Os inocentes

Paulo Pereira Cristóvão, actualmente ex-vice presidente do Sporting, foi acusado de sete crimes pelo Ministério Público. De entre os crimes, estão o branqueamento de capitais e a burla qualificada. Decorrente desta investigação, há a convicção, por parte do Ministério Público, de que, enquanto esse cidadão desempenhava funções directivas no Sporting, teria espionado futebolistas, árbitros e dirigentes, fomentando ainda uma tentativa de espionagem do complexo desportivo do Benfica, no Seixal. Tudo isto complementado com uma canhestra atitude de patrocinar o depósito de dinheiro na conta de um fiscal de linha nomeado para um jogo do Sporting.

 

Com base na presunção da inocência, todos nós somos inocentes até prova em contrário e, como tal, todos olhamos inocentemente para este cândido cenário. Assim, inocentemente, acreditamos que este rol de acusações é uma cabala ou um mal-entendido para com o cidadão que veio ao Estádio da Luz chamar pré-históricos aos dirigentes do Benfica. Possivelmente, por estes se recusarem a usar os métodos de dirigismo pós-moderno do referido cidadão. Do mesmo modo, acreditamos todos que estes métodos alegadamente “pereirianos” nada tinham que ver com a viciação das competições em que o clube de que era vice-presidente estava envolvido. Obviamente, como todos somos inocentes, isto de andar a espiar árbitros, adversários e a depositar dinheiro em contas de membros de equipas de arbitragem é, certamente, um acto individual, para servir interesses que não nos dizem respeito, e só por má-fé se pode concluir que, a ser alguma coisa, fosse mais do que isso.

 

É dentro deste clima de inocência total que se percebe o alheamento da justiça desportiva relativamente a isto tudo e, como inocentes que somos, nem sequer comentamos a decisão do Sporting não se constituir como assistente em todo o processo… Qualquer inocente conclui que o tal clube “diferente” nada tem que ver com isto.

 

por Pedro F. Ferreira às 12:40 | link do post | comentar | ver comentários (5)