Brio

Era um jogo sobretudo para cumprir calendário, mas onde tínhamos o objectivo de fazer efectivamente campeões nacionais os elementos do plantel que ainda não o eram e proporcionar aos nossos adeptos do Norte uma oportunidade para festejarem o Tetra em conjunto com a nossa equipa. E foi agradável ver como uma equipa cheia de segundas escolhas se encheu de brio e decidiu que mesmo que o resultado já para pouco contasse, queria evitar a derrota a todo o custo e proporcionar uma festa ainda mais saborosa a esses adeptos.

 

 

Foi mesmo uma equipa alternativa aquela que entrou em campo no Bessa. Nem um dos jogadores que alinharam de início frente ao Vitória fez parte do onze titular. Três dos jogadores que ainda não eram campeões alinharam de início: Pedro Pereira, Hermes e Kalaica. O resto da equipa: Júlio César, Lisandro, Eliseu, Samaris, Filipe Augusto, André Horta, Zivkovic e Mitroglou. Um pouco surpreendentemente, foi o Hermes quem alinhou mais à frente na esquerda, com o Eliseu na lateral - esperaria o contrário, dado que o Eliseu tem experiência a jogar mais adiantado. A equipa que alinhou mostrou naturais problemas de entrosamento, em particular na defesa, onde ficávamos frequentemente expostos nas bolas metidas para as suas costas. Foi aliás assim que o Boavista chegou ao primeiro golo. No ataque as coisas também não eram melhores. Mais posse de bola do que o Boavista, mas muita incapacidade para criar perigo - não sei se chegámos sequer a fazer um remate durante toda a primeira parte. Ao intervalo saiu o Hermes, que se tinha mostrado completamente inadaptado à posição onde alinhou, e entrou o Rafa. O Benfica reentrou mais perigoso, mas foi o Boavista quem voltou a marcar, aproveitando um erro precisamente do Rafa. Mas uma bola para as costas da defesa e um remate cruzado para o poste mais distante. Com a troca do Filipe Augusto pelo Jiménez a equipa melhorou consideravelmente, não só pela acção do mexicano mas também com o recuo do André Horta para a posição oito. A diferença no marcador foi reduzida aos setenta e um minutos, num contra-ataque bem conduzido pelo Rafa (o toque do Jiménez, a amortecer a bola para ele no início da jogada é muito bom também) com um passe na altura exacta que deixou o Mitroglou na cara do guarda-redes, e já sabemos que nestas situações o grego raramente perdoa. O Benfica então carregou até final em busca do empate e esteve muito perto de o conseguir naquele que seria um grande golo do Rafa, mas o remate cruzado de trivela passou a centímetros do poste. De assinalar que, apesar de ser visível a vontade de não perder este jogo, sobrepôs-se o espírito de grupo do plantel: mesmo a perder, a última substituição foi mesmo para fazer entrar o Paulo Lopes, que ainda entrou a tempo de duas boas intervenções. A recompensa chegou ao minuto noventa: canto apontado pelo Zivkovic na esquerda do nosso ataque, e o Kalaica subiu mais alto que toda a gente para cabecear ao ângulo da baliza, com a bola a bater nos ferros e depois já para lá da linha. Explosão de alegria com toda a equipa e público a festejar o golo na estreia do nosso jovem central, e uma forma perfeita de fazer a festa.

 

 

Apesar da exibição não ter sido brilhante, louve-se a atitude da equipa e a vontade de evitar que a festa do Tetra ficasse manchada por uma derrota. Alguns dos jogadores aproveitaram esta oportunidade que lhes foi concedida, outros nem tanto. O Kalaica, mesmo sem o golo, já seria um dos que eu consideraria que tinha aproveitado. Mas a exibição dele não terá sido grande surpresa para quem já vinha acompanhando os seus jogos na equipa B ou na UEFA Youth League. Em contraste, o muito mais experiente Lisandro fez uma exibição bastante sofrível. Quanto aos outros estreantes, o Pedro Pereira cumpriu os mínimos, mas achei que esteve demasiado retraído. Um lateral do Benfica tem que participar muito mais nas acções ofensivas da equipa, e por diversas vezes vi os colegas fazerem passes para aquela zona à espera que o lateral entrasse, e a bola acabar por não encontrar ninguém. O Hermes não fez nada digno de realce, mas dou-lhe o desconto de estar a jogar numa posição onde provavelmente nunca terá jogado. O André Horta e o Samaris estiveram num bom nível, e o Rafa, pese o erro que deu o segundo golo do Boavista, mexeu bastante com o nosso jogo.

 

 

Em condições normais um empate com o Boavista não seria um bom resultado. Mas no cenário particular deste jogo, acaba por ser um resultado satisfatório, particularmente depois de termos anulado uma desvantagem de dois golos. Agora é altura de parar com os festejos e centrar as atenções na final da taça. Uma dobradinha fecharia a época em beleza.

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por D`Arcy às 22:08 | link do post | comentar