VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 09.08.14

Ainda a pré-época

O assunto é incontornável, a pré-época do Benfica passou a ser assunto de falatório nacional. Como todo o benfiquista minimamente consciente, tenho a noção de que nos jogos de pré-época não se ganham pontos, nem competições daquelas que nos fazem festejar. Ou seja, tenho a noção de que a pré-época é exactamente o tempo de experimentar possibilidades, identificar problemas e criar condições para entrar na “época” com as melhores soluções para alcançar os objectivos. Ainda assim, como todo o benfiquista minimamente consciente, é impossível não ter ficado preocupado com algumas das situações (e as situações ultrapassam os resultados) que fomos testemunhando. Não me preocupam as saídas de futebolistas que se assumiram como importantes nas brilhantes conquistas da época passada. As minhas preocupações derivam do valor ainda duvidoso de muitos dos reforços que vieram com o intuito de suprir as lacunas dos tais excelentes futebolistas que saíram. É neste deve e haver que se vão construindo expectativas mais ou menos optimistas para o futuro. O tempo urge e o que nós benfiquistas exigimos é, no imediato, a conquista de uma Supertaça que possa servir de ignição para um bi-campeonato que não se pode adiar, sob o risco de estarmos a adiar a consolidação do Benfica como líder do futebol nacional. Esta preocupação é, no entanto, bastante atenuada pelas competências de gestão do Clube, orientação e treino do plantel, e capacidade de deteção de talentos que já testemunhámos nos profissionais do Benfica. Fica uma nota final sobre esta pré-época para agradecer ao Cardozo as quase duas centenas de vezes que me fez festejar golos do Benfica. Soube-se construir na História do Glorioso.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Gosto, para publicação na edição de 08/08/2014 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

 

por Pedro F. Ferreira às 14:56 | link do post
Sexta-feira, 01.08.14

Lógicas de pré-época

Há uns anos, o Benfica contratou maioritariamente reforços em Espanha e na América Latina. Na opinião publicada dizia-se que não podia ser, que era um balneário que falava espanhol e que, desde a redação da pasquinagem lusa até ao túmulo da Padeira de Aljubarrota, a pátria sofria em agonia o ultraje. Depois, bem recentemente, criticava-se a vinda da “armada sérvia”. Temia-se a balcanização do balneário e gritava-se a plenos pulmões que o Clube, os adeptos, os futebolistas e a Águia Vitória estavam irremediavelmente traumatizados com o final da tal época 2012-13. Pelo meio, zurzia-se a bom zurzir na decisão de Vieira ter mantido Jesus e ainda se antecipava o descalabro pela decisão financeiramente suicida de não vender os principais activos do plantel. Antes que me esqueça, devo lembrar que ainda se apresentava o vizinho SCP como exemplo a seguir, pois apostava inequivocamente na formação.

Os mesmos opinadores, na actual pré-época, não comentam a quantidade de falantes de língua espanhola que legitimamente os nossos rivais do FCP contrataram. Do mesmo modo, deixaram de comentar o facto de o SCP contratar futebolistas estrangeiros e “já feitos” que retiram espaço à tal aposta na formação da casa. Agora, passaram a comentar o facto de no Benfica se contratar muitos brasileiros. Passada a patética conversa sobre a incapacidade de sobreviver ao “trauma”, iniciaram a criação do chavão de que o Benfica desmembrou o plantel e que não será possível a reconstrução. Aproveitam e, pelo caminho, desancam nas vendas e no facto de não se ter feito uma política de não venda de activos. É, enfim, o esplendor das certezas absolutas dos habituais cata-ventos sazonais. Apesar de inúteis, ajudam a dar um tom pitoresco à sensaborona modorra da pré-época.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 28 de Julho, para publicação na edição de 01/08/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 19:38 | link do post
Sábado, 19.07.14

Benfica para além do óbvio

Na contabilidade desta pré-época contabilizámos quantos futebolistas da equipa principal ficam e quantos saem. Especulámos sobre o assunto e alternámos entre o apocalipse e a descontração. Tendemos a esquecer que acabámos de fazer uma época de excelência e o que passou parece ter deixado de entrar na contabilidade. No entanto, nesta contabilidade do que foi a época desportiva do Benfica importa ir um pouco além do óbvio. Importa perceber que há Benfica para além do excelente ‘triplete’ do futebol e que o nosso emblema triunfa num conjunto de actividades que têm tanto de eclético como de estruturantes em termos de formação e garantia de alicerces para o futuro. Há poucos dias tivemos dois atletas medalhados nos Europeus de Canoagem. A medalha de ouro de João Ribeiro e o bronze de Teresa Portela terão obrigatoriamente de ser motivo de orgulho e realce. Terão obrigatoriamente de entrar no ‘deve e haver’ do sentir benfiquista. No atletismo, a hegemonia de conseguirmos excelentes resultados (títulos!) na formação (juvenis, juniores e sub-23) deve significar mais do que uma nota de rodapé nas conversas entre benfiquistas. Diga-se que, na formação, o nosso Benfica obteve 28 títulos: 12 no atletismo; 5 no Hóquei em Patins; 4 no Futsal; 3 no Basquetebol; 3 no Voleibol; 1 no Andebol. Cada um destes títulos tem o nosso nome, o nosso símbolo, o esforço de muitos atletas, treinadores e dirigentes. Cada um destes títulos é sinal de esperança num futuro eclético de um Benfica que, sendo na essência futebol, é muito mais do que apenas futebol. Cada um destes títulos deve, obrigatoriamente, entrar na contabilidade de uma época brilhante e que mais brilho tem se soubermos ver o Benfica para além do óbvio.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 14 de Julho, para publicação na edição de 18/07/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:48 | link do post
Sábado, 12.07.14

Lições de benfiquismo

Oiço, recorrentemente, amigos benfiquistas esgrimirem opiniões contrárias (e a diferença civilizada de opiniões é de supina importância para o nosso Benfica) sobre a vida passada, presente e futura do Glorioso. Muitas das vezes a argumentação termina com aquela espécie de sentença categórica e irrefutável de que “ninguém me dá lições de benfiquismo”. Quantas vezes não disse eu isso? Quantas vezes (ainda que o não admitindo) já aprendi algo sobre o benfiquismo, ouvindo e vendo o benfiquismo alheio? Há benfiquistas que pela sua paixão, razão, vivência, experiência, saber ou entrega nos dão lições de benfiquismo. Sempre que no passado vi um benfiquista ser alvo de injustiças cometidas por alguém com passageiro poder dentro Benfica e, em nome do Benfica, calar a revolta e a razão, não as tornando públicas, vi uma lição de benfiquismo. Sempre que vi um dirigente abdicar da sua vida pessoal / familiar para servir abnegada e incondicionalmente o Benfica, vi uma outra lição de benfiquismo. Sempre que vejo um avô emocionado por poder levar o neto à Luz, vejo a lição do benfiquismo assente no passar do testemunho. Esta última lição de benfiquismo é, de todas, a mais importante, porque garante uma renovação do benfiquismo com memória. De todos os benfiquistas, são exactamente os benfiquistas com memória que mais lições têm para dar. Há benfiquistas como Arons de Carvalho, Alberto Miguéns, Manuel Seabra, Ricardo Palacin, Luís Fialho, Rui Costa, João Paulo Guerra, José Jorge Letria, Luís Filipe Vieira, Manuel dos Santos, Ricardo Araújo Pereira, António Melo e tantos outros mais ou menos anónimos que, directa ou indirectamente, me deram lições de benfiquismo. Resta-me apenas agradecer-lhes. No entanto, continuarei convicto a insistir que, tal como a todos os outros benfiquistas, “ninguém me dá lições de benfiquismo”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Julho, para publicação na edição de 11/07/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:43 | link do post
Sexta-feira, 13.06.14

O que os faz correr

Sabemo-lo, porque ninguém se preocupou em escondê-lo, que a Liga de Clubes foi esvaziada de poderes. Tudo, a seu tempo e de forma obscenamente às claras, foi passado para o feudo da Federação Portuguesa de Futebol. Mesmo em termos disciplinares, a Liga ficou com uma pífia Comissão de Instruções e Inquéritos assente numa alínea a) que lhe garante o poder de “instaurar processos disciplinares ou de inquérito, por iniciativa própria ou na sequência de participação”. Uma alínea que serve apenas para que a FPF dela escarneça, fazendo publicamente tábua-rasa dos inquéritos dela emanados. Ou seja, a Liga foi esvaziada, mas não ficou vazia. Nas últimas semanas foi ver como muitos (tantos e tão fracos) se juntaram, separaram, conluiaram, traíram, conspiraram e envergonharam o futebol numa ânsia de cadeiras e microfones (como diria o poeta Jorge de Sena). Afinal, parece que naquele osso bem rapado da Liga sobra ainda um belo naco de carne que vale tanto como todo o resto de carne que a FPF já de lá comeu. Os chacais prepararam-se para filar o naco que respeita aos direitos televisivos do futebol português. E foi em torno destes direitos que tantos jogaram xadrez, escolhendo equipas para jogar num tabuleiro há muito dominado pela oligarquia que atirou o futebol português para isto, esta coisa em forma de interesses privados que se aproveita da coisa pública. A luta em torno dos direitos televisivos é a luta em torno do dinheiro e do poder. Manter os direitos televisivos como um feudo privado dos mesmos que durante anos influenciaram campeonatos, escolheram presidentes da Federação e selecionadores é ajudar a perpetuar um poder bafiento e ultrapassado. Garantir que os direitos televisivos ficam fora da alçada desta gente é a única esperança de que o futebol português possa voltar a ser algo de digno.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Junho, para publicação na edição de 13/06/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:01 | link do post
Sexta-feira, 30.05.14

Da Liga

Neste período de uma pós-época que ainda está longe do começo da pré-época, prepara-se a construção de plantéis e equipas técnicas nos diferentes clubes. É um período de renovação da esperança para os mais optimistas e, simultaneamente, uma época de desassossego e ansiedade para os adeptos mais pessimistas. No entanto, independentemente de feitios e estados de espírito, é um período em que os adeptos vivem na expectativa de que algo mude para melhor nos seus respectivos clubes. Ainda assim, há neste período algo de preocupante e que deveria preocupar quem dirige o futebol português. Avizinha-se uma luta eleitoral pela cadeira de Presidente da Liga de Clubes e de entre todas (e sublinho que são mesmo todas) as candidaturas apresentadas não há nenhuma em quem os adeptos confiem (falo do adepto comum, que paga bilhete e consome informação sobre futebol). Desconfiamos dos interesses que estão a montante das boas intenções que nos são prometidas a jusante. E esta desconfiança é transversal aos adeptos de todos os clubes. Ou seja, preparam-se os 'donos' da bola para entregar mais uma vez um órgão de poder a alguém em quem os consumidores do espectáculo (no sentido amplo do termo) não confiam. Isto é um facto, independentemente da cegueira que os dirigentes tenham ou não para o encarar.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Maio, para publicação na edição de 30/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:48 | link do post
Sexta-feira, 23.05.14

Do sabor da vitória

Vencer, no Benfica, sabe a Benfica. Ou seja, sabe bem, sabe a justiça, a sofrimento e a prémio. Sabe, ainda, a Mística e a História. Por fim, vencer, no Benfica, sabe a futuro. Estas três vitórias nacionais [mais aquela outra da Liga Europa que um árbitro alemão na final, um inglês na meia-final e bastante desacerto na finalização conseguiram evitar] trazem com elas a justiça aos méritos de uma equipa técnica de excelência que no final da época passada foi crucificada na imprensa, no estádio e nas redes sociais (local por excelência em que se assiste ao esplendor da legitimação da imbecilidade) por muitos dos que agora os louvam, esquecendo-se de que já se preparavam para jogar aos dados a túnica do crucificado. Esta vitória sabe, e de que maneira, ao sofrimento dos que diariamente trabalharam mais do que todos os outros para que a máxima latina “ad augusta per angusta” se pudesse realizar no presente. De entre estes, à cabeça está Luís Filipe Vieira. Sabe a Mística, porque a Mística do Benfica é feita de vitórias honradas, limpas e sem a mácula de sabujos que garantem vitórias em troco de viagens ao Brasil, conselhos matrimoniais e prostitutas baratas em lupanares frequentados pelos agora profissionais da arbitragem. Esta vitória sabe, essencialmente, a futuro, na medida em que só faz verdadeiramente sentido se for potenciada como alicerce das vitórias futuras. Quando vemos jovens adeptos a dizer de viva voz que este Benfica é aquele de quem os pais e avós lhe narram façanhas épicas do passado, devemos perceber que é essencial que estes jovens possam no futuro ser testemunho vivo de muitas jornadas de glória como a que vivemos este ano. O resto é o agradável sabor de discutir entre benfiquistas se esta época é de cariz épico ou de cariz bíblico.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Maio, para publicação na edição de 23/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:00 | link do post
Sexta-feira, 16.05.14

Dos fantasmas

“Fantasmas é não chegar à final! Fantasmas!? Deixem-se dessas tretas.” Estas foram as palavras de Jorge Jesus quando, em momento de vitória do Benfica, foi confrontado pela enésima vez com os resultados das finais e momentos decisivos da época transacta. Estas foram as palavras que tantas e tantas vezes me apeteceu que fossem ditas pelos dirigentes / futebolistas / treinadores do Benfica sempre que foram confrontados com o “trauma”  e os “fantasmas” da época passada. Se há coisa para a qual já não há paciência é para essa conversa ‘ad nauseam’ por parte de jornalistas e comentadores do futebol português. Diga-se, aliás, que esta ladainha carpideira permanente de recordar constantemente o momento da derrota passada e acentuá-lo no momento da vitória presente diz muito mais sobre as fraquezas do comentador do que sobre a força do comentado. Se Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira enfermassem dessa lusitana tendência para a lamentação doentia e mesquinha, estaria ainda hoje o Benfica enterrado nessa espécie de fado do desgraçadinho de que tanto parecem gostar os apocalípticos com espaço e voz na comunicação social. Cheguei a ver num canal televisivo, 48 horas após a conquista do campeonato, um balanço do mesmo em que a primeira meia hora foi passada a dissecar o… pior momento da época. A meia hora seguinte foi para recordar os momentos finais (os tais “fantasmas”) da época passada e sobrou meia hora para perorar sobre as dificuldades que o Benfica terá no futuro em repetir as vitórias do presente. Amanhã (escrevo esta crónica antes da final da Liga Europa) estarei em Turim, com o Benfica, sabendo que, independentemente do resultado, no final do jogo seremos Benfica, sem traumas, sem fantasmas e sem tretas. Essas ficam para os comentadores.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Maio, para publicação na edição de 16/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 14:06 | link do post
Sexta-feira, 09.05.14

Dos Sócios

Ser sócio do Benfica não é, obrigatoriamente, um atestado de amor ao Clube (muitos dos mais acérrimos benfiquistas que conheci não eram sócios). É, antes, oficializar uma relação de amor. É neste momento de euforia pelo presente e optimismo no futuro que surge uma interessante campanha de captação de novos sócios para o Benfica. O amor incondicional, a generosidade dos benfiquistas, o apelo do benfiquismo e a missão de ajudar o Benfica a crescer é, certamente, um desígnio a que saberemos responder. Como sócios, participamos mais activamente na vida do Clube e ganhamos uma legitimidade extra para podermos ser exigentes para com os profissionais que servem o Benfica. Como sócios, pedimos aos profissionais do Benfica que sejam competentes no seu espírito de missão, na mesma medida em que os profissionais pedem aos legitimamente amadores (aos que amam) que participem, apoiando, na vida do Clube. Assim, é essencial que os profissionais que servem de apoio aos sócios acompanhem os excelentes níveis de desempenho que observamos nos outros sectores do Clube e que não repitam demonstrações de amadorismo como as que testemunhámos na organização da venda de bilhetes para a Final da Liga Europa. É nesta exigente e apaixonante relação de pertencer ao que nos pertence que se vive o Clube. É nesta medida que se percebe a mensagem repetida e vivida permanentemente pelo presidente Luís Filipe Vieira de que o Benfica é dos benfiquistas e de que são os sócios a pedra angular do nosso Clube. Nesta cultura benfiquista de nos darmos na medida do que pedimos, chegaremos aos trezentos mil sócios, numa demonstração ímpar de oficialização do amor pelo Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Maio, para publicação na edição de 09/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 14:58 | link do post
Sexta-feira, 02.05.14

Do futuro

No final do jogo em que eliminámos o FCP na meia-final da Taça da Liga (tal como na meia-final da Taça de Portugal com 10 jogadores durante mais de uma hora) Jardel, o nosso 33, disse que “a época de sonho já começou na época passada, quando chegámos às finais”. Foi uma frase marcante que nos demonstra como o Benfica fez o que teoricamente é mais difícil: alicerçou as vitórias desta época nos insucessos do final da época passada. Ou seja, a gestão do insucesso foi essencial na conquista do sucesso. A questão, agora, é como lidar com o sucesso. Como gerir o sucesso, para garantir novo sucesso? Aquando da conquista do primeiro campeonato da era Jorge Jesus, a gestão do sucesso foi feita olhando mais para o caminho percorrido do que para o caminho a percorrer. E neste erro de perspectiva radicou algum do insucesso que se lhe seguiu. Neste momento, é essencial que a consciência benfiquista se obrigue a perceber que a época em curso não é um ponto de chegada, não é uma meta, mas apenas um alicerce importante na construção do futuro. Exige-se que se festeje sem soberba, que se conquiste com ambição e que se faça do momento da vitória um anseio de ir mais além. Que não acreditemos na ladainha de que o nosso principal rival está em fim de ciclo, pois no hipotético menosprezo da força do adversário pode residir a nossa maior fraqueza. Em suma, percebamos que, tal como escreveu Zeca e cantou Sérgio Godinho, «Quando uma cobra tem sede (…) corta-lhe logo a cabeça (…) encosta-a bem à parede». Neste caso, esta época vitoriosa encostou-a à parede, mas ainda faltam muitas vitórias nossas para que a cobra seja decapitada.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Abril, para publicação na edição de 02/05/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post
Sexta-feira, 25.04.14

Da coragem

Somos merecidamente campeões nacionais pela 33ª vez. Não fazendo o balanço da época, mas apenas do campeonato, importa fazer duas ou três considerações que, pela justiça, não posso esquecer.

Olho para este campeonato como aquele que se conquistou sob o signo da coragem. A coragem de um presidente que, contra quase todos, decidiu pelas suas convicções e não pelas encomendas externas e internas manter um treinador que se ficara pelo “quase” na época anterior. Ter a coragem de saber que uma convicção não é uma teimosia é um mérito. Ter a capacidade de não “emprenhar pelos ouvidos” (peço desculpa pelo plebeísmo, mas não estamos em tempos de floreados linguísticos) numa terra de alcoviteiras é um acto de coragem. Luís Filipe Vieira teve esse mérito. Jorge Jesus teve, além da coragem de enfrentar de peito feito as facas que já não lhe eram apenas espetadas nas costas, o talento de conseguir impor, pela qualidade, uma ideia de jogo, uma metodologia de treino e um conceito de futebol. Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus vivem e não precisam de se colocar em bicos de pés para que se saiba que vivem. Outros há que, ou porque “já foram algo” ou porque “aspiram a ser algo” no mundo do Benfica, fazem prova de vida nos momentos em que as coisas não correm bem. Note-se que não falo dos que exercem a crítica desinteressada, genuína, justificada e apaixonada. Essa crítica é essencial no nosso Benfica. Falo dos que ao sabor dos resultados, dos interesses pessoais ou das passageiras tendências de opinião surgem, sempre e apenas nos momentos de ausência de vitória, a cavalgar a derrota, para que, como anões de salto alto, a multidão benfiquista se lembre da existência deles.

Nesta diferença entre a convicção e o interesse, a crítica genuína e o ‘bota-abaixismo’, vai a diferença entre a coragem e a cobardia. Esta vitória no campeonato deve-se à coragem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Abril, para publicação na edição de 25/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post
Sexta-feira, 11.04.14

Da arte

Ortega y Gasset mostrou-nos como a depuração é a essência da beleza na arte. Muitos o secundaram e um dos meus escritores portugueses preferidos, Miguel Torga, mostrou-nos como a depuração do supérfluo conduz a uma arte substantiva, sem o elemento barroco do adjectivo desnecessário. A arte apresenta-se-nos assim, nua, crua e sem o subterfúgio da fuga ao tutano, à essência. Nesta perspectiva, tudo o que vá para além do tutano é uma traição à beleza. Aprecio esta visão da arte, mas quando chego ao universo do futebol vejo que a beleza dessa arte vai muito para além do tutano.

Vem tudo isto a propósito do mais recente jogo entre o Benfica e o Rio Ave. Para a história ficará um resultado feito da agradável banalidade de mais uma vitória expressiva do Benfica. Para a memória (e a memória constrói e transcende a história) fica esse ‘conflito’ entre o tutano de uma ideia de jogo (uma identidade competitiva construída pelo treinador que melhor pensa o futebol em Portugal) e a criatividade individual decorrente do génio de cada um dos futebolistas do nosso Benfica. Esse rasgo permanente de criatividade faz dos futebolistas mais do que meros executantes e eleva-os à qualidade de criadores que, criando em prol do todo, superam a banal recriação.

Ou seja, no tutano, na essência e sem nada de supérfluo está a arte de Jorge Jesus. No entanto, a beleza desta arte está entregue a Gaitan, Enzo, Markovic e tantos outros que à essência do resultado juntam a tal “nota artística” tão comentada pelo treinador do Benfica. Foi esta síntese entre a arte substantiva e o adorno da beleza adjectiva que aplaudimos no final do jogo com o Rio Ave.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Abril, para publicação na edição de 11/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:30 | link do post
Sexta-feira, 04.04.14

As boas-vindas

Esta é a terceira vez que digo “bem-vindo sejas” ao Nuno Gomes. A primeira vez já vai longínqua, era a saudação a uma jovem promessa do futebol. A segunda vez já era a saudação a uma certeza do futebol, feita de benfiquismo, de classe e inteligência fora e dentro do campo. O primeiro regresso foi um momento de renovar a esperança no futuro e uma garantia de que Nuno Gomes era um fiel depositário dessa esperança. Regressou já como um capitão, um líder da equipa, independentemente de ostentar ou não a braçadeira. Nas doze épocas de Benfica soube ser e soube estar, soube ser o tempo e o modo, soube ser o profissional, o adepto e assumir o papel de símbolo que a muito poucos está reservado e que, no futebol moderno, é cada vez mais escasso. Para se ser símbolo é necessário ter a mística, a fidelidade, a classe e a paixão pelo Clube. Nuno Gomes soube ter tudo isto. Nos tempos que correm, estes símbolos escasseiam e são essenciais como referência. Depois de ter saído para terminar a carreira noutras paragens (nunca gostei da ideia de o ver jogar por outro clube português que não o nosso), regressa pela segunda vez à nossa casa. Em Maio do ano passado, no aeroporto de Amesterdão, depois de uma final europeia perdida, encontrei o adepto Nuno Gomes, anónimo na multidão, de cachecol, aborrecido com a derrota, mas orgulhoso pelo benfiquismo. Disse-lhe pessoalmente que estava chegado o momento de lhe dar, novamente, as boas-vindas ao Benfica, agora na condição de dirigente. Quase um ano depois, as boas-vindas estão consumadas. O futuro do Benfica constrói-se dirigido, também, com símbolos como Rui Costa e Nuno Gomes. Dêmos, então, as boas-vindas ao futuro.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Abril, para publicação na edição de 04/04/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 18:34 | link do post
Sexta-feira, 28.03.14

O Destino não nos dá tréguas

Quando, após aquele final de época 2012/13 em que do tudo nos restou o nada, a Direcção do Benfica renovou com Jorge Jesus, eles, os especialistas, garantiram que se acabara de perder o actual campeonato. Nós, que vivemos o benfiquismo, não acreditámos. O mesmo aconteceu quando Cardozo ficou no plantel e tantos peroravam como isso seria fatal para a época corrente. Com a derrota na primeira jornada, acentuou-se a ladainha do apocalipse. À terceira jornada e com apenas uma vitória, eles, os especialistas, já nos tinham feito a extrema-unção e encomendado a alma. Quando estivemos a cinco pontos do primeiro lugar (à época ocupado pelo FCP da estrutura perfeita) aconselharam-nos a começar a preparar a nova época. Os empates caseiros com Arouca e Belenenses fizeram com que os especialistas garantissem a infalibilidade das suas teses. A suspensão de Jorge Jesus por um mês deu aos especialistas permanentes e aos abutres de ocasião a oportunidade para fazer sangue, acertar contas antigas com o treinador e garantir a falência desportiva da época. Mais tarde, foi a lesão de Cardozo a dar-lhes o alento para agoirarem (vindo dos especialistas, até os agoiros são científicos) a época. Atendendo a que a realidade sempre se encarregou de desmentir os seus desejos disfarçados de opiniões, esperaram pela saída de Matic para garantir que isso é que faria com que deixássemos de contar para a vitória no campeonato. Sempre que eles, os especialistas, garantiram que tínhamos o campeonato perdido, nós, os que vivemos o benfiquismo, não acreditámos e continuámos, com os nossos, a lutar. Agora, porque faltam seis jornadas e temos sete pontos de avanço para o segundo classificado e doze para o terceiro (o FCP da estrutura perfeita), eles, os especialistas, querem convencer-nos de que temos o campeonato ganho. E nós, os que vivemos o benfiquismo, continuamos a não acreditar neles, pois sabemos que em Portugal só há um clube que ganha de véspera e nós, Benfica, não ganhamos nem perdemos de véspera. Lutamos sempre para construir permanentemente um destino que não nos dá tréguas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24 de Março, para publicação na edição de 28/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 14.03.14

Um olival de eucaliptos

Os dirigentes dos clubes profissionais reúnem em consílio com o intuito de “reformar” o futebol português. Aglomeram-se em torno de um poder bafiento, com métodos camorristas, e, no final, enviam um moço de recados anunciar ‘urbi et orbi’ que querem fazer um “25 de Abril” no futebol. Ou seja, pudemos todos observar gente que se aproveita da liberdade conquistada para escarrar na democracia e, em nome dela, anunciar uma revolução que pretende perpetuar no poder os que atiraram o nome do futebol português para o anedotário em que se encontra. Os dirigentes do Benfica, Sporting e Marítimo afastaram-se daquilo. Garantidamente, nesse momento, os adeptos destes três clubes sentiram orgulho nos seus dirigentes. Pois, ao contrário do que alguns pensam, a maioria dos adeptos não se revê neste futebol que mais parece um olival feito de oliveiras com raízes de eucalipto, das que secam tudo em seu torno. Ao quererem atirar para o poder mais um títere do olival, pretendem garantir que o bolo dos direitos televisivos se mantenha nas mãos que distribuem migalhas aos serviçais que lhe sustentam a negociata. A falência moral do futebol português tem rostos e nomes que se preparam para deixar herança. Disfarçado numa espécie de manto de vitalidade esconde-se o fervilhar de podridão de um pântano estagnado há três décadas e em que aforismos de falência moral como “o que hoje é verdade amanhã é mentira” são publicamente assumidos e vividos entre gargalhadas boçais, fina ironia e charutos mamados (como escrevia o Eça) em prostíbulos e lupanares sobejamente conhecidos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Março, para publicação na edição de 14/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:23 | link do post
Sexta-feira, 07.03.14

Águas, Coluna e Eusébio

José Águas, Eusébio e Coluna são os três nomes mais míticos da minha “educação” benfiquista. Nascido no início dos anos setenta, ouvi vezes sem fim a narração dos grandes feitos do Benfica da década de sessenta. Os mais velhos da família passavam testemunho das grandes finais europeias, das conquistas, das jogadas, das goleadas… e na voz dos narradores, nascia a epicidade dos heróis. De entre todos, aquela “santíssima trindade” sobressaía. Os golos, a elegância, o jogo aéreo e a eficácia do Águas, o grande capitão das finais conquistadas; a excelência superior do “Rei”, do maior de todos, o Eusébio; e a força, o pulmão, a inteligência, a determinação e a liderança do Coluna. Estes três eram míticos para a História do Benfica e heroicos no imaginário de quem, sem nunca ter tido o privilégio de os ver jogar ao vivo, cria uma imagem sonhada e, como tal, mais vincada e duradoura. Aconteceu comigo e com milhões de outros benfiquistas que cresceram no benfiquismo, tendo como referência homens que julgamos eternos na medida em que se eternizam no nosso imaginário colectivo. Com o falecimento do Senhor Mário Coluna, deixámos de ter o último representante da tal trindade que, sendo maiores entre os maiores, percebiam que eram pequenos perante o Benfica. Repito que não vi o Coluna jogar, mas vi-o, ao vivo, ajoelhar, com humildade e agradecimento, perante a Águia de Ouro que o Benfica lhe ofereceu como reconhecimento do seu papel cimeiro na história do Clube. Ali, naquele momento, estava mais uma, a derradeira, lição de liderança e benfiquismo que o Senhor Coluna nos deu: ensinou-nos a ser humildes na gratidão ao Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Março, para publicação na edição de 07/03/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 08:51 | link do post
Sexta-feira, 28.02.14

As fugas e os ratos

No dia 2 de Dezembro de 2004, um conhecido dirigente de um clube estava em terras galegas, no “Parador de Tui”. Nesse mesmo dia, pelas 7 da manhã, a Polícia Judiciária fazia uma busca à casa desse dirigente, para o deter e conduzir ao tribunal. A coincidência da ausência fez com que se abrisse uma investigação. Da investigação, formou-se, por parte dos investigadores, a convicção de que houvera uma fuga de informação, da qual resultou a fuga do referido dirigente para a Galiza. Passados uns meses, a questão das fugas foi arquivada por impossibilidade de provar quem fora o homem que provocara a fuga de informação. Mais tarde, e segundo noticiava o jornal “Expresso”, em Junho de 2007, os inspectores que realizaram a investigação consideravam que "Quanto à(s) pessoa(s) que possam ter perpetrado tal ilícito, deixam-nos tão mais decepcionados quanto o seu universo é o mesmo em que exercemos o nosso ministério, o da realização da Justiça".

 

No dia 23 de Fevereiro de 2014, um conhecido dirigente de um clube estava à porta da garagem de um estádio a falar para a comunicação social, no intervalo de uma aparente ameaça a um jornalista e da suposta recusa em acatar uma decisão policial (coisas que, a julgar pela falta de repercussão na comunicação social, devem ser banais e costumeiras lá por aquelas bandas). No solilóquio comunicacional a que se propusera, o dito dirigente garantia que “só os ratos é que fogem”.  Desta consideração pouco abonatória para com a bicheza vil e roedora depreende-se que este dirigente estaria a ofender de forma incisiva e garantidamente injusta o outro dirigente de quem se diz ter fugido para a Galiza. Ora, em defesa do bom nome do suposto fugitivo de 2004, aguarda-se um pedido de desculpas por parte deste dirigente que agora acusa o outro de ser um rato.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Fevereiro, para publicação na edição de 28/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Sexta-feira, 21.02.14

Os túneis da justiça

A Justiça (que não desportiva) condenou os futebolistas Hulk, Sapunaru, Cristian Rodriguez, Helton e Fucile por agressão a ‘stewards’, no túnel do Estádio da Luz, no dia 8 de Dezembro de 2009. A condenação surge em Fevereiro de 2014. Pelo caminho ficou o interessante acórdão em que se equiparou os ‘stewards’ a espectadores e ficou o papel desempenhado por um conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça nesse acórdão que ditou a redução dos castigos a Hulk e Sapunaru Este tipo de elaboração diz-nos mais sobre o papel desempenhado por certos juízes no mundo do futebol do que sobre o papel dos ‘stewards’. Olhemos para o papel que desempenhou um conhecido juiz, que foi presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, aquando das alegadas conversas com o famigerado árbitro Carlos Calheiros. Edificante foi também o papel de um outro conhecido juiz a pedir, segundo decorre das escutas do caso “Apito Dourado”, dois bilhetes para um jogo internacional do seu clube (alegadamente é Dragão de Ouro). Num outro âmbito, mas igualmente interessante e importante, foi o papel do Juiz António Mortágua no mundo da justiça desportiva portuguesa. Oiça-se, a este respeito, as escutas decorrentes do “Processo Apito Dourado”. Olhando para os protagonistas percebemos as decisões tomadas pelo mundo da Justiça Desportiva. Como manda a Lei e a Ordem, acatámos essas decisões como legítimas e expectáveis. Quatro anos depois da Justiça Desportiva ter deliberado como deliberou relativamente ao caso das agressões no túnel da Luz, a Justiça (que não desportiva) deliberou de forma bastante diferente. É o mesmo Portugal, todos são igualmente juízes e todos eles são julgados pela opinião pública quando julgam.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Fevereiro, para publicação na edição de 21/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:57 | link do post
Sexta-feira, 14.02.14

Os especializados em tudo

Foi com surpresa que observei que os opinadores profissionais que pululam pelos órgãos de comunicação a perorar sobre futebol são todos, mas mesmo todos, especialistas em tudo. Já os vira exercer a especialidade de limpadores solícitos da corrupção e abrilhantadores de corruptores. Por vezes, aquando da apresentação dos relatórios e contas dos clubes, mostram-se especialistas em finanças, gestão, contabilidade e administração de sociedades desportivas e conhecimento empírico de gestão de mercearias de bairro. Durante os períodos de aquecimento das equipas, é ouvi-los como sumidades em fisiologia do treino desportivo e da pedagogia do desporto, enquanto momento de exercitação da especulação jornalística. Aquando das lesões de atletas, são sempre os mais habilitados a diagnosticar problemas, sugerir terapias e garantir a incompetência dos departamentos médicos dos clubes. Nesta semana que passou, vimo-los exercer a ‘supinidade’ excelsa de demonstrarem ao comum mortal a sua sapiência em estruturas metálicas e coberturas de bancadas de estádios. Eles demonstraram que tudo sabem sobre corrosão galvânica, corrosão uniforme, corrosão atmosférica, reacções electroquimícas (anódica e catódica) e tensões residuais. Teorizaram com autoridade académica sobre porcas, arruelas, rebites e parafusos. Eles, do alto da sua infalibilidade de especialistas em generalidades banais, chegam a passar atestados de incompetência aos aventureiros que sendo especialistas em segurança e protecção civil vêm para a televisão falar de… segurança e protecção civil. Eles só não sabem como e quando usar o verbo “evacuar”, o que fez com que evacuassem imbecilidades sempre que falaram da evacuação e segurança do Estádio da Luz.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Fevereiro, para publicação na edição de 14/02/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:39 | link do post
Sexta-feira, 31.01.14

Os insubstituíveis

O futebolista Matic deixou o Benfica e foi para o Chelsea receber um ordenado chorudo e fora das possibilidades de qualquer clube português. O Benfica recebeu por esta venda um valor bem significativo, ainda que aquém das expectativas criadas. Objectivamente, no plano desportivo, o Benfica deixou partir um dos seus futebolistas mais importantes. Isto é um problema e, para o ultrapassar, há que arranjar uma solução. Há no Benfica quem já nos tenha dado provas de que as soluções existem e são implementadas. É, também, para encontrar soluções que muitos dos profissionais do futebol do Benfica recebem ordenados chorudos e fora das possibilidades do cidadão comum. As saídas de Witsel e Javi Garcia foram lidas como apocalípticas até que Enzo e… Matic demonstraram ser soluções com claras mais-valias desportivas relativamente aos que haviam saído. O mesmo já acontecera com David Luís e Garay e, anteriormente e com outros contornos, na substituição de Ramires por Sálvio ou, ainda que mais demorada, a de Simão por Di Maria. Em todos estes casos se gritou pelo apocalipse e se carpiram antecipadamente profecias de desgraças futuras. É natural, faz parte de uma ‘voluptas dolendi’, um comprazimento na dor, que enforma e enferma a alma lusitana. Recordo que as deserções de Pacheco e Paulo Sousa também levaram a que se antecipasse o pior, mas que foi sem eles, e também a eles, que ganhámos por 3-6, em Alvalade. Aliás, desde que vi o Dito e o Rui Águas saírem para o FCP e substituídos pelo Ricardo (o melhor central que vi no Benfica, depois do Humberto) e pelo Vata (que acabou como melhor marcador do campeonato), percebi que no futebol só a bola é insubstituível. Haja optimismo nos adeptos e competência nos profissionais para, mais uma vez, se substituir o “insubstituível”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Janeiro, para publicação na edição de 31/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 08:49 | link do post
Sexta-feira, 24.01.14

A encomenda

A “estrutura perfeita” perdeu no Estádio da Luz e viu os cinco pontos de vantagem que lhe garantia loas ao plantel e encómios ao líder da fina ironia transformarem-se em três de atraso para o Benfica.

A “estrutura perfeita” reagiu insurgindo-se contra o árbitro, Artur Soares Dias. O mesmo Soares Dias que herdou o apito e consolidou carreira sempre na sombra da Torre das Antas. Ao culpar o dito Soares Dias, a “estrutura perfeita” limpou a imagem do seu treinador, Paulo Fonseca. O mesmo Paulo Fonseca que herdou o cargo e consolidou a carreira na sombra da última jornada do campeonato transacto. Ao culpar o dito Soares Dias, a “estrutura perfeita” desculpabilizou-se de ter substituído James e Moutinho por Licá e Josué. Mas a “estrutura perfeita” foi mais longe e exigiu a nomeação do amigo Proença para as próximas contendas com o Glorioso. A tradição ainda é o que era e desde Garrido que há sempre um Proença a ser desejado e “nomeado” para participar e contribuir para a festança. Assim, com uma “nomeação” tão atempada como avisada, não admira que a “estrutura perfeita” tenha um treinador a garantir que festejará na última jornada do campeonato. Aliás, diga-se que esse treinador, apesar da curta carreira, já tem alguma experiência em garantir campeonatos na derradeira jornada. E é assim que a “estrutura perfeita” garantia há uns meses que só os estúpidos é que falavam de arbitragem e que agora, falando de arbitragens, não só deixaram de ser estúpidos como encomendam os foguetes para jornada final. Faltou-lhes apenas dizer que a culpa da derrota na Luz se deveu ao facto de terem jogado à tarde, quando a tradição os habituara a jogar no calor da noite. Mas, garantidamente, a “estrutura perfeita” valer-se-á, também, do retomar dessa tradição.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 21 de Janeiro, para publicação na edição de 24/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Sexta-feira, 17.01.14

As duas Taças gémeas

Vou repetidamente ao nosso Museu Cosme Damião, ao ninho das águias, para ver aquelas duas Taças dos Clubes Campeões Europeus tão parecidas, tão irmanadas e, no entanto, tão diferentes.

 

Para o observador incauto são as barrigudinhas gémeas, iguais e indistintas. Para o benfiquista são inconfundíveis. Olham para nós de forma idêntica, sorriem-nos ambas como marcos únicos do benfiquismo, mas não são iguais. Na segunda estão já o Eusébio e o Simões. Na primeira estão ainda o Neto e o Santana. Erguem-se ambas em cima de dois colossos europeus, mas uma com tom castelhano e outro catalão. Uma ganhou-se a um húngaro que se confundia com Barcelona e outra a um argentino que se fundiu com Madrid. Em ambas está a liderança do Coluna, a eficácia e elegância do José Águas e a categoria do Germano. Olhamo-las nos olhos e percebemos o testemunho da imagem do Águas a erguê-las aos céus como agradecimento da dádiva feita pelos deuses aos eleitos. Observamo-las atentamente e percepcionamos promessas de lutas, reveses e sucessos futuros. Sabemos que em ambas reside a garantia da renovação do benfiquismo. Carregam nelas a herança de atletas da cepa de Rogério “Pipi”, Francisco Ferreira ou Julinho, na mesma medida em que anunciam glórias como Bento, Humberto, Néné ou Chalana. Como todas as gémeas, falamos delas no plural, mas sabemo-las singulares e únicas.

 

Como tributo ao facto de elas nos terem dado o cognome de “Glorioso” até as denomino com os nomes das duas gémeas mais importantes da minha vida: à de 60-61 chamo Catarina e à de 61-62 chamo Maria.

 

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Artigo de opinião publicado na edição de 17/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 16:11 | link do post
Sexta-feira, 10.01.14

O Rei

Os grandes reis ficam na História pelo cognome. No entanto, há um que difere de todos os outros ao ponto de se lhe substituir o nome pelo cognome. Para nós, Rei é Eusébio e Eusébio é um outro nome de Benfica, cujo cognome é Glorioso. É assim que no nosso imaginário o Rei é o Glorioso. É assim que no Benfica se edifica História. Mas este Rei é único, na medida em que não é herdeiro da coroa que ostenta nem deixou herdeiros para a sua coroa. Ele é o Rei único e insubstituível numa corte de vários príncipes e milhões de súbditos. Este Rei não nasceu herói, construiu-se herói ao longo da sua vida e nessa construção ajudou determinantemente o Benfica a transformar-se num Clube de dimensão universal e intemporal. É assim com os que são enormes entre os grandes: edificam-se, edificando um edifício maior do que a dimensão do sonho. Ao vivenciarmos Eusébio deveremos perceber que, muito esporadicamente, a História dá-nos o privilégio de assistir à metamorfose do homem que transcende da sua condição ao ponto de se tornar um mito. Um dia, o homem parte e fica o mito. Quando o que restava de humano partiu no domingo passado, ficou a herança e a responsabilidade dos seus súbditos perceberem que houve uma fase em que Eusébio jogou e ganhou para o Benfica. Fê-lo durante anos, golos, vitórias, lesões e sacrifícios a fio. Agora, é chegada a hora de o Benfica jogar e ganhar pelo Eusébio. Apenas assim os súbditos do Rei continuarão a construir o Glorioso.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Janeiro, para publicação na edição de 10/01/2014 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Sexta-feira, 20.12.13

António Simões

Nunca vi jogar o Simões. Tenho do Simões uma memória construída no imaginário das mil e uma histórias que dele sempre ouvi contar pela geração dos meus pais, a geração do Simões. Aquela geração dos que, do alto da autoridade dos seus 70 anos, olham para os miúdos de 40 com a incompreensão de quem nos ouve falar do Benfica sem termos visto o Eusébio, o Zé Águas, o Germano ou o Simões. Como é que eu poderei algum dia expressar o quanto devo (devemos) ao Simões, se nunca o vi jogar? Como é que poderei algum dia explicar que o primeiro e mais duradouro imaginário que construí do Benfica é mítico exactamente porque se baseia na narrativa de heróis míticos? Terá o Simões a noção de que ele surgia nas narrativas do cimentar do meu benfiquismo no mesmo patamar em que Gama ou Ulisses surgem como semente de impérios sonhados pelos épicos de outrora? O Simões será sempre o protótipo do pequeno que se fez gigante pela esquerda do campo, pela esquerda da vida, desafiando defesas e ultrapassando adversários no campo com a mesma ousadia com que, fora dele, desafiava as injustiças pela força do verbo e do exemplo. Dizem que está a comemorar 70 anos. No meu imaginário, o Simões já não tem idade, porque a lenda quando escorre para a realidade deixa de ter idade, passa para o patamar da intemporalidade. Sabemo-lo o mais jovem benfiquista a ser sagrado campeão europeu. Já nesses tempos tinha a marca dos heróis, dos que perduram para além da ditadura dos anos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 17 de Dezembro, para publicação na edição de 20/12/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 13.12.13

Virar costas

O nosso Benfica empatou em casa com o Arouca. Perdemos ingloriamente dois pontos, virámos (por agora) as costas ao primeiro lugar e, se não aprendermos com os erros cometidos, poderemos acrescentar outros tantos “perderes” a este perder.

Nós, benfiquistas nas bancadas, começámos a perder quando percebemos (e foi logo nos minutos iniciais) que pagáramos para ver um jogo de futebol e assistiríamos a um anti-jogo de futebol. Aquilo foi um não acabar de simulações de lesões, perdas de tempo absurdas, gente a cair fora do campo e arrastar-se para dentro do campo no intuito de queimar tempo… e o árbitro a promover que aquele triste espectáculo de anti-jogo se transformasse em regra aceite e legitimada. Foi igualmente notório que a sorte nos virava costas nas ocasiões de golo que se não conseguiam concretizar. No entanto, as costas que a sorte nos voltou não são suficientemente largas para arcar com as responsabilidades todas. Também a qualidade e a competência nos viraram costas nos golos sofridos e nos golos esbanjados. Além disso, a atitude que se exige aos nossos profissionais virou-nos costas, quando percebemos que os nossos encararam aquele jogo como um jogo que se “ia resolvendo” em vez de ser um jogo “para resolver”. O treinador, na bancada, teve opções que viraram costas ao senso comum de quem, também na bancada, não percebia as opções tomadas.

Para cúmulo dos cúmulos, no final do jogo, enquanto esperávamos que os futebolistas (como exige a tradição benfiquista) se dirigissem ao centro do relvado para agradecer aos que na bancada sempre os apoiaram, observámos que a nossa equipa nos virava as costas. No final de tudo isto, fica a certeza de que nós, os amadores, não viramos costas à equipa e continuaremos lá, na bancada, a abraçar o Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Dezembro, para publicação na edição de 13/12/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:36 | link do post
Sexta-feira, 06.12.13

Dos ideais de uns e das ânsias de outros

Rui Moreira – recém-eleito presidente da Câmara da cidade do Porto, portista conhecido por ter fugido de um estúdio de televisão quando confrontado com as escutas do caso de corrupção denominado “Apito Dourado” – afirmou que o FCP espelha o que é a cidade do Porto. Os portuenses não mereciam esta ofensa, na linha da de Mourinho quando designou o Porto como Palermo. São dois equívocos afinal tão próximos e tão míopes. Da miopia de quem confunde o cotão no umbigo com a Torre dos Clérigos.

 

Após mais um insucesso, um grupo de adeptos do FCP recebeu a sua própria equipa (o presidente da mesma seguia prudentemente à parte) com insultos, murros no autocarro, arremesso de tochas e ameaças várias. Esperaria o observador incauto que a ‘estrutura perfeita’ condenasse esses actos, mas, ao invés, arranjou-se um ex-treinador adjunto chamado Rui Quinta para dizer que “um número enorme de treinadores gostariam de estar naquele autocarro a levar com tochas". Sem dúvida, uma declaração edificante. Pelo caminho, puseram o actual treinador a prestar contas dos insucessos perante membros da SAD que gere o Clube e também perante membros de uma… claque. Estas práticas espelham os ideais da ‘estrutura perfeita’ e nunca demasiadamente louvada.

 

Entretanto, o Benfica passou para o primeiro lugar, garantindo às carpideiras que anunciavam a sua morte como um facto consumado que estavam ligeiramente enganadas e histericamente ansiosas.

 

Enfim, como escreveu o semi-heterónimo Bernardo Soares: “Tantos nobres ideais caídos entre o estrume, tantas ânsias verdadeiras extraviadas entre o enxurro!”

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 02 de Dezembro, para publicação na edição de 06/12/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:17 | link do post
Sexta-feira, 29.11.13

As palavras alheias

Sven-Goran Eriksson, um dos treinadores mais conceituados do mundo, apresentou recentemente a sua biografia. De entre várias revelações, sobressai a constactação do óbvio: «Durante os cinco anos que passei fora de Portugal, o futebol lá tinha-se tornado mais sujo, mais corrupto. Havia muitos escândalos e conversas sobre árbitros.» O sueco confirma o que todos conhecem e que em Portugal se tenta lavar pelo silêncio.

 

Walter Casagrande, ex-futebolista internacional brasileiro, em Abril deste ano, declarou e repetiu que foi dopado no FCP em quatro ocasiões (tendo feito apenas seis jogos para o campeonato nacional). Em Portugal, e como resposta, antigos colegas garantiram que era mentira e Casagrande passou a ser proscrito. Um destes dias, ainda se arrisca a ser apagado das fotografias oficiais do clube.

 

Alex Fergusson, que está entre os melhores treinadores de sempre, há uns anos, dizia, a propósito do FCP, que «(…) eles compram o campeonato no Tesco (supermercado). Eles ganham todos os anos. Sempre que compram um pacote de leite somam mais três pontos».

 

Declan Hill, jornalista e investigador de corrupção no futebol à escala global, denuncia no seu livro ‘The Fix’: «Mencionem a qualquer português o nome de Pinto da Costa e verão no seu rosto uma expressão de resignação, parecida com a que os ingleses assumem quando se lhes fala do tempo horrível que faz em Inglaterra. Ele é um fenómeno português, tão desagradável, tão poderoso e, aparentemente, tão natural ao ambiente.»

 

Leio o que em Portugal se escreve sobre a corrupção no futebol e nada é concretizado, nada é denunciado, tudo é vago e as frases passam a ter um sujeito algures entre o indefinido e o indeterminado. Entre as loas de uns e o silêncio de outros fica um dobre a finados sobre o futebol português.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 26 de Novembro, para publicação na edição de 29/11/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Sexta-feira, 22.11.13

Glorioso hóquei em patins

Durante anos, mais de uma década, vimos como a Federação de Patinagem de Portugal fechou os olhos a roubos em cima de roubos e calcados com mais roubos que impediram que o Benfica lutasse em pé de igualdade com o rival que somou títulos alicerçados nos ditos roubos.

 

Tivemos de ser de uma competência imaculada para conseguir vencer o campeonato nacional de 2011/12 (o nosso 22º, sim, porque o troféu de 1961/62 é, na sua concepção, um campeonato a que deram outro nome). Toda a Glória internacional que agora vivemos começou aí, com essa conquista caseira, arrancada a ferros, contra tudo e todos. Nestes momentos sucessivos de conquistas europeias e mundiais é importante não esquecer aquela 29ª jornada do campeonato nacional de 2011/12, em que Sérgio Silva liderou o nosso Benfica para a antecâmera do campeonato que se confirmaria em Almeirim. Bastou uma vez, uma única vez em que derrotámos o “sistema” (e que “sistema”!) em Portugal, para podermos mostrar ao Mundo que a sua melhor equipa de hóquei joga com a nossa camisola e com o nosso emblema. As conquistas da Liga Europeia, Taça Continental e Taça Intercontinental decorrem daquele campeonato de nacional de 2011/12.

 

Assim, neste momento de merecida celebração da equipa que mais alto subiu na história do hóquei em patins português é de extrema importância recordar que a consolidação deste estatuto internacional é um imperativo, mas que, para que estas vitórias gloriosas tenham sequência, é essencial interiorizar que é dentro de portas, na mesquinhez de um hóquei ainda carregado de viciação, que temos de recomeçar a ganhar, contra tudo e contra todos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 19 de Novembro, para publicação na edição de 22/11/2013 do jornal "O Benfica".

 

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Sexta-feira, 08.11.13

Silêncio e hipocrisia

«Silêncio e hipocrisia sobre incidentes do Dragão» escrevia Miguel Sousa Tavares no jornal “A Bola” do dia 05 de Novembro. Descontando a fina ironia que é começar um texto plagiando uma expressão de Sousa Tavares, considero, tal como o escriba citado, que o silêncio e a hipocrisia são recorrentes na forma como se abordam “incidentes” no futebol português. Assim, o que dizer sobre a hipocrisia que está encerrada no silêncio acerca do comportamento do director de comunicação do FCP no passado fim-de-semana, no Restelo? Ouvi claramente, na Antena 1, um jornalista relatar que viu o referido comunicador do Porto a pontapear um outro jornalista. Em seguida, ficou o silêncio conivente de uns e a voz envergonhada de outros. Chamar “incidentes” às agressões é silêncio ou hipocrisia? E como se caracteriza o silêncio que se impôs a quem garantia – antes de repensar as garantias – que vira responsáveis do clube do guarda Abel a agredir um delegado da Liga, em Setúbal? E o silêncio acerca da violência de que foi vítima o jornalista Valdemar Duarte (à época estava ao serviço da TVI) enquanto trabalhava no Dragão? Quando todos os jornalistas se calam, que nome se dá a isso? E os comunicadores, cronistas e afins que tanto se esforçam por silenciar toda e qualquer referência às escutas do Apito Dourado presentes no youtube e que agora falam de silêncios? Em que sílaba da palavra “hipocrisia” cabem as palavras dos escribas que agora se queixam de silêncios? Lembro-me de uma vez ter ouvido o saudoso Jorge Perestrelo perguntar, em directo, na rádio, se os jornalistas “fariam parte de uma classe de merda ou de uma merda de classe” (‘ipsis verbis’). Em seguida ficou o silêncio, mas a hipocrisia ficou afastada do discurso.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Outubro, para publicação na edição de 08/11/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:44 | link do post
Sexta-feira, 01.11.13

As coisas relativas

Grupos organizados promovem violência gratuita, planeada e anunciada. Utilizam o futebol para dar azo a violência extremada e actos criminosos perpetrados em público com direito a visibilidade mediática.

A recorrência destes crimes é cada vez maior. Uns publicam livros a vangloriarem-se dos crimes, dão entrevistas e transforma-se em personagens periféricas ao desporto com influência directa nos resultados desportivos. Outros são conhecidos nos “bas-fond” como elementos ligados directamente à criminalidade organizada e em larga escala. Alguns servem de guarda pretoriana a dirigentes desportivos que fazem da corrupção uma bandeira. Comum a todos é sensação de completa impunidade de que gozam. Comum a todos é o aproveitamento que fazem da desculpabilização pública que se segue à violência. Tudo é desculpado na relativização da violência. Relativiza-se a morte de um adepto num estádio; relativiza-se o apedrejamento selvático do autocarro de um clube à entrada de um estádio; relativiza-se a tentativa de homicídio de um presidente de um clube com o apedrejamento do carro em plena auto-estrada; relativiza-se o fogo posto na bancada de um estádio; relativiza-se o arremesso de bolas de golfe aos autocarros dos clubes e aos futebolistas no relvado; relativizam-se as agressões públicas a jornalistas que retiram as queixas por falta de proteção… Tudo isto se relativiza desde que se relativizou a violência encomendada de um tristemente famoso Abel em tempos idos.

Tudo isto se relativiza com o mesmo à vontade com que se relativiza a corrupção desportiva e as provas escutadas da mesma. Tudo isto se relativiza ao ponto de hoje em dia conceitos como “estado de direito”, “democracia” e “valores civilizacionais” serem umas coisitas relativas e pouco significantes perante o valor absoluto e inquestionável do regabofe assumido com fina ironia no futebol português.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Outubro, para publicação na edição de 01/11/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 09:58 | link do post
Sexta-feira, 25.10.13

A lição

Gosto muito da Taça de Portugal, quando é jogada mano-a-mano, os grandes contra os pequenos, com os futebolistas dos pequenos a terem a humildade que, por vezes, os fazem, durante 90 minutos, serem gigantes; e os futebolistas dos gigantes, por vezes, durante 90 minutos, a sofrerem de um nanismo pouco compatível com o estatuto, o ordenado e os privilégios com que se pavoneiam. Como adepto ferrenho do Benfica (o maior dos Gigantes), espero sempre que os nossos futebolistas saibam que só serão gigantes se souberem, sempre, partir para o jogo com a humildade de um David.

Recordo o primeiro jogo que vi, ao vivo, para a Taça de Portugal: foi em Castelo Branco, no “mítico” pelado do Vale do Romeiro, no dia 04 de Janeiro de 1981. O Benfica de Castelo Branco recebia o Benfica. Lajos Baroti apresentou praticamente todos os titulares (trocou o Bento pelo Botelho) e lá se apresentaram gigantes como Chalana, Humberto, Alhinho, Bastos Lopes, Carlos Manuel, João Alves, Néné, Shéu… Enfim, uma constelação que teve como oponente um Benfica de Castelo Branco que tinha em Balacó (que faria carreira na primeira divisão, no Espinho e no Portimonense) a grande figura. O Benfica ganhou, naturalmente, com três golos (um de Reinaldo, um de Carlos Manuel e outro do inevitável Néné). Eu, do alto dos meus dez anos, saí do campo maravilhado por ter visto, ao vivo, os meus heróis, naquele simples e honrado pelado. O meu único lamento era não ter visto em campo o maior dos meus ídolos, o Bento. Não entendia o chorrilho de críticas com que os mais velhos se despediam de uma equipa que acabara de ganhar 3-0. Diziam esses mais velhos que ao Benfica se exigia muito mais do que um mero jogo para entreter; outros acusavam os jogadores de terem lá ido brincar… e eu, puto em aprendizagem, apenas me queixava de não ter visto o Bento. Aprendi, nesse dia, a lição de que os profissionais do Benfica não se podiam satisfazer com essa coisa parca e diminutiva de “fazer os mínimos contra adversários que dão o máximo”. Nesse dia, Baroti não se vangloriou de nada, não se gabou de nada e certamente percebeu que, apesar da vitória, se exigia muito mais do que o que a sua equipa mostrara.

Há lições que nunca se esquecem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Outubro, para publicação na edição de 25/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:02 | link do post
Sexta-feira, 18.10.13

O descrédito

O número de espectadores por jogo, nos jogos das competições futebolísticas nacionais, é escandalosamente baixo. Os espectadores estão a deixar de ir ao futebol e os motivos são vários: desde a crise profunda em que estamos mergulhados até ao descrédito completo em que caiu o futebol português. As pessoas que gostam de futebol recusam-se a pagar e a fazer sacrifícios para assistir a farsas. Sobram os que pagam o bilhete levados pela paixão clubística. Os erros de arbitragem grosseiros e sistemáticos já não se conseguem travestir de qualquer inocência. Assumiu-se, vencidos pelo cansaço e pela boçal impunidade, que a corrupção no futebol português é uma espécie de fenómeno atmosférico com o qual temos de conviver. Habituamo-nos, resignamo-nos, encolhemos os ombros e deixamos de acreditar que aquele jogo não está viciado. Logo, deixamos de ir ao estádio. Que não se duvide de que esta é uma (talvez mesmo a maior) das causas para o número confrangedor de espectadores que temos nos estádios portugueses. Os dirigentes dos clubes sabem que assim é e os dirigentes dos órgãos de gestão do futebol português também o sabem. Lemos, ouvimos e vemos declarações de circunstância, outras de pompa, umas quantas de ocasião e uns recados disfarçados de ironia mais ou menos fina oriundos de vários dirigentes de clubes, mas nada, absolutamente nada que sirva realmente para alterar esta triste realidade. Por parte de quem dirige a Liga ouve-se o eco do silêncio. Por parte de quem dirige a Federação ouvem-se umas banalidades perfeitamente inconsequentes e, pontualmente, um desabafo sobre aquilo que realmente o preocupa nos dias que correm: o papel da Benfica TV como entrave à sua cruzada de centralizar (controlar) os direitos de transmissão televisiva. Esvaziam-se os estádios, mas preenche-se o ego dos verbos de encher que dirigem os órgãos de gestão do futebol luso.

 

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 15 de Outubro, para publicação na edição de 18/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:12 | link do post
Sexta-feira, 04.10.13

Reescreva-se a História

Para descanso e consolo dos chefes de redação da imprensa desportiva, dos altos e mui dignos dirigentes da arbitragem, dos supinos representantes dos órgãos de poder do futebol (desde a Liga até à Federação, passando pelos gerentes de casas de alterne e outros lupanares de igual elevação), chegará o dia em que nos convencerão a reescrever a História. Criar-se-á uma espécie de evangelho segundo São Jorge Nuno. E lá, na cartilha da verdade, todos aprenderemos que Pedro Proença foi, sem dúvida, o melhor árbitro do mundo e arrabaldes. Bertino Miranda foi o bandeirinha que melhor auxiliou os que, providencial e justamente, lhe encomendaram o auxílio. Constará nos autos que Vítor Pereira nomeou sempre e bem os árbitros que, pela meritocracia do reconhecimento imediato do dono, ascenderam à primeira categoria e ao estatuto de internacional. Cantar-se-ão loas às sucessivas levas de árbitros que justamente ajuizaram em prol da verdade dourada e apitada. As gerações futuras aprenderão que Fortunato Azevedo, Martins dos Santos, José Guímaro, Carlos Xistra, Jorge Coroado, a irmandade Calheiros, Hugo Miguel e tantos outros foram excelentes representantes da imparcial dinastia Garrido. Ainda assim, a História não fará justiça aos grandes obreiros da verdade desportiva em Portugal. Deste modo, por uma questão de sincera humildade, Fernando Gomes, actual presidente da FPF, não verá retratado nos pergaminhos o seu papel edificante e educativo, enquanto tratava das facturas e contabilidade das musas inspiradoras de árbitros que pululavam pelas bancadas do Estádio do Dragão. No entanto, a bem da História e da verdade, ainda não perdemos a esperança de que nos próximos dias se prove que o FCP foi fundado, há 120 anos, pelo seu actual presidente. Menos do que isto é mentira e todos sabemos como a mentira não é compatível com a verdade do futebol português.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Outubro, para publicação na edição de 04/10/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 17:30 | link do post
Sexta-feira, 27.09.13

O boneco do ventríloquo

A excelência do ventriloquismo é uma arte ao alcance de poucos. Há que ser um bom ventríloquo, encontrar o tom certo, as palavras adequadas e o boneco apropriado. Depois, treinar, praticar com o boneco, fazê-lo abrir e fechar a boca ao ritmo da vontade do dono; pô-lo a mexer os bracinhos, atribuir-lhe expressões faciais, pô-lo a fingir-se aborrecido, indignado, feliz ou satisfeito, consoante a ocasião e a determinação do dono.

 

O momento supremo desta arte ocorre quando se consegue colocar a audiência a comentar as palavras do boneco como se ele as tivesse efectivamente dito sem ter uma mão pelos entrefolhos a controlar-lhe os movimentos. No futebol português temos, há umas três décadas, um excelente ventríloquo bonecreiro que consegue, repetidamente, colocar, à vez, um qualquer boneco de ocasião a debitar banalidades em tom de “fina ironia”. Aquilo está tão bem feito que chega mesmo a parecer que o boneco tem ideias, voz e vontade própria. Mas, caramba, depois de tantos bonecos e de tanta repetição de discurso, já é tempo da audiência (feita de jornalistas, opinadores e espécimes afins) perceber que comentar as palavras do boneco é contribuir para a mentira encenada. O boneco, esse, vive na esperança de que não será, a curto prazo, apenas mais um dos bonecos condenado a ser atirado para o canto de uma arrecadação esconsa, onde já moram tantos outros bonecos que vivem na ilusão de que ainda têm voz própria, sem se terem apercebido de que esta ficou agarrada às mãos que os manipularam durante a efemeridade do espectáculo.

 

No passado fim-de-semana, pudemos assistir à estreia de um novo boneco, num velho, aborrecido e previsível espectáculo de ventriloquismo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24 de Setembro, e publicado na edição de 27/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 20.09.13

Um discurso inconveniente

A modorra da banalidade instalou-se no universo dos comentadores desportivos. Estão todos ocupados em falar de assuntos sérios e de índole soberba e não abordam aquelas coisitas pequenas e inoportunas que ajudam a decidir campeonatos e a fazer de párias heróis.

 

Assim, não se pode incluir no comentário desportivo o facto de o Sporting andar há três das quatro jornadas a marcar golos precedidos de fora de jogo e a beneficiar de penáltis que não são assinalados aos seus adversários. É mais prático endeusar um Montero que está a aprender a aproveitar as linhas de fora de jogo que se calculam entre a miopia do fiscal de linha, a cegueira do árbitro, a surdez dos comentadores e a histeria daquele novo delegado sportinguista. Do mesmo modo, não convém falar do facto de o FCP não ter, em quatro jornadas, um único jogo em que não tenha beneficiado de um golo irregular ou de um penálti inexistente. Tudo isto é assunto tabu ou, pelo menos, varrido para debaixo do tapete da já proverbial bajulação bacoca, parola e subserviente com que o jornalismo desportivo insiste em limpar a imagem de agentes desportivos que contribuem diariamente para que tenhamos a corrupção a assentar arraiais ao lado da incompetência. Tal como, em Portugal, ninguém comenta uma interessante investigação feita por jornalistas franceses, no programa ‘Cash Investigation’, do Canal France 2, que muito nos dizem sobre a metodologia dos negócios da “estrutura perfeita” do clube da Torre das Antas e o tristemente famoso agente D’Onofrio, com declarações esclarecedoras de Maurizio Delmenico, administrador da Robi Plus.


De nada disso convém falar, a nada disso convém dar tempo de antena e, com o tempo, ainda nos vão querer convencer de que nada disto aconteceu.



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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Setembro, e publicado na edição de 20/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 17:33 | link do post
Sexta-feira, 13.09.13

A contabilidade dos basbaques

Há uma nova forma de calcular méritos, qualidades e desempenhos. Na lhaneza das mentes simples, a mera adição de números é o suporte de teses infalíveis acerca do papel dos homens na História.

Seguindo este processo – que ultimamente tem permitido a que um número significativo de basbaques apresente Cristiano Ronaldo como o português que suplantou os méritos futebolísticos de Eusébio, pelo simples motivo de ter marcado mais golos na Selecção Portuguesa – chegaríamos à conclusão de que Tony Carreira, a julgar pelo número de discos vendidos, seria um compositor / músico com mais méritos do que o compositor português do século XVIII Carlos Seixas. Da mesma forma que, para quem professa essa corrente de pensamento, o facto de Margarida Rebelo Pinto suplantar Miguel Torga no número de livros vendidos lhe confere um papel cimeiro na História da Literatura Portuguesa. Aliás, neste particular, Luís Vaz de Camões que se cuide, pois esta basbacagem da contabilidade não tem pejos em garantir méritos e deméritos em função de números absolutos que ignoram realidades relativas e não comparáveis por quem tenha o mínimo de decência e honestidade intelectual. Diga-se ainda que, quando alguém, utilizando as mesmas armas espúrias, lhes indica números que conduzem a reflexão em sentido oposto ao da moda, ignoram convenientemente esses números. Só assim se explica que a média de Ronaldo de 0,40 golos por jogo na Selecção seja, pasme-se, “superior” à de 0,64 de Eusébio, o que levaria a que, caso Eusébio tivesse feito os 106 jogos que Ronaldo já fez pela Selecção, provavelmente (a julgar pela média) teria marcado 68 golos contra os 43 de Ronaldo. Parece correcta e intelectualmente honesta esta análise? Obviamente que não, mas é tão injusta quanto as que os basbaques têm feito em tudo quanto é órgão de comunicação social nas últimas semanas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09de Setembro, e publicado na edição de 13/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 06.09.13

Como se faz um internacional

Em 14 de Setembro de 2006, noticiava o jornal “Público”, em texto assinado por Adelino Gomes, que, no processo Apito Dourado, o árbitro Hugo Miguel era um daqueles sobre os quais recaíam indícios de corrupção. Segundo a notícia, na época 2002/2003, arbitrou o jogo Porto B/Gondomar e «os investigadores da PJ apuraram que o árbitro e a respectiva equipa foram ‘premiados’ com objectos em ouro. A situação acabou depois por ser arquivada, porque a má qualidade de som da fita gravada impedia que as incidências do jogo pudessem ser analisadas pela equipa de peritos.» Acerca desse mesmo jogo, há uma escuta em que Pinto de Sousa garante a Pinto da Costa que Hugo Miguel não prejudicaria o FCP.

 

A 25 de Fevereiro de 2012, Hugo Miguel foi o árbitro de um célebre Académica-Benfica. Segundo o observador desse jogo, José Ferreira, o árbitro sonegou ao Benfica duas grandes penalidades, tendo ficado com a nota de 2,1. No entanto, voz atenta e influente aconselhou o árbitro a reclamar do relatório. Hugo Miguel assim o fez e a nota subiu o suficiente para poder chegar a árbitro internacional.

 

Na última jornada da época passada, Hugo Miguel foi o escolhido para apitar o jogo do FCP com o Paços de Ferreira. Com o resultado a zeros, com um título nacional a jogar-se em 90 minutos, Hugo Miguel conseguiu ver num tropeção de James em si próprio, a aproximadamente um metro da área, uma grande penalidade a favor do FCP, com consequente expulsão do futebolista do Paços.

 

Na terceira jornada do actual campeonato, na deslocação do Benfica a Alvalade, Hugo Miguel sonegou uma grande penalidade a favor do Benfica e permitiu que o golo do Sporting fosse precedido de um claro fora de jogo.

 

Olhando para este percurso, e como está provado que no futebol português não há corrupção, resta-me concluir que é necessária uma grande dose de incompetência para que um árbitro seja premiado com o estatuto de internacional.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 02 de Setembro, e publicado na edição de 06/09/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:58 | link do post
Sexta-feira, 30.08.13

Entre linhas

Eu, leigo na matéria da leitura táctico-técnica das basculações ofensivas e outras ‘freitaslobices’ que tais, muito tenho ouvido os especialistas da dita perorarem sobre as dificuldades do nosso Benfica em jogar ofensivamente “entre linhas”. Aparentemente, do padecimento desta maleita resulta um cataclismo de muitas outras que leva a que especialistas em futebol perorem horas a fio.

Um dos antídotos para essa maleita parece estar a ser colocado em prática pelo FCP (o tal da “estrutura perfeita” a malhar também em delegados da Liga). A forma como o FCP joga ofensivamente entre as linhas defensivas do adversário parece-me ter ficado clara na última jornada da época passada (com o Paços de Ferreira), quando o solícito árbitro Hugo Miguel transformou tudo o que era espaço entre a linha de meio-campo e o começo da grande área em zona passível de grande penalidade a favor do clube das viagens Calheiros-Amorim. Deste tipo de aproveitamento do espaço “entre linhas” muitos se parecem ter aproveitado, inclusivamente, aquele que, à época, era treinador do Paços, uma vez que agora é ele quem beneficia da “inovação” táctica. Aliás, esse conceito táctico teve de tal forma o apoio, conivência e incentivo dos opinadores de serviço e de bolso que, logo na segunda jornada do actual campeonato (contra o Marítimo), o diligente árbitro Jorge Ferreira decidiu aproveitar o tal espaço “entre linhas” e marcar a grande penalidade da ordem a favor do clube que, a julgar pelas escutas do Apito Dourado, costuma dar essas ordens.

Assim, o conceito de jogar “entre linhas” ganha uma nova dimensão e quem estiver atento fica a saber que, para o clube da “estrutura perfeita”, jogar “entre linhas” é aplicar a táctica de beneficiar dentro das quatro linhas dos jogos feitos nas margens e à margem das ditas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Agosto, e publicado na edição de 30/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:00 | link do post
Sexta-feira, 23.08.13

Apocalípticos e preocupados

O campeonato começou da pior maneira possível, com uma derrota que calcou o sangue pisado das feridas não cicatrizadas do final da época passada. Dor em cima de dor, frustração a calcar frustração e montou-se imediatamente o auto de fé mediático em que, à vez, se pede a cabeça do treinador, do presidente, dos futebolistas do plantel, da “estrutura” e de quem mais estiver à mão de semear. Agora, é chegado o tempo do discurso do “eu bem disse” que alterna com o do “estava-se mesmo a ver”. Exige-se um sangue sacrificial para aplacar a ira. Percebo e partilho totalmente a preocupação perante a situação actual do nosso Benfica. Não estar preocupado com o presente do Benfica seria de uma insensatez imensa. No entanto, esta preocupação não pode nem deve dar lugar ao discurso apocalíptico de que o futuro está hipotecado e de que a única solução é a política de terra queimada. Esta visão apocalíptica conduz apenas à desesperança, à desunião e à derrota. Enfrentar o problema com preocupação e pragmatismo é a única solução. Quem toma decisões deve tomá-las de acordo com as suas convicções (não teimosias) e, se assim for, deve estar à altura das decisões tomadas. Uma decisão tomada em consciência é uma decisão honesta e perante uma decisão honesta não há muito espaço para o arrependimento. Podemos e devemos corrigir o rumo, se assim o entendermos. Recordo Raul Brandão como o homem que, olhando retrospectivamente para os enganos e desenganos da sua existência, assumiu que repetiria o calvário da vida sem lhe alterar o itinerário. Uma liderança deve ter esta grandeza e lealdade: saber que o passado não se pode mudar e que o futuro depende das respostas que hoje lhe consigamos dar. Para que se encontre uma solução, importa que as lideranças tenham um pensamento preocupado, mas nunca apocalíptico.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Agosto, e publicado na edição de 23/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:29 | link do post
Domingo, 11.08.13

Nos intervalos da chuva

Azafama-se o futebol português em dissertações acerca do Cardozo. Se fica, se vai, se fica chateadinho ou vai satisfeitinho, se é um selo do apocalipse ou talvez não. Enquanto a turba se entretém nisso, esquecem-se os especialistas em futebol português e em “estruturas” (um dia alguém chegará à conclusão de que em Portugal a “estrutura perfeita” e o “sistema” são vocábulos do campo semântico da dourada corrupção – mas isso são outros quinhentinhos) de que o submundo da arbitragem (aquela gente que passa a vida a martelar as classificações dos clubes) se insurgiu contra o facto de eles próprios terem sido alvo de mais uma época de classificações marteladas. Ou seja, há pouco mais de quinze dias, Vítor Pereira confirmou, sem corar de vergonha, que não foi a Comissão de Classificações da arbitragem a classificar os árbitros. Foi “alguém” institucionalmente acima do Conselho de Arbitragem e da Comissão de Classificações. Os árbitros protestaram contra esta “martelada” aparentemente legal. Foram muitos anos a viver e a serem promovidos e despromovidos com classificações urdidas em lupanares e cimentadas com trocas de favores e compadrios. Desta vez, a marosca fora mais longe, deram-lhe um ar sério. Assim não. Gritaram, protestaram, ameaçaram e conseguiram que a “martelada” se transformasse numa “chapelada”. Aparentemente garantiram que a sua carreira durará mais cinco anos e que passarão a ser profissionais da coisa. A profissionalização é apresentada como a solução para todos os males de que enfermam. É como se alguém dissesse que a solução para a prostituição passaria pela obrigação da emissão de facturas pelo serviço prestado. Bem vistas as coisas, e como sabe qualquer Nandinho das Facturas, estas coisas até andam ligadas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 06 de Agosto, e publicado na edição de 09/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 03:45 | link do post
Sexta-feira, 02.08.13

O Presidente Fernando Martins

Fernando Martins é o primeiro presidente do Benfica de que, efectivamente, me recordo. Foi o homem que presidiu o Benfica durante grande parte da minha adolescência. Durante aquela época em que começamos a ganhar consciência e sentido crítico.

A imagem que guardo de Fernando Martins é a de um presidente determinado, um homem que liderava de acordo com as suas convicções e de poucas cedências ao caminho mais fácil, mais popular e mais óbvio. Recordo que durante o seu mandato saiu o Chalana para o Bordéus e os benfiquistas gritaram “aqui d’el Rei” que isto não pode ser. Recordo que, além do Chalana, o Filipovic e o João Alves também saíram e que se dizia à boca cheia que o nosso Benfica precisava de jogadores e não de sacos de cimento para fechar o mítico Terceiro Anel. É impossível esquecer o quão ofendido foi Fernando Martins depois do famosos 7-1 de Alvalade. Já depois de ter terminado o consulado, Fernando Martins continuou a ser criticado por dar a mão a gente que tudo fazia para, à margem da lei, derrotar o Benfica. Da mesma forma que é impossível não recordar que Fernando Martins fazia questão de lembrar aos benfiquistas, que o criticavam no calor da paixão e da emoção imediata, que era importante não ser míope e perceber que os jogadores passam e a obra fica. Da mesma forma que recordo a lição que nos dava quando dizia que preferia abdicar de um jogador “vedeta” do que assumir compromissos individuais que, para serem cumpridos, comprometeriam o bem comum. Da mesma forma que, até ao fim, se mostrou intransigente na escolha das suas companhias, independentemente de serem mais ou menos agradáveis à opinião pública benfiquista.

Ou seja, o que Fernando Martins nos deixou como herança foi o testemunho de que quem lidera o deve fazer de acordo com as suas convicções e nunca ao sabor dos ventos e das paixões de momento. Se assim não fosse, não teria deixado obra feita, não teria deixado a vincada marca que deixou no nosso Benfica e à qual ninguém pode ser indiferente.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Julho, e publicado na edição de 02/08/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 26.07.13

Um museu pelo futuro

Cumpre-se, com a inauguração do Museu Cosme Damião, mais do que uma promessa presidencial, um anseio de todos os benfiquistas. Temos os nossos alicerces bem cimentados numa História de que nos podemos orgulhar. Sabemos quais as nossas origens e temos a noção de que sem elas seríamos uma massa desenraizada e condenada ao efémero. A nossa perenidade vive num permanente anseio de futuro quase messiânico e numa evocação orgulhosa do passado. Fomo-nos construindo Benfica, agindo com os diferentes tempos. Soubemos, na sociedade, ser resistência quando os tempos queriam obrigar o país à modorra passiva. De igual forma sabemos dizer “não” à corrupção desportiva quando os tempos no-la apresentam em apitos ameaçadores em tons de dourado. Pelo meio somos vitórias, cicatrizes, dores, sorrisos, luta e resistência.

 

Tudo isto teria de estar presente no nosso Museu. Não poderia ser um depósito brilhante de troféus e ‘memorabilia’. Teria de ser um espaço que nos remetesse para o Benfica como agente do seu tempo e para os benfiquistas como alma do Clube. Ao visitar o Museu percebemos bem que estes anseios estão lá orgulhosamente cumpridos. Simbolicamente, podemos vê-los naquele corredor que permite a subida ao primeiro andar, aquele momento em que visualizamos o Benfica como uma realidade bem maior do que um clube; aquele momento em que sentimos que o Benfica se construiu construindo o tempo, o seu tempo. O tempo que, através do Benfica, é o nosso tempo e que podemos e devemos viver e reviver, em sucessivas visitas, para que nos inspire a construir o tempo futuro do nosso Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 23de Julho, e publicado na edição de 26/07/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:18 | link do post
Sexta-feira, 19.07.13

As certezas da ‘silly season’

Começaram os jogos de pré-época, recomeçaram as sentenças definitivas acerca da mais-valia ou não dos reforços. Garantidamente, a julgar pela regularidade anual com que são debitadas, as referidas sentenças ajudam a fazer jus ao adjectivo ‘silly’ que costuma acompanhar a ‘season’.

 

Com a ausência de quase meia-dúzia de futebolistas (internacionais que perlongaram as férias por terem estado ao serviço das suas selecções); com alguns jogadores que fizeram pouco mais do que uma semana de treinos em conjunto; com um futebolista que fora contratado na antevéspera do primeiro jogo e outro que tinha apenas mais um dia de Benfica do que o anterior; com dois jogos de treino feitos no espaço de 24 horas e com um terceiro apenas 48 horas depois; com o plantel longe de estar definido no que respeita a dispensas, vendas e contratações… Com tudo isto e muito mais, foi possível a muitos especialistas de bancada, televisão, rádio, jornais, tascas, redes sociais e casas de alterne debitarem certezas acerca do valor dos futebolistas, da táctica, da estratégia, da cor das camisolas, da “estrutura” (ah! a famosa “estrutura”…), da distância entre Portugal e a Suíça, e até da quantidade de mosquitos em torno do campo onde se jogou o primeiro jogo se ouviu uma teoria. O denominador comum foi o tiro ao alvo a um ou outro ódio de estimação que se transformará em amor eterno logo que surja a próxima entrevista exclusiva ao jornal do escriba. No meio de tudo isto, alguns dos reforços foram endeusados sem qualquer motivo especial e outros crucificados apenas porque sim. Sendo que, em alguns casos, do Olimpo ao Gólgota e vice-versa bastaram apenas 24 horas e uma mudança de vento na redacção ou de humor dos opinadeiros.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Julho, e publicado na edição de 19/07/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:05 | link do post
Sexta-feira, 12.07.13

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Ter um canal televisivo foi, em Portugal, um acto pioneiro do Benfica; ter um canal televisivo com as características da Benfica TV, com emissão de 24 horas e mais de 90% da grelha preenchida com conteúdos próprios, foi um acto de ousadia; ter o canal do Clube a transmitir os jogos em casa da própria equipa sénior e também os jogos da Liga Inglesa é simultaneamente um acto pioneiro, ousado e, mais do que tudo, um desafio lançado aos Benfiquistas.

A nossa Benfica TV mudou, não deixou de ser um veículo de comunicação e promoção do Benfiquismo, mas passou a ser mais do que isso: passou a ser um elemento importantíssimo no jogo “geoestratégico” dos bafientos poderes oligárquicos do futebol português. Com esta nova configuração, a Benfica TV passou a ser uma afronta ao monopólio que outros tentavam eternizar, utilizando o poder que advinha desse monopólio para influenciar decisões dos órgãos de gestão do futebol português (recordem-se, a este propósito, as sucessivas, públicas e publicadas declarações de António Oliveira acerca do seu irmão Joaquim Oliveira). Assim, a BTV é uma afronta a tudo isto e ainda um enorme desafio lançado aos benfiquistas. Depois de tantos, durante tanto tempo terem exigido esta tamanha ousadia, chegou agora a vez de os benfiquistas demonstrarem o seu poder e a sua força. Há indicadores que apontam para um número de aproximadamente treze mil pedidos de subscrição da Benfica TV nos três primeiros dias em que passou a canal “premium”. E estes números referem-se apenas a um dos operadores. É um bom número, é um número que perspectiva um caminho de sucesso. Saibamos todos que este caminho de sucesso depende, agora mais do que nunca, de nós.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Julho, e publicado na edição de 12/07/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]


por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Sexta-feira, 28.06.13

A narrativa de um embuste

A narrativa é simples e desconcertante na actuação flibusteira das personagens da trapaça.

 

O Benfica, essencialmente por razões estratégicas, decidiu, em boa hora, terminar com uma espécie de oligarquia das transmissões televisivas de futebol em Portugal. Os passos foram simples, legítimos e a contento da esmagadora vontade da gigantesca massa adepta do Glorioso: cumpriu integralmente o contrato de cedência dos direitos televisivos da sua equipa sénior de futebol e, findo esse contrato, optou por não renegociar com o monopolizador dos mesmos, optando por transmitir os jogos no seu próprio canal televisivo, a Benfica TV. Conjuntamente com essa decisão, o Benfica adquiriu os direitos de transmissão, em Portugal, do jogos do campeonato inglês. Ou seja, legitimamente, sem atropelar a lei, a ética ou a moral, o Benfica terminou com uma posição de monopólio de uma outra entidade dirigida por Joaquim Oliveira, de quem o seu irmão António (e também seu ex-sócio) garante ser um dos principais manipuladores da grande teia de influências que minam o futebol português.

 

A resposta veio à sorrelfa e numa espécie de esquema engendrado com base na “chico-espertice” de quem confunde a geometria, confundido a tangente com a secante da circunferência. Ou seja, garantir que as duas principais plataformas de difusão televisiva (Zon e Meo) não poderão apresentar canais com conteúdos que concorram com os do canal do Sr. Oliveira é muito mais do que um mero contorno da lei. É um atropelo dos valores, da moral, da ética e da justiça que estão (ou deveriam estar) subjacentes à elaboração de qualquer lei. É, enfim, um esquema ardiloso que deveria envergonhar os cidadãos e as empresas que o patrocinaram.

 

Em suma, estamos perante mais uma luta que temos de travar, contra os mesmos de sempre e em nome dos valores que sempre nos nortearam.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Junho, e publicado na edição de 28/06/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:27 | link do post
Sexta-feira, 14.06.13

Pablito

Sabemos que, nos dias que correm, é cada vez mais difícil traçar os limites da obra de arte. Aceitamos que um objecto não é uma obra de arte que se esgote em si e que a obra de arte transcende o objecto.

 

O nosso Pablito entrava em campo e todos éramos colocados diante da promessa do desconhecido, do nunca visto, do imprevisível, do incompreensível para quem espartilha o futebol na mediania do diminutivo, do “certinho”. Nas bancadas competia-nos decifrar e compreender a arte assinada pelo nosso Pablito. Ver Aimar a jogar foi ver a possibilidade de observar como a criação artística ultrapassa o objecto artístico. Para nós, na bancada, a assinatura da “obra de arte” dizia apenas Pablito. Aimar é o nome que fica na história, nos registos escritos. Pablito é o nome dado nas bancadas, nas conversas entre os que, durante cinco anos, tiveram o privilégio de o ver com o “manto sagrado” do Benfica. Aimar é o nome que aparece no placard dos estádios e nas fichas de jogo. Pablito é o nome com que a bancada respondia ao sorriso franco com que concluía a sua participação no jogo. Só quem viu jogar o Pablito pode perceber que, apesar de a bola ser redonda, só alguns a conseguem repetidamente fazer sair redonda dos seus pés. Pablito foi durante cinco anos o maestro com a função de harmonizar o caos. Sucedeu ao nosso Rui Costa, irmanando-se os dois nessa arte suprema que é a de serem individualmente os melhores, exactamente porque eram os que melhor serviam as individualidades que tinham o privilégio de jogar com eles.

 

Para nós, na bancada, aquele número 10 chamado Pablito foi um dos nossos, um dos benfiquistas. E os nossos ficam sempre connosco.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Junho, e publicado na edição de 14/06/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Sexta-feira, 07.06.13

Aquela stickada

Umas semanas antes, naquele mesmo pavilhão, os nossos haviam sido insultados por uma turba ululante que distingue o momento da vitória do momento da derrota pela dose de insultos utilizados. Um dia antes, naquele mesmo pavilhão, os nossos viram o rinque invadido por um punhado de criminosos que, impunemente, perseguiram e agrediram benfiquistas que apenas queriam ver uma meia-final europeia entre o Benfica e o Barcelona. Poucas horas antes, os responsáveis do nosso Benfica viram-se obrigados a anunciar medidas drásticas para que nos garantissem coisas tão simples como segurança para os adeptos e atletas benfiquistas. Ou seja, teve de se chegar a medidas extremas para que se conseguisse aquela coisa extraordinária de se cumprir a lei naquele pavilhão. Depois, num ambiente infernalmente hostil, mas com árbitros estrangeiros, jogou-se hóquei em patins de forma honesta, e foi quanto bastou para que, naturalmente, tenha acontecido Benfica. Naquela stickada do Diogo Rafael estava uma vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus de hóquei, frente a um adversário que jogava na sua própria casa. Naquela stickada épica, do meio do rinque, estava uma vitória do Benfica, à Benfica, de forma limpa e inequívoca. Simbolicamente conquistada no mesmo pavilhão em que, no ano passado, a nossa equipa de basquetebol conquistou o campeonato nacional. Naquela stickada estava a percepção de que aquela vitória começara a nascer na vontade indómita de provar que não há que temer tigres de papel. Naquela stickada estava a certeza de que o caminho do Benfica só pode ser este: nunca dobrar nem vergar perante os que fazem do desporto um espaço de violência, ameaças e corrupção. Ou seja, naquela stickada está bem mais do que um merecido e justo título de Campeões Europeus.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Junho, e publicado na edição de 07/06/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 31.05.13

Independentemente do vento

Escrevo estas linhas num momento em que muitos muito discutem se o Benfica deve ou não alterar a liderança do seu futebol.

 

No mês passado “exigia-se” ao presidente do Benfica que renovasse com o treinador que nos conduzia a uma final da Liga Europa, uma final da Taça e a uma expectável vitória no Campeonato. O Campeonato foi-se num minuto 92 feito de azar e desconcentração. A Liga Europa foi-se num minuto 93 feito de injustiça e revolta. A Taça foi-se em 90 segundos de total absurdo competitivo por parte de alguns dos atletas que mais batalharam ao longo do ano. Ou seja, ficámos, amargamente, no frustrante “quase”. E de “quase” se têm feito muitos discursos de ‘especialistas’ em futebol e em construções de teorias absolutas em torno do momento relativo em que uma bola vai ao poste e, por um mero acaso, sai ou entra. De “quase” se têm feito as convicções de muitos dos que exigem agora que lhes tragam na bandeja a mesma cabeça que há uns dias se preparavam para coroar. Muitos procuram agora mitigar a sede de vitórias com o sangue de uma injusta vingança. Eu acredito hoje, terça-feira, nos mesmos em quem confiava no Domingo, antes da final da Taça. As convicções não mudam ao sabor do vento e as decisões de quem lidera os destinos do Benfica não podem mudar ao sabor dos insultos de circunstância de quem acredita que pode, pela ameaça, impor a sua vontade, feita de emoção, às decisões que se exigem racionais, frias e alheias a chinfrineiras.

 

Não sei, no momento em que escrevo estas linhas, qual será a decisão tomada relativamente ao futuro do treinador do Benfica, mas sei que, desde a final da Taça, não me saem da memória as seguintes palavras de Torga: «Queima-se ou crucifica-se primeiro o herói ou o santo, joga-se aos dados a sua túnica, e, quando dele não resta nem a sombra das cinzas, aparece um centurião qualquer a dizer: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus”».

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica", hoje, dia 28 de Maio, e que será publicado na edição de 31/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 24.05.13

Além do imediato

Nós, Benfica, perdemos o campeonato no final e a final da Liga Europa também no final. Para a história e estatística fica a frieza do registo e poucos se recordarão das circunstâncias de tais desfechos. Entre o azar, as falhas próprias e os méritos alheios ficou o testemunho de que a justiça não se compadece com o destino. Testemunhámos também que, para além da frieza dos números, há toda uma envolvência que, de forma estranha e praticamente inaudita, levou a que, mesmo no momento de dois duríssimos golpes, tivéssemos visto milhares e milhares de benfiquistas reagir à adversidade, amparando os seus atletas numa comunhão raramente vista nos momentos de ausência de vitória.

 

Confundir este amparo aos nossos com falta de exigência ou falta de ambição por parte dos benfiquistas é enviesar a leitura da realidade. Nenhum benfiquista se sentiu minimamente satisfeito com o desfecho da época. Todos os benfiquistas ambicionam muito mais do que o que colhemos da época que agora finda. No entanto, também foi notório que a família benfiquista soube reconhecer o empenho e o mérito do caminho percorrido pelos nossos futebolistas e por Jorge Jesus. Só assim se explica que a esmagadora maioria dos benfiquistas defenda a continuidade do treinador. Isto é muito estranho para a realidade do futebol português. É de tal forma inovador que deveria levar os opinadores que acusam os benfiquistas de falta de ambição a tentar ver para além da miopia do imediato. Se assim o fizessem, perceber-nos-iam, pois, pela primeira vez na história do nosso futebol, vemos uma massa adepta feita de milhões de pessoas a olhar para o futebol para além do óbvio. Ou seja, somos agora acusados por fazermos na prática o que esses teóricos andam a pedinchar há anos: termos cultura futebolística para perceber que o futebol não pode ignorar o resultado, mas que não se esgota nos números do mesmo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica", hoje, dia 20 de Maio, e que será publicado na edição de 24/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Segunda-feira, 13.05.13

Resiliência

“Murro no estômago”, “duro golpe”, “machadada na alma”… algures entre a frase feita e a metáfora de circunstância vai uma reles aproximação ao que senti (sentimos!) na noite de sábado. Sofrido o golpe, sinto que é imperioso reagir.

 

Pouco depois da meia-noite envio duas ‘sms’, carregadas de ânimo, para os benfiquistas que, sinto-o, mais sentiram aquela ignóbil injustiça disfarçada de azar. Pela manhã, bem cedo, passo pelo nosso Estádio, para tentar comprar bilhetes para a Final da Taça de Portugal. Já lá estão umas largas centenas de benfiquistas. Pouco tempo depois, são milhares os que tentam o lugar no Jamor. Houve quem, depois daquele fatídico minuto 92, tivesse passado toda a noite no Estádio à espera da abertura das bilheteiras. Muitos milhares aguentam estoicamente, ao Sol, seis a sete horas parados numa fila para poder ver o nosso Benfica na Final da Taça. Durante a espera, oiço vozes plurais que amaldiçoam a sorte, lamentam o sucedido, apontam responsabilidades, e todos olham em frente, de cabeça erguida, porque muitas batalhas há ainda para travar. Ver, sentir, ouvir aqueles milhares de benfiquistas a reagir ao infortúnio é, mais do que uma lição, uma constatação do que nos faz únicos.

 

Ao final da tarde vou ao pavilhão para ver o jogo de vólei que nos pode fazer campeões novamente (depois de nos obrigarem a “re-jogar” o campeonato ganho na semana anterior). Pavilhão com lotação esgotada, cânticos pelo Benfica, incentivo, sorrisos e, no final, festejou-se mais uma conquista para o nosso Benfica. Em pleno pavilhão, surge a resposta a uma das ‘sms’ que enviara na noite anterior. Reproduzo-a aqui sem identificar o emissor: «[…] Nenhum Benfiquista cai, porque o Benfica é Eterno e Glorioso, todos temos a responsabilidade de apoiar e andar de cabeça direita […] Temos de pensar já no próximo, que será sempre o mais importante, sempre com o pensamento na Vitória». Estas são palavras de um benfiquista e são exemplo de liderança.

 

O Benfica está vivo!

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica", hoje, dia 13 de Maio, e que será publicado na edição de 17/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:24 | link do post
Sexta-feira, 10.05.13

Somos Benfica

Somos da cepa de que somos feitos. Somos feitos de uma cepa que se habituou a conquistar o que a outros é oferecido. Somos de uma cepa que sabe na pele (e de que maneira!) que, independentemente do exagero do optimismo, só pode gritar “vitória” depois de a termos conquistado e nunca na véspera. Da mesma maneira, sabemos que derrotados de véspera são os fracos. E a única ‘fraqueza’ que admitimos no nosso ADN é aquela paixão incondicional pelo nosso Benfica.

 

Recentemente, em nossa casa, tivemos um duro revés ao empatar com o Estoril. Foi duro, passou e já é passado. O futuro diz-nos que as dificuldades aumentaram, mas o nosso ADN também nos diz que, independentemente das dificuldades, independentemente dos métodos “camorristas” que alguns utilizam até à banalidade, teremos de ser fiéis aos nossos princípios. Particularmente ao princípio que nos obriga a nunca desistir de lutar, nunca desistir de vencer, enquanto houver uma gota de sangue e outra de suor para misturar no vermelho da nossa camisola.

 

E nós, os adeptos (nós, o Benfica), temos de ser fiéis a um outro princípio fundador: aquele “E Pluribus Unum”, que nos diz diariamente que apenas unidos podemos ser “De muitos, um”, tem de ser vivido na plenitude com os nossos atletas. Isso de ser unido na antecâmera da vitória esperada é muito fácil e óbvio. Mas também sabemos que as coisas fáceis são para os outros e que as difíceis são para nós. Como tal, cabe-nos, agora, saber ser unidos no momento em que temos de encarar o futuro com os dentes cerrados e uma abnegação sem limites.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Maio e publicado na edição de 10/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 03.05.13

A matilha

A matilha ataca sem tréguas. Atiram os cães de fila para a linha da frente e, entre latidos e rosnados, deixam para trás os que vão uivando com a cauda a abanar na esperança de que o dono atire um ossito à rafeirada.

 

A matilha não perdoa, ladra incessantemente, desde há duas semanas, porque, ao contrário do que tem sido habitual nas últimas décadas, não têm encontrado diligentes moços de fretes prontos a entregar a encomenda dourada em tom de apito. Uivam com saudades dos que se vendiam em prostíbulos em troca de fruta para dormir ou conselhos matrimoniais.

 

A matilha não descansa e dá voz, na comunicação social, a rafeiros, rafeirotes e bicheza afim para enviar avisos velados e ameaças deslavadas aos próximos nomeados para arbitrar os jogos do Glorioso. Alguma rafeirada, mais refinada, esconde-se por baixo de uma aparente, e constantemente desmascarada, ideia de “independência” e “imparcialidade”, para lançar a suspeita cobarde e nojenta com a mesma desfaçatez com que cobardemente ajudaram, e ajudam, a encobrir três décadas de crimes de dourados apitos e bem menos douradas agressões chantagens e ameaças. Normalmente, esta frente da matilha tem direito a tempo de antena semanal sem direito a outro contraditório que não seja a sua própria contradição. Só espero sinceramente que os dirigentes do nosso clube não voltem a cometer o erro de dar direito a entrevistas exclusivas dos profissionais do nosso clube a alguns destes cães de fila.

 

Quanto aos hipócritas que falam em nome de uma verdade desportiva que conspurcam há três décadas só há um tratamento a dar: deixá-los ladrar enquanto a caravana passa em busca do 33º título de campeão.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Abril e publicado na edição de 03/05/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:15 | link do post
Sexta-feira, 26.04.13

Uma questão de dimensão

Na última jornada, o nosso Benfica ultrapassou mais um obstáculo, mais uma “final”, para obter o desejado título de campeão. Faltam quatro jogos para terminar o campeonato e, até ver, faltam-nos três vitórias para podermos cumprir o principal e prioritário objectivo da época.

 

Terminado o referido jogo, foi interessante ver o esplendor da manifestação dos complexos dos nossos vizinhos da Segunda Circular. Num acesso histérico de delírio psicótico, insistem em forçar a realidade em função da ilusão. O estado de negação da realidade fá-los repetir à exaustão uma cantilena patética e bem ensaiada pelo clube do Sr. Costa, o tal que nas últimas décadas tem servido de conselheiro, modelo e amparo para os sucessivos insucessos desportivos e financeiros dos do Lumiar. Enquanto gritam pela marcação de grandes penalidades, à dúzia, em função de correntes de ar e achaques oportunos dos seus avançados, esquecem-se de que têm como elemento mais consistente no seu sector defensivo um lateral emprestado pelo… Beira-Mar. Enquanto demonstram à saciedade o seu complexo para com o Benfica, fingem não ver que têm menos pontos conquistados (33) do que os pontos que os separam do Glorioso (37). Enquanto choram por não terem cumprido o seu único objectivo de todas as épocas – tentar evitar o sucesso do Benfica – esquecem-se de que conseguiram (na 26ª jornada) cumprir o único objectivo que a realidade insiste em atirar-lhes à cara – garantir matematicamente que não descem de divisão. E ainda há quem estranhe que nós, benfiquistas, não entremos em euforia com vitórias de circunstância sobre rivais que cantam orgulhosamente, como um feito, um ignóbil incêndio provocado na nossa casa…

 

Fomos habituados a festejar apenas as conquistas de títulos e, uma vez que ainda não conquistamos nenhum dos três que estamos perto de vencer, não festejamos em euforia vitórias contra um clube que se põe em bicos de pés, para que ninguém se aperceba de que está algures pelo meio da tabela.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Abril e publicado na edição de 26/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 15:15 | link do post
Sábado, 20.04.13

A Corrida do Benfica

Participei pela segunda vez na Corrida do Benfica, cognominada com nome de campeão, em justa homenagem ao nosso António Leitão.

 

Entre cansaços e dores musculares, fruto de “atletismo de bancada” e preparação física deficitária em nome da fantástica gastronomia, vamos (eu e uns bons milhares que se preparam com o mesmo afinco e dedicação) conseguindo cumprir a légua e a dupla légua que nos separam da meta. Por todo o lado, é notória a boa disposição, por todo o lado se ouve o grito pelo Benfica, espontâneo e sentido. Correm-se umas boas centenas de metros e alguém re-grita “Benfica!”. Assim, o nome do Glorioso é gritado apenas porque apeteceu e estamos entre benfiquistas, em boa vizinhança e com o ninho das águias ali, à vista. É um grito que vai ecoando e passando entre gargantas e entre passadas, entre o fôlego e o esforço, aquele esforço, o tal esforço que nos faz não desistir enquanto não cortarmos a meta. Ouve-se “Benfica” e pensamos que é só mais um esforço, só mais um antes do próximo, até à meta.

 

Cortada a meta, fica a sensação enganadora de que terminou. Não terminou. Porque a meta não é uma, são muitas, é cada um de nós, na medida em que cada um sabe que compete essencialmente consigo. Cada um sabe que a meta para um benfiquista é dar o melhor de si, o melhor que pode e o melhor que sabe. E ouve-se novamente gritar pelo Benfica. Este nosso Benfica que está tão próximo de cortar três metas e, assim, garantir que cumpre a meta da melhor época da sua História. E nós com ele, nesta corrida, a gritar por ele e a pedir só mais um esforço, só mais um antes do próximo, até à meta. E em cada grito que se ouve vindo da bancada está o benfiquismo, e em cada passada dada está a proximidade da meta, da tal meta que implica que nos superemos todos, em conjunto. Ouve-se gritar pelo Benfica e a corrida continua, está tão perto da meta e nada ainda está ganho, mas, uma das metas, a do Jamor, já ali está, oito anos depois… é só mais um esforço.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Abril e publicado na edição de 19/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:28 | link do post
Sexta-feira, 12.04.13

Estar entre

Como é que um benfiquista vive estes dias que podem estar entre o quase tudo e o quase nada?

 

Normalmente, vivemos com a vertigem quase messiânica de que, como adeptos de um clube eleito, o nosso destino cumprir-se-á inexoravelmente na próxima vitória e na outra a seguir e assim sucessivamente. No entanto, esta nossa estranha forma de sentir o clube atira-nos também, frequentemente, para um estranho antecipar da desgraça como forma de mitigar uma imaginada dor. Antecipamos a vitória com a mesma vertigem com que tememos o insucesso. Insultamos o goleador com a mesma vertigem com que o festejamos. Trocamo-nos entre apocalipses antecipados pela ausência de um futebolista e Génesis paradisíacos com a contratação de outro. Saltamos entre o assobio e o aplauso ao ritmo da bola que vai ao poste e entra, e a outra que se desencontrou no seu caminho.

 

E é assim que agora nos encontramos, neste fantástico final de época em que cada jogo é decisivo para que se possa fazer a festa ou o luto, o tudo ou o nada. Olhamos para o relvado, para os nossos, e em cada momento e movimento vemos um promessa de algo que está em busca e à espera de que a promessa se confirme num grito de vitória ansiada. Faltam poucos jogos, poucos minutos, e estamos tão perto que sentimos a ânsia de já ver ‘o tudo’ e ainda termos nas mãos ‘o nada’. Dizia Bill Shankly que o futebol era muito mais do que uma mera questão de vida ou morte. Olho para este final de época do nosso Benfica, sinto como todos nós o estamos a viver, e penso que o Bill Shankly tinha razão, mas ainda lhe faltou acrescentar que, além disso, é uma questão de sofrer na esperança de vencer. Mas, para saber isso, precisaria de viver o benfiquismo feito da esperança na vitória, mas assente na realidade de que nada ainda está ganho.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Abril e publicado na edição de 12/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 16:16 | link do post
Sexta-feira, 05.04.13

Normalidade

Sabemos que o nosso conceito de ‘normalidade’ mudou no momento em que o Benfica vence por 6-1 o Rio Ave, clube da primeira metade da tabela classificativa, e consideramos que é um resultado normal.

 

Foi com normalidade que ouvi consócios benfiquistas, no terceiro anel, dizer que esperavam na segunda parte do jogo outros tantos golos quantos os marcados na primeira parte (e assim aconteceu). Foi com normalidade que estava o resultado na meia-dúzia e as bancadas pediam “só mais um”. É com a mesma normalidade que nos apercebemos a meio do jogo de que acabáramos de ultrapassar a barreira dos cem golos marcados, nesta época, em competições oficiais. Dentro da mesma toada, aceitamos como normal termos em Lima o futebolista com mais golos marcados na época de estreia desde os tempos de Eusébio. Aceitamos como normal que neste jogo na Luz tenham estado mais espectadores do que no somatório de todos os outros jogos desta jornada. Chegar a esta normalidade foi e é um trabalho hercúleo.

 

No meio de toda esta normalidade, foi muito interessante observar a prudência com que todos nós, adeptos e profissionais, encaramos mais esta vitória que nos deixa mais perto de sermos campeões. A mesma prudência que nos leva a não entrar em euforias e a perceber que ao Benfica nada é oferecido e tudo é conquistado pelo trabalho árduo. Afinal, é com normalidade que percebemos que o arreganho da Académica se esgotou no jogo contra o Benfica e se transformou em docilidade no jogo contra o FCP. É com normalidade que nos preparamos para as xistremas, olegarices, proençadas ou o soaresdiasismos do costume. Estamos perto das meias-finais da Liga Europa, estamos perto da final da Taça de Portugal e estamos perto da vitória no Campeonato. É com normalidade que sabemos que estar perto não basta… é preciso ganhar, como sempre, contra tudo e contra todos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Abril e publicado na edição de 05/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 16:16 | link do post
Sexta-feira, 29.03.13

Prescrever

Prescrever é um verbo muito nosso, usado a preceito e abusado com mais rigor ainda. Prescrever está no ‘antes’ – no tempo do que é de regular, de estabelecer, de preceituar – e também no ‘depois’ – no tempo do que cessou de existir com o decorrer do tempo. Prescrever nunca é do tempo útil do agir.

 

Assim, no Portugal da bola e da Federação e da Liga e da Nau Catrineta e das verdades relativas, tudo se pré-escreve na lei e tudo, na mesma lei, se prescreveu. Só assim se compreende que os dirigentes do Boavista exijam que a mesma justiça que condenou o clube os ressacie agora, porque essa mesma justiça exerceu a atitude muito lusitana do ‘deixar prescrever’ com a mesma competência com que se exerce o ‘deixar andar’. Aliás, de uma deriva a outra e das duas deriva esta podre sensação de impunidade que transforma a justiça desportiva portuguesa numa anedota de prostíbulo rasca.

 

No mesmo âmbito, foi-nos comunicado que a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu arquivar um processo a um ex-dirigente do Sporting, por prescrição. Afinal, umas famosas imagens de alguém a depositar dinheiro na conta de um fiscal de linha não existem porque a realidade das mesmas prescreveu, deixou de existir. Da mesma forma, aquela célebre lista com informações pessoais sobre os árbitros, também não deve ter existido, ou, se existiu, deixou de o ser porque prescreveu. Ainda nesta semana, o Sr. Costa recebeu um prémio da Associação de Futebol do Porto. Algures no tempo deve ter prescrito uma realidade chamada Apito Dourado. Porque isto de prescrever acontece sempre em desencontro com o tempo da Justiça é que o Torga dizia que “a História é morosa e nunca chega a tempo. Mesmo quando condena, é sempre fora de horas, depois dos crimes prescritos, numa altura em que já nenhum dos culpados pode cumprir a penitência.”

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Março e publicado na edição de 29/03/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:55 | link do post
Sexta-feira, 22.03.13

A opinião e a realidade

Minutos antes de começar o jogo entre o Bordéus e o Benfica, na SICN, uma dupla de comentadores (Rui Santos e Ribeiro Cristóvão) entretinha-se a imaginar debilidades no plantel do Benfica. Jogar com a dupla de centrais Roderick e Jardel foi o ponto de partida para garantir profecias de desgraça que, mais do que opiniões, pareciam desejos de catástrofe. Um deles, o menos afoito na crítica, ouviu o parceiro de comentários dizer que o jogo que se seguiria confirmaria a sua agoirenta tese. Tudo isto alicerçado num chorrilho de superficialidades e lugares comuns debitados com a presunção e a ousadia da ignorância.

 

No final do jogo, e perante aquele aborrecimento de ver a realidade desmentir a fábula produzida na lucubração do pré-jogo, um deles, o que tem menos tempo de carreira e mais tempo de antena, apressou-se a dizer que, apesar da vitória do Benfica em Bordéus, a sua tese vingaria, sem dúvidas, no próximo jogo contra o Guimarães. E assim, entre a birrinha por ter sido desmentido pela realidade e a certeza de que a sua razão apenas fora adiada uns dias, lá se despediu o mais encarapinhado dos dois comentadores de serviço.

 

Para azar do dito cidadão, coube-lhe ter de comentar em directo a vitória do Benfica, por quatro golos, em Guimarães. Mais uma vez, a realidade ultrapassara o douto vaticínio da criatura. Onde menos de setenta e duas horas antes vaticinara pecados quase via agora virtudes e acabou por desdizer o que dissera como se nunca o tivesse dito. Fê-lo com a mesma convicção, o mesmo sorriso, a mesma ausência de contraditório e com o mesmo respeito pelo código deontológico que, óbvia e semanalmente, exibe.

 

Alheio a estas piruetas, o plantel do nosso Benfica segue em primeiro lugar no campeonato, preparando-se para enfrentar um outro plantel equilibradíssimo e recheado de Olegários, Xistras e Proenças. Atentos, à espera e à espreita, estão os do costume, os que aproveitam o tempo extra do jogo para poderem espetar a faca que vão, semanalmente, afiando, entre sorrisos e desejos mascarados de opiniões.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Março e publicado na edição de 22/03/2013 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Sexta-feira, 15.03.13

À nossa maneira

No início do romance “Anna Karénina”, Tolstoi escreveu as famosas palavras “Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”.

 

No nosso caso, conseguimos também ser felizes à nossa maneira. Conseguimos entrar na quarta dezena de jogos da época com apenas dois desaires e, ainda assim, num jogo em que vencemos a contar para uma competição europeia, ouvir umas valentes assobiadelas dedicadas à nossa galharda equipa. É uma particular forma de ser feliz, bastante diferente de todas as outras. Somos muitos e nessa multiplicidade está a força e a fraqueza do Clube, mas somo-lo inteiramente, de forma sentida e genuína. Por vezes, (infelizmente, tantas vezes nas últimas décadas) também somos infelizes à nossa maneira. Por exemplo, onde uns fizeram rebentar petardos debaixo do carro de treinadores, nós mostrámos lenços brancos. Nesses momentos, lembro-me que a mão abana um lenço branco que, por sua vez, já enxugou lágrimas. No caso, como o presente, em que os lenços são substituídos pelos assobios, tenho de fazer um esforço e, perante a minha estupefacção acerca do assobio fora de tempo e modo, tentar lembrar-me de que os lábios que assobiam são os mesmos que gritarão pelo Benfica na próxima ocasião. É a nossa peculiar maneira de ser feliz ou infeliz de acordo com as tais emoções que a razão não compreende. É esta forma genuína de festejar, protestar, louvar e perdoar que acaba por fazer de nós uma família única e irrepetível na linguagem dos nossos sentimentos. É muito assim, a nossa plural linguagem do benfiquismo. É uma linguagem de cântico, esperança, bastante lirismo e, quando é necessário, de luta ou revolta.

 

Por vezes, tem também de ser uma linguagem de perdão e compreensão em nome da união. Seja para perdoar aos adeptos que assobiam fora de tempo, seja para perdoar aos profissionais que voltam as costas e recusam o aplauso aos milhares que os aplaudiram.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 12 de Março e publicado na edição de 15/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post
Sexta-feira, 08.03.13

Brandos costumes

Na semana passada, o autocarro que transportava os profissionais seniores do futebol do Benfica saiu de Braga debaixo do arremesso de calhoada perpetrado por um grupelho de cobardes. Não sei se aquele grupelho é uma cópia dos originais e inspiradores ou se são os originais que se fizeram passar pela cópia. Seja como for, a cobardia não tem rosto nem cor, porque é semelhante em todo o lado. Para reflexão futura fica a informação de que o nosso futebolista Salvio costuma ser convocado para mais de 95% dos jogos do Benfica. Por um mero acaso, não fora convocado para esse jogo com o Braga. Os pedregulhos que entraram pelo autocarro atingiram exactamente o lugar que, nessa viagem, ficara vago pela ausência de Salvio. Entre um golpe de sorte e o lamento de uma morte vai uma distância tão curta como a que vai do crime à impunidade.

 

 ‘Mutatis mutandis’, quase dois meses depois de as imagens televisivas terem mostrado o guarda-redes de hóquei em patins do FCP, Edo Bosch, a agredir um adepto benfiquista, a Federação Portuguesa de Patinagem deliberou um castigo de três (3!) joguitos de suspensão para o guarda-redes. No enquadramento dos regulamentos da dita competição prevê-se um castigo de quatro a seis jogos para as tentativas de agressão e seis a doze jogos para a agressão consumada. O castigo de três jogos deve estar enquadrado naquela parte oculta dos regulamentos que se ocupa das decisões em que subsiste a dúvida se estamos perante uma agressão ou uma tentativa de agressão da Justiça.

 

Num âmbito completamente diferente, os dirigentes do Fafe acusam dirigentes, treinador e adeptos do Boavista de terem agredido, no acesso aos balneários, os atletas do Fafe. Como reacção, o mundo do futebol optou pelo silêncio. O resultado de tudo isto acaba por ser o mesmo e esta indiferença perante o crime amesquinha qualquer possibilidade de esperança futura. Os que dirigem o desporto em Portugal maceram, propositadamente e sem remorsos, os valores que juraram servir.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Março e publicado na edição de 08/04/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post
Sexta-feira, 01.03.13

Assim vai a glória do mundo

O mundo do dirigismo do futebol português é certamente o universo em que a opinião publicada tem menos influência. Tolera-se a palavra legislada, atura-se, com impaciência indisfarçada, quem tem a incómoda voz publicada e despreza-se, com altivez, a opinião pública.

 

Se, por exemplo, são apanhados dirigentes em conluios de concubinas e árbitros? Não há problema. Mão amiga resgatará da ignomínia os dirigentes apanhados em flagrante, conduzi-los-á em ambiente festivo e de charanga até à casa da democracia e, em plenos ‘passos perdidos’, achar-se-á a ocasião de proclamar o pária como homem honrado e prezado. Se, ainda assim, alguém desconfiar da pantomima, repete-se o corso e arranja-se uma condecoração, uma comenda ou outra qualquer barra de sabão e água benta.

 

A receita é infalível e serve para várias maleitas para além da supracitada. Serve para atirar para o esquecimento o dirigente que manda depositar dinheiro na conta do fiscal de linha. Serve para que famílias “dinásticas” se sirvam de um clube, atirem o clube para a ignomínia, fujam do clube e regressem em ombros a esse mesmo clube. Serve para que se assista ao triste espectáculo de ver dirigentes desportivos e políticos atirarem de mão em mão, como se de uma péla de brincar se tratasse, as responsabilidades pela ausência de policiamento em jogos de futebol que se transformam em demonstrações de violência gratuita pelas bancadas. Servirá brevemente para que alguém assobie para o ar perante a iminente ausência de qualquer controlo antidoping nos jogos dos campeonatos profissionais de futebol.

 

Perante isto, a opinião pública estranha, a opinião publicada protesta, a lei não é para ali chamada e o público que continue a pagar, semanalmente, o bilhete para assistir à farsa.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 26 de Fevereiro e publicado na edição de 01/03/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Sexta-feira, 15.02.13

O corso carnavalesco

O Carnaval é coisa toleirona. O Carnaval sem o respectivo corso seria assim como uma espécie de coisa toleirona e contra-natura. E, mesmo sendo o discurso carnavalesco uma espécie de apologia do mundo às avessas, há avessas que nunca o podem ser totalmente, não vá dar-se o caso de o mundo sair do próprio eixo.

 

Deste modo, o corso carnavalesco, no futebol português, começa muito antes do Entrudo e prolonga-se no tempo. É caso para dizer que, no futebol português, o Entrudo é sempre que o presidente da Liga ou da FPF ou do Conselho de Arbitragem querem (ou que alguém quer por eles). Neste fim-de-semana, o Carnaval chegou com o demissionário presidente do Sporting travestido de futuro presidente do Sporting a dizer que chegou a pensar no actual treinador do Benfica para o ajudar como cangalheiro da coisa. Foi enternecedor e certamente que o actual treinador, acabado de enterrar a faca no anterior treinador, saboreou a sensação da lâmina a entrar nas suas próprias costas. Antes, chegara a notícia de que uns meliantes assaltaram a assaltada sede da FPF. Levaram umas coisas informáticas do Presidente e da sua Secretária. Deixaram para trás evidências e, entre as mochilas e martelos, certamente que andará por lá um diligentemente esquecido cartão de associado de um clube. Enquanto a polícia investiga, a tribo da bola espera o veredicto que a FPF ditará num dos dias seguintes ao do Entrudo. Há quem garanta que o verdadeiro Carnaval conhecerá o seu esplendor nesse mesmo dia. Pelo caminho, foi interessante ver como a charanga afinou em pleno corso uma musiquita em tom de ‘requiem’ pela alma do nosso Benfica que deixara dois pontos na Madeira. Para azar da banda e dos pantomineiros que bufam nos instrumentos (tocando de ouvido e fiando-se de que não necessitam de ler a pauta), desta vez a coisa correu mal. Tudo por culpa de um penalti marcado em tons de vira minhoto e falhado em ritmo de chá-chá-chá que fez com que fosse em vão todo o esforço carnavalesco do melhor, e mais ‘brilhantinado’, gigantone do mundo.

 

E assim se vai passando mais um Carnaval, normal e com tudo nos eixos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Fevereiro e publicado na edição de 15/02/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 14:14 | link do post
Sexta-feira, 08.02.13

Para que serve um regulamento?

Um regulamento, normalmente, serve para reger os deveres e direitos dos membros de uma organização. Há casos em que não é bem assim. Há casos em que um regulamento serve para ser contornado, subvertido e ignorado. Há casos documentados em que o atropelo de um regulamento serve, inclusivamente, para silenciar todas as instituições que deveriam zelar pelo cumprimento do mesmo.

 

No passado dia 14 de Dezembro, Pedro Proença decidiu adiar um jogo entre o Setúbal e o FC Porto. O regulamento diz que o jogo se deveria realizar nas 30 horas seguintes, salvo se os delegados dos dois clubes declararem no Boletim do Encontro o seu acordo para a realização do jogo noutra data, respeitados os limites regulamentados. O mesmo regulamento diz que os jogos das competições oficiais adiados no decurso da primeira volta têm de ser realizados obrigatoriamente nas quatro semanas que se seguirem à data inicialmente fixada para o jogo, salvo casos de força maior devidamente comprovados e reconhecidos por deliberação da Comissão Executiva da Liga. Assim sendo, pergunto-me acerca de qual terá sido a fundamentação para justificar o motivo de força maior que ‘legitimou’ a realização do jogo no dia 23 de Janeiro. Além disso, importa esclarecer se os delegados de jogo escreveram ou não, no próprio dia, no boletim de jogo, a nova data concreta do encontro. Algo me diz que tal não se verificou e tudo indica que esta marcação para o dia 23 de Janeiro não tem qualquer base regulamentar.

 

Atropelar os regulamentos implica sanções desportivas. Neste caso, o atropelo dos regulamentos implica apenas o silêncio. Um estrondoso e vergonhoso silêncio.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Fevereiro e publicado na edição de 08/02/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Sexta-feira, 01.02.13

Do querer e do poder agredir

Edo Bosch é guarda-redes de hóquei em patins do FC Porto. Edo Bosch na época passada, no Pavilhão da Luz, começou a insultar os adeptos do Benfica logo no aquecimento. Fez gestos obscenos para o público e foi repetindo provocações até ao final do jogo. Fê-lo deliberadamente, fê-lo porque pôde. Não sofreu qualquer sanção pelo acto. Quem estava no pavilhão viu e algumas imagens da transmissão televisiva também o mostraram. O assunto não foi abordado pela comunicação social e esta calou deliberadamente. Mais uma vez, com esse silêncio ajudou a legitimar o acto de um atleta que insultou quem pagou para o ver exercer a sua actividade profissional.

 

Edo Bosch, no dia 5 de Janeiro, agrediu um adepto do Benfica, em pleno Pavilhão da Luz. A agressão foi feita nas barbas da polícia. Foi uma agressão deliberada e Edo Bosch fê-lo porque pôde, porque percebeu que quem tem o poder de sancionar estas condutas nada faz. A comunicação social não pôde negar as evidências do acto, mas tudo tem sido feito para que essa agressão passe com a espuma dos dias.

 

Edo Bosch, segundo alguns testemunhos, no dia 27 de Janeiro – 22 dias depois da agressão ao espectador – agrediu Rui Pereira, um colega de profissão, durante o jogo com o Paço de Arcos. Edo Bosch agride repetidamente porque quer e porque pode. A comunicação social cala porque quer.

 

No momento em que escrevo estas linhas, Edo Bosch continua livre para agredir colegas de profissão e adeptos quando quiser, porque pode. Foi aberto um processo de inquérito por quem pode, a Federação de Patinagem de Portugal. Do dito inquérito nada se sabe e neste silêncio leio que nada fazem porque nada querem fazer. É, certamente, para prestarem serviços destes que serve o estatuto de utilidade pública de uma Federação.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Janeiro e publicado na edição de 01/02/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Sexta-feira, 25.01.13

Primeira volta

Terminada a primeira volta, importa perceber o que nela se inscreveu de mérito do Benfica em resposta aos profetas que em cada adversidade encontram o som das trombetas apocalípticas.

 

Perante as saídas de Witsel e Javi Garcia, arregaçaram-se as mangas e criaram-se alternativas que rapidamente se demonstraram tão ou mais competentes do que os seus antecessores. Perante as arreliadoras lesões de Aimar e Carlos Martins, criaram-se dinâmicas novas e soluções com outros nomes. Perante o longo castigo e lesão de Luisão, o grupo de trabalho soube ouvir outras vozes de comando. Assim, nomes como Matic, Lima, Enzo, Jardel ou Ola John acabaram por se impor na equipa, aproveitando oportunidades e criando soluções onde as carpideiras patéticas anunciavam desgraças. A estes juntam-se futebolistas como Melgarejo, André Almeida e André Gomes, novos nomes a que nos fomos habituando e em quem aprendemos a confiar sem reservas. Tudo isto faz parte de um Benfica novo, ainda que mantendo as grandes referências das últimas épocas. Tudo isto se deve, especialmente, ao mérito de uma equipa técnica (desde Jorge Jesus a Pietra) que, pelo trabalho e competência, insiste em dar lições de profissionalismo e competência aos comentadores de bolso que se limitam a esperar o deslize para enfiar a facada. Todas estas soluções levaram a que o Benfica tivesse feito uma metade de época invicto no Campeonato, na Taça de Portugal e na Taça da Liga. Será, salvo erro, a segunda melhor primeira metade de Campeonato da História do Benfica e a melhor desde 1972//73 (a do campeonato invicto de Jimmy Hagan).

 

Ao ver este panorama, recordo as palavras de tantos que, cheios da soberba dos ignorantes, se apressaram, no início da época, em anunciar a desgraça. A esses relógios parados à espera dos dois momentos do dia em que ufanos podem dizer “eu bem disse, eu tenho razão”, resta-lhes esperar que na segunda volta do campeonato surja um qualquer Soares Dias (Benfica-Braga) ou Xistra (Académica-Benfica) que lhes alivie a azia.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Janeiro e publicado na edição de 25/01/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 18.01.13

O domínio das novas tecnologias

O recente jogo entre o nosso Benfica e o FCP foi interessante, disputado e pleno de emoção. Não se atiraram calhaus, não se atingiram futebolistas com bolas de golfe nem se atiçaram ‘Abéis’ às canelas de ninguém.

 

Ou seja, tudo seria normal caso, no final, Vítor Pereira não se tivesse comportado como um complexado com o medo de ser atirado borda fora e desatasse, canhestramente, a tentar condicionar arbitragens futuras, invocando a mesma lei do fora de jogo que o solícito Proença na época passada ignorou, oferecendo ao tal Pereira um campeonato que festejaram em conjunto. Felizmente, as novas tecnologias permitem-nos gravar as imagens, fixar os factos e recordá-los sempre que algum Pereira mascara a verdade com o medo de ser corrido do clube que treina.

 

Por falar em novas tecnologias, foi interessante ver, no final do jogo, o Sr. Costa brandir um telemóvel com a imagem de um lapso presente no resultado final apresentado no sítio da Liga na internet. Já noutra célebre ocasião, observáramos como o Sr. Costa conseguia, facilmente, substituir-se a um aparelho de GPS e diligentemente indicar o caminho de sua casa na Madalena a um árbitro que, poucas horas depois do aconselhamento recebido nesse serão, apitaria um jogo em que o clube do Sr. Costa seria um dos contendores. Por este andar, ainda veremos um dia o Sr. Costa a mostrar orgulhoso aos jornalistas as escutas do processo Apito Dourado que estão disponíveis no youtube. São as tais escutas em que, apesar dos esforços de muitos para as silenciar e de outros tantos para as branquear, se percebe muito bem quem é o homem que domina o futebol com o mesmo à vontade com que domina as tecnologias.

 

Para recordar o conteúdo das ditas escutas, basta a memória, a liberdade de expressão e, nos dias que correm, a coragem... ‘tecnologias’ que não são novas nem aceitam o domínio de ninguém.

 

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 15 de Janeiro e publicado na edição de 18/01/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post
Sexta-feira, 11.01.13

Ser B

Em termos futebolísticos, o melhor de 2012 foi, possivelmente, a criação das equipas B num enquadramento competitivo bastante interessante e que começa a dar frutos.

 

O Benfica B tem servido ao nosso Clube para testar futebolistas, criar estaleca competitiva em jovens que estão em pleno processo de maturação e, de forma muito profícua, ajudado a suprir lacunas pontuais na equipa A. Jardel, antecipando o castigo de Luisão, ganhou ritmo na equipa B e o próprio Luisão também já o fez. João Cancelo tem demonstrado um potencial que antecipa um futuro risonho no futebol e Miguel Rosa, revelando categoricamente todo o seu potencial, demonstra poder ser, no imediato, um bom valor do futebol português. Luís Martins desperta a cobiça de emblemas primodivisionários e Mika começa a justificar um olhar mais atento no panorama futebolístico nacional. Além de tudo isto, o que mais se realça é o facto de as equipas B servirem como viveiro para poderem suprir lacunas no plantel da equipa principal. No Benfica, André Almeida e André Gomes são exemplo da mais-valia de ter um plantel “suplente” em actividade competitiva e sempre disponível. Demonstra como duas equipas se complementam e servem, articuladamente, o mesmo Clube.

 

Honra seja feita, também o Sporting tem (apesar do desastre de proporções circenses / apocalípticas que tem sido a sua equipa A) aproveitado bem a sua equipa B. Vejamos o exemplo de Dier e Esgaio que têm ajudado nos trabalhos da equipa principal. De uma forma diferente, mas singularmente interessante e muito louvada pela generalidade dos observadores, o FCP, com a contratação de Izmailov, também acabou por se socorrer de uma espécie de equipa B que costuma estar à sua disposição.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Janeiro e publicado na edição de 11/01/2013 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 21.12.12

Adiou-se a verdade

O futebol, tal como o teatro, é uma arte. Setúbal é uma honrada cidade marcada pelo teatro (veja-se a grande herança de Luísa Tody) e pelo futebol. Assim, poderemos dizer que, na passada sexta-feira, todos pudemos assistir, com a decisão de adiar o jogo entre o Setúbal e o FCP, a um golpe de teatro.

 

Jogar num relvado encharcado retira uma grande percentagem da vantagem técnica e da velocidade aos intervenientes no jogo. Logo, a equipa mais dotada acaba por ter mais dificuldades em fazer valer as suas valências. Todos vimos (até Pedro Henriques, o comentador da Sporttv, normalmente dócil para com o FCP) que o relvado do Bonfim estava em condições. Estava bem melhor do que o relvado de Coimbra, onde o Benfica viu, recentemente, a arbitragem tirar-lhe dois pontos. Todos vimos a representação de Proença (quem mais poderia ser?!), desesperadamente em busca de dois charquitos no imenso relvado, onde pudesse deixar cair a bola e demonstrar ao mundo que a bola não salta quando cai na lama. Estava feita a prova da legalidade da decisão e estava demonstrado como a verosimilhança é importante na representação teatral. No entanto, isso não basta para que se chame verdadeiro ao que é apenas verosímil.

 

A pantomina continuou com as declarações servis do presidente do Vitória e a enternecedora imagem de Joaquim Oliveira, qual mordomo papal, a segurar o guarda-chuva do Sr. Costa. Seja como for, não era necessário tanto esforço para nos convencerem de que tudo aquilo foi legítimo e necessário. Pois, normalmente, naquele palco e com aqueles actores, costuma haver um par de servis e salvadoras substituições lá pelo minuto 58. Ou seja, por vários motivos, sabemos que não havia necessidade de Proença ter decidido, mais uma vez, adiar… a verdade desportiva.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Dezembro e publicado na edição de 21/12/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 14.12.12

Benfica TV

A Benfica TV fez quatro anos. Está de parabéns pelo aniversário, está de parabéns pelo trabalho realizado ao longo destes anos em prol da divulgação do benfiquismo.

 

Efectivamente, a BTV, mais do que simplesmente mostrar um Clube, tem familiarizado os benfiquistas com o ecletismo do Benfica, com as diferentes gerações de atletas e adeptos, com as diferentes formas de sentir e viver o Clube, com a multiplicidade de vozes que defendem o nosso Benfica em variados contextos. Lembro-me de que, no início, a BTV permitia-nos ter uma voz própria, sem concessões e sem que estivéssemos submetidos a qualquer poder televisivo dependente do ‘status quo’ do futebol português. Permitiu-nos denunciar todas as manobras do processo “Apito Dourado” e, sem tréguas nem medos, nomear todos os que alicerçam as suas vitórias em estruturas corruptas. Além disso, a BTV servia-nos documentos históricos de valor inestimável em programas marcantes como o “Vitórias & Património”. Enfim, a BTV, pelo pioneirismo e qualidade, consolidou-se como um marco essencial na modernidade do nosso Benfica.

 

Neste momento, impõe-se a referência ao Director da BTV, Ricardo Palacin. Tenho testemunhado no Ricardo, ao longo dos anos, uma liderança guiada pela procura do ‘mais’, nunca acomodada ao conforto. Vi-o obrigar-se a procurar impacientemente algo mais e algo mais além. Vejo-o com coragem para arriscar onde outros temem ousar e louvo-lhe a lealdade absoluta para com o Clube, ou seja, o profissionalismo ao serviço do benfiquismo. Agradeço-lhe a amizade e no Ricardo parabenizo toda a sua equipa por estes anos de BTV.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Dezembro e publicado na edição de 14/12/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 07.12.12

Caro?

Segundo o estudo de uma empresa brasileira, Jorge Jesus é o 15º treinador com maior salário no mundo do futebol. Não sei nem discuto a validade do estudo, mas fiquei deveras impressionado com o destaque e as reacções que o mesmo provocou.

 

Foi confrangedor ver debates televisivos e artigos inflamados em que gente de verbo largo e redondo demonstrava um pensamento pequenino e bem quadrado. Assim, rapidamente se transformou a informação “15º maior salário do mundo” na opinião “15º mais caro do mundo”. Esta aparente pequena mudança expressa algo entre a miopia de espírito e a tacanhez. Confundir um salário elevado com um salário caro é, preconceituosamente, partir da premissa errada de que toda a remuneração elevada é, obrigatoriamente, excessiva. Desde a chegada do actual treinador, o Benfica realizou algumas das mais elevadas transferências de futebolistas de que há memória no nosso historial (Di Maria, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ramires, Axel Witsel…). Estas transferências garantiram ao Benfica mais-valias financeiras essenciais para a sustentabilidade do Clube. A diferença entre o investimento inicial nestes futebolistas e o retorno financeiro obtido é apresentada por várias entidades conceituadas como exemplo de gestão a seguir no mundo do futebol. O papel de um treinador que ajude a potenciar futebolistas para este patamar financeiro é, nos dias que correm, algo de extremamente valioso e raro. Ou seja, um treinador “caro” é um treinador que não ajuda a oferecer ao clube um retorno financeiro que compense o investimento que o clube faz no seu salário.

 

“Caro” é aquele tipo de treinadores que aconselham a contratação de futebolistas que custam largos milhões e que, uns meses depois de os treinarem, nem por tostões os conseguem pôr no mercado. Esses treinadores, normalmente, apresentam um riso apalermado e nervoso quando confrontados nas conferências de imprensa com os salários dos mais bem pagos do mundo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Dezembro e publicado na edição de 07/12/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 30.11.12

Trabalhos e dias

Nesta última semana, lembrei-me por várias vezes do título “Os Trabalhos e os Dias” que o poeta grego Hesíodo (Séc. VIII a.C.) atribuiu a uma das suas obras mais marcantes. Antes de a jornada começar, Jorge Jesus, de forma certeira e incisiva, alertava para a sorte que o FCP costuma ter em Braga. Vítor Pereira respondia que a sorte dava trabalho e Carlos Xistra demonstrou na prática que, de facto, mais do que dias de sorte, há dias em que é preciso trabalhar muito para que se possa responsabilizar a aleatória sorte da condicionada incompetência.

 

A sorte do FCP foi não ter, nesse dia, apanhado com o mesmo árbitro que o Benfica teve de enfrentar recentemente, na quarta jornada, em Coimbra. Se o árbitro tivesse sido o mesmo, provavelmente, teria assinalado uma grande penalidade óbvia contra o FCP. Tinham o mesmo nome, foram nomeados pela mesma pessoa, foram dois jogos para a mesma competição, com critérios idênticos, mas, definitivamente, não foram apitados pelo mesmo Xistra. Conseguir uma sorte destas dá muito trabalho e, como ficou à vista de todos, este tipo de trabalho do Carlos Xistra depende dos dias. Há dias em que Xistra trabalha para a sorte dos adversários do Benfica e há dias em que Xistra trabalha para o azar dos adversários do FCP.

 

Deste modo, percebemos que ter, aparentemente, o mesmo árbitro, na mesma competição e em dias diferentes, resulta em sortes distintas, consoante os clubes em contenda. De facto, uma sorte destas não se consegue sem trabalho, muito trabalho, um trabalho feito de dias (lá volto eu a Hesíodo), de longos dias. Há até quem garanta que é um trabalho feito de largos dias que têm cem anos...

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Novembro e publicado na edição de 30/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 23.11.12

A comédia dos crónicos anunciadores de tragédias

Há quem consiga encontrar problemas em todas as soluções, assumindo as dores presentes, os prantos estridentes e os agouros videntes. Agem como se a sua voz fosse a que no Coro da Tragédia Clássica inspirava a catarse feita de horror e piedade.

 

Recentemente, carpiram-se dores e anunciaram-se desgraças pelas colunas de opinião, porque o nosso Benfica ficaria uns meses sem Luisão. O problema gritava-se na orfandade de uma defesa, no consequente descalabro do meio-campo, na impossibilidade de sucesso do ataque e (só faltou dizerem isso mesmo!) expandir-se-ia até ao esmorecimento do público. Anunciava-se o sofrimento e a catástrofe.

 

No entanto, a solução chegou, veio de dentro do plantel, sob a forma de uma espécie de “deus ex machina” com mais de uma época de casa e direito a preparação prévia na humilde equipa B. Jardel foi solução e trouxe novas e diferentes valências para a defesa, acabando por se impor naturalmente como mais uma opção válida. Ou seja, contrariando as vozes da tragédia anunciada, encontrou-se mais uma peça angular para a equipa. Como resultado, o coro trágico regressou para dizer que, afinal, nesta solução reside um novo problema: o de ter de escolher apenas dois de um grupo de três excelentes futebolistas.

 

Chegados a este ponto, observamos que a presença da solução equivale à falta de alimento para crónicas e perorações de quem vive à custa de crises alheias. Logo, há que criar crises sucessivas, provocá-las, espicaçá-las e promovê-las. Apenas assim vão ganhando o sustento. Os ditos inventores de problemas transformam-se numa espécie de relógios parados que, carpindo agoiros ao minuto, nos dizem ufanos duas vezes por dia que eles são os donos da verdade da hora certa. Ou seja, com tanta tragédia anunciada nem se apercebem de que, normalmente, são eles os principais actores de uma comédia em tom de opereta bufa.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Novembro e publicado na edição de 23/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 16.11.12

Alexandre Herculano

Vemos, ouvimos, lemos e, mesmo assim, duvidamos da realidade. Desde a pretérita sexta-feira, temos assistido no futebol português a mais uma destas estranhas procissões de acontecimentos bizarros. Assim, já depois de nomeados os árbitros para a jornada do passado fim-de-semana, soubemos que o presidente do Sporting foi à Rua Alexandre Herculano, para ser recebido pelo Presidente da Comissão de Arbitragem, o inefável Pereira. Dois dias depois, Pedro Proença, aquele estranho árbitro que erra em Portugal na exacta medida em que acerta fora de portas, mostrou como os vícios privados são mais públicos do que as públicas virtudes e despachou uma apitadela ao minuto 78 do jogo entre o Sporting e o Braga que deu 3 pontos aos que haviam peregrinado à capelinha sita na Rua Alexandre Herculano.

 

Objectivamente, não posso garantir qual era a tonalidade do som que Proença quis dar ao apito. Mas aquilo soou a som dourado, com agudos de degradação e graves de servilismo. Um som igual ao que se ouviu no dia 06 de Novembro de 2011, num Braga-Benfica, produzido pelo mesmo artista e pelo mesmo apito. Dois dias depois da dita apitadela, a direcção do Sporting, em comunicado, queixa-se da… arbitragem em geral, mas não dos pontos que lhe foram oferecidos pela mesma em particular. Resta-nos olhar para este tipo de comunicados como apenas mais um remendo nesta farsa protagonizada por senhores de um pequeno mundo, mirrado e mediocrizado à medida dos prostíbulos onde se desfazem regras e encomendam apitadelas. Tudo isto sob o olhar de alguém que ocupa cadeira na rua com o nome do escritor Alexandre Herculano, o mesmo que um dia sentenciou: “A hipocrisia, suprema perversão moral, é o charco podre e dormente que impregna a atmosfera de miasmas mortíferos e que salteia o homem no meio de paisagens ridentes: é o réptil que se arrasta por entre as flores e morde a vítima descuidada.”

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Novembro e publicado na edição de 16/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 09.11.12

O complexo dos viscondes

Já não é de aqui e de agora. É universal e já vem de antanho. Falo do complexo que o clube dos viscondes (termo carinhoso com que por vezes denominamos os rivais da Segunda Circular) tem relativamente ao nosso popular Benfica.

 

Aquilo começou com a birra de quem tinha o dinheiro, mas não tinha o talento para jogar no Benfica e foi pedir ao avô visconde que lhe desse um brinquedo. Aquilo prolonga-se até aos nossos dias. Por vezes, vai sendo negado ou atenuado, mas no fundo resume-se sempre ao mesmo: para nós, o Sporting é um rival; para os sportinguistas, o Benfica é um complexo. Recentemente, Paulo Bento referira-se-lhe (ao dito complexo) com a constatação de que o Sporting entrara em depressão profunda com a pré-época exclamativa do Glorioso, aquando da primeira época de JJ no Benfica. Anteriormente, já João Rocha mencionava que, durante o período Roquette, havia um grupo de notáveis sportinguistas dispostos a subscrever um estranho plano de cooperação e subalternidade com o FC Porto, para afastar o Benfica do sucesso… Este mesmo complexo é visível na forma submissa como encaram a derrota perante os “amigos” portistas e a sanha incendiária (literalmente) com que encaram as sucessivas derrotas frente ao Benfica. Este mesmo complexo está bem patente no facto de terem transformado em efeméride a data dos famosos 7-1, esquecendo que nessa época o Benfica festejou mais uma dobradinha (Campeonato e Taça).

 

Actualmente, os nossos ainda(?) rivais vão cumprindo mais uma via-sacra no actual campeonato. Após mais uma derrota (agora treinados por um belga que se apressou a dizer que nunca veste roupa… vermelha) que os condenou a estarem um ponto acima da descida de divisão com praticamente um terço do campeonato concluído, qual é a conclusão a que chega o seu representante televisivo Rui Oliveira e Costa? «Vamos em que lugar? No 13º? Se o Benfica estivesse em 14º, a crise era metade. Dói menos, dói menos.» (dito na RTPI). E eis o ‘complexo dos viscondes’ no seu esplendor

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 06 de Novembro e publicado na edição de 09/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 02.11.12

Rescaldo das eleições

O nosso Benfica foi a eleições e cumpriu-se a tradição democrática. Destas eleições gostaria de salientar alguns aspectos.

 

Uma primeira abordagem prende-se com o papel das redes sociais da internet nestas eleições. O tema é muito vasto e não se esgota em poucas linhas, mas será importante que futuros candidatos percebam a real dimensão deste fenómeno sem o sub ou sobrevalorizarem. Há, de facto, uma evidente diferença entre a sensibilidade benfiquista presente no mundo “virtual” da internet e no mundo real. Não perceber a real dimensão deste fenómeno pode levar, como se viu em alguns momentos por parte do candidato Rui Rangel, a discursos equívocos, baseados numa percepção completamente iludida da realidade. No entanto, não perceber que, independentemente de serem minoritárias, há vozes críticas bastante válidas no meio do ruído pode levar a que se cometa o erro de ficar autista perante opiniões bem interessantes e pertinentes.

 

Num outro plano, registo que a campanha eleitoral resvalou muitas vezes para campos que ultrapassaram o bom senso. Ainda assim, teve vários méritos. Um deles, talvez o maior, foi ter precipitado o anúncio de que a recém-eleita Direcção do Benfica vai procurar caminhos diferentes do actual no que concerne à cedência dos direitos televisivos. Há muito que defendo, perante diferentes assembleias, que há vida para além da Olivedesportos. A decisão teria de ser uma decisão em função da política desportiva, mesmo que, hipoteticamente, esta se sobreponha à razão da política financeira. Luís Filipe Vieira percebeu que esta decisão maioritariamente apoiada pelos sócios e adeptos poderá vir a ser a pedra angular da futura relação do Benfica com os poderes instituídos no futebol português. Preparemo-nos para que esta decisão abale alguns alicerces apodrecidos do ‘bas-fond’ do nosso futebol e saibamos reagir perante os golpes baixos que se adivinham como represália. Esta reacção só será eficaz se soubermos estar unidos na defesa do Benfica.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Outubro e publicado na edição de 02/11/2012 do jornal "O Benfica".

 

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Sexta-feira, 26.10.12

Democracia

A herança benfiquista obriga-nos a preservar a identidade, o que é verdadeiramente estruturante e imutável. Assim, há valores que foram amarelecendo nas folhas da História centenária, outros que se renovaram, outros de que não nos podemos esquecer, mas há um que é primordial: o Benfica é um clube democrático.

 

Com decisões certas, erradas, inócuas e iníquas a História do Benfica foi-se construindo de acordo com a vontade da maioria dos sócios. Não de uma minoria ruidosa ou de uma maioria silenciosa, mas sim de uma maioria activa que, em momentos eleitorais, soube estar presente para designar o rumo a dar ao Clube. Agradados ou não com os resultados das suas escolhas, os sócios souberam sempre demonstrar que o bom nome do Benfica não poderia ser maculado. É a este encontro com a História que somos, novamente, chamados no dia 26. É essencial que todos os benfiquistas percebam que os resultados eleitorais são a voz do Benfica. E esta não pode ficar à mercê de egos, teimosias, presunções ou vinganças pessoais, ódios mesquinhos ou qualquer outra farpa na nossa gloriosa História. Esta capacidade de perceber o Clube para além do umbigo de cada um foi essencial em momentos marcantes da nossa História, desde a fundação. Esta mesma capacidade tem de ser vivida no dia 26, manifestando-se numa participação massiva e marcada por um saudável respeito por parte de todos os sócios intervenientes. A História escreve-se, respeitando-a.

 

Deste modo, é essencial que as diferentes sensibilidades em sufrágio percebam que, independentemente do caminho escolhido pelos benfiquistas, no próximo jogo do nosso Benfica estaremos todos, em simultâneo e a uma voz, a sofrer pelo valor mais alto que nos une: o benfiquismo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 23 de Outubro e publicado na edição de 26/10/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 19.10.12

Soltas e breves

1 - Um bando de árbitros (Carlos Xistra, Artur Soares Dias, Olegário Benquerença, Pedro Proença, João Capela, Rui Silva e Hugo Miguel) apresentou queixa contra Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica. O motivo é o mesmo de sempre: lidam mal com a verdade. Lidam mal com a verdade desportiva e lidam ainda pior quando são confrontados com os atentados que perpetram à mesma. As consequências para o Benfica não são novas, aliás, será mais do mesmo. Veremos a habitual vingançazinha mesquinha e corporativa. Veremos o prejuízo aparentemente premeditado disfarçado de erro humano. Portanto, nada de novo, já sofremos atentados desde há três décadas. A nossa resposta só pode ser uma: continuar a denunciar esta gente, continuar a lutar e recusar sempre o jugo e a canga que nos querem impor.

 

2 - O Benfica assinou contrato com o meio-fundista Hélio Gomes, ex-atleta do Sporting. Em seguida, o Sporting queixou-se publicamente de que o Benfica terá quebrado um pacto de não agressão que impediria transferências directas entre os clubes. Como consequência, o Sporting assumiu-se pronto para "retirar todas as consequências" do sucedido. Segundo me dizem, há a esperança entre os atletas do Sporting de que entre essas consequências esteja a regularização dos seus ordenados. Eu, como adepto do Benfica, já ficaria satisfeito se as consequências se limitassem ao pagamento dos prejuízos provocados pelos adeptos sportinguistas, aquando da última visita ao Estádio da Luz.

 

3 - O campeonato está parado. Estamos em meados de Outubro, o campeonato começou em meados de Agosto e nisto deveriam já ter-se cumprido dois meses de competição. Puro engano, feitas as contas, entre paragens para tudo e mais alguma coisa, o campeonato já teve praticamente um mês de pousio. E assim se atropelam as competições em Portugal

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Outubro e publicado na edição de 19/10/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Sexta-feira, 12.10.12

Mudando de assunto

Segundo a comunicação social, Antonino Silva foi arguido no processo ‘Apito Dourado’, por alegada falsificação de classificações dos árbitros, durante a época de 2003-04. Falava-se em alegadas pressões sobre observadores de árbitros e falsificação dos relatórios, para beneficiar alguns árbitros e prejudicar outros nas classificações. Além disso, havia referências a um episódio em que Lucílio Baptista telefonara a Pinto de Sousa mostrando-se descontente com a nota de um exame escrito que contava para a sua classificação final. Alegadamente, pouco tempo depois, o mesmo Pinto de Sousa teria recebido um telefonema de Antonino Silva, membro da Comissão de Análise da Liga, garantindo-lhe que a nota havia “subido substancialmente”.

 

Mudando de assunto, há relatos recentes, na imprensa, de que Antero Henrique, membro da SAD do FCP, teria tido uma reunião secreta, no dia 14 de Setembro, para vetar os árbitros Duarte Gomes e Bruno Paixão. Essa reunião teria tido como interlocutores o presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, Vítor Pereira, o vogal Lucílio Baptista (ele mesmo!) e o vice-presidente… Antonino Silva.

 

Mudando de assunto, nos últimos 24 (vinte quatro) ‘clássicos’ que envolveram o FCP estiveram presentes nove árbitros. Curiosamente, sempre que o FCP perdeu um desses jogos, o árbitro envolvido nunca mais foi nomeado para clássicos que envolvessem o… FCP. Curiosamente, Jorge Sousa e Pedro Proença apitaram 50% dos ditos jogos.

 

Mudando de assunto, João Brites Lopes, observador de árbitros, classificou o desempenho de Xistra no jogo Académica - Benfica como Bom (3,9 em 5)… e já passaram quase dez anos desde a referida época de 2003-04

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Outubro e publicado na edição de 12/10/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 05.10.12

Apenas um jogo antes do próximo

Escrevo este texto poucas horas antes de começar o jogo entre o nosso Benfica e o Barcelona. Preparo-me para ver ao vivo um jogo entre o melhor Clube do mundo e a que dizem ser a melhor equipa do mundo.

 

Apesar da subjetividade inerente a este segundo pressuposto, a confiança dos adeptos benfiquistas é grande. Sabemos quais as probabilidades, conhecemos o favoritismo alheio, mas sabemos também que derrotado de véspera é apenas aquele que se recusa a comparecer no local combinado, para se encontrar com o destino na hora aprazada. Esta esperança é natural, faz parte da nossa forma de ser benfiquista. Olhamos com desconfiança para o adversário, mas com confiança para os nossos.

 

Além disso, sabemos que perante um jogo destes o conceito de que tudo pode acontecer é uma realidade. Muitos, tantos, profetizam (desejam!) um cataclismo benfiquista em tom apocalíptico e em forma de goleada. Outros sabem que, apesar de difícil, é possível ao Benfica evitar as proféticas desgraças. Eu sei que, independentemente do Céu ou Inferno resultantes do confronto, tudo recomeça horas depois, antevendo o próximo jogo, renovando as preocupações e alimentando a esperança. A batalha é hercúlea, do lado do adversário está o Messi, o Iniesta e o Xavi. Do nosso lado está o Aimar (o ídolo do Messi), o público, o benfiquismo, a chama imensa e um conjunto de atletas que já estão habituados a jogar contra vedetas internacionais como Pedro Proença e vedetas nacionais como Carlos Xistra.

 

Afinal de contas, o que é uma Europa de Platinis e Blatters perante um Portugal de Pereiras, Gomes e Pintos? Apenas uma versão ligeiramente amplificada das adversidades que combatemos diariamente, há três décadas, jogo a jogo, fazendo de cada jogo apenas mais um combate antes do próximo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 02 de Outubro e publicado na edição de 05/10/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 28.09.12

Ano após ano

Ano após ano, vemos a maioria dos árbitros portugueses fazer tábua rasa da decência. Vemo-los errar sistematicamente em protecção do mesmo clube. Vemo-los sorrir nos finais dos jogos com o prejuízo causado ao desporto e à verdade. Vemo-los em subserviências bacocas, parolas, medrosas, cobardes e interesseiras ao mesmo poder que, ano após ano, garante a promoção dos árbitros mais medíocres e mais permeáveis à chantagem e ao servilismo.

 

Ano após ano, época após época, década após década fomos vendo como os nomes mudam e as práticas permanecem. Aos Garridos sucederam os Fortunatos, os Porém, os Donatos, os Pratas, os Isidoros, os Guímaros, os Calheiros (estes aos pares), os Coroados, os Lucílios, os Costas, os Proenças, os Soares Dias, os Sousas e todos os outros Xistras. São tantos e tão iguais que se distinguem apenas pela troca da bigodaça pelo gel no cabelo, do dinheiro pelas peças em ouro ou das viagens pelas prostitutas. Ano após ano vemo-los em actos de fartar vilanagem em público, em directo e com direito a promoções, louvores e homenagens. Sabendo nós que o erro é humano, ano após ano, querem-nos fazer acreditar que a premeditação do erro é uma fatalidade humana. E, assim, o erro premeditado passou a ser banal, humano, perdoável, louvado, defendido corporativamente, legitimado e condição essencial para se fazer carreira na arbitragem.

 

E enquanto chafurdam neste pântano nojento ainda nos dizem que o nosso Benfica tem de ser superior a tudo isto exactamente porque já sabe que, inevitavelmente, vai ter de se confrontar com tudo isto. Ou seja, há quem já aceite passivamente a viciação das regras como a primeira regra do jogo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Setembro e publicado na edição de 28/09/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 21.09.12

Alternativas

Tornou-se voz corrente, repetida e amplificada, que o Benfica não tem alternativas no plantel capazes de suprir as ausências de alguns futebolistas titulares.

 

Imagino o estado de espírito dos futebolistas que estão na calha para substituir os habituais titulares quando ouvem tal afirmação. Afirmação esta que para uns é opinião, para outros profecia e para a maioria é desejo. Imagino-os indignados e desejosos de mostrar a todos os desconfiados que eles, os substitutos, têm todas as capacidades para se suplantarem e ultrapassarem as desconfianças. Imagino-os desejosos de provar o seu valor e esfregar o mesmo na cara de todos os que, por antecipação, lhes garantem um fim ainda antes de terem começado. Imagino-os espicaçados para aproveitarem esta soberana oportunidade que o destino lhes pôs nas mãos. Tudo o que for uma atitude aquém da referida não é compatível com a galhardia que se impõe a um futebolista do Benfica.

 

Assim, é chegado o momento de futebolistas como Matic ou Jardel aproveitarem os próximos tempos para demonstrarem todo o seu valor. A ausência de uns pode ser aproveitada para marcar definitivamente a presença de outros. É esta a oportunidade, o tal momento que pode marcar o sucesso ou insucesso de toda uma carreira. Estou convencido de que os que brevemente serão chamados à titularidade têm a percepção de que agora se joga muito do seu futuro profissional. E quando os mais cépticos evocam a inexperiência destes jogadores num clube grande, pergunto, sinceramente, quem é que pode dizer que tem a experiência de jogar num clube grande antes de chegar ao Benfica?

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Setembro e publicado na edição de 21/09/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 14.09.12

A não-inscrição

O pensador José Gil explicou muito bem a sua tese acerca da não-inscrição na sua obra, já com uns aninhos, “Portugal, Hoje - O Medo de Existir”. José Gil atirou-nos à cara com a incapacidade que temos em fazer da experiência uma acção transformadora do real. Nada é, tudo é foi e a realidade acaba por ser uma espécie de espantalho de vento. Nada se inscreve, tudo é superfície, nada aconteceu nem acontece, tudo é conformismo e inércia. Se isso é Portugal, o futebol em Portugal é tudo isso com publicidade paga ao segundo e reportagens em directo.

 

Só assim se explica que o facto de um dirigente do Sporting ter enviado um funcionário seu depositar dinheiro na conta bancária de um fiscal-de-linha antes de um jogo que envolvia o referido clube e o dito fiscal ter ficado, como diria Alexandre O’Neill, numa “coisa em forma de assim”. Ou seja, passou, não se inscreveu, foi com a espuma dos dias. E o que dizer das inconsequências para o acto criminoso que gente identificada perpetrou ao atear fogo a uma bancada do nosso Estádio da Luz? Tudo passou, nada ficou. E o tal Sr. Costa que, há poucos meses e de acordo com os relatos públicos de um jornalista agredido, esbofeteou publicamente o dito e ainda gozou com a situação? E as acusações do mano Oliveira mais novo que repetidamente garante que o mano Oliveira mais velho manipula os títeres engravatados que decidem os destinos do futebol português? E os juízes que, nos camarotes, combinam com os réus as absolvições douradas entre apitos, charutos e gargalhas? E os agentes da PJ que previnem atempadamente os suspeitos do dia e hora das buscas domiciliárias? E os dirigentes desportivos e federativos sentenciados a penas suspensas de cadeia?

 

Nada disto aconteceu. Foi público, visível e nada disto foi real, porque nada disto se inscreveu e tudo é fátuo. Onde nada se inscreve fica a dor sem cicatriz e sem redenção. Eis Portugal, eis o futebol português.

 

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Setembro e publicado na edição de 14/09/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 07.09.12

Directo ao assunto

Sem ‘mas’ nem meios ‘mas’, este final tardio da época de contratações na Europa do futebol foi, desportivamente, pernicioso para o nosso Benfica. As saídas de Javi Garcia e Witsel (excelentes negócios na perspectiva financeira) deixam o plantel mais fraco. Não transformam o plantel num plantel fraco, mas enfraquecem o poder futebolístico do Benfica e, por consequência óbvia, um plantel menos forte torna mais difícil o sucesso. No fundo, é apenas isto e nada mais do que isto.

 

Perante o sucedido, há agora duas atitudes possíveis: uma é lamentar “ad aeternum” a saída dos ditos futebolistas e recordar sistematicamente que deveríamos ter conseguido, atempadamente, prever a situação e arranjar soluções (e devíamos!); outra é perceber que há um conjunto de hipotéticas soluções internas dentro do plantel (e também na equipa B) e tentar moralizar os futebolistas que personifiquem essas soluções, dando-lhes confiança.

 

Neste momento, Jorge Jesus tem pela frente talvez o maior desafio desde que chegou ao Benfica: recriar e reinventar, em competição, toda uma dinâmica de equipa, equilibrada nos momentos ofensivos e defensivos, sem dois dos futebolistas que melhor garantiam esse equilíbrio. Terá de fazê-lo em tempo útil e com uma eficácia que permita ao Benfica conquistar um campeonato que os mais cépticos garantem hipotecado, à terceira jornada, com o Benfica a liderar a competição. Para que isso aconteça, é necessário engenho e arte da equipa técnica, disponibilidade total dos futebolistas e uma grande dose de confiança que deverá passar da bancada para o relvado.

 

Quanto ao resto, o que se tem visto é uma legítima emoção à flor da pele por parte dos adeptos perante a frieza do poder do vil metal. Para nós, adeptos benfiquistas, a paixão pelo Benfica não tem cláusula e não é rescindível.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Setembro e publicado na edição de 07/09/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 31.08.12

Em prol do espectáculo

Na primeira jornada, aos 44 minutos de jogo, o árbitro mostrou a intenção de dar um segundo cartão amarelo a Alan, do Sporting de Braga. Recuou na intenção e ficou-se. Numa conhecida estação radiofónica, o comentário foi de que se justificaria o segundo cartão amarelo, mas que, em prol do espectáculo, o árbitro agira bem em não expulsar o jogador…

 

Na segunda jornada, aos 8 minutos de jogo, Amoreirinha tentou arrancar Melgarejo do chão pelos pés. Entrada violenta, com o único objectivo de ir ao osso do adversário. O árbitro expulsou-o. Segundo alguns teóricos da bola, entre os quais o treinador de circunstância do Setúbal, aquela expulsão não deveria ter ocorrido porque foi aos 8 minutos de jogo. Não estava em causa a violência da entrada de Amoreirinha, não estava em causa a justiça da decisão do árbitro. Estava em causa o facto de ter sido aos 8 minutos, e isso não era em prol do espectáculo.

 

Em Fevereiro de 2010, aos 7 minutos, João Pereira teve uma entrada violentíssima sobre Ramires. O jogador do Sporting foi justamente expulso. Foi a histeria (mais uma) por parte dos de Alvalade, porque, em prol do espectáculo, dava-lhes jeito que o agressor ficasse em campo. Para abrilhantar o ‘freak show’ de comentários, o advogado sportinguista Rogério Alves chegou a defender uma “jurisprudência da indulgência” para ilibar uma conduta violenta de um jogador do seu clube.

 

Em Abril de 2009, ao minuto 58 de um FC Porto-Setúbal, Carlos Cardoso, treinador de circunstância do Setúbal, decidiu retirar do jogo Leandro Lima e Bruno Gama, jogadores emprestados pelo FC Porto ao Setúbal que estavam a ser os melhores em campo. Em prol do espectáculo, o jogo que estava empatado acabou com a derrota dos do costume. De facto, em Setúbal, fazem-se muitas coisas em prol do espectáculo… Tudo, menos expulsar justamente um jogador aos 8 minutos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 28 de Agosto e publicado na edição de 31/08/2012 do jornal "O Benfica".

 

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Sexta-feira, 24.08.12

Entre o ensaio e a estreia

A pré-época é constituída por um equilíbrio difícil, pois pede-se que se experimentem possibilidades e se sedimentem realidades. Vive-se entre a possibilidade e a realidade. Vive-se entre o ensaio e a estreia.

 

Nesta pré-época, o Benfica defrontou, essencialmente, equipas fortes, bem estruturadas e pôde ensaiar várias possibilidades. Vimos bons jogos do Rodrigo Mora (entretanto dispensado do plantel); vimos excelentes jogos do Carlos Martins (entretanto dispensado da titularidade no primeiro jogo da época); percebemos que Ola John tem um imenso talento, mas ainda precisa de se adaptar a novas exigências; sentimos um bom potencial em Luisinho e no adaptado Melgarejo, mas sentimos também que, apesar do valor que poderão vi a ter, o lado esquerdo da defesa pede tempo de adaptação à equipa e esta não tem tempo para dispensar. Sentimos que Maxi é super, mas continua a precisar de uma alternativa (aparenta ser Cancelo, grande esperança que encanta na equipa B). Assim, também aqui apostamos na possibilidade, enquanto nos preocupamos com a realidade de não ter, efectivamente, dois futebolistas de nível idêntico para o lado direito da defesa.

 

A pré-época serviu para tudo isso e para muito mais. Serviu, por exemplo, para mostrar como a equipa está muito rotinada em jogar apenas com um ponta de lança e com um povoamento maior do meio campo. Entretanto, o começo da época chegou. Acabou-se o ensaio e chegou a estreia. A estreia serviu para perder dois pontos, serviu para ver um árbitro português em acção, serviu para perceber que muito do ensaiado não foi estreado. Serviu para acordar o cepticismo dos adeptos e deseja-se que tenha servido como um alerta bem claro, óbvio e sonoro de que algo está a correr mal, apesar de serem dadas todas as condições para que corra bem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Agosto e publicado na edição de 24/08/2012 do jornal "O Benfica".

 

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Sexta-feira, 17.08.12

Luisão, em aumentativo

Depois do que aconteceu em Dusseldorf, já todos os que se alimentam de sangue publicitaram os altos valores morais que os norteiam, proclamaram a ausência dos mesmos no alvo de circunstância e decretaram o veredicto. Eu não dou nem mais um cêntimo para o peditório de enlamear o homem que é capitão de equipa do Benfica e que veste o manto sagrado há uma década. Agora, daqui em diante, precisamos de ver em campo o capitão, o líder, a referência para os colegas e o primeiro dos homens para quem nós, do Terceiro Anel, olhamos quando algo não está a correr bem. Agora, é tempo de mostrar ao Luisão que a sua história no Benfica não se esgota num momento de imprudência e num patético aproveitamento teatral da mesma. A história do Luisão no Benfica está longe de estar terminada e nós, benfiquistas, não temos no nosso ADN esse gene de abandonar às hienas o capitão da nossa equipa sénior de futebol.

 

Há clubes pequenos, regionais, para quem uma situação destas serviria para unir os seus adeptos em torno da defesa do seu capitão de equipa. No Benfica, pelo gigantismo do mesmo, essa união é utópica e, como tal, surgirá sempre uma grande polifonia de vozes. É natural e faz parte da nossa história e forma de viver o Clube. No entanto, esta é uma excelente oportunidade de unir ainda com laços mais fortes o balneário em torno do capitão de equipa. Se isto for conseguido, conseguir-se-á transformar algo de mau em algo de positivo. É imperioso que haja esta capacidade por parte de quem lidera a equipa e esta vontade por parte de todos os membros do plantel. A defesa que Javi Garcia já fez do seu companheiro e amigo deixa-me esperançado de que esta união se manifeste em campo já no primeiro jogo do campeonato.

 

Pela minha parte, fica a certeza de que neste próximo jogo, em nossa casa, lá estarei a apoiar incondicionalmente o Benfica e, particularmente, o Luisão.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Agosto e publicado na edição de 17/08/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 10.08.12

De dedo em riste

Jorge Jesus, após um jogo de preparação, de dedo em riste, deu um ralhete a um futebolista seu, Ola John. Foi o escândalo, o horror e a indignação! O país desportivo acordou em choque. Os três molhos de folhas tintadas a que chamam jornais desportivos fizeram do acto capa. Os comentadores teorizaram sobre o treinador carrasco e sobre o jogador vítima. Segundo me pareceu, nunca os jornalistas portugueses tinham visto um treinador a dar um ralhete, em público, a um jogador. Nunca. E o acto chocou-os. E o acto indignou-os. E o acto permitiu-lhes tecer comentários sobre o valor do treinador como homem. No dia seguinte, perguntaram à pobre vítima o que achava do vil verdugo. A pobre vítima, para espanto dos inquiridores, não se achava vítima de coisa alguma. Achava normal e nada de especial que o seu treinador o tivesse corrigido com mais veemência.

 

Em seguida, apurou-se a forma de acertar no alvo: não era o ralhete que se questionava, era o facto de ter sido em público e não no recato do balneário. Garanto que, perante o alarido causado, se fosse agora, o treinador do nosso Benfica certamente teria feito os reparos longe dos olhares sensíveis dos jornalistas sensíveis. Mas, possivelmente, o treinador em causa terá visto anteriores ralhetes públicos que foram encarados como normais pela chusma que agora se indigna. A título de exemplo, a dita chusma não se indignou quando, no dia 7 de Abril, durante um jogo entre o clube do sr. Salvador e o clube do sr. Costa, o treinador Vítor Pereira, aos 25 minutos de jogo e com o resultado empatado, deu um ralhete, de dedo em riste e aparentemente com ameaças, ao árbitro Olegário Benquerença. Também foi em público, foi transmitido pela televisão em sinal aberto para todo o país e, pelos vistos, também foi um treinador a corrigir alguém do seu clube. Não fez capa de nenhum jornal e a chusma achou normal...

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Agosto e publicado na edição de 10/08/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 03.08.12

Chamam-lhe justiça

A notícia surgiu na semana passada, o Presidente do Benfica foi castigado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência de incidentes ocorridos no final do jogo com o Sporting, no passado dia 26 de Novembro de 2011. O Castigo implica uma suspensão de 45 dias e uma multa no valor de 2500 euros.

 

Quem tem obrigação de fazer justiça levou oito meses para ditar uma sentença contra o Presidente do Benfica. Sentença que surge na sequência de um jogo em que adeptos do Sporting deliberadamente incendiaram uma bancada do Estádio da Luz, depois de mais uma derrota e após declarações deliberadamente incendiárias por parte de dirigentes do Sporting.

 

Um provérbio latino dizia “Quod licet Jovi non licet bovi” – o que é permitido a Júpiter não é permitido ao boi. Ou seja, o que é permitido a uns não é permitido a outros, daqui decorre que muitas coisas são permitidas ao boi que não são permitidas a Júpiter. Longe de mim estar a comparar um presidente do Benfica (seja ele qual for) a Júpiter, mas não posso ignorar que a uns foi permitido tudo – incendiar ânimos, incendiar um estádio, colocar em risco a vida de terceiros, agredir bombeiros e impedir a prestação de auxílio – e a outros não foi permitido protestar contra uma arbitragem vergonhosa (mais uma). Com esta espécie de justiça da lavra da Federação Portuguesa de Futebol do senhor Fernando Gomes, o que se conseguiu foi colocar uma ignomínia em cima de um acto criminoso. Ou seja, deliberaram uma ignomínia em cima de outra. Nenhuma das duas é inocente.

 

Perante isto, resta recusar. Recusar e não transigir. Recusar qualquer apoio pedido por cristãos-novos da verdade desportiva. Não transigir, em nome de desculpa alguma, para com aqueles que, independentemente dos sorrisos com que nos pedem apoio, escondem na agenda o desejo de nos derrotar.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 31 de Julho e publicado na edição de 03/08/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 27.07.12

Nós, os da bancada

Nós, os da bancada, servimos para viver o Clube, para sofrer e rir, para nos irmanarmos apenas no momento do festejo do golo. Servimos para comprar o bilhete, aplaudir, gritar pela equipa, acompanhar o Clube e sermos o próprio Benfica.

 

Nós, os da bancada, raramente estamos de acordo. Discutimos entre nós, ofendemo-nos e defendemo-nos, tentando defender o que consideramos ser o melhor para o Benfica. Nós, os da bancada, por vezes até acenamos lenços brancos, os mesmos que, enquanto são acenados, enxugam lágrimas feitas de mágoa. Nós, os da bancada, não percebemos nada de futebol. Perdão, nós, os bancada, não percebemos nada de futebol sem paixão. Não sabemos como potenciar um jogador (agora chamam-lhe activo) e não sabemos como tornar dinâmico um conceito táctico que se traduz em números estáticos. Para nós, os da bancada, um 4x3x3 e um 4x2x3x1 ou um 4x4x2 são processos que sabemos ler, mas não sabemos implementar. Nós, os da bancada, ouvimos “basculação” e “transição ofensiva”, “pressão alta” ou “jogar entre linhas” como chavões que os entendidos dominam para nos mostrar que nós, os da bancada, nada dominamos da arte de bem interpretar o texto de um jogo. Nós, os da bancada, não sabemos como transformar o sofrível em bom, não sabemos como fazer melhor do que os profissionais do futebol, nem sabemos como os profissionais do futebol conseguem fazer tão bem aquilo que nos parece tão bem feito.

 

No entanto, nós, os da bancada, sabemos quando algo não está bem. E nós, os da bancada, que nada sabemos de futebol, sabemos que nem tudo está bem no equilíbrio do nosso plantel ao nível das alas defensivas. Nem sempre, mas ouvir a voz preocupada dos leigos das bancadas, por vezes, não faz mal.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24 de Julho e publicado na edição de 27/07/2012 do jornal "O Benfica".

 

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Sexta-feira, 20.07.12

Os tempos

Uma boa gestão dos tempos é, por norma, um acto de sensatez. Conseguir ter a sensatez de perceber isso é um bom acto de gestão.

 

Nos tempos que correm, a opinião faz-se na vertigem do momento e não na ponderação dos diferentes momentos. Só assim se explica que, com base na observação de um ou dois jogos, de cinquenta minutos de exibição numa pré-época, se possam tirar conclusões absolutas sobre a mais-valia ou não de um jogador. Temo-lo visto a propósito do lado esquerdo da defesa do Benfica. A adaptação de Melgarejo tem servido para todas as teses, opiniões e conclusões por parte dos opinadores. Agora, é tempo de observar, é tempo de experimentar e, brevemente, será tempo de avaliar a decisão tomada. Antes de todos estes tempos, veio o tempo de reflectir. Depois, e só então, será o tempo de tirar conclusões. Em seguida, agir-se-á de acordo com as conclusões retiradas. Tudo isto terá de ser feito em tempo útil, mas sem termos no nosso treinador a precipitação de julgar de acordo com os ecos extemporâneos da imprensa. Se assim não for, arrisca-se tanto o sucesso do jogador como o do grupo de trabalho e o do próprio treinador.

 

Num plano diferente, observámos como a Liga de Clubes se precipitou na regulação dos empréstimos de jogadores. Muitas vezes apelei para a necessidade de regulamentar essa matéria, mas a Liga trocou os tempos. Começou pelo tempo da implementação da medida antes de ter feito o tempo da reflexão acerca da mesma. Isso inviabiliza qualquer possibilidade de sucesso numa medida que até poderia ser benéfica para o futuro do futebol português.

 

Seja treinador ou seja dirigente, quem lidera tem de saber gerir os tempos, sob pena de perder a razão pelo facto de a ter antes do tempo.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 17 de Julho e publicado na edição de 20/07/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 13.07.12

O espectáculo que se avizinha

Com o aumento do IVA de 6% para 23% no preço dos bilhetes dos espectáculos, o sacrifício financeiro pedido aos adeptos do futebol só se torna legítimo se houver uma significativa melhoria na qualidade do espectáculo proporcionado.

 

Para que o futebol, em Portugal, fosse verdadeiramente um espectáculo teria de se garantir que um jogo de futebol não estava viciado à partida. Os exemplos das últimas décadas mostram-nos que só os mais crédulos (ou convenientemente inocentes) acreditam que a competição futebolística em Portugal não está ferida na credibilidade. Os exemplos são muitos e quotidianos. Dizia-me recentemente um ex-delegado da Liga que desconfiava ter sido demitido do cargo por se ter recusado a “ajeitar” um relatório de acordo com o pedido que vinha de um conhecido dirigente. O “jeito” no relatório seria em abono de uma equipa de arbitragem cujo chefe de fila está actualmente em alta no mundo do futebol.

 

Coincidentemente, numa entrevista recente, o árbitro Pedro Proença – em plena campanha de lavagem de imagem e de memória dos seus sucessivos erros em prejuízo do Benfica e benefício sistemático de quem se “ajeita” no futebol português há umas três décadas – enviava recados, alfinetadas e avisos à Direcção Benfica e aos benfiquistas. Ficou muito claro o espectáculo que a arbitragem portuguesa, com o Proença à cabeça, está a preparar para os jogos do próximo campeonato.

 

De facto, com a dita subida do IVA não se está a taxar a paixão pelo espectáculo de futebol, está-se a taxar a paixão pelo clube… a única que ainda nos leva a ver futebol em Portugal.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Julho e publicado na edição de 13/07/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 06.07.12

O Euro limpa mais limpo

No futebol português, um dos melhores detergentes para limpar nódoas são as competições europeias. Os nossos especialistas na matéria futebolística têm uma forma particularmente interessante de analisar o fenómeno. Se a parte visível do tapete estiver asseadita, toda a sujidade que para baixo dele se varreu passou também a fazer parte do asseio.

 

A Itália foi uma selecção finalista no Europeu. Terminada a competição, louvou-se o feito da “Azzurra” e continuou a decorrer o processo de moralização do futebol italiano. Ou seja, o êxito da selecção italiana não serviu para esconder o que de podre ia no “reino”. Antes pelo contrário, mais reforçou a necessidade de extirpar do seio do futebol os agentes que lhe são perniciosos e que contribuíram para manchar de vergonha o campeonato deles.

 

Pelo contrário, em Portugal fez-se da presença de Pedro Proença na final do Europeu um baluarte de como tudo vai bem no “reino” luso dos apitos mais ou menos dourados, mais ou menos frutados. Querem convencer-nos de que aquela face limpa do tapete não esconde uma sujidade atroz no seio da arbitragem portuguesa. Pior, querem fazer de um dos principais beneficiados de um sistema sujo o exemplo de limpeza do mesmo sistema.

 

É, assim, natural que o próprio Pedro Proença clame e se insurja contra a ausência de altos dignitários do Estado para o receberem no aeroporto. Certamente porque já se habituou a ver outros agentes do futebol bem mais perniciosos a serem recebidos por esses mesmos dignitários em cerimónia de beija-mão. E, deste modo, enquanto uns aproveitam o êxito para perseguir o que de errado há no seu futebol, nós aproveitamos esse mesmo êxito para promover e tentar esconder as nódoas do nosso futebol.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Julho e publicado na edição de 06/07/2012 do jornal "O Benfica".

 

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Sexta-feira, 29.06.12

Portugal na Europa do futebol

Das quatro selecções que sobreviveram até às meias-finais do Euro 2012, três eram de países latinos (Portugal, Espanha e Itália) e a outra era a inevitável Alemanha. É uma Europa do futebol às avessas de uma Europa política e económica.

 

De entre estas selecções, três são o espelho de um conceito de futebol praticado nos respectivos campeonatos. De comum entre a selecção alemã, espanhola e italiana está a predominância de futebolistas que jogam nos campeonatos dos respectivos países, o que traz implicações que são bem visíveis em campo. A Mannschaft junta ao rigor e objectividade uma disciplina táctica espartana, mas também extremamente dinâmica. A Azurra joga agora um sucedâneo do ‘catenaccio’, bastante mais atractivo, defendendo com uma segurança e um rigor ímpares e em zonas do terreno bem mais avançadas, o que lhe dá um pendor perigosamente ofensivo. A Roja é uma reinterpretação feliz do célebre ‘tiki-taka’ de Guardiola, sem Messi, mas ainda com Iniesta, Xavi e uma organização exasperante. Resta Portugal, sem cognome, com poucos futebolistas oriundos do campeonato português na selecção e com um conceito de jogo que não espelha, felizmente, o futebol luso. Espelha o trabalho de um treinador, o talento individual de dois ou três futebolistas, os rasgos de inconformismo que vão surgindo e uma grande dose de improvisação (até a união dos futebolistas pareceu improvisada e como forma de responder às críticas).

 

Assim, os êxitos dos outros são reflexo do conceito que têm do futebol (pensado estruturalmente desde as bases e lutando contra a corrupção). No caso português, os sucessos da selecção – e dos próprios clubes –  acontecem apesar da desorganização reinante e dos dirigentes federativos / associativos, ou seja, acontecem apesar do futebol português.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 26 de Junho e publicado na edição de 29/06/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 22.06.12

Isto vai, meus amigos, isto vai

Foi publicada a classificação dos árbitros: nos primeiros lugares ficaram os árbitros que mais fizeram para que em primeiro lugar ficasse o clube que venceu o campeonato. Perante isto, defendo que o árbitro classificado em primeiro lugar receba um apito de ouro ou, como os tempos são de crise, um apito dourado. Seria justo e adequado.

 

Por falar em árbitros, estou curioso para ver no que vai dar todo o processo em torno de Paulo Pereira Cristóvão. Particularmente, no que respeita à explicação, certamente competente e convincente, que dará acerca do tal depósito em numerário na conta bancária de um fiscal de linha. Tenho a convicção de que a Justiça portuguesa chegará à peregrina conclusão de que as motivações do senhor eram puramente pessoais e que nada tinham que ver com o clube de que era vice-presidente.

 

Por falar em despudor, um grupo de deputados da nação convidou para jantar e recebeu, na Assembleia da República, um conhecido dirigente desportivo que acolhe árbitros em casa, para aconselhamento familiar (mais uma das tais explicações competentes e convincentes), na antevéspera de um jogo da sua equipa. No meio de tamanho desconchavo, lá acabei por concordar com o tal dirigente, quando disse que “infelizmente o número de estúpidos não tem diminuído”. Também lamento isso e, perante essa evidência, resta-me esperar, paciente e serenamente, que esse número comece a diminuir… Como escreveu Ary dos Santos, “Isto vai, meus amigos, isto vai”

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 19 de Junho e publicado na edição de 22/07/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 08.06.12

É uma selecção portuguesa, com certeza

Após a convocatória, correspondida, que Scolari fez a quase todos os portugueses e da renúncia de grande parte de Portugal à selecção desorientada por Queirós, é com alguma desconfiança que olho para a selecção que se vai orientando com Paulo Bento e com a qual também o treinador se vai orientando.

 

A actual orientação técnica da selecção é colocada em causa pelo treinador Manuel José, quando afirma que “Isto parece um circo à volta da selecção […] O país anda atrás de uma selecção que passa a vida em festas”. O experiente Manuel José está errado, pois o país não anda atrás da selecção. A não ser que se confunda o país com os jornalistas. Esses andam atrás, à frente e por tudo quanto é lado naquele grupo excursionista. Nos últimos dias, vimos os treinos da selecção e o autocarro da selecção. Vimos os jogadores a entrar no autocarro, a sair do dito, a dar autógrafos, a entrar no hotel, a almoçar, a ouvir discursos, a recusar autógrafos, a reentrar no hotel, a entrar no avião, a sair do avião, a empatar com a Macedónia, a perder com a Turquia, a arranjar desculpas, a louvar as folgas, a barafustar entre eles e a ignorar o treinador. Soubemos, ainda, que alguns experimentam novos penteados, outros comparam tatuagens, outros tantos ficam ofendidinhos com as assobiadelas e conta-se que um chegou a atirar gente ao Tejo. Vimos tudo isto, mas não os vimos ganhar.

 

Pode ser, assim espero, que as vitórias surjam em seguida, já contra a Alemanha. E que, com elas, surja um país atrás da selecção. Então sim, algumas vedetas terão tempo e oportunidade para fazer o que mais têm treinado: festejar, ignorando o país.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Junho e publicado na edição de 08/07/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 01.06.12

A terra treme

Em Itália a terra treme, sucedem-se os pequenos sismos, assustam-se as pessoas, tomam-se precauções, tenta-se prevenir o pior. Com uma frequência preocupante, em Itália a terra treme. Em Itália o futebol treme. Depois do escândalo do Totonero, nos inícios dos anos 80 – que levou à descida de divisão do Milan, Lazio, Avellino, Bologna e Perugia, e incluiu a prisão de um dos melhores futebolistas italianos, Paolo Rossi – surgiu o escândalo do Calciocaos, em 2006. Como resultado, desceu de divisão a Juventus, e clubes como o Milan ou a Fiorentina começaram o campeonato seguinte com uma considerável supressão de pontos. Houve dirigentes, efectivamente, suspensos; houve dirigentes banidos do futebol; houve dirigentes a cumprir penas de cadeia.

 

Em Itália a terra treme novamente e o futebol treme com ela. Surgiu agora mais um escândalo relacionado com a viciação da verdade desportiva, com a combinação prévia de resultados, com a negação da ética, com a afirmação do crime como prática quotidiana. A este novo escândalo deram o nome de Calcioscommesse. Já há detidos e entre estes está Stefano Mauri, capitão de equipa da Lazio. O treinador da Juventus, Antonio Conte, já foi alvo de buscas e o lateral esquerdo Criscito foi afastado da selecção italiana.

 

Em Itália a terra treme com alguma frequência e tomam-se medidas. Em Portugal toda a gente finge acreditar que os tremores de terra só acontecem no futebol dos outros. Em Itália as investigações acontecem, os criminosos são punidos e tenta-se evitar novos tremores de terra. Por cá habituamo-nos a conviver com os criminosos, a agraciá-los, a promovê-los e a louvá-los. Todos fingem que a terra por cá não treme e todos balançam ao ritmo dos abalos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Maio e publicado na edição de 01/06/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 25.05.12

Silêncio

O silêncio está por todo o lado no futebol português. No fim-de-semana, vimos, no final da Final da Taça, um árbitro a ser cuspido e a levar com uma garrafada, enquanto a polícia tentava, a custo, protegê-lo de uma valente carga de pancada por parte de centenas de adeptos enfurecidos com a derrota do seu clube. Vimo-lo todos pela televisão. Viram-no os mais altos dirigentes do futebol português. Sobre isso caiu o silêncio. Um silêncio opaco que nos mostra como não são transparentes os interesses do futebol português.

 

Adeptos desse mesmo clube incendiaram uma bancada do nosso Estádio. Não foi há cinco décadas, foi há pouco mais de cinco meses. Não passou à História porque a ausência de palavras, a presença do silêncio, caiu pesadamente sobre a ignomínia dos factos. Não passará a ser História porque o silêncio impede que a palavra avive a memória e se constitua como inscrição. Quebrar esse silêncio é, nos dias que correm, agitar a modorra em que medram os pirómanos que chantageiam a voz alheia, para que a revolta se conforme ao silêncio conivente.

 

Foi às custas desse silêncio sujo que gente como o ex-presidente da Juventus Luciano Moggi constituiu a imagem de ter uma ‘estrutura’ perfeita e louvável. Até ao dia em que o silêncio se quebrou e o grito de revolta mostrou ao mundo os tentáculos da ‘estrutura’ perfeita. Moggi tem os seus descendentes, os seus imitadores, os seus seguidores e os seus herdeiros. Conhecemos-lhes os rostos, as falas, as ameaças e as ironias. Sabemos que quem cala consente. Sabemos que o Benfica não se pode calar e que, sempre que se calou (e isso aconteceu recentemente), consentiu. Sabemos que não pode haver silêncio quando se impõe a justa indignação.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Maio e publicado na edição de 25/05/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 18.05.12

Objectividade e subjectividade

Cardozo tem a supina ousadia de fazer bem algo que se pode medir em números. Marcar golos é uma daquelas coisas objectivas, substantivas, que tanto irritam a cultura lusitana, a cultura de quem busca o adjectivo fácil. Isso, nos dias que correm, é uma ousadia. A eficácia de Cardozo não se compadece com a retórica. Está simplesmente lá, manifesta-se de forma simples e limpa. É uma eficácia que se pode quantificar em golos, à qual se pode atribuir um número. A Cardozo não se atribuiu o nome de um qualquer super-herói da BD, deram-lhe o cognome paraguaio de uma vara alta e desajeitada ao sabor do vento. E lá vai Cardozo conseguindo sobreviver entre paradoxos: quanto mais golos marca, mais criticado é; quantos mais sorrisos de alegria provoca com os seus golos, mais insistem os relatadores radiofónicos em acentuar o facto de sorrir pouco e parecer sempre triste; quanto mais substantivo é o seu jogo, mais adjectivo e redondo se constrói o coro das críticas. Objectivamente, Cardozo é um bom ponta de lança porque marca muitos golos.

 

Mutatis mutandis, passamos para o reino da subjectividade. Para agrado do Chelsea, que costuma jogar em tons de azul, Proença, diz-se, apitará a próxima final da Champions. Essa anunciada nomeação não branqueia nem mascara tudo o que de pernicioso esse árbitro tem feito ao futebol nacional. Da mesma forma que as conquistas internacionais da Juventus não permitem que se escamoteie o que de sujo aquele clube fez em Itália. Tal como as conquistas internacionais do FCP não permitem limpar a nódoa do que se ouviu nas escutas do Apito Dourado. A ser o Proença a apitar a dita final, confirma-se apenas como o sucessor de Garrido… com tudo o que esta sucessão encerra.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 14 de Maio e publicado na edição de 18/05/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 11.05.12

Um árbitro chamado Proença

O dia em que Pedro Proença chegue ao fim da carreira, por uma questão de limite de idade, será um bom dia para o futebol.

 

Nesse dia, deixaremos de correr o risco de ver o Proença decidir campeonatos e finalistas da Taça. Proença traz-me à memória um jogo em Penafiel, em 2004-05, em que decidiu ignorar quatro grandes penalidades contra o clube da casa. Perdemos o jogo. Duas épocas antes, no Bessa, decidiu não assinalar duas grandes penalidades escandalosas. Foi um jogo que se tornou memorável pelos piores motivos. Também em 2003-04, optou por assinalar uma grande penalidade contra o Benfica, num jogo frente ao Sporting, numa mal-amanhada simulação de Silva. Em 2008-09, aos setenta minutos de um jogo no Dragão, assinala mais uma inexistente grande penalidade contra o Benfica. Esse penalti deu o empate e a vitória no campeonato ao FCP. Esta época, entre outros espectáculos deprimentes, Proença foi o árbitro em Braga, no famoso jogo terceiro-mundista dos apagões. Conseguiu ser mais reles do que os cirúrgicos cortes de energia no Estádio: assinalou um discutível penalti contra o Benfica, ignorou duas agressões de futebolistas adversários a jogadores nossos e saiu do estádio com a sensação do dever bem cumprido. Foi com arbitragens destas que se chegou à singular situação de o Benfica nunca ter vencido um clássico ou um derby apitado pelo referido árbitro e de o FCP nunca ter perdido nenhum clássico ou derby com esse senhor a apitar.

 

É, assim, normal, que o dito árbitro se tivesse prestado a fazer a figura que fez na festa do título do FCP. Aliás, no futebol português, a banalização do compadrio é normal e chega a ser premiada com nomeações para apitar em competições internacionais. Outras vezes, é premiada com fruta para dormir… mas isso já são outros quinhentinhos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Maio e publicado na edição de 11/05/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Sexta-feira, 04.05.12

Festejos e lamentos

Triste noite de domingo em que o Benfica, em Vila do Conde, entregou definitivamente o título ao FCP. Triste pelo choro que um miúdo benfiquista apresentava nos écrans televisivos; triste pela exibição descolorida que o nosso Benfica fez; triste porque percebemos que, na segunda metade do campeonato, abrimos, nós próprios, as portas de nossa casa, para que a corja do costume pudesse fartar vilanagem.

 

No ano passado, todas as virgens ofendidas do jornalismo e da opinião publicada rasgaram as vestes devido à lamentável atitude do Benfica ter apagado a luz e ligado a rega, aquando da festa do clube do sr. Costa. Estranhamente, este ano, ninguém se insurgiu contra o que foi documentado, visto, revisto e transmitido por vários canais televisivos: aquando dos festejos do FCP, gritavam em uníssono, jogadores e dirigentes, cânticos sucessivos de ódio e ofensa ao Benfica e aos benfiquistas. Aquela gente festeja o ódio e o insulto. Aquela gente fomenta o que festeja. Em redor, o silêncio conivente de uma comunicação social maioritariamente amestrada.

 

No meio da leda mansidão dos comentários que se ouviam pela televisão – e é tão fácil atirar para debaixo do tapete de uma vitória a sujidade com que a mesma foi conseguida – surgiu uma voz dissonante: Rui Santos, na SICN. Este jornalista disse que o campeonato foi uma farsa, disse que as nomeações dos árbitros são suspeitas e pediu que se investigasse um futebolista do Marítimo que ajudou o árbitro de circunstância a ajudar o campeão de circunstância. Em redor ficou o silêncio… entrecortado pelos que, do cimo de uma varanda, festejavam, insultando o adversário. E nesse insulto, nesse momento de afirmação de uma forma de ser e estar, demonstrava-se a pequenez de quem insulta e a grandiosidade de quem era insultado… o que não deixa de ser uma fina ironia.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Maio e publicado na edição de 04/05/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post

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