Paixões

Recentemente surgiram declarações de um ex-árbitro, Jacinto Paixão, em que este confessava ter sido corrompido, para beneficiar o clube do Sr. Costa em troca de favores sexuais. E que, além disso, tal como a família Calheiros em tempos idos, também viajou por conta, através da agência Cosmos.

 

Não são boatos, não é o “disse-que-disse”, não são escutas telefónicas. É uma declaração confirmada. Um ex-árbitro declarou, sem margem para dúvidas, que fez parte de um esquema de corrupção desportiva. Ou seja, declarou-se como fazendo parte de um esquema criminoso e colocou em cima da mesa o nome da instituição que o aliciou. Não fosse o caso estranho, pioneiro e absurdo de em Portugal se poder dar a situação de se reconhecer a existência de corrupção e de corrompidos sem que se consiga provar a existência de corruptores e diríamos que tudo isto não passa de “fina ironia”. Uma ironia que escarnece da Justiça e envergonha o País.

 

Chegados aqui, é importante que os benfiquistas não percam a orientação. Este Paixão que agora denuncia a corrupção é o mesmo que, alegadamente, aceitou favores sexuais para prejudicar… o Benfica. Ou seja, esta paixão súbita pela verdade desportiva já se manifestara anteriormente em paixão duradoura contrária à mesma verdade e com claro prejuízo do nosso Benfica.

 

É importante, é mesmo essencial, que tenhamos presente a lição do provérbio bíblico que nos diz: "A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora". Ou seja, o caminho do Benfica não pode ser calcorreado na companhia da estultícia dos insensatos. Por mais arrependidos que se mostrem.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 17 de Maio e publicado na edição de 20/05/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post