VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Terça-feira, 29.03.11

Parabéns, Rui Costa

No dia de hoje, dia do seu 39º aniversário, saúdo no Rui Costa o que há de exemplo de benfiquismo, de entrega a uma causa e de vivência do Benfica como uma missão.

 

Saudar Rui Costa é, para mim e para muitos outros, saudar a garantia de que podemos confiar no futuro do benfiquismo, pois haverá a quem possamos confiar o futuro do Benfica.

 

 

 

por Pedro F. Ferreira às 15:40 | link do post
Domingo, 27.03.11

O jornalismo feito no "Record"...

Às 20 horas, o "Record" garantia a vitória de Bruno de Carvalho nas eleições do Sporting.

Alexandre Pais [http://twitter.com/#!/AlexandrePais], director do "Record", pelas 3 da matina, 'twitava' o seguinte, muito ufano com a competência demonstrada por si e pelos seus.

«Estavam à espera que falhássemos. Como explicava Artur Agostinho, os invejosos não perdoam aos que fazem. Lá tem de engolir o seu veneno.» [link]

«Agradeço aos repórteres no terreno, João, Lidia, Diogo e Inês, e aos que escrutinaram, ponderaram e arriscaram publicar esta projeção...» [link]

«...que prestigia o nosso grande jornal perante os leitores que são a maior razão da nossa existência. Parabéns a todos, viva o Record!» [link]


Ou seja, parece-me que Alexandre Pais considera prestigiante enganar os seus leitores.

 

por Pedro F. Ferreira às 14:13 | link do post
Sexta-feira, 25.03.11

O país dos cobardes

Mais uma agressão cobarde, mais um momento de vergonha. Quando li a notícia de que o autocarro do Benfica e o automóvel do seu presidente haviam sido apedrejados, perto da cidade do Porto, só pude lamentar. O lamento pelo futebol, pelo país, pela banalidade com que se perpetra e encara a violência.

 

Estes actos são extremamente graves, recorrentes e recorrentemente são branqueados. Sabemos todos de quem é a mão escondida que atirou a pedra. Sabemos todos onde está o rosto da cobardia, da violência e do crime. Sabemos também que a impunidade do crime se deve a responsáveis políticos e judiciais que, durante décadas, se demitiram das suas responsabilidades.

 

Um dia – haverá sempre um dia – os que mais calaram, os que mais contribuíram para este reles estado de impunidade, serão os primeiros a rasgar vestes e a lamentar a tragédia que se adivinha. Caso não haja uma responsabilização clara e objectiva do maior dos responsáveis por esta camorra que mata o futebol e contamina o país, deixaremos as lágrimas do drama e entraremos no sangue da tragédia. Os indícios são claros e só os não vê quem tem algo a ganhar com a manutenção deste insustentável estado de podridão.

 

Perante mais uma agressão vil, importa que, por parte do benfiquismo, não se caia na tentação de responder na mesma moeda. Seria um erro, pois imediatamente as canetas de aluguer transformariam os verdugos em vítimas. Para aqueles que desesperam com a inoperância de quem tem de zelar pela lei e pela ordem; para aqueles que sentem ser impossível mudar esta cultura reles e suja que agride o futebol… resta confiar na certeza de que o impossível só demora um pouco mais. Mas chegará.

 

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Artigo de opinião publicado também na edição de 25/03/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Terça-feira, 22.03.11

Provavelmente um dos melhores golos do Benfica que já vi

Jara para Javi, este em esforço dá para Gaitan que de primeira dá para Aimar, este perante o pressing de um jogador adversário dá para Saviola que de primeira devolve a bola ao mesmo Aimar, que com dois toques mete a bola novamente em Gaitan, que novamente de primeira disponibiliza na direita para a entrada do Maxi - e aqui surge o exagero: o lateral uruguaio tem o desplante de dar 3 toques inteiros na bola antes de passar a um colega de equipa !- que após fintar um adversário coloca rasteiro na área onde surge Cardozo a amortecer para o remate em arco, LINDO!, MARAVILHOSO!, que mesmo que não tivesse a antecedê-lo a jogada que acabei de relatar já seria um hino ao futebol, do GAITAN sem qualquer hipótese para o guarda-redes adversário.

 

Mas mais do que palavras, fica o video.

 

É (também/sobretudo) por isto que amo este desporto!

 

 

Em tempo: Sintam-se à vontade para colocar na caixa de comentários links para outros golos do Benfica que rivalizem com este na sua beleza.

 

 

 

 

 

 

 

por Superman Torras às 19:58 | link do post | comentar | ver comentários (36)

Passeio

O Benfica acabou por ir dar um passeio até Paços de Ferreira, resolvendo as coisas muito cedo com uma entrada em jogo simplesmente brilhante, passando depois a gerir o resultado, e encerrando o jogo da melhor forma com a entrada do capitão em campo para construir a nossa vitória mais robusta nesta Liga até ao momento.

De fora do onze ficaram os dois jogadores em risco de suspensão: Coentrão e Salvio, rendidos pelo Carole e pelo Jara - que foi ocupar a esquerda, surgindo o Gaitán na direita. Também de fora ficou o Sídnei, por troca com o Jardel. A entrada do Benfica no jogo foi demolidora. Muita velocidade e jogadores em constante movimento, aproveitando o atrevimento do Paços, que raramente joga com grandes cautelas defensivas. E com cinco minutos de jogo, tivemos um penálti claro a nosso favor (espanto por o Artur Soares Dias assinalar o penálti...). O Cardozo desta vez não tremeu, e enviou a bola para um lado e o guarda-redes para o outro. Continuou o Benfica a atacar, e um minuto depois do Jardel ter falhado o golo de forma incrível, cabeceando mal e sem oposição após um canto quando o mais fácil era mesmo acertar na baliza, o Benfica voltou a marcar, numa jogada argentina: Jara para Saviola na direita, passe para o Aimar na área, que controlou com um toque e já perto da baliza, perante a saída do guarda-redes, com o outro fez a bola passar-lhe sob o corpo. Ia decorrida apenas uma dúzia de minutos. E o massacre do Benfica continuava, com ocasiões de perigo a surgir quase em cada ataque.

A conclusão lógica foi mais um golo do Benfica, numa jogada de ataque fantástica, com a bola a passar por vários jogadores em velocidade até chegar ao Maxi na direita, que passou rasteiro para o Cardozo e este tocou para trás, aparecendo depois o Gaitán ainda de fora da área e sobre a direita a fazer um remate de primeira e em arco que meteu a bola literalmente na gaveta. Estavam decorridos vinte e cinco minutos de jogo, e o Benfica já vencia por três golos sem resposta. Nesta altura, pelo que se via, se as coisas continuassem por este caminho o mais provável seria este jogo acabar com um resultado histórico. O que acabou por salvar o Paços foi o infeliz autogolo do Carole (tocou de raspão com a cabeça na bola, após livre da esquerda), três minutos depois, que serviu para arrefecer um pouco a euforia do Benfica e dar alguma confiança ao Paços. Que, dois minutos depois, poderia ter voltado a marcar, já que um livre de muito longe levou a bola a bater no poste da nossa baliza (pareceu-me que o Roberto ainda lhe tocou). O jogo entrou então numa toada mais equilibrada, com ataques de parte a parte, mas a cinco minutos do intervalo o jogador do Paços que cometeu o penálti voltou a fazer uma falta estúpida, agarrando o Saviola, e viu o segundo amarelo, facilitando ainda mais a tarefa ao Benfica.

A segunda parte foi bem menos interessante do que a primeira. O Benfica veio mais apostado em gerir a vantagem sem dispender grande esforço, e foi-o conseguindo apesar da boa vontade dos jogadores do Paços, que nunca baixaram os braços. Os nossos ataques eram feitos em menor velocidade e com menos jogadores, muitas vezes perdendo-se devido a excessos individuais. As coisas só voltaram a animar mesmo nos dez minutos finais, numa altura em que o Nuno Gomes, Carlos Martins e Peixoto já estavam em campo. Primeiro foi o Aimar que, isolado por um passe muito longo do Luisão, viu o golo ser-lhe negado pelo pé do guarda-redes do Paços (quase que saía um golo igual ao que ele marcou ao Guimarães, na altura a passe do Sídnei). Um minuto depois, apareceu o Nuno Gomes em cena para, aproveitando a liberdade que lhe foi concedida pela defesa do Paços, à segunda recarga a um primeiro remate do Peixoto, fazer o quarto golo. Animado por este golo, o Benfica voltou a imprimir mais velocidade, com o Carlos Martins bastante activo na direita, e ainda foi a tempo de fazer um quinto golo, novamente pelo Nuno Gomes, desviando de forma oportuna mais uma insistência do César Peixoto.

Há vários jogadores que merecem destaque. O Aimar é um deles: fez um grande jogo, e aparenta estar numa forma física muito boa, sendo dos jogadores que amntiveram um ritmo mais constante durante todo o jogo. O Maxi Pereira já não é surpresa que se apresente num ritmo altíssimo, já que parece que nunca se cansa. Gostei, ao contrário do jogo com o Portimonense, do Jardel. Javi García o pêndulo do costume, e o Jara fez um jogo muito agradável, mas com o senão de não ter estado particularmente inspirado na altura do remate, sobretudo por demorar quase sempre demasiado tempo a fazê-lo. O Gaitán continua a mostrar a sua classe em cada toque na bola, e o golo que marcou foi sublime. Fiquei também agradado com o Carole, que não merecia aquele azar do autogolo. Mas parece estar a integrar-se, e o atrevimento que vai ganhando no ataque fica-lhe bem, porque parece saber subir bem no terreno. Finalmente, claro, o elogio para a eficácia do nosso capitão Nuno Gomes.

Aquela entrada do Benfica no jogo ter-nos-á deixado a todos muito satisfeitos, quer pela alta qualidade do futebol praticado, quer pela eficácia. E ainda por cima sem utilizar dois jogadores nucleares como o Coentrão e o Salvio. Mas hoje gostei também muito que a equipa tenha mostrado uma muito melhor condição física, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos jogos. Claro que marcar e resolver cedo permite gerir o jogo e o cansaço de forma muito mais eficaz, mas mesmo o Aimar, que não é dos jogadores fisicamente mais resistentes, fez os noventa minutos aparentemente sem quaisquer problemas. Agora espero que aproveitemos a paragem no campeonato para recuperar ainda mais, e atacarmos a fase final da época na melhor condição física possível. Ainda há muito para conquistar.

 

P.S.- Aparentemente, voltaram a 'simular' mais qualquer coisa lá por aqueles territórios sem lei. A quantidade de casos semelhantes à volta do Benfica sempre que se deslocou a esta zona do país só esta época seria suficiente para que alguém com responsabilidades fizesse alguma coisa, mas pelos vistos quando o mandante moral diz que são simulações, os supostos responsáveis baixam os cornos e enfiam a cabeça na areia, juntando-se aos indecorosos avençados espalhados pela comunicação social vergonhosa que temos. E isto é numa época em que conseguiram roubar uma Liga a seu bel-prazer. Imagino o que seria se não fosse assim. É de notar o facto do ataque ter partido do 'unico viaduto que não estava sob vigilância da GNR'. Como não quero ser mal intencionado, vou assumir que isto se tratou apenas de uma infeliz coincidência, e não o resultado de qualquer informação que tenha de alguma forma encontrado o caminho desde as autoridades até aos marginais que perpetraram o acto. Mais ou menos como a coincidência de alguém viajar subitamente para Vigo antes de uma rusga.

por D`Arcy às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (43)

Mais uma reles demonstração de cobardia e violência

 

[link]

 

Num Portugal em diminutivo, os pequenos tiranos de bairro espalham o terror, a vergonha e o ódio. São recebidos em cortejo patético pelos rafeiros que arrastam o rabo e a incompetência na Assembleia da República. Têm sempre à mão uns quantos jornalistas que tentam lavar a sujidade com o chamado “sabão macaco” e outros tantos comentadores que acham normal o crime e condenam a denúncia do mesmo.

 

Os cães de fila dos criminosos continuam, impunemente, a dar demonstrações públicas e descaradas da cultura vergonhosa que os norteia. Gente reles, comandada por gente reles que estende os tentáculos num reles país.

por Pedro F. Ferreira às 00:50 | link do post
Segunda-feira, 21.03.11

Mais dois...

Noventa minutos de utilização total, cinco golos e duas assistências.

 

P.S. - Se o Nuno Gomes se quiser ir embora para ganhar mais num último contrato no estrangeiro, é óbvio que eu percebo e resta-nos agradecer-lhe e dar-lhe a despedida que ele merece. Mas se os responsáveis do Benfica não mostrarem interesse e nem sequer lhe propuserem a renovação, digo aqui claramente que considero isso um crime de lesa-benfiquismo. Além de ser um enorme disparate deixar ir embora um jogador que precisa de 18 minutos em campo para marcar um golo...

por S.L.B. às 23:32 | link do post | comentar | ver comentários (13)

É sempre um prazer...

... ver o Benfica ganhar. É sempre um prazer ver o Benfica ganhar com dois golos do grande Nuno Gomes. É sempre um prazer ver o Nuno Gomes e o Jorge Jesus abraçados nos festejos dos golos. É sempre um prazer saber que, ao contrário do que as cuscas de cabeleireira que emprenham pelos ouvidos apregoam, os golos do Nuno Gomes são pelo Benfica e não contra ninguém dentro do Benfica. Todos somos Benfica.

por Pedro F. Ferreira às 22:57 | link do post
Sexta-feira, 18.03.11

Sorteio da Liga Europa

Iremos defrontar o PSV Eindhoven nos quartos-de-final da Euroliga, com o jogo da 1ª mão a ser disputado pela terceira vez consecutiva na Luz. O PSV está em 1º lugar do campeonato holandês, mas teremos uma grande oportunidade para nos vingarmos da final perdida em 1988. Apesar de nos termos dado bem até agora com a 2ª mão disputada no terreno do adversário, a única coisa que eu alteraria era a ordem dos jogos, já que a 1ª mão disputar-se-á apenas quatro dias depois de recebermos o CRAC para o campeonato. E estarmos a assumir as despesas de duas partidas em casa, que se prevêem intensas, com tão pouco tempo de intervalo, era algo que evitaria se eu pudesse. De qualquer modo, espero que desta vez não consintamos golos caseiros ao adversário…

 

Mas dado que as equipas mais credenciadas eram o CRAC e o Villarreal que não só não nos calharam agora, como também não as defrontaremos numas possíveis meias-finais, fiquei contente com o sorteio. Se (e convém por agora só pensarmos em eliminar o PSV) passarmos, iremos jogar contra o vencedor do Braga – Dínamo Kiev. Teoricamente bastante mais favorável que um Liverpool – Manchester City… E aqui, sim, gostei inclusive da ordem dos jogos, já que teremos a 2ª mão na Luz.

 

Eu, que sou um pessimista por natureza, tenho que dizer o seguinte: temos uma oportunidade muito grande de voltarmos a uma final europeia. Sim, claro, temos que pensar jogo a jogo e por enquanto ainda faltam (esperemos bem) quatro, mas no ranking da Uefa só o CRAC está acima de nós. Acredito que o plantel e equipa técnica estejam todos concentrados nisto e se lembrem que o sorteio da Champions também poderia ter sido teoricamente muito pior, estávamos no pote 2 e depois aconteceu o que aconteceu. Pelo que fizeram no ano passado, a equipa técnica e os jogadores já entraram na história do Benfica. Este ano têm hipótese de acrescentar mais um capítulo, com a pequena diferença que um capítulo destes não é escrito há quase 50 anos…

 

FORÇA BENFICA!!!

 

P.S. – E é aconselhável fazer muitos treinos de conjunto com a equipa que defrontou o Portimonense. Sem o descanso dos titulares, tenho grandes dúvidas que tivéssemos eliminado o PSG. Por mim, o último jogo que os titulares fariam para o campeonato seria contra o CRAC… (Até porque me lembro sempre do que aconteceu ao Diamantino na véspera da final de Estugarda…)

por S.L.B. às 13:14 | link do post | comentar | ver comentários (32)

Os marginais

Experimentar as tensões do confronto de ideias só é negativo para quem ignora a possibilidade de as resolver pelo discernimento. A resposta possível às tensões é procurar o discernimento de nos situarmos nas balizas – e não à margem – dos valores edificantes.

 

Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica, sabe onde se situa, não foge às tensões, apresenta-se e expõe (expondo-se) pública e corajosamente as suas ideias na defesa do nosso Benfica. Isto só é crime para criminosos que não têm o discernimento de resolver as tensões e norteiam os seus valores pela razão da violência. Foi por não abdicar da defesa intransigente do Benfica que aquele benfiquista foi gratuitamente agredido na cidade do Porto.

 

Qualquer pessoa de bem só pode lamentar e solidarizar-se com Rui Gomes da Silva. Muitas pessoas de bem o fizeram. O presidente do FC Porto não o fez e, pior, agrediu-o verbalmente. Ao fazê-lo, legitimou, mais uma vez, uma espúria manifestação de cultura doentia, perversa e reles que envergonha qualquer pessoa e qualquer instituição de bem.

 

Ao chamar “palhaço” ao vice-presidente do Benfica, o presidente do FC Porto assumiu-se publicamente como um modelo de líder que vive valores precários e provisórios. Valores que, tal como a sua liderança, estão condenados à derrota porque estão alicerçados na periferia da verdade e da honra. São valores incapazes de contagiar pela positiva e que medram na violência, no ódio e em todas as margens da civilidade. Por isso, as suas palavras envergonham todos os que não são marginais. Por isso, as suas palavras são seguidas apenas por marginais. Por isso, só podem ser classificados como marginais os que, cobardemente, agrediram um vice-presidente do Benfica.

 

Na vertigem do momento e na impaciência do presente, os vis tiranetes vivem a ilusão da vitória. No entanto, a História demonstra que a vitória nunca é agarrada pelos que vivem na margem e à margem da verdade e da justiça.

 

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Artigo de opinião publicado também na edição de 18/03/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Quinta-feira, 17.03.11

Raça

Até pode não ter havido muita 'arte' no jogo do Benfica esta noite, mas houve raça, querer e ambição até mais não. Os grandes jogos também se fazem assim. Foi um jogo difícil e de muita luta, mas conseguimos o resultado necessário para o nosso objectivo: carimbar a passagem aos quartos-de-final da Euroliga, repetindo assim pelo menos o desempenho da última época.

Foi quase num segundo Estádio da Luz que o Benfica entrou em campo com aquele que poderemos considerar o seu onze base. Apoio fantástico dos nossos adeptos em França, que encheram as bancadas do Parque dos Príncipes e devem ter deixado os nossos jogadores a sentirem-se em casa. Quanto ao jogo, desde o primeiro minuto que se percebeu que seria difícil. Não porque o Benfica tenha sido muito pressionado, mas sim porque foi quase sempre um jogo de muita luta. As duas equipas empenharam-se no jogo, pressionando sempre muito de parte a parte, o que resultou num futebol não muito atractivo, em que a bola andava pouco pelo chão, as posses de bola eram curtas de parte a parte, e não havia muitas jogadas construídas de forma organizada. Para o Benfica, o problema maior parecia chamar-se Nenê, já que não havia maneira de o Maxi acertar com a marcação ao brasileiro, que por diversas vezes surgia solto por aquele lado e depois era difícil de travar quando embalava com a bola. Conforme disse, o Benfica nunca esteve sujeito a pressão intensa, muito por culpa do imenso esforço e trabalho que os nosso jogadores colocavam em cada lance - até mesmo o Aimar dava mais nas vistas pelo trabalho na ajuda ao Javi no meio campo do que a atacar. Mas num jogo destes um golo poderia cair para qualquer um dos lados num lance fortuito, e sabendo-se que bastaria um golo do franceses para ficarmos em desvantagem na eliminatória havia a preocupação de que esse golo pudesse acontecer, pelo que seria fundamental sermos nós a marcar primeiro.

E disso se encarregou o Gaitán, poucos minutos antes de chegarmos à meia hora de jogo, na conclusão de um contra-ataque conduzido desde a entrada da nossa área - após uma recuperação de bola do Aimar. Conseguimos colocar cinco jogadores na frente contra quatro defesas do PSG, e na altura em que o Gaitán recebeu a bola sobre a esquerda, à entrada da área, toda a gente esperaria um cruzamento - incluindo o guarda-redes. Só que em vez disso saiu um remate rasteiro que levou a bola a entrar junto ao poste mais próximo, deixando o guarda-redes algo mal na fotografia (já no princípio do jogo tinha tido uma péssima saída a um cruzamento, que quase resultou num golo para nós). Quem não esteve nada mal na fotografia foi o Roberto, que um minuto depois do golo defendia com as pernas um remate de um adversário isolado, evitando assim o empate. Mas já nada pôde fazer a dez minutos do intervalo, quando num grande remate de primeira à entrada da área o Bodmer fez o golo, resultado com que se foi para intervalo e que se ajustava perfeitamente ao que se viu durante os primeiros quarenta e cinco minutos.

A segunda parte foi um pouco mais calma. O Nenê esteve mais sossegado, e o ritmo do jogo pareceu abrandar um pouco. O Benfica podia ter resolvido a coisa logo a abrir, mas o Cardozo, em noite desinspirada, atirou torto quando se apanhou completamente só em frente à baliza, após cruzamento do Salvio. E ainda no primeiro quarto de hora, por mais três vezes o Benfica ameaçou: primeiro pelo Saviola, a emendar mal um passe do imparável Coentrão, depois num remate do Cardozo, defendido pelo guarda-redes, e finalmente numa cabeçada do Luisão após um canto, em que falhou o alvo por pouco quando o normal numa ocasião daquelas é o nosso capitão não perdoar. A resposta do PSG foi igulmente perigosa, com o Erding a falhar o golo após um lance em que o Sídnei decide, de forma incompreensível, deixar passar uma bola cruzada da esquerda. Ao ver o tempo a passar e a eliminatória a fugir-lhe, o PSG aumentou a pressão nos quinze minutos finais, lançando para o jogo o Giuly e o Hoarau. Poderiam ter sido recompensados a dez minutos do final, mas uma defesa do Roberto por instinto, a um remate desferido à queima-roupa, evitou o golo, e praticamente carimbou a passagem, já que os franceses foram apostando cada vez mais em bolas altas para o gigante Hoarau, sem grandes resultados práticos, até porque o Benfica se resguardou com as entradas do Peixoto e do Jardel nos minutos finais.

Melhores do Benfica, para mim: Coentrão, Roberto e Luisão. O nosso defesa esquerdo é praticamente imparável, e continua a todo o gás quando todos os outros parecem já não ter fôlego para dar mais um passo. Aquela arrancada fantástica que ele tem perto do final, em que vai deixando todos os adversários para trás e só é travado à entrada da área em falta (na minha opinião, para vermelho directo) é exemplificativa disto. O Roberto esteve seguro, e fez duas defesas cruciais, uma em cada parte. O Luisão foi o pilar habitual na defesa, e na fase final de despejo de bolas do PSG para a nossa área não deu hipóteses. Muito bem também o Gaitán, em especial na primeira parte, mas foi-se apagando à medida que o cansaço foi levando a melhor sobre ele. Gostei também do Javi e do Aimar, tendo o argentino surpreendido pelo muito trabalho defensivo que fez na primeira parte. A nossa dupla de avançados esteve apagada, com muitos passes falhados de forma estranha pelo Saviola, e muitas perdas de bola do Cardozo.

Está cumprida a missão, e amanhã lá estaremos na Suíça para ver quem nos calha em sorte. Não creio que tenhamos que temer quem quer que seja dos possíveis adversários. A Euroliga é uma competição muito equilibrada, e podemos ter ambições legítimas em chegar mais longe. Assim o desejamos todos.

por D`Arcy às 22:10 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Domingo, 13.03.11

Aposta

E à quinta foi de vez. Depois de, pela quinta vez consecutiva, permitirmos aos visitantes que se adiantassem no marcador, hoje já não conseguimos a reviravolta no resultado, talvez por culpa das várias poupanças feitas - e poderíamos até ter perdido o jogo, já que apesar de termos atacado sempre mais, as melhores oportunidades acabaram por pertencer ao Portimonense.

Se era para poupar jogadores, então poupou-se mesmo: nada menos do que dez dos habituais titulares ausentes do onze, mantendo-se apenas o Aimar, a quem coube a honra de envergar pela primeira vez a braçadeira de capitão. A baliza foi entregue ao Moreira, defesa com Luís Filipe, Carole, Jardel e Roderick, meio campo com, para além do Aimar, Airton, Peixoto e Meneses, e o ataque entregue a Kardec e Jara. Apesar de tantas ausências, desde início que se assistiu a um jogo com o perfil habitual dos jogos na Luz, como Benfica a ter a iniciativa e o adversário a fechar-se o mais possível atrás, tentando sair depois no contra-ataque. O problema é que cedo se percebeu também a falta de capacidade da equipa que tínhamos em campo para encontrar soluções para chegar ao golo. O jogo parecia um autêntico solteiros contra casados, com passes fáceis falhados, jogadores a não conseguirem controlar uma bola, e a quase ausência de jogadas com princípio, meio e fim. O único sinal de perigo foi dado por uma cabeçada do Kardec, logo aos cinco minutos, mas pouco mais se viu depois disso. Quando o Portimonense resolveu vir até à frente, primeiro enviou uma bola à trave, num remate de fora da área sem hipóteses para o Moreira, e no minuto seguinte (aos vinte e sete), beneficiou de um penálti, cometido de forma muito infantil pelo Roderick, colocando a mão na bola num lance aparentemente sem qualquer perigo. Só nos últimos cinco minutos é que o Benfica conseguiu pressionar de forma mais consistente, criando algumas ocasiões de perigo - em particular uma situação em que o Airton, na pequena área e com tudo para marcar, conseguiu não acertar na bola.

A segunda parte trouxe o Salvio e o Gaitán nos lugares do péssimo Meneses e do Carole. Trouxe também mais ataque do Benfica, mas com o Portimonense a conseguir aguentar-se sem muitas aflições, e a mostrar-se sempre perigoso nas saídas para o contra-ataque, já que na maior parte do tempo a nossa equipa esteve literalmente partida ao meio, com os cinco jogadores mais avançados a não recuarem para defender. Se havia um canto ou um livre a nosso favor, em que os centrais e o Airton subiam, caso o Portimonense recuperasse abola, conseguia quase sempre fazer um contra-ataque em igualdade ou mesmo superioridade numérica. Num destes lances, colocaram um jogador isolado na cara do Moreira, e a bola, depois de picada sobre ele, acabou por acertar no poste. No minuto seguinte (setenta e sete), o Benfica chegou ao empate: canto na esquerda, cabeçada do Jardel para defesa apertada, tentativa de recarga do Roderick, e finalmente o inevitável Nuno Gomes, quase sobre a linha, a cabecear para o golo. A partir daqui a pressão do Benfica intensificou-se, obrigando o guarda-redes do Portimonense a bastante trabalho até final - negou o golo ao Nuno Gomes e ao Jara. No entanto, mais uma vez num contra-ataque, o Portimonense podia também ter marcado, valendo-nos a defesa do Moreira com o pé.

No jogo de hoje destacaria talvez o Moreira e o Jara. Gostaria que o Nuno Gomes tivesse jogado de início, ou pelo menos que tivesse entrado mais cedo. O Carole - havia a curiosidade de ver a sua estreia - não comprometeu. Mas a verdade é que a maior parte dos que jogaram hoje mostraram que não são titulares por alguma razão. Não quero estar a particularizar e a desancar alguns jogadores, porque também compreendo que há factores como a falta de ritmo, ou mesmo estar em campo toda uma equipa que praticamente nunca jogou junta, acusando por isso uma natural falta de entendimento. Mas não tenho dúvidas de que alguns dos jogadores que vimos esta noite em campo não estarão no plantel da próxima época.

Foi uma aposta arriscada do nosso treinador, e acabou por perdê-la. Mas compreendo-a: a liga já nos foi roubada, e os objectivos são agora outros. Temos um jogo importante na quinta-feira, e se havia ocasião para descansar jogadores, era esta. Agora é concentrarmo-nos naquilo que podemos ganhar.

por D`Arcy às 23:13 | link do post | comentar | ver comentários (75)

Factos II

Sim, irei continuar a bater no ceguinho até que alguém me explique de uma maneira que ultrapasse o blá, blá, blá de “o treinador é que sabe” (porque o treinador também “sabia” que o David Luiz deveria jogar a defesa-esquerdo na pocilga e parece que se enganou, não foi...?) porque é que NESTE MOMENTO o Nuno Gomes não tem lugar na equipa titular frente ao último classificado do campeonato, quando o Kardec (jogador que até gosto) está numa forma péssima desde o início de 2011 e o Felipe Menezes continua a exibir a sua velocidade estonteante (antes que me caiam em cima, claro que o Nuno Gomes não era para jogar a extremo-direito, poderia era deslocar-se o Jara para lá...)?

 

Até que alguém me diga por A+B porque é que o Jesus continua a votá-lo ao ostracismo, deixo aqui os números actualizados: 77 minutos de utilização em todas as competições, três golos e duas assistências. Para além da frieza dos números, fui só eu que reparei que o nosso jogo de tabelinhas e desmarcações resultou muito melhor com ele em campo?

 

Oiço dizer que o Nuno Gomes “já não dá mais do que isto”. Mas isso é onde? Nos treinos? (Calculo então que o Kardec e o Felipe Menezes sejam pequenos Maradonas nos treinos... Podem ser jogadores de futuro, mas convém ganharmos no presente, não?). Na playstation? Sim, porque dentro de campo e em competição acho que os números dele são razoáveis, ou estarei enganado? Repito o que disse no outro post: a única crítica que aceito ao Nuno Gomes é que ele demonstra uma ineficácia brutal estando sentado no banco ou na bancada...

 

P.S. - As declarações dele na flash-interview demonstraram, mais uma vez, que o homem é um Senhor. É “mais um no plantel”, sim senhor, mas se 11 anos de Benfica não devem equivaler a tratamento preferencial, acho que também não deve ser menos do que os outros... Em especial, daqueles que NESTE MOMENTO claramente não estão a render em campo...

por S.L.B. às 23:10 | link do post | comentar | ver comentários (47)

Gentinha quase honesta

Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica, foi agredido, na cidade do Porto, por adeptos do FC Porto. Foi agredido porque livremente defende o Benfica.

 

Pinto da Costa, o homem que é recebido como gente de bem na Assembleia da República pelos deputados da nação que lhe beijam o anel, chamou-lhe "palhaço" e, com isso, legitimou a agressão, legitimou o crime. [link]

 

A maior parte dos comentadores e jornalistas desviou o olhar, baixou os olhos e aceitou o jugo no cachaço.

 

 

É impossível não recordar as palavras do Alexandre O’Neill, no poema “Ao Rosto Vulgar dos Dias”:

 

«Monstros e homens lado a lado,

Não à margem, mas na própria vida.

 

Absurdos monstros que circulam

Quase honestamente.

[…]»

 

por Pedro F. Ferreira às 13:03 | link do post
Sábado, 12.03.11

Treinador de bancada

Fiquei muito satisfeito ao ver a convocatória do Jesus. Assumimos sem sombra de dúvida que o principal objectivo da época é a Liga Europa, tal como eu já vinha defendendo desde aqui. No entanto, já durante a parte final do jogo em Braga me questionei porque é que o Coentrão não tinha forçado o amarelo, para cumprir a suspensão frente ao Portimonense, e afinal agora também ficou fora dos convocados. Poderíamos e deveríamos ter limpo a defesa titular toda de cartões...

 

Colocando-me eu na pele do Jesus, amanhã jogaria com o seguinte onze: Júlio César; Luís Filipe, Sidnei, Jardel, César Peixoto; Airton; Felipe Meneses, Aimar, Jara; Kardec e Saviola. Se fosse mesmo eu a fazer a equipa, jogaria com o Moreira (como espécie de compensação por não ter sido titular na meia-final da Taça da Liga) e o Nuno Gomes em vez do Kardec, que não tem estado na melhor forma nos últimos jogos.

 

De qualquer maneira, e apesar de o Portimonense ser treinado(?) pelo Carlos Azenha, é sempre bom princípio entrarmos concentrados. Não admito, naturalmente, outro resultado que não a vitória.

 

P.S. - Estas declarações confirmam que este sujeito é COMPLETAMENTE conivente, cúmplice e muito possivelmente ele próprio deu o seu beneplácito ao que se passou. Mais: toda a violência que tem acontecido nas deslocações do Benfica à cidade do Porto, se dúvidas houvesse ficaram agora totalmente esclarecidas, têm-no a ele como principal responsável. E não só moral. Há que acabar com isto o mais rapidamente possível e estou para ver o que vão dizer as instâncias responsáveis pelo futebol nacional depois destas declarações. Mas vou esperar sentado... A minha total solidariedade com o Rui Gomes da Silva.

por S.L.B. às 22:11 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Sexta-feira, 11.03.11

Dimensões

No Minho tenho vários e bons amigos. É gente de grande dimensão humana, daqueles que fazem questão de espelhar na hospitalidade a honra e a verticalidade que os norteia na vida. No Minho, em Braga, o Benfica foi, mais uma vez, mal recebido. Foi recebido, de forma indigna e mal-educada, por gente pequena que espelha na hospitalidade a tacanhez e a vergonha que os norteia.

 

Tal como não aceito que se confunda Portugal com o Benfica – pois o Benfica é muito maior do que Portugal – não aceito que se confunda a cidade de Braga com o Sporting de Braga actual, pois este é muito mais pequeno do que a cidade que indignamente representa.

 

As atitudes parolas e incendiárias do speaker de serviço na ‘pedreira’ são eco da política de parolice e pateguice implementada pelo seu actual presidente, o primeiro responsável pela violência e pelo acicatar da jagunçada acéfala que, pelos seus actos, escarra na história do próprio clube.

 

Após dezoito vitórias consecutivas, o Benfica perdeu em Braga. Perdeu para um árbitro que, repetidamente, reproduz em campo as tendências anti-benfiquistas que desabafa em privado. Perdeu para uma parelha de árbitros assistentes que reproduziram em Braga uma incompetência calculada e idêntica à que apresentara em Guimarães. Perdeu para um clube que, actualmente, reproduz uma cultura bebida, apreendida e encomendada noutras paragens.

 

Como benfiquista, lamento a derrota. Como observador do futebol, lamento as circunstâncias da derrota. Como benfiquista, sei que nenhuma derrota nos abate. Como observador do futebol, sei que este tipo de vitórias, conseguidas com base na violência, abaterá o clube que as consegue.

 

Clubes que, como o actual Braga, cospem na sua história e subvertem a sua matriz acabarão como acabam todos os corpos que servem de hospedeiros aos parasitas que lhes sugam a vida.

 

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Artigo de opinião publicado também na edição de 11/03/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post

Vantagem

Vantagem mínima conquistada na primeira mão da eliminatória, num jogo em que 'jogámos' talvez cerca de meia hora dos noventa minutos de jogo - por alguma culpa própria, mas também por culpa do adversário, que não é de forma alguma tão fraco como às vezes me parece que alguns estão convencidos.

A entrada do Benfica no jogo não foi a melhor (embora, curiosamente, tenha dado o primeiro sinal de perigo, pelo Gaitán logo no primeiro minuto) - ou poderíamos dizer que foi o PSG que começou bastante bem o jogo . Com a equipa sempre muito bem posicionada, conseguiu construir um bloco muito sólido à frente da sua área, que a nossa equipa não conseguia ter arte nem engenho para desorganizar - muito também por culpa da desinspiração ou falta de fulgor de vários jogadores nossos, em particular do Salvio (passou quase ao lado do jogo) e do Gaitán (não deve ter ganho um lance no um para um), o que deixou o ataque pelas alas praticamente entregue em exclusivo ao Coentrão e ao Maxi, com o consequente afunilamento do jogo. A equipa francesa procurava, sempre que possível, pressionar bastante alto, impedindo muitas vezes que saíssemos a jogar, e obrigando a pontapés longos - isto é algo que estamos habituados a ver a nossa equipa fazer, mas nesta fase não conseguíamos fazer nada disto, não sei se por cansaço. Recuperada a bola, eles contra-atacavam com bastante velocidade, conseguindo causar perigo em várias ocasiões. Rapidamente responderam àquela tentativa do Gaitán, e aos cinco minutos só uma defesa do Roberto impediu o golo a um adversário na sua cara. E quando marcaram mesmo, à passagem do quarto de hora (colocando mais uma vez um jogador isolado na cara do guarda-redes, após um passe entre os nosso defesas pela zona central, numa jogada em que me pareceu que o autor do passe teve demasiada liberdade para progredir sem ser pressionado), foi apenas o desenlace mais lógico para a o melhor futebol que iam mostrando durante esses primeiros minutos. Não ficaram por aqui, já que dois minutos depois atiravam uma bola ao ferro, após um cruzamento da esquerda a meter a bola no segundo poste, e mantiveram a nossa baliza sob ameaça durante quase toda a primeira parte.


Só perto da meia hora é que o Benfica começou lentamente a dar um ar da sua graça no ataque. Encarregou-se disso o Cardozo, primeiro com um remate de pé direito a proporcionar uma boa defesa ao guarda-redes francês, e depois num livre, que resultou em mais uma defesa difícil. Este livre deu o sinal de partida para uns últimos dez minutos em que aí sim, o Benfica foi claramente superior, e conseguiu encostar o PSG à sua área, criando várias situações perigosas - devido em boa parte ao maior atrevimento ofensivo dos dois laterais, que devem ter decidido que teriam que ser eles a assumir as despesas no ataque, visto que os seus colegas mais avançados não estavam claramente nos seus dias. Depois de ameaçar alguma vezes, o Benfica chegou mesmo ao empate, a quatro minutos do intervalo, e através do jogador que claramente mais merecia um golo - Maxi Pereira. Isolado nas costas da defesa por um passe fantástico do Carlos Martins, controlou a bola no peito e rematou de primeira, de pé esquerdo, para um bonito golo (o Maxi deve estar a tornar-se um personagem maldito para os franceses). Até ao apito para intervalo, mais uma boa situação para o Benfica, em que o Coentrão optou pelo remate quando me pareceu que o passe teria sido a melhor opção, e ainda um lance em que me pareceu ter havido falta sobre o Javi dentro da área - fora da área aquele lance seria sempre sancionado.

Esperava uma entrada para a segunda parte no seguimento daquilo que tinha sido o final da primeira, mas tal não aconteceu. O PSG pareceu apostar numa toada um pouco mais cautelosa, procurando manter mais a bola em seu poder, e arriscando pouco, e o Benfica voltava a mostrar dificuldades para causar perigo no ataque e até mesmo para conseguir ter bola. O jogo caiu assim numa toada algo aborrecida, em que as ocasiões de perigo eram quase inexistentes - apenas numa ocasião, pelo Saviola, o Benfica ameaçou a baliza adversária. O Jorge Jesus, a meio da segunda parte, acabou por fazer as substituições mais evidentes, e no espaço de cinco minutos retirou do campo o Salvio e o Gaitán, entrando para os seus lugares o Jara e o Aimar. Quando o Aimar entrou em campo, faltavam vinte minutos para o final, e na sua primeira intervenção colocou a bola no Cardozo, que com um toque desmarcou o Saviola. Este tirou um adversário do caminho, e quando estava isolado foi claramente derrubado em falta no interior da área. Penálti claríssimo (e consequente expulsão do jogador que faz a falta) que, incrivelmente, nenhum dos membros da equipa de arbitragem quis ver. Toda a gente continua a perguntar-se para que servem os árbitros de baliza. Este penálti não marcado pareceu espicaçar a nossa equipa, que nos vinte minutos finais submeteu o PSG a uma grande pressão. Os franceses foram recuando cada vez mais as linhas para perto da sua baliza, e praticamente já não tentavam contra-atacar de forma organizada, parecendo estar mais empenhados em manter o empate. Não o conseguiram, porque com nove minutos para jogar, o Jara recebeu uma bola do Aimar, à entrada da área e descaído sobre a esquerda, rodou sobre o adversário, e rematou rasteiro e cruzado para o fundo da baliza, fixando o resultado final. Nos minutos finais o Benfica ainda procurou um terceiro golo, mas apenas num remate do Saviola conseguiu criar algum perigo.

O melhor jogador do Benfica foi o Maxi. Qual cansaço, qual quê. Joga sempre com o mesmo ritmo, tem pulmão que nunca mais acaba, e passou os noventa minutos a subir e a descer aquele lado direito. Mereceu plenamente o golo. Gostei também do Carlos Martins, sendo de destacar o grande passe para o golo do Maxi. O Coentrão e o Roberto também estiveram em bom plano. E mais uma vez, entrada importante do Jara no jogo - o sua mentalidade batalhadora que não lhe permite dar um lance por perdido é importantíssima. Outros jogadores houve que estiveram muito abaixo do seu normal. O Sídnei teve uma primeira parte horrível, com inúmeros passes e cortes a acabarem sempre nos pés de um adversário. Os já citados Gaitán e Salvio passaram praticamente despercebidos, sendo a sua deficiente condição física a explicação mais provável para o jogo que fizeram.

Mais uma vez 'demos' um golo de avanço a jogar em casa, para depois operarmos a reviravolta e acabarmos por vencer. Foi assim nos últimos quatro jogos: Estugarda, Marítimo, sportém e PSG. Isto revela uma boa capacidade anímica da nossa equipa, mas seguramente que termos que andar a correr atrás do resultado também implicará um maior desgaste físico. O mais importante é mesmo irmos para a segunda mão com vantagem. Acredito plenamente na passagem aos quartos-de-final, mas teremos que trabalhar muito no segundo jogo. Roubado que está o campeonato, é capaz de ser boa ideia deixar alguns jogadores de fora do próximo jogo com o Portimonense.

por D`Arcy às 02:26 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Quinta-feira, 10.03.11

Vamos a eles!

Porque, como já tive oportunidade de dizer, a minha revolta se transmuta em apoio incondicional nas bancadas (é o meu grito, intemporal, de insurreição, de indignação, de ira, de rebelião) e porque não sei - e dou todos os dias graças aos deuses por isso - viver o Benfica de outra maneira, daqui a pouco meto-me a caminho de casa, do meu (de todos nós) Estádio da Luz, para apoiar sem amarras o meu Benfica contra o PSG. E não vejo a hora - não vejo mesmo, e isto é sentido e verdadeiro e vem do fundo - de estar sentado no meu lugar a apoiar os meus, de cabeça erguida, com um orgulho imorredoiro e com a certeza de que o faço é puro e honesto. Quero que eles lá em baixo sintam que estou com eles (sempre - sempre!) e que pontapeiem a bola e que esvoacem a camisola vermelha com a certeza profunda de que não é um qualquer contratempo velhaco contra corruptos e esbirros que algum dia me fará acreditar menos neles.

 

Vamos a eles, viva o Benfica!!!

 

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Quarta-feira, 09.03.11

Quero o Xistra!

Quando os gajos que mandam no futebol deixam um árbitro de fora é porque reconhecem que existiram erros graves no jogo que esse árbitro apitou. Certo?

O erro tenha ou não influência no resultado, não é desfeito. Não podemos validar um golo na secretaria, ou invalidar, nem muito menos jogar com 12 no jogo seguinte! Ou até mesmo repetir um jogo. Confere?

Logo, é por isso que não concordo muito com o facto de não termos Xistra na próxima jornada.

Já que, quando há erros estes passam incólumes, porque não deixar que o árbitro que errou numa determinada jornada continue a fazer merda de incompetente na jornada seguinte e de preferência num jogo onde esteja presente um adversário directo do clube prejudicado.

Quero o Xistra, mas não nos jogos do Benfica outra vez.

por Corto Maltese às 15:48 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Terça-feira, 08.03.11

Roberto

Ainda no rescaldo do Braga - Benfica, não consigo deixar de pensar naqueles minutos em que uma falta a favor do Benfica foi transformada em falta contra e, ao mesmo tempo, utilizando de um rigor não visto, por exemplo, nas duas ocasiões (corte de bola com a mão e pisadela a Cardozo) em que o bracarence Kaká devia ter visto o 2º amarelo, o apitador de ocasião, por indicação do fiscal-de-linha e a pedido do "banco" da equipa da casa, decidiu expulsar Javi Garcia. 
Certo é que, nesses mesmos minutos, na marcação da falta (como já disse, marcada ao contrário) Hugo Viana manda um “charuto” que caprichosamente ganha a direcção da baliza. Não deixa também de ser verdade que Roberto esteve mal neste lance, pois contando com um cruzamento, não foi a tempo de corrigir a saída em falso, acabando a “charutada” por se transformar em golo.

E é sobre Roberto que quero escrever.

 
Depois de uma pré-época e início de campeonato titubeante, a 3º jornada marcou o ponto de viragem na prestação do guarda-redes espanhol, que em vários jogos foi decisivo na manutenção da inviolabilidade da baliza do Benfica, segurando assim resultados e contribuindo desta forma para a conquista de diversos pontos.

Nos últimos dois jogos, porém, Roberto voltou a revelar a sua maior lacuna: bolas bombeadas para a entrada da pequena área. Se no jogo contra o Sporting essa falha acabou por não ser decisiva (chegando mesmo a segurar o empate nos instantes finais do jogo), no jogo deste fim-de-semana, em Braga, não se pode dizer o mesmo, apesar do punhado de grandes defesas que evitaram, em algumas ocasiões, o golo do Braga.

Como seria de esperar, o mote está dado para voltar a atacar Roberto, numa clara tentativa de desestabilizar a equipa, de voltar os adeptos contra a mesma, pois os nossos adversários já perceberam que o nosso apoio é a maior força da nossa equipa. No entanto, por muito que alguns insistam em fazer-me olhar para a parte do copo que está vazia, eu prefiro olhar para a parte do copo que está cheia e que é substancialmente superior à que está vazia.
Roberto já mostrou qualidades que poucos guarda-redes no mundo (e menos ainda em Portugal) terão. Por isso, estou convicto que o caminho a seguir é ajudar Roberto a que o copo fique mais cheio. É para isso que servem os treinos e os treinadores de guarda-redes e, para utilizar jargão futebolístico, o “chamado trabalho específico”.

Roberto já mostrou que tem uma enorme atitude mental (pela forma como ultrapassou o turbulento início de época) e que tem qualidades raras para um guarda-redes, que lhe permitem decidir jogos a nosso favor. Por isso, custar-me-ia que, ao invés de aproveitar esse talento e de ajudá-lo a colmatar os pontos fracos, o Benfica o desperdiçasse. Enquanto o Roberto estiver no Benfica e, sobretudo, quando for ele a defender a nossa baliza, terá todo o meu apoio, assim como terão Júlio César e Moreira.

Força Roberto! Força Benfica!


E agora, só quero ganhar ao P.S.G.
Segunda-feira, 07.03.11

Orgulho

Acabei de chegar de Braga, e devo dizer que estou contente. Porquê? Primeiro porque consegui ir àquele estádio e ainda tenho a minha carteira, e depois porque sou orgulhosamente do Benfica, e não adepto de uma prostituta reles mascarada de clube de futebol, como aquela contra quem tentámos jogar hoje.

Querem uma crónica do jogo? É fácil: minuto quarenta, e o Benfica vence por 1-0 na cidade de Braga, contra o clube local, golo do Saviola em recarga a um livre do Carlos Martins. E vai conseguindo, apesar da poupança de dois jogadores nucleares, segurar o jogo e o adversário sem grandes problemas. O Javi García faz um alívio junto à linha lateral, em frente ao banco da equipa local. Um indivíduo com pinta de dançarina exótica num qualquer bar de alterne do Reinaldo atira-se para cima dele e, acto contínuo, mergulha para o chão enquanto esperneia, agarrado ao pescoço. Como numa peça de teatro muito bem ensaiada, o banco inteiro da equipa local levanta-se aos guinchos e pulos simiescos, o árbitro assistente (que apenas 'por acaso' é o mesmo que nos roubou um golo e um penálti no jogo em Guimarães) agita a bandeira, e o Xistra, que nada viu (porque nada se passou) dá vermelho directo ao nosso jogador. Para piorar, do livre que se segue - que deveria ter sido ao contrário, porque a falta é da dançarina exótica, que carregou o Javi quando ele aliviou a bola - sai um chouriço do jogador local que, de forma completamente não intencional, leva a bola a entrar na baliza. E assim, no espaço de um minuto, o Benfica deixa escapar da mão um jogo que estava perfeitamente controlado. Na segunda parte, a jogar em inferioridade numérica, lutámos enquanto foi possível e acabámos por sofrer o segundo golo num remate de longe, sem grandes hipóteses, da autoria de um dos dois cretinos que o ano passado agrediram impunemente o Cardozo ao intervalo.

Compreendo a necessidade de se poupar algumas unidades nucleares, até por sabermos que o destino deste campeonato começou a ser traçado fora das quatro linhas desde as primeiras jornadas. Mas disse logo no início que contra estes energúmenos é que não gostava mesmo nada de poupanças. Estes tipos nem um clube são. São uma tentativa de imitação de algo. E uma imitação reles. Tentam imitar merda, mas nem merda conseguem ser. São merda de pechisbeque. São as provocaçoezinhas reles de clubeco pequenino. Não dizerem 'Benfica' uma única vez, referindo-se a nós como o 'clube visitante'. Os insultos constantes, partindo do próprio speaker do estádio, que chegou mesmo ao ponto de, com o jogo a decorrer, berrar insultos ao Benfica pelo sistema sonoro do estádio, incitando as pessoas nas bancadas que fossem suficientemente imbecis para o fazerem a imitarem-no. As bolas de golfe, isqueiros e moedas com que os nossos jogadores foram bombardeados - o Cardozo levou com uma bola de golfe no joelho, o Martins foi atingido quando se preparava para marcar um livre, o Fábio e o Maxi foram alvos constantes durante todo o jogo. As repetidas atitudes fiteiras e provocatórias dos próprios jogadores locais durante os noventa minutos. E no final, ganho o jogo, parecia que tinham sido campeões do mundo, de joelhos a agradecer ao céu, e cortejos de imbecis a buzinar pela cidade fora. Compreende-se: as putas reles ficam sempre contentes quando pensam que conseguem agradar ao seu chulo - que depois as espanca enquanto lhes jura que são as preferidas dele.

Acaba por ser emblemático que este campeonato leve aquela que deverá ser a estocada final desta forma. Da mesma forma que começou a ser cozinhado em Agosto e Setembro. Quanto aos nosso jogadores, só tenho a dizer que me sinto imensamente orgulhoso. Orgulhoso por ser do Benfica, e orgulhoso por tê-los no meu clube. Perante o ambiente doentio e intimidatório que vi hoje, portaram-se sempre de forma digna, nunca perderam a cabeça e souberam resistir a todas as provocações. Pergunto-me quantos seriam capazes do mesmo. Pergunto-me se alguma equipa, alguma vez, visitando a Luz, teve que passar por aquilo que os nossos jogadores têm que passar todos os anos quando visitam o Ladrão, e agora quando visitam este sucedâneo de clube. Nem sequer a lagartagem, que é o nosso grande rival histórico, eu alguma vez vi descer a este nível.

A nossa equipa deu-nos dezoito vitórias consecutivas, e ao décimo-nono jogo viu a vitória ser-lhe surripiada. Se alguém pensa que isto nos faz esmorecer, engana-se, porque só nos faz mais fortes. Estou com esta equipa incondicionalmente e até ao fim. E na próxima quinta-feira, lá estarei a gritar por eles, para que dêem início a uma nova série de vitórias. De forma digna, dentro do campo e fora dele.

por D`Arcy às 04:12 | link do post | comentar | ver comentários (142)
Domingo, 06.03.11

Orgulho em ser benfiquista.

Aconteceu com o Boavista, com o Belenenses, com o Sporting e acontecerá com o Braga. Todos os clubes que se venderam e vendem ao jugo dos andrades acabam de rastos, junto ao chão, mas ainda mais sujos do que a calçada. O que aquela gentalha hoje fez foi mais um escarro na história do Braga. Mais do que tudo, sujaram definitivamente o nome do clube deles.

 

Agora, nós, Benfica, sacudamos o pó. Há 3 troféus para conquistar. Conquistemo-los em conjunto, equipa e adeptos.

por Pedro F. Ferreira às 22:17 | link do post
Sexta-feira, 04.03.11

A herança do benfiquismo

O benfiquismo renovou-se, em festa, no dia 28. Mais de cem anos depois de os fundadores terem ousado sonhar o Benfica, uma obra em eterna construção, o benfiquismo demonstra-se saudável.

 

Serve a evocação simbólica da data fundadora para recordar que o Benfica se transformou em muito mais do que um clube, uma marca ou um produto. O Benfica transformou-se num veículo de valores morais e responsabilidades sociais que ultrapassam a miopia da espuma dos dias.

 

Hoje em dia, podemos olhar para a nossa história com a certeza de que nada nela nos envergonha e muito dela nos orgulha. Tivemos a dignidade de nos construirmos com vitórias e derrotas, com sonhos e frustrações, mas sempre com a honra de não alicerçarmos o nosso benfiquismo em práticas criminosas de corrupção desportiva. Também nisto nos diferenciamos de alguns, e também por isso podemos olhar para os nossos adversários com orgulho na nossa identidade e de olhos nos olhos.

 

No entanto, esta herança gloriosa implica responsabilidades para quem tem a honra de a viver diariamente. Obriga-nos a perceber o Benfica como uma causa e o benfiquismo como uma missão. Obriga-nos a que esta vivência seja absoluta e incondicional. Esta herança não permite que o benfiquismo seja uma vivência sujeita à volatilidade do momento, ao hipotético desânimo de circunstância ou aos caprichos das vaidades pessoais.

 

Tudo o que for aquém disto é ficar aquém da herança que festejámos no dia 28 de Fevereiro.

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Artigo de opinião publicado também na edição de 04/03/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Quinta-feira, 03.03.11

A Ferros

Vitória arrancada a ferros, complicada e valorizada por um adversário que, reconhecendo que não tem as mesmas armas que nós, fez bom uso das que tem. Manteve-se quase sempre organizado e dificultou muito a tarefa da nossa equipa, que hoje também não esteve ao seu melhor nível, acusando mais uma vez algum cansaço.

Se das quatro competições o Jesus abdicaria da Taça da Liga, não foi essa a mensagem que passou com a escolha do onze inicial: jogámos com aquela que se pode considerar a nossa equipa-tipo, apenas com a alteração do Carlos Martins no lugar do Aimar. Os primeiros minutos deixaram desde logo antever um jogo complicado. O sportém estava consciente que não poderia entrar na Luz de peito feito e tentar discutir o jogo pelo jogo com o Benfica, pelo que apostou primeiro em conter-nos e neutralizar o nosso jogo, para depois tentar saídas rápidas no contra-ataque. O Benfica, jogando a um ritmo demasiado pausado, não conseguia encontrar formas de contrariar isto, e os primeiros minutos do jogo deverão ter servido para dar confiança aos nossos adversários, já que conseguiam manter-nos mais ou menos controlados sem muita dificuldade - apenas num lance do Gaitán o Benfica criou algum perigo. Para piorar as coisas, o sportém colocou-se em vantagem praticamente na primeira vez que chegou à nossa baliza: aos vinte minutos de jogo, livre despejado de muito longe para a área, o Roberto hesitou na saída e quando o fez já chegou tarde à bola, permitindo a antecipação de cabeça do Postiga.

Só a partir da meia hora é que o Benfica começou finalmente a conseguir empurrar o sportém para a sua área. E pelo inevitável Polga (hoje não esteve em campo o brilhante Grimi, mas aquele Evaldo também parece ser um moço promissor), acabou por ter um penálti a favor, após um 'abraço' demasiado evidente ao pescoço do Javi. O Cardozo encarregou-se de a falhar, permitindo a defesa ao Patrício, mas ainda os Benfiquistas lhe rogavam pragas e a lagartagem celebrava alegremente e o mesmo Cardozo, com uma cabeçada fulminante após um canto, igualava o jogo. Foi aos trinta e quatro minutos de jogo, e o sportém pareceu acusar o golo, já que daí até ao intervalo praticamente só deu Benfica, e aí deu para perceber que se o Benfica conseguisse imprimir uma maior intensidade e velocidade ao seu jogo, o sportém já revelava maiores dificuldades para manter a organização defensiva e as suas linhas bem posicionadas.

Esperava mais do mesmo para a segunda parte, mas o intervalo fez mal ao Benfica - ou bem ao sportém. O Benfica até criou uma boa ocasião de início, com uma incursão do Coentrão pela esquerda a oferecer o remate ao Cardozo, que de pé direito atirou para a bancada - a isto respondeu o sportém com um remate do Postiga. Mas depois o jogo entrou numa espécie de impasse, com o Benfica a jogar novamente a uma velocidade reduzida, e o sportém bem organizado no seu meio campo a conseguir anular e cortar as nossas jogadas de ataque quase à nascença. Tinha esperanças que a entrada do Aimar, a vinte e cinco minutos do final, viesse trazer uma nova alma ao ataque, mas ele acabou por sair lesionado dez minutos depois. Mas os minutos finais do jogo trouxeram novamente um Benfica mais dominador, enquanto que o sportém foi recuando cada vez mais e parecendo estar apostado em levar a decisão para os penáltis. O Cardozo enviou a bola à trave, e a este lance seguiram-se outros em que os nossos jogadores surgiam em boas condições para rematar e causar perigo, quase sempre a partir da esquerda, onde mesmo o recém-entrado Abel não parecia ter pernas ou capacidade para estancar as investidas do Coentrão e do Jara (que ocupava a esquerda do ataque). Apostado em evitar os penáltis, o Benfica forçava cada vez mais, mas o sportém podia ter acabado por resolver a coisa, pois teve uma grande oportunidade a um minuto do final, mas o Roberto redimiu-se do golo sofrido com uma grande defesa a remate do Fernandez. E já com dois minutos de compensação decorridos, o Benfica acabou por chegar à desejada recompensa para o seu esforço. Mais uma investida do Jara na esquerda, com o cruzamento a cair nos pés do Cardozo e a bola a ressaltar deste para o Javi García, que bateu o Patrício. Game over.

Melhores do Benfica, para mim, Luisão e Javi García. O Luisão no registo do costume, perante um adversário irritante como o Postiga, e o Javi impecável nas dobras e na luta do meio campo, onde na maior parte das vezes estava em desvantagem para os adversários que ali surgiam. O Cardozo foi importante na fase de assédio final, pois ganhou quase todas as bolas que lhe enviavam, para depois solicitar um colega vindo de trás (tirando partido de estar a ser marcado pela nulidade do Polga). Apesar de mostrar evidente cansaço, nessa fase o Coentrão foi também importante no ataque, onde contou com a preciosa ajuda do Jara. Menção ainda para o Maxi que, como de costume, parece ser imune ao cansaço, e para o Saviola, cujas movimentações entre as linhas do sportém me parecem ter sido muitas vezes mal aproveitadas.

E a ferros lá arrancámos a décima oitava vitória consecutiva, que nos permite ir à final da Taça da Liga defender o troféu cujas duas últimas edições conquistámos. Penso que há justiça na nossa vitória, porque fomos quem mais a procurou. Há mérito do sportém por ter conseguido jogar de forma organizada e dificultado muito a nossa tarefa, mas terão pago o preço de terem apostado demasiado cedo em querer levar o jogo para a lotaria dos penáltis. Se fossem uns tipos decentes, provavelmente deveriam destacar isto, mas para não fugir à regra preferiram enveredar pelo discurso idiota da arbitragem, desta vez de uma forma generalista, ou seja, não conseguem sequer queixar-se de lances concretos; queixam-se da arbitragem porque sim, e pronto (sim, claro, o Jorge Sousa - olha quem - é um fervoroso apoiante do Benfica). O cansaço em algumas unidades-chave do Benfica parece começar a ser evidente, mas não deixa de ser irónico - e um atestado do brio e querer da nossa equipa - que tenhamos conseguido arrancar as duas últimas vitórias nos últimos minutos dos jogos, depois de termos submetido os adversários a pressão constante.

por D`Arcy às 02:09 | link do post | comentar | ver comentários (46)
Quarta-feira, 02.03.11

Estrelinha de campeão...

... mas mérito indiscutível.

Não estivemos ao nosso nível habitual, contra um adversário motivado que deu boa resposta. 

Mas a sorte também beneficia quem a procura e, apesar do aparente cansaço, o Benfica foi sempre quem esteve mais perto de vencer.

Mais uma final atingida. Mais uma taça que espero ver nas nossas vitrinas.

 

E agora só quero ganhar ao Braga. 

Sem tréguas

Vamos jogar contra o Sporting com a certeza de que somos melhores e sabendo que, independentemente da retórica, é dentro do campo que essa certeza se confirma. A nossa maior arma continua a ser a grande confiança que todos – adeptos e equipa – temos. No entanto, só com uma entrega enorme e com a humildade de respeitar os adversários (o árbitro é o Jorge Sousa) é que os poderemos ultrapassar.

 

Lembro as palavras de Padre António Vieira, quando dizia que “O muito roncar antes da ocasião é sinal de dormir nela". Hoje, ninguém pode adormecer sem dar tudo na luta pela vitória.

por Pedro F. Ferreira às 16:06 | link do post

Respeito

Hoje é dia de mais um derby. Este é o jogo que mais me toca como adepto. Já perdi a conta aos que assisti, desde que comecei a ver futebol e a sentir-me benfiquista. Mas por mais jogos destes a que eu assista, seja qual for a competição, sejam quais forem as situações de cada uma das equipas, o derby é para mim sempre um jogo especial. É por isso que eu faço questão de vê-los ao vivo, sempre que possível - e isto já incluiu ir ao estádio para assistir a derbies disputados para a Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.

 

É verdade que o nosso maior adversário nos últimos anos tem sido o Porto, mas apesar de os detestar, quando penso neles sinto sobretudo desprezo. Quando penso no sportém (coisa que, diga-se, evito fazer sempre que possível), ao facto de os detestar também junta-se um sentimento mais visceral, que não tem muita explicação, e que só pode mesmo ser descrito como rivalidade. Não me interessa o quão lamentável seja o estado deles, a verdade é que tem sempre um sabor especial vencê-los, e custa sempre mais perder este jogo. Não quero ganhar-lhes para confirmar que somos melhores do que eles, porque isso já é uma convicção absoluta na minha vida. Quero ganhar-lhes porque no futebol o que mais gosto é de ver o Benfica ganhar, e a seguir a isso gosto de ver o sportém perder, e portanto uma vitória num derby permite-me juntar estas duas coisas. Compreendo que, para benfiquistas mais novos, seja o Porto quem desperte sentimentos de repulsa mais fortes, mas eu cresci numa altura em que nos perguntavam se éramos do Benfica ou do sportém - e éramos quase todos do Benfica, o que provocava alguns problemas quando se tentava organizar os Benfica x sportém no recreio da escola, porque quase ninguém queria ir para o lado do sportém (convenhamos que era muito mais cativante podermos dizer com orgulho 'Eu sou o Bento' ou o Humberto, o Nené ou o Chalana do que ter que ir para a outra equipa e ficarmos sujeitos a que alguém dissesse 'Tu és o Manuel Fernandes'). Uma altura também em que até matraquilhos ainda eram pintados com os equipamentos dos rivais de Lisboa. Para mim o sportém é rival, o Porto é adversário (neste momento até é mais inimigo do que adversário, porque para ser adversário teria que se restringir à luta leal dentro das quatro linhas).

 

Se há algo que eu sinto, enquanto adepto, é que no momento em que o apito inicial soa, deixa de interessar a classificação das equipas, a forma em que estão, quantos jogos é que uns ganharam de seguida e outros perderam, o que contam são aqueles noventa minutos. Já assisti a grandes surpresas, de um lado e de outro, e que foram contra quase todas as expectativas. Por isso mesmo, aprendi a respeitar o derby. Não digo respeitar o sportém (porque não lhes tenho respeito nenhum, e sabemos bem que o sentimento é mútuo), mas respeitar o derby é importante. Não me sinto confortável com discursos do género 'menos de qualquer coisa é derrota' e afins. Estou confiante na minha equipa, e sei, ainda por cima com base nos dois jogos que já disputámos esta época, que somos melhores. Mas não basta sê-lo no papel, temos que o ser em campo, e só o conseguiremos se abordarmos o jogo com o mesmo respeito e seriedade com que o fizemos a semana passada. Eles estão feridos, e irão dar tudo para conseguirem oferecer aos adeptos um motivo para sorrir no meio da patetice que tem sido esta época deles. Cabe-nos a nós mantê-los tristes (e eles quando andam cabisbaixos até costumam ser umas pessoas muito mais porreiras e fáceis de aturar do que quando andam assanhados). Apesar de ser considerada uma competição menor, é uma competição oficial, e eu gostaria muito de fazer o tri na Taça da Liga.

 

Força Benfica!

por D`Arcy às 02:01 | link do post | comentar | ver comentários (16)

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