VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 29.03.15
Domingo, 22.03.15

Desilusão

Não estive em Lisboa este fim-de-semana e não pude ver o jogo. Chegado agora a casa e sabendo o resultado, obviamente que não vou ver a gravação. Não comento portanto o jogo ou a exibição, apenas o resultado. Para mim foi uma enorme desilusão termos falhado no teste mais difícil que tínhamos até receberemos o Porto, ainda por cima tendo praticamente começado o jogo a ganhar. Parece que para nós é melhor entrar a perder, que assim damos a volta ao resultado e trazemos os três pontos - já em Braga tinha sido assim. E tal como aconteceu em Paços, nos instantes finais do jogo acabámos mesmo por deixar fugir o empate. Menos mal que o nosso adversário não passou na Madeira e assim recuperou apenas um ponto.

por D`Arcy às 18:54 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Domingo, 15.03.15

Comunhão

Acho que podia fazer este texto todo sem mencionar sequer o adversário que defrontámos hoje. Porque o Braga praticamente não existiu. Hoje só deu Benfica, num lindo cenário do Estádio da Luz cheio, com os adeptos em total comunhão com a equipa e tentando que a onda vermelha ajude a carregá-la até ao desejado bicampeonato. Para quem teve tanta garganta sobre tentarem vencer-nos, o Braga não conseguiu mostrar absolutamente nada. Aliás, quando nos eliminaram da taça já pouco mais tinham mostrado, mas desta vez não tiveram a mesma sorte que tinham tido nesse jogo - um guarda-redes praticamente intransponível e uma eficácia total no ataque.

 

 

Jogámos com o nosso onze mais forte e habitual neste momento, e praticamente desde o apito inicial ficou dado o mote para o jogo. Entrada muito forte do Benfica instalando-se no meio campo do Braga, que se encostou à sua área e foi tentando jogar com toda a calma do mundo nas reposições de bola, de forma a prolongar o nulo e enervar o Benfica. Também tentaram logo no primeiro minuto a rábula das quezílias, com o banco todo a saltar para tentar armar confusão assim que apanharam o Eliseu ao alcance. Mais tarde foi o anão do Agra que andou a provocar o nosso treinador quando passou pelo nosso banco para aquecer, ainda na primeira parte. Mas hoje não estávamos na pedreira, e as tácticas rascas dignas de um qualquer fóculporto dos anos noventa não deram em nada. Pareceu-me, aliás, que dentro do campo os jogadores do Braga até pareceram intimidados pelo ambiente, e portanto nem sequer se dedicaram afincadamente à táctica de distribuição de porrada avulsa que costumam empregar na pedreira como forma mais eficaz para travar o Benfica. Em jogo jogado, o Braga simplesmente andou a ver o Benfica jogar, quase sem conseguir passar do meio campo e quanto a remates, nem vê-los (julgo que conseguiram fazer um remate à nossa baliza em todo o jogo). O Benfica conseguia fazer funcionar o carrossel do seu jogo, com a bola a circular rapidamente entre os seus jogadores, muitas vezes ao primeiro toque e com trocas constantes de posição entre o Gaitán, o Lima, o Jonas, o Salvio, o Pizzi, com os dois laterais constantemente envolvidos nas jogadas de ataque e o Samaris a ganhar cada vez mais protagonismo em funções mais recuadas. Os ataques do Benfica sucediam-se uns aos outros, e foi com toda a naturalidade que chegámos ao primeiro golo com vinte minutos decorridos. Mais uma troca de bola entre o Gaitán, Lima e Jonas na zona frontal à área, com o argentino a deixar para o remate de primeira do Jonas, ainda bem de fora da área, que não deu hipóteses de defesa. Não houve qualquer reacção do Braga ao golo sofrido: continuou a carregar o Benfica, que à meia hora quase ampliou a vantagem, mas viu o Santos cortar sobre a linha uma bola rematada pelo Pizzi quando já se gritava golo. Era escasso o resultado ao intervalo.

 

 

Logo na entrada para a segunda parte não estivemos tão fortes como na primeira, e nos primeiros minutos o Braga até conseguiu fazer um remate para fora e conquistar um canto - isto acabou por ser o ponto mais alto da sua exibição esta tarde. Mas depressa o Benfica voltou a pegar nas rédeas do jogo e foi novamente para cima do Braga, em busca do golo da tranquilidade. A situação complicou-se ainda mais para o Braga quando, com ainda meia hora para jogar, ficou reduzido a dez depois do Tiago Gomes ver o segundo amarelo por uma falta grosseira e indiscutível sobre o Salvio (tinha visto o primeiro por cortar deliberadamente uma jogada com a mão, ainda na primeira parte). Na sequência do livre o Benfica só não chegou ao segundo golo porque o guarda-redes do Braga, Matheus, fez um autêntico milagre, defendendo com o pé um remate do Lima, que a uns três metros da baliza tinha tudo para marcar (e ainda na sequência dessa defesa, a recarga com desvio do Jonas quase deu golo também). Pouco depois um momento menos bom para nós, no qual o Gaitán viu um amarelo que o retira do próximo jogo, por tentar arrancar um penálti (honestamente, pareceu-me que foi bem mostrado). No meio dos ataques do Benfica em busca do segundo golo, começou então o duelo particular do Eliseu com a baliza do Braga. A primeira tentativa obrigou o guarda-redes a uma boa defesa para canto. Pouco depois a segunda tentativa fez passar a bola muito perto do ângulo superior da baliza. E à terceira foi mesmo de vez: o Samaris passou a bola para a esquerda na direcção do Gaitán, este não a conseguiu captar e ela seguiu mais para a esquerda, onde o Eliseu surgiu a rematar de primeira de fora da área sem possibilidades de defesa. Faltava então cerca de um quarto de hora para o final e o jogo ficou resolvido, pelo que o Benfica tirou o pé do acelerador e limitou-se a gerir o jogo e o esforço, retirando de campo o Gaitán, Samaris e Maxi.

 

 

O Jonas continua a ser um jogador em destaque, ajudando a decidir jogos com golos e pormenores de classe. Quase que vale a pena ver um jogo só para apreciar o toque de bola dele (o lance em que ele faz a bola 'morrer' no pé quando ela vinha a cair de grande altura é sublime). A inteligência na forma como se movimenta no campo para abrir espaços para a entrada dos colegas e dar linhas de passe é fundamental para o bom momento do Benfica. Mas para mim esta tarde o nosso melhor jogador em campo foi o Samaris. Não sei se terá feito alguma coisa errada durante todo o tempo que esteve em campo. Mais uma vez o nosso treinador está a fabricar um médio defensivo de enorme qualidade, que mostra cada vez mais uma leitura perfeita do jogo, na forma como faz as compensações aos laterais, como auxilia os centrais, ou como começa a construção das jogadas nas saídas para o ataque. Substituir o Matic não é fácil, mas o Samaris começa a mostrar que poderá ser muito capaz de o fazer.

 

Mais uma equipa em quem foram depositadas tantas esperanças que sai derrotada sem apelo nem agravo. Faltam cada vez menos jogos e continuamos teimosamente a ser a única equipa que depende apenas de si própria, para desespero cada vez maior de muita gente. Só temos que continuar neste registo. Quando a onda vermelha avança e puxamos todos para o mesmo lado, é quase impossível travar a nossa marcha.

por D`Arcy às 03:58 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Segunda-feira, 09.03.15

Mudança

Mais um jogo que começou muito complicado, mas que devido a uma mudança de atitude na entrada para a segunda parte acabou por se tornar mais fácil e acabar numa vitória relativamente tranquila para o Benfica.

 

 

Apresentando o onze habitual, no qual o Júlio César recuperou a titularidade, o Benfica dificilmente poderia ter tido uma entrada mais desastrosa no jogo. Logo nos primeiros minutos o Arouca colocou-se em vantagem, num golo em que o Eliseu fica mal na jogada. Primeiro porque é ele quem fica atrasado em relação à linha de defesa, colocando o adversário em jogo após um passe feito para a zona entre ele e o Jardel; e depois porque, quando tentou emendar, foi facilmente ludibriado por ele, permitindo o remate vitorioso. O golo madrugador e o pobre desempenho do Benfica na primeira parte, e em especial durante os primeiros vinte minutos causaram bastante preocupação. O Benfica foi quase inofensivo, incapaz fazer qualquer jogada digna desse nome e de sequer se aproximar da baliza adversária. Faltaram ideias, velocidade e qualidade ao nosso jogo. O relvado também ajudava pouco: estava irregular e ao contrário daquilo a que estamos mais habituados, não terá sido regado antes do jogo, pois era evidente que a bola não rolava com muita rapidez. A primeira ameaça dada pelo Benfica foi dada pelo Pizzi, num remate que obrigou o guarda-redes a aplicar-se, mas na verdade o Pizzi hoje esteve longe do rendimento dos jogos mais recentes, com demasiados passes falhados e demasiado disparatado nas bolas paradas, com a equipa a ressentir-se disso. O nosso jogo melhorou um pouco à medida que nos aproximámos do intervalo e fomos encostando o Arouca mais à sua área, mas apenas conseguimos causar algum perigo através do Salvio num par de ocasiões, numa delas obrigando o guarda-redes a mais uma boa intervenção e na outra acertando na barra quando parecia ser mais fácil marcar.

 

 

No arranque para a segunda parte o Samaris ficou no balneário e entrou o Talisca para o seu lugar. Sem um médio claramente mais defensivo a estratégia foi de muito maior risco, mas a verdade é que o Arouca praticamente não atacava e tinha chegado ao golo no único remate que tinha feito. A atitude da equipa foi completamente diferente para melhor, e lançou-se num assalto à baliza do Arouca que rapidamente deu resultados. Foi logo aos seis minutos que chegou o golo do empate, com o Jonas a aproveitar para rematar para a baliza deserta após um erro do guarda-redes Goicoechea, que pressionado pelo Lima acabou por rematar a bola contra ele. E cinco minutos depois estava consumada a reviravolta no marcador, mais uma vez num lance que resultou da pressão exercida pelo Benfica (e antes disso já o Lima tinha tido uma boa ocasião para marcar, mas rematou demasiado por cima). Desta vez foi o Gaitán a pressionar os defesas e a não desistir de uma bola do lado esquerdo, que fez chegar ao Jonas. Já dentro da área e perto da linha de fundo, num pequeníssimo espaço conseguiu libertar-se para rematar, para depois o Lima confirmar quase sobre a linha após a defesa incompleta do guarda-redes, e com quase metade da equipa do Arouca enfiada dentro da baliza ou da pequena área. O mais difícil estava feito, e foi conseguido de forma rápida e com aparente facilidade, tendo bastado ao Benfica aumentar a pressão sobre o adversário e o ritmo de jogo. A nossa tarefa ficou ainda mais facilitada findo o primeiro quarto de hora da segunda parte, com a expulsão de um defesa do Arouca, que placou o Lima quando este se iria isolar. Apesar de tudo, faltava ainda marcar o golo da tranquilidade e por isso nem sequer fiquei particularmente satisfeito quando o nosso treinador decidiu trocar o Gaitán pelo Ola John, a vinte minutos do final. Mas apenas cinco minutos depois de entrar, foi o holandês quem, com um bom passe, desmarcou o Lima e o deixou completamente isolado em frente ao guarda-redes, bastando-lhe depois escolher um lado e atirar a contar. O jogo ficou então definitivamente resolvido, e a partir daí limitámo-nos a gerir o esforço e o resultado até final.

 

 

O Lima é indiscutivelmente o homem do jogo. Foi o mais rematador da equipa, marcou dois golos e ainda teve intervenção directa e decisiva no outro. O Jonas também fez um bom jogo, marcando o golo da ordem que nos deu o empate e fabricando o golo da reviravolta. O Pizzi, conforme referi, esteve hoje uns furos abaixo daquilo que fez nos últimos jogos e foi importante a entrada do Talisca para nos dar a capacidade de distribuição de jogo que hoje faltou ao Pizzi.

 

O Benfica hoje viu serem-lhe sonegados dois penáltis claríssimos, o primeiro sobre o Gaitán quando o resultado ainda nos era desfavorável, e o segundo quando já ganhávamos por 2-1, por flagrante braço na bola, instantes antes da expulsão do jogador do Arouca. Expulsão essa que foi perfeitamente justa, de tão evidente que foi a placagem feita ao Lima quando este se preparava para se isolar - de tal forma que nem do lado do Arouca foi esboçado qualquer protesto. Não preciso de ver ou ouvir o que quer que seja para saber que as cobras cuspideiras que pululam nos programas de opinião futebolística irão no entanto assumir dores alheias e agarrar-se a esta expulsão para tentar mais uma vez fazer passar a mensagem de que o Benfica está a ser beneficiado pelos árbitros. Tenho aliás alguma curiosidade em ver quem será a isenta personalidade que será convocada esta semana para nos transmitir essa mensagem. Nas últimas semanas já vi o Jaime Magalhães, orgulhoso membro da geração precocemente calva do Porto, o colosso do futebol mundial Clayton também a dar a sua insuspeita opinião, e a semana passada o mítico Secretário, famoso por oferecer um campeonato ao Sporting e ter sido eleito a pior contratação da Liga Espanhola. Espero esta semana no mínimo uma estrela da mesma grandeza e de igual isenção. Entretanto, continuem a olhar para cima para nos poderem ver.

por D`Arcy às 02:24 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Domingo, 01.03.15

Gala

Em dia de aniversário, e uma vez que este ano nem houve Gala, os nossos jogadores encarregaram-se de fazer uma em pleno relvado do Estádio da Luz, assinalando a data com uma exibição que chegou a ter momentos brilhantes e que resultou na maior goleada deste campeonato até à data - e quem viu o jogo certamente terá ficado com a impressão de que se não se tivesse levantado ligeiramente o pé, os números poderiam ter sido ainda mais dilatados.

 

 

O principal destaque no onze inicial do Benfica foi o regresso do Gaitán, cuja genialidade muita falta nos fez nas semanas em que esteve ausente. De resto, e cada vez menos surpreendentemente, o Pizzi manteve a titularidade no meio campo, e o Samaris voltou após cumprido o jogo de suspensão. Quanto ao jogo, foi uma espécie de regresso ao rolo compressor. O Estoril nunca teve hipóteses - nem sequer a opção mesquinha de não respeitar a tradição na escolha do campo lhes valeu (aposto que houve dedo do Coiceiro nisto). Não conseguiu obstar nem ao de leve a imensa superioridade do Benfica, e ainda por cima apresentou-se na Luz de uma forma talvez demasiado optimista, com três jogadores na frente que quase nunca ajudaram grandemente na defesa, em particular os alas, o que deixou por diversas vezes os seus laterais desamparados em situações de um para um com o Salvio ou o Gaitán. A única estratégia do Estoril seria tentar prolongar o nulo no marcador o mais que fosse possível, mas deu logo para perceber que isso seria uma tarefa quase impossível e que assim que o primeiro entrasse muito provavelmente tudo ruiria como se de um castelo de cartas se tratasse. Com o Gaitán apostado em mostrar que a paragem não o afectou, o Salvio de regresso ao seu melhor, o Jonas endiabrado e a dupla Pizzi/Samaris a encher o campo, o Benfica cedo montou um assalto à baliza estorilista e as ocasiões começaram a suceder-se sem que o Estoril conseguisse sequer passar da linha do meio campo. O Jonas deu o primeiro aviso logo nos primeiros minutos, vendo um remate seu ser defendido para o poste. Depois voltou a estar pertíssimo de marcar, numa cabeçada bem colocada após centro do Gaitán na esquerda, que o guarda-redes voltou a defender de forma quase miraculosa com a ponta dos dedos. Do canto resultante, marcado pelo Pizzi, entrada imparável do Luisão ao primeiro poste e cabeceamento cruzado para o golo. A resistência do Estoril tinha durado pouco mais do que um quarto de hora.

 

 

A cabeçada do Luisão foi o ponto de partida para o massacre que foi a primeira parte, e daí para a frente foi o festival da nossa equipa, que no espaço de pouco menos de vinte minutos marcou mais três golos. Foram dez os que decorreram até o Salvio aparecer na cara do guarda-redes a empurrar para o fundo da baliza uma bola cruzada com toda a conta, peso e medida, como se costuma dizer, pelo Lima desde a esquerda do ataque. O Benfica continuou a desbaratar completamente a equipa do Estoril, sobretudo através de iniciativas pelos flancos, e tirando partido do constante movimento da dupla de avançados e da visão de jogo dos nossos dois médios. O terceiro golo apareceu depois de mais uma investida pela esquerda, na qual o Gaitán entrou na área e tentou centrar para o Salvio. A bola foi afastada pela defesa do Estoril para a entrada da área, onde surgiu o Pizzi que, com um remate colocado, não deu qualquer hipótese ao guarda-redes. E o quarto golo veio logo a seguir: recuperámos a bola praticamente no pontapé de saída do Estoril, e a partir daí o adversário não voltou mais a tocar-lhe enquanto ela viajou de pé para pé dos nossos jogadores, até que já dentro da área o Gaitán deixou de calcanhar para a entrada do Maxi, que depois cruzou rasteiro para o Jonas fazer um golo fácil à boca da baliza. Um momento sublime de futebol. Não parou aí o Benfica, que continuou a vulgarizar a equipa do Coiceiro e poderia ter acrescentado mais um golo ao resultado antes do intervalo. Desmarcado por um grande passe do Samaris, o Gaitán apanhou-se completamente isolado na cara do guarda-redes e tentou passar-lhe a bola por cima, mas esta acabou por sair ligeiramente ao lado.

 

 

Depois da gala da primeira parte, quase que poderia dizer que a segunda parte foi um desapontamento, mas isso até ficaria mal num jogo como este, e a verdade é que o que quer que jogássemos só muito dificilmente não empalideceria em comparação com a grande primeira parte a que tínhamos acabado de assistir.  A verdade é que com o jogo na prática ganho ao intervalo, o Benfica abrandou um pouco o ritmo e os nossos jogadores pareceram querer jogar um pouco mais para o espectáculo, enfeitando mais as jogadas. Ainda assim a nossa superioridade nunca foi colocada em causa, e conseguimos acrescentar mais dois golos à nossa conta. O primeiro num penálti do Lima, a castigar falta sobre o Jonas que cortou mais uma brilhante jogada ofensiva do Benfica, que chegou ao ponto de andar a trocar a bola dentro da área do Estoril sem que os nossos opositores conseguissem fazer mais do que ficar a ver. Pouco depois, ainda com cerca de meia hora por jogar, o Estoril ficou reduzido a dez. Não vou dizer que a nossa tarefa ficou mais facilitada porque isso seria ridículo, mas o Benfica nem sequer tirou grande partido desta vantagem numérica. O Estoril até conseguiu criar a sua única ocasião de golo durante todo o jogo, mas o Artur conseguiu ainda desviar para o poste o remate do jogador que lhe surgiu isolado pela frente. O jogo do Benfica também perdeu algum fulgor com o menor envolvimento do Gaitán, que acusou natural falta de ritmo após a paragem e acabou substituído, e também com a troca do Pizzi pelo Talisca. Ainda assim deu para chegar ao sexto golo já perto do final, novamente pelo Jonas, que fez a recarga a um primeiro remate do Ola John depois de um bom passe do Lima.

 

 

Num jogo destes daria para destacar praticamente toda a equipa. Nomeio apenas alguns, mas se outros há que não menciono é apenas por ser escusado estar a falar de todos. Há vários candidatos ao melhor em campo e eu não consigo escolher apenas um. O Pizzi voltou a fazer um jogo fantástico. À medida que vai conquistando minutos e ganhando rotina à posição, cresce a olhos vistos e neste momento não creio que o Talisca possa ambicionar a recuperar a titularidade. Um golo (o primeiro pelo Benfica para o campeonato), uma assistência, intervenção em várias jogadas perigosas, incluindo de golo, visão de jogo e capacidade de passe muito acima da média. E já repararam como voltámos a ser muito mais perigosos nos pontapés de canto desde que o Pizzi começou a marcá-los? O Gaitán voltou e a diferença notou-se logo. Desequilibra pela esquerda, desequilibra quando faz diagonais para o centro, joga que se farta e faz jogar os colegas - o Eliseu é um exemplo de um jogador que passa a ser um muito mais perigoso e interventivo nas jogadas de ataque da equipa. Hoje só lhe faltou um golo, que bem mereceu. Não sou especialista, por isso não vou afirmar que é o mais talentoso jogador a actuar em Portugal. Mas eu não o trocava por nenhum outro. O Salvio despertou de uma sequência de jogos enervante em que pouco jogava para a equipa, e hoje já foi novamente o jogador que nos habituámos a ver. O Samaris é outro caso exemplar da forma como o nosso treinador trabalha os jogadores. Depois do exemplo do Matic eu preferi manter-me calado quando logo após os primeiros jogos o grego começou a ser criticado e apontado como uma dispendiosa contratação falhada. Parece-me que vai mostrando que os críticos estavam enganados, e continua ainda a crescer de jogo para jogo, a medida que se sente mais confortável nas tarefas defensivas e se vai soltando no apoio ao ataque. O Jonas foi outro que brilhou e marcou dois golos, mas o Lima também merece destaque, não apenas pelo golo mas também pelo que jogou, com intervenção directa na maior parte das jogadas dos golos. E o Luisão também. Porque é o Luisão, porque hoje igualou o número de jogos do imortal Simões pelo Benfica e porque ficou tão bem em dia de aniversário ser ele a dar início à festa.

 

Ganhámos, goleámos, demos espectáculo. Hoje deixámos toda a gente contente. Até os adversários, que podem pegar no penálti e na expulsão do jogador do Estoril, descontextualizá-los como têm feito com praticamente todas as situações deste tipo, e adicioná-los à sua contabilidade particular que lhes permite fingir que é por algum motivo que não o futebol jogado que continuam a ter que olhar para cima e a ranger os dentes quando querem ver o Benfica.

 

Parabéns Benfica pelos teus 111 anos de Glória, e da minha parte nunca conseguirei encontrar as palavras que me permitam agradecer o suficiente por todos os momentos inesquecíveis que me tens proporcionado ao longo da vida.

por D`Arcy às 03:08 | link do post | comentar | ver comentários (17)

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