passou, e quando regressar preocupar-me-ei com ela. Importante agora, mas mesmo importante, é ganhar ao Arouca.

por D`Arcy às 02:21 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Terça-feira, 08.04.14

7 anos

 

Cumprem-se hoje 7 anos de Tertúlia Benfiquista na blogosfera. Cada vez com menos tempo para o blogue e cada vez com mais prazer em participar nesta luta diária pelo benfiquismo. Por cá vamos andando e andaremos.

por Pedro F. Ferreira às 12:15 | link do post | comentar | ver comentários (21)

Classe

Não demos sequer hipótese de haver dúvidas. Na sequência daquilo que temos feito nos últimos jogos em casa para o campeonato marcámos cedo, praticamente resolvemos o jogo ainda na primeira parte, e depois limitámo-nos a gerir e a controlar um adversário que acabou por ser talvez a segunda equipa menos incómoda que passou pela Luz neste campeonato - acho que só mesmo o Sporting conseguiu ser ainda mais inofensivo - deixando a tarefa de animar a segunda parte às pinceladas de classe dos nossos jogadores.

 

 

Duas alterações, esperadas, no onze-tipo: André Almeida no lugar do lesionado Fejsa e Sílvio no do castigado Siqueira. Desde o apito inicial que o jogo teve um só sentido. Nem sequer foi uma cavalgada frenética do Benfica na procura do golo, foi sempre algo feito com paciência e método, mas constante, com a bola a rondar a área e a baliza adversária, e sem que o Rio Ave conseguisse praticamente passar do meio campo. Foi portanto com alguma naturalidade que o Benfica marcou o primeiro golo, quando estavam passados dezassete minutos de jogo. Tudo começou num grande passe do Enzo, a levar a bola da direita para a esquerda do campo. O Sílvio amorteceu-a de primeira para o Gaitán à entrada da área, este tirou um adversário do caminho e em vez de rematar descobriu o Rodrigo dentro da área, que controlou e colocou a bola rasteira junto ao poste. Uma jogada muito bonita e fluida. Não entrámos imediatamente em modo de gestão a seguir ao golo: continuámos a procurar de forma paciente a baliza adversária, pressionando alto e impedindo que o adversário conseguisse sair de forma organizada, para depois causar perigo sempre que a bola era recuperada ainda em zonas adiantadas do campo. Logo no minuto seguinte ao do golo, o Gaitán teve oportunidade para aumentar a vantagem depois de uma dessas recuperações, mas se dessa vez o remate dele foi interceptado por um adversário, o mesmo já não se passou um pouco antes da meia hora, altura em que marcou mesmo. Foi depois de um remate do Rodrigo ter embatido num adversário, levando a bola a subir em balão para cair à entrada da área, onde surgiu o Gaitán para fazer um remate rasteiro de primeira que só parou no fundo da baliza. Jogo praticamente resolvido, mas o Benfica manteve o ritmo e com o Gaitán a espalhar classe de cada vez que a bola lhe chegava aos pés, o resultado parecia estar longe de estar feito. O resultado ao intervalo era lisonjeiro para o Rio Ave, porque o Benfica poderia ter feito o marcador funcionar novamente.

 

 

A segunda parte iniciou-se numa toada mais tranquila. O Benfica resguardou-se um pouco e o Rio Ave conseguiu ser um bocadinho mais atrevido,embora o Oblak tenha continuado a ser pouco mais do que um mero espectador na partida. Mas depois de uns primeiros vinte minutos algo aborrecidos, os nossos jogadores devem ter começado a sentir-se também aborrecidos e resolveram acelerar um pouco e abrir o livro. E em mais uma jogada colectiva muito bonita em que a bola voltou a passar pelos pés de vários jogadores (foi quase um minuto e meio com a bola em nosso poder, 33 passes, e todos os onze jogadores tocaram na bola), no final o Rodrigo deixou de calcanhar para o Maxi, já dentro da área, e este foi derrubado para penálti. Oportunidade flagrante para o recém entrado Cardozo (tinha substituído o Lima) regressar aos golos, e desta vez o paraguaio não facilitou, convertendo o penálti ao seu melhor estilo: bola colocadíssima e em força para um lado, guarda-redes para o outro. Aconteceu aos setenta e sete minutos, e daqui até final a nossa equipa jogou de forma descontraída e alegre, mostrando sempre vontade de marcar mais golos e com o Gaitán, bem acompanhado pelo Enzo, a dar espectáculo. O Djuricic já estava em campo, no lugar do Rodrigo, e também ajudou a revitalizar o nosso ataque. Vimos a nossa equipa construir mais jogadas bonitas que só por muito pouco não acabaram em golo, e mesmo com três golos de vantagem parecia que isso nem se ajustava ao que o Benfica produzia em campo. O marcador compôs-se um pouco mais já em período de descontos, quando o Enzo teve uma das suas arrancadas habituais, deixando tudo pelo caminho até ser derrubado em falta já dentro da área. Chamado novamente para converter, o Cardozo voltou a fazê-lo de forma irrepreensível, enviando novamente a bola para um lado e o guarda-redes para o outro.

 

 

Não creio que tenha havido uma má exibição no jogo de hoje, mas o homem do jogo é indiscutivelmente o Gaitán. Abriu caminho à vitória com a assistência para o primeiro golo e marcou o segundo. Está numa forma fantástica, e neste momento eu fico antecipadamente entusiasmado quando a bola lhe chega aos pés, porque espero que dali saia sempre algo interessante. Depois do jogo apagado em Braga, o Enzo voltou às boas exibições. A importância dele no nosso jogo é imensa, devido às inúmeras opções de ataque que cria. Quando os colegas estão todos marcados e não tem linhas de passe, tem a capacidade para pegar na bola e ir para cima dos adversários, deixando-os pelo caminho. Nessas altuas torna-se verdadeiramente num extremo a jogar pelo meio, e o lance do último golo é um exemplo disso. O Rodrigo continua num grande momento, e o André Almeida cumpriu na perfeição o papel que lhe foi entregue. Não sei qual terá sido o motivo para o 'castigo' que o fez ficar sem jogar durante tanto tempo, mas é um jogador com o qual podemos contar, e é ali no meio campo que pode render mais. Por último, mais uma menção para o Sílvio. Gosto quase sempre de o ver jogar, e se me parece que o Siqueira é excessivamente caro, gostaria que pelo menos o Benfica fizesse os possíveis para manter o Sílvio no plantel.

 

Com esta vitória garantimos que na pior das hipóteses poderemos decidir o campeonato nos próximos dois jogos que faremos em casa, contra Olhanense e Setúbal. Na melhor das hipóteses até poderíamos resolver o assunto já na próxima jornada, mas para isso dependemos ainda de terceiros. A cerca de apenas um mês do final da época, a exibição de hoje deixa-nos cheios de confiança para tudo o que ainda há para jogar e decidir.

por D`Arcy às 01:30 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Sexta-feira, 04.04.14

As boas-vindas

Esta é a terceira vez que digo “bem-vindo sejas” ao Nuno Gomes. A primeira vez já vai longínqua, era a saudação a uma jovem promessa do futebol. A segunda vez já era a saudação a uma certeza do futebol, feita de benfiquismo, de classe e inteligência fora e dentro do campo. O primeiro regresso foi um momento de renovar a esperança no futuro e uma garantia de que Nuno Gomes era um fiel depositário dessa esperança. Regressou já como um capitão, um líder da equipa, independentemente de ostentar ou não a braçadeira. Nas doze épocas de Benfica soube ser e soube estar, soube ser o tempo e o modo, soube ser o profissional, o adepto e assumir o papel de símbolo que a muito poucos está reservado e que, no futebol moderno, é cada vez mais escasso. Para se ser símbolo é necessário ter a mística, a fidelidade, a classe e a paixão pelo Clube. Nuno Gomes soube ter tudo isto. Nos tempos que correm, estes símbolos escasseiam e são essenciais como referência. Depois de ter saído para terminar a carreira noutras paragens (nunca gostei da ideia de o ver jogar por outro clube português que não o nosso), regressa pela segunda vez à nossa casa. Em Maio do ano passado, no aeroporto de Amesterdão, depois de uma final europeia perdida, encontrei o adepto Nuno Gomes, anónimo na multidão, de cachecol, aborrecido com a derrota, mas orgulhoso pelo benfiquismo. Disse-lhe pessoalmente que estava chegado o momento de lhe dar, novamente, as boas-vindas ao Benfica, agora na condição de dirigente. Quase um ano depois, as boas-vindas estão consumadas. O futuro do Benfica constrói-se dirigido, também, com símbolos como Rui Costa e Nuno Gomes. Dêmos, então, as boas-vindas ao futuro.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Abril, para publicação na edição de 04/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 18:34 | link do post

Tranquilo

Exibição quase sempre segura, resultado positivo, boas perspectivas de apuramento para as meias-finais, e gestão do plantel mais uma vez conseguida num jogo tranquilo. Pedir mais do que isto, só mesmo que não tivesse havido a infelicidade da lesão do Rúben Amorim - esperemos que não seja demasiado grave.

 

 

Como esperado, muitas alterações em relação ao onze-tipo do Benfica. A defesa foi a habitual, mas na baliza jogou o Artur. No meio campo, Rúben Amorim e André Gomes, com o Salvio e o Gaitán nos flancos. E na frente tivemos a dupla Rodrigo/Cardozo. Fiquei um pouco surpreendido com a não titularidade do Djuricic e do Sulejmani. Como ambos os jogadores conhecem bem o campeonato holandês, pensei que o Jorge Jesus apostasse neles, até mesmo para manter a lógica que ele tinha dito estar por detrás da titularidade do Sílvio em Braga. O início de jogo foi complicado para o Benfica, como AZ a ter mais bola e a tentar pressionar bastante, enquanto que nós assumimos uma atitude mais expectante, para tentar manter o jogo num ritmo mais calmo. Os holandeses rondaram mais a nossa baliza, tiveram um cruzamento/remate que deixou a sensação de perigo, e apenas ao fim do primeiro quarto de hora o Benfica deu o primeiro sinal de inconformismo, numa boa acção de toda a equipa que levou a bola a andar durante algum tempo nas imediações da área do AZ, sem que no entanto tivéssemos descobrir uma aberta para o remate. Ficou no entanto a sensação que se o Benfica quisesse apertar um pouco, conseguiria encostar os holandeses atrás. Mas pouco depois disso foram os holandeses quem, no espaço de apenas um minuto, tiveram duas grandes oportunidades para inaugurar o marcador, e nas duas vezes o Artur respondeu da melhor forma. Primeiro ao defender com a perna o remate de um adversário isolado, e depois com uma palmada a afastar um remate que levava muito perigo à nossa baliza. Embora estivesse longe de assim o parecer, a verdade é que essas duas oportunidades foram praticamente o canto do cisne do AZ no jogo, porque a seguir a isso o Benfica espevitou e tomou conta do jogo, não voltando a permitir grandes veleidades ao adversário (apenas à beira do intervalo o Artur foi obrigado a nova intervenção um pouco mais esforçada). A bola passou a aparecer mais vezes junto da baliza holandesa, e os remates começaram a aparecer mais frequentemente, ainda que sem a direcção desejada. Perto do intervalo aconteceu o infortúnio da lesão do Rúben Amorim, que a julgar pela reacção dele (saiu do campo em lágrimas) pode ser grave. Para o seu lugar entrou o André Almeida.

 

 

O regresso para a segunda parte foi perfeito. Logo no reinício o Salvio ficou perto de marcar, a passe do Gaitán. E com três minutos decorridos, marcou mesmo. Depois do Cardozo ter aproveitado uma má intervenção de um defesa adversário para se isolar e ver o seu remate defendido pelo guarda-redes, na recarga sobre o limite da área, em pontapé de moinho, o Salvio atirou para a baliza deserta. O golo teve bastante impacto no jogo: o AZ acusou-o imenso e ficou meio perdido em campo, enquanto que o público no estádio ficou praticamente silenciado. Nos minutos que se seguiram o Benfica construiu jogadas e oportunidades para voltar a marcar, tendo sido então a vez do AZ ser salvo pelo seu guarda-redes com algumas intervenções decisivas. Noutras ocasiões foi mesmo por falta de acerto que a bola não entrou (estou a recordar-me da situação em que quase em cima da linha de golo o Rodrigo não conseguiu acertar bem na bola e enviou-a para a bancada) ou por mau aproveitamento de situações que exigiam melhores decisões - uma jogada sobre o final em que fazemos um contra-ataque com três jogadores para dois defesas adversários e acabámos por não conseguir sequer rematar é o melhor exemplo disso. O facto relevante é que durante toda a segunda parte o 2-0 para as nossas cores foi quase sempre uma possibilidade, enquanto que os holandeses tentavam atacar de forma descoordenada e praticamente não conseguiram levar qualquer perigo à nossa baliza. Houve apenas um momento de tensão, já mesmo a acabar o jogo, quando o Artur teve a única falha durante os noventa minutos e após ter saído ao limite da área para agarrar um cruzamento acabou por largar a bola, mas a nossa defesa acabou por resolver o problema.

 

 

Apesar desta falha mesmo a acabar, o Artur é um dos destaques da nossa equipa. As defesas que fez no período inicial do jogo, em que o AZ esteve mais perigoso, foram fundamentais, e as coisas poderiam ter-se complicado se os holandeses tivessem chegado ao golo cedo. Para não variar, voltei a gostar dos nossos centrais, e em especial do Garay. O Salvio vai regressando à melhor forma, e hoje para além do golo gostei do trabalho defensivo que fez, até porque o Maxi continua a dar muito espaço atrás sempre que sobe. Bom jogo do Gaitán (continuo extremamente agradado com a evolução táctica dele e a forma como ajuda a defender e a lutar pela recuperação da bola), e estava a gostar de ver o Rúben Amorim. Nada mal também o André Almeida, sobretudo se tivermos em conta que entrou praticamente a frio e há meses que não jogava. O André Gomes é frequentemente criticado por ser 'lento', mas eu honestamente gosto de o ver jogar e irrita-me um bocado essa mania. Nem todos os jogadores têm que jogar de forma eléctrica, e agrada-me que ele pareça sempre já saber o que fazer à bola quando a recebe. Além disso é inteligente na movimentação em campo, e praticamente nunca é desarmado quando tem a bola nos pés.

 

 

Foi mesmo uma noite europeia praticamente perfeita para nós, e agora se mantivermos a concentração não deverá ser complicado assegurarmos a passagem às meias-finais, porque temos muito mais futebol do que este AZ. Agora é mais uma vez altura de voltarmos a pensar muito a sério no próximo jogo do campeonato, porque muito do possível sucesso desta época deverá passar pela capacidade para conseguirmos arrumar a questão do título o mais cedo possível. Vou também ficar a torcer para que a lesão do Rúben não seja grave. É um jogador muito útil e que nos faz muita falta.

por D`Arcy às 02:31 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 31.03.14

Passo

Mais uma vitória importantíssima, e mais um passo dado em direcção ao título. O jogo não foi dos mais conseguidos na vertente artística, tendo o Benfica talvez abusado um pouco na gestão do esforço, mas o que interessava mais hoje era mesmo o resultado, e por isso podemos considerar que a missão foi cumprida a contento.

 

Regresso dos titulares que tinham ficado de fora no último jogo, sendo a única alteração no onze habitualmente titular a presença do Sílvio na direita de defesa em vez do Maxi. Desde o apito inicial que deu para perceber que não iríamos ter vida fácil, porque o Braga entrou a pressionar de forma bastante agressiva e com a equipa a jogar muito compacta e subida no campo. Mas durante os primeiros minutos o Benfica conseguiu sair dessa pressão e através de movimentações rápidas na frente criar algumas situações de perigo. O primeiro aviso foi dado pelo Gaitán, que depois de se desmarcar e ultrapassar o guarda-redes rematou com o pior pé à rede lateral. O mesmo Gaitán voltou a ter uma boa ocasião, na qual finalizou mal, e pouco depois, aos treze minutos de jogo, o Benfica colocou-se em vantagem. Arrancada do Rodrigo pela esquerda, a percorrer todo o meio campo do Braga, e depois, já junto da linha de fundo, deixou o marcador directo para trás com uma finta e centrou rasteiro para a finalização do Lima, que se tinha desmarcado bem entre os defesas contrários. Novamente a dupla de avançados a fazer estragos. Colocarmo-nos em vantagem cedo era o melhor que poderíamos fazer para simplificar a tarefa, mas a seguir ao golo o Benfica baixou demasiado o ritmo. Nem sequer posso considerar que o que fizemos foi gestão do jogo ou do resultado, porque isso já o vi ser feito pela nossa equipa com resultados magros. Hoje não procurámos guardar a bola do adversário, mas sim tentar impedir que o adversário pudesse criar ocasiões de perigo. E não conseguimos no entanto criar ocasiões para chegar a um segundo golo que nos desse mais tranquilidade, pois revelámos dificuldades em libertarmo-nos da pressão do Braga de forma eficiente, que nos permitisse as habituais transições rápidas para o ataque - neste aspecto notou-se o jogo menos feliz do Enzo hoje. Verdade seja dita que fomos relativamente eficazes na tarefa de manter a nossa baliza longe de perigo, já que apenas na sequência de um canto o Braga ameaçou seriamente marcar - mas em mais de uma ocasião foi necessário que o nosso último defesa fizesse um corte no limite para evitar males maiores.

 

A segunda parte foi mais animada, tendo no início ficado com a impressão de que o Benfica iria tentar procurar o segundo golo. Durante os primeiros minutos atacámos mais e levámos perigo à baliza do Braga, mas depois o Braga respondeu com um cruzamento perigoso, ao qual o seu jogador não soube dar o melhor seguimento (falhou a primeira emenda, e depois tentou uma finalização de calcanhar) e o Benfica pareceu retrair-se. E portanto, durante um longo período da segunda parte voltámos a assistir ao mesmo cenário da primeira parte, em que o Benfica não geria coisa nenhuma e apenas se limitava a tentar defender bem e evitar que o Braga conseguisse causar perigo. Mas embora tenhamos sido eficazes nisto, já que o Oblak praticamente não teve trabalho nem foi obrigado a qualquer intervenção mais complicada, durante todo este tempo permaneceu sempre a tensão de sabermos que a vantagem era magra, e que um golo fortuito pode acontecer a qualquer altura. A meio do segundo tempo entrou o Rúben Amorim, mas tacticamente não mudámos a nossa forma de jogar, já que foi uma troca directa com o Enzo. A equipa ganhou alguma solidez com esta troca, já que como disse antes o Enzo hoje não esteve nos seus melhores dias. Mas apenas nos últimos dez minutos é que o Benfica voltou a aparecer novamente com mais insistência no ataque, talvez aproveitando alguma fadiga do adversário, que já concedia mais espaço para sairmos para o ataque - a forma como correram e tentaram pressionar durante quase todo o jogo já devia fazer-se sentir nas pernas por essa altura. Já no período de descontos assisti ao evento raríssimo de ver o Pedro Proença assinalar um penálti a favor do Benfica (juro que não me lembro da última vez que tal aconteceu, se é que alguma vez tinha acontecido). Incompreensivelmente, estando o Lima em campo, foi o Rodrigo quem tentou converter, e falhou. Não sei qual foi o motivo para a escolha - talvez recompensá-lo por ter sido dos melhores - mas o Lima ultimamente tem sido irrepreensível na marcação de penáltis, e além disso com o golo poderia aproximar-se mais do topo da tabela dos melhores marcadores, com a motivação extra que isso poderia representar. É certo que o jogo estava quase no final, mas dada a importância do mesmo não me pareceu correcto facilitar assim.

 

Não fosse o penálti falhado e talvez escolhesse o Rodrigo como o melhor jogador do Benfica esta tarde. Está muito confiante, a jogada do golo é muito boa, e de cada vez que consegue arrancar com a bola controlada ficamos à espera que saia dali perigo. A defesa no geral esteve bem, e o Gaitán foi outro dos mais activos no ataque.

 

Ficam agora a faltar oito pontos para garantir o título, o que significa que, com três jogos por disputar em casa, bastará vencê-los para resolver o assunto. Quanto mais cedo conseguirmos resolver isto, melhor, porque então poderíamos inverter a programação e passar a fazer a gestão de esforço no campeonato, para nos concentrarmos nos restantes objectivos que ainda podem ser conquistados. Do jogo de hoje trazemos uma vitória importantíssima e difícil, e a certeza de que estamos cada vez mais próximos do merecidíssimo título de campeão.

por D`Arcy às 00:58 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Sexta-feira, 28.03.14

O Destino não nos dá tréguas

Quando, após aquele final de época 2012/13 em que do tudo nos restou o nada, a Direcção do Benfica renovou com Jorge Jesus, eles, os especialistas, garantiram que se acabara de perder o actual campeonato. Nós, que vivemos o benfiquismo, não acreditámos. O mesmo aconteceu quando Cardozo ficou no plantel e tantos peroravam como isso seria fatal para a época corrente. Com a derrota na primeira jornada, acentuou-se a ladainha do apocalipse. À terceira jornada e com apenas uma vitória, eles, os especialistas, já nos tinham feito a extrema-unção e encomendado a alma. Quando estivemos a cinco pontos do primeiro lugar (à época ocupado pelo FCP da estrutura perfeita) aconselharam-nos a começar a preparar a nova época. Os empates caseiros com Arouca e Belenenses fizeram com que os especialistas garantissem a infalibilidade das suas teses. A suspensão de Jorge Jesus por um mês deu aos especialistas permanentes e aos abutres de ocasião a oportunidade para fazer sangue, acertar contas antigas com o treinador e garantir a falência desportiva da época. Mais tarde, foi a lesão de Cardozo a dar-lhes o alento para agoirarem (vindo dos especialistas, até os agoiros são científicos) a época. Atendendo a que a realidade sempre se encarregou de desmentir os seus desejos disfarçados de opiniões, esperaram pela saída de Matic para garantir que isso é que faria com que deixássemos de contar para a vitória no campeonato. Sempre que eles, os especialistas, garantiram que tínhamos o campeonato perdido, nós, os que vivemos o benfiquismo, não acreditámos e continuámos, com os nossos, a lutar. Agora, porque faltam seis jornadas e temos sete pontos de avanço para o segundo classificado e doze para o terceiro (o FCP da estrutura perfeita), eles, os especialistas, querem convencer-nos de que temos o campeonato ganho. E nós, os que vivemos o benfiquismo, continuamos a não acreditar neles, pois sabemos que em Portugal só há um clube que ganha de véspera e nós, Benfica, não ganhamos nem perdemos de véspera. Lutamos sempre para construir permanentemente um destino que não nos dá tréguas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24 de Março, para publicação na edição de 28/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 27.03.14

Desvantagem

Jogo pouco inspirado do Benfica, particularmente durante os primeiros minutos, e que foi justamente penalizado por uma derrota pela margem mínima, devido a um golo sofrido ainda muito cedo - precisamente na pior fase do Benfica no jogo.

 

A coerência com o discurso de termos como principal aposta vencer o campeonato manteve-se: deixámos seis titulares de fora para este jogo. Mantiveram-se o Maxi, Luisão, Garay, Fejsa e Rodrigo, completando o onze o Artur, Sílvio, Sulejmani, Salvio, Rúben Amorim e Cardozo. Não fiquei nada surpreendido com esta opção: esperava-a e, mais do que isso, desejava-a. A entrada do Benfica no jogo foi má (toda a primeira parte foi bastante fraca, aliás) e a do Porto foi forte. Foi recompensada muito cedo, logo aos seis minutos, num golo de cabeça do Jackson após a marcação de um canto, em que se antecipou ao Garay. O Benfica foi quase inofensivo no ataque, porque raramente conseguia sair de forma rápida e organizada. O Porto teve muito mais posse de bola, mas nunca chegámos a assistir a qualquer massacre à baliza do Artur - foram muito poucos os remates feitos, e as oportunidades de golo ainda menos. Mas as poucas que aconteceram, quase todas para o Porto, foram perigosas. A maior de todas deixou o Varela cara a cara com o Artur, num lance em que não percebo como é que o Fernando não viu um vermelho directo pela entrada horrível que teve sobre o Fejsa (foi de tal forma que provavelmente por vergonha a SportTV não mostrou mais do que uma repetição sorrateira). O Artur correspondeu com uma defesa miraculosa com a ponta da bota. As respostas do Benfica foram muito tímidas, e apenas me lembro de um mau cabeceamento do Rodrigo (nem acertou com a cabeça na bola, mas sim com o ombro) quando estava em posição para fazer melhor, e uma bola solta na área que o Maxi rematou contra os defesas do Porto.

 

A segunda parte foi mais equilibrada. O Benfica não pareceu particularmente incomodado com a desvantagem, e preocupou-se mais em controlar o ritmo do jogo. Prova disto o facto de apenas a quinze minutos do final o Porto ter feito o primeiro remate da segunda parte, pelo Herrera (remate perigoso, diga-se). As substituições feitas (entradas de Gaitán, Lima e Markovic, já na fase final do jogo) fizeram com que o Benfica se atrevesse um pouco mais no ataque, mas o jogo continuou a ser de muito poucas oportunidades de golo, ainda que a bola aparecesse mais vezes junto de uma e outra baliza. O Benfica criou apenas uma grande ocasião para marcar, através de um pontapé de canto no qual o Rúben Amorim apareceu solto na área a rematar, mas o Fabiano correspondeu com uma grande defesa. Houve ainda mais um cruzamento perigoso, que o Fabiano afastou e depois o Markovic não conseguiu fazer o chapéu de primeira, passando a bola perto do alvo. Mas a melhor ocasião foi mesmo do Porto, num remate do Jackson ao poste, com a sorte da bola depois ressaltar para o alívio do Luisão e não de outro jogador do Porto que estava em boa posição. Para além disso, já muito perto do final, o Porto libertou dois jogadores nas costas da nossa defesa mas depois o passe final do Quintero não saiu.

 

Não houve destaques esta noite, num jogo cinzento da nossa equipa. Mas houve decepções. Eu gosto do Cardozo e por isso custa-me escrever isto, mas neste momento jogar com ele na equipa é jogar com dez. Não creio que consiga fazer uma contribuição positiva que seja. Chega atrasado a todos os lances, perde todas as bolas divididas, e às vezes parece totalmente alheado do jogo. Jogo muito fraco também do Sulejmani, particularmente pelo elevado número de vezes que conseguiu perder a bola devido a agarrar-se demasiado a ela. O Salvio também continua muito longe da melhor forma, e o Maxi não me dá segurança a defender.

 

A opção pelo campeonato foi bastante clara neste jogo, e sobre isso não tenho nada a criticar. Se vencermos em Braga no domingo, considerarei esta semana positiva. Acho no entanto que, mesmo tendo em conta a rotatividade, poderíamos ter feito um pouco melhor, sobretudo no ataque - marcar um golo teria sido muito importante. Quanto à Taça de Portugal, a desvantagem de um golo está muito longe de ser irrecuperável. A jogar na Luz, e com uma equipa mais completa, não tenho dúvidas de que o Benfica tem capacidade mais do que suficiente para dar a volta ao resultado e conquistar o direito a regressar ao Jamor. Mas isso é coisa para pensarmos na altura, e nem vou preocupar-me demasiado a digerir este resultado - e não, isto não é abdicar da Taça de Portugal, que também desejo, e muito, vencer; é racionalizar e lembrar-me que isto é uma eliminatória a duas mãos, que temos a segunda mão em nossa casa e que a desvantagem é mínima. Mas a prioridade tem mesmo que ser vencer em Braga.

por D`Arcy às 01:01 | link do post | comentar | ver comentários (55)
Quarta-feira, 26.03.14

Vamos lá a ver se nos entendemos...

Jorge Jesus, eu vou dizer isto muito devagarinho para ver se o senhor percebe de vez: N.Ã.O S.E O.F.E.R.E.C.E B.A.L.Õ.E.S D.E O.X.I.G.É.N.I.O À.S F.O.R.Ç.A.S D.O M.A.L!!! Eu já sei que isto é só a 1ª parte da eliminatória, ainda temos o jogo da 2ª mão, nada está perdido, o campeonato é que é o mais importante (e é) etc. e tal, MAS, e este MAS é muito relevante, quis o destino que tivéssemos que defrontar o CRAC para as duas taças: E NÃO SE OFERECEM VITÓRIAS AO CRAC NEM NO TORNEIO DO BERLINDE!!! Derrotá-los nestas duas taças significa deixá-los a zeros no que toca a títulos e não se pode perder uma oportunidade destas! (Escuso de lhe recordar as humilhações a quem fomos sujeitos, com o senhor a treinador, em mais do que um jogo contra eles nos últimos quatro anos, não escuso? Não acha que já está mais que na altura de pagar isso com juros?!)

 

"Rodar a equipa"? Tudo muito certo, mas jogar com nove durante 77' (neste momento, o Cardozo e o Salvio não contam para o Totobola) e ainda por cima tirar o nosso melhor jogador (Rodrigo) aos 67' é... como dizer... estúpido! Perante um CRAC muito fraco (mas que mesmo assim poderia ter marcado mais golos, dado que a nossa defesa fartou-se de dar abébias), é INCONCEBÍVEL que tenhamos perdido o jogo da maneira que perdemos. Colocámos em risco a qualificação para a final da Taça de Portugal (a propósito, os jogos consecutivos a marcar e tal é muito bonito, mas já não ganhamos uma dobradinha há 26 anos...!) por única e exclusiva culpa nossa. Ou melhor, sua!

 

Ah, e por último, já que iremos ter que ir ao antro (pelo menos) mais duas vezes até final da época, se calhar já estava mais que na altura de não entrarmos em campo com medo do adversário (aliás, se me permite a pergunta: medo, porquê?!), pode ser? É que aquela 1ª parte, perante um adversário que está a 12 pontos de nós no campeonato, foi confrangedora...

por S.L.B. às 23:05 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Terça-feira, 25.03.14

Braga

 

No próximo domingo, em Braga, teremos que estar ao nosso melhor nível e ser simplesmente perfeitos, já que iremos defrontar o adversário mais difícil da época. Estava guardadinho para a fase mais decisiva.

por D`Arcy às 15:20 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Segunda-feira, 24.03.14

Passeio

Três golos, outras tantas bolas nos ferros, jogadas de alta qualidade estética e oportunidades mais do que suficientes para construir um resultado ainda mais folgado. O Benfica fez com que este jogo de fim de tarde contra a Académica acabasse por parecer ser pouco mais do que um mero passeio.

 

 

Uma única alteração no onze habitual do Benfica, apresentando o Sílvio na lateral direita em vez do Maxi Pereira. Nem sequer foi uma entrada das mais fortes do Benfica no jogo, mas a exemplo do que tem acontecido na maior parte dos jogos em casa esta época, chegámos ao golo bastante cedo - praticamente na primeira verdadeira ocasião de perigo que criámos. Foi aos onze minutos, numa jogada entre o Rodrigo e o Lima. O Rodrigo atirou ao poste, e depois o Lima conseguiu meter o pé e desviar para a baliza a tentativa de alívio do defesa da Académica. A partir deste momento tudo se tornou ainda mais fácil para o Benfica, que nunca deu sequer a impressão de ter realmente carregado a fundo no acelerador. Mesmo com a Académica a nunca abandonar o esquema cauteloso de duas linhas de defesa bem juntas, o talento e concentração dos nossos jogadores e uma ideia muito definida de jogo chegaram e sobraram. Antes de cumprida a meia hora de jogo (e com um penálti por assinalar a nosso favor pelo meio) o Benfica duplicou a vantagem, numa jogada de equipa muito bonita. Numa ocasião em que a Académica procurou pressionar alto, já bem junto à nossa área, os nossos jogadores nunca perderam a calma e libertaram-se da pressão fazendo a bola circular de pé para pé entre os seus jogadores, viajar da esquerda até à direita, onde o Sílvio avançou com ela no terreno, desmarcou o Markovic, e dos pés do sérvio saiu um cruzamento rasteiro para a zona do segundo poste, onde o Lima finalizou com facilidade. Continuou o Benfica a dominar completamente o jogo com enorme facilidade, e foi uma pena que mesmo em cima do intervalo não tivesse chegado ao terceiro golo em mais uma jogada fantástica de toda a equipa, que incluiu três passes de calcanhar, e que deixou o Siqueira em frente ao guarda-redes. Infelizmente o remate dele foi defendido - teria sido perfeito se tivesse tocado a bola para o lado, onde tinha o Gaitán completamente sozinho.

 

 

O domínio absoluto e tranquilo do Benfica no jogo continuou na segunda parte. E com a ameaça constante de voltar a marcar. O Benfica nem sequer precisava de carregar muito, simplesmente conseguia manter a bola em seu poder com relativa facilidade, e depois aproveitava as movimentações dos seus jogadores para ir explorando os espaços concedidos para se aproximar da baliza adversária. O terceiro golo chegou quando se finalizava o primeiro quarto de hora: bola recuperada pelo Enzo a meio do meio campo adversário, tabela com o Rodrigo, e finalização à saída do guarda-redes, já em desequilíbrio após ter sido empurrado pelo adversário (era lance para penálti). Logo a seguir, o Rodrigo ficou muito perto de fazer o golo que bem merecia, mas o remate, já de ângulo apertado depois de ultrapassar o guarda-redes, bateu no poste. A seguir foi o Fejsa quem ficou perto do golo. O resultado prometia não ficar por ali, mas com uma vantagem tão confortável no marcador o Benfica relaxou mesmo, e depois das saídas do Gaitán, Rodrigo e Enzo (por troca com o Salvio, Cardozo e Amorim), a velocidade ficou mais reduzida e o jogo perdeu bastante interesse. Deu até para a Académica, quando faltavam pouco mais de vinte minutos para o final, criar a primeira ocasião de perigo no jogo, num cabeceamento que passou bem perto do poste da nossa baliza. Um livre que também passou perto do poste, pouco tempo depois, completou a produção ofensiva da Académica durante todo o jogo, isto numa altura em que o Benfica já permitia à Académica ter um pouco mais a bola e até jogar no nosso meio campo. Mas mesmo assim foi o Benfica quem voltou a estar perto de aumentar a vantagem, e por duas vezes, já muito perto do apito final. Na primeira o Salvio voltou a enviar a bola aos ferros da baliza da Académica, e na segundo o Lima falhou o hat trick, permitindo a defesa ao guarda-redes - poderia ter tocado para o lado, onde tinha o Cardozo completamente sozinho.

 

 

Toda a equipa esteve num bom nível e bastante homogénea. O Lima merece o natural destaque pelos dois golos marcados, mas hoje também pareceu mais solto e confiante. O golo de bola corrida marcado ao Nacional deve ter-lhe feito bem. O Rodrigo voltou a ser preponderante na manobra ofensiva da equipa, e bem merecia ter saído do campo com um golo. Depois de um par de jogos mais discretos, o Enzo voltou a subir de nível, a dupla de centrais exibiu a categoria habitual e o Fejsa ajudou a voltar a fechar os caminhos para a nossa baliza. O Sílvio exibiu a competência do costume (sinceramente, acho que me sinto mais seguro com ele a jogar do que com o Maxi).

 

Jornada positiva porque mantivemos a vantagem sobre o segundo classificado, e agora falta menos um jogo para o final. Positivo também o facto de termos 'descomplicado' o jogo bastante cedo, o que nos permitiu fazer uma boa gestão de esforço antes de uma sequência de jogos importantes e potencialmente complicados que se avizinham - fiquei com a sensação de que a equipa não teve mesmo que se esforçar muito, e que chegou ao final do jogo bastante fresca. Muito se vai jogar nos jogos que se seguem. Confio que a nossa equipa consiga manter o nível que tem exibido ultimamente, e que apoiada pela nossa incomparável massa associativa (49.320 espectadores hoje) consiga aproximar-se ainda mais dos seus objectivos.

por D`Arcy às 00:57 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sexta-feira, 21.03.14

Dispensável

Um empate a dois golos com o Tottenham confirmou um apuramento para os quartos-de-final da Liga Europa que já tinha ficado praticamente assegurado na primeira mão. Mas a exibição do Benfica hoje, sobretudo na parte final do jogo, foi no mínimo sofrível, e causou-nos alguma ansiedade que era perfeitamente dispensável, tendo mesmo chegado a colocar a eliminatória em risco.

 

 

O Benfica entrou em campo com a defesa habitual, mas daí para a frente mudou tudo. Nada de surpreendente, tendo em conta a gestão que tem sido feita na Liga Europa e o resultado trazido da primeira mão. Amorim e André Gomes no meio campo, Salvio e Sulejmani nas alas, Djuricic e Cardozo na frente. Entrámos no jogo como esperava, num ritmo pausado e a a tentar controlar a posse de bola. O Tottenham era quem precisava de assumir a iniciativa, mas também não parecia disposto a arriscar demasiado. Mas foi ainda assim a equipa mais objectiva na procura da baliza adversária, tendo conseguido construir duas boas situações de golo, ambas desperdiçadas pelo Soldado. O Benfica jogou quase sempre a uma velocidade bastante calma, sem fazer aquelas saídas rápidas para o ataque que nos são características - a presença do Cardozo (na forma em que se encontra) na frente fez muita diferença em relação ao que temos visto ultimamente. Também me pareceu que explorámos pouco os cruzamentos para a área, tendo em conta os problemas que o Tottenham tinha no centro da defesa, vendo-se mesmo obrigado a jogar com uma adaptação (Sandro). O jogo foi portanto bastante desinteressante na maior parte do tempo, e quando o Benfica chegou ao golo, praticamente na única oportunidade digna desse nome que criou, ainda mais desinteressante ficou, porque o Tottenham pareceu acusar o golpe e perdeu a pouca iniciativa que tinha mostrado até então. O golo surgiu aos trinta e quatro minutos, numa entrada do Salvio pela direita que terminou com um cruzamento muito bem medido para a o cabeceamento fulgurante do Garay. Depois disso, nada mais de realce aconteceu até ao intervalo.

 

 

A segunda parte foi ainda mais morna. Para o Benfica, naturalmente, com a vantagem que tinha no marcador e na eliminatória, o que lhe interessava era mesmo deixar correr o relógio e aguardar pelo final do jogo. O Tottenham arriscava ainda menos do que na primeira parte, parecendo ter receio de ser surpreendido por algum contra-ataque do Benfica que ampliasse o resultado. Creio que esta toada do jogo foi de tal forma aborrecida que o Benfica praticamente adormeceu no jogo, confiando que o Tottenham estaria entregue ao seu destino e exibindo mesmo alguma sobranceria. Além disso, a partir do meio da segunda parte pareceu-me que o Salvio 'deu o berro' fisicamente, e passamos a jogar com nove - estávamos a jogar com dez desde o início do jogo, dada que o Cardozo esteve num daqueles dias em que está mais virado para assistir ao jogo do que para participar nele. Por isso a primeira substituição feita surpreendeu-me. Quando faltavam vinte minutos para o final entrou o Enzo para o lugar do Djuricic, para reforçar a presença no meio campo, mas os referidos dois jogadores mantiveram-se em campo (e o Sulejmani também já não me parecia estar nas melhores condições). Cinco minutos depois foi a vez de finalmente trocar o Cardozo pelo Lima, mas a doze minutos do final começaram os problemas. No espaço de um minuto, e quando nada o fazia prever, o Tottenham marcou dois golos de rajada e de repente ficou apenas a um de igualar a eliminatória. E com isto o Benfica tremeu, enquanto que o Tottenham acreditou e cresceu, tendo criado uma nova situação de golo quase de seguida, salva por um corte do Luisão. O jogo abriu, o Benfica ainda respondeu numa situação em que o Salvio poderia ter feito muito melhor do que rematar para as mãos do Friedel, mas foi o Oblak quem nos salvou já em tempo de compensação, com uma grande defesa a negar o golo que empataria a eliminatória. Praticamente na resposta, naquela que seria a última jogada do encontro, o Lima sofreu um penálti claro e converteu-o, evitando a derrota já que árbitro terminou de imediato o jogo.

 

 

Não é fácil fazer grandes destaques num jogo destes, em que passámos grande parte do tempo a jogar devagar. Gostei do Salvio enquanto teve forças, o Amorim também parece não saber jogar mal, e a dupla de centrais esteve relativamente bem, não me parecendo ter culpas nos golos sofridos - no segundo o Luisão tentou colocar o adversário em fora-de-jogo, mas foi demasiado no limite. No extremo oposto esteve o Cardozo. Continua a mostrar uma enorme falta de ritmo, mas pior que isso, hoje pareceu mostrar também muita falta de vontade. E Djuricic mais uma vez não aproveitou a oportunidade.

 

Vencemos a eliminatória, que foi o mais importante, rodando jogadores e num jogo em que, dada a velocidade a que se jogou na maior parte do tempo, não terá havido grande desgaste físico para os titulares que alinharam. Não deixa de ser preocupante o abanão naqueles minutos finais, que poderiam ter deitado tudo a perder. Gerir o resultado sim, mas sobranceria e excessos de confiança são desnecessários e nada aconselháveis, por isso espero que o que se passou hoje tenha servido de aviso. Agora quero é ganhar à Académica. Vai ser um jogo difícil, dirigido por um árbitro em quem não confio nada.

por D`Arcy às 00:42 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Terça-feira, 18.03.14

Juniores

 

Está mais uma vez de parabéns a nossa equipa de juniores, que foi a Inglaterra carimbar o apuramento para as meias-finais da UEFA Youth League, derrotando o Manchester City por 2-1 (golos de Gonçalo Guedes - para mim um dos jogadores mais promissores desta equipa - e Estrela). Na final four, a disputar na Suíça, iremos disputar o acesso à final com o Real Madrid.

Quem acompanha a nossa formação sabe do bom trabalho que tem vindo a ser feito ao longo dos últimos anos. As nossas equipas conquistam cada vez mais títulos, e as convocatórias das selecções jovens começam cada vez mais a ter uma maioria de jogadores benfiquistas (a última convocatória, a semana passada, para os sub-17 foi uma autêntica cabazada). Falta agora o passo final, que é num futuro não muito distante podermos começar a ver alguns destes jogadores a aparecer no plantel principal.

por D`Arcy às 22:18 | link do post | comentar | ver comentários (12)

Reacção

Mais uma vitória importantíssima para a conquista do título, num jogo em que entrámos mal mas onde também tivemos uma reacção muito boa e demos a volta a um resultado adverso, deixando mais uma boa demonstração da enorme confiança que existe na nossa equipa e da qualidade do nosso plantel.

 

Apenas a alteração esperada no onze que vem sendo habitual, o Rúben Amorim no lugar do castigado Fejsa. O Benfica teve uma má entrada no jogo - ou, vistas as coisas de outra maneira, foi o Nacional quem entrou muito bem. Bastante agressivos e a pressionar alto, os jogadores do Nacional mantinham o Benfica no seu meio campo e não davam tempo nem espaço para que saíssemos a jogar de forma organizada. E cedo tiveram a recompensa, chegando à vantagem com seis minutos decorridos, através de um penálti. O golo sofrido não motivou uma reacção imediata do Benfica, que continuou a mostrar algumas dificuldades para impor o seu futebol. Só depois dos vinte minutos de jogo é que o Benfica deu o primeiro ar da sua graça no jogo, num remate do Rodrigo que quase deixou a sensação de golo, levando a bola à malha lateral. E pouco tempo depois (aos vinte e quatro minutos) chegámos ao empate, num golo bonito que começou com um cruzamento rasteiro do Markovic na direita, para depois o Rodrigo no interior da área amortecer e deixar a bola redondinha para o remate de primeira do Lima. A partir daqui soltou-se o vendaval ofensivo do Benfica, e o Gaitán, Markovic, Lima e Rodrigo passaram a executar um carrossel ofensivo que parecia incontrolável. As oportunidades começaram a aparecer, e o Gaitán por duas vezes teve o golo nos pés (ainda me parece incrível como não marcou na segunda dessas ocasiões), mas quase nem deu tempo para ficar irritado com isso, já que na jogada seguinte o Rodrigo apanhou a bola na direita, flectiu para o meio e desferiu um pontapé indefensável ao ângulo. Um golão. Estavam decorridos trinta e três minutos, o que significa que no espaço de nove minutos o Benfica tinha construído quatro oportunidades flagrantes de golo e dado a volta ao resultado. Não parou de atacar o Benfica, enquanto o Nacional procurava responder sempre, e o jogo entrou numa toada muito animada, disputado em grande velocidade e com a bola a viajar rapidamente de um lado ao outro do campo. Mas o Benfica mostrava ser mais forte, e quase sobre o intervalo dilatou a vantagem, num canto marcado pelo Enzo para a zona do segundo poste, onde surgiu o Garay quase sobre a linha final a cabecear a bola, levando-a a bater ainda no poste mais distante e a entrar. Pareceu-me que a intenção seria colocar a bola na frente da baliza para que alguém finalizasse, mas o forte vento que se fez sentir terá dado uma ajuda a que a bola entrasse directamente.

 

Com uma vantagem relativamente confortável ao intervalo, impunha-se baixar o ritmo de jogo na segunda parte, e foi o que o Benfica foi fazendo sem grande dificuldade. Procurando contra-atacar apenas pela certa e mantendo a bola na sua posse o máximo possível, o Benfica conseguiu que o jogo fosse bem mais lento e quase sem qualquer ocasião de perigo. Nem sequer esperava que houvesse algum sobressalto, dado que noutras ocasiões esta época já vimos o Benfica a gerir tranquilamente resultados mais magros. Mas de forma algo inesperada, já que salvo uma saída um pouco mais apertada para aliviar uma bola com os pés depois de uma falha do Siqueira, o Oblak tinha sido pouco mais do que um espectador na segunda parte, o Nacional reduziu a diferença quando faltavam dez minutos para o final. Aproveitando a subida da equipa do Benfica no terreno, um contra-ataque rápido (no qual me pareceu que terá havido alguma hesitação do Oblak em sair imediatamente da baliza) deixou o Djaniny numa situação de finalização simples. Depois de parecer que tínhamos o jogo completamente controlado, adivinhavam-se agora uns minutos finais de algum sofrimento. A verdade é que a pressão do Nacional foi tudo menos sufocante, mas ainda passámos por um calafrio num livre que fez a bola cruzar toda a nossa área, aparecendo depois um adversário na zona do segundo poste que felizmente não conseguiu cabecear a bola com êxito. As dúvidas sobre o resultado dissiparam-se no entanto completamente a um minuto do final. Numa jogada em que parecia que o interesse principal do Benfica seria manter a bola na zona da bandeirola de canto, o Sílvio arrancou um bom cruzamento e o Garay, na zona da marca de pnálti, cabeceou de forma colocada para junto da base do poste, deixando o guarda-redes sem reacção.

 

É complicado decidir entre o Garay e o Rodrigo para o melhor em campo. Talvez a escolha mais justa seja o Rodrigo, pela importância que teve na reacção da equipa ao mau início de jogo e à desvantagem no marcador, sendo decisivo na reviravolta do marcador. Nesse período foi uma seta apontada à baliza do Nacional, deu o primeiro sinal de perigo do Benfica, fez a assistência para o golo do Lima e marcou o golão que foi o nosso segundo. Pelo meio ainda teve uma simulação fantástica, a deixar passar a bola para o Gaitán, num lance que continuo sem perceber como não deu golo. O Garay mereceria sempre destaque pelos dois importantes golos que marcou, mas esteve também em muito bom nível a defender, sendo o mais esclarecido da nossa defesa. Gostei também do jogo do Gaitán. O Maxi revelou bastantes dificuldades na primeira parte, quando apanhou com o Candeias pela frente. E achei o Oblak algo inseguro hoje. Se no lance do segundo golo do Nacional ainda posso compreender alguma hesitação, dado que a bola foi para perto da linha de fundo e o vento provocava trajectórias esquisitas na bola (e tenho dúvidas que conseguisse chegar primeiro à bola), já no lance perto do final em que o Nacional ameaçou empatar achei que deveria ter atacado a bola em vez de ficar na baliza.

 

Mais uma etapa superada, e restam agora sete para o final. Estamos no topo, com o melhor ataque e defesa do campeonato, e dependemos só de nós próprios: a conquista de catorze dos vinte e um pontos que faltam disputar garantir-nos-á o título. O melhor do jogo de hoje foi mesmo ver a forma como a nossa equipa não se deixou abalar e teve uma reacção firme e confiante às adversidades. Se conseguirmos manter esta atitude, tudo será mais fácil.

por D`Arcy às 01:54 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 14.03.14

Um olival de eucaliptos

Os dirigentes dos clubes profissionais reúnem em consílio com o intuito de “reformar” o futebol português. Aglomeram-se em torno de um poder bafiento, com métodos camorristas, e, no final, enviam um moço de recados anunciar ‘urbi et orbi’ que querem fazer um “25 de Abril” no futebol. Ou seja, pudemos todos observar gente que se aproveita da liberdade conquistada para escarrar na democracia e, em nome dela, anunciar uma revolução que pretende perpetuar no poder os que atiraram o nome do futebol português para o anedotário em que se encontra. Os dirigentes do Benfica, Sporting e Marítimo afastaram-se daquilo. Garantidamente, nesse momento, os adeptos destes três clubes sentiram orgulho nos seus dirigentes. Pois, ao contrário do que alguns pensam, a maioria dos adeptos não se revê neste futebol que mais parece um olival feito de oliveiras com raízes de eucalipto, das que secam tudo em seu torno. Ao quererem atirar para o poder mais um títere do olival, pretendem garantir que o bolo dos direitos televisivos se mantenha nas mãos que distribuem migalhas aos serviçais que lhe sustentam a negociata. A falência moral do futebol português tem rostos e nomes que se preparam para deixar herança. Disfarçado numa espécie de manto de vitalidade esconde-se o fervilhar de podridão de um pântano estagnado há três décadas e em que aforismos de falência moral como “o que hoje é verdade amanhã é mentira” são publicamente assumidos e vividos entre gargalhadas boçais, fina ironia e charutos mamados (como escrevia o Eça) em prostíbulos e lupanares sobejamente conhecidos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Março, para publicação na edição de 14/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 15:23 | link do post

Simples

Mais uma exibição muito personalizada e segura valeu-nos uma vitória que até pareceu simples e natural em White Hart Lane, com um resultado que nos deixa com enormes probabilidades de apuramento para os quartos-de-final da Europa League, embora não possamos descurar a segunda mão.

 

 

Menos mudanças e poupanças do que eu esperava (e, confesso, desejava). Afinal foram apenas quatro as trocas no onze: Sílvio, Amorim, Sulejmani e Cardozo nos lugares do Maxi, Enzo, Gaitán e Lima. Esperava um assalto do Tottenham à baliza nos minutos iniciais, e foi isso que os ingleses tentaram fazer. Mas o Benfica joga neste momento com uma segurança defensiva muito grande, e como tal conseguiu manter o adversário quase sempre muito bem controlado, não lhe dando hipóteses de ameaçar a nossa baliza. Nas poucas vezes em que o Tottenham conseguia furar a primeira linha de defesa, constituída pelos nossos médios, aparecia sempre um defesa para fazer o corte - muitas vezes o Luisão, que parecia estar em todo o lado. O Benfica neste momento tem os seus jogadores cheios de confiança e joga o seu futebol de forma imperturbável, independentemente do campo ou do adversário - e hoje em Londres acho que até se ouviram mais os adeptos do Benfica do que os do Tottenham, por isso o ambiente nem foi tão adverso assim. Sustido o ímpeto do Tottenham, o Benfica tentava depois as saídas rápidas para o contra-ataque, como tanto gosta de fazer, e a forma de jogar do adversário, com a defesa muito subida a deixar demasiado espaço nas suas costas que podia ser explorado, ainda convidava mais a que isso acontecesse. Durante a primeira meia hora de jogo não conseguimos fazê-lo muitas vezes, pelo que assistimos a um jogo muito disputado a meio campo mas algo morno, sem grandes oportunidades. Mas na primeira vez que o Benfica chegou à baliza adversária, marcou. Tudo começou num passe brilhante do Rúben Amorim precisamente para esse espaço nas costas da defesa, e depois o Rodrigo fez o resto: desmarcou-se saindo da direita para o meio, e à saída do guarda-redes colocou muito bem a bola, rasteira, junto do poste mais distante. Não houve qualquer reacção do Tottenham ao golo. O que se viu foi o contrário, ou seja, os ingleses pareceram acusar muito o golpe e tornaram-se ainda menos incómodos.

 

 

A segunda parte foi diferente da primeira. Foi mais aberta, com mais jogadas de ataque e contra-ataque de parte a parte, mais espaços e velocidade. Começou com a primeira boa ocasião que o Tottenham criou no jogo, onde o Adebayor apareceu solto sobre a esquerda da nossa defesa mas rematou torto e fraco, ao lado da nossa baliza. Mas depois dessa situação era o Benfica quem parecia mais perto do segundo, pois o Tottenham cada vez descurava mais a defesa e abria espaços atrás que podiam ser explorados pela velocidade do Rodrigo, Sulejmani ou Markovic. Isto quando em White Hart Lane só se ouviam mesmo os nossos adeptos a cantar pelo Benfica. Com treze minutos decorridos o Benfica recuperou uma bola perto da área adversária e o Rúben Amorim quase marcou num remate ainda de fora da área, que acabou defendido para canto. Na marcação do mesmo, o Rúben enviou a bola para a entrada vitoriosa de cabeça do Luisão. O Tottenham parecia definitivamente derrotado mas voltou ao jogo cinco minutos depois com um golo de livre directo, após uma perda de bola algo infantil da nossa equipa. Pressentindo o perigo de um possível empolgamento do adversário, o JJ respondeu com as entradas do Gaitán e do Enzo para os lugares do Cardozo e do Sulejmani, reforçando o meio campo e deixando o Rodrigo como homem mais adiantado. Resultou, porque nós passámos a ter um pouco mais de bola e o Tottenham praticamente não voltou a ameaçar a nossa baliza, não retirando portanto qualquer vantagem anímica do golo marcado. Mais uma vez foi o Benfica quem esteve mais perto de marcar, o que quase conseguiu depois de uma asneira grande do Lloris, que esteve perto de oferecer um golo de bandeja ao Rodrigo. Não marcámos nessa ocasião, mas marcámos mesmo a seis minutos do final. Mais uma bola parada, neste caso um livre apontado do lado esquerdo pelo Gaitán, um primeiro cabeceamento do Garay a ser defendido em dificuldade pelo Lloris, e depois o Luisão apareceu na pequena área para fuzilar a baliza, marcando um golo que nos dá muito maior tranquilidade e margem de manobra para a segunda mão. E ainda estivemos muito perto de marcar um quarto golo na jogada final, mas o Lloris conseguiu defender quando o Siqueira lhe apareceu sozinho à frente após tabela com o Gaitán.

 

 

O Luisão foi um autêntico monstro hoje. Marcou dois golos, claro, mas para além disso esteve simplesmente intransponível na defesa, parecendo estar em todo o lado para cortar todas as bolas, ganhar nas alturas ou desarmar adversários. Fantástico também, como tem sido sempre que é chamado a assumir a titularidade, esteve o Rúben Amorim. Para além do trabalho no meio campo, foi ainda o autor de assistências para dois dos golos - e o passe para o primeiro golo foi simplesmente lindo de ver. O grande azar do Rúben Amorim neste momento é o facto do concorrente directo que tem pela titularidade dar pelo nome de Enzo Pérez. Outro gigante em campo foi o Fejsa, e se calhar um dos maiores elogios que lhe posso fazer é que hoje parecia o Matic a jogar. Garay, Rodrigo, Sulejmani (enquanto teve pilhas) foram outros dos que me agradaram. O mais apagado foi mesmo o Cardozo, que continua a acusar falta de ritmo - e cujas características também não serão as mais apropriadas para um jogo como este, em que era necessária velocidade no ataque.

 

 

É sempre agradável vencer em provas europeias e ver a nossa equipa jogar com a personalidade que mostrou hoje. Claro que agora vamos ouvir que o Tottenham está mal, ou que jogou com as reservas, ou que o treinador está a prazo, e outras coisas do mesmo teor a que já nos habituámos. O facto é que vencemos em casa do quinto classificado da Premier League com uma limpeza e deixando uma sensação de facilidade que me encheram de satisfação. Agora é altura de pensar no importantíssimo jogo de segunda-feira na Madeira. Jornadas europeias são muito bonitas, mas eu quero é que o Benfica ganhe o campeonato.

 

P.S.- Não gostei mesmo nada do gesto do JJ para o Tim Sherwood.

por D`Arcy às 01:23 | link do post | comentar | ver comentários (45)
Quinta-feira, 13.03.14

Pedido a Jorge Jesus

Nós sabemos que o campeonato é o grande objectivo,* mas acho que não seria pedir muito se hoje em Londres pudéssemos entrar em campo com a porta fechada no trinco, em vez de estar escancarada. É que, caso não tenha reparado, mister, nós não temos nenhum Casillas no banco. E ainda todos nos recordamos do que aconteceu com o Júlio César em Liverpool, não é verdade…? Seria pouco inteligente se deitássemos fora uma eliminatória por causa disso, tal como aconteceu há quatro anos. Os sinais estão todos lá: frente ao Leixões na Taça da Liga e em ambos os jogos contra o PAOK. Pelo menos, um frango está garantido, a diferença é que duvido que os Spurs não o aproveitassem como os outros adversários.

 

Vamos lá pensar melhor nisto, ok mister? É que há toda uma Taça da Liga para fazer a rotação nesse lugar específico. Aliás, tal como aconteceu no ano passado, em que só nessa competição é que se fez a rotação. Pode ser? É que os guarda-redes não se cansam assim tanto… Muito obrigado pela atenção e boa sorte para mais logo.

 

* No entanto, já agora, é só o campeonato, mister; não existem “competições” mais importantes do que a Liga Europa, é só uma e mesmo assim é só porque estamos de jejum há algum tempo, porque bem vistas as coisas se não somos campeões há três anos, não ganhamos uma prova europeia há mais de 50… E não foram os campeonatos nacionais que nos tornaram conhecidos a nível mundial…

por S.L.B. às 10:13 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 09.03.14

Seguro

Mais um passo seguro dado no caminho para a conquista do título. O Benfica hoje não deu qualquer hipótese ao Estoril: controlou completamente o jogo e o adversário, venceu por números que até são escassos para aquilo que se passou durante os noventa minutos, e ainda viu alargar-se a vantagem sobre o segundo classificado.

 

 

O onze mais habitual para defrontar um Estoril que, face a tudo o que se disse e escreveu durante esta semana, parecia ser um colosso do futebol mundial. Por vezes tinha que verificar que iríamos de facto defrontar o Estoril e não o Bayern, tal o agigantamento com que o nosso adversário foi pintado na comunicação social na antecipação a este jogo. Por mim, sempre considerei que o nosso maior adversário só poderíamos ser nós mesmos, porque um Benfica ao seu nível estaria sempre completamente fora do alcance do melhor Estoril que pudesse aparecer na Luz. E o Benfica fez os possíveis para que o seu trabalho fosse o mais fácil possível. Entrámos mais uma vez a todo o gás: logo na primeira jogada já o Lima falhava o golo na cara do guarda-redes. Ficou dado o mote, e aos quatro minutos foi o Gaitán a obrigar o guarda-redes a nova defesa apertada para canto. Mas na sequência do mesmo, marcado pelo Gaitán, o Luisão cabeceou de forma imparável para as redes. Obtida a vantagem, o meu receio era uma repetição de jogos anteriores, em que depois de estarmos em vantagem no marcador tirámos imediatamente o pé do acelerador para passarmos a gerir o resultado, por vezes até com toques de displicência. Não foi isso que aconteceu desta vez, pois o Benfica manteve-se concentrado, até porque o Estoril é uma equipa contra a qual não convém facilitar. Tem uma ideia de jogo bem definida e não abdica dela, apresentando-se na Luz sem especiais cautelas defensivas e a jogar de forma desinibida. O problema para eles é que neste momento é muito difícil marcar-nos golos. Toda a equipa defende e preenche os espaços quando não tem a bola (é impossível não reconhecer mérito do treinador quando vemos o trabalho defensivo de jogadores como o Gaitán, Rodrigo ou Markovic), pressiona bem e depois sai rapidamente para o ataque mal a recupera, especialmente quando a bola vai parar aos pés do Gaitán, Enzo ou Rodrigo. Aos dezanove minutos de jogo marcámos o segundo golo, um grande remate de primeira do Rodrigo no interior da área, após um cruzamento do Siqueira na esquerda, e apesar do muito tempo que ainda havia para jogar fiquei com muito poucas dúvidas sobre a vitória neste jogo. Fiquei com a clara sensação de que o Estoril teve a partir daí mais posse de bola do que o Benfica, mas foi uma posse quase inócua, já que não me consigo recordar de uma única oportunidade de golo do nosso adversário (nem sei se terá chegado a fazer um remate). Já o Benfica, por mais do que uma vez poderia ter ampliado o resultado.

 

 

No geral, e apesar de não termos marcado mais nenhum golo, até gostei mais de ver o Benfica no segundo tempo, porque geriu o jogo de forma muito confortável e segura. Permitimos menos posse de bola ao Estoril, e procurámos marcar o terceiro golo, que chegámos mesmo a conseguir, pelo Lima, a finalizar uma bonita jogada colectiva, mas infelizmente o golo acabou por ser (mal) anulado por fora-de-jogo. O Estoril foi mantido quase sempre bem longe da nossa baliza - teve, em todo o jogo, apenas uma oportunidade de golo, num livre do Evandro que desviou na barreira e levou a bola ainda a raspar no poste. Já o Benfica, mesmo sem forçar muito, teve ainda mais ocasiões para voltar a marcar para além do golo anulado. Em especial uma arrancada fantástica do Rodrigo, que merecia ter tido melhor sorte, mas depois de correr meio campo com a bola o seu remate foi defendido pelo guarda-redes. Todos os jogadores parecem estar cheios de confiança, e até chegámos a ver o Garay arrancar e desmarcar-se nas costas da defesa do Estoril, sendo desarmado no limite, quando poderia rematar para golo. Houve muitas esperanças tontas depositadas pelos nossos adversários neste jogo com o Estoril, mas a verdade é que o Estoril não teve qualquer hipótese hoje. Desta vez não houve um golo em fora-de-jogo, ou uma expulsão parva do Carlos Martins, ou um prémio extra no final do jogo. O Benfica jogou concentrado do princípio ao fim, e obteve o resultado que desejava sem sequer ter parecido necessário esforçar-se demasiado. Com este tipo de gestão de esforço eu só posso concordar.

 

 

Jogo praticamente perfeito da nossa dupla de centrais, em particular do Luisão, que está de facto num momento de forma fantástico. Em grande forma também continua o Gaitán, que hoje não marcou mas esteve nos dois golos (marcou o canto para o primeiro, que já tinha resultado de uma defesa a um remate seu, e desmarcou o Siqueira no lance do segundo). Gostei também muito do Rodrigo, que com a sua velocidade causou inúmeros problemas ao Estoril, e marcou um golo soberbo. O Lima continua a trabalhar muito, mas continua a mostrar falta de confiança na finalização. foi uma pena terem-lhe anulado aquele golo, porque de certeza que teria feito maravilhas pela sua confiança. Mas de uma forma geral praticamente todos os nossos jogadores estiveram bem neste jogo.

 

Quase cinquenta e sete mil espectadores na Luz neste fim de tarde proporcionaram um ambiente fantástico. Parece que finalmente o público da Luz começa a acordar e a juntar-se à onda vermelha, que nos jogos fora de casa já há algum tempo parece ser evidente. Quanto à equipa, foi digna deste ambiente e proporcionou-nos um dos jogos mais concentrados e confiantes desta época, a par dos jogos contra Porto e Sporting. Temos agora a conquista do título completamente ao nosso alcance, e se soubermos ser competentes e nos mantivermos concentrados neste objectivo, isso poderá ser uma realidade em breve.

por D`Arcy às 23:52 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Sexta-feira, 07.03.14

Águas, Coluna e Eusébio

José Águas, Eusébio e Coluna são os três nomes mais míticos da minha “educação” benfiquista. Nascido no início dos anos setenta, ouvi vezes sem fim a narração dos grandes feitos do Benfica da década de sessenta. Os mais velhos da família passavam testemunho das grandes finais europeias, das conquistas, das jogadas, das goleadas… e na voz dos narradores, nascia a epicidade dos heróis. De entre todos, aquela “santíssima trindade” sobressaía. Os golos, a elegância, o jogo aéreo e a eficácia do Águas, o grande capitão das finais conquistadas; a excelência superior do “Rei”, do maior de todos, o Eusébio; e a força, o pulmão, a inteligência, a determinação e a liderança do Coluna. Estes três eram míticos para a História do Benfica e heroicos no imaginário de quem, sem nunca ter tido o privilégio de os ver jogar ao vivo, cria uma imagem sonhada e, como tal, mais vincada e duradoura. Aconteceu comigo e com milhões de outros benfiquistas que cresceram no benfiquismo, tendo como referência homens que julgamos eternos na medida em que se eternizam no nosso imaginário colectivo. Com o falecimento do Senhor Mário Coluna, deixámos de ter o último representante da tal trindade que, sendo maiores entre os maiores, percebiam que eram pequenos perante o Benfica. Repito que não vi o Coluna jogar, mas vi-o, ao vivo, ajoelhar, com humildade e agradecimento, perante a Águia de Ouro que o Benfica lhe ofereceu como reconhecimento do seu papel cimeiro na história do Clube. Ali, naquele momento, estava mais uma, a derradeira, lição de liderança e benfiquismo que o Senhor Coluna nos deu: ensinou-nos a ser humildes na gratidão ao Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Março, para publicação na edição de 07/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 08:51 | link do post
Domingo, 02.03.14

Feio

Mais uma vitória magra mas importante do Benfica, num jogo bastante feio de ver e que apesar de ter sido quase todo controlado pela nossa equipa me pareceu que teve períodos de 'q.b.' a mais do Benfica, o que nos poderia ter custado bastante caro.

 

 

Regresso do Benfica, esperado, ao onze mais habitual nos últimos tempos. Percebeu-se logo desde o início que não seria fácil jogar com grande velocidade, porque a relva, alta e molhada, travava bastante a bola. Mas o Benfica teve uma boa entrada do Benfica no jogo, rapidamente remetendo o Belenenses para junto da sua área. Foi interessante ver a forma como a equipa, apesar de jogar num teórico 4-4-2, conseguiu sempre uma superioridade numérica muito grande no meio campo, com o Gaitán e o Markovic sempre a fechar muito bem no meio, e ainda o Rodrigo ou o Lima a baixar também. A boa entrada do Benfica no jogo foi recompensada logo aos sete minutos, num lance em que todo o mérito vai para o Gaitán. Num lance individual fantástico, agarrou na bola ainda no nosso meio campo e arrancou por ali fora, deixando todos pelo caminho, para depois finalizar com um chapéu ao guarda-redes feito ainda bem de fora da área. Marcar cedo num jogo destes era o melhor que se podia pedir para o Benfica. Mas depois do golo o Benfica foi progressivamente adormecendo o jogo, jogando a uma velocidade cada vez mais reduzida, sobretudo quando o intervalo estava mais próximo. Mas o controlo do jogo foi praticamente total durante toda a primeira parte - nem sei se o Belenenses chegou a fazer um remate durante esse período, e quase só chegou perto da nossa baliza, sem perigo, através de livres despejados para a área.

 


No início da segunda parte o Benfica voltou a acelerar na procura de um segundo golo, que nos daria maior tranquilidade. Vimos os nossos jogadores a  conseguir ganhar frequentemente a linha de fundo e construímos algumas boas ocasiões para marcar (Gaitán, Rodrigo, Maxi, Garay) mas o golo não surgiu, e findo o primeiro quarto de hora o Benfica voltou a desacelerar. O Belenenses acreditou que seria possível conseguir alguma coisa do jogo e arriscou mais no ataque, mas continuou a ser inofensivo e o Oblak a ser pouco mais do que um espectador no jogo, com a bola a continuar a chegar perto da nossa baliza sobretudo através de livres despejados para a área. O Belenenses chegou mesmo a introduzir a bola na nossa baliza, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo que não me pareceu existir, pelo menos ao jogador que fez o remate. Este lance pelo menos pareceu servir para despertar o Benfica, que voltou a empurrar o Belenenses para o seu meio campo, ainda que mantendo o ritmo de jogo irritantemente lento. Mais fáceis ficaram as coisas nos últimos dez minutos, quando o Belenenses ficou reduzido a dez. Apesar da diferença mínima no marcador, o Benfica controlou o jogo e o resultado à vontade, trocando a bola entre os seus jogadores com o Belenenses a fazer pouco mais do que correr atrás dela. Estivemos até próximos de alargar a vantagem, através do Salvio, mas o guarda-redes do Belém conseguiu defender com o pé.

 


O melhor do Benfica foi novamente o Gaitán. Está num excelente momento de forma, e voltou a demonstrar a sua qualidade no fantástico golo que marcou. Gostei também da dupla de centrais, do Enzo e do Maxi. O Fejsa conseguiu irritar-me com a quantidade excessiva de faltas que cometeu, algumas delas perfeitamente desnecessárias - felizmente foram quase todas cometidas na zona do meio campo.


Na altura em que termino de escrever isto fico a saber que aumentámos para nove pontos a vantagem sobre o Porto. São boas notícias. Mas temos manter os pés assentes na terra e preparar com muito cuidado a recepção ao Estoril. O Estoril é uma das boas equipas da Liga, e é a segunda equipa que mais pontos conquistou fora de casa (atrás de nós). Para além disso, o jogo será disputado antes de um jogo europeu com o Tottenham. Já sofremos dissabores antes de jogos europeus, e por mais que digam que o campeonato é o objectivo principal, a verdade é que desconfio que na cabeça dos jogadores a oportunidade de se exibirem para o mercado inglês possa pesar. Não podemos dar-nos ao luxo de perder a concentração.

por D`Arcy às 21:57 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 28.02.14

As fugas e os ratos

No dia 2 de Dezembro de 2004, um conhecido dirigente de um clube estava em terras galegas, no “Parador de Tui”. Nesse mesmo dia, pelas 7 da manhã, a Polícia Judiciária fazia uma busca à casa desse dirigente, para o deter e conduzir ao tribunal. A coincidência da ausência fez com que se abrisse uma investigação. Da investigação, formou-se, por parte dos investigadores, a convicção de que houvera uma fuga de informação, da qual resultou a fuga do referido dirigente para a Galiza. Passados uns meses, a questão das fugas foi arquivada por impossibilidade de provar quem fora o homem que provocara a fuga de informação. Mais tarde, e segundo noticiava o jornal “Expresso”, em Junho de 2007, os inspectores que realizaram a investigação consideravam que "Quanto à(s) pessoa(s) que possam ter perpetrado tal ilícito, deixam-nos tão mais decepcionados quanto o seu universo é o mesmo em que exercemos o nosso ministério, o da realização da Justiça".

 

No dia 23 de Fevereiro de 2014, um conhecido dirigente de um clube estava à porta da garagem de um estádio a falar para a comunicação social, no intervalo de uma aparente ameaça a um jornalista e da suposta recusa em acatar uma decisão policial (coisas que, a julgar pela falta de repercussão na comunicação social, devem ser banais e costumeiras lá por aquelas bandas). No solilóquio comunicacional a que se propusera, o dito dirigente garantia que “só os ratos é que fogem”.  Desta consideração pouco abonatória para com a bicheza vil e roedora depreende-se que este dirigente estaria a ofender de forma incisiva e garantidamente injusta o outro dirigente de quem se diz ter fugido para a Galiza. Ora, em defesa do bom nome do suposto fugitivo de 2004, aguarda-se um pedido de desculpas por parte deste dirigente que agora acusa o outro de ser um rato.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Fevereiro, para publicação na edição de 28/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post

110 anos

 

Viva o Benfica!

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Pragmático

Um Benfica bastante pragmático, como nos tem vindo a habituar esta época, jogou pacientemente com o resultado trazido da primeira mão e acabou por conquistar uma vitória robusta e carimbar a passagem aos oitavos-de-final da Liga Europa. A expressão da vitória até pode deixar a ideia de algumas facilidades que, na verdade, não foram assim tantas, ainda que a nossa superioridade no jogo tenha sido por demais evidente.

 

 

Mais uma vez assistimos a sete mudanças no onze em relação ao que tem sido o habitualmente titular. Destaque para as presenças do Cardozo e do Salvio no onze inicial, algo que já não acontecia há algum tempo. A baliza foi entregue ao Artur, e a defesa foi o sector com menos mexidas, tendo apenas havido uma troca na lateral esquerda, onde jogou o Sílvio. Do meio campo para a frente, para além dos mencionados Cardozo e Salvio, Amorim, André Gomes e Djuricic juntaram-se ao Gaitán. O jogo na primeira parte pouco diferiu daquilo que vimos na primeira mão. Apesar do PAOK estar obrigado a atacar para recuperar da desvantagem, preferiu manter a mesma atitude cautelosa que tinha tido na Grécia. O Benfica limitou-se a ser bastante paciente, jogando com a convicção de que o tempo corria a seu favor e portanto sem ter necessidade de se lançar desenfreadamente ao ataque. O domínio do jogo pertenceu-nos claramente, a bola rondou sempre preferencialmente a área grega, mas o Benfica optou sempre por construir as suas jogadas de ataque de forma paciente, nunca se expondo ao contra-ataque adversário. As ocasiões mais evidentes de golo surgiram quase todas pelo Cardozo: na primeira isolou-se, evitou o guarda-redes, mas perdeu ângulo de remate e acertou na rede lateral; depois num cabeceamento em posição frontal que deveria ter tido melhor destino, após um grande cruzamento do Salvio, e finalmente num livre em que a bola me pareceu ter sofrido um ligeiro desvio, obrigando o guarda-redes a uma enorme defesa. O PAOK foi praticamente inofensivo no ataque, e só assustou numa quase oferta do Artur, que quase deixou a bola escapar para dentro da baliza depois um remate desferido de muito longe por um jogador grego. O nulo ao intervalo era apenas preocupante por nos deixar ao alcance de um qualquer lance fortuito, porque o PAOK não parecia ter capacidade para nos incomodar seriamente.

 

 

Tudo na mesma para a segunda parte. O PAOK organizadinho no seu meio campo, e o Benfica a jogar tranquilamente, fazendo a bola viajar pelos pés dos seus jogadores, pacientemente à espera de uma abertura. O jogo só começou a mudar quando ao fim do primeiro quarto de hora o Jorge Jesus mexeu na equipa, isto depois de termos sofrido o segundo susto do jogo, quando após um canto o inevitável Katsouranis surgiu ao primeiro poste a ganhar de cabeça, com um colega a não conseguir a emenda no segundo poste. Retirou do campo os jogadores com menos ritmo, Salvio e Cardozo, e fez entrar o Lima e o Markovic. O Salvio deixou alguns bons pormenores no tempo que jogou, mas o Cardozo foi quem revelou mais falta de ritmo, pois esteve demasiado estático na frente de ataque, sendo presa fácil para os defesas adversários e não abrindo linhas de passe para os colegas. Com a entrada do Lima isto mudou, e o próprio Djuricic subiu de rendimento, aproveitando melhor os espaços que as movimentações do Lima abriam. Apenas nove minutos depois destas substituições aconteceu o momento decisivo do jogo. O André Gomes trabalhou muito bem no meio campo e desmarcou o Lima, que depois foi derrubado sobre a linha da área pelo Katsouranis. Vermelho directo para o Katsouranis (que saiu de campo sob merecidos aplausos), e livre directo apontado de forma exemplar pelo Gaitán. Acho que folha mais seca do que aquela era impossível, e o guarda-redes grego limitou-se a ficar estático enquanto contemplava o arco que a bola fez sobre a barreira até entrar junto à base do poste. Num minuto o PAOK ficava em desvantagem no jogo, reduzido a dez jogadores, e perdia precisamente o seu jogador mais importante, que coordenava toda a manobra defensiva da equipa. O desnorte dos gregos em campo passou a ser evidente, e nove minutos depois já o Benfica vencia por três a zero, depois de marcar dois golos de rajada no espaço de um minuto. Primeiro num penálti convertido pelo Lima, a castigar uma mão dentro da área, e depois foi o Markovic quem aproveitou um corte do Luisão para as costas da defesa grega e fez o golo. E até final até poderiam ter sido mais, porque nessa altura o Benfica já fazia o que queria em campo e o PAOK parecia estar apenas à espera que o jogo terminasse rapidamente (o árbitro fez-lhes a vontade e nem sequer deu quaisquer descontos).

 

 

Melhor do Benfica: Gaitán. O jogo acelerava sempre que a bola lhe chegava aos pés, e basta ver o seu toque de bola para se perceber que é um jogador extraordinário. A forma como marcou o livre foi sublime. Os nossos centrais, em particular o Luisão, estiveram impecáveis, e voltei a gostar do jogo do Sílvio. É um lateral agressivo, com grande qualidade técnica, que apoia bem o ataque, joga nos dois flancos e ainda por cima é formado no clube. Sei que não temos opção de compra neste empréstimo, mas gostava que em vez de andarmos para a próxima época outra vez com a rábula do lateral-esquerdo, o comprássemos e arrumássemos de vez com essa questão. O Djuricic fez uma primeira parte bastante má, mas soltou-se na segunda parte e melhorou bastante. A entrada do Lima no jogo foi importantíssima.

 

Mais um jogo em que seria difícil pedir melhor. Vitória robusta, gestão do plantel feita, e passagem à próxima eliminatória carimbada, onde agora iremos encontrar o Tottenham. Certamente que serão jogos que nos irão obrigar a correr bastante mais. Mas o que interessa agora é mesmo ganhar ao Belenenses.

por D`Arcy às 01:06 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Terça-feira, 25.02.14

Monstro Sagrado


Que grande equipa temos lá em cima...

Descanse em paz, grande capitão. De todos os jogadores do Benfica, passados e presentes, o Senhor Coluna foi sempre o meu maior ídolo, aquele que sempre olhei como o maior exemplo e bandeira da Mística do Benfica e por quem maior admiração sempre tive. Nestas coisas as comparações nunca fazem sentido, mas a verdade é este desaparecimento dói-me ainda mais do que o do Eusébio.

 

E do outro lado o menino Eusébio continua a ter o Senhor Coluna a olhar por ele.

por D`Arcy às 17:30 | link do post | comentar | ver comentários (17)

Indiscutível

Vitória magra mas indiscutível num jogo controlado do princípio ao fim pelo Benfica, ainda que sem grande fulgor e com uma segunda parte jogada a um ritmo por vezes demasiado pausado.

 

 

Onze esperado, onde nos lugares dos habituais titulares Maxi, Garay e Gaitán surgiram Sílvio, Jardel e Sulejmani. Entrada a todo o gás do Benfica no jogo, a criar a primeira oportunidade de golo logo na primeira jogada, tendo o Benfica exercido uma pressão quase sufocante durante os primeiros cinco minutos. O azar foi que nessa altura o Jardel e o Enzo chocaram um com o outro, deixando a cabeça do Jardel muito mal tratada. Os longos minutos que o jogo esteve interrompido para prestar atenção ao nosso central fizeram-nos muito mal, e quando o jogo recomeçou parecia outro. A velocidade da nossa equipa caiu muito, e o Guimarães acalmou e começou a conseguir fazer aquilo faz em quase todos os jogos contra nós, que é 'entupir' o nosso futebol, à custa de boa organização, sobrepovoamento do meio campo, mas também de faltas e faltinhas. A excepção durante a primeira parte foi mesmo o Markovic, já que houve alturas em que a nossa equipa quase parecia ele e mais dez. Sempre que a bola lhe chegava aos pés, arrancava imparável por ali fora e oferecia lances de perigo aos colegas, que depois se encarregavam de as desperdiçar, com o Rodrigo em particular destaque nesse aspecto esta noite. O Guimarães pouco fazia no ataque, mas ainda conseguiu obrigar o Oblak a mostrar atenção e qualidade numa grande defesa a um remate cruzado do Maazou. Depois de todas aquelas arrancadas do Markovic desperdiçadas pelos colegas, tinha comentado que o melhor seria mesmo ele pegar na bola e entrar com ela para dentro da baliza, e acabou por ser isso mesmo que ele fez, a cinco minutos do intervalo. O Rodrigo teve a sua melhor intervenção da noite ao fazer um passe para as costas da defesa vitoriana, e depois o talento do Markovic fez o resto: chapéu perfeito ao guarda-redes, para a seguir controlar a bola e levá-la para dentro da baliza, num golo de grande classe. Justiça no resultado, e justiça no marcador do golo, já que ninguém merecia tanto marcá-lo.

 

 

A segunda parte foi acima de tudo bastante aborrecida. O Benfica forçou muito pouco no ataque, preferindo controlar o jogo e o adversário, o que acabou por conseguir sem grandes sobressaltos - apenas por uma vez o Vitória ameaçou a nossa baliza, quando o Maazou apareceu bem posicionado para cabecear junto á pequena área, mas felizmente para nós o cabeceamento não lhe saiu bem e o Oblak defendeu facilmente. Do nosso lado, três lances dignos de realce: um remate do Sílvio de fora da área, que obrigou o guarda-redes a defesa apertada; uma oportunidade flagrante do Lima, que depois de isolado evitou o guarda-redes e rematou ao lado da baliza; e uma jogada de envolvimento de todo o ataque que foi concluída com um remate cruzado do Salvio, que merecia uma melhor conclusão. Mas no geral a segunda parte foi jogada a uma velocidade bastante reduzida, com muita disputa de bola a meio campo, muitos passes falhados e futebol de pouca qualidade. Nos minutos finais, após a entrada do Rúben Amorim, deu para notar uma melhoria do nosso futebol, que contribuiu também para que os minutos finais tivessem sido passados com relativa tranquilidade apesar da magra vantagem no marcador.

 

 

O homem do jogo é obviamente o Markovic. Apesar de ter brilhado menos na segunda parte aquilo que fez na primeira, em que parecia quase imparável, foi mais do que suficiente para merecer o destaque. E, claro, foi o autor do golo que decidiu o jogo, numa jogada em que deixou bem vincada a sua qualidade técnica. Para além do Markovic, gostei dos dois laterais (sobretudo do Sílvio) e do Fejsa. Bem o Oblak, a fazer aquilo que se espera de um guarda-redes do Benfica: pouco trabalho, mas sempre atento e a aparecer com segurança nas alturas em que foi chamado. Pela negativa, os dois avançados, que foram perdulários e pouco combativos, e o Sulejmani, que pareceu começar o jogo já cansado.

 

Tínhamos quatro pontos de avanço no início da jornada, temos agora cinco 'e meio', reforçando a posição invejável de sermos a única equipa dependente apenas de si própria. Para largarmos o primeiro lugar, teremos agora que perder dois jogos, o que não será fácil de acontecer se nos mantivermos concentrados e humildes. E sobretudo, que não percamos o rumo: a conquista do campeonato é (tem sempre que ser) o principal objectivo.

por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Sexta-feira, 21.02.14

Os túneis da justiça

A Justiça (que não desportiva) condenou os futebolistas Hulk, Sapunaru, Cristian Rodriguez, Helton e Fucile por agressão a ‘stewards’, no túnel do Estádio da Luz, no dia 8 de Dezembro de 2009. A condenação surge em Fevereiro de 2014. Pelo caminho ficou o interessante acórdão em que se equiparou os ‘stewards’ a espectadores e ficou o papel desempenhado por um conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça nesse acórdão que ditou a redução dos castigos a Hulk e Sapunaru Este tipo de elaboração diz-nos mais sobre o papel desempenhado por certos juízes no mundo do futebol do que sobre o papel dos ‘stewards’. Olhemos para o papel que desempenhou um conhecido juiz, que foi presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, aquando das alegadas conversas com o famigerado árbitro Carlos Calheiros. Edificante foi também o papel de um outro conhecido juiz a pedir, segundo decorre das escutas do caso “Apito Dourado”, dois bilhetes para um jogo internacional do seu clube (alegadamente é Dragão de Ouro). Num outro âmbito, mas igualmente interessante e importante, foi o papel do Juiz António Mortágua no mundo da justiça desportiva portuguesa. Oiça-se, a este respeito, as escutas decorrentes do “Processo Apito Dourado”. Olhando para os protagonistas percebemos as decisões tomadas pelo mundo da Justiça Desportiva. Como manda a Lei e a Ordem, acatámos essas decisões como legítimas e expectáveis. Quatro anos depois da Justiça Desportiva ter deliberado como deliberou relativamente ao caso das agressões no túnel da Luz, a Justiça (que não desportiva) deliberou de forma bastante diferente. É o mesmo Portugal, todos são igualmente juízes e todos eles são julgados pela opinião pública quando julgam.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Fevereiro, para publicação na edição de 21/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:57 | link do post

Personalidade

Creio que gostei de tudo o que se passou no jogo esta noite. A começar pelo resultado, claro. Mas também das escolhas do treinador, fazendo uma verdadeira rotatividade do plantel e, mais importante para mim, demonstrando pelo menos hoje por actos a afirmação de que a prioridade é a Liga. Gostei da resposta que as 'segundas escolhas' deram neste jogo. Gostei ainda de ver o regresso do Salvio. Mas acima de tudo, gostei da grande demonstração de personalidade e maturidade que a equipa deu, conseguindo ignorar completamente e, imperturbável, até silenciar o suposto ambiente difícil que os gregos iriam criar.

 

 

Apenas quatro jogadores daquele que será nesta altura o onze-tipo do Benfica foram titulares esta noite: Maxi, Luisão, Enzo e Lima. De resto, tudo novidades. Algumas esperadas, como o Jardel ou o Sulejmani, outras bem mais surpreendentes, como o Djuricic, o Artur ou o André Gomes a fechar o lado direito do meio campo. Na lateral esquerda surgiu o Sílvio, e o Rúben deu seguimento à boa exibição em Paços mantendo a titularidade ao lado do Enzo no meio campo. Cedo se percebeu que o jogo não seria dos mais emocionantes de assistir. O PAOK, apesar de jogar em casa, revelou muito respeito pelo Benfica, e optou por uma estratégia de juntar linhas dentro do seu meio campo, oferecer a iniciativa de jogo ao Benfica, e depois pressionar bastante já no último terço do campo para recuperar a bola e sair rápido para o contra-ataque. Mas o Benfica vinha com um plano de jogo pensado, e não se afastou dele, não caindo na tentação de aproveitar o domínio territorial que lhe era oferecido para se lançar desenfreadamente ao ataque. A equipa soube ser paciente e jogou com muita calma e personalidade, sabendo que o tempo jogava a nosso favor. O resultado prático disto foi mesmo um jogo extremamente disputado na zona do meio campo (quase sempre já dentro do meio campo grego), com as duas equipas a anularem-se mutuamente e onde as oportunidades de golo foram praticamente inexistentes. Os (poucos) desequilíbrios foram causados pelas subidas dos laterais de ambas equipas, em especial do Sílvio pela parte que nos tocou, mas poucas jogadas foram dignas de realce.

 

 

E a segunda parte foi mais do mesmo. O PAOK recusava-se a abandonar a estratégia mais cautelosa, e o Benfica também não tinha vontade nenhuma de arriscar lançar-se no ataque. Houve finalmente uma jogada de perigo logo no reinício, quando perdemos uma bola numa saída para o ataque e o remate dos gregos passou muito perto do poste, mas depressa tudo voltou à estaca zero. Parecia ser muito pouco provável que o jogo acabasse com outro resultado que não o nulo no marcador, mas quando estava a terminar o primeiro quarto de hora o Benfica chegou ao golo. O Enzo fez um passe picado para o interior da área, onde o Djuricic tentou receber de peito mas acabou por deixar a bola à disposição de um remate de primeira do Lima, que deixou o guarda-redes sem reacção. Diga-se que o Lima estava em posição claramente irregular no lance, e é-me difícil perceber como é que o auxiliar validou o golo. Foi um erro grosseiro. Como este golo dava cabo da estratégia do PAOK, era de prever que os gregos finalmente arriscassem sair um pouco mais do seu meio campo. Quase a seguir ao golo o nosso treinador antecipou isso mesmo e resolveu fechar os caminhos para a baliza, trocando o Enzo pelo Fejsa. Foi uma boa alteração: o Fejsa entrou bem no jogo e um dos nossos jogadores mais importantes foi poupado a meia hora de esforço. À medida que o jogo ia caminhando para o final o PAOK foi de facto mais atrevido, em especial depois da entrada do Stoch (não percebo porque razão começou no banco), mas o Benfica controlou sempre o jogo com imensa calma. Houve alturas em que conseguimos manter a posse de bola de forma a roçar o brilhante, fazendo-a circular pelo campo quase todo enquanto os gregos andavam a correr atrás dela sem a conseguir sequer cheirar. O empate nunca esteve sequer perto de acontecer, e a única oportunidade de golo que houve foi para o Benfica, num remate do Markovic. Para uma alegria extra, foi possível ver o regresso do Salvio para jogar os últimos quinze minutos.

 

 

Em mais um jogo em que o principal destaque foi a equipa num todo (isto começa a tornar-se cada vez mais comum, felizmente), digo que gostei do jogo do Sílvio e da nossa dupla de centrais. O Lima também esteve bem, tal como o Sulejmani ou o Rúben. Quem terá estado mais discreto foi o André Gomes, mas é compreensível que revelasse alguma dificuldade nas funções que teve que assumir.

 

Tínhamos à nossa espera um inferno, onde a equipa da casa ainda não tinha perdido uma única vez esta época. Chegámos lá, fizemos o nosso jogo de forma personalizada e imperturbável, silenciámos o suposto inferno e saímos de lá com a vitória (com um golo ilegal é certo, mas esta noite nunca perderíamos este jogo). E isto descansando meia equipa habitualmente titular. A eliminatória está ainda longe de estar resolvida, mas ficou muito bem encaminhada.

por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 16.02.14

Luta

Não foi possível ter grande nota artística, mas a equipa soube vestir o fato de trabalho e vencer um jogo complicado e importante em Paços de Ferreira. Para além da vitória, o pormenor que mais me agradou no jogo de hoje foi verificar a imensa onde vermelha que encheu o estádio, e que fez com que o Benfica jogasse praticamente em casa.

 


 

Onze sem surpresas, tendo como única alteração forçada a presença do Rúben Amorim no lugar do Enzo. Não consigo escrever muita coisa sobre a nossa primeira parte. Acima de tudo, foi fraca. Tivemos sempre superioridade no jogo, mas a qualidade do nosso futebol deixou sempre algo a desejar, e as oportunidades de golo foram poucas. Apesar da bola passar a maior parte do tempo nos pés dos nossos jogadores, fomos incapazes de transformar essa posse de bola e domínio territorial em situações de perigo, pois jogámos em velocidade algo reduzida - e o próprio estado do relvado não ajudava nada a que se conseguisse jogar em velocidade ou com muita qualidade. Mas também, por outro lado o Paços de Ferreira foi praticamente inofensivo durante este período, não provocando qualquer tipo de ameaça à nossa baliza. O interesse deles era simplesmente arrastar o nulo o máximo de tempo possível, e a julgar por aquilo a que íamos assistindo, não era de todo improvável que o conseguissem fazer por noventa minutos. De qualquer forma, era escusada a ajudinha extra, já que o Boaventura deveria ter visto o segundo amarelo mesmo a fechar a primeira parte (acabou por ser o Siqueira a ver o amarelo, por tê-lo pedido para o adversário). Toda a primeira parte fez lembrar um pouco aquilo que já tínhamos feito na primeira parte em Barcelos, com as consequências finais que sabemos.


Entrámos melhor para a segunda parte, pelo menos a pressionar bastante o adversário e a conseguir sair com mais velocidade para o ataque. E não foi necessário esperar muito para que o golo chegasse. Marcámos um conto na direita do ataque de forma rápida (ainda nem os centrais tinham subido até à área) e depois da bola ter viajado para trás um pouco, o Rúben fugiu pela direita e arrancou um grande cruzamento para a entrada vitoriosa do Garay, que entretanto tinha subido tarde até à área e apareceu junto da pequena área livre de marcação para cabecear. Sinceramente, após marcarmos o golo, e mesmo tendo em conta o quão perigoso o resultado de 1-0 é, fiquei convencido que a vitória estava assegurada. Não só pela incapacidade para criar perigo que o Paços mostrou durante todo o jogo, mas também porque neste momento eu acho que a nossa equipa está bastante eficaz a manter os adversários longe da nossa baliza (um golo sofrido nos últimos onze jogos atesta bem esse facto). E mais garantida ficou ainda a nossa vitória quando, aos sessenta e oito minutos, o Markovic fez o segundo golo. Numa saída rápida para o ataque o sérvio arrancou com a bola controlada na velocidade que lhe é tão característica, deixou os adversários para trás, e quando se calhar se esperaria um centro para o Rodrigo optou pelo remate directo à baliza, fazendo a bola entrar junto ao poste mais próximo. Depois do segundo golo, o Benfica geriu o jogo sem qualquer problema, sendo mais previsível um terceiro golo nosso do que qualquer golo do Paços que relançasse o jogo.


Num jogo de muito trabalho e pouca arte, não me pareceu que houvessem exibições de grande brilho. O Rúben Amorim voltou a cumprir na perfeição o que lhe foi pedido, como acontece sempre que é chamado à titularidade, e foi um dos melhores. O Garay revelou a segurança habitual e marcou o importantíssimo primeiro golo, com o seu parceiro do centro da defesa a exibir-se também de forma muito segura. O Lima continua a conseguir irritar-me.


Todas as vitórias são importantes, e esta não foge à regra. Era fundamental aproveitar o momento positivo e manter a vantagem confortável no topo da tabela. E é também importante que mesmo quando não é possível resolver os jogos com a superior capacidade técnica da nossa equipa, ela consiga arregaçar as mangas e ir à luta pela vitória. A parte desagradável deste jogo foi que dois dos nossos jogadores, Maxi e Gaitán, viram o quinto amarelo e agora ficarão de fora na recepção ao Guimarães.

por D`Arcy às 22:16 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sábado, 15.02.14

O primeiro título da época

 

Este não é um post sobre o Benfica. Espera aí... estou redondamente enganado! CLARO que é um post sobre o Benfica! O Grande Toni fez história ao conquistar a Taça do Irão pelo Tractor, a primeira da história do clube. Que teve ainda mais mérito por ser conseguida em casa do adversário. Este troféu não vai para o Museu Cosme Damião, não entra no palmarés oficial do Benfica, mas não tenho a menor dúvida que entra no palmarés afectivo dos benfiquistas. Porque uma pessoa como o Toni merece tudo! E quando o Toni do Benfica ganha um troféu, todos nós também celebramos.

 

MUITOS PARABÉNS, MISTER!

por S.L.B. às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Sexta-feira, 14.02.14

Os especializados em tudo

Foi com surpresa que observei que os opinadores profissionais que pululam pelos órgãos de comunicação a perorar sobre futebol são todos, mas mesmo todos, especialistas em tudo. Já os vira exercer a especialidade de limpadores solícitos da corrupção e abrilhantadores de corruptores. Por vezes, aquando da apresentação dos relatórios e contas dos clubes, mostram-se especialistas em finanças, gestão, contabilidade e administração de sociedades desportivas e conhecimento empírico de gestão de mercearias de bairro. Durante os períodos de aquecimento das equipas, é ouvi-los como sumidades em fisiologia do treino desportivo e da pedagogia do desporto, enquanto momento de exercitação da especulação jornalística. Aquando das lesões de atletas, são sempre os mais habilitados a diagnosticar problemas, sugerir terapias e garantir a incompetência dos departamentos médicos dos clubes. Nesta semana que passou, vimo-los exercer a ‘supinidade’ excelsa de demonstrarem ao comum mortal a sua sapiência em estruturas metálicas e coberturas de bancadas de estádios. Eles demonstraram que tudo sabem sobre corrosão galvânica, corrosão uniforme, corrosão atmosférica, reacções electroquimícas (anódica e catódica) e tensões residuais. Teorizaram com autoridade académica sobre porcas, arruelas, rebites e parafusos. Eles, do alto da sua infalibilidade de especialistas em generalidades banais, chegam a passar atestados de incompetência aos aventureiros que sendo especialistas em segurança e protecção civil vêm para a televisão falar de… segurança e protecção civil. Eles só não sabem como e quando usar o verbo “evacuar”, o que fez com que evacuassem imbecilidades sempre que falaram da evacuação e segurança do Estádio da Luz.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Fevereiro, para publicação na edição de 14/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 10:39 | link do post
Quarta-feira, 12.02.14

Fácil

Muito fácil mesmo. Se no papel a superioridade da nossa equipa sobre a do sportém é por demais evidente, hoje ela ficou bem expressa em campo. Cumprimos portanto a nossa obrigação de vencê-los, e o resultado acaba apenas por ser escasso perante aquilo que se passou durante os noventa minutos, mesmo considerando que durante quase metade da segunda parte me pareceu que tirámos o pé do acelerador e assumimos uma postura demasiado expectante no jogo.

 

 

Existem duas realidades distintas: aquilo que esta equipa do sportém vale, e aquilo que eles pensam que valem. A diferença entre estas duas realidades é ainda enorme. Felizmente para nós, o Jardim montou uma equipa baseada na segunda realidade. Ao ter o desplante de vir jogar à Luz de início com dois pontas-de-lança, num 4-4-2 clássico, ele abdicou da única vantagem de que poderia tirar partido, que é o facto do JJ regularmente oferecer a vantagem numérica no meio campo ao adversário. Confesso que nem consegui perceber porque motivo os adeptos deles estavam entusiasmados com esta táctica, e até achavam que o adiamento os prejudicava por ter estragado a 'surpresa'. Surpresa sim, mas muito agradável para nós: quando o jogo foi adiado, o meu stress era mesmo que o Shrek reconsiderasse e resolvesse não entrar em campo hoje a jogar com a mesma táctica. Porque nem era precisa qualquer preparação especial para a contrariar, tanto que o Benfica entrou também com a mesmíssima equipa que estava escalada para domingo. Com ambas as equipas a jogar em esquemas semelhantes, o valor individual dos jogadores torna-se ainda mais decisivo. E jogador por jogador, a verdade é que em todo o plantel do sportém existem apenas dois jogadores que poderiam ambicionar a entrar nos nossos convocados, sendo que um deles estava suspenso. Sim, eu sei que nos devaneios deles jogadores que vêm da segunda divisão brasileira são grandes centrais, pontas-de-lança que não vingam na competitiva MLS são vedetas de classe mundial, e marrecos espanhóis que passam o tempo a atirar-se para o chão são extremos de classe, mas depois, com o tempo, a realidade encarrega-se de ir demonstrando o contrário.

 

 

Como se este bónus não bastasse, juntou-se a ele o medo cénico que o sportém pareceu mostrar, e que começa a ser um hábito quando vêm à Luz. A nossa equipa entrou em campo muito agressiva, a pressionar muito alto e a cair rapidamente em cima do portador da bola, e frente a isto o que vimos foi um adversário que pareceu quase petrificado de medo, e que deve ter demorado o primeiro quarto de hora até conseguir passar da linha do meio campo. Podíamos ter dado início às festividades ainda antes de terminar o primeiro minuto, porque praticamente na primeira jogada o Cedric tremeu, fez asneira, e só não acabou em golo porque o Gaitán complicou demasiado a jogada. A história da primeira parte resume-se ao controlo absoluto do jogo por parte do Benfica, com uma posse de bola avassaladora, enquanto que o sportém ficava remetido ao seu meio campo e não conseguia alinhar uma jogada digna desse nome, já que os seus jogadores perdiam quase sempre a bola ainda antes de chegar à linha do meio campo. Depois revelavam grandes dificuldades quando o Markovic, Rodrigo ou Gaitán apareciam soltos entre as linhas deles (que jogaram muito afastadas) para receber a bola. Demorou mais do que seria justo até aparecer o primeiro golo, pois foi necessário esperar até aos vinte e sete minutos. Mais uma recuperação de bola dentro do meio campo adversário, pelo Fejsa, cavalgada do Maxi pela direita e cruzamento perfeito para a entrada do Gaitán, perto da marca de penálti, marcar um raro golo de cabeça, com a bola a passar por entre as pernas do Patrício. Nada mudou com este golo: o Benfica continuou a mandar completamente no jogo, e o sportém praticamente só se aproximava da nossa baliza através de livres que eram despejados desde muito longe para a nossa área. A vantagem ao intervalo era justa, mas escassa, porque a nossa produção na primeira parte merecia pelo menos mais um golo - o Gaitán, perto do intervalo, falhou de forma escandalosa o que poderia ter sido esse golo.

 

 

Nada mudou nas equipas à entrada para a segunda parte, e o Benfica entrou como tinha acabado a primeira: a falhar o segundo golo de forma algo escandalosa, desta vez pelo Rodrigo. Mas depois de alguns minutos, pareceu-me claramente que o Benfica levantou o pé. Deixámos de pressionar alto, e baixámos as linhas para o nosso próprio meio campo, assumindo uma atitude mais expectante, para depois tentar fazer transições rápidas para o ataque sempre que recuperávamos a bola. Durante alguns minutos o sportém conseguiu respirar um pouco e até ter mais bola. Não que isso tivesse causado qualquer tipo de complicação, porque não me recordo do Oblak ter sido obrigado a fazer qualquer defesa mais apertada, e apenas numa ocasião o Heldon conseguiu criar uma situação de algum perigo, mas o remate cruzado que fez foi na direcção da bancada. Mas de qualquer forma o resultado era perigoso, porque em qualquer altura um lance fortuito poderia estragar tudo - basta recordarmo-nos do que tinha acontecido no jogo da taça, em que dominámos durante mais de uma hora e depois duas bolas paradas quase deitaram tudo a perder. Era necessário marcar o segundo, e o Benfica voltou a acelerar, sem que o sportém tivesse capacidade para responder. Voltámos a acercar-nos da baliza adversária, e a um quarto de hora do final tivemos a merecida recompensa, sentenciando o jogo. O Patrício conseguiu defender um primeiro remate do Rodrigo, que apareceu isolado, mas depois a jogada prosseguiu e o Enzo voltou a recuperar a bola ainda no meio campo do sportém, foi até à entrada da área, fez o que quis do Dier, e rematou de pé esquerdo, deixando o Patrício sem reacção. Não é que houvessem ainda grandes dúvidas sobre quem venceria o jogo, mas nessa altura acabaram completamente. Até porque o sportém não conseguiu qualquer reacção ao golo. Ou melhor, minto. A uns cinco minutos do final o Montero conseguiu fazer o primeiro remate do sportém à nossa baliza (fraco e à figura do Oblak). Considerando a produção deles durante todo o jogo, se calhar até se pode considerar isto uma reacção fortíssima. A vitória final foi clara, inequívoca, e escassa. Nem sequer teremos que gramar com a habitual choradeira dos penáltis: para reclamá-los seria preciso primeiro que conseguissem chegar à nossa área.

 

 

Homem do jogo, para mim sem dúvidas, o Enzo. Não apenas pelo golo, que foi uma demonstração clara da qualidade que tem. Por tudo o resto. Pela atitude, por nunca baixar o ritmo, pelo sangue frio com a bola nos pés - não sei se terá perdido a posse de bola uma única vez durante o jogo - e por ser o principal iniciador das nossas jogadas de ataque. Com a saída do Matic, ele é agora a jóia do nosso meio campo. Foi hoje muito bem acompanhado pelo Fejsa, que fez também um jogo enorme. Recuperou inúmeras bolas (o nosso primeiro golo nasce numa bola recuperada por ele) e parece que vai ganhando confiança para expandir mais o seu raio de acção, pois começamos a vê-lo cada vez mais frequentemente a pressionar em zonas mais adiantadas do campo. Achei que o Garay fez um jogo impecável, e quanto ao Rodrigo só foi pena ter sido perdulário. Bom jogo também do Markovic, que está cada vez menos individualista e mais um jogador de equipa.

 

Com a vitória de hoje alargámos para quatro pontos a nossa vantagem sobre o segundo classificado e somos agora a única equipa que depende apenas de si própria para ser campeã. Temos que começar já a pensar cuidadosamente na deslocação a Paços, onde não poderemos contar com o Enzo, que viu o quinto amarelo hoje. O momento é nosso, e não podemos desperdiçá-lo como o temos feito noutras ocasiões.

por D`Arcy às 00:49 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Quinta-feira, 06.02.14

Paciência

Foi preciso acima de tudo bastante paciência para eliminar o Penafiel e carimbar o apuramento para as meias-finais da Taça de Portugal. Perante uma equipa muito fechada no seu meio campo, disciplinada tacticamente e muito lutadora, o Benfica nunca perdeu a cabeça e acabou recompensado já perto do final, numa altura em que, confesso, já me sentia preocupado com a possibilidade de um prolongamento, ou até mesmo com um golo fortuito do adversário (o que, diga-se, nunca foi sequer uma ameaça).

 

 

Apresentámos um onze muito diferente do de Barcelos, já que apenas dois jogadores mantiveram a titularidade: Maxi e Luisão. O Benfica até entrou relativamente bem no jogo, ameaçando seriamente a baliza adversária durante os primeiros minutos. Mas depois de uma perdida inacreditável do Jardel, que apareceu completamente solto na pequena área e conseguiu cabecear a bola cruzada pelo Sulejmani para fora, o Penafiel foi acertando as marcações e tornou-se cada vez mais complicado para o Benfica encontrar os caminhos para a baliza. Para isso também contribuiu a fraca noite da dupla atacante escolhida para esta noite, que a tornou presa fácil para a defesa do Penafiel. O Cardozo mostrou ainda uma natural falta de ritmo, e passou a maior parte do jogo demasiado estático, sendo até apanhado diversas vezes deslocado. O Djuricic pareceu muitas vezes afastado do jogo, e entregue à marcação adversária a maior parte do tempo - as poucas vezes em que apareceu foi quando decidiu recuar e posicionar-se entre as linhas do Penafiel para criar linhas de passe e receber a bola. Pena que não o tivesse feito mais vezes - isto pode ser consequência da insistência em querer fazer dele um 'nove e meio', o que o empurra para zonas onde não parece sentir-se à vontade. O resultado disto foi que a equipa até fez bem a pressão sobre o adversário, jogando subida no terreno e matando quaisquer possíveis tentativas de contra-ataque logo à nascença. O problema era depois a falta de mobilidade no ataque, o que fazia com que andássemos imenso tempo a circular a bola no meio campo, fazendo-a viajar de um lado ao outro sem que aparecesse uma opção de passe em progressão - isto levou a que por vezes os médios (Rúben e André Gomes) até arriscassem demasiados passes de rotura que saíram mal, na tentativa de criar lances de desequilíbrio.

 

 

Este foi o registo do jogo durante a maior parte do tempo, até que o Benfica tomou a decisão de mexer na equipa. A troca dos dois jogadores mais adiantados pelo Rodrigo e o Lima aumentou a presença e mobilidade no ataque, e os defesas do Penafiel começaram a revelar muito mais dificuldades em tapar todos os buracos. O Rodrigo mexeu imediatamente com o jogo, e lances de maior perigo começaram a aparecer mais frequentemente. A entrada do Lima, a dez minutos do final, teve impacto quase imediato, já que o Benfica chegou ao golo apenas três minutos depois. Numa jogada em que intervieram precisamente o Lima e o Rodrigo, com o passe do primeiro a encontrar o segundo desmarcado à entrada da área e depois, quando até parecia que o Rodrigo poderia ter aproveitado para rematar, a bola seguiu mais para a esquerda, para o Sulejmani, que flectiu um pouco para o meio e marcou de pé direito. E diga-se que nenhum outro jogador esta noite mereceu mais o golo do que ele. Afastado ficou assim o espectro de um prolongamento que seria altamente inconveniente logo no início num mês já de si carregado de jogos - o Penafiel, destruída que estava a estratégia de defender o nulo, tentou então vir para a frente, mas foi completamente inofensivo, sendo mesmo o Benfica quem esteve perto de ampliar o resultado, num remate do Lima.

 

 

Conforme dito, o Sulejmani foi para mim o melhor jogador do Benfica esta noite, e sê-lo-ia mesmo que não tivesse marcado o golo que decidiu a eliminatória. Jogando encostado à esquerda foi sempre o jogador mais incisivo da equipa, sendo igualmente agressivo no auxílio ao Sílvio para a recuperação imediata da bola. Gostei dos dois médios, e as entradas dos dois avançados foram importantes. Esperava um pouco mais do Ivan Cavaleiro, que no lado direito não conseguiu ter um rendimento que se aproximasse ao do Sulejmani no lado oposto.

 

Mais uma vez, obrigação cumprida. Presença nas meias-finais garantida em noventa minutos, sem ter sido necessário desgastar a equipa titular. Agora, dois jogos contra o Porto separam-nos de mais uma presença no Jamor.

por D`Arcy às 00:21 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 02.02.14

Idiota

De uma forma perfeitamente idiota, interrompemos a nossa série de bons resultados. Perdemos dois pontos contra uma das piores equipas da Liga (estamos a ficar peritos nisso) e com isso perdemos também a possibilidade de tirar o máximo partido da derrota do Porto e deixá-los a seis pontos, com todo o impacto psicológico que isso acarretaria.

 

Um dos adversários mais incómodos do Benfica neste jogo, foi visível logo desde o início, foi o relvado, em péssimo estado. Isso e, pelo menos na minha forma nervosa de ver os jogos do Benfica, a derrota do Porto. Porque para mim é quase uma fórmula matemática: sempre que temos oportunidade de arrancar e deixar decisivamente o Porto para trás, fazemos asneira. A equipa que o Benfica apresentou não teve surpresa alguma, sendo a habitual dos últimos jogos. O Gil Vicente tambem não foi surpresa nenhuma: jogou exactamente da mesma maneira que tinha jogado a semana pasada, no Restelo, frente às nossa reservas. Tudo encafuado no seu meio campo, e abdicação quase total de atacar. O Benfica até entrou a jogar de uma forma razoável, face a estas condicionantes. Sobretudo por influência do Gaitán, muito activo na esquerda e o principal criador de lances de ataque do Benfica, e também do Rodrigo, que jogava com bastante mobilidade e conseguia quase sempre aparecer solto para dar opções de passe aos colegas. Ainda cedo no jogo vimos precisamente o Rodrigo falhar um golo quase certo por culpa do mau estado do relvado, mas a verdade é que frente a um adversário tão fechado atrás e impossibilitados de jogar de forma mais rápida, as ocasiões de golo foram raras. Para além da ocasião do Rodrigo, apenas um remate do Siqueira, quase sobre o intervalo, deu a sensação de perigo. De resto, os poucos remates que conseguimos fazer foram quase todos frouxos e levaram sempre a direcção do guarda-redes do Gil Vicente, que os defendeu sem grande dificuldade.

 

Até gostei da entrada do Benfica na segunda parte. A metade do campo para a qual atacámos parecia estar em condições ligeiramente melhores, e o nosso jogo atacante foi também melhor, ainda e sempre com o Gaitán como jogador em maior destaque. Só que, ainda não tinha terminado o primeiro quarto de hora, num momento de profunda idiotice o Siqueira viu o segundo amarelo e foi expulso. A situação complicava-se, mas não houve muito tempo para preocupações, porque apenas três minutos depois o Benfica chegou à vantagem. Penálti assinalado depois do Gaitán (claro) ser atingido de forma atabalhoada com um pontapé nas costas, e o Lima marcou com a segurança do costume nestes lances. O mais difícil estava feito, perante uma equipa que até então, a exemplo do jogo da Taça da Liga, não tinha feito um remate no jogo. Esperava que o Benfica, em vantagem, fizesse alguma alteração, com o reforço do meio campo por troca com um dos avançados - o Gaitán nesta altura actuava como lateral esquerdo, mas não havia ninguém no banco para fazer esta posição. O Gil Vicente reagiu ao golo e incrivelmente conseguiu, com sessenta e cinco minutos de jogo decorridos, fazer o primeiro remate no jogo. Pouco depois, fez o segundo e infelizmente marcou. Aproveitando um alívio do Luisão para a entrada da área, após um canto, o jogador adversário rematou de primeira e a bola entrou mesmo, com enormes culpas para o Oblak. A bola era defensável, porque não foi muito colocada, mas fiquei com a sensação que ele tentou fazer uma defesa para a fotografia e acabou por dar uma palmada na bola para dentro da própria baliza. O Benfica foi novamente obrigado a fazer as despesas do jogo, porque o Gil Vicente voltou a remeter-se á defesa, e mesmo com dez o nosso controlo do jogo foi quase completo. Nos cerca de vinte minutos que se seguiram ao golo do empate, acho que atacámos e rematámos mais do que tínhamos feito no jogo até então. O Cardozo (que tinha entretanto substituído o Rodrigo) falhou um golo de forma incrível, ao acertar na perna do guarda-redes. Mas o pior foi no período de descontos: o Bruno Paixão inventou um penálti a nosso favor (pareceu-me uma  carga normalíssima sobre o Djuricic, sem qualquer falta) e o Cardozo fez aquilo que de pior por vezes resolve fazer: fechou os olhos e chutou a direito com força. Acertou no guarda-redes.

 

O Gaitán foi o melhor jogador do Benfica, o Siqueira obviamente o pior. O Rodrigo esteve bem a espaços, o Lima lutou bastante e movimentou-se bem, mas continua a ser um desastre na finalização (excepção feita ao penálti). Muito mal o Oblak no golo sofrido. Para sofrer um golo no único remate que o adversário faz à baliza já lá estava o Artur.

 

Mais dois pontos perdidos, a juntar aos que perdemos com o Arouca e com o Belenenses, contra uma equipa indescritivelmente má. Menos mal que o Porto do Fonseca fez o que se esperava e por isso ainda lhes ganhámos um ponto, mas isso não apaga a frustração de dois pontos muito mal perdidos. Nem um penálti caído do céu soubemos aproveitar.

por D`Arcy às 00:23 | link do post | comentar | ver comentários (48)
Sexta-feira, 31.01.14

Os insubstituíveis

O futebolista Matic deixou o Benfica e foi para o Chelsea receber um ordenado chorudo e fora das possibilidades de qualquer clube português. O Benfica recebeu por esta venda um valor bem significativo, ainda que aquém das expectativas criadas. Objectivamente, no plano desportivo, o Benfica deixou partir um dos seus futebolistas mais importantes. Isto é um problema e, para o ultrapassar, há que arranjar uma solução. Há no Benfica quem já nos tenha dado provas de que as soluções existem e são implementadas. É, também, para encontrar soluções que muitos dos profissionais do futebol do Benfica recebem ordenados chorudos e fora das possibilidades do cidadão comum. As saídas de Witsel e Javi Garcia foram lidas como apocalípticas até que Enzo e… Matic demonstraram ser soluções com claras mais-valias desportivas relativamente aos que haviam saído. O mesmo já acontecera com David Luís e Garay e, anteriormente e com outros contornos, na substituição de Ramires por Sálvio ou, ainda que mais demorada, a de Simão por Di Maria. Em todos estes casos se gritou pelo apocalipse e se carpiram antecipadamente profecias de desgraças futuras. É natural, faz parte de uma ‘voluptas dolendi’, um comprazimento na dor, que enforma e enferma a alma lusitana. Recordo que as deserções de Pacheco e Paulo Sousa também levaram a que se antecipasse o pior, mas que foi sem eles, e também a eles, que ganhámos por 3-6, em Alvalade. Aliás, desde que vi o Dito e o Rui Águas saírem para o FCP e substituídos pelo Ricardo (o melhor central que vi no Benfica, depois do Humberto) e pelo Vata (que acabou como melhor marcador do campeonato), percebi que no futebol só a bola é insubstituível. Haja optimismo nos adeptos e competência nos profissionais para, mais uma vez, se substituir o “insubstituível”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Janeiro, para publicação na edição de 31/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

por Pedro F. Ferreira às 08:49 | link do post
Sábado, 25.01.14

Agradável

O jogo era só para cumprir calendário e pouco interesse competitivo tinha, mas a verdade é que me agradou vê-lo, e só fiquei com pena de que aqueles minutos finais, depois da entrada dos três miúdos da equipa B, não tivessem sido mais. 

 

 

Foi obviamente uma equipa completamente secundária aquela que entrou no relvado do Restelo. Mas isso, e o facto do jogo ser a feijões, não impediu que se apresentasse motivada. A atitude foi excelente do início ao fim, frente a um adversário que, incompreensivelmente, se limitou a defender. Num jogo que nada decidia, não sei o que é que procuravam conseguir com isto. Gostei de ver a equipa alinhar com as linhas muito subidas, em pressão constante sobre o adversário, que conseguiu a proeza de acabar o jogo com zero remates feitos. Não se se alguma vez tinha visto algo assim. Não foram muitas as oportunidades criadas durante a primeira parte (era difícil perante tantos adversários a defender), mas mesmo assim deveríamos ter chegado ao intervalo a vencer, até porque desperdiçámos um penálti (Funes Mori muito mal na marcação). O merecido golo, que acabou por garantir a vitória, acabou por chegar aos cinquenta e seis minutos, numa recarga do Sulejmani a um cabeceamento do Funes Mori, que levou a bola à barra da baliza. O jogo, que foi disputado quase exclusivamente no meio campo do Gil Vicente (devemos ter acabado com mais de 70% de posse de bola), ficou mais animado nos últimos quinze minutos, quando o Benfica fez entrar o Bernardo Silva, o Hélder Costa e o João Cancelo (estreia absoluta para os dois últimos na equipa principal do Benfica, pois o Bernardo já tinha alinhado alguns minutos na Taça de Portugal, contra o Cinfães). O adversário finalmente quis arriscar um bocadinho mais, e com isso deu mais espaços atrás, que a irreverência e vontade dos miúdos em mostrar serviço explorou e poderia ter aproveitado melhor para ampliar o resultado. Isso esteve muito perto de acontecer - qualquer um dos três teve pelo menos uma ocasião para o fazer.

 

 

Tal como no jogo contra o Leixões, para a mesma competição, o Rúben Amorim voltou a destacar-se. Sempre bem nas tarefas defensivas, mostrou depois a sua grande técnica de passe na construção de jogo. Gostei também muito do André Gomes, embora admita ser suspeito nesta apreciação porque é um jogador que eu aprecio bastante, e dos que mais me irrita não ver serem concedidas mais oportunidades na equipa principal. A saída do Matic dá-me alguma esperança que ele possa voltar a jogar mais regularmente, mas é mesmo esperar para ver. O Ivan Cavaleiro também jogou bem, e pareceu-me bastante solto e confiante. Se calhar o facto do jogo não decidir nada permitiu-lhe soltar-se e mostrar diversos pormenores que costumamos vê-lo fazer pela equipa B. Desta vez se calhar até foi excessivamente generoso, procurando sempre servir colegas em melhor posição- em particular o Funes Mori, a quem parecia especialmente apostado em oferecer um golo. Por falar no Funes Mori, confesso que é um jogador que até me custa um pouco criticar. A verdade é que de jogo para jogo reforço a ideia que tenho dele: é tecnicamente limitadíssimo (vulgo: um cepo). Mas tem uma atitude muito boa no jogo, pois nunca vira a cara à luta e trabalha durante os noventa minutos. Marcou o penálti de forma horrível, mas o cabeceamento que fez à barra após o cruzamento do André Almeida, e do qual resultou o nosso golo, foi muito bom. Conforme referi, gostei da entrada dos três miúdos da equipa B. Espero que possamos aproveitá-los - e que eles saibam também aproveitar as oportunidades que lhes forem sendo concedidas. O Bernardo Silva e o Cancelo são nomes que já nos são mais familiares, porque há algum tempo que se vai falando deles, mas o Hélder Costa entrou muito bem no jogo, e tenho gostado bastante do que tenho visto dele na equipa B - ainda nesta última quarta, contra o Penafiel, na fase em que a equipa ficou reduzida a nove acabou a ocupar a posição de lateral-esquerdo e impressionou-me a forma como conseguiu sempre fazer, mesmo no final dos noventa minutos, todo o corredor.

 

 

Mais uma vitória, mais um jogo sem sofrer golos, e fim de um mês de Janeiro perfeito. Ficamos agora à espera de adversário nas meias.

por D`Arcy às 19:33 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Sexta-feira, 24.01.14

A encomenda

A “estrutura perfeita” perdeu no Estádio da Luz e viu os cinco pontos de vantagem que lhe garantia loas ao plantel e encómios ao líder da fina ironia transformarem-se em três de atraso para o Benfica.

A “estrutura perfeita” reagiu insurgindo-se contra o árbitro, Artur Soares Dias. O mesmo Soares Dias que herdou o apito e consolidou carreira sempre na sombra da Torre das Antas. Ao culpar o dito Soares Dias, a “estrutura perfeita” limpou a imagem do seu treinador, Paulo Fonseca. O mesmo Paulo Fonseca que herdou o cargo e consolidou a carreira na sombra da última jornada do campeonato transacto. Ao culpar o dito Soares Dias, a “estrutura perfeita” desculpabilizou-se de ter substituído James e Moutinho por Licá e Josué. Mas a “estrutura perfeita” foi mais longe e exigiu a nomeação do amigo Proença para as próximas contendas com o Glorioso. A tradição ainda é o que era e desde Garrido que há sempre um Proença a ser desejado e “nomeado” para participar e contribuir para a festança. Assim, com uma “nomeação” tão atempada como avisada, não admira que a “estrutura perfeita” tenha um treinador a garantir que festejará na última jornada do campeonato. Aliás, diga-se que esse treinador, apesar da curta carreira, já tem alguma experiência em garantir campeonatos na derradeira jornada. E é assim que a “estrutura perfeita” garantia há uns meses que só os estúpidos é que falavam de arbitragem e que agora, falando de arbitragens, não só deixaram de ser estúpidos como encomendam os foguetes para jornada final. Faltou-lhes apenas dizer que a culpa da derrota na Luz se deveu ao facto de terem jogado à tarde, quando a tradição os habituara a jogar no calor da noite. Mas, garantidamente, a “estrutura perfeita” valer-se-á, também, do retomar dessa tradição.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 21 de Janeiro, para publicação na edição de 24/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Segunda-feira, 20.01.14

Tranquila

Uma vitória tranquila do Benfica (por vezes até excessivamente tranquila) permitiu mantermo-nos isolados no topo da classificação. Num jogo disputado grande parte do tempo a um ritmo muito pausado, as coisas ficaram resolvidas na primeira parte, e só faltou que na segunda tivéssemos aproveitado as oportunidades para construir um resultado mais dilatado. Foi a oitava vitória consecutiva, e a décima segunda nos últimos treze jogos (apenas o empate com o Arouca pelo meio estragou esta série).

 

 

Jogámos com apenas uma alteração no onze que venceu o Porto, tendo o Fejsa, como era mais do que previsível, ocupado o lugar que era do Matic. A primeira coisa a saltar à vista desde o início do foi a aparente pouca intensidade metida pelo Benfica no jogo. Continuo a achar que o estado actual do relvado - parece-me demasiado pesado, devido à chuva constante - não ajuda muito a que se disputem os jogos a uma velocidade muito elevada, mas mesmo assim pareceu-me que a 'calma' do Benfica chegou a ser excessiva. Por vezes o jogo parecia ser um jogador com a bola nos pés e os dez colegas parados a olhar para ele, à espera de ver o que é que iria fazer. Houve excepções, como o Gaitán ou o Markovic, que procuravam acelerar assim que a bola lhes chegava aos pés, mas o jogo foi em geral enfadonho. Num jogo que até então praticamente não tinha tido oportunidades de golo, o Benfica inaugurou o marcador numa das primeiras ocasiões que criou, que nasceu precisamente de uma arrancada do Gaitán. O passe a solicitar o Lima foi cortado por um defesa do Marítimo, mas o corte deixou a bola à disposição do Rodrigo, que descaído sobre a esquerda rematou rasteiro, de primeira, para o golo. Depois do golo, obtido aos dezanove minutos, o jogo animou. O Benfica ameaçou o segundo, num cabeceamento do Garay e num centro do Gaitán a que o Rodrigo não chegou por muito pouco, e o Marítimo respondeu com um período de alguns minutos de pressão e cantos consecutivos, que obrigaram o Oblak a algumas defesas mais apertadas. Mas foi quando o Marítimo estava na sua fase melhor que o Benfica chegou ao segundo golo, numa altura em que faltavam dez minutos para o intervalo. Infantilidade do último defesa do Marítimo, que se agarrou à bola sobre a linha do meio campo quando estava pressionado pelo Rodrigo e pelo Markovic, e a bola acabou por sobrar para o primeiro, que correu metade do campo sozinho e finalizou sem problemas - o golo é no entanto precedido de ilegalidade, já que o Rodrigo estava adiantado quando o Markovic desarmou o defesa. O segundo golo acabou com o ímpeto do Marítimo, e o jogo arrastou-se calmamente até ao intervalo.

 

 

As coisas não mudaram muito após o intervalo. O Benfica preocupou-se sobretudo em gerir o resultado e controlar o jogo, o que conseguiu sem muitos sobressaltos. O Marítimo tentou subir no terreno na busca de um golo que relançasse o jogo, mas com isso ficou exposto aos contra-ataques do Benfica. Mesmo sem grandes correrias, o Benfica acabou por ter pelo menos quatro grandes oportunidades, de que me recorde, para ampliar a vantagem, quase todas construídas precisamente em saídas rápidas para o ataque. Uma para o Rodrigo/Markovic, que acabaram por trocar demasiado a bola entre si sem que nenhum deles se decidisse pelo remate na altura ideal. O Lima teve duas, ambas negadas por boas defesas do guarda-redes. Na primeira há mérito no remate espontâneo do Lima, mas na segunda, apesar de ser uma grande defesa, julgo que naquela situação o Lima poderia ter feito melhor, pois estava sozinho em frente ao guarda-redes e tinha tempo para fazer o que quisesse. Finalmente, houve também uma bola na barra, num raro cabeceamento do Enzo. A única resposta do Marítimo foi uma ocasião já a poucos minutos do final, a que o Oblak respondeu com uma defesa apertada que ainda fez a bola embater no poste. Não esqueço também o que me pareceu um penálti evidente sobre o Markovic, que o Hugo Miguel, com toda a sua experiência em não marcar penáltis a favor do Benfica (lembremo-nos do que ele fez em Coimbra há dois anos, em que transformou um penálti sobre o Aimar em falta ofensiva) conseguiu dar amarelo ao nosso jogador. Provavelmente o Markovic deveria era ter-se deixado cair sem que ninguém lhe tocasse, ainda fora da área. Isso parece resultar melhor com o Hugo Miguel (ou isso, ou não equipar de vermelho).

 

 

O Rodrigo tem que ser considerado o homem do jogo. Está definitivamente a atravessar um grande momento de inspiração no que diz respeito aos golos, e a fazer lembrar o jogador que era antes do Bruto Alves o ter ceifado. Se calhar há umas semanas atrás a perspectiva de o vender por uma quantia interessante até não me incomodaria muito. Hoje, e ainda para mais com a indisponibilidade do Cardozo e a franca desinspiração goleadora do Lima, já não me sinto tão tranquilo com essa possibilidade. Para além do Rodrigo, agradaram-me também as exibições do Gaitán, Enzo e Markovic.

 

Completámos hoje uma volta do campeonato sem conhecer a derrota. Falta-nos apenas o encontro do próximo fim-de-semana contra o Gil Vicente, para a Taça da Liga, para fecharmos um mês de Janeiro perfeito, no qual até agora contamos por vitórias todos os jogos disputados, isolámo-nos no primeiro lugar da Liga, apurámo-nos para os quartos-de-final da Taça de Portugal, para as meias-finais da Taça da Liga, e não sofremos um único golo. Nada mau para uma equipa em crise e sob críticas constantes.

por D`Arcy às 01:33 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sexta-feira, 17.01.14

As duas Taças gémeas

Vou repetidamente ao nosso Museu Cosme Damião, ao ninho das águias, para ver aquelas duas Taças dos Clubes Campeões Europeus tão parecidas, tão irmanadas e, no entanto, tão diferentes.

 

Para o observador incauto são as barrigudinhas gémeas, iguais e indistintas. Para o benfiquista são inconfundíveis. Olham para nós de forma idêntica, sorriem-nos ambas como marcos únicos do benfiquismo, mas não são iguais. Na segunda estão já o Eusébio e o Simões. Na primeira estão ainda o Neto e o Santana. Erguem-se ambas em cima de dois colossos europeus, mas uma com tom castelhano e outro catalão. Uma ganhou-se a um húngaro que se confundia com Barcelona e outra a um argentino que se fundiu com Madrid. Em ambas está a liderança do Coluna, a eficácia e elegância do José Águas e a categoria do Germano. Olhamo-las nos olhos e percebemos o testemunho da imagem do Águas a erguê-las aos céus como agradecimento da dádiva feita pelos deuses aos eleitos. Observamo-las atentamente e percepcionamos promessas de lutas, reveses e sucessos futuros. Sabemos que em ambas reside a garantia da renovação do benfiquismo. Carregam nelas a herança de atletas da cepa de Rogério “Pipi”, Francisco Ferreira ou Julinho, na mesma medida em que anunciam glórias como Bento, Humberto, Néné ou Chalana. Como todas as gémeas, falamos delas no plural, mas sabemo-las singulares e únicas.

 

Como tributo ao facto de elas nos terem dado o cognome de “Glorioso” até as denomino com os nomes das duas gémeas mais importantes da minha vida: à de 60-61 chamo Catarina e à de 61-62 chamo Maria.

 

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Artigo de opinião publicado na edição de 17/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 16:11 | link do post
Quinta-feira, 16.01.14

O vazio

Só alguém com a inteligência de jornalista deportivo português é que consegue ver a polémica em declarações em que ela não existe. É tudo o que eu tenho a dizer sobre o vazio que é a não notícia da "revolta" dos jovens benfiquistas.

por Pedro Valente às 19:51 | link do post | comentar | ver comentários (25)

Resolvido

São jogos com esta qualidade que se calhar (também) ajudam a que a Taça da Liga seja uma competição que desperta pouco interesse. Do jogo desta noite, que não teve grande história, o melhor foram os dois bonitos golos que marcámos e a vitória por dois a zero, que nos garantiu desde já o primeiro lugar no grupo e consequente apuramento para as meias finais da competição.

 

 

O Benfica entrou em campo com uma equipa de segundas escolhas - nenhum dos jogadores do onze que defrontou o Porto foi titular hoje. Seria uma boa oportunidade para que alguns dos jogadores menos utilizados mostrassem serviço. Houve quem aproveitasse, mas houve também quem mostrasse a razão pela qual fica de fora das primeiras escolhas. À parte a curiosidade para ver jogar alguns desses jogadores em acção, o jogo teve pouco interesse. A superioridade do Benfica foi sempre indiscutível, mas o ritmo de jogo foi relativamente lento, e provavelmente o relvado pesado terá também contribuído para isso. A fase inicial de jogo foi particularmente má, com os nossos jogadores a fazerem uma quantidade inusitada de passes disparatados, muitos deles para terra de ninguém. Perto da meia hora aconteceu um dos momentos altos do jogo, que foi o golo do Djuricic. Livre do Rúben na posição central, enviando a bola para perto da linha de fundo onde apareceu o Jardel a cabeçear para trás na direcção do Djuricic, que controlou a bola no peito e rematou para o golo sem a deixar cair. Um pormenor de grande qualidade técnica num jogo pobre nesse particular. A segunda parte, durante a qual entraram Markovic, Lima e Rodrigo, fica apenas assinalada por mais um bonito golo, já quase a fechar o jogo, da autoria do Ivan Cavaleiro. A passe do Rúben (grande pormenor na jogada), tirou um adversário do caminho e fuzilou de pé esquerdo. Finalmente, depois de já ter estado tantas vezes tão perto, o Ivan marcou pela equipa principal. Podíamos ter marcado mais golos, mas tal não aconteceu não por desperdício de ocasiões de golo, mas mais por termos falhado no chamado último passe.

 

 

Para mim o melhor jogador do Benfica foi, de longe, o Rúben Amorim, que teve intervenção directa nos dois golos e foi um dos jogadores que esteve sempre a um ritmo mais elevado. Foi digno da braçadeira de capitão que envergou. Sílvio, Fejsa e Jardel também me pareceram bem, embora o sérvio falhe ou complique demasiado sempre que tenta construir jogo. Por falar em complicação, é talvez um aspecto a corrigir no Ivan Cavaleiro. Gostei do jogo que fez, mas continuo a achar que em várias jogadas peca por se agarrar demasiado à bola e não a soltar no momento certo. Apesar do bonito golo, esperava ver mais do Djuricic neste jogo. Teve um ou outro pormenor de qualidade, mas no geral pareceu-me desmotivado e alheado do jogo - bastou ver a forma como (não) festejou o golo, e calculo que até tenha sido por isso que o Rúben foi falar com ele nesse momento. Outro jogador que parece ter um problema de empenho é o Ola John. Dá pena ver tanto talento desperdiçado por falta de vontade em correr. Pelo contrário, o Funes Mori é um jogador que trabalha bastante e não vira a cara à luta, mas reforcei a opinião de que é tecnicamente limitado. E fiquei surpreendido pela negativa com a exibição do Steven Vitória, porque o que eu vi dele o ano passado no Estoril e até este ano pela equipa B faz-me esperar mais e melhor. O regressado Artur teve uma falha que poderia ter sido comprometedora, mas recompôs-se e esteve bem durante o resto do jogo.

 

Foi bom termos ficado já com o tema do apuramento resolvido. Assim podemos encarar a recepção ao Gil Vicente na última jornada com total tranquilidade, e resta-nos ficar à espera para saber qual a desagradável visita que teremos que fazer no jogo da meia-final.

por D`Arcy às 02:00 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Segunda-feira, 13.01.14

Arranque

Apesar do mau historial recente em jogos contra o Porto, creio que todos os benfiquistas tinham hoje uma crença quase absoluta na vitória. Simplesmente não era imaginável outro resultado que não a vitória no clássico. E os nossos jogadores corresponderam a esta expectativa. Não com um jogo rico em pormenores técnicos de qualidade, mas com muita raça, empenho e concentração, oferecendo-nos uma vitória que há demasiado tempo nos fugia, numa tarde que fica marcada pela linda homenagem ao nosso King Eusébio antes do início da partida.

 

 

A grande surpresa para mim foi a manutenção da titularidade do Oblak. Não que não fosse justificada, porque a verdade é que depois de uma série infeliz de jogos consecutivos a sofrer golos, desde que o Oblak assumiu a baliza que nem por uma vez a bola voltou a tocar as nossas redes. Não sei se tem tido muito trabalho ou não, mas o que tem tido, tem-no feito bem. Menos surpreendente foi a manutenção da aposta nos dois avançados que, confesso, não é do meu agrado em jogos contra o Porto. A primeira parte do jogo foi muito pouco interessante no que à qualidade do futebol diz respeito. As equipas acabaram por encaixar uma na outra, houve pouco espaço para jogar e muitos lances divididos, sempre disputados com grande intensidade. Os desequilíbrios e oportunidades de golo foram poucos, e a primeira vez que isso aconteceu resultou no golo do Benfica. Com uma dúzia de minutos decorridos, o Markovic aproveitou um mau passe de um adversário para recuperar a bola perto do círculo central, arrancou por ali fora com a bola controlada deixando adversários para trás, e na altura certa passou a bola para o Rodrigo que, descaído sobre a esquerda, desferiu um remate de primeira imparável para o golo. Ao contrário do que aconteceu com alguma frequência nos jogos mais recentes contra o Porto, desta vez fomos nós a adiantarmo-nos no marcador relativamente cedo, e isso fez muita diferença. O Benfica esta época parece jogar pouco para a nota artística, e em vez disso ter um espírito mais virado para o 'resultadismo'. Se calhar noutras épocas recentes, a seguir ao primeiro golo o Benfica embalaria na busca de um segundo. Desta vez optou por manter uma atitude mais resguardada e sóbria, controlando um Porto que se viu obrigado a ir em busca do golo. E, verdade se diga, fizeram-no exemplarmente. É que o Porto, que durante a primeira parte teve mais posse de bola, não conseguiu construir uma oportunidade de golo - não me recordo de, nas últimas épocas, alguma vez ter visto um Porto tão inofensivo na Luz. A única forma que o Porto tinha de levar a bola para perto da nossa baliza era através de livres, que eram aproveitados para despejar a bola para a área a partir de qualquer posição dentro do nosso meio campo, mas a nossa defesa hoje esteve sempre concentrada, e não foi por aí que criaram qualquer perigo.

 

 

A segunda parte começou praticamente com um livre muito perigoso a favor do Porto, à entrada da área, que acabou com a bola nas mãos do Oblak. O Benfica respondeu com uma ocasião do Markovic, defendida para canto. Na sequência desse canto, houve um penálti flagrante cometido pelo Mangala, por mão na bola, que incompreensivelmente não foi assinalado. A jogada seguiu para novo canto, e na marcação deste, quando ainda se reclamava o penálti não assinalado, surgiu a entrada fulgurante do Garay, que de cabeça fuzilou a baliza do Porto. O golo aconteceu logo aos oito minutos, havendo portanto ainda muito tempo para jogar, mas praticamente dissipou quaisquer dúvidas sobre o vencedor, porque este Porto nunca pareceu mostrar qualquer capacidade para poder anular uma desvantagem de dois golos. O Benfica, com muito empenho e raça de todos os jogadores, continuou a manter o adversário longe da sua baliza, e tal como na primeira parte o Porto foi incapaz de criar uma oportunidade de golo que fosse. O Benfica, pelo contrário, em transições rápidas ia ameaçando dilatar ainda mais a sua vantagem, e dispôs de mais do que uma ocasião para o fazer. A melhor de todas esteve nos pés do Rodrigo, que se isolou e em frente ao Hélton acabou por chutar com o seu pior pé (o direito) por cima da baliza. A um quarto de hora do final o Porto ficou reduzido a dez, e a nossa tarefa ficou ainda mais facilitada. Se calhar o Benfica até poderia ter forçado na procura de mais um golo, mas o jogo já estava ganho e não valia a pena correr riscos desnecessários. Nestes últimos anos já vi o Benfica jogar de forma bem mais vistosa contra o Porto e não ganhar. Prefiro ver-nos jogar de forma mais realista e conseguir o resultado que nos interessa. Após o final do jogo, fiquei infelizmente com a nítida sensação de que o Matic se despediu do público da Luz.

 

 

O maior destaque do jogo de hoje é para a equipa num todo. Tiveram a atitude e concentração certas para vencer um jogo sempre difícil, e que foi de luta intensa. Já há algum tempo que não via o Benfica impor-se ao Porto de forma tão natural. Em termos individuais, é com agrado que vamos assistindo à evolução do Markovic na vertente táctica do seu jogo. Depois, o talento natural dele ajuda a fazer a diferença, o que foi o caso hoje. O Rodrigo está a atravessar um momento bom de forma (ao contrário do Lima, que continua francamente desinspirado). Se calhar, agora que ele parece estar a regressar à forma 'pré-atropelamento pelo Bruto Alves', arriscamo-nos a vê-lo ser vendido. Gostei do Enzo e do Garay, o Maxi continua a subir de forma, e por fim o Matic, naquele que poderá ter sido o seu último jogo na Luz, despediu-se com mais uma boa exibição.

 

Debaixo de constantes críticas da imprensa e dos seus próprios adeptos, a ter que superar a carga psicológica negativa do terrível final da época passada, com diversos jogadores fulcrais indisponíveis por lesão, com o treinador suspenso durante um mês, o Benfica foi a melhor equipa da primeira volta do campeonato, mesmo que outros tenham sido os campeões das loas. Estamos em primeiro com todo o mérito, e apesar das inúmeras contrariedades que nos têm afligido. Espero que a vitória de hoje possa ser o arranque definitivo para a conquista desta Liga.

por D`Arcy às 00:19 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 10.01.14

O Rei

Os grandes reis ficam na História pelo cognome. No entanto, há um que difere de todos os outros ao ponto de se lhe substituir o nome pelo cognome. Para nós, Rei é Eusébio e Eusébio é um outro nome de Benfica, cujo cognome é Glorioso. É assim que no nosso imaginário o Rei é o Glorioso. É assim que no Benfica se edifica História. Mas este Rei é único, na medida em que não é herdeiro da coroa que ostenta nem deixou herdeiros para a sua coroa. Ele é o Rei único e insubstituível numa corte de vários príncipes e milhões de súbditos. Este Rei não nasceu herói, construiu-se herói ao longo da sua vida e nessa construção ajudou determinantemente o Benfica a transformar-se num Clube de dimensão universal e intemporal. É assim com os que são enormes entre os grandes: edificam-se, edificando um edifício maior do que a dimensão do sonho. Ao vivenciarmos Eusébio deveremos perceber que, muito esporadicamente, a História dá-nos o privilégio de assistir à metamorfose do homem que transcende da sua condição ao ponto de se tornar um mito. Um dia, o homem parte e fica o mito. Quando o que restava de humano partiu no domingo passado, ficou a herança e a responsabilidade dos seus súbditos perceberem que houve uma fase em que Eusébio jogou e ganhou para o Benfica. Fê-lo durante anos, golos, vitórias, lesões e sacrifícios a fio. Agora, é chegada a hora de o Benfica jogar e ganhar pelo Eusébio. Apenas assim os súbditos do Rei continuarão a construir o Glorioso.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Janeiro, para publicação na edição de 10/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Domingo, 05.01.14

Eusébio

 

Hoje morreu um pouco do nosso Benfica. Fica a saudade, a gratidão ilimitada e o dever de estar à altura do maior símbolo do nosso Benfica. Tudo o que não foi dito não cabe nas metáforas, fica em nós connosco, na família benfiquista.

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por Pedro F. Ferreira às 11:32 | link do post | comentar | ver comentários (31)

Agradável

A pausa de Natal parece ter-nos feito bem. Uma exibição agradável do Benfica - talvez das melhores a que assistimos nos últimos meses - permitiu-nos resolver o jogo bastante cedo, e depois gerir o resultado calmamente e avolumá-lo com naturalidade.

 

 

O Benfica não fez quaisquer poupanças e entrou em campo com o onze mais forte que seria possível apresentar neste momento. Entrou também com uma atitude boa, a jogar com rapidez e agressividade, e foi recompensado logo aos dois minutos, altura em que chegou ao primeiro golo. Foi numa jogada bastante bonita, que envolveu o Siqueira, o Markovic e o Gaitán, sendo do pé esquerdo deste último que saiu o cruzamento para o cabeceamento certeiro do Rodrigo. Conforme disse, a atitude com que o Benfica entrou no jogo foi muito boa, com toda a equipa em bloco a exercer uma pressão forte sobre o Gil Vicente, o que resultou numa posse de bola quase permanente do Benfica. E quase sempre que a bola era recuperada, as transições para o ataque foram feitas em boa velocidade, o que permitia apanhar o adversário desposicionado e criar ocasiões de golo com frequência. Quando chegámos ao final do primeiro quarto de hora e marcámos o segundo golo, no intervalo de tempo entre os dois golos já tínhamos criado pelo menos três ocasiões flagrantes para voltar a marcar. O segundo golo foi da autoria do Markovic após uma boa combinação com o Rodrigo na cara do guarda-redes, depois de um bom passe do Enzo sobre a defesa que os deixou a ambos isolados. Com uma vantagem confortável adquirida tão cedo, o Benfica pôde jogar com tranquilidade e a partir da meia hora pareceu-me ter abrandado um pouco o ritmo, mas sem nunca ter largado o controlo absoluto do jogo. E ainda chegou ao terceiro golo, numa saída rápida para o ataque concluída mais uma vez pelo Rodrigo, que rematou para a baliza deserta a passe do Gaitán. Este tipo de jogadas costumavam ser bastante frequentes na nossa equipa, mas já há algum tempo que não as via. Neste caso pareceu-me particularmente importante a rapidez de decisão do Oblak na altura de lançar imediatamente a bola para o ataque assim que a agarrou. Como a equipa do Gil Vicente tinha subido até à área para a marcação de um livre, isto permitiu-nos partir para o ataque rapidamente e apanhar o adversário desprevenido e desorganizado - já disse várias vezes que as constantes indecisões e hesitações do Artur na altura de lançar os contra-ataques são um dos pormenores que mais me enervam nele. 

 

 

Tendo a primeira parte rendido a confortável vantagem de três golos, era mais do que esperada uma segunda parte muito menos agitada e de maior gestão de esforço por parte da nossa equipa. Foi exactamente isso que aconteceu. Mas desta vez o Benfica fez uma gestão equilibrada do jogo, pois não cometeu o erro habitual de simplesmente encostar-se atrás e entegar completamente a iniciativa de jogo ao adversário, limitando-se a defender a vantagem. Estivemos sempre por cima no jogo, mesmo jogando a uma velociade mais pausada nunca permitimos qualquer veleidade ao adversário, e apesar das oportunidades de golo serem em menor quantidade a possibilidade do resultado se avolumar esteve sempre presente. Esta confirmou-se com apenas treze minutos decorridos, quando o Lima converteu um penálti a castigar um derrube claro do guarda-redes ao Maxi. Depois deste golo o Benfica poupou-se mais ainda, retirando do jogo os sempre importantes Enzo e Matic, mas nem mesmo assim deixou de estar sempre por cima. O Lima esteve perto do quinto do Benfica e seu segundo da noite num toque de calcanhar defendido por instinto ou acaso pelo guarda-redes, mas acabou por marcar mesmo já em período de descontos, finalizando quase sobre a linha de golo um cruzamento tenso do Maxi.

 

 

Muito boa a primeira parte do Rodrigo, que para mim foi o homem do jogo: marcou dois golos e fez a assistência para o Markovic marcar. Markovic que hoje esteve diferente para melhor. Para variar, o Benfica não jogou com menos um porque esta noite o sérvio mostrou uma atitude diferente, empenhando-se até a recuar no terreno para auxiliar a defesa e recuperar a bola. O Siqueira é um jogador que pode acrescentar muito à nossa equipa, e espero por isso que os problemas físicos que apresentou durante a primeira metade da época estejam definitivamente resolvidos. O Matic esteve ao seu nível, gostei também do Gaitán (duas assistências), e o Maxi voltou a estar bem melhor do que a mediocridade que andou a exibir durante uma boa parte da época até agora. No geral toda defesa mostrou-se mais segura - eu acho que isto não é de forma alguma alheio ao facto de termos mudado de guarda-redes, mas não tenho problema nenhum em confessar o meu facciosismo nesta questão.

 

Depois deste bom regresso é agora altura de pensar no próximo jogo contra o Porto. Pode ainda faltar meio campeonato para jogar, mas para mim será um jogo absolutamente decisivo. E espero que toda a gente dentro do clube tenha consciência disso.

por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Terça-feira, 31.12.13

Nacional

Não tenho muito a dizer sobre este jogo. O fundamental é que conseguimos arrancar uma vitória num terreno difícil, ainda que mais uma vez em serviços mínimos. O jogo foi bastante disputado mas geralmente feio, sem muitas ocasiões de golo ou jogadas de encher o olho, e ficou resolvido com um autogolo, à meia hora de jogo, quando o Mexer desviou para a sua baliza um cruzamento do Gaitán (na minha opinião o nosso melhor jogador esta noite). O Nacional ainda teve, a meio da segunda parte, um período de maior fulgor em que conseguiu carregar mais e tentou chegar ao empate, mas apenas numa ocasião ameaçou seriamente a nossa baliza, tendo acertado no poste. A entrada do Rúben Amorim, a quinze minutos do final, estabilizou a equipa e esfriou os ânimos do Nacional.

 

Dada a forma como a Taça da Liga se disputa, com a vitória desta noite o Benfica deu um passo de gigante para passar às meias-finais e agora só mesmo uma grande surpresa/asneira nos jogos com o Leixões ou o Gil Vicente na Luz é que poderá impedir que isso aconteça.

 

Votos de um bom ano de 2014 para todos.

por D`Arcy às 03:53 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sábado, 21.12.13

Vitória

Uma vitória complicada mas sem contestação do Benfica em mais um jogo onde a qualidade do futebol da equipa esteve longe de deslumbrar, particularmente durante os primeiros quarenta e cinco minutos, que deverão ter sido dos mais pobres que já apresentámos esta época.

 

 

A novidade, esperada, foi a titularidade do Oblak na nossa baliza. Também esperado, pelo menos por mim, foi o esquema táctico apresentado pela equipa. Assim que, durante a semana, li que estava previsto o regresso do Enzo para jogar na direita, então já sabia que o resultado disso seria a manutenção da dupla de avançados e do 4-4-2, que o Jorge Jesus irá continuar a manter até ao limite do indefensável. Aparentemente, despovoar o meio campo e entregar sistematicamente o controlo do mesmo ao adversário pode não ser suficiente. Como o raio de acção do Matic quando joga na posição 6 é suficientemente amplo para conseguir por vezes, em conjunto com o Enzo, equilibrar mesmo a desvantagem numérica, agora pelos vistos há também a opção de jogarmos com um jogador mais fixo nessa posição, que fica mais encostado aos centrais e deixa o Matic ainda mais isolado no meio campo. E já que temos pouca gente nessa zona, porque não retirar-lhe ainda quase toda a criatividade, encostando o Enzo a uma ala e mantendo-o quase à margem do jogo? O resultado disto foi o que se viu na primeira parte. Ou melhor, o que não se viu, porque se eu quisesse escrever sobre aquilo que o Benfica produziu durante esse período, então este parágrafo ficaria em branco. É que não se viu mesmo nada. Nem sei se chegámos a fazer um remate, isto contra uma equipa que passou o jogo todo com onze jogadores atrás da bola, a fazer faltas constantes e a mostrar bastante vontade de armar confusão e arrastar os nossos jogadores para quezílias desnecessárias. Sendo o nosso adversário o Setúbal, e o nosso próximo jogo para a Liga contra o Porto, se calhar não foi apenas por acaso.

 

 

Na segunda parte trocámos o Fejsa pelo Sulejmani, o que felizmente permitiu o regresso do Enzo ao centro. Não evoluímos para algo brilhante, mas pelo menos com a dupla Matic/Enzo nas posições onde mais rendem deu para melhorar bastante o nosso futebol, ao ponto de conseguirmos construir jogadas de ataque, levar perigo à baliza adversária e, fundamentalmente, rematar - não sei se me recordo de algum jogo em que o Benfica tivesse demorado cinquenta minutos até fazer o primeiro remate à baliza adversária. Não foi sequer preciso esperar muito para vermos o primeiro golo, porque hoje, e ao contrário do habitual, fomos eficazes: ao segundo remate à baliza, marcámos. Estavam decorridos nove minutos da segunda parte e o Rodrigo deu o melhor seguimento a um cruzamento da direita do Gaitán, com um toque subtil de cabeça que fez a bola entrar junto ao poste. Em desvantagem, à entrada para a última meia hora o Setúbal tentou arriscar um pouco mais e desmontou a estrutura defensiva que tinha apresentado até então. Tentaram subir no terreno e durante alguns minutos até conseguiram pressionar um pouco o Benfica, ainda que nunca tivessem criado uma verdadeira ocasião de perigo. Mas esta situação acabou por durar pouco tempo, porque a vinte minutos do final o Benfica matou o jogo, através de um penálti convertido pelo Lima, a castigar uma mão na área indiscutível. A partir desse momento o Benfica controlou o jogo como quis, baixando consideravelmente o ritmo de jogo e conservando a bola em seu poder a maior parte do tempo, com o apito final a chegar sem grandes sobressaltos.

 

 

Não houve exibições particularmente inspiradas na nossa equipa. O Enzo e o Matic foram, naturalmente, importantes na melhoria verificada na segunda parte. Boa assistência do Gaitán para o primeiro golo, e boa finalização de cabeça do Rodrigo no mesmo (o jogo de cabeça não é propriamente um aspecto que eu lhe considere forte). O Oblak esteve seguro a titular, sem que tivesse sido obrigado a alguma intervenção mais difícil. Não gostei do Fejsa no meio tempo que jogou. Demasiado faltoso e complicativo - às vezes fico com a sensação que tenta fazer o mesmo que o Matic faz quando joga naquela posição, mas não tem capacidade para isso e como tal acaba por borrar a pintura. É melhor para ele quando joga simples. Também não gostei muito do jogo do Garay, que ultimamente tem andado menos seguro do que o habitual. O Lima marcou bem o penálti, e é o elogio que lhe posso fazer.

 

 

Uma vez mais acabamos por ter que nos satisfazer com a vitória e os três pontos. Mas exige-se que se consiga retirar muito mais de um grupo de jogadores com a qualidade do nosso. Por outro lado, posso sempre pensar que uma vez que já chegámos a Dezembro e a equipa parece ter andado pelo menos metade deste tempo a jogar a passo (já perdi a conta aos jogos em que damos uma parte de avanço aos adversários), pode ser que desta vez não chegue ao final da época de rastos.

por D`Arcy às 01:17 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sexta-feira, 20.12.13

António Simões

Nunca vi jogar o Simões. Tenho do Simões uma memória construída no imaginário das mil e uma histórias que dele sempre ouvi contar pela geração dos meus pais, a geração do Simões. Aquela geração dos que, do alto da autoridade dos seus 70 anos, olham para os miúdos de 40 com a incompreensão de quem nos ouve falar do Benfica sem termos visto o Eusébio, o Zé Águas, o Germano ou o Simões. Como é que eu poderei algum dia expressar o quanto devo (devemos) ao Simões, se nunca o vi jogar? Como é que poderei algum dia explicar que o primeiro e mais duradouro imaginário que construí do Benfica é mítico exactamente porque se baseia na narrativa de heróis míticos? Terá o Simões a noção de que ele surgia nas narrativas do cimentar do meu benfiquismo no mesmo patamar em que Gama ou Ulisses surgem como semente de impérios sonhados pelos épicos de outrora? O Simões será sempre o protótipo do pequeno que se fez gigante pela esquerda do campo, pela esquerda da vida, desafiando defesas e ultrapassando adversários no campo com a mesma ousadia com que, fora dele, desafiava as injustiças pela força do verbo e do exemplo. Dizem que está a comemorar 70 anos. No meu imaginário, o Simões já não tem idade, porque a lenda quando escorre para a realidade deixa de ter idade, passa para o patamar da intemporalidade. Sabemo-lo o mais jovem benfiquista a ser sagrado campeão europeu. Já nesses tempos tinha a marca dos heróis, dos que perduram para além da ditadura dos anos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 17 de Dezembro, para publicação na edição de 20/12/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Segunda-feira, 16.12.13

Disparates

Vitória complicada mas preciosa, sobretudo considerando todas as condicionantes que enfrentámos antes deste jogo. Mas a maior parte da culpa pelas dificuldades acrescidas que enfrentámos, podemos assacá-la a nós próprios e aos cada vez mais frequentes disparates cometidos a defender.

 

 

Esperava algumas dificuldades neste jogo. Não tanto pela valia do adversário, que está numa situação difícil na tabela (mesmo considerando o nosso mau historial perante equipas na mesma situação), mas mais pelas várias indisponibilidades na nossa equipa. Para além do treinador continuar suspenso do banco, foram seis os potenciais titulares indisponíveis para este jogo: Cardozo, Salvio, Enzo (estes três são apenas jogadores importantíssimos na nossa equipa), Siqueira, Markovic e Rúben Amorim. Isto não pretende servir de desculpa única para más exibições ou resultados - uma equipa como o Benfica tem que ter um plantel preparado para fazer frente a contrariedades deste calibre, em particular perante adversários como Arouca ou Olhanense - mas por vezes parece-me que a crítica especializada tem a mão demasiado leve para bater no Benfica, ignorando sistematicamente pormenores destes. Se normalmente basta um pequeno pormenor para servir de motivo para regressarmos à dupla Lima/Rodrigo no ataque, então com tanta ausência nem sequer era preciso esperar pela constituição da equipa para saber que isto iria acontecer. 

 

 

A entrada no jogo até me pareceu boa, com a equipa a pressionar bastante e agressiva. O pior foi que, para não variar, da primeira vez que o Olhanense foi à frente, marcou. Com sete minutos decorridos, um passe disparatado do Sílvio entregou a bola a um adversário, e no seguimento da jogada o Artur ainda defendeu o primeiro remate, mas nada podia fazer para evitar a recarga. Não sei se terá sido efeito do mau estado do relvado, mas a verdade é que sobretudo durante a primeira fase do jogo por diversas vezes vi os nossos jogadores fazerem passes disparatados, quer a atacar, quer a defender, e que nos causaram problemas. A equipa reagiu bem ao golo e continuou no mesmo registo de jogo, tendo chegado ao empate dez minutos depois, após um bom trabalho do Gaitán na esquerda, que centrou para um cabeceamento cruzado do Lima (estava em posição irregular) que fez a bola entrar junto ao poste oposto. Continuou o Benfica bastante por cima no jogo e a pressionar em busca da vantagem no marcador - tive sempre a sensação de que a defesa do Olhanense era bastante permeável, e que a pressão continuada do Benfica inevitavelmente acabaria por dar frutos. Mas o Olhanense teve uma eficácia quase total e, quando pouco se esperaria, voltou a colocar-se em vantagem. À passagem da meia hora, num remate desferido de muito, muito longe, a bola entrou mesmo na nossa baliza. É um grande golo, o remate é bom e bem colocado, e a bola ainda bate no chão antes de entrar, mas considerando a distância a que foi desferido, pareceu-me que só acabou por entrar devido à falta de reacção do Artur, que demorou demasiado tempo a lançar-se (a lentidão em chegar aos remates rasteiros é para mim um dos pontos mais fracos dele). O Olhanense ficou motivado e nos minutos seguintes tentou pressionar mais alto e impedir que o Benfica continuasse a dominar o jogo, mas de pouco lhe valeu, já que bastaram apenas seis minutos para que voltássemos a empatar o jogo, num grande remate do Matic de fora da área, que não deu qualquer hipótese de defesa ao guarda-redes.

 

 

Ao intervalo trocámos o Ivan Cavaleiro pelo Sulejmani, que se foi encostar à esquerda e veio o Gaitán para a direita. A troca não podia ter sido mais feliz, já que um minuto após o reinício foi do pé do Sulejmani que surgiu o nosso terceiro golo. A passe do Rodrigo, entrou na área pela esquerda e depois finalizou com um remate cruzado de trivela para o poste mais distante. O Benfica entrou muito forte nesta segunda parte, com o Matic e o Fejsa a aparecerem em terrenos muito adiantados para pressionar a saída de bola do Olhanense, e nesta fase parecia que não teríamos grande dificuldade em voltar a marcar, o que nos deixaria a salvo de mais alguma asneira na defesa e resolveria definitivamente o jogo. Durante quase vinte minutos a presença do Benfica no meio campo contrário foi constante, a bola rondou várias vezes as imediações da baliza adversária, e o Olhanense praticamente não existiu em termos ofensivos, já que se limitava a despejar a bola para a frente e era incapaz de construir qualquer jogada de ataque devido à pressão dos nossos jogadores. Mas depois deu-se o lance da lesão do Artur, que provocou uma interrupção relativamente extensa do jogo, e isto parece quebrar bastante o ritmo da equipa. O Artur teve mesmo que ser substituído (nunca é agradável quando um jogador se lesiona, mas gostei de ver o Oblak estrear-se na nossa baliza em jogos para o campeonato) e depois disso o jogo não voltou a ser o mesmo. Foi quase sempre mal jogado de parte a parte, com o Olhanense nos minutos finais a conseguir subir um pouco mais, fruto da aposta num futebol directo, mas sem conseguir causar qualquer tipo de perigo junto da nossa baliza - as melhores oportunidades ainda assim foram todas nossas.

 

 

Matic e Fejsa foram, para mim, os jogadores de melhor rendimento no Benfica. Na ausência do Enzo o Matic pegou na batuta do meio campo e foi o principal dinamizador da equipa, tendo marcado um grande golo. O Fejsa recuperou inúmeras bolas, mesmo em terrenos mais adiantados do que aqueles que lhe são mais familiares, e até esteve mais activo na própria fase de construção de jogo. O Maxi deu seguimento à subida de forma que pareceu mostrar nos últimos jogos e esteve bem também. E o Sulejmani entrou muito bem no jogo, marcou o golo decisivo e foi dos jogadores mais em jogo durante toda a segunda parte, explorando sempre bem o lado esquerdo. Um bocado surpreendentemente o Ola John voltou a jogar, mas continuou a mostrar uma falta de empenho nas jogadas que não lhe permitem aspirar a mais minutos de jogo.

 

Mais uma vez conseguimos dificultar a nossa tarefa com erros tontos na defesa, e é preocupante que esta época continuemos a cometer estes erros com tanta frequência. Mas pelo menos conseguimos dar a volta às contrariedades e regressar do Algarve com os três pontos. Dadas as condicionantes já referidas, no fim de tudo acabo por me dar por satisfeito com o resultado final.

por D`Arcy às 00:14 | link do post | comentar | ver comentários (39)

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