Batalha

Uma vitória importantíssima em Guimarães, num jogo que foi quase uma autêntica batalha, e no qual nos acabou por valer o crer e a vontade dos jogadores, já que qualidade no futebol jogado não houve muita - e naquelas condições era mesmo muito difícil que houvesse.

 

 

Num onze sem surpresas destaque para o regresso do Gaitán e para a escolha do Jiménez para a frente de ataque. No meio campo, como seria esperado, o Fejsa ocupou o lugar do castigado Samaris. Não foram precisos muitos minutos para perceber ao que o Guimarães vinha: agressividade em barda, com diversas faltas, uma atitude quezilenta e picardias constantes, num cenário que me fez lembrar, e muito, o arraial de pancadaria que o Benfica enfrentou o ano passado em Braga, na altura treinado pelo mesmo Sérgio Conceição. Na altura a táctica deu resultado, sob o olhar beneplácito e complacente do despromovido e agora auto-retirado Marco Ferreira. Hoje, de forma até algo surpreendente, o Xistra não deu rédea solta aos nossos adversários. Num jogo disputado neste cenário era difícil esperar futebol de qualidade, até pelas constantes interrupções, e foi exactamente isso que se viu. Houve muita disputa por cada bola, mas quase sempre longe das balizas, o que se reflectiu num número muito reduzido de remates por parte de ambas as equipas. Ainda assim foram do Benfica, que sobretudo na primeira metade deste primeiro tempo viveu muito das movimentações do Jonas em terrenos mais recuados, as melhores ocasiões para marcar. Um remate do Renato Sanches de fora da área quase traiu o guarda-redes, que defendeu também um forte remate do Jonas. Teve também uma saída em falso que o Jonas não conseguiu aproveitar para enviar a bola para a baliza, mas redimiu-se mesmo sobre o intervalo com uma defesa incrível por instinto a mais um remate do Jonas, que depois de um cruzamento do Renato Sanches parecia ter tudo para marcar. Do lado do Guimarães, a melhor ocasião teve o Licá isolado, mas não conseguiu ultrapassar o Júlio César e a tentativa de passe atrasado foi interceptada. O que é certo é que ao intervalo o Guimarães ia conseguindo os seus objectivos e mantendo o Benfica quase sempre longe da sua baliza. Nós, mais uma vez, tivemos muito maior posse de bola, mas a maior parte dessa posse foi inconsequente.

 

 

Na segunda parte o jogo manteve-se na mesma toada, e dado que não estávamos propriamente a assistir a um massacre à baliza do Guimarães, à medida que o tempo ia correndo o o cenário ia-se tornando cada vez mais complicado, porque o golo parecia pouco provável. Uma excepção flagrante foi naquela que terá sido a melhor jogada do Benfica em todo o jogo, entre o Gaitán, o Jonas e o Pizzi, que acabou com este último isolado em frente ao guarda-redes. Mas ele tentou colocar a bola entre as pernas do guarda-redes, que defendeu a bola e assim se perdeu uma enorme ocasião para desfazer o nulo (para um miúdo que se estreou há muito pouco tempo, fiquei bem impressionado com este Miguel Silva). O Pizzi aliás teve outras situações durante o jogo em que ganhou bem posição sobre a ala, mas acabou quase sempre por decidir mal, insistindo na iniciativa individual e acabando por rematar com pouco ângulo. O Guimarães teve uma boa ocasião na segunda parte, mas o Licá rematou muito por cima quando parecia ter condições para fazer muito melhor. Até que tudo acabou por se decidir a quinze minutos do final, e numa fase em que me parecia que o Guimarães tinha recuado mais no terreno e quando atacava, fazia-o sobretudo com pontapés para a frente e sem subir muito o bloco. Depois de um livre marcado sobre a esquerda da área a bola sobrou para o Renato Sanches, que rematou uma primeira vez contra um adversário, foi ainda recuperar a bola e descaído para a direita rematou cruzado para o ângulo do lado oposto. Uma bomba indefensável e um golaço do miúdo. Tendo em conta o jogo a que estava a assistir, com tão poucas ocasiões de golo, achei que aquele golo praticamente selava o resultado, o que acabou mesmo por acontecer. Nem por uma vez o Guimarães conseguiu ameaçar seriamente a nossa baliza até ao final - já nós, poderíamos ter talvez chegado a um segundo golo numa situação muito vantajosa de contra-ataque, mas mais uma vez o Pizzi decidiu mal e não passou a bola a um colega mais bem colocado.

 

 

O homem do jogo tem que ser obviamente o Renato Sanches. Sê-lo-ia pelo simples facto de ter marcado o golo (e que golo) que desatou um nó tão complicado como era este jogo naquela altura. Mas ele fez bastante mais do que isso, foi um trabalhador incansável no meio campo, nunca virou a cara à luta e às patadas dos adversários e foi aquilo que se espera que um 'box-to-box' seja, sendo igualmente interventivo a atacar e a defender. Gostei também do jogo do Jonas, e quanto ao resto da equipa, houve pelo menos entrega onde faltou maior qualidade.

 

Foi uma vitória muito importante num campo muito difícil, mas parece-me que justa. Foi o Benfica quem mais fez por ela, e quem dispôs de mais e melhores ocasiões de golo - por algum motivo o guarda-redes do Guimarães foi um dos destaques do jogo. Não consigo perceber as queixas do Sérgio Conceição a não ser por mau perder. Entraram no jogo a tentar bater em tudo o que mexia e em constantes tentativas de provocar quezílias. Não sei qual é o espanto de se apanharem cedo com três amarelos (por sinal, no final do jogo o Benfica até acabou com mais amarelos, quatro). Se calhar, se esses amarelos não tivessem saído, a pancadaria continuaria tal como em Braga o ano passado. O desespero de falarem na arbitragem quando perdem com o Benfica é tanto que na entrevista rápida no final o capitão do Guimarães (um jogador que já passou por nossa casa) conseguiu descobrir um penálti não se sabe onde para se queixar. Enfim, o costume.

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por D`Arcy às 22:51 | link do post | comentar