VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 29.02.08

...

Ontem fui à gala do 104º aniversário do Benfica. Estar entre benfiquistas é sempre bom.

É inevitável sentir que hoje em dia...o Benfica está, no mínimo, adoentado.

 

Mas o benfiquismo não.

Quinta-feira, 28.02.08

Derbies

Quando, no Domingo à noite, me sentar no estádio situado no Lumiar, estarei a assistir ao meu vigésimo derby consecutivo em casa dos nossos rivais (quando penso que já são tantos aqueles a que já assisti, começo a sentir-me velho). Comecei a assistir aos derbies quando vivia no Algarve; o Benfica era uma paixão que não se satisfazia apenas vendo-o jogar uma vez por ano, sempre que defrontava o Farense no Estádio de S.Luís. Então chateava o meu pai e acabava por vir a Lisboa assistir aos 'jogos grandes'. Como as vitórias em casa do rival nesses primeiros anos eram quase uma constante, habituei-me ao saborzinho especial que elas me proporcionavam, e então nunca mais consegui evitar assistir ao vivo a este jogo que, para mim, é especial.

Sim, porque eu cresci numa época em que me perguntavam sempre 'És do Benfica ou do Sportém?". O rival do Benfica para mim sempre foram eles, e o Porto nunca passou de um bando de gente estranha que acha que é de outro país, e que gosta de fazer muito barulho lá nesse país imaginário deles quando ganham alguma coisa, para ver se a gente lhes dá alguma atenção. É assim uma espécie de pato bravo, que de repente se apanha com muito dinheiro e resolve ir comprar o Mercedes com a buzina folclórica, a santinha no tablier e o CD pendurado no retrovisor para dar nas vistas. Acelera muito sempre que passa na vila, para fazer mais barulho com o motor, e toca a buzina, que faz soar o 'La Cucaracha', convencido que isso lhe dá estilo e respeito, mas a única coisa que acaba por conseguir é um encolher de ombros, um abanar de cabeça, e um comentário sussurrado entre dentes: 'Parolo...'. Já o Sportém é o vizinho que vive mesmo ao nosso lado, num casebre modesto que pertenceu ao bisavô e que lá se vai aguentando em pé, forrado a azulejos para disfarçar o mofo, e que passa o tempo todo a olhar por cima da sebe para as nossas galinhas, relva e vacas, insistindo que o bando de pardais que ocupa o seu quintal dá mais ovos, que as urtigas dele são mais verdes, e que a ovelha que ganhou na última rifa de Natal dá mais leite. Claro que nós sabemos que isto é tudo mentira, mas o matraquear constante deles vai sempre moendo o juízo, e por isso dá sempre gozo demonstrar-lhes o quão estão errados.

Mas eu divago. Eu queria mesmo era recordar alguns dos derbies a que já assisti ao longo destes anos, por isso vamos a isto.

1988/89: Foi o primeiro. O Benfica chegou a Alvalade já campeão, e nem sequer me passava pela cabeça que o resultado fosse outro que não a vitória. Do nosso lado havia jogadores como o Valdo ou o Mozer, e do outro lado aparecia-nos o Rui Correia na baliza. Vencemos por 2-0, com golos do Valdo e do estrambólico Abel Campos. Assisti ao jogo debaixo da pala do velho Alvalade, e na minha inocência festejei efusivamente os nossos golos, o que provocou alguns olhares de solsaio. Sentado ao meu lado, um sportinguista simpático aconselhou-me a ter calma porque 'o pessoal ali é um bocado intolerante'. OK, conselho acatado.

1989/90: Nova vitória, desta vez por 1-0, e com um golo do César Brito. Desta vez fui para a bancada 'nova', do lado oposto à pala (e fiquei mais uma vez frustrado por não estar no Topo Norte, onde se concentravam os benfiquistas). Ainda sorrio quando me lembro de uns sportinguistas à minha volta estarem dedicados ao seu passatempo favorito, ou seja, falar mal seja do que for relativamente ao Benfica. Neste caso específico estavam a cascar nos suecos do Benfica, que só jogavam porque o treinador do Benfica era o Eriksson, e mostravam-se particularmente críticos do Thern, que apelidavam de 'jogador banal'. Logo no início do jogo o Thern recebe a bola e manda um estoiro a uns bons trinta metros da baliza, que embate com estrondo na barra. Não voltaram a falar mal do Thern durante o jogo.

1990/91: Três jogos em Alvalade, três vitórias. Como se pode perceber, fiquei bem habituado. Desta vez foi por 2-0, e fui eu a fazer uma figura triste. O Isaías era um jogador que eu adorava, mas que conseguia fazer-me perder a cabeça facilmente devido às opções disparatadas que por vezes tomava (como optar por um remate a trinta metros da baliza quando tinha dois colegas a desmarcarem-se isolados). Nesse jogo o Isaías começou o jogo num dia particularmente inspirado, acumulando disparates uns atrás dos outros, o que ao fim de alguns minutos já me tinha posto a rogar-lhe pragas. Depois de mais um remate disparatado não me contive e berrei 'Epá, ó Isaías, és uma besta!'. No ataque seguinte o Isaías marcou o 1-0, e um miúdo que estava sentado à minha frente voltou-se para trás e disse 'Fala lá mal do Isaías agora!'. Não me restou outra opção senão engolir. Perto do final o inevitável César Brito lá entrou, a tempo de marcar o segundo golo.

1993/94: Acho que todos os benfiquistas têm uma história para contar sobre este jogo, por isso não vou contar aqui nada de novo. Depois de no ano anterior ter pela primeira vez assistido a uma derrota do Benfica em Alvalade (com o Balakov a marcar aos doze segundos), e depois de ter levado com a lagartagem a prometer-me goleadas durante a semana toda, estava um pouco apreensivo para o jogo, mas com sede de 'vingança'. O que se passou durante o jogo todos sabem. Chorei, andei abraçado a desconhecidos, pela primeira vez na vida andei a gritar pelo Sportém (durante grande parte do segundo tempo), fiquei afónico e constipado, e recordo esse fim de tarde como um dos momentos mais fantásticos que já vivi num estádio de futebol. Mas o momento cómico que nunca esqueci foi mesmo quando no carro do meu pai, que me levou ao estádio mas não foi ao jogo, enquanto faziam a antevisão do jogo pediram um prognóstico ao Sousa Cintra. "Iste hoje vai sair daqui um resultade estórique!". Na mouche, presidente.

1997/98: A chegada do Artur Jorge ao Benfica significou o iníco de um jejum nas vitórias em Alvalade, e só quatro anos depois voltámos a vencer. Também tirámos a barriga de misérias, e foi logo por 4-1, num jogo em que o Poborsky brilhou, o Deane fez gato-sapato do Marco Aurélio e mostrou que tosco era só alcunha, e o João Pinto voltou a marcar em Alvalade. Uma imagem que me ficou foi a do Carlos Manuel (na altura no banco de Alvalade) a voltar as costas ao jogo quando o Sousa se isolou para fazer o 2-0.

1998/99: Este tinha que figurar aqui só por um motivo: a exibição memorável do Beto neste jogo - desde este dia que passei a torcer todos os anos para que o Real Madrid não o viesse roubar aos nossos rivais. Vitória por 2-1 com dois excelentes golos do central goleador (nunca soube ao certo se era verdade ou apenas mito urbano o facto do Vale e Azevedo num jogo da selecção ter-se dirigido ao Beto como 'o nosso goleador', mas se o fez, foi sem dúvida o momento mais inspirado da presidência dele), e o Cadete a tentar desesperadamente que lhe atribuíssem o segundo golo. E eu e os meus amigos a rirmos a bandeiras despregadas no Topo Norte.

1999/00: Como poderia faltar este nesta lista? Considero que ir assisitir a este jogo foi talvez a maior expressão de benfiquismo que tive. Penúltima jornada, era a festa do título anunciado, o título que lhes escapava há dezoito anos. E com o prazer adicional de terem o Benfica como cabeçudo. Acho que nunca vi tão poucos benfiquistas em Alvalade. Não sei quantos seríamos no Topo Norte. O massacre começou desde o apito inicial. O Acosta caía perto da área e o árbitro apitava. Logo no primeiro livre a bola foi ao poste. O Acosta continuou a cair, e o árbitro a apitar. Livres para o André Cruz, da esquerda, da direita, do centro. E os lagartos a suspirarem de cada vez que a bola passava ao lado ou morria nas mãos do Enke. Não havia volta a dar-lhe, aquilo era para ficar decidido aquela noite. Mais cedo ou mais tarde o Acosta conseguria arrastar-se até ao interior da área, cair ali, e estava feito. Quem caiu dentro da área adversária foi o Nuno Gomes, mas o convidado de honra para a festa do título, Lucílio Baptista, mandou seguir. Pouco depois é o João Tomás quem cai na área, mas o bom do Lucílio transforma aquilo num livre. Aos 88 minutos, o primeiro do jogo a favor do Benfica, em contraponto aos trinta que foram assinalados para o outro lado. Da outra ponta do estádio vejo o Sabry beijar a bola antes de a ajeitar. E mal ela saiu dos pés do egípcio e o Schmeichel ficou pregado, comecei a gritar golo. Eles foram campeões na semana seguinte, mas caramba, cabeçudos nunca!

2002/03: No ano anterior fomos lá estragar-lhes a festa outra vez, com um golo no Jankauskas e o quadragésimo nono penálti da época a dar-lhes um empate caído do céu. Mas recordo este jogo por ter sido o último disputado no velho Alvalade, e apenas o segundo jogo do Camacho à frente do Benfica. Foi uma superioridade incontestável. O recém descoberto lateral direito Miguel a meter no bolso um miúdo chamado Cristiano Ronaldo e depois outro chamado Ricardo Quaresma. O Tiago, mesmo com o nariz partido, a marcar o segundo golo e a sair para o intervalo enquanto os benfiquistas entoavam o seu nome e ele respondia com uma vénia. Confesso que este jogo me deixa nostálgico por já não ter um Miguel ou um Tiago no meu Benfica (e podem criticá-los à vontade, eu sei que eles não se portaram bem, mas caramba, eles eram umas máquinas a jogar à bola).

2003/04: Ganhámos o último jogo no estádio antigo; ganhámos o primeiro no estádio novo. Os bons hábitos são para se manter. Foi um jogo muito difícil, sobretudo na primeira parte, em que o Moreira brilhou, e muito, segurando o nulo. Na segunda parte, e com as coisas mais calmas, o Camacho de repente lança o Fernando Aguiar e o Geovanni para dentro do campo, e o jogo vira completamente. O Geovanni ameaça uma, duas vezes, e à terceira marca aquela obra de arte, na baliza por detrás da qual eu estava, enquanto eu fico surpreendido ao aperceber-me de quantos benfiquistas estavam no estádio. A imagem mais marcante desse momento foi mesmo o Álvaro Magalhães a sair do banco e a vir para junto da bandeirola de canto, perto dos benfiquistas, a festejar que nem um doido. E claro, há ainda o factor cómico da invasão de campo por parte da Juve Leo a seguir ao golo, e da perseguição à Benny Hill que se seguiu.

2006/07: Foi o ano passado. Quem ganhará: algumas dúvidas? O insuportável Eduardo Barroso a afirmar que nunca se sentiu tão tranquilo antes de um derby. E o calhau do Rocha que nunca marcou um golo na vida, e que no ano anterior até tinha ido para rua. Aquilo eram favas contadas. Trigo limpo, farinha amparo. Logo no primeiro minuto, primeira oportunidade para o Benfica. No canto que se seguiu, tomem lá disto, e o Rocha a marcar. Ainda abananados continuam a ver-nos jogar e mais uma vez têm que levar com a humilhação de verem o seu odiozinho de estimação marcar-lhes um golo. E perto do intervalo o ponto de ruptura: o Miccoli, mesmo ao pé coxinho, manda um estoiro à barra, e eu vejo a lagartagem à minha volta lívida. Tanto esperavam uma goleada e agora estavam a ver é que teriam sorte se não fosse o contrário. Claro que com o fair play típico de quem tem sangue azul, alguns deles começaram a ameaçar fisicamente os benfiquistas presentes. É só classe.

Domingo que vem, é apenas mais um capítulo nesta história de rivalidade. E se por acaso ganharmos, já sabemos o que se segue. A culpa é do árbitro.
por D`Arcy às 23:52 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Bilhetes: Vencedores

Conforme prometido, aqui estão os resultados do nosso desafio. As respostas correctas às nossas perguntas são:


Resposta 1: Cosme Damião;

Resposta 2: Eduardo Corga;

Resposta 3: Foram seis os derbies oficiais disputados pelo Rui Costa;


Assim sendo, eis a lista dos vencedores de um bilhete duplo para o derby de Domingo (podem conferir as vossas respostas na caixa de comentários do post original, dado que os comentários já foram desbloqueados):


Francisco - francisco.lemos6 at gmail.com
SMBORSA - smborsa at gmail.com
Ana - acmmartins at clix.pt
Domingos - dafmachado at gmail.com
Nuno - 0142864702 at netcabo.pt
Luís Sá - sa.luis4 at gmail.com
Pedro Pinto Malaquias - pedro_pinto86 at hotmail.com
Nuno Reis - nsreis at gmail.com
João - cassissa at gmail.com
Joana Costa - jupcosta at gmail.com
José Canelas - josec at atalantafilmes.com
Mónica - monica.pinheiro at netcabo.pt
Hugo Duarte - hdbron at gmail.com
Bakero - fingles83 at hotmail.com
Pelicano - pelicanoblog at sapo.pt
Ricardo - suavesemfiltro at hotmail.com
Paulo - loucospeloslb at gmail.com
Bruno Rodrigues - macbr26 at hotmail.com
BP - perbruno at gmail.com
Tiago Cascais - tcascais at unitedcreative.com


Parabéns aos vencedores! O Sapo contactar-vos-á directamente para o endereço de correio electrónico que forneceram, de forma a combinar a recolha dos bilhetes.


O nosso muito obrigado também a todos os participantes. A vossa resposta a este passatempo superou todas as nossas expectativas, e só lamentamos não termos bilhetes para vos oferecer a todos. Mais uma voz a apoiar o Benfica nunca é demais.

por D`Arcy às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (11)

K.I.S.S. - Ou o elogio das coisas simples

 

 

 

Apesar de considerar Messi o melhor jogador do mundo ou porventura devido a considerar Messi o melhor jogador do mundo sou apologista da simplicidade de processos numa equipa de futebol como forma primordial de se atingir o sucesso. E, longe de querer centrar a crónica no jovem astro argentino, mas de forma a justificar o pensamento com que a iniciei, penso que uma equipa em que jogue Messi tem de facto como forma mais simples de chegar ao golo o endosso da bola ao sucessor de Maradona.

 

Falemos portanto daquilo que nos traz a todos a este sítio. O Benfica. E às suas idiossincrasias muito próprias.

 

Admitamos por um momento, por um breve momento que seja, que o simples facto de passar a enumerar de forma perfeitamente aleatória algumas das incoerências desportivo/futebolísticas que na minha opinião impedem ou ajudam a impedir o nosso clube de ter sucesso poderá servir para as expurgar e dar um novo amanhã ao nosso futuro. Melhor. Mais radioso. Com sucesso desportivo, em última análise.

 

E mesmo que assim não seja, caramba, que pelo menos sirva para eu desabafar.

 

Há jogadores de que gosto mais e outros de que gosto menos, dependendo das suas características individuais e do que acrescentam ou não à equipa quando estão em campo. No entanto, se há característica que abomino e com a qual embirro particularmente é com a falta de inteligência que leva, por exemplo, a que um jogador tente fazer coisas para as quais não está vocacionado. Adiante. Não vou individualizar. Não neste momento.

 

A falta de um jogador como Messi , que encare o adversário de frente e que provoque neste o receio de que pode ser ultrapassado no 1x1 deveria levar o Benfica a apostar numa dinâmica colectiva que permitisse a absorção desse handicap e, porventura, a torná-lo num factor desequilibrador sim mas a nosso favor. Isto porque, salvo raras e honrosas excepções, o colectivo sempre prevaleceu sobre o individual.

 

Quem nos esteja a ler de um sítio distante, de alguma galáxia longínqua, com nulo conhecimento do passado recente do nosso clube, poderá estar neste momento com um sorriso nos lábios antevendo vitórias folgadas e sucessos variados para uma equipa que faz gala destes predicados por mim enunciados. A nós, que vivemos o clube numa base diária com a proximidade que nos é permitida pelos stewards de serviço, e conhecedores que somos da realidade existente o máximo que pode provocar é um esgar de sofrimento.

 

Entendamo-nos, em primeira instância cumpre ao treinador a utilização dos melhores jogadores que tem ao seu dispôr de forma a criar uma dinâmica de conjunto que leve à constituição de uma equipa na verdadeira acepção da palavra. Obviamente que, quando se assiste à constante chamada de jogadores cujo mérito principal é passarmos a achar natural e francamente inofensivo o jogo da Roleta Russa...jogado com o canhão cheio de balas, torna-se difícil compreender e mesmo respeitar as restantes decisões tomadas.

 

Por exemplo e falando em termos colectivos hoje em dia torna-se caricato assistir aos exercícios de aquecimento efectuados antes dos jogos, nomeadamente àquele que faz com que duas equipas de cinco jogadores cada troquem a bola entre si num espaço reduzido do relvado. O exercício em si não tem nada de errado, bem pelo contrário! O que não se compreende é a relevância desse exercício perante aquilo que (não) se vê quando o árbitro apita para o ínicio das partidas. Porque num espaço infinitamente maior e com muito mais possibilidades de fazer gala dos passes a um, dois toques o que se vê é a constante utilização do passe longo, vulgo charuto, como forma primária de (des)construção de jogo.

 

E se é assim naqueles 10/15 minutos que nos são dados a observar a cada oito dias, penso que é legítimo questionar a metodologia empregue nos restantes dias da semana em que os treinos são efectuados longe da vista do comum dos adeptos. Porque uma coisa é certa, e quanto a isso não podemos (continuar a) fugir: o futebol praticado é de facto de muito má qualidade. Contam-se pelos dedos de uma mão a utilização de jogadas básicas (lá está) mas eficazes que visam dar profundidade ao jogo ofensivo de uma equipa. Façam este exercício simples: tentem recordar-se do último golo do Benfica marcado após uma desmarcação de um jogador aproveitando uma tabelinha efectuada com um companheiro. Mais, subo a parada, em que esse movimento não tenha levado directamente ao golo mas sim à chegada do lateral ou do extremo à linha de fundo para efectuar o cruzamento que levou ao remate concretizador do avançado. Que saudades dos tempos do Veloso ou do Álvaro em que o lateral dava para o extremo e o ultrapassava para ir receber a bola mais à frente e fazer o centro para a área. Porque se deixou de fazer isto? Porque é díficil? Porque são precisos jogadores predestinados para o fazer? Não, não e não. Porque são necessários automatismos.

 

Não é igualmente dificil para um observador relativamente atento descortinar a causa principal para os ínumeros pontos perdidos na Luz esta época. Se à não utilização do futebol curto e apoiado juntarmos uma velocidade de execução verdadeiramente exasperante e concluirmos com a inexistência de jogadores que decidam jogos com o recurso às bolas paradas, só por milagre se poderia esperar que uma equipa que ainda por cima joga perante um público de extremos que é capaz de cobrir a distância que vai do 8 ao 80 no espaço de poucos minutos...várias vezes numa hora e meia, deixasse de perder pontos com a cadência verdadeiramente aberrante (quando comparada com a história do clube) com que o tem feito esta época. Um pequeno aparte, Simão ajudava a disfarçar muitas insuficiências.

 

Vou aproveitar a embalagem para pessoalizar esta parte do texto porque me apetece elogiar alguém. Binya. Gosto dele porque tem consciência dos seus limites e dá o que tem pelo colectivo. Corre e sabe cada vez melhor para onde corre. Foi um achado. Quem me dera ter mais dois ou três no plantel. Em posições diferentes já agora para os poder utilizar a todos em simultâneo.

 

Não vou entrar nas questões directivas porque haverá com toda a certeza pessoas mais habilitadas a fazê-lo mas não quero deixar de aconselhar a (re)utilização do predicado que escolhi como título para este post porque me parece longe de ser uma medida sensata o regresso aos tempos em que a gestão de um plantel mais parecia um entreposto comercial em que todos os anos, e por vezes duas vezes ao ano, se mudava aos 10 e se acabava aos 20 (jogadores).

 

Independentemente de tudo o resto quero acreditar que continuamos no caminho certo e que, no caso de não continuarmos, o(s) maquinista(s) tenha(m) a noção de que este enorme comboio longe de se confinar a um inter-cidades tem de começar por aí para se poder candidatar novamente à feitura dos percursos europeus. E se for necessário regressar às origens para a partir delas se voltar a construir um clube que ao justificado epíteto de glorioso junte...as conquistas, não encontro melhor altura para o fazer senão a data em que se festeja mais um aniversário.

 

por Superman Torras às 21:53 | link do post | comentar | ver comentários (7)

104



Tudo começou na zona de Belém. José Rosa Rodrigues, que seria o primeiro presidente do Sport Lisboa, foi um dos que participaram no primeiro treino do clube. Foi no dia 28 de Fevereiro de 1904, entre as 11h e as 12h30, nos terrenos da Companhia dos Caminhos de Ferro, que ficam entre a linha de comboio Cais do Sodré-Cascais e a sul da casa do Duque de Loulé, perto do sítio onde hoje fica a Praça do Império. Ainda no mesmo dia, os fundadores do clube, entre eles Cosme Damião, juntaram-se na Farmácia Franco, na Rua Direita de Belém (nº 147) e estabeleceram as bases gerais da nova agremiação. O nascimento do Sport Lisboa é assim contado no livro "Benfica, 90 anos de glória", escrito por António Manuel Morais, Carlos Perdigão, João Loureiro e José de Oliveira Santos. O Sport Lisboa, que efectuou o primeiro jogo contra o Campo de Ourique a 1 de Janeiro de 1905 (venceu por 1-0), viveu quatro anos só, antes de a 13 de Setembro de 1908 se fundir com o Sport Clube de Benfica, dando origem ao Sport Lisboa e Benfica, o Benfica dos nossos dias, que remete a sua fundação para 28 de Fevereiro de 1904. A data é alvo de muita discussão, a ponto de o site oficial do Benfica incluir um documento sobre as "verdades deturpadas", em que defende a fundação a 28 de Fevereiro de 1904, dizendo que o SLB manteve o equipamento, o símbolo (apenas sendo acrescentada a roda da bicicleta) e os jogadores do tempo do Sport Lisboa.
in Jornal P2

Gosto particularmente da descontração dos jogadores. As pernas cruzadas, o encostar na parede, o "estar de lado" e o facto de o equipamento do guarda-redes ser exactamente igual ao dos jogadores de campo.
Sem dúvida uma bela foto onde está retratado o mais belo dos equipamentos!
por Corto Maltese às 08:54 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Cinzenta

Com mais uma exibição cinzenta em casa, o Benfica conseguiu derrotar o Moreirense e carimbar a passagem às meias-finais da Taça de Portugal. Mas foi preciso recorrer mais uma vez ao Rui Costa para resolver uma situação que parecia estar complicada.

Quando vi a constituição da equipa do Benfica, pensei na possibilidade de jogarmos em 4-1-3-2, mas o Camacho manteve-se fiel ao seu 4-2-3-1, alinhando com o Maxi Pereira ao lado do Binya como médios mais recuados, e com o trio Di María/Adu/Nuno Assis no apoio ao Cardozo. Este trio jogou praticamente sem posição definida, já que alternaram bastante de posições e qualquer um dos três pareceu ter total liberdade para se movimentar pelo ataque. Do outro lado apareceu um Moreirense desinibido, sem 'autocarros', mas também, claro, com as limitações próprias de uma equipa da Segunda Divisão B. O Benfica mostrou desde o início alguma atrapalhação para construir jogadas de ataque. Um facto que parece ser evidente é a falta de visão de jogo que a maioria dos nossos jogadores tem. Mesmo tendo colegas desmarcados, raramente os conseguem ver, e acabam por afunilar o jogo e encaminhar a bola de volta para o local de onde veio. Isto facilita imenso a tarefa de quem defende. Assim se explica que o Benfica, mesmo tendo tido posse de bola, a tenha feito circular quase sem progressão, criando muito poucas oportunidades de golo durante toda a primeira parte - recordo-me apenas de duas: uma recarga do Nuno Assis que foi desviada para fora, e um cabeceamento do Cardozo que foi bem defendido para canto pelo guarda-redes do Moreirense. De resto, muitos passes falhados e muita falta de ideias, que resultaram no natural nulo ao intervalo.

A segunda parte pouco demorou até mostrar estar a ir pelo mesmo caminho da primeira, pelo que ao fim de dez minutos o Camacho optou por lançar o insubstituível Rui Costa mais o Makukula, passando a jogar em 4-4-2. O Benfica melhorou um pouco: os dois avançados vieram dar mais preocupações à defesa do Moreirense, e com o Rui Costa em campo passou a haver alguém para segurar a bola e desmarcar os colegas (na primeira parte o único que tentou, a espaços, fazer algo parecido foi o Adu). Quanto ao Moreirense, esteve mais retraído neste segundo tempo, e praticamente nem conseguiu aproximar-se da nossa área. O golo acabou por surgir após um passe do Binya para o Nuno Assis na direita, que em esforço conseguiu centrar para o Cardozo (subiu muito de rendimento nos minutos que esteve em campo acompanhado do Makukula), tendo o paraguaio amortecido para a entrada da área, onde o Rui Costa rematou de primeira para o golo. Alcançado o golo, as coisas facilitaram-se para nós. O Benfica continuou a insistir muito pela direita do ataque (o Rui Costa acabou por posicionar-se sobre esse lado), e uma boa entrada em jogo do Mantorras também veio complicar a tarefa do Moreirense. Muito mexido, o angolano causou dificuldades à defesa adversária, e acabou mesmo por assistir de cabeça o Makukula para o segundo golo, a cerca de cinco minutos do final.

Se vou falar dos melhores do Benfica, tenho que inevitavelmente mencionar o Rui Costa. Não creio que a eliminatória alguma vez tenha estado em perigo para o Benfica, mas se ele não tem entrado se calhar a esta hora ainda lá andávamos, a tentar encontrar uma maneira de chegar ao golo. Os mal amados Butt e Zoro também estiveram bem, seguros e sem falhas ao longo de todo o jogo, tendo o guarda-redes respondido sempre bem quando foi posto à prova, e o defesa sido dos mais esclarecidos. Infelizmente (porque não me agrada estar sempre a bater nos mesmos), nem mesmo contra o Moreirense o Luís Filipe conseguiu fazer uma exibição convincente. Foi substituído aos 55 minutos, e durante o tempo que esteve em campo conseguiu ser assobiado pelos pouco mais de dez mil adeptos presentes na Luz.

Uma palavra ainda para dois jogadores que eu tinha alguma curiosidade me ver a titulares: o Sepsi e o Adu. Quanto ao romeno, pareceu-me um pouco tímido. Teve um par de boas iniciativas a ganhar a linha de fundo na primeira parte, e tentou desmarcar-se mais vezes, mas os colegas não reparavam nele. Na segunda parte quase não dei por ele. Pareceu ser um defesa seguro, mas também um pouco lento para lateral. Quanto ao Adu, foi dos que mais tentou quebrar a monotonia da primeira parte
(foi aquele que mais passes de risco tentou), mas as coisas nem sempre lhe saíram bem, porque complicou em demasia ao agarrar-se à bola mais tempo do que o necessário. Com liberdade para ocupar qualquer posição no apoio ao avançado, acabou por mostrar preferência pelo centro e, sobretudo, pela direita, o que não deixa de ser curioso dado ser canhoto. Pareceu-me sinceramente que sofreu uma falta para penálti na primeira parte, mas o árbitro não entendeu assim e mostrou-lhe um amarelo.

O objectivo da passagem às meias-finais lá acabou por ser conseguido, mas sem grande brilhantismo, ficando mais uma vez a preocupação da dependência que a equipa tem do Rui Costa. É preciso não esquecer que defrontámos uma equipa do meio da tabela da Segunda Divisão B, e mesmo assim foi necessário recorrer ao 'Maestro' para desencalhar o resultado. É que convém não esquecer que só vamos ter mais três meses de Rui Costa.

P.S.- E porque já passa da meia-noite, e já é dia 28 de Fevereiro: Parabéns Sport Lisboa e Benfica!
por D`Arcy às 00:55 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Trampa

Aviso:

Este post é um descarado plágio (seguindo o exemplo de um filho de uma excelente escritora) de um post mal alinhavado por um pasquineiro. O teor enferma da mesma gratuitidade crítica e baixeza intelectual.


 

Até uma porcaria de jornal como o Record devia ter tido vergonha de pôr nas bancas uma espécie de livro tão mau. É mau em tudo: graficamente é desastroso – aquele fundo negro com aquela fonte manhosa no título. Além disso, está mal organizado, é provinciano e tem textos tão confrangedores como ridículos. Veja-se o mau gosto dos títulos de cada capítulo, de que é exemplo máximo o patético “Carolina pegou fogo ao alternador”. É tudo mau, muito mau neste "Apito Dourado Toda a História", em que o seu autor, o insuportável Eugénio Queirós, apresenta uma incompetência maior do que as 108 páginas que escreve e que nem devia ter tentado escrever.

O estado do Record explica-se justamente nesta porcaria a que chamam jornalista.

por Anátema Device às 00:41 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quarta-feira, 27.02.08

Morreu Mike Plowden

Morreu ontem Mike Plowden, jogador fundamental da grande equipa de básquete do Benfica que dominou a modalidade nos anos 780 e 90 - e que incluia Carlos Lisboa, José Carlos Guimarães, Jean-Jacques, Steve Rocha, Carlos Seixas, Pedro Miguel, entre outros.

 

Deixo aqui a minha homenagem a este grande atleta.

por Artur Hermenegildo às 16:14 | link do post | comentar | ver comentários (8)

Nojo

Miguel Sousa Tavares, em mais uma das suas crónicas sobre o Benfica na edição de ontem d'A Bola, volta a espalhar o perfume nauseabundo que emana do nojo da sua escrita. Já conheço bem a obsessão que o senhor tem pelo Benfica. Mas irrita-me solenemente quando ele mente despudorada e descaradamente, apenas para poder falar mal do meu clube. Hoje voltou mais uma vez à carga com a história da entrada do Katsouranis sobre o Anderson (cada vez mais me convenço que aquele comunicado anedótico e xenófobo que sobre este assunto foi publicado no site do FC Porto teve o seu dedo). E tem o desplante de fazer equivaler essa entrada à recente entrada horripilante do jogador Taylor do Birmingham sobre o Eduardo do Arsenal, que arriscou uma amputação. E para fazer isto chega ao ponto de mentir. Mente, e tenho a certeza que sabe perfeitamente que está a fazê-lo, mas com a desonestidade intelectual que o caracteriza não se preocupa minimamente com isso. Ele afirma que o Anderson inclusivamente fracturou ambos os ossos da perna nessa jogada, tal como o Eduardo - é mentira, o Anderson fracturou 'apenas' o perónio. Mas de certeza que todos nos lembramos da forma bárbara como, à semelhança de Taylor, o Katsouranis entrou de pitons em riste sobre a canela do Anderson (e não estejam para aí a dizer que não foi nada assim, que o Katsouranis até corta a bola com um pé e é ao deslizar que atinge com o joelho o tornozelo do Anderson, provocando-lhe a lesão - não sejam mentirosos e não contrariem a versão orwelliana do MST). Francamente, não sei porque é que ainda não deportaram o nosso grego. Aliás, as semelhanças são tantas que, após a entrada de que foi vítima, o Eduardo ainda reentrou em campo (os dez minutos em que esteve a ser assistido e o ter saído do campo a oxigénio foram uma ilusão nossa), e no final do jogo Birmingham x Arsenal até foi possível ver o Eduardo aos pulos no campo a festejar o empate do seu clube.


A entrada do Martin Taylor foi aliás, e pelos vistos, uma bênção para algumas pessoas que não perdem uma oportunidade para nos atacar. O Record, sempre expedito nestes comportamentos ignóbeis em relação ao Benfica, não perdeu tempo e, ao noticiar o facto, não teve pejo em classificar logo o lance como uma entrada em tudo semelhante à do Binya (não fôssemos nós por acaso esquecer-nos do 'animal' que o camaronês é).


Outra das novas obsessões do MST é a suposta 'sorte' que o Benfica tem. Mais uma vez, nas suas divagações, aproveita para mentir de forma a justificar os disparates que insiste em escrever sobre o Benfica. Um dos exemplos flagrantes desta suposta 'sorte' é, segundo o MST, o facto de não se lembrar da última eliminatória da Taça que o Benfica teve que jogar longe da Luz, afirmando que pelo menos a última dúzia de jogos do Benfica para essa competição foi disputada em casa. Tem a memória muito curta, o MST. É que a época passada, por acaso, e logo na primeira segunda eliminatória em que participou, o Benfica caiu na Póvoa de Varzim. Eu ao princípio ainda pensei que estas 'mentiras' fossem apenas o resultado de distracção, pouca preocupação em informar-se antes de escrever sobre assuntos que desconhece (mas sabe-se que falar sobre muita coisa que desconhece com o ar de quem tudo sabe é uma das suas especialidades - e não, dizer disparates sempre de trombas, com ar de quem vai bater na avó, não os torna mais credíveis ou verdadeiros), ou um qualquer efeito secundário de um eventual estado de etilização. Mas a frequência com que estas mentiras e falsidades sobre o Benfica aparecem já me convenceram que isto é mesmo desonestidade.


Ao menos estes disparates semanais que debita sempre me dão vontade de rir por um motivo: é que apesar da superioridade do Porto que ele arenga em qualquer oportunidade que se lhe proporcione, apesar da enorme vantagem que têm no campeonato, ainda assim o Benfica consegue fazer-lhe comichão, ainda assim o preocupa, de tal forma que vê fantasmas de sorte em todo o lado. Este fenómeno parece ser, aliás, mais comum entre os adeptos do FC Porto do que se pensa. Como um certo árbitro auxiliar recentemente teve a oportunidade de demonstrar no Estádio da Luz.

por D`Arcy às 09:34 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Terça-feira, 26.02.08

Volta a Valência

Começou bem a participação do Glorioso na Volta a Valência em ciclismo.  Na 1ªetapa, segundo lugar para Ruben Plaza e 4º para Danail Petrov - ver "foto finish" abaixo - e ainda 2º lugar por equipas.

 

Ruben Plaza é ainda o 5º na Montanha e lidera a classificação do Combinado.


por Artur Hermenegildo às 17:20editado por Pedro F. Ferreira às 20:03 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 25.02.08

Bilhetes para o derby!

Conforme anunciado anteriormente, a Tertúlia Benfiquista, em conjunto com o Sapo, tem vinte bilhetes duplos para o derby do próximo fim-de-semana para oferecer aos primeiros vinte leitores que responderem acertadamente às nossas três perguntas. Assim sendo, aqui ficam as nossas três perguntas que testarão o vosso conhecimento sobre o Benfica (ou no mínimo obrigar-vos-ão a umas pesquisas na net):


1) No dia 28 de Fevereiro de 1904, na Farmácia Franco, sita Rua de Belém, nasceu o Benfica (denominado Sport Lisboa nessa data). Na histórica reunião estiveram presentes vinte e quatro entusiastas do futebol. No entanto, na lista que consta da acta dessa reunião, elaborada nesse dia, aparecem apenas vinte e três nomes. Isto porque um deles (por sinal, precisamente o autor da acta), por esquecimento ou modéstia, não se incluiu a si próprio na lista.


Pergunta: Qual é o nome do distraído fundador do Benfica?



2) No dia 1 de Dezembro de 1907 disputou-se o primeiro jogo entre o Benfica e os rivais do Lumiar (a rivalidade já existia nessa altura, devido ao 'roubo' de oito jogadores do Benfica pelo clube de Alvalade, tendo seis deles alinhado nesse jogo). O jogo terminou com uma derrota das nossas cores, por 2-1, e com um episódio caricato, conforme descreve a crónica da altura de 'Os Sports':

 

"[...]O Sport Lisboa esteve bem, mas com muita infelicidade e talvez esta motivada pelo estado de enervação do Sport Lisboa, por se encontrar com um grupo formado de antigos irmãos, cuja recordação é um fel. Na primeira parte joga bem, embora o terreno não ajude. Na segunda parte arranca com energia e, cinco minutos depois, consegue marcar um tento. Obtido este resultado, eles marcham com mais energia, e o Sporting defende-se mal e com dificuldade, praticando novamente outras irregularidades. Quando todas as probabilidades lhe dão a vitória, cai uma grande bátega de água e o campo, alagado, não deixa caminhar a bola. Enquanto o Sporting abandona o campo, o Sport Lisboa permanece quedo. Burtenshaw (o árbitro) obriga-os a voltar e eles obedecem com visível má-vontade; a chuva, tendo tornado frios os rapazes do Sport Lisboa, abate um pouco a sua energia, e os adversários aproveitam-se e marcam novamente goal. Ficou feito o resultado..."


Pergunta: Quem foi o jogador do Benfica que marcou o nosso golo nesse encontro, o primeiro de sempre contra os nossos rivais?



3) E agora um assunto um bocadinho mais recente:


Pergunta: Em quantos derbies oficiais contra os vizinhos do Lumiar participou o nosso Rui Costa?

 


As respostas devem ser feitas sob a forma de comentário a este post. Após comentarem, o vosso comentário não será imediatamente visível, uma vez que todos os comentários estarão moderados até à próxima Quinta-Feira, às 22h00, altura em que os publicaremos todos e anunciaremos os vencedores.


Importante: Devem incluir um endereço de correio electrónico válido nas vossas respostas, de forma a que os vencedores possam ser contactados para os pormenores da entrega dos bilhetes.

por D`Arcy às 22:49 | link do post | comentar | ver comentários (92)

O insustentável peso da ausência de um valor absoluto

Já não é a primeira vez que escrevo aqui que o sportem vive diariamente com a triste sina de não ter um valor absoluto. Os lagartitos nunca dizem que têm X campeonatos, dizem que já só têm menos X campeonatos que o Benfica; ou que já só têm menos X taças de Portugal que o Benfica; ou que já têm mais X campeonatos nacionais de berlinde de três buracos no escalão dos infantis B que o Benfica. O sportem tem um valor relativo: é sempre qualquer coisa menos que o Benfica. Qualquer clube tem valor absoluto, o sportem mede-se pelo Benfica, tem o Benfica como referência, como modelo, como bitola de comparação. Lembrei-me disto por causa das mais recentes declarações do presidente do sportem, que vão justamente nesse sentido e que por isso são emblemáticas deste mesmo insustentável peso da ausência de um valor absoluto: «Filipe Soares Franco espera atingir, com o lançamento do novo cartão, que rotulou como o "melhor da Península Ibérica" e "superior ao do Benfica"...»; «Estamos sempre a compararmo-nos ao grande rival Benfica». Leiam bem: GRANDE rival BENFICA. É por isso que eu percebo que os nossos jornalistas e comentadores televisivos, perante esta grandiosidade do Benfica, se sintam na obrigação de dizer mal do clube para que os restantes possam ir sobrevivendo.

Surpresa...

...que tanto tempo tenha passado sem que isto acontecesse. Mas ele defendeu-se que nem um valente, e tenho a certeza que até nem lhe custará muito assumir o papel de mártir.

P.S.- Não pretendo com este post glorificar ou mesmo apoiar a acção dos referidos encapuzados.

P.P.S- Tenho testemunhas que podem confirmar que estava em casa à altura do incidente. E não possuo capuzes ou barrotes de madeira.
por D`Arcy às 18:17 | link do post | comentar | ver comentários (20)

Aposta.

Ganhamos no Domingo.

Vamos oferecer 20 bilhetes duplos para o Sporting-Benfica.


Se é um daqueles adeptos que sabe a latitude e a longitude do local onde caiu o brinco do Vítor Baptista, que sabe a marca das chuteiras do Coluna no momento da célebre (mas não confirmada) pisadela do Trapattoni, que sabe quantos jogos incompletos fez o Padinha na época 82/83, e que até sabe o nome do treinador que disse "está aprovadíssimo!" quando viu o primeiro treino do Humberto Coelho na Luz, então é um adepto que está apto a ganhar um dos 20 bilhetes duplos que o SAPO lhe oferece através da Tertúlia Benfiquista.

Esteja atento à Tertúlia Benfiquista nos próximos dias. Vamos fazer um post com três perguntas. Os primeiros vinte leitores que responderem acertadamente às perguntas feitas recebem um bilhete duplo para verem ao vivo o próximo Sporting – Benfica. Estejam atentos.

 

(atenção: não é permitida a participação  de colaboradores do SAPO e da PT neste passatempo)
por Pedro F. Ferreira às 13:01 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Martírio

E continua o verdadeiro martírio que tem sido jogar em casa esta época. Apenas quatro vitórias em dez jogos - julgo que isto deve ser o pior desempenho de sempre do Benfica em casa. Do jogo de hoje salva-se apenas uma ligeira melhoria na atitude, já que quanto à qualidade média do nosso futebol estamos conversados. Pelo menos notou-se que os jogadores tentaram lutar contra o destino, mas também faltou uma pontinha de sorte para que pudessem ser felizes.

Mantendo o 4-2-3-1, a surpresa maior foi mesmo a entrada do Di María para o onze titular, em detrimento do quase indispensável Maxi Pereira. O Nuno Assis manteve a titularidade, regressando ainda ao onze o Binya, o Nélson e o Cardozo, para os lugares do Edcarlos, Luís Filipe e Makukula. E a exemplo do que tinha acontecido no jogo com o Paços de Ferreira, resolvemos que como bons anfitriões deveríamos deixar o adversário colocar-se em vantagem logo no início do jogo. O que para uma equipa cuja intenção óbvia era mesmo jogar para o empate, era o melhor que poderia acontecer. O Benfica no entanto não pareceu acusar muito o golpe, e foi em busca do empate, embora de forma atabalhoada. Com o Petit (numa posição um pouco mais adiantada do que é costume) e o Rui Costa em noite pouco inspirada, faltaram ideias à equipa. Ainda assim, bastou um quarto de hora para voltarmos à igualdade no marcador, com o Luisão a concluir de cabeça um livre lateral do Rui Costa. E os minutos logo a seguir ao golo acabaram por ser um dos melhores períodos do Benfica no jogo. Isto porque o Benfica começou a pressionar mais o adversário, logo à saída da sua área, enquanto que estes se atrapalharam e perdiam facilmente a bola. Infelizmente faltou arte para marcarmos logo o segundo golo, e por isso fomos para o intervalo empatados.

A segunda parte, surpreendentemente, não deu seguimento à primeira. O Benfica voltou a adormecer no jogo, e a primeira metade deste segundo tempo foi o pior e mais aborrecido período de todo o jogo. Isto porque apesar do Benfica ter o controlo do jogo, pouco ou nada conseguia retirar disso, enquanto que o Braga não saía do seu meio-campo. As coisas melhoraram um pouco com a entrada do Sepsi, não pela acção directa do romeno, mas mais pelo facto do Nuno Assis ter passado para o centro, assumindo as funções que o Petit até então ia demonstrando não ser capaz de exercer. À medida que o tempo foi passando, foi aumentando a pressão do Benfica, e com a bola a passar muito mais tempo a rondar a área adversária foi também aumentando a sensação de que poderíamos marcar. As oportunidades surgiram, mas a falta de jeito e de alguma sorte acabaram por ditar que a bola não entrasse. O público reagiu a este esforço final dos jogadores, e apoiou a equipa até ao fim, quase sendo recompensado por isso. Mas os remates do Nuno Assis, Cardozo e Nélson (mesmo no fim) não entraram, e por isso lá voaram mais dois pontos. Nesta segunda volta ainda não conseguimos ganhar em casa, porque temos uma dificuldade enorme em defrontar equipas que se fecham na sua defesa. A lentidão e previsibilidade do nosso jogo torna bastante difícil causar algum desequilíbrio nas defesas adversárias.

O melhor jogador do Benfica foi o Binya, para mim sem qualquer tipo de discussão. Está em todo o lado, recupera bolas pelo chão e pelo ar, lança os colegas, enfim, é um achado. E tem sido bastante inteligente na forma como moderou o seu jogo, após terem tentado à viva força colar-lhe o rótulo de jogador violento (já agora, estou curioso para saber qual vai ser a punição que a UEFA vai dar ao jogador Tremoulinas, do Bordéus, após ter sido expulso por uma entrada igualzinha à do Binya). Bom jogo também do Luisão, a confirmar o bom momento de forma que atravessa. Conforme já referi, acho que foi uma noite menos feliz do Petit (que ainda me parece longe da forma ideal) e do Rui Costa, que teve algumas decisões nada habituais nele durante o jogo.

O único ponto verdadeiramente positivo a retirar desta noite foi precisamente o ponto ganho aos nossos adversários do próximo fim-de-semana. Malgrado a melhoria de atitude, a qualidade continua a faltar no nosso jogo, e um pecúlio de dezassete pontos em trinta possíveis, e apenas quatro vitórias em dez jogos é um desempenho inadmissível para o Benfica em casa. Até o Paços de Ferreira em casa já conseguiu ganhar quatro jogos em dez.
por D`Arcy às 00:40 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sábado, 23.02.08

Gostaria que me explicassem (ou porque é que a imprensa portuguesa não dá informações relevantes?)

Quando uma equipa fica em 1º lugar na fase de grupos da Champions, joga sempre a 1ª mão dos oitavos-de-final fora e a 2ª em casa. Porquê? Porque se parte do princípio que é mais vantajoso decidir a eliminatória perante o seu público. Pode nem sempre ser bem assim, mas é o que a Uefa presume. Ora bem, no sorteio dos oitavos-de-final da Taça Uefa, feito ao mesmo tempo que os 1/16 avos de final, calhou a seguinte ordem: vencedor do AEK Atenas - Getafe frente ao vencedor do Benfica – Nuremberga. Portanto, a 1ª mão seria em Espanha, certo? Errado! A ordem dos jogos foi alterada. A princípio fiquei estupefacto, porque pensei que tinha sido uma imposição da Uefa já que os lagartos também jogam a 2ª mão em casa e seria para não haver dois jogos em simultâneo na mesma cidade. Só que... a 2ª mão está marcada para os dias 12 e 13 de Março, portanto isso não aconteceria. Até que li esta notícia, que me deixou ainda mais embasbacado:

 

“O sorteio da UEFA ditou que o Getafe recebesse primeiro os encarnados no seu recinto, mas os dirigentes dos dois emblemas já dialogaram, acordando a mudança do programa.”

 

De quem partiu a iniciativa é indiferente, gostaria é que alguém me ajudasse a perceber porque é que o Benfica aceitou (ou pior ainda, terá proposto) esta troca? Porventura pensamos que temos vantagem em jogar em casa na 1ª mão? Ou temos medo de uma reedição de Vigo e de já não ter uma boa casa no 2º jogo? É que no ano passado frente ao PSG a ordem dos jogos manteve-se e fomos a Paris na 1ª mão. E até enchemos o estádio na partida de cá e saímo-nos bem na eliminatória. Porquê mudar desta vez? Será que é mais vantajoso jogarmos em casa, onde teoricamente temos que assumir mais o jogo e portanto teremos mais desgaste, logo a seguir à partida frente aos lagartos, do que depois de recebermos o U. Leiria? Alguém que me explique, por favor.

 

Posto isto, procurei em todos os sites dos jornais desportivos e até no site do Benfica se já havia alguma informação sobre o jogo da 2ª mão. Seria dia 12 ou 13? Nada, nenhum fala sobre o assunto. Seria de prever que, como os clubes acordaram a troca da ordem dos jogos, também tivessem combinado a data para o jogo da 2ª mão, não? Não para os jornais e sites desportivos portugueses, nem para o do nosso clube, mas sim para o site do Getafe! Porque, sei lá, pode haver gente interessada em ir ver o jogo a Madrid e cada dia que passa as viagens low cost aumentam de preço, mas isso não é importante nem relevante para quem tem por missão dar informações aos adeptos, pois não?! Pois claro que não! O mais importante é encher páginas de jornais a discutir se devem jogar um ou dois pontas-de-lança, se o Makukula, o Cardozo e o Mantorras marcaram muitos golos no treino, se houve desentendimentos entre os jogadores ou se o Rui Costa fez “gestão de esforço”.

 

Só para que fique registado: o jogo em Getafe é na 4ª feira, dia 12, às 20h (hora portuguesa).

por S.L.B. às 02:52 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 22.02.08

Milagre

'Milagre' é mesmo a melhor palavra para definir o que se passou esta noite. Não foi propriamente um milagre que apareceu do nada, ele aconteceu porque lhe foram dadas condições para acontecer, mas essas condições só apareceram depois de passarmos praticamente uma hora e um quarto a olhar para o ar e a assobiar para o lado, deixando correr o marfim. Não são estes dois golos a acabar o jogo que vão mudar muito a minha opinião sobre o mesmo. Quando muito permitiram que o post não tenha palavrões - e também permitiram que eu pudesse estar aqui a escrevê-lo, já que caso contrário provavelmente estaria agora na Portela à espera da equipa.

E pelo que se passou durante a primeira parte, até nem eram previsíveis estas aflições que passámos. O Benfica adoptou uma atitude claramente cautelosa, regressando ao esquema de um único ponta-de-lança. Infelizmente, a escolha recaiu sobre o Makukula. Ora sendo o Makukula um jogador cujo ponto forte será o jogo de cabeça no interior da área, sendo ele o eleito para jogar na frente não faz muito sentido que depois não se coloque nenhum verdadeiro extremo em campo, para ir à linha e cruzar. Em vez disso o Camacho apostou no Nuno Assis e no Maxi Pereira, e sabemos bem que nenhum deles possui essas características. E nem sequer o Nélson jogou, já que ele ainda poderia ir disfarçando essa lacuna pelo lado direito. Isto resultou numa quase total inexistência do Benfica em termos atacantes. Por outro lado, talvez por consequência directa do sobrepovoamento do meio campo, fomos controlando o jogo nessa zona, e o Nürnberg raramente conseguiu sequer começar a preocupar-me, já que era mantido eficazmente longe da nossa baliza. Só nos minutos finais da primeira parte conseguiram contruir duas situações de verdadeiro perigo, dando então o mote para um início de segunda parte desastroso para nós.

Na segunda parte, vá-se lá perceber porquê, os jogadores pareceram ter-se esquecido de como geriram o jogo durante os primeiros quarenta e cinco minutos. Por exemplo, o Petit, claramente ainda fora de forma, pareceu estar mais preocupado em discutir as decisões do árbitro do que em jogar, o Katsouranis ficou completamente perdido em campo, o Rui Costa desapareceu literalmente do jogo, e o Makukula, quem sabe por ter percebido que face ao jogo do Benfica andava ali a fazer figura de corpo presente (já que parece ter uma dificuldade extrema em controlar e segurar uma bola, ou até mesmo em solicitar um colega com um toque de primeira) resolveu assumir em pleno esse papel, pelo que se deslocava tranquilamente a passo pela frente de ataque, e já nem se incomodava em pressionar os defesas adversários ou mesmo saltar às bolas para os incomodar. Resultou isto no primeiro golo dos alemães, após um ataque rápido em que o Charisteas fugiu para a esquerda, ganhando em velocidade ao Léo e metendo a bola entre as pernas de um quase apático Quim. A propósito deste lance, e não querendo estar a culpar o Quim, já que o avançado estava isolado, confesso que não percebi a forma como ele se fez à bola. Pensava eu que o mais normal seria sair o mais rapidamente possível da baliza, e lançar-se aos pés do adversário para fazer a mancha. Em vez disso ele ficou ali mais ou menos a meio do caminho, e fez-se à bola com uma convicção tal que o remate frouxo do avançado grego lhe passou entre as pernas.

As nossas preocupações só aumentaram a partir daí. Com a eliminatória empatada os alemães, longe de se mostrarem satisfeitos, continuaram a insistir, Logo a seguir enviaram uma bola ao poste, após um remate espectacular do argentino Pinola. E pouco depois conseguiram mesmo virar a eliminatória a seu favor, graças a um lance inacreditável de apatia da defesa do Benfica, e do Luís Filipe em particular. Seria muito fácil estar aqui a desancar o homem por causa disto. Mas a verdade é que isto não foi propriamente uma surpresa. Quando sistematicamente se insiste num jogador que já provou não ter categoria para ser titular do Benfica, o mais provável é que uma situação destas acabasse por acontecer. Não foi por falta de avisos. Tudo bem, há a atenuante do Nélson ter acabado de regressar de lesão, e por isso não se querer arriscar (mas pelos vistos com jogadores como o Petit ou o Rodríguez esse tipo de reservas já não se aplicam). Mas se o Camacho tem um fetiche inexplicável pelo Maxi Pereira, então que o colocasse a ele como lateral. Pode ser fraquito, mas pelo menos não costuma comprometer tanto. Agora construir uma ala direita com o Luís Filipe e o Maxi é que não me parece muito apropriado. Principalmente quando o Maxi pouca ou nenhuma ajuda deu ao Luís Filipe a defender.

Com os dois pés fora da Taça UEFA, finalmente o nosso treinador decidiu-se a alterar a equipa, fazendo entrar o Cardozo e o Sepsi (para médio ala) para os lugares do Maxi e do Edcarlos, isto quando faltavam vinte minutos para o final. Menos de cinco minutos depois, o Cardozo conseguiu fazer aquilo que em setenta e cinco minutos o Makukula foi incapaz: fugir à defesa adversária e criar uma oportunidade de golo (a passe do Sepsi). Infelizmente desperdiçou-a de uma forma quase escandalosa. A dez minutos do fim entrou o Di María (finalmente!) para o lugar do Nuno Assis. E digo finalmente porque, em especial na ausência do Rodríguez, este seria, na minha modesta opinião, um jogo à medida dele. Além de que ele é um jogador de quem eu pelo menos espero que consiga tirar algum coelho da cartola, coisa que 'extremos' como o Nuno Assis ou o Maxi não conseguem. Durante este últimos minutos o Benfica conseguiu finalmente encostar os alemães à sua área, enquanto estes apenas pareciam naturalmente interessados em defender a vantagem alcançada. Quando tudo parecia estar perdido, no último minuto o Cardozo inventa um remate de ressaca à entrada da área, e marca o golo salvador. Depois, já com os alemães de cabeça perdida, foi fácil num contra-ataque rápido construído pelo Cardozo e o Léo (após o golo do Cardozo o Sepsi passou a ser o lateral, enquanto o Léo subiu para médio) isolar o Di María, para este marcar o seu primeiro golo oficial pelo Benfica e colocar um ponto final na eliminatória.

Só posso mesmo destacar o Cardozo neste jogo. Jogou apenas vinte minutos, mas foi decisivo. Não consigo perceber a aparente embirração que o Camacho parece ter pelo paraguaio. Ele terá os seus defeitos e limitações, mas é claramente um avançado de nível superior, e sem qualquer discussão possível o melhor que temos no plantel. Se é para jogarmos só com um avançado, então o escolhido deveria ser o Cardozo, e o Makukula quem deveria entrar num momento de aflição. Não o contrário. Incompreensível também continua a ser a fixação pelo Luís Filipe ou pelo Maxi Pereira. Se no caso do português há a justificação de jogar apenas quando o dono do lugar se lesiona, já no caso do uruguaio isso não se aplica, porque ele desde que esteja apto joga sempre, seja em que posição se consiga encaixá-lo. E a verdade é que ele pouco acrescenta ao nosso futebol.

Se hoje tivéssemos sido eliminados da Taça UEFA por uma equipa que nos é claramente inferior, isso seria um justíssimo castigo para a atitude da equipa em largos períodos do jogo, e para as opções da equipa técnica. Tal acabou por não acontecer porque temos no plantel jogadores que são, de facto, de um nível superior, e que num simples instante conseguem fazer a diferença. Houve alturas hoje em que me senti verdadeiramente enraivecido com o que conseguia ver na televisão (depois da transmissão televisiva de hoje fiquei definitivamente convencido que preciso de comprar um LCD com widescreen). Não havia necessidade.
por D`Arcy às 02:34 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Quinta-feira, 21.02.08

Guardem lá os lenços mais uns dias…

Dizia um na TVI: "Benfica julgado e condenado em Nuremberga”. “E culpado” disse o colega de comentários.

Quatro minutos depois, aperceberam-se do ridículo que é uma ejaculação precoce em directo na tv.


[Agora, se quiserem fazer a catarse do costume, estejam à vontade. O ceguinho continua a pôr-se a jeito e a caixa de comentários está à mão.]

por Pedro F. Ferreira às 21:57 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Quarta-feira, 20.02.08

Isto não é a casa da Joana!!

Mas como é, caros Tertulianos, o Benfica joga amanhã e os post publicados são a falar de programas que não existem, a falar de jornalistas que não viram um jogo de um clube que não nos merece qualquer respeito, nem mesmo a título de mera referência?

Vamos é falar do que interessa!!

O nosso Glorioso e magnífico clube joga amanhã. Andamos a jogar tão mal que até dói, mas lá vamos ganhando com suor e lágrimas, mas ganhamos.

Vitórias morais ficam para aqueles que perdem jogos por 2-0 e no fim dos jogos os seus treinadores dizem que mereciam ganhar"

No meu Benfica o que me interessa é, acima de tudo, a vitória, mesmo a jogar mal. No entanto, convém não abusar da sorte, porque a jogar assim o mais certo é vermos a vitória fugir.

Por isso, caros jogadores, Luís Filipe, vejam se há concentração durante os 90 minutos de jogo.

E não se esqueçam o jogo só acaba quando o árbitro apita, a bola só sai fora se o árbitro assim o assinalar, e só é falta quando o árbitro diz.

Depois, o futebol é simples. Caramba!! vocês fazem isso todos os dias. Executem o que sabem: como virar jogo, trocar a bola, centros, tabelinhas, estar sempre de olhos no nosso adversário directo... Isto é pedir assim tanto?? E mais, não inventem.

Por exemplo, Petit, se marcas tão poucos golos de livre directo, porque continuas a tentar e a evitar que jogadores mais capazes o façam?? 

O jornalista que comentou um jogo que não viu.

Ontem, o jogo dos andrades acabara de acabar quando, na insuspeita Sporttv, surgiu um jornalista de nome André Pipa a debitar opiniões bojudas e loas de enternecer sobre a exibição dos referidos. Até aqui tudo normal na habitual arte da genuflexão perante o caudilho do costume. O que se estranhou foi o assomo de honestidade do dito jornalista que, logo no início da sua gárrula intervenção, afirmou: “Eu não vi o jogo…”

Depois de ter começado por garantir que não viu o jogo, ajuizou categoricamente sobre a categoria do jogo dos andrades, sobre a qualidade do jogo demonstrada, sobre a superioridade dos andrades relativamente ao adversário. E tudo isto foi servido naquela forma superficial e leviana de tudo afirmar, tentando disfarçar o embuste com a já costumeira vanidade com que alguns jornalistas embrulham as suas sustentadas conclusões.

Salvou-se a comicidade do momento, perfeitamente de acordo com a palhaçada da ocasião.

por Anátema Device às 11:27 | link do post | comentar | ver comentários (13)

Rumor...?

Não sei ao certo a credibilidade que hei-de dar a esta notícia que corre nos mentideros das redacções dos maiores órgãos de comunicação social portugueses, mas não ficaria com a minha consciência tranquila se não a partilhasse convosco.

Então ela versa isto: estar-se-á a preparar uma edição especial, por se antever um pouco mais extensa do que o habitual, do programa da RTP "Prós e Contras" em que o principal assunto em debate serão os lançamentos laterais, com especial incidência para os efectuados pelo jogador do Benfica, Binya. Está prevista a presença de grandes especialistas mundiais bem como de vários elementos do conselho de disciplina da Liga e do presidente do conselho de justiça da Federação Portuguesa de Futebol. Não estará neste momento posta de parte a possibilidade da instauração de um processo sumaríssimo.

Não será obviamente o único tema em debate pois deverá estar igualmente presente no debate um jogador escocês que irá participar no mesmo via-satélite a fim de dar as suas opiniões acerca da violência no futebol e da possibilidade de serem instaurados processos-crime aos jogadores que façam faltas mais duras sobre os outros mesmo que estas não provoquem qualquer lesão ao jogador atingido.

Por fim, ainda não está totalmente confirmada a presença de uma septuagenária que irá acusar o jogador Binya de ter passado à sua frente na fila dos lacticínios de uma grande superfície comercial.

 

Nota: deve haver poucas coisas mais caricatas do que ter ex-árbitros da estirpe de José Leirós, António Rola ou Rosa Santos a comentar as decisões dos árbitros da liga profissional de futebol. Não creio que, apesar de tudo, esta série de parágrafos o consiga suplantar. Mas tentei, oh se tentei.

por Superman Torras às 07:32editado por Anátema Device às 11:01 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Terça-feira, 19.02.08

Thriller

Como quem anda atento a estas coisas do futebol sabe, comemora-se este ano o 25º aniversário do lançamento do álbum “Thriller”, desse que poderia ter sido um talentoso jogador da bola e que costumava responder pelo nome de Michael Jackson, antes de se desintegrar.
 
Ora, o videoclip que notabilizou este álbum foi algo inovador na altura, não só pelo tempo que demorava (em algumas televisões era exibido com intervalo e tudo) mas, sobretudo, pela produção que o originou. Sucintamente, a história versava sobre um alegre casal no qual, depois de assistir a um filme de terror, o “rapaz” se transformava em zombie e passava a liderar uma trupe de mortos-vivos que perseguiam a esbelta e assustada miúda com o intuito de contaminá-la com a sua maldição.    
 
Pois bem, vendo os últimos jogos da equipa de futebol do nosso Sport Lisboa e Benfica, claramente que só posso concluir que o Clube também se associou às comemorações e a melhor maneira que encontrou de o fazer foi replicar o vídeo, transformando as suas últimas (e a extensão deste conceito de “últimas” é muito elástico) exibições em verdadeiros momentos de terror.
 
Senão, vejamos os motivos deste sentimento analógico que me atravessa a imaginação e o sentir:
 
-Tal como no vídeo, também na nossa realidade futebolística o líder (que, curiosamente, lá enverga um casaco vermelho) passou de um personagem bem arranjado, sorridente e companhia desejada para um ser mortificado e mortificante, rígido nos movimentos, encovado nas feições e de voz rara (aqui cada um personifica a liderança como bem lhe apetecer);
 
- Ao ver a nossa equipa tenho a quase mórbida sensação de, naquela molhada de personagens desfiguradas com movimentações lentas, arrastadas e repetitivas, assistir ao desfile de verdadeiros “mortos-vivos”; isto é, gente que, ainda mexendo (e bem!) para o ano já não farão parte da vida desta equipa (Rui Costa, Léo e Rodriguez). Depois temos alguns “vivos-mortos”, que não vou enunciar, e muitos figurantes;
 
- Alguns dos nossos jogadores têm um aspecto verdadeiramente assustador e agressivo (Petit, Bynia, Luisão e, por vezes, Nelson). Outros assustam pela falta de aspecto de jogo;
 
- Também temos desengonçados (Mantorras, Cardozo e Di Maria) e aleijados quase eternos (Nuno Gomes, regressa rapidamente ao mundo dos vivos para os golos, por favor);
 
- E tudo isto se vai passando à noite. Numa noite que extravasa o sentido literal para o espírito de cada um de nós, mesmo na plenitude do Sol.
 
Já me esquecia, como é óbvio, para mim, a miúda do vídeo encarna a Fama e a Glória Benfiquista que, coitada, se vê desprotegida e tenta fugir aos assomos desta realidade aterradora.
 
Em suma, a um tempo, tudo isto é arrepiante, terrorífico e assombroso, pondo-me a respiração constantemente em suspenso.
 
Agora, só espero que, ao contrário do verdadeiro, este nosso “Thriller” não evolua para um “Bad” (maior, digo eu).
 
 
(Resta escrever que o “Thriller” teve um sucesso inolvidável, à semelhança do que eu tenho a certeza que nos vai acontecer na quinta-feira, neste novo “Julgamento de Nuremberga” de onde sairemos ilibados de uma derrota que nos impeça de assistirmos a, pelo menos, mais uma eliminatória europeia na Luz esta época. Depois, com mais ou menos “pipocas”, logo se vê como o filme acaba, e em que estilo.)
 
FORÇA RAPAZES, QUE EU ESTOU AQUI A TREMER POR VÓS! São vocês que podem e devem mudar o(s) argumento(s) desta película.
por Carlos Silva às 14:54 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Segunda-feira, 18.02.08

Desculpem lá, mas...

VÃO TODOS BARDAM****! Não suporto mais isto! Na semana passada foi o treinador do Paços de Ferreira, ontem foi o treinador e hoje o presidente da Naval 1º de Maio. Andam todos a disputar campeonatos e taças há pelo menos três anos frente a equipas que já deveriam ter sido despromovidas, equipas que ganharam títulos e subiram de divisão porque CORROMPERAM árbitros e, tirando o Luís Filipe Vieira, está tudo caladinho. Há um árbitro que assinala dois penalties no mesmo jogo a favor do Benfica (indiscutíveis, mas isso não interessa) e outro que não marca uma pseudo-infracção num lançamento lateral(!), além de ter o descaramento de não marcar penalty num mergulho na nossa área, e aqui d’el rei que estamos a ser roubados! MAS ESTÁ TUDO CEGO OU ACHAM QUE SOMOS TODOS PARVOS?!

 

As competições nacionais estão viciadas desde 2004, mas isso não tem importância. Uma equipa marca golos ao Belenenses e ao Leiria (só para citar dois exemplos) em fora-de-jogo, mas não faz mal. Essa mesma equipa faz uma série de agressões que passaram impunes (ainda agora na Madeira), mas o Binya é que é um “assassino”. Acontece o que acontece no Conselho de Justiça, mas ninguém levanta a voz e acham tudo normal. E o Benfica é que anda a fazer pressão sobre os árbitros?!

 

Acabo como comecei: PODEM IR TODOS BARDAM****!

 

P.S. 1 – Não compreendo o silêncio do Benfica em relação a estas ridículas acusações. Era só convocar uma conferência de imprensa e mostrar calmamente os lances que são tão evidentes que falam por si. Se deixarem correr o marfim, arriscamo-nos a ter uma nova teoria do “levados ao colo”, em que uma mentira tantas vezes repetida ainda acaba em verdade insofismável.

 

P.S. 2 – Deixo aqui duas imagens e duas perguntas: na primeira, o jogador de encarnado tem o seu pé direito ligeiramente levantado, de uma maneira quase milimétrica; na segunda, o jogador de azul e branco também tem o pé direito ligeiramente levantado, mas pisa claramente a linha lateral. Qual foi a que criou mais polémica? E a que deu um campeonato? 

 

por S.L.B. às 19:03 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Domingo, 17.02.08

Luta

Vitória difícil mas importante num jogo feio e mal jogado de parte a parte, e que significou o fim da malapata na Figueira. Até esta época ainda não tínhamos conseguido vencer a Naval fora em jogos para o campeonato, mas desta vez acabámos com essa história. E a importância desta vitória é ainda maior quando o Benfica iniciou o jogo sem Nélson, David Luíz, Di María, Rui Costa e Petit.

Novamente a aposta nos dois pontas-de-lança, e no 4-4-2, com o regressado Binya a fazer dupla com o Maxi Pereira no centro do campo, e as alas entregues ao Rodríguez e ao Assis. O jogo começou praticamente com um grande susto, já que a Naval enviou uma bola ao poste. Na resposta, o Benfica ia marcando quando um defesa da Naval enviou a bola ao poste da sua própria baliza. Exceptuando esses dois lances, o jogo foi quase sempre mal jogado e sem grandes motivos de interesse. A bola andou muito pelo ar, o vento forte que soprava também não deve ter ajudado, e ainda houve a sinfonia de apito do árbitro do jogo, que interrompia por tudo e por nada. Com o regresso do Binya regressou também o perigo nos lançamentos laterais perto da área, e foi precisamente assim que o Benfica, aos dezoito minutos, se colocou em vantagem. Após um lançamento lateral o Cardozo tocou a bola para trás e o Rodríguez, aproveitando a saída disparatada do guarda-redes, enviou a bola de cabeça para a baliza (o Benfica voltou a tentar esta mesma jogada mais algumas vezes, mas sem sucesso). Até ao final da primeira parte, pouco mais se passou digno de registo. Conforme disse, o jogo foi muito mal jogado, com a bola quase sempre na zona do meio-campo, e com constantes interrupções por parte do árbitro, por isso foi com naturalidade que o resultado de 1-0 se manteve.

Na segunda parte a Naval entrou decidida, e pressionou o Benfica na busca do empate, tendo conseguido criar alguns lances perigosos (quase sempre na sequência de livres laterais, que iam sendo assinalados a um ritmo vertiginoso). Ainda assim, nunca me senti particularmente preocupado, já que o ascendente da Naval nunca chegou a ser sufocante. A partir do meio da segunda parte, o Benfica conseguiu acalmar o jogo e passar a controlar mais, mantendo a Naval longe da sua baliza e começando a ameaçar marcar o segundo. E quando a cinco minutos do fim o Rui Costa entrou, viu-se a diferença que ele faz na equipa, já que naqueles poucos minutos o Benfica conseguiu criar jogadas com princípio, meio e fim. Já depois de, numa dessas jogadas, o Makukula ter 'roubado' o golo ao estreante Sepsi, o romeno entrou na área, guardou bem a bola, e centrou atrasado para o Nuno Assis colocar um ponto final no jogo, no ultimo minuto do tempo de compensação. Nada mau para uma estreia de menos de cinco minutos, começar logo com uma assistência.

O jogo foi, como já disse, mau. Não houve nenhum jogador que se possa dizer que tenha brilhado, já que a equipa foi bastante homogénea. Saúde-se no entanto o regresso do Binya, que foi bastante importante esta noite. Não apenas pelos seus lançamentos, mas também pela capacidade de luta que dá ao nosso meio-campo. Ele tem uma zona de acção muito grande, e não desiste das bolas. E foi muito bem ajudado por todos os outros jogadores dessa zona. Já que não houve muita arte em campo, pelo menos houve luta e suor.

É importante ganhar jogos destes. Em que se joga mal e em que nos falta quase meia equipa. Seria bom era que não andássemos em casa a estragar o que de bom se vai fazendo fora dela. Pelo menos este resultado deve permitir alguma tranquilidade durante a semana, até ao jogo em Nuremberga.
por D`Arcy às 22:43 | link do post | comentar | ver comentários (22)

Telegrama aberto aos jogadores do Benfica

Sejam solidários. STOP. Acima de tudo, sejam solidários. STOP. Na maior parte dos jogos disputados em Portugal é a vossa dinâmica, e no fundo o vosso sentido profissional, que ajudará a decidir  o vencedor dos mesmos. STOP. Quando o vosso colega que tiver a (in)felicidade de ter a posse da bola pedir uma desmarcação, façam-na. STOP. Melhor, não o obriguem a pedi-la, sejam pro-activos. STOP. Quando a bola estiver do lado do inimigo (é assim mesmo, encarem-nos como tal, enquanto o jogo estiver a decorrer) ajudem nas tarefas defensivas. STOP. Façam-nos sentir, de novo, orgulhosos. STOP. E não pensem por um momento sequer que por o adversário se chamar Naval, Estrela da Amadora ou Moreirense terão menos um adepto a sofrer por vós. STOP. E por fim, não me obriguem novamente a dar a entender que hoje em dia o jogador do Benfica que em determinado momento do jogo tem a bola em sua posse é a pessoa mais infeliz em campo. STOP.
por Superman Torras às 11:58 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Palhaçada

Esta notícia está n’ A Bola de hoje:

 

À frente do Conselho de Justiça da FPF – órgão que, reafirme-se, decidirá em última instância os processos do Apito Dourado que, por parte da Comissão Disciplinar da Liga, deverão estar concluídos até ao fim da presente temporada – está agora Gonçalves Pereira, vereador da Câmara Municipal de Gondomar. Será este advogado que presidirá ao órgão que poderá vir a decidir a sorte não só do Gondomar Sport Clube como também de Valentim Loureiro e José Luís Oliveira, respectivamente presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Gondomar.”

 

O que vale é que este senhor Gonçalves Pereira já deu mostras da sua imparcialidade ao reduzir o castigo de Valentim Loureiro de seis meses para 100 dias. O anterior presidente do CJ, Juiz Conselheiro Herculano Lima, disse que esta redução "sofre de dois pecados capitais: erro de julgamento e violação da lei”. Mas compreende-se, se o castigo fosse mais de 120 dias a pessoa em causa teria de abandonar todos os cargos directivos e depois quem é que iria presidir à Assembleia-Geral da Liga?!

 

É muito bonito e salutar estarmos todos preocupados com as actuais exibições do Benfica, os resultados, se o Camacho serve ou não, quem deve vir caso ele se vá embora, quem serão as novas contratações, etc., etc., etc. Mas, meus amigos, não vale a pena: a vergonha vai continuar e os criminosos ficarão impunes. Ninguém há-de ser condenado, as escutas ainda irão ser declaradas ilegais, no fundo não se passou nada e está tudo bem. Vai tudo assobiar para o lado e passar a página.

 

É como o Pedro F.F. já aqui disse: como não estamos a jogar nada, “é de mau tom” falar de arbitragens e afins. Mas como este vergonhoso estado de coisas há-de continuar, eu já me resignei a esperar que as coisas se resolvam por si. Felizmente nada é eterno.

 

P.S. 1 – Ainda na 6ª feira, houve uma “grande e indiscutível vitória” do 1º classificado por 0-3 no Funchal frente ao Marítimo. Mas vamos supor o seguinte: se o jogador visitante (que por acaso depois marcou dois golos) tivesse sido expulso como merecia aos 19’, após um notável golpe de karaté no adversário, teria o resultado sido o mesmo? Isto já para não falar de um 2º amarelo a um jogador da casa numa duvidosa mão na bola, com o resultado em 0-1. Mas no fim do campeonato já ninguém se vai lembrar disto, pois não?

 

P.S. 2 – Justiça lhe seja feita, o Luís Filipe Vieira é o único dirigente que se insurge publicamente contra isto. A propósito do novo presidente do CJ, disse: “se calhar um destes dias, ainda mudam o CJ para Gondomar... ou lá perto.”

por S.L.B. às 03:08 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Sábado, 16.02.08

(Também) Eu tenho um sonho

“Não é tempo para aceitar o luxo do esmorecer ou de tomar a droga tranquilizante do gradual.
Não podemos caminhar sozinhos. E ao caminharmos, temos de fazer o juramento de caminharmos para a frente. Não podemos voltar atrás.
Digo-vos hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, eu ainda tenho um sonho.”
 
Martin Luther King, Discurso proferido nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington D.C., a 28 de Agosto de 1963
 
 
 
Eu tenho um sonho que um dia este Clube se erguerá de novo e viverá a verdadeira altura da sua força e dimensão. Creio que esta verdade é evidente: todos unidos em torno de algo que nos motive seremos imparáveis; primeiro por dentro e depois em qualquer lado.

Eu tenho um sonho que um dia, nos rectângulos verdejantes, no colorido das pistas e no interior dos pavilhões, o Povo anónimo Benfiquista e os seus antigos e futuros ídolos se unirão para tornar o Clube cada vez maior e mais honroso.

Eu tenho um sonho que um dia, a grande maioria dos treinadores e atletas do nosso Clube voltarão a ser portugueses paridos e criados pelo orgulho de ser Benfiquista e moldados no almejar de envergar a camisola como recompensa de uma vida. Atletas que se transcendem enquanto nos transcendem e elevam o Clube. E quando o cordão umbilical tiver que se cortar, que se faça de modo asséptico, sem infecções ou putrefacções que impeçam o sarar das feridas mais tarde, em comunhão com quem chorou por eles. Que se reciclem e se reinventem enquanto ídolos e referências de valores adquiridos, e posteriormente transmitidos aos genes de quem quer e deve ser como eles. Será este a mola espiral, o balanço, que nos projectará e equilibrará o Futuro. O Futuro que tem de ser feito todos os dias a partir de um presente que já não pode viver só do Passado. E nesse tempo, como noutros, as Selecções do meu País confundir-se-ão de novo com a selecção que é feita todos os dias no meu Clube. Então se voltará a querer passar por aqui como marca de qualidade e excelência, como prova de ser grande. Um Clube onde se privilegia os filhos do povo Benfiquista - e Português! - porque é, foi e será esse povo que o legitima, envolve e engrandece.      

Eu tenho um sonho que um dia os adeptos deixem de falar de fora e para fora, deixem de comparar com as janelas abertas e passem descrever com as trancas na porta. Tão importante como pensar o Benfica é pensar no Benfica. E só quando o sucesso se tornar enfadonho e as vitórias vulgares, se possa então responder a quem nos pretende atingir lá de baixo. A nossa força é interna, nunca foi gerada pelo que se passa ou tenta passar nos ínfimos. É daqui que assustamos, não a tentar lá ir. Lá por onde nunca passámos e por isso desconhecemos as tortuosidades que nos fazem tantas vezes tropeçar. A tentativa de nos revigorarmos com desdéns, despudores e fraquezas alheias, para mim, só enfraquece e avilta a tentativa de sermos nós próprios. Quando nos atacam, sentimos. Mas temos de responder com o peito de quem recupera rápido e não com o choro regado e velado por lágrimas já secas.     
 
Eu hoje tenho um sonho.

Eu tenho um sonho que um dia, os lábios deste Presidente se voltem a cerrar, dando lugar ao trabalho tão silencioso quanto meritório que tanto nos motivou e mereceu a nossa admiração. Que deixem de entornar palavras de areia, pouco sustentadas nos actos e por isso facilmente voláteis aos ventos da crítica. E se não for este homem, que seja outro como este foi.

Eu hoje tenho um sonho.

Eu tenho um sonho que um dia, no intervalo dos jogos no Majestoso Ninho, cada cheerleader, depois de devidamente suada pela seu desempenho nas danças do patrocínio, se desloque à bancada e promova uma lap dance no colo de cada um de nós que se esforça por lá estar. E todos os sócios pagantes (e com cativo) serão contemplados.

Esta é a minha esperança.

Esta é a fé com que acordo todos os dias para o Benfica.

Com esta fé transformo o espartilho do descrédito numa chave para o alento.

Com esta fé transformarei o bradar dos críticos em ironias sorridas.

Com esta fé chamada Benfiquismo poderemos vencer juntos, empatar juntos, perder juntos, chorar e rir juntos, erguer-nos pelos golos e oportunidades falhadas, sabendo que, na continuidade perene de sermos Maiores, um dia seremos efectivamente e indubitavelmente, de novo, os MELHORES.
 
 
 
Nota1: estes parágrafos foram vil e abusadoramente inspirados em parte de um texto infinitamente mais importante – quer no conteúdo quer na forma - de um Homem cujas ilusões armaram a tacanhez de uns parvos que acabaram por calar o corpo mas nunca a alma. Eu só espero não me armar em parvo com a ilusão de querer gritar a alma até lugares onde o corpo nunca possa chegar.
 

Nota2: com este texto, que pretende aclarar e resumir o que são as bases das minhas convicções e desejos para o nosso Glorioso Clube, se inicia (a ver se também não finda) a minha presença aqui deste lado. Deste lado, porque desse lado alguns de vós já se habituaram a levar comigo. Nitidamente foi um processo penoso que levou um dos tertulianos a convidar-me para atravessar o espelho, no claro espírito de que “se não o consegues calar nos comentários, ele que se junte a nós a ver se ganha vergonha”. Não prometo nada. Apenas o sentido da enorme responsabilidade que é ter o poder de poder. Em jeito de conferência de imprensa, sempre posso adiantar que é com enorme orgulho que estou aqui hoje, já que desde pequenino que leio a Tertúlia. Sempre desejei estar aqui. Foi para isso que trabalhei (ou não trabalhei, neste caso) dia-a-dia, na esperança que este dia chegasse. Espero não desiludir quem depositou a sua confiança em mim e não defraudar as poucas expectativas criadas com a minha chegada. Sei que estou num dos maiores Blogues do mundo, acredito no meu valor (que não é por aí além) e tudo farei para dignificar as cores deste endereço. Espero cumprir até ao fim os desígnios para os quais fui chamado, nomeadamente escrever qualquer coisa quando mais ninguém tem tempo ou vontade. Não prometo textos como deve ser, apenas prometo o meu suor em frente ao monitor e deixar bocados da pele dos dedos nas teclas cada vez que for chamado para participar nesta honrosa tarefa de ser e tentar escrever o chamado Benfiquisimo. Obrigado e um abraço encarnado…vivo.

por Carlos Silva às 23:03 | link do post | comentar | ver comentários (9)

O novo reforço para a “Tertúlia”.

O mercado de transferências para nós (aqui no blogue) nunca fecha. Assim, e seguindo uma rigorosa política de contratações, avançamos para a contratação do blogger Leão Eça Cana. Dentro da pluralidade que se pretende, o Leão Eça Cana, tal como todos nós, aceita como único ditador a voz da sua consciência. Deste modo, será mais um que, em certos momentos do jogo, jogará no extremo oposto àquele em que seria politicamente correcto jogar. No entanto, em todas as situações de jogo, como diria o Freitas Lobo, mais do que ocuparmos a mesma faixa do terreno ou faixas diferentes, importa que joguemos em conjunto.

Que seja bem-vindo e que nos ajude a marcar muitos golos, preferencialmente de cabeça.

por Pedro F. Ferreira às 15:01 | link do post
Sexta-feira, 15.02.08

Tangencial

Mais uma fraca exibição, salva desta vez por um golo algo feliz do Makukula, que nos deu uma vantagem tangencial para uma segunda mão na Alemanha que se prevê difícil.


O Camacho fez a vontade aos críticos, e alinhou com dois pontas-de-lança de início. Infelizmente os resultados não foram famosos, já que o Cardozo e o Makukula revelaram grande falta de entendimento, e por vezes até interferiram um com o outro. O Nürnberg apareceu com uma disposição cautelosa, deixando apenas o gigante Koller na frente, mas cedo deu para perceber que eram os alemães quem controlava a partida, sobretudo devido à supremacia que tinham na zona central do campo, onde um Petit fora de ritmo não conseguia dar conta do recado. Foi mesmo uma primeira parte muito fraca por parte do Benfica, que raramente conseguiu incomodar os alemães, sendo quase inexistentes os remates à baliza adversária. O Benfica continua a revelar uma incapacidade preocupante para construir jogadas de ataque, ficando quase exclusivamente dependente das subidas do Rui Costa com a bola nos pés para conseguir criar algum desequilíbrio nas defesas adversárias. E foi precisamente assim que, aos quarenta e três minutos de jogo, o Benfica chegou ao golo. Uma subida do Rui Costa pela zona central do campo levou a que vários jogadores do Nürnberg fossem para cima dele, o que deixou o Makukula muito à vontade para receber a bola vinda do Rui, e ainda fora da área rematar rasteiro para o golo, parecendo o guarda-redes adversário mal batido no lance. Este golo surgiu no único(!) remate que o Benfica fez à baliza durante toda a primeira parte (e para fora não devem ter sido feitos muitos mais remates).


Na segunda parte as coisas melhoraram um bocadinho, mas apenas isso mesmo - um bocadinho. Até conseguimos fazer o nosso segundo remate à baliza, pelo Petit (e não voltámos a conseguir acertar mais uma vez que fosse na baliza até final do jogo - é verdade: dois remates à baliza em noventa minutos, e pelas minhas contas seis remates no total do jogo). Logo a seguir (após quinze minutos) o Camacho abdicou de um dos pontas-de-lança (Cardozo), entrando para o seu lugar o Di María, e deslocando-se para o centro o Nuno Assis, para tentar fazer frente à superioridade clara do Nürnberg nessa zona. A coisa resultou mais ou menos e o nosso jogo melhorou um pouco, sendo agora possível ver mais de três passes seguidos entre os nossos jogadores, mas nunca conseguimos apoquentar os alemães, parecendo que o resultado satisfazia as nossas pretensões. A cerca de quinze minutos do final fiquei com a sensação de que o trio do meio-campo (Rui Costa, Nuno Assis e Petit) rebentou fisicamente, e os alemães voltaram a pegar no jogo tal como tinham feito na primeira parte. Só nos minutos finais as entradas do Adu e do David Luíz (para trinco) conseguiram acalmar um pouco as coisas, segurando a vantagem mínima.


O melhor jogador do Benfica esta noite foi o Luisão. Pelos vistos fez-lhe bem a polémica com o Mozer (embora, por uma questão de respeito para com um dos jogadores mais importantes do actual Benfica, eu prefira não entrar em comparações entre o Luisão e o Mozer). Qual Koller, qual quê. Mesmo com menos uns dez centímetros que o checo, o Luisão dominou completamente nas alturas. E não contente com isso, dominou pelo chão também, entrando sempre na altura certa para conseguir desarmes limpos. Já há muito tempo que não via o Luisão jogar assim. Importante também, pelas razões já referidas, foi o Rui Costa, para não variar. E pode ser que seja apenas o meu habitual facciosismo por este jogador, mas gostei da exibição do Nélson.

Mais um jogo em que não podemos sair satisfeitos da Luz. A qualidade do nosso futebol deixou muito a desejar, e é preocupante que o antepenúltimo classificado da Bundesliga consiga vir jogar assim para nossa casa. Com um ponta-de-lança ou com dois pontas-de-lança, a verdade é que a diferença parece ser pouca no que à qualidade de jogo diz respeito. Hoje salvou-se o resultado, que não sendo famoso, pelo menos tem o factor positivo de não termos sofrido golos em casa. Ainda assim acredito que o Benfica consiga fazer melhor na segunda mão, e não me passa pela cabeça perder esta eliminatória, já que os alemães não mostraram qualidade por aí além. Se bem que lhes faltaram o Misimovic e o Mintal, que se calhar já jogam a segunda mão.
por D`Arcy às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Quarta-feira, 13.02.08

Imaginemos, por absurdo, José Peseiro.

[disclaimer: este post é meramente um abusivo e execrável exercício especulativo que serve para medir até que ponto estamos dispostos a apoiar uma direcção democraticamente eleita. Peço, antecipadamente, desculpas sinceras a todos os benfiquistas que se sintam ofendidos com o seu conteúdo]


 

Eu sei que com coisas sérias não se brinca. E tenho muitas dúvidas sobre se devo, ou não, considerar o assunto em questão como sendo sério.

Imaginemos, num mero exercício de especulação gratuita e indesculpável, que a direcção do nosso Benfica tinha convidado um putativo treinador chamado, por hipótese absurda, José Peseiro. Imaginemos, por mais absurdo que vos pareça, que isso é uma realidade possível para a próxima época. Assim, e continuando no campo do absurdo, pergunto-vos, enquanto benfiquistas, o que estaríeis dispostos a fazer em defesa do nosso clube?

 

a) reunir assinaturas suficientes para pedir a realização de eleições antecipadas;

b) boicotar todo e qualquer apoio aos órgãos de gestão actualmente em funções;

c) devolver o lugar cativo até que alguém responsável assuma o clube;

d) apoiar a decisão da direcção;

e) outras medidas…


 

[este post surge depois de ter lido este excelente post do BnRb]

por Anátema Device às 13:18 | link do post | comentar | ver comentários (81)

Entrevista de Camacho

Camacho dá hoje uma entrevista interessante ao Público, que acho que os Benfiquistas deviam ler.

 

É um discurso calmo, sereno e objectivo, sem demagogia barata, abordando todos os temas do costume - se fica ou não, dois vs. um ponta-de-lança, Rui Costa a director desportivo, reforços, etc.

por Artur Hermenegildo às 10:54 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Terça-feira, 12.02.08

Parabéns Bynia e Zoro

Pela excelente prestação na CAN.

 

- Bynia, 2º lugar, suplente utilizado creio que em todos os jogos - na final ia fazendo história, ao quase marcar um golo de... lançamento lateral.  Que voltes depressa à equipa, que mais não seja por causa desses mortíferos lançamentos.

 

- Zoro - 4º lugar, titular em dois jogos, marcou um golo.

 

E, para os críticos do costume, não acho a CAN uma competição menor - segui-a com alguma atenção e vi muito bons jogos de futebol, ao nível de um Europeu.  As melhores equipas não estão obviamente ao nível dos tubarões mundiais, mas estão numa muito digna segunda linha.

 

Com a presença cada vez maior de jogadores em grandes clubes europeus, e o fim do mau hábito de os melhores acabarem por se naturalizar por países mais fortes, penso que o futebol africano em breve estará entre os melhores.

por Artur Hermenegildo às 15:27 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Segunda-feira, 11.02.08

Da elasticidade da coluna vertebral de uns até à elasticidade da camisola do Makukula.

Quando o Benfica é prejudicado pelas arbitragens é de mau tom trazer o assunto à baila. A nossa superioridade, particularmente na adversidade, tem de ser de tal ordem que permita superar o adversário que está em campo e também aquele que joga por fora controlando árbitros, árbitros assistentes e observadores. E não há desculpas, só culpas e blá blá blá…

Assim, e visto que ontem não fomos prejudicados, já podemos falar de árbitros? Ou continuaremos, impávidos e serenos, a manter o silêncio perante as alarvidades que se vão dizendo sobre a arbitragem do jogo de ontem? Por mim, há muito que fiz a escolha.

A nomeação de Augusto Duarte foi, no mínimo, demonstradora de incompetência por parte de quem tem responsabilidades; no limite, aquela nomeação foi a confirmação de que não há vergonha por parte do propalado e existente sistema. Augusto Duarte é arguido num caso de corrupção activa que implica uma tentativa de prejudicar o Benfica num jogo contra o Nacional da Madeira. Bastava isto para que Augusto Duarte nunca fosse nomeado para arbitrar jogos do nosso Clube. Mas foi. Foi nomeado e não o foi por pressões benfiquistas.

Durante o jogo de ontem esse tal Augusto Duarte assinalou duas grandes penalidades a favor do Benfica. Obviamente que os comentadores nacionais não discutem se foram justas ou se foram duvidosas. Discute-se que foram duas. E marcar duas grandes penalidades a favor do Benfica é coisa rara e que a muitos convém que assim continue, independentemente da justiça da marcação das mesmas. O caso é tanto mais incómodo quando quem as assinalou ontem não as assinalara num passado recente, quando fora “influenciado” para nos prejudicar.

Vejamos, então, o primeiro famoso crime de lesa pátria que Augusto Duarte ontem cometeu: assinalou uma primeira grande penalidade sobre C. Rodriguez. Não era grande penalidade! É um lance que fica claro depois de ser visto e revisto nas repetições televisivas. É de tal forma claro que, após várias repetições televisivas, os comentadores têm a certeza de que o Rodriguez pontapeou pé do jogador do Paços. Ou então foi a relva. Foi um dos dois... O que importa é provar o engano do árbitro e, se não for pedir muito, presumir que foi um engano deliberado. A ser assim, todos estaremos de acordo: que se irradie este Augusto Duarte da arbitragem. Mas que deixe de apitar pelos anos sucessivos em que nos prejudicou deliberadamente para agradar ao Jorge Nuno e seus servis acólitos.

O segundo crime foi assinalar uma segunda grande penalidade. Ontem, de forma patética, Rui Santos conseguiu dizer que não foi penálti. Segundo a versão do referido comentador os dois futebolistas agarram-se mutuamente e o do Paços teve o azar de ser o último a largar a camisola do adversário (acreditem que isto foi mesmo dito no asco de programa que a criatura tem na SIC Notícias). Assim, sem mais, se prova a doutrina de que o Benfica foi beneficiadíssimo. Houve um outro comentador, provido com mais uns respingos de inteligência e menos alguns de decoro, que conseguiu ver um jogador do Paços a cair uns bons metros antes da área e, logicamente, presumiu que em falta. A esse nem os dinheiros que mama ao erário público para destilar despudoradamente bílis contra o Benfica, comentando (num português de sarjeta) arbitragem para a Antena 1, servem para comprar medicamentos que acalmem uma azia que já é, tal como o seu portador, figura do anedotário nacional.

Assim, hoje, a imagem que forçosamente a comunicação social propaga é a de que o Benfica foi beneficiado por Augusto Duarte. Como se isso fosse possível!!!

Falando do Benfica e de Augusto Duarte, acabam por não falar de um empurrão de João Paulo na área a um jogador do Sertanense; de uma grande penalidade cometida pelo Abel, aos 40 segundos de jogo, sobre um jogador do Marítimo; daquela entrada nojenta de um gajo do Sporting que, de tão parcamente comentada, confirma a hipocrisia do que foi escrito relativamente ao Bynia pelos mesmos que agora calam… Mas, efectivamente importante, é que, enquanto se falar dos dois penáltis, não se fala do possível adiamento do início do julgamento do processo Apito Dourado. E é disto que se trata, do Apito Dourado. Ou será que somos todos ingénuos?

por Pedro F. Ferreira às 12:25 | link do post | comentar | ver comentários (33)

Emenda

O resultado final acaba por não espelhar bem as dificuldades por que passámos esta noite para vencer o Paços de Ferreira, e seguir assim em frente na Taça. Desta vez Camacho emendou a mão cedo, e acabou por dar a volta a uma situação que se poderia ter complicado.

Quando vi a constituição da equipa do Benfica, a primeira ideia que me ocorreu foi que iríamos jogar com um triângulo invertido no meio-campo, tendo o Katsouranis como vértice mais recuado e depois o Rui Costa e o Nuno Assis no apoio mais directo ao estreante Makukula, ficando as faixas entregues ao Rodríguez e ao Pereira. Mas não foi isso que se passou, pois os jogadores acabaram por encaixar-se no 4-2-3-1 do costume, com o Maxi Pereira a jogar como médio defensivo ao lado do Katsouranis, e o Nuno Assis como extremo direito. Nem deu para ver muito bem se isto iria resultar, porque o jogo ficou logo condicionado pelo golo do Paços de Ferreira na primeira vez que entraram na nossa metade do campo. Muito graças à cortesia do Edcarlos, andando eu ainda a tentar perceber o que é que ele terá assim de tão melhor do que o Miguel Vítor. Foi uma boa entrada no jogo do Paços e, em contraste, uma má entrada nossa. A equipa parecia incapaz de construir uma jogada que fosse, estando mais uma vez dependente da capacidade do Rui Costa para pensar o jogo e transportar a bola para a frente. Desta vez, o nosso treinador resolveu reagir de forma mais célere, e pouco depois da meia-hora retirou o pior jogador em campo, recuando o Katsouranis para central, e fazendo entrar o Cardozo para jogar ao lado do Makukula. Isto deu resultado, pois os dois avançados passaram a conseguir prender o Paços lá atrás, e causar mais dificuldades à defesa adversária, abrindo espaços para as entradas dos nossos médios e laterais. O empate acabou por surgir já perto do intervalo, num penalti convertido pelo Cardozo após falta sobre o Rodríguez (bom toque do Makukula, com o peito, a passar para o uruguaio na área).

O Benfica entrou melhor na segunda parte, e um novo penalti, desta vez cometido sobre o Makukula, proporcionou ao Cardozo a oportunidade de voltar a marcar, colocando-nos em vantagem. Como agravante para o Paços, ficou ainda reduzido a dez, por expulsão do autor da falta. A partir daqui o Paços praticamente deixou de existir, pertencendo ao Benfica o controlo do jogo, muito por culpa das iniciativas do Rui Costa e das incursões do Léo pela esquerda. O Paços não se rendeu, e tentou apostar mais no ataque, mas isso acabou por deixar ainda mais espaços abertos cá atrás, que o Benfica foi explorando da melhor forma possível, ainda que sem grande brilhantismo. O terceiro golo, da tranquilidade, acabou por surgir, e merecidamente foi da autoria do Rui Costa. O mesmo Rui Costa, ainda antes de ser substituído quase em cima do apito final, ainda teve tempo para fazer mais uma boa jogada e deixar a bola para o remate de primeira do Nuno Assis, ainda de fora da área, que fechou o marcador com um confortável 4-1 para o Benfica.

O melhor jogador do Benfica esta noite, como deve ser fácil inferir dos meus comentários, foi para mim o Rui Costa. Soube, como sempre, jogar sempre com lucidez e fazer o transporte da bola para o ataque, sendo também aquele que mais arriscou na altura do passe para os colegas. Bom jogo também do Léo, em particular na segunda parte. Quanto ao estreante Makukula, não fez um mau jogo. Esteve nos dois primeiros golos, mostrou que nos dá um aumento considerável de força no jogo aéreo, e ainda se revelou útil na ajuda à defesa em cantos e livres laterais, com as bolas a serem cruzadas para a área. Acredito que a dupla Cardozo/Makukula possa vir a ser bastante útil. Quanto ao pior, bem, ele conseguiu em pouco mais de meia-hora, que foi o tempo que esteve em campo, fazer mais asneiras do que qualquer um dos seus colegas no jogo inteiro. Apenas reforçou a opinião que tenho de que não é um defesa para o Benfica, e preferia ter ainda o Miguel Vítor como quarto central do plantel.

Hoje não notei grandes melhorias no nosso jogo. A única diferença terá sido, para adoptar um discurso semelhante ao habitual do Camacho, que a bola hoje entrou. Que ao menos isto sirva para motivar um pouco os nossos jogadores é o meu desejo.
por D`Arcy às 01:32 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Sábado, 09.02.08

Cebola

Aparentemente o Christián Rodríguez afirmou que seria difícil continuar na Luz. Digo 'aparentemente' porque também não me custaria nada acreditar que notícias destas (que aparecem em conjunto com outras que noticiam o interesse do Porto no jogador) aparecessem apenas com o intuito de desestabilizar o Benfica e um dos jogadores mais valiosos do seu plantel.

Mas, a ser verdade, para mim a solução seria simples. Pura e simplesmente este jogador não voltaria a jogar no Benfica até ao final da época. Temos jogadores jovens no plantel, que são mesmo nossos, e que devemos valorizar e dar experiência, como são os casos do Di María e do Adu. Se calhar o 'Cebola' (alcunha que, no grau de ridículo, só encontra rival à altura naquela tentativa d'A Bola de chamar 'Manelelé' ao Manuel Fernandes) já se esqueceu do desastre que foi a sua anterior experiência na Europa, em que chegou ao ponto de nem sequer ser convocado no PSG, e acabando desempregado e sem clube no final da época. Agora só porque faz meia-dúzia de bons jogos no Benfica já se julga alguma coisa especial? Se ele na verdade não vai ficar, porque razão andaremos nós até ao final da época a valorizar um activo de outros? Por caridade com os seus empresários? Por mim, se se quer ir embora, que faça bom proveito. Daqui a uns meses já nem me vou lembrar que ele jogou no Benfica. E bem podem acenar com o papão do Porto (que eu até duvido que seja verdade, e não me admiraria nada que fosse apenas uma manobra para levar o Benfica a tomar alguma decisão precipitada) que pouco me preocupo. Ele até pode ser muito bom jogador, mas o Benfica é mais importante.

P.S.- Ontem ou anteontem li n'A Bola uma entrevista ao Yuran (jogador por quem, por acaso, eu sempre tive simpatia enquanto esteve na Luz, apesar de todos os seus defeitos fora do campo), em que este critica a postura e atitude dos jogadores do Benfica. Ao que isto chegou! O Yuran, esse exemplo de profissionalismo, a dar lições de moral. Pelos vistos as noitadas, o chegar completamente embriagado aos treinos matinais, ou o assassínio de uma pessoa no Porto - de que obviamente escapou incólume, ou não fosse o Porto uma cidade onde também se pode, por exemplo, ordenar impunemente o espancamento de alguém que nos incomoda, que depois enviam os Keystone Cops para fazer a (des)necessária investigação (mas estas leis de excepção são válidas apenas para uma casta de cidadãos selectos) - já se lhe varreram da memória.
por D`Arcy às 13:55 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Quarta-feira, 06.02.08

A desinformação.

- Recebi hoje um SMS de um amigo que recebera uma informação de uma fonte “bem informada”. O SMS diz que já temos treinador para a próxima época e que, supostamente, é um grande nome. Leio e apetece responder que já sei quem é: só pode ser o Camacho, pois é provável que por cá continue, e é um ‘grande nome’. Tão grande que até a selecção espanhola o parece querer. Mas isto não é notícia.

Decidi investigar. Cruzei essa informação com duas das minhas ‘fontes’. Uma não respondeu (ainda) e a outra diz que já lhe constara qualquer coisa, mas que lhe parece apenas ‘fumaça’. Pedi a um colega de blogue que fizesse um telefonema… nada conseguiu confirmar. No final, fiquei com uma mão cheia de nada e outra de coisa alguma. A ser verdade, fiquei a pensar num nome possível que encaixasse no parco esboço de perfil que surgia na informação. Podem ser muitos, e mais vale não ir por esse caminho. Além de sinuoso é asfaltado a cores que não as nossas. Ainda assim, no meio de dúvidas e incertezas que a esta informação provoca, há duas certezas que aqui ficam: a especulação vai começar e não vai ser pequena; essa especulação servirá a muitos, mas não ao Benfica. Portanto, meus caros, mais do que alimentar essa especulação, importa que todos saibamos lidar com a campanha de desinformação que se avizinha.
 

 

- Por falar em jornalistas, alguém leu o “opúsculo” que o jornalista Eugénio Queirós escreveu e que acompanha o Record de hoje? É uma interessante peça que deve ser trabalhada nas escolas de jornalismo. Afinal, a melhor forma de evitar que o erro se perpetue é expô-lo.

 

 
- Falando, agora sim, de um jornalista. O autor do Blog da Bola ontem colocou online um post em que denuncia mais uma ilegalidade em que o capanga dos andrades se atolou: a criação de uma empresa de fundos de investimento de jogadores. Pelos vistos, o habitual capacho do capanga dos andrades, o actual plutocrata de alvalixo, também se tem alimentado na dita gamela.
Por estranho que pareça (ou talvez não), nenhum jornalista pegou nesta informação. Isto é particularmente mais interessante quando sabemos que esse blogue tem servido de fonte (nunca referida) a imensas notícias. Mas nesta espécie de jornalismo lusitano é muito mais interessante explorar a presença da imagem do Rui Costa num site de apostas do que investigar este escândalo.
 

 

- Mudando de assunto, deixando de falar de jornalistas e falando de Rui Santos. Sempre que assisto ao fantástico espectáculo de onanismo que constitui a sua prestação na SIC, acabo por me perguntar o que mais faltará a esse espécime cuspir para que o nosso Clube tome medidas?
por Anátema Device às 18:59 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 04.02.08

O Maior de Sempre

Só para lembrar, o MAIOR JOGADOR PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS é e continua a ser

 

EUSÉBIO

Eusébio3/

A razão deste post lembrando o que devia ser óbvio é que não sei se repararam mas andam para aí uns "revisionistas" (os do costume) a reclamarem já esse título para o puto malcriado da Madeira.  Li essa "opinião" no record online na 6ª feira e ontem o r.s. da sic notícias repetiu o mesmo.

Benfiquistas!  O caso é sério e merece a nossa atenção!

por Artur Hermenegildo às 11:51 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Domingo, 03.02.08

Quanto tempo mais.

Vai durar esta vergonha?
O Rui Costa lesiona-se e não entra o Nuno Assis? Não é, claro que não é, a mesma coisa, mas há no plantel alternativa mais válida? E o Maxi Pereira, o Luis Filipe, o Petit em muito má forma a desperdiçar livres e cantos uns atrás dos outros, um Katsouranis irreconhecível, um Cardozo desamparado, um Di Maria que leva como prémio por estar a ser o menos mau a substituição infame?
É mau demais. Por isso pergunto: quanto tempo mais vai durar esta vergonha?

...

Caros jogadores e equipa técnica do futebol profissional do Sport Lisboa e Benfica, com todo o devido (muito) respeito que me merecem, dado representarem o meu clube, queria apenas dizer-vos uma coisinha após o jogo desta noite: Vão-se todos lixar! Se não são maus profissionais, e não andam a fazer estas coisas de propósito, então deixem que vos diga que imitam muito bem. De resto, não tenho palavras para classificar o que vi esta noite, e daí o título deste post.

É certinho como um relógio: sempre que conseguem uma boa exibição ou resultado, logo a seguir estragam tudo. Sempre que o líder do campeonato escorrega e nós aproveitamos para nos aproximarmos, passamos uma semana a ouvir as vossas declarações que o título ainda é possível, e que é preciso acreditar, e depois, no jogo seguinte, são vocês os primeiros a mostrar que parecem não acreditar, e a borrar a pintura toda. É que isto é ainda mais doloroso para os adeptos. Esta montanha russa emocional custa muito mais a aguentar. Nós somos benfiquistas, e como tal queremos sempre acreditar. Vemos a nossa esperança esmorecer semana após semana, e quando atingimos o ponto mais baixo (aquele em que somos capazes de ponderar a possibilidade de não irmos golear no próximo jogo) vocês surpreendem-nos (ex: Shakhtar ou Guimarães) e nós, uma vez mais, perdoamos e esquecemos todas as mágoas anteriores que nos deram, pensando que finalmente estamos no caminho certo. E sadicamente, logo a seguir, vocês voltam ao mesmo e esmagam o nosso optimismo à nascença. Se vocês fossem todos um bando de cepos e coxos, então paciência. Mas não são. O problema é que nós sabemos muito bem (porque já o vimos) que vocês sabem fazer muito mais e muito melhor. E é por isso que jogos como o desta noite são tão difíceis de digerir.

O que eu vi esta noite foi uma vergonha de jogo. Uma primeira parte hedionda, e uma segunda parte um bocadinho melhor, que foi, vá lá, apenas horrível. E isto frente a um adversário como o Nacional que, sem menosprezo, não é propriamente um colosso, e que nem sequer se apresentou na Luz com uma disposição exageradamente defensiva. Aliás, a coisa foi tão má da nossa parte que até deu para o Nacional jogar o jogo abertamente. A jogar em 4-4-2, desde o início do jogo que foi evidente o quão orfã a equipa estava do Rui Costa. E se não havia Rui Costa, o mais natural seria que estivesse alguém em campo capaz de segurar a bola no meio campo e progredir com ela. O Katsouranis e o Petit definitivamente não são esse tipo de jogador, e passaram a maior parte do tempo a atrapalharem-se um ao outro e aos demais colegas, e a complicar o nosso jogo. Com um Maxi Pereira que não defendia nem atacava, a equipa do Benfica ficou quase exclusivamente dependente do Di María para causar alguma aceleração ou desequilíbrio no jogo. O Nuno Gomes, até se lesionar, passou completamente ao lado do jogo (ou até poderia dizer que foi verdadeiramente atropelado pelo jogo), e o Cardozo até fez pena. Pouquíssimos remates e apenas uma oportunidade real de golo, através do inevitável Di María, foi a produção do Benfica na primeira parte. De resto foi muito pontapé para o ar e para onde quer que estivessem virados, raramente mais de três passes seguidos em progressão, e um desfilar de cantos e livres pessimamente marcados pelo 'especialista' Petit.

Na segunda parte, já com o Rodríguez em campo, as coisas foram um bocadinho menos más, mas produção ofensiva e fio de jogo nem vê-los. A equipa mudou, passando o Di María para a direita e o inenarrável Pereira para o centro, e apenas por isso conseguimos passar a criar mais algum perigo pela direita. Mas o Don Camacho resolveu ser excêntrico, e apesar da evidente falta de organização no meio campo optou por manter os dois trincos em campo durante os noventa minutos. Mais os brilhantes Luís Filipe e Maxi Pereira. Na altura das substituições, o inevitável Nélson lá saiu, e depois, inexplicavelmente, saiu o único jogador em quem eu ainda depositava alguma esperança para inventar alguma coisa, que era o Di María. Para o seu lugar entrou mais um para contribuir para a confusão que era o jogo do Benfica. Duas oportunidades flagrantes de golo foi o que o Benfica conseguiu criar, pelo menos que eu me lembre: um remate de ressaca do Pereira, bem defendido pelo guarda-redes adversário, e um centro perfeito do Di María para o Cardozo, que em posição frontal conseguiu cabecear na direcção da bandeirola de canto. O nulo final não é apenas justo, é o único resultado que poderia sair de uma exibição tão desastrada como a desta noite.

O melhor jogador do Benfica foi, para mim, o Di María, e continuo sem perceber porque razão é que ele saiu. Ou melhor, porque razão é que o Maxi Pereira tem lugar cativo. Se calhar foi para não colocar em causa esse lugar cativo que o Benfica na reabertura de mercado optou por não ir buscar nenhum jogador para a posição de médio direito, aquela em que é evidente estar mais necessitado. Quanto ao pior, foram todos os outros. Ou melhor, corrijo: o pior de todos foi o Camacho. Foi visível desde o início o que estava mal, e ele optou por fazer duas substituições disparatadas que em nada nos ajudaram. E sentadinhos no banco, ao lado dele, ficaram o Nuno Assis e o Adu, que na opinião deste ignorante blogger seriam as escolhas óbvias para o tipo de jogo a que estávamos a assistir. Só que eu não percebo nada disto.

Depois de mais uma marretada no optimismo dos benfiquistas, estou para ver quanta gente vai aparecer no próximo jogo contra o Paços. Eu por acaso até já tenho bilhete, por isso o melhor é ir-me preparando para mais hora e meia de irritação.
por D`Arcy às 03:43 | link do post | comentar | ver comentários (29)

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