VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Terça-feira, 15.08.17

Perseverança

Uma vitória alcançada no último suspiro de um jogo muito complicado, mas que se deve sobretudo à perseverança com que o Benfica a perseguiu e continuou sempre em busca da felicidade. Mesmo perante um adversário que à medida que o tempo corria se ia fechando cada vez mais na defesa de um ponto, o Benfica lutou literalmente até ao último segundo pela vitória e foi justamente recompensado pelo esforço.

 

 

Apesar de estarmos no início da época, nesta altura já conseguimos prever facilmente qual é o onze base do Benfica. Benefícios da estabilidade. Jogaram exactamente os mesmos que tinham defrontado o Braga, e provavelmente apenas o Grimaldo e o Júlio César, quando recuperados, entrarão na equipa. A primeira parte correspondeu às dificuldades que se esperavam à partida neste jogo. O domínio foi muito repartido, sem que o Benfica fosse capaz de impor a pressão alta que tinha dado tão bons resultados nos dois primeiros jogos, e consequentemente sem conseguirmos estabelecer um domínio territorial claro. A posse de bola foi dividida, mas numa coisa levámos vantagem: é que com a bola conseguimos ser sempre bastante mais perigosos no ataque do que o Chaves. Enquanto que o nosso adversário praticamente não criou uma ocasião clara de golo, o mesmo não se pode dizer de nós. O Salvio foi o nosso jogador mais perigoso e foi dos pés dele que saíram quase sempre as melhores ocasiões para marcar, mas a finalização voltou a não ser a melhor e quando não era esse o caso aparecia o guarda-redes Ricardo ou o defesa central Nuno André Coelho a negar o golo no limite (fizeram ambos um grande jogo). No Benfica pareceu-me que vimos pouco Jonas e Pizzi, o que obviamente afecta muito a nossa produção ofensiva, e o Seferovic jogou quase à Jiménez: participativo no jogo da equipa mas a maior parte do tempo longe das zonas de finalização. Numa das raras ocasiões em que vimos uma jogada típica dele, onde se desmarcou nas costas da defesa e correu para a baliza, apareceu o inevitável Nuno André Coelho com um corte providencial a evitar que o remate acabasse em golo. O empate ao intervalo era preocupante porque o jogo estava partido e nós já tínhamos desperdiçado daquelas ocasiões que normalmente se costumam lamentar no final de jogos assim.

 

 

Mas o preço de dividir um jogo com o Benfica e acompanhar o nosso ritmo é alto, e na segunda parte depressa se começou a ver o Chaves a ter que o pagar. Se nos primeiros minutos ainda pareceu que o jogo continuaria dividido e muito partido - duas boas situações para o Benfica, incluindo uma bola ao poste pelo Jonas, e a resposta do Chaves na sua ocasião mais perigosa de todo o jogo, que proporcionou ao Varela uma boa defesa - depressa foi visível a progressiva falta de pernas do Chaves para manter o ritmo, recuando cada vez mais para junto da sua área e acabando por passar a maior parte da segunda parte dedicado exclusivamente a defender o empate. O Pizzi e o Jonas foram aparecendo cada vez mais, o jogo pelas alas também, com o Cervi em destaque, e a pressão foi-se intensificando. Mas a floresta de pernas em frente à baliza do Chaves e o acerto que se mantinha das duas unidades que já referi pareciam ser capazes de ir evitando o nosso golo. O Benfica fez um alteração a vinte minutos do final que até nem pareceu muito lógica, trocando o Cervi pelo Rafa - e não me pareceu muito lógica porque, conforme disse, o Cervi estava a ser um dos jogadores em destaque na segunda parte - e dez minutos depois fez uma aposta ainda mais deliberada no ataque total com a entrada de um terceiro avançado (Jiménez) por troca com o Salvio, passando o Rafa para a direita. Entre estas duas alterações, uma pausa para descanso que o Chaves bem deve ter agradecido, porque muitos dos seus jogadores já quase não pareciam aguentar-se de pé. Um deles foi o lateral esquerdo Furlán, que depois de um jogo todo a levar com o Salvio e o André Almeida em cima cedeu de vez, e depois de estar dois minutos estendido com cãibras acabou mesmo por ser substituído. E foi precisamente por aquele lado que, em período de descontos e quando já muitos acreditariam que o nulo se manteria até final, surgiu a jogada do golo. A própria jogada parecia já que já não daria em nada: o passe do Pizzi para as costas do lateral foi muito bom, mas o Rafa acabou por fazer o cruzamento em esforço já perto da linha final e nem acertou bem na bola, que saiu rasteira e com pouca força para a zona do primeiro poste. Mas o Seferovic acreditou, antecipou-se ao defesa e com um desvio também sem grande força fez a bola passar entre as pernas do guarda-redes. Game over.

 

 

Na minha opinião o Pizzi voltou a ser um dos melhores. A qualidade de passe e visão de jogo dele está cada vez melhor, e então quando o Chaves recuou para junto da sua área e lhe permitiu ter mais espaço para jogar e pensar abriu o livro. Fez diversos passes a rasgar para as costas da defesa que só não tiveram melhor resultado porque o André Almeida não estava muito virado para os aproveitar, hesitando quase sempre os centésimos de segundo suficientes para já não chegar à bola em condições. O Jonas acordou na segunda parte e foi outro dos responsáveis pelo assalto á baliza do Chaves. Bom jogo dos nossos centrais (pena que não tivessem tido melhor finalização nos lances aéreos na área do Chaves, em particular o Jardel) e do Cervi até ser substituído. O Salvio foi ao mesmo tempo o jogador mais perigoso do Benfica na primeira parte e o mais exasperante também, com mais algumas daquelas jogadas em que se esquece que tem colegas com quem jogar.

 

Na antevisão da Liga já tinha previsto que este seria um dos obstáculos mais complicados par o Benfica na fase inicial da época, e isso confirmou-se. Mas com uma atitude competitiva louvável conquistámos os três pontos e superámos mais este desafio, com a equipa a exibir uma saúde física impressionante tendo em conta o alto ritmo mantido durante os noventa minutos - e isto foi, sem dúvida, uma das chaves para o sucesso, pois foi evidente a incapacidade do nosso adversário para nos acompanhar. Vontade de vencer é o que não falta aos nossos jogadores, e não foi o tetracampeonato que os tornou sobranceiros. É com jogos e vitórias como esta que poderemos sonhar com a conquista de um inédito penta.

 

P.S.- O fantástico vídeo-árbitro, herói da 'verdade desportiva', não foi suficiente para evitar que ficassem dois penáltis por marcar a favor do Benfica. Em relação a um deles, acho particularmente cómico assistir aos números de contorcionismo da chusma de avençados e cartilheiros para justificar que não senhor, aquilo é um 'choque normal entre dois jogadores que disputam a bola' e completamente diferente do lance do holandês mergulhador que permitiu aos crónicos campeões da pré-época e vencedores antecipados de todos os campeonatos sacar três pontos do jogo com o Setúbal. Quanto ao outro, a mesma chusma considera que 'era um lance impossível para o árbitro ver'. Pois, eu pensava que era precisamente para lances desses que existia um vídeo-árbitro...

por D`Arcy às 20:40 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Quinta-feira, 10.08.17

Repetição

Depois de termos ultrapassado o Vitória na Supertaça, repetimos a dose frente aos seus vizinhos e rivais minhotos. E 'repetição' é mesmo uma boa forma de descrever o jogo desta noite, que teve um resultado e uma evolução do marcador igual, mas onde apesar de não termos conseguido fases prolongadas de domínio territorial tão flagrante como no jogo anterior, saí do estádio com a sensação de que a vitória foi mais fácil de conquistar.

 

 

O onze foi quase o mesmo da Supertaça, apenas com a troca forçada do Grimaldo pelo Eliseu. Esperava que o Benfica aplicasse a mesma fórmula de pressão em todo campo que tão bem tinha resultado na Supertaça, mas por estratégia ou incapacidade isso não aconteceu. O jogo, conforme disse, teve um domínio repartido, com as duas equipas a jogar de forma relativamente aberta e a tentarem chegar ao golo, mas depressa o Benfica começou a parecer mais perigoso e capaz de marcar primeiro. O que aconteceu aos quinze minutos, numa boa combinação entre os dois avançados que acabou com o Seferovic a concretizar ao segundo poste um cruzamento largo do Jonas. Depois de aberto o marcador, o domínio do Benfica intensificou-se, e depois de uma série de ocasiões em catadupa (Seferovic, Jonas, Salvio) o segundo golo apareceu com toda a naturalidade. Livre despejado de muito longe pelo Pizzi para a área e alívio de cabeça disparatado do Raúl Silva, que fez a bola subir e cair perto do limite da mesma. Onde estava o Jonas à espera dela para rematar de primeira sem a deixar cair, levando-a a entrar bem junto do poste. Este lance deu-me um pequeno prazer adicional, que foi o facto do disparate ter sido cometido por um de dois jogadores na equipa do Braga por quem nutro uma particular antipatia (o outro é o Jefferson). Depois foi a repetição do jogo com o Vitória, com o Benfica a continuar a dominar o jogo perante um Braga quase inofensivo e que quase só conseguia aproximar-se da nossa baliza quando aproveitava algum livre para despejar a bola para essa zona. E quando tudo indicava que o terceiro golo era o cenário mais provável, com o Salvio a assumir o mesmo destaque na vertente do desperdício, o Braga é que acabou por reduzir contra a corrente do jogo quase em cima do intervalo. Um lance em que me pareceu haver demasiada passividade por parte do Eliseu e, sobretudo, do Jardel, que permitiu que o Hassan lhe fugisse nas costas para depois finalizar bem já com um ângulo muito apertado. Nos instantes antes do intervalo, o Benfica ainda conseguiu criar mais uma boa ocasião, mas mais uma vez o Salvio não conseguiu finalizá-la da melhor forma.

 

 

Para evitar os sobressaltos do jogo anterior, o melhor seria mesmo marcar o terceiro golo nos primeiros minutos da segunda parte, e foi isso que o Benfica tentou fazer. O Braga não conseguia criar muitas situações de perigo, mas quando lá foi conseguiu assustar, porque fez mesmo a bola entrar na nossa baliza mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. Praticamente na resposta a esse lance, o Benfica chegou ao golo. Passe do Jonas para a desmarcação no Cervi pela esquerda, o cruzamento deste foi desviado por um defesa do Braga para a própria baliza, mas em cima da linha ainda apareceu o Salvio para confirmar. Estavam decorridos doze minutos, e por isso cumprimos o exigível para evitar sobressaltos. A partir daqui o vencedor do jogo ficou na prática decidido, mas não o resultado, porque o Benfica continuou a carregar e a mostrar que o quarto golo era uma probabilidade muito grande. Não aconteceu, umas vezes por mérito do guarda-redes do Braga, outras por falta de pontaria nossa, mas fica na retina a forma como a nossa equipa não descansou sobre o resultado e continuou sempre a tentar oferecer ao público que quase lotou a Luz mais explosões de alegria. O Braga por sua vez foi quase inexistente no ataque, mas quando foi à frente voltou a introduzir a bola na nossa baliza, com o lance a ser mais uma vez invalidado por fora-de-jogo. Nos minutos finais a substituição do costume para consolidar o meio-campo, com a troca do Salvio pelo Filipe Augusto, e uma pequena prenda mesmo a acabar para o Diogo Gonçalves, permitindo-lhe a estreia oficial na equipa principal do Benfica.

 

 

O Seferovic é um dos destaques deste jogo. Remate muito fácil e pronto com os dois pés, boa capacidade de desmarcação e muito lutador. Marcou na estreia oficial, voltou a marcar na estreia na Luz, e se continuar neste registo irá de certeza marcar muitos mais esta época. Jonas, sempre e obviamente. Um golo, uma assistência, e o passe decisivo para o Cervi no lance do terceiro golo. Antes de marcarmos o primeiro golo dizia para mim mesmo que o Jonas estava muito escondido do jogo. Assim que apareceu, ofereceu o golo ao Seferovic. Também inevitável destacar o Pizzi. É o cérebro da equipa e quase todo o jogo ofensivo passa pelos seus pés numa ou noutra fase. O Fejsa foi a regularidade do costume. Gostaria também de destacar o André Almeida. Não tem obviamente a técnica ou a velocidade do Nélson Semedo, mas é um pêndulo. Está completamente identificado com o futebol da equipa, sabe perfeitamente como e quando se integrar nos movimentos ofensivos ou defensivos e hoje exibiu uma confiança que até achei anormal nele, com vários toques e pormenores de classe. O Salvio fez um jogo muito à imagem de vários a que assistimos a época passada, alternando o bom com o disparate, conseguindo um golo que atenua as más decisões que tomou durante o jogo, sobretudo na primeira parte.

 

Dois jogos contra duas das melhores equipas da nossa liga, duas vitórias convincentes. Acho que as notícias da crise do tetracampeão começam a parecer manifestamente exageradas.

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por D`Arcy às 02:37 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 06.08.17

Regresso

 

Regresso à nova época exactamente no mesmo registo em que terminámos a anterior: a conquistar mais um troféu, com toda a naturalidade. A exemplo do futebol, também eu decidi fazer um defeso e ignorar completamente a pré-época. À falta de notícias, nos últimos anos passou-se a dar uma importância desmesurada a esta altura da época, e a tentar construir cenários e emitir opiniões quase definitivas sobre o que será toda uma época com base nestes treinos um pouquinho mais puxados. Já não tenho paciência para as opiniões dos 'especialistas' e para as previsões por eles feitas (agora só acredito no Nhaga) e estando ainda por cima vacinado com várias pré-épocas do Benfica classificadas de 'catastróficas' que depois resultaram em finais de época gloriosos, nesta altura opto por já nem sequer me dar ao trabalho de ver os jogos disputados em Julho. São 'jogos-treino', como se costumava chamar-lhes antes, e como tal não me merecem mais importância do que isso mesmo: um treino.

 

Quanto ao jogo desta noite, um mero regresso à normalidade. Sim, o Benfica perdeu três jogadores de valor (ou melhor, não perdeu, vendeu-os por um monte de dinheiro a clubes com maior poderio financeiro e que lhes podem proporcionar condições salariais com as quais não podemos competir) mas, embora ache que o Benfica fará bem em procurar soluções alternativas para essas posições caso a oportunidade apareça, não acho que estejamos em desespero de causa para contratar, porque as soluções imediatas existem dentro de casa e essas não implicarão necessariamente que a equipa abane demasiado. O André Almeida participou em todos os títulos do tetra e foi titular indiscutível no tricampeonato. O Jardel substituiu o Garay e foi também titular indiscutível no bicampeonato e no tricampeonato, perdendo esse estatuto a época passada devido às sucessivas lesões. E o Júlio César foi também o titular nesses dois campeonatos conquistados, perdendo a titularidade na fase final do segundo quando se lesionou e o Ederson agarrou a oportunidade. Não estamos a falar de uns jogadores quaisquer, sem experiência de Benfica, de campeonato nacional ou de serem campeões para que agora estejamos a traçar já cenários de desespero. 

 

Posto isto, o que esperava para esta noite foi o que aconteceu: com o fim das experiências de pré-época e o regresso a um onze mais rotinado, superioridade natural sobre o Vitória e conquista de mais um troféu. Uma entrada de rompante do Benfica, a pressionar o Vitória para junto da sua área, a conseguir por isso mesmo recuperar a maior parte das bolas ainda dentro do meio campo adversário e dois golos de rajada, aos sete pelo Jonas e aos onze pelo estreante Seferovic, a reflectirem essa grande entrada (para além do suíço, as outras 'novidades' no onze foram aqueles que substituíram os jogadores que foram vendidos: Varela na baliza, Jardel e André Almeida). Mesmo com dois golos de vantagem a superioridade do Benfica manteve-se ao longo de praticamente toda a primeira parte, ao ponto de achar que ao intervalo já o resultado do jogo deveria estar longe de qualquer tipo de discussão, tais foram as ocasiões flagrantes para o Benfica ampliar a vantagem. Mas já quase à saída para intervalo o Vitória conseguiu reduzir num golo literalmente caído do céu, porque até então nada tinha feito para o justificar, e assim reentrou na discussão pelo resultado. Na segunda parte o Vitória conseguiu estar melhor do que na primeira e disputou o jogo praticamente de igual para igual com o Benfica, dispondo mesmo de ocasiões para empatar e conseguindo durante certas ocasiões algum domínio territorial que nunca tinha sequer cheirado durante a primeira parte, mas com o Benfica também a dispor de ocasiões para fazer o terceiro e sentenciar de vez o encontro. O que acabou por acontecer a sete minutos do final, num bonito golo do recém-entrado Jiménez, que finalizou com um remate de primeira e em arco um passe do inevitável Pizzi. Pizzi que, diga-se, foi indiscutivelmente o homem do jogo, uma vez mais a mostrar (se por acaso a época anterior ainda não tiver sido prova suficiente disso) o quão fundamental é no futebol do Benfica.

 

Está feito, o Museu Cosme Damião vai ter que arranjar espaço para mais uma taça, e pode ser que pelo menos durante um par de dias possamos descansar e deixar de ouvir falar sobre as catástrofes que nos esperam para esta época, as conquistas que os nossos adversários já praticamente garantiram, e os camiões de jogadores que o Benfica terá obrigatoriamente que contratar se quiser ter a esperança de pelo menos lutar pelo acesso a um lugar europeu. Uma nota final para o vídeo-árbitro (vulgo 'verdade desportiva'), que pela segunda vez não conseguiu cumprir as enormes expectativas em si depositadas pelos nossos adversários, sendo incapaz de impedir que o Benfica conquistasse mais um troféu. Se esta tendência continuar, prevejo uma inversão radical no discurso deles, e uma rápida passagem do vídeo-árbitro de 'verdade desportiva' a vilão da época.

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por D`Arcy às 02:27 | link do post | comentar | ver comentários (5)

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