Primeiro
Missão cumprida. Apuramento para a próxima fase conseguido, e primeiro lugar do grupo garantido, ainda com uma jornada para jogar, num jogo com duas partes bastante diferentes, e no qual alguns jogadores que não costumam ser primeiras escolhar mostraram que são opções válidas aos habituais titulares.
Como vem sendo habitual na Liga Europa, Júlio César na baliza. Face às indisponibilidades do Luisão e do Sídnei, jogou o Miguel Vítor ao lado do David Luiz, conforme esperado. Daí para a frente, apenas há a destacar a poupança do Aimar e do Di María, sendo os seus lugares entregues ao Felipe Menezes e ao Fábio Coentrão. O Benfica teve uma entrada agradável no jogo, mas depressa esta sensação se desvaneceu, pois o jogo entrou numa toada mais equilibrada, com a bola a alternar perto de uma e outra baliza, mas sem que se visse bom futebol. O BATE apostava em lançamentos longos para os homens da frente, enquanto que nós íamos perdendo bolas no meio campo sempre que tentávamos fazer o nosso jogo de passes mais curtos. Para além disso, cometemos diversas faltas, que o BATE aproveitava para tentar fazer a bola chegar com perigo à nossa baliza. Foi num desses livres que aconteceu a jogada mais perigosa da primeira parte, com a bola, cruzada/rematada da direita, a bater na barra da nossa baliza, tendo a recarga ainda passado perto. Fora isto, a primeira parte não nos ofereceu muitos mais motivos de interesse. Apesar da necessidade imperiosa de vencer, o BATE parecia estar algo receoso do nosso contra-ataque, e nunca arriscou em demasia, enquanto que da nossa parte não parecia haver grande interesse em aumentar o ritmo.
A segunda parte foi bastante diferente, e claro que o motivo principal para que isso acontecesse terá sido o facto de termos marcado na primeira jogada que fizemos. Foi uma boa jogada de ataque, onde o Menezes aproveitou um passe de calcanhar do Coentrão para ganhar a linha de fundo, sobre a esquerda do ataque, e depois centrar atrasado para o Saviola marcar mais um golo na Liga Europa. Este golo deu confiança à nossa equipa, que agora trocava melhor a bola e conseguia mostrar a sua superioridade. Pouco depois dos quinze minutos, o Benfica praticamente matou o jogo quando, após mais uma boa jogada de ataque, o Saviola passou a bola ao Coentrão e este, dentro da área e mais uma vez sobre a esquerda, marcou com um bom remate cruzado. O jogo teria ficado resolvido ali mesmo, mas cinco minutos depois o BATE acabou por chegar ao golo de forma feliz (um autogolo do Miguel Vítor após a bola, cabeceada por um adversário, tabelar em si e seguir para a baliza), e voltou a acreditar. O Benfica pareceu tremer um pouco com o golo, e não soube aproveitar os muitos espaços que o adversário, empolgado com o golo, ia cada vez mais dando na defesa. Mesmo com o Aimar em campo, que idealmente seria o jogador para explorar esses espaços, pareceu-me que desperdiçámos várias ocasiões de contra-ataque (o próprio Aimar acabou por ter a melhor ocasião para marcar quando, solicitado pelo Cardozo, ficou na cara do guarda-redes e acabou por acertar-lhe com a bola). Do lado do BATE havia muita vontade, mas só mesmo recorrendo a livres e cantos é que conseguiam dar alguma sensação de perigo, e foi portanto sem grandes sobressaltos que chegou o final do jogo, com a vitória a sorrir às nossas cores.
Gostei bastante de ver o Felipe Menezes hoje. E não só pela jogada do primeiro golo, já que teve diversos pormenores muito bons. É ainda jovem, está a adaptar-se ao nosso futebol, mas poderemos ter ali no futuro um substituto para o Aimar. Gostei também do jogo do Coentrão, com um bom golo e não me deixando sentir a falta do Di María.
Foi bom conseguirmos esta vitória, que fechou definitivamente as contas do apuramento no nosso grupo. Mesmo não sendo fundamental, foi importante ganharmos, porque consigo imaginar o regabofe que seria e o que se diria caso o Benfica ficasse sem vencer num terceiro jogo consecutivo. Assim alguma gente sempre pode ir recolhendo as garras e as línguas bifurcadas, guardando-as para a próxima ocasião. Liga Europa resolvida, voltemo-nos agora para a Liga Portuguesa, e para o próximo jogo frente à equipa do rapaz que teve o bom senso de deixar o sportém a ver navios. Para ver se regressamos às vitórias na nossa Liga, depois da crise provocada pelo longo interregno de uma jornada sem vencer.

