VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 13.05.12

Fecho

Fecho do campeonato em Setúbal, num jogo típico de final de época, disputado num ritmo lento e marcado pelo enorme desacerto na finalização por parte do Benfica.

 

A primeira obrigação para este jogo era vencê-lo, e depois poderíamos pensar em ajudar o Cardozo a, pelo menos, evitar que outro jogador ganhasse o título de melhor marcador sem ter sequer que jogar. O Luís Martins manteve a titularidade na esquerda da defesa, e na direita apareceu o Witsel, com o meio campo a ficar entregue ao regressado Javi e ao Matic. Na frente coube ao Rodrigo fazer companhia ao Cardozo. A toada do jogo foi clara desde o início: pouca velocidade, o Benfica quase sempre com a posse da bola, e o Setúbal a meter toda a gente atrás da linha da mesma, tentando sair rapidamente para o contra-ataque. Também desde o início ficou evidente o desperdício do Benfica, e a inspiração do guarda-redes do Setúbal, Diego. Aos onze minutos não foi necessária qualquer intervenção do Diego para que o Rodrigo, à boca da baliza após centro do Witsel, falhasse o golo de forma inacreditável. Na resposta, contra a corrente do jogo e no primeiro remate que fez, o Setúbal mostrou a eficácia que nos faltou e colocou-se em vantagem, num lance em que conseguiu entrar pelo centro da nossa defesa aproveitando uma falha na defesa em linha.

 

Depois do golo, continuámos a assistir ao mesmo, com o duelo particular entre o Cardozo e a baliza do Setúbal a ter preponderância. Ou por falta de pontaria, ou por mérito do Diego, a verdade é que a bola teimava em não entrar. Foi preciso esperar até aos trinta e quatro minutos - logo a seguir ao Cardozo ter acertado na trave - para finalmente começar a inverter a injustiça no marcador. Desta vez o Cardozo não tentou o remate, e desviou apenas ligeiramente o centro do Rodrigo para a entrada do Bruno César, vindo de trás, que finalmente conseguiu bater o Diego. Que, diga-se, não pareceu ter ficado particularmente desmotivado com o golo sofrido, já que continuou em grande nível e evitou que saíssemos para intervalo em vantagem no marcador.

 

Após o intervalo entrou o Emerson para o lugar do Matic, o que fez com que o Luís Martins passasse para lateral direito e o Witsel fosse ocupar o seu lugar natural no meio campo. Não foi uma boa reentrada do Benfica no jogo, já que o ritmo com que jogávamos parecia ser ainda mais pausado do que na primeira parte, e o Setúbal chegou mesmo a atirar uma bola ao poste. Mas pouco depois de passado o primeiro quarto de hora, o Benfica fez o segundo golo, mais uma vez pelo Bruno César - que aproveitou uma assistência do Emerson para rematar à entrada da área, e a partir daí o Setúbal desapareceu completamente do jogo. Assistimos então a uma meia hora final em que o único interesse era ver se o Cardozo conseguiria ou não marcar um golo, e a coisa chegou quase a ser patética. Quando não era o Diego a negar-lhe o golo, era o paraguaio que não conseguia acertar com a baliza. Como nos filmes, foi preciso esperar mesmo até ao fim para assistirmos a um final feliz. Já sobre os noventa, a passe do Saviola que o deixou na cara do Diego, o Cardozo lá arranjou lucidez suficiente para tirar o guarda-redes do caminho e, de pé direito, alcançar o golo que tanto procurou (deve ter terminado o jogo com uns quinze remates tentados).

 

O homem do jogo é o Bruno César, autor de dois golos e de uma exibição agradável. Também gostei de ver o Witsel jogar, particularmente quando passou para o meio campo, mas começa a parecer-me que é muito difícil que o belga consiga fazer um jogo que me desagrade.

 

Acabou a competição, e vamos para o defeso com a frustração de um campeonato perdido e a sensação de que o perdemos mesmo sendo a melhor equipa, e aquela que melhor futebol mostrou esta época. Alguns factores do costume ajudaram a que isso acontecesse, mas não foram exclusivos. Espero que se reflicta bem sobre aquilo que, da nossa parte, pode e deve ser melhorado e corrigido. Porque ao contrário daquilo que o Luisão afirmou no final, na minha opinião nem todos poderão ir de férias com a consciência assim tão tranquila.

por D`Arcy às 02:50 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Domingo, 06.05.12

Mínimo

Jogo fraco e até deprimente para fechar o campeonato na Luz. A magra vitória pela margem mínima é um justo reflexo da pálida exibição do Benfica - a perder qualidade ao longo do tempo - frente a uma União de Leiria retalhada que fez pela vida e deixou uma imagem digna no relvado.

 

As novidades no onze foram a titularidade do Djaló e do Luís Martins, mas pouco há a dizer sobre este jogo, que nem merece uma crónica exaustiva. O interesse desportivo era reduzido: apenas confirmar já o acesso directo à Champions da próxima época. Talvez se pudesse ajudar o Cardozo na luta pelo título de melhor marcador, mas nem a equipa o ajudou muito, nem ele se ajudou a si próprio e saiu em branco. O jogo acabou decidido com um golo do Bruno César, de livre directo, perto dos vinte minutos. O Leiria nunca conseguiu criar uma verdadeira oportunidade de golo, e o Benfica revelou pouca velocidade e sobretudo pouca motivação para ultrapassar a defesa do Leiria, e quando isso eventualmente acontecia estava lá o emprestado Oblak para defender. A qualidade do nosso jogo, sem que alguma vez tenha sido brilhante, foi caindo com o passar dos minutos, e a segunda parte foi mesmo muito pobre e desinteressante. O domínio do Benfica foi sempre constante (não se esperaria outra coisa frente a esta equipa), mas nunca pareceu haver muito empenho da parte da equipa para fazer muito mais do que o mínimo necessário, e foi isso mesmo que acabaram por conseguir.

 

Acabaram-se os jogos na Luz esta época. Agora resta esperar pela próxima. Melhor, de preferência.

por D`Arcy às 03:50 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Domingo, 29.04.12

Final

Ponto final no campeonato, após um empate frente ao Rio Ave, num jogo animado e no qual os nossos jogadores tentaram fazer o possível para adiar a decisão do título.

 

Saída do Saviola do onze para o regresso do Witsel, e entrada forte do Rio Ave no jogo, com muita pressão logo à saída do meio campo, que resultou em diversas perdas de bola do Benfica e muitos passes e recepções falhadas. Esta entrada do Rio Ave deu frutos logo aos oito minutos, com o golo a surgir depois de uma hesitação entre o Artur e o Luisão, com ambos a acabar por não atacar uma bola centrada da esquerda e a deixá-la passar para uma finalização fácil à boca da baliza. O Benfica reagiu ao golo, e foi lentamente tomando conta do jogo e acercando-se da baliza do Rio Ave, que no entanto não deixava de tentar criar perigo em contra-ataques rápidos, sobretudo quando explorava o adiantamento do Maxi. Depois de alguns remates disparatados, o empate acabou por surgir aos trinta e sete minutos, pelos pés do Nolito, que no interior da área aproveitou bem um corte incompleto de um defesa. Três minutos depois fiquei seriamente preocupado com a saúde mental do Olegário, que incrivelmente assinalou um penálti a nosso favor. O Cardozo fechou os olhos e chutou com toda a força para fazer a bola passar literalmente entre as mãos do guarda-redes para o fundo da baliza.

 

Ao intervalo o nosso treinador fez uma substituição algo inesperada, trocando o Matic pelo Saviola. O Benfica entrou bem, ameaçou marcar, mas após cinco minutos o Rio Ave subiu pela primeira vez e empatou de novo o jogo, num lance em que o Yazalde foi deixado muito à vontade dentro da área para cabecear um centro novamente vindo da esquerda. O Benfica acusou o golo, e passámos por alguns minutos de desnorte durante os quais o Rio Ave foi a equipa mais perigosa. Só quando faltavam vinte minutos para o final é que as coisas se alteraram, quando o Jesus de certa forma emendou a mão e fez entrar o Javi para o lugar do Aimar, avançando o Witsel no terreno, tendo pouco depois feito entrar o Gaitán para o lugar do Bruno César. O Benfica a partir daí tomou conta do jogo e obrigou o guarda-redes do Rio Ave a brilhar com grande intensidade, e o Olegário ainda mais. Mostrou que a minha preocupação da primeira parte era infundada, e que voltou em grande forma da lesão, sonegando-nos dois penáltis claros após o Cardozo e o Saviola serem abalroados pelas costas. No final, empate no marcador, e depois dali ao Porto foi só um saltinho para ir participar na festa.

 

Maxi (sobretudo a apoiar o ataque), Witsel e Nolito terão talvez sido os melhores do nosso lado, num jogo em que não houve nenhuma exibição de grande realce. O Cardozo foi hoje, na maioria das vezes, um estorvo para a equipa. E só não digo que o penálti foi mal marcado porque entrou, e todos os penáltis que dão golo são bem marcados.

 

Pareceu-me que foi um bom jogo para sentenciar esta liga. Exemplificou muitas das coisas que nela se passaram e que ditaram o seu desfecho desfavorável para nós - incluindo factores que nos são alheios, e outros pelos quais somos exclusivamente responsáveis. Temos a obrigação de corrigir estes últimos. Quanto aos primeiros, já perdi a esperança das coisas mudarem.

por D`Arcy às 23:28 | link do post | comentar | ver comentários (48)
Domingo, 22.04.12

Agradável

Vitória tranquila e dilatada sobre o Marítimo, num jogo em que o Benfica entrou muito bem e dominou claramente, depois relaxou durante alguns minutos, e após  apanhar o tradicional susto voltou a acordar e não mais cedeu o controlo. No todo, uma exibição agradável.

 

 

Com o Capdevila e o Matic a manterem a titularidade, o Benfica surgiu ainda com o Saviola e o Nolito de regresso à titularidade. E foi um feliz regresso, já que ambos tiveram influência directa no bom início de jogo do Benfica, e nas contas finais da vitória. O nosso início de jogo foi a todo o gás, empurrando o Marítimo para a sua baliza e jogando em velocidade, com trocas constantes de posição entre os jogadores e fazendo a bola circular rapidamente e ao primeiro toque. Para isto contribuiu também o Saviola, que apareceu a jogar bastante solto e a fazer uso da sua inteligência para ocupar os espaços certos na altura certa. O Marítimo viu-se completamente desorientado e não estou a exagerar se disse que durante o primeiro quarto de hora nem sequer conseguiu passar da linha do meio campo. Foi precisamente a fechar este primeiro quarto de hora que o Benfica deu expressão à sua superioridade, com um golo do Nolito, que finalizou com um remate de primeira, de pé esquerdo e no interior da área, uma boa assistência do Aimar após mais uma incursão do Maxi pela direita. Sem abrandar o ritmo, quatro minutos depois o mesmo Nolito fazia o segundo golo, picando a bola sobre o guarda-redes após ser isolado por um grande passe do Saviola. Só por volta da meia hora de jogo é que o Benfica relaxou um pouco, permitindo finalmente ao Marítimo ter um pouco de bola, mas o sinal mais durante a primeira parte continuou sempre a ser do Benfica, que até poderia ter dilatado mais a vantagem.

 

 

O Marítimo veio diferente para a segunda parte, jogando com um ponta-de-lança mais fixo, e com melhor atitude. Aproveitando talvez algum relaxamento do Benfica, cedo criou perigo e obrigou o Artur a brilhar por duas vezes no mesmo lance, mas sete minutos após o reinício do jogo marcou mesmo, com o Sami a aproveitar um buraco no centro da defesa e a desviar a bola à saída do Artur. Durante alguns minutos após o golo o Benfica acusou o golpe, e o Marítimo terá acreditado que seria possível chegar ao empate, mas a vinte e cinco minutos do final o Jorge Jesus mexeu na equipa, tirando a dupla argentina Aimar/Saviola, que já acusava desgaste, e colocando em campo o Javi e o Rodrigo, arrumando a equipa num 4-4-2 mais clássico. As substituições foram felizes, já que no mesmo minuto, e logo na primeira vez em que tocou na bola, o Rodrigo fez o terceiro golo do Benfica. Foi uma finalização fácil à boca da baliza, a passe do Nolito da esquerda e após uma boa jogada do nosso ataque. O Marítimo ainda voltou a obrigar o Artur a brilhar, mas quatro minutos depois do terceiro golo veio o quarto, que sentenciou de vez o jogo. Mais uma vez o golo nasceu nos pés do Nolito, que com um grande passe a rasgar da esquerda para a direita, por entre os defesas do Marítimo, deixou o Bruno César na cara do guarda-redes, tendo este finalizado sem grande dificuldade. Depois deste golo, e mesmo com a entrada do Nélson Oliveira, o ritmo do jogo caiu bastante, e o Benfica praticamente limitou-se a gerir o resultado até final.

 

 

O homem do jogo só pode ser o Nolito. Dois golos e dias assistências deixam-no directamente ligado a todos os golos do Benfica. Foi um feliz regresso à titularidade, num jogo em quase tudo lhe saiu bem. Gostei muito da primeira parte do Saviola, ao nível do melhor a que ele nos habituou. Bom jogo também do Artur, com duas ou três intervenções de grande nível, e também do Maxi, no habitual papel de dinamizador do lado direito.

 

Pouco mais podemos fazer agora senão ir ganhando os nossos jogos até final. Hoje isso foi conseguido com eficiência, e o resultado foi pelo menos importante para aumentarmos a vantagem sobre o terceiro classificado. Foi também agradável voltar a ver futebol à luz do dia na Luz, o que terá ajudado a chegarmos aos 40.000 espectadores. Infelizmente foi necessário um horário menos habitual num jogo importante de um campeonato estrangeiro para que pudéssemos ter este pequeno prazer.

por D`Arcy às 00:38 | link do post | comentar | ver comentários (42)
Domingo, 15.04.12

Tetra

Vitória magra e algo sofrida, mas inteiramente justa na final da Taça da Liga frente a um Gil Vicente batalhador, e que nos permitiu fazer o tetra nesta competição. Aquela que, como o Benfica a ganha, outros fingem desdenhar. Depois alguns desses continuam a falar da final perdida há três anos, enquanto que outros se convencem que a Supertaça é muito mais importante.

O onze inicial, que incluía o Rodrigo e o Nélson Oliveira, apontava para uma possível insistência na táctica de dois pontas-de-lança, mas afinal o Rodrigo encostou-se à direita, permitindo um trio no meio campo composto pelo Matic, Witsel e Aimar. No banco ficaram jogadores como o Artur, Emerson, Javi, Gaitán e Cardozo, juntando-se ao castigado Luisão nas alterações ao onze mais habitual. A primeira parte foi bastante disputada, com o Benfica a parecer ter um pouco mais de posse de bola e com o Gil Vicente a assumir uma postura mais expectante, para depois responder sempre em contra-ataques bastante rápidos que levavam perigo à nossa baliza. O Benfica foi ganhando alguma superioridade na zona do meio campo, resultado das acções do Witsel e Matic, que me pareceram os jogadores mais esclarecidos, e acabou por chegar ao golo com meia hora decorrida. O Bruno César, depois de uma boa iniciativa individual na esquerda, onde deixou dois adversários pelo caminho, tirou um cruzamento longo bem puxado ao segundo poste, onde apareceu o Rodrigo a rematar cruzado para golo. Apesar de ainda ter ameaçado num bom remate, o Gil Vicente pareceu perder algum ímpeto com o golo sofrido, e antes do intervalo foi o seu guarda-redes quem evitou, com uma grande defesa, que o Witsel aumentasse a vantagem do Benfica.

Regressámos para a segunda parte com o Gaitán no lugar do Nélson Oliveira (passou o Rodrigo para ponta-de-lança), e com alguma vontade de resolver o jogo. Com o Gil Vicente a mostrar-se incapaz de responder como tinha feito durante a primeira parte, foi o Benfica quem jogou mais no meio campo adversário e ameaçou o segundo golo, vendo-o ser negado mais uma vez pelo guarda-redes Adriano, desta vez num remate do Rodrigo. Pouco depois da hora de jogo, o Aimar saiu (aparentemente tocado), entrando o Cardozo e, sem surpresa, o jogo ofensivo do Benfica ressentiu-se. O Gil Vicente continuava a ser pouco mais que inofensivo no ataque, e à medida que o tempo foi passando foi tentando arriscar cada vez mais, mas a verdade é que a bola pouco rondava a nossa baliza. Mas a dez minutos do final (numa altura em que se preparava a entrada do Javi para reorganizar a equipa visto que, mais uma vez, os dois avançados com o Rodrigo a fazer de Aimar não estavam a resultar), talvez no primeiro remate que o Gil Vicente conseguiu fazer à nossa baliza na segunda parte, chegou ao empate. O nosso treinador emendou a mão e mandou para dentro do canto o Saviola em vez do Javi. E não foi preciso esperar muito tempo pelo resultado: um minuto depois de ter entrado, na primeira vez que tocou na bola, o Conejo aproveitou uma defesa incompleta do Adriano (uma grande defesa, diga-se) a um remate do Witsel para voltar a colocar o Benfica na frente, situação que foi depois mantida até final sem sobressaltos.

Melhores do Benfica, para mim, Matic e Witsel. Numa final sem grandes brilhos, pareceram-me ser os jogadores mais esclarecidos e com melhor atitude em campo. O primeiro sobretudo nas tarefas defensivas - onde parece mostrar franca evolução, sobretudo no posicionamento e compensações aos colegas da defesa, e o segundo nas transições para o ataque.

Cumprimos a obrigação e vencemos a Taça da Liga, como se exigia. Não é uma conquista que por si só nos satisfaça, mas é um troféu oficial e perdê-lo é que também não era admissível. Agora é normal que várias pessoas tentem com afinco desvalorizá-lo ao máximo, visto termo-lo conquistado. No fundo, o Rodrigo conseguiu definir a situação na perfeição: "Se tivéssemos perdido as pessoas iam achar que era a Liga dos Campeões. Como vencemos vão tratar este troféu apenas como a Taça da Liga." Por mim, fico contente com a conquista. Agora é concentrarmo-nos em vencer todos os jogos que faltam até final da época.

por D`Arcy às 04:46 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Terça-feira, 10.04.12

Pouco

Derrota no derby e um muito provável triste e irremediável atraso nas contas do campeonato. O Benfica tinha que vencer obrigatoriamente este jogo para manter intactas as esperanças de sermos campeões, mas infelizmente deixámo-nos abater ao primeiro grande percalço e nunca mais conseguimos voltar a erguer a cabeça. Mostrámos muito pouco para quem tinha obrigação de vencer.

Faltou apenas o Aimar para que o Benfica apresentasse aquele que tem sido o onze tipo desta época. O Luisão e o Garay (e o Jardel também) afinal recuperaram a tempo e assim desapareceu o problema no centro da defesa. Para o lugar do Aimar a escolha foi o Rodrigo e, mais uma vez, não resultou. O Benfica até entrou bem no jogo. Durante os primeiros minutos foi mais pressionante e assumiu as despesas do jogo, frente a um adversário que apostou em pausar ao máximo o ritmo do jogo, apresentando uma boa organização defensiva para depois sair para o ataque apenas na certa. Infelizmente a melhor fase do Benfica durou pouco mais que quinze minutos. Foi o tempo até que o Arturinho exibisse um enorme rigor, de que pelos vistos se tinha esquecido no primeiro minuto de jogo, quando na primeira jogada do Benfica conseguiu transformar um derrube claro ao Gaitán num canto que só ele mesmo terá visto. Penálti assinalado ao Luisão, golo, e o Benfica como equipa começou a acabar ali. Não é que os jogadores tenham deixado de tentar, mas simplesmente as coisas começaram a correr cada vez pior, e quase não conseguimos construir uma jogada digna desse nome.

Se a falta do Aimar na primeira parte já se notou, na segunda ela foi gritante. A entrada do Djaló de pouco ou nada serviu. Na minha opinião o Benfica tem apenas um jogador no plantel capaz de disfarçar a ausência do nosso dez na organização de jogo, que é o Witsel, mas as opções do banco foram-no atirando cada vez mais para trás no terreno de jogo. Aliás, essas opções não ajudaram em nada o nosso jogo, só o pioraram e tornaram progressivamente mais confuso. A nossa segunda parte foi paupérrima. Apesar de termos posse de bola, pouco ou nada conseguíamos fazer com ela a não ser circulá-la entre os nossos jogadores sem conseguir entrar na defesa adversária. Julgo que terá havido apenas uma real oportunidade de golo, numa bola salva em cima da linha de golo. Nem sequer as bolas paradas nos safaram - apesar de termos beneficiado de alguns livres, foram praticamente todos mal marcados pelo Bruno César. Quanto ao adversário, continuou a fazer o mesmo que fez na primeira parte e justificou a vitória. Manteve-se organizado na defesa e saiu bem e na certa para o ataque, conseguindo assim criar uma mão cheia de oportunidades para dilatar o resultado. Apenas um grande Artur e uma boa dose de felicidade impediram que o jogo ficasse decidido antes. Sobre o final, o Arturinho não quis interromper a tradição e, expulsando o Luisão, conseguiu assim que o Benfica acabasse em inferioridade numérica o terceiro jogo consecutivo para o campeonato frente a este adversário. Somos uma equipa azarada.

Os melhores do Benfica foram, para mim, o Artur (literalmente evitou dois ou três golos) e o Witsel, um dos poucos a conseguir manter alguma lucidez durante todo o jogo. Muito mal o Javi García - talvez um dos piores jogos que o vi fazer no Benfica. Pareceu estar fisicamente de rastos, não se impôs na sua zona, e teve erros que nunca o tinha visto fazer, sendo o exemplo mais flagrante o lance em que isolou um adversário com um passe disparatado para trás. Outros jogadores como o Maxi ou o Gaitán também me pareceram ter estoirado rapidamente. No caso do Maxi, durante quase toda a segunda parte lutou e esteve sempre avançado no campo, mas constantemente sem recuar para defender quando perdia a bola, tornando o nosso lado direito uma autêntica avenida. O Cardozo nem se viu, mas também quase não lhe chegou jogo nenhum.

Exigia muito mais do Benfica num jogo destes. Sim, é verdade que mais uma vez também houve um artista extra no relvado, mas já sabemos que estes factores estão frequentemente presentes nos nossos jogos decisivos e não podemos contar que sejam em nosso favor - ao contrário dos outros: antes do jogo começar, enquanto esperava à porta para entrar, um adepto adversário que vá-se lá saber porquê pensou que eu era da cor dele meteu conversa e expressava-me a sua satisfação com a nomeação do Arturinho porque, segundo ele, 'em caso de dúvida este cai para o Porto, o que é bom para nós'. Mas isso ainda assim não justifica o péssimo jogo que fizemos. Somos o Benfica, e no mínimo temos que conseguir levantar a cabeça quando infortúnios se abatem sobre nós. Hoje, pelo contrário, pareceu-me que a equipa se veio muito abaixo depois do golo, e em jogo jogado, com toda a honestidade, creio que não pode haver qualquer discussão sobre a justiça do resultado.

P.S.- Estou pior que estragado com o que se passou hoje. E por isso critico o que acho que deve ser criticado, e expresso o meu descontentamento. Agora tudo o que forem extrapolações, para isso não contribuo. O meu lugar é (sempre) na bancada, a gritar pelo Benfica.

por D`Arcy às 00:44 | link do post | comentar | ver comentários (68)
Quinta-feira, 05.04.12

Orgulho

Perdemos, estamos fora da Champions, mas não tenho nada a criticar à nossa equipa. Depois de um resultado injusto no primeiro jogo, com mão da arbitragem, vamos para este jogo sem defesas centrais, apanhamos com uma arbitragem caseirinha, jogamos mais de uma parte em inferioridade numérica, e mesmo assim conseguimos manter a eliminatória em aberto praticamente até ao último minuto. Caímos, mas de pé e sempre de cabeça bem erguida.

Com o Benfica dizimado no centro da defesa - os quatro centrais lesionados - avançaram o Javi García e o Emerson para essas posições. De resto, a equipa não teve outras surpresas, sendo o Matic e o Capdevila os escolhidos para ocupar as posições habituais dos dois novos centrais de ocasião. O Benfica entrou muito bem no jogo, fazendo o que lhe competia. Dado o resultado trazido da primeira mão, não tínhamos outra opção senão ir à procura do golo, e foi isso mesmo que fizemos desde o apito inicial, com o Chelsea a assumir uma posição mais expectante. Tivemos mais bola e tentámos o remate frequentemente, mas a direcção dos remates nem sempre foi a melhor. Também desde o início deu para ver qual a tendência do árbitro, que quase sempre ignorava qualquer queda de um jogador do Benfica, mas não adoptava o mesmo critério para o Chelsea. Para além disso era demasiado lesto a puxar do cartão, o que significou que num jogo nada violento aos vinte e cinco minutos de jogo já tínhamos quatro jogadores amarelados, e previa-se portanto que seria difícil mantermo-nos com onze até final. Antes disso, aos vinte minutos, o critério largo em relação às quedas de jogadores obviamente que não se manteve, e foi assinalado penálti do Javi sobre o Cole, que permitiu ao Chelsea rematar pela primeira vez à nossa baliza e colocar-se em vantagem. Não baixou os braços o Benfica, mas sofreu novo golpe ainda antes do intervalo, com o segundo amarelo (este pareceu-me que indiscutível) mostrado ao Maxi. No fim do primeiro tempo, o Chelsea tinha um remate à nossa baliza - o penálti - e dois no total.

Em desvantagem, com dez jogadores, o Benfica veio para a segunda parte sem virar a cara à luta. O Witsel foi fechar a direita, e a equipa continuou a perseguir o resultado e a eliminatória. O jogo acabou por ser muito mais aberto do que na primeira parte. Com os riscos que corria, o Benfica também deixava muito mais espaços atrás, já que na maior parte das vezes apenas defendia com cinco jogadores, e por isso o Chelsea aproveitava para construir oportunidades para matar o jogo mas agora, quando não eram os nossos jogadores a cortar os lances, eram os jogadores do Chelsea a revelar pouca pontaria. A meia hora do final houve a racionalidade de nos lembrarmos que temos um jogo muito importante para o Campeonato em breve, e por isso o Gaitán e o Cardozo (pouco depois também o Bruno César) foram poupados, mas os jogadores que entraram trouxeram mais velocidade à equipa e continuaram a luta por um resultado mais justo. A cinco minutos do final o Javi, de cabeça, marcou após canto do Aimar e assustou muito os ingleses, deixando-nos sonhar durante algum tempo. Mas já em período de descontos, numa altura em que o risco era total, acabámos surpreendidos num contra-ataque.

Todos os jogadores estão de parabéns pela atitude demonstrada, e pelo que fizeram. Mas quero mencionar o grande jogo que o Matic fez esta noite, ganhando inúmeras bolas no meio campo e sendo um precioso auxílio à defesa - muitas vezes praticamente o único. Jogo muito bom também do Emerson, o que até nem me surpreende muito. Eu creio que o Emerson já mostrou que sabe defender, e que o maior problema dele é mesmo a falta de velocidade, o que acaba por comprometê-lo quando sobe no terreno e depois não consegue recuperar a posição a tempo. Jogando a central, esteve sempre bem posicionalmente, revelou muita frieza com a bola nos pés mesmo quando estava pressionado por adversários, e conseguiu alguns cortes e desarmes de grande qualidade. Grande jogo também do outro central adaptado. O Javi foi grande na defesa, e ainda conseguiu ir lá à frente marcar o golo que já justificávamos.

Perdemos, mas face a todas as vicissitudes deste jogo e os condicionalismos que enfrentámos antes e durante o mesmo, julgo que podemos sentir muito orgulho na forma como os nossos jogadores defenderam o nosso emblema. Às vezes também se pode ganhar algo numa derrota, e espero que hoje tenhamos ganho a atitude e espírito de equipa necessários para vencermos este campeonato. Porque a jogar e a lutar com a genica e o fervor de hoje, será impossível encontrar rival neste nosso Portugal.

por D`Arcy às 08:01 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Domingo, 01.04.12

Arrancada

Complicada, feliz, mas acima de tudo muito justa a vitória alcançada esta noite pelo Benfica sobre o Braga, num jogo de grande importância para a decisão do título. O Benfica foi a equipa que mais quis ganhar este jogo e que mais trabalhou por isso, acabando por ser recompensado mesmo no final.

Não houve invenções no centro da defesa, onde surgiu o Miguel Vítor a ocupar a vaga ao lado do Luisão. Para o lugar do Aimar, a escolha foi o Rodrigo, o que resultou nas habituais dificuldades que ele revela quando tem que ocupar os terrenos habitualmente reservados ao nosso número dez. O Benfica até entrou decidido no jogo, imprimindo alguma velocidade e mantendo o Braga remetido ao seu meio campo, mas ao fim do primeiro quarto de hora parecia já se ter deixado embalar no ritmo pausado que interessava ao Braga. O seu treinador pode ter afirmado que não pretendia vir à Luz jogar para o empate, mas foi exactamente essa a impressão com que se ficou. Jogo muito pausado sempre que possível, e de vez em quando alguma tentativa de explorar uma saída mais rápida para o contra-ataque. Jogando com menor pressão do que o Benfica por não necessitar tanto de uma vitória, este cenário era o ideal para o Braga, que acabou por conseguir mesmo manter o jogo controlado neste ritmo, e terminar a primeira parte de forma perfeitamente equilibrada com o Benfica - poderia mesmo ter saído para o intervalo a vencer, pois mesmo sobre o apito dispôs de uma boa oportunidade para marcar, negada pelo Artur.

A segunda parte foi bem mais movimentada. Mais uma vez o Benfica pareceu entrar mais decidido - abriu logo com uma boa ocasião do Witsel, em que o Quim defendeu com as pernas - mas com o Braga susteve o nosso ímpeto inicial e depois foi progressivamente aproveitando bem o muito espaço disponível no centro do meio campo, onde o Mossoró se movimentava à vontade, para construir jogadas perigosas de contra-ataque. O Benfica melhorou com a troca do Cardozo (pareceu estar fisicamente mal durante todo o jogo) pelo Nélson Oliveira, e também com a troca forçada do Miguel Vítor pelo Matic, porque com o recuo do Javi para central o Matic acabou por preocupar-se menos com as dobras e passou a acompanhar muito mais o Mossoró, acabando com as liberdades que ele tinha aproveitado até então. O golo do Benfica acabou por chegar a menos de um quarto de hora do final, num penálti assinalado após um abalroamento ao Bruno César na área. O Witsel não acusou minimamente a responsabilidade e atirou o Joaquim para um lado e a bola para o outro. Depois do golo, o Benfica corrigiu imediatamente a táctica e passou a jogar com apenas um avançado, saindo o Rodrigo para a entrada do Nolito, com o Bruno César a fazer de Aimar. Não esperava que o Braga tivesse capacidade para chegar ao empate, mas isso aconteceu apenas cinco minutos após o nosso golo, numa recarga do Elderson a uma defesa incompleta do Artur, após livre lateral marcado pelo Hugo Viana. Apesar de visivelmente cansado o Benfica ainda foi no entanto encontrar forças para ir buscar a vitória, naquela que terá sido talvez a melhor jogada que fizemos em todo o jogo. Já em período de descontos, o Bruno César e o Gaitán foram trocando a bola pela direita, com o argentino a revelar muita classe na forma como tirou um defesa do caminho e serviu o Bruno César no interior da área para que este, com um remate rasteiro e muito colocado ao segundo poste, decidisse o jogo e incendiasse a Luz.

Gostei muito, para não variar, do jogo que o Witsel fez. Ainda por cima nestas condições, em que devido à táctica apresentada o Benfica se via frequentemente em desvantagem numérica na zona central. O belga tem um controlo de bola muito acima da média, e é quase impossível desarmá-lo, acabando por soltá-la em condições para os colegas. E as forma como se movimenta em campo revela uma enorme inteligência táctica. Não fiquei surpreendido também com o bom jogo que o Miguel Vítor fez até ter o azar de se lesionar. Não me lembro de o ver cometer um erro, e conseguiu controlar sem grandes dificuldades um adversário difícil como o Lima. O Bruno César teve uma primeira parte apagada, mas acabou por ser decisivo, sofrendo o penálti e marcando o segundo golo. Ouvi vários benfiquistas reclamarem com o Gaitán, mas eu confesso que gostei de o ver esta noite. Mesmo com as coisas a não lhe correrem sempre de feição, achei que nunca se escondeu do jogo, e sempre que recebeu a bola arriscou ir para cima dos adversários. A jogada do segundo golo revela todo o talento que possui.

Ultrapassado este difícil obstáculo, tenho a sensação de que será na próxima jornada que praticamente tudo se decidirá para nós. Acredito que em caso de vitória no Lumiar, o título não nos escapará. Mas a nossa equipa parece-me estar claramente fatigada, e até lá teremos a 'distracção' do jogo com o Chelsea (para o qual teremos, ainda por cima, um problema no centro da defesa, que espero que não se mantenha no campeonato). Eu acredito que a equipa se consiga superar nesta fase, e espero que a vitória arrancada a ferros hoje marque o início da arrancada decisiva para o título.

P.S.- Detestei a rábula do speaker da Luz ter resolvido imitar os maus exemplos de outras paragens (como por exemplo no estádio do nosso adversário de hoje). Não é permitido, dá multa, e dá também uma muito má imagem.

por D`Arcy às 03:32 | link do post | comentar | ver comentários (42)
Terça-feira, 27.03.12

Complicado

O resultado obviamente que sabe a injustiça, face ao que o Benfica produziu no jogo. Mas não é surpreendente, e já vimos coisas destas acontecer-nos na Champions vezes suficientes. A este nível, falhar é quase sempre fatal, sobretudo contra equipas com jogadores que podem decidir num pormenor. O Benfica falhou e o Chelsea ganhou.

Tenho muito pouco a dizer sobre a primeira parte. O Benfica apresentou o onze esperado e anunciado na comunicação social, com o Cardozo como único ponta-de-lança, apoiado pelo Aimar. O jogo em si foi praticamente um enorme bocejo, com demasiado receio de parte a parte. O Chelsea veio claramente jogar para manter o nulo, tentando sempre adormecer o jogo o mais possível e mantê-lo num ritmo lento. O Benfica não quis arriscar lançar-se num ataque desenfreado, e portnato foram muito poucos os lances de perigo perto de uma ou outra baliza. A posse de bola foi repartida, mas com o Chelsea a mantê-la sobretudo na sua zona defensiva, enquanto que o Benfica conseguia fazê-la circular no meio campo adversário, sobretudo devido à superioridade que o nosso meio campo parecia ter sobre o do Chelsea, mas sem conseguir criar jogadas de grande perigo.

Na segunda parte o Benfica entrou mais decidido e pressionante, conseguindo empurrar mais o Chelsea para junto da sua área, e criando finalmente algumas boas ocasiões de golo. Nesta fase fomos muito mais rematadores do que o Chelsea, e vimos o David Luiz cortar um remate do Cardozo já sobre a linha, ou o Cech evitar que uma bola cabeceada pelo Jardel terminasse em golo. O Chelsea ia tentando responder em contra-ataque, normalmente sem criar muito perigo, mas tendo ainda assim atirado uma bola ao poste pelo Mata, num lance em que a nossa equipa pareceu ficar desconcentrada enquanto reclamava penálti por um corte com a mão do Terry. A melhor fase do Benfica terminou no entanto a vinte minutos do final, quando o Jorge Jesus fez duas substituições. Saíram o Aimar e o Bruno César, entrando o Matic e o Rodrigo. De uma assentada, o Benfica perdeu dois dos jogadores com melhor rendimento no centro do campo, já que o Witsel foi desviado para a direita. O Rodrigo nada trouxe ao jogo, pois continua numa forma deplorável, e o Matic continua a mostrra muita indisciplina táctica, e não tem a menor capacidade para fazer aquilo que o Witsel tinha estado a fazer naquela zona até então. O Chelsea marcou cinco minutos depois, embora seja forçado dizer que foi consequência directa disto. O lance começa numa saída para o contra-ataque do Ramires pelo nosso lado esquerdo - durante o jogo ele já tinha mostrado que conseguia fazer praticamente o que queria do Emerson, dado que a diferença de velocidade entre os dois é gritante - que deixou a bola no Torres e depois este aproveitou talvez a única falha do Jardel no jogo para oferecer o golo ao Kalou. Ainda tentámos emendar um pouco as coisas, voltando a colocar o Witsel no centro com a entrada do Nolito, mas nos minutos finais as coisas já foram feitas mais em desespero e sem resultados práticos, até porque agora eram apenas dois jogadores no centro, e o Matic não defende como o Javi.

O jogador que mais gostei de ver foi o Witsel. Claramente um jogador que não ficará por cá muito mais tempo, porque o nível dele merece outras paragens que não a Liga portuguesa. Gostei do Maxi e do Aimar, e foi pena o Jardel ter borrado a pintura no lance do golo, porque até aí tinha estado bem. Não considero que faça parte do 'clube da fãs' do Emerson, e normalmente evito críticas gratuitas. Mas hoje ele esteve mal demais, cometeu muitos erros (quase ofereceu um segundo golo ao Chelsea na fase final, quando estava sozinho e conseguiu meter a bola nos pés do Mata para um contra-ataque perigoso) e o Ramires fez praticamente o que quis dele.

Não creio que a eliminatória esteja já decidida, até porque o Chelsea não mostrou grande valor hoje. Mas que o cenário está muito complicado, isso está. Talvez nesta situação sejamos capazes de avaliar de forma sensata quais devem ser as nossas prioridades. Porque o que eu quero mesmo é ganhar ao Braga.

por D`Arcy às 23:03 | link do post | comentar | ver comentários (35)
Sábado, 24.03.12

Desastre

Empate no batatal de Olhão e enorme passo atrás na luta pelo título, num jogo em que a nossa equipa esteve mal dentro do campo e pior fora dele. Para além de termos perdido dois pontos, perdemos também o Aimar para o próximo jogo, pelo menos.

Se calhar é mania ou superstição minha, mas a minha confiança fica sempre um pouco abalada quando vejo que entramos em campo para um jogo fora de casa com dois avançados. Foi o que aconteceu esta noite, e obviamente não me parece que seja por isso que o Benfica não ganhou, mas pelo menos lá me deixou desconfiado. Sobre o jogo, não tenho muito a dizer. Durante a primeira parte jogou-se praticamente em meio campo, com o Olhanense acantonado no último terço e o Benfica a fazer a bola circular de um lado para o outro. Foi frustrante ver o Benfica ter tanta posse de bola (quase setenta por cento) e conseguir fazer tão pouco com ela. É que pode ser apenas distracção minha, mas eu não me consigo recordar de uma única defesa do guarda-redes do Olhanense, ou sequer de um remate perigoso da nossa parte. O Benfica insistiu sobretudo pelo lado direito, através do inevitável Maxi, mas até ele esta noite esteve desastrado nos cruzamentos, que se perderam quase todos sem quaisquer consequências. O Olhanense, como aliás fez durante os noventa minutos, não se preocupou com mais nada senão defender, queimar tempo e pedir a entrada da equipa médica em campo. Mas a principal responsabilidade é mesmo do Benfica, que tinha obrigação de vencer e consequentemente de ter feito mais, muito mais durante estes primeiros quarenta e cinco minutos.

Esperava obviamente a entrada do Aimar para a segunda parte, esperançoso que ele viesse trazer alguma criatividade ao nosso jogo atacante e ajudar a encontrar espaços por entre a muralha defensiva do Olhanense. Não esperava tanto era que o sacrificado fosse o Nolito - às vezes parece um contra-senso tirar avançados quando se quer ganhar, mas eu desejava mesmo era que tivesse saído o Nélson Oliveira, até porque o que vimos foi o Nélson ir-se encostar mais à esquerda. Dada a inépcia do Emerson para atacar, aquele lado quase nunca foi explorado, excepto quando o Gaitán se deslocou para lá. A segunda parte acabou por pouco diferir da primeira. O Olhanense continuou interessado em defender com unhas e dentes (já na primeira parte se andavam a atirar para o chão a torto e a direito, e na segunda com uma hora de jogo já havia jogadores a sofrerem de cãibras). O Aimar não conseguiu mudar muito o nosso jogo, e pior ainda, acabou por ser expulso. Depois disso a opção foi lançar todos os avançados para dentro do campo, e o Benfica acabou o jogo com Cardozo, Nélson Oliveira, Saviola e Rodrigo, com o Gaitán a fazer todo o lado esquerdo, e sem meio campo, pois a opção passou a ser, desde demasiado cedo, bolas directas para a frente. Com onze jogadores apenas me recordo de uma boa ocasião de golo, num cabeceamento do Javi. Com dez, apenas mais duas, já nos minutos finais. Uma cabeçada do Gaitán salva sobre a linha, e um remate do Saviola no último minuto de compensação. Muito pouco.

Não consigo destacar nenhum jogador do Benfica, porque nenhum me impressionou muito favoravelmente. Talvez seja de realçar a capacidade de luta do Maxi, que mesmo quando as coisas não correm bem não desiste, mas isso já não é novidade nele.

Perdemos dois pontos e perdemos o Aimar, pelo que a visita a Olhão salda-se por um desastre. Mas nesta fase não há tempo para perder em lamúrias. Agora só resta mesmo levantar a cabeça e pensar no Chelsea.

por D`Arcy às 01:01 | link do post | comentar | ver comentários (67)
Quarta-feira, 21.03.12

Divertido

A meia-final da Taça da Liga deve ter sido um jogo divertido de seguir para quem estava 'de fora'. Golos e oportunidades não faltaram, e no final venceu o Benfica, num jogo cujas cambalhotas no marcador foram exactamente inversas à do último jogo com o Porto para o campeonato. Entrámos a ganhar, permitimos a reviravolta, e voltámos a virar o resultado.

Não foram assim tantas as poupanças de parte a parte para este jogo. No Benfica as novidades foram o Eduardo na baliza, o Capdevila na defesa, e o Nélson Oliveira como único avançado, deixando o Cardozo no banco. O início de jogo prometia um Benfica diferente daquele dos últimos jogos na Luz contra o Porto. Entrámos a pressionar alto, criámos logo uma ocasião de algum perigo, em que o Bruno César falha o remate, e aos quatro minutos, fruto precisamente de pressão sobre a defesa do Porto logo à saída da área, chegámos ao golo num remate cruzado do Maxi, após passe do Bruno César. Estranhamente, a consequência deste golo foi um apagão quase completo do Benfica, que se retraiu e permitiu uma reacção fortíssima do Porto, cujo resultado foi a reviravolta no marcador após apenas treze minutos. Primeiro marcou num remate do Lucho que desviou no Javi, aos oito minutos; e aos dezassete, na sequência de um livre lateral, a defesa do Benfica falhou rotundamente e permitiu um cabeceamento à vontade na zona central da área ao Mangala, que fez a bola passar entre as pernas do Eduardo.

Eduardo que finalmente deu um ar da sua graça perto da meia hora, ao negar o terceiro golo do Porto num remate do Sapunaru. Só depois desse lance é que o Benfica finalmente voltou a acordar e a pegar nas rédeas do jogo, e no espaço de cinco minutos levou-nos quase ao desespero, levando a bola a bater três vezes nos ferros da baliza. Duas vezes pelo Luisão, que cabeceou à barra e depois, na sequência da mesma jogada, rematou ao poste. E a terceira bola ao ferro foi do Aimar, que na marcação de um livre enviou a bola ao poste com o guarda-redes já batido. Acabou por ser uma consequência lógica deste ascendente do Benfica o golo do empate, obtido a três minutos do intervalo. Após um livre do Aimar despejado para a área, a bola sobrevoou quase toda a gente e foi ter com o Javi Garcia no segundo poste, que a controlou e passou para a finalização do Nolito à boca da baliza. E ainda antes do final da primeira parte, o Benfica criou nova boa ocasião de golo, num canto marcado pelo Bruno César que permitiu ao Nolito, solto dentro da área, um remate que deveria ter levado uma direcção melhor do que aquela que ele lhe deu, atirando-a sobre a baliza.

Seria demasiado esperar uma segunda parte tão animada como a primeira. Ambas as equipas pareceram querer jogar com mais algumas cautelas e, para além disso, a qualidade do próprio futebol jogado piorou. Houve muita luta na zona do meio campo, muitos passes falhados e perdas de bola desnecessárias, sendo poucas as jogadas organizadas construídas por uma ou outra equipa. O jogo estava num impasse e pressentia-se que poderia cair para o lado da equipa que conseguisse marcar mais um golo. O Benfica lançou em jogo os 'titulares' Gaitán e Cardozo, e o Porto respondeu na mesma moeda com o James e o Janko. Acabaram por ser os nossos 'titulares' a resolver, numa jogada de contra-ataque rápido em que o Gaitán desmarcou o Cardozo e este, depois de ganhar em velocidade(!) ao Mangala, marcou com um grande remate rasteiro ainda de fora da área o terceiro do Benfica e o seu quarto ao Porto esta época. O jogo ficou efectivamente decidido com este golo, pois passou a ser jogado ainda mais aos repelões e não houve mais jogadas dignas de realce. O Benfica limitou-se a aguentar a vantagem enquanto que o Porto tentava a fazer a bola chegar à frente o mais depressa possível, quase sempre da pior forma.

Para mim o melhor jogador do Benfica foi o Maxi Pereira. Não apenas pelo golo que marcou, mas também pela atitude guerreira durante todo o jogo. Mesmo durante o pior período do Benfica no jogo, foi ele quem nunca virou a cara à luta, não dando descanso aos dois laterais esquerdos com que o Porto alinhou de início. Gostei também do Witsel, que teve uma tarefa difícil na luta que travou sobretudo com o Moutinho e o Defour.

Para um clube que passa a vida a deitar a mão às Supertaças Cândido de Oliveira para ajudar a contabilidade de títulos com a qual vive obcecado, confesso que me parece agora um pouco hipócrita estarem a desvalorizar a Taça da Liga. O que é certo é que estamos na quarta final consecutiva à custa deles, e agora que lá chegámos o objectivo só pode ser vencer a competição. Acima de tudo, espero que a vitória de hoje sirva de tónico para a nossa equipa enfrentar a fase decisiva da Liga que se aproxima. Esse é mesmo o maior objectivo

por D`Arcy às 00:51 | link do post | comentar | ver comentários (37)
Sábado, 17.03.12

Morno

Vitória segura num jogo muito morno, disputado quase sempre em ritmo de passeio e perante um dos adversários mais inofensivos que passaram esta época na Luz.

Mais uma vez foi o Witsel o eleito para ocupar a vaga do Maxi na lateral direita. Quanto ao resto, alas entregues ao Gaitán e ao Bruno César, e na frente de ataque apareceu o Nélson Oliveira a titular, para fazer dupla com o Cardozo. Do outro lado tivemos uma equipa completamente de acordo com aquilo que se esperaria do Ulisses Morais. Ou seja, extremamente defensiva, acumulando jogadores nas imediações da sua área, e esperando algum lance fortuito para sair em contra-ataque. A iniciativa do jogo foi, naturalmente, do Benfica desde o primeiro minuto. Mas pareceu sempre que a noite não estava para grandes correrias, e portanto vimos um jogo algo aborrecido, disputado quase sempre num ritmo bastante lento, e em que o Benfica parecia esperar por alguma aberta na muralha de jogadores montada à frente da baliza do Beira Mar. A jogar naquele ritmo adivinhava-se que não assistiríamos a um jogo com muitas oportunidades, pese o bom sinal dado pelo Nélson Oliveira, com um bom remate de fora da área travado por uma grande defesa do guarda-redes. Depois foi o Gaitán a ameaçar com uma cabeçada fora da área, e finalmente aos vinte e cinco minutos o Benfica construiu uma jogada rápida de ataque, libertando o Witsel na direita, que depois cruzou para a finalização do Cardozo à boca da baliza. O mais difícil estava feito, que era marcar o primeiro golo a uma equipa construída com o intuito de defender ao máximo. Obviamente que em vantagem no marcador e perante um adversário simplesmente inofensivo no ataque, a motivação para carregar no acelerador era pouca ou nenhuma. Apenas fixei dois lances, ambos do Nélson Oliveira: no primeiro, ganhou bem posição ao defesa mas depois não passou ao Gaitán numa primeira oportunidade nem ao Bruno César numa segunda, e acabou por fazer um remate disparatado para fora; e no segundo, depois de ganhar mais uma vez posição sobre a direita, saiu-lhe mal o centro para o Cardozo, que aguardava desmarcado no centro. Mesmo sobre o intervalo, o Benfica praticamente selou o destino do jogo, marcando o segundo golo num remate cruzado do Gaitán, a passe do Cardozo.

A segunda parte iniciou-se praticamente com o terceiro golo, novamente do Cardozo, que aproveitou um passe de calcanhar do Nélson Oliveira para evitar o guarda-redes e rematar para a baliza deserta. E depois foi como se o jogo tivesse acabado. Parecia ser evidente que o Benfica poderia ampliar o resultado caso forçasse um pouco (até a jogar quase a passo ficávamos com a ideia de que mais golos poderiam surgir), mas o Benfica limitou-se a gerir o resultado e o esforço, deixando o tempo correr até final. Apenas o Cardozo, talvez motivado com a possibilidade de obter um hattrick, fez mais alguns remates que levaram algum perigo à baliza do Beira Mar, mas aparte isso o resto do jogo teve muito poucos motivos de interesse. No último minuto de jogo, e para manter a má tradição de sofrer golos em praticamente todos os jogos em casa, acabámos por deixar o Beira Mar chegar ao golo de honra, num remate do Cássio já no interior da área após centro atrasado do Balboa.

Com dois golos e uma assistência o Cardozo é naturalmente o homem do jogo. O Gaitán parece estar mesmo a melhorar aos poucos, e marcou pelo segundo jogo consecutivo. Gostei também do Jardel, do Javi e do Nélson Oliveira, embora este ainda continue a alternar o muito bom com alguns disparates.

Obrigação de vencer cumprida sem quaisquer sobressaltos e aparentemente sem grande esforço. Aproxima-se agora um período decisivo, com vários jogos em poucos dias, muitos deles decisivos e de dificuldade elevada. A nossa época vai praticamente jogar-se durante as próximas quatro semanas. Para mim, o objectivo principal deveria ser só um: sermos campeões nacionais. Sinceramente, gostaria que a Champions não desviasse as nossas atenções desse objectivo.

por D`Arcy às 04:48 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 11.03.12

Complicada

Vitória muito complicada em Paços de Ferreira, num jogo que acabou por ser decidido por pormenores de talento dos nossos jogadores, e que nos permite agora estar a um ponto do primeiro lugar.

Gaitán no banco e titularidade do Saviola no lugar deixado vago pelo Aimar foram as principais novidades no onze, onde também esteve, conforme esperado, o Capdevila em vez do castigado Emerson. Logo nos primeiros minutos deu para ficar com uma boa imagem daquilo que o jogo seria. O Benfica com muito mais posse de bola, a tentar construir com paciência os seus ataques face a uma equipa que acumulava jogadores em frente à sua área, e o Paços a sair com muita velocidade - quase sempre através do Melgarejo - para o contra-ataque assim que recuperava a posse de bola. Na fase inicial conseguimos criar boas oportunidades para marcar, pelo Nolito e pelo Saviola, mas o Cássio opôs-se bem aos remates. Depois vimos o Cardozo não conseguir chegar a tempo de emendar um cruzamento que fez a bola passar ao longo da linha de golo. Até que, em mais um contra-ataque conduzido pela esquerda, e já depois de ter ameaçado num canto, o Paços chegou ao golo pouco antes da meia hora, contra a corrente do jogo, diga-se. O Artur ainda se opôs ao primeiro remate, com uma grande defesa, mas depois chegou a ser irritante ver como três jogadores do Benfica perto do lance ficaram literalmente a olhar enquanto o Michel controlava a bola, a passava para o pé esquerdo, e rematava para a baliza. O Benfica acabou por acusar o golo, e a qualidade do nosso futebol piorou, tendo mesmo o Paços, mais uma vez pelo inevitável Melgarejo, estado perto de voltar a marcar, tendo sido novamente o Artur a evitar males maiores. Pouco antes do intervalo, mais uma demonstração cabal das instruções que os árbitros têm tido nestas últimas jornadas para não assinalar penáltis a favor do Benfica - foi um em Guimarães, dois em Coimbra, e hoje pelo menos outros dois, que resultaram em amarelos para os nossos jogadores.

Houve duas alterações ao intervalo (Nélson Oliveira e Gaitán nos lugares do Saviola e Nolito) e esperava uma reacção forte do Benfica na segunda parte, mas não foi nada disso que aconteceu. Nos primeiros minutos da segunda parte só deu Paços mesmo, e se o Paços se apanhou a ganhar com alguma felicidade, agora fomos nós quem teve a felicidade de não nos apanhámos a perder por dois golos de diferença. Ainda e quase sempre com intervenção do Melgarejo nas jogadas (tendo até acertado uma bola no poste), foram várias as situações em que o Paços esteve perto de marcar. Só ao fim de quinze minutos o Benfica pareceu finalmente conseguir acalmar um pouco, mas o cenário não parecia ser nada favorável, pois não havia grande inspiração na construção de jogadas de ataque, e começava-se mesmo a ver demasiadas situações em que os centrais eram obrigados a despejar bolas directamente para o ataque. Foi pois quase surpreendente que chegássemos ao empate, numa jogada em que grande parte do mérito vai para o Nélson Oliveira, que fugiu à marcação pela direita e centrou rasteiro para a área, onde o Cardozo deixou a bola passar para a zona do segundo poste, permitindo a finalização fácil do Gaitán. Tínhamos agora vinte e cinco minutos para tentar o segundo golo, mas não foi preciso tanto. Cinco minutos depois, livre perto da área, descaído para a direita e bem à medida do Cardozo. E quando quase todos esperariam o pontapé do paraguaio, foi o Bruno César quem marcou o livre na perfeição, levando a bola ao fundo da baliza. Com a vantagem no marcador obtida, o Benfica tentou claramente acalmar o ritmo do jogo e manter o mais possível a posse da bola, conseguindo que o jogo decorresse até ao seu final sem grandes sobressaltos. A nossa tarefa acabou por ficar mais facilitada pela expulsão do Michel, a um quarto de hora do final, e já mesmo a terminar o jogo, por uma segunda expulsão de um jogador do Paços.

Muito bem o Artur, sem quaisquer culpas no golo sofrido, onde até fez uma defesa brilhante ao primeiro remate, e tendo evitado em mais de uma ocasião que o Paços ampliasse a vantagem. Importante mais uma vez a entrada do Nélson Oliveira, que mexeu bastante com o jogo e fez a jogada do golo do empate (e foi-se familiarizando com a realidade de ver um cartão amarelo caso sofra algum toque na área). Mas o melhor jogador do Benfica esta noite foi claramente o Melgarejo.

Era imperioso vencer para aproveitar a escorregadela do Porto e aproximarmo-nos do primeiro lugar, colocando mais alguma pressão sobre eles. O objectivo foi, portanto, alcançado. Agora é continuar a ganhar os nossos jogos, porque ainda há muito campeonato pela frente.

por D`Arcy às 23:20 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Quarta-feira, 07.03.12

Incontestável

O Benfica não fez uma grande exibição esta noite mas fez um grande jogo, sobretudo a nível táctico, que proporcionou uma vitória incontestável sobre o Zenit e selou o apuramento para os quartos-de-final da Champions League.

Sem Garay e Aimar, avançaram Jardel e Rodrigo para a titularidade, tendo ainda sido dada a titularidade ao Bruno César, por troca com o Nolito. A responsabilidade pelas despesas do jogo pertencia ao Benfica, e nós assumimo-la. De forma algo titubeante de início, talvez porque o momento não é o melhor e os últimos resultados certamente terão feito mossa num grupo pouco habituado a essa situação. Mas sob a liderança do Luisão, com a garra do Maxi e a classe do Witsel o Benfica foi conseguindo soltar-se e não se deixou enervar pela estratégia adoptada pelo Zenit para o jogo. Houve alturas em que quase parecia estar a ter um déjà vu de uma qualquer equipa italiana dos anos 80 ou 90, tal era a forma ostensiva como os jogadores russos queimavam tempo e se deixavam ficar no chão para serem assistidos. O Benfica controlava o jogo e os russos pareciam satisfeitos em deixar o Benfica ter esse controlo, pois mantinham-se organizados e conseguiam evitar situações de grande apuro para a sua baliza, esperando explorar algum eventual erro para dar um golpe decisivo na eliminatória. Esse erro aconteceu mesmo, pelo Artur já perto do intervalo, mas não foi aproveitado e quase na resposta o Benfica marcou. Foi no primeiro minuto de compensação (as perdas de tempo por parte do Zenit foram tantas e tão ostensivas que o árbitro acabou por dar uns raros quatro minutos extra) e através do Maxi, que finalizou uma assistência de calcanhar do Witsel, após uma defesa incompleta do guarda-redes a um primeiro remate do belga. O mais difícil estava feito, agora era ver como reagiria o Zenit (e o Benfica) a esta situação.

O Benfica reagiu de forma inteligente. Com vantagem na eliminatória, assumimos uma atitude mais cautelosa, dando mais iniciativa de jogo ao Zenit mas mantendo uma grande concentração táctica. Resultou em pleno, porque em toda a segunda parte o Zenit não conseguiu criar uma única oportunidade de golo, e durante uma boa parte dela a maior parte das jogadas que fez consistiu simplesmente em passes longos do Bruto Alves da defesa directamente para o ataque, porque o meio campo do Zenit foi bloqueado com eficácia. Seria natural para quem assistiu ao jogo sentir que o Benfica poderia forçar ou arriscar mais para resolver a eliminatória mais cedo, mas na minha opinião a inteligência do Benfica revelou-se precisamente no aspecto de ter sabido resistir a essa tentação. A partir de certa altura a equipa do Zenit ficou quase partida em duas, com os jogadores do ataque a não recuperarem para defender, mas o Benfica evitou sempre entrar em situações de saídas desenfreadas para o ataque, que só favoreceriam o Zenit por abrirem mais o jogo e permitirem situações perigosas em caso de perda de bola. Não nos podemos esquecer que estamos na Champions, e o ano passado já sofremos demasiado por adoptarmos essa atitude. As saídas em contra-ataque foram sempre feitas de forma mais organizada, com dois, três, no máximo quatro jogadores, nunca deixando a retaguarda desprotegida. O Jorge Jesus esteve bem nas substituições: fez aquelas que a lógica impunha, e acertou em cheio. O progressivo reforço do meio campo e o safanão final dado pela entrada do Nélson Oliveira revelaram-se decisivos, com a cereja no topo do bolo a chegar num golo do próprio Nélson Oliveira mesmo sobre o apito final. Mais um contra-ataque construído de forma simples, com o Witsel a passar a bola ao Bruno César e este, já perto da área, a soltá-la para a entrada vitoriosa do Nélson.

Maxi, Witsel e Luisão foram para mim os melhores da noite, bem secundados pelo Bruno César, Javi e Jardel. Os três suplentes (Nolito, Matic e Nélson Oliveira) entraram bem no jogo, mesmo que o Nélson tenha revelado uma vez mais alguma inexperiência na altura de decidir os lances. Menos bem os dois avançados titulares - o Cardozo teve uma perdida incrível, e o Rodrigo não parece estar bem fisicamente, para além de ter parecido andar algo perdido nas funções que lhe foram entregues. O Gaitán continua em sub-rendimento, e colabora muito pouco nas tarefas defensivas - foi notória até a subida de rendimento do Emerson quando passou a ter o Nolito à sua frente.

Julgo que o objectivo mínimo para a Champions foi atingido. A partir de agora, tudo o que vier a mais será um bónus. Acredito que o Benfica, jogando de forma concentrada e realista, poderá fazer a vida difícil a qualquer adversário que nos calhe em sorte, mas teremos que esperar pelo resultado do sorteio para podermos avaliar mais precisamente as nossas possibilidades. Nesta fase, diga-se, também já não há muito por onde escolher.

por D`Arcy às 00:28 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Sexta-feira, 02.03.12

Farto

Haveria muito para dizer sobre o futebol jogado neste jogo, mas não me apetece. Estou farto e com a sensação de que não vale a pena falar de futebol jogado. Depois do que aconteceu em Coimbra, quando foi anunciada a nomeação do Proença para mais um jogo importante do Benfica, fiquei com a noção de que o destino do jogo estava traçado.

Terça-feira lá estarei no meu lugar.

por D`Arcy às 22:43 | link do post | comentar | ver comentários (121)
Domingo, 26.02.12

Injusto

Incompetência em frente à baliza, um guarda-redes excepcionalmente inspirado (e, porque não dizê-lo, uma arbitragem nefasta) conjugaram-se para resultar num empate injusto e na perda de dois pontos.

Rodrigo ausente dos convocados, Javi e Nolito no banco e regressos do Bruno César e Witsel ao onze, numa táctica com um único avançado (Cardozo) e o Aimar a apoiá-lo. Vi o jogo atrás de uma baliza e quase ao nível do relvado, e confesso que sinto bastantes dificuldades em seguir um jogo neste ângulo de visão. Mas seja de qual for o ângulo, foi evidente o domínio do Benfica no jogo, que foi quase todo disputado no meio campo da Académica. Com o Artur a ser praticamente um espectador, coube sempre ao Benfica a iniciativa no jogo, mas infelizmente as oportunidades criadas foram sendo esbanjadas pelos nossos jogadores, ou então esbarravam num irritante Peiser (que só parece ser capaz de arrancar estas exibições contra nós). Pareceu-me que durante o primeiro tempo o Aimar jogou demasiado adiantado e longe das funções de organização de jogo no meio campo, passando demasiado tempo encostado aos defesas adversários à espera que a bola lhe chegasse.

No segundo tempo isto alterou-se com a entrada do Nélson Oliveira, saindo o Matic com o consequente recuo do Witsel e do Aimar no campo. O Nélson entrou de rompante e podia ter marcado logo vinte e cinco segundos depois do recomeço, mas o seu remate falhou o alvo. A sua entrada mexeu com o jogo, e o primeiro quarto de hora foi de pressão muito intensa por parte do Benfica, mas o desperdício (em particular do próprio Nélson Oliveira, a quem contei pelo menos três ocasiões claras de golo desperdiçadas) e a inspiração do Peiser continuaram a negar-nos o merecido golo. Não sei se teríamos conseguido marcá-lo ou não, mas fiquei com a sensação de que deitámos fora vinte e cinco minutos (os que faltavam para o final mais os descontos) quando fizemos a substituição do Aimar pelo Djaló. Perdemos lucidez (o Bruno César não foi nada feliz nas funções do Aimar), o Djaló nada trouxe ao jogo, a equipa ficou praticamente partida ao meio, com cinco jogadores que só atacavam, e começámos demasiado cedo a apostar no futebol directo. A Académica, que já tinha mostrado estar mais do que satisfeita com o empate e tentava queimar tempo sempre que possível, até conseguiu nessa fase esboçar alguns contra-ataques, embora sem grande perigo, e o injusto nulo persistiu teimosamente até final.

Garay, Maxi Pereira e Witsel foram aqueles que, na minha opinião, estiveram melhor hoje. Sem surpresa, nenhum dos jogadores mais ofensivos me impressionou, tendo em conta o desperdício a que assistimos. O Nélson Oliveira mexeu com o jogo, mas falhou em demasia.

Se em Guimarães fiquei preocupado com a exibição e até a atitude da equipa, hoje nada tenho a apontar à equipa nesse aspecto. Saí do estádio com a convicção de que não desistiram de lutar até ao último segundo pela vitória, mesmo que na fase final já o tenham feito muito mais com o coração do que com a cabeça.
Estou obviamente desapontado com a perda destes dois pontos que, repito, me parece bastante injusta, mas a minha confiança na conquista deste campeonato mantém-se inabalada. Agora no próximo jogo as opções são simplesmente ganhar ou ganhar. Estamos num momento menos feliz, mas lá estarei para apoiar e ajudar o meu clube a reerguer-se.

por D`Arcy às 03:00 | link do post | comentar | ver comentários (55)
Segunda-feira, 20.02.12

Risco

Invencibilidade perdida na Liga, e talvez de forma previsível. O Benfica fez um mau jogo, longe daquilo a que nos habituou. O Vitória marcou na única oportunidade de golo que teve, o Benfica desperdiçou as duas que criou pelo Nolito e perdeu.

Tinha um mau pressentimento para hoje. O jogo era previsivelmente complicado e o cenário já há alguns dias que se compunha para que o Benfica não passasse em Guimarães. Confesso por isso que fiquei desagradavelmente surpreendido com o 'empurrão' que resolvemos dar ainda ao Vitória, entrando em campo com um meio campo desajustadamente macio para um jogo desta dificuldade. Alinhar com Cardozo, Rodrigo e Aimar simultaneamente neste jogo, ainda por cima sabendo-se que não contávamos com o Javi pareceu-me um risco desnecessariamente alto. O resultado foi um futebol desgarrado, com a equipa incapaz de manter uma posse de bola consistente. Muitos passes falhados, más recepções, e demasiado espaço entre os sectores da equipa. Apenas num lance de bola parada (um canto) o Benfica criou uma boa oportunidade de golo, com o Nolito a surgir completamente solto no interior da área, mas rematou contra um defesa adversário e depois fez ainda a recarga para fora. O Vitória acabou por chegar ao golo na sequência de um livre lateral, em que houve demasiada passividade da nossa equipa - havia mais do dobro de jogadores do Benfica dentro da área - com o Matic a permitir ao adversário rematar à meia volta quando estava encostado a ele. Faltava ainda muito tempo para jogar (o golo surgiu a oito minutos do intervalo), mas honestamente fiquei com a sensação de que já seria muito difícil ao Benfica ganhar o jogo.

Até porque a segunda parte pouco teve de diferente. O Vitória encolheu-se mais e o Benfica teve mais bola, mas a desinspiração foi imensa. Mais passes falhados, cruzamentos defeituosos, e até as bolas paradas saíam mal - quase todos os livres marcados para as mãos do guarda-redes, e os cantos cortados ao primeiro poste. Uma única real oportunidade de golo, novamente nos pés do Nolito, mas este rematou contra as pernas do guarda-redes. A entrada do Witsel era previsível, mas não para o lugar do Matic; não porque ele estivesse a jogar bem (pelo contrário) mas sim porque era necessário povoar mais o meio campo. Nem sempre se marcam golos por se ter muitos avançados em campo, e hoje quer o Cardozo, quer o Rodrigo estiveram particularmente apagados. A maior parte da segunda parte foi simplesmente ver o jogo a arrastar-se penosamente até final, com a desagradável sensação de sermos nós os grandes responsáveis por este mau resultado, já que o Vitória limitou-se a ser competente e a aproveitar o mau dia do Benfica.

Não consigo fazer um destaque na equipa do Benfica. Acho que a mediania imperou e foi comum a toda a equipa, que me pareceu também algo lenta e presa de movimentos - não sei se será resultado do jogo na Rússia, mas isso não pode servir de desculpa. Perdemos o Luisão para o próximo jogo, mas ao menos isso significa que estará disponível para a recepção ao Porto.

Era muito importante manter os cinco pontos de avanço no primeiro lugar, e esta derrota representa um rude golpe, até pela motivação extra que dá aos nossos adversários. Hoje o Benfica fez um dos piores jogos da época, e sofremos naturalmente as consequências disso. Agora temos que levantar a cabeça, não deixar que este tropeção nos afecte, e voltar rapidamente a fazer aquilo que melhor sabemos fazer: jogar futebol e ganhar jogos. Continuamos a ser os primeiros. E não queremos deixar que nos tirem desse lugar.

por D`Arcy às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Quinta-feira, 16.02.12

Sem vergonha

Há duas jornadas, Rui (Gomes) Costa. A semana passada, Jorge Sousa. Em Guimarães, Xistra. Não há vergonha nenhuma: é mesmo a carne toda no assador antes da andradagem vir à Luz. Para Coimbra será o Olegário, ou esse estará guardado mesmo para a recepção aos andrades?

 

Para não variar, lá teremos mais uma vez que jogar duas ou três vezes melhor do que os adversários.

por D`Arcy às 20:35 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Quarta-feira, 15.02.12

Intacta

Uma derrota nunca é propriamente positiva, mas o resultado desta noite mantém intacta a esperança de podermos passar aos quartos-de-final da Champions. No entanto, no final fica-se com a sensação de termos entregue o ouro ao bandido, ao deixar escapar o empate daquela forma.

Fiquei algo surpreendido por ver que o Benfica manteve para este jogo a aposta nos dois avançados, já que estava à espera da fórmula mais habitual na Champions, com um meio campo reforçado. Assim sendo, o Aimar ficou sentado no banco, na companhia do Nolito que cedeu o seu lugar ao Bruno César. No lugar do lesionado Javi, o esperado Matic. O jogo começou como convinha ao Benfica, tendo em conta que a velocidade a que era disputado foi pouca, e que desde o primeiro minuto que o equilíbrio foi a nota dominante. O estado do relvado também pouco ajudava, já que obrigava a bola a andar muito pelo ar, provocava muitos passes falhados, e era difícil aos jogadores progredirem com a bola nos pés devido à dificuldade em controlá-la. Oportunidades de golo praticamente nem se viam. A 'experiência' de jogarmos com dois avançados na Champions não durou muito, porque pouco depois do primeiro quarto de hora o animal do Bruto Alves encarregou-se de arrumar com o Rodrigo (ainda regressou ao campo, mas estava nitidamente inferiorizado e teve que ceder o lugar ao Aimar). E foi ainda com dez jogadores em campo que o Benfica se colocou em vantagem, numa recarga oportuna do Maxi a um livre do Cardozo. A resposta do Zenit foi rápida e forte, pois pareceram adiantar as linhas, ganharam superioridade no meio campo, e fomos imediatamente submetidos a alguns minutos de forte pressão, que culminaram com o golo do empate apenas sete minutos depois do nosso golo, num colocado remate de primeira do Shirokov. Com o empate regressou também o equilíbrio, e com uma ou outra ameaça de parte a parte o intervalo acabou por chegar.

A segunda parte foi ainda mais mal jogada - mas sempre bastante disputada - do que a primeira. O Zenit passou a ter um pouco mais de bola, mas era o Benfica quem rematava mais, aproveitando transições ofensivas rápidas, sobretudo pela direita, onde o Maxi e o Gaitán se revelavam bem mais activos do que o Emerson e o Bruno César do outro lado. O Zenit pouco ameaçava, e foi por isso quase com alguma surpresa que surgiu o segundo golo, quando faltavam vinte minutos para o final, numa jogada toda ao primeiro toque que terminou com uma conclusão de calcanhar. Obtida a vantagem, os russos pareceram estar satisfeitos com o resultado e baixaram ainda mais o ritmo da partida, passando-se então por um período algo desinteressante que fazia prever que o mais provável seria mesmo o resultado manter-se até final. Mas os últimos minutos acabaram por ser animados. O Benfica chegou ao empate a três minutos do final, numa recarga do Cardozo após remate do Gaitán e defesa atabalhoada do guarda-redes russo. E praticamente na jogada seguinte o Maxi Pereira, completamente à vontade no centro da área, teve um erro grotesco e deixou a bola nos pés do Shirokov para que este marcasse o seu segundo golo e terceiro do Zenit no encontro.

É difícil escolher algum jogador que se tenha destacado muito num jogo que nunca foi particularmente bem jogado. Gostei do Garay, e estava a gostar do Maxi até ao erro que deu a vitória ao Zenit. O Gaitán esteve num nível muito superior ao que tem mostrado para consumo interno, mas foi-se apagando ao longo do jogo.

Perder por apenas um golo e marcar dois golos fora não é mau de todo numa eliminatória da Champions. Custa um pouco mais porque perdemos o jogo numa altura em que já não esperaríamos que isso acontecesse. Mas julgo que fizemos um bom jogo, contra um adversário forte, e o resultado mantém tudo em aberto. O Benfica tem claramente a capacidade para, num Estádio da Luz completamente cheio, decidir a eliminatória a seu favor.

por D`Arcy às 19:40 | link do post | comentar | ver comentários (44)
Domingo, 12.02.12

Vendaval

O Nacional bem pode dar-se por satisfeito por ter saído da Luz com uma derrota por 4-1. É que mesmo sem forçar muito, o vendaval ofensivo do Benfica criou oportunidades mais do que suficientes para chegar no mínimo aos oito golos, e isto já é uma estimativa conservadora.

No onze do Benfica destaca-se a inovação de ter sido o Witsel o escolhido para ocupar a vaga do Maxi na direita. Houve também uma alteração no meio campo, onde o Matic ocupou a vaga do indisponível Javi García. O que o Benfica tentou fazer foi juntar muito o Matic aos centrais, permitindo um maior adiantamento dos laterais e assim não obrigando o Witsel a jogar tanto como lateral puro. Os minutos iniciais até nem foram muito promissores: o Benfica parecia algo preguiçoso e preso de movimentos, e o Nacional conseguia ter quase sempre a bola, tendo feito os primeiros remates do jogo. Mas aos oito minutos o Benfica foi lá à frente praticamente pela primeira vez, e marcou logo, num cabeceamento do Garay após livre marcado na direita pelo Aimar. E depois do golo, iniciou-se uma avalanche ofensiva do Benfica e um autêntico festival, quer de futebol, quer de golos falhados. É que aos quinze minutos de jogo já o resultado poderia estar em três ou quatro: Nolito, Cardozo (ao poste) e Rodrigo (na recarga), e Luisão desperdiçaram oportunidades flagrantes para voltar a marcar. Foi portanto com naturalidade que, aos vinte minutos, surgiu o terceiro golo, depois de uma grande jogada individual do Gaitán, que entrou pela direita e deixou todos para trás antes de assistir o Cardozo para uma conclusão fácil à boca da baliza.

Este domínio do Benfica tinha a particularidade de aparentar ser conseguido quase sem grande esforço, com as coisas a saírem bem de uma forma muito natural, e a goleada a ser o desfecho mais expectável para o jogo a que se assistia. Também o deve ter pensado o bom do Jorge Sousa, e resolveu então introduzir alguma incerteza no resultado, descortinando um penálti pouco antes de chegarmos à meia hora que, sinceramente, me pareceu que só terá acontecido dentro daquela cabecinha azulada. O Benfica acusou um pouco o golo sofrido e demorou alguns minutos a reencontrar o ritmo de jogo que vinha impondo até então. Porém, esta fase não durou muito tempo, pois aos trinta e oito minutos uma boa jogada do Benfica resultou num passe do Nolito que isolou o Rodrigo sobre a esquerda, e este ultrapassou o guarda-redes para depois marcar de ângulo já apertado. Mesmo no último lance do primeiro tempo, mais uma jogada fantástica de futebol corrido do Benfica deixou o Aimar na cara do guarda-redes, mas o remate saiu fraco e à figura. À saída para o intervalo parecia ser evidente que, salvo alguma nova habilidade do Jorge Sousa, o jogo estaria praticamente resolvido para o Benfica, restando apenas a incerteza de se saber quantos mais golos conseguiríamos marcar.

Na segunda parte o Benfica pareceu ter consciência disso mesmo, e talvez pensando já no jogo com o Zenit nunca forçou muito o ritmo, não havendo grande história para contar a não ser o controlo quase total do jogo. Mas a qualidade dos nossos jogadores e do nosso jogo ofensivo é garantia de que mesmo sem forçar muito, os lances para golo continuam sempre a aparecer. Golos houve apenas mais um, que apareceu à hora de jogo num remate quase sem ângulo do Rodrigo, que conseguiu fazer a bola passar entre o guarda-redes e o poste. Oportunidades, foram várias, e muitas delas flagrantes: do Nolito, do Rodrigo - completamente isolado a falhar a possibilidade de um hattrick - e do Cardozo, por mais do que uma vez, tendo até desperdiçado um penálti a dez minutos do final (rematou por cima), que o Jorge Sousa deve ter assinalado por perceber que nem ele conseguiria evitar o desfecho lógico para este jogo. Depois do penálti falhado é que o Benfica fechou definitivamente a loja, e limitou-se a esperar que os minutos finais se escoassem até ao apito final.

Mais dois golos do Rodrigo, e mais uma demonstração da imensa qualidade que temos naquele jogador. E quando pensamos na idade que tem e no quanto ainda pode crescer e valorizar-se, só nos resta esperar que o consigamos manter por cá durante mais algum tempo. Porque a questão já não é se dará o salto para outros voos, mas sim quando o dará. Jogo perfeito do Garay, que não deve ter perdido um lance, ou deixado passar um adversário uma vez que fosse. Gostei também muito de ver o Matic. Hoje conseguiu, de facto, fazer de Javi García, mantendo-se concentrado e tacticamente disciplinado, em vez de o vermos a correr por aquele meio campo fora atrás da bola, estivesse ela onde estivesse. Fez bem a interacção com os centrais e ocupou bem os espaços à frente da defesa. Tal como outros jogadores esta época, está a mostrar uma boa evolução. Luisão, Aimar (claro) e Nolito também em bom plano.

Missão cumprida com distinção: vitória e resultado folgado sem ser necessário despender grandes esforços antes do importante jogo na Rússia. Quanto ao campeonato, seguem-se duas deslocações importantes e complicadas antes de recebermos o Porto. Para mim, poderemos praticamente decidir o título nas próximas três jornadas. E parece-me que o Benfica chega a esta fase em condições quase ideais: confiante, com um modelo de jogo bem implementado, jogadores motivados para mostrarem o seu melhor, e uma imensa onda vermelha atrás da equipa (mais de 53.000 esta noite na Luz).

por D`Arcy às 01:51 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Segunda-feira, 06.02.12

Convincente

Três jogos, três vitórias, primeiro lugar no grupo e passagem às meias-finais carimbada com uma vitória convincente sobre o Marítimo. O jogo acabou 3-0 e se calhar podia ter acabado para aí num 7-2 se não tivesse havido tanto desperdício.

Algumas alterações, já esperadas, no onze: a troca do Artur pelo Eduardo, Jardel e Capdevila nos lugares dos indisponíveis Luisão e Emerson, e uma dupla de ataque Nélson Oliveira/Saviola, com os habituais Cardozo e Rodrigo sentados no banco. O jogo até começou com um susto para o Benfica, depois de um desleixo do Maxi numa saída do Marítimo para o ataque que foi resolvido com uma boa intervenção do Eduardo, mas o Benfica respondeu de imediato com o Nolito a falhar um golo quase certo, após cruzamento do Nélson Oliveira. Esse lance deu o mote para um período muito forte do Benfica, que ameaçou várias vezes o golo até finalmente consegui-lo, à passagem do quarto de hora, pelo Nélson Oliveira após ser desmarcado por um passe do Saviola. O Marítimo teve uma resposta forte ao golo, com vários jogadores e pressão na zona central do meio campo a conseguirem ganhar supremacia nessa zona e a empurrarem a equipa para a frente, ameaçando quase sempre através de entradas do Sami pelo lado do Maxi, mas raramente conseguiu entrar na área e rematar com perigo, pois a nossa defesa foi resolvendo as situações. O Benfica, respondendo com as habituais transições ofensivas rápidas quando recuperava a bola, ia deixando sempre a sensação de poder voltar a marcar, e a intensa primeira parte foi assim bastante interessante de seguir.

A segunda parte iniciou-se com uma perdida do Nélson Oliveira, que esteve em foco nos primeiros minutos, fugindo várias vezes à defesa do Marítimo para causar inúmeros problemas. Mais uma vez o Benfica entrou muito forte no jogo, e poderia ter resolvido de imediato a partida, mas continuámos a ser perdulários. Ainda antes de se completar uma hora de jogo, o Marítimo ficou reduzido a dez, e o domínio do Benfica tornou-se ainda mais avassalador. Mas o desperdício, esse, é que teimava em não acabar. O remédio para isto chamou-se Rodrigo, que entrou aos 67 minutos de jogo e cinco minutos depois já tinha colocado a bola no fundo da baliza do Marítimo, finalizando na área uma jogada do Nélson Oliveira e do Gaitán. A dez minutos do final, e novamente a passe do Gaitán, repetiu a dose, atirando para a baliza deserta após ganhar uma bola dividida com o guarda-redes. E o resultado apenas se manteve nos três golos de diferença porque os colegas do Rodrigo teimaram em não lhe seguir o exemplo e continuaram a não acertar com a baliza. Exemplo flagrante disso naquela que foi praticamente a última jogada da partida, em que o Nolito e o Cardozo apareceram isolados em frente ao guarda-redes, com a tentativa de chapéu do espanhol a passar desastradamente por cima.

Jogo muito bom do Nélson Oliveira, que apenas não foi perfeito porque apesar de ter começado muito bem, com um golo e outras jogadas perigosas em que serviu os colegas, depois começou a revelar alguma falta de experiência na conclusão das jogadas, optando demasiadas vezes por iniciativas individuais quando tinha colegas em melhor posição. Mas no global teve uma exibição muito positiva. Gostei também do Garay, Maxi, Aimar e, claro, Rodrigo. O Nolito esteve anormalmente perdulário para aquilo que lhe é habitual.

A fase de grupos está ultrapassada, temos agora o Porto no caminho de um possível tetra na Taça da Liga. Esta é a taça que todos fingem desprezar enquanto for o Benfica a ganhá-la. Esperemos poder continuar a mantê-la desprezada.

por D`Arcy às 00:56 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 30.01.12

Áreas

 

Então parece que segundo o ex-árbitro Pedro Henriques, essa luminária não reconhecida no campo da matemática, as eventuais queixas do Benfica em relação às reduzidas dimensões do campo do Feirense não têm grande razão de ser, porque tendo o terreno de jogo apenas menos três metros de comprimento e quatro metros de largura, a diferença para o relvado da Luz será de cerca de 12 metros quadrados. É um cálculo brilhante, como bem ilustra a figura acima. O rectangulozinho amarelo representa a área calculada pelo Pedro Henriques. A real diferença é esse rectangulozinho mais a área a vermelho, o que perfaz cerca de 600 metros quadrados. Coisa pouca, portanto.

 

Nada que surpreenda, tendo em conta a habitual 'imparcialidade' com que ele analisa tudo o que diga respeito ao Benfica. O que era escusado era mostrar que, para além de parcial, é burro.
por D`Arcy às 17:32 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Domingo, 29.01.12

Recorde

Hoje era o dia em que os andrades igualariam o recorde do Benfica de 56 jogos consecutivos sem perder para o campeonato, não era?

por D`Arcy às 21:19 | link do post | comentar | ver comentários (32)

Batalha

Este foi mais uma daquelas vitórias que nos deixa com a sensação de poder ter sido um passo muito importante no caminho para o título. Sentiram-no os adeptos, e pela reacção no final, parece-me que também o terão sentido os jogadores. A sensação com que fomos ficando durante a semana era a de que o 'caldinho' estava a ser preparado, e de que havia uma aposta forte em que o Benfica deixasse pontos em Vila da Feira. A aposta saiu furada.

O onze apresentado pelo Benfica hoje deixou de fora o Nolito e o Gaitán, tendo jogado o Bruno César e sido entregue ao Rodrigo a função de cair preferencialmente sobre o lado direito, com o Witsel e o Aimar no centro. Durante a semana falou-se bastante das reduzidas dimensões do relvado, mas para mim foi o estado do mesmo (ao nível de um Alvalixo nos seus melhores dias) o adversário mais incómodo. A primeira parte do Benfica não foi brilhante. Houve muita luta, os jogadores do Feirense pressionaram e fecharam bem no meio campo e conseguiram bloquear o nosso jogo. Mostrámos alguma lentidão a sair para o ataque, e facilitámos um pouco a tarefa ao Feirense ao jogar muito pouco pelos flancos, já que quer o Bruno César, quer o Rodrigo tinham sempre tendência para vir para o meio, sendo o Maxi praticamente o único que, com as suas subidas no terreno, ia causando perigo junto à linha. Conseguimos ainda assim criar três boas ocasiões de golo, sempre pelo Rodrigo, com o guarda-redes Paulo Lopes a negar-lhe o golo em duas delas, e a outra a terminar com um remate ligeiramente por cima. A saída para intervalo com o nulo no marcador era preocupante e deixava antever muitas dificuldades para arrancarmos a desejada vitória.

Para aumentar a preocupação, o Feirense colocou-se em vantagem logo cinco minutos após o reinício do jogo. Foi num cabeceamento na zona do primeiro poste, após um canto da direita. Já durante a primeira parte o Feirense tinha ameaçado alguma vezes em lances deste tipo, com cantos ou até lançamentos de linha lateral mais longos sempre feitos na direcção do primeiro poste, e desta vez deu resultado. Males maiores foram talvez evitados pela rápida reacção, que permitiu reestabelecer a igualdade passados apenas quatro minutos. Depois de um lançamento lateral do Maxi o Cardozo desviou de cabeça e o autor do golo do Feirense (Varela) acabou por cabecear para a própria baliza. Pouco depois entraram o Nolito e o Gaitán para os lugares dos hoje apagados Bruno César e Aimar, e o nosso futebol melhorou, sobretudo porque passámos a jogar em toda a (pouca) largura do campo, e o Witsel subiu de rendimento quando avançou um pouco mais. O Gaitán esteve muito perto do golo, o Paulo Lopes voltou a negar o golo ao Rodrigo, mas aos setenta e dois minutos conseguimos chegar ao importante golo da vitória. Foi através de um penálti convertido pelo Cardozo, após falta do inevitável Varela sobre o suspeito do costume - Rodrigo. Com o Benfica em vantagem, o Feirense veio para a frente à procura de novo golo, mas apesar de ter pressionado mais raramente conseguiu criar uma verdadeira ocasião de perigo - apenas me recordo de um lance, em que o Emerson evitou o pior. Pelo contrário, foi o Benfica quem, aproveitando os espaços dados atrás pelo Feirense, perdeu várias ocasiões de resolver o jogo - Gaitán, Witsel e, claro, Rodrigo podiam ter marcado, mas o Paulo Lopes continuou a exibir-se em grande nível, mantendo a incerteza até final.

Na impossibilidade de eleger o Varela como o jogador do Benfica em destaque, escolho então o Rodrigo. Mas se elogio o facto de ter criado quase todas as oportunidades de golo do Benfica, também merece atenção o facto de as ter desperdiçado todas. Foram pelo menos cinco as oportunidades claras de golo que criou ou de que dispôs, e em quatro delas viu o Paulo Lopes negar-lhe o golo, parecendo-me que pelo menos naquela ocasião mesmo a fechar o jogo teria obrigação de fazer melhor. No final acabou por ser ele a sofrer a falta que deu origem ao penálti decisivo. Gostei também do Garay, Witsel e Maxi.

Mais uma batalha ganha na caminhada pelo título. É bom que nos preparemos para enfrentar cenários destes nas próximas saídas que tivermos. Calculo que os andrades não tenham muita vontade de entrar na Luz em desvantagem na tabela.

por D`Arcy às 01:11 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Segunda-feira, 23.01.12

Sorte

Foi justa a vitória do Benfica mas esteve longe de ser fácil, e foi necessário um golpe de sorte para desatar um nó muito complicado. O Gil Vicente foi um adversário complicado e bem organizado, que dificultou (e valorizou) muito a nossa vitória.

O regresso do Garay foi a maior novidade esta noite num onze onde o Gaitán também apareceu a titular, relegando o Bruno César para o banco. Os primeiros minutos de jogo deixaram logo antever uma noite complicada para a nossa equipa. O nosso jogo parecia demasiado lento, sobretudo nas saídas para o ataque, nas quais parecia que 'mastigávamos' sempre a bola nos pés dos centrais ou dos médios, e depois já apanhávamos o adversário bem posicionado defensivamente. Mas isto foi também culpa, precisamente, da boa organização queo Gil Vicente apresentou. Montaram duas linhas muito juntas, com um jogador solto à frente da defesa quase sempre atento às movimentações do Rodrigo, e só muito raramente foram apanhados fora de posição, conseguindo pressionar bem sempre que chegávamos ao último terço do campo. O resultado disto foi que o Benfica, apesar do domínio territorial e da posse de bola, quase não criava oportunidades de golo, porque nem sequer chegava a rematar. Foi por isso com uma certa dose de alívio que vi o Benfica chegar ao golo praticamente na primeira vez que conseguiu rematar na direcção da baliza (apenas aos vinte e sete minutos!), após um livre do Nolito na esquerda ao qual correspondeu o Cardozo com uma boa cabeçada. Só que o Gil Vicente estava mesmo disposto a complicar-nos a vida e mostrava-se sempre capaz de criar perigo em contra-ataques. Para nossa infelicidade, a cinco minutos do intervalo conseguiu mesmo repor a igualdade, num remate forte de fora da área após ter beneficiado de dois cantos consecutivos, deixando-nos a perspectiva de uns segundos quarenta e cinco minutos de sofrimento.

Perspectiva essa que se acentuou ao ver que a segunda parte nada trouxe de novo. Não havia meio de o Gil Vicente se desorganizar na defesa, e o Benfica continuava a mostrar-se lento e previsível, sem capacidade para ultrapassar o autocarro de Barcelos. O próximo passo a tomar era evidente: a entrada do Aimar, porque há poucos jogadores como ele com a capacidade para inventar e ver espaços. Mas à medida que o tempo ia passando e os nossos jogadores se iam balanceando cada vez mais para o ataque (o Jorge Jesus retirou mesmo o Javi García do campo, entregando ao Witsel as funções de médio recuperador), íamos também deixando mais espaços atrás para os contra-ataques do Gil Vicente, e em mais de uma ocasião acabou por ser um corte ou um desarme de última hora a evitar males maiores - logo no início da segunda parte tinha sido uma grande defesa do Artur a evitar que o Gil Vicente se colocasse em vantagem. Foi portanto com um suspiro de alívio que nos vi sermos bafejados pela sorte, quando já a menos de vinte minutos do final um remate do Rodrigo, ainda bem longe da baliza, fez a bola tabelar num adversário e trair o guarda-redes. Dois minutos depois o Aimar recebeu um passe do Nolito e, já dentro da área, deixou que a sua classe descansasse mais os benfiquistas, fazendo o terceiro golo e sentenciando efectivamente o jogo.

O Aimar foi um jogador decisivo, já que a sua entrada permitiu ao Benfica melhorar e acelerar o seu jogo. E acabou por marcar o terceiro golo, com toda a classe que lhe reconhecemos. O Nolito não esteve tão inspirado como tem sido habitual, mas foi dos mais inconformados - a par do Maxi do lado oposto - e acabou por juntar mais duas assistências à sua conta pessoal. Gostei também da dupla de centrais, que teve diversos cortes muito oportunos, e o Bruno César também entrou bem no jogo. Menos bem o Gaitán, que continua longe da melhor forma, pese o facto de ter mostrado mais empenho hoje.

Mais uma difícil etapa ultrapassada no caminho que nos separa do título. Hoje também contando com a ajuda de um golpe de sorte (ou, como se costuma dizer nestas coisas, 'estrelinha'), mas que a equipa soube procurar, uma vez mais com o apoio da onda vermelha, que levou 43.000 espectadores à Luz.

por D`Arcy às 00:29 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Quinta-feira, 19.01.12

Obrigação

A exibição foi pouco entusiasmante na primeira parte e foi necessário recorrer a três trunfos guardados no banco, mas lá cumprimos a obrigação de vencer e mantermo-nos no primeiro lugar do nosso grupo.

Onze cheio de alterações, a começar pela defesa, onde não alinhou um único dos habituais titulares. Apenas o meio campo tinha nomes que estamos mais habituados a ver na equipa titular: Javi García (hoje capitão), Gaitán e Bruno César. O toque de exotismo era dado na entrega de funções de organização e distribuição de jogo ao Matic. A primeira parte do Benfica não foi digna de qualquer realce. A equipa foi quase sempre demasiado lenta e previsível, com o Matic a revelar pouca competência para as funções que lhe entregaram, e o jogo pelos flancos praticamente a não funcionar - o Gaitán jogou quase a passo, e o Bruno César não esteve inspirado. Para além disso os dois laterais (André Almeida e Capdevila) pouco ajudaram no ataque, e quando o fizeram foram quase sempre desastrados. O nosso jogo foi por isso demasiado previsível e muito feito pelo centro do campo, não tendo o Santa Clara grandes dificuldades para aguentar o nulo no marcador, pese o facto do Benfica ter muito mais posse de bola. Apenas algumas movimentações do Saviola iam causando algumas dificuldades, e foi mesmo de uma iniciativa individual dele que surgiu a melhor oportunidade de golo do Benfica na primeira parte, já mesmo sobre o intervalo.

A segunda parte trouxa a mais que esperada alteração no centro, ficando o Matic no balneário e entrando o Witsel para o seu lugar. O Benfica entrou bastante melhor do que na primeira parte, o que aliás era difícil não acontecer, e esteve perto de marcar precisamente pelo Witsel, mas depressa voltou a cair na monotonia e previsibilidade. Era necessário dar mais velocidade e repentismo ao nosso jogo, e foi portanto sem surpresas que o Jorge Jesus lançou no jogo o Rodrigo e o Nolito, numa altura em que restavam apenas vinte e cinco minutos de jogo. Com efeitos praticamente imediatos, já que três minutos depois de estar em campo, o Nolito entrou pela esquerda e assistiu o Nélson Oliveira para, com uma finalização simples, marcar o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. E o espanhol veio mesmo dar um enorme safanão no jogo, causando sempre inúmeros problemas quando a bola lhe chegava aos pés. Tanto assim foi que, sete minutos depois do primeiro golo, voltou a oferecer outro golo, desta vez com um passe fantástico em profundidade, feito de primeira, que desmarcou o Witsel para uma finalização de classe. O jogo ficou resolvido com o segundo golo, e durante os quinze minutos finais ficou a curiosidade de vermos se o Benfica voltaria a marcar, tendo sido o Rodrigo um dos mais empenhados em fazer que isso acontecesse.

O melhor do Benfica foi o Nolito, que nos vinte e cinco minutos que jogou conseguiu fazer mais do que todos os outros em noventa. Duas assistências e a resolução de uma situação que já ameaçava tornar-se incómoda. Bom jogo também do Witsel, cuja presença na posição antes ocupada pelo Matic ajudou também a fazer a diferença. Dos jogadores que alinharam de início, o melhor terá sido o Javi García. O Eduardo mostrou segurança sempre que foi chamado. Não gostei do Matic, e o André Almeida confirmou mais uma vez as impressões que me tinha deixado nos jogos da pré-época.

Basta-nos agora um empate na última jornada, em casa frente ao Marítimo, para nos qualificarmos para as meias finais da Taça da Liga. Já que vencemos as últimas três edições da prova, gostaria de manter a tradição.

por D`Arcy às 01:03 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Domingo, 15.01.12

Imparáveis

E mais uma goleada. Num Estádio da Luz com um grande ambiente, o Benfica foi claramente superior ao Setúbal e terminou a primeira volta da Liga sem qualquer derrota e isolado na liderança.

Apesar da confiança na nossa equipa, confesso que tinha alguns receios para este jogo, devido à falta de três jogadores importantes: Garay, Javi e Aimar. Ainda por cima sendo os três jogadores do centro, pelo que se poderia faltar que nos faltava a 'espinha dorsal' da equipa. Mas o Benfica neste momento está muito moralizado, e parece que mesmo quando falta algum jogador importante, outros encarregam-se de resolver. Faltaram os três referidos (e ainda tínhamos o Gaitán a regressar de lesão), jogaram o Jardel, o Matic e o Rodrigo, dando conta do recado. O jogo até nem começou da melhor maneira, já que aos seis minutos o Setúbal, no primeiro remate que fez, chegou ao golo, com a tentativa do Luisão de cortar o remate do Neca a acabar por trair o Artur. Mas quando a confiança é alta, coisas destas acabam por ser pouco mais do que um pequeno soluço. Antes do golo já o Benfica tinha criado perigo, sobretudo através do Rodrigo, e depois do golo continuou a jogar como se nada se tivesse passado, carregando sobre o Setúbal em busca da igualdade, e debaixo do apoio constante dos benfiquistas. Apesar de por vezes parecermos ter alguma dificuldade na zona central do campo, devido à superioridade numérica que o Setúbal apresentava nessa área, o Witsel foi dando conta do recado, e depois o trio Cardozo/Rodrigo/Nolito, com apoio constante do Maxi pela direita, ia desgastando a defesa do Setúbal e mostrando que seria apenas uma questão de tempo até que o golo aparecesse.

O Cardozo ameaçou e viu um remate com selo de golo ser defendido pelo guarda-redes, mas aos vinte e quatro minutos a igualdade voltou mesmo ao marcador, pelos pés do Nolito. Passe do Witsel, à entrada da área, a desmarcar o Nolito na esquerda, e o espanhol fez o golo com um remate rasteiro colocadíssimo ao segundo poste. O jogo continuou a ter praticamente um só sentido, e apesar de um susto, quando vimos a bola bater no poste da nossa baliza após um raro erro do Artur, era previsível que novo golo chegasse ainda antes do intervalo. E aconteceu ao minuto trinta e três, quando o Cardozo, no interior da área e rodeado de adversários, conseguiu marcar num remate rasteiro mais uma vez para o segundo poste. A equipa do Setúbal pareceu acusar muito este segundo golo, e até ao intervalo pareceu perder a compostura em termos tácticos e não só, com vários dos seus jogadores a parecerem estar mais interessados em arranjar discussões (o Ricardo Silva, com a escola que tem, não foi surpresa nenhuma neste aspecto, mas o que é certo é que conseguiu arrancar um amarelo ao Cardozo). Até ao intervalo o Diego teve oportunidade de brilhar novamente, negando o golo ao Rodrigo, mas já mesmo sobre o apito não conseguiu evitar novo golo do Cardozo, após uma grande arrancada do Rodrigo, que deixou o paraguaio com caminho livre para a baliza.

Com dois golos de vantagem, o Benfica abrandou um pouco o ritmo na segunda parte, nunca deixando no entanto de controlar o jogo e procurar voltar a marcar, mas permitindo também ao Setúbal ter um pouco mais de bola e dando mais espaços. O Setúbal foi atrevido e tentou pressionar mais alto no campo, mas se o Benfica conseguia libertar-se dessa primeira zona de pressão e sair com a bola controlada, depois causava quase sempre perigo da forma como mais gosta, ou seja, através de transições rápidas para o ataque. Muitas das jogadas mais perigosas do Benfica apareciam pelos pés do Rodrigo, que recuava frequentemente para vir receber a bola e depois, quando se virava e embalava com ela em direcção à baliza, só muito dificilmente era travado. Depois de várias ameaças o quarto golo surgiu finalmente a vinte minutos do final, quando o regressado Gaitán teve tempo na direita para centrar com precisão para o cabeceamento do Matic, que assim marcou o seu primeiro golo pelo Benfica. Este quarto golo não diminuiu o ímpeto do Benfica na procura de mais golos, mas a expulsão do Cardozo, a cinco minutos do final por acumulação de amarelos, acabou na prática por significar o apito final para o Benfica, que depois disso limitou-se a aguardar pelo final do jogo. Tempo ainda para substituir o Rodrigo para o merecido aplauso, e estrear o Luís Martins na Liga.

Cardozo, Rodrigo, Nolito e Witsel foram, para mim, os melhores esta noite, acompanhados de perto pelo Maxi. O Cardozo está a atravessar a melhor fase da época, marcando com regularidade e parecendo até estar bem mais móvel e rápido do que lhe é habitual. Hoje juntou mais dois golos à conta pessoal e isolou-se como melhor marcador da Liga. Talvez seja a companhia do Rodrigo na frente que o ande a motivar. Hoje ao Rodrigo só faltou mesmo o golo, porque de resto foi sempre uma ameaça constante. Foram inúmeras as arrancadas em velocidade, com a bola bem controlada, a causar perigo, quer em remates, quer em passes perigosos para os colegas. O Nolito resolveu o 'problema' do golo do empate e voltou a mostrar toda a sua valia. Para mim a inspiração ofensiva do Benfica nos últimos jogos (dezassete golos nos últimos quatro jogos) não é alheia à titularidade do espanhol, que mostra também uma enorme evolução na forma como se entrega às tarefas defensivas. O Witsel encheu o meio campo e o Maxi foi a locomotiva do costume pela direita, compensando até uma noite menos fulgurante do Bruno César.

56.155 espectadores na Luz mostram que a onda vermelha é uma realidade. Ela está aí, e cabe-nos não a deixar esmorecer, porque sabemos muito bem até onde nos poderá levar. Viu-se hoje o quão importante é, na forma como o público reagiu ao golo madrugador do adversário, no ambiente que se viveu em vários momentos no estádio, e no apoio dado à equipa.
Temos que continuar a alimentá-la e a fazê-la crescer. Juntos, somos imparáveis.

por D`Arcy às 01:11 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Domingo, 08.01.12

Sós

Enfim, sós. À segunda oportunidade para descolarmos da desagradável companhia que connosco partilhava, há meses, o primeiro lugar não facilitámos. O rolo compressor apareceu, conseguimos a terceira goleada consecutiva, e saímos da Marinha Grande isolados no topo.

Dois imprevistos de última hora (Aimar e Gaitán) ditaram a presença do Rodrigo no onze inicial, e a entrega das alas ao Bruno César e ao Nolito, com o resto da equipa a não apresentar surpresas. Quanto ao jogo, este foi disputado desde o primeiro minuto a um ritmo muito intenso e até pouco usual para a Liga portuguesa, com muita pressão sobre a bola. O primeiro momento de perigo até foi dado pelo Leiria, que viu o Maxi Pereira afastar a bola sobre a linha de golo, quando o Artur já estava batido. A resposta dada pelo Benfica foi marcar um golo. Aos dez minutos de jogo o Bruno César recolheu a bola à entrada da área, após um alívio da defesa, e sem a deixar cair desferiu um remate colocadíssimo que fez a bola entrar junto ao poste. Um golaço do 'pequeno Buda'. A partir daqui o jogo literalmente só deu Benfica. Foi um vendaval ofensivo que resultou em diversas oportunidades de golo, com o resultado a manter-se teimosamente na diferença mínima muito por culpa do guarda-redes do Leiria, que com uma série de excelentes intervenções foi evitando que o Rodrigo ou o Cardozo dessem uma expressão mais justa ao marcador.

Na segunda parte, o 'sofrimento' pela magra vantagem acabou cedo: com dois minutos decorridos, o Rodrigo solicitou o Cardozo em velocidade e o paraguaio, depois de progredir alguns metros com a bola, disparou uma bomba à entrada da área que levou a bola a entrar junto ao ângulo superior da baliza do Leiria, sem quaisquer hipóteses de defesa. E ao contrário daquilo que fizemos diversas vezes esta época, nunca descansámos sobre a vantagem conseguida. Nunca baixámos o ritmo e continuámos sempre a pressionar na procura de mais golos, acabando por ser recompensados. No espaço de três minutos (73 e 76) o Rodrigo, numa altura em que já jogava como homem mais adiantado devido à substituição do Cardozo pelo Saviola, fez dois golos e construiu a goleada. O primeiro num toque subtil a desviar a bola do guarda-redes, após passe do Bruno César. E o segundo numa conclusão fácil em frente à baliza, a centro do Maxi, que tinha sido desmarcado por um grande toque de calcanhar do Bruno César. E assim assinalámos a liderança isolada em estilo.

O Benfica fez hoje uma das melhores exibições desta época, e consequentemente todos os jogadores estiveram num bom nível. Destaque natural para o Bruno César, pelo excelente golo que marcou e pela assistência para o terceiro golo (e ainda a intervenção que teve na jogada do quarto). Referindo mais alguns jogadores, o Rodrigo, que até teve uma primeira parte algo apagada, em que perdeu algumas bolas por insistir demasiado em jogadas individuais e falhou uma ocasião na cara do guarda-redes, acabou por fazer uma grande segunda parte, na qual assistiu o Cardozo para o segundo golo (depois de ter sido ele a recuperar a bola no meio campo) e marcou dois golos. E o Maxi Pereira aproveitou muito bem o espaço que foi concedido pelo seu lado, sobretudo depois do intervalo, e foi sempre muito influente no auxílio ao ataque.

Mais uma goleada e uma excelente exibição, e sem sentirmos sequer a falta do Aimar ou do Gaitán. Estamos onde queremos e merecemos. Agora é não voltarmos a abrir mão desta posição.

por D`Arcy às 22:32 | link do post | comentar | ver comentários (50)
Quarta-feira, 04.01.12

Regresso

Boa regresso do Benfica em 2012 e entrada da melhor forma na defesa do troféu que nos pertence há três épocas consecutivas.

Não houve grandes poupanças no onze: para além da expectável troca do Artur pelo Eduardo, dos titulares mais habituais faltaram apenas o Gaitán e o Cardozo, tendo alinhado o Nélson Oliveira e o Saviola, com o Witsel a fechar mais a direita. Uma repetição da táctica já utilizada contra o Rio Ave, na última jornada, e que no fundo é muito semelhante à da época do último título, com o Witsel a fazer de Ramires. O Benfica teve uma entrada bastante forte, causando dificuldades ao Guimarães e chagando ao golo aos dez minutos, depois de o Nolito ter, com um bonito passe a rasgar da esquerda para a direita do ataque, encontrado o Witsel solto na área, e com o belga a rematar por entre as pernas do guarda-redes. A reacção do Guimarães foi forte, e nos minutos a seguir ao golo o Benfica passou por dificuldades, valendo-nos o Eduardo e o desacerto dos jogadores do Vitória para que nos mantivessemos à frente no marcador. O Vitória passou a exercer uma forte pressão, em zonas bastante altas do campo, e o Benfica durante essa fase desiludiu um pouco na capacidade para manter a posse de bola e conseguir sair de forma organizada para o ataque. Só nos minutos finais da primeira parte é que me pareceu que nos organizámos um pouco mais, mas ainda assim falhámos algumas transições para o ataque devido a má qualidade no passe.

A segunda parte trouxe duas alterações no Benfica, com o Cardozo e o Bruno César a surgirem nos lugares do Nélson Oliveira e do Saviola. O Bruno César foi para a direita, encostando-se o Witsel mais ao Javi no centro. A segunda parte trouxe também o golo do empate logo a abrir, na sequência de um livre na esquerda da nossa defesa. Tal como o Guimarães tinha feito, também o Benfica reagiu bem ao golo sofrido, porque a partir desse momento, quase só deu Benfica. E a coisa acentuou-se ainda mais quando, a meia hora do final, o Guimarães ficou reduzido a dez, devido ao segundo amarelo mostrado ao Pedro Mendes. O Benfica geriu a vantagem numérica de forma bastante inteligente e eficaz, fazendo a bola circular muito e abrindo o jogo, explorando os flancos com eficácia com subidas constantes dos dois laterais. Apenas cinco minutos depois da expulsão e o Cardozo, com um grande remate cruzado à entrada da área, desfazia a igualdade. E o que se seguiu foi um domínio completo do Benfica, com várias oportunidades criadas. Algumas desperdiçadas por falta de pontaria, outras por mérito do guarda-redes, e mais dois golos. A dez minutos do final o segundo da noite para o Cardozo, num cabeceamento após cruzamento da direita do Maxi; e quase a fechar o jogo, o quarto do Benfica pela cabeça do Rodrigo (tinha entrado para o lugar do Aimar), numa recarga a um primeiro cabeceamento do Cardozo. Foram quatro, mas até podiam ter sido mais dois ou três.

O Cardozo foi obviamente o homem do jogo. Entrou ao intervalo e foi a tempo de marcar dois golos - o primeiro deles espectacular - tendo ainda visto o guarda-redes do Guimarães negar-lhe pelo menos outros dois, acabando ainda por ter influência directa no quarto golo, já que foi na sequência de uma defesa a um cabeceamento seu que o Rodrigo fez a recarga. Gostei também muito do Nolito. Quase sempre que recebeu a bola na esquerda, construiu uma jogada de perigo. Ou pelos seus próprios pés, ou em solicitações para os colegas. É um desequilibrador nato, mostra grande evolução nos aspectos defensivos do jogo, e neste momento fico sempre satisfeito quando o vejo a titular.

Espero agora que este jogo seja um bom prenúncio para Domingo, quando uma vitória contra o Leiria será de extrema importância. Gostei de termos iniciado 2012 da mesma forma que fechámos 2011: a golear.

por D`Arcy às 00:19 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Domingo, 18.12.11

Desafio

Desafio as pessoas a ver, sem comentários (para não haver acusações de facciosismo), o penálti assinalado pelo Pedro Proença do Yebda sobre o Lisandro, no Estádio do Ladrão. E depois a quantidade de penáltis por ele não assinalados a favor do Benfica desde que é árbitro da primeira categoria. E isto é para dar apenas um exemplo e não ter puxar mais da memória, desfiando exemplos de Olegários, Costas, Guímaros, Donatos, Fortunatos, Isidoros, Martins dos Santos, ou Josés Amorims.

 

Se é para se ser demagógico, qualquer um pode sê-lo. Alguns com a vantagem de serem capazes de se lembrar de mais algumas coisas: ou por não terem memória selectiva, ou por não terem o cérebro carcomido pela sífilis.

por D`Arcy às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sábado, 17.12.11

Agradável

Exibição agradável e vitória tranquila e robusta no jogo que fechou 2011 para o Benfica.

Alguma surpresa com a presença do Saviola no onze, o que atirou com o Bruno César para o banco, sendo o Witsel a jogar mais sobre a direita. O Benfica entrou no jogo a praticar um futebol agradável, sendo também rapidamente evidente que o Rio Ave cumpria o prometido pelo seu treinador, e não se apresentava na Luz preocupado em jogar exclusivamente para o empate. O futebol agradável do Benfica não encontrava no entanto expressão em remates ou ocasiões muito perigosas, sobretudo porque o último passe teimava em não sair bem. Além disso as coisas não estavam a ser feitas com muita velocidade, e grande parte dos jogadores estavam algo presos às suas posições, vivendo o Benfica das subidas do Maxi pela direita, das explosões do Nolito na esquerda, e das constantes deambulações do Saviola para criar linhas de passe. Tudo sob a batuta do maestro Aimar. O Rio Ave tentava sempre responder, sobretudo através dos dois alas bastante rápidos que tinha em campo, mas algo contra a corrente do jogo que se colocou em vantagem, após vinte e quatro minutos. Num lance em que o Javi se deslocou até à direita não houve uma compensação eficaz na zona à frente da defesa, e foi aí que surgiu um dos alas solto para rematar colocado de trivela, obtendo um bonito golo.

Nos últimos jogos por vezes parece que o Benfica, assim que se apanha em vantagem, e sobretudo quando isto acontece cedo, abranda imediatamente o ritmo de jogo. Desta vez isso não aconteceu, e até pareceu fazer-nos bem o susto de nos vermos em desvantagem. A reacção da equipa foi boa, a velocidade aumentou, e dez minutos depois estava reposta a igualdade. Depois de já termos ameaçado com remates do Cardozo e do Saviola, o golo acabou por surgir na transformação de um penálti pelo Cardozo, a castigar um corte com a mão. Dois minutos depois já estávamos em vantagem, após um golo improvável do Nolito, que com a raça habitual fez tudo sozinho na esquerda, ultrapassando o defesa, ganhando o ressalto ao guarda-redes, e rematando praticamente sobre a linha final, com a bola a bater no poste antes de entrar. Em vantagem no marcador, desta vez o Benfica não abrandou e foi recompensado com o terceiro golo mesmo antes de sair para intervalo. O lance começou mais uma vez nos pés do Nolito pela esquerda, que fez um passe rasteiro atrasado para à entrada da área, na direcção do Aimar. Depois foi a classe de El Mago a fazer um passe de calcanhar de primeira na direcção do Saviola, que controlou com o peito e rematou para o golo.

O Benfica saiu da primeira parte a marcar, e entrou na segunda a fazer exactamente o mesmo. Julgo que o Rio Ave nem sequer tinha ainda tocado na bola quando esta parou no fundo da sua baliza. Livre descaído sobre a esquerda, após falta sobre o Nolito, marcado pelo Aimar para o segundo poste, onde o Garay ganhou posição sobre o defesa adversário com aparente facilidade, e cabeceou cruzado para o golo. Depois deste golo, aí sim, o Benfica abrandou claramente e passou a gerir calmamente o resultado, sem no entanto deixar de criar oportunidades para o aumentar, quase sempre com o Nolito envolvido nas jogadas. Foi por isso sem surpresa que o espanhol voltou mesmo a marcar, quando faltavam vinte minutos para o final. Recebeu a bola no interior da área após um canto, e com um remate pouco ortodoxo (apareceu ter escorregado na altura do remate) conseguiu que a bola passasse pelo meio de uma floresta de pernas e só acabasse nas redes do Rio Ave. Daí até final, salvo um remate do Rodrigo (tinha entrado para o lugar do Saviola) a obrigar o guarda-redes a uma defesa mais apertada, pouco mais se passou que seja digno de realce.

O homem do jogo é o Nolito. Dois golos e envolvimento nas jogadas de outros dois, para além de ter sido sempre um perigo constante para a defesa do Rio Ave, pela velocidade e objectividade que colocou sempre em jogo. Aimar mais uma vez muito bem - é um privilégio podermos vê-lo jogar com a nossa camisola, privilégio esse que espero que possamos prolongar, e o Maxi muito activo a fazer todo o seu corredor. Gostei também do Saviola: mesmo tendo tido algumas perdas de bola, nunca se escondeu do jogo, esteve sempre em movimento abrindo linhas de passe para os colegas, e foi justamente recompensado com um golo. Menção também para o bom jogo do Emerson, porque é justa e para não falar dele apenas quando erra. No geral, toda a equipa esteve a um bom nível.

Foi uma forma agradável de terminar o ano, garantindo, com a vitória mais expressiva da época até ao momento,
que entraremos em 2012 no topo da tabela da Liga. Apesar de algumas críticas, os números falam por si, e o que eles dizem é que estamos melhor do que quando fomos campeões, há dois anos atrás. Motivo de sobra para nos mantermos confiantes.

por D`Arcy às 02:51 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Segunda-feira, 12.12.11

Superiores

Foi difícil, sofremos por ver o tempo a passar e o golo a não surgir, mas fomos superiores contra onze, fomos muito superiores contra dez, e vencemos com justiça num dos campos mais difíceis da Liga.

Alguma surpresa ao ver o Rodrigo e o Cardozo no onze inicial, mas depois vimos que eles não formavam uma dupla de avançados tradicional, pois o Rodrigo jogava mais encostado à direita - embora depois tenha passado a vaguear mais pelo ataque. O jogo na primeira parte foi muito semelhante ao que tínhamos visto para a Taça. O Benfica com mais posse de bola, muita disputa a meio campo, e o Marítimo a tentar sair em contra-ataques rápidos com bolas para o Sami e o Baba sempre que recuperava a bola. Mas após o primeiro quarto de hora (durante o qual o Marítimo criou a sua única verdadeira oportunidade de golo durante todo o jogo) o Benfica foi progressivamente encostando o Marítimo mais atrás, e conseguindo construir oportunidades para chegar à vantagem. Duas delas flagrantes: primeiro foi o Aimar, que ficou isolado após um passe de calcanhar do Bruno César, mas em vez de rematar preferiu tentar a finta para a linha de fundo e o Peçanha tirou-lhe a bola; depois a mais escandalosa de todo o jogo, com o Cardozo a rematar ao lado após um centro rasteiro do Maxi que o deixou solto de marcação, de baliza escancarada e a pouco mais de dois metros da linha. Falhas graves, que normalmente em jogos desta dificuldade podem significar resultados desastrosos, e que explicam que se tenha saído para intervalo com o nulo no marcador.

Para a segunda parte o Benfica veio tacticamente diferente, com o Witsel mais encostado à direita e o Rodrigo a jogar mais perto do Cardozo no centro. Logo aos dois minutos o Olberdan foi expulso com segundo amarelo, e o domínio territorial do Benfica acentuou-se. A tarefa de chegar ao golo, no entanto, não ficou grandemente facilitada, já que o Marítimo cerrou fileiras junto da sua área e foi conseguindo defender de forma organizada. E quando as duas linhas de defesa falhavam, ainda aparecia o Peçanha a estragar-nos os planos. No último quarto de hora de jogo o Benfica conseguiu aumentar ainda mais a pressão, e as oportunidades começaram a surgir com mais frequência, muito também por influência do Nolito, que apesar de apenas ter entrado a dez minutos do final (na minha opinião, devia ter entrado antes) conseguiu causar bastante mais perigo pelo lado esquerdo do nosso ataque do que o Rodrigo ou o Bruno César, que alternaram nessa posição. A cinco minutos do final o Cardozo redimiu-se do falhanço escandaloso da primeira parte, e aproveitando uma série de ressaltos após um remate cruzado do Nolito (que já veio na sequência de uma grande defesa do Peçanha a um cabeceamento do Jardel) colocou finalmente a bola no fundo da baliza do Marítimo. Nos minutos finais o Marítimo atacou de forma desesperada, não criando qualquer perigo mas deixando muitos espaços atrás, que com um pouco mais de calma poderíamos ter aproveitado para voltar a marcar.

Não houve nenhum jogador que se tivesse destacado muito, numa exibição homogénea da nossa equipa. Os centrais pareceram-me seguros, e o Javi também mostrou a solidez do costume. O Nolito entrou muito bem no jogo, e só foi pena não ter conseguido marcar naquela oportunidade que teve já nos descontos. O Cardozo teve um jogo fraco, mas acabou por fazer aquilo que habitualmente faz, aparecendo no lugar certo para atenuar o jogo menos conseguido com mais um golo decisivo.

Seguimos no topo da tabela, sem derrotas, e caminhamos para o fim de uma primeira volta em que já visitámos o Porto, Braga e os Barreiros. Julgo que temos todos os motivos para nos sentirmos satisfeitos com o desempenho da nossa equipa na Liga. Hoje foi um daqueles jogos que normalmente se consideram marcantes em qualquer trajecto que leve à conquista de um campeonato.

P.S.- Cada vez mais se vai aproximando o momento em que o Benfica poderá dar um chuto na SportTV. E à medida que isso acontece, esta parece ir adoptando um comportamento mais raivoso contra o nosso clube. Foi vergonhosa a entrevista rápida, com o repórter a parecer querer à viva força arranjar polémica com a arbitragem e arrancar declarações aos jogadores e treinador do Marítimo que colocassem em causa a nossa vitória por culpa da arbitragem (ainda há-de chegar o dia em que tentar conotar o Jorge Sousa com o Benfica). O Pedro Martins acabou por fazer a vontade ao desesperado moço que segurava o microfone, acabando por deixar a impressão de que estava inebriado, pois falou de um jogo qualquer que certamente não foi aquele a que assistimos.

por D`Arcy às 00:25 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Quinta-feira, 08.12.11

Preguiça

Vitória alcançada controlando o jogo em serviços (muito) mínimos, primeiro lugar do grupo conquistado. Obrigação cumprida, portanto.

Se calhar a melhor palavra para descrever a exibição do Benfica neste jogo é 'preguiça', dada a forma como pareceu não querer mesmo fazer mais do que o mínimo necessário. Por outro lado, olhando para este jogo de forma meramente racional, lembramo-nos que era um jogo da Champions e vemos que mesmo sem brilho vencemos como se exigia, e controlámos o jogo sem sofrer grandes sobressaltos, criando algumas oportunidades para marcar mais golos. Paradoxalmente, o Benfica parece ser uma equipa à qual quase sempre faz mal marcar cedo, ou até mesmo colocar-se em vantagem num jogo. Quase de imediato parecemos meter imediatamente uma mudança mais baixa, e para o adepto que vê o jogo aparentamos uma sobranceria que chega a roçar mesmo a preguiça. Acaba por ser exasperante por sabermos que a equipa pode e vale muito mais.Desta vez o golo chegou mesmo muito cedo - aos sete minutos, depois de um trabalho muito bom do Witsel na direita, a segurar a bola rodeado de adversários e a soltá-la no momento certo para o Gaitán fazer mais uma assistência na Champions, permitindo ao regressado Cardozo uma finalização fácil na pequena área. Depois disto, foi simplesmente controlar o jogo. Com uma enormidade de posse de bola, por vezes parecia que o Benfica ou não queria marcar mais golos, ou então queria entrar com a bola para dentro da baliza. Nem sequer se arriscavam centros para a área, fazia-se sempre mais um passe, e remates quase que nem vê-los. De tal forma que o Otelul, com pouco mais de 30% de posse de bola, perto do final da primeira parte conseguia ter o dobro dos remates do Benfica. Mas também é verdade que apenas numa ocasião - que acabou por ser a única durante os noventa minutos - ameaçaram seriamente a nossa baliza, permitindo mais uma vez ao Artur mostrar qualidade ao suster o remate de um adversário isolado e ainda desviando a recarga.

A segunda parte foi simplesmente monótona. O Otelul não tinha qualidade para fazer grande coisa, e quanto ao Benfica, acho que se resume a três lances: um a abrir, num remate acrobático do Bruno César à figura do guarda-redes (mais pelo facto de ter sido uma das poucas jogadas com princípio, meio e fim do que pelo perigo causado); outro a meio, numa combinação entre o Nolito e o Cardozo que terminou com uma defesa complicada do guarda-redes; e um a fechar, onde o Rodrigo, isolado, não conseguiu acertar na baliza. Nos períodos entre estes lances viu-se sobretudo um futebol bastante aborrecido (talvez ficasse melhor chamar-lhe 'pragmático'), em que o Benfica parecia seguro da incapacidade do adversário para causar problemas, e demasiado preguiçoso para forçar um pouco mais o andamento e resolver de vez a questão. As alterações feitas pouco mudaram, pois se me pareceu que ficámos a ganhar alguma coisa com a troca do Bruno César pelo Nolito, com a saída do Aimar perdemos um dos poucos jogadores que ainda ia trazendo alguma fantasia aos lances de ataque e criando alguns desequilíbrios, já que o Gaitán, que aparecia aos soluços, já estava a entrar na fase de apagamento e acabou mesmo por sair lesionado. O 1-0 final foi mesmo o espelho fiel deste jogo.

Os melhores do Benfica foram, para mim, os três do meio campo: Aimar, Javi e Witsel. Se calhar acabaram também por estar mais em jogo devido ao facto do Benfica ter passado grande parte dele privilegiando a posse de bola, mas para mim foram mesmo os jogadores que estiveram melhor. O Gaitán apareceu a espaços, mas como vem sendo habitual ultimamente foi-se apagando à medida que o tempo passava. O Bruno César teve um jogo bastante apagado, com demasiados passes falhados e perdas de bola.

O importante foi mesmo ganhar, o que nos permitiu terminar a fase de grupos sem derrotas e no primeiro lugar. Olhando para os segundos classificados, que constituem a lista de adversários possíveis na próxima eliminatória, creio que não há nenhum que seja particularmente assustador. Por mim, desde que evitemos equipas italianas (pronto, é um trauma que tenho depois ver o Benfica ser eliminado por Milan, Roma, Juventus, Parma, Milan outra vez, Lazio, Inter...), fico satisfeito.

por D`Arcy às 01:24 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Sexta-feira, 02.12.11

Eliminação

Uma segunda parte imbecil e algo displicente resultou na primeira derrota da época e na consequente eliminação da Taça de Portugal. Ainda não será desta que o Jorge Jesus consegue vencer este troféu.

Onze com algumas mudanças para além da esperada troca do Artur pelo Eduardo: Rúben, Matic, Saviola e Nolito nos lugares do Maxi, Javi, Aimar e Bruno César. Boa entrada do Benfica no jogo, com o Marítimo a mostrar que seria sempre um adversário complicado, pois tentava sempre pressionar o portador da bola e não dava muito espaço nem tempo para jogar. O Benfica ia no entanto dominando a posse de bola e criando as únicas oportunidades no jogo, já que em termos de ataque o Marítimo limitava-se a jogar bolas longas para o Baba, que ia sendo facilmente anulado pelo Jardel. Chegámos à vantagem no marcador aos vinte e sete minutos, através de um penálti convertido pelo Saviola. O lance é todo ele mérito do Nolito, que insistiu no meio de vários adversários até entrar na área e cair. Depois do golo, não se notou grande reacção da parte do Marítimo, tendo o intervalo chegado sem que o Eduardo tivesse feito uma única defesa.

Para a segunda parte o Marítimo veio naturalmente mais adiantado em campo, na procura do golo do empate. E mesmo connosco ainda em vantagem no marcador, já eu me estava a sentir profundamente irritado com a displicência do Benfica no ataque. O maior atrevimento do Marítimo significava, naturalmente, mais espaços dados na defesa, que nós poderíamos aproveitar para matar o jogo. Mas apesar de surgirem lances em que os nossos jogadores apareciam em igualdade ou mesmo em superioridade numérica, o que aconteceu quase sempre foi o portador da bola baixar a cabeça e tentar fazer tudo sozinho, acabando por ir para cima dos adversários e perdendo a bola - quantas vezes se viu o Nolito completamente solto na esquerda, e ninguém se lembrava de meter para lá a bola? Logo a abrir o Rodrigo falhou, isolado, o que poderia ter sido o segundo golo. O Marítimo respondeu com um remate que proporcionou a primeira defesa - e uma grande defesa, diga-se - do jogo ao Eduardo. e ao fim de quinze minutos chegou ao empate, num lance em que não há nada a fazer, porque um remate a vinte e cinco metros da baliza que leva a bola ao ângulo não deixa quaisquer hipóteses. Cinco minutos depois, só nova grande defesa do Eduardo evitou o segundo do Marítimo. E a vinte minutos do final, logo a seguir à entrada do Aimar, o previsível segundo golo madeirense apareceu mesmo, numa lances simples: balão para as costas da defesa, e o extremo Sami veio 'calmamente' desde a linha até ao meio para fazer um chapéu ao Eduardo, enquanto o Emerson assistia ao lance em posição privilegiada. Com o Aimar o nosso jogo subiu muito, mas a equipa esteve desastrada na finalização: contei pelo menos quatro oportunidades flagrantes (duas do Aimar, uma do Nolito e uma do Rodrigo) que desperdiçámos. E assim não admira que tenhamos ficado fora da Taça.

Melhor no Benfica o Jardel. Não foi por ele que o Benfica perdeu, e conseguiu controlar com facilidade o jogador adversário mais perigoso. Gostei também do Witsel, e dos vinte minutos do Aimar, pese as oportunidades falhadas. Para variar, não gostei do Rodrigo: esteve praticamente escondido do jogo, exagerou no individualismo e quando apareceu conseguiu falhar duas oportunidades flagrantíssimas para golo. O Gaitán, nem consegui perceber se jogou a segunda parte. Também não gostei do Emerson. Julgo que à vontade terá feito 90% dos passes para trás, porque arrisca pouquíssimo. A jogada típica foi a bola chegar-lhe aos pés, ele ver um adversário a dez metros, voltar-se para trás e atrasar a bola. Foi de tal forma que no início da segunda parte o Marítimo deu-se ao luxo de não colocar ninguém a controlar as suas eventuais subidas, preferindo reforçar o centro. Para piorar, foi interveniente directo no golo que deu a vitória ao Marítimo, pois deixou o seu adversário directo escapar e antecipar-se-lhe.

Eu percebo a necessidade de se gerir o plantel e tudo mais. Mas se queríamos mesmo vencer a Taça de Portugal, então tenho mais dificuldade em compreender que num jogo desta dificuldade nos demos ao luxo de deixar de fora jogadores como Maxi, Javi ou Aimar. Viu-se claramente a diferença que fez no nosso futebol a entrada do Aimar no jogo. Para além disso, o tempo de reacção à entrada do Marítimo na segunda parte foi tardio: viu-se desde início o reforço da zona central, e julgo que se teria imposto a troca de um avançado por um médio mais cedo, e não apenas depois de o mal estar feito. Enfim, depois das coisas acontecerem, criticar é fácil. Foi a primeira derrota da época, e alguma vez acabaria por acontecer. A Taça está perdida, resta-me apenas evitar histerias, desejar que se tenha aprendido alguma coisa com isto, e que no próximo fim-de-semana consigamos trazer a vitória deste mesmo estádio.

por D`Arcy às 22:42 | link do post | comentar | ver comentários (48)
Domingo, 27.11.11

Competência

Acabou por ser preciso sofrer um bocadinho mais do que o necessário e expectável, sobretudo devido à expulsão do Cardozo, mas no final conseguimos o resultado esperado, e atirámos com a lagartagem para quatro pontos de distância. Como satisfação extra, o facto do golo decisivo ter sido marcado por um dos meus jogadores preferidos. O jogo foi bastante disputado, não muito bem jogado, mas com várias oportunidades de golo repartidas pelas duas equipas.

As escolhas por parte do Jesus do Jardel para o lugar do Luisão e do Cardozo para o lugar de ponta-de-lança não foram surpresa. Apesar do Miguel Vítor ser presença mais assídua no banco, sempre que é preciso substituir de início um dos centrais titulares a escolha tem sido o Jardel, e o Cardozo já tem uma longa história de golos contra o sportém. Quanto ao jogo em si, as equipas encaixaram tacticamente bem uma na outra, e o futebol jogado não foi dos melhores: ambas pareciam ter algum receio de perder a bola no meio campo, e optavam muito pelo futebol mais directo em vez de tentarem construir jogadas mais elaboradas. A posse de bola foi sempre muito disputada, com nenhuma das equipas a conseguir uma clara supremacia nesse aspecto. Pela parte do Benfica era o Aimar quem mais se destacava na construção, enquanto que do lado do sportém era o espanhol marreco quem parecia ser capaz de criar mais perigo pelo seu lado. Entrou bem o sportém, até ao primeiro grande abanão no jogo, dado pelo Gaitán com um grande remate que acabou no poste. Respondeu o sportém com uma boa oportunidade também, numa combinação entre os dois holandeses que terminou com um remate ao lado. O jogo manteve-se sempre nesta toada de equilíbrio, até que a cinco minutos do intervalo, na sequência de um canto, o Javi surgiu ao primeiro poste e aproveitou a falha do tronco americano para desfazer o nulo. Dado o cariz do jogo, parecia-me ser fundamental marcar primeiro, até porque sabemos como jogam as equipas do Domingos e como podem complicar as coisas quando se apanham à frente do marcador.

Parecia que a segunda parte poderia ter o cenário ideal para o Benfica aproveitar o progressivo balanceamento do sportém na procura do empate e decidir o jogo, e logo após cinco minutos o Cardozo teve oportunidade para fazer isso mesmo, mas viu o golo ser-lhe negado pelo Patrício. O jogo continuava no mesmo ritmo da primeira parte, e o sportém respondeu dez minutos depois com um cabeceamento do Elias, que proporcionou ao Artur uma defesa fantástica. Aos vinte minutos as coisas complicaram-se muito para o Benfica, pois o Cardozo fez-se expulsar e o sportém passou então a ter um controlo claro da posse de bola, com o Benfica a remeter-se à defesa da vantagem mínima. Logo no minuto seguinte o Artur quase borrava a pintura, ao confiar que uma bola sairia pela linha de fundo e acabando por ver um remate do Elias passar muito perto do poste. Mas o período de algum desnorte do Benfica durou pouco, pois a equipa depressa se acalmou e, com grande espírito de entreajuda e uma grande organização passou até a conseguir manter o sportém longe da nossa baliza com uma aparente maior facilidade do que o vinha fazendo com onze. A tarefa foi ficando facilitada também porque eles começaram a optar cada vez mais por despejos longos para a área, ou tentativas estéreis de jogadas individuais, sobretudo pelo espanhol marreco, que terminavam com este a deixar-se cair à espera de alguma falta. O Benfica conseguiu mesmo, apesar da inferioridade numérica, criar ocasiões de perigo e acabou por ver o Gaitán acertar outra vez no ferro, numa tentativa de canto directo, e o Patrício negar o golo ao Rodrigo, que se isolou pela esquerda a passe do recém entrado Nolito. O apito final acabou por soar com o resultado inalterado, para alegria dos benfiquistas e azia da viscondagem, que depois se dedicou ao seu habitual mau perder - não percebo porque razão é que continuam a comportar-se assim quando perdem connosco. Já deviam estar habituados. Afinal de contas, já vamos em 1009 dias.

Fiquei satisfeito com a capacidade de luta que a equipa mostrou durante todo o jogo, e em especial quando se apanhou em inferioridade numérica. Javi García foi um gigante: marcou o golo decisivo mas também apareceu em todo o lado, cortando uma infinidade de lances pelo ar e pelo chão. Também Aimar, Witsel, Garay e Artur estiveram muito bem. O Jardel, na complicada tarefa de substituir o Luisão, não tremeu, e o Maxi conseguiu suster as investidas do espanhol marreco e do Insúa, e ainda dar a habitual ajuda lá à frente.

Sempre ouvi dizer que se devia 'dar asas ao sonho'. Isso deve querer dizer que os sonhos podem voar. É capaz de ser é um bocadinho complicado manterem-se lá em cima durante muito tempo quando estão enjaulados e atrelados a um tractor. Não admira portanto que acabem por estampar-se, e isto torna-se particularmente cómico quando a aterragem é invariavelmente feita com os dentes e com uma elegância paquidérmica. Para tanta bazófia com que andaram durante semanas enquanto venciam jogos contra equipas que lutam pela manutenção, é estranho que não tenham conseguido sequer empatar contra uma equipa reduzida a dez durante meia hora. Isto para uma equipa que, segundo um dos inúmeros cabeças-de-vento que têm como dirigentes, apenas o Barcelona e o Real Madrid podem ambicionar ombrear com ela, parece-me um desempenho algo decepcionante. Quanto a nós, invencibilidade mantida por mais um jogo e primeiro lugar preservado. Com muita competência.

P.S.- Quero desde já repudiar as condições infra-humanas que foram proporcionadas à malta de sangue azul do Lumiar no nosso estádio. Fechados naquele espaço, não se conseguiam ouvir, comprovando a teoria lançada pelo Salema, esse grande pensador dos tempos modernos - a rede utilizada era especial, e deflectia o som quando ele tentava passar pelos buracos. Ainda por cima estavam todos ao molho - aquelas clareiras que se viam naquele espaço não significam nada, porque aquilo é gente importante e precisa de muito espaço individual. Quanto ao tempo que tiveram que esperar para entrar no estádio, até acredito que tenham razão em queixar-se, mas a culpa deve ser da organização da PSP. É que quando eu vou ao Alvalixo costumo ter exactamente o mesmo problema. Ainda assim, e provavelmente fazendo uso dos fósforos que esconderam nos sapatos de vela e nos pólos Lacoste que levavam sobre os ombros, conseguiram pegar fogo ao nosso estádio. Para a próxima não é na estrutura de segurança que ficam. É na rua mesmo, e pagamos a multa.

por D`Arcy às 09:09 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Quarta-feira, 23.11.11

Apurados

Ainda não foi desta que perdemos o primeiro jogo. Sobrevivemos em Old Trafford, arrancando um empate que garante a passagem à próxima fase e que coloca o primeiro lugar no grupo dependente apenas de nós próprios.

Onze sem qualquer surpresa, já que a única dúvida que poderia eventualmente haver seria quem jogaria como avançado: Cardozo ou Rodrigo. A escolha foi o espanhol, apoiado mais de perto pelo Aimar. O Benfica teve uma entrada muito boa no jogo, naturalmente ajudado por um golo madrugador: logo aos dois minutos, após uma boa jogada que envolveu vários passes em progressão, a bola só acabou no fundo da baliza inglesa, quando o Jones a enviou para lá na tentativa de impedir que chegasse aos pés do Rodrigo, que ao segundo poste aguardava o cruzamento do Gaitán. Na fase inicial do jogo a equipa mostrou confiança, trocando bem a bola e, quando não estava na posse dela, pressionando de forma inteligente, de forma que o Manchester era incapaz de sair a jogar, o que chegou a provocar o desagrado dos próprios adeptos. Mas infelizmente esta boa fase durou apenas cerca de vinte minutos. Aos poucos o Manchester começou a libertar-se, e o Benfica não pareceu lidar bem com as movimentações dos avançados ingleses, que recuavam e conseguiam quase sempre receber a bola no espaço entre a defesa e o meio campo. O empate surgiu à meia hora de jogo, num cabeceamento do Berbatov - quando se joga com a defesa em linha corre-se sempre o risco de falhar e deixar um adversário em jogo, ou que um fora-de-jogo mais no limite possa passar despercebido, e foi o que aconteceu nesse lance. O empate fez mal ao Benfica: é verdade que a equipa manteve-se concentrada e a organização defensiva não abanou muito, mas o mesmo não se pode dizer em relação ao ataque, já que fomos progressivamente deixando de conseguir construir lances ofensivos, e nem sequer conseguíamos manter a posse de bola por muito tempo. Podíamos ter sofrido o segundo golo logo de seguida, não fosse a excelente intervenção do Artur, mas ainda conseguimos responder através do Aimar, tendo depois o resto da primeira parte decorrido sem grandes sobressaltos.

O início da segunda parte foi penoso. Aquilo que de mau tínhamos mostrado após o golo do empate acentuou-se ainda mais, e o Benfica literalmente deixou de ter bola, limitando-se a deter as vagas de ataque do Manchester. As tentativas de saída para o ataque só conseguiam ser feitas através de passes longos, o que obviamente o Manchester agradecia. O golo do Manchester adivinhava-se, e só mesmo a forma solidária (e às vezes quase desesperada) como o Benfica ia defendendo, e a classe do Artur conseguiam ir adiando o inevitável. Para piorar as coisas, ao fim do primeiro quarto-de-hora o Luisão lesionou-se e teve que ser substituído pelo Miguel Vítor, e o Manchester acabou mesmo por marcar logo a seguir. As coisas podiam ter ficado muito complicadas para o Benfica nesta altura, mas tivemos a sorte do nosso lado e conseguimos empatar quase na resposta, com o Bruno César a aproveitar um mau alívio do De Gea e a jogada a acabar com o Aimar a finalizar à boca da baliza. Este golo 'esvaziou' o ímpeto do Manchester, e com a ajuda das entradas do Matic (boa entrada no jogo) e do Rúben, acabámos por conseguir controlar o jogo até final sem muitos sustos, isto apesar do Manchester ter continuado sempre a ter muito mais posse de bola.

O primeiro realce é para a organização, solidariedade e maturidade de toda a equipa. Quanto a destaques individuais, escolho o Artur, que defendeu tudo o que era humanamente possível, e até algumas impossíveis; o Garay, que mostra cada vez mais ser o complemento ideal do Luisão no centro da nossa defesa, o Witsel, que foi um gigante no meio campo, e o Aimar, que lutou e trabalhou até à exaustão e foi recompensado com o golo que carimbou o nosso apuramento. Quero mencionar ainda o Miguel Vítor, que entrou a frio no jogo, logo para o lugar do Luisão, e viu a equipa sofrer um golo logo a seguir. Mas não tremeu, e cumpriu a sua função até final com distinção.

É impossível não fazer comparações com o Benfica na Champions o ano passado. Esta equipa está muito mais adulta, e hoje fez ao Manchester aquilo que nos fizeram várias vezes o ano passado. Quando o adversário falhou, aproveitou de forma terrivelmente fria eficaz essas falhas. O ano passado perdemos todos os jogos da fase de grupos disputados fora de casa, sem marcar um único golo; este ano não perdemos um único. A experiência nota-se e a equipa sente-se mais confortável a jogar na Champions. E nós, adeptos, sentimo-nos também mais confortáveis e confiantes ao vê-la nesta competição. Foi fantástico ouvir, durante largos períodos de tempo, Old Trafford silenciado por cânticos de apoio ao nosso Benfica. Agora que a questão do apuramento está arrumada, é tempo de passar a pensar no jogo de Sábado. E esperar que esteja tudo bem com o nosso capitão.

por D`Arcy às 00:03 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Sexta-feira, 18.11.11

Tormenta

Péssimo relvado, mau jogo, sofrível exibição, bom resultado. E o Benfica passou incólume pela tormenta e está na próxima eliminatória da Taça de Portugal, que é o que mais interessa.

Onze inicial com várias alterações, conforme esperado. Eduardo na baliza, Miguel Vítor e Capdevila nas laterais, Rúben Amorim na direita do meio campo, e um dupla de avançados constituída pelo Mora e o Nélson Oliveira. O problema maior deste jogo, e que acabou por condicioná-lo do princípio ao fim, foi o estado do relvado, completamente alagado devido à chuva torrencial que teimou em cair durante quase todo o jogo. Houve sempre muita luta e pouco futebol jogado, com o Benfica a tentar naturalmente assumir as despesas do ataque, mas sendo muito difícil construir jogadas minimamente elaboradas, já que jogar em passes curtos era quase impossível, e progredir com a bola nos pés muito difícil. Ainda assim conseguimos criar três boas oportunidades de golo, pelo Nélson Oliveira, Mora e Nolito, mas o nulo ao intervalo era perfeitamente normal para o futebol que se conseguiu jogar.

Pouco ou nada mudou na segunda parte, tendo-se caído numa situação em que praticamente só se conseguia levar a bola para o ataque com pontapés para a frente, porque tentar fazê-lo de outra forma era um suplício. Qualquer livre tinha que ser aproveitado para despejar a bola para as imediações da área, mas o Benfica hoje não mostrou muita inspiração para criar perigo através destes lances, ou dos vários cantos que conseguiu conquistar. A Naval também conseguiu ser um pouco mais perigosa, sobretudo através de contra-ataques, mas também esses lances foram afectados pelo estado do relvado (com uma grande excepção, que por pouco não resultou em golo). Mas mais uma vez foi o Benfica quem criou mais e melhores oportunidades para marcar: Javi García, com a bola a ficar presa na lama quando ele estava pronto para, à boca da baliza, a empurrar para o golo; Bruno César, a cabecear na pequena área após boa iniciativa do Nolito, e a ver o guarda-redes da Naval fazer uma defesa pouco ortodoxa com o pé, quando já estava em desequilíbrio; e Rúben Amorim, num remate de fora da área que passou muito perto do poste. Foi preciso recorrer ao novo menino bonito da Luz, Rodrigo, que saltou do banco a oito minutos do final e, da primeira vez que tocou na bola, marcou o golo decisivo. Foi após mais um livre despejado para a área pelo Rúben, com um defesa da Naval a falhar o corte e a deixar a bola morta no centro da área, para um remate rasteiro de primeira e à meia volta do Rodrigo. Eliminatória resolvida, e prolongamento evitado.

Apesar de ser difícil fazer muitos destaques num jogo destes, elejo Rúben Amorim, Nolito e Luisão como melhores neste jogo. O Rúben jogou 'à Rúben': fez três posições durante o jogo, e foi muito competente em todas elas - talvez onde tenha estado melhor foi no centro do terreno. O Nolito foi sempre dos mais batalhadores e irrequietos no ataque, sendo autor de muitas das nossas jogadas mais perigosas. E o Luisão foi o patrão do costume, num jogo em que teve muito trabalho devido ao elevado número de lances aéreos que foi obrigado a disputar.

Vitória justa, missão cumprida na Figueira, e agora pensemos em garantir a passagem aos oitavos-de-final da Champions já em Manchester.

por D`Arcy às 22:52 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 07.11.11

Javi

Quem costuma ler aquilo que habitualmente escrevo neste espaço saberá perfeitamente que nutro uma enorme admiração pelo Javi García. É um dos jogadores que mais admiro no Benfica, e que mais gosto tenho em ver com a nossa camisola. Admiro-o pela qualidade que tem como jogador, pela raça com que joga, e pelo profissionalismo exemplar que demonstra desde que chegou ao nosso clube. Já afirmou diversas vezes que para ele é um orgulho vestir a nossa camisola, e eu penso sempre que sinto também orgulho em que ele a vista, porque o considero um jogador 'à Benfica'.

 

 

O Javi García é, para mim, um dos jogadores mais importantes no Benfica do Jorge Jesus, pelo equilíbrio táctico que confere à equipa. Por vezes é fácil passar quase despercebido num jogo, mas basta prestar um bocadinho de atenção à forma como se movimenta em campo, especialmente quando a bola ainda está longe, para se perceber o quão importante é. E alguns dos nossos adversários, mesmo que não tenham honestidade suficiente para lhe reconhecer publicamente o valor que tem (preferem apelidá-lo sistematicamente de caceteiro, a exemplo do que fizeram no passado com outro jogador nosso de enorme qualidade - Katsouranis), também percebem muito bem essa importância. Não é por acaso que o sonso do MST há muito tempo que elegeu o Javi como um dos seus alvos predilectos nas crónicas que escreve para 'A Bola', tendo mesmo chegado a apelidá-lo de 'jogador mais sujo do campeonato'. A verdade é que o Benfica é normalmente uma equipa diferente quando o Javi não pode jogar, e é por isso do maior interesse dos nossos adversários que isso aconteça.

 

Vem isto a propósito do quê? É que uma serigaita batoteira que anda há anos a arrastar pelos campos do país um penteado que deixaria orgulhosa qualquer prostituta de berma de estrada num país do quarto mundo resolveu agora, passadas vinte e quatro horas sobre um jogo em que mesmo com empurrões proencianos e tropeções em cabos eléctricos não nos conseguiram vencer, acusar o Javi de racismo. Não sei quem lhe terá encomendado o discurso, mas convinha que tivessem escolhido outro jogador para o fazer, não um batoteiro que ganha a vida a enganar árbitros e a defraudar os esforços de colegas de profissão à custa de batota. Se calhar está ressabiado porque o Javi se recusou a cumprimentá-lo durante o jogo. Isso só aumenta a minha admiração pelo Javi, porque eu ainda me lembro desta criatura o ano passado a rebolar-se pelo chão em agonia, agarrado ao pescoço como se estivesse a sufocar, conseguindo com essa batota ajudar a colocar um ponto final numa série de dezoito vitórias consecutivas do Benfica. E é este traste que agora se quer fingir ofendidinho por lhe terem chamado qualquer coisa durante o jogo?

 

Que o Javi García não é nenhum racista, disso não tenho dúvidas nenhumas. E se tiver chamado alguma coisa ao batoteiro durante o jogo, o que quer que tenha sido não só foi merecido, como ainda terá sido pouco. Força, Javi!

por D`Arcy às 22:26 | link do post | comentar | ver comentários (71)
Domingo, 06.11.11

Pouco

Não sei dizer se ganhámos um ponto ou perdemos dois, sei apenas que não estou satisfeito com o resultado, nem particularmente impressionado com a nossa exibição, embora reconheça a dificuldade do jogo e ainda a influência dos vários factores desestabilizadores que ocorreram.


Algumas alterações na equipa titular, sendo a mais surpreendente a titularidade do Rúben Amorim na direita do meio campo, saindo o Bruno César do onze. Na frente, desta vez foi o Cardozo quem começou o jogo, ficando o Rodrigo no banco. E quanto à primeira parte, sinceramente, não me é possível dar uma opinião pormenorizada. Quando decorrem oitenta minutos desde o apito inicial do árbitro até à saída para intervalo, devido a constantes falhas de luz, o mais natural é perder interesse no jogo, porque o ritmo é constantemente interrompido e a qualidade sofre com isso. Pelo que me consegui aperceber, o jogo foi equilibrado, disputado sobretudo na zona do meio campo, e com muito poucas oportunidades flagrantes de golo - da nossa parte apenas me recordo de um cabeceamento do Cardozo, que passou muito perto do poste. Mesmo a fechar os oitenta minutos, surgiu uma obra de arte do nosso amigo desdentado Proença, a dar continuidade à sua longa história de assinalar penáltis contra nós, e nunca os assinalar a nosso favor (não vá alguém acusá-lo de ser benfiquista). Lá descortinou uma mão intencional do Emerson, e o Braga saiu para intervalo na frente.

Na segunda parte a aposta arriscada foi retirar um médio para entrar um segundo avançado (Rodrigo), e pareceu-me que o Braga tirou partido disso para ganhar superioridade na zona do meio campo. O jogo continuou a ser mais disputado que bem jogado, com muito poucas oportunidades de golo, e sinceramente pensei que só mesmo numa jogada fortuita é que conseguiríamos evitar a primeira derrota da época. Irritou-me um pouco o facto de me parecer que explorámos pouco as alas, sabendo-se que o Braga tinha sobretudo um problema na esquerda da defesa - curiosamente, o Maxi até foi dos que mais arriscou atacar por aquele lado, e acabou por fazer um jogo abaixo do seu habitual, com diversas perdas de bola no ataque e passes errados. O golo do empate acabou mesmo por surgir de uma forma algo feliz, com um remate enrolado do Rodrigo, aproveitando um mau alívio da defesa, a ser desviado por um defesa e a trair o amuadinho da baliza. Até final, apesar de ambas as equipas mostrarem vontade em conseguir mais, mostraram também falta de inspiração para fazer melhor - no caso do Benfica, só mesmo na última jogada do encontro é que voltei a ver uma boa ocasião de golo, num remate cruzado do Rodrigo.

Fiquei com a impressão de que houve jogadores importantes que hoje passaram ao lado do jogo. Já citei o Maxi, mas também não gostei do que jogou o Aimar, Cardozo ou Gaitán (com a excepção da boa jogada em que ofereceu o golo ao Cardozo, no tal cabeceamento que passou perto do poste), por exemplo. Não estou a dizer que estiveram muito piores do que os colegas, porque acho que a equipa toda até esteve mais ou menos homogénea em termos exibicionais. Apenas esperava mais destes jogadores num jogo importante como este.

Um empate em Braga é melhor do que aquilo que conseguimos nos dois últimos anos. E tal como nesses dois anos, com o Sousa e o Xistra, o Braga voltou a contar com um reforço de peso (Proença) - sempre tão estrito em tudo o que seja contra o Benfica, sempre tão permissivo no que seja a favor. Por isso mesmo talvez o empate acabe por ser um mal menor. Mas, obviamente, sabe-me a pouco, porque desejava mais.

por D`Arcy às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Quinta-feira, 03.11.11

Desleixo

Empate justo a castigar uma exibição desinspirada e até mesmo desleixada do Benfica. Numa noite em que poderíamos ter já deixado a questão da qualificação resolvida, preferimos acomodar-nos e acabámos por adiar o assunto para os próximos jogos.

Para a posição de lateral esquerdo a escolha foi a mais natural: Luís Martins, evitando qualquer tipo de adaptação. As outras alterações ao onze habitual foram o Matic no lugar do Javi, e a escolha do Rodrigo para o lugar de ponta-de-lança, relegando o Cardozo para o banco. O jogo teve uma entrada de rompante do Benfica e do Rodrigo: um remate ao poste no primeiro minuto e um grande golo aos quatro, num remate de primeira sem deixar a bola cair no chão, a levar a bola ao ângulo. O bom momento do Benfica durou uns vinte minutos, mas a partir daí a equipa foi perdendo velocidade e agressividade, assumindo cada vez mais uma atitude expectante e limitando-se a ver os suíços jogar, preferindo aguardar pelo erro para depois sair para o ataque. Mas mesmo estas saídas para o ataque foram-se tornando progressivamente mais lentas e previsíveis.

A segunda parte deu continuidade ao que de mau estava a ser feito na primeira. O Benfica continuou expectante, limitando-se a assistir enquanto permitia ao Basileia assentar e fazer o seu jogo com relativo à vontade no relvado da Luz. É verdade que os suíços não encostavam o Benfica lá atrás porque simplesmente não têm futebol para isso, e ainda por cima faltava-lhes a dupla de avançados habitual - os que jogaram esta noite são muito inferiores aos titulares Frei e Streller. Mas a passividade e mesmo indolência do Benfica tornava previsível que o golo do empate pudesse chegar. Até porque no ataque pouco ou nada fazíamos, dada a velocidade com que insistíamos em jogar. O empate lá surgiu, a meio da segunda parte e logo após uma pouco compreensível substituição do Luís Martins (cumpriu sem deslumbrar ou comprometer) pelo Miguel Vítor, mas a reacção do Benfica foi pouco intensa. A forma como o marcador do golo apareceu solto à entrada da área não surpreende, dada a forma macia como o nosso meio campo insistiu em actuar durante quase todo o jogo. Os suíços pareceram ficar encantados com o resultado, e os jogadores do Benfica, salvo raras excepções, insistiram em jogar a passo, pelo que o empate lhes assenta muito bem.

A exibição dos nossos jogadores foi, no geral, cinzenta. Maxi e Rodrigo talvez dos poucos a mostrar alguma vontade mais, e a dupla de centrais esteve segura. O Matic, por mais que queiram elogiá-lo, continua a irritar-me naquela posição. É apenas uma opção de recurso, e para mim não chega aos calcanhares do Javi. Continua a insistir em agarrar-se demasiado à bola, e com ele perdemos logo dois ou três segundos no primeiro passe na saída para o ataque; quanto ao sentido posicional e inteligência táctica, prefiro não me alongar. O Witsel esteve também muito discreto, quase não se dando por ele no jogo.

Este jogo era da Champions, e nesta competição não se pode dar nada por garantido. Não faz sentido nenhum dar a iniciativa de jogo ao adversário quando se está na frente do marcador por uma margem mínima - e 'dar' é o verbo correcto, porque fiquei sempre com a impressão de que não foi o Basileia a pressionar para controlar o jogo, mas sim nós a 'encostarmo-nos' e deixarmos que eles fizessem o que muito bem quisessem em campo. Não sei se foi a pior exibição do Benfica esta época, mas foi certamente a que mais me irritou. Porque foi daqueles jogos que me deixam com a sensação de que só não fizemos mais porque não quisemos.

por D`Arcy às 04:19 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Segunda-feira, 24.10.11

Capdevila

A situação actual do futebol do Benfica é a seguinte: dezasseis jogos oficiais disputados, nenhuma derrota, liderança repartida da Liga, qualificação tranquila para a fase de grupos da Champions League, onde vai ocupando a liderança isolada do seu grupo, e presente na Taça de Portugal, tendo mesmo agora o sorteio ditado a Naval como adversário na quarta eliminatória. A equipa vai ganhando jogos com naturalidade, conseguindo até algo raro no Benfica - resultados positivos mesmo quando nem joga muito bem - e é perfeitamente capaz de arrancar uma exibição mais conseguida quando tal é necessário. Basicamente, o Benfica este ano parece quase sempre conseguir jogar q.b. para arrancar o resultado necessário ou desejado. Este cenário acaba por ser um tanto ou quanto aborrecido (e até, se calhar, surpreendente, tendo em conta a muita berraria a que uns poucos se dedicaram durante a pré-época), porque é preciso algo com que implicar, já passou muito tempo desde o empate com o Gil Vicente, e já cansa estar sempre a embirrar com o Jesus só por causa do penteado ou das declarações que faz. É preciso algo mais substancial.

 

Nada melhor, portanto, do que recuperar o assunto Capdevila. O Capdevila é apenas mais um na longa linha de jogadores que, por não serem opção regular para o Jorge Jesus, são considerados jogadores fabulosos, que nos permitiriam ganhar todos os jogos por pelo menos seis a zero com a sua simples presença em campo. O Urretamessivizcaya, o Shaffer ou o Nuno Gomes são mais alguns exemplos desta classe de jogador. Na situação actual, basta que o Emerson faça uma asneira qualquer para que se volte a falar do Capdevila. Acho que, no fundo, é o treinador de bancada que existe em cada um de nós, e que no íntimo acha que até era capaz de fazer algumas coisas melhor do que o Jesus. O Capdevila até é um argumento de peso: afinal, trata-se de um jogador campeão europeu e mundial pela sua selecção. Pessoalmente, no entanto, isso não me convence muito sobre uma superior valia dele em relação ao Emerson. A selecção espanhola foi campeã europeia e mundial e o Capdevila, fazendo parte dessa equipa, ganhou esses títulos. Mas honestamente, não me parece que tenha grande concorrência pelo lugar na selecção (alguém consegue nomear um actual defesa esquerdo espanhol de nível?), e isso em parte explicará o facto de, aos 33 anos, continuar a ser opção do seleccionador. Os principais clubes espanhóis têm estrangeiros no lugar de lateral esquerdo, e o próprio Capdevila fez toda a sua carreira em clubes de segunda linha (Deportivo e Villarreal, depois de uma passagem fugaz pelo Atletico), o que explica que tenha pouquíssimos títulos conquistados em clubes (uma Taça e duas Supertaças, se não estou em erro). Nas (poucas) oportunidades que teve esta época, não mostrou mais do que aquilo que o Emerson tem feito - e quem estiver familiarizado com os jogos da selecção espanhola, sabe perfeitamente o tipo de jogador que é: um defesa certinho, pouco dado a exuberâncias. Para mim, campeão do mundo ou não, o Capdevila é apenas mais uma opção no nosso plantel, e considero que o treinador tem toda a legitimidade para escolhê-lo ou não para titular.

 

Eu não acho que o Jorge Jesus esteja sempre certo. Comete erros, como toda a gente, e muitos deles por teimosia ou casmurrice. Acho mesmo que no caso do Capdevila cometeu um erro crasso ao não o inscrever na Champions, e a desculpa que deu para não o ter feito foi perfeitamente esfarrapada. Ao contrário do que ele afirmou, o Jardel não pode fazer mais nenhuma posição a não ser a de defesa central (aliás, tremo só de imaginá-lo a fazer qualquer outra posição), e para aí poderíamos ter o Miguel Vítor e, em caso de muita necessidade, o Javi García. Não faz muito sentido deixarmos a posição de lateral esquerdo entregue a um único jogador, tendo como opção de emergência um outro que ainda não fez um único jogo sénior na sua carreira. Mas apesar de não concordar sempre com ele, sou um apoiante entusiástico do Jorge Jesus. Porque o que eu quero, acima de tudo, é que o Benfica ganhe, seja com o Emerson ou o Capdevila em campo. E a verdade é que, com o Jesus, o Benfica ganha muitas vezes, surpreendendo-me por vezes a memória curta que muitos benfiquistas têm em relação a isto. Parece-me que no caso de um treinador cuja percentagem de vitórias no Benfica é apenas superada pelo inigualável Jimmy Hagan, os resultados falam por si.

 

Eloquentemente, diga-se.

por D`Arcy às 12:26 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Domingo, 23.10.11

Suada

Vitória suada mas justa e preciosa do Benfica em Aveiro, num jogo aborrecido e no qual tecnicamente não deslumbrou, parecendo até por vezes mostrar uma certa ressaca do último jogo da Champions.

Algumas surpresas no onze inicial, com as ausências do Javi García, Gaitán e Aimar. Mas o Benfica este ano tem mais opções no plantel, e para os seus lugares entraram o Matic, Nolito e Saviola. Na direita da defesa o regressado Rúben Amorim substituiu o lesionado Maxi Pereira. O Benfica teve uma boa entrada no jogo, mas o Beira Mar mostrou que não seria um adversário fácil. Apostando sobretudo em defender, o que soube fazer de forma bastante organizada - por algum motivo eram e continuam a ser a defesa menos batida da Liga - conseguia por vezes sair de forma rápida para o ataque, causando problemas à nossa defesa. Depois da primeira meia hora o jogo começou a ficar mais equilibrado, e mesmo continuando o Benfica a ter muita posse de bola, adivinhava-se uma tarefa difícil conseguir quebrar a resistência aveirense, porque as oportunidades escasseavam. O golo acabou por surgir de forma algo inesperada, quando o guarda-redes do Beira Mar deu uma 'rosca' na tentativa de pontapear um passe longo do Saviola, permitindo ao Cardozo cabecear para a baliza deserta.

A segunda parte teve poucos motivos de interesse. Se o Beira Mar tem a melhor defesa da Liga, também é verdade que tem o pior ataque, com apenas três golos marcados (e todos no mesmo jogo), pelo que se adivinhava difícil que conseguissem evitar a derrota. Mas o Benfica também não mostrou grande inspiração para conseguir marcar o golo da tranquilidade - lembro-me talvez do remate do Rúben ao poste, e pouco mais - pelo que havia sempre o risco de um lance fortuito resultar num golo do adversário. E à medida que o tempo foi passando o Beira Mar foi acreditando e tentando pressionar mais em busca desse golo, mas nunca conseguiu assumir um claro domínio no jogo, criando também apenas uma real oportunidade de golo. Não fosse o nervoso miudinho pelo facto de a vantagem do Benfica ser mínima e a segunda parte teria sido praticamente um longo bocejo. O melhor mesmo foi o apito final, e a confirmação de mais três pontos nas nossas contas.

O jogador do Benfica que mais me agradou ver jogar foi o Witsel, que neste jogo esteve claramente acima dos restantes. Artur e a dupla de centrais também estiveram sólidos, mas no geral não houve propriamente muitas exibições de encher o olho.

Saimos de Aveiro com os três pontos no bolso, e isso é o mais importante. Aliás, agrada-me que presentemente tenha a sensação de que mesmo quando não fazemos uma exibição brilhante, conseguimos vencer jogos. Não é possível jogar sempre bem, mas podemos ambicionar vencer sempre. São vitórias em jogos como este que também dão campeonatos.

por D`Arcy às 02:23 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Terça-feira, 18.10.11

Fundamental

Mais uma exibição muito personalizada e confiante da nossa equipa, e uma vitória fundamental no terreno de um adversário directo na luta pela qualificação. A equipa soube pressionar e atacar na altura certa, defender bem quando foi preciso, e até sofrer quando não houve alternativa. Em todos esses momentos mostrou sempre eficácia, simplicidade de processos, e muita calma.

A grande surpresa que o Jorge Jesus reservou para o onze desta noite foi a entrega da titularidade ao Rodrigo na frente de ataque, em detrimento do Cardozo. A táctica foi a esperada, com o Witsel a ajudar no trabalho do meio campo e o Aimar a fazer a ligação com o ataque. O Basileia pareceu entrar no jogo com vontade de mostrar serviço, mas o ímpeto inicial dos suíços durou pouco tempo. O Benfica depressa tomou conta da bola, soube guardá-la, e passou a pautar o ritmo do jogo. Quando não tínhamos a bola, a pressão (alta) era feita de forma eficaz, e impedia o Basileia de sair a jogar e construir jogadas de ataque. E quando a recuperávamos e havia oportunidade para isso, nas transições rápidas, aproveitando também a mobilidade do Rodrigo, íamos causando perigo. O primeiro golo do Benfica acabou por surgir aos vinte minutos de jogo, numa bonita jogada de ataque. O Gaitán arrancou pela direita e depois, com tudo a ser feito ao primeiro toque, tabelou com o Aimar e passou a bola para o Rodrigo. Este, no centro da área e num pormenor genial, deixou-a passar entre as pernas para nas suas costas surgir o Bruno César, completamente solto, a colocar a bola rasteira junto do poste. O golo desnorteou ainda mais o Basileia, que apenas nos minutos finais conseguiu carregar um pouco em busca do golo do empate, mas os seus avançados caíram frequentemente na armadilha do fora-de-jogo.

Na segunda parte o Benfica continuou a controlar o ritmo do jogo, tendo tido largos momentos em que fez a bola rodar por quase toda a equipa e a toda a largura do campo, sem que o Basileia a pudesse tocar. Faltava era marcar o golo da tranquilidade, que o Benfica ia ameaçando, mesmo que por vezes até parecesse estar a jogar numa velocidade de cruzeiro. Com dez minutos decorridos, O Emerson teve uma ocasião para fazer esse golo, ao aparecer completamente solto dentro da área, sobre a esquerda. Mas infelizmente preferiu tentar o remate cruzado, que foi defendido pelo guarda-redes, quando lhe bastaria tocar a bola para o lado, onde o Rodrigo estava completamente solto. A partir do meio da segunda parte o Basileia começou a arriscar mais na procura do golo, e construiu mesmo uma grande oportunidade de golo, negada em estilo pelo Artur, que fez bem a mancha aos pés do Streller. Logo a seguir entrou o Cardozo para o lugar do Rodrigo, e cinco minutos depois de estar em campo deu a machadada final nas aspirações dos suíços. Livre bem à sua maneira, descaído sobre a direita da área (por falta cometida sobre ele), e o remate a partir rasteiro, passando a bola sob a mini-barreira do Basileia para entrar junto ao poste mais próximo. Depois do segundo golo, veio o período mais negro do Benfica no jogo: de repente perdemos o Maxi por lesão (entrou o Miguel Vítor para lateral), o Emerson por expulsão (foi o Bruno César fingir que era lateral), e o Gaitán andou no campo a fazer figura de corpo presente, já que estava claramente diminuído fisicamente. A juntar à festa, o Jorge Jesus conseguiu ser mandado para a rua. Apesar de tudo isto, durante todo esse tempo nem por uma vez o Basileia conseguiu criar uma verdadeira jogada de perigo, e nem deu para ficar nervoso à espera que o jogo acabasse.

Já vem sendo um hábito destacar, acima de tudo, a equipa num todo, e hoje creio que mais uma vez isso se justifica. Em termos individuais, achei que o Luisão esteve simplesmente imperial, sem cometer uma única falha durante todo o jogo. Foi bem acompanhado pelo Garay. Muito bem também o Artur, sem ter tido muito trabalho mas a mostrar muita segurança sempre que interveio, e classe nos momentos mais difíceis. Gostei também muito da exibição dos dois médios mais recuados, Javi e Witsel. Quem menos me agradou foi o Emerson, que se deixou ultrapassar demasiadas vezes na primeira parte no um para um - o seu adversário directo, Shaqiri, pareceu ser um dos jogadores mais rápidos e perigosos do Basileia, mas precisamente por isso o Emerson não lhe deveria ter dado tantas vezes tempo e espaço para receber a bola e arrancar com ela controlada. E depois ainda juntou a isto uma expulsão desnecessária.

O Benfica e o Jorge Jesus parecem ter aprendido bem as lições da Champions da época passada. Na altura, por diversas vezes vimos o Benfica dominar jogos e atacar às vezes de forma quase desesperada, para depois acabar por sofrer golos e perder jogos de forma inacreditável. Este ano a equipa tem vindo a demonstrar uma calma e maturidade na abordagem aos jogos que já é mais consentânea com a prova que a Champions League é. Hoje conseguimos uma vitória importantíssima, que significou um passo de gigante para a qualificação. Falta-nos agora jogar dois jogos em casa e um fora, pelo que poderemos utilizar a vantagem de jogar na Luz para carimbar essa mesma qualificação. Para a recepção ao Basileia, a maior dor de cabeça será mesmo encontrar uma alternativa ao Emerson. Laterais esquerdos inscritos na Champions para além do Emerson, só o Luís Martins e... o Peixoto.

por D`Arcy às 23:50 | link do post | comentar | ver comentários (64)
Sexta-feira, 14.10.11

Paciente

Vitória tranquila do Benfica numa exibição paciente e competente, que nos deu a passagem à quarta eliminatória da Taça de Portugal. A superioridade do Benfica nunca foi posta em causa, e o resultado foi conseguido sem ser necessário despender grandes esforços.

Dos jogadores que jogam mais habitualmente, o Jorge Jesus manteve apenas a dupla de centrais e dois médios-ala (Nolito e Bruno César). De resto, vários jogadores a disputarem os primeiros minutos oficiais da época: Eduardo, Miguel Vítor, David Simão e Nélson Oliveira, e ainda a estreia a titular do Rodrigo. A completar o onze, Matic e Capdevilla. O Benfica foi obrigado a ser paciente neste jogo porque o Portimonense apresentou uma estratégia digna dos tempos áureos do catenaccio, faltando-lhe apenas o jogo sujo para ser uma imitação perfeita de uma equipa italiana dessa era. Jogaram sem um único avançado de raiz, e acumularam jogadores atrás, o que resultou num jogo disputado quase na maioria do tempo no último terço do campo, junto à área do Portimonense. Nestas condições era complicado apresentar um futebol com muita qualidade, até porque, ainda por cima, o relvado estava em más condições e ainda dificultava mais a tarefa aos nossos jogadores. Também tivemos a nossa quota de responsabilidade nisto, porque não empregámos muita velocidade e pareceu-me que não explorámos muito os flancos, acabando por insistir muito pelo meio, precisamente a zona onde o Portimonense acumulava mais jogadores. As oportunidades acabaram por não ser muitas: o Nélson Oliveira teve um remate cruzado perigoso, ainda na fase inicial, e depois disso julgo que se destacarão apenas um livre do Capdevilla que levou a bola ao poste e um remate do Matic depois de uma boa iniciativa individual, defendido em dificuldade pelo guarda-redes.

Para a segunda parte o Benfica entrou com o Saviola no lugar do Nélson Oliveira e também com um pouco mais de velocidade, e logo no primeiro minuto teve outra boa oportunidade para marcar, mas o cabeceamento do Luisão, após livre do Nolito na direita, passou a rasar o poste. Antes de terminado o primeiro quarto de hora, e pouco depois de o Witsel ter substituído o David Simão, o Benfica finalmente furou a muralha defensiva dos algarvios, através de um livre do Bruno César. A bola foi rematada rasteira e a rodear a barreira, entrando no lado coberto pelo guarda-redes. Obrigado a abrir um pouco mais, o Portimonense começou a dar mais espaços para os ataques do Benfica, tornando-se mais previsível um novo golo. Este apareceu aos setenta e dois minutos, numa boa transição do Benfica. Ao bom passe do Bruno César correspondeu o Rodrigo com uma bonita desmarcação nas costas da defesa do Portimonense, finalizando depois com muita calma à saída do guarda-redes. Até final, tempo para mais uma estreia (Rodrigo Mora) e ainda algumas situações para ampliar a vantagem - a mais flagrante do Bruno César, que ficou solto na área mas demorou demais a decidir e acabou por não fazer o remate.

O jogador benfiquista que mais se destacou foi naturalmente o Bruno César, com um golo e uma assistência. Mas o nosso maior interesse residia em ver os jovens estreantes. Não foi um jogo fácil para eles, já que tinham responsabilidades no ataque e durante a maior parte do tempo apanharam com uma floresta de jogadores do Portimonense à frente, que poucos espaços concederam. O Nélson Oliveira não se viu muito, mas gostei de alguns pormenores do David Simão. Gostaria de ter visto se poderia aproveitar os espaços que o Portimonense concedeu depois de se ver a perder. Quem melhor aproveitou a oportunidade foi o Rodrigo, que tirou precisamente partido do maior atrevimento do adversário para marcar um golo na estreia a titular. É um jogador no qual depositamos grandes esperanças, e julgo que neste jogo justificou que mantenhamos as nossas expectativas altas.

Acabou por ser uma noite praticamente ideal para nós: a obrigação de vencer e passar a eliminatória foi cumprida, e foi-o sem ser necessário um grande esforço físico, permitindo-nos poupar jogadores para o importante jogo da Champions na Suíça, na próxima terça-feira. E apesar de utilizarmos uma equipa com jogadores habitualmente menos utilizados, a vitória foi clara e indiscutível (a não ser que se esteja inebriado ou se seja o treinador do Portimonense).

por D`Arcy às 23:55 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Domingo, 02.10.11

Confiança

Vitória tranquila, muito tranquila do Benfica sobre o Paços de Ferreira esta noite. Tamanha foi a superioridade da nossa equipa sobre o adversário que a confiança exibida por vezes quase pareceu roçar a sobranceria.

O Benfica entrou em campo a jogar em 4-4-2, com a dupla Saviola/Cardozo na frente. Apesar do Aimar ter tarefas mais ofensivas do que o Matic, jogou mais como médio centro do que na sua habitual posição de número dez, aparecendo frequentemente em zonas muito recuadas quer para fazer o transporte da bola para a frente, quer para ajudar a defender quando não tínhamos a bola (provavelmente deve ter acabado o jogo como o jogador mais faltoso do Benfica). De resto, a equipa esperada, cabendo hoje o lugar no onze inicial ao Bruno César na cada vez mais habitual alternância entre ele e o Nolito. A superioridade do Benfica no jogo pode ser exemplificada pelo facto de que quando chegámos ao golo, aos vinte e dois minutos de jogo, fizemo-lo na quinta oportunidade clara de golo de que dispusemos. Antes do Saviola aparecer a finalizar o esforço do Cardozo ao cabecear junto da linha de fundo um cruzamento um pouco largo demais do Maxi, já o mesmo Cardozo (por duas vezes), o Gaitán e o Aimar tinham desperdiçado grandes oportunidades para marcar. Na primeira delas, logo aos seis minutos, a bola chegou mesmo a entrar na baliza do Paços à terceira tentativa, mas o golo foi anulado por um eventual fora-de-jogo que me deixou muitas dúvidas. Esta foi a tónica de toda a primeira parte: Benfica ao ataque, apesar de parecer estar a fazer tudo sem grande esforço, e Paços praticamente inofensivo, remetido ao último terço do campo e apenas conseguindo chegar perto da nossa área através dos tradicionais livres a meio do meio campo despejados para a frente. Não admira portanto que tenha feito apenas um remate em toda a primeira parte, já depois de meia hora, e que passou muito longe da baliza. A dois minutos do intervalo o Benfica marcou o segundo golo e deu uma expressão mais justa ao marcador. Foi simplesmente um golo clássico do Saviola, em que toda a gente se esquece dele ao segundo poste na marcação de um canto, e depois o talento dele faz o resto: Neste caso, um remate de primeira para o poste mais distante, sem hipóteses de defesa.

Apesar da vantagem de dois golos, com alguma surpresa o Benfica entrou na segunda parte a jogar a uma velocidade maior e foi para cima do adversário. Na primeira jogada o Saviola esteve perto do hattrick, mas viu o golo ser-lhe negado pelo Cássio. Depois de passarmos os primeiros cinco minutos praticamente dentro da área do Paços, com ataques e cantos sucessivos, o Paços foi lá à frente, beneficiou de um penálti, e no primeiro remate que fez à baliza marcou um golo que, de todo, não justificava. Não acusou o golpe o Benfica, que continuou a empurrar o adversário para a sua área, mas não se livrou de um susto cinco minutos depois, quando só uma defesa por instinto do Artur negou ao Melgarejo (pode ser facciosismo devido ao facto de ser nosso jogador, mas para mim foi claramente o melhor jogador do Paços esta noite) o golo, evitando assim o segundo golo do Paços noutros tantos remates à nossa baliza. Após o primeiro quarto de hora veio a troca habitual do Bruno César pelo Nolito, e o espanhol veio espevitar ainda mais o nosso ataque, adivinhando-se o terceiro golo a qualquer momento. Este surgiu aos sessenta e cinco minutos num lance estudado, com o Aimar a marcar um livre lateral colocando a bola na zona do segundo poste, onde surgiu solto de marcação o Luisão
(não foi por acaso que ele ali estava; a sua movimentação para aparecer ali é excelente), que depois se limitou a cabecear a bola colocadíssima para junto do poste oposto. E na jogada seguinte o Benfica fez o quarto, numa tabela entre o Nolito e o Saviola, com o espanhol a ficar na cara do guarda-redes e depois a esperar que ele caísse para finalizar com calma. Depois disto o Benfica praticamente 'fechou a loja', limitando-se a gerir o resultado sem forçar muito, sendo nesses minutos finais mais interessante o ambiente criado pelos adeptos no estádio do que o jogo propriamente dito.

O melhor jogador do Benfica foi o reaparecido Saviola. Marcou dois golos, assistiu o Nolito para outro, foi o jogador mais rematador do Benfica, e mostrou-se muito mais confiante e com maior mobilidade do que aquilo que tem sido mais habitual nos jogos desta época. Que este Saviola possa vir para ficar, porque nos faz muita falta. Bom jogo do Aimar, mesmo que nas funções assumidas hoje seja menos influente no ataque. Gostei também dos nossos dois laterais, e está a agradar-me ver o Emerson progressivamente mais confiante a atacar. Para terminar, apenas o reparo do costume em relação ao Matic: nas funções que desempenha, tem que aprender a decidir mais rápido e a libertar-se mais rapidamente da bola.

O jogo desta noite foi uma boa forma da equipa se despedir dos adeptos antes da pausa de três semanas na liga. A exibição não foi constantemente brilhante, mas teve bons momentos e, conforme já escrevi, a superioridade do Benfica foi tanta que quase não houve necessidade de carregar mais. Quando o Paços reduziu, o Benfica pressionou um pouco mais e viu-se o resultado. Agrada-me ver que esta equipa parece estar a ficar com muita confiança em si própria. Saí do estádio a pensar que uma goleada bem mais volumosa esteve ali mesmo à mão de semear.

P.S.- Não conhecia bem o árbitro Bruno Esteves. A arbitragem desta noite pareceu-me fraca, conseguindo o feito de irritar o público num jogo fácil para o Benfica e controlado praticamente do princípio ao fim. O auxiliar do lado da Bancada Meo, em particular, pareceu ser incapaz de acertar com um fora-de-jogo, e se ainda sou capaz de dar o benefício da dúvida no lance sobre o Aimar, perto do intervalo, não compreendo como foi possível não assinalar aquele deliberado atraso ao guarda-redes por parte de um defesa do Paços.

por D`Arcy às 05:02 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Terça-feira, 27.09.11

Dominado

Vitória justa e incontestável do Benfica, num jogo dominado do princípio ao fim. Podemos eventualmente queixar-nos de não termos resolvido o jogo mais cedo e conseguido um resultado um pouco mais folgado, mas o mais importante são os três pontos, e esses foram conquistados sem grande dificuldade.

Com o Bruno César e o Saviola como alterações no onze que jogou no Porto (saíram Aimar e Nolito), o Benfica mostrou desde o apito inicial uma enorme superioridade sobre os romenos do Otelul Galati. O que vimos nos primeiros minutos foi o exemplo daquilo que se veria durante o resto do encontro, com o Benfica a ter quase sempre a bola em seu poder e a jogar no meio campo adversário. O jogo nem sequer parecia ser da Champions, assemelhando-se mais a um jogo típico do Benfica para a liga portuguesa, com o nosso adversário encolhido junto da sua área, a jogar com as linhas muito juntas, e aproveitando qualquer falta, mesmo que assinalada quase sobre a linha do meio campo, para mandar toda a gente lá para a frente e despejar a bola para as imediações da nossa área. Sem ser assim, não conseguiam aproximar-se sequer da nossa baliza. Mas os romenos mostraram que sabem defender de uma forma razoavelmente organizada, e por isso conseguiram evitar que o domínio claro do Benfica se traduzisse numa enxurrada de oportunidades de golo. Estas foram, no entanto, aparecendo esporadicamente, e os maiores desequilíbrios apareciam quase sempre dos pés do Gaitán. A cinco minutos do intervalo foi ele quem inventou um grande passe a solicitar uma diagonal do Bruno César, da esquerda para o centro, e depois o 'chuta-chuta', em frente ao guarda-redes, marcou com aparente facilidade o golo que resolveu o jogo.

Na segunda parte o campeão romeno tentou obviamente vir um pouco mais para a frente e pressionar mais alto o Benfica, logo na saída de bola da nossa defesa. Aos dois minutos conseguiram mesmo o primeiro remate à nossa baliza - o que mostra bem o quanto estiveram controlados durante o jogo. Mas com mais ou menos vontade, a verdade é que mostraram pouca capacidade para nos incomodarem seriamente. Apesar do esforço extra dos romenos nos ter dificultado um pouco mais a gestão da posse de bola, já que a nossa qualidade de passe caiu um pouco, a posse de bola continuou a ser avassaladora para o Benfica, o jogo tornou-se progressivamente mais aborrecido, e o único eventual factor de irritação era mesmo não darmos a machadada final no jogo. Não que estivesse particularmente preocupado com a capacidade do Otelul conseguir remeter-nos para a nossa área e pressionar-nos na procura do empate, mas com uma vantagem mínima tememos sempre que algum lance de infortúnio possa roubar-nos uma vitória mais do que merecida. Só aos noventa minutos é que o Otelul (sem surpresas, depois de mais um livre no círculo central despejado para a área) conseguiu fazer o seu segundo remate na direcção da baliza, à figura do Artur, que ao não segurar a bola permitiu uma recarga que passou perto da baliza. Seguiu-se a resposta do Benfica com um remate perigoso do Rodrigo, e o final do jogo.

O Gaitán foi claramente o melhor jogador do Benfica, tendo quase todas as melhores iniciativas atacantes nascido dos seus pés. A demonstrar isto, a assistência fantástica para o único golo do jogo. Jogo sólido da dupla de centrais, Luisão e Garay, e também gostei da actuação do Javi e do Witsel.

Pontuar fora, e particularmente vencer na Champions é fundamental, e este resultado é por isso muito importante para as contas da qualificação para a próxima fase. Sem grande fogo de artifício, o Benfica cumpriu hoje a sua obrigação de forma eficaz e profissional, e isso é algo que começa a tornar-se uma constante esta época. O empate do Basileia em Old Trafford não é, à partida, uma boa notícia para o Benfica, pois mantém os suíços na corrida. O duplo confronto com eles que se segue deverá definir muita coisa.

por D`Arcy às 23:15 | link do post | comentar | ver comentários (46)
Domingo, 25.09.11

Honestamente...

...se a melhor justificação que o treinador e jogadores do Porto conseguem arranjar para o empate de ontem à noite é a actuação de um árbitro (ainda por cima o Jorge Sousa) que assinalou mais do dobro de faltas a favor do Porto, e em particular uma suposta expulsão do Cardozo por motivos que só um alce bêbado é que poderá descortinar, então só posso sentir-me cada vez mais confiante num desfecho favorável para este campeonato.

por D`Arcy às 00:51 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Sábado, 24.09.11

Sóbria

Uma exibição sóbria, personalizada e concentrada permitiu-nos sair do Porto com um empate, conquistado num jogo difícil, e após uma transfiguração da equipa da primeira para a segunda parte.

Onze esperado do Benfica, sem quaisquer 'surpresas' de última hora. Os primeiros dez minutos de jogo pareceram ser de estudo mútuo, mas depois o Porto pareceu acordar com uma jogada individual do Hulk, que com um remate de meia distância obrigou o Artur a uma grande defesa. A partir daí, e durante o resto da primeira parte, o Porto esteve quase sempre por cima no jogo, controlando a posse de bola e sendo muito mais rematador. No entanto este domínio do Porto nunca chegou a deixar-me muito nervoso, porque fiquei sempre com a sensação de que a nossa equipa mantinha uma serenidade que, sinceramente, não nos é muito habitual naquele estádio. Apesar de mais pressionada, manteve-se sempre bastante organizada e concentrada, dando poucas oportunidades claras de golo ao adversário, que apesar de muito mais rematador, via a maior parte desses remates surgirem de longa distância, e quase sempre pelo Hulk (quer de bola corrida, quer em livres). Uma enorme excepção no entanto à passagem da meia hora, quando o Fucile teve uma oportunidade flagrante para marcar, surgindo à vontade na área para proporcionar a segunda grande defesa da noite ao Artur. A grande lacuna no jogo do Benfica foi no entanto no ataque, já que praticamente não conseguimos construir jogadas ofensivas ou sequer sair para o ataque da forma rápida como fazemos habitualmente - não houve no entanto apenas demérito do Benfica nisto, pois foi também o resultado da pressão que o Porto exerceu. Se o Benfica ia mantendo a concentração defensiva no jogo corrido, tal já não aconteceu numa bola parada: um livre sobre a zona lateral direita da nossa área permitiu ao Porto colocar-se em vantagem, graças a um bom cabeceamento cruzado do Kléber, que se antecipou com alguma facilidade ao Maxi. O golo surgiu quando faltavam pouco menos de dez minutos para jogar na primeira parte, e só depois é que o Benfica conseguiu dar alguns sinais de querer sacudir a pressão, mas o Porto continuou na mó de cima até ao apito para intervalo.

Não foi necessário esperar muito para vermos que as coisas seriam diferentes na segunda parte. Antes ainda de estarem decorridos dois minutos, já festejávamos o empate. Depois de uma recuperação de bola ainda no meio campo defensivo do Porto, a bola chegou até ao Nolito, que já dentro da área fez um excelente passe para o Cardozo, tendo este aguentado a carga do defesa para depois rematar por baixo do corpo do Hélton. Só que como já vimos acontecer noutras ocasiões naquele estádio, o Benfica não conseguiu tirar partido da vantagem motivacional de chegar ao empate, porque quatro minutos depois já estava novamente em desvantagem. Nova bola parada: um canto marcado à maneira curta, com a bola a chegar ao Varela na zona do primeiro poste, e depois o centro rasteiro a encontrar o Otamendi à boca da baliza para empurrar a bola. Este golo no entanto foi praticamente o canto do cisne do Porto no jogo, já que não conseguiram voltar a criar qualquer oportunidade de golo, e creio que apenas por mais uma vez (uma tentativa de chapéu do Guarín) remataram na direcção da baliza.

O Benfica conseguia agora manter o Porto bem mais longe da sua baliza e, recuperada a bola, já mostrava a qualidade das tais 'transições ofensivas'. Numa delas poderíamos ter chegado mesmo mais cedo ao empate, mas o Cardozo (outra vez a passe do Nolito) acabou por acertar com o seu remate no Hélton quando parecia ser mais fácil marcar. A vinte minutos do final o Jorge Jesus substituiu o Nolito e o Aimar pelo Bruno César e Saviola. Se a troca do Nolito pelo Bruno César não pareceu ter grande efeito (eu estava a gostar da exibição do Nolito), já a entrada do Saviola para o lugar do esgotado Aimar trouxe resultados, pois o Saviola começou a surgir solto nas costas dos médios do Porto, fazendo de forma eficaz a ligação entre o meio campo e o ataque. E foi mesmo aí que o Saviola, a oito minutos do final, inventou um passe fantástico entre os centrais do Porto para encontrar a desmarcação do Gaitán. Depois o talento deste fez o resto, rematando de primeira de forma imparável para o fundo da baliza. O Porto, que pouco tinha feito depois do segundo golo, não mostrou capacidade para reagir a este golo, e o Benfica pareceu ficar satisfeito com o empate.

Individualmente gostei do Artur - sem culpas nos golos e duas grandes defesas. Gostei também das exibições do Luisão, do Nolito e do Gaitán. É verdade que sofremos dois golos, mas acho que o nosso capitão fez uma exibição muito sólida, ganhando quase todos os lances que disputou, muitos deles em antecipação. O Nolito e o Gaitán foram sempre os nossos jogadores mais perigosos: o Nolito mais no passe e o Gaitán mais rematador.

Sabemos do péssimo historial que temos nas visitas ao Porto, pelo que este empate pode considerar-se um bom resultado.
No jogo de hoje gostei acima de tudo da forma sóbria e concentrada como a equipa jogou, mesmo durante os piores períodos do jogo, em que o Porto estava por cima. Já vi bastantes jogos disputados no Porto em que o nosso erro foi precisamente perdermos a cabeça em situações negativas, mas hoje isso nunca me pareceu estar perto de acontecer. Nem sequer com as patéticas simulações do Fucile.

por D`Arcy às 06:57 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Segunda-feira, 19.09.11

Esforçada

Uma exibição esforçada do Benfica. A vitória frente a uma equipa que tem sido feliz nos últimos anos quando nos visita é justa e indiscutível, mas o resultado final talvez esconda um pouco as dificuldades que o adversário nos colocou durante várias fases do jogo.

Três jogadores nucleares na equipa foram poupados: Javi García, Aimar e Gaitán. Nos seus lugares surgiram o Matic, Saviola e o regressado Nolito. Destaque também para a presença do Bruno César no onze. A Académica apresentou-se na Luz a jogar de forma desinibida e sem muitas preocupações defensivas. O resultado foi um jogo relativamente aberto e disputado a boa velocidade, com o Benfica a ter naturalmente mais posse de bola e a pressionar mais, mas com a Académica a tentar sempre sair rapidamente para o ataque quando recuperava a bola, e a conseguir surgir por vezes com algum perigo no ataque, rematando mesmo mais vezes que o Benfica. Após a boa entrada da Académica, a partir dos dez minutos o Benfica passou tomar cada vez mais conta do jogo e foi aumentando a pressão, desperdiçando lances de ataque, muitas vezes por precipitação no último passe ou hesitação na altura do remate. Mas o crescimento do Benfica acabou por dar frutos aos vinte e cinco minutos, quando uma insistência do Saviola encontrou o Bruno César solto na direita da área, e este com classe aproximou-se da baliza, evitou um defesa, e marcou à saída do Peiser. Em vantagem no marcador, o Benfica continuou por cima no jogo, mas continuou a desperdiçar ocasiões para construir um resultado mais tranquilo - em particular uma situação do Saviola. E como quem não marca, normalmente sofre, isso aconteceu mesmo a cinco minutos do intervalo, quando uma falha de marcação da nossa equipa permitiu que surgisse um adversário completamente solto à entrada da área, de nada valendo a estirada do Artur (ainda tocou na bola) para deter o seu remate. As coisas podiam ter-se complicado nesta altura, mas praticamente na resposta o Nolito, pela esquerda, pegou na bola (boa recuperação do Matic), enfiou-se pelo meio de uma multidão de adversários, e conseguiu rematar cruzado para recolocar o Benfica em vantagem.

A segunda parte foi simplesmente má. Jogada a um ritmo mais lento do que a primeira parte, mas sobretudo sem muitas jogadas de relevo. A Académica tentou subir e vir à procura do empate, mas foi o Benfica quem continuou a controlar a posse de bola. Só que durante largos minutos fomos incapazes de construir praticamente uma jogada de ataque digna desse nome. O jogo foi-se arrastando assim e as coisas pareciam pouco inclinadas a alterar-se, mas a vinte minutos do final entraram o Aimar e o Gaitán para os lugares do Saviola e do Bruno Cesar, e as coisas melhoraram um pouco, sobretudo por influência do nosso número dez. Nesta altura a Académica arriscava muito na procura do golo do empate, e jogava com a defesa ainda mais subida - quase encostada à linha do meio campo. Com a entrada do Aimar passámos a ter um jogador capaz de segurar a bola e esperar pelo momento certo para lançar os colegas nas costas da defesa. A oito minutos do final foram mesmo os dois jogadores que entraram que construíram o lance do golo da tranquilidade: um bom cruzamento do Gaitán na esquerda, a fugir do guarda-redes, que falhou a saída e deixou a bola ir ter com o pequeno Aimar, que no meio de dois defesas cabeceou à vontade para a baliza vazia. O resultado final foi construído já nos descontos, com um passe do Aimar a desmarcar o Nolito nas costas da defesa, e depois o espanhol finalizou com facilidade utilizando o pouco habitual pé esquerdo.

O melhor jogador do Benfica terá sido o Nolito. Marcou dois golos, sobretudo o importantíssimo segundo golo do Benfica, pela altura em que aconteceu. Hoje foi utilizado durante vários períodos no lado direito, trocando de posição com o Bruno César, e também esteve bem aí, mas parece ser mesmo na esquerda que se sente à vontade, jogando numa função muito semelhante à que vemos o Villa fazer no Barcelona. Bom jogo também do Bruno César, que parece estar cada vez mais bem adaptado ao nosso futebol. Como habitualmente, o Luisão esteve num nível muito bom. E, claro, muito bons os vinte e poucos minutos com que o Aimar contribuiu para o jogo. Menos bem esteve o Saviola. Até começou bem, fazendo a assistência para o primeiro golo e estando envolvido na maior parte dos lances mais perigosos do Benfica, mas pareceu ter ficado afectado pela oportunidade flagrante que falhou perto do final da primeira parte, e a partir daí foi sempre a descer. A segunda parte então foi para esquecer, com muitos passes falhados e perdas de bola. Menção ainda para o Matic: neste momento é praticamente um jogador em formação. É bom jogador e vai ser-nos muito útil, mas parece estar ainda a aprender como é que um trinco tem que jogar neste Benfica, tendo que aprender a não arriscar tanto quando tem a bola e que corrigir algumas movimentações. Neste momento ainda não me parece uma alternativa forte ao Javi.

Já vi o Benfica jogar melhor e ganhar por menos. Hoje o empenho dos nossos jogadores acabou por ser recompensado com um resultado generoso. A vitória desta noite teve ainda o extra de nos ter permitido alcançar o topo da classificação, nas vésperas de nos deslocarmos ao Porto. Esperemos que isto sirva de motivação extra para um jogo que poderá ser marcante para esta época.

por D`Arcy às 01:38 | link do post | comentar | ver comentários (61)
Quinta-feira, 15.09.11

Orgulho

Tenho muito orgulho no meu clube. 

Se calhar, antes do jogo, ficaria razoavelmente satisfeito com a perspectiva de um empate contra o Manchester United. Depois de vistos os noventa minutos esse mesmo empate, apesar de se aceitar, já me sabe a pouco.

 

 

A Luz pôs-se linda esta noite para receber a estreia do Benfica na fase de grupos da Champions. Casa cheia e um ambiente fantástico, daqueles que nos fazem sentirmo-nos privilegiados pelo simples facto de podermos estar ali. O Ferguson tinha prometido que para este jogo iria apostar na experiência e cumpriu, apresentando uma equipa bastante diferente daquela que temos visto na Premier League. O meio campo foi onde isto mais se notou, aparecendo jogadores como Carrick, Giggs, Park, Valencia ou Fletcher. Claro que aqueles do costume irão agora argumentar que eles jogaram com as 'reservas', mas se calhar poderiam reparar que sete dos onze jogadores com que o Manchester entrou em campo esta noite estavam no onze que, há quatro meses, entrou em campo para jogar a final da Champions frente ao Barcelona. E as mudanças do Ferguson não se ficaram pelos jogadores, já que a própria táctica mudou, com o Manchester a abandonar o 4-4-2 habitual e a alinhar em 4-5-1, deixando o Rooney sozinho na frente. Da parte do Benfica, a principal alteração foi a entrada do Rúben Amorim para a direita do meio campo, tendo provavelmente como principal objectivo controlar as subidas do Evra pelo seu lado.

 

 

O jogo em si pareceu-me ficar marcado por muito respeito (ou receio) de parte a parte. O Manchester já o tinha mostrado na escolha do onze e da táctica, e o Benfica mostrou-o em campo. A nossa equipa arrumou-se em duas linhas de quatro jogadores - o Witsel jogava praticamente ao lado do Javi - encostando a linha do meio campo à da defesa, deixando ao Aimar a tarefa de fazer a ligação com o muito sozinho Cardozo na frente. Isto deixou bastante espaço ao Manchester para fazer posse de bola em zonas mais recuadas, mas não conseguindo converter essa posse de bola em lances de ataque de real perigo, já que raramente conseguiu encontrar maneira de furar as duas linhas do Benfica. Com menos posse de bola, o Benfica tentava aproveitar as recuperações de bola para sair em velocidade para o ataque e explorar todo o espaço que o Manchester deixava atrás, conseguindo assim ser mais rematador. Mas foi bastante evidente que mesmo neste aspecto houve cautelas, porque estas saídas eram quase sempre feitas com grande certeza, raramente fazendo passes de risco. Foi numa saída destas que, na esquerda, o Gaitán inventou um grande passe de trivela que foi encontrar o Cardozo praticamente um para um com o Evans. Depois o paraguaio, com um grande trabalho, matou no peito, ultrapassou o defesa puxando a bola com o pé esquerdo, e de pé direito rematou cruzado para o primeiro golo, após vinte e quatro minutos de jogo. Nada mudou com este golo, mantendo-se o mesmo cariz no jogo: mais posse de bola para o United, e o Benfica coeso na defesa e mais rematador. Mas a três minutos do intervalo 'esquecemo-nos' do Giggs, ele meteu-se no espaço entre as linhas e, à entrada da área, desferiu um remate sem qualquer hipótese de defesa para o Artur. Foi o primeiro remate que o Manchester fez à baliza no jogo, pelo que era já com a sensação de alguma injustiça que fomos para o intervalo.

 

 

A segunda parte trouxe um Manchester mais pressionante. Continuavam sem conseguir criar muitos lances de perigo, mas jogavam mais sobre a nossa área e o Benfica agora já raramente conseguia sair para o ataque. Esta melhor fase dos ingleses prolongou-se durante vinte minutos, e culminou com um grande oportunidade de golo, mais uma vez pelo Giggs, que serpenteou entre os nossos defesas e de repente apanhou-se isolado, valendo-nos uma defesa por instinto do Artur, com a ponta do pé. Este susto como que despertou o Benfica, que imediatamente respondeu com uma boa ocasião de golo: o Nolito (tinha entrado para o lugar do Rúben Amorim), após passe do Gaitán, rematou cruzado para uma grande surpresa do dinamarquês Lindegaard. Talvez motivado por aqueles bons primeiros vinte minutos, o Ferguson decidiu fazer entrar o Nani e o Chicharito e mudar para 4-4-2, mas o tiro saiu-lhe pela culatra, porque a verdade é que os jogadores que entraram pouco trouxeram ao jogo e o Manchester caiu bastante, passando o Benfica a ter algum ascendente. Talvez o Benfica, do ponto de vista do adepto, pudesse ter arriscado algo mais nos últimos quinze minutos, quando o Aimar saiu. O Jorge Jesus preferiu a solução mais conservadora de manter o esquema táctico, entrando o Matic e subindo o Witsel, e não temos forma de saber se outra opção teria dado melhor resultado. A verdade é que o Benfica manteve-se melhor no jogo e criou mais duas boas oportunidades para vencer o jogo, pelo Gaitán e pelo Nolito, que contribuíram para aumentar a frustração por vermos uma possibilidade de vencer o Manchester United escapar-nos.

 

 

Houve vários jogadores que estiveram num nível bastante alto esta noite, mas acima de todos esteve o Luisão. O nosso capitão esteve simplesmente imperial, dominou a sua zona de acção, meteu o Rooney ao bolso e mais qualquer um que se aventurasse por ali, e dobrou colegas na defesa e até no meio campo com enorme eficácia. Grande jogo do Cardozo na missão de sacrifíco a que foi obrigado. Marcou um grande golo (se fosse tão tosco como gostam de o chamar de certeza que não conseguiria marcar um golo daqueles) e cumpriu a missão de segurar a bola e fazer jogar os colegas do meio campo. Javi García, Maxi Pereira e Gaitán também muito bem.

 

Volto a dizer que me sinto orgulhoso daquilo que a nossa equipa fez esta noite. Tacticamente esteve quase perfeita, limitando o Manchester United, que tem goleado a torto e a direito esta época, a três remates na primeira parte e dois na segunda. Criou ocasiões suficientes para poder vencer, e se o empate se pode considerar lisonjeiro para alguém, é para os ingleses. Os nossos jogadores bem mereceram o aplauso com que a Luz se despediu deles esta noite.

 

P.S.- Uma das curiosidades desta noite de Champions foi que aquela equipa 'fraquíssima' que foi eliminada pelo Benfica (agora repescada porque na Turquia pelos vistos a federação é um bocado mais séria do que em Portugal), de nome Trabzonspor, foi ganhar ao Inter no Giuseppe Meazza.

por D`Arcy às 01:05 | link do post | comentar | ver comentários (65)
Domingo, 11.09.11

Suficiente

O jogo não foi fácil, até porque o Benfica não fez uma exibição de encher o olho, mas ao contrário daquilo que o resultado de 2-1 possa fazer crer, não me pareceu que a vitória do Benfica tenha sido muito complicada ou sofrida, e creio que nunca esteve sequer em causa.

Supostamente não haveria poupanças neste jogo, mas a verdade é que quando soou o apito inicial o Aimar estava sentado no banco, e o Saviola no onze inicial. Outra alteração ao onze habitual foi a presença do Bruno César no lugar habitual do Nolito, mas esta já vinha sendo anunciada ao longo da semana. O Vitória entrou bem no jogo, mostrando que não vinha à Luz para se remeter simplesmente à defesa, o que é habitual nas equipas do Rui Vitória. Quando não tinham a bola, tentaram pressionar-nos e fechar espaços, e tiveram sempre a atenção de não nos deixarem sair a jogar desde a nossa defesa, obrigando quase sempre o Artur a pontapear a bola para a frente. O Benfica mostrou-se pouco lesto no ataque e algo lento de movimentos, sendo as maiores sacudidelas no jogo dadas pelas subidas do Maxi e pelas movimentações do Saviola. Durante a maior parte do primeiro tempo o maior interesse foi mesmo a parte táctica, porque tecnicamente o jogo estava a ser pobre. Depois vieram os penáltis, que desembrulharam a coisa. Já depois de perdoado um, por aquilo que me pareceu uma mão evidente do Alex, pouco depois da meia hora foi assinalado o primeiro por falta sobre o Saviola, que o Cardozo converteu. Depois o segundo, dois minutos mais tarde, após uma óptima defesa de um jogador do Guimarães a um remate do Witsel, que o Cardozo atirou à barra. E finalmente o terceiro, mesmo a fechar a primeira parte, após nova mão de um defesa do Guimarães, que de braços abertos bloqueou um remate do Saviola, e que o Cardozo marcou a papel químico do primeiro. E pouco mais há a dizer.

Na segunda parte o Benfica entrou um pouco melhor. Continuando a contar com a colaboração activa do Maxi pela direita, o Benfica conseguiu construir algumas jogadas interessantes, e também foi desperdiçando oportunidades para ampliar a vantagem, sendo as mais escandalosas uma cabeceamento desastrado do Saviola ao segundo poste, e outro do Garay, quase na pequena área e solto de marcação, que saiu por cima. Pouco depois de findo o primeiro quarto de hora, com a entrada do Aimar, notou-se uma ligeira melhoria no nosso jogo, mas quando nada o fazia adivinhar, o Guimarães reduziu, num lance algo fortuito que começou num pontapé do guarda-redes para a frente e depois o Edgar, sozinho e rodeado por três defesas do Benfica, conseguiu rematar cruzado para o golo. Pareceu-me que o Artur poderia ter feito algo mais neste lance. O golo do Guimarães veio lançar alguma incerteza no resultado, mas sinceramente creio que esta incerteza foi mais resultado do factor psicológico de sabermos que estávamos ao alcance de um qualquer lance fortuito do que de jogo jogado. Porque o Benfica, mesmo sem entusiasmar, continuou a ser melhor sobre o terreno, e desperdiçou as melhores oportunidades para voltar a marcar - em particular um lance do Gaitán. Aliás, nem deveria dizer que o Benfica desperdiçou as melhores oportunidades para voltar a marcar; o Benfica desperdiçou, isso sim, as únicas oportunidades para voltar a marcar. Por isso mesmo digo que a nossa vitória não foi particularmente complicada nem esteve em causa. Não me recordo de nenhum lance de real perigo do Guimarães a seguir ao golo (mesmo antes do golo não foram muitos), ou de qualquer defesa do Artur.

O melhor jogador do Benfica neste jogo foi para mim o Maxi Pereira, incansável no lado direito. Gostei da primeira parte que o Saviola fez, da entrada do Aimar no jogo, e achei que o Luisão fez um jogo muito sólido, ao nível a que nos habituou. Gostei também do jogo do Garay, mas fica com o senão de ter sido batido pelo Edgar na fase inicial do lance do golo, quando me pareceu que deveria ter ganho aquela bola. E o Cardozo teve um jogo bem conseguido, com a pena de ter desperdiçado mais um penálti.

Julgo ter sido evidente que a exibição não foi das melhores, mas parece-me que o Benfica fez o suficiente para vencer este jogo. Também não fiquei com a impressão de que tenha sido um jogo que exigiu muito dos nossos jogadores na parte física - apenas o Cardozo, na fase final do jogo, me pareceu estar claramente esgotado, mas provavelmente será resultado das viagens à selecção a meio da semana - o que serão boas notícias para o jogo de estreia na Champions, na próxima quarta-feira. É que aí teremos que jogar muito mais do que jogámos hoje se queremos entrar com o pé direito na prova.

por D`Arcy às 03:31 | link do post | comentar | ver comentários (71)
Sábado, 03.09.11

Supertaça

 

Uma boa maneira de começar a nova época, que se espera muito melhor do que a anterior. Parabéns ao nosso futsal!

por D`Arcy às 21:16 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Terça-feira, 30.08.11

Justa

Vitória difícil mas inteiramente justa num campo e contra um adversário tradicionalmente complicados para o Benfica.

Apenas uma alteração forçada no onze que nos apurou para a fase de grupos da Champions, com a entrada do Jardel para o lugar do lesionado Garay. Da primeira parte não há muito para dizer, porque na verdade o nevoeiro pouco deixou ver. O Nacional teve uma entrada forte no jogo, e podia ter marcado cedo, não fosse o Artur defender com o pé o remate do isolado Mateus. Aos onze minutos o jogo foi interrompido por falta de visibilidade, e essa interrupção pareceu fazer bem à nossa equipa, que regressou mais concentrada, chegando ao golo à passagem dos vinte minutos, com o Cardozo, bem no centro da área, a corresponder com um cabeceamento exemplar, de cima para baixo, a um centro do Gaitán na direita. Do pouco que se conseguiu ver no resto da primeira parte (o jogo voltou a ser interrompido após a meia hora) realce apenas para um grande remate do Cardozo, a proporcionar uma boa defesa ao guarda-redes do Nacional.

Felizmente o nevoeiro foi-se embora na segunda parte, e permitiu-nos ver o Benfica a controlar perfeitamente o jogo, já com o Bruno César no lugar do Nolito. E de controlar o jogo o Benfica passou a dominá-lo após a expulsão do João Aurélio, por duplo amarelo, permanecendo em campo o Felipe Lopes, que se dedicava e continuou a dedicar afincadamente a distribuir porrada em tudo o que mexia (demonstrando particular afeição pelo Witsel) perante o olhar complacente do Soares Dias. Durante a meia hora que decorreu até ao final do jogo o Benfica desperdiçou várias ocasiões para marcar o golo que sentenciaria o jogo, mantendo-nos nervosos até quase ao final. E só não foi mesmo até ao final porque na última jogada do encontro, quando já passavam quatro minutos da hora, o Bruno César aproveitou a subida da equipa quase toda do Nacional para um canto, agarrou na bola à saída da nossa área e foi por ali fora, direito à baliza do Nacional, correndo uns bons setenta metros com a bola até finalizar sem dar hipóteses ao guarda-redes.

Não consigo escolher um jogador que me tenha impressionado particularmente. Se calhar fiquei condicionado pelo aborrecimento que foi não se conseguir ver quase nada da primeira parte. Fiquei satisfeito sobretudo com a organização que a equipa teve quase sempre (a excepção foram mesmo aqueles minutos iniciais até à primeira interrupção), a forma como ocupou bem os espaços em campo, e garra que os jogadores demonstraram num jogo que foi durinho.

A equipa continua a aparentar estar a crescer em futebol jogado e em confiança em si própria. Pelo menos já conseguimos melhor este ano do que tínhamos conseguido o ano passado no mesmo campo. Só tenho pena que agora tenhamos que parar por duas semanas para aturar os estarolas da equipa da FPF.

por D`Arcy às 01:40 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Quarta-feira, 24.08.11

Brilho

O Benfica esta noite massacrou literalmente o Twente e carimbou com distinção e brilho o apuramento para a fase de grupos da Champions League. A vitória tranquila por três a um só peca, e muito, por escassa. E para explicar isto nem sequer seriam necessárias muitas palavras, bastaria apresentar os seguintes números: durante o jogo, o Benfica fez vinte e cinco remates à baliza do Twente, enquanto que os holandeses apenas conseguiram rematar por quatro vezes.

Sem surpresas, o Jorge Jesus fez o Witsel regressar ao onze, voltando o Benfica a jogar com apenas um avançado de raiz, o Cardozo. Quanto ao Twente, sinceramente, não sei se o Adriaanse já se esqueceu dos tempos em que trabalhou em Portugal, ou se é simplesmente lírico, porque a forma como o Twente se apresentou na Luz foi mesmo estar a pedir que algo assim acontecesse. Não há muitas equipas que tenham a capacidade de vir à Luz de peito feito e tentar jogar de igual para igual com o Benfica. E o jogo de hoje mostrou que o Twente, claramente, não é uma delas. Sistematicamente metiam pelo menos quatro jogadores na frente de ataque, deixando o meio campo e defesa bastante desprotegidos face a transições rápidas para o ataque. O resultado disso foi uma primeira parte massacrante do Benfica, e exasperante para os adeptos. Exasperante por vermos o tempo a passar e o Benfica a não ser capaz de aproveitar os muitos lances de ataque e ocasiões criadas, sabendo-se que bastaria ao Twente marcar um golo fortuito para se colocar em vantagem na eliminatória. Até ao intervalo o Twente conseguiu fazer apenas um remate contra quinze do Benfica, o que diz muito sobre o sentido do jogo. Faltou-nos apenas mais calma e alguma pontaria para traduzirmos esta avalanche ofensiva em golos.

Calma é o que nunca parece faltar ao Axel Witsel, e foi ele quem, logo no reinício do jogo, se encarregou de dar mais descanso aos adeptos e começar a colocar a eliminatória completamente fora do alcance do Twente. Logo na primeira jogada o Cardozo sofre uma falta sobre a direita do meio campo, o Gaitán marcou o livre para a área, o Luisão tocou de cabeça e depois surgiu o Witsel, de costas para a baliza, e rematar quase em bicicleta para o golo. Nada mudou com o golo, o Benfica continuou muito por cima no jogo, voltou a falhar (Cardozo, depois de um bom trabalho individual), mas antes de fechar o primeiro quarto de hora conseguimos mesmo dissipar quaisquer ténues dúvidas que ainda restassem sobre o desfecho da eliminatória. O Luisão, que tinha sido homenageado antes do jogo, retribuiu a homenagem surgindo ao primeiro poste para desviar de cabeça para o golo um canto da esquerda do Aimar. A partir daqui o Benfica limitou-se a deixar o jogo correr a seu favor, mantendo-se sólido a defender - apesar do Twente ter posse de bola, não conseguia sequer rematar - e depois aproveitando o muito espaço concedido pelos holandeses para criar perigo em transições rápidas de cada vez que recuperava a bola. Chegou assim ao terceiro golo, numa jogada bonita que começou numa recuperação de bola do Emerson, e continuou com diversos passes até o Cardozo isolar o Witsel, que depois correu quase meio campo sozinho para finalizar com um remate cruzado à saída do guarda-redes. A seguir a este terceiro golo o Benfica talvez tenha relaxado um pouco, e o Twente até conseguiu criar uma grande oportunidade de golo, com o Artur a fazer uma defesa impossível a um cabeceamento do Bryan Ruiz. Defendeu, literalmente, um golo. Já não conseguiu voltar a fazer o mesmo a cinco minutos do final, quando o mesmo Bryan Ruiz de cabeça - e tal como na primeira mão, após cruzamento do Ola John - fez um golo que o Twente não mereceu. Coincidência ou não, o golo aconteceu numa ocasião em que o Luisão estava ausente do centro da defesa, porque tinha ido fazer uma dobra à direita. Mas este golo não colocou em causa a justeza da nossa vitória.

O Witsel marcou dois golos e se calhar é o homem do jogo, mas quem me maravilhou foi mesmo o inigualável Pablo Aimar. É verdadeiramente um orgulho e um privilégio vê-lo jogar no nosso clube. Fez um jogo absolutamente fantástico, sendo o pivot de quase todos os nossos lances de ataque. Pareceu também estar numa forma física muito boa, tendo jogado os noventa minutos, o que nem é muito habitual. Claro que o Witsel é também um dos grandes destaques. É talvez o melhor reforço do Benfica esta época, não menosprezando os outros. Tacticamente é excelente, em qualquer função que lhe entreguem no meio campo. É bom na recuperação de bola e na construção de jogo. Mas o que mais me impressiona mesmo é a calma que revela em todos os momentos de jogo. A bola definitivamente não queima nos seus pés, e é quase impossível desarmá-lo, sendo frequente vê-lo sair a jogar ou entregar a bola jogável a um colega mesmo quando está rodeado de adversários. Grande jogo do Luisão, bem também o Cardozo numa missão de esforço, apesar de não ter estado feliz a finalizar, e talvez tenha sido o melhor jogo que vi o Emerson fazer desde que chegou ao Benfica.

Só para colocar as coisas em perspectiva: o Twente, vencedor da Supertaça da Holanda e líder do campeonato só com vitórias, foi simplesmente vulgarizado esta noite pelo Benfica. Escrevo isto porque sei que alguns, perante o que o Benfica conseguiu, vão agora tentar da forma do costume - desvalorizar o adversário - tirar valor ao que foi feito. O Twente não é uma equipa fraca. Foi o Benfica que o fez fraco.

por D`Arcy às 23:34 | link do post | comentar | ver comentários (48)
Domingo, 21.08.11

Sofrido

Por culpa exclusivamente nossa, sofremos mais do que seria previsível para levarmos de vencida o Feirense. E as culpas distribuem-se entre o desperdício no ataque - em particular na primeira parte - e a insegurança na defesa a partir do momento em que consentimos o golo do empate.

O Jorge Jesus neste momento parece uma espécie de viciado, incapaz de largar o hábito a que está agarrado. Quando pensamos que já temos provas suficientes sobre qual é o sistema táctico que melhor parece adaptar-se às características do plantel, e que o treinador também já estará convencido, de repente distraímo-nos um pouco e quando damos por isso lá está ele outra vez agarrado aos velhos hábitos e a lançar o 4-1-3-2 para dentro do campo, relegando o Witsel para o banco. Foi o que aconteceu hoje, com o Benfica a apresentar um onze cuja maior novidade foi a presença do Capdevilla na esquerda da defesa. Mesmo sem grande brilho, o Benfica dominou completamente uma primeira parte de sentido único, durante a qual o Artur foi um mero espectador. Já depois de uma primeira grande oportunidade de golo desperdiçada, pelo Saviola, o golo chegou relativamente cedo, um pouco antes de atingido o primeiro quarto de hora, e pelo suspeito do costume: Nolito. Depois de um lançamento lateral do Maxi, o Cardozo na zona do primeiro poste tocou de cabeça para trás e o espanhol apareceu solto de marcação para fazer o seu quinto golo em cinco jogos. Daqui para a frente, a descrição da primeira parte quase que se resume às oportunidades falhadas pelo Benfica. Ou por falta de pontaria, ou por inspiração do guarda-redes Paulo Lopes, fomos incapazes de dar maior expressão ao resultado, e vimos o Aimar, o Nolito ou o Gaitán (acertou no poste) desperdiçar boas ocasiões, pelo que a vantagem mínima do Benfica com que se chegou ao intervalo era justa, mas escassa.

A segunda parte iniciou-se sob o mesma tendência do desperdício: depois de um canto do Aimar, o Luisão apareceu completamente sozinho junto da pequena área a cabecear (nem precisou de saltar) mas conseguiu o mais difícil, não acertando na baliza. Aos oito minuto, o Feirense teve uma rara subida ao ataque, beneficiou de um canto (tavez o primeiro do jogo) e, como não podia deixar de ser, marcou. O Benfica atá teve uma reacção positiva ao golo durante alguns minutos, voltou a criar perigo (teve um fora-de-jogo muito mal tirado ao Saviola, que o deixaria isolado), mas findo o primeiro quarto de hora o jogo ficou completamente aberto, atravessando-se um período em que o próprio Feirense parecia poder aspirar a vencer o jogo. Viu-se aquilo que costuma acontecer muitas vezes quando jogamos com esta táctica, ou seja, assim que a condição física começou a falhar um pouco a equipa ficou praticamente partida ao meio, com metade a defender, outra metade a atacar, e um vazio no meio, que ia sendo preenchido com esforço pelo Aimar. Após quinze minutos nesta indefinição, o Maxi decidiu ir por ali fora, ganhou a linha de fundo, entrou na área e centrou rasteiro para o Cardozo, em esforço, tocar para o golo. O mais difícil estava conseguido, mas o descanso só apareceu já em período de descontos com um grande golo do Bruno César, que tirou vários adversários do caminho, entrou na área pela esquerda, e com um remate cruzado fez um grande golo.

Num jogo em que não me pareceu haver grandes motivos de destaque, os melhores do Benfica acabaram por ser, para mim, o Nolito, pelo golo marcado e por estar envolvdo na maioria dos lances de ataque mais perigosos, e o Aimar, cujos esforços para fazer a ligação entre os sectores da equipa chegam a cansar so de ver. O Witsel teve uma boa entrada em jogo e ajudou a trazer mais alguma organização ao nosso meio campo.

Saí da Luz satisfeito com o resultado, mas não muito contente com a exibição. O Benfica não deveria ter que sofrer tanto para levar de vencida o Feirense. Houve, mais uma vez, desperdício no ataque, mas mais preocupante foi o muito espaço que a nossa defesa deu a partir do momento em que sofremos o golo. Além disso isto foi um jogo que, pela forma como correu, me pareceu ter obrigado os nossos jogadores a um esforço mais intenso do que seria desejável antes do playoff da Champions. Esperemos que não haja consequências disto na quarta-feira.

por D`Arcy às 04:30 | link do post | comentar | ver comentários (69)
Quarta-feira, 17.08.11

Positivo

O Benfica regressa da Holanda com um resultado positivo, após um jogo muito movimentado e agradável de seguir. No final fico com um sentimento misto de frustração e alívio. Frustração porque me pareceu que poderíamos ter praticamente sentenciado a eliminatória neste jogo, e porque acabámos por consentir o empate num lance irregular, mas alívio também porque as coisas poderiam ter corrido de forma completamente oposta, não fosse a noite inspirada do nosso guarda-redes a evitar um possível resultado negativo.

Benfica de regresso ao 4-3-3 (ou 4-5-1, é conforme preferirem), com o Cardozo na frente, regressos do Maxi e do Luisão na defesa, e entrada do Witsel para o meio campo no lugar de um dos avançados. Logo a abrir, oportunidade soberana para marcarmos, num lance em que o Gaitán misturou talento e sorte em doses iguais e viu-se na cara do guarda-redes, mas permitiu-lhe a defesa. Quase imediatamente a seguir, ficámos em desvantagem, pois o Twente marcou num lance em que o De Jong recuou para fugir à marcação dos centrais, recebeu um passe longo, e rematou cruzado de fora da área. Estar a perder após seis minutos é um cenário bastante desfavorável, mas o Benfica manteve a organização e a calma. O Twente também não complicou muito as coisas, já que eles próprios quase que pareceram surpreendidos com esta vantagem obtida tão cedo, e procuraram fazer posse de bola à saída ou mesmo dentro do seu meio campo, sem arriscarem ou pressionarem muito. Isto resultou no período mais morno de todo o jogo, que foi subitamente interrompido aos vinte minutos, quando o incansável Aimar conseguiu roubar uma dessas bolas que o Twente procurava manter no meio campo, e colocou-a nos pés do Cardozo para o contra-ataque. O paraguaio foi por ali fora sem oposição, olhou para a baliza, e ainda de muito longe nem sequer chutou com a força que lhe é habitual: colocou simplesmente a bola de forma perfeita fora do alcance do guarda-redes, empatando o jogo.

O jogo animou claramente após este golo, e a resposta do Twente foi imediata, com o Artur a fazer a primeira das suas grandes defesas para negar o golo aos holandeses logo na jogada a seguir ao nosso golo. Com o Twente a arriscar mais no ataque, começaram a ver-se mais espaços de um e de outro lado, e consequentes jogadas a ameaçar perigo para qualquer uma das balizas. Mas jogada mesmo foi a que o Benfica fez para chegar ao segundo golo, quinze minutos após ter feito o empate. Tudo começou num lançamento lateral do Maxi, com a bola depois a passar quase sempre ao primeiro toque pelo Gaitán, Witsel, Cardozo, Gaitán e Witsel outra vez, e finalmente um passe de morte do belga para o inevitável Nolito rematar para uma baliza aberta e marcar o seu quarto golo em quatro jogos oficiais pelo Benfica. Se toda a jogada é fantástica, o pormenor do Witsel, com tudo para rematar à baliza e rodeado de defesas, ter tido a visão e a calma para fazer aquele passe para o Nolito é revelador da qualidade deste jogador. O mais difícil estava feito, mas não foi sem dificuldades que o Benfica conseguiu manter a vantagem até ao intervalo, pois o Artur foi obrigado a mais duas grandes defesas já muito perto do apito, primeiro a um livre do Ruiz, e depois a um remate de primeira do Landzaat que levava selo de golo.

Na segunda parte o Twente resolveu arriscar tudo, colocando logo mais um avançado em campo. O Benfica fechou linhas e encostou-se mais atrás, procurando eventualmente explorar todo o espaço que os holandeses deixavam para o contra-ataque, mas com isto foi sujeito a uma pressão constante, com várias bolas despejadas para a área ou as suas imediações, e algumas delas resultarem em lances de perigo. O primeiro deles até resultou da única falha do Artur no jogo, ao atacar mal uma bola, o que resultou numa confusão dentro da área que felizmente acabou por não dar em golo. O período mais 'louco' do jogo foram os últimos vinte e cinco minutos, depois da troca do Aimar pelo Saviola (a saída do Aimar já se adivinhava, mas esperaria a entrada de outro médio, e não de um segundo avançado). O Saviola não entrou bem, e nunca conseguiu pressionar e incomodar os adversários da mesma forma que o Aimar o estava a fazer. Com os holandeses a darem o tudo por tudo, o Artur foi obrigado a pelo menos mais três defesas de grande dificuldade, mas do lado oposto os espaços eram cada vez maiores, e em mais de uma ocasião o Benfica viu-se em situações de igualdade ou mesmo vantagem numérica perante os defesas do Twente, não tendo sabido aproveitá-las. Foi pena que a dez minutos do final, numa fase em que o Twente já parecia estar a perder o fôlego, tenhamos sofrido o golo do empate. O lance começa numa asneira do Maxi, que se deixou antecipar e perdeu uma bola que devia ser sua, e terminou com um cabeceamento do Ruiz para o golo. Há falta evidente do Ruiz quando salta à bola, empurrando e apoiando-se sobre as costas do Emerson, mas mais uma vez o árbitro de baliza aproveitou para mostrar que não serve para absolutamente nada. O empate pareceu satisfazer o Twente, que quase não pressionou mais até ao apito final, tendo cabido ao Benfica a maior oportunidade para desfazer o empate, com o Nolito, isolado após tabela com o Saviola, a não conseguir bater o guarda-redes Mihaylov.

Melhor jogador do Benfica claramente o Artur. Contei-lhe pelo menos meia dúzia de grandes defesas, a evitarem golos do Twente, e não teve qualquer hipótese nos golos sofridos. Bem o Witsel, o Aimar (pode não aguentar os noventa minutos a correr daquela maneira, mas quando sai do campo já deu tudo o que aquele corpo franzino tem para dar), Nolito e Javi. Hoje não gostei muito do Maxi. Pareceu-me algo lento, e revelou sempre muitas dificuldades a partir do momento em que o número 24 (Ola John) entrou e se foi colar ao lado esquerdo. No lance do segundo golo ele não deveria ter perdido aquela bola a meio campo.

Partimos em vantagem para a segunda mão, e sinto-me confiante que, somando essa vantagem ao factor casa, conseguiremos daqui a uma semana confirmar o apuramento para a fase de grupos da Champions. O Twente mostrou alguma qualidade no ataque, mas certamente não é uma equipa fora-de-série, estando perfeitamente ao nosso alcance. Basta que mantenhamos a concentração e soltemos o talento dos jogadores que temos.

por D`Arcy às 02:20 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Sexta-feira, 12.08.11

Desleixo

Só desleixo ou incompetência pode explicar que o Benfica, depois de uma grande entrada no jogo, e depois de estar a vencer por dois golos de diferença após dezoito minutos de jogo, vá permitir que uma equipa vinda da Liga Orangina consiga recuperar da desvantagem e arrancar um empate.

A surpresa do Jorge Jesus para este jogo foi não ter optado pelo 4-3-3 que vinha dando boa conta de si, preferindo voltar ao 'clássico' 4-1-3-2, com o Jara a fazer companhia ao Saviola na frente. O início de jogo foi promissor, com o Benfica a jogar em velocidade e os seus jogadores a mostrar grande mobilidade em campo, o que permitia encontrar frequentemente espaços na defesa do Gil Vicente. O golo chegou, por isso, cedo, com o Nolito a surgir solto na esquerda após um bom passe do Rúben e a colocar a bola cruzada ao segundo poste, fora do alcance do guarda-redes. O Gil Vicente não se entregou, e tentava pressionar alto, mas isso deixava espaços atrás e o Benfica parecia mostrar alguma competência nas transições para o ataque, pelo que a sensação com que se ficava era a de que não seria complicado ao Benfica voltar a marcar. O que aconteceu aos dezoito minutos, numa bonita jogada em que a bola passou quase sempre ao primeiro toque por vários jogadores, com o passe final do Jara a permitir a finalização do Saviola à boca da baliza.

O jogo nesta altura parecia estar praticamente nas nossas mãos. O problema é que se calhar os jogadores pensaram a mesma coisa, e pareceram abrandar aquela 'fúria' com que entraram em campo, confiantes que mais cedo ou mais tarde novo golo apareceria. E, conforme escrevi antes, o Gil Vicente nunca se entregou. A partir da meia hora de jogo eu comecei a pensar que seria fundamental não sofrermos um golo antes do intervalo, de forma a evitarmos a repetição de uma história que já vimos antes. Tal não foi possível, porque após um corte falhado pelo Rúben Amorim o Gil Vicente chegou mesmo ao golo, num remate cruzado. Vimos então que o Witsel aquecia, e pensei que na segunda parte ele entraria e o Benfica voltaria ao 4-3-3, que provavelmente permitiria ao Benfica estabilizar o jogo - que naquela altura estava completamente aberto, com ambas as equipas a encontraram muitos espaços para atacar.

Surpeendentemente isso não aconteceu, e quem ficou no balneário ao intervalo foi o Aimar. Mas o jogo na verdade mudou bastante, com o Benfica a parecer ter o adversário e o jogo completamente controlados. O Gil Vicente raramente entrava no nosso meio campo, e quase não ameaçava a nossa baliza. Mas apesar do ascendente no jogo, o Benfica não mostrou capacidade para dar a machadada final e sentenciar o resultado. E já estamos fartos de saber que quando isto acontece, estamos sempre expostos a uma qualquer contingência, que foi o que aconteceu. Depois de ter sido mais rematador na primeira parte, foi praticamente no único remate que fez na direcção da baliza na segunda parte que o Gil Vicente chegou ao empate. Foi um grande remate, bem de fora da área, a levar a bola ao ângulo da baliza, e pelo mesmo jogador - Laionel - que já o ano passado, também num remate de longe, deu a vitória à Académica na Luz na primeira jornada. Faltava pouco mais de um quarto de hora para o final, mas o Benfica, mais com o coração do que com a cabeça, não mostrou qualquer competência para voltar a marcar, não tendo praticamente criado uma única ocasião de golo.

Gostei do Javi, do Saviola e do Witsel na segunda parte. Não gostei do Jara - empenhado mas desastrado - nem do Gaitán, que a partir do segundo golo pareceu novamente interessado em jogar de forma mais bonita do que prática, com alguns tiques de vedeta. Estava a gostar do Aimar na primeira parte, e não compreendi a sua saída, a não ser que tenha sido por motivos físicos. Em relação ao Nolito, que mais uma vez voltou a marcar e fez um bom jogo, julgo que seria útil que por vezes, tendo em conta a posição em que joga, tentasse ganhar a linha de fundo, porque se ele flecte para o centro sempre que recebe a bola, ao fim de algum tempo os adversários já sabem o que vai fazer.

E mais uma vez começamos o campeonato com o pé esquerdo. Sinceramente, às vezes parece ser escusado tentar meter na cabeça da equipa o quão importante é começar bem e não dar logo a abrir um estímulo psicológico aos rivais, porque já são demasiadas as épocas em que isto acontece. E se a época passada houve razão de queixa de factores externos, esta noite só nos podemos queixar de nós próprios e do nosso desleixo. Os jogos são para se levar a sério contra qualquer adversário, e do primeiro ao último minuto de jogo. Vendo a coisa pela positiva, só mesmo pensando que da última vez que fomos campeões também começámos com um empate.

por D`Arcy às 23:25 | link do post | comentar | ver comentários (165)
Domingo, 07.08.11

Empolgante

A Eusébio Cup ficou em casa, num jogo com duas partes bem distintas em que fomos presenteados com alguns momentos de futebol que só podem deixar-nos optimistas para esta época.

Na primeira parte o Benfica experimentou um 4-4-2 sem um criativo, optando por colocar o Matic ao lado do Javi no centro do meio campo, cabendo ao Jara a tarefa de tentar fazer a ligação entre o meio campo e o ataque. A experiência não foi muito em sucedida: o Benfica revelou pouca capacidade para fazer posse de bola no meio campo adversário, foi precipitado no ataque, e na defesa mostrou-se permeável, sobretudo pelas laterais, onde os alas Pérez e Bruno César pouco auxiliaram os defesas do seu lado. O Arsenal chegou à vantagem precisamente numa subida não acompanhada do seu lateral esquerdo, ganhou a linha de fundo e centrou para uma finalização fácil do Van Persie na pequena área.

Na segunda parte voltou o esquema utilizado na quarta-feira em Istambul. Não podendo obviamente ignorar-se a saída ao intervalo de jogadores como Arshavin, Van Persie, Sagna e Djourou no Arsenal, a verdade é que com Witsel, Nolito, Gaitán, Aimar e Saviola em campo a música foi outra. Quinze minutos bastaram para dar a volta ao resultado, com golos de Aimar e Nolito, e momentos de futebol rápido e empolgante que entusiasmaram os mais de quarenta mil presentes na Luz. E até poderiam ter sido mais os golos até ao final, porque oportunidades não faltaram.

Aimar, Nolito e Witsel excelentes, acompanhados pelo Javi ao longo dos noventa minutos, Gaitán bem mais perigoso na direita do que tinha sido o Pérez. Menção para a estreia do Capdevilla, que pouco mostrou à parte de parecer ter maior propensão para atacar do que o Emerson.

Tempo agora para preparar a estreia na Liga, já na próxima sexta-feira. Por aquilo que tenho visto, sinto-me confiante. Cada vez mais confiante.

por D`Arcy às 03:01 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Quarta-feira, 03.08.11

Passeio

Sem sobressaltos, o Benfica quase que passeou e passou a eliminatória na Turquia, tendo ficado como único amargo de boca a sensação de termos desperdiçado uma boa oportunidade para vencer o jogo. No mínimo, porque na melhor das hipóteses, até teria dado para um resultado robusto.

O Benfica entrou em campo com onze jogadores... do Benfica. E escrevo isto porque à custa de tanto alarido sobre as nacionalidades do onze que iria alinhar, às tantas comecei a ficar com receio que o Benfica acabasse por entrar com menos do que onze jogadores, ou com algum jogador do Trabzonspor lá metido pelo meio. O Jorge Jesus optou por inovar um pouco em termos tácticos, colocando a equipa a jogar com apenas um avançado de raiz, num esquema que na época passada eu achei que tanto jeito nos daria em alguns jogos - mas para o qual não tínhamos jogadores no plantel. O Saviola foi o jogador mais avançado, com apoio directo do Aimar, e o Witsel entrou no onze para dar mais consistência ao meio campo. Natural também a presença do Nolito, no lugar do lesionado Pérez.

Se alguém esperava algum inferno em Istambul, então o que viu foi um inferno muito frio. O estádio estava muito longe de ter os tais cinquenta ou sessenta mil fervorosos adeptos turcos, e logo nos primeiros minutos o Benfica fez questão de arrefecer os ânimos aos que lá estavam e tranquilizar os benfiquistas, porque depressa se viu que seria muito difícil que deixássemos fugir o controlo do jogo. Começámos por pressionar muito alto - grande esforço do Aimar neste aspecto - raramente permitindo ao Trabzonspor jogadas organizadas e em posse de bola, porque o nosso meio campo reforçado ocupava os espaços e fazia as marcações quase na perfeição. E quando recuperávamos a bola, às vezes até parecia demasiado fácil a forma como conseguíamos abrir buracos na defesa turca. E o golo surgiu com toda a naturalidade, já depois de algumas ameaças, quando estavam decorridos vinte minutos. Num lançamento lateral o Saviola apareceu 'esquecido' na área, e depois passou a bola ao Nolito, que rematou entre dois defesas para o golo. Se dúvidas havia sobre quem passaria, terão terminado todas aqui. O Trabzonspor conseguiu empatar cerca de dez minutos depois, num lance em que explorou um buraco deixado pelo Maxi na direita da defesa, mas foi um lance perfeitamente fortuito e contra a corrente do jogo - foi o único remate que os turcos fizeram à baliza em noventa minutos de jogo, durante os quais o Artur foi pouco mais do que um mero espectador. O Benfica não acusou o golo e continuou com o controlo do jogo, só não chegando ao intervalo em vantagem porque o Gaitán, numa noite muito displicente, conseguiu não acertar com a baliza quando tinha tudo para marcar.

A segunda parte começou com o Benfica a mostrar que nada iria mudar: logo no primeiro minuto o Nolito perdeu mais uma oportunidade soberana para marcar, num lance precedido de penálti sobre o Saviola. Antes de terminado o primeiro quarto de hora, o cenário ficou ainda mais negro para os turcos, que se viram reduzidos a dez após expulsão do Mierzejewsky por cotovelada na cara do Maxi (o maior especialista no uso dos cotovelos, o número dezassete Burak, conseguiu no entanto aguentar-se em campo os noventa minutos sem ver um amarelo sequer). E a partir daqui só foi aumentando a minha irritação por não marcarmos pelo menos mais um golo, que nos daria a vitória no jogo. Oportunidades para isso não faltaram, mesmo com o Benfica a jogar quase em ritmo de treino (e o Gaitán a jogar quase como se estivesse numa peladinha entre amigos). A mais flagrante de todas surgiu a dez minutos do final, com o Witsel a conseguir acertar na trave (o que era mais difícil do que marcar) depois de se ver cara a cara com o guarda-redes após uma boa iniciativa do Matic. Mas a verdade é que, depois da expulsão, a sensação com que fiquei é que bastaria o Benfica forçar um bocadinho para desbaratar completamente aquela defesa.

O jogador de que mais gostei foi o Witsel. É tacticamente muito certo, insistente na luta pela posse de bola, e sobretudo não inventa: faz aquilo que deve ser feito, na altura certa, e de forma simples. Merecia claramente que aquela bola que terminou na barra tivesse entrado na baliza. Gostei também do Nolito, em especial na primeira parte, porque à medida que o jogo caminhou para o final pareceu-me que foi perdendo o fôlego. Mas foi sempre um dos mais perigosos, e é outro jogador que ajuda muito a começar a pressão logo à saída da área adversária. Gostei também do Aimar, sobretudo pelo muito que trabalhou, e o Matic teve um entrada boa no jogo. O único jogador que me conseguiu irritar foi o Gaitán, simplesmente porque chegou a um ponto em que quase me pareceu estar a ser displicente na forma como jogava. Se não tentasse obter nota artística em alguns lances, o mais provável era que tivesse acabado o jogo com um (ou mais) golos marcados. Gostaria que ele tivesse tido uma atitude mais competitiva, e que tivesse levado o jogo mais a sério.

A obrigação de deixar os turcos pelo caminho foi cumprida, e esperemos agora para ver o que é que a sorte nos reserva para o play-off. A minha preferência é quase sempre a mesma para sorteios de competições europeias: equipas italianas não, por favor. Por isso, desejo qualquer equipa menos a Udinese.

por D`Arcy às 23:12 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Segunda-feira, 01.08.11

Roberto

Será que o presidente do Zaragoza, por andar metido nos negócios da construção, tem interesse em construir o novo estádio do Benfica?

 

Ou será que o ano passado o Benfica, afinal, pagou mesmo aquele que era o valor de mercado de um jogador que foi votado o melhor guarda-redes da segunda volta da Liga espanhola?

 

P.S.- Para o Roberto, muito sinceramente, toda a sorte do mundo. Nada tenho a apontar ao seu profissionalismo, e admiro a força de vontade e dedicação que mostrou para levantar a cabeça apesar dos ataques vis e rasteiros de que foi alvo desde os primeiros minutos que jogou pelo Benfica. Inclusivamente da parte de alguns benfiquistas, que certamente o fizeram porque essa é a sua forma de ajudar o clube. Somos muitos, e cada um terá a forma de o fazer que entenderá ser a mais correcta.

por D`Arcy às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (92)
Quinta-feira, 28.07.11

Paciência

O objectivo principal para este jogo foi conseguido: vencemos por uma margem superior à mínima, e não consentimos golos. Durante vários períodos o jogo ainda pareceu mais um jogo de pré-época de que um jogo a sério, mas o Benfica foi sempre superior, e a sensação que mantive foi que o pior que poderia acontecer era sermos nós a não conseguir ganhar o jogo, porque o Trabzonspor nunca pareceu ter capacidade para alterar o rumo da partida.

O nosso treinador optou por um onze que poderíamos considerar de continuidade, colocando de início quase todos os jogadores que já eram titulares a época passada. Do onze base de então faltaram Roberto, Coentrão, David Luiz e Salvio, que foram agora substituídos pelo Artur, Emerson, Garay e Pérez. Na direita da defesa surgiu o Rúben Amorim, após vários meses de ausência. O Benfica entrou bem no jogo, com os turcos a reagirem mal quando eram pressionados na defesa e a entregarem facilmente a bola. Aos três minutos uma dessas situações poderia ter resultado num grande golo do Gaitán, com o chapéu que tentou ainda de muito longe a ser defendido no limite pelo guarda-redes turco. Mas a pressão mais intensa do Benfica pareceu durar apenas 20-25 minutos. Depois disso os turcos, que nunca esconderam que traziam como única intenção retardar ao máximo um golo do Benfica, conseguiram adormecer o jogo, e passaram a ter alguma liberdade para trocar a bola no seu meio campo defensivo. Apesar do domínio territorial, o Benfica mostrou ainda pouca desenvoltura no ataque. Passes mal medidos, toques a mais na bola e várias hesitações tiveram como resultado muito poucos remates, e sem se rematar à baliza é óbvio que não se pode marcar - ao intervalo creio que o único remate que fizemos que levou a direcção da baliza foi precisamente a tentativa de chapéu do Gaitán.

A segunda parte começou ainda pior para o Benfica. Não sei se foram instruções do Jorge Jesus, ou se foi o próprio Aimar a proteger-se por não se sentir bem fisicamente, mas a verdade é que ele foi-se quase encostar aos avançados, o que resultou numa equipa do Benfica partida ao meio, com um autêntico deserto no meio campo - por diversas vezes os defesas tinham a bola e esperavam em vão que alguém a viesse receber, acabando por ter de optar por passes longos. Paradoxalmente, isto também acabou por ter uma faceta positiva, pois de certa forma convidou os turcos a subir e a estenderem-se mais no campo, deixando de jogar com as linhas tão juntas como tinham feito na primeira parte e dando assim mais espaço para jogarmos à frente da sua área. A entrada do Nolito para o lugar do Pérez (o Gaitán passou para a direita), logo no início da segunda parte, melhorou bastante o jogo do Benfica, pois o espanhol veio dar nova vida e agressividade ao nosso ataque. E pouco depois da hora de jogo, nova alteração que já se impunha, com a saída do Rúben para dar lugar ao Maxi, trouxe ainda mais melhorias ao jogo do Benfica. Coincidência ou não, e já depois de uma bola do Saviola ao poste, o Benfica chegou mesmo ao golo a vinte minutos do final, com o Nolito sobre a esquerda da área a receber um passe do Aimar e a rematar cruzado para o golo. Este era o melhor período do Benfica no jogo, que a entrada do Witsel para o lugar do Aimar pouco depois veio ainda acentuar. O segundo golo poderia ter chegado mais cedo, pois logo a seguir ao primeiro ficou um penálti claríssimo por marcar, após ostensiva mão na bola de um defesa turco, mas a justiça no resultado acabou por chegar ao cair do pano, com um remate em arco do Gaitán que colocou a bola na gaveta.

As substituições feitas pelo Jorge Jesus esta noite resultaram todas em pleno. O Nolito injectou velocidade e agressividade no ataque, o Maxi trouxe profundidade à direita, após render um Rúben Amorim a acusar, com toda a naturalidade, a falta de ritmo após vários meses de ausência, e finalmente o Witsel deu solidez e uma mais eficaz ocupação dos espaços a meio campo. Gostei bastante da exibição do Garay - a qualidade não engana - e também do Luisão, que indiferente ao barulho à sua volta fez aquilo que melhor sabe fazer: defender de forma profissional o nosso emblema dentro do campo. O Emerson mostrou bastante segurança a defender, mas parece-me que o seu estilo não é o de arriscar muito em subidas para o ataque. Com a chegada da defesa titular parece-me que deixámos (com toda a naturalidade) de dar as facilidades que demos durante os jogos de pré-época. No geral, a equipa ainda não parece estar em perfeitas condições físicas, sendo um caso evidente o do Saviola, que praticamente se arrastou em campo durante a última meia hora.

Tal como não devemos entrar em depressão depois de um mau resultado, uma vitória também não deve significar que entremos automaticamente em euforia. O Benfica foi claramente superior ao Trabzonspor esta noite, e mereceu a vitória que conquistou, mas seria exagerado achar que fizemos uma exibição entusiasmante. Mantenho a minha opinião: temos neste plantel muita qualidade, e tenho bastantes expectativas em relação à equipa que poderemos construir. As declarações do Jorge Jesus, dizendo que considera que temos melhor plantel do que nas duas últimas épocas, mas que ainda não temos melhor equipa parecem-me acertadíssimas. Parece-me que deverá valer a pena ter um pouco de paciência para esperar pelo resultado final. A mesma que foi precisa no jogo de hoje.

por D`Arcy às 00:02 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Quinta-feira, 21.07.11

Esperança

 

Vejo as fotos da acção promocional do Benfica no Rossio esta tarde e não consigo evitar um sorriso. Porque só consigo pensar que o Benfica é isto mesmo. É a gente que se junta espontaneamente à volta de uma cadeira gigante porque é o Benfica que está ali. E pede autógrafos ao André Almeida ou ao Rodrigo Mora só porque são jogadores do Benfica, mesmo que se calhar acabem por não ficar no plantel. São os sócios que aplaudem o Eduardo ou o Roberto na apresentação porque eles entraram em campo envergando a camisola do Benfica, e é só isso que basta para terem o nosso apoio incondicional.

 

E apesar do Benfica ser também a gente que, em nome de um suposto 'espírito crítico', avalia e desanca jogadores depois de ver um treino ou meia parte de um jogo, que os assobia e critica antes deles entrarem em campo ou até mesmo antes de assinarem pelo clube, apesar de também ser a gente que ainda antes de se dar um chuto numa bola já está a prever as piores desgraças e a deitar tudo abaixo, e que às vezes quase parece estar a torcer para que as coisas nos corram mal só para depois terem o prazer masoquista de esfregar as mãos e dizer "Eu não vos disse? Vêem como eu tinha razão?", coisas destas recordam-me que esses adeptos são uma minoria no gigantismo do Benfica. Porque para a grande maioria, 'Benfica' não desperta a depressão, a maledicência, o negativismo ou o derrotismo; desperta simplesmente alegria, que se vê nos sorrisos daquela gente. E isso renova-me, a cada dia, a esperança no meu clube.

por D`Arcy às 23:02 | link do post | comentar | ver comentários (37)
Quarta-feira, 20.07.11

Regresso

Finalmente o regresso a 'casa' depois de dois meses da ausência. Já tinha saudades de me sentar no meu lugar para ver as camisolas vermelhas sobre a relva da Luz.

A apresentação frente ao Toulouse terminou numa vitória do Benfica pela margem mínima, graças a um golo ao cair do pano, marcado pelo Jardel depois de uma jogada embrulhada na pequena área. O jogo foi algo morno e o Benfica não fez uma grande exibição, mas controlou sempre os acontecimentos de forma clara, e poderia mesmo ter vencido por uma margem mais folgada. As novidades da noite foram o Eduardo, o Emerson e o Garay, tendo todos eles tido a oportunidade de jogar, com o Emerson a actuar mesmo os noventa minutos. Nenhum deles teve grandes oportunidades para brilhar, mas o Garay ainda conseguiu estar perto de marcar na apresentação, ao cabecear ao poste da baliza francesa. De qualquer maneira, tendo em conta que foram quase directos do aeroporto para o relvado da Luz, estes últimos reforços não deixaram nada má imagem, e tenho expectativas altas para a dupla Luisão/Garay.

Deu para experimentar duas tácticas no jogo: na primeira parte o Benfica ensaiou uma táctica com apenas um avançado (Cardozo), com o apoio do Aimar, Nolito, Bruno César e Urreta, e na segunda parte jogámos numa táctica mais próxima do 4-4-2, com o Witsel a actuar praticamente ao lado do Matic no centro do meio campo. O Matic foi, na minha opinião um dos jogadores que mais se destacaram. Gostei também do Urreta na primeira parte, e na segunda foi o jogador que o substituiu - Enzo Pérez - quem esteve num nível mais alto. A desilusão da noite foi o Bruno César, que teve um jogo infeliz.

Agora mãos ao trabalho, que já só temos mais uma semana para preparar a pré-eliminatória da Champions.

por D`Arcy às 23:11 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Domingo, 17.07.11

Desperdício

Empate no jogo com o Anderlecht e vitória final no torneio. O jogo fica marcado, a meu ver, pelo desperdício no ataque e pelas (já habituais nesta pré-época) facilidades concedidas na defesa.

 

O Anderlecht não foi um adversário fácil, e entrou no jogo com vontade de discutir o resultado, tentando exercer pressão sobre os nossos jogadores. Mas o Benfica, com o Saviola renascido, teve um bom início de jogo e começou a criar oportunidades para marcar, quase sempre com o Saviola nas jogadas. Foi mesmo ele quem inaugurou o marcador, rematando de ângulo apertado depois de ultrapassar o guarda-redes. O jogo parecia estar mais ou menos controlado, mas após vinte e cinco minutos o Miguel Vítor lesionou-se, e a nossa defesa, já de si fragilizada, acusou o golpe. Entrou o David Simão para a esquerda, passando o Fábio Faria para o centro, mas dois minutos depois já o Anderlecht empatava. Seguiu-se um período em que a nossa equipa abanou, mas perto do final voltou a construir novas oportunidades de golo, que o Jara em particular se encarregou de desperdiçar de forma incrível. Na última jogada o Anderlecht colocou-se em vantagem, numa iniciativa individual que voltou a aproveitar as facilidades concedidas do lado direito da nossa defesa.

 

A segunda parte trouxe as habituais alterações, e a qualidade do jogo ressentiu-se. Mas o Benfica continuou a ter mais iniciativa e a dispor das melhores oportunidades de golo, chegando naturalmente ao empate após decorridos dez minutos, com o Urreta na direita a rematar cruzado após receber um centro do David Simão. O resto do jogo nunca foi particularmente bem jogado, mas estive sempre com a sensação de que poderia haver um golo em qualquer uma das balizas. Na do Anderlecht pela quantidade de jogadas de ataque que o Benfica fazia; e na nossa pela quantidade de buracos que a nossa defesa teimava em abrir - particularmente na direita - quando os belgas resolviam atacar.

 

Foram demasiados golos falhados por nós: contei pelo menos cinco ocasiões em que colocámos um jogador na cara do guarda-redes - Saviola, Jara(2), Nolito e Bruno César - e apenas a ocasião do Saviola acabou em golo. E foram muitos os espaços concedidos na defesa, em particular na direita - para mim o André Almeida terá sido o nosso pior jogador esta noite, e custa-me acreditar que o Wass não saiba fazer melhor do que aquilo. Gostei do Saviola na primeira parte, e do Urreta na segunda.

 

No geral, gostei de ver aquilo que esta equipa consegue fazer no ataque, e também da capacidade para recuperar bolas na zona do meio campo. A defesa continua a ser o factor mais preocupante mas, conforme sabemos, falta muita gente. Neste momento só espero que a lesão do Miguel Vítor não seja grave, que o Garay esteja em Lisboa em breve, e que tenhamos um lateral esquerdo já esta semana. Faltam dez dias para a pré-eliminatória da Champions, e não me parece que a defesa actual nos ofereça garantias suficientes para esse jogo.

por D`Arcy às 22:40 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Sábado, 16.07.11

Evolução

Contra o adversário mais forte da pré-época até agora, o Benfica já se mostrou alguns furos acima daquilo que tínhamos visto na Suíça, tendo vencido o PSG por 3-1 com alguma naturalidade.

 

Apresentando um onze inicial cuja maior novidade era a presença do Gaitán como segundo avançado, o Benfica entrou bem no jogo, mostrando uma boa dinâmica no ataque e conseguindo exercer uma pressão bastante alta ainda no meio campo adversário. Marcámos cedo, pouco depois dos dez minutos, com o Cardozo a aproveitar, já perto da pequena área, um ressalto após uma boa iniciativa individual do Aimar. Infelizmente a defesa comprometeu quatro minutos depois, consentindo o empate numa jogada em que o PSG aproveitou o espaço dado pelo André Almeida, que não acompanhou o seu adversário directo (Nené) quando este fez uma diagonal para o centro. A este golo seguiu-se o pior período do Benfica no jogo, e só no último quarto de hora é que voltámos a subir de rendimento e a empurrar o PSG para a sua defesa.

 

A segunda parte trouxe as habituais alterações, com uma equipa quase toda diferente do meio campo para a frente: entraram Nolito, Saviola, Jara e Witsel para os lugares do Bruno César, Pérez, Aimar e Cardozo, e minutos depois foi a vez do Urreta substituir o Gaitán, com o Benfica a passar a jogar numa disposição mais próxima do 4-4-2 clássico. O Benfica entrou melhor, e acabou por chegar ao segundo golo pelo Jara, isolado após uma insistência do Nolito, que recuperou a bola na defesa do PSG. Pouco depois deu-se a expulsão de um jogador francês, e os últimos vinte minutos foram quase de sentido único para a baliza do PSG, com o terceiro golo a chegar mesmo no final, quando o Saviola aproveitou mais uma jogada individual do Nolito para rematar com êxito. No 'desempate' por penáltis, o Benfica voltou a vencer, aproveitando a defesa do Artur ao remate final do PSG, e ainda um dos penáltis mais caricatos que vi acabar em golo, marcado pelo Javi.

 

Destaques do Benfica o Artur, sempre seguro durante todo o jogo, Aimar na primeira parte, e Nolito na segunda. Não gostei muito de ver o Gaitán jogar como segundo avançado; pareceu-me que ficou demasiado ausente do jogo. O Saviola continua a atravessar um momento infeliz, e só no final, com o golo e um passe fantástico para o Jara, é deixou uns lampejos daquilo que sabe fazer. O Matic ainda me causa alguma confusão. Parece ser bastante bom posicionalmente, mas depois fico sempre com a sensação que arrisca demais para o estilo de jogador que é e a posição que ocupa, pois demora algum tempo a libertar-se da bola e nem sempre procura jogar simples. Quanto à estreia do Witsel, não se pode dizer muito. Julgo que se terá preocupado em não complicar. Tacticamente, vi-o muitas vezes preocupado em ajudar a fechar o lado direito, por onde o PSG tinha causado mais problemas na primeira parte, e a verdade é que o André Almeida teve uma segunda parte bem mais tranquila. Mas não podemos ignorar o facto do melhor jogador do PSG (Nené), que jogava naquela zona, já não estar em campo.

 

O mais importante é mesmo notar-se evolução na equipa. Vi, mesmo que a espaços, o Benfica construir jogadas agradáveis e ser capaz de pressionar de forma eficaz. Temos o problema de ter que jogar com aquela defesa de circunstância, mas por outro lado causa-me bastante expectativa pensar o que é que esta equipa poderá fazer assim que tivermos a defesa completa. Porque para jogar à frente dela julgo que temos muitas e boas soluções.

por D`Arcy às 02:11 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Quarta-feira, 13.07.11

Witsel

Talvez o Benfica tenha encontrado, com uma época de atraso, o substituto ideal para o Ramires (o facto de ainda desejarmos um substituto para ele diz bem da influência que teve no último título). Da qualidade do jogador não tenho grandes dúvidas, e julgo que é mais ou menos óbvio que será um potencial titular. A maior vantagem desta contratação é que, na minha opinião, faz da opção de jogarmos em 4-3-3 uma possibilidade mais válida. Nesse caso o sacrificado seria um dos avançados. Se jogarmos na táctica habitual, isso poderá significar más notícias para os jogadores das alas. De qualquer forma isso serão dores de cabeça para o Jorge Jesus. Eu limito-me a dar as boas vindas ao Witsel, e a desejar-lhe que seja pelo menos tão feliz como foi o Ramires. E se possível, que se aguente por cá durante um pouco mais de tempo que o 'queniano'.

por D`Arcy às 22:37 | link do post | comentar | ver comentários (41)
Terça-feira, 12.07.11

Pálida

O Benfica deixou uma pálida imagem neste último jogo do estágio na Suíça, sofrendo a primeira derrota frente ao Dijon. Na primeira parte, mesmo sem ser propriamente brilhante, o maior problema terá sido mais uma vez não sabermos aproveitar as oportunidades criadas, já que fomos quase sempre superiores ao adversário, criando algumas ocasiões para marcar. O Dijon acabou por chegar ao golo pouco antes do intervalo, aproveitando um buraco enorme do lado esquerdo da nossa defesa - onde mais uma vez o Fábio Faria foi a opção do Jorge Jesus, e mais uma vez mostrou que não pode ser opção para aquele lugar. Em relação ao lado esquerdo da defesa, tendo em conta que apenas levámos um lateral esquerdo de raiz para o estágio (Shaffer), só mesmo o facto do nosso treinador ter riscado à partida este jogador pode justificar que ele não tenha jogado um único minuto, preferindo-se adaptações pouco felizes - já agora, convinha alguém explicar aos comentadores da SportTV que se calhar o Carole (e o Nélson Oliveira) não jogou um único minuto na Suíça porque simplesmente não foi à Suíça, visto estar integrado nos trabalhos da selecção de sub-20.

 

A segunda parte, com inúmeras e constantes alterações, foi ainda mais fraca. Muitos jogadores acabaram por saltar de posição em posição, alguns passando por quatro posições diferentes no espaço de minutos, e de certeza que isso não ajudou a que produzissem muito. O Dijon chegou ao segundo golo aproveitando novo buraco na nossa defesa - desta vez do lado direito - após um mau passe no meio campo. Na fase final, quando as substituições pararam e a equipa e jogadores puderam finalmente estabilizar um pouco, o Benfica produziu um pouco mais - quase sempre empurrado pelo Jara - e acabou por reduzir em tempo de descontos pelo Urreta.

 

Gaitán na primeira parte (parece ser um dos jogadores em melhor forma nesta altura) e Jara na segunda foram talvez os jogadores que mais se destacaram.

 

Jogos de preparação são para isso mesmo: para preparação e experiências. O resultado não é o mais importante, mas como é óbvio ninguém gosta de perder. E convém por isso não exagerar: uma pré-época com muitos resultados negativos acaba inevitavelmente por criar uma onda negativa à volta da equipa, por mais pacientes que os adeptos queiram ser, e que pode ter efeitos adversos no arranque dos jogos a sério. Espero portanto ver um Benfica bem melhor já a partir da próxima sexta-feira, no Torneio do Guadiana. Cujas duas últimas edições conquistámos, e que espero voltemos a conquistar este ano.

por D`Arcy às 21:55 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Domingo, 10.07.11

Difícil

Previa-se um jogo bem mais difícil do que o de ontem, e foi precisamente aquilo que tivemos. Perante um adversário bem organizado (como é habitual nas equipas do João Alves) e com uma preparação mais adiantada, o Benfica teve muitas dificuldades para fazer o seu jogo, e deixou uma imagem mais pobre. Na primeira parte contámos ainda com um adversário formidável na pessoa do Jardel, que conseguiu mesmo oferecer o golo do empate ao Servette, respondendo assim ao golo inaugural do Gaitán.

 

Na segunda parte vieram as habituais alterações, mas não me agradou a opção de abdicarmos de um organizador de jogo - jogaram o Javi e o Matic no centro do meio campo. A equipa pareceu muitas vezes não ter ideias claras sobre como sair para o ataque, acabando por optar por tentativas de lançamentos longos para os extremos. A melhor condição física do Servette nesta altura também se foi tornando evidente e não facilitou a nossa tarefa. Ainda criámos algumas oportunidades para marcar (Matic, Saviola...) mas o empate parece-me ser um resultado ajustado ao que se passou.

 

Tal como não deveríamos tirar grandes conclusões do jogo de ontem, frente a um adversário fraquíssimo, parece-me que devemos fazer o mesmo em relação ao jogo de hoje. Foi o segundo jogo seguido no espaço de 24 horas, contra um adversário que tem a preparação mais adiantada, e estes jogos servem mesmo é para experimentar. Na terça-feira há mais.

por D`Arcy às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (40)

Treino

Previa-se um jogo muito fácil, frente a um adversário de ocasião constituído por jogadores da segunda divisão suíça, e foi o que se viu. Acabou por ser mais um treino do que um jogo, e no final o Benfica ficou-se pelos nove golos, tendo sofrido um.

 

Naturalmente que não podemos estar a tirar grandes conclusões de um jogo como este, mas creio que quase toda a gente terá ficado agradada com as indicações deixadas pelo Bruno César, que das novas contratações foi quem mais se destacou. Dos que já cá estavam, Gaitán, Aimar e Cardozo deram nas vistas, os dois primeiros a jogar e a fazer jogar, e o último a fazer aquilo que melhor faz, marcando quatro golos (o primeiro absolutamente fantástico). Na segunda parte, com as substituições, o Benfica perdeu ritmo, mas ainda deu para os reforços Rodrigo e Nolito fazerem o gosto ao pé. Em termos tácticos não parece haver grandes novidades, continuando o 4-1-3-2 habitual do Jorge Jesus, mas parece-me que a chegada de jogadores como o Nolito, Bruno César ou Pérez (e outros ainda) permitirá muitas opções do meio campo para a frente, e uma grande dinâmica no ataque - que o Cardozo, mantendo-se como referência mais fixa, poderá aproveitar da melhor maneira.

 

Amanhã, frente ao Servette, já deveremos ter um adversário a dar muito mais luta.

por D`Arcy às 04:01 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sábado, 09.07.11

Moreira

Está confirmada a saída do Moreira para o Swansea, estreante na Premier League. Como uma boa parte dos benfiquistas, sempre tive bastante estima por ele, não só por ser um jogador formado no clube, mas também por considerá-lo um profissional exemplar, que soube sempre levantar a cabeça perante as adversidades que se abateram sobre a sua carreira, nunca se acomodando e acreditando sempre que poderia voltar a conquistar um posto que tinha herdado, por direito próprio, do saudoso Robert Enke. Sinto sempre, aliás, alguma frustração quando penso na carreira do Moreira no Benfica, porque nunca deixei de estar convencido que ele poderia ter ido muito mais longe, não fossem os azares que teve.

 

Viu a titularidade ser-lhe 'roubada' pelo Trappatoni, de forma aberrantemente injusta, após uma derrota humilhante no Restelo numa fria noite de Dezembro, e em que ele foi claramente o melhor jogador do Benfica em campo, fazendo o possível e o impossível para evitar uma derrota ainda mais pesada (com a dupla de centrais Argel/Amoreirinha à sua frente). Apesar da injustiça, nunca levantou ondas, nunca amuou (ao contrário do comportamento habitual daquele que o substituiu na nossa baliza), e continuou sempre a servir o Benfica de forma profissional. Na época seguinte, viu o seu empenho ser recompensado quando o novo treinador, Ronald Koeman, lhe entregou a titularidade. Mas foi traído por uma lesão gravíssima no joelho após seis jornadas, com a consequente nova perda do lugar. E como se isso não bastasse, posteriormente voltou a sofrer uma lesão semelhante, agora no outro joelho. A tudo isto a resposta do Moreira foi sempre muito trabalho, empenho e profissionalismo.

 

Fico feliz por ver o Moreira ter a oportunidade de jogar naquela que eu considero a melhor liga do mundo. Não irá certamente ter facilidades na época de estreia (sua e do seu novo clube) na Premier League. Mas espero que lhe corra tudo pelo melhor, e que jogando regularmente possa até voltar a entrar nas contas do seleccionador nacional - para mim, é bem melhor do que muitos dos guarda-redes que têm sido chamados ultimamente. Deixo-lhe o meu muito obrigado por tudo o que nos deu, e o desejo que seja feliz no seu novo clube. Porque ele merece-o.

por D`Arcy às 01:44 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sexta-feira, 08.07.11

Jogos

Finalmente este fim-de-semana poderei voltar a dizer 'Hoje joga o Benfica'. Sim, são jogos de pré-época, com as habituais experiências e inúmeras substituições, e aos quais a legião de especialistas estará particularmente atenta para poder lançar veredictos sobre os novos reforços com base no primeiro passe, defesa ou remate que fizerem. Mas, apesar disso tudo, a espera já vai demasiado longa, e o que eu quero é ver o Benfica jogar, por isso estes jogos com o Nice e o Servette vão-me saber tão bem como se fossem jogos oficiais.

 

Chegou o Enzo Pérez, o Garay assinou, e entretanto lá saiu, conforme esperado, o Coentrão. Fiquei com pena que, com as suas atitudes e declarações das últimas semanas, tenha borrado a imagem que tinha construído entre os benfiquistas durante os dois anos que passou na Luz. Mas o mais importante é que saiu mesmo pelo valor exigido, e agora resta-me desejar-lhe boa sorte. Ainda haverá muitas decisões a tomar sobre a constituição do plantel - faltará seguramente contratar um lateral esquerdo - mas para já considero uma boa notícia a contratação do Garay - não me agradava a perspectiva de ter o Jardel como titular durante a época (preferiria o Miguel Vítor, por exemplo). Outra boa notícia, na minha perspectiva, é a aparente vontade de manter o Rodrigo no plantel. Já escrevi antes que consideraria um erro deixar este jogador sair sem lhe darmos uma oportunidade para mostrar o que vale, e pelo que vou lendo e ouvindo ele tem deixado muito boas indicações nos treinos.

 

Sábado à noite já poderemos (re)começar as eternas discussões sobre quem é ou não jogador para o Benfica. Nada melhor que um joguito de pré-época contra o Nice para formar opiniões que muito provavelmente permanecerão inalteradas para o resto da época. É que nós, benfiquistas, raramente nos enganamos nestas coisas.

por D`Arcy às 00:50 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quinta-feira, 30.06.11

Sorteio

Realizou-se hoje o sorteio do próximo campeonato da Liga. Para mim, isto de sorteios mais ou menos simpáticos é muito relativo, porque mais cedo ou mais tarde teremos que jogar contra todos. Mas não deixa de ser interessante que comecemos o campeonato jogando precisamente contra as duas equipas recém-promovidas à primeira liga. Depois teremos uma deslocação sempre difícil ao Nacional, para recebermos de seguida o V.Guimarães. À sexta jornada será a visita ao antro do ladrão, e julgo que essa será uma óptima oportunidade para verificarmos o quão eficaz será o proposto novo regulamento disciplinar da Liga, que prevê penas como interdições de estádios ou jogos à porta fechada no caso de haver arremesso de objectos para o relvado.

 

De qualquer forma, o mais importante durante estas primeiras jornadas será mesmo evitarmos 'pôr-nos a jeito' (para utilizar uma expressão tão comum quando as roubalheiras se apagam das memórias e só fica o resultado). É que o porto tem, novamente, um treinador inexperiente (não orientou ainda qualquer jogo na divisão maior do futebol português - e não deixa de me fazer sorrir sempre que reparo no à vontade com que eles apostam em treinadores sem quaisquer provas dadas; é preciso ter mesmo muita confiança na 'estrutura' montada), e já estamos cansados de saber qual é o esquema habitual nestas situações. É trabalhar depressa e bem para providenciar ao neófito uma confortável almofada (ou mesmo colchão) pontual que lhe permita trabalhar com tranquilidade e ganhar confiança. Depois as coisas entram nos carris, e lá para o final da época já ninguém se lembra do que se passou em Agosto/Setembro. Convém portanto estarmos atentos e, repito, evitarmos 'pôr-nos a jeito'. O trabalho principal neste momento será montar um plantel equilibrado a partir das mais de quatro dezenas de jogadores que temos - e ainda juntar-lhes mais dois ou três, dependendo da saída ou não do Coentrão. Eu honestamente estou convencido que qualidade é o que não nos falta.

 

Quanto ao assunto do dia, que é a ida do Nuno Gomes para Braga: que faça mau proveito. Já expliquei a minha opinião várias vezes, e explico-a outra vez, porque para mim a coisa é muito clara. Entre ajudar o Benfica fora do campo, ou dentro dele ajudar uma das faces mais recentes e claras do antibenfiquismo em Portugal o Nuno Gomes, dando prioridade a um desejo pessoal dele, mandou o seu benfiquismo às malvas e escolheu a segunda hipótese. Está no seu direito, e respeito o seu direito à escolha. Mas já não respeito, nem sinto que tenha qualquer obrigação de respeitar, a escolha. É como respeitar o direito de uma pessoa escolher a profissão que quer ter. Se depois essa pessoa decidir tornar-se um bandido profissional, eu já não tenho nada que respeitar a escolha. Posto isto, expresso então os meus mais profundos e sinceros desejos dos mais decepcionantes insucessos desportivos para o que resta da carreira do Nuno Gomes. Que se divirta na companhia do eternamente amuado Joaquim. Para mim não há qualquer deferência: enquanto vestir aquela camisola, é apenas mais um adversário. E dentro dos adversários, considerando que estamos a falar do Porto B, consegue mesmo ser um dos mais nojentos.

por D`Arcy às 23:50 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Quarta-feira, 08.06.11

Coentrão

Só faltava mesmo o bronco do Evangelista vir botar faladura sobre o caso do Coentrão. E nem parece saber muito bem do que fala, uma vez que acha que o Coentrão é livre de dizer o que muito bem entender, desde que isso "não colida com os interesses do clube". Bem, a meu ver, os "interesses do clube" serão manter o jogador nos seus quadros, conforme já foi afirmado publicamente diversas vezes, ou então forçar o clube que o quiser levar a bater a cláusula de rescisão. Parece-me que quando um jogador vem dizer que já não tem a cabeça no seu actual clube e que quer ir jogar para outro clube, isso será contrário a estes interesses.

 

Estamos a assistir ao processo habitual de compra de um jogador por parte do Real Madrid, que é seguido sempre que eles não querem pagar o valor da cláusula de rescisão. Assediam o jogador, usam a 'Marca' e o 'As', usam outros jogadores que sejam próximos do jogador em questão, e por fim colocam o próprio jogador a fazer ultimatos. Não é novidade nenhuma, já o fizeram inúmeras vezes e a diversos clubes para além do Benfica. O que me surpreende sempre é que, repetindo eles este comportamento tantas vezes, ainda não tenham acabado nenhuma vez com uma queixa formal na FIFA.

 

Quanto ao Fábio, agradeço-lhe o profissionalismo que revelou nos últimos dois anos e a forma como, em campo, defendeu o nosso emblema sempre que envergou a nossa camisola durante esse período. Se agora quer ir embora, então é pagarem aquilo que é devido, adeus e muito obrigado. As juras de amor eterno ao Benfica que ele fazia há poucas semanas atrás sempre me soaram a discurso de ocasião, e nunca o consegui ver como qualquer tipo de bandeira de benfiquismo. Nem a ele, nem a nenhum outro. Chamem-me descrente se quiserem, mas chega a assustar-me a facilidade com que vejo muita gente elevar de repente um qualquer jogador a porta-estandarte da Mística e do Benfiquismo. Se calhar é a falta deles que leva a que exista uma certa ânsia em vê-los a torto e a direito à primeira oportunidade. Dos mais recentes, nenhum deles me convenceu neste aspecto. Nem Coentrão, nem David Luiz, nem Simão, nem mesmo Luisão ou Nuno Gomes. Admiro-lhes, se for caso disso, o profissionalismo, o empenho, o talento ou a capacidade de liderança. Quanto ao Benfiquismo, a minha admiração terá acabado para aí na geração do Shéu, do Bento e do Nené.

por D`Arcy às 17:39 | link do post | comentar | ver comentários (55)
Domingo, 15.05.11

Triste

Um resultado triste para fechar uma época triste. Mas hoje até nem tenho muito a apontar à atitude dos jogadores. Pareceu-me que se empenharam, e tentaram dar o seu melhor para conseguirem a vitória. Mesmo que as coisas nem sempre corressem bem, e por vezes parecessem mesmo excessivamente complicados ou trapalhões. Mas continuamos a comprometer na defesa, e isso permitiu que o adversário, mesmo atacando muito menos, tenha conseguido marcar os mesmos golos que nós, e arrancado um empate.

Nenhuma surpresa no onze, que desta vez teve a baliza entregue ao Júlio César. O Benfica entrou a jogar rápido e depressa tomou conta do jogo, com o Leiria a tentar responder em contra-ataques rápidos. Conseguimos ver algumas boas jogadas do Benfica, mas também vimos muitas outras estragarem-se por passes mal medidos. Quanto a oportunidades, as melhores e mais vistosas foram um lance em que o Saviola chegou ligeiramente atrasado ao um centro do Maxi vindo da esquerda, um grande remate de primeira do Aimar, que daria um golo espectacular mas foi bem defendido pelo guarda-redes, um cabeceamento do Cardozo após um canto, defendido por instinto com o pé. O golo só chegou a cinco minutos do intervalo, num livre bem ao jeito do Cardozo, mas que foi marcado pelo Aimar, que deu um pequeno toque para o remate rasteiro do Cardozo passar entre a barreira e não dar hipóteses ao guarda-redes do Leiria. Só que à beira do intervalo, sem que nada o fizesse prever, o Leiria empatou num lance absolutamente pateta da nossa defesa. O Luisão passou a bola para a zona entre o Javi e o Júlio César, estes hesitaram ambos e ficaram à espera que fosse o outro a ir à bola, e quem acabou por ficar com ela foi o avançado do Leiria, que ultrapassou facilmente o Júlio César e rematou para a baliza deserta.

O Benfica veio melhor para a segunda parte, e teve um bom reinício de jogo. Criou mais algumas oportunidades (numa delas, o Cardozo quase marcou um golo espectacular num remate de primeira a centro do Gaitán) e acabou por voltar a colocar-se na frente do marcador pouco antes de findos os primeiros quinze minutos, com o Javi García a cabecear à vontade dentro da pequena área, junto ao primeiro poste, um canto marcado pelo Aimar. Cinco minutos depois (e depois de um susto pelo meio, quando num canto um jogador do Leiria apareceu a cabecear à vontade sobre a linha da pequena área, mas atirando por cima), novo golo do Benfica, desta vez num bonito remate em arco do Jara, após receber um passe do Coentrão à entrada da área. O jogo parecia estar resolvido, apesar do Leiria não baixar os braços e ter continuado a insistir. Foi recompensado a quinze minutos do final, ao chegar ao segundo golo num grande remate de fora da área. Para piorar as coisas, a dez minutos do final o Luisão foi expulso (ainda consigo ficar surpreendido com a facilidade com que se conseguem expulsar jogadores do Benfica), e o Jorge Jesus pareceu-me ter ficado com um dilema nas mãos: ou agradava ao público e mantinha a decisão de fazer entrar o Nuno Gomes (que estava já pronto para entrar quando se deu a expulsão), ou então fazia entrar um defesa central e defendia o resultado até final. Decidiu-se a arriscar mais com a entrada do Nuno Gomes, mas infelizmente o Benfica não conseguiu segurar o resultado (nada nos garante, no entanto, que o conseguiria se tivesse tomado a outra opção). Foi a um minuto do final, num cruzamento largo em que o Júlio César pareceu medir mal a saída à bola, permitindo um cabeceamento para a baliza vazia.

Melhores do Benfica, sem surpresas e para não fugir à regra, Coentrão e Maxi (este mais na primeira parte). Gostei também do Aimar enquanto durou, e o Gaitán mostrou mais alguns pormenores da sua técnica fantástica. Não gostei de ver o Júlio César, que não me conseguiu inspirar confiança durante todo o jogo, e o Saviola continua em muito má forma, sendo notória a imensa falta de confiança em cada lance em que intervém.

Acabou esta época de muito má memória, e espero que se esteja já a trabalhar muito para corrigir os erros que nela foram cometidos, e colmatar também as lacunas que foram identificadas no plantel. E num desejo pessoal, gostava, sinceramente, que na próxima época as camisolas com os números dez e dezoito continuassem a ser envergadas pelos mesmos jogadores.

por D`Arcy às 01:41 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Domingo, 08.05.11

Normal

Vitória normal e não muito complicada num jogo típico de fim de época, sem qualquer pressão. O jogo ficou resolvido com uma primeira parte agradável, e na segunda limitámo-nos a gerir a vantagem de dois golos. Infelizmente, ainda não foi desta que conseguimos interromper o ciclo de jogos consecutivos a sofrer golos, e mais uma vez foi um golo perto do final que impediu que isso acontecesse.

Algumas alterações no onze, com o Moreira na baliza, o Coentrão a avançar para o meio campo, jogando o Carole nas suas costas, e o Jara no lugar do Saviola. O Gaitán manteve-se a jogar na direita, tal como o Carlos Martins como organizador de jogo. Na defesa, o Sídnei voltou a ocupar o posto ao lado do Luisão. O Benfica foi claramente superior na primeira parte. Talvez devido ao mau momento do Benfica, o Rio Ave se calhar acreditou que podia disputar o jogo olhos nos olhos com o Benfica, mas daí resultou muito espaço para o Benfica jogar no meio campo adversário, que foi bem aproveitado pelos nossos jogadores do ataque para executarem trocas rápidas de bola e encontrarem quase sempre alguém solto para rematar. O golo chegou cedo, aos oito minutos numa recarga do Cardozo a um remate de fora da área do Carlos Martins, e depois disso o Benfica continuou a criar oportunidades para aumentar a vantagem. Depois de já ter ameaçado por mais duas vezes, à terceira o Cardozo voltou mesmo a marcar, num bom remate de longe, ainda antes de chegarmos à meia hora de jogo. Até ao intervalo, o Rio Ave pouco ou nada incomodou, e o Benfica esteve sempre mais perto de marcar novamente.

A segunda parte foi muito diferente. As alterações quer no Rio Ave, quer no Benfica mudaram o jogo, com o Rio Ave a conseguir ter mais posse de bola, e o Benfica a apostar mais na contenção e na gestão do resultado, diminuindo claramente o ritmo do jogo. O Cardozo passou muito tempo demasiado só na frente, devido ao reforço do meio campo, e o Benfica já não conseguiu desenvolver tantas jogadas de ataque. De qualquer forma, e apesar de ter bastante mais posse de bola do que na primeira parte, o Rio Ave nunca conseguiu ameaçar seriamente a nossa baliza, e as melhores oportunidades de golo até acabaram por pertencer ao Benfica, que ia causando perigo quase sempre através de jogadas do Gaitán (principalmente) e do Coentrão. Estes dois jogadores estiveram mesmo perto de marcar, o primeiro num remate cruzado da direita que acertou no ferro da baliza, e o segundo noutro remate, quase tirado a papel químico do do Gaitán, que passou muito perto da baliza. Já mesmo sobre o final, o Rio Ave teve um livre muito perto da linha da área, e na sua marcação a bola passou entre a barreira e não deu hipóteses ao Moreira.

Gaitán, Coentrão e Cardozo terão sido os jogadores em maior destaque. Gostei também, outra vez, de ver o Carole, que me parece ter claramente qualidade para fazer parte do plantel do Benfica, e que à medida que vá fazendo jogos e ganhando mais confiança e rotinas de jogo, poderá ser um jogador importante. Gostei também do Sídnei no seu regresso à titularidade.

Pouco mais há a dizer deste jogo. Foi o penúltimo de uma época decepcionante, e pelo menos neste regressámos às vitórias. Para a semana podemos começar a pensar e a desejar tempos mais felizes para a próxima época.

por D`Arcy às 22:41 | link do post | comentar | ver comentários (64)
Quinta-feira, 05.05.11

Perdida

Lembro-me bem da primeira coisa que disse no final do jogo da primeira mão. Depois de ver a nossa ponta final desse jogo, estava a adivinhar o que se iria passar. A única coisa que me apetece escrever é que a nossa equipa devia ter vergonha. Deixou-se (e não uso o verbo 'deixou' inocentemente) afastar da nona final europeia da nossa história pelo Braga. Repito: pelo Braga. Não foi por nenhum colosso do futebol, foi pelo Braga: um satélite do Porto, com uma equipa constituída por sobras e rejeitados de outros clubes. E foi este grupo que nos eliminou.

Jogámos uma meia-final europeia como se fosse um outro jogo qualquer, sem nada de especial a ganhar. Salvo honrosas excepções, não vi em quase nenhum jogador alguma motivação extra, algum brio, alguma vontade de chegar mais além. Nem parecia que tínhamos uma final a noventa minutos de distância. Sabia-se que o Braga não dá mais que aquilo. É o retrocesso até ao tempo infame do pior catenaccio, é conter até mais não, e ver se conseguem marcar um golo fortuito. Conseguiram-no, com o Jardel a assistir em lugar de honra, porque não vale a pena esforçarmo-nos para saltar a uma bola, e mais vale ficar a ver um tipo com menos vinte centímetros de altura a cabeceá-la para a baliza (o Sídnei é muito mau, continuem a achar que estamos melhor sem ele). E a partir daí, após apenas dezanove minutos decorridos, ficou praticamente tudo resolvido. Depois de se verem em desvantagem, foi só deixar correr o marfim. E não estou a falar propriamente do Braga. Quem deixou correr muito do marfim foi o Benfica, talvez à espera que um golo redentor caísse do céu. Qualquer bola que não vá directamente para os pés, e vá um pouco mais desviada, nem vale a pena correr mais um pouco para tentar lá chegar: desistem logo do lance. Pressão sobre o adversário, quase inexistente. Jogadas que se possam chamar de futebol, nenhumas. Oportunidades reais de golo nos noventa minutos, praticamente apenas um remate do Saviola ao poste - e que mesmo assim, foi numa jogada em que o mais fácil seria marcar. A sensação com que fico é que esta equipa, quando entrou em campo, dentro da cabeça já ia derrotada.

Faltam disputar dois jogos, mas a época acabou. E foi uma época que só pode ser classificada de péssima - para mim sê-lo-ia sempre a partir do momento em que não revalidámos o título de campeões. A equipa chegou a esta fase completamente destroçada, sem fio de jogo e sem crença em si própria.
Chega a dar dó ver, por exemplo, um jogador com a classe do Saviola a jogar da forma como está a jogar. Incompreensível, quando esta mesma equipa, durante esta época, chegou a ser brilhante e a mostrar futebol que, na minha opinião, foi ainda melhor do que aquele que jogámos a época passada. Eu não acredito - recuso-me a acreditar - que os nossos jogadores joguem mal porque querem. Mas têm a obrigação de pelo menos lutar contra o destino, em vez de nos deixarem a imagem de que estão conformados com o insucesso. Podemos cair, mas pelo menos devemos cair a espernear, cuspindo sangue na cara do adversário e lutando até à última gota de suor. O que não podemos é conformar-nos, sentar-nos a um canto, e amuar porque alguém nos bateu.

E assim, no espaço de semanas, se deitou fora o acesso a duas finais, quando tínhamos tudo na mão para lá chegar. Esta foi uma época completamente perdida, em que não conseguimos construir algo assente no sucesso da época passada. Entramos agora no período áureo para os necrófagos, que quererão aproveitar para se saciar colocando tudo e todos em causa. Que façam bom proveito, que a mim falta-me o apetite. A minha vontade neste momento era ir já amanhã renovar o cativo para a próxima época. Nunca mais é Agosto...

por D`Arcy às 22:50 | link do post | comentar | ver comentários (144)
Domingo, 01.05.11

Injusto

Mais um jogo da segunda equipa, e mais um resultado pobre, desta vez um empate com o Olhanense. Mas desta vez até achei que a equipa não se portou mal, e o empate parece-me ser um resultado injusto para aquilo que se passou em campo, já que a nossa segunda linha foi quase sempre superior ao adversário. Falhámos ao não conseguir dar uma expressão mais justa ao marcador, e depois não resistimos à expulsão do Jardel, acabando por ceder o empate no último lance do jogo.

Desta vez as muitas alterações na equipa deixaram apenas dois dos habituais titulares no onze: Roberto e Gaitán. Este último parecia que iria jogar no centro, atrás dos avançados (uma possível experiência para Braga, dada a ausência certa do Aimar), mas acabou por se encostar mais à direita, passando o Meneses para o centro. A trinco, a novidade de ver o Roderick, embora esta seja uma posição a que ele estará habituado, já que nos júniores por vezes jogou aí. Para defesa direito, a aposta voltou a ser no Airton. O jogo começou praticamente com o nosso golo, após um bom passe do Gaitán para as costas da defesa a solicitar uma boa desmarcação do Jara, que controlou no peito e rematou cruzado, tendo a bola desviado num defesa antes de entrar. Um golo madrugador era o melhor que poderia acontecer a esta equipa, que foi mantendo sempre o adversário bem controlado durante toda a primeira parte. O futebol jogado nem sempre foi o melhor, mas as equipas concediam bastante espaço e por isso o jogo foi disputado de forma aberta, mesmo que sem grandes motivos de interesse.

Na segunda parte o Benfica mudou um pouco, passando o Jara para a direita e colocando o Gaitán a jogar mais como segundo avançado. O início pareceu prometedor, já que estivemos perto de marcar, num remate do Gaitán que levou a bola ao poste. Logo a seguir foi o Kardec quem falhou o golo de forma algo clamorosa, quando na pequena área ao cabeceou demasiado para o chão um cruzamento do Airton, o que levou a bola a subir e a passar por cima da baliza. O Benfica nesta altura dominava claramente o jogo, com algumas boas combinações entre o Peixoto e o Carole na esquerda, e com o Airton a mostrar-se mais atrevido na direita no apoio ao ataque, e ameaçava chegar brevemente ao segundo golo. Nova boa oportunidade foi desperdiçada pelo Jardel, que depois de um livre bem marcado pelo Peixoto apareceu solto ao segundo poste, mas chutou torto e para fora. Até que aos sessenta e sete minutos aquele senhor de crista que andava por ali a apitar resolveu expulsar o Jardel. Qualquer um dos amarelos mostrados ao Jardel foi um perfeito exagero, por faltas no meio campo e sem grade gravidade, mas devem-se ter esquecido de avisar o senhor que o campeonato já está resolvido há muito tempo, por isso só posso pensar que o senhor Vasco Santos resolveu prejudicar o Benfica apenas e só para sua recreação. O Benfica teve que se reorganizar após a expulsão, mas não voltou a agarrar o jogo. Os últimos minutos foram pobres, com o Benfica praticamente a abdicar de fazer posse de bola, e com os livres e cantos a sucederem-se a favor do Olhanense, que no último desses lances acabou mesmo por empatar. Depois de um canto do lado direito da nossa defesa, o Airton falhou a intercepção ao primeiro poste e nas suas costas, solto de marcação, apareceu um adversário quase em cima da linha a cabecear para o golo.

Os melhores do Benfica foram, para mim, o Jara e o Gaitán, enquanto esteve em campo. O Peixoto e o Carole fizeram também um bom jogo, e o Airton não se saiu mal na adaptação à direita da defesa, embora também seja verdade que nunca esteve sujeito a muito trabalho. Não gostei, mais uma vez, do Meneses, e irrita-me solenemente que ele marque diversos lances de bola parada quando raramente parece conseguir levantar sequer a bola, sendo esta quase invariavelmente cortada pelo primeiro defesa que encontra. Nestes jogos de 'pré-época' o Kardec tem-me desiludido. Nem é que tenha jogado mal, e até acho que ele se esforça, mas esperava que ele os aproveitasse para fazer golos, coisa que não acontece, normalmente acabando por falhar pelo menos uma boa oportunidade por jogo.

Enfim, mais um jogo de fim de época sem grandes motivos de interesse, mas que me irritou não termos ganho. Como é óbvio, eu quero que o Benfica ganhe sempre, mesmo quando o jogo conta para pouco. Foi pena não termos conseguido matar o jogo quando tivemos tudo para o fazer, e depois acabarmos por nos deixar ao alcance de um 'excesso de rigor' do bufador de apito para reequilibrar o jogo. E, claro, custa sempre vermos a vitória escapar-se-nos no último lance do jogo.

por D`Arcy às 21:40 | link do post | comentar | ver comentários (81)
Sexta-feira, 29.04.11

Passo

Esta noite demos um passo em direcção à final de Dublin. Só foi pena ter sido apenas um pequeno passo, porque mesmo com a equipa inferiorizada por ausências, julgo que o Benfica mostrou superioridade em relação ao Braga, e poderia ter construído outro resultado que nos desse mais tranquilidade para a segunda mão.

Sem grandes opções devido às lesões e indisponibilidades físicas, o Benfica acabou por alinhar com o onze mais ou menos esperado, em que o trio do meio campo à frente do Javi foi constituído pelo Aimar, Martins e Peixoto. Na defesa o Jardel manteve a titularidade, e na baliza regressou o Roberto, com o resto da equipa a ser constituída pelos titulares habituais. O Braga veio à Luz para fazer aquilo que tem feito habitualmente e com eficácia nesta competição: defender, e espreitar eventualmente um golo nalguma jogada fortuita. Foi por isso com naturalidade que o Benfica assumiu a iniciativa do jogo desde o primeiro minuto, e isto no sentido literal do termo, já que com vinte segundos de jogo foi apenas por falta de jeito do Saviola para controlar uma bola vinda de um mau passe de um defesa do Braga que não criámos uma grande ocasião de golo. A resposta do braga foi dada um par de minutos depois, através de um bom remato do Sílvio. E esse acabou por ser o único remate do Braga em toda a primeira parte, o que pode exemplificar a atitude com que entraram na Luz. O Benfica continuou a ter o domínio do jogo, até porque o Braga não parecia ter grandes problemas em deixar que o Benfica o tivesse, e até chegou a marcar um golo aos dez minutos, mas este foi bem anulado por fora-de-jogo ao Cardozo. Nunca conseguimos propriamente sufocar o Braga, mas ainda assim conseguimos criar oportunidades de golo que justificariam termos chegado ao intervalo em vantagem. A melhor de todas foi mesmo no final da primeira parte, quando o Cardozo, após isolado por um passe do Saviola para as costas da defesa, tentou desviar tanto a bola do guarda-redes que acertou no poste.

A segunda parte começou praticamente com um susto dado pelo Roberto, ao não segurar um remate rasteiro, mas o jogador do Braga que surgiu para a recarga estava deslocado. A resposta do Benfica foi marcar, quando estavam decorridos cinco minutos. O Maxi entrou como quis pela direita, centrou para um bom e colocado cabeceamento do Cardozo levar a bola novamente ao poste, e depois o Jardel em esforço conseguiu fazer a recarga para a baliza vazia. Estava feito o mais difícil, mas a felicidade durou pouco, já que um par de minutos depois o Braga repôs a igualdade. Foi num lance aparentemente inofensivo, em que despejaram um livre de muito longe para a grande área, e quase à entrada desta o Vandinho, de uma forma que nem pareceu muito intencional (estava de costas para a baliza) acabou por desviá-la de cabeça para fora do alcance do Roberto. Honestamente, não me pareceu que o Braga tivesse feito o suficiente para justificar marcar um golo, mas foram felizes naquele momento e o Benfica tinha que ir novamente à procura da vantagem. E também não foi necessário esperarmos muito por um novo golo: sete minutos depois, a fechar o primeiro quarto de hora, já o Benfica estava em vantagem outra vez. Depois da infelicidade de ter acertado nos postes por duas vezes, e da desinspiração que tem mostrado nos últimos jogos, na marcação de um livre à sua medida (uns metros longe da área, descaído para a direita), o Cardozo teve um lampejo dos seus melhores momentos e marcou o livre mesmo 'à Cardozo', enviando a bola em arco para junto do ângulo superior, sem quaisquer hipóteses de defesa para o guarda-redes. Três golos no espaço de menos de dez minutos prometiam uma segunda parte bem animada, mas foram enganadores. A partir daí o Benfica foi perdendo fulgor, e durante a maior parte da segunda metade destes quarenta e cinco minutos assistimos a um jogo muito pouco interessante, em que as duas equipas pareceram estar minimamente satisfeitas com o resultado. Uma parecia acreditar que a vantagem era suficiente, e a outra que desvantagem era recuperável na segunda mão. O Benfica ainda fez entrar o Gaitán e o Jara, mas estes pouco vieram acrescentar ao jogo. O Gaitán mostrou mesmo a razão pela qual não terá jogado de início, pois aparentou estar mal fisicamente, muitas vezes parecendo mesmo mais cansado do que muitos dos colegas que jogavam desde início.

Gostei de ver o Aimar (viu um amarelo e está de fora do segundo jogo), que lutou até à exaustão e foi dos mais esclarecidos durante todo o jogo. O Maxi Pereira e o Javi García também estiveram em bom plano, tal como o Coentrão, mas isso não é surpresa. O Cardozo não esteve brilhante na primeira parte, mas acabou por estar nos lances mais perigosos do Benfica, tendo acertado nos ferros duas vezes, marcado um golo, e estado directamente ligado ao outro. O livre que marcou deve ter-lhe feito muito bem á confiança, já que subiu de produção e passou a ganhar lances de cabeça e a conseguir segurar a bola para a passar aos colegas. O que mais me preocupa é que a equipa não parece estar fisicamente bem, e nos últimos minutos dos jogos isso tem-se notado.

Conforme escrevi, o primeiro passo está dado, embora mas ainda tenhamos pela frente muito trabalho. Mas nesta caminhada europeia já saímos da primeira mão com este resultado frente a equipas que, honestamente, mostraram bem mais do que o Braga quando jogaram na Luz, e isso não nos impediu de seguirmos em frente. E, como não me canso de repetir, em Braga não haverá outra vez um Xistra ou um Sousa como interveniente. Se trabalharmos e dermos o nosso melhor para lutarmos pelo resultado que nos interessa, não deveremos correr os riscos habituais de vermos o nosso esforço traído por algum dos artistas que já conhecemos, podendo então concentrar-nos em contrariar apenas o futebol do nosso adversário.

por D`Arcy às 03:18 | link do post | comentar | ver comentários (56)
Domingo, 24.04.11

Terceira

Vitória natural e esperada na final da Taça da Liga, frente a um Paços de Ferreira que valorizou essa vitória porque nunca desistiu, e num jogo com duas partes muito diferentes. O mais importante foi mesmo a conquista da terceira Taça da Liga consecutiva que, espero, possa devolver à nossa equipa alguma da confiança que parece andar algo arredada dos nossos jogadores.

O Benfica apresentou um onze onde apenas a titularidade do Moreira terá sido algo inesperada. De resto, e face aos impedimentos, poderia haver alguma dúvida sobre se o Peixoto jogaria de início ou não. Como não jogou, foi o Jara quem ocupou o lado esquerdo, cabendo ao Carlos Martins jogar na direita do meio campo. Desde o apito inicial que o Benfica quis justificar o seu natural favoritismo, e tomou conta do jogo. Com o Aimar a jogar um pouco mais recuado do que o habitual, aparecendo mais próximo do Javi, e com o Saviola a recuar também, o Benfica ocupava eficazmente os espaços e submetia os jogadores do Paços a uma forte pressão quando tinham a bola, remetendo o adversário ao seu próprio meio campo. Aproveitando o pendor ofensivo dos laterais do Paços, o Benfica conseguia explorar bem as faixas laterais, sendo só de lamentar o mau aproveitamento que depois tinha das várias ocasiões em que conseguia libertar alguém nas laterais e ganhar a linha - sendo de destacar nesse aspecto o Carlos Martins, que só nos primeiros minutos deve ter tido uma meia dúzia de ocasiões para centrar a bola à vontade, e -lo quase invariavelmente mal. O golo acabou por surgir pois com naturalidade, e relativamente cedo - pouco após o primeiro quarto de hora - depois de uma insistência do Fábio Coentrão na esquerda, concluída com um centro para a entrada da pequena área, onde surgiu o Jara à vontade a finalizar de cabeça. Com vantagem no marcador, o Benfica continuou a dominar o jogo com alguma facilidade, e parecia que esta final decorreria conforme o esperado.

Mas um pouco antes da meia hora parecemos abrandar um pouco, e o Paços conseguiu finalmente acercar-se da nossa área. E já deveríamos estar fartos de saber que sempre que facilitamos um pouco, ficamos ao alcance de qualquer imprevisto, como por exemplo da arte do Proença, que à meia hora de jogo, e para aí na segunda vez que até aí um jogador do Paços conseguiu entrar na nossa área com a bola controlada, decidiu, com um rigor enorme, assinalar penálti do Maxi - a propósito de penáltis, não sei se muitos terão reparado, mas para aí aos dez minutos de jogo um defesa do Paços, já com a bola longe, empurrou e derrubou ostensivamente o Saviola dentro da área, o que seria um penálti claro porque a bola ainda estava em jogo, mas como é óbvio e normal nenhum membro da equipa de arbitragem viu o lance. Felizmente para nós, o Moreira defendeu o penálti, e este lance pareceu despertar novamente a nossa equipa, que voltou a dominar o jogo, e acabou por chegar ao segundo golo a três minutos do intervalo. Depois de um livre do Carlos Martins, o Luisão tocou para o centro da área, onde surgiu o Javi com tempo para tudo, incluindo para falhar o primeiro remate e depois marcar à segunda, apesar dos esforços do Cardozo para estragar o lance. E mesmo sobre o intervalo, Proença ao seu melhor estilo, esquecendo-se do rigor com que tinha assinalado o penálti contra nós minutos antes, e fechando os olhos a um penálti claro sobre o Saviola, que foi ceifado por um defesa do Paços.

Com dois golos de vantagem e uma superioridade clara demonstrada durante a primeira parte, poucos esperariam algum sobressalto na conquista da terceira Taça da Liga. Mas esta equipa do Benfica, actualmente, está longe daquela equipa que, ainda há poucos meses atrás, nos encantou e estabeleceu um novo recorde de vitórias consecutivas. E está longe sobretudo, parece-me, no aspecto mental. É que fica-se com a sensação que à menor contrariedade a equipa treme e começa a duvidar de si própria. O que, por outro lado, deve dar bastante confiança a quem nos defronta. A contrariedade neste jogo foi um autogolo do Luisão, num lance perfeitamente controlado e sem qualquer perigo para a nossa baliza. A partir daí o jogo foi outro. O Paços passou a ter muito mais posse de bola e a jogar no nosso meio campo, enquanto que nós fomos quase inofensivos no ataque. É verdade que nunca fomos propriamente sufocados, mas quem quer que visse o jogo apostaria mais facilmente no golo do empate do que no golo da tranquilidade para o Benfica. Ao fim de uma hora de jogo veio mais uma vez (já lhes perdi a conta - eu não estou a brincar sempre que escrevo isto) a rábula das dificuldades físicas do Carlos Martins, forçando a entrada do Peixoto e a passagem do Jara para a direita. Parece-me estranho que, sendo o Jara dextro, pareça complicar muito mais o seu jogo quando passa para o lado direito. E quando faltavam pouco mais de vinte minutos para o final, o Benfica pareceu admitir claramente que a prioridade era conservar a vantagem mínima, fazendo entrar o Aírton para o lugar do Saviola: a substituição deu resultado, pois se o Benfica continuava a não insistir muito no ataque - ainda esboçou alguns contra-ataques que deveriam ter tido melhor finalização - a verdade é que o Paços também não voltou a conseguir pressionar tanto como vinha fazendo até então, e foi com alguma tranquilidade que se escoaram os minutos até ao apito final.

O melhor do Benfica foi o Moreira. Não foi propriamente massacrado durante todo o jogo, mas defendeu um penálti e correspondeu sempre de forma muito segura quando foi chamado, fazendo ainda uma defesa espectacular a um remate do Manuel José. Não merecia ter sido traído pelo Luisão. Bom jogo também o Fábio Coentrão, para não fugir à regra. Confiança e força de vontade nunca lhe faltam, e luta por cada bola até ao limite. Quanto ao pior, claramente o Cardozo. Aliás, a exemplo do que tem acontecido quase sempre nos últimos jogos do Benfica. Praticamente não ganha um lance a um adversário, não consegue segurar uma bola, não consegue fazer um passe em condições, anda a finalizar mal - normalmente quando tudo o resto falhava, nisto pelo menos ele acertava - e até atrapalha os colegas. E o que é pior, anda por ali tristonho, parecendo que conformado com uma qualquer má sorte que lhe pesa nas costas, em vez de lutar. Já disse várias vezes que gosto muito do Cardozo
mas sinceramente, nos últimos tempos, quando ele joga tem sido quase como jogar com um jogador a menos.

Salvio e Gaitán fazem mesmo muita falta, mas temos é que contar com quem temos. E é com estes que teremos que ser fortes e já na próxima quinta-feira começar a conquistar um lugar em Dublin. Esperemos que a conquista desta taça tenha servido para motivar e dar confiança à nossa equipa para esse jogo tão importante. E se precisarem ainda de uma pequena motivação extra, é lembrarem-se que o árbitro não será português.

por D`Arcy às 02:08 | link do post | comentar | ver comentários (51)
Quinta-feira, 21.04.11

Falhanço

Facto indesmentível: o Porto mereceu a vitória no jogo, porque foi a melhor equipa em campo. E o Benfica pode e deve queixar-se de si próprio por ter perdido o jogo. Quanto ao Porto ter conseguido precisamente o resultado de que necessitava para vencer a eliminatória, para isso já contribuiu um factor estranho e habitual nos últimos anos, na pessoa de um dos suspeitos do costume.

Quanto à parte que diz respeito ao Benfica, é óbvio que só pode haver culpa própria de uma equipa que tem um jogo perfeitamente controlado durante uma hora e uma vantagem de dois golos na eliminatória, porque não pode perder o controlo de tal forma que em dez minutos conceda três golos ao adversário sem praticamente esboçar reacção. Porque até ao fatídico período desses dez minutos, nada fazia prever o desfecho que o jogo teve. O equilíbrio foi sempre uma constante durante toda a primeira parte, com as duas equipas a encaixarem bem uma na outra e muito pouco espaço para se jogar, sobretudo no meio campo. Que me lembre, apenas uma oportunidade para cada lado, a do Benfica num cabeceamento do Jardel, completamente solto após a marcação de um canto, que falhou o alvo, e a do Porto depois de um erro do mesmo Jardel, a escorregar e a deixar a bola nos pés do Úlque para um contra-ataque perigosíssimo que terminou com uma defesa impossível do Júlio César ao remate do Falcao. Na segunda parte, pouco parecia ter-se alterado de início, mas depois fiquei com a sensação de que o Benfica começou a perder o meio campo, primeiro com a entrada do James para o lugar do inconsequente Micael, e depois porque o Carlos Martins começou a ficar cansado e a deixar de conseguir acompanhar o Moutinho. Foi ele quem, à vontade, fez o primeiro golo, num bom remate de fora da área depois de uma recuperação de bola do Porto, para aí na décima perda de bola do Jara por não a querer passar a ninguém. E não consigo perceber o motivo pelo qual, continuando em vantagem na eliminatória, a equipa acusou tanto o golo. Honestamente, no estádio, e olhando para o campo, fiquei com a nítida sensação de que aquele primeiro golo fez os jogadores do Porto acreditar que podiam vencer a eliminatória, e por outro lado, fez os nossos ficarem convencidos que a perderiam. Não deixo o Jorge Jesus de fora das críticas: julgo que ele também percebeu que estávamos com um problema no meio campo, e preparava-se para fazer entrar o Aimar quando sofremos o primeiro golo. O golo, não sei porquê, -lo adiar a decisão, e quando o Aimar entrou, já perdíamos por três. A reacção final da equipa foi sobretudo em desespero de causa, e com tão pouco tempo para jogar, feita sem muita cabeça, pelo que poucas probabilidades tinha de dar algum resultado positivo.

Quanto ao 'factor X', o tal factor estranho, como de costume, basta fraquejarmos um pouco para que ele apareça. Não sei o que se terá passado ao intervalo, mas o Xistra pareceu voltar com a firme intenção de simplesmente não assinalar nada a favor do Benfica. Escrevo isto sem recurso a qualquer repetição, e com base apenas naquilo que vi no estádio, pelo que admito perfeitamente poder estar enganado, e isto ser também resultado da insatisfação pelo resultado.
Não vou falar da tolerância que o Xistra mostrou sempre para os jogadores que já estavam amarelados e que continuavam a fazer faltas e a protestar a torto e a direito; vou falar apenas da cobardia que exibiu ao ver o Saviola ser agarrado quando se isolava - e viu-o perfeitamente, porque levou o apito à boca - e, quando se apercebeu que teria provavelmente que expulsar o infractor, resolveu não assinalar nada. No segundo golo do Porto, o Úlque está praticamente acampado junto à nossa baliza - responsabilidades sobretudo para o auxiliar, obviamente. E a jogada do terceiro golo começa no que me pareceu uma falta clara do Pereira sobre o Saviola quando saíamos para o ataque - foi mesmo à minha frente - mas ele continuava na fase em que não apitava nada a nosso favor. Depois do Porto ter a coisa encaminhada, assinalou um penálti a nosso favor que, sinceramente, me pareceu duvidoso.


Mas volto a dizer: a responsabilidade principal da derrota é do Benfica (e do mérito do Porto). O Xistra simplesmente ajudou a empurrar ainda mais para baixo. O Benfica não pode acusar um golo daquela forma, desorganizar-se, e deitar fora uma vantagem de dois golos no espaço de dez minutos. Simplesmente, não é admissível. E teria sempre que haver uma intervenção imediata do banco ao aperceber-se do estado das coisas. Reagir quando o mal já estava feito de pouco serviu. Isto não é uma crónica de jogo habitual, porque não me sinto em condições de fazer uma crónica habitual e está a custar-me estar aqui a escrever, não apenas pelo que se passou no jogo, pelo que peço desculpa se esta análise não corresponder às expectativas. Não vou estar sequer a escolher melhores ou piores; houve jogadores que estiveram muito mal naquele período crítico, e julgo que terá sido evidente para todos quem foram. Podemos lamentar ausências de jogadores como o Salvio ou o Gaitán, ou até mesmo a lesão prolongada do Rúben, mas se nos faltam depois opções à altura, também não será simplesmente por acaso.

Esta competição era para ganhar. Não há volta a dar-lhe, e a obrigação de a ganhar era ainda maior depois do resultado da primeira mão. Sermos eliminados é o falhanço rotundo de um dos objectivos da época, tal como a revalidação do título e mesmo a Supertaça eram objectivos. Para mim não há 'salvações de época', há objectivos, e a Taça da Liga do próximo Sábado é um deles, tal como chegarmos a Dublin é outro. Temos que saber concentrar-nos para atingir os objectivos que nos restam. E analisar seriamente as causas para os que falhámos.

por D`Arcy às 00:05 | link do post | comentar | ver comentários (96)
Domingo, 17.04.11

Morno

Mais uma sessão de Benfica em serviços mínimos, algo que em princípio teremos que nos habituar a ver até final do campeonato. Mas hoje até vimos esta equipa secundária estar um pouco melhor do que tinha mostrado contra Portimonense e Naval, conquistando uma vitória merecida e sem discussão.

A maior novidade no onze foi provavelmente a titularidade do Fernández pela primeira vez no campeonato. Depois foram os habituais suplentes, com ajuda dos mais 'experientes' Sídnei, Aimar, Carlos Martins e Jara. A primeira parte foi disputada a um ritmo bastante morno. Nenhuma das equipas conseguiu ou quis imprimir grande velocidade ao jogo, e creio que nem por uma vez vi o Benfica sair com velocidade para o ataque, de forma a fazer uma jogada em que não apanhasse a defesa do Beira Mar perfeitamente posicionada. Mas mesmo jogando-se quase sempre a um ritmo de fim de época, não deixou de haver oportunidades de golo, e para os dois lados. Da nossa parte, o Kardec e o Carlos Martins, ambos por duas vezes, estiveram perto do golo, tendo o Carlos Martins acertado mesmo de raspão no poste, após remate de fora da área. Do outro lado, o Júlio César teve que estar atento, e por um par de vezes evitou o golo ao Beira Mar, que ainda enviou uma bola ao poste. Após os primeiros minutos, viu-se o Benfica mudar tacticamente: tinha começado a jogar no esquema habitual, com o Carlos Martins sobre a direita e o Aimar nas costas da dupla de avançados (Jara e Kardec), mas depois passou a jogar em 4-4-2, com o Martins praticamente ao lado do Aírton, o Jara na direita e o Aimar como segundo avançado (na minha opinião, dada a ausência do Salvio, o Jara será a melhor opção para ocupar o lugar sem serem necessárias grandes alterações à nossa forma habitual de jogar). Mesmo a fechar a primeira parte, o Benfica chegaria ao golo mas, incompetente como de costume, o Elmano Santos e a sua equipa decidiram que não. O Aimar marcou um livre indirecto junto à esquina da área, a bola tocou num defesa do Beira Mar, e entrou na baliza. De alguma forma, a equipa de arbitragem não conseguiu ver aquilo que toda a gente viu, e anulou o golo, considerando que a bola tinha entrado directamente.

A segunda parte trouxe um Benfica um pouco mais decidido, que cedo deu o primeiro sinal de perigo, num remate do Kardec ao poste após uma iniciativa individual. E chegou ao golo ainda antes de decorridos dez minutos. A jogada começa num mau passe do Sídnei ainda no nosso meio campo. Ainda se ouviam assobios ao mau passe e já o mesmo Sídnei recuperava a bola, tendo esta ainda passado pelos pés do Carlos Martins e do Kardec, para depois novamente o Sídnei aparecer na pequena área para finalizar o cruzamento rasteiro da direita (aproveitando uma simulação do Aimar). Com vantagem no marcador, o Benfica continuou a dominar o jogo, e acabou por praticamente resolvê-lo a vinte minutos do final, com o segundo golo, da autoria do Jara, que sobre a direita recebeu a bola do Maxi (tinha entrado para o lugar do lesionado Luís Filipe), furou por entre a defesa do Beira Mar, e depois rematou cruzado para o poste mais distante. Foi uma espécie de golo 'à Salvio'. A perder por dois o Beira Mar tentou arriscar mais um pouco no ataque, mas o Benfica não soube aproveitá-los para ampliar a vantagem. O Beira Mar também conseguiu criar perigo, e só uma defesa incrível do Júlio César com o pé o impediu, mas depois já nada pôde fazer no último lance do encontro, quando o 'nosso' Yartey desferiu um remate indefensável à entrada da área, que resultou num grande golo.

O Júlio César esteve bastante bem em todo o jogo, evitando o golo do Beira Mar em três ou quatro ocasiões, e não merecia sofrer um golo mesmo a acabar. Gostei também de ver o Carole, que me parece poder ter algo a oferecer ao Benfica à medida que se for integrando e ganhando confiança. O Carlos Martins foi dos mais activos e rematadores na primeira parte, mas foi perdendo fulgor à medida que o cansaço foi aumentando. O Jara também não esteve mal, marcou um bom golo, e tem aquela qualidade de lutar sempre até ao limite mesmo quando as coisas não correm pelo melhor. Pareceu-me também que a equipa melhorou com as entradas do Peixoto e do Maxi no jogo.

Hoje foi-nos permitido, para além de ver os jogadores do Benfica menos utilizados, voltar a verificar a péssima qualidade do Elmano Santos como árbitro. Até num jogo fácil como este, ele conseguiu complicar e cometer erros grosseiros, mostrando uma dualidade de critérios gritante no que diz respeito às faltas assinaladas. Parecia que estava a ver se conseguia provocar os jogadores do Benfica ao ponto deles perderem a cabeça e dar-lhe um motivo para expulsá-los. Quanto ao jogo em si,
a obrigação de vencer foi cumprida sem grandes sobressaltos. Agora é prepararmo-nos para os três jogos decisivos que aí vêm.

por D`Arcy às 23:20 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Sexta-feira, 15.04.11

Qualidade

Ainda apanhámos um pequeno susto e foi necessário sofrermos um pouco, mas a nossa qualidade acabou por vir ao de cima e, assim, carimbámos a esperada e desejada passagem às meias-finais da Liga Europa.

Com uma vantagem confortável no bolso, o Benfica entrou de forma descomplexada no jogo, parecendo apostado em marcar cedo um golo que dissiparia quaisquer dúvidas ténues que ainda pudessem existir sobre o desfecho da eliminatória. O PSV, algo surpreendentemente, considerando-se que teria que marcar pelo menos três golos, apareceu a jogar praticamente em contra-ataque, preferindo dar a iniciativa de jogo ao Benfica para depois tentar explorar saídas rápidas em contra-ataque. Mas mais uma vez, revelava insegurança na defesa, sobretudo quando os seus jogadores eram pressionados. Para termos uma noite tranquila, eu pensava que o ideal seria marcarmos primeiro, ou então não sofrermos um golo durante o primeiro quarto-de-hora do jogo. Durante esse período, o Benfica teve pelo menos duas boas oportunidades para marcar, pelo Gaitán, e pelo Saviola, este após interceptar um mau passe de um defesa. O PSV, nem sequer ameaçou a nossa baliza, mas marcou mal findou este período, numa das primeiras vezes que foi à frente. Foi precisamente num contra-ataque rápido, conduzido pela direita, finalizado com um centro para o segundo poste, onde apareceu o Dzsudzsák a marcar.

O golo motivou o PSV, mas nem assim me pareceu que tivesse tomado conta do jogo, pois continuou a apostar na mesma estratégia de esperar pelo Benfica no seu meio campo, e depois lançar contra-ataques rápidos com bolas metidas para as costas da defesa (onde, por diversas vezes, o Lens caía em fora-de-jogo). Mas as coisas complicaram-se mais para o nosso lado, primeiro porque ficámos sem o Salvio, que foi obrigado a sair por lesão (já jogava inferiorizado desde os sete minutos), e depois, porque o PSV, oito minutos depois do primeiro golo, fez o segundo. Eu não tenho dotes de adivinho, mas juro que quando vi o Carlos Martins (que tinha entrado para o lugar do Salvio) a pastelar com a bola no nosso meio campo defensivo comecei logo a torcer o nariz. O que se seguiu foi um passe em esforço para o Saviola, uma perda de bola, e no contra-ataque o Lens, à segunda (depois do Roberto ter defendido o primeiro remate) fez o golo. Após apenas vinte e cinco minutos de jogo, o PSV via-se na situação de ter que marcar apenas mais um golo para seguir em frente. O Benfica acusou a situação e tremeu um pouco, quase sofrendo mesmo um terceiro golo depois de um erro do Maxi, mas nos minutos finais pareceu acalmar novamente, acabando por chegar ao golo no último lance da primeira parte. Aproveitando uma má saída do guarda-redes Isaksson a um livre marcado da direita pelo Carlos Martins, o Luisão controlou a bola e, sem a deixar cair, com um remate à meia volta colocou-a junto ao ângulo superior da baliza, levando-a ainda a tocar na barra. Este terá sido o momento decisivo do jogo.

A segunda parte, conforme seria natural, mostrou que o PSV tinha acusado muito o golo sofrido, enquanto que o Benfica voltou mais confiante, e apostado em controlar a posse de bola e reduzir o ritmo do jogo, o que foi conseguindo sem grande dificuldade, já que o PSV não arriscava muito para pressionar os nossos jogadores. Com tempo e espaço para construir as suas jogadas de ataque com calma, o Benfica foi-se aproximando da baliza holandesa, e já depois de uma ameaça séria num remate do Gaitán, acabou por beneficiar de um penálti pouco após a passagem da hora de jogo, por falta clara sobre o Peixoto - não se percebe porque é que o Marcelo, autor da falta e já amarelado, continuou em jogo. O Cardozo converteu o penálti (se calhar pode-se dizer que foi mal marcado, já que a bola entra rasteira a meio da baliza, mas para mim qualquer penálti que resulte em golo é bem marcado) e acabou com todas as dúvidas sobre quem passaria às meias-finais, já que ao PSV seria necessário marcar quatro golos em menos de meia hora. Daqui até final, foi apenas torcer para que o Benfica ainda conseguisse vencer o jogo, já que o PSV praticamente entregou-se, e apenas num livre do Dzsudzsák obrigou o Roberto a esforçar-se, mas o Benfica também não me pareceu particularmente preocupado em forçar muito à procura de mais um golo.

Entre os melhores, destaque para o César Peixoto (não, não é engano). Esteve tacticamente muito disciplinado, quer nas trocas de posição e dobras ao Coentrão, quer na ajuda à zona central do meio campo. E ainda ajudou bem no ataque, sendo o lance do penálti cometido sobre ele um exemplo. Bom jogo também do Luisão, que mais uma vez apareceu no momento certo para marcar um golo decisivo. Gostei também bastante do jogo do Javi García.

A lamentar neste jogo temos a lesão do Salvio, que pelos vistos o poderá afastar da equipa numa altura em que teremos tantos jogos decisivos. Temos agora o Braga entre nós e a final de Dublin. Infelizmente, e ao contrário do que o sorteio tinha ditado, a ordem dos jogos foi invertida e teremos que jogar a segunda mão fora. Mas como o jogo é organizado pela UEFA, e não deverá ser arbitrado por um qualquer Sousa ou Xistra, esta inversão da ordem dos jogos já não me preocupa tanto.

por D`Arcy às 01:16 | link do post | comentar | ver comentários (50)
Domingo, 10.04.11

Miserável

Exibição miserável da segunda equipa do Benfica, e consequente e natural derrota miserável, frente a uma das mais miseráveis equipas da Liga. Bem sei que as prioridades do Benfica são outras, e compreendo que se poupem jogadores e se faça alinhar uma equipa como a desta noite. Mas isso não significa que estes jogadores não tenham a obrigação de fazer melhor, ou não fizessem eles parte do plantel do Benfica.

Foi de facto, a exemplo do jogo com o Portimonense, uma equipa completamente secundária aquela que o Benfica apresentou de início esta noite. Sídnei, Carlos Martins e Jara eram aqueles que costumam ser mais vezes chamados à titularidade, mas depois, começando com o Júlio César na baliza, daí para a frente vimos Luís Filipe, Carole, Roderick, Aírton, Meneses, Peixoto e Kardec. E a verdade é que pouco ou nada fizeram para mostrar que não merecem o estatuto de suplentes. Eu nem sei bem o que escrever sobre o jogo. Foi de tal forma mal jogado e desinteressante que tive muita dificuldade em manter-me atento. Muito má a forma como a nossa equipa quase nunca mostrou, durante todo o jogo, capacidade para ultrapassar uma (má) defesa em linha, pura e simplesmente porque os jogadores caíam em posição de fora-de-jogo e depois deixavam-se lá ficar. Foram tantas as vezes que isto aconteceu que ao fim de algum tempo já me parecia que os auxiliares assinalavam sempre fora-de-jogo, mesmo quando este não existia. A Naval chegou ao golo aproveitando uma saída infeliz do Júlio César, após um livre da esquerda da nossa defesa. O golo tanto podia ter surgido para uma como para a outra equipa, porque o equilíbrio foi a nota dominante - e quando uma equipa do Benfica faz um jogo equilibrado com a Naval, creio que está quase tudo dito sobre a qualidade do nosso jogo. O empate surgiu pelo Kardec, que desviou de cabeça um canto marcado pelo Carlos Martins, e o empate ao intervalo era um reflexo justo daquilo que se passou na primeira parte.

A segunda parte nada trouxe de novo. Pareceu-me que o Benfica teve um pouco mais de bola, mas o equilíbrio continuou a ser a nota dominante, com muita falta de qualidade no passe e muita disputa no meio campo. Mais foras-de-jogo para o Benfica (alguns deles muito mal assinalados, mas conforme disse, os nossos jogadores estavam tantas vezes acampados que aquilo já devia ser reflexo do auxiliar).
Até tivemos também a tradicional cena do Carlos Martins sair lesionado/tocado e tudo. Tentando alterar alguma coisa, ainda lançámos mão do Salvio e do Aimar (e também do Weldon), mas pouco mudou. Perto do final, o Naval marcou mesmo, num lance em que ainda antes da bola chegar aos pés do jogador que fez o remate, já eu estava a reclamar com o Roderick, tamanha foi a displicência com que abordou a jogada. Aproveitando o facilitismo na zona central da defesa, o jogador da Naval teve todo o tempo de que precisou para colocar o remate da zona da meia-lua. O Benfica ainda esboçou uma reacção, e no minuto seguinte atirou uma bola ao boste, pelo Sídnei após um canto. E no último lance do jogo, uma situação que espelha perfeitamente o jogo: após, finalmente, uma jogada em que ultrapassámos a defesa em linha da Naval (com um passe do Aimar), o Luís Filipe viu-se completamente isolado em frente ao guarda-redes. Teve tempo para tudo: parar, tirar as medidas à baliza, ver a posição do guarda-redes e escolher para onde queria mandar a bola. E revelando uma frieza imperturbável, conseguiu chutar a bola direitinha ao guarda-redes (deve ter fechado os olhos, posto a língua de fora, e cá vai disto).

Não sei quem foram os melhores do Benfica, nem quero saber. É que não consigo mesmo escolher. Só consigo dizer que fiquei triste com muito do que vi.

O jogo não contava para quase nada, e conforme disse, compreendo as escolhas, tal como as compreendi no jogo com o Portimonense. Mas o facto do jogo não contar para quase nada não desculpa tudo aquilo que vi em campo. Mesmo sendo segundas escolhas, aqueles jogadores podiam e tinham a obrigação de fazer melhor do que aquilo que fizeram. 

por D`Arcy às 22:50 | link do post | comentar | ver comentários (80)
Sexta-feira, 08.04.11

Luxo

Creio que se disser que a vitória do Benfica sobre o PSV por quatro a um é um resultado escasso para aquilo que se viu em campo, isso dará uma ideia bastante aproximada do quão superior foi o Benfica ao PSV esta noite. Quatro foram os que entraram, e terão ficado talvez no mínimo outros quatro por marcar. Uma grande noite europeia, com exibição de luxo num Estádio da Luz cheio.

Com o regresso do Maxi à direita, o Benfica alinhou com o seu onze base desta época, apenas com uma alteração no centro da defesa, onde o Jardel ocupou o lugar que habitualmente é do Sídnei. O Benfica iniciou o jogo de forma a não deixar quaisquer dúvidas sobre as suas intenções: carregar sobre o adversário e construir um resultado que nos permitisse uma segunda mão descansada. E percebeu-se cedo que o PSV teria muitas dificuldades para lidar com a nossa velocidade e movimentação no ataque, onde, com o apoio importante dos laterais, os nossos argentinos iam fazendo a cabeça em água à defesa adversária. Aos sete minutos, o Saviola criou a primeira grande ocasião, atirando ao poste depois de uma bonita rotação, e motivando ainda mais o Benfica para um pressão constante sobre o PSV, que só ao fim dos primeiros vinte minutos conseguiu respirar um pouco. Mas foi como se o Benfica tivesse abrandado durante dez minutos apenas para ganhar fôlego para um novo assalto à baliza holandesa. O mote foi dado por um grande remate do Cardozo, a proporcionar uma grande defesa ao guarda-redes, e a partir daí a pressão foi sempre muito intensa até ao intervalo. O golo adivinhava-se a qualquer momento, e a bola até chegou a entrar na baliza, mas o Cardozo estava deslocado. Mas aos trinta e sete minutos valeu mesmo: depois de uma boa combinação entre o Coentrão e o Gaitán na esquerda, o centro rasteiro deste não chegou ao Cardozo, mas a bola ficou solta na área, onde surgiu o Aimar a rematar de primeira entre os defesas para o primeiro golo. O golo não fez diminuir a intensidade do nosso jogo, e o ataque constante continuou, sendo recompensado mesmo sobre o apito para o intervalo com mais um golo (numa altura em que alguns 'impacientes' já se dedicavam à sua actividade favorita de assobiarem a sua própria equipa). Primeiro, foi o Maxi que passou por toda a gente na direita, mas de forma incrível não conseguiu oferecer o golo ao Saviola ou ao Cardozo; depois, no seguimento da jogada, a bola viajou até à esquerda, houve nova combinação entre o Gaitán e o Coentrão, e este centrou rasteiro para a entrada da pequena área, onde o Salvio finalizou com classe, fechando da melhor maneira a primeira parte.

A segunda parte trouxe mais do mesmo, com o Benfica a carregar sempre, e o PSV a conseguir pouco mais do que ver-nos jogar. Após seis minutos, e já depois de termos ameaçado a baliza do PSV por duas vezes, chegou o terceiro golo, numa iniciativa do Salvio pela direita, que depois de ganhar um ressalto a um defesa, fintou um segundo e rematou cruzado para o poste mais distante. O resultado dilatado forçou o PSV a tentar vir para a frente (incrivelmente, apesar de todos os buracos que o Benfica conseguia abrir naquela defesa, o PSV estava a tentar jogar com algumas cautelas defensivas). Conseguiram assim aproximar-se um pouco mais da nossa baliza, mas ao mesmo tempo abriram ainda mais espaços atrás, e de cada vez que o Benfica recuperava a bola e saía para o ataque dava a sensação de que poderia chegar mais um golo. O Saviola e o Cardozo estiveram ambos mais uma vez perto do golo, mas o argentino rematou por cima num lance, e cabeceou contra um defesa no outro, enquanto que o paraguaio viu o guarda-redes negar-lhe o golo com uma defesa incrível. E quando nada fazia crer que o conseguisse, o PSV conseguiu marcar, numa recarga à boca da baliza, aproveitando uma bola cruzada da esquerda que o Roberto não conseguiu agarrar. Faltavam dez minutos para o final, e o Benfica ainda reagiu e procurou mais um golo, que veio a conseguir já no período de compensação (e mais uma vez debaixo dos assobios dos 'impacientes' - a sério, se é para se chatearem, que tal ficarem em casa?) Mais uma grande incursão do incansável Maxi pela direita, que evitou um defesa e depois colocou a bola nos pés do Saviola. Este, de costas para a baliza, rodou sobre o seu marcador e finalmente marcou o golo que procurou durante todo o jogo - e bem o mereceu.

Muitos jogadores do Benfica em grande plano esta noite, mas a minha escolha pessoal vai para o Maxi Pereira. Não marcou nenhum golo, mas deu-os a marcar. Esteve imparável durante todo o jogo no apoio ao ataque, e praticamente nem se deu pelo seu opositor directo - Dzsudzsák, que é apenas o melhor jogador do PSV. No lado oposto, o Coentrão esteve ao nível a que já nos habituou a todos. Já mencionei a importância dos argentinos neste jogo, em particular do trio Aimar, Saviola e Salvio. O Aimar foi perdendo alguma frescura física, mas marcou o primeiro golo e foi quase sempre nos pés dele que as nossas jogadas de ataque começaram. O Salvio foi um parceiro à altura do Maxi, e os dois juntos fizeram a cabeça em água ao PSV. Marcou dois golos, e ainda ofereceu aos colegas oportunidades para marcar. O Saviola bem mereceu o golo que marcou, depois de ter estado algo infeliz na finalização. A forma como se movimentou e abriu espaços e linhas de passe para os colegas foi uma das principais chaves da dinâmica atacante do Benfica. Menções ainda para o Javi e a dupla de centrais, onde o Jardel mostrou grande segurança.

Demos um passo muito grande a caminho das meias-finais. Sei que o PSV costuma ser bem mais forte no ataque quando joga em casa, mas a julgar pela forma como defende, será preciso o Benfica ter uma noite muito desinspirada para que não consiga fazer golos em Eindhoven.

por D`Arcy às 04:07 | link do post | comentar | ver comentários (54)
Terça-feira, 05.04.11

Indigno

Pelos vistos anda por aí, à solta na comunicação social, muita virgem ofendida que se arrepela e arranca os cabelos de tão indignada que ficou com aquilo que o Benfica fez no final do jogo de Domingo. Tal como escrevi na altura, também eu critiquei o que foi feito. Mas a minha crítica diz respeito a uma situação concreta. Achei que aquilo que foi feito foi indigno, de facto, mas:

 

- Não foi, de forma alguma, indigno do Porto. Tendo em conta aquilo que aquela gente tem vindo a fazer ao longo de décadas, quando muito deveriam era ter sido regados com algo mais abrasivo do que simples água, para ver se ajudava a limpar alguma da porcaria que os cobre. No mínimo, atirarem também algum sabão macaco para o relvado. Não percebo porque é que isto é 'mau perder', mas hostilizar e agredir os nossos jogadores e treinadores quando se podiam sagrar campeões (os do Porto passearam-se à vontade em Lisboa), e impedir que benfiquistas festejassem o título em locais públicos já não é. 'Mau perder' é apagar a luz e ligar os aspersores;

 

- Não foi indigno da comunicação social abjecta que temos neste país, sobretudo a desportiva, sempre solícita a esconder e limpar a imagem dos suspeitos do costume, vendendo discursos bacocos de ódio provinciano por 'finas ironias', actos violentos por 'excessos de entusiasmo', e batota e jogo sujo por 'espírito competitivo';

 

- Não foi indigno do futebol português, podre e infectado pela porcaria, fomentando e compactuando alegremente com todas as situações a que temos assistido nas últimas décadas, e onde até uma pessoa condenada e castigada por tentativa de corrupção fala impunemente pelos cotovelos e é recebida de braços abertos em eventos oficiais, como por exemplo jogos da equipa da FPF;

 

- Não foi sequer indigno do próprio Estado Português. Onde uma das faces da podridão, enquanto suspenso e desportivamente condenado por tentativa de corrupção, é recebido no órgão representativo do povo português. Onde 'ordem' e 'tolerância zero' têm definições completamente díspares consoante a zona do país. E onde o responsável máximo pelo desporto passa o tempo a fechar os olhos e a assobiar para o lado, só levantando o rabo da cadeira uma vez a cada três anos, sem nada fazer para limpar o futebol.

 

E posto tudo isto, o escândalo é uma molha às escuras? É isto que se quer comparar a quase trinta anos de podridão, violência e corrupção? Se critiquei foi apenas por achá-lo indigno do próprio Benfica, porque não gosto de vê-lo baixar de nível. E por saber que a atitude é uma forma de expor o flanco, sendo obviamente explorada pelos 'moralistas' do costume para mais um ataque ao Benfica, e mais uma lavagem à imagem dos criminosos, tentando fazê-los passar por coitadinhos. Porque se fosse apenas por toda essa corja mencionada acima, qualquer tipo de deferência seria imerecida. Merece-nos respeito quem nos respeita. Não quem nos desrespeita, mente, vigariza e enxovalha sempre que pode.

por D`Arcy às 22:52 | link do post | comentar | ver comentários (111)
Segunda-feira, 04.04.11

Erros (II)

Já que, como habitualmente, temos treinadores de bancada até dizer chega, aproveito para brincar ao Football Manager e explicar aquilo que, na minha modesta opinião, tem sido o erro táctico do Benfica nos jogos com o Porto este ano (ontem no jogo devo ter chateado toda a gente à minha volta de tantas terão sido as vezes que resmunguei sobre isto - o Gwaihir que o diga).

 

 

Não sou nenhum especialista em bola, e percebo tanto disto quanto o gajo que estiver sentado ao meu lado na bancada. Mas tendo visto os jogos que o Benfica perdeu esta época com o Porto (e o que ganhou), isto salta-me sempre à vista. De uma forma muito simplificada, os rectângulos verdes mostram os 'emparelhamentos' que se formam durante o jogo. E é ali, naquela zona assinalada com o círculo vermelho, que o Benfica perde os jogos. Foi ali que o perdeu ontem, na primeira parte. O Javi García é insuficiente para, sozinho, fazer frente aos adversários que surgem naquela zona, e a coisa fica ainda pior quando o Falcao recua da sua posição - até porque nenhum dos nossos centrais tem características para o acompanhar, e mantém-se normalmente fixo na sua posição mesmo quando não tem adversário directo para marcar (quando por acaso sai da posição para ir atrás do avançado, a falta de velocidade acaba por causar ainda mais perigo assim que é ultrapassado, até porque, ao contrário do habitual, o Javi está demasiado ocupado com os dois médios adversários, e não pode fazer a compensação). A solução mais óbvia é colocar alguém ao lado do Javi (o ideal seria um jogador como o Rúben Amorim, mas infelizmente ficámos sem ele para o resto da época), abdicando do '10' (como ontem na segunda parte) ou de um dos avançados (pessoalmente, prefiro esta opção).

 

Isto não é uma crítica cega ao Jorge Jesus, é apenas uma opinião discordante, e recuso-me aliás a entrar em qualquer discussão com pessoas que, de cada vez que perdemos um jogo, exigem o despedimento do treinador. Na minha opinião, mesmo com os seus defeitos - que todos os têm - e enganos esporádicos, não vejo nenhum treinador acessível mais indicado para ocupar o lugar no banco do Benfica. Mesmo puxando muito pela cabeça, não consigo lembrar-me de alguma vez, durante os últimos dezasseis anos, ter visto o Benfica jogar tão bem como o tenho visto jogar regularmente sob as ordens do Jorge Jesus.

por D`Arcy às 16:08 | link do post | comentar | ver comentários (59)

Erros

Acabou tudo da pior forma, e permitimos que eles festejassem o culminar da golpada no nosso estádio. Foram demasiados os erros individuais e tácticos, e depois de praticamente oferecermos a primeira parte de vantagem, não tivemos cabeça nem sorte para recuperar. Para além disso, não serão muitas as equipas capazes de limpar a cabeça e recuperar da forma como o Benfica praticamente entrou no jogo a perder, com o adversário a marcar sem sequer ter rematado à baliza.

 

 Um dos grandes problemas para o Benfica neste jogo seria sempre a ausência do Maxi. Compreende-se que não se tenha arriscado, já que o jogo com o PSV é mais importante, mas o Airton não foi uma boa solução. O Benfica foi uma equipa coxa, atacando muito mais pelo lado esquerdo, e mesmo em termos defensivos foi sempre pelo lado do Airton que tremeu mais. Depois, custou-me compreender a repetição do erro táctico que já nos tinha custado duas derrotas frente a este adversário: contra uma equipa que mete tantos jogadores no meio campo (até o avançado-centro recua) o Benfica não se pode dar ao luxo de jogar em 4-1-3-2 e deixar aquela zona praticamente entregue ao Javi sozinho. Sempre que este é ultrapassado, fica uma enorme clareira à frente da defesa, por onde aparecem múltiplos adversários. Jogar com dois médios no centro deve ser o mínimo. Claro que com mais ou menos médios, nada pode prever que o Roberto tenha um erro brutal daqueles e, com um autogolo, deixe o adversário em vantagem ainda antes dos dez minutos de jogo. É que nem foi um remate à baliza: foi um cruzamento tirado junto à linha de fundo, e de alguma forma que eu nem percebi a bola bate no Roberto e entra na nossa baliza (também não vou ignorar a forma como, no início do lance, o Javi parece ter tudo sob controlo à entrada da área e acaba por perder a bola). Indicação mais clara de que a noite iria correr mal era difícil.

Ainda assim, pouco depois do primeiro quarto de hora, o Benfica conseguiu empatar, através de um penálti convertido pelo Saviola, depois de um eventual puxão ao Jara dentro da área (escrevo 'eventual' porque confesso que no estádio não me apercebi da falta, e obviamente que não tenciono ver quaisquer imagens deste jogo). Mas não soube aproveitar alguma motivação que pudesse sair deste lance; o Porto reagiu bem, e menos de dez minutos passados voltou à vantagem. Depois de uma perda de bola do Benfica, aproveitou o enorme espaço dado no meio campo (fiquei com a sensação de que o Guarín teve todo o tempo e espaço do mundo para progredir com a bola, e escolher o momento de passá-la ao Falcao), e o lance acabou com o penálti clássico (e evidente) do guarda-redes sobre o avançado, que foi convertido pelo Úlque. Pareceu-me sempre que os nossos jogadores lidaram mal com a pressão feita quase no campo inteiro pelos jogadores do Porto, e acumularam erros e más decisões por causa disso. No último quarto de hora o Benfica mostrou algum inconformismo, mas o Porto nunca se desorganizou. Depois, ao contrário da eficácia do adversário, o Saviola conseguiu permitir a defesa ao Hélton num lance em que parecia ser mais fácil fazer o empate.

Sem surpresas, o Benfica voltou para a segunda parte com duas alterações (saídas do Jara e Aimar, entradas do Peixoto e do Cardozo), e organizado em 4-4-2. Mas o mal já estava feito. Foi mesmo o Porto quem começou com uma boa oportunidade, após (mais) um erro do Javi, que escorregou e perdeu a bola numa zona proibida, valendo o pé do Roberto a defender o remate do Falcao. A resposta do Benfica foi dada pelo Saviola, que viu o seu remate ser defendido em dificuldade pelo Hélton. Para não variar, a seguinte grande oportunidade do Porto voltou a surgir graças a um erro tremendo: desta vez foi o Sídnei que chutou a bola contra o Falcao e este, isolado, não acertou na baliza. Salvo algum lance de inspiração individual não me parecia, nesta altura, que o Benfica conseguisse inverter a situação. Mas a vinte minutos do final o Otamendi foi expulso, e o Benfica ganhou novo fôlego (mesmo que nesta altura já jogasse com o Sídnei a lateral direito). O Porto encostou-se mais trás, deixando o Úlque sozinho na frente, e o Benfica aproveitou para pressionar mais, mas fazendo tudo muito mais com o coração do que com a cabeça. O Cardozo teve uma oportunidade flagrante, mas na pequena área acabou por cabecear à figura do guarda-redes. E a cinco minutos do final, fez-se expulsar de forma estúpida, por agressão. Já nos descontos, oportunidades para os dois lados. Primeiro o Sídnei, solto na direita, permitiu a defesa do Hélton, e depois o Gaitán na recarga acertou no poste. Depois foi a meretriz uruguaia que conseguiu isolar-se, mas desta vez o Roberto fez uma defesa enorme.

Melhores no Benfica, talvez o Coentrão e o Saviola. Piores, podiam ser quase todos os outros. Em particular, Airton (tem a atenuante de não ser de forma alguma defesa lateral), Javi, Sídnei ou Roberto (por razões óbvias - mesmo contando com as duas grandes defesas que fez depois, não é admissível marcar um autogolo daqueles).

E pronto, este capítulo está fechado. Agora é pensar em ganhar o importante jogo de quinta-feira contra o PSV, e depois tentar também cumpri a segunda metade da tarefa de fazer da Taça de Portugal uma competição mais limpa.

P.S.- Sei que porventura muitos discordarão comigo nisto, mas não posso deixar de criticar o que foi feito após o fim do jogo. Claro que não é agradável ver aquela gente a festejar no nosso estádio, mas eu prefiro simplesmente ignorá-los. A indiferença é a resposta mais digna. Quando o jogo acabou, aplaudi a minha equipa e os meus jogadores, gritei pelo Benfica, e depois voltei as costas e fui-me embora. Já disse várias vezes que nem sequer os considero rivais; são um adversário de ocasião, e quando o merceeiro que comanda a pandilha de vigaristas de bairro for inevitavelmente derrubado pelo tempo (que não há fruta que o compre), ao bairro voltarão. O que me disseram que se passou no nosso estádio depois do apito final (não o vi pessoalmente, porque já lá não estava) em nada dignifica o Benfica.
Para mim, aqui aplica-se exactamente o mesmo princípio daquele ditado sobre não discutir com um idiota. Se descemos ao nível deles, eles ganham-nos em experiência.

por D`Arcy às 01:06 | link do post | comentar | ver comentários (87)
Terça-feira, 22.03.11

Passeio

O Benfica acabou por ir dar um passeio até Paços de Ferreira, resolvendo as coisas muito cedo com uma entrada em jogo simplesmente brilhante, passando depois a gerir o resultado, e encerrando o jogo da melhor forma com a entrada do capitão em campo para construir a nossa vitória mais robusta nesta Liga até ao momento.

De fora do onze ficaram os dois jogadores em risco de suspensão: Coentrão e Salvio, rendidos pelo Carole e pelo Jara - que foi ocupar a esquerda, surgindo o Gaitán na direita. Também de fora ficou o Sídnei, por troca com o Jardel. A entrada do Benfica no jogo foi demolidora. Muita velocidade e jogadores em constante movimento, aproveitando o atrevimento do Paços, que raramente joga com grandes cautelas defensivas. E com cinco minutos de jogo, tivemos um penálti claro a nosso favor (espanto por o Artur Soares Dias assinalar o penálti...). O Cardozo desta vez não tremeu, e enviou a bola para um lado e o guarda-redes para o outro. Continuou o Benfica a atacar, e um minuto depois do Jardel ter falhado o golo de forma incrível, cabeceando mal e sem oposição após um canto quando o mais fácil era mesmo acertar na baliza, o Benfica voltou a marcar, numa jogada argentina: Jara para Saviola na direita, passe para o Aimar na área, que controlou com um toque e já perto da baliza, perante a saída do guarda-redes, com o outro fez a bola passar-lhe sob o corpo. Ia decorrida apenas uma dúzia de minutos. E o massacre do Benfica continuava, com ocasiões de perigo a surgir quase em cada ataque.

A conclusão lógica foi mais um golo do Benfica, numa jogada de ataque fantástica, com a bola a passar por vários jogadores em velocidade até chegar ao Maxi na direita, que passou rasteiro para o Cardozo e este tocou para trás, aparecendo depois o Gaitán ainda de fora da área e sobre a direita a fazer um remate de primeira e em arco que meteu a bola literalmente na gaveta. Estavam decorridos vinte e cinco minutos de jogo, e o Benfica já vencia por três golos sem resposta. Nesta altura, pelo que se via, se as coisas continuassem por este caminho o mais provável seria este jogo acabar com um resultado histórico. O que acabou por salvar o Paços foi o infeliz autogolo do Carole (tocou de raspão com a cabeça na bola, após livre da esquerda), três minutos depois, que serviu para arrefecer um pouco a euforia do Benfica e dar alguma confiança ao Paços. Que, dois minutos depois, poderia ter voltado a marcar, já que um livre de muito longe levou a bola a bater no poste da nossa baliza (pareceu-me que o Roberto ainda lhe tocou). O jogo entrou então numa toada mais equilibrada, com ataques de parte a parte, mas a cinco minutos do intervalo o jogador do Paços que cometeu o penálti voltou a fazer uma falta estúpida, agarrando o Saviola, e viu o segundo amarelo, facilitando ainda mais a tarefa ao Benfica.

A segunda parte foi bem menos interessante do que a primeira. O Benfica veio mais apostado em gerir a vantagem sem dispender grande esforço, e foi-o conseguindo apesar da boa vontade dos jogadores do Paços, que nunca baixaram os braços. Os nossos ataques eram feitos em menor velocidade e com menos jogadores, muitas vezes perdendo-se devido a excessos individuais. As coisas só voltaram a animar mesmo nos dez minutos finais, numa altura em que o Nuno Gomes, Carlos Martins e Peixoto já estavam em campo. Primeiro foi o Aimar que, isolado por um passe muito longo do Luisão, viu o golo ser-lhe negado pelo pé do guarda-redes do Paços (quase que saía um golo igual ao que ele marcou ao Guimarães, na altura a passe do Sídnei). Um minuto depois, apareceu o Nuno Gomes em cena para, aproveitando a liberdade que lhe foi concedida pela defesa do Paços, à segunda recarga a um primeiro remate do Peixoto, fazer o quarto golo. Animado por este golo, o Benfica voltou a imprimir mais velocidade, com o Carlos Martins bastante activo na direita, e ainda foi a tempo de fazer um quinto golo, novamente pelo Nuno Gomes, desviando de forma oportuna mais uma insistência do César Peixoto.

Há vários jogadores que merecem destaque. O Aimar é um deles: fez um grande jogo, e aparenta estar numa forma física muito boa, sendo dos jogadores que amntiveram um ritmo mais constante durante todo o jogo. O Maxi Pereira já não é surpresa que se apresente num ritmo altíssimo, já que parece que nunca se cansa. Gostei, ao contrário do jogo com o Portimonense, do Jardel. Javi García o pêndulo do costume, e o Jara fez um jogo muito agradável, mas com o senão de não ter estado particularmente inspirado na altura do remate, sobretudo por demorar quase sempre demasiado tempo a fazê-lo. O Gaitán continua a mostrar a sua classe em cada toque na bola, e o golo que marcou foi sublime. Fiquei também agradado com o Carole, que não merecia aquele azar do autogolo. Mas parece estar a integrar-se, e o atrevimento que vai ganhando no ataque fica-lhe bem, porque parece saber subir bem no terreno. Finalmente, claro, o elogio para a eficácia do nosso capitão Nuno Gomes.

Aquela entrada do Benfica no jogo ter-nos-á deixado a todos muito satisfeitos, quer pela alta qualidade do futebol praticado, quer pela eficácia. E ainda por cima sem utilizar dois jogadores nucleares como o Coentrão e o Salvio. Mas hoje gostei também muito que a equipa tenha mostrado uma muito melhor condição física, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos jogos. Claro que marcar e resolver cedo permite gerir o jogo e o cansaço de forma muito mais eficaz, mas mesmo o Aimar, que não é dos jogadores fisicamente mais resistentes, fez os noventa minutos aparentemente sem quaisquer problemas. Agora espero que aproveitemos a paragem no campeonato para recuperar ainda mais, e atacarmos a fase final da época na melhor condição física possível. Ainda há muito para conquistar.

 

P.S.- Aparentemente, voltaram a 'simular' mais qualquer coisa lá por aqueles territórios sem lei. A quantidade de casos semelhantes à volta do Benfica sempre que se deslocou a esta zona do país só esta época seria suficiente para que alguém com responsabilidades fizesse alguma coisa, mas pelos vistos quando o mandante moral diz que são simulações, os supostos responsáveis baixam os cornos e enfiam a cabeça na areia, juntando-se aos indecorosos avençados espalhados pela comunicação social vergonhosa que temos. E isto é numa época em que conseguiram roubar uma Liga a seu bel-prazer. Imagino o que seria se não fosse assim. É de notar o facto do ataque ter partido do 'unico viaduto que não estava sob vigilância da GNR'. Como não quero ser mal intencionado, vou assumir que isto se tratou apenas de uma infeliz coincidência, e não o resultado de qualquer informação que tenha de alguma forma encontrado o caminho desde as autoridades até aos marginais que perpetraram o acto. Mais ou menos como a coincidência de alguém viajar subitamente para Vigo antes de uma rusga.

por D`Arcy às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Quinta-feira, 17.03.11

Raça

Até pode não ter havido muita 'arte' no jogo do Benfica esta noite, mas houve raça, querer e ambição até mais não. Os grandes jogos também se fazem assim. Foi um jogo difícil e de muita luta, mas conseguimos o resultado necessário para o nosso objectivo: carimbar a passagem aos quartos-de-final da Euroliga, repetindo assim pelo menos o desempenho da última época.

Foi quase num segundo Estádio da Luz que o Benfica entrou em campo com aquele que poderemos considerar o seu onze base. Apoio fantástico dos nossos adeptos em França, que encheram as bancadas do Parque dos Príncipes e devem ter deixado os nossos jogadores a sentirem-se em casa. Quanto ao jogo, desde o primeiro minuto que se percebeu que seria difícil. Não porque o Benfica tenha sido muito pressionado, mas sim porque foi quase sempre um jogo de muita luta. As duas equipas empenharam-se no jogo, pressionando sempre muito de parte a parte, o que resultou num futebol não muito atractivo, em que a bola andava pouco pelo chão, as posses de bola eram curtas de parte a parte, e não havia muitas jogadas construídas de forma organizada. Para o Benfica, o problema maior parecia chamar-se Nenê, já que não havia maneira de o Maxi acertar com a marcação ao brasileiro, que por diversas vezes surgia solto por aquele lado e depois era difícil de travar quando embalava com a bola. Conforme disse, o Benfica nunca esteve sujeito a pressão intensa, muito por culpa do imenso esforço e trabalho que os nosso jogadores colocavam em cada lance - até mesmo o Aimar dava mais nas vistas pelo trabalho na ajuda ao Javi no meio campo do que a atacar. Mas num jogo destes um golo poderia cair para qualquer um dos lados num lance fortuito, e sabendo-se que bastaria um golo do franceses para ficarmos em desvantagem na eliminatória havia a preocupação de que esse golo pudesse acontecer, pelo que seria fundamental sermos nós a marcar primeiro.

E disso se encarregou o Gaitán, poucos minutos antes de chegarmos à meia hora de jogo, na conclusão de um contra-ataque conduzido desde a entrada da nossa área - após uma recuperação de bola do Aimar. Conseguimos colocar cinco jogadores na frente contra quatro defesas do PSG, e na altura em que o Gaitán recebeu a bola sobre a esquerda, à entrada da área, toda a gente esperaria um cruzamento - incluindo o guarda-redes. Só que em vez disso saiu um remate rasteiro que levou a bola a entrar junto ao poste mais próximo, deixando o guarda-redes algo mal na fotografia (já no princípio do jogo tinha tido uma péssima saída a um cruzamento, que quase resultou num golo para nós). Quem não esteve nada mal na fotografia foi o Roberto, que um minuto depois do golo defendia com as pernas um remate de um adversário isolado, evitando assim o empate. Mas já nada pôde fazer a dez minutos do intervalo, quando num grande remate de primeira à entrada da área o Bodmer fez o golo, resultado com que se foi para intervalo e que se ajustava perfeitamente ao que se viu durante os primeiros quarenta e cinco minutos.

A segunda parte foi um pouco mais calma. O Nenê esteve mais sossegado, e o ritmo do jogo pareceu abrandar um pouco. O Benfica podia ter resolvido a coisa logo a abrir, mas o Cardozo, em noite desinspirada, atirou torto quando se apanhou completamente só em frente à baliza, após cruzamento do Salvio. E ainda no primeiro quarto de hora, por mais três vezes o Benfica ameaçou: primeiro pelo Saviola, a emendar mal um passe do imparável Coentrão, depois num remate do Cardozo, defendido pelo guarda-redes, e finalmente numa cabeçada do Luisão após um canto, em que falhou o alvo por pouco quando o normal numa ocasião daquelas é o nosso capitão não perdoar. A resposta do PSG foi igulmente perigosa, com o Erding a falhar o golo após um lance em que o Sídnei decide, de forma incompreensível, deixar passar uma bola cruzada da esquerda. Ao ver o tempo a passar e a eliminatória a fugir-lhe, o PSG aumentou a pressão nos quinze minutos finais, lançando para o jogo o Giuly e o Hoarau. Poderiam ter sido recompensados a dez minutos do final, mas uma defesa do Roberto por instinto, a um remate desferido à queima-roupa, evitou o golo, e praticamente carimbou a passagem, já que os franceses foram apostando cada vez mais em bolas altas para o gigante Hoarau, sem grandes resultados práticos, até porque o Benfica se resguardou com as entradas do Peixoto e do Jardel nos minutos finais.

Melhores do Benfica, para mim: Coentrão, Roberto e Luisão. O nosso defesa esquerdo é praticamente imparável, e continua a todo o gás quando todos os outros parecem já não ter fôlego para dar mais um passo. Aquela arrancada fantástica que ele tem perto do final, em que vai deixando todos os adversários para trás e só é travado à entrada da área em falta (na minha opinião, para vermelho directo) é exemplificativa disto. O Roberto esteve seguro, e fez duas defesas cruciais, uma em cada parte. O Luisão foi o pilar habitual na defesa, e na fase final de despejo de bolas do PSG para a nossa área não deu hipóteses. Muito bem também o Gaitán, em especial na primeira parte, mas foi-se apagando à medida que o cansaço foi levando a melhor sobre ele. Gostei também do Javi e do Aimar, tendo o argentino surpreendido pelo muito trabalho defensivo que fez na primeira parte. A nossa dupla de avançados esteve apagada, com muitos passes falhados de forma estranha pelo Saviola, e muitas perdas de bola do Cardozo.

Está cumprida a missão, e amanhã lá estaremos na Suíça para ver quem nos calha em sorte. Não creio que tenhamos que temer quem quer que seja dos possíveis adversários. A Euroliga é uma competição muito equilibrada, e podemos ter ambições legítimas em chegar mais longe. Assim o desejamos todos.

por D`Arcy às 22:10 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Domingo, 13.03.11

Aposta

E à quinta foi de vez. Depois de, pela quinta vez consecutiva, permitirmos aos visitantes que se adiantassem no marcador, hoje já não conseguimos a reviravolta no resultado, talvez por culpa das várias poupanças feitas - e poderíamos até ter perdido o jogo, já que apesar de termos atacado sempre mais, as melhores oportunidades acabaram por pertencer ao Portimonense.

Se era para poupar jogadores, então poupou-se mesmo: nada menos do que dez dos habituais titulares ausentes do onze, mantendo-se apenas o Aimar, a quem coube a honra de envergar pela primeira vez a braçadeira de capitão. A baliza foi entregue ao Moreira, defesa com Luís Filipe, Carole, Jardel e Roderick, meio campo com, para além do Aimar, Airton, Peixoto e Meneses, e o ataque entregue a Kardec e Jara. Apesar de tantas ausências, desde início que se assistiu a um jogo com o perfil habitual dos jogos na Luz, como Benfica a ter a iniciativa e o adversário a fechar-se o mais possível atrás, tentando sair depois no contra-ataque. O problema é que cedo se percebeu também a falta de capacidade da equipa que tínhamos em campo para encontrar soluções para chegar ao golo. O jogo parecia um autêntico solteiros contra casados, com passes fáceis falhados, jogadores a não conseguirem controlar uma bola, e a quase ausência de jogadas com princípio, meio e fim. O único sinal de perigo foi dado por uma cabeçada do Kardec, logo aos cinco minutos, mas pouco mais se viu depois disso. Quando o Portimonense resolveu vir até à frente, primeiro enviou uma bola à trave, num remate de fora da área sem hipóteses para o Moreira, e no minuto seguinte (aos vinte e sete), beneficiou de um penálti, cometido de forma muito infantil pelo Roderick, colocando a mão na bola num lance aparentemente sem qualquer perigo. Só nos últimos cinco minutos é que o Benfica conseguiu pressionar de forma mais consistente, criando algumas ocasiões de perigo - em particular uma situação em que o Airton, na pequena área e com tudo para marcar, conseguiu não acertar na bola.

A segunda parte trouxe o Salvio e o Gaitán nos lugares do péssimo Meneses e do Carole. Trouxe também mais ataque do Benfica, mas com o Portimonense a conseguir aguentar-se sem muitas aflições, e a mostrar-se sempre perigoso nas saídas para o contra-ataque, já que na maior parte do tempo a nossa equipa esteve literalmente partida ao meio, com os cinco jogadores mais avançados a não recuarem para defender. Se havia um canto ou um livre a nosso favor, em que os centrais e o Airton subiam, caso o Portimonense recuperasse abola, conseguia quase sempre fazer um contra-ataque em igualdade ou mesmo superioridade numérica. Num destes lances, colocaram um jogador isolado na cara do Moreira, e a bola, depois de picada sobre ele, acabou por acertar no poste. No minuto seguinte (setenta e sete), o Benfica chegou ao empate: canto na esquerda, cabeçada do Jardel para defesa apertada, tentativa de recarga do Roderick, e finalmente o inevitável Nuno Gomes, quase sobre a linha, a cabecear para o golo. A partir daqui a pressão do Benfica intensificou-se, obrigando o guarda-redes do Portimonense a bastante trabalho até final - negou o golo ao Nuno Gomes e ao Jara. No entanto, mais uma vez num contra-ataque, o Portimonense podia também ter marcado, valendo-nos a defesa do Moreira com o pé.

No jogo de hoje destacaria talvez o Moreira e o Jara. Gostaria que o Nuno Gomes tivesse jogado de início, ou pelo menos que tivesse entrado mais cedo. O Carole - havia a curiosidade de ver a sua estreia - não comprometeu. Mas a verdade é que a maior parte dos que jogaram hoje mostraram que não são titulares por alguma razão. Não quero estar a particularizar e a desancar alguns jogadores, porque também compreendo que há factores como a falta de ritmo, ou mesmo estar em campo toda uma equipa que praticamente nunca jogou junta, acusando por isso uma natural falta de entendimento. Mas não tenho dúvidas de que alguns dos jogadores que vimos esta noite em campo não estarão no plantel da próxima época.

Foi uma aposta arriscada do nosso treinador, e acabou por perdê-la. Mas compreendo-a: a liga já nos foi roubada, e os objectivos são agora outros. Temos um jogo importante na quinta-feira, e se havia ocasião para descansar jogadores, era esta. Agora é concentrarmo-nos naquilo que podemos ganhar.

por D`Arcy às 23:13 | link do post | comentar | ver comentários (75)
Sexta-feira, 11.03.11

Vantagem

Vantagem mínima conquistada na primeira mão da eliminatória, num jogo em que 'jogámos' talvez cerca de meia hora dos noventa minutos de jogo - por alguma culpa própria, mas também por culpa do adversário, que não é de forma alguma tão fraco como às vezes me parece que alguns estão convencidos.

A entrada do Benfica no jogo não foi a melhor (embora, curiosamente, tenha dado o primeiro sinal de perigo, pelo Gaitán logo no primeiro minuto) - ou poderíamos dizer que foi o PSG que começou bastante bem o jogo . Com a equipa sempre muito bem posicionada, conseguiu construir um bloco muito sólido à frente da sua área, que a nossa equipa não conseguia ter arte nem engenho para desorganizar - muito também por culpa da desinspiração ou falta de fulgor de vários jogadores nossos, em particular do Salvio (passou quase ao lado do jogo) e do Gaitán (não deve ter ganho um lance no um para um), o que deixou o ataque pelas alas praticamente entregue em exclusivo ao Coentrão e ao Maxi, com o consequente afunilamento do jogo. A equipa francesa procurava, sempre que possível, pressionar bastante alto, impedindo muitas vezes que saíssemos a jogar, e obrigando a pontapés longos - isto é algo que estamos habituados a ver a nossa equipa fazer, mas nesta fase não conseguíamos fazer nada disto, não sei se por cansaço. Recuperada a bola, eles contra-atacavam com bastante velocidade, conseguindo causar perigo em várias ocasiões. Rapidamente responderam àquela tentativa do Gaitán, e aos cinco minutos só uma defesa do Roberto impediu o golo a um adversário na sua cara. E quando marcaram mesmo, à passagem do quarto de hora (colocando mais uma vez um jogador isolado na cara do guarda-redes, após um passe entre os nosso defesas pela zona central, numa jogada em que me pareceu que o autor do passe teve demasiada liberdade para progredir sem ser pressionado), foi apenas o desenlace mais lógico para a o melhor futebol que iam mostrando durante esses primeiros minutos. Não ficaram por aqui, já que dois minutos depois atiravam uma bola ao ferro, após um cruzamento da esquerda a meter a bola no segundo poste, e mantiveram a nossa baliza sob ameaça durante quase toda a primeira parte.


Só perto da meia hora é que o Benfica começou lentamente a dar um ar da sua graça no ataque. Encarregou-se disso o Cardozo, primeiro com um remate de pé direito a proporcionar uma boa defesa ao guarda-redes francês, e depois num livre, que resultou em mais uma defesa difícil. Este livre deu o sinal de partida para uns últimos dez minutos em que aí sim, o Benfica foi claramente superior, e conseguiu encostar o PSG à sua área, criando várias situações perigosas - devido em boa parte ao maior atrevimento ofensivo dos dois laterais, que devem ter decidido que teriam que ser eles a assumir as despesas no ataque, visto que os seus colegas mais avançados não estavam claramente nos seus dias. Depois de ameaçar alguma vezes, o Benfica chegou mesmo ao empate, a quatro minutos do intervalo, e através do jogador que claramente mais merecia um golo - Maxi Pereira. Isolado nas costas da defesa por um passe fantástico do Carlos Martins, controlou a bola no peito e rematou de primeira, de pé esquerdo, para um bonito golo (o Maxi deve estar a tornar-se um personagem maldito para os franceses). Até ao apito para intervalo, mais uma boa situação para o Benfica, em que o Coentrão optou pelo remate quando me pareceu que o passe teria sido a melhor opção, e ainda um lance em que me pareceu ter havido falta sobre o Javi dentro da área - fora da área aquele lance seria sempre sancionado.

Esperava uma entrada para a segunda parte no seguimento daquilo que tinha sido o final da primeira, mas tal não aconteceu. O PSG pareceu apostar numa toada um pouco mais cautelosa, procurando manter mais a bola em seu poder, e arriscando pouco, e o Benfica voltava a mostrar dificuldades para causar perigo no ataque e até mesmo para conseguir ter bola. O jogo caiu assim numa toada algo aborrecida, em que as ocasiões de perigo eram quase inexistentes - apenas numa ocasião, pelo Saviola, o Benfica ameaçou a baliza adversária. O Jorge Jesus, a meio da segunda parte, acabou por fazer as substituições mais evidentes, e no espaço de cinco minutos retirou do campo o Salvio e o Gaitán, entrando para os seus lugares o Jara e o Aimar. Quando o Aimar entrou em campo, faltavam vinte minutos para o final, e na sua primeira intervenção colocou a bola no Cardozo, que com um toque desmarcou o Saviola. Este tirou um adversário do caminho, e quando estava isolado foi claramente derrubado em falta no interior da área. Penálti claríssimo (e consequente expulsão do jogador que faz a falta) que, incrivelmente, nenhum dos membros da equipa de arbitragem quis ver. Toda a gente continua a perguntar-se para que servem os árbitros de baliza. Este penálti não marcado pareceu espicaçar a nossa equipa, que nos vinte minutos finais submeteu o PSG a uma grande pressão. Os franceses foram recuando cada vez mais as linhas para perto da sua baliza, e praticamente já não tentavam contra-atacar de forma organizada, parecendo estar mais empenhados em manter o empate. Não o conseguiram, porque com nove minutos para jogar, o Jara recebeu uma bola do Aimar, à entrada da área e descaído sobre a esquerda, rodou sobre o adversário, e rematou rasteiro e cruzado para o fundo da baliza, fixando o resultado final. Nos minutos finais o Benfica ainda procurou um terceiro golo, mas apenas num remate do Saviola conseguiu criar algum perigo.

O melhor jogador do Benfica foi o Maxi. Qual cansaço, qual quê. Joga sempre com o mesmo ritmo, tem pulmão que nunca mais acaba, e passou os noventa minutos a subir e a descer aquele lado direito. Mereceu plenamente o golo. Gostei também do Carlos Martins, sendo de destacar o grande passe para o golo do Maxi. O Coentrão e o Roberto também estiveram em bom plano. E mais uma vez, entrada importante do Jara no jogo - o sua mentalidade batalhadora que não lhe permite dar um lance por perdido é importantíssima. Outros jogadores houve que estiveram muito abaixo do seu normal. O Sídnei teve uma primeira parte horrível, com inúmeros passes e cortes a acabarem sempre nos pés de um adversário. Os já citados Gaitán e Salvio passaram praticamente despercebidos, sendo a sua deficiente condição física a explicação mais provável para o jogo que fizeram.

Mais uma vez 'demos' um golo de avanço a jogar em casa, para depois operarmos a reviravolta e acabarmos por vencer. Foi assim nos últimos quatro jogos: Estugarda, Marítimo, sportém e PSG. Isto revela uma boa capacidade anímica da nossa equipa, mas seguramente que termos que andar a correr atrás do resultado também implicará um maior desgaste físico. O mais importante é mesmo irmos para a segunda mão com vantagem. Acredito plenamente na passagem aos quartos-de-final, mas teremos que trabalhar muito no segundo jogo. Roubado que está o campeonato, é capaz de ser boa ideia deixar alguns jogadores de fora do próximo jogo com o Portimonense.

por D`Arcy às 02:26 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Segunda-feira, 07.03.11

Orgulho

Acabei de chegar de Braga, e devo dizer que estou contente. Porquê? Primeiro porque consegui ir àquele estádio e ainda tenho a minha carteira, e depois porque sou orgulhosamente do Benfica, e não adepto de uma prostituta reles mascarada de clube de futebol, como aquela contra quem tentámos jogar hoje.

Querem uma crónica do jogo? É fácil: minuto quarenta, e o Benfica vence por 1-0 na cidade de Braga, contra o clube local, golo do Saviola em recarga a um livre do Carlos Martins. E vai conseguindo, apesar da poupança de dois jogadores nucleares, segurar o jogo e o adversário sem grandes problemas. O Javi García faz um alívio junto à linha lateral, em frente ao banco da equipa local. Um indivíduo com pinta de dançarina exótica num qualquer bar de alterne do Reinaldo atira-se para cima dele e, acto contínuo, mergulha para o chão enquanto esperneia, agarrado ao pescoço. Como numa peça de teatro muito bem ensaiada, o banco inteiro da equipa local levanta-se aos guinchos e pulos simiescos, o árbitro assistente (que apenas 'por acaso' é o mesmo que nos roubou um golo e um penálti no jogo em Guimarães) agita a bandeira, e o Xistra, que nada viu (porque nada se passou) dá vermelho directo ao nosso jogador. Para piorar, do livre que se segue - que deveria ter sido ao contrário, porque a falta é da dançarina exótica, que carregou o Javi quando ele aliviou a bola - sai um chouriço do jogador local que, de forma completamente não intencional, leva a bola a entrar na baliza. E assim, no espaço de um minuto, o Benfica deixa escapar da mão um jogo que estava perfeitamente controlado. Na segunda parte, a jogar em inferioridade numérica, lutámos enquanto foi possível e acabámos por sofrer o segundo golo num remate de longe, sem grandes hipóteses, da autoria de um dos dois cretinos que o ano passado agrediram impunemente o Cardozo ao intervalo.

Compreendo a necessidade de se poupar algumas unidades nucleares, até por sabermos que o destino deste campeonato começou a ser traçado fora das quatro linhas desde as primeiras jornadas. Mas disse logo no início que contra estes energúmenos é que não gostava mesmo nada de poupanças. Estes tipos nem um clube são. São uma tentativa de imitação de algo. E uma imitação reles. Tentam imitar merda, mas nem merda conseguem ser. São merda de pechisbeque. São as provocaçoezinhas reles de clubeco pequenino. Não dizerem 'Benfica' uma única vez, referindo-se a nós como o 'clube visitante'. Os insultos constantes, partindo do próprio speaker do estádio, que chegou mesmo ao ponto de, com o jogo a decorrer, berrar insultos ao Benfica pelo sistema sonoro do estádio, incitando as pessoas nas bancadas que fossem suficientemente imbecis para o fazerem a imitarem-no. As bolas de golfe, isqueiros e moedas com que os nossos jogadores foram bombardeados - o Cardozo levou com uma bola de golfe no joelho, o Martins foi atingido quando se preparava para marcar um livre, o Fábio e o Maxi foram alvos constantes durante todo o jogo. As repetidas atitudes fiteiras e provocatórias dos próprios jogadores locais durante os noventa minutos. E no final, ganho o jogo, parecia que tinham sido campeões do mundo, de joelhos a agradecer ao céu, e cortejos de imbecis a buzinar pela cidade fora. Compreende-se: as putas reles ficam sempre contentes quando pensam que conseguem agradar ao seu chulo - que depois as espanca enquanto lhes jura que são as preferidas dele.

Acaba por ser emblemático que este campeonato leve aquela que deverá ser a estocada final desta forma. Da mesma forma que começou a ser cozinhado em Agosto e Setembro. Quanto aos nosso jogadores, só tenho a dizer que me sinto imensamente orgulhoso. Orgulhoso por ser do Benfica, e orgulhoso por tê-los no meu clube. Perante o ambiente doentio e intimidatório que vi hoje, portaram-se sempre de forma digna, nunca perderam a cabeça e souberam resistir a todas as provocações. Pergunto-me quantos seriam capazes do mesmo. Pergunto-me se alguma equipa, alguma vez, visitando a Luz, teve que passar por aquilo que os nossos jogadores têm que passar todos os anos quando visitam o Ladrão, e agora quando visitam este sucedâneo de clube. Nem sequer a lagartagem, que é o nosso grande rival histórico, eu alguma vez vi descer a este nível.

A nossa equipa deu-nos dezoito vitórias consecutivas, e ao décimo-nono jogo viu a vitória ser-lhe surripiada. Se alguém pensa que isto nos faz esmorecer, engana-se, porque só nos faz mais fortes. Estou com esta equipa incondicionalmente e até ao fim. E na próxima quinta-feira, lá estarei a gritar por eles, para que dêem início a uma nova série de vitórias. De forma digna, dentro do campo e fora dele.

por D`Arcy às 04:12 | link do post | comentar | ver comentários (142)
Quinta-feira, 03.03.11

A Ferros

Vitória arrancada a ferros, complicada e valorizada por um adversário que, reconhecendo que não tem as mesmas armas que nós, fez bom uso das que tem. Manteve-se quase sempre organizado e dificultou muito a tarefa da nossa equipa, que hoje também não esteve ao seu melhor nível, acusando mais uma vez algum cansaço.

Se das quatro competições o Jesus abdicaria da Taça da Liga, não foi essa a mensagem que passou com a escolha do onze inicial: jogámos com aquela que se pode considerar a nossa equipa-tipo, apenas com a alteração do Carlos Martins no lugar do Aimar. Os primeiros minutos deixaram desde logo antever um jogo complicado. O sportém estava consciente que não poderia entrar na Luz de peito feito e tentar discutir o jogo pelo jogo com o Benfica, pelo que apostou primeiro em conter-nos e neutralizar o nosso jogo, para depois tentar saídas rápidas no contra-ataque. O Benfica, jogando a um ritmo demasiado pausado, não conseguia encontrar formas de contrariar isto, e os primeiros minutos do jogo deverão ter servido para dar confiança aos nossos adversários, já que conseguiam manter-nos mais ou menos controlados sem muita dificuldade - apenas num lance do Gaitán o Benfica criou algum perigo. Para piorar as coisas, o sportém colocou-se em vantagem praticamente na primeira vez que chegou à nossa baliza: aos vinte minutos de jogo, livre despejado de muito longe para a área, o Roberto hesitou na saída e quando o fez já chegou tarde à bola, permitindo a antecipação de cabeça do Postiga.

Só a partir da meia hora é que o Benfica começou finalmente a conseguir empurrar o sportém para a sua área. E pelo inevitável Polga (hoje não esteve em campo o brilhante Grimi, mas aquele Evaldo também parece ser um moço promissor), acabou por ter um penálti a favor, após um 'abraço' demasiado evidente ao pescoço do Javi. O Cardozo encarregou-se de a falhar, permitindo a defesa ao Patrício, mas ainda os Benfiquistas lhe rogavam pragas e a lagartagem celebrava alegremente e o mesmo Cardozo, com uma cabeçada fulminante após um canto, igualava o jogo. Foi aos trinta e quatro minutos de jogo, e o sportém pareceu acusar o golo, já que daí até ao intervalo praticamente só deu Benfica, e aí deu para perceber que se o Benfica conseguisse imprimir uma maior intensidade e velocidade ao seu jogo, o sportém já revelava maiores dificuldades para manter a organização defensiva e as suas linhas bem posicionadas.

Esperava mais do mesmo para a segunda parte, mas o intervalo fez mal ao Benfica - ou bem ao sportém. O Benfica até criou uma boa ocasião de início, com uma incursão do Coentrão pela esquerda a oferecer o remate ao Cardozo, que de pé direito atirou para a bancada - a isto respondeu o sportém com um remate do Postiga. Mas depois o jogo entrou numa espécie de impasse, com o Benfica a jogar novamente a uma velocidade reduzida, e o sportém bem organizado no seu meio campo a conseguir anular e cortar as nossas jogadas de ataque quase à nascença. Tinha esperanças que a entrada do Aimar, a vinte e cinco minutos do final, viesse trazer uma nova alma ao ataque, mas ele acabou por sair lesionado dez minutos depois. Mas os minutos finais do jogo trouxeram novamente um Benfica mais dominador, enquanto que o sportém foi recuando cada vez mais e parecendo estar apostado em levar a decisão para os penáltis. O Cardozo enviou a bola à trave, e a este lance seguiram-se outros em que os nossos jogadores surgiam em boas condições para rematar e causar perigo, quase sempre a partir da esquerda, onde mesmo o recém-entrado Abel não parecia ter pernas ou capacidade para estancar as investidas do Coentrão e do Jara (que ocupava a esquerda do ataque). Apostado em evitar os penáltis, o Benfica forçava cada vez mais, mas o sportém podia ter acabado por resolver a coisa, pois teve uma grande oportunidade a um minuto do final, mas o Roberto redimiu-se do golo sofrido com uma grande defesa a remate do Fernandez. E já com dois minutos de compensação decorridos, o Benfica acabou por chegar à desejada recompensa para o seu esforço. Mais uma investida do Jara na esquerda, com o cruzamento a cair nos pés do Cardozo e a bola a ressaltar deste para o Javi García, que bateu o Patrício. Game over.

Melhores do Benfica, para mim, Luisão e Javi García. O Luisão no registo do costume, perante um adversário irritante como o Postiga, e o Javi impecável nas dobras e na luta do meio campo, onde na maior parte das vezes estava em desvantagem para os adversários que ali surgiam. O Cardozo foi importante na fase de assédio final, pois ganhou quase todas as bolas que lhe enviavam, para depois solicitar um colega vindo de trás (tirando partido de estar a ser marcado pela nulidade do Polga). Apesar de mostrar evidente cansaço, nessa fase o Coentrão foi também importante no ataque, onde contou com a preciosa ajuda do Jara. Menção ainda para o Maxi que, como de costume, parece ser imune ao cansaço, e para o Saviola, cujas movimentações entre as linhas do sportém me parecem ter sido muitas vezes mal aproveitadas.

E a ferros lá arrancámos a décima oitava vitória consecutiva, que nos permite ir à final da Taça da Liga defender o troféu cujas duas últimas edições conquistámos. Penso que há justiça na nossa vitória, porque fomos quem mais a procurou. Há mérito do sportém por ter conseguido jogar de forma organizada e dificultado muito a nossa tarefa, mas terão pago o preço de terem apostado demasiado cedo em querer levar o jogo para a lotaria dos penáltis. Se fossem uns tipos decentes, provavelmente deveriam destacar isto, mas para não fugir à regra preferiram enveredar pelo discurso idiota da arbitragem, desta vez de uma forma generalista, ou seja, não conseguem sequer queixar-se de lances concretos; queixam-se da arbitragem porque sim, e pronto (sim, claro, o Jorge Sousa - olha quem - é um fervoroso apoiante do Benfica). O cansaço em algumas unidades-chave do Benfica parece começar a ser evidente, mas não deixa de ser irónico - e um atestado do brio e querer da nossa equipa - que tenhamos conseguido arrancar as duas últimas vitórias nos últimos minutos dos jogos, depois de termos submetido os adversários a pressão constante.

por D`Arcy às 02:09 | link do post | comentar | ver comentários (46)
Quarta-feira, 02.03.11

Respeito

Hoje é dia de mais um derby. Este é o jogo que mais me toca como adepto. Já perdi a conta aos que assisti, desde que comecei a ver futebol e a sentir-me benfiquista. Mas por mais jogos destes a que eu assista, seja qual for a competição, sejam quais forem as situações de cada uma das equipas, o derby é para mim sempre um jogo especial. É por isso que eu faço questão de vê-los ao vivo, sempre que possível - e isto já incluiu ir ao estádio para assistir a derbies disputados para a Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.

 

É verdade que o nosso maior adversário nos últimos anos tem sido o Porto, mas apesar de os detestar, quando penso neles sinto sobretudo desprezo. Quando penso no sportém (coisa que, diga-se, evito fazer sempre que possível), ao facto de os detestar também junta-se um sentimento mais visceral, que não tem muita explicação, e que só pode mesmo ser descrito como rivalidade. Não me interessa o quão lamentável seja o estado deles, a verdade é que tem sempre um sabor especial vencê-los, e custa sempre mais perder este jogo. Não quero ganhar-lhes para confirmar que somos melhores do que eles, porque isso já é uma convicção absoluta na minha vida. Quero ganhar-lhes porque no futebol o que mais gosto é de ver o Benfica ganhar, e a seguir a isso gosto de ver o sportém perder, e portanto uma vitória num derby permite-me juntar estas duas coisas. Compreendo que, para benfiquistas mais novos, seja o Porto quem desperte sentimentos de repulsa mais fortes, mas eu cresci numa altura em que nos perguntavam se éramos do Benfica ou do sportém - e éramos quase todos do Benfica, o que provocava alguns problemas quando se tentava organizar os Benfica x sportém no recreio da escola, porque quase ninguém queria ir para o lado do sportém (convenhamos que era muito mais cativante podermos dizer com orgulho 'Eu sou o Bento' ou o Humberto, o Nené ou o Chalana do que ter que ir para a outra equipa e ficarmos sujeitos a que alguém dissesse 'Tu és o Manuel Fernandes'). Uma altura também em que até matraquilhos ainda eram pintados com os equipamentos dos rivais de Lisboa. Para mim o sportém é rival, o Porto é adversário (neste momento até é mais inimigo do que adversário, porque para ser adversário teria que se restringir à luta leal dentro das quatro linhas).

 

Se há algo que eu sinto, enquanto adepto, é que no momento em que o apito inicial soa, deixa de interessar a classificação das equipas, a forma em que estão, quantos jogos é que uns ganharam de seguida e outros perderam, o que contam são aqueles noventa minutos. Já assisti a grandes surpresas, de um lado e de outro, e que foram contra quase todas as expectativas. Por isso mesmo, aprendi a respeitar o derby. Não digo respeitar o sportém (porque não lhes tenho respeito nenhum, e sabemos bem que o sentimento é mútuo), mas respeitar o derby é importante. Não me sinto confortável com discursos do género 'menos de qualquer coisa é derrota' e afins. Estou confiante na minha equipa, e sei, ainda por cima com base nos dois jogos que já disputámos esta época, que somos melhores. Mas não basta sê-lo no papel, temos que o ser em campo, e só o conseguiremos se abordarmos o jogo com o mesmo respeito e seriedade com que o fizemos a semana passada. Eles estão feridos, e irão dar tudo para conseguirem oferecer aos adeptos um motivo para sorrir no meio da patetice que tem sido esta época deles. Cabe-nos a nós mantê-los tristes (e eles quando andam cabisbaixos até costumam ser umas pessoas muito mais porreiras e fáceis de aturar do que quando andam assanhados). Apesar de ser considerada uma competição menor, é uma competição oficial, e eu gostaria muito de fazer o tri na Taça da Liga.

 

Força Benfica!

por D`Arcy às 02:01 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Segunda-feira, 28.02.11

107

 

 

Começou no  sonho de vinte e quatro homens na Farmácia Franco, até estendermos os braços e abraçarmos o mundo. Parabéns a todos os que mantiveram a chama viva, e fizeram o sonho crescer e tornar-se realidade. Cento e sete anos de Glória. Parabéns, Benfica!

 

por D`Arcy às 10:46 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 27.02.11

Tudo

Tudo. Esta equipa, estes jogadores merecem tudo. Todo o apoio que nós possamos dar-lhes. São uma equipa à Benfica, com garra de campeã, e que esta noite soube lutar contra o azar, um guarda-redes em noite sobrenatural, o árbitro, o cansaço, o destino, e ir lá bem ao fundo buscar as últimas forças para nos darem uma vitória tão difícil quanto merecida. Seria uma injustiça atroz o Marítimo não sair derrotado da Luz.

O Benfica, com o Jardel no lugar do castigado Sídnei, mostrou desde o apito inicial aquilo que viria a ser o jogo: ataque constante, com o Marítimo juntando linhas, encostado à sua área. A primeira oportunidade de golo demorou pouco a surgir: com três minutos, um mau alívio do guarda-redes colocou a bola no Saviola, que falhou o chapéu por pouco. Infelizmente para nós, o erro inicial do guarda-redes não foi de forma alguma exemplificativo daquilo que viria a ser o desempenho dele no resto da partida, já que daí para a frente arrancou para uma exibição quase sobrenatural. O Benfica, insistindo sobretudo pela direita, e com o Aimar a pegar na batuta, foi dominando o jogo como queria, e a história da primeira parte resume-se praticamente a um massacre constante do Benfica à muralha defensiva do Marítimo, que ia sobrevivendo como podia. Aparecia sempre um pé ou uma cabeça a cortar a bola, por vezes até um braço, ou então era o seu guarda-redes que se mostrava intransponível, defendendo tudo o que lhe aparecia. Nos últimos dez minutos a equipa pareceu abrandar um pouco o ritmo, não deixando no entanto de continuar a atacar, e viu mesmo um grande remate do Gaitán (de pé direito) levar a bola ao poste.

O nulo ao intervalo era injusto, e a injustiça continuou na segunda parte, já que o perfil do jogo em nada se alterou. Ataque constante do Benfica, e o Marítimo pouco mais fazia do que chutar bolas para a frente na esperança de aproveitar a velocidade do Baba ou do Djalma. O golo, no entanto, continuava a teimar em não chegar: o guarda-redes do Marítimo parecia cada vez mais inspirado, e continuava a defender tudo. Quando o Cardozo acertou na barra da baliza, muitos terão começado a lembrar-se de jogos como aquele empate a zero com o Boavista. O árbitro também não ajudava: numa jogada em que o Aimar é claramente derrubado à entrada da área (lance que daria o segundo amarelo ao Ricardo Esteves), ele decide em vez disso mostrar o amarelo ao argentino. O esforço constante do Benfica na procura do golo, aliado à sobrecarga de jogos, começava agora a ter consequências no campo, e nos últimos vinte e cinco minutos alguns jogadores já estavam visivelmente fatigados, demorando muito tempo a recuperar posições (ou nem sequer recuperando em alguns casos - Gaitán). O Marítimo foi aproveitando para se mostrar mais atrevido nas saídas para o ataque, mas as oportunidades continuavam a ser todas para o Benfica, tendo o guarda-redes do Marítimo brilhado mais uma vez, com uma defesa fantástica a um livre do Cardozo. E como tantas vezes acontece nestas situações, quando nada tinha feito para o merecer, o Marítimo chegou ao golo, num cabeceamento do Djalma após canto que levou a bola a entrar junto ao poste mais distante. Faltavam treze minutos para o final.

Em condições normais, a maior parte das equipas não teria resistido a um soco no estômago destes. Mas nós somos o Benfica, e a nossa equipa, apoiada pelos fantásticos 55.000 espectadores que estiveram na Luz, arregaçou as mangas e não desistiu: cinco minutos depois estava reestabelecida a igualdade, com o Sálvio, já de ângulo apertado ao segundo poste, a corresponder a um centro do Coentrão na esquerda. Empolgou-se ainda mais a Luz, contagiando os jogadores, que se lançaram na procura da vitória. Por momentos reverteu-se ao início do século passado, e o Benfica passou a jogar em 2-3-5, com os laterais a juntarem-se ao Carlos Martins no meio campo e cinco avançados à sua frente: Salvio, Kardec, Saviola, Cardozo e Jara. O Benfica dava tudo por tudo, o ambiente criado pelo público era infernal, e o Marítimo agarrava-se ao empate com unhas e dentes como se a sua vida dependesse disso. Na baliza, o Marcelo continuava a fazer uma exibição surreal e defendia de forma quase impossível um cabeceamento do Kardec, levando a bola ainda a bater no ferro pela terceira vez no jogo. Aos noventa e dois minutos, golo do Luisão! Mas não, depois de ter visto o assistente correr para o meio campo, foi o árbitro quem descortinou qualquer coisa e invalidou o golo. Parecia que já não faltava acontecer-nos mais nada. Até que na última jogada do jogo, a bola foi despejada para a área e acabou por cair aos pés do Coentrão, que encheu o pé direito e meteu a bola no ângulo. Foi o fim do mundo. É por causa de momentos destes que amamos este jogo. A justiça ao cair do pano, a recompensa merecida por quem tanto lutou por ela, o castigo para quem não merecia tanta sorte, a comunhão perfeita entre equipa e público. E não tenho grandes dúvidas de uma coisa: mesmo que o remate do Coentrão tivesse ido para fora, mesmo que o jogo tivesse acabado empatado, a nossa equipa hoje sairia de campo debaixo de uma chuva de aplausos. Não se lhe pode pedir mais do que aquilo que deram hoje.

O homem do jogo é o Coentrão. Numa altura em que já mostrava claros sinais de cansaço, ainda arranjou forças para ganhar a linha e assistir o Salvio para o primeiro golo, e depois, num último fôlego, marcar o golo decisivo. O Aimar foi o motor do nosso ataque, mas foi perdendo fulgor à medida que o cansaço se foi acumulando. O Luisão esteve ao nível do costume, comandando toda a defesa e sendo ainda obrigado a algum trabalho extra, já que o Jardel pareceu hoje não estar ainda bem entrosado, e mostrou algumas dificuldades em acertar com a marcação ao ponta-de-lança do Marítimo. Muito importante também o papel do Javi, sobretudo na fase em que o Benfica já dava o tudo por tudo e ele era praticamente o único homem no meio campo, sendo responsável pela ligação entre os sectores e ainda tendo que acudir às dobras de todos os lados, porque muitos dos colegas já não recuavam. Acabou substituído a cinco minutos do final, porque já não dava mais.


Esta nossa equipa é digna da história do Benfica, e merece o lugar na história que já conquistou, estendendo hoje o registo de vitórias consecutivas para dezassete. Já o escrevi antes: há-de ser até à última gota. O título de campeão é nosso, e defendê-lo-emos enquanto for humanamente possível. Contra tudo o que nos atirarem. Podem roubar-nos o título, mas vão ter que suar para conseguirem esse roubo, e hão-de ter que acender uma velinha a Cosmes e Olegários para agradecer o título.

por D`Arcy às 21:48 | link do post | comentar | ver comentários (50)
Sexta-feira, 25.02.11

Carácter

E pronto, depois dos ameaços em épocas mais recentes (Hertha, Nuremberga), o Benfica conseguiu finalmente matar o borrego alemão e vencer um jogo naquele país. Mas o mais importante nem foi tanto a vitória, mas sim a forma como ela foi conseguida: com um enorme carácter e impondo o seu jogo. Com uma magra vantagem trazida da primeira mão, nunca o Benfica deu qualquer ideia de querer defendê-la, preferindo jogar à Benfica, e ir atrás da vitória.

Com duas baixas importantes - Javi suspenso, e Saviola indisposto - entraram os seus substitutos naturais na equipa: Airton e Jara. E sem surpresas, não foi por isso que a equipa abanou. No meio campo, o Aimar regressou à titularidade, ocupando o lugar que foi do Carlos Martins na passada segunda-feira. Talvez se esperasse que o Estugarda tivesse uma entrada forte no jogo, a pressionar-nos em busca do golo que os colocaria em vantagem na eliminatória. Mas quem apareceu a jogar com as linhas muito subidas e a pressionar logo à saída da defesa foi o Benfica, que logo aos sete minutos deu o primeiro sinal de perigo, com um remate em jeito do Gaitán que só não acabou em golo porque o guarda-redes - desta vez não jogou o Ulreich, que tantos problemas nos deu no primeiro jogo, mas sim o Ziegler - fez uma defesa fantástica. Acho que, sem exagero, os dois guarda-redes do Estugarda no conjunto dos dois jogos devem-nos ter 'roubado' uma meia dúzia de golos. A oportunidade flagrante que se seguiu foi novamente nossa, desta vez com o Coentrão, isolado, a ver o seu remate defendido mais uma vez. O Estugarda, nesta fase, ainda conseguiu ir respondendo e fazer algumas ameaças, mas sempre que conseguiu ultrapassar a nossa defesa encontrou pela frente um Roberto intransponível.

À meia hora de jogo, finalmente, o merecido golo, e um grande golo, por sinal. Depois de uma bola aliviada na sequência de um canto, surgiu o Salvio, ainda bem fora da área, a rematar de primeira cruzado e rasteiro para dar ao Benfica a merecida vantagem no jogo, e respectiva tranquilidade na eliminatória. E nem com este golo o Benfica resolveu descansar sobre a vantagem obtida. Mostrando mais uma vez uma organização defensiva impecável (não é por acaso que estamos há oito jogos, se não estou em erro, sem sofrer golos fora de casa) e capacidade para continuar a pressionar o Estugarda, até ao intervalo foi o Benfica quem continuou a controlar tranquilamente o jogo, e a deixar sempre a sensação de que de um momento para o outro o resultado poderia avolumar-se, quer através de jogadas colectivas - houve momentos deliciosos em que os nossos jogadores trocavam a bola entre si dentro do meio campo alemão, enquanto que os adversários corriam atrás da bola sem sequer a conseguirem cheirar - quer através de pormenores individuais dos nossos jogadores.

A segunda parte trouxe mais do mesmo: nos primeiros cinco minutos, duas oportunidades para o Benfica, primeiro pelo Jara, após passe do Aimar depois de uma bonita jogada pela esquerda, e depois pelo Gaitán, num lance em que o guarda-redes Ziegler acabou lesionado. Para o lugar dele entrou o maldito Ulreich, que mostrou estar tão inspirado quanto o colega que substituiu. Após a interrupção, o Estugarda teve um período de alguns minutos de maior pressão, mas sempre sem causar grandes embaraços à nossa defesa. O Benfica respondeu com mais duas grandes oportunidades, pelo Luisão, que rematou por cima, e pelo Cardozo, defendida pelo Ulreich. Voltou a responder o Estugarda, com duas oportunidades do japonês Okazaki: na primeira, o remate passou perto do poste, e na segunda, o seu cabeceamento foi defendido de forma espectacular pelo Roberto. Nesta altura eu já não temia grandemente pelo desfecho da eliminatória, mas sofria por querer acabar de vez com a maldição da Alemanha. Estava na altura de resolver o jogo, o que o Cardozo se encarregou de fazer quando faltavam pouco mais de dez minutos de jogo, com um livre 'à Cardozo' (já há algum tempo que não o fazia). Marcado na sua zona preferida - descaído para a direita, ainda um pouco longe da área - a bola foi o mais colocada que podia ser, embatendo num poste e depois rolando sobre a linha de golo até entrar junto ao outro poste. Agora sim, acabaram-se as dúvidas de que hoje venceríamos na Alemanha. E até final, ainda construímos oportunidades aumentar a nossa vantagem, mas a falta de pontaria (Gaitán) ou novamente o guarda-redes (Martins) negaram-nos o terceiro golo.

Desta vez não vou mesmo estar a fazer destaques. A equipa pareceu-me toda tão homogénea, com cada jogador a cumprir a sua função quase na perfeição, que seria muito injusto destacar este ou aquele. Todos eles, a começar no Roberto e a acabar no Jara, estiveram muito bem, e entram merecidamente para a história do Benfica com esta vitória.

A nossa equipa está, sem dúvida, no melhor momento da época. Melhor até, arrisco dizê-lo, do que a vi a época passada, porque me parece estar 'mais equipa', menos dependente de individualidades, e não abanando quando algum jogador nuclear está ausente. Hoje foram dois os ausentes, e no entanto creio que pouco ou nada se notou a sua falta. As vitórias sucedem-se, e às vezes até parece que são fáceis. Não são, e a de hoje foi mais um exemplo disso. O Estugarda não facilitou nada, correu muito e deu tudo o que tinha - eu vi-os, aos noventa minutos de jogo e com a eliminatória e o jogo mais que resolvidos, a correr desalmadamente atrás da bola e a tentar pressionar-nos na defesa. As vitórias acontecem, no entanto, não só devido ao talento dos jogadores e técnicos, mas também à forma séria e profissional como a nossa equipa tem encarado cada jogo. Mantendo esta atitude, só podemos esperar que as vitórias continuem.

por D`Arcy às 00:38 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Terça-feira, 22.02.11

Fases

Há uma teoria que diz que o ser humano, quando confrontado com a morte, passa por cinco fases distintas: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Creio que esta noite, no Alvalixo, a lagartagem terá passado precisamente por estas mesmas fases quando confrontada com a superioridade inquestionável do Benfica sobre o seu clube - o que, bem vistas as coisas, será para a lagartagem de certa forma quase comparável à morte.

Fase um: Negação - Esta é a fase mais fácil de identificar. Afinal de contas, a enormíssima maioria da lagartagem passa quase toda a sua existência em negação. No mundo em que vivem - que, conforme já referimos diversas vezes, é povoado por fadas e unicórnios voadores, enquanto o whisky de malte jorra livremente de fontes - o sportém é um 'grande clube', dominador inquestionável do panorama nacional e internacional do corfebol e do aquatlo, e cuja equipa de futebol tem um plantel recheado de 'grandes valores', capazes de vencer qualquer equipa do mundo se jogarem 'à sportém' (ninguém conseguiu ainda descobrir o que é que isto significa, mas do ponto de vista de um observador externo julgo que andará próximo daquilo que o Grimi faz em campo). Só a negação explica que a lagartagem estivesse convencida que, de facto, tinha grandes possibilidades de vencer este jogo. Durante a semana andei a receber mensagens em que me prometiam ir 'tirar o título ao Benfica', entre outras pérolas. Mesmo quando o Benfica, praticamente na primeira jogada que fez no jogo, meteu o Coentrão, o Saviola e o Gaitán a trocar a bola por ali fora como se fosse tudo uma brincadeira até deixar o Gaitán isolado na cara do guarda-redes, a negação acabou, e aos dez minutos de jogo ainda recebia mensagens sobre um qualquer 'massacre' que estaria a decorrer no jogo. Era preciso algo mais violento, e o Salvio encarregou-se disso ao fim de quinze minutos. Aproveitando um corte defeituoso a um cruzamento largo do Gaitán, antecipou-se ao Grimi e bateu o Patrício com um remate rasteiro cruzado. O Grimi, quando já toda a equipa do Benfica festejava o golo junto à bandeirola de canto, conseguiu finalmente reagir ao lance e dar o primeiro passo em direcção à bola.

Fase dois: Raiva - Quando se levantou o véu da negação e a lagartagem se viu de repente, de forma brutal e sem anestesia, confrontada com a realidade da sua equipa, a reacção normal foi a raiva. E era o forcado sem sobrancelhas que não percebe nada daquilo (no início da época era melhor que o Jesus), o taberneiro do adjunto que é pior do que ele, o empregado do Chimarrão (Cristiano) que estava desempregado e agora é titular, o Cabeça de Cotonete que é uma besta (há um ano e meio andaram todos contentes aos saltos com ele enquanto cantavam 'E quem não salta é lampião'), os Maniches que são uma vergonha (é plural, porque continuo a não acreditar que seja só uma pessoa dentro daquela camisola; aquilo deve ser como aqueles números do circo em que não sei quantos palhaços se enfiam dentro de um Mini), e por aí em diante. Numa das bancadas a forma encontrada de descarregar a raiva era entrar num festival de bordoada com a polícia de choque - aposto que a Liga esta semana vai multar o Benfica por comportamento incorrecto do público, e vamos pagar mais do que o sportém. Enquanto se distribuía cacetada a rodos pela bancada, lá em baixo, no campo, o sportém tentava reagir ao golo recorrendo à táctica avançada de chutos para a frente, onde depois o Postiga se encarregava de finalizar todas as jogadas colocando-se de forma estratégica e sistemática em fora-de-jogo, esquecendo-se que já não joga pelos andrades, onde esse estratagema por diversas vezes dá frutos. Na bancada reencenavam-se agora as batalhas de Verdun, com avanços para cá e para lá entre os adeptos e a polícia de choque, mas sem ganhos significativos de terreno de parte a parte. Dentro do campo, reencenava-se um filme tantas vezes já visto: o Arturinho, piedoso, segurou ternamente o moribundo sportém nos seus braços, e diligentemente carregou-o para mais perto da área do Benfica, amarelando tudo o que era vermelho à primeira oportunidade, e apitando sempre que algum jogador vermelho se atrevia a meter o pé ou sequer encostar-se ao seu protegido. Não contente com isso, deu ainda um empurraozinho extra e expulsou o Sídnei com dois amarelos (o primeiro absolutamente patético) no intervalo de cinco minutos. Isto apaziguou a raiva da lagartagem por breves instantes.

Fase três: Negociação - Regressados do intervalo a perder apenas por um, e com mais um jogador em campo, a lagartagem volta, por breves instantes, a acreditar que ainda é possível safar-se desta. Fazem contas de cabeça e imaginam cenários do género 'Se marcarmos no primeiro quarto de hora...', ou 'Se entrar o Saleiro' (claro sinal de insanidade). O melhor que conseguiram foi uma iniciativa individual do Fernandez, que terminou com uma defesa brutal do Roberto (ele é mesmo mau, não é?), e uma cabeçada do Postiga ao lado, no único lance em que não foi apanhado em fora-de-jogo e onde tirou partido do Benfica estar momentaneamente reduzido a nove, já que o Jardel (tinha entrado ao intervalo para o lugar do Saviola) estava de fora a ser assistido. Cinco minutos depois (aos sessenta e dois), a esperança fugaz foi ao ar. O Gaitán pegou na bola, foi por ali fora e acabou travado em falta à entrada da área. No livre, a bola sobrou para o Javi, que insistiu e soltou o Maxi na direita da área, tendo este cruzado para o remate de primeira, e de pé direito, do Gaitán, que levou a bola a tabelar no Polga (que para pouco mais parece servir hoje em dia do que para se arrastar em campo e servir de pino para a bola tabelar nele) e a entrar na baliza.

Fase quatro: Depressão - Foi evidente e imediata. Eles já não eram muitos no estádio (trinta e seis mil, contando com os benfiquistas), e muitos dos que lá estavam começaram a levantar-se e a sair. Os que ficavam mais pareciam fazê-lo porque não tinham sequer a energia ou iniciativa necessária para se levantarem, ficando com ar quedo e mudo a olhar desconsoladamente para o relvado. O silêncio só não era sepulcral porque os Benfiquistas, num acto de piedade, começaram a gritar pelo sportém. E pelo Liedson, pelo Moutinho, pelo Costinha, deu para tudo. No campo, o sportém continuava a não imaginar forma melhor de ultrapassar a bem estruturada equipa do Benfica do que continuar a enviar chutões para as costas da nossa defesa. Nesta fase já nem era preciso o Postiga invalidar as jogadas ficando acampado, porque eles encarregavam-se de chutar as bolas quase todas directamente para fora. E foi até o Benfica, primeiro pelo Cardozo, e depois pelo Jara (que o substituiu) a levar algum perigo à baliza adversária. O Soares Dias bem se esforçou, amarelou o Roberto por queima de tempo, deu seis minutos de compensação, mas já não servia de nada, e nesta fase isso era só prolongar o sofrimento dos jogadores do sportém dentro do campo, e dos poucos que ainda resistiam nas bancadas.

Fase cinco: Aceitação - O árbitro apitou, o jogo acabou, e a lagartagem lá foi para casa carregando nas costas o peso de mais uma derrota e a confirmação (mais uma) de que jogam e valem muito pouco. Para o ano é que é.

Nos último jogos tenho dito várias vezes que é difícil escolher um jogador para melhor, e que o mais importante é o desempenho da equipa. Este jogo não foge a essa regra. Gostei de todos, e poderia elogiá-los um a um. A segurança do Roberto, com mais uma enorme defesa decisiva ou a liderança do Luisão. A calma do Jardel, que entrou neste jogo e até pareceu que já andava por ali há uma data de anos. O rigor táctico do batalhador Javi García, que continua a ser para mim um dos jogadores mais importantes desta equipa. A classe que o Gaitán teima em demonstrar: tem um toque de bola fantástico, e mesmo se por vezes parece alhear-se do jogo, parece que insiste em aparecer sempre para os momentos decisivos: fez o cruzamento para o primeiro golo, e marcou o segundo - tendo já sido dele a jogada que acabou no livre de onde resultou o golo. Não engana: é craque mesmo, e tenho a certeza que ainda ira melhorar mais. Comparações com o seu antecessor correm sempre o risco de ser injustas, mas é interessante comparar o que está a ser a primeira época do Gaitán com aquilo que foi a primeira época do Di María. Não sei qual terá sido o discurso dos responsáveis da lagartagem após o jogo, mas acho que poderia ser semelhante ao do Manuel Machado a semana passada: infelizmente para eles, o Benfica tem jogadores de classe superior, que em pequenos detalhes podem resolver jogos. Nós temos Gaitán, Saviola, Salvio, Aimar, Cardozo, Coentrão, e tantos outros. Eles têm o Grimi. E o Maniche. E o Polga. E tantos, tantos outros.

Mais a sério: é sempre agradável vencer em casa do sportém, quanto mais não seja porque é divertido vê-los descer à terra (e normalmente amortecerem a queda com a cara) e perceberem que de 'grande' só lhes resta a ilusão. Mas a verdade é que isto foi um resultado perfeitamente normal. O Benfica cumpriu a sua obrigação, e venceu um jogo que se impunha vencer, contra uma equipa que lhe é claramente inferior (já na primeira volta, quando estávamos em bem pior forma do que agora, e até estávamos atrás deles na classificação, a diferença de valor entre as duas equipas tinha ficado bem clara), e que apenas conseguiu vencer três jogos em casa nesta Liga. Não foi um feito extraordinário, mas sim uma boa noite da nossa equipa, que encarou o jogo e o adversário de forma séria e profissional. Mais uma vez, soubemos reagir às adversidades e dificuldades que nos foram sendo postas pelo adversário e pelos factores extra, como por exemplo um adepto dos andrades apostado em facilitar ainda mais a vida ao seu clube.

Tal como o Jesus, eu também me recuso a atirar a toalha ao chão na Liga, ou a facilitar o que quer que seja. Podem roubar-nos o título, mas vão ter que ser obrigados a suar para o conseguirem. Vão ter que nos tentar roubar mais, e vão ter que suar para conquistar cada ponto, sabendo que nós nos recusamos a desistir. Tal como venho dizendo desde a noite negra do Ladrão, o objectivo é pensar jogo a jogo e ganhar já o próximo. E depois pensarmos em ganhar o que se lhe segue. No final faremos as contas.

por D`Arcy às 04:15 | link do post | comentar | ver comentários (60)
Quinta-feira, 17.02.11

Curto

Foi mais difícil do que se esperaria, mas o Benfica acabou por conseguir manter o registo 100% vitorioso em 2011. A vitória pela margem mínima é um resultado curto face ao domínio do Benfica, em especial na segunda parte, e é sobretudo o resultado combinado da eficácia do Estugarda e do desperdício do Benfica.

Onze sem surpresas, com o Jara a ocupar o lugar do ausente Saviola. Com alguma surpresa, foi o Estugarda quem entrou melhor no jogo, parecendo ter estudado bem o Benfica. Com um meio campo muito povoado, mantinham o Aimar sempre sob vigilância apertada, e fechavam bem as alas, em particular o nosso lado direito, onde conseguiam travar eficazmente o Salvio e as subidas do Maxi. O Benfica não conseguia libertar-se disto, e foi portanto atipicamente pouco perigoso durante os primeiros minutos, quase não criando oportunidades de golo. E após vinte e um minutos, com a típica eficácia das equipas alemãs, o Estugarda chegou mesmo ao golo. Bastou uma pequena desatenção do Coentrão, que não acompanhou a diagonal do médio do seu lado, para que este aproveitasse uma bola metida nas costas da defesa e depois finalizasse de forma perfeita, com um chapéu ao Roberto. O jogo mudou após o golo, e o Benfica pareceu acordar um pouco (ou foi o Estugarda que recuou), mas apesar de passar a ter algum ascendente no jogo, o Benfica continuava a revelar dificuldades para atacar com perigo e criar oportunidades de golo, sendo talvez neste período que mais se terá notado a ausência do Saviola e das suas movimentações. No entanto, o crescendo em que o Benfica terminou a primeira parte, encostando o Estugarda cada vez mais à sua área, deixavam antever uma segunda parte muito melhor do que a primeira, julgo que nos podemos queixar de um possível penálti não assinalado sobre o Coentrão, já perto do intervalo, num daqueles lances clássicos em que o guarda-redes não chega à bola e acaba por tocar no jogador. Nove em cada dez lances destes acabam em penálti. Este, infelizmente, foi um daqueles que não acabou.

A segunda parte acabou por confirmar as indicações que o final da primeira parte tinha deixado, e teve muito pouco a ver com a má imagem que o Benfica deixou nos primeiros quarenta e cinco minutos. O Estugarda foi completamente encostado às cordas - deve ter demorado mais de meia hora até que conseguissem fazer um remate - e o Benfica foi acumulando oportunidades de golo. O sufoco acentuou-se ainda mais quando os nossos alas trocaram de posição, obrigando os médios que os acompanhavam a vir para dentro de forma a acompanharem as diagonais que faziam, e isto abriu muito mais espaço para que os nossos laterais subissem com perigo. Mas apesar de todo o domínio, a bola continuava a teimar em não entrar, ou por ineficácia nossa, ou por mérito do guarda-redes alemão, que em determinada altura mais parecia uma espécie de super-herói, defendendo remates que pareciam ser golo certo (por exemplo, do Aimar ou do Gaitán, para citar dois exemplos). Só a vinte minutos do final o enguiço foi quebrado, quando o Cardozo, com um remate de primeira após um alívio da defesa, conseguiu finalmente vencer a resistência do Estugarda. Não abrandou o Benfica, e depois de tanta infelicidade acabou por ser recompensado a dez minutos do final com um golo algo feliz, já que o remate do Jara, de muito longe, ressaltou num defesa e fez a bola passar sobre o guarda-redes, batendo na trave e depois para lá da linha (o Cardozo ainda confirmou o golo, mas a bola já estava mesmo dentro da baliza após o remate do Jara). A vitória do Benfica era uma justiça que este jogo merecia, ainda que a injustiça se mantivesse na margem escassa desta vitória. E a injustiça ainda poderia ter sido maior, já que na única oportunidade que criaram na segunda parte, através de um livre directo, os alemães atiraram a bola ao poste. E como que para confirmar que merecíamos mais, nos minutos finais o Benfica ainda voltou a desperdiçar mais quase uma mão cheia de oportunidades para marcar - as mais flagrantes pelo Kardec e Javi, de cabeça, e pelo Menezes e Cardozo.

Não consigo escolher alguém para melhor em campo com muita clareza. Mas elogio o jogo feito pelo Maxi, em especial quando se conseguiu libertar na segunda parte. Do outro lado, o Coentrão também correu quilómetros. O Jara merece sempre ser mencionado pelo menos pela atitude, pois mesmo se as coisas não correm bem, ele nunca desiste de lutar e de tentar. Gostei também, como vem sendo habitual nos últimos jogos, do Gaitán.


A vitória desta noite dá-nos uma vantagem mínima na eliminatória, cujo desfecho continua completamente em aberto. O jogo mostrou que somos muito superiores ao Estugarda, mas todos sabemos da malapata que temos com equipas alemãs, e em particular nos jogos realizados na Alemanha. Para além disso, não poderemos contar com o Javi no jogo da segunda mão. Vai ser preciso um Benfica ao seu melhor - e muito mais eficaz - para ultrapassarmos o Estugarda.

por D`Arcy às 22:41 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Terça-feira, 15.02.11

Karma

Não deixa de ser interessante que a lagartagem (que até é bastante regular neste tipo de comportamento), perante a pouca vergonha que têm sido as arbitragens nesta Liga, se tenha mantido convenientemente calada durante mais de seis meses. Chegados a esta altura, em que, fruto de uma combinação notável de falta de talento, incompetência generalizada, e parvoíce pura e simples, estão praticamente afastados de qualquer objectivo que não o de se defenderem dos ataques de Braga, Guimarães ou Leiria ao terceiro lugar, vêm agora, na pessoa do sobrinho-neto (ou lá o que é) do Peyroteo queixar-se dos árbitros. Por acaso, precisamente na semana que antecede o jogo com o Benfica. Pois.

 

Não sou grande crente na teoria do karma, mas cada vez mais me convenço que há gente que merece exactamente aquilo que lhes acontece.

por D`Arcy às 09:01 | link do post | comentar | ver comentários (29)

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