Passeio

Era um jogo decisivo para decidir a passagem às meias-finais da Taça da Liga, e acabou por ser um autêntico passeio em Moreira de Cónegos. O Benfica goleou por seis a um, e conseguiu fazê-lo deixando uma imagem de tremenda facilidade, de tal forma que se pensarmos no jogo e nas ocasiões que o Benfica ainda assim desperdiçou, se calhar não seria chocante se tivéssemos chegado aos nove ou dez golos.

 

 

Como seria de esperar, muitas trocas na equipa, com apenas três jogadores a manterem a titularidade: Jardel, Samaris e Renato Sanches. Oportunidade também para dar minutos aos recém recuperados Nélson Semedo e Gaitán. O Benfica pareceu abordar o jogo de início de forma bastante descontraída, sem forçar muito o andamento, mas depois revelou-se mortífero e extremamente eficaz. No curto espaço de oito minutos, entre os doze e os vinte, já o jogo ficava resolvido com três golos de rajada. Primeiro num penálti marcado pelo Talisca, a punir uma falta sobre o Gonçalo Guedes; dois minutos depois novamente o Talisca, num remate de primeira a aproveitar um mau alívio de um defesa pressionado pelo Gaitán; e finalmente uma obra de arte do Gaitán a concluir uma jogada iniciada no Gonçalo Guedes, que passou pelo Talisca, e terminou com o mago argentino a passar pela defesa toda do Moreirense, guarda-redes incluído, e praticamente a entrar pela baliza dentro com a bola. O Moreirense ainda reduziu, mas à meia hora de jogo o Jiménez repôs a diferença, depois de pressionar um defesa e ganhar-lhe a bola, para depois fazer um chapéu ao guarda-redes. Mesmo sobre o intervalo, o Gaitán atirou uma bola à barra. Na segunda parte o Benfica apostou sobretudo em gerir o resultado e a poss de bola, o que conseguiu fazer com bastante facilidade. Mesmo assim, deu para ir criando ocasiões de golo flagrantes que seriam suficientes para construir um resultado ainda mais dilatado. Os dois médios foram substituídos e poupados a mais esforços, deu para estrear o Grimaldo (mostrou ter vocação ofensiva) e na fase final do jogo acelerámos um bocadinho e chegou-se a uma verdadeira goleada. Aos oitenta e três minutos o Talisca assinou outro grande momento no jogo, chegando ao golo num grande remate cruzado, ainda de fora da área. E sobre o apito final o Gonçalo Guedes fugiu pela direita, ganhou a linha de fundo, e fez o passe atrasado para o Gaitán marcar de pé direito.

 

 

Os maiores destaques do jogo são obviamente para o Talisca, que independentemente do hat trick aproveitou muito bem o espaço que teve para se assumir como organizador de jogo, quer quando jogou como segundo avançado, quer quando recuou para o meio campo, e para o Gaitán, que marcou dois, deixou inúmeros pormenores da sua classe, e se não tivesse entrado num registo de algum relaxamento e vontade em jogar para o espectáculo talvez pudesse também ter pelo menos marcado tantos golos como o Talisca. O Nélson Semedo parece estar a recuperar a forma, e o Gonçalo Guedes, apesar de algumas coisas lhe continuarem a sair mal (e foi notória a sua frustração quando isso acontecia) ainda assim conseguiu ficar directamente ligado a três dos golos - fiquei particularmente satisfeito com a jogada do último golo. Parece-me que fica a ganhar quando pode jogar com o Nélson Semedo na lateral direita.

 

O apuramento para as meias-finais foi conseguido de forma brilhante, e agora resta repetir a fórmula frente a este mesmo adversário já no próximo domingo. Por muita satisfação que este resultado nos dê, a verdade é que também poderá ser perigoso para nós se de alguma forma se reflectir num excesso de confiança da nossa equipa para esse jogo. O jogo desta noite já é passado, agora é preciso encarar o próximo com a máxima concentração para evitarmos surpresas.

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por D`Arcy às 01:37 | link do post | comentar