VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 17.05.12

Resposta a uma calúnia

Resposta de António-Pedro Vasconcelos a uma calúnia perpetrada por Pinto da Costa.
por Pedro F. Ferreira às 10:44 | link do post | comentar | ver comentários (11)

Reflexões!

 

Muito se tem falado das entrevistas "encomendadas". Essas entrevistas, já sabemos que "foram fracas, vazias de conteúdo e ridiculas",  mas é ver como algo o fraco e inofensivo faz o Presidente do FCP falar nelas durante mais de 1 semana quase diariamente. Ou porque o Jesus sai ou porque fica, ou porque se marcam reuniões em hoteis com directores de jornais, ou porque o Benfica ajudou o FCP a ganhar e mais não sei o quê.

 

Para mim, parece claro que sentiram o toque que as entrevistas conseguiram o seu objectivo!

 

Mesmo a acreditar no que o Presidente do FCP disse, o tal encontro no Tivol, mostra como o nosso clube é diferente.  Vamos supor que o dito encontro no hotel Tivoli, até  aconteceu. Mesmo sendo verdade, não vejo grande mal, o encontro foi realizado num local público, mostrando que nada havia a esconder.

 

Outros, os tais que se preocupam com estes encontros, parecem esquecer que ligavam às escondidas para jornalistas para plantar e inventar noticias, fazendo-nos passar a todos por Patos. Parecem querer esquecer o que combinaram com o jornalista do Jornal OJOGO em relação ao castigo do Deco e era ver o o de fila a ligar-lhe no dia em que sai a noticia e a chamar-lhe de génio.


Mas também é curioso, o raciocinio em concluir que o almoço num local público entre dirigentes do Benfica e directores de jornais serviu para combinar entrevistas, mas receber arbitros em casa, no calor da noite, nas vesperas de um jogo, mais não foi, que ossos do oficio do part-time do presidente do FCP que nada tinha a ver com futebol.

E agora deixo aqui um exercicio para aqueles que invocam e gostam de dizer que o Benfica perde não por causa de assuntos extra futebol mas porque há incompetência na estrutura.

 

Deixo aqui a reflexão, tirando o Mourinho e o Bobby Robson, em que um é o melhor treinador do Mundo e outr antes de vir para Portugal já era um treinador com nome, que fizeram os treinadores que no FCP ganharam títulos depois de sair do FCP?

O Carlos Alberto Silva que ganhou? O Oliveira que ganhou? O Fernando Santos ganhou o quê? o Jesualdo?


Já verificaram como certos treinadores apenas mostram competência em certos locais.  Grande coincidência, esta!

Por outro lado treinadores que no Benfica nada conseguem fazer vão lá para fora e ganham na Holanda, vão a finais da Champions, ganham supertaças europeias, ganham Liga Europas. Grande é a nossa incompetência, não é!

Quarta-feira, 16.05.12

Molho de questões (im)pertinentes

Então, pá, e aquilo do Pereira Cristóvão, como está? Varreu-se para baixo do tapete, como o Apito Dourado?

 

Anda tudo em bicos do pés e a assobiar para o lado a fingir que aquilo não aconteceu? É um fenómeno de amnésia colectiva da comunição social?

 

Tudo caladinho até se jogar a final da Taça, para ver se passa? (a rima foi acidental, como a grande maioria dos golos da lagartagem) 

 

Afinal pode-se, abertamente, depositar carcanhol nas contas dos fiscais de linha (às escondidas, e em numerário, já sabemos que sim, que os funcionários da malta da fruta trataram bem de o demonstrar esta época, em boa homenagem aos anos 90)?

 

E, portanto, pode um clube disputar a final de uma competição em que um seu vice-presidente tentou abertamente corromper uma equipa de arbitragem (às escondidas, e com fruta, já sabemos que não há problema, que a entourage do guru do aconselhamento familiar trata de o demonstrar desde os anos 80)?

 

A malta do Nacional e do Marítimo teve um ataque de narcolepsia, ou foi 'convencida' com presentinhos para a próxima época?

 

E é verdade que o Pereira Cristóvão ficou no Sportém porque ameaçou o Gordinho Lopes com a divulgação de todos os podres e trafulhices que a sua empresa de segurança foi acumulando sobre o caso dos paquetes da Expo? É verdade que, como consta, quando o Gordinho Lopes esteve preso, no âmbito dessa investigação, pediu ajuda ao Pereira Cristóvão para inventar contra-informação e baralhar a PJ? 

 

Confirma-se que o Pereira Cristóvão possui tanta informação comprometedora sobre tanta gente 'honesta' no Conselho Directivo do Sportém que faz literalmente malabarismos com as bolas genitais de quase todos, e depois brinca às chantagens para ir paulatinamente controlando os meandros da lagartagem?

 

Algum lagarto inteligente caiu naquela do 'ah, é vice-presidente do Sportém, e quem disputa a competição futebolística profissional é a Sportém SAD, logo o Sportém não tem nada a ver com isto'? (é uma trick question: não há lagartos inteligentes)

 

Entrando no carrossel: então se o Cristóvão - vice-presidente do Sportém, em plenas funções quando andou a brincar aos depósitos - não fez aquilo para benefício do Sportém, era para benefício de quem, do Paulo Pereira Cristóvão FC?

 

E é isto que a lagartagem quer para o clube, essa miragem supostamente 'diferente' que só existe na cabeça deles, esse suposto bastião da 'moral e da verdade desportiva'? Vão conseguir festejar, sem vergonha na cara, uma taça borrada com as acrobacias do torturador? (é outra trick question: a lagartagem não tem vergonha na cara). E os sportinguistas?

 

E é verdade que ninguém na lagartagem, na estrutura ou na comunicaçãoo social, tem grande vontade de dizer nada contra isto, senão comem com os malmequeres encapuzados do Cristóvão?

 

E, já agora, em Bilbao, a rede de segurança já não lhes fez diferença? Ou aí já não era preciso usar a rede como desculpa para brincar com jerricans e fósforos? (forfos, em Sousacintrês). 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:39 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Segunda-feira, 14.05.12

Lema de vida

“Nunca discutas com um idiota. Ele faz-te descer ao seu nível e depois ganha-te em experiência.”

 

Melhores marcadores de sempre do Benfica em jogos oficiais 

É a 4ª melhor média por época e o Cardozo tem menos de metade das épocas de todos os que estão à sua frente. 

 

Melhores marcadores de sempre do Benfica em jogos do campeonato nacional 

A 3ª melhor média por época e também menos de metade das épocas de todos os que estão à sua frente.

 

Melhores marcadores de sempre do Benfica em jogos das competições europeias 

 

Se mantiver a média para o ano, tornar-se-á o segundo melhor marcador de sempre na Europa.

 

(Estas estatísticas foram gentilmente roubadas do facebook dos nossos amigos do Benfiquistas desde Pequeninos.)

 

Tendo ganho o troféu de melhor marcador do campeonato pela segunda vez, o Cardozo junta-se a uma lista de somente quatro nomes que o conseguiram ser com a camisola do Benfica. Por ordem cronológica: Julinho, José Águas, Eusébio e Artur Jorge. Gente pouco ilustre, como se pode ver…

 

P.S. - Apesar de uma procura exaustiva, infelizmente não consegui encontrar uma lista dos seguintes troféus para avançados: “maior velocidade com a bola”, “corrida mais longa em campo”, “camisola mais suada no fim dos 90'”, “maior elegância no relvado”, “maior eficácia” (por alguma estranha razão, no final ganha quem marca 2 golos mesmo que seja em 5 oportunidades do que quem marca 1 golo numa oportunidade). Se alguém me puder ajudar em encontrar estas listas, ficaria muito agradecido.

por S.L.B. às 11:50 | link do post | comentar | ver comentários (53)
Domingo, 13.05.12

Mais uma casa dos andrades em Lisboa

Assim estava ontem a sede da Federação Portuguesa de Futebol (ou, em abono da verdade, mais uma casa dos corruptos em Lisboa):

 

::::

 

Temos visto que muita tinta se tem gasto a pintar paredes por esta Lisboa. Acho estranho que os jornais que têm andado tão atentos a pinturas nas paredes nem tenham mencionado isto.

por Anátema Device às 19:54 | link do post | comentar | ver comentários (15)

Fecho

Fecho do campeonato em Setúbal, num jogo típico de final de época, disputado num ritmo lento e marcado pelo enorme desacerto na finalização por parte do Benfica.

 

A primeira obrigação para este jogo era vencê-lo, e depois poderíamos pensar em ajudar o Cardozo a, pelo menos, evitar que outro jogador ganhasse o título de melhor marcador sem ter sequer que jogar. O Luís Martins manteve a titularidade na esquerda da defesa, e na direita apareceu o Witsel, com o meio campo a ficar entregue ao regressado Javi e ao Matic. Na frente coube ao Rodrigo fazer companhia ao Cardozo. A toada do jogo foi clara desde o início: pouca velocidade, o Benfica quase sempre com a posse da bola, e o Setúbal a meter toda a gente atrás da linha da mesma, tentando sair rapidamente para o contra-ataque. Também desde o início ficou evidente o desperdício do Benfica, e a inspiração do guarda-redes do Setúbal, Diego. Aos onze minutos não foi necessária qualquer intervenção do Diego para que o Rodrigo, à boca da baliza após centro do Witsel, falhasse o golo de forma inacreditável. Na resposta, contra a corrente do jogo e no primeiro remate que fez, o Setúbal mostrou a eficácia que nos faltou e colocou-se em vantagem, num lance em que conseguiu entrar pelo centro da nossa defesa aproveitando uma falha na defesa em linha.

 

Depois do golo, continuámos a assistir ao mesmo, com o duelo particular entre o Cardozo e a baliza do Setúbal a ter preponderância. Ou por falta de pontaria, ou por mérito do Diego, a verdade é que a bola teimava em não entrar. Foi preciso esperar até aos trinta e quatro minutos - logo a seguir ao Cardozo ter acertado na trave - para finalmente começar a inverter a injustiça no marcador. Desta vez o Cardozo não tentou o remate, e desviou apenas ligeiramente o centro do Rodrigo para a entrada do Bruno César, vindo de trás, que finalmente conseguiu bater o Diego. Que, diga-se, não pareceu ter ficado particularmente desmotivado com o golo sofrido, já que continuou em grande nível e evitou que saíssemos para intervalo em vantagem no marcador.

 

Após o intervalo entrou o Emerson para o lugar do Matic, o que fez com que o Luís Martins passasse para lateral direito e o Witsel fosse ocupar o seu lugar natural no meio campo. Não foi uma boa reentrada do Benfica no jogo, já que o ritmo com que jogávamos parecia ser ainda mais pausado do que na primeira parte, e o Setúbal chegou mesmo a atirar uma bola ao poste. Mas pouco depois de passado o primeiro quarto de hora, o Benfica fez o segundo golo, mais uma vez pelo Bruno César - que aproveitou uma assistência do Emerson para rematar à entrada da área, e a partir daí o Setúbal desapareceu completamente do jogo. Assistimos então a uma meia hora final em que o único interesse era ver se o Cardozo conseguiria ou não marcar um golo, e a coisa chegou quase a ser patética. Quando não era o Diego a negar-lhe o golo, era o paraguaio que não conseguia acertar com a baliza. Como nos filmes, foi preciso esperar mesmo até ao fim para assistirmos a um final feliz. Já sobre os noventa, a passe do Saviola que o deixou na cara do Diego, o Cardozo lá arranjou lucidez suficiente para tirar o guarda-redes do caminho e, de pé direito, alcançar o golo que tanto procurou (deve ter terminado o jogo com uns quinze remates tentados).

 

O homem do jogo é o Bruno César, autor de dois golos e de uma exibição agradável. Também gostei de ver o Witsel jogar, particularmente quando passou para o meio campo, mas começa a parecer-me que é muito difícil que o belga consiga fazer um jogo que me desagrade.

 

Acabou a competição, e vamos para o defeso com a frustração de um campeonato perdido e a sensação de que o perdemos mesmo sendo a melhor equipa, e aquela que melhor futebol mostrou esta época. Alguns factores do costume ajudaram a que isso acontecesse, mas não foram exclusivos. Espero que se reflicta bem sobre aquilo que, da nossa parte, pode e deve ser melhorado e corrigido. Porque ao contrário daquilo que o Luisão afirmou no final, na minha opinião nem todos poderão ir de férias com a consciência assim tão tranquila.

por D`Arcy às 02:50 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sexta-feira, 11.05.12

Um árbitro chamado Proença

O dia em que Pedro Proença chegue ao fim da carreira, por uma questão de limite de idade, será um bom dia para o futebol.

 

Nesse dia, deixaremos de correr o risco de ver o Proença decidir campeonatos e finalistas da Taça. Proença traz-me à memória um jogo em Penafiel, em 2004-05, em que decidiu ignorar quatro grandes penalidades contra o clube da casa. Perdemos o jogo. Duas épocas antes, no Bessa, decidiu não assinalar duas grandes penalidades escandalosas. Foi um jogo que se tornou memorável pelos piores motivos. Também em 2003-04, optou por assinalar uma grande penalidade contra o Benfica, num jogo frente ao Sporting, numa mal-amanhada simulação de Silva. Em 2008-09, aos setenta minutos de um jogo no Dragão, assinala mais uma inexistente grande penalidade contra o Benfica. Esse penalti deu o empate e a vitória no campeonato ao FCP. Esta época, entre outros espectáculos deprimentes, Proença foi o árbitro em Braga, no famoso jogo terceiro-mundista dos apagões. Conseguiu ser mais reles do que os cirúrgicos cortes de energia no Estádio: assinalou um discutível penalti contra o Benfica, ignorou duas agressões de futebolistas adversários a jogadores nossos e saiu do estádio com a sensação do dever bem cumprido. Foi com arbitragens destas que se chegou à singular situação de o Benfica nunca ter vencido um clássico ou um derby apitado pelo referido árbitro e de o FCP nunca ter perdido nenhum clássico ou derby com esse senhor a apitar.

 

É, assim, normal, que o dito árbitro se tivesse prestado a fazer a figura que fez na festa do título do FCP. Aliás, no futebol português, a banalização do compadrio é normal e chega a ser premiada com nomeações para apitar em competições internacionais. Outras vezes, é premiada com fruta para dormir… mas isso já são outros quinhentinhos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Maio e publicado na edição de 11/05/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Domingo, 06.05.12

Colegas em festejos

 

 

E sim, colegas são as putas.

por Anátema Device às 13:29 | link do post | comentar | ver comentários (49)

Mínimo

Jogo fraco e até deprimente para fechar o campeonato na Luz. A magra vitória pela margem mínima é um justo reflexo da pálida exibição do Benfica - a perder qualidade ao longo do tempo - frente a uma União de Leiria retalhada que fez pela vida e deixou uma imagem digna no relvado.

 

As novidades no onze foram a titularidade do Djaló e do Luís Martins, mas pouco há a dizer sobre este jogo, que nem merece uma crónica exaustiva. O interesse desportivo era reduzido: apenas confirmar já o acesso directo à Champions da próxima época. Talvez se pudesse ajudar o Cardozo na luta pelo título de melhor marcador, mas nem a equipa o ajudou muito, nem ele se ajudou a si próprio e saiu em branco. O jogo acabou decidido com um golo do Bruno César, de livre directo, perto dos vinte minutos. O Leiria nunca conseguiu criar uma verdadeira oportunidade de golo, e o Benfica revelou pouca velocidade e sobretudo pouca motivação para ultrapassar a defesa do Leiria, e quando isso eventualmente acontecia estava lá o emprestado Oblak para defender. A qualidade do nosso jogo, sem que alguma vez tenha sido brilhante, foi caindo com o passar dos minutos, e a segunda parte foi mesmo muito pobre e desinteressante. O domínio do Benfica foi sempre constante (não se esperaria outra coisa frente a esta equipa), mas nunca pareceu haver muito empenho da parte da equipa para fazer muito mais do que o mínimo necessário, e foi isso mesmo que acabaram por conseguir.

 

Acabaram-se os jogos na Luz esta época. Agora resta esperar pela próxima. Melhor, de preferência.

por D`Arcy às 03:50 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Sexta-feira, 04.05.12

Festejos e lamentos

Triste noite de domingo em que o Benfica, em Vila do Conde, entregou definitivamente o título ao FCP. Triste pelo choro que um miúdo benfiquista apresentava nos écrans televisivos; triste pela exibição descolorida que o nosso Benfica fez; triste porque percebemos que, na segunda metade do campeonato, abrimos, nós próprios, as portas de nossa casa, para que a corja do costume pudesse fartar vilanagem.

 

No ano passado, todas as virgens ofendidas do jornalismo e da opinião publicada rasgaram as vestes devido à lamentável atitude do Benfica ter apagado a luz e ligado a rega, aquando da festa do clube do sr. Costa. Estranhamente, este ano, ninguém se insurgiu contra o que foi documentado, visto, revisto e transmitido por vários canais televisivos: aquando dos festejos do FCP, gritavam em uníssono, jogadores e dirigentes, cânticos sucessivos de ódio e ofensa ao Benfica e aos benfiquistas. Aquela gente festeja o ódio e o insulto. Aquela gente fomenta o que festeja. Em redor, o silêncio conivente de uma comunicação social maioritariamente amestrada.

 

No meio da leda mansidão dos comentários que se ouviam pela televisão – e é tão fácil atirar para debaixo do tapete de uma vitória a sujidade com que a mesma foi conseguida – surgiu uma voz dissonante: Rui Santos, na SICN. Este jornalista disse que o campeonato foi uma farsa, disse que as nomeações dos árbitros são suspeitas e pediu que se investigasse um futebolista do Marítimo que ajudou o árbitro de circunstância a ajudar o campeão de circunstância. Em redor ficou o silêncio… entrecortado pelos que, do cimo de uma varanda, festejavam, insultando o adversário. E nesse insulto, nesse momento de afirmação de uma forma de ser e estar, demonstrava-se a pequenez de quem insulta e a grandiosidade de quem era insultado… o que não deixa de ser uma fina ironia.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Maio e publicado na edição de 04/05/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 01.05.12

Lamentável

Tenho pelo professor Manuel Sérgio um grande respeito e foi com satisfação que o vi chegar ao Benfica. Pensei que a influência de Manuel Sérgio sobre Jorge Jesus fosse benéfica para uma melhoria das competências sociais de Jorge Jesus e para o ajudar a dar um cunho diferente à sua relação com os futebolistas no balneário.

 

No entanto, ontem, Manuel Sérgio protagonizou um episódio lamentável que, directamente, desabona a sua imagem de seriedade e que provoca,  por arrasto, um ruído ainda maior e dispensável no Benfica. Ao desdizer, na página oficial do Benfica, o que dissera a um sítio da internet [link, link] e, quando confrontado com a gravação das suas palavras, obrigar o Benfica a recolher o desmentido, Manuel Sérgio acaba por sair de cena pela esquerda baixa. Lamenta-se nesta saída a ainda maior fragilidade a que sujeita o treinador e, mais do que tudo, a posição em que acaba por colocar o Benfica.

 

Ao ter aquela conversa, aparentemente em “off”, com aqueles jornalistas, Manuel Sérgio foi ingénuo. Ao garantir internamente que não dissera o que disse, voltou a ser  ingénuo (isto, numa abordagem bondosa do caso). No entanto, as suas palavras são tudo menos ingénuas. São, essencialmente, palavras de quem fez um corte epistemológico com a ética que advogou, e muito bem, em várias obras de leitura recomendada.

 

Ainda assim, termino, como já fiz em várias ocasiões, citando as palavras de Manuel Sérgio: “O Benfica tem de se repensar. […]eles têm que fazer um corte epistemológico para ser o clube que já foi.” Concordo e acrescento que este corte epistemológico deverá, como defende o meu amigo Alberto Miguéns, entre muitos outros aspectos, passar por ter em posições-chave mais benfiquistas ao serviço do Clube.

 

por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post | comentar | ver comentários (53)

Interlúdio musical

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 00:57 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Segunda-feira, 30.04.12

Quarto de hotel

(Isto é um post sobre a indústria hoteleira. Qualquer semelhança com outras realidades é pura coincidência…)

 

Um quarto num hotel de cinco estrelas é muito caro. Se o pudermos pagar, é natural que exijamos a melhor retribuição possível. Porque se não houver excelência, a relação qualidade-preço ficará inapelavelmente comprometida. Suponhamos que haveria uma lista de 11 coisas que eram imprescindíveis para tal (limpeza diária, mini-bar cheio, plasma, etc.). Na nossa primeira semana nesse quarto, tudo correu às mil maravilhas e estávamos deliciados com a nossa estadia. Mas na segunda semana, uma dessas coisas (imaginemos que era o plasma) deixou de funcionar. Foi corrigido na terceira semana depois de várias chamadas de atenção da nossa parte, mas para cúmulo do azar houve outra que passou a ser negligenciada (a limpeza da casa-de-banho, por exemplo). Nós voltámos a alertar para a situação, mas só no último dia dessa semana é que essa limpeza foi efectuada. Como se o quarto nos estivesse a desafiar: “já que tu ficaste tão satisfeito na primeira semana, vamos lá a ver se nas duas seguintes eu te consigo agradar só com 10 coisas da lista em vez das 11”…

 

Independentemente deste facto, nós sabemos que o quarto desse hotel só será nosso enquanto tivermos a capacidade para o pagar. A não ser que sejamos um Abramovich e o pudéssemos reservar para toda a vida. Sabemos que o nosso pior inimigo até poderá vir a ficar nele nos tempos mais próximos. Portanto, tomá-lo como “nosso” seria pouco inteligente. O quarto será de quem pagar mais por ele, porque é essa a sua função. E, se formos inteligentes, não criaremos laços emocionais com esse quarto precisamente por causa disso: está ao nosso serviço só temporariamente, enquanto pagarmos por ele (diferente, por exemplo, dos laços que se criam com o quarto da nossa casa em que, mesmo que não nos tenha prometido, como o do hotel, que fôssemos lá dormir duas ou três vezes melhor do que dormimos no ano anterior – coisa que até foi verdade na primeira semana –, pelo menos temos a certeza de que o nosso maior inimigo nunca lá dormirá).

 

A decisão sobre se ficaremos ou não nele na quarta semana não deve ser baseada, quanto a mim, nesse receio de que o nosso maior inimigo poderá lá ficar. Até porque sabemos que isso vai inevitavelmente acontecer, porque ele já o visitou, gostou dele, apesar de nunca lá se ter hospedado, e tem meios para o pagar. Portanto, se nos concentrarmos nesse acessório (cuja concretização na realidade é apenas uma questão de tempo), perderemos de vista o essencial: será que esse quarto nos satisfaz? Será que fomos felizes nele no conjunto das três semanas? Será justo o preço que pagámos perante o rendimento que obtivemos dele? Será que é desculpável o facto de na terceira semana o quarto ter sido melhor limpo no único dia em que estávamos de smoking, contrariando o que nós lhe dissemos que o importante era estar limpo nos outros dias todos, em que estávamos vestidos normalmente? Será que o hotel tinha potencialidades para nos oferecer mais e melhor, e só não o fez porque o quarto decidiu que dentro dele só entravam os produtos que era queria (e teimou que no seu mini-bar só haveria Charles House mesmo que o Cardhu estivesse na garrafeira)?

 

Independentemente da decisão que tomarmos, é bom termos em mente uma coisa: aquele até pode ser considerado o melhor cá no burgo, mas não é o único quarto de hotel de cinco estrelas que existe.

por S.L.B. às 14:45 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Domingo, 29.04.12

Final

Ponto final no campeonato, após um empate frente ao Rio Ave, num jogo animado e no qual os nossos jogadores tentaram fazer o possível para adiar a decisão do título.

 

Saída do Saviola do onze para o regresso do Witsel, e entrada forte do Rio Ave no jogo, com muita pressão logo à saída do meio campo, que resultou em diversas perdas de bola do Benfica e muitos passes e recepções falhadas. Esta entrada do Rio Ave deu frutos logo aos oito minutos, com o golo a surgir depois de uma hesitação entre o Artur e o Luisão, com ambos a acabar por não atacar uma bola centrada da esquerda e a deixá-la passar para uma finalização fácil à boca da baliza. O Benfica reagiu ao golo, e foi lentamente tomando conta do jogo e acercando-se da baliza do Rio Ave, que no entanto não deixava de tentar criar perigo em contra-ataques rápidos, sobretudo quando explorava o adiantamento do Maxi. Depois de alguns remates disparatados, o empate acabou por surgir aos trinta e sete minutos, pelos pés do Nolito, que no interior da área aproveitou bem um corte incompleto de um defesa. Três minutos depois fiquei seriamente preocupado com a saúde mental do Olegário, que incrivelmente assinalou um penálti a nosso favor. O Cardozo fechou os olhos e chutou com toda a força para fazer a bola passar literalmente entre as mãos do guarda-redes para o fundo da baliza.

 

Ao intervalo o nosso treinador fez uma substituição algo inesperada, trocando o Matic pelo Saviola. O Benfica entrou bem, ameaçou marcar, mas após cinco minutos o Rio Ave subiu pela primeira vez e empatou de novo o jogo, num lance em que o Yazalde foi deixado muito à vontade dentro da área para cabecear um centro novamente vindo da esquerda. O Benfica acusou o golo, e passámos por alguns minutos de desnorte durante os quais o Rio Ave foi a equipa mais perigosa. Só quando faltavam vinte minutos para o final é que as coisas se alteraram, quando o Jesus de certa forma emendou a mão e fez entrar o Javi para o lugar do Aimar, avançando o Witsel no terreno, tendo pouco depois feito entrar o Gaitán para o lugar do Bruno César. O Benfica a partir daí tomou conta do jogo e obrigou o guarda-redes do Rio Ave a brilhar com grande intensidade, e o Olegário ainda mais. Mostrou que a minha preocupação da primeira parte era infundada, e que voltou em grande forma da lesão, sonegando-nos dois penáltis claros após o Cardozo e o Saviola serem abalroados pelas costas. No final, empate no marcador, e depois dali ao Porto foi só um saltinho para ir participar na festa.

 

Maxi (sobretudo a apoiar o ataque), Witsel e Nolito terão talvez sido os melhores do nosso lado, num jogo em que não houve nenhuma exibição de grande realce. O Cardozo foi hoje, na maioria das vezes, um estorvo para a equipa. E só não digo que o penálti foi mal marcado porque entrou, e todos os penáltis que dão golo são bem marcados.

 

Pareceu-me que foi um bom jogo para sentenciar esta liga. Exemplificou muitas das coisas que nela se passaram e que ditaram o seu desfecho desfavorável para nós - incluindo factores que nos são alheios, e outros pelos quais somos exclusivamente responsáveis. Temos a obrigação de corrigir estes últimos. Quanto aos primeiros, já perdi a esperança das coisas mudarem.

por D`Arcy às 23:28 | link do post | comentar | ver comentários (48)

Sem honra nem glória

Um campeonato perdido por nós sem honra nem glória. Um campeonato ganho por outros sem honra nem glória.
por Pedro F. Ferreira às 21:06 | link do post
Sábado, 28.04.12

Alcoólico (pouco) anónimo

Tenho a sensação de que este pedaço de história televisiva (um marco no tempo de antena dos bêbados da aldeia), dada a sua subtil genialidade, necessita de um guia, de uma espécie de coadjuvante para a plena interpretação da substância do vídeo. Nessa perspectiva, resolvi, para quem tenha dificuldade em interpretar as várias pérolas que emanaram daquele verdadeiro prodígio humano, transcrever as partes do discurso do moço ROC que, pelo seu intrínseco brilhantismo e carácter vanguardista, poderão escapar ao mais incauto espectador, para que possam disfrutar na sua plenitude do articulado intelecto deste apreciador confesso de futebolistas como o “Quemdirá”, o “Schweisen Tiger”, o “Piol” ou o “Supanurú”.

 

Vale bem a pena.

 


- "não... não... sss… eu…eu…" (olhar ausente. Imagino que procura uma garrafa numa prateleira virtual);

 

- "e esta é a grande notícia da RTP N - "da RTP Informação", corrige o Gilberto - ...er…da RTP Informação… peço desculpa deste não meu aggiornamento" (bela frase, o Yoda ficaria orgulhoso, se também tivesse bebido dois garrafões de vinho de 5 litros como tu);

 

- "também dissecáss…também disse ca China há muita hipótese…e também disse cá cinco equip… também disse cá cinco hipóteses…" (não vai mais vinho para a mesa do canto);

 

- Gilberto: "vamos ouvir o Júlio e o Miguel sobre este assunto"; ROC: "nhe nhe nhe nhe nhe" (em falsete, enquanto se contorce numa mistura bizarra entre uma dança do ventre protagonizada por um orangotango e um surto de espasmos de alguém a quem tenham enfiado uma enguia eléctrica no intestino grosso);

 

- "o que o regulamento da assembleia geral diz é um periodantejónimodia…é um período para questões diversas e tal…que não… que atétatif"(pára de repente e olha para o tecto do estúdio, sem saber onde está);

 

- "...não…te, te, te…eu, eu…desculpe..." (mais uma vez, o sistema desliga-se e esquece-se de quem é e de como foi ali parar – é fácil de percebê-lo olhando para o vazio nos olhos, que reflecte o vazio que paira entre aquelas duas orelhas);

 

- "O Xabi Alonso foi enorme…e o Quemdirá…aqueles dois…" (grandes jogadores, ambos. Especialmente o Quemdirá, que é bem bom - Quemdiria...);

 

- "…e ele claro que é mais rápido que o Piol…também é mais soft…" (até porque é verdade que o Piol, seja ele quem for, é um bocado lento e hard);

 

- "o Schweisen Tiger é um médio excelente" (é, sim senhor, apesar de apenas existir no reino da ficção. Era um dos fiéis companheiros do Sandokan);

 

- "… com o endividamente excessivo…nas quais metade eram alemães…isto é o fim!!" (****-se, confesso que na tentativa de compreender esta tive um pequeno avc);

 

- "…e agora quando o Sindicato dos Jornalistas - "dos jogadores", diz o Gilberto - er… dos jogadores, peço desculpa, agora olhei para ti…" (e toda a gente sabe que olhar para aquele camafeu do Gilberto potencia o efeito do 17 litros de álcool já ingerido);

 

- "...é cair bem, bem, bem, bem, bem, bem, bem no que está em cima da mesa” (e caíste bem, filho, em cima da garrafa de Famous Grouse);

 

- "...era o mesmo que eu pôr o Supanurú no topo!" (Sanupurú...sunarapú...sunuparú...sanurapú...esquece);

 

- "para o ano, com o Sá Pinto, isto go, go, go! Go, go, go! Mas tu com o Vítor Pereira não dizes… go, go, go…" (enquanto o gajo dos Zero Cego olha para ele e tenta decidir se chegou finalmente a altura de chamar o piquete do Miguel Bombarda);

 

- "Aquele piripiri que o Sá Pinto põe na equipa" (ui, se calhar não era Famous Grouse, mas VAT 69, que já vamos no reino do delírio: o Sá Pinto a temperar a equipa, o João Pereira vestido de rabanete e o Van Wolksvagen de salsicha);

 

- "… mas eu não quero que os seus colegas jornalistas vejam o jogo como eu vejo, eu quero que o Sá Pinto veja o jogo como eu vejo, ou aliás, eu é que vejo o jogo como ele vê, que é exactamente ao contrário" (ou então tu é que vês o Sá Pinto como ele vê os jornalistas, ou como o jogo o vê, ou exactamente o contrário, que é o jogo a ver o Sá Pinto como tu vês os jornalistas…);

 

- "Então mas o Marinho… o Marinho foi campeão europeu como?" (não sei, e duvido que haja quem saiba como é que o ‘Marinho’ foi campeão europeu).

 

 

E agora descubram as diferenças:

 

 

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 01:23 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Sexta-feira, 27.04.12

Desconfiado me confesso

Desconfio da isenção da justiça portuguesa e não confio nos órgãos que tutelam a justiça desportiva. Sempre que a justiça julga, a justiça é julgada. O julgamento que a opinião pública faz da justiça desportiva é mau, é péssimo.

 

Quando há agentes desportivos (dirigentes, árbitros, futebolistas…) que fazem do atropelo à verdade uma prática corrente e louvada, a responsabilidade é de uma justiça permissiva, conivente e que se esconde em emaranhados legais para, envergonhadamente, continuar a permitir a prática do crime. Deste modo, a permissividade acaba por ser um incentivo.

 

Desconfio e não confio nos próprios órgãos de tutela política. Chega a ser indecoroso ver o beija-mão a que o poder político se sujeita perante agentes desportivos de conduta aparentemente duvidosa e realmente criminosa. Pior do que os actos públicos de lavagem da imagem é a tentativa de, com o passar do tempo, conduzir gente espúria aos altares das capelinhas. Lavando a imagem na barra do tribunal, fazem um estranho percurso entre o lupanar e o altar. E lá vão ficando, ora um ora outro, os “santos de ocasião” com pés de barro e mãos sujas, colocados no altar por diligentes e temerosos fiéis que escarram na coisa pública que juraram defender.

 

E assim, na perpétua beatificação da atitude criminosa, vamos observando atónitos à multiplicação de actos criminosos no futebol português. Para que o descrédito seja completo, só falta o dia em que se crie um Tribunal Arbitral do Desporto em Portugal com juízes escolhidos e indicados pelos mesmos que serão julgados.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 23 de Abril e publicado na edição de 27/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:25 | link do post
Domingo, 22.04.12

Agradável

Vitória tranquila e dilatada sobre o Marítimo, num jogo em que o Benfica entrou muito bem e dominou claramente, depois relaxou durante alguns minutos, e após  apanhar o tradicional susto voltou a acordar e não mais cedeu o controlo. No todo, uma exibição agradável.

 

 

Com o Capdevila e o Matic a manterem a titularidade, o Benfica surgiu ainda com o Saviola e o Nolito de regresso à titularidade. E foi um feliz regresso, já que ambos tiveram influência directa no bom início de jogo do Benfica, e nas contas finais da vitória. O nosso início de jogo foi a todo o gás, empurrando o Marítimo para a sua baliza e jogando em velocidade, com trocas constantes de posição entre os jogadores e fazendo a bola circular rapidamente e ao primeiro toque. Para isto contribuiu também o Saviola, que apareceu a jogar bastante solto e a fazer uso da sua inteligência para ocupar os espaços certos na altura certa. O Marítimo viu-se completamente desorientado e não estou a exagerar se disse que durante o primeiro quarto de hora nem sequer conseguiu passar da linha do meio campo. Foi precisamente a fechar este primeiro quarto de hora que o Benfica deu expressão à sua superioridade, com um golo do Nolito, que finalizou com um remate de primeira, de pé esquerdo e no interior da área, uma boa assistência do Aimar após mais uma incursão do Maxi pela direita. Sem abrandar o ritmo, quatro minutos depois o mesmo Nolito fazia o segundo golo, picando a bola sobre o guarda-redes após ser isolado por um grande passe do Saviola. Só por volta da meia hora de jogo é que o Benfica relaxou um pouco, permitindo finalmente ao Marítimo ter um pouco de bola, mas o sinal mais durante a primeira parte continuou sempre a ser do Benfica, que até poderia ter dilatado mais a vantagem.

 

 

O Marítimo veio diferente para a segunda parte, jogando com um ponta-de-lança mais fixo, e com melhor atitude. Aproveitando talvez algum relaxamento do Benfica, cedo criou perigo e obrigou o Artur a brilhar por duas vezes no mesmo lance, mas sete minutos após o reinício do jogo marcou mesmo, com o Sami a aproveitar um buraco no centro da defesa e a desviar a bola à saída do Artur. Durante alguns minutos após o golo o Benfica acusou o golpe, e o Marítimo terá acreditado que seria possível chegar ao empate, mas a vinte e cinco minutos do final o Jorge Jesus mexeu na equipa, tirando a dupla argentina Aimar/Saviola, que já acusava desgaste, e colocando em campo o Javi e o Rodrigo, arrumando a equipa num 4-4-2 mais clássico. As substituições foram felizes, já que no mesmo minuto, e logo na primeira vez em que tocou na bola, o Rodrigo fez o terceiro golo do Benfica. Foi uma finalização fácil à boca da baliza, a passe do Nolito da esquerda e após uma boa jogada do nosso ataque. O Marítimo ainda voltou a obrigar o Artur a brilhar, mas quatro minutos depois do terceiro golo veio o quarto, que sentenciou de vez o jogo. Mais uma vez o golo nasceu nos pés do Nolito, que com um grande passe a rasgar da esquerda para a direita, por entre os defesas do Marítimo, deixou o Bruno César na cara do guarda-redes, tendo este finalizado sem grande dificuldade. Depois deste golo, e mesmo com a entrada do Nélson Oliveira, o ritmo do jogo caiu bastante, e o Benfica praticamente limitou-se a gerir o resultado até final.

 

 

O homem do jogo só pode ser o Nolito. Dois golos e dias assistências deixam-no directamente ligado a todos os golos do Benfica. Foi um feliz regresso à titularidade, num jogo em quase tudo lhe saiu bem. Gostei muito da primeira parte do Saviola, ao nível do melhor a que ele nos habituou. Bom jogo também do Artur, com duas ou três intervenções de grande nível, e também do Maxi, no habitual papel de dinamizador do lado direito.

 

Pouco mais podemos fazer agora senão ir ganhando os nossos jogos até final. Hoje isso foi conseguido com eficiência, e o resultado foi pelo menos importante para aumentarmos a vantagem sobre o terceiro classificado. Foi também agradável voltar a ver futebol à luz do dia na Luz, o que terá ajudado a chegarmos aos 40.000 espectadores. Infelizmente foi necessário um horário menos habitual num jogo importante de um campeonato estrangeiro para que pudéssemos ter este pequeno prazer.

por D`Arcy às 00:38 | link do post | comentar | ver comentários (42)
Sexta-feira, 20.04.12

Entusiasmómetro

Dizia Miguel Torga que a lucidez é um acto ímpar. Pedir lucidez nas emoções do futebol é, nos tempos que correm, quase um acto de desespero.

 

Nestes tempos agitados é fácil resvalar para o absurdo e para a irracionalidade. Terminada que foi mais uma final da Taça da Liga, conquistada que foi a quarta Taça da Liga consecutiva, chegou a ser absurdo observar como uma franja de adeptos escrutinava atentamente o grau de entusiasmo dos outros adeptos e dos próprios futebolistas. Diga-se que algo de semelhante já se verificara na época passada. Ou seja, há adeptos que consideram que não é legítimo mostrar satisfação pela conquista de um troféu, que não era prioritário, quando se hipotecaram as possibilidades de conquistar as competições que eram prioritárias. Obviamente que esta Taça da Liga não nos mata a sede de vitórias nem a fome de glória. Obviamente que esta Taça da Liga não é tapete debaixo do qual se possa esconder o que de errado se fez esta época. Obviamente que não é este troféu que nos faz festejar em uníssono no Marquês ou vitoriar os nossos atletas no nosso Estádio. Mas também me parece óbvio que a sua conquista é motivo de satisfação e de entusiasmo. Foi vencido com mérito, esforço e de forma limpa. É natural que adeptos e futebolistas se mostrem satisfeitos com essa vitória. O que já não é natural é confundir o entusiasmo do adepto com falta de exigência ou acomodação. O que não é natural é ver benfiquistas de uma vida inteira e longa, feita de sacrifícios e dádiva ao clube, a serem questionados e ofendidos porque, na opinião de uns quantos, há vitórias que se podem festejar com entusiasmo e outras que se devem lamentar com pesar e indignação. Não, não convivo pacificamente com a ideia de que ande alguém de ‘entusiasmómetro’ em punho a ofender benfiquistas que aplaudem com entusiasmo o clube depois de ter conquistado uma vitória numa final.

 

Não se vive no momento da vitória como se vive no momento da derrota, por isso mesmo é tão importante saber perder como saber ganhar. É uma questão de lucidez.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Abril e publicado na edição de 20/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Quinta-feira, 19.04.12

Corrupção

No dicionário, a palavra "corrupção" significa "acto ou efeito de corromper ou corromper-se; estado do que se vai corrompendo; decomposição; putrefacção; acto de corromper moralmente; perversão; adulteração; estado do que é corrompido; uso de meios ilícitos para obter algo de alguém; suborno". No caso (o mais recente) que envolve o bandeirinha Cardinal, a troco de 2000€, este foi efectivamente afastado de uma partida de futebol. Ou seja, foram usados meios ilícitos para obter um determinado fim: a ausência de um bandeirinha de um jogo. Mas, aparentemente, isto não é crime em Portugal. Assim, no próximo jogo em que o Pedro Proença for designado para apitar o Benfica, espero que haja um benemérito que deposite 2000€ na conta deste árbitro, apenas e somente com o interesse de evitar que ele corrompa (adultere) o resultado final. Creio que é uma compreensível medida profilática, aliás é tão compreensível que, se se soubesse que bastavam 2000€ para afastar o bandeirinha Cardinal de um jogo, creio que se tinha feito uma vaquinha para ele, no ano passado, não estar no guimarães-Benfica.

Para os senhores que fazem os dicionários, eu proponho as seguintes alterações nas definições de três palavras, para estarmos de acordo com o dinamismo dos conceitos em Portugal:

FUTEBOL: estado do que se vai corrompendo; decomposição; putrefacção; acto de corromper moralmente; perversão; adulteração; estado do que é corrompido; ilícito para obter algo de alguém; suborno".

CORRUPÇÃO: prática de futebol profissional de acordo com as regras.

ADEPTO: o mesmo que assistente de recinto desportivo.


Nota: sou completamente contra qualquer prática que adultere a verdade, quer seja corrupção activa, passiva, tentada, abortada quer seja outra qualquer - prefiro não ganhar o campeonato.
por Pedro Valente às 09:34 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Terça-feira, 17.04.12

17/04/82 - 17/04/12 (30 anos de corrupção)

O fim chegará! E nesse dia, "no dia em que as águias levantarem vôo, não vai sobrar um rato para contar como é que foi".

 

Quanto vale uma Taça limpa?

Como já venho a dizer há muito, o Benfica é tão grande que alberga, inevitavelmente, alguma porcaria (embriagada por alguma importância que a comunicação social, sedenta de facadas no Benfica, lhes dá). É o preço a pagar por ser o maior clube do Mundo (disse do Mundo? Queria dizer do Universo). Mas não me importava nada de ser ligeiramente menos grande e não passar pela vergonha de ter alguns dromedários que dizem que são do Benfica a assobiar e ofender - durante os jogos - jogadores, treinadores e gente do Benfica, e a achincalhar e menorizar - a fazer o trabalho dos inimigos - títulos ganhos de forma digna e honesta. Porque não são do Benfica, na verdade. São, acima de tudo, do clube do seu ego, uma merda profundamente egoísta que existe nas suas cabeças, e que se coloca à frente do Benfica.

 

Se calhar é melhor explicar isto, o que é bem capaz de constituir uma novidade surpreendente para quem não vê além da merda do seu nariz: eu também quero ganhar o campeonato. E - pasme-se - também acho que não o ganhar (especialmente este ano) é um fracasso (por culpas próprias e por culpas alheias). Mas e então?

Em que raio de mundo retorcido, e de que forma bizarra e canhestra, é que ofender e vilipendiar jogadores, treinadores e direcção durante um jogo, e depois de conquistar uma competição, melhora ou mitiga o que quer que seja, como é que isso beneficia o bem comum - o Benfica, em que medida é que isso se enquadra no espírito do 'de muitos, (faça-se) um'?

Não melhora, não mitiga, não beneficia e, definitivamente (definitivamente, ****-se), não se enquadra. 

 

A Taça da Liga foi ganha de forma limpa, honesta, justa, com trabalho e em futebol jogado, sem fruta, sem depósitos em contas da Madeira, sem conluios, sem aconselhamentos familiares a árbitros. E, quanto mais não fosse, só por causa disso vale mais - muito mais - do que os campeonatos ganhos pelos andrades (ou do que taças ganhas com depósitos), na mentira e na corrupção, de forma suja e hipócrita. Para mim a Taça da Liga vale mais do que esta merda deste campeonato viciado, percebem? Se não perceberem, é para o lado que durmo melhor.

 

E antes que venham para aqui com palhaçadas sobre a liberdade de expressão e o direito à indignação e a merda do sentido crítico e o raio que vos parta, digo-vos já que aquilo que alguns asnos fizeram no Sábado não é exercer o sentido crítico ou o direito à indignação, é maltratar o Benfica. E se não percebem isto, a cegueira torna as palas redundantes.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 14:52 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Domingo, 15.04.12

Tetra

Vitória magra e algo sofrida, mas inteiramente justa na final da Taça da Liga frente a um Gil Vicente batalhador, e que nos permitiu fazer o tetra nesta competição. Aquela que, como o Benfica a ganha, outros fingem desdenhar. Depois alguns desses continuam a falar da final perdida há três anos, enquanto que outros se convencem que a Supertaça é muito mais importante.

O onze inicial, que incluía o Rodrigo e o Nélson Oliveira, apontava para uma possível insistência na táctica de dois pontas-de-lança, mas afinal o Rodrigo encostou-se à direita, permitindo um trio no meio campo composto pelo Matic, Witsel e Aimar. No banco ficaram jogadores como o Artur, Emerson, Javi, Gaitán e Cardozo, juntando-se ao castigado Luisão nas alterações ao onze mais habitual. A primeira parte foi bastante disputada, com o Benfica a parecer ter um pouco mais de posse de bola e com o Gil Vicente a assumir uma postura mais expectante, para depois responder sempre em contra-ataques bastante rápidos que levavam perigo à nossa baliza. O Benfica foi ganhando alguma superioridade na zona do meio campo, resultado das acções do Witsel e Matic, que me pareceram os jogadores mais esclarecidos, e acabou por chegar ao golo com meia hora decorrida. O Bruno César, depois de uma boa iniciativa individual na esquerda, onde deixou dois adversários pelo caminho, tirou um cruzamento longo bem puxado ao segundo poste, onde apareceu o Rodrigo a rematar cruzado para golo. Apesar de ainda ter ameaçado num bom remate, o Gil Vicente pareceu perder algum ímpeto com o golo sofrido, e antes do intervalo foi o seu guarda-redes quem evitou, com uma grande defesa, que o Witsel aumentasse a vantagem do Benfica.

Regressámos para a segunda parte com o Gaitán no lugar do Nélson Oliveira (passou o Rodrigo para ponta-de-lança), e com alguma vontade de resolver o jogo. Com o Gil Vicente a mostrar-se incapaz de responder como tinha feito durante a primeira parte, foi o Benfica quem jogou mais no meio campo adversário e ameaçou o segundo golo, vendo-o ser negado mais uma vez pelo guarda-redes Adriano, desta vez num remate do Rodrigo. Pouco depois da hora de jogo, o Aimar saiu (aparentemente tocado), entrando o Cardozo e, sem surpresa, o jogo ofensivo do Benfica ressentiu-se. O Gil Vicente continuava a ser pouco mais que inofensivo no ataque, e à medida que o tempo foi passando foi tentando arriscar cada vez mais, mas a verdade é que a bola pouco rondava a nossa baliza. Mas a dez minutos do final (numa altura em que se preparava a entrada do Javi para reorganizar a equipa visto que, mais uma vez, os dois avançados com o Rodrigo a fazer de Aimar não estavam a resultar), talvez no primeiro remate que o Gil Vicente conseguiu fazer à nossa baliza na segunda parte, chegou ao empate. O nosso treinador emendou a mão e mandou para dentro do canto o Saviola em vez do Javi. E não foi preciso esperar muito tempo pelo resultado: um minuto depois de ter entrado, na primeira vez que tocou na bola, o Conejo aproveitou uma defesa incompleta do Adriano (uma grande defesa, diga-se) a um remate do Witsel para voltar a colocar o Benfica na frente, situação que foi depois mantida até final sem sobressaltos.

Melhores do Benfica, para mim, Matic e Witsel. Numa final sem grandes brilhos, pareceram-me ser os jogadores mais esclarecidos e com melhor atitude em campo. O primeiro sobretudo nas tarefas defensivas - onde parece mostrar franca evolução, sobretudo no posicionamento e compensações aos colegas da defesa, e o segundo nas transições para o ataque.

Cumprimos a obrigação e vencemos a Taça da Liga, como se exigia. Não é uma conquista que por si só nos satisfaça, mas é um troféu oficial e perdê-lo é que também não era admissível. Agora é normal que várias pessoas tentem com afinco desvalorizá-lo ao máximo, visto termo-lo conquistado. No fundo, o Rodrigo conseguiu definir a situação na perfeição: "Se tivéssemos perdido as pessoas iam achar que era a Liga dos Campeões. Como vencemos vão tratar este troféu apenas como a Taça da Liga." Por mim, fico contente com a conquista. Agora é concentrarmo-nos em vencer todos os jogos que faltam até final da época.

por D`Arcy às 04:46 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Sexta-feira, 13.04.12

Do que passa e do que fica

Temos, desde segunda-feira, o campeonato praticamente hipotecado. Passa mais uma época e perspectiva-se mais um balanço amargo. Fica a sensação de que seria bastante fácil ser campeão, mas muito se passou para que estejamos na ingrata posição em que estamos.

 

Na primeira jornada, por responsabilidades próprias, perdemos dois pontos em Barcelos. Em Braga ficaram mais dois pontos, num escândalo vergonhoso, com uma arbitragem suja e com três apagões de energia que nunca foram explicados. Em Guimarães deixámos três pontos, num jogo em que fomos incompetentes. Em Coimbra ficaram mais dois pontos, num jogo em que os nossos futebolistas dormiram durante quarenta e cinco minutos e, quando acordaram na segunda parte, permitiram mais uma actuação vergonhosa de uma equipa de arbitragem habilidosa. No nosso Estádio, perdemos três pontos para o FCP. Desses três pontos, o adversário conquistou um e a equipa de arbitragem ofereceu-lhe mais dois. Em Olhão, os nossos jogadores, numa atitude condenável, deram quase setenta minutos de avanço ao adversário e quando começaram a jogar já não foram a tempo. Em Alvalade, num jogo armadilhado pela injusta sanção que impediu o Aimar de jogar, deixámos mais três pontos e mais uma vez num jogo com uma arbitragem que decidiu ignorar uma grande penalidade a nosso favor logo aos cinquenta segundos de jogo. Assim, entre pontos roubados e pontos oferecidos, chegámos a esta situação em que a conquista do título é pouco mais do que uma esperança.

 

Essa esperança que permanentemente se renova é nossa, dos adeptos, e é muito importante que os profissionais que servem o Benfica percebam que eles vão passando, mas os adeptos ficam, permanecem. E quem permanece tem todo o direito a pedir responsabilidades a quem está de passagem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Abril e publicado na edição de 13/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 12.04.12

Às vezes, só mesmo a lagartagem é que me anima

Se o Sportém não existisse, teria de ser inventado. Por isso, agradeço aqui publicamente ao Visconde e ao Estrumpfe (ou Estronço, Estromp ou lá o que é). 

 

Como verdadeira malta do espectáculo (com formação de circo, é fácil percebê-lo), mexem-se com igual à-vontade no musical e na comédia, muitas vezes passando de um para o outro sem passar pela Casa Partida e receber os 2.000. Neste caso, em abono da verdade, não só receberam como depositaram, e na Madeira.

 

Isto não foi um tiro no pé, foi jogar à roleta russa à Sportém (ou seja, com balas em todas as câmaras). Denunciarem-se a eles próprios é bonito (não tão bonito como o papel de parede do túnel para os balneários ou como aquela senhora que tem um molho de bróculos na cabeça e lhes canta o hino) e mostra um sentido de auto-crítica surpreendente para quem festeja quartos lugares no Marquês ou para quem não tem vergonha de ser representado pelo Rui Oliveira e Costa.  

 

 

Remeto para este post, que penso que é apropriado e explana muito bem o que penso sobre o assunto.

 

 

 

 Esta fotografia não tem nada a ver com isto, mas

continuo a achar que é um momento de rara beleza

do marreta e apeteceu-me espetá-la aqui outra vez.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 14:17 | link do post | comentar | ver comentários (17)

Da actualidade de Santo Agostinho

«Vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas: não se poderiam corromper se fossem sumamente boas, nem se poderiam corromper se não fossem boas. Com efeito, se fossem absolutamente boas, seriam incorruptíveis, e se não tivessem nenhum bem, nada haveria nelas que se corrompesse. De facto, a corrupção é nociva, e se não diminuísse o bem, não seria nociva. Portanto, ou a corrupção nada prejudica - o que não é aceitável - ou todas as coisas que se corrompem são privadas de algum bem. Isto não admite dúvida. Se, porém, fossem privadas de todo o bem, deixariam inteiramente de existir. Se existissem e já não pudessem ser alteradas, seriam melhores porque permaneciam incorruptíveis. Que maior monstruosidade do que afirmar que as coisas se tornariam melhores com perder todo o bem?
Por isso, se são privadas de todo o bem, deixarão totalmente de existir. Logo, enquanto existem são boas. Assim sendo, todas as coisas que existem são boas e aquele mal que eu procurava não é uma substância, pois se fosse substância seria um bem. Na verdade, ou seria substância incorruptível, e então era certamente um grande bem, ou seria substância corruptível, e nesse caso, se não fosse boa, não se poderia corromper.»

Santo Agostinho, in 'Confissões'

 

 

Isto apenas para mostrar a bondade de Portugal, de Paulo Pereira Cristóvão, do Cardinal, etc e tal...

 

 

 

por Pedro F. Ferreira às 13:54 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Terça-feira, 10.04.12

5º aniversário (os parabéns do RAP)

Neste quinto aniversário da Tertúlia, e num momento que nos põe à prova o benfiquismo, é sempre muito agradável receber mensagens de amigos.

 

O Ricardo Araújo Pereira, que anda lá por fora a lutar pela vida, acabou de nos enviar esta mensagem:

 

 

 

 

Da nossa parte, um grande bem-haja, um abraço e aquele “Viva o Benfica!” dito em conjunto.

por Pedro F. Ferreira às 18:46 | link do post | comentar | ver comentários (37)

5 anos

A Tertúlia nasceu no dia 10 de Abril de 2007, numa hora difícil, como difícil é a que vivemos. Há precisamente 5 anos, portanto.

 

Na altura, no meu primeiro post, exortava, do alto do meu púlpito - assente, apenas e só, em Benfiquismo desapegado - que o que se impunha, o que se impõe, era que nos mantivéssemos unidos nas derrotas, como unidos estamos nas vitórias. Que a alma e a dimensão Benfiquista servisse para nos amparar e dissolver a agonia dos momentos difíceis. Que libertássemos a dor, que a gritássemos, que a partilhássemos, para percebermos, com supina claridade, que não é só nossa – que não é só minha – mas de todos nós, Benfiquistas. Apelava a que a Tertúlia se tornasse, claro, um espaço onde se cantassem as vitórias, mas também onde se partilhasse a dor comum, e onde se obtivesse força para lutar contras a amarras do destino, muitas vezes cruel (por culpa própria, por culpa alheia, por factores que controlamos e por outros que nem por isso).

 

Volvidos 5 anos, olho para trás e percebo com alívio que, pelo menos para mim – e por mim falo - a Tertúlia tem sido fonte de conforto, amparo e partilha. E de boa disposição, que o humor faz maravilhas ao aparelho cardiovascular.

 

Foram cinco anos de cumplicidade e de companheirismo. Cinco anos de partilha e celebração conjunta de momentos de glória, de amparo nas horas difíceis, de gargalhadas e de lágrimas. Cinco anos de crença, de luta, de sacrifício (muitas vezes da vida pessoal), de tenacidade, de têmpera, de momentos indeléveis cravados na pedra do tempo. Cinco anos de sincera tentativa de contribuição para a construção do um, feito por muitos, sem nunca perder a identidade de um singelo momento encapsulado no tempo em 1904, mas que alumia (especialmente nos momentos mais negros), com uma chama imensa e pura, o caminho do Sport Lisboa e Benfica e dos Benfiquistas.

É uma honra ser Benfiquista (por mais luto que se faça nos tempos difíceis). E é, francamente, uma honra poder partilhar este espaço há 5 anos com amigos do peito.

  

Um Feliz Aniversário à Tertúlia e um abraço Benfiquista a todos.

 

O resto? O resto resolve-se, porque o Benfica renasce todos os dias.

 

Viva o Benfica.

 

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 16:17 | link do post | comentar | ver comentários (45)

Pouco

Derrota no derby e um muito provável triste e irremediável atraso nas contas do campeonato. O Benfica tinha que vencer obrigatoriamente este jogo para manter intactas as esperanças de sermos campeões, mas infelizmente deixámo-nos abater ao primeiro grande percalço e nunca mais conseguimos voltar a erguer a cabeça. Mostrámos muito pouco para quem tinha obrigação de vencer.

Faltou apenas o Aimar para que o Benfica apresentasse aquele que tem sido o onze tipo desta época. O Luisão e o Garay (e o Jardel também) afinal recuperaram a tempo e assim desapareceu o problema no centro da defesa. Para o lugar do Aimar a escolha foi o Rodrigo e, mais uma vez, não resultou. O Benfica até entrou bem no jogo. Durante os primeiros minutos foi mais pressionante e assumiu as despesas do jogo, frente a um adversário que apostou em pausar ao máximo o ritmo do jogo, apresentando uma boa organização defensiva para depois sair para o ataque apenas na certa. Infelizmente a melhor fase do Benfica durou pouco mais que quinze minutos. Foi o tempo até que o Arturinho exibisse um enorme rigor, de que pelos vistos se tinha esquecido no primeiro minuto de jogo, quando na primeira jogada do Benfica conseguiu transformar um derrube claro ao Gaitán num canto que só ele mesmo terá visto. Penálti assinalado ao Luisão, golo, e o Benfica como equipa começou a acabar ali. Não é que os jogadores tenham deixado de tentar, mas simplesmente as coisas começaram a correr cada vez pior, e quase não conseguimos construir uma jogada digna desse nome.

Se a falta do Aimar na primeira parte já se notou, na segunda ela foi gritante. A entrada do Djaló de pouco ou nada serviu. Na minha opinião o Benfica tem apenas um jogador no plantel capaz de disfarçar a ausência do nosso dez na organização de jogo, que é o Witsel, mas as opções do banco foram-no atirando cada vez mais para trás no terreno de jogo. Aliás, essas opções não ajudaram em nada o nosso jogo, só o pioraram e tornaram progressivamente mais confuso. A nossa segunda parte foi paupérrima. Apesar de termos posse de bola, pouco ou nada conseguíamos fazer com ela a não ser circulá-la entre os nossos jogadores sem conseguir entrar na defesa adversária. Julgo que terá havido apenas uma real oportunidade de golo, numa bola salva em cima da linha de golo. Nem sequer as bolas paradas nos safaram - apesar de termos beneficiado de alguns livres, foram praticamente todos mal marcados pelo Bruno César. Quanto ao adversário, continuou a fazer o mesmo que fez na primeira parte e justificou a vitória. Manteve-se organizado na defesa e saiu bem e na certa para o ataque, conseguindo assim criar uma mão cheia de oportunidades para dilatar o resultado. Apenas um grande Artur e uma boa dose de felicidade impediram que o jogo ficasse decidido antes. Sobre o final, o Arturinho não quis interromper a tradição e, expulsando o Luisão, conseguiu assim que o Benfica acabasse em inferioridade numérica o terceiro jogo consecutivo para o campeonato frente a este adversário. Somos uma equipa azarada.

Os melhores do Benfica foram, para mim, o Artur (literalmente evitou dois ou três golos) e o Witsel, um dos poucos a conseguir manter alguma lucidez durante todo o jogo. Muito mal o Javi García - talvez um dos piores jogos que o vi fazer no Benfica. Pareceu estar fisicamente de rastos, não se impôs na sua zona, e teve erros que nunca o tinha visto fazer, sendo o exemplo mais flagrante o lance em que isolou um adversário com um passe disparatado para trás. Outros jogadores como o Maxi ou o Gaitán também me pareceram ter estoirado rapidamente. No caso do Maxi, durante quase toda a segunda parte lutou e esteve sempre avançado no campo, mas constantemente sem recuar para defender quando perdia a bola, tornando o nosso lado direito uma autêntica avenida. O Cardozo nem se viu, mas também quase não lhe chegou jogo nenhum.

Exigia muito mais do Benfica num jogo destes. Sim, é verdade que mais uma vez também houve um artista extra no relvado, mas já sabemos que estes factores estão frequentemente presentes nos nossos jogos decisivos e não podemos contar que sejam em nosso favor - ao contrário dos outros: antes do jogo começar, enquanto esperava à porta para entrar, um adepto adversário que vá-se lá saber porquê pensou que eu era da cor dele meteu conversa e expressava-me a sua satisfação com a nomeação do Arturinho porque, segundo ele, 'em caso de dúvida este cai para o Porto, o que é bom para nós'. Mas isso ainda assim não justifica o péssimo jogo que fizemos. Somos o Benfica, e no mínimo temos que conseguir levantar a cabeça quando infortúnios se abatem sobre nós. Hoje, pelo contrário, pareceu-me que a equipa se veio muito abaixo depois do golo, e em jogo jogado, com toda a honestidade, creio que não pode haver qualquer discussão sobre a justiça do resultado.

P.S.- Estou pior que estragado com o que se passou hoje. E por isso critico o que acho que deve ser criticado, e expresso o meu descontentamento. Agora tudo o que forem extrapolações, para isso não contribuo. O meu lugar é (sempre) na bancada, a gritar pelo Benfica.

por D`Arcy às 00:44 | link do post | comentar | ver comentários (68)

É indiferente...

Isto é indiferente, nada disto aconteceu, acho que nem se pode falar nisto...
por Anátema Device às 00:43 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Segunda-feira, 09.04.12

Apelo lançado aos que têm o Benfica no sangue

 

Dai tudo, tudo é mais do que o que julgais poder dar. Ide mais além. Jogai contra todos os adversários de hoje - e são mais do que onze - , lutai contra os inimigos. Sabei sofrer para vencer.

Sede Benfica!

por Anátema Device às 16:00 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Sábado, 07.04.12

Muito a sério, o Ministério Público que investigue a exibição que o Hugo Viana fez hoje

E vale um leitão que para o ano vai ser o jogador de confiança que o Leonardo Jardim vai levar para o FC Porco. 

 

O argumento desde campeonato é mais rasca que o de uma telenovela da TVI.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 22:21 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sexta-feira, 06.04.12

Apontamentos

1- As palavras mais significativas sobre o que têm feito ao Benfica são as de Maxi Pereira no final do jogo com o Olhanense. São palavras deixadas a meio, feitas de sílabas secas, arrancadas à indignação, e de sílabas caladas na impossibilidade de exprimir fielmente a revolta. Tudo o que se disser é pouco, todas as palavras são poucas para exprimir o nojo que sentimos perante a chafurdice em que transformaram o futebol português.

 

2- O Benfica recebeu e venceu o Braga. Foi um jogo tremendo, com emoção, entrega total de todos os futebolistas e uma abnegação sem mácula. Tivesse havido essa entrega em todos os jogos do campeonato e não estaríamos sujeitos às incompetências encomendadas de muitos dos árbitros que poluem o futebol português.

 

3- Durante o jogo com o Braga, o speaker do nosso Estádio, certamente obedecendo a ordens, fez o que não devia. Nós, público benfiquista, com todas as nossas virtudes e defeitos que nos distinguem dos outros, não estamos habituados a exprimir emoções por encomenda, porque sim, porque fica bem ou porque convém. Exprimimos o nosso apoio de forma incondicional nos momentos em que sentimos que este se deve expressar. Mal ou bem, somos assim há mais de cem anos e não somos, nem seremos, um público amestrado à voz de ninguém. Há momentos em que puxamos pelos nossos dentro do campo e há momentos em que são os nossos que puxam pelo público. É uma relação nossa e directa, sem a interferência de ninguém. Não perceber isto é não perceber o Benfica.

 

4- Escrevo este texto antes de saber o resultado da nossa deslocação ao campo do Chelsea. Neste momento, a minha atenção está totalmente focada na próxima jornada do campeonato nacional. Ganhá-la é imprescindível. É nesta competição que temos de estar concentrados. É muito importante que todos percebamos isto.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Abril e publicado na edição de 06/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 05.04.12

Orgulho

Perdemos, estamos fora da Champions, mas não tenho nada a criticar à nossa equipa. Depois de um resultado injusto no primeiro jogo, com mão da arbitragem, vamos para este jogo sem defesas centrais, apanhamos com uma arbitragem caseirinha, jogamos mais de uma parte em inferioridade numérica, e mesmo assim conseguimos manter a eliminatória em aberto praticamente até ao último minuto. Caímos, mas de pé e sempre de cabeça bem erguida.

Com o Benfica dizimado no centro da defesa - os quatro centrais lesionados - avançaram o Javi García e o Emerson para essas posições. De resto, a equipa não teve outras surpresas, sendo o Matic e o Capdevila os escolhidos para ocupar as posições habituais dos dois novos centrais de ocasião. O Benfica entrou muito bem no jogo, fazendo o que lhe competia. Dado o resultado trazido da primeira mão, não tínhamos outra opção senão ir à procura do golo, e foi isso mesmo que fizemos desde o apito inicial, com o Chelsea a assumir uma posição mais expectante. Tivemos mais bola e tentámos o remate frequentemente, mas a direcção dos remates nem sempre foi a melhor. Também desde o início deu para ver qual a tendência do árbitro, que quase sempre ignorava qualquer queda de um jogador do Benfica, mas não adoptava o mesmo critério para o Chelsea. Para além disso era demasiado lesto a puxar do cartão, o que significou que num jogo nada violento aos vinte e cinco minutos de jogo já tínhamos quatro jogadores amarelados, e previa-se portanto que seria difícil mantermo-nos com onze até final. Antes disso, aos vinte minutos, o critério largo em relação às quedas de jogadores obviamente que não se manteve, e foi assinalado penálti do Javi sobre o Cole, que permitiu ao Chelsea rematar pela primeira vez à nossa baliza e colocar-se em vantagem. Não baixou os braços o Benfica, mas sofreu novo golpe ainda antes do intervalo, com o segundo amarelo (este pareceu-me que indiscutível) mostrado ao Maxi. No fim do primeiro tempo, o Chelsea tinha um remate à nossa baliza - o penálti - e dois no total.

Em desvantagem, com dez jogadores, o Benfica veio para a segunda parte sem virar a cara à luta. O Witsel foi fechar a direita, e a equipa continuou a perseguir o resultado e a eliminatória. O jogo acabou por ser muito mais aberto do que na primeira parte. Com os riscos que corria, o Benfica também deixava muito mais espaços atrás, já que na maior parte das vezes apenas defendia com cinco jogadores, e por isso o Chelsea aproveitava para construir oportunidades para matar o jogo mas agora, quando não eram os nossos jogadores a cortar os lances, eram os jogadores do Chelsea a revelar pouca pontaria. A meia hora do final houve a racionalidade de nos lembrarmos que temos um jogo muito importante para o Campeonato em breve, e por isso o Gaitán e o Cardozo (pouco depois também o Bruno César) foram poupados, mas os jogadores que entraram trouxeram mais velocidade à equipa e continuaram a luta por um resultado mais justo. A cinco minutos do final o Javi, de cabeça, marcou após canto do Aimar e assustou muito os ingleses, deixando-nos sonhar durante algum tempo. Mas já em período de descontos, numa altura em que o risco era total, acabámos surpreendidos num contra-ataque.

Todos os jogadores estão de parabéns pela atitude demonstrada, e pelo que fizeram. Mas quero mencionar o grande jogo que o Matic fez esta noite, ganhando inúmeras bolas no meio campo e sendo um precioso auxílio à defesa - muitas vezes praticamente o único. Jogo muito bom também do Emerson, o que até nem me surpreende muito. Eu creio que o Emerson já mostrou que sabe defender, e que o maior problema dele é mesmo a falta de velocidade, o que acaba por comprometê-lo quando sobe no terreno e depois não consegue recuperar a posição a tempo. Jogando a central, esteve sempre bem posicionalmente, revelou muita frieza com a bola nos pés mesmo quando estava pressionado por adversários, e conseguiu alguns cortes e desarmes de grande qualidade. Grande jogo também do outro central adaptado. O Javi foi grande na defesa, e ainda conseguiu ir lá à frente marcar o golo que já justificávamos.

Perdemos, mas face a todas as vicissitudes deste jogo e os condicionalismos que enfrentámos antes e durante o mesmo, julgo que podemos sentir muito orgulho na forma como os nossos jogadores defenderam o nosso emblema. Às vezes também se pode ganhar algo numa derrota, e espero que hoje tenhamos ganho a atitude e espírito de equipa necessários para vencermos este campeonato. Porque a jogar e a lutar com a genica e o fervor de hoje, será impossível encontrar rival neste nosso Portugal.

por D`Arcy às 08:01 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Quarta-feira, 04.04.12

Da chama imensa

E, sim, perdemos - ou melhor, foi-nos roubado sem perdão - um jogo, mas ganhámos uma mão cheia de jogadores, ganhámos união e respeito e ganhámos aquele fogo sem freios que nasce na faísca rebelde da revolta e que é muito capaz de alimentar ainda mais a chama imensa. Haja têmpera para o domar na direcção certa e haja garra, querer e determinação para não o deixar esmorecer.

 

Este conjunto de homens, esta equipa (esta equipa, porra) merece uma recepção memorável para que percebam que isto que fizeram hoje, esta luta que travaram, não foi em vão, que nunca é em vão quando é pelo Benfica. E para que saibam - se dúvidas tiverem - que, assim como não a travaram hoje sozinhos (eu estive lá, dentro do campo, e vocês todos também), não travarão nunca nenhuma sem nós, todos os milhões que fazem o um.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 23:35 | link do post | comentar | ver comentários (26)

Orgulhosamente benfiquista

Hoje mais do que nunca...

 

por Pedro F. Ferreira às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (32)

RTP - de joelhos, sem vergonha

A RTP convive bem com a hipocrisia de comentadores e jornalistas desportivos parciais, co-responsáveis por décadas de podridão e corrupção no futebol português, que cobardemente não admitem os seus ódios escondidos e os seus fetiches pela provocação, pela cultura de guerrilha e pela ofensa boçal a um clube que caminha de cabeça bem erguida, sem favores, e cuja grandeza (em termos de dimensão, mas também em termos de valores), por ser inimitável e inalcançável, incomoda muita gente.

 

Também convive bem, todos o sabemos, com a parcialidade gritante praticada por jornalistas moderadores de programas de índole desportiva que depois são recompensados, como rafeiros bem comportados, com cargos de directores de comunicação de clubes assumidamente corruptos, que prosperam há anos e anos e anos na cultura do ódio e do incentivo à violência, fomentando a divisão e clivagem do país em fronteiras artificiais.

 

Convive mal, no entanto, a RTP, com manifestações espontâneas, verdadeiras e honestas de quem não esconde aquilo de que nunca terá de se envergonhar e que, de forma aberta, profundamente digna e correcta – e sem nunca renegar a sua verdade - sempre foi mais imparcial no seu papel de comentador do que muita escumalha que pulula pelas televisões nacionais com o epíteto de jornalista – gente que se prostitui, gente que provoca nas conferências de imprensa, gente que fabrica polémicas, gente que branqueia as sistemáticas facadas na verdade desportiva.

É, apesar de tudo, natural, em organizações propagandistas de índole fascista e que prestam vassalagem, de joelhos bem esfolados e ensanguentados contra as pedras do chão, a quem controla - do esgoto abjecto e corrupto onde medra - os media desportivos, com o mesmíssimo à-vontade e impunidade com que se dedica à coacção, ao compadrio, ao aconselhamento familiar, à distribuição de fruta e de galões, à encomenda de emboscadas, à manietação de observadores e à construção de climas de terror.

 

Ao João Gobern, um abraço do tamanho do nosso Benfiquismo. A luta continua. Sempre.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 16:03 | link do post | comentar | ver comentários (14)

João Gobern dispensado da RTP por ter festejado um golo do Benfica

 

O João Gobern é um dos melhores profissionais da comunicação que conheço. Tenho por ele admiração profissional e estima pessoal. É, também, um grande e digno benfiquista.

 

Vi-o defender o Benfica contra ataques torpes e rasteiros. Fazia essa defesa não por ser benfiquista, mas porque considerava esses ataques injustos. Com a mesma honestidade intelectual vi-o criticar de forma incisiva o próprio Benfica. Durante quatro anos, vi, sempre que possível, o programa em que debatia com Bruno Prata as incidências do futebol português. Quem via aquele programa reconhecia-lhe o benfiquismo, que nunca escondeu, mas, mais do que tudo, reconhecia-lhe a independência que, por ser notória, não precisava de ser apregoada. As suas opiniões valeram-lhe ataques pessoais e mesquinhos por parte da ‘estrutura’ de um clube habituado a tentar coagir as vozes incómodas. Acima de tudo, as suas opiniões fizeram com que tivesse construído uma justa imagem de quem se move no mundo da comunicação social de forma limpa e cabeça erguida.

 

A sua saída da RTP pelos motivos que são apresentados nesta notícia do Público [link] é apenas mais um reles acto hipócrita nesta ópera bufa em que se foi transformando a opinião publicada e grande parte da comunicação social neste pardieiro com nome de país. Foi, em suma, mais uma derrota da opinião livre e limpa no canal público de televisão.

por Pedro F. Ferreira às 00:05 | link do post | comentar | ver comentários (51)
Terça-feira, 03.04.12

O que a droga e a sífilis fazem à cabeça de um gajo

"Alguns equívocos e critério díspar. Mas não interessa falar de arbitragem. Os miosótis serão lindos e os trevos de quatro folhas do relvado ajudarão as pessoas a coibir-se de comentar."

 

Jorge Coroado, n'O Jogo, sobre a arbitragem do Benfica – Braga.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 10:35 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Domingo, 01.04.12

Arrancada

Complicada, feliz, mas acima de tudo muito justa a vitória alcançada esta noite pelo Benfica sobre o Braga, num jogo de grande importância para a decisão do título. O Benfica foi a equipa que mais quis ganhar este jogo e que mais trabalhou por isso, acabando por ser recompensado mesmo no final.

Não houve invenções no centro da defesa, onde surgiu o Miguel Vítor a ocupar a vaga ao lado do Luisão. Para o lugar do Aimar, a escolha foi o Rodrigo, o que resultou nas habituais dificuldades que ele revela quando tem que ocupar os terrenos habitualmente reservados ao nosso número dez. O Benfica até entrou decidido no jogo, imprimindo alguma velocidade e mantendo o Braga remetido ao seu meio campo, mas ao fim do primeiro quarto de hora parecia já se ter deixado embalar no ritmo pausado que interessava ao Braga. O seu treinador pode ter afirmado que não pretendia vir à Luz jogar para o empate, mas foi exactamente essa a impressão com que se ficou. Jogo muito pausado sempre que possível, e de vez em quando alguma tentativa de explorar uma saída mais rápida para o contra-ataque. Jogando com menor pressão do que o Benfica por não necessitar tanto de uma vitória, este cenário era o ideal para o Braga, que acabou por conseguir mesmo manter o jogo controlado neste ritmo, e terminar a primeira parte de forma perfeitamente equilibrada com o Benfica - poderia mesmo ter saído para o intervalo a vencer, pois mesmo sobre o apito dispôs de uma boa oportunidade para marcar, negada pelo Artur.

A segunda parte foi bem mais movimentada. Mais uma vez o Benfica pareceu entrar mais decidido - abriu logo com uma boa ocasião do Witsel, em que o Quim defendeu com as pernas - mas com o Braga susteve o nosso ímpeto inicial e depois foi progressivamente aproveitando bem o muito espaço disponível no centro do meio campo, onde o Mossoró se movimentava à vontade, para construir jogadas perigosas de contra-ataque. O Benfica melhorou com a troca do Cardozo (pareceu estar fisicamente mal durante todo o jogo) pelo Nélson Oliveira, e também com a troca forçada do Miguel Vítor pelo Matic, porque com o recuo do Javi para central o Matic acabou por preocupar-se menos com as dobras e passou a acompanhar muito mais o Mossoró, acabando com as liberdades que ele tinha aproveitado até então. O golo do Benfica acabou por chegar a menos de um quarto de hora do final, num penálti assinalado após um abalroamento ao Bruno César na área. O Witsel não acusou minimamente a responsabilidade e atirou o Joaquim para um lado e a bola para o outro. Depois do golo, o Benfica corrigiu imediatamente a táctica e passou a jogar com apenas um avançado, saindo o Rodrigo para a entrada do Nolito, com o Bruno César a fazer de Aimar. Não esperava que o Braga tivesse capacidade para chegar ao empate, mas isso aconteceu apenas cinco minutos após o nosso golo, numa recarga do Elderson a uma defesa incompleta do Artur, após livre lateral marcado pelo Hugo Viana. Apesar de visivelmente cansado o Benfica ainda foi no entanto encontrar forças para ir buscar a vitória, naquela que terá sido talvez a melhor jogada que fizemos em todo o jogo. Já em período de descontos, o Bruno César e o Gaitán foram trocando a bola pela direita, com o argentino a revelar muita classe na forma como tirou um defesa do caminho e serviu o Bruno César no interior da área para que este, com um remate rasteiro e muito colocado ao segundo poste, decidisse o jogo e incendiasse a Luz.

Gostei muito, para não variar, do jogo que o Witsel fez. Ainda por cima nestas condições, em que devido à táctica apresentada o Benfica se via frequentemente em desvantagem numérica na zona central. O belga tem um controlo de bola muito acima da média, e é quase impossível desarmá-lo, acabando por soltá-la em condições para os colegas. E as forma como se movimenta em campo revela uma enorme inteligência táctica. Não fiquei surpreendido também com o bom jogo que o Miguel Vítor fez até ter o azar de se lesionar. Não me lembro de o ver cometer um erro, e conseguiu controlar sem grandes dificuldades um adversário difícil como o Lima. O Bruno César teve uma primeira parte apagada, mas acabou por ser decisivo, sofrendo o penálti e marcando o segundo golo. Ouvi vários benfiquistas reclamarem com o Gaitán, mas eu confesso que gostei de o ver esta noite. Mesmo com as coisas a não lhe correrem sempre de feição, achei que nunca se escondeu do jogo, e sempre que recebeu a bola arriscou ir para cima dos adversários. A jogada do segundo golo revela todo o talento que possui.

Ultrapassado este difícil obstáculo, tenho a sensação de que será na próxima jornada que praticamente tudo se decidirá para nós. Acredito que em caso de vitória no Lumiar, o título não nos escapará. Mas a nossa equipa parece-me estar claramente fatigada, e até lá teremos a 'distracção' do jogo com o Chelsea (para o qual teremos, ainda por cima, um problema no centro da defesa, que espero que não se mantenha no campeonato). Eu acredito que a equipa se consiga superar nesta fase, e espero que a vitória arrancada a ferros hoje marque o início da arrancada decisiva para o título.

P.S.- Detestei a rábula do speaker da Luz ter resolvido imitar os maus exemplos de outras paragens (como por exemplo no estádio do nosso adversário de hoje). Não é permitido, dá multa, e dá também uma muito má imagem.

por D`Arcy às 03:32 | link do post | comentar | ver comentários (42)
Sábado, 31.03.12

Hoje, temos de ser Benfica!

Para mais logo, para o momento da luta, num jogo do campeonato nacional e não da champions league, peço apenas que a entrega de todos os profissionais que servem o Benfica seja idêntica à paixão dos adeptos que vivem o Benfica. Se assim for, e apenas se assim for, poderemos continuar juntos a construir caminho.

 

por Pedro F. Ferreira às 11:20 | link do post
Quarta-feira, 28.03.12

Rescaldo de ontem

Assobiar um jogador do Benfica em pleno jogo (ainda por cima da Liga dos Campeões) ainda consegue ser mais idiota do que achar que o Emerson tem qualidade para ser titular do Benfica.

por S.L.B. às 09:00 | link do post | comentar | ver comentários (51)
Terça-feira, 27.03.12

Complicado

O resultado obviamente que sabe a injustiça, face ao que o Benfica produziu no jogo. Mas não é surpreendente, e já vimos coisas destas acontecer-nos na Champions vezes suficientes. A este nível, falhar é quase sempre fatal, sobretudo contra equipas com jogadores que podem decidir num pormenor. O Benfica falhou e o Chelsea ganhou.

Tenho muito pouco a dizer sobre a primeira parte. O Benfica apresentou o onze esperado e anunciado na comunicação social, com o Cardozo como único ponta-de-lança, apoiado pelo Aimar. O jogo em si foi praticamente um enorme bocejo, com demasiado receio de parte a parte. O Chelsea veio claramente jogar para manter o nulo, tentando sempre adormecer o jogo o mais possível e mantê-lo num ritmo lento. O Benfica não quis arriscar lançar-se num ataque desenfreado, e portnato foram muito poucos os lances de perigo perto de uma ou outra baliza. A posse de bola foi repartida, mas com o Chelsea a mantê-la sobretudo na sua zona defensiva, enquanto que o Benfica conseguia fazê-la circular no meio campo adversário, sobretudo devido à superioridade que o nosso meio campo parecia ter sobre o do Chelsea, mas sem conseguir criar jogadas de grande perigo.

Na segunda parte o Benfica entrou mais decidido e pressionante, conseguindo empurrar mais o Chelsea para junto da sua área, e criando finalmente algumas boas ocasiões de golo. Nesta fase fomos muito mais rematadores do que o Chelsea, e vimos o David Luiz cortar um remate do Cardozo já sobre a linha, ou o Cech evitar que uma bola cabeceada pelo Jardel terminasse em golo. O Chelsea ia tentando responder em contra-ataque, normalmente sem criar muito perigo, mas tendo ainda assim atirado uma bola ao poste pelo Mata, num lance em que a nossa equipa pareceu ficar desconcentrada enquanto reclamava penálti por um corte com a mão do Terry. A melhor fase do Benfica terminou no entanto a vinte minutos do final, quando o Jorge Jesus fez duas substituições. Saíram o Aimar e o Bruno César, entrando o Matic e o Rodrigo. De uma assentada, o Benfica perdeu dois dos jogadores com melhor rendimento no centro do campo, já que o Witsel foi desviado para a direita. O Rodrigo nada trouxe ao jogo, pois continua numa forma deplorável, e o Matic continua a mostrra muita indisciplina táctica, e não tem a menor capacidade para fazer aquilo que o Witsel tinha estado a fazer naquela zona até então. O Chelsea marcou cinco minutos depois, embora seja forçado dizer que foi consequência directa disto. O lance começa numa saída para o contra-ataque do Ramires pelo nosso lado esquerdo - durante o jogo ele já tinha mostrado que conseguia fazer praticamente o que queria do Emerson, dado que a diferença de velocidade entre os dois é gritante - que deixou a bola no Torres e depois este aproveitou talvez a única falha do Jardel no jogo para oferecer o golo ao Kalou. Ainda tentámos emendar um pouco as coisas, voltando a colocar o Witsel no centro com a entrada do Nolito, mas nos minutos finais as coisas já foram feitas mais em desespero e sem resultados práticos, até porque agora eram apenas dois jogadores no centro, e o Matic não defende como o Javi.

O jogador que mais gostei de ver foi o Witsel. Claramente um jogador que não ficará por cá muito mais tempo, porque o nível dele merece outras paragens que não a Liga portuguesa. Gostei do Maxi e do Aimar, e foi pena o Jardel ter borrado a pintura no lance do golo, porque até aí tinha estado bem. Não considero que faça parte do 'clube da fãs' do Emerson, e normalmente evito críticas gratuitas. Mas hoje ele esteve mal demais, cometeu muitos erros (quase ofereceu um segundo golo ao Chelsea na fase final, quando estava sozinho e conseguiu meter a bola nos pés do Mata para um contra-ataque perigoso) e o Ramires fez praticamente o que quis dele.

Não creio que a eliminatória esteja já decidida, até porque o Chelsea não mostrou grande valor hoje. Mas que o cenário está muito complicado, isso está. Talvez nesta situação sejamos capazes de avaliar de forma sensata quais devem ser as nossas prioridades. Porque o que eu quero mesmo é ganhar ao Braga.

por D`Arcy às 23:03 | link do post | comentar | ver comentários (35)

Em dia de sobremesa

Não nos esqueçamos que a avaliação de um restaurante passa sobretudo pelo prato principal...

 

P.S. - A quem de direito: a época do Koeman foi boa para ele pessoalmente. NÃO foi boa para o Benfica.

por S.L.B. às 10:29 | link do post | comentar | ver comentários (30)
Sábado, 24.03.12

Desastre

Empate no batatal de Olhão e enorme passo atrás na luta pelo título, num jogo em que a nossa equipa esteve mal dentro do campo e pior fora dele. Para além de termos perdido dois pontos, perdemos também o Aimar para o próximo jogo, pelo menos.

Se calhar é mania ou superstição minha, mas a minha confiança fica sempre um pouco abalada quando vejo que entramos em campo para um jogo fora de casa com dois avançados. Foi o que aconteceu esta noite, e obviamente não me parece que seja por isso que o Benfica não ganhou, mas pelo menos lá me deixou desconfiado. Sobre o jogo, não tenho muito a dizer. Durante a primeira parte jogou-se praticamente em meio campo, com o Olhanense acantonado no último terço e o Benfica a fazer a bola circular de um lado para o outro. Foi frustrante ver o Benfica ter tanta posse de bola (quase setenta por cento) e conseguir fazer tão pouco com ela. É que pode ser apenas distracção minha, mas eu não me consigo recordar de uma única defesa do guarda-redes do Olhanense, ou sequer de um remate perigoso da nossa parte. O Benfica insistiu sobretudo pelo lado direito, através do inevitável Maxi, mas até ele esta noite esteve desastrado nos cruzamentos, que se perderam quase todos sem quaisquer consequências. O Olhanense, como aliás fez durante os noventa minutos, não se preocupou com mais nada senão defender, queimar tempo e pedir a entrada da equipa médica em campo. Mas a principal responsabilidade é mesmo do Benfica, que tinha obrigação de vencer e consequentemente de ter feito mais, muito mais durante estes primeiros quarenta e cinco minutos.

Esperava obviamente a entrada do Aimar para a segunda parte, esperançoso que ele viesse trazer alguma criatividade ao nosso jogo atacante e ajudar a encontrar espaços por entre a muralha defensiva do Olhanense. Não esperava tanto era que o sacrificado fosse o Nolito - às vezes parece um contra-senso tirar avançados quando se quer ganhar, mas eu desejava mesmo era que tivesse saído o Nélson Oliveira, até porque o que vimos foi o Nélson ir-se encostar mais à esquerda. Dada a inépcia do Emerson para atacar, aquele lado quase nunca foi explorado, excepto quando o Gaitán se deslocou para lá. A segunda parte acabou por pouco diferir da primeira. O Olhanense continuou interessado em defender com unhas e dentes (já na primeira parte se andavam a atirar para o chão a torto e a direito, e na segunda com uma hora de jogo já havia jogadores a sofrerem de cãibras). O Aimar não conseguiu mudar muito o nosso jogo, e pior ainda, acabou por ser expulso. Depois disso a opção foi lançar todos os avançados para dentro do campo, e o Benfica acabou o jogo com Cardozo, Nélson Oliveira, Saviola e Rodrigo, com o Gaitán a fazer todo o lado esquerdo, e sem meio campo, pois a opção passou a ser, desde demasiado cedo, bolas directas para a frente. Com onze jogadores apenas me recordo de uma boa ocasião de golo, num cabeceamento do Javi. Com dez, apenas mais duas, já nos minutos finais. Uma cabeçada do Gaitán salva sobre a linha, e um remate do Saviola no último minuto de compensação. Muito pouco.

Não consigo destacar nenhum jogador do Benfica, porque nenhum me impressionou muito favoravelmente. Talvez seja de realçar a capacidade de luta do Maxi, que mesmo quando as coisas não correm bem não desiste, mas isso já não é novidade nele.

Perdemos dois pontos e perdemos o Aimar, pelo que a visita a Olhão salda-se por um desastre. Mas nesta fase não há tempo para perder em lamúrias. Agora só resta mesmo levantar a cabeça e pensar no Chelsea.

por D`Arcy às 01:01 | link do post | comentar | ver comentários (67)
Sexta-feira, 23.03.12

Em português nos entendemos

Não jogámos um pentelho na primeira parte. O filho da puta do João Capela fodeu-nos o que restava do jogo. Puta que pariu a merda do futebol português.

por Anátema Device às 23:42 | link do post | comentar | ver comentários (29)

O futuro

Qual a inscrição de um clube na vida de um profissional? Como é que um clube pode ser de tal modo vivido por um profissional do futebol que chegue a cicatrizar-se, a inscrever-se, na sua vida?

 

Na vertigem dos tempos, na voragem do mercantilismo actual, parece que toda a ligação emocional está subjacente à melhoria do contrato, à comissão do intermediário e ao conselho interesseiro do empresário. Vive-se a emoção no “tempo que dura” e o “tempo que dura” é balizado pela alínea c) da adenda Y ao contrato X. Depois, há as excepções. São aqueles em quem a cicatriz se tornou visível para o exterior. Aqueles que percebem que a cicatriz da inscrição de um clube na sua vida acaba por transformá-los em referências simbólicas e colectivas. Ou seja, aqueles que sabem viver a sua profissão também pela emoção da pertença a algo que os transcende.

 

É, para todos nós, um enorme orgulho ver a carreira de Ryan Giggs cicatrizada no Manchester United ou a de Gerrard no Liverpool; ver como o River Plate respira o sonho de ver regressar o “nosso” Aimar; sabermos que o Aimar é nosso por adopção e do River por nascimento, da mesma forma que o Rui Costa “é” da Fiorentina por adopção e nosso por nascimento. Esta vitória da componente emocional sobre a racional é das maiores alegrias que o adepto pode vivenciar na sua relação com este desporto apaixonante.

 

Recentemente, surgiu a notícia de que a Fiorentina gostaria de poder contar com a ajuda do nosso Rui Costa. Percebo, e bem, esse interesse. É natural que em Florença se queira construir o futuro alicerçado em estrutura sólida. Perceberão também os da ‘società viola’ que nós, os da Luz, também contamos com ele para alicerçar o nosso futuro. E nós, Benfica, não podemos abdicar do futuro.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Março e publicado na edição de 23/03/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quarta-feira, 21.03.12

O bloqueio do Vitinho

Hoje de manhã estava, com pressa, a tentar despachar-me e havia o raio de uma velha que não me saía da frente na rua. Desviava-se para um lado e depois para o outro sempre que eu tentava passar e aquilo já me estava a mexer com os nervos. Finalmente percebi o que é que o Vitinho queria dizer com 'obstruçom' e 'bloqueio', se bem que não sei se aquilo se poderia exactamente considerar um lance de bola parada, uma vez que as bolas em questão (neste caso as minhas) estavam efectivamente em movimento.

Lembrei-me de ligar ao Artur Soares Dias para lhe perguntar - como fez o Vitinho - se aquilo era permitido, mas percebi que não tinha o número. Entretanto já arranjei, porque felizmente há gente boa e solícita na internet que gosta de ajudar os outros, e isso.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 09:47 | link do post | comentar | ver comentários (30)

Divertido

A meia-final da Taça da Liga deve ter sido um jogo divertido de seguir para quem estava 'de fora'. Golos e oportunidades não faltaram, e no final venceu o Benfica, num jogo cujas cambalhotas no marcador foram exactamente inversas à do último jogo com o Porto para o campeonato. Entrámos a ganhar, permitimos a reviravolta, e voltámos a virar o resultado.

Não foram assim tantas as poupanças de parte a parte para este jogo. No Benfica as novidades foram o Eduardo na baliza, o Capdevila na defesa, e o Nélson Oliveira como único avançado, deixando o Cardozo no banco. O início de jogo prometia um Benfica diferente daquele dos últimos jogos na Luz contra o Porto. Entrámos a pressionar alto, criámos logo uma ocasião de algum perigo, em que o Bruno César falha o remate, e aos quatro minutos, fruto precisamente de pressão sobre a defesa do Porto logo à saída da área, chegámos ao golo num remate cruzado do Maxi, após passe do Bruno César. Estranhamente, a consequência deste golo foi um apagão quase completo do Benfica, que se retraiu e permitiu uma reacção fortíssima do Porto, cujo resultado foi a reviravolta no marcador após apenas treze minutos. Primeiro marcou num remate do Lucho que desviou no Javi, aos oito minutos; e aos dezassete, na sequência de um livre lateral, a defesa do Benfica falhou rotundamente e permitiu um cabeceamento à vontade na zona central da área ao Mangala, que fez a bola passar entre as pernas do Eduardo.

Eduardo que finalmente deu um ar da sua graça perto da meia hora, ao negar o terceiro golo do Porto num remate do Sapunaru. Só depois desse lance é que o Benfica finalmente voltou a acordar e a pegar nas rédeas do jogo, e no espaço de cinco minutos levou-nos quase ao desespero, levando a bola a bater três vezes nos ferros da baliza. Duas vezes pelo Luisão, que cabeceou à barra e depois, na sequência da mesma jogada, rematou ao poste. E a terceira bola ao ferro foi do Aimar, que na marcação de um livre enviou a bola ao poste com o guarda-redes já batido. Acabou por ser uma consequência lógica deste ascendente do Benfica o golo do empate, obtido a três minutos do intervalo. Após um livre do Aimar despejado para a área, a bola sobrevoou quase toda a gente e foi ter com o Javi Garcia no segundo poste, que a controlou e passou para a finalização do Nolito à boca da baliza. E ainda antes do final da primeira parte, o Benfica criou nova boa ocasião de golo, num canto marcado pelo Bruno César que permitiu ao Nolito, solto dentro da área, um remate que deveria ter levado uma direcção melhor do que aquela que ele lhe deu, atirando-a sobre a baliza.

Seria demasiado esperar uma segunda parte tão animada como a primeira. Ambas as equipas pareceram querer jogar com mais algumas cautelas e, para além disso, a qualidade do próprio futebol jogado piorou. Houve muita luta na zona do meio campo, muitos passes falhados e perdas de bola desnecessárias, sendo poucas as jogadas organizadas construídas por uma ou outra equipa. O jogo estava num impasse e pressentia-se que poderia cair para o lado da equipa que conseguisse marcar mais um golo. O Benfica lançou em jogo os 'titulares' Gaitán e Cardozo, e o Porto respondeu na mesma moeda com o James e o Janko. Acabaram por ser os nossos 'titulares' a resolver, numa jogada de contra-ataque rápido em que o Gaitán desmarcou o Cardozo e este, depois de ganhar em velocidade(!) ao Mangala, marcou com um grande remate rasteiro ainda de fora da área o terceiro do Benfica e o seu quarto ao Porto esta época. O jogo ficou efectivamente decidido com este golo, pois passou a ser jogado ainda mais aos repelões e não houve mais jogadas dignas de realce. O Benfica limitou-se a aguentar a vantagem enquanto que o Porto tentava a fazer a bola chegar à frente o mais depressa possível, quase sempre da pior forma.

Para mim o melhor jogador do Benfica foi o Maxi Pereira. Não apenas pelo golo que marcou, mas também pela atitude guerreira durante todo o jogo. Mesmo durante o pior período do Benfica no jogo, foi ele quem nunca virou a cara à luta, não dando descanso aos dois laterais esquerdos com que o Porto alinhou de início. Gostei também do Witsel, que teve uma tarefa difícil na luta que travou sobretudo com o Moutinho e o Defour.

Para um clube que passa a vida a deitar a mão às Supertaças Cândido de Oliveira para ajudar a contabilidade de títulos com a qual vive obcecado, confesso que me parece agora um pouco hipócrita estarem a desvalorizar a Taça da Liga. O que é certo é que estamos na quarta final consecutiva à custa deles, e agora que lá chegámos o objectivo só pode ser vencer a competição. Acima de tudo, espero que a vitória de hoje sirva de tónico para a nossa equipa enfrentar a fase decisiva da Liga que se aproxima. Esse é mesmo o maior objectivo

por D`Arcy às 00:51 | link do post | comentar | ver comentários (37)
Terça-feira, 20.03.12

Mister

Três. Seguidas. Em nossa casa. Contra o maior rival. Em menos de um ano. Eu sei que o senhor é treinador, não é adepto, mas confie em mim: isto dói-nos. Muito. Deixa marcas. Cicatrizes. Foram humilhações suficientes para os próximos… deixa lá ver bem… hummm… 100 anos! No mínimo.

 

Os quartos-de-final da Liga dos Campeões são bons para o nosso prestígio. E para o seu. Mas não são um título. Quando se visita o museu do clube, não há lá nenhum troféu de “quartos-de-final da Liga dos Campeões”. Ao contrário da Taça da Liga. Eu sei que ninguém lhe liga. Mas isso é porque os outros rivais ainda não a ganharam. E, portanto, desdenham-na. O campeonato está a apenas um (dois na prática) ponto de distância. Mas não dependemos de nós. Podemos ganhar os jogos todos até final e não sermos campeões. A Liga dos Campeões é boa para o prestígio. Mas já cumprimos a nossa obrigação. Se não a ganharmos (utopia…), ninguém poderá dizer que foi um falhanço.

 

Ao contrário da (por agora) ida à final da Taça da Liga. Porque isso significaria a quarta derrota em casa. Contra os mesmos. Em menos de um ano. Recorde muito difícil de bater. Ainda mais do que já é agora. O senhor não quererá certamente ficar com essa (ainda maior) mancha no currículo. É para a Taça da Liga, mas até podia ser para a Taça Chiclete. É uma prova oficial. E, principalmente, é em nossa casa.

 

Revendo os três últimos jogos, há uma constante: entrámos sempre a medo e oferecemos tempo ao adversário. Umas vezes, meia-parte. Outras, 20’. Mas partimos sempre em desvantagem. Diga lá aos rapazes (e a si próprio, já agora) que não é preciso ter medo. Estamos em nossa casa. Perante os nossos adeptos. Para se ganhar, é preciso jogar para ganhar. Desde o primeiro minuto. Mas eu não preciso de lhe dizer isto. Porque o senhor é bom treinador e sabe melhor do que eu. Apesar de não ter parecido nos últimos três jogos. Foi um momento mau. Perdão, foram três momentos maus. Mas, pronto, isso é passado. O que interessa é ganhar hoje. Obrigado pela atenção.

 

Viva o BENFICA!

por S.L.B. às 09:50 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Domingo, 18.03.12

António Leitão (1960-2012)

 

Para os benfiquistas da minha geração, António Leitão foi o maior motivo de orgulho benfiquista do atletismo nacional.

 

Fez parte de uma geração de ouro do atletismo português. De entre os vários atletas pertencentes a essa geração, ele era o nosso único representante. Sempre humilde e lutador, foram muitos os grandes testemunhos de benfiquismo que nos legou.

 

Faleceu hoje. Mais um campeão que partiu demasiado cedo.

por Pedro F. Ferreira às 15:34 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Sábado, 17.03.12

Morno

Vitória segura num jogo muito morno, disputado quase sempre em ritmo de passeio e perante um dos adversários mais inofensivos que passaram esta época na Luz.

Mais uma vez foi o Witsel o eleito para ocupar a vaga do Maxi na lateral direita. Quanto ao resto, alas entregues ao Gaitán e ao Bruno César, e na frente de ataque apareceu o Nélson Oliveira a titular, para fazer dupla com o Cardozo. Do outro lado tivemos uma equipa completamente de acordo com aquilo que se esperaria do Ulisses Morais. Ou seja, extremamente defensiva, acumulando jogadores nas imediações da sua área, e esperando algum lance fortuito para sair em contra-ataque. A iniciativa do jogo foi, naturalmente, do Benfica desde o primeiro minuto. Mas pareceu sempre que a noite não estava para grandes correrias, e portanto vimos um jogo algo aborrecido, disputado quase sempre num ritmo bastante lento, e em que o Benfica parecia esperar por alguma aberta na muralha de jogadores montada à frente da baliza do Beira Mar. A jogar naquele ritmo adivinhava-se que não assistiríamos a um jogo com muitas oportunidades, pese o bom sinal dado pelo Nélson Oliveira, com um bom remate de fora da área travado por uma grande defesa do guarda-redes. Depois foi o Gaitán a ameaçar com uma cabeçada fora da área, e finalmente aos vinte e cinco minutos o Benfica construiu uma jogada rápida de ataque, libertando o Witsel na direita, que depois cruzou para a finalização do Cardozo à boca da baliza. O mais difícil estava feito, que era marcar o primeiro golo a uma equipa construída com o intuito de defender ao máximo. Obviamente que em vantagem no marcador e perante um adversário simplesmente inofensivo no ataque, a motivação para carregar no acelerador era pouca ou nenhuma. Apenas fixei dois lances, ambos do Nélson Oliveira: no primeiro, ganhou bem posição ao defesa mas depois não passou ao Gaitán numa primeira oportunidade nem ao Bruno César numa segunda, e acabou por fazer um remate disparatado para fora; e no segundo, depois de ganhar mais uma vez posição sobre a direita, saiu-lhe mal o centro para o Cardozo, que aguardava desmarcado no centro. Mesmo sobre o intervalo, o Benfica praticamente selou o destino do jogo, marcando o segundo golo num remate cruzado do Gaitán, a passe do Cardozo.

A segunda parte iniciou-se praticamente com o terceiro golo, novamente do Cardozo, que aproveitou um passe de calcanhar do Nélson Oliveira para evitar o guarda-redes e rematar para a baliza deserta. E depois foi como se o jogo tivesse acabado. Parecia ser evidente que o Benfica poderia ampliar o resultado caso forçasse um pouco (até a jogar quase a passo ficávamos com a ideia de que mais golos poderiam surgir), mas o Benfica limitou-se a gerir o resultado e o esforço, deixando o tempo correr até final. Apenas o Cardozo, talvez motivado com a possibilidade de obter um hattrick, fez mais alguns remates que levaram algum perigo à baliza do Beira Mar, mas aparte isso o resto do jogo teve muito poucos motivos de interesse. No último minuto de jogo, e para manter a má tradição de sofrer golos em praticamente todos os jogos em casa, acabámos por deixar o Beira Mar chegar ao golo de honra, num remate do Cássio já no interior da área após centro atrasado do Balboa.

Com dois golos e uma assistência o Cardozo é naturalmente o homem do jogo. O Gaitán parece estar mesmo a melhorar aos poucos, e marcou pelo segundo jogo consecutivo. Gostei também do Jardel, do Javi e do Nélson Oliveira, embora este ainda continue a alternar o muito bom com alguns disparates.

Obrigação de vencer cumprida sem quaisquer sobressaltos e aparentemente sem grande esforço. Aproxima-se agora um período decisivo, com vários jogos em poucos dias, muitos deles decisivos e de dificuldade elevada. A nossa época vai praticamente jogar-se durante as próximas quatro semanas. Para mim, o objectivo principal deveria ser só um: sermos campeões nacionais. Sinceramente, gostaria que a Champions não desviasse as nossas atenções desse objectivo.

por D`Arcy às 04:48 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Sexta-feira, 16.03.12

Sem medos!

 

 

Cá os esperamos! Lá estaremos a torcer pelos nossos, os que jogam pelo nosso Benfica.

por Pedro F. Ferreira às 11:10 | link do post | comentar | ver comentários (28)

Os mornos

Nestes tempos estranhos, os mornos – aqueles que para aquecerem o lugar têm de arrefecer a honra – conquistaram o poder da Liga de clubes. Fizeram-no como fazem todos os que são mornos: de cócoras, fazendo cedências a interesses pouco limpos. Já todos tínhamos visto, ao longo de muitos anos, gente que chegando à Liga de Clubes fazia do seu consulado uma distribuição de palmadas nas costas e favores por baixo da mesa, fazendo do atropelo à ética uma prática banal.

 

O actual líder foi inovador: anunciou o atropelo à verdade desportiva como trunfo eleitoral. Para garantir a eleição, prometeu aos fiúzas da vida que adulteraria as regras da competição com esta a decorrer. Conquistado o poder, havia que pagar a factura. Os fiúzas da vida exigiram e os cordéis fizeram mexer as influências do títere de circunstância. Ao atropelo das regras e da decência, a Liga quer impor o absurdo: que nenhum dos clubes actualmente em competição na primeira divisão seja despromovido. Isto não fere a verdade desportiva, mata-a. Já vi latrinas públicas menos fétidas do que o odor que emanou da infame reunião da Liga da passada segunda-feira.

 

Terminada a reunião, veio a tentativa de defender publicamente o indefensável. Que a argumentação parola sirva para entreter os fiúzas da vida é um problema do novo presidente da Liga. Que queiram defender perante os portugueses o absurdo, estabelecendo, em tom sério e de ameaça, paralelismos com a Liga norte-americana é já uma tolice ofensiva, pois tomam-nos a todos por fiúzas.

 

Tudo tem limites e o futebol português já não tem capacidade para tanto entulho. Ou se afunda o futebol ou se atira com o entulho pela borda fora. E, como sabemos, até Deus vomita os mornos.

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Março e publicado na edição de 16/03/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 08:08 | link do post
Quinta-feira, 15.03.12

Nunca me vou calar

 

Todos sabemos que a capacidade de comunicar para fora do balneário não é propriamente o seu ponto forte, antes pelo contrário. No entanto, há momentos em que Jorge Jesus consegue comunicar a mensagem correcta, necessária, corajosa e à Benfica. Hoje, Jorge Jesus disse o que se impunha dizer.

 

"Enquanto treinador, tenho direito a opinião num jogo em que a minha equipa era interveniente. Apresentei um facto real, numa situação de bola parada e sem pôr em causa a honestidade do árbitro assistente. É um facto que vi e que muitos viram e manifestaram a mesma opinião."

 

[...]

 

"Como treinador do Benfica vou continuar a fazê-lo, para defender os interesses do clube. E penso que vivo num país onde ninguém está acima da crítica. O presidente da República é criticado, eu sou criticado quando as coisas não correm bem, por que é que os árbitros não podem ser criticados? Alguns árbitros nasceram depois do 25 de abril de 1974, mas eu ainda sou desse tempo. Conquistámos esse direito de nos podermos expressar. Nunca me vou calar."

 

Subscrevo.

por Pedro F. Ferreira às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (21)

Prova de existência

Caro Deus,

 

Sinto-me um pouco idiota por Te estar a escrever, porque não acredito na Tua existência. Mas, pronto, como há milhões de pessoas que crêem em Ti, vou dar-te uma oportunidade de me demonstrares que efectivamente existes e não és apenas, citando Nietzsche, “a maior invenção da Humanidade”.

 

Portanto, façamos de contas que és de facto o criador do mundo e tens poder sobre todas as coisas. Assim sendo, há oito anos, permitiste que uma determinada equipa, paradigma do jogo sujo, desleal e corrupto, ganhasse a Liga dos Campeões. E ganhou-a derrotando na meia-final o actual 1º classificado da… II Divisão espanhola e na final o actual antepenúltimo(!) classificado da… II Divisão francesa. Repito: apenas oito anos depois, ambos os clubes estão nas II Divisões dos respectivos países! Sendo que, antes de defrontar esse dito clube há oito anos, a primeira equipa eliminou o Milan (ganhando em casa por 4-0 depois de perder em San Siro por 4-1… ou seja, uma hecatombe bíblica inédita na história do grande clube italiano) e a segunda equipa eliminou o Chelsea. (É só comparar onde estão hoje estas quatro equipas para ver o nível de sorte - ou o nível de ajuda Tua - que esse determinado clube teve nessa época).

 

Ora bem, este ano, tens a grande oportunidade de Te redimir. É muito simples, basta só fazeres o seguinte emparelhamento no sorteio dos quartos e meias-finais da Champions desta 6ª feira: Apoel - Benfica vs. Marselha - Chelsea e do outro lado Real Madrid – Barcelona vs. Bayern Munique – Milan. Tirando o primeiro, estás à vontade para alterar a ordem dos jogos e tudo. Repara: eu não Te estou a pedir que faças o Benfica ganhar os jogos (isso dependerá do nosso merecimento), estou a pedir-Te um nível de sorte no sorteio semelhante ao que deste a um determinado clube há oito anos (sendo até que este teve mais, porque nenhuma das equipas “do outro lado” que irá chegar à final é propriamente o Mónaco…). Mas caso insistas mesmo em atirar um tubarão para cima de nós, ao menos faz com que a 1ª mão seja na Luz.

 

Já agora, e prometo ser a última coisa que Te peço, se a Uefa continuar com os seus critérios inexplicáveis de fazer com que quatro das equipas tenham seis dias de intervalo entre as duas mãos (Quarta e Terça seguinte) e as outras quatro tenham oito (Terça e Quarta da outra semana), e porque o jogo do campeonato entre as duas mãos é frente ao Braga, ao menos coloca-nos neste segundo grupo. Se fizeres tudo isto, prometo abanar um pouco as fundações da minha certeza da Tua não-existência.

 

Muito obrigado e as minhas saudações respeitosas,

 

S.L.B.

 

P.S. - Tirando Real Madrid, Barcelona e também o Bayern, acho sinceramente que temos as nossas hipóteses com qualquer um dos outros adversários.

por S.L.B. às 01:00 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 12.03.12

Tentáculos

 

Já são muitos anos de luta. Ao longo destes anos, tenho conhecido muito do melhor e do pior do futebol português.

 

Desde antigos futebolistas que passaram por clubes de nomeada a norte do Douro e que, à mesa, me contam histórias de como andaram anos a contornar o controlo anti-doping até outros que contam histórias vergonhosas de colegas que se venderam no jogo Y e X, para terem como prémio de final de carreira, lá pela casa dos 34 / 35 anos, um contrato assinado com um determinado clube. Passando pelas inúmeras histórias de árbitros que comunicavam logo nos primeiros minutos de jogo que estavam ali para “lixar” a equipa A ou B. Ouvi de tudo. Todos (jogadores, árbitros, dirigentes, massagistas, médicos…) sabem qual é a cabeça do polvo. E muitos foram os que, identificando a cabeça, acabavam por referir também alguns dos tentáculos mais discretos e eficazes: os delegados da Liga e os observadores de árbitros.

 

Hoje, Manuel Armindo, delegado da Liga, mostrou-se incompetente como tentáculo [link]: continuou eficaz, mas tornou-se indiscreto. E, assim, comprometeu o seu lugar na estrutura tentacular. Muitos outros por lá ficaram e outros tantos estão já preparados para o substituir. É um futebol podre.

por Pedro F. Ferreira às 20:39 | link do post | comentar | ver comentários (37)

Quais serão os limites?

Qual é o limite para Bernardino Barros na “Rádio Renascença”, Manuel Queiroz na “TVI” e para Jorge Coroado no jornal “O Jogo”?  Qual o limite do primeiro na tentativa de branquear os métodos do seu clube? Qual o limite do segundo em querer agradar ao dono? Qual o limite de ódio que o terceiro consegue destilar contra o Benfica?

 

Quais os limites dos ouvintes / espectadores / leitores benfiquistas?

 

por Pedro F. Ferreira às 11:28 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Domingo, 11.03.12

Complicada

Vitória muito complicada em Paços de Ferreira, num jogo que acabou por ser decidido por pormenores de talento dos nossos jogadores, e que nos permite agora estar a um ponto do primeiro lugar.

Gaitán no banco e titularidade do Saviola no lugar deixado vago pelo Aimar foram as principais novidades no onze, onde também esteve, conforme esperado, o Capdevila em vez do castigado Emerson. Logo nos primeiros minutos deu para ficar com uma boa imagem daquilo que o jogo seria. O Benfica com muito mais posse de bola, a tentar construir com paciência os seus ataques face a uma equipa que acumulava jogadores em frente à sua área, e o Paços a sair com muita velocidade - quase sempre através do Melgarejo - para o contra-ataque assim que recuperava a posse de bola. Na fase inicial conseguimos criar boas oportunidades para marcar, pelo Nolito e pelo Saviola, mas o Cássio opôs-se bem aos remates. Depois vimos o Cardozo não conseguir chegar a tempo de emendar um cruzamento que fez a bola passar ao longo da linha de golo. Até que, em mais um contra-ataque conduzido pela esquerda, e já depois de ter ameaçado num canto, o Paços chegou ao golo pouco antes da meia hora, contra a corrente do jogo, diga-se. O Artur ainda se opôs ao primeiro remate, com uma grande defesa, mas depois chegou a ser irritante ver como três jogadores do Benfica perto do lance ficaram literalmente a olhar enquanto o Michel controlava a bola, a passava para o pé esquerdo, e rematava para a baliza. O Benfica acabou por acusar o golo, e a qualidade do nosso futebol piorou, tendo mesmo o Paços, mais uma vez pelo inevitável Melgarejo, estado perto de voltar a marcar, tendo sido novamente o Artur a evitar males maiores. Pouco antes do intervalo, mais uma demonstração cabal das instruções que os árbitros têm tido nestas últimas jornadas para não assinalar penáltis a favor do Benfica - foi um em Guimarães, dois em Coimbra, e hoje pelo menos outros dois, que resultaram em amarelos para os nossos jogadores.

Houve duas alterações ao intervalo (Nélson Oliveira e Gaitán nos lugares do Saviola e Nolito) e esperava uma reacção forte do Benfica na segunda parte, mas não foi nada disso que aconteceu. Nos primeiros minutos da segunda parte só deu Paços mesmo, e se o Paços se apanhou a ganhar com alguma felicidade, agora fomos nós quem teve a felicidade de não nos apanhámos a perder por dois golos de diferença. Ainda e quase sempre com intervenção do Melgarejo nas jogadas (tendo até acertado uma bola no poste), foram várias as situações em que o Paços esteve perto de marcar. Só ao fim de quinze minutos o Benfica pareceu finalmente conseguir acalmar um pouco, mas o cenário não parecia ser nada favorável, pois não havia grande inspiração na construção de jogadas de ataque, e começava-se mesmo a ver demasiadas situações em que os centrais eram obrigados a despejar bolas directamente para o ataque. Foi pois quase surpreendente que chegássemos ao empate, numa jogada em que grande parte do mérito vai para o Nélson Oliveira, que fugiu à marcação pela direita e centrou rasteiro para a área, onde o Cardozo deixou a bola passar para a zona do segundo poste, permitindo a finalização fácil do Gaitán. Tínhamos agora vinte e cinco minutos para tentar o segundo golo, mas não foi preciso tanto. Cinco minutos depois, livre perto da área, descaído para a direita e bem à medida do Cardozo. E quando quase todos esperariam o pontapé do paraguaio, foi o Bruno César quem marcou o livre na perfeição, levando a bola ao fundo da baliza. Com a vantagem no marcador obtida, o Benfica tentou claramente acalmar o ritmo do jogo e manter o mais possível a posse da bola, conseguindo que o jogo decorresse até ao seu final sem grandes sobressaltos. A nossa tarefa acabou por ficar mais facilitada pela expulsão do Michel, a um quarto de hora do final, e já mesmo a terminar o jogo, por uma segunda expulsão de um jogador do Paços.

Muito bem o Artur, sem quaisquer culpas no golo sofrido, onde até fez uma defesa brilhante ao primeiro remate, e tendo evitado em mais de uma ocasião que o Paços ampliasse a vantagem. Importante mais uma vez a entrada do Nélson Oliveira, que mexeu bastante com o jogo e fez a jogada do golo do empate (e foi-se familiarizando com a realidade de ver um cartão amarelo caso sofra algum toque na área). Mas o melhor jogador do Benfica esta noite foi claramente o Melgarejo.

Era imperioso vencer para aproveitar a escorregadela do Porto e aproximarmo-nos do primeiro lugar, colocando mais alguma pressão sobre eles. O objectivo foi, portanto, alcançado. Agora é continuar a ganhar os nossos jogos, porque ainda há muito campeonato pela frente.

por D`Arcy às 23:20 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Sexta-feira, 09.03.12

Erros em cima de erros

 

A relação de Ruben Amorim com Jorge Jesus foi-se deteriorando ao longo do tempo. Não sei de quem foi a culpa, mas sei que, em pleno balneário, o Ruben errou ao ter uma atitude bastante reprovável. Dessa atitude nunca se retractou, o que também me parece um erro, e acabou por sair.

 

Quem dirige o Benfica cometeu o erro de o deixar sair para um clube que não merece que o reforcemos. Erro agravado pelo facto de esse clube competir directamente com o Benfica. Ou seja, em cima dos erros de gestão das relações entre treinador e futebolista, errou-se no destino a dar ao futebolista.

 

De erro em erro, Ruben Amorim deu uma entrevista [link] em que confunde a sua relação pessoal com o treinador com a sua relação laboral com o Benfica. Com isto, tal como outros recentemente, acaba por ajudar a hipotecar a sua relação emocional com os benfiquistas. Como resultado, ninguém sai beneficiado. Ainda assim, Ruben Amorim foi quem mais se prejudicou. Tudo isto poderia e deveria ter sido tratado de forma bem diferente.

por Pedro F. Ferreira às 16:00 | link do post | comentar | ver comentários (32)

Faltou

Sexta-feira à noite, o jogo terminara, o nosso Benfica perdera, em casa, o clássico. Para muitos terminaram também as ilusões quanto à possibilidade de sermos campeões. Uns revoltados, outros angustiados, outros tantos a exigir cabeças, mas todos irmanados na dor. É sempre assim, já Torga o escrevera a respeito de outras justas, também elas alfa e ómega de um vão quotidiano, “Vitorioso, cobrem-no de flores; derrotado, abatem-no impiedosamente”.

 

Como sempre, em ritual, após a reunião no nosso Estádio, em torno do nosso Benfica, segue-se a reunião de amigos à mesa do jantar. Nesse altar ouve-se a pluralidade das vozes do benfiquismo. Nos momentos da vitória são os sorrisos que enquadram a refeição em que também partilhamos os despojos de guerra. São momentos de plenitude. Nos momentos de derrota, a pluralidade de vozes ecoa a ausência. Já nada é pleno, cheio, e em tudo se nota a falta. Nessa sexta-feira, não havia vitoriosos para cobrir de flores, restava o abate. E na pluralidade de vozes ecoava a falta: “faltou vergonha ao árbitro”; “faltou atitude”; “faltou um defesa esquerdo eficiente”; “faltou um Gaitan menos displicente”; “faltou a visão a um fiscal de linha”; “faltou um treinador que se transcenda nos momentos verdadeiramente decisivos”; “faltou uma equipa de arbitragem que não nos tivesse prejudicado vergonhosamente; “faltou o calor do público durante algumas fases do jogo”; “faltou estratégia à Direcção para lidar com o problema da arbitragem em Portugal”; “faltou o sistema sonoro no 3º Anel”; “faltou sorte”; “faltou um Artur mais perto do Artur e mais longe do Roberto”; “faltou Benfica ao Benfica”… E assim, entre vozes famintas de vitória, se foi conjurando um rosário de faltas que saltavam entre o tom resignado e o indignado, entre o encolher de ombros e o punho cerrado.

 

Ainda com os ouvidos cheios dessas vozes, dessas faltas, acabei o jantar sabendo que nenhum dos presentes faltaria ao próximo jogo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Março e publicado na edição de 09/03/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 08.03.12

A volátil certeza dos adeptos

 

Assim escreveu Leonor Pinhão no dia 11 de Agosto de 2011, no jornal "A Bola".

por Pedro F. Ferreira às 11:15 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 07.03.12

Incontestável

O Benfica não fez uma grande exibição esta noite mas fez um grande jogo, sobretudo a nível táctico, que proporcionou uma vitória incontestável sobre o Zenit e selou o apuramento para os quartos-de-final da Champions League.

Sem Garay e Aimar, avançaram Jardel e Rodrigo para a titularidade, tendo ainda sido dada a titularidade ao Bruno César, por troca com o Nolito. A responsabilidade pelas despesas do jogo pertencia ao Benfica, e nós assumimo-la. De forma algo titubeante de início, talvez porque o momento não é o melhor e os últimos resultados certamente terão feito mossa num grupo pouco habituado a essa situação. Mas sob a liderança do Luisão, com a garra do Maxi e a classe do Witsel o Benfica foi conseguindo soltar-se e não se deixou enervar pela estratégia adoptada pelo Zenit para o jogo. Houve alturas em que quase parecia estar a ter um déjà vu de uma qualquer equipa italiana dos anos 80 ou 90, tal era a forma ostensiva como os jogadores russos queimavam tempo e se deixavam ficar no chão para serem assistidos. O Benfica controlava o jogo e os russos pareciam satisfeitos em deixar o Benfica ter esse controlo, pois mantinham-se organizados e conseguiam evitar situações de grande apuro para a sua baliza, esperando explorar algum eventual erro para dar um golpe decisivo na eliminatória. Esse erro aconteceu mesmo, pelo Artur já perto do intervalo, mas não foi aproveitado e quase na resposta o Benfica marcou. Foi no primeiro minuto de compensação (as perdas de tempo por parte do Zenit foram tantas e tão ostensivas que o árbitro acabou por dar uns raros quatro minutos extra) e através do Maxi, que finalizou uma assistência de calcanhar do Witsel, após uma defesa incompleta do guarda-redes a um primeiro remate do belga. O mais difícil estava feito, agora era ver como reagiria o Zenit (e o Benfica) a esta situação.

O Benfica reagiu de forma inteligente. Com vantagem na eliminatória, assumimos uma atitude mais cautelosa, dando mais iniciativa de jogo ao Zenit mas mantendo uma grande concentração táctica. Resultou em pleno, porque em toda a segunda parte o Zenit não conseguiu criar uma única oportunidade de golo, e durante uma boa parte dela a maior parte das jogadas que fez consistiu simplesmente em passes longos do Bruto Alves da defesa directamente para o ataque, porque o meio campo do Zenit foi bloqueado com eficácia. Seria natural para quem assistiu ao jogo sentir que o Benfica poderia forçar ou arriscar mais para resolver a eliminatória mais cedo, mas na minha opinião a inteligência do Benfica revelou-se precisamente no aspecto de ter sabido resistir a essa tentação. A partir de certa altura a equipa do Zenit ficou quase partida em duas, com os jogadores do ataque a não recuperarem para defender, mas o Benfica evitou sempre entrar em situações de saídas desenfreadas para o ataque, que só favoreceriam o Zenit por abrirem mais o jogo e permitirem situações perigosas em caso de perda de bola. Não nos podemos esquecer que estamos na Champions, e o ano passado já sofremos demasiado por adoptarmos essa atitude. As saídas em contra-ataque foram sempre feitas de forma mais organizada, com dois, três, no máximo quatro jogadores, nunca deixando a retaguarda desprotegida. O Jorge Jesus esteve bem nas substituições: fez aquelas que a lógica impunha, e acertou em cheio. O progressivo reforço do meio campo e o safanão final dado pela entrada do Nélson Oliveira revelaram-se decisivos, com a cereja no topo do bolo a chegar num golo do próprio Nélson Oliveira mesmo sobre o apito final. Mais um contra-ataque construído de forma simples, com o Witsel a passar a bola ao Bruno César e este, já perto da área, a soltá-la para a entrada vitoriosa do Nélson.

Maxi, Witsel e Luisão foram para mim os melhores da noite, bem secundados pelo Bruno César, Javi e Jardel. Os três suplentes (Nolito, Matic e Nélson Oliveira) entraram bem no jogo, mesmo que o Nélson tenha revelado uma vez mais alguma inexperiência na altura de decidir os lances. Menos bem os dois avançados titulares - o Cardozo teve uma perdida incrível, e o Rodrigo não parece estar bem fisicamente, para além de ter parecido andar algo perdido nas funções que lhe foram entregues. O Gaitán continua em sub-rendimento, e colabora muito pouco nas tarefas defensivas - foi notória até a subida de rendimento do Emerson quando passou a ter o Nolito à sua frente.

Julgo que o objectivo mínimo para a Champions foi atingido. A partir de agora, tudo o que vier a mais será um bónus. Acredito que o Benfica, jogando de forma concentrada e realista, poderá fazer a vida difícil a qualquer adversário que nos calhe em sorte, mas teremos que esperar pelo resultado do sorteio para podermos avaliar mais precisamente as nossas possibilidades. Nesta fase, diga-se, também já não há muito por onde escolher.

por D`Arcy às 00:28 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Terça-feira, 06.03.12

Psiu, onde é que foi toda a gente?

É engraçado, muito engraçado, que quando perdemos - quando o Benfica perde gosto de enfatizar ainda mais que o Benfica somos todos nós - este blog sofre um aumento de tráfego brutal, há filas de trânsito nos comentários e parece que toda a gente estava escondida atrás de um estupor de um arbusto à espera, ofegantemente, para vir defecar, de dedo bem espetado em riste, um 'eu bem disse que isto ia acontecer!!' e toda a gente tem voz e toda a gente quer vir vomitar a sua indignação/raiva/frustração/fúria/revolta e toda a gente arranja um minuto para aqui vir pedir a demissão de toda a gente e toda a gente tem uma merda dum blackberry ou um cabrão dum iphone ou uma catraporra dum daqueles portáteis que cabem na merda do bolso das calças e conseguem com os seus dedos gordinhos carregar nas teclazinhas do touchscreen e cagar uma série de erros ortográficos e mesmo assim expelir o seu brilhante/inovador/revolucionário conceito estratégico para levar o Benfica a bom termo e ganhar tudo. 

 

Quando ganhamos , é isto. Nada.

 

Até ouço as unhas a crescer.

 

Viva o Benfica, sempre. Sempre.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 23:25 | link do post | comentar | ver comentários (48)
Segunda-feira, 05.03.12

Opiniões...

Tenho lido várias opiniões sobre o jogo de sexta-feira, tenho debatido as minhas com muitos amigos benfiquista e tenho ouvido muitas opiniões em diferentes sentidos. Dois dos benfiquistas que mais gosto de ler/ouvir são os meus amigos Pedro Fonseca e João Gonçalves. Nem sempre concordo com eles, mas muitas vezes acabamos por estar de acordo. Deixo-vos aqui, para reflexão, a opinião de cada um deles sobre este jogo e as hipotéticas consequências do mesmo:

 

A culpa não pode morrer solteira (Proença "casa" com Jesus) [por Pedro Fonseca];

 

Benfica 2 - 3 Porto [por João Gonçalves].

 

 

por Pedro F. Ferreira às 16:16 | link do post
Domingo, 04.03.12

Todos somos Sísifo

 

Partindo do Mito de Sísifo, Camus escreve uma das mais marcantes obras da literatura/cultura europeia do Século XX. Aborda o Mito pelo absurdo. O absurdo do eterno recomeço como forma de mostrar aos deuses que a derrota do homem não está no castigo que os deuses lhe impõem, mas sim na hipotética desistência do homem. A tomada de consciência sobre o absurdo da situação implica a angústia, mas não obriga à desistência.

 

Ou seja, a vitória dos deuses sobre Sísifo só aconteceria se Sísifo desistisse de cumprir a pena que o obriga, diariamente, ao recomeço da luta. Diz Camus que L'absurde c'est la raison lucide qui constate ses limites. Sem esta razão lúcida é impossível imaginar um Sísifo feliz. Feliz não pelo cumprimento do castigo, mas porque se recusa a desistir. No sorriso de Sísifo está a derrota de quem o quis vergar ao absurdo de uma luta aparentemente perdida. Caso desistisse, Sísifo teria sido derrotado. Enfrentando-os com um sorriso, Sísifo resiste à derrota.

 

É neste absurdo que nos vamos encontrando, é nesta luta que nos vamos reconhecendo. Às vezes é um caminho percorrido por muitos, outras percorrido por menos, mas sempre com os suficientes.

 

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Fotografia de bucaorg (CC-usage) Flickr

por Pedro F. Ferreira às 12:16 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Sexta-feira, 02.03.12

Farto

Haveria muito para dizer sobre o futebol jogado neste jogo, mas não me apetece. Estou farto e com a sensação de que não vale a pena falar de futebol jogado. Depois do que aconteceu em Coimbra, quando foi anunciada a nomeação do Proença para mais um jogo importante do Benfica, fiquei com a noção de que o destino do jogo estava traçado.

Terça-feira lá estarei no meu lugar.

por D`Arcy às 22:43 | link do post | comentar | ver comentários (121)

Eu confio

 

Aquilo pode correr mal, mas confio.

 

Desconheço o futuro, mas confio. Confio e não afio o fio da navalha à espera do deslize, para dizer "eu bem disse". Eu confio. Não tenho motivos mais racionais do que o comum dos mortais que desconfia. Não sou mais nem menos benfiquista. Não sou mais nem menos louco, mas confio.

 

Sinto-me vivo, logo, confio. Escrevia Joan Lluís Vives que "A vida, para os desconfiados e os temerosos, não é vida, mas uma morte constante." Recuso-me a ser um cadáver adiado, já morto e apenas à espera de ver a morte do meu “irmão”, para lhe enfiar a lâmina – afiada no cinismo calculista de quem passa a vida a antecipar apocalipses – nas costas.

 

Eu confio, porque sim. E, se a minha confiança se provar errada, paciência. Mas confio, porque a vida não pode ser uma morte constante.

 

Sei que, se ganharmos (e apenas se assim for), todos serão Benfica…

por Anátema Device às 15:45 | link do post | comentar | ver comentários (10)

Original ou sequela

Meu caro Jorge Jesus,

 

Eu gosto de acreditar nas pessoas, de ver que o que elas dizem acontece de facto. Quando o senhor chegou ao Benfica, afirmou que consigo nós iríamos jogar o dobro do que com o seu antecessor. Foi um discurso mobilizador e que teve correspondência prática (ou que pecou por defeito, visto que jogámos o triplo ou o quádruplo do ano anterior…). No entanto, este tipo de discurso muito confiante nas suas capacidades é algo perigoso, porque se se falha a frustração é muito maior. Foi o que aconteceu na época passada, quando o senhor falou na Champions no início da temporada e depois foi o que se viu…

 

E, perdoar-me-á, foi o que se viu na semana passada, quando o senhor disse que quem deveria estar nervoso eram os outros clubes por estarem atrás do Benfica e a resposta prática não foi espetar quatro batatas em Coimbra (a única consequência possível para este tipo de discurso), mas sim… empatar o jogo. Sim, falhámos imensos golos de baliza aberta, sim, fomos roubados (apoia-se o Fernando Gomes para a Liga e posteriormente para a Federação, e depois está-se à espera de milagres… mas isto é outra história), porém empatámos um jogo que não poderíamos deixar de ganhar. Principalmente, depois daquele seu discurso e na véspera de recebermos o CRAC.

 

Veio o senhor dizer agora que esta partida com os assumidamente corruptos não é decisiva. É o discurso que se tem que ter para fora, eu percebo, porque ainda faltam alguns meses para terminar a época e “matematicamente”, na pior das hipóteses, quatro pontos (na prática) de desvantagem não é uma distância insuperável. No entanto, espero sinceramente que, para dentro do balneário, o discurso seja outro. É claro que este jogo é decisivo. Da mesma maneira que a vitória sobre eles em Dezembro de 2009, com uma quase equipa B, foi decisiva para a conquista do campeonato, ou como a humilhação sofrida em casa no ano passado foi decisiva para o penoso final de época. É que, meu caro Jorge Jesus, a última imagem é sempre a que fica. De nada nos serve recordes de vitórias seguidas, o melhor futebol desde a primeira passagem do Eriksson, grandes goleadas, se no fim não ganharmos nada. E, a minha convicção pessoal (eu sei que sou pessimista por natureza), é que se não ganharmos mais logo, dificilmente ganharemos alguma coisa (incluindo a Taça da Liga) até final da época. Sim, temos mesmo que ganhar, o empate não serve. Por uma questão de confiança ou, neste caso, de falta dela. Tal como a tal derrota na Luz na época passada minou a confiança de uma equipa que tinha conseguido 18 vitórias consecutivas e até fez com que, duas semanas depois, desbaratássemos em casa uma vantagem de 2-0 conseguida no campo deste mesmo adversário. Mas o senhor certamente saberá melhor isto do que eu.

 

Estamos no momento crucial da época, em que saberemos se iremos ter uma reedição do que se passou no ano transacto, ou se iremos ver um filme novo. Em qualquer um dos casos, nós, os adeptos, saberemos tirar ilações no final desta temporada. Espero que o senhor também as saiba tirar. É que este ano não temos desculpa. Até estamos a jogar com guarda-redes e tudo, veja lá. E nós, adeptos, por muito que não percebamos como é que se tem um campeão europeu e mundial na bancada, e se joga com um jogador que, ainda em Coimbra, esteve duas vezes à vontade na grande área contrária sob lado esquerdo, com todo o tempo do mundo para colocar a bola num dos nossos e ela fica no primeiro defesa, ou como é que se deixa ir embora em Janeiro o único substituto do plantel para o Maxi Pereira e não se vai buscar mais ninguém (sim, eu estive no Benfica-Santa Clara e vi os jogos da pré-época: não temos mesmo mais ninguém), pondo-nos a rezar a todos os santinhos para que o uruguaio não se lesione até final da época, nós, adeptos, dizia eu, só queremos é que independentemente de tudo o Benfica conquiste títulos. Algo que só acontecerá se ganharmos hoje. Digo eu.

 

Para terminar, meu caro Jorge Jesus, o senhor que se tem em tão boa conta (e justificada, porque é de facto um óptimo treinador) não quererá perder o campeonato para o ex-treinador do Espinho e Santa Clara (com o devido respeito) e estreante na I Liga, pois não?!

 

P.S. – Contra esta minha teoria de que mesmo se empatarmos hoje não seremos campeões, posso dizer que durante a época do Trapattoni nunca me passou pela cabeça que o poderíamos ser (até o mesmo ter passado pela cabeça do Luisão). A meu favor, posso relembrar que o fomos com três pontos de vantagem sobre o CRAC, que perdeu 24(!) em casa… E, antecipo-me já, nada me dará mais prazer do que vir aqui no final da época dizer que estava redondamente enganado!

 

P.P.S. – Se acho que podemos ganhar hoje? Claro que sim! Se até quando jogávamos com o Bossio, quando os centrais eram o Paulo Madeira e o Ronaldo, quando o Jamir estava plantado no meio-campo, ou o Pringle era mais um defesa contrário, eu tinha sempre esperança de ganhar…

por S.L.B. às 11:28 | link do post | comentar | ver comentários (24)

108 anos de benfiquismo universal e intemporal

1- Dia 28 o Benfica festejou 108 anos. Quase escrevia “o meu Benfica”, mas isso seria um paradoxo. Se o Benfica é universal como é que poderia ser o “meu” Benfica? O Benfica só é meu na medida em que se manifesta em mim de forma pessoal e intransmissível. Logo, o Benfica festeja o aniversário e em cada um de nós renova-se este místico sentimento de pertença a uma causa superior a todos. É o Benfiquismo.

 

2- Não acredito num homem sem raízes. Um ser desenraizado é um ser à deriva. Sei onde estão as minhas raízes, na Beira Baixa, no Fundão. Tal como sei onde está a minha ‘alma mater’, em Coimbra, na minha saudosa academia. Da mesma forma que sei onde lancei âncora há pouco mais de uma dezena de anos, em Lisboa, perto da Luz. Quis o acaso que, no mesmo fim de semana, o Benfica defrontasse a Académica, em futebol, e o Fundão, em futsal. Não era um confronto entre terras, entre territórios. Era um confronto entre o meu clube e os clubes das “minhas” terras. Acontece que o meu clube vai para além da geografia das “minhas” terras. Eu sou orgulhosamente beirão, tenho um grande orgulho nas minhas raízes, mas seria benfiquista independentemente da terra onde nasci. Sê-lo-ia quer tivesse nascido em Goa ou em Freixo de Espada à Cinta. Este sentimento de benfiquismo faz com que o horizonte ultrapasse os limites da austera Serra da Estrela e da mágica Serra da Gardunha. Obviamente, sofri pelo nosso Benfica. O Benfiquismo manifesta-se-nos de forma universal.

 

3- Na sexta-feira, poder-se-á dizer que se joga o futuro do Benfica numa importantíssima partida de futebol. Dizê-lo seria um acesso de miopia histórica. Joga-se essencialmente uma batalha entre o jogo limpo e o jogo sujo, entre o asseio desejado e a continuação de três décadas de decadência civilizacional. Mas não se joga o futuro do Benfica, porque o Benfica é intemporal.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 28 de Fevereiro e publicado na edição de 02/03/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post | ver comentários (2)
Quinta-feira, 01.03.12
Quarta-feira, 29.02.12

Recomeçar

A perda, em apenas 2 jornadas, da vantagem de 5 pontos que o Benfica tinha em relação ao FCP foi um tremendo choque para todos nós, benfiquistas. Entre opções tácticas questionáveis, menor rendimento da equipa (com algumas ausências por lesão) e, sobretudo em Coimbra, arbitragens "de encomenda", a realidade incontornável é que perdemos 5 pontos (e o ascendente moral que essa vantagem nos conferia) e agora partilhamos a liderança do campeonato com o adversário de próxima 6ª feira.

 

Se o desânimo, a frustração, a irritação são sensações naturais causadas por esta perda, a verdade é que de nada nos adianta ficarmos nesse estado, nem mesmo após saber quem será o árbitro do próximo jogo.

Quando, por exemplo, uma falha informática causa a perda de horas de trabalho, por muita irritação que isso me cause não me resta outra opção que não arregaçar as mangas e recomeçar a fazer o que já havia feito, se possível, melhor ainda, aprendendo com os erros cometidos (para os não voltar a repetir) e tomando as precauções necessárias para que, na eventualidade de nova falha, casual ou provocada, as perdas sejam mínimas.

 

De facto, nestas últimas jornadas a nossa equipa (treinador incluído) podia ter feito mais e melhor. Mas também não podemos ignorar, sobretudo no jogo em Coimbra, a existência de falhas graves na arbitragem que contribuíram para este perda.

No entanto, apesar da frustração causada, não resta outra opção que não arregaçar as mangas e recomeçar a construir a vantagem perdida, já no próximo jogo. A minha expectativa é (e só pode ser) que perante esta necessidade de recomeçar, a equipa técnica irá repensar algumas decisões tácticas (antes e durante o jogo), de modo a minimizar as nossas vulnerabilidades que possam ser exploradas pelas duas equipas que vamos defrontar, e suscitar nos nossos jogadores a vontade de fazer mais e melhor.

 

Olhando para tudo o que já foi feito nesta época (e não apenas para os últimos jogos), o Benfica é a equipa que melhor futebol tem praticado. Bem sei que, por si só, não é suficiente. Não basta ter, globalmente, o melhor futebol. É necessário demonstrá-lo em cada jogo. E, no caso do Benfica, é sabido que nem sempre basta ser melhor jogo após jogo. Por vezes é mesmo necessário ser muito melhor. E é já nesta 6ª feira que o Benfica vai ter de, inequivocamente, fazer essa demonstração. Mas mesmo vencendo, o que acredito que irá acontecer, ainda assim será como se nada tenha ficado demonstrado. Na jornada seguinte, terá de voltar a fazer semelhante demonstração. Só assim o Benfica poderá aspirar a ser campeão.

 

E a nós, adeptos, mesmo com todas as dúvidas que possamos ter, não nos resta outra coisa, sobretudo para quem vai estar na Catedral na próxima 6ª feira, que não apoiar intensamente o Benfica. Bem sei que é um lugar-comum dizer isto, mas o nosso apoio é essencial para que a nossa equipa acredite que é superior (acima de tudo porque, efectivamente, o é e já o demonstrou!)

 

Posto isto, partilho as palavras que, nos últimos dias tenho recordado constantemente e que nunca são demais recordar: o refrão do verdadeiro hino do Benfica.

 

Avante, Avante p'lo Benfica!

Que uma aura triunfante Glorifica!

E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,

Honrai agora os ases

Que nos honraram o passado!

Momento que aconchega a alma

Ontem, no Coliseu, em dia de aniversário do nosso Benfica, ouvir as palavras genuínas do senhor Mário Wilson. [link]

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:15 | link do post | comentar | ver comentários (15)

Vejam se adivinham

Qual foi árbitro que no Domingo passado foi, alegadamente, visto a sair do Dragão Caixa num BMW, no banco do passageiro da frente, pouco antes de terminar o jogo entre os andrades e o Feirense?

[link]

por Pedro F. Ferreira às 08:43 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Terça-feira, 28.02.12

Meu caro Nuno Gomes

[link]

 

Tive o cuidado de te fazer chegar, no tempo devido, a mensagem e o conselho. Era, e é, um conselho de quem te admira, mas que também sabe distinguir as águas.

 

Disse-te, e escrevi-o na altura devida, que escolher implica, mais do que uma posse, uma abdicação. Escolher algo implica abdicar de tudo o resto. Por vezes, o que se escolhe é superior a tudo o resto. Na maior parte das vezes, tudo o resto é superior ao que se escolhe. Disse-te que a tua - e apenas tua - escolha pelo Braga poderia implicar a abdicação do que era, e é, bem superior.

 

Digo-te agora o mesmo, uma vez que ninguém te obrigou a escolher estas palavras. O profissionalismo é a tua maior virtude. Estas palavras [link], porque não eram obrigatórias nem indispensáveis, ultrapassam o profissionalismo.

 

Atenção, meu caro Nuno, quem distingue as águas também sabe distinguir tudo o resto, e sabes tu tão bem quanto eu que quem não está por nós está contra nós.

 

Um grande abraço e que o futuro nos traga, ao Benfica, as vitórias que todos os benfiquistas desejam.

___________

 

Adenda ao post:

 

Aproveito para esclarecer quem não percebeu (certamente por culpa minha): Ao contrário da maioria (?) dos benfiquistas, defendo que o lugar do Nuno Gomes é no Benfica. O Nuno Gomes sempre foi um assunto delicado, uma vez que divide e dividiu os benfiquistas. A sua ida para o Braga não foi abonatória para a sua imagem junto da massa associativa. Deste modo, a gestão do seu discurso relativamente ao Benfica, enquanto está em Braga, deve ser feita com total cuidado. As declarações dele, extremamente profissionais, não são (dentro da tal lógica de um hipotético regresso) as mais indicadas (cf, por exemplo, com declarações recentes de Ruben Amorim acerca do Benfica). O meu texto alerta apenas e só para isto.

por Pedro F. Ferreira às 17:15 | link do post | comentar | ver comentários (28)

Jaime Graça

 

A doença é traiçoeira e apenas à traição conseguiu levar um dos nossos.

 

Para toda a família do grande Jaime Graça, aqui ficam ficam os nossos sentimentos.

por Pedro F. Ferreira às 16:01 | link do post | comentar | ver comentários (8)

108 anos

 

108 anos de História gloriosa. De cabeça erguida, de forma honrada, intemporal e universal.

por Pedro F. Ferreira às 09:17 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 27.02.12
Domingo, 26.02.12

Injusto

Incompetência em frente à baliza, um guarda-redes excepcionalmente inspirado (e, porque não dizê-lo, uma arbitragem nefasta) conjugaram-se para resultar num empate injusto e na perda de dois pontos.

Rodrigo ausente dos convocados, Javi e Nolito no banco e regressos do Bruno César e Witsel ao onze, numa táctica com um único avançado (Cardozo) e o Aimar a apoiá-lo. Vi o jogo atrás de uma baliza e quase ao nível do relvado, e confesso que sinto bastantes dificuldades em seguir um jogo neste ângulo de visão. Mas seja de qual for o ângulo, foi evidente o domínio do Benfica no jogo, que foi quase todo disputado no meio campo da Académica. Com o Artur a ser praticamente um espectador, coube sempre ao Benfica a iniciativa no jogo, mas infelizmente as oportunidades criadas foram sendo esbanjadas pelos nossos jogadores, ou então esbarravam num irritante Peiser (que só parece ser capaz de arrancar estas exibições contra nós). Pareceu-me que durante o primeiro tempo o Aimar jogou demasiado adiantado e longe das funções de organização de jogo no meio campo, passando demasiado tempo encostado aos defesas adversários à espera que a bola lhe chegasse.

No segundo tempo isto alterou-se com a entrada do Nélson Oliveira, saindo o Matic com o consequente recuo do Witsel e do Aimar no campo. O Nélson entrou de rompante e podia ter marcado logo vinte e cinco segundos depois do recomeço, mas o seu remate falhou o alvo. A sua entrada mexeu com o jogo, e o primeiro quarto de hora foi de pressão muito intensa por parte do Benfica, mas o desperdício (em particular do próprio Nélson Oliveira, a quem contei pelo menos três ocasiões claras de golo desperdiçadas) e a inspiração do Peiser continuaram a negar-nos o merecido golo. Não sei se teríamos conseguido marcá-lo ou não, mas fiquei com a sensação de que deitámos fora vinte e cinco minutos (os que faltavam para o final mais os descontos) quando fizemos a substituição do Aimar pelo Djaló. Perdemos lucidez (o Bruno César não foi nada feliz nas funções do Aimar), o Djaló nada trouxe ao jogo, a equipa ficou praticamente partida ao meio, com cinco jogadores que só atacavam, e começámos demasiado cedo a apostar no futebol directo. A Académica, que já tinha mostrado estar mais do que satisfeita com o empate e tentava queimar tempo sempre que possível, até conseguiu nessa fase esboçar alguns contra-ataques, embora sem grande perigo, e o injusto nulo persistiu teimosamente até final.

Garay, Maxi Pereira e Witsel foram aqueles que, na minha opinião, estiveram melhor hoje. Sem surpresa, nenhum dos jogadores mais ofensivos me impressionou, tendo em conta o desperdício a que assistimos. O Nélson Oliveira mexeu com o jogo, mas falhou em demasia.

Se em Guimarães fiquei preocupado com a exibição e até a atitude da equipa, hoje nada tenho a apontar à equipa nesse aspecto. Saí do estádio com a convicção de que não desistiram de lutar até ao último segundo pela vitória, mesmo que na fase final já o tenham feito muito mais com o coração do que com a cabeça.
Estou obviamente desapontado com a perda destes dois pontos que, repito, me parece bastante injusta, mas a minha confiança na conquista deste campeonato mantém-se inabalada. Agora no próximo jogo as opções são simplesmente ganhar ou ganhar. Estamos num momento menos feliz, mas lá estarei para apoiar e ajudar o meu clube a reerguer-se.

por D`Arcy às 03:00 | link do post | comentar | ver comentários (55)
Sábado, 25.02.12

Houston, we have a problem

Agora, é matar ou morrer!

por Pedro F. Ferreira às 22:15 | link do post | comentar | ver comentários (32)

Coincidências?

 

Estes atletas saúdam com uma conhecida saudação as claques que apoiam o seu clube - o Legia de Varsóvia - na recente visita ao Estádio de Alvalade. O comportamento de atletas e adeptos foi, com toda a justiça, denunciado nos jornais, como aconteceu com o Record, de onde esta fotografia foi retirada. Mas o que é curioso - e mais curioso ainda porque ninguém fala disso - é que estes atletas dirigem esta saudação para uma bancada em cujo topo se pode ler "orgulho, força, raça". Estariam mesmo estes atletas apenas a saudarem os seus orgulhosos, raçudos e fortes adeptos?

por Anátema Device às 10:41 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sexta-feira, 24.02.12

Serviço público

Para o melhor e para o pior, a blogosfera é uma realidade comunicativa com algum, menor do que muitos julgam, impacto.

 

No entanto, há assuntos em que a blogosfera serve de exemplo a outros meios de comunicação bem mais poderosos e profissionais.

 

O blogue “Cabelo do Aimar” conseguiu uma entrevista com o (ex?) jornalista Marinho Neves. Esta entrevista deve ser lida, relida, meditada e divulgada. Apenas com a divulgação massiva da mesma, aquelas palavras poderão ter eco e fazer mossa.

 

Fica aqui o agradecimento aos bloggers que a conseguiram e ao Marinho Neves pela coragem.

 

Podem ler a entrevista neste link: Entrevista - Marinho Neves

por Pedro F. Ferreira às 09:52 | link do post | comentar | ver comentários (12)

Que farei eu com esta espada?

Na mesma semana, com época a mais de meio, o nosso Benfica fraquejou e mostrou que não é invencível. Perdemos a invencibilidade na Champions League e também no Campeonato Nacional.

 

Há dois momentos em que as lideranças se distinguem: no momento da vitória, da segurança, e no momento da derrota, da ameaça. Nesses dois momentos, o líder tem o poder, tem a Excalibur. Tem a obrigação de, tal como o Conde D. Henrique no poema pessoano, olhar para a espada que tem em mãos e perguntar-se o que fazer com ela. Poderíamos, se não fôssemos Benfica, manter a espada na bainha, não agir, entregarmo-nos à frustração da derrota e, acreditando na campanha montada na mediocridade dos editoriais encomendados, fazer do pessimismo e do desânimo o caminho. Uma vez que somos Benfica, este caminho não é, não pode ser, opção. Seguimos em frente na liderança do campeonato e estamos obrigados a vencer adversário após adversário, com a convicção de que nenhum deles fará, como pontualmente fazem com alguns dos nossos rivais, do jogo uma farsa com vencedor antecipado. Deste modo, resta-nos lidar com a perda da invencibilidade como uma oportunidade para regressar ao bom hábito das vitórias. Resta-nos cumprir este propósito com humildade, a mesma que serve de base para se fazer uma caminhada digna; com ousadia, a mesma que distingue o conformadinho (assim mesmo em diminutivo) do inconformado; e, essencialmente, com uma entrega total, aquela que transforma homens em heróis.

 

Temos a espada em mãos, logo, o único caminho a seguir é, tal como no poema pessoano, erguê-la e fazer. Menos do que isto é trair o que há de Benfica em cada um de nós. Enfrentemos o futuro, sem medos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 21 de Fevereiro e publicado na edição de 24/02/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 23.02.12

Um jogo de cada vez

Não me preocupo com o facto do Luisão não jogar. Já passei a fase de me preocupar com a utilização do Matic. Não perco tempo a pensar na utilização do Emerson. Já nem me lembro se temos mais futebolistas além do Aimar impedidos de jogar contra o Zenit. Não quero saber se recebemos os andrades na sexta, no sábado ou no domingo de manhã. Ouvi dizer que o Javi está de volta. Não faço ideia de quem será o Xistra de ocasião que o Vítor Pereira vai nomear.

 

Sinceramente, neste momento, só quero ganhar à Académica.

por Pedro F. Ferreira às 10:20 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 22.02.12

ity ganhou. Yuhhuuuu :-)))

Incha, Janko, ilho da uta, abrão de erda!! [link]

por Anátema Device às 19:07 | link do post | comentar | ver comentários (12)

Hino ao Fut(r)ebol

Futebol não é os programas de debate desportivo, onde as primeiras imagens que passam dos jogos são os casos de arbitragem, mesmo que o jogo não tenha sido muito polémico; futebol não é (não devia ser…) as frutas, os chocolatinhos e as jogadas de bastidores; futebol não é alguns jogadores acharem-se superiores ao próprio jogo e ficarem muito ofendidos quando o público grita o nome do actual melhor jogador do mundo, seu suposto rival (como se fossem ambos do mesmo planeta…).

 

Não, futebol é o que se passa dentro do campo, mas também a maneira como se vive o jogo e se o respeita. Ou seja, como se mantém acesa a chama do adepto mesmo sendo-se jogador. E isso passa essencialmente pela capacidade de admirar outros jogadores. O Rui Costa esteve na Noite do Futrebol e o que se passou foi um verdadeiro hino ao jogo. O Maestro e o Futre são dois dos maiores génios futebolísticos que este país já viu, mas não deixaram que isso influenciasse o seu carácter, o que os torna igualmente grandes Homens. Que gostam mesmo de futebol e principalmente sabem o que ele significa para os que o mantêm: nós, os adeptos.

 

Duas pequenas histórias contadas no programa comprovam essa grandeza de ambos: quando o Futre voltou à selecção depois das lesões, o Rui Costa era o número 10 e já tinha mais internacionalizações do que ele, pelo que pela tradição deveria ser ele a manter a camisola. Só que o Rui disse ao Futre: “nunca joguei contigo à bola sem que tu fosses o 10 e não há-de ser amanhã também.” Por outro lado, o Rui Costa definiu o Futre como ninguém: “não são muitos os génios do futebol que têm tanta admiração por outros jogadores de futebol.”

 

Revejam as repetições do programa. Vale mesmo a pena. Quanto mais não seja para rever as imagens de grandes golos e magníficas assistências do nosso Maestro.

por S.L.B. às 01:47 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Terça-feira, 21.02.12

Medo?

Percebo algum desânimo, percebo a frustração, percebo a irritação. Percebo-as e partilho-as.

Não percebo o medo.

 

Quem tem medo, compra um cão… ou um árbitro. Lá para os lados da Madalena, vai dar ao mesmo.

 

 

por Anátema Device às 19:13 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Segunda-feira, 20.02.12

Risco

Invencibilidade perdida na Liga, e talvez de forma previsível. O Benfica fez um mau jogo, longe daquilo a que nos habituou. O Vitória marcou na única oportunidade de golo que teve, o Benfica desperdiçou as duas que criou pelo Nolito e perdeu.

Tinha um mau pressentimento para hoje. O jogo era previsivelmente complicado e o cenário já há alguns dias que se compunha para que o Benfica não passasse em Guimarães. Confesso por isso que fiquei desagradavelmente surpreendido com o 'empurrão' que resolvemos dar ainda ao Vitória, entrando em campo com um meio campo desajustadamente macio para um jogo desta dificuldade. Alinhar com Cardozo, Rodrigo e Aimar simultaneamente neste jogo, ainda por cima sabendo-se que não contávamos com o Javi pareceu-me um risco desnecessariamente alto. O resultado foi um futebol desgarrado, com a equipa incapaz de manter uma posse de bola consistente. Muitos passes falhados, más recepções, e demasiado espaço entre os sectores da equipa. Apenas num lance de bola parada (um canto) o Benfica criou uma boa oportunidade de golo, com o Nolito a surgir completamente solto no interior da área, mas rematou contra um defesa adversário e depois fez ainda a recarga para fora. O Vitória acabou por chegar ao golo na sequência de um livre lateral, em que houve demasiada passividade da nossa equipa - havia mais do dobro de jogadores do Benfica dentro da área - com o Matic a permitir ao adversário rematar à meia volta quando estava encostado a ele. Faltava ainda muito tempo para jogar (o golo surgiu a oito minutos do intervalo), mas honestamente fiquei com a sensação de que já seria muito difícil ao Benfica ganhar o jogo.

Até porque a segunda parte pouco teve de diferente. O Vitória encolheu-se mais e o Benfica teve mais bola, mas a desinspiração foi imensa. Mais passes falhados, cruzamentos defeituosos, e até as bolas paradas saíam mal - quase todos os livres marcados para as mãos do guarda-redes, e os cantos cortados ao primeiro poste. Uma única real oportunidade de golo, novamente nos pés do Nolito, mas este rematou contra as pernas do guarda-redes. A entrada do Witsel era previsível, mas não para o lugar do Matic; não porque ele estivesse a jogar bem (pelo contrário) mas sim porque era necessário povoar mais o meio campo. Nem sempre se marcam golos por se ter muitos avançados em campo, e hoje quer o Cardozo, quer o Rodrigo estiveram particularmente apagados. A maior parte da segunda parte foi simplesmente ver o jogo a arrastar-se penosamente até final, com a desagradável sensação de sermos nós os grandes responsáveis por este mau resultado, já que o Vitória limitou-se a ser competente e a aproveitar o mau dia do Benfica.

Não consigo fazer um destaque na equipa do Benfica. Acho que a mediania imperou e foi comum a toda a equipa, que me pareceu também algo lenta e presa de movimentos - não sei se será resultado do jogo na Rússia, mas isso não pode servir de desculpa. Perdemos o Luisão para o próximo jogo, mas ao menos isso significa que estará disponível para a recepção ao Porto.

Era muito importante manter os cinco pontos de avanço no primeiro lugar, e esta derrota representa um rude golpe, até pela motivação extra que dá aos nossos adversários. Hoje o Benfica fez um dos piores jogos da época, e sofremos naturalmente as consequências disso. Agora temos que levantar a cabeça, não deixar que este tropeção nos afecte, e voltar rapidamente a fazer aquilo que melhor sabemos fazer: jogar futebol e ganhar jogos. Continuamos a ser os primeiros. E não queremos deixar que nos tirem desse lugar.

por D`Arcy às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (25)

Não somos invencíveis

Mas somos o primeiro classificado. Somos os melhores. Somos Benfica.

 

Poderia escrever e desabafar sobre o muito que me desgostou neste jogo em que também jogámos contra o Guimarães e o tanto que, em dose igual, me preocupou neste jogo. Mas só me apetece dizer e repetir isto: não somos invencíveis, somos o primeiro classificado, somos os melhores, somos Benfica!

por Pedro F. Ferreira às 22:24 | link do post | comentar | ver comentários (17)

O jogo mais importante de hoje...

 

 

Hoje, em Guimarães, joga-se um jogo muito importante para o futuro próximo do Benfica. Mas, de repente e pela terceira vez em muito pouco tempo, o jogo mais importante joga-se num hospital [link]. Que mais uma vez o nosso Eusébio consiga ganhar este jogo, o jogo que verdadeiramente importa.

por Pedro F. Ferreira às 17:55 | link do post

Consta que...

O que mais se teme não é a estratégia do adversário que ataca pelo centro do terreno, apesar desse também trazer a lição estudada. Para mais logo, o grande perigo reside nas alas. É junto à linha que estão os dois gajos mais bem 'preparados' da equipa adversária...

 

 

Carrega, Benfica!!

por Anátema Device às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Domingo, 19.02.12

Igrejas Caeiro

Faleceu hoje um grande benfiquista [link]. Igrejas Caeiro foi um homem que muito lutou pela democracia e, também, muito ajudou o Sport Lisboa e Benfica. O país está mais pobre e o benfiquismo enlutado.

 

Ficam aqui os nossos sinceros sentimentos à família.

por Pedro F. Ferreira às 15:09 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sexta-feira, 17.02.12

Numa noite de sábado

Sábado à noite, o nosso Benfica jogou com o Nacional e o jogo transformou-se em arte. Isto por mérito das duas equipas e para privilégio dos adeptos que encheram a nossa Catedral. O Nacional foi uma equipa honesta, jogou um futebol positivo, em prol do espectáculo e procurando, sem antijogo, ganhar. O Benfica foi brilhante.


No relvado, a geometria rigorosa das movimentações tácticas foi pano de fundo para a expressão do génio individual. Nolito foi a ousadia do futebol de rua, do futebol desconcertante. Gaitan regressou aos melhores momentos e deixou-nos uma jogada daquelas que, sabemos quando a vemos, servirá de mote à convocação da memória, apenas para podermos dizer “estava lá e vi”. Rodrigo faz-nos acreditar que qualquer jogada, independentemente da zona do campo, é potencialmente um golo do Benfica. Aimar é Aimar, é o nome acima do título do jogo. Na Luz herdou o número de Rui Costa, na Argentina herdou o número de Maradona. Isto basta para fazer dele um predestinado e de nós, espectadores, privilegiados.


O público vibrou, sofreu, aplaudiu e, acima de tudo, sorriu. Ficou com a convicção de que tinha visto longos minutos de futebol supino. A exibição do nosso Benfica teve largos minutos de uma qualidade genuína, que nem a azia de um ou outro ‘opinadeiro’ conseguiu macular.


No entanto, houve um elemento que se esforçou por não estar à altura da dignidade do jogo. Foi aquela figura que conseguiu enervar o público, os jogadores do Benfica e o próprio treinador. Foi a personagem que nos fez sair do Estádio com a certeza de que, para sermos campeões, não nos basta ser melhores… temos de ser muito melhores do que os adversários. Particularmente dos adversários que jogam com um apito na boca.    

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 14 de Fevereiro e publicado na edição de 17/02/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Quinta-feira, 16.02.12

Sem vergonha

Há duas jornadas, Rui (Gomes) Costa. A semana passada, Jorge Sousa. Em Guimarães, Xistra. Não há vergonha nenhuma: é mesmo a carne toda no assador antes da andradagem vir à Luz. Para Coimbra será o Olegário, ou esse estará guardado mesmo para a recepção aos andrades?

 

Para não variar, lá teremos mais uma vez que jogar duas ou três vezes melhor do que os adversários.

por D`Arcy às 20:35 | link do post | comentar | ver comentários (29)

Um rafeiro sarrafeiro

sarrafo:
s. m. peça rectangular de madeira de muita altura e pouca espessura; fasquia; sobras de madeira cortada.
(Deriv. regr. de sarrafar)
sarrafear:
v. tr. cortar em sarrafos;
v. intr. sarrafar.
(De sarrafo + -ear)
sarrafar:
v. intr. o m. q. sarrafaçar.
sarrafaçar:
v. intr. cortar com um utensílio mal afiado; fazer barulho, serrando; trabalhar grosseiramente.
(De etim. obsc.)
Bruno Alves (tal como André, João Pinto, Pepe, Paulinho Santos...)
indivíduo que espalha a arte de sarrafear em todo o relvado, túneis adjacentes, aquém e além montes Urais. Desenvolveu essa actividade profissional no FCP e actualmente no Zenit. Consequentemente, também ganha a vida a lesionar colegas de profissão.

 

por Pedro F. Ferreira às 08:08 | link do post | comentar | ver comentários (20)

Desejo

Espero que daqui a três semanas o Estádio da Luz faça parecer a recepção do Nou Camp ao Figo aqui há uns anos uma brincadeira de crianças quando aquele cão imundo nos poluir com a sua presença...

 

Só se a sua carreira acabar abruptamente e com bastante dor é que eu alguma vez sentirei que foi feita justiça. E abrirei uma garrafa de champagne para comemorar. Que animal hediondo!

por S.L.B. às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Quarta-feira, 15.02.12

Intacta

Uma derrota nunca é propriamente positiva, mas o resultado desta noite mantém intacta a esperança de podermos passar aos quartos-de-final da Champions. No entanto, no final fica-se com a sensação de termos entregue o ouro ao bandido, ao deixar escapar o empate daquela forma.

Fiquei algo surpreendido por ver que o Benfica manteve para este jogo a aposta nos dois avançados, já que estava à espera da fórmula mais habitual na Champions, com um meio campo reforçado. Assim sendo, o Aimar ficou sentado no banco, na companhia do Nolito que cedeu o seu lugar ao Bruno César. No lugar do lesionado Javi, o esperado Matic. O jogo começou como convinha ao Benfica, tendo em conta que a velocidade a que era disputado foi pouca, e que desde o primeiro minuto que o equilíbrio foi a nota dominante. O estado do relvado também pouco ajudava, já que obrigava a bola a andar muito pelo ar, provocava muitos passes falhados, e era difícil aos jogadores progredirem com a bola nos pés devido à dificuldade em controlá-la. Oportunidades de golo praticamente nem se viam. A 'experiência' de jogarmos com dois avançados na Champions não durou muito, porque pouco depois do primeiro quarto de hora o animal do Bruto Alves encarregou-se de arrumar com o Rodrigo (ainda regressou ao campo, mas estava nitidamente inferiorizado e teve que ceder o lugar ao Aimar). E foi ainda com dez jogadores em campo que o Benfica se colocou em vantagem, numa recarga oportuna do Maxi a um livre do Cardozo. A resposta do Zenit foi rápida e forte, pois pareceram adiantar as linhas, ganharam superioridade no meio campo, e fomos imediatamente submetidos a alguns minutos de forte pressão, que culminaram com o golo do empate apenas sete minutos depois do nosso golo, num colocado remate de primeira do Shirokov. Com o empate regressou também o equilíbrio, e com uma ou outra ameaça de parte a parte o intervalo acabou por chegar.

A segunda parte foi ainda mais mal jogada - mas sempre bastante disputada - do que a primeira. O Zenit passou a ter um pouco mais de bola, mas era o Benfica quem rematava mais, aproveitando transições ofensivas rápidas, sobretudo pela direita, onde o Maxi e o Gaitán se revelavam bem mais activos do que o Emerson e o Bruno César do outro lado. O Zenit pouco ameaçava, e foi por isso quase com alguma surpresa que surgiu o segundo golo, quando faltavam vinte minutos para o final, numa jogada toda ao primeiro toque que terminou com uma conclusão de calcanhar. Obtida a vantagem, os russos pareceram estar satisfeitos com o resultado e baixaram ainda mais o ritmo da partida, passando-se então por um período algo desinteressante que fazia prever que o mais provável seria mesmo o resultado manter-se até final. Mas os últimos minutos acabaram por ser animados. O Benfica chegou ao empate a três minutos do final, numa recarga do Cardozo após remate do Gaitán e defesa atabalhoada do guarda-redes russo. E praticamente na jogada seguinte o Maxi Pereira, completamente à vontade no centro da área, teve um erro grotesco e deixou a bola nos pés do Shirokov para que este marcasse o seu segundo golo e terceiro do Zenit no encontro.

É difícil escolher algum jogador que se tenha destacado muito num jogo que nunca foi particularmente bem jogado. Gostei do Garay, e estava a gostar do Maxi até ao erro que deu a vitória ao Zenit. O Gaitán esteve num nível muito superior ao que tem mostrado para consumo interno, mas foi-se apagando ao longo do jogo.

Perder por apenas um golo e marcar dois golos fora não é mau de todo numa eliminatória da Champions. Custa um pouco mais porque perdemos o jogo numa altura em que já não esperaríamos que isso acontecesse. Mas julgo que fizemos um bom jogo, contra um adversário forte, e o resultado mantém tudo em aberto. O Benfica tem claramente a capacidade para, num Estádio da Luz completamente cheio, decidir a eliminatória a seu favor.

por D`Arcy às 19:40 | link do post | comentar | ver comentários (44)
Terça-feira, 14.02.12

Raging Fool

O regresso de um gajo que gosta de murraças, mas como treinador de gajas? Já vi este filme. Chamava-se 'Million Dollar Baby', e acaba mal.

 

Jornalistas aguardam a primeira conferência de imprensa do Sapa Pinto.


por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 09:21 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Segunda-feira, 13.02.12

A foice em seara alheia

Disclaimer: este post é sobre o que resta do Sporting.


Conheço muitos lagartos e outros tantos sportinguistas. Os lagartos distinguem-se pelo antibenfiquismo primário e pela hipoteca do amor a um clube em função do ódio ao clube que lhes ocupa a mente 24 horas por dia, o Benfica. Os lagartos vibram com as vitórias dos andrades e irritam-se pelo facto de nós, os benfiquistas, denunciarmos a corrupção desportiva em que os andrades baseiam a sua existência. Os lagartos vibram com o facto de terem um clube dirigido e manietado por uma claque e têm como modelo supino da sua forma de estar no futebol o… Sá Pinto. Os sportinguistas não.


Os sportinguistas lamentam o rumo que o clube conheceu nas últimas décadas e tentam perceber como se descaracterizou ao ponto de se ter transformado naquilo, naquela espécie de clube que vive em função da vida do vizinho. Os lagartos pouco se importam com o facto de o clube estar a meses de ser vendido (dado) a um qualquer russo ou árabe que transforme um clube moribundo num 'cadáver adiado' maquilhado de máquina de lavar dinheiro. Os sportinguistas rejeitam epidermicamente esta hipótese.


Os lagartos exultam com a chegada do Sá Pinto a treinador. Os sportinguistas sabem o terror que significa ter um condutor de homens (de activos que valem milhões) que não tem processos de intermediação entre a vontade e o acto - o que o levou, ao longo dos tempos, a ter um vergonhoso historial de envolvimento violento com colegas de profissão, com treinadores, com atletas seus subordinados e com adeptos. Os sportinguistas sabem que, apesar dos pesares, Domingos era a melhor solução neste momento e que era o menos culpado daquele Carnaval permanente que se vive no reino dos lagartos.


Os lagartos vão-se insurgir contra este texto. Os sportinguistas vão compreendê-lo.


Quanto a mim, como benfiquista, olho para tudo aquilo com uma sensação mista. Por um lado, divirto-me; mas, por outro lado, chego a ter pena daquilo… única e exclusivamente pelos meus amigos sportinguistas.

por Pedro F. Ferreira às 17:19 | link do post | comentar | ver comentários (39)
Domingo, 12.02.12

Vendaval

O Nacional bem pode dar-se por satisfeito por ter saído da Luz com uma derrota por 4-1. É que mesmo sem forçar muito, o vendaval ofensivo do Benfica criou oportunidades mais do que suficientes para chegar no mínimo aos oito golos, e isto já é uma estimativa conservadora.

No onze do Benfica destaca-se a inovação de ter sido o Witsel o escolhido para ocupar a vaga do Maxi na direita. Houve também uma alteração no meio campo, onde o Matic ocupou a vaga do indisponível Javi García. O que o Benfica tentou fazer foi juntar muito o Matic aos centrais, permitindo um maior adiantamento dos laterais e assim não obrigando o Witsel a jogar tanto como lateral puro. Os minutos iniciais até nem foram muito promissores: o Benfica parecia algo preguiçoso e preso de movimentos, e o Nacional conseguia ter quase sempre a bola, tendo feito os primeiros remates do jogo. Mas aos oito minutos o Benfica foi lá à frente praticamente pela primeira vez, e marcou logo, num cabeceamento do Garay após livre marcado na direita pelo Aimar. E depois do golo, iniciou-se uma avalanche ofensiva do Benfica e um autêntico festival, quer de futebol, quer de golos falhados. É que aos quinze minutos de jogo já o resultado poderia estar em três ou quatro: Nolito, Cardozo (ao poste) e Rodrigo (na recarga), e Luisão desperdiçaram oportunidades flagrantes para voltar a marcar. Foi portanto com naturalidade que, aos vinte minutos, surgiu o terceiro golo, depois de uma grande jogada individual do Gaitán, que entrou pela direita e deixou todos para trás antes de assistir o Cardozo para uma conclusão fácil à boca da baliza.

Este domínio do Benfica tinha a particularidade de aparentar ser conseguido quase sem grande esforço, com as coisas a saírem bem de uma forma muito natural, e a goleada a ser o desfecho mais expectável para o jogo a que se assistia. Também o deve ter pensado o bom do Jorge Sousa, e resolveu então introduzir alguma incerteza no resultado, descortinando um penálti pouco antes de chegarmos à meia hora que, sinceramente, me pareceu que só terá acontecido dentro daquela cabecinha azulada. O Benfica acusou um pouco o golo sofrido e demorou alguns minutos a reencontrar o ritmo de jogo que vinha impondo até então. Porém, esta fase não durou muito tempo, pois aos trinta e oito minutos uma boa jogada do Benfica resultou num passe do Nolito que isolou o Rodrigo sobre a esquerda, e este ultrapassou o guarda-redes para depois marcar de ângulo já apertado. Mesmo no último lance do primeiro tempo, mais uma jogada fantástica de futebol corrido do Benfica deixou o Aimar na cara do guarda-redes, mas o remate saiu fraco e à figura. À saída para o intervalo parecia ser evidente que, salvo alguma nova habilidade do Jorge Sousa, o jogo estaria praticamente resolvido para o Benfica, restando apenas a incerteza de se saber quantos mais golos conseguiríamos marcar.

Na segunda parte o Benfica pareceu ter consciência disso mesmo, e talvez pensando já no jogo com o Zenit nunca forçou muito o ritmo, não havendo grande história para contar a não ser o controlo quase total do jogo. Mas a qualidade dos nossos jogadores e do nosso jogo ofensivo é garantia de que mesmo sem forçar muito, os lances para golo continuam sempre a aparecer. Golos houve apenas mais um, que apareceu à hora de jogo num remate quase sem ângulo do Rodrigo, que conseguiu fazer a bola passar entre o guarda-redes e o poste. Oportunidades, foram várias, e muitas delas flagrantes: do Nolito, do Rodrigo - completamente isolado a falhar a possibilidade de um hattrick - e do Cardozo, por mais do que uma vez, tendo até desperdiçado um penálti a dez minutos do final (rematou por cima), que o Jorge Sousa deve ter assinalado por perceber que nem ele conseguiria evitar o desfecho lógico para este jogo. Depois do penálti falhado é que o Benfica fechou definitivamente a loja, e limitou-se a esperar que os minutos finais se escoassem até ao apito final.

Mais dois golos do Rodrigo, e mais uma demonstração da imensa qualidade que temos naquele jogador. E quando pensamos na idade que tem e no quanto ainda pode crescer e valorizar-se, só nos resta esperar que o consigamos manter por cá durante mais algum tempo. Porque a questão já não é se dará o salto para outros voos, mas sim quando o dará. Jogo perfeito do Garay, que não deve ter perdido um lance, ou deixado passar um adversário uma vez que fosse. Gostei também muito de ver o Matic. Hoje conseguiu, de facto, fazer de Javi García, mantendo-se concentrado e tacticamente disciplinado, em vez de o vermos a correr por aquele meio campo fora atrás da bola, estivesse ela onde estivesse. Fez bem a interacção com os centrais e ocupou bem os espaços à frente da defesa. Tal como outros jogadores esta época, está a mostrar uma boa evolução. Luisão, Aimar (claro) e Nolito também em bom plano.

Missão cumprida com distinção: vitória e resultado folgado sem ser necessário despender grandes esforços antes do importante jogo na Rússia. Quanto ao campeonato, seguem-se duas deslocações importantes e complicadas antes de recebermos o Porto. Para mim, poderemos praticamente decidir o título nas próximas três jornadas. E parece-me que o Benfica chega a esta fase em condições quase ideais: confiante, com um modelo de jogo bem implementado, jogadores motivados para mostrarem o seu melhor, e uma imensa onda vermelha atrás da equipa (mais de 53.000 esta noite na Luz).

por D`Arcy às 01:51 | link do post | comentar | ver comentários (28)

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