VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 30.12.11

O da Joana

Passou quase despercebido, não foi capa de jornal nem deu direito a finas ironias, mas um dirigente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, no intervalo de um jogo do seu clube, abordou o árbitro Artur Soares Dias. Este ter-se-á sentido de tal maneira incomodado com a peculiaridade da abordagem que, alegadamente, mandou um agente da PSP identificar o referido dirigente. Ou seja, a pedido de um árbitro, um dirigente do Sporting foi identificado por um polícia.

 

Este dirigente é o mesmo que recentemente, qual anão de saltos altos, se imaginou à altura do nosso Benfica e tentou, com declarações vergonhosas, achincalhar o nosso clube. O melhor que conseguiu foi “apenas” contribuir para que um grupelho de bandalhos arruaceiros incendiasse umas cadeiras da bancada onde haviam estado instalados para verem mais uma derrota do clube deles.

 

Ao ter conhecimento do comportamento do dito Cristóvão e da alegada identificação de que foi alvo, perguntei-me se algum dirigente do Sporting viria para a imprensa ameaçar Artur Soares Dias com uma gravação da referida conversa. O que se sabe é que a abordagem foi feita e que Artur Soares Dias não terá ficado nada agradado com a mesma. Felizmente para a saúde do árbitro não houve nenhum tropeção na escadaria de acesso aos balneários e pôde arbitrar a segunda parte do jogo…

 

Quanto ao senhor Cristóvão, já teve tempo e oportunidades de sobra para perceber que nem tudo é legítimo apenas porque um grupo de imbecis lhe legitima as atitudes com palmadinhas nas costas. Ou seja, já é tempo de o senhor Paulo Pereira Cristóvão perceber que, como diz o povo, “isto não é o da Joana”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Dezembroe publicado na edição de 30/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sábado, 24.12.11
Sexta-feira, 23.12.11

Que descanses em paz, João Gomes.

[Faleceu João Gomes, presidente da Casa do Benfica em Coimbra]

 

 

Morreu o João Gomes, grande benfiquista. Conheci-o há uns anos, veio ter comigo falando apaixonadamente do seu benfiquismo. Percebia-se que fazia do benfiquismo uma missão de vida. Mais tarde, noutros encontros, deu-me conta da quantidade de actividades em que se empenhava para divulgar e defender o Benfica e o benfiquismo. Pude testemunhar alguns momentos em que o vi abdicar do seu tempo para dar tempo de si ao Benfica. Vi, ainda que a alguma distância, o seu empenho e militância na liderança da Casa do Benfica em Coimbra. Falei com ele, pessoalmente, pela última vez no dia 28 de Fevereiro deste maldito ano que teima em não querer terminar, no dia em que festejámos mais um ano de vida do nosso Benfica.

 

Morreu hoje, demasiado cedo, demasiado jovem.

 

Deixo aqui os meus (nossos) sinceros sentimentos à sua família.

por Pedro F. Ferreira às 22:37 | link do post | comentar | ver comentários (10)

Futebol de rua

Noite de sexta-feira, Estádio da Luz, durante a partida Benfica-Rio Ave, minuto 36. Nolito recebe a bola, caminha para a área – passa a bola, penso eu. Ultrapassa o primeiro adversário, caminha para a linha de fundo – passa a bola, penso eu. Enfia-se literalmente na linha de fundo, passa o segundo adversário, fica sem ângulo para marcar, aparentemente perde a noção do tempo e do espaço. Dali é impossível marcar, a física e a geometria provam-no – passa a bola, grito eu da bancada. Golo. Todo o Estádio festeja o golo e a decisão do Nolito de não ter passado a bola. Nolito enfiara-se numa cabine telefónica, fintou dois defesas, iludiu o guarda-redes e saiu pela porta.

 

Festejava-se o futebol irreverente, o futebol de rua, o futebol em que o puto malandro se entretém a provar que isso dos impossíveis é preocupação de adultos cinzentos com medo da ousadia. O Nolito é essencialmente isto: o miúdo feito homem que se diverte no mundo profissional com a mesma ‘reguilice’ com que um puto enfrenta a baliza demarcada por duas mochilas da escola. Para trás ficam os aborrecimentos de quem pensa o futebol parametrizado em “basculações”, “transições ofensivas e defensivas” e “movimentos de rotura”. Ali, em Nolito, o futebol é um espaço que existe em função da localização da baliza. O tempo mede-se em adversários que têm de ser ultrapassados até chegar à baliza. O modo vive-se pelo gozo do momento. O resto são meros aborrecimentos de gente grande que se esqueceu de que a génese do futebol é a rua.

 

Feito o golo e festejado o momento, levanta-se a questão: como conciliar a irreverência do futebol de rua com as obrigações do futebol profissional? Haverá lugar para ‘Garrinchas’ no futebol actual? Verdadeiramente preocupante é tentar perceber que futebol é este em que se questiona se há nele lugar para os que acreditam que se podem marcar golos impossíveis.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Dezembroe publicado na edição de 23/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Domingo, 18.12.11

Desafio

Desafio as pessoas a ver, sem comentários (para não haver acusações de facciosismo), o penálti assinalado pelo Pedro Proença do Yebda sobre o Lisandro, no Estádio do Ladrão. E depois a quantidade de penáltis por ele não assinalados a favor do Benfica desde que é árbitro da primeira categoria. E isto é para dar apenas um exemplo e não ter puxar mais da memória, desfiando exemplos de Olegários, Costas, Guímaros, Donatos, Fortunatos, Isidoros, Martins dos Santos, ou Josés Amorims.

 

Se é para se ser demagógico, qualquer um pode sê-lo. Alguns com a vantagem de serem capazes de se lembrar de mais algumas coisas: ou por não terem memória selectiva, ou por não terem o cérebro carcomido pela sífilis.

por D`Arcy às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sábado, 17.12.11

Agradável

Exibição agradável e vitória tranquila e robusta no jogo que fechou 2011 para o Benfica.

Alguma surpresa com a presença do Saviola no onze, o que atirou com o Bruno César para o banco, sendo o Witsel a jogar mais sobre a direita. O Benfica entrou no jogo a praticar um futebol agradável, sendo também rapidamente evidente que o Rio Ave cumpria o prometido pelo seu treinador, e não se apresentava na Luz preocupado em jogar exclusivamente para o empate. O futebol agradável do Benfica não encontrava no entanto expressão em remates ou ocasiões muito perigosas, sobretudo porque o último passe teimava em não sair bem. Além disso as coisas não estavam a ser feitas com muita velocidade, e grande parte dos jogadores estavam algo presos às suas posições, vivendo o Benfica das subidas do Maxi pela direita, das explosões do Nolito na esquerda, e das constantes deambulações do Saviola para criar linhas de passe. Tudo sob a batuta do maestro Aimar. O Rio Ave tentava sempre responder, sobretudo através dos dois alas bastante rápidos que tinha em campo, mas algo contra a corrente do jogo que se colocou em vantagem, após vinte e quatro minutos. Num lance em que o Javi se deslocou até à direita não houve uma compensação eficaz na zona à frente da defesa, e foi aí que surgiu um dos alas solto para rematar colocado de trivela, obtendo um bonito golo.

Nos últimos jogos por vezes parece que o Benfica, assim que se apanha em vantagem, e sobretudo quando isto acontece cedo, abranda imediatamente o ritmo de jogo. Desta vez isso não aconteceu, e até pareceu fazer-nos bem o susto de nos vermos em desvantagem. A reacção da equipa foi boa, a velocidade aumentou, e dez minutos depois estava reposta a igualdade. Depois de já termos ameaçado com remates do Cardozo e do Saviola, o golo acabou por surgir na transformação de um penálti pelo Cardozo, a castigar um corte com a mão. Dois minutos depois já estávamos em vantagem, após um golo improvável do Nolito, que com a raça habitual fez tudo sozinho na esquerda, ultrapassando o defesa, ganhando o ressalto ao guarda-redes, e rematando praticamente sobre a linha final, com a bola a bater no poste antes de entrar. Em vantagem no marcador, desta vez o Benfica não abrandou e foi recompensado com o terceiro golo mesmo antes de sair para intervalo. O lance começou mais uma vez nos pés do Nolito pela esquerda, que fez um passe rasteiro atrasado para à entrada da área, na direcção do Aimar. Depois foi a classe de El Mago a fazer um passe de calcanhar de primeira na direcção do Saviola, que controlou com o peito e rematou para o golo.

O Benfica saiu da primeira parte a marcar, e entrou na segunda a fazer exactamente o mesmo. Julgo que o Rio Ave nem sequer tinha ainda tocado na bola quando esta parou no fundo da sua baliza. Livre descaído sobre a esquerda, após falta sobre o Nolito, marcado pelo Aimar para o segundo poste, onde o Garay ganhou posição sobre o defesa adversário com aparente facilidade, e cabeceou cruzado para o golo. Depois deste golo, aí sim, o Benfica abrandou claramente e passou a gerir calmamente o resultado, sem no entanto deixar de criar oportunidades para o aumentar, quase sempre com o Nolito envolvido nas jogadas. Foi por isso sem surpresa que o espanhol voltou mesmo a marcar, quando faltavam vinte minutos para o final. Recebeu a bola no interior da área após um canto, e com um remate pouco ortodoxo (apareceu ter escorregado na altura do remate) conseguiu que a bola passasse pelo meio de uma floresta de pernas e só acabasse nas redes do Rio Ave. Daí até final, salvo um remate do Rodrigo (tinha entrado para o lugar do Saviola) a obrigar o guarda-redes a uma defesa mais apertada, pouco mais se passou que seja digno de realce.

O homem do jogo é o Nolito. Dois golos e envolvimento nas jogadas de outros dois, para além de ter sido sempre um perigo constante para a defesa do Rio Ave, pela velocidade e objectividade que colocou sempre em jogo. Aimar mais uma vez muito bem - é um privilégio podermos vê-lo jogar com a nossa camisola, privilégio esse que espero que possamos prolongar, e o Maxi muito activo a fazer todo o seu corredor. Gostei também do Saviola: mesmo tendo tido algumas perdas de bola, nunca se escondeu do jogo, esteve sempre em movimento abrindo linhas de passe para os colegas, e foi justamente recompensado com um golo. Menção também para o bom jogo do Emerson, porque é justa e para não falar dele apenas quando erra. No geral, toda a equipa esteve a um bom nível.

Foi uma forma agradável de terminar o ano, garantindo, com a vitória mais expressiva da época até ao momento,
que entraremos em 2012 no topo da tabela da Liga. Apesar de algumas críticas, os números falam por si, e o que eles dizem é que estamos melhor do que quando fomos campeões, há dois anos atrás. Motivo de sobra para nos mantermos confiantes.

por D`Arcy às 02:51 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sexta-feira, 16.12.11

Sorteio da Liga dos Campeões

Calhou-nos o Zenit de São Petersburgo nos oitavos-de-final da Champions. Em teoria, não foi um mau sorteio, embora entre os possíveis adversários só o Milan fosse de facto um tubarão. Mas mais vale o Zenit do que o Nápoles, Lyon ou Marselha.

A nosso favor, temos o facto de o campeonato russo estar a sair da pausa de Inverno na altura dos jogos, o que nos pode dar vantagem na questão do ritmo de jogo (porém, convém não esquecer que na época do Trapattoni defrontámos o CSKA Moscovo também em Fevereiro e fomos eliminados). Independentemente disso, há que assumir sem complexos o favoritismo nesta eliminatória, já que, para além de nós sermos cabeças-de série, é a primeira vez que o Zenit se qualifica para os oitavos-de-final da Champions e eles encontram-se abaixo de nós no ranking da Uefa.

Eu sei que o Zenit deu recentemente uma grande alegria a todos os desportistas ao eliminar da Champions um clube assumidamente corrupto, mas por isso mesmo a sua tarefa já foi cumprida. Escusa de ir mais além, no entanto o Danny que fique descansado que cá estaremos nós para continuar a defender o bom-nome de Portugal, tal como ele o fez.

P.S. – Todavia, atenção que todas as cautelas são poucas. Também no ano passado fiquei contente com o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões e depois da Liga Europa, e foi o que se viu… Muito cuidado com o jogo da 1ª mão, se eles ficarem em vantagem, são muito bons no catenaccio, ou não fossem treinados por um italiano.

por S.L.B. às 14:27 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quinta-feira, 15.12.11

Calimerdas

Dias agridoces para a lagartagem osgalhada. Na semana em que celebram a maior façanha desportiva da sua história (uma vitória acidental e estéril sobre o clube que lhes povoa os pesadelos, numa época em que malharam com os cornos no quarto lugar no campeonato e o tal clube foi campeão - sim, é patético, mas estamos a falar da lagartagem osgalhada, patético is their middle name), morre-lhes o líder espiritual (link).  

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 12:13 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Segunda-feira, 12.12.11

Superiores

Foi difícil, sofremos por ver o tempo a passar e o golo a não surgir, mas fomos superiores contra onze, fomos muito superiores contra dez, e vencemos com justiça num dos campos mais difíceis da Liga.

Alguma surpresa ao ver o Rodrigo e o Cardozo no onze inicial, mas depois vimos que eles não formavam uma dupla de avançados tradicional, pois o Rodrigo jogava mais encostado à direita - embora depois tenha passado a vaguear mais pelo ataque. O jogo na primeira parte foi muito semelhante ao que tínhamos visto para a Taça. O Benfica com mais posse de bola, muita disputa a meio campo, e o Marítimo a tentar sair em contra-ataques rápidos com bolas para o Sami e o Baba sempre que recuperava a bola. Mas após o primeiro quarto de hora (durante o qual o Marítimo criou a sua única verdadeira oportunidade de golo durante todo o jogo) o Benfica foi progressivamente encostando o Marítimo mais atrás, e conseguindo construir oportunidades para chegar à vantagem. Duas delas flagrantes: primeiro foi o Aimar, que ficou isolado após um passe de calcanhar do Bruno César, mas em vez de rematar preferiu tentar a finta para a linha de fundo e o Peçanha tirou-lhe a bola; depois a mais escandalosa de todo o jogo, com o Cardozo a rematar ao lado após um centro rasteiro do Maxi que o deixou solto de marcação, de baliza escancarada e a pouco mais de dois metros da linha. Falhas graves, que normalmente em jogos desta dificuldade podem significar resultados desastrosos, e que explicam que se tenha saído para intervalo com o nulo no marcador.

Para a segunda parte o Benfica veio tacticamente diferente, com o Witsel mais encostado à direita e o Rodrigo a jogar mais perto do Cardozo no centro. Logo aos dois minutos o Olberdan foi expulso com segundo amarelo, e o domínio territorial do Benfica acentuou-se. A tarefa de chegar ao golo, no entanto, não ficou grandemente facilitada, já que o Marítimo cerrou fileiras junto da sua área e foi conseguindo defender de forma organizada. E quando as duas linhas de defesa falhavam, ainda aparecia o Peçanha a estragar-nos os planos. No último quarto de hora de jogo o Benfica conseguiu aumentar ainda mais a pressão, e as oportunidades começaram a surgir com mais frequência, muito também por influência do Nolito, que apesar de apenas ter entrado a dez minutos do final (na minha opinião, devia ter entrado antes) conseguiu causar bastante mais perigo pelo lado esquerdo do nosso ataque do que o Rodrigo ou o Bruno César, que alternaram nessa posição. A cinco minutos do final o Cardozo redimiu-se do falhanço escandaloso da primeira parte, e aproveitando uma série de ressaltos após um remate cruzado do Nolito (que já veio na sequência de uma grande defesa do Peçanha a um cabeceamento do Jardel) colocou finalmente a bola no fundo da baliza do Marítimo. Nos minutos finais o Marítimo atacou de forma desesperada, não criando qualquer perigo mas deixando muitos espaços atrás, que com um pouco mais de calma poderíamos ter aproveitado para voltar a marcar.

Não houve nenhum jogador que se tivesse destacado muito, numa exibição homogénea da nossa equipa. Os centrais pareceram-me seguros, e o Javi também mostrou a solidez do costume. O Nolito entrou muito bem no jogo, e só foi pena não ter conseguido marcar naquela oportunidade que teve já nos descontos. O Cardozo teve um jogo fraco, mas acabou por fazer aquilo que habitualmente faz, aparecendo no lugar certo para atenuar o jogo menos conseguido com mais um golo decisivo.

Seguimos no topo da tabela, sem derrotas, e caminhamos para o fim de uma primeira volta em que já visitámos o Porto, Braga e os Barreiros. Julgo que temos todos os motivos para nos sentirmos satisfeitos com o desempenho da nossa equipa na Liga. Hoje foi um daqueles jogos que normalmente se consideram marcantes em qualquer trajecto que leve à conquista de um campeonato.

P.S.- Cada vez mais se vai aproximando o momento em que o Benfica poderá dar um chuto na SportTV. E à medida que isso acontece, esta parece ir adoptando um comportamento mais raivoso contra o nosso clube. Foi vergonhosa a entrevista rápida, com o repórter a parecer querer à viva força arranjar polémica com a arbitragem e arrancar declarações aos jogadores e treinador do Marítimo que colocassem em causa a nossa vitória por culpa da arbitragem (ainda há-de chegar o dia em que tentar conotar o Jorge Sousa com o Benfica). O Pedro Martins acabou por fazer a vontade ao desesperado moço que segurava o microfone, acabando por deixar a impressão de que estava inebriado, pois falou de um jogo qualquer que certamente não foi aquele a que assistimos.

por D`Arcy às 00:25 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Sexta-feira, 09.12.11

Dormir na ocasião

Ao ver a desonrosa eliminação do nosso Benfica da Taça de Portugal, recordava-me das palavras de Padre António Vieira no “Sermão de Santo António aos Peixes”.

 

Em 1654, o ilustre pensador lusitano, referindo-se aos peixes roncadores, e criticando a soberba dos mesmos, dizia que “O muito roncar antes da ocasião, é sinal de dormir nela”. Nesta simples frase lá ia explicando o nosso grande orador que não é digno dos grandes falar antes da ocasião, pois corre-se o risco de ser a ocasião a ultrapassá-los.

 

Antes da eliminação frente ao Marítimo, foi um corre-corre de encómios e louvores: os resultados frente ao Manchester e ao Sporting deram azo a que as manchetes fossem feitas com as referências à sequência de vinte e tal jogos invictos. De repente, vi entrevistas exclusivas de futebolistas nossos a jornais desportivos e até a jornais que sobrevivem às custas de mentiras torpes sobre o nosso Benfica. As conferências de imprensa dividiram-se entre o auto-elogio e a tal estatística da invencibilidade… ou seja, roncou-se muito antes da ocasião. Resultado: dormiu-se nela. Foi-se a invencibilidade, foi-se a Taça de Portugal, espero sinceramente que se tenha ido, definitivamente, a falta de humildade no discurso. E, além da falta de muitas outras coisas – desde a sorte a alguns habituais titulares – a humildade foi o que de mais deficitário o nosso Benfica teve naquele Estádio dos Barreiros.

 

De uma derrota só tira algo de positivo quem tem a capacidade de perceber os erros próprios como uma lição, uma aprendizagem. Quero acreditar que todos, sem excepção, a tenhamos aprendido.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Dezembroe publicado na edição de 09/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 08.12.11

Preguiça

Vitória alcançada controlando o jogo em serviços (muito) mínimos, primeiro lugar do grupo conquistado. Obrigação cumprida, portanto.

Se calhar a melhor palavra para descrever a exibição do Benfica neste jogo é 'preguiça', dada a forma como pareceu não querer mesmo fazer mais do que o mínimo necessário. Por outro lado, olhando para este jogo de forma meramente racional, lembramo-nos que era um jogo da Champions e vemos que mesmo sem brilho vencemos como se exigia, e controlámos o jogo sem sofrer grandes sobressaltos, criando algumas oportunidades para marcar mais golos. Paradoxalmente, o Benfica parece ser uma equipa à qual quase sempre faz mal marcar cedo, ou até mesmo colocar-se em vantagem num jogo. Quase de imediato parecemos meter imediatamente uma mudança mais baixa, e para o adepto que vê o jogo aparentamos uma sobranceria que chega a roçar mesmo a preguiça. Acaba por ser exasperante por sabermos que a equipa pode e vale muito mais.Desta vez o golo chegou mesmo muito cedo - aos sete minutos, depois de um trabalho muito bom do Witsel na direita, a segurar a bola rodeado de adversários e a soltá-la no momento certo para o Gaitán fazer mais uma assistência na Champions, permitindo ao regressado Cardozo uma finalização fácil na pequena área. Depois disto, foi simplesmente controlar o jogo. Com uma enormidade de posse de bola, por vezes parecia que o Benfica ou não queria marcar mais golos, ou então queria entrar com a bola para dentro da baliza. Nem sequer se arriscavam centros para a área, fazia-se sempre mais um passe, e remates quase que nem vê-los. De tal forma que o Otelul, com pouco mais de 30% de posse de bola, perto do final da primeira parte conseguia ter o dobro dos remates do Benfica. Mas também é verdade que apenas numa ocasião - que acabou por ser a única durante os noventa minutos - ameaçaram seriamente a nossa baliza, permitindo mais uma vez ao Artur mostrar qualidade ao suster o remate de um adversário isolado e ainda desviando a recarga.

A segunda parte foi simplesmente monótona. O Otelul não tinha qualidade para fazer grande coisa, e quanto ao Benfica, acho que se resume a três lances: um a abrir, num remate acrobático do Bruno César à figura do guarda-redes (mais pelo facto de ter sido uma das poucas jogadas com princípio, meio e fim do que pelo perigo causado); outro a meio, numa combinação entre o Nolito e o Cardozo que terminou com uma defesa complicada do guarda-redes; e um a fechar, onde o Rodrigo, isolado, não conseguiu acertar na baliza. Nos períodos entre estes lances viu-se sobretudo um futebol bastante aborrecido (talvez ficasse melhor chamar-lhe 'pragmático'), em que o Benfica parecia seguro da incapacidade do adversário para causar problemas, e demasiado preguiçoso para forçar um pouco mais o andamento e resolver de vez a questão. As alterações feitas pouco mudaram, pois se me pareceu que ficámos a ganhar alguma coisa com a troca do Bruno César pelo Nolito, com a saída do Aimar perdemos um dos poucos jogadores que ainda ia trazendo alguma fantasia aos lances de ataque e criando alguns desequilíbrios, já que o Gaitán, que aparecia aos soluços, já estava a entrar na fase de apagamento e acabou mesmo por sair lesionado. O 1-0 final foi mesmo o espelho fiel deste jogo.

Os melhores do Benfica foram, para mim, os três do meio campo: Aimar, Javi e Witsel. Se calhar acabaram também por estar mais em jogo devido ao facto do Benfica ter passado grande parte dele privilegiando a posse de bola, mas para mim foram mesmo os jogadores que estiveram melhor. O Gaitán apareceu a espaços, mas como vem sendo habitual ultimamente foi-se apagando à medida que o tempo passava. O Bruno César teve um jogo bastante apagado, com demasiados passes falhados e perdas de bola.

O importante foi mesmo ganhar, o que nos permitiu terminar a fase de grupos sem derrotas e no primeiro lugar. Olhando para os segundos classificados, que constituem a lista de adversários possíveis na próxima eliminatória, creio que não há nenhum que seja particularmente assustador. Por mim, desde que evitemos equipas italianas (pronto, é um trauma que tenho depois ver o Benfica ser eliminado por Milan, Roma, Juventus, Parma, Milan outra vez, Lazio, Inter...), fico satisfeito.

por D`Arcy às 01:24 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Quarta-feira, 07.12.11

Lembrete

Só para relembrar a quem de direito que jogar contra o Bayer Leverkusen, Marselha, Zenit São Petersburgo, (e no campo das hipóteses prováveis) Ajax, Lille ou Nápoles não é propriamente a mesma coisa que defrontar o Barcelona, Real Madrid, Bayern Munique, Chelsea, Inter de Milão ou Arsenal (claro que o Milan no primeiro grupo ou o poderoso Apoel no segundo seriam a fava e o brinde, respectivamente).

 

Portanto, vamos lá tratar de ganhar em casa ao último classificado do nosso grupo, que em cinco jogos ainda não conseguiu pontuar, ok? Para desilusões, já nos bastou o que aconteceu na passada Sexta-feira…

por S.L.B. às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sábado, 03.12.11

Ás de Trunfo (ou a falta dele...)

Eu admito que sou um gajo com algumas idiossincrasias às vezes pouco compreensíveis para muita gente. Uma das quais é uma derrota na Taça de Portugal ser a mais dolorosa para mim. Porque uma derrota no campeonato geralmente não é decisiva, uma nas competições europeias também não (e, se for, ganhar essa competição nunca é um objectivo primordial) e não me lembro da última vez que perdemos para a Taça da Liga (por acaso, até me lembro, foi frente ao V. Setúbal na terrível época de 2007/08). Por isso, fico absolutamente lixado com F maiúsculo quando somos eliminados da Taça de Portugal. Especialmente por causa disto: porque ficamos sem o nosso ás de trunfo para a temporada. Ou seja, por muito mal que corra uma época, se ganharmos a Taça de Portugal, especialmente por ser o último jogo do ano futebolístico (e a última imagem é a que fica com mais nitidez – época passada, anyone?!), as coisas terminam inevitavelmente numa nota positiva.

 

Além disso, há outros factores que contribuem para a importância desta competição: tem imensa tradição e prestígio, só os provincianos não gostam do local da final (com uma envolvência difícil de igualar), somos o clube com mais troféus conquistados e melhor que ganhar o campeonato é fazer a dobradinha. Numa nota pessoal, gosto imenso de ir ao Jamor e já há imenso tempo que não ponho lá os pés.

 

Por tudo isto, custa-me a aceitar que há sete anos que não vamos a uma final e há oito que não a ganhamos. E custa-me especialmente a aceitar a 2ª parte que fizemos frente ao Marítimo, nomeadamente depois de estarmos a ganhar ao intervalo. Havia que comer a relva para se estar à altura da história do Benfica nesta competição. E não se fez isso. Lamentavelmente.

 

P.S. -  O último jogo do campeonato antes da pausa natalícia é no dia 16 de Dezembro e o da próxima eliminatória é no dia 21, não é? Pois bem, mandasse eu no Benfica e os jogadores só iriam para férias no dia 22. E mais: obrigá-los-ia a irem ver ao vivo o jogo em que deveriam estar em campo. Ou seja, reservava já bilhetes para o Belenenses - Marítimo.

 

P.P.S. – Agora, se fazem favor, senhores jogadores e equipa técnica do Sport Lisboa e Benfica, vamos lá ganhar o campeonato para podermos esquecer isto, ok?!

por S.L.B. às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Sexta-feira, 02.12.11

Eliminação

Uma segunda parte imbecil e algo displicente resultou na primeira derrota da época e na consequente eliminação da Taça de Portugal. Ainda não será desta que o Jorge Jesus consegue vencer este troféu.

Onze com algumas mudanças para além da esperada troca do Artur pelo Eduardo: Rúben, Matic, Saviola e Nolito nos lugares do Maxi, Javi, Aimar e Bruno César. Boa entrada do Benfica no jogo, com o Marítimo a mostrar que seria sempre um adversário complicado, pois tentava sempre pressionar o portador da bola e não dava muito espaço nem tempo para jogar. O Benfica ia no entanto dominando a posse de bola e criando as únicas oportunidades no jogo, já que em termos de ataque o Marítimo limitava-se a jogar bolas longas para o Baba, que ia sendo facilmente anulado pelo Jardel. Chegámos à vantagem no marcador aos vinte e sete minutos, através de um penálti convertido pelo Saviola. O lance é todo ele mérito do Nolito, que insistiu no meio de vários adversários até entrar na área e cair. Depois do golo, não se notou grande reacção da parte do Marítimo, tendo o intervalo chegado sem que o Eduardo tivesse feito uma única defesa.

Para a segunda parte o Marítimo veio naturalmente mais adiantado em campo, na procura do golo do empate. E mesmo connosco ainda em vantagem no marcador, já eu me estava a sentir profundamente irritado com a displicência do Benfica no ataque. O maior atrevimento do Marítimo significava, naturalmente, mais espaços dados na defesa, que nós poderíamos aproveitar para matar o jogo. Mas apesar de surgirem lances em que os nossos jogadores apareciam em igualdade ou mesmo em superioridade numérica, o que aconteceu quase sempre foi o portador da bola baixar a cabeça e tentar fazer tudo sozinho, acabando por ir para cima dos adversários e perdendo a bola - quantas vezes se viu o Nolito completamente solto na esquerda, e ninguém se lembrava de meter para lá a bola? Logo a abrir o Rodrigo falhou, isolado, o que poderia ter sido o segundo golo. O Marítimo respondeu com um remate que proporcionou a primeira defesa - e uma grande defesa, diga-se - do jogo ao Eduardo. e ao fim de quinze minutos chegou ao empate, num lance em que não há nada a fazer, porque um remate a vinte e cinco metros da baliza que leva a bola ao ângulo não deixa quaisquer hipóteses. Cinco minutos depois, só nova grande defesa do Eduardo evitou o segundo do Marítimo. E a vinte minutos do final, logo a seguir à entrada do Aimar, o previsível segundo golo madeirense apareceu mesmo, numa lances simples: balão para as costas da defesa, e o extremo Sami veio 'calmamente' desde a linha até ao meio para fazer um chapéu ao Eduardo, enquanto o Emerson assistia ao lance em posição privilegiada. Com o Aimar o nosso jogo subiu muito, mas a equipa esteve desastrada na finalização: contei pelo menos quatro oportunidades flagrantes (duas do Aimar, uma do Nolito e uma do Rodrigo) que desperdiçámos. E assim não admira que tenhamos ficado fora da Taça.

Melhor no Benfica o Jardel. Não foi por ele que o Benfica perdeu, e conseguiu controlar com facilidade o jogador adversário mais perigoso. Gostei também do Witsel, e dos vinte minutos do Aimar, pese as oportunidades falhadas. Para variar, não gostei do Rodrigo: esteve praticamente escondido do jogo, exagerou no individualismo e quando apareceu conseguiu falhar duas oportunidades flagrantíssimas para golo. O Gaitán, nem consegui perceber se jogou a segunda parte. Também não gostei do Emerson. Julgo que à vontade terá feito 90% dos passes para trás, porque arrisca pouquíssimo. A jogada típica foi a bola chegar-lhe aos pés, ele ver um adversário a dez metros, voltar-se para trás e atrasar a bola. Foi de tal forma que no início da segunda parte o Marítimo deu-se ao luxo de não colocar ninguém a controlar as suas eventuais subidas, preferindo reforçar o centro. Para piorar, foi interveniente directo no golo que deu a vitória ao Marítimo, pois deixou o seu adversário directo escapar e antecipar-se-lhe.

Eu percebo a necessidade de se gerir o plantel e tudo mais. Mas se queríamos mesmo vencer a Taça de Portugal, então tenho mais dificuldade em compreender que num jogo desta dificuldade nos demos ao luxo de deixar de fora jogadores como Maxi, Javi ou Aimar. Viu-se claramente a diferença que fez no nosso futebol a entrada do Aimar no jogo. Para além disso, o tempo de reacção à entrada do Marítimo na segunda parte foi tardio: viu-se desde início o reforço da zona central, e julgo que se teria imposto a troca de um avançado por um médio mais cedo, e não apenas depois de o mal estar feito. Enfim, depois das coisas acontecerem, criticar é fácil. Foi a primeira derrota da época, e alguma vez acabaria por acontecer. A Taça está perdida, resta-me apenas evitar histerias, desejar que se tenha aprendido alguma coisa com isto, e que no próximo fim-de-semana consigamos trazer a vitória deste mesmo estádio.

por D`Arcy às 22:42 | link do post | comentar | ver comentários (48)

Responsabilidades

No passado fim-de-semana, após mais uma derrota do seu clube frente ao Benfica, alguns adeptos do Sporting incendiaram propositada e premeditadamente uma bancada do Estádio da Luz.

 

Antes disso, um vice-presidente do Sporting acicatou ânimos, insultou o Benfica e chegou a dizer, entre outas alarvidades, que a Direcção do Sporting se recusava a frequentar lugares como o camarote presidencial da Luz e camarotes adjacentes.

 

Após o criminoso acto pirómano dos seus adeptos, não há sportinguista com voz na comunicação social e responsabilidades no clube que não tenha vindo alijar responsabilidades próprias, fazendo piruetas com a coluna vertebral, para desresponsabilizar os responsáveis materiais do crime. Desta forma, acabam todos por ficar, moralmente, no patamar indecoroso dos criminosos que perpetraram o crime. Assim, há um grupelho de vândalos que vê os seus actos cobardemente protegidos pela desresponsabilização, escondendo-se por trás do grupo e de uma vergonhosa cultura de impunidade.

 

No mesmo fim-de-semana, mas numa outra latitude, um jornalista da TVI alega ter sido agredido e insultado na presença, e com a aquiescência, do presidente de um clube que prima pelas boas práticas exemplificadas nas escutas do processo “Apito Dourado”.

 

Neste reino pantanoso da irresponsabilidade, o absurdo não tem limites e, às tantas, ainda veremos as canetas de aluguer do costume a afirmar que as galhetas que o tal jornalista apanhou lá para as bandas do Freixo se deveram a uma rede no Estádio da Luz.

 

O Presidente da Liga assiste a tudo isto com a desresponsabilização do silêncio. E neste silêncio reside a mais fina ironia de tudo isto…

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Novembro e publicado na edição de 02/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post

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