VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 30.06.08

As sentenças do sistema.

Como era esperado, a Justiça hoje feita numa cidade ironicamente cognominada de "invicta" teve o condão de, mais uma vez, arquivar a realidade.
 
Aprendemos todos que a palavra de uma ex-alternadeira de nada vale perante a palavra de um conhecido proxeneta e do seu sócio. As confissões das três prostitutas que garantiram ter sido pagas pelo sócio do proxeneta para prestarem serviços a uma equipa de arbitragem de nada valem. A confirmação, feita pelos árbitros assistentes, dos factos narrados pelas prostitutas de nada vale. As escutas telefónicas não desmentidas e indesmentíveis de nada valem. Vale a Justiça feita, tal como as tripas, à moda do Porto. Como disse, tudo isto é natural e era expectável perante a realidade. E só se recusa a conhecer esta realidade aquele que se recusa a conhecer a memória.
 
A história dos últimos 25 anos de um clube regional deve ser lida como a guerra contra a memória, a falsificação da realidade, até à fuga definitiva da própria realidade. Só quem foge à realidade se recusa a admitir as evidências da corrupção tentada, consumada e perpetrada no último quarto de século no futebol português. Ao longo destes anos, o dono do referido clube regional proibiu e negou aos seus súbditos o acesso à verdade, inquinando a sua moral e a sua memória.
 
Este controlo da memória e esta manipulação da realidade consegue-se com métodos clássicos e conhecidos de tiranos, tiranetes e outros sátrapas afins. Os que têm como obrigação o escrutínio e o relato verdadeiro da realidade (jornalistas, juízes, comentadores…) têm de ser controlados. Não basta relegá-los, ameaçá-los ou expurgá-los, o melhor modo de os controlar é carregá-los de culpas, comprometê-los o mais possível: assim, contrairão com os mandantes o vínculo de co-réus, e já não poderão escrutinar, relatar ou ajuizar livremente. Este modo de agir é conhecido de associações criminosas, é um método intemporal e universal. Além disso, quanto mais dura for a opressão, mais se difunde entre os oprimidos a disponibilidade para colaborar com o poder.
 
Deste modo, acabam todos aprisionados, nas palavras de Primo Levi, ao “vínculo imundo da cumplicidade imposta”, a um poder corrupto que, subvertendo a verdade, a realidade e a memória, transforma nos seus pilares de sobrevivência os que têm o dever moral e civilizacional de o combater.
 
Não podendo a sociedade contar com a independência dos que têm na polis o poder de ajuizar, também não poderá contar com os que têm o poder de denunciar os atentados à própria polis. Todos sabemos que a intolerância tende a censurar, e a censura acarreta a ignorância da razão dos outros e, portanto, a própria intolerância: é um círculo vicioso rígido e, como hoje mais uma vez se viu, impossível de quebrar.
por Pedro F. Ferreira às 23:23 | link do post | comentar | ver comentários (46)

Soltas

Não tenho tido grande motivação para escrever durante os últimos dias. Para além da ausência na Alemanha, estamos em plena silly season do futebol nacional, em que todos os dias olho para as capas dos jornais e vejo mais um autocarro de potenciais reforços do Benfica, o que, ao contrário do que se calhar os jornais pensam, só me tira a vontade de lê-los. É verdade que durante estes dias decorreu o Europeu de futebol, mas nem isso me prendeu a atenção, já que fui assistindo à eliminação sucessiva das minhas equipas preferidas, até que no final só sobrou aquela de quem eu menos gostava.

Voltando aos 'reforços' dos últimos tempos, o único que está confirmado é o Balboa. Não posso opinar grandemente sobre ele, já que pouco o vi jogar. A única coisa que posso dizer é que ele é um médio direito, e isso por si só já representa uma diferença enorme na política de contratações do Benfica dos últimos anos. Precisávamos de um médio direito, e comprámos um médio direito. Seguindo o padrão das últimas épocas, o mais normal seria que, precisando-se de um médio direito, se fosse contratar mais um defesa central. Quanto aos reforços anunciados, bastariam as contratações do Miccoli e do Aimar para me deixarem satisfeito. Mas, a julgar pelas notícias que vão sendo veiculadas, andamos a discutir uma diferença de um milhão de euros no preço do Aimar, e depois por outro lado não teríamos problemas em pagar dois milhões e meio pelo terceiro guarda-redes do Real Madrid. São estas coisas que me fazem confusão.

Entretanto, leio hoje n'A Bola que o escorraçado Bergessio já está avaliado em cerca de dez milhões de euros, e fala-se de um possível regresso à Europa. Devo dizer que não me surpreende nada (e quem me conhece sabe que sempre fui um defensor dele, e que achei um disparate a sua dispensa precipitada), e que isto só abona a favor da imensa sapiência futebolística do nosso terceiro anel, sempre pronto a assobiar um novo jogador que tenha o azar de falhar uma meia dúzia de passes no seu primeiro jogo pelo clube.

Passando às modalidades, ontem sagrámo-nos bicampeões nacionais em futsal. Se calhar o timing desta vitória até é capaz de ter sido um tanto ou quanto incómodo para a direcção, em vésperas que estamos de uma Assembleia Geral que se prevê quente, e em que se discutirá precisamente a redução do orçamento das modalidades. Aliás, em relação às modalidades de pavilhão, não me parece que o Benfica tenha estado particularmente infeliz: campeão em andebol e futsal, finalista vencido no hóquei (que é mesmo o máximo a que podemos aspirar, dados diversos factores desportivos e extra-desportivos), e semi-finalista no basket e no voleibol (que, tendo em conta o investimento, terá sido a modalidade com o pior aproveitamento). Mas uma coisa que me continua a fazer alguma confusão é precisamente o comportamento que nós, benfiquistas, temos em relação às modalidades. Quase todos reclamam quando elas não apresentam resultados. Tenho quase a certeza que a grande maioria de nós é contra a proposta de redução dos seus orçamentos. Mas depois, quando eu vou assistir a jogos das modalidades, são quase sempre as mesmas caras que eu vejo nos pavilhões (excepção feita, claro, às finais). Onde é que está toda a gente que proclama tão veementemente o seu amor às modalidades? Pior ainda, se há tanta gente a querer modalidades fortes, porque é que tão poucos aderem à quota suplementar? Os últimos números de que ouvi falar apontavam para pouco mais de 5.000 sócios a pagá-la (este número não é de forma alguma oficial, estou apenas a citar aquilo que ouvi). Num universo de mais de 170.000 sócios, isto parece-me patético.
 

por D`Arcy às 15:06 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Domingo, 29.06.08

Campeões nacionais de futsal.

O nosso Benfica mereceu ser campeão. Ultrapassou todos os obstáculos internos e externos, ultrapassou todos os adversários internos e externos, sofreu e venceu. É disto que são feitos os campeões, é desta cepa que se constrói o nosso Benfica.

De forma séria e com gente séria, espero que o futsal seja uma das modalidades em que o nosso Benfica continue a apostar.

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por Pedro F. Ferreira às 17:17 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Quinta-feira, 26.06.08

O mundo ao contrário

 

Um tipo vem de uma dezena de dias angelicais na Islândia e quando regressa o mundo está ao contrário. O cebola no FC Porco (provavelmente estão bem um para o outro, vendo bem: as prostitutas devem estar em casas de alterne), as nossas taças dos campeões em Angola, camionetas de transporte de suínos a arder, a Espanha numa meia final do que quer que seja de futebol.

O que é que falta, o Miguel Sabugo Tavares a escrever livros sem copiar de ninguém ou o Rui Santos a comprar fatos em lojas de adultos? 

 

Tremo só de pensar na próxima vez que tiver de me ausentar do país.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 09:02 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Terça-feira, 24.06.08

A quem de direito.

 

Não sei se alguém da direcção da SAD do Sport Lisboa e Benfica lê este blogue. Sei que há benfiquistas com responsabilidade que, por vezes, passam por este espaço.

Assim, e especialmente para estes, eu, como sócio do Benfica (e apenas do Benfica), pergunto a quem direito o que é que foi feito pelos responsáveis do Benfica para reaver as duas Taças dos Campeões Europeu, a primeira Taça de Portugal que o nosso Clube conquistou, a última Taça de Portugal que conquistámos, a Taça Latina e uma das botas de ouro do Eusébio que estão há quase um mês retidas na alfândega do aeroporto de Luanda, em Angola?

Cá fico à espera que alguém com um pingo de vergonha me responda a mais um atentado à história gloriosa do nosso Clube que alguns cristãos-novos recém-convertidos ao benfiquismo, e que têm responsabilidades no nosso Clube, estão a cometer.

 

[adenda ao post-

além dos troféus referidos, estão retidos na alfândega os troféus do 1º e 31º campeonatos nacionais; uma camisola e umas botas antigas que, salvo erro, pertenciam a Cosme Damião]

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por Pedro F. Ferreira às 21:01 | link do post | comentar | ver comentários (75)
Segunda-feira, 23.06.08

Estupidez

No passado sábado, aquando do jogo de hóquei em patins entre o Benfica e o clube regional corrupto, algumas pessoas pegaram fogo ao autocarro que transportou a claque da referida agremiação a Lisboa. Lamento profundamente esta situação. Incendiar o autocarro vazio é um acto de puro vandalismo e de uma idiotice atroz. Não é assim que se pacifica o desporto em Portugal.

por S.L.B. às 16:20 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sábado, 21.06.08

Sobre a coluna vertebral de uma cebola.

 

No passado dia 20 de Abril, pessoa bem informada garantia-me que o empresário de C. Rodriguez assinara um pré-acordo de contrato com os andrades. Atendendo às declarações públicas de Rodriguez, mas particularmente às do seu empresário, pareceu-me que a informação era verídica. Alguma coisa entretanto mudou: a vontade do futebolista em função da possibilidade remota de existir justiça desportiva em Portugal; algo não mudou: os interesses financeiros do empresário.

No meio de tudo isto, destaco a falta de coragem de Rodriguez em assumir, perante o Benfica e no momento certo, a decisão tomada pelo seu empresário e anuída por si. Mais, a decisão final do futebolista foi protelada em função da possibilidade dos corruptos na forma tentada serem ou não punidos de acordo com a corrupção praticada. Garantida a impunidade dos corruptos, Rodriguez optou por vender a palavra que, no final da época, dera aos dirigentes do Benfica.

Perde-se um bom futebolista, ganha-se um pouco mais de paz no balneário. No clube do corrupto na forma tentada, aparentemente, conseguiram garantir a substituição de um cigano por outro.

 

[link]

por Pedro F. Ferreira às 10:25 | link do post | comentar | ver comentários (97)
Sexta-feira, 20.06.08

Jornal d'"O Benfica"

José Nuno Martins acaba de ser anunciado como novo director do jornal d'"O Benfica", uma decisão que me cria grandes e positivas expectativas.

 

Tenho grande respeito por JNM, grande profssional, sobretudo na rádio.  Muito ouvi eu o seu "Os Cantores do Rádio", eu que nem sequer sou um fanático de música brasileira.  Creio que não tem experiência de direcção de jornais, que é um mundo um pouco diferente do da rádio e televi~são, mas espero que seja capaz de vencer o desafio.

 

Não sei qual é o projecto de JNM para o nosso jornal.  Eu tenho uma visão, que não sei se corresponde ao que vai ser implementado.

 

A minha visão é a de um jornal de grande qualidade, feito pelos melhores jornalistas Benfiquistas de Portugal, e porque não também de outros países lusófonos, com excelente distribuição (hoje a distribuição é miserável), que faça uma cobertura cada vez mais próxima e intensa de todo o universo benfiquista, incluindo todas as modalidades e escalões (deixando para artigos de opinião e entrevistas o magazine "Mística"), e que a médio prazo se transforme no jornal de referência de todos os Benfiquistas.

 

Deveria ser feito um plano com o objectivo de a 3 anos termos uma edição diária ou quase e que o nosso jornal seja nessa altura O jornal desportivo que todos os Benfiquistas comprem, em vez dos actualmente existentes.

 

Dado que somos o maior grupo de adeptos de Portugal, penso que este projecto seria viável.

 

por Artur Hermenegildo às 16:41 | link do post | comentar | ver comentários (14)

E agora, Madaíl?

Fomos eliminados pela Alemanha, já não há o perigo de perturbar as estrelas, já podemos falar sobre os males do nosso futebol? Pois é, Madaíl, estavas à espera de vir para o lamaçal com o caneco? Ias ser o maior - quem é que se iria lembrar de contestar uma federação que criou condições para levar uma selecção ao título europeu? Bom, pelo menos não perdemos uma final do campeonato europeu de futebol em casa contra a Grécia, essa super-potência do futebol mundial. A Alemanha sempre é a Alemanha, e afinal perdemos por 2-3, nada mau para uma equipa que era candidata ao título...

 

Mas voltemos ao importante. Quando voltares, e depois de eventualmente acusares os benfiquistas de não terem deixado a equipa em paz e de responsabilizares o Benfica pela derrota da selecção diante da Alemanha, vais explicar bem os contornos da história do PC, do FCP, da UEFA e etc.? Bem lá no fundo, e usando o teu apregoado bom-senso, devias estar agradecido à Alemanha: é que assim vais poder voltar para o teu país e tentar limpar a imagem, mesmo internacional, de um futebol de corrupções tentadas. Ou será que  o teu bom-senso se lamenta por ter planos de limpar a lama com a ajuda da conquista do campeonato europeu? Pois é, Madaíl, em vez de sermos o país campeão europeu seremos o país em que a corrupção, pelo menos a tentada, compensa. Foleiro, pá! Dura imagem.

 

Outra coisa, ainda. Se o "sucesso da Selecção e da FPF representa também um acrescento de prestígio para todos os clubes, dirigentes, atletas e demais agentes do nosso futebol", o insucesso representa o quê? Será que, seguindo a lógica madailística, o insucesso representa um aumento do desprestígio? Então será legítimo concluir que o insucesso da FPF se relaciona com o desprestígio internacional em que caiu o futebol português com a história das corrupções?

 

Termino com umas dicas para as entrevistas que vais dar quando chegares:

Fomos roubados.

O Benfica criou instabilidade.

O Scolari estragou tudo quando permitiu que se anunciasse a sua contratação pelo Chelsea.

O Benfica criou instabilidade.

O Scolari estragou ainda mais tudo no jogo com a Suiça (já não és casado com ele, e ele vai compreender estas acusações).

O Benfica criou instabilidade.

O Real Madrid prejudicou o desempenho do Ronaldo.

O Benfica criou instabilidade.

O Eusébio disse aos media que, se fosse ele a mandar, o Scolari não saía.

O Benfica criou instabilidade.

O Scolari não convocou o Baía.

O Benfica criou instabilidade.

A UEFA criou instabilidade nos jogadores portistas.

O Benfica criou instabilidade.

Os emigrantes são um público muito exigente.

Quarta-feira, 18.06.08

Porreiro, pá!

É triste o aproveitamento que a nossa ridícula Federação Portuguesa de Futebol está a fazer do Euro 2008 para nos distrair da vergonhosa história de corrupção no futebol português e de todas as confusões, desenrascanços e chicos-espertices em volta deste lamaçal. O apelo vem no site da FPF: «A FPF volta a apelar ao bom-senso e serenidade de todos os agentes do futebol português, tal como tem vindo a ser praticado pelo Dr. Gilberto Madaíl, tanto mais, que a Selecção Nacional está a poucas horas de disputar um jogo decisivo na fase final do Campeonato da Europa de 2008. O sucesso da Selecção e da FPF representa também um acrescento de prestígio para todos os clubes, dirigentes, atletas e demais agentes do nosso futebol». Boa ideia, Madaíl. Diria mesmo: porreiro, pá. Traduzindo: é melhor que nos calemos, portuguesinhos da treta, porque caso contrário o Ronaldo não marca o golinho que nos faz esquecer a merda de federação que temos, a merda de justiça que temos - desportiva e não só - e a merda de país que, afinal, somos. E é duplamente bom que se calem, porque ganhando a selecção mais este joguito, podem continuar a aumentar os combustíveis, deixa de haver greves, o Governo continua na sua demanda da inutilidade pura e o povo bate palmas e anda contente, pobre, mas contente. Bom-senso? Serenidade? Quero bem que se lixe com um F maiúsculo a selecção! Antes de ser português sou benfiquista, e espero que o Nuno Gomes não pactue com isto (se de um golo teu, Nuno, depender a manutenção do lamaçal, marca-o, mas na baliza do Ricardo). O cúmulo da palhaçada vai ser amanhã a selecção perder e o Madaíl dizer que a culpa é do Benfica porque não se calou, porque não foi conivente com o sistema.

 

Este comunicado da FPF é a demonstração de um certo peso na consciência: não havendo argumentos lógicos, usa-se a selecção " de todos nós". É melhor ficar por aqui. Se escrever mais um parágrafo, talvez amanhã acorde adepto da Alemanha desde pequenino.

Terça-feira, 17.06.08

Queixinhas

Acho uma certa piada (e acharia ainda mais, não fosse o facto de me dar a volta ao estômago) andarem agora a apelidar o Benfica e os benfiquistas de 'queixinhas' ou 'bufos', por via do comportamento do clube junto da UEFA no caso da 'condenação-da-qual-não-vamos-recorrer-todos-sabem-porquê-
-mas-que-afinal-já-não-é-condenação-nenhuma-porque-
-recorremos-sim-senhor-estão-aqui-os-papéis-todos-e-os-
-pareceres-destes-senhores-catedráticos-que-até-são-todos-
-benfiquistas-e-que-desinteressadamente-e-não-por-encomenda-
-provam-que-mesmo-depois-de-passado-o-prazo-do-recurso-
-afinal-a-condenação-não-transitou-em-julgado-não-senhor-
-e-agora-que-conseguimos-semear-tamanha-confusão-na-UEFA-
-que-eles-adiaram-a-decisão-vamos-aproveitar-e-proclamar-
-vitória-como-se-tivéssemos-sido-declarados-inocentes-de-toda-
-a-porcaria-que-fizemos' do Fóculporto, e da suas possíveis consequências. Então quer dizer, vergonha não é andar a manipular, corromper, aldrabar, mas sim denunciar esses comportamentos? Porque é que o Benfica deveria calar-se? Mas porque carga de água é que nos devemos sentir vinculados a esta omertà que, desconhecia eu até hoje, parece vigorar no futebol português? Devemos sentir-nos obrigados a guardar silêncio sobre a porcaria que se passa cá dentro? Para quê, para depois podermos contratar um Hélder Postiga?

Devemos é concentrar-nos em fazer uma equipa suficientemente forte para vencer tudo dentro do campo (o que, diga-se desde já, me parece complicado se contratarmos o Hélder Postiga)? Mas andam todos de olhos fechados, são assim tão ingénuos ou quê? Eu já vi equipas do Benfica com jogadores como Valdo, Ricardo Gomes, Aldair, Paneira, Thern, Magnusson e outros do mesmo nível, treinados pelo Eriksson, chegarem à final da Taça dos Campeões, e nesse mesmo ano perderem o campeonato para equipas com jogadores como Paulo Pereira, Bandeirinha, Caetano, Kiki ou Semedo treinados pelo Artur Jorge. Acham mesmo que basta construirmos uma equipa forte para resolvermos os nossos problemas?

Por mim acho muito bem que o Benfica não se cale neste assunto. Mesmo que continuemos a ser os únicos a não ter medo das consequências da quebra da omertà. Normalmente o código de honra dos criminosos costuma considerar uma vergonha e uma ofensa imperdoável a quebra do pacto de silêncio. Não admira portanto que eles nos acusem de queixinhas como se de uma grande vergonha isso se tratasse.
por D`Arcy às 15:10 | link do post | comentar | ver comentários (47)

E pronto, vai tudo cair-me em cima.

Eu acho lamentável que o Benfica se ponha em bicos dos pés, e tente chegar à Champions, fazendo queixinhas dos outros. Por um lado ergue a bandeira da transparência e verdade desportiva e depois luta por um mérito que desportivamente não conseguiu ter. Quem tiver de ser julgado, julgado será; e se for condenado, que pague pelo(s) crime(s) cometido(s).

Já sei que, na lógica de partido único vigente no nosso clube, em que cada palavra que não seja de elogio é considerada traição, numa cegueira que, estou certo, não será sequer do agrado da própria direcção, não faltará quem me vá cair em cima, mas a minha opinião é esta: o Benfica não devia comentar este caso, ponto. Devia jogar a prova que a UEFA determinar e apontar baterias para o que conta: construir uma equipa capaz de aceder todos os anos à Champions por ser Campeã Nacional.

 

Adenda

 

Face aos comentários, só quero acrescentar algo que é fundamental para mim: se a UEFA colocasse o Benfica na Champions por via administrativa eu acho que o Benfica devia recusar ir, nestas condições, e devia jogar a UEFA. Por uma questão de grandeza. De valores. Ter na alma a chama imensa. Voar acima da medíocridade.

 

Segunda-feira, 16.06.08

Eis a imagem internacional dos andrades.

 

Há uma tal imagem de sujidade associada ao clube do corrupto na forma tentada que nem as sórdidas operações de cosmética montadas pelo dito a conseguem limpar.

 

 

«Strange kind of justice

 

It was good to see Uefa’s tough line on FC Porto held for all of a week. Banned from the 2008-09 Champions League for trying to bribe referees in domestic matches during the 2003-04 season, Porto were as good as reinstated on Friday after the sentence was thrown out on appeal. The disciplinary committee will now review the case. And justice will surely be done for, as Michel Platini, the Uefa president, rarely tires of pronouncing, wealthy English clubs are the real cheats. Maybe Manchester United should spend less on players and more on referees.»

 

Na edição online do "Times" de hoje. [link]

por Pedro F. Ferreira às 22:32 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Domingo, 15.06.08

Conseguimos perder com a Suíça.

 

Hoje, depois da porcaria de jogo, de atitude e de falta de genitália masculina que aqueles garotelhos demonstraram, apenas lamento pelos emigrantes portugueses na Suíça que, deste modo, não poderão, amanhã, olhar para os seus patrões com o mesmo ar de gozo com que o Scolari olha para o seu actual patrão, ou lá que raio de título tem o palerma do Madaíl.

por Anátema Device às 21:42 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sábado, 14.06.08

Hóquei

Aconteça o que acontecer na final do playoff, para mim estes jogadores já são heróis. O hóquei em patins é uma modalidade pela qual eu tenho grande estima, e aquela que eu considero ser a minha 'segunda modalidade' no Benfica. Hoje tive a oportunidade de ver o terceiro jogo da final do playoff, disputado na arena de Fânzeres, e apesar da derrota final fiquei orgulhoso dos nossos jogadores. Porque é preciso um grande carácter para defrontar um adversário que luta com armas gritantemente desiguais, e ainda assim defender o nosso emblema daquela maneira. Faz-se muito barulho acerca do que se passa no futebol, mas no hóquei, aproveitando o menor mediatismo, o despudor é ainda maior. A semana passada já vimos o possível e impossível ser feito para que não vencêssemos o segundo jogo do playoff. Não o conseguiram evitar, mas tiveram a sua pequena vingança: o nosso capitão Mariano Velasquez foi expulso, e depois 'presenteado' com três jogos de suspensão. Exactamente o necessário e suficiente para que não jogue mais nenhum jogo do playoff, terminando assim desta forma triste a sua carreira no Benfica.

Na arena de Fânzeres, onde os espectadores se deslocam para satisfazer a sua sede de sangue, e onde lhes são permitidos todos e quaisquer comportamentos animalescos, já conhecemos bem o que se costuma passar. Entre jogadores nossos a saírem directamente para o hospital, cartões vermelhos e azuis ao desbarato, penáltis e livres directos a pedido, o que é certo é que não podemos sair de lá com a vitória. Hoje foi apenas um pouco mais do mesmo. O Benfica cometeu o 'erro' de marcar dois golos de rajada logo no início do jogo, e deu-se logo início ao festival. Após intenso labor de todos os envolvidos, que incluiu três penáltis patéticos a favor do fóculporto, um golo ilegal, e cartões azuis aos nossos dois melhores marcadores (Tó Silva e Ricardo Barreiros), lá nos conseguiram levar de vencida por 5-3, perante o regozijo mal disfarçado dos clássicos comentadores da RTP Porto (um deles chegou a descuidar-se, e ao ver o fóculporto desperdiçar mais um contra-ataque soltou um 'Temos que ser mais práticos no contra-ataque'), que traduziam o tradicional canto que eles têm quando se referem às profissões das respectivas mãezinhas e ao SLB por 'cânticos de apoio a Reinaldo Ventura após o penálti falhado', e o olhar atento do corrupto de forma tentada, que aproveitou mais uma oportunidade para se dar à idólatra.

Por tudo isto só posso dar os parabéns aos nossos jogadores pela atitude demonstrada, por nunca terem perdido a cabeça nem terem deixado de lutar, e garantir que lá estarei no próximo dia 21 a apoiá-los.

por D`Arcy às 20:10 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Sexta-feira, 13.06.08

Sobre uma coisa chamada Federação Portuguesa de Futebol.

A posição que hoje a UEFA tomou é legítima e era expectável perante as piruetas que a justiça desportiva portuguesa tem efectuado.

Efectivamente, as posições recentes que exalam (e o fedor é grande) dos órgãos jurisdicionais da Federação Portuguesa de Futebol não fazem temer o pior (pois o pior já aconteceu no quarto de século em que o roubo tem medrado nas práticas do clube do famoso corrupto na forma tentada que sistematicamente suja o nome de uma cidade portuguesa), mas fazem temer que, mais uma vez, as práticas camorristas da ameaça física, da coacção, da intimidação psicológica e da impunidade dos criminosos vão continuar e vão dar frutos junto dos juízes de apito e calções; assim como frutificarão, pelos vistos, junto dos outros que acreditam que o uso da beca faz o juiz.

Assim, no antro espúrio de uma Federação aparentemente dirigida por um capacho chamado Madaíl, acredito que os que insistem em ajuizar em causa própria vão, mais uma vez, lavar com água já suja o que não é lavável. A UEFA, essa, vai limitar-se a ratificar uma decisão já encomendada pelos mesmos que, durante os últimos 25 anos, têm escarrado no futebol português.

Resta não esquecer o essencial: num regime democrático, sempre que a justiça julga, a justiça é julgada.

por Pedro F. Ferreira às 13:31 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Domingo, 08.06.08

Euro? Qual Euro?

Benfica já é campeão nacional de juvenis, após derrotar uma equipa qualquer. Ora aqui está uma notícia que interessa. É claro que a equipa regional derrotada hoje em Lisboa (na verdade foram duas, mas refiro-me à que jogou contra o Benfica), no âmbito de um apito encarnado que, mais cedo ou mais tarde, conseguirão criar, irá mostrar que os jogadores do Benfica andavam dopados com Capri-Sonne e que a marca de pastilha elástica mascada pelo árbitro era da mesma marca que a de um jogador do Benfica. Euro? Qual Euro?

Portugal 2 – 0 Turquia

 

Começo pelo fim: a justiça nas palavras de Simão ao dedicar a vitória ao Quim. Regresso ao início: a preocupante lesão do nosso guarda-redes no último treino antes do dia do jogo. Não por obra do destino, já Quim perdera o lugar de titular para um dos poucos futebolistas com lugar cativo na equipa. Por obra do destino, Quim perdeu a possibilidade de poder, treino a treino, mostrar a injustiça da sua condição de suplente.

Antes do jogo, é sempre arrepiante ver todo aquele público a cantar o hino nacional, a sentir o hino; é sempre agradável ver a alma com que os nossos futebolistas o entoam e não deixa de ser curioso ver a incapacidade do Deco para decorar umas quantas estrofes que a ele pouco lhe dizem, mas que muito dizem a quem é português.

Durante o jogo, vi uma exibição consistente, com alguns futebolistas a mostrarem uma solidez exibicional (se utilizo mais uma vez o jargão do futebolês, acabo já com o texto!) que eu não esperava no primeiro jogo. O nosso Nuno Gomes teve, como há muito não via, a confiança para rematar à baliza… um remate ao poste, outro à barra e a capacidade de desmarcar Pepe para um belo golo. Foi um Nuno Gomes a prometer muito. O Petit, vindo de uma época irreconhecível, fez um jogo com nota positiva e, sem ser exuberante, foi eficaz. Neste momento, isto é o máximo que se lhe pode pedir. Deixo ainda duas notas para dois futebolistas que muito gostei de ver: Moutinho e Bosingwa, o futebolista do Chelsea.

No final do jogo, ficou uma importante vitória sobre a Turquia e, a julgar pelas manifestações públicas de anónimos e de notáveis, a convicção de que já estamos na final do Euro!? Uma última nota para a classe dos comentários de Rui Costa na TVI .

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por Pedro F. Ferreira às 13:23 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sexta-feira, 06.06.08

Franchise

Acabei de ler algumas declarações do empresário do Edgar, que no início da época passada foi dado como certo na Luz, mas que acabou por ir parar ao Dragoum (sem grande pena minha, já que quando ele foi dado como certo no Benfica nunca achei que fosse uma contratação entusiasmante). Diz ele que tomaram a decisão errada ao ir para o Dragoum - que surpresa. De um lado tinham um clube que estava interessado no jogador. Do outro tinham um clube que estava interessado em que o jogador não fosse para o outro clube. Não me parece que seja necessária uma inteligência fora do normal para se saber qual seria a opção mais interessante do ponto de vista da carreira do jogador em questão. Aliás, a exemplo do que terá acontecido com o Kazmierczak, que também se revelou de uma utilidade extrema esta época lá para os lados de Contumil.

Mas não é isto que eu acho que tenha qualquer interesse nas declarações do empresário. A parte que me divertiu mais foi mesmo esta:

"Esteve seis meses no FC Porto sem jogar absolutamente nada, foi cedido a outro clube no qual o treinador dependia do FC Porto e onde parecia que o interesse era para também não jogar."

Não é que isto seja propriamente uma novidade,
mas acho de qualquer forma sempre interessante ver a dependência directa de um treinador de um adversário do Porto na Liga exposta com esta clareza por alguém de dentro do meio do futebol. O esquema do Porto de colocar simpatizantes e pessoas próximas à frente de vários dos clubes da Primeira Liga (emprestando depois jogadores aos clubes que aceitam esse amigalhaço por lá, numa espécie de esquema de franchising) é sobejamente conhecido, e um dos tentáculos do 'sistema' implantado. Depois esses 'amigos' costumam estar a olhar para o chão nas alturas em que algo de estranho se passa, ou no final dos jogos desfazem-se em elogios ao Porto mesmo que tenham sofrido autênticos assaltos dentro do campo. No entanto, após um jogo contra o Benfica já são capazes de berrar como bezerros desmamados se um lançamento lateral for mal marcado (e, como sabemos, não estou a exagerar nesta história dos lançamentos, já que basta lembrarmo-nos do que se passou esta época em relação ao Binya).

por D`Arcy às 18:10 | link do post | comentar | ver comentários (15)

Puppet

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 08:49 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Quinta-feira, 05.06.08

O Fundamental e o Acessório

É claro que acho que o castigo aplicado cá no burgo aos corruptores é de rir à gargalhada.

 

É claro que me divirto imenso com a possibilidade destes gajos não irem à Champions - mais pelo significado do acto em si do que pelo facto de nós serrmos um dos beneficiados com o mesmo (e já agora, ao contrário do que a nossa imprensa e tv querem fazer crer, não "os mais" beneficiados - esse será sempre o Guimarães, já que as suas hipóteses de passar a pré-eliminatória e chegar aos "milhões" eram escassas).

 

É claro que toda a gente sabe que estes dois jogos, ainda por cima naquele campeonato, são apenas a ponta do iceberg - mas lembrem-se, também só conseguiram condenar o Al Capone por fraude fiscal...  Nestas coisas, é preciso pegar no que se tem, o resto vem depois.

 

Mas para mim isto dos castigos maiores ou menores é Acessório.  Nem todos os castigos do mundo que pudessem ser aplicados ao fcp nos devolviam o que foi roubado em 25 anos.  Ver o crime castigado pode ser um bálsamo para as nossas consciências, mas em nada se traduz em resultados práticos nem desfaz o que foi feito.

 

O que é então Fundamental?  Fundamental tem de ser sempre o Futuro.

 

Para mim, o Fundamental começa e acaba no simples reconhecimento de que este clube "de sucesso" pratica estes actos - reconhecimento que é geral, inclusivé pelos próprios, já que toda a sua defesa se baseia em razões processuais (podem ser usadas escutas?  a Carolina é credível?  A UEFA está a aplicar o regulamento ilegalmente com efeitos retroactivos? etc) e não na negação dos factos.

 

O estigma com que ficaram e as suas consequências futuras serão o maior e verdadeiro castigo, espero eu.

 

Ou seja, a minha esperança e convicção é de que de hoje em diante nada seja o mesmo, que de hoje em diante todos olhem para estes gajos e para o seu "sucesso" com desconfiança, que de hoje em diante o que foi não se possa repetir, que de hoje em diante o Combate Desportivo seja apenas e só isso mesmo - Desportivo.

 

Que de hoje em diante possa ganhar quem é efectivamente Melhor.

 

E que o Melhor possa ser o GLORIOSO SLB.

por Artur Hermenegildo às 18:01 | link do post | comentar | ver comentários (11)

As boas-vindas ao blogue "Novo Benfica"

 

 

A "Tertúlia Benfiquista" dá as boas vindas a um grupo de amigos benfiquistas que iniciou um novo blogue: Novo Benfica.

 

[Diga-se que quase nos levavam um dos nossos escribas, mas por estas bandas não fazemos com as nossas vedetas negócios idênticos ao que o nosso clube fez com o Simão. :) ]

 

Um abraço a todos e bons posts.

 

(além de tudo o resto, tiveram o bom gosto de se alojarem no Sapo)

por Pedro F. Ferreira às 00:36 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Quarta-feira, 04.06.08

Futebol Corrupto do Porto

 

É pouco, muito pouco – chega a ser ridículo – tendo em conta as décadas de corrupção em que o Porco da Costa submergiu o país, mas é um início. O estigma fica, mas é - ainda assim - pouco. Foram condenados cá (embora a coisa tenha sido cozinhada por forma a não descerem de divisão) e foram condenados lá fora. Mas estou convencido que vão usar todos os subterfúgios legais, acrobacias processuais e toda uma panóplia de estratégias pouco éticas para reverter a decisão, e que o vão conseguir fazer. Peço desculpa pela visão pessimista, mas não tenho razões para pensar que o mundo de repente se torne justo. Finais felizes só tenho visto no cinema.
É inacreditável que seja a UEFA a indicar a direcção da justiça, mas percebe-se. Vivemos num país de carneirada mole subserviente e corrupta. Um país de justiça eternamente adiada. Para mais tarde, até a memória se cansar. É o proverbial ‘logo se vê’, o ‘deixa andar’, que isto já ‘faz parte’.
 
Peço a vossa especial atenção para o jornal desta noite na SIC. Mais uma vez, esta república das bananas estende a passadeira vermelha e faz o beija-mão a um criminoso da noite portuense, por entre os sorrisos orgasmáticos dos entrevistadores, que evitam acrobaticamente as perguntas incómodas e anuem efusivamente ao ouvir as respostas canalhas. No final, vai-se elogiar a ‘fina ironia’ do Presidente do FC Porco e dar relevo às acusações gratuitamente proferidas - deliberadamente vagas. Estejam atentos. O Porco da Costa não vai tentar justificar o injustificável, mas sim usar a manobra de diversão favorita: o Benfica.
Porquê? Porque é o único que lhe faz frente.
 
Neste país de moluscos invertebrados sem estrutura moral, em que  se fazem entrevistas bajulatórias encomendadas em quase todos os órgãos de comunicação social, em que se convidam criminosos para almoços na casa da democracia portuguesa, em que se é benevolente e até atencioso para com hordas de primatas criminosos que se juntam sob o pretexto de claque organizada, a única entidade que pugna pela verdade e que rema contra a maré da subserviência cobarde é o Benfica. BENFICA, em letras maiúsculas, que é mesmo assim, maior, mais honrado, segundo de ninguém. Orgulhosamente sozinho, porque o resto do país vive no faz-de-conta, assobia para o lado e finge que não se passa nada (quanto ao Sporting Conivente de Portugal, esse vive imerso numa hipocrisia amordaçante para não melindrar o aliado corrupto, que lhe empresta convenientemente árbitros comprados como o Lucílio e lhe oferece finais de Taças e segundos lugares).
 
O que vai Porco da Costa dizer? Muito bem, entre muitos mais pedaços de excremento, vai – sei-o no íntimo - atirar com a ideia que tem treinado amiúde na comunicação social desde que se soube que a UEFA ia analisar o caso. Que isto são manobras de quem não consegue vencer dentro do campo para ir à Liga dos Campeões. Pois é. Induz o vómito.
 
Isto é uma amostra da mais nauseabunda desonestidade intelectual de que há memória. É um argumento mentiroso, aviltante, atentatório da inteligência de quem o ouve, redutor, porco, nojento, asqueroso.
Senão, vejamos: um clube corrompe, compra árbitros, ROUBA, vicia campeonatos, destrói o futebol português, utiliza criminosos para amedrontar quem ainda luta contra isso, e no fim, quem denuncia a situação para a UEFA (sozinho, enquanto o Sportem faz uso da parceria e compra Postigas e a Federação desvia as atenções para o Euro 2008), quem pugna pela verdade desportiva, quem quer ver justiça feita é que ‘não consegue vencer dentro do campo’ e quer utilizar outras vias para obter benefícios desportivos? Caramba. Se ainda há gente neste país que compra este argumento, é porque ou são tão criminosos como o Porco da Costa e companhia, ou são burros.
Profunda e inapelavelmente burros.
por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 17:41 | link do post | comentar | ver comentários (28)

1-0

FC Porto suspenso por um ano das competições europeias

 

Naturalmente partilho do estado de euforia do Leão Eça Cana no post abaixo, mas não esqueçamos que o jogo ainda vai a meio. A justiça está a ganhar por um e a partida acaba aos três. É claro que é melhor estar na frente, mas tenho bastante medo da decisão do Conselho de Justiça da Federação, que irá certamente influenciar os recursos na Uefa. O polvo está em pânico e os tentáculos vão tentar chegar a todo o lado e fazer todos os possíveis para inverter esta situação. O facto de ter sido anunciado que o CJ está a tentar colar a decisão relativa ao presidente ao próprio clube não é nada bom sintoma. Resta-nos aguardar, mas por enquanto festejemos este “golo”.

 

P.S. 1 – A minha alegria é totalmente independente do facto de o Benfica poder vir a participar na 3ª pré-eliminatória da Champions com esta decisão. É a sensação que a justiça que não foi feita cá está em vias de ser feita lá fora, que me deixa imensamente contente. A falta de vergonha, a chico-espertice e a imoralidade daquele clube nojento estão finalmente a ser penalizadas. Um ano de suspensão é pouco, mas sempre é melhor do que seis pontos...

 

P.S. 2 – São condenados em Portugal, não recorrem; são condenados na Uefa, recorrem. Onde é que está a coerência daquele clube?! Eh, eh, eh!!!

por S.L.B. às 14:11 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Terça-feira, 03.06.08

Uma sentença para várias cabeças

A propósito das declarações de Gilberto Madaíl, que se apressou a puxar o lençol para destapar a cópula entre a FPF (ele?) e o macho dominante – ou será “norteante”? - do futebol português, vem-me à cabeça (dos dedos) um diálogo a que assisti num programa que aparece nas grelhas de programação televisiva com o nome de “Liga dos últimos”.

 
Ali, quanto a mim, o entrevistador teve o privilégio de obter do entrevistado um dos pensamentos mais certeiros do que é este tal futebol. Falava ele do seu clube, mas eu sinto que aquela revelação sublimada pelo vapor etílico é muito mais abrangente. De facto, basta substituirmos o contexto do “clube” para “futebol português” ou darmos outro emblema àquele substantivo - e, para começar, lembro-me logo do que se tem passado (?) no nosso Benfica – para sermos transportados para uma dimensão bem acima da terra batida pela proximidade do grelhador de couratos onde a conversa provavelmente se desenrolou. Ora atentem e tirem as vossas conclusões:
Entrevistado: Há clubes que estão a morrer. Este ainda está para nascer.
Entrevistador: E em que fase é que está?
Entrevistado: Está na fase da fecundação.
 
(Pois claro! escrevo eu)
por Carlos Silva às 14:52 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Segunda-feira, 02.06.08

Encontro imediato

Não é costume eu andar de metro àquela hora. E também não é costume eu estar acompanhado do jornal que está na imagem (costumo lê-lo em casa). Mas a vida proporciona-nos acasos felizes. Hoje ia a entrar no metro com o referido jornal (especialmente esta edição, com aquela capa) e quem é que eu vejo no átrio, junto a um pequeno quiosque de jornais? Exactamente, o senhor que está na capa do jornal! Como eu estava ao telefone e a conversa não podia ser interrompida, deixei-o lá estar, passei o cartão pelos torniquetes e entrei na plataforma, todo roído por não lhe poder dizer nada. Só que quando o telefonema acabou, virei-me para trás e quem é que eu vejo a descer as escadas em direcção à plataforma? Claro, essa mesma pessoa!

 
Pensei: “esta é uma oportunidade única! Não te vais perdoar se não lhe disseres nada!” Ele estava sentado a ler um jornal e eu caminhei na sua direcção, enquanto pensava o que iria fazer. Tentei combater a tendência de lhe perguntar manualmente o porquê dos 124 livres para o André Cruz, dos penalties do Bessa e dos inúmeros roubos de igreja que tem perpetrado contra o Glorioso, e consegui. Claro está que, se fosse logo no dia a seguir ao jogo do Bessa deste ano, iria ser muito mais difícil não ceder à tentação das perguntas manuais, mas passado este tempo as tendências de ser irracional (qual super-dragão) acalmam-se naturalmente. E além disso, eu acho que as bofetadas de luva branca têm efeitos mais duráveis do que as que deixam marcas momentâneas.
 
Como lia um jornal, ele só reparou que eu ali estava quando abri a boca. Assim que digo a primeira palavra (já vão saber qual é), ele levanta os olhos para mim, com uma expressão relativamente simpática de quem pensa “ora cá está alguém que me reconhece e que tem algo elogioso para me dizer”. Disse-lhe o seguinte, mostrando-lhe a 1ª página desta edição do jornal do Benfica:
 
 
 
“A justiça tarda, mas não falha!”
 
Só gostaria que vissem a cara dele quando se apercebeu do jornal que eu lhe estava a mostrar. Parecia que tinha visto o Diabo! Os vampiros, quando vêem a cruz, não devem ter uma expressão muito diferente! Dito aquilo, virei-lhe as costas e vim-me embora. Curto e grosso. 1-0 sem espinhas. À Benfica.
por S.L.B. às 20:51 | link do post | comentar | ver comentários (38)

Um açor no ninho da águia?

De repente - como quem não quer a coisa, enquanto se comenta, inocentemente, a ida do Postiga para o Sporting, e enquanto se vai dizendo que o Postiga acabou por fechar as portas de Alvalade ao Pauleta - o meu interlocutor diz que, possivelmente, foi a recusa do Pauleta em ir para Alvalade que abriu as portas ao Postiga. Obviamente, surge a pergunta “Então e o Pauleta, vai para onde?” O sorriso da resposta foi de tal forma evidente que nada teve de enigmático.

 

Veremos se a duração do contrato e o montante do ordenado não impedirão um açor de voar no ninho da águia…

por Pedro F. Ferreira às 20:17 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Domingo, 01.06.08

Pela memória de Carlos Alhinho

 

Escreveu Eduardo Lourenço que “habitados a tal ponto pela saudade, os Portugueses renunciaram a defini-la.” Esta saudade que vive na nossa portugalidade leva à obrigação da recordação, mas não obrigatoriamente à obrigação da memória. Para que houvesse memória seria necessário que se tivesse produzido real, que (nas palavras de José Gil) tivesse havido “inscrição”. No entanto, nesta nossa vivência da portugalidade, a “não-inscrição” é mais confortável do que a capacidade de produzir o real.

Serve este pequeno intróito para escrever um pouco sobre a nossa capacidade de viver a saudade sem conhecer a memória. Ontem, morreu o Carlos Alhinho. Em Portugal, o Alhinho jogou futebol profissional na Académica, no FC Porto, no Sporting, no nosso Benfica, no Portimonense e no Farense. Foi 15 vezes internacional A. No nosso Benfica jogou 4 épocas (de 1976 a 1980), ganhou 2 campeonatos nacionais, 2 Taças de Portugal e 1 Super Taça. Jogava como defesa e foi, salvo erro, o primeiro futebolista português a jogar nos denominados “três grandes”. No passado dia 17, O Cromo dos Cromos (o outro site para o qual escrevo) ia homenageá-lo em Coimbra, juntamente com o Simões (FCPorto, Académica, Portimonense) e com o Rui Rodrigues (Académica, Benfica). O Alhinho não pôde estar presente porque o Benfica o convidara a acompanhá-lo na recente deslocação de final de época a África. No entanto, ficara combinado que não faltaria ao nosso próximo encontro. Ontem, chegou a notícia de que morrera de uma forma absurda. Sei que, no próximo encontro que fizermos, ele, mesmo não estando, estará presente. E sei-o porque este futebolista, como tantos outros, povoa o imaginário infanto-juvenil de todos os que viveram o futebol português nas décadas de 70 e 80. O Alhinho faz parte do tempo em que se coleccionavam os cromos dos nossos ídolos com a capacidade de inscrever o sonho na realidade. Enfim, produzia-se real. E é esse real produzido que me (nos) impede de permitir que não haja memória. Mais do que a saudade é urgente a memória.

O Carlos Alhinho faleceu ontem. Saibamos ter a memória de um dos grandes futebolistas que muito honrado se sentia por ter um dia representado o nosso Clube.

por Pedro F. Ferreira às 12:34 | link do post | comentar | ver comentários (11)

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