VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 28.02.11

Um grito com 107 anos

 

 

O Benfica comemora hoje o 107º aniversário e percebemos todos, com o coração cheio, que o Benfica de hoje honra o Benfica de sempre. O presente de aniversário chegou ontem, e é um tributo a tudo o que faz do Benfica a gigantesca alma colectiva que é, encapsulando num remate personificado pelo Fábio Coentrão, mas conduzido pelas pernas das 55.000 almas nas bancadas e dos 14 milhões espalhados pelo mundo, a vontade férrea e o fôlego que nos movem. Julgo que falo por todos quantos lá estivemos quando digo que o meu lugar no estádio ontem era infinitamente pequeno para a minha querença inquieta e uma intolerável camisa de forças que me amordaçava o lancinante ímpeto de ir lá para dentro ajudar – com as minhas pernas, com a minha vontade, com a minha revolta e fúria – a empurrar quem tudo deu com a camisola cor de sangue. Na verdade, empurrámo-los a todos, com a nossa vontade, e eles empurraram-nos a nós, superando a dor física e o fado.

É - e como isto me orgulha - exactamente como já aqui escrevi:

‘O Benfica é tudo isto, é todos nós, é o um que resulta da imensidão de muitos. Quando, nas bancadas, as nossas almas se unem num grito comum, lancinante e arrebatador, que carrega o Benfica, somos um. E lá em baixo, a equipa, que bebe essa chama, esse apelo, essa invocação, mais não é do que um prolongamento – a espada que brandimos – do Benfica que somos todos nós (aquelas pernas lá em baixo são as nossas pernas, aqueles pulmões são os nossos pulmões).’

 

A vitória de ontem, gente que vive com a Águia na alma, tem um significado infinitamente maior do que os 3 pontos que objectivamente dali resultaram: é um grito, um grito de milhões e milhões de gargantas – rouco porque já soa há muito tempo, mas tonitruante porque vem do fundo – que não se rendem e não se renderão nunca. É um ‘não desistimos!’, é um ‘não vergamos!’, é um ‘não quebramos!’, é um ‘até que a terra me coma!’. É uma mensagem que nos define e é um grito de revolta contra as cruéis amarras do destino, contra os grilhões das leis da Natureza e das limitações físicas, que simboliza e espelha na perfeição a nossa batalha há largos anos: a luta sem quartel contra a injustiça, contra a inevitabilidade da desgraça, contra o azar, contra a crueza dos postes amaldiçoados e da sorte de quem a não merece, contra o antijogo e a batota, contra a corrupção entranhada, contra árbitros vendidos, observadores comprados, a imprensa controlada, compadrios sem vergonha. Contra tudo (o que nos enviam para prejudicar) e contra todos (os que nos tentam derrubar).

Aqueles homens lá em baixo foram, verdadeiramente – têm-no sido – uma extensão de todos nós. E o jogo – aquele momento gravado indelevelmente no tempo – condensa, naquela atitude, naquele acreditar, naquela têmpera, na superação perante a adversidade, aquilo que o Benfica é hoje, aquilo que o Benfica sempre foi, aquilo que o Benfica sempre será:

Um, feito de muitos.

 

Feliz Aniversário, Benfica, e obrigado por tudo.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 12:15 | link do post | comentar | ver comentários (29)

107

 

 

Começou no  sonho de vinte e quatro homens na Farmácia Franco, até estendermos os braços e abraçarmos o mundo. Parabéns a todos os que mantiveram a chama viva, e fizeram o sonho crescer e tornar-se realidade. Cento e sete anos de Glória. Parabéns, Benfica!

 

por D`Arcy às 10:46 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 27.02.11

Tudo

Tudo. Esta equipa, estes jogadores merecem tudo. Todo o apoio que nós possamos dar-lhes. São uma equipa à Benfica, com garra de campeã, e que esta noite soube lutar contra o azar, um guarda-redes em noite sobrenatural, o árbitro, o cansaço, o destino, e ir lá bem ao fundo buscar as últimas forças para nos darem uma vitória tão difícil quanto merecida. Seria uma injustiça atroz o Marítimo não sair derrotado da Luz.

O Benfica, com o Jardel no lugar do castigado Sídnei, mostrou desde o apito inicial aquilo que viria a ser o jogo: ataque constante, com o Marítimo juntando linhas, encostado à sua área. A primeira oportunidade de golo demorou pouco a surgir: com três minutos, um mau alívio do guarda-redes colocou a bola no Saviola, que falhou o chapéu por pouco. Infelizmente para nós, o erro inicial do guarda-redes não foi de forma alguma exemplificativo daquilo que viria a ser o desempenho dele no resto da partida, já que daí para a frente arrancou para uma exibição quase sobrenatural. O Benfica, insistindo sobretudo pela direita, e com o Aimar a pegar na batuta, foi dominando o jogo como queria, e a história da primeira parte resume-se praticamente a um massacre constante do Benfica à muralha defensiva do Marítimo, que ia sobrevivendo como podia. Aparecia sempre um pé ou uma cabeça a cortar a bola, por vezes até um braço, ou então era o seu guarda-redes que se mostrava intransponível, defendendo tudo o que lhe aparecia. Nos últimos dez minutos a equipa pareceu abrandar um pouco o ritmo, não deixando no entanto de continuar a atacar, e viu mesmo um grande remate do Gaitán (de pé direito) levar a bola ao poste.

O nulo ao intervalo era injusto, e a injustiça continuou na segunda parte, já que o perfil do jogo em nada se alterou. Ataque constante do Benfica, e o Marítimo pouco mais fazia do que chutar bolas para a frente na esperança de aproveitar a velocidade do Baba ou do Djalma. O golo, no entanto, continuava a teimar em não chegar: o guarda-redes do Marítimo parecia cada vez mais inspirado, e continuava a defender tudo. Quando o Cardozo acertou na barra da baliza, muitos terão começado a lembrar-se de jogos como aquele empate a zero com o Boavista. O árbitro também não ajudava: numa jogada em que o Aimar é claramente derrubado à entrada da área (lance que daria o segundo amarelo ao Ricardo Esteves), ele decide em vez disso mostrar o amarelo ao argentino. O esforço constante do Benfica na procura do golo, aliado à sobrecarga de jogos, começava agora a ter consequências no campo, e nos últimos vinte e cinco minutos alguns jogadores já estavam visivelmente fatigados, demorando muito tempo a recuperar posições (ou nem sequer recuperando em alguns casos - Gaitán). O Marítimo foi aproveitando para se mostrar mais atrevido nas saídas para o ataque, mas as oportunidades continuavam a ser todas para o Benfica, tendo o guarda-redes do Marítimo brilhado mais uma vez, com uma defesa fantástica a um livre do Cardozo. E como tantas vezes acontece nestas situações, quando nada tinha feito para o merecer, o Marítimo chegou ao golo, num cabeceamento do Djalma após canto que levou a bola a entrar junto ao poste mais distante. Faltavam treze minutos para o final.

Em condições normais, a maior parte das equipas não teria resistido a um soco no estômago destes. Mas nós somos o Benfica, e a nossa equipa, apoiada pelos fantásticos 55.000 espectadores que estiveram na Luz, arregaçou as mangas e não desistiu: cinco minutos depois estava reestabelecida a igualdade, com o Sálvio, já de ângulo apertado ao segundo poste, a corresponder a um centro do Coentrão na esquerda. Empolgou-se ainda mais a Luz, contagiando os jogadores, que se lançaram na procura da vitória. Por momentos reverteu-se ao início do século passado, e o Benfica passou a jogar em 2-3-5, com os laterais a juntarem-se ao Carlos Martins no meio campo e cinco avançados à sua frente: Salvio, Kardec, Saviola, Cardozo e Jara. O Benfica dava tudo por tudo, o ambiente criado pelo público era infernal, e o Marítimo agarrava-se ao empate com unhas e dentes como se a sua vida dependesse disso. Na baliza, o Marcelo continuava a fazer uma exibição surreal e defendia de forma quase impossível um cabeceamento do Kardec, levando a bola ainda a bater no ferro pela terceira vez no jogo. Aos noventa e dois minutos, golo do Luisão! Mas não, depois de ter visto o assistente correr para o meio campo, foi o árbitro quem descortinou qualquer coisa e invalidou o golo. Parecia que já não faltava acontecer-nos mais nada. Até que na última jogada do jogo, a bola foi despejada para a área e acabou por cair aos pés do Coentrão, que encheu o pé direito e meteu a bola no ângulo. Foi o fim do mundo. É por causa de momentos destes que amamos este jogo. A justiça ao cair do pano, a recompensa merecida por quem tanto lutou por ela, o castigo para quem não merecia tanta sorte, a comunhão perfeita entre equipa e público. E não tenho grandes dúvidas de uma coisa: mesmo que o remate do Coentrão tivesse ido para fora, mesmo que o jogo tivesse acabado empatado, a nossa equipa hoje sairia de campo debaixo de uma chuva de aplausos. Não se lhe pode pedir mais do que aquilo que deram hoje.

O homem do jogo é o Coentrão. Numa altura em que já mostrava claros sinais de cansaço, ainda arranjou forças para ganhar a linha e assistir o Salvio para o primeiro golo, e depois, num último fôlego, marcar o golo decisivo. O Aimar foi o motor do nosso ataque, mas foi perdendo fulgor à medida que o cansaço se foi acumulando. O Luisão esteve ao nível do costume, comandando toda a defesa e sendo ainda obrigado a algum trabalho extra, já que o Jardel pareceu hoje não estar ainda bem entrosado, e mostrou algumas dificuldades em acertar com a marcação ao ponta-de-lança do Marítimo. Muito importante também o papel do Javi, sobretudo na fase em que o Benfica já dava o tudo por tudo e ele era praticamente o único homem no meio campo, sendo responsável pela ligação entre os sectores e ainda tendo que acudir às dobras de todos os lados, porque muitos dos colegas já não recuavam. Acabou substituído a cinco minutos do final, porque já não dava mais.


Esta nossa equipa é digna da história do Benfica, e merece o lugar na história que já conquistou, estendendo hoje o registo de vitórias consecutivas para dezassete. Já o escrevi antes: há-de ser até à última gota. O título de campeão é nosso, e defendê-lo-emos enquanto for humanamente possível. Contra tudo o que nos atirarem. Podem roubar-nos o título, mas vão ter que suar para conseguirem esse roubo, e hão-de ter que acender uma velinha a Cosmes e Olegários para agradecer o título.

por D`Arcy às 21:48 | link do post | comentar | ver comentários (50)

Garra de campeão

Podemos até não conseguir voltar ser campeões este ano, mas se há equipa que o merece, é o Benfica.

Sábado, 26.02.11

Tudo gente séria

O procedimento já tem muitos anos e, como todas as vergonhas que são caladas, deixou de ser feito no recato para passar a ser feito às claras, isto é, desavergonhadamente.

 

Pinto da Costa garantiu a opção sobre actual treinador do Beira-Mar, Leonardo Jardim [link]. Entretanto, “coloca-o” num dos clubes que servem de satélite (ou capacho, numa opinião menos bondosa), possivelmente o Braga. Enquanto isso, envia o Domingos para outro dos clubes-capacho, e deixa a marinar o Faquirá num outro capacho qualquer – neste caso, não poderá ser a Académica, pois a saída de um tal Guilherme que trabalhara nas camadas jovens dos andrades já foi colmatada com a colocação de Ulisses Morais, o homem que numa entrevista garantia que tinha uma grande dívida de gratidão por certas pessoas a norte do Mondego.

 

E, assim, com três ou quatro peões colocados nas posições certas do tabuleiro, se garantem alguns jogos por época em que até se podem poupar os titulares, pois, em caso de necessidade, haverá sempre um ‘adversário’ para, num qualquer minuto 58 [link], retirar os seus melhores futebolistas do campo.

por Pedro F. Ferreira às 11:41 | link do post
Sexta-feira, 25.02.11

A humildade necessária

Por mais que outros se coloquem em bicos de pé, o grande confronto desportivo, o que apaixona o país, o que se assume como grande clássico entre os clássicos portugueses é o Benfica – Sporting.

 

Independentemente dos momentos e contextos que condicionam a qualidade e o desempenho das suas equipas de futebol, o suporte histórico destes dois clubes faz com que a vitória represente para os respectivos adeptos uma questão de honra. E com esta não se brinca, nem se admitem brincadeiras. Nos dias que antecedem o jogo, este transforma-se no alfa e ómega das conversas quotidianas dos adeptos. Cada adepto revê a sua paixão clubista nos futebolistas que defendem as suas cores. Cada discussão que antecede o jogo é uma evocação de rugas, de vincos do passado, mas é também é um encontro de desejos e esperanças.

 

Felizmente, vencemos o Sporting, concretizámos a esperança e juntámos este jogo às boas memórias, às tais rugas que nos ajudam a inscrever os momentos no devir da história. Agora, importa salientar que só vencemos o jogo porque na base do talento, da organização e da qualidade do nosso jogo esteve o empenho e a capacidade sofrer. Depois do árbitro nos inibir com uma chuva despropositada de cartões amarelos e de sermos obrigados a jogar metade do jogo com menos um em campo, restava responder ainda com mais entrega, com mais humildade. Soubemos ser humildes e isso deu-nos a vitória.

 

No final, resta apenas tentar digerir o sucesso ou insucesso com a dignidade a que a história dos nossos clubes nos obriga. Que o benfiquismo vencedor saiba festejar os nossos sem humilhar os outros, e que os vencidos saibam respeitar o mérito de quem alcançou os louros de forma limpa e justa. E, mais do que tudo, saibamos nós, benfiquistas, viver o benfiquismo em função do Benfica e não em função do gratuito apoucamento alheio. Isto também faz parte da tal humildade que nos faz enormes e gloriosos.

_____

Artigo de opinião publicado também na edição de 25/02/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post

Carácter

E pronto, depois dos ameaços em épocas mais recentes (Hertha, Nuremberga), o Benfica conseguiu finalmente matar o borrego alemão e vencer um jogo naquele país. Mas o mais importante nem foi tanto a vitória, mas sim a forma como ela foi conseguida: com um enorme carácter e impondo o seu jogo. Com uma magra vantagem trazida da primeira mão, nunca o Benfica deu qualquer ideia de querer defendê-la, preferindo jogar à Benfica, e ir atrás da vitória.

Com duas baixas importantes - Javi suspenso, e Saviola indisposto - entraram os seus substitutos naturais na equipa: Airton e Jara. E sem surpresas, não foi por isso que a equipa abanou. No meio campo, o Aimar regressou à titularidade, ocupando o lugar que foi do Carlos Martins na passada segunda-feira. Talvez se esperasse que o Estugarda tivesse uma entrada forte no jogo, a pressionar-nos em busca do golo que os colocaria em vantagem na eliminatória. Mas quem apareceu a jogar com as linhas muito subidas e a pressionar logo à saída da defesa foi o Benfica, que logo aos sete minutos deu o primeiro sinal de perigo, com um remate em jeito do Gaitán que só não acabou em golo porque o guarda-redes - desta vez não jogou o Ulreich, que tantos problemas nos deu no primeiro jogo, mas sim o Ziegler - fez uma defesa fantástica. Acho que, sem exagero, os dois guarda-redes do Estugarda no conjunto dos dois jogos devem-nos ter 'roubado' uma meia dúzia de golos. A oportunidade flagrante que se seguiu foi novamente nossa, desta vez com o Coentrão, isolado, a ver o seu remate defendido mais uma vez. O Estugarda, nesta fase, ainda conseguiu ir respondendo e fazer algumas ameaças, mas sempre que conseguiu ultrapassar a nossa defesa encontrou pela frente um Roberto intransponível.

À meia hora de jogo, finalmente, o merecido golo, e um grande golo, por sinal. Depois de uma bola aliviada na sequência de um canto, surgiu o Salvio, ainda bem fora da área, a rematar de primeira cruzado e rasteiro para dar ao Benfica a merecida vantagem no jogo, e respectiva tranquilidade na eliminatória. E nem com este golo o Benfica resolveu descansar sobre a vantagem obtida. Mostrando mais uma vez uma organização defensiva impecável (não é por acaso que estamos há oito jogos, se não estou em erro, sem sofrer golos fora de casa) e capacidade para continuar a pressionar o Estugarda, até ao intervalo foi o Benfica quem continuou a controlar tranquilamente o jogo, e a deixar sempre a sensação de que de um momento para o outro o resultado poderia avolumar-se, quer através de jogadas colectivas - houve momentos deliciosos em que os nossos jogadores trocavam a bola entre si dentro do meio campo alemão, enquanto que os adversários corriam atrás da bola sem sequer a conseguirem cheirar - quer através de pormenores individuais dos nossos jogadores.

A segunda parte trouxe mais do mesmo: nos primeiros cinco minutos, duas oportunidades para o Benfica, primeiro pelo Jara, após passe do Aimar depois de uma bonita jogada pela esquerda, e depois pelo Gaitán, num lance em que o guarda-redes Ziegler acabou lesionado. Para o lugar dele entrou o maldito Ulreich, que mostrou estar tão inspirado quanto o colega que substituiu. Após a interrupção, o Estugarda teve um período de alguns minutos de maior pressão, mas sempre sem causar grandes embaraços à nossa defesa. O Benfica respondeu com mais duas grandes oportunidades, pelo Luisão, que rematou por cima, e pelo Cardozo, defendida pelo Ulreich. Voltou a responder o Estugarda, com duas oportunidades do japonês Okazaki: na primeira, o remate passou perto do poste, e na segunda, o seu cabeceamento foi defendido de forma espectacular pelo Roberto. Nesta altura eu já não temia grandemente pelo desfecho da eliminatória, mas sofria por querer acabar de vez com a maldição da Alemanha. Estava na altura de resolver o jogo, o que o Cardozo se encarregou de fazer quando faltavam pouco mais de dez minutos de jogo, com um livre 'à Cardozo' (já há algum tempo que não o fazia). Marcado na sua zona preferida - descaído para a direita, ainda um pouco longe da área - a bola foi o mais colocada que podia ser, embatendo num poste e depois rolando sobre a linha de golo até entrar junto ao outro poste. Agora sim, acabaram-se as dúvidas de que hoje venceríamos na Alemanha. E até final, ainda construímos oportunidades aumentar a nossa vantagem, mas a falta de pontaria (Gaitán) ou novamente o guarda-redes (Martins) negaram-nos o terceiro golo.

Desta vez não vou mesmo estar a fazer destaques. A equipa pareceu-me toda tão homogénea, com cada jogador a cumprir a sua função quase na perfeição, que seria muito injusto destacar este ou aquele. Todos eles, a começar no Roberto e a acabar no Jara, estiveram muito bem, e entram merecidamente para a história do Benfica com esta vitória.

A nossa equipa está, sem dúvida, no melhor momento da época. Melhor até, arrisco dizê-lo, do que a vi a época passada, porque me parece estar 'mais equipa', menos dependente de individualidades, e não abanando quando algum jogador nuclear está ausente. Hoje foram dois os ausentes, e no entanto creio que pouco ou nada se notou a sua falta. As vitórias sucedem-se, e às vezes até parece que são fáceis. Não são, e a de hoje foi mais um exemplo disso. O Estugarda não facilitou nada, correu muito e deu tudo o que tinha - eu vi-os, aos noventa minutos de jogo e com a eliminatória e o jogo mais que resolvidos, a correr desalmadamente atrás da bola e a tentar pressionar-nos na defesa. As vitórias acontecem, no entanto, não só devido ao talento dos jogadores e técnicos, mas também à forma séria e profissional como a nossa equipa tem encarado cada jogo. Mantendo esta atitude, só podemos esperar que as vitórias continuem.

por D`Arcy às 00:38 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Quinta-feira, 24.02.11

Liga Europa

O Benfica passou de forma categórica. Brilhante jogo, brilhante eliminatória. Foram todos grandes.

 

Mas bons são os outros que passam uma eliminatória de forma sofrível com um clube que pelo que se lê na imprensa a seguir ao Barcelona e ao Real Madrid são a melhor equipa de Espanha. Até o Braga arrumou o Sevilha da Champions de forma mais brilhante e sem espinhas com duas vitórias. Mas claro, os ex-invictos da Liga Europa é que são muito fortes e têm os melhores jogadores que todos juntos valem mais que o PIB da Alemanha e dos Estados Unidos juntos.

 

Mete nojo a imprensa nacional. Mesmo depois da 2ª parte que o Benfica fez com o  Estugarda na Luz que demonstrava que eram claramente inferiores ao Benfica toda a imprensa já preparava o nosso funeral. Espero que embrulhem muito bem esta vitória!

Orgulho, muito orgulho

O Benfica hoje - na Mercedez Benz Arena de Estugarda - jogou como o Benfica, nos nossos mais íntimos devaneios, joga. Jogamos muito à bola, e isto permite-nos perceber o quanto este país, e a podridão que por aqui grassa, nos amordaçam (e digo isto em vários sentidos).

 

Neste momento, no entanto, apenas me apetece louvar esta equipa (na verdadeira acepção da palavra) e quem a comanda, a sua galhardia, garra, querer e ambição.

São grandes, à Benfica.

 

Viva o Benfica!

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 22:15 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Quarta-feira, 23.02.11

Polícia ou símio?

Fui sete vezes ao WC ver o Benfica. Cada vez que vou é sempre a mesma cegada: é um enorme stress entrar naquele estádio. Não faço ideia quem é o rosto da polícia responsável pela organização, mas tenho a certeza absoluta que um bugio não faria pior. Este plano policial está para qualquer lógica, para qualquer tentativa racional de compreensão, para qualquer explicação minimamente plausível, como o presidente do CRAC está para a decência e para a honestidade. Já se sabe que Portugal é um país de forte iliteracia e, quando isso atinge quem tem responsabilidades, está tudo estragado. Quem organiza a entrada naquele estádio percebe tanto disto, como eu da vida sexual das abelhas na Lapónia (para citar uma expressão famosa do Herman).

 

Senão, vejamos: dizem-nos para “chegar cedo”. Muito bem, viável quando o jogo é ao fim-de-semana, mais difícil quando é no final de um dia de trabalho. Mas, na época passada, o jogo foi num Sábado e a rua onde se situa a porta 1, por onde entram os adeptos do Benfica, esteve aberta durante uns longos... 15’! O jogo foi às 21h15 e a rua esteve aberta das 19h15 (horário da abertura das portas) às 19h30. A partir dessa altura, só os elementos dos nossos grupos organizados de adeptos puderam passar. Como chegaram relativamente cedo, “só” tive que ficar à espera durante 1h30 e ainda deu para entrar 15’ antes de o jogo começar. Este ano, a coisa correu de maneira muito diferente:

 

Primeiro problema: se a polícia sabe quantos adeptos vão no cortejo, se o cortejo demora “x” minutos a fazer o percurso Luz - Alvalade, como é que este ano os grupos organizados chegaram ao estádio cerca das 19h30? Ou seja, a apenas 45’ de o jogo começar? Lá está: macaco - parte I.

 

Segundo problema: quando os grupos organizados chegam, a rua é fechada. “Questões de segurança”, dizem eles. Macaco - parte II: porque é que outros adeptos benfiquistas, CLARAMENTE identificados com cachecóis, não podem passar o cordão policial e entrar na mesma porta dos grupos organizados? “São ordens, não posso fazer nada”, foi-me respondido ontem. Sim, porque se está mesmo a ver adeptos do Benfica agredirem outros adeptos do Benfica em pleno WC... A porta 1 tem dois tipos de entrada: para a bancada inferior e para a superior. Os elementos dos grupos organizados preferem naturalmente a bancada inferior, enquanto os outros adeptos do Benfica têm bilhetes para a superior. Ou seja, acontece a situação ridícula de durante todo o tempo da entrada dos grupos organizados (mais de uma hora), só uma das entradas estar a ser efectivamente utilizada, já que a polícia só manda os adeptos dos grupos organizados para a bancada superior quando a inferior está cheia.

 

Terceiro problema: a polícia tem GRANDES dificuldades em perceber que quem paga um bilhete para ir a um jogo de futebol quer ver... 90’ de futebol! Não 85’, nem 80’, nem 75’. Que foi o que eu vi ontem: vi 75’ do jogo e pela 1ª vez na vida perdi um golo do Benfica quando o vou ver ao vivo! Ou seja, é muito engraçado e divertido andar a dividir os grupos organizados em 5 ou 10 grupinhos mais pequeninos. O que o símio que organiza isto não percebe é que isso, que faz demorar ainda mais a entrada, só acicata os ânimos, porque as pessoas querem... VER O JOGO TODO! Os dos grupos organizados, cujos elementos que ficam no fim do cortejo também perdem o início do jogo, e o dos restantes adeptos (mesmo os benfiquistas!) que não conseguem passar enquanto eles não acabam todos de entrar. Macaco - parte III.

 

Por tudo isto que acontece ano sobre ano na “organização de segurança”, por termos a sensação de estar a falar com australopitecos que são incapazes de justificar as suas decisões (pensando melhor, se são ao nível de símios, era difícil encontrar uma justificação racional) e, principalmente, por me terem impedido de ver o 1º golo do Benfica ao vivo, não posso dizer que lamento muito o que lhes aconteceu a meio da 1ª parte...

 

P.S. – Amigos meus pertencentes aos grupos organizados sempre foram muitos críticos do trabalho policial nestas situações e finalmente consigo perceber porquê: porque, para estes símios que são responsáveis por isto, adeptos de futebol são gado que não tem que ser respeitados e cujos direitos não interessam para nada. Tomam decisões absolutamente abstrusas e acham que não é preciso nenhuma explicação. É como é e ponto final. O que é que interessa que se perca grande parte do jogo? Sim, no mínimo, ver um jogo inteiro é um DIREITO que um adepto tem! Perceberam isto, seus monos?!

por S.L.B. às 00:42 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Terça-feira, 22.02.11

Fases

Há uma teoria que diz que o ser humano, quando confrontado com a morte, passa por cinco fases distintas: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Creio que esta noite, no Alvalixo, a lagartagem terá passado precisamente por estas mesmas fases quando confrontada com a superioridade inquestionável do Benfica sobre o seu clube - o que, bem vistas as coisas, será para a lagartagem de certa forma quase comparável à morte.

Fase um: Negação - Esta é a fase mais fácil de identificar. Afinal de contas, a enormíssima maioria da lagartagem passa quase toda a sua existência em negação. No mundo em que vivem - que, conforme já referimos diversas vezes, é povoado por fadas e unicórnios voadores, enquanto o whisky de malte jorra livremente de fontes - o sportém é um 'grande clube', dominador inquestionável do panorama nacional e internacional do corfebol e do aquatlo, e cuja equipa de futebol tem um plantel recheado de 'grandes valores', capazes de vencer qualquer equipa do mundo se jogarem 'à sportém' (ninguém conseguiu ainda descobrir o que é que isto significa, mas do ponto de vista de um observador externo julgo que andará próximo daquilo que o Grimi faz em campo). Só a negação explica que a lagartagem estivesse convencida que, de facto, tinha grandes possibilidades de vencer este jogo. Durante a semana andei a receber mensagens em que me prometiam ir 'tirar o título ao Benfica', entre outras pérolas. Mesmo quando o Benfica, praticamente na primeira jogada que fez no jogo, meteu o Coentrão, o Saviola e o Gaitán a trocar a bola por ali fora como se fosse tudo uma brincadeira até deixar o Gaitán isolado na cara do guarda-redes, a negação acabou, e aos dez minutos de jogo ainda recebia mensagens sobre um qualquer 'massacre' que estaria a decorrer no jogo. Era preciso algo mais violento, e o Salvio encarregou-se disso ao fim de quinze minutos. Aproveitando um corte defeituoso a um cruzamento largo do Gaitán, antecipou-se ao Grimi e bateu o Patrício com um remate rasteiro cruzado. O Grimi, quando já toda a equipa do Benfica festejava o golo junto à bandeirola de canto, conseguiu finalmente reagir ao lance e dar o primeiro passo em direcção à bola.

Fase dois: Raiva - Quando se levantou o véu da negação e a lagartagem se viu de repente, de forma brutal e sem anestesia, confrontada com a realidade da sua equipa, a reacção normal foi a raiva. E era o forcado sem sobrancelhas que não percebe nada daquilo (no início da época era melhor que o Jesus), o taberneiro do adjunto que é pior do que ele, o empregado do Chimarrão (Cristiano) que estava desempregado e agora é titular, o Cabeça de Cotonete que é uma besta (há um ano e meio andaram todos contentes aos saltos com ele enquanto cantavam 'E quem não salta é lampião'), os Maniches que são uma vergonha (é plural, porque continuo a não acreditar que seja só uma pessoa dentro daquela camisola; aquilo deve ser como aqueles números do circo em que não sei quantos palhaços se enfiam dentro de um Mini), e por aí em diante. Numa das bancadas a forma encontrada de descarregar a raiva era entrar num festival de bordoada com a polícia de choque - aposto que a Liga esta semana vai multar o Benfica por comportamento incorrecto do público, e vamos pagar mais do que o sportém. Enquanto se distribuía cacetada a rodos pela bancada, lá em baixo, no campo, o sportém tentava reagir ao golo recorrendo à táctica avançada de chutos para a frente, onde depois o Postiga se encarregava de finalizar todas as jogadas colocando-se de forma estratégica e sistemática em fora-de-jogo, esquecendo-se que já não joga pelos andrades, onde esse estratagema por diversas vezes dá frutos. Na bancada reencenavam-se agora as batalhas de Verdun, com avanços para cá e para lá entre os adeptos e a polícia de choque, mas sem ganhos significativos de terreno de parte a parte. Dentro do campo, reencenava-se um filme tantas vezes já visto: o Arturinho, piedoso, segurou ternamente o moribundo sportém nos seus braços, e diligentemente carregou-o para mais perto da área do Benfica, amarelando tudo o que era vermelho à primeira oportunidade, e apitando sempre que algum jogador vermelho se atrevia a meter o pé ou sequer encostar-se ao seu protegido. Não contente com isso, deu ainda um empurraozinho extra e expulsou o Sídnei com dois amarelos (o primeiro absolutamente patético) no intervalo de cinco minutos. Isto apaziguou a raiva da lagartagem por breves instantes.

Fase três: Negociação - Regressados do intervalo a perder apenas por um, e com mais um jogador em campo, a lagartagem volta, por breves instantes, a acreditar que ainda é possível safar-se desta. Fazem contas de cabeça e imaginam cenários do género 'Se marcarmos no primeiro quarto de hora...', ou 'Se entrar o Saleiro' (claro sinal de insanidade). O melhor que conseguiram foi uma iniciativa individual do Fernandez, que terminou com uma defesa brutal do Roberto (ele é mesmo mau, não é?), e uma cabeçada do Postiga ao lado, no único lance em que não foi apanhado em fora-de-jogo e onde tirou partido do Benfica estar momentaneamente reduzido a nove, já que o Jardel (tinha entrado ao intervalo para o lugar do Saviola) estava de fora a ser assistido. Cinco minutos depois (aos sessenta e dois), a esperança fugaz foi ao ar. O Gaitán pegou na bola, foi por ali fora e acabou travado em falta à entrada da área. No livre, a bola sobrou para o Javi, que insistiu e soltou o Maxi na direita da área, tendo este cruzado para o remate de primeira, e de pé direito, do Gaitán, que levou a bola a tabelar no Polga (que para pouco mais parece servir hoje em dia do que para se arrastar em campo e servir de pino para a bola tabelar nele) e a entrar na baliza.

Fase quatro: Depressão - Foi evidente e imediata. Eles já não eram muitos no estádio (trinta e seis mil, contando com os benfiquistas), e muitos dos que lá estavam começaram a levantar-se e a sair. Os que ficavam mais pareciam fazê-lo porque não tinham sequer a energia ou iniciativa necessária para se levantarem, ficando com ar quedo e mudo a olhar desconsoladamente para o relvado. O silêncio só não era sepulcral porque os Benfiquistas, num acto de piedade, começaram a gritar pelo sportém. E pelo Liedson, pelo Moutinho, pelo Costinha, deu para tudo. No campo, o sportém continuava a não imaginar forma melhor de ultrapassar a bem estruturada equipa do Benfica do que continuar a enviar chutões para as costas da nossa defesa. Nesta fase já nem era preciso o Postiga invalidar as jogadas ficando acampado, porque eles encarregavam-se de chutar as bolas quase todas directamente para fora. E foi até o Benfica, primeiro pelo Cardozo, e depois pelo Jara (que o substituiu) a levar algum perigo à baliza adversária. O Soares Dias bem se esforçou, amarelou o Roberto por queima de tempo, deu seis minutos de compensação, mas já não servia de nada, e nesta fase isso era só prolongar o sofrimento dos jogadores do sportém dentro do campo, e dos poucos que ainda resistiam nas bancadas.

Fase cinco: Aceitação - O árbitro apitou, o jogo acabou, e a lagartagem lá foi para casa carregando nas costas o peso de mais uma derrota e a confirmação (mais uma) de que jogam e valem muito pouco. Para o ano é que é.

Nos último jogos tenho dito várias vezes que é difícil escolher um jogador para melhor, e que o mais importante é o desempenho da equipa. Este jogo não foge a essa regra. Gostei de todos, e poderia elogiá-los um a um. A segurança do Roberto, com mais uma enorme defesa decisiva ou a liderança do Luisão. A calma do Jardel, que entrou neste jogo e até pareceu que já andava por ali há uma data de anos. O rigor táctico do batalhador Javi García, que continua a ser para mim um dos jogadores mais importantes desta equipa. A classe que o Gaitán teima em demonstrar: tem um toque de bola fantástico, e mesmo se por vezes parece alhear-se do jogo, parece que insiste em aparecer sempre para os momentos decisivos: fez o cruzamento para o primeiro golo, e marcou o segundo - tendo já sido dele a jogada que acabou no livre de onde resultou o golo. Não engana: é craque mesmo, e tenho a certeza que ainda ira melhorar mais. Comparações com o seu antecessor correm sempre o risco de ser injustas, mas é interessante comparar o que está a ser a primeira época do Gaitán com aquilo que foi a primeira época do Di María. Não sei qual terá sido o discurso dos responsáveis da lagartagem após o jogo, mas acho que poderia ser semelhante ao do Manuel Machado a semana passada: infelizmente para eles, o Benfica tem jogadores de classe superior, que em pequenos detalhes podem resolver jogos. Nós temos Gaitán, Saviola, Salvio, Aimar, Cardozo, Coentrão, e tantos outros. Eles têm o Grimi. E o Maniche. E o Polga. E tantos, tantos outros.

Mais a sério: é sempre agradável vencer em casa do sportém, quanto mais não seja porque é divertido vê-los descer à terra (e normalmente amortecerem a queda com a cara) e perceberem que de 'grande' só lhes resta a ilusão. Mas a verdade é que isto foi um resultado perfeitamente normal. O Benfica cumpriu a sua obrigação, e venceu um jogo que se impunha vencer, contra uma equipa que lhe é claramente inferior (já na primeira volta, quando estávamos em bem pior forma do que agora, e até estávamos atrás deles na classificação, a diferença de valor entre as duas equipas tinha ficado bem clara), e que apenas conseguiu vencer três jogos em casa nesta Liga. Não foi um feito extraordinário, mas sim uma boa noite da nossa equipa, que encarou o jogo e o adversário de forma séria e profissional. Mais uma vez, soubemos reagir às adversidades e dificuldades que nos foram sendo postas pelo adversário e pelos factores extra, como por exemplo um adepto dos andrades apostado em facilitar ainda mais a vida ao seu clube.

Tal como o Jesus, eu também me recuso a atirar a toalha ao chão na Liga, ou a facilitar o que quer que seja. Podem roubar-nos o título, mas vão ter que ser obrigados a suar para o conseguirem. Vão ter que nos tentar roubar mais, e vão ter que suar para conquistar cada ponto, sabendo que nós nos recusamos a desistir. Tal como venho dizendo desde a noite negra do Ladrão, o objectivo é pensar jogo a jogo e ganhar já o próximo. E depois pensarmos em ganhar o que se lhe segue. No final faremos as contas.

por D`Arcy às 04:15 | link do post | comentar | ver comentários (60)

A verdade na paralaxe

[imagem enviada pelo leitor Marco Coelho]

por Pedro F. Ferreira às 00:22 | link do post
Segunda-feira, 21.02.11

Constatação do óbvio.

Que ninguém duvide: apenas um Benfica muito humilde e bastante determinado vencerá os adversários (é mais do que um) do jogo de hoje.

 

É tão óbvio que convém não o esquecer.

por Pedro F. Ferreira às 19:57 | link do post
Sexta-feira, 18.02.11

O melhor e o pior do futebol

O futebol é jogo, desporto, competição e espectáculo. A partida entre o Benfica e o Guimarães foi tudo isso e, também, arte. O Benfica venceu, marcou três golos, anularam-lhe mais dois, desperdiçou uma grande penalidade, acertou com a bola uma vez na barra e outra no poste. Juntou à competição, um espectáculo de dinâmica, estética e virtuosismo. As bancadas encheram-se de benfiquistas incondicionais que esqueceram a chuva, o frio, o atraso pontual para o primeiro classificado e mostraram como um grande espectáculo tem obrigatoriamente um grande público. Depois de termos visto aquele passe de quarenta metros do Sidnei para a mestria do Aimar e para golo que este marcou, lembrámo-nos de Beckenbauer e Maradona. Lembrámo-nos dos que fizeram com que vivamos esta paixão por um desporto que se sabe transformar em arte. Depois de termos visto aquele chapéu fabuloso do Carlos Martins, recordámos a espontaneidade irreverente de Cantona e percebemos como a genialidade livre se manifesta sem pedir licença ao calculismo. Depois daquele jogo, os espectadores transformaram-se em testemunhas do que há de melhor num desporto chamado futebol.

 

Dois dias depois, recordo o que Santiago Segurola, director adjunto do jornal espanhol “Marca”, escreveu em 2008. «Es terrible lo que está pasando en el fútbol, un poco ante la mirada condesciente del periodismo. En los últimos años se han comprobado casos […] de compraventa de partidos tanto en Italia como en Portugal, con equipos como la Juve y el Oporto en medio del embrollo.»

 

E lembro-me de que também somos testemunhas do que de pior há no futebol: a batota, a subversão suja das regras. Releio as palavras de Santiago Segurola e recordo-me de que também somos testemunhas de que em Itália chamam corrupção à batota, e de que em Portugal a batota é denominada ‘fina ironia’. Perante isto, só nos resta não ser testemunhas silenciosas.

 

_____

Artigo de opinião publicado também na edição de 18/02/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Quinta-feira, 17.02.11

Curto

Foi mais difícil do que se esperaria, mas o Benfica acabou por conseguir manter o registo 100% vitorioso em 2011. A vitória pela margem mínima é um resultado curto face ao domínio do Benfica, em especial na segunda parte, e é sobretudo o resultado combinado da eficácia do Estugarda e do desperdício do Benfica.

Onze sem surpresas, com o Jara a ocupar o lugar do ausente Saviola. Com alguma surpresa, foi o Estugarda quem entrou melhor no jogo, parecendo ter estudado bem o Benfica. Com um meio campo muito povoado, mantinham o Aimar sempre sob vigilância apertada, e fechavam bem as alas, em particular o nosso lado direito, onde conseguiam travar eficazmente o Salvio e as subidas do Maxi. O Benfica não conseguia libertar-se disto, e foi portanto atipicamente pouco perigoso durante os primeiros minutos, quase não criando oportunidades de golo. E após vinte e um minutos, com a típica eficácia das equipas alemãs, o Estugarda chegou mesmo ao golo. Bastou uma pequena desatenção do Coentrão, que não acompanhou a diagonal do médio do seu lado, para que este aproveitasse uma bola metida nas costas da defesa e depois finalizasse de forma perfeita, com um chapéu ao Roberto. O jogo mudou após o golo, e o Benfica pareceu acordar um pouco (ou foi o Estugarda que recuou), mas apesar de passar a ter algum ascendente no jogo, o Benfica continuava a revelar dificuldades para atacar com perigo e criar oportunidades de golo, sendo talvez neste período que mais se terá notado a ausência do Saviola e das suas movimentações. No entanto, o crescendo em que o Benfica terminou a primeira parte, encostando o Estugarda cada vez mais à sua área, deixavam antever uma segunda parte muito melhor do que a primeira, julgo que nos podemos queixar de um possível penálti não assinalado sobre o Coentrão, já perto do intervalo, num daqueles lances clássicos em que o guarda-redes não chega à bola e acaba por tocar no jogador. Nove em cada dez lances destes acabam em penálti. Este, infelizmente, foi um daqueles que não acabou.

A segunda parte acabou por confirmar as indicações que o final da primeira parte tinha deixado, e teve muito pouco a ver com a má imagem que o Benfica deixou nos primeiros quarenta e cinco minutos. O Estugarda foi completamente encostado às cordas - deve ter demorado mais de meia hora até que conseguissem fazer um remate - e o Benfica foi acumulando oportunidades de golo. O sufoco acentuou-se ainda mais quando os nossos alas trocaram de posição, obrigando os médios que os acompanhavam a vir para dentro de forma a acompanharem as diagonais que faziam, e isto abriu muito mais espaço para que os nossos laterais subissem com perigo. Mas apesar de todo o domínio, a bola continuava a teimar em não entrar, ou por ineficácia nossa, ou por mérito do guarda-redes alemão, que em determinada altura mais parecia uma espécie de super-herói, defendendo remates que pareciam ser golo certo (por exemplo, do Aimar ou do Gaitán, para citar dois exemplos). Só a vinte minutos do final o enguiço foi quebrado, quando o Cardozo, com um remate de primeira após um alívio da defesa, conseguiu finalmente vencer a resistência do Estugarda. Não abrandou o Benfica, e depois de tanta infelicidade acabou por ser recompensado a dez minutos do final com um golo algo feliz, já que o remate do Jara, de muito longe, ressaltou num defesa e fez a bola passar sobre o guarda-redes, batendo na trave e depois para lá da linha (o Cardozo ainda confirmou o golo, mas a bola já estava mesmo dentro da baliza após o remate do Jara). A vitória do Benfica era uma justiça que este jogo merecia, ainda que a injustiça se mantivesse na margem escassa desta vitória. E a injustiça ainda poderia ter sido maior, já que na única oportunidade que criaram na segunda parte, através de um livre directo, os alemães atiraram a bola ao poste. E como que para confirmar que merecíamos mais, nos minutos finais o Benfica ainda voltou a desperdiçar mais quase uma mão cheia de oportunidades para marcar - as mais flagrantes pelo Kardec e Javi, de cabeça, e pelo Menezes e Cardozo.

Não consigo escolher alguém para melhor em campo com muita clareza. Mas elogio o jogo feito pelo Maxi, em especial quando se conseguiu libertar na segunda parte. Do outro lado, o Coentrão também correu quilómetros. O Jara merece sempre ser mencionado pelo menos pela atitude, pois mesmo se as coisas não correm bem, ele nunca desiste de lutar e de tentar. Gostei também, como vem sendo habitual nos últimos jogos, do Gaitán.


A vitória desta noite dá-nos uma vantagem mínima na eliminatória, cujo desfecho continua completamente em aberto. O jogo mostrou que somos muito superiores ao Estugarda, mas todos sabemos da malapata que temos com equipas alemãs, e em particular nos jogos realizados na Alemanha. Para além disso, não poderemos contar com o Javi no jogo da segunda mão. Vai ser preciso um Benfica ao seu melhor - e muito mais eficaz - para ultrapassarmos o Estugarda.

por D`Arcy às 22:41 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Quarta-feira, 16.02.11

A afronta.

Nomear Artur Soares Dias [link] para se fazer passar por árbitro no próximo Sporting – Benfica é um acto deliberado de falta de respeito e de provocação gratuita ao Benfica por parte do títere Vítor Pereira, o mesmo que recentemente ameaçou o Benfica de represálias.

 

É isto, apenas isto e nada mais do que isto.

por Pedro F. Ferreira às 14:26 | link do post
Terça-feira, 15.02.11

Karma

Não deixa de ser interessante que a lagartagem (que até é bastante regular neste tipo de comportamento), perante a pouca vergonha que têm sido as arbitragens nesta Liga, se tenha mantido convenientemente calada durante mais de seis meses. Chegados a esta altura, em que, fruto de uma combinação notável de falta de talento, incompetência generalizada, e parvoíce pura e simples, estão praticamente afastados de qualquer objectivo que não o de se defenderem dos ataques de Braga, Guimarães ou Leiria ao terceiro lugar, vêm agora, na pessoa do sobrinho-neto (ou lá o que é) do Peyroteo queixar-se dos árbitros. Por acaso, precisamente na semana que antecede o jogo com o Benfica. Pois.

 

Não sou grande crente na teoria do karma, mas cada vez mais me convenço que há gente que merece exactamente aquilo que lhes acontece.

por D`Arcy às 09:01 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Segunda-feira, 14.02.11

Prioridades

Não se leia neste meu post uma qualquer tentativa de ser desmancha-prazeres. Estamos todos mais que contentes devido à qualidade do futebol que temos vindo a apresentar nesta fase da época e das respectivas vitórias. Atingimos finalmente o nível do ano passado e dá gosto ver o Benfica jogar. Só que vamos entrar num mês e meio decisivo para esta temporada, com jogos ao fim-de-semana e a meio da semana.

 

Assim sendo, e já que somos a única equipa portuguesa em quatro competições, teremos inevitavelmente de tomar uma decisão sobre quais são as prioritárias. Não temos (arrisco-me a dizer que nenhum clube do mundo tem) plantel para aguentá-las a todas ao mais alto nível e, infelizmente, o ano passado foi prova disso, quando optámos pelo campeonato, e o jogo na Figueira da Foz, em detrimento da 2ª mão em Liverpool. Ora, com a vitória do CRAC em Braga, acho que a vitória no campeonato ficou muito difícil. Com o que nos roubaram no início da Liga e o que ofereceram ao clube assumidamente corrupto, eles terão de perder três jogos até final para podermos passar à frente (e nós ganhá-los a todos). Partindo do princípio que um deles seria na Luz, restam cinco fora: Olhanense, U. Leiria, Portimonense, V. Setúbal e Marítimo. Sinceramente não estou a ver o CRAC perder mais dois jogos ou empatar três nestes campos. Até porque tenho grandes esperanças que o Sevilha os coloque em seu devido lugar na Euroliga, o que lhes daria só o campeonato e a 2ª mão da Taça de Portugal para se preocuparem.

 

Dito isto, se o Benfica tiver (e acho que, mais tarde ou mais cedo, vai ter) que fazer alguma rotação de plantel, a minha aposta seria claramente fazê-la no campeonato. Que, no fundo, é a única competição em que não dependemos só de nós para ganhar. Desistir do campeonato? NUNCA! Mas fazer alguma gestão com Airtons, Jaras, Felipes Menezes, Kardecs, etc. (os jogos na Taça da Liga mostraram que há jogadores que não são habituais titulares que podem muito bem dar conta do recado) para que os jogadores mais influentes possam estar em pleno nos jogos nomeadamente da Liga Europa. Sim, porque já há alguns anos que não vamos a uma final europeia, ainda há mais anos que não a ganhamos e a eliminatória do ano passado com o Liverpool ainda me está atravessada na garganta. E, depois, acho que uma temporada com a possível conquista de três competições, sendo uma delas uma prova europeia, seria uma temporada fabulosa, não?

 

P.S. – Já sei que este assunto vai dar polémica, mas repito: não se trata de desistir do campeonato! Trata-se de dar descanso a um ou outro jogador nos jogos da Liga, para que estejam em pleno nomeadamente na Liga Europa. Porque o meu receio é que a possamos hipotecar por cansaço (tal como no ano passado) em nome de uma competição que ficou indelevelmente viciada nos primeiros jogos e que realisticamente agora teremos poucas possibilidades de conquistar...

por S.L.B. às 13:00 | link do post | comentar | ver comentários (56)
Domingo, 13.02.11

Showtime

Não é que eu precisasse de grandes demonstrações, mas se alguém tinha dúvidas sobre a justeza das afirmações do Jorge Jesus de sermos a equipa que melhor está a jogar em Portugal, penso que o jogo desta noite terá sido brutalmente esclarecedor. O Benfica literalmente massacrou o Guimarães, que não é propriamente das equipas mais fracas da nossa Liga, e teve períodos no jogo que se podem mesmo classificar, plagiando a famosa expressão sobre os Lakers dos anos 80 na NBA, de 'showtime'.

Começando o jogo com aquele que poderemos classificar de 'onze base' desta época, o Benfica não perdeu tempo para mostrar que queria resolver o jogo depressa e bem. Não foi só a entrada no jogo: na primeira meia hora o Benfica foi um autêntico rolo compressor, com vagas de ataque sucessivas, oportunidades de golo umas atrás das outras, e uma posse de bola a roçar os 80%. Pressão muito alta, jogadores em constante movimento num autêntico carrossel, isto perante um Guimarães que se limitava a sobreviver como podia, e pouco mais conseguia fazer do que despejar a bola para a frente enquanto tentava respirar entre dois ataques do Benfica. Aguentaram vinte e quatro minutos (antes disso, já o inefável Nilson tinha tido uma das suas habituais lesões graves na Luz, obrigando a uma interrupção, tentando quebrar o ritmo do jogo), até que o Sídnei, num cabeceamento após canto do Aimar, desfez o nulo. Não abrandou o Benfica com o golo, e continuou a submeter o Guimarães a forte pressão, tendo o Salvio acertado no poste minutos depois. Só nos últimos dez minutos o Benfica abrandou um pouco a pressão, continuando no entanto a dominar o jogo com toda a autoridade, e acertando mais uma vez no ferro da baliza, desta vez pelo Gaitán em recarga a um remate do Maxi. A vantagem mínima ao intervalo era claramente insuficiente para o domínio avassalador do Benfica.

No início da segunda parte, felizmente, o Benfica encarregou-se de colocar imediatamente um pouco mais de justiça no marcador.
Depois do Aimar ter assistido o Sídnei no primeiro golo, os papéis inverteram-se: passe longo do Sídnei e depois a classe do Aimar fez o resto: dois toques apenas, o primeiro para controlar a bola de forma fantástica, e o segundo para a fazer passar pelo Nilson e parar no fundo da baliza. Se alguém tinha esperança ou medo de ver uma daquelas injustiças atrozes em que o futebol às vezes é fértil, este golo encarregou-se de afastar esse cenário. A vencer por dois, e com um jogo a meio da semana, o Benfica naturalmente não precisou de voltar a empregar o ritmo da primeira parte, e foi gerindo o jogo com tranquilidade. Mas a gestão de jogo do Benfica, apesar de permitir que o Guimarães tivesse um pouoc mais de bola, não impediu que continuássemos à procura do terceiro golo, que esteve perto de acontecer (ou aconteceu mesmo). Primeiro foi o Cardozo a introduzir a bola na baliza, mas o golo foi anulado por um fora-de-jogo duvidoso. Depois foi o Saviola a marcar, mas mais uma vez o golo foi anulado pelo árbitro. E muito mal anulado, pois não houve qualquer infracção no lance - segundo jogo consecutivo com um golo muito mal anulado ao Benfica.


A quinze minutos do final, penálti para o Benfica, que o Cardozo se encarregou de transformar muito mal, atirando para a bancada (acho que metade das vezes que ele tenta marcar para aquele lado, sai asneira). Só a cinco minutos do fim o Guimarães teve uma verdadeira oportunidade golo, mas a exemplo do que tem feito nos últimos jogos, o Roberto fez uma enorme defesa e negou o golo a um remate cruzado do isolado Edgar. E para fechar o jogo com chave de ouro, nada melhor que um grande golo. O Coentrão já tinha ficado muito perto de marcar um minuto antes, rematando ao lado após mais uma boa jogada do Benfica. Mas no último minuto do tempo de compensação o Carlos Martins recebeu a bola à entrada da área, e dali fez um chapéu perfeito ao Nilson para colocar o resultado em números um pouco mais justos. O Benfica acabou por vencer por três a zero num jogo em que ainda enviou duas bolas aos ferros, teve dois golos anulados, e falhou um penálti. Isto dá uma leve ideia dos números que o resultado final poderia ter atingido.

Não é fácil destacar alguém após um jogo destes, em que a equipa num todo voltou a estar a um nível excelente. O Sídnei continua a querer mostrar que não teremos muitos motivos para chorar a saída do David Luiz. O Aimar esteve excelente, e o golo que marcou está apenas ao alcance de muito poucos jogadores. Grande jogo do nosso lado esquerdo, onde o Coentrão e o Gaitán, sobretudo naquela primeira meia hora, estiveram brilhantes. E regressado ao nível do costume anda o Maxi Pereira, que voltou a fazer daquele lado direito uma auto-estrada para as suas constantes viagens entre a defesa e o ataque.

Impressionante também a moldura humana esta noite na Luz: cinquenta e cicno mil espectadores, uma assistência mais do que merecida para o futebol com que a nossa equipa nos tem presenteado. A equipa está claramente de regresso ao nível da época passada (se é que não está ainda melhor), e a onda vermelha parece estar de volta. Só é pena que haja quem ainda repouse sobre uma almofada de pontos roubados, e assim nos impeça de disputar o lugar que merecemos.

por D`Arcy às 21:50 | link do post | comentar | ver comentários (40)

Teste

As recentes declarações e tomada de posição do líder do marítimo são um bom teste à densidade do lodaçal do futebol português. Muito me espantará se nada acontecer, e prevejo a implosão do clube ou a sua combustão espontânea. Com sorte, talvez se fiquem apenas pela descida de divisão. Porém, se mais clubes abandonarem o compadrio (qualquer que ele seja) e reconhecerem a importância de se limitarem a jogar futebol, teremos um campeonato de que nos orgulharemos. É por causa destas notícias que eu tenho esperança de que o nosso futebol possa respirar, em breve, a liberdade, depois de 25 anos de sistémica deturpação da verdade e atropelo dos mais elementares princípios de ética, de justiça e até de civilidade. E, já agora, espero que haja lucidez para perceber que aquilo que nos acontece quando nos definimos mais pela negatividade dos sentimentos "anti" (tipicamente destrutivos) que pelos desejáveis sentimentos "pró" (tipicamente construtivos) é o nosso próprio mal, motivado pela ausência de um rumo positivo. Mas isto já é mais difícil, são sentimentos demasiado altos para quem apenas rasteja.

Sexta-feira, 11.02.11

Resumo

Há coisas que são claras para gente esclarecida (Benfiquista) e meio nebulosas para gente com o QI de um saco de fertilizante (ou de um Rui Oliveira e Costa, o que vai dar ao mesmo), mas é muito interessante ver como basta passar os olhos pelas notícias de hoje para perceber como são evidentes as diferenças da filosofia e do modo de vida do Benfica, do clube do Guarda Abel e da lagartagem.

 

Numa palavra:

 

Grandeza – 'Benfica é o 11º clube da Europa com maiores receitas de bilheteira' (link)

 

 

Batota – 'Ukra não defronta o patronato' (link) (link)

 

 

Entretenimento - 'Bettencourt: «Ajuda a pagar-vos os ordenados» - Presidente leonino justifica venda de Liedson' (link)

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 18:26 | link do post | comentar | ver comentários (13)

Sem vergar nem quebrar

Na minha Beira Baixa natal, aprendi, pelo exemplo, o que representava ser um povo da ‘rama do castanheiro’. Entre a teimosia de não vergar e a resistência epidérmica a quebrar está uma crença telúrica de que vivemos o Mito de Anteu porque, independentemente de onde nos encontremos, trazemos connosco as encostas da Serra da Gardunha. E, quando tudo parece perdido, sabemos que desistir não é opção.

 

Olho para o nosso Benfica, sinto a inabalável crença do benfiquismo e encontro essa mesma crença, essa mesma fé, essa mesma cepa comparável à estrutura de quem é feito da ‘rama do castanheiro’.

 

Ninguém pode desistir no meio da tempestade. Ninguém pode olhar para o atraso pontual no campeonato e renegar a cepa do benfiquismo, desistindo. E ninguém o está a fazer. A equipa luta com a abnegação de quem, contra a frieza dos números, tem uma crença total nas suas próprias capacidades para renovar o título de campeão nacional. Nós, os benfiquistas, acompanhamos a equipa nessa crença. Adeptos e equipa vão a par nesta teimosia de não quebrar nem torcer diante das adversidades. Perante esta demonstração de fé inabalável, os adversários demonstram-se nervosos, desorientados e receosos.

 

Os que se dizem observadores imparciais (como se os houvesse…) demonstram cepticismo e chamam ilusão a toda esta fé e obstinação do benfiquismo. Não percebem que, como escreveu Miguel Torga, “Triunfar é ir cego para a meta, contra a força dos próprios impulsos. Os deuses do êxito, quando nos abençoam, querem-nos tão desalmados como eles.”

 

É assim que nos sentimos, abençoados pelos deuses do êxito, sabendo que triunfaremos se mantivermos este sonho, esta ousadia de nos recusarmos a ver a derrota, de nos recusarmos a vergar e quebrar. Tal como aprendi com o povo da ‘rama do castanheiro’, tal como aprendi com o benfiquismo.

_____

Artigo de opinião publicado também na edição de 11/02/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Quinta-feira, 10.02.11

Feliz Aniversário, Chalana

 

 

Não podia deixar passar a ocasião, sabendo como se sabe que foi (e será sempre) o meu jogador favorito e o que para mim melhor exemplificava o que era o Benfica quando me tornei gente. Não me querendo repetir, remeto para aqui: link.

 

 

Um grande, grande abraço e um Feliz Aniversário para o Grande Chalana.

 

 

p.s. e que linda que era aquela camisola, caraças.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 12:39 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 09.02.11
Terça-feira, 08.02.11

Os gajos...

Os gajos vão em primeiro, têm o Cosme, o Soares Dias, o Sousa e mais uns quantos da pandilha; também têm o chefe da dita, o Pereira; têm os chitos do passado e do presente, uns quantos juízes no bolso, uma ironia fina que comove calhaus de calçada e outros de redacção… têm a última maravilha do mundo moderno (o ulque) e a próxima maravilha dos mundos pós-modernos (o Falcao).

 

Têm tudo isto e ainda dois parolos brasileiros que, literalmente sem saber ler nem escrever, andam a torrar o dinheiro em casas de alterne, sendo, por isso, castigados pelo presidente que, fina ironia, faz o mesmo.

 

Têm tudo isto e ainda um sacana uruguaio que, apesar de ser o jogador mais bem pago do plantel, quase nunca joga e desabafa, para quem o quiser ouvir, que está arrependido de ter saído do Glorioso e ter ido parar a um antro de violência e intimidação.

 

Têm tudo isto e ainda um treinador adjunto (um tal de Vítor Pereira) que tem junto do plantel e da direcção mais peso do que algum dia o Villas-Boas teve, enquanto foi adjunto dos adjuntos do Mourinho.

 

Os gajos têm tudo isto, vão em primeiro e, mesmo assim, andam borradinhos, sem saber a que Olegário rezar, para que lhes dêem o que sabem não merecer.

por Pedro F. Ferreira às 20:08 | link do post
Segunda-feira, 07.02.11

Sinceridade acima de tudo!

«Queríamos ganhar, nem que fosse com um golo marcado com a mão» (Villas Boas)

 

Esta frase foi dita pelo treinador da associação recreativa das antas e mostra bem o sentimento de impunidade que existe para aqueles lados.

No entanto honra lhe seja feita, tornou oficial o que há muito se pensava ser hábito naqueles lados, ganhar a qualquer custo nem que seja com batota.

O treinador da associação recreativa das antas assumiu de forma clara que nessa associação a batota é sempre um meio legítimo para alcançar os fins.

Domingo, 06.02.11

Difícil

Não teve talvez o brilhantismo da última, foi difícil e exigiu muito trabalho, mas não deixou de ser merecida a vitória que conseguimos esta noite no Bonfim, contra dois adversários: um brioso e outro manhoso.

A ausência inevitável do Coentrão foi a única mudança em relação à equipa que venceu no Porto - o Peixoto recuou para lateral, e entrou o Aimar para o meio campo. O Setúbal teve uma boa entrada no jogo, que deixou desde logo antever nos primeiros minutos que não teríamos uma noite fácil. O Benfica não conseguia pressionar de forma muito eficaz (não apenas por culpa própria, mas lá iremos) e falhava também mais passes do que é habitual, muito por culpa da agressividade e pressão intensa que os jogadores do Setúbal conseguiam exercer. Após os primeiros quinze minutos, melhorámos um pouco, mas a toada da primeira parte foi essencialmente de equilíbrio. As melhores ocasiões de golo que criámos foram ambas pelo Luisão, na sequência de bolas paradas. Primeiro de cabeça, e depois num remate acrobático, após ter dominado a bola com o peito. Em ambas as ocasiões, o guarda-redes do Setúbal acabou por defender com a ponta dos dedos. Só em período de descontos, quando poucos esperariam, o Benfica desfez o nulo. Numa transição rápida para o ataque, após recuperação da bola no nosso meio campo, o Saviola fez um centro largo da direita para a esquerda, e depois apareceu o Gaitán, que rematou cruzado de primeira e de trivela para um grande golo.

Na segunda parte o Setúbal voltou a entrar bem, e nos primeiro minutos foi a vez do Roberto brilhar, evitando o golo do empate em duas ocasiões, opondo-se ao remate de um adversário isolado, e depois a um bom remate do Pitbull de fora da área. Respondeu o Benfica com um remate do Saviola que passou muito perto da baliza, e que pareceu ter reposto o equilíbrio no jogo. Passámos então por um período mal jogado - mas muito disputado - em que a bola passou grande parte do tempo na zona do meio campo, sem grandes ocasiões de golo para nenhuma das equipas. Quando faltavam pouco menos de vinte minutos para o final, o Benfica substituiu o Aimar e o Saviola pelo Carlos Martins e Jara, e estas substituições acabaram por se revelar decisivas. É que cinco minutos depois de ter entrado, o Jara acabou com as dúvidas no resultado. Foi mais uma transição ofensiva feita em velocidade, desta vez aproveitando um mau passe do Miguelito. A bola foi ter aos pés do próprio Jara, que lançou o Maxi na direita e depois foi finalizar, de forma acrobática, o cruzamento deste. Com o segundo golo sofrido, o Setúbal acabou, e nos doze minutos que decorreram até final o Benfica dispôs mesmo de mais oportunidades para ampliar o resultado - chegou mesmo a marcar, pelo Javi García, mas foi um daqueles lances que ao Benfica é sempre anulado.

Melhores do Benfica, para mim, Roberto, Luisão e Sídnei. Foram os esteios de uma defesa que voltou a não sofrer golos. Também gostei do Javi e do Gaitán, que continua a mostrar ter talento para dar e vender. Não gostei do jogo do Cardozo, e achei também que o Aimar esteve uns furos abaixo daquilo a que nos habituou.

Não é muito habitual falar de arbitragens, mas sinceramente cada vez mais acho o Cosme Machado um adversário perigosíssimo para o Benfica, ao nível de um Jorge Sousa. Grande parte do nervosismo que senti neste jogo foi devido a ele. Já nos roubou três pontos na primeira jornada, e hoje senti que tudo fez para inclinar o campo a favor do Setúbal. Um dos motivos para não conseguirmos pressionar eficazmente foi o facto de que à menor coisa, os jogadores do Setúbal deixavam-se cair, que o Cosme apitava logo. Pelo contrário, os jogadores do Setúbal estavam à vontade para andarem a morder os calcanhares aos nossos jogadores, que só muito dificilmente se marcavam faltas. Só mesmo com uma arbitragem muito habilidosa é que conseguimos o insólito de vermos a equipa que controlou mais o jogo e teve mais posse de bola acabar com mais do dobro das faltas do adversário (24 contra 10). E o melhor é nem estar a pensar em alguns dos amarelos que foram mostrados aos nossos jogadores.

Enfim, o que interessa mesmo é a décima quinta vitória consecutiva, e o manter do registo perfeito em 2011. Com mais ou menos trabalho, com maior ou menor brilhantismo, os adversários vão caindo aos nossos pés.

por D`Arcy às 23:08 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sábado, 05.02.11

César Peixoto

Jorge Jesus falou hoje, uma vez mais, sobre o César Peixoto, e espero que tenha ficado clara de uma vez por todas a evidência  de que o Peixoto joga mal no Estádio da Luz e, vá, pelo menos, menos mal nos outros estádios por causa dos adeptos. Logicamente, isto aplica-se ao Peixoto como a qualquer outro jogador que seja aplaudido ou assobiado: os golos que o Mantorras marcava sempre quando entrava uns minutos (ou, agora, os do Nuno Gomes) não são alheios ao facto de os adeptos os apoiarem sempre que estes entram e sempre que tocam na bola. Eu já vi os adeptos da Luz contribuírem para um mau jogo do Cristiano Ronaldo com assobios, o que é desejável, agora vejo-os a fazerem o mesmo... ao Peixoto, a um jogador da nossa equipa! Qual é a vantagem? O Peixoto não é "um jogador a menos", como oiço tantas vezes dizer, os adeptos é que minimizam a equipa. Durante esta semana, por ser um conhecido defensor do César Peixoto, tive umas conversas que deram depois origem a umas publicações no Facebook e a trocas de e-mails, que aqui reproduzo a propósito desta referência do Jorge Jesus ao Peixoto.

 

Ficou tudo assanhado comigo só porque eu disse que o César Peixoto era melhor que o David Luiz. Posso estar a ver mal as coisas, mas o David Luiz não é jogador do Benfica e o César Peixoto é. Agora dizem-me que não dá para discutir comigo estas coisas. E eu fico contente: o Campos dizia o mesmo do Caeiro, e o Caeiro é que era o mestre... [após ser confirmada a transferência do David para o Chelsea].

 

O Peixoto verdadeiro foi o que se viu neste jogo [contra os corruptos]: fraquito a defender, bom a desviar-se para o Coentrão passar e muito bom a fazer-se às faltas. Mas acima de tudo é um dos nossos, coisa que o Ramires, o David Luiz e o Dí Maria não são. Muito obrigadinho e tal, foi bom tê-los cá, mas o Benfica, de que faz parte o Peixoto, é maior que eles. Agora o que não percebo é aquele stress quando o homem ainda nem sequer tocou na bola. Com pouco respeito (muito pouco mesmo) pelos que assobiam o Peixoto, digo que essa atitude é tão estúpida como assobiar, chamar nomes e ofender o condutor de um autocarro em que viajamos depois de ele ter um deslize. É assim para o suicida, digo eu. Mas, ok, eu mudo a minha opinião se alguém me provar que estou errado, ou seja, que há uma grande vantagem em mandar o Peixoto para o caralho de cada vez que ele se atrever a tocar na bola no Estádio da Luz.

 

Se, de facto, alguém me provar que há vantagem em assobiar os nossos jogadores nestas circunstâncias, retiro o que disse.

Sexta-feira, 04.02.11

Hoje tal como ontem

Combinava-se que o tempo, a duração do jogo, se media em golos (mudava aos cinco e acabava aos dez), dividíamo-nos em duas equipas, media-se a baliza em passos e fazia-se das mochilas da escola ou dos paralelos da rua os seus postes. Preparado o campo, escolhíamos quem queríamos ser, acreditávamos ser os nossos ídolos, tínhamos a capacidade de nos ‘outrar’, de sermos o outro.

 

Encarnávamos a categoria senhorial do Humberto, a força e a determinação do Toni, a eficácia do Nené, a frieza do Filipovic, o carisma do Bento ou o talento ímpar do Chalana. E, deste modo, ‘outrando-nos’, elevávamo-nos ao patamar dos nossos ídolos e elevávamo-los à condição de heróis, numa condição situada algures entre os homens e os deuses. Não era por acaso que, na inocência infantil de quem escolhia os nomes com a simplicidade de quem olha para o mundo com olhos limpos, havia nomes escolhidos, e até disputados, em contraste com outros sistematicamente ignorados. Era um critério que ultrapassava o mero reconhecimento do talento, implicava algo de bem mais profundo, mas menos mensurável. Escolhíamos os nomes daqueles com quem nos identificávamos, aqueles nomes que, num processo que não se explica, mas que se sente, tinham conseguido uma relação tão especial com os adeptos que os sentíamos como património colectivo do benfiquismo e não apenas como bons jogadores do Benfica. E, nestas coisas, a miudagem não se engana.

 

Contava-me, na terça-feira, uma grande benfiquista que vira a Carolina, uma benfiquista dos sete costados e tenros anos, largar uma lágrima grossa e sincera por causa da transferência do David Luiz. Não foi por acaso, foi porque o David Luiz conseguiu, nos tempos actuais, a tal identificação com o benfiquismo. A tal que não se explica, mas que se sente.

 

Que sirva de consolo à Carolina o facto de o David Luiz ter saído do Benfica, mas ter levado em si o benfiquismo que todos partilhamos.

_____

Artigo de opinião publicado também na edição de 05/02/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 15:11 | link do post
Quinta-feira, 03.02.11

A história repete-se

  

 

Pouco mais de cinco anos separam estas fotografias. O resultado do jogo foi o mesmo. E estes dois Senhores fizeram um jogão. Senhores, estes, que já estão na História do Benfica. Por tudo o que já fizeram (e ainda fazem) dentro de campo, mas também por gestos como estes. É a chamada "bofetada de luva branca". Com classe e dignidade. Perante a barbárie, responde-se com civilidade. Porque nós somos superiores àquela escumalha em TODOS os aspectos. E conseguimos sair sempre limpos do campo, qualquer que seja o resultado. O que num antro como aquele não é nada fácil. 

 

P.S. - Como me chamaram ontem a atenção, será muito difícil conseguirmos ganhar no antro por menos de dois golos de diferença. Porque, mesmo que sejamos muito superiores, haverá sempre um Pedro Proença para arranjar um penaltizinho fantasma.

por S.L.B. às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (15)

Lição

Nota prévia: Peço desculpa pela extensão do texto. Comecei a escrever e foi difícil parar. Para quem não gosta de ler muito: ganhámos por dois a zero em casa do Porto, merecemos inteiramente a vitória, e a nossa equipa, num todo, esteve à beira da perfeição táctica.

E ao intervalo das meias-finais, o Benfica vai vencendo por dois a zero. E vence porque na primeira parte foi claramente a melhor equipa, conquistando uma vitória justa e merecida, que recompensa a frieza e disciplina táctica que soube manter durante todo o jogo. Não quero estar com conversas de 'banhos de bola', 'bailes' ou afins. Por norma, quando se ganha, tem-se tendência a aproveitar para menosprezar o adversário e achincalhá-lo. Não quero fazer isso, porque isso seria menorizar aquilo que o Benfica fez esta noite. Não é fácil anular o nosso adversário da forma como o fizemos hoje, muito menos no ambiente que sabemos ser habitual naquele sítio. O que assistimos esta noite foi a um jogo muito disputado, onde houve uma batalha táctica que foi, claramente, vencida pelo graúdo, que mostrou ter aprendido com os erros cometidos nos jogos anteriores, deu uma lição ao miúdo, e talvez o tenha deixado a pensar que afinal ainda não será propriamente o mestre que por vezes parece imaginar-se (ou que certos avençados insistem em querer transformá-lo). Se calhar hoje, se se referirem ao Jorge Jesus como 'Mestre da Táctica', já não serão capazes de o fazer de forma tão jocosa.

Já tinha escrito antes que as derrotas nos jogos anteriores contra os adversários desta noite tinham começado no meio campo. Se nós, adeptos, conseguimos ver isso, muito melhor o terá percebido o Jorge Jesus. Esperava-se que, por via disso, a nossa equipa sofresse alterações esta noite, com a entrada de um jogador para reforçar o meio campo, e a aposta generalizada seria no Airton (para mim o jogador ideal seria o Rúben, mas como sabemos, não podemos contar com ele). A escolha acabou por recair, com alguma surpresa, no César Peixoto (que estará mais próximo do estilo do Rúben do que o Airton estaria). O Benfica abdicou de ter um organizador de jogo puro, para em vez disso ter um médio que auxiliasse mais na luta do meio campo. Em termos práticos, o que se via muitas vezes era a equipa, quando sem bola, a organizar-se em 4-2-3-1, com o Gaitán, Saviola e Salvio a formarem uma linha nas costas do Cardozo. O Peixoto ajudou também a fechar o lado esquerdo, com a ajuda do Gaitán, com isto permitindo uma grande liberdade ao Fábio Coentrão para subir pelo seu lado, acabando este por ser um dos maiores desequilibradores do lado do Benfica.

Desde o apito inicial que deu para perceber que o jogo poderia correr-nos de feição. A começar pela própria atitude dos jogadores. Pareceram estar completamente alheados do ambiente doentio que se costuma criar naquele estádio sempre que o visitamos, aparentando bastante calma e concentração. A equipa, desde o primeiro minuto, esteve tacticamente muito arrumada, com os jogadores a mostrarem grande sentido posicional e muita entreajuda. A ocupação dos espaços foi muito bem feita, e isto permitiu à equipa estender-se no campo de forma a fazer uma pressão bastante alta sobre os jogadores adversários, sem no entanto deixar espaços cá atrás. O Porto, em diversas ocasiões, viu-se impedido de sair a jogar, já que os seus jogadores da defesa estavam constantemente sob pressão, e acabavam por ter que despejar a bola para a frente. O Benfica acabava por conseguir recuperar bolas logo nas tentativas do Porto de saída para o ataque, e logo aos seis minutos, numa ocasião dessas, foi recompensado. O Coentrão ganha uma bola ainda sobre a linha do meio campo (interceptando mais um passe longo vindo da defesa), combina com o Saviola, e apesar do mau passe deste, não desistiu do lance, o que lhe permitiu aproveitar uma ligeira hesitação entre o central e o guarda-redes para tocar a bola para a baliza. Se a equipa já parecia confiante no início do jogo, um golo tão madrugador ainda mais a terá deixado, enquanto que o oposto pareceu passar-se nos nossos adversários, que davam claros sinais de nervosismo.

A verdade é que nunca pareceu muito difícil à nossa equipa controlar o adversário. Jogadores como o Belluschi ou o Moutinho quase não tinham espaço para jogar - o primeiro só se destacou pelas simulações e provocações aos nossos jogadores, enquanto que o segundo quase que nem reparei que estava em campo. No centro, o Úlque não consegue ser decisivo, e foi quase sempre presa fácil para o Luisão ou o Sídnei, apenas mostrando alguns fogachos quando fugia dessa zona e caía para as faixas. Ao Porto restava esperar que fosse o Varela a conseguir fazer alguma coisa, e ele até foi, de facto, o jogador mais incómodo para nós, mas tinha sistematicamente que apanhar com o Gaitán, o Peixoto e o Coentrão a fecharem o corredor. Sem surpresas, foi ele quem criou a melhor oportunidade do Porto em todo o jogo, com um centro que o 'Ramés' não soube aproveitar. Pouco depois (aos vinte e seis minutos), o Benfica aumentou a vantagem para dois golos. Mais uma incursão do Coentrão pela esquerda, em combinação com o Gaitán, mas o centro foi interceptado pela defesa do Porto. Cometeram o erro de tentar sair a jogar, o passe foi mal medido, e surgiu o Javi a rematar de primeira, ainda de muito longe, fazendo a bola entrar junto ao poste. A perder por dois, sem grandes ideias nem espaço, durante o resto da primeira parte pouco mais se viu do Porto senão tentativas de arrancar faltas com quedas patetas e forçadas dos seus jogadores (Belluschi e Úlque em particular). O único momento de sobressalto foi um remate que o Úlque 'inventou', já sobre o intervalo, e que o Júlio César defendeu com alguma dificuldade.

Esperava uma entrada em força do Porto para a segunda parte, tentando reduzir a nossa vantagem o mais depressa possível, mas nada disso aconteceu. A equipa do Benfica continuou sempre a manter uma organização e calma impressionantes, e foi controlando o adversário sem quaisquer problemas de maior. Até que, decorrido o primeiro quarto de hora, assistimos a mais um episódio da infindável novela que decorre ano após ano, há mais de trinta anos, quando jogamos em casa do Porto. O Fábio Coentrão, que já tinha amarelo, faz uma falta sobre o Sapunaru ainda no meio campo do Porto, falta essa absolutamente normal, que não cortou qualquer lance de perigo (foi, conforme referi, ainda dentro do meio campo do Porto) nem teve qualquer violência. Imediatamente pressionado pelos jogadores do Porto e pelos urros da assistência (que, certamente desesperada, já estava a perceber que só muito dificilmente o rumo do jogo se alteraria), o árbitro finalmente cedeu à pressão e, acedendo ao pedido, mostrou o segundo amarelo ao Coentrão. O Benfica perdia um dos seus principais desequilibradores, e o Porto ficava com meia hora para tentar entrar na discussão de um jogo que praticamente nunca tinha estado ao seu alcance.

Enganaram-se aqueles que pensaram que o Porto tiraria dividendos desta expulsão a pedido. A expulsão do Fábio foi, aliás, o momento de maior regozijo que os adeptos do Porto tiveram durante toda o jogo. É que o Benfica rearranjou-se em campo - Peixoto para lateral, entrada do Aimar para o meio campo, e uma notável disciplina táctica do Gaitán - continuou a manter a concentração e organização, e nem por uma vez o Porto, apesar de passar a ter ainda muito mais tempo de posse de bola, conseguiu tirar partido da superioridade numérica, ou sequer criar uma oportunidade de golo digna desse nome. Pelo contrário, foi mesmo o Benfica quem acabou por ter a melhor oportunidade da segunda parte para voltar a fazer o marcador funcionar, quando o Cardozo, após um lance de insistência, acabou por conseguir furar entre três adversários e rematar, tendo o Hélton defendido por instinto com a perna, quando já se lançava para o outro lado, traído por um ligeiro desvio. A meia hora de jogo com o Benfica reduzido a dez foi passada ao som do 'Ser Benfiquista', entoado pelos nossos adeptos acantonados no cantinho do costume. Nem mesmo nos minutinhos finais, quando o Peixoto se lesionou e acabámos a ter que jogar com o Maxi a lateral esquerdo e o Airton a fechar o lado direito, o Porto conseguiu encontrar forma de desorganizar a nossa equipa e criar um lance de perigo.

Melhor do Benfica esta noite? Jorge Jesus. Por tudo o que já foi escrito antes. Só uma muito boa preparação deste jogo, com o adversário bem estudado, e a consciência e humildade para reconhecer erros anteriores é que pode explicar a forma quase tacticamente perfeita como a nossa equipa se apresentou hoje. E teve a coragem de fazer isto com a opção de risco no Peixoto. Sabemos qual é a opinião geral que os adeptos têm sobre este jogador. E não tenho dúvida que, caso as coisas corressem mal, seria precisamente por aí que iriam pegar para o atacar.

Quanto a jogadores, podia elogiar praticamente todos os jogadores um a um. Mas aquele que me encheu mesmo as medidas foi o Javi García. Acabei de rever o jogo há minutos, e não parei de me maravilhar com a quase perfeição táctica dele. Está em todo o lado a compensar os colegas. Fecha ao centro, juntando-se aos centrais quando é necessário, recupera bolas, corta jogadas dos adversários, e ainda arranjou tempo para ir lá a frente marcar o seu segundo golo consecutivo. Foi um gigante. Às vezes é-me difícil explicar o quanto eu admiro este jogador (sim, não é só o Saviola) e o orgulho que é vê-lo com a nossa camisola. Jogos como o de hoje são mais eloquentes do que qualquer discurso. Enorme também o Fábio Coentrão durante a hora que o deixaram jogar. Aproveitou muito bem o apoio que lhe foi dado sempre pelo Gaitán e pelo Peixoto para subir como gosta pelo seu lado, e voltou a marcar ao Hélton naquele estádio. Já deve estar a habituar-se. Quero mencionar também o Sídnei, porque tem agora a difícil tarefa de fazer esquecer o David Luiz. Conforme esperava, não foi por ali que a equipa abanou. Esteve seguríssimo, e não tenho dúvidas que, com o acumular de jogos a titular, vai melhorar ainda mais e confirmar o potencial que lhe reconhecemos. E já agora, falar também do Gaitán. Tem uma capacidade técnica fabulosa, que hoje foi mostrando em alguns pormenores, mas vimos sobretudo como ele consegue ser também um jogador tacticamente muito disciplinado. Quando comparado neste aspecto com aquilo que era quando cá chegou, há uns meses atrás, a evolução é brutal. Mérito do Jesus, que na altura afirmou várias vezes para quem o quis ouvir que ele tinha que ter tempo para aprender. Está mesmo a aprender. Finalmente, a menção habitual para a solidez e liderança do Luisão na defesa.


Se não estou em erro, esta foi a décima nona vitória da nossa equipa nos últimos vinte jogos disputados para competições nacionais - a excepção foi a noite negra na anterior visita ao Porto. Somos neste momento, claramente, a equipa em melhor forma, mais confiante, e que melhor está a jogar em Portugal. Temos que saber aproveitar e manter este momento. Orgulharmo-nos, mas não embandeirar em arco com o que conseguimos esta noite, até porque isto ainda não decidiu nada. A missão continua a ser a mesma: ganhar o próximo jogo. E depois pensar em ganhar o que se lhe seguirá.

por D`Arcy às 04:38 | link do post | comentar | ver comentários (44)
Quarta-feira, 02.02.11

Serenidade

Para mim, qualquer vitória do Benfica é motivo para festejo. Claro que ganhar ao fcp é sempre motivo para festejo redobrado, pelas dificuldades, a vários níveis, que sempre enfrentamos quando defrontamos aquela equipa. Para a vencer, temos de ser muito, mas mesmo muito melhores. E foi o que aconteceu hoje.

 

Certamente muitos Benfiquistas verão esta vitória como uma vingança, sendo que não faltam motivos para que sejamos assaltados por esse sentimento.

Mas eu prefiro encarar esta vitória com naturalidade, com simplicidade, com serenidade. A mesma serenidade que vejo estampada no rosto de José Águas quando ergueu a 1ª Taça dos Campeões Europeus conquistada pelo Benfica. A serenidade que é necessária para, já na próxima jornada, vencermos um adversário que por certo irá criar-nos imensas dificuldades. A mesma serenidade que necessitamos para, até ao fim da época,  vencer os inúmeros desafios que ainda temos pela frente.

Força

Contra pedradas e lambadas. Contra batoteiros e trapaceiros; arruaceiros e caceteiros. Contra traficantes, assaltantes e meliantes. Contra chulos e gandulos. Contra ladrões e vilões. Contra mafiosos e sebosos. Contra bandidos e vendidos. Contra pintos e pulhas distintos. Contra declamadores e corruptores. Contra a fruta e o gajo da escuta. Contra o guarda Abel e o dono do bordel.

 

Que consigamos manter a calma, não nos deixemos afectar pelo arraial habitual, e joguemos aquilo que podemos e sabemos. Tenhamos em mente que nada tem que ficar decidido hoje, porque é apenas a primeira parte de uma eliminatória.

 

Acima de tudo cabeça fria, e a genica que a qualquer engrandece.

 

Força Benfica!

por D`Arcy às 07:24 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Terça-feira, 01.02.11

David Luiz

E pronto, a partir de ontem o Sídnei passou a fazer parte da minha dupla de centrais favorita. Já o disse diversas vezes: tenho plena confiança nas capacidades dele, e não creio que vá ser por aí que o Benfica vai abanar.

 

Quanto ao David Luiz: muito obrigado por tudo. Foi um privilégio vê-lo desenvolver-se no Benfica de um jogador praticamente desconhecido vindo do Vitória da Bahia, da terceira divisão brasileira, até se tornar no jogador que é hoje, titular da selecção brasileira e um dos defesas centrais mais valiosos do futebol actual. Tenho a certeza que terá sido também um privilégio para ele ter envergado a camisola do Benfica e jogado no Estádio da Luz. Desejo-lhe as maiores felicidades, porque fez para merecê-las.

 

Não me agrada, obviamente, vê-lo sair nesta altura, mas compreendo a inevitabilidade da sua saída. Tal como tive que compreender e aceitar as saídas do Ramires e do Di María. No curto espaço de seis meses, vimos sair três jogadores nucleares a troco de pelo menos €77M em dinheiro, fora extras. É a lei do mercado, e durante os próximos anos é bem provável que continuemos a ter que passar por situações destas. Os jogadores passam, mas o Benfica continuará sempre. E outros virão para me fazerem esquecer as saudades de quem por cá passou.

por D`Arcy às 10:39 | link do post | comentar | ver comentários (42)

Adeus, David Luiz.

 

David Luiz tem direito a um lugar importante na memória dos benfiquistas. Soube amadurecer, soube esperar pelo seu momento, soube acreditar nas suas capacidades e acreditar nos bons conselhos que os mais velhos – particularmente Rui Costa – lhe deram.

 

Construiu, com Luisão, uma dupla de centrais de nível internacional e ao nível das grandes duplas da história do Benfica. Soube impor-se no balneário pela simplicidade, simpatia, boa disposição e exigência que colocava sobre si mesmo. Afirmou-se junto dos benfiquistas pela qualidade, garra, entrega e profissionalismo.

 

Hoje, David Luiz deixou o Benfica. Desportivamente, a saída de um futebolista com esta qualidade é sempre má, o que se agrava pelo momento da saída, com a época a meio. Ainda há muito para ganhar e esta saída pode ser entendida como um desinvestimento no que resta de época.

 

Financeiramente, e com os dados que tenho (25 milhões a pronto, um conjunto de encaixes decorrentes de objectivos, a realização de um jogo com o Chelsea e a cedência de um futebolista com excelente margem de valorização), acho um negócio razoável… nem mais nem menos do que isso. Apesar da excelente valorização do futebolista e da abissal diferença entre o preço que por ele pagámos e o valor pelo qual o vendemos, não sinto que a Direcção do Benfica possa apresentar esta venda como um bom negócio. É um negócio marcado pelo momento, pelo contexto, enfermado pela necessidade de encaixe financeiro de quem vende e pela pressão exercida por quem procura triplicar o seu salário.

 

Quanto ao David Luiz, desejo-lhe boa sorte e que não tropece no degrau. Agora, o futuro pertence a Roderick, Jardel, Sidnei…

_____

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 00:17 | link do post

escribas

pesquisar neste blog

 

links

arquivos

recentes

tags

origem

E-mail da Tertúlia

tertuliabenfiquista@gmail.com

Visitas




blogs SAPO

subscrever feeds