Tradição

Não foi um óptimo resultado, mas foi um resultado bom. Pela forma como foi obtido, por ser em casa de um adversário na luta pelo título, e ainda com as condicionantes provocadas pelas ausências de jogadores-chave na nossa equipa. A história recente diz que normalmente não perder no Porto acaba na conquista do respectivo campeonato. Esperemos que este ano se mantenha a tradição.

 

Depois de termos perdido o Fejsa na última terça-feira, que tem sido uma espécie de fulcro do jogo da nossa equipa, mais más notícias nos dias que antecederam este jogo, quando se confirmou também a ausência do Grimaldo, que tem sido outro dos jogadores em destaque. Mas já tinha escrito anteriormente que nos temos vindo a habituar a não ficar a lamentar ausências, porque quem joga cumpre. As escolhas para substituir estes dois jogadores foram as esperadas, Samaris e Eliseu, e o Benfica entrou em campo com a mesma disposição táctica a que nos habituou. Apesar de uma entrada desinibida, depressa foi o Porto quem tomou conta das operações. Era notória a superioridade na zona do meio campo, onde o trio Danilo-Óliver-Octávio se impunha ao Pizzi e ao Samaris. Ao não contarmos com o Fejsa não só perdemos agressividade naquela zona, mas também perdemos metros na disposição em campo. O Fejsa empurra a equipa mais alguns metros para a frente, devido à sua capacidade para jogar em antecipação, e isso é algo que o Samaris não nos consegue dar. Outro contratempo para o Benfica foi a lesão do Luisão logo nos minutos iniciais, que obrigou à sua substituição pelo Lisandro. A primeira meia hora de jogo foi bastante complicada, com o Porto a ter muito mais posse de bola e a empurrar-nos para junto da nossa área. Nos intervalos entre os pedidos de penáltis (acho que durante o jogo os jogadores do Porto devem ter-se deixado cair pelo menos meia dúzia de vezes dentro da nossa área - a nostalgia criada pela recepção que as claques deles fizeram à nossa equipa deve ter contagiado os jogadores do Porto, que começaram a sonhar com tempos de árbitros bem mandados) o Porto criou três ocasiões flagrantes para marcar, valendo-nos intervenções do Ederson frente ao Corona em duas delas, e noutra a ligeira falta de pontaria do André Silva, que rematou de primeira um pouco ao lado da baliza vazia depois de um mau alívio do Samaris. Por falar na recepção à nossa equipa, confesso que foi com alguma satisfação que vi os nossos jogadores manterem sempre a calma e não se deixarem intimidar minimamente quer pelo público, quer pelos próprios adversários, que por diversas vezes pareciam estar interessados em causar picardias - tendo eu assistido ao vivo a vários jogos entre Porto e Benfica nas antigas Antas que começávamos a perder precisamente por aí, isto é sempre uma agradável mudança. Nos minutos que antecederam o intervalo o Benfica conseguiu finalmente sacudir um pouco a pressão do Porto e respirar com a bola nos pés. Mesmo a acabar, a melhor ocasião para o Benfica, quando num canto o cabeceamento do Lindelöf foi desviado por um adversário para o poste.

 

O Porto colocou-se em vantagem cedo no segundo tempo, quando apenas tinham passado cinco minutos. Depois de uma incursão da direita para o meio o Corona passou a bola para o Diogo Jota, que pressionado pelo Nélson Semedo rematou de um ângulo muito apertado, com a bola a entrar entre o Ederson e o poste. No melhor pano cai a nódoa e neste lance o nosso guarda-redes não ficou bem na fotografia. O Porto continuava melhor no jogo, até que a meia hora do final o nosso treinador trocou o Cervi pelo André Horta, acrescentando mais um elemento ao meio campo. Esta alteração táctica fez bastante diferença, e a partir desse momento o jogo passou a ser muito mais dividido, com a posse de bola a subir a nosso favor. O primeiro grande sinal de perigo que demos neste segundo tempo apareceu dos pés do Samaris, que com um remate de fora da área obrigou o Casillas a uma boa defesa. O Porto respondeu de livre, com o Ederson a somar mais uma boa intervenção, desta vez a remate do Telles. À medida que o tempo ia decorrendo, o Porto foi desaparecendo cada vez mais do ataque, parecendo mais apostado em tentar explorar alguma aberta para contra-atacar, mas a verdade é que depois do referido livre do Telles, que aconteceu aos sessenta e sete minutos, não me recordo de mais nenhum remate do Porto. Não é que o Benfica estivesse propriamente a pressionar muito o Porto ou a criar ocasiões para marcar, mas agora a bola passava claramente mais tempo nos pés dos nossos jogadores, enquanto o Porto se ia remetendo cada vez mais para o seu próprio meio campo. As alterações feitas também revelavam que o principal interesse do Porto era segurar a vantagem, apostando em reforçar o meio campo com as entradas do Rúben Neves e do Herrera, e ainda do Layún, que se foi encostar à esquerda à frente do Telles para ajudar a controlar as constantes subidas do Nélson Semedo. O Benfica respondia com a entrada de mais um avançado, o Jiménez, para o lugar do desinspirado Salvio. As tentativas de remate do Benfica eram quase todas de fora da área e com pouco perigo, mas já em período de descontos, ao minuto noventa e dois, o Herrera cedeu um canto quando tentava chutar a bola contra o Eliseu. Na marcação do mesmo, à maneira curta, a bola seguiu para o André Horta, que fez o centro para o cabeceamento vitorioso do Lisandro. A bola nem saiu com muita força, mas foi muito colocada para o poste oposto, e completamente fora do alcance do Casillas. Estava feito o empate, que nos mantém no topo com a confortável vantagem de cinco pontos. Não posso deixar de assinalar que nestes minutos finais, mesmo com a equipa em desvantagem, o que eu mais ouvia eram os cânticos de incentivo à nossa equipa. Os nossos adeptos foram incansáveis e inexcedíveis no apoio.

 

Sem surpresa para quem tiver visto o jogo, os maiores destaques no Benfica são para jogadores defensivos. A começar pelo Lisandro, que entrou muito bem no jogo, mesmo a frio, e esteve praticamente perfeito, coroando a exibição com o golo. Ao seu lado o Lindelöf também esteve impecável, e acho que não deve ter cometido um erro. Outro jogador cuja exibição me agradou muito foi o Nélson Semedo. Está definitivamente de regresso à sua melhor forma. Também o Ederson merece destaque. É certo que terá tido alguma responsabilidade no golo sofrido, mas teve quase uma mão cheia de intervenções de grande valor que compensam largamente esse lapso.

 

Com quase meia equipa ausente deste jogo conseguimos ir ao terreno do nosso maior adversário arrancar um resultado que se pode revelar importantíssimo. Costumam dizer vários treinadores que em jogos do campeonato se não conseguimos ganhar, é importante pelo menos não perder. E foi isso que conseguimos, um resultado para o campeonato e que faz com que o nosso adversário desta noite esteja neste momento numa situação em que não depende exclusivamente de si próprio para chegar à liderança. E isso é sempre uma vantagem psicológica importante.

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por D`Arcy às 02:25 | link do post