Nota de rodapé

Primeiro, a notícia surgiu como uma mera nota de rodapé num jogo sem grande história: o Fábio Faria saíra de campo ao minuto oitenta e cinco, sentira-se mal. O Rio Ave perdera o jogo e o atleta vila-condense que o Benfica tem emprestado ao Rio Ave tinha perdido apenas cinco minutos de jogo.


Mais tarde, a notícia saiu da margem do jogo para se sobrepor ao próprio jogo. Havia uma complicação, um problema cardíaco. O assunto deixou de ser apenas uma nota de rodapé na história do jogo. Aquele momento poderia ser o título de um capítulo na vida sua vida, pois o coração ameaça uma fragilidade que poderá hipotecar o futuro do Fábio atleta.


Aos vinte e dois anos de vida o Fábio Faria tem a confirmação de que, para ouvir uma gargalhada de Deus, basta que Lhe confiemos os nossos projectos. E o Fábio certamente estará a ouvir essa gargalhada. Dolorosamente, assustado e com o medo de voltar a sussurrar futuros, de voltar a sussurrar notas de rodapé da vida.


Para a frieza da história, para o corpo do texto fica o registo de que o Rio Ave perdeu o jogo e o Fábio perdeu cinco minutos do jogo. Aqueles cinco minutos perdidos poderão ter garantido um futuro bem mais importante do que uma nota de rodapé.


Sabemos que o nosso desempenho como homens vai muito além do nosso papel como adeptos. Independentemente do que o futuro reservar ao Fábio, certamente que ele saberá que a sua dimensão como homem ultrapassa o seu papel como atleta. O Fábio saberá neste momento que uma nota de rodapé na vida se ultrapassa lutando e construindo o futuro, o resto do texto.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Fevereiro e publicado na edição de 10/02/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post