Primeira

E ao fim de quatro jogos, a primeira vitória. Mas foi preciso, e muito por culpa própria, suar e sofrer muito para consegui-la. Este tipo de jogos pode ser muito bonito sob o ponto de vista do espectáculo, muito emotivo e tudo mais, mas eu sinceramente dispenso tanto sofrimento desnecessário. E é desnecessário porque só podemos culpar-nos a nós próprios por termos oferecido ao adversário, ainda por cima várias vezes, a oportunidade de acreditar até ao fim.

Este jogo marcou o regresso à fórmula utilizada preferencialmente na pré-época, com o Rúben Amorim a ocupar o lado direito do meio campo. A única surpresa foi mesmo a chamada do Jorge Ribeiro para o lugar do Léo na defesa, mas os plantéis são para se gerir, e se ele está no plantel (com muita pena minha, acrescento já), então é para jogar quando necessário. A dupla inédita de centrais foi formada pelos 'putos' Sídnei e Miguel Vítor - não havia mesmo outra opção. O Benfica teve uma boa entrada no jogo, e logo aos seis minutos colocou-se em vantagem, numa jogada exemplar de contra-ataque, em que o Carlos Martins lançou o Reyes na esquerda e este fez um cruzamento certinho para os pés do Nuno Gomes, que marcou facilmente de primeira. Parecia lançado o Benfica, mas a exemplo do que aconteceu com o Nápoles, não demorou muito até que o adversário respondesse. Na sequência de um canto o Reyes falha o alívio, e o remate do jogador do Paços acabou por tabelar no Sídnei e não dar hipóteses de defesa. Andamos com pouca sorte nos ressaltos.

O Benfica abanou com este golo, e nos cerca de dez minutos que se seguiram a qualidade do nosso jogo deixou muito a desejar. Foi só com a chegada do segundo golo, pouco depois da meia hora, que voltámos a assentar. Um bom cruzamento do Rúben Amorim encontrou o Nuno Gomes desmarcado na esquerda, e à defesa do guarda-redes adversário seguiu-se a recarga vitoriosa do Maxi. Daqui até final da primeira parte, o Benfica controlou e dominou o jogo como quis, ameaçando chegar mesmo ao terceiro golo, o que acabou por acontecer perto do intervalo através um penálti claro, assinalado por mão na bola do defesa do Paços, e que o Cardozo se encarregou de converter. Mesmo em cima do apito, quase marcámos o quarto, tendo sido um defesa do Paços sobre a linha de golo a evitá-lo, travando o remate do Sídnei.

Pensei eu (obviamente mal) que o jogo estaria resolvido. O que eu não esperava era a forma frouxa, até mesmo quase displicente, como decidimos aparecer para a segunda parte e gerir o resultado. Foi exasperante ver-nos incapazes de circular a bola e manter a sua posse. O Paços agradeceu, cresceu e começou a tentar a sua sorte. Que chegou mesmo, num lance absolutamente estúpido. Primeiro é o Sídnei que concede um livre lateral ao decidir agarrar a bola antes do apito do árbitro (é certo que me pareceu que ele sofreu mesmo falta quando protegia a saída da bola, mas o que conta é o apito do árbitro). Depois, na sequência do cruzamento, é o Quim, completamente à vontade, a ter um ataque de mãos de manteiga e a deixar escapar uma bola que era sua, o que resultou no segundo golo do Paços. E pronto, lá ficaram eles ainda mais motivados, e nós a não mostrar vontadinha nenhuma de alterar as coisas, como se aquele golo de vantagem fosse a coisa mais tranquilizante do mundo. O que nos foi valendo foi mesmo que o Paços nunca conseguiu criar grandes oportunidades de golo em futebol corrido, porque tendo em conta o à vontade com que os deixávamos ter a bola, as coisas eram capazes de ter ficado mais complicadas caso eles mostrassem um pouco mais de inspiração.

Inspiração teve o Jorge Ribeiro, que praticamente do nada inventou um grande pontapé que resultou no 4-2 (não é por causa disto que eu passo a ficar feliz por tê-lo no nosso plantel - se ele marcar um golo destes que nos dê a vitória na final da Taça UEFA talvez haja a remota possibilidade de eu mudar de opinião). E pronto, lá fiquei eu mais uma vez convencido que agora é que era, que o jogo estaria finalmente resolvido, até porque o Paços acusou bastante o golo e o Benfica, agora mais calmo, tinha clareiras enormes no meio campo adversário para poder construir lances de ataque. Só que mais uma vez, lá resolvemos contribuir para a popularidade do desporto rei, e adicionar mais uma pitada de emotividade até final. A cinco minutos do fim, em mais um canto, um mau alívio do Maxi Pereira - para a entrada da pequena área - e uma passividade quase total dos nossos jogadores resultaram no terceiro golo do Paços. E depois foi sofrer até final, embora o Paços continuasse apenas a ser capaz de criar perigo na sequência de bolas paradas - só que através destas ainda conseguiu, nos cinco minutos até final mais outros cinco de desconto, criar duas boas ocasiões para marcar. Após a segunda dessas ocasiões - sobre o apito final, salva pelo Quim - lá consegui voltar a respirar, após ter sustido a respiração durante aqueles últimos dez minutos (acho que já estava a ficar azul, e o azul não é uma cor muito aconselhável).

Melhores/piores? Gostei muito da primeira parte do Nuno Gomes, a jogar como há muito não o via. Sem se esconder do jogo, a tabelar bem com os colegas, a desmarcar-se bem e a aparecer decidido em zonas de finalização. Continuo a gostar muito do Yebda; é um poço de força, e tem um raio de acção enorme, aparecendo, por exemplo, diversas vezes junto à linha a cruzar, sendo que no lance seguinte já está outra vez na sua posição de recuperador de bolas no meio campo. Bom jogo também do Rúben Amorim no regresso à titularidade. Pela negativa, a defesa. Ou melhor, nem será justo particularizar a defesa em si, mas sim a forma como a equipa num todo defendeu. Sofrer três golos - todos na sequência de bolas paradas - do Paços de Ferreira não é admissível para uma equipa como o Benfica. Em relação à defesa em si, até acabei por gostar mais da actuação dos dois centrais (raramente erraram), que supostamente são mais inexperientes, do que da dos dois laterais. Não percebo como é que os comentadores andavam a elogiar a exibição do Jorge Ribeiro, por exemplo, quando o que eu via era que o Paços entrava por aquele lado quase quando e como queria (e do outro lado o Maxi não esteve muito melhor).

Enfim, o que conta mesmo é a vitória, e a diversão que foi ver este jogo (esta 'diversão' só é perceptível a posteriori, com o conhecimento de que ganhámos o jogo - se este tivesse acabado 4-4 já não teria piada nenhuma). Agora é continuar a ganhar, de preferência já para a semana contra as carpideiras do Lumiar.

por D`Arcy às 01:45 | link do post | comentar