VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 30.11.12

Taça

Parece que desta já se livraram.

por D`Arcy às 22:12 | link do post | comentar | ver comentários (15)

Trabalhos e dias

Nesta última semana, lembrei-me por várias vezes do título “Os Trabalhos e os Dias” que o poeta grego Hesíodo (Séc. VIII a.C.) atribuiu a uma das suas obras mais marcantes. Antes de a jornada começar, Jorge Jesus, de forma certeira e incisiva, alertava para a sorte que o FCP costuma ter em Braga. Vítor Pereira respondia que a sorte dava trabalho e Carlos Xistra demonstrou na prática que, de facto, mais do que dias de sorte, há dias em que é preciso trabalhar muito para que se possa responsabilizar a aleatória sorte da condicionada incompetência.

 

A sorte do FCP foi não ter, nesse dia, apanhado com o mesmo árbitro que o Benfica teve de enfrentar recentemente, na quarta jornada, em Coimbra. Se o árbitro tivesse sido o mesmo, provavelmente, teria assinalado uma grande penalidade óbvia contra o FCP. Tinham o mesmo nome, foram nomeados pela mesma pessoa, foram dois jogos para a mesma competição, com critérios idênticos, mas, definitivamente, não foram apitados pelo mesmo Xistra. Conseguir uma sorte destas dá muito trabalho e, como ficou à vista de todos, este tipo de trabalho do Carlos Xistra depende dos dias. Há dias em que Xistra trabalha para a sorte dos adversários do Benfica e há dias em que Xistra trabalha para o azar dos adversários do FCP.

 

Deste modo, percebemos que ter, aparentemente, o mesmo árbitro, na mesma competição e em dias diferentes, resulta em sortes distintas, consoante os clubes em contenda. De facto, uma sorte destas não se consegue sem trabalho, muito trabalho, um trabalho feito de dias (lá volto eu a Hesíodo), de longos dias. Há até quem garanta que é um trabalho feito de largos dias que têm cem anos...

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Novembro e publicado na edição de 30/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Domingo, 25.11.12

Guilherme Espírito Santo (30 de Agosto de 1919 - 25 de Novembro de 2012)


Com o falecimento de Guilherme Espírito Santo, o nosso Benfica fica de luto. Parte um dos seus atletas mais simbólicos e um dos homens que no passado muito ajudou a contruir o futuro do nosso Benfica. Que descanse em paz.
por Pedro F. Ferreira às 19:30 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Relaxada

Sexta vitória consecutiva para a Liga num jogo sem grande história, que se resumiu à superioridade do Benfica do princípio ao fim. A exibição foi bastante relaxada, já que nunca pareceu necessário carregar muito no acelerador para levar de vencida este Olhanense.

 

 

Carlos Martins e Rodrigo foram as novidades num onze que assumiu as despesas do jogo desde o apito inicial. Apesar do ritmo de jogo adoptado ser relativamente calmo, foi mais do que suficiente para remeter o Olhanense ao seu meio campo e controlar a posse de bola quase em exclusivo. Os algarvios nem sequer adoptaram uma táctica excessivamente defensiva, mas mostraram-se completamente incapazes para causar o menor incómodo ao Benfica, mesmo em contra-ataque, cabendo ao Artur o papel de mero espectador. A velocidade a que o Benfica jogava não dava para sufocar o Olhanense ou criar muitas ocasiões claras de golo, mas o Benfica ia-se acercando da baliza adversária, rematando e conquistando pontapés de canto em grande quantidade, que mostravam algumas fragilidades do Olhanense a defendê-los. Com vinte e cinco minutos decorridos o Olhanense acabou por facilitar-nos ainda mais a tarefa, ao cometer um penálti tão evidente quanto estúpido sobre o Maxi Pereira. O Cardozo encarregou-se de fazer o primeiro golo, marcando o penálti de forma exemplar, com a bola a entrar bem junto da base do poste (ao contrário da forma como tem marcado os penáltis ultimamente, com remates para o meio da baliza). O golo em nada alterou a tendência do jogo: a reacção do Olhanense foi nula (nem sei se terão chegado a fazer um remate que fosse durante a primeira parte), e foi o Benfica quem continuou a controlar o jogo como queria, deixando no ar a ideia de que o segundo golo acabaria por surgir mais cedo ou mais tarde, de forma perfeitamente natural.

 

 

Na entrada para a segunda parte o Olhanense pareceu vir mais decidido, tentando pressionar um pouco mais alto, e logo nos primeiros minutos obrigou o Artur à primeira defesa mais apertada, depois de um bom remate de fora da área na sequência de um canto. Mas isto não durou muito, e depressa voltámos ao cenário anterior, com o Benfica a dominar e até a criar oportunidades em maior número do que o tinha feito durante a primeira parte, obrigando o guarda-redes do Olhanense a bastante trabalho. A meio desta segunda parte o Benfica fez duas alterações, e as entradas do Lima e do Pérez para os lugares do desinspirado Rodrigo e do Carlos Martins trouxeram mais alguma animação ao jogo. Os pontapés de canto continuavam entretanto a aparecer, e o Olhanense a defendê-los de forma pouco convincente. Já depois do Garay ter estado muito próximo de marcar na sequência de mais um - só uma grande defesa do guarda-redes Bracali evitou o golo, ao décimo terceiro canto o Benfica marcou mesmo o golo da tranquilidade, num cabeceamento do Luisão, que surgiu solto no centro da área a cabecear de cima para baixo, não deixando possibilidade de defesa. Foi ao minuto setenta e dois, e com o jogo efectivamente resolvido o Benfica até final ainda desperdiçou várias ocasiões para ampliar o resultado, enquanto que o Olhanense se manteve inofensivo para a nossa baliza, o que nos permitiu terminar o quarto jogo consecutivo na Liga sem sofrer golos.

 

 

Num jogo sem grandes destaques individuais realço as exibições da dupla de centrais, seguríssima, e do inevitável Matic, que está a atravessar um óptimo momento de forma. O Ola John continua a justificar a manutenção da titularidade, parecendo-me que o plano do Jorge Jesus será fazer dele na equipa desta época aquilo que o Di María era na equipa de 2009/10. O Rodrigo continua a atravessar um momento de clara falta de confiança, e deve estar a precisar urgentemente de marcar um golo - embora me pareça que ele é prejudicado quando tem que jogar como segundo avançado.

 

Cumprida a obrigação de vencer, e com o bónus de o termos feito sem ter sido necessário despender um esforço considerável - pelo menos aparentemente - resta-nos agora esperar calmamente pelo resultado entre o actual segundo e terceiro classificado da tabela, com a certeza de que lucraremos com qualquer resultado que saia desse jogo - ou nos destacamos do Porto, ou o Braga ficará quase irremediavelmente afastado desta discussão.

 

P.S.- O Jorge Jesus completou hoje cem jogos na Liga aos comandos do Benfica. Nesses cem jogos, conquistou setenta e três vitórias. Goste-se ou não da personagem, do estilo ou do trabalho desenvolvido, na minha opinião estes números dizem muito, e revelam pelo menos uma estabilidade em termos de resultados e nível exibicional que poucos treinadores terão conseguido no Benfica nas últimas décadas.

por D`Arcy às 01:12 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Sexta-feira, 23.11.12

A comédia dos crónicos anunciadores de tragédias

Há quem consiga encontrar problemas em todas as soluções, assumindo as dores presentes, os prantos estridentes e os agouros videntes. Agem como se a sua voz fosse a que no Coro da Tragédia Clássica inspirava a catarse feita de horror e piedade.

 

Recentemente, carpiram-se dores e anunciaram-se desgraças pelas colunas de opinião, porque o nosso Benfica ficaria uns meses sem Luisão. O problema gritava-se na orfandade de uma defesa, no consequente descalabro do meio-campo, na impossibilidade de sucesso do ataque e (só faltou dizerem isso mesmo!) expandir-se-ia até ao esmorecimento do público. Anunciava-se o sofrimento e a catástrofe.

 

No entanto, a solução chegou, veio de dentro do plantel, sob a forma de uma espécie de “deus ex machina” com mais de uma época de casa e direito a preparação prévia na humilde equipa B. Jardel foi solução e trouxe novas e diferentes valências para a defesa, acabando por se impor naturalmente como mais uma opção válida. Ou seja, contrariando as vozes da tragédia anunciada, encontrou-se mais uma peça angular para a equipa. Como resultado, o coro trágico regressou para dizer que, afinal, nesta solução reside um novo problema: o de ter de escolher apenas dois de um grupo de três excelentes futebolistas.

 

Chegados a este ponto, observamos que a presença da solução equivale à falta de alimento para crónicas e perorações de quem vive à custa de crises alheias. Logo, há que criar crises sucessivas, provocá-las, espicaçá-las e promovê-las. Apenas assim vão ganhando o sustento. Os ditos inventores de problemas transformam-se numa espécie de relógios parados que, carpindo agoiros ao minuto, nos dizem ufanos duas vezes por dia que eles são os donos da verdade da hora certa. Ou seja, com tanta tragédia anunciada nem se apercebem de que, normalmente, são eles os principais actores de uma comédia em tom de opereta bufa.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Novembro e publicado na edição de 23/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quarta-feira, 21.11.12

Escasso

O jogo podia ser para a Champions, mas sinceramente achei que poucas diferenças teve para um jogo normal do Benfica a contar para a Liga portuguesa. Aliás, já vi muitas equipas da nossa Liga, e da parte mais baixa da tabela, conseguirem dar mais luta do que o Celtic deu hoje. Mas o mais importante foi conseguido: apesar de escasso, dado o domínio do Benfica durante todo o jogo, o triunfo e os respectivos três pontos já cá moram.

 

 

A única surpresa no onze foi a titularidade do André Almeida na direita da defesa, ficando o Maxi (provavelmente ainda sem ritmo) no banco. Mais previsível foi a escolha do Luisão para formar dupla com o Garay, relegando o Jardel para suplente apesar do excelente contributo que ele deu à equipa durante a ausência do nosso capitão. Quanto ao jogo, foi o esperado domínio do Benfica desde o apito inicial. A entrada do Benfica foi mesmo bastante forte, lançando-se sobre o adversário e cedo teve a recompensa, pois com sete minutos decorridos o Ola John aproveitou um ressalto dentro da área para rematar e fazer a bola passar entre os defesas do Celtic para o golo. Obtida a vantagem, a velocidade passou a ser um pouco menor, embora nunca deixando o Benfica de ter o controlo do jogo quase por completo. Mas teria sido importante marcar um segundo golo, coisa que o Benfica ia ameaçando e tentando, mas sem grande sucesso. Acabou por ser mesmo algo surpreendente o quanto o Celtic não conseguiu fazer qualquer tipo de oposição digna desse nome. Os escoceses foram inexistentes no ataque, quase não conseguindo passar do meio campo. Quando pouco depois da meia hora de jogo, e a seguir ao Cardozo ter falhado uma oportunidade flagrante para o segundo golo, os escoceses conquistaram um canto, os seus adeptos festejaram-no como se de um penálti se tratasse. E o pior é que tinham mesmo razão para fazê-lo, porque no seguimento do mesmo, e no único remate que fizeram à baliza na primeira parte, marcaram o golo do empate. Não me pareceu que o Artur ficasse bem na foto - ele foi bloqueado por um adversário, mas o normal numa situação dessas é o guarda-redes conseguir sacar a falta respectiva, nem que seja atirando-se contra o adversário que o está a bloquear na pequena área. Como isto não aconteceu, o marcador do golo acabou por saltar completamente à vontade junto do segundo poste, a pouco mais de um metro da baliza. Com o Benfica a teimar em não acertar na baliza (mais uma grande oportunidade desperdiçada, desta vez pelo Ola John, à beira do intervalo) e dar uma expressão justa à sua superioridade, fomos para o balneário com um injustíssimo empate no marcador.

 

 

Mais do mesmo na segunda parte: domínio claro do Benfica, mas ainda com mais oportunidades de golo. Ao contrário da primeira parte, em que insistimos muito mais pela direita, nesta segunda parte foram o Ola John e o Melgarejo a estar mais em jogo, com o lateral direito do Celtic a revelar sempre dificuldades para travar os nossos jogadores. Mas com muitos remates tortos, outros defendidos pelo guarda-redes do Celtic (parece-me ser claramente o jogador mais acima da média que têm, e já o tinha mostrado nos dois jogos contra o Barcelona), e a bola a teimar em não entrar, o que permitiria o apuramento imediato aos escoceses. Foi preciso esperar até vinte minutos do final do jogo para desfazer a igualdade que, injustamente, se mantinha no marcador. E ironicamente, acabou por ser num lance aéreo que quebrámos a resistência do Celtic. Depois de um cruzamento largo vindo da direita, o Luisão ganhou a bola nas alturas e assistiu o seu parceiro do centro da defesa, para que este fizesse o golo num remate de primeira. Perdido o empate que tanto procurava resguardar, o Celtic respondeu da melhor forma que sabe: mandou gente lá para a frente (passou a jogar praticamente em 4-2-4) e desatou a tentar despejar a bola rapidamente na direcção deles, o que lhes permitiu finalmente aumentar o número de remates feitos no jogo, que até aí se cifrava em dois. O Benfica sofreu ainda um contratempo, com a saída forçada do Matic por estar fisicamente inferiorizado, mas mesmo assim foi ao Benfica que pertenceram as oportunidades para marcar, com o Cardozo a ver o golo ser-lhe negado pelo guarda-redes por duas vezes, e o Salvio a acertar na barra.

 

 

O Garay foi para mim o melhor jogador do Benfica em campo. O Matic também esteve muito bem, sendo importantíssimo na luta do meio campo, impondo-se no estilo de jogo mais físico dos escoceses, mas o Garay 'ganha-lhe' com o golo da vitória. O Ola John esteve num bom nível e neste momento parece ser o dono da esquerda no nosso ataque. Uma menção também para o André Almeida, que parece estar cada vez mais confiante. Cumpriu sem problemas na lateral direita, e continuou a dar conta do recado quando teve que passar para a posição do Matic. Os nossos dois avançados tiveram um jogo pouco conseguido hoje.

 

Com a vitória de hoje o apuramento para a Liga Europa ficou garantido. Agora é mesmo ver o que acontece na última jornada. Estamos no segundo lugar e dependemos apenas de nós, mas teremos sempre que fazer em Barcelona o mesmo resultado que o Celtic conseguir em casa frente a um Spartak já sem quaisquer objectivos, o que me parece um cenário demasiado complicado.

por D`Arcy às 00:21 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Sábado, 17.11.12

Incontestável

Eliminatória ultrapassada, num jogo em que a superioridade do Benfica foi notória e incontestável, muito por culpa da atitude competitiva e profissional sem mácula apresentada pelos nossos jogadores em noite de regresso do nosso capitão.


 

Muitas alterações no onze em relação ao último jogo, quer por opção, quer por indisponibilidades várias que se prenderam com lesões e compromissos pelas selecções. Na equipa inicial entraram hoje Paulo Lopes, Luisão, Luisinho, Bruno César, Nolito, Gaitán e Rodrigo. Mas todas estas mudanças em nada afectaram aquela que tem sido a postura da nossa equipa nos últimos jogos, e pelo contrário, ainda pareceram refiná-la. Não tive oportunidade de ver o jogo todo em directo (tive que ver a gravação mais tarde), e quando tive que interromper o visionamento após meia hora de jogo, foi com muita pena que o fiz, porque mesmo com o resultado a manter-se ainda em branco estava a dar-me um enorme prazer ver a nossa equipa jogar. O Benfica simplesmente espremeu o Moreirense para o seu meio campo, e nem lhe deu hipótese sequer de aspirar a fazer qualquer coisa no jogo. Jogámos com as linhas muito subidas, os jogadores muito juntos e em constante movimento, exercendo uma enorme pressão sempre que não tínhamos a bola, o que fez com que o Moreirense literalmente não conseguisse passar do meio campo - não fizeram um único remate durante a primeira parte. O Matic era figura de destaque, mas todos os jogadores merecem os parabéns pela forma como abordaram o jogo, trabalhando muito e lutando sempre pela bola - neste aspecto fiquei até surpreendido com jogadores como o Gaitán ou o Bruno César. Ao intervalo faltava apenas que o marcador exprimisse de forma justa a enorme superioridade do Benfica no jogo.

 

 

Superioridade que continuou sem grandes alterações na reentrada para a segunda parte. Não foram muitas as oportunidades claras de golo que o Benfica construiu, mas fazia a bola rondar constantemente as imediações da área do Moreirense, adivinhando-se que o golo poderia surgir a qualquer instante. Acabou por aparecer após um quarto de hora, e de forma duplamente justa, já que não só foi a recompensa para o domínio do Benfica, como por ter sido marcado pelo Matic premiava também aquele que estava a ser o melhor jogador em campo. Foi na sequência de um canto do lado direito do nosso ataque, com a bola a acabar por sobrar do lado oposto para um remate cruzado de primeira do Matic, tendo um defesa do Moreirense acabado por confirmar o golo quase sobre a linha. Feito o mais difícil para o Benfica, o Moreirense foi obrigado a arriscar mais e abandonou o esquema de três centrais, deixando mais espaço atrás. Mas apenas por uma vez, num cabeceamento após canto, o Moreirense criou uma jogada de perigo, enquanto que o Benfica continuou a mandar no jogo como queria, e esperava um segundo golo que acabasse com quaisquer dúvidas sobre o vencedor. Mas a doze minutos do final houve uma falha na iluminação que provocou um longo interregno no jogo, e quando este se reatou o Benfica já não conseguiu controlar tão bem a partida, tendo o Moreirense aproveitado para se aproximar um pouco mais da nossa área e tentar alguns remates, que embora sem causar grandes preocupações sempre obrigaram o Paulo Lopes a deixar de ser o espectador privilegiado que tinha sido até então. No suspiro final do jogo, o Gaitán entrou pela esquerda da área e assistiu o inevitável Cardozo (tinha entrado para o lugar do Lima) para o justo segundo golo.

 

 

Mais uma vez o Matic cotou-se como o melhor jogador em campo, e se dúvidas houvesse ainda fez questão de ser o autor do importante golo que desfez o nulo. Impondo o físico e jogando bem em antecipação, foi um dos principais responsáveis pela alta pressão que o Benfica conseguiu exercer sobre o adversário, tendo ainda estado bem a distribuir jogo. Muito bem também os nossos dois centrais, que jogaram quase sempre sobre a linha do meio campo e ganharam praticamente todos os lances aos adversários, matando à partida quase todas as jogadas de ataque. No geral gostei de toda a equipa, tendo-me agradado a atitude do Gaitán e do Bruno César (menciono isto não porque tenham estado melhor do que os outros, mas sim porque habitualmente costumam ser bem mais 'macios' na abordagem que fazem aos lances). Aliás, em relação ao brasileiro, até considero que conseguiu realizar uma exibição positiva na posição de médio centro, pelo menos no que diz respeito ao trabalho defensivo.


Profissionalismo e humildade seriam fundamentais para levar de vencida esta eliminatória, e foi isso que os nossos jogadores nos deram. Deixaram bem vincada a nossa superioridade e nem sequer a má arbitragem na primeira parte os abalou. Agora é altura de começar a preparar a recepção ao Celtic, e tenho a certeza de que se abordarmos esse jogo com a mesma mentalidade que exibimos hoje, teremos meio caminho andado para a vitória.

por D`Arcy às 05:46 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sexta-feira, 16.11.12

Alexandre Herculano

Vemos, ouvimos, lemos e, mesmo assim, duvidamos da realidade. Desde a pretérita sexta-feira, temos assistido no futebol português a mais uma destas estranhas procissões de acontecimentos bizarros. Assim, já depois de nomeados os árbitros para a jornada do passado fim-de-semana, soubemos que o presidente do Sporting foi à Rua Alexandre Herculano, para ser recebido pelo Presidente da Comissão de Arbitragem, o inefável Pereira. Dois dias depois, Pedro Proença, aquele estranho árbitro que erra em Portugal na exacta medida em que acerta fora de portas, mostrou como os vícios privados são mais públicos do que as públicas virtudes e despachou uma apitadela ao minuto 78 do jogo entre o Sporting e o Braga que deu 3 pontos aos que haviam peregrinado à capelinha sita na Rua Alexandre Herculano.

 

Objectivamente, não posso garantir qual era a tonalidade do som que Proença quis dar ao apito. Mas aquilo soou a som dourado, com agudos de degradação e graves de servilismo. Um som igual ao que se ouviu no dia 06 de Novembro de 2011, num Braga-Benfica, produzido pelo mesmo artista e pelo mesmo apito. Dois dias depois da dita apitadela, a direcção do Sporting, em comunicado, queixa-se da… arbitragem em geral, mas não dos pontos que lhe foram oferecidos pela mesma em particular. Resta-nos olhar para este tipo de comunicados como apenas mais um remendo nesta farsa protagonizada por senhores de um pequeno mundo, mirrado e mediocrizado à medida dos prostíbulos onde se desfazem regras e encomendam apitadelas. Tudo isto sob o olhar de alguém que ocupa cadeira na rua com o nome do escritor Alexandre Herculano, o mesmo que um dia sentenciou: “A hipocrisia, suprema perversão moral, é o charco podre e dormente que impregna a atmosfera de miasmas mortíferos e que salteia o homem no meio de paisagens ridentes: é o réptil que se arrasta por entre as flores e morde a vítima descuidada.”

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Novembro e publicado na edição de 16/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Segunda-feira, 12.11.12

Luta

Num jogo difícil, o Benfica foi obrigado a trabalhar muito para conseguir arrancar uma justa vitória em Vila do Conde. Ainda assim, poderíamos ter construído um resultado mais dilatado, que nos poupasse as preocupações na parte final do encontro.

 

 

A juntar às longas ausências do Luisão, Carlos Martins e Aimar, para este jogo vimos o Maxi juntar-se-lhes, saltando o pronto-socorrro André Almeida para o onze inicial. Na frente, a aposta foi para a dupla Cardozo/Lima. O Benfica assumiu desde o início as despesas do jogo, com o Rio Ave a fechar-se bem no seu meio campo e a sair rápido para o ataque. Isto resultou num jogo bastante disputado, num ritmo elevado e com a bola a viajar rapidamente de uma baliza à outra. As oportunidades claras de golo, no entanto, foram todas do Benfica, e quase sempre da autoria do Cardozo. Foi ele o mais rematador da equipa, tendo mesmo visto um remate seu levar a bola ao poste. A meio da primeira parte, o Benfica sofreu uma contrariedade grande, com a lesão muscular do Enzo Pérez. Foi substituído pelo Bruno César, mas com a sua saída o Benfica perdeu muita capacidade quer para transportar a bola para o ataque, quer para a segurar no meio campo e organizar jogadas, passando a optar mais frequentemente por futebol directo para os extremos. Foi sobretudo pelo lado esquerdo que atacámos mais, onde o Melgarejo se revelou mais atrevido a subir e mostrou um razoável entendimento com o Ola John. Pelo outro lado, o Salvio tinha que optar quase sempre por iniciativas individuais, pois o André Almeida não arriscou tanto. O golo decisivo surgiu já em período de descontos, através de uma jogada que o Benfica tenta frequentemente: lançamento lateral longo para a área, onde na zona do primeiro poste surge um dos centrais ou o Matic a desviar para trás. Desta vez foi o Jardel a ganhar a bola lançada pelo Salvio, e no meio surgiu o Lima a encher o pé num remate de primeira, sem possibilidade de defesa.

 

 

Foi cedo na segunda parte que o Rio Ave construiu a melhor oportunidade de golo de todo o jogo, com o João Tomás a ganhar de cabeça ao nossos centrais na pequena área, mas enviou a bola para fora. O nosso adversário entrou com vontade de arriscar um pouco mais no ataque, mas para além desse lance não ia criando grandes oportunidades para marcar, enquanto que parecia que o Benfica poderia até aproveitar esse maior atrevimento do Rio Ave para marcar um golo que resolvesse o jogo. Mas quando entrámos nos últimos vinte e cinco minutos de jogo o Rio Ave começou a ganhar uma clara superioridade na zona do meio campo, recuperando muitas bolas e empurrando o Benfica mais para junto da sua área. Talvez isto tenha sido também reflexo de um maior cansaço dos nossos jogadores, mas o que é certo é que mesmo sem obrigar o Artur a muito trabalho, a bola passou a rondar mais as imediações da nossa baliza. O Benfica só conseguiu estancar um pouco o caudal ofensivo do Rio Ave quando nos minutos finais fez entrar o Miguel Vítor para o lugar do Lima, adiantando o André Almeida para o meio campo para contrariar a superioridade numérica que o nosso adversário ia tendo nessa zona. No último lance do jogo, oportunidade para o Artur brilhar com uma fantástica defesa, mesmo que o lance já não contasse porque o cruzamento do jogador do Rio Ave já tinha sido feito fora do campo.

 

 

Para mim o melhor jogador do Benfica foi o Matic. Houve alturas em que ele foi, por si só, todo o meio campo do Benfica. Tem uma enorme capacidade de luta, e mostra uma permanente evolução nos movimentos defensivos de compensação e na colocação no campo. Gostei muito do jogo que Lima fez também, de grande trabalho e constante movimentação, a mostrar mais uma vez o quão errada foi a decisão de emprestar o Nélson Oliveira e ir contratá-lo ao Braga. Bom jogo também da nossa dupla de centrais. E já agora, suspeito que o Jan Oblak um dia ainda irá ser o dono da nossa baliza.

 

Com muitas ausências de jogadores importantes, com jogadores da equipa B, constantes adaptações, remendos ou o que quer que lhes queiram chamar, a nossa equipa vai mostrando capacidade de luta, e mesmo se não somos 'galácticos' o que é certo é que seguimos no topo da tabela sem derrotas. Se soubermos manter esta humildade e concentração durante toda a época, poderemos ter alegrias no final.

por D`Arcy às 02:29 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Sábado, 10.11.12

Benfica B

Depois da equipa principal do Benfica, a equipa que tenho seguido com mais atenção é o Benfica B. 

 

Como já havia referido num post anterior, gosto da preocupação que Norton de Matos tem demonstrado em pôr a equipa a jogar sempre de acordo com o modelo de jogo preconizado, evitando recorrer a subterfúgios tácticos em nome do "resultadismo". 

Claro que o objectivo da vitória deve estar presente em cada jogo em que o Benfica participa, seja em que escalão ou modalidade for. Mas convem não esquecer que o objectivo principal da equipa B é a formação de jogadores, com o objectivo de um dia integrarem a equipa principal. Esse objectivo já está a dar frutos, como são os casos de André Gomes e, de certa forma, André Almeida.

 

Por outro lado, a equipa B funciona como uma espécie de "laboratório" que permite, em contexto competitivo, refinar um modelo de jogo e as respectivas formulações tácticas. A 2ª liga é uma óptima competição para o fazer, pois é constituida maioritariamente por equipas com jogadores experientes, que tentam, primordialmente, neutralizar os argumentos técnicos das equipas adversárias. Preparar os nossos potenciais futuros jogadores para serem capazes de superar esse tipo de oposição é, sem dúvida, uma mais-valia, pois é esse tipo de oposição que a equipa principal do Benfica tem de enfrentar na maioria dos jogos em que participa. Quantos jogadores, tecnicamente dotados, não singraram no Benfica precisamente por não estarem preparados para defrontar equipas maioritariamente preocupadas com a vertende defensiva, sem olhar a meios? 

 

Tratando-se do Benfica, e mesmo sabendo que o objectivo pricipal é formar jogadores, não gostamos que a equipa B sofra derrotas, sobretudo como a da semana passada, contra o seu homólogo da 2ª Circular (tivesse o jogo sido contra a equipa principal dessa mesma agremiação, talvez o resultado fosse outro!). 
Se a derrota, em si, foi negativa (como o são todas as derrotas), permitiu,  por outro lado, identificar lacunas desta equipa, contra um adversário que tem, ao contrário da maioria dos que militam na 2ª liga, o mesmo objectivo: formar jogadores e aperfeiçoar um modelo de jogo, de modo a servir a equipa principal. Adversário esse que tem a vantagem de ter um grupo que está junto há mais anos. Uma das lacunas foi a ausência de um ponta-de-lança "matador", capaz de concretrizar algumas das várias oportunidades que o Benfica criou nesse jogo. Da mesma forma, teve faltas de concentração que foram bem aproveitadas pelo adversário para construir a vantagem. Estas duas situações têm obstado a que o Benfica B, apesar da qualidade do futebol demonstrado (com maior ou menor regularidade), tenha alcançado as vitórias que, obviamente, ambicionamos. 

Porém, no jogo de hoje, contra um dos adversários mais bem classificados na 2ª liga e um dos candidatos à subida, num campo mais apropriado para exploração agrícola, o Benfica B voltou a demonstrar a qualidade do trabalho que tem vindo a ser feito e a subir, a meu ver, mais um degrau nesse percurso cujo objectivo, como foi mais uma vez frisado por Norton de Matos, é preparar jogadores para o plantel principal. 
Apesar de ter sofrido um golo como resultado de uma falha técnica, conseguiu superar as dificuldades impostas pelo adversário e pelo terreno de jogo (?) e, com bastante pragmatismo e determinação (qualidade essenciais em qualquer equipa profissional), mas sem deixar de ser fiel aos seus princípios de jogo, "dar a volta" e vencer um jogo contra um adversário difícil, no seu terreno. 

Claro que esta vitória é "apenas" isso, uma vitória. Não faz com que o Benfica B seja a melhor equipa B da Europa e quiçá de Portugal. Mas interpreto-a, dadas as circunstâncias em que foi obtida, como mais um patamar que foi alcançado por este projecto e como uma demonstração do óptimo trabalho que tem vindo a ser feito a este nível e cujos frutos mais visíveis já são bem conhecidos, como já mencionei. 

 

Falando nas individualidades, gostaria de destacar a "ominpresença" e disponibilidade física de Luciano Teixeira, a capacidade técnica de Cancelo e Cavaleiro (jogadores de grande potencial mas que precisam de amadurecer), a segurança de Mika (mesmo apesar do golo sofrido em Penafiel - ainda que com a atenuante de a trajectoria da bola ter sofrido um efeito imprevisível devido ao forte vento ) e a qualidade de remate e passe de Miguel Rosa (que, como muito bem diz o Gonçalo ("D'Arcy"),  até marca livres tomahawk, a fazer lembrar o Juninho Pernambucano). Destaque ainda para o Deyverson, que talvez seja o ponta-de-lança "matador" que falta a esta equipa, e para Sidnei, que sendo claramente jogador da equipa A, está a aproveitar bem esta oportunidade para recuperar a forma (leia-se, perder uns bons quilogramas) e demonstrar que o seu lugar é mesmo a equipa A. 

 

Aproveito para me questionar (embora sem, obviamente, por em causa o mérito do trabalho feito), se não seria de aproveitar a equipa B para dar oportunidades a Alan Kardec (e até mesmo ao guarda-redes Júlio César), apesar de ter alguma curiosidade em Deyverson (enquanto que Mika já demonstrou o seu valor, ao passo que Bruno Varela precisa de amadurecer e a equipa B é uma boa oportunidade para o fazer).

 

E posto isto, agora só quero é ganhar ao Rio Ave!

Sexta-feira, 09.11.12

José Águas

 

A 9 de Novembro de 1930 nascia um dos maiores pilares do Benfica. Exemplo de benfiquismo, testemunho de valores benfiquistas, legou-nos verdadeiro ADN benfiquista. Obrigado.

por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post | comentar | ver comentários (9)

O complexo dos viscondes

Já não é de aqui e de agora. É universal e já vem de antanho. Falo do complexo que o clube dos viscondes (termo carinhoso com que por vezes denominamos os rivais da Segunda Circular) tem relativamente ao nosso popular Benfica.

 

Aquilo começou com a birra de quem tinha o dinheiro, mas não tinha o talento para jogar no Benfica e foi pedir ao avô visconde que lhe desse um brinquedo. Aquilo prolonga-se até aos nossos dias. Por vezes, vai sendo negado ou atenuado, mas no fundo resume-se sempre ao mesmo: para nós, o Sporting é um rival; para os sportinguistas, o Benfica é um complexo. Recentemente, Paulo Bento referira-se-lhe (ao dito complexo) com a constatação de que o Sporting entrara em depressão profunda com a pré-época exclamativa do Glorioso, aquando da primeira época de JJ no Benfica. Anteriormente, já João Rocha mencionava que, durante o período Roquette, havia um grupo de notáveis sportinguistas dispostos a subscrever um estranho plano de cooperação e subalternidade com o FC Porto, para afastar o Benfica do sucesso… Este mesmo complexo é visível na forma submissa como encaram a derrota perante os “amigos” portistas e a sanha incendiária (literalmente) com que encaram as sucessivas derrotas frente ao Benfica. Este mesmo complexo está bem patente no facto de terem transformado em efeméride a data dos famosos 7-1, esquecendo que nessa época o Benfica festejou mais uma dobradinha (Campeonato e Taça).

 

Actualmente, os nossos ainda(?) rivais vão cumprindo mais uma via-sacra no actual campeonato. Após mais uma derrota (agora treinados por um belga que se apressou a dizer que nunca veste roupa… vermelha) que os condenou a estarem um ponto acima da descida de divisão com praticamente um terço do campeonato concluído, qual é a conclusão a que chega o seu representante televisivo Rui Oliveira e Costa? «Vamos em que lugar? No 13º? Se o Benfica estivesse em 14º, a crise era metade. Dói menos, dói menos.» (dito na RTPI). E eis o ‘complexo dos viscondes’ no seu esplendor

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 06 de Novembro e publicado na edição de 09/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]




por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 08.11.12

Primeira

Foi necessário meter o Cardozo em campo para finalmente dar expressão ao domínio e superioridade do Benfica sobre uns russos que acusaram em demasia a ausência daquele que tinha sido um dos seus maiores trunfos no passado jogo: o relvado sintético. No final, a natural primeira vitória do Benfica nesta edição da Champions, que apenas peca por não ter sido mais expressiva.

 

 

Conforme prometido, foi o André Almeida quem ocupou a posição do Matic no onze inicial, fazendo companhia ao Pérez na zona central do meio campo. Regresso do Melgarejo à esquerda da defesa, com o Ola John a agarrar a titularidade pelo terceiro jogo consecutivo. Na frente, a dupla de avançados foi constituída pelo Lima e o Rodrigo, ficando o Cardozo no banco. O jogo foi aquele que se previa: superioridade e domínio territorial do Benfica desde o apito inicial, com os russos a espreitar o contra-ataque sempre que possível. Logo a abrir fiquei com a nítida sensação de ter havido um penálti claro sobre o Garay, que a equipa de arbitragem alemã deixou passar em claro - os árbitros de baliza continuam a mostrar a sua inutilidade na Champions. Sem ser avassalador, o domínio do Benfica no jogo permitia-lhe ir somando jogadas de algum perigo, mas a finalização não foi a melhor, e muitos dos remates foram mal direccionados. Noutras ocasiões ganhávamos bem a linha de fundo, mas depois os cruzamentos não eram bem aproveitados por falta de presença na área - mais uma vez o Rodrigo pareceu algo perdido em campo, o que tem acontecido frequentemente sempre que lhe é pedido para jogar nas costas do ponta-de-lança. A melhor ocasião de golo do Benfica nesta primeira parte esteve nos pés do Salvio, que numa recarga a um primeiro remate do Lima tinha tudo para fazer golo, mas teve pouca calma e acabou por rematar ao lado.

 

 

Não era preciso ser adivinho ou um génio da táctica para antever que o Cardozo entraria ao intervalo, o que aconteceu mesmo, ficando o Rodrigo no balneário. Praticamente na primeira intervenção no jogo, fez a bola ir para o fundo da baliza, mas o golo foi invalidado por fora-de-jogo (aparentemente inexistente). O passe foi de um Ola John transfigurado da primeira para a segunda parte. Com dez minutos decorridos, foi o mesmo Ola John quem solicitou o Melgarejo para que o cruzamento deste fosse concluído de cabeça ao segundo poste pelo inevitável Cardozo, dando expressão à boa reentrada do Benfica no jogo. Após o golo, o Spartak expôs-se um pouco mais e o Benfica explorou bem isso, continuando a criar oportunidades de golo e deixando no ar a promessa de um novo golo poder aparecer a qualquer altura. Apareceu mesmo a vinte minutos do final, mais uma vez pelo Cardozo (que um par de minutos antes tinha desperdiçado de forma incrível uma oportunidade, ao cabecear sobre a baliza quando apareceu sozinho ao segundo poste no seguimento de um canto). Desta vez foi o próprio Ola John a fazer o cruzamento, para o remate de primeira do paraguaio. Ainda respondeu o Spartak, com uma clara oportunidade de golo, mas o Artur esteve sempre em bom nível e resolveu a situação. Pouco depois o jogo ficou efectivamente resolvido, devido à expulsão de um jogador do Spartak após cometer penálti sobre o Cardozo. Infelizmente ele desperdiçou a possibilidade do hat trick e de uma noite de glória, ao acertar na trave. A partir daqui o Benfica limitou-se a gerir o resultado até final, tendo ainda assim o Cardozo desperdiçado nova excelente oportunidade, ao rematar ao lado (de pé direito) quando estava isolado.

 

 

O homem do jogo volta a ser o Cardozo, que entrou para fazer aquilo que tão bem sabe fazer. Dois golos, mas as três oportunidades claras para voltar a marcar deixam o amargo de não ter conseguido fechar a noite com o hat trick. O Garay e o Enzo Pérez são neste momento os jogadores em melhor forma do Benfica; o primeiro o líder incontestável da defesa, tendo assumido com naturalidade essa função na ausência do Luisão, e o segundo uma peça chave no meio campo, quer nas ajudas defensivas, quer no transporte da bola e municiamento do ataque. Esta época tem mostrado as qualidades que exibia na Argentina e nos levaram a contratá-lo, e custa-me compreender como é que há quem insista em criticá-lo quase cegamente, porque o seu valor é por demais evidente. O André Almeida cumpriu a tarefa sem sobressaltos, optando sempre (bem) por jogar pelo seguro, e passando uma boa parte do jogo a dobrar as subidas constantes do Maxi. O Ola John transfigurou-se ao intervalo. Teve uma primeira parte discreta e até algo desastrada, e na segunda parte foi uma das figuras do jogo, com contribuição directa nos dois golos. O Artur esteve sempre seguro, e uma menção ainda para o Melgarejo, que está cada vez mais à vontade a defender e ainda arranjou tempo para ir assistir o Cardozo no o primeiro golo. Acho que neste momento me preocupo menos com o lado esquerdo da defesa do que com o direito.

 

 

O resultado do Celtic (que, não me canso de referir, é aquela equipa 'fraquinha' que, de acordo com aquilo que alguns especialistas afirmaram pelas caixas de comentários, não faria mais nenhum ponto no grupo a não ser aquele conquistado no empate connosco) deixa agora as contas do apuramento muito mais complicadas. Mas nem vale muito a pena estarmos a preocupar-nos antecipadamente com isso. A tarefa agora é simplesmente vencer o Celtic na próxima jornada, o que nos permitiria entrar para a última jornada em segundo lugar. Depois se verá o resto.

por D`Arcy às 01:52 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Quarta-feira, 07.11.12

O fim do salão nobre do futebol na cidade do Porto

 

Lamenta-se o encerramento do mais iconográfico espaço do futebol português na cidade do Porto. Foi salão nobre, foi sala de reuniões e sala de visitas de uma conhecida sociedade desportiva portuense. Ali se fizeram e desfizeram pactos e alianças. Ali se fizeram e desfizeram decisões judiciais. Ali se decidiram casamentos, divórcios, campeonatos e outros concubinatos. O "Calor da Noite" fechou as portas. [link]

por Pedro F. Ferreira às 16:30 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Terça-feira, 06.11.12

Os longos braços da Olivedesportos

Numa altura em que o Benfica assume que vai abanar a estrutura bolorenta e podre do futebol português, rejeitando negociar com a Olivedesportos, Alberto Arons de Carvalho, no jornal Público de segunda-feira, 05 de Novembro, assina um interessante artigo de opinião titulado O ‘Euromilhões’ oferecido à Olivedesportos. Aconselho a sua leitura integral. [pode ser lido aqui]

 

 

É a decência pontapeada como se fosse uma bola ao nível do Relvas…

por Pedro F. Ferreira às 17:00 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Segunda-feira, 05.11.12

Alegadamente

 

Alegadamente, um alegado homem de mão de Paulo Pereira Cristóvão (dirigente do Sporting no momento da ocorrência) terá depositado dinheiro na conta de um fiscal de linha. Alegadamente, o objectivo seria condicionar esse fiscal de linha. Alegadamente, a justiça desportiva nem investigou a coisa. Alegadamente, foi feita justiça, arquivando-a.

por Pedro F. Ferreira às 09:18 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 04.11.12

Pleno

 

Com a conquista da Supertaça de basquetebol hoje, o Benfica conquistou esta época o pleno nas modalidades colectivas de pavilhão: cinco modalides (vólei, basquetebol, andebol, hóquei e futsal), cinco supertaças. Estão de parabéns todos os responsáveis pelo excelente trabalho que tem sido feito nas nossas modalidades - dirigentes, técnicos, atletas e os adeptos indefectíveis que estão sempre presentes.

por D`Arcy às 18:45 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Calmo

Triunfo indiscutível e calmíssimo do Benfica sobre o Guimarães, num jogo em que mesmo sem ter que forçar muito - conforme convinha antes de um jogo para a Champions - a nossa superioridade nunca foi posta em causa.

 

 

A aposta de Barcelos no Luisinho e Ola John para o lado esquerdo manteve-se neste jogo, havendo apenas duas alterações: o Salvio no lugar do castigado Pérez e o regresso do Carlos Martins à competição, no lugar que contra o Gil Vicente tinha sido do André Gomes. O Benfica entrou forte no jogo, assumindo desde o apito inicial o domínio e remetendo o Guimarães para o seu meio campo - devem ter passado uns bons dez minutos até que o nosso adversário conseguisse sequer construir o que se pudesse chamar de uma jogada de ataque. O Benfica jogou a toda a largura do campo, com ambos os flancos muito activos, o que fez com que conseguíssemos diversos cruzamentos para a área, que no entanto não foram sendo aproveitados da melhor maneira. Sempre que perdíamos a bola, esta era recuperada muito rapidamente, cabendo depois quase sempre ao Carlos Martins o papel de fazer começar a construir as saídas para o ataque e fazer a distribuição de jogo. Julgo que o facto do Guimarães ser quase inofensivo terá mesmo levado a nossa equipa a abrandar um pouco o ritmo de jogo depois dos primeiros minutos de maior fulgor, como que ciente que seria apenas uma questão de tempo até que os golos surgissem. Podíamos ter sofrido um dissabor à meia hora de jogo, quando com o resultado ainda em branco o Guimarães dispôs da primeira (que acabou por ser a única) oportunidade de golo do jogo, mas valeu-nos o Artur, que defendeu o remate do isolado Toscano. Cinco minutos depois o Ola John tirou um cruzamento certeiro a partir da esquerda, que permitiu ao Cardozo colocar a bola de cabeça junto ao poste mais distante, sem ter sequer de tirar os pés do chão. Antes do intervalo acabámos por sofrer um contratempo, com a lesão do Carlos 'Porcelana' Martins a forçar a sua substituição pelo André Gomes. Esperemos que não tenha que ficar muito tempo parado.

 

 

A nossa tarefa ficou ainda mais facilitada no segundo tempo, pois logo no reinício o Cardozo não desperdiçou a oportunidade para fazer o segundo golo, após um penálti cometido sobre o Salvio. Sempre com grande tranquilidade e com o Artur a ser um mero espectador, o Benfica continuou a controlar e a gerir o jogo, deixando sempre a sensação de que o resultado não ficaria por ali, e que se quisesse acelerar um pouco mais os golos surgiriam naturalmente. O Cardozo esteve muito perto de fazer o hat trick, tendo um corte providencial de um defesa do Guimarães evitado que finalizasse (mais) uma boa jogada entre o Luisinho e o Ola John, mas no minuto seguinte foi ele quem, após tabela com o Lima, ofereceu ao colega de ataque a oportunidade para fuzilar a baliza do Guimarães e estrear-se a marcar na Luz. Estávamos no minuto sessenta e sete, e com este resultado no marcador a opção foi gerir o esforço, retirando-se do campo ambos os extremos, que tinham sido dos jogadores mais activos do jogo. Pouco mais haveria a assinalar, não fosse o vermelho directo ao André Gomes a dez minutos do final, num lance em que chega atrasado à bola e acaba por atingir o adversário com os pitons. Mesmo com o Benfica reduzido a dez, nunca o Guimarães conseguiu criar qualquer espécie de perigo, e creio que nem terá feito um único remate durante esse período.

 

 

Com dois golos e uma assistência, o Cardozo é evidentemente o homem do jogo. Bom jogo dos extremos, Salvio e Ola John, com o holandês a mostrar-se a um nível bem superior ao que se tinha visto em Barcelos. Gostei também do Garay e do Matic, e o Carlos Martins fez uma boa primeira parte, sendo uma pena a lesão. O Luisinho hoje esteve bem a atacar, mas revelou algumas fraquezas a defender, tendo mesmo cometido alguns erros que poderiam ter comprometido a equipa. O André Gomes esteve muito mais discreto do que nos jogos anteriores, terminando da pior maneira com a expulsão - no estádio até achei que poderia ter havido algum exagero da parte do árbitro, mas visto o lance em casa parece-me que a expulsão se aceita.


Em suma, nova vitória tranquila e folgada do Benfica no campeonato, ficando apenas a faltar mais um golo para mantermos oficialmente a liderança da tabela. O aspecto negativo foi a perda do André Gomes e, provavelmente, do Carlos Martins para a próxima jornada, e deste último para o decisivo jogo da Champions. Ainda assim, só temos uma opção: ganhar.

por D`Arcy às 01:58 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sexta-feira, 02.11.12

Rescaldo das eleições

O nosso Benfica foi a eleições e cumpriu-se a tradição democrática. Destas eleições gostaria de salientar alguns aspectos.

 

Uma primeira abordagem prende-se com o papel das redes sociais da internet nestas eleições. O tema é muito vasto e não se esgota em poucas linhas, mas será importante que futuros candidatos percebam a real dimensão deste fenómeno sem o sub ou sobrevalorizarem. Há, de facto, uma evidente diferença entre a sensibilidade benfiquista presente no mundo “virtual” da internet e no mundo real. Não perceber a real dimensão deste fenómeno pode levar, como se viu em alguns momentos por parte do candidato Rui Rangel, a discursos equívocos, baseados numa percepção completamente iludida da realidade. No entanto, não perceber que, independentemente de serem minoritárias, há vozes críticas bastante válidas no meio do ruído pode levar a que se cometa o erro de ficar autista perante opiniões bem interessantes e pertinentes.

 

Num outro plano, registo que a campanha eleitoral resvalou muitas vezes para campos que ultrapassaram o bom senso. Ainda assim, teve vários méritos. Um deles, talvez o maior, foi ter precipitado o anúncio de que a recém-eleita Direcção do Benfica vai procurar caminhos diferentes do actual no que concerne à cedência dos direitos televisivos. Há muito que defendo, perante diferentes assembleias, que há vida para além da Olivedesportos. A decisão teria de ser uma decisão em função da política desportiva, mesmo que, hipoteticamente, esta se sobreponha à razão da política financeira. Luís Filipe Vieira percebeu que esta decisão maioritariamente apoiada pelos sócios e adeptos poderá vir a ser a pedra angular da futura relação do Benfica com os poderes instituídos no futebol português. Preparemo-nos para que esta decisão abale alguns alicerces apodrecidos do ‘bas-fond’ do nosso futebol e saibamos reagir perante os golpes baixos que se adivinham como represália. Esta reacção só será eficaz se soubermos estar unidos na defesa do Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Outubro e publicado na edição de 02/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post

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