VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 30.08.10

TSF

O Benfica acabara de vencer o Setúbal. No noticiário das 00h00 de Domingo, a TSF noticiava essa vitória. Oiçam de que forma isso foi feito e reparem particularmente no que diz o jornalista entre os 16 e os 24 segundos.

 

Aqui fica a ligação para ouvirem a notícia no site da TSF.

 

Noticiário das 00h00

 

[caso a TSF retire esta vergonha do seu site, aqui está uma outra ligação: Noticiário da TSF das 00h00 de Domingo, 29 de Agosto]

 

Deixo também aqui alguns contactos que podem ser úteis:

 

TSF - Direcção Editorial:

Paulo Baldaia (Director) paulo.baldaia@tsf.pt

Arsénio Reis (Director-adjunto) arsenio.reis@tsf.pt

por Pedro F. Ferreira às 11:37 | link do post | comentar | ver comentários (164)
Domingo, 29.08.10

União

O nosso campeonato poderá começado esta noite. Não tanto pela vitória em si, mas mais pela forma como ela foi conseguida, e nas condições em que o foi. Gostei muito de ver como a equipa se uniu para fazer face à adversidade, e ainda mais de ver o público que foi esta noite à Luz unir-se à equipa, apoiando-a do primeiro ao último minuto.

Estreia do Salvio nos convocados e no onze titular, ocupando a direita do meio campo e relegando o Rúben Amorim para o banco. Na baliza, a mais que anunciada troca de guarda-redes, surgindo o Júlio César a titular. E o Benfica começou o jogo à Benfica. Aquele Benfica da época passada. Velocidade, movimentações constantes, pressão no meio campo adversário e, para nos mantermos no registo da época passada, um golo logo a abrir. Com três minutos decorridos, o Aimar lançou o Gaitán na esquerda e este, com um cruzamento soberbo, deixou ao Cardozo a tarefa de finalizar de cabeça, o que este fez como mandam as regras: de cima para baixo, apanhando o guarda-redes em contra pé. O golo madrugador era o melhor que poderia acontecer a uma equipa que parece precisar, acima de tudo, de confiança, e lançou-nos para vinte minutos de bom futebol, quase sempre sob a batuta do maestro Aimar. Mas este período foi interrompido de forma abrupta com um raro disparate do Maxi Pereira (péssimo atraso 'à queima'), que resultou em indiscutíveis penálti contra nós e expulsão do Júlio César.

Acho que praticamente toda a gente naquele estádio acreditou que recém-entrado Roberto (o sacrificado foi o Salvio) iria defender aquele penálti. E ele defendeu-o mesmo. Julgo que naquele momento, ficámos todos com a sensação de que não iríamos perder aquele jogo. A inferioridade numérica alterou o perfil do jogo, com o Setúbal a conseguir ter finalmente um pouco mais de bola. O Benfica, reduzido a dez, manteve a dupla atacante, fazendo o Gaitán e o Aimar - agora mais sobre a direita - juntarem-se um pouco mais ao Javi, com o Saviola a recuar esporadicamente para fechar o meio. A manutenção dos dois avançados terá talvez obrigado o Setúbal a não abdicar dos três centrais com que tinha iniciado o jogo, e apesar da superioridade a meio campo a verdade é que nunca conseguiram pressionar-nos com verdadeiro perigo. O Benfica manteve-se sempre muito organizado, e graças ao empenho dos seus jogadores nunca pareceu acusar muito ter menos um jogador em campo - exemplo disso foi o facto de conseguirmos continuar a pressionar os defesas do Setúbal, dentro do seu meio campo, quando tinham a bola. Dessa pressão resultou um canto a nosso favor, a fechar a primeira parte, e do canto marcado pelo Aimar resultou um fuzilamento de cabeça pelo Luisão para o segundo golo, reforçando a convicção de que este jogo era nosso.

A vencer por dois, ao intervalo deu-se a esperada entrada do Rúben Amorim - fez uma segunda parte muito agradável - para reforçar o meio campo, por troca com o Saviola. O jogo não se alterou muito: o Setúbal continuava a ter um pouco mais de bola, mas revelava uma total incapacidade para ameaçar a nossa baliza, tendo que recorrer a tentativas de remates de meia distância - todos mal direccionados. Um dos grandes culpados disto foi o Javi García, que na minha opinião foi um gigante nas tarefas defensivas daquele meio campo. O Benfica, quando recuperava a bola, ia levando perigo através de investidas do Maxi pela direita ou, sobretudo, do Coentrão pela esquerda, e foi pela esquerda que matou de vez o jogo. Óptima combinação entre o Gaitán e o Coentrão, com o Gaitán a centrar tenso e o Aimar a aproveitar a má intervenção do guarda-redes para, oportuno, fazer o terceiro do Benfica. Ainda tínhamos um pouco mais de meia hora de jogo até final, mas a única dúvida seria se o Benfica ainda conseguiria avolumar o resultado, porque o Setúbal, claramente, não mostrou qualquer capacidade para marcar esta noite na Luz. Ficou o três a zero no marcador, que me parece ser um desfecho justo para o jogo que vimos.

Se o Roberto pode ser apelidado de 'herói do jogo', já que a defesa do penálti foi talvez o momento mais decisivo dos noventa minutos, ao Aimar eu chamo de 'homem do jogo'. Foi o coordenador de quase todo o jogo ofensivo da equipa, e foi também incansável nos aspectos mais defensivos do jogo, sobretudo a seguir à expulsão do Júlio César. Pressionou os adversários, lutou pela recuperação da bola, e juntou a isto um golo e uma assistência. Conforme referi antes, foi também muito importante a acção do Javi García, que me pareceu hoje ter sido o Javi dos 'bons velhos tempos'. Gaitán em bom plano, com duas assistências e começando a revelar alguns entendimentos interessantes com o Coentrão. Este, diga-se, está numa espécie de estado de graça, já que parece quase incapaz de fazer alguma coisa errada. E apesar de ter borrado a pintura no lance do penálti, é com agrado que noto a subida de forma do Maxi.

Foi só uma vitória sobre o Setúbal, mas este jogo pode ter sido muito importante. Porque nos permitiu rever várias coisas que fizeram do Benfica campeão indiscutível a época passada, incluindo a união entre público e equipa. Temos agora quinze dias de paragem, que poderão permitir-nos trabalhar e integrar melhor os novos elementos, quem sabe com um pouco mais de calma.

por D`Arcy às 02:09 | link do post | comentar | ver comentários (71)
Sábado, 28.08.10

Convicções

Houve dois momentos do jogo, e escrevo isto com toda a sinceridade, em que senti uma forte convicção:

1. Quando Roberto entrou em campo, estava absolutamente certo que ele iria defender o penalti;

2. Quando o Benfica ganhou um canto no final da primeira parte (e, portanto, já reduzido a 10 jogadores), não tive dúvidas que dali resultaria o 2º golo .

 

Tendo em conta a expulsão de Júlio César, que deu origem ao primeiro momento que assinalei (e o facto de, devido a esse lance, o Benfica ter jogado 3/4 do jogo com menos 1 jogador), estes foram para mim os momentos cruciais que determinaram a vitória do Benfica.

 

Já agora, considerando que no ano passado fomos "acusados" de vencer várias vezes contra adversários em inferioridade numérica, foi interessante ver o Benfica ganhar estando ele próprio em inferioridade numérica (mas espero que não tentem repetir a "gracinha"...).

 

Quanto a Roberto, e ao contrário dos outros 2 jogos, acabou por ser decisivo para a vitória. Da mesma forma que as intervenções infelizes que Roberto tem tido não fazem dele o pior guarda-redes do mundo, o facto de ter defendido o penalti e ter tido algumas boas intervenções também não faz dele o melhor do mundo na sua posição. Mas espero, acima de tudo, que isso tenha contribuído para ganhar a confiança que provavelmente lhe tem faltado até agora.

 

P.S.: Grande jogo do Gáitan e do Aimar (só para não mencionar, como sempre, o Coentrão...)

 

P.P.S: Com a derrota do Nacional, agora sim: apenas dependemos de nós próprios para sermos campeões :-)

Quinta-feira, 26.08.10

Diferenças

Não vou alongar-me a analisar o que tem falhado neste início de época, pois estaria a repetir o que já foi escrito em análises racionais sobre o assunto.
De facto, e relativamente ao início da época passada, aponto a principal diferença a (falta de) eficácia defensiva. Recordo que no ano passado, por esta altura, tínhamos um empate e uma vitória, ambos os resultados obtidos já no período final do jogo e em jogos onde o Benfica esteve longe de ser brilhante (e pouco eficaz ofensivamente, para dificultar ainda mais).
Efectivamente, a eficácia ofensiva deste início de época é comparável à do início da época passada. Só à 3ª jornada, e precisamente contra o mesmo adversário da próxima jornada (também a 3ª), é que o Benfica "soltou" todo o potencial que havia então revelado na pré-época.
Aliás, nesta pré-época foi possível observar que, a nível ofensivo, o potencial continua a existir (ainda que as saída de Di Maria e Ramires, este pelo equilíbrio que davam à equipa, não sejam fáceis de compensar).
Onde reside a diferença, como já foi profusamente debatido, é a nível defensivo (tal como manifestado nesta pré-época, diga-se - por oposição à do ano passado...). Apontar Roberto como único culpado dessa falta de eficácia é uma análise profundamente redutora e mesquinha. Toda a equipa (e não apenas o "quarteto" defensivo e o guarda-redes) tem responsabilidades na matéria e o excessivo número de perdas de bola é disso uma evidência.
Mas, objectivamente, a realidade é que Roberto tem sido, infelizmente, parte do problema e não se vislumbra que seja parte da solução, pelo menos para já.

Nenhum Benfiquista que se orgulhe de tal pode encarar de ânimo leve este início de campeonato e as falhas (sobretudo defensivas) que já apontei.
No entanto, e isso também faz parte do meu orgulho Benfiquista, recuso-me a resignar-me e a perder a esperança.
Como tal, faz-me uma tremenda confusão a forma como demasiados benfiquistas embarcam na crítica fácil e em discursos derrotistas.
É óbvio que este início de época foi péssimo (eufemisticamente falando). É evidente que Roberto está longíssimo de corresponder às expectativas e que essas mesmas são proporcionais ao que o Benfica pagou por ele. Que o conjunto parece não estar ainda no seu máximo fulgor físico.
Mas, como já referi, esta pré-época permitiu observar que, do ponto de vista atacante, os princípios assimilados na época passada continuam lá. É uma questão de tempo (tal como no ano passado) até eles reaparecerem (e bem que podia ser, tal como no ano passado, à 3ª jornada!).
Quanto às fragilidades defensivas, também acredito que é uma questão de tempo até que as mesmas sejam colmatadas em simultâneo, pois à medida que a capacidade ofensiva for ressurgindo, a defesa acaba por ficar mais protegida.
E, claro, estou convicto que Júlio César estará à altura do momento (no ano passado fez uma boa Euroliga, com uma única falha grave - no jogo em Anfield Road - com a qual tenho a certeza que aprendeu). Da mesma forma que acredito que Moreira estaria, caso fosse ele o escolhido. E apesar deste início atribulado, acredito que Roberto valha muito mais do que aquilo que tem demonstrado - mas é inequívoco que, para já, não soube aproveitar as oportunidades que teve.

Perante tudo isto, a minha perspectiva é que, da mesma forma que, no ano passado, mesmo jogando futebol de uma qualidade que já não se via há décadas em Portugal, nunca dei o campeonato por ganho até que, matematicamente, tal se consumasse, recuso-me, com 28 jornadas por jogar, a dar este campeonato por perdido. É verdade que vamos ter (ainda) mais trabalho este ano do que tivemos no ano passado mas a realidade é esta: apenas dependemos de nós próprios para sermos campeões. E acredito que podemos consegui-lo.

Em suma:
VIVA O BENFICA!!!

Mixed Feelings

Lyon

BENFICA

Schalke 04

Hapoel Tel-Aviv

 

Se, por um lado, nos calhou a equipa menos credenciada do pote 1, o que nos permite sonhar com o 1º lugar do grupo, por outro, vamos defrontar uma das mais fortes do pote 3 (ainda por cima, alemã) e a com o melhor ranking do pote 4. Não é um grupo fácil e é possível que o Lyon perca pontos com todas as outras equipas, tornando a classificação do grupo uma incógnita. Tal como disse aqui, o mínimo exigível para nós é o 3º lugar e, consequentemente, a passagem para a Liga Europa, mas se jogarmos como no ano passado, teremos fortes hipóteses de terminar em 1º. Que nos dará a vantagem de jogar a 2ª mão dos oitavos-de-final em casa e, mais importante do que isso, de possivelmente evitar os grandes tubarões europeus. A ordem dos jogos também será importante e, para começar bem e com uma vitória, queria o Hapoel em casa. Por outro lado, também será bom ir a Gelsenkirchen para limpar um dos momentos mais tristes, para quem gosta de um futebol honesto e justo, que aconteceu naquele estádio há uns anitos.

 

Mas que esta presença na Champions não desvie a atenção da equipa do que é prioritário este ano: tornarmo-nos bicampeões nacionais.

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por S.L.B. às 18:22 | link do post | comentar | ver comentários (20)

Pré-sorteio

Nos dias dos sorteios da Uefa, gosto sempre de especular qual seria o alinhamento de equipas ideal para nós. É um exercício que se esgota logo após o dito sorteio, mas que me permite vivê-lo como se estivesse a ver um jogo do Glorioso, a torcer para que nos calhe esta ou para que fujamos a sete pés daquela equipa.

 

Como estamos no pote 2 (cf. lista completa) e são apuradas duas equipas para os oitavos-de-final, teoricamente uma delas seremos nós. Todavia, os ditos potes por vezes escondem surpresas desagradáveis e, como o futebol (felizmente) não é matemática, nada é certo à partida. Devo dizer a priori que tenho uma idiossincrasia muito particular que é... gostar de ganhar títulos. “Parvoíce”, pensarão alguns, “todos gostamos”. Só que, neste caso, isto reflecte-se em não me importar muito que o Benfica jogue a Liga Europa a partir de Janeiro, porque nesta altura, convenhemos convenhamos, é mais fácil ganhá-la do que vencer a Champions. E entre uns oitavos-de-final da Liga dos Campeões e uma conquista da Liga Europa, nesta fase do nosso clube, eu prefiro mesmo o título. É óbvio que em termos financeiros é infinitamente melhor que prossigamos na Champions, mas como já não ganhamos nada na Europa há uns bons anitos, eu gostaria mesmo num destes anos de ir ao Mónaco em finais de Agosto. Claro que, na prática, como quero que o Benfica ganhe sempre, inevitavelmente acabo por torcer pela qualificação para os oitavos-de-final da maior competição europeia de clubes.

 

Bem, adiante, isto tudo para dizer que para o sorteio, qualquer que seja a combinação de equipas, o mínimo que devemos atingir será a passagem para a Liga Europa. Menos que isso será uma desilusão completa. Por isso mesmo, apresento aqui quatro possíveis grupos, consoante os nossos objectivos:

  

1) Grupo “Ai de nós que não nos qualifiquemos para os oitavos-de-final da Champions

Lyon

BENFICA

Copenhaga

Zilina

  

2) Grupo “A receita está garantida, teremos jogos estimulantes, mas devemos passar” (por isso mesmo, o meu preferido)

Barcelona

BENFICA

Glasgow Rangers

Auxerre

 

3) Grupo “Deixa lá estar isso, é melhor não”

Inter

BENFICA

Tottenham

Rubin Kazan

 

4) Grupo “Se é para ir para a Liga Europa, ao menos não deslustra”

Chelsea

BENFICA

Schalke 04

Twente

 

P.S. – Este post só é pertinente durante mais duas horas e meia... :-)

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por S.L.B. às 14:30 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 25.08.10

Sábado, há bola!

 

 

 

Explicando:

 

Nesta altura creio que a melhor opção para o Benfica passa por actuar num 4x3x3. A opção mais polémica poderá ser a inclusão do Airton sobre a meia direita, mas uma vez que já foi testado a lateral direito - na pré-época aquando da ausência do Maxi Pereira - e que a outra opção para o lugar não me tem convencido (Amorim) creio que as dúvidas que esta inclusão possa fazer surgir são suplantadas pelo acréscimo de poder que o meio campo necessariamente ganhará. O que permitirá uma maior liberdade do trio da frente, que além disso poderá contar com um apoio mais efectivo por parte dos dois laterais, salvaguardada que está a respectiva compensação defensiva.

 

Na baliza penso que é relativamente pacifico esperar a substituição do Roberto e a esperança é que com essa alteração os centrais possam igualmente melhorar o seu desempenho. É incrível, mas nesta altura no que a jogos oficiais diz respeito temos 6 golos sofridos tendo 4 deles nascido na sequência de lances de bola parada. Se o factor-Roberto tem a sua importância, a restante equipa não se pode eximir da sua quota-parte de responsabilidades.

 

No que ao meio-campo ofensivo e ataque diz respeito sou franco, penso que a lesão do Kardec veio na pior altura possível e que a troca de Aimar pelo Carlos Martins ou pelo Gaitan se justifica plenamente.

 

Tudo isto são perspectivas de um treinador de bancada encartado. Por isso, e como todos nós temos um treinador dentro de nós (salvo seja), gostava de saber a opinião dos restantes leitores da Tertúlia.

sinto-me: treinador de bancada
por Superman Torras às 19:26 | link do post | comentar | ver comentários (73)
Terça-feira, 24.08.10

Semiótica (sim, é um post sobre futebol)

Há pouco escrevi no meu facebook que não sei o que será mais doloroso, se é ler o clássico da semiótica de Charles Morris dos anos 30 "Foundations of Theory of Signs" ou se é ler as páginas do Benfica nos jornais desportivos!

Há inúmeras relações entre a teoria dos signos (chamemos-lhe símbolos para este post), vulgo Semiótica, e o momento menos bom da equipa do Benfica.

Resumidamente Morris diz que o processo se resume a três grandes elementos de comunicação: Sintaxe, Pragmática e Semântica, em que a Sintaxe é a relação de símbolos entre si, a Semântica refere-se ao que o símbolo significa e a Pragmática e a relação desse símbolo com o receptor.

Se entendermos a equipa do Benfica como um conjunto de símbolos, eles têm que relacionar-se entre si de modo a serem uma família coerente sob o ponto de vista formal comunicativo, ou seja, têm que jogar entre si de forma fluida. A pragmática será neste caso o feedback ou a forma como o futebol desta equipa chega ao receptor, nós o público, os adeptos. A semântica será obviamente o que cada um dos símbolos (jogadores) significa para nós.

Pois bem, se escolhermos um jogador aleatoriamente, sei lá um qualquer... talvez o guarda-redes, pergunto como se vai ele relacionar com a equipa? E como chega ele até nós? E sob o ponto de vista semântico, desculpem-me a honestidade, mas será que o significado de guarda-redes mudou?

Concluíndo, acredito que há símbolos que demoram um pouco mais a aparecer. Só espero que esta demora não ponha em causa a renovação do título!

 

por Corto Maltese às 15:01 | link do post | comentar | ver comentários (25)

Voando sobre um ninho de vespas disfarçadas de cucos

Ponto prévio:

É, para mim, particularmente evidente que o Roberto errou no jogo com o Nacional. Como errou muito mais gente, em todos os sectores. Honestamente, até estávamos a fazer um bom jogo, e estou convencido que se não fossem os erros defensivos (incluo aqui a defesa e o guarda-redes), que colocaram uma pressão acrescida sobre a equipa e a desnortearam (e cumpre reflectir sobre isto), teríamos ganho. O que é mau, porque no ano passado a consistência defensiva era a base que garantia a tranquilidade para gerar aquele jogo ofensivo demolidor. O guarda-redes do Nacional tratou de também ser determinante no resultado, e defendeu tudo o que havia a defender.

 

Portanto, há um problema – é óbvio que há um problema - penso que está identificado, e há que lidar com ele, sem berros nem histerias compulsivas. Com responsabilidade e sem perder o rumo. Estou preocupado? É óbvio que sim (quem é que no seu perfeito juízo não estará). Estou chateado? Claro que estou. Mas tenho confiança no futuro e no grupo que temos.

Pronto. Custa muito ficar por aqui?

 

Para muita gente, sim, custa muito.

 

E, portanto, quanto ao circo histérico que se montou, tenho uma série de coisas para dizer, nenhuma das quais particularmente bonita de se ler. Por isso, se forem tão susceptíveis de se ofenderem e tão sensíveis como são desequilibrados da pevide, é favor ir passear um bocado para outro lado, admirar e tecer loas à organização dos andrades ou fustigarem-se com chicotes (sei lá, o tipo de coisas que gente bipolar faz).

 

O problema do Benfica não é o Roberto, não são os defesas centrais, não é a falta de extremos, não é o sistema, o modelo ou a filosofia de jogo, não é o Jorge Jesus, não é o Rui Costa, não é o LFV e não é a publicidade azul da tmn. O problema do Benfica são os adeptos. Na essência, e ironicamente, o problema do Benfica é a sua grandeza, que obriga a albergar todo o tipo de adeptos, muitos dos quais não merecem o clube que têm. Quais? Os adeptos que andam todo o ano escondidos debaixo dos calhaus e só aparecem nas derrotas, sôfregos por dizer ‘eu sabia, eu sabia’ e ‘exijo explicações!!!’ e ‘vamos voltar à miséria de sempre’. E os que andam histericamente a festejar vitórias e que depois, com a mesma facilidade, assobiam no estádio e colocam tudo em causa. Sim, os mesmos que andam por estes dias a correr de um lado para o outro como perus enlouquecidos a arrancar cabelos e a berrar que está tudo perdido, e que o campeonato já foi, e que o ano é para esquecer, e que nenhum dos jogadores vale nada, e que vamos ser alvo de chacota, e ai que nos andam a roubar o clube (enquanto vão difamando uma série de gente de forma cobarde ao abrigo do anonimato) e ai isto e ai aquilo e ai o raio que os parta. Os mesmos adeptos, já agora, que desatam a escrever artigos de opinião em barda quando as coisas ameaçam correr mal, em locais que simpática e curiosamente se disponibilizam para lhes dar espaço especialmente nessas ocasiões.

 

Ninguém quer que se branqueie rigorosamente nada, ninguém quer enfiar a cabeça na areia, ninguém quer construir realidades alternativas. Entendam isto de uma vez por todas, porra (é óbvio que temos problemas). O problema não é a crítica em si, é a irresponsabilidade, a leviandade e a cobardia de muita dela, que mais não serve do que o jogo dos adversários (inimigos será um termo mais correcto). Só têm de ficar confortavelmente sentados com uma Super Bock na mão enquanto nos vamos consumindo nesta fogueira de ignição espontânea. Na adversidade, em vez de nos unirmos para ficarmos mais fortes, vão-se criando focos de divisão, sempre fomentados pelos mesmos. Em vez de se capitalizar esta massa humana gigantesca – e se calhar exactamente por ser gigantesca - criam-se clivagens e esquece-se o rumo. É triste, mas é verdade: como diz um grande amigo, só somos verdadeiramente unidos quando se trata de festejar no Marquês.

 

Nestas alturas preferia que fôssemos muito mais pequenos, mas que fôssemos todos gente mais autêntica, rija e com os tomates no sítio (mulheres incluídas, que as há com muito mais tomates do que muito espantalho que por aqui pulula). Estou farto de gente histérica que resolve invadir o blog sempre que há problemas, de olhos raiados de sangue, aos berros a exigir tudo a toda a gente (e ainda alguém terá de me explicar por que raio vêm ao blog exigir-nos coisas a nós). Um tipo não está já chateado o suficiente com o facto de o Benfica não ganhar, e ainda tem de aturar todo o tipo de parasitas internéticos que saltam para cima de uma mesa e berram em falsete sempre que vêem uma barata no chão.

 

Em resumo, o que tenho a dizer a essa gente é o seguinte: se não têm estômago para isto dediquem-se ao macramé. Há que saber lidar com as derrotas com dignidade. E se tencionam ir assobiar para o estádio, fazem lá tanta falta como um furúnculo no rabo.

 

Os outros, os que estão de corpo e alma na guerra (porque isto é verdadeiramente uma guerra, feita de inúmeras batalhas), venham ao estádio apoiar o Benfica, sem reservas e de peito aberto. Sei que são muitos e bons.

 

Quem não gostar disto ponha na borda do prato e não coma. Sempre ouvi dizer que quem não quer não come e quem não come não caga (é brejeiro, isto? Parafraseando um grande amigo e companheiro de luta, 'dá-se-me cá um abalo ao pífaro que até se me abana a gaita'. Ou qualquer coisa como isto).

 

 

Viva o Benfica, sempre!

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 11:18 | link do post | comentar | ver comentários (100)
Segunda-feira, 23.08.10

Registei.

Na época passada, salvo erro por meados de Dezembro, houve uns quantos percalços e fracos resultados. Nesse momento, o benfiquista José Veiga surgiu, numa meia página interior da revista do Expresso, a apontar responsabilidades. Depois, certamente que o continuou a fazer, mas, garantidamente por distracção minha, não o tornei a ler nesse discurso algures entre o troar da artilharia e o dobre a finados.

 

Neste mau início de época, leio hoje, no Record, um texto interessante de José Eduardo Moniz. O texto começa com o desabafo de quem, desamparado, procura amparo nas palavras próprias que escreve no computador e termina com a inocente, irrefutável e clara sentença “Discursos inflamados e promessas verbais de ganhar campeonatos de nada valem. As palavras perdem-se no vento. Os golos contam-se na baliza.”

 

Li-o com atenção, com a atenção que me merece um ilustre benfiquista que há muito não ouvia pronunciar-se sobre o Benfica (Deus lá saberá porquê) e lembrei-me de umas célebres palavras de Bagão Félix proferidas há aproximadamente ano e meio.

 

E já que falamos de benfiquistas conhecidos que não foram exactamente apoiantes da actual Direcção, partilho convosco uma sms de um deles que me foi enviada ontem (não divulgo o nome do remetente, porque não tenho autorização para tal): “Hoje é um dia duríssimo, mas pela minha parte, a mesma confiança de sempre nos nossos: vamos ser campeões. […] Vamos a eles, de cabeça erguida, tratando as feridas dentro de casa. Viva o Benfica!”

 

Assim, com a liberdade individual que cada um tem de melhor contribuir para o bem colectivo que é o Benfica, resta-me expressar mais uma vez a minha grande preocupação pelo actual momento. Preocupação acompanhada de uma grande confiança na vitória dos nossos já no próximo jogo, em que estarei na bancada, como sempre, incondicionalmente com o Glorioso.

por Pedro F. Ferreira às 11:55 | link do post | comentar | ver comentários (79)
Domingo, 22.08.10

Roberto devolvido? (Benfica nega)

TSF diz que Roberto será emprestado.E que andamos à procura de um guarda-redes. Alguma sugestão?

 

 

UPDATE: Benfica nega.

Injusto

A minha opinião sobre o jogo desta noite pode resumir-se a uma palavra: injusto. Sim, o Benfica está longe do seu melhor, não fez uma exibição de encher o olho, mas para mim a derrota frente ao Nacional é claramente injusta. Fomos a melhor equipa em campo, criámos mais e melhores oportunidades, e acabamos por perder o jogo devido a pontuais erros individuais e colectivos (e para ser justo, esses erros foram cometidos quer na defesa, quer no ataque). E houve ainda o inevitável factor Proença a ajudar a empurrar a equipa ainda mais para baixo.

O Benfica, com o finalmente regressado Gaitán na esquerda, entrou bem no jogo. Os jogadores mostraram agressividade e vontade de chegar à frente no marcador, e durante os primeiros quinze minutos praticamente remeteram o Nacional ao seu meio campo. Jogadores como o Maxi ou o Amorim apareceram a um nível muito superior ao do jogo com a Académica, e foi muito pela acção destes dois jogadores no lado direito que passou a exibição mais agradável do Benfica na primeira parte. Poderíamos ter marcado ainda antes do primeiro quarto de hora quando, após mais uma investida pela direita, o Maxi deixou o Gaitán no segundo poste com tudo para fazer o golo, mas este atirou por cima com a baliza aberta. O Nacional praticamente apenas conseguia chegar ao ataque através de livres, que aproveitava para despejar para a nossa área, enquanto que o Benfica, apesar de revelar dificuldades para ultrapassar a defesa sobrepovoada do Nacional, ainda conseguiu construir mais duas boas ocasiões de golo. Numa, o Cardozo rematou muito por cima quando estava em posição para fazer muito melhor, e na outra foi o guarda-redes do Nacional quem, com uma defesa incrível, negou o golo a um cabeceamento do Saviola. O empate ao intervalo era claramente lisonjeiro para o Nacional.

A segunda parte parecia ir ser mais do mesmo, mas começou da pior maneira possível para o Benfica. Logo aos cinco minutos, após um livre assinalado na esquerda da nossa defesa, junto à linha de fundo, o Cardozo ficou a dormir na marcação e depois foi o Roberto quem se deixou antecipar dentro da pequena área, permitindo o golo de cabeça do jogador do Nacional. Os madeirenses apanhavam-se assim na frente do marcador praticamente sem saber ler nem escrever, e os níveis de nervosismo dos nossos jogadores aumentaram. Ainda assim, parecia ser possível chegarmos ao empate, mas à nossa desinspiração juntava-se a inspiração do guarda-redes adversário. E a vinte e cinco minutos do final, tudo ficou ainda mais complicado, quando na sequência de um canto o Nacional voltou a marcar. Houve um primeiro cabeceamento, o Roberto confiou que a bola sairia por cima, e esta acabou por bater na barra, permitindo a recarga de cabeça de um adversário isolado. Os nossos jogadores acusaram bastante este golo, e só depois disso é que o Nacional conseguiu criar alguns lances de ataque que não se resumiam a despejos da bola para a área a partir de livres. Do outro lado, só mesmo a acabar a partida é que o Carlos Martins, com um bonito remate de primeira de fora da área, conseguiu finalmente bater o Bracalli.

É inevitável falar do Roberto como um dos jogadores que tiveram uma prestação negativa esta noite. Acabou por ficar ligado a esta derrota, com responsabilidades directas (embora nem sempre exclusivas) em ambos os golos sofridos. No primeiro, apesar do desleixo do Cardozo na marcação, deixou-se antecipar numa zona que é da sua responsabilidade, devendo já estar ali para interceptar a bola ainda antes do jogador do Nacional lá chegar. No segundo, confiou que a bola passaria por cima e abordou o lance de forma displicente, sendo depois surpreendido irremediavelmente pelo ressalto da bola na barra. Mas logo no primeiro dos cinquenta livres que o Nacional despejou para a nossa área durante o jogo mostrou insegurança, tendo um erro monumental, saindo à bola e falhando a intercepção, só não resultando o lance em golo porque a bola não foi na direcção da baliza. Para além do Roberto, também o Cardozo teve outro jogo muito apagado. Entre os melhores, o Coentrão (para não variar) e também mencionaria o Saviola, que foi o mais activo no ataque. Tal como disse, gostei da primeira parte do Maxi e do Amorim, e o Carlos Martins entrou bem.

Este início de campeonato não estaria na mente nem dos mais pessimistas. Sinceramente, achei que a equipa esteve bastante melhor hoje do que tinha estado a semana passada, e lamento muito desiludir quem estaria à espera de me ver desancar tudo e todos por causa do resultado de hoje, mas volto a dizer que a derrota me pareceu um resultado bastante injusto face à produção das duas equipas. É preciso inverter esta situação o mais depressa possível, mas não há fórmulas mágicas para isso. A única solução é ganhar. O mais depressa possível.

por D`Arcy às 03:52 | link do post | comentar | ver comentários (82)

Não dá

A minha opinião está formada desde o jogo com o Guimarães para o torneio da cidade. O benefício da dúvida não é ilimitado e esse jogo tirou-me as dúvidas todas. Para mim, todos os jogadores do Benfica são passíveis de serem elogiados e criticados, dependendo das suas performances. Não é o preço que determina se eu gosto mais de um ou de outro, é o que mostram em campo.

 

Nesse sentido, o Roberto é igual ao César Peixoto, ao Luís Filipe ou ao Cardozo, ou seja, é passível de elogio ou de crítica. Nesta altura, parece-me claro que a sua situação é insustentável. Tal como o César Peixoto, depois da horrível 1ª parte do jogo de Domingo passado, passou de titular a não-convocado, eu espero o mesmo tratamento para o Roberto. Neste momento, acho que é claro que ele não tem condições psicológicas para continuar na baliza do Benfica. Além disso, prefiro ter um jogador com a moral em baixo do que três, e todos na mesma posição. Como se sentirão o Júlio César e o Moreira se continuarem a não ser opção depois do que temos visto do Roberto até agora? Sim, eu sou daqueles que acham que o Roberto poderia ter feito mais em ambos os golos da Académica. É a minha opinião. Não são frangos, mas eram defensáveis, porque no 1º ele fica a meio da viagem e no 2º o remate é a 40 metros da baliza. Porém, nesta partida frente ao Nacional parece-me que não há dúvidas para ninguém. São dois frangos. Sem tirar nem pôr. Que nos custaram três pontos.

 

Provavelmente teremos cometido o erro mais caro da nossa história. (Ou não, se somarmos o Clóvis, King, Dudic, Escalona, Rojas, Thomas, Harkness, etc.) Paciência. Toda a gente tem direito a errar e, depois do que foi feito no ano passado (eu não tenho a memória curta...), a margem de erro é grande. Mas pior do que errar será insistir no erro. O Jesus decidirá e eu seguirei a minha doutrina de nunca assobiar um jogador do Benfica. Seja ele qual for. Mas temo que, caso ele insista na titularidade do Roberto, o seu estado de graça possa estar em perigo, porque nos arriscamos a sofrer mais dissabores como hoje. O que seria muito injusto, porque o Jesus nos colocou a jogar como eu não via há 30 anos. Espero que ele não hipoteque isso por causa de um jogador. É que a insegurança do Roberto contagia a equipa toda (vd. os amarelos que temos levado ao longo destes jogos) e isso foi particularmente visível depois do 1-0, onde nunca mais nos encontrámos. Não se trata aqui de arranjar um bode expiatório na mesma medida que a não-convocação do César Peixoto não o tornou certamente o bode expiatório da derrota frente à Académica. Para mim, a questão é muito simples: acima de qualquer jogador está o Benfica e, neste momento, a minha opinião é que a titularidade do Roberto não está a ser benéfica para o nosso clube.

 

Se alguém inferir deste meu texto que, por eu pensar que se errou numa contratação, estou a pôr tudo em causa (desde o presidente ao roupeiro, passando pelo treinador), é melhor candidatar-se a argumentista de Hollywood, porque tem uma mente muito fértil. Ou então, ir para o Júlio de Matos, porque é maluco. Repito: toda a gente tem direito a errar e, depois do que aconteceu no ano passado, toda a estrutura de futebol do Benfica tem bastante crédito para isso. Continuo a pensar que somos os mais fortes candidatos ao título. Mas começamos a ter uma distância preocupante para o 1º lugar. Há que corrigir isso rapidamente.

 

P.S. – Sim, e para além disto, a festa continua: para mim, há dois penalties a nosso favor. Um sobre o Coentrão e um braço na área. Ambos na 2ª parte. O Sr. Pedro Proença no seu melhor.

por S.L.B. às 00:28 | link do post | comentar | ver comentários (75)
Sábado, 21.08.10

Resumo da pré-época

"E quanto a reforçoss? Qual o caminho a seguir?"

 

"Nós queremos contar com jogadores consagrados, que possam estar em dificuldade nas suas carreiras e queiram voltar a estar em grande. Depois, há estes míudos, como o Fábio Faria, o Jara e o Gaitan, que têm de crescer com o treinador e com a equipa. São jogadores de risco."

 

Jorge Jesus à revista Mistica (Edição nº 11)

 

 

Numa nota mais pessoal quero informar que o meu estado de medo no que ao valor do Roberto diz respeito passou para terror.

 

 

por Superman Torras às 22:46 | link do post | comentar | ver comentários (49)

O canto do cisne (ou do polvo, para o caso é igual).

Num jornal qualquer, leio que Pinto da Costa balbuciou mais uns disparates para uns quantos néscios adeptos, que apenas percebem aquela linguagem – a da cacetada –, baterem palmas. É o estrebuchar do polvo. Freud diria, com razão, que isto é um mecanismo de projecção, segundo o qual nós projectamos nos outros aquilo que nós somos, mas eu acho que dizer que o Benfica é uma equipa de caceteiros é ignorância profunda no seu estado mais puro e também alguma má-fé, uma espécie de lembrete para os avençados que pululam de apito na boca ou de microfone na mão. Há que passar a propaganda, porque, afinal, nem a Champions nem a UEFA foram suficientes para destronar o Benfica, e o polvo não pode abandonar a cena. O que me dá gozo é que este senhor será sempre um frustrado: o seu projecto de vida – fazer do seu clube um clube com dimensão nacional e internacional – não se realizará, nem mesmo depois de termos visto a fruta, o café com leite, as viagens ao Brasil, o apito dourado, os jogadores emprestados, o penta, os antigos jogadores a treinarem clubes-satélite e tudo o resto. E a razão é simples: é que nós podemos criticar o Roberto, o Sídnei, o Peixoto e mais uns quantos, mas fazemo-lo desinteressadamente, fazemo-lo por amor ao Benfica, não temos agendas escondidas, é o Benfica, caramba!, é um amor genuíno que faz parte das nossas vidas e que não pactua com fruta e afins. Nisto, somos invencíveis. E agora, venha de lá o Nacional e com muito molho por cima.

Quinta-feira, 19.08.10

Salvio

 

 

Salvio, o novo reforço para a nossa equipa de futebol, foi há pouco apresentado. É um jogador com muito potencial, e que há alguns meses atrás foi disputado por diversos clubes europeus, acabando o Atlético de Madrid por ganhar a corrida. É de lá que chega, por empréstimo. É rápido e pode jogar nas alas (sinceramente, só lhe conhecia a capacidade de jogar na direita, mas tem vindo noticiado na imprensa que pode jogar nas duas alas), o que vem dar ao Jorge Jesus uma opção de que ele não dispunha até agora. Não tenho quaisquer dúvidas sobre o seu valor, e por isso só me resta desejar-lhe as maiores felicidades no Benfica. Será um bom sinal se, chegados ao final da época, estivermos todos a desejar a sua contratação definitiva.

por D`Arcy às 13:55 | link do post | comentar | ver comentários (73)
Terça-feira, 17.08.10

Desabafo

Já o disse e escrevi várias vezes: os adeptos do Benfica perdoam tudo menos a falta de empenho, de atitude e de garra. Na ressaca de uma humilhante derrota caseira frente à Académica, o que verdadeiramente me incomodou foi a atitude que a equipa demonstrou na primeira parte do jogo. Essa atitude é tanto menos compreensível quanto mais nos recordamos das ganas, do querer e da crença que estes mesmos futebolistas colocaram em campo durante os 90 minutos de praticamente todos os jogos da temporada passada (de repente, lembro-me apenas de uma atitude semelhante num jogo patético contra o Vorskla).

 

Na segunda parte do jogo, a equipa (com maior ou menor esclarecimento de processos, com maior ou menor qualidade e discernimento) teve a atitude, o crer e a abnegação que se exige aos futebolistas que têm a honra de vestir o manto sagrado. Não sei o que se passou ao intervalo, não sei o que se passou antes do jogo, nem sei se se passou algo, mas sei que os futebolistas sabem que os adeptos estão com eles, sofrem com eles, festejam com eles e choram com eles sempre que lhes reconhecem empenho total e incondicional… o mesmo empenho que os adeptos têm, o mesmo empenho que lhes vimos na segunda parte do jogo.

 

Basta isto para que o apoio seja incondicional. Disse-o e repito-o “Sei com quem conto nas vitórias e sei com quem conto nas derrotas.” Nas vitórias sei que surgem todos e todos são sorrisos e todos dizem sermos apenas um. Nas derrotas sei que conto com poucos e com muitas lâminas afiadas à espera da ocasião. Os futebolistas do Benfica sabem (acreditem que sabem!) que da minha parte a lâmina não surgirá, porque confio neles e em quem os conduz. E confio, porque já me deram muitas provas de que posso confiar e de que os tais 45 minutos não passaram de um mau momento. Mas saibam também, eles e quem os conduz, que já há quem tenha o punhal afiado, prontinho e só à espera do próximo fim-de-semana. E não, a ameaça não vem de fora, vem de dentro… da tal família benfiquista que é muito unida no momento de festejar no Marquês.

por Pedro F. Ferreira às 11:40 | link do post | comentar | ver comentários (144)
Segunda-feira, 16.08.10

Sinopse

Hoje de manhã houve um ou dois benfiquistas que me perguntaram – como se eu, que ainda não percebi para que raio serve a cerveja sem álcool ou porque é que temos unhas, fosse um gajo particularmente sábio ou o detentor da verdade absoluta sobre estas coisas – ‘mas o que é que aconteceu ontem?’. Ora bem, não sendo exactamente uma versão benfiquista do Gandalf ou do Yoda, parece-me, ainda assim, que é fácil de resumir:

 

- A primeira parte foi muito má. É um facto. E faz diferença, parecendo que não, entrar com um (ou dois, dependendo da perspectiva) a menos;

 

- A segunda parte não foi brilhante – longe disso – mas jogámos mais do que o suficiente para, não só empatar, como ganhar o jogo;

 

- A Académica fez antijogo do mais nojento e filho da mãe que vi alguma vez alguma equipa fazer no Estádio da Luz (e se, caramba, já vi muita gente a fazer antijogo por lá);

 

- Sustentar que o Roberto tenha tido alguma responsabilidade em qualquer dos golos é ser Costinha. Ou seja, estúpido;

 

- A Académica é, hoje em dia, um clube velhaco a soldo de outro clube velhaco, dirigido por gente velhaca, com jogadores velhacos e uma equipa técnica velhaca. No fundo, mais uma trabalhadora da vida na grande casa de alterne que é o futebol português. Quanto ao guarda-redes destes escroques, bom, chega a ser revoltante pensar que há gente inocente que desaparece em catástrofes naturais por esse inclemente planeta fora;

 

- Olhando para a arbitragem do jogo do clube do Carlos Calheiros e para a da ontem, já deu claramente para perceber que este ano o investimento do clube da fruta em, precisamente, fruta, vai ser histórico (o estafeta do Mourinho é uma aposta pessoal – e intransmissível - do Mestre Pinto). Espero que, pelo menos, seja fruta com bicho – como o gnomo de jardim - e que o Cosme Machado apanhe sífilis.

 

 

Quanto a mim, independentemente do melhor ou pior que se jogou ontem, e das afinações ao plantel que urge fazer, estou com aquela malta até ao fim. E não só quando se ganha. Especialmente quando não se ganha.

 

Postas de pescada no espaço de comentários, sff, para eu poder apagar à vontade e dar algum colorido à minha manhã de segunda-feira.

 

E, pronto, era mais ou menos isto, obrigado.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 09:59 | link do post | comentar | ver comentários (106)
Domingo, 15.08.10

Falta

Faltou algo. Não foi vontade da parte dos jogadores, não foi querer, não foi apoio dos benfiquistas (que, em número superior a 48.000, compareceram na Luz e não regatearam apoio à equipa), mas a verdade é que algo faltou para que vencêssemos este jogo. Sorte, talento ou inspiração, o que quer que fosse em falta, o que conta é que começámos a defesa do título da pior forma possível.

A primeira parte foi, literalmente, dada de avanço ao adversário. E para piorar, este avanço incluiu a oferta de um golo, após uma falha incrível de marcação por parte dos centrais num livre quase sobre a linha de meio campo, que permitiu que um adversário surgisse livre de marcação a cabecear para o golo. A segunda parte, recorrendo ao 4-3-3 com a entrada do Jara para o lugar do Peixoto, autor de uma exibição indescritivelmente pobre no primeiro tempo, correu um pouco melhor, beneficiando nós também da expulsão de um adversário. Chegámos ao empate quando ainda faltava meia hora para jogar (Jara, a cruzamento do Coentrão na esquerda), e tendo em conta o massacre a que assistíamos não seria difícil acreditar que o segundo golo chegaria. Mas este massacre, salvo alguns apontamentos de classe aqui e ali, foi quase sempre muito mais feito com o coração do que com a cabeça, e esta noite não vimos o Benfica construir jogadas de ataque com o volume e qualidade a que estamos habituados. No período de descontos, quando já muitos se conformavam com o empate, há um lance na área da Académica que, sinceramente, no estádio me pareceu de mão na bola. A equipa não recuperou defensivamente e no contra-ataque, aproveitando o adiantamento do Roberto, a Académica fez um golo incrível que lhe deu a vitória, que acaba por ser um castigo demasiado pesado para o Benfica e um prémio para o antijogo que o nosso adversário, sempre com o beneplácito da arbitragem, usou e abusou na Luz.

Seria quase escusado dizer que o pior jogador do Benfica foi o Peixoto, bem substituído ao intervalo. Mas de resto, quase toda a equipa esteve apagada, podendo-se destacar o Cardozo e o Sídnei como dois dos piores. O Maxi pareceu estar sem ritmo. Pela positiva, escolheria o Coentrão.

É imperioso sairmos rapidamente deste mau momento. Eu mantenho a minha convicção de que o pior que nos aconteceu nesta pré-época foi a lesão do Gaitán. Pode não ser o Di María, mas sem ele não temos absolutamente ninguém para aquela posição no meio campo.

por D`Arcy às 23:18 | link do post | comentar | ver comentários (80)
Sábado, 14.08.10

"Recomeçou a roubalheira"

Acabo de regressar a Portugal e, ainda mal acabado de sair do aeroporto, recebo uma sms de um conhecido benfiquista que me diz “recomeçou a roubalheira”. Entro no carro, ligo o rádio e oiço que os andrades vencem com um golo de penalti quase a terminar o jogo. Vou à internet e vejo quem vai apitar o nosso jogo amanhã. O nosso inimigo é externo, está vivo e com os tentáculos bem activos… e vejo os benfiquistas desgastados em discussões internas. Que os adversários façam o jogo deles é normal, que façamos o jogo deles é que já não é razoável.

Amanhã lá estarei(emos), no nosso Estádio, na nossa casa, para apoiar os nossos… contra tudo e contra todos.

Depois de amanhã, independentemente do resultado, continuarei(emos) a apoiar incondicionalmente os nossos. E, do mesmo modo, a combater os outros. Sei com quem conto nas vitórias e sei com quem conto nas derrotas. Do mesmo modo que os nossos futebolistas sabem com quem contam, com quem choram e com quem festejam.

por Pedro F. Ferreira às 23:03 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Terça-feira, 10.08.10

A derrota...ideal

Nota prévia:

 

Este post não é uma resposta ao anterior, do D'arcy, uma vez que foi escrito antes de o ler. Alguns assuntos repetem-se, até porque ambos os posts derivam sobre o mesmo, a actualidade do Benfica e o rescaldo do jogo de sábado, mas as visões são necessariamente diferentes até porque diferentes são os olhos de quem o escreveu.

 

 

 

 

 

 

Sendo uma competição oficial a Supertaça é geralmente encarada como uma espécie de jogo de pré-época um pouco mais a sério cujo valor varia dependendo do ponto de vista dos competidores. No caso dos derrotados o resultado é menosprezado, pelo menos em termos públicos, recorrendo a um par de chavões (a condição física, o cansaço - ou ambos -, a integração dos novos jogadores, a adaptação ao esférico, enfim as hipóteses são imensas); enquanto que no caso dos vitoriosos a importância do jogo cresce exponencialmente procurando observar conclusões de superioridade para a época que se avizinha e até quiçá, nalguns casos, o exorcismo de alguns demónios internos.

 

No que à supertaça de sábado diz respeito e falando daquilo que nos interessa, o Benfica, creio que, à distância de 48 horas, o resultado (e a exibição…a exibição!) poderá ter sido o que melhor serviu os interesses do clube no futuro mais ou menos próximo. Já tinha comentado com amigos que após algumas exibições ou períodos de exibições muito boas (1ª parte com Aston Villa; a partir dos 30/35 minutos com o Feyenoord; a 2ª parte com o Monaco) o jogo de 3ª com o Tottenham tinha servido para me fazer descer à Terra. A esperança é que o jogo de sábado tenha feito o mesmo mas com os jogadores e responsáveis pela gestão do plantel no que versa a entradas e a saídas. A forma como fomos subjugados pelo 3º classificado da época passada foi de facto preocupante. Não só isso mas também ou sobretudo a forma que encontramos para responder a essa supremacia: com desnorte e falhos de ideias. Tanto em campo como fora dele.

 

Aliás, mencionando Jorge Jesus devo dizer que não compreendi a opção por uma táctica que raramente havia sido utilizada nesta pré-época com a agravante de colocar o nosso melhor defesa esquerdo e principal causa de desequilíbrios ofensivos quando joga nessa posição, como médio-ala esquerdo. Se do lado esquerdo ficamos “coxos” em termos ofensivos do lado direito faltou um bocadinho assim para ficarmos coxos. Carlos Martins, que já tive oportunidade de elogiar pela pré-temporada que tem feito, não pode ou não deve ser opção para médio direito, sobretudo quando o lateral já é uma adaptação (e das forçadas, nada a ver com Coentrão na esquerda) e o adversário joga com um médio-ala bem encostado à linha e constantemente a forçar o um para um, quando não o dois para um com a subida do lateral esquerdo.

 

No entanto, acima de tácticas e escolhas de jogadores o que acabou por me desiludir sobremaneira e ser decisivo para a supremacia do adversário acabou por ser a enorme diferença na conquista das célebres “segundas bolas”. Inúmeros cortes de jogadores do Benfica acabaram invariavelmente por ir parar a pés adversários. E o contrário não aconteceu. Isto originou sucessivos ataques cortados á nascença e levas de ataques por parte do adversário. Outra coisa que não existiu, e de certa forma poderá servir para nos tranquilizar pois poderá indiciar que o motivo da sua ausência foi o facto de em termos físicos os jogadores não estarem preparados para aquele jogo, foi a pressão ofensiva que tão bem nos caracterizou na época passada. A esperança é que com mais uma semana de treinos já a possamos (re)apresentar no jogo com a Académica. Não me esqueço igualmente que a época passada também esteve longe de começar brilhante e só arrancamos para as exibições vistosas depois de alguns resultados ou negativos ou arrancados a ferro (empate com o Maritimo em casa, vitória arrancada a ferros em Guimarães). Portanto há que relativizar um pouco as mensagens que este jogo nos deixou.

 

Mas há coisas às quais não há mesmo como fugir e daí a importância de que dei conta mais acima: para evitar o afunilamento do jogo e/ou para servir como opção à tal táctica camaleónica do 4x3x3 que parece viver muito do tempo de adaptação que o Jara vai necessitar, já que a qualidade parece estar lá toda, é fundamental ter um extremo no plantel. Esquerdo ou direito nesta fase é indiferente. Desde que para o outro lado venha um substituto para o Ramires, ou seja um médio mais interior que sirva para compensar as subidas no outro flanco. Isto parece-me tão claro que me é francamente difícil entender opiniões de benfiquistas em sentido contrário (mas podem tentar-me convencer na caixa de comentários). É que não temos 1 (um!) extremo que seja no plantel. Tudo dependerá depois do que Jesus quiser para esta época. Se quiser optar preferencialmente pela tal espécie de 4x3x3 que venha um extremo jovem com potencial de evolução, já se quiser optar novamente por um esquema semelhante ao ano passado, e que tão bons resultados e exibições deu, terá de ser um jogador feito e com estaleca para jogar já! E o já ainda não é tarde. Ainda…

 

Curiosamente Jesus acabou por ter uma leitura de jogo muito sui generis no passado sábado, deixando Martins e Peixoto em campo (primeiras opções para as tais posições de que falo?) apesar de as coisas estarem longe de lhes saírem brilhantes (ia dizer aceitáveis).

 

Confirmou-se igualmente o que já havia escrito há umas semanas, que Airton ganhou a posição a Javi. No entanto também o brasileiro me desiludiu no sábado. O jogo posicional não foi brilhante e no tal rácio de segundas bolas vencidas e perdidas também acabou o jogo com sinal negativo. Não creio que seja motivo para deixar de lhe dar a titularidade no domingo, até porque não sei se Javi já melhorou os índices físicos que me pareceram a razão primeira para ter perdido o lugar, e gostava de o ver jogar 3 ou 4 jogos seguidos para observar a sua evolução. Já o disse anteriormente mas digo-o novamente, aprecio bastante a forma de jogar do Airton (tal como do Javi de resto que considero peça essencial nas conquistas da época passada). Não será por ali que iremos deixar de conquistar os títulos a que nos propusemos esta época.

 

Em suma e concluindo: continuo a achar que somos os principais candidatos à vitória do campeonato esta época e que temos uma equipa muito boa. Duvido no entanto que, mesmo se o Ramires for bem substituído, tenhamos actualmente uma equipa tão forte como no ano passado. Daí que “me bata” pela contratação de (mais) um jogador de qualidade que seja opção imediata para o 11. Se não vier, e à medida que os dias vão passando duvido cada vez mais da assunção dessa necessidade por parte de quem manda, restar-me-á acreditar que tal como aconteceu na época passada Jorge Jesus acabe por provar que estou errado.

 

De uma forma ou de outra, domingo lá estarei para juntar a minha voz às dos restantes 60 mil (começar a época com uma casa cheia seria fantástico).

por Superman Torras às 07:20 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Segunda-feira, 09.08.10

Comentário

Agora que já se descarregou sobre o último jogo na caixa de comentários do post anterior, aproveito para fazer um comentário mais a frio.

 

Não me surpreendem alguns dos comentários inflamados que li, que apontam na esperada direcção em que está tudo mal, os jogadores não prestam, a direcção anda perdida, e o Jesus anda aos papéis. Sou benfiquista, sei o que a casa gasta, e sei como muitas vezes reagimos às derrotas. Porque nos doem muito e no nosso clube não estamos habituados a que elas aconteçam. Mas registei também com agrado muitos comentários mais sensatos e ponderados, que não tentaram tirar mais conclusões sobre o jogo do que aquilo que ele foi: um mau jogo da nossa equipa, em contraponto a um bom jogo do nosso adversário. Tudo isto porventura ainda mais potenciado por um golo sofrido a frio, que só muito dificilmente não terá tido influência no desenrolar do jogo: não só acalmou e deu confiança ao nosso adversário, como deixou a nossa equipa nervosa.

 

Algumas das críticas mais comummente repetidas:

 

-  Roberto. Não tento tapar o sol com uma peneira. Se o Roberto fizer asneira, eu não tenho problemas em dizer que ele fez asneira. A questão é que eu não acho mesmo que neste jogo ele tenha tido qualquer influência ou culpa no resultado. Para mim, cometeu um único erro grave durante todo o jogo: uma saída a soco em que acertou de raspão na bola, levando-a a cair na zona do segundo poste, onde um jogador adversário, isolado, só não marcou golo porque o Luisão cortou sobre a linha. Foi um erro, mas não resultou em golo, independentemente das razões pelas quais isto aconteceu. Não considero que tenha qualquer culpa no primeiro golo, em que o cabeceamento é desferido em cima dele. Consigo perceber que os benfiquistas estejam insatisfeitos com o rendimento do Roberto face ao que custou. Eu também, face ao que vi até agora, não acho que ele justifique tão alto preço e estou também insatisfeito. Mas isso não significa que agora tenha que fazer sempre dele bode expiatório de qualquer coisa que corra mal. O desvario já chegou ao ponto de ver afirmarem que por causa do posicionamento do Roberto, o Jorge Jesus fez a defesa jogar mais recuada, o que é mais uma justificação para o mau jogo que fizemos. Bem, lembremo-nos do Quim (e isto não é um ataque ao Quim, é apenas uma observação). Não era um guarda-redes propriamente conhecido por jogar fora da baliza, ou era? E sinceramente, alguém acha que o Quim ou qualquer outro guarda-redes conseguiria evitar os golos que sofremos? Eu não. E em relação à 'defesa recuada', não só não vi qualquer diferença em relação ao posicionamento habitual da defesa, como ainda acho que um dos problemas foi, precisamente, o espaço deixado nas costas da defesa face aos jogadores rápidos que o nosso adversário tinha na frente. Se calhar se tivéssemos mesmo jogado com a defesa mais recuada, o Amorim e o Peixoto não teriam passado metade do jogo a correr para trás atrás dos extremos adversários.

 

- Precisamos de 'extremos'. É o fim do mundo se não vierem 'extremos'. Morremos se não arranjarmos 'extremos'. Sai um extremo da equipa (o único) e agora até já precisamos de 'extremos' (no plural). Primeiro, a época passada só jogámos com extremo direito quando o Di María por acaso era mandado trocar de lado. O Ramires não era, nem nunca foi extremo. Era aliás acusado por nós, quando as coisas corriam mal, de não saber ganhar a linha e centrar. A profundidade pelo lado direito foi sempre dada pelo Maxi ou, em alternativa, pelo Rúben. O nosso lado direito não funcionou neste jogo, é verdade. Mas daí até dizermos que aquilo com o Rúben e o Martins não funciona, vai uma grande distância. Quantas vezes o ano passado estes dois jogadores fizeram aquelas posições com sucesso? Mais: quem advoga a vinda de 'extremos' já se deu ao trabalho de pensar em que é que resultaria o Benfica jogar no 4-1-3-2 tradicional com dois extremos? Mais um criativo no centro, significaria então que o trabalho defensivo no meio campo ficava quase todo para o Javi. Ele é bom, mas não exageremos. Ah, mas seriam com certeza extremos que defendem (porque há desses a dar com um pau). Como o Di María, certo? Que nunca (mas nunca mesmo) ouvi ser ferozmente criticado pelos benfiquistas porque não defendia. O 4-1-3-2 não é uma táctica que, tradicionalmente, privilegie a utilização de extremos. A profundidade pelas alas é dada pelos laterais, juntando-se o médio de cobertura aos centrais, de forma a que possam compensar as suas subidas. Devido à enorme supremacia que o Benfica tem na maioria dos jogos, o Benfica pode dar-se ao luxo de abdicar de um dos médios laterais por troca com um extremo. Se queremos repetir a fórmula da época passada, o Benfica poderia contratar um jogador veloz para uma das alas, e utilizar outro com maior capacidade de luta no meio campo para jogar do outro lado. Até poderia ser ao contrário do ano passado: face à predisposição ofensiva do Coentrão, o médio menos ofensivo poderia actuar predominantemente do lado esquerdo do meio campo, ficando o mais ofensivo do lado direito.

 

- Jesus 'inventou'. Depois do jogo, é muito fácil apontarmos dedos. Julgo que a aposta dele foi alterar o mínimo possível do esquema do ano passado. Não seria nada estranho vermos este onze (menos o Roberto) a alinhar de início num jogo da época passada. Critica-se, por exemplo, o Peixoto como lateral. A verdade é que ele alinhou diversas vezes naquela posição o ano passado, inclusivamente contra os mesmos adversários de Sábado, no jogo que vencemos na Luz. E meteu o Rúlqui no bolso. O Carlos Martins jogou mal sobre a direita. Mas o Carlos Martins é uma caixa de surpresas, tanto pode fazer um jogo fenomenal como apagar-se completamente. Sempre foi assim e, conforme disse, já jogou naquela posição diversas vezes com sucesso. Mesmo nesta pré-época. O Javi García devia ter jogado. Pois, agora que as coisas correram mal podemos dizer isso. Mas quantos comentários li eu após os jogos da pré-epoca que afirmavam peremptoriamente que o Airton já tinha ganho a luta pelo lugar? O Luisão não devia ter jogado? Mas durante a pré-época fartaram-se de cascar no Sídnei, afirmando que 'quando o Luisão voltar é que vai ser'. Isto no fundo é mais uma situação em que quando se ganha é-se um génio, e quando se perde é-se uma besta.

 

Não quero com este post dizer que está tudo bem no Benfica. O que gastámos no guarda-redes foi, até ver, exagerado. É óbvio que vamos sentir as saídas do Di María e do Ramires. Não creio que haja alguma equipa que não acusasse as saídas de dois habituais internacionais do Brasil e Argentina (Palavra de honra que não percebo comentários e opiniões de pessoas que parecem estar convencidas que os responsáveis do Benfica praticamente empurraram o Di María e o Ramires para fora do clube. Mas essas pessoas acham que, podendo nós manter esses dois jogadores, não o teríamos feito? Acham que era possível obrigar os jogadores a permanecer, recusando ofertas de ordenados milionários e completamente fora do nosso alcance feitas por clubes como o Real Madrid e o Chelsea? E que tal se acordassem para a realidade?) Eu confio que as pessoas responsáveis saberão identificar as lacunas do plantel e proceder às necessárias alterações. Confio que o Jorge Jesus é a melhor pessoa para o cargo que ocupa, e que no espaço de algumas semanas não desaprendeu nada. Acima de tudo, confio que uma derrota num jogo de abertura da época, frente a um adversário forte, não significa que esteja tudo mal e que a nossa equipa tenha deixado de ser a melhor. Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera.

por D`Arcy às 16:51 | link do post | comentar | ver comentários (75)
Sábado, 07.08.10

Irreconhecível

Um Benfica irreconhecível entrou esta noite no jogo a perder e nunca mais se encontrou, perdendo consequentemente a Supertaça para o fóculporto com toda a naturalidade. Ganhou a equipa que foi melhor em campo, e a justiça desta vitória é incontestável. Devemos, isso sim, olhar para nós próprios e perceber o que falhou.

Talvez se esperasse que Jesus apostasse no 4-3-3 que vinha testando na pré-época, mas o Benfica iniciou o jogo no 4-1-3-2 habitual, alinhando o Peixoto na lateral esquerda e subindo o Coentrão para a antiga posição do Di María. Na direita, o escolhido foi o Carlos Martins, e na posição de trinco confirmaram-se as indicações da pré-época, e o Airton surgiu a titular. Conforme disse, o Benfica entrou a perder no jogo. Logo aos três minutos, após um canto, uma desconcentração defensiva incrível permitiu a um jogador adversário (Rolando) surgir na pequena área, a pouco mais de um metro da linha de golo, a cabecear à vontade. E o que se seguiu a esse golo foi um descalabro da nossa equipa. Estivemos absolutamente irreconhecíveis durante meia hora, durante a qual o fóculporto controlou o jogo à vontade. A nossa equipa raramente conseguia fazer dois passes seguidos, ao contrário do habitual, não começávamos as nossas jogadas de ataque saindo com a bola controlada da defesa, optando em vez disso pelos pontapés longos que resultavam invariavelmente na perda da bola, no meio campo perdíamos sistematicamente qualquer bola dividida ou as segundas bolas, e a habitual pressão alta nem se viu. O nosso adversário, assim que recuperava a bola, saía em contra-ataques rápidos pelas alas e levava regularmente perigo à nossa baliza. O Benfica demorou vinte minutos até fazer o primeiro remate (foi um livre do Carlos Martins), e só no último quarto de hora conseguiu dar um arzinho da sua graça, mas parecemos estar sempre longe de conseguirmos dominar claramente o jogo.

A segunda parte trouxe mais do mesmo, e da parte que me toca, achei surpreendente a insistência na mesma táctica e jogadores que tão mal tinham resultado na primeira parte. O cariz do jogo não se alterou muito em relação aos últimos quinze minutos da primeira parte: o Benfica tinha um pouco mais de bola, mas era o fóculporto, em ataques rápidos, quem ameaçava mais, e continuava a ter superioridade na luta do meio campo. E foi num desses ataques rápidos pelas alas que, aos vinte e dois minutos do segundo tempo, o jogo ficou resolvido. O Varela foi lançado na direita, ultrapassou com facilidade o Luisão, e cruzou para a entrada vitoriosa do Falcao. Apesar de faltarem mais de vinte minutos para o final, não ficaram grandes dúvidas de que o Benfica não conseguiria alterar o rumo desta final. Até porque, sinceramente, não consegui compreender as opções tomadas pelo nosso treinador. Retirar o Aimar e o Coentrão, e deixar em campo durante noventa minutos o Carlos Martins e o Peixoto que, na minha modesta opinião, ainda conseguiram destacar-se pela negativa na mediocridade geral que foi este jogo da nossa equipa, foi uma decisão que me surpreendeu. Nos minutos finais o fóculporto baixou as linhas e o Benfica teve então um período de algum ascendente, construindo talvez a única oportunidade digna desse nome durante todo o jogo, mas o Saviola, isolado, viu o seu remate ser bem defendido.

É difícil, após um jogo destes, fazer algum destaque positivo. Os referidos Peixoto e Martins estiveram bastante mal, sendo quase doloroso ver a falta de velocidade do primeiro para acompanhar os adversários directos, e a quantidade assombrosa de passes errados feitos pelo segundo (para não falar da quantidade de faltas e entradas arriscadas que fez, que lhe poderiam ter valido uma exclusão do jogo). Do outro lado da defesa, jogo muito fraco também do Amorim. O Airton hoje, sinceramente, mostrou que ainda não está ao nível do Javi, e na fase em que o meio campo do Benfica andou praticamente aos papéis foi um dos jogadores mais desnorteados. Já o disse antes que um dos aspectos em que o Javi leva vantagem é nas dobras e compensações aos colegas. Veja-se a sua movimentação no lance do segundo golo, em que o Airton deveria compensar a saída do Luisão para a direita, e perceber-se-á que ainda há trabalho a fazer neste aspecto. Não percebi também o descontrolo dos nossos jogadores em diversos períodos do jogo. Hoje poderíamos perfeitamente ter terminado o jogo sem os onze jogadores em campo, que não seria surpresa nenhuma. Dos avançados não posso falar muito: o Cardozo praticamente não teve bola, e o Saviola foi tentando o melhor que podia.

Enfim, a Supertaça está perdida, resta-nos sacudir a poeira, levantar a cabeça, e entrar com o pé direito na defesa do título que nos pertence. Hoje foi um dia mau, mas melhores dias, seguramente, se seguirão.

por D`Arcy às 23:04 | link do post | comentar | ver comentários (156)

Supertaça

Começa hoje a época oficial do futebol português. E ainda bem, acrescento eu, para ver se algumas pessoas têm algo mais com que se entreter do que inventar histórias macabras e prever desgraças ao virar da primeira esquina.

 

Daqui a algumas horas entraremos em campo para disputar o primeiro troféu oficial da época, frente ao fóculporto. E, por mais voltas que queiram dar, ou por mais argumentos que queiram encontrar, entramos em campo como favoritos à vitória. Não quer isto dizer que eu ache que o jogo são favas contadas; jogos destes são sempre de resultado imprevisto, até porque, cingindo-me exclusivamente ao futebol jogado, do outro lado estão também alguns dos melhores executantes do campeonato português. Mas à partida, o Benfica é favorito. E isto, por si só, já quer dizer muita coisa. É um indício de como a viragem no futebol português pode estar em marcha. Do nosso lado, temos os campeões nacionais, uma estrutura sólida e bem definida, e uma equipa técnica que nada tem a provar. Do outro, nada disto existe ainda.

 

Ao troféu em causa (Supertaça) nem sequer lhe dou uma importância muito grande. Para mim, o valor de vencermos este jogo é muito maior, sobretudo pelo peso psicológico que pode ter. Os nossos adversários, por mais que o tentem disfarçar, estão com medo. Medo que o Benfica este ano seja o mesmo Benfica avassalador do ano passado. Porque se isso se passar, sabem bem que as suas hipóteses de sucesso são reduzidíssimas. Entrar com o pé direito na época, e mostrar que continuamos no mesmo registo da época anterior, será um rude golpe na confiança dos nossos adversários, e uma importantíssima vantagem psicológica para nós. É por isso que espero um Benfica a todo o gás, disposto a fazer jus às quinas que, com toda a justiça, envergamos nas mangas das nossas camisolas. E um mar vermelho em Aveiro, a empurrar a nossa equipa rumo à vitória, como foi uma constante durante toda a época transacta. E que esse mar vermelho, mesmo se por algum azar a vitória nos fugir, mostre que estará sempre com a equipa, até ao fim. É isto que nos faz tão maiores do que os outros.

 

Força Benfica!

por D`Arcy às 00:39 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Quinta-feira, 05.08.10

Pérolas a porcos

É amplamente sabido que não sou um tipo conhecido pela abundância de paciência. Mas, muito honestamente, a pachorra hoje em dia não só não é pouca, como é inexistente. ‘Porquê?’, perguntar-me-ão vocês. Mantenho a tradição de falar com as vozes que tenho dentro da cabeça e respondo: é fácil de perceber atendendo a alguns dos comentários aprovados no post imediatamente anterior.

 

Não deixa de me puxar o vómito perceber a prostituição intelectual que configura o facto das virgenzinhas ofendidas, e os camelos que mandam acusações bacocas para o ar sem qualquer tipo de sustentação pelas caixas de comentários da blogosfera, terem andado alegremente pelo Marquês, a saltitar de nenúfar em nenúfar, a festejar o título (construído de forma brilhante por quem está no Benfica) de sorrisos hipócritas naquelas carantonhas molusco-invertebradas. Nessa altura, parece-me que mandaram às urtigas as preocupações e as insinuações bacocas e canalhas que andaram a vomitar (mais uma vez pelos blogues - esse espaço virtual que democratizou a estupidez) aquando das contratações do Javi Garcia e afins. Nessa altura, perdidos na multidão que festejava de coração aberto, não me lembro de os ver incomodados com a gestão (que acham sempre catastrófica) do clube, nem me lembro de invocarem objecção de consciência para não festejar o título. Nessa altura, levantaram os rabos, gritaram Benfica e proclamaram ‘união’ sabendo que iriam estar escondidos, cobardes como são, atrás de arbustos e muros com cheiro a mijo por esse hipócrita desse país fora para, ao primeiro vislumbre de oportunidade, vir bradar aos céus que ‘os dirigentes só se querem abotoar’, ‘é mais do mesmo’, ‘vamos voltar ao de sempre’ e ‘as pessoas que não atacam a direcção legitimamente eleita são uns seguidistas e uns vendidos que não sabem pensar por si’.

 

Pois muito bem. Se, apesar de sermos de longe a equipa mais forte e de termos reforços de qualidade (bem contratados, na altura certa), de termos gente competente à frente dos destinos do clube e dos destinos desportivos da equipa (como foi amplamente provado), e de estarem reunidas todas as condições para termos uma época de sucesso e de mais títulos, preferem vir acordar fantasmas ultrapassados, criar um clima doentio e injustificado à volta do clube e fomentar a divisão, epá, vão todos comer um belo balde. Façam um favor a toda a gente, sejam coerentes por uma vez na vida com a porcaria que vomitam e não festejem o próximo título. Por mim, agradecia não ter de o festejar na proximidade de víboras hipócritas que associam de forma imbecil a crítica oca e irresponsável à ‘democracia’ e à ‘independência’.

Desamparem-me a porcaria da loja e deixem a direcção e a estrutura desportiva fazerem o trabalho para o qual foram, respectivamente, eleitos e contratados. Vão ao estádio e apoiem. Façam a vossa parte e deixem de se comportar como adolescentes histéricas.

 

E se me vêm com a história do 'ai, o espírito crítico' e 'ai, a minha independência' e 'ai, que estou a ser perseguido', metam tudo isso onde o sol não brilha. Não passam de chavões convenientes e desculpas esfarrapadas para narcisismos encapuçados e traumas mal resolvidos de gente que publicita informação falsa sobre o clube (ao abrigo da propalada liberdade de informação – ‘ai que os sócios têm de saber tudo, a mim não me calam’ - sem se certificarem se as alarvidades que divulgam têm o mínimo fundo de verdade) e que precisa – como de ar para respirar - de se sentir como uma desgraçada de uma vítima perseguida pelo ‘regime’, enquanto tenta ‘defender o clube’ dos ímpios que lá estão (os mesmos que lhes proporcionaram o título que andaram a festejar pelas ruas). Sei quem são. São os mesmos cobardes histéricos que andaram para aqui a pisar ovos por causa de pseudo-princípios de merda quando Brunos Carvalhos e outra gentalha da mesma estirpe andavam a tentar tomar de assalto o Glorioso, enquanto andavam alguns de nós a dar o corpo ao manifesto, a lutar pelo futuro do Clube e a garantir que havia condições para se fazer a época desportiva que se fez.

 

Agora venham cá comentar. Devem estar cheios de sorte.

 

 

p.s. para quem não tem o discernimento para perceber (e o que não falta por aqui é gente sem discernimento): o que escrevi não visa quem critica de forma responsável ou quem manifesta, de forma racional e calma, as suas dúvidas ou preocupações face às saídas do plantel, ou face a movimentações de mercado que têm dificuldade em perceber na sua plenitude. Não. Destina-se às víboras ingratas e aos cobardes que insistem em questionar de forma irresponsável tudo o que é feito no Benfica e em continuar a mandar para o ar insinuações canalhas e obtusas, como se fossem os detentores e paladinos da ‘verdade’, enquanto agitam de forma pornográfica e prostituída a bandeira da ‘isenção’ (na cabeça destes acéfalos, só é ‘isento’ quem critica a direcção).

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 16:58 | link do post | comentar | ver comentários (95)
Quarta-feira, 04.08.10

Ramires

Infelizmente confirmaram-se os nossos receios, e o Ramires vai mesmo deixar o Benfica. É uma baixa de vulto, porque não me parece que existam no futebol actual muitos jogadores com as características dele. Ele é a definição perfeita de médio box to box. Os acordos que nos permitiram trazê-lo para a Luz tornavam difícil a sua permanência, e portanto resta-me agradecer ao Ramires aquilo que fez no curto tempo que por cá passou, e desejar-lhe as maiores felicidades nas sua carreira (menos quando jogar contra o Benfica). Ficarei agora à espera da solução que os nossos responsáveis tentarão encontrar para colmatar esta saída.

por D`Arcy às 23:42 | link do post | comentar | ver comentários (72)
Terça-feira, 03.08.10

Tottenham

Nota prévia: Benfica, 0 - Tottenham, 1 (Bale, 55). O Benfica não jogou muito bem. Por favor, passar aos comentários.

Satisfeita a franja de leitores que se cansam mais facilmente, passemos ao post normal. O Benfica perdeu esta noite o seu primeiro troféu na pré-época, fruto de uma noite menos inspirada e de um adversário que encarou o jogo com uma atitude competitiva muito séria, e que soube defender e contrariar eficazmente o nosso futebol.

O Benfica entrou em campo com o mesmo onze que goleou o Aston Villa, dispondo-se portanto no tal esquema 'alternativo' de 4-3-3. O início do jogo prometeu, mas depressa se viu o Tottenham a fechar bem as linhas junto da sua área, e sempre que perdia a bola defendia com nove jogadores bem juntos, deixando apenas o gigante Crouch na frente. O Benfica não conseguia fazer funcionar eficazmente o futebol de tabelas rápidas, e o jogo caiu rapidamente num ritmo enfadonho, que contagiou as bancadas. Só perto da meia hora é que as coisas animaram um pouco, graças a um remate forte do Carlos Martins que foi defendido pelo guarda-redes do Tottenham, para depois o Saviola falhar a recarga. Espevitado com este lance, o Benfica acelerou um pouco e até conseguiu construir algumas boas jogadas em que ultrapassou a(s) linhas(s) defensiva(s) do Tottenham, mas sem grandes consequências porque hoje algo não funcionou, e o último passe saía mal, ou então o último jogador falhava a recepção. Mesmo sobre o apito para o intervalo, o Jara deu mais um exemplo da pouca inspiração da equipa, pois isolou-se após um lançamento longo do Airton e em vez de seguir para a baliza, acabou por complicar o lance e rematar ainda de longe para fora. A exibição na primeira parte até foi mais ou menos agradável, mas pouco acutilante para aquilo a que estamos habituados.

A segunda parte trouxe três alterações (Moreira na baliza, Javi a trinco, e Peixoto no lugar do Jara) e o regresso à fórmula original. A alteração táctica até pareceu ter feito bem ao Benfica, que iniciou o segundo período com uma grande oportunidade, mas o Cardozo, após cruzamento do Peixoto, cabeceou para as mãos do guarda-redes adversário. Voltámos a ameaçar num grande remate do Javi, mas aos dez minutos foi o Tottenham que marcou, após uma troca de bola rápida que deixou o defesa esquerdo Bale (grande jogador) nas costas da nossa defesa. Logo a seguir começaram as alterações no Benfica, com as saídas do Cardozo, Aimar e Saviola, e a qualidade do nosso jogo e discernimento diminuíram um pouco. O Benfica ainda teve mais duas boas oportunidades, primeiro numa grande iniciativa individual do Coentrão, e depois num livre do Carlos Martins, mas a vinte e cinco minutos do final, com mais três alterações que incluíram a saída do Coentrão, a equipa pareceu acusar demasiado a falta de criativos e do poder de explosão do Fábio na esquerda, pouco mais conseguindo incomodar o adversário. Os minutos finais foram mesmo de uma qualidade pouco recomendável, parecendo que o jogo nunca mais acabava.

Não foi dos melhores jogos da nossa equipa, mas há jogadores que parece que não sabem jogar mal, e o Coentrão, o David Luiz, ou o Airton parecem atravessar uma fase dessas. Hoje, em particular, o Coentrão mostrou bem o peso que tem actualmente na equipa, tendo esta acusado muito a sua saída. Em relação ao Airton, parece nesta fase estar a ganhar a luta ao Javi pela posição mais recuada do meio campo, e não me surpreenderá se entrar a titular em Aveiro no próximo Sábado.

Enfim, mérito para o Tottenham, que soube defender bem e foi eficaz no ataque, aproveitando uma das poucas oportunidades de golo que criou. Quanto ao Benfica, é aprender com este jogo, que em nada diminui a minha confiança. No próximo Sábado há mais um troféu para vencer.

por D`Arcy às 22:49 | link do post | comentar | ver comentários (64)
Segunda-feira, 02.08.10

Aston Villa

Mais uma exibição convincente, mais uma naturalíssima goleada e mais um troféu. A vítima esta noite foi o Aston Villa, que até pode agradecer o facto do Benfica ter tirado o pé do acelerador na meia hora final, pois arriscou-se a sofrer uma goleada ainda mais expressiva. Não percebo o motivo pelo qual os comentadores se referiram tantas vezes à 'preparação mais adiantada' do Benfica, e à falta de ritmo do Villa. O campeonato inglês começa exactamente no mesmo fim-de-semana do nosso, e dos principais jogadores do nosso adversário apenas não vi o Milner e o Agbonlahor. O lenhador do Richard Dunne, por exemplo, pareceu-me até já estar numa fase adiantadíssima de preparação, pois vi-o distribuir fruta com o mesmíssimo vigor com que o faz na Premier League, e até isto foi bem pensado, pois ajuda a preparar os nossos jogadores para a eventualidade de defrontarem o Bruto Alves no próximo fim-de-semana. E o Stilian Petrov não ficou a dever nada a um Raúl Maisreles.

O Benfica apresentou-se de início mais uma vez com o esquema de três avançados, com o Cardozo no meio e o Jara e o Saviola com maior liberdade para jogarem soltos, vindo atrás buscar jogo ou caindo sobre as alas. Com que então precisamos de extremos? Tomem lá um 4-3-3 e vejam se eles fazem falta. O meio campo ficou entregue ao Aimar e Carlos Martins, com o Airton nas costas. E na defesa destaque para o primeiro jogo a titular do Luisão. O jogo até começou de uma forma que poderia deixar antever algum equilíbrio, mas essa sensação depressa de dissipou. Exercendo mais uma vez uma pressão fortíssima ainda no meio campo adversário, o Benfica praticamente não deixava os ingleses jogar, dando prazer ver a quantidade de bolas recuperadas em zonas bem altas do terreno, e depois a vontade dos nossos jogadores em dar espectáculo enquanto trocavam a bola. Todos os jogadores em movimento, abrindo variadas linhas de passe para os colegas, e passes feitos por vezes quase de olhos fechados, mostrando que os jogadores sabem que vai aparecer por ali um colega.

Quando o Benfica joga assim, costuma marcar cedo, e foi isso que aconteceu mais uma vez. Foi aos dez minutos de jogo, em mais uma das cavalgadas do David Luiz, que recuperou uma bola em antecipação no círculo central, foi por ali fora e rematou ainda de muito longe, beneficiando de um desvio da bola no cepo do Dunne para fazer o primeiro da noite. O Aston Villa ainda tentou esboçar uma tímida reacção, mas pouco podia fazer, até porque das poucas vezes que conseguia levar a bola para o ataque tinha lá um rapaz a jogar à frente que se revelava particularmente burro na hora de fugir à armadilha do fora-de-jogo da nossa defesa. Foi com naturalidade que o Benfica aumentou a vantagem. Mais um remate desferido a uma grande distância da baliza, desta vez pelo Jara, e o guarda-redes do Villa apenas conseguiu sacudir a bola para a frente, surgindo então o Saviola no sítio certo para fazer a recarga. Estavam decorridos trinta e seis minutos de jogo. Seis minutos depois, livre perigoso a favorecer o Benfica, a castigar mais uma sarrafada do Dunne sobre o Jara. Esperava-se um remate directo do Cardozo, mas o Carlos Martins ainda deu um ligeiro toque para trás, a permitir então ao Cardozo fuzilar a baliza inglesa. Três a zero ao intervalo, e a promessa de que aquilo não ficaria por ali.

A segunda parte trouxe algumas substituições (Javi, Luís Filipe e Sídnei nos lugares, respectivamente, de Airton, Rúben Amorim e Luisão), mas o esquema táctico manteve-se, e a vontade de jogar também. E foram precisos apenas cinco minutos para que o marcador voltasse a funcionar. Num lance de insistência, o Jara ganhou a bola junto à linha de fundo, do lado direito da área, e passou atrasado para o Saviola, como de costume no sítio certo, voltar a marcar. E o massacre continuou: nos dois minutos que se seguiram, o Cardozo esteve perto de marcar, e depois foi o Saviola a falhar o hat trick por muito pouco, vendo o seu cabeceamento ao segundo poste embater no ferro. Só quando faltava pouco menos de meia hora para o final é que o Benfica abrandou, sobretudo após a saída do Saviola, Aimar e Cardozo, e finalmente o Villa conseguiu dar um arzinho da sua graça, jogando um pouco mais no nosso meio campo. E conseguiu até o golo de honra, quando o Carew aproveitou da melhor forma uma distracção da nossa defesa, isolando-se após um alívio longo da defesa inglesa e marcando com alguma facilidade. Ainda voltaram a ameaçar por mais duas vezes os ingleses, sempre pelo Carew, mas o David Luiz primeiro, e o Roberto depois negaram-lhe o segundo golo, sendo que da parte do Benfica quem mais perto esteve de marcar foi o Gaitán, mas o seu remate de primeira saiu à figura do Friedel.

Podia falar de muitos dos suspeitos do costume (David Luiz, Saviola, Cardozo, Coentrão), até porque hoje daria para elogiar toda a gente. Mas para não falar sempre dos mesmos, o meu destaque hoje vai mesmo para o Jara, que fez a melhor exibição que lhe vi desde que chegou ao Benfica. À medida que ele se vai adaptando ao Benfica (e se calhar também às 'tareias' de pré-época do Jesus), vai demonstrando o acerto da sua contratação. E hoje até deu para ver que ele e o Saviola cabem, e bem, no mesmo onze, tendo em conta que a sua contratação sempre foi vista como uma alternativa válida ao Saviola. O espírito combativo de não dar um lance por perdido, já o tínhamos visto, e a sua acção foi fundamental para que o Benfica fizesse aquela pressão alta quase sufocante logo à saída da área adversária. Mas hoje ele acrescentou diversos pormenores de classe, e não foi por acaso que esteve directamente ligado a três dos quatro golos do Benfica: no primeiro, foi um remate seu (e ele também parece possuir um bom remate de meia distância) que permitiu a recarga do Saviola para o segundo golo, foi ele quem sofreu a falta (quando ia escapar-se para a baliza após um bom trabalho individual) de que resultou o terceiro golo, e foi dele a assistência para o quarto golo, também da autoria do Saviola. Esteve sempre em jogo, sempre em movimento, levou pancada dos ingleses até dizer chega (basta dizer que os únicos amarelos do jogo - um amigável, onde raramente se mostram cartões - foram mostrados por faltas duríssimas sobre ele) e mesmo assim
manteve um ritmo elevadíssimo do primeiro ao último minuto.

E já só falta a Eusébio Cup para mais uma pré-época 100% vitoriosa. Isto apesar de estarmos "muito mais fracos" do que a época passada, devido à saída do Di María (aquele brinca-na-areia, lembram-se?).

por D`Arcy às 00:21 | link do post | comentar | ver comentários (64)

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