Emprenhadores e emprenhados.

O âmago do Benfica exige qualidade, espírito de sacrifício, capacidade de se transcender e vitórias. Esse mesmo âmago exige capacidade crítica e apoio incondicional dos adeptos.

 

Nesta pré-época a equipa está a jogar bem e recomenda-se. Demonstra claramente que o “sistema” terá de se esforçar ainda mais para nos afastar do título de campeão. Num momento como este esperar-se-ia um apoio total à equipa e uma união em torno do Clube. Apenas com essa união incondicional conseguiremos dar aquele 'extra 'que pode fazer a diferença e ajudar a que o “sistema” ganhe um pouco de vergonha nas suas práticas criminosas.

 

Ainda assim, e seguindo a opinião dos “queirózes” de mão que abundam pelos pasquins, vou vendo alguma gritaria vinda de onde menos se esperaria. Só o prazer de exibir o histerismo de quem se compraz na antecipação sistemática do apocalipse me permite perceber as reacções daqueles que, num momento de vitória, conseguem atirar as suas atenções para a boataria, para a especulação, para o diz-que-disse, para as fantásticas fontes de onde brotam diariamente as sementes que emprenham os tais apocalípticos de conveniência.

 

Um destes dias, pode ser a seguir à próxima vitória, ainda verei os emprenhadores do costume a especular, na sua douta sapiência de clínico geral, sobre a próxima anunciada venda de um, repentinamente, imprescindível futebolista; a contratação de uma mão cheia de novos "Eversons" que apenas servem para untar as patas dos intermediários; o tamanho das meias do Saviola; a qualidade e composição da água da rega do Estádio; a escala do poleiro da águia Vitória ou o facto de o referendo das cores da camisola alternativa para a próxima época não contemplar a possibilidade do voto nulo.

 

Sobre tudo isto escreverão e sobre tudo isto continuarei a ver muita gente emprenhar pelos ouvidos e, consequentemente, a parir ecos de boatagem pasquineira pela boca.

por Pedro F. Ferreira às 23:30 | link do post | comentar