VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 29.07.11

Saber ser grato

Ter a possibilidade de, como atleta, servir um dos poucos clubes míticos no Mundo deveria ser encarado como um privilégio. Os privilégios agradecem-se.

 

Recentemente, ao ler o livro que Helena Águas escreveu sobre o seu pai, o nosso José Águas, percebia-se o sentimento de permanente agradecimento que o grande José Águas tinha para com o Benfica, os seus colegas de equipa e os adeptos do clube. A todos, em vários momentos, José Águas agradecia. Além disso, agradecia o privilégio de poder ter servido o Benfica com tal dignidade que acabou por fazer parte do património simbólico de todos nós, benfiquistas.

 

A vida deu-me o privilégio de trocar ideias, conversar e debater o Benfica com muitos dos que foram (e são) faróis do benfiquismo e exemplos de gratidão para com o Benfica. Desde Nené a Rui Costa, passando por Pietra ou Toni, todos demonstram, nos pequenos gestos, nas expressões que utilizam e nas ideias que veiculam, uma gratidão ao Benfica apenas ao alcance dos que sabem ser humildes na grandeza. São-no naturalmente, sem gestos calculados, sem teatralizar o sentimento, ou seja, são-no genuinamente. Perceberam que, pela sua conduta, passaram a fazer parte da história simbólica do Benfica. E, também por isso, não desperdiçam o privilégio de ficar com as pessoas, os adeptos, os benfiquistas, na sua história.

 

Alcançar este patamar não se consegue a beijar o emblema, a envergar a braçadeira de capitão ou a fazer declarações de circunstância. Consegue-se com respeito pelo Benfica e gratidão honesta pela possibilidade de se tornar um símbolo para milhões de pessoas. Uns sabem perceber o tempo, o espaço e o modo. Esses são os que ficam. Outros nunca perceberão sequer o tema abordado neste texto. Esses são os que passam.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 26 de Julho e publicado na edição de 29/07/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 28.07.11

Ontem na Luz

Eu: Que grande golo do Gaitán!

Sócio: Mas ele não está a jogar nada!

Eu: Está bem, mas marcou um golão!

Sócio: E depois, o que é que isso interessa?! O Cardozo também marca muitos golos e não joga nada!

Eu: Tem razão! Acho inadmissível o Benfica ter um jogador que só sabe marcar golos…

Sócio: Mas você gosta do Cardozo?! Então como é que explica que ele seja assobiado?

Eu: Porque a malta que o assobia é que percebe de futebol e eu não… Bons, bons eram o Pringle, o Delibasic, o Marcel e outros que tais que a malta assobiava menos.

Sócio: Não falo mais consigo! Eu percebo de futebol e você não. Você acha que o Cardozo é bom.

Eu: Pois é, eu não percebo nada de futebol. Aliás, sou eu e o Jorge Jesus, que nunca prescinde dele…

[Silêncio]

Eu: Mas numa coisa tem razão: escusamos de falar mais. O senhor bate-me em experiência…

 

Haja p-a-c-h-o-r-r-a…!

 

P.S. – Sim, o Cardozo ontem jogou pouco.

por S.L.B. às 15:39 | link do post | comentar | ver comentários (36)

Paciência

O objectivo principal para este jogo foi conseguido: vencemos por uma margem superior à mínima, e não consentimos golos. Durante vários períodos o jogo ainda pareceu mais um jogo de pré-época de que um jogo a sério, mas o Benfica foi sempre superior, e a sensação que mantive foi que o pior que poderia acontecer era sermos nós a não conseguir ganhar o jogo, porque o Trabzonspor nunca pareceu ter capacidade para alterar o rumo da partida.

O nosso treinador optou por um onze que poderíamos considerar de continuidade, colocando de início quase todos os jogadores que já eram titulares a época passada. Do onze base de então faltaram Roberto, Coentrão, David Luiz e Salvio, que foram agora substituídos pelo Artur, Emerson, Garay e Pérez. Na direita da defesa surgiu o Rúben Amorim, após vários meses de ausência. O Benfica entrou bem no jogo, com os turcos a reagirem mal quando eram pressionados na defesa e a entregarem facilmente a bola. Aos três minutos uma dessas situações poderia ter resultado num grande golo do Gaitán, com o chapéu que tentou ainda de muito longe a ser defendido no limite pelo guarda-redes turco. Mas a pressão mais intensa do Benfica pareceu durar apenas 20-25 minutos. Depois disso os turcos, que nunca esconderam que traziam como única intenção retardar ao máximo um golo do Benfica, conseguiram adormecer o jogo, e passaram a ter alguma liberdade para trocar a bola no seu meio campo defensivo. Apesar do domínio territorial, o Benfica mostrou ainda pouca desenvoltura no ataque. Passes mal medidos, toques a mais na bola e várias hesitações tiveram como resultado muito poucos remates, e sem se rematar à baliza é óbvio que não se pode marcar - ao intervalo creio que o único remate que fizemos que levou a direcção da baliza foi precisamente a tentativa de chapéu do Gaitán.

A segunda parte começou ainda pior para o Benfica. Não sei se foram instruções do Jorge Jesus, ou se foi o próprio Aimar a proteger-se por não se sentir bem fisicamente, mas a verdade é que ele foi-se quase encostar aos avançados, o que resultou numa equipa do Benfica partida ao meio, com um autêntico deserto no meio campo - por diversas vezes os defesas tinham a bola e esperavam em vão que alguém a viesse receber, acabando por ter de optar por passes longos. Paradoxalmente, isto também acabou por ter uma faceta positiva, pois de certa forma convidou os turcos a subir e a estenderem-se mais no campo, deixando de jogar com as linhas tão juntas como tinham feito na primeira parte e dando assim mais espaço para jogarmos à frente da sua área. A entrada do Nolito para o lugar do Pérez (o Gaitán passou para a direita), logo no início da segunda parte, melhorou bastante o jogo do Benfica, pois o espanhol veio dar nova vida e agressividade ao nosso ataque. E pouco depois da hora de jogo, nova alteração que já se impunha, com a saída do Rúben para dar lugar ao Maxi, trouxe ainda mais melhorias ao jogo do Benfica. Coincidência ou não, e já depois de uma bola do Saviola ao poste, o Benfica chegou mesmo ao golo a vinte minutos do final, com o Nolito sobre a esquerda da área a receber um passe do Aimar e a rematar cruzado para o golo. Este era o melhor período do Benfica no jogo, que a entrada do Witsel para o lugar do Aimar pouco depois veio ainda acentuar. O segundo golo poderia ter chegado mais cedo, pois logo a seguir ao primeiro ficou um penálti claríssimo por marcar, após ostensiva mão na bola de um defesa turco, mas a justiça no resultado acabou por chegar ao cair do pano, com um remate em arco do Gaitán que colocou a bola na gaveta.

As substituições feitas pelo Jorge Jesus esta noite resultaram todas em pleno. O Nolito injectou velocidade e agressividade no ataque, o Maxi trouxe profundidade à direita, após render um Rúben Amorim a acusar, com toda a naturalidade, a falta de ritmo após vários meses de ausência, e finalmente o Witsel deu solidez e uma mais eficaz ocupação dos espaços a meio campo. Gostei bastante da exibição do Garay - a qualidade não engana - e também do Luisão, que indiferente ao barulho à sua volta fez aquilo que melhor sabe fazer: defender de forma profissional o nosso emblema dentro do campo. O Emerson mostrou bastante segurança a defender, mas parece-me que o seu estilo não é o de arriscar muito em subidas para o ataque. Com a chegada da defesa titular parece-me que deixámos (com toda a naturalidade) de dar as facilidades que demos durante os jogos de pré-época. No geral, a equipa ainda não parece estar em perfeitas condições físicas, sendo um caso evidente o do Saviola, que praticamente se arrastou em campo durante a última meia hora.

Tal como não devemos entrar em depressão depois de um mau resultado, uma vitória também não deve significar que entremos automaticamente em euforia. O Benfica foi claramente superior ao Trabzonspor esta noite, e mereceu a vitória que conquistou, mas seria exagerado achar que fizemos uma exibição entusiasmante. Mantenho a minha opinião: temos neste plantel muita qualidade, e tenho bastantes expectativas em relação à equipa que poderemos construir. As declarações do Jorge Jesus, dizendo que considera que temos melhor plantel do que nas duas últimas épocas, mas que ainda não temos melhor equipa parecem-me acertadíssimas. Parece-me que deverá valer a pena ter um pouco de paciência para esperar pelo resultado final. A mesma que foi precisa no jogo de hoje.

por D`Arcy às 00:02 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Terça-feira, 26.07.11

Análise ao Trabzonspor (por Sérgio Berenguer)

Sérgio Berenguer, comentador da Benfica TV, partilha com os leitores da Tertúlia Benfiquista a sua análise ao próximo adversário do Sport Lisboa e Benfica:

 

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«O Trabzonspor é o adversário do Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, jogos a realizar a 27 de Julho (no Estádio da Luz) e a 2 de Agosto (no Estádio Huseyin Avni Aker Stadi com capacidade para cerca de 25 mil pessoas).

Considerado um dos “4 grandes da Turquia” a par de

  • Fenerbahçe         (18 títulos);
  • Galatasary           (17 títulos); e
  • Besiktas               (13 títulos),

o Trabzonspor já venceu o campeonato por seis vezes (1975-76, 1976-77, 1978-79, 1979-80, 1980-81, 1983-84) mas não é campeão há quase 30 anos. Venceu igualmente a Taça da Turquia por oito ocasiões (1977, 1978, 1984, 1992, 1995, 2003, 2004, 2010), tantas quantas as que venceu a Supertaça, sendo que venceu a do ano passado.

Este clube do norte da Turquia (já na parte asiática) - que foi durante muitos anos a única equipa de fora da capital a vencer a Liga (o Bursapor igualou o feito em 2009/10) - acabou a última época com os mesmos pontos do campeão Fenerbahçe, tendo perdido no “goal average” pois apesar de ter sido a equipa com menos golos sofridos no campeonato (23), apresentou saldo positivo de 46 golos contra os 50 golos do campeão que marcou 84 e sofreu 34.

Com um excelente registo de 25 vitórias e 7 empates em 34 partidas da última edição da Liga Turca, o Trabzonspor apenas sofreu duas derrotas (2-0 na casa do campeão e 1-3 frente ao Manisaspor, 10º classificado) e foi, segundo a generalidade da imprensa turca, a equipa que melhor futebol praticou naTurquia em 2010/11.

Fruto desse 2º lugar na “Super Ligi”, o Trabzonspor tem acesso à 3ª Pré-Eliminatória da Champions League, competição em que procura este ano chegar pela primeira vez à fase de grupos.

Em termos tácticos, na última época esta equipa turca apostou habitualmente em dois sistemas consoante o opositor e se o jogo era no seu reduto ou fora (4-4-2 e/ou 4-3-3), sendo que é uma equipa reconhecidamente de posse de bola e que ataca por qualquer zona do terreno não evidenciando qualquer preferência pelas zonas laterais ou central.

Apesar de sistemas e processos consolidados, o técnico Senol Günes não abdicou de ir introduzindo ao longo da temporada algumas variações na estrutura da equipa, sobretudo do meio campo para a frente, mantendo contudo a estrutura defensiva praticamente inalterável.

Relativamente ao ano transacto, o onze base habitual (quando em 4 x 4 x 2, em losango) do Trabzonspor era composto por:

GR: Onur Kıvrak (25 jogos titular) ou Tolga Zengin (9 jogos titular)

Defesa: Os laterais Ceyhun Gülselam (na direita) e Hrvoje Cale (na esquerda) acompanhavam os centrais Giray Kaçar e Egemen Korkmaz.

Meio campo: Selçuk Inan, como médio defensivo, Burak Yilmaz pela esquerda, Alanzinho (ou Ibrahim Yattara) pela direita e o argentino Gustavo Colman no centro.

Ataque: em apoio a Umut Bulut (30 jogos como titular, 13 golos) surgia invariavelmente o brasileiro Jajá Coelho (27 jogos como titular, 12 golos).

Para a nova temporada 2011/12, e ainda que tenha conseguido manter o seu melhor marcador da última época (o médio ofensivo Burak Yilmaz com 19 golos), verificaram-se diversas saídas, de entre as quais se destacam naturalmente os casos de Umut Bulut (para o Toulouse, o qual pudemos ver evoluir no relvado da Luz já nesta pré-temporada no jogo de apresentação aos sócios do S.L.Benfica) e Jajá Coelho (para o Al-Ahli).

 

 

 

Em termos de reforços, Zokora, médio que chegou do Sevilha, é certamente o reforço mais sonante desta formação que quer aceder à Liga dos Milhões, sendo que também a contratação do avançado Altintop (Frankfurt) alimenta o sonho dos adeptos do clube de conquistar o título e brilhar na Liga dos Campeões.

 

 

Entre entradas e saídas – e para além do interessante fluxo, nas duas direcções, entre Trabzonspor e Galatasary – a equipa da cidade de Trabzon, continuará a ser um conjunto bastante forte que, a exemplo de todas as equipas turcas, procurará tirar vantagem do ambiente bastante adverso que consegue gerar para os adversários quando os recebe no seu reduto.

Se na Luz poderá apostar num esquema mais comedido, é contudo expectável que em casa o Trabzonspor aposte num 4 x 3 x 3 de muita mobilidade em que deveremos ter no onze inicial:

 

(link)

 

GR: Tolga Zengin ou Onur Kıvrak (a pré-temporada determinará quem arranca como titular, a experiência de Tolga ou a evidente qualidade de Onur)

Defesa: como lateral direito o reforço Ondrej Celustka (provável depois da saída de Gulselam para o Galatasary) ou o polaco Piotr Brozek (já mais entrosado com a equipa) e na esquerda o polivalente Serkan Balcı ou Hrvoje Cale (titular em 22 jogos no campeonato transacto). No eixo defensivo Giray Kaçar deve ter a companhia de Arkadiusz Głowacki ou Mustafa Yumlu, depois da saída de Egemen Korkmaz (25 jogos como titular) para o Besiktas de Simão Sabrosa, Quaresma, Hugo Almeida e Manuel Fernandes.

Meio campo: será expectável que o costa marfinense Didier Zokora seja o médio defensivo (compensando a saída de Selçuk Inan – jogador mais utilizado na equipa na temporada passada - para o Galatasary), partilhando o miolo do terreno com o argentino Gustavo Colman e o reforço Adrian Mierzejewski, este último mais adiantado e com maiores responsabilidades na organização do jogo ofensivo.

Ataque: no apoio ao goleador Halil Altıntop será de esperar o aparecimento do reforço Paulo Henrique pela direita (Alanzinho pode ser igualmente opção) e Burak Yilmaz pela esquerda.   

Na deslocação a Lisboa, se não quiser (e certamente não quererá) ser tão ofensivo, o técnico Senol Günes poderá apostar num 4 x 2 x 3 x 1, em que Colman jogará ao lado de Zokora na frente do quarteto defensivo, ficando o meio campo entregue a Alanzinho (na direita, mais defensivo que Paulo Henrique), Burak Yilmaz (na esquerda) e Mierzejewski (no centro) com Altintop na frente, ou o próprio Paulo Henrique, dependendo do estado de forma do primeiro.

Outra alternativa, o 4 x 4 x 2 em que comparado com o 4 x 3 x 3, pode Serkan Balcı se juntar no meio campo (preferencialmente pela esquerda) a Adrian Mierzejewski (direita), Zokora e Colman (no centro do terreno) e ficando Burak Yilmaz no apoio ao ponta de lança mais posicional.

Na sua pré-época, o Trabszonspor fez já três jogos e empatou todos 1-1 (FC Oţelul, Genk e Charleroi).

Será certamente uma eliminatória complicada para S.L.Benfica em que será determinante a obtenção de um bom resultado em casa (seria sobretudo importante não sofrer golos) e manter a tendência da época transacta de marcar fora.

Passando esta terceira pré-eliminatória, o S.L.Benfica será cabeças de série no play-off de acesso à Champions, a última fase antes da fase de grupos.»

 

Texto de: Sérgio Berenguer

por Pedro F. Ferreira às 11:30 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 22.07.11

Mais do que um Clube

A dimensão e implantação social do Benfica obriga-o a ser mais do que um clube. Essa dimensão acarreta responsabilidades para com o país, para com a construção de cidadania.

 

Neste âmbito, importa realçar o trabalho silencioso, inestimável e que muito me orgulha realizado pela Fundação Benfica. O trabalho desenvolvido ao nível da intervenção precoce sobre os factores de exclusão e o desenvolvimento de mecanismos que promovem o sucesso educativo de crianças e jovens deve ser salientado.

 

Recentemente, vi declarações do director da Fundação Benfica, Jorge Miranda, sobre os resultados obtidos, logo no primeiro ano de implementação, com o projecto “Para ti, se não faltares!”. Ou seja, um projecto que desenvolveu em largas centenas de jovens uma grande motivação para combater a falta de assiduidade às aulas e, deste modo, melhorar o rendimento escolar. A julgar pelos testemunhos dos pais dos jovens envolvidos, a medida foi um sucesso. Os responsáveis, perante o sucesso obtido, delinearam novas metas, novos objectivos, para continuar a ajudar ao desenvolvimento destes jovens.

 

Objectivamente, não são estes projectos que nos fazem vibrar e viver diariamente o Benfica. Todos discutimos apaixonadamente sobre quem será o lateral esquerdo, o defesa central que acompanhará o Garay, a necessidade ou não de contratar mais um guarda-redes, a táctica indicada para o plantel.,, Todos defendemos os nossos futebolistas preferidos e olhamos de soslaio para os que tardam em convencer-nos da sua competência. E tudo isto é feito de forma apaixonada e cheios de certezas absolutas que se transformam em certezas relativas com intervalos de noventa minutos.

 

No entanto, convém que também olhemos para projectos aglutinadores e válidos como os que são desenvolvidos pela Fundação Benfica. Porque o Benfica é, efectivamente, muito mais do que um clube…

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Julho e publicado na edição de 22/07/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Quinta-feira, 21.07.11

Esperança

 

Vejo as fotos da acção promocional do Benfica no Rossio esta tarde e não consigo evitar um sorriso. Porque só consigo pensar que o Benfica é isto mesmo. É a gente que se junta espontaneamente à volta de uma cadeira gigante porque é o Benfica que está ali. E pede autógrafos ao André Almeida ou ao Rodrigo Mora só porque são jogadores do Benfica, mesmo que se calhar acabem por não ficar no plantel. São os sócios que aplaudem o Eduardo ou o Roberto na apresentação porque eles entraram em campo envergando a camisola do Benfica, e é só isso que basta para terem o nosso apoio incondicional.

 

E apesar do Benfica ser também a gente que, em nome de um suposto 'espírito crítico', avalia e desanca jogadores depois de ver um treino ou meia parte de um jogo, que os assobia e critica antes deles entrarem em campo ou até mesmo antes de assinarem pelo clube, apesar de também ser a gente que ainda antes de se dar um chuto numa bola já está a prever as piores desgraças e a deitar tudo abaixo, e que às vezes quase parece estar a torcer para que as coisas nos corram mal só para depois terem o prazer masoquista de esfregar as mãos e dizer "Eu não vos disse? Vêem como eu tinha razão?", coisas destas recordam-me que esses adeptos são uma minoria no gigantismo do Benfica. Porque para a grande maioria, 'Benfica' não desperta a depressão, a maledicência, o negativismo ou o derrotismo; desperta simplesmente alegria, que se vê nos sorrisos daquela gente. E isso renova-me, a cada dia, a esperança no meu clube.

por D`Arcy às 23:02 | link do post | comentar | ver comentários (37)
Quarta-feira, 20.07.11

Regresso

Finalmente o regresso a 'casa' depois de dois meses da ausência. Já tinha saudades de me sentar no meu lugar para ver as camisolas vermelhas sobre a relva da Luz.

A apresentação frente ao Toulouse terminou numa vitória do Benfica pela margem mínima, graças a um golo ao cair do pano, marcado pelo Jardel depois de uma jogada embrulhada na pequena área. O jogo foi algo morno e o Benfica não fez uma grande exibição, mas controlou sempre os acontecimentos de forma clara, e poderia mesmo ter vencido por uma margem mais folgada. As novidades da noite foram o Eduardo, o Emerson e o Garay, tendo todos eles tido a oportunidade de jogar, com o Emerson a actuar mesmo os noventa minutos. Nenhum deles teve grandes oportunidades para brilhar, mas o Garay ainda conseguiu estar perto de marcar na apresentação, ao cabecear ao poste da baliza francesa. De qualquer maneira, tendo em conta que foram quase directos do aeroporto para o relvado da Luz, estes últimos reforços não deixaram nada má imagem, e tenho expectativas altas para a dupla Luisão/Garay.

Deu para experimentar duas tácticas no jogo: na primeira parte o Benfica ensaiou uma táctica com apenas um avançado (Cardozo), com o apoio do Aimar, Nolito, Bruno César e Urreta, e na segunda parte jogámos numa táctica mais próxima do 4-4-2, com o Witsel a actuar praticamente ao lado do Matic no centro do meio campo. O Matic foi, na minha opinião um dos jogadores que mais se destacaram. Gostei também do Urreta na primeira parte, e na segunda foi o jogador que o substituiu - Enzo Pérez - quem esteve num nível mais alto. A desilusão da noite foi o Bruno César, que teve um jogo infeliz.

Agora mãos ao trabalho, que já só temos mais uma semana para preparar a pré-eliminatória da Champions.

por D`Arcy às 23:11 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Terça-feira, 19.07.11

Junk food

Sabemos, de fonte segura e insuspeita, que o Nolito foi activa, sistematica e insistentemente assediado pelos andrades antes de assinar pelo Benfica, que Witsel foi uma vitória retumbante da capacidade de negociação do Benfica, que o trouxe e o fidelizou por um montante inferior a uma oferta do fcp, e que Eduardo (goste-se ou não se goste, seja por razões relativamente objectivas ou por razões mais ou menos infantis) pendeu para o Benfica por questões de simpatia clubística pessoal e da família, apesar de ser uma aposta e um objectivo tentado até ao final para a baliza do fcp.

 

E, no entanto, não se fazem capas sensacionalistas na imprensa sobre as vitórias do Benfica no campeonato das contratações, muito também porque não temos – feliz ou infelizmente, dependendo da perspectiva, do grau de inocência e dos ‘princípios’ que se agitam histericamente ao vento – jornais que se disfarçam de imprensa isenta mas que são efectivamente veículos de propaganda de grupos económicos de legalidade duvidosa com interesses no futebol e nos meios de diversão nocturna.

 

A única coisa ligeiramente irritante nisto tudo? Os benfiquistas que continuam a comer esses pasquins e que, por consequência, continuam a ser, irónica e sistematicamente, ‘comidos’.

 

Comentários a isto, podem enviar para o estoumeaborrifar@zen.pt ou talktothehand@fuckoff.com.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 11:45 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Segunda-feira, 18.07.11

Linhagem

Depois do Bossio, Moretto, Roberto, parece que vamos agora ter o Eduardo. Depois de ajudarmos a argentina, brasileira e espanhola, está mais que na altura de ajudarmos a avicultura portuguesa. Em tempos de crise e de FMI, temos que comprar o que é nosso. Acho bem.

 

Não estou de acordo com o presidente do Génova ("com Eduardo temos sempre de contar com cinco frangos por época"). Espero bem que no Benfica não dê nenhum, porque seria sinal que o Artur Moraes jogaria sempre e ficaríamos descansados em relação à baliza.

 

Outra hipótese para justificar esta contratação/empréstimo é aprofundarmos as relações de vizinhança e querermos que o Rui Patrício seja o próximo titular da selecção. Também espero que isto aconteça, pelas mesmíssimas razões do parágrafo anterior.

 

(Sim, eu sei que temos que ter guarda-redes portugueses, porque mais do que um estrangeiro para a baliza seria desperdiçar vagas preciosas para jogadores não-nacionais, mas tínhamos lá o Moreira, não? Se lhe tivesse sido dito que seria a segunda, e não a terceira, opção para a baliza, ele não ficaria?)

 

P.S. - Do meio-campo para a frente estamos muito bem servidos. Este ano, se se lesionar um Salvio ou um Gaitán estiver esgotado fisicamente, há opções válidas que os poderão substituir e que, em princípio, não hipotecarão as hipóteses de títulos, como sucedeu na época transacta. Só mais dois desejos: o Luisão é OBVIAMENTE para ficar (tem cláusula de rescisão de 20M€, paguem-na e não podemos fazer nada; menos do que isso, obrigado, adeuzinho e voltem sempre) e o Urreta também (para casmurrices já serviu o ano passado, está bem, Jesus?).

por S.L.B. às 13:14 | link do post | comentar | ver comentários (74)
Domingo, 17.07.11

Desperdício

Empate no jogo com o Anderlecht e vitória final no torneio. O jogo fica marcado, a meu ver, pelo desperdício no ataque e pelas (já habituais nesta pré-época) facilidades concedidas na defesa.

 

O Anderlecht não foi um adversário fácil, e entrou no jogo com vontade de discutir o resultado, tentando exercer pressão sobre os nossos jogadores. Mas o Benfica, com o Saviola renascido, teve um bom início de jogo e começou a criar oportunidades para marcar, quase sempre com o Saviola nas jogadas. Foi mesmo ele quem inaugurou o marcador, rematando de ângulo apertado depois de ultrapassar o guarda-redes. O jogo parecia estar mais ou menos controlado, mas após vinte e cinco minutos o Miguel Vítor lesionou-se, e a nossa defesa, já de si fragilizada, acusou o golpe. Entrou o David Simão para a esquerda, passando o Fábio Faria para o centro, mas dois minutos depois já o Anderlecht empatava. Seguiu-se um período em que a nossa equipa abanou, mas perto do final voltou a construir novas oportunidades de golo, que o Jara em particular se encarregou de desperdiçar de forma incrível. Na última jogada o Anderlecht colocou-se em vantagem, numa iniciativa individual que voltou a aproveitar as facilidades concedidas do lado direito da nossa defesa.

 

A segunda parte trouxe as habituais alterações, e a qualidade do jogo ressentiu-se. Mas o Benfica continuou a ter mais iniciativa e a dispor das melhores oportunidades de golo, chegando naturalmente ao empate após decorridos dez minutos, com o Urreta na direita a rematar cruzado após receber um centro do David Simão. O resto do jogo nunca foi particularmente bem jogado, mas estive sempre com a sensação de que poderia haver um golo em qualquer uma das balizas. Na do Anderlecht pela quantidade de jogadas de ataque que o Benfica fazia; e na nossa pela quantidade de buracos que a nossa defesa teimava em abrir - particularmente na direita - quando os belgas resolviam atacar.

 

Foram demasiados golos falhados por nós: contei pelo menos cinco ocasiões em que colocámos um jogador na cara do guarda-redes - Saviola, Jara(2), Nolito e Bruno César - e apenas a ocasião do Saviola acabou em golo. E foram muitos os espaços concedidos na defesa, em particular na direita - para mim o André Almeida terá sido o nosso pior jogador esta noite, e custa-me acreditar que o Wass não saiba fazer melhor do que aquilo. Gostei do Saviola na primeira parte, e do Urreta na segunda.

 

No geral, gostei de ver aquilo que esta equipa consegue fazer no ataque, e também da capacidade para recuperar bolas na zona do meio campo. A defesa continua a ser o factor mais preocupante mas, conforme sabemos, falta muita gente. Neste momento só espero que a lesão do Miguel Vítor não seja grave, que o Garay esteja em Lisboa em breve, e que tenhamos um lateral esquerdo já esta semana. Faltam dez dias para a pré-eliminatória da Champions, e não me parece que a defesa actual nos ofereça garantias suficientes para esse jogo.

por D`Arcy às 22:40 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Sábado, 16.07.11

Evolução

Contra o adversário mais forte da pré-época até agora, o Benfica já se mostrou alguns furos acima daquilo que tínhamos visto na Suíça, tendo vencido o PSG por 3-1 com alguma naturalidade.

 

Apresentando um onze inicial cuja maior novidade era a presença do Gaitán como segundo avançado, o Benfica entrou bem no jogo, mostrando uma boa dinâmica no ataque e conseguindo exercer uma pressão bastante alta ainda no meio campo adversário. Marcámos cedo, pouco depois dos dez minutos, com o Cardozo a aproveitar, já perto da pequena área, um ressalto após uma boa iniciativa individual do Aimar. Infelizmente a defesa comprometeu quatro minutos depois, consentindo o empate numa jogada em que o PSG aproveitou o espaço dado pelo André Almeida, que não acompanhou o seu adversário directo (Nené) quando este fez uma diagonal para o centro. A este golo seguiu-se o pior período do Benfica no jogo, e só no último quarto de hora é que voltámos a subir de rendimento e a empurrar o PSG para a sua defesa.

 

A segunda parte trouxe as habituais alterações, com uma equipa quase toda diferente do meio campo para a frente: entraram Nolito, Saviola, Jara e Witsel para os lugares do Bruno César, Pérez, Aimar e Cardozo, e minutos depois foi a vez do Urreta substituir o Gaitán, com o Benfica a passar a jogar numa disposição mais próxima do 4-4-2 clássico. O Benfica entrou melhor, e acabou por chegar ao segundo golo pelo Jara, isolado após uma insistência do Nolito, que recuperou a bola na defesa do PSG. Pouco depois deu-se a expulsão de um jogador francês, e os últimos vinte minutos foram quase de sentido único para a baliza do PSG, com o terceiro golo a chegar mesmo no final, quando o Saviola aproveitou mais uma jogada individual do Nolito para rematar com êxito. No 'desempate' por penáltis, o Benfica voltou a vencer, aproveitando a defesa do Artur ao remate final do PSG, e ainda um dos penáltis mais caricatos que vi acabar em golo, marcado pelo Javi.

 

Destaques do Benfica o Artur, sempre seguro durante todo o jogo, Aimar na primeira parte, e Nolito na segunda. Não gostei muito de ver o Gaitán jogar como segundo avançado; pareceu-me que ficou demasiado ausente do jogo. O Saviola continua a atravessar um momento infeliz, e só no final, com o golo e um passe fantástico para o Jara, é deixou uns lampejos daquilo que sabe fazer. O Matic ainda me causa alguma confusão. Parece ser bastante bom posicionalmente, mas depois fico sempre com a sensação que arrisca demais para o estilo de jogador que é e a posição que ocupa, pois demora algum tempo a libertar-se da bola e nem sempre procura jogar simples. Quanto à estreia do Witsel, não se pode dizer muito. Julgo que se terá preocupado em não complicar. Tacticamente, vi-o muitas vezes preocupado em ajudar a fechar o lado direito, por onde o PSG tinha causado mais problemas na primeira parte, e a verdade é que o André Almeida teve uma segunda parte bem mais tranquila. Mas não podemos ignorar o facto do melhor jogador do PSG (Nené), que jogava naquela zona, já não estar em campo.

 

O mais importante é mesmo notar-se evolução na equipa. Vi, mesmo que a espaços, o Benfica construir jogadas agradáveis e ser capaz de pressionar de forma eficaz. Temos o problema de ter que jogar com aquela defesa de circunstância, mas por outro lado causa-me bastante expectativa pensar o que é que esta equipa poderá fazer assim que tivermos a defesa completa. Porque para jogar à frente dela julgo que temos muitas e boas soluções.

por D`Arcy às 02:11 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sexta-feira, 15.07.11

Este é o nosso Benfica

Há expressões a que, pela recorrência da repetição, deixamos de prestar a atenção devida. Recorrentemente, e fazendo uso de uma legítima indignação e de um legítimo sentido crítico, oiço consócios e adeptos do nosso Benfica dizerem que “este não é o meu Benfica”.

 

Sendo nós benfiquistas, somos do Benfica e somos Benfica. Logo, negar este Benfica como meu seria quase negar uma parte do que sou. Dizia o saudoso Manuel Bento, enquanto olhava, como adepto, para um jogo mal conseguido do nosso Benfica, que o Benfica não são os que estão dentro do campo – e ele que tantas e tantas vezes lá esteve – mas sim os adeptos, os que estão em partilha de crença, sofrimento e entrega ao Benfica. Talvez devido a este sentimento, ainda hoje me arrepio e emociono quando oiço os adeptos gritar em uníssono “O Benfica é nosso”. Sabendo que nessa afirmação mais do que um sentimento de posse está um sentimento de pertença ou, quando muito, uma afirmação da pertença pela posse.

 

Como é que a voz que grita “O Benfica é nosso” pode também dizer “este não é o meu Benfica”? Não sei, entendo-o apenas como um desabafo. Posso dizer, e já o disse em diferentes momentos destas quase quatro décadas que levo de adepto benfiquista, que “este não é o treinador que eu queria no meu Benfica” ou que “este não é o presidente que queria no meu Benfica” ou que “estes não são os valores que gostaria de ver no meu Benfica”. Mas espero que isto não me conduza ao desabafo de dizer que “este não é o meu Benfica”. O meu Benfica é este, porque não há outro que não este e porque quem vive o Benfica vive-o apaixonada e criticamente, mas nunca fazendo depender essa vivência da concordância ou discordância dada ao rumo do Clube.

 

O meu Benfica é o que foi, em 1983, ganhar ao FCP e buscar a Taça de Portugal às Antas, com um golo do Carlos Manuel, da mesma forma que é o que viu o FCP festejar o campeonato na nossa casa, em 2011. É o do sexto lugar em 2001 da mesma forma que é o do primeiro lugar em 2010…

 

Aliás, diz-nos a nossa gloriosa história que, nos momentos críticos em que urgia mudar o rumo, foi essencial que nenhum de nós se demitisse e todos nós fôssemos Benfica. Para isso, é necessário que todos percebamos que “este é o nosso Benfica” e é “nosso” porque lhe pertencemos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 12 de Julho e publicado na edição de 15/07/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 08:08 | link do post
Quarta-feira, 13.07.11

Witsel

Talvez o Benfica tenha encontrado, com uma época de atraso, o substituto ideal para o Ramires (o facto de ainda desejarmos um substituto para ele diz bem da influência que teve no último título). Da qualidade do jogador não tenho grandes dúvidas, e julgo que é mais ou menos óbvio que será um potencial titular. A maior vantagem desta contratação é que, na minha opinião, faz da opção de jogarmos em 4-3-3 uma possibilidade mais válida. Nesse caso o sacrificado seria um dos avançados. Se jogarmos na táctica habitual, isso poderá significar más notícias para os jogadores das alas. De qualquer forma isso serão dores de cabeça para o Jorge Jesus. Eu limito-me a dar as boas vindas ao Witsel, e a desejar-lhe que seja pelo menos tão feliz como foi o Ramires. E se possível, que se aguente por cá durante um pouco mais de tempo que o 'queniano'.

por D`Arcy às 22:37 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Terça-feira, 12.07.11

Pálida

O Benfica deixou uma pálida imagem neste último jogo do estágio na Suíça, sofrendo a primeira derrota frente ao Dijon. Na primeira parte, mesmo sem ser propriamente brilhante, o maior problema terá sido mais uma vez não sabermos aproveitar as oportunidades criadas, já que fomos quase sempre superiores ao adversário, criando algumas ocasiões para marcar. O Dijon acabou por chegar ao golo pouco antes do intervalo, aproveitando um buraco enorme do lado esquerdo da nossa defesa - onde mais uma vez o Fábio Faria foi a opção do Jorge Jesus, e mais uma vez mostrou que não pode ser opção para aquele lugar. Em relação ao lado esquerdo da defesa, tendo em conta que apenas levámos um lateral esquerdo de raiz para o estágio (Shaffer), só mesmo o facto do nosso treinador ter riscado à partida este jogador pode justificar que ele não tenha jogado um único minuto, preferindo-se adaptações pouco felizes - já agora, convinha alguém explicar aos comentadores da SportTV que se calhar o Carole (e o Nélson Oliveira) não jogou um único minuto na Suíça porque simplesmente não foi à Suíça, visto estar integrado nos trabalhos da selecção de sub-20.

 

A segunda parte, com inúmeras e constantes alterações, foi ainda mais fraca. Muitos jogadores acabaram por saltar de posição em posição, alguns passando por quatro posições diferentes no espaço de minutos, e de certeza que isso não ajudou a que produzissem muito. O Dijon chegou ao segundo golo aproveitando novo buraco na nossa defesa - desta vez do lado direito - após um mau passe no meio campo. Na fase final, quando as substituições pararam e a equipa e jogadores puderam finalmente estabilizar um pouco, o Benfica produziu um pouco mais - quase sempre empurrado pelo Jara - e acabou por reduzir em tempo de descontos pelo Urreta.

 

Gaitán na primeira parte (parece ser um dos jogadores em melhor forma nesta altura) e Jara na segunda foram talvez os jogadores que mais se destacaram.

 

Jogos de preparação são para isso mesmo: para preparação e experiências. O resultado não é o mais importante, mas como é óbvio ninguém gosta de perder. E convém por isso não exagerar: uma pré-época com muitos resultados negativos acaba inevitavelmente por criar uma onda negativa à volta da equipa, por mais pacientes que os adeptos queiram ser, e que pode ter efeitos adversos no arranque dos jogos a sério. Espero portanto ver um Benfica bem melhor já a partir da próxima sexta-feira, no Torneio do Guadiana. Cujas duas últimas edições conquistámos, e que espero voltemos a conquistar este ano.

por D`Arcy às 21:55 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Domingo, 10.07.11

Difícil

Previa-se um jogo bem mais difícil do que o de ontem, e foi precisamente aquilo que tivemos. Perante um adversário bem organizado (como é habitual nas equipas do João Alves) e com uma preparação mais adiantada, o Benfica teve muitas dificuldades para fazer o seu jogo, e deixou uma imagem mais pobre. Na primeira parte contámos ainda com um adversário formidável na pessoa do Jardel, que conseguiu mesmo oferecer o golo do empate ao Servette, respondendo assim ao golo inaugural do Gaitán.

 

Na segunda parte vieram as habituais alterações, mas não me agradou a opção de abdicarmos de um organizador de jogo - jogaram o Javi e o Matic no centro do meio campo. A equipa pareceu muitas vezes não ter ideias claras sobre como sair para o ataque, acabando por optar por tentativas de lançamentos longos para os extremos. A melhor condição física do Servette nesta altura também se foi tornando evidente e não facilitou a nossa tarefa. Ainda criámos algumas oportunidades para marcar (Matic, Saviola...) mas o empate parece-me ser um resultado ajustado ao que se passou.

 

Tal como não deveríamos tirar grandes conclusões do jogo de ontem, frente a um adversário fraquíssimo, parece-me que devemos fazer o mesmo em relação ao jogo de hoje. Foi o segundo jogo seguido no espaço de 24 horas, contra um adversário que tem a preparação mais adiantada, e estes jogos servem mesmo é para experimentar. Na terça-feira há mais.

por D`Arcy às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (40)

Treino

Previa-se um jogo muito fácil, frente a um adversário de ocasião constituído por jogadores da segunda divisão suíça, e foi o que se viu. Acabou por ser mais um treino do que um jogo, e no final o Benfica ficou-se pelos nove golos, tendo sofrido um.

 

Naturalmente que não podemos estar a tirar grandes conclusões de um jogo como este, mas creio que quase toda a gente terá ficado agradada com as indicações deixadas pelo Bruno César, que das novas contratações foi quem mais se destacou. Dos que já cá estavam, Gaitán, Aimar e Cardozo deram nas vistas, os dois primeiros a jogar e a fazer jogar, e o último a fazer aquilo que melhor faz, marcando quatro golos (o primeiro absolutamente fantástico). Na segunda parte, com as substituições, o Benfica perdeu ritmo, mas ainda deu para os reforços Rodrigo e Nolito fazerem o gosto ao pé. Em termos tácticos não parece haver grandes novidades, continuando o 4-1-3-2 habitual do Jorge Jesus, mas parece-me que a chegada de jogadores como o Nolito, Bruno César ou Pérez (e outros ainda) permitirá muitas opções do meio campo para a frente, e uma grande dinâmica no ataque - que o Cardozo, mantendo-se como referência mais fixa, poderá aproveitar da melhor maneira.

 

Amanhã, frente ao Servette, já deveremos ter um adversário a dar muito mais luta.

por D`Arcy às 04:01 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sábado, 09.07.11

Moreira

Está confirmada a saída do Moreira para o Swansea, estreante na Premier League. Como uma boa parte dos benfiquistas, sempre tive bastante estima por ele, não só por ser um jogador formado no clube, mas também por considerá-lo um profissional exemplar, que soube sempre levantar a cabeça perante as adversidades que se abateram sobre a sua carreira, nunca se acomodando e acreditando sempre que poderia voltar a conquistar um posto que tinha herdado, por direito próprio, do saudoso Robert Enke. Sinto sempre, aliás, alguma frustração quando penso na carreira do Moreira no Benfica, porque nunca deixei de estar convencido que ele poderia ter ido muito mais longe, não fossem os azares que teve.

 

Viu a titularidade ser-lhe 'roubada' pelo Trappatoni, de forma aberrantemente injusta, após uma derrota humilhante no Restelo numa fria noite de Dezembro, e em que ele foi claramente o melhor jogador do Benfica em campo, fazendo o possível e o impossível para evitar uma derrota ainda mais pesada (com a dupla de centrais Argel/Amoreirinha à sua frente). Apesar da injustiça, nunca levantou ondas, nunca amuou (ao contrário do comportamento habitual daquele que o substituiu na nossa baliza), e continuou sempre a servir o Benfica de forma profissional. Na época seguinte, viu o seu empenho ser recompensado quando o novo treinador, Ronald Koeman, lhe entregou a titularidade. Mas foi traído por uma lesão gravíssima no joelho após seis jornadas, com a consequente nova perda do lugar. E como se isso não bastasse, posteriormente voltou a sofrer uma lesão semelhante, agora no outro joelho. A tudo isto a resposta do Moreira foi sempre muito trabalho, empenho e profissionalismo.

 

Fico feliz por ver o Moreira ter a oportunidade de jogar naquela que eu considero a melhor liga do mundo. Não irá certamente ter facilidades na época de estreia (sua e do seu novo clube) na Premier League. Mas espero que lhe corra tudo pelo melhor, e que jogando regularmente possa até voltar a entrar nas contas do seleccionador nacional - para mim, é bem melhor do que muitos dos guarda-redes que têm sido chamados ultimamente. Deixo-lhe o meu muito obrigado por tudo o que nos deu, e o desejo que seja feliz no seu novo clube. Porque ele merece-o.

por D`Arcy às 01:44 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sexta-feira, 08.07.11

As escolhas

Não há escolha sem contexto. Escolher é muito mais do que optar pelo que se quer, é também escolher o que se deixa.

 

Recordo uma conversa com o enorme Artur Correia, o “ruço”, em que ele me confidenciava que a sua saída do Benfica para o Sporting marcou toda a sua vida futura. Em Alvalade era sempre visto como o benfiquista e na Luz, até aos dias de hoje, há sempre quem se lembre de que ele optou por ir para o Sporting. Apesar de todos percebermos o contexto da decisão, aquela mácula acaba por perdurar.

 

Cada qual com o seu contexto, é impossível não recordar a escolha de um dos meus ídolos de adolescência, Rui Águas, ou a escolha de Paulo Sousa e Pacheco. Todos fizeram as suas opções, as suas escolhas, olharam para o presente, para o que queriam e, agora, olham também para o que deixaram. Não se pode dizer que foram escolhas certas ou erradas. Foram apenas escolhas que, queiram ou não, implicaram ganhos imediatos e abdicação de possibilidades futuras.

 

Há quem diga que o momento que marcou o destino de Rui Costa foram as lágrimas derramadas em plena Luz, no momento do tal golo pela Fiorentina. Penso que não. O momento que marcou o futuro de Rui Costa no universo do benfiquismo foi quando sacrificou interesses particulares em proveito dos interesses do Clube, escolheu a Fiorentina em desfavor do Barcelona. Foi um gesto de abdicação, nobreza e benfiquismo que calou fundo em todos nós.

 

Recentemente, Nuno Gomes escolheu jogar no SC Braga, clube que tem tido um comportamento execrável na forma como recebe os adeptos e futebolistas do nosso Benfica. Ainda mais recentemente, e num contexto completamente diferente do anterior, observámos como Coentrão escolheu 'forçar', até com declarações públicas, a sua saída do Benfica.

 

Com tudo o que há de legítimo e natural nessas opções, deve haver também a percepção de que, tal como em todas as escolhas, também se escolhe o que se deixa.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Julhoe publicado na edição de 08/07/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 17:17 | link do post

Jogos

Finalmente este fim-de-semana poderei voltar a dizer 'Hoje joga o Benfica'. Sim, são jogos de pré-época, com as habituais experiências e inúmeras substituições, e aos quais a legião de especialistas estará particularmente atenta para poder lançar veredictos sobre os novos reforços com base no primeiro passe, defesa ou remate que fizerem. Mas, apesar disso tudo, a espera já vai demasiado longa, e o que eu quero é ver o Benfica jogar, por isso estes jogos com o Nice e o Servette vão-me saber tão bem como se fossem jogos oficiais.

 

Chegou o Enzo Pérez, o Garay assinou, e entretanto lá saiu, conforme esperado, o Coentrão. Fiquei com pena que, com as suas atitudes e declarações das últimas semanas, tenha borrado a imagem que tinha construído entre os benfiquistas durante os dois anos que passou na Luz. Mas o mais importante é que saiu mesmo pelo valor exigido, e agora resta-me desejar-lhe boa sorte. Ainda haverá muitas decisões a tomar sobre a constituição do plantel - faltará seguramente contratar um lateral esquerdo - mas para já considero uma boa notícia a contratação do Garay - não me agradava a perspectiva de ter o Jardel como titular durante a época (preferiria o Miguel Vítor, por exemplo). Outra boa notícia, na minha perspectiva, é a aparente vontade de manter o Rodrigo no plantel. Já escrevi antes que consideraria um erro deixar este jogador sair sem lhe darmos uma oportunidade para mostrar o que vale, e pelo que vou lendo e ouvindo ele tem deixado muito boas indicações nos treinos.

 

Sábado à noite já poderemos (re)começar as eternas discussões sobre quem é ou não jogador para o Benfica. Nada melhor que um joguito de pré-época contra o Nice para formar opiniões que muito provavelmente permanecerão inalteradas para o resto da época. É que nós, benfiquistas, raramente nos enganamos nestas coisas.

por D`Arcy às 00:50 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Terça-feira, 05.07.11

Cuidado com o degrau

Após algum tempo de desnorte e irresponsabilidade, Fábio Coentrão reencontrou-se com o futebol e fez duas épocas de excelência no Benfica. Findas essas duas épocas, entrou num registo infantil, birrento e pouco condizente com a imagem que construíra nos tempos mais recentes.

 

Hoje, assinou contrato com o Real Madrid. O Benfica nada lhe deve, ele nada deve ao Benfica e cada um segue o seu destino. Ao Fábio desejo que tenha cuidado com o degrau e que, se voltar a tropeçar, encontre alguém com pachorra para o amparar e aturar.

 

Quanto aos 30 milhões [link], espero para ver.

por Pedro F. Ferreira às 14:44 | link do post
Domingo, 03.07.11

Nuno Gomes no Braga

1) Nenhuma pessoa é mais importante do que o Sport Lisboa e Benfica.

 

2) O clubismo de um jogador de futebol, por muito sincero que o seja, nunca é igual ao de um sócio ou adepto de um clube. E quem diz jogador, diz treinador, como prova o que se passou num certo clube mais a norte. Porque nós, sócios e adeptos, não somos “profissionais de futebol” e portanto nada mais temos em que pensar senão na nossa paixão pelo clube.

 

3) Ao que se sabe, o Braga foi o único clube nacional que fez uma proposta ao Nuno Gomes. Tendo ele sido pai há pouco tempo e tendo ainda pretensões de ir à selecção (com os concorrentes Postiga e Hugo Almeida é mais que viável…), é natural que a sua primeira opção fosse ficar em Portugal para ficar mais visível ao Paulo Bento.

 

4) Tomando os pontos anteriores em consideração, não me faz muita confusão que o Nuno Gomes vá para o Braga. Far-me-ia mais se fosse para o CRAC ou os lagartos. Ou que, tendo tido outras hipóteses em Portugal de equipas que jogam para a Europa, tivesse optado pelo Braga. Ao que se saiba, não foi o caso.

 

5) Sim, é verdade, principalmente desde há dois anos para cá, o Benfica tem sido muito mal tratado em Braga. Mas é uma situação conjuntural e passageira. O Braga NUNCA se poderá comparar a nós. Disputou um campeonato connosco, mas a diferença de grandeza é incomensurável. Por muito barulho que uma formiga faça, nunca chegará aos ouvidos de um elefante. É dar importância a quem não a merece. Querem odiar-nos agora? Por mim, tudo bem. É-me completamente indiferente.

 

6) Não percebo quem acha que, com esta ida para Braga, o Nuno Gomes poderá ter hipotecado um futuro no Benfica como dirigente. Se até o nosso presidente ilibou logo na altura o presidente do Braga dos problemas que tem havido na pedreira, não sei como é que um jogador de futebol poderia ter culpas no cartório. Claro que o caso mudaria de figura se o Nuno Gomes manifestasse no futuro desrespeito pelo Benfica (cânticos, gestos, etc.), o que sinceramente muito me espantaria. (Se bem que, ainda recentemente, há quem nos tenha feito manguitos e depois tenha vindo poluir a nossa camisola…)

 

7) O Nuno Gomes esteve 12 anos no Benfica. Não nasceu benfiquista (caso contrário, seria provavelmente o Nuno Nené), mas agora, por mais camisolas que vista, não deixará de ser do Benfica. Outros há que, por mais que vistam a gloriosa camisola, jamais serão benfiquistas. E eu sempre preferirei os Nunos Gomes a esses. Porque me identifico mais com quem é do Benfica e respeita o benfiquismo, tendo ou não a águia ao peito.

 

8) Por todo o seu passado, para mim, o Nuno Gomes nunca será um adversário como outro qualquer. Será um adversário que eu vou querer derrotar no campo, mas um adversário especial. Porque sê-lo-á, espero eu, um adversário temporário. Desejo que seja feliz, que marque muitos golos, mas que o Braga só ganhe quatro jogos no futuro campeonato. E, claro, que ele possa terminar a sua carreira desportiva no Euro 2012, para depois iniciar a de dirigente no Glorioso.

 

Boa sorte, Nuno! Até já.

por S.L.B. às 01:26 | link do post
Sexta-feira, 01.07.11

Money Talks, Bullshit Walks

Uns quantos milhões de euros após ter feito juras de amor e de devoção que chegavam a abranger o dia seguinte à eternidade, o treinador Villas-Boas abandonou o seu clube.

 

Não está em causa o cómico de situação que o seu gesto de abandonar a “cadeira de sonho” acarretou. Aliás, aprende-se com o tempo e contactando com o futebol profissional que, salvo raríssimas excepções, o clubismo e o amor desinteressado ao clube é um exclusivo do 'adepto de bancada', seja em que clube for. Deste modo, rimo-nos todos da situação caricata em que o jovem André deixou o Sr. Costa, sabendo, no entanto, que isso pode acontecer em qualquer clube.

 

E aqui é que reside o cerne da questão. Durante anos, habituámo-nos a ouvir um estribilho por parte dos ‘opinadeiros’ de serviço do futebol luso que nos dizia, constantemente, que este tipo de situação nunca aconteceria no clube do Sr. Costa, pois este tinha uma “estrutura” de tal ordem perfeita e organizada que nunca isto seria permitido. Esta idiotice foi de tal forma repetida que ainda hoje oiço alguns companheiros de benfiquismo a repetirem esta cartilha como se fosse uma verdade insofismável. Prova-se, agora de forma mais visível, que não há “estrutura”, nem profissionalismo, nem organização, nem ameaças de guardas pretorianas, nem promessas, nem teoria alguma que possa fazer frente à lei do dinheiro. Isto acontece em todos os clubes, todos sem excepção.

 

Estranho apenas os especialistas que outrora garantiam a infalibilidade do Sr. Costa e que agora alternam entre o silêncio envergonhado e o malabarismo circense, tentando demonstrar que, afinal, o palhaço está travestido em imponente domador de feras. Por mais que tentem mascarar a realidade, a verdade é que a dita “estrutura”, pacoviamente qualificada como infalível, ficou com as calças na mão a uma semana de começar a época. E isto, tal como o aconselhamento familiar a árbitros na antevéspera dos jogos, é um exclusivo da tal “estrutura infalível”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 28 de Junho e publicado na edição de 01/07/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 22:22 | link do post

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