VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Terça-feira, 30.08.11

Justa

Vitória difícil mas inteiramente justa num campo e contra um adversário tradicionalmente complicados para o Benfica.

Apenas uma alteração forçada no onze que nos apurou para a fase de grupos da Champions, com a entrada do Jardel para o lugar do lesionado Garay. Da primeira parte não há muito para dizer, porque na verdade o nevoeiro pouco deixou ver. O Nacional teve uma entrada forte no jogo, e podia ter marcado cedo, não fosse o Artur defender com o pé o remate do isolado Mateus. Aos onze minutos o jogo foi interrompido por falta de visibilidade, e essa interrupção pareceu fazer bem à nossa equipa, que regressou mais concentrada, chegando ao golo à passagem dos vinte minutos, com o Cardozo, bem no centro da área, a corresponder com um cabeceamento exemplar, de cima para baixo, a um centro do Gaitán na direita. Do pouco que se conseguiu ver no resto da primeira parte (o jogo voltou a ser interrompido após a meia hora) realce apenas para um grande remate do Cardozo, a proporcionar uma boa defesa ao guarda-redes do Nacional.

Felizmente o nevoeiro foi-se embora na segunda parte, e permitiu-nos ver o Benfica a controlar perfeitamente o jogo, já com o Bruno César no lugar do Nolito. E de controlar o jogo o Benfica passou a dominá-lo após a expulsão do João Aurélio, por duplo amarelo, permanecendo em campo o Felipe Lopes, que se dedicava e continuou a dedicar afincadamente a distribuir porrada em tudo o que mexia (demonstrando particular afeição pelo Witsel) perante o olhar complacente do Soares Dias. Durante a meia hora que decorreu até ao final do jogo o Benfica desperdiçou várias ocasiões para marcar o golo que sentenciaria o jogo, mantendo-nos nervosos até quase ao final. E só não foi mesmo até ao final porque na última jogada do encontro, quando já passavam quatro minutos da hora, o Bruno César aproveitou a subida da equipa quase toda do Nacional para um canto, agarrou na bola à saída da nossa área e foi por ali fora, direito à baliza do Nacional, correndo uns bons setenta metros com a bola até finalizar sem dar hipóteses ao guarda-redes.

Não consigo escolher um jogador que me tenha impressionado particularmente. Se calhar fiquei condicionado pelo aborrecimento que foi não se conseguir ver quase nada da primeira parte. Fiquei satisfeito sobretudo com a organização que a equipa teve quase sempre (a excepção foram mesmo aqueles minutos iniciais até à primeira interrupção), a forma como ocupou bem os espaços em campo, e garra que os jogadores demonstraram num jogo que foi durinho.

A equipa continua a aparentar estar a crescer em futebol jogado e em confiança em si própria. Pelo menos já conseguimos melhor este ano do que tínhamos conseguido o ano passado no mesmo campo. Só tenho pena que agora tenhamos que parar por duas semanas para aturar os estarolas da equipa da FPF.

por D`Arcy às 01:40 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sábado, 27.08.11

Curiosidades

Nos 30 jogos da Liga Sagres do ano passado, os jogadores do fcp foram admoestados com 1 cartão vermelho directo e 2 cartões vermelhos por acumulação de amarelos. A cada 900 minutos de jogo, houve, portanto, um jogador expulso. Na Liga Europa, em 17 jogos, os mesmos jogadores viram 2 cartões vermelhos directos e dois cartões vermelhos por acumulação de amarelos, ou seja, precisaram de menos de metade do tempo (383 minutos) para serem expulsos. Apresento estes dados, apenas, por serem verdadeiros (de acordo com o zerozero.pt), e sempre servir a verdade para alguma coisa, e, também, para auxiliar quem se dedique a decifrar enigmas. Quanto a mim, lembrei-me disto porque achei curioso o facto de no jogo da Supertaça europeia a referida equipa ter visto tantos vermelhos directos quantos os que viu ao longo de um ano inteiro na Liga portuguesa. Quase que é caso para dizer que o senhor Björn Kuipers não deve ter gostado da fruta que lhe serviram na época passada. Quase.

 

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Adenda

Uma segunda curiosidade (por sugestão de alguns leitores): na Liga portuguesa do ano passado, foi expulso um jogador do Benfica a cada 300 minutos de jogo, mas nos jogos europeus, em 1260 minutos de jogo, foi expulso apenas um jogador.

Sexta-feira, 26.08.11

Quem protege o jogo?

O que há de mais fascinante no jogo é a imprevisibilidade do desfecho. Não sendo aleatório, é sempre impossível de determinar. Na esperança que antecede todos os jogos reside o fascínio do jogo. Antes do início de um jogo acreditamos que um desfecho é uma possibilidade e nunca uma certeza. Essa incerteza é o que nos faz ter a paixão pelo futebol.

 

Agora, imaginemos que deixamos de acreditar na imprevisibilidade, deixamos de acreditar que o desfecho do jogo se encontra no final do mesmo e passamos a saber que o desfecho do jogo foi determinado antes do seu início. Deixará de ser um jogo, passará a ser um embuste. Quando isso acontecer, matar-se-á o jogo, acabar-se-á o futebol, porque se acaba a inocência de acreditar.

 

Actualmente, o jogo está seriamente ameaçado. Declan Hill, em 2008, publicou “The Fix”, uma excelente obra sobre a falta de verdade no futebol. Essa obra foi recentemente publicada em Portugal e titulada “Máfia no Futebol”. Aconselho a sua leitura, sabendo que, após essa leitura, perdemos o que nos restava de inocência, mas percebemos melhor o comportamento de árbitros, dirigentes e futebolistas. Compreendemos melhor o que leva um determinado treinador, num qualquer minuto 58, a substituir os dois futebolistas que melhor estavam a jogar; compreendemos por que motivo um treinador se vê obrigado a substituir um excelente guarda-redes, ao intervalo, com o medo que esse futebolista facilite na segunda parte; compreendemos como a prostituição é tão importante para poder chantagear quem tem o poder de decidir um jogo…Percebemos que nem os jogos das fases finais dos Campeonatos do Mundo estão a salvo de serem decididos antes de terem começado.

 

Mais do que tudo, percebemos que a protecção do jogo não está na competência das regras, das leis ou dos regulamentos, está na seriedade das pessoas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 23 de Agosto e publicado na edição de 26/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 08:08 | link do post
Quinta-feira, 25.08.11

Brinquemos aos sorteios

Pote “Este era o que eu queria”:

 

Barcelona

BENFICA

BATE Borisov

Genk

 

Tenho a pecha de não ter visto o Maradona ao vivo, não queria passar pelo mesmo em relação ao Messi. Esta questão podia ficar despachada já e, com este grupo, o 2º lugar TINHA de ser nosso. Além disso, não levaríamos com o Barça nos oitavos.

 

 

Pote “O 1º lugar é possível”:

 

Arsenal

BENFICA

Basileia

Otelul Galati

 

Sem o Fabregas e o Nasri, os gunners estão mais fracos. Já lhes ganhámos este ano na Eusébio Cup. Os campeões suíços e os romenos têm que estar ao nosso alcance e 12 pontos contra eles não deveriam ser utopia.

 

 

Pote “E não querem que joguemos ao pé-coxinho para ser ainda mais difícil?”:

 

Real Madrid

BENFICA

Manchester City

Borrusia Dortmund

 

Sem comentários…

 

 

Pote “Se formos parar à Liga Europa, ao menos é com honra”:

 

Manchester United

BENFICA

Bayer Leverkusen

Nápoles

 

Perspectivas de grandes jogos e casas-cheias na Luz. Leverkusen traz-nos MUITO gratas recordações.

 

 

Agora mais a sério: estando no pote 2 somos sempre favoritos à qualificação para os oitavos-de-final, mas repito pela enésima vez que, dinheiro à parte, prefiro uma conquista da Liga Europa do que a chegada aos oitavos-de-final da Champions. O primeiro entra no palmarés, o segundo não. Isto por duas razões: por um lado, a Liga Europa do ano passado ainda me está atravessada na garganta, por outro, teremos mais hipóteses de ultrapassar os oitavos se ficarmos no 1º lugar e evitarmos os tubarões dos outros grupos.

 

Mas dado que o nosso grande objectivo é o campeonato, temos ainda mais razões para passarmos a fase de grupos da Liga do Campeões, onde teremos previsivelmente menos jogos que na Liga Europa. Espero que todos no Benfica tenham aprendido com a lição do ano passado e que este ano dispensemos Lacazettes para chegar onde quer que seja.

por S.L.B. às 14:36 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Quarta-feira, 24.08.11

Brilho

O Benfica esta noite massacrou literalmente o Twente e carimbou com distinção e brilho o apuramento para a fase de grupos da Champions League. A vitória tranquila por três a um só peca, e muito, por escassa. E para explicar isto nem sequer seriam necessárias muitas palavras, bastaria apresentar os seguintes números: durante o jogo, o Benfica fez vinte e cinco remates à baliza do Twente, enquanto que os holandeses apenas conseguiram rematar por quatro vezes.

Sem surpresas, o Jorge Jesus fez o Witsel regressar ao onze, voltando o Benfica a jogar com apenas um avançado de raiz, o Cardozo. Quanto ao Twente, sinceramente, não sei se o Adriaanse já se esqueceu dos tempos em que trabalhou em Portugal, ou se é simplesmente lírico, porque a forma como o Twente se apresentou na Luz foi mesmo estar a pedir que algo assim acontecesse. Não há muitas equipas que tenham a capacidade de vir à Luz de peito feito e tentar jogar de igual para igual com o Benfica. E o jogo de hoje mostrou que o Twente, claramente, não é uma delas. Sistematicamente metiam pelo menos quatro jogadores na frente de ataque, deixando o meio campo e defesa bastante desprotegidos face a transições rápidas para o ataque. O resultado disso foi uma primeira parte massacrante do Benfica, e exasperante para os adeptos. Exasperante por vermos o tempo a passar e o Benfica a não ser capaz de aproveitar os muitos lances de ataque e ocasiões criadas, sabendo-se que bastaria ao Twente marcar um golo fortuito para se colocar em vantagem na eliminatória. Até ao intervalo o Twente conseguiu fazer apenas um remate contra quinze do Benfica, o que diz muito sobre o sentido do jogo. Faltou-nos apenas mais calma e alguma pontaria para traduzirmos esta avalanche ofensiva em golos.

Calma é o que nunca parece faltar ao Axel Witsel, e foi ele quem, logo no reinício do jogo, se encarregou de dar mais descanso aos adeptos e começar a colocar a eliminatória completamente fora do alcance do Twente. Logo na primeira jogada o Cardozo sofre uma falta sobre a direita do meio campo, o Gaitán marcou o livre para a área, o Luisão tocou de cabeça e depois surgiu o Witsel, de costas para a baliza, e rematar quase em bicicleta para o golo. Nada mudou com o golo, o Benfica continuou muito por cima no jogo, voltou a falhar (Cardozo, depois de um bom trabalho individual), mas antes de fechar o primeiro quarto de hora conseguimos mesmo dissipar quaisquer ténues dúvidas que ainda restassem sobre o desfecho da eliminatória. O Luisão, que tinha sido homenageado antes do jogo, retribuiu a homenagem surgindo ao primeiro poste para desviar de cabeça para o golo um canto da esquerda do Aimar. A partir daqui o Benfica limitou-se a deixar o jogo correr a seu favor, mantendo-se sólido a defender - apesar do Twente ter posse de bola, não conseguia sequer rematar - e depois aproveitando o muito espaço concedido pelos holandeses para criar perigo em transições rápidas de cada vez que recuperava a bola. Chegou assim ao terceiro golo, numa jogada bonita que começou numa recuperação de bola do Emerson, e continuou com diversos passes até o Cardozo isolar o Witsel, que depois correu quase meio campo sozinho para finalizar com um remate cruzado à saída do guarda-redes. A seguir a este terceiro golo o Benfica talvez tenha relaxado um pouco, e o Twente até conseguiu criar uma grande oportunidade de golo, com o Artur a fazer uma defesa impossível a um cabeceamento do Bryan Ruiz. Defendeu, literalmente, um golo. Já não conseguiu voltar a fazer o mesmo a cinco minutos do final, quando o mesmo Bryan Ruiz de cabeça - e tal como na primeira mão, após cruzamento do Ola John - fez um golo que o Twente não mereceu. Coincidência ou não, o golo aconteceu numa ocasião em que o Luisão estava ausente do centro da defesa, porque tinha ido fazer uma dobra à direita. Mas este golo não colocou em causa a justeza da nossa vitória.

O Witsel marcou dois golos e se calhar é o homem do jogo, mas quem me maravilhou foi mesmo o inigualável Pablo Aimar. É verdadeiramente um orgulho e um privilégio vê-lo jogar no nosso clube. Fez um jogo absolutamente fantástico, sendo o pivot de quase todos os nossos lances de ataque. Pareceu também estar numa forma física muito boa, tendo jogado os noventa minutos, o que nem é muito habitual. Claro que o Witsel é também um dos grandes destaques. É talvez o melhor reforço do Benfica esta época, não menosprezando os outros. Tacticamente é excelente, em qualquer função que lhe entreguem no meio campo. É bom na recuperação de bola e na construção de jogo. Mas o que mais me impressiona mesmo é a calma que revela em todos os momentos de jogo. A bola definitivamente não queima nos seus pés, e é quase impossível desarmá-lo, sendo frequente vê-lo sair a jogar ou entregar a bola jogável a um colega mesmo quando está rodeado de adversários. Grande jogo do Luisão, bem também o Cardozo numa missão de esforço, apesar de não ter estado feliz a finalizar, e talvez tenha sido o melhor jogo que vi o Emerson fazer desde que chegou ao Benfica.

Só para colocar as coisas em perspectiva: o Twente, vencedor da Supertaça da Holanda e líder do campeonato só com vitórias, foi simplesmente vulgarizado esta noite pelo Benfica. Escrevo isto porque sei que alguns, perante o que o Benfica conseguiu, vão agora tentar da forma do costume - desvalorizar o adversário - tirar valor ao que foi feito. O Twente não é uma equipa fraca. Foi o Benfica que o fez fraco.

por D`Arcy às 23:34 | link do post | comentar | ver comentários (48)
Domingo, 21.08.11

Sofrido

Por culpa exclusivamente nossa, sofremos mais do que seria previsível para levarmos de vencida o Feirense. E as culpas distribuem-se entre o desperdício no ataque - em particular na primeira parte - e a insegurança na defesa a partir do momento em que consentimos o golo do empate.

O Jorge Jesus neste momento parece uma espécie de viciado, incapaz de largar o hábito a que está agarrado. Quando pensamos que já temos provas suficientes sobre qual é o sistema táctico que melhor parece adaptar-se às características do plantel, e que o treinador também já estará convencido, de repente distraímo-nos um pouco e quando damos por isso lá está ele outra vez agarrado aos velhos hábitos e a lançar o 4-1-3-2 para dentro do campo, relegando o Witsel para o banco. Foi o que aconteceu hoje, com o Benfica a apresentar um onze cuja maior novidade foi a presença do Capdevilla na esquerda da defesa. Mesmo sem grande brilho, o Benfica dominou completamente uma primeira parte de sentido único, durante a qual o Artur foi um mero espectador. Já depois de uma primeira grande oportunidade de golo desperdiçada, pelo Saviola, o golo chegou relativamente cedo, um pouco antes de atingido o primeiro quarto de hora, e pelo suspeito do costume: Nolito. Depois de um lançamento lateral do Maxi, o Cardozo na zona do primeiro poste tocou de cabeça para trás e o espanhol apareceu solto de marcação para fazer o seu quinto golo em cinco jogos. Daqui para a frente, a descrição da primeira parte quase que se resume às oportunidades falhadas pelo Benfica. Ou por falta de pontaria, ou por inspiração do guarda-redes Paulo Lopes, fomos incapazes de dar maior expressão ao resultado, e vimos o Aimar, o Nolito ou o Gaitán (acertou no poste) desperdiçar boas ocasiões, pelo que a vantagem mínima do Benfica com que se chegou ao intervalo era justa, mas escassa.

A segunda parte iniciou-se sob o mesma tendência do desperdício: depois de um canto do Aimar, o Luisão apareceu completamente sozinho junto da pequena área a cabecear (nem precisou de saltar) mas conseguiu o mais difícil, não acertando na baliza. Aos oito minuto, o Feirense teve uma rara subida ao ataque, beneficiou de um canto (tavez o primeiro do jogo) e, como não podia deixar de ser, marcou. O Benfica atá teve uma reacção positiva ao golo durante alguns minutos, voltou a criar perigo (teve um fora-de-jogo muito mal tirado ao Saviola, que o deixaria isolado), mas findo o primeiro quarto de hora o jogo ficou completamente aberto, atravessando-se um período em que o próprio Feirense parecia poder aspirar a vencer o jogo. Viu-se aquilo que costuma acontecer muitas vezes quando jogamos com esta táctica, ou seja, assim que a condição física começou a falhar um pouco a equipa ficou praticamente partida ao meio, com metade a defender, outra metade a atacar, e um vazio no meio, que ia sendo preenchido com esforço pelo Aimar. Após quinze minutos nesta indefinição, o Maxi decidiu ir por ali fora, ganhou a linha de fundo, entrou na área e centrou rasteiro para o Cardozo, em esforço, tocar para o golo. O mais difícil estava conseguido, mas o descanso só apareceu já em período de descontos com um grande golo do Bruno César, que tirou vários adversários do caminho, entrou na área pela esquerda, e com um remate cruzado fez um grande golo.

Num jogo em que não me pareceu haver grandes motivos de destaque, os melhores do Benfica acabaram por ser, para mim, o Nolito, pelo golo marcado e por estar envolvdo na maioria dos lances de ataque mais perigosos, e o Aimar, cujos esforços para fazer a ligação entre os sectores da equipa chegam a cansar so de ver. O Witsel teve uma boa entrada em jogo e ajudou a trazer mais alguma organização ao nosso meio campo.

Saí da Luz satisfeito com o resultado, mas não muito contente com a exibição. O Benfica não deveria ter que sofrer tanto para levar de vencida o Feirense. Houve, mais uma vez, desperdício no ataque, mas mais preocupante foi o muito espaço que a nossa defesa deu a partir do momento em que sofremos o golo. Além disso isto foi um jogo que, pela forma como correu, me pareceu ter obrigado os nossos jogadores a um esforço mais intenso do que seria desejável antes do playoff da Champions. Esperemos que não haja consequências disto na quarta-feira.

por D`Arcy às 04:30 | link do post | comentar | ver comentários (69)

Parabéns, miúdo, foste enorme.

 

Nélson Oliveira

por Pedro F. Ferreira às 04:29 | link do post
Sábado, 20.08.11

Resposta a um excelente post no BnRb

 

Pergunta-se no BnRb (de onde foi olegariada esta imagem) até quando?

 

Até que os benfiquistas se deixem de paneleirices do género "temos é de olhar para nós", "não falemos dos outros", "temos de ser superiores a estas coisas". Até que tenhamos memória superior a 7 meses (será que conseguem?) e no final do campeonato não se esqueçam de que estas merdas roubam campeonatos.

 

Além disso, há tijolos e pedras da calçada que costumam argumentar bem (que o diga o Ricardo Bexiga), mas nós não iremos por esse caminho.

 

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(final do post alterado, para que as mentes mais sensíveis não vomitem escandalizadas)

por Anátema Device às 12:00 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Sexta-feira, 19.08.11

Quem é o Árbitro Rui Silva? De onde veio e para onde vai?

Árbitro que esteve suspenso 20 meses no âmbito do "Apito Dourado" vai apitar FC Porto - Gil Vicente

 

 

 

 

Continue a ler aqui: Planeta Benfica.

 

 

 

E depois continuem a dizer que sobre este tipo de merdas não se deve escrever...

por Anátema Device às 13:32 | link do post | comentar | ver comentários (27)

De cócoras

Numa das escutas telefónicas que imortalizam a prestação do sr. Costa como dirigente desportivo, ouve-se o dito defender que Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, fica bem de cócoras.

 

De facto, os ‘vitores pereiras’ que andam há trinta anos pelo futebol português têm-se habituado a ter perante o sr. Costa essa atitude de fiel subserviência de quem abana o rabo na expectativa do osso. Só assim se percebe a nomeação de Olegário Benquerença para apitar o jogo do clube do sr. Costa frente ao Vitória de Guimarães. Já na época passada, este mesmo Olegário decidiu contribuir para a farsa de campeonato a que assistimos, ao ir àquele mesmo estádio prejudicar despudoradamente o nosso Benfica. Agora, foi lá prejudicar os da casa. Nos dois casos há uma constante: de cócoras, foi beneficiado o clube do sr. Costa. Para os mais saudosistas, dá para reviver os tempos de António Garrido, José Pratas, Martins dos Santos, Carlos Calheiros, José Guímaro, António Costa, Isidoro Rodrigues, Donato Ramos, Fortunato Azevedo e tantos outros ‘Coroados’ da vida.

 

No final, e afinal, está tudo como sempre esteve. E, de cócoras, a comunicação social subverte o primeiro dos seus propósitos, ou seja, silencia-se. Fá-lo de forma cobarde, conivente e hipócrita. No final da primeira jornada, todos – e bem – escreveram como o Benfica perdeu pontos por culpas e responsabilidades próprias; mas todos se esqueceram de referir que o clube do sr. Costa ganhou pontos à custa de ajudas alheias. E, assim, de cócoras e branqueando a voz do dono, ainda nos querem convencer de que as palavras de Falcao a pedir que o deixem sair é apenas uma brilhante estratégia urdida por quem nunca falha, nunca, nem quando o treinador lhe foge na véspera do começo da época…

 

Nesta imensa farsa, os únicos que nunca falham são os que, solícitos, ficam de cócoras perante o sr. Costa. Esses, realmente, há trinta anos que não lhe falham.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Agosto e publicado na edição de 19/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 18.08.11

22,5 = 40 = 45

 

o sr. Costa, exímio negociador, exímio estratega, exímio conselheiro matrimonial e exímio frequentador de lupanares, garantia que o Falcao só sairia por 45 milhões. Garantia e repetia a garantia.

 

o dito Falcao é envolvido num negócio de 45 milhões, 40 milhões pelo colombiano e 5 milhões pela Micaela. Ou seja, Falcao saiu por 22,5 milhões

 

a comunicação social que insulta o presidente do Benfica quando permite a saída de jogadores abaixo da cláusula de rescisão é a mesma que louva o excelente negócio feito pelo sr. Costa.

 

os lorpas comem a limpeza da imagem, comem o sabão com que a comunicação social limpa a imagem ao sr. Costa e ainda fazem bolhinhas com a boca. Continuem…

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atendendo à salgalhada que vai na caixa de comentários, adenda:

 

- Há pouco mais de uma semana, o sr. Costa repetiu "Ninguém sairá abaixo da cláusula".

 

- O Atlético de Madrid pagou por Falcao e Micaela 45 milhões. Pelos dois. As contas foram distribuídas em 40 + 5. Vai dar ao mesmo que 22,5 + 22,5 ou 30 + 15 ou 35 + 10... é indiferente. Nos cofres do fcp entram, por esses dois jogadores, 45 milhões. 45 milhões era a cláusula de um deles. A do outro era de 30 milhões. Objectivamente, o Atlético levou, por 45 milhões, dois futebolistas cujas cláusulas de rescisão somavam 75 milhões.

 

- Garantidamente, se esse negócio fosse feito pelo SLB teríamos a notícia dada como um fracasso negocial, pois tinham os dois saído por valores abaixo das cláusulas, com uma diferença de 30 milhões, depois do sr. Costa ter garantido que ninguém sairia abaixo da cláusula. Sempre que isso aconteceu no Benfica, gerou-se o Carnaval de que todos nos lembramos...

 

- Repito, se fosse um negócio do Benfica, sujar-se-ia a imagem do negócio e haveria muitos a emprenharem pelos ouvidos. Como foi do fcp, limpou-se o negócio e continuam os mesmos a emprenhar pelos ouvidos.

 

- Em momento algum digo que o negócio foi bom ou mau. O que questiono no post é  a forma como o negócio é apresentado. De forma muito bondosa, demasiado bondosa. No entanto, a julgar pela quantidade de sabão engolido, vejo que também foi muito eficaz.

por Pedro F. Ferreira às 22:06 | link do post | comentar | ver comentários (44)
Quarta-feira, 17.08.11

A luta que nos espera

 

 

"Benfica vende jogos por €40 milhões e ataca Sport TV" fonte: Expresso

 

Se isto se concretizar, poderá abrir-se uma grande oportunidade de expurgar do futebol português grande parte da podridão que o tem atacado nestas últimas três décadas. Poderá isto ser a grande oportunidade de termos o Benfica a competir acima deste limbo terceiro-mundista em que nos encontramos enleados.

 

Até à efectivação deste negócio, o Benfica será atacado como nunca foi na sua história. Tentar-se-á envenenar a opinião pública contra o Clube, colocar-se-á, de forma ainda mais cobarde do que a habitual, em causa a credibilidade e o bom nome de quem estiver prestes a assinar o contrato.

 

Far-se-á tudo, mas mesmo tudo, para evitar que isto aconteça e que se acabe com uma das piores e mais poderosas faces de uma farsa com trinta anos de existência. A única forma de resistir aos ataques que sofreremos é sermos unidos, não emprenharmos pelos ouvidos, não credibilizarmos as palavras que os inimigos (é o termo) colocarão estrategicamente na comunicação social. É essencial que não façamos eco dessas palavras. É essencial que não sejamos nós, os próprios adeptos, a fazer o jogo do inimigo. O assunto é sério, muito mais sério do que parece.

 

Escolhida a trincheira, não há lugar a deserções.

 

 

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a foto é de Rui Bento

por Pedro F. Ferreira às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (40)

Positivo

O Benfica regressa da Holanda com um resultado positivo, após um jogo muito movimentado e agradável de seguir. No final fico com um sentimento misto de frustração e alívio. Frustração porque me pareceu que poderíamos ter praticamente sentenciado a eliminatória neste jogo, e porque acabámos por consentir o empate num lance irregular, mas alívio também porque as coisas poderiam ter corrido de forma completamente oposta, não fosse a noite inspirada do nosso guarda-redes a evitar um possível resultado negativo.

Benfica de regresso ao 4-3-3 (ou 4-5-1, é conforme preferirem), com o Cardozo na frente, regressos do Maxi e do Luisão na defesa, e entrada do Witsel para o meio campo no lugar de um dos avançados. Logo a abrir, oportunidade soberana para marcarmos, num lance em que o Gaitán misturou talento e sorte em doses iguais e viu-se na cara do guarda-redes, mas permitiu-lhe a defesa. Quase imediatamente a seguir, ficámos em desvantagem, pois o Twente marcou num lance em que o De Jong recuou para fugir à marcação dos centrais, recebeu um passe longo, e rematou cruzado de fora da área. Estar a perder após seis minutos é um cenário bastante desfavorável, mas o Benfica manteve a organização e a calma. O Twente também não complicou muito as coisas, já que eles próprios quase que pareceram surpreendidos com esta vantagem obtida tão cedo, e procuraram fazer posse de bola à saída ou mesmo dentro do seu meio campo, sem arriscarem ou pressionarem muito. Isto resultou no período mais morno de todo o jogo, que foi subitamente interrompido aos vinte minutos, quando o incansável Aimar conseguiu roubar uma dessas bolas que o Twente procurava manter no meio campo, e colocou-a nos pés do Cardozo para o contra-ataque. O paraguaio foi por ali fora sem oposição, olhou para a baliza, e ainda de muito longe nem sequer chutou com a força que lhe é habitual: colocou simplesmente a bola de forma perfeita fora do alcance do guarda-redes, empatando o jogo.

O jogo animou claramente após este golo, e a resposta do Twente foi imediata, com o Artur a fazer a primeira das suas grandes defesas para negar o golo aos holandeses logo na jogada a seguir ao nosso golo. Com o Twente a arriscar mais no ataque, começaram a ver-se mais espaços de um e de outro lado, e consequentes jogadas a ameaçar perigo para qualquer uma das balizas. Mas jogada mesmo foi a que o Benfica fez para chegar ao segundo golo, quinze minutos após ter feito o empate. Tudo começou num lançamento lateral do Maxi, com a bola depois a passar quase sempre ao primeiro toque pelo Gaitán, Witsel, Cardozo, Gaitán e Witsel outra vez, e finalmente um passe de morte do belga para o inevitável Nolito rematar para uma baliza aberta e marcar o seu quarto golo em quatro jogos oficiais pelo Benfica. Se toda a jogada é fantástica, o pormenor do Witsel, com tudo para rematar à baliza e rodeado de defesas, ter tido a visão e a calma para fazer aquele passe para o Nolito é revelador da qualidade deste jogador. O mais difícil estava feito, mas não foi sem dificuldades que o Benfica conseguiu manter a vantagem até ao intervalo, pois o Artur foi obrigado a mais duas grandes defesas já muito perto do apito, primeiro a um livre do Ruiz, e depois a um remate de primeira do Landzaat que levava selo de golo.

Na segunda parte o Twente resolveu arriscar tudo, colocando logo mais um avançado em campo. O Benfica fechou linhas e encostou-se mais atrás, procurando eventualmente explorar todo o espaço que os holandeses deixavam para o contra-ataque, mas com isto foi sujeito a uma pressão constante, com várias bolas despejadas para a área ou as suas imediações, e algumas delas resultarem em lances de perigo. O primeiro deles até resultou da única falha do Artur no jogo, ao atacar mal uma bola, o que resultou numa confusão dentro da área que felizmente acabou por não dar em golo. O período mais 'louco' do jogo foram os últimos vinte e cinco minutos, depois da troca do Aimar pelo Saviola (a saída do Aimar já se adivinhava, mas esperaria a entrada de outro médio, e não de um segundo avançado). O Saviola não entrou bem, e nunca conseguiu pressionar e incomodar os adversários da mesma forma que o Aimar o estava a fazer. Com os holandeses a darem o tudo por tudo, o Artur foi obrigado a pelo menos mais três defesas de grande dificuldade, mas do lado oposto os espaços eram cada vez maiores, e em mais de uma ocasião o Benfica viu-se em situações de igualdade ou mesmo vantagem numérica perante os defesas do Twente, não tendo sabido aproveitá-las. Foi pena que a dez minutos do final, numa fase em que o Twente já parecia estar a perder o fôlego, tenhamos sofrido o golo do empate. O lance começa numa asneira do Maxi, que se deixou antecipar e perdeu uma bola que devia ser sua, e terminou com um cabeceamento do Ruiz para o golo. Há falta evidente do Ruiz quando salta à bola, empurrando e apoiando-se sobre as costas do Emerson, mas mais uma vez o árbitro de baliza aproveitou para mostrar que não serve para absolutamente nada. O empate pareceu satisfazer o Twente, que quase não pressionou mais até ao apito final, tendo cabido ao Benfica a maior oportunidade para desfazer o empate, com o Nolito, isolado após tabela com o Saviola, a não conseguir bater o guarda-redes Mihaylov.

Melhor jogador do Benfica claramente o Artur. Contei-lhe pelo menos meia dúzia de grandes defesas, a evitarem golos do Twente, e não teve qualquer hipótese nos golos sofridos. Bem o Witsel, o Aimar (pode não aguentar os noventa minutos a correr daquela maneira, mas quando sai do campo já deu tudo o que aquele corpo franzino tem para dar), Nolito e Javi. Hoje não gostei muito do Maxi. Pareceu-me algo lento, e revelou sempre muitas dificuldades a partir do momento em que o número 24 (Ola John) entrou e se foi colar ao lado esquerdo. No lance do segundo golo ele não deveria ter perdido aquela bola a meio campo.

Partimos em vantagem para a segunda mão, e sinto-me confiante que, somando essa vantagem ao factor casa, conseguiremos daqui a uma semana confirmar o apuramento para a fase de grupos da Champions. O Twente mostrou alguma qualidade no ataque, mas certamente não é uma equipa fora-de-série, estando perfeitamente ao nosso alcance. Basta que mantenhamos a concentração e soltemos o talento dos jogadores que temos.

por D`Arcy às 02:20 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Segunda-feira, 15.08.11

Análise ao Twente (por Sérgio Berenguer)

 

Sérgio Berenguer, comentador da Benfica TV, partilha com os leitores da Tertúlia Benfiquista a sua análise ao próximo adversário do Sport Lisboa e Benfica:

 

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«Não sendo o mais importante adversário do Sport Lisboa e Benfica, a verdade é que ultrapassar o F.C.Twente no “Play-off” de acesso à fase de grupos da Champions League assume grande importância (económica, sim, mas sobretudo moral e mobilizadora) para o que será o Benfica na temporada 2011/12 que agora se inicia.

 

Campeão em 2009/2010, sob a batuta do inglês Steve McClaren somando 86 pontos (mais um que o Ajax, mais 8 que o PSV e mais 23 que o Feyernoord) e Vice-Campeão em 2010/2011 (perdeu o jogo e o título para o Ajax na última jornada da competição) sob o comando técnico de Michel Preud´Homme, o F.C. Twente é um digno representante do futebol tecnicista e de ataque do país das tulipas.

 

Agora comandado por Co Adriaanse (que curiosamente perdeu com o Glorioso em casa e fora no ano em que treinou em Portugal), o Twente apresentou recentemente para esta época um modesto orçamento de 45,5 milhões de euros, sendo que entre saídas (fez uma única transferência relevante por 3 milhões de euros de Theo Janssen para o Ajax) e entradas (de baixo custo como o lateral direito Cornelisse, proveniente do FC Utrecht, e o médio Willem Janssen oriundo do Roda), pouco se alterou a estrutura do plantel para esta nova época, que se iniciou com “saborosa” vitória na Supertaça sobre o Ajax (2-1) com quem discute actualmente o domínio da Liga Holandesa.

 

Se é verdade que a laranja mecânica, e tudo o que se lhe seguiu com origem nela, foram esquemas revolucionários, a verdade é que o futebol holandês não está mais na linha da frente quanto á revolução táctica, mantendo contudo no seu ADN a filosofia ofensiva como principal característica. Ainda que seja equipa (independentemente da era McClaren, Preud’Homme ou Adriaanse) que mantenha por principio a colocação rápida da bola nos flancos, dando largura ao campo, circulando jogo, partilhando do tradicional sistema táctico holandês do 4x3x3, este Twente é, ainda assim, por norma, o mais conservador dos clubes que dominam a Liga Holandesa.

 

 

 

Na baliza, apenas alguma indisponibilidade física impedirá Mihailov de ser titular, o que colocaria na baliza do Twente o veterano (40 anos) Boschker (como ocorreu na 1ª jornada da Liga Holandesa 2011/2012). O quarteto defensivo manterá, tudo indica, intacta a dupla de centrais formada pelo brasileiro Douglas (muito forte no jogo aéreo, muito sereno e com bom domínio de bola) e Peter Wisgerhof (na ausência/indisponibilidade de algum deles o provável substituto será o sueco Rasmus Bengtsson), com Cornelisse (ex- FC Utrecht) como provável lateral direito (o venezuelano Rosales pode ser outra opção, ele que pode jogar nesta posição ou mais adiantado como ala) e Tiendalli como lateral esquerdo (a alternmativa pode ser o belga Buysse).

 

No meio campo, e tal como na época transacta, o Twente parece surgir em 2011/12 a apostar muitas vezes num duplo-pivot formado por Brama, mais defensivo, ele que fora acompanhado em 2010/11 por Theo Janssen e cuja responsabilidade das transições parece ser agora, em 2011/12, assumida por Willem Janssen. Este duplo-pivot liberta para o apoio ao gigante austríaco Marc Janko, as duas principais figuras da equipa: De Jong e Brian Ruiz.

 

Sobre Luuk de Jong sabe-se (conforme descrito no trabalho “Os 20 negócios de jogadores que recomendamos em 2011” pelo FUTEBOL FINANCE) tratar-se de um “avançado centro de origem, também capaz de actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, viveu a sua época de afirmação na Eredivisie, ao juntar 12 assistências a 12 golos em 32 jogos. Muito inteligente a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, e extremamente oportuno em zona de finalização, sabe tirar partido do seu bom remate com os pés - o direito é o que melhor define - e do seu poderoso jogo aéreo. Muito trabalhador e com grande sentido colectivo, revela muito bons apontamentos no passe, de costas ou de frente para a baliza, e, apesar da sua elevada estatura, é rápido, móvel e capaz de produzir desequilíbrios no um para um”. Os noventa minutos jogados por De Jong na final da Supertaça frente ao Ajax (30-07-2011) serviram para confirmar todas estas características.

 

Quanto a Brian Ruiz, o conhecido mestre do “tico-tico” da Costa-Rica  - que foi falado como potencial reforço do Sport Lisboa e Benfica e vê agora o seu nome associado ao Totenham)  –  é claramente jogador para outros voos (entenda-se: clube de maior dimensão e aspiração no futebol internacional).  

 

Em Maio de 2010, Luís Feitas Lobo descrevia este jogador não como “um ala, longe disso, nem será verdadeiramente só um avançado. É um vagabundo da ligação entre meio-campo e ataque que, movendo-se a toda a largura dos últimos 30 metros, sabe ler os espaços na hora certa para passar ou surgir a rematar”. Para melhor o descrever, dele disse: “A sua forma de jogar, elegante, toque de bola perfeito, cabeça levantada e serenidade a cada passe ou remate, contrastam com a clássica imagem guerreira do jogador da América latina (…). Quase uma ironia de classe no futebol da Costa Rica. Chegou à Europa (…) quando o Gent da Bélgica o descobriu no Aljulense, na pátria dos tico-tico, o nome que tornou célebre a selecção costa-riquense. (…) Parecendo quase deslizar pelos relvados, abalou as estruturas do futebol das tulipas” no ano em que o uruguaio Luis Suarez (hoje no Liverpool) mesmo marcando 35 golos não fez do Ajax campeão, o qual caiu aos pés do Twente de Mclaren, do duplo-pivot Brama-Janssen, do extremo esquerdo Stoch e do vagabundo… Ruiz.

 

Para as posições normalmente desempenhadas por Ruiz e De Jong – e quando estes perdem alguma capacidade física - Co Adriaanse tem chamado (com menor eficácia e intensidade) o holandês Ola John e/ou o alemão Thilo Leugers.

 

Finalmente, no flanco esquerdo do meio campo / ataque do Twente, o holandês de 20 anos Steven Berghuis foi titular no jogo da Supertaça e na 1ª jormada frente ao NAC pelo que parte como principal candidato ao lugar, o qual pode ser igualmente desempenhado quer pelo sueco Bajrami (muito rápido, sobre a esquerda, finta menos mas extremamente objectivo a procurar a área) ou o belga (de origem marroquina) Chadli, que é normalmente jogador que arranca com muita mobilidade desde a esquerda e surge por dentro, em diagonais com sentido único: a baliza adversária.

 

Como sérios avisos ao Benfica, deverão constar a vitória do Twente na fase de Grupos da Champions League no ano passado em Bremen (0-2) e os resultados suados do todo poderoso Inter Milão (1-0 em Milão e 2-2 na Holanda) que lhe garantiram o 3º lugar no grupo atras de Inter e Tottenham, de onde transitou para a Liga Europa. Nessa competição em que o Benfica atingiu as meias-finais, o Twente eliminou o Rubin Kazin (2-0 e 2-2) nos 1/16 Final, depois o Zenit (3-0 e 0-2) nos 1/8 Final, caindo aos pés do Vilarreal nos 1/4 Final com duas derrotas (1-3 em casa e 5-1 em Espanha). É uma equipa que, tal como Benfica, normalmente marca pelo que todos os cuidados defensivos serão poucos... fora e em casa, onde tudo certamente se decidirá.

 

Certo, certo é que se tratará de duelo difícil entre duas equipas cujo ADN as obriga a fazer do ataque a sua melhor defesa.»

 

texto de Sérgio Berenguer

por Pedro F. Ferreira às 12:27 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sexta-feira, 12.08.11

Desleixo

Só desleixo ou incompetência pode explicar que o Benfica, depois de uma grande entrada no jogo, e depois de estar a vencer por dois golos de diferença após dezoito minutos de jogo, vá permitir que uma equipa vinda da Liga Orangina consiga recuperar da desvantagem e arrancar um empate.

A surpresa do Jorge Jesus para este jogo foi não ter optado pelo 4-3-3 que vinha dando boa conta de si, preferindo voltar ao 'clássico' 4-1-3-2, com o Jara a fazer companhia ao Saviola na frente. O início de jogo foi promissor, com o Benfica a jogar em velocidade e os seus jogadores a mostrar grande mobilidade em campo, o que permitia encontrar frequentemente espaços na defesa do Gil Vicente. O golo chegou, por isso, cedo, com o Nolito a surgir solto na esquerda após um bom passe do Rúben e a colocar a bola cruzada ao segundo poste, fora do alcance do guarda-redes. O Gil Vicente não se entregou, e tentava pressionar alto, mas isso deixava espaços atrás e o Benfica parecia mostrar alguma competência nas transições para o ataque, pelo que a sensação com que se ficava era a de que não seria complicado ao Benfica voltar a marcar. O que aconteceu aos dezoito minutos, numa bonita jogada em que a bola passou quase sempre ao primeiro toque por vários jogadores, com o passe final do Jara a permitir a finalização do Saviola à boca da baliza.

O jogo nesta altura parecia estar praticamente nas nossas mãos. O problema é que se calhar os jogadores pensaram a mesma coisa, e pareceram abrandar aquela 'fúria' com que entraram em campo, confiantes que mais cedo ou mais tarde novo golo apareceria. E, conforme escrevi antes, o Gil Vicente nunca se entregou. A partir da meia hora de jogo eu comecei a pensar que seria fundamental não sofrermos um golo antes do intervalo, de forma a evitarmos a repetição de uma história que já vimos antes. Tal não foi possível, porque após um corte falhado pelo Rúben Amorim o Gil Vicente chegou mesmo ao golo, num remate cruzado. Vimos então que o Witsel aquecia, e pensei que na segunda parte ele entraria e o Benfica voltaria ao 4-3-3, que provavelmente permitiria ao Benfica estabilizar o jogo - que naquela altura estava completamente aberto, com ambas as equipas a encontraram muitos espaços para atacar.

Surpeendentemente isso não aconteceu, e quem ficou no balneário ao intervalo foi o Aimar. Mas o jogo na verdade mudou bastante, com o Benfica a parecer ter o adversário e o jogo completamente controlados. O Gil Vicente raramente entrava no nosso meio campo, e quase não ameaçava a nossa baliza. Mas apesar do ascendente no jogo, o Benfica não mostrou capacidade para dar a machadada final e sentenciar o resultado. E já estamos fartos de saber que quando isto acontece, estamos sempre expostos a uma qualquer contingência, que foi o que aconteceu. Depois de ter sido mais rematador na primeira parte, foi praticamente no único remate que fez na direcção da baliza na segunda parte que o Gil Vicente chegou ao empate. Foi um grande remate, bem de fora da área, a levar a bola ao ângulo da baliza, e pelo mesmo jogador - Laionel - que já o ano passado, também num remate de longe, deu a vitória à Académica na Luz na primeira jornada. Faltava pouco mais de um quarto de hora para o final, mas o Benfica, mais com o coração do que com a cabeça, não mostrou qualquer competência para voltar a marcar, não tendo praticamente criado uma única ocasião de golo.

Gostei do Javi, do Saviola e do Witsel na segunda parte. Não gostei do Jara - empenhado mas desastrado - nem do Gaitán, que a partir do segundo golo pareceu novamente interessado em jogar de forma mais bonita do que prática, com alguns tiques de vedeta. Estava a gostar do Aimar na primeira parte, e não compreendi a sua saída, a não ser que tenha sido por motivos físicos. Em relação ao Nolito, que mais uma vez voltou a marcar e fez um bom jogo, julgo que seria útil que por vezes, tendo em conta a posição em que joga, tentasse ganhar a linha de fundo, porque se ele flecte para o centro sempre que recebe a bola, ao fim de algum tempo os adversários já sabem o que vai fazer.

E mais uma vez começamos o campeonato com o pé esquerdo. Sinceramente, às vezes parece ser escusado tentar meter na cabeça da equipa o quão importante é começar bem e não dar logo a abrir um estímulo psicológico aos rivais, porque já são demasiadas as épocas em que isto acontece. E se a época passada houve razão de queixa de factores externos, esta noite só nos podemos queixar de nós próprios e do nosso desleixo. Os jogos são para se levar a sério contra qualquer adversário, e do primeiro ao último minuto de jogo. Vendo a coisa pela positiva, só mesmo pensando que da última vez que fomos campeões também começámos com um empate.

por D`Arcy às 23:25 | link do post | comentar | ver comentários (165)

Futebol de autor

Houve e há futebolistas que, pela sua capacidade de imprimir a todas as movimentações e decisões individuais um sentido colectivo, deixaram a sua impressão digital no imaginário dos adeptos.

 

Futebolistas como Johan Cruijff, Enzo Francescoli, Rui Costa ou Xavi exemplificam a capacidade de perceber o futebol para além do momento em que individualmente se tem a bola no seu domínio. De entre os vários nomes que se podem juntar a este grupo, destaco Pablo Aimar. “El Mago” Aimar é superlativo a pensar o futebol como uma dinâmica colectiva. À sua rapidez de raciocínio, que o leva a ter aquele centésimo de segundo que lhe permite antecipar a movimentação do adversário e da bola, junta uma invulgar qualidade de execução técnica. Olhamos para Aimar e vemo-lo dirigir toda uma equipa, descobrir espaço entre linhas adversárias, antecipar um desequilíbrio defensivo adversário, forçar esse mesmo desequilíbrio e obrigar a que todos os que o acompanham na sua movimentação ofensiva acabem por tirar partido das suas decisões. A capacidade que Aimar tem de descodificar o propósito das movimentações globais de companheiros e adversários manifesta-se com uma espontaneidade tal que aparenta ser um simples “puro acontecer”. Nessa ilusória simplicidade está encerrada a complexidade de perceber a sua acção como uma função em que nada é aqui e agora, porque todo o ‘aqui’ e ‘agora’ só existem com efectividade se forem a preparação de um espaço e tempo futuros. Se todos temos a percepção de que não há serviço colectivo nos futebolistas que não são capazes de se encontrarem com a equipa, basta ver as orientações que Aimar dá aos seus companheiros para perceber como há futebolistas que “obrigam” a que todos se encontrem entre si, de forma dinâmica.

 

Para além disso, há ainda a consciência de que em Aimar a vida se manifesta com mestria muito para além do futebol. Aliás, é na sua conduta como homem e cidadão que começa o futebol de autor que o imortaliza.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Agosto e publicado na edição de 12/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 07:07 | link do post
Quinta-feira, 11.08.11

Máfia no Futebol

 

[link] [link]

 

Declan Hill investigou, correu o mundo, correu riscos (ainda corre) e, num acto essencialmente de coragem, denunciou.

 

A obra, que recentemente foi editada em Portugal, deveria ser de leitura obrigatória para todos os que seguem o futebol, particularmente o futebol português das últimas três décadas.

 

Aquilo que todos ouvimos aquando das escutas do processo “Apito Dourado” já é bastante elucidativo de como se traficam influências e favores; de como se chantageia, ameaça, agride e se mantém um conjunto de árbitros no bolso, prontos a usar em caso de necessidade.

 

Esta obra de Declan Hill vai mais longe: explica como é que um guarda-redes comete um erro básico contra a equipa que o vai contratar ou como um defesa pode ajudar a viciar um resultado. Explica o que leva alguns treinadores a retirarem de campo os melhores jogadores, com o resultado empatado, lá por volta dos 60 minutos de jogo. Explica porque é que jornalista, futebolistas e dirigentes calam, colaboram e se tornam cúmplices de um jogo sujo em que a única coisa limpa é a bola.

 

É uma leitura essencial e indispensável. Haverá, em Portugal, quem tenha a independência e a coragem de fazer e publicar uma investigação deste género?

por Pedro F. Ferreira às 01:17 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Terça-feira, 09.08.11

Sobre a agressão a Pedro Proença

Considero Pedro Proença um mau árbitro. Esteve ligado a alguns momentos da história recente do futebol português em que prejudicou, de forma clara, o Benfica. Alguns desses momentos foram determinantes para que ainda hoje tenhamos agentes de práticas corruptas a pavonearem-se no futebol português.

 

 

No entanto, a opinião que tenho (e como eu têm muitos benfiquistas) de Pedro Proença não legitima nem atenua, em momento algum, qualquer prática de violência exercida contra o mesmo. Isto é claro e nem me parece que seja discutível. Deste modo, concordo e revejo-me inteiramente no comunicado do Benfica. [link]

 

É a mensagem adequada no tempo e no modo. Seria importante que todos os adeptos do Benfica, independentemente da revolta que sentem quando se recordam dos erros de Pedro Proença, percebessem a verdadeira dimensão destas palavras…

por Pedro F. Ferreira às 15:05 | link do post | comentar | ver comentários (64)
Domingo, 07.08.11

Empolgante

A Eusébio Cup ficou em casa, num jogo com duas partes bem distintas em que fomos presenteados com alguns momentos de futebol que só podem deixar-nos optimistas para esta época.

Na primeira parte o Benfica experimentou um 4-4-2 sem um criativo, optando por colocar o Matic ao lado do Javi no centro do meio campo, cabendo ao Jara a tarefa de tentar fazer a ligação entre o meio campo e o ataque. A experiência não foi muito em sucedida: o Benfica revelou pouca capacidade para fazer posse de bola no meio campo adversário, foi precipitado no ataque, e na defesa mostrou-se permeável, sobretudo pelas laterais, onde os alas Pérez e Bruno César pouco auxiliaram os defesas do seu lado. O Arsenal chegou à vantagem precisamente numa subida não acompanhada do seu lateral esquerdo, ganhou a linha de fundo e centrou para uma finalização fácil do Van Persie na pequena área.

Na segunda parte voltou o esquema utilizado na quarta-feira em Istambul. Não podendo obviamente ignorar-se a saída ao intervalo de jogadores como Arshavin, Van Persie, Sagna e Djourou no Arsenal, a verdade é que com Witsel, Nolito, Gaitán, Aimar e Saviola em campo a música foi outra. Quinze minutos bastaram para dar a volta ao resultado, com golos de Aimar e Nolito, e momentos de futebol rápido e empolgante que entusiasmaram os mais de quarenta mil presentes na Luz. E até poderiam ter sido mais os golos até ao final, porque oportunidades não faltaram.

Aimar, Nolito e Witsel excelentes, acompanhados pelo Javi ao longo dos noventa minutos, Gaitán bem mais perigoso na direita do que tinha sido o Pérez. Menção para a estreia do Capdevilla, que pouco mostrou à parte de parecer ter maior propensão para atacar do que o Emerson.

Tempo agora para preparar a estreia na Liga, já na próxima sexta-feira. Por aquilo que tenho visto, sinto-me confiante. Cada vez mais confiante.

por D`Arcy às 03:01 | link do post | comentar | ver comentários (28)

Aimar

“Os adeptos mostraram-se muitos entusiasmados. É sempre bom jogar numa equipa como esta, que conta com este tipo de adeptos, que apoiam sempre os jogadores.” Pablo Aimar dixit.

 

Gosto de Aimar, é um excelente futebolista e mais inteligente do que aqueles adeptos que acham que "sempre" é apenas quando ganham.

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por Pedro F. Ferreira às 00:30 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sexta-feira, 05.08.11

A treta

Depois do discurso contra o Sul, do discurso sobre a penhora da retrete, do discurso em torno da fruta para dormir, do discurso em que imitava um aparelho de gps e indicava orientações sobre a localização da sua casa a um árbitro na antevéspera de apitar um jogo do seu clube e de tantos outros discursos a que a parvónia denomina “fina ironia”, o sr. Costa surgiu agora com o discurso da treta, referindo-se à venda dos direitos desportivos do guarda-redes Roberto.

 

Considero que o actual discurso da treta do sr. Costa constitui-se como uma evolução e, finalmente, está adequado à figura que o enuncia. Isto é de louvar. Aliás, foi também interessante ver como a comunicação social alinhada com o senhor do tal discurso da treta tentou, por todos os meios, desvalorizar o adversário do Benfica nesta fase da Liga dos Campeões. Numa atitude bacoca e a roçar um estranho e infundado complexo de superioridade, muitos foram os meios de comunicação social portugueses que não se cansaram de tentar desvalorizar o Trabzonspor. Houve mesmo alguns ‘opinadeiros’ que queriam demonstrar a fraqueza do nosso adversário referindo-se a uma suposta fraca qualidade e desorganização do futebol turco. Isto, meus caros, é uma treta. O futebol turco, no que respeita à tentativa de zelar pela verdade desportiva, dá lições a toda a organização do futebol português. No futebol turco, como se comprova com a actual situação criminal de alguns dirigentes (entre os quais os do Trabzonspor), não se considera uma treta a tentativa de adulterar resultados. Da mesma forma que não é um qualquer cacique de aldeia que, com duas tretas e um par de balelas, escarra na Justiça e leva um conjunto de lorpas a fazerem das tretas letra de lei e código deontológico.

 

Chegará o dia em que ainda nos vão querer obrigar a acreditar que há dirigentes de clubes que recebem árbitros em casa apenas para terem inocentes conversas da treta. Enfim, isto, como diria um tal de Calheiros, já são outros quinhentinhos…

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 02 de Agostoe publicado na edição de 05/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 15:30 | link do post
Quinta-feira, 04.08.11

A possível saída do Cardozo desmistificada

 

Em números, Cardozo vale cerca de 25 golos por época (marcou 100 nas 4 épocas que leva de Benfica). Não tendo dados concretos penso ser justo dizer que desses 25 golos, 10 são marcados na sequência de bolas paradas (entre penalties e livres directos).

 

Este ano contratamos um exímio marcador de livres, que é o Garay. Quanto aos penalties e uma vez que o ratio do Cardozo estava longe de ser perfeito não creio que seja difícil arranjar outro jogador que marque os penalties na vez dele.

 

Sobram 15 golos. Para os marcar temos, e já descontando Saviola que à partida tem a sua quota pessoal de golos que para o efeito desta análise se manterá idêntica sem entrar nestas contas, Jara, Mora (do qual contínuo a receber referências muito interessantes), Rodrigo e Nélson Oliveira. Não me parece descabido pensar que entre estes 4 jogadores serão marcados os 15 golos em falta.

 

Depois, passemos à importância de Cardozo na movimentação global da equipa, nomeadamente no seu vector ofensivo. Devido à sua morfologia e a alguma inabilidade em certos aspectos técnicos do jogo como sejam a recepção e o passe, Cardozo sempre demonstrou dificuldades em dar seguimento a jogadas nas quais não lhe fosse solicitado somente o toque de finalização. Há inúmeras jogadas perdidas pelo Benfica durante um jogo na sequência da demonstração prática destas falhas. Depois, e apesar da estatura, nem por isso se serve dela para ganhar disputas aéreas nas quais poderia ser útil. Se como ontem aconteceu jogarmos preferencialmente com 2 extremos “invertidos”, isto é, a jogar preferencialmente com o pé contrário ao da linha na qual se movimentam, os cruzamentos não abundarão. O tipo de jogadas é diverso e passa por inflexões destes jogadores para o centro cumprindo aos respectivos laterais os cruzamentos para a área. Com este tipo de jogadas um avançado como o Cardozo não faz muito sentido na minha opinião.

 

Temos no entanto o reverso da medalha, que é o facto de afinal de contas se tratar de um jogador que, bem ou mal, garante de facto golos no final da época. E um avançado está lá é para marcar golos, quanto a isso nenhuma dúvida (a única questão que este texto visa sublinhar é que este predicado está longe de ser exclusivo do Cardozo). É útil nas bolas paradas defensivas, devido à sua estatura (pese embora continue a sublinhar que o seu ratio de bolas conquistadas quando em disputa aérea com outros jogadores estar longe de ser o ideal tendo em conta os seus centímetros) e tem um pé esquerdo verdadeiramente fantástico, sobretudo quando servido de um determinado tipo de maneira, com a bola colocada à sua frente precisamente para o pé esquerdo e de modo a que ao paraguaio não sejam pedidos mais que 1, 2 toques. A sua saída, a concretizar-se, deixará de facto um vazio que nos primeiros tempos será difícil de preencher. Afinal, tratam-se (trataram-se?) de 4 épocas muito profícuas e tal como a equipa anterior se teve de habituar a jogar com ele também agora esta terá de se habituar em sentido inverso. A minha opinião/previsão, como já perceberam, é que no fim desse período que, creio, já se terá iniciado ontem e que desejo que seja o mais curto possível, a equipa ficará mais forte.

 

Para finalizar, e todos os meus textos parecem não sobreviver sem um “Para finalizar…”, há a questão económica. Cardozo está com 28 anos. Foi uma das contratações mais caras de sempre do Benfica. E gostaria que não se esquecessem deste facto ao analisar Cardozo e ao compará-lo com os restantes avançados que o Benfica teve nos últimos 20 anos. É que nunca foi gasto um montante sequer parecido com este na aquisição de um ponta de lança. Ou seja, se nos dispusermos a gastar cerca de 10 milhões de euros num substituto do Cardozo, ignorando portanto a minha expectativa de que os restantes avançados que o plantel actualmente possui podem perfeitamente substitui-lo, o mais difícil será encontrar um avançado que não marque golos!

 

Portanto, e tendo em conta a idade dele, se há altura para o vender é agora. Com a previsão de se recuperar o investimento e de ainda se fazer um encaixe substantivo. E não ignoremos igualmente que o rendimento do Cardozo não tem sido propriamente em crescendo existindo neste momento uma dúvida que creio ser bem real sobre se o que aí vem, caso se mantenha de facto no Benfica, é o Cardozo dos 2 primeiros anos ou se é o Cardozo cujas prestações no último ano culminaram com a não-chamada à Copa América.

por Superman Torras às 18:55 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Quarta-feira, 03.08.11

Passeio

Sem sobressaltos, o Benfica quase que passeou e passou a eliminatória na Turquia, tendo ficado como único amargo de boca a sensação de termos desperdiçado uma boa oportunidade para vencer o jogo. No mínimo, porque na melhor das hipóteses, até teria dado para um resultado robusto.

O Benfica entrou em campo com onze jogadores... do Benfica. E escrevo isto porque à custa de tanto alarido sobre as nacionalidades do onze que iria alinhar, às tantas comecei a ficar com receio que o Benfica acabasse por entrar com menos do que onze jogadores, ou com algum jogador do Trabzonspor lá metido pelo meio. O Jorge Jesus optou por inovar um pouco em termos tácticos, colocando a equipa a jogar com apenas um avançado de raiz, num esquema que na época passada eu achei que tanto jeito nos daria em alguns jogos - mas para o qual não tínhamos jogadores no plantel. O Saviola foi o jogador mais avançado, com apoio directo do Aimar, e o Witsel entrou no onze para dar mais consistência ao meio campo. Natural também a presença do Nolito, no lugar do lesionado Pérez.

Se alguém esperava algum inferno em Istambul, então o que viu foi um inferno muito frio. O estádio estava muito longe de ter os tais cinquenta ou sessenta mil fervorosos adeptos turcos, e logo nos primeiros minutos o Benfica fez questão de arrefecer os ânimos aos que lá estavam e tranquilizar os benfiquistas, porque depressa se viu que seria muito difícil que deixássemos fugir o controlo do jogo. Começámos por pressionar muito alto - grande esforço do Aimar neste aspecto - raramente permitindo ao Trabzonspor jogadas organizadas e em posse de bola, porque o nosso meio campo reforçado ocupava os espaços e fazia as marcações quase na perfeição. E quando recuperávamos a bola, às vezes até parecia demasiado fácil a forma como conseguíamos abrir buracos na defesa turca. E o golo surgiu com toda a naturalidade, já depois de algumas ameaças, quando estavam decorridos vinte minutos. Num lançamento lateral o Saviola apareceu 'esquecido' na área, e depois passou a bola ao Nolito, que rematou entre dois defesas para o golo. Se dúvidas havia sobre quem passaria, terão terminado todas aqui. O Trabzonspor conseguiu empatar cerca de dez minutos depois, num lance em que explorou um buraco deixado pelo Maxi na direita da defesa, mas foi um lance perfeitamente fortuito e contra a corrente do jogo - foi o único remate que os turcos fizeram à baliza em noventa minutos de jogo, durante os quais o Artur foi pouco mais do que um mero espectador. O Benfica não acusou o golo e continuou com o controlo do jogo, só não chegando ao intervalo em vantagem porque o Gaitán, numa noite muito displicente, conseguiu não acertar com a baliza quando tinha tudo para marcar.

A segunda parte começou com o Benfica a mostrar que nada iria mudar: logo no primeiro minuto o Nolito perdeu mais uma oportunidade soberana para marcar, num lance precedido de penálti sobre o Saviola. Antes de terminado o primeiro quarto de hora, o cenário ficou ainda mais negro para os turcos, que se viram reduzidos a dez após expulsão do Mierzejewsky por cotovelada na cara do Maxi (o maior especialista no uso dos cotovelos, o número dezassete Burak, conseguiu no entanto aguentar-se em campo os noventa minutos sem ver um amarelo sequer). E a partir daqui só foi aumentando a minha irritação por não marcarmos pelo menos mais um golo, que nos daria a vitória no jogo. Oportunidades para isso não faltaram, mesmo com o Benfica a jogar quase em ritmo de treino (e o Gaitán a jogar quase como se estivesse numa peladinha entre amigos). A mais flagrante de todas surgiu a dez minutos do final, com o Witsel a conseguir acertar na trave (o que era mais difícil do que marcar) depois de se ver cara a cara com o guarda-redes após uma boa iniciativa do Matic. Mas a verdade é que, depois da expulsão, a sensação com que fiquei é que bastaria o Benfica forçar um bocadinho para desbaratar completamente aquela defesa.

O jogador de que mais gostei foi o Witsel. É tacticamente muito certo, insistente na luta pela posse de bola, e sobretudo não inventa: faz aquilo que deve ser feito, na altura certa, e de forma simples. Merecia claramente que aquela bola que terminou na barra tivesse entrado na baliza. Gostei também do Nolito, em especial na primeira parte, porque à medida que o jogo caminhou para o final pareceu-me que foi perdendo o fôlego. Mas foi sempre um dos mais perigosos, e é outro jogador que ajuda muito a começar a pressão logo à saída da área adversária. Gostei também do Aimar, sobretudo pelo muito que trabalhou, e o Matic teve um entrada boa no jogo. O único jogador que me conseguiu irritar foi o Gaitán, simplesmente porque chegou a um ponto em que quase me pareceu estar a ser displicente na forma como jogava. Se não tentasse obter nota artística em alguns lances, o mais provável era que tivesse acabado o jogo com um (ou mais) golos marcados. Gostaria que ele tivesse tido uma atitude mais competitiva, e que tivesse levado o jogo mais a sério.

A obrigação de deixar os turcos pelo caminho foi cumprida, e esperemos agora para ver o que é que a sorte nos reserva para o play-off. A minha preferência é quase sempre a mesma para sorteios de competições europeias: equipas italianas não, por favor. Por isso, desejo qualquer equipa menos a Udinese.

por D`Arcy às 23:12 | link do post | comentar | ver comentários (32)

A CMVM e a sua estranha forma de regular

 

1- Preâmbulo:

 

Como adepto e sócio do Sport Lisboa e Benfica e accionista da Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, considero que o Sport Lisboa e Benfica não deve ter qualquer problema em prestar todos os esclarecimentos que alguma entidade deste país entenda solicitar. Assim, aprecio os esclarecimentos prestados pelo Benfica à CMVM, acerca da transferência de Roberto.

 

Como cidadão português exijo que um regulador como a CMVM actue sempre e não apenas quando o mediatismo obriga.

 

 

2- A transferência de Roberto:

 

Vejamos, «a transferência do atleta Roberto foi concretizada e validada em cartório notarial. Foi celebrada com uma sociedade desportiva e uma sociedade de direito espanhol.» Repito: «esta transferência foi concretizada por via de escritura notarial, com uma sociedade desportiva da primeira Liga espanhola e uma outra sociedade de direito espanhol idónea e em relação de domínio com aquela primeira. Além disso, importa referir que os valores estabelecidos se encontram garantidos nomeadamente por títulos de crédito e a transferência em causa foi já devidamente ratificada pelos “Administradores Concursales” (i.e Administradores Judiciais) da Real Zaragoza SAD.»[link]

 

 

3- Situações em que a CMVM não pediu esclarecimentos:

 

Alex Sandro [link]; Hulk [link]; James [link] e [link]; C. Rodriguez [link]; Walter [link]; Liedson [link]

 

De entre todos estes, destacam-se o caso de C. Rodriguez (o comunicado diz que pagaram 7 milhões de euros, mas não dizem a quem) e o de Liedson (o SCP nem sequer diz por quanto foi vendido, apenas dizem qual é o impacto “positivo”, segundo eles, nas contas).

 

:::

 

Além disso, importa não esquecer que as duas maiores transferências da história do FCP foram efectuadas com dois clubes da II Divisão do Uruguai – o Rentistas/Hulk e Maldonado/Alex Sandro – sem que alguém tivesse questionado sequer o valor pago, quanto mais se o preço era justo…

 

4- Conclusão:

 

À CMVM exige-se que actue com uma inquestionável uniformidade de critérios. Não o tem feito!

Tudo isto me leva a reflectir sobre as razões que movem os responsáveis da CMVM em relação à Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD. Tudo isto me leva a não acreditar na boa-fé da CMVM.

 

::::

 

 

Post que teve como base o post de JG no Red Pass (http://redpass.blogs.sapo.pt/501360.html)

por Pedro F. Ferreira às 17:50 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Segunda-feira, 01.08.11

Roberto

Será que o presidente do Zaragoza, por andar metido nos negócios da construção, tem interesse em construir o novo estádio do Benfica?

 

Ou será que o ano passado o Benfica, afinal, pagou mesmo aquele que era o valor de mercado de um jogador que foi votado o melhor guarda-redes da segunda volta da Liga espanhola?

 

P.S.- Para o Roberto, muito sinceramente, toda a sorte do mundo. Nada tenho a apontar ao seu profissionalismo, e admiro a força de vontade e dedicação que mostrou para levantar a cabeça apesar dos ataques vis e rasteiros de que foi alvo desde os primeiros minutos que jogou pelo Benfica. Inclusivamente da parte de alguns benfiquistas, que certamente o fizeram porque essa é a sua forma de ajudar o clube. Somos muitos, e cada um terá a forma de o fazer que entenderá ser a mais correcta.

por D`Arcy às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (92)

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