Masoquismo

Uma eliminação patética da Taça de Portugal graças a um supremo exercício de masoquismo. Foram tantos os tiros dados nos pés que era difícil outro resultado que não este.

 

 

Uma primeira parte quase exemplar, em que o Benfica não só anulou por completo a forma habitual de jogar do Rio Ave como controlou por completo o jogo, e uma justa vantagem ao intervalo graças a um grande golo do Jonas. O Benfica foi muito agressivo na pressão, exercendo-a em todo o terreno e impedindo o Rio Ave de sair a jogar ou de ter posse de bola. Infelizmente o domínio do jogo apenas deu para a magra vantagem no fim dos primeiros quarenta e cinco minutos. E que a vantagem era magra, isso depressa se verificou porque o Rio Ave marcou logo no início da segunda parte, praticamente no primeiro remate que fez à nossa baliza, depois de um disparate do Cervi, que perdeu a bola à entrada da nossa área. Para nosso mal, mostrámos aquilo que fizemos este ano na Europa: atacar mal e defender ainda pior, porque neste jogo o Rio Ave teve um aproveitamento quase de 100%. O segundo golo deles é patético. Aliás, é tão patético que mesmo antes do remate ser desferido eu já estava a adivinhar o golo. Quando vejo um jogador do Rio Ave, rodeado de quatro(!) jogadores nossos, a progredir para a área com toda a gente a parecer ter medo de chegar perto dele ou de meter o pé, disse para mim mesmo que ia ser golo. E foi mesmo, segundo remate, segundo golo. Depois foi o ataque cada vez mais em desespero, a reacção habitual do nosso treinador neste tipo de situações - mandar avançados lá para dentro - e o nosso desperdício a ir ao ponto de desperdiçarmos um penálti. Ainda assim o Luisão conseguiu empatar perto do final, mas como o sofrimento não era ainda suficiente, com as substituições esgotadas o Luisão saiu lesionado e ficámos reduzidos a dez. A perspectiva, nada animadora, era portanto enfrentar meia hora de prolongamento com menos um jogador e uma equipa que era naquela altura uma manta de retalhos - na defesa apenas o Jardel jogava na sua posição, tendo o André Almeida ao seu lado e o Salvio e o Zivkovic como laterais. E nem sequer deu para alimentar a perspectiva dos penáltis, porque mais uma vez pouco depois do reinício, nova demonstração de mau defender resultou no terceiro golo do Rio Ave. Bem sei que a defesa estava remendada e que a bola vem de um ressalto, mas deixar o ponta-de-lança do Rio Ave sozinho à entrada da pequena área não tem desculpa. A partir daí o jogo quase acabou. O Rio Ave dedicou-se afincadamente a queimar tempo levando a bola para os cantos e a simular lesões (o crime compensou, já que foram dados apenas três minutos de descontos) e o Benfica, quando fazia a bola chegar à frente, ou desperdiçava ocasiões de golo, ou dava cabo das jogadas com maus passes ou cruzamentos para a área. É que o Rio Ave mesmo contra dez tremia sempre que o Benfica pressionava, e foram várias as vezes em que conseguimos entrar e ganhar boas posições nas faixas. Mas à medida que o jogo se aproximava do final cada vez se jogava menos, e cada vez mostrávamos menos discernimento, acabando inevitavelmente no balão para a frente que em tudo favorecia o adversário.

 

Não vou estar a individualizar jogadores, sobretudo num jogo que acabou com a equipa remendada por todos os lados (e depois de um resultado destes, é melhor evitar escrever sobre uma série deles que conseguiram irritar-me profundamente). O que repito é que para mim foi uma derrota ridícula, sobretudo depois de uma primeira parte em que mostrámos ser superiores ao adversário. Mas quem comete tantos erros e defende de forma tão macia só pode mesmo sofrer dissabores. É mais um dos objectivos para esta época que se esfuma. Que se tirem daqui as necessárias conclusões.

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por D`Arcy às 00:11 | link do post | comentar