Confiança

O resultado deste jogo não é mais do que o espelho da enorme confiança que reina na nossa equipa. Uma vitória por margem tão dilatada frente ao Braga certamente que não estaria nas previsões da maior parte de nós, e ainda menos depois daquele início de jogo. Mas os nossos jogadores voltaram a mostrar uma confiança inabalável, e com a ajuda de um ambiente fantástico criado por um Estádio da Luz praticamente cheio, ultrapassaram mais este difícil obstáculo na caminhada para o título.

 

 

Depois da razia que sofremos para o jogo contra o Boavista, desta vez já pudemos apresentar um onze mais forte e com menos adaptações. O Ederson manteve-se na baliza e o André Almeida regressou à lateral direita, já que o Fejsa já estava apto. No centro da defesa, o Lindelöf agarrou com unhas e dentes a oportunidade e continua a manter a titularidade, apesar do Lisandro já estar recuperado. Importantíssimos também foram os regresso do Gaitán e do Mitroglou à equipa. O início do jogo foi assustador. Logo nos primeiros segundos vimos uma bola embater no poste da nossa baliza. O Braga entrou a exercer uma pressão em todo o campo, e a nossa equipa demorou a atinar com as movimentações dos adversários, que jogavam com dois avançados bastante móveis, cujas movimentações abriam espaços para as diagonais de jogadores mais recuados. A pressão do Braga também dificultava as nossas saídas em ataque organizado, acabando quase sempre os nossos jogadores por ter que optar por um pontapé para a frente, sob pena de perder a bola. Apanhámos novo susto quando o Rafa apareceu isolado, mas felizmente a tentativa de chapéu ao Ederson saiu demasiado torta. Felizmente para nós, voltámos a mostrar a eficácia que nos tem caracterizado em grande parte dos jogos esta época, e praticamente na primeira ocasião que criámos, marcámos (digo praticamente porque pouco antes já o Mitroglou tinha tido uma boa ocasião para rematar, após um pontapé de baliza muito longo). Acabou por ser o Braga a provar o seu próprio veneno, já que ao tentar sair a jogar acabou por permitir a recuperação do Gaitán, com a bola a acabar nos pés do Mitroglou que, isolado, não perdoou. O golo, que apareceu aos dezassete minutos, alterou significativamente o jogo, e a partir desse momento o Benfica ganhou superioridade. Também atinámos com as marcações e o Braga deixou de conseguir criar jogadas de perigo para a nossa baliza. E a superioridade do Benfica acabou por materializar-se com dois golos quase de rajada, aos trinta e sete e quarenta minutos, que deixaram tudo quase resolvido. O primeiro foi marcado pelo Jonas, de penálti, a punir uma mão na bola depois de uma boa iniciativa do Renato Sanches pela direita. O segundo teve a autoria do Pizzi, num remate rasteiro de fora da área após um lançamento longo do Gaitán e uma assistência com as costas do Jonas.

 

 

Talvez o Braga pudesse ter alguma esperança de reentrar na partida caso conseguisse marcar logo a seguir ao intervalo. Mas quem esteve mais próximo de marcar mal o jogo se reiniciou foi o Benfica, com destaque para um lance em que a bola só não entrou porque o Mitroglou ficou na frente do remate do Gaitán. Durante os primeiros dez minutos, o resultado só não aumentou porque o Benfica foi pouco eficaz, ou porque o guarda-redes do Braga brilhou - excelente defesa a um remate em jeito do Pizzi que tinha tudo para dar golo. Depois disso o Braga voltou a ter uma fase melhor, durante a qual conseguiu discutir o jogo com o Benfica, ser mais rematador, e até mesmo voltar a atirar uma bola ao poste, pelo Hassan. Mas o Benfica pôs cobro a quaisquer veleidades do Braga, e mais uma vez com dois golos quase de rajada, aos setenta e um e setenta e cinco minutos. O primeiro nasce de mais um passe do Gaitán para o Jonas, a rasgar a linha defensiva do Braga e que deixou o brasileiro isolado pela esquerda. À saída do guarda-redes, não houve qualquer egoísmo e em vez de tentar fazer o golo, passou a bola para o Mitroglou. O grego ainda se embrulhou um bocado com a bola mesmo à boca da baliza, mas acabou por conseguir concretizar mesmo o golo, depois de evitar um defesa. Pouco depois foi o Samaris - que tinha entrado dez minutos antes para o lugar do Fejsa - a revelar dotes pouco conhecidos nos livres directos, marcando de forma exemplar um descaído para a esquerda da área. Faltavam quinze minutos para o final, mas o jogo praticamente terminou aí, pois o Benfica preocupou-se sobretudo em poupar esforços, tendo mesmo substituído o Gaitán e o Jardel. A única mancha no jogo acabou por ser já em período de descontos, quando o Nélson Semedo cometeu um penálti que assim nos impediu de prosseguir na perseguição ao notável registo do Sporting de Lisboa de quase cinco anos sem ter um penálti assinalado contra. O Pedro Santos concretizou o penálti sem dificuldade e estabeleceu assim o resultado final.

 

 

Foi mais um bom jogo da nossa equipa, no qual diversos jogadores estiveram num nível muito bom. Nem se notou que o Jonas veio directamente da selecção e nem treinou para este jogo. A classe dele dá e sobra para compensar pormenores destes. O colega de ataque esteve também muito bem, somou mais dois golos à conta, e a este ritmo ainda nos arriscamos a acabar o campeonato com os dois primeiros lugares da tabela dos melhores marcadores a pertencerem a jogadores nossos. O Gaitán foi outro que fez um jogo muito bom, estando directamente envolvido nas jogadas de três dos nossos golos. O Pizzi não começou bem, mas foi subindo muito de produção e marcou um óptimo golo.

 

Mais um obstáculo superado, o que reduz agora para seis os passos que faltam dar. No papel este seria o jogo mais complicado até final, mas isso não passa de teoria mesmo. Temos que continuar a encarar cada jogo como uma final, e a manter exclusivamente nas nossas mãos a possibilidade de chegarmos ao título. Agora será necessário mudar de registo para o jogo mais complicado de toda a época. Enquanto nos dedicamos a isso, deixemos os outros a digerir a frustração de verem o final cada vez mais próximo e a nossa equipa a não vacilar.

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por D`Arcy às 01:28 | link do post | comentar