VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 04.08.11

A possível saída do Cardozo desmistificada

 

Em números, Cardozo vale cerca de 25 golos por época (marcou 100 nas 4 épocas que leva de Benfica). Não tendo dados concretos penso ser justo dizer que desses 25 golos, 10 são marcados na sequência de bolas paradas (entre penalties e livres directos).

 

Este ano contratamos um exímio marcador de livres, que é o Garay. Quanto aos penalties e uma vez que o ratio do Cardozo estava longe de ser perfeito não creio que seja difícil arranjar outro jogador que marque os penalties na vez dele.

 

Sobram 15 golos. Para os marcar temos, e já descontando Saviola que à partida tem a sua quota pessoal de golos que para o efeito desta análise se manterá idêntica sem entrar nestas contas, Jara, Mora (do qual contínuo a receber referências muito interessantes), Rodrigo e Nélson Oliveira. Não me parece descabido pensar que entre estes 4 jogadores serão marcados os 15 golos em falta.

 

Depois, passemos à importância de Cardozo na movimentação global da equipa, nomeadamente no seu vector ofensivo. Devido à sua morfologia e a alguma inabilidade em certos aspectos técnicos do jogo como sejam a recepção e o passe, Cardozo sempre demonstrou dificuldades em dar seguimento a jogadas nas quais não lhe fosse solicitado somente o toque de finalização. Há inúmeras jogadas perdidas pelo Benfica durante um jogo na sequência da demonstração prática destas falhas. Depois, e apesar da estatura, nem por isso se serve dela para ganhar disputas aéreas nas quais poderia ser útil. Se como ontem aconteceu jogarmos preferencialmente com 2 extremos “invertidos”, isto é, a jogar preferencialmente com o pé contrário ao da linha na qual se movimentam, os cruzamentos não abundarão. O tipo de jogadas é diverso e passa por inflexões destes jogadores para o centro cumprindo aos respectivos laterais os cruzamentos para a área. Com este tipo de jogadas um avançado como o Cardozo não faz muito sentido na minha opinião.

 

Temos no entanto o reverso da medalha, que é o facto de afinal de contas se tratar de um jogador que, bem ou mal, garante de facto golos no final da época. E um avançado está lá é para marcar golos, quanto a isso nenhuma dúvida (a única questão que este texto visa sublinhar é que este predicado está longe de ser exclusivo do Cardozo). É útil nas bolas paradas defensivas, devido à sua estatura (pese embora continue a sublinhar que o seu ratio de bolas conquistadas quando em disputa aérea com outros jogadores estar longe de ser o ideal tendo em conta os seus centímetros) e tem um pé esquerdo verdadeiramente fantástico, sobretudo quando servido de um determinado tipo de maneira, com a bola colocada à sua frente precisamente para o pé esquerdo e de modo a que ao paraguaio não sejam pedidos mais que 1, 2 toques. A sua saída, a concretizar-se, deixará de facto um vazio que nos primeiros tempos será difícil de preencher. Afinal, tratam-se (trataram-se?) de 4 épocas muito profícuas e tal como a equipa anterior se teve de habituar a jogar com ele também agora esta terá de se habituar em sentido inverso. A minha opinião/previsão, como já perceberam, é que no fim desse período que, creio, já se terá iniciado ontem e que desejo que seja o mais curto possível, a equipa ficará mais forte.

 

Para finalizar, e todos os meus textos parecem não sobreviver sem um “Para finalizar…”, há a questão económica. Cardozo está com 28 anos. Foi uma das contratações mais caras de sempre do Benfica. E gostaria que não se esquecessem deste facto ao analisar Cardozo e ao compará-lo com os restantes avançados que o Benfica teve nos últimos 20 anos. É que nunca foi gasto um montante sequer parecido com este na aquisição de um ponta de lança. Ou seja, se nos dispusermos a gastar cerca de 10 milhões de euros num substituto do Cardozo, ignorando portanto a minha expectativa de que os restantes avançados que o plantel actualmente possui podem perfeitamente substitui-lo, o mais difícil será encontrar um avançado que não marque golos!

 

Portanto, e tendo em conta a idade dele, se há altura para o vender é agora. Com a previsão de se recuperar o investimento e de ainda se fazer um encaixe substantivo. E não ignoremos igualmente que o rendimento do Cardozo não tem sido propriamente em crescendo existindo neste momento uma dúvida que creio ser bem real sobre se o que aí vem, caso se mantenha de facto no Benfica, é o Cardozo dos 2 primeiros anos ou se é o Cardozo cujas prestações no último ano culminaram com a não-chamada à Copa América.

por Superman Torras às 18:55 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Terça-feira, 12.07.11
Sábado, 11.06.11

Reflexões sobre a época 2010/11

A melhor comparação de que me consigo lembrar para definir a época do Benfica é a de uma montanha russa de emoções, sendo que infelizmente para mim e para todos nós a viagem acabou com um loop a meio do qual nos apercebemos que não tinhamos o cinto de segurança posto.

 

Assim, se já na pré-época as expectativas de uma temporada na senda da anterior começaram a ser postas em causa devido a alguns lances menos normais, digamos, do guarda-redes contratado precisamente para defender aquelas bolas impossíveis às quais o Quim raramente ou quase nunca chegava, provando o velho ditado que mais vale 1 pássaro na mão do que dois a voar, isto é, mais vale um guarda-redes que não defende as bolas impossíveis mas que defende a maior parte das que são possíveis (!); por outro lado e aparte esta situação que muitos, eu inclusivé, tentaram perceber à luz de uma situação pontual que rapidamente e também/sobretudo devido ao preço pago na sua aquisição só podia mesmo ser temporária, por outro lado como dizia e a espaços a equipa praticava um futebol muito agradável à vista utilizando por vezes um esquema táctico diferente do anterior e que fazia uso de uma das aquisições efectuadas atempadamente, Jara de seu nome. Mal sabíamos nós que essa experiência começara e acabaria pouco tempo depois.

 

Vem então o 1º troféu oficial da época e o 1º de 5 clássicos que haveríamos de disputar com o nosso grande rival em Portugal. Se bem me recordo estava razoavelmente confiante de que iríamos levantar o caneco. Afinal, basicamente continuavamos com o mesmo plantel da época anterior, salvo as saídas importantes de Di Maria e Ramires (além do já supracitado Quim) que teriam sido em parte colmatadas pela aquisição de Gaitan; e mais importante ainda continuavamos com o mesmo treinador que até à data tantas alegrias nos tinha dado e que tão poucos defeitos tinha demonstrado até então. O nosso adversário esse tinha contratado um treinador jovem que estava em presença do maior desafio profissional da sua ainda curta carreira.

 

Pois bem, 0:2, sem espinhas, e a primeira de quatro derrotas, cada qual mais dolorosa do que a anterior, que viríamos a sofrer contra o fêcêpê durante a época.

 

Chega então o campeonato e apesar do desaire anterior as expectativas ainda eram elevadas procurando-se (me) justificar esse resultado devido a uma conjunção de factores, nomeadamente a um dia menos bom nosso e a um dia exepcionalmente bom do adversário. Nem nos meus piores pesadelos poderíamos ter iniciado de pior forma a defesa do campeonato tão bravamente conquistado, com 3 derrotas a pontuarem os 4 primeiros jogos! E na 5ª jornada chegava o 1º derby da época, na Luz. A hecatombe estava à porta. Estaríamos afastados da luta pelo título em Setembro?!? Olhando em retrospectiva e apesar de esse jogo ter marcado a reviravolta estatística, quando a exibicional já se fizera sentir no jogo anterior em Guimarães onde só uma arbitragem verdadeiramente pornográfica conseguiu impedir a nossa vitória, sim nessa altura já estavamos afastados do título, apesar de ainda não o sabermos. No entanto o futebol agradável e ofensivo estava de volta. O próprio Roberto beneficiou de um momento cinematográfico para mostrar o valor que só posso acreditar que tenha estado na base da sua aquisição quando após ter perdido a titularidade para Júlio César é forçado a entrar a frio para tentar defender uma grande penalidade que a ser convertida colocaria o Estádio da Luz em polvorosa, e cuja defesa o catapultou para exibições que de facto e a bem da verdade nunca vi o Quim fazer. Tudo corria portanto sobre rodas nessa altura, pelo menos a nível nacional, uma vez que às várias vitórias consecutivas na Liga se contrapunha uma participação desastrada na Champions com duas derrotas que apenas não foram mais pesadas devido ao tal factor Roberto...hood.

 

Ficavam à vista algumas limitações do plantel e também do nosso treinador uma vez que Jorge Jesus optava por basicamente seguir a mesma estratatégia que tão bons resultados tinha dado na época anterior, apesar de faltar dentro do campo aquele jogador que segurava o meio campo, ora esticando-o quando a equipa tinha a posse da bola ora diminuindo os espaços assim que a posse da bola era perdida. Falo como é óbvio de Ramires, que estranhamente nunca foi substituído. Erro crasso. Se a esperança era Amorim, essa cedo ficou dissipada devido a uma desgraçada chamada fora de tempo para disputar o Mundial da África do Sul que o fez perder a pré-época e posteriormente boa parte da época. As opções para a direita ficavam reduzidas a Carlos Martins (!) e a um míudo de 20 anos emprestado pelo Atlético Madrid que apesar de também ele jogar sobre a direita tinha mais parecenças com Ramires na cor da pele do que em termos de características do seu estilo de jogo. Nesta fase César Peixoto por exemplo era uma das presenças constantes no 11 titular. O próprio Maxi que poderia ser opção para alguns jogos, subindo no terreno, pagava também ele a presença no Mundial onde se cotara como um dos melhores laterais direitos da competição e a ausência de uma opção credível no plantel para o substituir.

 

Juntavam-se a estes factores prestações individuais muito aquém do que já se lhes vira fazer por parte de alguns dos principais obreiros das conquistas anteriores, com David Luiz, Saviola e Cardozo à cabeça.

 

É nessa fase que chega a deslocação ao Dragão para o campeonato. E JJ borra a pintura. Decide-se a colocar David Luiz na esquerda, onde passou o jogo a levar com o Hulk, entrando Sidnei para fazer dupla com Luisão. Dificilmente poderia ter corrido pior. Se o campeonato não estava perdido, perdido ficou. Restavam as competições a eliminar onde ainda tínhamos hipóteses em todas elas, nomeadamente na passagem à próxima fase da Champions, caso cumprissemos com a nossa obrigação de ir vencer a Israel e de depois discutir o 2º lugar com o Shalke na Luz. Recordo-me que antes de ir ao Dragão vinhamos de uns 75 minutos verdadeiramente estrondosos com o Lyon em casa, estando a aviar o campeão francês por 4:0. Terá o último quarto de hora desse jogo assustado JJ e terá sido esse um dos factores para a mudança de estratégia para a partida do Dragão? Só ele o saberá.

 

Curiosamente e quando nada o faria prever o jogo do Dragão marca um ponto de viragem na época, o qual muito sinceramente não consigo explicar, e embalamos para uma série extraordinária de vitórias consecutivas nas competições nacionais, interrompida somente pelos jogos da Champions, sendo que do jogo do Dragão, disputado a 07/11/2010, até ao jogo de Braga, a 06/03/2011, parecia estar de volta o rolo compressor. Pelo meio fomos dar uma machadada decisiva (pensava eu) nas aspirações do FCP de chegar à final da taça de Portugal e estavamos a colocar o máximo de pressão que era possível de aplicar devido ao péssimo arranque no campeonato nacional, onde o nosso adversário sabia que a perda de pontos poderia tornar quase decisivo (a esperança era essa) o jogo de volta a disputar na Luz.

 

Mas nem o adversário perdeu esses pontos nem o Benfica resistiu a mais uma arbitragem pornográfica (quando se f*de alguém sem procurar disfarçá-lo e se usa um enredo básico e batido como tudo só o posso comparar mesmo a uma película XXX) que fez a série vitoriosa se quebrar no Municipal de Braga. Restavam as competições a eliminar em que estavamos bem lançados para fazer a tripla, já que à vitória alcançada no Dragão na 1ª mão das meias-finais da taça se juntava a presença nas fases decisivas da Liga Europa e da Taça da Liga. Mas assim como tiveramos a subida estratosférica de forma depois da derrota copiosa com o Porto para o campeonato também presenciamos o reverso da medalha após a derrota em Braga. JJ apercebendo-se quiçá tardiamente das limitações do plantel começou a fazer mudanças maciças nalguns jogos para poupar os jogadores mais importantes para os jogos decisivos das competições nas quais tinhamos aspirações legítimas de conquista e chegamos aos tais jogos em que se iria decidir se basicamente a época iria ser para recordar pelos melhores motivos ou se seria pelos piores.

 

No entretanto já não morava David Luiz, vendido em Janeiro ao Chelsea e substituído na equipa primeiro por Sidnei e posteriormente por Jardel, contratado ao Olhanense, e era Roberto que ia segurando as pontas bem ladeado por Luisão e os inexcedíveis Maxi e Coentrão. Mais uma vez e parecendo (com)provar que uma das principais lacunas do guarda-redes espanhol é (a falta de) estofo psicológico, o jogo de Braga e um golo muito consentido que permitiu na altura o empate à equipa bracarense levou ao regresso da tremideira tanto na baliza como nas bancadas da Luz sempre que havia um cruzamento para a área do Benfica.

 

E chegaram então os 2/3 jogos que decidiram a época. Primeiro a possibilidade/obrigação de impedir a festa do campeonato para outras cores no nosso estádio e posteriormente a confirmação da passagem às finais da Taça de Portugal e da Liga Europa. Ambas pareciam perfeitamente possíveis de alcançar. No entanto JJ não quis deixar de dar razão aos que diziam, eu incluído, que ele tinha deixado para esta época a divulgação dos seus defeitos como treinador, ausentes ou disfarçados pelas exibições e pelos resultados da equipa na época anterior, e a lesão de Salvio que o incapacitou para o resto da época, cuja subida de forma juntamente com a de Gaitan tinham sido decisivas para os 4 meses brilhantes da equipa, foi a gota de água que fez transbordar o copo.

 

Assim, no jogo da 2ª mão da Taça de Portugal JJ teve opções que no mínimo dos mínimos devem ser consideradas peculiares, uma vez que sabendo que defendia um resultado positivo optou e bem por dar as despesas de jogo ao adversário mas por outro lado colocou um avançado a fazer as vezes de médio direito (Jara), a que juntou (in)decisões fatais na leitura do jogo. Quem não se recorda de ver Aimar a aquecer e a desaquecer indefenidamente quando se percebia que às perdas de bola perigosas de Jara se juntava a condição física cada vez mais limitada de Carlos Martins deixando as despesas defensivas do meio campo basicamente para Javi e Peixoto que tinham de lidar com 3 e por vezes 4 jogadores adversários.

 

E após o 1º golo do adversário, quando a elminatória ainda estava a pender para o nosso lado tudo se desmonorou. A equipa, o treinador, os adeptos, tudo. Olhando retrospectivamente acho que JJ e a equipa paralisaram de medo. Nem viram o que lhes estava a acontecer. Naqueles 10 minutos fatídicos a diferença entre estarem em campo com a camisola da águia ao peito os diversos internacionais pelos seus países ou um qualquer grupo de amigos que se juntam ao fim de semana para dar uns toques era praticamente nula.

 

E foi a mesma paralisação que terá afectado a equipa após se ver em desvantagem no jogo e na eliminatória no jogo da 2ª mão das meias finais da Liga Europa que a impediu de marcar um golo, um golo que fosse, em 75 minutos que voltasse a fazer pender a eliminatória para o nosso lado.

 

Paralisação provocada pelo medo de falhar/falta de condição física/ausência de opções no plantel para algumas posições chave/falta de espírito de grupo provocada por razões que a mim são desconhecidas, algures aqui pelo meio ou talvez em todas elas estará a explicação para o balanço necessariamente (muito) negativo que se tem de fazer da época 2010/11 do Benfica. E é na sua identificação e na sua expurgação que reside o segredo para que uma época como esta não se repita. A começar já pela próxima! Estou confiante em que as mesmas pessoas responsáveis pelo que de bom se fez há 2 épocas corrijam o que de errado se fez (fizeram) na preparação desta e cá estarei para dar voz ao que penso quando se vir com mais propriedade o esqueleto do plantel bem como as primeiras indicações dos jogos de preparação.

 

Até lá...que viva o Benfica e o benfiquismo!

por Superman Torras às 07:52 | link do post | comentar | ver comentários (31)
Terça-feira, 22.03.11

Provavelmente um dos melhores golos do Benfica que já vi

Jara para Javi, este em esforço dá para Gaitan que de primeira dá para Aimar, este perante o pressing de um jogador adversário dá para Saviola que de primeira devolve a bola ao mesmo Aimar, que com dois toques mete a bola novamente em Gaitan, que novamente de primeira disponibiliza na direita para a entrada do Maxi - e aqui surge o exagero: o lateral uruguaio tem o desplante de dar 3 toques inteiros na bola antes de passar a um colega de equipa !- que após fintar um adversário coloca rasteiro na área onde surge Cardozo a amortecer para o remate em arco, LINDO!, MARAVILHOSO!, que mesmo que não tivesse a antecedê-lo a jogada que acabei de relatar já seria um hino ao futebol, do GAITAN sem qualquer hipótese para o guarda-redes adversário.

 

Mas mais do que palavras, fica o video.

 

É (também/sobretudo) por isto que amo este desporto!

 

 

Em tempo: Sintam-se à vontade para colocar na caixa de comentários links para outros golos do Benfica que rivalizem com este na sua beleza.

 

 

 

 

 

 

 

por Superman Torras às 19:58 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Domingo, 12.12.10

Apesar de tudo, lá vou eu novamente

Tal como tive oportunidade de concordar com algumas pessoas aqui do blogue no intervalo do último bocejo disputado na Luz na passada 3ª feira, a não ida a um jogo do Benfica em casa é uma situação que nem se coloca. Portanto, ontem lá pus pés a caminho e fui comprar o bilhete para o jogo de logo à noite.

 

Apesar de me ter sentido gozado das últimas duas vezes que lá fui. É que perder é uma coisa (e num desses jogos...até ganhamos); não dar tudo o que se tem pela equipa que se defende, e ainda para mais quando essa equipa tem toda uma história que será sempre maior do que qualquer um dos jogadores que tenha a sorte de por ela jogar, isso para mim é intolerável.

 

Posto isto e pese embora saiba que a mera mudança de nomes não resolverá todos os problemas com que o futebol do Benfica se tem debatido esta época, creio que urge fazer algo, nem que seja para dar um sinal "lá para dentro" de que alguém está atento e fará por castigar aqueles que se incluem(am) no que descrevi no parágrafo anterior.

 

Portanto, antes de começarmos todos a pensar em contratações mirabolantes que visem corrigir algumas lacunas que existam no plantel, primeiro terão de ser identificados e eliminados os problemas que impedem que nalguns (muitos) casos, do jogador que ajudou à concretização da magnifica época do título reste apenas uma sombra pouco nitida.

 

Acredito que da parte do triunvirato que comanda os destinos futebolisticos do Benfica a parte da identificação dos problemas já esteja efectuada, resta-me desejar que sejam capazes de os resolver com o mínimo de baixas possível. Mas se tiverem de existir que ninguem se esqueça que o todo (o Benfica) está acima de qualquer uma das partes que o constituem (jogadores, treinadores, dirigentes).

 

 

Sem mais delongas, cá vai a equipa que eu apresentaria hoje.

 

 

 

 

Tal como já tive oportunidade de escrever não exigirei a vitória mas sim que suem a camisola e que auxiliem os companheiros de equipa. Em suma que sejam uma EQUIPA.

por Superman Torras às 12:18 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Domingo, 28.11.10

Ontem fui a Alvalade e...estava pelo sporting

Sim, ainda acredito no 1º lugar. Mas é forçoso que a equipa também acredite.

 

É necessário que Jorge Jesus (JJ) analise quem está no Benfica de alma e coração e que aja em conformidade retirando aqueles que eventualmente não estejam do 11. Ah (!), não quero crer no que ficou subentendido numa das últimas declarações de Luis Filipe Vieira de que o próprio treinador estava entre esses "profissionais".

 

A sensação com que tenho ficado em muitos jogos esta época é precisamente esta: a solidariedade na equipa já viu melhores dias. E se a compararmos com a época passada a diferença é abissal e explica em grande parte, muito mais do que as ausências de Di Maria ou Ramires, os diferentes resultados alcançados. Há uma expressão americana (ou será inglesa?) que traduz o que quero dizer: "go the extra mile". Traduzido um pouco toscamente quer dizer ir para além das suas próprias capacidades para ajudar alguém.

 

Não posso propriamente apontar o dedo a nenhum jogador porque, lá está, todos me parecem estar a dar 100%. Mas não é suficiente! Não neste nosso futebol e, SOBRETUDO, não neste clube. Não tenho quaisquer dúvidas de que o ano passado deram mais.

 

Devo igualmente dizer que pese também eu não estar a morrer de amores neste momento por JJ, precisamente por não lhe reconhecer o mesmo nível de sagacidade que era seu apanágio na época passada, estou longe, muito longe, de lhe colocar a etiqueta de "o maior, ou o único, responsável pela péssima época que estamos a realizar até agora". Continuo a achar que é parte da solução e não do problema.

 

Na quarta-feira por exemplo concordei com a equipa apresentada e, salvo a substituição que tirou Salvio do jogo para dar lugar a Carlos Martins, concordei também com as restantes substituições operadas. É simplesmente inacreditável, o azar ou a falta de sorte não explicam tudo (!), que em cerca de 20 cantos não tenhamos aproveitado um para meter a bola dentro da baliza adversária e que em 3 ou 4 lances de bola parada contra tenhamos conseguido a proeza de sofrer 2 golos.

 

Referindo-me mais especificamente ao clássico de ontem, fiquei ainda mais convencido que todas as loas tecidas ao clube que lidera o campeonato são exageradas. É possível pará-los, sim! E teria sido possível ao Benfica fazê-lo no jogo do dragão caso JJ tivesse feito jus ao epíteto, que neste momento tem servido para uma série de primeiras páginas escritas em tom jocoso, de "rei da táctica". Como me parece óbvio tem de se povoar o meio campo com 3 jogadores e não permitir a Hulk ou Varela enfrentar os defesas com a bola dominada. Hulk a receber a bola de costas para a baliza é pouco mais que inofensivo. Agora se lhe derem 3 ou 4 metros para a receber, para se virar e para embalar...

 

E esse foi apenas mais um jogo em que a dupla Martins/Aimar demonstrou a sua incompatibilidade. São ambos muito bons e incluem-se nos poucos que esta época têm estado bem mas "coincidentemente" tal tem acontecido quando um joga sem a presença do outro. E este ano até tinhamos (temos?) jogos suficientes para os rodar.

 

Se eu não estou completamente lunático e sozinho nesta fé de achar que o campeonato ainda é viável de ser ganho (que caramba ainda nem chegamos a Dezembro!) é FUNDAMENTAL que a equipa reaja já hoje e que em Dezembro se vá contratar no mínimo dos mínimos um jogador de meio campo que feche no meio mas que, quando em posse da bola, seja capaz de encostar à linha. Tenho dado por mim igualmente a pensar que, como clube desportivo que é, será mais benéfico vender um ou outro jogador que não esteja com a cabeça no Benfica mesmo que isso implique a venda por valores mais baixos do que teria acontecido no verão por exemplo. Num balneário é imprescindível que todos estejam a remar para o mesmo lado e que se deixe de pensar nos jogadores como umas máquinas de jogar futebol, analisando-os como se estivessemos a jogar a um qualquer jogo de computador (este tem 'x' de técnica, aquel'outro tem 'y' de capacidade de drible). Não duvidem que a mensagem passada aos restantes jogadores seria uma mensagem de esperança e de força e que o círculo se voltaria a fechar com todos lá dentro e ninguém do lado de fora.

 

Para finalizar o post gostava de citar algumas palavras que li num comentário inserido no post "Atroz" com as quais concordo e que me parece merecerem a chamada à "primeira página" para deixarem a semi-obscuridade dos comentários. Portanto e com a devida vénia ao "ibenfiquista" seguem algumas das palavras por ele escritas no comentário de 25/11 às 13h14:

 

 

 

"(...) O problema é mais profundo, tem razões psicológicas e passa não só pela forma como a época foi (mal) planeada, passa pela atitude (errada) de todos os responsáveis do Benfica, adeptos incluídos, que pensaram que por termos ganho um campeonato, o 2º já estava no papo. Isto foi dito pelo treinador e pelos adeptos. Ao longo do ano. Lembra-me um bocado a história da formiga e da cigarra. Fazendo nós de cigarra e os nossos adversários de formiga.

Porque a ansiedade mata. Mata a melhor das intenções das melhores equipas. Os andrades já há muito tempo que aprenderam que a ansiedade quando se apodera de uma equipa a paralisa e a faz perder pontos e jogos. Por isso encarregam-se de marcar cedo nos jogos, e de começar a ganhar cedo no campeonato. Vejam os últimos anos e vejam como eles fazem. Este ano foi igual. Por isso encarregam-se de ter os árbitros a ajudar logo no início. Uma vez que começam a ganhar, os níveis de ansiedade diminuem, o nervosismo diminui, começa-se, por isso a pensar melhor e mais claro, a jogar melhor, e com isso vêm as vitórias. Cria-se um círculo virtuoso. Com o consequente efeito, exactamente inverso, nos adversários directos, que caem num círculo vicioso.

A ansiedade é uma forma de pânico, bastante mais suave, mas tem os mesmos efeitos. Paralisa o cérebro, paralisa a tomada de decisões e o tempo funciona como um amplificador. Foi o que aconteceu ontem. A ansiedade era tanta de marcar que, de cada vez que se falhava um ataque tanto a ansiedade como o consequente nervosismo, aumentava a olhos vistos. Quando o adversário atacou, os defesas como que ficaram paralisados. Estavam programados apenas para atacar. Podemos dizer que estavam cegos para atacar, ficando de tal modo inseguros que os golos do Hapoel foram verdadeiramente caricatos. Ora revejam-nos.

Agora que o diagnóstico está feito, vem a pergunta seguinte: de quem é a culpa? Pois de quem dirige a equipa. Eu diria que a mais importante missão de um líder é diminuir o nervosismo, a ansiedade e a insegurança nos liderados. E quanto mais jovem a equipa, maior essa responsabilidade. Gaitan, Jara, Kardec sáo ainda miúdos, sem experiência, mas já se lhes exige que joguem como se jogassem há muito tempo. O Roberto, um pouco mais velho e vindo dum campeonato melhor, já entrou nos eixos.

Alguém disse que com o Mourinho isto não acontecia. Pois não. Porque o Mourinho, para além de uma grande bagagem táctica como o JJ, tem outra característica que o JJ não tem. É sagaz. A sagacidade combina bem com o conhecimento, dá-lhe uma amplitude e, neste caso, marca a diferença. É um dos componentes da inteligência. O JJ neste campo ainda tem muito que aprender. Enfim aprende-se todos os dias.

Tudo começou com a má preparação da época. Começou com o jogo da Supertaça que se perdeu. E aí começou o nervosismo e a ansiedade. Tudo o que se pensava, que ganhar eram favas contadas, afinal não ia ser bem assim. Uma equipa tão jovem como a do Benfica, capaz do melhor e do pior, com ansiedade não tem (ainda) as soluções para os problemas que lhe foram sendo postos ao longo deste ano.

Isto de ser catedrático do futebol tem muito mais que se lhe diga. Por isso, um pedido ao JJ e restantes dirigentes: o Benfica não joga sozinho, os adversários também têm treinadores que percebem alguma coisa de futebol e de táctica. O JJ não tem (não tem mesmo) o monopólio do conhecimento. A humildade, desde que não roce a indigência de espírito é sempre, neste caso, uma virtude.

 

É necessário possuir-se uma grande dose de sagacidade e de empatia, saber colocar-se no lugar dos adversários e perceber o que eles vão fazer para contrariar tacticamente o nosso jogo. Uma coisa que o Mourinho faz muito bem e que o faz ser diferente, para melhor, do que os outros. E isso aumenta, e de que maneira, a confiança dos jogadores (diminuindo-lhes a insegurança e a ansiedade), a capacidade que o treinador tem de prever as jogados dos adversários. Saber o que fazer para contrariar apenas o jogo do adversário não basta.

Começar um ano novo é começar do zero. É como começar um novo ano lectivo: o facto de termos passado no exame anterior, não assegura passagem no exame deste ano. E isto serve também para os adeptos que, ao longo do ano, humilharam os adversários. Eu ia lendo e não gostava. Porquê? Porque mais tarde ou mais cedo isso iria virar~se contra nós. Eles iam ficando cada vez mais ressentidos e juravam vingança. E refiro-me não só aos andrades como também aos lagartos. Agora é a vez deles de gozarem connosco. Que nos tenha servido de lição.

Temos de ser magnânimos, e humildes, nas vitórias. E não o fomos.(...)"


por Superman Torras às 09:53 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quarta-feira, 24.11.10

O que eu tenho a dizer sobre o jogo de hoje * EDITADO

Tal como escrevi no final do post, este foi AUTO-CENSURADO, isto é, fui EU que não me permiti a publicar tudo aquilo que sinto neste momento.

 

Queria apenas dar oportunidade a todos os que visitam o blog de usar a caixa de comentários para desabafarem.

 

 

 

 

 

 

 

* ou o primeiro post auto-censurado na blogosfera portuguesa.

por Superman Torras às 21:27 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Domingo, 24.10.10

E agora, em Portimão*?

 

Numa altura em que ainda se lambem as feridas de mais uma demonstração de que este ano Jorge Jesus (JJ) deveria ter mais cuidado na gestão das suas conferências de imprensa, penso que é chegada a hora de deixar de insistir de uma vez por todas no sistema que tanto sucesso teve na época passada. Foi de facto penoso assistir ao jogo que realizamos na passada 4ª feira na maior prova de clubes do mundo.

 

Mas agora é chegada novamente a hora do campeonato e aqui não nos podemos esquecer que vimos de uma série muito boa de vitórias, muitas das quais conquistadas contra adversários da metade superior da tabela. Além de termos obrigatoriamente de chegar ao jogo do dragão, daqui a 2 jornadas, no mínimo dos mínimos com a diferença pontual com que estamos actualmente (7 pontos). Só assim, a meu ver, a reconquista do campeonato ainda será possível. E numa visão mais pessoal e de certa forma secreta até agora, a minha esperança é chegar a Dezembro/Janeiro com o campeonato ainda à nossa mercê de forma a poder corrigir no mercado de inverno aquilo que não se fez, por opção ou derivado a situações que a mim enquanto mero adepto não me são dadas a conhecer, isto é, tornar o plantel homogéneo dando opções que para JJ o sejam de facto e não opções que servem apenas para fazer número.

 

No entanto não se trata apenas de contratar o jogador "x" ou o craque "y", a meu ver será igualmente importante fazer ver a alguns jogadores do nosso plantel que a saída para campeonatos de outra dimen$ão só é viável se tiverem um rendimento semelhante ao da época passada.

Quanto ao jogo de logo à noite, o qual irei assistir noutro local que não o café aqui ao pé de casa que já me deu a ver 2 derrotas (Gelsenkirchen e Stade de Gerland), não é fácil para um treinador de bancada desenhar o seu 11 precisamente por aquilo que escrevi antes, há jogadores que parecem não contar (pelo menos para já) para JJ. Porque se assim fosse havia alguns jogadores que actuaram na passada 4ª feira que mereciam um descanso. Eles e nós.

 

Posto isto, lá continuo no meu lobby muito pessoal de tentar ver Airton e Javi na mesma equipa, especialmente enquanto ainda (e quanto eu quero acreditar que esta palavra faz sentido!) não tivermos a mesma capacidade rolo compressora da época passada. Ou sou só eu que se tem lembrado inúmeras vezes nas últimas semanas da sábia frase do treinador que nos deu o penúltimo campeonato: "Se não puderes ganhar o jogo, pelo menos empata." ?

 

Não que um empate com o Portimonense seja um bom resultado como é óbvio mas neste caso a frase pode ser adaptada para qualquer coisa como: "Se não puderes golear pelo menos ganha por 1:0".

 

Por último, gostava de ver Jara em campo durante pelo menos 45" com este sistema táctico.

 

 

Football Fans Know Better
* Como corrigiu e muito bem o nosso leitor Carlos Alberto o jogo disputar-se-á em Faro e não em Portimão. Portanto, o título deveria ser qualquer coisa como "E agora, com o Portimonense?"
por Superman Torras às 08:42 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Quarta-feira, 06.10.10

Parabéns equipa!

 

 

 

Eurochallenge: Benfica vence na Ucrânia e segue para fase de grupos

Por Redacção

O Benfica garantiu hoje o apuramento para a fase de grupos da Eurochallenge de basquetebol depois de ter vencido, na Ucrânia, o Ferro ZNTU por 77-72.

Os encarnados, obrigados a vencer após o empate (105-105) em Lisboa, na primeira “mão”, terminaram o primeiro período a perder por 16-20 mas reagiram no segundo parcial e saíram para o intervalo com desvantagem de apenas um ponto (38-39).

No terceiro período, o Benfica passou para a frente do marcador (62-55) e conseguiu segurar a liderança no marcador até ao apito final.

Greg Jenkins (20 pontos), Heshimu Evans (12), Sérgio Ramos e Ben Reed, ambos com 15, foram os melhores marcadores da equipa comandada por Henrique Viera.

 

notícia tirada daqui

por Superman Torras às 19:34editado por D`Arcy em 07/10/2010 às 09:54 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Terça-feira, 05.10.10

Zha pig *

 

 

 

 

 

 

* ou, se preferirem, zha clown ou zha stupid, ou talvez, mas só talvez (!), ambas as três.

 

** post que é desde já candidato ao prémio da utilização do maior número de vírgulas numa só frase.

por Superman Torras às 07:58 | link do post | comentar | ver comentários (70)
Segunda-feira, 27.09.10

E à 6ª jornada o Maritimo foi beneficiado

Nesta altura e apesar de já ter sido quase tudo dito acerca dos últimos jogos que disputamos, falta ainda uma coisa muito importante. O quê? A minha opinião.

 

A subida de forma que revelamos, tanto como equipa em termos colectivos como no que concerne às prestações individuais de vários jogadores que haviam sido nucleares para a(s) conquista(s) da época passada, parece-me evidente. Infelizmente valeu-nos menos 3 pontos do que deveria ter valido caso a verdade desportiva não estivesse em parte incerta na noite em que jogamos na cidade berço.

 

Não querendo agoirar, no jogo do estádio dos Barreiros até tivemos um guarda-redes que vale pontos mas para a própria equipa. Roberto esteve excepcional, não falhando uma saída - e agarrando a bola em quase todas - e fazendo uma daquelas defesas impossíveis, cuja ausência era uma das minhas principais criticas ao Quim.

 

Teremos igualmente sido beneficiados pela necessidade, devido a lesão do habitual titular, de colocar Carlos Martins no centro do terreno. Embora fosse trocando de posição com o Gaitan (bom jogo, a dar aquilo de que estávamos mais necessitados, isto é velocidade para o contra-golpe) penso que nesta fase está em melhor forma que o Aimar e eu subscreveria a ideia de ambos alternarem a titularidade dependendo dos adversários e dos respectivos momentos de forma. De resto, Javi e Saviola regressam aos níveis da época anterior e até me pareceu ver o argentino com um pique mais consentâneo com a sua imagem de marca dos tempos áureos do Barcelona, Sevilha e Mónaco. Já que falo no Saviola não gostava de deixar passar a oportunidade de vos dar conta de algo que sucedeu no último Benfica vs Sporting. Como é óbvio, saí do estádio muito feliz pelo resultado e também pela exibição, mas tinha ficado com a ideia que o Saviola não tinha estado particularmente inspirado, nomeadamente no que concerne ao último passe ou nas situações de finalização. Devido ao resultado, lá acabei por rever o jogo na Benfica TV e tive (tenho!) de dar a mão à palmatória: Saviola foi fundamental. As suas movimentações de trás para a frente, muitas vezes abrindo linhas de passe no nosso meio campo (!) ajudaram a destruir completamente as transições defensivas do nosso adversário. O nervosismo com que vimos os jogos do Benfica - tomo a liberdade de escrever não digo por todos mas por muitos - talvez não nos permitam ter o discernimento e o distanciamento suficiente para ver aquilo que se encontra logo abaixo da superfície, todos aqueles pormenores que fazem deste o desporto-rei.

 

Correndo esse risco de peito feito, devo dizer que o que que vi nos Barreiros me deixou entusiasmado. Continuo a achar que temos um plantel curto, ou mais curto do que aquilo com que me sentiria plenamente satisfeito, mas é o que temos e não deixa de ser suficiente para o panorama nacional. Ou sê-lo-ia desde que estivéssemos na presença de uma competição sadia e em que todos os participantes gozassem dos mesmos critérios. Chega a ser exasperante aquilo que nos tem sido feito desde o início da época. No sábado lá ficou mais uma grande penalidade por assinalar. E daquelas tão evidentes, mas tão evidentes que me parece francamente impossível não ter sido vista por quem de direito. Mais parece que esta época há uma qualquer regra sub-reptícia que invalida a possibilidade de serem marcados penalties a favor do Benfica.

 

Antes de dar conta da equipa que eu faria alinhar na próxima quarta-feira, gostava de deixar uma palavra para o Fábio Coentrão. Muitos parabéns míudo. Continua o bom trabalho. Se no que respeita à prestação dentro do campo não tens ficado atrás de ninguém, fora do campo tens conseguido o extraordinário feito de suplantar tudo aquilo que tens feito dentro das 4 linhas! A renovação hoje dada a conhecer à CMVM, se alicerçada num aumento de ordenado, é das operações mais justificadas que a SAD já teve oportunidade de fazer.

 

Ora então, sem mais delongas - esta foi à narrador de relatos radiofónicos, e por falar em relatos não compreendo todas as criticas que fui lendo por aqui e noutros sítios, e não compreendo porque eu deixei de ouvir o som da televisão há muito tempo, o que por acaso neste jogo não deu jeito nenhum tendo contribuído para eu ganhar mais alguns cabelos brancos devido à opção da TVI em tirar o mostrador dos minutos decorridos na 2ª parte ficando eu completamente à nora sobre o tempo que ainda faltava disputar - aqui vai a equipa que eu gostaria que actuasse de inicio na Alemanha.

 

 

 

 

Explicando em poucas palavras: apesar de estar a fazer um início de época verdadeiramente desastroso, o Schalke 04 é uma das mais fortes equipas alemãs, e uma das que mais se reforçou neste Verão. Penso que é fundamental conter a sua entrada previsivelmente forte e isto a meu ver garante-se com o domínio do meio campo. Dependendo da estratégia é possível que o Javi Garcia tenha de recuar alguns metros para ajudar na marcação ao Huntelaar e daí a opção Airton. Ruben Amorim também seria uma alternativa caso estivesse: a) em condições de jogar; b) num momento de forma semelhante ao que apresentou na época passada.

 

A maior dúvida é mesmo Gaitan. Gostei de ver o seu jogo nos Barreiros, apesar de alguns falhanços que me deixaram exasperado (nada que se parecesse no entanto com o que o Cardozo fez, embora este tenha um crédito imenso por tudo aquilo que já fez) e não me oporia à sua substituição pelo Salvio. Tal como já disse num parágrafo anterior, caso estivesse a 100%, daria a titularidade ao Carlos Martins em detrimento do Aimar, mas se for o argentino a jogar não terá neste escriba um opositor. O que não gostaria mesmo era que jogassem os dois ao mesmo tempo.

 

E agora, a palavra a quem sabe. A caixa de comentários é tua.

por Superman Torras às 19:52 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 25.08.10

Sábado, há bola!

 

 

 

Explicando:

 

Nesta altura creio que a melhor opção para o Benfica passa por actuar num 4x3x3. A opção mais polémica poderá ser a inclusão do Airton sobre a meia direita, mas uma vez que já foi testado a lateral direito - na pré-época aquando da ausência do Maxi Pereira - e que a outra opção para o lugar não me tem convencido (Amorim) creio que as dúvidas que esta inclusão possa fazer surgir são suplantadas pelo acréscimo de poder que o meio campo necessariamente ganhará. O que permitirá uma maior liberdade do trio da frente, que além disso poderá contar com um apoio mais efectivo por parte dos dois laterais, salvaguardada que está a respectiva compensação defensiva.

 

Na baliza penso que é relativamente pacifico esperar a substituição do Roberto e a esperança é que com essa alteração os centrais possam igualmente melhorar o seu desempenho. É incrível, mas nesta altura no que a jogos oficiais diz respeito temos 6 golos sofridos tendo 4 deles nascido na sequência de lances de bola parada. Se o factor-Roberto tem a sua importância, a restante equipa não se pode eximir da sua quota-parte de responsabilidades.

 

No que ao meio-campo ofensivo e ataque diz respeito sou franco, penso que a lesão do Kardec veio na pior altura possível e que a troca de Aimar pelo Carlos Martins ou pelo Gaitan se justifica plenamente.

 

Tudo isto são perspectivas de um treinador de bancada encartado. Por isso, e como todos nós temos um treinador dentro de nós (salvo seja), gostava de saber a opinião dos restantes leitores da Tertúlia.

sinto-me: treinador de bancada
por Superman Torras às 19:26 | link do post | comentar | ver comentários (73)
Sábado, 21.08.10

Resumo da pré-época

"E quanto a reforçoss? Qual o caminho a seguir?"

 

"Nós queremos contar com jogadores consagrados, que possam estar em dificuldade nas suas carreiras e queiram voltar a estar em grande. Depois, há estes míudos, como o Fábio Faria, o Jara e o Gaitan, que têm de crescer com o treinador e com a equipa. São jogadores de risco."

 

Jorge Jesus à revista Mistica (Edição nº 11)

 

 

Numa nota mais pessoal quero informar que o meu estado de medo no que ao valor do Roberto diz respeito passou para terror.

 

 

por Superman Torras às 22:46 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Terça-feira, 10.08.10

A derrota...ideal

Nota prévia:

 

Este post não é uma resposta ao anterior, do D'arcy, uma vez que foi escrito antes de o ler. Alguns assuntos repetem-se, até porque ambos os posts derivam sobre o mesmo, a actualidade do Benfica e o rescaldo do jogo de sábado, mas as visões são necessariamente diferentes até porque diferentes são os olhos de quem o escreveu.

 

 

 

 

 

 

Sendo uma competição oficial a Supertaça é geralmente encarada como uma espécie de jogo de pré-época um pouco mais a sério cujo valor varia dependendo do ponto de vista dos competidores. No caso dos derrotados o resultado é menosprezado, pelo menos em termos públicos, recorrendo a um par de chavões (a condição física, o cansaço - ou ambos -, a integração dos novos jogadores, a adaptação ao esférico, enfim as hipóteses são imensas); enquanto que no caso dos vitoriosos a importância do jogo cresce exponencialmente procurando observar conclusões de superioridade para a época que se avizinha e até quiçá, nalguns casos, o exorcismo de alguns demónios internos.

 

No que à supertaça de sábado diz respeito e falando daquilo que nos interessa, o Benfica, creio que, à distância de 48 horas, o resultado (e a exibição…a exibição!) poderá ter sido o que melhor serviu os interesses do clube no futuro mais ou menos próximo. Já tinha comentado com amigos que após algumas exibições ou períodos de exibições muito boas (1ª parte com Aston Villa; a partir dos 30/35 minutos com o Feyenoord; a 2ª parte com o Monaco) o jogo de 3ª com o Tottenham tinha servido para me fazer descer à Terra. A esperança é que o jogo de sábado tenha feito o mesmo mas com os jogadores e responsáveis pela gestão do plantel no que versa a entradas e a saídas. A forma como fomos subjugados pelo 3º classificado da época passada foi de facto preocupante. Não só isso mas também ou sobretudo a forma que encontramos para responder a essa supremacia: com desnorte e falhos de ideias. Tanto em campo como fora dele.

 

Aliás, mencionando Jorge Jesus devo dizer que não compreendi a opção por uma táctica que raramente havia sido utilizada nesta pré-época com a agravante de colocar o nosso melhor defesa esquerdo e principal causa de desequilíbrios ofensivos quando joga nessa posição, como médio-ala esquerdo. Se do lado esquerdo ficamos “coxos” em termos ofensivos do lado direito faltou um bocadinho assim para ficarmos coxos. Carlos Martins, que já tive oportunidade de elogiar pela pré-temporada que tem feito, não pode ou não deve ser opção para médio direito, sobretudo quando o lateral já é uma adaptação (e das forçadas, nada a ver com Coentrão na esquerda) e o adversário joga com um médio-ala bem encostado à linha e constantemente a forçar o um para um, quando não o dois para um com a subida do lateral esquerdo.

 

No entanto, acima de tácticas e escolhas de jogadores o que acabou por me desiludir sobremaneira e ser decisivo para a supremacia do adversário acabou por ser a enorme diferença na conquista das célebres “segundas bolas”. Inúmeros cortes de jogadores do Benfica acabaram invariavelmente por ir parar a pés adversários. E o contrário não aconteceu. Isto originou sucessivos ataques cortados á nascença e levas de ataques por parte do adversário. Outra coisa que não existiu, e de certa forma poderá servir para nos tranquilizar pois poderá indiciar que o motivo da sua ausência foi o facto de em termos físicos os jogadores não estarem preparados para aquele jogo, foi a pressão ofensiva que tão bem nos caracterizou na época passada. A esperança é que com mais uma semana de treinos já a possamos (re)apresentar no jogo com a Académica. Não me esqueço igualmente que a época passada também esteve longe de começar brilhante e só arrancamos para as exibições vistosas depois de alguns resultados ou negativos ou arrancados a ferro (empate com o Maritimo em casa, vitória arrancada a ferros em Guimarães). Portanto há que relativizar um pouco as mensagens que este jogo nos deixou.

 

Mas há coisas às quais não há mesmo como fugir e daí a importância de que dei conta mais acima: para evitar o afunilamento do jogo e/ou para servir como opção à tal táctica camaleónica do 4x3x3 que parece viver muito do tempo de adaptação que o Jara vai necessitar, já que a qualidade parece estar lá toda, é fundamental ter um extremo no plantel. Esquerdo ou direito nesta fase é indiferente. Desde que para o outro lado venha um substituto para o Ramires, ou seja um médio mais interior que sirva para compensar as subidas no outro flanco. Isto parece-me tão claro que me é francamente difícil entender opiniões de benfiquistas em sentido contrário (mas podem tentar-me convencer na caixa de comentários). É que não temos 1 (um!) extremo que seja no plantel. Tudo dependerá depois do que Jesus quiser para esta época. Se quiser optar preferencialmente pela tal espécie de 4x3x3 que venha um extremo jovem com potencial de evolução, já se quiser optar novamente por um esquema semelhante ao ano passado, e que tão bons resultados e exibições deu, terá de ser um jogador feito e com estaleca para jogar já! E o já ainda não é tarde. Ainda…

 

Curiosamente Jesus acabou por ter uma leitura de jogo muito sui generis no passado sábado, deixando Martins e Peixoto em campo (primeiras opções para as tais posições de que falo?) apesar de as coisas estarem longe de lhes saírem brilhantes (ia dizer aceitáveis).

 

Confirmou-se igualmente o que já havia escrito há umas semanas, que Airton ganhou a posição a Javi. No entanto também o brasileiro me desiludiu no sábado. O jogo posicional não foi brilhante e no tal rácio de segundas bolas vencidas e perdidas também acabou o jogo com sinal negativo. Não creio que seja motivo para deixar de lhe dar a titularidade no domingo, até porque não sei se Javi já melhorou os índices físicos que me pareceram a razão primeira para ter perdido o lugar, e gostava de o ver jogar 3 ou 4 jogos seguidos para observar a sua evolução. Já o disse anteriormente mas digo-o novamente, aprecio bastante a forma de jogar do Airton (tal como do Javi de resto que considero peça essencial nas conquistas da época passada). Não será por ali que iremos deixar de conquistar os títulos a que nos propusemos esta época.

 

Em suma e concluindo: continuo a achar que somos os principais candidatos à vitória do campeonato esta época e que temos uma equipa muito boa. Duvido no entanto que, mesmo se o Ramires for bem substituído, tenhamos actualmente uma equipa tão forte como no ano passado. Daí que “me bata” pela contratação de (mais) um jogador de qualidade que seja opção imediata para o 11. Se não vier, e à medida que os dias vão passando duvido cada vez mais da assunção dessa necessidade por parte de quem manda, restar-me-á acreditar que tal como aconteceu na época passada Jorge Jesus acabe por provar que estou errado.

 

De uma forma ou de outra, domingo lá estarei para juntar a minha voz às dos restantes 60 mil (começar a época com uma casa cheia seria fantástico).

por Superman Torras às 07:20 | link do post | comentar | ver comentários (47)
Quarta-feira, 14.07.10

Ideias soltas

Terminado que está o estágio na Suiça e disputados 3 jogos já é possível tirar algumas fotografias do Benfica 2010/11. Aqui vão as minhas:

 

  • Javi Garcia se não se pôe a pau perder o lugar para o Airton. Ontem notou-se uma diferença abissal quando o brasileiro entrou. Talvez seja só uma questão fisica, aliás é o mais certo, mas é também ou sobretudo por este factor que os lugares costumam ser conquistados ou perdidos no início das épocas;
  • Se havia quem pensasse (havia?) que, a ser vendido, o Luisão pode ser substituído apenas pela "prata da casa", desengane-se. Sidnei está muito longe de constituir uma primeira opção válida. E, muito francamente, já era altura de o ser;
  • David Luiz e as suas constantes subidas no terreno são um factor com o qual JJ parece apostar em provocar desequilibrios nas defesas contrárias. E no futebol moderno, em que a falta de espaços impera, um defesa central (!) destes é um achado. A minha vénia igualmente, e aqui concordo inteiramente com o que o nosso treinador disse ontem, para a decisão dele em abdicar de um brutal aumento no seu ordenado caso a transferência (para o Man City, suponho eu) se concretizasse;
  • Quanto aos reforços argentinos, creio que Gaitan está mais perto de ser uma opção imediata do que Jara. Este tem potencial mas ainda definde mal as jogadas. Menos mal no entanto, uma vez que estamos mais carentes do primeiro do que do segundo. Apesar de continuar a achar que é obrigatória a aquisição de outro médio/extremo esquerdo. Gaitan parece-me muito rápido mas com características diferentes de Di Maria, mais "deambulatórias" digamos, por isso eu e JJ pensamos que falta alguém no plantel para ser opção para jogar junto à linha do lado esquerdo;
  • Em relação ao último ponto tenho dado por mim a pensar se JJ não terá a tentação de alterar o esquema da equipa, um vez que após a venda do Di Maria e o empréstimo do Urreta ficamos sem extremos puros (seja lá o que isto for) e Ramires e Gaitan (prováveis primeiras hipóteses para o 11) serem médios mais interiores. Assim, a ideia poderia muito bem passar por ir ao mercado de transferências contratar um médio esquerdo com as características, digamos, de um Andres Guardado, e desta forma aproveitar os seus movimentos dentro/fora, semelhantes aos do Ramires na direita, para aproveitar simultâneamente as subidas dos laterais, Maxi e Coentrão, ambos com pulmão para dar e vender e portanto com capacidade de fazerem todo o corredor. Isto potencialmente permitiria(á) um ganho no miolo do terreno, fundamental como bem sabemos no futebol moderno em geral e no futebol português, useiro e vezeiro na utilização de duplos trincos (quando não triplos), em particular. O segredo seria então ter jogadores que não sendo extremos pudessem cair nas linhas para abrir o jogo quando em fase ofensiva. E Jara, Gaitan, Weldon, para já não falar no Saviola, até são esse tipo de jogadores;
  • Ainda faltam os mundialistas por isso esta equipa ainda irá ser (muito) reforçada. Há que ter isto em atenção quando analisamos o que nos tem sido dado a ver até agora. Mas continuo com a pulga atrás da orelha em relação à continuidade de alguns destes jogadores. Na verdade, tenho receio que quando o campeonato começar o plantel terá 4 ou 5 mexidas, entre entradas e saídas, e o meu receio é que a equipa campeã nacional seja desmembrada. Contínuo a referir aquilo que referi aqui há tempos, espero (e realço o "ESPERO") que o triângulo que comanda os destinos do nosso futebol continue a ter o presidente numa posição mais recuada e o Jorge Jesus e o Rui Costa à sua frente. Detestaria ter de descobrir daqui a tempos que o triângulo se tenha invertido;
  • Uma palavra chega para definir os meus pensamentos sobre Roberto: Medo.

 

 

 

p.s consegui cumprir mais um dos meus sonhos que foi o de utilizar a expressão "pôr-se a pau" num post. Já só faltam cento e trinta e quatro, entre os quais se conta uma divagação mais ou menos extensa sobre o termo "basculação".

por Superman Torras às 07:37 | link do post | comentar | ver comentários (28)
Domingo, 30.05.10

Se a minha vida fosse um filme, a banda sonora seria constituída por cânticos do Benfica

 

 

 

Agora que a euforia provocada pela conquista do trigésimo segundo campeonato nacional vai dando lugar à satisfação tranquila de ter visto o clube, o meu clube, regressar ao sítio devido, começa-se lentamente a instalar a nostalgia por estar impedido de assistir a jogos do Benfica. É irónico, bem sei, mas se há 4 semanas estava desejoso de que o campeonato terminasse, para poder festejar, agora dava um dos dedos mindinhos para voltar a viver tudo de novo, sofrimento atroz antes de se confirmar que a festa iria de facto acontecer, incluído.

 

Olhando retrospectivamente (eu também não adopto o novo acordo ortográfico) para a época finda, foi de facto a todos os títulos notável. Havendo várias pessoas às quais devo o meu agradecimento, optarei por não destacar nenhuma delas individualmente dando como certo que elas têm recebido e vão continuar a receber suficientes provas do meu (do nosso!) apreço sempre que tal seja necessário. Uma das frases mais felizes que o desporto já pariu foi esta: "O futebol regressou a casa". Penso que terá sido aquando da candidatura da Inglaterra ao Euro '96 e pretendia recordar os adeptos que o desporto-rei nasceu em terras de sua majestade e que o facto de a competição mais importante ao nível de selecções disputada na Europa se ir realizar no país que tem como capital Londres implicava um certo rearranjo do cosmos e que a partir daí tudo passaria a ser um pouco melhor na vida de cada um de nós (esta já é uma leitura minha). Ora bem, se há frase que descreve na perfeição, ou muito perto disso, aquilo que eu penso acerca de tudo o que se passou nesta última época desportiva, e atenção que não falo somente do acto de ganhar falo sobretudo da forma como se ganhou, é essa. O Futebol regressou a casa. À Luz. Aos vermelhos. Às papoilas saltitantes.

 

Este nosso orgulho incomensurável de sermos Benfica se nunca esteve verdadeiramente em dúvida havia nos dado poucas provas irrefutáveis nos últimos anos do porquê de sentirmos o que sentimos. Se na maior parte dos clubes o facto de vencerem ou não é independente do amor ou da demonstração de afecto por parte dos seus adeptos, tenho para mim que o caso do Benfica é diferente. Está na génese deste clube vencer. Não de qualquer forma e diria mesmo que para se cumprir com a tradição histórica terá de haver uma certa dose de sofrimento envolvida mas vencer é uma condição essencial para o crescimento do clube.

 

Entretanto apercebo-me que podem haver pessoas que estão a ler o presente post e que entendem o título como a escolha irreflectida de um conjunto de palavras ou, pior ainda (!), como a tentativa de embelezar um sentimento através do, neste caso, odioso uso de uma hipérbole. Desconhecerão porventura que tudo o resto fica um pouco difuso e perde a sua natural relevância quando no outro hemisfério cerebral o Benfica entra em cena. Não há como fugir a este sentimento (e quem disse que eu queria?) e por isso abraço-o com todas as minhas forças.

 

 

 

 

Feito o esclarecimento gostava de aproveitar o post para algumas reflexões sobre o que deveriam ser as opções do trio que comanda os destinos futebolísticos do Benfica para a época 2010/11. E já que falo no trio gostava de vos dar a minha visão sobre a forma que eu entendo como a ideal para que seja continue a ser o clube o maior beneficiado da continuação deste trío aos seus comandos. Atenção, falo somente no que ao futebol diz respeito. Assim e aproveitando o assunto no qual sou mais versado (por pouco que seja), se Luis Filipe Vieira (LFV), Rui Costa (RC) e Jorge Jesus (JJ) fossem jogadores e se eu fosse o treinador colocá-los-ia sob a forma de um triângulo invertido no meio campo com LFV a médio mais defensivo e RC e JJ à sua frente. Se há coisa que eu garantidamente não faria seria inverter o triângulo que tâo bons resultados deu esta época.

 

Ora bem, estando o meio campo tratado e deixando as metáforas de parte gostava que fossem efectuadas o menor número possível de mexidas. Bem sei que será virtualmente impossível ao Benfica não vender nenhum dos seus jogadores mais cobiçados, refém que está do país no qual nasceu, e creio mesmo que uma das vendas ainda não concretizadas já foi substituída no plantel. Falo naturalmente de Di Maria (no primeiro caso) e Gaitan (no segundo). O próprio JJ já o admitiu. Se consigo ler bem os pensamentos do nosso treinador (e nada nos leva a crer que seja esse o caso) penso que neste momento ele estará sobretudo preocupado com as possíveis perdas de David Luiz e de Cardozo. Estive tentado a incluir no lote o Ramires mas realisticamente falando creio que JJ está preparado para o perder. A exposição a que ele estará previsivelmente colocado no próximo Mundial não deverão permitir veleidades ao clube de o manter no seu plantel. Sobretudo quando sabemos que a sua cláusula de rescisão (30 milhões de euros) está longe de ser proibitiva para clubes de outros campeonatos.

 

Creio portanto que as intermináveis noites perdidas por JJ a ver os jogos do campeonato brasileiro se têm centrado sobretudo na busca de um guarda-redes, de um médio para jogar sobre a direita e de um ponta de lança. Se, Di Maria à parte, nenhuma venda se concretizar, gostava que se contratasse apenas um guarda-redes. No outro dia tropecei num e-mail que enviei para um conjunto de amigos benfiquistas no cada vez mais distante dia 19 de Junho de 2007 e já nessa altura eu pedia a contratação de um guarda-redes de classe internacional. Será que esta luta está prestes a ser vencida? Não tem sido fácil! Como curiosidade atentem no plantel que entendia como ideal para a época 2007/08:

 

GR: Quim, Moreira, guarda-redes estrangeiro para ser o nº 1;

DD: Ratinho, Nelson;

DE: Leo, Miguelito;

DC: Luisão, Zoro, David Luiz;

MC: Petit, Manuel Fernandes, Katsouranis,  William, Rui Costa;

ALA: Simão, Assis, Karagounis, Fábio Coentrão, Paulo Jorge;

AV: Cardozo, Lucarelli, Dabao, Mantorras

 

Termino com uma sugestão musical: releiam o post desta feita ouvindo uma música relacionada com o Benfica.

 

Escusam de agradecer.

 

Adenda: a pedido de muitas famílias (uma) segue aquele que seria para mim um excelente plantel para atacarmos a próxima época. Na sua construção tenho em consideração, como é óbvio, as nossas limitações orçamentais.

 

 

GR de craveira internacional  (Moreira) (Julio Cesar)

 

Maxi (Amorim)       Luisão (Sidnei) David Luiz (M. Vitor)    Coentrão (Peixoto)

 

Javi (Airton)

 

Médio interior (Amorim) (Menezes)                                    Gaitan (Urreta)

 

Aimar (C.Martins)

 

Saviola (Jara)

 

Ponta de lança fixo (Kardec)

 

Para completar o plantel e caso houvesse verba (nomeadamente através das vendas do Di Maria e do Ramires que já não aparecem neste plantel) tentava ir buscar um jogador de classe-extra, já experiente, capaz de emprestar (mais) um pouco de experiência a esta equipa. Isto caso as palavras de JJ não sejam ditas em vão, isto é, de que se pretende de facto atingir uma fase avançada da Liga dos Campeões.

 

De há algumas semanas para cá o nome Ronaldinho Gaucho não me sai da cabeça, se bem que neste caso este nome deva apenas servir de referência para se aquilatar o tipo de jogador que preconizo para esta hipotética cereja em cima do bolo.

por Superman Torras às 08:32 | link do post | comentar | ver comentários (30)
Segunda-feira, 03.05.10

Uma vida em suspenso(e)

Inspira...expira...inspira...expira...inspira...exp....

 

No último mês tem-me sido difícil juntar outros pensamentos, mais elaborados, a estes que habitualmente, por pertencerem a uma "habilidade" que qualquer ser vivo tem, são efectuados sem dificuldades de maior e sem necessitarem de ocupar massa cinzenta.

 

A incerteza sobre o rumo que o campeonato nacional 2009/10 irá ter persegue-me desde os locais mais inóspitos (reuniões de trabalho, jantares a dois, ecografia para saber o sexo do filho que aí vem... - ok, esta é inventada, mas foi só para perceberem a ideia) até aos mais corriqueiros (no outro dia dei por mim a apresentar o cartão de sócio do Benfica numas bombas da...Galp!).

 

Não embalo, nunca embalei, nas certezas que levaram por exemplo uns quantos milhares de benfiquistas a gritar a plenos pulmões que éramos campeões aquando do jogo disputado com a Olhanense. Seremos campeões quando terminar o jogo disputado com o Rio Ave. Com muita luta e muito sofrimento. Até porque foi assim que me habituei a ver o Benfica a ganhar. Quase que parece que as vitórias não teriam o mesmo sabor se não fossem alcançadas após uns quantos ameaços de ataque cardíaco.

 

Até lá importa ir aguentando o melhor que cada um souber/puder.

 

Nem que seja à custa de pensamentos básicos utilizados apenas para nos manter vivos. Até porque, parafraseando o outro, vai ser rija a festa pá!

 

E está marcada para domingo, sensivelmente às 20h.

 

Nota do Editor: qualquer semelhança entre estes últimos parágrafos e a frase, iniciada com um certo quê de arrogância "Não embalo, nunca embalei, nas certezas que levaram...", deve ser julgada sob a luz de um discernimento muito próprio, quase inexistente, de que padeço há várias semanas.

 

Inspira...expira....inspi....

por Superman Torras às 22:06 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Sábado, 13.03.10

E ao 3º dia, Jesus...

Agora que, lentamente, a azia provocada no nonagésimo minuto do jogo de quinta-feira passada se começa a desvanecer, compreendo igualmente com mais clareza alguns dos motivos pelos quais sucedeu aquilo que acabou por suceder e que redundou no empate dos franceses.

 

Terá sido dos primeiros erros de Jesus ao serviço do Benfica, com custos directos para o resultado final. A entrada de Eder Luis veio de facto a revelar-se decisiva para o empate sofrido sobre a hora uma vez que a sua entrada provocou duas situações desfavoráveis para a equipa, que em conjunto a levaram ao tapete. É que, para além de não ter servido para (continuar a) pôr a defesa do Marselha em sentido tal como tinha sido feito por Saviola, apesar de este também não ter feito uma exibição de gala, a sua entrada implicou a não entrada de Ruben Amorim para trancar a sete chaves os caminhos para a nossa baliza. Nestas alturas lembro-me sempre de Trappatoni. Há que ser pragmático. Como não foi esse o caso, partiremos para França com a desvantagem de termos obrigatoriamente de vencer o jogo ou de empatar pelo menos a 2 golos.

 

À posteriori creio que Jesus optou de facto por dar mais importância ao jogo de domingo do que ao de quinta-feira, posto que me permito a pensar que nesta altura em concreto Amorim e Martins dão mais garantias do que Aimar e Ramires. Provavelmente veremos a dupla portuguesa a jogar de início no Funchal e a dupla argentino/brasileira a actuar em Marselha. Assim Aimar esteja de facto recuperado, tanto nos indices físicos como no plano mental. É particularmente evidente que após o regresso das suas ausências mais ou menos constantes, Aimar precisa de vários jogos para se libertar do estigma psicológico das lesões. Mas em França precisaremos dele au-point. A não ser assim teremos a passagem aos quartos-de-final muito complicada.

 

Gostava de voltar por breves momentos a esse jogo para dar conta da minha estupefacção ao ver demonstrada em campo a valia do Marselha e do seu treinador. Manietou completamente a equipa do Benfica e a minha esperança, embora esta tenha ficado mais tremida após o golo do empate porque uma coisa seria terem de tomar a iniciativa do jogo devido ao facto de estarem a jogar perante o seu público e em desvantagem na eliminatória e outra bem diferente é saberem que podem optar pela mesma táctica que utilizaram em Lisboa, é que o jogo positivo (chamemos-lhe assim) de Deshamps pode não ser tão eficaz e provocar mais espaços na sua defesa do que o jogo negativo, de expectativa, com que encarou o jogo da 1ª mão. Penso que será muito importante para o desfecho da eliminatória se o Benfica marcar um golo nos primeiros 25/30 minutos.

 

Mas importante, importante, é mesmo o jogo da Choupana. É este que importa vencer, custe o que custar. E como ele se vai disputar passados 3 dias do jogo da Euroliga...

 

Pensamento final: se é verdade, e é, que o Benfica tem adeptos espalhados por todo o mundo encaro com expectativa adicional as imagens habitualmente transmitidas no final do campeonato evidenciando as celebrações nos 4 cantos do planeta em que se possa visualizar um muçulamo a gritar a plenos pulmões, no intervalo de vivas ao Benfica, que ama Jesus.

por Superman Torras às 11:25 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Segunda-feira, 08.03.10

Substituíram o sistema sonoro do Estádio da Luz?

Foi esta a pergunta que dei por mim a fazer ontem quando me apercebi do barulho, tremendo, que eu  e os meus colegas de bancada produzíamos antes e no decorrer do jogo realizado ontem com o Paços de Ferreira. A pergunta tinha o seu quê de comicidade (tenho mesmo muita piada, eu), mas o facto é que se sentia algo no ar, algo de intrinsecamente benfiquista e que será dificil de contextualizar por palavras e muito mais dificil de escrever sem passar a imagem de sobranceria que neste momento se poderia considerar contraproducente para os superiores interesses do clube, e que portanto será mantido em segredo. Um segredo partilhado por perto de 43 mil pessoas é certo, mas nunca se estabeleceu um limite de pessoas para que um segredo deixasse de o ser. Verdade?

 

E o melhor de tudo, como se fosse possível quantificar coisas tão belas como aquelas que temos visto esta época correndo portanto o risco de diminuir umas em comparação com outras, é que a equipa nos deu todas as razões para sentirmos aquilo que sentimos. Na verdade, o Benfica começou o jogo de ontem a todo o gás, mais parecendo uma resposta ao treinador adversário que tinha instruído o seu capitão para escolher o lado do campo que o Benfica costuma utilizar nas primeiras partes, procurando quiçá confundir os jogadores adversários. Pois deu um resultadão e sendo o artista quem é, a vantagem de dois golos aos 20 minutos de jogo só pecava por escassa.

 

"Pecar por escasso" é de resto a expressão que melhor se adequa ao resultado de ontem, tendo em conta tudo o que se passou nos 90 e poucos minutos que o jogo teve.

 

Com Airton a substituir Javi Garcia, mais parecendo por vezes que o que estava em campo era uma cópia, muito bem tirada, do espanhol, a "novidade" foi termos apresentado um meio campo basicamente constituído por segundas linhas. Amorim sobre a direita, e que bem jogou o ex-Belenenses fazendo por merecer inteiramente o golo inaugural, e Carlos Martins a fazer de Aimar deram perfeitamente conta do recado, pese alguma sofreguidão por parte deste último, facto que não me impede de catalogar como positiva a sua exibição. Do mesmo mal sofreu Di Maria, hoje por hoje o jogador mais desequilibrador do campeonato português, e terá residido na soma dessas características mentais (se é que as posso catalogar dessa forma) a escassez de golos que o marcador registou quando o competente árbitro deu por finda a partida.

 

Sobretudo na primeira meia hora o espaço encontrado entre o lateral direito e o central foi bastas vezes (sub)aproveitado, com Saviola, muito esperto, a deslizar com muita frequência para aqueles terrenos, a que se juntava o supracitado Di Maria, razões mais do que suficientes para pôr em água a cabeça dos adversários responsáveis pela defesa daquele sector. Seria um exercicio interessante tentarmo-nos colocar na pele dos treinadores adversários quando tentam escalonar (ao tempo que estava para utilizar esta palavra) a equipa que vai ter de parar um lado em que vêm por esta ordem: Coentrão, Di Maria e Saviola. Mas como por um lado não temos tempo e pelo outro não nos pagam para isso, passemos à frente desse exercicio especulativo.

 

Foi curioso notar que na 2ª parte a ala mais utilizada para criar perigo foi a direita, com Maxi a percorrer quilómetros e quilómetros, fazendo por merecer um golo que esteve perto de acontecer. Aproveito aliás o ensejo para defender publicamente o uruguaio, jogador que considero um dos mais consistentes laterais direitos a jogar na Europa. Não esqueçamos que a táctica empregue por Jesus (o treinador) implica um defesa direito com responsabilidades acrescidas, uma vez que além de não ter à sua frente um extremo na verdadeira acepção da palavra também tem de ter uma cultura táctica acima da média tendo em conta que do outro lado costuma actuar um lateral que é mais médio ala do que defesa. As compensações a que estas situações o obrigam são por vezes subvalorizadas nas análises feitas às suas exibições e daí esta defesa pública que lhe faço.

 

Foquei ali brevemente a lateral esquerda e dou por mim com vontade de verbalizar a minha esperança de que perdemos um bom extremo e estamos prestes a ganhar um excepcional defesa. Coentrão também já o parece ter percebido, o que terá também muito a ver com a maturidade que ganhou neste ano em que esteve a rodar fora do clube. O Coentrão que chegou ao Benfica não teria porventura esta capacidade de sacrificio, que no fundo não o é, uma vez que se eu estiver a ver bem a coisa (e há uma possibilidade bem forte de esse ser o caso) além de ter hipóteses de assegurar a titularidade por muitos e bons anos no clube também poderá almejar a semelhante conquista na selecção das quinas. As constantes chamadas de atenção de Jesus na linha lateral só lhe podem fazer bem.

 

Resta-me desejar que na quinta-feira se apresente uma mescla da melhor equipa disponível com o discernimento simultâneo de que no próximo sábado há um jogo muito importante para disputar no Funchal. É que não me sai da cabeça o receio transmitido em forma de desabafo por parte de um antigo treinador campeão pelo Benfica à volta de uma mesa, enquanto se recordavam outros tempos gloriosos, de que também esta época o clube não tem unhas para tocar todas as guitarras que lhe serão dadas a manejar no complicado mês de Março. Embora algumas das vitórias alcançadas esta época recorrendo a jogadores menos utilizados pareçam tirar alguma consistência a essa teoria, a verdade é que os desafios que nos serão apresentados nas próximas semanas, tanto a nível de dificuldade intrínseca como derivado da proximidade horária a que os mesmos se apresentarão, obrigam a que esta opinião não seja desprezada por quem tem como responsabilidade a gestão do plantel.

 

Por exemplo e falando num caso bem concreto e muito actual, se tivesse de escolher entre ter Ramires e Aimar na quinta-feira ou na Choupana, escolheria claramente esta última opção. Não percamos nesta altura crucial da época a capacidade de observar a floresta em detrimento das árvores que a compôem.

 

 

por Superman Torras às 21:34 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quinta-feira, 04.02.10

O oito e o oitenta e de passagem a divulgação do grande segredo para atingir o sucesso no futebol (pós)moderno

Neste momento estou convicto que a liderança alcançada ontem já não será posta em causa até ao final do campeonato. Sinto a equipa num patamar que nenhuma outra equipa ou outro qualquer poder mais ou menos subterrâneo podem colocar em causa. E mais, na maior parte das vezes fico com a clara sensação que ainda há muito por onde evoluir, ou seja, a equipa está longe de ter atingido o seu pico.

 

Estou na fase oitenta, é um facto irrefutável. Mas sinto que o oitenta com esta equipa não é o limite! Também eu tenho ainda muito que subir, assim me dêem os motivos para que tal aconteça. Talvez, quem sabe, estejamos prestes a alterar o paradigma e a expressão “8 ou 80” deixará de fazer sentido, passando a haver a “80 ou 800”. Parafraseando o José Torres, deixem-me sonhar!

 

Passando directamente e sem quaisquer subterfúgios ou perdas de tempo para a frase bombástica que optei por incluir no título deste post, está na hora de divulgar aquele que é o segredo máximo para se atingir o sucesso no futebol (pós)moderno. E sim, estou ciente que após divulgá-lo deixará de ser segredo. Preparados? Aqui vai: o binómio Jogadores na área contrária + tempo gasto para chegar a uma situação de finalização.

 

Explicando, aqui há tempos era comummente aceite que o principal factor de desequilíbrio de um jogo eram os lances de bola parada. Como é óbvio e natural os treinadores têm-se precavido cada vez mais para essa fase do jogo procurando que as suas equipas não sejam derrotadas na sequência destas jogadas. Ora treinando-os profusamente, ora colocando todos os seus jogadores na grande área, ora optando por marcação à zona, seja lá com que estratégia for (ou talvez mesmo pela soma de todas elas), a verdade é que nos dias que correm sofrer um golo de bola parada e ainda por cima perder pontos na sequência de um lance destes deixa os treinadores à beira de um ataque de nervos. Como tal, foi necessário encontrar outra forma de desequilibrar os jogos potencialmente mais equilibrados. Ou, sendo desequilibrados, quando do outro lado está uma equipa que procura fechar os caminhos para a sua baliza colocando os 10 jogadores de campo nos primeiros 30 metros a contar da sua linha de baliza. E aí está a tremenda ironia. É que estas equipas, e falando no caso concreto do Benfica e do Barcelona (de momento as equipas comandadas por treinadores que vejo a utilizarem este segredo de forma mais profícua), intuíram que uma das formas que as tais equipas que jogam basicamente nos primeiros 30/40 metros do seu meio campo têm de tentar ganhar os jogos é através dos lances de bola parada. Lances nos quais não raras vezes colocam 4 a 5 jogadores na grande área contrária.

 

E é aqui que são apanhadas em contra-pé. Porque se não conseguem finalizar esse lance a seu favor têm imediatamente que se preocupar com uma situação inversa, com 4 ou 5 jogadores da equipa que há pouco estava a defender um lance na sua área a deslocarem-se em alta velocidade para o seu meio campo parcialmente despovoado. Há quem chame a estes momentos “transacção defensiva” e “transacção ofensiva”. E se esta é mais rápida que a outra e se ainda por cima é efectuada com um numero maior de jogadores dificilmente se consegue impedir a sua concretização.

 

Além da resposta a lances de bola parada também a recuperação de bolas numa zona adiantada do terreno pode proporcionar jogadas nas quais o adversário é apanhado desprevenido e a ter de enfrentar uma situação com paridade de jogadores defensivos e ofensivos. Pensem. Quantas vezes este ano já não vimos o Benfica (deixemos o Barcelona de lado uma vez que pertence a outra galáxia e como tal tem 1001 formas de derrotar os adversários, nem que seja recorrendo...ao seu estilo de jogo habitual, obedecendo cegamente ao seu DNA enquanto equipa de futebol - a melhor que eu já vi jogar desde que acompanho futebol há cerca de 25 anos) a atingir situações de finalização igualando o numero de jogadores aos defesas contrários? Mesmo que a jogada não seja concretizada da forma tecnicamente mais perfeita, ora porque o passe sai com demasiada força ora porque o centro é mal medido, se tens mais jogadores na grande área do que o adversário o mais certo é que o ressalto vá parar a um dos teus jogadores. Isto não tem ciência oculta alguma, é uma mera questão de percentagem. É matemática pura.

 

Não me interpretem mal, a intensidade de jogo é importantíssima (escutem as explicações técnicas de Jorge Jesus e liguem-nas ao rendimento das equipas contrárias nas segundas partes dos nossos jogos), as tarefas de compensação ao(s) colega(s) que temporariamente deix(aram)ou o seu lugar é fundamental, os índices de concretização são como é óbvio muito relevantes para o resultado final, mas a situação de jogo para a qual ainda não há resposta de momento é aquela que eu indiquei. Não há forma de o treinador se precaver. Não pode simplesmente mandar a bola para o meio campo contrário e continuar com os seus 10 jogadores nos tais 30 ou 40 metros que ocupa quando não tem a posse de bola. Não é socialmente aceite. Para já pelo menos. Até surgir o próximo visionário (ou demente).

 

Por “sorte” reuniram-se alguns jogadores com características diferentes entre si mas complementares entre elas que permitem ao Benfica 2009/10 explanar este tipo de futebol na perfeição. Estou a pensar em Ramires, Di Maria, Saviola e Aimar. Se lhes juntarmos o Cardozo, que em passadas largas faz esquecer a lentidão de que por vezes é acusado e consegue chegar em poucos segundos à área contrária, antes dos centrais adversários por exemplo, temos 5 jogadores (cinco!) para no máximo dos máximos igual número de adversários. Talvez se não defendêssemos com tanta gente os cantos e livres contrários (colocamos todos os jogadores na nossa área ou pelo menos nas suas imediações!), os treinadores adversários não se deixassem embalar pelo pensamento de terem a sua baliza devidamente salvaguardada de ser violada e passassem a colocar mais jogadores a defendê-la. Qualquer semelhança com o procedimento da época passada, na qual também colocávamos todos os jogadores na área a defender os lances de bola parada, é pura coincidência. Porquê? Simples, Suazo não é igual a Ramires, Di Maria, Sav…enfim, perceberam a ideia.

 

Há no entanto uma última informação que não posso escamotear e que pode deitar por terra tudo o que escrevi anteriormente e que é a seguinte: este que vos escreve é o mesmo que queria a manutenção do Quique Flores à frente da equipa; que além disso caso se comprovasse a saída do espanhol estava contra a sua substituição pelo Jorge Jesus; e por fim aquele que defendeu o Paulo Almeida até aos limites do aceitável.

 

sinto-me: Nas nuvens
por Superman Torras às 18:57 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Segunda-feira, 21.12.09

O pós-coito futebolístico (com a inevitável cigarrada final)

Já comecei enésimos posts a sublinhar a minha inteligência mediana e a minha sagacidade qb no que à análise de futebol diz respeito. E aliás, se quisermos (e queremos), ser totalmente sérios (repare-se como me pus a falar na primeira pessoa do plural sem qualquer razão aparente), devemos alargar essa introspecção aos demais assuntos aos quais dedico a parte do tempo que me resta, isto é, a infíma parte que o Benfica não toma.

 

Feito este esclarecimento e devido aos factos acima enunciados não posso (nem quero!!!) deixar de puxar para o meu lado o mérito que me assiste depois de ter visto o Benfica vencer ontem o fcp com as armas que eu tinha considerado fundamentais para que a vitória não nos escapasse: Agressividade positiva e capacidade de decisão no último terço do terreno. Não precisamos de muitas oportunidades para marcar o único golo da partida e quanto à agressividade, Javi demonstrou à saciedade o que eu queria dizer quando estavam decorridos pouco mais de 2 minutos de jogo.

 

Acredito piamente que nós, o público, fomos de facto determinantes naquela 1ª parte, como factor motivador/intimidatório consoante a camisola que cada jogador tinha a sorte/azar de envergar. Se não acreditam, vejam com os vossos próprios olhos.

 

Deixem-me acreditar que os jogadores saberão imitar o seu desempenho daqui em diante, mesmo se por algum motivo tiverem de encarar uma plateia que não lhes seja favorável. E que nesses escassos jogos saibam que apesar de distantes fisicamente têm milhões de adeptos (literalmente) a gritar por eles. Independentemente de saberem que os jogadores não os podem ouvir, servindo apenas (como se fosse pouco) como demonstração do amor que nutrem pelo clube.

 

Cigarrada final: se aquela bola do Luis Filipe tem entrado, ter-me-ia levantado do meu lugar e perguntado em voz bem alta onde é que estava exactamente a porta pela qual deveria passar para entrar na 6ª dimensão.

 

Nota do Editor: a menção final deve ser lida em sentido figurado não devendo os mais jovens optar pelo sempre nocivo uso do tabaco por mais visual que seja o exemplo que este escriba utilizou para reforçar o prazer que o mesmo proporciona após uma sodomização como a que ocorreu ontem entre as 20h15 e as 22h (horas aproximadas).

 

Nota do Editor à Nota do Editor: a primeira nota do Editor não deve de forma alguma ser descontextualizada, sendo na generalidade a sodomização, quando não aceite pelo sodomizado, uma prática a todos os títulos reprovável. Como a sodomização aqui referida  teve na figura de sodomizado o clube fcp, esta além de socialmente aceite deve ser encarada por todos os bons chefes de família como uma óptima oportunidade de praticarem o chamado dever educacional e de chamarem os seus jovens petizes para uma conversa que começará necessariamente pelo habitual "Sabes filho, os pássaros e as abelhas..."

 

por Superman Torras às 20:59 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sexta-feira, 18.12.09

Citando um dos melhores treinadores de todos os tempos

“Some people think football is a matter of life and death. I assure you, it's much more serious than that.”

 

Bill Shankly

 

Os mais pragmáticos dirão que no domingo apenas estarão 3 pontos em jogo (ou 6, tendo em conta que defrontaremos o outro candidato ao título), mas eu prefiro recordar a frase do emérito treinador do Liverpool para dar conta que o aspecto anímico, dificilmente quantificado e portanto raramente referido pelos tais pragmáticos, com que ambas as equipas encararão as próximas jornadas terá uma relação directa com aquilo que se passar no domingo à noite.

 

Estou preparado e acredito que Jesus (o treinador de futebol) também para o facto de não vir a ser possível ao Benfica apresentar-se na sua máxima força, havendo algumas ausências que serão complicadas de esquecer nomeadamente no que respeita ao valor técnico dos ausentes e dos que os vão substituir. E é também por causa desse handicap que se terá de aplicar a máxima agressividade na recuperação da bola bem como na finalização dos ataques. Uma vez que não jogamos sozinhos e estou mais ou menos certo que Jesualdo irá promover a entrada de mais um médio de contenção para apostar na velocidade de homens como Hulk, Rodriguez ou Varela, não me escandalizaria que a Javi Garcia se juntassem nomes como os de Carlos Martins, Cesar Peixoto e Felipe Menezes. A ausência de extremos salta à vista, mas não creio que as alternativas deixem antever um cenário diferente, uma vez que Urreta é uma carta fora do baralho e Weldon seria uma aposta de risco que Jesus (o treinador de futebol) não deverá lançar logo de início (e esperemos que não tenha de lançar mais tarde).

 

Mas a ideia-base mantém-se: é fundamental encarar a partida com concentração máxima e, porque não (?), aproveitar o boost inicial que o Inferno da Luz não deixará de causar nas 3 equipas. Cada vez mais no futebol moderno a diferença entre as grandes equipas, aquelas que têm os grandes jogadores, e as outras, tem de ser estabelecida  pelo índice de aproveitamento das oportunidades criadas. E aqui chegamos ao jogo de sábado, que me obrigou a fazer uma média verdadeiramente anti-natura uma vez que saí de Lisboa perto das 19h para uma estadia de alguns dias numa unidade hoteleira algarvia e perder o jogo não era uma opção, e a verdade é que eu, já para não falar nos milhares de benfiquistas que se deslocaram a Olhão, merecíamos algo mais da equipa. Quanto a mim foi um caso típico dos imensos jogos que nos últimos anos o Benfica não venceu por não encarar o adversário com a necessária humildade. Recordem-se dos primeiros 10/15 minutos de jogo. Já está? Não vos parecia que a vitória, fácil, estava ao alcance da equipa? Havia espaços, a equipa contrária não assumia uma postura demasiadamente defensiva (pese a agressividade latente, semelhante -curiosamente ou talvez não- à que tivemos de defrontar em Braga), e a diferença de valores era por demais evidente. Ora, se a mim me é permitido este olhar desleixado para o ecrã, assistindo ao jogo com uma calma que não me é de tdo natural na maior parte dos jogos a que assisto, nos jogadores tal atitude costuma ser o prenúncio para uma noite que irá terminar comigo de maus fígados e perfeitamente impossível de aturar.

 

E o que é que acabou por provocar o equilibrar da balança, além da tal atitude de "deixa andar" da equipa? A tal estória do índice de aproveitamento, já que a Olhanense se colocou em vantagem num dos primeiros (o primeiro?) remate à baliza. E quando apesar disso conseguimos empatar o jogo e ficar com mais um homem em campo, voltamos a dar tiros nos pés, com uma falta desnecessária (o atacante estava de costas para a baliza, sem hipótese real ou ficcional de criar perigo) a conceder um livre que originaria o 2º golo dos algarvios e uma expulsão infantil a compôr o ramalhete.

 

Para não correr o risco de também eu ser expulso, desta feita de um hotel em que acabara de fazer o check-in, já não vi o período de descontos no qual acabamos por empatar e arrancar (!!!) ao menos 1 ponto desta jornada, mas o amargo de boca tinha vindo para ficar.

 

Sendo certo que o campeonato é uma prova de regularidade e que na altura em que escrevo este texto o Benfica é uma das duas equipas mais regulares, os sinais são preocupantes e parece-me indesmentível que a equipa perdeu gás nas últimas semanas. Se ao menos se conseguisse (continuar a) disfarçar a perda do fulgor exibicional apresentado no 1º terço da época com resultados positivos já seria motivo de regozijo mas agora que à referida perda se vêm juntar uma série de lesões em jogadores com preponderância inquestionável é fundamental que a equipa se una em torno de um objectivo comum e que nesta altura em que os relvados (incluíndo o da Luz) se tornam pesados e pouco propensos à prática do "bom futebol" se dê um pouco menos de importância à estética e se substitua essa por uma boa dose de pragmatismo.

 

Se no futebol em geral é fundamental e por estranho que pareça difícil de praticar, é nestas alturas em particular que assume especial importância praticar futebol simples. Passe, recepção, remate. 1, 2, tabelinha. Os célebres tandéns entre o lateral e o extremo que joga à sua frente. Um dos avançados a procurar o 1º poste e o outro (inevitavelmente o Saviola como já todos viram mas nem por isso conseguem impedir com sucesso) a posicionar-se no 2º. Enfim, uma meríade de situações que há que praticar com sucesso para que o jogo que basicamente se decide nas diferenças individuais entre os 22 jogadores em campo caia para o nosso lado.

 

E não esquecer, só mesmo para terminar, que no domingo o 12º jogador joga por nós! Uma coisa é certa, cantarei até que a voz me doa! E tu?

 

por Superman Torras às 19:12 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Sexta-feira, 27.11.09

Se fosse eu a mandar

Amanhã em Alvalade, jogava da seguinte forma:

 

Na esquerda colocaria Fábio Coentrão, tendo à sua frente Di Maria. Se em certo tipo de jogos sou de opinião que Coentrão não deve ser lateral esquerdo, este não é definitivamente um deles, isto porque a meu ver o adversário não tem no seu plantel um extremo direito (ou defesa lateral já que falamos disso) que nos possa preocupar. De resto, a defesa seria composta pelos habituais titulares, tendo em conta a indisponibilidade do Luisão, isto é, Quim, Maxi, David Luiz e Sidnei.

 

Talvez optasse por colocar alguém a fazer dupla com Javi Garcia, nem que fosse uns metros mais à frente (Ramirez? Ruben Amorim?), para fazer uma vigilância apertada sobre o jogador mais perigoso do Sporting, Liedson, deixando a ala direita entregue a Maxi e às deambulações de Aimar e Saviola. Acredito que com Liedson manietado, boa parte do perigo leonino será anulado. Na frente, e caso se confirme que Saviola irá recuperar, diria que o segredo para fugir à marcação individual pré-anunciada que irá ser efectuada a Aimar, seria fazer recuar o nosso nº 10, vindo buscar jogo bem cá atrás ou sobre as linhas, ficando Saviola com o ónus de fazer de Aimar. Com a dinâmica certa penso que Di Maria e Cardozo (para já não falar nos supracitados Aimar e Saviola) iriam beneficiar imenso das trocas posicionais que os defesas e médios sportinguistas teriam de fazer para acompanhar o nosso carrossel.

 

Quanto ao resto, é o resto. É um derby, logo é um jogo de resultado imprevisível e estão bem enganados todos os benfiquistas que pensam que vamos passear a nossa classe a Alvalade. Há um jogo que pode servir de referência, o jogo que realizamos em Goodison Park. Há que entrar com humildade, reconhecer que apesar do melhor conjunto (de equipa e de individualidades) que possuímos, o adversário tem o seu valor e conta com o factor chicotada psicológica além do inegável factor de estar a realizar um dos 2 jogos mais importantes da época (o outro disputa-se na Luz) e, é pena que assim seja, o homem cuja função primária seria demonstrar imparcialidade é um senhor que já nos custou muitos pontos de tão imparcial tentar ser.

 

Portanto, se eu mandasse, diria aos jogadores para entrarem muito concentrados em jogo e para controlar a agressividade "positiva" (sempre necessária e a meu ver um pouco ausente no jogo disputado com o Guimarães, nomeadamente na 1ª parte) quando a disputa da bola é realizada perto da nossa grande área.

 

Se estes pressupostos se cumprirem estou certo de que a vitória não nos escapará.

 

De uma forma ou de outra, vos digo isto: faltam menos de 24 horas para a realização do jogo e já não consigo pensar noutra coisa.

 

VIVA O BENFICA!

por Superman Torras às 22:12 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Sábado, 14.11.09

Portugal

Provável 11 inicial, a acreditar no site Mais Futebol:

 

Eduardo; Paulo Ferreira, Bruno Alves, Ricardo Carvalho e Duda; Pepe, Deco e Raul Meireles; Nani, Liedson e Simão.

 

Não sei porquê, mas tenho a leve sensação de que hoje se vai começar a escrever o principio do fim de 2 coisas:

 

- a presença da selecção das quinas no Mundial da África do Sul (ficamo-nos pelo cheiro)

- a presença de Carlos Queirós(s) aos comandos da selecção portuguesa

 

Para bem de muitos portugueses que eu conheço e que vão estar atentos ao jogo, em detrimento do excitante Espanha vs Argentina, espero estar enganado.

 

 

por Superman Torras às 20:10 | link do post | comentar | ver comentários (25)
Quarta-feira, 11.11.09

Na 2ª feira abracei pela 1ª vez o benfiquista que tem o cativo ao lado do meu

Uma vez que não tenho tendências homossexuais ("not that there is anything wrong about that!"), peço que os jogadores do Benfica se abstenham de voltar a incorrer em semelhantes episódios lesa-coração, passíveis que são de me colocar a fazer figuras (ainda) menos consentâneas com um trintão que tem uma postura a todos os títulos irrepreensíveis, jogos do Benfica excluídos.

 

Brincadeiras à parte, foi de facto uma 2ª feira muito sofrida. Depois dos resultados do fim de semana, que pareceu ter sido feito à medida dos nossos interesses, seria muito mau se não conseguíssemos beneficiar dos desaires dos nossos rivais obtendo os 3 pontos contra uma das mais fracas equipas da Liga. Parece-me a mim, e esta opinião é muito pessoal porque como pude constatar no intervalo do jogo em conversa com alguns companheiros de blogue ela (a opinião) estava longe de ser consensual, que entramos em jogo a pensar que mais cedo ou mais tarde iríamos marcar o primeiro golo e que a este outros se seguiriam. Não contaríamos provavelmente com a estoica oposição do adversário bem como com um adversário dentro do adversário, o guarda-redes, que fez uma exibição a todos os títulos notável. Fez mesmo uma das melhores defesas que já vi um guarda-redes fazer, aquela na sequência de uma cabeçada de cima para baixo, como mandam as regras, do Javi Garcia.

 

Aceito que me digam que a exibição do guarda-redes e também algum azar (bola no poste de Saviola) acabam por explicar a falibilidade do meu argumento inicial, de que entramos com pouca intensidade no jogo, mas em minha defesa sempre recordo que a maior parte dos lances, senão a sua totalidade, surgiram na sequência de lances de bola parada. Longe de querer insinuar que os lances de bola parada não contam para as estatísticas ou que são merecedores de menores elogios para quem os aproveita, penso ser irrefutável que não são demonstrativos de dinâmica ofensiva, essa sim responsável pela criação de oportunidades de golo em lances de bola corrida.

 

Seja como for, os 3 pontos acabaram mesmo por vir parar ao nosso cesto e gostava de elogiar aquilo que é de elogiar, até porque fiquei convencido com a explicação que Jorge Jesus deu no final do jogo para explicar a tal falta de dinâmica: o facto de termos disputado 3 jogos, basicamente com os mesmos jogadores, em 8 dias. E o que quero eu elogiar? O sentimento que perspassa dos jogadores para o público e/ou vice-versa esta época. Às tantas parecemos um só, com o mesmo sentimento, levar o Benfica de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Vi por exemplo um Ruben Amorim a colocar as mãos na cabeça e a ficar desesperado depois da enésima defesa do guarda-redes navalista, sofrendo como eu estava a sofrer, quase como que se de um adepto se tratasse (eu disse "quase"?!?); eu vi o mesmo Ruben Amorim abraçar Javi Garcia já após o apito final do árbitro e feitas que estavam as despedidas do público da mesma forma que eu o teria feito se tivesse o privilégio de estar no relvado; eu vi David Luiz realizar uma exibição PORTENTOSA (perdoem-me o grito), puxando pela equipa, empurrando um adversário que estava a atrasar a saída de campo, antecipando-se vezes sem conta aos avançados e saíndo de imediato para o ataque, puxando pelas bancadas quando tudo parecia perdido (ou empatado que viria quase a dar ao mesmo), sendo enfim mais uma extensão de mim próprio em pleno relvado da Luz; eu vi um espanhol acabado de chegar a Lisboa encarnar na perfeição o benfiquismo, de uma forma que francamente deve parecer inverosímel a todos aqueles que não têm o prazer de sangrarem pelo Benfica, tendo além do mais a necessária claridez de espírito para cometer 0 (zero) faltas durante os 90 minutos de forma a não correr o risco de ficar ausente do derby com o Sporting; eu vi enfim mais uma vez Jorge Jesus a ser tudo aquilo que eu sempre quis para dirigir tecnicamente o Benfica, fazendo-me corar de vergonha de pensar tudo aquilo que pensei aquando da sua contratação.

 

A minha luta pessoal, desgastante como há poucas, para evitar a subida dos meus níveis de confiança aos píncaros do 3º anel, continua e parece estar para durar. Muitos anos de desgostos fizeram com que ela assentasse arraiais no meu espírito como se de um inquilino daqueles com uma renda irrisória se tratasse. Mas não prometo nada se obtivermos o resultado que eu espero que obtenhamos no próximo jogo do campeonato!

 

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O post deveria acabar aqui. Num mundo perfeito terminaria. Mas como estamos todos cansados de saber este não é um mundo perfeito (a ausência de títulos do Benfica exemplifica-o na perfeição) e portanto terei de falar do acontecimento trágico de ontem, na sequência do qual perdi um dos meus ídolos futebolísticos da maneira mais estúpida que pode haver, o suícidio.

 

Robert Enke, foi este o meu nick na internet durante vários anos quando comentava futebol e com isto creio dizer tudo ou muita coisa sobre o que eu penso sobre o nº 1 que ontem pôs termo à vida. Não apenas por me rever na sua origem (alemão, vindo para o Benfica directamente do meu outro clube, Borrussia Moenchengladbach) mas também por me identificar bastante com a sua forma de ser bem como com a forma como também ele pareceu entender a sua mudança para o Benfica em primeiro lugar e para Portugal em consequência, aprendendo a língua de Camões em "2 tempos" e integrando-se no clube e na sociedade de uma forma que me pareceu ser bruscamente, demasiado(!), interrompida com a sua saída para Barcelona. Embora o Benfica vivesse então um dos seus momentos mais caóticos estou certo de que bastas vezes ele se arrependeu do trajecto profissional que empreendeu após a saída do clube, tanto assim é que ainda há poucos meses ele confessava o seu desejo de vir terminar a carreira no Benfica. São decisões que se tomam, tal como aquela que tomou ontem de dizer adeus a tudo e a todos, caminhando de encontro a um comboio. Terrível sensação esta de sentir dor pela morte de alguém que não se conhece pessoalmente, sendo portanto um sentimento dificilmente explicável a quem por ele nunca passou, mas nem por isso menos verdadeiro.

 

É apenas mais um ídolo meu que parte, partidas que se têm intensificado estúpidamente nos últimos anos (sinal do meu próprio envelhecimento?), neste caso agravado pelo facto de ser alguém mais jovem que eu.

 

Por tudo isto, aufiedersehen Robert, ich hoffe du bist jetz in frieden.

 

 

sinto-me:
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por Superman Torras às 19:48 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sábado, 26.09.09

E logo, jogamos nós!

Apesar do Sp. Braga ter vencido ontem e de ter tornado impossível a nossa passagem para o 1º lugar este fim de semana, nem por isso o dia de hoje deixará de ser muito importante para o futuro da Liga portuguesa. Com os outros 2 grandes a defrontarem-se entre si, temos obrigação de aproveitar a perda de pontos que uma equipa ou mesmo as duas perderão nesse confronto. E embora se possa considerar uma vantagem despicienda à 6ª jornada, a verdade é que podemos acabar o dia de hoje com 3, 5 ou 6 pontos de avanço dos nossos adversários directos. E eu tenho a nítida sensação de que se este ano nos deixam fugir, nunca mais nos apanham.

 

Na semana passada até cumprimos com aquela que é para mim a premissa fundamental do futebol moderno, sobretudo nos jogos em que uma das equipas é bem mais forte do que a outra, que é a de concretizar uma das duas ou três primeiras oportunidades de golo. O problema foi termos sofrido um golo passados poucos minutos e de tudo ter então voltado à estaca zero, com o Leiria a poder (re)entrincheirar-se no seu meio-campo, deixando a cargo de dois ou no máximo três jogadores a saída para o contra-ataque. Assim sendo, e como alguns dos nossos jogadores não estiveram tão bem como já nos habituaram (Rarmirez à cabeça), e também (porque não dizê-lo) por mérito do adversário que nos estudou muito bem, o resto do jogo foi um sofrimento atroz, felizmente com final feliz.

 

Infelizmente algumas mazelas terão ficado e ainda subsistem dúvidas de que Javi Garcia possa jogar hoje. Embora, como já disse, considere o jogo de hoje muito importante, não estou disposto a perder Javi por diversos jogos, nomeadamente no jogo da Liga Europa da próxima quinta-feira, caso seja esse o preço a pagar pela sua inclusão na equipa hoje. Estou certo que também Jorge Jesus pensa desta forma.

 

Caso Javi não jogue, deverá entrar Amorim para médio-defensivo. Perderemos necessariamente capacidade de choque mas com um apoio mais directo de Ramirez, deixando a ala direita para o regressado Maxi que é capaz de a fazer em toda a sua extensão, essa lacuna pode ser disfarçada. Cardozo deverá voltar a fazer dupla com Saviola, até porque se há coisa que o jogo de Leiria demonstrou foi que Keirisson ainda não é jogador para estas andanças. Aimar e Di Maria deverão completar o 11, isto caso JJ não esteja a pensar colocar Coentrão no lugar do extremo esquerdo. Tenho para mim que mais dia menos dia Coentrão vai ter essa oportunidade. E tem-na justificado nos poucos minutos que tem jogado na Liga. O problema dele chama-se Di Maria, mas a participar em várias competições e com jogos internacionais ao nível da selecção pelo meio haverá espaço para ambos. E quem sabe se não será hoje a primeira oportunidade do jovem esperança português.

 

Por último gostava de ver a Luz com mais de 50 mil espectadores hoje. Já não peço casa cheia mas um apoio substancial dos benfiquistas será meio caminho andado para vencermos mais um jogo.

 

 

por Superman Torras às 08:50 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sábado, 19.09.09

Amanhã, jogamos nós!

Fazendo uso do meu proverbial pessimismo, alicerçado em variadissímos anos nos quais o meu, nosso, Benfica tudo fez para o justificar, dou por mim a t(r)emer constantemente que será o próximo jogo aquele que vai proporcionar o violento acordar deste sonho a que a época 2009/10 se tem assemelhado. Nem são só os resultados, sempre importantes num clube como o Benfica, mas sobretudo as exibições e a simbiose que se (de)nota à distância existir entre a equipa técnica, os jogadores e aqueles que sofrem(os) nas bancadas.

 

É tudo tão perfeito que, creio eu, não me podem levar a mal continuar a estar de pé atrás (embora com as duas mãos bem levantadas, quando não estão a juntar-se uma à outra em ritmo frenético) exigindo à equipa que prove (bi)semanalmente que agora é que é, que agora é a valer!

 

Posto isto (sempre quis escrever esta expressão - já só me falta ser entrevistado para a Benfica TV e responder a uma pergunta com o cliché "Ainda bem que me faz essa pergunta"), para amanhã em Leiria, que se recomece do mesmo ponto em que se ficou na semana passada no Restelo, isto é, a pressionar o adversário à saída da sua grande área e a procurar o golo como se este fosse o primeiro - o que, vendo bem, até será o caso.

 

Dando largas ao treinador de bancada que há dentro de mim, espero que o Cardozo apenas jogue se estiver a 100% e uma vez que a dupla Saviola e Aimar deve regressar ao 11, ficará apenas por descobrir se será Nuno Gomes a primeira opção (ele que esteve muito bem no jogo de quinta-feira passada) a substituir o paraguaio ou se será Keirisson a ter uma oportunidade de demonstrar que está mais ambientado ao futebol europeu.

 

Na outra extremidade do campo, sou franco, gostava de ver Julio César a comandar a defesa. Nada de pessoal contra o Quim (até porque não o conheço de nenhum lado) mas estou apenas a zelar pelo meu coração que bate selvaticamente sempre que há um cruzamento para a área nos jogos em que é o internacional português que defende a nossa baliza.

 

De resto, o habitual: Maxi voltou e parece que nunca esteve ausente, Luisão e David Luiz constituirão a dupla de centrais, e César Peixoto terá mais um jogo para se ambientar à equipa e vice-versa. No meio-campo (e repare-se no hífen com que separei as palavras "meio" e "campo" - foram muitos anos a ler o jornal "A Bola"), Javi Garcia tratará de dar a coesão que a presença de tantos avançados no 11 poderia comprometer e Ramires fará mais um jogo em que só usando adjectivos que por norma não são utilizados em simultâneo (antecedendo as palavras: "classe", "trabalho defensivo" e "capacidade de se sacrificar em nome do colectivo") é que se conseguirá definir a sua exibição. Di Maria é o joker que falta e a dinâmica empregue será o segredo para que me permitam continuar a sonhar. De olhos abertos como é óbvio, porque é apenas justo que assim seja uma vez que foi assim que vivi os pesadelos das épocas anteriores.

 

por Superman Torras às 19:36 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sábado, 01.08.09

Serenity NOW! Serenity NOW!!!

 

  

Mas permitam-me o desabafo:

 

Estamos a jogar pra C... *

 

* a preencher pelo leitor atento (e sem medo do vernáculo, pois então)

por Superman Torras às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Quarta-feira, 15.07.09

Surpresa!(?)

 

Será que pela primeira vez em muitos anos temos um treinador que vê aquilo que nós vemos? Isto é, que há que pressionar alto, que o Benfica "tem" de jogar com 2 avançados, que no Benfica tem de haver lugar para os criativos, que, no fundo, o Benfica é o BENFICA?

 

E mais, que além disso também tem peso suficiente para fazer com que quem está acima de si se sinta obrigado a colmatar algumas falhas na construção do plantel que estão à vista de muitos de nós que o têm (temos) reclamado há muito tempo?

 

www.abola.pt/nnh/ver.aspx

 

 

p.s estou a fazer uma tremenda força para não chegar ao 80, mas não está fácil! Não chego no entanto ao cúmulo de pedir a Jesus que faça a equipa jogar para perder na 5ª feira para refrear os (meus) ânimos. Se tivermos de ganhar e se tivermos de voltar a exibir o futebol que exibimos nos 180 minutos da Suiça, pois que assim seja, e eu que me amanhe.

 

por Superman Torras às 07:42 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Domingo, 05.07.09

You sing well but you don't make me happy *

Ultrapassadas que estão as eleições (e esperemos que o estejam MESMO!), é altura de nos debruçarmos sobre aquilo a que ultimamente se convencionou apelidar de, e passo a citar, o "core-business" do nosso clube.

 

Ora, já que os anglicismos estão tão em voga, que maneira melhor do que utilizar uma simpática expressão tipicamente portuguesa para encabeçar este escrito uma vez que esta até demonstra com exactidão o ponto em que me posiciono neste momento no que concerne às expectativas com que parto para esta época?

 

Explicando: Estamos na silly-season (cá está, outra!), expressão que nestas últimas semanas temos feito por exponenciar até um nível quase estratosférico, e portanto não me levem a mal se neste momento opto por colocar um pouco de água na fervura. O defeso é geralmente utilizado pela comunicação social para nos colocar nas nuvens, o que no caso dos benfiquistas nem é feito demasiado árduo uma vez que juntamos a essa qualidade (de benfiquistas) outra que é a de sermos portugueses, povo naturalmente propenso a passar do 8 ao 80 no espaço de um ai, o que bastas vezes faz com que nos autoproclamemos como campeões do defeso e portanto potenciais frustrados da época que realmente conta, aquela que termina em meados de Maio.

 

Este ano será diferente! Pelo menos para mim! Não ficarei em extâse com cada passe de trivela ou com algum pormenor mais técnico que alguma das novas contratações faça nos jogos particulares; combaterei com todas as minhas forças o elogio fácil do trabalho do Jorge Jesus "Realmente ele está rouco! Bolas, está mesmo a puxar por eles! Agora sim! Este ano é que é!"; impedir-me-ei de ver qualidades no preparador físico em pleno Agosto, quando está mais que sabido que a qualidade desse trabalho se deve aquilatar ao longo da época; não exclamarei frases do género de "Aqui está nosso novo Preud'Homme!" a cada defesa mais vistosa de algum eventual guarda-redes que venha para ser o nosso nº 1 (por favor, contratem-no!); não vacilarei à primeira contrariedade dizendo que está tudo mal só porque algum jogo nos correu menos bem; não forrarei as paredes do meu quarto com as entrevistas habituais do ínicio de época em que não é preciso ser especialmente hábil para que o treinador diga aquilo que os adeptos querem ler; e por último, mas não menos importante, farei tudo o que esteja ao meu alcance para transmitir estas resoluções pessoais ao maior número de benfiquistas tentando tornar o mais colectivo possível algo que na sua génese é bem pessoal.

 

Descansem no entanto, não o vou imprimir, nem planeio andar com o respectivo volume debaixo do braço evangelizando potenciais vítimas subscritores destas ideias, mas pode ser que alguns estejam no mesmo estágio que eu e que se sintam reflectidos por esta mudança de atitude.


 

* tradução livre da expressão "Cantas bem mas não me alegras"

por Superman Torras às 08:05 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sexta-feira, 03.07.09

Escândalo! Sondagem à boca das urnas dá vitória à Lista B!

 

Instado a comentar esta notícia, Bruno Carvalho referiu, após afirmar que agora mais do que nunca iria impugnar o acto eleitoral:

 

"Onde é que ia arranjar dinheiro para os seguranças privados que me teriam de acompanhar aos jogos na Luz?"

 

 

A mesma empresa de sondagens adiantou ainda que está confirmado, a maioria dos portugueses não acredita que o domínio do Futebol Clube do Porto no futebol nacional foi alcançado à custa de manobras ilícitas.

sinto-me: Benfiquista
por Superman Torras às 21:29 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Terça-feira, 16.06.09

Pergunta retórica do dia

 

 

Se era para pagar os 700 mil porque é que se deixou arrastar o folhetim até ao ponto de se tornar uma novela?

por Superman Torras às 07:45 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Domingo, 29.03.09

E tu, por quem vais torcer no Mundial?

Como sei que entre os frequentadores da Tertúlia há muitos adeptos que juntam à paixão pelo Benfica a paixão pela selecção portuguesa, abre-se aqui um tópico para quem desejar falar sobre a campanha portuguesa de apuramento para o Mundial a disputar na África do Sul.

 

Eu posso lançar a primeira ideia. Assim, como treinador de bancada que sou, na minha opinião o que faltou ontem para vencer a Suécia foi ter jogado Pedro Emanuel na esquerda da defesa para dar profundidade a esse flanco.

 

De resto, folgo em ter constatado que uma vez mais demos uma abada nos suecos, sobretudo no por vezes menosprezado período pré-jogo, em que goleamos, nomeadamente no importantíssimo item "Auto-Elogios bacocos". Pena não ter tido correspondência prática naquele período menos importante, vulgar mesmo, que decorreu entre cada um dos apitos do árbitro.

 

Mas não se pode ter tudo, pelo menos agora estamos novamente a fazer algo pela educação dos portugueses, obrigados que estão a fazer contas de que já se tinham desabituado quando o treinador era o Scolari. Ou não fosse o novo responsável um Professor! Muito mais do que treinador, apetece dizer.

sinto-me: visionário
por Superman Torras às 11:16 | link do post | comentar | ver comentários (52)
Quarta-feira, 25.03.09

O maior tiro no pé desde o infeliz episódio em que Alcino "O Coxo" inadvertidamente apontou a arma contra si enquanto esperava pela caça

 

Fora de qualquer ironia, juro pela saúde da minha filha (não tenho filha mas agora virou moda jurar-se pela saúde das filhas), acho um tremendo tiro no pé esta atitude do SCP de não querer que o Lucílio Baptista volte a apitar jogos seus.

O que se seguirá, pedir igual "sanção" para o Carlos Xistra?

sinto-me:
por Superman Torras às 22:46 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Domingo, 22.03.09

Ironia suprema *

Para não usar a analogia do outro que falava num porco a andar de bicicleta, a mim já só me falta ver uma família alemã a acusar Heinrich Himmler de ter ajudado um judeu a escapar aos campos de concentração nazi.

 

 

 

* se o facto de o Benfica ter ganho uma taça devido a um erro de um árbitro chamado Lucilio Baptista não entra directamente para a descrição desta expressão nos dicionários portugueses, que se elimine esta expressão de vez.

por Superman Torras às 13:43 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quinta-feira, 26.02.09

Pensamento do dia

A todos os benfiquistas que, na sequência da indignação de uns quantos de nós quando soubemos da nomeação do Lucílio Baptista para o jogo de amanhã, vieram novamente com a cantilena de que o Benfica tem obrigação de vencer todos os jogos mesmo se jogar contra 14, porque não tornam a coisa mais interessante e além de jogarmos contra 14 também obrigamos o Moreira a jogar com as mãos presas atrás das costas, os centrais ao pé coxinho e os médios com vendas nos olhos?

por Superman Torras às 20:08 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quarta-feira, 25.02.09

O jogo mais importante da época, Lucilio e o Artur Jorge é que tinha razão

Sexta-feira joga-se boa parte do futuro do Benfica esta época. Qualquer desfecho que não se traduza no amealhar dos três pontos em disputa implicará, na minha opinião, o afastamento da luta pelo título.

 

Às naturais dificuldades que o Leixões vai colocar, naturais porque tem demonstrado variadíssimas vezes que é uma equipa muito bem orientada intrometendo-se inclusivamente na luta pelos primeiros lugares, ficamos hoje a saber que teremos o desprazer de receber no nosso estádio um dos apitadores mais indecentes que pisa os palcos portugueses. E isso, não o ignoremos, acrescentará uma pitada extra de dificuldades que teremos de ultrapassar.

 

Além disso, como se já não fosse empreitada suficiente, teremos muito provavelmente a enésima demonstração prática de como não se deve encarar uma partida em que temos "obrigação" de ganhar, como é o caso de cerca de 90% dos jogos que disputamos em casa. Custará assim tanto apresentar de ínicio o fulgor que temos demonstrado bastas vezes possuir nas segundas partes das partidas jogadas na Luz? Repare-se, nesta fase já nem exijo um futebol particularmente belo e/ou agradável à vista, não, nesta fase contentar-me-ia(ei) com a demonstração cabal por parte da equipa, jogadores e treinador (já lá vamos), que entenderam finalmente que ao Benfica ninguém dá nada, tem de ser tudo conquistado, e ainda bem que assim é, à custa do seu suor e do nosso sacrificio. E assim sendo não há tempo a perder, esqueçam o jargão que implica a concessão de 15 minutos iniciais geralmente epitetados de "estudo do adversário", disfarcem o respeito devido ao adversário partindo para cima dele como se uma equipa da 2ª divisão se tratasse, olvidem a segunda parte do jogo do passado fim de semana, em suma, vão-se a eles que nem tarzões assim que o apitador der o primeiro de muitos (óh se serão muitos!) silvos no apito!

 

Quanto a Quique Flores, vai ter muito provavelmente que perceber que terá de colocar  em campo uma equipa desiquilibrada se quer que o Benfica passe da teoria à prática no que respeita à superioridade que possui em relação à grande maioria, para não dizer totalidade, dos competidores da 1ª liga portuguesa. Já não vou tão longe em querer ver Suazo encostado à direita, suprimindo dessa forma a ausência de um extremo direito com que se possa contar no plantel, para permitir a entrada de Cardozo no 11, mas a entrada de um jogador que tenha rotinas de ala é de todo necessária para obrigar os médios adversários a cobrirem ambas as alas e não apenas aquela em que tem actuado Reyes. Se isso será feito com Di Maria, com Balboa ou com o improvável Aimar, desconheço, mas já que falo no Aimar sempre vou acrescentando que estou muito longe de estar convencido da bondade da decisão em continuar a reservar-lhe uma das duas posições mais ofensivas da equipa.

 

Na direita ou mais atrás fazendo a ligação com o(s) médio(s) mais recuado(s), permitindo dessa forma a entrada de mais um jogador ofensivo, creio ser essa a melhor solução para os tais 90% dos jogos em que assumimos um claro favoritismo.

 

Por último é chegada a hora de sossegar os ânimos mais irrequietos devido à parte do título que lá foi colocada para precisamente provocar uma espécie de curiosidade mórbida, do género daquela que faz os portugueses abrandar o carro na autoestrada quando há um acidente na faixa contrária, e de dessa forma poder eventualmente garantir a leitura completa deste post por parte dos leitores mais exigentes, dizendo-lhes que não se trata do súbito reconhecimento que Isaías, Vitor Paneira, Edilson, Stanic (a lista é infindável) foram bem dispensados e que o Artur Jorge não concorreu com essas decisões para o início da nossa travessia no deserto, não, apenas chamei o dito senhor à prosa porque me apercebi recentemente do quão acertada era a sua decisão de ver os jogos enquanto ouvia música clássica. É verdade, mudando apenas o tipo de música de clássica para blues ou jazz, a verdade é que os últimos jogos que tenho visto em casa são acompanhados de um movimento que ameaça tornar-se automático de tirar o som da televisão e de ligar a aparelhagem. Claro que isso já tem levado a certos episódios que parecem directamente saídos de um guião da twilight zone uma vez que à posteriori verifico que tive a ver um jogo diferente daquele que os comentadores e os jornalistas presenciaram mas isso, aproveitando para parafrasear o dito senhor uma última vez antes de prometer que não voltarei a referir o seu nome por muitos anos em que continue a escrever no blogue, é uma situação perfeitamente normal.

por Superman Torras às 22:22 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sábado, 17.01.09

Telegrama aberto a Quique Flores

Gosto de ti Quique STOP

 

Apesar de outros fazerem por apregoar a sua diferença a verdade é que nós no Benfica sempre gostamos de treinadores que não se escudavam em erros alheios para disfarçar os seus STOP

 

Apesar disso não és perfeito STOP

 

Para te ser completamente franco ainda tenho dúvidas de que acompanhes como treinador a qualidade que tens enquanto comunicador STOP

 

Seguem alguns conselhos de quem te quer bem STOP

 

Experimenta o Amorim no meio STOP

 

A fazer dupla com o Katsouranis por exemplo STOP

 

À frente de ambos poderá estar o Carlos Martins ou o Aimar STOP

 

Deste modo e para solucionar o fiasco Balboa faz o Suazo descair para a direita STOP

 

Amorim além de permitir a subida de Katsouranis também pode marcar o espaço deixado pela pouca apetência defensiva do hondurenho STOP

 

Além disso com Amorim e Katsouranis tens dois jogadores que têm características que são essenciais para um médio vingar como sejam a raça e a técnica à qual juntam uma qualidade muitas vezes menosprezada chamada inteligência STOP

 

Sim a inteligência STOP

 

É esta que permite ao chamado médio defensivo  movimentar-se de modo a promover o encurtamento de espaços em relação aos avançados fazendo uso de uma leitura de jogo apenas ao alcance dos jogadores que além de fazerem o seu trabalho também percebem as funções dos companheiros de equipa STOP

 

Mas isso tu saberás melhor do que eu pois se assim não fosse não terias já experimentado ambos em posições que não as suas STOP

 

O risco é que ao fazê-lo estejas a optar por uma solução correcta mas não perfeita STOP

 

Na frente coloca o Cardozo STOP

 

Verás que com o esquema certo o paraguaio é garantia de golos STOP

 

Não lhe peças é uma movimentação demasiado ampla STOP

 

Com Reyes na esquerda tens o esquema ofensivo montado STOP

 

Cá atrás Miguel Vitor é essencial STOP

 

Nos cantos da equipa adversária deixa pelo menos um jogador perto do meio campo adversário STOP

 

Podes começar hoje por exemplo (é um dia tão bom como qualquer outro) STOP

 

Um abraço deste que te estima STOP

 

Superman Torras

 

por Superman Torras às 08:25 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Terça-feira, 13.01.09

Ideias soltas (quem quiser, que as agarre)

Ausente da escrita há algum tempo, não se infira por tal uma vivência menos apaixonada do Benfica mas tão somente a ausência de motivos que me fizessem pensar que alguma coisa que eu escrevesse iria acrescentar tópicos de conversa ao blogue.

 

Como creio que nesta altura essa premissa não se coloca, seguem algumas palavras sobre o estado da nação. Da nação que conta. Do Benfica, claro.

 

É verdade que estamos em 1º lugar no campeonato, no entanto nós, benfiquistas, continuamos de pé atrás porque o que nos é dado a ver semanalmente (quando a Selecção, épocas festivas, ou uma aragem um pouco mais forte que poderia eventualmente constipar os jogadores que actuam no campeonato português não impeça a realização de jogos) não nos tranquiliza. Na verdade, em Janeiro e pese embora todas as mudanças pelas quais o plantel passou na época em curso, desculpem mas já era suposto haver outra consistência de jogo.

 

Não se justifica como é óbvio a saída do treinador, o despedimento colectivo dos jogadores, ou a realização de eleições antecipadas - todos estamos carecas de saber o que é que esse tipo de situações nos trouxeram nos últimos anos - mas uma atitude de avestruz não será com toda a certeza a resposta ideal e a que melhor serve os interesses do nosso Benfica. Vendo as coisas com pragmatismo penso ser indiscutível que não ficamos a dever nada a nenhuma equipa portuguesa. Nem em termos de jogadores e nem na estrutura técnica que lidera o futebol, director desportivo Rui Costa à cabeça e Quique Flores e a sua restante equipa técnica como tronco e membros, daí o travo amargo com que tenho ficado na boca na maior parte dos jogos que disputamos esta época.

 

Não temos equipa, e nem o futebol do século XXI o permite, para encarar todos os jogos com aquele pensamento com que os nossos pais e avós iam à bola e em que a pergunta chave era "Por quantos é que vamos ganhar hoje?". Mas, caramba (!), temos equipa e temos perfil (temos, não temos? O Benfica continua a ter o perfil que nos foi ensinado pelos nossos pais, não tem? Um perfil que se consubstancia na grandeza dos seus feitos, passados, presentes e futuros, bem entendido. Pergunto, porque eu nos meus 33 anos de vida e acompanhando o clube com mais fervor e atenção desde os meus 10 anos, já vivi mais épocas de tristeza que de glória, independentemente dos factores que contribuíram para esse facto. Contas para outro rosário...), como dizia, temos equipa e temos perfil (!) para encarar 75% dos jogos do campeonato português de peito feito, assumindo o jogo e fazendo por provocar os erros do adversário. E só assim nos poremos a salvo de imponderáveis que o futebol, felizmente na maior parte dos casos e muito tristemente noutros em que o futebol tuga é fértil, proporciona.

 

Não entra aqui em questão se jogamos com um avançado ou dois trincos ou num quatro quatro dois em detrimento de um quatro cinco um, isso são clichés inventados para satisfazer mentes gulosas, não, tudo se resume a uma palavra chamada dinâmica. É esta que impele o jogador a correr para recuperar a bola que acabou de perder, e que ao fazê-lo ajuda a que o colega que está mais próximo faça o mesmo numa autêntica bola de neve que provoca em nós, espectadores adeptos (ou adeptos espectadores, assim é que é) a certeza de que estamos a contribuir para o crescimento da dita bola de neve que desce pela encosta atropelando a quem ousar lhe fazer frente; é a dinâmica, dizia, que faz com que o avançado não diminua o passo, pelo contrário em que corre até com mais velocidade, quando um defesa atrasa a bola para o seu guarda-redes de modo a obrigá-lo a chutar a bola para onde está virado e ajudando desta forma a que a equipa suba no terreno e conquiste a bola o mais cedo possível; é a dinâmica ainda que faz com que os médios e os defesas subam os tais 10/15 metros (ou os que forem precisos!) para evitar que o esforço do avançado seja em vão; e é finalmente a dinâmica que faz com que o jogador perceba que é parte integrante de um todo que ultrapassa em muito tudo o que ele possa almejar ser em termos individuais.

 

Há determinados pormenores no Benfica 2008/09 que me deixam de certa forma preocupado, porque dão a entender que algumas das noções do que é o benfiquismo ainda não foram devidamente apreendidas por alguns dos que têm a honra de envergar o manto sagrado. Natural, responder-me-ão os mais atentos, nesta época de mudanças fáceis e vivida em velocidade vertiginosa nem sobra tempo para as pessoas apreciarem o que têm, constantemente em busca de algo "melhor" para apenas tarde demais se aperceberem que para estarem melhor só faltava terem sabido viver o momento (Carpe Diem ficava muito foleiro aqui?). Sendo natural, tal não implica que nos devamos eximir às nossas responsabilidades, de mostrar diariamente a estes profissionais que todos teremos a ganhar, a começar por eles, se ao necessário profissionalismo juntarem essa pitada de benfiquismo.

 

Mostremos-lhes amanhã, na quinta-feira, na sexta, no sábado, no domingo (jogo às 16h, óptima oportunidade para dar uma chapada sem luva aos donos da bola e de, com uma presença maciça, demonstrar as saudades que temos de ver jogos sem recorrer à luz artificial); mostremos-lhes todos os dias que podem contar connosco se nós sentirmos que podemos contar com eles; mostremos que nem a tempestade que se azivinha e que o terrorismo verbal com que temos sido presenteados desde o jogo de domingo faz adivinhar nos vai fazer tombar; mostremos CARAÇAS, que somos o BENFICA e que o BENFICA PREVALECERÁ!

 

por Superman Torras às 20:42 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Sábado, 13.12.08

Taça de Portugal

Depois de uma goleada muito saborosa, e que bem me soube o jantar subsequente, temos mais uma deslocação que se prevê muito complicada ao campo do 2º classificado do campeonato, Leixões.

 

Quique Flores, e bem, não irá efectuar grandes mexidas na equipa e muito menos irá optar por fazer descansar alguns jogadores. A conquista da Taça de Portugal deve ser um dos grandes objectivos do Benfica esta época e portanto carga máxima hoje no Estádio do Mar. Por carga máxima dever-se-á entender uma atitude semelhante à demonstrada nos Barreiros, ou seja como se o apito inicial do árbitro* mais não fosse do que o sinal de que estava a começar a 2ª parte e o teimoso empate subsistisse.

 

Foi assim que entramos em campo no Funchal e foi por isso, e não porque aos 16 minutos ficamos a jogar com mais um jogador uma vez que isso foi somente o reflexo da atitude mandona do Benfica desde o primeiro minuto, que o jogo se acabou por revelar tão fácil. Recordo que com um quarto de hora de jogo já Suazo tinha falhado um golo certo e Ruben Amorim tinha obrigado o guarda-redes do Marítimo a uma excelente intervenção.

 

Para hoje portanto muito mais importante do que constatar os jogadores que farão parte da equipa inicial, será vital que a atitude se mantenha.

 

Até porque penso ser relativamente pacífico esperar um 11 muito semelhante ao da semana passada. Moreira deverá continuar na baliza (não creio que numa altura destas se justifique utilizar Moretto em nome de uma rotatividade que neste momento pouco sentido faz uma vez que é o próprio Moreira quem precisa de minutos de competição), e à sua frente o quarteto defensivo deverá continuar a ser constituído por Maxi, Luisão, Sidnei e David Luiz.

 

É uma pena tudo o que tem acontecido ao Leo, sobretudo em termos pessoais, até porque se há posição em que eu gostava de observar o David Luiz seria na lateral direita. Pese o facto de este ano não ter nada a apontar ao Maxi, que na generalidade tem cumprido muito bem a função. Considero no entanto o jovem central brasileiro um dos grandes valores do nosso plantel e pelo facto de termos 3 centrais muito bons uma das sugestões seria experimentá-lo numa das laterais, só que se já é difícil a um central dextro se adaptar à lateral desse lado, essas dificuldades exponenciam-se tremendamente se a adaptação (que nunca passará disto e confesso que tendencialmente sou  contra as adaptações pelo que compreendo perfeitamente todos os que discordam desta sugestão/adaptação) é tentada do lado contrário.

 

No meio-campo será altura de comprovar a subida de forma de Katsouranis, à qual não será alheia a entrada em cena de Binya que ao jogar mais recuado liberta o grego para acções mais ofensivas. Além disso a própria atitude de Katsouranis para com o jogo tem sido bem diferente da que tinha vindo a demonstrar nos últimos meses, na verdade em quase toda a época passada e em alguns jogos desta época antes da dura conversa tida com Quique após o jogo com o fcp (confirmada pelos próprios).

 

Amorim actuará mais uma vez sobre a direita e Reyes será novamente o apoio mais directo a Suazo e Aimar. Por falar no Ruben Amorim, caso se confirme a subida de forma de Balboa (e é virtualmente impossível, garanto-vos já, que ele só valha aquilo que tem demonstrado desde que chegou ao clube), vai sendo tempo de experimentá-lo no centro do terreno com o ex-madrilista a fazer de extremo.

 

Para este jogo no entanto há um factor especial a ter em conta e daí a importância vital de Binya jogar a titular. É que o elemento mais perigoso do adversário tem tendências sado-maso (ver foto) e ao camaronês exigir-se-á uma marcação cerrada ao mesmo, para além da supracitada missão que permitirá libertar o Katsouranis. Será ele o nosso joker hoje. Força Binya, mostra (lhe) o material de que és feito!

 

 

 

*

 

 

 

por Superman Torras às 08:28 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Quarta-feira, 10.12.08

Sabemos que somos malucos pelo Benfica quando...

 

 

...até achamos engraçado aquele que é muito provavelmente o pior anúncio da história da televisão portuguesa, só porque ele está a passar na Benfica TV.

 

ou

 

...pensamos na necessidade de adquirir outra televisão para ir vendo outros canais, uma vez que a actual irá estar sempre sintonizada na Benfica TV.

 

 

ou

 

... (a preencher pelo leitor)

sinto-me: benfiquista até mais não
por Superman Torras às 20:14 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Domingo, 07.12.08

Equipa para logo, um grande benfiquista e pensamento (assassino) do dia

E eis chegado o dia em que o Benfica enfrenta novamente uma deslocação que se prevê muito complicada no campeonato nacional. Jornada perfeita, portanto, para a equipa se reerguer e voltar aos carris dos quais vem teimando em patinar nas últimas semanas.

 

Como decerto terão reparado o meu último post não foi propriamente dos mais simpáticos para um dos jogadores do nosso plantel, Quim. Admito que se possa questionar a sua bondade (sua, do post), mas a verdade é que estava mesmo muito chateado com o que tinha acabado de presenciar e admito que ainda hoje, após não ter conseguido evitar as enésimas repetições dos golos de 2ª feira à noite nos diversos noticiários televisivos, contínuo a achar o Quim o maior culpado de não estarmos nesta altura no 1º lugar do campeonato.

 

Isso não implica que o Quim seja proscrito ou que se esqueça imediatamente todos os jogos bons que fez ao serviço do Benfica e que, estou certo, voltará a fazer assim que tenha a cabeça limpa e este período menos bom esteja ultrapassado. Quem não se pode dar ao luxo de o ajudar a ultrapassar esse período enquanto vai sofrendo as suas consequências é naturalmente o clube. E por isso, e respondendo ao post do Pedro, acho que a decisão de Quique em deixá-lo em Lisboa é a que melhor ajuda a equipa. Se servirá ou não para ajudar o Quim a atravessar esta fase, isso penso que é mais do que tudo um trabalho do Quim.

 

Moreira será portanto o nosso guarda-redes hoje. E que esteja de regresso o melhor Moreira é o que todos desejamos. Aquele guardião sóbrio mas ao mesmo tempo capaz de fazer defesas impossíveis, bom na saída aos cruzamentos e excelente quando tem de enfrentar adversários isolados. E que tenha melhorado os seus índices nas defesas de remates de fora da área, situação de jogo que sempre me pareceu o seu ponto menos forte.

 

Na defesa penso que se deveria continuar a apostar na dupla Sidnei/Miguel Vitor. Luisão estará perto da recuperação e é um jogador essencial mas confesso que neste momento veria com muito maus olhos uma nova saída da equipa do Miguel Vitor. Por tudo o que tem feito penso que merece a titularidade. Na direita manter-se-á o Maxi e na esquerda é onde provavelmente iremos ter os maiores problemas hoje. A acrescentar às ausências dos dois laterais esquerdos do plantel é sobre esse flanco que deverá cair um dos jogadores mais perigosos do Marítimo, Djalma. Hoje mais do que nunca será de importância vital a ajuda que Reyes dará ao David Luiz.

 

No meio campo faria alinhar Ruben Amorim sobre a direita, Reyes do lado contrário e Katsouranis e Yebda sobre o centro. Uma das contratações vitais para o Benfica no mercado de Inverno seria um extremo direito de forma a que Ruben Amorim pudesse jogar na sua verdadeira posição, médio centro. Hoje por exemplo seria um óptimo jogo para fazer essa alteração, os problemas começam quando começamos a olhar para as alternativas que temos para o lugar que ele irá desempenhar, como sempre muito bem, na Madeira.

 

No ataque e confiando na total recuperação do Aimar (pausa para risos), confiaria a titularidade ao argentino com Suazo a jogar à sua frente.

 

Mais do que os nomes será fundamental a equipa entrar em campo como se já estivessemos na 2ª parte e o resultado se mantivesse num teimoso empate. Pressionando o portador da bola e trocando a bola com dinâmica e para a frente. Tudo ao contrário portanto de tudo quanto se tem visto na maior parte dos jogos esta época. Está mais do que comprovado nesta altura que ainda não temos equipa para guardar um resultado escasso a nosso favor, desistindo de jogar em ataque continuado e esperando pela equipa adversária no nosso meio campo.

 

Foi a jogar dessa forma que temos sofrido os maiores reveses. E sim, o jogo com o Setubal acaba de ser o último episódio que o comprova. Independentemente de saber que em "condições normais" tívessemos vencido esse jogo por 2:1, a verdade é que antes do fatídico lance do empate os sadinos tiveram 2 ou 3 oportunidades flagrantes para fazer o 2:2. E porquê? Porque após termos marcado o terceiro golo, anulado pela rábula protagonizada pelos senhores árbitro e árbitro auxiliar, desistimos pura e simplesmente de jogar.

 

Por falar nisso, podem-me ajudar a identificar outra grande equipa europeia que nos cantos coloca todos os jogadores na sua grande área? *

 

Só para terminar, a quem ainda não leu, aconselho a leitura desta entrevista de um dos últimos grandas avançados (como diria o Jorge Jesus) que vestiram o manto sagrado. Grazie per tutto, verrà semper uno di noi, Fabrizio!

 

* é apenas uma das situações de jogo que têm levado o meu subsconsciente a perguntar ao meu consciente se Quique não será porventura melhor comentador desportivo do que propiamente treinador de futebol. Felizmente o meu consciente tem feito um bom trabalho a rebater estas ignóbeis acusações, justificando basicamente o porquê de continuar a ser alimentado, mas seria de todo útil que as exibições do Benfica o começassem a ajudar a vencer esta batalha.

 

 

sinto-me: relativamente confiante
por Superman Torras às 08:28 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 01.12.08

10 razões porque Moreira tem de entrar JÁ n

Eu dou a primeira: Porque a equipa precisa de um safanão e embora a história raramente se repita, neste momento estou completamente certo que foi com a substituição de um então abúlico Moreira que se iniciou a caminhada decisiva que viria a culminar com o último título que conquistamos.

 

O D'arcy vai dar, à vontade, mais três, ficam a faltar seis. Eu conseguiria arranjá-las à vontade, mas não vos quero privar desse prazer. Uma vez que prazer é coisa que dificilmente terei hoje, vou rever isto. Pode ser que ajude.

 

Mas tenho quase a certeza que o Joaquim vai aparecer no meu sono hoje. Pesadelo por pesadelo, ao menos que no futuro próximo o único sítio em que tenha de me voltar a deparar com ele seja nos meus sonhos.

sinto-me: revoltado
por Superman Torras às 22:55 | link do post | comentar | ver comentários (25)

Equipa para logo e pergunta (de retórica) do dia

Depois de uma derrota traumática, logo à noite recebemos o Vitória de Setubal com a possibilidade de voltarmos a atingir o lugar que é nosso por direito adquirido: o 1º.

 

A esperança é que o trauma já seja parte do passado e que os jogadores entrem para a partida com vontade de a resolver cedo. Que é coisa que não se tem visto na maior parte dos jogos desta época, daí o meu desejo.

 

Quanto ao 11 que na minha opinião deveria entrar em campo mais logo, ele seria qualquer coisa como isto:

 

Quim, Maxi, Sidnei, Miguel Vitor, Jorge Ribeiro; Katsouranis, Yebda, Amorim; Reyes, Suazo e Cardozo.

 

Hesitei nas seguintes posições: na baliza se o Quim voltar a mostrar a mesma passividade que exibiu na Grécia apresentava-lhe o banco. Estando definitivamente apto, Moreira tem tudo para ser o guarda-redes do Benfica nos próximos 10 anos.

 

No centro da defesa faria aquilo que já deveria ter sido feito para o jogo de 5ª feira, isto é, reeditava a dupla que tão boa conta deu de si nos poucos jogos em que jogaram juntos. David Luiz esteve muito mal nesse jogo e se bem que os 12 meses de ausência possam ajudar a explicar muitas coisas, por outro lado as ambições do Benfica não podem ser postas em causa devido à inexperiência de um jogador que não saberá, eventualmente, admitir perante o treinador que ainda não se encontra em condições de jogar.

 

Do meio para a frente e com as lesões de Nuno Gomes e Aimar (um Aimar não lesionado é que começa a ser uma visão longínqua) penso que é chegada a hora de apostar na tripla Reyes, Cardozo e Suazo. Com o hondurenho a descair preferencialmente para a ala direita a fim de baralhar as marcações dos sadinos. Cardozo deve de uma vez por todas ser entendido como o homem-poste, aquela espécie de avançados que ficam na frente apenas para dar o último toque na bola. Não creio que a equipa ganhe grande coisa quando ele recua no terreno para tabelar com os companheiros ou para fugir às marcações.

 

Já Suazo tem dado muito boas indicações sempre que cai para uma das alas, até porque só dessa forma tem encontrado espaços para galgar metros e para fazer gala da sua velocidade. Ou alguém de bom senso acredita que o Vitória não vem hoje colocar o autocarro à frente da sua baliza, na Luz?

 

E para finalizar, a pergunta do dia: é feriado nacional, os jogos da Superliga já se disputaram praticamente todos, há algum motivo que não a simples e egoísta razão televisiva que quer aproveitar o prime-time para exibir o campeão de audiências para este jogo não se realizar às 16h?

 

 

 

 

por Superman Torras às 10:39 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sábado, 22.11.08

E amanhã, o 11 será este

De volta aos assuntos do pontapé na bola, no fundo aqueles que nos interessam a todos em primeiro lugar, pese a importância dos outros que têm dado pano para mangas nos últimos dias, vou tentar entrar na cabeça de Quique Flores e dar-vos em primeira mão (ou em segunda, vá, porque a primeira está destinada ao Quique) a constituição do nosso 11 para amanhã em Coimbra.

 

Na baliza continua o Quim do Benfica, esperando nós que o Quim da selecção só volte em meados de Março do ano que vem. O quarteto defensivo manter-se-á, pese alguns jornais terem alvitrado uma possível entrada do David Luiz para o centro da defesa. Nunca por nunca Quique faria uma alteração suicida destas em vésperas de confronto decisivo para as competições europeias.

 

No meio campo e ataque irá apostar na mesma equipa que defrontou o Vitória de Guimarães. Ou seja, Katsouranis, Yebda, Ruben Amorim e Reyes no meio campo e Aimar e Suazo na frente.

 

E agora, para algo completamente diferente, seguem-se alguns pensamentos que se têm entretido a jogar pingue-pongue do meu neurónio direito para o esquerdo (e vice-versa).

 

Assim, ao ver os últimos jogos do Benfica e tendo sempre presente o percurso do Suazo desde os tempos em que brilhava no Cagliari, penso que uma das formas de encaixar Cardozo no 11 seria o de fazer com que o hondurenho caísse para uma das alas de forma a dar uso à sua enorme velocidade (chegam a ser impressionantes alguns dos lances que ele ganha aos adversários mesmo partindo com vários metros de atraso) e aproveitando a presença tranquilizante de Ruben Amorim para fechar no flanco direito. A dúvida maior seria perceber se a dinâmica do conjunto permitia a saída de um dos dois médios (Katsouranis/Yebda) para a entrada de Aimar, sendo que ao argentino seria exigida uma prestação muito mais equilibrada do que a que tem sido obrigado a desempenhar quando actua no apoio ao ponta de lança.

 

Mais uma vez e como tenho dito desde que vi os primeiros jogos de Amorim no clube, eu que duvidava da bondade da sua contratação, é ele que tem nas suas mãos o decisivo papel de joker do Benfica. É sobre ele que recaem as maiores responsabilidades de equilibrar a equipa. Devido às suas características e também à forma como encara o jogo, procurando sempre a melhor solução para a equipa mesmo quando isso por vezes possa ir contra os seus interesses pessoais imediatos (frase que pode parecer um contra-senso mas estejam atentos a alguns jogadores e vejam se muitas vezes não optam pelo mais difícil em detrimento do mais fácil, não porque estejam a defender os interesses da equipa mas sim porque o adorno lhes pode dar outra visibilidade), penso que a sua presença em campo pode de facto validar um 11 com Suazo, Reyes, Aimar e Cardozo.

 

Pensando numa equipa tão ofensiva parece-me óbvia a necessidade da defesa subir 10/15 metros e aí poderá entrar em jogo o joker nº 2, David Luiz. Com a defesa actual não me parece sensato pedir a tal subida no terreno uma vez que a velocidade não é uma das características do Luisão e com tanto espaço nas costas e sabendo nós que grande parte das equipas portuguesas optam por jogar em contra-ataque o mais certo seria esta táctica se revelar suicida. No entanto, se juntassemos um David Luiz completamente restabelecido ao surpreendente Sidnei talvez ela tivesse pernas para andar. Ou melhor, para correr.

 

Tudo ideias à desgarrada, quem não se julga o melhor treinador de bancada qu'há, portanto, mandem vir os vossos onzes e digam de vossa justiça. Aproveitem o espaço, ele é vosso. Ou nosso, se quiserem (agora parecia o Joaquim Rita).

por Superman Torras às 08:29 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Sábado, 15.11.08

Pensamento do dia e a minha equipa para amanhã (ou vice-versa)

Deixando sair o treinador que há dentro de mim, estas seriam as minhas apostas para o jogo de amanhã com o Estrela da Amadora.

 

Na baliza, o indiscutível Quim. De resto no que à defesa diz respeito não faria qualquer alteração. Manter-se-iam portanto Maxi na direita, Luisão e Sidnei no centro e o actual melhor lateral esquerdo português Jorge Ribeiro compunha o quarteto. Uma breve nota para dar conta da imensa dor de cabeça (mas daquelas boas) que vai ser quando se confirmar a total recuperação do David Luiz. Confesso que nesta altura hesito na melhor dupla de centrais do Benfica quando assim for. Se por um lado Sidnei e David me parecem ser os que à partida dão maiores garantias de sucesso, tanto no presente como no futuro, por outro lado não é de descurar o capital de experiência e a preponderância sobre os restantes colegas e mesmo adversários do Luisão.

 

No meio penso que seria de apostar na dupla Katsouranis/Yebda, assumindo capital importância a colocação de um deles (quiçá, alternando) uns metros à frente do outro para estender o jogo da equipa e ajudá-la (à equipa) a pressionar alto. Não faria actuar o habitual 4x4x2 com dois extremos porque optaria por Carlos Martins a fazer a meia direita e Aimar a fazer o mesmo do lado contrário. Na frente apostaria na dupla Cardozo/Suazo. Reyes para já não entraria directo na minha equipa porque quanto a mim se não é nestes jogos e nesta altura que se dá oportunidades ao Cardozo de readquirir a confiança que parece um pouco abalada corremos o risco de perder aquilo que hoje em dia nesta era das SAD's se habitou a designar de "um excelente activo".

 

Em suma, Suazo ficaria responsável por descair para as alas aproveitando os ressaltos e o jogo aéreo do seu companheiro de ataque e Aimar juntamente com Carlos Martins ficariam com a responsabilidade de os municiar.

 

Quanto ao pensamento do dia, aqui vai ele: ao assistir às primeiras transmissões da Benfica TV, tendo as últimas duas consistido em belas vitórias do futsal do Benfica (por falar nisso, amanhã não há desculpas para não enchermos o pavilhão pois o jogo decisivo com aquela que é provavelmente a melhor equipa europeia é imediatamente antes do jogo com o Estrela), apercebo-me de que foi preciso chegar o canal do clube para finalmente assistirmos a comentários imparciais em jogos do Benfica. E mai'nada!

 

 

sinto-me:
por Superman Torras às 10:54 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Quinta-feira, 28.08.08

Está decidido, vou comprar mais um cativo

Eis a nova Pantera Negra do Benfica. Se nos ajudar a conquistar metade das conquistas da Pantera Negra original, já seria fantástico.

 

 

 

 

 

Opiniões?

 

Pedidos?

 

Alguém?

 

Já sabem, é só pedir de boca, com Rui Costa aka "The Negotiator" em acção nada é impossível.

 

 

sinto-me: Esperançoso
por Superman Torras às 22:55 | link do post | comentar | ver comentários (33)
Sábado, 16.08.08

A Tertúlia dos leitores

        VS    

 

 

Apesar de por enquanto ainda não haver crónica, não queríamos privar os leitores da Tertúlia de deixarem as suas impressões sobre a Eusébio Cup que se disputou ontem entre o Benfica e o Inter de Milão. Por isso, não se acanhem e deêm uso ao teclado!

 

 

sinto-me: expectante
por Superman Torras às 09:11 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 10.08.08

Esta não é (um)a crónica do d'arcy

Jogo de apresentação do Benfica 2008/09, oportunidade para cumprir dois objectivos primordiais:

  • Matar as saudades que já se faziam sentir após algumas semanas sem visitar o nosso estádio e estar, com as nossas gentes, a apoiar o nosso Benfica;
  • Verificar inloco o estado evolutivo da equipa treinada por Quique Sanchez Flores.

Começando pelo primeiro item, talvez o mais importante dos dois uma vez que dizia respeito a uma necessidade básica que me estava a ser suprimida por forças alheias à minha vontade (maldito Euro), poder-se-à dizer que ela começou a ser saciada quando faltavam cerca de 2 horas para se iniciar a partida. Sim, é verdade, eu estava lá ainda antes de terem aberto as portas ao público.

 

E foi bonita a festa, pá!

 

Não houve extravagâncias ou surpresas de última hora (o "Homem Invisivel" já teria sido contratado para o jogo de apresentação de um dos nossos rivais pelo que só nos restava o inalcançável "Homem Elástico") mas estiveram mais de 40 mil dos nossos todos unidos pela mesma paixão e, acredito, munidos do mesmo sentimento de esperança que se auto-renova todas as épocas por piores que tenham sido as épocas anteriores.

 

E, talvez por a  época 2007/08 se ter aproximado perigosamente daquilo que os extremistas tendem por epitetar de "8", será importante não incorrer em erro semelhante ao procurarmos encontrar entre os vários factores positivos que nos foram dados a ver no último sábado motivos para embandeirarmos em arco e julgarmos que súbitamente nos aproximamos vertiginosamente do "80". Assim não é de facto, aliás, usando de uma analogia rodoviária (sempe útil, sobretudo quando não se ingeriu bebidas alcoólicas antes), nesta estrada imensa que o autocarro que simboliza o futuro do futebol do Benfica se prepara para percorrer após ter aproveitado uma oportuna rotunda para inverter o rumo que levava, a esperança maior é que se encontre rapidamente a saída para a auto-estrada, essa sim fundamental para se atingir a velocidade de cruzeiro que todos almejamos.

 

No entanto, há que dizê-lo com frontalidade, não pude evitar um ligeiro sorriso de satisfação quando abandonei a Catedral. E com isto entramos directamente no ponto nº 2, isto é, o que eu vi, ou me pareceu ter visto, do alto do 3º anel no sábado à noite.

 

Por ter ficado agradavelmente impressionado com toda a equipa que jogou, precisamente por me ter parecido aquilo que já há muitos meses (anos?) eu não via a equipa do Benfica parecer, isto é, uma equipa, optarei por mencionar individualmente apenas os elementos do meio-campo, ou não fosse este geralmente considerado o sector nerválgico do terreno de jogo. E aproveito desde já para mencionar aquele que contra todas as previsões, minhas incluídas, poderá se tornar o joker da equipa: Ruben Amorim. O jogador que através do seu espírito de sacrifício poderá equilibrar o jogo da equipa, o pêndulo que se saberá mover de acordo com as necessidades momentâneas da equipa. O tal "Homem Invísivel" (olhem, afinal sempre terá vindo!). Não será com toda a certeza titular absoluto mas, a confirmarem-se algumas das impressões com que fiquei não só neste jogo mas também no anterior com o Vitória de Guimarães, poderá ser de uma utilidade extrema.

 

No sábado formou um tridente muito interessante com Yebda, a rever o jogador francês apesar de me ter deixado boa impressão sobretudo pela estampa física, e com Carlos Martins. Carlos Martins que vem confirmar, como se isso fosse necessário, a transformação imediata que se processa num jogador assim que deixa de vestir a camisola de um rival do Benfica para passar a envergar o manto sagrado. A faceta de execrável vai-se com uma rapidez assinalável. Quase que seria motivo para um estudo aprofundado por parte das melhores universidades do país. Adiante.

 

A verdade é que o ex-sportinguista tem feito de tudo para caír no goto do comum adepto benfiquista. Assim, a juntar à reconhecida capacidade futebolística tem exibido igualmente uma consistência exibicional e uma aplicação competitiva a toda a prova. No entanto confesso que ainda não estou rendido. Contínuo com um pé atrás e sempre à espera do momento em que o castelo de cartas ruirá. Se assim não for então poderão, poderemos (!), estar certo de uma coisa: Rui Costa não estava a ser irónico quando apresentou Carlos Martins como o seu sucessor.

 

Quanto às estrelas Aimar e Reyes, o primeiro vai mostrando cada vez mais entrosamento com a equipa em geral e com Cardozo e Martins em particular, e o segundo fez 10 minutos que no mínimo dos mínimos deixaram água na boca ao mais relutante dos adeptos.

 

E como na altura em que escrevo estas linhas eu estou absolutamente convicto de que pelo menos mais uma estrela se juntará à festa (chamem-lhe um feeling se quiserem), aproveito para abrir um pequeno parêntesis: se me dissessem há uns meses que em Agosto de 2008 iríamos ter estes atacantes o mínimo que lhe chamaria era a alcunha pela qual o Aimar não gosta de ser conhecido. Acredito que a inflexão provocada pela nomeação de Rui Costa como director desportivo é parte importante, se não fundamental, nestas contratações, mas confesso que estou pasmo com a disponibilidade que o nosso clube demonstra por fechar estas contratações. Se estas se devem realmente somente à capacidade negocial de Rui Costa então não posso deixar de maldizer os últimos anos de Rui Costa como jogador do clube. Por muito que o adorasse como jogador (e como o adorava, desde os tempos em que ía para o café todos os domingos às 14h para ver os jogos da Fiorentina) a verdade é que nos teria dado muito mais jeito como dirigente.

 

Obviamente que o passado está repleto de situações em que equipas constituídas na sua maioria por jogadores maravilhosos não atingiram os seus objectivos porque cometeram o erro capital neste tipo de casos: nunca conseguiram ser uma equipa e o todo acabou por ser menor que a soma das partes. Mas essa é uma tarefa que até ver me parece estar em excelentes mãos. Na verdade Quique Flores e restante equipa técnica parecem-me uma verdadeira pedrada no charco do marasmo no qual o Benfica mergulhou. Correndo o risco de me aproximar perigosamente do supracitado "80", confesso que neste momento não coloco de parte a eventual reedição do fenómeno Eriksson em tudo o que o sueco significou para o Benfica e para o futebol português aquando da sua primeira passagem pelo clube, ao ver os sinais que me são transmitidos não só pelos métodos de trabalho da referida equipa técnica mas também pela forma como todos se expressam quando questionados pela comunicação social.

 

A noite foi portanto agradável, sexta-feira surgirá o último jogo da pré-temporada com o Inter de Mourinho. Acredito que a equipa que iniciar esse jogo será basicamente aquele que atacará a 1ª jornada do campeonato pelo que será uma excelente oportunidade para aquilatar de uma forma definitiva a forma com que vamos encarar as competições oficiais.

 

Termino com a satisfação de ter ajudado a cumprir um sonho de infância, ou de uma semana vá, de um correligionário da Tertúlia, por lhe ter permitido visionar um jogo sentado ao meu lado.

 

sinto-me: Relativamente confiante
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por Superman Torras às 23:09 | link do post | comentar | ver comentários (23)
Sexta-feira, 23.05.08

Garantirá uma primavera chuvosa, um jardim florido?

Numa altura em que se aproxima vertiginosamente o anúncio do nome do treinador que se irá responsabilizar por colocar de novo o Benfica no lugar que merece é chegada a hora de dizer de minha justiça relativamente aos últimos acontecimentos que vão marcando a actualidade benfiquista.

 

Não vos irei maçar com a recordação do triste final de época que me foi dado a observar, bastas vezes na fila da frente, isto é, nos estádios onde as tragédias iam tendo lugar, quanto a isso tranquilizo-vos desde já. Mas terei obrigatoriamente de fazer um ponto prévio para justificar o porquê de as minhas expectativas para a época que aí vem, o novo ciclo que se está prestes a iniciar (ou será que já se iniciou?), serem, um pouco inesperadamente convenhamos, altamente elevadas.

 

Sou ridiculamente optimista quando se trata do Benfica, isso é inegável e aceito que mo atirem à cara na caixa de comentários que surgirá após o último parágrafo deste post. À partida para um jogo, por piores que sejam as perspectivas e por mais que me tente mentalizar que existe a hipótese de o Benfica não o vencer, é certo e sabido que assim que o árbitro apita para o início da partida sou acometido de uma cegueira momentânea que pode durar até 120 minutos.

 

Tenho convivido relativamente bem com este estigma mas o cenário altera-se radicalmente quando dou por mim a pensar com os meus botões que talvez esteja a ser um pouco ingénuo quando dou crédito a um presidente que já me desiludiu uma vez, numa situação análoga à que vivemos actualmente. Adiante. A verdade é que vamos entrar no último ano de mandato de Luis Filipe Vieira e será no seu final, e só então, que se irá julgar o seu trabalho e aferir, no caso de existir uma recandidatura, a viabilidade de lhe passar uma procuração para o próximo triénio. 

 

Confesso que a promoção de Rui Costa a director desportivo é a razão maior para o meu optimismo. Cometerá erros em função da sua inexperiência no cargo e será falível como qualquer pessoa o é, mas existe a garantia de que além da imensa experiência granejada no competitivo futebol italiano, onde conviveu com os melhores juntando à faculdade de nunca ter tido necessidade de olhar para alguém de baixo para cima a, não menos importante, humildade cuja perda o faria olhar outrém de cima para baixo, também será virtualmente impossível de ver lançadas contra si teorias de se estar a usar da grandeza e prestígio do clube em proveito próprio. E isso, amigos, é um bónus fundamental quando juntamos o passado recente do nosso clube à idiossincrasia própria dos adeptos benfiquistas.

 

Posto isto, acredito que o técnico que aí vier, quer ele seja o Quique Flores ou Michael Laudrup ou mesmo outro que pertença à mesma estirpe, isto é, juntando à juventude a fome de vitórias e salpicando estas características com uma visão moderna do futebol, fará um contrato de médio prazo que o libertará do estigma inicial pelo qual passam os treinadores aos quais se exigem resultados imediatos. Não sou (tão) ingénuo ao ponto de pensar que os adeptos benfiquistas irão perdoar outro ano em branco mas quero crer que as não vitórias (como já disse anteriormente recuso-me a prever derrotas do Benfica) iniciais serão mais facilmente desculpáveis caso a direcção desportiva tenha um rumo traçado e perfeitamente apreendido pela massa adepta e se desvaneça de uma vez por todas a gestão ao sabor do vento por que se pautaram os últimos longos meses que eu conseguiria reduzir em poucas palavras chamando-lhe o período pós-José Veiga. Por muito que isso me custe a admitir e que desgoste a alguns que me leêm.

 

Acima de tudo e seja qual for o nome do técnico, será fundamental que a dupla Rui Costa/Treinador aja em perfeita autonomia, sem o dedo presidencial portanto, e com o rumo perfeitamente traçado de antemão, o que estas semanas de contactos e reuniões me fazem acreditar ser um ponto assente.

 

Para já não desejo entrar em pormenores relativamente às lacunas que penso ser urgente debelar ao nível do plantel a constituir para a próxima época, no entanto espero que se junte à necessária atenção ao mercado nacional, cuja liderança perdemos para o rival nortenho e cuja reconquista é fundamental para voltarmos a ser a força dominadora que já fomos, uma postura acutilante no mercado externo que permita chegar primeiro às trutas que de outro modo nos escaparão.

 

Se juntarmos às informações positivas que me chegam do modus-operandi do gabinete de prospecção do Benfica o conhecimento internacional de Rui Costa e do treinador que aí vem só podemos esperar a feitura de um plantel capaz de lutar até ao fim pela (re)conquista da nossa verdadeira posição, aquela que está na génese da nossa existência e que em suma fará com que nós, os optimistas, deixemos de ser olhados de um modo paternalista muito semelhante ao que em geral se reserva aos inaptos mentais que estão de tal modo desfasados daquilo que os rodeia que nem sabem cantar de trás para a frente o fabuloso "Ser Benfiquista" que neste momento toca, da frente para trás, na aparelhagem cá de casa.

 

Acho que hoje vou ter um sono tranquilo e bem agradável.

sinto-me: Optimista
música: Ser benfiquista
por Superman Torras às 23:11 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quarta-feira, 12.03.08

Dúvida

Ao melhor plantel dos últimos 10 anos corresponde a pior equipa dos últimos 20?

Esclareça quem souber.

Mas se souber(em) a resposta, e no caso desta ser positiva, guardem-na para vós pois há quem esteja a dormir e parecendo que não esse seria um acordar traumático.

É preferível virar para o outro lado e continuar a dormir o sono dos (in)justos.

Afinal, tudo pode não passar de um pesadelo. Será que falta muito para chegar a aurora?

Ok, podem responder, mas comentem baixinho.
sinto-me:
por Superman Torras às 21:56 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quinta-feira, 28.02.08

K.I.S.S. - Ou o elogio das coisas simples

 

 

 

Apesar de considerar Messi o melhor jogador do mundo ou porventura devido a considerar Messi o melhor jogador do mundo sou apologista da simplicidade de processos numa equipa de futebol como forma primordial de se atingir o sucesso. E, longe de querer centrar a crónica no jovem astro argentino, mas de forma a justificar o pensamento com que a iniciei, penso que uma equipa em que jogue Messi tem de facto como forma mais simples de chegar ao golo o endosso da bola ao sucessor de Maradona.

 

Falemos portanto daquilo que nos traz a todos a este sítio. O Benfica. E às suas idiossincrasias muito próprias.

 

Admitamos por um momento, por um breve momento que seja, que o simples facto de passar a enumerar de forma perfeitamente aleatória algumas das incoerências desportivo/futebolísticas que na minha opinião impedem ou ajudam a impedir o nosso clube de ter sucesso poderá servir para as expurgar e dar um novo amanhã ao nosso futuro. Melhor. Mais radioso. Com sucesso desportivo, em última análise.

 

E mesmo que assim não seja, caramba, que pelo menos sirva para eu desabafar.

 

Há jogadores de que gosto mais e outros de que gosto menos, dependendo das suas características individuais e do que acrescentam ou não à equipa quando estão em campo. No entanto, se há característica que abomino e com a qual embirro particularmente é com a falta de inteligência que leva, por exemplo, a que um jogador tente fazer coisas para as quais não está vocacionado. Adiante. Não vou individualizar. Não neste momento.

 

A falta de um jogador como Messi , que encare o adversário de frente e que provoque neste o receio de que pode ser ultrapassado no 1x1 deveria levar o Benfica a apostar numa dinâmica colectiva que permitisse a absorção desse handicap e, porventura, a torná-lo num factor desequilibrador sim mas a nosso favor. Isto porque, salvo raras e honrosas excepções, o colectivo sempre prevaleceu sobre o individual.

 

Quem nos esteja a ler de um sítio distante, de alguma galáxia longínqua, com nulo conhecimento do passado recente do nosso clube, poderá estar neste momento com um sorriso nos lábios antevendo vitórias folgadas e sucessos variados para uma equipa que faz gala destes predicados por mim enunciados. A nós, que vivemos o clube numa base diária com a proximidade que nos é permitida pelos stewards de serviço, e conhecedores que somos da realidade existente o máximo que pode provocar é um esgar de sofrimento.

 

Entendamo-nos, em primeira instância cumpre ao treinador a utilização dos melhores jogadores que tem ao seu dispôr de forma a criar uma dinâmica de conjunto que leve à constituição de uma equipa na verdadeira acepção da palavra. Obviamente que, quando se assiste à constante chamada de jogadores cujo mérito principal é passarmos a achar natural e francamente inofensivo o jogo da Roleta Russa...jogado com o canhão cheio de balas, torna-se difícil compreender e mesmo respeitar as restantes decisões tomadas.

 

Por exemplo e falando em termos colectivos hoje em dia torna-se caricato assistir aos exercícios de aquecimento efectuados antes dos jogos, nomeadamente àquele que faz com que duas equipas de cinco jogadores cada troquem a bola entre si num espaço reduzido do relvado. O exercício em si não tem nada de errado, bem pelo contrário! O que não se compreende é a relevância desse exercício perante aquilo que (não) se vê quando o árbitro apita para o ínicio das partidas. Porque num espaço infinitamente maior e com muito mais possibilidades de fazer gala dos passes a um, dois toques o que se vê é a constante utilização do passe longo, vulgo charuto, como forma primária de (des)construção de jogo.

 

E se é assim naqueles 10/15 minutos que nos são dados a observar a cada oito dias, penso que é legítimo questionar a metodologia empregue nos restantes dias da semana em que os treinos são efectuados longe da vista do comum dos adeptos. Porque uma coisa é certa, e quanto a isso não podemos (continuar a) fugir: o futebol praticado é de facto de muito má qualidade. Contam-se pelos dedos de uma mão a utilização de jogadas básicas (lá está) mas eficazes que visam dar profundidade ao jogo ofensivo de uma equipa. Façam este exercício simples: tentem recordar-se do último golo do Benfica marcado após uma desmarcação de um jogador aproveitando uma tabelinha efectuada com um companheiro. Mais, subo a parada, em que esse movimento não tenha levado directamente ao golo mas sim à chegada do lateral ou do extremo à linha de fundo para efectuar o cruzamento que levou ao remate concretizador do avançado. Que saudades dos tempos do Veloso ou do Álvaro em que o lateral dava para o extremo e o ultrapassava para ir receber a bola mais à frente e fazer o centro para a área. Porque se deixou de fazer isto? Porque é díficil? Porque são precisos jogadores predestinados para o fazer? Não, não e não. Porque são necessários automatismos.

 

Não é igualmente dificil para um observador relativamente atento descortinar a causa principal para os ínumeros pontos perdidos na Luz esta época. Se à não utilização do futebol curto e apoiado juntarmos uma velocidade de execução verdadeiramente exasperante e concluirmos com a inexistência de jogadores que decidam jogos com o recurso às bolas paradas, só por milagre se poderia esperar que uma equipa que ainda por cima joga perante um público de extremos que é capaz de cobrir a distância que vai do 8 ao 80 no espaço de poucos minutos...várias vezes numa hora e meia, deixasse de perder pontos com a cadência verdadeiramente aberrante (quando comparada com a história do clube) com que o tem feito esta época. Um pequeno aparte, Simão ajudava a disfarçar muitas insuficiências.

 

Vou aproveitar a embalagem para pessoalizar esta parte do texto porque me apetece elogiar alguém. Binya. Gosto dele porque tem consciência dos seus limites e dá o que tem pelo colectivo. Corre e sabe cada vez melhor para onde corre. Foi um achado. Quem me dera ter mais dois ou três no plantel. Em posições diferentes já agora para os poder utilizar a todos em simultâneo.

 

Não vou entrar nas questões directivas porque haverá com toda a certeza pessoas mais habilitadas a fazê-lo mas não quero deixar de aconselhar a (re)utilização do predicado que escolhi como título para este post porque me parece longe de ser uma medida sensata o regresso aos tempos em que a gestão de um plantel mais parecia um entreposto comercial em que todos os anos, e por vezes duas vezes ao ano, se mudava aos 10 e se acabava aos 20 (jogadores).

 

Independentemente de tudo o resto quero acreditar que continuamos no caminho certo e que, no caso de não continuarmos, o(s) maquinista(s) tenha(m) a noção de que este enorme comboio longe de se confinar a um inter-cidades tem de começar por aí para se poder candidatar novamente à feitura dos percursos europeus. E se for necessário regressar às origens para a partir delas se voltar a construir um clube que ao justificado epíteto de glorioso junte...as conquistas, não encontro melhor altura para o fazer senão a data em que se festeja mais um aniversário.

 

por Superman Torras às 21:53 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quarta-feira, 20.02.08

Rumor...?

Não sei ao certo a credibilidade que hei-de dar a esta notícia que corre nos mentideros das redacções dos maiores órgãos de comunicação social portugueses, mas não ficaria com a minha consciência tranquila se não a partilhasse convosco.

Então ela versa isto: estar-se-á a preparar uma edição especial, por se antever um pouco mais extensa do que o habitual, do programa da RTP "Prós e Contras" em que o principal assunto em debate serão os lançamentos laterais, com especial incidência para os efectuados pelo jogador do Benfica, Binya. Está prevista a presença de grandes especialistas mundiais bem como de vários elementos do conselho de disciplina da Liga e do presidente do conselho de justiça da Federação Portuguesa de Futebol. Não estará neste momento posta de parte a possibilidade da instauração de um processo sumaríssimo.

Não será obviamente o único tema em debate pois deverá estar igualmente presente no debate um jogador escocês que irá participar no mesmo via-satélite a fim de dar as suas opiniões acerca da violência no futebol e da possibilidade de serem instaurados processos-crime aos jogadores que façam faltas mais duras sobre os outros mesmo que estas não provoquem qualquer lesão ao jogador atingido.

Por fim, ainda não está totalmente confirmada a presença de uma septuagenária que irá acusar o jogador Binya de ter passado à sua frente na fila dos lacticínios de uma grande superfície comercial.

 

Nota: deve haver poucas coisas mais caricatas do que ter ex-árbitros da estirpe de José Leirós, António Rola ou Rosa Santos a comentar as decisões dos árbitros da liga profissional de futebol. Não creio que, apesar de tudo, esta série de parágrafos o consiga suplantar. Mas tentei, oh se tentei.

por Superman Torras às 07:32editado por Anátema Device às 11:01 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 17.02.08

Telegrama aberto aos jogadores do Benfica

Sejam solidários. STOP. Acima de tudo, sejam solidários. STOP. Na maior parte dos jogos disputados em Portugal é a vossa dinâmica, e no fundo o vosso sentido profissional, que ajudará a decidir  o vencedor dos mesmos. STOP. Quando o vosso colega que tiver a (in)felicidade de ter a posse da bola pedir uma desmarcação, façam-na. STOP. Melhor, não o obriguem a pedi-la, sejam pro-activos. STOP. Quando a bola estiver do lado do inimigo (é assim mesmo, encarem-nos como tal, enquanto o jogo estiver a decorrer) ajudem nas tarefas defensivas. STOP. Façam-nos sentir, de novo, orgulhosos. STOP. E não pensem por um momento sequer que por o adversário se chamar Naval, Estrela da Amadora ou Moreirense terão menos um adepto a sofrer por vós. STOP. E por fim, não me obriguem novamente a dar a entender que hoje em dia o jogador do Benfica que em determinado momento do jogo tem a bola em sua posse é a pessoa mais infeliz em campo. STOP.
por Superman Torras às 11:58 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 06.11.07

Hoje, jogamos nós!

 

 

 

Atitude.

Raça.

Eficácia.

Capacidade de sofrimento.

 

Assim de repente são as palavras que melhor definem aquilo que espero dos jogadores do Benfica que entrarem em campo hoje e as qualidades que, penso, serão suficientes para vir da Escócia com os 3 pontos tão necessários para continuarmos a pensar no apuramento para a próxima fase da Liga dos Campeões.

 

Mais do que saber se joga Edcarlos na defesa e Katsouranis sobe para o meio campo ou se Nuno Gomes fará companhia a Cardozo na frente, a mentalidade competitiva de que o Benfica dê mostras mais logo será fundamental para sair incólume do inferno de Celtic Park.

 

Por mim falo, à parte a questão da eficácia, por motivos mais do que óbvios, estou disposto e garanto mesmo (!) a apresentação das três restantes características supracitadas quando me sentar em frente ao meu televisor logo mais.

 

E vocês?

por Superman Torras às 08:48 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Quinta-feira, 25.10.07

Cardozo ou a noite ao contrário

Bancada Sapo,

 

"Não faças falta Cardozo! Já tens 2 amarelos, mais um e ficas de fora no próximo! Este gajo é completamente imprescindível!"

 

Uns minutos antes:

 

Gritos eufóricos.

Juras de amor eterno.

Pétalas de rosa a caírem do topo do estádio.

Águia Vitória a piscar o olho enquanto assobiava o hino do Benfica.

 

Meio da 2ª parte:

 

Magnífico trabalho individual, depois de recepcionar um passe teleguiado de Luisão (vou repetir, "depois de recepcionar um passe teleguiado de Luisão"), com um movimento só ao alcance dos grandes avançados. Recepção já a pensar na concretização, com a força a ser prescindida em detrimento do jeito. Bola no poste, com o guarda-redes batido.

Flashbacks insistentes do jogo com o Boavista da época passada.

 

Um pouco antes:

 

Remate de Rodriguez (pequeno parêntesis para realçar mais uma excelente exibição do extremo uruguaio), defesa incompleta do guarda-redes "escocês", e a recarga de Cardozo a embater com estrondo na barra! Bola ultrapassou o risco? Não.

Esta devia ter entrado!

Pensamento, rapidamente afastado, em que se questionava o numero de dias que ainda faltavam para o regresso de Nuno Gomes ao activo.

 

1ª parte:

 

Subida de Leo à linha de fundo, centro atrasado para a entrada da pequena área onde surge um jogador longilíneo que apenas terá de enconstar o pé esquerdo, curiosamente o seu mais forte, para fazer o primeiro golo do jogo.

Braços no ar, vai ser golo...o quê? Falhou? Que barrete, nem acertou na bola.

Mãos na cabeça, isto não está a acontecer.

 

Isto hoje não vai acabar bem...

 

 

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por Superman Torras às 10:36 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 22.10.07

Estou contigo Anastércio!

E estive também contigo (ou sem tigo) na Luz no sábado a assistir ao jogo.

 

É me portanto muito dificil entrar na onda optimista que crassa por alguns sectores deste sítio.

 

Entendamo-nos de uma vez por todas: no fim de semana que passou não era exigível ao Benfica apresentar um futebol escorreito ou sequer agradável à vista de um olhar clínico que procurasse observar nas movimentações colectivas da equipa uma forma de as catalogar, a elas e consequemente ao trabalho do técnico, para dessa forma perceber se o caminho que estamos a percorrer actualmente irá dar a um beco sem saída ou em alternativa a uma avenida que tem o sugestivo nome "Avª Paraíso Futebolístico".

 

Não! No sábado seria de esperar apenas um conjunto de 11 jogadores que poucas ou nenhumas vezes tinham actuado junto antes, mas que se acredita que tenham como objecto de trabalho uma bola de futebol pelo menos uma vez por dia já há vários anos. Com a agravante de se tratarem quase em exclusivo de jogadores que poderiam/deveriam aproveitar o ensejo para se mostrar de forma a tentar ganhar um lugar na equipa habitualmente titular.

 

Chegados aqui, tinhamos então um grupo de jogadores que poderiam ter alguma dificuldade em entender algumas movimentações dos seus colegas de ocasião, situação que seria certamente compensada, na medida do possivel, por uma entrega ao jogo que geralmente é traduzida pelo chavão "vamos comer a relva".

 

E o que foi que se me foi dado a observar no sábado? Isto (e aviso já que vou particularizar):

 

  • Um avançado que nas 3 vezes que chutou à baliza (e aqui o chutar à baliza deve ser entendido como um exercício de estilo), conseguiu a fantástica proeza de nunca ter acertado na mesma, sendo que em pelo menos 2 dessas ocasiões estava em condições muito favoráveis para marcar golo. Como atenuante tem o facto de ter acabado de regressar de uma lesão relativamente prolongada e de, ehlás, ainda estar em fase de ambientação ao futebol europeu (desculpa johnny rook, foi mais forte que eu, e o problema é que não consigo encontrar mais nenhuma atenuante);
  • Um extremo esquerdo que, das vezes em que não caiu para o chão impelido por um encosto mais (ou menos, tanto faz) vigoroso do defesa, foi completamente inconsequente, conseguindo, em conjunto com o defesa esquerdo (já lá vamos) a magnífica proeza de ter sido o flanco contrário (onde pontuavam Luis Filipe, já lá vamos, já lá vamos! e Assis) a proporcionar o maior fluxo de jogadas ofensivas;
  • Falando no defesa esquerdo, aqui para mim não há volta a dar-lhe: houve falta de profissionalismo. Não admito certas jogadas que vi no sábado num jogador profissional do Benfica. Que se dispense o rapaz em Dezembro e se suba o lateral dos juniores, que aliás passa por ser uma das maiores promessas do clube;
  • Passando para o lado direito, Luis Filipe, aqui o problema não é falta de profissionalismo, é falta de estofo mesmo. O jogador será o menos culpado desta situação, mas eu como adepto é que não tenho de pagar pela menor inteligência de um jogador que mesmo vendo que as coisas não lhe estão a correr de feição não consegue ver que uma das soluções é parar e passar a bola com qualidade, mesmo que não arriscando muito, ao invés de a procurar jogar de primeira;
  • Para não ser um post completamente negativista, gostei de Assis, eu que não sou um particular admirador do seu futebol, penso que foi o único dos habituais suplentes que tentou agarrar o lugar;

Em jeito de conclusão, fiquei com a ideia de que para certos profissionais do Benfica o seu estado actual de suplentes bastas vezes não convocados é o que mais lhes convém e fazem os possíveis para que essa situação não se altere.

 

Fiquei igualmente com a certeza de que ficaríamos muito melhor servidos com um plantel de 18 jogadores de campo, mais 2 guarda-redes, fazendo uso dos juniores quando em caso de necessidade. Poupar-se iam 10 ordenados que se poderiam utilizar no melhoramento do 11-base da equipa.

 

p.s Americano, peço desculpa, mas o Adu ainda me parece muito verde para estas andanças. Marcou o golo, um belo golo por sinal, mas penso ser evidente que ainda não tem estaleca para estes andamentos.

por Superman Torras às 14:39 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Terça-feira, 16.10.07

Regresso

Não, não estou a falar da recuperação iminente do Petit, ou sequer da chegada do Nuno Gomes ao nosso país, lesionado que ficou depois do período de aquecimento (!) do último jogo de Portugal. Estou sim a falar do regresso ao activo deste que vos escreve que, ultrapassadas as burocracias que impediam a sua transferência para o Sapo devido a complicações levantadas pelo seu anterior blogue (o que já de si é caricato pois este deixou de existir, tendo-se ele próprio transferido para o site supracitado), pode finalmente colocar por escrito aquilo que últimamente tem apenas verbalizado na forma oral. Com muitas asneiras à mistura, diga-se. Asneiras essas que se tentarão evitar ao máximo. Por agora.

 

Siga.

 

Na última vez que escrevi, Fernando Santos ainda era o treinador, o Benfica tinha empatado com o Leixões, e eu defendia que, longe de ser a situação ideal, a sua demissão era o melhor caminho para o clube. Como o agora treinador do PAOK não usou essa prerrogativa, porque certamente achava que continuava a ter as mesmas condições que tinha aquando do seu ingresso no clube para fazer o seu trabalho (ou seja: nenhumas, acrescento eu), lá teve de ser o Benfica a arcar com essa responsabilidade, e com o respectivo custo associado à mesma.

 

Optou-se então por ir buscar, com laivos de sebastianismo que não passaram despercebidos a ninguém, um treinador que tinha deixado saudades devido à sua primeira passagem pelo clube. À partida concordei com a vinda de Camacho, e agora que já passamos essa fase continuo a concordar. Tendo em conta as limitações orçamentais, penso que foi das melhores opções que o Benfica poderia ter tido. Até pela ausência de um director desportivo, que desta forma pode ser como que minimizada pela presença de um técnico que junta à vertente técnica uma visão mais abrangente que contrasta em absoluto com o absentismo crónico de que padecia o anterior treinador, e que tanto nos prejudicou. E que continua a prejudicar, penso eu.

 

Na verdade, este Benfica 2007/08 está longe de me convencer. Como tive oportunidade de escrever em pleno defeso, eu estava convencidíssimo de que este iria ser um "Verão gordo", isto é, que não havia volta a dar, esta época teria de ser nossa. E como garanti-lo sem fazer uso das técnicas que criticamos nos nossos amigos do norte? Com a constituição de um plantel que desse garantias reais de que pudéssemos competir competitivamente (passe o pleonasmo) em todas as provas em que entrassemos, passando o mais possível ao lado dos problemas que sempre surgem no decorrer de uma época desportiva: lesões, castigos, baixas de forma, etc. E foi isso que aconteceu, pergunta o leitor mais desatento. Não, não foi, respondo eu sem conseguir disfarçar uma tristeza que poderia até ser confundida com melancolia. Esperem, há esse sentimento de "tristeza melancólica"? Se sim, então é esse mesmo o sentimento. Se não, que se lixe, procurem vocês uma expressão que expresse isto de que vos falo. Também não queiram que seja eu a fazer o trabalho todo!

 

As sucessivas intervenções quer do presidente do clube quer de dirigentes de nomeada da SAD, mais do que desmentir essas minhas expectativas, só as faziam progredir, tendo mesmo chegado a níveis estratosféricos quando se começou a falar nas trutas que aí vinham e na manutenção dos principais jogadores da(s) época(s) passada(s).

 

Tudo isso se esfumou quando sucedeu aquilo que sucedeu e que me abstenho de recordar. Sinto-me enganado. E continuo a pensar que esta seria (seria? será!) a época decisiva para Luis Filipe Vieira no comando do clube. A confirmar-se um ano, mais um, sabático, em que os títulos se resumam a torneios de pré-época ou de menor nomeada (alô taça da liga), então temo pelo futuro de LFV na SAD do Benfica. O que será uma pena, tendo em conta o trabalho efectuado na vertente financeira, mas será, ou poderá ser, uma lufada de ar fresco de que me vou convencendo cada vez mais que o clube necessita, para aquela vertente que importa mesmo, ou seja a desportiva! Existe sempre o medo de que nos apareça aí um páraquedista qualquer, ansioso por ter os seus 15 minutos de fama, mas por isso é que o clube ainda é dos sócios, e serão estes a decidir. E decidirão bem, estou certo. Até porque já aprenderam com os seus erros recentes. Certo, caro consócio e camarada benfiquista (sem conotação partidária, atenção)?

 

p.s não querendo reacender (ou talvez até querendo) a discussão que por aqui se teve acerca do comportamento dos adeptos benfiquistas nos jogos disputados na Luz, não queria deixar de dar à estampa ("dar à estampa", sou só eu que acho esta expressão deliciosa?) uma declaração recente de Karagounis, numa entrevista a um jornal desportivo. E o que dizia o jogador grego? Apenas isto:

 

"O Benfica, só pelo apoio dos seus adeptos, que são fenomenais, devia ser campeão todos os anos..."

 

 

por Superman Torras às 10:12 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quinta-feira, 16.08.07

Déjà Vu*

Plena e absolutamente convencido que, apesar de marcar o regresso à minha segunda casa após várias, demasiadas, semanas de ausência, também se estava prestes a iniciar mais um ano de tormentas variadas e alegrias escassas, lá me dirigi na terça-feira para o Estádio da Luz com a secreta esperança que os meus olhos desmentissem os meus piores receios.

Estando nesta altura o jogo já suficientemente escalpelizado (por falar em escalpes, vêm-me logo à ideia um sem número de figuras às quais não me importava de tirar o escalpe...adiante...), penso que se justificarão minimamente algumas notas soltas acerca do que me foi permitido observar na noite que se arrisca a ser a única em que pude ouvir o hino da Liga dos Campeões ao vivo este ano. Por falar nisso, e este é apenas um pequeno aparte, acho um pouco injusto que toquem o hino nestes jogos pré-eliminatórios, quanto muito colocar-se-ia um qualquer mix da música em causa, feito por um dj mais ou menos conceituado, mas a música original creio que é, permitam-me o desabafo, injusto para as equipas que realmente irão participar na liga milionária.

Ora bem, depois de duas horas de saudável convívio com camaradas que fazem centenas de quilómetros para verem o Benfica, o que, se preciso fosse, ajudava a contextualizar a importância que este clube assume nas nossas vidas, lá chegou a hora de entrar no estádio. A primeira impressão do novo relvado não podia ser melhor. Parecia que as notícias que tinha lido e que apelidavam este relvado como o melhor desde que a nova Luz foi construída eram mesmo verdadeiras. Essa impressão durou exactamente até à jogada em que, na sequência de um carrinho do Katsouranis, um tufo de relva se levantou, deixando a descoberto um monte de terra, qual tapete levantado para se varrer o lixo para debaixo dele (mais uma imagem que, não o consigo evitar, me faz pensar nas mesmíssimas figuras de há pouco e às quais não me importava de varrer, eu próprio, para debaixo do tapete...adiante...).

Há uma série de equívocos aos quais é simplesmente impossível escapar quando nos propomos a analisar o binómio "constituição do plantel versus opções do treinador visando a melhoria das prestações da equipa". Tal como já escrevi na caixa de comentários, em resposta a um post de um camarada tertuliano, pouco falta, muito pouco mesmo, para ser concedida ao Fernando Santos a maravilhosa experiência de passar de réu a vítima, juntando-se nessa qualidade a vários milhões de benfiquistas. Se neste momento estão a pensar em possíveis nomes que o possam substituir nessa função (de réu), podem parar desde já, pois essa, a culpa, irá mais uma vez morrer solteira. Coitada, ninguém lhe quer pegar. Pudera...

Obviamente que não será fácil, julgo eu, a alguém explicar os motivos que o levem a deixar em campo um jogador lesionado, correndo o risco de agravar a lesão e de prejudicar a equipa por estar a contar com um elemento que no fundo só está a fazer figura de corpo presente, e muito menos entrará nos compêndios de bem gerir um plantel e a motivação dos que o integram a saída ao intervalo de um reforço contratado há pouco tempo e que busca o seu espaço na equipa e que sequer estava a jogar pior do que a maioria dos colegas de equipa, com a suprema agravante de, tratando-se de um avançado, ser a auto-confiança absolutamente essencial para um jogador render o seu máximo. E isto tudo num jogo em que era imperioso vencer, estando nessa altura empatado, em que as soluções no banco de suplentes não abundavam e logo um jogador que, mais cedo do que mais tarde (escrevam-no) o treinador terá de usar por falta de alternativas credíveis.

A entrada de outro jogador com meia dúzia de treinos "europeus" nas pernas e nitidamente verde para este tipo de jogos foi apenas mais um prego neste caixão com um diâmetro enorme e com a particularidade de estar assente sobre 12 milhões de pernas e que caminha sabe se lá para onde. Não sou bruxo nem sequer particularmente dado a previsões que depois se vêm a confirmar, mas antes do jogo e falando sobre as hipóteses de Adu se estrear, dizia que era muito mais fácil vermos o treinador a usá-lo (ia dizer "queimá-lo) no caso do jogo estar empatado ou mesmo com a equipa a perder, do que a dar-lhe minutos de jogo caso a equipa estivesse a vencer por uma margem tranquila e a salvo de qualquer surpresa desagradável. É, sempre foi, um treinador com escassa, ou nula, visão abrangente, e bastas vezes se colocou a jeito para ser castigado pela má fortuna. Ou não é verdade que a qualidade de um treinador (também) se mede pelo treino de soluções alternativas que serão utilizadas se as circunstâncias o exigirem? No Benfica actual (e este actual já dura há demasiado tempo!) não é isso que sucede. Dá a sensação que as coisas são geridas ao sabor do vento e isto, infelizmente, leva-me à segunda parte do problema: a gestão desportiva.

Admite-se em algum lado que não se bloqueie a saída de jogadores importantes da equipa quando se está a poucas horas de iniciar as competições oficiais? Ou que se promova o regresso a um triste passado em que entravam mais de uma dezena de jogadores por época, mais parecendo que a gestão escolhida era baseada na memória dos peixinhos cor-de-laranja dos aquários, isto é, época nova vida nova, não há nada que valha a pena manter da época precedente, vamos baralhar e dar de novo. Minto! Manteve-se o treinador. Mas nem isso foi feito com absoluta convicção. Ou ainda existe quem se permita duvidar que a permanência do Fernando Santos está presa por arames? Ele que não apure a equipa para a Liga dos Campeões e/ou que inicie a época de uma forma parecida com a época passada. Bem, a nível exibicional estamos conversados, mas neste caso estava a falar de resultados...

Para terminar deixo-vos uma pequena equação que se tem entretido a vaguear de um neurónio para outro sem que haja da minha parte a menor vontade em resolvê-la:

Miccoli - Simão - Karagounis + Adu + Di Maria + Cardozo + Fernando Santos = ?


*Qualquer semelhança entre este texto e outro que tenham lido neste blogue, das duas uma, ou é o vosso subconsciente a pregar-vos uma partida ou então é porque ambos os autores achavam o mesmo, isto é, que na terça-feira assistiram a um remake de um filme cuja produção original já de si tinha um fraco argumento e, ironia das ironias, tendo como realizador a mesmíssima pessoa. Uma pena que tenhamos de ser nós, novamente, os figurantes...
por Superman Torras às 18:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 14.08.07

O Optimista

"Agora, sem o Simão e o Manuel Fernandes a atrapalhar, é que vão ver como se joga à bola!"





* Esta será, mais vírgula menos vírgula, a minha resposta-tipo para todas as provocações que me aguardam, e que virão basicamente de todos aqueles que nos invejam.


E a vossa?
por Superman Torras às 07:36 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Quinta-feira, 09.08.07

Ninguém pára o Benfica

Há quem diga que eu sou a personificação do típico adepto benfiquista. Dizem-no nomeadamente os adeptos de clubes rivais que comigo privam e que desta forma tentam, de forma inglória e previamente condenada ao fracasso, minimizar-me a mim e subsequentemente ao meu clube de eleição. Desconhecem no entanto que encaro essa perspectiva, de encarnar todas as virtudes e, sobretudo, os defeitos que nos caracterizam, como um tremendo elogio e um motivo de orgulho sem par.

Serviu este ponto prévio para justificar o porquê de eu neste momento estar a atravessar uma fase particularmente complicada no que às minhas esperanças de que esta época se venha a revestir de êxito diz respeito. É verdade, não há como negar, como todo o benfiquista que se preze, passo do 8 ao 80 mais depressa do que demora a curar uma simples dor de cabeça, se esta for supervisionada pelo nosso departamento médico. Assim, e tendo em conta o que me tem sido possível observar nos jogos já decorridos, devo dizer que estou muito mais perto do oito do que do oitenta. E se às frouxas exibições até agora observadas juntarmos a constatação dura e complicada, ainda hoje, de encarar, que o treinador se continua a chamar Fernando Santos, então vemos que a saída de Simão Sabrosa acaba por ser apenas um pormenor, a cereja azeda no topo deste imenso bolo, estando portanto longe de ser a causa maior para tudo aquilo que de mau se prepara para nos acontecer. E tinha isto de acontecer logo agora, e logo a mim (!), que estava tão perto do oitenta quando vi o Benfica dar a volta ao resultado na Roménia e observava, com indisfarçável regozijo, que além de finalmente termos descoberto o matador há tantos anos ausente também contávamos com o factor diferenciador de termos mantido a "espinha dorsal" do nosso melhor 11, ao contrário do que havia sucedido com os nossos principais rivais...

O que se seguiu então que tenha provocado este meu actual estado de ânimo?

O empate dos romenos, na sequência de uma falha risível do guarda-redes que vinha (?) só por si garantir a conquista de uma série de pontos-extra no final do campeonato; a continuidade do futebol desgarrado, falho de entusiasmo e com lacunas várias ao nível da movimentação colectiva da equipa (vulgo "dinâmica de jogo"), tantas vezes observadas na época passada; a abertura de uma pequena brecha na janela directiva que permitiu verificar a existência de uma espécie de paz podre que parece imperar na relação dos principais dirigentes com o treinador principal, que vem dar razão aos que, como eu, defendiam a sua substituição no final da época precedente pois a sua continuidade apenas iria adiar o inadiável, caso o inicio de campeonato (que ainda nem sequer aconteceu!) viesse de braço dado com alguns resultados menos positivos; a triste crueza dos números que fazem questão de demonstrar que as lesões musculares continuam a surgir com frequência inusitada, o que vem colocar em xeque o trabalho desenvolvido pelo responsável pela preparação física do conjunto; a saída do desequilibrador-mor do Benfica das últimas largas temporadas, a que se seguiu a contratação de vários jovens que, podendo ter um futuro risonho, vêm carregar com o pesado fardo de terem de produzir no presente aquilo que em condições ideais só lhes deveria ser exigido no futuro.

Tendo em conta o exposto permito-me duvidar, e bastante, que neste momento o actual plantel não esteja blindado e as saídas de elementos fundamentais (onde Manuel Fernandes, por exemplo, se inclui) completamente postas de parte. Até porque, da maneira que eu vejo as coisas, esse seria (mais) um tiro num pé já de si debilitado e que, em última análise, poderia provocar uma infecção generalizada e a gangrena que levaria à amputação do mesmo.

Abstrair-me-ei de vos fazer notar que a passagem para o oitenta será "facilmente" efectuada, assim alguns destes pressupostos se venham a verificar:

  • Cardozo e Nuno Gomes recuperam a tempo da pré-eliminatória da Liga dos Campeões e ajudam o clube a alcançar a fase de grupos da competição;
  • Freddy Adu e Di Maria vêm-se a revelar óptimos reforços e, além de fazerem esquecer Simão e Miccoli, tornam-se duas referências do clube deitando por terra os cenários que previam um tempo de maturação e de adaptação ao futebol europeu que desta forma ficam longe de se confirmar;
  • Após uma carreira em que os sucessos foram escassos, nomeadamente quando ao comando de equipas com aspirações elevadas, Fernando Santos aproveita a época 2007/08 para relançar a sua carreira e acaba por se tornar o treinador ideal para levar o Benfica à conquista do títulos nacional e a (voltar a) brilhar no panorama europeu. Tudo começou com um início de época verdadeiramente fabuloso e de todo em todo surpreendente pois às derrotas e exibições tristonhas da pré-época seguiram-se o estatuto de equipa-sensação da 1ª fase da Liga dos Campeões e um percurso quase 100% vitorioso na 1ª volta do campeonato nacional.


Off-topic:

Aguardo ansiosamente a chegada do dia em que, à pergunta sobre o potencial de um qualquer reforço de um dos grandes, o interlocutor responda com sinceridade: "Acho que é um jogador mediano. Basicamente penso que não trará nenhuma mais-valia e, francamente, a julgar pelas suas prestações nas últimas temporadas, não vai vingar neste clube."

Até isso suceder, contentar-me-ei com os chavões habitualmente empregues neste tipo de situações: "É um óptimo jogador!", "A equipa acertou em cheio com esta contratação!", "Com toda a certeza vai ser um dos melhores jogadores do campeonato!", "Tem boa técnica!", "Óptima impulsão!", "É um excelente finalizador!", "Defende bem!", "Distribui muito bem o jogo!", "Tem uma óptima técnica de recepção e passe!", "Chuta esplendorosamente!".

Para ser dado o passo decisivo que fará com que finalmente se atinja o ridículo completo neste tipo de entrevistas, falta apenas a que um destes ex-técnicos, familiares ou empresários que sempre são ouvidos aquando destas transferências a fim de validarem as mesmas, termine a descrição das qualidades do jogador com um comovido: "E além do mais é amigo do seu amigo!"...
por Superman Torras às 18:50 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Sábado, 21.07.07

Pára tudo!


É hoje! Finalmente! Apesar de, pela primeira vez em muitos anos, este defeso do Benfica estar a ser marcado pela presença do clube em Portugal, mais concretamente no seu (nosso) centro de estágios, a maior diferença, aquela que mais tem mexido com os adeptos, é a completa ausência de possibilidades de validar as escolhas feitas pela Direcção para o reforço da equipa e das suas aspirações na época que se está para iniciar.

Passadas que estão cerca de 2 semanas da apresentação dos jogadores ao trabalho, até agora apenas foi possível ver quem tinha marcado os golos nos jogos-treino realizados, não existindo qualquer imagem sequer que o comprove. Nos anos anteriores, nesta altura, eu já tinha mais 3 ou 4 ídolos (ou não) e respondia à letra sempre que algum adversário me picasse relativamente à valia de um ou outro reforço que se tivesse posto a jeito para tal. Mas este ano não. Nada. As discussões centram-se na escolha da cor do equipamento, na possibilidade de reforçar a estrutura directiva com (mais) um nome polémico vindo do Norte, na eventualidade de disputar a 1ª jornada fora de casa, sim, mas não na casa do adversário, dos avanços e recuos do processo Apito Dourado, enfim, em 1001 coisas que têm como denominador comum a ausência do esférico na sua génese. E aqui se ajuda a explicar a minha ausência desses debates, com toda a certeza importantíssimos, não duvido, mas a verdade verdadeira é que só me sinto compelido a debitar meia dúzia de palavras quando se fala de futebol. Do futebol jogado, entenda-se.

Hoje, por exemplo, ficarei com uma ideia mais precisa sobre as hipóteses de Butt, o guarda-redes germânico reforçado para... reforçar a minha tese, idêntica à da Leonor Pinhão já agora, de que um óptimo (e não bom, ou razoável) nº 1 é, ou pode ser, o garante de 10 pontos-extra no final do campeonato, poder vir a ser, de facto, esse guarda-redes, ausente em parte incerta desde a saída de outro alemão, vocês lembram-se dele, Robert Enke. Nada contra Quim ou Moreira, entendam-me, mas não estamos a gerir um clube vocacionado para o bem-estar dos jogadores com os quais mais simpatizamos, estamos sim a gerir um clube que se quer vitorioso. Sempre. E para isso há que dotá-lo das peças necessárias para o fazer. Quer tenham 18, 24 ou 33 anos. E quer sejam portugueses, indonésios ou mesmo alemães.

Depois, também temos o Stretenovic que, provavelmente, terá uma oportunidade, que de outra forma não teria, de mostrar o que vale na lateral direita devido ao triste episódio-Nélson. Pelas palavras do nosso treinar, deduzo que o longilíneo defesa sérvio terá de entrar com o gás todo para me, nos, convencer de que a sua utilidade na equipa deriva não apenas dos seus muitos centímetros, mas também do seu potencial em utilizá-los convenientemente.

Ainda na defesa, temos o costa-marfinense Zoro que terá uma luta muito dura pela frente para alcançar a titularidade como 2º central, ao lado do indiscutível Luisão. David Luiz, a manter o mesmo nível da 2ª volta do campeonato anterior, partirá em vantagem. Mas a concorrência interna nunca fez mal a um clube. Bem pelo contrário.

Miguelito, por seu turno, terá também ele uma oportunidade de ouro para justificar uma maior utilização esta época, terminada que está, ou que tem de estar, a sua adaptação ao Benfica. Tudo o que sejam menos de 10/15 jogos oficiais esta época e o seu nome não deixará de constar no rol de flops, lista que nenhum jogador deseja ocupar.

Do meio campo para a frente e sobretudo na zona intermediária do terreno a grande expectativa chama-se Manuel Fernandes. É incrível, e custa a aceitar, o que meia dúzia de meses no estrangeiro fazem ao físico de um jogador. Continuamos em realidades completamente distintas é o que se me oferece dizer. Ora, se ele já era promissor e uma mais-valia quando, abrir aspas, era um trinca-espinhas, o que esperar agora? Eu não faço as coisas por menos e garanto-lhe um lugar certo nas escolhas iniciais do treinador. Com a cabeça limpa e a jogar o que sabe, terá de ser outro jogador o sacrificado a ir para o banco.

Finalmente, na frente há 3 grandes pontos de interrogação, cada qual mais entusiasmante do que o outro. Se um já lá estava e, a julgar pelos jornais desportivos, tem aproveitado os treinos para demonstrar que as exibições nos juniores apenas estavam limitadas pelo escalão em que evoluía, fazendo por corresponder com eficácia às assistências que lhe são feitas, já os outros apenas se darão a conhecer hoje. Ok, ao Cardozo já vimos um breve relance do que ele vale depois da sua participação na Copa América (abrir parêntesis para dizer que acho vergonhoso que a organização do certame não tenha levado em conta a hora tardia a que alguns dos jogos foram disputados, pois não cabe na cabeça de ninguém obrigar os adeptos a ficarem acordados até perto das 4h da manhã para validar a mais novel contratação do seu clube), mas o Bergessio é uma autêntica incógnita.

E, tal como o fiz para justificar a minha concordância com a contratação do Butt, também aqui uso uma estratégia semelhante para concordar com a vinda do Cardozo. Não desprezando obviamente os restantes sectores do terreno, não nos podemos poupar a esforços quando escolhemos o guarda-redes e o ponta de lança do nosso clube. São, individualmente, as posições-chave que muitas vezes ajudam a decidir se uma época é gloriosa ou desastrosa. E, pese embora até rimem, não vos preciso dizer qual destas duas palavras é a que mais me agrada quando me refiro a qualquer facto relacionado como nosso clube, pois não?

Viva o Benfica!

(faltam 7 horas)
por Superman Torras às 10:58 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 25.06.07

Sim, sim, contem-me histórias.


Hoje, 25 de Junho, surgiu a "notícia" do interesse do Benfica na contratação deste avançado brasileiro, Afonso Alves, num negócio a ser efectuado através de um fundo de jogadores.

Hoje, 25 de Junho, e após vos garantir que não tenho quaisquer dotes premonitórios, não me sai da cabeça uma sensação de déjà vu e a recordação de que há vários dias não surge uma suposta vitória fora de campo por parte de um dos nossos principais rivais.

Veremos se assim é ou se estou a fazer filmes onde eles não existem...
por Superman Torras às 23:03 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 22.06.07

Chegou o Verão! Gordo, claro.


Dois pontos prévios.

Não me considero particularmente inteligente.

Não sou especialmente versado no que à temática-Bolsa de Valores diz respeito.


Já ando, no entanto, por aqui há algum tempo e, se mesmo o maior calhau com olhos (e aqui não estou a falar de mim OBVIAMENTE! Até fico um pouco sentido de alguns o terem pensado enquanto o liam…) vai aprendendo algumas coisas, eu não sou excepção.

Ser-me-ia, portanto, de muito difícil compreensão se o actual defeso, que felizmente ainda só vai a meio, não confirmasse uma mudança de atitude perante o mercado por parte dos dirigentes do Benfica, mudança essa que, mais do que necessária, era indispensável para levar o clube para o patamar seguinte. Não será uma transição fácil e haverá, como sempre, muitos que não a entenderão e que irão procurar encontrar eventuais pés de barro neste gigante que se encontrava adormecido e que se continua a erguer, de tal forma que, mais uma vez, Portugal será pequeno para o albergar.

Não é esse o meu caso pois, como já devem ter percebido, coloco uma grande dose de fé na gestão de Luís Filipe Vieira e - embora reconheça que as suas opções não são isentas de motivos de critica e não queira, por nada, confundi-lo com o Benfica, pois aqui neste clube, mais do que em qualquer outro, os homens não podem ter a pretensão de se substituírem ao clube na importância que ele tem - aposto as minhas fichas todas em como neste momento ele continua a ser o homem certo no cargo certo. Mas é sobretudo devido a esta noção de que o Benfica, como marca, como é hábito dizer nos dias que correm, está ainda tremendamente sub-aproveitado que encarei com um sorriso de orelha a orelha a OPA lançada recentemente e que tanta tinta tem feito correr.

Não me vou alongar sobre esta operação porque, como já disse, não sendo especialmente inteligente e tendo começado a olhar para a bolsa com mais interesse apenas há meia dúzia de semanas, ainda não consegui compreender todas as suas cambiantes e atingir todos os seus ses e porquês, pelo que a única coisa que posso adiantar é que penso muito sinceramente que esta OPA foi a melhor coisa que aconteceu ao Benfica desde que constituiu a SAD. Chamem-lhe um feeling, se quiserem…

Um último parágrafo dedicado a um dos mal-amados do Benfica e que na minha pessoa não encontra excepção que mereça particular realce: José Veiga. Com a concretização do negócio-Cardozo e os previsíveis reforços (estive quase, quase para escrevê-lo em letras maiúsculas)… aliás, nem é tarde nem é cedo, e os previsíveis REFORÇOS que se seguem, não será da mais elementar justiça admitirmos que algumas das criticas que lhe fizemos em épocas anteriores se deviam basicamente à inexistência do vil-metal?

por Superman Torras às 18:50 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Segunda-feira, 11.06.07

Um "Verão gordo" ou um "Verão, gordo!"?

É esta a dúvida que me tem afligido há largas semanas. Não percebem? É confuso? Eu explico.

Depois da desilusão de que se revestiu a época 2006/07, que se seguiu, recordemos, à desilusão 2005/2006, eu estava (estava? Estou! Ou por outra, vou estando…) convencido de que os erros cometidos ao nível da gestão desportiva do clube não iam voltar a ser cometidos e que, mais do que nunca, a aposta no futebol iria ao encontro dos meus, nossos, desejos.

Isto, porque tenho o presidente do Benfica em boa conta. Mais do que inteligente, considero-o um homem esperto e, portanto, tendo em conta que ao nível financeiro os sintomas continuam a ser positivos, pelo menos aos olhos de um leigo na matéria como eu, tudo indiciava que iríamos ter um Verão gordo, no sentido em que se iriam contratar poucos mas bons jogadores, e o nível qualitativo do plantel iria ser consideravelmente melhorado. Porque, a não ser que o meu julgamento se revele desgraçadamente errado ou que haja problemas financeiros que nos estejam a ser sonegados, Luís Filipe Vieira tem obrigação de saber que este poderá muito bem ser o ano que decidirá a maneira como a sua Direcção irá ser recordada no futuro.

Claro que, na minha opinião, as coisas começaram logo a correr menos bem quando se decidiu manter o mesmo treinador da época passada, mas não será nesse sentido que irei desenvolver o meu pensamento. Será Fernando Santos o treinador designado para voltar a fazer o Benfica campeão? Assim seja. Pelo menos já teve o seu tempo de tirocínio e agora é chegado o tempo de mostrar que tem unhas para tocar esta guitarra. E é na qualidade da guitarra que neste momento residem os meus pensamentos e se centram as minhas preocupações.

Aqui chegados, é altura de informar os motivos pelos quais estou convencido de que estas semanas que distam entre o dia de hoje e o começo da nova época irão ser recheadas de notícias favoráveis às nossas pretensões de ter um plantel condizente com a grandeza do nosso clube na época 2007/08. Não tenho qualquer fonte dentro do Benfica, nem sequer conheço nenhum parente ou empregada doméstica de um qualquer dirigente da SAD que me tenha passado informações confidenciais acerca das movimentações de mercado que estão inevitavelmente a ser efectuados nesta altura, mas quando, depois de diversas notícias que davam conta da iminência do regresso de José Veiga ao Benfica, Luís Filipe Vieira veio a público assumir a condução de toda a politica desportiva do clube, entendi-o como o prenúncio de que, e passo a citar o Artur Jorge: “Iam acontecer coisas boas”. Isto porque estou convencido de que LFV não iria colocar a cabeça no cepo se não soubesse que estava em condições de dotar a equipa de meios que nunca antes tinha sido possível garantir, desde que assumiu a Presidência do clube.

E quando isso se confirmar poderei, finalmente, passar a dormir sem a ajuda de calmantes, porque a chalaça que alguns amigos (da onça) fizeram quando lhes falei no tal “Verão gordo”, transformando a afirmação numa interrogação e colocando maldosamente uma virgula depois da primeira daquelas palavras, não passou de um acto ignóbil e que lhes deveria valer a todos a proibição de festejar os títulos que, inevitavelmente, alcançaremos na época que aí vem. Duvidais, gente de pouca fé?

por Superman Torras às 18:47 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quarta-feira, 16.05.07

Exorcismo*

Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

A voz afónica e os olhos vermelhos, aliás, encarnados, deixam perceber as emoções que os noventa minutos que antecederam as várias horas que se lhes seguiram, rumo às 4h da manhã, em que escrevo este texto, indiferente ao facto de ter de ir trabalhar daqui a pouco, provocaram. Em condições normais não seria fácil colocar em palavras aquilo de que vos falo, mas estas não são, definitivamente, condições normais. Em primeiro lugar, e acima de tudo o resto, porque escrevo para benfiquistas. Pessoas, portanto, que sofrem da mesma doença incurável que eu. Provavelmente estão a ter a mesma dificuldade em adormecer que eu, e não vos saem da cabeça (nem vocês queriam!) os acontecimentos da noite passada.

Se possuem, como eu, um cativo no Estádio da Luz, ou se por alguma razão que a própria razão teimasse em desconhecer decidiram ir despedir-se do Benfica 2006/07 in loco, trocando, portanto, o desconforto dos vossos sofás pelo conforto de uma aconchegante cadeira no Estádio, provavelmente ter-se-ão despedido dos familiares mais próximos com um “Até já, volto a horas de jantar”. A congestão das linhas telefónicas que atingiu todas as operadoras móveis sem excepção deixou-vos sem a possibilidade de avisar que afinal não chegavam a horas de jantar… ou sequer da ceia. Confiaram, no entanto, no bom juízo dos que vos são mais próximos e não deixaram de pensar para com os vossos botões que não seria possível que imaginassem por um momento sequer que vocês fossem abandonar o estádio, ou as suas imediações, mal o jogo terminasse, sobretudo tendo em conta os acontecimentos que, de uma forma resumida, darei conta já de seguida.

Tudo começou de uma forma bem inocente e despreocupada. A tarde solarenga convidava a um passeio à beira-Tejo e, agora que penso nisso, não deixa de ser curioso que do outro lado da segunda circular a equipa que quando joga em casa tem uma bela vista sobre o Tejo tenha ajudado à concretização da conjugação de resultados que permitiria suceder o que sucedeu. Temos, no entanto, que manter uma postura fidedigna perante a realidade, e os adeptos sportinguistas pareceram sempre muito despreocupados com o que estava a suceder nos três campos, mais parecendo que, se as coisas terminassem como estavam à entrada para esta última jornada, não se ouviria qualquer lamento de infortúnio daquelas bandas. O ambiente só se tornou infernal quando os adeptos já abandonavam os seus lugares, contentes com a prestação da equipa no jogo e sobretudo no campeonato, e chegaram ecos ruidosos do que tinha acontecido a escassos quilómetros de distância e do outro lado da rua. Mas já lá vamos…

Até porque, precisamente nesse lado da rua, não se notava uma efervescência fora do normal no local onde porventura o caro leitor estava sentado, porque, independentemente dos resultados verificados nos campos alheios, o Benfica não fazia o essencial: ganhar o seu jogo, perante a Académica de Coimbra. Até tinha estado em vantagem no marcador, mas uma grande penalidade, indiscutível, havia dado, além do empate à Briosa, também a possibilidade de encarar o resto da partida com mais um elemento. “Mais um elemento” que, neste caso, deve ser entendido como força de expressão, pois o “reforço” de Inverno que provocara a falta, tão escusada como evidente, havia dado muito pouco à equipa nos meses em que lhe foi dada a oportunidade de vestir a gloriosa camisola, e este jogo não estava a ser excepção. A sua expulsão, mais do que enfraquecer a equipa, pareceu dar um certo ânimo aos restantes jogadores que ficaram em campo, e os espaços que a inserção de mais avançados em campo por parte do treinador dos visitantes ia provocando originaram algumas jogadas de perigo que, no entanto, iam sendo ingloriamente falhadas, até para não destoar da história recente dos jogos caseiros disputados pelo Benfica nesta temporada que estava prestes a dar o último suspiro.

Mais a Norte, ia-se fazendo a festa, e nas bancadas respirava-se optimismo, apesar da parca vantagem que o golo marcado logo ao terceiro minuto de jogo havia dado à equipa da casa. Não que a exibição estivesse a ser de grande monta, mas, convenhamos, não era minimamente expectável nesta altura que nos últimos cinco minutos, e nos únicos dois remates à baliza do habitual guarda-redes suplente, que havia entrado poucos minutos antes para se sagrar campeão, o Desportivo das Aves marcasse dois golos. A surpresa foi tanta e tão generalizada que a validação dos mesmos ficou a salvo de qualquer oligarice, o que pareceu surpreender ainda mais os já de si surpreendidos jogadores azuis e brancos.

Engraçadas eram, caricatas ficaram, as faces dos jogadores da casa, que haviam sido pintadas com as cores do emblema que representam, isto porque a junção da tinta com as lágrimas que iam brotando dos olhos dos jogadores outrora festivos provocava uma espécie de pintura que fazia lembrar os célebres estrunfes.

E tudo isto, porquê? Porque no Estádio da Luz, com requintes de sadismo que desafiam a própria realidade, porque é da realidade que vos falo e os meus braços marcados por inúmeros beliscões estão aqui para o comprovar, como eu dizia, no Estádio da Luz, quando estava decorrido o segundo dos três minutos de compensação dados pelo árbitro, surgira o golo salvador (ou demoníaco, dependendo da perspectiva) que, mais do que dar a vantagem no marcador, coroava o Benfica como campeão nacional da época 2006/07.

Surpreendente, ou não, acabou por ser a apresentação de um sketch nos ecrãs do Estádio, logo após o final do jogo, em que figuravam três dos quatro humoristas que ajudam a dar cor a este habitualmente cinzento país, e no qual eram glosados alguns dos factos que acabavam de suceder, não faltando inclusivamente uma mensagem subliminar, sob a forma de agradecimento: “Obrigado Fernando Santos, serás sempre bem vindo a esta casa (desde que o faças na condição de: adepto, engenheiro, tratador da relva, sócio, empresário de jogadores . . . )”.

A festa que se lhe seguiu, apercebo-me agora, só pode mesmo ser explicada a quem marcou presença, portanto, se não foram, lamento mas não vos posso ajudar a ultrapassar esse sentimento de culpa com que provavelmente se estão a debater. Fiquem-se pela minha garantia, sob palavra de honra, que nunca hei-de esquecer a noite de 20 de Maio de 2007.

* Depois de ter sido apelidado de Estrunfe Pessimista, na sequência de uma troca de argumentos com um conterrâneo benfiquista, este foi o exercício de que precisava para o desmentir. Até porque, uma coisa vos garanto, se há coisa que não sou… é azul.

por Superman Torras às 18:27 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Sexta-feira, 04.05.07

Tertuliando...

Tenho assistido com um misto de preocupação e condescendência ao surgimento de opiniões de benfiquistas, nomeadamente na caixa de comentários deste humilde blog, a defenderem a continuidade do Fernando Santos como treinador do clube na época que vem. A preocupação advém basicamente do facto de, quanto a mim, tal tomada de posição se dever a uma lógica que gostava de manter afastada do clube por traduzir um grau de exigência menor em relação ao que eu acho que devam ser os parâmetros que nos regem, ou deviam reger, enquanto adeptos do Benfica.

A saída do Fernando Santos resolverá todos os problemas de que o futebol do Benfica padece? Não. Não resolve.

No entanto, pergunto se a continuidade do Fernando Santos não poderá levar a um caso em tudo semelhante ao de muitos outros em que após uma época menos conseguida e apesar da desconfiança crescente com que eram olhados, pela critica em geral e pelos adeptos em particular, os treinadores mereceram um voto de confiança da Direcção, não resistindo depois ao primeiro desaire da nova época? Não nos iludamos, meus caros, a continuar para 2007/'08 (ainda coloco a hipótese de tal não suceder, pois a esperança é a última coisa a morrer) o Engº já terá gasto boa parte do crédito que mesmo assim lhe foi concedido este ano, pese a desconfiança que o seu nome sempre gerou praticamente desde o dia da apresentação (eu disse "praticamente"?), e a paz podre que hoje se sente, quando tento analisar a relação da massa associativa para com ele, pode-se transformar rapidamente num caso de guerra declarada.

E aí não teremos apenas perdido a época 2006/07, pois juntar-lhe-emos desgraçadamente a época seguinte.

É óbvio que haverá outras alterações que terão de ser feitas, uma das quais parece já estar apalavrada: o regresso do José Veiga aos comandos do futebol encarnado. Não sou fã dele, mas penso que a ausência de um Director Desportivo foi das piores coisas que nos sucedeu na segunda metade desta época e, quanto a mim, foi um dos mais graves erros do Luís Filipe Vieira enquanto Presidente do Clube. A substituição do José Veiga nunca por nunca deveria ter sido colocada em banho-maria a aguardar que o ex-empresário resolvesse os problemas pendentes com a Justiça portuguesa. Se me perguntarem, eu preferia que se virasse a página e se apostasse noutro nome (de preferência benfiquista, embora a minha opinião já tenha sido mais fundamentalista nesta questão), mas, bem ou mal, é preciso um homem que faça a ponte entre a Direcção e o plantel (equipa técnica e departamento médico incluídos). Um treinador com outras qualidades que não as que o Fernando Santos possui poderia ter ajudado a minimizar os efeitos negativos que esta ausência provocou. Mas aqui a culpa não lhe pode ser atribuída, pois ninguém em seu perfeito juízo poderia julgar por um momento que fosse que o Fernando Santos tivesse unhas para tocar ainda mais esta guitarra.

Apesar de ter centrado boa parte do texto no nosso treinador devo dizer que ele reparte as culpas pelo mau momento que atravessamos com a dupla Luís Filipe Vieira & José Veiga. Afinal de contas, os únicos responsáveis pela sua vinda e pela constituição do plantel. Em primeiro lugar, não tiveram em conta uma das máximas que não deveria ser esquecida nunca quando chega a hora de escolher um treinador para assumir o cargo de técnico principal do Benfica: não deve ser português. Os níveis de pressão a que a pessoa que assume este lugar está sujeita são incomparavelmente superiores e mais sufocantes do que qualquer outro clube em Portugal. A começar pelos adeptos*, mas passando muito rapidamente pela comunicação social que, ao contrário do que muitas vezes é dito e é aparentemente aceite por muitos, não é favorável aos interesses do Benfica. Não se confunda visibilidade com boa imprensa. São dois conceitos bem diferentes.

Já no que respeita ao plantel não creio que os erros tenham sido assim tantos como isso, ou pelo menos que obrigassem a que a rotatividade (não) empregada no decorrer da época fosse a que foi, isto porque considero, sinceramente, que actualmente o Benfica possui o melhor plantel do futebol português. Há outra situação que penso estar a passar despercebida a quem diz que os interesses do clube serão melhor salvaguardados se o Fernando Santos se mantiver como treinador principal e que é a seguinte: quantos serão os jogadores que terão de ser obrigatoriamente dispensados porque o treinador não conta com eles, e quantos terão de necessariamente fazer o caminho inverso? Ou seja, teremos o mesmo treinador (e não se abanará a estrutura do clube por esse lado) mas, por outro lado, teremos um autocarro de jogadores a sair e outro a chegar.

* Deixei os adeptos para o fim, pois confesso que, pela primeira vez em muitos anos, estou a ser obrigado a ponderar bem se realmente os níveis de pressão se mantêm assim tão altos ou se eles baixaram drasticamente. A ver vamos como correm os restantes jogos que faltam para terminar a Liga. A ausência de adeptos no nosso Estádio dificilmente fará pender a minha opinião para qualquer uma das prerrogativas em equação. E, aliás, não considero esta a atitude ideal para quem gosta do Benfica mas está descontente com o rumo que o futebol do clube está a ter deva tomar. Poderá até parecer bizarro mas os meus últimos dias têm sido polvilhados por pensamentos ocasionais sobre tarjas que gostaria de ver presentes no Estádio da Luz amanhã, antes do jogo com a Naval.

Sugerem alguns dizeres?

por Superman Torras às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Segunda-feira, 30.04.07

Uns a quererem e a não poderem, outros a poderem e a não quererem

Com o avançar da tecnologia não deverá estar longe o momento em que possamos tirar fotografias sem o uso de qualquer aparelho e em que estas fiquem alojadas algures no nosso córtex cerebral. A memória disponível dependerá de cérebro para cérebro e, se bem que nada neste momento me faça pensar que terei um espaço extraordinariamente extenso para albergar essa informação, estou certo de que seria o suficiente para uma fotografia mental que eu tirei ontem e que explicaria melhor do que todas as palavras que possa utilizar o pensamento com que saí do Estádio da Luz e que tentei resumir de uma forma um pouco tosca, admito, no título deste post.

Como esse futuro ainda não chegou e é no presente que vos escrevo, não saberei enumerar com exacto rigor os nomes dos jogadores benfiquistas que vi, prostrados no relvado ou em posições de descanso, quando para o apito final do árbitro ainda distavam umas boas duas dezenas de minutos, após um qualquer lance em que a equipa havia sido apanhada em contra pé e sido posta em perigo num dos poucos contra-ataques do adversário na 2ª parte. No entanto asseguro-vos de que o que estes olhos viram e o proprietário dos mesmos concluiu foi que a equipa estava, mais uma vez, de rastos (e atenção que em alguns dos casos nem sequer estou a empregar o sentido figurado da expressão). Como não se antevia do banco qualquer assomo de sagacidade que alterasse positivamente o que se via dentro de campo, a vitória no jogo e o subsequente relançamento das aspirações da equipa no campeonato só seriam possíveis através de um qualquer lance fortuito. E já sabemos todos (sabemos, não sabemos?) que as palavras 'sorte' e 'Fernando Santos' não rimam.

É-me, no entanto, tremendamente difícil compreender o processo mental de um treinador de futebol que leva a que ele opte por insistir em colocar, ou deixar em campo, jogadores completamente exaustos ao invés de os substituir por outros, frescos. Além de matar completamente qualquer réstia de moral e auto-motivação que os jogadores não titulares tenham ou pudessem ter, a própria mensagem que transmite para dentro e fora do campo está muito perto de atravessar a linha que separa a impotência da incapacidade.

Explicando: se ontem, por exemplo, e não me querendo, de todo, colocar na pele dos sportinguistas (blharc), visto que, se o fizesse, seria obrigado a questionar o rumo que o meu clube estava a ter pois, com condições perfeitamente vantajosas para se colar ao primeiro lugar, a equipa e o meu treinador, e arrisco-me a juntar-lhes os próprios dirigentes e os adeptos, preferiram uma toada de contenção que, mais do que a conquista de um ponto, me pareceu a perda de dois; como eu dizia antes deste devaneio clubístico, se ontem do outro lado houve uma equipa que não se importou de colocar uma série de jovens, alguns deles talentosos e com futuro, outros nem tanto e outros ainda que nem me parecem ter presente e/ou futuro, será que o Benfica (pois apesar de não parecer, é deste centenário e muitas vezes glorioso clube de que vos escrevo) e o seu treinador caíam na lama se um João Coimbra ou um Beto ou um Miguelito ou um Derlei ou um Paulo Jorge, eu sei lá, se ALGUÉM com duas pernas e com um passado de jogador que falasse por si - que, portanto, estava ali equipado porque, de facto, em tempos havia tido exibições que provocaram o interesse e posterior aquisição por parte do clube - fossem lançados para dentro de campo para subtrair ao jogo uma das várias camisolas que, parece-me a mim, permaneceram em campo basicamente porque nas suas costas estavam escritos os nomes de jogadores que no início da época disseram ao senhor que estampa as ditas: “ Olá, muito prazer, o meu nome artístico é “x”, “y”, ou “z” “?

É sintomático, no entanto, [sintomático para não lhe chamar triste, incompetente ou risível] que, às tantas, no decorrer dos últimos jogos dê por mim a suspirar por alguns dos jogadores que foram dispensados em Dezembro e que muito jeito poderiam vir a dar neste desgraçado final de época. Tanto assim é que estou tentado a, para o ano, além dos habituais pedidos ao Pai Natal de um carro telecomandado, um saco de berlindes e a subscrição anual dos livros do Tio Patinhas, também pedir encarecidamente aos dirigentes do meu clube que não façam qualquer mexida na equipa. Só quem não se recordar das movimentações do Benfica nas últimas reaberturas do mercado de futebol é que pode estranhar este meu pedido.

Entretanto começa-se a interiorizar no meu cérebro inibido, que continua de armazenar e divulgar fotografias mentais como pudemos constatar logo no primeiro parágrafo, a ideia de promover uma venda de rifas cujo prémio único será a aquisição de um lugar cativo para a época de 2007/08 para o “mujahidin” que actual e desgraçadamente se encontra sentado 3 filas atrás de mim. Vocês, que se encontram num raio de aproximadamente 20 m2 de mim, na Bancada Sapo, 3º Piso, sabem do que eu estou a falar e estou certo que não deixarão cada um de adquirir a sua rifa.

E esta dor de cabeça que não me larga.


p.s. aos que buscavam uma crónica detalhada sobre o que se passou no jogo de ontem, aconselho uma visita, que nesta altura já deveria ser obrigatória para todo o benfiquista que se preze, ao blogue de um dos meus companheiros de escrita aqui na "Tertúlia", e que pode ser encontrado ao digitarem as palavras http://spiny-norman.blogspot.com/ no vosso browser.

por Superman Torras às 18:21 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sexta-feira, 27.04.07

Estádio Da Luz - Benfica

Este vídeo mereceria aparecer no blog sem qualquer texto que o acompanhasse, mas não resisto à tentação de, em breves e sintéticas palavras, dar a receita para domingo:

- 11 guerreiros
- 60 mil índios
- 1 treinador sagaz

*à falta de melhor, contentar-nos-emos se duas destas três premissas se realizarem.


por Superman Torras às 19:00 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Terça-feira, 17.04.07

Sorte - - - - - - - - (a preencher pelo leitor atento)


Indelével. Inolvidável. Impressionante.

Além de serem três palavras parecidas, na forma e no conteúdo, também têm outra característica em comum, e que é a seguinte: no futuro, nenhuma delas será empregue para definir a época de 2006/2007 do Benfica.

Ontem escreveu-se apenas mais um capítulo na triste história que terá o seu final em meados de Maio. É, por todas as razões, uma altura tremendamente difícil para o adepto: por um lado, é virtualmente impossível ficar contente ou desejar uma derrota do seu clube, ainda para mais quando esse resultado significa a ultrapassagem na tabela classificativa por um dos seus rivais; por outro lado, colhe-se a sensação de que, quanto maior a tempestade, mais hipóteses há de a cúpula directiva se decidir pela substituição do treinador, fonte primeira de todos os males que assolam o futebol benfiquista nos dias que correm.

Ok, provavelmente estarei a ser injusto e, além do responsável pela entrada do Mantorras aos 45’ de jogo de ontem, dando-lhe mais minutos num jogo do que havia dado em quase toda a 1ª volta, curiosamente, ou não, logo após uma tomada de posição do jogador exigindo mais oportunidades, também há que alargar a critica ao responsável pela preparação (?) física do conjunto, pois é por demais evidente que, utilizando um português corrente “os jogadores não podem com uma gata pelo rabo”.

Essa seria, aliás, uma das minhas primeiras perguntas caso, por absurdo e megalómano que este pensamento vos possa parecer, me fosse dada a hipótese de estar cara a cara com o treinador da nossa equipa: “Quais as razões objectivas que estiveram por detrás da escolha de um jovem com pouco menos de 20 anos e sem qualquer tipo de experiência comprovadamente positiva nos anteriores clubes pelos quais passou na sua ainda curta carreira profissional, para liderar a preparação física de um conjunto como o do Benfica, que no início da época já sabia que este seria além do mais um ano tremendamente desgastante, pois além de se seguir a um Mundial também principiou 1 mês mais cedo do que os restantes clubes devido à pré-eliminatória da Liga dos Campeões? E qual a relação causa/efeito, se é que a houve, de o último nome desse preparador físico ser Moura?”

Acontece que o Fernando Santos não pediu a ninguém para vir treinar o Benfica, portanto a SAD e o seu responsável máximo, Luís Filipe Vieira, não se podem eximir à responsabilidade por tudo quanto se está a passar esta época e que apenas não tem originado manifestações de desagrado por parte da massa adepta do Benfica, porque a sinto muito amorfa e estupidamente entregue à sua sorte. Sorte esta que mais parece ter sido importada directamente da estória da Cinderela, porque não consigo imaginar sorte mais madrasta…

Não defendo chicotadas psicológicas a meio da época e concordo com quem diz que esta foi uma das grandes evoluções que o Benfica teve nas últimas épocas, ou seja a manutenção do treinador mesmo aquando do surgimento de 2 ou 3 resultados menos positivos. No entanto, cada regra tem sua excepção e se bem que, a acontecer, esta chicotada configuraria uma admissão de culpa por parte de Luís Filipe Vieira, responsável máximo na escolha de Fernando Santos, por outro lado só erra quem lá está e, ainda por outro lado (é um problema bicudo como já vimos, pois os lados são imensos), há que colocar os interesses do Benfica acima dos interesses pessoais e tenho para mim que neste momento o Benfica deveria começar a preparar a próxima época com um novo treinador, entregando ao Chalana a responsabilidade de orientar a equipa nos jogos que restam desta não indelével, não inolvidável e não impressionante, temporada.

Não queria, também, deixar de referir alguns pormenores de que me apercebi ontem no estádio:

  • Katsouranis, acima (ou abaixo para ser mais preciso) de todos os outros, é aquele que me parece estar pior fisicamente. Chega a ser quase desumano obrigá-lo a jogar naquelas condições e quem apenas visse estes últimos 3 / 4 jogos ficaria com uma ideia completamente desfasada da realidade do valor que ele inegavelmente tem;

  • Ovação para João Vieira Pinto. Não participei. Respeito todavia tudo o que fez pelo Benfica, teve o azar de, tal como eu (embora ele da parte de dentro e eu na parte de fora) estar presente na pior fase da história do clube e ,portanto, também não o apupei;

  • Miguelito, provavelmente o pior lateral esquerdo da 1ª divisão. Não? Só pode, para ser preterido a um defesa central recém chegado ao futebol europeu e que só está a jogar devido à ausência de um dos centrais titulares, mas que nem por isso deixou de ser primeira opção para substituir o Leo quando chegou a hora de apostar na vitória;

  • “Apostar na vitória”, estranho, pensei que tivéssemos que apostar neste resultado logo de princípio, mas admito estar equivocado e que aqueles 45’ iniciais tenham sido mais do que um longo bocejo;

  • Antes do jogo com o Beira-Mar, Rui Costa não tinha, e passo a citar, “condições físicas para jogar 90 minutos”. Passados uns dias, e depois do comprometedor empate de Aveiro, milagre!!, já passou a ter condições para fazer não 90 mas 180 minutos, cumpridos no espaço de poucos dias, nos jogos disputados com Espanhol e Braga;

  • Lembrete pessoal: passar a levar um lenço branco para a Luz. Além de servir para me assoar nesta época de constipações, nunca se sabe que outras insondáveis utilizações este utensílio poderá vir a ter (e se tiver dúvidas, pergunto ao Pedro F.);

  • Voo da Águia Vitória: já estou como o outro que diz que hoje em dia, se queremos evitar sofrimentos e figuras tristes, o melhor é chegar ao estádio 30 minutos antes do jogo, aproveitar para meter a conversa em dia com os companheiros de sofrimento, assistir ao momento alto da noite e sair antes do árbitro apitar para o início da partida.
por Superman Torras às 12:40 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Sexta-feira, 13.04.07

Uma noite perfeitamente normal *


Facto: Fomos eliminados da Taça UEFA.

Pormenor: “Fomos” e não “foram”, como alguns benfiquistas de formação instantânea costumam dizer quando os resultados não correspondem aos seus anseios.

Nestes momentos existe a tendência, muito útil pois facilita imenso as análises que se fazem, de se procurar culpados individuais ou únicos ao invés de olhar para a “Big Picture”. Assim, ontem a culpa não irá certamente morrer solteira, mas também não há-de falecer simplesmente acompanhada por Fernando Santos, Nuno Gomes ou pelo azar, por exemplo.

Há, no entanto, aqui um binómio que pode ser interessante realçar e que implica duas das três entidades supracitadas. Esqueçamos, então, por agora o Nuno Gomes, e foquemo-nos no Fernando Santos e no Azar.

Provou-se novamente que o treinador que lá temos parece ter um qualquer pacto com a infelicidade (ao jogo, pelo menos), não dá hipótese, o homem puxa todos os deuses da má fortuna para si e, portanto, nem sequer a sorte ajuda a esconder as péssimas opções que, jogo após jogo, continuam a pôr a nu todas as suas imensas fragilidades como treinador de futebol. Destaco o momento das substituições: na televisão provavelmente não deu para reparar, mas no estádio foi visível a olho nu (toda esta nudez já me está a deixar ligeiramente excitado) que os jogadores entraram perdidos e os que já lá estavam dentro, se perdidos não estavam, perdidos ficaram. Ele era o Rui Costa a perguntar ao Katsouranis para onde deveria ir, o Mantorras a dizer ao Miccoli onde se devia posicionar e, o mais sintomático de tudo, é que, a partir das alterações, o Benfica não voltou a criar perigo. Nesta altura há perguntas que permanecem por responder, nomeadamente no que respeita ao posicionamento que os jogadores substituídos foram ocupar em campo, já que se me afigura de difícil compreensão os motivos que levaram o Derlei a ocupar a faixa direita, o Katsouranis a colocar-se numa posição meio híbrida de defesa lateral direito/médio-defensivo, quando naqueles últimos 10/15 minutos o Benfica precisava de marcar um golo, isto se queria passar a eliminatória.

O mais natural teria sido colocar os jogadores mais fortes fisicamente e que joguem melhor de cabeça à entrada da área, ou pelo menos nas imediações desta para acorrerem ao chuveirinho de que se revestiu, basicamente, o nosso jogo a partir do momento em que o Fernando Santos começou a mexer na equipa, pouco interessando para o caso se acabássemos o jogo com o David Luiz como ponta de lança ou o Miccoli como defesa lateral direito. Sempre se ouviu dizer que para alturas extremas, há que tomar medidas extremas. E ontem era um desses casos, penso, portanto, que faltou fazer algum trabalho de casa, pois a equipa e, particularmente, o seu (nosso) treinador deveria ter um plano b (já nem peço um plano c ou d ou e, porque isso implicava um treinador excepcional e eu, neste momento, contentar-me-ia com um treinador razoável) para utilizar no caso de se chegar à última meia hora com a eliminatória em aberto e com a balança perfeitamente equilibrada, com vista ao fecho da primeira e ao desequilíbrio da segunda.

Como prometi a mim mesmo não canalizar o ónus da responsabilidade todo numa só personagem, tenho de dizer, a bem da verdade, que a condição física dos jogadores em geral, e de alguns casos em particular, é péssima, e também ajuda a explicar algumas coisas, mas ao fim e ao cabo acabamos por ser mandados para fora da UEFA por uma equipa espanhola para lá de mediana; e temo, mas temo mesmo bastante, que também o campeonato seja neste momento apenas uma miragem. Infelizmente, para ele, o nosso treinador não se pode eximir a parte da responsabilidade da parca condição física apresentada (será apenas física ou também psicológica? Talvez um pouco despropositadamente lembrei-me da frase “Mente sã em corpo são”), pois cumpriu a ele a escolha do preparador físico; além de que se o plantel é constituído por mais de uma vintena de jogadores, seria perfeitamente normal e sinceramente mais compreensível que a equipa perdesse ou deixasse de ganhar um ou outro jogo “menor” por ter havido alguma rotação na equipa para poupar os jogadores mais importantes e mais desgastados para embates como o… de ontem. Como todos sabemos, não tem sido esse o entendimento do treinador e, pelo que me é dado a perceber pela recolha de opiniões várias e pela antecipação do futuro próximo, a situação será debelada para o ano com a feitura do plantel a ser maioritariamente da responsabilidade do Fernando Santos. Acreditar ou não nesta explicação depende de cada um e não será pretensão deste que vos escreve encaminhar o pensamento dos benfiquistas para aqui (sucesso) ou para ali (fracasso).

José Veiga e a sua ausência são outra das minhas preocupações actuais (imediatamente antes do pagar das contas da água, da luz e do gás, lá em casa). Não foi a presença do ex-empresário no balneário da equipa, ou nas suas imediações, sempre considerada pelo nosso Presidente como extremamente importante e definidora do que se pretendia para a gestão do futebol do Benfica? Se assim era, porque é que à demissão (?) do Veiga não se seguiu a sua substituição? Se se pensava que o Presidente poderia tomar como seus os problemas inerentes à gestão directa da equipa profissional de futebol penso que se incorreu num erro de apreciação do que é actualmente a gestão do Universo Benfica, e também se menosprezou a exigência do futebol profissional nos dias que correm; além de que, se a natural ausência do Luís Filipe Vieira teria como contrapartida o aumento de competências do treinador (sempre ele), à expressão “erro de apreciação” terei de acrescentar a palavra “crasso”.

Um último pormenor, nada mais do que isso, para ilustrar parte da minha noite de ontem, e que culminou com vários socos e um pontapé (que não de trivela) na cadeira mais próxima na ocasião, e reporta-se ao lance que ajuda a ilustrar a diferença entre jogadores que dão campeonatos e/ou eliminatórias e, desse modo, ajudam a esconder as incapacidades da equipa que representam, e os outros:

Trata-se da jogada em que o Rui Costa, sempre ele, ganhou espaço na área dos espanhóis e fez um cruzamento/remate que viria a encontrar, completamente desmarcados, 2 (dois!) jogadores do Benfica a cerca de 1 metro da baliza:

Terei sido dos poucos no Estádio que não viu o Nuno Gomes falhar esse lance. Não vi, simplesmente porque continuo a ser ingénuo (ia escrever “estúpido”) o suficiente para não imaginar que aquele lance não iria dar golo pelo motivo de não entrar na baliza (condição primeira para um golo ser marcado), mas sim porque o fiscal de linha o iria anular por um suposto fora-de-jogo. Então quando a bola saiu rematada pelo Rui Costa e eu me apercebi (eu e o Estádio) que iria encontrar completamente desmarcados dois jogadores do Benfica ao segundo poste, quando o guarda-redes estava a cobrir o primeiro, a não entrada da bola na baliza nem sequer me passou pela cabeça, pelo que a minha reacção instantânea foi olhar para o fiscal de linha para ver se este deixava a bandeirola em baixo.

E foi naqueles 2 segundos, se tanto, que fui do Paraíso ao Inferno. Sendo o paraíso o instante em que reparei que a bandeirola ficou em baixo e o inferno o momento em que, com a estupefacção natural de quem acaba de presenciar um episódio do Twilight Zone, verifico que os jogadores continuam a correr atrás da bola pelo simples motivo de esta não se encontrar anichada no seu lugar natural, ou seja, o fundo da baliza dos espanhóis.

* estou a ganhar coragem para escrever um post, que pode até nem chegar a ver a luz do dia, acerca das expectativas que todos, uns mais outros menos, temos no que concerne às prestações europeias do Benfica e à possibilidade de não estarmos a ser muito racionais ou razoáveis na fasquia que nos propomos suplantar.

por Superman Torras às 18:30 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Terça-feira, 10.04.07

O início, e tal.

Porque nem sempre o começar pelo princípio se revela a escolha mais acertada, optei por inverter a chamada ordem natural das coisas e não iniciarei a minha participação neste blogue com a explicação do(s) motivo(s) que me levou(aram) a ser benfiquista (Obrigado querido Pai, nunca te conseguirei agradecer o suficiente) ou sequer com a descrição, pormenorizada, da extensão do meu amor por este “simples clube de futebol” (AH AH AH!).

Muito menos optarei por confessar que o meu sonho mais macabro, pela felicidade estampada no rosto com que acordo nessas manhãs, é aquele em que, já velhinho, fecho pela última vez os olhos, depois de assistir a uma qualquer vitória gloriosa do Benfica.

Não! Também não vou fazer incidir este post nos meus pensamentos sobre o treinador que lidera actualmente as nossas esperanças (sigh) de que esta ainda venha a ser uma época para mais tarde recordar, ou dissertarei sobre a qualidade intrínseca da nossa habitual dupla de avançados que, ao não ser demonstrada cabalmente em campo (leia-se no ratio jogos/golos), obriga a que, por norma, tenhamos de criar mais do triplo das oportunidades dos nossos adversários para marcar golos, além de termos que nos socorrer bastas vezes de jogadores mais recuados para colorir o marcador. Nesse sentido, não darei voz à minha opinião de que muitos, ou pelo menos alguns, dos títulos que nos fugiram no período mais negro da nossa centenária história teriam sido nossos se tivesse havido (mais) critério na escolha do ponta de lança da equipa.

Não aceitarei igualmente o repto lançado por um amigo que me propôs falar da mística benfiquista, deste sentimento inato de que estamos a defender a luta do Bem contra o Mal quando puxamos pelo nosso Benfica; ou sequer tentarei colocar em palavras aquilo que o coração só não expressa porque não está munido de lábios e da capacidade de verbalizar aquilo por que bate; Não(!), não vou definitivamente gastar o meu, e o vosso, tempo com dissertações mais ou menos elaboradas sobre a paixão que o nosso clube gera mesmo nos adeptos supostamente rivais, que teimam em olvidar que essa sua (deles) relação de amor/ódio não prescinde da primeira destas palavras para existir.

Vou, portanto, limitar-me a agradecer o convite do Pedro Ferreira, esperar estar à altura dos meus companheiros de escrita nesta defesa do Benfica que, aviso desde já, além de exacerbada também terá o seu quê de contestatária, e finalizar com a esperança de que, além de um projecto aliciante, seja (também) aqui que o Benfica irá arranjar forças para se (re)colocar no lugar que é seu por direito próprio. Isto porque, como todos sabemos, há razões que a razão desconhece.
E pronto, lá consegui terminar o post com um chavão.
Escusam de agradecer.

Até porque a outra versão que poderia ter sido por mim utilizada é a das bruxas que, mesmo que não acreditemos nelas, não é por isso que deixam de existir, e que, tendo em conta o idioma em que a frase é normalmente dita e a proximidade do nosso encontro que decidirá a passagem às meias-finais da Taça UEFA em que medimos forças precisamente com um clube oriundo desse país, poderia levar a um qualquer arremedo de existencialismo por parte das ditas, e se há coisa em que eu não facilito é na assunção da veracidade que está por trás de todo e qualquer ditado popular.
por Superman Torras às 18:35 | link do post | comentar | ver comentários (4)

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