VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 31.05.09

Cardozo

 Venho juntar a minha voz ao coro que diz que é importante manter o Cardozo. Confesso que já me irritei muitas vezes com o seu futebol desajeitado e que costumava estar de acordo com o Quique quando este o sacrificava para jogar o Suazo. Mas a recta final deste goleador sem perfil de herói fala mais alto.  Não que me renda à objectividade: rendo-me aos golos.

  Há anos que o Benfica não tinha um matador - o Simão, sem jogar na posição em que isso se exige, era o único que competia pelo título de melhor marcador do campeonato. Agora que encontrámos um, que tem no seu pé esquerdo o remate mais fácil e potente da liga, não o podemos largar. Além disso, como se viu no jogo com o Belenenses, está melhor a jogar de costas para a baliza e a fazer tabelas e com um bom trabalho dos extremos pode ser um gigante perigoso no cabeceamento. E sem dúvida que para o ano os extremos devem ter um desempenho mais mágico, mais venenoso, jogando talvez um pouco mais adiantados no campo, recuando em contrapartida o Aimar para que se torne no dez que ele é e que o Benfica precisa.

 Dizem que vem aí o Jorge Jesus: mas a salvação, caros benfiquistas, passa pelo paraguaio.

por Simão às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (19)

Futsal


Parabéns ao nosso futsal, após mais uma vitória na Taça de Portugal. A secção foi criada há oito anos, e esta é a quarta Taça conquistada neste período (metade das disputadas, portanto). Durante estes mesmos oito anos, a modalidade conquistou também já quatro Campeonatos Nacionais, estando ainda na luta por um possível quinto título (que, caso o logremos conquistar, será o tricampeonato). Podemos portanto dizer, e com toda a propriedade, que o futsal do Benfica honra os pergaminhos do nosso clube.

Parabéns também em particular ao nosso treinador André Lima, que com esta vitória conquistou o seu primeiro título como treinador, naquele que é o seu ano de estreia nestas funções. Que possa atingir pelo menos o mesmo sucesso que teve como jogador é o meu desejo. Uma palavra também para o 'histórico' Zé Carlos que, apesar de ter passado uma boa parte da época um pouco na sombra do Bebé, foi ontem um gigante após a expulsão do titular.

Ainda nas modalidades, o nosso basquetebol iniciou também ontem da melhor forma a final do playoff, batendo a Ovarense no primeiro jogo. Tendo em conta a qualidade já demonstrada esta época, e mesmo com a adversidade das lesões em jogadores chave, é legítimo ambicionarmos ver o regresso do título à Luz, título esse que anda arredado desde os já longínquos tempos do Carlos Lisboa (como jogador, que como dirigente temo-lo lá agora).

por D`Arcy às 12:00 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Sábado, 30.05.09

Quique: a vista do ponto e o ponto de vista.

A vista do ponto depende sempre do ponto de vista.

 

Assim, tal como o meu amigo Pedro Fonseca [link], considero que Quique Flores deveria ter sido mais solidário para com o Benfica ao longo da época. Da mesma forma, considero que deveria ter havido um maior apoio público ao treinador por parte de todas as estruturas do Benfica no último mês do campeonato e que Quique tem motivos para se mostrar desagradado com essa falta de apoio.

 

No entanto, não posso ignorar que antes do jogo em casa com o Trofense, Quique comunicou ao seu Director que desejava sair no final da época e inclusivamente pediu que o Benfica abdicasse da indemnização que ele (treinador) teria de pagar por quebra do contrato. Diga-se que ao treinador foi comunicado que o Benfica abdicava da dita indemnização.

 

Depois de este episódio, compreendo e partilho o desagrado do seu Director, quando, após o último jogo com o Belenenses, o mesmo Quique deu o dito por não dito e pediu, ele mesmo, uma indemnização para sair do Benfica.

 

O que é que mudara entretanto? Aparentemente foi a indignação pelo abandono a que se sentiu sujeito. Essencialmente foram os últimos resultados de Abel Resino no Atlético de Madrid. Só assim se explica que, depois de uma vitória por 3-1 ao Belenenses, o resultado que se ouvia discutir em castelhano, no balneário, fosse o 1-4 do Atlético de Madrid aos de Bilbau.

 

Felizmente, o campeonato espanhol acaba neste fim-de-semana.

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Já o disse [link e link] e repito-o: a avaliação de Quique não deveria ser feita em função dos resultados, pois estes foram inquinados essencialmente por arbitragens espúrias, mas sim em função das práticas diárias do treinador. Cada vez mais, concordo com a avaliação feita.

por Pedro F. Ferreira às 13:25 | link do post | comentar | ver comentários (97)
Sexta-feira, 29.05.09

Curiosidades do Futebol em Portugal

Na última jornada da II Liga, o Santa Clara não consegue a subida.  Consegue-a o Leiria.

 

O Estrela da Amadora está em risco de falência.  Se tal suceder, mantém-se o Belenenses.

 

O Vitória de Setúbal, que há dias não tinha dinheiro nem para comprar rifas, paga ontem de uma assentada quatro meses de salários em atraso e as dívidas ao fisco e segurança social.  Aparentemente, ninguém perguntou de onde vem esta súbita riqueza.

 

Adivinha: O que têm em comum os três clubes, Belenenses, Leiria e Vitória?  Pois é.

por Artur Hermenegildo às 11:27 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Quinta-feira, 28.05.09

E calma, não? Parte II (ui, o bicho papão da CMVM)

 

Vamos lá ver uma coisa:
 
Contrariamente ao que a comunicação social anda para aí a vomitar, a CMVM não 'suspendeu as acções da Benfica SAD'. O que a CMVM fez foi solicitar à Euronext a suspensão da negociação das acções até à divulgação de informação esclarecedora, que é uma coisa que acontece vulgar e corriqueiramente quando saem notícias sobre acontecimentos considerados como relevantes e passíveis de alterar o valor das acções de modo significativo.
Acontece a toda a hora, com toda a normalidade, e já aconteceu várias vezes a todos os clubes.
Basta, por exemplo, lançar-se uma OPA sobre uma empresa e a CMVM solicita a suspensão da negociação dessas acções.
Isto não significa rigorosamente nada, a não ser que a CMVM agora acha que o pasquim do Record tem alguma credibilidade, o que me preocupa porque diz alguma coisa sobre o discernimento da CMVM.
 
Pare-se lá com o raio da histeria de vez, porra.
 
Parecem um bando de adolescentes histéricas em frente aos Tokyo Hotel.

 

 

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Adenda - 12h32m

 

Como é natural, entretanto o Benfica já esclareceu a CMVM e já desmentiu esse produto intestinal que começa por um 'R', acaba num 'D' e tem 'ecord' pelo meio.

 

Querem continuar a ser embalados pelo Grupo Cofina? A escolha é vossa.

 

Ao comportamento desse pasquim já estamos habituados. Fica registada a forma como é gerida a CMVM hoje em dia.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 12:20 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Quarta-feira, 27.05.09

Os pontos nos meus ii

1) Não gostaria que Quique Flores continuasse. Não posso defender algo diferente para ele do que defendi para o Fernando Santos. Se não atingiu os objectivos mínimos, deveria ter a hombridade de colocar o lugar à disposição. (Todavia, concedo que a forma como o affair Jesus nunca foi desmentido lhe possa ter caído muito mal. Se ele colocaria o lugar à disposição, caso nós tivéssemos tratado desse assunto de outra forma, é algo que nunca saberemos.)

 
Justificação: para além de não termos conseguido um lugar na Champions, não se viu evolução praticamente nenhuma no nosso jogo desde o início da época. Houve uma série de equívocos (colocação do Amorim à direita, Cardozo no banco, Aimar a avançado ou à colado à esquerda), situações mal geridas (Reyes, Léo, Balboa) e incompreensão sobre o que é o Benfica (“melhorámos em relação ao que foi no ano passado”). O único ponto a favor dele é nós nunca virmos a saber como é que a equipa jogaria se todas as ROUBALHEIRAS que nos foram perpetradas, e que nos impediram de chegar à ou aumentar a liderança em mais do que uma ocasião, não o tivessem sido.
 
 
2) Entre Quique Flores e Jorge Jesus, prefiro claramente o primeiro.
 
Justificação #1: despender entre 4 e 5 milhões de euros para ir buscar um treinador como o Jesus é um tremendo disparate.
 
Justificação #2: objectivamente o Quique, mesmo com todos os equívocos, ficou à frente do Jesus, o “mestre da táctica”. Podem dizer: “ah e tal, o plantel do Benfica é melhor do que o do Braga”. Certo, mas também no ano passado era em relação ao Guimarães e o Cajuda ficou à nossa frente. Mais: o Braga ficou atrás do... Nacional, treinado pelo... Manuel Machado! Vamos trocar um treinador que não atingiu os objectivos no Benfica por um que não o fez no... Braga (link)?!
 
Justificação #3 (e a mais importante): para o bem e para o mal (mais para este...) o Quique nunca falou de arbitragens. Assim sendo, tem uma coluna vertebral mais direita do que alguém que, quando jogava contra nós e era prejudicado, “aqui d’el rei, não nos deixam ganhar, não podemos lutar pelos primeiros lugares, playstation etc.”. Quando jogava contra o CRAC e via o Postiga marcar um golo três metros fora-de-jogo ou serem-lhe perdoados três(!) penalties num só jogo, “ah e tal, o árbitro não esteve bem, mas o CRAC é uma grande equipa”. Enquanto equacionarmos pessoas destas para o nosso clube (e, já agora, outras pessoas que, quando jogavam contra nós e nos marcavam golos, faziam “manguitos” e nos chamavam filhos da Cristián Rodriguez), não nos damos ao respeito e não nos podemos admirar que os Pedros Henriques, os Pedros Proenças e os Vascos Santos desta vida se permitam fazer o que fazem nos nossos jogos. Era bom que nos lembrássemos do que o Joaquim Bogalho fez ao Félix Antunes, na altura capitão do Benfica.
 
 
3) A minha opção seria um treinador estrangeiro, já com títulos ganhos, conhecedor do futebol português ou que aceitasse adjuntos portugueses e que incutisse respeito aos jogadores.
 
Justificação: a margem de manobra dos treinadores portugueses é historicamente muito limitada. Não é por acaso que em 105 anos de história só por duas vezes fomos campeões com treinadores nacionais. Além disso, não vejo nenhum com arcaboiço para suportar a pressão de estar no banco do Benfica. Imaginem só esta época com um treinador nacional. Duvido que no final alguém lhe pedisse para ficar como fizeram ao Quique...
 
 
De qualquer maneira, e independentemente da escolha que vier a ser feita pela nossa SAD, farei o que faço todos os anos: renovarei o meu bilhete de época de título fundador, não faltarei a nenhum jogo em casa e seguirei escrupulosamente a minha regra de nunca assobiar jogadores ou treinadores do Benfica. O Rui Costa continua a ter, OBVIAMENTE, todo o meu apoio. Por uma razão muito simples: porque, para além de ser mais que qualificado para o lugar, jamais defenderá outros interesses que não os do Benfica. Podem parasitar inúmeros empresários à volta dele que tudo o que ele fizer será sempre para o bem do nosso clube. Não tem nenhuma agenda escondida. Se errar, isso acontecerá apenas porque é humano. Como todos nós.
por S.L.B. às 14:30 | link do post | comentar | ver comentários (29)

E calma, não?

 

O que era mesmo muito engraçado era se os benfiquistas que comem tudo o que vem nos jornais, na tv e na rádio como eu em determinada altura da minha tenra existência comi pacotes de batatas fritas com sabor a pickles (o que, em abono da verdade, não deve ter exactamente contribuído de forma positiva para a minha saúde mental) deixassem de se comportar como a Manuela Moura Guedes com uma overdose de cafeína ou como um elefante com o cio vendado numa loja da Vista Alegre.
 
É que não há paciência, honestamente, para o espernear desenfreado que se vê e que se lê por aí.
Comem tudo, tudo, tudo e depois rebentam por entre espirais de loucura como um Mr. Creosote histérico e espalham as entranhas pelas paredes do edifício benfiquista.
Emprenham pelos ouvidos e acabam por parir recém-nascidos grotescos com a cara do Sá Pinto e com ‘Grupo Cofina’ tatuado no rabo.
 
Há verdadeiramente necessidade de entrar no carrossel só para andar a vomitar na cara de toda a gente que está cá fora a ver?
 
Onde é que se compram dardos tranquilizantes?
 
Valerá mesmo a pena deixar a caixa de comentários deste post aberta?
 
E mais importante que isso, se algum dia isso se confirmasse, teria a Alexandra Solnado uma palavra activa na contratação de Jesus?
 
por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 12:36 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 25.05.09

'Lose-lose situation'

A reacção [link] foi tardia e, escaldados com as recentes informações sobre Ramires, é natural que estejamos cépticos. Atendendo ao actual contexto, esta solução já surge ferida. Assim, a confirmar-se o cenário actual, fico surpreendido e com a convicção de que se caiu numa lose-lose situation. E não havia necessidade.

 

Agora, arregacemos as mangas e tratemos do futuro!

por Pedro F. Ferreira às 19:47 | link do post | comentar | ver comentários (87)

A crise do Benfica!

Benfiquistas,

 

A culpa da crise do Benfica deve-se ao facto de todos os anos mudamos de treinador.

Parece uma frase feita, mas eu vou justificá-la.

Ora, a mudança de treinador geralmente tem como consequências imediatas:

 

1º Novas filosofias de treino;

2º Novos esquemas tácticos e de jogo;

3º Novos planos de treinos físicos para os jogadores;

4º Novas apostas em jogadores ou alterando o posicionamento dos mesmos em função das ideias do novo treinador;

5º Entrada e saída de muitos jogadores.

 

Estas consequências imediatas dão origem a que:

 

1º Em vez de as rotinas do treinador anterior começarem a dar frutos, surgem novas rotinas que levam o seu tempo a estabilizar e a dar resultados;

2º O próprio físico dos jogadores se tenha de adaptar às novas filosofias de treino físico

3º O jogador que estava a começar a evoluir, deixe de ser opção e estagne a sua evolução ou o jogador que começava adaptar-se a uma determinada posição tenha de começar adaptar-se a uma nova posição.

 

A mudança de treinador todos os anos é também prejudicial por outras razões. A saber:

 

1º Passa a mensagem aos jogadores de que estes não precisam de se preocupar muito em esforçarem-se até ao limite, pois no ano a seguir aquele treinador já lá não estará, mas eles continuarão lá. Assim, torna-se difícil que o treinador se imponha. Se o treinador continuasse, obrigava os jogadores a provar que para o ano este podia continuar a contar com eles, e que aqueles mereciam continuar no plantel. Mudando o treinador todos os anos, instala-se a anarquia.

Imaginem vocês se tivessem conhecimento de que todos os anos o vosso superior hierárquico mudava...

 

2º Passa a mensagem de que certos Santos, Lobos, Manhosos, Azevinhos, Pintos de Aviário, entre outros, podem continuar a criticar e mal-dizer tudo o que é feito no futebol do Benfica, porque sabem que alguém lhes dá ouvidos.

 

Além disso, é mais um gasto estúpido com indemnizações e uma mancha numa instituição como o Benfica, que devia honrar os seus compromissos e cumprir os seus contratos.

 

Isto tem de acabar para bem do nosso clube. E tem de ser já! Quique tem de continuar o seu projecto de dois anos.

Dúvidas.

Por um lado, quase todos queremos o Reyes e quase todos achamos que se justifica pagar meia dúzia de milhões de euros para que o futebolista mais exclamativo e entusiasmante do plantel fique no Benfica.

Por outro lado, torcemos o nariz quando percebemos o salário astronómico que o espanhol recebe e que teria de ser o Benfica a suportar integralmente no futuro. Sabendo o que faz uma enorme discrepância salarial num balneário e sabendo o rombo que tal salário faz no orçamento… dizemos-lhe “buen viaje”. E se a sua viagem terminar onde terminou a de Rodriguez? Teremos a capacidade de avaliar esta hipotética decisão do Benfica com a mesma racionalidade?

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Por um lado, tenho a pretensão de dizer que ninguém mais do que eu aprecia Luisão (pode haver quem aprecie de forma idêntica, mas dificilmente encontrarei quem por ele tenha maior admiração) e, obviamente, desejo que ele fique no plantel. Mas li aquela despedida dos adeptos como uma despedida do… Benfica. Por um lado, compreendo que com 28 anos está na altura de fazer um excelente contrato e que, precisando o Benfica de fazer dinheiro, este seja um dos principais candidatos a sair. Mas, ainda assim, é o Luisão, caramba! Por outro lado, o mais certo é que eu esteja a fazer uma leitura enviesada daquela despedida sentida…

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E o Quim? Acham que pode sair? Aqueles que dizem não se importar com a sua possível saída manterão essa mesma indiferença independentemente do seu futuro clube?

por Pedro F. Ferreira às 00:02 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Domingo, 24.05.09

Término

E pronto, lá chegou ao fim mais uma época, terminada com um frustrante terceiro lugar. No jogo de hoje, satisfação por ver o Benfica finalmente conseguir dar a volta a um resultado num jogo para o campeonato e, pelo menos pessoalmente, satisfação por ver também o Benfica assinar a sentença de despromoção do Belenenses. Agora podem sempre pedir aplausos para o 'Senhor Pinto da Costa' antes do início do próximo jogo contra o Freamunde. Tenho a certeza que os fiéis trezentos e cinquenta adeptos belenenses que encherem as bancadas do Restelo para assistir a esse jogo corresponderão ao apelo de forma entusiástica. Foi um jogo com um certo cheiro a despedida, o que aliás acontece quase sempre que uma época chega ao fim. Pelo menos costumo estar a ver jogos assim e a pensar que se calhar não voltarei a ter a oportunidade de rever alguns daqueles jogadores com a nossa camisola. Hoje, e face às notícias que circulam, também a nossa equipa técnica se juntou ao grupo das eventuais despedidas.

Não houve grandes surpresas no onze. Com lesões e suspensões à mistura, era previsível que alinhássemos com aqueles jogadores (e eu, sem ser nenhum mestre da táctica ou perito em adivinhações, até consegui prever a constituição da nossa equipa). Nova oportunidade para o Urreta jogar na direita, e em relação a Braga, o Di María deixou a posição de segundo avançado, voltando a encostar-se à esquerda face ao regresso do Aimar. Quanto ao jogo em si, não poderia ter começado da pior maneira. É que logo na primeira vez que o Belenenses subiu à nossa área, marcou, através de um grande remate do Silas que, pareceu-me, fez a bola passar entre as pernas do Luisão. Previ logo que isto pudesse desencadear mais um daqueles jogos horríveis, com a equipa adversária a queimar tempo de forma descarada, já que aquele era o único resultado que lhe servia. Mas o Benfica não se desconcentrou com o golo, e respondeu bem, sobretudo a partir do lado direito, onde um Maxi incansável e um irrequieto Urreta iam causando dificuldades ao adversário. No meio, e um pouco surpreendentemente face à presença do Carlos Martins em campo, era o Katsouranis quem mais se encarregava de distribuir o jogo, fazendo a bola chegar aos extremos através de bons passes em profundidade. Foi mesmo pela direita que, aos vinte minutos, acabou por surgir a jogada do golo do empate, quando após mais uma das suas incontáveis subidas, o Maxi foi solicitado pelo Aimar e, de primeira, fez um cruzamento perfeito para o cabeceamento não menos exemplar do Cardozo.

Pouco depois o Benfica substituiu o Carlos Martins, não sei se por algum motivo de ordem física, ou se foi mesmo opção do Quique (é verdade que ainda só tinham decorrido vinte e seis minutos de jogo, mas até então a sua produção em campo tinha sido bastante fraca). O que é certo é que a substituição acabou por ser inspirada, já que o Fellipe Bastos, que o substituiu, acabou por ter uma boa prestação no jogo, vindo mesmo a revelar-se decisivo. Por esta altura o Benfica mantinha a superioridade no jogo, embora o Belenenses conseguisse incomodar através de contra-ataques que exploravam a nossa defesa em linha, e mostrava ser possível causar mais alguma surpresa. Mas perto do intervalo um dos seus jogadores agrediu o Di María com uma patada e foi consequentemente expulso, sendo que a partir daí o Belenenses desapareceu de vez do jogo. O empate ao intervalo era algo penalizador para o Benfica, mas face ao que se tinha visto era previsível que, salvo alguma surpresa, o Benfica acabasse por dar a volta à situação na segunda parte.

E para esta segunda parte o Benfica entrou forte e decidido a alcançar a merecida vantagem rapidamente. No primeiro quarto de hora 'cheirámos' o golo em diversas ocasiões, a mais flagrante delas uma perdida escandalosa do Di María que, isolado após uma falha grosseira de um defesa adversário, conseguiu rematar por cima da baliza. O Aimar também esteve perto de marcar, assistido pelo Cardozo, mas atirou igualmente por cima, e até o Maxi teve um grande remate de fora da área, bem defendido para canto. O golo acabou, naturalmente, por surgir. Foi dos pés do Fellipe Bastos que saiu uma bomba indefensável, ainda de bem fora da área, que levou a bola a entrar no ângulo da baliza do Belenenses. Apesar da vitória ser o único resultado que interessaria ao Belenenses, a verdade é que na segunda parte eles pouco mais fizeram do que defender, e ainda assim mal, já que multiplicavam-se as brechas na defesa, e era previsível que o Benfica conseguisse voltar a marcar. Sobretudo pelo nosso lado direito, onde a velocidade do Urreta, apoiado pelo incansável Maxi, continuava a fazer estragos. Quando o Mantorras entrou a cerca de quinze minutos do final, não era difícil prever que a probabilidade dele marcar era elevada, o que se confirmou já em período de descontos, após uma cavalgada do Balboa (tinha entrado minutos antes para o lugar do Aimar) que terminou numa assistência para o remate de primeira do angolano. Terá sido para fazer jogadas destas (ganhar a linha e centrar, coisa que pelo menos já mostrou que sabe fazer bem) que o Balboa foi contratado. Pena que não o tenha feito com frequência durante a época, justificando assim o elevado investimento que fizemos nele. Tendo em conta os apontamentos positivos que tem vindo a deixar aqui e ali nos últimos jogos desta época, talvez seja conveniente não o despacharmos às três pancadas, e ver se nos poderá ser útil para a próxima época. Voltando ao jogo, este acabou por fechar em ambiente de festa devido ao golo do Mantorras, que deu a expressão final a um resultado justo.

O melhor do Benfica foi, para mim, o Maxi. Aliás, digo-o já, ele foi para mim o melhor jogador do Benfica durante toda a época. Se quiserem dizer que ele é uma adaptação a lateral (que não é; adaptação era quando ele jogava a médio ala) estão à vontade, mas duvido que se encontre um lateral direito melhor no nosso campeonato. Hoje voltou a fazer daquele corredor direito uma avenida, por onde correu incansavelmente durante os noventa minutos, não concedendo espaços na defesa e apoiando sempre o ataque. O cruzamento para o golo do Cardozo foi simplesmente perfeito. Foi muito bem secundado pelo Urreta, cuja velocidade e mobilidade foram sempre um quebra-cabeças para os adversários. Ainda comete de vez em quando alguns erros, mas tendo ele dezoito anos é natural, e tem tempo para aprender. Já vi alguém numa caixa de comentários comparar o estilo dele ao do Simão, e a comparação não me parece descabida. Por último, quero mencionar também o Katsouranis, naquele que poderá ter sido o último jogo com a nossa camisola. Neste jogo, fez por demonstrar a razão pela qual sempre o admirei, e terei pena de o ver partir.
Conforme já referi antes, bom jogo também do Fellipe Bastos. Quanto a quem esteve menos bem, para mim foi o Di María. Foi demasiado individualista em algumas ocasiões, complicou em outras, e aquele falhanço é inacreditável.

Época terminada, silly season iniciada (se bem que no nosso caso, esta silly season até parece ter começado antecipadamente, incluindo até personagens anormalmente cómicos que nem fazem parte do habitual circo de contratações e vendas). Agora vamos ver o que nos trazem os próximos meses. Como de costume, enterramos as frustrações de uma época mal conseguida e, quer queiramos, quer não, deixamos que a esperança se renove a cada nova época. Eu vou começar a riscar no calendário os dias que faltam até Agosto, que isto é muito tempo sem futebol e, sobretudo, sem futebol do Benfica.

por D`Arcy às 02:10 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Sábado, 23.05.09

Aviso à navegação.

Acaba hoje a época. Acaba com a sensação da frustração. Falhados os objectivos, abertas as feridas, rasgada a carne, resta assistir ao festim que se seguirá.

 

Onde uns tentarão cantar amanhãs, outros começarão a entoar a ladainha da encomendação das almas. Uns profetizarão o inferno com condução alheia e o céu com condução própria. Os outros farão exactamente o mesmo, mas mudando a orientação celestial e infernal. Depois há sempre uns outros que, independentemente de profetas e profecias, e de promessas e de messias, acreditam não em céu nem em inferno, mas apenas no cemitério.

 

Eu sei o caminho que seguirei: voarei com as águias em quem confio. Desde o início das suas actuais funções que confiei e confio na competência de Rui Costa. A sinceridade com que o apoiei no início é a mesma com que o apoio agora.

 

Aprendi com Miguel Torga que “Ser sincero é, sobretudo, continuar no caminho dos primeiros passos conscientes. Não há uma sinceridade de cada momento, mas sim a que se prolonga, se cultiva, e se vigia. Quem é sincero por jactos, faz da traição o seu valor constante. Entrega ao anoitecer o Cristo que escolheu de manhã.”

 

Já tentaram, mas sabem que não contam comigo para Judas.

por Pedro F. Ferreira às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Sexta-feira, 22.05.09

Desejo Simples para Amanhã

Não vou poder estar na Catedral no jogo com o belenenses, por razões pessoais.

 

Mas sabem o que eu gostava de ver amanhã, por parte dos adeptos Benfiquistas que lá forem?

 

Uma grande Manifestação de Apoio a Rui Costa e a Quique Flores. 

 

Não sei, mas parece-me que é importante fazê-lo, nesta altura.

 

 

por Artur Hermenegildo às 17:08 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Quinta-feira, 21.05.09

Curiosidade

Gostaria de saber se a maior parte dos oitenta e tal por cento de diversas sondagens que acha que o Jorge Jesus é uma boa opção para treinar o Benfica (caso o Quique Flores não fique na próxima época) não serão os mesmos que há cerca de 10 anos também defendiam que o então treinador português da moda era o ideal para nós. Quantas vezes não ouvi eu nessa altura que "o que nós precisávamos era do Jaime Pacheco"...?

 

P.S. - Uma coisa é certa: o próximo campeonato vai ser muita difícil.

por S.L.B. às 09:00 | link do post | comentar | ver comentários (68)
Quarta-feira, 20.05.09

Sobre jogadores - algumas ideias

Tenho para mim que, com o actual plantel, será mais importante o Benfica investir o que for possível para manter os jogadores que tem do que vender alguns para comprar outros.  Tirando, claro, as óbvias necessidades de um defesa direito (já colmatada com Patric), de dois defesas esquerdos (um dos quais pode ser Ruben Lima, ou Sepsi) e de dois pontas de lança para acompanhar Cardozo (Mantorras é intermitente e Nuno Gomes há muito que não é um ponta de lança).

 

Especificamente, há alguns jogadores cuja continuidade me parece importante, ou mesmo imprescindível.  Concretamente, imprescindíveis há dois - Luisão e Cardozo.

 

Luisão não deve sair do Benfica.  Para além da sua qualidade como jogador, tem 5 anos de Benfica, é Capitão e um líder de balneário.  Jogadores destes são fundamentais e substituí-los muito complicado.  Vender Luisão seria a meu ver uma tremenda estupidez - a menos que o próprio jogador deseje sair.

 

Cardozo nem tem discussão possível.  Cresceu muito como jogador, está mais rápido, com mais sentido táctico, com capacidade para jogar de costas para a baliza e tabelar com colegas ou desmarcá-los, enfim, um jogador muito mais completo do que quando chegou, sem nada perder da sua maior qualidade - que é "só" ser um grande marcador de golos.  Para o ano, vai-se afirmar como um dos mlehores pontas de lança do futebol europeu - para mim, já é o melhor do futebol português. 

 

Ou seja, Cardozo e Luisão não deveriam sair do Benfica por nenhum dinheiro.

 

Já Reyes é um caso complicado.  De um ponto de vista estritamente desportivo, acho que o devíamos manter, e os 6,5 milhões não deviam ser um problema.  O que sim pode ser um problema é o seu vencimento.  Se é verdade que Reyes aufere o dobro de outros jogadores importantes na equipa, não creio que isso se justifique.  Se o acordo com o jogador apontar para um salário mais razoável, então sim.  Caso contrário, seria mais importante abrir os cordões à bolsa com Luisão e Cardozo do que dar um salário milionário a este jogador.

 

Di Maria é um jogador com lugar em qualquer equipa do Mundo, neste momento.  Pessoalmente, gostaria muito de o ver no Benfica por muitos anos.

 

Tenho pena se Katsouranis sair.  Mas parece que é mesmo essa a vontade do jogador, e sendo assim acho que o Benfica faz bem.

 

Dos outros, Aimar, claro, tem de ficar, tal como Ruben Amorim e Maxi Pereira.

 

Um caso à parte - Nuno Gomes.  Nem se deve pôr a hipótese de não acabar a carreira no Glorioso.

 

A dispensar, talvez Jorge Ribeiro, que confirmou aqui que não é um defesa esquerdo, e Felipe Bastos por empréstimo, para se ver o que vale.

 

por Artur Hermenegildo às 16:56 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Segunda-feira, 18.05.09

Porque defendo que Quique deve ficar.

Assinámos contrato com ele por dois anos. A viagem vai a meio. O homem parece inteligente, creio que está a aprender com os erros e que pode montar melhor a equipa para o ano. O Benfica não ganhou nada em mudar de treinador todos os anos. O Jorge Jesus aguentaria a pressão? Quanto tempo?

Ficar com Quique seria, a meu ver, prova de serenidade em tempos de ferro e fogo, a prova cabal de que existe, realmente, a tão falada linha de rumo, e que o Benfica não é gerido de fora para dentro, consoante as pressões. Além do mais, pagar 3,5 milhões de euros para rescindir contrato com um treinador contratado por dois anos, só mostra uma coisa, a meu ver: fraqueza de convicções.

Vamos fazer diferente este ano, boa? Claro que acho que o Quique é a grande desilusão do ano, e que, com os jogadores que temos, descontados alguns evidentes erros de casting, deveríamos ter feito melhor! Mas acho que, se ele tiver aprendido com os erros, se usar o conhecimento do futebol português e do Benfica que existe, dentro do clube (Diamantino, Chalana, Rui Costa, alguns jogadores), se estudar melhor os adversários, podemos ter um ano bom. E damos um sinal, para dentro de para fora, de que existe responsabilidade e genuína convicção nas opções que se tomam. Vamos parar com a bagunça, de uma vez por todas!

 

Pronto, agora podem cair-me em cima.

À margem.

Já o disse publicamente e repito-o: Quique Flores merece uma avaliação justa por parte de quem está acima de si na hierarquia. Merece que essa avaliação não seja feita com base nos resultados, mas sim na observação das suas práticas diárias e na percepção fundamentada das possíveis e reais possibilidades de, sob o seu comando, virmos a construir uma equipa vencedora. Isto é o que defendo para este treinador.

 

Quique não merece o abandono precoce por parte de quem tem o dever de o defender. E todos os momentos em que o nosso treinador não seja defendido são sinais de abandono.

 

Quique mereceu aquela vitória de ontem. Foi uma vitória para o Benfica, foi uma vitória para Quique, foi a demonstração de que há muita gente no plantel que está com o treinador. Foi uma vitória sobre todos os que são sérios… a 'negociar' nas suas costas. Ontem, o 'quarto golo' foi de Quique, quando disse: «eu confirmo que sou uma pessoa muito respeitosa e que quando trabalho para uma equipa sou incapaz de ter uma conversa com qualquer dirigente de outra equipa. Sou assim, muito sério» Simples, com dedicatória, certeiro e bem claro.

 

'Golos' destes não há Soares Dias que os anulem, nem ‘reis da táctica’ que os contestem.

 

Pelo que se tem dito e escrito nos últimos dias, Quique merecia aquela vitória. Se Quique merece ou não continuar como treinador do Benfica, isso são contas para outros rosários…

por Pedro F. Ferreira às 11:10 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 17.05.09

Brio

Até pareceu fácil. Foi uma equipa muito personalizada do Benfica que, em Braga, aproveitou as oportunidades que teve, e manteve quase sempre o adversário controlado, mesmo tendo de lutar na segunda parte contra a adversidade adicional de uma arbitragem horrorosamente caseira. Não sei se o Jorge Jesus (a propósito, ele anda a fazer madeixas negras no cabelo, ou está envolvido em algum projecto ultra-secreto que envolve a recombinação dos genes capilares do seu DNA com os de um guaxinim?) virá para o Benfica ou não, mas neste momento, tendo em conta as notícias que circulam, o Quique deverá estar com um sorriso irónico na cara, sorriso esse plenamente justificado face ao que se passou hoje.

Foi um Benfica com muitas alterações aquele que entrou hoje em campo. A começar pela baliza, onde surgiu o Moreira no lugar do Quim, reassumindo uma titularidade que tinha sido perdida sem razão muito aparente. Na defesa, regressou o Jorge Ribeiro à esquerda, 'empurrando' o David Luíz para a sua posição natural no centro, ao lado do Sídnei. E à direita surgiu o Miguel Vítor, isto porque o Maxi subiu para médio direito, evitando assim a habitual adaptação do Rúben Amorim, que ocupou o seu lugar no centro ao lado do Katsouranis. Na frente, coube ao Di María o papel de apoiar o Cardozo. O Benfica teve, ao contrário do habitual, uma entrada forte no jogo. Notou-se desde o início que havia vontade em pressionar logo os jogadores do Braga no seu meio campo defensivo, o que acabou por ser um dos factores chave deste jogo, pois foram diversas as perdas de bola provocadas nesse sector. E a boa entrada do Benfica em jogo foi rapidamente recompensada, já que aos sete minutos, aproveitando um óptimo passe do Katsouranis, o Cardozo isolou-se e aproveitou a saída precipitada do guarda-redes adversário para inaugurar o marcador. Logo a seguir, um momento de alguma infelicidade com a lesão do David Luiz, mas ainda assim isto não foi de todo negativo, já que o Urreta, que foi quem o substituiu (foi ocupar o lugar do Maxi na direita, regressando este à lateral da defesa e o Miguel Vítor ao centro) teve uma contribuição bem positiva no jogo (apesar de uma das suas primeiras intervenções ter sido desastrosa, quase oferecendo um golo - valeu-nos o instinto matador e habilidade do Rentería). Antes do primeiro quarto de hora, o marcador voltou a funcionar para as nossas cores, desta vez com o Di María a interceptar um mau passe do Eduardo e depois, com calma, a ultrapassá-lo e a marcar de ângulo apertado.

O Braga parecia atordoado com os dois golos sofridos tão cedo, e só perto da meia hora começou a reagir, mas encontrou sempre pela frente uma equipa organizada e, em último caso, um Moreira atento. Entretanto, por essa altura, o árbitro do encontro resolveu começar a mostrar a sua motivação ao mostrar um amarelo ao mesmo Moreira por perda de tempo. Quem me dera ver este rigor em todos os árbitros que nos apitam em casa. Creio que nenhuma equipa terminaria um encontro na Luz com um guarda-redes na baliza. Mesmo com a reacção do Braga, o Benfica nunca se encolheu, e continuou a contra-atacar com perigo, pelo que nesta altura o jogo estava bastante agradável de seguir, adivinhando-se que poderiam surgir mais golos. O intervalo chegou com a nossa vantagem justa no marcador.

Para a segunda parte, previa-se uma entrada forte do Braga, na tentativa de marcar cedo para poder lançar alguma incerteza no resultado, mas quase nem deu tempo para ver o que quer que fosse. É que logo no reinício, após mais uma recuperação de bola no meio campo defensivo do Braga, o Di María assistiu de calcanhar (noutras paragens talvez isto fosse apelidado de 'magia') o Urreta que, com classe, entrou na área, ultrapassou um defesa, e marcou calmamente o terceiro golo. Se algumas dúvidas havia quanto ao vencedor, este lance dissipou-as. Mas ainda tínhamos mais de quarenta minutos pela frente. Só que o Benfica controlou sempre o jogo com relativa calma. O maior (e talvez único) susto foi dado numa jogada individual do Paulo César, que ultrapassou uma série de jogadores nossos e, isolado, atirou ao lado. Não fosse
um árbitro ou muito competente, ou muito estúpido a querer mostrar serviço, e o jogo teria sido ainda mais calmo. O recém entrado Luís Aguiar teve duas entradas animais sobre o Katsouranis (e ainda bem que não acertou a primeira), que eventualmente até forçaram a sua substituição, e nem um amarelo (quem levou foi o Amorim). O Yebda, que entrou para o lugar dele, conseguiu estar apenas onze minutos em campo, sendo que o segundo amarelo poderia consistir um case study para o que é um cartão a pedido. A falta do Yebda (se é que existe) é a meio campo, e perfeitamente inócua. O árbitro assinala a falta, e só passados vários segundos, após a gritaria do Braga, resolve mostrar o segundo amarelo. Ridículo. Faltas sobre jogadores do Benfica, quase nem vê-las, sobretudo se fossem perto da área do Braga (o Reyes que o diga). Já o contrário, era sempre falta. Culminou com um penálti rigorosíssimo assinalado sobre os noventa minutos, que permitiu ao Braga alcançar o golo de honra. O Quique Flores, que só agora deve ter começado a perceber como é que tudo funciona por aqui, e que ser cavalheiro nestas coisas não serve de nada (já na primeira parte se tinha revoltado pelo assinalar de uma falta inexistente ao Di María quando este ficava isolado), perdeu as estribeiras e disse ao quarto árbitro 'Es una vergüenza!'. Foi expulso. Para a próxima, ele tem é que fazer gestos sugestivos com as mãos, ou saltar como um macaco junto ao banco enquanto tem atitudes de doente mental. Assim não será castigado de certeza.

A equipa num todo esteve de parabéns, embora tenhamos fraquejado um pouco pelo lado esquerdo da defesa durante alguns períodos da primeira parte (não aponto o dedo ao Jorge Ribeiro, já que ele teve pouco auxílio do Reyes nessas ocasiões). Bom jogo do Cardozo - está a ter um final de época muito bom e, sinceramente, considero que seria um erro monumental não o mantermos no plantel. Muito bem também o Di María (um golo e uma assistência), a jogar numa posição (segundo avançado) em que me parece render mais do que quando encostado às alas. Conforme referi antes, o Urretavizcaya teve também uma boa entrada em jogo, e marcou um óptimo golo. Menção também para o óptimo jogo que o Ruben Amorim fez. Não terá dado muito nas vistas, mas de uma forma discreta esteve um pouco por toda a parte. Finalmente, menciono também o regresso do Moreira à baliza. Tudo o que teve que fazer, fê-lo bem. Hoje, para variar dos últimos jogos, não sofremos um golo em cada remate que foi à baliza, e não merecia ter sido traído por aquele penálti.

O jogo de pouco ou nada interessava, a não ser por uma questão de brio. E esse objectivo, julgo, foi cumprido. A vitória não merece contestação, e hoje até foi contra o adversário e contra a má arbitragem. Agora, para a última jornada, reservo o desejo de mandar um capacho crónico do Porto para a Liga de Honra.

por D`Arcy às 22:03 | link do post | comentar | ver comentários (34)

Gosto!!!

 

Diz que vamos vestir assim, na nova época.

Sábado, 16.05.09

Benfica melhor que o Porto

 

Os nossos gloriosos juniores ganharam aos corruptos no antro da máfia, por 2-0. É uma vitória importante, quando se previa que os andrades se preparavam para, também nos juniores, ganharem o campeonato. É muito fácil vir aqui dar estas notícias, eu sei. Acusar-me-ão de estar a desviar as atenções do que é realmente importante e de estar deliberadamente a ignorar os verdadeiros problemas do Benfica. Talvez sim, mas não posso deixar de escrever este post, sobretudo por três razões: em primeiro lugar, tratando-se dos juniores, podemos pelo menos pensar que as coisas poderão melhorar; em segundo lugar, esta equipa tem referências: Nélson Oliveira, que hoje marcou dois golos, David Simão e João Pereira são algumas delas; por fim, num tempo em que os corruptos na forma tentada são o exemplo em tudo para quase toda a gente, deu-me um prazer tremendo dar aquele título ao post.

Sexta-feira, 15.05.09

Ser do Benfica

Quem quiser saber o que é a raça, o querer, a ambição, o lutar contra as adversidades, o espírito de sacrifício e um enorme coração que sempre definiram o Glorioso Sport Lisboa e Benfica é só rever o jogo de andebol de ontem contra os lagartos. Ganhámos e estamos na final frente ao CRAC. Foi uma exibição cheia de mística à qual tive o privilégio de assistir ao vivo. Tivessem os jogadores de futebol 10% da raça do Luís Nunes, João Ferreirinho, Carlos Carneiro & Cia e teríamos certamente ido mais longe nesta época.

 

Aliás, os futebolistas e a equipa técnica deveriam ser obrigados a ver este jogo na íntegra. Poderia ser que muitos deles finalmente aprendessem o que é ser do Benfica.

por S.L.B. às 02:07 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Quinta-feira, 14.05.09

Bilhetes

Deixem-me fugir por uns momentos ao futebol, para falar de outra modalidade. Nos jogos para a Liga de andebol, existe um acordo de cavalheiros que basicamente estabelece que a equipa visitante, quando assim o deseje, pode pedir bilhetes para os seus adeptos, até um máximo de 10% da lotação do pavilhão da equipa anfitriã, num prazo de quarenta e oito horas antes da realização do jogo. Isto é, conforme disse, um simples acordo de cavalheiros, estabelecido para dar a volta à regra oficial, que estabelece que os bilhetes deverão ser pedidos com uma semana de antecedência - o que nem sempre faz sentido, já que no caso dos playoffs, por exemplo, isso obrigaria os clubes a pedir bilhetes com uma antecedência tal que nem sequer saberiam se o jogo em questão se realizaria.

 

A semana passada realizou-se o primeiro jogo das meias-finais do playoff, que opôs o Benfica à lagartagem. A lagartagem fez o pedido dos bilhetes, e o Benfica cumpriu o estabelecido, enviado os tais 10% da lotação para o Lumiar. Até aqui tudo bem. Domingo passado realizou-se na casa alugada da lagartagem o segundo jogo, e o Benfica, fiando-se no acordo de cavalheiros, fez o pedido dos tais 10% de bilhetes com três dias de antecedência. A resposta que recebeu da parte da lagartagem foi atirar o tal acordo de cavalheiros às malvas, e invocar a tal regra oficial, que obriga a que o pedido seja feito com uma semana de antecedência, e por isso não nos foram enviados bilhetes nenhuns. Ainda assim, cerca de quarenta adeptos benfiquistas conseguiram obter bilhete para o referido jogo, comprando-o nas bilheteiras. Chegados ao pavilhão alugado pela lagartagem, foi-lhes barrada a entrada, com o argumento da segurança, já que se iriam misturar com os adeptos lagartos. Pediram então os nossos adeptos que os colocassem no sector reservado aos benfiquistas, mesmo não sendo para ali os bilhetes que possuíam, até porque o sector benfiquista estava vazio. A resposta que receberam a esta sugestão foram umas bastonadas das forças de segurança. Ou seja, os nossos adeptos deslocaram-se à casa alugada da lagartagem, pagaram bilhete, e não só não puderam ver o jogo como ainda levaram pancada.

 

Entretanto a lagartagem veio pedir os bilhetes a que teria direito para o terceiro jogo, a disputar esta noite na Luz. Face ao ocorrido no passado fim-de-semana, o Benfica fez a coisa mais natural: não enviou bilhetes nenhuns, disponibilizando a entrada em nossa casa apenas aos sócios com as quotas em dia. Agora a lagartagem queixa-se de antidesportivismo. São um clube diferente, sem dúvida.

 

Independentemente da rábula dos bilhetes, a única coisa que me interessa é ver esta noite os nossos jogadores a defender as nossas cores com a raça do costume, e ver se conseguimos dar mais um passo rumo à defesa do título de campeão frente a um adversário que, palhaçadas à parte, será um osso muito duro de roer.

por D`Arcy às 09:59 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Quarta-feira, 13.05.09

Palhaçada

Há uns anos atrás, um sujeito bem conhecido disse que o Benfica era um circo. Espero que esta notícia seja mais uma especulação jornalística, caso contrário se este "artista" (para não dizer "palhaço") vier mesmo, se calhar estaremos efectivamente a pensar abrir uma secção circense no clube. Convém recordar que este "artista" foi um flop por todos os países por onde passou (Espanha, Itália e Inglaterra) e só teve sucesso num certo país onde a corrupção, para além de não ser punida, é chamada de "boa organização" e elogiada.

 

 

Deus nos livre!

por S.L.B. às 16:15 | link do post | comentar | ver comentários (44)
Terça-feira, 12.05.09

Bom, já que perguntam (se alguém tiver perguntado - o que não é líquido)

 

Quem quiser saber o que acho sobre a actualidade do Glorioso pode muito bem carregar aí na barra da direita no meu nick e aparece-lhe o historial dos meus textos. Se tiverem disposição e paciência para tal, percorram-nos. É barato. Infelizmente não me dá milhões.
Mas passam um bom bocado, ficam esclarecidos sobre o que penso, e constatam a genialidade do autor (ou o seu profundo desapego da realidade).
Não vale a pena estar para aqui outra vez a dissertar sobre tudo. Corro o risco de me repetir, dá trabalho e ocupa-me tempo que posso gastar a tentar descobrir quantos jornalistas da imprensa desportiva têm fixações pouco saudáveis e ligeiramente suspeitas pelo ‘olhar penetrante’ ou pela ‘sólida aspereza relacional que esconde um pai extremoso e de relação imbatível com os seus meninos’ do Jesualdo (não inventei nada: acredite-se ou não, isto saiu da pena de um admirador - de inclinação sexual dúbia - do ‘professor’, que acha que é jornalista e que passeia a sua estupidez flamejante pelas páginas d’A Bola. O último nome é ‘Queirós’ – aparentemente é um apelido comum para moluscos invertebrados - e o primeiro é ‘Vítor’).
 
No entanto, vale a pena vincar o essencial, até para poupar trabalho a quem for tão preguiçoso que nem lhe apeteça carregar aí ao lado (e percebo-os muito bem: ninguém aqui está a julgar ninguém):
 
Não contem comigo para atitudes histéricas e esquizofrénicas. Não contem comigo para correr desenfreadamente com a horda enlouquecida que exige sangue. Não contem comigo para andar pela comunicação social nas pontas dos pés a incendiar os ânimos. (…) Não contem comigo para me deixar envenenar por manobras concertadas de uma parafernália de veículos dos media controlados pelo mesmo grupo para linchar publicamente um Presidente do Benfica e destruir a carreira de um director desportivo. Não contem comigo para achar que se deve copiar o exemplo de um clube que construiu (e ainda constrói) uma profusamente elogiada estabilidade à custa de corrupção, pagamento de viagens ao Brasil, guardas Abéis, fruta, galões e visitas de árbitros a casas de Presidentes nas vésperas de jogos.
Não contem comigo para vender a minha dignidade. Não contem comigo para defender estratégias de vitória à custa da nossa identidade’.
 
Acrescento ainda que não contem comigo para entrar na dança hipócrita do louvor a um campeão corrupto e sem dignidade, passando uma providencial e mágica esponja sobre tudo o que se passou para trás e esquecendo a forma como se chegou ao primeiro lugar.
Tenho dois pés esquerdos, não tenho a mínima vocação para dançar (há muito boa gente que o confirmaria de bom grado – os que ainda possuem o dom da fala depois de me ver a fazer o que algumas pessoas da comunidade científica gostam de chamar ‘tentar dançar’), e tenho uma deficiência de personalidade que me impede de simpatizar com criminosos a não ser que entrem num filme do Francis Ford Coppola ou do Martin Scorsese.
 
Havia, adicionalmente, uma série de coisas que achava importante dizer nesta altura, mas felizmente (dada a minha lendária preguiça) estão todas, de forma exemplarmente clara e particularmente lúcida, aqui (a devida vénia ao escriba, o piazzanuova).
 
 
Viva o Benfica
 
 
p.s. não é necessário, acredito, repeti-lo, mas comentários ofensivos ou atentatórios da dignidade do escriba (leia-se 'tudo o que me chatear') vão directamente para a fossa, sem passar pela casa Partida nem receber 2.000 unidades monetárias. Se não perceberam a referência e nunca jogaram ao Monopólio, bom, então o que andavam vocês a fazer? A brincar com bonecas, como o Salema Gayzão?
por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 17:27 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Não entendo!

 

Benfiquistas, não vos (nos) entendo.
Todos nós parecemos concordar que mudar de treinador todos os anos é mau. Todos nós parecemos concordar na vantagem de ciclos longos que permitam a consolidação da equipa e de métodos de trabalho. Todos nós parecemos concordar que Rui Costa é o homem certo no lugar certo e que é necessário apoiá-lo e dar-lhe a estabilidade e confiança de que necessita para ser eficaz e produzir resultados.
E no entanto, logo no primeiro ano, porque as coisas correram mal (e disso não há dúvida, correram não só mal como muito pior do que seria imaginável e desejável), porque correram mal, dizia, o que fazemos? Exigimos sangue, a começar pela cabeça do treinador!
Eu não sei se Quique é o treinador certo para o Benfica. Quem me dera ter certezas ou uma varinha mágica. Não tenho, e o que vi este ano não me deixa tranquilo, de facto. Mas a verdade é esta – um ano é pouco, e nenhum de nós pode também ter a certeza contrária, a de que Quique de facto não serve. Eu quero acreditar que, como profissional competente que é, saberá aprender com os erros e ser melhor para o ano. A equipa também estará mais rodada, os jogadores conhecer-se-ão melhor. E no final da próxima época então sim se fará o balanço.
Aliás se bem se lembram foi isso que foi dito no início desta época – é um ciclo de dois anos, com objectivos para dois anos. O primeiro correu efectivamente mal, mas isso não significa que o segundo não possa ser um ano de vitórias, como todos esperamos.
Ainda por cima, fico com a desagradável sensação de, mais uma vez, o possível afastamento de um treinador ser decidido pelos jornais. Não há ano nenhum em que tal não aconteça, incluindo o ano do título de Traspattoni. Aí por volta de Fevereiro, há sempre qualquer coisa que faz com que o treinador “não tenha condições para continuar”. E isso para mim só tem uma explicação – é preciso manter o Benfica intranquilo, desorganizado e desestabilizado, ano após ano.
Já tentámos demasiadas vezes a mudança. Haja a serenidade de por uma vez se tentar a estabilidade. E já agora, que essa estabilidade comece pelo Presidente. Não lhe ficaria mal vir a terreiro afirma a sua confiança em Rui Costa e Quique, de vez em quando. Se necessário, todos os dias. É isso que fazem os líderes – confiam em quem escolhem e afirmam essa confiança em todas as circunstâncias.
 
PS – Não sei se repararam, mas um “personagem medíocre” que não é o Léo e que é candidato a candidato a Presidente do Benfica teve esta ideia peregrina: pedir eleições antecipadas, e ainda pedir a LFV que não se recandidate. Não sei se estão a perceber: eleições dentro de pouco tempo, como não haveria mais candidatos a não ser ele próprio, o resultado seria… Viva a democracia b.c.!
 
por Artur Hermenegildo às 11:52 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Segunda-feira, 11.05.09

Assim também eu...

LFV ontem em declarações mostrou-se desapontado com a equipa de futebol e prometeu vigorosamente mudanças e apuramento de responsabilidades.

 

Acho muito bem.  Só é pena que esta atitude "corajosa" só se verifique quando não é ele próprio o principal responsável pelo futebol - embora seja ainda o principal responsável pelo Clube.

 

Não vi esta atitude "corajosa" no final da época passada, quando LFV numa pouco inteligente "fuga para a frente" resolveu despedir Fernando Santos à 1ª jornada, para ir buscar Camacho, sem nunca depois ter dado a este treinador o apoio inequívoco de que ele precisaria para ter sucesso - com os resultados que conhecemos.

 

Aliás, LFV parece nunca se comprometer.  Nunca o vi apoiar incondicionalmente ninguém.  LFV cola-se a algumas pessoas quando o sucesso aparece (como foi o caso de Veiga), para logo se demarcar quando as coisas correm menos bem.  O discurso é sempre o mesmo, começa com o "novo ciclo", e acaba com o refúgio nas palavras ambíguas de "os contratos são para cumprir".

 

Nunca o vi vir a terreiro defender ninguém, nem a equipa, nem os treinadores, nos momentos difíceis.  Não defendeu Trapattoni, nem Koeman, nem Fernando Santos, nem Camacho. 

 

Não sei que "mudanças" e "responsabilidades" passam pela cabeça iluminada de LFV.  Sei que não era aquilo que eu queria ouvir, agora.  Era outra a coragem que eu pretendia.  A coragem de saber assumir as suas próprias responsabilidades, e de estar ao lado dos seus nos momentos difíceis que atravessamos - ao lado de Rui Costa, de Quique, dos jogadores.

 

Espero que não venha aí mais uma "noite das facas longas".  Espero que Rui Costa não seja traído e sacrifcado apenas ao fim de um ano de trabalho.  Espero que as decisões sejam corajosas, sim, mas com a coragem que nasce da análise serena e não do populismo fácil dos acenadores de lenços.

 

Espero que desta vez LFV saiba estar à altura do Benfica e do cargo que ocupa.

 

 

por Artur Hermenegildo às 10:31 | link do post | comentar | ver comentários (35)
Domingo, 10.05.09

Já nada podemos ganhar, mas ainda temos algo a perder.

Escrever nos momentos de derrota é sempre uma escrita difícil. Mas também sempre aprendi que as coisas fáceis são para todos e as difíceis não.

 

Nestas duas jornadas que faltam jogar o nosso Benfica já nada tem a ganhar. Tem apenas a necessidade de não perder ainda mais do que tem perdido nestes últimos meses.

 

Pessoalmente ganhei uma desilusão proporcional à esperança, fundada, que o nosso Director Desportivo nos trouxe no início da época com um reforço qualitativo do plantel. Além disso, perdi a crença definitiva de que basta um bom plantel para ter bons resultados no futebol português. Perdi definitivamente a crença de que o “Apito Dourado” seria importante para a regeneração do corrupto futebol português. Perdi a fé que depositei na possibilidade de ter Quique Flores como nosso treinador para a próxima época. Enganei-me no meu optimismo e, possivelmente, terei contribuído para o engano de alguns outros benfiquistas. Se assim foi, peço-lhes desculpa.

 

No entanto, não me enganei, nem enganei nenhum dos leitores, relativamente à forma como deliberadamente alguns árbitros, observadores e delegados da Liga contribuíram para a derrota desportiva que constitui esta época. Não foi o único factor, mas foi decisivo.

 

No meio de tantas perdas, há coisas que não perdi. Não perdi a crença de que aceito como único tirano a voz da minha consciência e esta obriga-me a dizer que mantenho a fé no nosso actual Director Desportivo e na equipa que o acompanha. E esta é uma crença pessoal que se baseia no privilégio que tenho tido de poder observar e testemunhar pessoalmente a dedicação total e o trabalho que Rui Costa e os seus colaboradores têm realizado.

 

Como disse, nada há a ganhar, mas ainda há algo a perder. Repito-me: faltam duas jornadas, cumpramo-las com a dignidade do benfiquismo, fazendo sentir o descontentamento, mas sem ofensas gratuitas entre benfiquistas e sem lutas fratricidas que apenas servem para o enfraquecimento do benfiquismo. Se perdermos esta dignidade, perdemos tudo.

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Apostila: no final do campeonato, e apenas no final, aqui farei o balanço da época com o que vi de positivo e de negativo; com o que me parece ser de manter e de mudar; com a atribuição de responsabilidades a quem me parece que as tem.

 

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Repito o aviso feito no meu último post: não será publicado nenhum comentário insultuoso na forma ou no conteúdo.

por Pedro F. Ferreira às 15:57 | link do post | comentar | ver comentários (43)

Fundo

Definitivamente, estamos a bater no fundo. Quando num jogo praticamente sem pressão, já que o segundo lugar antes do jogo já era utopia, não conseguimos vencer em casa o penúltimo classificado, que ainda por cima se trata de uma equipa limitadíssima como o Trofense, julgo que começa a ser difícil descer mais baixo. É verdade que se olharmos apenas para as estatísticas, elas dir-nos-ão que o Benfica dominou completamente o jogo. Mas para quem tenha visto o jogo, o empate não será uma surpresa. Não porque o Trofense tenha feito algo que o justificasse, mas sim porque o Benfica, e os erros crassos que insiste em cometer, proporcionaram as condições ideais para este empate.

No onze inicial do Benfica regressou o Luisão, sendo desta vez o Miguel Vítor a sair da equipa. Face à ausência do Reyes, surgiram o Di María e o Urreta nas alas, com o argentino a trocar frequentemente de posição com o Aimar, assumindo as funções de segundo avançado. Pela frente, e sem surpresas, surgiu-nos uma equipa interessada sobretudo no empate, e a mostrar ter pouca capacidade ofensiva para conseguir causar grandes embaraços em contra-ataques, já que estes raramente eram feitos com mais do que dois ou três jogadores. Perante isto, o Benfica entrou no jogo de uma forma descontraída, sem grandes correrias, tendo sofrido um pequeno susto logo no início, com um jogador do Trofense a surgir na nossa área solto de marcação, mas a rematar demasiado por cima. Só a partir dos quinze minutos parecemos resolver apertar um pouco mais, e as oportunidades de golo começaram a surgir. O primeiro sinal foi dado pelo Luisão, que na sequência de um canto cabeceou ao poste. A partir daí o Benfica instalou-se definitivamente no meio campo adversário, e foi dispondo de mais oportunidades, com destaque para um lance em que primeiro um defesa do Trofense sobre a linha, e depois o guarda-redes por duas vezes negaram o golo a remates do Cardozo, Aimar e Urreta. À meia hora de jogo, e quando nada o fazia prever, o Trofense marcou. Foi mais um lance típico em que uma equipa que pouco consegue atacar aproveita um livre a uma boa distância da baliza para despejar a bola para a área. E a nossa defesa correspondeu com a inoperância do costume, tendo o Luisão sido batido de cabeça para o primeiro golo do jogo. E claro que bastou que o cabeceamento do jogador do Trofense levasse a direcção da baliza para ser golo. Aliás, a bola até entrou a meio da baliza.

A resposta dada pelo Benfica foi a melhor possível. Mais uma vez, foi preciso o adversário marcar para que conseguíssemos mostrar melhor futebol num jogo, e sete ou oito minutos após o golo do Trofense já estávamos em vantagem. Foi com mais dois golos do Cardozo que a reviravolta foi dada, ambos após jogadas na direita. No primeiro foi uma combinação entre o Urreta e o Aimar, com este a centrar rasteiro para uma finalização fácil do paraguaio; no segundo foi um centro largo do Urreta para o Cardozo ganhar de cabeça ao defesa e cabecear cruzado para o golo. Apesar do susto, a boa resposta dada pelo Benfica permitiu-nos ir em vantagem para o intervalo, e deixar-nos boas perspectivas para a segunda parte.

Mas o Benfica não entrou para a segunda parte com a mesma qualidade que tinha mostrado antes do intervalo. Não que tenhamos entregue o domínio do jogo ao adversário: continuámos a ser a melhor equipa em campo, e o Trofense nada produzia em termos ofensivos, parecendo quase satisfeito com o resultado. Mas já não conseguíamos ser tão perigosos como na primeira parte, pareceu-me que por influência do apagamento do Urreta, que nos primeiros quarenta e cinco minutos, apesar de alguns erros básicos, tinha dado velocidade ao lado direito do nosso ataque. Agora estávamos dependentes do Maxi para isso, e a maior parte dos nossos ataques desenvolviam-se pelo outro flanco. Mas apesar de uma menor produção ofensiva, a verdade é que o jogo não parecia estar em perigo.

Só que à passagem do primeiro quarto de hora, e mais uma vez quase caído do céu, apareceu o golo do Trofense. Mais um livre muito longe da área, mais um despejo, e mais um golo sofrido desta forma. Não percebo o porquê de defendermos estes lances com onze jogadores dentro da área se depois sofremos golos de toda a maneira e feitio. Aliás, não me lembro de nenhuma época em que o Benfica sofresse tantos golos na sequência de cantos e livres laterais. E nunca defendíamos com onze. Sofrer golos assim só indica falta de trabalho de casa, ou então que este está a ser mal feito. Estas situações ensaiam-se nos treinos. Não é possível ter toda a equipa dentro da área a defender contra cinco ou seis adversários, e ainda assim surgir um completamente sozinho ao segundo poste para marcar. Se a defesa à zona nestes lances não funciona (e, tendo em conta os resultados, claramente não funciona) então que se passe a defender em marcação individual. Se já tinha sido irritante sofrer o primeiro golo do Trofense daquela forma, este segundo golo foi profundamente estúpido. A facilidade com que o autor do golo sai da marcação, enquanto que dois jogadores do Benfica ficam completamente parados a ver a bola cruzar a área é patética. Depois, e apesar de faltar ainda meia hora para o final, começámos a atacar cada vez mais, mas também cada vez pior, já que tudo era feito mais com o coração. Mencione-se o facto do Balboa ter tido uma boa entrada em jogo, tendo revitalizado o flanco direito, mas foi insuficiente para marcarmos um golo que daria alguma justiça ao resultado. O empate final penaliza-nos, mas por outro lado uma equipa não pode continuar a sofrer golos quase iguais de forma consecutiva. Se não consegue aprender com os próprios erros, então é profundamente burra.

Como melhor escolho obviamente o Cardozo. Dois golos à ponta-de-lança, e sempre o mais perigoso da nossa equipa. Como pior nem sei. A equipa a defender, e num todo, não só os defesas, merecem essa distinção. Dois golos ridículos, que se calhar nem uma equipa dos escalões jovens conseguiria sofrer no mesmo jogo.

Há que terminar o campeonato com a dignidade que o Benfica merece, mas esta ponta final está a ser penosa de ver. Mesmo sem qualquer objectivo por que lutar a não ser a dignidade, é doloroso ver uma ponta final de época em que os erros que eram cometidos em Agosto continuam a ser cometidos. O que me deixa a pensar que ou a evolução desta equipa foi praticamente nula, ou então evoluiu em aspectos que me são invisíveis.

por D`Arcy às 02:58 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sábado, 09.05.09

Medíocre

Parece-me que não é bem o Léo que o é...

por Lord Henry Wotton às 23:53 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Quinta-feira, 07.05.09

João Ferreirinho

Gostei de ver a forma como defendeu, galvanizou os colegas e o público. Há atletas que têm esse dom e o João é um deles. Foi um prazer voltar a ver o nosso Benfica num entusiasmante jogo de andebol com o pavilhão bem composto de público. Com os nossos a dizerem ‘presente’ também nas bancadas. Naquelas bancadas senti-me bem acompanhado e muito reconfortado. [link]

O ADN benfiquista continua bem vivo e… acredito que vamos repetir o título do ano passado.

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por Pedro F. Ferreira às 19:06 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Quarta-feira, 06.05.09

O Possível Futuro das Ligas Profissionais Europeias

 

Esta minha reflexão sobre o futuro das Ligas Profissionais em Portugal e na Europa tem obviamente como ponto de partida a situação do Benfica e as hipóteses muitas vezes neste blog aventadas, por mim e por outros, de sairmos desta Liga e eventualmente participarmos na Liga Espanhola.
Dizem muitos que isso será impossível, que a UEFA nunca aceitaria. Têm razão, no actual paradigma. Mas e se o paradigma mudar?
Estamos a assistir em termos europeus a um avassalador domínio a nível da Champions dos clubes ingleses, espanhóis e italianos, com pontuais intromissões alemãs (quase sempre o Bayern) e francesas (quase sempre o Lyon), esporadicamente de outros “outsiders” (entre os quais nós não há muitos anos.
Isto acontece devido em grande parte ao poderia financeiro destes clubes, que lhes permitem ter plantéis fortíssimos que um clube como o Benfica nunca poderá ter, a manter-se dentro da realidade da liga portuguesa. A UEFA já por várias vexes exprimiu preocupação por este caminho de “monopólio dos poderosos”. Dificilmente voltaremos a ver um Campeão da Europa chamado PSV, ou Steaua de Bucareste, ou Celtic.
Ou seja, estes clubes são ricos e poderosos em grande parte porque ricas e poderosas são as ligas nacionais onde competem, ligas que geram milhões em receitas televisivas, patrocínios, etc. Se a UEFA está genuinamente preocupada com o poderio dos clubes multi-milionários, penso que deveria, em vez de criar medidas artificiais limitadoras desse poderio, mas sem reflexo directo no aumento da riqueza dos “menos ricos”, deveria, dizia, dar aos melhores clubes de outros países a possibilidade de competirem igualmente com regularidade em ligas que ofereçam aos seus membros igual retorno – em vez do princípio de nivelar por baixo, o princípio de igualdade de oportunidades.
Como? Permitindo precisamente a criação de Ligas Profissionais Trans-nacionais, ancoradas nas ligas actuais mais poderosas financeiramente (Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha, França, eventualmente Rússia) nas quais participariam também os melhores clubes de países vizinhos com qualidade futebolística mas sem dimensão ou riqueza para alguma vez poderem estar no “top” dentro de um paradigma estritamente nacional.
Hoje em dia um clube como o Benfica nunca poderá alguma vez ter receitas que lhe permitam competir em termos financeiros com os actuais dominadores do futebol europeu, porque o nosso mercado nacional não o permite. Quando, como já aqui demonstrou o Gwaihir, um clube do meio da tabela de Inglaterra ou Espanha recebe por época só em direitos televisivos mais de 40 milhões de euros, estamos conversados…
E nessa situação estão clubes como o Celtic, o Rangers, o Olympiakos, o Galatasaray, o Anderlecht, etc etc etc. Com a diferença de que nós somos maiores que qualquer deles.
Temos a oferecer a uma Liga Profissional por exemplo Ibérica um mercado, de milhões de adeptos, a maior massa associativa do Mundo, portas abertas a mercados como o de Angola, e o de países de forte presença emigrante portuguesa, como França, Venezuela, EUA, Canadá, África do Sul. Pensem nisto em termos de direitos televisivos, merchadising, etc. Nenhuma liga profissional do mundo, organizada por exemplo pelos princípios das ligas norte-americanas, recusaria o Benfica. Nem em Espanha, nem na China.
Estas Ligas Profissionais Regionais determinariam o acesso à Champions, passando a ser cada Champions o corolário das Ligas da época anterior – funcionando um pouco como a “Fase Final” de um “Campeonato da Europa de Clubes” do qual as referidas ligas seriam a “fase de qualificação”, à semelhança do que acontece com as selecções.
Então e o título de Campeão Nacional de cada país? Penso que com o tempo deixaria de fazer sentido. Mas enquanto fizesse, poderia ser atribuído nalguns países ao melhor classificado do país na liga respectiva; nos que não tivessem “massa crítica” nessas ligas, poderia ser decidido entre o melhor da liga e o melhor do campeonato do respectivo país; enfim, muitos modelos são possíveis. Cada país decidiria o seu modelo.
As Ligas/Federações nacionais continuariam a existir, organizando campeonatos para as equipas fora das Ligas Regionais (e que em Portugal seriam necessariamente campeonatos semi-profissionais, na melhor das hipóteses) e ainda a Taça de cada país, aberta essa a todos os clubes, incluindo os das Ligas Profissionais  Regionais.
E a UEFA poderia reorganizar a futura UEFA Cup de forma a harmonizar, consoante o país, a participação de clubes das Ligas Regionais e dos campeonatos nacionais. E pode ressuscitar a Taça das Taças, num modelo exclusivamente nacional. Enfim, muito pode ser feito.
 
Penso que este é um caminho possível, exequível e vantajoso. Alguém teria de lançar a ideia, liderar o processo, começar a falar com a UEFA, a FIFA, os principais clubes Europeus. Porque não assumimos nós, Benfica, esse papel?
por Artur Hermenegildo às 15:49 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Segunda-feira, 04.05.09

E se...?

Perante a evidência do lamaçal que é o futebol português, com maior prejuízo para aquele que é o Maior Clube de Portugal, o Benfica, que nada mais pede do que ser tratado com justiça, dou por mim a fazer o seguinte exercício.

 

E se o Benfica suspendesse o futebol profissional?  Digamos por 3 anos, talvez 5? 

 

Isso seria realmente um "ciclo novo".  Vejam: o Benfica anunciaria agoa que, caso não haja mudanças claras no sentido de o futebol portguês voltar a ser um Desporto e regido estritamente pelas regras que ao Desporto competem, suspende o futebol profissional a partir da época 2011/12, por tempo indeterminado.

Talvez fosse a única forma de acabar com isto a que eufemisticamente chamamos "o sistema".

 

Pensem: ao fim de 3 a 5 anos sem Benfica, a generalidade dos clubes estaria em sérias dificuldades financeiras; o mesmo se poderia dizer dos jornais desportivos, televisões generalistas, sport tv, e todos aqueles que parasitariamente se vão alimentando do Glorioso enquanto o mordem e atacam cobardemente.  A Liga desapareceria, provavelmente.  Os corruptos ficariam assumidamente a jogar sozinhos, que é o que eles gostam mas não querem assumir, e os títulos conquistados nesse período perderiam sentido e mérito (mesmo que fingido).

 

E em três a cinco anos, o que não poderíamos fazer para planear o nosso regresso em força, construindo com calma e ponderação uma equipa " de topo" para voltarmos a ser Dominadores no futebol nacional e Grandes na Europa.

 

É muito tempo, não é?  Assusta um bocado, não é?  Abdicar assim do que realmente mais nos faz correr, mais alimenta a nossa paixão.

 

Mas olhem: se o "sistema" se mantém, se vier aí o guilherme aguiar para presidente da liga, e alguns de quem se fala para "dirigir" a arbitragem, arriscamo-nos a estar na mesma todo esse tempo, e mais ainda, sem títulos.

 

Foi só um desabafo.  Mas não posso deixar de pensar: "e se..?"  E se fosse verdade, se tivéssemos mesmo a coragem de fazer isto?  O que aconteceria?

 

 

 

 

por Artur Hermenegildo às 18:01 | link do post | comentar | ver comentários (66)

Para reflectir

"As quatro partidas que faltam definirão o futuro. Um treinador procura colocar em campo a melhor equipa e depois assume a responsabilidade se as coisas não saem bem. Quero continuar na Juve, mas se estou a errar, como dizem os adeptos, então tenho que ir para casa" - Claudio Ranieri, treinador da Juventus.

 

(link aqui - o bold e sublinhado é meu.)

por S.L.B. às 13:41 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Domingo, 03.05.09

Pessoal e intransmissível.

No final dos jogos costumo receber imensas SMS de benfiquistas amigos. Ontem foi diferente. Os temas versam as nossas vitórias, as nossas derrotas, os árbitros, um ou outro pormenor do jogo, o futuro… ontem foi diferente. Recebi apenas duas SMS e as minhas respostas foram monossilábicas. Isto deve-se ao cansaço. Estamos todos cansados.

 

Estou cansado de ver futebolistas de grande potencial com rendimento muito abaixo do que deveriam ter; cansado de ver que perante um obstáculo táctico não temos uma alternativa, mas sim uma teia de equívocos; cansado de ver a roubalheira que sistematicamente os árbitros têm perpetrado.

 

Estou cansado de ver benfiquistas em lutas fratricidas, partindo o Benfica em “ismos” ocos e estéreis (em Outubro há eleições e a democracia exercer-se-á). Estou cansado de ver o insulto gratuito - algumas vezes cobarde e outras vezes boçal - feito a pessoas em quem pessoalmente testemunho uma dedicação total e incondicional ao Clube.

 

Estou cansado de tudo isto e de muito mais que calo em mim por respeito ao Benfica.

 

Para a minha forma de viver o Benfica, este profundo e, como escreveu Álvaro de Campos, “supremíssimo cansaço” permite-me um desabafo mal alinhavado como este, permite-me sarar as feridas entre os amigos benfiquistas… Não me permite virar as costas àqueles em quem confio dentro do Benfica e, mais do que tudo, não me permite virar as costas ao Benfica.

 

Assim, continuarei, respondendo apenas e só perante a minha consciência, a defender o Benfica o melhor que posso e sei, em público e em privado, dando a cara e fazendo-o da forma que me parece a mais correcta. Fá-lo-ei com benfiquismo total, cansado de muitas coisas, sem paciência para outras tantas, mas sem desistir e dizendo “presente!”

 

Faltam 3 jornadas. Há que levar este campeonato até ao fim com dignidade. No sábado lá estarei, no nosso Estádio, na nossa casa, a apoiar os nossos. E sei que não estarei sozinho.

_____

Tenho lido em alguns comentários uma linguagem insultuosa de benfiquistas para benfiquistas. Fica o aviso: poupem o esforço, pois nenhum desses comentários será publicado nos meus posts. Também disso estou cansado.

por Pedro F. Ferreira às 22:11 | link do post | comentar | ver comentários (26)

Desperdício

Não falha. Basta que um dos nossos adversários directo se lembre de perder pontos numa determinada jornada, que nós fazemos questão de, na melhor das hipóteses, igualar a sua performance. Isto quando não resolvemos fazer ainda pior, como foi o caso desta noite. Bastou que, minutos antes, o sportém tivesse empatado em Coimbra para que entrássemos em campo para atacar o segundo lugar, e saíssemos mais preocupados em preservar o terceiro. Este ano parece que, para esta equipa, os maus hábitossão para se manter.

Não quero ser injusto, e desatar a acusar os jogadores de falta de ambição ou vontade de lutar pela vitória. Não foi isso que vi. O que vi foi falta de qualidade no nosso jogo, e uma exibição bastante abaixo das que tinha visto ultimamente. Simplesmente jogámos mal, e perdemos principalmente por causa disso. Quando soube que o Aimar não tinha sido convocado, comecei a temer o pior. E o pior seria, para mim, o regresso à famigerada táctica do Amorim a médio ala, que foi exactamente o que aconteceu. É que eu temia que com isto nos afastássemos bastante da dinâmica que tínhamos visto nos nossos jogos anteriores. Ao sair um jogador do onze acabámos por mudar quase todo o meio campo, já que para além da deslocação do Amorim para a direita, o Reyes mudou de flanco, e entrou o Katsouranis para o meio. São três alterações em quatro posições. Teria preferido uma troca directa do Aimar. O Benfica pareceu entrar tímido em campo. Isto perante um adversário que, ele próprio, também pareceu entrar no jogo satisfeito com o empate. Foram por isso desperdiçados os minutos iniciais do jogo, até que o Benfica decidiu aproveitar o recuo excessivo do adversário para começar a pressionar mais alto e a jogar no meio campo do Nacional. Mas hoje faltou ao nosso jogo a velocidade que lhe vimos anteriormente, e também bastante inspiração aos nossos jogadores. Vi demasiados passes errados, e nesse particular o Carlos Martins esteve muito desinspirado, sobretudo nos passes mais longos. Nos últimos jogos tinha sido ele um dos responsáveis pela organização do nosso jogo ofensivo, e com ele a não acertar tudo se complicou. Apesar de algum ascendente nosso durante esta primeira parte, o nulo ao intervalo aceitava-se.

A segunda parte caminhava para ser mais do mesmo, até que o Quique decidiu apostar na fórmula que tinha dado bons resultados recentemente, retirando o Katsouranis para fazer entrar o Di María. Coincidência ou não, o Benfica logo de seguida sofreu dois golos quase de rajada (o primeiro dos quais surgiu após uma recuperação de bola devido a mais um passe comprido imbecil do Carlos Martins). Mas paradoxalmente, a nossa qualidade de jogo melhorou, e foi após esses dois golos do Nacional que, na minha opinião, acabámos por ter o melhor período no jogo. Conseguimos reduzir pouco depois, através do Reyes, e continuámos a espreitar o golo. O David Luiz acertou na barra, com um remate muito semelhante a um outro que, na primeira parte, quase deu golo; o Nuno Gomes falhou isolado, e ainda houve uma situação de possível penálti a nosso favor, por mão na bola de um jogador do Nacional, mas o árbitro era o Jorge Sousa e fez o que lhe competia. Já no tempo de descontos, com o Benfica completamente balanceado para a frente, fomos mais uma vez surpreendidos num contra-ataque e sofremos o terceiro golo. Uma das diferenças no jogo desta noite foi esta: o Nacional terá feito talvez quatro remates perigosos na direcção da baliza. O Quim defendeu um do Nené, desferido a alguma distância, e os outros três entraram. Do outro lado, nós fizemos pelo menos meia dúzia deles (dois do David Luíz, outros dois do Cardozo, um do Nuno Gomes e outro do Reyes), e um tal de Braccali só deixou passar um.

Melhor jogador do Benfica em campo, para mim foi indiscutivelmente o David Luiz. Foi dos que mais lutaram, esteve próximo do golo por duas vezes, nunca virou a cara à luta, e tendo em conta que na altura já estávamos numa fase de desespero até fecho os olhos ao facto do terceiro golo adversário ter surgido pelo seu lado. O Reyes também foi dos que mais lutou, mas foi perdendo lucidez e em mais de uma ocasião tentou, erradamente, fazer tudo sozinho. No outro extremo, sobretudo os dois médios centrais. Quase sempre disparatado o Carlos Martins na organização (dando-se ainda ao trabalho de reclamar com os colegas em diversas ocasiões em que falhou passes), e muito pouco influente o Katsouranis, jogando num raio de acção reduzidíssimo. Mal também, ao contrário dos últimos jogos, o Nuno Gomes. Aquele falhanço na cara do guarda-redes foi demais. E por amor de Deus, alguém que proíba o Carlos Martins de se aproximar da bola quando dispomos de um raríssimo livre em posição de rematar à baliza. Foi-se embora o Petit, que tinha a enervante mania que era especialista em livres, e agora veio um ainda pior. O Cardozo está proibido de marcar livres ou quê?

E pronto, faltam três jornadas para o final e é como se estivessemos no defeso. Pouco mais há para lutar do que pela dignidade nos últimos três jogos. Esta época vai deixar-me, sobretudo, uma enorme sensação de desperdício. Tanto, tanto potencial que eu vejo nos jogadores do nosso plantel, e a maior parte dele foi desaproveitado.

por D`Arcy às 05:02 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Sexta-feira, 01.05.09

41

Um leitor da Tertúlia sugeriu num comentário a um dos posts anteriores que se fizesse uma lista de jogadores emprestados pelo CRAC. Nem de propósito, o jornal O Benfica fá-la na edição que sai hoje (aconselho toda a gente a comprar). Ainda pensei em escrevê-los aqui, mas são 41! Eu digo outra vez: quarenta e um, q-u-a-r-e-n-t-a e u-m! Como tal, resolvi digitalizar a notícia e colocá-la aqui. Demorou consideravelmente menos tempo.

 

(Cliquem para aumentar)

 

 

Desta catrefada de nomes, só um me suscita dúvidas: acho que o Luís Aguiar é mesmo do Braga. Só no ano passado é que era do CRAC e foi emprestado ao E. Amadora, e posteriormente à Académica. Como se pode ver, há seis equipas da I Liga com jogadores emprestados: V. Setúbal (4), E. Amadora (3), Braga (3 - contando com o Luís Aguiar), Rio Ave (2), Trofense (1) e Leixões (1). Isto já para não falar no Hélder Postiga... Ou seja, mais de 1/3 das equipas do principal campeonato têm jogadores emprestados pela agremiação corrupta.

 

Outros pormenores interessantes:

 

1) Dos 41, há somente 7 que estão emprestados a clubes estrangeiros, ou seja, vamos estar atentos às votações dos clubes onde estão os restantes 34 nas AGs da Liga e ver se estão ou não alinhados com o sistema.

 

2) O Olhanense tem 5(!) jogadores emprestados. Quase meia-equipa. E é treinado pelo Jorge Costa. Curiosamente (ou talvez não...) está em vias de subir à I Liga mais de 30 anos depois. Coincidências...

 

(No entanto, até nem me importo muito, porque acho essencial o Algarve ter uma equipa no principal campeonato.)

 

3) O Sp. Covilhã (4), Portimonense (4) e Gil Vicente (3) também são grandes beneficiários destes empréstimos.

 

4) A área geográfica de influência do polvo está claramente a expandir-se: Sp. Covilhã, E. Amadora, V. Setúbal, Portimonense e Olhanense não são propriamente clubes do Norte.

por S.L.B. às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (32)

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