Passeio

Creio que se começar este texto a dizer que a vitória por cinco golos sem resposta frente ao Belenenses foi um resultado que peca por escasso, isso será suficiente para dar uma imagem bastante concreta daquilo que foi a produção ofensiva do Benfica neste jogo. É que para além das cinco bolas que entraram, enviámos quatro bolas aos ferros e tivemos ainda mais uma mão cheia de oportunidades flagrantes que não concretizámos. Foi um passeio do Benfica frente ao Belenenses, que poderia ter acabado com um resultado histórico.

 

 

Já o escrevi anteriormente: o onze inicial do Benfica nesta fase inicial da época é bastante fácil de prever, sendo as únicas alterações provocadas por indisponibilidade de algum jogador. Desta vez foi o Fejsa, e também previsivelmente foi o Filipe Augusto quem ocupou a sua vaga. O treinador do nosso adversário tentou durante a semana fazer bluff e andou a dizer que não se apresentaria na Luz a jogar com o esquema táctico de três centrais que tinha utilizado nas jornadas iniciais. Mas acabou por não mudar nada; os três centrais mantiveram-se e qualquer eventual vantagem que pretendesse retirar do bluff esfumou-se rapidamente. É que com pouco mais de um minuto decorrido já festejávamos um golo do Jonas, que aproveitou um livre lateral do Pizzi (resultado de uma recuperação de bola do Salvio em zona adiantada) para fugir à marcação e cabecear sem oposição. E assim começámos logo a eliminar da equação deste jogo o factor antijogo que seria mais do que previsível numa equipa treinada pelo Domingos a jogar na Luz. O golo madrugador talvez fizesse antever uma cavalgada desenfreada do Benfica nos minutos seguintes, mas não foi isso que aconteceu. Esses minutos foram, aliás, o período em que o jogo esteve mais equilibrado, sem muitas ocasiões de golo de parte a parte - o Belenenses até teve aquela que terá sido a sua melhor situação em toda a partida, num remate forte à figura do Varela. Mas a partir dos vinte e cinco minutos o Benfica voltou a acelerar o ritmo e a fazer a bola chegar à frente de forma muito rápida, e a balança ficou definitivamente desequilibrada. O segundo e terceiro golos chegaram rapidamente, separados por cinco minutos, com o primeiro deles a surgir aos vinte e oito num grande remate de fora da área do Salvio, na sequência de um pontapé de canto que só não tinha acabado logo em golo porque o guarda-redes fez uma defesa quase impossível ao cabeceamento do Luisão, tendo depois o Belenenses sido incapaz de afastar a bola das imediações da área até que um toque do Filipe Augusto a deixou nos pés do argentino. O terceiro foi uma jogada do mais simples que podia haver: balão do Luisão para a zona do círculo central, toque de cabeça do Jonas para as costas da defesa e o Seferovic a correr quase meio campo isolado para finalizar com frieza. Ainda antes do intervalo, toda a gente de mãos na cabeça por ver aquele que seria um dos golos da época a fugir por tão pouco: o Jonas recupera a bola no círculo central, levanta a cabeça e remata dali mesmo em balão, fazendo a bola passar sobre o guarda-redes, bater na relva, e ir caprichosamente embater na trave da baliza. Num jogo com cinco golos, o facto deste ser provavelmente o lance de que quase todos falarão e se irão lembrar deste jogo diz muito sobre a qualidade e espectacularidade do mesmo.

 

 

Com o jogo resolvido ao intervalo, na segunda parte o Benfica tomou a decisão óbvia de baixar o ritmo do mesmo e privilegiar posses de bola mais prolongadas. O jogo em geral pareceu tornar-se um pouco mais monótono, mas mesmo sem forçar muito, sempre que o talento dos nossos jogadores aparecia as situações de golo eram uma consequência imediata. O Luisão acertou no poste, o Seferovic atirou ao lado depois de um grande passe do Filipe Augusto o deixar isolado, o cruzamento do Cervi saiu demasiado chegado à baliza e depois da bola sobrevoar o guarda-redes foi bater no poste, O Jardel cabeceou ao lado depois de um grande trabalho do Pizzi na direita, e assim por diante. Quando o jogo parecia estar mais monótono, de repente aparecia mais uma ocasião de golo. A meio desta segunda parte trocámos o Seferovic pelo Jiménez, e o mexicano veio animar um pouco mais as coisas no ataque, já que entrou com grande vontade de mostrar serviço. Por esta altura, mesmo com a vantagem confortável no marcador, o resultado já me parecia frustrantemente escasso para tanta ocasião, e o Jiménez continuou a aumentar a contabilidade dos golos por marcar. A cinco minutos do final trabalhou bem, fugiu à marcação mas acabou por rematar quase à figura do guarda-redes. Três minutos depois surgiu solto pela direita e rematou cruzado com estrondo ao poste. Aos noventa optou, e muito bem, pelo passe para o Jonas, que controlou a bola no peito e rematou de primeira de pé esquerdo, fazendo a bola entrar junto ao ângulo superior da baliza. Mais um golo fantástico daquele que é o melhor jogador da nossa liga desde que chegou ao Benfica. E ainda nos descontos deu para ampliar o resultado em novo lance com intervenção do Jiménez, que desmarcou o Pizzi pela direita para este fazer uma assistência que permitiu ao Jonas marcar um golo fácil, limitando-se a empurrar a bola já dentro da pequena área. Um resultado mais ajustado ao que se passou em jogo em mais uma noite fantástica na Luz. A parte negativa deste jogo foram as saídas do André Almeida e do Salvio por problemas físicos. Esperemos que sejam apenas situações pontuais e nada de mais grave.

 

 

O Jonas é o inevitável homem do jogo, com um hat trick e uma assistência. E ainda aquele lance que ficará na memória de todos. Já não há muitos mais elogios que lhe possamos fazer. E nesta fase pode-se dizer o mesmo do Pizzi, que continua em cada jogo a mostrar toda a sua qualidade e classe. De uma forma geral não tenho nada a apontar a qualquer um dos jogadores. Todos estiveram num nível bastante bom, e até mesmo o Filipe Augusto (de quem eu já afirmei diversas vezes não ser particular admirador) fez o seu melhor jogo pelo Benfica. Mas quero mencionar os nossos dois extremos, Salvio e Cervi, que na minha opinião foram também dos principais responsáveis pela excelente produção da equipa.

 

Foi mais um jogo na linha daquilo que a equipa tem vindo a produzir desde que a época teve início. Uma equipa com perfeito controlo dos ritmos e momentos do jogo, a exibir uma excelente condição física - dois golos nos instantes finais a mostrarem que conseguem manter o ritmo elevado durante os noventa minutos - e com uma união muito grande dentro do campo. Talvez estes quatro jogos tenham permitido acabar com muito do cepticismo em redor daquilo que podemos alcançar esta época. Temos uma base estável e um processo de jogo bem estabelecido, e desde que consigamos trabalhar sobre isso em vez de destruir o que temos o sucesso é uma consequência quase inevitável.

tags:
por D`Arcy às 21:16 | link do post | comentar