VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 24.05.13

Além do imediato

Nós, Benfica, perdemos o campeonato no final e a final da Liga Europa também no final. Para a história e estatística fica a frieza do registo e poucos se recordarão das circunstâncias de tais desfechos. Entre o azar, as falhas próprias e os méritos alheios ficou o testemunho de que a justiça não se compadece com o destino. Testemunhámos também que, para além da frieza dos números, há toda uma envolvência que, de forma estranha e praticamente inaudita, levou a que, mesmo no momento de dois duríssimos golpes, tivéssemos visto milhares e milhares de benfiquistas reagir à adversidade, amparando os seus atletas numa comunhão raramente vista nos momentos de ausência de vitória.

 

Confundir este amparo aos nossos com falta de exigência ou falta de ambição por parte dos benfiquistas é enviesar a leitura da realidade. Nenhum benfiquista se sentiu minimamente satisfeito com o desfecho da época. Todos os benfiquistas ambicionam muito mais do que o que colhemos da época que agora finda. No entanto, também foi notório que a família benfiquista soube reconhecer o empenho e o mérito do caminho percorrido pelos nossos futebolistas e por Jorge Jesus. Só assim se explica que a esmagadora maioria dos benfiquistas defenda a continuidade do treinador. Isto é muito estranho para a realidade do futebol português. É de tal forma inovador que deveria levar os opinadores que acusam os benfiquistas de falta de ambição a tentar ver para além da miopia do imediato. Se assim o fizessem, perceber-nos-iam, pois, pela primeira vez na história do nosso futebol, vemos uma massa adepta feita de milhões de pessoas a olhar para o futebol para além do óbvio. Ou seja, somos agora acusados por fazermos na prática o que esses teóricos andam a pedinchar há anos: termos cultura futebolística para perceber que o futebol não pode ignorar o resultado, mas que não se esgota nos números do mesmo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica", hoje, dia 20 de Maio, e que será publicado na edição de 24/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 21.05.13

O efeito Sousa

 

Há uns dias atrás (já depois da derrota com o FCP), num site de apostas muito conhecido, a vitória do Guimarães na final da Taça de Portugal tinha uma odd de 8€. Para os menos entendidos, isto significa que quem apostasse 1€ no Guimarães como vencedor da Taça recebia 8€. Hoje, por curiosidade, fui verificar qual era a odd após a nomeação do árbitro Jorge Sousa, e verifico que esta desceu de 8€ para 4,70€, ou seja, após a nomeação do árbitro ser pública, as hipóteses de o Guimarães ganhar a Taça quase duplicaram. Apesar de haver, certamente, muitos factores a influenciar as odds, este, o efeito Sousa, teve uma influência como eu nunca vi. Talvez as casas de apostas tenham percebido como funciona o desporto em Portugal.

por Pedro Valente às 18:16 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Domingo, 19.05.13

Despedida

Vitória na despedida de um campeonato que deixa o sabor amargo de ter sido muito mal perdido. Voltámos a complicar desnecessariamente as coisas dando praticamente uma parte de avanço ao adversário, mas uma melhoria substancial na segunda parte chegou e sobrou para dar a volta ao marcador.

 

 

Estiveram mais de 50.000 pessoas na Luz este fim de tarde, mas acho que muito pouca gente teria grandes ilusões sobre o desfecho do campeonato. Já vemos futebol neste país há algumas décadas, e todos sabíamos perfeitamente que, de uma maneira ou de outra, o nosso adversário directo acabaria sempre por vencer na Mata Real (e os factos desse jogo encarregaram-se de comprovar isso mesmo). Infelizmente, os nossos jogadores também pareceram entrar em campo mais ou menos convencidos do mesmo. Só assim se explica a primeira parte muito pobre que nos ofereceram, jogada quase a passo e com muita falta de imaginação no ataque. Havia quem argumentasse que seria cansaço da final de Amesterdão, mas nunca acreditei nessa teoria do cansaço, e a segunda parte mostrou que a haver cansaço só se fosse na cabeça dos jogadores. O Benfica produziu muito pouco em termos ofensivos, e apesar do esforço por parte do Matic e do Pérez, os nossos dois avançados estiveram desinspiradíssimos (o Cardozo teve um falhanço inacreditável), e pelas alas o jogo era quase inexistente - principalmente pela esquerda, onde o André Almeida revelava naturais dificuldades devido à falta de pé esquerdo, e o Ola John produzia mais uma exibição ao nível daquelas com que nos tem presenteado neste final de época - perfeitamente apática. A defesa também pareceu intranquila, com os jogadores mais interessados em reclamar com a equipa de arbitragem (por vezes enquanto a jogada prosseguia). foi aliás assim mesmo que o Moreirense chegou à vantagem, perto do intervalo. Marcaram rapidamente um livre, e enquanto os centrais estavam entretidos a discutir com o auxiliar, pelo centro apareceu completamente solto o Vinícius para controlar a bola e bater o Artur. No último lance da primeira parte, uma reacção do Benfica, com o Lima a acertar no poste, deixava acreditar que as coisas poderiam mudar.

 

 

Era preciso melhorar bastante na segunda parte se queríamos pelo menos acabar o campeonato com uma vitória, e foi isso que aconteceu. Para tal ajudou bastante termos passado a contar com o Gaitán na esquerda do ataque em vez o Ola John, que apenas tinha feito figura de corpo presente. Ajudou também termos imprimido ao jogo um ritmo bastante superior ao da primeira parte, e que os nossos jogadores se tenham movimentado bastante mais, oferecendo soluções de passe aos colegas que tinham a bola, em vez de ficarem quase estáticos a olhar para eles - foi frequente vermos o Gaitán, por exemplo, aparecer no centro e até mesmo na direita. Com cinco minutos decorridos já o pé esquerdo do Gaitán fazia estragos, com um centro perfeito para a cabeçada certeira do Cardozo igualar o marcador. O jogo não teve qualquer comparação com a primeira parte pois o Benfica, ainda e sempre com o Pérez e o Matic a evidenciarem-se, esteve sempre muito por cima, remetendo o Moreirense para a sua área, e de lá só saindo quando tentavam algum pontapé longo para o Ghilas. As oportunidades começavam a suceder-se para o Benfica, e só mesmo com muito azar é que a vitória não acabaria por nos sorrir. O Salvio viu um cabeceamento seu ser defendido para o poste da baliza, o Cardozo voltou a falhar escandalosamente ao atirar por cima quando tinha a baliza escancarada, mas a dez minutos do fim o Lima finalmente colocou justiça no resultado - à segunda tentativa, pois o primeiro cabeceamento, após centro do Salvio, ainda foi defendido pelo guarda-redes. Já mesmo a acabar o jogo, o Lima fez o gosto ao pé pela segunda vez, na marcação de um penálti a punir uma 'defesa' de um jogador do Moreirense sobre a linha de golo (e que impediu assim um golo de calcanhar do mesmo Lima).

 

 

Os melhores do Benfica foram os suspeitos do costume, Enzo e Matic. Mesmo durante a péssima primeira parte que fizemos foram aqueles que mais se destacaram, e depois durante a segunda parte estiveram ainda melhor. Foram bem merecidos os aplausos que o estádio em peso dedicou ao Enzo quando foi substituído. O Gaitán também esteve em bom nível, e a sua entrada foi muito importante para darmos a volta ao jogo.

 

Foi assim o fim de um campeonato que deixa a sensação que merecíamos claramente conquistar, pois fomos a equipa que melhor futebol apresentou durante largos meses. Infelizmente falhámos quando não poderíamos falhar, e assim ficámos ao alcance de um lance fortuito que acabou por no-lo retirar. Agora teremos que esquecer isso e concentrarmo-nos no último jogo da época, porque há uma Taça de Portugal para conquistar.

por D`Arcy às 22:51 | link do post | comentar | ver comentários (82)
Quinta-feira, 16.05.13

INCOMENSURÁVEL ORGULHO!

Nota prévia: o processo de catarse do momento desportivamente mais doloroso da nossa história (ouvi hoje o Toni dizer que, em 34 anos de Benfica, nunca passou por nada assim) requeria que eu escrevesse qualquer coisa aqui na Tertúlia. Por norma, não gosto de repetir posts, mas desta vez teve mesmo de ser, porque infelizmente esgotei as poucas forças mentais que tinha noutro lado. A discrepância horária entre os dois textos deve-se ao facto de eu não gostar de canibalizar escritos dos meus companheiros e, portanto, o magnífico post abaixo do Carlos Miguel Silva merecia respirar o tempo devido.


Contexto: Este testamento foi escrito com o coração, depois de 2,5h de sono e com os olhos marejados a 10.000 m de altitude.

 

Perdemos com o Chelsea (1-2) na final da Liga Europa. Segundo alguém me disse, temos o indesejável recorde de sermos a equipa com mais finais europeias perdidas (sete). MAS (e as maiúsculas não são gralha) é uma terrível crueldade que seja apenas o resultado que fique para a História. Porque a história do que se passou no campo é completamente diferente: fomos melhores durante toda a partida, mostrámos mais vontade de ganhar e MERECÍAMOS ter ganho. Toda a gente reconhece isso. Desde o próprio Ramires, como amigos meus estrangeiros que me enviaram inesperadamente mensagens no final do jogo. Quem for honesto intelectualmente não pode deixar de o pensar (o que exclui imediatamente 95% de adeptos de um certo clube…). MERECÍAMOS ter ganho, estava eu a dizer, tanto os jogadores como os adeptos que, nas ruas de Amesterdão e nas bancadas do Amsterdam ArenA, deram uma demonstração inesquecível de benfiquismo e do que é AMAR um clube.

 

Se nós partimos para esta final na ressaca de uma derrota no antro com requintes de malvadez, o que dizer de, apenas quatro dias depois, perdermos novamente aos 92’?! Depois de uma 1ª parte completamente dominada por nós (somente com o aspecto negativo de revelarmos muita parcimónia na altura de rematar à baliza), o Chelsea adianta-se no marcador pelo Torres aos 60’, mas nós conseguimos igualar através de um penalty do grande Cardozo aos 68’. Aos 92’, quando eu vejo a bola em balão em câmara lenta na minha cabeça cabeceada pelo Ivanovic fazer um arco para dentro da nossa baliza, tive a mesma reacção que se tem ao ver um acontecimento inacreditável: fiquei estático, anestesiado, letárgico e sem querer acreditar no que estava a ver! A sério, não é possível!!! Ainda agora, 12 horas depois, custa-me a acreditar no que se passou: em somente quatro dias, nós perdemos uma final europeia e (muitíssimo provavelmente) o campeonato, de um modo mais do que injusto, através de golos no período de desconto! Nem nos nossos piores pesadelos, pensámos que isto fosse possível, muito menos em apenas quatro dias! Não me cansarei de repetir: QUATRO DIAS!!! (Por contraponto, haverá certamente muita gente vil, rasteira, baixa, reles, cuja inútil existência se alimenta somente do ódio a terceiros e que, no fundo, é um desperdício de matéria orgânica que nunca na vida terá tido um orgasmo tão bom.) Ninguém merece! NINGUÉM MERECE!!! Muito menos os bravos que estiveram em campo e os enormes bravos na bancada. A reacção dos adeptos do Benfica no final do jogo foi dos momentos em que mais orgulho tive de pertencer a esta família. Revelou GRANDEZA! Que é muito diferente de ser grande. Há quem diga que o é (grande, embora seja apenas regional), mas NUNCA na vida revelou Grandeza. E a sorte tem bafejado esses, numa demonstração clara para mim da inexistência de Deus (ou então, se Tu existes mesmo, podes ir para o raio que te parta, minha refinada besta!). E mesmo os (para aí) cinco adeptos desses clubes que se aproveitam, e não são ou escumalha ou acriticamente acéfalos, não mereceriam uma coisa destas. Quanto mais nós…!

 

Não tenho vergonha nenhuma de dizer que chorei no final do jogo. Não foram umas lagrimazitas, chorei mesmo. Não chorava com uma derrota do Benfica desde que os lagartos vieram ganhar à Luz na penúltima jornada da época 1985/86 oferecendo o campeonato ao CRAC. Tinha 10 anos. Mas ontem foi impossível conter-me por variadíssimas razões:

- Chorei de raiva por causa de duas injustiças seguidas do tamanho do mundo.

- Chorei, porque até poderíamos ter jogado mal e merecido perder. Porque poderíamos ter jogado assim-assim e o Chelsea ter sido mais eficaz. Mas não! Fomos melhores e fomos derrotados novamente no período de compensação!

- Chorei, porque depois de tudo o que fizemos esta época é inacreditável pensar que a poderemos terminar sem nenhum troféu ganho. (Quero acreditar que não, que a equipa vai dar a volta em termos psicológicos e derrotar o Guimarães na final da Taça).

- Chorei, por ter visto in loco o maravilhoso povo benfiquista a chegar a Amesterdão aos magotes, de todas as formas e feitios, para apoiar a equipa durante os 90’ como nunca me lembro de ter acontecido (é que não só não deve ter havido um único momento de pausa, como eu não me lembro de ter visto um jogo tantas vez de pé) e, não só a não ser recompensado com a vitória, como voltar a perder da mesma maneira de Sábado… (Já disse que ninguém merece isto?!)

- Chorei, por ver que a reacção dos jogadores no relvado assim que o árbitro apitou era igual à nossa.

- Chorei, porque nem na porra do último lance do jogo, já depois do 1-2, tivemos sorte no ressalto quando o Cardozo estava quase na cara do Cech.

- Chorei, porque se aquela final Man. Utd – Bayern da Liga dos Campeões jamais irá ser esquecida pelos adeptos do futebol, nós tivemos duas edições disso em apenas 96 horas!

- Chorei, porque sei que isto vai custar IMENSO a passar (nunca irá passar para mim…) e porque, 12 horas depois, a escrever esta crónica no avião de regresso a Lisboa, ainda tenho que fazer algumas pausas, porque o ecrã fica momentaneamente embaciado…

 

No entanto, podem perguntar-me se, mesmo que soubesse previamente o resultado e a forma como ele aconteceu, deixaria de fazer esta viagem? NUNCA na vida! Foi um orgulho ter estado presente num evento que fez transbordar a minha alma de benfiquismo. Para mim, o Benfica é isto! Onze jogadores em campo a dar esta vida e a outra para tentar ganhar um jogo. Nas bancadas haver um apoio incansável e os adeptos, apesar da derrota, tributarem a equipa do modo como o fizeram no final da partida. Eu não sou do Benfica, porque temos ganho muito ao longo da nossa história. Eu não quero ganhar sem olhar a meios (como outros…). A Grandeza de um clube não se mede só por vitórias. Mede-se também, e muito, no modo como se ganha e, sobretudo, como se perde. Ser magnânime é muito importante, porque isso revela a nossa condição humana e ultrapassa a fronteira estritamente desportiva (por exemplo, o facto de termos convidado para assistirem à final os dirigentes das equipas que eliminámos nesta inesquecível caminhada foi algo que me deixou tremendamente orgulhoso). O Benfica e os valores que o norteiam tornam-me uma melhor pessoa. Não tenho dúvidas nenhumas acerca disso.

 

Neste longo testamento, uma última palavra para os jogadores. Não vou destacar ninguém em particular. Houve uns que jogaram melhor do que outros, o que é normal. Mas estiveram TODOS à altura do acontecimento e todos honraram (e de que maneira!) o manto sagrado. E eu nunca vos peço mais do que isso. MUITO OBRIGADO a todos eles, na pessoa do grande capitão Luisão! É uma frase feita, da qual eu nem gosto muito, mas que aqui se exige: vocês são uns campeões e nunca esquecerei o quanto nos deram este ano! Pode não ser em títulos, mas em algo que, apesar de não poder ser contabilizado, é muito mais importante para mim: o facto de terem contribuído para o crescimento do (já ENORME) orgulho que eu tenho em ser benfiquista!

 

VIVA O BENFICA! Sempre.

 

P.S. – Este obrigado aos jogadores é naturalmente extensível à equipa técnica e a todos os dirigentes do Benfica que contribuíram para esta caminhada. E volto a repetir o que já disse aqui: se, por algum motivo (e quer ganhemos ou não a Taça de Portugal), o Jesus não continuar no Benfica (apesar das palavras do presidente, as declarações do próprio foram enigmáticas), será uma terrível perda para nós.

 

P.P.S. – Eu sou um gajo democrático e, por norma, aprovo todos os comentários. Entre seis milhões de adeptos, há espaço para muita gente. Mesmo para quem é idiota ou cega. Depois daquela demonstração de querer, categoria e crença de ontem, quem vier aqui dizer que estivemos mal, porque deveríamos ter feito isto ou aquilo, ou que o Jesus errou seja porque colocou aquele e não outro, como por dever ter optado pela táctica ‘x’ em vez da ‘y’, ou se insere na primeira categoria ou na segunda. As simple as that. É preferir olhar para um arbusto em vez de ser para a floresta inteira. Têm direito a tempo de antena, mas não esperem resposta da minha parte. Tenho mais que fazer e não quero ser batido em experiência…

por S.L.B. às 22:27 | link do post | comentar | ver comentários (27)

O Benfica na ponta dos dedos

 

 

Desde que acabou o jogo de ontem - durante a interminável viagem de volta e através da noite escura, assombrada e mal dormida – passei o tempo a tentar integrar isto (esta facada nas costas) que nos aconteceu na minha concepção do mundo, a tentar perceber como é que este pontapé do destino tem lugar no meu sistema de valores, na percepção que tenho das coisas, da existência, no sentido da vida. No fundo, sendo honesto, a tentar desesperadamente arranjar uma estrutura que alicerce uma forma de reacção a isto tudo, a esta dor, esta morte surda e injusta.

 

Percebo, envergonhado, que é uma perda de tempo: a resposta devia ser imediata e apenas não o foi por força do cansaço extremo da viagem a Amesterdão, do preço que isto teve no meu corpo, da dor aguda na alma que me tolda os sentidos e o discernimento.

 

A resposta é desarmantemente simples. Reage-se a isto da única forma que é fiel àquele momento cravado no tempo em 1904 que alumia (especialmente nos momentos mais negros), com uma chama imensa e pura, o caminho do Sport Lisboa e Benfica e dos Benfiquistas; da única forma que isto de ser do Benfica exige: levantamo-nos, sacudimos a poeira, olhamos para aquele símbolo imortal e honrado, amparamo-lo e abraçamo-lo por entre as lágrimas, e preparamo-nos, de cabeça erguida e com um orgulho inabalável, para a próxima luta. Não há - não há - outra forma de reagir que não nos atraiçoe naquilo que somos.

 

De ontem o que me fica, agora que as nuvens permitem ver algum sol, é Orgulho por pertencer a esta alma imensa. Orgulho por - como a imagem ilustra – ter lá estado literalmente a segurar o meu Benfica na ponta dos dedos.

 

Força, Benfica! Sempre, e para sempre.

 

 

Numa nota mais pessoal, também serviu, esta provação, para fazer uma filtragem muito útil e reveladora - que, percebo-o, urgia fazer - na minha teia de relacionamentos e amizades. As conclusões, na verdade (e digo-o, sinceramente, com o coração aquecido por isso), só vieram confirmar e vincar o que tenho tido para mim. Os meus melhores amigos – verdadeiros, do peito, aqueles que estão connosco sempre, que nos amparam – são os meus melhores amigos. Conhecem-me profundamente, sabem o que isto significou para mim, a dor que me dilacerou e me rasgou o peito, respeitam isso, respeitam-me, e ampararam-me e seguraram-me nas suas mãos. E falo aqui – além, obviamente, dos meus amigos, companheiros de sempre, que comigo fizeram a inesquecível viagem a Amesterdão - de amigos do Sporting e do Porto. Gente que me orgulha de uma forma que me comove. Os outros, os conhecimentos e os de ocasião que, não respeitando quem sou, desrespeitaram aquilo que é uma grande e indissociável parte de mim, em nome de um egoísmo e de uma mesquinhez demonstrativos da pequenez que os amordaça e que impossibilita que algum dia venham a ser meus amigos, digo-lhes adeus. Não preciso deles, não os quero.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:42 | link do post | comentar | ver comentários (34)

Orgulho

 

Acabado de chegar de Amesterdão, quero apenas escrever que sinto um enormíssimo orgulho na nossa equipa. O Benfica mostrou raça, crer e ambição. Os nossos jogadores deram tudo o que tinham, e alguns deles até devem ter ido encontrar forças extra onde não se pensaria que ainda existissem para tentarem conquistar este troféu. Fomos melhores durante praticamente todo o jogo, merecemos vencer, mas quis o destino que acabássemos premiados apenas com a sempre cruel e indesejada 'vitória moral'. Não é por isso que a nossa equipa merecerá da minha parte menos aplausos. Dói muito perder assim, mas saímos de Amesterdão de cabeça bem erguida. Fomos grandes dentro e fora do relvado. Viva o Benfica!

por D`Arcy às 04:34 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Segunda-feira, 13.05.13

Resiliência

“Murro no estômago”, “duro golpe”, “machadada na alma”… algures entre a frase feita e a metáfora de circunstância vai uma reles aproximação ao que senti (sentimos!) na noite de sábado. Sofrido o golpe, sinto que é imperioso reagir.

 

Pouco depois da meia-noite envio duas ‘sms’, carregadas de ânimo, para os benfiquistas que, sinto-o, mais sentiram aquela ignóbil injustiça disfarçada de azar. Pela manhã, bem cedo, passo pelo nosso Estádio, para tentar comprar bilhetes para a Final da Taça de Portugal. Já lá estão umas largas centenas de benfiquistas. Pouco tempo depois, são milhares os que tentam o lugar no Jamor. Houve quem, depois daquele fatídico minuto 92, tivesse passado toda a noite no Estádio à espera da abertura das bilheteiras. Muitos milhares aguentam estoicamente, ao Sol, seis a sete horas parados numa fila para poder ver o nosso Benfica na Final da Taça. Durante a espera, oiço vozes plurais que amaldiçoam a sorte, lamentam o sucedido, apontam responsabilidades, e todos olham em frente, de cabeça erguida, porque muitas batalhas há ainda para travar. Ver, sentir, ouvir aqueles milhares de benfiquistas a reagir ao infortúnio é, mais do que uma lição, uma constatação do que nos faz únicos.

 

Ao final da tarde vou ao pavilhão para ver o jogo de vólei que nos pode fazer campeões novamente (depois de nos obrigarem a “re-jogar” o campeonato ganho na semana anterior). Pavilhão com lotação esgotada, cânticos pelo Benfica, incentivo, sorrisos e, no final, festejou-se mais uma conquista para o nosso Benfica. Em pleno pavilhão, surge a resposta a uma das ‘sms’ que enviara na noite anterior. Reproduzo-a aqui sem identificar o emissor: «[…] Nenhum Benfiquista cai, porque o Benfica é Eterno e Glorioso, todos temos a responsabilidade de apoiar e andar de cabeça direita […] Temos de pensar já no próximo, que será sempre o mais importante, sempre com o pensamento na Vitória». Estas são palavras de um benfiquista e são exemplo de liderança.

 

O Benfica está vivo!

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica", hoje, dia 13 de Maio, e que será publicado na edição de 17/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 11:24 | link do post
Domingo, 12.05.13

Voar baixo não é tocar no chão.

por Pedro Valente às 20:26 | link do post
Sábado, 11.05.13

Nada

Nada tenho a escrever sobre um jogo que me recusei a ver, e cujo resultado acabei de saber.

 

Este deverá acabar por ser, muito provavelmente, um dos campeonatos mais mal e injustamente perdidos da nossa história.

por D`Arcy às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (119)
Sexta-feira, 10.05.13

Somos Benfica

Somos da cepa de que somos feitos. Somos feitos de uma cepa que se habituou a conquistar o que a outros é oferecido. Somos de uma cepa que sabe na pele (e de que maneira!) que, independentemente do exagero do optimismo, só pode gritar “vitória” depois de a termos conquistado e nunca na véspera. Da mesma maneira, sabemos que derrotados de véspera são os fracos. E a única ‘fraqueza’ que admitimos no nosso ADN é aquela paixão incondicional pelo nosso Benfica.

 

Recentemente, em nossa casa, tivemos um duro revés ao empatar com o Estoril. Foi duro, passou e já é passado. O futuro diz-nos que as dificuldades aumentaram, mas o nosso ADN também nos diz que, independentemente das dificuldades, independentemente dos métodos “camorristas” que alguns utilizam até à banalidade, teremos de ser fiéis aos nossos princípios. Particularmente ao princípio que nos obriga a nunca desistir de lutar, nunca desistir de vencer, enquanto houver uma gota de sangue e outra de suor para misturar no vermelho da nossa camisola.

 

E nós, os adeptos (nós, o Benfica), temos de ser fiéis a um outro princípio fundador: aquele “E Pluribus Unum”, que nos diz diariamente que apenas unidos podemos ser “De muitos, um”, tem de ser vivido na plenitude com os nossos atletas. Isso de ser unido na antecâmera da vitória esperada é muito fácil e óbvio. Mas também sabemos que as coisas fáceis são para os outros e que as difíceis são para nós. Como tal, cabe-nos, agora, saber ser unidos no momento em que temos de encarar o futuro com os dentes cerrados e uma abnegação sem limites.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Maio e publicado na edição de 10/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quarta-feira, 08.05.13

Sábado a 33ª Estrela brilhará no nosso historial!

 Na 2ª Feira o Benfica empatou com o Estoril. A desilusão foi enorme para cada um de nós. O desânimo apoderou-se de todos, a chama imensa que alimentava a nossa alma perdeu parte do seu calor, parte da sua luz.

 

A minha pergunta é porquê?

 

O Benfica não tem equipa para ir ao Dragão ganhar e resolver de vez a questão do campeonato? Claro que tem!

 

Se nós adeptos, somos os primeiros a desanimar, a baixar os braços, a dizer perante os microfones das TV que “eles até nos comem “ como vamos querer que os nossos atletas tenham confiança que é possível! Como queremos que eles acreditem!

 

Todos temos de acreditar!

 

Temos de demonstrar em campo quem é e tem sido a melhor equipa.

 

Andam desde 2ª Feira a gozar connosco, com os nossos: “somos o Sporting do Peseiro”, dizem alguns,  “o Benfica mostrou não ter estofo” dizem outros. Os comentadores e jornalistas, já enaltecem o FCP, e embora não o digam com todas as letras, entre os seus dentes é dito, o Benfica não passa no Dragão e perde o título no Dragão!

 

O Benfica tem de ir para campo demonstrar aos Guedes, Vitor Pereiras, Pintos da Costa, Sousa Tavares desta vida e a todos os comentadores quem é a melhor equipa portuguesa da actualidade, e que nesta casa se ganha com brio e não à custa da fruta!

 

O Benfica tem de ir para dentro de campo mostrar que o jogo se decide depois do apito do árbitro e que o resultado não é decidido por decreto, nem por estatísticas.

 

O Benfica tem de arrumar em campo com a arrogância e a prepotência dos adeptos do FCP que andavam calados e de cabeça baixa e agora cantam de cabeça levantada como se fossem estes quem lideram.

 

O Benfica tem de lhes mostrar que jogar no Dragão para o Benfica é igual e a mesma coisa que jogar noutro campo qualquer, somos o Benfica, onde vamos é para ganhar!

 

O Benfica somos todos, a responsabilidade de Sábado não pode ficar apenas nos ombros dos nossos jogadores e do nosso treinador, a responsabilidade é nossa.

 

No Sábado temos que fazer com que a única Chama que se sinta, não seja a do Dragão mas sim a chama imensa que nos conquista!

 

No passado conseguimos, e em circunstâncias, em todo semelhante à que vivemos actualmente, como tal, no Presente, temos de acreditar que podemos voltar a fazê-lo!

 

Vamos Benfica, Sábado, uma nova estrela brilhará na nossa história.

 

Sábado a 33ª estrela brilhará  bem alto!

Terça-feira, 07.05.13

A semana ideal

Eu posso ter muito defeitos, mas há alguns ‘istas’ que eu felizmente não sou, no caso corrente, estalinista ou portista: quer isto dizer que não apago nem reescrevo a História. Vem este intróito a propósito de, por diversas razões (uma, duas, três, quatro, cinco e, principalmente, seis), me considerar absolutamente insuspeito para declarar o seguinte: no mais curto espaço de tempo durante esta semana, deveria ser formalizada a renovação do contrato do Jorge Jesus. O “só falta assinar” que referiu o Luís Filipe Vieira na entrevista à Benfica TV deveria rapidamente ser passado para o “já assinou”. Não tenho dúvidas que isto daria um óptimo sinal à equipa, ao próprio Jesus e também a todos nós nesta semana absolutamente decisiva para o nosso futuro imediato.

 

Mas vou ainda mais longe: independentemente do que suceda até final da temporada, repito, independentemente do que suceda até final da temporada, seria um enorme retrocesso se o Jorge Jesus não fosse o nosso treinador para a(s) próxima(s) época(s). Por várias razões:

 

1) Fazendo uma análise fria aos últimos três anos e onze meses, ganhámos até ao dia de hoje menos títulos do que desejaríamos, mas reduzimos significativamente a diferença em relação ao CRAC, que deixou de ter o campeonato ganho logo em Janeiro e agora tem concorrência a sério. Basta-nos sermos “concorrentes”? Claro que não! Mas se não tivéssemos encurtado distâncias, os títulos ficariam ainda mais longe (segunda metade dos anos 90 e primeira dos anos 2000, anyone?!)

 

2) Chegámos a 1 de Setembro de 2012 sem o meio-campo titular da época passada e a 7 de Maio de 2013 estamos na frente do campeonato com dois pontos de avanço a duas jornadas do fim, oito anos depois regressámos à final da Taça de Portugal e 23 anos depois voltámos a uma final europeia! Imaginem o que seria se, entre Javi García e Witsel, apenas um tivesse cá ficado…

 

3) Se no início desta temporada me dissessem que iríamos jogar a Bordeús nos oitavos-de-final de uma competição europeia com um quarteto defensivo formado por André Almeida, Jardel, Roderick e o avançado do Paços de Ferreira, Melgarejo, a defesa-esquerdo e ganhássemos o jogo, eu telefonaria imediatamente para o Júlio de Matos a denunciar o caso…

 

4) Melgarejo e Coentrão, de extremos a laterais (com o segundo a valer 30M€), Enzo Pérez, de extremo-direito a médio box-to-box, Di María, de “remate mais ridículo da história do futebol” a 33M€ para o Real Madrid, Witsel, de 6M€ a 40M€ em apenas uma temporada, André Almeida, do Benfica-Santa Clara a uma meia-final europeia como defesa-esquerdo também somente num ano, são tudo demasiados exemplos para serem apenas “coincidência”…

 

5) Se me dizem “está bem, mas o que interessa são títulos e, apesar de estarmos em três finais, não só não ganhámos nada, como ainda podemos perder tudo”, eu respondo “estou totalmente de acordo, mas tenho apenas duas palavras: Bayern e Heynckes”.

 

P.S. – Claro que, depois do modo como foi feita a renovação do Jorge Jesus logo a seguir a termos sido campeões, tendo o Benfica, nomadamente o seu presidente, criado as condições para que ele pudesse cumprir os quatro anos de contrato apesar de nem sempre ter conseguido atingir os objectivos propostos, e estando o país e a Europa no estado em que está, talvez fosse agora simpático da parte do Jorge Jesus, numa demonstração de boa vontade num futuro vínculo, valorizar mais os prémios por objectivos em detrimento do que recebe mensalmente.

por S.L.B. às 13:32 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Segunda-feira, 06.05.13

Estupidez

 

 

A um dos jogos mais importantes da época o Benfica respondeu com uma das piores exibições da mesma. Foi até pior do que o jogo em Moscovo, que na minha opinião tinha sido o pior da época até agora. Não conseguir vencer o Estoril em casa, perante um Estádio da Luz repleto, é estar a querer entregar o ouro ao bandido - literalmente. O jogo começou a fugir-nos com a lesão madrugadora do Enzo, que ainda se tornou mais dramática pela escolha do imbecil do Carlos Martins para ocupar o seu lugar. E uso o termo 'imbecil' porque, mesmo com a máxima contenção da minha parte, foi o termo mais meigo que me ocorreu. Já vi a minha dose de jogadores pouco inteligentes durante a minha vida, mas o Carlos Martins supera tudo e todos: é, indiscutívelmente, o jogador mais estúpido que eu alguma vez vi pisar um relvado de futebol. Imediatamente após a lesão do Enzo, o Estoril ganhou uma superioridade muito evidente na zona central do campo (e o jogo já não estava a ser propriamente brilhante até então), e a primeira parte do Benfica foi paupérrima, com muitos dos jogadores a aparentarem ressaca do jogo de quinta-feira passada - houve jogadores que estiveram quase irreconhecíveis, casos do Lima ou do Salvio, por exemplo.


A entrada para a segunda parte foi um bocadinho melhor, mas desperdiçámos as poucas oportunidades mais evidentes que conseguimos criar. E depois as coisas complicaram-se ainda mais quando o Artur sofreu um golo que, pelo menos visto da bancada, me pareceu inacreditável - um remate rasteiro num livre marcado sobre a linha lateral. O Benfica reagiu sobretudo com o coração, e conseguiu mesmo chegar ao empate, num pontapé de primeira do Maxi já dentro da área (o mesmo Maxi já tinha desperdiçado uma oportunidade flagrante no jogo, pouco antes do golo do Estoril, quando após ultrapassar o guarda-redes viu o seu remate interceptado por um defesa). Após o empate ainda havia bastante tempo para tentarmos o golo da vitória (contando com os descontos, quase meia hora), mas então entrou no jogo a imbecilidade do Carlos Martins, que em menos de dez minutos viu dois amarelos e foi expulso. Nada me garante que o Benfica conseguisse ganhar o jogo com o Carlos Martins em campo, até porque já estávamos a jogar suficientemente mal. Mas certamente que a expulsão não ajudou nada. Sinceramente, depois disso o que se viu pelo relvado da parte do Benfica não foi futebol. O Benfica, que já durante todo o jogo tinha tido problemas na zona central do meio campo, ficou a jogar apenas com o Matic nessa zona. Não percebi nem fiquei agradado com as opções do Jorge Jesus, que não colocou mais ninguém aí, e que minutos antes tinha feito sair o Melgarejo para colocar o Rodrigo em campo e deixar o Gaitán a fazer de lateral - isto quando o Carlitos já causava problemas suficientes mesmo com um lateral em campo. O que se viu até final foi uma equipa do Benfica a jogar de forma completamente anárquica, e que poderia ter sofrido mais um golo, caso o Estoril tivesse tido um pouco mais de cabeça.


Mais uma vez conseguimos complicar as coisas para nós próprios, e agora somos obrigados a não perder no antro da corrupção para manter viva a possibilidade de vencer o título. Era perfeitamente dispensável dar esta motivação extra aos nossos adversários. Por último, espero muito sinceramente que esta tenha sido a última vez que vi o Carlos Martins com a camisola do Benfica.


P.S.- Não tirem mensagens 'subliminares' deste post onde elas não existem. Sempre escrevi desta forma sobre os jogos do Benfica. Quando acho que jogámos mal, escrevo que jogámos mal. Quando acho um jogador faz asneira, escrevo que fez asneira. O mesmo se aplica ao treinador. Não foi por este jogo ou por este post que deixei de querer que o Jorge Jesus seja o nosso treinador, nem foi por isso que deixei de acreditar que vamos ser campeões. Vamos ao Porto para isso mesmo.

por D`Arcy às 22:54 | link do post | comentar | ver comentários (75)
Domingo, 05.05.13

Competência oral

Jogo: Nacional – CRAC

 

Facto: no início do período de compensação, os adeptos do Nacional começaram a gritar pelo Benfica e cantaram o “SLB, Glorioso SLB”.

 

Transcrição do comentário do Luís Freitas Lobo: “haverá muitas formas de apoiar uma equipa… [pausa] a sua equipa. Esta não é de certeza, na minha opinião, a melhor, seja ela [com ênfase] qual for. A melhor forma de os adeptos apoiar [sic] a sua equipa é gritar o nome da sua equipa.”

 

O grande Gwaihir já o adjectivou aqui, mas permito-me acrescentar o seguinte:

 

1) Fico contente por verificar que no Estádio da Madeira não existe aquela cera especial para os ouvidos que existe no estádio do CRAC, já que nas diversas vezes em que o Sr. Luís Freitas Lobo lá comentou jogos, nunca se lhe ouviu UMA ÚNICA palavra acerca da versão ordinária do “SLB, Glorioso SLB” que aquela reles escumalha canta cada vez que marca um golo. Como diria (com ênfase) o Sr. Luís Freitas Lobo, “seja em que jogo for”.

 

2) No entanto, por outro lado, há que reconhecer com frontalidade quando as coisas são bem feitas. Este comentário do Sr. Luís Freitas Lobo revela indiscutivelmente a sua competência. Não na análise de jogos (já que, por exemplo, a criatura continua a afirmar que o Ola John é extremo-direito de origem e rende mais no lado direito do que no esquerdo… I rest my case quando à sua suposta sapiência futebolística), mas noutra actividade particularmente cara a alguns dirigentes do CRAC. O que o Sr. Luís Freitas Lobo fez ontem foi um dos melhores e mais competentes fellatios que alguma vez já vi ser feito. Aparentemente a única diferença entre ele e a fruta para dormir, é que ele tem tempo de antena na televisão. Um conselho para o futuro: quando toda a gente se aperceber da sua terrível mediocridade na análise de jogos, pode sempre tentar uma carreira numa determinada indústria cinematográfica. Jeito para isso não lhe falta e poderá ser um sério candidato aos AVN Awards.

por S.L.B. às 12:00 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Explicação para a “lógica”

Depois dos critérios enunciados pelo Benfica para a venda de bilhetes para a final da Liga Europa, impunha-se responder à pergunta que ficou neste post: seria obviamente ilógico que um sócio sem Red Pass que comprasse uma viagem para Amesterdão na “Benfica Viagens” tivesse o bilhete do jogo garantido. O Benfica decidiu dar primazia na aquisição de bilhetes aos sócios com os vários tipos de Red Pass em vez de dar aos pacotes da agência de viagens. É um critério certo, justo e lógico.

 

Não obstante isto, o que acho que poderia (e deveria) ter sido feito, para evitar as confusões de 6ª feira era a “Benfica Viagens” não ter pacotes de viagens disponíveis ANTES de o Benfica publicitar o critério da venda de bilhetes. Na prática, teria sido um adiamento de umas quantas (poucas) horas, que certamente não teria sido nada prejudicial à própria agência (dado que no início da tarde de 6ª feira, antes de se saber os critérios de venda, a ida e volta no mesmo dia custava 530€ e no final dessa mesma tarde, depois de ser conhecidos os critérios, já estava a 580€…).

por S.L.B. às 10:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 04.05.13

(Foi) Limpinho, limpinho

 

Suininho, suininho (e fotogénico).

 

 

Vendidinho, vendidinho.

 

 

Hipocritazinho, hipocritazinho.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 22:55 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Finalmente!

 

 

Depois de várias épocas consecutivas a dominar do primeiro ao penúltimo dia para depois morrer sempre na praia, o nosso voleibol sagrou-se finalmente campeão nacional, apesar do imenso sofrimento que foi necessário. Viva o Benfica!

por D`Arcy às 20:34 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sexta-feira, 03.05.13

Garra, querer e ambição

Ontem todos fomos Benfica: com raça, querer e ambição. Sem o assobio idiota e o umbigo de alguns a querer sobrepor-se à vontade de uma esmagadora maioria. Fomos unidos com a equipa e entre nós. Só mantendo a mesma atitude, poderemos ajudar os nossos a conquistar para o Clube os títulos que ambicionamos. Isso e apenas isso importa, isso e penas isso é prioritário, tudo o resto é resto.

 

Na “final” da próxima segunda-feira, contra o Estoril, é essencial que estejamos exactamente com a mesma atitude com que estivemos ontem, na Luz. Com a garra, o querer, a ambição e também a humildade de quem sabe que ainda falta vencer as três competições que pretendemos conquistar.

 

(fotografia tirada ontem, no 3º Anel do nosso Estádio)

por Pedro F. Ferreira às 19:58 | link do post | comentar | ver comentários (10)

"Lógicas"

Há coisas que, sinceramente, gostava muito de perceber. Ora bem, no espaço comercial do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, há algo chamado "Loja do Sócio" que tem vários departamentos lá dentro, todos com a identificação "Benfica". Um deles é a "Benfica Viagens", que está a organizar viagens para Amesterdão para ir e vir no dia do jogo (como costuma fazer quando há jogos importantes das competições europeias, que justifiquem encher charters no próprio dia). Até aqui, tudo bem e tudo normal. O que é extraordinário é que, ao contrário do que é habitual, desta vez o bilhete do jogo não está garantido! Isto dito pela senhora da "Benfica Viagens". Nunca esteve incluído no preço de pacotes deste género, mas estava sempre garantido, como é óbvio. Mas não, desta vez, resolveu-se inovar ("foi o Benfica que assim decidiu", disse-me ela, acrecentando, "eu não sou do Benfica, sou da Benfica Viagens"). Concluindo: por absurdo que seja, pode haver pessoas que gastam mais de 500€ para ir a Amesterdão e não têm bilhete para ir ao jogo!

 

Dizem-me que a "Benfica Viagens" é a "Top Atlântico", mas chama-se "Benfica Viagens" por causa dos descontos que dá aos sócios do Benfica. Excuse me? Come again? Então é "Benfica Viagens", está na "Loja do Sócio" do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, mas no fundo não tem nada a ver com o Benfica, é isso? Que mal pergunte... então porquê o nome "Benfica Viagens"?! Alguma alma caridosa e inteligente me pode explicar isto?

por S.L.B. às 17:35 | link do post | comentar | ver comentários (7)

A matilha

A matilha ataca sem tréguas. Atiram os cães de fila para a linha da frente e, entre latidos e rosnados, deixam para trás os que vão uivando com a cauda a abanar na esperança de que o dono atire um ossito à rafeirada.

 

A matilha não perdoa, ladra incessantemente, desde há duas semanas, porque, ao contrário do que tem sido habitual nas últimas décadas, não têm encontrado diligentes moços de fretes prontos a entregar a encomenda dourada em tom de apito. Uivam com saudades dos que se vendiam em prostíbulos em troca de fruta para dormir ou conselhos matrimoniais.

 

A matilha não descansa e dá voz, na comunicação social, a rafeiros, rafeirotes e bicheza afim para enviar avisos velados e ameaças deslavadas aos próximos nomeados para arbitrar os jogos do Glorioso. Alguma rafeirada, mais refinada, esconde-se por baixo de uma aparente, e constantemente desmascarada, ideia de “independência” e “imparcialidade”, para lançar a suspeita cobarde e nojenta com a mesma desfaçatez com que cobardemente ajudaram, e ajudam, a encobrir três décadas de crimes de dourados apitos e bem menos douradas agressões chantagens e ameaças. Normalmente, esta frente da matilha tem direito a tempo de antena semanal sem direito a outro contraditório que não seja a sua própria contradição. Só espero sinceramente que os dirigentes do nosso clube não voltem a cometer o erro de dar direito a entrevistas exclusivas dos profissionais do nosso clube a alguns destes cães de fila.

 

Quanto aos hipócritas que falam em nome de uma verdade desportiva que conspurcam há três décadas só há um tratamento a dar: deixá-los ladrar enquanto a caravana passa em busca do 33º título de campeão.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Abril e publicado na edição de 03/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 15:15 | link do post

Lindo

Não havia outro desfecho possível. Vinte e três anos depois, o Benfica está de regresso a uma final de uma competição europeia. Trinta anos depois, a oportunidade para tentarmos vencer uma competição que, para os benfiquistas da minha geração, representou a primeira grande desilusão no futebol europeu (o golo do Shéu ao Anderlecht é daquelas imagens que nunca mais se apagou da minha memória - do do Lozano nem me lembro). E não havia outro desfecho possível porque o Benfica é simplesmente muito superior ao Fenerbahçe, e esta noite, mesmo contra uma arbitragem desastrada, contra um destino injusto que o obrigou a ter que correr ainda mais do que seria naturalmente necessário, impôs a sua superioridade num Estádio da Luz que não encheu (55.000 espectadores) mas esteve lindo, lindo e foi praticamente um exemplar décimo segundo jogador.

 

 

Talvez uma única meia-surpresa na equipa titular, onde o André Almeida surgiu na posição de lateral esquerdo. De resto, o onze esperado, com a dupla Cardozo/Lima na frente de ataque e o Gaitán teoricamente na esquerda, mas com liberdade para surgir frequentemente na zona central. Havia uma desvantagem de um golo para recuperar, e mal o apito inicial soou o Benfica meteu mãos à obra. Pareceu desde logo evidente que a estratégia do Fenerbahçe passava simplesmente por defender a magra vantagem obtida na primeira mão, mas face à forte pressão que o Benfica imediatamente exerceu e o ataque constante, tal estratégia parecia inevitavelmente condenada ao insucesso. E isso verificou-se rapidamente: foram oito os minutos durante os quais os turcos conseguiram segurar o nulo. Foi esse o tempo que passou até que o Lima se escapasse pela direita, e da linha de fundo fizesse um passe atrasado para a entrada do Gaitán, que de trivela e toda a elegância do mundo fez a bola ir embater no poste mais distante antes de entrar na baliza. Até esse momento, creio que os turcos nem sequer tinham ainda passado do meio campo, enquanto que o Benfica, por aquilo que tinha feito até então, já conseguia justificar o golo. Com a eliminatória empatada, era tempo de partir para o segundo golo, coisa que o Benfica fez imediatamente, pois não abrandou o ritmo com que tinha iniciado o jogo. Mas aos vinte e dois minutos veio o golpe injusto que poderia ter deitado tudo a perder. Na primeira vez que o Fenerbahçe desceu à nossa área, e num lance em que deveria ter sido assinalado um fora-de-jogo, o Garay acabou por jogar a bola com a mão e do respectivo penálti o Kuyt empatou o jogo, deixando ao Benfica a obrigação de ter que marcar mais dois golos se queria seguir para a final.

 

 

A injustiça deste resultado era grande. Percebeu-o o Estádio da Luz, que respondeu ao golo turco com gritos de 'Benfica! Benfica!' a incentivar a equipa, e de certeza que o perceberam também os nossos jogadores, cientes da sua superioridade. Nestes últimos tempos parece que anda muita gente interessada em fazer passar a mensagem de que a nossa equipa está de rastos e já pouco mais aguenta, mas se aquilo que eu vi hoje é uma equipa de rastos então não imagino como será quando está em plena forma física. Poucos minutos após o golo do empate já o Benfica estava novamente em cima do adversário, que foi remetido para junto da sua área e parecia feliz por se poder dedicar ao seu plano inicial de defender a vantagem e pouco mais fazer. O Benfica voltou a ameaçar pelo Cardozo, pelo Lima, pelo Gaitán e passada uma dúzia de minutos já estava de novo em vantagem no marcador. Na marcação de um livre a meio do meio campo o Enzo descobriu o Cardozo solto à entrada da área e colocou rapidamente a bola em jogo, para depois o Tacuara, em mais uma demonstração de qualidade técnica (tem sido um fartote nesta Liga Europa), simular com o direito, passar para o esquerdo, e rematar rasteiro para o fundo da baliza. E agora já só faltava mais um golo, que até poderia ter surgido ainda antes do intervalo, pois o Benfica manteve-se ao ataque e muito perto do final da primeira parte, após uma grande jogada do nosso ataque, viu o remate final do Matic passar pouco ao lado do poste da baliza turca, com o Freddy Mercury turco que defendia as redes do Fenerbahçe pregado ao chão.

 

 

Não surgiu o merecido terceiro golo na primeira parte, mas havia muita esperança que surgisse na segunda, até porque nada se alterou no pendor do jogo. Ainda e sempre o Benfica em ataque constante, mesmo que não no ritmo frenético que chegou a apresentar durante a primeira parte, e o Fenerbahçe remetido ao seu meio campo, completamente inofensivo no ataque. Mais ameaças do Benfica, mais asneiras da equipa de arbitragem francesa, que olimpicamente ignorava tudo o que se passasse dentro ou nas imediações da área turca (é incompreensível como um puxão ao Cardozo quase sobre a linha limite da área passou em branco). A lesão grave de um jogador turco, atingido na face por um pontapé do Gaitán, serviu para os turcos respirarem e pareceu adormecer um pouco o Benfica por alguns minutos, mas depressa voltou à carga e com efeito decisivo, pois chegou mesmo ao desejado e merecido terceiro golo. Depois de uma sequência de jogadas de insistência do Benfica, com vários cruzamentos e a bola a teimar em não sair de perto da área turca, o Benfica teve um lançamento de linha lateral do lado direito. O Salvio lançou, a bola sobrou para o Luisão, e o remate do nosso capitão foi desviado por um defesa adversário, o que fez a bola sobrar para o Cardozo. Solto na área, o Tacuara fez o que melhor sabe: recebeu com um toque e com um segundo atirou a contar e colocou finalmente o Benfica, com toda a justiça, na frente da eliminatória. Só depois disto é que o Fenerbahçe tentou reagir, mas acabou por mostrar sobretudo que não tinha mesmo um plano alternativo ao de defender a vantagem com unhas e dentes. Apostou cada vez mais no chuveirinho para a nossa área, mas apenas num remate com muito pouco ângulo obrigou o Artur a algum trabalho, não tendo conseguido criar uma verdadeira ocasião de perigo. A sensação era a que seria mesmo o Benfica, se forçasse um pouco mais, a poder voltar a marcar, e até vimos os franceses a negarem-nos um possível penálti por uma mão dentro da área. O sofrimento durante os longos cinco minutos de compensação (justificados) deveu-se apenas ao natural receio de algum lance fortuito que pudesse provocar a injustiça da nossa eliminação, mas o tempo decorreu sem sobressaltos até à explosão final de alegria, com o 'Ser Benfiquista' cantado a plenos pulmões.

 

 

O Cardozo tem que ser o homem do jogo, porque cumpriu o seu papel de matador e por duas vezes colocou a bola no fundo da baliza. Mas ao nível dele estiveram muitos outros. O Matic voltou a encher o campo. Aparece em todo o lado, a recuperar bolas, a empurrar a equipa para a frente e a organizar jogadas de ataque. O Luisão esteve imperial na defesa, e matou quase todas as jogadas de ataque do Fenerbahçe mesmo antes delas começarem. O Enzo, príncipe do nosso meio campo, deu mais uma demonstração de garra e querer, aliadas à qualidade técnica e perfeita disciplina táctica. O Gaitán espalhou classe pelo relvado, e o André Almeida mostrou outra vez que cumpre sempre que é chamado, seja onde for que o mandem jogar. Não atacou muito, mas não permitiu grandes veleidades ao Kuyt.

 

 

O director d'A Bola escreveu no dia seguinte à nossa vitória nos Barreiros este editorial: "Acabou o jogo da Madeira e, apesar da grande festa benfiquista, logo se percebeu: não dá para muito mais. Nem sequer dará para esconder as dificuldades. O Benfica chega a este momento final e crucial da época preso por arames." Espero que tenha visto esta noite o quão presa por arames a nossa equipa está. Espero que tenha visto o quanto não dá para mais. A nossa época joga-se agora numa mão-cheia de jogos. É o que falta para o final; é o que nos separa da glória. Vamos pensar neles um a um, conforme o temos sabido fazer tão bem até agora. Está na altura de pensar no Estoril para, vencendo, darmos mais um passo de gigante rumo ao título, podendo depois aproveitar a rara oportunidade de ter quase uma semana para descansar até ao jogo seguinte.

 

P.S.- Já agora, para os contabilistas encartados: Uma final europeia - Check!

por D`Arcy às 03:57 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Quinta-feira, 02.05.13

Sempre

por D`Arcy às 10:33 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quarta-feira, 01.05.13

Campanha

Quando a conferência de imprensa do Benfica de ontem já deu para que o director do Record admita que houve mesmo diferença de tratamento entre o Benfica e outros e nos faça um pedido de desculpas, então é porque pelo menos já serviu para abrir alguns olhos.

 

Quanto ao resto, aquilo que o João Gabriel ontem disse e mostrou não é nada de novo para todos nós, porque a referida campanha tem sido por demais evidente. Acho apenas piada que os nossos inimigos passem o tempo a denegrir, de forma cobarde e mentirosa, a época que o Benfica tem feito, e que quando o Benfica denuncia isso e apresenta factos, se mostrem subitamente invadidos de uma indignação puritana pelo 'baixo nível' utilizado pelo Benfica.

por D`Arcy às 14:40 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Terça-feira, 30.04.13

Colo

Parece que lá por cima está muita gente cada vez mais incomodada com a possibilidade do Benfica ganhar a Liga, e andam a disparar para todos os lados. Já não bastava o bufar constante do velho ou os dislates do azeiteiro, vejo agora um tal de Jaime Magalhães vir juntar-se ao coro e dizer que o campeonato nos foi 'oferecido por pessoas que estão a trabalhar muito bem' - calculo que mesmo este discurso básico lhe tenha sido ditado por alguém, uma vez que se bem me lembro do referido senhor, ele raramente mostrou capacidade para alinhavar mais de três palavras para formar uma frase com nexo, quanto mais para fazer qualquer tipo de discurso coerente. O campeonato ainda não acabou, mas se o viermos a ganhar então acho que se ele se estiver a referir aos nossos jogadores, equipa técnica, direcção e adeptos, então tem toda a razão. Todos fizeram um muito bom trabalho para nos oferecer esta vitória.

 

Quanto ao facto do mesmo Jaime Magalhães (para quem não se lembrar bem dele, é um rapaz que, como muitos jogadores da sua geração no FCP, foi infelizmente afectado por uma estranha calvície precoce - talvez o Casagrande possa oferecer mais explicações) afirmar que o Benfica foi 'levado ao colo', apesar de discordar completamente dessa opinião considero que me é difícil discutir isso, uma vez que julgo que ele será, juntamente com vários ex-colegas dele, uma das maiores sumidades portuguesas em questões de colo. Quem passa umas boas dezenas de anos bem embalado e apertadinho no colinho de tanta e tão ilustre gente (ao ponto de provavelmente já nem sequer sentir cócegas com os bigodes de um Martins dos Santos ou umas barbas de um Calheiros qualquer) só pode ser um grande entendido na matéria.

por D`Arcy às 14:20 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Quase

 

Com muita culpa nossa, foi preciso sofrer bastante para arrancarmos esta vitória importantíssima para a discussão do título. Ao alheamento da primeira parte respondemos com uma grande atitude na segunda, o que nos recompensou com o golo que tanto procurámos e parecia não querer aparecer.

 

 

O nosso treinador tinha falado em possíveis surpresas, mas o onze inicial do Benfica não foi particularmente surpreendente. Repetindo Olhão, o André Almeida ocupou o lugar de lateral esquerdo, enquanto que na frente de ataque jogaram o Lima e o Rodrigo, relegando o Cardozo para o banco. Para um jogo que se antevia complicado, seria difícil pedir um início melhor para nós do que aquele que aconteceu. Com três minutos de jogo e quando as equipas ainda estariam numa fase de estudo mútuo o Lima foi literalmente varrido por trás dentro da área e o árbitro, de certeza que para desgosto do velho corrupto e do azeiteiro, que bem apelaram aos favores arbitrais durante a semana, assinalou o respectivo penálti. O Lima não tremeu e na marcação do mesmo atirou a bola para um lado e o guarda-redes para o outro. O pior foi que, ao contrário do que seria de esperar, o golo madrugador fez mal ao Benfica. Os nossos jogadores devem ter ficado logo a pensar no jogo da Liga Europa e recuaram imenso, acantonando-se no seu meio campo e fazendo um jogo de expectativa (não foram definitivamente ordens do JJ, porque ele bem barafustava no banco e mandava a equipa subir). O Marítimo fez o que tinha a fazer: convidado a atacar, pegou no jogo e carregou sobre a nossa baliza. Uma bola no poste, poucos minutos a seguir ao nosso golo, deveria ter servido de aviso, mas nada mudou. Mesmo sem conseguir criar muitas oportunidades flagrantes de golo, o domínio do Marítimo no jogo com muita posse de bola e a presença constante desta nas imediações da nossa área faziam prever que o golo do empate pudesse acontecer a qualquer momento. Aconteceu - com inteira justiça, diga-se - quase em cima do intervalo, num cabeceamento do central Rossi, que aproveitou uma falha de marcação da nossa defesa para aparecer solto ao segundo poste após um cruzamento da direita.

Como que comprovando que a má exibição na primeira parte nada tinha a ver com algum eventual cansaço, o Benfica surgiu transfigurado no segundo tempo. Pressão e ataque constante resultaram, logo nos primeiros dez minutos, em três oportunidades claras de golo: primeiro o Rodrigo, isolado, rematou frouxo e ao lado da baliza, e depois o Lima acertou na barra e no poste da baliza do Marítimo. O Benfica não desistiu, e agora era junto à área do Marítimo que a acção se passava, com várias tentativas de remate a encontrar jogadores do Marítimo a dar o corpo ao manifesto e a evitar que a bola seguisse na direcção da baliza. Por esta altura já começava a parecer que iríamos acabar a lamentar a primeira parte dada de avanço ao adversário, já que estava difícil fazer a bola entrar, mas ainda antes de chegarmos a uma fase de desespero (pouco antes de entrarmos no último quarto de hora) a sorte que nos tinha voltado as costas naquelas duas bolas ao ferro resolveu sorrir-nos. Numa iniciativa individual o Salvio entrou pela direita, ganhou a linha de fundo, e o seu cruzamento foi tocado pelo Rossi, que assim enganou o seu guarda-redes e marcou pelas duas equipas. De volta à vantagem no marcador, desta vez o Benfica não cometeu o mesmo erro de recuar demasiado para segurar o resultado, pelo que a tentativa de reacção do Marítimo nunca conseguiu causar qualquer perigo para a nossa baliza. Durante a maior parte do tempo que decorreu até final o Benfica até conseguiu mesmo ter a bola em sua posse.


Os melhores do Benfica num jogo que não foi brilhante foram o Matic, o Lima e o Salvio. O primeiro fez o trabalho habitual no meio campo, mas esteve melhor sobretudo na segunda parte, já que na apagada primeira parte do Benfica esteve ao nível da mediania geral. O Lima trabalhou bastante, marcou o penálti com frieza e bem poderia ter adicionado mais um golo à sua conta, pois foi o mais rematador da equipa e viu a bola ir aos ferros por duas vezes. O Salvio não brilhou tanto no ataque como habitualmente, mas acabou por ficar directamente ligado ao golo da vitória. Gostei da exibição dele sobretudo pelo espírito de luta que revelou, tendo trabalhado imenso no auxílio à defesa nas fases mais complicadas do jogo. O Ola John, a exemplo do que tem acontecido nos últimos jogos, não me agradou. Parece-me demasiado alheio ao jogo e com pouca vontade de lutar por qualquer bola dividida.


Mais um passinho dado, e agora estamos ainda mais perto do objectivo principal da época. Como as coisas estão agora, bastar-nos-á vencer os dois jogos que temos em casa para nos sagrarmos campeões, e até já é possível, com a conjugação certa de resultados, sermos campeões na próxima jornada. Gostei de ver a forma como os jogadores festejaram a vitória, porque eles perceberam bem a importância dela. Mas não podemos relaxar, porque apesar de estarmos quase lá, falta ainda o quase.


P.S.- Apesar do arraial montado durante a semana, do que bufou o velho corrupto e arengou o azeiteiro de sobrolho arqueado, gostei da arbitragem do 'desconhecido' Manuel Mota. Provavelmente o problema dos citados foi mesmo ter sido nomeado um desconhecido em vez de um 'consagrado' que eles saberiam muito bem como manipular. Marcou o penálti evidente sobre o Lima, e na minha opinião ajuizou bem os dois lances sobre o Cardozo: no primeiro o defesa cortou a bola, e no segundo, apesar de haver contacto, não me pareceu suficiente para provocar a queda - é tão penálti quanto foi o suposto sobre o Volkswagen a semana passada (não duvido no entanto que se os lances fossem na nossa área haveria muita gente a dizer que tinham sido roubados dois penáltis ao Marítimo). Não consigo perceber de que se queixa o Pedro Martins. Como não tem nenhum lance específico a que se referir, fala de arbitragem 'implacável'. Se calhar passou demasiado tempo a olhar para o ar à procura de pássaros em vez de ver o jogo.

por D`Arcy às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Sexta-feira, 26.04.13

Uma questão de dimensão

Na última jornada, o nosso Benfica ultrapassou mais um obstáculo, mais uma “final”, para obter o desejado título de campeão. Faltam quatro jogos para terminar o campeonato e, até ver, faltam-nos três vitórias para podermos cumprir o principal e prioritário objectivo da época.

 

Terminado o referido jogo, foi interessante ver o esplendor da manifestação dos complexos dos nossos vizinhos da Segunda Circular. Num acesso histérico de delírio psicótico, insistem em forçar a realidade em função da ilusão. O estado de negação da realidade fá-los repetir à exaustão uma cantilena patética e bem ensaiada pelo clube do Sr. Costa, o tal que nas últimas décadas tem servido de conselheiro, modelo e amparo para os sucessivos insucessos desportivos e financeiros dos do Lumiar. Enquanto gritam pela marcação de grandes penalidades, à dúzia, em função de correntes de ar e achaques oportunos dos seus avançados, esquecem-se de que têm como elemento mais consistente no seu sector defensivo um lateral emprestado pelo… Beira-Mar. Enquanto demonstram à saciedade o seu complexo para com o Benfica, fingem não ver que têm menos pontos conquistados (33) do que os pontos que os separam do Glorioso (37). Enquanto choram por não terem cumprido o seu único objectivo de todas as épocas – tentar evitar o sucesso do Benfica – esquecem-se de que conseguiram (na 26ª jornada) cumprir o único objectivo que a realidade insiste em atirar-lhes à cara – garantir matematicamente que não descem de divisão. E ainda há quem estranhe que nós, benfiquistas, não entremos em euforia com vitórias de circunstância sobre rivais que cantam orgulhosamente, como um feito, um ignóbil incêndio provocado na nossa casa…

 

Fomos habituados a festejar apenas as conquistas de títulos e, uma vez que ainda não conquistamos nenhum dos três que estamos perto de vencer, não festejamos em euforia vitórias contra um clube que se põe em bicos de pés, para que ninguém se aperceba de que está algures pelo meio da tabela.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Abril e publicado na edição de 26/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 15:15 | link do post
Quinta-feira, 25.04.13

Pálida

Uma derrota pela margem mínima que deixa tudo em aberto para a segunda mão, mas que castiga um exibição pálida do Benfica esta noite. E podemos considerar que fomos protegidos pela sorte, já que por três vezes vimos a bola embater nos ferros da nossa baliza - o Gaitán também atirou uma vez ao ferro.

 

 

O André Gomes foi a escolha natural para o lugar do Enzo, tendo a surpresa sido a entrada do Aimar no onze, para fazer a ligação com o ataque. Na defesa, a presença natural do Jardel no lugar do capitão Luisão. O ambiente turco pouca influência pareceu ter sobre a nossa equipa, já que o nosso início de jogo foi bastante razoável. Durante o primeiro quarto de hora o Benfica teve o jogo controlado, e até dispôs de duas oportunidades, nos pés do Salvio e do Aimar. Mas perto dos vinte minutos o Fenerbahçe dispôs de duas oportunidades de rajada, tendo na segunda enviado a bola à barra da nossa baliza num cabeceamento do Webó, e despertou com esses dois lances, passando a ter superioridade no jogo durante os minutos que se seguiram. Mas apesar do relativo ascendente de cada uma das equipas em determinados períodos do jogo, nunca houve propriamente períodos de sufoco, já que parecia haver muito respeito de parte a parte, e para além disso o futebol jogado era muito desligado, com passes falhados e poucas jogadas dignas de interesse. Já em período de descontos antes do intervalo, penálti contra o Benfica, após uma falta desastrada do Ola John, e a sorte a sorrir-nos mais uma vez, já que na marcação o Baroni acertou no poste.

 

 

Para a segunda parte surgiu, sem grande surpresa, o Gaitán no lugar do Aimar, já que o nosso dez mostrou uma natural falta de ritmo. A reentrada dos turcos foi forte, tentando por várias vezes o remate e acertando mesmo no ferro pela terceira vez no jogo, desta vez num remate do Kuyt. Praticamente na resposta, foi o Gaitán quem atirou ao poste, naquela que foi a melhor oportunidade do Benfica em todo o jogo. A partir do meio da segunda parte o Benfica pareceu recuar mais, não se se por falta de frescura física ou por ser uma aposta em segurar o nulo, mas a verdade é que no espaço de alguns minutos os turcos carregaram mais, sem que o Benfica conseguisse segurar a bola ou sair para o ataque para respirar um pouco, limitando-se os nossos jogadores a aliviar bolas para onde estavam virados. Coincidência ou não, o Fenerbahçe chegou mesmo ao golo no culminar desse período, num momento em que, para variar, a sorte não nos foi favorável, já que o golo surge na sequência de um canto mal assinalado. O Melgarejo ao segundo poste encarregou-se de fazer a assistência para o primeiro poste, numa zona onde estavam três adversários à vontade, tendo um deles cabeceado para o golo (mesmo assim a bola ainda foi ao poste antes de entrar, de nada valendo o corte do Jardel, pois a bola já tinha ultrapassado a linha). Faltavam vinte minutos para o final, mas pouco mais de assinalável se passou até final. Os turcos pareceram relativamente satisfeitos com o resultado, e o Benfica foi desastrado e desinspirado no ataque.

 

 

O melhor do Benfica terá sido o Matic. O Melgarejo fez um jogo bastante fraco, e não digo isto apenas pela 'assistência' para o golo turco. Antes disso já ele tinha tido mais do que um corte disparatado, e algumas perdas de bola desnecessárias. O Rodrigo, que entrou a meio da segunda parte, revelou-se um auxiliar importante da defesa do Fenerbahçe na manutenção da vantagem mínima.

 

A derrota por um a zero é um resultado sempre bastante perigoso, mas deixa-nos com boas possibilidades de discutir o acesso à final para a semana, em nossa casa. O Fenerbahçe não mostrou ter uma qualidade suficientemente grande para que esta desvantagem seja uma barreira inultrapassável. Mas temos agora que saber desviar a atenção desta competição, e focar-nos no jogo com o Marítimo. A conquista da Liga é a grande prioridade e a Liga Europa continua a ser, para mim, acessória. Tendo em conta a campanha que o velho corrupto e o azeiteiro já andam a fazer para esse jogo, não podemos dar-nos ao luxo de cometer o menor deslize.

por D`Arcy às 23:23 | link do post | comentar | ver comentários (30)
Segunda-feira, 22.04.13

Normalidade

Não me vou dar ao trabalho de escrever muito sobre a vitória desta noite sobre o sportém. Para mim sempre foi um clube sem pinga de identidade, submisso a quem nós sabemos bem e que merece inteiramente todas as desgraças que se têm abatido sobre ele esta época. Preferia nunca ter que jogar com eles (quando fecharem as portas verei esse desejo realizado) e não fosse o facto de não querer abandonar o Benfica nem sequer veria os jogos com eles.

 

 

Aconteceu normalidade na Luz. Ganhámos a uma das más equipas da Liga, que ocupa presentemente o décimo lugar da classificação e que nem sequer metade nos nossos pontos tem. Não fizemos um bom jogo, fizemos simplesmente o suficiente para vencer, tendo a mais que evidente superior capacidade individual dos nossos jogadores sido decisiva. Perante um adversário que primou por tentar trocar a bola entre os seus jogadores com um mínimo de risco e sem grande objectividade na procura do golo, o Benfica apresentou-se lento e pouco pressionante, sendo necessário esperar até dez minutos do intervalo para que o marcador funcionasse, num lance de futebol corrido em que o Cardozo descobriu o Gaitán na esquerda para um cruzamento rasteiro que foi finalizado pelo Salvio com um remate colocado de primeira, efectuado com o pé esquerdo. A segunda parte fica simplesmente assinalada pelo golo da confirmação da nossa vitória, a quinze minutos do final - um momento sublime que demonstra a qualidade dos nossos jogadores. Até hoje pensava que seria impossível algum golo esta época conseguir rivalizar com o do Matic contra o Porto, mas o Gaitán encarregou-se de mostrar que estava enganado. Depois de num bailado delicioso ter deixado dois adversários para trás, tabelou com o Salvio e com o pé direito assistiu o Lima para o remate vitorioso. Tudo ao primeiro toque, quase impossível de descrever. Só mesmo vendo.

 

 

Homem do jogo: Nico Gaitán. Não quero saber que tenha perdido bolas, que tenha errado passes. Fez as assistências para os dois golos, e fez uma jogada no segundo golo que vai ficar para sempre na minha memória, por mais anos que passem. E duvido que no nosso plantel exista outro jogador com a mesma capacidade técnica para fazer algo parecido.

 

 

Embalada pela melhor série de resultados da época - uma sequência épica de três vitórias tangenciais nos descontos sobre colossos do futebol mundial - a lagartagem foi fiel à sua natureza e passou as últimas duas semanas bêbada de arrogância a dizer que vinha ganhar à Luz. Perdi a conta ao número de gente que andou com este discurso, desde o treinador do Moreirense que afinal é empregado do sportém e orienta a sua equipa num jogo contra o seu empregador sem problemas porque é 'profissional', até um jogador emprestado pelo Beira Mar ao sportém. Esta noite a realidade, qual comboio de mercadorias desgovernado, chocou de frente com eles. Neste momento ainda devem andar alguns pela Luz à procura dos dentes, enquanto que um Burro qualquer olha para o ar à procura de pássaros. O mais importante é que vencemos mais uma final, e agora restam quatro. Quanto ao jogo, simplesmente: nem sequer precisamos de jogar bem para ganhar a este sportém.


P.S.- Tenho a impressão de que ficaram seis penáltis por marcar contra nós (pelo menos).

por D`Arcy às 00:04 | link do post | comentar | ver comentários (56)
Sábado, 20.04.13

A Corrida do Benfica

Participei pela segunda vez na Corrida do Benfica, cognominada com nome de campeão, em justa homenagem ao nosso António Leitão.

 

Entre cansaços e dores musculares, fruto de “atletismo de bancada” e preparação física deficitária em nome da fantástica gastronomia, vamos (eu e uns bons milhares que se preparam com o mesmo afinco e dedicação) conseguindo cumprir a légua e a dupla légua que nos separam da meta. Por todo o lado, é notória a boa disposição, por todo o lado se ouve o grito pelo Benfica, espontâneo e sentido. Correm-se umas boas centenas de metros e alguém re-grita “Benfica!”. Assim, o nome do Glorioso é gritado apenas porque apeteceu e estamos entre benfiquistas, em boa vizinhança e com o ninho das águias ali, à vista. É um grito que vai ecoando e passando entre gargantas e entre passadas, entre o fôlego e o esforço, aquele esforço, o tal esforço que nos faz não desistir enquanto não cortarmos a meta. Ouve-se “Benfica” e pensamos que é só mais um esforço, só mais um antes do próximo, até à meta.

 

Cortada a meta, fica a sensação enganadora de que terminou. Não terminou. Porque a meta não é uma, são muitas, é cada um de nós, na medida em que cada um sabe que compete essencialmente consigo. Cada um sabe que a meta para um benfiquista é dar o melhor de si, o melhor que pode e o melhor que sabe. E ouve-se novamente gritar pelo Benfica. Este nosso Benfica que está tão próximo de cortar três metas e, assim, garantir que cumpre a meta da melhor época da sua História. E nós com ele, nesta corrida, a gritar por ele e a pedir só mais um esforço, só mais um antes do próximo, até à meta. E em cada grito que se ouve vindo da bancada está o benfiquismo, e em cada passada dada está a proximidade da meta, da tal meta que implica que nos superemos todos, em conjunto. Ouve-se gritar pelo Benfica e a corrida continua, está tão perto da meta e nada ainda está ganho, mas, uma das metas, a do Jamor, já ali está, oito anos depois… é só mais um esforço.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Abril e publicado na edição de 19/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:28 | link do post
Sexta-feira, 19.04.13

Chama Imensa 1904

Há quem marque golos no relvado e há quem os marque fora dele. Podemos conseguir algo histórico esta época. Não deixemos fugir a oportunidade. Nós acreditamos! Viva o BENFICA!

 

por S.L.B. às 18:58 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Terça-feira, 16.04.13

Regresso

O regresso ao Jamor foi garantido, num jogo em que o Benfica fez uma exibição mais apagada do que habitual, mas mesmo assim q.b. para evitar quaisquer sobressaltos maiores numa eliminatória que esteve sempre controlada.


 

Não houve de facto poupanças no onze escolhido, com o Benfica a apresentar a equipa mais forte - eventualmente poder-se-á apenas considerar que a titularidade do Rodrigo em vez do Lima foi a única excepção. O jogo teve poucos motivos de interesse - o Benfica tomou naturalmente a iniciativa, ainda que sem acelerar muito o ritmo, e o Paços, mesmo em desvantagem, nunca mostrou vontade de assumir grandes riscos, preferindo manter sempre a sua boa organização e saindo para o ataque apenas pela certa. Mesmo numa toada convenientemente morna o Benfica foi sempre mais rematador e construiu as melhores oportunidades de golo, quase sempre com o Cardozo em destaque, tendo inclusivamente atirado uma bola ao poste. O Paços apenas por uma vez durante o primeiro tempo conseguiu responder com perigo, tendo o Artur sido obrigado a uma boa intervenção aos pés do Hurtado, que se tinha isolado pela direita da nossa defesa. Apesar das várias tentativas de remate da nossa equipa - para além do Cardozo também o Rodrigo ou o Salvio tiveram remates perigosos que falharam o alvo por pouco - o nulo manteve-se até ao intervalo, ficando-se com a sensação de que os nossos jogadores estiveram sempre  plenamente conscientes de que tinham a eliminatória na mão.

 

 

Nos minutos após a reentrada o Benfica pareceu acelerar um pouco mais o ritmo, e com oito minutos decorridos chegou ao golo, e sem surpresa pelo Cardozo, na conclusão de uma jogada agradável entre o Enzo e o Gaitán, que fez o centro da esquerda para o remate rasteiro e colocado de primeira por parte do paraguaio. Com a vantagem de dois golos trazida da primeira mão já o Benfica parecia dono e senhor da eliminatória, e com este golo então todas as dúvidas terão ficado dissipadas. Julgo que mesmo os nossos jogadores terão ficado demasiado convencidos disso, e baixaram ainda mais o ritmo. Acho que em alguns momentos terá mesmo havido alguma complacência por parte da nossa equipa, e disso se aproveitou o Paços para crescer no jogo. Infelizmente isto acabou por resultar no golo do empate, que aconteceu a dez minutos do final e assim estragou o registo defensivo imaculado do Benfica na prova. O golo resulta precisamente de um passe displicente do Maxi, que isolou o recém-entrado Cícero e este não teve grande dificuldade em marcar - mas já antes do golo se tinham visto outras ocasiões em que houve falta de concentração dos nossos jogadores, ou excesso de confiança. O Paços é uma boa equipa, muito bem orientada, e voltou a demonstrá-lo neste jogo, pelo que era previsível que acabasse por aproveitar algum erro nosso.

 

 

O melhor do Benfica foi, para mim, o Cardozo. Foi o mais rematador e a grande maioria dos lances de perigo do Benfica passaram por ele, tendo feito por merecer plenamente o golo que marcou.


Conseguiu-se o regresso ao Jamor, que era o que mais importava. A exibição não foi por aí além, mas foi suficiente para garantir o objectivo desejado, e o jogo não pareceu ter exigido um grande esforço da parte dos nosso jogadores, permitindo gerir a condição física para a fase decisiva da época que se aproxima. Agora é recarregar baterias para vencermos a próxima final.

por D`Arcy às 00:59 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Sexta-feira, 12.04.13

Estar entre

Como é que um benfiquista vive estes dias que podem estar entre o quase tudo e o quase nada?

 

Normalmente, vivemos com a vertigem quase messiânica de que, como adeptos de um clube eleito, o nosso destino cumprir-se-á inexoravelmente na próxima vitória e na outra a seguir e assim sucessivamente. No entanto, esta nossa estranha forma de sentir o clube atira-nos também, frequentemente, para um estranho antecipar da desgraça como forma de mitigar uma imaginada dor. Antecipamos a vitória com a mesma vertigem com que tememos o insucesso. Insultamos o goleador com a mesma vertigem com que o festejamos. Trocamo-nos entre apocalipses antecipados pela ausência de um futebolista e Génesis paradisíacos com a contratação de outro. Saltamos entre o assobio e o aplauso ao ritmo da bola que vai ao poste e entra, e a outra que se desencontrou no seu caminho.

 

E é assim que agora nos encontramos, neste fantástico final de época em que cada jogo é decisivo para que se possa fazer a festa ou o luto, o tudo ou o nada. Olhamos para o relvado, para os nossos, e em cada momento e movimento vemos um promessa de algo que está em busca e à espera de que a promessa se confirme num grito de vitória ansiada. Faltam poucos jogos, poucos minutos, e estamos tão perto que sentimos a ânsia de já ver ‘o tudo’ e ainda termos nas mãos ‘o nada’. Dizia Bill Shankly que o futebol era muito mais do que uma mera questão de vida ou morte. Olho para este final de época do nosso Benfica, sinto como todos nós o estamos a viver, e penso que o Bill Shankly tinha razão, mas ainda lhe faltou acrescentar que, além disso, é uma questão de sofrer na esperança de vencer. Mas, para saber isso, precisaria de viver o benfiquismo feito da esperança na vitória, mas assente na realidade de que nada ainda está ganho.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Abril e publicado na edição de 12/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 16:16 | link do post

Superior

Os vinte minutos de sofrimento eram perfeitamente dispensáveis. Carimbámos a passagem às meias-finais, conforme era desejável, mostrámos ser uma equipa superior ao Newcastle, e foi apenas o nosso desperdício e a oferta de um golo ao adversário que nos obrigaram a ter que passar por este período de sofrimento.

 

 

O onze escolhido apresentou apenas um avançado (Lima), apoiado pelo Gaitán, como Ola John e o Salvio nas alas. Na defesa a confirmação de que o André Almeida é o titular na Liga Europa. A primeira parte foi quase ideal para o Benfica. E foi 'quase' simplesmente porque faltou apenas o golo para a fazer ideal. Se alguém esperava uma entrada forte do Newcastle desde o apito inicial, ficou desiludido porque nada disso aconteceu. Foi o Benfica quem entrou melhor, e melhor se manteve até ao apito para o intervalo, controlando completamente o jogo, sem permitir que o Newcastle causasse qualquer perigo e construindo ainda jogadas suficientes para justificar chegar ao final da primeira parte em vantagem no marcador e com a eliminatória no bolso. O mote foi dado logo nos primeiros minutos, com um remate de calcanhar do Lima que foi defendido por instinto, e a partir daí foi mais do mesmo, sendo apenas de estranhar a pouca eficácia dos nossos jogadores na altura de finalizar. A oportunidade mais flagrante esteve nos pés do Gaitán, que assistido pelo Lima e sem o guarda-redes na baliza conseguiu rematar direito ao defesa que estava sobre a linha. Do lado do Newcastle, basta dizer que fez o primeiro remate no jogo (que foi praticamente um passe ao Artur) aos quarenta e dois minutos para se perceber o quão controlado o jogo estava.

 

 

Para a segunda parte o Newcastle lançou um segundo ponta-de-lança para o jogo, o que deixava antever uma aposta mais forte no ataque e num jogo mais directo, mas os primeiros minutos mostraram pouca diferença para a primeira parte. O Benfica continuava por cima no jogo, e mostrava estar mais perto de marcar, com remates do Ola John, Lima ou Gaitán. Com metade da segunda parte decorrida, o Newcastle apostou mais ainda no ataque e fez entrar o Ben Arfa, e a seguir à sua entrada pareceu-me que o Benfica ficou um pouco mais nervoso, revelando demasiada pressa em afastar a bola da sua área com chutos para a frente, em vez de privilegiar a posse de bola. O manager do Newcastle, Alan Pardew, tinha dito que já ficaria satisfeito se chegasse aos últimos vinte minutos ainda em posição de precisar de marcar dois golos para passar a eliminatória, e a verdade é que foi precisamente a vinte minutos do final que o Newcastle chegou ao golo, de uma forma algo inesperada. Num lance que estava perfeitamente controlado pelos nossos jogadores o Matic e o Garay hesitaram sobre quem jogaria a bola e quem se aproveitou disso foi o Ben Arfa sobre a linha de fundo, com a bola a seguir para o Ameobi e a acabar num cabeceamento do Cissé à boca da baliza. O golo despertou o 'monstro', e com o apoio do público de St.James' Park o Newcastle lançou-se na busca do golo que lhe daria a vantagem na eliminatória. Fê-lo com à custa de muito coração, e durante vinte minutos sofremos, mesmo que o Newcastle não tenha exactamente criado grandes ocasiões de golo. Para ser mais exacto, o sofrimento no jogo propriamente dito terá sido de cerca de dez minutos, nós adeptos é que sofremos durante todo o tempo em que o resultado esteve em 0-1. Isto porque à entrada para os dez minutos finais o Benfica pareceu recuperar a compostura e, aproveitando o balanceamento atacante do Newcastle, voltou a ameaçar marcar por várias vezes, o que acabou mesmo por conseguir já em período de descontos, com o Salvio a aproveitar da melhor maneira um cruzamento rasteiro do Rodrigo na esquerda e a matar a eliminatória.

 

 

Gostei do Enzo, do Salvio e do Gaitán neste jogo. O Rodrigo e o Cardozo entraram bem, e foram eles quem construiu a jogada do nosso golo. O Matic esteve um pouco abaixo daquilo a que nos tem habituado esta época.

 

Não tenho grande preferência pelo adversário das meias finais. Eventualmente, talvez gostasse de evitar uma viagem à Turquia, mas preocupar-nos-emos com isso quando a altura chegar. Agora é tempo de pensarmos no jogo com o Paços, para tentarmos carimbar a presença no Jamor.

por D`Arcy às 00:50 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 10.04.13

6 anos

 

Cumprem-se hoje seis anos que por aqui surgiu o primeiro post. A Tertúlia não nasceu nesse dia – a amizade e cumplicidade entre a maioria dos escribas já vinha de longe – mas o blogue apareceu nesta data, em 2007. Actualmente, cada vez com menos tempo – a vida muda e as prioridades também – mas sempre com a mesma paixão pelo nosso Benfica (essa continua prioritária), por cá vamos andando e andaremos.

por Pedro F. Ferreira às 16:10 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 08.04.13

Avassalador

Só podia haver um resultado neste jogo. Apenas o Benfica o quis ganhar, e a sua superioridade foi tão evidente que a única dúvida era saber por quanto tempo o Olhanense, que fez o primeiro remate à baliza aos oitenta e nove minutos, conseguiria suster o nosso ataque. Foi pouco mais do que uma parte, e mais por culpa do nosso desperdício do que por mérito da sua exibição.

 

 

Em nome de uma coisa chamada 'verdade desportiva' que alguns se apressaram a invocar agora (em Setembro a 'verdade desportiva' estava de férias ainda) o Benfica defrontou o Olhanense no habitual batatal do José Arcanjo com apenas uma surpresa no onze, já que o André Almeida foi chamado a ocupar o lugar do castigado Melgarejo na esquerda da defesa. Apesar das dúvidas, o Matic e o Salvio foram mesmo titulares e aparentemente não acusaram qualquer inferioridade física. Quanto ao jogo, nem sequer há muito a dizer. Foi uma superioridade avassaladora do Benfica sobre o Olhanense desde o primeiro minuto, com ataques constantes e com o Olhanense remetido ao seu meio campo e a dedicar-se exclusivamente à defesa. Por volta da meia hora de jogo pareceu-me que o Benfica perdeu alguma exuberância, como que para respirar e ganhar fôlego, para depois voltar a carregar nos minutos finais. Remates do adversário, nem um para amostra, e o Benfica só se pode queixar do desperdício dos seus jogadores (a eficácia do Lima, por exemplo, esteve abaixo daquilo que lhe é habitual) e do acerto do guarda-redes Bracali por não ter chegado já ao intervalo em vantagem.

 

 

Nada faria esperar alguma mudança no pendor do jogo na segunda parte, e foi isso que se verificou, com o Benfica a manter a pressão no ataque. Felizmente o golo surgiu cedo, com apenas sete minutos decorridos, e portanto ainda antes que algum eventual nervosismo pudesse surgir com o arrastar do nulo. O golo foi obra do Salvio, que progrediu com a bola pelo centro e à entrada da área desferiu um remate rasteiro que fez a bola entrar junto ao poste. Estava feito o mais difícil, e para quem tinha estado a ver o jogo até então, salvo a possibilidade de se dar algum fenómeno do tipo Jekyll and Hyde, não haveria quaisquer dúvidas que o jogo estava decidido. Apesar da reacção fortíssima do Olhanense (sim, porque a seguir ao nosso golo fizeram um remate para fora, e portanto isto para uma equipa que ainda não tinha rematado tem que ser considerado uma reacção fortíssima), dez minutos depois do primeiro golo o Matic, com um remate de primeira desferido novamente à entrada da área a aproveitar um cruzamento do Lima que foi desviado, fez o segundo golo e arrumou de vez com a questão. Isto permitiu ao Benfica, mesmo nunca deixando de ter o domínio absoluto no jogo, abrandar o ritmo, fazer substituições e gerir esforços para o compromisso que se segue.

 

 

Os dois jogadores que estavam em dúvida acabaram por ser dos melhores no jogo. O Salvio marcou o importante golo que desfez o nulo e desbaratou os planos de jogo do Olhanense, e o Matic esteve ao nível a que já nos habituou, somando a isso o golo da confirmação da vitória. O André Almeida cumpriu sem problemas na esquerda da defesa, apesar de ter tido como adversário directo o rápido Targino. Mas como o Olhanense foi inexistente no ataque, o André Almeida acabou por não ser muito posto à prova.

 

Está ultrapassada mais uma final. Os jogadores do Olhanense foram briosos e mesmo com ordenados em atraso deram o seu melhor para fazer frente ao Benfica, mas isso esteve longe de ser suficiente para nos deter. Provavelmente com este resultado terão dito adeus a um eventual prémio da parte de algum amigo do seu presidente. O lagartinho Hugo Miguel nada podia fazer hoje, a não ser que pegasse na bola e a metesse ele na nossa baliza. Na minha opinião, será nestas três jornadas (entre a 25ª e a 27ª) que o campeonato se decide. Se o Benfica não perder pontos nos próximos dois jogos - onde, tenho poucas dúvidas, será jogado tudo o que puder ser jogado em termos de nomeações e manobras de bastidores - acredito que o título já não nos escapará.

por D`Arcy às 00:18 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sexta-feira, 05.04.13

Normalidade

Sabemos que o nosso conceito de ‘normalidade’ mudou no momento em que o Benfica vence por 6-1 o Rio Ave, clube da primeira metade da tabela classificativa, e consideramos que é um resultado normal.

 

Foi com normalidade que ouvi consócios benfiquistas, no terceiro anel, dizer que esperavam na segunda parte do jogo outros tantos golos quantos os marcados na primeira parte (e assim aconteceu). Foi com normalidade que estava o resultado na meia-dúzia e as bancadas pediam “só mais um”. É com a mesma normalidade que nos apercebemos a meio do jogo de que acabáramos de ultrapassar a barreira dos cem golos marcados, nesta época, em competições oficiais. Dentro da mesma toada, aceitamos como normal termos em Lima o futebolista com mais golos marcados na época de estreia desde os tempos de Eusébio. Aceitamos como normal que neste jogo na Luz tenham estado mais espectadores do que no somatório de todos os outros jogos desta jornada. Chegar a esta normalidade foi e é um trabalho hercúleo.

 

No meio de toda esta normalidade, foi muito interessante observar a prudência com que todos nós, adeptos e profissionais, encaramos mais esta vitória que nos deixa mais perto de sermos campeões. A mesma prudência que nos leva a não entrar em euforias e a perceber que ao Benfica nada é oferecido e tudo é conquistado pelo trabalho árduo. Afinal, é com normalidade que percebemos que o arreganho da Académica se esgotou no jogo contra o Benfica e se transformou em docilidade no jogo contra o FCP. É com normalidade que nos preparamos para as xistremas, olegarices, proençadas ou o soaresdiasismos do costume. Estamos perto das meias-finais da Liga Europa, estamos perto da final da Taça de Portugal e estamos perto da vitória no Campeonato. É com normalidade que sabemos que estar perto não basta… é preciso ganhar, como sempre, contra tudo e contra todos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Abril e publicado na edição de 05/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 16:16 | link do post

Encaminhada

O Benfica conseguiu hoje emendar as consequências de uma má entrada no jogo, e assim conquistar uma importante vitória sobre o Newcastle, que deixa a eliminatória bem encaminhada.

 

 

Quatro alterações no onze mais habitual, com as ausências do Salvio, Maxi, Lima e Enzo, sendo os seus lugares ocupados, respectivamente, pelo Ola John, André Almeida, Rodrigo e André Gomes. A entrada no jogo, conforme referido, não foi nada boa. Ou então podemos ver as coisas por outro prisma e considerar que foi o Newcastle quem entrou melhor. Os ingleses entraram bem organizados, não mostravam particulares dificuldades em libertar-se da tentativa de pressão por parte do Benfica, e depois em contra-ataques rápidos, quase sempre conduzidos pelos flancos e envolvendo apenas dois ou três jogadores (Sissoko, Cissé e Gutiérrez ou Marveaux), ameaçavam causar perigo. O Benfica apenas ameaçou num remate do Gaitán aos dez minutos, que foi defendido à segunda pelo Krul, e quase na resposta o Newcastle chegou ao golo, numa jogada rápida e simples, que terminou com um cruzamento da direita para a finalização fácil do Cissé sobre a pequena área. O Benfica acordou um pouco com o golo, começou a tentar responder, mas foi por volta dos vinte e cinco minutos que se deu um momento decisivo no jogo. O Newcastle viu uma bola embater no poste, depois do remate do Cissé tabelar no Garay e o Artur ainda tocar na bola, e logo a seguir o Benfica empatou, numa recarga do Rodrigo a um primeiro remate do Cardozo que tinha sido defendido pelo Krul. O golo mudou completamente o jogo, com o Newcastle a remeter-se quase exclusivamente à defesa e o Benfica a assumir o controlo quase por completo. Dois minutos depois do empate, este poderia ter sido desfeito, mas duas excelentes defesas do Krul negaram o golo ao André Gomes e ao John, na recarga. Até ao intervalo pouco ou nada mudou, com o Benfica a mandar no jogo e a ameaçar o segundo e o Tim Krul a destacar-se como o melhor no Newcastle.

 

 

A entrada para a segunda parte poderia ter corrido mal, mas a sorte sorriu-nos mais uma vez quando o remate do Cissé, isolado em frente ao Artur depois de mais um contra-ataque rápido, foi novamente encontrar o poste. Durante todo o jogo o Newcastle não deve ter feito muito mais do que três remates à baliza. Um deu golo, e os outros dois terminaram no poste. Esta oportunidade logo aos dois minutos acabou também por ser o último sinal de vida que o Newcastle deu no ataque. Daqui até final só houve Benfica, que esteve sempre por cima do jogo, mesmo sem a intensidade da segunda metade da primeira parte. O Newcastle limitava-se a tentar acalmar o jogo e a queimar tempo sempre que possível. A meia hora do final trocámos o Rodrigo e o André Gomes pelo Lima e o Enzo e as substituições revelaram-se decisivas, pois após cinco minutos apenas em campo o Lima aproveitou da melhor maneira um mau atraso do pressionado Santon para ultrapassar o guarda-redes e marcar já de ângulo muito apertado. Continuou a atacar o Benfica e foi novamente recompensado pouco depois, com um penálti cometido pelo Taylor, que meteu o braço à bola após canto do Ola John - apesar do penálti ser evidente, para que fosse assinalado foi necessário que pela segunda vez na vida visse um árbitro de baliza ter utilidade (a primeira vez foi também na Luz, contra o Liverpool). O Cardozo marcou à primeira, o árbitro resolveu mandar repetir, e o Cardozo à segunda marcou ainda melhor. A perder por dois e com vinte minutos para jogar o Newcastle finalmente começou a revelar pressa e tentou marcar um segundo golo, mas até final foi sempre o Benfica a estar mais perto do quarto e nem por uma vez a nossa baliza passou por qualquer situação de maior aperto.

 

 

Num jogo em que não me pareceu haver grandes destaques individuais escolho o Gaitán como um dos melhores, mesmo que não tenha sido um dos seus jogos mais inspirados. Mas foi um dos jogadores com maior iniciativa no ataque, tendo tirado diversos cruzamentos pela esquerda, e merecia um golo. Do outro lado do campo, o Ola John pareceu-me ter um jogo bastante apagado, o que aliás parece acontecer com mais frequência quando tem que jogar na direita.

 

O jogo reforçou a ideia de que este Newcastle é uma equipa ao nosso alcance. Não deixa de ser perigosa, porque tem jogadores fortes e sobretudo o Cissé e o Sissoko podem causar estragos. Em Inglaterra, sobretudo se conseguir marcar primeiro, com o apoio do público podem fazer-nos passar por grandes dificuldades, mas acredito também que tendo que arriscar mais no ataque para recuperar da desvantagem de dois golos fiquem bastante expostos, e que o Benfica acabará por conseguir anular o golo fora.

por D`Arcy às 01:44 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Domingo, 31.03.13

Seis

Mais uma exemplar 'gestão de esforço' da parte do Benfica, em vésperas de uma compromisso europeu: entrar forte, marcar cedo, resolver o jogo e depois, mesmo num ritmo mais pausado, deixar que a qualidade dos seus jogadores acabe por fazer o resultado avolumar-se de forma natural.

 

 

Apesar das muitas dúvidas que foram levantadas durante a semana sobre a condição física de vários jogadores do Benfica, só mesmo o Cardozo é que começou o jogo no banco. Maxi, Melgarejo, Garay e Enzo fizeram parte do onze inicial, que diante de mais de 45.000 benfiquistas se empenhou para resolver o mais cedo possível mais uma etapa no caminho do título. Boa posse de bola, bastante agressividade na recuperação da mesma, com a pressão a ser efectuada em zonas muito altas, e grande dinâmica de jogo. O Rio Ave apareceu a jogar com três centrais, talvez para tentar controlar os dois avançados do Benfica, mas como quer o Lima, quer o Rodrigo não são propriamente jogadores para se fixarem na frente, a estratégia não surtiu grande efeito. Para além disso, isto retirou um jogador da zona do meio campo, o que permitiu maior liberdade ao Matic e ao Enzo, que a exploraram de forma eficaz. O primeiro golo apareceu logo aos onze minutos, com o Melgarejo a fuzilar a baliza após assistência do Gaitán, numa jogada que tirou o melhor partido de uma recuperação de bola numa saída do Rio Ave para o ataque. Foi o primeiro rematar do Benfica à baliza, e para manter a eficácia, aos quinze, o segundo remate deu também golo, desta vez num cabeceamento cruzado do Matic após canto marcado pelo Gaitán. Entre os dois golos, o Rio Ave tinha enviado uma bola ao ferro na marcação de um livre. Ao fim de vinte minutos de jogo, e com dois golos obtidos, o Benfica pareceu abrandar um pouco o ritmo, o que permitiu ao Rio Ave respirar um pouco e levar algum perigo à nossa baliza, quase sempre através de iniciativas do Bebé, que mostrou ser um jogador com uma qualidade bastante acima da média da sua equipa. Mas mesmo a um ritmo convenientemente mais pausado o Benfica nunca deixou de ter o controlo do jogo, e a cinco minutos do intervalo chegou ao terceiro golo numa jogada muito bonita, em que a bola circulou por vários jogadores até chegar ao Enzo que, na direita do ataque, fez um centro perfeito para a finalização do Lima.

 

 

Os três golos de vantagem ao intervalo já ditavam um jogo mais do que decidido, pese embora a vontade e atitude do Rio Ave durante todo o jogo, que nunca deixou de tentar atacar. Mas mesmo sabendo-se que o Benfica logicamente não iria forçar muito o andamento na segunda parte, esta atitude do Rio Ave conjugada com a eficácia que o Benfica mostrou esta noite faziam adivinhar que poderíamos assistir a mais golos. Não foi preciso esperar muito, pois logo nos minutos iniciais do segundo tempo o Lima aproveitou um desarme ao Rodrigo sobre o limite da área para, com um pontapé colocado, fazer o quarto do Benfica e o seu segundo da noite. Mesmo o golo de honra do Rio Ave, obtido praticamente na resposta e quase por acaso (pareceu-me mais um ressalto no jogador do Rio Ave do que um remate intencional), nada alterou o panorama do jogo. O Benfica continuava a controlar o jogo ao ritmo que mais lhe interessava, e o Rio Ave procurava responder, ainda e sempre pelo Bebé. O jogo foi-se tornando ainda mais fácil para o Benfica com as expulsões, por acumulação de amarelos, primeiro do Wires, a meia hora do final, e depois do Edimar, quando ainda havia dezoito minutos para jogar - o árbitro Rui Costa foi demasiado generoso na amostragem de cartões e num jogo que não pareceu ser particularmente violento (a excepção deve ter sido um lance sobre o Salvio na primeira parte, que não teve cartão nenhum) conseguiu mostrar uma dúzia. Estranhamente, a jogar em superioridade numérica o Benfica revelou menos eficácia e falhou oportunidades de golo que poderiam ter contribuído para um resultado ainda mais folgado. Marcámos ainda mais dois golos durante o último quarto de hora, o primeiro pelo Lima, que completou o hat trick aproveitando uma assistência (involuntária, pareceu-me) do Melgarejo, e o segundo a oito minutos do final, pelo Enzo, que com muita calma recolheu uma bola rematada ao poste pelo Ola John (grande jogada individual pela direita), evitou um defesa e fez o golo. A pior mancha no jogo veio mesmo sobre o final, quando o Melgarejo viu o segundo amarelo e foi expulso, o que era perfeitamente evitável.

 

 

O homem do jogo é evidentemente o Lima, graças ao hat trick que apontou. Esteve letal esta noite, aparecendo nos sítios certos para rematar com espontaneidade. Muito boa a exibição do Gaitán, que está a revelar ser o grande 'reforço' da nossa equipa nesta fase decisiva. Gostei muito da exibição do Melgarejo, apenas manchada pela referida expulsão, e para não variar a dupla do meio campo, Enzo e Matic, também esteve muito bem, com cada um dos jogadores a coroar a exibição com um golo.

 

Foram seis golos esta noite, faltam seis finais para que consigamos o grande objectivo da época. O Benfica é neste momento a melhor equipa do campeonato, e estamos a jogar com uma confiança que nos torna ainda mais fortes. Só dependemos de nós próprios, e agora é apenas uma questão de manter a atitude e continuar a fazer o que tão bem tem sido feito até agora.

por D`Arcy às 04:18 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Sexta-feira, 29.03.13

Prescrever

Prescrever é um verbo muito nosso, usado a preceito e abusado com mais rigor ainda. Prescrever está no ‘antes’ – no tempo do que é de regular, de estabelecer, de preceituar – e também no ‘depois’ – no tempo do que cessou de existir com o decorrer do tempo. Prescrever nunca é do tempo útil do agir.

 

Assim, no Portugal da bola e da Federação e da Liga e da Nau Catrineta e das verdades relativas, tudo se pré-escreve na lei e tudo, na mesma lei, se prescreveu. Só assim se compreende que os dirigentes do Boavista exijam que a mesma justiça que condenou o clube os ressacie agora, porque essa mesma justiça exerceu a atitude muito lusitana do ‘deixar prescrever’ com a mesma competência com que se exerce o ‘deixar andar’. Aliás, de uma deriva a outra e das duas deriva esta podre sensação de impunidade que transforma a justiça desportiva portuguesa numa anedota de prostíbulo rasca.

 

No mesmo âmbito, foi-nos comunicado que a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu arquivar um processo a um ex-dirigente do Sporting, por prescrição. Afinal, umas famosas imagens de alguém a depositar dinheiro na conta de um fiscal de linha não existem porque a realidade das mesmas prescreveu, deixou de existir. Da mesma forma, aquela célebre lista com informações pessoais sobre os árbitros, também não deve ter existido, ou, se existiu, deixou de o ser porque prescreveu. Ainda nesta semana, o Sr. Costa recebeu um prémio da Associação de Futebol do Porto. Algures no tempo deve ter prescrito uma realidade chamada Apito Dourado. Porque isto de prescrever acontece sempre em desencontro com o tempo da Justiça é que o Torga dizia que “a História é morosa e nunca chega a tempo. Mesmo quando condena, é sempre fora de horas, depois dos crimes prescritos, numa altura em que já nenhum dos culpados pode cumprir a penitência.”

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Março e publicado na edição de 29/03/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:55 | link do post
Quinta-feira, 28.03.13

Entre a destituição, a dissolução e a insolvência

Há pessoas que nasceram para administrar.

 

Nome Completo: Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho

 

Registo Empresarial:

 

- GLOBAL TRUST - CONTABILIDADE E SERVIÇOS DE GESTÃO, LDA (508039827) - Dissolvida

- BRILHANTE PLATEIA, LDA (509021611) - Constituída em 09/2011 e encerrada em 12/2011.

- POLIBUILD - CONSTRUÇÃO CIVIL, LDA (505441470) - Foi destituído da gerência em 2010/01/18

- SOLUÇÕES ATELIER - CARPINTARIA MECÂNICA E REMODELAÇÕES GLOBAIS, LDA (504821563) - Insolvência

- FULL BALANCE - CLÍNICA DE SAÚDE E BEM ESTAR, LDA (508039819) - Dissolvida administrativamente

- BRUNO CARVALHO II, REVESTIMENTOS, SOLUÇÕES DE INTERIOR E REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS, LDA (508090261) - Dissolvida (não aparece no site das publicações) Coincidência por nome de Liquidatário Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho - Lisboa

- SOCCER FANS - ACADEMIA DE FUTEBOL, UNIPESSOAL, LDA (508904897) - Dissolvida Coincidência por nome de Sócio-Gerente Bruno Miguel Azevedo Gaspar de Carvalho

- SOLUÇÕES ATELIER - SOLUÇÕES DE INTERIOR E REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS, LDA (508837073) - Em funcionamento! Capital Social: 5.000,00 Euros

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no condomínio:

 

por Anátema Device às 18:40 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sexta-feira, 22.03.13

A opinião e a realidade

Minutos antes de começar o jogo entre o Bordéus e o Benfica, na SICN, uma dupla de comentadores (Rui Santos e Ribeiro Cristóvão) entretinha-se a imaginar debilidades no plantel do Benfica. Jogar com a dupla de centrais Roderick e Jardel foi o ponto de partida para garantir profecias de desgraça que, mais do que opiniões, pareciam desejos de catástrofe. Um deles, o menos afoito na crítica, ouviu o parceiro de comentários dizer que o jogo que se seguiria confirmaria a sua agoirenta tese. Tudo isto alicerçado num chorrilho de superficialidades e lugares comuns debitados com a presunção e a ousadia da ignorância.

 

No final do jogo, e perante aquele aborrecimento de ver a realidade desmentir a fábula produzida na lucubração do pré-jogo, um deles, o que tem menos tempo de carreira e mais tempo de antena, apressou-se a dizer que, apesar da vitória do Benfica em Bordéus, a sua tese vingaria, sem dúvidas, no próximo jogo contra o Guimarães. E assim, entre a birrinha por ter sido desmentido pela realidade e a certeza de que a sua razão apenas fora adiada uns dias, lá se despediu o mais encarapinhado dos dois comentadores de serviço.

 

Para azar do dito cidadão, coube-lhe ter de comentar em directo a vitória do Benfica, por quatro golos, em Guimarães. Mais uma vez, a realidade ultrapassara o douto vaticínio da criatura. Onde menos de setenta e duas horas antes vaticinara pecados quase via agora virtudes e acabou por desdizer o que dissera como se nunca o tivesse dito. Fê-lo com a mesma convicção, o mesmo sorriso, a mesma ausência de contraditório e com o mesmo respeito pelo código deontológico que, óbvia e semanalmente, exibe.

 

Alheio a estas piruetas, o plantel do nosso Benfica segue em primeiro lugar no campeonato, preparando-se para enfrentar um outro plantel equilibradíssimo e recheado de Olegários, Xistras e Proenças. Atentos, à espera e à espreita, estão os do costume, os que aproveitam o tempo extra do jogo para poderem espetar a faca que vão, semanalmente, afiando, entre sorrisos e desejos mascarados de opiniões.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Março e publicado na edição de 22/03/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Terça-feira, 19.03.13

O homem que engoliu uma tia

O isento Luís Freitas Lobo é o "homem para o futebol" da lista de Bruno de Carvalho. Mais um motivo para torcer pelo homem que parece ter engolido uma tia.

por Pedro F. Ferreira às 20:50 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Segunda-feira, 18.03.13

Vantagem

Está feito. O Benfica não tremeu numa jornada decisiva, goleou em Guimarães, e aproveitou da melhor maneira o deslize do rival mais directo na luta pelo título. Esta época parece que não somos nós quem mais treme nas alturas decisivas.

 

 

O regresso do Garay no onze aumentou muito a minha confiança para o jogo. Com a motivação extra do empate no jogo da Madeira, era uma oportunidade que o Benfica não poderia desperdiçar. O Benfica entrou bem no jogo, mas a primeira parte até foi algo complicada, com o Guimarães a dar boa réplica durante os primeiros minutos de jogo, conseguindo responder às iniciativas do Benfica e mantendo em aberto a expectativa quanto ao resultado. Esta toada de algum equilíbrio manteve-se durante cerca de vinte minutos, mas entretanto viu-se o Jardel falhar um golo de forma algo clamorosa, quando cabeceou ao lado da baliza uma bola cruzada pelo Salvio, e esse lance deu o mote para um período melhor do Benfica. A superioridade do Benfica começou a evidenciar-se, ganhámos a luta do meio campo e tomámos conta do jogo. A proximidade à baliza do Guimarães tornou-se mais constante, e a consequência acabou por ser mesmo o golo do Benfica. Foi na marcação de um penálti, um lance que começou com o Gaitán a marcar rapidamente um livre e a isolar o Lima, que depois sofreu falta de um defesa quando já tinha ultrapassado o guarda-redes. Na altura da marcação o Cardozo, ao contrário do ponta-de-lança do nosso rival, não tremeu, enviou a bola para um lado e o guarda-redes para o outro, e deu-nos a merecida vantagem no marcador, com trinta e sete minutos decorridos. O golo pareceu afectar o Guimarães, o que nos permitiu mantermo-nos por cima no jogo até ao intervalo.

 

 

A superioridade do Benfica manteve-se na reentrada para a segunda parte, e ao fim de um quarto de hora essa superioridade ficou ainda mais definitivamente vincada, pois o Guimarães ficou reduzido a dez devido ao segundo amarelo mostrado ao Kanu, e o Benfica aumentou para dois a zero logo de seguida. Novamente o Gaitán no lance, a fazer o cruzamento da esquerda para uma finalização de classe do Garay, que fez o chapéu ao guarda-redes do Guimarães. Este golo atirou o Guimarães ao tapete, e com meia hora ainda para jogar, era previsível que o Benfica pudesse construir um resultado ainda mais dilatado, o que veio mesmo a acontecer. Apenas por uma vez o Guimarães chegou com perigo à nossa baliza, enquanto que da parte do Benfica os lances de perigo iam-se sucedendo, até que o terceiro golo aconteceu mesmo, aos oitenta e dois minutos, marcado pelo Salvio. O argentino já tinha estado perto do golo antes, e desta vez, isolado, ultrapassou o guarda-redes e marcou sem dificuldade. Para final de festa, o quarto golo na última jogada do encontro, pelo Rodrigo, que aproveitou uma defesa incompleta do guarda-redes do Guimarães após um cruzamento do Maxi.

 

 

Gostei de toda a equipa em geral. Mais uma vez pareceu mostrar uma boa condição física, não se notando consequências do jogo em Bordéus (houve quatro mudanças no onze inicial em relação a esse jogo). Tal como em França, gostei do jogo do Gaitán. Muito activo, esteve nas jogadas dos dois primeiros golos, e são muito boas notícias que ele tenha 'reaparecido' para a fase decisiva da época. O regresso do Garay à defesa foi também muito importante, e foi assinalado com um bom golo. Para mim é o melhor defesa a jogar em Portugal, e um jogador que eu espero sinceramente que consigamos manter no clube.

 

Só dependemos de nós próprios para ser campeões, e depois desta jornada já só há uma equipa que pode afirmar isso. Os quatro pontos de vantagem são uma barreira psicológica importante, porque retirou ao nosso adversário a possibilidade de se refugiar no conforto de saber que nos recebe em sua casa na penúltima jornada. Conforme escrevi no início, até agora nos momentos decisivos foram eles quem tremeu. Com esta pressão adicional, até pode ser que continuem a tremer. Nós só temos que continuar a trabalhar com a mesma concentração e humildade demonstradas até agora. A vantagem, neste momento, é toda nossa.

por D`Arcy às 00:28 | link do post | comentar | ver comentários (35)
Sexta-feira, 15.03.13

À nossa maneira

No início do romance “Anna Karénina”, Tolstoi escreveu as famosas palavras “Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”.

 

No nosso caso, conseguimos também ser felizes à nossa maneira. Conseguimos entrar na quarta dezena de jogos da época com apenas dois desaires e, ainda assim, num jogo em que vencemos a contar para uma competição europeia, ouvir umas valentes assobiadelas dedicadas à nossa galharda equipa. É uma particular forma de ser feliz, bastante diferente de todas as outras. Somos muitos e nessa multiplicidade está a força e a fraqueza do Clube, mas somo-lo inteiramente, de forma sentida e genuína. Por vezes, (infelizmente, tantas vezes nas últimas décadas) também somos infelizes à nossa maneira. Por exemplo, onde uns fizeram rebentar petardos debaixo do carro de treinadores, nós mostrámos lenços brancos. Nesses momentos, lembro-me que a mão abana um lenço branco que, por sua vez, já enxugou lágrimas. No caso, como o presente, em que os lenços são substituídos pelos assobios, tenho de fazer um esforço e, perante a minha estupefacção acerca do assobio fora de tempo e modo, tentar lembrar-me de que os lábios que assobiam são os mesmos que gritarão pelo Benfica na próxima ocasião. É a nossa peculiar maneira de ser feliz ou infeliz de acordo com as tais emoções que a razão não compreende. É esta forma genuína de festejar, protestar, louvar e perdoar que acaba por fazer de nós uma família única e irrepetível na linguagem dos nossos sentimentos. É muito assim, a nossa plural linguagem do benfiquismo. É uma linguagem de cântico, esperança, bastante lirismo e, quando é necessário, de luta ou revolta.

 

Por vezes, tem também de ser uma linguagem de perdão e compreensão em nome da união. Seja para perdoar aos adeptos que assobiam fora de tempo, seja para perdoar aos profissionais que voltam as costas e recusam o aplauso aos milhares que os aplaudiram.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 12 de Março e publicado na edição de 15/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post

Classe

Parece que o Bordéus ia em dez vitórias consecutivas em casa, em jogos europeus. É natural; ainda não tinha jogado contra o Benfica. Com concentração, personalidade, empenho e pinceladas de classe, o Benfica conquistou a vitória em Bordéus, deu uma grande alegria à maré vermelha que o apoiou em França, e passou aos quartos-de-final com relativa tranquilidade - mas apesar da passagem na eliminatória nunca ter chegado a estar em causa, o jogo em si foi muito pouco tranquilo.


 

Até nem foram muitas as supostas poupanças neste jogo. Dada a ausência da dupla de centrais titular, a escolha recaiu, sem surpresa, no Jardel e no Roderick. É verdade que o André Almeida jogou no lugar do Maxi, mas tal como já tinha escrito na eliminatória com o Leverkusen, o André Almeida tem sido, na prática, o lateral direito titular na Liga Europa. Na frente de ataque jogou o Rodrigo, apoiado mais de perto pelo Gaitán, com muita liberdade de movimentos. O Bordéus entrou forte, conforme esperado, mas após alguns sobressaltos durante o primeiro quarto de hora, resolvidos pelo Artur, o Benfica conseguiu acalmar o jogo e começar a jogar o seu futebol. Com o Gaitán muito activo, inclusivamente a auxiliar na recuperação da bola, o Benfica começava a dar sinais positivos nas saídas rápidas para o ataque, e a criar situações perigosas também. Na melhor de todas colocou o Salvio isolado, mas o remate foi defendido pelo Carrasso. Só que o guarda-redes francês já não esteve tão bem à meia hora de jogo, quando numa saída disparatada a punhos num canto acabou por permitir ao Jardel um cabeceamento para a baliza vazia, que aumentou a vantagem do Benfica na eliminatória para um nível que parecia ser inalcançável para o Bordéus. Os franceses acusaram o golpe, e foi sem grande dificuldade que o Benfica geriu o jogo até ao intervalo.

 

 

Voltou o Bordéus para a segunda parte com nova alma, correndo muito e tentando obter algum golo que pudesse lançar uma ínfima esperança na discussão da eliminatória. O Benfica nunca passou por grandes apertos, é verdade, mas o jogo não foi propriamente o ideal para fazer grande gestão de esforço. É que o Bordéus, sem nunca ter estado sequer perto de poder evitar a eliminação, e mesmo em momentos em que tudo parecia estar mais do que decidido, numa demonstração de brio nunca virou a cara à luta e os seus jogadores correram até ao último segundo, disputando cada bola. Talvez tenha sido para defender o referido registo vitorioso na Europa, ou para responder às críticas do presidente, o que é certo é que isto obrigou também os nossos jogadores a correr bastante e a esforçarem-se para ganhar este jogo - a parte positiva é que se, supostamente, a equipa do Benfica está em défice físico, então eu não notei nada disso neste jogo. Durante a segunda parte, aliás, apesar do esforço dos jogadores do Bordéus, fiquei sempre com a sensação de que seria muito provável o Benfica voltar a marcar, pois o Bordéus ia descuidando cada vez mais a defesa e sujeitava-se aos nossos contra-ataques. Quando faltavam pouco mais de vinte minutos para o final o Benfica trocou de avançados, e entrou o Cardozo, que acabou por se revelar absolutamente decisivo. O Bordéus, de forma um pouco inesperada, conseguiu chegar ao golo do empate quando ainda faltavam quinze minutos para o final, num lance em que o Diabaté aproveitou um corte defeituoso do Jardel, mas nem teve tempo para festejar, porque no lance seguinte o Gaitán fez uma óptima assistência para o Cardozo, que com toda a calma evitou o defesa e sentou o guarda-redes, para depois voltar a colocar o Benfica em vantagem. A eliminatória estava mais do que resolvida, e o que me interessava agora era mesmo vencer o jogo. Mesmo a finalizar os noventa minutos parecia que não iríamos consegui-lo, porque o Jardel desta vez marcou na baliza errada quando tentava aliviar uma bola defendida pelo Artur para a frente, mas no período de descontos o Cardozo voltou a entrar em cena e aproveitou uma bola longa para, mais uma vez com classe, sentar o defesa e colocar a bola rasteira fora do alcance do guarda-redes.

 

 

Inevitavelmente o Cardozo é o homem do jogo. Jogou apenas vinte e cinco minutos, mas fez dois golos com finalizações de grande classe que nos garantiram a vitória. Gostei bastante do Gaitán, nosso capitão esta noite. Esteve muito activo durante todo o jogo, e ao contrário do que muitas vezes é habitual, trabalhou bastante no auxílio às tarefas defensivas. Fez ainda o passe para o nosso segundo golo - hoje a braçadeira assentou-lhe muito bem. O Matic foi enorme no meio campo, bem ajudado pelo Pérez. O Roderick cumpriu sem comprometer, e até acabou por ser o Jardel a ficar mais directamente ligado aos golos do adversário.

 

Com toda a naturalidade, estamos nos quartos-de-final da Liga Europa. Desde que o Jorge Jesus é treinador, esta fase das competições europeias tem sido o mínimo todas as épocas (quartos-de-final da Liga Europa em 2009/10, meias da mesma competição em 2010/11, quartos da Champions em 2011/12). O campeonato terá que continuar a ser a grande prioridade, mas depois de tantas presenças seguidas nestas fases, não custa muito ambicionar a chegar um pouco mais longe.

por D`Arcy às 00:12 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Segunda-feira, 11.03.13

Perfeito

Marcar cedo, resolver o jogo, e depois baixar o ritmo e gerir o resultado é o tipo de gestão de esforço ideal, e o que mais me agrada. Foi o que o Benfica conseguiu fazer hoje, num jogo que fica sobretudo marcado pela eficácia da nossa equipa, e também por uma dose de alguma felicidade.

 

 

Apenas uma alteração no onze mais habitual do Benfica, onde o Jardel surgiu no lugar do Luisão. Depois de nos ter trocado as voltas na escolha de campo, o Gil Vicente até entrou bem no jogo, mas da parte do Benfica deu para ver desde o início pouca passividade e mais vontade de pressionar mais alto e jogar a um ritmo bem mais elevado do que aquele que empregámos nos últimos jogos. Foi do Gil Vicente o primeiro remate perigoso, que obrigou o Artur a uma defesa apertada, mas o Benfica chegou ao primeiro golo na resposta a este lance. Depois de um passe fantástico do Pérez a solicitar a entrada do Maxi pela direita, o cruzamento rasteiro do nosso capitão esta noite tabelou num adversário e acabou por trair o guarda-redes do Gil. Marcar cedo (o golo aconteceu aos onze minutos) era importante, mas desta vez não houve um imediato abrandamento da parte do Benfica. Pelo contrário, a seguir ao golo o Benfica continuou a marcar em intervalos de onze minutos, fez mais dois golos e praticamente arrumou de vez com a questão. Primeiro pelo Salvio, aos vinte e dois minutos, numa iniciativa individual em que furou pela direita e rematou de pé esquerdo para o poste mais distante, e depois pelo Melgarejo, aos trinta e três, numa finalização muito boa, em de um ângulo muito apertado conseguiu picar a bola sobre o guarda-redes e o carrinho feito pelo defesa. Com pouco mais de meia hora jogada, o Benfica tinha já resolvido o jogo com bastante tranquilidade e sem necessitar de grandes correrias.

 

 

Para a segunda parte, o Benfica veio naturalmente mais preocupado com a gestão de esforço, e baixou claramente a pressão, mantendo no entanto sempre a intenção de efectuar saídas rápidas para o ataque sempre que conseguia recuperar a bola. As coisas podiam ter ficado um pouco mais animadas logo nos primeiros minutos com um golo do Gil Vicente, mas a sorte bafejou-nos e o bonito remate colocado do Luís Martins levou a bola a embater na trave da baliza quando o Artur já nada podia fazer. Com o jogo a disputar-se num ritmo convenientemente lento, sempre que o Benfica metia um pouco mais de velocidade na saída para o ataque deixava antever que o resultado poderia avolumar-se. O Lima deixou uma primeira ameaça, num remate que passou perto, e depois marcou mesmo, numa finalização fácil após um centro do Ola John vindo da esquerda. O Gil Vicente até tinha entrado na segunda parte com empenho na procura de um golo que permitisse relançar um pouco o jogo, mas este quarto golo do Benfica pareceu matar-lhes de vez o ânimo, e ainda com vinte e cinco minutos por jogar até ao final a única dúvida que restava era saber se o Benfica ainda conseguiria marcar mais golos. Geriu-se mais algum esforço com a troca do Ola John e do Pérez pelo Aimar e o Gaitán, o Lima quase que marcou outra vez, o Cardozo falhou um golo que parecia quase certo, e foi mesmo para fechar da melhor forma que o Benfica fez o quinto. Foi numa jogada em que o Aimar rouba a bola a um adversário ainda no nosso meio campo, leva-a para a frente e solta-a no momento certo para a desmarcação do Salvio na direita, que depois centrou rasteiro para a finalização do Gaitán. Simples, bonito, e eficaz.

 

 

Matic e Garay dois dos melhores. Com o sérvio em campo o Benfica joga vários metros mais adiantada e consegue pressionar o adversário muito mais cedo. E depois tem ainda muita qualidade a distribuir jogo nas saídas para o ataque, ou até mesmo a organizar ele os ataques. O Garay esteve intransponível, como de costume. Gostei também do Pérez, para não variar. O Salvio e o Maxi estiveram bem no lado direito, e o Ola John, apesar de se ter escondido muito do jogo, saiu do campo com duas assistências feitas.

 

Foi uma vitória robusta, moralizadora, obtida de forma simples e aparentemente sem exigir demasiado esforço. O jogo perfeito, portanto.

por D`Arcy às 00:29 | link do post | comentar | ver comentários (37)
Sexta-feira, 08.03.13

Brandos costumes

Na semana passada, o autocarro que transportava os profissionais seniores do futebol do Benfica saiu de Braga debaixo do arremesso de calhoada perpetrado por um grupelho de cobardes. Não sei se aquele grupelho é uma cópia dos originais e inspiradores ou se são os originais que se fizeram passar pela cópia. Seja como for, a cobardia não tem rosto nem cor, porque é semelhante em todo o lado. Para reflexão futura fica a informação de que o nosso futebolista Salvio costuma ser convocado para mais de 95% dos jogos do Benfica. Por um mero acaso, não fora convocado para esse jogo com o Braga. Os pedregulhos que entraram pelo autocarro atingiram exactamente o lugar que, nessa viagem, ficara vago pela ausência de Salvio. Entre um golpe de sorte e o lamento de uma morte vai uma distância tão curta como a que vai do crime à impunidade.

 

 ‘Mutatis mutandis’, quase dois meses depois de as imagens televisivas terem mostrado o guarda-redes de hóquei em patins do FCP, Edo Bosch, a agredir um adepto benfiquista, a Federação Portuguesa de Patinagem deliberou um castigo de três (3!) joguitos de suspensão para o guarda-redes. No enquadramento dos regulamentos da dita competição prevê-se um castigo de quatro a seis jogos para as tentativas de agressão e seis a doze jogos para a agressão consumada. O castigo de três jogos deve estar enquadrado naquela parte oculta dos regulamentos que se ocupa das decisões em que subsiste a dúvida se estamos perante uma agressão ou uma tentativa de agressão da Justiça.

 

Num âmbito completamente diferente, os dirigentes do Fafe acusam dirigentes, treinador e adeptos do Boavista de terem agredido, no acesso aos balneários, os atletas do Fafe. Como reacção, o mundo do futebol optou pelo silêncio. O resultado de tudo isto acaba por ser o mesmo e esta indiferença perante o crime amesquinha qualquer possibilidade de esperança futura. Os que dirigem o desporto em Portugal maceram, propositadamente e sem remorsos, os valores que juraram servir.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Março e publicado na edição de 08/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post

Aforismo

"Assobiar um jogador do Benfica é pior do que cuspir na sopa."

Leonor Pinhão, citando o preceito moral que lhe foi legado pelo avô.
por Anátema Device às 10:50 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quinta-feira, 07.03.13

Resultado

Num jogo de qualidade muito baixa, ao menos no final pudemos sorrir com o mais importante: o resultado, já que o Benfica, apresentando uma equipa com várias alterações, conseguiu vencer o Bordéus pela margem mínima, tendo ainda evitado sofrer golos, o que é sempre um factor a não menosprezar nas competições da UEFA.

 

 

Muitas poupanças mais uma vez, com o André Almeida (já quase que se pode considerar que é o lateral direito titular na UEFA), Roderick, Carlos Martins, Gaitán e Rodrigo no onze inicial, o que permitiu deixar descansar outros tantos jogadores. Sobre o jogo, não posso alongar-me muito, porque conforme referi no primeiro parágrafo, a qualidade foi muito má. Da parte das duas equipas. O Benfica jogou bem menos do que aquilo que sabemos ser capaz, e o Bordéus mostrou muito poucos argumentos. O resultado disso foi um jogo em que se calhar os dedos de uma mão chegam para contar as jogadas com princípio, meio e fim que conseguiram ser construídas pelas duas equipas. O futebol foi quase sempre aos repelões, jogado a um ritmo extremamente baixo, os passes disparatados foram de uma quantidade absurda, e as más decisões tomadas pelos jogadores uma constante. A opção pelo Roderick na posição à frente da defesa mostrou que não passa mesmo de uma opção de recurso, pois ele ocupa aquela zona do terreno, mas obviamente não consegue fazer a posição de forma minimamente semelhante ao Matic, pelo que a equipa perde bastantes metros no posicionamento em campo. Ganhou o Benfica o jogo porque, num momento de maior inspiração do Rodrigo, saiu um pontapé de fora da área que, com a colaboração entre a barra e as costas do guarda-redes, acabou por fazer a bola parar dentro da baliza francesa.

 

 

A segunda parte nem sequer foi mais do mesmo, porque conseguiu ser ainda mais mal jogada do que a primeira. Mesmo as alterações feitas na equipa, que lançaram o Lima, Pérez e Salvio no jogo, pouco ou nada conseguiram mudar. O Benfica teve talvez duas jogadas de perigo, uma que foi bem construída e que terminou num remate do Cardozo para defesa mais apertada do guarda-redes, e outra uma incursão do Melgarejo pela esquerda que depois foi mal finalizada, com algo que acabou por ficar a meio caminho entre o remate e o cruzamento para dois colegas que estavam mais bem colocados. Perto do final o Bordéus também dispôs de um lance de relativo perigo, em que o Artur foi obrigado a aplicar-se para defender o remate cruzado do jogador francês. A exibição do Benfica foi má - aliás, o jogo todo em si foi bastante mau - mas é sempre desagradável estar no estádio e ouvir a equipa a ser assobiada durante o jogo. E isto começou muito cedo, porque antes dos dez minutos já os assobiadores profissionais estavam no seu labor. Os jogadores claramente sentiram-no, mas também me desagradou a atitude do Luisão no final, que chamou imediatamente a equipa para sair do campo sem sequer agradecer aos adeptos, o que é algo que quase nunca vejo acontecer na Luz. Se é verdade que houve assobios, também houve muitos que apoiaram a equipa e certamente não mereciam isso.

 

 

Os mais certinhos da nossa equipa acabaram por ser os dois centrais, que mantiveram a serenidade e evitaram males maiores para a nossa equipa. De resto, a mediania foi geral, mas o Gaitán destacou-se pela negativa no capítulo do passe, porque não creio que alguma vez o tenha visto fazer tantos maus passes num jogo.

 

Repetindo-me: o mais importante foi o resultado. A vitória, ainda que pela margem mínima, sem sofrer golos deverá ser suficiente para nos permitir discutir a passagem aos quartos sem muitos sobressaltos, a não ser que no espaço de uma semana o Bordéus sofra uma transfiguração surpreendente e mostre algo que eu nunca vi durante este jogo (nem sequer no jogo contra o Dínamo Kiev, a que eu também assisti). A exibição do Benfica é naturalmente preocupante, porque esteve muito abaixo daquilo a que esta equipa nos habituou. Espero que no Domingo, contra o Gil Vicente, consigamos dar uma imagem mais positiva, que permita aos adeptos encarar esta fase decisiva da época com confiança acrescida - a maré vermelha também depende, e muito, disso.

por D`Arcy às 23:51 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Domingo, 03.03.13

Obrigação

Cumpriu-se o objectivo e trouxemos os três pontos de casa do último classificado, três pontos esses que nos permitem agora estar isolados no primeiro lugar da classificação. Mas foi um jogo de muito mais sofrimento do que seria expectável, em que o Benfica decidiu abrandar demasiado cedo.

 

 

A entrada do Benfica no jogo foi entusiasmante. Num jogo em que a vitória oferecia a liderança isolada, entrámos em jogo a mostrar que o objectivo era para ser alcançado de forma decisiva e o mais depressa possível. Praticamente na primeira jogada de ataque o Lima dispôs de uma oportunidade flagrante de golo, mas atirou por cima. A superioridade do Benfica durante os primeiros minutos foi clara, e procurámos o golo com empenho, tendo o esforço sido recompensado ao fim de um quarto de hora, com um penálti convertido pelo Cardozo - a castigar uma mão do Hugo após cabeceamento do mesmo Cardozo. Em vantagem no marcador, o Benfica abrandou um pouco o ritmo, sem deixar no entanto de ter o jogo sob controlo. O problema é que na próxima quinta-feira temos um jogo para a Liga Europa. E talvez por isso, a partir da meia hora de jogo, a 'gestão' do jogo tornou-se quase ficar a ver o adversário jogar. Por mais que eu ouça dizer que não há poupanças no campeonato, porque este é o principal objectivo, acabo sempre com a sensação de que na cabeça dos jogadores os jogos europeus estão sempre presentes. O Benfica pouco ou nada produziu em termos atacantes até ao intervalo, enquanto que o Beira Mar cresceu no jogo e começou a ameaçar a baliza do Benfica.

 

 

Se o final da primeira parte já não tinha sido brilhante, a segunda parte foi ainda pior. O Benfica efectivamente decidiu que não queria assumir as despesas do jogo, encostou o Pérez ao lado do Matic, e remeteu-se ao seu meio campo, deixando que o Beira Mar tivesse mais bola para depois eventualmente explorar algum contra-ataque. Se olharmos para o resultado final, que foi a desejada vitória, poderemos considerar que a estratégia surtiu efeito. Mas as coisas podiam perfeitamente não ter acabado assim. O Beira Mar foi mais rematador e até dispôs de algumas situações em que poderia ter marcado, não o fazendo quase mais por falta de jeito dos seus jogadores do que por mérito dos nossos - embora o Artur tenha, já perto do final, negado o golo ao Beira Mar com uma defesa por instinto. No ataque, o Benfica teve duas oportunidades dignas desse nome para colocar um fim no nosso sofrimento, nos pés do Cardozo e do Lima, mas de resto pouco mais conseguiu produzir, fruto de passes falhados e perdas de bola em demasia para aquilo que lhe é habitual. O Beira Mar, esse, surpreendeu-me por me ter parecido que conseguiu correr mais neste jogo do que nas vinte jornadas anteriores. Deve ser a motivação extra de jogar contra o Benfica, ou o encorajamento da parte do antibenfiquista assumido que têm como novo treinador.

 

 

Não consigo mesmo destacar um jogador na nossa equipa. Acho que estive demasiado nervoso a ver o jogo e a certa altura parecia que todos eles me conseguiam irritar com o que faziam em campo.

 

A obrigação era vencer este jogo. Com maior ou menor dificuldade (neste caso, com muito maior do que esperaria) conseguimo-lo. Apesar do menor fulgor e do jogo menos conseguido, o importante são os três pontos, e estes também contam para nos ajudar a ser campeões. Estamos agora isolados no primeiro lugar, posição que espero não larguemos mais nas nove jornadas que restam.

por D`Arcy às 22:58 | link do post | comentar | ver comentários (42)
Sexta-feira, 01.03.13

Assim vai a glória do mundo

O mundo do dirigismo do futebol português é certamente o universo em que a opinião publicada tem menos influência. Tolera-se a palavra legislada, atura-se, com impaciência indisfarçada, quem tem a incómoda voz publicada e despreza-se, com altivez, a opinião pública.

 

Se, por exemplo, são apanhados dirigentes em conluios de concubinas e árbitros? Não há problema. Mão amiga resgatará da ignomínia os dirigentes apanhados em flagrante, conduzi-los-á em ambiente festivo e de charanga até à casa da democracia e, em plenos ‘passos perdidos’, achar-se-á a ocasião de proclamar o pária como homem honrado e prezado. Se, ainda assim, alguém desconfiar da pantomima, repete-se o corso e arranja-se uma condecoração, uma comenda ou outra qualquer barra de sabão e água benta.

 

A receita é infalível e serve para várias maleitas para além da supracitada. Serve para atirar para o esquecimento o dirigente que manda depositar dinheiro na conta do fiscal de linha. Serve para que famílias “dinásticas” se sirvam de um clube, atirem o clube para a ignomínia, fujam do clube e regressem em ombros a esse mesmo clube. Serve para que se assista ao triste espectáculo de ver dirigentes desportivos e políticos atirarem de mão em mão, como se de uma péla de brincar se tratasse, as responsabilidades pela ausência de policiamento em jogos de futebol que se transformam em demonstrações de violência gratuita pelas bancadas. Servirá brevemente para que alguém assobie para o ar perante a iminente ausência de qualquer controlo antidoping nos jogos dos campeonatos profissionais de futebol.

 

Perante isto, a opinião pública estranha, a opinião publicada protesta, a lei não é para ali chamada e o público que continue a pagar, semanalmente, o bilhete para assistir à farsa.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 26 de Fevereiro e publicado na edição de 01/03/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Quinta-feira, 28.02.13

Prenda

 

Simplesmente excelente, e uma óptima prenda de aniversário. É o que se pode chamar de um tiro no porta-aviões oliveiresco.

por D`Arcy às 16:20 | link do post | comentar | ver comentários (39)

Acerca de um luto anunciado

No Dragão, há um par de anos, foi um calhau a entrar no autocarro do Benfica e a passar a poucos centímetros do Aimar. Por pura sorte não ocorreu uma fatalidade que ainda hoje se lamentaria.

 

As práticas do famigerado guarda Abel, incentivado pela direcção do seu clube, foram copiadas pela nova ‘cultura’ do clube de Braga. Cultiva-se a linguagem belicista e incentiva-se a intimidação do adversário pela demonstração da violência cobarde. Recentemente, a nova cultura dos da “Pedreira” investiu cobardemente contra os adeptos do Paços de Ferreira, expulsando-os da bancada. A tutela do futebol abanou a cabeça em sinal de reprovação e… nada mais. Ainda mais recentemente, protagonizaram, juntamente com os de Guimarães, um triste e decadente espectáculo de violência nas bancadas. Pelo meio destes acontecimentos, ainda foram notícia por obrigaram os atletas e treinador do seu próprio clube a refugiarem-se, barricados, nos balneários, para se protegerem dos que cobardemente, em grupo, se consideram os baluartes da lei dos senhores sem lei.

 

O fenómeno não é novo e não existe apenas ali, entre aqueles (também nós temos de repensar muita coisa). Mas este novo epicentro de violência é tão ou mais preocupante do que os anteriores, pois sente, como nenhum outro, na impunidade um incentivo. Tenho, por vezes, a sensação de que terem deixado de jogar no “1º de Maio” e terem passado a jogar na “Pedreira” acabou por se tornar em algo simbólico. Da mesma forma que, com este novo paradigma belicista, a casa do Benfica em Braga ficou amordaçada na belíssima “Avenida da Liberdade”. Esta nova cultura tomou o clube e acabou por sujar o nome de uma das mais belas cidades de Portugal. Tudo isto perante o aplauso de uma minoria acéfala.

 

Hoje, festejamos o aniversário do Benfica. Hoje, só não lamentamos, em luto, a morte de um dos nossos atletas porque as barras de cimento e os pedregulhos que ontem atiraram para o nosso autocarro, por um acaso do destino, entraram por uma janela que não tinha ninguém sentado no respectivo banco. Ontem, como há uns anos, houve uma tentativa de homicídio. Hoje, como há uns anos, fica a inoperância e o silêncio. Se nada for efectivamente feito, no futuro lamentaremos em conjunto e enlutados.

 

Imagem retirada da conta de Twitter do Luisão [link]

por Pedro F. Ferreira às 11:25 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Sport Lisboa e Benfica - 109 anos

 

Parabéns, Sport Lisboa e Benfica.

 

Obrigado, Sport Lisboa e Benfica.

por Pedro F. Ferreira às 00:14 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 27.02.13

Oferta

Não gostei que, em nome da gestão, tivéssemos oferecido a final da Taça da Liga ao Braga. Não gostei da equipa apresentada - em particular da dupla escolhida para o meio campo - pois não me parece que fosse um mero jogo a mais (a final) no nosso calendário que fizesse tanta diferença assim para nos obrigar a apresentar um onze sem sete dos titulares mais habituais. Não gostei do jogo que a equipa fez, tendo sido praticamente inofensiva no ataque. Contei apenas uma oportunidade digna desse nome, em que o Rodrigo se encarregou de cabecear para o sítio mais difícil: à figura do guarda-redes. Não gostei da quantidade absurda de passes falhados, nem da competição acérrima entre o Cardozo, o Carlos Martins e o Aimar para ver quem conseguia perder mais bolas no ataque. Não gostei da escolha do Roderick e do Luisão para marcadores de penáltis. Não gostei que não fosse marcado penálti sobre o Gaitán, ou que o guarda-redes do Braga estivesse uns dois metros adiantado quando defendeu o último penálti. Fico sempre particularmente mal disposto quando sinto que não fizemos tudo o que é possível para ganhar um jogo. Claramente, foi o que se passou hoje. E assim sendo a eliminação acaba por ser natural. E justa.

por D`Arcy às 22:12 | link do post | comentar | ver comentários (46)
Terça-feira, 26.02.13

Subscrevo

«[...] para as bandas da Luz começam os disparates, e lá veio um vice-presidente do clube, o senhor Varandas Fernandes, fazer ultimatos a Jorge Jesus, dizendo que o contrato dele só será renovado se ele ganhar títulos!

 

O Benfica continua cheio de gente que não percebe que esse tipo de ameaças só desestabilizam, e podem desconcentrar o treinador e os jogadores, num momento em que todos precisam de estar focados no presente, e não no futuro.

 

Jesus é o melhor treinador do Benfica das últimas três décadas, o melhor desde Eriksson, e só pessoas que não percebem nada de futebol acham que ele se deve ir embora! O senhor vice-presidente devia era estar calado

 

por Domingos Amaral

por Anátema Device às 14:59 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 24.02.13

Fácil

Terá sido bem mais fácil do que se antevia a vitória do Benfica sobre o Paços de Ferreira, terceiro classificado na Liga e uma das equipas que melhor futebol tem praticado esta época. A fórmula foi entrar forte, marcar cedo, e depois gerir o jogo e controlar o adversário com tranquilidade.

 

 

O Luisinho foi a única alteração ao que se pode considerar o onze base esta época. O Benfica entrou bem no jogo, forte, pressionante e a jogar rápido. Durante os primeiros minutos a bola andou a rondar a área do Paços, enquanto o Benfica tentava encontrar forma de ultrapassar a boa organização adversária, e a consequência disso foi o golo que surgiu logo após oito minutos. Um passe do Salvio (depois de uma boa jogada, em que a bola passa pelos pés de vários jogadores) solicitou a entrada do Enzo pelo meio, que em frente ao guarda-redes não perdoou. Em vantagem, o Benfica continuou a controlar o jogo e a insistir no ataque, mesmo parecendo não se esforçar em demasia. O Paços mostrou sempre uma boa atitude, nunca perdeu a organização e, quando de posse da bola, trocava-a bem entre os seus jogadores. Por volta da meia hora de jogo o Benfica pareceu abrandar um pouco, e o Paços, que quase abdicou do ataque pelas faixas e apostou num sobrepovoamento da zona central do meio campo, onde punha quatro jogadores contra apenas dois nossos, conseguiu alguma superioridade nessa zona e passou a ter mais posse de bola. No entanto o Benfica soube controlar sempre o adversário, que consequentemente quase nunca conseguiu transformar essa posse de bola numa oportunidade real de golo. Pelo contrário, a melhor oportunidade de golo pertenceu ao Benfica, num remate do Cardozo ao poste. A vantagem do Benfica ao intervalo era por isso justa, restando agora tentar ampliar a vantagem de forma a colocarmo-nos a salvo de algum azar.

 

 

Quase que repetindo a fórmula utilizada contra o Setúbal, o Benfica (que regressou como Carlos Martins no lugar do Enzo) reentrou muito forte no jogo, e com resultados imediatos. No primeiro minuto o Cardozo esteve pertíssimo de marcar, com o golo a ser-lhe negado por uma grande defesa do Cássio. No consequente canto, o Luisão cabeceou ao poste e o Cardozo aproveitou para fazer uma recarga fácil e aumentar o resultado. Com dois golos de vantagem a gestão do jogo e do esforço foi feita de forma aparentemente fácil. O Paços continuou a não conseguir mostrar capacidade para criar perigo, e o Benfica aproveitava as recuperações de bola para, atacando pelos flancos, criar situações de algum perigo. A troca do Cardozo pelo Gaitán, com pouco menos de meia hora para jogar, trouxe mais alguma velocidade às nossas saídas para o ataque, e houve ainda oportunidade para ver vinte minutos de Aimar em campo. O terceiro golo do Benfica adivinhava-se como bastante mais provável do que um eventual golo do Paços que relançasse a discussão do resultado, pois o Artur foi quase um mero espectador - recordo-me apenas de uma defesa, naquele que terá sido o único remate do Paços na direcção da baliza, e que lhe foi directamente à figura. Esse terceiro golo apareceu a seis minutos do final, numa jogada em que o Aimar assiste o Lima, e este tentou marcar de peito. Há um defesa do Paços que tenta evitar o golo - pareceu-me que não terá conseguido evitar que a bola ultrapassasse a linha - mas de qualquer forma, e por via das dúvidas, o Salvio estava lá para confirmar e fechar o marcador.

 

 

Num jogo calmo, não me pareceu haver exibições de grande fulgor. O Matic não sabe jogar mal, a dupla de centrais esteve em bom nível, o Enzo Pérez jogou bem na primeira parte, e o Salvio, apesar de alguns lances em que complicou demais, esteve uns furos acima das exibições menos conseguidas dos últimos tempos. O Gaitán e o Carlos Martins animaram o nosso jogo e trouxeram-lhe mais velocidade. O Luisinho foi a unidade de menor rendimento.

 

Foi um jogo quase que ideal, em que o Benfica jogou o quanto bastou para vencer tranquilamente um adversário teoricamente complicado, e aparentemente sem ter que despender demasiada energia. Isto foi importante em mais um mês em que, a exemplo do que se passou durante Janeiro, vamos andar sempre a ter dois jogos por semana. O próximo é em Braga, onde espero que possamos garantir o apuramento para a quinta final consecutiva da Taça da Liga (ouvi sócios que acham que deveríamos deixar cair esta competição, mas para mim isso não faz sentido nenhum - é uma competição oficial e eu desejo que o Benfica a conquiste).

por D`Arcy às 23:25 | link do post | comentar | ver comentários (37)
Sexta-feira, 22.02.13

“O tempora! O mores!”

Apetece parafrasear o Alexandre O‘Neill e dizer que, no futebol português, o tempo é uma “coisa em forma de assim”. É assim como uma coisa que muda ao sabor do próprio tempo.

 

Por causa de um tempo que não dava jeito a um senhor que mede o tempo em forma de adágio popular, dizendo que largos dias têm cem anos, o melhor-árbitro-Pedro-Proença-do-Mundo adiou um jogo de futebol para um tempo que atropela os limites temporais regulamentados. Perante o silêncio geral, percebemos que não deve ser este o tempo para discutir este assunto.

 

Por causa de um tempo que se mede em 72 horas, apesar de haver quem diga que isto de medir 72 horas ser assunto bastante subjectivo, o Conselho Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol decidiu fazer tábua rasa dos regulamentos e fez cumprir “uma coisa em forma de assim”. Perante o tempo e o modo da deliberação, vejo juristas e quejandos a deitarem as mãos à cabeça, perguntando que tempos são estes, em que a letra da Lei serve para ser contornada e contorcionada. É o tempo em que escondido no conceito de “interpretar” se desenvolve o conceito de “enganar”.

 

Por causa de uma grande penalidade a favor do Benfica, correctamente assinalada por um árbitro, ao terceiro dos cinco minutos de tempo adicional mínimo, chegou o tempo de ver os arautos da verdade da medição do tempo insurgidos histericamente contra o facto de se ter assinalado correctamente uma grande penalidade durante o tempo de um jogo de futebol. Para aquela gente, não está em causa a justiça da grande penalidade, está em causa o tempo. Como sabemos, isso do tempo é subjectivo e, para quem 72 horas podem ser menos do que 72 horas, é perfeitamente normal que isso de marcar penáltis dentro do tempo de jogo seja uma coisa estranha. Quem tinha razão era Cícero, quando, estupefacto perante as aberrações do seu tempo, nos dizia “O tempora! O mores!”

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Fevereiro e publicado na edição de 22/02/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post

Feliz

Foi uma vitória bastante feliz a do Benfica esta noite. O Leverkusen mostrou que não é uma equipa qualquer. Controlou o jogo durante largos períodos do mesmo, criou as melhores oportunidades de golo, e honestamente só posso admitir que a vitória por 2-1 acaba por ser um resultado lisonjeiro para o Benfica.

 

 

Foi desde o apito inicial que os alemães mostraram vir decididos a não dar esta eliminatória como perdida. Com o pragmatismo habitual, como precisavam de vencer para se apurarem, não estiveram com cautelas e jogaram para vencer, atacando imediatamente a nossa baliza, e forçando o Artur à primeira defesa apertada logo com dois minutos de jogo. Com os laterais extremamente subidos no terreno, depois dois dos avançados (Schürrle e Castro) flectiam para o meio para explorar o espaço entre a defesa e o meio campo, o que fizeram com bastante eficácia, entrando depois muitas vezes entre os centrais e os laterais. No meio campo, a luta também foi ganha pelos alemães, fruto de uma muito boa organização e ocupação eficaz dos espaços, e também porque o Benfica, apesar de em teoria jogar com três médios, na prática jogava quase com um jogador a menos - o Carlos Martins, que seria o terceiro médio, jogou muito quase ao lado do Cardozo, o que o retirou efectivamente do jogo. Depois, os muitos passes falhados na zona do meio campo impediam o Benfica de construir lances de ataque eficazmente, já que poderíamos ter tentado explorar o constante adiantamento dos laterais adversários. Apenas ao fim de quinze minutos, e já depois de ter levado com uma bola no poste, o Benfica deu algum sinal de si, com o Gaitán a ter um cabeceamento perigoso após centro do André Almeida. Este lance teve o condão de acordar um pouco o Benfica, que teve então o seu melhor período na primeira parte, mas com o aproximar dos minutos finais o Leverkusen voltou a ser mais forte, e mais uma vez vimos uma bola a ser devolvida pelo poste da baliza do Artur. O Benfica podia portanto considerar-se feliz com o nulo à saída para o intervalo.

 

 

Na reentrada no jogo, o pendor do mesmo manteve-se, e nos primeiros minutos o Leverkusen voltou a deixar um sério aviso, pois o Kiessling chegou mesmo a marcar golo, mas este foi anulado por fora-de-jogo. Novamente aos quinze minutos, o Benfica voltou a dar sinal de si, e da melhor forma possível, com um grande golo do Ola John - que até então tinha passado praticamente despercebido no jogo. Já depois de ter passado para a sua posição natural na esquerda - o Carlos Martins, lesionado (que surpresa!), tinha dado o lugar ao Salvio - aproveitou da melhor maneira o adiantamento do lateral e depois de ultrapassar o adversário de ocasião e ganhar um ressalto, colocou a bola em arco para o ângulo mais distante. Mas este golo pouco afectou o ímpeto do Leverkusen, que continuou a procurar o golo e pouco depois obrigou o Artur a uma enorme defesa para canto, logo seguida de nova defesa apertada no seguimento do canto. Claro que, ao lançar-se mais declaradamente ao ataque, o Leverkusen também se expôs mais na defesa, e o Benfica poderia ter tirado partido disso e resolvido a eliminatória de vez mais cedo, quando a quinze minutos do final o Salvio falhou de uma forma algo escandalosa um cabeceamento a um centro do Ola John, quando estava completamente sozinho na área. Não marcou o Benfica, marcou o Leverkusen na resposta. Um alívio da defesa para a zona frontal da área resultou num pequeno toque de cabeça para o remate de primeira do Schürrle, que não deu hipóteses ao Artur. Mas o Benfica voltou a ser feliz no jogo, pois quando se adivinharia um assalto final dos alemães na procura do golo que lhes daria a passagem, foi o Benfica quem marcou praticamente na resposta. Um pontapé longo do Artur apanhou a defesa alemã em contrapé, e depois o Lima (que tinha substituído o Cardozo) teve a calma suficiente para ver bem as movimentações dos colegas antes de centrar com perfeição para a entrada de cabeça do Matic, que colocou a bola com classe junto ao poste mais distante. Este segundo golo partiu literalmente o Leverkusen, que acusou o golpe e foi para o ataque de uma forma muito mais desordenada, correndo imensos riscos atrás. Na fase final do jogo o Benfica poderia ter aproveitado todo o espaço concedido para dilatar o resultado, tendo mesmo falhado uma oportunidade flagrante para o fazer, novamente pelo Salvio. Mas caso tal tivesse acontecido, seria certamente um castigo demasiado pesado para aquilo que o Leverkusen jogou.

 

 

Esta noite o Artur foi um dos jogadores em destaque. Defendeu tudo o que havia para defender, não teve hipóteses no golo sofrido, e ainda teve um papel fundamental no segundo golo. Gostei também bastante das exibições do André Almeida, do Luisão (teve diversos cortes providenciais) e do Matic - só foi pena que tenha visto o amarelo que o retira do primeiro jogo da próxima eliminatória.

 

Com maior ou menor grau de felicidade, conseguimos eliminar um adversário forte e marcar presença nos oitavos-de-final, onde mediremos forças com o Bordéus. A exibição não foi a melhor, mas o resultado foi o mais importante - e a verdade é que na Europa muitas vezes o que nos acontece é o contrário, e somos nós que ficamos a queixar-nos da falta de sorte e a elogiar a eficácia do adversário. De qualquer forma, não devemos ignorar o facto do Benfica já ir no terceiro jogo consecutivo com exibições de menor fulgor. Segue-se um importante jogo contra uma das melhores equipas da Liga, e urge corrigir esta situação.

por D`Arcy às 01:52 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 18.02.13

Tangente

Foi uma vitória arrancada a ferros e conseguida já na fase de desespero. A justeza da vitória é incontestável, tamanha a supremacia que o Benfica teve no jogo trezentos e cinquenta do nosso capitão com águia ao peito. Mas a contradição entre uma superioridade enorme no jogo e uma imensa dificuldade em ganhá-lo explica-se pela competência - o Benfica foi muito pouco competente a transformar o domínio em futebol bem jogado, e a Académica foi extremamente competente naquilo que veio fazer à Luz: defender e não deixar o adversário jogar.

 

 

Não há muito que se possa escrever sobre a primeira parte do jogo. Da parte do Benfica foi mesmo muito fraca. A Académica apresentou-se a jogar com os onze jogadores enfiados no último terço do campo (é que nem sequer deixavam o ponta-de-lança encostado aos nossos centrais), a tapar todos os caminhos para a baliza, e tentou queimar tempo de todas as formas possíveis. Foi uma espécie de viagem até ao passado, que me fez recordar o melhor catenaccio italiano. O Benfica respondeu a isto com uma enorme lentidão de processos , o que obviamente dificultou ainda mais a tarefa de chegar ao golo que desfizesse esta teia defensiva do adversário. Não só a velocidade era pouca, mas também uma boa parte dos nossos jogadores esteve extremamente desinspirada. Passes falhados e sem nexo, incapacidade de ganhar duelos individuais, e uma enorme previsibilidade em quase tudo o que faziam. Apenas em raras ocasiões houve excepções à monotonia: um remate do Maxi à figura do guarda-redes, após uma situação confusa na área, um cabeceamento do Lima também à figura, quando poderia ter feito bem melhor, e um remate do Enzo que obrigou o guarda-redes a uma defesa mais apertada para canto. Com o decorrer do tempo a qualidade do nosso futebol foi aliás ficando cada vez pior, tendo-se atingido o intervalo a um nível suficiente para que o público da Luz manifestasse o seu óbvio descontentamento.

 

 

Para a segunda parte o Benfica trouxe pelo menos um pouco mais de velocidade, mesmo que a qualidade do nosso futebol não tenha melhorado muito. Construímos uma grande oportunidade logo nos primeiros minutos, em que o Ola John rematou ao poste, e pouco depois foi o Rodrigo quem obrigou o Ricardo a nova defesa apertada. O Jorge Jesus foi mexendo na equipa e retirou alguns dos jogadores menos inspirados (Ola John, Rodrigo, André Almeida), fazendo entrar o Kardec, Gaitán e Carlos Martins e a equipa melhorou um pouco, pois o Gaitán deu mais vivacidade ao lado esquerdo do ataque, e o Carlos Martins esteve bem melhor do que o André Almeida na distribuição de jogo - e a equipa também ganhou com o recuo do Enzo. A Académica foi-se encolhendo cada vez mais - confesso que tenho dificuldade em recordar-me de situações em que tenha visto jogadores da Académica no nosso meio campo - e à medida que o tempo de jogo caminhava para o final o Benfica foi, mais com o coração do que com a cabeça, aumentando a velocidade e a pressão, mas sem conseguir criar grandes oportunidades de finalização. O volume de cruzamentos para a área foi cada vez maior, só que os defesas da Académica (que eram basicamente a equipa toda da Académica) davam conta do recado. Até que em período de descontos o Lima Kardec ganhou de cabeça uma bola despejada pelo Artur para a área, e o Gaitán foi puxado quando tentava chegar à bola. Penálti e nervos de aço do Lima, que o converteu na perfeição.

 

 

Já referi que a qualidade do nosso jogo deixou muito a desejar, e como tal não há grandes destaques individuais a fazer. Ressalvo no entanto a disponibilidade dos jogadores para lutar até ao fim, mesmo quando as coisas não estavam a correr bem - o Maxi é um bom exemplo. A entrada do Gaitán foi importante, até porque o Ola John estava mesmo a ser um dos piores em campo, e o Enzo Pérez pareceu-me ser um dos jogadores num nível mais constante.

 

Foi mesmo à tangente que nos safámos hoje de deixar escapar dois pontos. Se, por um lado, seria uma injustiça tremenda ver uma equipa que fez o tipo de jogo da Académica ser recompensada com um ponto, por outro lado seria também algum castigo para o mau jogo que o Benfica fez. Aquela primeira parte, sobretudo, é muito difícil de justificar - o factor físico não me parece aceitável, porque terminámos o jogo a correr mais do que quando o começámos. Cada minuto de cada jogo pode ser decisivo neste campeonato, sobretudo frente a adversários que parecem particularmente motivados para roubar pontos ao Benfica. Não podemos portanto dar-nos ao luxo de praticamente oferecer meio jogo.

por D`Arcy às 00:57 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Sexta-feira, 15.02.13

O corso carnavalesco

O Carnaval é coisa toleirona. O Carnaval sem o respectivo corso seria assim como uma espécie de coisa toleirona e contra-natura. E, mesmo sendo o discurso carnavalesco uma espécie de apologia do mundo às avessas, há avessas que nunca o podem ser totalmente, não vá dar-se o caso de o mundo sair do próprio eixo.

 

Deste modo, o corso carnavalesco, no futebol português, começa muito antes do Entrudo e prolonga-se no tempo. É caso para dizer que, no futebol português, o Entrudo é sempre que o presidente da Liga ou da FPF ou do Conselho de Arbitragem querem (ou que alguém quer por eles). Neste fim-de-semana, o Carnaval chegou com o demissionário presidente do Sporting travestido de futuro presidente do Sporting a dizer que chegou a pensar no actual treinador do Benfica para o ajudar como cangalheiro da coisa. Foi enternecedor e certamente que o actual treinador, acabado de enterrar a faca no anterior treinador, saboreou a sensação da lâmina a entrar nas suas próprias costas. Antes, chegara a notícia de que uns meliantes assaltaram a assaltada sede da FPF. Levaram umas coisas informáticas do Presidente e da sua Secretária. Deixaram para trás evidências e, entre as mochilas e martelos, certamente que andará por lá um diligentemente esquecido cartão de associado de um clube. Enquanto a polícia investiga, a tribo da bola espera o veredicto que a FPF ditará num dos dias seguintes ao do Entrudo. Há quem garanta que o verdadeiro Carnaval conhecerá o seu esplendor nesse mesmo dia. Pelo caminho, foi interessante ver como a charanga afinou em pleno corso uma musiquita em tom de ‘requiem’ pela alma do nosso Benfica que deixara dois pontos na Madeira. Para azar da banda e dos pantomineiros que bufam nos instrumentos (tocando de ouvido e fiando-se de que não necessitam de ler a pauta), desta vez a coisa correu mal. Tudo por culpa de um penalti marcado em tons de vira minhoto e falhado em ritmo de chá-chá-chá que fez com que fosse em vão todo o esforço carnavalesco do melhor, e mais ‘brilhantinado’, gigantone do mundo.

 

E assim se vai passando mais um Carnaval, normal e com tudo nos eixos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Fevereiro e publicado na edição de 15/02/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post

Gestão

Mesmo com a prometida gestão do plantel a ter lugar, o Benfica conseguiu arrancar uma preciosa vitória na Alemanha, fruto de uma exibição concentrada e solidária, e que nos coloca numa posição muito vantajosa na eliminatória. E bem mereceram este triunfo os muitos adeptos benfiquistas que esta noite por vezes fizeram BayArena soar como a Luz. Fantástico apoio.

 

 

A gestão do plantel para o jogo da Académica não foi apenas uma promessa oca, e Maxi Pereira, Enzo Pérez, Salvio e Lima ficaram fora do onze inicial. O Leverkusen entrou forte no jogo, mas o Benfica mostrou sempre bastante frieza e organização, sustendo com alguma facilidade o ímpeto inicial do adversário, e depois conseguindo baixar o ritmo do jogo para um nível mais do seu interesse. Mesmo mantendo um pouco mais da iniciativa no jogo e rematando mais, a verdade é que o Leverkusen por raras vezes conseguiu levar perigo à nossa baliza. O Benfica também não foi particularmente activo no ataque, onde o Cardozo e o Gaitán passaram bastante tempo praticamente afastados do jogo - apenas um remate do André Almeida e um outro lance em que o Ola John demorou demasiado tempo e desperdiçou uma boa ocasião para rematar com perigo animaram um pouco as coisas. Com o decorrer do tempo conseguimos guardar cada vez mais a bola, com trocas sucessivas de passes entre os nossos jogadores, e na fase final da primeira parte o Leverkusen praticamente já nem tentava pressionar-nos para recuperar a bola, visto que essas tentativas eram quase sempre infrutíferas. Perto do final, uma contrariedade para o Benfica na lesão do André Gomes, que teve que ser substituído pelo Enzo.

 

 

O Leverkusen voltou a entrar forte na segunda parte, dispondo de uma boa ocasião logo a abrir, e instalou-se depois no nosso meio campo, fruto de uma maior velocidade e agressividade que impôs no jogo. Com maior ou menor dificuldade o Benfica foi controlando os acontecimentos, até que ao fim dos primeiros quinze minutos surgiu o momento decisivo da partida. Primeiro, o Leverkusen quase marcou, valendo a intervenção do Enzo e do Artur para evitar o golo. No canto que se seguiu, o Benfica construiu um lance de contra-ataque bastante rápido que acabou no golo do Cardozo, que com muita calma e classe recebeu a bola do André Almeida (grande simulação do Gaitán a deixar passar a bola), evitou um defesa adversário e depois picou a bola à saída do guarda-redes. O golo motivou uma reacção forte dos alemães, que nos minutos seguintes pressionaram bastante e estiveram perto de empatar, mas a nossa defesa, e em particular o Artur, foi dando resposta adequada aos lances de perigo. E entretanto o progressivo balanceamento para o ataque do Leverkusen ia proporcionando muito mais espaço atrás para os nossos contra-ataques, o que nos dava hipóteses de marcar um segundo golo e praticamente arrumar com a eliminatória. Por duas vezes o Ola John teve essa oportunidade nos pés, mas numa delas o chapéu saiu demasiado alto, e na outra rematou contra o pé do guarda-redes. Fora essas situações, outras houve em que acabámos por não criar perigo devido ao último passe sair mal (algumas vezes de forma inacreditável). No penúltimo lance do jogo quase borrámos a pintura, valendo-nos um corte do Melgarejo sobre a linha de golo para evitar o golo do empate.

 

 

Bom jogo colectivo por parte de toda a equipa. O Artur esteve hoje bem, e aproveitou para se redimir do erro na Madeira. O Matic destacou-se mais na primeira parte, e na segunda parte foi o Enzo Pérez quem mais deu nas vistas no meio campo - entrou bem no jogo e teve até um rendimento superior ao que o André Gomes estava a ter. O Gaitán subiu muito de rendimento na segunda parte, quando recuou no terreno para actuar mais como médio (o que não era difícil, dado que na primeira parte praticamente não esteve em jogo). O André Almeida voltou a mostrar que é uma alternativa muito válida ao Maxi. Fez um jogo seguro, subiu no terreno com ponderação, e foi decisivo no lance do golo. Não gostei do Ola John hoje.

 

Após décadas sem uma única vitória na Alemanha, conseguimos vencer lá nas duas últimas deslocações, sob o comando do Jorge Jesus. Repito uma vez mais aquilo que já escrevi noutras ocasiões: para mim não me passa pela cabeça trocar de treinador no final da época, independentemente daquilo que ainda possa vir a suceder. O jogo de hoje foi mais uma exibição de algumas das qualidades que o Benfica tem tido durante praticamente toda esta época: concentração, disciplina táctica, capacidade de trabalho e humildade. A valia do Leverkusen não permite pensar que esta eliminatória já está resolvida. Mas o resultado de hoje terá facilitado, e muito, a nossa tarefa da próxima semana.

por D`Arcy às 03:10 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Quinta-feira, 14.02.13

Ao cuidado do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol

 

Aguardamos resposta por parte dos membros do dito órgão (Herculano Carlindo Machado Moreira Lima, João Manuel Belchior, Ricardo Jorge Rodrigues Pereira, Maria José Carvalho de Almeida, Álvaro Manuel Reis Batista, Isabel Alexandra Duarte Perfeito Lestra Gonçalves, José Manuel Bragança Gil Antunes).

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por Pedro F. Ferreira às 15:02 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quarta-feira, 13.02.13

Jaz morto e arrefece

- A mando de um dirigente de um clube, um lacaio deposita dinheiro na conta de um fiscal de linha que está nomeado para um jogo da equipa do dirigente e do lacaio. Não se passou nada, a justiça do futebol português achou natural o acto e o assunto morreu.

 

- Um diligente árbitro comportou-se como um lacaio e adiou um jogo por causa de dois charquitos de água. O jogo foi adiado e foi jogado numa data que ultrapassava o prazo legalmente previsto no regulamento. Não se passou nada, a justiça do futebol português achou natural o acto e o assunto morreu.

 

- Escarrando nos regulamentos, ajeitaram-se os mesmos à vontade do freguês e, com ares de chico-espertice saloia, os lacaios apuraram um clube prevaricador para as meias-finais de uma competição da qual, pelos regulamentos, esse clube deveria ser afastado. Não se passa nada, as lavadeiras do futebol português acham natural o acto e o assunto morrerá.

 

- Naturalmente, o futebol português está moribundo.

 

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por Pedro F. Ferreira às 16:16 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Terça-feira, 12.02.13

Alzheimer

Parece que a Rainha de Inglaterra está indignada porque o último Benfica x Porto foi arbitrado por um árbitro que, numa escuta do Apito Dourado, foi 'escolhido' pelo LFV (uma das mentiras mais nojentas confabuladas pela máquina de desinformação portista, de forma a tentar menorizar coisas como o GPS da Madalena). E eu que pensava que o que se ouve nas escutas do Apito Dourado nunca tinha acontecido, ou que as escutas não eram admissíveis como prova.

É mesmo verdade, o senhor está indignado por causa de algo que se ouviu numa escuta do Apito Dourado. Ou a escala de hipocrisia rebentou de forma espectacular, ou então o Alzheimer está a ganhar terreno.


P.S.- Já agora, será que o senhor consegue também puxar da pouca memória que lhe resta e recordar-se que as investigações do Apito Dourado também mostraram uma ocasião em que um dos árbitros escolhidos pelo seu clube era nem mais nem menos do que o peneirento 'melhor árbitro do mundo'?

por D`Arcy às 13:31 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Domingo, 10.02.13

Claro

É claro que deixámos pontos na Madeira. Há jogos assim, em que muito antes do apito inicial já temos um mau pressentimento. É um campo onde o Benfica costuma ter dificuldades, contra uma equipa treinada por um inimigo do Jorge Jesus que tem muita experiência na Liga. Depois vemos o suposto 'melhor árbitro do mundo', que infelizmente deve ser o aquele com quem o Benfica terá o pior registo de vitórias na Liga, ser nomeado para este jogo e o mau pressentimento adensa-se.

 

O Benfica também entrou no jogo quase como que a querer confirmar tudo isto. Com a novidade Urreta a titular na esquerda, a equipa entrou quase que a dormir. Nos primeiros cinco minutos o Nacional ameaçou uma vez, ameaçou duas, e à terceira marcou mesmo, num lance em que a nossa defesa fez uma figura ridícula, pois três dos quatro defesas (a excepção foi o Garay) ficaram parados a pedir fora-de-jogo (inexistente) enquanto o Nacional aproveitava para marcar facilmente. Nem o golo pareceu espevitar a equipa, que no entanto acabou por ser bafejada pela sorte, já que aos quinze minutos, e praticamente da primeira vez que subimos à área adversária, o cruzamento do Luisinho foi desviado pelo Mexer para dentro da sua própria baliza. Este golo foi seguido quase de imediato por um lance em que o Lima colocou a bola no poste, e a partir daqui vimos um Benfica transfigurado, que foi imensamente superior ao adversário, dominando em todos os aspectos do jogo. O segundo golo acabou por surgir pois com toda a naturalidade, num grande pontapé do Urreta na marcação de um livre, a cerca de dez minutos do intervalo. O Benfica conseguia assim, no espaço de meia hora, executar a difícil tarefa de inverter uma situação que uma má entrada no jogo tinha provocado, e dada a superioridade que ia demonstrando era de acreditar que seria possível agora partir para um jogo mais descansado.

 

O início da segunda parte reforçou essa ideia, pois o Benfica entrou no mesmo registo, com domínio no jogo e ameaçando chegar ao terceiro golo. Só que desta vez foi o Nacional a marcar contra a corrente do jogo, com oito minutos decorridos e também praticamente na primeira vez em que chegou à nossa área na segunda parte. O remate foi do Mateus, tendo o Artur ficado mal no lance, pois a sensação com que ficamos é a de que poderia ter feito bastante melhor. O Benfica acusou o golo e perdeu o controlo do jogo, que ficou algo 'partido', com os ataques a sucederem-se de parte a parte em ritmo elevado. Quando o jogo se foi aproximando dos minutos finais o Nacional recuou progressivamente para mais perto da sua área, e o Benfica dispôs de algumas ocasiões para chegar ao golo da vitória, mas este foi-nos negado ou pelo guarda-redes, ou pela falta de pontaria dos nossos jogadores. Os jogadores do Nacional também aproveitaram para tentar queimar tempo e o Cardozo deixou-se levar nisso e fez-se expulsar de forma idiota, pois deu um pontapé no jogador do Nacional que estava a segurar a bola e a atrasar o jogo. Durante o tempo de descontos o peneirento do Proença ainda aproveitou para expulsar o Matic com um vermelho directo e certamente agradar a algumas pessoas (não custa muito lembrarmo-nos de quem, de há umas semanas a esta parte, tem andado a esforçar-se para colar o rótulo de violento a um dos jogadores mais importantes na nossa estratégia). Houve apenas uma repetição do lance, num ângulo pouco esclarecedor, mas custa-me acreditar que tenha havido alguma cotovelada intencional quando o Matic está de costas, sem ter sequer os braços levantados, e é o jogador do Nacional quem parece ser o principal responsável pelo contacto.

 

Não vi grandes motivos para destaques nos jogadores do Benfica hoje, mas é justo mencionar que o Urreta foi uma agradável surpresa, entendendo a sua substituição apenas se tiver sido devido a algum cansaço por falta de ritmo de jogo.

 

Concordo com o Jorge Jesus quando diz que este empate não será certamente um passo atrás na luta pelo título - seria ridículo começar a atirar a toalha depois deste resultado (até porque o 'Portelona', acabei de saber, não conseguiu vencer o Olhanense em casa). Mas também não foi um passo em frente. Terá sido quanto muito um passo em falso, porque tenho a convicção de que uma vitória neste jogo, ainda por cima arbitrado pelo Proença, seria uma motivação muito forte para o que resta do campeonato - seria uma demonstração de força e solidez da nossa equipa. Perdemos esta oportunidade, mas o essencial é manter a calma e continuarmos a procurar ser competentes e sérios na abordagem aos nossos jogos. E isso implica não voltar a ter entradas em jogo como a desta tarde.

por D`Arcy às 22:27 | link do post | comentar | ver comentários (39)
Sábado, 09.02.13

Pedro Proença - recordar é viver

Ora, como vamos ter que levar com este senhor no jogo frente ao Nacional, aqui vai uma actualização das maravilhas que ele consegue fazer sempre que arbitra um jogo nosso. Sejamos justos e louvemos-lhe a coerência e a uniformidade de critérios que exibe sempre contra nós. E, como (infelizmente) ainda lhe faltam alguns anos para acabar a carreira, qualquer dia o vídeo destes roubos, perdão, equívocos durará meia parte de um jogo de futebol. Um desafio: tentem ver isto acreditando que são só uma série de infelizes coincidências. Se conseguirem, depois vão à Lapónia e dêem os meus cumprimentos ao Pai Natal, sff.

 

por S.L.B. às 03:00 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Sexta-feira, 08.02.13

Para que serve um regulamento?

Um regulamento, normalmente, serve para reger os deveres e direitos dos membros de uma organização. Há casos em que não é bem assim. Há casos em que um regulamento serve para ser contornado, subvertido e ignorado. Há casos documentados em que o atropelo de um regulamento serve, inclusivamente, para silenciar todas as instituições que deveriam zelar pelo cumprimento do mesmo.

 

No passado dia 14 de Dezembro, Pedro Proença decidiu adiar um jogo entre o Setúbal e o FC Porto. O regulamento diz que o jogo se deveria realizar nas 30 horas seguintes, salvo se os delegados dos dois clubes declararem no Boletim do Encontro o seu acordo para a realização do jogo noutra data, respeitados os limites regulamentados. O mesmo regulamento diz que os jogos das competições oficiais adiados no decurso da primeira volta têm de ser realizados obrigatoriamente nas quatro semanas que se seguirem à data inicialmente fixada para o jogo, salvo casos de força maior devidamente comprovados e reconhecidos por deliberação da Comissão Executiva da Liga. Assim sendo, pergunto-me acerca de qual terá sido a fundamentação para justificar o motivo de força maior que ‘legitimou’ a realização do jogo no dia 23 de Janeiro. Além disso, importa esclarecer se os delegados de jogo escreveram ou não, no próprio dia, no boletim de jogo, a nova data concreta do encontro. Algo me diz que tal não se verificou e tudo indica que esta marcação para o dia 23 de Janeiro não tem qualquer base regulamentar.

 

Atropelar os regulamentos implica sanções desportivas. Neste caso, o atropelo dos regulamentos implica apenas o silêncio. Um estrondoso e vergonhoso silêncio.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Fevereiro e publicado na edição de 08/02/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Quinta-feira, 07.02.13

O arredondamento

No país futebolístico do mais ou menos, no país futebolístico do é para ser assim na medida do tanto quanto, no país futebolístico em que a rectidão é arredondada, todos estão curvados, arredondados e de mão estendida à espera do dinheirito que, ao contrário do tempo, se conta e não se mede. [link]

por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 04.02.13

Evidente

Vitória tranquilíssima do Benfica, num jogo em que a nossa superioridade foi por demais evidente. Apesar do resultado de três a zero, este jogo conseguiu deixar-me um pouco insatisfeito à saída da Luz, pelo facto de ficar com a sensação de que só não marcámos mais golos porque em vez de carregar mais um bocadinho optámos pela poupança de esforço.

 

 

De regresso aos dois avançados (Lima e Rodrigo), o André Gomes foi o escolhido para ocupar o lugar do suspenso Matic, e a ala esquerda foi desta vez formada pelo Luisinho e Ola John. A entrada do Benfica foi a todo o gás, e depois de uma primeira ameaça num livre do Rodrigo chegámos ao golo logo aos quatro minutos, numa jogada pela direita entre o Salvio e o Maxi que levou a bola até ao Enzo Pérez. Depois este, à entrada da área, colocou-a literalmente na gaveta. De certeza que os adeptos esperariam que, dada a entrada em jogo e o golo madrugador, a equipa aproveitasse para manter a pressão e arrancar para uma vitória folgada, mas não foi isso que aconteceu. Em vez disso, o Benfica optou mais por uma toada de serviços mínimos, por vezes quase mesmo sobranceira, ciente da sua superioridade e de que a vitória não escaparia. Também é verdade que a ausência do Matic parece retirar alguns metros à equipa no que diz respeito às zonas de pressão - não sou particularmente adepto de ver o André Gomes a jogar na posição mais recuada do meio campo - mas apesar de mesmo neste registo a superioridade do Benfica no jogo ser praticamente absoluta, saímos para intervalo com a impressão de que seria possível fazer mais e melhor. Pelo menos teria ajudado se o Rodrigo não tivesse perdido o segundo golo de uma forma absolutamente inacreditável.

 

 

A entrada do Benfica na segunda parte foi outra vez a todo o gás, de forma a deixar o assunto resolvido o mais depressa possível e afastar quaisquer dúvidas. Como que a confirmar a sensação que quase todos tinham de que bastaria o Benfica carregar um pouco mais no acelerador para desbaratar por completo a equipa do Setúbal, os resultados foram imediatos. Bastaram dois minutos para que o Lima, isolado nas costas da defesa por um grande passe do Luisão, fazer o segundo golo. E depois de mais algumas jogadas em que o Setúbal pouco mais fez do que andar a correr atrás da bola, com dez minutos da segunda parte decorridos estava feito o terceiro golo, numa jogada entre os dois avançados que terminou com o Rodrigo - que tinha iniciado a jogada - a empurrar a bola à boca da baliza, após passe do Lima. Este terceiro golo acabou com o jogo. E digo isto no sentido literal da coisa, porque o Benfica pouco mais fez até final - talvez o momento melhor tenha sido uma iniciativa individual do André Gomes, que merecia ter acabado em golo. Limitámo-nos a gerir o jogo e o resultado, sem grandes esforços. De um ponto de vista puramente racional esta opção é compreensível, dado que a equipa vem de uma sequência complicada de vários jogos difíceis  e seguidos num período relativamente curto de tempo (desde o dia 30 de Dezembro que temos estado sempre a jogar dois jogos por semana). Mas por outro lado a diferença de golos pode acabar por ser importante na decisão do campeonato, e custa ver-nos desperdiçar uma oportunidade para melhorarmos esse aspecto. E para além disso parece-me que os quase quarenta mil adeptos que se deslocaram nesta noite fria à Luz talvez merecessem pelo menos mais algum tempo de futebol, e um pouco menos de peladinha.

 

 

Para mim o melhor do Benfica foi o Enzo Pérez. Hoje deu obviamente nas vistas pelo golo que marcou, mas para mim foi o melhor por muitos outros motivos. Nem sei se terá feito alguma coisa errada durante o tempo em que esteve em campo. Bem também, como tem sido habitual, o Lima, a dupla de centrais, e o Maxi Pereira. Parece-me que o facto de estar a ter oportunidade para descansar um pouco, já que o André Almeida tem cumprido sempre que é chamado, lhe está a permitir recuperar a boa forma.


Resumindo, foi uma vitória muito fácil do Benfica, obtida com um esforço aparentemente mínimo. Agora acho que até vou estranhar ter que esperar uma semana inteira para voltar a ver um jogo do Benfica.

por D`Arcy às 00:11 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sexta-feira, 01.02.13

Do querer e do poder agredir

Edo Bosch é guarda-redes de hóquei em patins do FC Porto. Edo Bosch na época passada, no Pavilhão da Luz, começou a insultar os adeptos do Benfica logo no aquecimento. Fez gestos obscenos para o público e foi repetindo provocações até ao final do jogo. Fê-lo deliberadamente, fê-lo porque pôde. Não sofreu qualquer sanção pelo acto. Quem estava no pavilhão viu e algumas imagens da transmissão televisiva também o mostraram. O assunto não foi abordado pela comunicação social e esta calou deliberadamente. Mais uma vez, com esse silêncio ajudou a legitimar o acto de um atleta que insultou quem pagou para o ver exercer a sua actividade profissional.

 

Edo Bosch, no dia 5 de Janeiro, agrediu um adepto do Benfica, em pleno Pavilhão da Luz. A agressão foi feita nas barbas da polícia. Foi uma agressão deliberada e Edo Bosch fê-lo porque pôde, porque percebeu que quem tem o poder de sancionar estas condutas nada faz. A comunicação social não pôde negar as evidências do acto, mas tudo tem sido feito para que essa agressão passe com a espuma dos dias.

 

Edo Bosch, segundo alguns testemunhos, no dia 27 de Janeiro – 22 dias depois da agressão ao espectador – agrediu Rui Pereira, um colega de profissão, durante o jogo com o Paço de Arcos. Edo Bosch agride repetidamente porque quer e porque pode. A comunicação social cala porque quer.

 

No momento em que escrevo estas linhas, Edo Bosch continua livre para agredir colegas de profissão e adeptos quando quiser, porque pode. Foi aberto um processo de inquérito por quem pode, a Federação de Patinagem de Portugal. Do dito inquérito nada se sabe e neste silêncio leio que nada fazem porque nada querem fazer. É, certamente, para prestarem serviços destes que serve o estatuto de utilidade pública de uma Federação.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Janeiro e publicado na edição de 01/02/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Quinta-feira, 31.01.13

Strompalhada

Última hora: o Sportém, em desespero e aconselhado pelo Rui Oliveira e Costa, tenta as contratações do Schweisen Tiger, do Quemdirá, do Piol e do Supanurú. O mercado, confuso, refugia-se na bebida.


A Mesa da Assembleia Geral, confusa, marca uma Assembleia Geral para a bancada poente do Alvalixo (debaixo da ponte já não havia espaço), para aumentar as assistências médias.

 

Os adeptos, confusos, decidem fazer uma omelete com a cara do Daniel Sampaio (quiche, que eles são finos).

 

O Niculae, confuso mas aliviado, percebe finalmente que pode deixar de encolher a barriga e tirar a cinta.

 

Nós, confusos, mas amantes da comédia, agradecemos ao visconde por tudo.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 23:43 | link do post | comentar | ver comentários (18)

Seguro

Um Benfica sóbrio e seguro conquistou, com uma exibição muito sólida, mais uma vitória numa deslocação complicada e colocou-se numa posição muito vantajosa no apuramento para a final.

 

 

Algumas alterações na equipa que jogou em Braga, mas a táctica manteve-se, com um único avançado (Lima), apoiado por um médio mais ofensivo, que desta vez foi o Aimar, com o Gaitán a passar para a esquerda. Mudanças também na defesa (André Almeida e Garay em vez do Maxi e do Jardel) e no meio campo (André Gomes no lugar do Enzo Pérez). O jogo na primeira parte foi aquilo que se previa. Pode ser um chavão, mas a verdade é que o Paços de Ferreira é mesmo uma equipa bem organizada. Os jogadores ocupam muito bem os espaços, jogam de forma apoiada e sabem pressionar bem o adversário, não sendo portanto surpresa nenhuma o bom campeonato que estão a fazer. O Benfica sentiu portanto naturais dificuldades para jogar o futebol que mais lhe agrada, e passou por um susto nos minutos iniciais do jogo, pois a boa entrada do Paços até lhe permitiu isolar o Cícero na cara do Artur, mas felizmente ele escorregou na hora de finalizar. Apesar das dificuldades, o Benfica aos poucos foi acertando o seu jogo, o que permitiu que alguns rasgos da qualidade individual dos nossos jogadores fossem criando desequilíbrios e sobressaindo num jogo essencialmente disputado a meio campo. O Lima, Aimar e Gaitán tiveram alguns lances perigosos, que foram desperdiçados ou anulados com alguma dificuldade pela defesa do Paços. O empate ao intervalo espelhava bem o equilíbrio da primeira parte, mas considerando a forma como o Benfica estava a conseguir controlar o Paços e as ameaças que os referidos rasgos individuais iam criando, parecia mais provável que na segunda parte fosse o Benfica a marcar.

 

 

E com o jogo a manter o mesmo perfil, foi mesmo um rasgo individual que permitiu ao Benfica adiantar-se no marcador. Pouco antes de se completar o primeiro quarto de hora o Salvio teve um lance individual pela direita, ultrapassou o defesa e fez o centro que deixou ao Lima apenas o trabalho de, à boca da baliza, encostar para o golo. Em desvantagem, o Paços tentou subir no terreno na procura do empate, mas o cenário ficou ainda mais complicado apenas dez minutos após o golo, pois o Vítor viu um cartão vermelho directo após uma entrada tardia com os pitons à canela do Gaitán - não me pareceu intencional, mas o lance é para vermelho, e este ano já vimos o André Gomes receber a mesma punição por um lance semelhante. Imediatamente a seguir à expulsão, o Benfica fez entrar o Rodrigo, que se foi colocar atrás do Lima para explorar precisamente o espaço extra que se abriu no meio campo. O resultado foi imediato, pois dois minutos após ter entrado o Rodrigo surgiu a rematar na zona frontal à baliza, e o Ola John marcou o nosso segundo golo na recarga. Com este golo o jogo ficou decidido, e a eliminatória muito bem encaminhada. A superioridade do Benfica até final foi evidente, e até poderíamos ter ampliado mais a vantagem, pois o Paços não desistiu de tentar atacar e dava cada vez mais espaço atrás.

 

 

Matic e Luisão em bom plano, o Garay regressou como se nunca tivesse estado ausente. A qualidade do Salvio e do Gaitán também foi importante, e o Rodrigo entrou bem no jogo. O Aimar acusou ainda muita falta de ritmo.

 

E assim fechámos o ciclo de quatro jogos fora. Ao contrário daquilo que certamente muitos desejariam, conseguimos um pleno: quatro vitórias, que significam a manutenção no topo da tabela da Liga, e um passo de gigante em direcção à desejada final do Jamor. Um último reparo em relação à arbitragem: pode ser muito embirração minha com o careca de Braga, devido ao muito mal que eu já o vi fazer ao Benfica, mas para mim hoje esteve ao nível que eu esperava: deplorável.

por D`Arcy às 00:56 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Terça-feira, 29.01.13

A Estrutura

São anos e anos a ouvir a lengalenga da infalibilidade da “estrutura”. Não é uma estrutura qualquer, é “a” estrutura perfeita, nascida e criada de uma intentona desaguada em golpe palaciano e feita de pequenas grandes traições entre amigos. Como dita a história reescrita, é uma estrutura que nasceu imaculada e que se mantem perfeita há trinta anos feitos de longos dias e não menos longas e douradas noites.

 

A estrutura perfeita chegou a assemelhar-se a algo menos perfeito, quando foi apanhada a pagar em prostitutas favores nunca recebidos por parte de honrados árbitros. Sabe-se que esses pagamentos se deveram apenas ao elevado e saudável espírito benemérito que a caracteriza. Exactamente o mesmo espírito que levou o nunca suficientemente louvado líder da estrutura a dar aconselhamento familiar, em casa, a um pobre-diabo necessitado que, por um inocente acaso, era árbitro. A estrutura é tão perfeita que, recentemente, descobriu que havia um regulamentozito mal-amanhado do Campeonato Nacional e que, com o mero intuito de o aperfeiçoar, decidiu remarcar a data da realização de um jogo para um dia que, aparentemente, já não estava dentro das calendas legítimas. Aliás, sem grande esforço, provar-se-á que as calendas gregas existem. Estão na posse da “estrutura”, que as facultará a quem desconfie da marcação de um jogo, em Setúbal, para uma data que em muito parece ultrapassar o período temporal previsto nessa coisa menor chamada… legalidade.

 

A mais recente prova da perfeição da estrutura é esse pormenorzito de terem atropelado uns quantos regulamentos da Taça da Liga. Regulamentos que eles próprios aprovaram e que, caso não haja um “xito” estruturalmente perfeito, atirará borda-fora a sua equipa da dita competição. Obviamente que, perante a infalibilidade da estrutura, se isso vier a acontecer, provar-se-á que quem fica a perder não é a estrutura, mas sim a competição. Uma vez que fica privada de poder contar com a presença de uma estrutura tão imaculadamente perfeita, tão finamente irónica e tão saloiamente esperta, as três Graças que alicerçam a “estrutura”, esse monumento de perfeição.

 

por Pedro F. Ferreira às 17:30 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 27.01.13

Raça

Foi hoje, Jesus. Não foi fácil, foi preciso sofrer, lutar muito e mostrar muita raça, mas no final saímos da pedreira de Braga com o resultado desejado, que pode significar um passo importantíssimo na luta do título.

 

 

No onze apenas uma alteração em relação ao último jogo: Ola John no lugar do Cardozo. Mas tacticamente fomos uma equipa diferente, entregando ao Gaitán o papel de jogar solto nas costas do Lima, fazendo a ligação entre o meio campo e o ataque. E isso fez muita diferença, porque durante muito tempo o Braga não pareceu ser capaz de adaptar-se à mobilidade do Gaitán, que tanto aparecia a ajudar no meio campo como depois algures no ataque, fosse pela esquerda, direita ou pelo meio. E o Benfica dificilmente poderia pedir melhor entrada no jogo, pois após uma primeira ameaça do Enzo Pérez  acabou por colocar-se em vantagem logo aos cinco minutos. Gaitán na jogada, pela direita, passe para o centro da área, o Lima arrastou o defesa com ele e o Salvio acabou por marcar à segunda, aproveitando a lentidão do Haas a reagir após a defesa do Beto. O Braga reagiu bem ao golo e tentou responder, conquistando diversos cantos, e num deles obrigou mesmo o Artur a uma defesa muito apertada, mas na maioria dos casos os nossos jogadores iam conseguindo resolver as situações. Ambas as equipas pressionavam alto na tentativa de recuperar depressa a bola, o que resultou em muita luta na zona do meio campo, mas com o Benfica a ser progressivamente empurrado mais para junto da sua área, sem no entanto deixar de responder em saídas rápidas para o ataque. O Benfica insistiu mais pelo lado esquerdo, num jogo em que, para variar, o Melgarejo esteve bastante ofensivo e o Maxi mais contido do que habitualmente. A velocidade dos nossos jogadores da frente revelou-se decisiva para o segundo golo, que começa num canto livre a favor do Braga. Depois de recuperada a bola, o Gaitán levou-a até ao ataque e serviu o Lima, com um cruzamento demasiado largo, mas o brasileiro foi buscar a bola e fez o golo num remate cruzado que deixou o Beto mal na fotografia. O Braga acusou este segundo golo, o que permitiu ao Benfica jogar os dez minutos que restavam na primeira parte com relativa tranquilidade.

 

 

A segunda parte foi diferente, sobretudo porque o Benfica pareceu apostado em gerir o resultado de uma forma atípica para aquilo a que a nossa equipa está habituada. O Benfica abrandou claramente o ritmo e baixou as linhas para mais junto da sua área, entregando a iniciativa do jogo ao Braga. Mas apesar de dispor de mais bola, o Braga foi praticamente incapaz de criar qualquer lance de perigo, pois os nossos jogadores iam resolvendo as situações sem grande dificuldade - paradoxalmente, o Braga na segunda parte criou menos perigo do que durante a primeira parte. O Benfica tentava depois explorar o adiantamento do Braga, e assim até criou duas boas oportunidades para fazer o terceiro golo, mas numa a tentativa de chapéu do Lima saiu mal, e na outra foi o Beto que defendeu o remate do Salvio. As coisas passaram-se com relativa tranquilidade durante a primeira metade do segundo tempo, mas a partir do momento em que o Braga retirou o Amorim do campo e meteu um extremo, alargando a frente de ataque, complicaram-se um pouco mais. Gerir um resultado de 2-0 acarreta sempre o risco do adversário marcar um golo e depois motivar-se por se ver a apenas um golo de distância, e isto acabou por acontecer mesmo, com o golo a ser marcado precisamente pelo João Pedro, o extremo que tinha entrado, e que explorou bem o espaço entre o central e o lateral esquerdo. O Benfica acusou o golpe e durante uns minutos tremeu um pouco, mas a cinco minutos dos noventa o Haas resolveu fechar uma noite em grande (teve envolvimento directo nos dois golos do Benfica) com um cartão vermelho, por impedir que o Lima se isolasse, e o jogo praticamente ficou resolvido nesse instante. De assinalar, apenas o regresso do Urreta à equipa do Benfica.

 

 

Num jogo como este o principal destaque é mesmo a equipa. Este ano temos sabido mostrar humildade e capacidade para sofrer quando a situação a isso obriga, e hoje foi mais uma prova disso. No plano individual, o Gaitán teve um papel decisivo no jogo - esteve nos dois golos, e foi o elemento que baralhou a estratégia do Braga. É muitas vezes fácil o Enzo Pérez passar despercebido num jogo, e tenho até a sensação que ele é um pouco mal amado entre os benfiquistas, mas eu considero-o fundamental no Benfica desta época. Tem sido quase perfeito em termos tácticos, dando o equilíbrio necessário a um meio campo que diversas vezes luta em inferioridade numérica contra os adversários, e na minha opinião hoje voltou a fazer um jogo muito bom. Gostei também da exibição do Luisão, do Lima, e de ver o Maxi Pereira com muito 'juizinho' num jogo com esta importância.

 

Terceiro importante jogo fora de portas seguido, terceira vitória. Objectivamente, creio que seria difícil pedirmos à nossa equipa mais e melhor do que têm feito até esta altura da época. Mantendo esta atitude, sobriedade e união, teremos todas as condições para um final de época muito feliz.

por D`Arcy às 00:37 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Sexta-feira, 25.01.13

Artigo 78º

ANEXO V REGULAMENTO DE INSCRIÇÃO E PARTICIPAÇÃO DE EQUIPAS “B” NA II LIGA POR CLUBES DA I LIGA

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REGULAMENTO DISCIPLINAR DAS COMPETIÇÕES ORGANIZADAS PELA LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL

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E agora?

por Pedro F. Ferreira às 14:55 | link do post | comentar | ver comentários (19)

Primeira volta

Terminada a primeira volta, importa perceber o que nela se inscreveu de mérito do Benfica em resposta aos profetas que em cada adversidade encontram o som das trombetas apocalípticas.

 

Perante as saídas de Witsel e Javi Garcia, arregaçaram-se as mangas e criaram-se alternativas que rapidamente se demonstraram tão ou mais competentes do que os seus antecessores. Perante as arreliadoras lesões de Aimar e Carlos Martins, criaram-se dinâmicas novas e soluções com outros nomes. Perante o longo castigo e lesão de Luisão, o grupo de trabalho soube ouvir outras vozes de comando. Assim, nomes como Matic, Lima, Enzo, Jardel ou Ola John acabaram por se impor na equipa, aproveitando oportunidades e criando soluções onde as carpideiras patéticas anunciavam desgraças. A estes juntam-se futebolistas como Melgarejo, André Almeida e André Gomes, novos nomes a que nos fomos habituando e em quem aprendemos a confiar sem reservas. Tudo isto faz parte de um Benfica novo, ainda que mantendo as grandes referências das últimas épocas. Tudo isto se deve, especialmente, ao mérito de uma equipa técnica (desde Jorge Jesus a Pietra) que, pelo trabalho e competência, insiste em dar lições de profissionalismo e competência aos comentadores de bolso que se limitam a esperar o deslize para enfiar a facada. Todas estas soluções levaram a que o Benfica tivesse feito uma metade de época invicto no Campeonato, na Taça de Portugal e na Taça da Liga. Será, salvo erro, a segunda melhor primeira metade de Campeonato da História do Benfica e a melhor desde 1972//73 (a do campeonato invicto de Jimmy Hagan).

 

Ao ver este panorama, recordo as palavras de tantos que, cheios da soberba dos ignorantes, se apressaram, no início da época, em anunciar a desgraça. A esses relógios parados à espera dos dois momentos do dia em que ufanos podem dizer “eu bem disse, eu tenho razão”, resta-lhes esperar que na segunda volta do campeonato surja um qualquer Soares Dias (Benfica-Braga) ou Xistra (Académica-Benfica) que lhes alivie a azia.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Janeiro e publicado na edição de 25/01/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 24.01.13

Da actualidade do começo de uma "Cantiga de Amor"...

«Proençaes soen mui bem trobar
e dizen eles que é com amor;

[...]»


El-Rei D. Dinis, CV 127, CBN 489

por Pedro F. Ferreira às 09:11 | link do post | comentar | ver comentários (7)

All you need is love...

 

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 09:05 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Terça-feira, 22.01.13

Arbitragens

Mais uma vez o treinador do Porto volta a mostrar ser uma personagem desprezível. A exemplo do que tem acontecido recentemente, volta a botar faladura sobre arbitragens, numa tentativa óbvia de condicioná-las a seu favor - percebe-se: a época passada resultou na perfeição, já que bastou a cena comovente de pedir que entregassem já as faixas 'à outra equipa' para que se seguisse uma sequência épica de arbitragens nos nossos jogos que o levaram literalmente ao colo desde cinco pontos de atraso até três pontos de avanço.

 

Agora veio falar, logo de uma vez, não só das arbitragens dos seus jogos mas também da arbitragem em Braga e ainda da de ontem em Moreira de Cónegos (para uma pessoa que já afirmou não precisar de ver jogos do Benfica, parece estar muito bem informado sobre os mesmos). Pelos vistos o Sr.Pereira acha estranho que o Matic jogue em Braga. Pretenderia então, presume-se, que num jogo em que o Matic cometeu uma única falta durante os noventa minutos (basta consultar as estatísticas oficiais do jogo para verificar isto), falta essa que foi assinalada por jogo perigoso, num lance em que nem toca no adversário, visse o amarelo que o retiraria do jogo de Braga. Há que ter alguma compreensão pela estranheza do Sr.Pereira, tendo em conta os hábitos adquiridos ao ver, ao longo de várias épocas, jogadores importantes do Benfica serem 'retirados' cirurgicamente de jogos importantes (deve recordar-se, com alguma nostalgia até, do caso Xistra/Miccoli).

 

Parece-me que o facto do Benfica teimar em não descolar da frente do campeonato está a deixar aquela gente com nervoso miudinho. É que assim nem sequer dá para relaxar um pouco na Liga e apresentar equipas secundárias de forma a poupar jogadores para uma aposta mais séria nas competições europeias (um luxo a que o Porto se tem habituado frequentemente, e que por coincidência parece ter tendência para acontecer em épocas em que a aposta na Europa é forte).

por D`Arcy às 14:42 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Segunda-feira, 21.01.13

Trabalho

Pela terceira vez visitámos o Moreirense esta época, e pela terceira vez o jogo não foi nada fácil, apesar da enorme diferença pontual que separa as duas equipas. Foi preciso trabalhar muito para vencer este jogo, mas a nossa qualidade acabou por se impor e justificar a conquista dos três pontos.

 

 

Depois do jogo da Taça a meio da semana, dois regressos à equipa: Maxi e Gaitán, por troca com André Almeida e Ola John. Apesar do risco de ver um amarelo que o colocaria fora do jogo em Braga, o Matic manteve-se no onze e acabou mesmo por jogar os noventa minutos. A primeira jogada parecia querer confirmar as dificuldades que se previam, pois o Ghilas fugiu pela esquerda e, de ângulo apertado, rematou ao poste. Mas foi com naturalidade que o Benfica assumiu o controlo do jogo, embora revelasse dificuldades para atacar com a qualidade do costume - não sei se é do piso, mas sempre que jogamos aqui parece que a bola é mais lenta sobre o relvado. O Moreirense insistiu muito sobre o nosso lado esquerdo, com o Ghilas a fugir ao Jardel para cair nessa zona e a causar dificuldades ao Melgarejo, mas após os primeiros minutos os nossos jogadores acertaram com as marcações e o perigo desapareceu. No ataque é que os problemas eram maiores, pois faltou alguma qualidade no passe e sobretudo maior lucidez e rapidez de execução na altura da finalização. A melhor oportunidade para o Benfica surgiu já sobre o intervalo, numa iniciativa individual do Gaitán, que passou por toda a gente mas depois o passe final saiu mal, com o Salvio a conseguir ainda em esforço, e quase sobre a linha final, rematar ao poste.

 

 

O melhor que poderia ter acontecido ao Benfica foi mesmo marcar logo a abrir a segunda parte. A reentrada em jogo foi forte, e deu frutos logo após três minutos, quando o Salvio pegou numa bola recuperada pelo Lima ainda perto do meio campo, foi por ali fora deixando os adversários todos para trás, e rematou rasteiro para o segundo poste. Com o Benfica em vantagem o jogo mudou bastante, pois passámos a dispor de mais espaços para atacar, e deu para perceber que seria muito mais provável um novo golo do Benfica do que o Moreirense voltar a repor a igualdade. Poucos minutos após o golo, aliás, só mesmo um corte de um defesa do Moreirense em cima da linha de golo evitou que o Salvio voltasse a marcar. Apesar de se esforçar e lutar muito no meio campo, o Moreirense era incapaz de criar perigo, pois o seu ataque resumia-se praticamente a uma luta sem sucesso do abandonado Ghilas contra a nossa defesa. Foi uma questão de esperar até que o Benfica desse o golpe de misericórdia, o que sucedeu a vinte minutos do final. O autor do golo foi o Lima, que finalizou com calma à saída do guarda-redes, após receber um passe do Ola John - tinha entrado minutos antes para o lugar do Gaitán. Com a chuva a aumentar de intensidade o campo ficou cada vez mais pesado e a qualidade do jogo caiu ainda mais, havendo até ao final apenas a assinalar mais algumas ocasiões que o Benfica poderia ter aproveitado melhor para voltar a marcar.

 

 

O Salvio para mim foi o melhor jogador do Benfica esta noite. Gostei das exibições do Luisão e do Pérez também, e ainda da forma como o Melgarejo, depois de ter sido ultrapassado algumas vezes na fase inicial do jogo, depressa soube adaptar a sua forma de defender para não voltar a dar espaços pelo seu lado. Não gostei do jogo que o Cardozo fez.

 

Terminamos assim a primeira volta sem perder qualquer jogo e no topo da classificação. Não foi uma primeira volta perfeita, já que empatámos três jogos, mas não esteve longe disso - o desempenho foi igual ao da primeira volta da época passada. Temos agora que tentar manter a concentração e o nível durante a segunda volta do campeonato, e para isso convém começarmos já com uma vitória no difícil jogo que se segue. Creio que se isso acontecer, será um ímpeto muito grande e talvez mesmo decisivo para que conquistemos este título.

por D`Arcy às 23:39 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 18.01.13

O domínio das novas tecnologias

O recente jogo entre o nosso Benfica e o FCP foi interessante, disputado e pleno de emoção. Não se atiraram calhaus, não se atingiram futebolistas com bolas de golfe nem se atiçaram ‘Abéis’ às canelas de ninguém.

 

Ou seja, tudo seria normal caso, no final, Vítor Pereira não se tivesse comportado como um complexado com o medo de ser atirado borda fora e desatasse, canhestramente, a tentar condicionar arbitragens futuras, invocando a mesma lei do fora de jogo que o solícito Proença na época passada ignorou, oferecendo ao tal Pereira um campeonato que festejaram em conjunto. Felizmente, as novas tecnologias permitem-nos gravar as imagens, fixar os factos e recordá-los sempre que algum Pereira mascara a verdade com o medo de ser corrido do clube que treina.

 

Por falar em novas tecnologias, foi interessante ver, no final do jogo, o Sr. Costa brandir um telemóvel com a imagem de um lapso presente no resultado final apresentado no sítio da Liga na internet. Já noutra célebre ocasião, observáramos como o Sr. Costa conseguia, facilmente, substituir-se a um aparelho de GPS e diligentemente indicar o caminho de sua casa na Madalena a um árbitro que, poucas horas depois do aconselhamento recebido nesse serão, apitaria um jogo em que o clube do Sr. Costa seria um dos contendores. Por este andar, ainda veremos um dia o Sr. Costa a mostrar orgulhoso aos jornalistas as escutas do processo Apito Dourado que estão disponíveis no youtube. São as tais escutas em que, apesar dos esforços de muitos para as silenciar e de outros tantos para as branquear, se percebe muito bem quem é o homem que domina o futebol com o mesmo à vontade com que domina as tecnologias.

 

Para recordar o conteúdo das ditas escutas, basta a memória, a liberdade de expressão e, nos dias que correm, a coragem... ‘tecnologias’ que não são novas nem aceitam o domínio de ninguém.

 

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 15 de Janeiro e publicado na edição de 18/01/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post

Passeio

Passagem às meias-finais da Taça de Portugal garantida num verdadeiro passeio do Benfica até Coimbra. Com uma entrada fortíssima, resolvemos o jogo cedo e depois controlámo-lo sempre no ritmo que nos foi mais conveniente.

 

 

Três alterações no onze que defrontou o Porto: entraram Luisão, André Almeida e Ola John, e saíram Garay, Maxi e Gaitán. A entrada em jogo do Benfica foi simplesmente demolidora: logo na primeira jogada de ataque, só não houve golo porque o remate do Cardozo (que decidiu fazê-lo em jeito e não em força) foi cortado praticamente em cima da linha por um defesa adversário. Mas quase nem deu tempo para ficarmos irritados com essa jogada, visto que aos quatro minutos a bola entrou mesmo na baliza da Académica, num remate rasteiro e muito colocado do Ola John à entrada da área, após passe do Lima. Mais quatro minutos e o Lima agora no papel de finalizador, a surgir sobre a linha da pequena área para empurrar um passe do Matic da esquerda para o fundo da baliza. A Académica ficou completamente atordoada com este início de jogo, e nem sequer conseguia esboçar qualquer tipo de reacção, pois o meio campo do Benfica, com o Matic e o Pérez em bom nível, dominava completamente as operações. Toda a equipa pressionava alto, e como resultado disso a Académica perdia facilmente a bola, muitas vezes mesmo em posições comprometedoras. Antes da meia hora o Benfica acrescentou ainda mais certeza sobre quem passaria às meias finais, com um bonito golo do Lima, que fugiu descaído para a direita e depois fez um chapéu ao Peiser - um golo a fazer lembrar um pouco outro golo, também muito bonito, marcado pelo Miccoli em Leiria há uns anos. E o resultado não foi ainda mais dilatado ao intervalo porque o Peiser, por instinto, negou com a perna o golo ao Cardozo.

 

 

A Académica entrou um pouco mais decidida para a segunda parte, tentando no mínimo despedir-se do troféu que detém com uma imagem um pouco mais positiva, e até conseguiu obrigar o Artur a uma boa defesa, opondo-se a um remate de primeira de fora da área no seguimento de um canto, mas pouco mais conseguiu fazer do que isso. O Benfica guardava bem a bola, fazendo-a circular pelos seus jogadores e depois explorando o espaço que surgia entre a defesa e o meio campo da Académica quando os médios subiam no terreno para tentar recuperar a bola. Com metade do segundo tempo decorrido o Benfica mudou para uma táctica de apenas um avançado e três médios interiores, trocando o Cardozo e o Ola John pelo Gaitán e o Carlos Martins, e a partir daí então a Académica praticamente deixou de ter bola. A vinte minutos do final chegou um previsível quarto golo, pelos pés do Salvio após uma jogada em que a equipa do Benfica faz uma boa troca de bola entre vários dos seus jogadores - a jogada começou num livre directo marcado pelo Lima, que foi defendido para a frente pelo guarda-redes, e depois disso viajou sempre pelos pés dos nossos jogadores até ao meio campo e de regresso, até acabar dentro da baliza. Depois deste golo a Académica quase deixou de existir, e o Benfica poderia e até deveria mesmo ter construído um resultado ainda mais dilatado, dadas as oportunidades que teve para marcar - sendo particularmente flagrante um falhanço do Gaitán.

 

 

Lima o melhor em campo, terminando com dois golos e uma assistência. Salvio também muito bem, e a dupla central do meio campo a exibir-se a um nível alto. O André Almeida voltou a mostrar que não será por ali que a equipa vai tremer.

 

Temos o Jamor um passo mais próximo. Pela frente teremos agora o Paços de Ferreira, numa meia-final a duas mãos com o disparatado intervalo de dois meses e meio entre os dois jogos. O jogo de hoje foi uma boa demonstração que o resultado negativo contra o Porto não terá afectado a equipa, que transbordou confiança. Será necessário manter esta qualidade nas duas importantes saídas que se seguem para a Liga.

por D`Arcy às 00:50 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 14.01.13

Equilíbrio

O empate é o resultado ajustado ao que se passou no jogo desta noite, marcado pelo equilíbrio. Sabe-nos talvez a pouco porque sabemos que o Benfica pode fazer melhor. Mas, mais uma vez, erros individuais graves de jogadores nossos acabam por permitir ao Porto sair de nossa casa sem ser derrotado.

 


Dois avançados de início (Cardozo e Lima), Gaitán a manter a titularidade na esquerda em detrimento do Ola John. Os minutos iniciais do jogo foram frenéticos, com o Porto a colocar-se em vantagem na primeira oportunidade de que dispôs. Aos oito minutos de jogo, livre a meio do nosso meio campo, sobre a direita, e golo do Mangala, que apareceu solto na cara do Artur para cabecear. A resposta do Benfica foi imediata, repondo a igualdade dois minutos depois, com um golo muito bonito: cruzamento do Melgarejo, toque de cabeça do Cardozo, novo toque de cabeça do Jardel para trás, e depois o Matic, à meia volta e sem deixar a bola cair, a encher o pé para um golão. Remediado o mal rapidamente, podia agora o Benfica procurar colocar-se em vantagem, mas o que certamente não estava nos planos era o erro grotesco do Artur, que por duas vezes na mesma jogada falhou com os pés, quando pressionado pelo Jackson: primeiro falhou o passe, e depois não conseguiu colocar a bola fora, permitindo que o adversário ficasse na posse dela e marcasse, pese o esforço do Garay para o impedir. Mais uma vez, a resposta do Benfica foi a melhor e imediata: dois minutos depois uma boa combinação pela direita entre o Maxi e o Salvio culminou num cruzamento rasteiro deste para a área. A defesa do Porto não conseguiu aliviar a bola e esta sobrou para o remate fulminante do Gaitán. Com quatro golos marcados nos primeiros dezasseis minutos, o jogo prometia muito, mas pareceu que depois disto ambas as equipas passaram a ter mais receio de voltarem a sofrer um golo, e arriscaram muito menos. Do outro lado, o Porto praticamente entregou as despesas de ataque pela direita ao lateral direito Danilo, com o Defour a juntar-se no meio e a criar uma superioridade numérica muito grande nessa zona do campo. Oportunidades de golo praticamente não se viram depois daqueles quatro golos, arrastando-se o empate até ao intervalo.



Mais de exactamente o mesmo na segunda parte. Jogo muito disputado a meio campo, posse de bola dividida entre as duas equipas, mas nada de ocasiões de golo. O Benfica mexeu tacticamente, primeiro trocando o Pérez pelo Carlos Martins, depois o Lima pelo Aimar, de forma a povoar mais o meio campo, e do outro lado ainda entrou o manco do Ismailov, mas o cariz do jogo nunca se alterou. Contei uma única verdadeira oportunidade de golo durante toda a segunda parte, e essa foi para o Benfica. Uma troca rápida de passes entre o Aimar e o Gaitán acabou por deixar o Cardozo completamente isolado a caminho da baliza, com tudo para fazer golo. Mas o paraguaio permitiu que o Hélton desviasse ligeiramente a bola, de forma a fazê-la embater no poste da baliza, perdendo-se aí a grande ocasião para o Benfica vencer este jogo. A intensa disputa a meio campo, aliada à teimosia do árbitro em mostrar cartões amarelos durante a maior parte do jogo acabou por resultar num aumento de quezílias à medida que nos aproximávamos dos noventa minutos, sendo que, honestamente, fiquei com a nítida sensação de que o Maxi Pereira poderia ter visto o vermelho já sobre o final do jogo, numa entrada perfeitamente disparatada e fora de tempo.

 


O melhor do Benfica foi o Matic, sem qualquer dúvida. O pior foi o Artur. O Pérez e o Cardozo também tiveram um jogo fraco, mas pelo menos nenhum deles ofereceu um golo ao adversário.


O empate é um mau resultado, obviamente, porque jogámos em casa e ainda por cima o Porto apresentou-se desfalcado do Rodríguez e, sobretudo, do Proença, pelo que desperdiçámos uma oportunidade soberana para nos isolarmos no topo da classificação. Mas não é propriamente o fim do mundo, e não é por causa disto que deixamos de ter intactas as aspirações a sermos campeões. Agora é tempo de nos concentrarmos no próximo objectivo, que é o jogo dos quartos-de-final da Taça já na próxima quinta-feira.


P.S.- O treinador do Porto, apesar de já não ser necessária qualquer confirmação a esse respeito, voltou a demonstrar que não passa de um qualquer dejecto, um traste da pior espécie que assim que não estiver no poleiro dourado que o Porto lhe proporciona depressa voltará à sarjeta onde merece estar.


P.P.S.- Antecipando-me já a algumas pessoas que eu sei que andam há muito a afiar facas à espera de uma ocasião, digo-o sem quaisquer dúvidas: se fosse eu a decidir, renovava esta noite com o Jorge Jesus.

por D`Arcy às 00:21 | link do post | comentar | ver comentários (63)
Sexta-feira, 11.01.13

Ser B

Em termos futebolísticos, o melhor de 2012 foi, possivelmente, a criação das equipas B num enquadramento competitivo bastante interessante e que começa a dar frutos.

 

O Benfica B tem servido ao nosso Clube para testar futebolistas, criar estaleca competitiva em jovens que estão em pleno processo de maturação e, de forma muito profícua, ajudado a suprir lacunas pontuais na equipa A. Jardel, antecipando o castigo de Luisão, ganhou ritmo na equipa B e o próprio Luisão também já o fez. João Cancelo tem demonstrado um potencial que antecipa um futuro risonho no futebol e Miguel Rosa, revelando categoricamente todo o seu potencial, demonstra poder ser, no imediato, um bom valor do futebol português. Luís Martins desperta a cobiça de emblemas primodivisionários e Mika começa a justificar um olhar mais atento no panorama futebolístico nacional. Além de tudo isto, o que mais se realça é o facto de as equipas B servirem como viveiro para poderem suprir lacunas no plantel da equipa principal. No Benfica, André Almeida e André Gomes são exemplo da mais-valia de ter um plantel “suplente” em actividade competitiva e sempre disponível. Demonstra como duas equipas se complementam e servem, articuladamente, o mesmo Clube.

 

Honra seja feita, também o Sporting tem (apesar do desastre de proporções circenses / apocalípticas que tem sido a sua equipa A) aproveitado bem a sua equipa B. Vejamos o exemplo de Dier e Esgaio que têm ajudado nos trabalhos da equipa principal. De uma forma diferente, mas singularmente interessante e muito louvada pela generalidade dos observadores, o FCP, com a contratação de Izmailov, também acabou por se socorrer de uma espécie de equipa B que costuma estar à sua disposição.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Janeiro e publicado na edição de 11/01/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 10.01.13

Calafrio

Ainda deu para apanhar um pequeno calafrio, mas o Benfica lá cumpriu a sua obrigação de vencer, carimbando assim a passagem às meias-finais da Taça da Liga, e mantendo a invencibilidade nas provas internas esta época.

 

 

Já é habitual nesta competição apresentarem-se equipas menos rodadas, e a noite de hoje não foi excepção. Dos jogadores mais utilizados habitualmente apenas jogaram de início o Jardel, Lima e Ola John, sendo que a titularidade do holandês poderá querer dizer que será o Gaitán a alinhar de início no jogo de Domingo. Destaque para o regresso do Aimar à titularidade, o que já não acontecia há bastante tempo. O recentemente regressado Roderick também foi titular no centro da defesa. O jogo não foi muito diferente daquilo que seria previsto. O Benfica a ter naturalmente maior iniciativa no jogo, e a Académica fechada mais atrás, tentando sair rapidamente para o contra-ataque sempre que possível. O ritmo imposto pelo Benfica é que nunca foi muito forte; jogou-se de forma pausada e sem muita qualidade, com demasiados passes falhados e muitos deles pelo Aimar, que mostrou estar ainda longe da melhor forma. Com o Ola John e o Bruno César também bastante abaixo do expectável, isso reflectiu-se na qualidade do nosso jogo ofensivo, com pouquíssimas ocasiões de golo a serem criadas. Apenas por uma vez durante a primeira meia hora se viu uma real ocasião de golo, com o Nolito a rematar e a bola a sair muito perto do poste. À medida que o intervalo se aproximava o Benfica aumentou um pouco mais a pressão e foi recompensado a cinco minutos do apito, quando o Lima, isolado após um bom passe do Bruno César, contornou o guarda-redes e marcou com facilidade. Infelizmente o Bruno César decidiu que não se ficaria por aí em matéria de assistências, e no último lance da primeira parte colocou a bola nos pés do Makelele, que seguiu em direcção à baliza e empatou o jogo.

 

 

Se a primeira parte acabou mal, a segunda pior começou. Estavam passados cinco minutos e já o Benfica se via numa situação de virtualmente eliminado, após o segundo golo da Académica, numa jogada muito semelhante à do nosso primeiro golo: passe para as costas da defesa e o Saleiro, isolado, marcou. A Académica revelava-se extremamente eficaz, marcando dois golos nas duas oportunidades de que dispôs, e cabia agora ao Benfica inverter esta situação. Isto não aconteceria certamente se continuássemos a jogar da mesma forma, e foi portanto com toda a lógica que vimos o nosso treinador mexer na equipa pouco antes de termos completado uma hora de jogo, retirando dois dos jogadores com menor rendimento (Bruno César e Aimar) para colocar mais um avançado (Kardec) e o Carlos Martins, o que fez o Benfica regressar ao esquema táctico mais habitual esta época, com dois avançados. As alterações depressa surtiram efeito, pois cinco minutos após ter entrado em campo foi mesmo o Kardec quem, aproveitando um centro do Ola John na direita, cabeceou para o golo do empate. E decorridos mais quatro minutos, novamente o Kardec a ter uma intervenção decisiva, combinando com o Lima para que este, isolado, marcasse o terceiro golo. Já com o Salvio em campo (entrou imediatamente a seguir ao empate) e o Ola John na esquerda, onde claramente está mais à vontade, o Benfica jogava agora num ritmo bem mais elevado e que a Académica já não conseguia acompanhar. Mais facilitada ficou ainda a nossa tarefa para os últimos vinte minutos, quando a Académica ficou reduzida a dez, permitindo-nos gerir tranquilamente o resultado, sendo que até poderíamos tê-lo ampliado, pois oportunidades para isso não faltaram.

 

 

O Lima foi o man of the match esta noite, com dois golos marcados e ficando perto do hat trick. Gostei da exibição do André Gomes, e a entrada do Kardec revelou-se decisiva para o desfecho do jogo. O Salvio também entrou muito bem na partida.

 

Mais uma vez nas meias-finais da Taça da Liga, e mais uma vez com a ambição de a vencer. Já o disse antes: gosto de ver o Benfica vencer este troféu repetidamente, e gosto de ver a urticária que isso provoca aos nossos rivais, que os obriga a esforçarem-se para desvalorizá-lo. E não percebo muito bem porque é que este troféu há-de valer menos do que outro para o qual basta um único jogo para o conquistar. Deve ser porque, ao contrário do que se passa com esse, somos nós quem tem mais Taças da Liga.

por D`Arcy às 00:42 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 07.01.13

Do sensível para o inteligível



O momento de génio, na arte, rasga as regras e expõe o mistério da criatividade. É o momento, aquele momento definido em que vemos a beleza do rasgo criativo.
por Pedro F. Ferreira às 12:30 | link do post | comentar | ver comentários (8)

Classe

O jogo era previsivelmente complicado, face ao bom futebol que o Estoril tem apresentado, ainda demorámos um pouco a assentar o nosso futebol, mas no final conseguimos uma vitória incontestável e sem grandes sobressaltos, decidida com pinceladas de classe dos nossos jogadores.

 

 

O Rodrigo e o Gaitán mantiveram a titularidade que lhes tinha sido dada no jogo com o Aves para a Taça de Portugal, deixando o Lima e o Ola John no banco, sendo também de destacar a presença no mesmo do Aimar, finalmente de regresso após a longa ausência por lesão. Não foi muito boa a primeira parte do Benfica. Apesar de estarmos sempre mais por cima no jogo e pressionarmos mais na procura do golo, foram poucas as vezes em que conseguimos atacar bem ou criar lances de grande perigo junto à baliza do Estoril. O jogo foi muito disputado na zona central, e o Matic e o Pérez estiveram algo apagados durante os primeiros quarenta e cinco minutos, o que acabou por atrapalhar a nossa construção de jogo ofensivo. Durante a primeira meia hora, apenas por uma vez o Benfica desenhou uma boa jogada, em que o Cardozo acabou por desperdiçar de uma forma um pouco escandalosa um cruzamento do Rodrigo da esquerda. Nos dez minutos finais começámos a apertar um pouco mais, e fomos recompensados. Primeiro vimos o Melgarejo, isolado sobre a esquerda, ver o guarda-redes defender para canto. Na sequência do canto (marcado, de forma pouco habitual, pelo Cardozo), à segunda tentativa, saiu um remate fantástico no Gaitán, de calcanhar, que resultou no primeiro golo. E ainda antes do intervalo, nova oportunidade para o Benfica, mas o Rodrigo rematou com pouca força e acabou por ser um defesa do Estoril a conseguir aliviar quase sobre a linha de golo.

 

 

Para a segunda parte veio o Lima no lugar do desinspirado Rodrigo, e veio um Benfica a pressionar bastante mais em busca do golo da tranquilidade. O Lima jogou mais próximo do Cardozo - na primeira parte o Rodrigo andou mais solto, tendo inclusivamente chegado a trocar de posição com o Gaitán - e deu bastante mais trabalho aos defesas do Estoril, ajudando assim a que forçássemos o adversário a encolher-se cada vez mais para junto da sua área. No nosso meio campo o Matic e o Pérez (sobretudo este) subiram muito de produção, e contribuíam para matar quase à partida as saídas do Estoril para o ataque, aspecto em que costumam ser fortes. Foi aliás de uma recuperação de bola do Pérez numa destas situações que resultou o segundo golo do Benfica. A bola seguiu para o Gaitán, que fez um grande passe para o Lima. E se o passe foi bom, o trabalho do Lima foi melhor ainda, controlando a bola com o peito para depois fuzilar a baliza do Estoril. Uma hora de jogo estava passada, e tínhamos a sensação de que a vitória já não escaparia. E a sensação ficou reforçada seis minutos depois, com mais um grande golo do Benfica, num remate acrobático do Salvio, de primeira, que levou a bola a bater na barra e depois a cair já para lá da linha de golo, valendo-nos a atenção do auxiliar para confirmar o golo. Com um resultado dilatado no marcador, o Benfica relaxou um pouco e passou a gerir o jogo com tranquilidade, sendo-nos até proporcionada a alegria de assistirmos ao regresso do Aimar, para os últimos quinze minutos do jogo. A única mancha aconteceu mesmo a fechar, quando um erro do Artur, largando uma bola vinda de um cruzamento da esquerda, permitiu ao Estoril marcar o golo de honra, mas não foi nada que colocasse em causa a nossa vitória ou a justeza da mesma.

 


Garay, Gaitán e Lima são os destaques maiores da nossa equipa. O primeiro continua praticamente sem cometer um erro. É quase intransponível no um para um, e ainda parece aparecer em todo o lado para fazer cortes incríveis ou compensar falhas dos colegas. O segundo confirmou neste jogo as boas indicações que tinha deixado a meio da semana, contra o Aves, e ajudou a decidir o jogo com pormenores de classe: um golo incrível e um grande passe para outro. O terceiro foi decisivo para a melhoria do jogo do Benfica na segunda parte, tendo marcado um grande golo que sentenciou o vencedor.

 

Mais uma vez o Benfica soube tornar fácil um desafio que se previa complicado. A nossa equipa está a jogar com muita confiança, e vai chegar ao importante jogo do próximo fim-de-semana num pico de forma. Basta-nos agora manter as coisas simples e continuar a fazer aquilo que sabemos. Confio muito no nosso valor.

por D`Arcy às 01:10 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Quinta-feira, 03.01.13

Fácil

Noite tranquila para o Benfica, que carimbou a passagem aos quartos-de-final da Taça de Portugal com uma goleada num jogo que cedo soube tornar muito fácil.


 

Nem vale a pena estar a escrever muito sobre um jogo cuja história praticamente se resume à meia dúzia de golos que o Benfica marcou. Com meia equipa titular de fora, não foi por isso que a equipa se ressentiu, e os jogadores que alinharam tiveram vontade de mostrar serviço. Mesmo sem impor um ritmo elevado ao jogo, o Benfica marcou logo aos cinco minutos, praticamente na primeira oportunidade de que dispôs, com o Rodrigo a aproveitar a assistência do Gaitán (grande passe do Cardozo a desmarcá-lo) para finalizar de forma muito fácil à boca da baliza. A defesa em linha do Aves foi muito pouco eficaz, as marcações quase não existiram, e os nossos jogadores aproveitavam para surgir diversas vezes soltos nas costas da defesa. Com pouco mais de meia hora de jogo decorrido já o Benfica tinha a questão mais do que resolvida, com quatro golos marcados sem resposta, depois do Cardozo ter feito um hat trick (dos verdadeiros) no espaço de catorze minutos - começou aos dezoito e acabou aos trinta e dois. Primeiro aproveitou um mau atraso de um adversário para contornar o guarda-redes e marcar, e depois cabeceou de forma certeira dois cruzamentos do Rodrigo. E se calhar o resultado ao intervalo até poderia ser mais dilatado, mas entre algum excesso de confiança, alguns foras-de-jogo mal tirados e até o que me pareceu um penálti claro sobre o Gaitán que ficou por marcar, nada se alterou.

 

 

A segunda parte trouxe a experiência (forçada) do Matic a central, dada a lesão do Jardel, mas nada de diferente no jogo. O Benfica nem sequer forçou muito, foi simplesmente jogando, sabendo que mais um ou outro golo acabaria por aparecer. O Aves continuava a defender mal - com uns dez ou quinze segundo decorridos já o guarda-redes tinha oferecido a bola ao Rodrigo, e o lance só não resultou em golo porque nem ele, nem o Nolito quiseram rematar - e o resultado acabou por ser ampliado num bom lance individual do Rodrigo, que sobre o lado direito tirou um adversário do caminho e rematou cruzado para o poste mais distante. Depois disto o Aves criou finalmente algum perigo num curto espaço de tempo, primeiro num remate que não passou longe da barra, e depois num cabeceamento que obrigou o Artur à defesa da noite. O nosso sexto golo chegou da marca de penálti, quando à terceira falta dentro da área (antes já tinha havido outra sobre o Nolito) o sportinguista Hugo Miguel lá se decidiu a apitar - deve ter sido esse o nosso erro o ano passado em Coimbra: só houve dois lances para penálti. Pareceu-me que o Lima, que tinha sofrido a falta, iria deixar o Nolito marcar, mas o Jorge Jesus mandou que fosse mesmo o Lima, e este não falhou. Ainda faltavam dezoito minutos para o final, mas o marcador não voltou mais a funcionar.

 

 

Os destaques maiores da equipa vão para a dupla de avançados: o Cardozo fez três golos e teve participação decisiva noutro, e o Rodrigo marcou dois e deu outros dois a marcar ao parceiro de ataque.

 

Demos mais um passo na direcção do Jamor, onde já não vamos há demasiado tempo. Espera-nos agora um adversário complicado nos quartos-de-final, que em casa defende o troféu conquistado a época passada. Mas se o campeonato é o principal objectivo, a Taça deverá ser o que se lhe segue. Teremos apenas que jogar o nosso futebol e provar que o empate com o Xistra no jogo para a Liga naquele estádio não foi mais do que um acidente de percurso.

por D`Arcy às 01:11 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Domingo, 30.12.12

Medíocre

Considerando aquilo que vi durante os noventa minutos, o empate com o último classificado da Liga acaba por ser um mal menor, e um resultado até algo lisonjeiro para o Benfica. A exibição foi medíocre - das piores que vi esta época - parecendo por vezes que os jogadores deviam pensar que ainda estavam de férias.


 

Nem sequer se pode utilizar a justificação de se ter apresentado uma equipa pouco rotinada: o onze titular foi praticamente o habitual, com apenas três ausências: Artur, Luisão e Maxi (jogaram o Paulo Lopes, Jardel e André Almeida). Pouco de positivo há a dizer sobre o jogo: foi um daqueles em que ao fim de uns dez minutos já dava para ficar com a sensação de que as coisas iriam correr mal. Pouca inspiração no ataque, com os jogadores a tentar com demasiada frequência fazer as coisas sozinhos, e acima de tudo muito pouca agressividade na luta pela recuperação da bola e lentidão a recuar no terreno, o que permitia ao Moreirense contra-atacar com perigo sempre que perdíamos a bola no ataque. Na frente de ataque contámos com uma dupla em acérrima competição para ver quem estava mais desinspirado, e acabou por ser necessário ir a penáltis para desempatarem. Parecia que a equipa estava mais uma vez à espera de dar avanço ao adversário para depois recuperar, e o golo do Moreirense acabou por surgir perto do intervalo. O seu autor foi o suspeito mais provável - Ghilas. Já tinha falhado incrivelmente um cabeceamento na cara do Paulo Lopes, e desta vez, isolado (depois de mais uma perda de bola displicente numa saída nossa para o ataque) não perdoou.

 

Mas a reacção do Benfica ao golo não foi a melhor. É certo que os jogadores pareceram esforçar-se um pouco mais, mas continuaram a jogar bastante mal. Apesar de ter sido forçado a recuar no terreno, o Moreirense nem sequer pareceu ter grande dificuldade em ir sustendo as investidas do Benfica, que na maior parte dos casos nem chegavam a causar perigo. A grande excepção deu-se quando o Benfica beneficiou de um penálti, após um derrube ao Lima, que tinha sido isolado nas costas da defesa por um bom passe do Matic. Mas dando sequência à exibição desastrada que vinha fazendo, o próprio Lima viu o guarda-redes defender o seu remate. À medida que o tempo foi decorrendo o Benfica foi jogando de forma cada vez mais atabalhoada, enquanto que iam entrando avançados em jogo. Já em período de descontos, e numa altura em que até o Kardec já estava em campo, novo penálti a nosso favor, após uma placagem ao Cardozo. Desta vez foi o Cardozo a encarregar-se da marcação, e a exemplo do que tem feito ultimamente, marcou com muita calma, enviando a bola para um lado e o guarda-redes para o outro.

 

O resultado acaba por permitir ao Benfica manter-se na frente do grupo, dependendo apenas de si mesmo para conseguir o apuramento para as meias-finais. Isto é uma das duas coisas positivas do jogo de hoje. A outra foi o facto de um jogo disputado às quatro da tarde, mesmo que para a Taça da Liga, ter resultado numa casa cheia como raramente se vê. Pena é que este público tenha sido presenteado com uma exibição tão desinspirada.

por D`Arcy às 20:47 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Sexta-feira, 28.12.12

Os inocentes

Paulo Pereira Cristóvão, actualmente ex-vice presidente do Sporting, foi acusado de sete crimes pelo Ministério Público. De entre os crimes, estão o branqueamento de capitais e a burla qualificada. Decorrente desta investigação, há a convicção, por parte do Ministério Público, de que, enquanto esse cidadão desempenhava funções directivas no Sporting, teria espionado futebolistas, árbitros e dirigentes, fomentando ainda uma tentativa de espionagem do complexo desportivo do Benfica, no Seixal. Tudo isto complementado com uma canhestra atitude de patrocinar o depósito de dinheiro na conta de um fiscal de linha nomeado para um jogo do Sporting.

 

Com base na presunção da inocência, todos nós somos inocentes até prova em contrário e, como tal, todos olhamos inocentemente para este cândido cenário. Assim, inocentemente, acreditamos que este rol de acusações é uma cabala ou um mal-entendido para com o cidadão que veio ao Estádio da Luz chamar pré-históricos aos dirigentes do Benfica. Possivelmente, por estes se recusarem a usar os métodos de dirigismo pós-moderno do referido cidadão. Do mesmo modo, acreditamos todos que estes métodos alegadamente “pereirianos” nada tinham que ver com a viciação das competições em que o clube de que era vice-presidente estava envolvido. Obviamente, como todos somos inocentes, isto de andar a espiar árbitros, adversários e a depositar dinheiro em contas de membros de equipas de arbitragem é, certamente, um acto individual, para servir interesses que não nos dizem respeito, e só por má-fé se pode concluir que, a ser alguma coisa, fosse mais do que isso.

 

É dentro deste clima de inocência total que se percebe o alheamento da justiça desportiva relativamente a isto tudo e, como inocentes que somos, nem sequer comentamos a decisão do Sporting não se constituir como assistente em todo o processo… Qualquer inocente conclui que o tal clube “diferente” nada tem que ver com isto.

 

por Pedro F. Ferreira às 12:40 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Segunda-feira, 24.12.12

Votos natalícios

Votos de um Natal Glorioso para todos os nossos leitores.
por Pedro F. Ferreira às 17:20 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 21.12.12

Adiou-se a verdade

O futebol, tal como o teatro, é uma arte. Setúbal é uma honrada cidade marcada pelo teatro (veja-se a grande herança de Luísa Tody) e pelo futebol. Assim, poderemos dizer que, na passada sexta-feira, todos pudemos assistir, com a decisão de adiar o jogo entre o Setúbal e o FCP, a um golpe de teatro.

 

Jogar num relvado encharcado retira uma grande percentagem da vantagem técnica e da velocidade aos intervenientes no jogo. Logo, a equipa mais dotada acaba por ter mais dificuldades em fazer valer as suas valências. Todos vimos (até Pedro Henriques, o comentador da Sporttv, normalmente dócil para com o FCP) que o relvado do Bonfim estava em condições. Estava bem melhor do que o relvado de Coimbra, onde o Benfica viu, recentemente, a arbitragem tirar-lhe dois pontos. Todos vimos a representação de Proença (quem mais poderia ser?!), desesperadamente em busca de dois charquitos no imenso relvado, onde pudesse deixar cair a bola e demonstrar ao mundo que a bola não salta quando cai na lama. Estava feita a prova da legalidade da decisão e estava demonstrado como a verosimilhança é importante na representação teatral. No entanto, isso não basta para que se chame verdadeiro ao que é apenas verosímil.

 

A pantomina continuou com as declarações servis do presidente do Vitória e a enternecedora imagem de Joaquim Oliveira, qual mordomo papal, a segurar o guarda-chuva do Sr. Costa. Seja como for, não era necessário tanto esforço para nos convencerem de que tudo aquilo foi legítimo e necessário. Pois, normalmente, naquele palco e com aqueles actores, costuma haver um par de servis e salvadoras substituições lá pelo minuto 58. Ou seja, por vários motivos, sabemos que não havia necessidade de Proença ter decidido, mais uma vez, adiar… a verdade desportiva.

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Dezembro e publicado na edição de 21/12/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 20.12.12

Muito provavelmente, é mesmo a última

 

Como toda a gente sabe, por volta do dia 24 de Dezembro de 32 d.C., Jesus Cristo e a sua entourage reuniram-se num restaurante da Damaia para comemorar mais um aniversário, partir uns pães e beber uns jarros. Foi uma coisa em conta, bem montada pelo apóstolo Mateus (normalmente o tipo a cargo da organização das jantaradas), com um menu a 27 talentos (sensivelmente 18 EUR) tudo incluído, com direito a bebida de entrada, picanha e acompanhamentos à discrição, vinho da casa ou cerveja e sobremesa (a escolher entre arroz doce e mousse de chocolate). Na altura, todos os apóstolos puderam estar presentes, coisa que nunca mais aconteceu (na altura da Páscoa, o Pedro tinha um encontro na Figueira da Foz com o sindicato dos pescadores e o Judas teve outro jantar suspeito antes e chegou mais tarde), pelo que esta ficou conhecida como a Última Ceia (as jantaradas dos apóstolos eram conhecidas por se arrastarem por várias horas e passarem para o dia seguinte até à hora de fecho dos restaurantes, pelo que João Baptista, que foi a uma - nunca mais foi convidado porque despejava os jarros em cima da cabeça dos convidados - as baptizou, no gozo, de Ceias).

 

Acho simpático e de bom tom (e profético, dada a fase em que estão) que a lagartagem, gente de fino recorte e cuidada educação que conhece bem a sua história cristã e o Novo Testamento, tenha querido recriar essa jantarada precisamente na quadra que se associa à Última Ceia (como toda a gente sabe). O que já não sei se faz muito sentido é o facto de a terem recriado como um misto entre um musical burlesco (e todos sabemos o quanto esta gente gosta de musicais) e um jantar de gente do circo dos anos 30. Nada na história do cristianismo e na Bíblia fala sobre um gnomo ter estado presente na Ceia e ter levado tipos em cuecas e touca, gajas armadas com espingardas, gente de roupão a emborcar vinho tinto e meia dúzia de tipos com aparente atraso mental vestidos de barracas de praia da Nazaré.

Mas que a ceia faz sentido, faz. Porque é muito provavelmente mesmo a última, que daqui a um mês ou dois nem para tomar o pequeno almoço dá. 

E, vá, se é para ir, que se vá à maluca, com gente em cuecas e vinho, e isso. 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 11:50 | link do post | comentar | ver comentários (18)

Reviravolta

Quase que já começa a parecer de propósito: pelo terceiro jogo consecutivo o adversário chega à vantagem, e depois o Benfica acelera o jogo e faz a reviravolta no marcador, conquistando a vitória.

 

 

Muitas alterações no onze, como era esperado. Em relação ao jogo com o Marítimo, apenas o Jardel e o André Gomes mantiveram a titularidade. Mesmo assim, o onze apresentado pelo Benfica tinha qualidade mais do que suficiente para esperarmos uma vitória em Olhão, num campo onde não temos sido felizes nas últimas época - isto, combinado com o facto do jogo ser transmitido pela TVI (um ódio pessoal) deixava-me com um mau pressentimento. Os jogadores do Benfica também devem ter achado que a sua qualidade acabaria por resolver o assunto mais cedo ou mais tarde, e talvez por isso, depois de uns primeiros minutos relativamente agradáveis, tenham relaxado um pouco. O jogo foi bastante disputado, mas relativamente mal jogado, com a qualidade do futebol de ambas as equipas a deixar muito a desejar. O Benfica errou demasiados passes, e durante uma boa parte do primeiro tempo insistiu num futebol mais directo, em vez de tentar construir as jogadas de forma mais elaborada - isto apesar de hoje termos iniciado o jogo com um meio campo formado por três jogadores, com o Gaitán a actuar no centro, à frente do Enzo e do André Gomes. As ocasiões de golo foram naturalmente muito poucas, já que se rematou muito pouco devido ao facto das equipas estragarem a maior parte das jogadas ainda antes da bola chegar a posições mais próximas das balizas.

 

 

A segunda parte começou praticamente com o golo do Olhanense, que aproveitou uma saída da baliza do Paulo Lopes para desarmar um adversário que se isolava e não conseguiu aliviar a bola com força suficiente, permitindo a recuperação da mesma a um adversário, que se limitou a rematar de muito longe para a baliza deserta. Despertou o Benfica, que se terá decidido então a colocar mais velocidade no jogo. Para o jogo foram lançados o Salvio e o Lima, que substituíram o André Gomes e o Bruno César (que teve uma actuação apagadíssima), que também trouxeram maior movimentação ao ataque. O Benfica passou a jogar quase exclusivamente no meio campo adversário e a ter a bola quase sempre em seu poder, mas continuámos a falhar muito no passe final ou no momento da decisão - houve situações em que um jogador nosso tinha oportunidade para rematar e optava por fazer mais um passe, que saía quase sempre mal, ou em que jogadores completamente soltos junto à linha final acabavam por centrar a bola para zonas onde não havia nenhum colega. O golo do empate surgiu a vinte minutos do final, numa bola parada em que o Jardel acreditou e foi captar sobre a linha final, tocando-a para trás de forma a permitir o remate vitorioso do Rodrigo (foi uma das poucas contribuições positivas que fez no jogo). Obtido o empate, o Benfica foi à procura do golo da vitória, mas à medida que o jogo se aproximou do final fomos perdendo alguma clarividência e o nosso jogo ressentiu-se disso, aproveitando o Olhanense para respirar um pouco e responder também aos ataques do Benfica. A dois minutos do final, e numa altura em que já pouco acreditava que tal sucedesse, o Ricardo e um defesa do Olhanense atrapalharam-se com um remate cruzado do Salvio, e a bola acabou por sobrar para o Lima à boca da baliza, que se limitou a empurrá-la para o fundo da mesma.

 

 

Não consigo mesmo dar um grande destaque um jogador do Benfica esta noite. Acho que estiveram todos mais ou menos a um nível semelhante, com o Gaitán, talvez, a evidenciar-se um pouco mais. Os já referidos Bruno César e Rodrigo, na minha opinião, produziram menos do que seria esperado. O segundo salvou a exibição com o golo, mas até lá somou muitas perdas de bola e decisões erradas - em compensação mostrou uma boa atitude, pois por mais do que uma vez o vi recuar no terreno para perseguir adversários e lutar para recuperar bolas que tinha perdido. Continua claramente a atravessar uma fase menos boa, mas espero que o golo em cada um dos dois últimos jogos lhe possam devolver a confiança. O André Almeida, sobretudo na segunda parte, deu algum espaço no seu corredor, permitindo entradas de adversários nas suas costas - foi assim que nasceu o golo do Olhanense.

 

Fiquei agradado com esta vitória. O facto de ser para a Taça da Liga não a desvaloriza - a Taça da Liga é um troféu oficial do futebol português, cujas últimas quatro edições nós conquistámos. E eu desejo conquistá-la pela quinta vez consecutiva.

por D`Arcy às 01:48 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Terça-feira, 18.12.12

Antecipação

Demoraram quase dez meses a antecipar-se ao Benfica para a contratação do mexicano Reyes? Caramba, nem o Paulo Almeida se antecipava com essa velocidade.

 

Ou isso, ou andaram mais uma vez a tentar vender a história de que o Benfica estava interessado num jogador antes de o contratarem, de forma a dar brilho à coisa (o que, aliás, o próprio director de 'A Bola' acusou directamente o Porto de tentar fazer, na edição do passado Domingo).

por D`Arcy às 11:57 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 17.12.12

Aldrabão

Portanto, tinha ligado ao Vieira e ele não o atendeu. Agora já diz que não ligou para não ouvir um 'não', mas que afinal enviou um SMS. Para a semana se calhar diz que não enviou um SMS para não receber um ':p' do LFV, e por isso afinal enviou um pombo-correio (que terá sido comido pela Vitória).


Força Gordinho, os benfiquistas estão contigo (sim, fomos nós quem te aclamou e entoou em coro o teu nome no final do último derby).

por D`Arcy às 10:14 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Domingo, 16.12.12

Isolados

A vitória folgada assenta bem ao Benfica, após um jogo de sentido único em que o Marítimo pouca ou nenhuma oposição conseguiu fazer, e em que Guilherme Espírito Santo foi recordado antes do apito inicial. Mas ainda assim o Benfica passou por algumas dificuldades, fruto do desperdício e do facto de ter concedido um golo na meia oportunidade que o adversário conseguiu construir ao longo de todo o jogo.

 

 

O Benfica apresentou o mesmo onze da jornada passada, com o André Gomes a manter a titularidade apesar do Enzo Pérez já estar recuperado. O jogo pouca história tem: foi um domínio constante do Benfica desde o apito inicial, com o Marítimo remetido quase sempre ao seu meio campo. Mesmo sem acelerar muito o jogo, parecendo por vezes jogar quase ao ritmo de treino, o Benfica circulava bem a bola e ia abrindo brechas na defesa adversária. Só que depois, na hora de concretizar, é que a história era outra, e revelámos desacerto e falta de decisão. Como tantas vezes acaba por acontecer, quando não convertemos a nossa superioridade em campo em golos, acabamos por sofrer. O Marítimo, que até aí se tinha revelado inofensivo, aos vinte e cinco minutos dispôs de um livre a meio do nosso meio campo, mandou gente lá para a frente, despejou a bola para a área e esta acabou por sobrar de forma algo fortuita para o remate de um jogador seu, que assim os colocou em vantagem. Respondeu o Benfica metendo mais velocidade no jogo, mas continuando com o desperdício. Foram apenas oito os minutos que decorreram entre o golo do Marítimo e o golo do empate, mas pelo meio conseguimos desperdiçar umas três ocasiões de golo, a última delas a mais flagrante, pelo Cardozo. Redimiu-se logo a seguir, marcando num cabeceamento fácil à boca da baliza, após assistência de cabeça do Salvio, que do lado oposto devolveu um cruzamento do Ola John. Apesar do constante domínio até ao intervalo, o marcador não voltou a funcionar e assim saímos para o balneário com um empate muito injusto no marcador.

 

 

Para a segunda parte a equipa regressou com o Enzo Pérez no lugar do André Gomes - eu até gostei bastante da exibição dele na primeira parte, mas já tinha um amarelo e julgo que a intenção talvez tenha sido dar mais alguma velocidade na construção dos lances e capacidade para transportar a bola para o ataque. O jogo, esse, em nada mudou: o Benfica continuou a mandar como quis no jogo, e o Marítimo a defender-se como podia, sem sequer construir uma jogada de ataque que fosse. O tempo foi no entanto passando, e o Benfica teimava em não marcar o golo que nos colocaria em vantagem. Só após vinte minutos decorridos é que o nó se desatou, com um penálti assinalado por mão na bola de um jogador do Marítimo. O Cardozo marcou-o a papel químico daquele que tinha marcado em Alvalade, e tarefa do Benfica ficou muito mais facilitada, até porque o Roberge, na sequência do penálti, viu o segundo amarelo e foi expulso. Três minutos depois, o Cardozo aproveitou uma série de ressaltos após uma insistência do Lima para fazer o hat trick (e o seu centésimo golo na Liga ao serviço do Benfica) e sentenciar o jogo. Daqui até final a expectativa passou a ser apenas quantos golos mais marcaria o Benfica, pois praticamente cada ataque nosso deixava uma sensação de perigo, já que a defesa do Marítimo abria cada vez mais espaços. Mas apesar de várias tentativa, sobretudo da parte do Cardozo, foi só apenas a dois minutos do final que o marcador voltou a funcionar, e por intermédio do jogador que substituiu o paraguaio, o Rodrigo. E foi mesmo o golo mais bonito da noite: um grande passe do Matic a desmarcar o Melgarejo na esquerda, que de primeira assistiu de cabeça o Rodrigo, com este a finalizar com um remate também de primeira.

 

 

A figura do jogo tem que ser o Cardozo, porque fez um hat trick e chegou à marca assinalável dos cem golos na Liga. Mas o melhor jogador do Benfica em campo foi, para mim, e para não variar, o Matic. Já começam a faltar adjectivos para descrever a forma recente dele. Encheu literalmente o campo, porque parecia que estava em todo o lado. Recupera bolas na luta do meio campo, e depois revela ainda uma qualidade técnica assinalável na forma como conduz e distribui a bola. A continuar assim, será certamente a próxima grande venda do Benfica. Gostei bastante da exibição do Melgarejo também, e o Maxi deve ter feito um dos melhores jogos dos últimos tempos.

 

A obrigatoriedade de vencer foi cumprida, com um resultado confortável e que nos permite passar o ano na liderança isolada, já que no jogo do nosso adversário directo o Proença deve ter tido receio que os seus meninos se constipassem. Não dou particular importância ao adiamento (já conhecemos o final habitual da tradicional peça entre chocos e portistas, independentemente da data em que se realiza). Acho apenas muito incorrecto da parte dele estar a obrigar o Alguidar e os seus pares a contorcerem-se outra vez cada vez que tiverem que ouvir a expressão 'campeões de inverno'.

por D`Arcy às 00:48 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 14.12.12

Benfica TV

A Benfica TV fez quatro anos. Está de parabéns pelo aniversário, está de parabéns pelo trabalho realizado ao longo destes anos em prol da divulgação do benfiquismo.

 

Efectivamente, a BTV, mais do que simplesmente mostrar um Clube, tem familiarizado os benfiquistas com o ecletismo do Benfica, com as diferentes gerações de atletas e adeptos, com as diferentes formas de sentir e viver o Clube, com a multiplicidade de vozes que defendem o nosso Benfica em variados contextos. Lembro-me de que, no início, a BTV permitia-nos ter uma voz própria, sem concessões e sem que estivéssemos submetidos a qualquer poder televisivo dependente do ‘status quo’ do futebol português. Permitiu-nos denunciar todas as manobras do processo “Apito Dourado” e, sem tréguas nem medos, nomear todos os que alicerçam as suas vitórias em estruturas corruptas. Além disso, a BTV servia-nos documentos históricos de valor inestimável em programas marcantes como o “Vitórias & Património”. Enfim, a BTV, pelo pioneirismo e qualidade, consolidou-se como um marco essencial na modernidade do nosso Benfica.

 

Neste momento, impõe-se a referência ao Director da BTV, Ricardo Palacin. Tenho testemunhado no Ricardo, ao longo dos anos, uma liderança guiada pela procura do ‘mais’, nunca acomodada ao conforto. Vi-o obrigar-se a procurar impacientemente algo mais e algo mais além. Vejo-o com coragem para arriscar onde outros temem ousar e louvo-lhe a lealdade absoluta para com o Clube, ou seja, o profissionalismo ao serviço do benfiquismo. Agradeço-lhe a amizade e no Ricardo parabenizo toda a sua equipa por estes anos de BTV.

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Dezembro e publicado na edição de 14/12/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post

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