VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 29.10.10

Suficiente

Quinta vitória consecutiva do Benfica na Liga, num jogo em que o Paços de Ferreira deixou uma imagem positiva na Luz, mostrando-se sempre atrevido e dificultando a nossa tarefa. O Benfica, em geral, voltou a não exibir grande fulgor, mas fez o suficiente para vencer este jogo - parece que teremos que nos ir habituando esta época a ver a nossa equipa jogar assim.

A principal novidade foi a ausência do Carlos Martins - nem no banco se sentou (o que provavelmente foi uma boa opção, já que dos quatro jogadores em risco de falhar a próxima jornada, para mim o Carlos Martins seria aquele que maiores probabilidades teria de ver um amarelo). Para o seu lugar no onze avançou o regressado Coentrão, passando o Gaitán para a direita do meio campo. Tal como a semana passada, o Benfica teve uma entrada muito morna no jogo. Foi o Paços quem aproveitou para mostrar que estava na Luz para tentar discutir o resultado, e ao fim de dez minutos já tinham tentado cinco remates à nossa baliza, como Roberto a mostrar a boa fase que atravessa. Só depois disso o Benfica acordou, e teve uma boa oportunidade pelo Saviola que, isolado por um grande passe do Coentrão, viu o guarda-redes do Paços sair rápido e negar-lhe o golo. Esta oportunidade marcou o início do melhor período do Benfica no jogo, sublinhado pelo primeiro golo, obtido perto do primeiro quarto de hora. Foi um lance em que o mérito vai todinho para o Aimar, que foi buscar a bola ainda ao nosso meio campo e depois foi por ali fora, deixando para trás quem quer que lhe aparecesse pela frente, até culminar o lance com um remate muito colocado de fora da área, a não deixar hipóteses de defesa. Um grande golo.

O Benfica continuou a construir boas jogadas de ataque após o golo, tendo o Saviola e o Coentrão disposto de boas ocasiões, mas o Paços não baixou os braços e continuou a levar perigo à baliza do Roberto. Jogando com a linha do meio campo bastante recuada, e próxima da sua defesa, quando recuperavam a bola conseguiam sair rapidamente com vários jogadores para o ataque, obrigando o Roberto a atenção redobrada. Nos últimos dez minutos do primeiro tempo, pareceu-me que o Benfica abrandou demasiado, e foi mesmo o Paços quem esteve melhor.

Esta tendência manteve-se na segunda parte. Foi o Paços quem entrou melhor, e apesar de não conseguir ameaçar seriamente a nossa baliza, era quem se mostrava mais decidido na procura do golo, obrigando o Benfica a recuar para o seu meio campo. Até que, decorridos cerca de vinte minutos, numa jogada de entendimento entre o Saviola e o Coentrão, este último foi derrubado na área. Penálti convertido irrepreensivelmente pelo Kardec, e aqui sim, o Paços abanou e já não conseguiu manter o ascendente no jogo. O Benfica, ou devido à tranquilidade que o segundo golo deu, ou então resultado da troca do apagado César Peixoto pelo empenhado Salvio, melhorou um pouco, e o jogo voltou a ser disputado a um ritmo mais alegre, com ambas as equipas a jogar de forma aberta. A poucos minutos do final o Paços ficou reduzido a dez, e aproveitando isto o Benfica ainda conseguiu desenhar alguns contra-ataques que poderiam ter servido para dilatar a vantagem, mas pareceu-me que houve demasiada hesitação na altura de rematar. E sinceramente, julgo que marcarmos mais um golo já seria um castigo excessivo para o Paços e aquilo que produziram neste jogo.

Melhores do Benfica, os do costume: Aimar, Luisão, Coentrão e Roberto (e que gozo tremendo me dá poder incluir o nome do Roberto nos 'do costume'). Os lances de ataque do Benfica têm sempre mais qualidade quando a bola chega lá à frente conduzida nos pés do Aimar. Está num momento de forma excelente. O Luisão mostrou a segurança habitual na defesa, o Coentrão deu velocidade e criatividade ao ataque, e o Roberto esteve simplesmente impecável. Pela negativa, escolheria o Peixoto (quando as coisas lhe começam a correr mal, parece que fica nervoso e vai piorando cada vez mais ao longo do jogo), o Gaitán, que desaproveitou a oportunidade de jogar na direita, lugar pelo qual parece ter alguma preferência, e ainda o Kardec, que na minha opinião passou demasiado ao lado do jogo. É verdade que não lhe chegaram muitas bolas, mas fiquei com a sensação de que se escondeu demasiado, para além de praticamente não ter ganho uma bola de cabeça.

O jogo foi ganho, como se exigia, os jogadores em risco de suspensão safaram-se todos, como desejávamos, e agora é tempo de começarmos a pensar e a preparar o próximo jogo decisivo para as nossas aspirações na Champions. As contas são fáceis de fazer: é ganhar os próximos dois jogos em casa, ou então começar a olhar para a Euroliga.

por D`Arcy às 23:52 | link do post | comentar | ver comentários (31)

SMS para Deus

Não era esse polvo, estúpido.

 

 

 

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Adenda

 

Veio devolvida, a mensagem. Esqueci-me que tenho tarifário de agnóstico.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 12:00 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Quinta-feira, 28.10.10

Quem não tem cão caça com porco

Parece que ontem, na gala da Associação Nacional de Suinicultura, deram um Porco de Ouro ao Rui Moreira. É para substituir o cão.

E este nem é preciso levar à rua a passear.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 11:09 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Terça-feira, 26.10.10

É mais o que nos une ou o que nos separa?

Olho para as opiniões extremadas (concordantes ou discordantes) dos adeptos benfiquistas sobre as decisões da Direcção da SAD e dos Órgãos Sociais (desde o boicote aos jogos fora até à ida a Angola) e fico na dúvida se estamos condenados, pelo benfiquismo que nos une, a caminhar separados para o mesmo objectivo ou se caminhamos juntos para objectivos diferentes.

por Pedro F. Ferreira às 18:06 | link do post | comentar | ver comentários (43)

Tempos tentaculares.

Vi a convocatória da União de Leiria [link], vi o jogo, vi as declarações do Caixinha, recebi um telefonema de uma ‘lenda’ do Benfica e uma sms de um antigo futebolista do fcp. Vejo mais uma vez o resumo do jogo e confirma-se que há clubes que não sabem viver sem o consentimento de outros.

 

Quando se fizer a autopsia das últimas décadas do futebol português, encontrar-se-ão muitos testemunhos dos serviçais de consciência desobrigada.

 

Vale-me a certeza de que só se fazem autópsias em cadáveres.

por Pedro F. Ferreira às 00:27 | link do post | comentar | ver comentários (56)
Domingo, 24.10.10

Magra

Vitória incontestável do Benfica, num jogo em que a sua superioridade foi por demais evidente ao longo dos noventa minutos. Se calhar a exibição não leva uma nota artística elevada, mas foi mais do que suficiente para vencer claramente este Portimonense, e mais uma vez podemo-nos queixar da escassez do resultado, tantas foram as oportunidades de golo desperdiçadas - a maior parte delas por mérito do guarda-redes do Portimonense, Ventura.

Sem Coentrão, foi o Peixoto a ocupar o lugar na esquerda da defesa. O resto da equipa foi o esperado, mas com o Carlos Martins a ocupar uma posição mais central, de organizador de jogo, e o Aimar mais perto dos flancos. Numa opinião pessoal, não gosto desta opção. Prefiro ter o Aimar no centro, porque me parece que o nosso jogo perde velocidade quando tem que ser o Carlos Martins a fazer o transporte da bola nas transições ofensivas. A entrada do Benfica em jogo foi morna, permitindo ao Portimonense algum empertigamento durante os primeiros minutos, tendo neste período aproveitado alguns livres laterais - quase todos conquistados pelo Candeias - para levar a bola até à nossa área, mas sem conseguir causar perigo. Findos estes primeiros dez minutos, acabaram-se as veleidades, e o Benfica passou a mandar completamente no jogo, não voltando mais a abdicar dessa posição até ao apito final do árbitro. E começámos então a ver o desfilar de oportunidades do Benfica, e as consecutivas boas intervenções do Ventura a negar-nos o golo. O Benfica poderia ter chegado ao golo pelo menos em três ocasiões, nos pés ou cabeça do David Luiz, Luisão e Saviola. O nulo ao intervalo era preocupante apenas pelas ocasiões desperdiçadas, mas era evidente que se o jogo continuasse com o mesmo pendor, o golo seria inevitável.

E felizmente, ele surgiu logo no início da segunda parte. Após um livre na direita, apontado pelo Carlos Martins, o Javi García teve uma movimentação muito parecida à do Luisão no golo que marcou ao Arouca (o próprio Luisão já tinha tentado isto na primeira parte, mas depois de se ter libertado da marcação falhou o cabeceamento) e surgiu solto no centro da área para cabecear para o golo. E se já pouco Portimonense tinha havido antes do golo, depois deste o nosso adversário deixou literalmente de existir. Mesmo jogando num ritmo pausado, o Benfica foi construindo ocasiões de golo num ritmo regular, que justificariam outro resultado que não uma magra vitória por 1-0. Pelo menos as oportunidades do Kardec (duas vezes) e do Jara (também duas vezes, a segunda das quais uma perdida escandalosa numa recarga após mais uma defesa do Ventura a um remate do Kardec) mereciam outra conclusão. Mas como, conforme dito, o Portimonense praticamente não existiu na segunda parte, o mal causado pelas oportunidades perdidas não foi grande, e ficou apenas a frustração pela escassez de golos marcados.

Não houve nenhum jogador em particular do Benfica que me tivesse impressionado grandemente. Não houve exibições de encher o olho, mas também não me pareceu que houvesse quem tivesse comprometido. O Luisão continua a exibir a regularidade do costume, e quando muito o David Luiz terá estado hoje algo acima daquilo que tinha vindo a mostrar ultimamente. O Javi García merece menção, quanto mais não seja por nos ter dado a vitória.

O mais importante, a vitória, foi conseguido, de forma competente e sem sobressaltos. Para o campeonato, foi a quarta vitória consecutiva, e também o quarto jogo consecutivo sem sofrer golos. Negativo foi o facto de termos ficado com dois jogadores à beira da suspensão: Maxi e Carlos Martins. A nossa defesa parece estar a estabilizar, sobretudo agora que o Roberto já calou muitas bocas e acalmou a chinfrineira em seu redor. O que me continua a incomodar no nosso jogo é achar que nos falta velocidade nas saídas para o ataque, que foi algo que nos deu incontáveis golos a época passada - e hoje, com a ausência do Coentrão, isso notou-se ainda mais.

por D`Arcy às 23:41 | link do post | comentar | ver comentários (57)

E agora, em Portimão*?

 

Numa altura em que ainda se lambem as feridas de mais uma demonstração de que este ano Jorge Jesus (JJ) deveria ter mais cuidado na gestão das suas conferências de imprensa, penso que é chegada a hora de deixar de insistir de uma vez por todas no sistema que tanto sucesso teve na época passada. Foi de facto penoso assistir ao jogo que realizamos na passada 4ª feira na maior prova de clubes do mundo.

 

Mas agora é chegada novamente a hora do campeonato e aqui não nos podemos esquecer que vimos de uma série muito boa de vitórias, muitas das quais conquistadas contra adversários da metade superior da tabela. Além de termos obrigatoriamente de chegar ao jogo do dragão, daqui a 2 jornadas, no mínimo dos mínimos com a diferença pontual com que estamos actualmente (7 pontos). Só assim, a meu ver, a reconquista do campeonato ainda será possível. E numa visão mais pessoal e de certa forma secreta até agora, a minha esperança é chegar a Dezembro/Janeiro com o campeonato ainda à nossa mercê de forma a poder corrigir no mercado de inverno aquilo que não se fez, por opção ou derivado a situações que a mim enquanto mero adepto não me são dadas a conhecer, isto é, tornar o plantel homogéneo dando opções que para JJ o sejam de facto e não opções que servem apenas para fazer número.

 

No entanto não se trata apenas de contratar o jogador "x" ou o craque "y", a meu ver será igualmente importante fazer ver a alguns jogadores do nosso plantel que a saída para campeonatos de outra dimen$ão só é viável se tiverem um rendimento semelhante ao da época passada.

Quanto ao jogo de logo à noite, o qual irei assistir noutro local que não o café aqui ao pé de casa que já me deu a ver 2 derrotas (Gelsenkirchen e Stade de Gerland), não é fácil para um treinador de bancada desenhar o seu 11 precisamente por aquilo que escrevi antes, há jogadores que parecem não contar (pelo menos para já) para JJ. Porque se assim fosse havia alguns jogadores que actuaram na passada 4ª feira que mereciam um descanso. Eles e nós.

 

Posto isto, lá continuo no meu lobby muito pessoal de tentar ver Airton e Javi na mesma equipa, especialmente enquanto ainda (e quanto eu quero acreditar que esta palavra faz sentido!) não tivermos a mesma capacidade rolo compressora da época passada. Ou sou só eu que se tem lembrado inúmeras vezes nas últimas semanas da sábia frase do treinador que nos deu o penúltimo campeonato: "Se não puderes ganhar o jogo, pelo menos empata." ?

 

Não que um empate com o Portimonense seja um bom resultado como é óbvio mas neste caso a frase pode ser adaptada para qualquer coisa como: "Se não puderes golear pelo menos ganha por 1:0".

 

Por último, gostava de ver Jara em campo durante pelo menos 45" com este sistema táctico.

 

 

Football Fans Know Better
* Como corrigiu e muito bem o nosso leitor Carlos Alberto o jogo disputar-se-á em Faro e não em Portimão. Portanto, o título deveria ser qualquer coisa como "E agora, com o Portimonense?"
por Superman Torras às 08:42 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sábado, 23.10.10

Rebola, serpa

Para quem não sabe, "serpa" é o nome dado a um queijo de ovelha alentejano, de fabrico artesanal. Como qualquer queijo, o serpa, quando recebe um impulso, rebola. Ora, parece que esta qualidade "rebolante" dos serpas queijos é afinal extensível aos serpas jornalistas. Confesso que estranhei o famigerado apontamento do Vítor Serpa acerca da sugestão de não assistirmos fora de casa aos jogos do Benfica, em que, uma vez mais, lá fomos acusados de arrogância. A este propósito, fui ler o "labaredas", um arremedo de prosa inqualificável que surge do site oficial do fcp, e descobri de onde veio o impulso para este "rebolanço" serpiano: [a propósito da alegada participação de José Manuel Delgado e Fernando Guerra num almoço com outros benfiquistas, em que se discutiu este boicote] «Sabia desta, caro Vítor Serpa? Onde é que fica a isenção jornalística nesta nítida colagem de elementos de A Bola ao Benfica?». Recebido o impulso, o que é que o diligente comportamento tipicamente serpiano faz? Rebola. Em nome da isenção jornalística, e para mostrar ao sistema que A Bola também pode ser sistémica, lá veio a "descolagem" do jornal ao Benfica.

 

E já que tenho oportunidade de o fazer, gostava de, humildemente, pedir desculpa ao Vítor Serpa por o Benfica ter muitos adeptos e de ter a dimensão que tem. Eu também não gosto de arrogâncias, caro Vítor Serpa, mas gosto ainda menos de serviçais humildes. E, já agora, não acha que ser conivente com quem tanto mal fez e continua a fazer ao futebol português, que é aquilo que, convenhamos, lhe dá o pão para a boca, não é um bocado arrogante? Como se costuma dizer, não será cuspir no prato em que se comeu (e, neste caso, come)?

Sexta-feira, 22.10.10

Anotação de fim de página.

Quando o Benfica não ganha é vê-los pulular nas redacções, num afã de meia página ou de cinco minutos de microfone, para poderem racionalizar a derrota no futebol.

Reflecte-se em tom solene sobre causas, motivos, efeitos e consequências. Ditam-se sentenças e pratica-se o sempre garantido “eu bem disse”, que vai alternando com o “era previsível”. E na ciência exacta que é ser treinador de bancada com a responsabilidade de tomar decisões a posteriori lá vão (vamos!) solenizando axiomas e dogmas com prazo de validade e infalibilidade inferior a sete dias.

Tudo com o rigor da racionalização e com o método científico apropriado… enquanto, para ajudar a garantia de fiabilidade do método, se fazem figas às escondidas.

por Pedro F. Ferreira às 10:20 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Quinta-feira, 21.10.10

Usurpação de Competências!

Hoje li uma noticia em que dizia que a PSP e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras fez umas rusgas a casas de alterne, onde, entre muitos foi apanhado o dirigente da Associação Recreativa das Antas, Reinaldo Teles, e ainda 9 mulheres brasileiras  apanhadas numa arca congeladora.

 

Ora se o que estava em causa era a qualidade  e o nível de conservação  da fruta  não deveria ter sido a ASAE a fazer a rusga? Não haverá aqui uma usurpação de competências?

 

Pelo menos esta noticia tem uma vantagem, da próxima vez que for encomendada fruta ao Sr. Reinaldo Teles, os clientes já sabem que a fruta não é fresca.

 

Lyon

Peço desculpa por não haver uma crónica do jogo de ontem, mas por estar presentemente fora de Portugal não consegui vê-lo (na Alemanha eles parecem não se interessar muito por jogos que não envolvam equipas alemãs ou equipas que não tenham jogadores alemães). Pelas informações que tenho - ainda nem sequer consegui ver um resumo do jogo - a exibição da nossa equipa deixou muito a desejar. O resultado final deixa as contas do grupo bem simples: ou vencemos os próximos dois jogos em casa, ou o melhor é começarmos a pensar já na Euroliga.

 

Provavelmente por esta altura a reacção habitual que nós, benfiquistas, temos após uma derrota estará a decorrer, criticando ou colocando em causa tudo e todos. Faz parte do processo de recuperação. Pela parte que me toca, o jogo da Champions é agora passado. O que eu quero é ganhar ao Portimonense.

por D`Arcy às 08:13 | link do post | comentar | ver comentários (57)
Domingo, 17.10.10

Ensaio sobre a lucidez.

Carlos Móia, presidente da Fundação Benfica, foi ontem homenageado na sua terra natal, Ovar, mas parece que não foi, já que esta notícia foi estranhamente ignorada pela maior parte dos jornais de hoje, excepção feita ao Record. Atendendo ao que este jornal cita do discurso de Carlos Móia, percebe-se o silêncio: este senhor falou de forma muito lúcida acerca do futebol nacional, e a lucidez numa terra de cegos é incómoda.

 

Até hoje, não tinha lido nenhuma análise tão clara e certeira acerca do fcp: «um clube a fechar-se dentro de uma região, a olhar todo o resto de Portugal como um espaço de inimigos em delírio, de mouros a abater. O Benfica dava-me a imagem oposta: a ilusão de um universo sem limites [...] [se o fcp] ganhou mais do que nós, não soube aprender a ganhar o que ganhou». O presidente do fcp tem vindo a convencer toda uma região de que o clube é uma arma poderosa contra o inimigo que vive abaixo do Douro, e tem tido eco em algumas pessoas que consideram que efectivamente isto é uma batalha e que se tornam adeptos do clube em função dessa caricata visão de um país que é praticamente uno desde que foi formado (a única excepção é o Algarve). Mas o que é mais espantoso é que, num discurso verdadeiramente bipolar, as gentes que governam o fcp pretendem que o clube seja "nacional", o que é de todo incompatível com este discurso regionalista. Para derrubar a supremacia histórica do Benfica, era necessário mobilizar muitos adeptos, e a estratégia passou por politizar o clube. Para mim, como fica claro do discurso de Carlos Móia, ser do fcp é sobretudo uma questão política. É fundamentalmente por essa razão que o fcp nunca passará de um clube regional.

 

Carlos Móia abordou também a questão de sermos considerados "o clube do Estado Novo", que é uma justificação absurda frequentemente apresentada para enquadrar o nosso sucesso ao longo de mais de um século: «Naquele tempo, ser Benfica era escolher simbolicamente a liberdade. Enquanto os nossos adversários tinham a dirigi-los homens da Legião, deputados da União Nacional, magnatas e burocratas enfeudados no salazarismo, nós, no Benfica, tínhamos presidentes que tinham sido operários e sindicalistas, que tinham sido deportados e perseguidos pela PIDE, que não se resignavam à ditadura, antes pelo contrário [...]. Não, o Benfica nunca foi o clube do regime, foi sempre o clube que o regime teve de suportar a contragosto e de que, depois, se apoderou para, na sua propaganda, lhe parasitar a glória».

 

Discurso lúcido, objectivo e que não tem medo de denunciar os «aprendizes de talibãs», ao contrário do que aconteceu com a impressa de hoje, que praticamente o ignorou e que parece temer «vidros partidos», «desaforos», «insultos», e, talvez, «sangue».

Natural

Era difícil desejarmos um jogo mais apropriado para se disputar antes de uma deslocação difícil para a Champions League. Obrigação de passar a eliminatória cumprida, resultado volumoso, sem lesões, e tudo isto conseguido quase em ritmo de passeio.

Foram várias as alterações no onze. Roberto, David Luiz, Maxi Pereira, Coentrão, e Carlos Martins de foram (para não falar do lesionado Cardozo), e nos que ocuparam os seus lugares destaque para o Airton, pela opção pouco usual de ter sido colocado a jogar na posição de lateral direito. O jogo iniciou-se com o Benfica a parecer algo sobranceiro e confiante que a sua superioridade acabaria por vir ao de cima, perante um Arouca empolgado e que, durante os primeiros vinte minutos, parecia ter capacidade para vender cara a derrota. Mas assim que os nossos jogadores aceleraram um pouco, o resultado foi um golo. Uma jogada iniciada pelo Gaitán na esquerda do meio campo, com várias trocas de bola ao primeiro toque, acabou com um cruzamento do mesmo Gaitán na direita da área para uma finalização de cabeça do Kardec, que colocou a bola sem hipóteses de defesa. Estavam decorridos vinte e quatro minutos no jogo, e daqui até final do jogo o Arouca praticamente só voltou a dar sinal de si em bolas paradas. À meia hora de jogo o Benfica aumentou a vantagem para dois golos, com o Saviola a fazer a recarga a um cabeceamento do Sídnei ao poste, após livre do Aimar na esquerda. E mesmo a fechar a primeira parte, terceiro golo do Benfica e segundo do Kardec no jogo, aproveitando de cabeça, já na pequena área, um mau desvio de um adversário ao primeiro poste, após canto do Aimar.

Ao intervalo o Javi García ficou no balneário, entrando o Luís Filipe para a lateral direita e passando o Airton para a sua posição à frente da defesa. A experiência na lateral direita claramente não estava a correr bem, notando-se-lhe acima de tudo falta de velocidade para aquela posição. Quanto ao jogo propriamente dito, foi o domínio absoluto e tranquilo das operações por parte do Benfica, jogando-se a um ritmo bastante pausado e restando a curiosidade de vermos se conseguiríamos ampliar o resultado. Isto aconteceu após vinte minutos, em mais uma bola parada: livre na esquerda marcado pelo Peixoto, e o Luisão, após uma movimentação muito boa, apareceu a saltar à vontade para fuzilar de cabeça a baliza do Arouca. Com o jogo a manter-se sempre na mesma toada, foi já com o Nuno Gomes e o Weldon em campo (saíram Aimar e Saviola) que, a quatro minutos do final, o Benfica fez o quinto golo. Boa iniciativa do Gaitán, tabela perfeita com o Nuno Gomes, e depois o argentino, isolado, finalizou com calma e classe. Antes do apito final, tempo para o golo de honra do Arouca, na sequência de um canto, onde o Luís Filipe pareceu ter ficado meio a dormir ao segundo poste, permitindo a antecipação do adversário.

Destaques do costume para Luisão e Aimar, para quem parece não haver jogos a brincar. Alan Kardec com dois bons golos de cabeça e bom jogo também do Gaitán, que fez três posições durante o jogo: começou a médio esquerdo, passou para segundo avançado, e terminou a jogar na posição do Aimar, quase sempre em bom nível. Esperava mais do Salvio, que revelou empenho mas sem grandes resultados.

Com a tarefa na Taça de Portugal cumprida sem sobressaltos, é agora altura para nos concentrarmos no jogo em Lyon. O adversário era apenas o Arouca, de uma divisão secundária, mas gosto de ver o Benfica ganhar jogos destes de uma forma tranquila e sem grande esforço. É a lei natural das coisas.

por D`Arcy às 00:02 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Sexta-feira, 15.10.10

Gold! Pure Gold!

"Temos de acabar com a cultura de nos comermos uns aos outros"

 

José Eduardo Bettencourt dixit, 13-10-10, numa AG

por Anátema Device às 09:43 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Terça-feira, 12.10.10

Um zero cego!

O programa "Trio de Ataque" vai ficar novamente completo.

 

No entanto, antes de ir ao que mais me interessa neste post, queria aqui fazer um elogio à pessoa que escolheu o nome para o programa, pois fê-lo muito bem.

 

Ora bem, o programa é mesmo isso: um trio de ataque... ao Benfica. Temos um tal de moderador que, usando a mascara de jornalista, consegue ser menos neutro do que foi a Suiça durante a Guerra e não esconde o incómodo em relação ao Benfica. Em seguida, temos um comentador que parece que está lá para defender o Sporting (o que, traduzindo o estrangeirismo para a língua de Camões, significa 'ganhar não interessa, interessa é que o Benfica não ganhe'). Por último, temos o comentador azul e branco que está lá para defender o único rival do Benfica. Ora, nem no tempo do Eusébio se jogava ao ataque de forma tão declarada. Aquilo são 3 pontas-de-lança a chutar e a malhar contra o Benfica.

 

Depois do comentador Rui Moreira ter saído do programa, a escolha recaiu no Eddie Vedder português. Obviamente que estou a exagerar. Lembro-me de no "Míni Chuva de Estrelas" ver imitações mais sérias e mais honestas do Eddie Vedder. Como tal, daqui para diante, o tal novo comentador não será para mim mais que um pseudo-Eddie Vedder português ou, para aqueles que preferem estrangeirismos, o wannabe Eddie Vedder.

 

O pseudo-Eddie Vedder português/wannabe Eddie Vedder é o líder da banda "Blind Zero". Ora, ele faz jus ao nome da banda que lidera, pois é um zero e é um cego. É zero como cantor. Aposto que não passaria nos castings dos "Ídolos" nem da "OT" e seria apelidado pelo Manuel Moura dos Santos como um grande 'azeiteiro'. É um cego e tem mostrado toda a sua cegueira ao longo dos anos na sua escrita opinativa no "Jornal de Notícias" na defesa da Associação Recreativa das Antas. A forma como é conivente com aquele sistema mostra bem que é um cego.

 

Apelo ao bom senso do A-PV para não se deixar levar pelas cantigas do pseudo-Eddie Vedder português/wannabe Eddie Vedder e que lhe responda à letra.

Segunda-feira, 11.10.10

Ataque de luxo: Aimar e Saviola em "Simplemente Fútbol"

Aimar e Saviola superlativam o futebol e, como adepto, é uma honra tê-los a jogar pelo Benfica. Tal como é para eles uma honra jogar com o nosso manto sagrado. Será que nós, adeptos, temos a noção de que uma das mais belas páginas do futebol mundial está a decorrer no Benfica? Daqui a uns anos continuará a falar-se da mítica dupla argentina que nasceu no River Plate e se reencontrou no Benfica: Aimar e Saviola, Saviola e Aimar: o talento de transformar o jogo em arte.

 

 

[link]

por Pedro F. Ferreira às 13:20 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Domingo, 10.10.10

Via BnR B, "A Casa dos Labregos"

Aqui fica o link para o bem humorado e pertinente post do 'boloposte', no Bola na Rede B.


 

por Anátema Device às 10:54 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Quinta-feira, 07.10.10

Apelo urgente aos sites, blogues e fóruns de benfiquismo.

 

Benfiquistas, muitas vezes nos perguntamos sobre o que podemos fazer para ajudar o nosso clube. Neste momento, há um pequeno gesto que multiplicado pelo benfiquismo activo, militante, incondicional e destemido pode fazer muito e ajudar o nosso Benfica.

 

Perante a incapacidade de evitar que, de viva voz, ouvíssemos as escutas do processo “Apito Dourado”, há muita gente interessada em abafar, por todos os meios, que os conteúdos dessas mesmas escutas sejam comentados, discutidos e denunciados nos órgãos de comunicação social.

 

No último “Trio de Ataque”, o benfiquista António-Pedro Vasconcelos insistiu em denunciar, discutir e comentar as mais recentes escutas. Foi um gesto de benfiquismo, de coragem e de afirmação de liberdade num país democrático.

 

Porque nem toda a gente que tem responsabilidades no serviço público de televisão (RTP) percebe a importância da liberdade de discutir, sem medo, o conteúdo de escutas telefónicas claramente indiciadoras de corrupção, é de vital importância que sejamos nós, benfiquistas, a lembrar a quem de direito na RTP que concordamos com a decisão corajosa do António-Pedro e não admitiremos, em circunstância alguma, qualquer medida censória, revanchista ou persecutória perpetrada pela RTP sobre quem, com dignidade, se limitou a comentar escutas telefónicas públicas e de relevante importância e interesse para o público-alvo do programa “Trio de Ataque”.

 

Assim, reforço a importância de nós, benfiquistas, fazermos ouvir a nossa voz junto das seguintes entidades:

 

- RTP - Mensagens

http://ww1.rtp.pt/wportal/grupo/feedback.php

[no campo “assunto” escolham “informação” e preencham o formulário]

 

- RTP – Provedor

http://ww1.rtp.pt/wportal/grupo/provedor_tv/enviarmensagem.php

 

- RTP – Trio de Ataque

triodeataque@rtp.pt

 

- tentem descobrir o email do Director de Informação da RTP e RTPN, e divulguem-no.

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Quem se demitir disto, demite-se do benfiquismo e demite-se de um acto de cidadania pela liberdade.

 

 

A blogosfera benfiquista, os fóruns e os sites de benfiquismo têm um papel essencial nesta luta. Lutemos!

 

:::::::

 

Adenda:

O que motivou a escrita deste post foi o facto de ontem ao fim da tarde eu ter tido exactamente a mesma informação que o Benfica teve acerca deste assunto. Leiam o que hoje surge no Correio da Manhã:

 

"Esperemos que a RTP não avance para aquilo que será um acto de censura injustificada", diz fonte oficial do Benfica ao CM, frisando que se tal vier a "acontecer é porque a RTP cedeu a pressões". "E se há meio de comunicação social que tem de estar imune a pressões é a RTP", observou a mesma fonte, deixando um aviso: "O Benfica irá até às últimas consequências na defesa de António Pedro Vasconcelos e contra aqueles que o tentam agora silenciar." [link]


por Pedro F. Ferreira às 21:48 | link do post | comentar | ver comentários (117)

Acerca da entrevista de Luís Filipe Vieira à Antena1

Ontem, Luís Filipe Vieira deu uma entrevista à Antena1. [link]

 

Enquanto o jornal O Jogo se entretém (sem ser inocentemente) a desvirtuar as declarações de LFV acerca de André Villas-Boas e a maior parte da comunicação social destacou as considerações acerca das hipotéticas entradas e saídas de futebolistas no próximo período de transferências, a mim, enquanto benfiquista, interessaram-me, essencialmente, dois temas abordado por LFV: a Federação Portuguesa de Futebol e a renegociação dos direitos de transmissão televisiva.

 

Assim, foi com agrado e alívio que ouvi Luís Filipe Vieira garantir que Fernando Seara, caso avance (tal como espero) para uma candidatura à presidência da FPF, terá o apoio do nosso Benfica.

 

Num outro âmbito, Luís Filipe Vieira admitiu que já estava a renegociar a cedência dos direitos televisivos e, garantindo a suspensão dessa negociação na sequência do pedido dos órgãos sociais, ficou a certeza de que negociava com Joaquim Oliveira. Se esta revelação, que não é nenhuma surpresa, acaba por ter alguma importância, mais importante foi a garantia de que todo este processo ficará concluído brevemente (até finais de Dezembro?) com ou sem (eu preferiria esta hipótese) Joaquim Oliveira. Luís Filipe Vieira reconheceu que há outras soluções que poderão garantir um preço justo sobre esse património benfiquista, não excluindo uma solução interna com a própria Benfica TV.

 

Mais do que as considerações sobre a situação em que Villas-Boas se colocou ou sobre este ou aquele futebolista, estes dois sinais referido na entrevista de LFV são os que verdadeiramente são importantes, pois neles poderá estar mais um passo para a regeneração deste futebol português corrompido e sujo que temos visto nas últimas décadas.

 

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A entrevista pode ser ouvida aqui:

 

por Pedro F. Ferreira às 11:40 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Quarta-feira, 06.10.10

Parabéns equipa!

 

 

 

Eurochallenge: Benfica vence na Ucrânia e segue para fase de grupos

Por Redacção

O Benfica garantiu hoje o apuramento para a fase de grupos da Eurochallenge de basquetebol depois de ter vencido, na Ucrânia, o Ferro ZNTU por 77-72.

Os encarnados, obrigados a vencer após o empate (105-105) em Lisboa, na primeira “mão”, terminaram o primeiro período a perder por 16-20 mas reagiram no segundo parcial e saíram para o intervalo com desvantagem de apenas um ponto (38-39).

No terceiro período, o Benfica passou para a frente do marcador (62-55) e conseguiu segurar a liderança no marcador até ao apito final.

Greg Jenkins (20 pontos), Heshimu Evans (12), Sérgio Ramos e Ben Reed, ambos com 15, foram os melhores marcadores da equipa comandada por Henrique Viera.

 

notícia tirada daqui

por Superman Torras às 19:34editado por D`Arcy em 07/10/2010 às 09:54 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Terça-feira, 05.10.10

Reconheço: Jesualdo tinha razão...

Hoje, no programa "Trio de Ataque", confrontado com as escutas do "Apito Dourado", Rui Moreira abandonou abruptamente o estúdio, em directo. O ambiente ficou pesado, mas bem mais limpo. Certamente porque conhecia bem o meio em que se movia, Jesualdo Ferreira teve, na época passada, um estranho desabafo que agora se compreende:

 

 

 

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por Pedro F. Ferreira às 23:46 | link do post | comentar | ver comentários (80)

Zha pig *

 

 

 

 

 

 

* ou, se preferirem, zha clown ou zha stupid, ou talvez, mas só talvez (!), ambas as três.

 

** post que é desde já candidato ao prémio da utilização do maior número de vírgulas numa só frase.

por Superman Torras às 07:58 | link do post | comentar | ver comentários (70)
Domingo, 03.10.10

Recuperação

O que de positivo se pode dizer do jogo de hoje: ganhámos; a vitória do Benfica é inteiramente merecida; e venceu o jogo a única equipa que durante os noventa minutos se mostrou interessada em vencê-lo. A exibição do Benfica no jogo de hoje esteve longe de agradar, mas convenhamos que não é nada fácil fazer-se uma boa exibição contra uma equipa que acumula jogadores atrás da linha da bola e que utiliza as interrupções constantes como arma para quebrar qualquer ritmo de jogo que o adversário tente impor.

Com o regresso do Aimar ao onze, saiu o Peixoto e o Coentrão regressou à lateral esquerda. Na frente, como se esperava, foi o Alan Kardec a ocupar a posição do lesionado Cardozo. Embora o início do jogo fosse agradável, cedo se percebeu que isso era apenas um engano. Cumprindo a promessa do Domingos, o Braga veio jogar ao ataque contra o Benfica. Foi por isso que só meteu nove jogadores, arranjados em duas linhas muito juntas, acantonados em frente à sua área, deixando o Lima na frente. Se não tivessem vindo jogar ao ataque, certamente teriam metido dez jogadores encafuados à frente da sua área. O Benfica, afunilando muito o jogo, revelou grandes dificuldades para conseguir furar este esquema. Por vários motivos: má exploração dos flancos, pouca velocidade, e demasiados erros nas transições para o ataque. A forma mais eficaz de contrariar o Braga seria aproveitar as raras ocasiões em que eles vinham ao ataque para, uma vez recuperada a bola, tentarmos surpreendê-los antes que se reorganizassem todos outra vez, e o Benfica não soube fazer isto, por muita lentidão e imprecisão nos passes. Pareceu-me também que a dupla de avançados revelou alguma falta de entendimento, e não foi por isso surpreendente que não conseguíssemos construir muitas oportunidades. Na memória ficaram-me apenas um remate de fora da área do Carlos Martins, e uma grande oportunidade do Saviola, aos trinta e cinco minutos de jogo, à qual o guarda-redes do Braga correspondeu com uma grande defesa. O Braga apenas ameaçou no final da primeira parte, com um remate também de fora da área, que proporcionou uma grande defesa do Roberto.

A segunda parte, sem alterações, trouxe mais do mesmo. Muito jogo pelo centro - hoje o Coentrão viu-se muito pouco, não por jogar mal, mas mais porque foi poucas vezes solicitado na esquerda. O Saviola voltou a ter uma grande oportunidade, mas para o argentino esta foi uma noite quase para esquecer, e após um desvio do Kardec ele rematou de primeira para a bancada. Se a primeira parte já não tinha tido muita emoção ou qualidade, a segunda parte estava a ser ainda pior, e eu confesso que já não acreditava muito que fosse possível desfazer aquele nulo no marcador. Mas quando faltava pouco mais de um quarto de hora para o final, um passe do Saviola foi encontrar o Carlos Martins desmarcado sobre o lado direito da área e este, de pé esquerdo, fuzilou a baliza do Braga. Com o golo, caiu por terra a estratégia do Braga, que se viu obrigado a ter alguma iniciativa no jogo. Foi particularmente sabororso ver a forma como uma equipa que passou setenta e três minutos a queimar tempo de repente ficou cheia de pressa, e seriamente incomodada com alguma perda de tempo por parte do Benfica. Curiosa também a forma como o árbitro nunca se mostrou muito incomodado com as descaradas perdas de tempo do Braga, mas mostrou outro comportamento completamente oposto em relação ao Benfica. E ainda deu uns inusuais seis minutos de compensação, que de nada serviram porque o Braga, obrigado a fazer pela vida, fez zero e nunca ameaçou a nossa baliza.

Melhores do Benfica, o Carlos Martins, Luisão e Aimar. Num jogo como este o facto de se marcar o golo decisivo já é argumento suficiente para se ser considerado o melhor, mas o Carlos Martins fez mais do que simplesmente marcar o golo. Foi, a par do Aimar, dos jogadores mais inconformados e dos que mais tentou derrubar a muralha do Braga. Quanto ao Aimar, às vezes parece ser o único jogador que mantém o interruptor da época passada ligado. O Luisão foi o garante da solidez defensiva do costume. No extremo oposto, jogo fraco do Saviola, talvez um dos piores que o vi fazer no Benfica. A melhor contribuição que teve foi precisamente a última, ao fazer o passe para o Carlos Martins no lance do golo, sendo substituído logo de seguida. Não concretizou nenhuma das duas oportunidades flagrantes de que dispôs, o que é preocupante num jogador com a sua qualidade, e nesta coisa de falhar oportunidades junta estas duas à do Schalke e às três do Funchal.

Terceira vitória consecutiva na Liga, e terceira sem sofrer golos. Isto já nos permitiu pelo menos a recuperação até ao segundo lugar (provisório) na tabela. Mas não me importaria nada se, amanhã à noite, tivéssemos caído para o terceiro lugar.

por D`Arcy às 23:35 | link do post | comentar | ver comentários (72)
Sábado, 02.10.10

6 novas provas da falência da justiça portuguesa ("Apito Dourado")

Afirmei-o e continuarei a afirmá-lo: as regras fazem parte do jogo e sem as regras não há jogo. É impossível falar do jogo ignorando a subversão das regras, particularmente quando aqueles que têm como principal missão zelar pelo cumprimento das mesmas são os primeiros a subvertê-las propositadamente. É impossível falar do futebol português das últimas três décadas sem falar dos sucessivos casos de tráfico de influências, favores, pressões, coacções, em suma, da corrupção que grassa no nosso futebol.

 

Se dúvidas houvesse sobre quem corrompe e quem é corrompido, as recentes escutas (seis novas escutas) do caso apito dourado, colocadas no youtube nas últimas horas, são claras.

 

Desde as prostitutas a soldo do Nacional da Madeira até às pressões sobre os delegados da Liga, passando pelas ofertas aos observadores dos árbitros, pelas ofertas a juízes, por perceber o que Antero Henriques pensa sobre Reinaldo Teles, por perceber a cumplicidade de Joaquim Oliveira em todo este lodaçal, tudo está presente nestas escutas agora reveladas.

 

Eufemisticamente há quem chame “sistema” a estas práticas criminosas.

 

Para a história ficam as provas inequívocas de que houve (acredito que ainda há) corrupção no futebol português e que os corruptos (corruptores e corrompidos) continuam impunes. A justiça mandou arquivar o processo “Apito Dourado”, mas não pode e nunca conseguirá mandar arquivar a memória.

___________

As escutas estão neste endereço:

http://www.youtube.com/user/juizmarado#p/u/0/-y7swlgm9lA

 

E são estas:

 

por Pedro F. Ferreira às 17:05 | link do post | comentar | ver comentários (72)

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