VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 30.08.15

Ferros

Vitória arrancada a ferros sobre o Moreirense, num jogo em que mais uma vez jogámos muito mal durante a maior parte dele, para depois começar a resolver o problema que nos criámos a nós próprios outra vez a partir do minuto setenta e quatro. Acabou por ser um jogo bastante semelhante ao do Estoril, mas com duas diferenças: o resultado foi menos desequilibrado e, ao contrário desse jogo, desta vez quem o ganhou foi mais o querer e a qualidade individual dos jogadores e não tanto a equipa como um todo.

 

 

Desta vez o Victor Andrade foi titular no lado direito do ataque, sendo esta a única alteração ao onze que tinha iniciado o jogo frente ao Arouca. Quanto ao jogo jogado, infelizmente vi mais do mesmo. Ou até menos do que o mesmo a que me tenho vindo a habituar, porque sinceramente achei que hoje até jogámos pior do que nos jogos anteriores. Jogo muito mastigado, previsivelmente lento, e portanto uma presa demasiado fácil para um Moreirense que, sem surpresas, se acantonou à frente da sua área na defesa do empate. A ideia subjacente ao tipo de futebol que o Rui Vitória pretende implementar no Benfica é dar mais 'conforto' aos jogadores, ou seja, um futebol de maior posse de bola e menos correrias. O problema é que até agora isto resulta num estilo de jogo extremamente lento e previsível, e que definitivamente não parece ser a fórmula mais eficaz para ultrapassar a forma como a maioria das equipas se apresenta frente ao Benfica. A mim parece-me que transições rápidas, em que fazemos a bola e vários jogadores chegar a zonas de finalização o mais rapidamente possível e em que apanhamos o adversário desorganizado, dá melhores resultados do que ataques organizados lentamente a partir de trás, com toda a equipa a avançar em bloco, e que quando chegamos à frente apanhamos com os defensores todos posicionados e organizados, acabando nós a batalhar contra uma muralha e a tentar furá-la sobretudo pelo meio. Mas isto é apenas uma opinião minha, eu não tenho cursos de treinador e estou longe de ser um entendido na matéria. Falo apenas daquilo que eu gosto ou não de ver dentro do campo. O que é certo é que mais uma vez o que quer que tenhamos tentado fazer na primeira parte não resultou, ficámos sobretudo dependentes de acções individuais para tentar criar algum perigo e, pior ainda, o Moreirense colocou-se em vantagem assim que conseguiu fazer um remate à nossa baliza. Só depois disso é que vi o Benfica criar uma flagrante ocasião de golo, mas o Jonas conseguiu fazer o mais difícil e rematou ao lado quando tinha tudo para marcar. Quanto ao Moreirense, se já vinha jogar para o empate e tinha começado logo desde o início a praticar antijogo (aos cinco minutos já o guarda-redes estava a pedir assistência), ao apanhar-se a ganhar tornou a coisa ainda pior e mais flagrante. Foi vê-los a cair como moscas, e o jogo a arrastar-se penosamente até ao intervalo.

 


Contra o Estoril foram as alterações após uma hora de jogo que começaram a mudar o seu rumo. Desta vez o Rui Vitória decidiu não esperar tanto tempo e fez logo duas substituições ao intervalo, deixando o Pizzi e o Victor Andrade no balneário e trocando-os pelo Talisca e o Gonçalo Guedes. O Talisca até trouxe mais alguma verticalidade ao nosso jogo e o Guedes mais alguma agressividade ao flanco direito, mas no geral pouco mudou e continuámos a revelar imensas dificuldades para criar grandes embaraços à defesa do Moreirense. No ataque o Mitroglou ainda parece estar demasiado lento e preso de movimentos, mas tem presença física e hoje conseguiu por algumas vezes segurar a bola e abrir espaços para os colegas. Foi assim que proporcionou a segunda grande ocasião de golo ao Jonas, que desta vez rematou por cima da baliza. Instantes depois foi o próprio Mitroglou a desperdiçar uma grande ocasião, vendo o guarda-redes defender um cabeceamento seu para a barra da baliza (poderia ter finalizado bem melhor). O tempo continuava a escoar-se e o resultado não se alterava, o que levou o Rui Vitória a recorrer basicamente à mesma alteração que tinha tentado contra o Arouca. Fez entrar um terceiro avançado (Jiménez) trocando-o pelo Eliseu, e colocando um extremo a lateral esquerdo. Desta vez foi o Gaitán, contra o Arouca tinha sido o Carcela. A alteração foi feliz, pois um minuto após a entrada em campo o Jiménez cabeceou de forma irrepreensível um cruzamento do Gaitán para empatar a partida. E ainda o público nem se tinha acabado de sentar todo após os festejos do primeiro golo quando o Samaris, num remate de fora da área depois de um bom trabalho do Mitroglou, colocava o Benfica em vantagem. Parecia mesmo um déjà vu do jogo contra o Estoril, mas desta vez pareceu-me que nos retraímos após a obtenção da vantagem. Como tínhamos em campo uma equipa muito descompensada, com três avançados e com o Gaitán a lateral, defender a magra vantagem seria sempre uma estratégia que envolvia riscos. Infelizmente o Moreirense voltou mesmo a marcar, no segundo remate que fez à baliza em todo o jogo. É certo que o golo foi precedido de um fora de jogo tão evidente que custa (ou se calhar não) perceber como foi possível validá-lo, mas o que é certo é que foi mesmo validado e agora víamo-nos empatados em casa com apenas cinco minutos para jogar. Felizmente não foi preciso sofrer muito, porque um novo cruzamento certeiro do Gaitán permitiu tirar o máximo partido da presença dos três avançados em campo, com o Jiménez a arrastar o defesa e o Jonas a surgir sozinho no interior da área para rematar de primeira e voltar a colocar o Benfica em vantagem (parecendo depois pedir desculpa pelas duas ocasiões falhadas). Vantagem que conseguimos então controlar até final sem sobressaltos.

 

 

O homem do jogo para mim foi o Gaitán, que já soma quatro assistências para golo nos jogos disputados esta época. Vão ser dois dias muito longos até ao fecho da janela de transferências, porque na minha opinião a sua saída será praticamente impossível de colmatar com a mesma qualidade. Os miúdos Victor Andrade e Nélson Semedo não estiveram tão bem hoje, pecando por excesso de individualismo. Mas neste momento a minha maior preocupação começa a ser a forma do Luisão. Para mim é talvez o jogador mais importante do Benfica, mas esta época ainda está longe do nível a que nos habituou. Para além de erros individuais, vistos também na pré-época, vejo-o muitas vezes em situações onde se encontra completamente desposicionado, o que não é nada habitual nele. Espero que volte o quanto antes ao nível a que nos habituou.

 

O resultado foi a vitória, mas ele não faz com que eu esqueça aquilo que vi esta noite. De uma forma sucinta, a opinião que tenho é que ganhámos este jogo sobretudo porque temos melhores jogadores do que o Moreirense. Porque em termos de equipa propriamente dita, o que eu vejo é ainda muita balbúrdia e indefinição dentro do campo. A justiça da vitória é incontestável e todas as estatísticas do jogo mostrarão que o Benfica fez muito mais do que o Moreirense para o ganhar, mas há muito que trabalhar e há muito que melhorar para atingirmos o nível que esperamos do futebol do Benfica. Nem sempre o talento individual dos nossos jogadores ou um lance fortuito mais bem conseguido conseguirá resolver um jogo no qual oferecemos demasiado tempo ao adversário. Como contra o Arouca.

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por D`Arcy às 02:32 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Segunda-feira, 24.08.15

Desperdício

Tínhamos uma grande oportunidade para nos isolarmos no topo da tabela, aproveitando o empate do Porto na Madeira para ganharmos já uma vantagem pontual sobre eles. Mas infelizmente conseguimos fazer ainda pior, e registar uma inédita derrota frente ao Arouca jogando numa casa emprestada que foi praticamente nossa.

 

 

Apresentando um onze com uma única alteração em relação ao da primeira jornada (Samaris no lugar do Fejsa), o jogo acabou por ficar marcado e decidido pela má entrada que tivemos. A defender de forma desastrada, sofremos um golo logo aos dois minutos e andámos praticamente aos papéis nos minutos que se seguiram, só não vendo a desvantagem aumentar devido a uma boa intervenção do Júlio César. Depois, aos poucos, fomos melhorando e empurrando o Arouca para trás, remetendo-os a defender a sua área e a recorrer cada vez mais frequentemente às faltas para travar os nossos jogadores. Mas não soubemos tirar partido de nenhum dos livres daí resultantes. A segunda metade da primeira parte foi praticamente um assalto constante à baliza do Arouca, mas de uma maneira ou de outra aparecia sempre o guarda-redes ou um outro jogador adversário para fazer a defesa ou o corte no limite e impedir um golo que por vezes parecia certo. Quando não era isso a acontecer, era a falta de pontaria na finalização dos nossos jogadores a encarregar-se de manter o Arouca em vantagem no marcador até ao intervalo, um resultado que me parecia francamente injusto. Mas à saída para os balneários eu pensava que se o Benfica continuasse a jogar daquela forma e com aquele pendor ofensivo, o golo seria inevitável.

 

Infelizmente não foi isso que vi na segunda parte, para a qual regressou o Victor Andrade no lugar do Ola John (para variar até nem estava desagradado com o jogo do holandês). Continuámos sempre por cima do jogo, é certo, mas a produção ofensiva não foi a mesma. Para começar, a velocidade com que jogámos foi inferior, e mais uma vez se viu aquilo que tínhamos visto no jogo com o Estoril. Contra uma equipa que se fecha toda junto da sua área, se demoramos uma eternidade a fazer a bola chegar ao ataque apanhamo-los todos posicionados na defesa e depois torna-se muito complicado desmontar aquela fortaleza. Pareceu-me também que fomos insistindo cada vez mais pelo centro em vez de explorar mais as alas, facilitando assim a tarefa aos jogadores do Arouca - contra o Estoril foi pelas alas que conseguimos resolver o problema. Por diversas vezes vi os jogadores das alas a receber a bola e a virem para dentro para tentar o remate, que invariavelmente acabava por esbarrar em algum jogador adversário. Na fase final então acabámos a jogar com três avançados, quase numa de 'tudo à molhada' na área para ver se dali saí alguma coisa, mas já era tudo feito mais em desespero de causa do que com a cabeça, pelo que a probabilidade de sucesso era baixíssima. No cômputo final o Benfica fez mais do que o suficiente para ganhar este jogo, sobretudo durante a primeira parte, mas pagou bem caro uma entrada desconcentradíssima no jogo e uma segunda parte que não conseguiu acompanhar o que de melhor chegou a fazer durante a primeira parte, sobretudo por (pareceu-me) ter jogado com uma intensidade menor.

 

Num jogo que acabou por me deixar a imagem de demasiado confuso não consigo escolher jogadores que se tenham destacado claramente. Elogio o Júlio César pelo trabalho que fez, conseguindo evitar que o Arouca chegasse cedo a uma vantagem mais confortável e gostei dos passes do Pizzi no ataque durante a primeira parte. Mas acho que os jogadores estiveram todos num nível mais ou menos semelhante.

 

A primeira derrota acabou por surgir à segunda jornada, e que sabe ainda pior por causa do desperdício da oportunidade para nos distanciarmos do rival. Face ao início de campeonato teoricamente fácil que temos, teria sido muito importante somar doze pontos nas quatro primeiras jornadas e ainda melhor ir a seguir ao Porto com vantagem pontual. Mas já se sabe que se há uma forma mais fácil de fazer as coisas, normalmente não é essa a que escolhemos.

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por D`Arcy às 00:20 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 17.08.15

Estreia

Na estreia do Estádio da Luz esta época, primeira vitória com o novo treinador. Foi um jogo no qual vimos duas faces do Benfica: a primeira, que durou um pouco mais de uma hora, foi aquela que tínhamos visto durante os jogos da pré-época e na Supertaça; a segunda, dos vinte e cinco minutos finais, foi completamente diferente para muito melhor. Espero que essa face tenha vindo para ficar.

 

 

O onze escolhido para iniciar o campeonato não apresentou muitas novidades. O Nélson Semedo manteve a titularidade que tinha conquistado no jogo da Supertaça, tal como o Ola John à sua frente. A alteração principal foi a presença do Mitroglou como homem mais avançado, o que permitiu libertar o Jonas para as funções que ele tão bem sabe desempenhar. Alguma surpresa apenas pela escolha do Fejsa para actuar como médio mais recuado, pois esperaria que fosse o Samaris a jogar. A primeira parte do Benfica foi, conforme disse já, bastante fraca. Muitas dificuldades para sair para o ataque, muita lentidão e futebol muito confuso. Demorámos mais de vinte minutos até conseguir fazer o primeiro remate no jogo, o que espelha bem a pouca eficácia atacante da equipa. Iam-se destacando o Nélson Semedo e o Gaitán pelas iniciativas individuais, a que na maior parte dos casos eram mesmo forçados porque simplesmente não tinham colegas a quem passar a bola. O Estoril apresentou-se muito fechado junto à sua área e a jogar com bastante agressividade na disputa da bola, o que em nada facilitou a nossa tarefa. O que mais me preocupou foi a lentidão de processos na saída para o ataque, expressa em excessiva posse de bola e demasiados passes em zonas perigosas. Quando finalmente chegávamos à frente, já apanhávamos toda a equipa do Estoril posicionada e a dar muito pouco espaço. O Mitroglou teve uma boa ocasião para marcar, após centro do Jonas, mas o remate saiu para a bandeirola de canto, e para além disso apenas numa outra ocasião estivemos muito perto de marcar, e já perto do intervalo, quando após um canto o Gaitán assistiu de cabeça o Luisão para este rematar à barra. Mas o mesmo Luisão, já no período de descontos, marcou um livre a nosso favor de forma disparatada e acabou por ser o Júlio César a evitar o pior, ao defender o remate do adversário que se tinha isolado.

 

 

A forma como se iniciou a segunda parte não deixava antever grandes melhorias. Começou praticamente como tinha acabado a primeira, com o Estoril quase a chegar ao golo, valendo-nos uma vez mais o Júlio César com uma defesa por instinto a negar um golo praticamente feito. O jogo começou a mudar apenas quando, findo o primeiro quarto de hora, o nosso treinador fez duas substituições de uma assentada, trocando o Ola John e o Pizzi pelo estreante Victor Andrade e pelo Talisca. Acertou em cheio. Os dois jogadores que saíram estavam a ser das unidades com maior influência directa na lentidão dos processos ofensivos do Benfica. O Talisca acabou por ser fundamental para virar o jogo a nosso favor, e o Andrade foi o complemento ideal para o Semedo na direita. Pouco depois o Mitroglou falhou mais uma boa oportunidade, quando novamente a passe do Jonas rematou para a bancada. Mas à terceira foi de vez, e aos setenta e três minutos inaugurou mesmo o marcador. Fundamental na jogada a acção do Talisca, que com um passe para a esquerda desmarcou o Eliseu e permitiu finalmente uma transição rápida para o ataque. A bola seguiu para o Gaitán, que depois colocou a bola à mercê do cabeceamento certeiro do grego. Acho que o suspiro de alívio da equipa deve ter sido audível nas bancadas - diga-se que, indiferente a todo o ruído que se vai tentando fazer, os benfiquistas acorreram à Luz (mais de cinquenta e três mil espectadores) e apoiaram a equipa do princípio ao fim. Como que liberta da pressão de marcar o primeiro golo, a nossa equipa soltou-se e aproveitou também da melhor forma o facto do Estoril finalmente ter que arriscar um pouco mais, partindo para uma exibição muito agradável nos últimos minutos e construindo uma goleada que ao intervalo era de todo imprevisível. Até porque o segundo golo surgiu logo quatro minutos após o primeiro, num penálti do Jonas e novamente com intervenção decisiva do Talisca, autor do remate de primeira que foi cortado com a mão. E, decorridos mais quatro minutos, mais um golo, surgido numa combinação entre o Nélson Semedo e o Victor Andrade pela direita, com centro do brasileiro para a cabeçada colocada do Jonas. Mesmo para o final, estava reservado um momento alto, que foi o quarto golo a concluir uma bonita jogada de equipa. Novamente o Nélson e o Andrade na jogada (foram muitos jogos juntos na equipa B...) desmarcação do Gaitán e passe de calcanhar para o Nélson receber com o pé direito e rematar cruzado com o esquerdo. Golo mais do que merecido para um dos jogadores em destaque esta noite.

 

 

Alguns jogadores merecem destaque neste jogo. Começando pela baliza, onde o Júlio César teve pouco trabalho mas o que teve foi de altíssima qualidade, e a ele devemos o facto de o Estoril não ter chegado à vantagem antes de nós. O Nélson Semedo fez um jogo muito bom e sobretudo bastante desinibido para um jogador que se estava a estrear como titular no Benfica na Luz. Culminou a boa exibição com um bonito golo, mas ainda tem que corrigir alguns aspectos do posicionamento defensivo. Algo que a experiência seguramente trará. O Gaitán voltou a mostrar ser simplesmente o mais genial jogador do campeonato português. Hoje fez duas assistências e teve inúmeros pormenores de classe absoluta. Nos piores períodos da equipa por vezes exagerou nas iniciativas individuais, talvez devido a alguma frustração, e perdeu algumas bolas, mas sempre que isso aconteceu ele foi o primeiro a lutar pela sua recuperação. O Jonas somou dois golos e mais uma exibição de qualidade - com um bocado mais de pontaria do seu colega de ataque, teria somado outras tantas assistências. Gostei também do Lisandro, e conforme disse, o Talisca e o Victor Andrade entraram muito bem no jogo.

 

Chegou a parecer complicado, mas no final saímos da Luz a sorrir. Mérito para o Rui Vitória na forma como leu bem o jogo e fez duas alterações que acabaram por se revelar decisivas. Espero que esta vitória retire alguma da pressão sobre a equipa e lhe permita continuar a evoluir com maior tranquilidade. Temos umas primeiras jornadas da Liga teoricamente fáceis, o que é o ideal para assentar ideias e acumular vitórias que dêem confiança. Havendo isso, tudo o resto virá de forma mais fácil.

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por D`Arcy às 01:45 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Quinta-feira, 06.08.15

Mitroglou

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Se conseguir ser o avançado que era no Olympiacos, será um óptimo reforço. E vem colmatar uma lacuna óbvia desde a saída do Lima - passaremos a ter uma presença forte na área adversária, e um jogador que poderá complementar muito bem o Jonas, libertando-o para fazer aquilo que melhor sabe. Não sei se o 'roubámos' a quem quer que seja, nem me interessa saber. É um jogador com as características de que necessitávamos e provas dadas, estava disponível e fomos buscá-lo. Outros há que se comprazem e se orgulham com 'roubos', mesmo quando o que supostamente roubam estava no nosso caixote do lixo.

 

Bem vindo, e as maiores felicidades de águia ao peito.

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por D`Arcy às 23:10 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Terça-feira, 04.08.15

Regresso

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Final da pré-época e regresso das férias que decidi tirar deste espaço, porque não tenho grande paciência para a silly season que se repete todos os anos - ainda espero que alguns dos cerca de duzentos jogadores que foram apontados ao Benfica nas capas dos jornais cheguem.

 
Em relação aos jogos disputados, tenho a dizer que me deixaram com água na boca. Se o ano passado tivemos aquela pré-época miserável e depois acabámos por ganhar três troféus, pois bem, este ano não fizemos a coisa por menos e conseguimos fazer ainda pior do que o ano passado. Mas um pouco mais a sério, a verdade é que pelo menos até agora sinto motivos sérios de preocupação. Não pelos resultados conseguidos, porque resultados em jogos destes interessam muito pouco, excepção feita à Eusébio Cup - é um troféu criado por nós para homenagear uma das maiores figuras da nossa história, e como tal merece o maior respeito e uma representação condigna da parte do Benfica. E isso esteve muito longe de acontecer na madrugada de ontem.
 
Não, o motivo de preocupação para mim é mesmo o futebol jogado. E o facto de, até agora, não ter visto ao longo dos cinco jogos qualquer tipo de evolução. Pelo contrário, o que eu vi foi involução: o melhor foi a primeira parte do primeiro jogo, contra o PSG, e o pior foi a segunda parte do último jogo, contra o Monterrey. Neste momento é cedo demais para poder fazer qualquer tipo de avaliação muito concreta ao trabalho do Rui Vitória, sobretudo porque até agora ainda não vi quase nada que possa dizer que é mesmo cunho pessoal do treinador. Vi apenas uma equipa que parece presa num impasse entre uma forma de jogar a que esteve habituada durante seis anos mas que já não consegue adoptar na perfeição, e outra que eventualmente será mais familiar ao novo treinador. E com isso os jogadores parecem-me meio perdidos em campo. Muitas falhas a defender (a linha do fora de jogo desapareceu, porque não há coordenação e há sempre alguém que fica para trás e deixa o avançado em jogo, com passes atrás de passes a entrar entre o central e o lateral), ataques lentos e previsíveis (não sei se consegui ver uma única transição rápida para o ataque, daquelas que apanham a equipa adversária fora das suas posições) e quase absoluta ausência de jogo pelas faixas, com um crescente e irritante afunilar do jogo ofensivo à medida que o tempo passa. E que raio de mania é esta de colocar o Talisca, jogo atrás de jogo, à direita (mais uma contribuição decisiva para o afunilamento do jogo)? Já reclamávamos com o JJ quando ele o colocava na esquerda sempre que não tinha o Gaitán, agora temos esta inovação? Quanto à tão propalada 'aposta na formação', um dos supostos motivos principais para a troca de treinador, estou sentado à espera. Achei apenas estranho que nem nestes jogos de preparação tenhamos tido muitas oportunidades para ver o João Teixeira, o Nuno Santos, o Raphael Guzzo ou o Gonçalo Guedes, por exemplo. Vi um pouco do Nélson Semedo e gostei, embora já o conheça (e aos outros todos) da formação e da equipa B. Se o motivo é que ainda lhes falta qualidade, então só estarão a dar razão ao treinador que saiu.
 
Enfim, muito, mas muito para trabalhar e melhorar. Dou de barato que esta digressão, com diferentes fusos horários e muito calor, não deve ter ajudado em nada o rendimento da equipa. O dinheiro acaba quase sempre por falar mais alto, mas a vertente desportiva terá ficado claramente a perder, porque seguramente que teria sido mais proveitoso para um novo treinador poder ficar perto de casa, sem perder demasiado tempo com viagens e adaptações e a trabalhar de perto com um novo plantel para lhes transmitir as suas ideias. Mas seria importante, quanto mais não seja em termos anímicos, conseguir melhores resultados e exibições. Para um treinador acabado de chegar, mostrar tão pouco apenas serve para aumentar a pressão sobre ele e colocar demasiada importância no primeiro jogo oficial da época. Um fracasso flagrante nesse jogo arrisca-se a colocar em causa toda uma época.
 
Também me parece de todo errado que a menos de uma semana do início oficial da época ainda andemos ocupados a formar o plantel, sendo evidentes várias lacunas que é necessário colmatar - talvez a mais óbvia no ataque. Já o ano passado foi assim, mas depois acabou por nos sair a sorte grande com o Jonas e o Júlio César. E a sorte, umas vezes tem-se, outras vezes não. Nunca é bom abusar dela.
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por D`Arcy às 00:31 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Domingo, 14.06.15

Dobradinha

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Parabéns, rapazes. Foram, e por larguíssima margem, a melhor equipa de futsal em Portugal esta época. Terminaram a época com uma única derrota, após prolongamento e depois de uma arbitragem deplorável. E fecharam-na da melhor forma conquistando o título (e a dobradinha) em casa do principal adversário. Grande equipa, grande trabalho do Joel Rocha.

 

Com esta conquista as cinco modalidades de pavilhão do Benfica fecham a época com quatro dobradinhas conquistadas, fora diversos outros troféus conquistados. Nunca será por demais reaçar o notável trabalho que tem sido feito nas nossas modalidades. Somos o único clube representado em todas elas, e em todas apresentando equipas altamente competitivas, conforme os resultados mostram (apenas o andebol ficou em branco).

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por D`Arcy às 17:18 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Concisa

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As palavras do Fábio exprimem de forma concisa o que tem que ser a nossa atitude. Chateou-me o desfazer de uma fórmula vencedora (e a fórmula era 'Jesus + Benfica' e não apenas 'Jesus') mas Jesus saiu e agora é passado. O que fica, sempre, é o Benfica, e com o Benfica e os que cá estão estamos nós sempre.

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por D`Arcy às 00:38 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Sábado, 15.11.08

Pensamento do dia e a minha equipa para amanhã (ou vice-versa)

Deixando sair o treinador que há dentro de mim, estas seriam as minhas apostas para o jogo de amanhã com o Estrela da Amadora.

 

Na baliza, o indiscutível Quim. De resto no que à defesa diz respeito não faria qualquer alteração. Manter-se-iam portanto Maxi na direita, Luisão e Sidnei no centro e o actual melhor lateral esquerdo português Jorge Ribeiro compunha o quarteto. Uma breve nota para dar conta da imensa dor de cabeça (mas daquelas boas) que vai ser quando se confirmar a total recuperação do David Luiz. Confesso que nesta altura hesito na melhor dupla de centrais do Benfica quando assim for. Se por um lado Sidnei e David me parecem ser os que à partida dão maiores garantias de sucesso, tanto no presente como no futuro, por outro lado não é de descurar o capital de experiência e a preponderância sobre os restantes colegas e mesmo adversários do Luisão.

 

No meio penso que seria de apostar na dupla Katsouranis/Yebda, assumindo capital importância a colocação de um deles (quiçá, alternando) uns metros à frente do outro para estender o jogo da equipa e ajudá-la (à equipa) a pressionar alto. Não faria actuar o habitual 4x4x2 com dois extremos porque optaria por Carlos Martins a fazer a meia direita e Aimar a fazer o mesmo do lado contrário. Na frente apostaria na dupla Cardozo/Suazo. Reyes para já não entraria directo na minha equipa porque quanto a mim se não é nestes jogos e nesta altura que se dá oportunidades ao Cardozo de readquirir a confiança que parece um pouco abalada corremos o risco de perder aquilo que hoje em dia nesta era das SAD's se habitou a designar de "um excelente activo".

 

Em suma, Suazo ficaria responsável por descair para as alas aproveitando os ressaltos e o jogo aéreo do seu companheiro de ataque e Aimar juntamente com Carlos Martins ficariam com a responsabilidade de os municiar.

 

Quanto ao pensamento do dia, aqui vai ele: ao assistir às primeiras transmissões da Benfica TV, tendo as últimas duas consistido em belas vitórias do futsal do Benfica (por falar nisso, amanhã não há desculpas para não enchermos o pavilhão pois o jogo decisivo com aquela que é provavelmente a melhor equipa europeia é imediatamente antes do jogo com o Estrela), apercebo-me de que foi preciso chegar o canal do clube para finalmente assistirmos a comentários imparciais em jogos do Benfica. E mai'nada!

 

 

sinto-me:
por Superman Torras às 10:54 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Domingo, 10.08.08

Esta não é (um)a crónica do d'arcy

Jogo de apresentação do Benfica 2008/09, oportunidade para cumprir dois objectivos primordiais:

  • Matar as saudades que já se faziam sentir após algumas semanas sem visitar o nosso estádio e estar, com as nossas gentes, a apoiar o nosso Benfica;
  • Verificar inloco o estado evolutivo da equipa treinada por Quique Sanchez Flores.

Começando pelo primeiro item, talvez o mais importante dos dois uma vez que dizia respeito a uma necessidade básica que me estava a ser suprimida por forças alheias à minha vontade (maldito Euro), poder-se-à dizer que ela começou a ser saciada quando faltavam cerca de 2 horas para se iniciar a partida. Sim, é verdade, eu estava lá ainda antes de terem aberto as portas ao público.

 

E foi bonita a festa, pá!

 

Não houve extravagâncias ou surpresas de última hora (o "Homem Invisivel" já teria sido contratado para o jogo de apresentação de um dos nossos rivais pelo que só nos restava o inalcançável "Homem Elástico") mas estiveram mais de 40 mil dos nossos todos unidos pela mesma paixão e, acredito, munidos do mesmo sentimento de esperança que se auto-renova todas as épocas por piores que tenham sido as épocas anteriores.

 

E, talvez por a  época 2007/08 se ter aproximado perigosamente daquilo que os extremistas tendem por epitetar de "8", será importante não incorrer em erro semelhante ao procurarmos encontrar entre os vários factores positivos que nos foram dados a ver no último sábado motivos para embandeirarmos em arco e julgarmos que súbitamente nos aproximamos vertiginosamente do "80". Assim não é de facto, aliás, usando de uma analogia rodoviária (sempe útil, sobretudo quando não se ingeriu bebidas alcoólicas antes), nesta estrada imensa que o autocarro que simboliza o futuro do futebol do Benfica se prepara para percorrer após ter aproveitado uma oportuna rotunda para inverter o rumo que levava, a esperança maior é que se encontre rapidamente a saída para a auto-estrada, essa sim fundamental para se atingir a velocidade de cruzeiro que todos almejamos.

 

No entanto, há que dizê-lo com frontalidade, não pude evitar um ligeiro sorriso de satisfação quando abandonei a Catedral. E com isto entramos directamente no ponto nº 2, isto é, o que eu vi, ou me pareceu ter visto, do alto do 3º anel no sábado à noite.

 

Por ter ficado agradavelmente impressionado com toda a equipa que jogou, precisamente por me ter parecido aquilo que já há muitos meses (anos?) eu não via a equipa do Benfica parecer, isto é, uma equipa, optarei por mencionar individualmente apenas os elementos do meio-campo, ou não fosse este geralmente considerado o sector nerválgico do terreno de jogo. E aproveito desde já para mencionar aquele que contra todas as previsões, minhas incluídas, poderá se tornar o joker da equipa: Ruben Amorim. O jogador que através do seu espírito de sacrifício poderá equilibrar o jogo da equipa, o pêndulo que se saberá mover de acordo com as necessidades momentâneas da equipa. O tal "Homem Invísivel" (olhem, afinal sempre terá vindo!). Não será com toda a certeza titular absoluto mas, a confirmarem-se algumas das impressões com que fiquei não só neste jogo mas também no anterior com o Vitória de Guimarães, poderá ser de uma utilidade extrema.

 

No sábado formou um tridente muito interessante com Yebda, a rever o jogador francês apesar de me ter deixado boa impressão sobretudo pela estampa física, e com Carlos Martins. Carlos Martins que vem confirmar, como se isso fosse necessário, a transformação imediata que se processa num jogador assim que deixa de vestir a camisola de um rival do Benfica para passar a envergar o manto sagrado. A faceta de execrável vai-se com uma rapidez assinalável. Quase que seria motivo para um estudo aprofundado por parte das melhores universidades do país. Adiante.

 

A verdade é que o ex-sportinguista tem feito de tudo para caír no goto do comum adepto benfiquista. Assim, a juntar à reconhecida capacidade futebolística tem exibido igualmente uma consistência exibicional e uma aplicação competitiva a toda a prova. No entanto confesso que ainda não estou rendido. Contínuo com um pé atrás e sempre à espera do momento em que o castelo de cartas ruirá. Se assim não for então poderão, poderemos (!), estar certo de uma coisa: Rui Costa não estava a ser irónico quando apresentou Carlos Martins como o seu sucessor.

 

Quanto às estrelas Aimar e Reyes, o primeiro vai mostrando cada vez mais entrosamento com a equipa em geral e com Cardozo e Martins em particular, e o segundo fez 10 minutos que no mínimo dos mínimos deixaram água na boca ao mais relutante dos adeptos.

 

E como na altura em que escrevo estas linhas eu estou absolutamente convicto de que pelo menos mais uma estrela se juntará à festa (chamem-lhe um feeling se quiserem), aproveito para abrir um pequeno parêntesis: se me dissessem há uns meses que em Agosto de 2008 iríamos ter estes atacantes o mínimo que lhe chamaria era a alcunha pela qual o Aimar não gosta de ser conhecido. Acredito que a inflexão provocada pela nomeação de Rui Costa como director desportivo é parte importante, se não fundamental, nestas contratações, mas confesso que estou pasmo com a disponibilidade que o nosso clube demonstra por fechar estas contratações. Se estas se devem realmente somente à capacidade negocial de Rui Costa então não posso deixar de maldizer os últimos anos de Rui Costa como jogador do clube. Por muito que o adorasse como jogador (e como o adorava, desde os tempos em que ía para o café todos os domingos às 14h para ver os jogos da Fiorentina) a verdade é que nos teria dado muito mais jeito como dirigente.

 

Obviamente que o passado está repleto de situações em que equipas constituídas na sua maioria por jogadores maravilhosos não atingiram os seus objectivos porque cometeram o erro capital neste tipo de casos: nunca conseguiram ser uma equipa e o todo acabou por ser menor que a soma das partes. Mas essa é uma tarefa que até ver me parece estar em excelentes mãos. Na verdade Quique Flores e restante equipa técnica parecem-me uma verdadeira pedrada no charco do marasmo no qual o Benfica mergulhou. Correndo o risco de me aproximar perigosamente do supracitado "80", confesso que neste momento não coloco de parte a eventual reedição do fenómeno Eriksson em tudo o que o sueco significou para o Benfica e para o futebol português aquando da sua primeira passagem pelo clube, ao ver os sinais que me são transmitidos não só pelos métodos de trabalho da referida equipa técnica mas também pela forma como todos se expressam quando questionados pela comunicação social.

 

A noite foi portanto agradável, sexta-feira surgirá o último jogo da pré-temporada com o Inter de Mourinho. Acredito que a equipa que iniciar esse jogo será basicamente aquele que atacará a 1ª jornada do campeonato pelo que será uma excelente oportunidade para aquilatar de uma forma definitiva a forma com que vamos encarar as competições oficiais.

 

Termino com a satisfação de ter ajudado a cumprir um sonho de infância, ou de uma semana vá, de um correligionário da Tertúlia, por lhe ter permitido visionar um jogo sentado ao meu lado.

 

sinto-me: Relativamente confiante
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por Superman Torras às 23:09 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Terça-feira, 16.10.07

Regresso

Não, não estou a falar da recuperação iminente do Petit, ou sequer da chegada do Nuno Gomes ao nosso país, lesionado que ficou depois do período de aquecimento (!) do último jogo de Portugal. Estou sim a falar do regresso ao activo deste que vos escreve que, ultrapassadas as burocracias que impediam a sua transferência para o Sapo devido a complicações levantadas pelo seu anterior blogue (o que já de si é caricato pois este deixou de existir, tendo-se ele próprio transferido para o site supracitado), pode finalmente colocar por escrito aquilo que últimamente tem apenas verbalizado na forma oral. Com muitas asneiras à mistura, diga-se. Asneiras essas que se tentarão evitar ao máximo. Por agora.

 

Siga.

 

Na última vez que escrevi, Fernando Santos ainda era o treinador, o Benfica tinha empatado com o Leixões, e eu defendia que, longe de ser a situação ideal, a sua demissão era o melhor caminho para o clube. Como o agora treinador do PAOK não usou essa prerrogativa, porque certamente achava que continuava a ter as mesmas condições que tinha aquando do seu ingresso no clube para fazer o seu trabalho (ou seja: nenhumas, acrescento eu), lá teve de ser o Benfica a arcar com essa responsabilidade, e com o respectivo custo associado à mesma.

 

Optou-se então por ir buscar, com laivos de sebastianismo que não passaram despercebidos a ninguém, um treinador que tinha deixado saudades devido à sua primeira passagem pelo clube. À partida concordei com a vinda de Camacho, e agora que já passamos essa fase continuo a concordar. Tendo em conta as limitações orçamentais, penso que foi das melhores opções que o Benfica poderia ter tido. Até pela ausência de um director desportivo, que desta forma pode ser como que minimizada pela presença de um técnico que junta à vertente técnica uma visão mais abrangente que contrasta em absoluto com o absentismo crónico de que padecia o anterior treinador, e que tanto nos prejudicou. E que continua a prejudicar, penso eu.

 

Na verdade, este Benfica 2007/08 está longe de me convencer. Como tive oportunidade de escrever em pleno defeso, eu estava convencidíssimo de que este iria ser um "Verão gordo", isto é, que não havia volta a dar, esta época teria de ser nossa. E como garanti-lo sem fazer uso das técnicas que criticamos nos nossos amigos do norte? Com a constituição de um plantel que desse garantias reais de que pudéssemos competir competitivamente (passe o pleonasmo) em todas as provas em que entrassemos, passando o mais possível ao lado dos problemas que sempre surgem no decorrer de uma época desportiva: lesões, castigos, baixas de forma, etc. E foi isso que aconteceu, pergunta o leitor mais desatento. Não, não foi, respondo eu sem conseguir disfarçar uma tristeza que poderia até ser confundida com melancolia. Esperem, há esse sentimento de "tristeza melancólica"? Se sim, então é esse mesmo o sentimento. Se não, que se lixe, procurem vocês uma expressão que expresse isto de que vos falo. Também não queiram que seja eu a fazer o trabalho todo!

 

As sucessivas intervenções quer do presidente do clube quer de dirigentes de nomeada da SAD, mais do que desmentir essas minhas expectativas, só as faziam progredir, tendo mesmo chegado a níveis estratosféricos quando se começou a falar nas trutas que aí vinham e na manutenção dos principais jogadores da(s) época(s) passada(s).

 

Tudo isso se esfumou quando sucedeu aquilo que sucedeu e que me abstenho de recordar. Sinto-me enganado. E continuo a pensar que esta seria (seria? será!) a época decisiva para Luis Filipe Vieira no comando do clube. A confirmar-se um ano, mais um, sabático, em que os títulos se resumam a torneios de pré-época ou de menor nomeada (alô taça da liga), então temo pelo futuro de LFV na SAD do Benfica. O que será uma pena, tendo em conta o trabalho efectuado na vertente financeira, mas será, ou poderá ser, uma lufada de ar fresco de que me vou convencendo cada vez mais que o clube necessita, para aquela vertente que importa mesmo, ou seja a desportiva! Existe sempre o medo de que nos apareça aí um páraquedista qualquer, ansioso por ter os seus 15 minutos de fama, mas por isso é que o clube ainda é dos sócios, e serão estes a decidir. E decidirão bem, estou certo. Até porque já aprenderam com os seus erros recentes. Certo, caro consócio e camarada benfiquista (sem conotação partidária, atenção)?

 

p.s não querendo reacender (ou talvez até querendo) a discussão que por aqui se teve acerca do comportamento dos adeptos benfiquistas nos jogos disputados na Luz, não queria deixar de dar à estampa ("dar à estampa", sou só eu que acho esta expressão deliciosa?) uma declaração recente de Karagounis, numa entrevista a um jornal desportivo. E o que dizia o jogador grego? Apenas isto:

 

"O Benfica, só pelo apoio dos seus adeptos, que são fenomenais, devia ser campeão todos os anos..."

 

 

por Superman Torras às 10:12 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quinta-feira, 04.10.07

No final, aplaudi-os com muito orgulho.


Não. Não partilho da opinião apocalíptica de que tudo está mal no reino benfiquista. Jogámos em casa contra o Shakhtar e perdemos (link). Houve, efectivamente momentos do jogo em que a nossa equipa esteve mal. Mas houve muitos outros em que jogámos um bom futebol.

Antes de desatarmos a crucificar quem menos tem responsabilidades neste momento menos bom que estamos a atravessar, que não nos esqueçamos das oportunidades que criámos e que desperdiçámos: no remate inicial do Rodriguez, no remate ao poste do Di Maria, na perdida do Katsouranis, nos cabeceamentos do Cardozo, naquele cabeceamento do Edcarlos (?) tirado em cima da linha de golo, naquele outro remate cortado com a mão dentro da grande área…

Além de tudo isto, há a acrescentar que vi, vimos, uma boa atitude, uma entrega total dos nossos atletas. Se as coisas não aconteceram como esperávamos foi porque também temos, nalguns jogadores, falta de qualidade; também tivemos um valoroso adversário e também tivemos uma grande, muito grande, dose de infelicidade. Mas tudo isto eu perdoo quando vejo que aquela camisola foi transpirada pelos jogadores que hoje a envergaram.

No final do jogo aplaudi os nossos jogadores. Eles, apesar da derrota, mereceram o meu aplauso. No final do jogo ouvi as palavras do nosso treinador e, na minha opinião, ele tem toda a razão no que disse (link). Não espero deste plantel milagres. Espero que continuem, apesar de algumas limitações, a lutar pela vitória com a mesma abnegação com que hoje os vi. Espero que os adeptos saibam dar tempo a que se construa uma equipa.

Agora, quem quiser, que faça eco das ignóbeis palavras que ouvi por parte de alguns comentadores radiofónicos que zurziram de forma gratuita na nossa equipa. Para esse peditório não dou.

por Pedro F. Ferreira às 00:06 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sábado, 01.09.07

Não vi, mas senti.


Regresso ao país com a saudade de ver o nosso Clube na nossa Catedral. Não vi ao vivo nenhum dos jogos. Não vi, nem pela TV, o jogo com o Leixões; não vi os jogos com os tais dinamarqueses de quem o Santos tanto medo teve na época passada. Vi na RTP Internacional o jogo contra o Guimarães. Não vi bom futebol, não vi milagres, não vi nada que não estivesse à espera de ver. Senti o Benfica, o nosso Benfica, mais forte, mais confiante, senti que não havia adeptos a ter vergonha de ver no nosso banco de suplentes aquele canteirinho de camélias meladas que durante demasiados dias lá se sentou: não estava o Rosarinho, o Justino, o miúdo Moura e o Fernandinho. Não os vi, mas senti que muita da incompetência que lá deixaram se vai repercutir no futuro imediato. Senti a confiança que o público tem no futuro desta equipa: e o futuro não é o próximo jogo...

Senti que há quem considere que apostar nos jovens não é pôr o João Coimbra durante cinco minutos em campo. Senti que há quem tenha coragem de apostar na juventude formada no nosso Clube, há quem saiba responsabilizar essa juventude e saiba tirar o melhor dela.

Ouvi, pela televisão, o grito de 'Benfica' com que o público brindou a equipa depois do empate. Nesse grito está o sentir de milhões que sabem e sentem que, com tempo e paciência, seremos campeões, pois está a nossa equipa de futebol a ser orientada por um líder e não por um loser.

Eu acredito. E acredito que, caso estejamos todos unidos, será mais fácil.

À margem:
vejo, com agrado, a pluralidade de opiniões que os escribas deste blogue apresentam. É bom sinal, é sinal de vitalidade e independência. É uma forma saudável de ser/viver aquilo que nos une: o Benfica.

por Pedro F. Ferreira às 12:41 | link do post | comentar | ver comentários (11)

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