Jorge Jesus, treinador do Benfica.

Reconheço, e não é de hoje, que errei na forma como não distingui Fernando Santos, o treinador, de Fernando Santos, o treinador do Benfica.

 

Não fui capaz de ter para com Fernando Santos o apoio incondicional que tive para com Camacho (por duas vezes), Trapattoni, Koeman, Chalana e Quique. Não fui capaz de distinguir a imagem que tinha de Fernando Santos do respeito que me obrigo a ter por aqueles que desempenham profissionalmente o cargo de treinadores do nosso Benfica. Tomada a consciência do erro seria imperdoável nele permanecer.

 

Serve aquele intróito para dizer que Jorge Jesus não seria a minha escolha para treinador. Felizmente, e acreditem que tenho motivos para o dizer, não sou eu quem tem de escolher o treinador, pois a minha ignorância no assunto levar-me-ia a errar. Mas, efectivamente, Jorge Jesus não seria a minha escolha, pois não me esqueço da forma como ele servilmente humilhou perante o poder ‘papal’. E, servido o mesmo poder, ufanou-se em colocar-se em bicos de pés para tentar atingir o Glorioso. Não me esqueço, pois a minha memória é suficientemente boa para me recordar do que aconteceu na última época.

 

No entanto, tal como eu na defesa do nosso Benfica acabo por atacar aqueles adversários que, num determinado momento, nos atacam (e fui muito claro no ataque que fiz a JJ); também tenho a obrigação de perceber que esses mesmos adversários nos atacam numa estratégia de defesa dos seus clubes. Jorge Jesus sabia muito bem que atacar o Benfica e humilhar perante os andrades era uma forma de servir o seu presidente e o seu clube. Da mesma forma que denunciar esta estratégia atacando Jorge Jesus era uma forma de defender o Benfica enfraquecendo os adversários.

 

Ele cumpriu o seu papel e nós, benfiquistas, cumprimos o nosso. E é neste espírito que encaro Jorge Jesus. Recentemente, alguns amigos comuns perguntavam-me como é que eu o receberia. A minha resposta foi clara: enquanto cá estiver é um dos nossos, antes de cá estar era um adversário.

 

Cometi o erro de não defender um dos nossos aquando da presença de Fernando Santos, não cometerei o mesmo erro com Jorge Jesus. Saber distinguir Jorge Jesus, treinador, de Jorge Jesus, treinador do Benfica, é, na minha opinião, uma prova de maturidade benfiquista. Há que, de forma crítica e exigente, mas sempre respeitando os nossos, exercer o benfiquismo.

O sucesso dele é, também, o sucesso do Benfica. E este é o sucesso que interessa para o caso em apreço.

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post