Limite

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Uma vitória arrancada no limite, num jogo em que voltámos a ver mais do mesmo, apesar das diversas alterações promovidas na equipa: Ederson, Sílvio, Lindelöf, Cristante, Carcela e Talisca foram todos titulares. Continuo a ter sempre o mesmo pensamento quando vejo a nossa equipa jogar: como é possível conseguir ter-se tanta posse de bola e fazer-se tão pouco com ela? A primeira parte foi o exemplo perfeito disso, pois a posse de bola do Benfica deve ter tido números a rondar os 70%. No entanto, mais uma vez o nosso ataque foi um deserto de ideias. Os únicos safanões iam sendo dados pelo Carcela, que até conseguiu falhar um golo de forma inacreditável, depois de desmarcado por um passe de calcanhar do Mitroglou. A actuação do duo do meio campo roçou o desastroso, com a acumulação de passes errados por parte quer do Cristante (que teve um erro grotesco que poderia ter resultado na expulsão do Lisandro, caso o árbitro quisesse ser mais rigoroso), quer do Samaris. O Nacional manteve-se sempre organizado atrás - o que não era particularmente difícil porque, tendo em conta o nosso estilo de jogo, quase sempre que recuperávamos a bola fazíamos o favor de demorar o tempo necessário para que toda a equipa do Nacional recuperasse as suas posições no terreno antes de levarmos a bola para o ataque - e tentava depois as saídas rápidas para o contra-ataque (talvez os nossos jogadores tenham aproveitado para observar um conceito que nos é quase totalmente desconhecido esta época). Na segunda parte, especialmente no reinício do jogo, esta estratégia foi mais produtiva, e o Nacional dispôs das melhores ocasiões para marcar. Não marcou devido a um desarme quase miraculoso do Lisandro, ou por uma incrível falta de pontaria de um dos seus jogadores quando tinha tudo para marcar. Fomos obrigados a recorrer ao Jonas e ao Jiménez (ao intervalo já o Renato Sanches tinha substituído o Cristante), que à medida que o jogo caminhava para o final trouxeram um maior ímpeto atacante e compensaram o apagão do Carcela no segundo tempo. E foi mesmo no minuto final do tempo regulamentar, e numa altura em que já há largos minutos que o Nacional tinha praticamente abdicado do ataque e remetia-se quase exclusivamente à defesa, tentando segurar o empate, que o Jiménez aproveitou da melhor maneira um cruzamento do Pizzi para se antecipar a um defesa e rematar de primeira, colocando a bola rasteira junto ao poste e dando-nos a vitória que, é justo dizer, apesar de raramente o ter feito da melhor maneira, a nossa equipa nunca deixou de procurar.

 

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Os melhores jogadores do Benfica foram o Carcela na primeira parte e o Lisandro. O Lindelöf fez um jogo sóbrio e relativamente seguro, melhorando ao longo do tempo. Teve uma falha mais comprometedora, que acabou por lhe custar um cartão amarelo. Também não tenho nada a apontar ao Ederson, que fez a sua estreia oficial pela equipa principal do Benfica. Outros houve que não aproveitaram de todo a oportunidade dada. Caso flagrante o Cristante, que andou por ali perdido numa espécie de limbo, em que não é nem médio defensivo nem organizador de jogo, e ainda por cima acumulou erros no passe, que até costuma ser a sua característica mais forte. Outro caso gritante foi o Talisca. Esteve quase sempre ao lado do jogo, apareceu para marcar uns livres, mas acima de tudo revelou uma atitude muito pouco competitiva, o que me faz pensar se a sua motivação será a melhor nesta altura, ou se estará sequer com a cabeça no Benfica. O Eliseu acumulou erros atrás de erros, mas ao menos não se escondeu e participou activamente na fase final de assédio do Benfica à área do Nacional - e a actuação do Sílvio do lado oposto pode ser classificada praticamente da mesma maneira. O Samaris, muito sinceramente, neste momento parece-me ser metade (ou se calhar nem tanto) do jogador que era a época passada.

 

Enfim, o importante é mais uma vitória, que nos deixa desde já com o apuramento muito bem encaminhado, dado que o Nacional será, em teoria, o adversário mais complicado do grupo. Ao contrário de outras equipas, sempre levámos mais a sério a Taça da Liga, e temos a obrigação de defender os nossos pergaminhos numa competição na qual conquistámos seis das suas oito edições.

 

P.S.- Peço desde já desculpa pelo atraso na publicação, mas apesar do post estar escrito desde ontem, esqueci-me de o publicar. Um bom ano de 2016 para todos.

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por D`Arcy às 17:18 | link do post | comentar