Superioridade

Uma vitória justa do Benfica, num jogo que até poderia ter sido mais fácil do que efectivamente foi. A nossa superioridade foi evidente, mas se o resultado acabou por não ser muito dilatado foi também por mérito do Estoril, que nunca se deu por vencido e veio à Luz para jogar futebol e não para tentar impedir-nos de jogar.

 

 

No regresso ao onze base do campeonato, assistimos a um jogo que no papel seria extremamente desequilibrado, já que defrontávamos o último classificado. Mas no campo acabou por ser bastante interessante, também por mérito do Estoril, que se apresentou interessado em jogar um futebol positivo, sem exageradas cautelas defensivas e sem recorrer ao antijogo. Foi por isso um jogo aberto e disputado a um bom ritmo, por oposição à grande maioria dos jogos com este perfil a que acabamos por assistir na Luz durante uma época. O Estoril tentava jogar com as linhas bastante subidas e em todo o campo, e com isso deixava sempre muito espaço nas costas da defesa, o que até obrigava o Moreira a jogar quase mais como líbero. Foi explorando esse espaço e as faixas que o Benfica ia criando perigo. O primeiro grande momento de perigo surgiu quando o Moreira foi desarmado pelo Pizzi, mas depois o nosso jogador foi demasiado egoista e optou pelo remate quando tinha colegas em melhor posição no centro da área. De qualquer maneira o jogo começou a simplificar-se cedo, já que não foi preciso esperar muito para que, no espaço de cinco minutos, marcássemos dois golos - aos treze e aos dezoito minutos. Um prova da forma relativamente aberta como o Estoril tentou jogar é o facto dos nossos dois primeiros golos terem surgido em lances de contra-ataque. O primeiro começou com o Krovinovic a conduzir a bola desde a entrada da nossa área até ao meio campo, onde foi desarmado mas a bola seguiu para a esquerda, onde o Cervi continuou a progressão até fazer o passe para o interior da área. Parece-me que a intenção dele seria servir o Jonas no meio, mas ainda houve um ligeiro desvio por parte de um defesa do Estoril e a bola acabou por seguir para o segundo poste, onde surgiu o Salvio para marcar sem grande dificuldade. No segundo, foi o Salvio a desmarcar-se pela direita após uma tabela com o André Almeida, a seguir até à linha de fundo, e a assistir o Jonas no meio para ele marcar facilmente. Continuando a tentar aproveitar o muito espaço nas costas da defesa adversária, o Benfica ia-se mostrando perigoso e ameaçando voltar a marcar. Mas como disse o Estoril nunca baixou os braços, e apesar de não ter conseguido pressionar-nos de forma consistente, conseguia esporadicamente chegar com perigo à nossa baliza, tendo obrigado o Varela a fazer uma grande defesa durante a primeira parte. Já mesmo a acabar a primeira parte, nada pôde fazer perante o cabeceamento fulgurante do Kléber, que ainda fez a bola embater na barra antes de entrar e assim recolocou o Estoril na discussão do resultado.

 

 

E começámos a segunda parte com um enorme susto, quando um remate de fora da área ainda desviou num jogador nosso e obrigou o Varela a mais uma enorme intervenção. Teria sido o golo do empate, e provavelmente significaria um jogo completamente diferente. O Benfica pressentiu o perigo e foi à procura do golo que desse maior tranquilidade na partida, o que acabou por conseguir ao fim de um quarto de hora. Desta vez não foi num lance de contra-ataque, mas sim numa boa jogada ofensiva, na qual o Krovinovic parecia estar já em boa posição à entrada da área para tentar o remate. Em vez disso optou por soltar a bola mais para a esquerda no Cervi, que depois a devolveu já para o interior da área, onde o mesmo Krovinovic se antecipou a um defesa e a empurrou para a baliza. Poder-se-ia pensar que o jogo estaria mais ou menos resolvido mas, conforme disse, o Estoril não nos fez a vida fácil e continuou a lutar por um resultado positivo. O Benfica também me pareceu ter mostrado aquela sua má faceta de descansar imediatamente a seguir a marcar, e nos minutos que se seguiram ao nosso golo o Estoril apareceu mais junto da nossa área. E voltaram a assustar, porque a bola chegou mesmo a entrar na nossa baliza, numa recarga do Kléber após uma defesa por instinto do Varela. Mas logo na altura pareceu-me que o golo tinha sido obtido com o braço, e após alguns momentos de expectativa o vídeo-árbitro acabou por confirmar isso mesmo, poupando-nos a uma fase final do encontro cheia de preocupações. Provavelmente pensando já no jogo a meio da semana o Benfica foi também poupando alguns jogadores (Fejsa, Jonas, Salvio) mas mesmo assim, à medida que o jogo caminhou para o seu final, os riscos corridos pelo Estoril davam espaço suficiente para que o Benfica ameaçasse ampliar a vantagem - num desses lances só mesmo uma saída quase suicida do Moreira que resultou num corte quase miraculoso com a cabeça é que evitou o golo. Mas em geral parece-me que o resultado final se ajusta ao que se viu em campo, e se fosse mais dilatado talvez fosse uma penalização excessiva para o Estoril.

 

 

Começo por destacar neste jogo os extremos, Salvio e Cervi. Um golo e uma assistência para o primeiro e duas assistências para o segundo são números que mostram a influência que tiveram neste jogo. Gostei também do Krovinovic, embora ache que por vezes tem tendência para se agarrar demasiado à bola e com isso acaba por travar algumas possibilidades de contra-ataque. Por último, uma menção para o Varela. Já escrevi anteriormente que parece ter regressado à baliza com muita motivação para agarrar a oportunidade, e neste jogo voltou a mostrá-lo. Não teve muito trabalho, mas conseguiu ter pelo menos três intervenções de altíssima qualidade.

 

Era importante vencer, e de forma convincente. Creio que esse objectivo foi conseguido, e que conseguimos também fazer uma boa gestão do esforço para o difícil jogo que se segue contra o Rio Ave, a contar para a Taça de Portugal. Não sendo uma exibição deslumbrante, foi minimamente segura para me deixar confiante em relação ao jogos que se seguem.

por D`Arcy às 22:42 | link do post | comentar