VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 31.12.07

Brindemos.

Que 2008 seja um ano glorioso para todos e particularmente para o Glorioso.

por Pedro F. Ferreira às 19:37 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Homero Serpa

Muitas vezes aqui critiquei (criticámos) os jornalistas desportivos. Por vezes tomei a árvore pela floresta. Reconheço que, como em todas as profissões, também há jornalistas desportivos sérios que não mudam de orientação de acordo com os sopros dos ventos do poder. No entanto, há que admitir que os grandes nomes do jornalismo desportivo têm desaparecido sem deixar herança.

Hoje faleceu um jornalista que, nunca deixando de assumir a sua paixão pelo Belenenses, acabou por dar muitos exemplos de verticalidade.

Que os actuais jornalistas desportivos saibam honrar a cepa de homens como o Homero Serpa.

 

por Anátema Device às 19:29 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 30.12.07

Soltas e breves.

Durante todo este tempo em que não há bola no nosso quintal, Camacho deu uma grande entrevista ao jornal O Jogo e Luís Filipe Vieira deu uma extensa entrevista ao jornal A Bola. Mais a norte ninguém deu confiança aos pasquins. Ao invés estes desdobraram-se em loas encomendadas. Que nisto reflicta quem tem o poder de não disparar para os próprios pés.

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Já ma tinham tentado vender, mas não a comprara: o possível empréstimo de Mantorras aos Belenenses. Acabei de ouvi-la num canal televisivo. Tenho muitas dúvidas, mas acredito que, a ser verdade, ficaria provado que quem efectivamente manda no futebol do nosso Clube é o treinador. A ver vamos.

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Dois jogadores, duas atitudes. Léo chegou a horas, mas veio preocupado com a saúde do seu pai e chateado com a intransigência do Benfica. Entretanto, o Benfica, via Camacho, já se prontificou a dizer que, caso seja necessário e no momento certo, Léo será dispensado para ir visitar o seu pai.

A questão está no momento certo. Há um momento certo para tudo: para renovar um contrato, para não aceitar chantagens bacocas e para dispensar temporariamente um futebolista.

Também há um momento certo para multar um futebolista e foi o que aconteceu com Katsouranis:  chegado fora de horas, mas feliz da vida.

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Estou curioso para ver qual o acompanhamento que se fará dos três miúdos emprestados ao Aves. Espero que, finalmente, haja competência nesta área.

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Parece-me que um tal de Manelelé foi dispensado por Koeman. Cada um tem o que merece. Pensando bem… talvez não. Koeman merecia um Moretto por clube até ao final da carreira. Ouvi dizer que o Manuel Fernandes continua a queixar-se de dores que ninguém percebe, daquelas que só passam em Inglaterra nas massagistas do seu amigo C. Ronaldo.

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Luís Filipe Vieira diz que a máxima é “ano novo, vida nova”. Desconfio que não é ele quem está a tentar contratar reforços, deste modo começo a ter motivos para estar mais confiante.

por Pedro F. Ferreira às 14:53 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quarta-feira, 26.12.07

Camacho e as manhas do Correio da Manha.

Por cá a bola parou, mas o espectáculo continua. Não há futebol, mas os jornais continuam o circo. Ontem, o jornal O Jogo publicou uma interessantíssima entrevista com Camacho.

Hoje, o Correio da Manhã noticia: “Técnico encarnado é candidato a render Luís Aragonês”. Na legenda da fotografia que acompanha a notícia lê-se que “Camacho não esconde o desejo de treinar a selecção do seu país”. Em seguida substitui candidato e desejo por admite: "Camacho admite selecção". Com estas pequenas nuances típicas do chico-espertismo jornalístico luso já o leitor avisado vai contando. Aquilo a que o leitor avisado dificilmente se pode habituar é a títulos bombásticos que vão parir notícias que nem estalidos são.

Ao lermos a notícia, e não é necessária muita atenção, lemos as seguintes palavras atribuídas a Camacho:

- “Sou treinador e espanhol. Mas não quero falar do tema. Acho que a Federação deve manter todo o apoio a Luís Aragonês até ele sair. Devemos saber que é ele o treinador e o contrário seria alterar o rumo normal da selecção e ‘contaminar’ o ambiente.”

- “Já haverá tempo para arranjar um substituto ao Luís Aragonés.”

- “Comigo, Raúl foi sempre à selecção, mas agora é Luís. quem deve decidir e, pelos vistos, prefere outros jogadores”

- “O Real é favorito para ganhar a Liga, está a contratar bem, tem jogadores jovens com muito futuro e gosto da forma sintonizada como está a trabalhar. Alguma coisa mudou e, mais importante que tudo, é que o clube voltou a estar acima das pessoas que o representam.”

 

Estas foram as palavras. Onde é que o jornalista leu a candidatura de Camacho à Selecção? Onde é que estão as palavras de Camacho a admitir a Selecção? Onde é que estão as palavras de Camacho a desejar a selecção espanhola?

Onde é que está o código deontológico do jornalista?

por Pedro F. Ferreira às 13:16 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Domingo, 23.12.07

Um feliz Natal.

Numa época em que se festeja o nascimento do Verbo encarnado que veio dar uma Luz ao Homem, aqui ficam os votos de um feliz Natal para todos os nossos leitores.

por Pedro F. Ferreira às 18:57 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Ferreira Queimado

A máxima aspiração de um benfiquista é ser democraticamente eleito para servir o Glorioso como presidente. Ferreira Queimado conheceu essa honra em duas ocasiões. Faleceu hoje.

Será sempre recordado pela família benfiquista.

por Pedro F. Ferreira às 17:54 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sexta-feira, 21.12.07

Sorteio Uefa

Com Nuremberga nos 1/16 e AEK Atenas ou Getafe nos 1/8, acho que não é pedir muito que cheguemos aos 1/4 final, tal como no ano passado. Os adversários estão longe de ser inacessíveis, mas é preciso concentração para não termos um novo Espanyol este ano. Os teoricamente mais difíceis (Bayern Munique, Tottenham, Fiorentina, Werder Bremen, Everton e PSV) ficaram distantes por enquanto e a partir dos 1/4 final tudo é possível.

Quanto aos outros, o clube regional voltou a ser protegido pela sorte (Schake 04), o Braga não deve ter muitas hipóteses com o Werder Bremen e até nem me importaria que os lagartos passassem o Basileia, só para os ver defrontar o Simão outra vez... :-)

por S.L.B. às 13:52 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Dicotomia

Da noite para o dia. Foi esta a diferença do Benfica da primeira parte para a segunda. Diferença na táctica, na qualidade de jogo, e sobretudo na atitude dos jogadores em campo. E todas estas diferenças (para melhor na segunda parte) permitiram-nos derrotar folgadamente o Estrela da Amadora, ficando até a sensação de que o resultado final poderia ter sido ainda mais folgado do que o 3-0.

Com quase o mesmo onze do Restelo (a única alteração foi o Binya no lugar do Petit), o Benfica na primeira parte presenteou-nos com um autêntico 'Pesadelo no Restelo - Parte II'. Muita apatia na maioria dos jogadores, falta de comunicação, mau futebol e escassez de ideias resultaram numa exibição atroz. Em termos tácticos os próprios jogadores pareciam estar confusos, aglomerando-se no centro do terreno e atrapalhando-se uns aos outros. A apatia e falta de vontade de correr dos jogadores ficou para mim bem expressa numa jogada em que o Nélson intercepta uma bola junto à nossa área, e de imediato progride no terreno junto à linha. Pouco depois de passar a linha do meio-campo teve que parar e passar a bola para trás, isto porque nessa altura ele já era o jogador mais adiantado no terreno: o resto da equipa ficou toda parada a olhar para ele enquanto subia. O Benfica também jogou praticamente sem extremos: os dois uruguaios passaram o tempo todo a complicar, agarrando-se à bola e metendo-se para o interior do campo, chegando a ser exasperante ver os nossos laterais sem opções para trocar a bola junto à linha (em relação ao Maxi Pereira, devo dizer que durante a primeira parte terá feito uma das exibições mais inúteis e desastradas que alguma vez vi um jogador do Benfica fazer - incluindo o Luís Filipe). Durante estes penosos primeiros quarenta e cinco minutos, apenas dois lances de realce: um cabeceamento do Cardozo a centro do Rui Costa, bem defendido pelo Nélson, e um outro cabeceamento do Rodríguez após uma bonita iniciativa do Nélson na direita, que passou muito perto do poste. E assim se chegou ao intervalo, connosco mais uma vez a dar uma parte de avanço ao adversário.


Na segunda parte vieram as já referidas alterações. Em primeiro lugar, tácticas, com o Benfica a apresentar-se num 4-4-2 bem definido, e com duas surpresas, pelo menos para mim. A primeira foi a saída do Nélson, ficando o Maxi com as funções de lateral direito. Conforme disse, o Maxi foi claramente o pior jogador do Benfica na primeira parte (e tendo em conta quão má foi a nossa primeira parte, isto quer dizer muito), e ter-se mantido em campo pareceu-me um recompensa injusta para tal desempenho. A segunda surpresa foi a saída do Rui Costa, tendo em conta a conhecida dependência que temos dele (eu teria apostado no Binya para sair). Para os seus lugares entraram o Di María e o Nuno Gomes. A diferença notou-se praticamente desde o apito para o início do segundo tempo. A atitude foi completamente diferente, e houve jogadores que se transfiguraram completamente após o intervalo - o Katsouranis foi o caso mais flagrante. Talvez por não podermos recorrer ao subterfúgio de meter sempre a bola nos pés do Rui Costa e esperar para ver o que ele faz, começámos a jogar a toda a largura do campo - desta vez com extremos a sério, com o Di María bem encostado à linha direita e o Rodríguez a fazer o mesmo do lado contrário. Além disso, como também não havia o marcador directo do Rui a segui-lo por todo o lado, a zona no meio-campo à frente da defesa do Estrela ficou mais desanuviada, o que permitiu mais espaço para construirmos jogadas perto da área adversária.


As oportunidades de golo começaram a surgir de imediato. Logo a abrir o Binya enviou uma bola à barra. E pouco depois o golo surgiu mesmo, num cabeceamento do Rodríguez ao primeiro poste, após um lançamento de linha lateral do Binya. Não abrandou o Benfica após o golo, e as oportunidades continuaram a suceder-se: livre do Cardozo a originar uma grande defesa do Nélson, cabeceamento do Katsouranis a passar perto, remate de ângulo apertado do Nuno Gomes a ser sacudido para canto, e na sequência desse mesmo canto, penalti (pareceu-me) claro sobre o David Luiz, que o Cardozo aproveitou para colocar o marcador em 2-0. A pressão continuou, com os nossos jogadores a manterem sempre um ritmo de jogo bastante elevado, jogando-se quase exclusivamente no meio-campo do Estrela, mas só mesmo no minuto noventa surgiu o terceiro golo, com o Nuno Gomes a encostar facilmente após uma assistência do Di María na direita. E ainda deu para mais nos minutos de desconto, pois o Cardozo ainda viu uma grande oportunidade de golo ser negada pelo Nélson, e não sei se não terá sido mesmo penalti sobre o Adu (que viu cartão amarelo por simulação).


Quanto aos nossos jogadores, acho que praticamente só posso falar da segunda parte, já que a primeira foi tão má que quero apagá-la rapidamente da memória. Não sei se foi o melhor em campo ou não, mas um jogador que me agradou durante quase todo o jogo foi o David Luíz. A jogar muito em antecipação, como gosta, trouxe várias vezes a bola controlada para o ataque, enquanto que na defesa esteve sempre atento. Também o Katsouranis, tal como disse anteriormente, fez para mim uma grande segunda parte, actuando como um verdadeiro médio 'box-to-box' assim que se libertou das amarras da posição de trinco puro. Achei que a entrada quer do Di María, quer do Nuno Gomes, foram importantes. O primeiro esteve bastante activo na direita, construiu boas jogadas de entendimento com o Maxi, e culminou a sua actuação com uma assitência para o Nuno Gomes marcar. Além disso veio trazer mais velocidade a um jogo que, da nossa parte, estava quase estagnado no primeiro tempo. O segundo veio causar muito maiores dificuldades à defesa do Estrela com as suas movimentações, alterando o cenário da primeira parte, em que o avançado único era presa fácil, e ainda marcou um golo (o sexto no campeonato). O Léo também fez uma boa segunda parte, e viu o seu nome ser gritado das bancadas da Luz. No final do jogo, com a educação a que nos habituou, deu-nos esperanças que possa permanecer no Benfica. Pela parte que me toca, espero que assim aconteça.

Esta vitória foi importante para travar o ciclo negativo das últimas jornadas, garantindo a passagem de ano no segundo lugar. Fica a preocupação de termos visto uma primeira parte a um nível muito baixo, quando todos esperaríamos que o que se passou no Restelo não voltasse a acontecer. Resta agora esperar que 2008, traga melhores dias nas muitas jornadas que ainda há por disputar no campeonato.
por D`Arcy às 02:46 | link do post | comentar | ver comentários (13)

Gostos, desgostos e afins.

Sobre o jogo de hoje (ontem) contra o Estrela da Amadora:


- O que eu gostei de ver: a exibição de Rui Costa.

- O que eu não gostei de ver: a falta de ajuda entre os jogadores e a péssima atitude da maior parte da equipa na primeira parte.

- O que eu gostei de ver: a forma como toda a equipa mudou de atitude na segunda parte com a entrada de Nuno Gomes.

- O que eu não gostei de ver: Maxi Pereira a regressar do balneário – não merecia.

- O que eu detestei ver: o Luisão, capitão de equipa, a correr para o balneário assim que o jogo acabou e sem cumprimentar os adeptos. Foi a primeira vez que lhe vi esta atitude.

- O que eu gostei muito de ver: o Nuno Gomes a chamar os colegas para agradecerem ao público no final do jogo. Infelizmente, apenas três futebolistas o acompanharam.

- O que eu gostaria de ter ouvido: as palavras de Rui Costa no intervalo, antes de ter sido substituído.

- O que eu aprendi: a julgar por muitos comentários de vizinhos de bancada, aplaudir o Léo equivale a assobiar o presidente do Clube.

por Pedro F. Ferreira às 00:18 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quinta-feira, 20.12.07

Toyota! Perceberam?



Por mais que lhe queiram mudar a dimensão, um troféu Toyota será sempre um troféu Toyota e um clube regional será sempre um clube regional.


(link)
por Anátema Device às 18:42 | link do post | comentar | ver comentários (6)

O Sanctum Sanctorum de uma equipa.

E de repente surgem jogos como o de hoje, um jogo determinante. Não é determinante para ver se o sistema táctico é o mais indicado, nem tão pouco para se aquilatar do valor do treinador ou questões afins. É determinante para perceber se ainda temos ou não um balneário que guarda respeito aos que, naturalmente, o lideram... e não estou a falar do treinador. Estou curioso.

por Pedro F. Ferreira às 15:49 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Quarta-feira, 19.12.07

As palavras dos outros:

As palavras são de José Pacheco Pereira e estão escritas no Abrupto (neste post).

Aqui fica um excerto do post referido:


«Eu li o livro de Carolina Salgado com atenção e não devo ter sido o único. Pelos vistos, as polícias também o leram. […] E das duas uma: ou aquilo é para tomar a sério ou é de faz-de-conta. Parece que é de faz-de-conta.

[…]

E se o livro de Carolina Salgado acrescenta o detalhe dos actos individuais vistos de dentro, aquelas fabulosas histórias dos chocolatinhos aos árbitros, esse mesmo "meio" está retratado também nas escutas telefónicas do Apito Dourado, nos mil e um incidentes que envolvem a claque do Futebol Clube do Porto (seria bom conhecer os relatórios policiais e do SIS sobre a perigosidade desta claque), nas violências públicas diversas semeadas ao longo dos últimos 20 anos e que só têm em comum permanecerem impunes. Toda a gente sabe, vem nos jornais, é público, nada acontece. Há demasiado faz-de-conta para ser natural. Tem que haver cumplicidades.

[…]

Os incidentes naquilo que eufemisticamente se tem chamado a "noite do Porto" não estão longe deste "meio". Muitas personagens são comuns, muitos sítios são comuns, há fotos e circunstâncias comuns, amizades, companhias, más companhias, jantares, carros e seguranças.

[…]

Numa também típica reacção "italiana" - os mafiosos dos Sopranos quando são perseguidos pelos seus crimes respondem que se trata de uma perseguição aos italo-americanos -, levantam-se vozes indignadas a defender, imaginem, o Porto e o FCP "nojentamente" atacados por mim. Um deles escreve que "crimes como estes não são fáceis de explicar, as suas razões profundas são difíceis de entender. Fácil, fácil, é dizer que a culpa é do FC Porto", o que como é óbvio ninguém disse, e outro escreve esta pérola: "De Pacheco Pereira podemos esperar tudo, desde que vivamos na Área Metropolitana do Porto." As mais sinistras intenções me são atribuídas e as ameaças veladas ou às claras abundam. As mesmas pessoas que em público dizem que nada disto existe e que estou a exagerar, dizem-me depois em privado para ter cuidado, muito cuidado.

[…]

Os jornais do Porto e alguns desportivos, cujo papel na denúncia deste tipo de "meios" é escassa para não dizer nula, mesmo quando agressões violentas a jornalistas os deveriam ter obrigado a um sobressalto moral, fazem assim um péssimo serviço à cidade e aos seus valores. Deveriam lembrar-se do rol das agressões a jornalistas que se estende desde o final dos anos 80 até aos dias de hoje e em que os jornalistas desportivos têm um lugar de honra, mas não só. Carlos Pinhão, Eugénio Queirós, João Freitas, Manuela Freitas, Marinho Neves, Paulo Martins, entre outros, a que se associa José Saraiva, militante do PS e director durante muitos anos do Jornal de Notícias, já falecido, conheceram o "meio" na prática

[…]

O mais espantoso é que muitos deles nunca apresentaram queixa, outros nunca souberam o resultado das suas queixas, e mesmo quando as agressões são públicas, não se passa nada. Nunca se passa nada e nunca ninguém quer ver. E quando se fala do que está à vista de toda a gente, é uma conspiração "lisboeta", "benfiquista", contra o Porto, o Norte e o FCP e os tambores do ressentimento regionalista rufam contra os "mouros". Têm pouca sorte comigo, porque menos "mouro" que eu é difícil.

[…]»

por Anátema Device às 14:32 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 17.12.07

A derrota proibida

O jogo com o Belenenses era, todos o sabíamos, um jogo de vitória obrigatória.  Porque era o primeiro jogo depois da derrota com o fcp, porque há muito que não perdíamos dois jogos seguidos para o campeonato, porque perder podia significar ficar a 10 pontos - como se comprovou.

 

Sabíamos todos isso, e mais do que ninguém sabia-o a equipa.  Como explicar, então, a exibição de Sábado?  Não tenho explicação.  E é isso que mais me preocupa; é claro que todas as equipas do mundo têm maus momentos; é claro que perder acontece a todos; mas há momentos que uma grande equipa não pode falhar - a uma derrota tem sempre de suceder uma vitória; e a nossa equipa falhou quando não devia.

 

E agora?

 

1 - Os objectivos

 

Não me parece que os objectivos tenham mudado.  O primeiro continua a ser o campeonato, se não para ganhar, que se tornou difícil, pelo menos para defender o 2ª lugar que dá acesso à Champions.  Portanto, no campeonato teremos de continuar a lutar e a jogar para ganhar todos os jogos, sem abrandamento.  Se o conseguirmos, o 2º lugar não nos foge - e pode ser ainda que cheguemos ao primeiro.

 

A Taça é para ganhar, e a Taça UEFA para ir o mais longe possível.

 

Tudo na mesma, portanto.

 

2 - A equipa

 

A equipa é a menos boa dos últimos anos, é o que eu penso e já o disse anteriormente.  Mas é uma boa equipa, e com potencial para se tornar cada vez melhor.  Não é uma derrota, nem mesmo duas, que mudam isso.

 

Seria bom que em Janeiro contratássemos um bom médio-centro com capacidade defensiva e de transição defesa-ataque, que possa ser alternativa a Petit e Katsouranis e suprir as ausências e quebras de forma destes jogadores, como acontece actualmente.

 

Também um bom médio-ala direito seria útil, sobretudo se for um jogador que tenha cultura táctica e capaciade técnica para atacar bem e ajudar a defender.

 

E claro, se alguém souber de um goleador disponível e barato, pois digam e será bem-vindo.

 

3 - O treinador

 

Nunca fui um entusiasta de Camacho, como sabem aqueles que têm lido os meus "posts".  Mas isso não significa que ache que a solução passe pela sua demissão; bem pelo contrário.  Camacho deverá ficar duas épocas e no final das mesmas o seu trabalho deve ser avaliado.

 

Acho que já todos percebemos os resultados das precipitadas demissões dos treinadores anteriores - não vamos agora repetir o mesmo erro.

 

Não gosto de entrar pelo caminho da discussão das supostas capaicades ou incapacidades tácticas de um treinador.  Não sou treinador de futebol, não tenho formação para isso, e não estou todos os dias com a equipa e nem conheço em pormenor os jogadores como resultado de um trabalho diário.  Logo, a minha opinião vale, creio, pouco, como a de todos os "treinadores de bancada".

 

Camacho não será um grande treinador.  Se o fosse, não tinha estado mais de dois anos desempregado.  É um bom treinador, que confia num modelo de jogo e gosta pouco de o mudar, característica aliás que partilha com muitos outros treinadores no mundo.  Não vejo que daí venha mal ao mundo.

 

Os grandes treinadores são poucos - Eriksson, Capello, Mourinho, Ferguson, Ancellotti, etc. etc. - e custam fortunas que nós não podemos pagar.

 

E podendo ter treiandores apenas bons, não vale a pena passar a vida a trocá-los.  Acredito que só o trabalho continuado pode dar resultados positivos.

 

4 - O momento actual

 

A quebra da equipa tem  a ver principalmente com dois factores:

 

- a quebra de forma física de Petit e Katsouranis impede que o meio-campo seja pressionante e recupere bolas.  Logo, a defesa é submetida a maior pressão, aumentando a probabilidade de erro; e não recuperando bolas, a posse de bola diminui, logo diminui o volume de ataque.

 

- como somos uma equipa de baixa produtividade atacante (precisamos de muitos ataques para marcar um golo), a diminuição de posse de bola reduz drasticamente as nossas possibilidades de marcar golos, e logo de ganhar jogos

 

- Rodriguez, que durante várias jornadas foi o melhor jogador do nosso ataque, caiiu também ele de forma, o que agrava ainda mais os nossos problemas.

 

Alguém tem uma solução mágica para resolver estas questões?  Eu não tenho.

 

Arrisco-me a dizer que talvez neste momento seja útil fazer regressar Bynia à equipa, para aumentar a capacidade pressionante do meio-campo.  E talvez apostar mais em Di Maria e Adu em detrimento de Rodriguez e Maxi, caso estes jogadores estejam em momento de forma que o permita (e sinceramente das últimas observações aos mesmos não fiquei muito convencido).

 

Quanto à questão de jogar com um ou dois pontas-de-lança, levanta a óbvia questão de "quem retirar"; neste momento, com os problemas que acima referi de falta de capacidade pressionante do meio-campo, retirar Petit ou Katso e recuar Rui Costa como opção de base poderia ainda agravar os problemas da equipa.  Alternativamente, pode-se jogar com um só elemento do lado direito que faça todo o corredor (Nélson ou Maxi).

 

 

É esta a reflexão que me ocorre; deixo-a aqui na Tertúlia para apreciação e debate, como sempre. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por Artur Hermenegildo às 12:16 | link do post | comentar | ver comentários (14)

Fui só eu que reparei?

Ponto prévio: tal como disse aqui, jogámos pessimamente em Belém e merecemos a derrota.

 

No entanto, não posso deixar de referir dois lances de outras partidas, que deram golos e que curiosamente não vi ninguém referir que eram irregulares. No primeiro, a equipa da casa estava a ganhar por 1-0 e desta jogada resultou o 2º golo, sendo que a equipa visitante estava a mostrar-se bastante perigosa. No segundo, a equipa visitante marcou o golo da vitória na sequência do lance.

 

 

Só para que não haja confusões, o jogador que está em fora-de-jogo não foi o que marcou o golo, mas aquando do centro fez menção de ir à bola e não desistiu da jogada.

 

 

 

Neste lance, há dois jogadores fora-de-jogo na zona para onde a bola vai cair, sendo que o mais próximo de nós foi quem fez a assistência de cabeça para o marcador do golo.

 

E depois o livre do Léo em Paços de Ferreira é que é um crime lesa-pátria. Tirem daqui as vossas conclusões.

por S.L.B. às 01:44 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 16.12.07

Esta equipa treina? O quê?

Ao ver e rever o Benfica desta época, fica-me a ideia de que a filosofia Camacho se resume a um 4x2x3x1 em que só há uma variação possível, quando se decide colocar o Nuno Gomes e o Cardozo juntos na frente. Por outro lado, os movimentos da equipa indicam, parece-me, a velha máxima merengue das equipas de Camacho: o primeiro canto é nosso, a primeira oportunidade tem de ser nossa.
Parece-me curto.
Reparem que a equipa nunca muda verdadeiramente o seu funcionamento em campo.
Ou joga Maxi ou joga Di Maria. Ou joga Rodriguez ou Adu, mas nunca se muda o modelo pastoso do jogo, o que é grave, pois o modelo actual de jogo indicía, a meu ver, uma confrangedora falta de...treino.
As equipas são o futebol que treinam. E treinar é esforço físico, mas tem de ser também, e muito, trabalho táctico. Treinar o "pensar o jogo". Treinar as várias alterativas possíveis do modelo de jogo que pode ser necessário fazer durante uma partida.
E no Benfica desta época vê-se uma rotina de preguiça mental e de uma lógica de constante improviso, que me leva a pensar que o modelo de jogo do Benfica é só um 4x2x3x1 que às vezes é um débil 4x4x2, mas sempre sem ideias.
Cada um faz o que pode e consegue, em cada jogo. É também por isso, por viver num esquema de quase piloto automático mas sem plano de rota, que a equipa só respira quando a bola está nos pés do Rui Costa. Porque é o único que é capaz de pensar o jogo.
Jogadores como Di Maria, Cardozo, Adu, Fabio Coentrão (que é feito?) podem ser bons no futuro, mas se nos seus primeiros anos a este nível, não aprenderem a evoluir na leitura táctica do jogo e na necessidade dos jogadores pensarem tacticamente, vão provavelmente perder-se. Não basta dar palmadinhas nas costas e dizer Força míudo.
Tacticamente o Benfica vale zero, a verdade é esta. Se a equipa jogar com raça, com as ganas das equipas de Camacho, ainda consegue disfarçar, e ganhar por via do suor como em Paços de Ferreira ou contra os ucranianos. Mas quando à falta absoluta de outro modelo de jogo que não seja um pueril "Vamos salir a ganar", se junta um dia de apatia, de falta de atitude...dá o que vimos ontem. Um jogo em que temos uma equipa, com alguns jogadores de indiscutível qualidade, mas globalmente a mais fraca das últimas épocas, que só lhes falta olhar para o banco e gritar: Ò mister, ajude aqui!

Palavras

Acho que não há muito a dizer sobre a derrota desta noite. Os principais culpados somos nós mesmo, que praticamente oferecendo a primeira parte ao adversário, e com uma exibição muito pobre durante quase todo o jogo, criámos todas as condições para sairmos derrotados do Restelo.

Regressando ao avançado único, com dois trincos (Petit e Katsouranis - este actuando mais recuado) atrás do Rui Costa, o Benfica nunca pareceu conseguir atinar durante o primeiro tempo. Frente a um adversário com o meio-campo bem povoado, os nossos jogadores mostraram dificuldades em acertar com as marcações, em particular quando os adversários partiam em diagonais do centro para as laterais, criando situações de 2 x 1 contra os nossos laterais, muito por culpa dos uruguaios Pereira e Rodríguez, que ou defenderam mal (Pereira), ou nem sequer se incomodaram em ajudar a defender, acompanhando quem subia pelo seu lado (Rodríguez). Para ajudar à festa, mesmo os avançados adversários caíam sobre as alas, procurando abrir espaços para as entradas do Silas ou do Zé Pedro, e aqui foram os nossos trincos que muitas vezes pareceram perdidos nas marcações. Em termos atacantes o Cardozo passou grande parte do jogo entregue à sua sorte, e o pouco que ainda fizemos durante os primeiros quarenta e cinco minutos acabou por sair dos pés do Rui Costa, que ainda assim teve uma noite infeliz, já que não me recordo de algum dia ter visto um jogo em que ele tivesse falhado tantos passes, ou entupido tanto o jogo. O nulo ao intervalo era natural para o nosso lado, já que a produção ofensiva era quase inexistente, o mesmo não se podendo aplicar ao Belenenses, que esteve perto de marcar em mais de uma situação.

A segunda parte trouxe melhorias, mas poucas. O Benfica conseguiu ter mais iniciativa no jogo, enquanto que o Belenenses adoptou uma attitude de maior expectativa, tentando explorar o contra-ataque sempre que possível. A luta a meio-campo passou a tender ligeiramente para o nosso lado, e isso permitia-nos jogar mais tempo no campo adversário. Mas a qualidade continuou a deixar muito a desejar, e o Cardozo continuou a ser um jogador muito só na frente. Numa tentativa de alterar isto entraram o Nuno Gomes e o Di María para reforçar o ataque, e o jogo pareceu entrar numa fase em que se qualquer das equipas marcasse, isso provavelmente seria garante de vitória. Quem marcou foi o Belenenses, numa jogada de contra-ataque. Muitas culpas para o Luisão no golo, já que o avançado adversário estava sozinho, descaído para o lado direito da nossa defesa, e o Luisão permitiu-lhe fintar para dentro, dando-lhe depois espaço e tempo suficiente para que pudesse rematar cruzado, sem hipóteses de defesa para o Quim. Reagiu o Benfica mais com o coração, estando perto de marcar em apenas duas ocasiões: num falhanço incrível do Cardozo após cruzamento do Di María, e num golo (bem) anulado ao mesmo Cardozo por fora-de-jogo. Na fase final da partida o Benfica já procurava chegar à frente da forma mais rápida possível, quase sem qualquer organização, e o Belenenses deu ideia de até poder aproveitar para dilatar a vantagem. O jogo acabou com o 1-0 no marcador e, face ao que vi esta noite fria no Restelo, aceito o resultado como justo.

Em geral, os nossos jogadores esta noite voltaram a descer para níveis exibicionais preocupantes. O caso mais flagrante parece ser o do Rodríguez, que desde o jogo com o Porto (inclusive) anda irreconhecível. Também mal esteve o Pereira, demasiado trapalhão, inofensivo no ataque e inútil na defesa. Mau jogo. sobretudo no aspecto táctico, também dos dois trincos da equipa, em particular do Katsouranis. Se calhar os únicos que se salvaram da mediania geral acabaram por ser o David Luíz, que mostrou sempre uma boa atitude em campo, tentando empurrar a equipa para a frente, e efectuou diversos cortes importantes, e o Nélson, que fez incontáveis dobras aos colegas da defesa.

Se já era difícil, depois do resultado desta noite o título parece agora uma miragem. Mas independentemente da desvantagem para o primeiro classificado, o Benfica não pode apresentar-se em campo e exibir-se como o fez esta noite. Esta noite, o salir a ganar ficou-se pelas palavras.
por D`Arcy às 01:35 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Sábado, 15.12.07

Léo.

Se o Benfica quisesse mesmo renovar, já o teria feito.
O resto são tretas.
Sexta-feira, 14.12.07

Encomendas

Surpreendeu-me e, acima de tudo, irritou-me sinceramente o artigo hoje n'A Bola, assinado pelo José Manuel Delgado, intitulado 'A Peso de Ouro', e em que são analisados os custos da passagem do Miccoli pelo Benfica. Surpreende-me por duas razões: pelo teor, e pela oportunidade do mesmo. Miccoli era um 'menino bonito' dos adeptos benfiquistas. Devido a dois motivos: a sua qualidade indiscutível, e a sua paixão - real - pelo nosso clube, que lhe permitia ter uma empatia única com os adeptos. A propósito disto, um aparte: a semana passada, em conversa com alguém bem informado sobre os meandros do futebol, soube de alguns pormenores deliciosos sobre o pequeno italiano. Sabiam que a alcunha que os colegas de equipa do Miccoli no Palermo lhe puseram é... 'Eusébio', devido ao facto dele passar o tempo todo a falar do Benfica? Ou que a forma como ele se refere à nossa camisola é 'O Manto Sagrado', tendo sido este o termo por ele utilizado quando se recusou terminantemente a ouvir sequer a proposta que tinha chegado à Juventus, vinda de um clube do Norte de Portugal (até à última ele ficou à espera de uma proposta do Benfica)? Não duvido que a vontade do Miccoli seria ficar no Benfica, e a justificação da pressão da família para que regressasse a Itália, ou de que era demasiado caro para os nossos cofres são, no mínimo, convenientes.

Quem me conhece sabe que eu sou um apoiante do trabalho da actual direcção, reconheço tudo o que de bom têm feito, e como tal até tenho uma grande margem de tolerância para erros que eventualmente cometam. O que eu não admito é que me tentem comer por parvo. E quando hoje li a encomenda, perdão, 'artigo' do José Manuel Delgado n'A Bola, essa foi a sensação com que fiquei. A oportunidade do mesmo não deixa de ser curiosa: pouco depois da publicação do livro do José Veiga, em que a saída do Miccoli é apresentada como arma de arremesso à política desportiva da actual direcção. Dias depois, surge um artigo como este, em que essa mesma saída nos é vendida como uma inevitabilidade do ponto de vista financeiro. A finalidade de encomendas, perdão, 'artigos' como este sei eu qual é. Mas em mim provoca o efeito adverso: é que me deixa a matutar que se calhar até é capaz de haver mais verdade nas divagações do Veiga do que inicialmente eu estaria disposto a conceder.

Não sei quem terá oportunamente feito chegar ao José Manuel Delgado os números que ele utiliza para elaborar o 'artigo' - embora o detalhe dos mesmos me leve a concluir que o mais provável é que tenham saído de dentro do próprio Benfica, o que ainda aumenta mais o cheiro a encomenda. Agora o que me parece é que mesmo assim esses números estarão a ser manipulados. A título de exemplo, o ordenado do Miccoli na segunda época de Benfica é apresentado como um valor próximo dos dois milhões e meio de euros anuais. Eu até estaria disposto a acreditar que esse fosse o ordenado dele, só que sabemos que metade dele era suportado pelo seu clube de origem, a Juventus. No entanto, e para efeitos de cálculo dos custos do italiano ao Benfica, o valor utilizado é mesmo o total. Ou seja, estão à espera que eu acredite que o ordenado total do Miccoli seria próximo dos cinco milhões de euros anuais (como comparação, posso dizer que o ordenado anual do Kaká cifra-se em cerca de 6 milhões de euros por ano, ou que o do Totti é de 5,5 milhões/ano)? Mesmo os próprios valores apresentados para o ordenado do Miccoli no referido artigo (1,980 milhões de euros no primeiro ano, e 2,375 milhões no segundo) me parecem exagerados. Pelo menos se forem apresentados como aquilo que ele viria auferir para o Benfica - até poderiam ser os ordenados totais que ele recebia enquanto jogador da Juventus, mas isso não significa que ele viria auferir valores dessa ordem de grandeza caso se transferisse para o Benfica. Se não acreditam, basta consultarem a lista dos ordenados dos jogadores da Serie A que a Gazetta dello Sport publicou em Setembro deste ano. Está lá tudo. Reparem no ordenado do Miccoli: 1 milhão de euros por ano! Mesmo tendo em conta eventuais prémios ou luvas, o Miccoli seria um jogador caro? Mentira! E tendo em conta a vontade que ele tinha em continuar, acham que ele iria pedir ao Benfica muito mais do que aquilo que foi receber para o Palermo? Eu não.

Aliás, eu já ando com a pulga atrás da orelha há algum tempo com isto das encomendas. O outro exemplo que me parece evidente é o do Léo. Há umas semanas começámos a ver notícias que davam conta das exigências do Léo para a renovação: três anos de contrato (já sabemos, pela boca do próprio, que é mentira, ele quer dois anos) e uma melhoria substancial de ordenado. Assim que li isto, a minha reacção foi logo 'Já estão a fazer a cama ao Léo'. Sinceramente, daquilo que conhecemos do Léo desde que chegou ao Benfica, quer dentro, quer fora do campo, acham que isto é verdade? O Léo é um profissional ideal, fora do campo responde sempre com elevação, mesmo às perguntas e insinuações mais sórdidas dos jornaleiros, na sua constante demanda para tirarem nabos da púcara, nunca se lhe ouviu uma palavra negativa em relação ao Benfica ou a qualquer pessoa ligada ao Benfica, tem um rendimento em campo que não pode ser criticado, e que nem sequer oscilou quando ele sofreu problemas graves na sua vida pessoal, sempre manifestou total dedicação ao clube e vontade de permanecer. E agora, tendo ele 32 anos, acham que desataria a fazer exigências disparatadas para essa mesma permanência? Não brinquem comigo.

Se há quem não tenha interesse na permanência do Léo, seja por razões desportivas ou outras, que o assuma. Tal como deveriam ter assumido que não havia interesse na adquisição do Miccoli. Podiam dar as justificações que quisessem: que ele se lesionava demasiado, que o seu rendimento não correspondia ao esperado, ou que não se encaixava no perfil do jogador que o técnico desejava para aquela posição no terreno. Mas por favor, não tentem atirar-nos poeira para os olhos. Se têm medo da reacção dos adeptos, então falta ali estofo de liderança.
por D`Arcy às 19:26 | link do post | comentar | ver comentários (15)

Um árbitro de bolso.

Dia 2 de Setembro. Jogo entre o Marítimo e a Académica. Aos 4 minutos de jogo Makukula levou um cartão amarelo. Aos 7 minutos de jogo levou um segundo amarelo e foi expulso. O árbitro era o português Paulo Costa. O Marítimo, na jornada seguinte, defrontou os andrades. Makukula não jogou por estar castigado.

Dia 2 de Dezembro. Jogo entre o Braga e o Marítimo. Aos 53 minutos de jogo Makukula levou um cartão amarelo daqueles normais em qualquer país do mundo; aos 68 minutos levou um cartão amarelo daqueles que são normais nas regras de um árbitro chamado… Paulo Costa, português evidentemente. Foi expulso. Quem viu aquela expulsão não compreendeu nada daquilo. Levou três jogos de castigo. No próximo fim-de-semana, o Marítimo defrontará os lagartos. Makukula não jogará por estar castigado.

Os maluquinhos da teoria da conspiração viram logo ali que, depois de por razões idênticas não ter jogado contra os andrades, estava em causa uma cabala montada pela União de Leiria e pelo Leixões para que esse avançado não jogasse contra eles.

Mas isso é gente maldosa e mal intencionada. Ao contrário de quem dá ordens ao Paulo Costa.

por Anátema Device às 15:15 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quinta-feira, 13.12.07

As eventualidades do momento.

A quem interessa todo o ruído em torno da renovação do contrato de Léo? Basta ver os jornais online de hoje. Todos afirmam que o futuro de Léo se decide hoje numa reunião entre o seu empresário e a Direcção do Benfica. Há uns tempos garantiam que Léo pedia três anos de contrato e um aumento substancial no vencimento. Hoje sabemos pelas palavras de Léo que o que é pedido são dois anos de contrato. Também sei que não foi pedido por Léo nenhum aumento salarial. Portanto, importa perguntar a quem interessa levantar tantos entraves à renovação de contrato com o Léo.

A resposta surge nos jornais de hoje que noticiam com aquele grau de exactidão tão típica do nosso jornalismo que um eventual acordo com Gilberto está quase garantido. [link] [link]  [link]

Deste modo, no mesmo dia, preparam-se os sócios para uma eventual saída de Léo com uma eventual entrada de Gilberto. Eventualmente alguém sairá a ganhar com esta eventualidade. Duvido que seja o Benfica.

por Pedro F. Ferreira às 18:38 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Quarta-feira, 12.12.07

Missão... possível

Os nossos Miguel Vítor, Romeu Ribeiro e Yu Dabao já têm a sua primeira missão para 2008: eliminar o clube regional da Taça de Portugal.

 

Força rapazes!

por Artur Hermenegildo às 15:34 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Terça-feira, 11.12.07

Já 'salimos a ganar'


Fiquei hoje a saber que a “Tertúlia Benfiquista” é um dos blogues nomeados para o prémio “Melhor Blog Português” na categoria “Desporto”.

Antes de mais, cabe-nos agradecer a quem se lembrou deste espaço para tal distinção. Depois, importa dizer que, para quem nunca esperou nada nesse âmbito, com esta distinção podemos dizer que já salimos a ganar.

Deixo aqui a lista dos outros blogues que connosco foram nomeados:

 

A Tribo do Futebol
Beba Água
BiBó PoRto, carago!!
BnR B
Bola na Área
Hóquei em Patins - Treinadores
Jogo Directo
Livre Indirecto
Pobo do Norte

por Pedro F. Ferreira às 20:50 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Segunda-feira, 10.12.07

Tranquila

Vitória relativamente tranquila do Benfica, num jogo em que a sua superioridade ao longo dos noventa minutos foi evidente, mesmo tendo em conta o relativo desnorte da equipa na segunda parte, após o golo quase fortuito da Académica.

Benfica em 4-4-2 (desta vez o Nuno Gomes actuou mesmo na frente, ao lado do Cardozo, e não nas suas costas) e poupando mais de metade da equipa: Quim, David Luiz, Rui Costa, Katsouranis, Pereira e Rodríguez ficaram de fora, e regressaram jogadores como Butt, Edcarlos, Binya ou Nuno Assis. A Académica mostrou algum atrevimento na disposição em campo, alinhando num 4-3-3 bem demarcado, mas acabou por ficar-se apenas pelas boas intenções. É que foi uma equipa praticamente inexistente em termos ofensivos durante toda a primeira parte. O Benifca, mesmo com limitações na organização das jogadas de ataque (Petit ou Binya, claramente, não são jogadores talhados para essas funções), foi dominando o jogo com grande facilidade, e parecia ser apenas uma questão de tempo até o golo aparecer com naturalidade. Apesar das ameaças (enviámos mesmo uma bola ao poste), isso acabou por acontecer apenas a cinco minutos do intervalo, num cabeceamento do Luisão que quase pareceu fácil, a concluir uma sequência de cantos a nosso favor. Antes do intervalo, e após uma grande iniciativa do Léo pelo centro, o Cardozo aumentou para dois a nossa vantagem, finalizando com calma frente ao Pedro Roma.

Com dois golos de vantagem, e face à forma como decorrera a primeira parte, seria pouco previsível que a segunda parte diferisse muito do que se tinha visto até então. Mas logo no início aconteceu a lesão do Léo, entrando para o seu lugar o Luís Filipe (se calhar alguém poderia ter avisado o Camacho que o Nélson até tem mais rotina na posição de lateral esquerdo do que o Luís Filipe). Depois o Butt deve ter achado que da forma como o jogo estava a correr não teria grandes oportunidades para se mostrar, e vai daí resolveu confiar no golpe de vista e acabou consentir o golo da Académica. O Benfica tremeu com este golo, e durante cerca de vinte minutos assistiu-se ao melhor período da Briosa no jogo, chegando mesmo perto do empate (que acabou por lhes ser negado por uma boa defesa do Butt e pelo poste da nossa baliza). No quarto de hora final o Benfica voltou a crescer, e acabou por chegar ao terceiro golo, mais uma vez pelo Cardozo, a concluir de cabeça um centro muito bom do Nuno Gomes (antes disso já o Adu, na primeira vez que tocou na bola, tinha estado muito perto do golo). Até final ainda deu para o Mantorras jogar uns minutinhos, e apesar de não ter tido tempo para fazer fosse o que fosse, deu pelo menos para ver que, na verdade, ele já não coxeia quando corre.

O melhor jogador do Benfica em campo foi, para mim, indiscutivelmente o Luisão. Não só pelo golo, mas também por tudo o que fez na defesa (parece-me que é mais fácil para o Luisão destacar-se na defesa com o Edcarlos ao lado do que com o David Luiz). O Cardozo voltou a marcar dois, um deles de cabeça, e parece cada vez mais adaptado ao Benfica (apesar de me continuar a parecer que não se assinalam mais de metade das faltas que ele sofre sempre que disputa bolas aéreas, já que os defesas estão constantemente a segurá-lo e a encavalitarem-se nas suas costas).

Missão cumprida, e sem grande esforço. Que venham os próximos.
por D`Arcy às 00:47 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Domingo, 09.12.07

Erro de paralaxe

Adeptos nunca me perdoaram ter treinado o FC Porto” disse Fernando Santos, a quem chamam o engenheiro.


Engenheiro Fernando Santos, a quem chamam treinador, acredite que, no meu caso, o que nunca lhe perdoei foi o facto de ter deixado de treinar  os andrades.

por Anátema Device às 00:52 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quarta-feira, 05.12.07

Sozinho?!

Ontem, na RTP, no resumo da nossa gloriosa vitória, enquanto se viam imagens  de Cardozo a cabecear para o segundo golo visivelmente entre dois defesas do Shaktar aos quais ganha brilhantemente "nas alturas", como se costuma dizer, o comentador inisistia, em "off", que o golo fora fácil porque Cardozo estava "sozinho na área".

 

Sozinho, pois.  Todos nós vimos.  Ou, como um outro "comentador" disse há uns anos, estava "isolado no meio dos adversários".

 

Não sei o que provocou esta estranha expressão ao dito "comentador".  Mas deixo aqui algumas pistas, para vossa escolha:

 

a) O comentador da RTP tem uma aguda deficiência visual, e conseguiu o emprego graças a um louvável programa de apoio aos deficientes da televisão pública;

 

b) O monitor de TV onde viu o jogo estava avariado, e só mostrava imagens a partir de 1,80 metros acima do solo;

 

c) Para o comentador da RTP, os jogadores do Shaktar não são gente;

 

d) O comentador da RTP filosofava, e estava de facto a referir-se à inevitável solidão de todos os seres humanos neste mundo cruel.

 

Outras hipóteses são bem vindas.  Escolham.

por Artur Hermenegildo às 12:27 | link do post | comentar | ver comentários (24)

Desculpa, Benfica!

- Desculpa por, ao contrário do que me é habitual, não estar nada nervoso antes do jogo, já que tinha quase a certeza que não conseguirias ganhar.

- Desculpa por achar que fazer três jogos de importância vital e perante adversários difíceis em apenas seis dias seria o suficiente para não venceres o último deles na distante Ucrânia.

- Desculpa por pensar que uma temperaturazinha de –4ºC seria impeditiva de atingires o objectivo.

- Desculpa por julgar que uma equipa que investe 70 milhões de euros em contratações e que adia o jogo do campeonato no fim-de-semana passado para descansar para este seria capaz de te levar de vencida no seu próprio estádio.

- Desculpa por só ter começado a ficar nervoso depois do 2-0 e só aí ter a ligeira esperança que afinal poderias ganhar.

- Desculpa por não ter acreditado que a tua génese de “clube lutador”, que luta com “fervor”, conseguisse superar esta situação, que parecia dificilmente ultrapassável.

- Desculpa por não ter estado à tua altura enquanto sócio do clube. Aqui fica publicamente o meu mea culpa.

 

E por isto tudo, muito obrigado por esta lição de grandeza!

 

P.S. – O meu amigo Pedro F.F. perguntou-me hoje se eu poderia imaginar a minha pessoa sem ser do Benfica. De facto, não posso. Era o mesmo que me imaginar sem vida.

por S.L.B. às 01:12 | link do post | comentar | ver comentários (5)

À Benfica

Missão cumprida, e o prémio de consolação (continuidade na Europa, via UEFA) conquistado. E isto foi conseguido, tal como outras vitórias esta época, à custa de atitude. Foi esta atitude que eu não vi no Sábado passado em campo, e por isso me irritei tanto. É que mesmo quando as coisas por acaso não correm pelo melhor, quando os jogadores se apresentam em campo com a mentalidade de hoje, há sempre mais hipóteses do final ser feliz.


Duas 'surpresas' no onze inicial do Benfica esta noite, considerando as equipas que iam sendo avançadas pelos jornaleiros: o regresso do Nélson à titularidade na direita da defesa e a presença do Cardozo no ataque, relegando o Nuno Gomes para o banco de suplentes. Pelo Shakhtar, entrou em campo exactamente a mesma equipa que há cerca de dois meses nos venceu na Luz, com o trio brasileiro no meio-campo que tanto trabalho deu nesse jogo. Os ucranianos entraram com a intenção de pressionar o Benfica, mas logo aos cinco minutos de jogo um desentendimento entre na defesa ucraniana deixou o Cardozo isolado, e o Tacuara limitou-se a ultrapassar o guarda-redes e a atirar para a baliza deserta. Era difícil pedir um início melhor. O Shakhtar não abrandou a pressão, jogando um futebol de passes rápidos e bastante aberto, com os laterais a surgirem frequentemente nas alas a cruzar a bola. Apesar desta pressão, a verdade é que a bola era colocada na nossa área várias vezes, mas não se viam muitas verdadeiras oportunidades de golo para os adversários, muito por culpa da coesão e organização defensiva do Benfica. Aliás, uma boa parte da culpa desta pressão ofensiva ucraniana era do próprio Benfica, que parecia demasiado ansioso em afastar a bola o mais rapidamente possível da sua baliza, em vez de tentar saídas mais controladas para o ataque, e assim a bola regressava rapidamente aos pés dos adversários, permitindo-lhes lançar mais um ataque.


Estava o jogo nesta toada quando, pouco depois dos vinte minutos, o Benfica resolve atacar com alguma organização. O Nélson recupera uma bola em antecipação sobre a linha do meio-campo, progride até perto da área e solta a bola para o Maxi Pereira na direita. Este faz um centro bem medido para a área, onde o Cardozo aparece a fuzilar a baliza com um cabeceamento irrepreensível. Nada mau para um jogador cujo jogo de cabeça tem sido objecto de críticas frequentes desde que chegou à Luz (e talvez sinal que algum trabalho estará a ser feito para corrigir esse aspecto do jogo dele). Dois a zero para o Benfica, conseguidos com uma eficácia tal que até era estranho (nos cinco jogos anteriores devemos ter feito mais de oitenta remates para marcarmos três golos). Infelizmente a tranquilidade de uma vantagem de dois golos não durou muito, já que à meia-hora de jogo um penalti muito infantil (também um pouco forçado) do David Luiz permitiu aos ucranianos reduzirem, através do Lucarelli. Só que quando se esperava um assalto ainda mais intenso à nossa baliza, a verdade é que pouco depois deste golo aconteceu precisamente o contrário. O Shakhtar como que perdeu a chama, e o Benfica começou a ser capaz de manter a bola em seu poder durante mais tempo, trocá-la em progressão, e jogar no meio-campo adversário, sendo assim relativamente fácil chegar ao intervalo em vantagem.


Na segunda parte mais uma vez o Shakhtar deu a sensação de querer entrar em força, mas foi sol de pouca dura, já que acabou por ser um fogacho de cerca de cinco minutos. Com o Benfica a melhorar bastante o posicionamento na defesa e, pareceu-me, uma subida acentuada de rendimento dos nossos dois médios defensivos (em especial o Katsouranis), o adversário já não conseguiu impor o seu ritmo no jogo. Talvez por isso (felizmente) alteraram radicalmente o seu estilo de jogo, já que em vez do futebol ao primeiro toque e pelas faixas, passaram a optar cada vez mais pelo jogo directo, com os brasileiros do meio-campo a passarem grande parte do tempo a verem a bola passar por cima das suas cabeças. A um jogo deste tipo o Luisão e o David Luiz agradecem, e acho que apenas consigo recordar-me de uma oportunidade dos ucranianos, quando o Srna apareceu a rematar de um ângulo quase fechado à parte de fora do poste (com o Quim bem posicionado). Entretanto abriam-se também espaços para o Benfica poder contra-atacar, e pelo menos já tinha a sensação de que até era possível que conseguíssemos marcar o golo que decidiria o jogo. Tal não aconteceu, e o resultado que nos deu o apuramento para a UEFA foi seguro sem grandes sobressaltos.


A equipa hoje actuou sobretudo como um bloco, e não é fácil estar a destacar muitos jogadores. Mas é evidente que o Cardozo, por ter marcado os dois golos, e por ter trabalhado muito na frente apesar de desacompanhado a maior parte do tempo, tem que ser mencionado. Também menciono a defesa. Não destaco nenhum jogador individualmente, até porque para mim todos eles acabaram por cometer um ou outro erro básico durante o jogo. Mas a verdade é que quando um destes erros era cometido, aparecia quase sempre um colega bem posicionado a fazer a dobra e a anular o perigo. Gostei desta coesão do sector defensivo, e da equipa em geral.


Não foi uma exibição brilhante, mas foi mais uma vitória conseguida à custa de muito trabalho e de uma boa atitude em campo. Conforme já disse, quando é assim é mais difícil as coisas correrem mal. E mesmo quando correm mal, é mais difícil eu ficar chateado com a equipa. Porque jogar com esta alma é também jogar à Benfica, e por isso hoje foi uma vitória à Benfica. Não tenho muitas dúvidas que esta vitória será uma desilusão para muita gente, apostada que estaria em ver o Benfica resvalar após a derrota do passado Sábado. Uma ronda rápida pelos jornais online já deixa antever azia, e ver que aquilo que por outras bandas seria 'eficácia' ou 'personalidade' quando se passa aqui para os nossos lados já se chama 'sorte', 'felicidade' e outras coisas mais. Nada a que não esteja já habituado.
por D`Arcy às 00:53 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Terça-feira, 04.12.07

Saber vencer e saber sofrer.

Porque é importante não desviar as atenções do excelente post do Gwaihir, serve o presente post para relembrar que continuo a acreditar que esta águia voará alto e que, como hoje se viu na Ucrânia, é preciso saber vencer e saber sofrer.



Agora, caro benfiquista, aceite o meu convite e leia o post antecedente.

por Pedro F. Ferreira às 22:04 | link do post | comentar | ver comentários (3)

A Alegria de Dar e as verdades imutáveis

 

Vamos lá ter calma. Por entre o barulho ensurdecedor dos abutres que estavam ansiosamente à espera de um deslize do Glorioso, dos benfiquistas enlouquecidos de dor e que disparam em todas as direcções, dos jornalistas imbecis (passe a redundância) e dos demais espécimes que pululam pelo futebol português (já agora, o Rui Santos não pulula: isso lançar-lhe-ia aquele lindíssimo monumento às estruturas capilares num profundo turbilhão; não: o Rui Santos rasteja, que assim não se despenteia) urge dar um passo atrás e olhar para o todo. At the big picture.

 

Convenhamos: no essencial, nada mudou. Sim, está bem, o Glorioso não ganhou um jogo com a Associação Desportiva de Casas de Alterne do Norte. É aborrecido? É. É chato? É um bocado. Mas é altruísta, e isso é bonito.

Isto porque o Glorioso basicamente deu avanço (como é usual dar-se, numa atitude paternalista, aos mais pequeninos). Mais propriamente, deu metade do jogo de avanço, numa atitude profundamente adequada à época festiva. Sempre nos disseram para termos uma atenção especial para com os mais desfavorecidos na época das festas. Pois muito bem: o Benfica não se fica pelas palavras. Não. O Benfica actua em conformidade. O Benfica, do alto da sua grandeza, distribui felicidade pelos pobres de espírito. O Benfica, qual Pai Natal do futebol, qual filantropo do desporto nacional, distribui presentes pelos mais carenciados (gente que é de outros clubes e que, logo, não tem a felicidade de partilhar esta dádiva que é ser do Benfica). É bonito. Comove. Eu cá achei simpático, toda aquela gente vestida de azul e claramente portadora de deficiência mental com grandes sorrisos escarrapachados naquelas caras sem dentes e cheias de cicatrizes.

 

Por isso, custa-me a perceber esta onda de críticas. Quer dizer, é ‘dar’ e ‘sermos para os outros’ e ‘ah, e o Natal’ e ‘ajudar os pobres e tal’ e quando o Benfica, dando o exemplo, faz exactamente isso, é ‘menino’ e ‘ai o campeonato’ e tudo isso. Está mal.

Eu também gosto de dar (especificamente de dar arrochadas quando se trata de malta do FC Porco, é verdade, mas isso é uma preferência pessoal).

 

Dir-me-ão que sim – ‘tá bem, é bonito, sim senhor – mas que ainda assim é aborrecido porque isso implica deixar entrar em casa gente tão civilizada como uma manada de búfalos com diarreia.. É verdade. Há uma parte do estádio que precisa de ser lavada a rigor e desinfectada, e isso é aborrecido. O que levanta algumas questões. Sendo as claques da Associação Desportiva de Casas de Alterne do Norte, no fundo, produto intestinal da sociedade, não faria sentido acomodá-las em instalações sanitárias com capacidade e escoamento para tamanho festival de, vá lá, imundície? Parece-me que sim. Acho razoável, nessa medida, passar a colocar nestes jogos as claques da AD de Casas de Alterne do Norte, sei lá, no Alvalixo - que é no fundo um WC gigante e onde já se recebem grandes doses de porcaria de 15 em 15 dias - onde poderão ver o jogo com recurso a ecrãs gigantes, enquanto nós ficamos sossegados e com o estádio limpinho. Fica aqui à atenção dos responsáveis.

 

Mas, como dizia, nada mudou, e nunca vai mudar, e isso é reconfortante. Dêmos o passo atrás e reflictamos.

 

O Benfica continua a ser o Maior e Melhor Clube do Mundo (quanto muito, a magnanimidade evidenciada faz aumentar a sua grandeza). A Associação Desportiva de Casas de Alterne do Norte continua a ser uma espécie de infra-estrutura desportiva para os criminosos poderem fazer exercício, que até organiza passeios pelo país (com especial ênfase nas estações de serviço) para malta que já esteve na prisão. A Associação de Queques de Camisolas Engraçadas continua a ser patética e a primar por ter Presidentes que conseguem ser mais ridículos que aquele correspondente da RTP em Moscovo que parece uma mistura bizarra entre um foragido de uma instituição mental e um boneco do South Park.

 

p.s. tive oportunidade de ver mais um bocado da telenovela do Sportem em que aparecem o Salema Gayzão, a Avestruz de Alvalade e comunicados a declarar o adjunto do M. United como ‘persona non grata’ (repare-se: ‘persona non grata’, não é cá ‘gajo que não é bem-vindo’ ou ‘corte de relações com o fulano tal’. Não, não: ‘persona non grata’, que é para o pessoal perceber que isto é gente com pedigree, que sabe o seu latim. Gente parva e à beira da cirrose, mas que sabe o seu latim) e devo dizer que afinal fui muito injusto com o correspondente da RTP em Moscovo. O adjectivo ‘ridículo’ adquiriu, de repente, toda uma nova dimensão;

 

p.s.2 já devem saber isto, mas nunca é demais frisá-lo: comentários a este post, só passam os elogiosos. Os outros são pulverizados, com muito prazer. Querem uma democracia, vão para a Venezuela.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 19:20 | link do post | comentar | ver comentários (12)

GLORIOSO SPORT LISBOA E BENFICA - parte II

Se eu pudesse falar com os jogadores do meu Benfica que logo à noite vão subir ao relvado em Donetsk, eis os que lhes diria:

Acreditem que são capazes de ganhar, porque eu também acredito!

VIVA O BENFICA!
Segunda-feira, 03.12.07

Apocalipse

Não li jornais, não ouvi rádio, não vi noticiários na televisão, não visitei sites que falam sobre futebol (à excepção dos meus blogs). Foi assim o meu day after após a derrota de Sábado à noite. Quando o Benfica perde é normalmente assim; não quero ouvir sequer falar de futebol. Como tal, por exemplo, nem sequer vi ainda um resumo do nosso jogo (por isso é que no meu post digo que o passe errado que deu origem ao golo foi do Petit, quando afinal parece que foi do Rodríguez), só esta manhã é que descobri que os piqueniqueiros do Lumiar empataram em casa com o último e um ou outro lenço branco foi acenado no estádio, e também só hoje reparei que a performance da minha equipa na Fantasy League da Premiership foi horrenda esta semana.

Mas este comportamento também tem as suas vantagens. Nomeadamente, impede-me de ter contacto com o Dia do Juízo Final do Benfica. É que o Benfica nunca perde simplesmente um jogo. Quando a derrota acontece, é como se as trombetas do Juízo Final ecoassem. Como eu me desliguei da realidade, fiquei sem saber que afinal o plantel do Benfica é fraco e mal construído, que os nossos jogadores são todos coxos, que o Camacho é mau treinador, que o Luís Filipe Vieira é mau presidente, e mais mil e uma desgraças ou erros de palmatória que são evidentes para toda a gente com dois dedos de testa (mas curiosamente só se repara neles após um mau resultado do Benfica). Se das hienas do costume consigo compreender este tipo de comportamento e críticas, já que é para isto que vivem e, sinceramente, já deviam andar esfaimadas há algum tempo, custa-me sempre mais assistir a este tipo de comportamento apocalíptico em nós próprios, adeptos do Benfica. Acho que é importante termos espírito crítico, e dizermos quando algo está mal. Se nós jogamos mal, há que admiti-lo. Se um jogador nosso não dá uma para a caixa, o mais normal é criticá-lo por isso. Mas as extrapolações e exageros daí resultantes já são mais difíceis de digerir.

O Benfica no Sábado passado fez um mau jogo. Foi isso que eu basicamente quis dizer no meu post. E fez um mau jogo tendo em conta sobretudo a questão da atitude em campo, ainda para mais quando comparamos isto com o que tínhamos visto nos últimos jogos. Mas mesmo fazendo este mau jogo, o que jogámos poderia ter sido suficiente para termos vencido. Não, não acho que o Porto tenha feito uma exibição de encher o olho, ou sequer dominado o encontro. Tiveram mais oportunidades de golo do que nós? Bastava que uma das nossas oportunidades tivesse entrado (como entrou uma do Porto) e se calhar a história hoje seria completamente diferente. Eu alinho pela velha máxima de que o Benfica nunca perde, o que se passa é que às vezes o Benfica não ganha - e foi por isto que me irritei, porque fiquei com a sensação de que foi o Benfica quem não ganhou o jogo, e não o Porto quem o ganhou. Daí o motivo para a minha irritação: saber que somos capazes de mais, muito mais do que aquilo que mostrámos. Apesar de ter criticado a nossa equipa como critiquei no post sobre o jogo, nem por um único segundo duvido, ou alguma vez duvidarei que o Benfica é muito melhor do que aquilo que vi no Sábado, é melhor do que o Porto, e que tem valor mais do que suficiente no seu plantel para vencer qualquer Porto que nos apareça à frente. E por isso não consigo alinhar na chuva de críticas descabidas que aparecem da noite para o dia logo a seguir a uma derrota. Um pai pode ralhar a um filho que tem uma má nota num teste, e mandá-lo estudar mais para o próximo. O que não faz de certeza é desistir dele e pô-lo fora de casa.

Tenho a certeza que as hienas, sempre insaciáveis, já aguçam os dentes à espera do jogo de amanhã na Ucrânia. Seria bom que nós, benfiquistas, não nos juntássemos a elas, até porque o riso das hienas é uma coisa muito feia (a única coisa louvável das hienas é não suportarem leões). Por mim, estou à espera que a má noite de Sábado seja rapidamente esquecida, e que consigamos trazer da Ucrânia a continuidade na UEFA. Mas se por acaso o Benfica se lembrar de não ganhar outra vez, no próximo fim-de-semana lá estarei mais uma vez na Luz. E sem lenço branco.
por D`Arcy às 15:47 | link do post | comentar | ver comentários (11)

Sábado

A derrota de sábado passado, confesso, deixou-me muito abalado.  Eu fico sempre triste com as derrotas, como penso ser normal, mas esta custou-me muito.  Não estava à espera.  Estava mesmo muito confiante na vitória. 

 

 A nossa equipa atravessa um bom momento.  Tinha feito uma excelente exibição contra o Milan.  Não perdíamos no campeonato há mais de um ano, e em casa em competições nacionais há quase dois.  O jogo nesta altura era muito importante porque poderia acentuar a nossa recuperação.  E perder em casa com este adversário é sempre um mau resultado, em qualquer circunstância.  Por tudo isto, esperava a vitória.

 

No futebol como noutras coisas o que distingue frequentemente o sucesso do insucesso é a capacidade de superação em momentos chave, estando ao seu melhor nível precisamente nesses momentos.  No sábado, tal não aconteceu. 

 

Friamente, os factos: a equipa falhou os seus dois principais objectivos desta semana, a manutenção na Champions e a aproximação ao primeiro lugar.  Se na 4ª feira ainda sse aceitou o falhanço com um sorriso - porque era contra o Milan, porque o resultado foi um empate, porque ainda podemos ir à Taça UEFA, e, sobfretudo, porque a equipa jogou muito bem - já no sábado esse sorriso foi-me impossível.  Na 3ª feira, temos o terceiro objectivo; tenho esperança que a equipa não vai falhar desta vez.

 

Dito isto, nada está perdido.  Perdemos uma batalha, não a guerra.  Estamos a 7 pontos do 1º lugar, e o ano passado estávamos a 8.  A equipa é boa e está em crescendo de forma, e não é uma derrota que põe isso em causa.  E penso racionalmente que, tal como o ano passado, será difícil ao actual comandante do campeonato fazer uma segunda volta igual à primeira (recordo que o ano passado, depois de 40 pontos na 1ª volta, os nossos adversários fizeram 29 na 2ª; nós, 32-35).

 

E é preciso dizer o seguinte; mesmo no sábado, mesmo jogando menos bem, tivemos oportunidades suficientes para pelo menos empatar o jogo, assim a sorte tivesse estado connosco.

 

É preciso continuar a confiar e a apoiar o nosso Benfica!

 

 

PS - Escrevo estas linhas dois dias depois do jogo, mas propositadamente sem ter lido ou ouvido nenhum comentário ao mesmo.  Nem sequer li ainda o que foi escrito aqui na Tertúlia, o que só vou fazer agora.

por Artur Hermenegildo às 10:05 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 02.12.07

Esta águia voará alto.

Quem que ser campeão não pode perder jogos como o de ontem contra os andrades. Ao longo do jogo criámos três situações de golo. As soluções do banco não o foram e, mais do que as mais-valias do plantel, sobressaíram algumas debilidades do mesmo. Ainda assim, acredito que, mais do que por mérito alheio, perdemos por demérito próprio. Estas são, para mim, evidências de um jogo. Um jogo apenas. Pode ter sido um jogo determinante, mas espero que não. A "senhora gorda ainda não cantou", logo a ópera ainda não acabou. Esta águia voará alto.


No entanto, há, para mim, mais duas evidências que importa não esquecer:

- É indispensável que os benfiquistas não embarquem no discurso apocalíptico da desgraça total e que, deste modo, hipotequem o que de bom tem sido feito no Benfica desde a chegada de Camacho. Hipotecando, da mesma forma, não só o que resta desta época, mas, essencialmente, a próxima. Repito: esta águia voará alto.

- É indispensável que a factura da conta do que de menos bom está a acontecer seja entregue a quem tem a responsabilidade efectiva de a pagar. Ainda que eu também saiba que o verdadeiro responsável nunca se apresentará para assumir responsabilidades do que quer que seja… desde que seja negativo.

____________

Uma nota final para um rafeiro chamado Jesualdo Ferreira. Desde há uns tempos este indivíduo insiste em cuspir no prato que lhe deu o sustento durante todos os anos em que se andou a arrastar pelo nosso Clube. No ano passado foi o grande Rui Costa que teve de o lembrar de que estava numa casa de gente que não constrói lares em lupanares. Este ano foi o nosso Nuno Gomes a ter de recordar o dito animal que não se insulta impunemente um benfiquista na Catedral. (link)

por Pedro F. Ferreira às 12:30 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Horrível

Não há muito a dizer. Hoje foi tudo demasiado horrível. Fomos uma equipa sem alma, desgarrada e sem ideias. Alguns dos jogadores pareciam que tinham acabado de se encontrar com os colegas de equipa, estando a jogar com eles pela primeira vez na vida. Outros pareciam até que achavam a própria bola um objecto estranho. Foi um Benfica irreconhecível.

Nos primeiros quarenta e cinco minutos o Benfica praticamente resumiu-se a uma oportunidade flagrante aos cinquenta segundos de jogo, desperdiçada pelo Nuno Gomes, e uns minutos iniciais de algum pendor ofensivo. De resto, foi uma primeira parte quase oferecida de bandeja ao adversário, por uma equipa que pouco correu, pouco pressionou, pouco meteu o pé, e quase sempre insistiu em complicar o que era fácil. Sair com a bola controlada para o ataque era mentira: ou o faziam mal, ou então o Quim optava por chutar a bola para a frente, oferecendo a bola ao adversário. Mesmo quando os defesas lhe iam pedir a bola, ele mandava-os embora para poder despejar a bola. Os jogadores adversários podiam fazer as suas jogadas no nosso meio-campo, às vezes com apenas dois ou três jogadores, que ninguém os incomodava. A pressão sobre eles foi praticamente nula (ao contrário do que eles faziam quando éramos nós a ter a bola). Para compor o ramalhete, sofre-se um golo infantil, com uma perda de bola na zona do meio-campo na saída para o ataque (passe cretino do Petit), e o adversário a aproveitar o facto da defesa ser apanhada em contrapé (o Léo tinha subido) para marcar. Pior ainda: essa nem sequer foi a primeira vez que esse mesmo erro foi cometido.

Na segunda parte apenas melhorou um pouco o querer da equipa, conseguindo remeter o adversário mais tempo para o seu meio-campo, mas a qualidade deixou muito a desejar. Houve duas boas oportunidades (Nuno Gomes no primeiro minuto, e Adu mal entrou) que foram bem resolvidas pelo guarda-redes adversário. Alguns dos nossos jogadores estiveram irreconhecíveis, até mesmo aqueles que costumam ser mais fiáveis: o Rui Costa passou o tempo todo a agarrar-se demasiado à bola, a tomar opções mais que previsíveis, e falhou mais de metade dos passes; o Petit insistia sempre em complicar, dando mais um toque na bola, e houve alturas em que parecia perdido em campo; do Katsouranis nem sequer vale a pena falar: mal dei por ele; o Luisão parecia um infantil, com medo de meter o pé aos lances em não sei quantas ocasiões; o Rodríguez, o Pereira, o Luís Filipe, todos estiveram mal. Mal, mal, mal. Foi uma espécie de pesadelo dos piores dias do Nandinho. Para vencer, ao Porto bastou manter sempre a sua organização, e explorar os nossos erros. Quanto a nós, apesar de alguma vontade demonstrada na segunda parte, apresentámos um futebol demasiado lento e previsível para conseguirmos furar essa mesma organização.

Nem vou escrever mais nada, porque senão só vou continuar a bater nos nossos jogadores, que hoje me entristeceram muito. Foi um dia demasiado mau. Paciência. Lá teremos que ir ganhar ao Porto na segunda volta.
por D`Arcy às 03:38 | link do post | comentar | ver comentários (19)

GLORIOSO SPORT LISBOA E BENFICA

Apeteceu-me fazer um post com este título. Só isto.
por S.L.B. às 00:37 | link do post | comentar | ver comentários (5)

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