VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 29.09.12

Mais um título no hóquei

 

O Benfica acaba de conquistar a Supertaça António Livramento em hóquei em patins. Mais uma grande vitória, mais um título no hóquei, mais uma alegria para os benfiquistas.

Para os lorpas que andam sempre à espreita do insucesso alheio para vomitar frustrações próprias, desculpem lá o mau jeito.

por Anátema Device às 18:28 | link do post | comentar | ver comentários (12)

Empenho

Exibição em crescendo do Benfica, que com uma segunda parte bastante melhor do que a primeira acabou por justificar uma vitória difícil, podendo uma vez mais lamentar-se da má finalização (sobretudo quando já estava em vantagem).

 

 

Onze esperado, com o Lima a ocupar o lugar do lesionado Cardozo na frente de ataque, e o Pérez a confirmar ser neste momento o dono da posição que pertencia ao Witsel. Depois de uma imprevista falha de electricidade, com apenas três minutos decorridos, o Benfica viu-se surpreendido por uma boa jogada do Paços pelo lado direito, logo aos sete minutos de jogo, que terminou em golo. Os potenciais estragos acabaram por ser minimizados porque logo no minuto seguinte, aproveitando uma falha clamorosa do guarda-redes Cássio, o Lima surgiu oportuno para fazer a recarga à bola por ele largada e repor a igualdade. Dois golos logo a abrir o jogo prometiam um encontro animado, mas a verdade é que apesar de muito disputado, a qualidade deixava muito a desejar. Durante a primeira parte o equilíbrio foi a nota dominante, sem que qualquer das equipas se conseguisse impor no jogo. Da parte do Benfica, parecemos revelar dificuldades na luta do meio campo, e fomos quase sempre incapazes de construir jogadas de perigo, com a desinspiração dos jogadores das alas a resultarem em demasiado jogo feito pelo meio. Apenas nos instantes finais o Benfica deu sinal de perigo, numa jogada do Rodrigo pela esquerda, que ofereceu o golo ao Lima, mas o guarda-redes conseguiu defender o primeiro remate, e depois o Salvio falhou a recarga de forma disparatada.

 

Não foi surpresa a saída do desinspirado Nolito ao intervalo, surgindo no seu lugar o Gaitán. O Benfica surgiu mais subido no terreno e francamente melhor em relação à primeira parte e as oportunidades de golo começaram finalmente a aparecer. A primeira delas foi precisamente do Gaitán, que quase colocou o Benfica na frente no que seria mais um frango do Cássio, mas a bola foi caprichosamente bater na barra. Depois foi o Pérez, que descaído sobre a direita fez a bola passar sobre o guarda-redes, mas desviou-a demasiado da baliza. E quando faltavam vinte minutos para o final, numa altura em que a procura do golo já tinha levado o Benfica a trocar o Matic pelo Carlos Martins, um desarme do Maxi no interior da área do Paços levou a bola até aos pés do Lima, que na cara do guarda-redes não desperdiçou. A partir daqui, em vantagem no marcador e com o Paços a arriscar mais, e ainda com alguma estabilidade adicional no meio campo após a troca do Rodrigo pelo André Almeida, o Benfica podia ter resolver a questão mais cedo: vimos o Lima desperdiçar a possibilidade do hat trick com um chapéu demasiado alto, o Gaitán desperdiçar um golo quando estava solto no meio da área (a bola acabou desviada pela mão de um defesa, mas neste caso pareceu-me claramente fortuito), o Sálvio rematar ligeiramente ao lado após uma boa jogada individual, e o Lima voltar a falhar, ao não conseguir acertar bem na bola cruzada pelo Salvio da direita. O suficiente para podermos acabar o jogo com menos preocupação.

 

O Lima é o homem do jogo, com os seus dois golos a darem a vitória ao Benfica. Grande jogo do Enzo Pérez, que foi tacticamente perfeito. Esta noite conseguiu jogar na posição oito, a extremo, a trinco, e até temporariamente a central, durante o período em que o Garay esteve de fora a ser assistido. A entrada do Gaitán foi importante na melhoria do nosso jogo, e o Salvio também melhorou muito da primeira para a segunda parte. O Nolito e o Maxi estiveram pouco inspirados, embora o nosso capitão tenha o mérito de ter assistido o Lima para o golo decisivo.

 

Com maior ou menor qualidade, pelo menos julgo que neste jogo o empenho dos nossos jogadores foi constante, tendo resultado numa vitória importante nesta fase. O Paços é uma equipa complicada em casa e que ainda não tinha perdido, pelo que julgo que haveria muita gente à espera que o Benfica voltasse a escorregar após o que se passou em Coimbra. Agora terão que continuar à espera.

por D`Arcy às 00:21 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 28.09.12

Ano após ano

Ano após ano, vemos a maioria dos árbitros portugueses fazer tábua rasa da decência. Vemo-los errar sistematicamente em protecção do mesmo clube. Vemo-los sorrir nos finais dos jogos com o prejuízo causado ao desporto e à verdade. Vemo-los em subserviências bacocas, parolas, medrosas, cobardes e interesseiras ao mesmo poder que, ano após ano, garante a promoção dos árbitros mais medíocres e mais permeáveis à chantagem e ao servilismo.

 

Ano após ano, época após época, década após década fomos vendo como os nomes mudam e as práticas permanecem. Aos Garridos sucederam os Fortunatos, os Porém, os Donatos, os Pratas, os Isidoros, os Guímaros, os Calheiros (estes aos pares), os Coroados, os Lucílios, os Costas, os Proenças, os Soares Dias, os Sousas e todos os outros Xistras. São tantos e tão iguais que se distinguem apenas pela troca da bigodaça pelo gel no cabelo, do dinheiro pelas peças em ouro ou das viagens pelas prostitutas. Ano após ano vemo-los em actos de fartar vilanagem em público, em directo e com direito a promoções, louvores e homenagens. Sabendo nós que o erro é humano, ano após ano, querem-nos fazer acreditar que a premeditação do erro é uma fatalidade humana. E, assim, o erro premeditado passou a ser banal, humano, perdoável, louvado, defendido corporativamente, legitimado e condição essencial para se fazer carreira na arbitragem.

 

E enquanto chafurdam neste pântano nojento ainda nos dizem que o nosso Benfica tem de ser superior a tudo isto exactamente porque já sabe que, inevitavelmente, vai ter de se confrontar com tudo isto. Ou seja, há quem já aceite passivamente a viciação das regras como a primeira regra do jogo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Setembro e publicado na edição de 28/09/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post

A leitura de um chumbo

Não foi o R&C que ontem foi chumbado. Ontem foi "chumbado" o mais recente mandato da actual Direcção. A um mês das eleições, cabe agora aos diferentes intervenientes fazerem a leitura adequada do cartão amarelo que ontem foi mostrado a quem dirige o nosso Clube.

 

A Direcção deverá fazer um esforço real para perceber quais as medidas que conduziram a tão expressiva manifestação de contestação e tem de reflectir sobre a sua real capacidade de apresentar soluções que convençam a maioria dos benfiquistas até ao próximo dia 26. A oposição tem de tentar perceber o que fazer com a insatisfação manifestada na AG de ontem. Garantidamente, a actual Direcção terá de perceber que o escrutínio democrático é efectivo e permanente. Assim, importa que perceba que não se pode dirigir sem ter em atenção que há decisões estruturais incompreensíveis para a esmagadora maioria dos sócios (apoio a Fernando Gomes, cumplicidade com António Salvador, ambiguidade com Joaquim Oliveira...). A oposição deverá perceber que, para a maioria dos benfiquistas, contestar a política da Direcção não é sinónimo de apoiar 'qualquer um' para ocupar o lugar dos actuais dirigentes.

 

A bem do Benfica, pede-se que de ambas as partes surjam propostas que nos permitam escolher a melhor das soluções e não a menos má.

 

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Adenda:

Este post é sobre o significado/leitura do chumbo do R&C e não sobre as incidências da AG. No entanto, e como há quem leia no meu silêncio sobre as incidências uma hipotética conivência com as mesmas, aqui fica um esclarecimento:

 

Repudio e condeno todo e qualquer acto que procure condicionar, pela ameaça ou violência, a livre expressão da opinião. Ontem, isso aconteceu na AG e isso é um escarro na nossa tradição democrática.

por Pedro F. Ferreira às 01:42 | link do post | comentar | ver comentários (65)
Quinta-feira, 27.09.12

Antonino Silva

Dezembro de 2006


«Antonino Silva, um dos três elementos da Comissão de Arbitragem da Liga, presidida por Hermínio Loureiro, é um dos arguidos do ‘Apito Dourado’ no megaprocesso por alegada falsificação de classificações dos árbitros durante a época de 2003/04. O processo já está nas mãos de Maria José Morgado. Antonino Silva faz parte do rol de 61 arguidos suspeitos de crimes de falsificação de documentos agravada, que inclui como autores ou como cúmplices Pinto da Costa, Valentim Loureiro, Isabel Damasceno, Pinto de Sousa e João Loureiro. Em causa estão alegadas pressões sobre observadores de árbitros e falsificação dos relatórios, para beneficiar árbitros e prejudicar outros nas classificações, concluíram as investigações criminais. O vogal da Liga negou à PJ qualquer envolvimento no processo. OCM tentou contactar Hermínio Loureiro e Antonino Silva, que estiveram incontactáveis. Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, afirmou ao CM desconhecer que Antonino Silva seja arguido»

[link]

 

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Agosto de 2007

 

«Segundo o despacho que o Correio Sport consultou, a conversa entre o árbitro e Pinto de Sousa aconteceu em finais de Dezembro de 2003. Lucílio Baptista estava descontente com a nota de um exame escrito que contava para a sua classificação final e fez queixa disso mesmo a Pinto de Sousa. Dias depois, o ex-presidente do Conselho de Arbitragem da FPF e arguido do processo ‘Apito Dourado’, recebeu um telefonema de Antonino Silva, membro da Comissão de Análise da Liga, dando-lhe conta de que a nota havia “subido substancialmente”.»

[link]

 

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Setembro de 2012

 

«FC Porto: Reunião secreta para vetar Duarte Gomes e Bruno Paixão

 

O FC Porto vetou os árbitros Duarte Gomes e Bruno Paixão. Segundo soube o CM, no dia 14 de Setembro, o nº 2 dos dragões, Antero Henrique, esteve em Lisboa e reuniu-se com o presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF, Vítor Pereira, o ‘vice’ Antonino Silva e o vogal Lucílio Baptista.»

[link]

por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Quarta-feira, 26.09.12

Lagartingratos

Portanto, os sem-abrigo da lagartagem, que nunca, nunca, nunca, usaram despudoradamente o nome do Glorioso para unir as hostes e nunca, nunca, mas nunca mesmo, teceram comentários avulsos, deslocados e provocatórios sobre o Glorioso para tentar passar por anjinhos, desviar atenções do essencial e ganhar eleições, agora publicam comunicados mais ou menos violentos (os lagartos que escrevem comunicados são incapazes de ser violentos porque têm medo de estragar os pólos Quebra-Mar ou que lhes pisem os sapatos de vela – os violentos são os que vivem agarrados aos jerricans para incendiar bancadas, e esses não sabem escrever) sobre o Presidente do Benfica porque este teria mencionado o Titanic Clube de Portugal e o gigantesco buraco negro onde desaparecem coisas como o dinheiro para os ordenados dos infelizes da equipa de futebol e coisas como, sei lá,  € 2.000 em notas pequenas para depositar em contas de fiscais de linha. Sendo que o Presidente do Benfica nunca referiu directamente a lagartagem, mas – dando-lhes essa de barato, porque afinal quantos prejuízos milionários é que existem cá no burgo – teria todo e mais algum direito de o fazer como resposta aos sistemáticos comentários cretinos dessa mesma lagartagem sobre as transferências do Glorioso e a sua gestão (a obsessão pelo Glorioso a isso obriga, como o comunicado em apreço bem exemplifica). Em boa verdade, até se pode muito bem ter dúvidas de que LFV se estaria mesmo a referir ao Sportém, uma vez que mencionou a resistência dos tais clubes com prejuízos a vender jogadores, e me custa muito a acreditar que haja alguém capaz de pensamento racional que esteja interessado em oferecer mais do que um saco de berlindes por algum dos monos que brilha no Circo do Alvalixo sob as ordens do delinquente do Sá Pinto.

 

E depois, a lagartagem que nunca, nunca, nunca enganou ninguém sobre as suas magníficas e impolutas contas e que definitivamente não andou anos e anos e anos a mentir sobre ‘gestão rigorosa’, ‘projectos financeiros sustentáveis’ e ‘finanças controladas’, indigna-se muito no comunicado e diz que o Benfica tem o maior Passivo de sempre no futebol português, sem perceber que, sim temos o maior Passivo, assim como temos o maior Activo de sempre do futebol português, o maior património de sempre do futebol português e a maior fonte de receitas de sempre do futebol português (é como acusar a ExxonMobil ou a General Electric de terem um Passivo maior do que a Panificações Fonseca & Filhos), mas o maior buraco, esse, têm-no eles e não é só entre as orelhas, é mesmo naquele emaranhado de contas de merceeiro feitas em folhas de papel quadriculado que passa pelas contas do Sportém. Não têm dinheiro, não têm património, não têm gente, não têm títulos, não têm dignidade, não têm vergonha na cara, não têm noção do ridículo, mas têm um buraco de um tamanho respeitável. Só por isso deviam estimá-lo. Abracem o buraco, acarinhem-no. É vosso, foda-se. Ao contrário do resto, que está hipotecado e penhorado.

 

E depois, ainda, em vez de agradecer a ajuda que amavelmente o Presidente do Benfica lhes deu no sentido de orientarem a sua vida e as dicas que candidamente lhes ofereceu para ver se arranjam dinheiro para pagar a gasolina do autocarro e para comprar sandes para aquele rapazito em dificuldades que joga lá à frente, o Volkswagen, ainda mandam a moeda de volta e se comportam como um sem-abrigo mal educado ao dizer que ‘não recebem lições do Presidente do Benfica’. Pois, pois não, gostam é de receber lições do Presidente do fcp, mas são maus alunos e burros como portas e depois são apanhados com a boca na botija a fazer transferências para fiscais de linha ou nas câmaras de vigilância a incendiar bancadas.

 

Ou seja, a lagartagem, vendo objectivamente mais uma vez o barco esburacado a ir na direcção do iceberg (o que é natural, dado que quem vai a conduzir é um Sá Pinto encharcado em Xanax e Valium 10), disparam o SOS do costume para salvar os rabos e desviar as atenções dos passageiros (a lagartagem que está entretida lá em baixo no salão de festas a beber VAT 69 e a ver o musical do Sportém, enquanto no convés começam a cair os primeiros pedaços de gelo), e atacam, de forma boçal e ordinária (mas com o dedo mindinho espetado de forma presunçosa) o Benfica, para desviar as atenções e unir as hostes, enquanto acusam o Presidente do Benfica de fazer isso mesmo.

 

Salão de Festas do Titanic

 

Nada disto é novo, tudo isto é fado. O que me irrita verdadeiramente nisto tudo não são os pobres desgraçados da lagartagem, coitados, que não sabem nem nunca saberão mais do que isto.

O que irrita são alguns benfiquistas que, cegos pela animosidade ao Presidente do Benfica e sem sequer querer saber os factos, usam esta imbecilidade como mais uma oportunidade bacoca, hipócrita e estúpida para fazer o trabalho do inimigo e atacar o próprio Benfica, enquanto fazem uma defesa paternalista e filhadaputa do Sportém.

 

Ide fazer sexo oral a equídeos.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:46 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Segunda-feira, 24.09.12

A premeditação de Xistra

Rui Gomes da Silva garante hoje que o Benfica fora avisado de que o Xistra vinha com a premeditação de nos prejudicar. [link]

 

Atendendo ao passado do Xistra, é bastante credível a denúncia de Rui Gomes da Silva. No entanto, o Benfica tem de saber se quer verdadeiramente entrar nesta guerra sem quartel ou se quer continuar a fazer cócegas aos pulhas que sujam, há três décadas, o futebol português. Se quiserem, de facto, entrar nesta guerra, têm de pôr os nomes aos bois, denunciar todos os poderes estabelecidos, retirar imediatamente o apoio que em má hora foi dado a Fernando Gomes, assumir que não negociarão qualquer contrato com a Olivedesportos e denunciar, com estrondo, o dirigente de arbitragem Vítor Pereira (o mesmo que conduz os automóveis cedidos por Joaquim Oliveira). Isto deverá ser feito sem medos e dispostos a ir até ao fim.

 

Se assim for, da próxima vez que um Xistra de ocasião (seja este ou outro qualquer Proença ou Sousa da vida) se preparar para nos roubar, não se esqueçam de o denunciar antes, para evitar queixinhas posteriores.

por Pedro F. Ferreira às 12:41 | link do post | comentar | ver comentários (59)
Domingo, 23.09.12

X

Apesar de ter ficado algo preocupado quando o Xistra foi nomeado para este jogo, que já de si seria previsivelmente difícil, só fiquei realmente apreensivo quando um jogador do Porto veio falar, ainda antes mesmo de ter feito o seu jogo, que esperava uma escorregadela do Benfica. É um cenário que já vi diversas vezes, e repetiu-se mais uma vez. O Xistra é um árbitro muito competente.

 

 

De regresso aos dois avançados, desta vez com o Bruno César no onze para a saída do Gaitán, o Benfica entrou no jogo a todo o gás. Velocidade e pressão sobre a Académica, com as oportunidades a sucederem-se nos primeiros minutos. Mas a falta de pontaria e de alguma sorte, já que por mais do que uma vez vimos a bola embater nos ferros da baliza da Académica, não permitiram que o Benfica materializasse o seu domínio em golos. Estava a Académica ocupada a pensar como é que iria sobreviver a isto, quando após vinte e cinco minutos de jogo conseguiu finalmente sair lá de trás e nos espaço de uns minutos criou um lance de perigo, precedido de fora-de-jogo, e viu o Xistra assinalar-lhe um penálti, que lhe permitiu dar uma expressão mentirosa ao marcador. O Benfica acusou o golpe e o seu jogo perdeu a qualidade dos primeiros minutos, mas perto do intervalo voltou a carregar e viu mais uma vez a bola embater no poste, deixando antever que hoje não seria mesmo a nossa noite.

 

Mas logo no reinício da segunda parte tudo pareceu poder mudar, pois um remate do Nolito (tinha entrado para o lugar do Bruno César) na direcção da baliza foi interceptado com o braço por um jogador da Académica, resultando num penálti a nosso favor e expulsão do infractor. Convertido o penálti, pelo Cardozo, o Benfica dispunha agora de pelo menos quarenta minutos para procurar a vitória. Se a Académica com onze pouco mais tinha feito do que defender, com dez então acantonou-se toda perto da sua área, procurando sobreviver a todo o custo. O Benfica tomou naturalmente conta do jogo, mas nesta fase revelou muitas dificuldades para ultrapassar a muralha da Académica. Seria expectável que, contra dez, conseguissem fazer um pouco melhor. Porque o perigoso Xistra continuava em campo, e bastou que a Académica fosse à frente uma vez - numa jogada, diga-se, onde houve displicência da parte dos nossos jogadores, porque foi feita apenas por dois jogadores da Académica e nós ficámos a vê-los até permitirmos que um avançasse para a área com a bola controlada. O Garay cortou a bola, mas o Xistra marcou penálti na mesma e a Académica apanhou-se outra vez na frente. O Benfica continuou a pressionar à procura do golo, mas continuou também a fazê-lo de forma pouco eficiente. Não criámos grandes oportunidades para marcar, excepto num cabeceamento do Salvio que foi cortado sobre a linha de golo, e numa desmarcação do Cardozo a passe do Nolito, que terminou com um remate para defesa do guarda-redes. Foi apenas com uma bomba do estreante Lima, de fora da área, que evitámos a derrota.

 

Não sei quem foi o nosso melhor jogador. O Salvio esteve bem, o Nolito e o Lima entraram bem no jogo. O Cardozo esteve perdulário. Mas o que quer que qualquer um dos nossos jogadores tenha feito, a sua exibição será sempre pálida em comparação com a do Xistra. O homem encheu o campo.

 

Há árbitros que quando são nomeados para jogos do Benfica, toda a gente (mas toda, mesmo) sabe que vão fazer. Por isso é que continuam a nomeá-los nas alturas certas. Podemos estar aqui a discutir que perdemos o Witsel e o Javi, que o Luisão está suspenso, que falhámos demasiados golos, que não jogámos muito bem durante a segunda parte, que o Jesus não percebe nada disto ou que a culpa é do Vieira. O facto indesmentível é que sem o factor X neste jogo, o mais provável é que o tivéssemos ganho.

por D`Arcy às 23:10 | link do post | comentar | ver comentários (57)

Bardaxistra

O covilhanense Carlos Miguel Taborda Xistra é conhecido no lodaçal do futebol português por muitos nomes e pelos piores motivos. Hoje, em Coimbra, fez mais um favor à sua carreira de árbitro. Mais uma vez protegeu quem lhe garantiu a gamela da "primeira categoria", mais uma vez garante que no final da época lá receberá o seu osso. Na nota de rodapé que o seu nome garante na história do futebol português, continuará a ser o Bardaxistra de sempre, continuará a ser uma espécie de árbitro de bolso e de ocasião. Continuará a ser digno deste futebolzinho português, rasteirinho e do tamanhinho dos Xistras da vida. Em suma, o Bardaxistra continuará e esse é o problema.

por Pedro F. Ferreira às 23:10 | link do post
Sexta-feira, 21.09.12

Alternativas

Tornou-se voz corrente, repetida e amplificada, que o Benfica não tem alternativas no plantel capazes de suprir as ausências de alguns futebolistas titulares.

 

Imagino o estado de espírito dos futebolistas que estão na calha para substituir os habituais titulares quando ouvem tal afirmação. Afirmação esta que para uns é opinião, para outros profecia e para a maioria é desejo. Imagino-os indignados e desejosos de mostrar a todos os desconfiados que eles, os substitutos, têm todas as capacidades para se suplantarem e ultrapassarem as desconfianças. Imagino-os desejosos de provar o seu valor e esfregar o mesmo na cara de todos os que, por antecipação, lhes garantem um fim ainda antes de terem começado. Imagino-os espicaçados para aproveitarem esta soberana oportunidade que o destino lhes pôs nas mãos. Tudo o que for uma atitude aquém da referida não é compatível com a galhardia que se impõe a um futebolista do Benfica.

 

Assim, é chegado o momento de futebolistas como Matic ou Jardel aproveitarem os próximos tempos para demonstrarem todo o seu valor. A ausência de uns pode ser aproveitada para marcar definitivamente a presença de outros. É esta a oportunidade, o tal momento que pode marcar o sucesso ou insucesso de toda uma carreira. Estou convencido de que os que brevemente serão chamados à titularidade têm a percepção de que agora se joga muito do seu futuro profissional. E quando os mais cépticos evocam a inexperiência destes jogadores num clube grande, pergunto, sinceramente, quem é que pode dizer que tem a experiência de jogar num clube grande antes de chegar ao Benfica?

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Setembro e publicado na edição de 21/09/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quarta-feira, 19.09.12

Positivo

Foram-se o Witsel e o Javi, o Maxi estava suspenso, o Luisão suspenso ficou pouco antes do jogo, mas no final o Benfica até acabou por sair com um empate de um estádio onde até hoje tinha perdido sempre. Acabou por ser um resultado positivo, mas que a frio até pode saber a pouco, porque as limitações deste Celtic foram evidentes durante todo o jogo. O que lhes sobra em coração e pulmão falta-lhes, e muito, em qualidade técnica e táctica.

A escolha mais inesperada para este jogo terá sido a do André Almeida para o lugar do Maxi, já que tudo vinha apontando para que fosse o Miguel Vítor a jogar. No meio jogou o Pérez, o que permitiu a entrada do Gatán no onze, e na frente a aposta foi num único avançado, o Rodrigo, regressando o Aimar à equipa. O ímpeto do Celtic causou alguns problemas nos minutos iniciais, já que o Benfica pareceu ter dificuldade em adaptar-se à pressão constante e uso do físico por parte dos jogadores do Celtic - ganharam praticamente todas as bolas em que conseguiam encostar-se aos nossos jogadores. Durante essa fase cheguei mesmo a pensar que a probabilidade do Celtic não acabar com onze seria alta, dado o 'voluntarismo' com que se entregavam a cada jogada. Os problemas ficaram restritos, no entanto, à incapacidade do Benfica para assentar o seu jogo, já que as perdas de bola eram muitas e os passes falhados também. Em termos atacantes, o Celtic não nos incomodou, o que aliás foi uma constante durante todo o jogo. O Benfica manteve sempre uma grande organização em termos defensivos, falhando apenas na altura de sair para o ataque, pois talvez o pudesse ter feito com um pouco mais de atrevimento. Mas isto são apenas suposições, e se calhar se o tivéssemos feito estaríamos agora a lamentar uma derrota. O jogo em geral foi sempre muito disputado, mas sem grande qualidade técnica, e com muito poucas situações de golo. Na primeira parte, a situação mais flagrante esteve nos pés do Rodrigo, que permitiu a defesa ao guarda-redes depois de receber um bom passe do Pérez.

Nem os onzes, nem o jogo se alteraram na segunda parte. A toada continuou a ser exactamente a mesma, parecendo imperar sobretudo o receio mútuo de perder o jogo. O Artur continuou a ser quase sempre um espectador, perante uma equipa cujo público celebrava um lançamento a seu favor dentro do nosso meio campo, que quase parecia festejar um golo de cada vez que conseguiam conquistar um pontapé de canto. A meio da segunda parte ainda passámos por um período em que o Benfica pareceu conseguir soltar-se um pouco mais e fazer algumas boas trocas de bola, mas o Celtic também nunca descurou a defesa e na altura do remate apareceu sempre um pé para interceptar a bola. Nos minutos finais passou-se o contrário, e foi o Celtic a conseguir ter algum ascendente no jogo, fruto também da maior ritmo de jogo que pareceram ter - não só estivemos quase três semanas sem jogar, como jogadores como o Gaitán, Aimar, Bruno César ou Matic ainda não fizeram muitos minutos esta época. De qualquer forma, o Celtic nunca conseguiu causar qualquer lance de perigo junto da nossa baliza, e o nulo final ajusta-se perfeitamente ao que se passou em campo.

Na minha opinião o Garay esteve simplesmente perfeito durante todo o jogo, assumindo com naturalidade o papel de líder na ausência do Luisão - e quando o Aimar foi substituído, achei perfeitamente natural ver a braçadeira de capitão ser-lhe passada. Gostei de ver o Pérez no meio, se calhar até mais do que nos jogos que fez nas alas. O André Almeida cumpriu sem quaisquer problemas a função de lateral direito, mas notou-se-lhe bastantes cautelas quanto a avançar no terreno. O Matic também fez um bom jogo, com muito trabalho no meio campo. O Aimar mostrou algumas dificuldades na fase inicial do jogo, parecendo ter problemas com o jogo físico dos escoceses, o que resultou em perdas de bola pouco habituais.

Por norma, um empate fora na Champions costuma ser considerado um resultado positivo. Se pensarmos que o empate foi num campo onde temos um péssimo historial, mais razões temos para vermos este resultado com bons olhos - e das duas últimas vezes que lá perdemos, na minha opinião, o Celtic já era tão limitado como eu o acho agora e por isso mesmo as derrotas custaram-me tanto. É verdade que, findo o jogo, podemos ficar a pensar que até poderíamos ter conseguido algo mais. Mas considerando todos os factores que afectaram a nossa equipa para este jogo, tenho que dar-me por satisfeito.

por D`Arcy às 23:44 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Terça-feira, 18.09.12

Champions

Amanhã o Benfica estrear-se-á na edição deste ano da Champions. Apesar do enorme ruído mediático que os jogos desta competição despertam, não me sinto particularmente entusiasmado com isso. Com muita pena minha. A Champions League é uma competição na qual o principal objectivo é ganhar alguns jogos e chegar longe de forma a que o nosso clube possa juntar uns preciosos milhões que muito ajudam as contas bancárias. Mas aspirar a ganhá-la? Para a grande maioria do comum adepto da maior parte das equipas, isso é uma utopia. E é por isso que, em termos puramente futebolísticos, a Champions League pouco interesse tem e acaba por representar muito daquilo que está mal no futebol actual.

Quando era miúdo e vivia longe do Estádio da Luz, as quartas-feiras europeias começavam a ser antecipadas no mínimo com uma semana de antecedência, Procurava descobrir mais sobre os adversários exóticos de países distantes que o Benfica iria defrontar e de quem nunca tinha ouvido falar. Depois seguia os jogos agarrado ao rádio, às vezes à tarde, outras vezes à noite - porque nessa altura não estávamos sujeitos à ditadura das TVs, e os jogos começavam à hora que era mais conveniente para os intervenientes, e não todos obrigatoriamente às 19:45 ou às 20:05 ou lá quando as TVs entendessem que lhes dava mais jeito. Quando, uns poucos anos mais tarde, ia para o Estádio da Luz numa quarta-feira à noite com algumas horas de antecedência, ficava sentado no Terceiro Anel à espera do início do jogo e a tremer de nervos. Porque os jogos eram mesmo a doer e não havia margem para erros. A Taça dos Campeões era para os campeões dos respectivos países (e o campeão europeu da última época). Uma noite menos inspirada e uma equipa podia estar fora da Europa em Setembro ou Outubro. Uma noite inspirada e uma equipa mais 'pequena' podia seguir em frente e deixar de fora um gigante.

A Champions League acabou com toda esta magia. Na Taça dos Campeões, uma campanha europeia poderia ser comparável à travessia de um precipício sobre um arame. Um passo em falso e era a morte do artista. A Champions League é mais ou menos a mesma coisa. Mas com rede de segurança e um cabo a segurar o artista (que, por via das dúvidas, leva um pára-quedas) ao arame. Ah, e o arame foi substituído por uma ponte, não vá o diabo tecê-las. Há clubes que investem demasiado dinheiro para se poderem sujeitar ao risco de ficar de fora da Europa logo no início da época. Por isso a Champions garante-lhes futebol europeu pelo menos até Dezembro, com meia dúzia de jogos a realizar. E até podem escorregar uma, duas, até três vezes, que normalmente ainda dá para recuperar do erro. Não admira que, olhando para as fases mais avançadas da competição, todos os anos acabemos por encontrar lá os suspeitos do costume. Que assim ganham ainda mais dinheiro, e aumentam ainda mais o fosso para os restantes (o exemplo do que nos últimos anos se passou em Espanha, com Barcelona e Real a descolarem do resto do pelotão, é o mais flagrante). Um feito como o do Nottingham Forest do Brian Clough, que em três anos foi da segunda divisão a campeão europeu (eliminando logo na primeira ronda precisamente o campeão europeu Liverpool), seria impossível hoje em dia - até porque em Dezembro os 'tubarões' habituais da Champions lhes levariam metade da equipa. Mas mesmo assim havia ainda um risco adicional: se por acaso a época corresse mal a esses clubes, e acabassem por não ser campeões dos seus países, os milhões da Champions ficavam fora do seu alcance. Isso era um risco que esses clubes não estavam dispostos a correr. Foi assim que a Champions se transformou no cancro que não pára de crescer e vai fazendo as competições europeias definhar.

De repente, os segundos, terceiros e em alguns casos até quartos classificados passaram a ser participantes de pleno direito da 'Liga dos Campeões'. Clubes que nunca foram sequer campeões na sua história passaram a disputar a competição dos campeões. A Taça das Taças foi a primeira vítima, já que por norma os vencedores das taças dos países eram equipas que terminavam os campeonatos nos lugares de topo e obviamente optavam pelos milhões da Champions, deixando a Taça das Taças para a equipa sensação que tinha conseguido chegar à final. A perda de qualidade da competição foi evidente, e a sua extinção inevitável. A seguir foi a Taça UEFA, que no seu estertor se transfigurou em Liga Europa, uma espécie de sucedâneo da Champions, tentando sobreviver a todo o custo. Mas que hoje em dia não é mais do que uma competição para decidir quem é o melhor quarto ou quinto classificado dos campeonatos europeus. O seu futuro é cinzento, e não me admirará se em breve acabar absorvida pela imparável 'Champions'.

O futebol hoje em dia é um negócio; todos nós estamos fartos de o saber. Mas é um negócio que procura prosperar à custa do romantismo dos adeptos, que insistem em olhá-lo através de lentes rosadas pela paixão pelo clube e por um futebol com que cresceram mas que, na realidade, já não existe e dificilmente voltará. A paixão pelo nosso clube é-nos vendida e explorada para fins comerciais. O nosso lugar é no estádio, a apoiar a equipa, mas só se tivermos umas centenas de euros para despender por esse lugar. Se não os tivermos, então o nosso lugar é lá fora, que a paixão não é aceite como forma de pagamento. E se possível, até podemos exprimir a nossa paixão deixando mais uns euros na loja do clube pela camisola da nova época, ou pela camisola alternativa que em nome do marketing muda radicalmente todos os anos. Em nome da nossa paixão vendem-se pedras pintadas no chão, à volta da estátua de um dos nossos ídolos do tempo em que o futebol era apenas um jogo. E se não as quisermos comprar, uma qualquer criatura num call center de telemarketing pergunta-nos despudoradamente ao telefone se não achamos que a nossa paixão pelo nosso clube merece que façamos mais por ele.

Amanhã o Benifca entra em campo para disputar a Champions. Espero que ganhe. Mas tenho saudades das verdadeiras quartas-feiras europeias. Isto não é saudosismo; é uma constatação: dantes, o futebol costumava ser melhor do que é hoje.

por D`Arcy às 12:44 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sexta-feira, 14.09.12

Luisão - 2 meses de castigo

Mais do que todas as outras, as injustiças são questões da Justiça.

Acerca deste castigo [link], digam da vossa justiça.

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por Pedro F. Ferreira às 14:44 | link do post | comentar | ver comentários (40)

A não-inscrição

O pensador José Gil explicou muito bem a sua tese acerca da não-inscrição na sua obra, já com uns aninhos, “Portugal, Hoje - O Medo de Existir”. José Gil atirou-nos à cara com a incapacidade que temos em fazer da experiência uma acção transformadora do real. Nada é, tudo é foi e a realidade acaba por ser uma espécie de espantalho de vento. Nada se inscreve, tudo é superfície, nada aconteceu nem acontece, tudo é conformismo e inércia. Se isso é Portugal, o futebol em Portugal é tudo isso com publicidade paga ao segundo e reportagens em directo.

 

Só assim se explica que o facto de um dirigente do Sporting ter enviado um funcionário seu depositar dinheiro na conta bancária de um fiscal-de-linha antes de um jogo que envolvia o referido clube e o dito fiscal ter ficado, como diria Alexandre O’Neill, numa “coisa em forma de assim”. Ou seja, passou, não se inscreveu, foi com a espuma dos dias. E o que dizer das inconsequências para o acto criminoso que gente identificada perpetrou ao atear fogo a uma bancada do nosso Estádio da Luz? Tudo passou, nada ficou. E o tal Sr. Costa que, há poucos meses e de acordo com os relatos públicos de um jornalista agredido, esbofeteou publicamente o dito e ainda gozou com a situação? E as acusações do mano Oliveira mais novo que repetidamente garante que o mano Oliveira mais velho manipula os títeres engravatados que decidem os destinos do futebol português? E os juízes que, nos camarotes, combinam com os réus as absolvições douradas entre apitos, charutos e gargalhas? E os agentes da PJ que previnem atempadamente os suspeitos do dia e hora das buscas domiciliárias? E os dirigentes desportivos e federativos sentenciados a penas suspensas de cadeia?

 

Nada disto aconteceu. Foi público, visível e nada disto foi real, porque nada disto se inscreveu e tudo é fátuo. Onde nada se inscreve fica a dor sem cicatriz e sem redenção. Eis Portugal, eis o futebol português.

 

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Setembro e publicado na edição de 14/09/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Segunda-feira, 10.09.12

À margem do que é realmente importante

 

 

Oiço Rui Gomes da Silva no “Dia Seguinte” acerca de dois temas – os valores da venda de Witsel e a defesa de Herculano Lima – e fico preocupado. Pareceu-me claramente, pela tibieza das posições assumidas, que ainda muito há para saber acerca da venda de Witsel e aguardo, com particular curiosidade, pelo próximo Relatório & Contas…

 

Nunca esperei (nunca esperei mesmo) ver um benfiquista defender o Dr. Herculano Lima.

 

Além disso, torna-se óbvio para o telespectador de que o que há entre os comentadores do “Dia Seguinte” não é bem rivalidade, aquilo é uma espécie de inimizade muito mal disfarçada. E isso transforma um debate numa sucessão de ofensas pessoais mal veladas. Objectivamente, nem Rui Gomes da Silva, como cidadão e benfiquista, nem, particularmente, o Benfica merecem estar sujeitos 'àquilo'.

por Pedro F. Ferreira às 23:45 | link do post | comentar | ver comentários (22)

José Veiga, João Pinto, Luís Duque e outro gajo (malta da bola)

José Veiga – Crime de Fraude Fiscal (dois anos e dois meses de prisão) e Crime de Branqueamento de Capitais (três anos e nove meses de prisão) = pena única, suspensa por quatro anos e meio + multa de 169.629 euros.

 

João Vieira Pinto – Crime de Fraude Fiscal (um ano de prisão) = pena suspensa por igual período + pagamento de 169.629 euros.

 

Luís Duque e Rui Meireles – Crime de Evasão Fiscal (dois anos de prisão) = pena suspensa por quatro anos e três meses. Ambos terão ainda de pagar ao Estado indemnização no mesmo valor.

 

Parece que todos vão recorrer.

 

(link)

 

por Anátema Device às 19:18 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 07.09.12

Directo ao assunto

Sem ‘mas’ nem meios ‘mas’, este final tardio da época de contratações na Europa do futebol foi, desportivamente, pernicioso para o nosso Benfica. As saídas de Javi Garcia e Witsel (excelentes negócios na perspectiva financeira) deixam o plantel mais fraco. Não transformam o plantel num plantel fraco, mas enfraquecem o poder futebolístico do Benfica e, por consequência óbvia, um plantel menos forte torna mais difícil o sucesso. No fundo, é apenas isto e nada mais do que isto.

 

Perante o sucedido, há agora duas atitudes possíveis: uma é lamentar “ad aeternum” a saída dos ditos futebolistas e recordar sistematicamente que deveríamos ter conseguido, atempadamente, prever a situação e arranjar soluções (e devíamos!); outra é perceber que há um conjunto de hipotéticas soluções internas dentro do plantel (e também na equipa B) e tentar moralizar os futebolistas que personifiquem essas soluções, dando-lhes confiança.

 

Neste momento, Jorge Jesus tem pela frente talvez o maior desafio desde que chegou ao Benfica: recriar e reinventar, em competição, toda uma dinâmica de equipa, equilibrada nos momentos ofensivos e defensivos, sem dois dos futebolistas que melhor garantiam esse equilíbrio. Terá de fazê-lo em tempo útil e com uma eficácia que permita ao Benfica conquistar um campeonato que os mais cépticos garantem hipotecado, à terceira jornada, com o Benfica a liderar a competição. Para que isso aconteça, é necessário engenho e arte da equipa técnica, disponibilidade total dos futebolistas e uma grande dose de confiança que deverá passar da bancada para o relvado.

 

Quanto ao resto, o que se tem visto é uma legítima emoção à flor da pele por parte dos adeptos perante a frieza do poder do vil metal. Para nós, adeptos benfiquistas, a paixão pelo Benfica não tem cláusula e não é rescindível.

 

_____

Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Setembro e publicado na edição de 07/09/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 04.09.12

Futebol: desporto ou negócio?

No futebol, tal como em outros negócios, quem tem mais poder tem maior capacidade negocial. Sempre foi assim. As melhores equipas, no plano desportivo, encontram-se normalmente entre as que dispõem de mais recursos financeiros e, portanto, maior facilidade em contratar os melhores.

A famigerada "Lei Bosman", de 1995, veio acentuar essa tendência, pois eliminou algum poder que os clubes menos abastados tinham em relação aos seus melhores jogadores, ficando assim mais vulneráveis ao poder dos clubes mais endinheirados.
Coincidência ou não, o Ajax, clube cujo sucesso se alicerçou na formação dos seus próprios jogadores, desde as camadas jovens, foi campeão europeu pela última vez em 1995. E desde então, pouco mais fez do que participar com alguma regularidade na Liga dos Campeões...

No futebol, tal como em outros negócios, os mercados volta e meia também ficam "nervosos". E tal como noutras situações, as regras não são iguais para todos os países dentro do espaço europeu (neste caso, regulado pela UEFA), com algum desfasamento nas datas de "fecho de mercado", favorecendo os países onde tal acontece mais tarde (e desses países, os clubes com mais dinheiro, claro).

No meio disto tudo está, claro, o Benfica. Que por ser o maior clube português, consegue movimentar jogadores que noutros clubes da liga são claramente titulares (mas que, no Benfica, acabam por ser jogadores de 2ª linha). Alguns deles ficam no plantel, outros são (re)emprestados ou transferidos para clubes portugueses ou estrangeiros onde mais facilmente serão titulares. E consegue, até, contratar Salvio, claramente um jogador de 1ª linha, capaz de fazer a diferença. E manter muitos jogadores que eram dados como cobiçados por outros clubes.
Todos menos 2. E logo aqueles que, de certa forma, formavam a "espinha dorsal" do meio-campo (e temos que esperar até dia 6...). Se no caso de Javi, Matic já deu sinais de que poderá estar à altura de desempenhar a função, Witsel tem características únicas que vão para além da posição que habitualmente ocupa. Tudo isto sem que se tenha resolvido o "problema dos laterais".


Face a este cenário, interrogamo-nos: qual a estratégia da direcção, perante esta dicotomia negócio-desporto? É que, para que o negócio do futebol seja rentável, há que não descurar a vertente desportiva... Ainda que no caso de Witsel pouco ou nada houvesse a fazer, e mesmo no caso de Javi, o valor da transferência foi muito interessante e difícil de recusar, põe-se a questão: não teria sido possível acautelar estas saídas, ainda que praticamente inevitáveis, num plantel onde predominam os médios ofensivos/extremos? E qual a razão da contratação de Lima, depois de se ter dispensado Saviola e emprestado Mora, N. Oliveira, H. Vieira e Michel? (E já agora, onde é que ficam os laterais no meio disto tudo?...)

A realidade é que, face à impossibilidade de colmatar estas ausências com novas contratações (será necessário esperar por Janeiro), a equipa B (que tem dado boas indicações) poderá assumir uma importância maior que aquela que inicialmente parecia ter. Quem vai substituir Matic nas suas ausências? E sabendo que Carlos Martins é bastante susceptível a lesões, quem mais poderá ocupar o lugar de Witsel?
Será uma possível aposta na equipa B uma opção ponderada ou uma inevitabilidade? Com a crise que Portugal atravessa, até que ponto será o Benfica capaz de resguardar os seus jogadores mais valiosos da cobiça dos clubes que (ainda) têm dinheiro para contratações e salários milionários e prever possíveis "ofensivas" de última hora, sem criar excedentes no plantel? (E os laterais?...)

Embora não regularmente, tenho tentado acompanhar os jogos da equipa B. Vejo ali uma equipa que, como poucas, disputa o jogo pelo jogo. Apesar de não sujeita à pressão dos resultados, faz tudo para garantir a vitória e, acima de tudo, procura praticar futebol de qualidade, que dá gosto ver. É que aqui que, quanto a mim, entra a vertente do futebol enquanto desporto (quase) puro.
Uma equipa formada por jogadores maioritariamente oriundos das camadas de formação, que compensam alguma inexperiência (numa liga competitiva como é a Liga de Honra) com muito talento em bruto e com uma enorme ambição de vencer. Uma equipa que não abdica do seu modelo de jogo e não recorre a subterfúgios táticos, em nome do "resultadismo". É o futebol em estado puro. É o futebol enquanto desporto que entusiasma quem gosta de bons espectáculos e apoia incondicionalmente a sua equipa e aqueles que usam o seu embelema.
Embora o "clubismo" dos jogadores seja, cada vez mais, uma memória do passado, o certo é que os jogadores da equipa B não são, certamente, indiferentes ao facto de o Benfica ser o clube que os tem projectado, desde muito jovens, para o futebol profissional. A ambição de, um dia, não muito longínquo, poderem transportar esse seu entusiasmo para a equipa principal, na certeza que esse será, a par do seu talento, o maior trunfo para atingirem patamares mais elevados, é um argumento não quantificável em milhões de euros.

Certo é que, agora que os milhões falaram mais alto, ficámos com os cofres mais cheios mas, em termos teóricos, com uma equipa menos forte. Mas, repito, em campo nem sempre o talento e ambição são directamente proporcionais aos milhões.
Sem dois jogadores de qualidade inegável que são Javi e Witsel, acima de tudo pela importância que tinham no jogo da equipa, abrem-se vagas àqueles que ambicionam, no lugar deles, ajudar a equipa a vencer.
Seja por estratégia ou necessidade (mais provavelmente a última...), correndo o risco de estar a criar expectativas demasiado altas, talvez esteja mesmo na equipa B a resposta. Não só pelos talentos que lá despontam, mas também pela abordagem entusiástica que têm aos jogos. Gostaria de ver (porque sou e sempre fui optimista em relação ao Benfica) a perda de 2 jogadores nucleares transformar-se numa oportunidade e de acreditar que, apesar de tudo, no Benfica o futebol é, acima de tudo um desporto (ainda que, no campeonato português, impere a vertente mais obscura do futebol enquanto negócio...), onde a ambição de vencer e a competitividade convivem com a valorização do futebol enquanto desporto e espectáculo.


Segunda-feira, 03.09.12

Post aparentemente sem título

 

Javi Garcia – Saiu por um valor abaixo da cláusula de rescisão. Eu gostaria que o Benfica, em razão da importância desportiva do jogador, obrigasse o Manchester City a pagar a cláusula de rescisão. Também gostaria que o Javi tivesse manifestado vontade de ficar. Mas o mundo é o que é e não se compadece com os meus devaneios.

 

Axel Witsel – Saiu pela cláusula de rescisão. Batida a cláusula de rescisão, a decisão de sair é do futebolista. O mundo é o que é e não se compadece com os meus devaneios.

 

Balanço: estamos mais fracos desportivamente do que estávamos há uma semana. Isto parece-me um facto e não um devaneio meu.

 

Logo, temos menos hipóteses de ser campeões do que há uma semana.

 

Em conclusão, benfiquismo há nas bancadas, no balneário há profissionais. Isto é escrito sem recriminações nem louvores.

 

Agora, lixadas que estão muitas das minhas esperanças, o meu benfiquismo de bancada obriga-me a apoiar e a acreditar nos profissionais Matic e (tenho essa secreta esperança) Miguel Rosa. O mundo é o que é e pode ser que se compadeça com os meus devaneios...

por Pedro F. Ferreira às 23:35 | link do post | comentar | ver comentários (43)

Transfiguração

Num jogo com duas partes muito distintas, vitória justa do Benfica, por um resultado dilatado que acaba por nem deixar adivinhar as dificuldades por que passámos durante a primeira parte.

No primeiro jogo 'pós-Javi' a opção do nosso treinador acabou por ser num meio campo com o Carlos Martins e o Witsel, cabendo a este último ocupar a posição mais recuada. O resto do onze manteve-se igual ao que venceu tranquilamente em Setúbal a semana passada. Foi difícil a primeira parte, por culpa própria e também por culpa do adversário. Sabemos da extrema utilidade que o Javi tinha nos equilíbrios defensivos da equipa, mas durante a primeira parte onde a ausência se acabou por notar mais foi nas saídas para o ataque, na fase inicial da construção das jogadas. O processo habitual de recuo do médio defensivo para permitir que os centrais abram e os laterais subam rapidamente não resultou com o Witsel, de forma que a lentidão foi o tom dominante dos nossos ataques. O Carlos Martins esteve bastante apagado, e o recuo do Witsel pareceu também escondê-lo do jogo - foram várias as vezes em que vimos o Luisão a actuar praticamente como se fosse um distribuidor de jogo, e nunca é bom sinal quando a maioria das nossas jogadas de ataque têm que começar com um central a colocar a bola na frente. Do outro lado apanhámos um Nacional bem organizado a defender e acertado nas marcações e que conseguia, uma vez recuperada a bola, sair rápido para o ataque. Apenas por uma vez o Benfica conseguiu construir uma jogada de real perigo, que terminou num remate do Salvio ao poste. De resto, muita lentidão e falta de ideias. A um minuto do intervalo o Carlos Martins lesionou-se e para o seu lugar entrou o Matic, o que acabou por se revelar decisivo.

Com o Matic em campo na segunda parte, a equipa já jogou de uma forma mais familiar. A subida do Witsel no campo também beneficiou a equipa, pois esteve muito mais em jogo do que o Carlos Martins tinha estado durante a primeira parte e pressionou os jogadores do Nacional de forma mais eficaz - durante a primeira parte tiveram quase sempre demasiado espaço e tempo para jogar. Ao fim de dez minutos decorridos já o Benfica tinha praticamente resolvido o jogo, após marcar dois golos num espaço de cinco minutos. O primeiro nasceu de uma iniciativa do Melgarejo pela esquerda, que fez a bola viajar até ao Salvio na direita, para depois o Maxi desmarcar-se, evitar a saída do guarda-redes e centrar para a conclusão de cabeça do Cardozo. O segundo foi obra do Salvio, que sobre a direita, no meio de uma série de adversários, conseguiu arranjar maneira de sair dali com a bola e fazer um centro perfeito para uma finalização fácil do Rodrigo, de cabeça. Com o jogo resolvido o Benfica foi baixando progressivamente o ritmo do jogo, e os últimos vinte minutos foram jogados de forma muito pausada. Mesmo assim, foi quase a passo que o Benfica ainda fez o terceiro golo, novamente pelo Cardozo, a passe do Aimar já mesmo sobre a hora.

O melhor jogador do Benfica foi, na minha opinião, o Salvio. Mais uma vez a nossa ala direita esteve bastante activa, pois o Maxi acompanhou-o bem. Boa (e decisiva) entrada do Matic - o jogo desta noite deverá ter servido para clarificar que a opção natural para o lugar do Javi será mesmo ele, e também gostei do jogo que o Garay fez. O Rodrigo fez uma primeira parte muito apagada, mas acabou por conseguir fazer o golo da ordem. E o Cardozo mostrou continuar a ter jeito para fazer aquilo que sabe: apareceu no sítio certo na altura certa, e marcou por duas vezes.

Não foi tão fácil quanto o resultado poderá fazer crer, mas a vitória do Benfica é indiscutível. Fomos a melhor equipa no jogo, e soubemos ser eficazes no aproveitamento das oportunidades que criámos na segunda parte. A transfiguração da equipa da primeira para a segunda parte acabou por justificar plenamente a vitória. Os tempos do 'rolo compressor' já lá vão, mas não deixa de ser agradável termos dez golos marcados nos primeiros três jogos do campeonato.

por D`Arcy às 00:11 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Sábado, 01.09.12

Hara-Kiri

Vender um jogador que actue no campeonato português por 20 M€ é um bom negócio. Vender por 20 M€ um jogador que custou 7 M€ é um muito bom negócio. Vender um médio-defensivo por 20M€ na actual conjuntura de crise (Ibrahimovic custou 20 M€ e o Lavezzi 30 M€ ao PSG) é um excelente negócio.

 

Então, porque é que vender o Javi García por 20 M€ é um péssimo negócio?

 

1) Porque é um jogador fundamental que sai 10M€(!) abaixo da cláusula de rescisão (ao contrário do que foi prometido);

 

2) Porque nós não acautelámos essa saída (se a época estava prevista com Javi + Matic + “jovens da equipa B”, se sai o primeiro e não o substituímos, é óbvio que ficamos mais fracos, por mais que se tente dourar a pílula);

 

3) Porque não se desfalca a equipa de uma peça fundamental no último dia do mercado sem ser pela cláusula de rescisão! É básico e é senso comum (“precavemos assim futuros problemas de tesouraria”? Mas, no início de Julho, esses problemas não se vislumbravam? Foi preciso chegar a 31 de Agosto para nos darmos conta disso?);

 

4) Porque não se percebe que, estando o Javi García na porta de saída e não havendo tempo nem dinheiro para ir ao mercado, o Airton esteja no Flamengo e o Nuno Coelho a treinar na praia (ambos contratados com a anuência do actual treinador, acrescente-se. Dizer que são os “jovens da equipa B” que podem fazer o lugar é colocar-lhes nos ombros uma pressão desmesurada. O mesmo se aplica ao Matic, que nem é trinco de origem).

 

Mas, pronto, tínhamos que fazer dinheiro e saiu o Javi García. Tudo bem. Adiante.

 

Desde o começo da pré-temporada que foi afirmado por responsáveis do nosso clube que queríamos um defesa-esquerdo. Possivelmente, a posição mais deficitária da equipa. Ou seja, tínhamos dois meses para o arranjar (eu não quero ser mau e dizer que há mais de um ano que andamos à procura de um defesa-esquerdo… mas adiante). Chegamos a 1 de Setembro e esse defesa-esquerdo não veio. O nosso treinador veio dizer que o Sílvio era uma “invenção” dos jornais. Pois claro que era, porque raio de carga de água é que nós iríamos querer um internacional português que seria não só uma solução para a lateral-esquerda, como daria um substituto para o Maxi (que há quatro anos que pura e simplesmente NÃO se pode lesionar sob pena de a nossa época terminar aí) e ainda por cima preencheria uma vaga na Uefa para “jogadores formados no clube”?! Era um 3 em 1, como disse o Velho Estilo. Claro que tinha de ser “invenção” dos jornais…

 

A prioridade era um defesa-esquerdo, mas fomos gastar 9 M€ no sexto extremo do plantel (nota pessoal: eu acho que a partir de 6/7 M€ um jogador tem que entrar de caras na equipa titular, tipo Gaitán, Cardozo, Simão, mas também me lembro que o Ola John deu cabo da cabeça ao Maxi no ano passado. Vamos aguardar que não seja um novo Sabry…). A prioridade era um defesa-esquerdo, mas fomos contratar o sétimo extremo do plantel (embora o Salvio seja um jogador fabuloso e, independentemente de quanto terá custado, vá ser sempre uma pechincha no futuro, como o Cardozo ou o Simão). A prioridade era um defesa-esquerdo, mas fomos contratar um ponta-de-lança de 29 anos pela cláusula de rescisão (já agora, se foi pela cláusula, porque é que tivemos que emprestar o Michel? E, se emprestámos o Nélson Oliveira para “jogar mais” porque estava tapado pelo Cardozo e Rodrigo, qual é o sentido de vir agora o Lima? Já para não falar das dispensas do Saviola e Rodrigo Mora. E o que é que o Kardec está a fazer no plantel? Não, espera, não me digam que o mercado na Rússia fecha só no dia 6 e que…?!). A prioridade era um defesa-esquerdo, mas vamos fazer metade da época (pelo menos) com o Melgarejo (de quem gosto muito) adaptado e o Luisinho. A defrontar o Messi e o Hulk. Pronto, está bem, deve ser porque eu não percebo mesmo nada disto.

 

Independentemente das decisões parecerem o mais absurda e incompreensíveis possível, eu gosto de perceber o que está por detrás delas. Qual o racional e a lógica que presidiram a essas mesmas decisões (tipo: emprestar o João Pereira a meio de uma época, dispensá-lo no final da mesma e ir a Braga buscar o Luís Filipe por 2 M€). Confesso que, nesta pré-época e especialmente neste último dia de mercado, tenho dado imensas voltas à cabeça e não consigo mesmo ver o que terá levado os responsáveis do Benfica a tomarem este tipo de decisões. Gostaria que alguém me explicasse, “como se eu fosse mesmo muito estúpido”. (E provavelmente sê-lo-ei, porque isto tudo me parece tão amador que não quero pensar que quem toma este tipo de decisões no meu clube o possa assim tanto ser…)

por S.L.B. às 20:04 | link do post | comentar | ver comentários (52)

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