VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 30.04.12

Quarto de hotel

(Isto é um post sobre a indústria hoteleira. Qualquer semelhança com outras realidades é pura coincidência…)

 

Um quarto num hotel de cinco estrelas é muito caro. Se o pudermos pagar, é natural que exijamos a melhor retribuição possível. Porque se não houver excelência, a relação qualidade-preço ficará inapelavelmente comprometida. Suponhamos que haveria uma lista de 11 coisas que eram imprescindíveis para tal (limpeza diária, mini-bar cheio, plasma, etc.). Na nossa primeira semana nesse quarto, tudo correu às mil maravilhas e estávamos deliciados com a nossa estadia. Mas na segunda semana, uma dessas coisas (imaginemos que era o plasma) deixou de funcionar. Foi corrigido na terceira semana depois de várias chamadas de atenção da nossa parte, mas para cúmulo do azar houve outra que passou a ser negligenciada (a limpeza da casa-de-banho, por exemplo). Nós voltámos a alertar para a situação, mas só no último dia dessa semana é que essa limpeza foi efectuada. Como se o quarto nos estivesse a desafiar: “já que tu ficaste tão satisfeito na primeira semana, vamos lá a ver se nas duas seguintes eu te consigo agradar só com 10 coisas da lista em vez das 11”…

 

Independentemente deste facto, nós sabemos que o quarto desse hotel só será nosso enquanto tivermos a capacidade para o pagar. A não ser que sejamos um Abramovich e o pudéssemos reservar para toda a vida. Sabemos que o nosso pior inimigo até poderá vir a ficar nele nos tempos mais próximos. Portanto, tomá-lo como “nosso” seria pouco inteligente. O quarto será de quem pagar mais por ele, porque é essa a sua função. E, se formos inteligentes, não criaremos laços emocionais com esse quarto precisamente por causa disso: está ao nosso serviço só temporariamente, enquanto pagarmos por ele (diferente, por exemplo, dos laços que se criam com o quarto da nossa casa em que, mesmo que não nos tenha prometido, como o do hotel, que fôssemos lá dormir duas ou três vezes melhor do que dormimos no ano anterior – coisa que até foi verdade na primeira semana –, pelo menos temos a certeza de que o nosso maior inimigo nunca lá dormirá).

 

A decisão sobre se ficaremos ou não nele na quarta semana não deve ser baseada, quanto a mim, nesse receio de que o nosso maior inimigo poderá lá ficar. Até porque sabemos que isso vai inevitavelmente acontecer, porque ele já o visitou, gostou dele, apesar de nunca lá se ter hospedado, e tem meios para o pagar. Portanto, se nos concentrarmos nesse acessório (cuja concretização na realidade é apenas uma questão de tempo), perderemos de vista o essencial: será que esse quarto nos satisfaz? Será que fomos felizes nele no conjunto das três semanas? Será justo o preço que pagámos perante o rendimento que obtivemos dele? Será que é desculpável o facto de na terceira semana o quarto ter sido melhor limpo no único dia em que estávamos de smoking, contrariando o que nós lhe dissemos que o importante era estar limpo nos outros dias todos, em que estávamos vestidos normalmente? Será que o hotel tinha potencialidades para nos oferecer mais e melhor, e só não o fez porque o quarto decidiu que dentro dele só entravam os produtos que era queria (e teimou que no seu mini-bar só haveria Charles House mesmo que o Cardhu estivesse na garrafeira)?

 

Independentemente da decisão que tomarmos, é bom termos em mente uma coisa: aquele até pode ser considerado o melhor cá no burgo, mas não é o único quarto de hotel de cinco estrelas que existe.

por S.L.B. às 14:45 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Domingo, 29.04.12

Final

Ponto final no campeonato, após um empate frente ao Rio Ave, num jogo animado e no qual os nossos jogadores tentaram fazer o possível para adiar a decisão do título.

 

Saída do Saviola do onze para o regresso do Witsel, e entrada forte do Rio Ave no jogo, com muita pressão logo à saída do meio campo, que resultou em diversas perdas de bola do Benfica e muitos passes e recepções falhadas. Esta entrada do Rio Ave deu frutos logo aos oito minutos, com o golo a surgir depois de uma hesitação entre o Artur e o Luisão, com ambos a acabar por não atacar uma bola centrada da esquerda e a deixá-la passar para uma finalização fácil à boca da baliza. O Benfica reagiu ao golo, e foi lentamente tomando conta do jogo e acercando-se da baliza do Rio Ave, que no entanto não deixava de tentar criar perigo em contra-ataques rápidos, sobretudo quando explorava o adiantamento do Maxi. Depois de alguns remates disparatados, o empate acabou por surgir aos trinta e sete minutos, pelos pés do Nolito, que no interior da área aproveitou bem um corte incompleto de um defesa. Três minutos depois fiquei seriamente preocupado com a saúde mental do Olegário, que incrivelmente assinalou um penálti a nosso favor. O Cardozo fechou os olhos e chutou com toda a força para fazer a bola passar literalmente entre as mãos do guarda-redes para o fundo da baliza.

 

Ao intervalo o nosso treinador fez uma substituição algo inesperada, trocando o Matic pelo Saviola. O Benfica entrou bem, ameaçou marcar, mas após cinco minutos o Rio Ave subiu pela primeira vez e empatou de novo o jogo, num lance em que o Yazalde foi deixado muito à vontade dentro da área para cabecear um centro novamente vindo da esquerda. O Benfica acusou o golo, e passámos por alguns minutos de desnorte durante os quais o Rio Ave foi a equipa mais perigosa. Só quando faltavam vinte minutos para o final é que as coisas se alteraram, quando o Jesus de certa forma emendou a mão e fez entrar o Javi para o lugar do Aimar, avançando o Witsel no terreno, tendo pouco depois feito entrar o Gaitán para o lugar do Bruno César. O Benfica a partir daí tomou conta do jogo e obrigou o guarda-redes do Rio Ave a brilhar com grande intensidade, e o Olegário ainda mais. Mostrou que a minha preocupação da primeira parte era infundada, e que voltou em grande forma da lesão, sonegando-nos dois penáltis claros após o Cardozo e o Saviola serem abalroados pelas costas. No final, empate no marcador, e depois dali ao Porto foi só um saltinho para ir participar na festa.

 

Maxi (sobretudo a apoiar o ataque), Witsel e Nolito terão talvez sido os melhores do nosso lado, num jogo em que não houve nenhuma exibição de grande realce. O Cardozo foi hoje, na maioria das vezes, um estorvo para a equipa. E só não digo que o penálti foi mal marcado porque entrou, e todos os penáltis que dão golo são bem marcados.

 

Pareceu-me que foi um bom jogo para sentenciar esta liga. Exemplificou muitas das coisas que nela se passaram e que ditaram o seu desfecho desfavorável para nós - incluindo factores que nos são alheios, e outros pelos quais somos exclusivamente responsáveis. Temos a obrigação de corrigir estes últimos. Quanto aos primeiros, já perdi a esperança das coisas mudarem.

por D`Arcy às 23:28 | link do post | comentar | ver comentários (48)

Sem honra nem glória

Um campeonato perdido por nós sem honra nem glória. Um campeonato ganho por outros sem honra nem glória.
por Pedro F. Ferreira às 21:06 | link do post
Sábado, 28.04.12

Alcoólico (pouco) anónimo

Tenho a sensação de que este pedaço de história televisiva (um marco no tempo de antena dos bêbados da aldeia), dada a sua subtil genialidade, necessita de um guia, de uma espécie de coadjuvante para a plena interpretação da substância do vídeo. Nessa perspectiva, resolvi, para quem tenha dificuldade em interpretar as várias pérolas que emanaram daquele verdadeiro prodígio humano, transcrever as partes do discurso do moço ROC que, pelo seu intrínseco brilhantismo e carácter vanguardista, poderão escapar ao mais incauto espectador, para que possam disfrutar na sua plenitude do articulado intelecto deste apreciador confesso de futebolistas como o “Quemdirá”, o “Schweisen Tiger”, o “Piol” ou o “Supanurú”.

 

Vale bem a pena.

 


- "não... não... sss… eu…eu…" (olhar ausente. Imagino que procura uma garrafa numa prateleira virtual);

 

- "e esta é a grande notícia da RTP N - "da RTP Informação", corrige o Gilberto - ...er…da RTP Informação… peço desculpa deste não meu aggiornamento" (bela frase, o Yoda ficaria orgulhoso, se também tivesse bebido dois garrafões de vinho de 5 litros como tu);

 

- "também dissecáss…também disse ca China há muita hipótese…e também disse cá cinco equip… também disse cá cinco hipóteses…" (não vai mais vinho para a mesa do canto);

 

- Gilberto: "vamos ouvir o Júlio e o Miguel sobre este assunto"; ROC: "nhe nhe nhe nhe nhe" (em falsete, enquanto se contorce numa mistura bizarra entre uma dança do ventre protagonizada por um orangotango e um surto de espasmos de alguém a quem tenham enfiado uma enguia eléctrica no intestino grosso);

 

- "o que o regulamento da assembleia geral diz é um periodantejónimodia…é um período para questões diversas e tal…que não… que atétatif"(pára de repente e olha para o tecto do estúdio, sem saber onde está);

 

- "...não…te, te, te…eu, eu…desculpe..." (mais uma vez, o sistema desliga-se e esquece-se de quem é e de como foi ali parar – é fácil de percebê-lo olhando para o vazio nos olhos, que reflecte o vazio que paira entre aquelas duas orelhas);

 

- "O Xabi Alonso foi enorme…e o Quemdirá…aqueles dois…" (grandes jogadores, ambos. Especialmente o Quemdirá, que é bem bom - Quemdiria...);

 

- "…e ele claro que é mais rápido que o Piol…também é mais soft…" (até porque é verdade que o Piol, seja ele quem for, é um bocado lento e hard);

 

- "o Schweisen Tiger é um médio excelente" (é, sim senhor, apesar de apenas existir no reino da ficção. Era um dos fiéis companheiros do Sandokan);

 

- "… com o endividamente excessivo…nas quais metade eram alemães…isto é o fim!!" (****-se, confesso que na tentativa de compreender esta tive um pequeno avc);

 

- "…e agora quando o Sindicato dos Jornalistas - "dos jogadores", diz o Gilberto - er… dos jogadores, peço desculpa, agora olhei para ti…" (e toda a gente sabe que olhar para aquele camafeu do Gilberto potencia o efeito do 17 litros de álcool já ingerido);

 

- "...é cair bem, bem, bem, bem, bem, bem, bem no que está em cima da mesa” (e caíste bem, filho, em cima da garrafa de Famous Grouse);

 

- "...era o mesmo que eu pôr o Supanurú no topo!" (Sanupurú...sunarapú...sunuparú...sanurapú...esquece);

 

- "para o ano, com o Sá Pinto, isto go, go, go! Go, go, go! Mas tu com o Vítor Pereira não dizes… go, go, go…" (enquanto o gajo dos Zero Cego olha para ele e tenta decidir se chegou finalmente a altura de chamar o piquete do Miguel Bombarda);

 

- "Aquele piripiri que o Sá Pinto põe na equipa" (ui, se calhar não era Famous Grouse, mas VAT 69, que já vamos no reino do delírio: o Sá Pinto a temperar a equipa, o João Pereira vestido de rabanete e o Van Wolksvagen de salsicha);

 

- "… mas eu não quero que os seus colegas jornalistas vejam o jogo como eu vejo, eu quero que o Sá Pinto veja o jogo como eu vejo, ou aliás, eu é que vejo o jogo como ele vê, que é exactamente ao contrário" (ou então tu é que vês o Sá Pinto como ele vê os jornalistas, ou como o jogo o vê, ou exactamente o contrário, que é o jogo a ver o Sá Pinto como tu vês os jornalistas…);

 

- "Então mas o Marinho… o Marinho foi campeão europeu como?" (não sei, e duvido que haja quem saiba como é que o ‘Marinho’ foi campeão europeu).

 

 

E agora descubram as diferenças:

 

 

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 01:23 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Sexta-feira, 27.04.12

Desconfiado me confesso

Desconfio da isenção da justiça portuguesa e não confio nos órgãos que tutelam a justiça desportiva. Sempre que a justiça julga, a justiça é julgada. O julgamento que a opinião pública faz da justiça desportiva é mau, é péssimo.

 

Quando há agentes desportivos (dirigentes, árbitros, futebolistas…) que fazem do atropelo à verdade uma prática corrente e louvada, a responsabilidade é de uma justiça permissiva, conivente e que se esconde em emaranhados legais para, envergonhadamente, continuar a permitir a prática do crime. Deste modo, a permissividade acaba por ser um incentivo.

 

Desconfio e não confio nos próprios órgãos de tutela política. Chega a ser indecoroso ver o beija-mão a que o poder político se sujeita perante agentes desportivos de conduta aparentemente duvidosa e realmente criminosa. Pior do que os actos públicos de lavagem da imagem é a tentativa de, com o passar do tempo, conduzir gente espúria aos altares das capelinhas. Lavando a imagem na barra do tribunal, fazem um estranho percurso entre o lupanar e o altar. E lá vão ficando, ora um ora outro, os “santos de ocasião” com pés de barro e mãos sujas, colocados no altar por diligentes e temerosos fiéis que escarram na coisa pública que juraram defender.

 

E assim, na perpétua beatificação da atitude criminosa, vamos observando atónitos à multiplicação de actos criminosos no futebol português. Para que o descrédito seja completo, só falta o dia em que se crie um Tribunal Arbitral do Desporto em Portugal com juízes escolhidos e indicados pelos mesmos que serão julgados.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 23 de Abril e publicado na edição de 27/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:25 | link do post
Domingo, 22.04.12

Agradável

Vitória tranquila e dilatada sobre o Marítimo, num jogo em que o Benfica entrou muito bem e dominou claramente, depois relaxou durante alguns minutos, e após  apanhar o tradicional susto voltou a acordar e não mais cedeu o controlo. No todo, uma exibição agradável.

 

 

Com o Capdevila e o Matic a manterem a titularidade, o Benfica surgiu ainda com o Saviola e o Nolito de regresso à titularidade. E foi um feliz regresso, já que ambos tiveram influência directa no bom início de jogo do Benfica, e nas contas finais da vitória. O nosso início de jogo foi a todo o gás, empurrando o Marítimo para a sua baliza e jogando em velocidade, com trocas constantes de posição entre os jogadores e fazendo a bola circular rapidamente e ao primeiro toque. Para isto contribuiu também o Saviola, que apareceu a jogar bastante solto e a fazer uso da sua inteligência para ocupar os espaços certos na altura certa. O Marítimo viu-se completamente desorientado e não estou a exagerar se disse que durante o primeiro quarto de hora nem sequer conseguiu passar da linha do meio campo. Foi precisamente a fechar este primeiro quarto de hora que o Benfica deu expressão à sua superioridade, com um golo do Nolito, que finalizou com um remate de primeira, de pé esquerdo e no interior da área, uma boa assistência do Aimar após mais uma incursão do Maxi pela direita. Sem abrandar o ritmo, quatro minutos depois o mesmo Nolito fazia o segundo golo, picando a bola sobre o guarda-redes após ser isolado por um grande passe do Saviola. Só por volta da meia hora de jogo é que o Benfica relaxou um pouco, permitindo finalmente ao Marítimo ter um pouco de bola, mas o sinal mais durante a primeira parte continuou sempre a ser do Benfica, que até poderia ter dilatado mais a vantagem.

 

 

O Marítimo veio diferente para a segunda parte, jogando com um ponta-de-lança mais fixo, e com melhor atitude. Aproveitando talvez algum relaxamento do Benfica, cedo criou perigo e obrigou o Artur a brilhar por duas vezes no mesmo lance, mas sete minutos após o reinício do jogo marcou mesmo, com o Sami a aproveitar um buraco no centro da defesa e a desviar a bola à saída do Artur. Durante alguns minutos após o golo o Benfica acusou o golpe, e o Marítimo terá acreditado que seria possível chegar ao empate, mas a vinte e cinco minutos do final o Jorge Jesus mexeu na equipa, tirando a dupla argentina Aimar/Saviola, que já acusava desgaste, e colocando em campo o Javi e o Rodrigo, arrumando a equipa num 4-4-2 mais clássico. As substituições foram felizes, já que no mesmo minuto, e logo na primeira vez em que tocou na bola, o Rodrigo fez o terceiro golo do Benfica. Foi uma finalização fácil à boca da baliza, a passe do Nolito da esquerda e após uma boa jogada do nosso ataque. O Marítimo ainda voltou a obrigar o Artur a brilhar, mas quatro minutos depois do terceiro golo veio o quarto, que sentenciou de vez o jogo. Mais uma vez o golo nasceu nos pés do Nolito, que com um grande passe a rasgar da esquerda para a direita, por entre os defesas do Marítimo, deixou o Bruno César na cara do guarda-redes, tendo este finalizado sem grande dificuldade. Depois deste golo, e mesmo com a entrada do Nélson Oliveira, o ritmo do jogo caiu bastante, e o Benfica praticamente limitou-se a gerir o resultado até final.

 

 

O homem do jogo só pode ser o Nolito. Dois golos e dias assistências deixam-no directamente ligado a todos os golos do Benfica. Foi um feliz regresso à titularidade, num jogo em quase tudo lhe saiu bem. Gostei muito da primeira parte do Saviola, ao nível do melhor a que ele nos habituou. Bom jogo também do Artur, com duas ou três intervenções de grande nível, e também do Maxi, no habitual papel de dinamizador do lado direito.

 

Pouco mais podemos fazer agora senão ir ganhando os nossos jogos até final. Hoje isso foi conseguido com eficiência, e o resultado foi pelo menos importante para aumentarmos a vantagem sobre o terceiro classificado. Foi também agradável voltar a ver futebol à luz do dia na Luz, o que terá ajudado a chegarmos aos 40.000 espectadores. Infelizmente foi necessário um horário menos habitual num jogo importante de um campeonato estrangeiro para que pudéssemos ter este pequeno prazer.

por D`Arcy às 00:38 | link do post | comentar | ver comentários (42)
Sexta-feira, 20.04.12

Entusiasmómetro

Dizia Miguel Torga que a lucidez é um acto ímpar. Pedir lucidez nas emoções do futebol é, nos tempos que correm, quase um acto de desespero.

 

Nestes tempos agitados é fácil resvalar para o absurdo e para a irracionalidade. Terminada que foi mais uma final da Taça da Liga, conquistada que foi a quarta Taça da Liga consecutiva, chegou a ser absurdo observar como uma franja de adeptos escrutinava atentamente o grau de entusiasmo dos outros adeptos e dos próprios futebolistas. Diga-se que algo de semelhante já se verificara na época passada. Ou seja, há adeptos que consideram que não é legítimo mostrar satisfação pela conquista de um troféu, que não era prioritário, quando se hipotecaram as possibilidades de conquistar as competições que eram prioritárias. Obviamente que esta Taça da Liga não nos mata a sede de vitórias nem a fome de glória. Obviamente que esta Taça da Liga não é tapete debaixo do qual se possa esconder o que de errado se fez esta época. Obviamente que não é este troféu que nos faz festejar em uníssono no Marquês ou vitoriar os nossos atletas no nosso Estádio. Mas também me parece óbvio que a sua conquista é motivo de satisfação e de entusiasmo. Foi vencido com mérito, esforço e de forma limpa. É natural que adeptos e futebolistas se mostrem satisfeitos com essa vitória. O que já não é natural é confundir o entusiasmo do adepto com falta de exigência ou acomodação. O que não é natural é ver benfiquistas de uma vida inteira e longa, feita de sacrifícios e dádiva ao clube, a serem questionados e ofendidos porque, na opinião de uns quantos, há vitórias que se podem festejar com entusiasmo e outras que se devem lamentar com pesar e indignação. Não, não convivo pacificamente com a ideia de que ande alguém de ‘entusiasmómetro’ em punho a ofender benfiquistas que aplaudem com entusiasmo o clube depois de ter conquistado uma vitória numa final.

 

Não se vive no momento da vitória como se vive no momento da derrota, por isso mesmo é tão importante saber perder como saber ganhar. É uma questão de lucidez.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Abril e publicado na edição de 20/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Quinta-feira, 19.04.12

Corrupção

No dicionário, a palavra "corrupção" significa "acto ou efeito de corromper ou corromper-se; estado do que se vai corrompendo; decomposição; putrefacção; acto de corromper moralmente; perversão; adulteração; estado do que é corrompido; uso de meios ilícitos para obter algo de alguém; suborno". No caso (o mais recente) que envolve o bandeirinha Cardinal, a troco de 2000€, este foi efectivamente afastado de uma partida de futebol. Ou seja, foram usados meios ilícitos para obter um determinado fim: a ausência de um bandeirinha de um jogo. Mas, aparentemente, isto não é crime em Portugal. Assim, no próximo jogo em que o Pedro Proença for designado para apitar o Benfica, espero que haja um benemérito que deposite 2000€ na conta deste árbitro, apenas e somente com o interesse de evitar que ele corrompa (adultere) o resultado final. Creio que é uma compreensível medida profilática, aliás é tão compreensível que, se se soubesse que bastavam 2000€ para afastar o bandeirinha Cardinal de um jogo, creio que se tinha feito uma vaquinha para ele, no ano passado, não estar no guimarães-Benfica.

Para os senhores que fazem os dicionários, eu proponho as seguintes alterações nas definições de três palavras, para estarmos de acordo com o dinamismo dos conceitos em Portugal:

FUTEBOL: estado do que se vai corrompendo; decomposição; putrefacção; acto de corromper moralmente; perversão; adulteração; estado do que é corrompido; ilícito para obter algo de alguém; suborno".

CORRUPÇÃO: prática de futebol profissional de acordo com as regras.

ADEPTO: o mesmo que assistente de recinto desportivo.


Nota: sou completamente contra qualquer prática que adultere a verdade, quer seja corrupção activa, passiva, tentada, abortada quer seja outra qualquer - prefiro não ganhar o campeonato.
Terça-feira, 17.04.12

17/04/82 - 17/04/12 (30 anos de corrupção)

O fim chegará! E nesse dia, "no dia em que as águias levantarem vôo, não vai sobrar um rato para contar como é que foi".

 

Quanto vale uma Taça limpa?

Como já venho a dizer há muito, o Benfica é tão grande que alberga, inevitavelmente, alguma porcaria (embriagada por alguma importância que a comunicação social, sedenta de facadas no Benfica, lhes dá). É o preço a pagar por ser o maior clube do Mundo (disse do Mundo? Queria dizer do Universo). Mas não me importava nada de ser ligeiramente menos grande e não passar pela vergonha de ter alguns dromedários que dizem que são do Benfica a assobiar e ofender - durante os jogos - jogadores, treinadores e gente do Benfica, e a achincalhar e menorizar - a fazer o trabalho dos inimigos - títulos ganhos de forma digna e honesta. Porque não são do Benfica, na verdade. São, acima de tudo, do clube do seu ego, uma merda profundamente egoísta que existe nas suas cabeças, e que se coloca à frente do Benfica.

 

Se calhar é melhor explicar isto, o que é bem capaz de constituir uma novidade surpreendente para quem não vê além da merda do seu nariz: eu também quero ganhar o campeonato. E - pasme-se - também acho que não o ganhar (especialmente este ano) é um fracasso (por culpas próprias e por culpas alheias). Mas e então?

Em que raio de mundo retorcido, e de que forma bizarra e canhestra, é que ofender e vilipendiar jogadores, treinadores e direcção durante um jogo, e depois de conquistar uma competição, melhora ou mitiga o que quer que seja, como é que isso beneficia o bem comum - o Benfica, em que medida é que isso se enquadra no espírito do 'de muitos, (faça-se) um'?

Não melhora, não mitiga, não beneficia e, definitivamente (definitivamente, ****-se), não se enquadra. 

 

A Taça da Liga foi ganha de forma limpa, honesta, justa, com trabalho e em futebol jogado, sem fruta, sem depósitos em contas da Madeira, sem conluios, sem aconselhamentos familiares a árbitros. E, quanto mais não fosse, só por causa disso vale mais - muito mais - do que os campeonatos ganhos pelos andrades (ou do que taças ganhas com depósitos), na mentira e na corrupção, de forma suja e hipócrita. Para mim a Taça da Liga vale mais do que esta merda deste campeonato viciado, percebem? Se não perceberem, é para o lado que durmo melhor.

 

E antes que venham para aqui com palhaçadas sobre a liberdade de expressão e o direito à indignação e a merda do sentido crítico e o raio que vos parta, digo-vos já que aquilo que alguns asnos fizeram no Sábado não é exercer o sentido crítico ou o direito à indignação, é maltratar o Benfica. E se não percebem isto, a cegueira torna as palas redundantes.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 14:52 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Domingo, 15.04.12

Tetra

Vitória magra e algo sofrida, mas inteiramente justa na final da Taça da Liga frente a um Gil Vicente batalhador, e que nos permitiu fazer o tetra nesta competição. Aquela que, como o Benfica a ganha, outros fingem desdenhar. Depois alguns desses continuam a falar da final perdida há três anos, enquanto que outros se convencem que a Supertaça é muito mais importante.

O onze inicial, que incluía o Rodrigo e o Nélson Oliveira, apontava para uma possível insistência na táctica de dois pontas-de-lança, mas afinal o Rodrigo encostou-se à direita, permitindo um trio no meio campo composto pelo Matic, Witsel e Aimar. No banco ficaram jogadores como o Artur, Emerson, Javi, Gaitán e Cardozo, juntando-se ao castigado Luisão nas alterações ao onze mais habitual. A primeira parte foi bastante disputada, com o Benfica a parecer ter um pouco mais de posse de bola e com o Gil Vicente a assumir uma postura mais expectante, para depois responder sempre em contra-ataques bastante rápidos que levavam perigo à nossa baliza. O Benfica foi ganhando alguma superioridade na zona do meio campo, resultado das acções do Witsel e Matic, que me pareceram os jogadores mais esclarecidos, e acabou por chegar ao golo com meia hora decorrida. O Bruno César, depois de uma boa iniciativa individual na esquerda, onde deixou dois adversários pelo caminho, tirou um cruzamento longo bem puxado ao segundo poste, onde apareceu o Rodrigo a rematar cruzado para golo. Apesar de ainda ter ameaçado num bom remate, o Gil Vicente pareceu perder algum ímpeto com o golo sofrido, e antes do intervalo foi o seu guarda-redes quem evitou, com uma grande defesa, que o Witsel aumentasse a vantagem do Benfica.

Regressámos para a segunda parte com o Gaitán no lugar do Nélson Oliveira (passou o Rodrigo para ponta-de-lança), e com alguma vontade de resolver o jogo. Com o Gil Vicente a mostrar-se incapaz de responder como tinha feito durante a primeira parte, foi o Benfica quem jogou mais no meio campo adversário e ameaçou o segundo golo, vendo-o ser negado mais uma vez pelo guarda-redes Adriano, desta vez num remate do Rodrigo. Pouco depois da hora de jogo, o Aimar saiu (aparentemente tocado), entrando o Cardozo e, sem surpresa, o jogo ofensivo do Benfica ressentiu-se. O Gil Vicente continuava a ser pouco mais que inofensivo no ataque, e à medida que o tempo foi passando foi tentando arriscar cada vez mais, mas a verdade é que a bola pouco rondava a nossa baliza. Mas a dez minutos do final (numa altura em que se preparava a entrada do Javi para reorganizar a equipa visto que, mais uma vez, os dois avançados com o Rodrigo a fazer de Aimar não estavam a resultar), talvez no primeiro remate que o Gil Vicente conseguiu fazer à nossa baliza na segunda parte, chegou ao empate. O nosso treinador emendou a mão e mandou para dentro do canto o Saviola em vez do Javi. E não foi preciso esperar muito tempo pelo resultado: um minuto depois de ter entrado, na primeira vez que tocou na bola, o Conejo aproveitou uma defesa incompleta do Adriano (uma grande defesa, diga-se) a um remate do Witsel para voltar a colocar o Benfica na frente, situação que foi depois mantida até final sem sobressaltos.

Melhores do Benfica, para mim, Matic e Witsel. Numa final sem grandes brilhos, pareceram-me ser os jogadores mais esclarecidos e com melhor atitude em campo. O primeiro sobretudo nas tarefas defensivas - onde parece mostrar franca evolução, sobretudo no posicionamento e compensações aos colegas da defesa, e o segundo nas transições para o ataque.

Cumprimos a obrigação e vencemos a Taça da Liga, como se exigia. Não é uma conquista que por si só nos satisfaça, mas é um troféu oficial e perdê-lo é que também não era admissível. Agora é normal que várias pessoas tentem com afinco desvalorizá-lo ao máximo, visto termo-lo conquistado. No fundo, o Rodrigo conseguiu definir a situação na perfeição: "Se tivéssemos perdido as pessoas iam achar que era a Liga dos Campeões. Como vencemos vão tratar este troféu apenas como a Taça da Liga." Por mim, fico contente com a conquista. Agora é concentrarmo-nos em vencer todos os jogos que faltam até final da época.

por D`Arcy às 04:46 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Sexta-feira, 13.04.12

Do que passa e do que fica

Temos, desde segunda-feira, o campeonato praticamente hipotecado. Passa mais uma época e perspectiva-se mais um balanço amargo. Fica a sensação de que seria bastante fácil ser campeão, mas muito se passou para que estejamos na ingrata posição em que estamos.

 

Na primeira jornada, por responsabilidades próprias, perdemos dois pontos em Barcelos. Em Braga ficaram mais dois pontos, num escândalo vergonhoso, com uma arbitragem suja e com três apagões de energia que nunca foram explicados. Em Guimarães deixámos três pontos, num jogo em que fomos incompetentes. Em Coimbra ficaram mais dois pontos, num jogo em que os nossos futebolistas dormiram durante quarenta e cinco minutos e, quando acordaram na segunda parte, permitiram mais uma actuação vergonhosa de uma equipa de arbitragem habilidosa. No nosso Estádio, perdemos três pontos para o FCP. Desses três pontos, o adversário conquistou um e a equipa de arbitragem ofereceu-lhe mais dois. Em Olhão, os nossos jogadores, numa atitude condenável, deram quase setenta minutos de avanço ao adversário e quando começaram a jogar já não foram a tempo. Em Alvalade, num jogo armadilhado pela injusta sanção que impediu o Aimar de jogar, deixámos mais três pontos e mais uma vez num jogo com uma arbitragem que decidiu ignorar uma grande penalidade a nosso favor logo aos cinquenta segundos de jogo. Assim, entre pontos roubados e pontos oferecidos, chegámos a esta situação em que a conquista do título é pouco mais do que uma esperança.

 

Essa esperança que permanentemente se renova é nossa, dos adeptos, e é muito importante que os profissionais que servem o Benfica percebam que eles vão passando, mas os adeptos ficam, permanecem. E quem permanece tem todo o direito a pedir responsabilidades a quem está de passagem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Abril e publicado na edição de 13/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 12.04.12

Às vezes, só mesmo a lagartagem é que me anima

Se o Sportém não existisse, teria de ser inventado. Por isso, agradeço aqui publicamente ao Visconde e ao Estrumpfe (ou Estronço, Estromp ou lá o que é). 

 

Como verdadeira malta do espectáculo (com formação de circo, é fácil percebê-lo), mexem-se com igual à-vontade no musical e na comédia, muitas vezes passando de um para o outro sem passar pela Casa Partida e receber os 2.000. Neste caso, em abono da verdade, não só receberam como depositaram, e na Madeira.

 

Isto não foi um tiro no pé, foi jogar à roleta russa à Sportém (ou seja, com balas em todas as câmaras). Denunciarem-se a eles próprios é bonito (não tão bonito como o papel de parede do túnel para os balneários ou como aquela senhora que tem um molho de bróculos na cabeça e lhes canta o hino) e mostra um sentido de auto-crítica surpreendente para quem festeja quartos lugares no Marquês ou para quem não tem vergonha de ser representado pelo Rui Oliveira e Costa.  

 

 

Remeto para este post, que penso que é apropriado e explana muito bem o que penso sobre o assunto.

 

 

 

 Esta fotografia não tem nada a ver com isto, mas

continuo a achar que é um momento de rara beleza

do marreta e apeteceu-me espetá-la aqui outra vez.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 14:17 | link do post | comentar | ver comentários (17)

Da actualidade de Santo Agostinho

«Vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas: não se poderiam corromper se fossem sumamente boas, nem se poderiam corromper se não fossem boas. Com efeito, se fossem absolutamente boas, seriam incorruptíveis, e se não tivessem nenhum bem, nada haveria nelas que se corrompesse. De facto, a corrupção é nociva, e se não diminuísse o bem, não seria nociva. Portanto, ou a corrupção nada prejudica - o que não é aceitável - ou todas as coisas que se corrompem são privadas de algum bem. Isto não admite dúvida. Se, porém, fossem privadas de todo o bem, deixariam inteiramente de existir. Se existissem e já não pudessem ser alteradas, seriam melhores porque permaneciam incorruptíveis. Que maior monstruosidade do que afirmar que as coisas se tornariam melhores com perder todo o bem?
Por isso, se são privadas de todo o bem, deixarão totalmente de existir. Logo, enquanto existem são boas. Assim sendo, todas as coisas que existem são boas e aquele mal que eu procurava não é uma substância, pois se fosse substância seria um bem. Na verdade, ou seria substância incorruptível, e então era certamente um grande bem, ou seria substância corruptível, e nesse caso, se não fosse boa, não se poderia corromper.»

Santo Agostinho, in 'Confissões'

 

 

Isto apenas para mostrar a bondade de Portugal, de Paulo Pereira Cristóvão, do Cardinal, etc e tal...

 

 

 

por Pedro F. Ferreira às 13:54 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Terça-feira, 10.04.12

5º aniversário (os parabéns do RAP)

Neste quinto aniversário da Tertúlia, e num momento que nos põe à prova o benfiquismo, é sempre muito agradável receber mensagens de amigos.

 

O Ricardo Araújo Pereira, que anda lá por fora a lutar pela vida, acabou de nos enviar esta mensagem:

 

 

 

 

Da nossa parte, um grande bem-haja, um abraço e aquele “Viva o Benfica!” dito em conjunto.

por Pedro F. Ferreira às 18:46 | link do post | comentar | ver comentários (37)

5 anos

A Tertúlia nasceu no dia 10 de Abril de 2007, numa hora difícil, como difícil é a que vivemos. Há precisamente 5 anos, portanto.

 

Na altura, no meu primeiro post, exortava, do alto do meu púlpito - assente, apenas e só, em Benfiquismo desapegado - que o que se impunha, o que se impõe, era que nos mantivéssemos unidos nas derrotas, como unidos estamos nas vitórias. Que a alma e a dimensão Benfiquista servisse para nos amparar e dissolver a agonia dos momentos difíceis. Que libertássemos a dor, que a gritássemos, que a partilhássemos, para percebermos, com supina claridade, que não é só nossa – que não é só minha – mas de todos nós, Benfiquistas. Apelava a que a Tertúlia se tornasse, claro, um espaço onde se cantassem as vitórias, mas também onde se partilhasse a dor comum, e onde se obtivesse força para lutar contras a amarras do destino, muitas vezes cruel (por culpa própria, por culpa alheia, por factores que controlamos e por outros que nem por isso).

 

Volvidos 5 anos, olho para trás e percebo com alívio que, pelo menos para mim – e por mim falo - a Tertúlia tem sido fonte de conforto, amparo e partilha. E de boa disposição, que o humor faz maravilhas ao aparelho cardiovascular.

 

Foram cinco anos de cumplicidade e de companheirismo. Cinco anos de partilha e celebração conjunta de momentos de glória, de amparo nas horas difíceis, de gargalhadas e de lágrimas. Cinco anos de crença, de luta, de sacrifício (muitas vezes da vida pessoal), de tenacidade, de têmpera, de momentos indeléveis cravados na pedra do tempo. Cinco anos de sincera tentativa de contribuição para a construção do um, feito por muitos, sem nunca perder a identidade de um singelo momento encapsulado no tempo em 1904, mas que alumia (especialmente nos momentos mais negros), com uma chama imensa e pura, o caminho do Sport Lisboa e Benfica e dos Benfiquistas.

É uma honra ser Benfiquista (por mais luto que se faça nos tempos difíceis). E é, francamente, uma honra poder partilhar este espaço há 5 anos com amigos do peito.

  

Um Feliz Aniversário à Tertúlia e um abraço Benfiquista a todos.

 

O resto? O resto resolve-se, porque o Benfica renasce todos os dias.

 

Viva o Benfica.

 

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 16:17 | link do post | comentar | ver comentários (45)

Pouco

Derrota no derby e um muito provável triste e irremediável atraso nas contas do campeonato. O Benfica tinha que vencer obrigatoriamente este jogo para manter intactas as esperanças de sermos campeões, mas infelizmente deixámo-nos abater ao primeiro grande percalço e nunca mais conseguimos voltar a erguer a cabeça. Mostrámos muito pouco para quem tinha obrigação de vencer.

Faltou apenas o Aimar para que o Benfica apresentasse aquele que tem sido o onze tipo desta época. O Luisão e o Garay (e o Jardel também) afinal recuperaram a tempo e assim desapareceu o problema no centro da defesa. Para o lugar do Aimar a escolha foi o Rodrigo e, mais uma vez, não resultou. O Benfica até entrou bem no jogo. Durante os primeiros minutos foi mais pressionante e assumiu as despesas do jogo, frente a um adversário que apostou em pausar ao máximo o ritmo do jogo, apresentando uma boa organização defensiva para depois sair para o ataque apenas na certa. Infelizmente a melhor fase do Benfica durou pouco mais que quinze minutos. Foi o tempo até que o Arturinho exibisse um enorme rigor, de que pelos vistos se tinha esquecido no primeiro minuto de jogo, quando na primeira jogada do Benfica conseguiu transformar um derrube claro ao Gaitán num canto que só ele mesmo terá visto. Penálti assinalado ao Luisão, golo, e o Benfica como equipa começou a acabar ali. Não é que os jogadores tenham deixado de tentar, mas simplesmente as coisas começaram a correr cada vez pior, e quase não conseguimos construir uma jogada digna desse nome.

Se a falta do Aimar na primeira parte já se notou, na segunda ela foi gritante. A entrada do Djaló de pouco ou nada serviu. Na minha opinião o Benfica tem apenas um jogador no plantel capaz de disfarçar a ausência do nosso dez na organização de jogo, que é o Witsel, mas as opções do banco foram-no atirando cada vez mais para trás no terreno de jogo. Aliás, essas opções não ajudaram em nada o nosso jogo, só o pioraram e tornaram progressivamente mais confuso. A nossa segunda parte foi paupérrima. Apesar de termos posse de bola, pouco ou nada conseguíamos fazer com ela a não ser circulá-la entre os nossos jogadores sem conseguir entrar na defesa adversária. Julgo que terá havido apenas uma real oportunidade de golo, numa bola salva em cima da linha de golo. Nem sequer as bolas paradas nos safaram - apesar de termos beneficiado de alguns livres, foram praticamente todos mal marcados pelo Bruno César. Quanto ao adversário, continuou a fazer o mesmo que fez na primeira parte e justificou a vitória. Manteve-se organizado na defesa e saiu bem e na certa para o ataque, conseguindo assim criar uma mão cheia de oportunidades para dilatar o resultado. Apenas um grande Artur e uma boa dose de felicidade impediram que o jogo ficasse decidido antes. Sobre o final, o Arturinho não quis interromper a tradição e, expulsando o Luisão, conseguiu assim que o Benfica acabasse em inferioridade numérica o terceiro jogo consecutivo para o campeonato frente a este adversário. Somos uma equipa azarada.

Os melhores do Benfica foram, para mim, o Artur (literalmente evitou dois ou três golos) e o Witsel, um dos poucos a conseguir manter alguma lucidez durante todo o jogo. Muito mal o Javi García - talvez um dos piores jogos que o vi fazer no Benfica. Pareceu estar fisicamente de rastos, não se impôs na sua zona, e teve erros que nunca o tinha visto fazer, sendo o exemplo mais flagrante o lance em que isolou um adversário com um passe disparatado para trás. Outros jogadores como o Maxi ou o Gaitán também me pareceram ter estoirado rapidamente. No caso do Maxi, durante quase toda a segunda parte lutou e esteve sempre avançado no campo, mas constantemente sem recuar para defender quando perdia a bola, tornando o nosso lado direito uma autêntica avenida. O Cardozo nem se viu, mas também quase não lhe chegou jogo nenhum.

Exigia muito mais do Benfica num jogo destes. Sim, é verdade que mais uma vez também houve um artista extra no relvado, mas já sabemos que estes factores estão frequentemente presentes nos nossos jogos decisivos e não podemos contar que sejam em nosso favor - ao contrário dos outros: antes do jogo começar, enquanto esperava à porta para entrar, um adepto adversário que vá-se lá saber porquê pensou que eu era da cor dele meteu conversa e expressava-me a sua satisfação com a nomeação do Arturinho porque, segundo ele, 'em caso de dúvida este cai para o Porto, o que é bom para nós'. Mas isso ainda assim não justifica o péssimo jogo que fizemos. Somos o Benfica, e no mínimo temos que conseguir levantar a cabeça quando infortúnios se abatem sobre nós. Hoje, pelo contrário, pareceu-me que a equipa se veio muito abaixo depois do golo, e em jogo jogado, com toda a honestidade, creio que não pode haver qualquer discussão sobre a justiça do resultado.

P.S.- Estou pior que estragado com o que se passou hoje. E por isso critico o que acho que deve ser criticado, e expresso o meu descontentamento. Agora tudo o que forem extrapolações, para isso não contribuo. O meu lugar é (sempre) na bancada, a gritar pelo Benfica.

por D`Arcy às 00:44 | link do post | comentar | ver comentários (68)

É indiferente...

Isto é indiferente, nada disto aconteceu, acho que nem se pode falar nisto...
por Anátema Device às 00:43 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Segunda-feira, 09.04.12

Apelo lançado aos que têm o Benfica no sangue

 

Dai tudo, tudo é mais do que o que julgais poder dar. Ide mais além. Jogai contra todos os adversários de hoje - e são mais do que onze - , lutai contra os inimigos. Sabei sofrer para vencer.

Sede Benfica!

por Anátema Device às 16:00 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Sábado, 07.04.12

Muito a sério, o Ministério Público que investigue a exibição que o Hugo Viana fez hoje

E vale um leitão que para o ano vai ser o jogador de confiança que o Leonardo Jardim vai levar para o FC Porco. 

 

O argumento desde campeonato é mais rasca que o de uma telenovela da TVI.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 22:21 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sexta-feira, 06.04.12

Apontamentos

1- As palavras mais significativas sobre o que têm feito ao Benfica são as de Maxi Pereira no final do jogo com o Olhanense. São palavras deixadas a meio, feitas de sílabas secas, arrancadas à indignação, e de sílabas caladas na impossibilidade de exprimir fielmente a revolta. Tudo o que se disser é pouco, todas as palavras são poucas para exprimir o nojo que sentimos perante a chafurdice em que transformaram o futebol português.

 

2- O Benfica recebeu e venceu o Braga. Foi um jogo tremendo, com emoção, entrega total de todos os futebolistas e uma abnegação sem mácula. Tivesse havido essa entrega em todos os jogos do campeonato e não estaríamos sujeitos às incompetências encomendadas de muitos dos árbitros que poluem o futebol português.

 

3- Durante o jogo com o Braga, o speaker do nosso Estádio, certamente obedecendo a ordens, fez o que não devia. Nós, público benfiquista, com todas as nossas virtudes e defeitos que nos distinguem dos outros, não estamos habituados a exprimir emoções por encomenda, porque sim, porque fica bem ou porque convém. Exprimimos o nosso apoio de forma incondicional nos momentos em que sentimos que este se deve expressar. Mal ou bem, somos assim há mais de cem anos e não somos, nem seremos, um público amestrado à voz de ninguém. Há momentos em que puxamos pelos nossos dentro do campo e há momentos em que são os nossos que puxam pelo público. É uma relação nossa e directa, sem a interferência de ninguém. Não perceber isto é não perceber o Benfica.

 

4- Escrevo este texto antes de saber o resultado da nossa deslocação ao campo do Chelsea. Neste momento, a minha atenção está totalmente focada na próxima jornada do campeonato nacional. Ganhá-la é imprescindível. É nesta competição que temos de estar concentrados. É muito importante que todos percebamos isto.

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Abril e publicado na edição de 06/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 05.04.12

Orgulho

Perdemos, estamos fora da Champions, mas não tenho nada a criticar à nossa equipa. Depois de um resultado injusto no primeiro jogo, com mão da arbitragem, vamos para este jogo sem defesas centrais, apanhamos com uma arbitragem caseirinha, jogamos mais de uma parte em inferioridade numérica, e mesmo assim conseguimos manter a eliminatória em aberto praticamente até ao último minuto. Caímos, mas de pé e sempre de cabeça bem erguida.

Com o Benfica dizimado no centro da defesa - os quatro centrais lesionados - avançaram o Javi García e o Emerson para essas posições. De resto, a equipa não teve outras surpresas, sendo o Matic e o Capdevila os escolhidos para ocupar as posições habituais dos dois novos centrais de ocasião. O Benfica entrou muito bem no jogo, fazendo o que lhe competia. Dado o resultado trazido da primeira mão, não tínhamos outra opção senão ir à procura do golo, e foi isso mesmo que fizemos desde o apito inicial, com o Chelsea a assumir uma posição mais expectante. Tivemos mais bola e tentámos o remate frequentemente, mas a direcção dos remates nem sempre foi a melhor. Também desde o início deu para ver qual a tendência do árbitro, que quase sempre ignorava qualquer queda de um jogador do Benfica, mas não adoptava o mesmo critério para o Chelsea. Para além disso era demasiado lesto a puxar do cartão, o que significou que num jogo nada violento aos vinte e cinco minutos de jogo já tínhamos quatro jogadores amarelados, e previa-se portanto que seria difícil mantermo-nos com onze até final. Antes disso, aos vinte minutos, o critério largo em relação às quedas de jogadores obviamente que não se manteve, e foi assinalado penálti do Javi sobre o Cole, que permitiu ao Chelsea rematar pela primeira vez à nossa baliza e colocar-se em vantagem. Não baixou os braços o Benfica, mas sofreu novo golpe ainda antes do intervalo, com o segundo amarelo (este pareceu-me que indiscutível) mostrado ao Maxi. No fim do primeiro tempo, o Chelsea tinha um remate à nossa baliza - o penálti - e dois no total.

Em desvantagem, com dez jogadores, o Benfica veio para a segunda parte sem virar a cara à luta. O Witsel foi fechar a direita, e a equipa continuou a perseguir o resultado e a eliminatória. O jogo acabou por ser muito mais aberto do que na primeira parte. Com os riscos que corria, o Benfica também deixava muito mais espaços atrás, já que na maior parte das vezes apenas defendia com cinco jogadores, e por isso o Chelsea aproveitava para construir oportunidades para matar o jogo mas agora, quando não eram os nossos jogadores a cortar os lances, eram os jogadores do Chelsea a revelar pouca pontaria. A meia hora do final houve a racionalidade de nos lembrarmos que temos um jogo muito importante para o Campeonato em breve, e por isso o Gaitán e o Cardozo (pouco depois também o Bruno César) foram poupados, mas os jogadores que entraram trouxeram mais velocidade à equipa e continuaram a luta por um resultado mais justo. A cinco minutos do final o Javi, de cabeça, marcou após canto do Aimar e assustou muito os ingleses, deixando-nos sonhar durante algum tempo. Mas já em período de descontos, numa altura em que o risco era total, acabámos surpreendidos num contra-ataque.

Todos os jogadores estão de parabéns pela atitude demonstrada, e pelo que fizeram. Mas quero mencionar o grande jogo que o Matic fez esta noite, ganhando inúmeras bolas no meio campo e sendo um precioso auxílio à defesa - muitas vezes praticamente o único. Jogo muito bom também do Emerson, o que até nem me surpreende muito. Eu creio que o Emerson já mostrou que sabe defender, e que o maior problema dele é mesmo a falta de velocidade, o que acaba por comprometê-lo quando sobe no terreno e depois não consegue recuperar a posição a tempo. Jogando a central, esteve sempre bem posicionalmente, revelou muita frieza com a bola nos pés mesmo quando estava pressionado por adversários, e conseguiu alguns cortes e desarmes de grande qualidade. Grande jogo também do outro central adaptado. O Javi foi grande na defesa, e ainda conseguiu ir lá à frente marcar o golo que já justificávamos.

Perdemos, mas face a todas as vicissitudes deste jogo e os condicionalismos que enfrentámos antes e durante o mesmo, julgo que podemos sentir muito orgulho na forma como os nossos jogadores defenderam o nosso emblema. Às vezes também se pode ganhar algo numa derrota, e espero que hoje tenhamos ganho a atitude e espírito de equipa necessários para vencermos este campeonato. Porque a jogar e a lutar com a genica e o fervor de hoje, será impossível encontrar rival neste nosso Portugal.

por D`Arcy às 08:01 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Quarta-feira, 04.04.12

Da chama imensa

E, sim, perdemos - ou melhor, foi-nos roubado sem perdão - um jogo, mas ganhámos uma mão cheia de jogadores, ganhámos união e respeito e ganhámos aquele fogo sem freios que nasce na faísca rebelde da revolta e que é muito capaz de alimentar ainda mais a chama imensa. Haja têmpera para o domar na direcção certa e haja garra, querer e determinação para não o deixar esmorecer.

 

Este conjunto de homens, esta equipa (esta equipa, porra) merece uma recepção memorável para que percebam que isto que fizeram hoje, esta luta que travaram, não foi em vão, que nunca é em vão quando é pelo Benfica. E para que saibam - se dúvidas tiverem - que, assim como não a travaram hoje sozinhos (eu estive lá, dentro do campo, e vocês todos também), não travarão nunca nenhuma sem nós, todos os milhões que fazem o um.

 

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 23:35 | link do post | comentar | ver comentários (26)

Orgulhosamente benfiquista

Hoje mais do que nunca...

 

por Pedro F. Ferreira às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (32)

RTP - de joelhos, sem vergonha

A RTP convive bem com a hipocrisia de comentadores e jornalistas desportivos parciais, co-responsáveis por décadas de podridão e corrupção no futebol português, que cobardemente não admitem os seus ódios escondidos e os seus fetiches pela provocação, pela cultura de guerrilha e pela ofensa boçal a um clube que caminha de cabeça bem erguida, sem favores, e cuja grandeza (em termos de dimensão, mas também em termos de valores), por ser inimitável e inalcançável, incomoda muita gente.

 

Também convive bem, todos o sabemos, com a parcialidade gritante praticada por jornalistas moderadores de programas de índole desportiva que depois são recompensados, como rafeiros bem comportados, com cargos de directores de comunicação de clubes assumidamente corruptos, que prosperam há anos e anos e anos na cultura do ódio e do incentivo à violência, fomentando a divisão e clivagem do país em fronteiras artificiais.

 

Convive mal, no entanto, a RTP, com manifestações espontâneas, verdadeiras e honestas de quem não esconde aquilo de que nunca terá de se envergonhar e que, de forma aberta, profundamente digna e correcta – e sem nunca renegar a sua verdade - sempre foi mais imparcial no seu papel de comentador do que muita escumalha que pulula pelas televisões nacionais com o epíteto de jornalista – gente que se prostitui, gente que provoca nas conferências de imprensa, gente que fabrica polémicas, gente que branqueia as sistemáticas facadas na verdade desportiva.

É, apesar de tudo, natural, em organizações propagandistas de índole fascista e que prestam vassalagem, de joelhos bem esfolados e ensanguentados contra as pedras do chão, a quem controla - do esgoto abjecto e corrupto onde medra - os media desportivos, com o mesmíssimo à-vontade e impunidade com que se dedica à coacção, ao compadrio, ao aconselhamento familiar, à distribuição de fruta e de galões, à encomenda de emboscadas, à manietação de observadores e à construção de climas de terror.

 

Ao João Gobern, um abraço do tamanho do nosso Benfiquismo. A luta continua. Sempre.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 16:03 | link do post | comentar | ver comentários (14)

João Gobern dispensado da RTP por ter festejado um golo do Benfica

 

O João Gobern é um dos melhores profissionais da comunicação que conheço. Tenho por ele admiração profissional e estima pessoal. É, também, um grande e digno benfiquista.

 

Vi-o defender o Benfica contra ataques torpes e rasteiros. Fazia essa defesa não por ser benfiquista, mas porque considerava esses ataques injustos. Com a mesma honestidade intelectual vi-o criticar de forma incisiva o próprio Benfica. Durante quatro anos, vi, sempre que possível, o programa em que debatia com Bruno Prata as incidências do futebol português. Quem via aquele programa reconhecia-lhe o benfiquismo, que nunca escondeu, mas, mais do que tudo, reconhecia-lhe a independência que, por ser notória, não precisava de ser apregoada. As suas opiniões valeram-lhe ataques pessoais e mesquinhos por parte da ‘estrutura’ de um clube habituado a tentar coagir as vozes incómodas. Acima de tudo, as suas opiniões fizeram com que tivesse construído uma justa imagem de quem se move no mundo da comunicação social de forma limpa e cabeça erguida.

 

A sua saída da RTP pelos motivos que são apresentados nesta notícia do Público [link] é apenas mais um reles acto hipócrita nesta ópera bufa em que se foi transformando a opinião publicada e grande parte da comunicação social neste pardieiro com nome de país. Foi, em suma, mais uma derrota da opinião livre e limpa no canal público de televisão.

por Pedro F. Ferreira às 00:05 | link do post | comentar | ver comentários (51)
Terça-feira, 03.04.12

O que a droga e a sífilis fazem à cabeça de um gajo

"Alguns equívocos e critério díspar. Mas não interessa falar de arbitragem. Os miosótis serão lindos e os trevos de quatro folhas do relvado ajudarão as pessoas a coibir-se de comentar."

 

Jorge Coroado, n'O Jogo, sobre a arbitragem do Benfica – Braga.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 10:35 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Domingo, 01.04.12

Arrancada

Complicada, feliz, mas acima de tudo muito justa a vitória alcançada esta noite pelo Benfica sobre o Braga, num jogo de grande importância para a decisão do título. O Benfica foi a equipa que mais quis ganhar este jogo e que mais trabalhou por isso, acabando por ser recompensado mesmo no final.

Não houve invenções no centro da defesa, onde surgiu o Miguel Vítor a ocupar a vaga ao lado do Luisão. Para o lugar do Aimar, a escolha foi o Rodrigo, o que resultou nas habituais dificuldades que ele revela quando tem que ocupar os terrenos habitualmente reservados ao nosso número dez. O Benfica até entrou decidido no jogo, imprimindo alguma velocidade e mantendo o Braga remetido ao seu meio campo, mas ao fim do primeiro quarto de hora parecia já se ter deixado embalar no ritmo pausado que interessava ao Braga. O seu treinador pode ter afirmado que não pretendia vir à Luz jogar para o empate, mas foi exactamente essa a impressão com que se ficou. Jogo muito pausado sempre que possível, e de vez em quando alguma tentativa de explorar uma saída mais rápida para o contra-ataque. Jogando com menor pressão do que o Benfica por não necessitar tanto de uma vitória, este cenário era o ideal para o Braga, que acabou por conseguir mesmo manter o jogo controlado neste ritmo, e terminar a primeira parte de forma perfeitamente equilibrada com o Benfica - poderia mesmo ter saído para o intervalo a vencer, pois mesmo sobre o apito dispôs de uma boa oportunidade para marcar, negada pelo Artur.

A segunda parte foi bem mais movimentada. Mais uma vez o Benfica pareceu entrar mais decidido - abriu logo com uma boa ocasião do Witsel, em que o Quim defendeu com as pernas - mas com o Braga susteve o nosso ímpeto inicial e depois foi progressivamente aproveitando bem o muito espaço disponível no centro do meio campo, onde o Mossoró se movimentava à vontade, para construir jogadas perigosas de contra-ataque. O Benfica melhorou com a troca do Cardozo (pareceu estar fisicamente mal durante todo o jogo) pelo Nélson Oliveira, e também com a troca forçada do Miguel Vítor pelo Matic, porque com o recuo do Javi para central o Matic acabou por preocupar-se menos com as dobras e passou a acompanhar muito mais o Mossoró, acabando com as liberdades que ele tinha aproveitado até então. O golo do Benfica acabou por chegar a menos de um quarto de hora do final, num penálti assinalado após um abalroamento ao Bruno César na área. O Witsel não acusou minimamente a responsabilidade e atirou o Joaquim para um lado e a bola para o outro. Depois do golo, o Benfica corrigiu imediatamente a táctica e passou a jogar com apenas um avançado, saindo o Rodrigo para a entrada do Nolito, com o Bruno César a fazer de Aimar. Não esperava que o Braga tivesse capacidade para chegar ao empate, mas isso aconteceu apenas cinco minutos após o nosso golo, numa recarga do Elderson a uma defesa incompleta do Artur, após livre lateral marcado pelo Hugo Viana. Apesar de visivelmente cansado o Benfica ainda foi no entanto encontrar forças para ir buscar a vitória, naquela que terá sido talvez a melhor jogada que fizemos em todo o jogo. Já em período de descontos, o Bruno César e o Gaitán foram trocando a bola pela direita, com o argentino a revelar muita classe na forma como tirou um defesa do caminho e serviu o Bruno César no interior da área para que este, com um remate rasteiro e muito colocado ao segundo poste, decidisse o jogo e incendiasse a Luz.

Gostei muito, para não variar, do jogo que o Witsel fez. Ainda por cima nestas condições, em que devido à táctica apresentada o Benfica se via frequentemente em desvantagem numérica na zona central. O belga tem um controlo de bola muito acima da média, e é quase impossível desarmá-lo, acabando por soltá-la em condições para os colegas. E as forma como se movimenta em campo revela uma enorme inteligência táctica. Não fiquei surpreendido também com o bom jogo que o Miguel Vítor fez até ter o azar de se lesionar. Não me lembro de o ver cometer um erro, e conseguiu controlar sem grandes dificuldades um adversário difícil como o Lima. O Bruno César teve uma primeira parte apagada, mas acabou por ser decisivo, sofrendo o penálti e marcando o segundo golo. Ouvi vários benfiquistas reclamarem com o Gaitán, mas eu confesso que gostei de o ver esta noite. Mesmo com as coisas a não lhe correrem sempre de feição, achei que nunca se escondeu do jogo, e sempre que recebeu a bola arriscou ir para cima dos adversários. A jogada do segundo golo revela todo o talento que possui.

Ultrapassado este difícil obstáculo, tenho a sensação de que será na próxima jornada que praticamente tudo se decidirá para nós. Acredito que em caso de vitória no Lumiar, o título não nos escapará. Mas a nossa equipa parece-me estar claramente fatigada, e até lá teremos a 'distracção' do jogo com o Chelsea (para o qual teremos, ainda por cima, um problema no centro da defesa, que espero que não se mantenha no campeonato). Eu acredito que a equipa se consiga superar nesta fase, e espero que a vitória arrancada a ferros hoje marque o início da arrancada decisiva para o título.

P.S.- Detestei a rábula do speaker da Luz ter resolvido imitar os maus exemplos de outras paragens (como por exemplo no estádio do nosso adversário de hoje). Não é permitido, dá multa, e dá também uma muito má imagem.

por D`Arcy às 03:32 | link do post | comentar | ver comentários (42)

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