VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 31.05.13

Independentemente do vento

Escrevo estas linhas num momento em que muitos muito discutem se o Benfica deve ou não alterar a liderança do seu futebol.

 

No mês passado “exigia-se” ao presidente do Benfica que renovasse com o treinador que nos conduzia a uma final da Liga Europa, uma final da Taça e a uma expectável vitória no Campeonato. O Campeonato foi-se num minuto 92 feito de azar e desconcentração. A Liga Europa foi-se num minuto 93 feito de injustiça e revolta. A Taça foi-se em 90 segundos de total absurdo competitivo por parte de alguns dos atletas que mais batalharam ao longo do ano. Ou seja, ficámos, amargamente, no frustrante “quase”. E de “quase” se têm feito muitos discursos de ‘especialistas’ em futebol e em construções de teorias absolutas em torno do momento relativo em que uma bola vai ao poste e, por um mero acaso, sai ou entra. De “quase” se têm feito as convicções de muitos dos que exigem agora que lhes tragam na bandeja a mesma cabeça que há uns dias se preparavam para coroar. Muitos procuram agora mitigar a sede de vitórias com o sangue de uma injusta vingança. Eu acredito hoje, terça-feira, nos mesmos em quem confiava no Domingo, antes da final da Taça. As convicções não mudam ao sabor do vento e as decisões de quem lidera os destinos do Benfica não podem mudar ao sabor dos insultos de circunstância de quem acredita que pode, pela ameaça, impor a sua vontade, feita de emoção, às decisões que se exigem racionais, frias e alheias a chinfrineiras.

 

Não sei, no momento em que escrevo estas linhas, qual será a decisão tomada relativamente ao futuro do treinador do Benfica, mas sei que, desde a final da Taça, não me saem da memória as seguintes palavras de Torga: «Queima-se ou crucifica-se primeiro o herói ou o santo, joga-se aos dados a sua túnica, e, quando dele não resta nem a sombra das cinzas, aparece um centurião qualquer a dizer: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus”».

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica", hoje, dia 28 de Maio, e que será publicado na edição de 31/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 28.05.13

Renovação de Jorge Jesus? (Episódio III)

Obviamente, e como foi comentado no post anterior, a questão do treinador do Benfica é muito mais abrangente que a sua manutenção ou dispensa, como aliás quis deixar entender com o último parágrafo.

 

Para além do mais, as idiossincrasias do futebol português obrigam a que o Benfica tenha de fazer sempre muito mais do que seria exigido, em condições normais, num país normal e num verdadeiro estado de direito, onde a uma certa equipa até a prática do andebol é permitida em jogos de futebol... Ao Benfica estão vedados quaisquer deslizes ou abaixamentos de forma, pois contra o Benfica nunca nenhuma  equipa se lembrará de deixar de fora titulares indiscutíveis, para fazer 'rodar' ex-juniores.

Sabendo disso, o Benfica terá sempre grandes dificuldades em, como diria Béla Guttmann, "ter cu para duas cadeiras" (referindo-se, obviamente, ao campeonato e às competições europeias). E como tal, deverá focar-se primordialmente na conquista do campeonato e aí apostar todas as 'fichas'. Foi isso que aconteceu há 3 anos, quando o Benfica, teve de aplicar a fundo para vencer a Naval, na Figueira da Foz, a poucos dias de ir a Liverpool...

 

No entanto, nesta fase final da época que agora termina, o Benfica apostou forte, em simultâneo, na Liga Europa e no campeonato. Apesar de   o campeonato ser  sempre apontado como prioridade, o certo é que, em função do desejo de estar na final, no jogo da 2ª mão com o Fenerbahçe não foram poupados quaisquer esforços. E isso acabou por ter um preço: o empate  na Luz com o Estoril...
De certa forma, entendo esta opção de alto risco: uma presença numa final europeia traz prestígio e, consequentemente, aumenta a oportunidade de negociar transferências de jogadores por valores elevados (sem sustententabilidade financeira, nem vale a pena pensarmos em títulos...).

 

Mas o risco também se pode traduzir (como veio a acontecer) em perder ambas as competições... Vendo as coisas por outro prisma, a sustentabilidade financeira fica algo desprovida de sentido se o Benfica não conseguir alcançar os objectivos desportivos, que no nosso caso  passam, necessariamente, pela conquista de títulos de Campeão Nacional.

E se Jesus tem responsabilidades ao falhar nesta aposta de alto risco, a direcção tem tantas ou mais responsabilidades, ao aceitar que pudesse ser  comprometida a vantagem de 4 pontos em vésperas de visita ao FCP.

Precisamente porque sabemos que não podemos ter deslizes, não podemos facilitar, em momento algum, na luta pelo campeonato. E nesse aspecto, cabe à direcção do clube garantir, constantemente, que todos estão focados neste  principal objectivo. A conquista de títulos europeus é, obviamente, o sonho de muitos Benfiquistas. Mas não podemos hipotecar a realidade, mesmo que esses sonhos estejam perto de se concretizar... 

 

Por fim, como referi no post anterior, há ilacções que devem ser tiradas da nossa fraquíssima prestação no jogo do final da Taça. Não sendo o jogo que ia salvar a época, era um título que, sem querer fazer desmerecer o  Vitória de Guimarães pela sua conquista (os meus parabéns ao Vitória: um clube com o seu histórico e massa adepta já merecia um trofeu importante no seu palmarés), o Benfica tinha a obrigação de conquistar.

 

Perante tudo isto, a permanência ou não de Jorge Jesus, não sendo um mero detalhe, está longe de ser o  único problema do Benfica na definição do futuro próximo, que passa, necessariamente, por começar quanto antes a preparar a próxima época. Quero começar o campeonato a ganhar (o que já não acontece desde 2004/05...), seja com Jorge Jesus ou outro treinador. Se for Jorge Jesus, acredito que com ele o Benfica vai, finalmente, acabar com esta malapata da 1ª jornada e assim lançar-se numa senda de vitórias. Se for outro, confio que será alguém com, pelo menos, igual capacidade para o fazer.

Renovação de Jorge Jesus? (Episódio II)

A pergunta que paira, e que já foi expressa no post anterior, é se Jorge Jesus deve ser julgado pelo trabalho que tem feito ao longo deste anos, em que conseguiu levar o Benfica a atingir níveis exibicionais que há muito não se viam com regularidade e contribuido para a revelação de grandes jogadores? Não nos esqueçamos que o Benfica começou esta época "condenado" a mais um fracasso, após as saídas de Witsel e Javi García...
Ou deverá Jorge Jesus ser julgado pelo facto de a equipa claudicar nos momentos decisivos, não raras vezes devido a opções tácticas discutíveis, misturadas com o desgaste físico de vários jogadores?

 

Um aspecto importante está em perceber se a equipa está com Jorge Jesus, questão tanto mais pertinente se tivermos em conta a miserável exibição do passsado Domingo e os incidentes no final do jogo.
Penso que esta última questão pode ser determinante e, pelos sintomas, sou levado a pensar que Jorge Jesus tem poucas condições para continuar.

 

É inegável o mérito de Jorge Jesus em trazer o Benfica de volta às grandes decisões, de forma sistemática, após 15 anos de travessia do deserto; com Jorge Jesus, o Benfica conseguiu transpor as dunas que constituem o último obstáculo antes de chegar à praia, onde acabamos por desfalecer... Caso fique, será capaz de levar o Benfica a ter a força necessária para fazer o "extra mile" que nos permita chegar ao mar do sucesso?

 

Por outro lado, caso não fique, é muito importante que a direcção tenha, desde já, opções estudadas para substituí-lo.
É muito importante que, caso Jesus saia, quem vier a seguir seja capaz de pegar na equipa e tirar partido de tudo o que de positivo foi alcançado sob o comando técnico daquele. O meu receio, e de muitos Benfiquistas, é que se Jorge Jesus sair contra os planos da direcção, que esta se precipite na contratação de um novo treinador que não seja capaz de pegar no trabalho desenvolvido sob o comando técnico de Jesus e assim corremos o risco de sermos atirados novamente para o meio do deserto...

 

No entanto, é à direcção do Benfica que cabe avaliar e decidir. Seja qual for a decisão, eu estarei sempre com o Benfica, pois o meu clube é o Benfica, não o treinador (nem a direcção).

 

Pessoalmente, entre manter um treinador que, apesar de ter falhado em momentos decisivos, tem conseguido levar a equipa a discutir regularmente esses momentos e que devolveu-lhe a competitividade perdida há vários anos, e contratar um treinador de forma não planeada, prefiro a primeira opção. A minha expectativa é de que consiga sempre fazer melhor...

Mas, como é óbvio, se a direcção já tiver planos para um novo treinador, capaz, por um lado, de trazer novas ideias e, ao mesmo tempo, valorizar os jogadores do plantel e capaz de pegar no trabalho positivo que foi desenvolvido ao longo destes últimos anos e introduzir as melhorias necessárias, terá o meu apoio. É sempre um risco, claro, mas se o Benfica se refugiasse em decisões conservadoras, nunca teria ido buscar Sven-Goran Eriksson em 1982.

Para além disso, é para absorver o trabalho da equipa técnica e manter a continuidade do mesmo, com novos elementos, que existe toda uma estrutura de dirigentes e técnicos.

Renovação de Jorge Jesus?

Confesso que me custa a entender a demora e o silêncio do Benfica nesta questão. Demora e silêncio devidos ao facto de isto ter sido mal feito à partida, ou seja, por esta altura, já o contrato de Jorge Jesus devia estar mais que assinado. E aqui reside para mim a chave da resposta à questão do título do post: se o processo tivesse sido bem conduzido desde o início, neste momento estaríamos dispostos a rescindir o contrato recentemente renovado com o Jesus? Se sim, não se renove; se não, renove-se. Tudo se resume a isto. É muito simples.

 

Custou-nos a todos (E DE QUE MANEIRA!) a derrota no Domingo. Não foi tanto a derrota em si, mas como ela aconteceu. Os jogadores do Benfica não respeitaram os adeptos e isso é imperdoável depois de tudo o que os adeptos apoiaram durante esta época, principalmente após o jogo em casa do CRAC e a final de Amesterdão. Se nós tivéssemos sido respeitados, era facílimo ter ganho a Taça: bastaria que a equipa mostrasse em campo tanta vontade de ganhar como o V. Guimarães. Como somos (muito) melhores, igualada a questão anímica, a nossa superioridade reflectir-se-ia inevitavelmente no resultado. A não ser que tivéssemos tido um novo azar aos 92' ou o Sr. Jorge Sousa a desequilibrar fortemente a balança (o que, de certa maneira aconteceu, mas depois da miserável exibição do Benfica, como a maioria de nós tem vergonha na cara, quase ninguém se atreve a falar do 1º golo deles em evidente fora-de-jogo).

 

Voltando à questão da renovação e utilizando uma comparação, o que está aqui em causa é o seguinte: nós fomos a um óptimo restaurante em que as entradas eram excepcionais, o prato principal maravilhoso, o vinho divinal e a sobremesa de chorar por mais, mas chega o café e é intragável. Conclusão: o restaurante presta, e havemos de lá voltar, ou não? Que peso devemos dar ao miserável café, que foi a última imagem com que ficámos do restaurante? Antes que me venham dizer que a comparação não é aplicável, porque o Benfica não ganhou nenhum dos dois títulos anteriores (portanto, a refeição não poderia ter sido boa), respondo perguntando quantas pessoas é que, antes de Domingo, não estavam a favor da renovação e depois mudaram de ideias? Ou fariam sempre depender a sua decisão de um jogo e uma exibição? Olha-se para a última árvore ou para a floresta toda?

 

A final da Taça foi um grande choque, mas é fundamental manter a cabeça fria. A (reprovável) atitude do Cardozo (aplique-se forte multa, mas qualquer punição superior a isso é um disparate tremendo; foi a quente e ele já veio pedir desculpas públicas) é sinal de que o Jesus perdeu o balneário? Uma atitude irreflectida de um jogador é sinal de alguma coisa mais profunda? Se sim, então quer dizer que a peitada do Luisão no início da época não foi uma casualidade (condenável), é?

 

Quem habitualmente me lê, sabe que eu não tenho problemas nenhuns em dar o braço a torcer. E até gosto se isso tiver sido bom para o Benfica. Não é preciso ir mais longe, no próprio caso do Jesus, por exemplo. Portanto, mantenho convictamente o que escrevi aqui: “independentemente do que suceda até final da temporada” queria dizer isso mesmo. Não é por um (péssimo, horrível, miserável, indecente) jogo (em que o Jesus também tem grandes culpas, quer na constituição inicial, quer nas substituições, mas principalmente por ter pensado que 1-0 era suficente) que eu vou mudar de ideias. Apesar de ser essa a última imagem que fica.

 

P.S. - Caso haja renovação, como espero, a principal consequência desse jogo será a margem de manobra do Jesus ficar reduzida ao mínimo na próxima época. E isso não é bom para ninguém. Mas, em certa medida, a margem também não era muito maior no início desta época e aconteceu o que aconteceu. Se o Benfica lhe providenciar, no mínimo, um médio que seja uma alternativa válida para o Matic e Enzo, e um defesa-esquerdo de raiz, talvez as coisas sejam mais fáceis... Por outro lado, e apesar de isso não dever DE FORMA ALGUMA influenciar a decisão, saberemos para onde irá o Jesus caso não renove. Acreditanto n' A Bola de hoje, achamos mesmo que será com o Paulo Fonseca ou o Rui Vitória (dois indiscutíveis bons treinadores, mas com o devido respeito entre o Benfica e o Paços ou o Guimarães vai um mundo de diferença) que poderemos fazer frente a uma equipa treinada pelo Jesus com a vantagem extra de poder ter defesas a jogar andebol na área, de ter os fiscais do Sr. Pedro Proença a “equivocarem-se” cirurgicamente (para haver este desfecho, foi uma pena a bola ao poste do James não ter entrado), ou mergulhos decisivos de um James qualquer a selarem campeonatos...? Poupem-me!

por S.L.B. às 10:45 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Domingo, 26.05.13

Merecidíssima

Derrota merecidíssima do Benfica na final da Taça de Portugal. Se no final do jogo de Amesterdão aplaudi a equipa pelo esforço, agora aponto-lhe o dedo por esta derrota. Hoje foram todos maus profissionais. Foi absolutamente vergonhosa a forma como se apresentaram na segunda parte, foi absolutamente vergonhosa a falta de empenho e o laxismo por parte de todos, provavelmente achando que o jogo estava ganho. O Guimarães não deixou de acreditar, e nem precisou de fazer grande coisa para dar a volta ao texto. Foi lá duas vezes e marcou duas vezes. Quanto a nós, parecemos fazer tudo - TUDO - o que estava ao nosso alcance para não ganhar este jogo. Fomos todos uma autêntica vergonha. E não me estou a referir apenas aos jogadores, incluo obviamente a equipa técnica nisto. André Almeida mais uma vez a lateral esquerdo porquê? Para ser um zero absoluto em termos atacantes, e pouco mais ter feito a defender? No lance do primeiro golo adversário (mesmo tendo sido obtido em fora-de-jogo) toda a gente no mundo - incluindo o avançado adversário - estava mesmo a ver que ele iria tomar a pior opção naquela situação, que era atrasar ao guarda-redes. E foi isso mesmo que ele fez.


E honestamente, o Artur pode ir dar uma volta e não regressar mais - que dê o lugar ao Oblak ou a qualquer outro que se vá contratar. Já não tenho a menor paciência para ele. Criticavam muito o Roberto, mas nestes dois anos que leva na Luz o Artur já deve ter acumulado mais falhas grosseiras do que o espanhol - no segundo golo do Guimarães acho que até um olmo conseguia reagir mais depressa e mergulhar para o relvado com maior vontade. Este ano as parvoíces do nosso guarda-redes custaram-nos apenas a Liga e a Taça.

por D`Arcy às 19:18 | link do post | comentar | ver comentários (137)
Sexta-feira, 24.05.13

Além do imediato

Nós, Benfica, perdemos o campeonato no final e a final da Liga Europa também no final. Para a história e estatística fica a frieza do registo e poucos se recordarão das circunstâncias de tais desfechos. Entre o azar, as falhas próprias e os méritos alheios ficou o testemunho de que a justiça não se compadece com o destino. Testemunhámos também que, para além da frieza dos números, há toda uma envolvência que, de forma estranha e praticamente inaudita, levou a que, mesmo no momento de dois duríssimos golpes, tivéssemos visto milhares e milhares de benfiquistas reagir à adversidade, amparando os seus atletas numa comunhão raramente vista nos momentos de ausência de vitória.

 

Confundir este amparo aos nossos com falta de exigência ou falta de ambição por parte dos benfiquistas é enviesar a leitura da realidade. Nenhum benfiquista se sentiu minimamente satisfeito com o desfecho da época. Todos os benfiquistas ambicionam muito mais do que o que colhemos da época que agora finda. No entanto, também foi notório que a família benfiquista soube reconhecer o empenho e o mérito do caminho percorrido pelos nossos futebolistas e por Jorge Jesus. Só assim se explica que a esmagadora maioria dos benfiquistas defenda a continuidade do treinador. Isto é muito estranho para a realidade do futebol português. É de tal forma inovador que deveria levar os opinadores que acusam os benfiquistas de falta de ambição a tentar ver para além da miopia do imediato. Se assim o fizessem, perceber-nos-iam, pois, pela primeira vez na história do nosso futebol, vemos uma massa adepta feita de milhões de pessoas a olhar para o futebol para além do óbvio. Ou seja, somos agora acusados por fazermos na prática o que esses teóricos andam a pedinchar há anos: termos cultura futebolística para perceber que o futebol não pode ignorar o resultado, mas que não se esgota nos números do mesmo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica", hoje, dia 20 de Maio, e que será publicado na edição de 24/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 21.05.13

O efeito Sousa

 

Há uns dias atrás (já depois da derrota com o FCP), num site de apostas muito conhecido, a vitória do Guimarães na final da Taça de Portugal tinha uma odd de 8€. Para os menos entendidos, isto significa que quem apostasse 1€ no Guimarães como vencedor da Taça recebia 8€. Hoje, por curiosidade, fui verificar qual era a odd após a nomeação do árbitro Jorge Sousa, e verifico que esta desceu de 8€ para 4,70€, ou seja, após a nomeação do árbitro ser pública, as hipóteses de o Guimarães ganhar a Taça quase duplicaram. Apesar de haver, certamente, muitos factores a influenciar as odds, este, o efeito Sousa, teve uma influência como eu nunca vi. Talvez as casas de apostas tenham percebido como funciona o desporto em Portugal.

Domingo, 19.05.13

Despedida

Vitória na despedida de um campeonato que deixa o sabor amargo de ter sido muito mal perdido. Voltámos a complicar desnecessariamente as coisas dando praticamente uma parte de avanço ao adversário, mas uma melhoria substancial na segunda parte chegou e sobrou para dar a volta ao marcador.

 

 

Estiveram mais de 50.000 pessoas na Luz este fim de tarde, mas acho que muito pouca gente teria grandes ilusões sobre o desfecho do campeonato. Já vemos futebol neste país há algumas décadas, e todos sabíamos perfeitamente que, de uma maneira ou de outra, o nosso adversário directo acabaria sempre por vencer na Mata Real (e os factos desse jogo encarregaram-se de comprovar isso mesmo). Infelizmente, os nossos jogadores também pareceram entrar em campo mais ou menos convencidos do mesmo. Só assim se explica a primeira parte muito pobre que nos ofereceram, jogada quase a passo e com muita falta de imaginação no ataque. Havia quem argumentasse que seria cansaço da final de Amesterdão, mas nunca acreditei nessa teoria do cansaço, e a segunda parte mostrou que a haver cansaço só se fosse na cabeça dos jogadores. O Benfica produziu muito pouco em termos ofensivos, e apesar do esforço por parte do Matic e do Pérez, os nossos dois avançados estiveram desinspiradíssimos (o Cardozo teve um falhanço inacreditável), e pelas alas o jogo era quase inexistente - principalmente pela esquerda, onde o André Almeida revelava naturais dificuldades devido à falta de pé esquerdo, e o Ola John produzia mais uma exibição ao nível daquelas com que nos tem presenteado neste final de época - perfeitamente apática. A defesa também pareceu intranquila, com os jogadores mais interessados em reclamar com a equipa de arbitragem (por vezes enquanto a jogada prosseguia). foi aliás assim mesmo que o Moreirense chegou à vantagem, perto do intervalo. Marcaram rapidamente um livre, e enquanto os centrais estavam entretidos a discutir com o auxiliar, pelo centro apareceu completamente solto o Vinícius para controlar a bola e bater o Artur. No último lance da primeira parte, uma reacção do Benfica, com o Lima a acertar no poste, deixava acreditar que as coisas poderiam mudar.

 

 

Era preciso melhorar bastante na segunda parte se queríamos pelo menos acabar o campeonato com uma vitória, e foi isso que aconteceu. Para tal ajudou bastante termos passado a contar com o Gaitán na esquerda do ataque em vez o Ola John, que apenas tinha feito figura de corpo presente. Ajudou também termos imprimido ao jogo um ritmo bastante superior ao da primeira parte, e que os nossos jogadores se tenham movimentado bastante mais, oferecendo soluções de passe aos colegas que tinham a bola, em vez de ficarem quase estáticos a olhar para eles - foi frequente vermos o Gaitán, por exemplo, aparecer no centro e até mesmo na direita. Com cinco minutos decorridos já o pé esquerdo do Gaitán fazia estragos, com um centro perfeito para a cabeçada certeira do Cardozo igualar o marcador. O jogo não teve qualquer comparação com a primeira parte pois o Benfica, ainda e sempre com o Pérez e o Matic a evidenciarem-se, esteve sempre muito por cima, remetendo o Moreirense para a sua área, e de lá só saindo quando tentavam algum pontapé longo para o Ghilas. As oportunidades começavam a suceder-se para o Benfica, e só mesmo com muito azar é que a vitória não acabaria por nos sorrir. O Salvio viu um cabeceamento seu ser defendido para o poste da baliza, o Cardozo voltou a falhar escandalosamente ao atirar por cima quando tinha a baliza escancarada, mas a dez minutos do fim o Lima finalmente colocou justiça no resultado - à segunda tentativa, pois o primeiro cabeceamento, após centro do Salvio, ainda foi defendido pelo guarda-redes. Já mesmo a acabar o jogo, o Lima fez o gosto ao pé pela segunda vez, na marcação de um penálti a punir uma 'defesa' de um jogador do Moreirense sobre a linha de golo (e que impediu assim um golo de calcanhar do mesmo Lima).

 

 

Os melhores do Benfica foram os suspeitos do costume, Enzo e Matic. Mesmo durante a péssima primeira parte que fizemos foram aqueles que mais se destacaram, e depois durante a segunda parte estiveram ainda melhor. Foram bem merecidos os aplausos que o estádio em peso dedicou ao Enzo quando foi substituído. O Gaitán também esteve em bom nível, e a sua entrada foi muito importante para darmos a volta ao jogo.

 

Foi assim o fim de um campeonato que deixa a sensação que merecíamos claramente conquistar, pois fomos a equipa que melhor futebol apresentou durante largos meses. Infelizmente falhámos quando não poderíamos falhar, e assim ficámos ao alcance de um lance fortuito que acabou por no-lo retirar. Agora teremos que esquecer isso e concentrarmo-nos no último jogo da época, porque há uma Taça de Portugal para conquistar.

por D`Arcy às 22:51 | link do post | comentar | ver comentários (83)
Quinta-feira, 16.05.13

INCOMENSURÁVEL ORGULHO!

Nota prévia: o processo de catarse do momento desportivamente mais doloroso da nossa história (ouvi hoje o Toni dizer que, em 34 anos de Benfica, nunca passou por nada assim) requeria que eu escrevesse qualquer coisa aqui na Tertúlia. Por norma, não gosto de repetir posts, mas desta vez teve mesmo de ser, porque infelizmente esgotei as poucas forças mentais que tinha noutro lado. A discrepância horária entre os dois textos deve-se ao facto de eu não gostar de canibalizar escritos dos meus companheiros e, portanto, o magnífico post abaixo do Carlos Miguel Silva merecia respirar o tempo devido.


Contexto: Este testamento foi escrito com o coração, depois de 2,5h de sono e com os olhos marejados a 10.000 m de altitude.

 

Perdemos com o Chelsea (1-2) na final da Liga Europa. Segundo alguém me disse, temos o indesejável recorde de sermos a equipa com mais finais europeias perdidas (sete). MAS (e as maiúsculas não são gralha) é uma terrível crueldade que seja apenas o resultado que fique para a História. Porque a história do que se passou no campo é completamente diferente: fomos melhores durante toda a partida, mostrámos mais vontade de ganhar e MERECÍAMOS ter ganho. Toda a gente reconhece isso. Desde o próprio Ramires, como amigos meus estrangeiros que me enviaram inesperadamente mensagens no final do jogo. Quem for honesto intelectualmente não pode deixar de o pensar (o que exclui imediatamente 95% de adeptos de um certo clube…). MERECÍAMOS ter ganho, estava eu a dizer, tanto os jogadores como os adeptos que, nas ruas de Amesterdão e nas bancadas do Amsterdam ArenA, deram uma demonstração inesquecível de benfiquismo e do que é AMAR um clube.

 

Se nós partimos para esta final na ressaca de uma derrota no antro com requintes de malvadez, o que dizer de, apenas quatro dias depois, perdermos novamente aos 92’?! Depois de uma 1ª parte completamente dominada por nós (somente com o aspecto negativo de revelarmos muita parcimónia na altura de rematar à baliza), o Chelsea adianta-se no marcador pelo Torres aos 60’, mas nós conseguimos igualar através de um penalty do grande Cardozo aos 68’. Aos 92’, quando eu vejo a bola em balão em câmara lenta na minha cabeça cabeceada pelo Ivanovic fazer um arco para dentro da nossa baliza, tive a mesma reacção que se tem ao ver um acontecimento inacreditável: fiquei estático, anestesiado, letárgico e sem querer acreditar no que estava a ver! A sério, não é possível!!! Ainda agora, 12 horas depois, custa-me a acreditar no que se passou: em somente quatro dias, nós perdemos uma final europeia e (muitíssimo provavelmente) o campeonato, de um modo mais do que injusto, através de golos no período de desconto! Nem nos nossos piores pesadelos, pensámos que isto fosse possível, muito menos em apenas quatro dias! Não me cansarei de repetir: QUATRO DIAS!!! (Por contraponto, haverá certamente muita gente vil, rasteira, baixa, reles, cuja inútil existência se alimenta somente do ódio a terceiros e que, no fundo, é um desperdício de matéria orgânica que nunca na vida terá tido um orgasmo tão bom.) Ninguém merece! NINGUÉM MERECE!!! Muito menos os bravos que estiveram em campo e os enormes bravos na bancada. A reacção dos adeptos do Benfica no final do jogo foi dos momentos em que mais orgulho tive de pertencer a esta família. Revelou GRANDEZA! Que é muito diferente de ser grande. Há quem diga que o é (grande, embora seja apenas regional), mas NUNCA na vida revelou Grandeza. E a sorte tem bafejado esses, numa demonstração clara para mim da inexistência de Deus (ou então, se Tu existes mesmo, podes ir para o raio que te parta, minha refinada besta!). E mesmo os (para aí) cinco adeptos desses clubes que se aproveitam, e não são ou escumalha ou acriticamente acéfalos, não mereceriam uma coisa destas. Quanto mais nós…!

 

Não tenho vergonha nenhuma de dizer que chorei no final do jogo. Não foram umas lagrimazitas, chorei mesmo. Não chorava com uma derrota do Benfica desde que os lagartos vieram ganhar à Luz na penúltima jornada da época 1985/86 oferecendo o campeonato ao CRAC. Tinha 10 anos. Mas ontem foi impossível conter-me por variadíssimas razões:

- Chorei de raiva por causa de duas injustiças seguidas do tamanho do mundo.

- Chorei, porque até poderíamos ter jogado mal e merecido perder. Porque poderíamos ter jogado assim-assim e o Chelsea ter sido mais eficaz. Mas não! Fomos melhores e fomos derrotados novamente no período de compensação!

- Chorei, porque depois de tudo o que fizemos esta época é inacreditável pensar que a poderemos terminar sem nenhum troféu ganho. (Quero acreditar que não, que a equipa vai dar a volta em termos psicológicos e derrotar o Guimarães na final da Taça).

- Chorei, por ter visto in loco o maravilhoso povo benfiquista a chegar a Amesterdão aos magotes, de todas as formas e feitios, para apoiar a equipa durante os 90’ como nunca me lembro de ter acontecido (é que não só não deve ter havido um único momento de pausa, como eu não me lembro de ter visto um jogo tantas vez de pé) e, não só a não ser recompensado com a vitória, como voltar a perder da mesma maneira de Sábado… (Já disse que ninguém merece isto?!)

- Chorei, por ver que a reacção dos jogadores no relvado assim que o árbitro apitou era igual à nossa.

- Chorei, porque nem na porra do último lance do jogo, já depois do 1-2, tivemos sorte no ressalto quando o Cardozo estava quase na cara do Cech.

- Chorei, porque se aquela final Man. Utd – Bayern da Liga dos Campeões jamais irá ser esquecida pelos adeptos do futebol, nós tivemos duas edições disso em apenas 96 horas!

- Chorei, porque sei que isto vai custar IMENSO a passar (nunca irá passar para mim…) e porque, 12 horas depois, a escrever esta crónica no avião de regresso a Lisboa, ainda tenho que fazer algumas pausas, porque o ecrã fica momentaneamente embaciado…

 

No entanto, podem perguntar-me se, mesmo que soubesse previamente o resultado e a forma como ele aconteceu, deixaria de fazer esta viagem? NUNCA na vida! Foi um orgulho ter estado presente num evento que fez transbordar a minha alma de benfiquismo. Para mim, o Benfica é isto! Onze jogadores em campo a dar esta vida e a outra para tentar ganhar um jogo. Nas bancadas haver um apoio incansável e os adeptos, apesar da derrota, tributarem a equipa do modo como o fizeram no final da partida. Eu não sou do Benfica, porque temos ganho muito ao longo da nossa história. Eu não quero ganhar sem olhar a meios (como outros…). A Grandeza de um clube não se mede só por vitórias. Mede-se também, e muito, no modo como se ganha e, sobretudo, como se perde. Ser magnânime é muito importante, porque isso revela a nossa condição humana e ultrapassa a fronteira estritamente desportiva (por exemplo, o facto de termos convidado para assistirem à final os dirigentes das equipas que eliminámos nesta inesquecível caminhada foi algo que me deixou tremendamente orgulhoso). O Benfica e os valores que o norteiam tornam-me uma melhor pessoa. Não tenho dúvidas nenhumas acerca disso.

 

Neste longo testamento, uma última palavra para os jogadores. Não vou destacar ninguém em particular. Houve uns que jogaram melhor do que outros, o que é normal. Mas estiveram TODOS à altura do acontecimento e todos honraram (e de que maneira!) o manto sagrado. E eu nunca vos peço mais do que isso. MUITO OBRIGADO a todos eles, na pessoa do grande capitão Luisão! É uma frase feita, da qual eu nem gosto muito, mas que aqui se exige: vocês são uns campeões e nunca esquecerei o quanto nos deram este ano! Pode não ser em títulos, mas em algo que, apesar de não poder ser contabilizado, é muito mais importante para mim: o facto de terem contribuído para o crescimento do (já ENORME) orgulho que eu tenho em ser benfiquista!

 

VIVA O BENFICA! Sempre.

 

P.S. – Este obrigado aos jogadores é naturalmente extensível à equipa técnica e a todos os dirigentes do Benfica que contribuíram para esta caminhada. E volto a repetir o que já disse aqui: se, por algum motivo (e quer ganhemos ou não a Taça de Portugal), o Jesus não continuar no Benfica (apesar das palavras do presidente, as declarações do próprio foram enigmáticas), será uma terrível perda para nós.

 

P.P.S. – Eu sou um gajo democrático e, por norma, aprovo todos os comentários. Entre seis milhões de adeptos, há espaço para muita gente. Mesmo para quem é idiota ou cega. Depois daquela demonstração de querer, categoria e crença de ontem, quem vier aqui dizer que estivemos mal, porque deveríamos ter feito isto ou aquilo, ou que o Jesus errou seja porque colocou aquele e não outro, como por dever ter optado pela táctica ‘x’ em vez da ‘y’, ou se insere na primeira categoria ou na segunda. As simple as that. É preferir olhar para um arbusto em vez de ser para a floresta inteira. Têm direito a tempo de antena, mas não esperem resposta da minha parte. Tenho mais que fazer e não quero ser batido em experiência…

por S.L.B. às 22:27 | link do post | comentar | ver comentários (27)

O Benfica na ponta dos dedos

 

 

Desde que acabou o jogo de ontem - durante a interminável viagem de volta e através da noite escura, assombrada e mal dormida – passei o tempo a tentar integrar isto (esta facada nas costas) que nos aconteceu na minha concepção do mundo, a tentar perceber como é que este pontapé do destino tem lugar no meu sistema de valores, na percepção que tenho das coisas, da existência, no sentido da vida. No fundo, sendo honesto, a tentar desesperadamente arranjar uma estrutura que alicerce uma forma de reacção a isto tudo, a esta dor, esta morte surda e injusta.

 

Percebo, envergonhado, que é uma perda de tempo: a resposta devia ser imediata e apenas não o foi por força do cansaço extremo da viagem a Amesterdão, do preço que isto teve no meu corpo, da dor aguda na alma que me tolda os sentidos e o discernimento.

 

A resposta é desarmantemente simples. Reage-se a isto da única forma que é fiel àquele momento cravado no tempo em 1904 que alumia (especialmente nos momentos mais negros), com uma chama imensa e pura, o caminho do Sport Lisboa e Benfica e dos Benfiquistas; da única forma que isto de ser do Benfica exige: levantamo-nos, sacudimos a poeira, olhamos para aquele símbolo imortal e honrado, amparamo-lo e abraçamo-lo por entre as lágrimas, e preparamo-nos, de cabeça erguida e com um orgulho inabalável, para a próxima luta. Não há - não há - outra forma de reagir que não nos atraiçoe naquilo que somos.

 

De ontem o que me fica, agora que as nuvens permitem ver algum sol, é Orgulho por pertencer a esta alma imensa. Orgulho por - como a imagem ilustra – ter lá estado literalmente a segurar o meu Benfica na ponta dos dedos.

 

Força, Benfica! Sempre, e para sempre.

 

 

Numa nota mais pessoal, também serviu, esta provação, para fazer uma filtragem muito útil e reveladora - que, percebo-o, urgia fazer - na minha teia de relacionamentos e amizades. As conclusões, na verdade (e digo-o, sinceramente, com o coração aquecido por isso), só vieram confirmar e vincar o que tenho tido para mim. Os meus melhores amigos – verdadeiros, do peito, aqueles que estão connosco sempre, que nos amparam – são os meus melhores amigos. Conhecem-me profundamente, sabem o que isto significou para mim, a dor que me dilacerou e me rasgou o peito, respeitam isso, respeitam-me, e ampararam-me e seguraram-me nas suas mãos. E falo aqui – além, obviamente, dos meus amigos, companheiros de sempre, que comigo fizeram a inesquecível viagem a Amesterdão - de amigos do Sporting e do Porto. Gente que me orgulha de uma forma que me comove. Os outros, os conhecimentos e os de ocasião que, não respeitando quem sou, desrespeitaram aquilo que é uma grande e indissociável parte de mim, em nome de um egoísmo e de uma mesquinhez demonstrativos da pequenez que os amordaça e que impossibilita que algum dia venham a ser meus amigos, digo-lhes adeus. Não preciso deles, não os quero.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 15:42 | link do post | comentar | ver comentários (34)

Orgulho

 

Acabado de chegar de Amesterdão, quero apenas escrever que sinto um enormíssimo orgulho na nossa equipa. O Benfica mostrou raça, crer e ambição. Os nossos jogadores deram tudo o que tinham, e alguns deles até devem ter ido encontrar forças extra onde não se pensaria que ainda existissem para tentarem conquistar este troféu. Fomos melhores durante praticamente todo o jogo, merecemos vencer, mas quis o destino que acabássemos premiados apenas com a sempre cruel e indesejada 'vitória moral'. Não é por isso que a nossa equipa merecerá da minha parte menos aplausos. Dói muito perder assim, mas saímos de Amesterdão de cabeça bem erguida. Fomos grandes dentro e fora do relvado. Viva o Benfica!

por D`Arcy às 04:34 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Segunda-feira, 13.05.13

Resiliência

“Murro no estômago”, “duro golpe”, “machadada na alma”… algures entre a frase feita e a metáfora de circunstância vai uma reles aproximação ao que senti (sentimos!) na noite de sábado. Sofrido o golpe, sinto que é imperioso reagir.

 

Pouco depois da meia-noite envio duas ‘sms’, carregadas de ânimo, para os benfiquistas que, sinto-o, mais sentiram aquela ignóbil injustiça disfarçada de azar. Pela manhã, bem cedo, passo pelo nosso Estádio, para tentar comprar bilhetes para a Final da Taça de Portugal. Já lá estão umas largas centenas de benfiquistas. Pouco tempo depois, são milhares os que tentam o lugar no Jamor. Houve quem, depois daquele fatídico minuto 92, tivesse passado toda a noite no Estádio à espera da abertura das bilheteiras. Muitos milhares aguentam estoicamente, ao Sol, seis a sete horas parados numa fila para poder ver o nosso Benfica na Final da Taça. Durante a espera, oiço vozes plurais que amaldiçoam a sorte, lamentam o sucedido, apontam responsabilidades, e todos olham em frente, de cabeça erguida, porque muitas batalhas há ainda para travar. Ver, sentir, ouvir aqueles milhares de benfiquistas a reagir ao infortúnio é, mais do que uma lição, uma constatação do que nos faz únicos.

 

Ao final da tarde vou ao pavilhão para ver o jogo de vólei que nos pode fazer campeões novamente (depois de nos obrigarem a “re-jogar” o campeonato ganho na semana anterior). Pavilhão com lotação esgotada, cânticos pelo Benfica, incentivo, sorrisos e, no final, festejou-se mais uma conquista para o nosso Benfica. Em pleno pavilhão, surge a resposta a uma das ‘sms’ que enviara na noite anterior. Reproduzo-a aqui sem identificar o emissor: «[…] Nenhum Benfiquista cai, porque o Benfica é Eterno e Glorioso, todos temos a responsabilidade de apoiar e andar de cabeça direita […] Temos de pensar já no próximo, que será sempre o mais importante, sempre com o pensamento na Vitória». Estas são palavras de um benfiquista e são exemplo de liderança.

 

O Benfica está vivo!

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica", hoje, dia 13 de Maio, e que será publicado na edição de 17/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 11:24 | link do post
Domingo, 12.05.13
Sábado, 11.05.13

Nada

Nada tenho a escrever sobre um jogo que me recusei a ver, e cujo resultado acabei de saber.

 

Este deverá acabar por ser, muito provavelmente, um dos campeonatos mais mal e injustamente perdidos da nossa história.

por D`Arcy às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (119)
Sexta-feira, 10.05.13

Somos Benfica

Somos da cepa de que somos feitos. Somos feitos de uma cepa que se habituou a conquistar o que a outros é oferecido. Somos de uma cepa que sabe na pele (e de que maneira!) que, independentemente do exagero do optimismo, só pode gritar “vitória” depois de a termos conquistado e nunca na véspera. Da mesma maneira, sabemos que derrotados de véspera são os fracos. E a única ‘fraqueza’ que admitimos no nosso ADN é aquela paixão incondicional pelo nosso Benfica.

 

Recentemente, em nossa casa, tivemos um duro revés ao empatar com o Estoril. Foi duro, passou e já é passado. O futuro diz-nos que as dificuldades aumentaram, mas o nosso ADN também nos diz que, independentemente das dificuldades, independentemente dos métodos “camorristas” que alguns utilizam até à banalidade, teremos de ser fiéis aos nossos princípios. Particularmente ao princípio que nos obriga a nunca desistir de lutar, nunca desistir de vencer, enquanto houver uma gota de sangue e outra de suor para misturar no vermelho da nossa camisola.

 

E nós, os adeptos (nós, o Benfica), temos de ser fiéis a um outro princípio fundador: aquele “E Pluribus Unum”, que nos diz diariamente que apenas unidos podemos ser “De muitos, um”, tem de ser vivido na plenitude com os nossos atletas. Isso de ser unido na antecâmera da vitória esperada é muito fácil e óbvio. Mas também sabemos que as coisas fáceis são para os outros e que as difíceis são para nós. Como tal, cabe-nos, agora, saber ser unidos no momento em que temos de encarar o futuro com os dentes cerrados e uma abnegação sem limites.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Maio e publicado na edição de 10/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quarta-feira, 08.05.13

Sábado a 33ª Estrela brilhará no nosso historial!

 Na 2ª Feira o Benfica empatou com o Estoril. A desilusão foi enorme para cada um de nós. O desânimo apoderou-se de todos, a chama imensa que alimentava a nossa alma perdeu parte do seu calor, parte da sua luz.

 

A minha pergunta é porquê?

 

O Benfica não tem equipa para ir ao Dragão ganhar e resolver de vez a questão do campeonato? Claro que tem!

 

Se nós adeptos, somos os primeiros a desanimar, a baixar os braços, a dizer perante os microfones das TV que “eles até nos comem “ como vamos querer que os nossos atletas tenham confiança que é possível! Como queremos que eles acreditem!

 

Todos temos de acreditar!

 

Temos de demonstrar em campo quem é e tem sido a melhor equipa.

 

Andam desde 2ª Feira a gozar connosco, com os nossos: “somos o Sporting do Peseiro”, dizem alguns,  “o Benfica mostrou não ter estofo” dizem outros. Os comentadores e jornalistas, já enaltecem o FCP, e embora não o digam com todas as letras, entre os seus dentes é dito, o Benfica não passa no Dragão e perde o título no Dragão!

 

O Benfica tem de ir para campo demonstrar aos Guedes, Vitor Pereiras, Pintos da Costa, Sousa Tavares desta vida e a todos os comentadores quem é a melhor equipa portuguesa da actualidade, e que nesta casa se ganha com brio e não à custa da fruta!

 

O Benfica tem de ir para dentro de campo mostrar que o jogo se decide depois do apito do árbitro e que o resultado não é decidido por decreto, nem por estatísticas.

 

O Benfica tem de arrumar em campo com a arrogância e a prepotência dos adeptos do FCP que andavam calados e de cabeça baixa e agora cantam de cabeça levantada como se fossem estes quem lideram.

 

O Benfica tem de lhes mostrar que jogar no Dragão para o Benfica é igual e a mesma coisa que jogar noutro campo qualquer, somos o Benfica, onde vamos é para ganhar!

 

O Benfica somos todos, a responsabilidade de Sábado não pode ficar apenas nos ombros dos nossos jogadores e do nosso treinador, a responsabilidade é nossa.

 

No Sábado temos que fazer com que a única Chama que se sinta, não seja a do Dragão mas sim a chama imensa que nos conquista!

 

No passado conseguimos, e em circunstâncias, em todo semelhante à que vivemos actualmente, como tal, no Presente, temos de acreditar que podemos voltar a fazê-lo!

 

Vamos Benfica, Sábado, uma nova estrela brilhará na nossa história.

 

Sábado a 33ª estrela brilhará  bem alto!

Terça-feira, 07.05.13

A semana ideal

Eu posso ter muito defeitos, mas há alguns ‘istas’ que eu felizmente não sou, no caso corrente, estalinista ou portista: quer isto dizer que não apago nem reescrevo a História. Vem este intróito a propósito de, por diversas razões (uma, duas, três, quatro, cinco e, principalmente, seis), me considerar absolutamente insuspeito para declarar o seguinte: no mais curto espaço de tempo durante esta semana, deveria ser formalizada a renovação do contrato do Jorge Jesus. O “só falta assinar” que referiu o Luís Filipe Vieira na entrevista à Benfica TV deveria rapidamente ser passado para o “já assinou”. Não tenho dúvidas que isto daria um óptimo sinal à equipa, ao próprio Jesus e também a todos nós nesta semana absolutamente decisiva para o nosso futuro imediato.

 

Mas vou ainda mais longe: independentemente do que suceda até final da temporada, repito, independentemente do que suceda até final da temporada, seria um enorme retrocesso se o Jorge Jesus não fosse o nosso treinador para a(s) próxima(s) época(s). Por várias razões:

 

1) Fazendo uma análise fria aos últimos três anos e onze meses, ganhámos até ao dia de hoje menos títulos do que desejaríamos, mas reduzimos significativamente a diferença em relação ao CRAC, que deixou de ter o campeonato ganho logo em Janeiro e agora tem concorrência a sério. Basta-nos sermos “concorrentes”? Claro que não! Mas se não tivéssemos encurtado distâncias, os títulos ficariam ainda mais longe (segunda metade dos anos 90 e primeira dos anos 2000, anyone?!)

 

2) Chegámos a 1 de Setembro de 2012 sem o meio-campo titular da época passada e a 7 de Maio de 2013 estamos na frente do campeonato com dois pontos de avanço a duas jornadas do fim, oito anos depois regressámos à final da Taça de Portugal e 23 anos depois voltámos a uma final europeia! Imaginem o que seria se, entre Javi García e Witsel, apenas um tivesse cá ficado…

 

3) Se no início desta temporada me dissessem que iríamos jogar a Bordeús nos oitavos-de-final de uma competição europeia com um quarteto defensivo formado por André Almeida, Jardel, Roderick e o avançado do Paços de Ferreira, Melgarejo, a defesa-esquerdo e ganhássemos o jogo, eu telefonaria imediatamente para o Júlio de Matos a denunciar o caso…

 

4) Melgarejo e Coentrão, de extremos a laterais (com o segundo a valer 30M€), Enzo Pérez, de extremo-direito a médio box-to-box, Di María, de “remate mais ridículo da história do futebol” a 33M€ para o Real Madrid, Witsel, de 6M€ a 40M€ em apenas uma temporada, André Almeida, do Benfica-Santa Clara a uma meia-final europeia como defesa-esquerdo também somente num ano, são tudo demasiados exemplos para serem apenas “coincidência”…

 

5) Se me dizem “está bem, mas o que interessa são títulos e, apesar de estarmos em três finais, não só não ganhámos nada, como ainda podemos perder tudo”, eu respondo “estou totalmente de acordo, mas tenho apenas duas palavras: Bayern e Heynckes”.

 

P.S. – Claro que, depois do modo como foi feita a renovação do Jorge Jesus logo a seguir a termos sido campeões, tendo o Benfica, nomadamente o seu presidente, criado as condições para que ele pudesse cumprir os quatro anos de contrato apesar de nem sempre ter conseguido atingir os objectivos propostos, e estando o país e a Europa no estado em que está, talvez fosse agora simpático da parte do Jorge Jesus, numa demonstração de boa vontade num futuro vínculo, valorizar mais os prémios por objectivos em detrimento do que recebe mensalmente.

por S.L.B. às 13:32 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Segunda-feira, 06.05.13

Estupidez

 

 

A um dos jogos mais importantes da época o Benfica respondeu com uma das piores exibições da mesma. Foi até pior do que o jogo em Moscovo, que na minha opinião tinha sido o pior da época até agora. Não conseguir vencer o Estoril em casa, perante um Estádio da Luz repleto, é estar a querer entregar o ouro ao bandido - literalmente. O jogo começou a fugir-nos com a lesão madrugadora do Enzo, que ainda se tornou mais dramática pela escolha do imbecil do Carlos Martins para ocupar o seu lugar. E uso o termo 'imbecil' porque, mesmo com a máxima contenção da minha parte, foi o termo mais meigo que me ocorreu. Já vi a minha dose de jogadores pouco inteligentes durante a minha vida, mas o Carlos Martins supera tudo e todos: é, indiscutívelmente, o jogador mais estúpido que eu alguma vez vi pisar um relvado de futebol. Imediatamente após a lesão do Enzo, o Estoril ganhou uma superioridade muito evidente na zona central do campo (e o jogo já não estava a ser propriamente brilhante até então), e a primeira parte do Benfica foi paupérrima, com muitos dos jogadores a aparentarem ressaca do jogo de quinta-feira passada - houve jogadores que estiveram quase irreconhecíveis, casos do Lima ou do Salvio, por exemplo.


A entrada para a segunda parte foi um bocadinho melhor, mas desperdiçámos as poucas oportunidades mais evidentes que conseguimos criar. E depois as coisas complicaram-se ainda mais quando o Artur sofreu um golo que, pelo menos visto da bancada, me pareceu inacreditável - um remate rasteiro num livre marcado sobre a linha lateral. O Benfica reagiu sobretudo com o coração, e conseguiu mesmo chegar ao empate, num pontapé de primeira do Maxi já dentro da área (o mesmo Maxi já tinha desperdiçado uma oportunidade flagrante no jogo, pouco antes do golo do Estoril, quando após ultrapassar o guarda-redes viu o seu remate interceptado por um defesa). Após o empate ainda havia bastante tempo para tentarmos o golo da vitória (contando com os descontos, quase meia hora), mas então entrou no jogo a imbecilidade do Carlos Martins, que em menos de dez minutos viu dois amarelos e foi expulso. Nada me garante que o Benfica conseguisse ganhar o jogo com o Carlos Martins em campo, até porque já estávamos a jogar suficientemente mal. Mas certamente que a expulsão não ajudou nada. Sinceramente, depois disso o que se viu pelo relvado da parte do Benfica não foi futebol. O Benfica, que já durante todo o jogo tinha tido problemas na zona central do meio campo, ficou a jogar apenas com o Matic nessa zona. Não percebi nem fiquei agradado com as opções do Jorge Jesus, que não colocou mais ninguém aí, e que minutos antes tinha feito sair o Melgarejo para colocar o Rodrigo em campo e deixar o Gaitán a fazer de lateral - isto quando o Carlitos já causava problemas suficientes mesmo com um lateral em campo. O que se viu até final foi uma equipa do Benfica a jogar de forma completamente anárquica, e que poderia ter sofrido mais um golo, caso o Estoril tivesse tido um pouco mais de cabeça.


Mais uma vez conseguimos complicar as coisas para nós próprios, e agora somos obrigados a não perder no antro da corrupção para manter viva a possibilidade de vencer o título. Era perfeitamente dispensável dar esta motivação extra aos nossos adversários. Por último, espero muito sinceramente que esta tenha sido a última vez que vi o Carlos Martins com a camisola do Benfica.


P.S.- Não tirem mensagens 'subliminares' deste post onde elas não existem. Sempre escrevi desta forma sobre os jogos do Benfica. Quando acho que jogámos mal, escrevo que jogámos mal. Quando acho um jogador faz asneira, escrevo que fez asneira. O mesmo se aplica ao treinador. Não foi por este jogo ou por este post que deixei de querer que o Jorge Jesus seja o nosso treinador, nem foi por isso que deixei de acreditar que vamos ser campeões. Vamos ao Porto para isso mesmo.

por D`Arcy às 22:54 | link do post | comentar | ver comentários (75)
Domingo, 05.05.13

Competência oral

Jogo: Nacional – CRAC

 

Facto: no início do período de compensação, os adeptos do Nacional começaram a gritar pelo Benfica e cantaram o “SLB, Glorioso SLB”.

 

Transcrição do comentário do Luís Freitas Lobo: “haverá muitas formas de apoiar uma equipa… [pausa] a sua equipa. Esta não é de certeza, na minha opinião, a melhor, seja ela [com ênfase] qual for. A melhor forma de os adeptos apoiar [sic] a sua equipa é gritar o nome da sua equipa.”

 

O grande Gwaihir já o adjectivou aqui, mas permito-me acrescentar o seguinte:

 

1) Fico contente por verificar que no Estádio da Madeira não existe aquela cera especial para os ouvidos que existe no estádio do CRAC, já que nas diversas vezes em que o Sr. Luís Freitas Lobo lá comentou jogos, nunca se lhe ouviu UMA ÚNICA palavra acerca da versão ordinária do “SLB, Glorioso SLB” que aquela reles escumalha canta cada vez que marca um golo. Como diria (com ênfase) o Sr. Luís Freitas Lobo, “seja em que jogo for”.

 

2) No entanto, por outro lado, há que reconhecer com frontalidade quando as coisas são bem feitas. Este comentário do Sr. Luís Freitas Lobo revela indiscutivelmente a sua competência. Não na análise de jogos (já que, por exemplo, a criatura continua a afirmar que o Ola John é extremo-direito de origem e rende mais no lado direito do que no esquerdo… I rest my case quando à sua suposta sapiência futebolística), mas noutra actividade particularmente cara a alguns dirigentes do CRAC. O que o Sr. Luís Freitas Lobo fez ontem foi um dos melhores e mais competentes fellatios que alguma vez já vi ser feito. Aparentemente a única diferença entre ele e a fruta para dormir, é que ele tem tempo de antena na televisão. Um conselho para o futuro: quando toda a gente se aperceber da sua terrível mediocridade na análise de jogos, pode sempre tentar uma carreira numa determinada indústria cinematográfica. Jeito para isso não lhe falta e poderá ser um sério candidato aos AVN Awards.

por S.L.B. às 12:00 | link do post | comentar | ver comentários (16)

Explicação para a “lógica”

Depois dos critérios enunciados pelo Benfica para a venda de bilhetes para a final da Liga Europa, impunha-se responder à pergunta que ficou neste post: seria obviamente ilógico que um sócio sem Red Pass que comprasse uma viagem para Amesterdão na “Benfica Viagens” tivesse o bilhete do jogo garantido. O Benfica decidiu dar primazia na aquisição de bilhetes aos sócios com os vários tipos de Red Pass em vez de dar aos pacotes da agência de viagens. É um critério certo, justo e lógico.

 

Não obstante isto, o que acho que poderia (e deveria) ter sido feito, para evitar as confusões de 6ª feira era a “Benfica Viagens” não ter pacotes de viagens disponíveis ANTES de o Benfica publicitar o critério da venda de bilhetes. Na prática, teria sido um adiamento de umas quantas (poucas) horas, que certamente não teria sido nada prejudicial à própria agência (dado que no início da tarde de 6ª feira, antes de se saber os critérios de venda, a ida e volta no mesmo dia custava 530€ e no final dessa mesma tarde, depois de ser conhecidos os critérios, já estava a 580€…).

por S.L.B. às 10:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 04.05.13

(Foi) Limpinho, limpinho

 

Suininho, suininho (e fotogénico).

 

 

Vendidinho, vendidinho.

 

 

Hipocritazinho, hipocritazinho.

por Carlos Miguel Silva (Gwaihir) às 22:55 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Finalmente!

 

 

Depois de várias épocas consecutivas a dominar do primeiro ao penúltimo dia para depois morrer sempre na praia, o nosso voleibol sagrou-se finalmente campeão nacional, apesar do imenso sofrimento que foi necessário. Viva o Benfica!

por D`Arcy às 20:34 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sexta-feira, 03.05.13

Garra, querer e ambição

Ontem todos fomos Benfica: com raça, querer e ambição. Sem o assobio idiota e o umbigo de alguns a querer sobrepor-se à vontade de uma esmagadora maioria. Fomos unidos com a equipa e entre nós. Só mantendo a mesma atitude, poderemos ajudar os nossos a conquistar para o Clube os títulos que ambicionamos. Isso e apenas isso importa, isso e penas isso é prioritário, tudo o resto é resto.

 

Na “final” da próxima segunda-feira, contra o Estoril, é essencial que estejamos exactamente com a mesma atitude com que estivemos ontem, na Luz. Com a garra, o querer, a ambição e também a humildade de quem sabe que ainda falta vencer as três competições que pretendemos conquistar.

 

(fotografia tirada ontem, no 3º Anel do nosso Estádio)

por Pedro F. Ferreira às 19:58 | link do post | comentar | ver comentários (10)

"Lógicas"

Há coisas que, sinceramente, gostava muito de perceber. Ora bem, no espaço comercial do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, há algo chamado "Loja do Sócio" que tem vários departamentos lá dentro, todos com a identificação "Benfica". Um deles é a "Benfica Viagens", que está a organizar viagens para Amesterdão para ir e vir no dia do jogo (como costuma fazer quando há jogos importantes das competições europeias, que justifiquem encher charters no próprio dia). Até aqui, tudo bem e tudo normal. O que é extraordinário é que, ao contrário do que é habitual, desta vez o bilhete do jogo não está garantido! Isto dito pela senhora da "Benfica Viagens". Nunca esteve incluído no preço de pacotes deste género, mas estava sempre garantido, como é óbvio. Mas não, desta vez, resolveu-se inovar ("foi o Benfica que assim decidiu", disse-me ela, acrecentando, "eu não sou do Benfica, sou da Benfica Viagens"). Concluindo: por absurdo que seja, pode haver pessoas que gastam mais de 500€ para ir a Amesterdão e não têm bilhete para ir ao jogo!

 

Dizem-me que a "Benfica Viagens" é a "Top Atlântico", mas chama-se "Benfica Viagens" por causa dos descontos que dá aos sócios do Benfica. Excuse me? Come again? Então é "Benfica Viagens", está na "Loja do Sócio" do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, mas no fundo não tem nada a ver com o Benfica, é isso? Que mal pergunte... então porquê o nome "Benfica Viagens"?! Alguma alma caridosa e inteligente me pode explicar isto?

por S.L.B. às 17:35 | link do post | comentar | ver comentários (7)

A matilha

A matilha ataca sem tréguas. Atiram os cães de fila para a linha da frente e, entre latidos e rosnados, deixam para trás os que vão uivando com a cauda a abanar na esperança de que o dono atire um ossito à rafeirada.

 

A matilha não perdoa, ladra incessantemente, desde há duas semanas, porque, ao contrário do que tem sido habitual nas últimas décadas, não têm encontrado diligentes moços de fretes prontos a entregar a encomenda dourada em tom de apito. Uivam com saudades dos que se vendiam em prostíbulos em troca de fruta para dormir ou conselhos matrimoniais.

 

A matilha não descansa e dá voz, na comunicação social, a rafeiros, rafeirotes e bicheza afim para enviar avisos velados e ameaças deslavadas aos próximos nomeados para arbitrar os jogos do Glorioso. Alguma rafeirada, mais refinada, esconde-se por baixo de uma aparente, e constantemente desmascarada, ideia de “independência” e “imparcialidade”, para lançar a suspeita cobarde e nojenta com a mesma desfaçatez com que cobardemente ajudaram, e ajudam, a encobrir três décadas de crimes de dourados apitos e bem menos douradas agressões chantagens e ameaças. Normalmente, esta frente da matilha tem direito a tempo de antena semanal sem direito a outro contraditório que não seja a sua própria contradição. Só espero sinceramente que os dirigentes do nosso clube não voltem a cometer o erro de dar direito a entrevistas exclusivas dos profissionais do nosso clube a alguns destes cães de fila.

 

Quanto aos hipócritas que falam em nome de uma verdade desportiva que conspurcam há três décadas só há um tratamento a dar: deixá-los ladrar enquanto a caravana passa em busca do 33º título de campeão.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Abril e publicado na edição de 03/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 15:15 | link do post

Lindo

Não havia outro desfecho possível. Vinte e três anos depois, o Benfica está de regresso a uma final de uma competição europeia. Trinta anos depois, a oportunidade para tentarmos vencer uma competição que, para os benfiquistas da minha geração, representou a primeira grande desilusão no futebol europeu (o golo do Shéu ao Anderlecht é daquelas imagens que nunca mais se apagou da minha memória - do do Lozano nem me lembro). E não havia outro desfecho possível porque o Benfica é simplesmente muito superior ao Fenerbahçe, e esta noite, mesmo contra uma arbitragem desastrada, contra um destino injusto que o obrigou a ter que correr ainda mais do que seria naturalmente necessário, impôs a sua superioridade num Estádio da Luz que não encheu (55.000 espectadores) mas esteve lindo, lindo e foi praticamente um exemplar décimo segundo jogador.

 

 

Talvez uma única meia-surpresa na equipa titular, onde o André Almeida surgiu na posição de lateral esquerdo. De resto, o onze esperado, com a dupla Cardozo/Lima na frente de ataque e o Gaitán teoricamente na esquerda, mas com liberdade para surgir frequentemente na zona central. Havia uma desvantagem de um golo para recuperar, e mal o apito inicial soou o Benfica meteu mãos à obra. Pareceu desde logo evidente que a estratégia do Fenerbahçe passava simplesmente por defender a magra vantagem obtida na primeira mão, mas face à forte pressão que o Benfica imediatamente exerceu e o ataque constante, tal estratégia parecia inevitavelmente condenada ao insucesso. E isso verificou-se rapidamente: foram oito os minutos durante os quais os turcos conseguiram segurar o nulo. Foi esse o tempo que passou até que o Lima se escapasse pela direita, e da linha de fundo fizesse um passe atrasado para a entrada do Gaitán, que de trivela e toda a elegância do mundo fez a bola ir embater no poste mais distante antes de entrar na baliza. Até esse momento, creio que os turcos nem sequer tinham ainda passado do meio campo, enquanto que o Benfica, por aquilo que tinha feito até então, já conseguia justificar o golo. Com a eliminatória empatada, era tempo de partir para o segundo golo, coisa que o Benfica fez imediatamente, pois não abrandou o ritmo com que tinha iniciado o jogo. Mas aos vinte e dois minutos veio o golpe injusto que poderia ter deitado tudo a perder. Na primeira vez que o Fenerbahçe desceu à nossa área, e num lance em que deveria ter sido assinalado um fora-de-jogo, o Garay acabou por jogar a bola com a mão e do respectivo penálti o Kuyt empatou o jogo, deixando ao Benfica a obrigação de ter que marcar mais dois golos se queria seguir para a final.

 

 

A injustiça deste resultado era grande. Percebeu-o o Estádio da Luz, que respondeu ao golo turco com gritos de 'Benfica! Benfica!' a incentivar a equipa, e de certeza que o perceberam também os nossos jogadores, cientes da sua superioridade. Nestes últimos tempos parece que anda muita gente interessada em fazer passar a mensagem de que a nossa equipa está de rastos e já pouco mais aguenta, mas se aquilo que eu vi hoje é uma equipa de rastos então não imagino como será quando está em plena forma física. Poucos minutos após o golo do empate já o Benfica estava novamente em cima do adversário, que foi remetido para junto da sua área e parecia feliz por se poder dedicar ao seu plano inicial de defender a vantagem e pouco mais fazer. O Benfica voltou a ameaçar pelo Cardozo, pelo Lima, pelo Gaitán e passada uma dúzia de minutos já estava de novo em vantagem no marcador. Na marcação de um livre a meio do meio campo o Enzo descobriu o Cardozo solto à entrada da área e colocou rapidamente a bola em jogo, para depois o Tacuara, em mais uma demonstração de qualidade técnica (tem sido um fartote nesta Liga Europa), simular com o direito, passar para o esquerdo, e rematar rasteiro para o fundo da baliza. E agora já só faltava mais um golo, que até poderia ter surgido ainda antes do intervalo, pois o Benfica manteve-se ao ataque e muito perto do final da primeira parte, após uma grande jogada do nosso ataque, viu o remate final do Matic passar pouco ao lado do poste da baliza turca, com o Freddy Mercury turco que defendia as redes do Fenerbahçe pregado ao chão.

 

 

Não surgiu o merecido terceiro golo na primeira parte, mas havia muita esperança que surgisse na segunda, até porque nada se alterou no pendor do jogo. Ainda e sempre o Benfica em ataque constante, mesmo que não no ritmo frenético que chegou a apresentar durante a primeira parte, e o Fenerbahçe remetido ao seu meio campo, completamente inofensivo no ataque. Mais ameaças do Benfica, mais asneiras da equipa de arbitragem francesa, que olimpicamente ignorava tudo o que se passasse dentro ou nas imediações da área turca (é incompreensível como um puxão ao Cardozo quase sobre a linha limite da área passou em branco). A lesão grave de um jogador turco, atingido na face por um pontapé do Gaitán, serviu para os turcos respirarem e pareceu adormecer um pouco o Benfica por alguns minutos, mas depressa voltou à carga e com efeito decisivo, pois chegou mesmo ao desejado e merecido terceiro golo. Depois de uma sequência de jogadas de insistência do Benfica, com vários cruzamentos e a bola a teimar em não sair de perto da área turca, o Benfica teve um lançamento de linha lateral do lado direito. O Salvio lançou, a bola sobrou para o Luisão, e o remate do nosso capitão foi desviado por um defesa adversário, o que fez a bola sobrar para o Cardozo. Solto na área, o Tacuara fez o que melhor sabe: recebeu com um toque e com um segundo atirou a contar e colocou finalmente o Benfica, com toda a justiça, na frente da eliminatória. Só depois disto é que o Fenerbahçe tentou reagir, mas acabou por mostrar sobretudo que não tinha mesmo um plano alternativo ao de defender a vantagem com unhas e dentes. Apostou cada vez mais no chuveirinho para a nossa área, mas apenas num remate com muito pouco ângulo obrigou o Artur a algum trabalho, não tendo conseguido criar uma verdadeira ocasião de perigo. A sensação era a que seria mesmo o Benfica, se forçasse um pouco mais, a poder voltar a marcar, e até vimos os franceses a negarem-nos um possível penálti por uma mão dentro da área. O sofrimento durante os longos cinco minutos de compensação (justificados) deveu-se apenas ao natural receio de algum lance fortuito que pudesse provocar a injustiça da nossa eliminação, mas o tempo decorreu sem sobressaltos até à explosão final de alegria, com o 'Ser Benfiquista' cantado a plenos pulmões.

 

 

O Cardozo tem que ser o homem do jogo, porque cumpriu o seu papel de matador e por duas vezes colocou a bola no fundo da baliza. Mas ao nível dele estiveram muitos outros. O Matic voltou a encher o campo. Aparece em todo o lado, a recuperar bolas, a empurrar a equipa para a frente e a organizar jogadas de ataque. O Luisão esteve imperial na defesa, e matou quase todas as jogadas de ataque do Fenerbahçe mesmo antes delas começarem. O Enzo, príncipe do nosso meio campo, deu mais uma demonstração de garra e querer, aliadas à qualidade técnica e perfeita disciplina táctica. O Gaitán espalhou classe pelo relvado, e o André Almeida mostrou outra vez que cumpre sempre que é chamado, seja onde for que o mandem jogar. Não atacou muito, mas não permitiu grandes veleidades ao Kuyt.

 

 

O director d'A Bola escreveu no dia seguinte à nossa vitória nos Barreiros este editorial: "Acabou o jogo da Madeira e, apesar da grande festa benfiquista, logo se percebeu: não dá para muito mais. Nem sequer dará para esconder as dificuldades. O Benfica chega a este momento final e crucial da época preso por arames." Espero que tenha visto esta noite o quão presa por arames a nossa equipa está. Espero que tenha visto o quanto não dá para mais. A nossa época joga-se agora numa mão-cheia de jogos. É o que falta para o final; é o que nos separa da glória. Vamos pensar neles um a um, conforme o temos sabido fazer tão bem até agora. Está na altura de pensar no Estoril para, vencendo, darmos mais um passo de gigante rumo ao título, podendo depois aproveitar a rara oportunidade de ter quase uma semana para descansar até ao jogo seguinte.

 

P.S.- Já agora, para os contabilistas encartados: Uma final europeia - Check!

por D`Arcy às 03:57 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Quinta-feira, 02.05.13

Sempre

por D`Arcy às 10:33 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quarta-feira, 01.05.13

Campanha

Quando a conferência de imprensa do Benfica de ontem já deu para que o director do Record admita que houve mesmo diferença de tratamento entre o Benfica e outros e nos faça um pedido de desculpas, então é porque pelo menos já serviu para abrir alguns olhos.

 

Quanto ao resto, aquilo que o João Gabriel ontem disse e mostrou não é nada de novo para todos nós, porque a referida campanha tem sido por demais evidente. Acho apenas piada que os nossos inimigos passem o tempo a denegrir, de forma cobarde e mentirosa, a época que o Benfica tem feito, e que quando o Benfica denuncia isso e apresenta factos, se mostrem subitamente invadidos de uma indignação puritana pelo 'baixo nível' utilizado pelo Benfica.

por D`Arcy às 14:40 | link do post | comentar | ver comentários (14)

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