O Sportém está de volta, e trouxe o Salema

É com indisfarçável emoção que registo o regresso do Salema à estrutura da lagartagem osgalhada. Regista-se o tom low profile do regresso, sem qualquer anúncio oficial nem lançamento de confetes e flores, nem paradas de gente vestida de cabedal justinho no Lumiar (como todos acreditamos que ele desejaria). Mas a mim não me enganam: o homem (no sentido lato) voltou. A não ser que o Paulo 'todaagenteéinocenteatélevarumasgalhetas' Jurássico Cristóvão tenha afinal uma costela bem mais ‘sensível’ e ‘artística’ do que deixa antever o ar de porteiro de casa de alterne e seja ele o responsável pelas recentes medidas mais coloridas para os lados do Alvalixo. Não me parece, sinceramente. Desde Nero que não há pirómanos conhecidos de sexualidade dúbia.

Não, isto cheira claramente a Salema. Senão, vejamos.

 

Redecoração do túnel de acesso aos balneários

Girassóis. Borboletas. Prados. Restam dúvidas? Parece evidente que a decoração anterior tinha sido obra do bruto insensível do Jurássico e que recorreram ao Salema em desespero de causa para corrigir a coisa. Parece que os estou a ouvir:

S: 'ai que horrôre!! Poses agressivas, planos desenquadrados, gente com excesso de peso e barretes inestéticos comprados na feira. Ainda percebo as fotos em tronco nu de gente de evidente masculinidade, também tenho muitas espalhadas em casa, mas pela santa, fotos dos coletes dos stewards? Gordinho, mas quem é decorou isto, valha-me o visconde.'

GL:'shhh, fala baixo, que ele tem isto tudo cheio de escutas. Foi o marginal do Cristóvão. Faz-me a vida num inferno. Obrigou-me a aprovar, com ameaças de porrada e fez chantagem com o caso dos paquetes da Expo. Que contava tudo à imprensa, que me arrancava as patilhas à dentada e que depois de acabar comigo e me partir as perninhas, em vez de medir 1,25 m, ficava a medir 50 cm. Tenho medo. Não durmo à noite, e só me lembro das galhetas na noite das eleições.'

S: ‘ai que bruto. Bom, isto tem de ir tudo. Vamos encher isto de girassóis e borboletas, tapar os burgessos e os atentados ao bom gosto. Tenho uma ideia para colocar uns cortinados em fúcsia degradé…’

PPC (pelos altifaltantes): ‘estás aqui estás a cair pelas escadas e a comer esse cachecol tricotado’

S (a olhar em redor, com um ar apavorado. Uma mancha negra cresce no fundo das calças): ‘ah ah, estava a brincar, se calhar ficamos pelos girassóis e pelas borboletas…’

 

Massagens

“Na Holanda, jogamos como treinamos. Aqui, quase nem se treina. Adoro! Treinamos uma hora por dia e antes dos jogos fazemos imenso tempo de massagens!”: Ricky Van Volkswagen.

‘Imenso tempo de massagens’? Salema.

 

Musical

Musical? Gente a dançar de meias até ao joelho e vestidos de barracas de praia? Salema.

Preciso de vos recordar da festa do Núcleo Sportinguista de Portimão e da banda de totós, um espectáculo produzido pelo Salema no auge do seu output criativo? As maracas, a imitação do Zé Cabra pelo Dias Ferreira, o Ernesto não sei das quantas a fazer qualquer coisa que ele achava que era dançar vestido de banana?

Este musical pode não ser a materialização do sonho do Salema (o tal projecto muito pessoal da adaptação para musical da Casa na Pradaria, que implicava vestir todos os jogadores como filhas adolescentes do Michael Landon), mas anda lá muito perto.

 

Podem não saber jogar contra 11, o que é lixado, mas sabem montar um espectáculo burlesco. Há que reconhecer o sucesso do marreta da Expo que, em declarações à imprensa, sustenta que aceitou "o repto de ser presidente do clube (...) por querer colocar um sorriso no rosto dos sportinguistas".

Conseguiu, mas ao contrário. Colocou um sorriso no rosto de toda a gente, excepto no dos sportinguistas.

 

Deixo-vos com algumas imagens do espectáculo, que é bem bonito.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:22 | link do post | comentar