VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 28.09.13

Vergonhoso

Exibição verdadeiramente miserável e resultado a condizer: dois pontos deitados fora contra uma das piores equipas da Liga (se não a pior mesmo). Não foi apenas a pior exibição do Benfica esta época; deve ter sido a pior exibição do Benfica dos últimos anos, porque há muito, muito tempo que não me lembro de ver a minha equipa produzir tão pouco e, pior ainda do que isso, com tão pouca vontade de fazer mais. Tudo hoje - a exibição, a atitude e o resultado - foi simplesmente vergonhoso.

 

 

Três alterações no onze: o inevitável regresso aos dois avançados, com a entrada do Lima, e mudanças nas laterais da defesa, onde regressaram o Maxi e o Cortez. O Benfica até entrou bem no jogo. A jogar abertamente ao ataque, em pressão constante sobre o adversário, remetendo-o bem para dentro do seu meio campo, e conseguindo vários remates e cantos quase consecutivos. O resultado disso foi o golo do Cardozo, decorrido o primeiro quarto de hora, num cabeceamento após cruzamento do Lima na esquerda. E depois disto... nada. O jogo praticamente acabou para o Benfica nesse preciso instante. Não sei se se convenceram que o mais difícil estava feito, e que já nem seria necessário esforçarem-se muito, mas eu não consigo mesmo lembrar-me de mais nada de positivo que tenhamos feito durante todo o resto do jogo. Claro que o Belenenses agradeceu e apareceu finalmente no jogo, mesmo que sem ameaçar grande coisa porque, convenhamos, eles são mesmo muito maus. Mas à meia hora de jogo tiveram um canto, a bola foi para a área e o Garay, o Fejsa e o Cortez ficaram a olhar uns para os outros enquanto um adversário cabeceava para o golo no meio deles. O pior de tudo nem foi o empate, foi perceber logo naquela altura, quando ainda teríamos mais de uma hora para jogar, que perante a atitude que a equipa vinha mostrando só muito dificilmente acabaríamos por ganhar o jogo. A (não) reacção ao golo sofrido encarregou-se de confirmar esta perspectiva nada agradável.

 

Para a segunda parte veio o regressado Gaitán no lugar do Markovic (novo jogo para esquecer), mas nada mudou. O Benfica simplesmente esqueceu-se de como jogar futebol. Uma lentidão irritante e uma falta de ideias exasperante foi tudo o que vi. Quase nunca conseguimos ganhar a linha para fazer um cruzamento, e andámos imenso tempo a trocar a bola aparentemente sem objectivo entre os nossos jogadores. Quando nos aproximávamos da área, sem ideias sobre o que fazer, a bola lá voltava para trás e viajava da direita para a esquerda e vice-versa, sem progressão ou sem que algum jogador quisesse arriscar um cruzamento ou um remate. Foi confrangedor ver a incapacidade gritante que tivemos para criar ocasiões de golo. E quando perdíamos a bola, a equipa ficava partida ao meio porque os jogadores da frente recuavam a passo e nem lutavam pela recuperação - o mais grave é que comecei a ver este comportamento ainda durante a primeira parte. O Belenenses lá foi fazendo o seu trabalho, a queimar tempo simulando lesões ou retardando as reposições da bola em jogo o mais que podia. De resto, bastava manter os jogadores acumulados nas imediações da sua área para ir aliviando as bolas que o Benfica, com o passar do tempo, ia despejando cada vez mais para essa zona com muito pouco nexo. O empate acaba por ser um resultado óbvio para tão pobre exibição, e só não foi pior porque, repito, o Belenenses é mesmo muito mau. Pelo menos os fanáticos da estatística da 'posse de bola' devem estar contentes hoje - não vi os números, mas devemos ter arrasado nesse capítulo. Não fizemos nada com a bola, mas fartámo-nos de ter posse. Aliás, devemos ter dominado tudo o que é estatística. Assim é que é bonito.

 

Não consigo - é mesmo impossível - encontrar algum destaque neste jogo. A maioria dos jogadores até parecia estar cansada, ou apática e sem vontade de jogar. O Matic parece que após avançar no terreno se está a transformar num jogador banal. O Lima tem sido uma lástima esta época, e hoje voltou a fazer um jogo inacreditavelmente mau, salvando-se apenas pelo cruzamento para o golo. Menciono estes apenas por ser notória a diferença para aquilo que sabemos que podem produzir, não porque ache que tenham estado piores do que os colegas hoje.

 

Espero que na próxima quarta-feira, em Paris, a nossa equipa jogue muito bem, faça um brilharete, e que com isso os nossos jogadores ou técnicos possam aspirar a um bom contrato ou uma transferência interessante. Têm toda a probabilidade de o conseguir; afinal de contas, hoje passaram oitenta minutos a descansar. Por mim, podem meter a Champions num certo sítio. Estou-me positivamente nas tintas (já o disse no passado e vou continuar sempre a dizer o mesmo) para a Champions, e provavelmente nem me incomodarei a ver o jogo. É uma prova de que não gosto e que, na minha opinião, só serve sempre para atrapalhar o campeonato. Sobretudo quando o profissionalismo parece escassear.

por D`Arcy às 22:49 | link do post | comentar | ver comentários (66)
Sexta-feira, 27.09.13

Regresso à normalidade

"Regresso à normalidade na Invicta" é o título da crónica do zerozero sobre o primeiro jogo desta jornada. É um título lúcido, de quem conhecerá bem o campeonato português. Na semana passada, o Estoril foi ousado, atreveu-se a jogar futebol contra o FCP, uma anormalidade corrigida esta semana pelo Guimarães, que viu o Abdoulaye deparar-se com problemas físicos assim que chega ao recinto do clube com que tem contrato (vale a pena ver e rever a expressão facial do Rui Vitória quando confrontado, na flash interview e na conferência, com a pergunta sobre a ausência do jogador, e vale a pena ouvir o discurso que ele trazia ensaiado e que repete duas vezes ipsis verbis). Na semana passada, um árbitro enganou-se contra o FCP, uma anormalidade ainda maior, que muito rapidamente foi corrigida pela nomeação do solícito Pedro Proença, que, na segunda parte, marca o golo da vitória do FCP (e o Rui Vitória, treinador do Guimarães, recorde-se, considera-o "o melhor do mundo"). Na semana passada, o treinador do FCP ainda não tinha saído do relvado e já tinha visto as imagens de um penalty mal marcado, uma anormalidade que a surpreendente ausência de televisões no estádio do seu clube corrigiu. Voltou tudo à normalidade, felizmente o fim-de-semana passado foi apenas um susto.

O boneco do ventríloquo

A excelência do ventriloquismo é uma arte ao alcance de poucos. Há que ser um bom ventríloquo, encontrar o tom certo, as palavras adequadas e o boneco apropriado. Depois, treinar, praticar com o boneco, fazê-lo abrir e fechar a boca ao ritmo da vontade do dono; pô-lo a mexer os bracinhos, atribuir-lhe expressões faciais, pô-lo a fingir-se aborrecido, indignado, feliz ou satisfeito, consoante a ocasião e a determinação do dono.

 

O momento supremo desta arte ocorre quando se consegue colocar a audiência a comentar as palavras do boneco como se ele as tivesse efectivamente dito sem ter uma mão pelos entrefolhos a controlar-lhe os movimentos. No futebol português temos, há umas três décadas, um excelente ventríloquo bonecreiro que consegue, repetidamente, colocar, à vez, um qualquer boneco de ocasião a debitar banalidades em tom de “fina ironia”. Aquilo está tão bem feito que chega mesmo a parecer que o boneco tem ideias, voz e vontade própria. Mas, caramba, depois de tantos bonecos e de tanta repetição de discurso, já é tempo da audiência (feita de jornalistas, opinadores e espécimes afins) perceber que comentar as palavras do boneco é contribuir para a mentira encenada. O boneco, esse, vive na esperança de que não será, a curto prazo, apenas mais um dos bonecos condenado a ser atirado para o canto de uma arrecadação esconsa, onde já moram tantos outros bonecos que vivem na ilusão de que ainda têm voz própria, sem se terem apercebido de que esta ficou agarrada às mãos que os manipularam durante a efemeridade do espectáculo.

 

No passado fim-de-semana, pudemos assistir à estreia de um novo boneco, num velho, aborrecido e previsível espectáculo de ventriloquismo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24 de Setembro, e publicado na edição de 27/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Domingo, 22.09.13

Luta

Uma vitória num jogo dificílimo, de luta intensa do primeiro ao último minuto contra uma equipa que se apresentou muito organizada contra nós, a conseguir tapar os caminhos para a sua baliza e a anular os nossos pontos fortes.

 

Entrámos em campo com o mesmo onze que defrontou o Anderlecht na passada terça-feira, e cedo se viu que a tarefa que tínhamos pela frente seria muito complicada. O Guimarães foi uma equipa solidária, a jogar sempre com os jogadores muito próximos uns dos outros e sem quaisquer problemas em meter o pé. O relvado, que me pareceu pesado e longe das melhores condições, também terá contribuído para que assistíssemos a um jogo muito disputado mas com bastante falta de qualidade, onde as defesas se superiorizaram quase sempre aos ataques, a bola passou muito tempo na zona do meio campo, e se viram muito poucas jogadas vistosas. Nem sei se durante a primeira meia hora de jogo terá havido sequer um remate à baliza feito por qualquer uma das equipas. Este rumo das coisas seria obviamente mais interessante para o Guimarães do que para o Benfica, pois a manter-se assim o nulo era o resultado mais previsível, a não ser que algum lance fortuito ou um erro de alguma das equipas acabasse por provocar um golo. No Benfica apenas o Enzo parecia ser capaz de inventar alguma coisa, mas de facto não há muito mais para dizer acerca de uma primeira parte sem grandes motivos de interesse.

 

O Benfica regressou melhor do intervalo, tendo subido as linhas para pressionar o Guimarães mais no seu meio campo, mas ainda assim longe de deslumbrar. Mas de qualquer forma nem quero estar a criticar muito a exibição do Benfica, porque julgo que o grande culpado por isto foi mesmo o Guimarães, que se bateu de forma intensa e tudo fez para nos anular. As oportunidades de golo continuaram a escassear, mas com o primeiro quarto de hora decorrido o Guimarães ficou reduzido a dez, depois de uma segundo amarelo após nova falta sobre o Enzo, e o Benfica aproveitou para pressionar ainda mais. O apagado Djuricic deu o lugar ao Lima, e com isso a nossa presença junto à baliza adversária foi mais constante. A recompensa acabou por chegar aos setenta e três minutos, num remate frouxo do Cardozo após canto do Enzo, que um jogador do Guimarães desviou de forma desastrada para dentro da sua própria baliza (e se a bola não entrasse, tenho a impressão de que seria penálti e vermelho). Ironicamente, achei que foi depois de se colocar em vantagem que o Benfica passou pelo pior momento no jogo. Em vantagem numérica e no marcador deveríamos ter sido capazes de gerir muito melhor a posse de bola, mas em vez disso foi o Guimarães quem teve mais tempo a bola em seu poder e conseguiu aproximar-se da nossa área. Depois veio o inevitável livre concedido quase no final do jogo, com as consequentes bolas despejadas para a área e o nervosismo daí resultante, mas a preciosa vantagem foi mesmo preservada até ao final.

 

O Fejsa voltou a ser um dos jogadores em destaque, a par do inevitável Enzo, que durante a maior parte do tempo pareceu ser o único jogadfor de quem poderíamos esperar um rasgo que evitasse o nulo final. Gostei também do trabalho da dupla de centrais. O Matic teve um jogo longe daquilo a que nos habituou, demasiado complicativo e faltoso, e o Markovic esteve apagadíssimo - parece que jogar encostado à linha não será a opção que mais beneficia o seu jogo. O Djuricic esteve demasiado 'macio' para um jogo destes.

 

Acabou por ser uma jornada benéfica para nós, pois arrancámos uma vitória num campo que nos é tradicionalmente complicado, e conseguimos assim reduzir a desvantagem para o primeiro lugar. Mesmo que a exibição não tenha sido das mais vistosas, fico sempre contente quando o Benfica consegue arregaçar as mangas e vencer um jogo como este, de luta intensa e em que o adversário praticamente come a relva, e em que a somar a isto temos ainda razões de queixa da arbitragem - como ganhámos, posso falar do árbitro, certo?

por D`Arcy às 23:22 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Sexta-feira, 20.09.13

Um discurso inconveniente

A modorra da banalidade instalou-se no universo dos comentadores desportivos. Estão todos ocupados em falar de assuntos sérios e de índole soberba e não abordam aquelas coisitas pequenas e inoportunas que ajudam a decidir campeonatos e a fazer de párias heróis.

 

Assim, não se pode incluir no comentário desportivo o facto de o Sporting andar há três das quatro jornadas a marcar golos precedidos de fora de jogo e a beneficiar de penáltis que não são assinalados aos seus adversários. É mais prático endeusar um Montero que está a aprender a aproveitar as linhas de fora de jogo que se calculam entre a miopia do fiscal de linha, a cegueira do árbitro, a surdez dos comentadores e a histeria daquele novo delegado sportinguista. Do mesmo modo, não convém falar do facto de o FCP não ter, em quatro jornadas, um único jogo em que não tenha beneficiado de um golo irregular ou de um penálti inexistente. Tudo isto é assunto tabu ou, pelo menos, varrido para debaixo do tapete da já proverbial bajulação bacoca, parola e subserviente com que o jornalismo desportivo insiste em limpar a imagem de agentes desportivos que contribuem diariamente para que tenhamos a corrupção a assentar arraiais ao lado da incompetência. Tal como, em Portugal, ninguém comenta uma interessante investigação feita por jornalistas franceses, no programa ‘Cash Investigation’, do Canal France 2, que muito nos dizem sobre a metodologia dos negócios da “estrutura perfeita” do clube da Torre das Antas e o tristemente famoso agente D’Onofrio, com declarações esclarecedoras de Maurizio Delmenico, administrador da Robi Plus.


De nada disso convém falar, a nada disso convém dar tempo de antena e, com o tempo, ainda nos vão querer convencer de que nada disto aconteceu.



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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Setembro, e publicado na edição de 20/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 17:33 | link do post
Terça-feira, 17.09.13

Suficiente

Esteve longe de ser uma exibição brilhante do Benfica, mas foi suficiente para vencer o Anderlecht sem muitas dificuldades e entrar da melhor maneira na Champions desta época.

 

 

André Almeida, Fejsa e Djuricic foram as alterações no onze em relação ao jogo com o Paços. Saíram Maxi, Rúben e Lima. A entrada no jogo foi, tal como no referido jogo com o Paços, a melhor. Mais uma vez já aos quatro minutos estávamos em vantagem, com um golo em que o Djuricic foi o mais rápido a reagir a uma bola largada para a frente pelo guarda-redes belga após um primeiro remate do Enzo de fora da área. Durante os primeiros minutos o Benfica mostrou uma boa dinâmica e exerceu muita pressão sobre os jogadores do Anderlecht logo à saída da sua área, exercendo claro domínio no jogo. A dupla sérvia do meio campo era responsável por matar logo à partida a maior parte das jogadas de ataque dos belgas, e na frente o Cardozo mostrou-se bem mais solto e activo, ainda que algo longe da sua eficácia habitual. Também como contra o Paços, o Benfica aumentou a vantagem com alguma facilidade. Foi sobre a meia hora de jogo, num golo do Luisão, que recebeu no peito e rematou de primeira após uma insistência do André Almeida num canto. Depois do segundo golo pareceu-me que o Benfica diminuiu a intensidade do seu jogo, ficando-se com a sensação que se carregasse e acelerasse um pouco mais talvez fosse possível aumentar ainda mais a vantagem. De qualquer forma, e até ao intervalo, o Anderlecht pareceu estar sempre completamente fora do jogo e da discussão do resultado.

No reinício do jogo as coisas foram diferentes. Os belgas vieram do intervalo a jogar bem melhor, e passaram a estar muito mais perto da nossa baliza, com mais tempo de posse de bola enquanto que o Benfica parecia querer apostar no contra-ataque para eventualmente surpreender o adversário. O trabalho incansável do Fejsa e do Matic no meio campo, e o bom jogo dos nossos centrais significou que o Anderlecht não conseguiu sufocar-nos ou criar oportunidades de golo em número significativo, mas os belgas nunca deixaram de rondar as imediações da nossa área, e tendo em conta anossa história recente no que diz respeito a golos sofridos, nunca consegui sentir-me particularmente tranquilo, pois a qualquer momento um golo do adversário poderia relançar a discussão do jogo. Mas as melhores oportunidade para voltar a fazer funcionar o marcador até foram nossas, pelo Cardozo e pelo Markovic. Não voltámos a marcar, mas também não conseguiu marcar o Anderlecht, o que significou o fim da indesejável série de jogos sempre a sofrer golos, e os primeiros três pontos na Champions.

O melhor jogador do Benfica foi, na minha opinião, o Fejsa. Confirmou as boas indicações que tinha deixado no jogo com o Paços, e fez um jogo praticamente perfeito. Deverá ter sido o principal recuperador de bolas da equipa, raramente perdeu um duelo individual, e esteve impecável tacticamente, aparecendo sempre na altura ideal para dobrar os colegas. Para mim foi quase como se, de repente, o Javi tivesse regressado à equipa. Gostei também do Matic, do André Almeida e da dupla de centrais. O Cardozo esteve bastante mais solto e activo,
mas esteve infeliz na concretização.

Não houve nenhuma desgraça na Champions, conforme alguns previam. O Benfica venceu o seu jogo com relativa facilidade, e cumpriu aquilo que era a sua obrigação. Foi mais uma vitória, que esperemos que possa continuar a contribuir para injectar confiança na nossa equipa. A Champions não é uma prova qualquer, e uma vitória é sempre uma vitória, e um resultado importante.

por D`Arcy às 23:48 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Domingo, 15.09.13

Competente

Uma exibição competente deu ao Benfica uma merecida e relativamente tranquila vitória sobre o Paços de Ferreira, num jogo em que assistimos à estreia de dois jogadores com a nossa camisola.


 

Sendo mais ou menos óbvio que o Enzo iria ser desviado para a direita, para ocupar a posição do lesionado Salvio, durante a semana especulou-se sobre quem iria acompanhar o Matic no centro. Falou-se do Fejsa, do André Gomes, mas quem acabou por surgir no onze foi o Rúben Amorim. Com o Gaitán também lesionado, a esquerda ficou entregue ao Markovic, e no ataque alinhou a dupla Cardozo/Lima. Na defesa, estreou-se conforme esperado o Siqueira. Dificilmente o Benfica poderia ter tido uma entrada melhor no jogo. A equipa apresentou-se agressiva e a pressionar alto no terreno, e isso resultou logo num primeiro aviso, em que um mau alívio do guarda-redes do Paços deixou a bola nos pés do Lima, que depois não conseguiu dar o melhor seguimento à jogada. Mas com apenas quatro minutos decorridos o Benfica colocou-se em vantagem. Um passe do Rúben desmarcou o Lima pela esquerda, e o cruzamento deste escapou por pouco ao Cardozo no centro da área, para depois surgir o Enzo ao segundo poste a finalizar de primeira. O Benfica pareceu com vontade de resolver o assunto cedo, e não baixou o ritmo, perante um Paços que mostrou sempre vontade em jogar futebol e nunca baixou os braços, rematando várias vezes mas quase sempre apenas de fora da área. O Lima ameaçou o segundo, com um bom remate também de fora da área que obrigou o guarda-redes adversário a uma defesa mais apertada, e aos vinte e três minutos o Benfica ampliou mesmo a vantagem, num lance 'de laboratório'. Livre descaído sobre a direita, após falta sobre o Enzo, e quando se esperaria um remate directo do Cardozo saiu em vez disso um passe rasteiro para o interior da área, toque de primeira do Enzo a devolver para a direita e a desmarcar o Markovic, e centro rasteiro também de primeira para a finalização do Garay à boca da baliza. Tudo simples, rápido e bem feito. Sofremos depois um contratempo com a lesão do Rúben Amorim - que estava a fazer um bom jogo - o que nos permitiu assistir à estreia do Fejsa. Com uma vantagem confortável no marcador, o Benfica abrandou um pouco a marcação e o Paços dispôs de mais bola, embora sem conseguir praticamente criar uma oportunidade de golo digna desse nome. Foi o Benfica quem poderia ter ampliado ainda mais a vantagem, mas o Lima, completamente isolado, acabou por desperdiçar a ocasião, permitindo a defesa ao guarda-redes. Só mesmo sobre o apito para o intervalo é que o Paços conseguiu criar a sua primeira ocasião clara de golo, num lance em que o inevitável Bebé conseguiu ganhar em força ao Garay, ultrapassou o Artur, e de ângulo apertado viu o seu remate ser cortado pelo Luisão quase em cima de linha de golo.

 

 

O início da segunda parte foi animado. Como que a dar sequência à ameaça a fechar a primeira parte, o Paços conseguiu chegar ao golo, numa jogada aparentemente inofensiva em que me pareceu que a nossa defesa ficou meio a dormir. Não excluo a possibilidade da minha visão do lance no estádio ter sido influenciada pelo facto de andar sem paciência nenhuma para o Artur, mas o que me pareceu foi que ele saiu à bola (e fiquei com a sensação que com todas as possibilidades de chegar lá primeiro) e isso fez com que o Luisão desistisse do lance. Só que a meio da viagem o Artur mudou de ideias e parou, permitindo que o jogador do Paços chegasse à bola e finalizasse com alguma facilidade. Foi um golo algo inesperado, visto que o Paços tinha sido pouco perigoso até então (a única excepção foi o referido lance no fecho da primeira parte) e o Benfica parecia ter o jogo completamente controlado. Felizmente este golo acabou por não trazer males maiores, isto porque o Benfica respondeu no minuto seguinte com mais um golo para repor a diferença no marcador. Canto apontado na direita pelo Enzo, e o Garay a ir ao terceiro andar para cabecear cruzado para o fundo da baliza. Isto permitiu ao Benfica manter a tranquilidade, e gerir o esforço durante o resto da partida. Para a fase final do jogo o Cardozo deu o lugar ao Ola John (antes disso já o Siqueira tinha sido poupado, pois deu sinais de fadiga) e o Benfica jogou com o meio campo mais reforçado, pois o Enzo foi para o centro. O Paços raramente conseguiu voltar a ameaçar-nos (recordo-me apenas de um remate mais perigoso do Bebé), e mesmo a jogar com menor velocidade o Benfica aparentou sempre ser a equipa com maior probabilidade de voltar a marcar.

 

 

O homem do jogo foi, para mim, claramente o Enzo. Marcou o primeiro golo, participou na jogada do segundo (sofreu a falta e fez o passe para o Markovic) e marcou o canto para o terceiro golo. É neste momento um dos jogadores que mais aprecio ver no Benfica, pois tem inteligência a jogar, garra e uma enorme qualidade técnica. Durante a semana senti-me sempre pouco confortável com a ideia de o retirar do centro, onde me parece que podemos tirar melhor partido da sua qualidade, mas hoje na direita (e no centro, e na esquerda, e por todos os sítios por onde andou durante o jogo) esteve ao seu melhor nível. O Garay, com dois golos, foi obviamente outro dos destaques evidentes. Talvez esta época ele consiga recuperar o estatuto de central goleador que trazia da liga espanhola. Quanto aos estreantes, o Siqueira fez um jogo seguro, sem arriscar subir muito e tentando não complicar. Quanto ao Fejsa, gostei muito do que vi. É agressivo na conquista da bola, tem um raio de acção bastante grande, pois vimo-lo a pressionar em zonas bem distantes da nossa área, e tenta jogar em antecipação. Foi apenas um jogo, mas pareceu-me ser uma alternativa bastante válida ao Matic.


Sem deslumbrar, ainda assim pareceu-me que o jogo de hoje terá sido o mais sólido que o Benfica fez até agora esta época. Espero que a nossa equipa reforce os níveis de confiança e nos vá mostrando cada vez mais aquilo que sabemos que tem qualidade mais do que suficiente para fazer. A desvantagem para o nosso adversário directo já é dilatada para uma fase tão madrugadora da época, e a margem de manobra para erros é praticamente nula.

por D`Arcy às 00:03 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Sexta-feira, 13.09.13

A contabilidade dos basbaques

Há uma nova forma de calcular méritos, qualidades e desempenhos. Na lhaneza das mentes simples, a mera adição de números é o suporte de teses infalíveis acerca do papel dos homens na História.

Seguindo este processo – que ultimamente tem permitido a que um número significativo de basbaques apresente Cristiano Ronaldo como o português que suplantou os méritos futebolísticos de Eusébio, pelo simples motivo de ter marcado mais golos na Selecção Portuguesa – chegaríamos à conclusão de que Tony Carreira, a julgar pelo número de discos vendidos, seria um compositor / músico com mais méritos do que o compositor português do século XVIII Carlos Seixas. Da mesma forma que, para quem professa essa corrente de pensamento, o facto de Margarida Rebelo Pinto suplantar Miguel Torga no número de livros vendidos lhe confere um papel cimeiro na História da Literatura Portuguesa. Aliás, neste particular, Luís Vaz de Camões que se cuide, pois esta basbacagem da contabilidade não tem pejos em garantir méritos e deméritos em função de números absolutos que ignoram realidades relativas e não comparáveis por quem tenha o mínimo de decência e honestidade intelectual. Diga-se ainda que, quando alguém, utilizando as mesmas armas espúrias, lhes indica números que conduzem a reflexão em sentido oposto ao da moda, ignoram convenientemente esses números. Só assim se explica que a média de Ronaldo de 0,40 golos por jogo na Selecção seja, pasme-se, “superior” à de 0,64 de Eusébio, o que levaria a que, caso Eusébio tivesse feito os 106 jogos que Ronaldo já fez pela Selecção, provavelmente (a julgar pela média) teria marcado 68 golos contra os 43 de Ronaldo. Parece correcta e intelectualmente honesta esta análise? Obviamente que não, mas é tão injusta quanto as que os basbaques têm feito em tudo quanto é órgão de comunicação social nas últimas semanas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09de Setembro, e publicado na edição de 13/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 06.09.13

Como se faz um internacional

Em 14 de Setembro de 2006, noticiava o jornal “Público”, em texto assinado por Adelino Gomes, que, no processo Apito Dourado, o árbitro Hugo Miguel era um daqueles sobre os quais recaíam indícios de corrupção. Segundo a notícia, na época 2002/2003, arbitrou o jogo Porto B/Gondomar e «os investigadores da PJ apuraram que o árbitro e a respectiva equipa foram ‘premiados’ com objectos em ouro. A situação acabou depois por ser arquivada, porque a má qualidade de som da fita gravada impedia que as incidências do jogo pudessem ser analisadas pela equipa de peritos.» Acerca desse mesmo jogo, há uma escuta em que Pinto de Sousa garante a Pinto da Costa que Hugo Miguel não prejudicaria o FCP.

 

A 25 de Fevereiro de 2012, Hugo Miguel foi o árbitro de um célebre Académica-Benfica. Segundo o observador desse jogo, José Ferreira, o árbitro sonegou ao Benfica duas grandes penalidades, tendo ficado com a nota de 2,1. No entanto, voz atenta e influente aconselhou o árbitro a reclamar do relatório. Hugo Miguel assim o fez e a nota subiu o suficiente para poder chegar a árbitro internacional.

 

Na última jornada da época passada, Hugo Miguel foi o escolhido para apitar o jogo do FCP com o Paços de Ferreira. Com o resultado a zeros, com um título nacional a jogar-se em 90 minutos, Hugo Miguel conseguiu ver num tropeção de James em si próprio, a aproximadamente um metro da área, uma grande penalidade a favor do FCP, com consequente expulsão do futebolista do Paços.

 

Na terceira jornada do actual campeonato, na deslocação do Benfica a Alvalade, Hugo Miguel sonegou uma grande penalidade a favor do Benfica e permitiu que o golo do Sporting fosse precedido de um claro fora de jogo.

 

Olhando para este percurso, e como está provado que no futebol português não há corrupção, resta-me concluir que é necessária uma grande dose de incompetência para que um árbitro seja premiado com o estatuto de internacional.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 02 de Setembro, e publicado na edição de 06/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 10:58 | link do post
Terça-feira, 03.09.13

Salvio

 

Força 'Toto'. És um jogador fundamental, e dos que mais prazer tenho em ver jogar com a nossa camisola. Rápidas melhoras, e que regresses melhor ainda.

por D`Arcy às 22:18 | link do post | comentar | ver comentários (30)

Siqueira

Depois da venda do Melgarejo (com a qual continuo a não conseguir concordar) e da lesão do Sílvio, o Benfica fez o óbvio e num sprint final antes do fecho do mercado contratou mais um defesa esquerdo, Guilherme Siqueira - que já tinha sido hipótese a época passada. Tenho uma boa opinião sobre ele, e só desejo que não acabe por ser mais um a juntar-se à enormíssima lista daqueles que, actuando nessa posição, são imediatamente queimados ao fim de quinze minutos do primeiro jogo que fazem.

por D`Arcy às 01:12 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Domingo, 01.09.13

Frustração

Podemos olhar para este jogo de duas formas. Ou como um péssimo resultado - não ganhar a estes tipos é, para mim, sempre um mau resultado - ou como um mal menor, dado todos os azares que nos aconteceram no jogo. Consigo olhar um pouco para a segunda opinião como consolo, mas a verdade é que este resultado me deixa acima de tudo com uma sensação de frustração. Sabemos que somos muito melhores do que isto e temos obrigação de o mostrar.

 

 

Mais uma vez, num jogo em que é óbvio que o domínio da zona central será sempre fundamental, entramos em campo com o Lima e o Rodrigo, oferecendo a superioridade numérica nessa zona ao adversário e obrigando trabalho redobrado à dupla Enzo/Matic. Já o tinha escrito na crónica do jogo anterior: fico sempre menos confiante quando entramos em campo com esta dupla de avançados. Seria previsível que o nosso adversário desta noite, moralizado após duas vitórias robustas contra equipas teoricamente do seu campeonato, iria tentar aproveitar esse ímpeto para ter uma entrada forte no jogo e chegar ao moralizador golo madrugador. Foi isso mesmo que aconteceu, com apenas nove minutos decorridos, após uma perda de bola no ataque na sequência de mais um livre 'de laboratório' horrivelmente marcado (que basicamente serviu para meter a bola directamente nos pés de um adversário). A jogada foi simples e rápida, e deixou o Montero à vontade para cabecear na cara do Artur (estava deslocado no início da jogada, mas recordemos que não estamos a falar de um golo do Benfica, por isso não tem importância nenhuma - a posição era 'duvidosa' ou 'milimétrica', como sempre contra nós). O nosso adversário esteve claramente melhor durante toda a primeira parte, controlando a posse de bola e sendo muito mais rematador, embora não tenha conseguido criar mais nenhuma oportunidade flagrante de golo. O Benfica mostrava dois problemas: a referida inferioridade numérica no centro do campo, agravada ainda pelas sucessivas descidas do Montero para vir buscar a bola atrás, e ainda imenso espaço nas costas dos laterais, que foram sucessivamente deixados ao abandono pelos médios que jogavam à sua frente e não tinham velocidade para acompanhar os adversários directos. Mesmo sem jogar grande coisa, o Benfica conseguiu criar duas ocasiões: um cabeceamento do Lima à barra (embora me parecesse que o Patrício tinha o lance controlado) e um falhanço clamoroso do Salvio, que praticamente sobre a linha da pequena área conseguiu rematar o centro do Cortez para a bancada. Tivemos ainda dois azares grandes: as lesões de dois jogadores fundamentais como o Enzo e o Salvio, que obrigaram à sua substituição. A desvantagem ao intervalo era um resultado justo, porque a verdade é que produzimos muito pouco durante este período.


 

A segunda parte começou praticamente com mais um azar: nova lesão, desta vez do Gaitán, que dentro do pouco que o Benfica tinha feito na primeira parte ainda assim tinha sido dos nossos jogadores menos desinspirados. Talvez apostando no factor psicológico, o nosso treinador decidiu-se pela entrada do Cardozo, desviando o Rodrigo para a ala. Embora fosse claro que o Benfica tinha falta de uma presença mais forte entre os centrais adversários (mais uma vez a questão da dupla Lima/Rodrigo andarem por tudo quanto é sítio), tendo em conta a falta de ritmo do Cardozo, teria preferido outra opção, como o Djuricic. Ainda para mais adivinhando-se que o Markovic, que praticamente não treinou durante a semana, poderia não estar nas melhores condições físicas. Mas a verdade é que o Benfica melhorou, dando o primeiro sinal precisamente pelos pés do Markovic, que pegou na bola depois de um mau passe de um adversário e foi por ali fora correndo quase meio campo 'armado em Messi', deixou tudo e todos pelo caminho, e na cara do Patrício viu o golo ser-lhe negado por uma enorme defesa deste, que ainda voltou a defender a recarga do Rodrigo. O Benfica entrou então naquele que foi o seu melhor período no jogo, equilibrando um pouco mais as contas na posse de bola e fazendo-a andar mais tempo no meio campo adversário, ainda que nunca tivesse podido ficar descansado com os contra-ataques que podiam sempre surgir. O golo do empate acabou por surgir, com vinte minutos decorridos, e inevitavelmente pelo Markovic. Não resultou à primeira, resultou à segunda. Mais uma vez recebeu a bola, desta vez na zona central, arrancou em direcção à baliza, deixou todos para trás e meteu a bola entre as pernas do Patrício. Infelizmente o Benfica não durou muito mais: houve ainda um remate relativamente perigoso do Matic, mas o factor físico pareceu começar a pesar nos nossos jogadores. O Markovic eclipsou-se, o Cardozo mostrou estar, como esperado, longe da forma ideal, e a equipa foi-se retraindo cada vez mais, com o adversário a voltar a ganhar superioridade em campo. Mas os únicos lances de algum perigo que criou vieram apenas dos sucessivos livres que o amigo Hugo Miguel foi assinalando, de forma unilateral e em catadupa, à medida que o final se aproximava, pelo que nunca senti que houvesse grande probabilidade de perdermos este jogo.

 

 

Os destaques do Benfica vão para o Luisão na defesa, e obviamente para o Markovic, que voltou a demonstrar ter qualidades únicas para brilhar com grande intensidade na nossa equipa esta época. O Matic melhorou na segunda parte, o Rúben teve uma boa entrada em jogo e foi muito útil na desigual luta do meio campo, e o Gaitán foi dos menos maus na primeira parte, pelo que a sua lesão foi uma contrariedade grande. Pela negativa estiveram sobretudo o Lima e o Maxi. Sinceramente, em relação ao Maxi, a sua má forma tem sido tão frequente nos últimos meses que começa a tornar-se quase a norma. Parece ter perdido pelo menos metade da velocidade que tinha, e vejo-o frequentemente tomar decisões absurdas.

 

Para mim, no papel, este empate é um mau resultado. É um jogo que estamos habituados a vencer, e são dois pontos que podemos perder para o nosso principal adversário. Mas considerando tudo o que aconteceu durante este jogo, tenho mesmo que olhar para isto como um mal menor. É um mau resultado, mas também não tem que ser o fim do mundo. Podemos além disso tentar ser um pouco positivos e não olhar apenas para a parte negativa (acima de tudo, o facto de termos voltado a jogar bem pior do que aquilo que seria exigível) e ver um ponto positivo: assistimos à confirmação (como se nesta altura ainda fosse necessária, depois daquele cartão de apresentação de sonho em Coimbra há dois anos) de mais um dos valores emergentes da arbitragem portuguesa. Será certamente uma aposta segura para o futuro, e prevejo que se cruzará connosco muitas mais vezes em jogos de dificuldade mais elevada.

por D`Arcy às 01:04 | link do post | comentar | ver comentários (55)

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