Desconcentração

Não soubemos aproveitar uma entrada perfeita no jogo, e a desconcentração defensiva que se lhe seguiu permitiu a reviravolta ao Galatasaray e resultou numa derrota e no desperdício de uma grande oportunidade para dar um passo decisivo para a qualificação.

 

 

A indisponibilidade do Nélson Semedo foi resolvida da forma mais lógica, fazendo-se a sua substituição directa pelo Sílvio. Não faria muito sentido retirar o André Almeida do meio campo, onde até agora tinha dado boa conta de si, e com isso fazer duas alterações num onze que tem obtido bons resultados. O início de jogo dificilmente poderia ter sido melhor, já que ainda não estavam decorridos dois minutos e já estávamos em vantagem, fruto de mais um pormenor fabuloso do Gaitán. Depois de um livre marcado rapidamente pelo Jonas, o argentino recebeu dentro da área, ganhou no corpo a corpo com um defesa, sentou um segundo, e à saída do guarda-redes picou-lhe a bola por cima. Tudo perfeito e um grande golo. A reacção turca ao golo foi forte, e irritou-me que não tivéssemos sabido tirar partido da forma algo precipitada como eles o fizeram. Meteram muita gente na frente e com isso deixaram a defesa bastante desguarnecida, mas nunca fomos capazes de armar um contra-ataque em condições que pudesse explorar isso. O lado direito da nossa defesa foi o elo mais fraco da nossa equipa a defender, e foi por aí que o Galatasaray atacou repetidamente até chegar mesmo ao golo do empate, já depois de algumas ameaças. O golo surgiu na marcação de um penálti, a punir um corte com a mão do André Almeida. E não demorou muito até que surgisse o segundo golo, desta vez numa falha do outro lado da defesa: o Eliseu 'esqueceu-se' do Podolski, o Jardel ficou um pouco atrasado e colocou-o em jogo, e depois o remate do alemão fez a bola passar entre as pernas do Júlio César. Em meia hora o Galatasaray tinha conseguido inverter o resultado.

 

A segunda parte até pareceu começar mal, com uma bola a acertar no ferro da nossa baliza, mas o Galatasaray pareceu sobretudo interessado em defender a vantagem, que lhe permitiria pôr fim a um ciclo de dez jogos consecutivos sem vencer na Champions. O Benfica teve mais bola e procurou o golo do empate, mas uma combinação de falta de sorte e má finalização impediu que se conseguisse esse objectivo, apesar dos vários remates feitos. Gaitán, Jonas, Jiménez, qualquer um deles teve oportunidade para igualar o jogo. As substituições também não ajudaram: desta vez pareceu-me que o nosso treinador esteve pouco inspirado e falhou nas escolhas feitas. Custou-me aceitar a saída do Gonçalo Guedes ou a opção de, nos minutos finais, colocar o Gaitán como falso lateral, o que só o afastou da zona de decisão. A entrada do Pizzi de nada serviu, mas isso foi pouco surpreendente tendo em conta aquilo que tem feito nas últimas vezes em que foi chamado. O Benfica acabou com mais posse de bola e mais remates, mas na estatística que realmente conta, os golos marcados, perdeu. 

 

De uma forma geral gostei das exibições do Samaris e do Jardel. O Gaitán voltou a deixar uma marca de classe na Champions. Menos bem pareceu-me o Sílvio, que aparenta estar com muita falta de ritmo. Ou isso, ou então já me tinha habituado demasiado ao ritmo do Nélson Semedo e agora noto a diferença.

 

Foi uma derrota algo frustrante e pouco convincente, mas que em nada compromete os nossos objectivos. Por isso há que esquecê-la rapidamente e pensar em regressar às vitórias o mais rapidamente possível.

por D`Arcy às 02:39 | link do post | comentar