VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 31.10.08

Descubra as diferenças

No passatempo de hoje ilustramos – em forma de condenação! – dois momentos lúdico-agressivos em estádios de futebol. Observe atentamente cada um deles e assinale as diferenças… 

 
situação 1 
 
situação2 
 
 
soluções:
1 - no filme de cima, há um misto de agressão/chamada de atenção paternalista no acto. No filme de baixo a paternidade (tal como a irmandade) junta-se ao acto.
 
2- a situação de cima dura uns segundos. A situação de baixo é mais dura e continua por minutos.
 
3 - no filme de cima, o agressor, depois de efectivado o ilícito, volta ao seu lugar na bancada, onde será agredido pela Polícia de Intervenção, que o vai resgatar, sendo protegido pelo povo indignado com tanta bastonada zelosa. No filme de baixo, o(s) agressor(es) esquece(m) a coragem demonstrada na agressão e foge(m) bancada acima, vindo a ser protegido(s), não se percebe do quê ou de quem, por parte dos dirigentes donos do ringue.
 
4- em baixo os “guardas” conversam. Em cima os polícias bastonam.
 
5- no filme de cima, o agredido participa – e bem! - do agressor, sabendo-se que a agressão motivou uma ida ao Instituto de Medicina Legal, onde lhe diagnosticaram um traumatismo cervical. Ficou sem trabalhar cinco dias (in Expresso.pt). No filme de baixo, aconteceu o que na Justiça se intitula de “comer (e muito!) e calar”. Nem deu para arrotar uma desculpazita, apesar da diversidade de bufett(ada).
 
6– No filme de cima o agressor foi condenado, por um juiz, a uma pena prolongada por um ano. No filme de baixo foi o agredido a ser condenado, por um júri inteiro, e executada a pena imediatamente.
 
7- apesar de ambos equiparem de vermelho, as barbas do agressor de cima são maiores e têm muito mais estilo que as barbas do paternal agressor de baixo.
 
8- no filme de cima, o repórter cumpre a sua função de informador/jurista/juíz e alerta para o facto de ser “certo que é o clube da luz que vai sofrer as consequências”. No filme de baixo só se tratou de “um final infeliz para a RTP”.
 
9- no filme de cima, o acto acontece no calor do jogo. No filme de baixo a cena escorrega no gelo de uma derrota (e pelos personagens que aparecem, quanto muito, foi discutida no “Calor da noite”).
 
10- no filme de cima apareceu um adepto com a indumentária de um clube do Norte. No filme de baixo, apesar da indumentária, pareceram todos devotos a esse tal clube.
And so on 
por Carlos Silva às 16:24 | link do post | comentar | ver comentários (17)

Descanso

Carlos Xistra no V. Guimarães - Benfica

 

É bom saber que certas tradições não se perderam. Ou muito me engano, ou no próximo domingo teremos um grande espectáculo em Guimarães e não irá ser proporcionado por nenhuma das duas equipas de 11 jogadores. Uma pessoa pode dormir descansada quando sabe que as coisas estão em boas mãos. Este senhor dá mais que garantias que as crises dos outros ficarão certamente mais dissipadas se quem está à frente deles não se afastar muito na classificação. Ou seja, é um zelador da competitividade do campeonato. Só para relembrar os mais esquecidos, temos este exemplo, bem acompanhado por este e, claro está, a pièce de résistance.

 

P.S. – Não há mesmo vergonha na cara, pois não?!

por S.L.B. às 01:00 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quinta-feira, 30.10.08

Quem diz o que pensa a mais não é obrigado. Ou qualquer coisa do género.

 

Parece que a lagartagem espumou (imagino o uso de adjectivos como ‘cocó’ e ‘possidónio’, à boa maneira da quecalhada) com a entrevista que o João Moutinho (nada menos que o capitão do conjunto de moços a que chamam, passo a citar: ‘equipa’) deu à revista masculina GQ, em que se percebe um desejo latente de jogar no Glorioso.
Honestamente, não percebo qual é a surpresa. Todos os jogadores querem sair dos clubes pequenos e ir jogar para um clube grande. Neste caso, para o Maior Clube do Mundo. É natural.
Há, no entanto, aqui uma dúvida que me assalta (é o que se chama de ‘doubtjacking’): tendo a entrevista sido publicada na revista ‘masculina’ GQ, como terá a turba réptil tido conhecimento da conversa? Haverá cross-selling entre a Elle, a Playgirl e a GQ? Ou há, tipo, um lagarto que informa todos os outros do que vai lendo nas revistas para homens?
 
Adiante.
É com o Glorioso que sonha (ao invés do Rochembolha, que sonha com quantidades industriais de bifes a cavalo e feijoadas, ou do moço do Veloso, que sonha com o Cláudio Ramos), e isso percebe-se muito bem, mas também acho que nesta altura até para a Associação Recreativa do Marmeleiro o rapaz sairia. Convenhamos, qualquer indivíduo com o mínimo de dignidade tenta fugir depois de lhe enfiarem uma juba pela fronha abaixo num bizarro anúncio que parece um cartaz promocional à versão gay do Feiticeiro de Oz.
 
Neste momento há outra dúvida que me assalta (acho que é a mesma de há bocado, que me lembro da arma branca que ela brande): pode a versão original do Feiticeiro de Oz ser considerada uma versão straight?
 
Não?
 
Bem me parecia.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 17:47 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Quantas caras faltam para acabar?

 

Recentemente foi insinuado que a minha presença escrita neste tão relevante quanto exemplar espaço de discussão Benfiquista estaria a ter a mesma utilidade que um passe do Bynia. Nada mais verdadeiro, escrevo eu. Para além do penteado, as semelhanças no atabalhoanço do rendimento da equipa são indisfarçáveis.
 
A faculdade de perceber a futilidade dos meus conteúdos é legítima e, por si só, já revela a extrema inteligência de quem é Benfiquista, ainda para mais, apurada pelo facto de frequentar este espaço.
 
Resta-me, tal como ao citado africano, tentar entreter as “massas” com um malabarismo qualquer que se revele pertinente na forma e profícuo no resultado. Ele, que usa as mãos melhor que os pés, faz lançamentos laterais longos para a área. Eu também vou tentar usar as mãos (e deixar de escrever com os pés da cabeça) para entrar na área dos assuntos verdadeiramente interessantes para a vivência do nosso Clube. É por esse motivo que, em seguida, passarei a abordar o estimulante tema dos “placares electrónicos”.
 
Todos os que frequentavam o antigo estádio se recordarão daqueles monstruosos elementos que encimavam as cabeceiras. Os mesmos que recordam essas presenças indeléveis também guardarão na memória que aquelas estruturas se mantiveram apagadas durante longos anos, arrastando-se este silêncio luminoso até à sua demolição. Morreram – ou foram abatidos – muito antes do ninho que os aconchegava. Para mim, aquela escuridão era incompreensível e representava uma tristeza que me obrigava, durante os jogos, a desviar constantemente o olhar, na esperança de ver uma lampadazinha, que fosse, acesa ou o movimento de um dos ponteiros. Nada! Esconderam de vez todo o manancial informativo em luz monocromática para o qual foram ali colocados – o tempo de jogo, a constituição das equipas; o resultado do jogo; os marcadores dos golos; etc.; etc. E mesmo quando as coisas não corriam bem no relvado e os olhos precisavam de ir ali buscar refúgio, só encontravam aquele vazio negro que, qual poço de areia movediça, ainda afundava mais a alma…
 
Com o conhecimento de um novo estádio, um dos primeiros comentários que me lembro de fazer foi precisamente “até que enfim! vamos ter placares a funcionar outra vez”. Sim, eu acho que mais que o Euro2004, o verdadeiro móbil para um novo estádio foi a construção de um local onde se pudessem instalar uns ecrãs do mais à ponta da tecnologia possível. E assim foi, temos uns placares electrónicos como deve ser. Às cores e tudo!
 
Só que agora, em vez de serem usados para o seu propósito, o que é que lá está durante o jogo? O esgar da malta que está a assistir! Mas qual tempo de jogo, quais equipas? Temos um cantinho ínfimo e encolhido dedicado ao relógio e o resto é ocupado com as carantonhas dos utentes das bancadas àquela hora. Claro que, de vez em quando, por lá aparece os minutos de jogo que já se gastaram e a cara e o nome das substituições e dos cartões. Mas só de vez em quando. Eu quero é sempre! Preciso olhar para lá a qualquer altura e, sem preocupação se vou acertar no momento ou não, saber se falta muito para arrefecer o suor ou se posso já começar a pensar se vou comer uma bifana ou um coirato. E se este é bem ou mal passado.
 
Caros gestores dos placares, se eu quiser ver tipos embarretados com cara de quem quer ir ali ao fiscal de linha dar um calduço, olho para o lado, não preciso do placar. Da mesma maneira, se quiser ver uma mulher de meia-idade a disfarçar os afrontamentos da menopausa com os insucessos de cada jogada do Glorioso, ou jovens indecisos entre roer as unhas ou vazar o acne de uma borbulha, olho para cima ou para baixo (não necessariamente por esta ordem).
 
Se querem diversificar, exponham a cara dos adversários quando estão a perder ou, melhor!, passem a edição mensal online da Playboy*.
 
*Playboy é uma marca registada que não merecia ser referenciada num texto meu, muito menos onde também é citado o Bynia
por Carlos Silva às 15:19 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quarta-feira, 29.10.08

E agora? (parte II)

Quando escrevi este post, foi com a intenção de lhe dar continuidade noutro(s) post(s), antes que o novo treinador fosse escolhido e o plantel para 2008/09 definido, com o objectivo de partilhar com quem (ainda) tiver pachorra para ler os meus posts (quais posts? ...) a minha reflexão sobre o presente (e o futuro) do Benfica. No entanto, tal acabou por não se proporcionar.
Ainda que, como é óbvio, o contexto agora seja outro, nem por isso deixa de haver questões sobre o presente do Benfica que me fazem reflectir constantemente. A verdade é que, apesar de acreditar na competência da equipa técnica e na qualidade global do plantel (ainda que nem sempre ter bons jogadores signifique ter uma boa equipa...) e de a equipa ter tido exibições muito positivas (ainda que longe de perfeitas...) contra o SCP e o Nápoles, é ainda evidente que há um longo caminho a percorrer...

Começo por fazer uma pequena retrospectiva deste início de época 2008/09:
- Pré-época condicionada pela participação de alguns jogadores nossos no Euro 2008, pelas negociações para contratar um novo treinador e jogadores que representassem uma melhoria do nosso plantel. Como se não bastasse, Quique Flores ainda teve de observar os jogadores todos à disposição (mesmo os "casos perdidos"...) para poder "fechar" o plantel;
- Lesões que têm impedido de contar com o plantel em pleno;
- Tirando, como já referi, os jogos com o SCP e o Nápoles, o Benfica tem manifestado, até agora, alguma dificuldade em realizar exibições convincentes e com a qualidade e regularidade expectáveis.

Relativamente à pré-época e às lesões, limito-me a aceitar os factos (esperando, obviamente, que o problema das lesões vá diminuindo com o tempo...).
Quanto à qualidade das exibições, constato que, de o SCP e o Nápoles serem, em teoria, adversários de maior dificuldade (se compararmos com Leixões, Penafiel, Naval, etc.), a verdade é que foram adversários que adoptaram uma postura algo passiva. Em contrapartida, adversários como os outros que referi têm apresentado, perante o Benfica, uma postura bastante mais dinâmica, procurando sempre pressionar o Benfica logo junto à sua defesa, no sentido de dificultar o Benfica a exercer a iniciativa de jogo que por natureza é sua (por ser a equipa com mais ambições em jogo). E o que observo é que o Benfica tem manifestado alguma dificuldade em desenvencilhar-se dessa pressão.

Outro aspecto: como o Anestércio Leonardo bem referiu neste post, é que o Benfica, vendo-se em vantagem, tem tendência para relaxar um pouco... Se por um lado, é natural que a intensidade ofensiva diminua, a intensidade defensiva (que não é o mesmo que jogar à defesa...) tem de aumentar, pois o mais natural é que o adversário queira recuperar da desvantagem. Incompreensivelmente, o Benfica tem incorrido na mesma situação sucessivamente e a excepção foram, para não variar, os jogos com o SCP e o Nápoles, em que o Benfica, depois de marcar, continuou a exercer pressão para manter o adversário afastado da nossa área (no caso do SCP, de salientar que o 2-0 surgiu logo a seguir ao 1-0, precisamente porque o Benfica não deixou de atacar após inaugurar o marcador).
Apesar de tudo, os nossos adversários mais directos também têm, felizmente, revelado bastantes fragilidades, o que permite ao Benfica estar à sua frente (ainda que a diferença pontual seja pouco significativa) - obviamente, a liderança do Leixões e do Nacional não deverá durar muito mais tempo, mas não deixa de ser curioso constatar que tal acontece depois de já terem decorrido 6 jornadas (1/5 do campeonato).
Por fim, apraz-me constatar que Quique Flores apenas coloca a jogar os jogadores que apresentam condições para tal e que promove a rotação do plantel, essencial para que a equipa não esteja tão dependente de alguns jogadores. Infelizmente, no jogo contra o Penafiel, em que Quique procurou dar oportunidades a jogadores menos utilizados, a correspondência esteve longe de ser a desejada...

Posto isto, pergunto-me a mim mesmo: E agora?...
Será o Benfica capaz de encontrar a "fórmula" para ultrapassar com menor dificuldade adversários teoricamente mais fracos (mas cada vez mais bem preparados física e tacticamente)?
Irá o Benfica encontrar um modelo de jogo que consiga fazer sobressair a qualidade técnica de alguns dos seus jogadores, sem prejuízo do 'colectivo' (quando a equipa não tem a bola, todos têm de contribuir para a recuperar, e quando a tem, todos têm de se movimentar no sentido de a manter)?
Será que, atendendo às insuficiências até agora reveladas pelos adversários e à margem de progressão que, a meu ver, o Benfica ainda tem, será legítimo "exigir" que o Benfica seja campeão já este ano?
Será Quique Flores capaz de gerir a rotatividade do plantel (garantindo, ao longo dos jogos, o equilíbrio entre a qualidade dos "onze" titulares e as expectativas dos jogadores) essencial para consigamos também uma boa prestação na UEFA? ...

sinto-me: esperançado mas apreensivo...
Terça-feira, 28.10.08

Hipocrisia - Os cães de fila do 'politicamente correcto'

 

Peço desculpa, mas vou ter escrever isto. Vai ter de ser.

 

Estes partidários do amordaçante movimento 'politicamente correcto', que vai matando a espontaneidade e a honestidade intelectual que felizmente ainda existe por aí, comportam-se como uns puritanozinhos de meia tijela e vislumbram fontes de ameaças ao bom gosto (ah, o bom gosto, como é importante preservá-lo, especialmente se for a nossa noção de bom gosto – a dos outros não vem ao caso) e ao decoro mal descobrem uma posição mais desalinhada com a ‘moral implícita’.
 
Como é que esta gente, que aparentemente não tem nada melhor para fazer do que andar a navegar pela blogosfera armados de um marcador azul virtual a classificar o que é de ‘bom gosto’ ou o que é ‘despropositado’, descobre no post sobre o Reinaldo Reles uma – ah, o horror; ah, a blasfémia – ofensa ao 'valor da vida humana' ultrapassa-me. Mas, convenhamos, também me ultrapassa o que faz correr esta gente morta em vida que vive com um açaime na boca e com uma trela ao pescoço em nome da ‘decência’ e da ‘moral’. Gente que gosta de proferir axiomas sobre o que é aceitável e sobre o que passa o limite, segundo uma linha por eles imposta e por eles gerida, do alto da sua presunção e da sua pretensa superioridade moral.
 
Para as madalenas ofendidas que para aqui andam a manifestar o seu incómodo face ao conteúdo do post ‘De lamentar’, e a brandir irritantemente perto dos narizes de quem não pensa como eles considerações vagas e abstractas sobre o valor da ‘vida humana’, quero-vos perguntar se passam os vossos dias a fazer um sem número de mini-velórios em honra dos milhões que morrem todos os dias por esse mundo fora. Quero-vos perguntar se o vosso dia-a-dia é perturbado pelo ‘valor da vida humana’ dos milhões que são vítimas de catástrofes naturais pela Ásia fora, se perdem tempo a pensar nos milhões que morrem como resultado de conflitos armados absolutamente imbecis por África ou se vos aflige o suficiente para irem comentar para blogs os milhões que morrem e que sofrem de doenças incuráveis. Fazem luto e escrevem comentários em blogs pelas vítimas dos acidentes aéreos, que são raptados das suas vidas de forma rude e estúpida e que deixam à deriva as famílias?
Não? Continuam a divertir-se, almoçar, jantar, ver filmes, ler livros alegremente como se nada fosse? Sim?
Cambada de hipócritas, manada de jumentos paternalistas auto-proclamados arautos da moral e dos bons costumes que acham que têm legitimidade para julgar e criticar os outros, alguma destas coisas vos tira o sono? Não?
 
Então vão para o raio que os parta e vão ser cinzentos, mortos por dentro e politicamente correctos para vossa casa e deixem os outros fazer as considerações que entenderem e exercer o seu direito de escrever o mundo como o vêem (e que não é necessariamente igual ao vosso, e ainda bem, ainda bem).
O que vos dá o direito, quem acham que são, para decidirem o que é de ‘bom gosto’ e o que é ‘propositado’? E mais, porque sentem a necessidade e têm a presunção de vir repreender (de forma paternalista e ofensiva) quem não pensa como vocês e vir ditar juízos sobre a ‘decência’ e o ‘bom gosto’? Precisam de normalizar os restantes?
 
Tanta gente boa e nobre a morrer e a sofrer por este mundo fora e estes amorfos preocupados com um proxeneta no hospital, fora de perigo, a recuperar de um enfarte do miocárdio.
 
p.s. é por estas e por outras, Lord Henry, que tenho moderação de comentários (que vai, naturalmente, funcionar para este post). Dá-me, entre outras coisas, o poder de imaginar o mundo sem estes obtusos.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:24 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Jornalismo desportivo. 1

Ao longo dos anos tenho acompanhado a carreira do jornalista João Querido Manha, não o conheço pessoalmente, mas não têm conta o número de horas que passei a ler as suas crónicas dos jogos ou as suas reflexões sobre algumas realidades do futebol. Tenho-o, também pela sua antiguidade (como o tempo passa!) e pela responsabilidade do cargo que ocupa, como um jornalista que já está naquela fase da carreira em que se deve assumir como exemplo para os jornalistas mais novos.

No entanto, desde há uns tempos – diria que coincide com a nomeação de Rui Costa como Director Desportivo – João Querido Manha tem demonstrado uma tal sanha no afã de criticar tudo o que lhe cheira a intervenção de Rui Costa que, inevitavelmente, tem caído no descrédito.

Há aspectos no Benfica que são criticáveis (como em todos os clubes), mas não são todos e quando as motivações de um jornalista ultrapassam o razoável começa a cegueira. Esta cegueira pode levar a caminhos tortuosos e nada recomendáveis. A prova disso é a crónica de João Querido Manha em que, escondendo a mão na defesa de Nuno Gomes, atira a pedra a Rui Costa. Quando isto acontece, deixamos o jornalismo e entramos na questão pessoal. Deixamos a frontalidade da opinião e entramos no campo da cobardia (e não é, de todo, esta a imagem que tenho de JQM).

__

Vejamos a prosa em questão: Título: Nuno Gomes - Morte anunciada é um exagero - Correio da Manhã , 18 Outubro 2008. (link)

 

No 2º parágrafo, assume como uma certeza a ideia de que Nuno Gomes (o capitão de equipa) é ”perseguido” dentro do clube, chegando ao ponto de escrever que há, dentro do Benfica, quem deseje que Nuno Gomes “desampare a loja” (esta pérola de linguagem é exemplificativa de como se não deve escrever num jornal…); não contente, assume que no Benfica há um “preconceito contra a veterania”. Fundamentação: nenhuma!

 

No 3º parágrafo, defende a tese de que o sucesso de Nuno Gomes é um problema para Rui Costa. Fundamentação: nenhuma! Má-fé: bastante! Alvo: Rui costa.

 

No 4º parágrafo, a ideia-chave é esta: “Agora, fica entregue aos desígnios da sorte benfiquista, lutando para não ser uma cara velha num plantel que se alimenta, de forma viciada, das novidades do mercado.” Apresenta-nos um Nuno Gomes humilhado, ofendido, entregue à sua sorte e, aqui chegamos ao requinte, vítima de um Benfica que se alimenta no mercado (atenção, vem ai a punchline) de forma viciada! Fundamentação: zero. Objectivo: atacar Rui costa, de forma torpe, acusando-o de entrar em esquemas de mercado viciado.

 

No 6º parágrafo, a forma de ‘defender’ Nuno Gomes é, no mínimo, estranha: “No Benfica, para satisfazer a turba-multa, tornou-se obrigatório contratar estrangeiros.” Muito bem, se quiser entrar pelo mesmo caminho de honestidade intelectual, sempre poderia dizer que, quando o Correio da Manhã apresenta diariamente aqueles títulos sensacionalistas do mais puro jornalismo (algures entre o The Sun e o Jornal do Incrível), também é para satisfazer a “turba-multa”. E, já que estamos com a mão na massa, é turbamulta e não “turba-multa”. Objectivo: atacar Rui Costa! Objectivo falhado, pois o melhor que conseguiu foi ofender a turbamulta que compra o jornal.

 

No 7º parágrafo, a forma de 'defender' Nuno Gomes é dizer “A opção do Benfica para este ano, com a tomada de poder por Rui Costa […]” A tomada de poder!? Bem, quando chegamos a este tipo de discurso, é porque a questão começa a ser deontológica...

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Lamento que um jornalista como João Querido Manha enverede por este tipo de jornalismo.

Nuno Gomes não merecia este tipo de 'defesa' e, penso eu, os leitores do Correio da Manhã deveriam merecer um pouco mais de respeito por parte deste jornalista. Mereciam que, pelo menos, não os tomassem como lorpas. Em suma, quem escreve um artigo como aquele enferma de uma grande falha: parte do princípio de que os seus leitores não passam de turbamulta.

por Pedro F. Ferreira às 13:04 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 27.10.08

De lamentar

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer o convite que me foi formulado para juntar a minha voz a este magnífico blogue e só espero estar ao nível dos excelsos benfiquistas que por aqui escrevem. Não irá ser uma tarefa fácil, mas vou tentar estar à altura.

 

Reinaldo Teles internado no Porto

 

Queria comentar esta notícia, por me parecer ser da mais elementar justiça colocarmos clubismos à parte e lamentarmos este facto. Numa altura em que o ódio no futebol está cada vez mais espalhado, quando um ser humano sofre um problema de saúde devemos estar todos solidários. Ainda para mais, um ser humano como este que é um verdadeiro modelo a seguir, um baluarte de fair-play, desportivismo, lisura de processos, classe e dignidade. Um enorme exemplo para os nossos filhos e filhas. Um homem que jamais fomentou ódios, que nunca agrediu ou mandou agredir membros da direcção de clubes rivais, jornalistas ou juízes e que sempre respeitou os seus adversários. Um verdadeiro benemérito, empregador de centenas e centenas de jovens raparigas que sem ele certamente estariam na miséria e passariam fome.

 

Por todas estas razões, lamento muito o que se passou e daqui lhe desejo o que ele certamente desejaria se isto acontecesse a um qualquer Ricardo Bexiga: as mais rápidas melhoras.

por Lord Henry Wotton às 18:40 | link do post | comentar | ver comentários (26)

Benfica em análise.

Muito se tem falado do Benfica, se joga o Nuno Gomes e o Suazo, o Suazo e o Cardozo, o Cardozo e o Nuno Gomes, o Aimar e o Suazo, o Suazo e o Cardozo, etc etc etc.

 

A mim isso não me tem preocupado em nada, porque o problema do Benfica não tem sido o marcar golos.

 

Senão vejamos. Na UEFA temos em três jogos 5 golos marcados. No campeonato em 6 jogos já marcamos 11. Ainda não ficamos um jogo quer na UEFA quer no Campeonato sem marcar um golo. O único jogo que ainda não marcamos foi para a Taça. Ora bem, feitas as contas em 10 jogos temos 16 golos.

 

O pior é se fizermos as contas aos golos sofridos, é que os números assustam. Em 10 jogos sofremos golos em quase todos, menos contra o Napoles em casa, contra o Sporting e contra o Penafiel. Ou seja já sofremos 10 golos em 10 jogos.

 

Ao falar nisso não quero criticar a defesa, que apesar de tudo este ano me dá mais seguranças. Quero criticar a mentalidade dos jogadores do Benfica. Vi isso contra o Leixões, contra o Hertha de Berlim, e ontem contra a Naval.

 

O Benfica marca o golo e começa a defender o resultado. Se contra o Hertha ainda aceito isto, contra o Naval ontem, e contra o Leixões há uma semana foi inaceitável.

 

Por princípio sou contra a defesa de resultados. Uma equipa para ganhar o jogo tem de ter a bola em sua posse e tentar continuar atacar, e a marcar mais um golo que dê tranquilidade. Com uma diferença de dois golos, já acho bem que uma equipa tente gerir o resultado. Mas nunca a defender na sua linha de defesa.

 

Quando uma equipa quer defender, deve defender logo na linha de defesa do adversário, e não na linha da sua defesa.

 

E o Benfica tem defendido na retranca. Resultado, tanto com o Hertha como contra o Leixões, empatou um jogo que teria ganho facilmente, se continuasse a tentar atacar, ou a defender mais em cima. Contra o Naval, com alguma sorte, ainda tivemos força para marcar o 2º.

 

Penso que esta atitude tem de mudar e rapidamente, que como vimos, não tem dado resultado.

 

Alguém explique aos jogadores que a camisola que eles vestem é a do Benfica, e o Benfica joga em qualquer campo para ganhar, e sem medo dos adversários.  Defender resultados de 1-0 com Leixões, Navais, não é coisa do Benfica, nem dos seus jogadores.

 

Vamos lá, porque marcar golos temos marcado, agora é só deixar de sofrer os golos estúpidos que temos sofrido.

 

Anastércio Leonardo

Karma

Esta cena do karma às vezes é tramada...

Gostava de poder dizer que tenho muita pena, mas a verdade é que não tenho. E ele já devia saber no que é que se ia meter. Afinal, não é a primeira vez que coisas destas acontecem por aqueles lados.

Quanto a nós, paciência, lá tivemos que ir buscar o Reyes. Esta cena do karma às vezes é linda.

por D`Arcy às 11:37 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Domingo, 26.10.08

Mais

Confesso que no final do jogo não sabia se, enquanto saía do estádio, estava mais satisfeito com a vitória ou mais irritado com a nossa exibição. Caramba, ainda estou à espera de ver os nossos jogadores fazerem uma exibição convincente contra uma das chamadas equipas pequenas. Só se motivam contra os adversários com mais nome, ou quê? Acho que hoje merecemos a vitória, isso não se coloca em dúvida, mas na minha opinião os nossos jogadores têm a obrigação de fazer e mostrar mais do que aquilo que vimos durante largos períodos do jogo de hoje. Nós somos o Benfica. Os mais de 45.000 espectadores que se deslocaram esta noite à Luz merecem mais.


A equipa voltou a mudar em relação ao último jogo. No meio campo, regressos de Carlos Martins, Ruben Amorim e Yebda, enquanto que o ataque ficou entregue à dupla Suazo/Nuno Gomes. Acho que já disse várias vezes que não gosto nada quando a zona central do nosso meio campo fica entregue à dupla Yebda/Carlos Martins, e para mim este jogo voltou a demonstrar porquê. Adiante. A entrada do Benfica neste jogo foi frouxa, isto para não utilizar um palavrão para a descrever. Os nossos jogadores pareciam andar por ali a passear, enquanto que os rapazes equipados com as lonas das barracas da sua praia, surpresa das surpresas, até pareciam estar ali para correr um bocadinho. Isto perante os olhares de espanto dos outros, equipados de vermelho. Pelo menos durante quase quinze minutos, pouco ou nada vi da parte da nossa equipa. Depois lá arrebitaram um bocadinho (em especial depois de um grande susto, com a Naval a falhar uma oportunidade de golo clara), e aproximaram-se mais da baliza adversária. O Reyes foi fazendo uns remates, depois conseguimos finalmente fazer uma boa jogada, que terminou numa boa defesa do guarda-redes a remate do Suazo, e as coisas lá animaram. Numa das jogadas em que lá fizeram o obséquio de tentar marcar um golo, e para isso tiveram de entrar na área adversária, o Ruben Amorim foi claramente derrubado, num lance para penálti. Seria até um prémio imerecido para tanta inércia dos nossos jogadores, mas a verdade é que era mesmo penálti. Digo 'era' porque, claro, mesmo sendo o lance nas barbas do auxiliar, nada foi assinalado. Depois do que vimos ontem no estádio do animal imaginário, volta a verificar-se que tudo continua na mais perfeita normalidade. Rui Costa foi eficiente, e se calhar para a semana vem o irmão dele continuar o trabalhinho, a julgar pelos critérios de nomeação para os nossos jogos a que tenho assistido. Enfim, normalidades à parte, o jogo lá se foi arrastando até ao intervalo, polvilhado de algumas tentativas do Reyes que se ficaram pelas boas intenções, e uns falhanços do Suazo.

Para a segunda parte, o Benfica pareceu entrar mais decidido. Um pouco mais de velocidade e agressividade sobre a bola mostraram a diferença que podiam fazer. O Nuno Gomes falhou uma boa oportunidade logo a abrir, e pouco depois marcámos mesmo, mas o Suazo estava claramente em posição irregular. Só que o ímpeto acabou por não durar muito, e após um quarto de hora voltámos à sonolência. O Quique foi fazendo substituições, mas estas pouco mudavam o figurino no jogo, já que os jogadores que entravam iam fazer as mesmas funções daqueles que substituíam. A mim pareceu-me que faltava maior presença e agressividade na zona central do meio campo, onde perdíamos sistematicamente todas as bolas divididas e onde quase todos os ressaltos acabavam nos pés de um jogador da Naval, e portanto esperava a entrada do Katsouranis para o lugar do Carlos Martins (que para mim fez um jogo muito fraco). Só que ele entrou para o lugar do Yebda, e ficou tudo na mesma. As coisas estavam tão paradas que, por mais de uma vez, e perante a apatia dos colegas, que não se desmarcavam para receber a bola, foi o Sídnei a arrancar com ela nos pés e a ir quase de uma área à outra. A coisa só desatou na sequência de uma bola parada. A um livre do Reyes sobre a esquerda correspondeu o Luisão de cabeça, finalmente desfazendo o nulo.

O problema foi que os nossos jogadores pareceram claramente quererem descansar à sobra desta magra vantagem. Faltavam ainda vinte minutos para o final, e a Naval mostrava vontade e capacidade para marcar. Perante tanta parcimónia dos nossos jogadores (total ausência de pressão, e para além disso não consigo perceber como é que um jogador quando é ultrapassado se deixa ficar para trás, parando ou recuando a passo, em vez de perseguir o adversário), a Naval primeiro ameaçou, e depois marcou mesmo, num lance em que o marcador do golo apareceu ao segundo poste, na pequena área, completamente sozinho. Faltavam oito minutos para o final, e talvez aí os nossos jogadores se tenham apercebido que era necessário fazer algo mais do que ficarem a ver a banda passar para ganhar o jogo. Felizmente só foi necessário esperar quatro minutos para resolver um problema que ameaçava tornar-se sério. O Cardozo recuou até perto do círculo central para abrir a bola na esquerda, no Jorge Ribeiro, e depois deslocou-se para a área, para corresponder com um grande cabeceamento ao bonito centro do defesa esquerdo do Benfica (num lance em que houve também uma falha de marcação gritante da defesa da Naval, embora haja também muito mérito na forma como conseguimos criar uma situação de superioridade na área), fixando o resultado final em 2-1.
Depois, nos minutos finais, foi giro ver que a Naval afinal até se preocupava um bocado com a possibilidade do adversário andar a queimar tempo.

Por mais que tente não consigo pensar nos melhores jogadores do Benfica. Alguns estiveram bem a espaços, mas na generalidade o nível exibicional deixou muito a desejar. Posso sempre mencionar os centrais, que não tiveram falhas gritantes, sendo que o Luisão ainda marcou um golo, mas não se pode dizer que tenham estado brilhantes. De igual forma, também é difícil dizer quem esteve pior. Já disse que achei que o Carlos Martins esteve desinspirado, mas não foi o único, já que acabou por acompanhar a mediania geral.

O mais importante acabou por ser o resultado. Vencemos, conquistámos merecidamente os três pontos, e agora estamos à frente dos dois que pensam que são grandes. Estamos a um ponto da liderança e, se pensarmos bem, não nos podemos queixar muito. É que noutras ocasiões, a jogarmos mal perdíamos, e não demorava muito até andarmos a olhar para o primeiro lugar a uma distância considerável.

por D`Arcy às 23:29 | link do post | comentar | ver comentários (23)

Os dias dos tentáculos

Sim, não jogámos bem. Sim, ganhámos os 3 pontos! Sim, merecemos estes 3 pontos! Neste momento é para este último “sim” que me interessa olhar.

Este post não é para falar de tácticas, nem de méritos ou de deméritos. É para falar de uma realidade que não é de hoje, mas é sintomática do país em diminutivo em que vivemos. Hoje vi uma Naval 1º de Maio (tal como venho repetidamente observando várias equipelhas que vem fingir que jogam ao nosso Estádio) demonstrar um vergonhoso anti-jogo. Hoje, vi um árbitro que subiu com palmadinhas nas costas e rasuras de nomes até à primeira categoria (termo paradoxal quando se fala de árbitros portugueses), acompanhado por uma junta de… bandeirinhas muito solícita e atenta às orientações emanadas por quem manda (o tal que pode), a ser cúmplice nesse anti-jogo. A comunicação social zurze em quem, nem sempre bem, tudo faz para ganhar o jogo, e louva quem mediocremente pratica anti-jogo, ofendendo o público e a essência do futebol.

Hoje, foi mais do mesmo: perder tempo, simular lesões, rebolar no chão, ganir agarrado aos artelhos, pedir a maca... e árbitro a assobiar para o ar com aquele sorrisinho de quem está a agradar ao dono.

Hoje, foi mais do mesmo: uma grande penalidade clara por assinalar a favor do Benfica e mais uma entrada no osso e à má-fila (“viril” para a submissa comunicação social lusa) sobre um dos futebolistas que sabe jogar futebol – hoje foi o Di Maria. Hoje, o Benfica ganhou apesar do árbitro. Ontem, o FC Porto perdeu apesar do árbitro.

Comprova-se a tese de que, quando se ataca o polvo, ou se mata o bicho ou este fica mais forte.

por Pedro F. Ferreira às 23:14 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sábado, 25.10.08

Obediência

Senta cão. Rebola. Deita. Apita. Assinala o penálti. Levanta a bandeira. Anula o golo. Sit, Ubu, sit. Good dog.


P.S.- Tendo em conta aquilo que conheço do José Mota, que não consegue fazer um jogo contra o Benfica sem que no final faça a choraminguice sobre a arbitragem, nem que seja por causa de um lançamento que ele julga ter sido assinalado ao contrário, fiquei curiosamente à espera da sua flash interview esta noite (ainda na última jornada, depois de um jogador seu ter metido a bola na nossa baliza já após o apito do árbitro, conseguiu queixar-se de um golo anulado). Afinal, pensei eu, depois de um penálti à moda do fóculporto e de um golo limpíssimo anulado, ele hoje iria partir a loiça toda. Desilusão completa: parecia um cordeirinho. Elogios aos seus jogadores, loas ao adversário, e nem uma palavrinha que fosse sobre o autêntico roubo que tínhamos acabado de presenciar. Há coisas que nunca mudam.

por D`Arcy às 23:14 | link do post | comentar | ver comentários (22)

O mais recente editorial do jornal “O Benfica”

Não está no código genético dos membros desta casa a exibição pública dos nossos brios. No entanto, há momentos em que o excesso de humildade é tão pernicioso como a falta da mesma.

Vem este intróito a propósito do editorial do mais recente número do Jornal “O Benfica”, em que José Nuno Martins, partindo do último jantar de Bloggers Benfiquistas, destaca o papel dos blogues na defesa do Benfica e do benfiquismo. Neste particular, José Nuno Martins dirige à “Tertúlia Benfiquista” um conjunto de elogios que, além de muito nos terem sensibilizado e orgulhado, nos dão uma motivação extra para continuar e uma responsabilidade acrescida para que possamos estar à altura do que os nossos leitores esperam da "Tertúlia": a defesa incondicional do Benfica e o testemunho de benfiquismo.

Em nome de todos os membros desta tertúlia, agradeço as palavras e a atenção de José Nuno Martins.

Viva o Benfica!

Para ler o editorial basta clicar aqui.

Sexta-feira, 24.10.08

O Benfica pensa em tudo - Adenda

 

O jogo de ontem contra as bolas de berlim vem, por um lado, corroborar o meu raciocínio do post anterior, e por outro, complementá-lo. Lá estão, mais uma vez, a diversão e o entretenimento decorrentes da montanha russa emocional proporcionada pelo Glorioso - que pode, evidentemente, levar a acidentes vasculares e enfartes do miocárdio, sim senhor, mas que não deixa de constituir uma enriquecedora viagem pelos sentidos (e, no meu caso particular, pela fascinante aventura da expansão do vernáculo popular). Mas, desta feita, fora de portas e num estádio longínquo.
Ou seja, o Benfica, além de nos banquetear com mais entretenimento visceral, fá-lo em destinos exóticos e em condições meteorológicas extremas (a atentar no look 'Scott da Antárctica' do nosso Presidente e do nosso Rei Eusébio – reparei agora que o Benfica é uma espécie de monarquia representativa). É um pacote irresistível.
A esta montanha russa emocional não é alheia, repare-se, a inclusão do Bynia no onze. Quem acha que se tratou de uma circunstância determinada pela lesão do Yebda, desengane-se. Foi uma forma, inteligente, de garantir o entretenimento. Ah, pois é. O Benfica pensa, de facto, em tudo.
 
p.s. o Nuno Gomes fez mais um jogo fantástico. É um jogador inteligente, honesto, abnegado, e que tem sofrido injustamente os efeitos da desorganização da equipa nas épocas anteriores. É o Capitão do Glorioso, merece respeito e a pequena homenagem que lhe vai ser feita no Domingo é mais que justa. Que o Estádio da Luz esteja à altura da ocasião.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 18:04 | link do post | comentar | ver comentários (1)

O Benfica pensa em tudo

 

Honestamente, tenho dificuldade em perceber as críticas que surgiram como resultado do jogo com o Penafiel.
Vamos lá ver uma coisa. O que aconteceu no Domingo, meus amigos, foi espectáculo de alto calibre. Diversão da mais alta ordem. Foi a rentabilização total do preço de um bilhete. Um tipo paga por 90 minutos e leva com 120 e ainda com penalties. No fim, o Benfica ganha. Divertimento garantido.
Os destinos do Benfica são, hoje em dia, geridos por gente que percebe muito bem como se cativa público para voltar ao estádio. O Benfica, numa perspectiva louvavelmente lúdica, proporciona uma montanha russa emocional até contra adversários contra os quais isso não se esperaria. É bem pensado, porque as pessoas gostam de surpresas, e isso tem um elevado valor acrescentado em termos de entretenimento.
 
Convenhamos: Qual é a piada de ir ver um jogo do FC Porco ou do Sportem? Uma pessoa sabe que aquilo, dê por onde der, é um espectáculo monopolizado pelo árbitro. Nem a identidade do árbitro sequer dá azo a algum suspense: normalmente é o Lucílio Baptista ou o Olegário (essas bestas esses bastiões da arbitragem nacional). Não há entertainment value.
Acresce o facto de que, no Estádio do Porcalhão, tem que se gramar com a bizarra figura do Ghandi de Mirandela, suportar emissões industriais de flatulência – varia consoante a proximidade do camarote presidencial - e ver um bando de moços com um fetiche por estações de serviço da A1 e em fases de desenvolvimento adequadas ao paleolítico a vomitar ruídos semelhantes ao de macacos sob o efeito de ecstasy. No Alvalixo, apenas gente com tendências profundas para o sado-masoquismo é que se enfia num WC forrado a azulejos rejeitados por instituições de solidariedade social com (maior) sentido estético, e recheado de cadeiras escolhidas por um daltónico, para ver 11 indivíduos disfarçados de barracas de praia a tentar interpretar o intrincado modelo técnico-táctico de um moço com uma doença capilar gravíssima (conhecida no meio médico como ‘penteado ridículo’) e que não dorme há mais de 6 meses, atendendo às olheiras. O que explica porque é que os 35 queques que por regra estão nas bancadas têm normalmente um ar incomodado. Ser masoquista, parecendo que não, incomoda.
 
No Estádio da Luz, além da evidente espectacularidade do nosso opíparo recinto, da esplêndida e bem apessoada moldura humana (isto, evidentemente, sem qualquer laivo de facciosismo) e do bom aspecto do nosso treinador, voilá!, temos este omnipresente sentido lúdico e de espectáculo. O Benfica sabe, sobretudo, entreter e recrear a massa associativa. O Benfica pensa, acima de tudo, em nós.
O que é bonito, porque nós pensamos no Benfica, acima de tudo.

 

 

p.s. estive aqui a pensar melhor e, vendo bem, um jogo do FC Porco pode, na verdade, ter entertainment value. Perguntem ao Wenger.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 16:29 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Resultado

Começo por utilizar uma frase muito gasta para falar do jogo: foi melhor o resultado do que a exibição. E tendo em conta que é muito difícil eu considerar um empate como um bom resultado para o Benfica, por aqui se vê que não fiquei propriamente entusiasmado com a nossa exibição esta noite. Claro que podemos olhar para o jogo sob duas perspectivas distintas: sob o ponto de vista puramente competitivo, e nesse caso o empate serve perfeitamente as nossas ambições de seguir para a próxima fase da Taça UEFA; ou sob o ponto de vista exibicional, e nesse caso não fiquei com muitos motivos de satisfação.

Fiquei um pouco surpreendido com a constituição inicial do Benfica. Com dois extremos de início, foi o regresso à fórmula experimentada sem grande sucesso na fase inicial da época, ficando o meio campo entregue a apenas dois jogadores, dependentes da vontade desses dois extremos em ajudarem nas tarefas de recuperação ou não. Infelizmente houve também um azar com o Yebda no aquecimento, e assim ficámos privados daquele que tem sido um dos jogadores em melhor forma e mais influentes neste início de época. O meio campo ficou assim entregue ao Binya e ao Katsouranis,
com as dificuldades daí inerentes no que diz respeito à organização das jogadas ofensivas. Na frente, Cardozo e Nuno Gomes, ficando o Suazo no banco. Ao fim de um par de minutos de jogo pensei que pudesse vir a ser uma noite inspirada da nossa equipa, já que cedo construímos uma boa oportunidade de golo, numa jogada de passes rápidos sempre em progressão, mas foi puro engano, porque daí até final dos primeiros quarenta e cinco minutos foi sempre a descer. Se calhar era eu que estava de mau humor, mas para mim a nossa exibição na primeira parte foi horrível, quase sem ponta por onde pegar. Um infinidade de passes errados e completamente disparatados, incapacidade para alinhavar mais do que três passes seguidos, e os jogadores a parecerem estar na maioria das vezes a chutar a bola sem nexo para a frente, porque aquilo nem um passe se poderia chamar. De uma forma inversa Hertha, embora sem criar muitas oportunidades, foi obviamente aproveitando a nossa incapacidade para manter a bola em nosso poder para ir crescendo, e ocupando cada vez mais frequentemente os terrenos mais próximos da nossa área.

Para a segunda parte, com o Suazo no lugar do Cardozo, a equipa apareceu melhor. Os primeiros minutos mostraram um Benfica mais agressivo e solto, pressionando o adversário no seu próprio meio campo e trocando bem a bola. Uma dessas situações resultou numa recuperação de bola, em que o Nuno Gomes desmarcou bem o Di María. O argentino parecia estar decidido a correr com a bola para além da linha de fundo, mas felizmente um defesa alemão resolveu intrometer-se no lance e de alguma forma lá ajudou o rapaz a marcar golo. Pensei que pudesse estar perante mais um daqueles jogos em que a nossa equipa se transfigura da primeira para a segunda parte, mas a verdade é que voltámos a encolher-nos muito depois do golo, e mais uma vez entrámos na rotina de oferecer bolas atrás de bolas aos adversários para que eles lançassem ataque após ataque. Mesmo assim, eles não pareciam capazes de incomodar seriamente o Quim, apesar de ser notório que a pressão estava a aumentar. Por isso não percebi a decisão do Quique de retirar o Katsouranis do campo. Não sei se o grego estaria tocado, mas a minha primeira reacção ao ver aquilo foi pensar que era um erro. O Katsouranis, sem fazer uma boa exibição, estava pelo menos a ser tacticamente útil (ao contrário do Binya, que para mim andou metade do tempo perdido em campo), e retirá-lo de campo numa altura em que se adivinha o intensificar da pressão alemã para mim não fez sentido nenhum. O que eu vi foi que, após a saída do Katsouranis, os médios alemães subiram bastante mais no terreno, colocando-se quase sempre entre a nossa linha de defesa e os dois médios, sendo que quando a bola chegava à nossa área por vezes estavam cinco ou seis alemães por ali, a conseguirem criar pelo menos situações de um para um com os nossos defesas. Depois saiu também o Reyes (que esta noite se estava a esforçar bastante para ajudar na luta do meio campo) e entrou o Urreta, que veio fazer pouco ou nada para dentro do campo - o nosso lado esquerdp depois da saída do Reyes ficou uma autêntica avenida, por onde os alemães subiam à vontade. Por isso, previsivelmente, apareceu o golo do empate (em mais uma situação em que o Pantelic ficou numa situação de um para um com o Maxi, e por isso foi só tirá-lo da frente e rematar). E não levámos com o segundo golo porque o Voronin foi nabo (após uma 'excelente' intervenção do Urreta nesse lance). Ficou o empate, ainda bem para nós, mas ficou também uma exibição pouco conseguida da nossa equipa.

Os melhores do Benfica foram, para mim, os nossos centrais, em especial o Luisão, que julgo não ter tido uma única falha durante todo o jogo. Jogo muito positivo também do Nuno Gomes, sendo que o Quim esteve igualmente em bom nível. Pelo contrário, não gostei dos nossos laterais, que falharam uma infinidade de passes, pouco ou nada conseguiram intervir no ataque,
e pareceram-me ainda algo permissivos a defender (embora, em diversas ocasiões, não tenham tido grande apoio da parte dos colegas do respectivo flanco).

O melhor de tudo acabou mesmo por ser o resultado - e portanto, exclusivamente sob esse ponto de vista, foi um jogo satisfatório. Quanto à exibição, pelo menos, e ao contrário do que se passou com o Penafiel, não considero que tenha havido má atitude ou falta de entrega da parte dos jogadores. Houve sim muita coisa a não sair bem. Regra geral, parece-me que a nossa equipa perde bastante lucidez quando joga apenas com dois médios, condição essa agravada pelo facto do Yebda não ter sido um deles. Espero melhorias já no próximo Domingo.

por D`Arcy às 05:43 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Quarta-feira, 22.10.08

Há Aimar e Aimar, há ir e voltar... talvez... mas quando?

Já lá vão 5 jogos de campeonato, 3 de Uefa e 1 de Taça, e de Aimar, até agora, só vimos um total de minutos que não deve ultrapassar muito dois jogos completos.

 

É claro que já teve tempo de ser decisivo (aquela meia hora contra a lagartagem), e isso ainda me deixa mais frustrado.  Como seria a nossa Equipa se "aquele" Aimar tivesse jogado os jogos todos, como seria expectável?

 

O que me inquieta é não saber se estamos perabte um azar, um evento pontual, ou se o jogador poderá ter realmente algum problema que o impeça de alguma vez vir a dar um contributo regular ao Benfica.  E, tratando-se ele da nossa mais sonante contratação, o anunciado "Nº 10" que substituirá Rui Costa, esta é uma pergunta que não pode ficar sem resposta.

 

O (mau) exemplo da lesão de David Luiz não me deixa nada tranquilo.

 

A única coisa positiva que retiro desta situação é que o Benfica, mesmo sem Aimar, tem feito uma boa carreira e algumas boas exibições.  Como será com ele, se ele algum dia voltar?

por Artur Hermenegildo às 16:10 | link do post | comentar | ver comentários (18)

Manuel dos Santos no "Trio d’Ataque"

Na actualidade é imperioso combater o peregrino conceito português de que em Portugal há corrupção sem corruptores, havendo, no entanto, a ligeira desconfiança de que, hipoteticamente e se o vento soprar da latitude certa, possa haver corrompidos.

Deste modo, todas as frentes são poucas para denunciar e terminar com o branqueamento de comportamentos menos recomendáveis associados aos distribuidores de fruta e café (com e sem leite). Neste âmbito, é muito importante que os comentadores benfiquistas nos órgãos de comunicação social sejam incisivos na denúncia, claros na argumentação e implacáveis para com as graçolas e ironias de quem vive pacificamente com a podridão das últimas décadas do futebol português.

Não querendo entrar em comparações injustas para com outros benfiquistas, não posso deixar de louvar o aparecimento do eurodeputado Manuel dos Santos nas últimas duas emissões do programa Trio d’Ataque, na RTPN. Finalmente senti que há alguém naquele programa que não ataca o Benfica (partindo do pressuposto de que uma má defesa propicia um bom ataque aos adversários). Aquela ideia muito em voga em alguns benfiquistas de que há que ser politicamente correcto, não puxar pelos galões e não tratar os bois pelos nomes tem dado do Benfica a ideia de que há uma confrangedora frouxidão na defesa do nosso Clube nos órgãos de comunicação social. Perante ataques torpes, injustos e intelectualmente desonestos (veja-se a recorrente falácia do recurso ao nome Calabote), observo respostas mansas, sorridentes e pouco consentâneas com a cepa benfiquista.

Assim, louvo a chegada de Manuel dos Santos que juntamente com Ricardo Araújo Pereira e Leonor Pinhão são aqueles que mais prazer me dá ler/ouvir ao fazerem a defesa pública do Benfica e ao darem testemunho do seu benfiquismo. A nota negativa no meio de tudo isto é que esta saudação é, também, uma despedida, pois Manuel dos Santos já não estará presente na próxima emissão deste programa.

por Pedro F. Ferreira às 13:02 | link do post | comentar | ver comentários (17)

Comentário

Pergunta: o que lhe apraz dizer sobre a carreira do clube regional corrupto na Liga dos Campeões deste ano, nomeadamente os resultados frente ao seu clube e ao Dínamo de Kiev?

 

Resposta:

 

 

P.S. - De vez em quando, vêm bons ventos do leste...!

por S.L.B. às 12:46 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 21.10.08

Olha-m'este!

 

Ó filho, não querias mais nada, não? É que, como se já não bastasse teres nascido para o futebol no clube regional corrupto, estando assim contaminado para o resto da vida, há ainda um pequeno pormenor: és uma nulidade!

 

P.S. - Se o Record quer apoiar as pessoas com necessidades especiais, há várias instituições para onde se pode dirigir. Escusa de fazer estas capas ridículas.

por S.L.B. às 12:36 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Segunda-feira, 20.10.08

Sorte

O que é que posso eu escrever sobre um jogo como o de hoje? Este era um daqueles jogos em que o que tínhamos a ganhar era a passagem à próxima eliminatória da Taça de Portugal, e pouco mais, e o que tínhamos a perder era quase tudo. Ou seja, tendo em conta que defrontámos uma equipa da 2ª Divisão, tudo o que não fosse uma vitória confortável para as nossas cores seria sempre criticável, dado ficar aquém do expectável. Infelizmente o Benfica acabou por ficar bastante aquém do expectável, e por isso pouco de positivo haverá a dizer para o nosso lado. Já em relação ao Penafiel, só posso mesmo louvar a organização com que se apresentaram em campo, que raramente se baralhou durante os 120 minutos. Lutaram com as armas que tinham, e fizeram-no da forma mais eficaz possível. Esta noite esteve muito perto de acontecer Taça na Luz.

Foram muitas as alterações feitas para este jogo. O Léo voltou à esquerda, meio campo entregue ao Binya e ao Rúben Amorim (sendo que este parecia ter maiores responsabilidades na organização do jogo), flancos para Urreta (esquerda) e Balboa (direita) e ataque para o Makukula e o Di María, jogando o argentino com total liberdade. Infelizmente, a maior parte dos habituais suplentes pareceu não ter vontade de mostrar inconformismo com a sua actual situação. As excepções terão sido os dois da frente, que mesmo apesar das coisas nem sempre sairem bem, pelo menos foram sempre tentando fazer melhor. As causas para as dificuldades que o Benfica teve durante todo o jogo foram visíveis desde cedo. Primeiro, uma atitude demasiado relaxada, jogando a uma velocidade reduzidíssima, como se houvesse o convencimento de que mais cedo ou mais tarde o golo surgiria. Depois, uma grande dificuldade em construir jogadas de ataque. O Rúben Amorim nunca me pareceu estar à vontade nas funções de organizador, e além disso pareceu-me sempre que nos faltou um jogador para ocupar uma posição entre as duas linhas de defesa do Penafiel. Havia ali um espaço demasiado vazio, entre os nossos dois médios centrais e os avançados, espaço esse que nunca foi ocupado. O resultado foi que, numa espécie de regresso ao passado, voltei a ver o recurso excessivo ao futebol directo, com a bola a ser chutada directamente do nosso meio campo defensivo para o ataque, na esperança que o Makukula conseguisse ganhar alguma delas e cabeceá-la em condições para o Di María. Isso quase nunca aconteceu, e a primeira parte foi muito feia de se ver.

Na segunda parte, sem substituições de início, pouco mudou. O que mudou, mudou do lado adversário, já que o Penafiel foi ganhando confiança e foi-se atrevendo de vez em quando no ataque. Não foi preciso muito tempo para que o Quique tivesse que recorrer ao Reyes e ao Suazo, e para que passássemos a jogar quase em 4-2-4. O Benfica pareceu espevitar, mas depressa se apagou, e exceptuando um cabeceamento do Makukula ao poste, não conseguimos criar grandes ameaças à baliza adversária. Foi ainda necessário adaptar o Binya a lateral direito, já que o Katsouranis teve que entrar para o lugar do Miguel Vítor, que saiu após uma entrada bárbara de um adversário. Mesmo sobre o final, foi até o Penafiel quem subiu e causou um calafrio, mas o nulo manteve-se e assim se foi para prolongamento. Ou seja, para todos os efeitos, o Benfica empatou esta noite em casa contra um adversário da 2ª Divisão. Não é propriamente dignificante para os nossos jogadores que subiram ao relvado. Só na segunda parte do prolongamento, particularmente na fase final, é que o Benfica conseguiu encostar o Penafiel lá atrás e criar oportunidades de golo com frequência, mas o mal já estava feito e foi mesmo preciso recorrer aos penáltis, onde o Moreira lá defendeu um dos pontapés e permitiu ao Suazo dar-nos a vitória.

Conforme disse, poucos foram os jogadores menos utilizados que aproveitaram esta oportunidade dada pelo Quique. O caso mais flagrante foi, para mim, o Balboa, que pouco ou nada fez enquanto esteve em campo. Tendo em conta aquilo que custou, está até agora a revelar-se um verdadeiro flop. O Miguel Vítor esteve bastante mal na direita - vários passes disparatados, e a maioria dos lances de perigo do Penafiel a surgirem pelo seu lado. Léo muito apagado, estranhamente a arriscar pouquíssimo no ataque, tendo em conta aquilo que lhe costuma ser habitual. Binya batalhador, mas mal na hora de construir, Urreta inconsequente e desastrado. Makukula e Di María terão sido os que estiveram menos mal (com o argentino, mais uma vez, a pecar por se agarrar demasiado à bola, sendo por isso responsável pela perda de alguns lances de contra-ataque, mas por outro lado, ainda era quem ia de vez em quando agitando um pouco as coisas lá na frente, nunca se escondendo do jogo) e, claro, nada posso apontar ao Moreira, que resolveu bem tudo o que tinha para resolver e acabou por ser decisivo ao defender um penálti (e pronto, dá-me sempre um prazer especial vê-lo na nossa baliza).

Desta vez tivemos sorte e safámo-nos nos penáltis. Mas não gostei da atitude relaxada dos nossos jogadores durante a maior parte do jogo. Esperava mais, tal como toda a gente esperaria. Assim não.

por D`Arcy às 02:29 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Domingo, 19.10.08
Sábado, 18.10.08

Rescaldo do VII Jantar de Bloguiquistas

Foi mais um déjà vu. Das 20h às 4h discutiu-se o Benfica de outros tempos, o Benfica actual e o Benfica do futuro. As horas passaram a correr, como habitualmente, e desta vez houve a possibilidade de termos a companhia visual do Benfica de 82/83 no data show do restaurante. Ou seja, o Néné, o Chalana, o Humberto, o Bento, o Stromberg, o Carlos Manuel, o Diamantino, o Filipovic, o Alves, o Veloso e o “Sr.” Shéu marcaram vários golos e fizeram várias defesas durante o jantar. Claro que, por cada lance destes que se lamentou, havia sempre um destes para nos orgulhar. A mística sai cada vez mais reforçada destes encontros. A sobremesa e o café trouxeram duas personalidades que nos honraram com a sua presença: os Srs. Directores da Benfica TV e do Jornal O Benfica, Ricardo Palacin e José Nuno Martins, respectivamente. Ficou prometida uma nova reunião lá mais para a Primavera para a comemoração das conquistas desejadas para este ano ou, mais importante ainda, para mais uma celebração do benfiquismo que nos abençoa e orgulha a todos.

 

Os convivas que marcaram presença foram os seguintes: Pedro F. Ferreira, D’Arcy, TMA, Superman Torras, Artur Hermenegildo e Luísa, Gwaihir, Glorioso Adepto, Bakero, Pedrov, Pedro, Pelicano, Cantona, Ricardo, Dezazucr e S.L.B.

Quinta-feira, 16.10.08

De Malevich a Queiroz.

O problema de Carlos é que é um Queiroz numa terra em que o julgam Queirós. Se o avaliassem como Queiroz, certamente que o perceberiam. Mas não, isto é terra de choldra e de choldra não passará.

 

Falemos de Queiroz e não do outro. Queiroz é um iluminado inovador e, como todos os iluminados inovadores (veja-se Santana Lopes outro adiantado mental… talvez daí resulte o choque de egos), é um incompreendido. Ninguém compreende que Queiroz não está agarrado à táctica do quadrado que tão bons resultados deu em Aljubarrota ou à táctica do losango que tão bons resultados dá com Mourinho (uma espécie de Condestável) e tão peculiares resultados dá com Paulo Bento (uma espécie de padeira). Estes conceitos medíocres como o do losango já não fazem sentido na pós-modernidade da geometria futebolística. Queiroz sabe-o. Queiroz revoluciona e evoluciona, criando um novo conceito de arte e geometria futebolística assente nos pressupostos do suprematismo.

 

Logo, há que transgredir, transgredindo a própria transgressão, chegando à transfiguração. Assim, tal como a pintura, o futebol não deve ter um carácter objectivo. Olhando para a táctica queiroziana percebemos que a inspiração surge do tríptico de Malevich: a Cruz Negra, o Círculo Negro e, essencialmente, o Quadro Negro. Este último é, obviamente, o primeiro e único que a choldra conseguiu percepcionar para o futuro.

 

A culpa é da choldra que não percebe Queiroz. Eu, por via das dúvidas, passo a assinar como Pherreira. É outro cachet.

(Malevich's dynamic suprematism: imagem de uma das obras que inspirou o 'desenho táctico' de Queiroz. O tal que substitui os losangos e afins)

 

Pedro Ph. Pherreira.

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[post actualizado com um modelo de observação aproximado ao empirismo (seja lá o que isto quer dizer) da táctica queiroziana]

por Pedro F. Ferreira às 16:48 | link do post | comentar | ver comentários (27)

Obrigado, Madaíl…

… por nos teres ficado com o Prof. Queirós!

Salvo erro, a cronologia dos factos até é inversa ao que esta introdução sugere, já que creio que Queirós foi anunciado como treinador da selecção depois de o Benfica ter contratado Quique Flores. Mas por certo que um dos motivos pelos quais Queirós (que já manifestou publicamente a sua incapacidade em distinguir as mãos do Ricardo, a cabeça do Luisão e uma bola de futebol...) não veio para o Benfica é que já estaria a apontar para a selecção.
Poderia falar do porquê do interesse por um treinador cujo único feito, enquanto treinador de seniores, foi ser adjunto de Sir Alex Ferguson (embora para mim o seu grande feito continue a ser esta substituição...).
No entanto, prefiro abordar outra minha teoria segundo a qual todos estes anos todos que Queirós passou em Inglaterra, provavelmente a saborear carne cozida, tarte de rins e fish & chips, só terão sido possíveis pela degradação do paladar e do olfacto. Só assim se explica que, 15 anos depois de falar na “porcaria” que havia da Fedoração (em alusão ao aroma que supostamente a “porcaria” emana...) – apontada pelo referido Professor como causa da falha  de Portugal em qualificar-se para o Mundial de 1994 – Queirós tenha aceite voltar a trabalhar para a mesma (apeser de estar tudo menos que “mais lavada” do que há 15 anos atrás...).
Portanto, a única explicação que aceito para o resultado de hoje é que os albaneses não se lavavam há uns quantos dias, pelo que o cheiro da “porcaria” terá impedido os jogadores da selecção de jogarem o que sabem (ou não...) – e como o Prof. Queirós terá deixado sentir os cheiros, só se apercebeu do problema a 10 mins do fim, quando pôs o Nuno Gomes a jogar (e de cujos pés saiu o passe para a melhor oportunidade de golo de todo o jogo).

Apesar de gostar da selecção, como muitas vezes já o manifestei, o Benfica, para mim, está em primeiro lugar. E tomando a minha teoria como certa, neste caso a selecção até prestou um favor ao Benfica (e é assim que deve ser, não o contrário!), ao ficar com o Queirós.

Em todo o caso, isto de gostar da selecção é muito bonito, porque sou português, gosto de futebol e porque fui “apanhado” pela qualificação e fase final do Euro 1984. Mas as coisas começam a ficar mais complicadas quando o visionamento dos jogos da selecção implica que eu fique com um olho no burro e outro no cigano (que parece apostado em provar que faria muito melhor figura num circo – Circo Trivelinni era um bom nome... - mas os responsáveis pela selecção, casmurramente, continuam a tentar obrigar que ele jogue à bola com a camisola da “quinas”, apesar do ar visivelmente contrariado do rapaz).

Felizmente o Benfica joga já no próximo fim de semana. E na 6ª temos jantar de Bloguiquistas!

PS: “Ehhh! E o burro sou eu? Ehhh!”

 

PS2: Apesar de tudo, continuo a desejar o apuramento para o Mundial 2010. No entanto, não me parece que a respectiva campanha me vá oferecer grandes motivos de entusiasmo...

 

PS3: Escrevi este post antes de ler os posts do D’Arcy e do S.L.B. Mas de certa forma, na minha modesta opinião, até acho que complementa...

música: Um faduncho qualquer

Selecção

Algums opiniões sobre a selecção em geral:

- O Cristiano Ronaldo é sem dúvida digno de envergar a braçadeira da nossa selecção nacional. É um senhor, com todas as letras, e um exemplo de conduta a seguir por qualquer puto ranhoso aspirante a jogador da bola.

- Ainda em relação ao Cristiano Ronaldo, A Bola anuncia hoje orgulhosamente que já arrebanhou 100.000 assinaturas para tentar coagir elucidar os votantes na eleição do melhor jogador do mundo do quão bom ele é. Tendo em conta que eles normalmente se gabam de terem uns 700.000 leitores diários, parece-me que a taxa de sucesso desta iniciativa é estrondosa. Aconselharia também a que anexassem ao abaixo-assinado algumas imagens da forma garbosa e respeitosa como o capitão da nossa selecção reagiu esta noite a alguns assobios (merecidos) por parte do público de Braga.

- Sem deixar este assunto, pelos vistos a relação entre a iniciativa d'A Bola e o Festival da Eurovisão é mais evidente do que eu julgava. Pelo menos, assumo que deva ser perfeitamente normal associar estes dois assuntos tão próximos quando se escreve, já que outro tipo de explicação para que isto aconteça não me passa pela cabeça.

- O Queirós (Ou Queiroz? Acho que algures no tempo houve uma qualquer transição do popularucho 's' para o mais aristocrático 'z') é o Maior. Felizmente que, como portugueses, fomos abençoados com o privilégio de podermos ser a última adição à sua longa lista de estrondosos sucessos, devendo ainda estar-lhe agradecidos por, altruisticamente, ter abdicado da sua posição de destaque no Man Utd para vir dar uma ajuda aos compatriotas saloios - ainda por cima logo depois de um ano em que, praticamente sozinho, foi o responsável pela conquista da Champions por parte do Man Utd (toda a gente sabe que, de acordo com o que os nossos comentadores e jornaleiros não se cansam de nos informar, o mérito é dele, e que o Ferguson é uma figura meramente decorativa).

- Com um  toque de Midas, Queirózs transforma em ouro tudo aquilo em que toca, sendo o número dos seus sucessos incrivelmente extenso: bicampeão mundial de sub-20, uhm... ora deixa lá ver que mais.. acho que uma Taça de Portugal ganha ao Marítimo antes da lagartagem, no meio de muitas lágrimas de arrependimento por terem despedido o Robson, correr com ele. Bem, pelo menos tem o mérito de conseguir fazer aqueles dois títulos de sub-20 render durante este tempo todo.

- Acho que neste momento muitos de nós, benfiquistas, devemos andar a dar enormes suspiros de alívio por nos termos esquivado desta bala queirosiana que há bastante tempo parecem estar a querer impingir-nos (basicamente, de cada vez que trocamos de treinador). Ainda hoje estou para perceber como é que uma sondagem qualquer feita no final da época passada indicava uma percentagem superior a 50% de benfiquistas que supostamente desejavam o Queirósz para treinador. Especialmente porque eu, que sou benfiquista, e que conheço imensos benfiquistas, não conheço um único que manifestasse esse desejo.

- O Scolari era muito mau mesmo. Com um palmarés incomparavelmente inferior ao do 'Professor', limitou-se a levar a selecção a posições nunca antes vistas, e foi atacado forte e feio por isso. Só foi pena que ninguém se tenha lembrado de emoldurar uma frase que ele uma vez disse, pouco depois de ter chegado, e de a colocar à entrada da FPF. 'Caro? O ruim é que é caro!' Neste momento a FPF deve estar a gastar o equivalente a três Euromilhões por dia.

por D`Arcy às 00:02 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quarta-feira, 15.10.08

Obrigado, Queiroz!

Gostaria de agradecer publicamente ao Prof. Carlos Queiroz o facto de... não ter aceite o convite neste defeso para treinar o Benfica!

 

O outro é que era “burro”, mas ao menos nunca empatou em casa com uma Albânia. Que, ainda por cima, jogou com 10 desde os 40’! Cinco pontos em quatro jogos é uma boa média...

 

P.S. – Ó Rui Costa, onde é que estavas com a cabeça?!

por S.L.B. às 23:34 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Anotações decorrentes da observação do esplendor da vida dos artrópodes.

O outro – que denunciou o “sistema”, desencadeou o processo “Apito Dourado”, não alinhou com os andrades e, estrategicamente, alinhou com o Benfica na denúncia e tentativa de punição da corrupção desportiva - foi corrido, enxovalhado e vilipendiado pelos seus, pois cometera o crime de lesa-juba que foi ter-se alinhado com o Benfica!!

 

Este - que a cada duas entrevistas reconhece a magnitude do rival Benfica, acusa os seus de défice de militância, aliena património, anuncia que salvou a bicheza do dilúvio e fica na mediocridade de quem não assume uma posição clara sobre a corrupção desportiva dos amigos andrades - tem a sobrevivência assegurada desde que não cometa o crime de lesa-juba que é alinhar, estrategicamente, com o Benfica.

 

[Para continuar a observar, na vã expectativa de um dia conseguir perceber o estranho ritual de acasalamento dos aracnídeos verdes. Chamo-lhe estranho, pois  nesta espécie de bicharada  o macho que se julga dominante acaba sempre comido.]

sinto-me: David Attenborough
música: Fungágá da bicharada
por Pedro F. Ferreira às 13:14 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 13.10.08

Com os cumprimentos do nosso Valdo

  

 

Este fim-de-semana foi absolutamente inesquecível em termos de mística. Depois do Magnusson na 6ª, este domingo encontrei o Grande Valdo a almoçar no mesmo restaurante onde costumamos ir. A oportunidade era imperdível e fui ter com ele para lhe pedir o incontornável autógrafo. Foi de uma simpatia extrema e, quando ouviu o “benfiquista” da “tertúlia”, perguntou-me logo:

 

- Este ano, vamos lá?

- Se o Valdo estivesse lá seria muito mais fácil – retorqui-lhe.

- Mas olhe que o Suazo é muito bom, tenho grandes esperanças nele.

- E o Valdo, quando é que volta para nós?

- Vamos a ver, pode ser que qualquer dia...

- Não o maço mais, muito obrigado pelo autógrafo e pelas boas memórias.

 

Um sorriso radioso foi o que obtive como resposta. No fim da sua refeição, quando passou pela nossa mesa, ainda nos desejou um resto de bom almoço. Classe e simpatia incomparáveis. Tal e qual como quando espalhava magia com a nossa camisola. Aqui deixo igualmente o primeiro golo que ele marcou pelo Benfica para o campeonato nacional. Foi contra o Académico de Viseu na 5ª jornada da época 1988/89. E que golo, senhores!

 

Domingo, 12.10.08

Imbecilidades

Infelizmente parece que os nossos jogadores têm uma tendência algo estranha para escolherem imbecis para empresários. Falo disto porque, depois de todos os disparates que me lembro de andar a ouvir durante a época passada do empresário (ou era o advogado? Ou eram ambos?) do Léo, agora é o empresário do Cardozo, um tal de Pedro Aldave, que de cada vez que abre a boca só saem alarvidades. Desta vez disse o tal do Aldave que se não melhorassem o contrato ao Cardozo, ele iria para outro lado. Convinha que alguém lembrasse o Aldave que o Cardozo tem um contrato assinado com o Benfica até 2012, com uma cláusula de rescisão de €50M, e que ninguém o obrigou a assinar esse contrato. Além disso, não percebo como é que um empresário vem para a imprensa fazer afirmações que depois são imediatamente contrariadas pelo jogador em questão, que ainda por cima afirma o seu total desconhecimento sobre aquilo que o seu empresário anda a dizer (mais uma vez, a exemplo das diversas situações que se passaram com o Léo a época passada). Nós ainda conseguimos ter algum controlo sobre as declarações dos nossos jogadores à imprensa. Infelizmente, já não podemos fazer o mesmo em relação aos seus empresários. A solução é mesmo instruir os jogadores a não contratarem imbecis para essas funções.

Por falar em imbecilidades, há uma que há semanas me anda a moer o juízo. Falo da campanha 'louvável' d'A Bola para levar o Cristiano Ronaldo a vencer a Bola de Ouro, ou o prémio da FIFA para o melhor jogador do mundo, ou os dois, ou lá o que seja. Desde já peço desculpa a quem quer que leia estas linhas e tenha contribuído para tal campanha, mas caramba, aquilo para mim é uma iniciativa de um provincianismo atroz. Não coloco em causa o valor futebolístico do puto malcriado, mimado, fiteiro e burgesso. Acho-o um jogador brilhante. Aliás, acho que ele tem tanto de bom jogador como de puto malcriado, mimado, fiteiro e burgesso - e por aqui já dá para se fazer uma ideia do quão bom eu o acho. Mas a iniciativa em si parece-me ser completamente imbecil. O que, aliás, vem na linha do comportamento desse outrora grande jornal que era A Bola no que diz respeito ao Cristiano Ronaldo. Quando o ano passado o(s) prémio(s) foram atribuídos ao Kaká, se o Ronaldo teve mau perder então A Bola nem se fala. Desde diversas acusações à injustiça dos galardões, rebaixando o Kaká (que como pessoa, dentro e fora do campo, dá uma abada das antigas ao Ronaldo, diga-se de passagem) sempre que possível, até insinuações de manobras de bastidores (eufemismo para 'batota'), tudo vale. Sim, porque de certeza que deve ser fácil manipular do pé para a mão as intenções de voto de cerca de duzentos seleccionadores e capitães de equipa, que são quem vota nesta eleição.

Precisamente por, aparentemente, ser fácil manipular essas intenções de voto, então agora lembraram-se de recolher assinaturas de portugueses, para depois enviarem a esses mesmos seleccionadores e capitães de equipa, a recomendar-lhes que votem num português para melhor do mundo. Portugueses, a aconselharem o voto num português. Portugueses que, neste assunto, terão obviamente uma opinião absolutamente imparcial. Eu sei que tenho uma personalidade particularmente retorcida, e que portanto não serei propriamente um bom exemplo, mas se eu fosse um desses seleccionadores ou capitães de equipa a receber o referido abaixo-assinado, cheio de assinaturas de portugueses, a recomendarem-me que votasse num português, a primeira coisa que faria era votar no gajo que não fosse português. Nem que fosse só por despeito. Não sei se haverá muitos capitães das selecções com uma mentalidade assim retorcida, mas até o Vinnie Jones era capitão de equipa, por isso é bem possível que existam por esse mundo fora mais gajos chatos como eu, que não querem dar ouvidos às opiniões dos portugueses sobre uma votação em que entra um português. Talvez no próximo festival Eurovisão da canção, quando enviarmos para lá mais uma daquelas pérolas do cançonetismo nacional, devamos também enviar um abaixo-assinado aos júris dos outros países todos, recomendando-lhes que votem na nossa canção. Porque nós sabemos que a canção é muito boa, e a nossa opinião na matéria é claramente insuspeita. Temos que fazer o resto do mundo perceber que a nossa canção tem algo que nenhuma outra tem: ela é portuguesa, e isso por si só faz com que seja muito melhor que as outras. Se não for assim, é obviamente uma roubalheira. Mas peço desculpa, estou a divagar. Afinal estou a falar de canções ligeiras ou do Cristiano Ronaldo?

Na volta, se o puto malcriado, mimado, fiteiro e burgesso ganhar mesmo o tal prémio - e se ele é mesmo o melhor, ele ganhá-lo-á, com ou sem 'iniciativas' desta estirpe - ainda vou ver A Bola vangloriar-se do feito, e reclamar para si um bocadinho do mérito.

P.S: Registem desde já o meu pedido de desculpa por divagações como estas. Acho que isto de rir tanto com o sucesso estrondoso que o bluff pomposo está a ter ao comando da nossa selecção às vezes deixa-me desorientado. O Scolari é que era mau (mesmo com a pancada do Ricardo e tudo).

por D`Arcy às 03:12 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sexta-feira, 10.10.08

Magnusson

Não se pretende que este blog seja o Memórias Encarnadas (para quando uma actualização, TMA?!), mas faço aqui um apelo de serviço público a quem tenha gravado a entrevista ao Magnusson feita pelo Nuno Luz em directo para o Jornal da Noite da SIC de hoje. Foi daquelas coisas “priceless”, que merece ser visto.

 

Depois de falarem de assuntos menores (como a selecção), o bom do Nuno Luz lembra-se de perguntar ao Mats:

 

- Então e o seu Benfica? Tem visto os jogos? Continua benfiquista?

 

O Magnusson pára, olha muito fixamente para ele e pergunta-lhe:

 

- Você está a brincar comigo?!?! Uma vez benfiquista, PARA SEMPRE (o ênfase foi mesmo assim!) benfiquista!

 

A conversa lá continuou com ele a recordar os 33 golos em 30 jogos numa época, cinco anos de Benfica, três títulos de campeão, duas finais europeias, os seus planos de vir viver para Portugal quando o filho deixar de jogar hóquei no gelo até que no final o Nuno Luz lhe pergunta:

 

- Quer deixar alguma mensagem para o Benfica, para os adeptos?

 

Ele volta a olhar fixamente, desta vez para a câmara, e remata:

 

- Viva o Benfica! VIVA, VIVA (mais uma vez com ênfase, com uma voz vinda da alma) o Benfica!

 

Quase me vieram as lágrimas aos olhos...!

 

 

Adenda: Uma palavra de apreço para os leitores da Tertúlia, nomeadamente o t, Marco Oliva e Avô Maltine que forneceram os links.

 

 

 

 

 

A peça completa está aqui (só interessa a partir dos 07:15): http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/VideoPopup2008.aspx?videoId={7B4D0D28-1595-4126-8DF2-12DE7C2301EF}

por S.L.B. às 20:59 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Quinta-feira, 09.10.08

Glórias benfiquistas: Nené

Tamagnini Manuel Gomes Batista Nené, nascido no dia 20 de Novembro de 1949, em Leça da Palmeira. Para a História fica conhecido como Nené, o Nené do Benfica que marca um tempo em que se falava do Benfica do Bento, do Humberto, do Shéu, do Néné…

 

Nené é, de todos os que tiveram a supina honra de jogar de águia ao peito, o que mais vezes vestiu a nossa gloriosa camisola: 941 vezes, entre jogos particulares e oficiais nos diferentes escalões. Construiu toda a sua carreira sénior no Benfica. Jogava em Moçambique, no Ferroviário da Manga, quando, em Dezembro de 1966, o Benfica começou a negociar a sua transferência. Era um miúdo com apenas 16 anos!! No ano seguinte já jogava nos juniores do Benfica, no Clube onde já um seu familiar se tornara mítico: Cavém. O Néné deixou o futebol 20 anos depois, em 1986. Jogou sempre no Glorioso. Como sénior, fez 577 jogos oficiais, marcou 361 golos, ganhou 10 Campeonatos Nacionais, 7 Taças de Portugal e 2 Super Taças.

Começou, devido à sua impressionante velocidade, como extremo-direito. Em 75/76 já era ponta-de-lança. Se já marcava muitos golos como extremo, como ponta-de-lança passou a ser, constantemente, um dos melhores marcadores do nosso campeonato. O seu talento como goleador fez dele o terceiro melhor marcador da História do nosso Clube… batido apenas por dois futebolistas cujo nome se confunde com o do próprio Benfica: Eusébio e José Águas.

 

Na minha juventude, habituei-me à grande probabilidade de ouvir o nome do Nené gritado nos relatos radiofónicos depois de se ter gritado golo do Benfica. Nené era o avançado sempre presente, com o número 7 herdado dos primeiros tempos como extremo. Foi o Nené que me fez gritar golo por três vezes numa final da Taça de Portugal contra o FC Porto. Era o Nené de quem os mais velhos contavam façanhas ímpares como a de ter marcado 5 golos ao Ajax, no Parque dos Príncipes, durante o Torneio de Paris. Era o Nené que, quase pairando, quase sem se sentir o seu peso no relvado e dissimulado como devem ser os pontas-de-lança que parecem jogar de smoking, surgia de onde menos se esperava para fazer o que é mais difícil e mais valioso no futebol. O Nené é o grande mito que podia estar “ausente” do jogo durante 89 minutos, mas a quem bastava um subtil toque na bola, no nonagésimo minuto, para fazer o golo.

À “boa” maneira portuguesa, chegado aos 30 anos já o tratavam como um veterano a quem antecipavam a reforma. À boa maneira dos verdadeiros campeões, Nené ia mostrando, plácida e eficazmente, a todos (desde adeptos a jornalistas) que há capacidades que se refinam… a de marcar golos é uma delas. Assim, sucessivamente iam aparecendo concorrentes para o lugar e sucessivamente o Nené lá se encarregava de ir mostrando que o lugar tinha um nome, o seu nome. Em 84, durante o Europeu, o Nené encarregou-se de mostrar que, também ao serviço da Selecção, havia um lugar para si. Apesar da excelência da concorrência (Jordão e Gomes). Nené acabou, mais uma vez, por mostrar a sua utilidade, o seu instinto goleador e a sua importância para tentar a coesão de um grupo fragmentado por natureza. No Benfica, mesmo em final de carreira, demonstrou a um casmurro de má memória chamado Csernai que ainda tinha muito para dar ao Benfica e ao futebol. Na Selecção AA teve 66 internacionalizações e marcou 22 golos. Estes números são impressionantes se atendermos à quantidade de jogos que a nossa Selecção fazia anualmente e à ausência da mesma em grandes competições internacionais. Imaginem quantas internacionalizações não teria Nené se jogasse actualmente…

No entanto, também à “boa” maneira portuguesa, o sucesso provoca tantas alegrias como injustiças. Assim, o Nené teve de viver com o estigma de ser um futebolista medroso que raramente “metia o pé”. Sobre esse assunto, veja-se a resposta que Nené dava a jornalistas e adeptos em 1976:

«Já há tempo dei uma entrevista ao jornal A BOLA em que afirmei que maluco é que não sou. Se existem jogadores que metem o pé em certos lances onde por norma só vão buscar problemas para eles e para os clubes que lhes pagam, isso e lá com eles.

Eu não sou assim. […] o que sei, isso sim, é fugir na hora exacta, mas normalmente com a bola a ficar na minha posse, […], tentando não me molestar sem vantagem para ninguém. Mesmo assim ainda este ano fui o segundo melhor marcador do campeonato e, caso curioso que a maioria dos sócios talvez não tivesse reparado, marquei nos sessenta e tal encontros que disputei durante a temporada, entre oficiais e particulares, a media de um golo por desafio, o que ficou longe de qualquer outro colega e, muito menos, da totalidade dos atacantes portugueses.

Quanto ao insultarem-me e dizerem-me que lhes faz confusão como consigo aguentar uma hora e meia sem nunca reagir menos delicadamente, posso garantir que aguentaria até um dia inteiro, pelo que escusam de continuar a adoptar tal sistema que me dispenso de criticar. Sou assim por temperamento pelo que jamais tomarei uma atitude menos correcta para com tais adeptos do meu clube. Aliás, tenho até para mim que aqueles que assim procedem não são os sócios com dez, quinze, vinte e mais anos de associados. São os que entraram na «família» há dois ou três anos e que, talvez por serem novos, reagem mais rapidamente para se tornarem notados e mostrarem aos mais velhos o seu muito benfiquismo...

Uma verdade poderei dizer: o meu sistema de jogar é este desde miúdo. Não me sinto arrependido de ter sido sempre um jogador correcto para os adversários e para o público. Creio com tal sistema haver sempre servido com dignidade o meu clube e, simultaneamente, o clube que me paga. Quanto às palavras que me dirigem continuarei talvez a ouvi-las mas, como as atitudes ficam com quem quem as pratica, nada é comigo...»

 

Também sempre associada à imagem do Nené está o velho chavão de que ele “nunca sujava os calções”. «Se os não sujava era porque achava que não precisava.» Remate certeiro e golo.

 

Era assim o Nené, inteligente e frio com as palavras, inteligente e frio no momento de rematar para a baliza. É assim o nosso Nené, apaixonado pelo seu (nosso) Benfica e orgulhoso da sua carreira «Sinto-me um privilegiado. Afinal foram tantos os jogadores a representar o Benfica e ser logo eu a ter a sorte de jogar mais vezes do que todos os outros».

 

É de exemplos como o de Nené que o meu benfiquismo se foi construindo. É a senhores como o Nené que eu tenho de agradecer o que contribuíram para cimentar a paixão que continuo a sentir pelo nosso Benfica.

 

sinto-me: benfiquista
por Pedro F. Ferreira às 12:00 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Quarta-feira, 08.10.08

VII Jantar de Bloguiquistas

Depois do interregno da Primavera passada, a “comissão organizadora” (Pedro F. Ferreira, D’Arcy e eu próprio) achou que estava mais que na altura de a blogosfera benfiquista se voltar a reunir para mais um jantar. Afinal já passou quase um ano desde o último e era suposto os repastos serem semestrais. Por isso, decidimos marcar o encontro para sexta-feira, dia 17 de Outubro, às 20h, no sítio do costume, ou seja, o restaurante com a melhor vista de Lisboa: Catedral da Cerveja. Nesse fim-de-semana jogaremos em casa para a Taça de Portugal frente ao Penafiel, mas sendo o jantar numa 6ª feira não haverá conflito de datas. Nunca é demais relembrar que, seguindo a tradição que não foi imposta, mas se impõe por si (cf. aqui e aqui), é melhor avisar em casa que não têm horas de voltar...

 

Agradecemos que enviem os vossos emails de confirmação para tertuliabenfiquista@gmail.com.

por S.L.B. às 12:00 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Terça-feira, 07.10.08

Canal Benfica

No Domingo vi em casa de amigos a emissão do nosso Canal - o Benfica TV.  Vi tudo, enfim, fiz alguns fast forwards, mas vi o essencial, e fiquei feliz.  Feliz como se fica não diante de uma coisa boa ou de uma coisa má, mas de uma Coisa Justa.

 

O Benfica TV é aquilo de que estávamos à espera há anos.  Durante 5 horas, falou-se do Benfica, só do Benfica, nada mais que do Benfica.  Com paixão.

 

Quem precisa do chamado "jornalismo isento", que de isento em geral tem muito pouco?  Eu não, obrigado.  Eu sei ver futebol, não preciso que um "iluminado" me "explique" o jogo, a táctica, as substituições.  Isso eu faço sozinho.

 

O que eu preciso é que me massagem a alma, é ver no écran gente que partilha comigo este amor pelo Glorioso, que sofre comigo, que se alegra comigo.  Um "reality show" de sonho.

 

Claro que há coisas a melhorar, alguns pivots e repórteres estavam nervosos, houve quebras de ritmo, etc.  Mas que interessa isso?

 

O que interessa é que desde o dia glorioso de 2 de Outubro de 2008, o Benfica, a maior força colectiva de Portugal, tem a sua própria voz - e já não precisamos de nos torcer com os "comentários isentos" da SPort TV, da TVI, da TSF, da Antena 1 - todos isentos apoiantes do scp e fcp, todos isentos anti-benfiquistas primários (misturados com representantes jornalísiticos daquela raça de "benfiquistas isentos" que conseguem por vezes ser piores ainda).

 

O Benfica tem um Canal, tem uma Voz, tem uma Imagem.  Que o Benfica TV possa ser a Voz e a Imagem de todo o universo Benfiquista!

 

Já não precisamos de mais ninguém para nos fazermos ouvir e ver.  Viva o Benfica!

por Artur Hermenegildo às 12:02 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Segunda-feira, 06.10.08

Aterragem

Num jogo que foi uma antítese daquilo que vínhamos mostrando nos últimos tempos, deixámos justamente dois pontos em Matosinhos. Uma segunda parte tão mal jogada, e com tanta falta de ambição, só poderia mesmo acabar castigada da forma que foi.

Foi um início de jogo difícil aquele que tivemos esta noite. O Leixões entrou com todo o gás e ímpeto, pressionando muito alto, e os nossos jogadores pareceram  demasiado nervosos perante esta pressão, errando sucessivos passes e sendo incapazes de assentar o jogo. Além disso, perante tanto ímpeto adversário (alguns seriam capazes de classificar este ímpeto simplesmente como 'porrada'), sofremos uma enorme contrariedade logo nos primeiros minutos, com o Reyes a ter que ser substituído, dando o seu lugar ao Di María (que momentos depois de entrar em campo já estava também a experimentar este 'ímpeto' leixonense, com uns pitons carinhosamente enterrados no tornozelo). O comentador de serviço na RTP, no entanto, preferiu classificar eufemisticamente esta pancadaria como 'agressividade sobre o espaço'. Compreende-se: um determinado jogador do Benfica está a ocupar um espaço num momento definido no tempo, e os jogadores do Leixões, agressivamente, tentavam ocupar o mesmo espaço nesse mesmo momento - o que é, como sabemos, fisicamente impossível.

Entretanto, muito por culpa da acção dos dois médios defensivos, ao fim do primeiro quarto de hora o Benfica lá conseguiu acalmar o jogo e, minutos depois, até assumir algum controlo sobre o mesmo. Foi talvez o melhor período do Benfica em toda a partida, altura em que o Yebda assumiu bastante protagonismo, e em que o Leixões, ao contrário do que sucedeu durante aqueles primeiros quinze minutos, pouco conseguia aproximar-se da nossa área. Pouco depois da passagem da meia hora, chegámos ao golo. A um passe excelente do Katsouranis para a direita correspondeu o Cardozo com a recepção e remate indefensável de pé direito. Ainda bem que o Benfica marcou neste lance preciso. Porque eu só fiquei a perguntar-me como é que foi possível que o árbitro do jogo, na posição em que estava, com a visão que teve do lance, não tenha marcado penálti após uma mão descarada de um jogador do Leixões. Depois lembrei-me que o árbitro era o nosso amigo Olegário, e fiquei mais descansado, porque era sinal que afinal as coisas ainda são o que eram. Como vem sendo hábito, após o golo o Benfica não se encolheu, e portanto a tendência do jogo manteve-se, quase sempre com a bola no meio campo leixonense, e sem que parecesse agora haver grandes possibilidades que eles ameaçassem a nossa baliza.

É por isso que não consigo compreender a transfiguração da equipa ao intervalo. Nos últimos jogos temos quase sempre aparecido do intervalo para fazer grandes segundas partes. Desta vez foi exactamente o oposto. O Benfica pura e simplesmente desapareceu. Na segunda parte quase não existimos, e por algum motivo parecemos querer descansar sobre a magra vantagem adquirida, e limitarmo-nos a segurar o resultado. O pior de tudo, é que isto foi sendo feito da pior maneira possível: sem sermos capazes de manter a bola na nossa posse um mínimo que fosse. Cada ataque do Leixões era seguido de um despejo nosso para a frente, a que se sucedia novo ataque do Leixões. Perante este cenário, o golo do empate não só se adivinhava como se justificava: o Leixões fazia o que podia para conseguir esse golo e, diga-se sinceramente, merecia-o plenamente. No Benfica o Katsouranis eclipsou-se, e era quase exclusivamente devido aos esforços do Yebda que ainda tentávamos jogar algum futebol. Mas no melhor pano cai a nódoa, e foi o mesmo Yebda quem falhou na marcação ao Wesley no seguimento de um canto, de onde resultou, mesmo sobre o final do jogo, tal como o ano passado, o golo do empate. Já o disse: foi um golo merecidíssimo por parte do Leixões, e um castigo também merecidíssimo para aquilo que (não) jogá
mos durante a segunda parte.

Os melhores do Benfica foram, para mim, o já citado Yebda (com o senão do lance do golo) e o Quim, que fez o que pôde para evitar o golo do Leixões. Uma palavra também para o adaptado Miguel Vítor, que cumpriu durante todo o jogo (defendeu melhor do que, por exemplo, o seu colega do lado oposto). Pela negativa acho que vou mesmo destacar a equipa num todo, pelo que fez na segunda parte. Não se compreende uma atitude daquelas, quase como se achassem que seria impossível o Leixões marcar. Depois de nos terem dado as alegrias que deram na última semana, e de nos terem feito sonhar, isto foi uma aterragem forçada e desconfortável.

Perdemos uma oportunidade para subirmos ao topo da classificação. Paciência, nada está perdido e continuo a acreditar. Só espero mesmo é que o Reyes não tenha nenhuma lesão complicada. Ainda estou à espera de ver o plantel todo disponível para um jogo.

por D`Arcy às 23:36 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Sexta-feira, 03.10.08

Luxo

Sim, eu sei que numa coisa nós benfiquistas não somos muito diferentes dos outros adeptos de futebol em geral. Temos aquela bipolaridade que nos faz pensar que somos os melhores do mundo quando ganhamos, e que nos faz desancar tudo, do presidente ao roupeiro, quando perdemos. Por isso, estar a escrever isto de barriga cheia, após duas vitórias convincentes, será obviamente suspeito. Mas a verdade é que me sinto perfeitamente convicto de que se estão a criar condições para que esta possa ser uma época memorável para todos os benfiquistas. Não são só as vitórias e as exibições; é também todo o ambiente que vou sentindo à volta da equipa, uma espécie de aura positiva que há muito, muito tempo não sentia na Luz. Há três anos, quando fomos campeões com o Trapattoni, na penosa fase final do campeonato ergueu-se uma gigantesca onda vermelha, que amparou e empurrou uma equipa exaurida até à vitória. Esta época essa mesma onda parece começar a erguer-se já no princípio da época. E ergue-se com base numa cumplicidade e confiança enormes que os adeptos depositam nesta equipa - jogadores, técnicos e dirigentes. Parece-me ser sintomático que, quando se anuncia a constituição da equipa no Estádio da Luz, o maior aplauso do público esteja reservado ao treinador - talvez a última vez em que me recordo de ter assistido a algo semelhante foi há alguns anos, aquando da meteórica passagem do Mourinho pelo nosso banco. 56506 espectadores na Luz esta noite, a criarem um ambiente fantástico de apoio quase constante à equipa são um exemplo daquilo que poderemos vir a ter durante esta época, caso as coisas continuem a correr bem.

Com o Quique no banco, pelos vistos não se arrisca colocar um jogador que não esteja a 100%. Talvez por isso o Aimar nem no banco se sentou, e o Carlos Martins, que saiu de maca no derby, foi para o banco, entrando o Rúben Amorim para o seu lugar. Na frente, e sem surpresa tendo em conta a falta de outras opções, jogaram o Nuno Gomes e Di María, com este último nas costas do primeiro. E na defesa, regresso do Luisão, sendo o Miguel Vítor o sacrificado. Em teoria, esta equipa estaria disposta num 4-4-2, com o Rúben bem encostado à direita, mas o que se viu foi que na prática, e em posse de bola, acabava por se apresentar mais num 4-3-3, com o Rúben a juntar-se à dupla Katsouranis-Yebda (palpita-me que esta dupla dificilmente se irá desfazer durante o resto da época) no centro, e o Di María a encostar-se à direita. O Nápoles apresentou-se mais cauteloso do que na primeira mão. Os três centrais mantiveram-se, mas agora o Cannavaro fechava o lado direito, e o Vitale jogava como um verdadeiro lateral esquerdo, completando o quarteto defensivo. A pior notícia foi mesmo a recuperação do Lavezzi para este jogo, já que na primeira mão foi possível ver que quase todo o perigo que o Nápoles conseguiria criar seria através dos seus pés.

A exemplo do derby, as coisas começaram com um calafrio, pois perto do início do jogo o Lavezzi (quem mais...) conseguiu fugir ao Luisão e o Quim teve que vir ao limite da área evitar o golo. E, também como no derby, o Benfica respondeu através de um remate de longe, por parte do Di María, que passou muito perto do alvo. Mas felizmente, as semelhanças da primeira parte ficaram-se por aqui. O Benfica assumiu logo o jogo - até porque o Nápoles só mostrava mesmo vontade em defender e enervar com queimas de tempo desde o início - e partiu na procura do golo que nos colocaria em vantagem no jogo e na eliminatória. Bastou um par de minutos para que o Luisão desperdiçasse uma oportunidade flagrante, rematando mal e por cima uma bola solta na área italiana após alguma confusão. O golo parecia estar perto; Yebda e Di María criaram perigo, mas o primeiro rematou mal, e o remate do segundo foi bem defendido, tendo o Reyes chegado atrasado para a recarga. Nesta fase o jogador que dava nas vistas e ia ameaçando mais os italianos era o Di María. Infelizmente, pareceu deslumbrar-se com esse bom início de jogo e acabou por entrar no exagero, agarrando-se demasiado à bola e perdendo-se muitas vezes em fintas desnecessárias. O mais interessante neste domínio do Benfica, pelo menos para mim, foi a forma controlada como sempre o exerceu. Nada de pontapés para a frente, correrias desmioladas e futebol aos repelões. Pelo contrário, a equipa pareceu sempre muito arrumada em campo, com os jogadores próximos uns dos outros, boa circulação de bola e um futebol bastante pensado. De uma forma resumida, a equipa mostra ter um objectivo em campo, e parece estar segura da forma como deve persegui-lo.

O Nápoles voltou a criar algum perigo em mais um lance, claro, do Lavezzi, em que sozinho, bem marcado, e de costas para a baliza, ele inventa um pontapé que leva a bola a passar perto do ângulo da nossa baliza (embora com o Quim a controlar o lance). E pouco depois disto o Nápoles deve ter decidido que estava na altura de acabar com a primeira parte, tendo então decidido brindar o público com uma demonstração prática de futebol italino retro. Por momentos pensei que tinha regressado aos anos oitenta. Valeu de tudo: faltas (por vezes com uma dureza desnecessária) sobre os nossos jogadores, simulação de lesões por tudo e por nada, quezílias e discussões constantes, e queima (ainda mais) descarada de tempo em qualquer reposição da bola em jogo. Tendo em conta este cenário, quando em período de descontos eles beneficiaram de um livre, eu temi que, tal como já assistimos vezes sem conta, eles conseguissem marcar. E estiveram mesmo muito perto, já que na sequência do mesmo a bola acabou por bater no poste, e na recarga o Zalayeta falhou o golo de forma absolutamente incrível, não conseguindo sequer acertar na baliza. Pelos vistos a aura positiva que rodeia a nossa equipa é tal que até fomos bafejados pela sorte num jogo contra italianos...

Ao intervalo deu-se uma reunião improvisada de boa parte da Tertúlia, para discutirmos estratégias. Basicamente, aproveitámos todos para chamar aos italianos quaisquer impropérios que nos passaram pela cabeça, e ainda tirar a limpo quem é que afinal tem um poster do Manuel José na parede. Aliviados os espíritos, regresso para a segunda parte. Que, pareceu-me, foi iniciada numa toada um pouco mais cautelosa da nossa parte (talvez o enorme susto a fechar a primeira parte tenha tido alguma influência nisto). Ainda assim, mais uma boa oportunidade para o Sídnei, num canto, só que ele demorou algum tempo a preparar o remate e foi desarmado a tempo. Andava o jogo neste ritmo quando voltaram as semelhanças com o derby: bola metida na esquerda para o Reyes (grande passe do Katsouranis), e o espanhol a entrar na área e a fuzilar a baliza napolitana. Mais um pormenor de classe deste jogador a resolver um impasse. Conforme dizia o Superman Torras no final, é aproveitar enquanto ele cá está. Porque este é um daqueles jogadores que, claramente, não pertence à nossa Liga. Tem uma qualidade que está anos-luz acima da média do nosso futebolzinho caseiro. Continuando com as semelhanças em relação ao jogo do passado Sábado, o nosso adversário foi-se completamente abaixo com o golo. Obrigado a 'sair do buraco', abriram-se muitos espaços para o nosso ataque, enquanto que eles eram completamente incapazes de incomodar o Quim. Para ajudar, o treinador adversário resolveu retirar o Lavezzi do campo, e eu suspirei de alívio.

Não foi só o Nápoles que sofreu os efeitos do golo do Reyes. Foi também o Benfica, só que pela positiva. Ainda mais confiantes, fomos à procura do golo da tranquilidade. O Di María esteve perto de marcar um golo memorável, quando fintou a defesa adversária toda, mas acabou por rematar mal. O Benfica, em vez de se remeter à defesa, fazia exactamente o contrário, e pressionava o adversário no seu próprio meio campo, quase à entrada da sua área, o que permitiu diversas recuperações de bola que depois deram origem a jogadas de perigo nossas, e forçou um sem-número de passes disparatados dos napolitanos, muitas vezes directamente para fora. Já com o Carlos Martins em campo, o merecido golo da tranquilidade surgiu mesmo. Após um cruzamento da esquerda, a bola sobrevoou toda a área e foi recolhida do lado oposto pelo Carlos Martins, que depois fez um novo cruzamento, perfeito, para o Nuno Gomes, numa movimentação muito bonita e 'à ponta-de-lança' (reparem como o Cannavaro, que o está a marcar, é 'comido' e fica fora do lance), cabeceou colocado para o poste mais distante, sem hipóteses para o guarda-redes. Nesta altura, e até final, o ambiente no Estádio da Luz era pouco menos do que épico. Deu para dar 'olés' e criar ainda oportunidades para o terceiro golo (nas palavras dos italianos, 'Il Benfica si mangia il tris in altre due occasioni e chiude toreando il Napoli.'), a melhor delas em mais um passe excelente do Katsouranis (grande jogo do grego) a isolar o Nuno Gomes na esquerda, que controlou bem a bola mas depois rematou por cima. E já agora, para os jornaleiros que se apressaram a colocar em causa o trabalho do Ayestaran à primeira oportunidade, espero que hoje tenham reparado no quanto a equipa correu, e no 'pequeno' pormenor de, aos noventa minutos, a ganhar por dois a zero, andarmos a pressionar o Nápoles com quatro e cinco jogadores logo à entrada da sua área.

Acho que seria algo injusto estar a destacar jogadores depois do jogo de hoje. Aquilo que sobretudo se viu, e a palavra que mais se ouvia da boca dos benfiquistas no final do jogo era 'equipa'. Sentimos e vemos que estamos a construir uma verdadeira equipa, confiamos que no banco temos um treinador que sabe ler o jogo e tem mostrado ser capaz de fazer substituições que realmente influenciam e alteram o seu rumo, e que conta com todo o plantel que ajudou a construir. Se calhar já são coisas boas a mais, e já estou a fazer o Quique parecer alguma espécie de Messias. Mas a minha confiança está mesmo em alta porque, conforme disse, ando a ver coisas que há bastante tempo não via na Luz e no nosso Benfica.

Vitória justíssima e incontestável da equipa que mostrou ser bastante superior no conjunto dos dois jogos, e finalmente acaba a malapata contra equipas italianas. E ainda com o pormenor de termos deixado de fora 'só' o Aimar, o Suazo e o Cardozo. Hoje senti-me um privilegiado por ter tido o autêntico luxo de estar naquele estádio, com aquele ambiente, a ver a minha equipa jogar assim. Estou ansioso para poder voltar.

por D`Arcy às 02:48 | link do post | comentar | ver comentários (25)

Confiança.

Não sei muito bem como exprimir o que me vai de benfiquismo na alma. Não é tanto pela vitória no jogo e na eliminatória contra o Nápoles, que se segue a uma vitória sobre o clube dos queques do Lumiar, é mais pelas exibições, pelo plantel e pela qualidade do futebol praticado. Não sei se será possível manter durante muito mais tempo a qualidade que vi ao vivo nos últimos dois jogos… quero acreditar que sim. Mas sei que não via qualidade desta desde os anos 80 e inícios dos anos 90. Não via um Benfica que me desse esta capacidade de sonhar desde os tempos em que em cada futebolista via um ídolo do qual me orgulhava.

Hoje (ontem, pois já passa da meia-noite) houve um tertuliano que, num momento de inabalável confiança, me enviou, às 21:13h, uma SMS que dizia “Ganharemos 2-0. Nada temas!” Isto é confiança, isto foi também o que eu senti, isto foi o que vi em mais de 50 mil que estavam na Catedral, isto é a certeza e a fé que este Benfica nos faz sentir.

Sonhemos, companheiros benfiquistas, pois convictamente sinto que temos bons motivos para isso.

 

[Agora, aguardo a crónica do jogo feita pelo D’Arcy.]

sinto-me: orgulhoso do nosso Benfica
por Pedro F. Ferreira às 00:36 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quinta-feira, 02.10.08

Transmissão do Benfica-Nápoles.

Para todos os cibernautas benfiquistas que não podem (por motivos certamente muito fortes) acompanhar e apoiar ao vivo o nosso Clube naquela que esperamos venha a ser uma gloriosa noite na História do Benfica, aqui fica a informação de que podem através do sítio http://estadiovirtual.sapo.pt/ vibrar, sofrer e (espero) festejar com a passagem do Benfica à próxima fase da Taça UEFA.

 

Bem-haja ao Sapo.

por Pedro F. Ferreira às 15:20 | link do post | comentar | ver comentários (12)

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