VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Terça-feira, 02.09.14

Ensaio sobre a lucidez

Sobre o empresário Jorge Mendes, diz Wallace, jogador emprestado pelo Braga ao Mónaco: "Disse-me para me preocupar em jogar o meu futebol, porque fora de campo ele resolvia tudo. E eu sei que estando bem e, com a força que ele tem fora de campo, com certeza vai dar tudo certo". É difícil encontrar tanta lucidez num jogador apenas.

Terça-feira, 29.04.14

Descubra as diferenças.

 

As linhas com que se cose a corrupção.

Quinta-feira, 16.01.14

O vazio

Só alguém com a inteligência de jornalista deportivo português é que consegue ver a polémica em declarações em que ela não existe. É tudo o que eu tenho a dizer sobre o vazio que é a não notícia da "revolta" dos jovens benfiquistas.

Sexta-feira, 27.09.13

Regresso à normalidade

"Regresso à normalidade na Invicta" é o título da crónica do zerozero sobre o primeiro jogo desta jornada. É um título lúcido, de quem conhecerá bem o campeonato português. Na semana passada, o Estoril foi ousado, atreveu-se a jogar futebol contra o FCP, uma anormalidade corrigida esta semana pelo Guimarães, que viu o Abdoulaye deparar-se com problemas físicos assim que chega ao recinto do clube com que tem contrato (vale a pena ver e rever a expressão facial do Rui Vitória quando confrontado, na flash interview e na conferência, com a pergunta sobre a ausência do jogador, e vale a pena ouvir o discurso que ele trazia ensaiado e que repete duas vezes ipsis verbis). Na semana passada, um árbitro enganou-se contra o FCP, uma anormalidade ainda maior, que muito rapidamente foi corrigida pela nomeação do solícito Pedro Proença, que, na segunda parte, marca o golo da vitória do FCP (e o Rui Vitória, treinador do Guimarães, recorde-se, considera-o "o melhor do mundo"). Na semana passada, o treinador do FCP ainda não tinha saído do relvado e já tinha visto as imagens de um penalty mal marcado, uma anormalidade que a surpreendente ausência de televisões no estádio do seu clube corrigiu. Voltou tudo à normalidade, felizmente o fim-de-semana passado foi apenas um susto.

Terça-feira, 21.05.13

O efeito Sousa

 

Há uns dias atrás (já depois da derrota com o FCP), num site de apostas muito conhecido, a vitória do Guimarães na final da Taça de Portugal tinha uma odd de 8€. Para os menos entendidos, isto significa que quem apostasse 1€ no Guimarães como vencedor da Taça recebia 8€. Hoje, por curiosidade, fui verificar qual era a odd após a nomeação do árbitro Jorge Sousa, e verifico que esta desceu de 8€ para 4,70€, ou seja, após a nomeação do árbitro ser pública, as hipóteses de o Guimarães ganhar a Taça quase duplicaram. Apesar de haver, certamente, muitos factores a influenciar as odds, este, o efeito Sousa, teve uma influência como eu nunca vi. Talvez as casas de apostas tenham percebido como funciona o desporto em Portugal.

Domingo, 12.05.13
Domingo, 02.12.12

Síntese

Não é meu costume ser copista, como o outro, mas, ao ler a crónica da Leonor Pinhão no Correio da Manhã (sim, é o Correio da Manhã, mas é a Leonor Pinhão), apeteceu-me partilhar aqui um parágrafo que de certo modo resume a semana que aí vem. É um texto em que a Leonor Pinhão compara o sportein ao real madrid:

 

«Em Alvalade, há outros contornos a ditar os costumes. Está a chegar o jogo com o Benfica e o clube suspendeu todas as decisões até receber o rival em Alvalade porque é certo e sabido que uma vitória sobre os vizinhos salva imediatamente a época, o orgulho e todas as cabeças. Eis a triste vantagem do Sporting sobre o Real Madrid

 

É isto.

Quinta-feira, 19.04.12

Corrupção

No dicionário, a palavra "corrupção" significa "acto ou efeito de corromper ou corromper-se; estado do que se vai corrompendo; decomposição; putrefacção; acto de corromper moralmente; perversão; adulteração; estado do que é corrompido; uso de meios ilícitos para obter algo de alguém; suborno". No caso (o mais recente) que envolve o bandeirinha Cardinal, a troco de 2000€, este foi efectivamente afastado de uma partida de futebol. Ou seja, foram usados meios ilícitos para obter um determinado fim: a ausência de um bandeirinha de um jogo. Mas, aparentemente, isto não é crime em Portugal. Assim, no próximo jogo em que o Pedro Proença for designado para apitar o Benfica, espero que haja um benemérito que deposite 2000€ na conta deste árbitro, apenas e somente com o interesse de evitar que ele corrompa (adultere) o resultado final. Creio que é uma compreensível medida profilática, aliás é tão compreensível que, se se soubesse que bastavam 2000€ para afastar o bandeirinha Cardinal de um jogo, creio que se tinha feito uma vaquinha para ele, no ano passado, não estar no guimarães-Benfica.

Para os senhores que fazem os dicionários, eu proponho as seguintes alterações nas definições de três palavras, para estarmos de acordo com o dinamismo dos conceitos em Portugal:

FUTEBOL: estado do que se vai corrompendo; decomposição; putrefacção; acto de corromper moralmente; perversão; adulteração; estado do que é corrompido; ilícito para obter algo de alguém; suborno".

CORRUPÇÃO: prática de futebol profissional de acordo com as regras.

ADEPTO: o mesmo que assistente de recinto desportivo.


Nota: sou completamente contra qualquer prática que adultere a verdade, quer seja corrupção activa, passiva, tentada, abortada quer seja outra qualquer - prefiro não ganhar o campeonato.
Quinta-feira, 26.01.12
Sábado, 24.12.11
Domingo, 27.11.11
Quinta-feira, 17.11.11

Pergunto

Um jogador fez publicamente uma acusação grave sobre o Javi. É um facto e ficou levantada a suspeita. É também um facto que o suposto comportamento do Javi tem um enquadramento legal, tal como o suposto comportamento do outro jogador - o levantar uma suspeita infundada, em particular esta, relacionada com racismo - tem também uma penalização prevista nos termos legais. Haverá, porém, apenas um crime: ou o Javi foi racista ou o outro jogador levantou um falso testemunho. Portanto, sendo certa a existência de um ilícito, por que razão não há uma investigação que limpe o nome de um dos jogadores?

 

Diz-se por aí que se passaram coisas estranhas no último jogo do Benfica. Eu, para não parecer tendencioso, direi que houve coincidências. Por coincidência, a luz faltou quando o Benfica estava a tomar conta do jogo. Não, isto seria tendencioso. Por coincidência, a luz faltou aproximadamente 30 minutos que, ao que parece, é o tempo máximo de interrupção de um jogo, período após o qual deve ser marcado novo jogo. Mais uns minutos e jogaríamos no dia seguinte à luz do dia, e certamente não se daria a coincidência de o sol se apagar. Por coincidência, apenas os jogadores do Benfica vestiram os casacos para se protegerem do frio na última vez em que a luz faltou. Estando frio, tendo havido duas interrupções, não manda a lógica que se vistam os casacos? Os outros jogadores não vestiram porquê? Uma vez mais, por que razão não houve uma investigação que limpasse o alegado bom nome da instituição em cujo estádio isto se passou? E ainda: por que razão veio a referida instituição defender-se imediatamente de uma queixa que ninguém tinha feito?

 

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Adenda:

 

O nuno gomes foi capitão, com justiça, do Benfica durante anos. Marcava golos, batia no peito e beijava o nosso símbolo. Para nós, estes gestos não são gestos inconsequentes, antes vinculam ao clube quem os pratica, porque quem os faz fala-nos ao coração. Não obstante, este mesmo jogador mudou-se para um clube em que ocorrem as coincidências contra o clube cujo símbolo beijou, sendo, passivamente (espero eu), conivente este ano com essas mesmas coincidências. Ainda há quem o queira de volta no Benfica? Eu não!

Segunda-feira, 19.09.11

Importa-se de repetir?

«Se qualquer outra equipa pode ganhar, porque não a Académica? A ideia é chegarmos lá e demonstramos que temos possibilidades e capacidade para disputar o resultado. Mas qualquer equipa pode ganhar na Luz, como já viram no passado e verão, provavelmente, no futuro». Pedro Emanuel dixit.

Sábado, 27.08.11

Curiosidades

Nos 30 jogos da Liga Sagres do ano passado, os jogadores do fcp foram admoestados com 1 cartão vermelho directo e 2 cartões vermelhos por acumulação de amarelos. A cada 900 minutos de jogo, houve, portanto, um jogador expulso. Na Liga Europa, em 17 jogos, os mesmos jogadores viram 2 cartões vermelhos directos e dois cartões vermelhos por acumulação de amarelos, ou seja, precisaram de menos de metade do tempo (383 minutos) para serem expulsos. Apresento estes dados, apenas, por serem verdadeiros (de acordo com o zerozero.pt), e sempre servir a verdade para alguma coisa, e, também, para auxiliar quem se dedique a decifrar enigmas. Quanto a mim, lembrei-me disto porque achei curioso o facto de no jogo da Supertaça europeia a referida equipa ter visto tantos vermelhos directos quantos os que viu ao longo de um ano inteiro na Liga portuguesa. Quase que é caso para dizer que o senhor Björn Kuipers não deve ter gostado da fruta que lhe serviram na época passada. Quase.

 

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Adenda

Uma segunda curiosidade (por sugestão de alguns leitores): na Liga portuguesa do ano passado, foi expulso um jogador do Benfica a cada 300 minutos de jogo, mas nos jogos europeus, em 1260 minutos de jogo, foi expulso apenas um jogador.

Quarta-feira, 13.04.11

Pugnar pela verdade desportiva

O presidente do principal clube de futebol de Setúbal considerou em entrevista que a sua agremiação pugna pela verdade desportiva, lamentando o facto de o Benfica não o ter feito na Figueira da Foz no domingo passado. Acho que este senhor está a ver mal as coisas, muito mal. Este presidente parece ignorar o facto de os clubes pequenos jogarem com o Benfica sempre para ganhar, e assim ser normal que o Benfica perca e empate jogos. É normal e é desejável que assim seja, que as equipas joguem umas com as outras sempre para ganhar. O que não é normal nem desejável é que essas mesmas equipas pequenas resolvam fazer experiências tácticas arrojadas apenas com determinadas equipas que lutam pelo título, como fez o união de leiria quando visitou o estádio do dragão este ano, que tirou titulares indiscutíveis da equipa; é também pouco normal que determinados jogadores se lesionem sistematicamente antes de jogarem com algumas equipas que lutam pelo título; e é também pouco normal, por exemplo, que o vitória de setúbal, em 2008/2009, no estádio do dragão, com o resultado em 0-0, resolva tirar dois jogadores que estavam a fazer um óptimo jogo - o Bruno Gama e o Leandro Lima, um vindo do fcp e o outro emprestado pelo mesmo clube -, acabando por perder o jogo por duas bolas a zero. Se o presidente do principal clude da cidade de Setúbal pugna pela verdade desportiva, pode começar também questionar estes aspectos. Ou só se pode falar de verdade desportiva em relação aos clubes que lutam para não descer?


Se os pequenos clubes não ajudassem a resolver o campeonato logo desde o início, talvez, havendo campeonato até ao final, houvesse jogadores motivados em todos os jogos. Mas infelizmente não é assim.

 

Em relação ao desempenho do Benfica contra a naval, creio que não é da sua conta, a não ser que seja benfiquista. Se o Benfica jogou mal ou bem é uma discussão para os adeptos do clube, e é tudo.

Domingo, 13.02.11

Teste

As recentes declarações e tomada de posição do líder do marítimo são um bom teste à densidade do lodaçal do futebol português. Muito me espantará se nada acontecer, e prevejo a implosão do clube ou a sua combustão espontânea. Com sorte, talvez se fiquem apenas pela descida de divisão. Porém, se mais clubes abandonarem o compadrio (qualquer que ele seja) e reconhecerem a importância de se limitarem a jogar futebol, teremos um campeonato de que nos orgulharemos. É por causa destas notícias que eu tenho esperança de que o nosso futebol possa respirar, em breve, a liberdade, depois de 25 anos de sistémica deturpação da verdade e atropelo dos mais elementares princípios de ética, de justiça e até de civilidade. E, já agora, espero que haja lucidez para perceber que aquilo que nos acontece quando nos definimos mais pela negatividade dos sentimentos "anti" (tipicamente destrutivos) que pelos desejáveis sentimentos "pró" (tipicamente construtivos) é o nosso próprio mal, motivado pela ausência de um rumo positivo. Mas isto já é mais difícil, são sentimentos demasiado altos para quem apenas rasteja.

Sábado, 05.02.11

César Peixoto

Jorge Jesus falou hoje, uma vez mais, sobre o César Peixoto, e espero que tenha ficado clara de uma vez por todas a evidência  de que o Peixoto joga mal no Estádio da Luz e, vá, pelo menos, menos mal nos outros estádios por causa dos adeptos. Logicamente, isto aplica-se ao Peixoto como a qualquer outro jogador que seja aplaudido ou assobiado: os golos que o Mantorras marcava sempre quando entrava uns minutos (ou, agora, os do Nuno Gomes) não são alheios ao facto de os adeptos os apoiarem sempre que estes entram e sempre que tocam na bola. Eu já vi os adeptos da Luz contribuírem para um mau jogo do Cristiano Ronaldo com assobios, o que é desejável, agora vejo-os a fazerem o mesmo... ao Peixoto, a um jogador da nossa equipa! Qual é a vantagem? O Peixoto não é "um jogador a menos", como oiço tantas vezes dizer, os adeptos é que minimizam a equipa. Durante esta semana, por ser um conhecido defensor do César Peixoto, tive umas conversas que deram depois origem a umas publicações no Facebook e a trocas de e-mails, que aqui reproduzo a propósito desta referência do Jorge Jesus ao Peixoto.

 

Ficou tudo assanhado comigo só porque eu disse que o César Peixoto era melhor que o David Luiz. Posso estar a ver mal as coisas, mas o David Luiz não é jogador do Benfica e o César Peixoto é. Agora dizem-me que não dá para discutir comigo estas coisas. E eu fico contente: o Campos dizia o mesmo do Caeiro, e o Caeiro é que era o mestre... [após ser confirmada a transferência do David para o Chelsea].

 

O Peixoto verdadeiro foi o que se viu neste jogo [contra os corruptos]: fraquito a defender, bom a desviar-se para o Coentrão passar e muito bom a fazer-se às faltas. Mas acima de tudo é um dos nossos, coisa que o Ramires, o David Luiz e o Dí Maria não são. Muito obrigadinho e tal, foi bom tê-los cá, mas o Benfica, de que faz parte o Peixoto, é maior que eles. Agora o que não percebo é aquele stress quando o homem ainda nem sequer tocou na bola. Com pouco respeito (muito pouco mesmo) pelos que assobiam o Peixoto, digo que essa atitude é tão estúpida como assobiar, chamar nomes e ofender o condutor de um autocarro em que viajamos depois de ele ter um deslize. É assim para o suicida, digo eu. Mas, ok, eu mudo a minha opinião se alguém me provar que estou errado, ou seja, que há uma grande vantagem em mandar o Peixoto para o caralho de cada vez que ele se atrever a tocar na bola no Estádio da Luz.

 

Se, de facto, alguém me provar que há vantagem em assobiar os nossos jogadores nestas circunstâncias, retiro o que disse.

Segunda-feira, 27.12.10

O remédio para a crise

Não é preciso ser a Maya para adivinhar a melhor forma de combater a crise no próximo ano. A solução é simples: depositar algum dinheiro na Bwin e depois apostar sitematicamente (ou sistemicamente, se preferirem) nas vitórias do fcp nas competições internas. Não sei como é que quem define as odds dos jogos ainda não percebeu, por exemplo, que a probabilidade de o setúbal ganhar no ladrão é nula, ainda que o fcp jogue muito mal e o setúbal muito bem. Prevejo que também dará muito dinheiro apostarem em grandes penalidades a favor do fcp e na vitória desta equipa na final da Taça da Liga e na final da Taça de Portugal. Estou, obviamente, a falar de jogo e de jogos e também de probabilidades, mas, pelo sim pelo não, não sigam o mesmo princípio para os jogos do fcp na Liga Europa, porque, como o próprio treinador do fcp afirmou quando instado a comentar o sorteio desta competição, o sorteio da Liga Europa «é um pouco imprevisível» (gosto da fina ironia deste rapaz). Ao contrário do que diz o oliveirinha num pasquim qualquer, o verdadeiro FMI é a Bwin. Depois não digam que eu não avisei.

Domingo, 05.12.10

Toda a mentira sobre "Águia perdeu mais de 90 mil espectadores" (record)

O jornal record publica hoje uma notícia com o título "Águia perdeu mais de 90 mil entradas". Basicamente (e utilizo o advérbio em dois sentidos, como perceberão), o que a notícia afirma é que, após o pedido de boicote feito pelo Presidente do Benfica, passaram a ir menos adeptos à Luz e mais adeptos ao jogos fora, ou seja, alegadamente o pedido teve o efeito inverso ao pretendido (aliás, o subtítulo da notícia é «boicote acaba por se verificar na Luz»). É preciso ser muito mal-intencionado ou então trabalhar no record para escrever uma notícia absurda como esta. É importante denunciar este jornalismo de bolso, porque, apesar da sua má qualidade, há muitos adeptos que lêem estes jornais e acreditam no que neles é escrito. Gostemos ou não do boicote proposto pelos órgãos sociais e pelo Presidente, não podemos ficar indiferentes às cretinices e mentiras que são divulgadas acerca do mesmo.

 

Para se fazer uma comparação entre os espectadores da época passada e da época actual e, a partir desses dados, analisar os efeitos do pedido de boicote aos jogos fora, é necessário estabelecer alguns critérios. Apenas se podem contrastar os 13 jogos disputados até ao momento para o campeonato nacional. Para evitar conclusões erradas, devem ser comparadas não as 13 primeiras jornadas mas os 13 jogos em si, disputados em 2009/2010 e em 2010/2011. Além disso, dado que o boicote apenas foi sugerido após o jogo com o guimarães, os jogos até à 4ª jornada, inclusive, não podem ser contabilizados. Por fim, dado que no ano passado o portimonense e o beira-mar não estavam no mesmo campeonato que o Benfica, não poderemos considerar esses dois jogos também (ambos fora). Posto isto, se não me enganei nas contas, tivemos, nestes jogos, menos 88223 espectadores em casa (o record fala em «quase 92000») e mais 4115 fora (o record fala em «menos 5500»). Estes dados estão patentes no quadro mais abaixo.

 

 

JOGO

Data

Espectadores

Lugar

Benfica - olhanense 10/11

03-12-2010

25984

Benfica - olhanense 09/10

24-04-2010

62147

 

 

Diferença

-36163

Benfica - naval 10/11

14-11-2010

31143

Benfica - naval 09/10

09-11-2009

41981

 

 

Diferença

-10838

fcporto - Benfica 10/11

07-11-2010

49817

fcporto - Benfica 09/10

02-05-2010

44902

 

 

Diferença

4915

Benfica - paços 10/11

29-10-2010

29529

Benfica - paços 09/10

07-03-2010

42971

 

 

Diferença

-13442

Benfica - braga 10/11

03-10-2010

43317

Benfica - braga 09/10

27-03-2010

63679

 

 

Diferença

-20362

marítimo - Benfica 10/11

25-09-2010

4200

marítimo - Benfica 09/10

17-01-2010

5000

 

 

Diferença

-800

Benfica - scp 10/11

19-09-2010

51899

13º

Benfica - scp 09/10

13-04-2010

59317

 

 

Diferença

-7418

 

 

 

 

 

2009/2010

2010/2011

Diferença

Jogos fora

49902

54017

4115

Jogos em casa

270095

181872

-88223

 

 

 

 

Aparentemente, as contas do record até são mais abonatórias, já que apresentam um saldo negativo de espectadores dos jogos fora (a quem o boicote foi dirigido) de 5500, mas a notícia é profundamente enganosa, falsa e reveladora de uma má-fé de quem tem uma agenda escondida.

 

Em primeiro lugar, foram os órgãos sociais do clube e não o Presidente a propor o boicote após o jogo com o guimarães. O Presidente apenas se referiu ao boicote algum tempo depois. Ao escrever «o apelo de boicote aos jogos fora da Luz por parte de Vieira aconteceu depois da deslocação a Guimarães», o record enganou os leitores, ao colocar a responsabilidade no Presidente. Mas isto é apenas um pormenor.

 

O "estudo" do record ignora que não é possível dizer com exactidão que espectadores de um jogo são adeptos do clube A ou do clube B. Não podendo apresentar esses dados, deveria, no mínimo, para ser credível e fidedigno, referir essa atenuante, mas não o faz porque não interessa à agenda. Por exemplo, a assistência registada no jogo com o fcp, que a notícia apresenta como exemplo da "inversão" do boicote, não terá sido influenciada pelo facto de o fcp ter levado mais adeptos ao estádio, já que este ano estava em primeiro lugar e no ano passado estava arredado da luta pelo título? Já que falo neste jogo, por que razão o Record não o isola dos restantes? É que para este o jogo o Benfica pediu bilhetes e a Direcção disse explicitamente que se tratava de uma excepção. Este facto também é válido para os jogos em casa: quantos adeptos é que o braga candidato ao título do ano passado trouxe à Luz e quantos é que o braga deste ano trouxe? O record ludibriou os leitores ao não analisar os factos com rigor, ignorando deliberadamente o carácter excepcional do jogo com o fcp e também o desempenho das equipas adversárias.

 

O "estudo" do jornal record ignora também que os jogos em comparação, na época passada, foram todos (excepto o da Naval) disputados na segunda metade do campeonato, ou seja, com o Benfica sempre em 1º ou em 2º lugar (com reduzida diferença pontual para o primeiro) à entrada para os jogos, enquanto este ano, nos jogos em análise, o Benfica ocupava o 2º (e com uma diferença pontual significativa para o 1º lugar), o 5º, o 8º ou o 13º lugar, o que evidentemente afastou os adeptos dos jogos. O record induz em erro os leitores ao ignorar em absoluto o contexto em que os jogos são disputados, o que, convenhamos, é significativo. Comparar, por exemplo, o jogo com o olhanense da época passada (já no final, já "cheirava a título") com o desta época, depois de pesadas derrotas no campeonato e na Champions, é profundamente cretino. Tal como é idiota comparar a venda de bilhetes do beira-mar na segunda divisão com a venda de bilhetes do jogo com o Benfica.

 

Por fim, será que o record foi analisar as assistências dos outros clubes para verificar se não houve uma quebra generalizada, aliás expectável tendo em conta a conjuntura económica actual? Pois, mas isso já era pedir rigor, era pedir o que não há. O record, simplesmente, compara o que não é comparável e tira daí a conclusão que lhe interessa.

 

Vá, continuem a alimentar esta corja.

 

 

Adenda: o uso das maiúsculas e minúsculas nos meus textos faz parte de um acordo ortográfico muito meu.


Sábado, 23.10.10

Rebola, serpa

Para quem não sabe, "serpa" é o nome dado a um queijo de ovelha alentejano, de fabrico artesanal. Como qualquer queijo, o serpa, quando recebe um impulso, rebola. Ora, parece que esta qualidade "rebolante" dos serpas queijos é afinal extensível aos serpas jornalistas. Confesso que estranhei o famigerado apontamento do Vítor Serpa acerca da sugestão de não assistirmos fora de casa aos jogos do Benfica, em que, uma vez mais, lá fomos acusados de arrogância. A este propósito, fui ler o "labaredas", um arremedo de prosa inqualificável que surge do site oficial do fcp, e descobri de onde veio o impulso para este "rebolanço" serpiano: [a propósito da alegada participação de José Manuel Delgado e Fernando Guerra num almoço com outros benfiquistas, em que se discutiu este boicote] «Sabia desta, caro Vítor Serpa? Onde é que fica a isenção jornalística nesta nítida colagem de elementos de A Bola ao Benfica?». Recebido o impulso, o que é que o diligente comportamento tipicamente serpiano faz? Rebola. Em nome da isenção jornalística, e para mostrar ao sistema que A Bola também pode ser sistémica, lá veio a "descolagem" do jornal ao Benfica.

 

E já que tenho oportunidade de o fazer, gostava de, humildemente, pedir desculpa ao Vítor Serpa por o Benfica ter muitos adeptos e de ter a dimensão que tem. Eu também não gosto de arrogâncias, caro Vítor Serpa, mas gosto ainda menos de serviçais humildes. E, já agora, não acha que ser conivente com quem tanto mal fez e continua a fazer ao futebol português, que é aquilo que, convenhamos, lhe dá o pão para a boca, não é um bocado arrogante? Como se costuma dizer, não será cuspir no prato em que se comeu (e, neste caso, come)?

Domingo, 17.10.10

Ensaio sobre a lucidez.

Carlos Móia, presidente da Fundação Benfica, foi ontem homenageado na sua terra natal, Ovar, mas parece que não foi, já que esta notícia foi estranhamente ignorada pela maior parte dos jornais de hoje, excepção feita ao Record. Atendendo ao que este jornal cita do discurso de Carlos Móia, percebe-se o silêncio: este senhor falou de forma muito lúcida acerca do futebol nacional, e a lucidez numa terra de cegos é incómoda.

 

Até hoje, não tinha lido nenhuma análise tão clara e certeira acerca do fcp: «um clube a fechar-se dentro de uma região, a olhar todo o resto de Portugal como um espaço de inimigos em delírio, de mouros a abater. O Benfica dava-me a imagem oposta: a ilusão de um universo sem limites [...] [se o fcp] ganhou mais do que nós, não soube aprender a ganhar o que ganhou». O presidente do fcp tem vindo a convencer toda uma região de que o clube é uma arma poderosa contra o inimigo que vive abaixo do Douro, e tem tido eco em algumas pessoas que consideram que efectivamente isto é uma batalha e que se tornam adeptos do clube em função dessa caricata visão de um país que é praticamente uno desde que foi formado (a única excepção é o Algarve). Mas o que é mais espantoso é que, num discurso verdadeiramente bipolar, as gentes que governam o fcp pretendem que o clube seja "nacional", o que é de todo incompatível com este discurso regionalista. Para derrubar a supremacia histórica do Benfica, era necessário mobilizar muitos adeptos, e a estratégia passou por politizar o clube. Para mim, como fica claro do discurso de Carlos Móia, ser do fcp é sobretudo uma questão política. É fundamentalmente por essa razão que o fcp nunca passará de um clube regional.

 

Carlos Móia abordou também a questão de sermos considerados "o clube do Estado Novo", que é uma justificação absurda frequentemente apresentada para enquadrar o nosso sucesso ao longo de mais de um século: «Naquele tempo, ser Benfica era escolher simbolicamente a liberdade. Enquanto os nossos adversários tinham a dirigi-los homens da Legião, deputados da União Nacional, magnatas e burocratas enfeudados no salazarismo, nós, no Benfica, tínhamos presidentes que tinham sido operários e sindicalistas, que tinham sido deportados e perseguidos pela PIDE, que não se resignavam à ditadura, antes pelo contrário [...]. Não, o Benfica nunca foi o clube do regime, foi sempre o clube que o regime teve de suportar a contragosto e de que, depois, se apoderou para, na sua propaganda, lhe parasitar a glória».

 

Discurso lúcido, objectivo e que não tem medo de denunciar os «aprendizes de talibãs», ao contrário do que aconteceu com a impressa de hoje, que praticamente o ignorou e que parece temer «vidros partidos», «desaforos», «insultos», e, talvez, «sangue».

Quarta-feira, 29.09.10

Três ou quatro observações.

Não jogámos mal, mas voltámos a falhar na finalização, sobretudo na primeira parte (Cardozo e Saviola), em que podíamos ter resolvido o jogo. Depois destes falhanços (e, creio, na sua sequência), cometemos dois erros infantis, uma falha de marcação do César Peixoto e uma perda de bola do David Luiz. Os alemães marcaram, nestas duas oportunidades, dois golos. Além disto, tivemos um árbitro que deve ter andado na mesma escola que o Olarápio, mas a isso já devíamos estar habituados. Perdemos a hipótese de pontuar na Alemanha e, quiçá, ganhar lá pela primeira vez na nossa história, mas isso não é o fim do mundo: continuamos a ter todas as hipóteses de passar a fase de grupos. Por fim, e como se costuma dizer aqui pelo blogue, "agora quero é ganhar ao braga".

Sexta-feira, 17.09.10

Jornalismo de opinião?

Daniel Oliveira, jornalista do jornal Record (escrevi isto de propósito, porque lancei a mim próprio o desafio de escrever um duplo paradoxo com menos de 5 palavras), escreveu o seguinte: «O que o Benfica e os outros clubes deviam instituir era regras de civilidade e respeito pelo trabalho da imprensa, sem blackouts nem chantagens. Até porque precisam dela para promover a atividade a que se dedicam». Ando aqui às voltas e, honestamente, não consigo escrever nada de tão hilariante (também porque não uso o Acordo Ortográfico). Em primeiro lugar, descobri que, afinal, expressões como «regras de civilidade» e «respeito pelo trabalho» fazem parte do léxico activo dos jornalistas e cronistas desportivos (pergunto-me, seriamente, se algum dia o Daniel Oliveira leu o jornal para que escreve). Em segundo lugar, reconheço publicamente a minha ignorância relativamente aos jornais desportivos por nunca ter percebido que os jornais "promovem" o futebol. Para o dicionário, "promover" significa «elevar a posto mais graduado ou a dignidade maior», e a associação desta definição ao papel dos jornais é, efectivamente, um complexíssimo enigma para mim. Portanto, continuo sem perceber como é que os jornais promovem o futebol (não será antes o contrário?). Mas há mais. Este jornalista escreve ainda que «desde que começou a perder, o Benfica descobriu uma multidão de inimigos. Se no ano passado tudo estava na paz dos deuses, bastaram algumas derrotas para haver uma conspiração universal». Para mim, faz sentido apontar os problemas quando as coisas não estão bem, entendo menos bem que se procurem problemas quando as coisas estão bem. Mas isso deve ser uma coisa cá muito minha. Digo eu.

 

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Adenda: Daniel Oliveira é jornalista, mas não é "do" Record. É pena: continuo sem ser capaz de escrever um duplo paradoxo com menos de 5 palavras.

Sábado, 21.08.10

O canto do cisne (ou do polvo, para o caso é igual).

Num jornal qualquer, leio que Pinto da Costa balbuciou mais uns disparates para uns quantos néscios adeptos, que apenas percebem aquela linguagem – a da cacetada –, baterem palmas. É o estrebuchar do polvo. Freud diria, com razão, que isto é um mecanismo de projecção, segundo o qual nós projectamos nos outros aquilo que nós somos, mas eu acho que dizer que o Benfica é uma equipa de caceteiros é ignorância profunda no seu estado mais puro e também alguma má-fé, uma espécie de lembrete para os avençados que pululam de apito na boca ou de microfone na mão. Há que passar a propaganda, porque, afinal, nem a Champions nem a UEFA foram suficientes para destronar o Benfica, e o polvo não pode abandonar a cena. O que me dá gozo é que este senhor será sempre um frustrado: o seu projecto de vida – fazer do seu clube um clube com dimensão nacional e internacional – não se realizará, nem mesmo depois de termos visto a fruta, o café com leite, as viagens ao Brasil, o apito dourado, os jogadores emprestados, o penta, os antigos jogadores a treinarem clubes-satélite e tudo o resto. E a razão é simples: é que nós podemos criticar o Roberto, o Sídnei, o Peixoto e mais uns quantos, mas fazemo-lo desinteressadamente, fazemo-lo por amor ao Benfica, não temos agendas escondidas, é o Benfica, caramba!, é um amor genuíno que faz parte das nossas vidas e que não pactua com fruta e afins. Nisto, somos invencíveis. E agora, venha de lá o Nacional e com muito molho por cima.

Sexta-feira, 16.07.10

Roberto

Os lagartos andam a esfregar as mãos de contentamento por causa dos frangos do Roberto, e até já os vejo a rir com piadas sobre churrasqueiras e afins, quase parece que já passou a depressão dos 28 pontos. Percebe-se: ainda não começou o campeonato e eles já ganharam o campeonato deles, o costumeiro campeonatozito do anti-benfiquismo pequenino (do tamanho deles, portanto). O facto de o Benfica ter dado uns milhões por um guarda-redes que cometeu uma falha grave num jogo de preparação é o primeiro troféu do sportém. Ok, seja. Percebo isso num clube daquela dimensão. Agora o que eu não percebo é esta onda de contestação, derrotista e fatalista, de alguns benfiquistas. Confesso que estou farto dos desabafinhos da treta do género de "ainda bem que temos o Moreira", de "mais um Moretto" ou de "que grande barrete". Honestamente, o facto de ele ter custado o que custou até me levou a nem me preocupar com a sua qualidade, porque, tendo o aval do Jorge Jesus e do Rui Costa, só podia ser uma boa contratação. Mas basta ir ao youtube e ver o que ele já fez. Para evitar mais comentários, até fica aqui o link. Agora, encham os olhos.

 

Domingo, 13.06.10

Silly Season

A chamada Silly Season caracteriza-se tipicamente pela frivolidade das notícias que aparecem nos média, mas quando falamos de jornalismo desportivo estas notícias - geralmente acerca de transferências de jogadores - assumem uma importância que não deve ser descurada, sobretudo pela influência que elas exercem na gestão dos plantéis. Aliás, creio que o facto de Jorge Jesus, um treinador que tem uma visão global da gestão de uma equipa, ter, alegadamente, ligado a Cardozo nestes últimos dias mostra justamente essa importância das notícias fúteis. É que dessa "visão global" faz parte a gestão da motivação dos jogadores, que passa também pela identificação com um projecto e sobretudo com o clube, e é neste aspecto que as notícias da Silly Season perdem a inocência da futilidade para, em certos casos, poderem ser geridas ao serviço de interesses (Pedro Adalve que o diga). Objectivamente, um jogador elogiado por um treinador de uma grande equipa, cobiçado pelos adeptos dessa equipa, aconselhado à equipa por jogadores do seu país e, na sequência de tudo isso, vendo o seu nome associado a muitos cifrões nos média não continuará ligado emocionalmente, se alguma vez esteve, ao clube que representa. Depois, como é evidente, ninguém quer jogadores desmotivados na equipa (Jorge Jesus já deixou claro que quem não quer ficar sai...), e os jornais, que dão voz àqueles elogios, àquela cobiça, àqueles conselhos e àquela publicidade para poderem ter leitores na época baixa, contribuem desse modo, às vezes decisivamente, para baixar a cláusula de rescisão dos jogadores (poderá, eventualmente, ser preferível vender mais barato a ficar com um jogador desmotivado). Apesar de tudo isto, os jogadores têm um papel decisivo no desenvolvimento destes processos, por exemplo na forma como abordam as entrevistas, bastando por vezes dizer lugares-comuns (como "só penso no Benfica") para evitar que as "silly news" interfiram com a gestão da equipa. Neste aspecto, os jogadores do Benfica têm tido desempenhos distintos.

 

O Di María é um jogador que, na minha opinião, ao longo destes três anos nunca deixou de ver o Benfica como um clube de passagem para outras paragens. Foi com esse discurso sincero, mas, convenhamos, pouco simpático, que chegou à Luz em 2007/2008: «Sei que o Benfica é um clube enorme e que luta por grandes títulos. Por isso, espero fazer uma grande temporada em Portugal e ir depois para o Chelsea». O discurso do Di María nesta Silly Season é assim consentâneo com os objectivos que definiu e que nunca escondeu a ninguém, e portanto, nunca tendo estado verdadeiramente ligado do ponto de vista emocional ao clube, as "silly news" a propósito do Di María são inofensivas: é titular da selecção argentina, vale 40 milhões e o Benfica não se importa de ficar com ele, mesmo que fique contrariado. Podemos não gostar de que ele não se identifique com o Clube, mas a atitude dele é, neste aspecto, irrepreensível.

 

O David Luiz é um caso diferente, a começar pelo facto de estar identificado com o clube, uma empatia que ele nunca escondeu e que me parece ser sincera. Este tipo de jogador torna a Silly Season perfeitamente inócua, já que, ao não esconder a ligação emocional ao clube, deixa também claro que jamais ficaria contrariado, e portanto caem por terra as possibilidades de se ver a cláusula de rescisão baixar. Elucidativa desta atitude é a resposta que ele deu recentemente aos jornalistas, acerca do interesse do Real Madrid: «Se fosse um bom negócio para o Benfica e para todos, e o presidente assim o entendesse, por que não?». Até poderia não ser verdade, mas dar prioridade publicamente aos interesses do Benfica ajuda a blindar o plantel, e o Jorge Jesus agradece, certamente.

 

O Cardozo é, pelo contrário, uma autêntica brecha no plantel, e uma dor de cabeça em termos de gestão. Com uma cláusula de rescisão irreal, é um alvo fácil das "silly news", sobretudo porque o seu representante apenas tem posto mais lenha na fogueira. Numa entrevista dada a 20 de Maio, Cardozo afirmava «Estou para continuar no Benfica». O que se passou desde então até agora coloca-o praticamente fora da Luz, também porque o próprio Jorge Jesus não ficou contente com a atitude do jogador. Eu gostava de que o Cardozo ficasse - apesar de algumas fragilidades, convém não esquecer que foi o melhor marcador da equipa e da Liga, o que não acontecia com um jogador do Benfica desde 1990/1991. Mas jogadores contrariados, em particular o Cardozo, são altamente prejudiciais, e, convenhamos, o mal está feito. O Cardozo é assim o melhor exemplo de como as "silly news" poderão servir interesses, no caso dele, sobretudo, os interesses do seu representante, o que é pior ainda.

 

Um inócuo, um escudo e uma brecha. É assim que eu vejo estes jogadores nesta nossa Silly Season.

Segunda-feira, 24.05.10

Os pontos nos iis.

Se, eventualmente, eu tivesse feito uma lobotomia e fosse ler os jornais desportivos portugueses dos últimos meses (perdoe-se-me a redundância, já que ler os ditos é frequentemente uma experiência próxima da lobotomia), dificilmente acreditaria na justeza da conquista da Liga Sagres por parte do Benfica. A campanha que desde há algum tempo a esta parte vem sendo feita para denegrir a imaculada vitória no campeonato, ou “sem espinhas”, como diz o senhor Jorge Jesus, é ridícula, mesquinha e do tamanho de quem a orquestra. Como é lógico, a dita campanha não pretende obter frutos no imediato (ninguém nos tirará o título, evidentemente), mas conta com efeitos a longo prazo, nomeadamente para a próxima época. Para já, o importante é veicular a ideia de que este campeonato é indigno, que é o campeonato dos “túneis”. Mas se o polvo não dorme, nós também não.

  

Uma das histórias que surgiu para desestabilizar foi a suposta utilização irregular do Kardec. Porém, os mesmos que viram que um jogador não pode jogar em três clubes na mesma época desportiva (e o Kardec fê-lo: Vasco da Gama, Internacional e Benfica) não quiseram ver que, no caso de os clubes envolvidos pertencerem a associações cujos calendários se sobrepõem (como é o caso dos clubes em que Kardec jogou), o jogador pode alinhar por até três clubes diferentes. Como diz o Saramago, «quem isto não entender à primeira vez não merece que lho expliquem segunda».

 

Depois veio a questão dos túneis, que eu, confesso, não percebo. O fcp esteve onze jogos (dois por castigo no início da temporada e nove após o castigo na sequência do Benfica-fcp) sem o Givanildo, em que fez 24 pontos em 33 possíveis, ou seja, fez 72,72% dos pontos; e, com o Givanildo (ignorando os jogos incompletos do jogador), nos restantes 21 jogos, fez 44 pontos em 57 possíveis, ou seja, fez 77,19% dos pontos. Ora, o fcp queixa-se do facto de ter sido prejudicado com a ausência do Givanildo, no entanto, se o fcp tivesse feito 77,19% dos pontos possíveis de todo o campeonato (que é, aparentemente, o que conseguiria com o Givanildo em campo), teria acabado com 70 pontos (69,4, mais precisamente), ou seja, nem conseguia o segundo lugar. Ora, pergunto: para quê tanto alarido, se, mesmo com o Givanildo, não teriam sequer chegado ao segundo lugar? Razão de queixa tem o Benfica que, justamente por causa de um túnel, se viu privado do melhor marcador da Liga Sagres para o jogo da Taça de Portugal com o guimarães. No pólo oposto do fcp, as imagens mostram que Cardozo não se envolve nos conflitos, porém é afastado de um jogo determinante para as nossas aspirações. Esta época ficará conhecida como a época dos túneis, de facto, mas dos túneis que despudoradamente retiraram ao Benfica a possibilidade de fazer a dobradinha.

 

 Finalmente, uma parte considerável dos comentadeiros da nossa praça considera que o braga fez uma excelente época e que teria sido um justo campeão. O Domingos diz inclusivamente que o Benfica não o convenceu e sugeriu que a vitória no campeonato se ficou a dever ao facto de a nossa equipa ter jogado 1/3 do campeonato contra equipas com 10 jogadores. Quanto a esta questão, não me vou dar ao trabalho de estar a fazer as contas aqui. Elas já estão feitas, e bem, no blogue Fórum Benfica . O Benfica, na Liga Sagres, tem mais duas vitórias que o braga (24 contra 22, e metade 22 destas foram obtidas pela diferença mínima), menos um empate (4 contra 5) e menos uma derrota (2 contra 3). Tanto o Benfica como o braga sofreram 20 golos, mas o Benfica marcou mais 30 golos (78 contra 48) que o braga. No que diz respeito às outras competições, o Benfica ganhou a Taça da Liga, mas o braga não passou da fase de grupos; na Liga Europa, o Benfica foi até aos quartos-de-final, mas o braga ficou-se pela 3ª pré-eliminatória (o único jogo que disputou); apenas na Taça de Portugal se pode dizer que o braga foi melhor: o Benfica foi eliminado por causa de um túnel na 4ª eliminatória, e o braga ficou-se pelos quartos-de-final. Além do mérito que temos de reconhecer ao Benfica em todas as competições em que participou, excepto no jogo da Taça de Portugal, em que, não me canso de dizer, foi vítima do sistema, o Benfica jogou necessariamente mais jogos que o braga, que, desde 3 de Fevereiro, apenas andou a jogar numa competição.

 

Tudo isto são dados objectivos. Excluo daqui as pedradas, os casos estranhos de arbitragem, os processos e as nomeações dos árbitros, que, se não tivessem existido, teriam permitido, objectivamente, a possibilidade de conquistarmos a Taça de Portugal e de, sendo campeões mais cedo, lutarmos com outras armas na Europa, contra equipas que estavam claramente ao nosso alcance.

 

Os jornais podem continuar este festival da idiotice, podem esmiuçar o facto de o Aimar não poder ter ido à digressão americana (ainda não se lembraram desta…), podem despedir o João Gabriel, podem vender os nossos jogadores e comprar outros (nisso, são hábeis), podem fazer o que bem entenderem, porque a verdade, para mim, é apenas uma: o Benfica, em 2009/2010, foi impedido de disputar justamente a Taça de Portugal e foi impedido de se apresentar ao melhor nível na Europa. É importante ter isto bem presente para 2010/2011, e não há campanha que esconda isto.

 

p.s. - por favor, tirem-me o Fábio Coentrão daquela equipa! Ainda lhe vai acontecer o que aconteceu ao Quim depois daquele jogo fatídico com o Brasil.

Quarta-feira, 12.05.10

And now for something completely different

Para o exercício do nosso benfiquismo aqui no blogue, nós, os escribas, como o próprio nome indica, usamos necessariamente o registo escrito do português, e, neste sentido, não podemos ser insensíveis à existência de um Acordo Ortográfico para a nossa língua. Ao longo destes anos, tivemos sempre o cuidado de apresentar textos que respeitassem a nossa língua, em primeiro lugar porque entendemos ser esse o nosso dever enquanto cidadãos, e, em segundo lugar, porque, no contexto do blogue, é ela o meio de que nos servimos para defender o Benfica. Aliás, frequentemente, o nosso exercício da cidadania confunde-se com o nosso benfiquismo e vice-versa, e por isso talvez aquelas duas razões sejam apenas uma. Na nossa última reunião tertuliana, recusámo-nos, unanimemente, a adoptar o Acordo Ortográfico, por estarmos em profundo desacordo com as alterações aí previstas, como aliás uma parte significativa da população portuguesa. Não adianta estar aqui a elencar as razões que nos conduziram a essa decisão, basta dizer que entendemos o Acordo Ortográfico como uma falta de respeito pela língua portuguesa.

 

Ficou também decidido nessa mesma reunião que, por uma questão de honestidade para com os nossos leitores, tornaríamos essa recusa expressa no blogue, e, porque entendemos ser esse o nosso dever cívico, iríamos disponibilizar o nosso meio de protesto – o laço que a partir de hoje surgirá no canto superior direito do blogue – para quem o quiser usar nos respectivos blogues. O código é o seguinte:

 

<div style="position: absolute; top: 0; right: 0;">
<a href="http://tertuliabenfiquista.blogs.sapo.pt/1060793.html" target="_blank"><img alt="origem" src="http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o4705f5fa/7176469_EqZYv.png" border="0"/></a></div>

 

Cada um faça como entender. E pronto, o blogue segue como previsto dentro de momentos.

Segunda-feira, 10.05.10

Campeões, versão 32

Merecidamente campeões, contra toda a escumalha anti-Benfica: FCP A, Sucursal Clube do Porto, FCP B[raga] e todos os restantes montes de esterco que comem migalhas do Bimbo. Um abraço especial para os benfiquistas das cidades do Porto e de Braga que lamentavelmente, uma vez mais, tiveram de se cruzar com a azia de adeptos pequenos. Viva o Benfica!

Sábado, 24.04.10

Enquanto não vem o Olhanense, outras glórias.

Andamos, e com toda a razão, concentrados na Liga Sagres que, havendo justiça, ganharemos. Mas teremos certamente algumas reservas anímicas para regozijarmos com o desempenho da Telma Monteiro, que ganhou a medalha de bronze - a sexta consecutiva em Europeus - no Campeonato da Europa a decorrer em Viena, e com o desempenho da equipa de futsal que, pela segunda vez, vai à final da Taça UEFA, disputando-a no domingo, frente ao Interviú. Assim, com redobrada convicção, "quero é ganhar logo ao Olhanense".

 

p.s. - o Queirós disse que há um ano e meio teve a visão de que o Fábio Coentrão seria um excelente defesa esquerdo. A minha pergunta é evidente: então por que raio não o usou com maior regularidade de modo a ganhar rotinas com a equipa? Deve ser outro "excelente jogador" que não se "casa" com o futebol da selecção, como é o caso do Nuno Gomes. Esta idiotice é igual àquela entrevista em que ele disse que foi o criador do sonho das bandeiras nas janelas. Visionários, sonhadores? Está tudo dito.

Terça-feira, 20.04.10

Ter ainda mais graça.

O Bettencotonete queria contratar o Rafa Benítez, que afastou o Benfica da Euroliga, o Paulo Sérgio, que afastou o Benfica da Taça de Portugal, ou o Choramingos, o único que anda a discutir o campeonato com o Benfica. Como está a ver as coisas mal paradas para o Choramingos e dado que o Rafa queria trazer o Torres para um plantel em que já se bamboleiam o Feloso, o Folga & C.ª (e eram bem capazes de andar aos puxões de cabelos para ver quem apanhava o sabonete do passa-fome no duche), virou-se para aquele portento do futebol nacional que conseguiu a proeza de perder os dois jogos do campeonato com o Benfica. De loser em loser, algum dia hão-de acertar. E, convenhamos, um empate em casa com o Marítimo é claramente inferior ao afastamento da Taça. Só tenho pena de ele não vir a ficar no sportem os dois anos do contrato, porque este tipo tem ar de ter uma certa graça, ar de quem quer vir animar a malta com histórias de balões meteorológicos. Qualquer dia o sportem acaba e nós só vamos perceber quando o cheiro chegar à Luz.

Sexta-feira, 02.04.10

A Imprensa Portuguesa

A imprensa portuguesa, de uma maneira geral, conspurca sistematicamente a glória do Benfica com comentários ignorantes, mal-intencionados, viperinos e parciais, e, sistemicamente, é um odre podre prenhe de avençados, de pequenos talentos e grandes ódios, de largos interesses e estreitos horizontes. A imprensa portuguesa constrói jogadores para servir interesses, a imprensa portuguesa consegue ver «euforia» na mais mentecapta violência ou «uma jogada viril» na mera agressão na mesma medida em que consegue ver «cansaço de jogadores» numa gestão sensata do plantel ou «favorecimentos» na justa marcação de grandes penalidades. A imprensa portuguesa mente explicitamente, omite imagens e comentários, ignora notícias, deturpa factos e assim manipula as massas. É importante que não esqueçamos que os jornalistas e os comentadores dificilmente são imparciais, e por isso é determinante para o nosso Benfica que nós denunciemos, que critiquemos, que boicotemos ou que, já que estamos na Páscoa, crucifiquemos, porque neste campo, no campo das audiências e das leituras, somos nós que jogamos e somos nós que temos de ganhar. O Álvaro de Campos, há quase um século, já denunciava esta corja num poema. Num país de cobardes, como podem ler no poema, as coisas não mudam.

 

 

Ora porra!

Então a imprensa portuguesa é

que é a imprensa portuguesa?

Então é esta merda que temos

que beber com os olhos?

Filhos da puta! Não, que nem

há puta que os parisse.

 

                            Álvaro de Campos

Quinta-feira, 25.03.10

Aviso

Atendendo aos mais recentes desenvolvimentos desta lusa realidade excrementícia a que pomposamente se chama "justiça desportiva", aviso desde já que, na próxima vez que for a um estádio, e um adepto vestido com um colete reflector me pedir o bilhete, considero legítimo mandá-lo passear e, se for o caso, dar-lhe uns socos. Ou então, no próximo jogo do Benfica, levo o colete do meu carro e desato a apalpar adeptas. Será igualmente legítimo, já que os adeptos vestidos com coletes podem fazer destas coisas.

Quarta-feira, 17.03.10

Estudo

De acordo com uma notícia hoje publicada, o nosso Presidente pretende aferir o grau de satisfação dos sócios e adeptos relativamente ao tratamento de que o clube, em particular os jogos de futebol, tem sido alvo por parte da SportTV, para que, também em função dessa opinião, possa tomar uma decisão acerca da renovação do contrato que nos liga a esse canal televisivo. Não sendo nós uma «credenciada empresa de consultoria» seremos muito provavelmente um credenciado barómetro dessa mesma opinião, e, por essa razão, entendam a caixa dos comentários a este post como a resposta que dariam a esse estudo. Este assunto não se prende apenas com o facto de termos de pagar o canal ou não, evidentemente, mas sobretudo com as consequências que, em termos de opinião pública, tem um tratamento que poderá estar a ser parcial (e que, convém não esquecer, é praticamente um monopólio).

Quarta-feira, 03.03.10

O lado esquerdo do Benfica

É sabido que sou um apoiante do César Peixoto. Sou porque tenho a impressão de que ele é, essencialmente, um jogador cumpridor. Admito a idiotice do argumento, afinal de contas quem não cumpre vai-se embora, porém não tenho outro mais racional: não, o Peixoto não é um jogador de levantar estádios, no entanto está lá e cumpre. Sendo isto manifestamente insuficiente para justificar os "sobe, Peixoto", "domina, Peixoto" e etc. que eu vou gritando quando o homem anda em campo, acrescento que o que me agrada realmente é que o Peixoto parece que vai para o campo jogar à bola (e só descobri isto com a ajuda de um adepto no jogo no Restelo). Isto é, andam ali uns tipos a jogar futebol, e o Peixoto anda ali, na boa, a jogar à bola. Bem sei que este "na boa" é, por vezes, enervante, mas o Peixoto, nitidamente, não joga futebol, joga à bola, sem grande stress. Além disso, quando jogamos aos domingos e ele sobe ao relavado, era capaz de jurar que o Peixoto, como diria o Carlos Miguel Silva, tem a vaga ideia de ter sido atropelado no sábado por um camião cisterna cheio de Sagres. Por estas razões, o Peixoto parece um de nós, e é por isso que quando a malta está na bancada e puxa pelo Peixoto, o Peixoto reage. Além de tudo isto, o Peixoto mandou os lagartos às favas no início do campeonato, logo só pode ser mesmo um de nós. Assim, tenho a certeza de que o vou encontrar a festejar o campeonato connosco, e pode trazer a Diana Chaves - há-de haver minis que cheguem para toda a gente (nota: não sou eu o tipo do cartaz  que dizia "PEIXOTO, DÁ-ME A TUA DIANA CHAVES").

 

Lembrei-me disto tudo porque parece que o Peixoto anda a dar umas dicas ao colega Coentrão. Na 2ª feira, numa declaração à imprensa, o Coentrão sai-se com esta, quando interrogado acerca da sua chamada aos sub-23: «vou dar o máximo para mostrar ao Queirós que mereço estar lá». Vale a pena ouvir. Qual mister qual quê? «Ao Queirós» e mais nada. É claro que, depois, com respeitinho chama «mister» ao Jorge Jesus (e acaba por chamar «mister» ao Queirós apenas porque está a falar nos dois treinadores).

 

Eu só digo uma coisa: se este lado esquerdo do Benfica não for levado para a África do Sul, confirma-se a azelhice do Queirós. Eu ficarei contente se eles não forem convocados, e não é porque tenha dúvidas acerca da azelhice do Queirós.

 

Eu só digo mais uma coisa: o Peixoto é grande.

 

Só quero dizer mesmo mais uma coisa: o Coentrão também.

Quarta-feira, 24.02.10

Quando parece que já nada pode ser mais humilhante

Ainda o sportem, na sua vertiginosa caminhada descendente, está nos lugares que dão acesso à UEFA, e já temos os jornais numa notável disputa pelo troféu O-que-mais-humilha-a-lagartagem, um galardão que se tem tornado difícil de obter, dada a quantidade de inigualáveis auto-humilhações levadas a cabo pela agremiação de Alvalade. Depois de o Ricord ter feito uma capa com a frase «É Carvalhal, ninguém leva a mal» em letras garrafais, é agora a vez de o jornal Público publicar uma notícia sobre o guimarães, com o título «Emílio Macedo aposta na continuidade, Pinto Brasil quer ocupar o lugar do Sporting». Como se percebe, a fina ironia deste título está no verbo «ocupar». «Ocupar» significa «preencher», ou seja, instalar-se num espaço desocupado. Ora, considerar vago o lugar de terceiro grande do futebol português, ocupado até esta temporada pelo sportem, é, para mim, a mais notável humilhação dos lagartos de que tenho conhecimento.
Sábado, 13.02.10

Toda a verdade sobre as estações meteorológicas do Canadá

O treinador do sportém, após ter sido goleado pelo Benfica, em casa, contou uma história sobre balões meteorológicos canadianos. Para quem não a ouviu, a história é mais ou menos esta: uma estação meteorológica no Canadá fazia as previsões através de uns balões meteorológicos que, desafortunadamente, eram danificados pelas tempestades; a estação decidiu então proteger os balões, retirando-os sempre que se previa uma tempestade, mas um dia, quando os cientistas iam retirar os balões, um agricultor das redondezas, armado com uma espingarda, não o permitiu, pois, dizia ele, sempre que os meteorologistas tiravam os balões, havia uma tempestade. Ora, o Carvalhal, após a narrativa, explicou a moral: ele é como o meteorologista, está farto de proteger balões no sportém, mas há sempre uns - "barbudos, gordos e shreks", creio que foi o que ele disse - que lhe apontam a espingarda. Em suma, o Carvalhal é muito bom e faz o melhor pelo sportém, mas ninguém percebe isso.

 

A história, confesso, intrigou-me. Então, pesquisei acerca das estações meteorológicas canadianas e descobri - não foi difícil, já vão perceber porquê - esta a que se refere o Carvalhal. Um dos meteorologistas dessa estação é um emigrante português e foi ele quem me contou a verdadeira história. Os balões existem de facto, tal como as tempestades. Mas existe também um cientista nessa estação, um perfeito idiota, segundo me contou, que meteu na cabeça que as tempestades estragam os balões, e então vai estupidamente tirar os balões quando eles são mais necessários: nos momentos de tempestade. Já puseram um segurança a guardar os balões, mas o cientista, com parábolas e histórias de encantar, consegue sempre enganá-lo. O problema maior é que os sucessivos enganos da estação meteorológica quanto às previsões, provocados pela ausência dos balões, já ditaram o descontentamento dos agricultores, que, não conseguindo proteger as culturas atempadamente, se queixam dos elevados prejuízos indirectamente provocados pela estação meteorológica.

 

Está bom de ver que a história foi deturpada pelo treinador do sportém. Mas, ao mesmo tempo, considerando-se o Carvalhal o homem que tira os balões, parece-me que, na terça-feira, o treinador do sportém escolheu a história perfeita para os agricultores ouvirem.

Sexta-feira, 04.12.09
Domingo, 22.11.09

Ensaio sobre a pequenez das existências relativas.

Não me canso de o dizer: o sportem não tem um valor absoluto, tem um valor relativo. Relativo ao Benfica, evidentemente. O sportem é um dos poucos clubes no mundo que não têm, intrinsecamente, valor, porque aquilo que ele é depende do Benfica. Aliás, a identidade do clube define-se relativamente ao Benfica desde a triste génese desta agremiação de queques. E este é o mais interessante atentado que pode haver à identidade de uma instituição: o não se definir por aquilo que é mas sim por aquilo que não é. Um lagarto não é um lagarto, é um anti-Benfica, estamos fartos de saber. E a verdadeira pequenez é esta: é não se saber o que se é, de tão cegamente se querer mostrar o que não se é. Mas o que é deveras curioso nesta pequenez dos lagartos nem é o não saberem quem são, é não quererem saber quem são (o que, muito honestamente, eu até percebo, e neste sentido até se justifica a não-identidade do sportem).

 

Vem isto a propósito da entrevista que o Paulo Bento deu, da qual destaco duas frases que falam por si:«E a verdade é que à luta desigual juntou-se uma depressão enorme nos sportinguistas pela pré-temporada do Benfica, agregada à nossa» e «Mas tenho a clara noção de uma coisa: se o campeão tivesse sido o Benfica e não o FC Porto, se calhar eu não tinha estado 4 anos e 4 meses em Alvalade».

 

Lamentável existência.

 

p.s. - há um cântico dos NN que me lembra sempre esta questão da identidade. Quando eles cantam "Quem nós somos?", eu respondo intimamente e sem a menor sombra de dúvida "Benfica". Eles, eu, nós somos Benfica, e todos sabemos bem o que é ser Benfica. É esta consciência plena de uma identidade que é absolutamente inacessível aos lagartos. Nunca eles poderão compreender tudo isto que vai cá dentro e por isso este texto é justamente um ensaio sobre a pequenez das existências relativas.

Segunda-feira, 16.11.09

Agora é a doer?

O Record publica hoje uma notícia sobre o Benfica intitulada "Agora é a doer", em que o jornalista considera que o «período que se avizinha é o mais complicado da temporada até ao momento». Eu sei que isto não é coisa que se leia, mas não posso esquecer que há muita gente que a lê, à coisa, entenda-se, e que faz opinião a partir dela, e por isso não posso senão tecer uma observação acerca do título (e da notícia). 

 

A ideia de que o Benfica "ainda não fez nenhum jogo a sério" (os tolos dizem "à séria") tem sido usada para justificar as vitórias e sobretudo as goleadas. Há inclusivamente um comentadeiro, líder dos zero cego - que nome tão apropriado para quando ele fala de futebol -, que considerou as goleadas "acidentes" (para mim, é evidente que acidentes são as vitórias por 1-0). É neste sentido que, creio, se diz que "agora" é que vai ser difícil, porque até aqui foi coisa "de meninos", como diria o Sr. Jorge Jesus. Mas vejamos: não jogámos nós em casa do primeiro classificado, poderá haver jogo mais "a sério" que isso? Ah, claro que não, estupidez a minha - aquilo foi uma roubalheira perpetrada por um palhaço e por isso ninguém pode levar aquilo a sério. Peço desculpa, têm razão, nesse sentido o Benfica não fez ainda um jogo a sério. Nesse caso, vou estabelecer o seguinte critério para determinar o que é um jogo "a sério": um jogo "a sério" será um jogo contra uma equipa contra a qual os nossos adversários tenham tido dificuldades. Parece-me justo. Vejamos, então. O fcp empatou em casa com o belenenses, logo o jogo com o belenenses será um jogo "a sério", sobretudo se for em casa do belenenses. Muito bem, mas o Benfica goleou fora o belenenses. Com o sportem (nem sei se o hei-de considerar um "adversário") aconteceu exactamente o mesmo. O Braga, primeiro classificado, foi perder a Guimarães, o Benfica foi lá ganhar. Hum, parece-me que este critério também não serve. Deve haver um critério qualquer que me escapa que é sabiamente usado por mentes iluminadas e que, esse sim, serve para determinar um jogo "à séria" (e não "a sério", pelo que vejo).

 

Mas aceitando, por absurdo, que "agora é a doer", continuo sem perceber o sentido da notícia - vamos jogar para a Taça contra o guimarães, que tem menos 15 pontos que nós; vamos jogar para a Liga com o sportem, que tem menos 11 pontos que nós; vamos jogar contra a académica, que tem menos 18 pontos que nós; vamos jogar contra o olhanense, que tem menos 17 pontos que nós; vamos jogar contra o fcp, que tem menos 5 pontos que nós. Hum, quer-me parecer que não é à Liga Sagres que se estão a referir. Ah!, estão referir-se à Liga Europa e ao facto de nos faltar jogar contra duas equipas que apenas têm 1 vitória? Não? Então a que diabo se estão a referir quando dizem que "agora é a doer" e em que raio estão a pensar quando dizem que o Benfica "ainda não fez jogos a sério"?

 

Se agora é a doer, venham de lá esses adversários e com muito molho por cima.

Quinta-feira, 29.10.09

Correcção

 

Andam por aí a circular umas imagens alteradas do senhor nosso treinador, e eu vi-me na obrigação de repor a verdade. A única imagem válida daquele dia é esta e mostra o senhor nosso treinador num gesto que revela a sua correcção relativamente a certos seres humanos. Admirem a sublimidade deste treinador ao dirigir-se aos bípedes que habitam no esterco (sim, no plural). 

Quinta-feira, 03.09.09

Incha, porco!

Já aqui, por várias vezes, dei conta da minha opinião acerca da Selecção Nacional e evidentemente a chamada do Liedsa a uma equipa que, não sendo efectivamente de "todos nós", é efectivamente paga por "todos nós" é um assunto que me causa urticária. O D'Arcy resumiu muito bem aquilo que é esta equipa nos dias de hoje com o trocadilho "escreção", e só tenho pena de que jogadores do Benfica façam parte desta conjuntura (chamo-lhe conjuntura porque espero que um dia a Selecção Nacional não seja aquilo que é hoje, que, por exemplo, não sirva agendas escondidas). Por isso, não pude senão rir às gargalhadas com esta observação do senhor Jon Dahl Tomasson, capitão da equipa da Dinamarca: «Eles estão necessitados de um verdadeiro ponta-de-lança e então foram ao Brasil comprar um». Ora toma.

 

O Madaíl e o Queirós devem neste momento estar a combinar a resposta a dar à despudorada facécia deste insolente, mas, qualquer que seja a resposta, da vergonha de verem as suas decisões expostas publicamente pela voz do sarcasmo já não se livram. Aliás, se vierem a ganhar alguma coisa - coisa de que duvido -, parece-me que ouvirão isto mais vezes.

Quarta-feira, 19.08.09

Chega-lhe que ainda bole

"Chega-lhe que ainda bole", ou, como ela verdadeiramente diz, "tchega-lhe qu'inda bole", é uma expressão que a minha avó usa quando, depois acertar com uma pancada num bicho qualquer para o matar, este fica ainda a estrebuchar e a querer viver. Ora, lembrei-me desta expressão quando hoje li as nomeações dos árbitros para a próxima jornada, pois parece que alguém com poder para isso, depois de ter acertado com uma paulada (com um pau-mandado) no entusiasmo benfiquista no último domingo, quer acabar com ele enviando um apitadeiro que, não sendo aparentemente um pau-mandado, já por várias vezes deu provas da sua incapacidade para apitar jogos do Benfica.

 

Mas podem vir as pauladas que os senhores que mandam nos apitos quiserem. Este ano, mais até que no ano passado, fazem todo o sentido as palavras que o Carlos Miguel Silva aqui escreveu: Venham os Pedros Henriques, os Carlos Xistras, os Olegários, os Lucílios, os Vítores Pereiras; mandem-nos os sumaríssimos, anulem-nos golos, tirem-nos foras de jogos inexistentes, expulsem-nos jogadores sem razão, cubram-nos de cartões amarelos, roubem-nos penalties atrás de penalties, assinalem-nos faltas à frente da nossa grande área em catadupa no final dos jogos, cortem-nos o fio de jogo com faltas inexistentes, não assinalem agressões sobre os nossos jogadores, inventem regras novas (dêem a lei da vantagem mas se for golo nosso voltem atrás; anulem golos limpos por mãos inexistentes de jogadores nossos que estão de costas, e depois de penalties não assinalados), sejam coniventes com o anti-jogo dos nossos adversários, provoquem os nossos jogadores, trocem de nós e da nossa massa associativa; aticem-nos capangas, façam de conta que não houve Apito Dourado, fabriquem histórias nos pasquins, inventem problemas no nosso balneário, persigam os nossos adeptos e os nossos dirigentes.

 
Venham com tudo, ponham toda a carne no assador, venham todos e ao mesmo tempo se quiserem.
Cá vos esperamos. Somos do BENFICA. Desistir não é uma opção.
 
Venham eles, pois então, que nós continuaremos a bulir.

 

Segunda-feira, 17.08.09

Resolução de problemas à campeão

O Adriano parece que não percebeu a realidade a que se vinculou ao assinar o contrato, depois acontecem-lhe estes acidentes. Se tivesse sido um jogador do Benfica, a esta hora já os avençados andavam a esfregar as mãos e a bater à porta da Maria José Morgado, mas, como não é, é bom que estejam quietinhos, porque os acidentes acontecem a qualquer um...

 

Se tivéssemos "estofo de campeão" (como gostam de dizer os catedráticos do esférico), ontem à noite teria havido pelo menos mais um acidente, felizmente não temos esse estofo, até porque não precisamos dele para sermos campeões (mesmo estando nós em Portugal).

 

Adenda: o Adriano não só não vai apresentar queixa deste acidente como ainda vai levar um processo disciplinar do clube (pegando nas palavras de um comentador aqui do blog, quem é que o manda andar a comer hóstias a horas tardias?).

Quinta-feira, 30.07.09

Insólito.

O pasquim publicou um apontamento sensato. Parece-me que este Nuno Pombo consegui escapar aos tentáculos da censura e publicou uma heresia, uma ofensa aos comentadeiros da nossa praça. Bom, para os que consideram que o Benfica tem jogadores a mais e etc., encontram naquele apontamento algumas boas razões para termos o plantel que temos, como a forte possibilidade de a época ser longa (a julgar pelo que vimos até agora, temos de acreditar), ou o facto de termos jogadores nas selecções nos jogos de apuramento para 2010, com as lamentáveis lesões e cansaços.

 

Ter jogadores a mais não me parece intrinsecamente um problema, mas é evidente para mim que o Jorge Jesus terá algum trabalho pela frente em termos de gestão emocional e motivacional. Essa, creio, será a sua grande tarefa, a par evidentemente da gestão dos recursos em função das tácticas específicas que ele quiser montar para os diferentes contextos (não esqueçamos que quem diz que o Benfica tem 6 ou 7 avançados ignora que eles têm características diferentes, basta comparar a importância do Cardozo com a importância - sem qualquer ironia - do Mantorras).

 

Além de tudo isto, não me parece que o Benfica contrate jogadores para que outras equipas não os contratem ou que os contratem por atacado para os pôr a rodar noutras equipas (ainda que isto garanta uns campeonatos), por isso, no mínimo, Rui Costa, Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira merecem o benefício da dúvida.

Sábado, 11.07.09

Importa-se de repetir?

Numa entrevista publicada no maisfutebol, é atribuída a seguinte resposta a Paulo Sousa:

 

Mas os adeptos [do Benfica] podem estar, de algum modo, magoados consigo?
Uns podem estar, outros entenderam e perceberam, porque reconheceram, em mim, uma bandeira, a mística do próprio clube, isso faz-me estar bem comigo mesmo, tudo o que dei pelo clube foi de grande valor e qualidade, para poder ser reconhecido e sentir a mágoa de alguns benfiquistas.

 

Uma "bandeira, a mística do próprio clube"? Mas as idiotices, os pistoleiros e os simples palermas não tinham terminado no dia das eleições? Enquanto esteve no Benfica, sim, alguns poderão tê-lo considerado uma bandeira, mas, após decidir substituir, em '93, o manto sagrado por uma lona das barracas da praia da Figueira, até aquela célebre tarde em que, contra o Boavista, defendeu a baliza do Benfica se apagou da nossa memória colectiva.

 

Quarta-feira, 17.06.09

Figos (something completely different)

Ao contrário de muitos, não simpatizo particularmente com o Figo. Podem dizer-me que ele "faz pela vida", mas eu acho que ele sempre foi e é simplesmente uma espécie de mercenário. E no âmbito desse seu carácter mercenário, a existência de alguém que ofusque o seu brilho é necessariamente uma preocupação muito premente, pois retira-lhe valor. Ou então poderei estar redondamente enganado e, nesta famosa questão da transferência do Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, o Figo revelou apenas uma notável falta de memória, pois ele próprio foi protagonista de uma transferência milionária para o mesmo clube. E acho que, só por isto, devia ter ficado calado. Mas não, parece que o moço não consegue viver na sombra, quer esta seja a sombra do Ronaldo na selecção, a hipotética sombra do Nuno Gomes nos golos pela selecção ou a sombra dos valores de uma transferência para o Real Madrid (que é no fundo a sombra do valor do jogador transferido). Não contente com a crítica que fez inicialmente à transferência do Cristiano Ronaldo, o jogador veio agora dizer que andam a "fazer a cama" ao Raul no Real, o que, conhecendo o Figo o peso que o Raul tem junto dos adeptos do clube, é mais uma facadinha que ele dá no Ronaldo e na sua transferência. Esta azia do Figo prende-se, como está fácil de ver, com o facto de o Cristiano Ronaldo lhe vir fazer ainda mais sombra, ofuscando-o perigosamente: depois da sombra do "número 7" da selecção, depois da sombra de melhor jogador, vem agora a sombra da transferência de valores inusitados. Este Figo lembra-me o Baco no Consílio dos Deuses n'Os Lusíadas, que não queria ajudar os portugueses porque estes iam ofuscar a sua fama nas terras do Oriente. Curiosamente, o Figo ignora que a sua transferência é diferente da do Ronaldo, já que a sua transferência além de mercenária foi também reveladora de uma certa falta de hombridade, na medida em que, qual Judas, se transfere do Barcelona, um clube cujos adeptos o consideravam um símbolo, para o grande rival, o Real Madrid, ao qual os adeptos do Barcelona têm um ódio figadal. E nisto o Ronaldo não pode competir com o Figo. Bom, mas o que eu queria realmente escrever era que, mais que a qualquer outro agente do futebol, acho que a declaração de Mourinho sobre esta transferência («nós, no futebol, devemos estar calados») se aplica na perfeição ao Figo, mas parece que o rapaz não ouviu o mister.

 

Para que não restem dúvidas acerca da minha opinião altamente parcial sobre este rapaz, digo que nunca lhe perdoarei a profunda ignorância que ele revelou ao considerar, a propósito do regresso do Rui Costa ao Benfica, que o Rui Costa era maior que o Benfica. Ninguém é maior que o Benfica, e o Figo sabe isso perfeitamente, portanto não se trata de ignorância, mas apenas de outra faceta do seu carácter mercenário, pois o Figo desconhece esse amor clubístico que o Rui Costa sente, do qual faz também parte um espírito de abdicação (não só monetária), que é o oposto do espírito mercenário. Aliás, esta situação é igualmente reveladora do seu problema com as sombras, pois parece-me que esta crítica ao regresso do Rui Costa foi apenas uma forma de calar os que eventualmente considerassem que ele deveria regressar também a Portugal, em particular ao sportem, pois, sendo ambos símbolos de cada um dos clubes, um deles volta e prova a sua dedicação ao clube e o outro não volta. O Rui é de facto de uma fibra diferente. A diferença é que o Rui tem fibra, e a fibra faz muita sombra.

Quarta-feira, 03.06.09

O meu treinador

O Jorge Jesus é um péssimo treinador, e isso é claríssimo para mim. Bastaria dizer que ele não é o treinador do Benfica para dar por terminada a minha argumentação, mas tenho outros argumentos igualmente válidos e bastante pertinentes, como é o caso, inegável, de este senhor não saber falar Português. Depois há ainda o problema das experiências que ele aparentemente anda a fazer com a farta cabeleira e que o fazem assemelhar a um leopardo. Há ainda o facto de eu me lembrar bem de que foi este senhor a fazer uma chinfrineira danada quando jogou com o Benfica esta época na Luz, ainda que uma jornada depois tivesse sido três vezes mais roubado e ainda assim conseguisse elogiar a equipa adversária, e este é também um argumento de peso. Finalmente, o Benfica não precisa de um rei das tácticas, porque a táctica do Benfica só pode ser uma: ataque continuado, em qualquer campo, contra qualquer equipa, em qualquer altura do campeonato, independentemente do número de jogadores disponíveis. Quanto ao Carlos Azenha, basta-me dizer que nunca tinha ouvido falar dele para deitar por terra os argumentos de qualquer um que defenda que este senhor deve ser o próximo treinador do Benfica.

 

Para vincar ainda mais a minha posição, estou em condições de garantir que se o Jorge Jesus for o próximo treinador do Benfica, o Jorge Jesus será necessariamente um grande treinador já que carregará às costas a inevitabilidade de ser sempre infinitamente mais pequeno que o clube que serve. Além disso, as incorrecções gramaticais do seu discurso serão apenas aparentes já que deverão ser entendidas como evidências de uma mudança em curso na nossa língua, e portanto o Jorge Jesus estará muito à frente de todos os jornais em termos linguísticos (o que é um parco elogio, bem sei). Depois, isso de olhar para a cabeleira do homem será coisa de maricas, e «chinfrineira» é uma palavra cujo significado, confesso, desconhecerei. Finalmente, o Jorge Jesus será evidentemente o rei da táctica do ataque continuado. Se o Jorge Jesus for treinador do Benfica, e se alguém me disser que eu escrevi o primeiro parágrafo deste texto, eu direi veementemente que essa pessoa é mentirosa, que não merece credibilidade e que apenas não a levarei a tribunal por difamação porque será inimputável.

 

p.s. – se não se reconhecem em pelo menos uma vírgula deste post, duvidem imediatamente do vosso benfiquismo ;)

Sábado, 16.05.09

Benfica melhor que o Porto

 

Os nossos gloriosos juniores ganharam aos corruptos no antro da máfia, por 2-0. É uma vitória importante, quando se previa que os andrades se preparavam para, também nos juniores, ganharem o campeonato. É muito fácil vir aqui dar estas notícias, eu sei. Acusar-me-ão de estar a desviar as atenções do que é realmente importante e de estar deliberadamente a ignorar os verdadeiros problemas do Benfica. Talvez sim, mas não posso deixar de escrever este post, sobretudo por três razões: em primeiro lugar, tratando-se dos juniores, podemos pelo menos pensar que as coisas poderão melhorar; em segundo lugar, esta equipa tem referências: Nélson Oliveira, que hoje marcou dois golos, David Simão e João Pereira são algumas delas; por fim, num tempo em que os corruptos na forma tentada são o exemplo em tudo para quase toda a gente, deu-me um prazer tremendo dar aquele título ao post.

Terça-feira, 28.04.09

Duas palavras: só vitórias.

A nossa equipa de basquetebol terminou a fase regular da respectiva Liga só com vitórias (a cereja no topo deste bolo foi a vitória contra um clube regional no último - e muito sofrido - jogo). É certo que ainda falta o playoff, a fase realmente importante, mas estes atletas merecem neste momento todo o nosso reconhecimento pelo excelente trabalho que fizeram ao longo desta fase, ao qual não será alheia a mão do nosso responsável pelas modalidades. Com este quadro, creio que é legítimo esperar que estes senhores tragam o caneco no final do playoff. Força nisso!

 

Domingo, 26.04.09

Parabéns, Telma! II

 

A Telma Monteiro não vestiu a indumentária da selecção nacional de Judo e anda a dar entrevistas e a aparecer por tudo quanto é sítio com o manto sagrado vestido. É claro que os responsáveis da FPJ já vieram fazer o devido reparo, o que eu percebo perfeitamente, até porque eles fizeram circular a informação de que os atletas deveriam fazer uso do equipamento da selecção, mas eu não posso senão regozijar-me com a atitude, pois a Telma deixa claro que o emblema com que se identifica é o do Glorioso e não o das "quinas". Parabéns à Telma que, além de ser uma mulher bonita e bem-falante, de ser benfiquista e (também por isso) campeã, trata com este nobre desprezo o chiqueiro das normas das equipas ditas de todos nós.

Segunda-feira, 20.04.09

Artigo 54º

No Regulamento de Competições para a época 2008/2009 da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, prevê o nº 2 do artigo 54º que devem os “Clubes visitados ou considerados como tal proceder à colocação, em todas as entradas do estádio, de um mapa-aviso, de dimensões adequadas, com a descrição de todas os objectos ou comportamentos proibidos no recinto ou complexo desportivo, nomeadamente invasões do terreno de jogo, arremesso de objectos, uso de linguagem ou cânticos injuriosos […]”. Ora, tanto quanto alcanço, o regulamento apenas diz que os clubes têm de alertar os adeptos, mas presumo que, no caso de se verificar algum desses comportamentos, haverá sanções para os clubes, independentemente de estes terem colocado os avisos. Aliás, foi assim que aconteceu com a invasão de campo por parte de um adepto na Luz este ano, pela qual o Benfica teve de pagar €3500, e foi assim que aconteceu também quando os andrades grunhiram durante o minuto de silêncio pelo nosso Manuel Bento em 2006/2007.

 
Posto isto, a minha pergunta é evidente: quando é que alguém faz alguma coisa relativamente aos cânticos injuriosos de que os adeptos do Benfica são sistematicamente alvo quando visitam os outros clubes? Admito que haja muitos outros cânticos injuriosos, claro que há, mas este é um cântico “instituído” e ouvido em todas as partidas que o Benfica disputa, é um cântico que, por essa razão, deveria ter um tratamento singular.
 
Ouvi isso em todos os estádios a que fui ver o Benfica fora e ontem, enquanto não pude ver o jogo, tive de ouvir umas dezenas de vozes esganiçadas nos microfones da Antena 1 a entoar essa cantilena reles.
Domingo, 19.04.09

O mérito de Nuno II

O melhor marcador de nacionalidade portuguesa do campeonato nacional é o Nuno Gomes. Congratulo-me por o seleccionador não o chamar, porque o Nuno faz-nos falta inteiro, mas será que é desta que o Queirós vai reconhecer que o homem faz falta à sua equipa? Eu sei que se ele for corre o risco de ultrapassar o Figo em golos, o que era uma chatice...

 

Grande, GANHADOR, este nosso Nuno!

Terça-feira, 14.04.09

O mérito de Nuno

Sou adepto do Nuno Gomes e não sou adepto da selecção. Como é que uma coisa se coaduna com a outra ou como é que uma coisa casa com a outra? Simples: diz o Queirós, seleccionador, que «o futebol do Nuno não se casa nem se coaduna com o futebol da selecção». O Queirós, pela primeira vez, parece não ter vomitado uma anormalidade: de facto, o nosso Nuno não se coaduna com as invenções perdedoras do seleccionador Queirós, porque o nosso Nuno é um ganhador. Esse ódio fidagal ao glorioso faz-te mal à pele, seleccionador. Infelizmente, a ventania que este homem tem entre as orelhas fê-lo proferir uma afirmação ao seu nível. Vejamos se consigo perceber: «o futebol do Nuno não se casa nem se coaduna com o futebol da selecção», no entanto isso «não significa que ele não esteja nos meus [do Queirós] planos». Hilariante. Não serve, mas convoca-se.

Segunda-feira, 30.03.09

Selecção de todos nós?

Quem me conhece sabe que eu não sou adepto da Selecção Nacional. Não festejo quando ganha, mas também não fico propriamente contente quando perde. A Selecção é-me indiferente, desde que, como acontece na actualidade, nela não joguem jogadores portugueses ou estrangeiros que alinhem no Benfica.

 

Podia até ter acontecido gostar da Selecção de Portugal, mas parece-me difícil algum dia vir a apoiar o que quer que seja que me tenha sido imposto. Assim, não é porque me aconteceu nascer português que apoio a Selecção de Portugal, da mesma maneira que se tivesse nascido no Porto não seria necessariamente do Boavista. Esta coisa da "equipa de todos nós" sempre me fez confusão.

 

Ainda que possa parecer paradoxal, gostava de que os jogadores do Benfica fossem maioritariamente portugueses. A razão é simples - tratando-se de um clube de Portugal, que, por exemplo, participa nas taças europeias com esse estatuto, faz todo o sentido que nele joguem jogadores portugueses.

 

Voltando à Selecção de Portugal, desagrada-me, talvez influenciado por más-línguas que vêem coincidências em todos os sítios, ir percebendo os critérios (económicos, clubísticos...) que estão por detrás da selecção dos jogadores nas várias convocatórias.

 

Desagrada-me ainda que esta paixão assolapada por Portugal e pela Nação nos momentos em que joga a Selecção de Portugal (beijar a bandeira, pôr uma bandeira na varanda) seja conivente com a escolha de jogadores que não são portugueses, independentemente de terem um bilhete de identidade igual ao meu. É que, ainda que um dia por uma razão qualquer fique com outra nacionalidade, não me parece que deixe de ser português no sentido em que se é português para jogar na Selecção de Portugal. A nacionalidade entendida enquanto coisa mutável é uma questão burocrática que não joga com o ser-se seleccionado para representar o país.

 

Além de tudo isto, se se apoia a Selecção porque se gosta de Portugal, por que razão não gostamos todos assim de Portugal no momento em que não pagamos os impostos, no momento de matar gente na estrada, no momento de deitar fogo à floresta, no momento de sujar as praias, no momento de enganar o Estado com pedidos indevidos de subsídios?

 

Desagrada-me também o facto de frequentemente ficar defraudado com o desempenho de excelentes jogadores de futebol na Selecção de Portugal. Quando vejo jogos da Selecção parece-me que os jogadores não são os mesmos quando jogam nos respectivos clubes e na Selecção - ou jogam melhor, quase parecem que pretendem ser comprados, ou jogam pior, quase parecem ter consciência de que aquilo que lhes permite levar as azeitonas para casa é o dinheiro do clube e não o da Selecção (ainda que, soube de fonte insegura, haja alguns que levam uns figos a mais para casa).

 

Como seria de esperar, agrada-me que a esta mísera campanha da equipa de Portugal não estejam associados nomes de jogadores do Benfica. E agrada-me também que o Scolari se esteja a rir do Queirós neste momento ao recordar as bocas reles deste último quando a equipa do Scolari perdeu uns jogos - o Scolari, que aliás, pela forma aparentemente isenta como seleccionou jogadores mas sobretudo pela forma declaradamente competente como os pôs a jogar, me fez acompanhar jogos da Selecção, o Scolari, dizia eu, é que tinha razão quando dizia que para perder jogos nas fases finais era preciso lá chegar. Isto diz-te alguma coisa, Queirós?

 

Por fim - e agora podem acusar-me de clubite e de outras coisas semelhantes - não consigo apoiar uma equipa em que jogue gente do calibre do Bruno Alves. Às vezes, e foi o que aconteceu neste jogo com a Suécia, dou por mim a torcer pela equipa que joga contra a equipa dos Brunos Alves do campeonato português.

Segunda-feira, 23.03.09

Escutas auricularónicas

O Anátema Device, que está sem internet, pediu-me que publicasse este material relativo ao jogo no Estádio do Algarve. É a transcrição da conversa entre o Luchílio (LB) e os assistentes (AA1 e AA2) no momento do já famoso penálti contra o Sportem. Aqui vai:

 

LB – Como é, marco isto ou quê?
AA1 – Pá, não é penálti.
LB – Porra, pá, vou ter de marcar, acho que há bocado já gamei um ao David Luiz.
AA1 – F***-se! Não me digas que estás preocupado! Só fizeste merda até agora!
LB – Fui sensato e perdoei uns cartões, só isso.
AA1 – Perdoaste uns cartões? Isto tem sido só pancada! Esse Derlei parece um karateca, deve ser por isso que lhe chamam Ninja.
AA2 – Deixa-te de mariquices e marca isso. Os verdes já deviam estar reduzidos a 9. Depois vais à SIC e fazes uma cena à “Perdoa-me”, como fez o outro quando se enganou. Vais ver que a SIC alinha.
LB – Boa! Achas que o Quique me empresta um bocado daquele rímel que usa sempre? Para ficar bonito.
AA1 – E depois penteias o cabelo para a frente à idiota, como fazem o Bento e o Barbosa. Vais ver que daqui a uns dias já não se fala nisso.
LB – Sim, isso é capaz de resultar. Achas que me tiram o cartão de sócio do Sportem?
AA1 – Caga nisso, pá, e despacha esta merda que já estou farto de aturar a sovaqueira destes lagartos.
LB – Olhem, e se os verdes se passarem e me mandarem uma murraça?
AA2 – Dizes que não viste nada. Não escreves nada no relatório.

 

Domingo, 22.03.09

Quê?!

 

Cheguei agora a casa e quase não acredito no que li aqui e noutros blogues benfiquistas! Só falta dizerem-me que tenho de pedir desculpa por termos ganhado a Taça da Liga! É a competição menos importante de Portugal? É sim senhor, mas é por isso que é pouco digno ganhá-la? É ridícula? Não sei porquê, mas se o é então tínhamos de facto ainda mais a obrigação de a ganhar. Jogámos mal? De vitórias morais não reza a história. Fomos beneficiados? Não nos disseram anteriormente que os erros dos árbitros fazem parte do jogo? Desta vez tivemos sorte com esses erros. A vitória "tapa" o quão mal vai o Benfica? Realmente, dava-me mais gozo perder a Taça para o Sportem e assim ter a certeza de que tudo vai mal e de que é preciso mudar tudo outra vez.

 

Estou-me nas tintas para as carpideiras de Alvalade e sinto-me orgulhoso porque o meu clube ganhou a Taça da Liga. A cereja no topo do bolo é tê-la conquistado a um clube em que milita uma carraça que grasna que "é sempre bom ver o Benfica perder". Perdoem-me, mas para este peditório da maledicência crónica já dei. Viva o Benfica!

Sábado, 14.03.09

Desolado

Disse-se que era uma final e eu cumpri a minha parte: fui ao estádio, apoiei e aplaudi. Mas alguém não cumpriu a sua parte: é certo que o golo foi irregular, é certo que o adversário queimou tempo, é certo que o adversário é uma equipa difícil, é certo que o treinador fez umas opções que são, pelo menos para um leigo, discutíveis, mas, caramba, um Benfica a jogar assim, sem alma, sem garra, não é o meu Benfica, não é, sobretudo, um Benfica de finais. Porra, pá, assim não!

 

p.s. - fico à espera do post do D'Arcy, pode ser que ele encontre uma explicação que me ajude a engolir isto.

Terça-feira, 27.01.09

Como o modelo ou ao contrário de Penélope.

Caro futuro presidente do Benfica,

 
tenho lido e ouvido muitas vezes que o Benfica deve tomar como modelo a seguir um certo clube regional, que, de acordo com o que por aí se escreve e diz, é exemplar sob vários pontos de vista. Eu assisti à ascensão nos últimos anos desse clube e por isso acho que também lhe posso sugerir umas medidas que deve adoptar assim que assumir o cargo. Ora, porque também sou da opinião de que a política desse clube o conduziu e conduz à conquista de troféus, aqui vai a sua agenda:
 
1.       Garantir que se verifiquem alguns acasos no que diz respeito à arbitragem. Por exemplo, garantir que uma factura de uma viagem de um árbitro vá parar, por coincidência, à tesouraria do clube. Depois, esperar que ocorra a sistemática contingência de o árbitro errar (o que, aliás, faz parte do espectáculo), sempre que nos der jeito. Se, por causa dessas contingências, formos apanhados nas teias da dúbia justiça lusa, é importante que se procure evitar a condenação por efectiva corrupção (se for na forma tentada, tudo bem, e se nos penalizarem quando os pontos já não nos fizerem falta, melhor ainda).
 
2.       Não interferir com os adeptos na sua missão de fazer sentir o peso da camisola aos jogadores. Poderá haver alminhas maledicentes que achem os métodos pouco ortodoxos, mas basta ignorá-las e elas calam-se – afinal será apenas a inveja a falar. Já que se fala nisso, para os adeptos mais interessados, há um bom manual publicado sobre como ser adepto de um clube vencedor.
 
3.       Comprar jogadores baratos para emprestar a outros clubes. É claro que esta medida tem de ser acompanhada por alguns bruxedos, rezas e orações que façam com que esses jogadores, excepcionalmente, joguem mal contra o nosso clube, ou então que adoeçam apenas no dia do jogo contra o clube que, e é bom que eles não se esqueçam disso, lhes paga o ordenado.
 
4.       Incentivar simpatizantes do nosso clube a integrarem cargos directivos de instituições relacionadas com o futebol (honestamente, não vejo qual é a vantagem, mas parece que dá resultado).
 
5.       Contratar um jogador da categoria do Bruno Alves para a nossa equipa (o Binya é muito fraquinho, e, ainda assim, não tem aquela habilidade do Bruno de jogar no limite inferior dos cartões amarelos e vermelhos). Faz-nos falta um jogador com aquele notável poder de impulsão, com aquela garra que o leva a discutir todos os lances sem medo e a meter medo.
 
6.       Fazer amizades em profissões-chave da nossa sociedade – nunca se sabe quando é que será importante ter uma almoçarada na Assembleia da República ou receber um telefonema amigo que nos aconselhe uma escapadela turística à Galiza em alturas de promoções.
 
7.       Controlar os jornalistas. Nisto os adeptos até podem dar uma mão (e há vídeos na internet que explicam isso muito bem), mas o mais importante é contratar um guarda Caim que possa meter medo aos Abéis deste mundo, sejam eles guardas ou jornalistas.
 
8.       Trazer vários treinadores com o engodo de um dia treinarem o clube. É sempre bom porque assim não temos de ouvir a chinfrineira habitual quando a acidental inclinação do árbitro não lhes é favorável.
 
9.       Por último, comprar bons jogadores e pagar-lhes bem, com aquele dinheiro que naturalmente resultar desta eficaz gestão, com os quais se possa fazer uma equipa que dê nas vistas na Europa.
 
Para começar, isto deve ser suficiente, e portanto vou já encomendar os cachecóis do penta.
 
p.s. – este post vem na sequência da minha reflexão matinal de hoje: por que razão rimará “bananal” com “Portugal”?
Segunda-feira, 19.01.09

Pioneiro da estultícia

Os mais distraídos talvez ainda não tenham reparado que o Ricord adoptou o Acordo Ortográfico, no que foi pioneiro não só em relação aos jornais desportivos como, creio, em relação à restante imprensa portuguesa: por exemplo, o nosso Rui Costa surge como “diretor desportivo” do Benfica, a “semana transacta” é a “semana transata” e o mês de Dezembro é, aparentemente, um nome comum (“dezembro”).

 

Esta preocupação do Ricord além de estulta é profundamente irónica já que é justamente o único jornal português cujo título não é uma palavra da língua portuguesa – e isso nem o Acordo Ortográfico aceita – que assume a dianteira e adopta as novas regras. Ironia à parte, se fosse uma adopção plena por parte de um jornal que fosse referência no que ao uso correcto da língua portuguesa diz respeito, enfim, aceitava-se, mas é uma adopção que, além de manca, é acompanhada por um lamentável desconhecimento de algumas regras sintácticas e ortográficas básicas. Os autores desta última notícia sobre o Pablo Aimar, por exemplo, escrevem diligentemente “novembro", “dezembro" e “transata”, mas esquecem-se do “objectivo”, que, se não fosse o caso de a adopção ser manca, seria “objetivo” (é curioso que algumas linhas depois já se escreve “objetivo”). Nesta notícia encontramos ainda outras pérolas que denunciam a incongruência de ser um jornal como o Ricord a adoptar o Acordo. Vejamos: estivessem menos preocupados com o Acordo, e saberiam os jornalistas que “despoletado” tem um significado exactamente oposto ao que lhe pretenderam atribuir na notícia (qualquer dicionário, mesmo aquelas edições escolares, lhes mostrará que a palavra correcta é “espoletado”); na frase “qual o tipo de medicação lhe foi administrada” a forma verbal “foi” não tem sujeito, os jornalistas esqueceram-se do pronome “que” (dir-me-ão que é uma gralha, tudo bem, mas não deixa de ter a sua ponta de ironia).
Poderia continuar a enumeração dos erros com outras notícias, mas tornar-se-ia fastidioso para os leitores da Tertúlia, que estão mais interessados, compreensivelmente, em saber novidades do Glorioso. Mas, caros leitores, compreendam-nos também: já que a alguma imprensa apraz o exercício de vilipendiar de forma grosseira o nosso clube através de análises frequentemente parciais daquilo que é suposto a equipa fazer – jogar futebol –, a nós apraz-nos analisar de forma neutra e factual a forma grosseira e vilipendiosa como alguns jornais tratam a língua portuguesa, no âmbito daquilo que é o seu dever – escrever notícias correctamente.
Sábado, 27.12.08

Há coisas que nunca mudam.

Tal como o brasão de uma família representa a sua identidade, o emblema de um clube há-de traduzir a sua essência, marcando a sua diferença relativamente aos demais. Uma mente iluminada, há mais de 100 anos, antevendo a grandiosidade futura do Benfica, elegeu a águia como um dos elementos do emblema do Grupo Sport Lisboa, mantendo-se aquela no emblema do Sport Lisboa e Benfica. Desde então a águia tem simbolizado o âmago do benfiquismo, ou seja, a nossa essência, aquilo com que nos identificamos, e por isso mesmo afirmei há uns meses, perante uma audiência de cristãos, que um verdadeiro cristão não poderia ser senão do Benfica, acrescentando inclusivamente que existem umas incompatibilidades curiosas entre ser-se adepto de alguns clubes e cristão ao mesmo tempo.

 

Para melhor se perceber o fundamento da minha afirmação, transcrevo o que sobre a águia é escrito no Dicionário dos Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant.
Águia – Rainha das aves, encarnação, substituto ou mensageiro da mais alta divindade uraniana e do fogo celeste, o sol, que só ela ousa fixar sem queimar os olhos. Símbolo tão importante que não há narrativa ou imagem, histórica ou mítica, tanto na nossa civilização como em todas as outras, em que a águia não acompanhe, ou mesmo represente, os maiores deuses e os maiores heróis: é o atributo de Zeus (Júpiter) e de Cristo, o emblema imperial de César e de Napoleão, e, tanto na pradaria americana como na Sibéria, no Japão, na China ou em África, xamãs, sacerdotes e adivinhos, bem como reis e chefes guerreiros tomam os seus atributos para partilharem dos seus poderes. […] A águia coroa o simbolismo geral das aves, que é o dos estados espirituais superiores e, portanto, dos anjos, como a tradição bíblica o testemunha frequentemente: “Os quatro tinham uma face de águia. As suas asas estendiam-se para o alto; cada um tinha duas asas que se tocavam e duas asas que lhe cobriam o corpo; e seguiam para onde o espírito os levava” (Ezequiel, 1, 10). Estas imagens são uma expressão da transcendência: nada se parece com ela, mesmo multiplicando os atributos mais nobres da águia. […] A águia fixando o Sol é também o símbolo da percepção directa da luz intelectiva. […] Símbolo da contemplação, por isso se faz a atribuição da águia a S. João e ao seu Evangelho. Identificada com Cristo nalgumas obras de arte da Idade Média, exprime ao mesmo tempo a sua ascensão e a sua realeza. […] Os Salmos, por último, fazem dela um símbolo de regeneração espiritual […].
Deixando agora de lado a universalidade do símbolo, é-me difícil perceber, de acordo com a tradição bíblica, como é que um cristão não se revê na águia e não a defende apaixonadamente. Sendo a águia a encarnação do pulsar benfiquista, como é que há cristãos não benfiquistas? Repare-se, a este propósito, na seguinte passagem do Apocalipse:
Quando o Dragão se viu precipitado na terra, lançou-se na perseguição da Mulher que tinha dado à luz um Menino. Mas à Mulher foram dadas as duas asas da águia real, a fim de voar para o seu refúgio, no deserto, onde ia ser alimentada durante três anos e meio, longe da Serpente. Então, a Serpente, na perseguição da Mulher, lançou da sua boca um rio de água, a fim de a arrastar na corrente.Mas a terra veio em socorro da Mulher: abrindo a sua boca, a terra engoliu o rio que o Dragão tinha lançado atrás da Mulher.E, furioso contra a Mulher, o Dragão foi fazer guerra contra o resto da sua descendência, isto é, os que observam os mandamentos de Deus e guardam o testemunho de Jesus.Depois colocou-se na areia da praia.[…] Vi, depois, um anjo que descia do céu. Trazia na mão a chave do Abismo e uma grande corrente. Agarrou o Dragão, a Serpente antiga, que também se chama Diabo ou Satanás […].
Já que se falou de dragões aqui, repara-se, a partir do texto anterior, no paradoxo que é ser-se cristão e adepto de um clube cuja identidade seja representada por um dragão – é que o dragão representa, biblicamente, o mal. Mas vejamos também o que diz o Dicionário dos Símbolos sobre os dragões:
O dragão aparece-nos sobretudo como um guardião severo ou como um símbolo do mal e das tendências demoníacas. […] O dragão como símbolo demoníaco identifica-se com a serpente: […] as cabeças de dragões quebradas e as serpentes destruídas são a vitória de Cristo sobre o mal. Além das imagens bem conhecidas de São Miguel ou de São Jorge, o próprio Cristo é por vezes representado calcando aos pés um dragão. […] Os dragões representam também o exército de Lúcifer, oposto ao exército dos anjos de Deus. […] São Jorge ou São Miguel e o dragão, que os artistas representaram muitas vezes a combater, ilustram a luta perpétua do mal contra o bem. Sob as mais diversas formas, esta obsessão reaparece em todas as culturas e em todas as religiões […].
Posto isto, eu apenas posso sentir-me reconfortado por a minha casa ser a da Luz (que representa o bem, a inteligência, o conhecimento) e estranhar a existência de cristãos que dizem que a sua casa é a do Dragão. Existissem ainda as ordens militares da Idade Média e veríamos como tudo estaria reduzido a pó, mas a injustiça domina, os tentáculos do mal chegam muito longe e às vezes há dragões com crista que nos aborrecem com a sua presença na Luz.
Bom, naquele auditório a que fiz referência anteriormente, havia umas duas ou três vozes que perguntavam avidamente como é que era com o leão. E eu li-lhes uma passagem do Dicionário dos Símbolos que me pareceu significativa: “o leão, animal puramente emblemático, tem profundas afinidades com o dragão, com o qual chega a identificar-se”. Ficaram envergonhados, que é um estado frequente nesta gente que se identifica com o leão, e eu tive pena deles, como costumo ter, e li-lhes uma passagem do mesmo livro que os deixou aliviados: “[o leão] pode ser tão admirável como insuportável”. Há pouco falei de casas, mas não posso falar do Alvalade porque, de tão insignificante, não existem referências bíblicas nem simbólicas a essa casa.
Antes de terminar, queria fazer um reparo a este gente que se identifica com os leões. Quando foram à Luz admirar o voo da águia, exibiram uma tarja que perguntava ironicamente “Viemos ao circo?”. Gentinha ignorante, os animais do circo são os leões e os elefantes, não as águias, ou já ouviram alguém dizer “vamos ao circo ver as águias”? Às vezes, num desvario cujos contornos não chego bem a perceber, esta gente diz que qualquer dia também solta leões em Alvalade para comerem os benfiquistas. Reparem que até neste breve rasgo de agressividade conseguem revelar a relatividade do seu valor: soltam os leões para se alimentarem de nós, porque somos nós que efectivamente os sustentamos – como sabem, não há adeptos do sportem, há é adeptos anti-Benfica, que, sem o Benfica, perdem o sentido da existência. Bom, soltem lá os leões, só espero que não lhes aconteça o mesmo que aconteceu aos outros que se esqueceram do dragão a cuspir fogo dentro do autocarro.
Reli aquilo que acabo de escrever e fico impressionado com a actualidade da Bíblia, ainda que na altura não houvesse viagens ao Brasil (apesar de já haver fruta).
Segunda-feira, 08.12.08

1º lugar

 

O circo vai verdadeiramente começar agora. A atracção principal será evidentemente o palhaço do apito. É a estrela da companhia, a garantia das bilheteiras, é a prima-dona dos camarins, cujo atrevimento já nem tem medo da censura porque o patrão é maior que a própria censura. Tudo lhe é permitido e é aplaudido com a nota máxima, e ninguém sequer se admira de como é que faz tão poucas tournées no estrangeiro. E há por aí uns palhaços já velhos, já reformados, que hão-de fazer reparo se a palhaçada não for como no tempo deles, sim, porque no tempo deles é que era, agora as pessoas levam a mal, agora as pessoas não sabem brincar. É só palhaçada, uma espécie de Carnaval, ninguém pode levar a mal! Assim como assim, não há-de faltar público a atirar-lhes fruta e outras comezainas, porque, lá isso!, honra lhes seja feita, merecem-na sempre.
Mas atrás deles não hão-de ficar os mágicos, os ilusionistas, os contorcionistas e os malabaristas, que conseguem mostrar como uma vitória é uma derrota, como a corrupção não é corrupção, como as agressões não são agressões, como os sumaríssimos que são sumaríssimos não são sumaríssimos e os que não são passam a ser, como, imagine-se, nunca existiu, não existe, nunca existirá um palhaço do apito, ainda que às vezes os ilusionistas os convidem para os seus números. Iludido, o povo adora e o povo aplaude. Os malabaristas conseguem dizer “piu piu piu” na televisão e não lhes acontece nada, o que é fabuloso. Mas não há, de facto, como os hipnotizadores, que conseguem pôr-nos a olhar para imagens e a não ver as imagens, ou melhor, a ver as imagens que eles querem que nós vejamos.
Depois virão os anões (não se iludam com o tamanho), com os bolsos cheios das guloseimas das avenças, à espera de se montarem no palhaço do apito e duas vezes por temporada serem gigantes. O resto do ano entretêm-se com as migalhas das jaulas dos animais e vão polindo as grades, não vão os animais ficar descontentes. Se acontece uma distracção junto das jaulas, às vezes desaparecem durante muito tempo.
Depois hão-de vir os animais, enfiados nas suas jaulas, a rugir ou a cuspir fogo, para o povo aplaudir, para o povo dizer que sim senhor, para os palhaços lhes limparem a merda, para os ilusionistas e malabaristas trabalharem neles com afinco, escovando-os, penteando-os.
E quem é que vai ganhar com isto tudo? O dono do circo, que nunca aparece, mas é quem mais se ri no fim, porque até lhe vão entregar o dinheiro às bilheteiras, como quem convida alguém para um almoço na Assembleia da República.
Mas eu acredito, com muita fé, que por cima de isto tudo, indiferente aos cheiros, há-de planar uma águia num voo solene.
Quarta-feira, 03.12.08

Obrigado, Miguel.

Caro Miguel (não sei se é assim que te chamas),

 
Não me conheces e por isso não sabes que no dia 1 de Dezembro também estive no Estádio da Luz, no sector 23. Não saberás também que nesse dia levei pedagogicamente comigo a Caetana. Não interessa o sentido exacto do advérbio, importa apenas que a levei e que a levei pedagogicamente, porque há prelecções que, de tão grandes, passam por cima de muros, ainda que estes sejam muito altos e cravejados de vidros cortantes, como é o caso. Mas disto, de ensinar, saberás tu, não é, Miguel? Era um jogo importante, um jogo para o primeiro lugar. Os outros chamavam-se Vitória, mas a águia que voou no início com esse nome era nossa, tal como a vitória no final do jogo não podia senão ser nossa também, tal como aliás o primeiro lugar deveria ser também nosso, se houvesse justiça. Não há, e tu, do alto dos teus oito anos, não sabes que não há, e ainda bem que ainda não sabes, porque assim as derrotas e os empates são só derrotas e empates, não são derrotas e empates com sabor a outra coisa que não a superioridade do adversário.
Estávamos gelados, naquele sector 23, lembras-te? Ainda assim, lá fui batendo palmas, que é a único som não desafinado que consigo fazer. Se me tivesses conseguido ouvir, terias percebido como isto é verdade, e eu escusaria a explicação. Não ouviste, fica dada a explicação. Na primeira parte, o nosso Benfica foi fraquito, Miguel, mas suponho que não devas ter passado muito tempo sentado, porque a primeira vez que te vi estavas de pé, a tapar elegantemente a vista a quem estava atrás de ti, e a tua mãe (era a tua mãe?) puxava-te vigorosamente para baixo, para te sentares. Tu ignoravas a tua mãe e gesticulavas para dentro do campo, como se fossem aqueles os teus pupilos (e talvez não estivesses longe da verdade). Eu levei uma pupila também, e ainda assim não consegui gesticular para ela com essa expressiva harmonia.
E agora peço-te desculpa, Miguel, por me ter lembrado do jogo com o Penafiel a propósito do que estavas a fazer. Nesse jogo da Taça, havia na minha fila um puto, mais ou menos da tua idade, a quem deram um apito. Tu não saberás, mas um puto com um apito na boca consegue ser mais irritante que os adeptos benfiquistas com tendência crónica para a maledicência (do género daqueles que virão vociferar com caps lock para a caixinha dos comentários deste post). O puto sentava-se e levantava-se aleatoriamente, nem estava a prestar atenção ao jogo, mas não largava o apito. Então, num momento de silêncio, sentou-se e esqueceu-se de que a cadeira recolhe automaticamente, e a única coisa que se ouviu fui o ruído seco do puto a cair no chão. Rimos de satisfação e o apito não se voltou a ouvir, porque, além de ter caído no chão, o puto ainda apanhou dois tabefes da mãe. Peço-te desculpa, mas eu quis que isto te acontecesse, sobretudo porque tu tinhas a mania de te voltares para nós (mas não aleatoriamente, o que só percebi depois) e gesticulares também. Quando foi do golo dos outros, visto do meu lugar, foste insuportável. Bateste palmas, gesticulaste, saltaste, tiraste o gorro e a tua mãe teve se levantar para te sentares durante dois segundos. E foi então que te viraste para nós e pediste claramente apoio para o Benfica. Nitidamente. Como saberás, não compreendi exactamente o que estavas a querer dizer. Mas há gestos e expressões, como as tuas naquele dia, que as palavras só atrapalham, e por isso não precisei de te escutar. E só então é que percebi que, ao longo de todo aquele tempo, estiveste sempre a pedir apoio para o Benfica. Sempre, sempre. E isso tornou-te um pouco menos irritante, Miguel. Quando começou a segunda parte, lá estavas tu a gesticular, enquanto toda a bancada estava sentada, gelada e amuada. Que irritante, Miguel, só faltou teres um apito na boca! A equipa estava a jogar mal, caramba! E o teu apoio frenético começava a chatear-me, porque me parecia deslocado, excessivo.
A distância a que estava, com a histeria que é para mim um golo do Benfica e com a celebração com a Caetana, não te consegui ver depois de o Katsouranis ter marcado o golo. Mas, depois da euforia, com uma face confiante, lá estavas tu virado para trás, quase ignorando o jogo, a pedir apoio freneticamente. Como fizeste, pelo menos, desde que te vi a primeira vez (apercebo-me agora). Veio o segundo golo, ficaste eufórico, a tua mãe continuava a puxar-te para baixo e tu só te querias voltar para trás para bater palmas para nós. Para bater palmas para nós?
Foi só então que percebi que eras surdo-mudo. Fiquei mudo, claro, e não soube o que fazer com as mãos, como me acontece ordinariamente quando alguém me reconcilia com a minha vida. Apresentei-te, a distância, à Caetana, e a partir daí cantámos ambos horrivelmente (nisso eu e a Caetana somos parecidos, ainda que eu não a tenha ouvido porque estava a gritar por mim e por ti), batemos palmas, levantámo-nos, gritámos Benfica, apoiámos com todas as desarranjadas cordas vocais que temos, desafinámos, devemos ter feito uma figura ridícula. Mas como podíamos nós fazer outra coisa que não aquela? Como podíamos nós responder de outro modo ao teu apelo? O que podíamos nós fazer diante da tua grandeza? Não foste irritante, Miguel, desculpa. Apenas nos pediste que fizéssemos o que tu não podes, infelizmente, fazer: apoiar o teu clube gritando. Deves ter pensado, com razão, “Dá Deus voz…”.
Peço-te desculpa, Miguel, porque, quando te voltaste para trás desesperado (e é dessa expressão que eu não me hei-de esquecer nunca) a pedir apoio depois de os outros terem marcado o golo do empate, eu estava incrédulo com o Quim e a Caetana desanimada, e não, Miguel, nesse momento não apoiámos. Mas apoiámos depois, naqueles três minutos quase não nos sentámos. Por nós e por ti.
Quando acabou o jogo, Miguel, a tua mãe levou-te. Alguns adeptos já se tinham ido embora. Mas quero que saibas que eu e a Caetana ficámos os dois de pé – os únicos na nossa fila – a aplaudir os jogadores, ainda que à nossa volta se vaiasse a equipa. O Luís de Sttau Monteiro escreveu um dia que “Há homens que obrigam todos os outros homens a reverem-se por dentro”. Tu és daqueles benfiquistas honestamente hiperbólicos que nos obrigam a revermo-nos por dentro. Comigo e com a Caetana foi isso que aconteceu.
Naquele dia, podia ter chegado a casa e ter escrito um comentário a crucificar o Quim. Não fui capaz, Miguel, porque não consegui sentir-me revoltado. Triste sim, mas não revoltado. E a culpa foi tua – não podias ser um puto banal, um puto chato, um puto que não me tivesse tirado o protagonismo pedagógico junto da Caetana? Depois de ti, que lhe posso eu ensinar? Não podias ser um puto mimado, daqueles que ao intervalo precisam de coca-cola e gelados e cachorros e doces, em vez de seres um puto surdo-mudo de óculos e gorro a gesticular para o relvado da Luz? É que assim não vinha eu para casa com a certeza de que nada se ouviu mais alto naquele estádio naquela noite do que o teu silêncio, nem ninguém, por mais que tenha gritado e vociferado (mesmo aqueles que espumavam ofensas ao Quim) ensinou melhor a Caetana. As palmas no final, caro Miguel, as minhas e as da Caetana, que tu já não viste, eram para ti e para os jogadores, porque ao contrário daquele adepto que me perguntou por que razão estava eu a bater palmas (de uma maneira rude, com cuspo e espuma na boca à mistura) eu tenho sempre de aplaudir aqueles senhores, ainda que joguem mal, porque estão ao serviço de um clube que será sempre maior que eles, e, é verdade, não consegui esquecer-me de ti e da mestria da tua lição de apoio ao Benfica: façamos nós, os que lá vamos, pelo menos o pouco que muitos não podem fazer – apoiar. E voltámos para casa, a Caetana um pouco maior, eu indescritivelmente pequeno.
Obrigado, Miguel.
Segunda-feira, 17.11.08

Critérios II

Não quero fazer aqui a defesa nem a condenação dos No Name Boys, mas gostava de que alguém me explicasse muito bem esta questão das escutas telefónicas. É que, no caso do apito dourado, fiquei a saber no dia 3 de Novembro de 2008, num site de uma estação de rádio, que "o Supremo Tribunal Administrativo (STA) considerou inconstitucional a utilização das escutas telefónicas realizadas no âmbito do processo Apito Dourado", pois aquelas são "um atentado a um direito fundamental: o direito à vida privada". Muito bem. Hoje, duas semanas depois, portanto, fico a saber que "alguns [membros dos No Name Boys] foram detidos já com mandado de detenção, numa investigação que envolveu escutas telefónicas". Confesso-me baralhado e sinto-me tentado a concluir aquilo que o D'Arcy concluiu num post homónimo: "já não há vergonha!".

 

 

Adenda ao post

 

O Leão Eça Cana já respondeu à minha pergunta num comentário:

 

se nas ditas (escutas) houver referências a itens da alimentação humana (ex: "fruta"; "café", "leite", etc.) , as mesmas (escutas) nunca serão válidas por atentarem a uma das mais básicas das condições humanas - a necessidade de encher o bandulho.

caso contrário, as escutas são um primor para a condenação judiciária

imaginemos que os rapazes tinham dito, acerca do planeamento para o ataque a uma tribo rival: "então como é , mens, vamos distribuir bué fruta hoje ou não?"; não seriam condenados pelas escutas

da mesma forma, se usassem expressões como "temos aqui material mais branquinho que o leite " (em vez de nomear a droga) ou "com esta moca de rio maior, deixei-o mais negro que o café" (para se vanglorearem de uma agressão brutal), as escutas seriam inválidas

é só disto que se trata, nada de discriminações, há é que saber ser bandido de acordo com o que vem na lei, mais nada.

 

Muito obrigado, caríssimo.

Terça-feira, 16.09.08

Parábola do puto da bola nova

Nos jogos de futebol dos putos, de vez em quando há um que aparece com uma bola nova. Esse puto, quer jogue bem quer jogue mal, acha-se no direito, porque tem uma bola nova, de escolher as equipas, de escolher o campo, de escolher quem salta o muro para ir buscar a bola ao quintal e até, se for caso disso, de escolher as regras do jogo. Sempre houve um puto destes nos jogos de putos. Os outros putos rapidamente percebem que é apenas uma bola nova, e continuam a jogar. Aquilo de que o puto da bola nova não se apercebe, porque é puto, é que a atitude dele apenas o faz ficar de fora e que, estando sozinho, a bola não lhe serve de nada. Não se pode chamar a isto estupidez, é apenas criancice.

 

Lembrei-me disto a propósito da transmissão do jogo Nápoles-Benfica, por me parecer que a "parábola do puto da bola nova" é semelhante ao que a Sport TV parece andar a fazer. Como todos sabem, este canal comprou os direitos televisivos desse jogo, mas, estranhamente, o Nápoles-Benfica não faz parte da programação, ainda que, na Sport TV2 apareça, no horário do jogo, a referência FUTEBOL - UEFA (TAÇA UEFA) - DIRECTO. Sendo a Sport TV o puto da bola nova, onde é que o canal quererá chegar com esta criancice? Vejamos: sendo nós os outros putos, temos sempre a possibilidade de ver o jogo na internet ou ouvir na rádio, ou seja, nós continuamos a jogar. Não é, claro, como jogar com uma bola nova, mas quantas vezes não jogámos e jogamos nós com estas bolas? Se isto é birra por causa da Benfica TV, o que se vai conseguir é o mesmo que o puto da bola nova consegue: ficar mais afastado dos outros putos e, sem os outros, brincar sozinho. Não seria melhor, dado que inevitavelmente aparecerá outro puto com uma bola nova, o puto da bola partilhar a bola e oferecer-se logo para ir à baliza, numa jogada de antecipação? Se os benfiquistas andam manifestamente descontentes com as transmissões tendenciosas deste canal, não será a não transmissão do jogo mais uma acha para a fogueira?

 

A mim tanto me dá, pois não tenho nem nunca tive Sport TV, mas não acredito que o jogo não passe na televisão (neste ou noutro canal). Será que não se podia evitar este circo, este joguinho, esta criancice (ou estupidez, porque, não se tratando de putos, estes nomes são contextualmente sinónimos)?

 

No meio disto tudo, só espero que a bola nova vá parar ao quintal. É que assim o puto da bola nova já tem desculpa para comer fruta, poupando-nos ao deplorável teatro que é tentar convencer-nos de que a come sem querer.

Segunda-feira, 18.08.08
Sexta-feira, 20.06.08

E agora, Madaíl?

Fomos eliminados pela Alemanha, já não há o perigo de perturbar as estrelas, já podemos falar sobre os males do nosso futebol? Pois é, Madaíl, estavas à espera de vir para o lamaçal com o caneco? Ias ser o maior - quem é que se iria lembrar de contestar uma federação que criou condições para levar uma selecção ao título europeu? Bom, pelo menos não perdemos uma final do campeonato europeu de futebol em casa contra a Grécia, essa super-potência do futebol mundial. A Alemanha sempre é a Alemanha, e afinal perdemos por 2-3, nada mau para uma equipa que era candidata ao título...

 

Mas voltemos ao importante. Quando voltares, e depois de eventualmente acusares os benfiquistas de não terem deixado a equipa em paz e de responsabilizares o Benfica pela derrota da selecção diante da Alemanha, vais explicar bem os contornos da história do PC, do FCP, da UEFA e etc.? Bem lá no fundo, e usando o teu apregoado bom-senso, devias estar agradecido à Alemanha: é que assim vais poder voltar para o teu país e tentar limpar a imagem, mesmo internacional, de um futebol de corrupções tentadas. Ou será que  o teu bom-senso se lamenta por ter planos de limpar a lama com a ajuda da conquista do campeonato europeu? Pois é, Madaíl, em vez de sermos o país campeão europeu seremos o país em que a corrupção, pelo menos a tentada, compensa. Foleiro, pá! Dura imagem.

 

Outra coisa, ainda. Se o "sucesso da Selecção e da FPF representa também um acrescento de prestígio para todos os clubes, dirigentes, atletas e demais agentes do nosso futebol", o insucesso representa o quê? Será que, seguindo a lógica madailística, o insucesso representa um aumento do desprestígio? Então será legítimo concluir que o insucesso da FPF se relaciona com o desprestígio internacional em que caiu o futebol português com a história das corrupções?

 

Termino com umas dicas para as entrevistas que vais dar quando chegares:

Fomos roubados.

O Benfica criou instabilidade.

O Scolari estragou tudo quando permitiu que se anunciasse a sua contratação pelo Chelsea.

O Benfica criou instabilidade.

O Scolari estragou ainda mais tudo no jogo com a Suiça (já não és casado com ele, e ele vai compreender estas acusações).

O Benfica criou instabilidade.

O Real Madrid prejudicou o desempenho do Ronaldo.

O Benfica criou instabilidade.

O Eusébio disse aos media que, se fosse ele a mandar, o Scolari não saía.

O Benfica criou instabilidade.

O Scolari não convocou o Baía.

O Benfica criou instabilidade.

A UEFA criou instabilidade nos jogadores portistas.

O Benfica criou instabilidade.

Os emigrantes são um público muito exigente.

Quarta-feira, 18.06.08

Porreiro, pá!

É triste o aproveitamento que a nossa ridícula Federação Portuguesa de Futebol está a fazer do Euro 2008 para nos distrair da vergonhosa história de corrupção no futebol português e de todas as confusões, desenrascanços e chicos-espertices em volta deste lamaçal. O apelo vem no site da FPF: «A FPF volta a apelar ao bom-senso e serenidade de todos os agentes do futebol português, tal como tem vindo a ser praticado pelo Dr. Gilberto Madaíl, tanto mais, que a Selecção Nacional está a poucas horas de disputar um jogo decisivo na fase final do Campeonato da Europa de 2008. O sucesso da Selecção e da FPF representa também um acrescento de prestígio para todos os clubes, dirigentes, atletas e demais agentes do nosso futebol». Boa ideia, Madaíl. Diria mesmo: porreiro, pá. Traduzindo: é melhor que nos calemos, portuguesinhos da treta, porque caso contrário o Ronaldo não marca o golinho que nos faz esquecer a merda de federação que temos, a merda de justiça que temos - desportiva e não só - e a merda de país que, afinal, somos. E é duplamente bom que se calem, porque ganhando a selecção mais este joguito, podem continuar a aumentar os combustíveis, deixa de haver greves, o Governo continua na sua demanda da inutilidade pura e o povo bate palmas e anda contente, pobre, mas contente. Bom-senso? Serenidade? Quero bem que se lixe com um F maiúsculo a selecção! Antes de ser português sou benfiquista, e espero que o Nuno Gomes não pactue com isto (se de um golo teu, Nuno, depender a manutenção do lamaçal, marca-o, mas na baliza do Ricardo). O cúmulo da palhaçada vai ser amanhã a selecção perder e o Madaíl dizer que a culpa é do Benfica porque não se calou, porque não foi conivente com o sistema.

 

Este comunicado da FPF é a demonstração de um certo peso na consciência: não havendo argumentos lógicos, usa-se a selecção " de todos nós". É melhor ficar por aqui. Se escrever mais um parágrafo, talvez amanhã acorde adepto da Alemanha desde pequenino.

Domingo, 08.06.08

Euro? Qual Euro?

Benfica já é campeão nacional de juvenis, após derrotar uma equipa qualquer. Ora aqui está uma notícia que interessa. É claro que a equipa regional derrotada hoje em Lisboa (na verdade foram duas, mas refiro-me à que jogou contra o Benfica), no âmbito de um apito encarnado que, mais cedo ou mais tarde, conseguirão criar, irá mostrar que os jogadores do Benfica andavam dopados com Capri-Sonne e que a marca de pastilha elástica mascada pelo árbitro era da mesma marca que a de um jogador do Benfica. Euro? Qual Euro?

Quarta-feira, 02.04.08

Ricord

Gostava de tecer um comentário jocoso acerca desta notícia do Ricord sobre o Benfica, mas não conseguiria ter mais piada do que a própria notícia, que se intitula "Nada de novo no Seixal". Quando o que é notícia é a não existência de notícias está tudo dito sobre a qualidade jornalística do jornal e sobre a grandiosidade do nosso clube, pois nele tudo é notícia, mesmo o que, por definição, não é notícia. Por estranho que pareça, até louvo a atitude: na ressaca do 1 de Abril, que é afinal um dia frequente por aquelas bandas, o Ricord deu tréguas ao tipo de jornalismo por que é conhecido.

Segunda-feira, 25.02.08

O insustentável peso da ausência de um valor absoluto

Já não é a primeira vez que escrevo aqui que o sportem vive diariamente com a triste sina de não ter um valor absoluto. Os lagartitos nunca dizem que têm X campeonatos, dizem que já só têm menos X campeonatos que o Benfica; ou que já só têm menos X taças de Portugal que o Benfica; ou que já têm mais X campeonatos nacionais de berlinde de três buracos no escalão dos infantis B que o Benfica. O sportem tem um valor relativo: é sempre qualquer coisa menos que o Benfica. Qualquer clube tem valor absoluto, o sportem mede-se pelo Benfica, tem o Benfica como referência, como modelo, como bitola de comparação. Lembrei-me disto por causa das mais recentes declarações do presidente do sportem, que vão justamente nesse sentido e que por isso são emblemáticas deste mesmo insustentável peso da ausência de um valor absoluto: «Filipe Soares Franco espera atingir, com o lançamento do novo cartão, que rotulou como o "melhor da Península Ibérica" e "superior ao do Benfica"...»; «Estamos sempre a compararmo-nos ao grande rival Benfica». Leiam bem: GRANDE rival BENFICA. É por isso que eu percebo que os nossos jornalistas e comentadores televisivos, perante esta grandiosidade do Benfica, se sintam na obrigação de dizer mal do clube para que os restantes possam ir sobrevivendo.

Quarta-feira, 10.10.07

Onde está o Wally?

 

Hipóteses que justificam esta discrepância na edição on-line do Record:

a)      O Moutinho é muito feio.

b)      Quem é mesmo o Moutinho?

c)       O site do Record dá erro quando a palavra “ganhar” surge associada a uma imagem de um jogador do Sportem.

d)      É impossível um jogador do Sportem dizer “Estamos mentalizados para ganhar”.

e)      A objectiva não consegue focar pessoas com estatura inferior à do Marques Mendes.

f)       O Moutinho ficou chateado porque não o deixaram tirar esta fotografia com o Florivoso.

g)      Mou… quê?

h)      Outra (indique , por favor).

Este post foi feito em colaboração com o Anátema Device.

 

Sexta-feira, 05.10.07

A glorificação dos Lobos ou a mania das comparações absurdas

A selecção nacional de rugby participou no campeonato mundial da modalidade, que está a decorrer em França, e foi derrotada em todos os jogos que fez. Os jogadores desta selecção são todos amadores e foi a primeira vez que uma equipa portuguesa se apurou para o campeonato mundial: têm mérito e é compreensível que tenham perdido os jogos todos. O que não é compreensível é o endeusamento da equipa pela boca e pela pena dos comentadores desportivos nacionais, que levou o Benfica, justamente porque imbuído nesta onda pró-rugbyana, a prestar uma homenagem à equipa em pleno relvado da Luz, no intervalo de um jogo entre o Benfica e outra equipa (ainda que esta outra equipa fosse muito medíocre). E isto custou-me. Custou-me ver dois ou três tipos com um cachecol do Sportem a serem homenageados, sublinho, em pleno relvado da Luz. Autorizar que alguém entre na Luz com estes adereços é grave. Permitir que esses cachecóis subam ao relvado é ainda mais grave. Aplaudi-los é absolutamente incompreensível.

 

Em primeiro lugar, a ideia de que temos de apoiar Portugal e o espírito de "equipa de todos nós" causam-me azia. O Benfica é uma causa que eu defendo porque eu me tornei benfiquista. Eu não tenho por hábito defender, em qualquer campo da minha vida, causas que me são impostas. Eu não escolhi ser português logo não tenho de apoiar as selecções nacionais, tal como não tenho de defender o facto de respirar oxigénio. A selecção nacional de futebol interessa-me porque há jogadores do Benfica que são convocados para alinhar nessa equipa. O interesse termina no momento em que, por exemplo, o Petit é substituído, e apenas festejo golos marcados pelo Nuno Gomes. Perdoem-me os apoiantes das selecções, mas eu não consigo aplaudir jogadores que marcam golos ao Benfica e os festejam efusivamente virados para as bancadas a mandarem-me calar! Com a selecção de rugby acontece a mesma coisa: não me sinto obrigado a apoiá-los. 

 

Em segundo lugar, causou-me ainda mais azia o que se passou em Portugal com a selecção de rugby, nomeadamente quando ouvi e li as análises feitas aquando do primeiro jogo da selecção, que se baseavam em comparações perfeitamente absurdas. Os comentadores nacionais tiveram orgasmos com a selecção nacional de rugby a cantar o hino e disseram que a selecção nacional de futebol tinha de aprender com eles, mas ninguém viu que se compararam duas coisas que não têm comparação. O futebol tem jogadores profissionais e a selecção nacional de futebol tem participado ultimamente com alguma regularidade em campeonatos europeus e mundiais. O rugby tem jogadores amadores que nunca tinham ido a um campeonato mundial. Como é evidente, a reacção ao protocolo do hino nacional só pode ser diferente: os últimos fizeram história naquele dia, os primeiros já não fazem história. Mas já que estamos numa toada de comparações patetas, eu também podia dizer que, quando andei pela primeira vez de gaivota num lago no Zoo de Lisboa, estava tão emocionado que fiz xixi nas calças, e que esse xixi é igual às lágrimas que os jogadores da selecção nacional soltaram quando gritaram o hino: é que eu, tal como eles no mês passado, também fiz história naquele dia. Se querem comparar a selecção nacional de rugby com qualquer coisa, comparem-na com... uma selecção de rugby. E agora sou que comparo estupidamente: "isto é que é, os jogadores de rugby deviam era fazer como a selecção de rugby da Nova Zelândia". O Petit, o Nuno Gomes e os outros a cantarem o hino nacional pode ser comparado às outras selecções de futebol a cantarem o hino, mas não àquilo que os jogadores de rugby fizeram em França.

 

Em suma, à partida, não gosto de "selecções nacionais": vejo alguns jogos da selecção nacional de futebol, interesso-me pelos jogadores do Benfica, fico contente com as suas vitórias, mas prefiro ir ver um bom filme ao cinema a ver um jogo da selecção nacional; em segundo lugar, irritou-me o endeusamento do rugby promovido pela comparação entre a selecção de rugby e a de futebol: se acham que a segunda devia cantar como a primeira, também devem achar que a primeira devia ganhar os jogos que a segunda já ganhou; finalmente, os meus parabéns à equipa nacional de rugby, mas não me peçam para os apoiar ou, pior ainda, admitir que pisem o relvado da Luz com cachecóis do Sportem - e isto foi a gota de água para mim.

Segunda-feira, 20.08.07

FS no seu melhor estilo na hora do adeus

FS declarou sentir-se "surpreendido" por ter sido despedido do Benfica, pois "um treinador que ganha o Torneio do Guadiana há 15 dias, ganha o jogo da Liga dos Campeões e não perde no 22º jogo para o campeonato nacional não está à espera de sair". Eu gostava de tecer um comentário jocoso, pleno de ironia, mas não consigo ter mais piada que as próprias declarações deste senhor. Em primeiro lugar, ainda não tinha percebido o real valor do Torneio do Guadiana, mas admito que o problema seja meu, pois pensei que se tratava de um mero torneio de pré-época. Admitindo, portanto, que ganhar o Torneio do Guadiana é um motivo para não se despedir um treinador, é legítimo perguntar-lhe, senhor Fernando Santos, se perder esse mesmo torneio, como aconteceu ao "seu" Benfica no ano passado, é motivo para se despedir um treinador. Concordo com o senhor Fernando Santos quanto ao segundo argumento: ganhar um jogo na Liga dos Campeões é, sem dúvida, um feito importante na vida de um clube. Mas vejamos: o Benfica estava a jogar em casa, com o Copenhaga, ganhou por 2-1 e estava na pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Confesse, senhor Fernando Santos, postas as coisas deste modo, o caso muda de figura, não? Eu não quero com isto dizer que um bom resultado seria apenas ganhar fora ao Barcelona por 4-0, mas este jogo com o Copenhaga não é motivo de orgulho (excepto para o Rui, claro). Por fim, 22 jogos sem perder para o campeonato é muito bom, sem dúvida, mas, senhor Fernando Santos, o Benfica empatou 7 vezes nesses 22, ou seja, perdeu 14 pontos em 66 possíveis. Isto é bom?
Quarta-feira, 11.07.07

Miccoli - uma correcção.


Caríssimo Anátema, a imagem que eu tenho da capa desse jornal é a que apresento neste post. Onde é que tu foste arranjar essa politicamente correcta?
Segunda-feira, 21.05.07

Duas perguntas inocentes.

1. Se para o Engenheiro Santos esta não foi uma época negativa para o Benfica, o que é que o Engenheiro Santos considera positivo numa época de um clube que é candidato a ganhar pelo menos 2 das 3 competições em que se encontra e não ganha nenhuma?
2. O que é que sentem os adeptos portistas lisboetas quando ouvem os adeptos do F.C.P. a gritarem "nós só queremos ver Lisboa a arder, ver Lisboa a arder!"?
Terça-feira, 24.04.07

A insustentável leveza de ser adepto do Benfica

Estava numa comemoração de três aniversários - filha, mãe e avó - quando começou o jogo do Benfica com o Marítimo. Em cerca de 30 pessoas, fui o único a perguntar se a casa tinha SportTV. Tinha. Sentei-me assim que pude no melhor lugar da sala, mas não fui a tempo de ver o prometedor e pressagioso primeiro lance do Miccoli. De vez em quando, aparecia um ou outro conviva que me perguntava se eu "ainda acreditava". Ri-me e fui respondendo que sim. O problema começou quando os convivas decidiram fazer-me companhia: "é penálti! é penálti: só lá vão com favores!"; "este Quim não joga nada!"; "sem o Simão, não são equipa!"; "quem é que disse àquele Nélson que ele sabia jogar à bola?"; "o Benfica é uma miséria: quando vi os jogos da pré-época na Suiça, decidi que este ano ia ser do Porto - não estou para passar estas vergonhas"; "só coxos"; "olha a Amélia, olha a Amélia... só sabe mexer no cabelo, não joga nada"; "estes dois gregos vieram fazer o quê?"; "no Porto é que eles jogam"; no Sporting é que sabem formar jogadores, o Benfica não". E por aí diante. "Raios! Antes tivesse ido parar a um antro de lagartagem e andrades", pensei. Primeiro golo do Benfica: ninguém festejou. Mas o silêncio durou pouco tempo: "é o segundo penálti: estão a ser levados ao colo, é uma vergonha". E por aí diante, já se sabe. O Benfica marca o segundo golo. Festejei sozinho no silêncio da sala. Quando começou o período de compensação, levantei-me e saí: estava farto e o resultado estava feito. Diligentemente, alguém me foi chamar à rua, porque o Benfica ia marcar um penálti. Quando entrei na sala, estavam doze pares de olhos pregados ao televisor à espera de que o Katsouranis marcasse o penálti. E foi então que eu li nesse brilhozinho magoado dos olhos dos meus convivas a insustentável leveza de ser benfiquista, essa fobia ao poder, ao domínio, esse eterno e insustentável sentimento de culpa por pertencer aos mais fortes. O que leva estes adeptos a criticarem o Benfica é o mesmo motivo que nos leva a dizer instintivamente que temos dificuldade em estacionar o carro quando alguém se queixa de que não tem dinheiro para comprar um carro. Vamos lá, eu percebo esta insustentável leveza, mas não massacrem o resto da malta, ainda que tenhamos um comportamento eticamente reprovável.

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