VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 30.08.13

Entre linhas

Eu, leigo na matéria da leitura táctico-técnica das basculações ofensivas e outras ‘freitaslobices’ que tais, muito tenho ouvido os especialistas da dita perorarem sobre as dificuldades do nosso Benfica em jogar ofensivamente “entre linhas”. Aparentemente, do padecimento desta maleita resulta um cataclismo de muitas outras que leva a que especialistas em futebol perorem horas a fio.

Um dos antídotos para essa maleita parece estar a ser colocado em prática pelo FCP (o tal da “estrutura perfeita” a malhar também em delegados da Liga). A forma como o FCP joga ofensivamente entre as linhas defensivas do adversário parece-me ter ficado clara na última jornada da época passada (com o Paços de Ferreira), quando o solícito árbitro Hugo Miguel transformou tudo o que era espaço entre a linha de meio-campo e o começo da grande área em zona passível de grande penalidade a favor do clube das viagens Calheiros-Amorim. Deste tipo de aproveitamento do espaço “entre linhas” muitos se parecem ter aproveitado, inclusivamente, aquele que, à época, era treinador do Paços, uma vez que agora é ele quem beneficia da “inovação” táctica. Aliás, esse conceito táctico teve de tal forma o apoio, conivência e incentivo dos opinadores de serviço e de bolso que, logo na segunda jornada do actual campeonato (contra o Marítimo), o diligente árbitro Jorge Ferreira decidiu aproveitar o tal espaço “entre linhas” e marcar a grande penalidade da ordem a favor do clube que, a julgar pelas escutas do Apito Dourado, costuma dar essas ordens.

Assim, o conceito de jogar “entre linhas” ganha uma nova dimensão e quem estiver atento fica a saber que, para o clube da “estrutura perfeita”, jogar “entre linhas” é aplicar a táctica de beneficiar dentro das quatro linhas dos jogos feitos nas margens e à margem das ditas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Agosto, e publicado na edição de 30/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:00 | link do post
Quinta-feira, 29.08.13

Sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões

Vamos lá brincar novamente aos sorteios.

 

 

Pote “Este era o que eu queria”:

 

BENFICA

Schalke 04

Ajax

Áustria Viena

 

Temos contas a ajustar com os alemães, que parecem menos fortes do que no passado, e geralmente damo-nos bem com equipas holandesas, sendo Benfica - Ajax um clássico europeu. Com os austríacos, temos a obrigação de fazer seis pontos.

 

 

Pote “O 1º lugar é obrigatório”:

 

BENFICA

CSKA Moscovo

Basileia

Viktoria Plzen

 

Contra suíços e checos, é para fazer o mínimo de 10 pontos. Mais quatro frente aos russos e seremos cabeças-de-série nos oitavos.



Pote “E não querem que joguemos ao pé-coxinho para ser ainda mais difícil?”:

 

BENFICA

Atlético Madrid

Borrusia Dortmund

Nápoles

 

Sem comentários…

 

 

Pote “Se formos parar à Liga Europa, ao menos é com honra”:

 

BENFICA

AC Milan

Manchester City

Celtic

 

Três enchentes praticamente garantidas na Luz. E a possibilidade de nos vingarmos do que o Celtic nos fez no ano passado...

 

 

Estando nós no pote 1, uma não-qualificação para os oitavos seria sempre vista como um falhanço, a não ser que o sorteio seja mesmo muito difícil. É utópico pensar que podemos chegar à final em nossa casa, mas até porque o campeonato é a prioridade era bom que conseguíssemos a qualificação. A (conquista da) Liga Europa continua a ser um espinho na minha garganta, mas este ano é bom que fique em stand-by...

por S.L.B. às 13:29 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Domingo, 25.08.13

Tangente

Foi à tangente que o Benfica arrancou, já em período de descontos, uma vitória inteiramente merecida. O Gil Vicente nada fez durante os noventa minutos que justificasse merecer o que quer que fosse deste jogo, e caso a vitória tivesse fugido ao Benfica só poderíamos queixar-nos de nós próprios. É que o Gil Vicente limitou-se a entrar em campo e a ficar a ver-nos falhar, quer na defesa, quer no ataque. E foi por muito pouco que esta 'estratégia' não deu resultado.

 

 

Apenas uma das novas contratações no onze inicial: Cortez. A aposta para este jogo foi na dupla Lima/Rodrigo para o ataque, algo que, confesso, nunca me deixa particularmente convencido. Não tenho especial embirração com o facto de jogarmos com dois avançados, é apenas a coexistência destes dois jogadores no ataque que me costuma deixar pouco confortável. É 'mobilidade' a mais, e depois muitas vezes na altura certa não está nenhum deles no sítio onde queríamos que estivesse um avançado. O jogo foi aquilo a que já estamos todos habituados, com o Benfica a ter que assumir as despesas do jogo, e o Gil Vicente enfiado na defesa. Nestes jogos o problema costuma ser marcar o primeiro golo. Sabemos que quanto mais tempo ele demora a aparecer, maior é o nervosismo da nossa equipa, e maior é também a confiança do adversário. Mas esta tarde nem foi preciso o factor tempo para evidenciar o nervosismo. A sensação com que fiquei a ver o jogo é a de que a nossa equipa estava com uma enorme falta de confiança em si própria. Os jogadores falham recepções fáceis e deixam a bola fugir, falham oportunidades, ou quase nunca arriscam um passe de primeira, e no tempo que perdem a controlar a bola e a decidir é suficiente para a ocasião se perder, o colega ficar fora de jogo ou o adversário antecipar a jogada. O domínio do Benfica na primeira parte foi total, mas notei uma enorme desinspiração nos jogadores das alas, onde quem acabou por se evidenciar mais foi o Cortez, com várias iniciativas individuais no ataque. Desinspirado também esteve, e de que maneira, o Lima, que desperdiçou mais ocasiões de golo do que eu consegui contar, algumas delas clamorosas - em particular uma na fase final da primeira parte, altura em que o Benfica pressionou bastante e esteve sempre muito perto do golo. O mais perto que o Benfica esteve do golo foi num livre do Gaitán, que levou a bola ao poste, mas infelizmente o intervalo chegou mesmo com um nulo no marcador que era claramente lisonjeiro para o Gil Vicente.

 

 

Sem alterações na entrada para a segunda parte, o que vimos foi um Benfica para pior. Houve mais dificuldades em criar oportunidades de golo e menos velocidade no nosso jogo, pelo que o nulo continuava a arrastar-se penosamente no marcador. Com meia hora para jogar, o Salvio - que não esteve particularmente inspirado - deu o lugar ao Markovic, e o jogo do Benfica espevitou um pouco com a maior velocidade e mobilidade que ele trouxe ao jogo - até então o que víramos diversas vezes eram aquelas situações exasperantes em que um jogador conduz a bola e o resto dos colegas estão parados a olhar para ele, em vez de se movimentarem e criar linhas de passe. Foi a centro dele que o Luisão quase marcou de cabeça, e pouco depois foi o Rodrigo, também de cabeça, quem fez a bola passar muito perto da baliza. O Benfica estava agora melhor, e alguns minutos depois entraram o Djuricic (que eu, sinceramente, preferiria sempre ver jogar nas costas do avançado em vez do Rodrigo ou mesmo do Markovic) e o Sulejmani para os lugares do Rodrigo e do Gaitán, mas quase de seguida um erro grotesco do Maxi Pereira, que deixou fugir a bola ao tentar controlá-la, isolou um adversário na cara do Artur e o Gil Vicente apanhou-se a ganhar literalmente sem saber como. O Benfica tinha agora pela frente vinte minutos para tentar corrigir uma enorme injustiça, que no entanto era resultado apenas e só da sua própria incompetência. E o Benfica não baixou os braços, verdade seja dita, nem o público da Luz o fez, já que o apoio à equipa foi constante mesmo nestes momentos mais difíceis. A bola rondou sempre a baliza adversária, o golo ameaçou por mais do que uma vez, mas chegámos aos quatro minutos de compensação com o Benfica a perder. E de repente, tudo aconteceu. O Enzo foi por ali fora com a bola, entregou-a ao Djuricic à entrada da área, e este desmarcou o Markovic à sua esquerda - 1-1 aos 92 minutos. Bola a meio campo, o Luisão pressiona imediatamente no meio campo adversário (já andava a jogar a avançado), a bola acaba por sobrar para o Markovic, que anda ali a correr com ela quase de um lado ao outro do campo, deixa-a no Maxi na direita, segue ainda mais para a direita para o Sulejmani, centro largo, cabeça do Lima, e 2-1 quarenta e cinco segundos depois. Em menos de um minuto, o Benfica corrigiu mais de noventa de incompetência e falta de jeito.

 

 

Não houve exibições propriamente brilhantes hoje, mas julgo que o Cortez se exibiu a um nível agradável. Mesmo sem estarem nos seus melhores dias, é sempre difícil para mim não gostar de ver o Enzo, o Matic ou o Garay jogar. Os três sérvios que entraram acabaram por ser decisivos, pois estiveram envolvidos nos golos: o primeiro foi da autoria do Markovic, com assistência do Djuricic, e o Markovic também teve intervenção na jogada do segundo, com a assistência a sair dos pés do Sulejmani. Não tenho muitas dúvidas de que o Markovic deverá ser normalmente titular, e fará parte do onze ideal na cabeça do JJ, mas eu gostaria que o Djuricic fosse também uma aposta habitual para o onze. Sobretudo se a alternativa for colocar outro avançado nas costas do ponta-de-lança (ou mesmo o Markovic). O Lima esteve desastrosamente perdulário, e só se redimiu com o importante golo da vitória.

 

Desta vez o período de descontos não foi amaldiçoado para o Benfica. Espero que o que hoje se passou possa contribuir para afastar essa ideia da cabeça dos nossos jogadores. Espero também que esta reviravolta devolva confiança aos nossos jogadores, e a crença que parece andar alheada deles desde o último terrível final de época. Gostei de ver a forma como a equipa festejou os golos, e a reacção no final. Pelo menos deu-me confiança de que existe da parte dos jogadores vontade para inverter o clima negativo que parece afectar a equipa, e dissipou-me dúvidas sobre algum eventual afastamento entre a equipa e o treinador. Eu reconheço que valor não lhes falta, é preciso que acreditem em si mesmos e mostrem aquilo que valem.

por D`Arcy às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (63)
Sexta-feira, 23.08.13

Apocalípticos e preocupados

O campeonato começou da pior maneira possível, com uma derrota que calcou o sangue pisado das feridas não cicatrizadas do final da época passada. Dor em cima de dor, frustração a calcar frustração e montou-se imediatamente o auto de fé mediático em que, à vez, se pede a cabeça do treinador, do presidente, dos futebolistas do plantel, da “estrutura” e de quem mais estiver à mão de semear. Agora, é chegado o tempo do discurso do “eu bem disse” que alterna com o do “estava-se mesmo a ver”. Exige-se um sangue sacrificial para aplacar a ira. Percebo e partilho totalmente a preocupação perante a situação actual do nosso Benfica. Não estar preocupado com o presente do Benfica seria de uma insensatez imensa. No entanto, esta preocupação não pode nem deve dar lugar ao discurso apocalíptico de que o futuro está hipotecado e de que a única solução é a política de terra queimada. Esta visão apocalíptica conduz apenas à desesperança, à desunião e à derrota. Enfrentar o problema com preocupação e pragmatismo é a única solução. Quem toma decisões deve tomá-las de acordo com as suas convicções (não teimosias) e, se assim for, deve estar à altura das decisões tomadas. Uma decisão tomada em consciência é uma decisão honesta e perante uma decisão honesta não há muito espaço para o arrependimento. Podemos e devemos corrigir o rumo, se assim o entendermos. Recordo Raul Brandão como o homem que, olhando retrospectivamente para os enganos e desenganos da sua existência, assumiu que repetiria o calvário da vida sem lhe alterar o itinerário. Uma liderança deve ter esta grandeza e lealdade: saber que o passado não se pode mudar e que o futuro depende das respostas que hoje lhe consigamos dar. Para que se encontre uma solução, importa que as lideranças tenham um pensamento preocupado, mas nunca apocalíptico.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Agosto, e publicado na edição de 23/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 12:29 | link do post
Domingo, 18.08.13

Lento

E o péssimo hábito de começar mal o campeonato foi confirmado na Madeira. O Benfica a época passada perdeu um jogo em todo o campeonato, na penúltima jornada. Esta época temos o registo igualado à primeira jornada, depois de um jogo em que durante todo o tempo a única palavra que constantemente me vinha à cabeça para o descrever era 'lento'.

 

A surpresa maior no onze do Benfica foi a escolha feita para suprir a ausência do Salvio. A opção foi pelo Rúben Amorim no centro, com o Enzo a regressar à posição de extremo. Não resultou. Não só o Rúben não foi feliz no centro, como o Enzo pareceu passar ao lado do jogo durante a maior parte do tempo. Na defesa, as laterais fora ocupadas pelo Maxi (apesar do jogo pela selecção o ter feito regressar tarde) e pelo Cortez, e na frente o Djuricic foi o escolhido para apoiar o Lima, mas passou praticamente despercebido. O jogo foi exactamente aquilo que esperava. A iniciativa pertenceu quase sempre ao Benfica, com o Marítimo remetido à defesa, acumulando jogadores na imediação da área, e depois a tentar sempre sair rapidamente para o ataque com dois ou três jogadores sempre que a situação se proporcionava. Durante a primeira fase do jogo nem isso conseguiu fazer, porque o Benfica conseguia pressionar bem logo na saída da bola, e obrigava o Marítimo a optar por (maus) passes longos - foi preciso um mau atraso do Rúben, de mais de meio campo, que resultou em canto para que o Marítimo entrasse praticamente pela primeira vez no nosso meio campo. O maior problema da nossa equipa foi mesmo o que fazer com toda a posse de bola e domínio territorial. É que a sensação com que fiquei foi que no ataque, quase tudo foi lento e previsível. Voltou a notar-se, e muito, ausência do Salvio. Houve pouca objectividade, rematámos pouco, e vi tantos passes curtos entre os nossos jogadores sem progressão ou um objectivo concreto que fiquei irritado. Depois, como acontece quase sempre nestas situações, o adversário vai á frente um punhado de vezes com objectividade e marca. Foi o que nos aconteceu na jogada final da primeira parte, com o Artur a derrubar o avançado do Marítimo e o golo a surgir do respectivo penálti.

 

Na segunda parte esperava a entrada de um jogador para a direita e a saída do Amorim, com o regresso do Enzo ao centro. Isto aconteceu, embora tenha entrado o Ola John e não o Sulejmani, que seria quem eu esperava. Não foi também uma surpresa a saída do Djuricic, que esteve bastante apagado durante a primeira parte. A aposta foi num segundo avançado, com a entrada do Rodrigo, e deu resultados imediatos, já pouco depois do início da segunda parte aproveitámos um mau atraso de um defesa do Marítimo, e o Lima assistiu o Rodrigo para o golo do empate. Motivado pelo golo, o Benfica até fez uma segunda parte um pouco melhor do que a primeira. Pelo menos pareceu-me haver um pouco mais de velocidade e rematou-se mais, com o jogo no entanto a continuar mais ou menos na mesma toada, em que o Benfica dispunha de mais posse de bola mas não encontrava arte nem engenho para bater a organização defensiva do Marítimo, sempre com muita gente a proteger a sua baliza. Depois foi mais uma vez o repetir da história tantas vezes vista. Uma perda de bola no ataque, um contra-ataque rápido pela direita, a aproveitar o adiantamento do Maxi, e um cruzamento a resultar no golo do Marítimo, que acabou por significar a nossa derrota. Faltavam pouco mais de dez minutos para o final, e se o Benfica já pouca inspiração tinha mostrado no ataque até então, ainda menos mostrou a partir daí, tentando chegar ao golo de forma precipitada e pouco organizada.

 

Não consigo escolher um destaque na nossa equipa, que se pautou pela mediania. Estava a gostar do jogo do Garay, mas a verdade é que voltámos a sofrer golos, e logo dois. No geral, pareceu-me haver demasiada confusão no meio campo, muita parcimónia no momento de decisão, e demasiada lentidão e falta de inspiração no ataque.

 

Se o momento já era complicado para o nosso treinador, depois deste resultado as coisas serão muito piores. O ambiente em redor da equipa estará cada vez mais negativo, e agora não faltará gente a apontar dedos que 'já sabia', que 'já tinha avisado' e que 'já adivinhava', enquanto esfregam as mãos num masoquismo para mim desconcertante. Mas a verdade é que o momento agora é deles, e as críticas não são infundadas. A nossa equipa voltou a mostrar os defeitos que já tinha mostrado em jogos recentes, e perdeu este jogo por culpa exclusivamente sua, da forma mais previsível possível. Todas as equipas jogam da mesma forma contra o Benfica. Se não conseguimos arranjar forma de contrariar isto, então a culpa é toda nossa.

por D`Arcy às 19:45 | link do post | comentar | ver comentários (133)
Quinta-feira, 15.08.13

Início

Amanhã é dado o pontapé de saída para mais uma edição da Liga Portuguesa.  Depois de termos perdido a última edição da mesma nos descontos de um jogo na penúltima jornada, espero que possamos fazer melhor este ano. A equipa base é praticamente a mesma (a única 'saída' foi o Cardozo) e parece-me que temos este ano bastantes mais opções no plantel, com alguns reforços de qualidade. Tendo em conta a enorme superioridade que o Benfica mostrou a época passada sobre quase todos os competidores da Liga, sendo apenas acompanhado pelo Porto, não vejo muitos motivos para pensar que este ano as coisas devam ser muito diferentes.

 

O ambiente em redor da equipa está longe de ser o ideal - para o qual deve ter contribuido, sem dúvida, a pré-época mais fraca da era JJ - e também por isso torna-se ainda mais importante começar bem, isto quando sabemos que temos um início de campeonato relativamente complicado. Este domingo, nos Barreiros, não creio que vejamos um onze do Benfica muito diferente daquele a que nos habituámos o ano passado. Espero alterações nas laterais (Sílvio e Cortez) e na frente esperaria ver o Markovic a jogar mais próximo do Lima, mas com a lesão dele ao serviço da selecção fico na expectativa para ver se joga o Djuricic (a minha preferência) ou se avança o Rodrigo e jogamos com dois avançados puros. Contra nós temos esta péssima tradição recente de não ganhar na primeira jornada (desde 2004 que isso acontece), mas tenho esperança de que o nosso historial positivo na Madeira seja mais forte e ajude a quebrar este mau hábito. Creio que a maioria dos benfiquistas estará a torcer por uma entrada de pé direito na Liga.

por D`Arcy às 23:26 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Domingo, 11.08.13

Nos intervalos da chuva

Azafama-se o futebol português em dissertações acerca do Cardozo. Se fica, se vai, se fica chateadinho ou vai satisfeitinho, se é um selo do apocalipse ou talvez não. Enquanto a turba se entretém nisso, esquecem-se os especialistas em futebol português e em “estruturas” (um dia alguém chegará à conclusão de que em Portugal a “estrutura perfeita” e o “sistema” são vocábulos do campo semântico da dourada corrupção – mas isso são outros quinhentinhos) de que o submundo da arbitragem (aquela gente que passa a vida a martelar as classificações dos clubes) se insurgiu contra o facto de eles próprios terem sido alvo de mais uma época de classificações marteladas. Ou seja, há pouco mais de quinze dias, Vítor Pereira confirmou, sem corar de vergonha, que não foi a Comissão de Classificações da arbitragem a classificar os árbitros. Foi “alguém” institucionalmente acima do Conselho de Arbitragem e da Comissão de Classificações. Os árbitros protestaram contra esta “martelada” aparentemente legal. Foram muitos anos a viver e a serem promovidos e despromovidos com classificações urdidas em lupanares e cimentadas com trocas de favores e compadrios. Desta vez, a marosca fora mais longe, deram-lhe um ar sério. Assim não. Gritaram, protestaram, ameaçaram e conseguiram que a “martelada” se transformasse numa “chapelada”. Aparentemente garantiram que a sua carreira durará mais cinco anos e que passarão a ser profissionais da coisa. A profissionalização é apresentada como a solução para todos os males de que enfermam. É como se alguém dissesse que a solução para a prostituição passaria pela obrigação da emissão de facturas pelo serviço prestado. Bem vistas as coisas, e como sabe qualquer Nandinho das Facturas, estas coisas até andam ligadas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 06 de Agosto, e publicado na edição de 09/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 03:45 | link do post
Sexta-feira, 09.08.13

Napoli

Um treino útil, mas mais uma vez sem grandes motivos para entusiasmo. Gostei sobretudo dos primeiros vinte minutos da segunda parte, que acabaram por ser interrompidos pelo segundo golo do Nápoles, numa jogada na qual, tal como contra o São Paulo, o elemento novo da defesa se esqueceu de acompanhar devidamente a subida dos centrais após um canto. O nosso golo foi marcado pelo Luisão naquele que terá sido o único livre lateral, dos vários de que dispusemos, que foi bem marcado. Gostei dos poucos minutos em que o Djuricic esteve em campo.

por D`Arcy às 22:11 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Quarta-feira, 07.08.13

Reintegração

A notícia, em termos puramente desportivos, é a melhor para o Benfica. Pena que não tivesse já acontecido mais cedo - ou houve falta de vontade da parte do Benfica para que isso acontecesse, porque desejava vender o jogador, ou então da parte do Cardozo e do seu empresário, porque desejavam ir para outras paragens mais abastadas (provavelmente foi uma mistura das duas coisas).

 

Face ao que já escrevi sobre o assunto, mantenho as minhas dúvidas sobre se globalmente será positiva esta reintegração. Não sei até que ponto as coisas conseguirão ser realmente ultrapassadas, e tudo voltará à normalidade - eu duvido que isto possa acontecer, e continuo a pensar que preferia que o Cardozo fosse vendido. Resta-me desejar apenas que os envolvidos façam apelo a todo o seu profissionalismo, para bem do Benfica. Tenho esperança que isto seja possível. E espero também que, se alguma coisa correr mal, aqueles que nos últimos dias choraram lágrimas de crocodilo pelo Cardozo não sejam os primeiros a apontar dedos a esta reintegração como causa directa para isso. Que isto seja possível é que já não tenho esperança nenhuma, portanto o que espero mesmo é que nada corra mal.

por D`Arcy às 22:28 | link do post | comentar | ver comentários (39)
Segunda-feira, 05.08.13

Casos

Em vez de estar a responder nas caixas de comentários, deixo aqui a minha opinião sobre os dois 'casos' que nos têm agitado nas últimas semanas:

 

Caso Roberto: o comportamento que me parece claramente criticável por parte da administração da SAD foi o de não ter comunicado a 'recuperação' do Roberto. Parece-me uma omissão grave. O processo em si não me parece muito estranho: a partir do momento em que ele não foi pago, o Benfica voltou a ficar com o jogador. É mais ou menos como se eu comprasse uma casa e deixasse de pagar as prestações ao banco. Até que eu acabe de pagar a casa, a casa efectivamente pertence ao banco, e se eu deixar de pagar as prestações, o banco vai reavê-la. Uma vez na posse do passe do Roberto novamente, este foi trocado por 50% do passe do Pizzi, tendo sido avaliado em 6M. Também não me parece um processo estranho. Volto a dizer: na minha opinião, o erro grave da SAD neste processo todo foi não ter comunicado a falta de pagamento por parte da sociedade que tinha comprado o Roberto, e como consequência ter decidido reaver o jogador. Admito que possa ser apenas uma visão simplista da coisa, mas confesso que dada a quantidade de ruído que tem sido feito à volta do caso não me tenho interessado em ler muito mais sobre o assunto. Pelo que vi, os próprios Relatórios e Contas da SAD mencionaram sempre que a dívida se mantinha, e nunca que o dinheiro tinha sido pago, pelo que não me parece ter havido alguma incorrecção nesse aspecto particular. Se alguém tem dados mais concretos, gostarei muito de ser esclarecido.

Em relação ao Cardozo, não vejo 'caso' nenhum. A única coisa que me está a irritar é mesmo a demora em vendê-lo de uma vez por todas. O Cardozo fez o que fez, foi-lhe instaurado um processo disciplinar, e nessas condições acho normalíssimo que esteja impedido de frequentar as instalações do clube, por mais que ele agora se tente vitimizar. E apesar de ser fã do Cardozo, como é fácil de constatar por tudo o que tenho escrito ao longo dos anos (não sou daqueles que passaram estes anos todos a dizer que ele é lento, que só sabe marcar golos, e que o assobiavam constantemente e agora de repente parece que se perderam de amores pelo homem), a minha opinião é clara: o Cardozo não deve continuar no Benfica. Para mim nem se trata de uma questão 'JJ ou Cardozo'. Mesmo que o JJ não tivesse continuado, continuaria a defender que o Cardozo não poderia continuar no Benfica. O que ele fez foi uma falha disciplinar gravíssima. Ele não desrespeitou o JJ; ele, sendo jogador profissional de futebol do Benfica, desrespeitou o cargo de treinador do Benfica, em público, e ainda um colega de equipa, acto que já deu para perceber que caiu muito mal dentro do balneário (e que suspeito não será de todo alheio ao facto do jogador em questão ter jogado na posição do seu compatriota e amigo Melgarejo). E isso para mim é imperdoável. Não é com multas que se resolve esta situação. A ser permitida a continuidade do Cardozo, consideraria isso uma falha muito grave de gestão humana e de liderança por parte da direcção.

por D`Arcy às 17:02 | link do post | comentar | ver comentários (44)
Sábado, 03.08.13

Eusébio Cup

Primeira parte de domínio no jogo por parte do Benfica, com imensa posse de bola mas muito pouca objectividade no ataque, onde se notou em demasia a ausência do Salvio. Para a segunda parte o nosso treinador resolveu apostar em dois avançados, trocando o Djuricic pelo Rodrigo. Coincidência ou não, o São Paulo teve um início bastante forte, o Benfica perdeu o domínio do jogo, e sem os pruridos do Benfica na hora de atirar à baliza fez dois golos em pouco mais de um quarto de hora. Depois, nos minutos finais, regressou à atitude da primeira parte, e não teve grandes dificuldades em manter o resultado até final, garantindo a vitória.

por D`Arcy às 22:09 | link do post | comentar | ver comentários (42)
Sexta-feira, 02.08.13

O Presidente Fernando Martins

Fernando Martins é o primeiro presidente do Benfica de que, efectivamente, me recordo. Foi o homem que presidiu o Benfica durante grande parte da minha adolescência. Durante aquela época em que começamos a ganhar consciência e sentido crítico.

A imagem que guardo de Fernando Martins é a de um presidente determinado, um homem que liderava de acordo com as suas convicções e de poucas cedências ao caminho mais fácil, mais popular e mais óbvio. Recordo que durante o seu mandato saiu o Chalana para o Bordéus e os benfiquistas gritaram “aqui d’el Rei” que isto não pode ser. Recordo que, além do Chalana, o Filipovic e o João Alves também saíram e que se dizia à boca cheia que o nosso Benfica precisava de jogadores e não de sacos de cimento para fechar o mítico Terceiro Anel. É impossível esquecer o quão ofendido foi Fernando Martins depois do famosos 7-1 de Alvalade. Já depois de ter terminado o consulado, Fernando Martins continuou a ser criticado por dar a mão a gente que tudo fazia para, à margem da lei, derrotar o Benfica. Da mesma forma que é impossível não recordar que Fernando Martins fazia questão de lembrar aos benfiquistas, que o criticavam no calor da paixão e da emoção imediata, que era importante não ser míope e perceber que os jogadores passam e a obra fica. Da mesma forma que recordo a lição que nos dava quando dizia que preferia abdicar de um jogador “vedeta” do que assumir compromissos individuais que, para serem cumpridos, comprometeriam o bem comum. Da mesma forma que, até ao fim, se mostrou intransigente na escolha das suas companhias, independentemente de serem mais ou menos agradáveis à opinião pública benfiquista.

Ou seja, o que Fernando Martins nos deixou como herança foi o testemunho de que quem lidera o deve fazer de acordo com as suas convicções e nunca ao sabor dos ventos e das paixões de momento. Se assim não fosse, não teria deixado obra feita, não teria deixado a vincada marca que deixou no nosso Benfica e à qual ninguém pode ser indiferente.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Julho, e publicado na edição de 02/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post

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