Enorme

Um enorme jogo da nossa equipa, em casa de uma das mais fortes equipas do planeta, que me deixou cheio de orgulho. Perdemos pela margem mínima e até podíamos ter empatado, porque tivemos ocasiões flagrantes para o fazer. E foi lindo passar a segunda parte quase toda a ouvir apenas os nossos adeptos.

 

 

Porque é importante uma equipa manter a sua identidade, o onze apresentado em Munique foi exactamente o mesmo que tinha goleado o Braga na última sexta-feira. E este pormenor transmite logo uma imagem de confiança - quantas vezes, num passado não muito distante, vimos a equipa ser muito alterada antes de jogos de dificuldade acrescida, quase sempre com maus resultados? O início de jogo fez temer o pior, com o Bayern a chegar à vantagem ainda antes de se completarem dois minutos na partida. Um cruzamento a partir do lado direito da nossa defesa foi encontrar o Vidal, que entrou vindo de trás no espaço entre o lateral esquerdo e o central sem que ninguém o acompanhasse e cabeceou sem dar qualquer possibilidade de defesa ao Ederson. A primeira impressão do lance seria a de que quem falhou foi o Eliseu, mas ele estava preocupado com o extremo adversário e o que falhou foi o acompanhamento da movimentação do Vidal por um dos médios (Renato Sanches). O Bayern fazia o seu jogo habitual, com muita posse de bola mantendo sempre os extremos bem abertos, que depois aproveitava com variações rápidas do flanco do jogo. Os laterais jogavam de forma bastante ofensiva e integravam-se frequentemente no ataque, o que obrigava os nossos alas a atenções defensivas redobradas para evitar situações de 2x1 sobre os nossos laterais. Isto foi particularmente evidente sobre o nosso lado direito, onde até o Pizzi acertar com a marcação ao Bernat o André Almeida se viu muitas vezes em dificuldades - foi assim mesmo que o lance do golo nasceu. Durante os primeiros vinte minutos o Benfica passou por dificuldades, com o Ederson a ter que se mostrar num par de ocasiões. As nossas tentativas de saída para o ataque eram sobretudo através de pontapés longos para o Mitroglou, para que este segurasse a bola ou a ganhasse no ar aos defesas alemães para solicitar os colegas. O grego estava nesta fase algo desacompanhado, pois o Jonas recuou muito e trabalhou imenso a meio campo e até junto da nossa área. Depois deste período o Benfica conseguiu adaptar-se melhor à forma de jogar do Bayern, e depois de conseguir afastar o adversário da nossa área começou a aparecer também mais vezes na frente. Com o jogo mais repartido, pareceu ser possível conseguirmos mesmo marcar um golo, e isso esteve perto de acontecer mesmo sobre o intervalo, quando o Gaitán surgiu dentro da área em óptima posição para marcar, mas o remate acabou por ser interceptado por um jogador alemão.

 

 

Esperava uma reentrada forte do Bayern, mas isso não aconteceu. Vimos sim o jogo reiniciar-se na mesma toada com que tinha sido interrompido, mas com o Benfica a parecer jogar mais subido no campo. A nossa linha defensiva actuava vários metros à frente da área, o que permitiu cortar as jogadas de ataque e ainda apanhar os jogadores do Bayern deslocados por diversas vezes. À medida que o tempo passava a confiança dos nossos jogadores parecia também ir aumentando e a equipa soltou-se mais - por vezes, sinceramente, até me parecia demasiado solta, pois sabemos o perigo que o Bayern consegue causar nas transições e o Benfica posicionava-se de forma tão descomplexada que temia que pudéssemos ser surpreendidos numa recuperação de bola. O Jonas deu mais um sinal de perigo, depois de conseguir rodar sobre um defesa no interior da área, mas rematou de forma a permitir a defesa do Neuer. Pouco depois, o empate voltou a estar perto de acontecer, quando oo André Almeida ganhou uma bola na direita e fez o passe rasteiro para o interior da área, onde surgiu o remate de primeira do Jonas, que foi bater no corpo de Javi Martínez quando parecia ter tudo para dar golo. Nesta altura na transmissão televisiva já praticamente só eram audíveis os cânticos de apoio dos nossos adeptos, o que aliás se prolongou durante quase todo o tempo até ao final do jogo. O jogo estava numa fase bem mais equilibrada, em que conseguíamos manter o Bayern longe da nossa baliza e quase anular o jogo deles - parecia quase estranho vê-los a trocar a bola atrás quase sem ideias ou opções sobre como sair para o ataque, o que levou até a alguns assobios por prte do público da casa. O Benfica conseguia defender muito bem sem jogar deliberadamente à defesa e sem autocarros de qualquer espécie. Nos dez minutos finais, no entanto, o Bayern conseguiu voltar a acelerar o jogo e procurou um segundo golo, tendo construído duas excelentes ocasiões para tal. Primeiro o Ribéry numa iniciativa individual teve alguma felicidade num ressalto, e depois rematou cruzado para uma boa defesa do Ederson com o pé. E já mesmo sobre o final, o Lewandowski apareceu isolado após um grande passe para as costas da nossa defesa, mas quando o Ederson lhe saiu ao encontro tentou o passe para o Lahm, que lhe saiu demasiado adiantado. Seria um castigo demasiado pesado para a nossa exibição.

 

 

Grande elogio, como já o fiz em várias outras ocasiões esta época, para a equipa num todo. Entrar praticamente a perder naquele campo, onde tantas outras equipas já foram goleadas, e nunca perder a cabeça para depois conseguir fazer uma exibição tão personalizada não é para todos. Grande jogo dos nossos dois centrais, que conseguiram quase anular o perigoso Lewandowski durante todo o jogo. A única excepção foi o lance referido no final do jogo. Em particular, uma exibição quase sem mácula do Lindelöf, que cometeu apenas um erro no jogo, quando inventou mais do que é costume e isso acabou por custar-lhe um cartão amarelo. Grande exibição também do Jonas, de imenso trabalho e a quem só faltou ter aproveitado uma daquelas ocasiões para concretizar o golo. Quase que ia escrever que nos vai fazer falta no segundo jogo, mas sinceramente, esta época já aprendi que é um erro ficar a lamentar a ausência de qualquer jogador. De certeza que quem entrar no seu lugar cumprirá. E claro, Ederson. Nada podia fazer no lance do golo, mas esteve quase perfeito em tudo o que fez. O ano passado jogava no Rio Ave, começou esta época a fazer jogos na equipa B, e agora defende a nossa baliza sem acusar minimamente a pressão. Na minha opinião, temos aqui o dono da nossa baliza para os próximos anos. Destaco estes, mas todos os jogadores estiveram muito bem, com mais ou menos falha. Mas quando algum falhava, havia sempre outro para ajudar e corrigir, porque uma equipa é isto mesmo.

 

Uma derrota é sempre uma derrota, mas há derrotas que podem ser motivantes. Parece-me que é o caso de hoje. Para mim o resultado de hoje em nada muda a perspectiva da eliminatória. O Bayern era o grande favorito, e continua a sê-lo, porque tem capacidade para ganhar em qualquer campo. Aliás, até terá reforçado esse favoritismo, já que começa o próximo jogo em vantagem. Mas tendo em conta o enterro anunciado e as goleadas prometidas pelos nossos inimigos (não pelo Bayern, de quem só vi respeito pelo Benfica - o que não admira, porque o respeito pelo Benfica lá fora sempre superou em muito a imensa inveja por nós cá dentro) este jogo mostrou que temos equipa para honrar o nosso prestígio nesta competição, contra qualquer adversário. É claro que para outros, este foi o dia em que o Bayern mostrou que não é tão forte assim, o Guardiola mostrou que não percebe nada de bola, ou até em que o Bayern se poupou porque ainda está preocupado com o Dortmund na Bundesliga. Mas agora o mais importante mesmo não é a segunda mão desta eliminatória. É preciso esquecer completamente o Bayern, e dar tudo o que temos contra a Académica. Nada mais importa até ao apito final desse jogo.

tags:
por D`Arcy às 03:06 | link do post | comentar