VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Terça-feira, 29.10.13

Coerência

Então os nossos vizinhos só agora é que descobriram que lá em cima se intimidam jornalistas e se utilizam as tácticas mais rasteiras de destabilização e intimidação dos adversários? Tendo em conta aquilo que todos sabemos, e as minhas visitas ao Ladrão e às antigas Antas, até acredito que tudo aquilo que relatam em mais um dos seus incontáveis e enfadonhos comunicados se tenha mesmo passado. Mas tem piada: quando nós, desde há décadas, todos os anos passamos pelo mesmo eles normalmente riem-se alarvemente, assobiam para o lado e festejam as nossas derrotas.

 


Quanto ao facto de considerarem que uns cartazes tontos com bocas ao Patrício são "uma mesquinhez regional, não compatível com o Seculo XXI em que vivemos, e como tal um desrespeito por Portugal", parece-me particularmente hipócrita que esta acusação venha da parte de um clube que já permitiu faixas vergonhosas como a da imagem anexa sobre o maior jogador de sempre da selecção portuguesa (e constantemente permite coisas de semelhante teor às suas claques). É a habitual coerência daquele pessoal.


P.S.- E um comunicado a queixarem-se da forma como foram recebidos no Ladrão era capaz de dar para levar um pouco mais a sério se o totó do presidente deles não tivesse andado, nas semanas antes do jogo, a declarar desejar ser mal recebido lá.

por D`Arcy às 00:45 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 27.10.13

Descansada

Deve ter sido uma das vitórias mais descansadas do Benfica esta época, mas o nível exibicional ainda continua longe do desejável. Mas se continuamos sem capacidade para jogar bem, pelo menos valeu a vitória sobre um adversário que no início desta jornada estava no quarto lugar, apenas um ponto atrás de nós, e a forma um pouco mais segura como ela foi obtida.

 

 

Factos de maior realce no onze do Benfica foram as presenças do Rodrigo e do Ivan Cavaleiro nos lugares que tinham sido ocupados pelo Lima e pelo Ola John no jogo da passada quarta-feira. A entrada do Benfica no jogo foi boa, a exemplo do que até tem acontecido ultimamente - o problema é que esse ímpeto inicial normalmente dura pouco tempo e depois a equipa parece cair numa estranha inércia. O melhor que nos poderá portanto acontecer será marcar um golo durante esses minutos, e felizmente foi o que aconteceu hoje. Ao fim do primeiro quarto de hora, o Siqueira subiu bem, tabelou na perfeição com o Cardozo, e em frente ao guarda-redes não perdoou. Seria de esperar que um golo motivasse uma equipa, mas o que eu vi foi o contrário. A seguir ao golo marcado pareceu-me que o Benfica atravessou aquele que foi o seu pior período no jogo. Não fomos exactamente pressionados pelo Nacional, que durante os noventa minutos praticamente não criou uma oportunidade de golo (apenas num livre o Artur foi obrigado a uma intervenção mais apertada), mas o nosso adversário passou a ter muito mais posse de bola, e a jogar mais tempo no nosso meio campo, enquanto que o Benfica assumiu uma postura mais expectante e tentava sair em contra-ataque quando recuperava a bola, mas pouco ou nada conseguia produzir em termos atacantes. Vimos mais um jogador nosso sofrer uma lesão muscular (Siqueira), e vimos nos minutos finais da primeira parte o Benfica melhorar um pouco e voltar a aproximar-se da baliza adversária, tendo estado perto de voltar a marcar pelo Cardozo.

 

 

Uma boa reentrada para a segunda parte valeu-nos o segundo golo, depois de uma bola recuperada logo à entrada do meio campo ter sido bem trabalhada pelo Gaitán, que deixou o Cardozo com tudo para marcar, e o paraguaio não falhou. Os dois golos de vantagem deram à nossa equipa uma tranquilidade maior, e já passou a ser possível ver a espaços alguns pormenores interessantes dos nossos jogadores. Mas ainda me pareceu haver falta de confiança, porque não é muito habitual ver a nossa equipa jogar com as linhas tão recuadas quando o adversário tem a bola. De qualquer forma esta aposta na segurança - reforçada com a troca do Rodrigo pelo Rúben Amorim, passando a equipa a jogar com mais um homem no meio campo - permitiu-nos manter o jogo sob controlo com relativa facilidade (não me recordo de qualquer oportunidade clara de golo do Nacional), e foi o Benfica quem esteve sempre mais perto de ampliar a vantagem. Foram algumas as ocasiões que criámos para o fazer, quase sempre através de transições rápidas para o ataque após recuperarmos a bola (já tinha algumas saudades de ver a nossa equipa fazer algumas jogadas destas). Foi pena que, numa delas, o Ivan Cavaleiro tenha visto o guarda-redes adversário negar-lhe a oportunidade para assinalar a sua estreia na Liga com um golo. Negativamente, fiquei mais uma vez com a impressão de que os nossos jogadores não andam nas condições físicas ideais. Se até posso achar compreensível que o Ivan Cavaleiro tenha ficado esgotado, houve outros jogadores (como por exemplo o Enzo ou o Gaitán) que me pareceram estar excessivamente fatigados ainda bem antes do jogo chegar ao fim.

 

 

O homem do jogo é o Cardozo. Marcou e deu a marcar, e para além disso esteve geralmente bem no ataque a abrir espaços para os colegas e a criar linhas de passe. Depois do jogo desastroso da passada quarta-feira, o Matic esteve bem melhor hoje. Gostei também do Garay, e o André Almeida entrou muito bem no jogo - foi naturalmente muito menos interventivo no ataque do que estava a ser o Siqueira, mas esteve praticamente perfeito a defender. Quanto ao estreante Ivan Cavaleiro, na primeira parte pareceu-me nervoso e a cometer bastantes erros devido à sua inexperiência, mas depois acalmou na segunda parte, ganhou confiança e subiu bastante o nível do seu jogo.

 

Espero que a nossa equipa tenha capacidade para voltar a acreditar em si própria e brindar-nos com futebol com a qualidade que vimos a época passada. Enquanto tal não é possível, pelo menos é importante que consigamos ganhar jogos e somar pontos. Hoje vi alguma evolução (não muita, é certo) em relação ao passado mais recente. Espero que seja para manter, até porque em breve teremos uma semana com jogos decisivos.

 

P.S.- Acho que vou fazer uma t-shirt a dizer 'Eu vi o Ola John correr'.

por D`Arcy às 23:55 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sexta-feira, 25.10.13

A lição

Gosto muito da Taça de Portugal, quando é jogada mano-a-mano, os grandes contra os pequenos, com os futebolistas dos pequenos a terem a humildade que, por vezes, os fazem, durante 90 minutos, serem gigantes; e os futebolistas dos gigantes, por vezes, durante 90 minutos, a sofrerem de um nanismo pouco compatível com o estatuto, o ordenado e os privilégios com que se pavoneiam. Como adepto ferrenho do Benfica (o maior dos Gigantes), espero sempre que os nossos futebolistas saibam que só serão gigantes se souberem, sempre, partir para o jogo com a humildade de um David.

Recordo o primeiro jogo que vi, ao vivo, para a Taça de Portugal: foi em Castelo Branco, no “mítico” pelado do Vale do Romeiro, no dia 04 de Janeiro de 1981. O Benfica de Castelo Branco recebia o Benfica. Lajos Baroti apresentou praticamente todos os titulares (trocou o Bento pelo Botelho) e lá se apresentaram gigantes como Chalana, Humberto, Alhinho, Bastos Lopes, Carlos Manuel, João Alves, Néné, Shéu… Enfim, uma constelação que teve como oponente um Benfica de Castelo Branco que tinha em Balacó (que faria carreira na primeira divisão, no Espinho e no Portimonense) a grande figura. O Benfica ganhou, naturalmente, com três golos (um de Reinaldo, um de Carlos Manuel e outro do inevitável Néné). Eu, do alto dos meus dez anos, saí do campo maravilhado por ter visto, ao vivo, os meus heróis, naquele simples e honrado pelado. O meu único lamento era não ter visto em campo o maior dos meus ídolos, o Bento. Não entendia o chorrilho de críticas com que os mais velhos se despediam de uma equipa que acabara de ganhar 3-0. Diziam esses mais velhos que ao Benfica se exigia muito mais do que um mero jogo para entreter; outros acusavam os jogadores de terem lá ido brincar… e eu, puto em aprendizagem, apenas me queixava de não ter visto o Bento. Aprendi, nesse dia, a lição de que os profissionais do Benfica não se podiam satisfazer com essa coisa parca e diminutiva de “fazer os mínimos contra adversários que dão o máximo”. Nesse dia, Baroti não se vangloriou de nada, não se gabou de nada e certamente percebeu que, apesar da vitória, se exigia muito mais do que o que a sua equipa mostrara.

Há lições que nunca se esquecem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Outubro, para publicação na edição de 25/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 10:02 | link do post
Quinta-feira, 24.10.13

Fraco

Mais um fraco jogo do Benfica valeu-nos um empate sofrido contra o Olympiacos, que nos deixa numa situação bastante desconfortável se por acaso aspiramos ao apuramento para a segunda fase da Champions.

 

 

Dois avançados de início, para não variar (Cardozo e Lima), André Almeida a confirmar a condição de titular na Europa, e Ola John também no onze. O Benfica deixou pelo menos a ilusão de uma entrada forte, com um período de ataque constante e cantos consecutivos, mas em poucos minutos isso se desvaneceu. Os gregos jogavam organizados na defesa, e limitavam-se a esperar pelas nossas perdas de bola, para depois contra-atacarem, normalmente utilizando para isso apenas três ou quatro jogadores, e explorando muitas vezes um vazio muito grande que constantemente existia na zona central do meio campo. Quanto ao futebol do Benfica voltou a ser lento, pouco imaginativo e previsível, com a maior parte dos jogadores a exibirem-se a um nível bastante aquém daquilo que sabem e são capazes. Para além disso explorámos muito mal os flancos, não tirando assim partido daquela que sabemos ser a principal lacuna do Roberto, os cruzamentos. O Matic foi um dos jogadores que se exibiu muito abaixo do exigível, e isso ficou evidente no lance do golo grego, que nasceu numa perda de bola disparatada dele à entrada da nossa área. Depois aconteceu aquilo que temos visto ultimamente: a equipa acusou imenso o golo sofrido, e se já pouco vinha jogando até então, durante os cerca de quinze minutos que passaram até ao intervalo não fez rigorosamente mais nada digno de registo.

 

Do intervalo veio o estreante Ivan Cavaleiro no lugar do inoperante Ola John. A chuva incessante que teimava em cair conseguiu empapar o relvado da Luz, coisa que não é fácil, e durante praticamente metade desta segunda parte foi impossível jogar futebol. Assistimos a um espectáculo mais em linha com aquilo que se costuma ver numa qualquer divisão distrital, e que me fez recordar com alguma nostalgia os tempos em que jogava futebol e assim que tinha a bola nos pés durante mais de dois segundos ouvia os urros do treinador a mandar-me chutar a bola para a frente. Curiosamente, esta impossibilidade de jogar futebol de qualidade pareceu espevitar os nossos jogadores, que se apresentaram com uma atitude mais aguerrida e foram à procura do empate. Isto não evitou, no entanto, que a melhor oportunidade de golo durante este período pertencesse aos gregos, e só mesmo o estado alagado do relvado impediu que fizessem o segundo golo. Quando a chuva finalmente parou, foi possível ver a fantástica capacidade de recuperação do relvado, que em poucos minutos voltou a ficar praticável. O nosso futebol é que não havia forma de recuperar, e continuou em níveis muito pouco recomendáveis, salvando-se apenas mesmo a atitude batalhadora dos jogadores, que foi reconhecida pelo público presente na Luz, incansável no apoio à equipa mesmo quando a qualidade do nosso futebol era tão má. A recompensa veio a sete minutos do final, num cenário algo familiar: canto marcado da esquerda, cruzamento para perto da pequena área, Roberto aos papéis e o Luisão a surgir solto no segundo poste para cabecear, permitindo ao Cardozo marcar quase sobre a linha de golo. Foi mesmo o melhor que conseguimos.

 

Não consigo fazer destaques muito positivos na nossa equipa. O Enzo foi um dos que mais tentou remar contra a maré enquanto teve pernas, mas no final já se agarrava demasiado à bola e tentava fazer tudo sozinho. Já destaques negativos, sim, e se menciono apenas alguns jogadores é só porque não quero perder tempo a falar de quase toda a equipa. O Matic fez um jogo fraquíssimo, como há muito não o via fazer. Mesmo considerando a má forma que vem apresentando em comparação com a época passada, o jogo de hoje foi ainda pior. O Lima continua a sua senda de maus jogos, parece estar sem confiança nenhuma e, para piorar, o espírito combativo que o caracteriza anda ausente. Sobre o Ola John é melhor nem me alongar, para não ser desagradável.

 

O Olympiacos não me pareceu ser uma equipa particularmente forte, mas a nossa exibição medíocre impediu que levássemos de vencida este adversário, acabando o empate por ter que ser considerado um mal menor. Parece-me que depois deste resultado apenas uma vitória na Grécia nos permitirá continuar a pensar seriamente no apuramento. Mas para o conseguirmos será necessário jogar mais e melhor do que aquilo que fizemos hoje.

por D`Arcy às 01:17 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sábado, 19.10.13

Taça

Vitória tangencial sem grandes problemas num jogo sem brilho, que ficou marcado apenas pelas estreias oficiais na equipa principal do Benfica de diversos jogadores: Jan Oblak, Steven Vitória, Victor Lindelöf, Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva e Funes Mori. Não houve grandes destaques ou pormenores de grande interesse no nosso jogo. O resultado talvez pudesse ter sido mais dilatado, já que sobretudo na fase inicial falhámos algumas oportunidades que mereciam outra conclusão - com o mote dado logo no primeiro minuto de jogo, quando o Ivan Cavaleiro, isolado, falhou o golo. Talvez fosse ele o jogador sobre cuja estreia haveria maior interesse. O adversário era fraco e ele mostrou alguns bons pormenores, mas esteve infeliz na finalização e em várias ocasiões achei que se agarrou demasiado à bola - embora este pormenor já seja algo habitual nele nos jogos pela equipa B. Fiquei satisfeito por ver finalmente o Oblak jogar por nós - não porque se tenha destacado, já que quase não teve trabalho, mas sim porque acredito que ele tem qualidade para poder vir a ser o futuro titular da nossa baliza. Fiquei apenas algo desiludido por ainda não ter sido desta que o Cancelo teve a sua oportunidade.

por D`Arcy às 18:05 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sexta-feira, 18.10.13

O descrédito

O número de espectadores por jogo, nos jogos das competições futebolísticas nacionais, é escandalosamente baixo. Os espectadores estão a deixar de ir ao futebol e os motivos são vários: desde a crise profunda em que estamos mergulhados até ao descrédito completo em que caiu o futebol português. As pessoas que gostam de futebol recusam-se a pagar e a fazer sacrifícios para assistir a farsas. Sobram os que pagam o bilhete levados pela paixão clubística. Os erros de arbitragem grosseiros e sistemáticos já não se conseguem travestir de qualquer inocência. Assumiu-se, vencidos pelo cansaço e pela boçal impunidade, que a corrupção no futebol português é uma espécie de fenómeno atmosférico com o qual temos de conviver. Habituamo-nos, resignamo-nos, encolhemos os ombros e deixamos de acreditar que aquele jogo não está viciado. Logo, deixamos de ir ao estádio. Que não se duvide de que esta é uma (talvez mesmo a maior) das causas para o número confrangedor de espectadores que temos nos estádios portugueses. Os dirigentes dos clubes sabem que assim é e os dirigentes dos órgãos de gestão do futebol português também o sabem. Lemos, ouvimos e vemos declarações de circunstância, outras de pompa, umas quantas de ocasião e uns recados disfarçados de ironia mais ou menos fina oriundos de vários dirigentes de clubes, mas nada, absolutamente nada que sirva realmente para alterar esta triste realidade. Por parte de quem dirige a Liga ouve-se o eco do silêncio. Por parte de quem dirige a Federação ouvem-se umas banalidades perfeitamente inconsequentes e, pontualmente, um desabafo sobre aquilo que realmente o preocupa nos dias que correm: o papel da Benfica TV como entrave à sua cruzada de centralizar (controlar) os direitos de transmissão televisiva. Esvaziam-se os estádios, mas preenche-se o ego dos verbos de encher que dirigem os órgãos de gestão do futebol luso.

 

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 15 de Outubro, para publicação na edição de 18/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:12 | link do post
Segunda-feira, 07.10.13

Difícil

A exibição voltou a não ser daquelas de encher o olho, mas discordo completamente do catastrofismo que hoje tenho visto acerca da mesma. Para mim o Benfica fez uma exibição relativamente segura, tendo conseguido assim trazer os três pontos de um campo difícil. Se a equipa neste momento tivesse um pouco mais de confiança em si própria, provavelmente teria sido uma vitória mais tranquila, mas mesmo assim acabei por achar que o jogo foi bem menos problemático do que eu antecipava.

 

 

A nota mais relevante de início foi o regresso do Rodrigo ao onze, formando dupla com o Lima e relegando o Cardozo para o banco. No meio campo, regresso à fórmula da época passada, com o Enzo no meio a fazer companhia ao Matic, tendo assim o lado direito ficado entregue ao Markovic. Se os minutos de entrada até fizeram pensar num jogo mais movimentado e emocionante, essa ideia depressa desapareceu. O jogo foi extremamente disputado, sim, mas a bola passou a maior parte do tempo longe das balizas, com as oportunidades a escassearem. O Benfica chegou cedo ao golo, num cruzamento teleguiado do Gaitán que descobriu o Lima completamente sozinho na zona do segundo poste, permitindo-lhe um golo fácil de cabeça - felizmente para nós, nesse momento o Lima mostrou acerto na finalização, algo que não voltou a mostrar durante o resto do jogo. A reacção do Benfica ao golo madrugador foi tentar diminuir o ritmo de jogo. Talvez por reflexo da pouca confiança que a equipa parece continuar a ter em si própria, o Benfica pareceu apostar em fazer um jogo o mais seguro possível. Não nos remetemos à defesa, mas simplesmente arriscámos muito pouco - tentando fazer apenas passes de pouco risco, transições menos rápidas e com menos jogadores a sair rapidamente para o ataque, e poucas iniciativas individuais. O resultado foi o tal jogo algo aborrecido, com poucas ocasiões de perigo, e muita disputa na zona do meio campo. Não me recordo de qualquer defesa mais apertada de qualquer um dos guarda-redes, sendo que a resposta do Estoril foi dada sobretudo através de tentativas de remate de fora da área. A meio da primeira parte ficámos sem o Markovic devido a uma lesão muscular (mais uma...) e mesmo sobre o intervalo tivemos uma ocasião soberana para deixar o jogo muito bem encaminhado, pois vimos finalmente um penálti ser assinalado a nosso favor. Mas na ausência do Cardozo foi o Lima quem foi chamado, e ele permitiu a defesa do guarda-redes.

 

 

No regresso do intervalo o jogo continuou mais ou menos na mesma toada, mas sinceramente até me pareceu que o Benfica conseguiu adormecer ainda mais o ritmo de jogo, e consequentemente controlar melhor qualquer possível ameaça do Estoril. Passámos a gerir melhor a posse de bola, ainda que, sempre, sem arriscar quase nada. O cenário ficou ainda mais favorável com a expulsão de um jogador adversário, após terem decorrido apenas dez minutos, mas nem mesmo assim o Benfica pareceu interessado em imprimir um ritmo maior ao jogo, preferindo continuar a jogar pelo seguro. As oportunidades continuavam a ser muito poucas, mas estive sempre com a sensação de que seria mais provável o Benfica fazer o segundo golo, e nunca me senti particularmente nervoso com a possibilidade do Estoril empatar. E a vinte minutos do final o Benfica chegou mesmo a esse golo (um minuto antes já tinha estado perto, mas o Enzo não conseguiu controlar a bola quando estava solto na marca de penálti). O golo foi um pontapé fantástico do Cardozo, à meia volta, de primeira e de pé direito, depois de um cruzamento do Maxi na direita. A bola descreveu um arco e entrou quase no ângulo, sem qualquer hipótese de defesa para o guarda-redes. Pensei então eu que, com dois golos de vantagem e um jogador a mais, teríamos a questão resolvida. Mas o Estoril quase marcou no pontapé de saída - o Artur defendeu com dificuldade para canto a tentativa de chapéu, que aproveitou bem o vento e o seu adiantamento - e na sequência do mesmo o Balboa reduziu a vantagem, num cabeceamento demasiado à vontade no centro da área. O golo voltava a lançar alguma incerteza no resultado, mas não me pareceu que a nossa equipa tivesse acusado muito o golpe. Poderíamos aliás ter reposto a vantagem imediatamente a seguir, mas o Lima falhou de forma grosseira uma oportunidade soberana que o Cardozo lhe proporcionou. Até final do jogo o Benfica continuou a guardar a bola e o Estoril pouco ou nada conseguiu ameaçar ou pressionar na procura do empate, mas nos instantes finais tudo poderia ter mudado. O Maxi viu o segundo amarelo a um minuto do fim, e na última jogada do jogo a nossa defesa (guarda-redes incluído) atrapalhou-se, tendo proporcionado um remate muito perigoso ao Estoril, ainda que de ângulo muito apertado.

 

 

Num jogo sem grandes destaques individuais, gostei bastante de ver o Gaitán. Sobretudo pela atitude que mostrou durante todo o jogo - não é muito habitual vê-lo tão activo e empenhado na luta pela recuperação da bola e na ajuda à defesa. Para além disso foi dele o cruzamento perfeito para o primeiro golo, e foi dos jogadores mais activos no ataque. Achei também que o Enzo fez um bom jogo, e o Cardozo teve uma boa entrada - marcou um grande golo e ofereceu outro ao Lima, que era bem mais difícil de falhar do que marcar.

 

É certo que a exibição não foi das mais vistosas, mas repito que não concordo com o que hoje já li sobre a mesma. O jogo era difícil, e a vitória acabou por ser alcançada de forma bem menos complicada do que eu esperava. Pareceu-me perfeitamente natural que uma equipa que anda com os níveis de confiança por baixo, vinda de uma derrota pesada, tivesse apostado em não arriscar demasiado quando estava em vantagem no marcador, em vez de se lançar numa cavalgada desenfreada sobre o adversário, deixando a equipa desequilibrada e exposta a eventuais contra-ataques - ainda por cima quando todos sabemos que esse é precisamente um dos pontos mais fortes do Estoril. Talvez aqueles dois lances no final (expulsão do Maxi e a oportunidade do Estoril) tenham contribuído para deixar uma imagem mais negativa da nossa exibição, mas na minha opinião a vitória do Benfica só pode ser colocada em causa por manifesta má vontade.

por D`Arcy às 13:20 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Sexta-feira, 04.10.13

Reescreva-se a História

Para descanso e consolo dos chefes de redação da imprensa desportiva, dos altos e mui dignos dirigentes da arbitragem, dos supinos representantes dos órgãos de poder do futebol (desde a Liga até à Federação, passando pelos gerentes de casas de alterne e outros lupanares de igual elevação), chegará o dia em que nos convencerão a reescrever a História. Criar-se-á uma espécie de evangelho segundo São Jorge Nuno. E lá, na cartilha da verdade, todos aprenderemos que Pedro Proença foi, sem dúvida, o melhor árbitro do mundo e arrabaldes. Bertino Miranda foi o bandeirinha que melhor auxiliou os que, providencial e justamente, lhe encomendaram o auxílio. Constará nos autos que Vítor Pereira nomeou sempre e bem os árbitros que, pela meritocracia do reconhecimento imediato do dono, ascenderam à primeira categoria e ao estatuto de internacional. Cantar-se-ão loas às sucessivas levas de árbitros que justamente ajuizaram em prol da verdade dourada e apitada. As gerações futuras aprenderão que Fortunato Azevedo, Martins dos Santos, José Guímaro, Carlos Xistra, Jorge Coroado, a irmandade Calheiros, Hugo Miguel e tantos outros foram excelentes representantes da imparcial dinastia Garrido. Ainda assim, a História não fará justiça aos grandes obreiros da verdade desportiva em Portugal. Deste modo, por uma questão de sincera humildade, Fernando Gomes, actual presidente da FPF, não verá retratado nos pergaminhos o seu papel edificante e educativo, enquanto tratava das facturas e contabilidade das musas inspiradoras de árbitros que pululavam pelas bancadas do Estádio do Dragão. No entanto, a bem da História e da verdade, ainda não perdemos a esperança de que nos próximos dias se prove que o FCP foi fundado, há 120 anos, pelo seu actual presidente. Menos do que isto é mentira e todos sabemos como a mentira não é compatível com a verdade do futebol português.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Outubro, para publicação na edição de 04/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 17:30 | link do post
Quarta-feira, 02.10.13

Óbvio

Resultado óbvio: uma derrota mais do que natural e esperada (pelo menos por mim) esta noite em Paris. Nem deu para ficar particularmente irritado com a nossa equipa: ganhou, com toda a naturalidade, a melhor equipa, que tem os melhores jogadores. Triste talvez apenas pelos nossos adeptos em França, a quem esta derrota e exibição devem ter custado muito. Nem vou perder tempo a escrever grande coisa sobre o jogo, porque pouco vi dele. Fui acompanhando o resultado e espreitando alguns momentos, mas se já antes de começar pouco interesse me despertava, com o evoluir do resultado ainda menos me interessou. Não vou ficar a remoer um resultado que já esperava; o que me interessa mesmo é ganhar no Estoril.

 

 

O PSG, pelo que vi, limitou-se a esconder a bola da nossa equipa, e sem bola é muito difícil fazer o que quer que seja. Ainda por cima nunca soubemos pressionar o adversário de forma eficaz para o fazer perder a bola. Depois, do outro lado, o PSG foi simplesmente tremendamente eficaz: se não estou em erro, nos primeiros três remates que fez à baliza fez três golos (enquanto que nós nem um remate na direcção da baliza conseguimos fazer durante esse período). E assim o jogo ficou rapidamente resolvido. Chamem-lhe falta de ambição se quiserem, mas para mim a Champions continuará sempre a ser uma prova que pouco me interessa: o Benfica não tem, realisticamente, hipóteses de sonhar sequer com a sua conquista quando defronta adversários como o desta noite, que pode gastar mais de sessenta milhões de euros num único jogador (que eu nem aprecio particularmente, diga-se). Não me custa nada ser realista, assumir as nossas limitações, e pensar que chegar aos quartos-de-final já será um desempenho brilhante. O que me custa sempre é hipotecar objectivos que estão ao nosso alcance e que temos a obrigação de conquistar para em vez disso perseguir miragens e objectivos utópicos. Enquanto ia acompanhando o desenrolar do jogo desta noite, só pensava frequentemente: foi para isto que deitámos dois pontos fora contra o Belenenses?

por D`Arcy às 21:34 | link do post | comentar | ver comentários (54)

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