Nervoso

Desta vez o Mitroglou não marcou, mas marcou o Pizzi e o seu golo valeu-nos mais três pontos e a manutenção no topo da tabela, num jogo que não foi fácil e que por não termos sido capazes de o matar acabou por me deixar mais nervoso do que desejaria. Não tanto pelo desenrolar do jogo, mas apenas pelo facto da margem mínima me deixar sempre com receio de sofrermos algum golpe de azar.

 

 

A ausência forçada do Nélson Semedo foi colmatada, como esperado, pelo André Almeida. No meio campo o Fejsa continuou de fora, portanto o Samaris voltou a ser opção, e manteve-se a aposta no Zivkovic para jogar nas costas do avançado. As alas ficaram entregues ao Salvio e ao Carrillo, o que significou a ida do Rafa para o banco. O jogo começou logo com uma ocasião de algum perigo para o Feirense nos primeiros segundos, depois de uma perda de bola infantil no nosso meio campo defensivo (um passe disparatado do Salvio) ter resultado num remate que desviou no Luisão e não passou nada longe da baliza. Os primeiros minutos mostraram um jogo dividido, no qual o Benfica tinha mais posse de bola mas não conseguia ser particularmente perigoso no ataque e as ocasiões de golo rareavam. A primeira grande oportunidade surgiu apenas aos vinte minutos, num contra-ataque muito rápido a seguir a um pontapé de canto a favor do Feirense. Conseguimos sair com quatro jogadores de forma muito rápida, mas depois o Salvio resolveu seguir o guião que o rege nos últimos tempos e esquecer-se que joga numa equipa. Com dois colegas completamente isolados em posição frontal à baliza, decidiu fazer tudo sozinho e a jogada acabou com um remate cruzado, rasteiro e com pouca força para as mãos do guarda-redes. A partir do meio da primeira parte o Benfica pareceu conseguir ser capaz de criar mais perigo pelas alas, e aproximou-se mais da baliza adversária, mas o jogo estava complicado porque assim que perdia a bola o Feirense recuava rapidamente e juntava os jogadores em frente à sua área, colocando toda a equipa atrás da linha da bola. O Mitroglou deu o sinal de perigo seguinte, num cabeceamento que foi defendido com alguma dificuldade. Mas o Feirense não era uma equipa inofensiva, e criou também uma grande ocasião para marcar, quando um cruzamento foi desviado pelo Luisão e deixou a bola à boca da nossa baliza e à mercê de um adversário, que no entanto chegou à bola já pressionado e acabou por atirar por cima quando Ederson já estava batido. Foi já muito perto do intervalo que chegámos ao golo, numa jogada em que o Zivkovic pressionou os jogadores do Feirense e impediu que conseguissem afastar a bola das imediações da área, e depois o Carrillo surgiu na zona central a fazer um excelente passe para o Pizzi, que no interior da área trabalhou de forma exemplar e trocou os pés ao marcador directo de tal forma que ele acabou no chão, e depois teve a calma suficiente para deixar o guarda-redes cair para um lado e colocar a bola para o outro.

 

 

Na segunda parte o Feirense tentou ser um pouco mais atrevido. Apareceu mais vezes junto da nossa área, mas com isso naturalmente que também abriu mais espaços atrás que permitiram ao Benfica criar mais ocasiões para marcar. Mas hoje estivemos menos inspirados na finalização e fomos adiando o golo da tranquilidade, o que acaba sempre por criar nervosismo à medida que o tempo vai passando. Nem sequer o Mitroglou esteve nos seus dias, e desperdiçou duas excelentes ocasiões para marcar. A primeira foi quando não aproveitou provavelmente aquela que terá sido a única contribuição positiva do Salvio no jogo, em que ganhou uma bola ao guarda-redes e a passou ao grego, para depois este rematar contra um defesa quando o guarda-redes estava fora da baliza. A segunda foi quando surgiu solto ao segundo poste, mas cabeceou de forma disparatada um bom cruzamento do André Almeida. O Cervi entretanto rendeu o Carrillo, e imediatamente desperdiçou também uma boa ocasião para marcar, permitindo o corte de um defesa no último instante quando estava em boa posição dentro da área. Pouco depois, assistiu o Salvio para este, mais uma vez em óptima posição e sem marcação no interior da área, rematar e fazer a bola passar a centímetros do poste. Pelo meio, o Feirense teve a sua grande ocasião de golo na segunda parte e pregou-nos o maior susto, quando após um canto alguém conseguiu um ligeiro desvio na direcção da baliza, mas por sorte o Ederson defendeu com os pés por instinto e a bola ficou ali parada, numa altura em que parecia ter perdido por completo a noção de onde ela estava, conseguindo depois ser o mais rápido a reagir para a agarrar. Mas isto acabou por ser uma excepção, porque a verdade é que o Benfica foi bastante eficaz na gestão do resultado e da posse de bola durante toda a segunda parte, sendo um bom exemplo disso o período de descontos, que foi quase todo passado com a bola nos pés dos nossos jogadores perto da área do Feirense - e só não foi mesmo todo porque nos instantes finais um jogador do Feirense se atirou para cima do Samaris e o árbitro assinalou falta, o que lhes permitiu despejar a bola para próximo da nossa área (e serem apanhados em fora de jogo).

 

 

Foi mais um daqueles jogos em que fiquei com a impressão de que a vitória se deveu sobretudo a um trabalho colectivo. O terreno estava pesado, o jogo foi difícil, e não foi ocasião para grandes brilhos individuais. Para mencionar alguém, só mesmo o Salvio e pela negativa. Foi um jogo bastante infeliz da parte dele, na sequência aliás do mau momento de forma que parece atravessar. E que se deve sobretudo à insistência em individualismos desnecessários. O lance de contra-ataque que desperdiçou foi de um egoísmo inaceitável que nos podia ter custado muito. Talvez fosse uma boa altura para experimentar o banco por algum tempo, porque o que não nos faltam são opções para jogar nas alas.

 

Se alguém ainda duvida das más intenções da SportTV em relação ao Benfica, basta que prestem atenção à realização do jogo desta noite para dissipar quaisquer dúvidas. Foi um compêndio. Qualquer lance em que um jogador do Feirense entrasse na nossa área era repetido até à exaustão, de todos os ângulos possíveis. À procura, literalmente, de qualquer coisa. Qualquer coisa a que se pudessem agarrar e criar polémica. No início da segunda parte há um lance em que um jogador do Feirense se isola. O lance só não criou mais problemas porque o Ederson foi rapidíssimo a sair da baliza e quando o remate é feito já o nosso guarda-redes está quase em cima da bola. Na primeira repetição dá para perceber perfeitamente que o jogador do Feirense está em posição irregular. Nunca mais a voltámos a ver, nem qualquer linha de fora de jogo. É com isto que temos que conviver, e isto é mais uma forma de pressionar os árbitros. Encobrir ou desvalorizar lances em que sejamos prejudicados (classificá-los de 'lances de televisão', ou 'dar o benefício da dúvida' ao árbitro) e andar literalmente a esquadrinhar todos os segundos de um jogo para encontrar qualquer coisa que possa ajudar a fazer passar a ideia de que fomos beneficiados, repetindo depois esses lances até à exaustão. Não nos podemos distrair, não podemos facilitar. Há toda uma campanha montada para nos desviar do tetra.

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por D`Arcy às 00:58 | link do post | comentar