Jogo de apresentação do Benfica 2008/09, oportunidade para cumprir dois objectivos primordiais:
- Matar as saudades que já se faziam sentir após algumas semanas sem visitar o nosso estádio e estar, com as nossas gentes, a apoiar o nosso Benfica;
- Verificar inloco o estado evolutivo da equipa treinada por Quique Sanchez Flores.
Começando pelo primeiro item, talvez o mais importante dos dois uma vez que dizia respeito a uma necessidade básica que me estava a ser suprimida por forças alheias à minha vontade (maldito Euro), poder-se-à dizer que ela começou a ser saciada quando faltavam cerca de 2 horas para se iniciar a partida. Sim, é verdade, eu estava lá ainda antes de terem aberto as portas ao público.
E foi bonita a festa, pá!
Não houve extravagâncias ou surpresas de última hora (o "Homem Invisivel" já teria sido contratado para o jogo de apresentação de um dos nossos rivais pelo que só nos restava o inalcançável "Homem Elástico") mas estiveram mais de 40 mil dos nossos todos unidos pela mesma paixão e, acredito, munidos do mesmo sentimento de esperança que se auto-renova todas as épocas por piores que tenham sido as épocas anteriores.
E, talvez por a época 2007/08 se ter aproximado perigosamente daquilo que os extremistas tendem por epitetar de "8", será importante não incorrer em erro semelhante ao procurarmos encontrar entre os vários factores positivos que nos foram dados a ver no último sábado motivos para embandeirarmos em arco e julgarmos que súbitamente nos aproximamos vertiginosamente do "80". Assim não é de facto, aliás, usando de uma analogia rodoviária (sempe útil, sobretudo quando não se ingeriu bebidas alcoólicas antes), nesta estrada imensa que o autocarro que simboliza o futuro do futebol do Benfica se prepara para percorrer após ter aproveitado uma oportuna rotunda para inverter o rumo que levava, a esperança maior é que se encontre rapidamente a saída para a auto-estrada, essa sim fundamental para se atingir a velocidade de cruzeiro que todos almejamos.
No entanto, há que dizê-lo com frontalidade, não pude evitar um ligeiro sorriso de satisfação quando abandonei a Catedral. E com isto entramos directamente no ponto nº 2, isto é, o que eu vi, ou me pareceu ter visto, do alto do 3º anel no sábado à noite.
Por ter ficado agradavelmente impressionado com toda a equipa que jogou, precisamente por me ter parecido aquilo que já há muitos meses (anos?) eu não via a equipa do Benfica parecer, isto é, uma equipa, optarei por mencionar individualmente apenas os elementos do meio-campo, ou não fosse este geralmente considerado o sector nerválgico do terreno de jogo. E aproveito desde já para mencionar aquele que contra todas as previsões, minhas incluídas, poderá se tornar o joker da equipa: Ruben Amorim. O jogador que através do seu espírito de sacrifício poderá equilibrar o jogo da equipa, o pêndulo que se saberá mover de acordo com as necessidades momentâneas da equipa. O tal "Homem Invísivel" (olhem, afinal sempre terá vindo!). Não será com toda a certeza titular absoluto mas, a confirmarem-se algumas das impressões com que fiquei não só neste jogo mas também no anterior com o Vitória de Guimarães, poderá ser de uma utilidade extrema.
No sábado formou um tridente muito interessante com Yebda, a rever o jogador francês apesar de me ter deixado boa impressão sobretudo pela estampa física, e com Carlos Martins. Carlos Martins que vem confirmar, como se isso fosse necessário, a transformação imediata que se processa num jogador assim que deixa de vestir a camisola de um rival do Benfica para passar a envergar o manto sagrado. A faceta de execrável vai-se com uma rapidez assinalável. Quase que seria motivo para um estudo aprofundado por parte das melhores universidades do país. Adiante.
A verdade é que o ex-sportinguista tem feito de tudo para caír no goto do comum adepto benfiquista. Assim, a juntar à reconhecida capacidade futebolística tem exibido igualmente uma consistência exibicional e uma aplicação competitiva a toda a prova. No entanto confesso que ainda não estou rendido. Contínuo com um pé atrás e sempre à espera do momento em que o castelo de cartas ruirá. Se assim não for então poderão, poderemos (!), estar certo de uma coisa: Rui Costa não estava a ser irónico quando apresentou Carlos Martins como o seu sucessor.
Quanto às estrelas Aimar e Reyes, o primeiro vai mostrando cada vez mais entrosamento com a equipa em geral e com Cardozo e Martins em particular, e o segundo fez 10 minutos que no mínimo dos mínimos deixaram água na boca ao mais relutante dos adeptos.
E como na altura em que escrevo estas linhas eu estou absolutamente convicto de que pelo menos mais uma estrela se juntará à festa (chamem-lhe um feeling se quiserem), aproveito para abrir um pequeno parêntesis: se me dissessem há uns meses que em Agosto de 2008 iríamos ter estes atacantes o mínimo que lhe chamaria era a alcunha pela qual o Aimar não gosta de ser conhecido. Acredito que a inflexão provocada pela nomeação de Rui Costa como director desportivo é parte importante, se não fundamental, nestas contratações, mas confesso que estou pasmo com a disponibilidade que o nosso clube demonstra por fechar estas contratações. Se estas se devem realmente somente à capacidade negocial de Rui Costa então não posso deixar de maldizer os últimos anos de Rui Costa como jogador do clube. Por muito que o adorasse como jogador (e como o adorava, desde os tempos em que ía para o café todos os domingos às 14h para ver os jogos da Fiorentina) a verdade é que nos teria dado muito mais jeito como dirigente.
Obviamente que o passado está repleto de situações em que equipas constituídas na sua maioria por jogadores maravilhosos não atingiram os seus objectivos porque cometeram o erro capital neste tipo de casos: nunca conseguiram ser uma equipa e o todo acabou por ser menor que a soma das partes. Mas essa é uma tarefa que até ver me parece estar em excelentes mãos. Na verdade Quique Flores e restante equipa técnica parecem-me uma verdadeira pedrada no charco do marasmo no qual o Benfica mergulhou. Correndo o risco de me aproximar perigosamente do supracitado "80", confesso que neste momento não coloco de parte a eventual reedição do fenómeno Eriksson em tudo o que o sueco significou para o Benfica e para o futebol português aquando da sua primeira passagem pelo clube, ao ver os sinais que me são transmitidos não só pelos métodos de trabalho da referida equipa técnica mas também pela forma como todos se expressam quando questionados pela comunicação social.
A noite foi portanto agradável, sexta-feira surgirá o último jogo da pré-temporada com o Inter de Mourinho. Acredito que a equipa que iniciar esse jogo será basicamente aquele que atacará a 1ª jornada do campeonato pelo que será uma excelente oportunidade para aquilatar de uma forma definitiva a forma com que vamos encarar as competições oficiais.
Termino com a satisfação de ter ajudado a cumprir um sonho de infância, ou de uma semana vá, de um correligionário da Tertúlia, por lhe ter permitido visionar um jogo sentado ao meu lado.