Morno

Em dia de aniversário, um resultado positivo num jogo morno e pouco conseguido da nossa equipa deixou-nos com muito boas perspectivas de apuramento para o Jamor. Apesar do Benfica ter sido quem mais procurou a vitória, a qualidade do nosso jogo foi sofrível e isso ajuda a explicar a vitória arrancada quase no último suspiro contra um adversário que mostrou tão poucos argumentos.

 

 

Houve mudança na baliza, onde jogou o Júlio César, no centro da defesa, onde o Jardel substituiu o Luisão (também nas funções de capitão) e no meio campo, tendo jogado o Filipe Augusto e o Carrillo em vez do Pizzi e do Salvio. A exemplo da segunda parte contra o Chaves, foi o Zivkovic quem apareceu mais frequentemente a jogar atrás do avançado, e o Rafa encostado à esquerda. O Benfica, na minha opinião, fez um jogo em 'decrescendo'. Pareceu-me que entrámos relativamente bem e a jogar com alguma velocidade, mas ao longo do tempo a intensidade foi diminuindo e a segunda parte foi quase toda jogada a meio gás, com excepção dos últimos minutos. O jogo para mim fica inevitavelmente marcado por (mais) um desperdício inacreditável do Rafa logo nos minutos iniciais - tivesse esse golo sido marcado e provavelmente o jogo seria muito diferente. Depois de receber a bola, à vontade, e perto da linha da pequena área, o Rafa conseguiu acertar com a bola nas mãos do guarda-redes. Não consigo sequer considerar aquilo uma defesa, para mim é um falhanço mesmo porque era uma ocasião ainda mais flagrante do que um penálti. O Estoril jogava simplesmente para o empate, na esperança que algum erro do Benfica lhe proporcionasse um improvável golo, e um disparate do Júlio César, em que entregou a bola a um adversário, quase que satisfez esse desejo - felizmente não havia qualquer adversário no meio para aproveitar o centro quando a baliza estava completamente desguarnecida. O Benfica, apesar de ter mais bola e atacar mais, poucas ocasiões criava mas acabou por chegar ao golo aos trinta e seis minutos, pelo inevitável Mitroglou, que ao segundo poste desviou um cruzamento perfeito vinda da esquerda da autoria do Zivkovic. 

 

 

Pensei que o jogo estaria mais ou menos encaminhado, mais ou menos um golo para o Benfica, mas apenas quatro minutos depois o Eliseu cometeu um penálti perfeitamente escusado, ao interceptar um cruzamento com o braço, e o Estoril empatou. Nesse lance o Filipe Augusto lesionou-se e acabou substituído pelo Pizzi. A segunda parte foi, na sua maioria, um bocejo. O Estoril continuava a mostrar-se interessadíssimo num empate que o deixava já em desvantagem para a segunda mão, e o Benfica não parecia lá muito interessado em correr muito para ganhar o jogo. Muitas trocas de bola na zona do meio campo entre os médios e os defesas, quase sempre sem qualquer tipo de progressão no terreno. De relevante, do lado do Estoril um remate cruzado do Kléber que passou perto do poste, e do nosso (ainda) mais uma perdida do Rafa em boa posição. Só nos minutos finais, e já com as presenças do Cervi e do Jiménez em campo (saíram o Rafa e o Carrillo) é que as coisas se animaram um pouco. O Mitroglou deu o aviso, mas o remate após passe atrasado do Cervi falhou a baliza por pouco depois de tabelar num defesa. Mas marcou mesmo a um minuto do final, numa jogada em que o Eliseu, de calcanhar(!) desmarcou o Cervi pela esquerda da área e este fez o passe para o centro, onde o Mitroglou com um toque parou a bola e com outro marcou. Já ouvi dizer que estava adiantado, mas de onde eu estava no estádio é impossível confirmar isso. E antes do apito final foi por centímetros que o Zivkovic, numa cabeçada em salto rente à relva depois de um cruzamento do Cervi, não fez o terceiro golo. Como é fácil notar, há um ponto em comum nestas três situações que referi: o Cervi esteve envolvido em todas elas.

 

 

O Mitroglou, e como vem sendo hábito ultimamente, é o homem do jogo. Apesar de alguns cruzamentos sem nexo, gostei do Zivkovic, que foi sempre dos mais activos no jogo, inclusivamente em recuperações defensivas. O Jardel também fez um bom jogo e a entrada do Cervi foi importante, pois mexeu com um jogo que estava praticamente estagnado - custa-me um pouco a perceber a sua súbita perda de protagonismo relativamente à fase inicial da época. É certo que o Zivkovic recuperou da lesão e se tornou uma opção válida, mas por exemplo o Rafa ainda não deu muitos exemplos que justifiquem estar à frente do argentino nas escolhas. Acho que já escrevi isto antes, mas o Rafa é, muito provavelmente, o pior finalizador que eu já vi jogar pelo Benfica. Pode ter outras qualidades que serão úteis à equipa, mas meter a bola na baliza é definitivamente um ponto muito fraco do seu jogo.

 

Ficámos com a eliminatória bem encaminhada, mas agora é preciso voltar a focar atenções no campeonato. E será necessário jogar bem mais e melhor do que isto para trazermos os três pontos da visita ao Feirense. Porque senão só estamos mesmo a convidar dissabores.

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por D`Arcy às 01:10 | link do post | comentar