VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 11.05.12

Um árbitro chamado Proença

O dia em que Pedro Proença chegue ao fim da carreira, por uma questão de limite de idade, será um bom dia para o futebol.

 

Nesse dia, deixaremos de correr o risco de ver o Proença decidir campeonatos e finalistas da Taça. Proença traz-me à memória um jogo em Penafiel, em 2004-05, em que decidiu ignorar quatro grandes penalidades contra o clube da casa. Perdemos o jogo. Duas épocas antes, no Bessa, decidiu não assinalar duas grandes penalidades escandalosas. Foi um jogo que se tornou memorável pelos piores motivos. Também em 2003-04, optou por assinalar uma grande penalidade contra o Benfica, num jogo frente ao Sporting, numa mal-amanhada simulação de Silva. Em 2008-09, aos setenta minutos de um jogo no Dragão, assinala mais uma inexistente grande penalidade contra o Benfica. Esse penalti deu o empate e a vitória no campeonato ao FCP. Esta época, entre outros espectáculos deprimentes, Proença foi o árbitro em Braga, no famoso jogo terceiro-mundista dos apagões. Conseguiu ser mais reles do que os cirúrgicos cortes de energia no Estádio: assinalou um discutível penalti contra o Benfica, ignorou duas agressões de futebolistas adversários a jogadores nossos e saiu do estádio com a sensação do dever bem cumprido. Foi com arbitragens destas que se chegou à singular situação de o Benfica nunca ter vencido um clássico ou um derby apitado pelo referido árbitro e de o FCP nunca ter perdido nenhum clássico ou derby com esse senhor a apitar.

 

É, assim, normal, que o dito árbitro se tivesse prestado a fazer a figura que fez na festa do título do FCP. Aliás, no futebol português, a banalização do compadrio é normal e chega a ser premiada com nomeações para apitar em competições internacionais. Outras vezes, é premiada com fruta para dormir… mas isso já são outros quinhentinhos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Maio e publicado na edição de 11/05/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Sexta-feira, 04.05.12

Festejos e lamentos

Triste noite de domingo em que o Benfica, em Vila do Conde, entregou definitivamente o título ao FCP. Triste pelo choro que um miúdo benfiquista apresentava nos écrans televisivos; triste pela exibição descolorida que o nosso Benfica fez; triste porque percebemos que, na segunda metade do campeonato, abrimos, nós próprios, as portas de nossa casa, para que a corja do costume pudesse fartar vilanagem.

 

No ano passado, todas as virgens ofendidas do jornalismo e da opinião publicada rasgaram as vestes devido à lamentável atitude do Benfica ter apagado a luz e ligado a rega, aquando da festa do clube do sr. Costa. Estranhamente, este ano, ninguém se insurgiu contra o que foi documentado, visto, revisto e transmitido por vários canais televisivos: aquando dos festejos do FCP, gritavam em uníssono, jogadores e dirigentes, cânticos sucessivos de ódio e ofensa ao Benfica e aos benfiquistas. Aquela gente festeja o ódio e o insulto. Aquela gente fomenta o que festeja. Em redor, o silêncio conivente de uma comunicação social maioritariamente amestrada.

 

No meio da leda mansidão dos comentários que se ouviam pela televisão – e é tão fácil atirar para debaixo do tapete de uma vitória a sujidade com que a mesma foi conseguida – surgiu uma voz dissonante: Rui Santos, na SICN. Este jornalista disse que o campeonato foi uma farsa, disse que as nomeações dos árbitros são suspeitas e pediu que se investigasse um futebolista do Marítimo que ajudou o árbitro de circunstância a ajudar o campeão de circunstância. Em redor ficou o silêncio… entrecortado pelos que, do cimo de uma varanda, festejavam, insultando o adversário. E nesse insulto, nesse momento de afirmação de uma forma de ser e estar, demonstrava-se a pequenez de quem insulta e a grandiosidade de quem era insultado… o que não deixa de ser uma fina ironia.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Maio e publicado na edição de 04/05/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 01.05.12

Lamentável

Tenho pelo professor Manuel Sérgio um grande respeito e foi com satisfação que o vi chegar ao Benfica. Pensei que a influência de Manuel Sérgio sobre Jorge Jesus fosse benéfica para uma melhoria das competências sociais de Jorge Jesus e para o ajudar a dar um cunho diferente à sua relação com os futebolistas no balneário.

 

No entanto, ontem, Manuel Sérgio protagonizou um episódio lamentável que, directamente, desabona a sua imagem de seriedade e que provoca,  por arrasto, um ruído ainda maior e dispensável no Benfica. Ao desdizer, na página oficial do Benfica, o que dissera a um sítio da internet [link, link] e, quando confrontado com a gravação das suas palavras, obrigar o Benfica a recolher o desmentido, Manuel Sérgio acaba por sair de cena pela esquerda baixa. Lamenta-se nesta saída a ainda maior fragilidade a que sujeita o treinador e, mais do que tudo, a posição em que acaba por colocar o Benfica.

 

Ao ter aquela conversa, aparentemente em “off”, com aqueles jornalistas, Manuel Sérgio foi ingénuo. Ao garantir internamente que não dissera o que disse, voltou a ser  ingénuo (isto, numa abordagem bondosa do caso). No entanto, as suas palavras são tudo menos ingénuas. São, essencialmente, palavras de quem fez um corte epistemológico com a ética que advogou, e muito bem, em várias obras de leitura recomendada.

 

Ainda assim, termino, como já fiz em várias ocasiões, citando as palavras de Manuel Sérgio: “O Benfica tem de se repensar. […]eles têm que fazer um corte epistemológico para ser o clube que já foi.” Concordo e acrescento que este corte epistemológico deverá, como defende o meu amigo Alberto Miguéns, entre muitos outros aspectos, passar por ter em posições-chave mais benfiquistas ao serviço do Clube.

 

por Pedro F. Ferreira às 12:12 | link do post | comentar | ver comentários (53)
Domingo, 29.04.12

Sem honra nem glória

Um campeonato perdido por nós sem honra nem glória. Um campeonato ganho por outros sem honra nem glória.
por Pedro F. Ferreira às 21:06 | link do post
Sexta-feira, 27.04.12

Desconfiado me confesso

Desconfio da isenção da justiça portuguesa e não confio nos órgãos que tutelam a justiça desportiva. Sempre que a justiça julga, a justiça é julgada. O julgamento que a opinião pública faz da justiça desportiva é mau, é péssimo.

 

Quando há agentes desportivos (dirigentes, árbitros, futebolistas…) que fazem do atropelo à verdade uma prática corrente e louvada, a responsabilidade é de uma justiça permissiva, conivente e que se esconde em emaranhados legais para, envergonhadamente, continuar a permitir a prática do crime. Deste modo, a permissividade acaba por ser um incentivo.

 

Desconfio e não confio nos próprios órgãos de tutela política. Chega a ser indecoroso ver o beija-mão a que o poder político se sujeita perante agentes desportivos de conduta aparentemente duvidosa e realmente criminosa. Pior do que os actos públicos de lavagem da imagem é a tentativa de, com o passar do tempo, conduzir gente espúria aos altares das capelinhas. Lavando a imagem na barra do tribunal, fazem um estranho percurso entre o lupanar e o altar. E lá vão ficando, ora um ora outro, os “santos de ocasião” com pés de barro e mãos sujas, colocados no altar por diligentes e temerosos fiéis que escarram na coisa pública que juraram defender.

 

E assim, na perpétua beatificação da atitude criminosa, vamos observando atónitos à multiplicação de actos criminosos no futebol português. Para que o descrédito seja completo, só falta o dia em que se crie um Tribunal Arbitral do Desporto em Portugal com juízes escolhidos e indicados pelos mesmos que serão julgados.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 23 de Abril e publicado na edição de 27/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:25 | link do post
Sexta-feira, 20.04.12

Entusiasmómetro

Dizia Miguel Torga que a lucidez é um acto ímpar. Pedir lucidez nas emoções do futebol é, nos tempos que correm, quase um acto de desespero.

 

Nestes tempos agitados é fácil resvalar para o absurdo e para a irracionalidade. Terminada que foi mais uma final da Taça da Liga, conquistada que foi a quarta Taça da Liga consecutiva, chegou a ser absurdo observar como uma franja de adeptos escrutinava atentamente o grau de entusiasmo dos outros adeptos e dos próprios futebolistas. Diga-se que algo de semelhante já se verificara na época passada. Ou seja, há adeptos que consideram que não é legítimo mostrar satisfação pela conquista de um troféu, que não era prioritário, quando se hipotecaram as possibilidades de conquistar as competições que eram prioritárias. Obviamente que esta Taça da Liga não nos mata a sede de vitórias nem a fome de glória. Obviamente que esta Taça da Liga não é tapete debaixo do qual se possa esconder o que de errado se fez esta época. Obviamente que não é este troféu que nos faz festejar em uníssono no Marquês ou vitoriar os nossos atletas no nosso Estádio. Mas também me parece óbvio que a sua conquista é motivo de satisfação e de entusiasmo. Foi vencido com mérito, esforço e de forma limpa. É natural que adeptos e futebolistas se mostrem satisfeitos com essa vitória. O que já não é natural é confundir o entusiasmo do adepto com falta de exigência ou acomodação. O que não é natural é ver benfiquistas de uma vida inteira e longa, feita de sacrifícios e dádiva ao clube, a serem questionados e ofendidos porque, na opinião de uns quantos, há vitórias que se podem festejar com entusiasmo e outras que se devem lamentar com pesar e indignação. Não, não convivo pacificamente com a ideia de que ande alguém de ‘entusiasmómetro’ em punho a ofender benfiquistas que aplaudem com entusiasmo o clube depois de ter conquistado uma vitória numa final.

 

Não se vive no momento da vitória como se vive no momento da derrota, por isso mesmo é tão importante saber perder como saber ganhar. É uma questão de lucidez.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Abril e publicado na edição de 20/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:30 | link do post
Sexta-feira, 13.04.12

Do que passa e do que fica

Temos, desde segunda-feira, o campeonato praticamente hipotecado. Passa mais uma época e perspectiva-se mais um balanço amargo. Fica a sensação de que seria bastante fácil ser campeão, mas muito se passou para que estejamos na ingrata posição em que estamos.

 

Na primeira jornada, por responsabilidades próprias, perdemos dois pontos em Barcelos. Em Braga ficaram mais dois pontos, num escândalo vergonhoso, com uma arbitragem suja e com três apagões de energia que nunca foram explicados. Em Guimarães deixámos três pontos, num jogo em que fomos incompetentes. Em Coimbra ficaram mais dois pontos, num jogo em que os nossos futebolistas dormiram durante quarenta e cinco minutos e, quando acordaram na segunda parte, permitiram mais uma actuação vergonhosa de uma equipa de arbitragem habilidosa. No nosso Estádio, perdemos três pontos para o FCP. Desses três pontos, o adversário conquistou um e a equipa de arbitragem ofereceu-lhe mais dois. Em Olhão, os nossos jogadores, numa atitude condenável, deram quase setenta minutos de avanço ao adversário e quando começaram a jogar já não foram a tempo. Em Alvalade, num jogo armadilhado pela injusta sanção que impediu o Aimar de jogar, deixámos mais três pontos e mais uma vez num jogo com uma arbitragem que decidiu ignorar uma grande penalidade a nosso favor logo aos cinquenta segundos de jogo. Assim, entre pontos roubados e pontos oferecidos, chegámos a esta situação em que a conquista do título é pouco mais do que uma esperança.

 

Essa esperança que permanentemente se renova é nossa, dos adeptos, e é muito importante que os profissionais que servem o Benfica percebam que eles vão passando, mas os adeptos ficam, permanecem. E quem permanece tem todo o direito a pedir responsabilidades a quem está de passagem.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Abril e publicado na edição de 13/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 12.04.12

Da actualidade de Santo Agostinho

«Vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas: não se poderiam corromper se fossem sumamente boas, nem se poderiam corromper se não fossem boas. Com efeito, se fossem absolutamente boas, seriam incorruptíveis, e se não tivessem nenhum bem, nada haveria nelas que se corrompesse. De facto, a corrupção é nociva, e se não diminuísse o bem, não seria nociva. Portanto, ou a corrupção nada prejudica - o que não é aceitável - ou todas as coisas que se corrompem são privadas de algum bem. Isto não admite dúvida. Se, porém, fossem privadas de todo o bem, deixariam inteiramente de existir. Se existissem e já não pudessem ser alteradas, seriam melhores porque permaneciam incorruptíveis. Que maior monstruosidade do que afirmar que as coisas se tornariam melhores com perder todo o bem?
Por isso, se são privadas de todo o bem, deixarão totalmente de existir. Logo, enquanto existem são boas. Assim sendo, todas as coisas que existem são boas e aquele mal que eu procurava não é uma substância, pois se fosse substância seria um bem. Na verdade, ou seria substância incorruptível, e então era certamente um grande bem, ou seria substância corruptível, e nesse caso, se não fosse boa, não se poderia corromper.»

Santo Agostinho, in 'Confissões'

 

 

Isto apenas para mostrar a bondade de Portugal, de Paulo Pereira Cristóvão, do Cardinal, etc e tal...

 

 

 

por Pedro F. Ferreira às 13:54 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Terça-feira, 10.04.12

5º aniversário (os parabéns do RAP)

Neste quinto aniversário da Tertúlia, e num momento que nos põe à prova o benfiquismo, é sempre muito agradável receber mensagens de amigos.

 

O Ricardo Araújo Pereira, que anda lá por fora a lutar pela vida, acabou de nos enviar esta mensagem:

 

 

 

 

Da nossa parte, um grande bem-haja, um abraço e aquele “Viva o Benfica!” dito em conjunto.

por Pedro F. Ferreira às 18:46 | link do post | comentar | ver comentários (37)
Sexta-feira, 06.04.12

Apontamentos

1- As palavras mais significativas sobre o que têm feito ao Benfica são as de Maxi Pereira no final do jogo com o Olhanense. São palavras deixadas a meio, feitas de sílabas secas, arrancadas à indignação, e de sílabas caladas na impossibilidade de exprimir fielmente a revolta. Tudo o que se disser é pouco, todas as palavras são poucas para exprimir o nojo que sentimos perante a chafurdice em que transformaram o futebol português.

 

2- O Benfica recebeu e venceu o Braga. Foi um jogo tremendo, com emoção, entrega total de todos os futebolistas e uma abnegação sem mácula. Tivesse havido essa entrega em todos os jogos do campeonato e não estaríamos sujeitos às incompetências encomendadas de muitos dos árbitros que poluem o futebol português.

 

3- Durante o jogo com o Braga, o speaker do nosso Estádio, certamente obedecendo a ordens, fez o que não devia. Nós, público benfiquista, com todas as nossas virtudes e defeitos que nos distinguem dos outros, não estamos habituados a exprimir emoções por encomenda, porque sim, porque fica bem ou porque convém. Exprimimos o nosso apoio de forma incondicional nos momentos em que sentimos que este se deve expressar. Mal ou bem, somos assim há mais de cem anos e não somos, nem seremos, um público amestrado à voz de ninguém. Há momentos em que puxamos pelos nossos dentro do campo e há momentos em que são os nossos que puxam pelo público. É uma relação nossa e directa, sem a interferência de ninguém. Não perceber isto é não perceber o Benfica.

 

4- Escrevo este texto antes de saber o resultado da nossa deslocação ao campo do Chelsea. Neste momento, a minha atenção está totalmente focada na próxima jornada do campeonato nacional. Ganhá-la é imprescindível. É nesta competição que temos de estar concentrados. É muito importante que todos percebamos isto.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Abril e publicado na edição de 06/04/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quarta-feira, 04.04.12

Orgulhosamente benfiquista

Hoje mais do que nunca...

 

por Pedro F. Ferreira às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (32)

João Gobern dispensado da RTP por ter festejado um golo do Benfica

 

O João Gobern é um dos melhores profissionais da comunicação que conheço. Tenho por ele admiração profissional e estima pessoal. É, também, um grande e digno benfiquista.

 

Vi-o defender o Benfica contra ataques torpes e rasteiros. Fazia essa defesa não por ser benfiquista, mas porque considerava esses ataques injustos. Com a mesma honestidade intelectual vi-o criticar de forma incisiva o próprio Benfica. Durante quatro anos, vi, sempre que possível, o programa em que debatia com Bruno Prata as incidências do futebol português. Quem via aquele programa reconhecia-lhe o benfiquismo, que nunca escondeu, mas, mais do que tudo, reconhecia-lhe a independência que, por ser notória, não precisava de ser apregoada. As suas opiniões valeram-lhe ataques pessoais e mesquinhos por parte da ‘estrutura’ de um clube habituado a tentar coagir as vozes incómodas. Acima de tudo, as suas opiniões fizeram com que tivesse construído uma justa imagem de quem se move no mundo da comunicação social de forma limpa e cabeça erguida.

 

A sua saída da RTP pelos motivos que são apresentados nesta notícia do Público [link] é apenas mais um reles acto hipócrita nesta ópera bufa em que se foi transformando a opinião publicada e grande parte da comunicação social neste pardieiro com nome de país. Foi, em suma, mais uma derrota da opinião livre e limpa no canal público de televisão.

por Pedro F. Ferreira às 00:05 | link do post | comentar | ver comentários (51)
Sábado, 31.03.12

Hoje, temos de ser Benfica!

Para mais logo, para o momento da luta, num jogo do campeonato nacional e não da champions league, peço apenas que a entrega de todos os profissionais que servem o Benfica seja idêntica à paixão dos adeptos que vivem o Benfica. Se assim for, e apenas se assim for, poderemos continuar juntos a construir caminho.

 

por Pedro F. Ferreira às 11:20 | link do post
Sexta-feira, 23.03.12

O futuro

Qual a inscrição de um clube na vida de um profissional? Como é que um clube pode ser de tal modo vivido por um profissional do futebol que chegue a cicatrizar-se, a inscrever-se, na sua vida?

 

Na vertigem dos tempos, na voragem do mercantilismo actual, parece que toda a ligação emocional está subjacente à melhoria do contrato, à comissão do intermediário e ao conselho interesseiro do empresário. Vive-se a emoção no “tempo que dura” e o “tempo que dura” é balizado pela alínea c) da adenda Y ao contrato X. Depois, há as excepções. São aqueles em quem a cicatriz se tornou visível para o exterior. Aqueles que percebem que a cicatriz da inscrição de um clube na sua vida acaba por transformá-los em referências simbólicas e colectivas. Ou seja, aqueles que sabem viver a sua profissão também pela emoção da pertença a algo que os transcende.

 

É, para todos nós, um enorme orgulho ver a carreira de Ryan Giggs cicatrizada no Manchester United ou a de Gerrard no Liverpool; ver como o River Plate respira o sonho de ver regressar o “nosso” Aimar; sabermos que o Aimar é nosso por adopção e do River por nascimento, da mesma forma que o Rui Costa “é” da Fiorentina por adopção e nosso por nascimento. Esta vitória da componente emocional sobre a racional é das maiores alegrias que o adepto pode vivenciar na sua relação com este desporto apaixonante.

 

Recentemente, surgiu a notícia de que a Fiorentina gostaria de poder contar com a ajuda do nosso Rui Costa. Percebo, e bem, esse interesse. É natural que em Florença se queira construir o futuro alicerçado em estrutura sólida. Perceberão também os da ‘società viola’ que nós, os da Luz, também contamos com ele para alicerçar o nosso futuro. E nós, Benfica, não podemos abdicar do futuro.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Março e publicado na edição de 23/03/2012 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Domingo, 18.03.12

António Leitão (1960-2012)

 

Para os benfiquistas da minha geração, António Leitão foi o maior motivo de orgulho benfiquista do atletismo nacional.

 

Fez parte de uma geração de ouro do atletismo português. De entre os vários atletas pertencentes a essa geração, ele era o nosso único representante. Sempre humilde e lutador, foram muitos os grandes testemunhos de benfiquismo que nos legou.

 

Faleceu hoje. Mais um campeão que partiu demasiado cedo.

por Pedro F. Ferreira às 15:34 | link do post | comentar | ver comentários (16)
Sexta-feira, 16.03.12

Sem medos!

 

 

Cá os esperamos! Lá estaremos a torcer pelos nossos, os que jogam pelo nosso Benfica.

por Pedro F. Ferreira às 11:10 | link do post | comentar | ver comentários (28)

Os mornos

Nestes tempos estranhos, os mornos – aqueles que para aquecerem o lugar têm de arrefecer a honra – conquistaram o poder da Liga de clubes. Fizeram-no como fazem todos os que são mornos: de cócoras, fazendo cedências a interesses pouco limpos. Já todos tínhamos visto, ao longo de muitos anos, gente que chegando à Liga de Clubes fazia do seu consulado uma distribuição de palmadas nas costas e favores por baixo da mesa, fazendo do atropelo à ética uma prática banal.

 

O actual líder foi inovador: anunciou o atropelo à verdade desportiva como trunfo eleitoral. Para garantir a eleição, prometeu aos fiúzas da vida que adulteraria as regras da competição com esta a decorrer. Conquistado o poder, havia que pagar a factura. Os fiúzas da vida exigiram e os cordéis fizeram mexer as influências do títere de circunstância. Ao atropelo das regras e da decência, a Liga quer impor o absurdo: que nenhum dos clubes actualmente em competição na primeira divisão seja despromovido. Isto não fere a verdade desportiva, mata-a. Já vi latrinas públicas menos fétidas do que o odor que emanou da infame reunião da Liga da passada segunda-feira.

 

Terminada a reunião, veio a tentativa de defender publicamente o indefensável. Que a argumentação parola sirva para entreter os fiúzas da vida é um problema do novo presidente da Liga. Que queiram defender perante os portugueses o absurdo, estabelecendo, em tom sério e de ameaça, paralelismos com a Liga norte-americana é já uma tolice ofensiva, pois tomam-nos a todos por fiúzas.

 

Tudo tem limites e o futebol português já não tem capacidade para tanto entulho. Ou se afunda o futebol ou se atira com o entulho pela borda fora. E, como sabemos, até Deus vomita os mornos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 13 de Março e publicado na edição de 16/03/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 08:08 | link do post
Quinta-feira, 15.03.12

Nunca me vou calar

 

Todos sabemos que a capacidade de comunicar para fora do balneário não é propriamente o seu ponto forte, antes pelo contrário. No entanto, há momentos em que Jorge Jesus consegue comunicar a mensagem correcta, necessária, corajosa e à Benfica. Hoje, Jorge Jesus disse o que se impunha dizer.

 

"Enquanto treinador, tenho direito a opinião num jogo em que a minha equipa era interveniente. Apresentei um facto real, numa situação de bola parada e sem pôr em causa a honestidade do árbitro assistente. É um facto que vi e que muitos viram e manifestaram a mesma opinião."

 

[...]

 

"Como treinador do Benfica vou continuar a fazê-lo, para defender os interesses do clube. E penso que vivo num país onde ninguém está acima da crítica. O presidente da República é criticado, eu sou criticado quando as coisas não correm bem, por que é que os árbitros não podem ser criticados? Alguns árbitros nasceram depois do 25 de abril de 1974, mas eu ainda sou desse tempo. Conquistámos esse direito de nos podermos expressar. Nunca me vou calar."

 

Subscrevo.

por Pedro F. Ferreira às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (21)
Segunda-feira, 12.03.12

Tentáculos

 

Já são muitos anos de luta. Ao longo destes anos, tenho conhecido muito do melhor e do pior do futebol português.

 

Desde antigos futebolistas que passaram por clubes de nomeada a norte do Douro e que, à mesa, me contam histórias de como andaram anos a contornar o controlo anti-doping até outros que contam histórias vergonhosas de colegas que se venderam no jogo Y e X, para terem como prémio de final de carreira, lá pela casa dos 34 / 35 anos, um contrato assinado com um determinado clube. Passando pelas inúmeras histórias de árbitros que comunicavam logo nos primeiros minutos de jogo que estavam ali para “lixar” a equipa A ou B. Ouvi de tudo. Todos (jogadores, árbitros, dirigentes, massagistas, médicos…) sabem qual é a cabeça do polvo. E muitos foram os que, identificando a cabeça, acabavam por referir também alguns dos tentáculos mais discretos e eficazes: os delegados da Liga e os observadores de árbitros.

 

Hoje, Manuel Armindo, delegado da Liga, mostrou-se incompetente como tentáculo [link]: continuou eficaz, mas tornou-se indiscreto. E, assim, comprometeu o seu lugar na estrutura tentacular. Muitos outros por lá ficaram e outros tantos estão já preparados para o substituir. É um futebol podre.

por Pedro F. Ferreira às 20:39 | link do post | comentar | ver comentários (37)

Quais serão os limites?

Qual é o limite para Bernardino Barros na “Rádio Renascença”, Manuel Queiroz na “TVI” e para Jorge Coroado no jornal “O Jogo”?  Qual o limite do primeiro na tentativa de branquear os métodos do seu clube? Qual o limite do segundo em querer agradar ao dono? Qual o limite de ódio que o terceiro consegue destilar contra o Benfica?

 

Quais os limites dos ouvintes / espectadores / leitores benfiquistas?

 

por Pedro F. Ferreira às 11:28 | link do post | comentar | ver comentários (34)
Sexta-feira, 09.03.12

Erros em cima de erros

 

A relação de Ruben Amorim com Jorge Jesus foi-se deteriorando ao longo do tempo. Não sei de quem foi a culpa, mas sei que, em pleno balneário, o Ruben errou ao ter uma atitude bastante reprovável. Dessa atitude nunca se retractou, o que também me parece um erro, e acabou por sair.

 

Quem dirige o Benfica cometeu o erro de o deixar sair para um clube que não merece que o reforcemos. Erro agravado pelo facto de esse clube competir directamente com o Benfica. Ou seja, em cima dos erros de gestão das relações entre treinador e futebolista, errou-se no destino a dar ao futebolista.

 

De erro em erro, Ruben Amorim deu uma entrevista [link] em que confunde a sua relação pessoal com o treinador com a sua relação laboral com o Benfica. Com isto, tal como outros recentemente, acaba por ajudar a hipotecar a sua relação emocional com os benfiquistas. Como resultado, ninguém sai beneficiado. Ainda assim, Ruben Amorim foi quem mais se prejudicou. Tudo isto poderia e deveria ter sido tratado de forma bem diferente.

por Pedro F. Ferreira às 16:00 | link do post | comentar | ver comentários (32)

Faltou

Sexta-feira à noite, o jogo terminara, o nosso Benfica perdera, em casa, o clássico. Para muitos terminaram também as ilusões quanto à possibilidade de sermos campeões. Uns revoltados, outros angustiados, outros tantos a exigir cabeças, mas todos irmanados na dor. É sempre assim, já Torga o escrevera a respeito de outras justas, também elas alfa e ómega de um vão quotidiano, “Vitorioso, cobrem-no de flores; derrotado, abatem-no impiedosamente”.

 

Como sempre, em ritual, após a reunião no nosso Estádio, em torno do nosso Benfica, segue-se a reunião de amigos à mesa do jantar. Nesse altar ouve-se a pluralidade das vozes do benfiquismo. Nos momentos da vitória são os sorrisos que enquadram a refeição em que também partilhamos os despojos de guerra. São momentos de plenitude. Nos momentos de derrota, a pluralidade de vozes ecoa a ausência. Já nada é pleno, cheio, e em tudo se nota a falta. Nessa sexta-feira, não havia vitoriosos para cobrir de flores, restava o abate. E na pluralidade de vozes ecoava a falta: “faltou vergonha ao árbitro”; “faltou atitude”; “faltou um defesa esquerdo eficiente”; “faltou um Gaitan menos displicente”; “faltou a visão a um fiscal de linha”; “faltou um treinador que se transcenda nos momentos verdadeiramente decisivos”; “faltou uma equipa de arbitragem que não nos tivesse prejudicado vergonhosamente; “faltou o calor do público durante algumas fases do jogo”; “faltou estratégia à Direcção para lidar com o problema da arbitragem em Portugal”; “faltou o sistema sonoro no 3º Anel”; “faltou sorte”; “faltou um Artur mais perto do Artur e mais longe do Roberto”; “faltou Benfica ao Benfica”… E assim, entre vozes famintas de vitória, se foi conjurando um rosário de faltas que saltavam entre o tom resignado e o indignado, entre o encolher de ombros e o punho cerrado.

 

Ainda com os ouvidos cheios dessas vozes, dessas faltas, acabei o jantar sabendo que nenhum dos presentes faltaria ao próximo jogo.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Março e publicado na edição de 09/03/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 08.03.12

A volátil certeza dos adeptos

 

Assim escreveu Leonor Pinhão no dia 11 de Agosto de 2011, no jornal "A Bola".

por Pedro F. Ferreira às 11:15 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Segunda-feira, 05.03.12

Opiniões...

Tenho lido várias opiniões sobre o jogo de sexta-feira, tenho debatido as minhas com muitos amigos benfiquista e tenho ouvido muitas opiniões em diferentes sentidos. Dois dos benfiquistas que mais gosto de ler/ouvir são os meus amigos Pedro Fonseca e João Gonçalves. Nem sempre concordo com eles, mas muitas vezes acabamos por estar de acordo. Deixo-vos aqui, para reflexão, a opinião de cada um deles sobre este jogo e as hipotéticas consequências do mesmo:

 

A culpa não pode morrer solteira (Proença "casa" com Jesus) [por Pedro Fonseca];

 

Benfica 2 - 3 Porto [por João Gonçalves].

 

 

por Pedro F. Ferreira às 16:16 | link do post
Domingo, 04.03.12

Todos somos Sísifo

 

Partindo do Mito de Sísifo, Camus escreve uma das mais marcantes obras da literatura/cultura europeia do Século XX. Aborda o Mito pelo absurdo. O absurdo do eterno recomeço como forma de mostrar aos deuses que a derrota do homem não está no castigo que os deuses lhe impõem, mas sim na hipotética desistência do homem. A tomada de consciência sobre o absurdo da situação implica a angústia, mas não obriga à desistência.

 

Ou seja, a vitória dos deuses sobre Sísifo só aconteceria se Sísifo desistisse de cumprir a pena que o obriga, diariamente, ao recomeço da luta. Diz Camus que L'absurde c'est la raison lucide qui constate ses limites. Sem esta razão lúcida é impossível imaginar um Sísifo feliz. Feliz não pelo cumprimento do castigo, mas porque se recusa a desistir. No sorriso de Sísifo está a derrota de quem o quis vergar ao absurdo de uma luta aparentemente perdida. Caso desistisse, Sísifo teria sido derrotado. Enfrentando-os com um sorriso, Sísifo resiste à derrota.

 

É neste absurdo que nos vamos encontrando, é nesta luta que nos vamos reconhecendo. Às vezes é um caminho percorrido por muitos, outras percorrido por menos, mas sempre com os suficientes.

 

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Fotografia de bucaorg (CC-usage) Flickr

por Pedro F. Ferreira às 12:16 | link do post | comentar | ver comentários (49)
Sexta-feira, 02.03.12

108 anos de benfiquismo universal e intemporal

1- Dia 28 o Benfica festejou 108 anos. Quase escrevia “o meu Benfica”, mas isso seria um paradoxo. Se o Benfica é universal como é que poderia ser o “meu” Benfica? O Benfica só é meu na medida em que se manifesta em mim de forma pessoal e intransmissível. Logo, o Benfica festeja o aniversário e em cada um de nós renova-se este místico sentimento de pertença a uma causa superior a todos. É o Benfiquismo.

 

2- Não acredito num homem sem raízes. Um ser desenraizado é um ser à deriva. Sei onde estão as minhas raízes, na Beira Baixa, no Fundão. Tal como sei onde está a minha ‘alma mater’, em Coimbra, na minha saudosa academia. Da mesma forma que sei onde lancei âncora há pouco mais de uma dezena de anos, em Lisboa, perto da Luz. Quis o acaso que, no mesmo fim de semana, o Benfica defrontasse a Académica, em futebol, e o Fundão, em futsal. Não era um confronto entre terras, entre territórios. Era um confronto entre o meu clube e os clubes das “minhas” terras. Acontece que o meu clube vai para além da geografia das “minhas” terras. Eu sou orgulhosamente beirão, tenho um grande orgulho nas minhas raízes, mas seria benfiquista independentemente da terra onde nasci. Sê-lo-ia quer tivesse nascido em Goa ou em Freixo de Espada à Cinta. Este sentimento de benfiquismo faz com que o horizonte ultrapasse os limites da austera Serra da Estrela e da mágica Serra da Gardunha. Obviamente, sofri pelo nosso Benfica. O Benfiquismo manifesta-se-nos de forma universal.

 

3- Na sexta-feira, poder-se-á dizer que se joga o futuro do Benfica numa importantíssima partida de futebol. Dizê-lo seria um acesso de miopia histórica. Joga-se essencialmente uma batalha entre o jogo limpo e o jogo sujo, entre o asseio desejado e a continuação de três décadas de decadência civilizacional. Mas não se joga o futuro do Benfica, porque o Benfica é intemporal.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 28 de Fevereiro e publicado na edição de 02/03/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post | ver comentários (2)
Quinta-feira, 01.03.12
Quarta-feira, 29.02.12

Momento que aconchega a alma

Ontem, no Coliseu, em dia de aniversário do nosso Benfica, ouvir as palavras genuínas do senhor Mário Wilson. [link]

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:15 | link do post | comentar | ver comentários (15)

Vejam se adivinham

Qual foi árbitro que no Domingo passado foi, alegadamente, visto a sair do Dragão Caixa num BMW, no banco do passageiro da frente, pouco antes de terminar o jogo entre os andrades e o Feirense?

[link]

por Pedro F. Ferreira às 08:43 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Terça-feira, 28.02.12

Meu caro Nuno Gomes

[link]

 

Tive o cuidado de te fazer chegar, no tempo devido, a mensagem e o conselho. Era, e é, um conselho de quem te admira, mas que também sabe distinguir as águas.

 

Disse-te, e escrevi-o na altura devida, que escolher implica, mais do que uma posse, uma abdicação. Escolher algo implica abdicar de tudo o resto. Por vezes, o que se escolhe é superior a tudo o resto. Na maior parte das vezes, tudo o resto é superior ao que se escolhe. Disse-te que a tua - e apenas tua - escolha pelo Braga poderia implicar a abdicação do que era, e é, bem superior.

 

Digo-te agora o mesmo, uma vez que ninguém te obrigou a escolher estas palavras. O profissionalismo é a tua maior virtude. Estas palavras [link], porque não eram obrigatórias nem indispensáveis, ultrapassam o profissionalismo.

 

Atenção, meu caro Nuno, quem distingue as águas também sabe distinguir tudo o resto, e sabes tu tão bem quanto eu que quem não está por nós está contra nós.

 

Um grande abraço e que o futuro nos traga, ao Benfica, as vitórias que todos os benfiquistas desejam.

___________

 

Adenda ao post:

 

Aproveito para esclarecer quem não percebeu (certamente por culpa minha): Ao contrário da maioria (?) dos benfiquistas, defendo que o lugar do Nuno Gomes é no Benfica. O Nuno Gomes sempre foi um assunto delicado, uma vez que divide e dividiu os benfiquistas. A sua ida para o Braga não foi abonatória para a sua imagem junto da massa associativa. Deste modo, a gestão do seu discurso relativamente ao Benfica, enquanto está em Braga, deve ser feita com total cuidado. As declarações dele, extremamente profissionais, não são (dentro da tal lógica de um hipotético regresso) as mais indicadas (cf, por exemplo, com declarações recentes de Ruben Amorim acerca do Benfica). O meu texto alerta apenas e só para isto.

por Pedro F. Ferreira às 17:15 | link do post | comentar | ver comentários (28)

Jaime Graça

 

A doença é traiçoeira e apenas à traição conseguiu levar um dos nossos.

 

Para toda a família do grande Jaime Graça, aqui ficam ficam os nossos sentimentos.

por Pedro F. Ferreira às 16:01 | link do post | comentar | ver comentários (8)

108 anos

 

108 anos de História gloriosa. De cabeça erguida, de forma honrada, intemporal e universal.

por Pedro F. Ferreira às 09:17 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 27.02.12
Sábado, 25.02.12

Houston, we have a problem

Agora, é matar ou morrer!

por Pedro F. Ferreira às 22:15 | link do post | comentar | ver comentários (32)
Sexta-feira, 24.02.12

Serviço público

Para o melhor e para o pior, a blogosfera é uma realidade comunicativa com algum, menor do que muitos julgam, impacto.

 

No entanto, há assuntos em que a blogosfera serve de exemplo a outros meios de comunicação bem mais poderosos e profissionais.

 

O blogue “Cabelo do Aimar” conseguiu uma entrevista com o (ex?) jornalista Marinho Neves. Esta entrevista deve ser lida, relida, meditada e divulgada. Apenas com a divulgação massiva da mesma, aquelas palavras poderão ter eco e fazer mossa.

 

Fica aqui o agradecimento aos bloggers que a conseguiram e ao Marinho Neves pela coragem.

 

Podem ler a entrevista neste link: Entrevista - Marinho Neves

por Pedro F. Ferreira às 09:52 | link do post | comentar | ver comentários (12)

Que farei eu com esta espada?

Na mesma semana, com época a mais de meio, o nosso Benfica fraquejou e mostrou que não é invencível. Perdemos a invencibilidade na Champions League e também no Campeonato Nacional.

 

Há dois momentos em que as lideranças se distinguem: no momento da vitória, da segurança, e no momento da derrota, da ameaça. Nesses dois momentos, o líder tem o poder, tem a Excalibur. Tem a obrigação de, tal como o Conde D. Henrique no poema pessoano, olhar para a espada que tem em mãos e perguntar-se o que fazer com ela. Poderíamos, se não fôssemos Benfica, manter a espada na bainha, não agir, entregarmo-nos à frustração da derrota e, acreditando na campanha montada na mediocridade dos editoriais encomendados, fazer do pessimismo e do desânimo o caminho. Uma vez que somos Benfica, este caminho não é, não pode ser, opção. Seguimos em frente na liderança do campeonato e estamos obrigados a vencer adversário após adversário, com a convicção de que nenhum deles fará, como pontualmente fazem com alguns dos nossos rivais, do jogo uma farsa com vencedor antecipado. Deste modo, resta-nos lidar com a perda da invencibilidade como uma oportunidade para regressar ao bom hábito das vitórias. Resta-nos cumprir este propósito com humildade, a mesma que serve de base para se fazer uma caminhada digna; com ousadia, a mesma que distingue o conformadinho (assim mesmo em diminutivo) do inconformado; e, essencialmente, com uma entrega total, aquela que transforma homens em heróis.

 

Temos a espada em mãos, logo, o único caminho a seguir é, tal como no poema pessoano, erguê-la e fazer. Menos do que isto é trair o que há de Benfica em cada um de nós. Enfrentemos o futuro, sem medos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 21 de Fevereiro e publicado na edição de 24/02/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 23.02.12

Um jogo de cada vez

Não me preocupo com o facto do Luisão não jogar. Já passei a fase de me preocupar com a utilização do Matic. Não perco tempo a pensar na utilização do Emerson. Já nem me lembro se temos mais futebolistas além do Aimar impedidos de jogar contra o Zenit. Não quero saber se recebemos os andrades na sexta, no sábado ou no domingo de manhã. Ouvi dizer que o Javi está de volta. Não faço ideia de quem será o Xistra de ocasião que o Vítor Pereira vai nomear.

 

Sinceramente, neste momento, só quero ganhar à Académica.

por Pedro F. Ferreira às 10:20 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Segunda-feira, 20.02.12

Não somos invencíveis

Mas somos o primeiro classificado. Somos os melhores. Somos Benfica.

 

Poderia escrever e desabafar sobre o muito que me desgostou neste jogo em que também jogámos contra o Guimarães e o tanto que, em dose igual, me preocupou neste jogo. Mas só me apetece dizer e repetir isto: não somos invencíveis, somos o primeiro classificado, somos os melhores, somos Benfica!

por Pedro F. Ferreira às 22:24 | link do post | comentar | ver comentários (17)

O jogo mais importante de hoje...

 

 

Hoje, em Guimarães, joga-se um jogo muito importante para o futuro próximo do Benfica. Mas, de repente e pela terceira vez em muito pouco tempo, o jogo mais importante joga-se num hospital [link]. Que mais uma vez o nosso Eusébio consiga ganhar este jogo, o jogo que verdadeiramente importa.

por Pedro F. Ferreira às 17:55 | link do post
Domingo, 19.02.12

Igrejas Caeiro

Faleceu hoje um grande benfiquista [link]. Igrejas Caeiro foi um homem que muito lutou pela democracia e, também, muito ajudou o Sport Lisboa e Benfica. O país está mais pobre e o benfiquismo enlutado.

 

Ficam aqui os nossos sinceros sentimentos à família.

por Pedro F. Ferreira às 15:09 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sexta-feira, 17.02.12

Numa noite de sábado

Sábado à noite, o nosso Benfica jogou com o Nacional e o jogo transformou-se em arte. Isto por mérito das duas equipas e para privilégio dos adeptos que encheram a nossa Catedral. O Nacional foi uma equipa honesta, jogou um futebol positivo, em prol do espectáculo e procurando, sem antijogo, ganhar. O Benfica foi brilhante.


No relvado, a geometria rigorosa das movimentações tácticas foi pano de fundo para a expressão do génio individual. Nolito foi a ousadia do futebol de rua, do futebol desconcertante. Gaitan regressou aos melhores momentos e deixou-nos uma jogada daquelas que, sabemos quando a vemos, servirá de mote à convocação da memória, apenas para podermos dizer “estava lá e vi”. Rodrigo faz-nos acreditar que qualquer jogada, independentemente da zona do campo, é potencialmente um golo do Benfica. Aimar é Aimar, é o nome acima do título do jogo. Na Luz herdou o número de Rui Costa, na Argentina herdou o número de Maradona. Isto basta para fazer dele um predestinado e de nós, espectadores, privilegiados.


O público vibrou, sofreu, aplaudiu e, acima de tudo, sorriu. Ficou com a convicção de que tinha visto longos minutos de futebol supino. A exibição do nosso Benfica teve largos minutos de uma qualidade genuína, que nem a azia de um ou outro ‘opinadeiro’ conseguiu macular.


No entanto, houve um elemento que se esforçou por não estar à altura da dignidade do jogo. Foi aquela figura que conseguiu enervar o público, os jogadores do Benfica e o próprio treinador. Foi a personagem que nos fez sair do Estádio com a certeza de que, para sermos campeões, não nos basta ser melhores… temos de ser muito melhores do que os adversários. Particularmente dos adversários que jogam com um apito na boca.    

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 14 de Fevereiro e publicado na edição de 17/02/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post
Quinta-feira, 16.02.12

Um rafeiro sarrafeiro

sarrafo:
s. m. peça rectangular de madeira de muita altura e pouca espessura; fasquia; sobras de madeira cortada.
(Deriv. regr. de sarrafar)
sarrafear:
v. tr. cortar em sarrafos;
v. intr. sarrafar.
(De sarrafo + -ear)
sarrafar:
v. intr. o m. q. sarrafaçar.
sarrafaçar:
v. intr. cortar com um utensílio mal afiado; fazer barulho, serrando; trabalhar grosseiramente.
(De etim. obsc.)
Bruno Alves (tal como André, João Pinto, Pepe, Paulinho Santos...)
indivíduo que espalha a arte de sarrafear em todo o relvado, túneis adjacentes, aquém e além montes Urais. Desenvolveu essa actividade profissional no FCP e actualmente no Zenit. Consequentemente, também ganha a vida a lesionar colegas de profissão.

 

por Pedro F. Ferreira às 08:08 | link do post | comentar | ver comentários (20)
Segunda-feira, 13.02.12

A foice em seara alheia

Disclaimer: este post é sobre o que resta do Sporting.


Conheço muitos lagartos e outros tantos sportinguistas. Os lagartos distinguem-se pelo antibenfiquismo primário e pela hipoteca do amor a um clube em função do ódio ao clube que lhes ocupa a mente 24 horas por dia, o Benfica. Os lagartos vibram com as vitórias dos andrades e irritam-se pelo facto de nós, os benfiquistas, denunciarmos a corrupção desportiva em que os andrades baseiam a sua existência. Os lagartos vibram com o facto de terem um clube dirigido e manietado por uma claque e têm como modelo supino da sua forma de estar no futebol o… Sá Pinto. Os sportinguistas não.


Os sportinguistas lamentam o rumo que o clube conheceu nas últimas décadas e tentam perceber como se descaracterizou ao ponto de se ter transformado naquilo, naquela espécie de clube que vive em função da vida do vizinho. Os lagartos pouco se importam com o facto de o clube estar a meses de ser vendido (dado) a um qualquer russo ou árabe que transforme um clube moribundo num 'cadáver adiado' maquilhado de máquina de lavar dinheiro. Os sportinguistas rejeitam epidermicamente esta hipótese.


Os lagartos exultam com a chegada do Sá Pinto a treinador. Os sportinguistas sabem o terror que significa ter um condutor de homens (de activos que valem milhões) que não tem processos de intermediação entre a vontade e o acto - o que o levou, ao longo dos tempos, a ter um vergonhoso historial de envolvimento violento com colegas de profissão, com treinadores, com atletas seus subordinados e com adeptos. Os sportinguistas sabem que, apesar dos pesares, Domingos era a melhor solução neste momento e que era o menos culpado daquele Carnaval permanente que se vive no reino dos lagartos.


Os lagartos vão-se insurgir contra este texto. Os sportinguistas vão compreendê-lo.


Quanto a mim, como benfiquista, olho para tudo aquilo com uma sensação mista. Por um lado, divirto-me; mas, por outro lado, chego a ter pena daquilo… única e exclusivamente pelos meus amigos sportinguistas.

por Pedro F. Ferreira às 17:19 | link do post | comentar | ver comentários (39)
Sexta-feira, 10.02.12

Nota de rodapé

Primeiro, a notícia surgiu como uma mera nota de rodapé num jogo sem grande história: o Fábio Faria saíra de campo ao minuto oitenta e cinco, sentira-se mal. O Rio Ave perdera o jogo e o atleta vila-condense que o Benfica tem emprestado ao Rio Ave tinha perdido apenas cinco minutos de jogo.


Mais tarde, a notícia saiu da margem do jogo para se sobrepor ao próprio jogo. Havia uma complicação, um problema cardíaco. O assunto deixou de ser apenas uma nota de rodapé na história do jogo. Aquele momento poderia ser o título de um capítulo na vida sua vida, pois o coração ameaça uma fragilidade que poderá hipotecar o futuro do Fábio atleta.


Aos vinte e dois anos de vida o Fábio Faria tem a confirmação de que, para ouvir uma gargalhada de Deus, basta que Lhe confiemos os nossos projectos. E o Fábio certamente estará a ouvir essa gargalhada. Dolorosamente, assustado e com o medo de voltar a sussurrar futuros, de voltar a sussurrar notas de rodapé da vida.


Para a frieza da história, para o corpo do texto fica o registo de que o Rio Ave perdeu o jogo e o Fábio perdeu cinco minutos do jogo. Aqueles cinco minutos perdidos poderão ter garantido um futuro bem mais importante do que uma nota de rodapé.


Sabemos que o nosso desempenho como homens vai muito além do nosso papel como adeptos. Independentemente do que o futuro reservar ao Fábio, certamente que ele saberá que a sua dimensão como homem ultrapassa o seu papel como atleta. O Fábio saberá neste momento que uma nota de rodapé na vida se ultrapassa lutando e construindo o futuro, o resto do texto.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 07 de Fevereiro e publicado na edição de 10/02/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]



por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post
Quinta-feira, 09.02.12

Aimar renovou

 

É um de nós.

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por Pedro F. Ferreira às 21:03 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Quarta-feira, 08.02.12

Nim

Nas questões que verdadeiramente me interessavam: Aimar renovou? Nim. Vai renovar? Nim. O contrato com a Olivedesportos não é para renovar? Nim. O argentino das birras vai regressar à Argentina? Nim. (ok, esta não é das que mais interessam, mas como já não tenho paciência para as birras do rapaz, venham disfarçadas da forma que vierem, estava curioso para ver o que dali ia sair…)

 

Gostei muito da referência à antecipação do dia de São Valentim e da declaração de que Jesus está apaixonado pelo Benfica. Espero agora ouvir esta enternecedora declaração da boca do próprio Jesus, desde que me garantam que, em seguida, não sai. Nos últimos tempos, das maiores paixões têm surgido as maiores traições e, sinceramente, Jorge Jesus é essencial para a manutenção do patamar competitivo em que nos encontramos.

 

Foi uma boa entrevista? Comparada com a maioria das anteriores, foi. Mas foi uma boa entrevista? Nim, foi uma entrevista com uma espécie de efeito “Melhoral”: não faz bem nem mal…

por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post | comentar | ver comentários (18)
Sexta-feira, 03.02.12

Cinco pontos

1 – Ganhámos ao Feirense, num campo difícil, num areal pejado de relva (pelo menos não pintaram, como outros, a areia de verde), com uma grande galhardia, muita abnegação e com as bancadas plenas de benfiquistas que, apesar dos preços pornográficos e do oportunismo do adversário, ajudaram a criar uma vitória no dia e no local onde outros nos tinham preparado a cama.

 

2 – A vitória do Benfica foi justa, merecida e limpa. Apesar disso, alguma comunicação social apressou-se em inventar factos, retorcer a realidade, manipular a informação, envenenar a opinião pública… em suma, mentiram, tentaram agradar à irónica voz do dono e não esconderam o incómodo perante a vitória do Benfica. No que respeita à mentira, a TVI e a SICN têm muitas desculpas a pedir.

 

3 – As declarações de Jorge Jesus no pós-jogo foram de grande dignidade. Respondeu à altura a todas as provocações que alguns jornalistas, maldosamente, mascararam de perguntas e demonstrou um pragmatismo que se saúda e se deseja que continue até ao final da época.

 

4 – Olho para um dos nossos adversários, vejo a balbúrdia que por lá reina e pergunto-me o que diria a comunicação social se estivéssemos na situação em que eles estão: adeptos e futebolistas envolvidos à pancada após mais uma derrota, atletas de modalidades ditas amadoras a protestarem pelo facto de terem ordenados em atraso, presidentes de clubes estrangeiros a acusarem, sem ser com ironia, um presidente de querer pagar dívidas com “dinheiro da treta”… Tudo isto é branqueado e silenciado.

 

5 – O Benfica lidera o campeonato com cinco pontos de avanço para o segundo classificado. Nos próximos quatro jogos do campeonato pode estar o destino do mesmo. Dependemos de nós e da nossa capacidade de saber ultrapassar dentro do campo todas as armadilhas que nos preparam fora dele.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 31 de Janeiro e publicado na edição de 03/02/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 16:16 | link do post
Quinta-feira, 02.02.12

Serviço público de benfiquismo

... feito pelo blog "Benfiquistas desde pequeninos" neste post [link], em que colocaram a imagem que se segue:

 

 

A únio errro na informação presente na legenda da imagem tem que ver com o facto de não ter sido o Eusébio a marcar. A alegria é mesmo real. Para acabar de vez com os patetas do revisionismo histórico que, descontextualizando as palavras de Eusébio, insistem em querer sujar a imagem do maior futebolista da história do futebol português.

por Pedro F. Ferreira às 11:45 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quarta-feira, 01.02.12

O futebol é um lugar perigoso

O que está a acontecer no Egipto é pior do que a negação do futebol, é a negação da vida.

 

por Pedro F. Ferreira às 20:22 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Mercado de Janeiro

 

Ficou claro que não há mercado digno desse nome, nem nenhum clube português tem dinheiro para apostar num efectivo reforço do plantel nesta fase da época.


Contratou-se o Djaló, veio a custo zero e veremos o que dali vai sair. Já todos lhe conhecem as carências e as competências. Vamos ver se Jorge Jesus consegue fazer de Djaló uma mais-valia para o Benfica. Aguardo com curiosidade. Não me parece que esta fosse uma prioridade e estou convencido de que foi uma contratação em função da oportunidade de mercado. O que, diga-se, é salutar.


Para o que resta da época, veremos a família benfiquista unida na defesa do Emerson – não se vá o rapaz lesionar e termos de jogar com o ____________ (preencher por quem saiba qual é a alternativa). E estaremos todos a rezar à nossa senhora da enfermaria e da comissão disciplinar que nada aconteça ao Maxi – uma vez que a alternativa fez birra e foi emprestada ou dada ou lá o que foi aquilo. O miúdo, André Almeida, ainda está muito longe de ter estaleca para poder ser encarado como uma alternativa segura ao Maxi. Ou seja, não se acautelou agora o que já vem fragilizado desde o início da época.


Garantem-me que o verdadeiro reforço já cá estava: chama-se Enzo Peréz e é rapaz para, com a cabeça no lugar e as fraldas mudadas, vir a ser uma boa aquisição.


É com este plantel – apesar das fragilidades apontadas, considero-o um bom plantel – que lutaremos e conquistaremos (assim o desejamos todos) o campeonato. Carrega, Benfica!

por Pedro F. Ferreira às 10:10 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Terça-feira, 31.01.12

Inconcebível

Condenei, em diferentes locais e de forma clara, a atitude de Ruben Amorim para com a equipa técnica. Hoje, com a mesma clareza, considero que a decisão da Direcção do Benfica em ceder o Ruben Amorim ao SC Braga é uma decisão que situo algures entre a tolice e a afronta.

 

É, para mim, inconcebível que o Benfica envie talento para um clube que nos recebe à pedrada e que transforma cada visita do Benfica num triste espectáculo de ofensas gratuitas.

 

Não se dá a mão a quem vive com o intuito de no-la morder.

por Pedro F. Ferreira às 00:11 | link do post | comentar | ver comentários (84)
Sexta-feira, 27.01.12

Uma Liga lá deles

Um alargamento do número de clubes na principal competição futebolística portuguesa para alguns é desejável, para outros inevitável e para outros tantos é inaceitável. Mas, assumamo-lo, é possível.

 

O que subjaz a um hipotético alargamento prende-se com uma reflexão prévia e alargada que possa trazer diferentes abordagens e perspectivas para o tema em apreço. Importa saber qual a fundamentação, as motivações, o suporte desportivo e a sustentação legal. Importa perceber se há mercado que sustente, com o mínimo de dignidade, um acréscimo de clubes, se as infra-estruturas estão adequadas ao cariz profissional da prova. Essencialmente, importa perceber se há uma sustentação minimamente racional que faça de um alargamento um melhoramento. Caso contrário, um alargamento não passa de um alastrar de uma enfermidade.

 

O novo presidente da Liga sustentou o alargamento pretendido num único pressuposto: a sua eleição. Ou seja, fez tábua-rasa dos pressupostos de uma liderança em troca de uma eleição. Demonstra, entre muitas outras coisas, que, apesar de ter sido eleito, nunca será um líder. Esse estatuto foi vendido aos Fiúzas desta vida que, à primeira ocasião, vieram reclamar publicamente a entrega da mercadoria comprada e prometida. A primeira medida que se reconhece a este novo presidente da Liga é a tentativa de mudar as regras a meio do jogo, fazendo com que a verdade desportiva saia moribunda de um lodaçal em que já é ferida sucessivamente. Ou seja, o novo presidente da Liga apresentou-se aos adeptos com uma mensagem ‘interessante’: em prol da vitória ajusta-se o conceito de verdade à mentira de circunstância.

 

Objectivamente, há trinta anos que vemos a essa manipulação da verdade no futebol português, mas ainda não a tínhamos visto como promessa eleitoral.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 24de Janeiro e publicado na edição de 27/01/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 26.01.12

Apoiar por fora, para ganhar lá dentro

Esta ideia de apoiar por fora [http://apoiamosporfora.blogspot.com/2012/01/ideia.html] é, se houver união e capacidade de olhar para além do imediato, uma boa medida para nos ajudar a ganhar lá dentro. Dentro do campo, dentro dos campos minados que vão matando a verdade desportiva no futebol português.

 

por Pedro F. Ferreira às 11:11 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Quarta-feira, 25.01.12

25 de Janeiro

 

Em 1942 nasce Eusébio. Em 2004 morre Fehér.

 

Um e outro tornam-se símbolos do Benfica. Eusébio acrescenta glória ao Benfica, ajuda a dar-lhe nome internacional e transforma-se, após José Maria Nicolau, no novo aglutinador de vontades benfiquistas. Eusébio trouxe uma nova vida ao Benfica. Fehér morreu após sorrir, com o nosso símbolo ao peito, em jogo, no campo, ajudando à conquista de mais uma vitória, debaixo de chuva.

 

Festeja-se hoje a vida de um e lembra-se, com saudade, a vida do outro.

 

Que os seus exemplos sirvam para ajudar a unir os benfiquistas em torno do Benfica.

por Pedro F. Ferreira às 00:50 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sexta-feira, 20.01.12

Direitos televisivos

Num momento em que o Benfica domina o campeonato, o nosso Estádio enche e se perspectivam tempos de algum apaziguamento, há um assunto que nos tem preocupado nestes, aparentemente, plácidos tempos de benfiquismo: a anunciada renegociação dos direitos televisivos.

 

Há quem defenda que se deve fazer o melhor negócio possível, independentemente do interlocutor da negociação; há quem defenda que nem se deveria levantar a possibilidade de renegociar com a Olivedesportos; há quem defenda que a Benfica TV, com outro enquadramento, é a melhor solução; há quem defenda que se está a precipitar o tempo da decisão relativamente a este assunto… O tema está longe de ser pacífico e, no meio de tudo isto, surge uma nova personagem na presidência da Liga que defende e promete, demagogicamente e servindo interesses que não me parecem os do Benfica, a negociação colectiva dos ditos direitos.

 

A informação acerca do assunto é quase diária e nem sempre é credível. Há muito ruído e pouco esclarecimento. Deste modo, defendo que, neste momento, Luís Filipe Vieira deverá encontrar uma solução que permita, dentro da família benfiquista, discutir a situação, esclarecer os sócios acerca das suas intenções e ficar esclarecido acerca das intenções dos associados.

 

Nem sempre as emoções das massas são o melhor conselheiro na condução racional dos negócios do nosso Clube. Ainda assim, o assunto em apreço é de tal ordem sensível que uma decisão tomada apenas na solidão de um gabinete e indiferente à vontade dos sócios pode colocar em causa a própria decisão.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 17 de Janeiro e publicado na edição de 20/01/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 17.01.12

Enzo

Assim, de repente, lembro-me do falecido Enzo Bearzot, grande futebolista e treinador da azzurra desde 1975 até 1986. Campeão do Mundo em 82 e sempre com aquela imagem de malandro com o seu inseparável cachimbo.

 

Além desse, recordo o Enzo Francescoli, o uruguaio que se transformou em símbolo do River e sinónimo de classe e elegância como futebolista.

 

Falam-me num outro Enzo, um tal de Pérez, um que se julga enorme, mas que é muito pequeno perante a dimensão do nome que carrega. Pode ser que um dia…

por Pedro F. Ferreira às 11:04 | link do post | comentar | ver comentários (14)

Nomeação [ou qualquer coisa] para blog do ano...

 

Na opinião da malta do Aventar, a Tertúlia Benfiquista merece uma nomeação para blog desportivo (espaço para gargalhadas) do ano. Muito obrigado pela nomeação e quem quiser votar pode fazê-lo neste link (Blogs do ano 2011).

Votem num blog benfiquista, sff.

 

[afinal parece que não foi uma nomeação, foi algum leitor - que eu saiba não foi nenhum dos escribas - que inscreveu a Tertúlia naquilo]

por Pedro F. Ferreira às 10:22 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 13.01.12

O Silêncio

António Oliveira disse e repetiu, para que não houvesse dúvidas, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol é um títere que tem como função servir os interesses de uma empresa privada, a Olivedesportos. Disse que o anterior presidente também cumpria diligentemente esse trabalho e que o mesmo acontece na Liga de Clubes. Disse que ninguém é eleito para esse cargo sem o beneplácito do seu irmão e sócio maioritário da Olivedesportos.

 

Disse-o convictamente, num canal público de televisão, disse-o sem gaguejar e repetiu-o. A personagem que o disse é antigo sócio da dita empresa. Em seguida ficou o silêncio. Um silêncio quase total por parte da comunicação social. Um silêncio total dos visados. Um silêncio absoluto do poder político. Um silêncio que procura apenas uma coisa: o esquecimento, para que se possa perpetuar a mentira e a farsa em que se foi transformando isto. Os dias passam e toda a gente finge que nada se passou. Com que cara, com que legitimidade, com que dignidade alguém pode dirigir uma instituição quando sobre ele está lançada a acusação séria de que há quem mande em quem finge mandar? A cara com que esta gente se apresenta aos clubes e seus dirigentes por todos é conhecida. Mas com que cara é que esta gente se pretende apresentar perante os adeptos? Como é que ainda há quem ouse pensar que com o seu silêncio se pode limpar a nódoa em que se transformou o dirigismo desportivo em Portugal? No silêncio de todos está a conivência com a vergonha. No silêncio de todos está bem à vista a etiqueta e o respectivo preço. Não é o futebol português que está à venda, são os seus agentes que se venderam. É a vergonha que ficou penhorada algures por Penafiel.

 

Lamento, mas não pode haver silêncio quando se impõe um grito de indignação justa.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 10 de Janeiro e publicado na edição de 13/01/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Domingo, 08.01.12

As declarações de António Oliveira

As declarações de António Oliveira, feitas ontem na RTP Informação, não acrescentam nem retiram absolutamente nada à credibilidade e autoridade que lhe reconheço, ou seja, quase nenhuma. Independentemente disso, ontem proferiu declarações demasiado polémicas para poderem ser ignoradas.

 

No seu discurso, aludiu, num aparte, à falta de seriedade no “sorteio” dos jogos da Taça de Portugal, reconheceu a superioridade do Benfica relativamente ao Porto e ao Sporting e confirmou que a Olivedesportos tem na mão os dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga. Mais disse: que quem controla as entidades que superintendem o futebol em Portugal são controladas e condicionadas pela Olivedesportos.

 

Isto obriga a que, e mais uma vez o escrevo e digo, o presidente do Benfica repense toda a estratégia de apoio a personagens como Fernando Gomes e a reaproximação, mais ou menos velada, a entidades como a Olivedesportos. Repito: acompanhar e apoiar este tipo de personagens é uma prática que, enquanto benfiquista, considero reprovável.

 

Além disso, obriga o poder político a intervir, pois urge que seja feito um inquérito que demonstre se o poder da Olivedesportos inquina ou não a validade de entidades que, para terem o estatuto de utilidade pública, não podem estar ao serviço de dúbios interesses privados.

 

[link]

por Pedro F. Ferreira às 13:50 | link do post | comentar | ver comentários (22)
Sábado, 07.01.12

Uma imitação de clube

Quando inauguraram um fosso rodeado de bancadas e uma epécie de relvado, chamaram-lhe estádio e pintaram cadeiras às cores para fingir a presença de público. Uns anos depois, pintaram de verde a areia e os tufos de erva para imitar relva...

 

Esta malta diverte-me.

por Pedro F. Ferreira às 23:55 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Sexta-feira, 06.01.12

É isto

É simbologia nazi, é o exercício da violência e da intimidação a serem assumidos como política oficial e imagem de marca. É o Sporting.

 

 

 

«Adeptos das claques em poses agressivas, desafiando os seguranças. Outros de cara tapada e com tochas na mão. Outro numa pose que sugere uma saudação fascista. Outro ainda com um tatuagem com a cruz de ferro, um símbolo que, não sendo exclusivo do nazismo, está muito associado a movimentos da extrema-direita. Foram estas as imagens que o Sporting colocou, nesta época, no corredor que dá acesso aos balneários da equipa visitante, no Estádio de Alvalade — um caminho que tem de ser percorrido pelos jogadores visitantes para se equiparem e depois no caminho de ida e regresso do relvado.» [link]

 

in

 

Público Sexta-Feira 06/01/2012

 

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E a saga continua... [link]

por Pedro F. Ferreira às 10:51 | link do post | comentar | ver comentários (27)

Exemplos

O ano começou com uma boa notícia para o benfiquismo: Saviola renovou o contrato com o Benfica.

 

Independentemente da melhor ou pior forma que este argentino atravesse, a sua supina qualidade é inquestionável. O pior Saviola é melhor do que a esmagadora maioria dessa cinzenta mediania de caceteiros esforçados que se arrastam pela maioria dos nossos relvados. O melhor Saviola é arte e inteligência em campo. Com Saviola em campo, os colegas percebem que tudo se pode tornar mais fácil, que aquele espaço entre os defesas e o guarda-redes passa a ser uma probabilidade quando muitas vezes parece uma impossibilidade.

 

Saviola e Aimar são, por mais que custe a muitos dos teóricos do nosso futebol, os únicos futebolistas no futebol português que têm uma dimensão verdadeiramente mundial. E, para exemplo de muitos colegas de profissão que têm uma dimensão meramente mediana, demonstram publicamente uma humildade que apenas os engrandece. Saber que Saviola renovou é sinónimo de que os que são verdadeiramente grandes sabem estar ao serviço dos clubes ainda maiores.

 

Em sentido contrário, ficamos a saber que Ruben Amorim se sente incomodado no Benfica. Não conheço os motivos que levam a que um benfiquista que tudo teve para se vir a tornar um símbolo, um capitão, uma referência, aparentemente queira sair. Ainda assim, nós, adeptos, vamos sentindo e fazendo sentir na bancada que nos identificamos com aqueles que se identificam connosco e não com os que viram as costas ao Clube.

 

Ficam os exemplos e a certeza de que há quem saiba reconhecer o bem que tem e outros que insistem em não perceber que estão bem. Ficam os exemplos dos que ficam na memória e dos que caminham para o esquecimento.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 03 de Janeiro e publicado na edição de 06/01/2012 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 30.12.11

O da Joana

Passou quase despercebido, não foi capa de jornal nem deu direito a finas ironias, mas um dirigente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, no intervalo de um jogo do seu clube, abordou o árbitro Artur Soares Dias. Este ter-se-á sentido de tal maneira incomodado com a peculiaridade da abordagem que, alegadamente, mandou um agente da PSP identificar o referido dirigente. Ou seja, a pedido de um árbitro, um dirigente do Sporting foi identificado por um polícia.

 

Este dirigente é o mesmo que recentemente, qual anão de saltos altos, se imaginou à altura do nosso Benfica e tentou, com declarações vergonhosas, achincalhar o nosso clube. O melhor que conseguiu foi “apenas” contribuir para que um grupelho de bandalhos arruaceiros incendiasse umas cadeiras da bancada onde haviam estado instalados para verem mais uma derrota do clube deles.

 

Ao ter conhecimento do comportamento do dito Cristóvão e da alegada identificação de que foi alvo, perguntei-me se algum dirigente do Sporting viria para a imprensa ameaçar Artur Soares Dias com uma gravação da referida conversa. O que se sabe é que a abordagem foi feita e que Artur Soares Dias não terá ficado nada agradado com a mesma. Felizmente para a saúde do árbitro não houve nenhum tropeção na escadaria de acesso aos balneários e pôde arbitrar a segunda parte do jogo…

 

Quanto ao senhor Cristóvão, já teve tempo e oportunidades de sobra para perceber que nem tudo é legítimo apenas porque um grupo de imbecis lhe legitima as atitudes com palmadinhas nas costas. Ou seja, já é tempo de o senhor Paulo Pereira Cristóvão perceber que, como diz o povo, “isto não é o da Joana”.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Dezembroe publicado na edição de 30/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 23.12.11

Que descanses em paz, João Gomes.

[Faleceu João Gomes, presidente da Casa do Benfica em Coimbra]

 

 

Morreu o João Gomes, grande benfiquista. Conheci-o há uns anos, veio ter comigo falando apaixonadamente do seu benfiquismo. Percebia-se que fazia do benfiquismo uma missão de vida. Mais tarde, noutros encontros, deu-me conta da quantidade de actividades em que se empenhava para divulgar e defender o Benfica e o benfiquismo. Pude testemunhar alguns momentos em que o vi abdicar do seu tempo para dar tempo de si ao Benfica. Vi, ainda que a alguma distância, o seu empenho e militância na liderança da Casa do Benfica em Coimbra. Falei com ele, pessoalmente, pela última vez no dia 28 de Fevereiro deste maldito ano que teima em não querer terminar, no dia em que festejámos mais um ano de vida do nosso Benfica.

 

Morreu hoje, demasiado cedo, demasiado jovem.

 

Deixo aqui os meus (nossos) sinceros sentimentos à sua família.

por Pedro F. Ferreira às 22:37 | link do post | comentar | ver comentários (10)

Futebol de rua

Noite de sexta-feira, Estádio da Luz, durante a partida Benfica-Rio Ave, minuto 36. Nolito recebe a bola, caminha para a área – passa a bola, penso eu. Ultrapassa o primeiro adversário, caminha para a linha de fundo – passa a bola, penso eu. Enfia-se literalmente na linha de fundo, passa o segundo adversário, fica sem ângulo para marcar, aparentemente perde a noção do tempo e do espaço. Dali é impossível marcar, a física e a geometria provam-no – passa a bola, grito eu da bancada. Golo. Todo o Estádio festeja o golo e a decisão do Nolito de não ter passado a bola. Nolito enfiara-se numa cabine telefónica, fintou dois defesas, iludiu o guarda-redes e saiu pela porta.

 

Festejava-se o futebol irreverente, o futebol de rua, o futebol em que o puto malandro se entretém a provar que isso dos impossíveis é preocupação de adultos cinzentos com medo da ousadia. O Nolito é essencialmente isto: o miúdo feito homem que se diverte no mundo profissional com a mesma ‘reguilice’ com que um puto enfrenta a baliza demarcada por duas mochilas da escola. Para trás ficam os aborrecimentos de quem pensa o futebol parametrizado em “basculações”, “transições ofensivas e defensivas” e “movimentos de rotura”. Ali, em Nolito, o futebol é um espaço que existe em função da localização da baliza. O tempo mede-se em adversários que têm de ser ultrapassados até chegar à baliza. O modo vive-se pelo gozo do momento. O resto são meros aborrecimentos de gente grande que se esqueceu de que a génese do futebol é a rua.

 

Feito o golo e festejado o momento, levanta-se a questão: como conciliar a irreverência do futebol de rua com as obrigações do futebol profissional? Haverá lugar para ‘Garrinchas’ no futebol actual? Verdadeiramente preocupante é tentar perceber que futebol é este em que se questiona se há nele lugar para os que acreditam que se podem marcar golos impossíveis.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 20 de Dezembroe publicado na edição de 23/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 09.12.11

Dormir na ocasião

Ao ver a desonrosa eliminação do nosso Benfica da Taça de Portugal, recordava-me das palavras de Padre António Vieira no “Sermão de Santo António aos Peixes”.

 

Em 1654, o ilustre pensador lusitano, referindo-se aos peixes roncadores, e criticando a soberba dos mesmos, dizia que “O muito roncar antes da ocasião, é sinal de dormir nela”. Nesta simples frase lá ia explicando o nosso grande orador que não é digno dos grandes falar antes da ocasião, pois corre-se o risco de ser a ocasião a ultrapassá-los.

 

Antes da eliminação frente ao Marítimo, foi um corre-corre de encómios e louvores: os resultados frente ao Manchester e ao Sporting deram azo a que as manchetes fossem feitas com as referências à sequência de vinte e tal jogos invictos. De repente, vi entrevistas exclusivas de futebolistas nossos a jornais desportivos e até a jornais que sobrevivem às custas de mentiras torpes sobre o nosso Benfica. As conferências de imprensa dividiram-se entre o auto-elogio e a tal estatística da invencibilidade… ou seja, roncou-se muito antes da ocasião. Resultado: dormiu-se nela. Foi-se a invencibilidade, foi-se a Taça de Portugal, espero sinceramente que se tenha ido, definitivamente, a falta de humildade no discurso. E, além da falta de muitas outras coisas – desde a sorte a alguns habituais titulares – a humildade foi o que de mais deficitário o nosso Benfica teve naquele Estádio dos Barreiros.

 

De uma derrota só tira algo de positivo quem tem a capacidade de perceber os erros próprios como uma lição, uma aprendizagem. Quero acreditar que todos, sem excepção, a tenhamos aprendido.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 05 de Dezembroe publicado na edição de 09/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 02.12.11

Responsabilidades

No passado fim-de-semana, após mais uma derrota do seu clube frente ao Benfica, alguns adeptos do Sporting incendiaram propositada e premeditadamente uma bancada do Estádio da Luz.

 

Antes disso, um vice-presidente do Sporting acicatou ânimos, insultou o Benfica e chegou a dizer, entre outas alarvidades, que a Direcção do Sporting se recusava a frequentar lugares como o camarote presidencial da Luz e camarotes adjacentes.

 

Após o criminoso acto pirómano dos seus adeptos, não há sportinguista com voz na comunicação social e responsabilidades no clube que não tenha vindo alijar responsabilidades próprias, fazendo piruetas com a coluna vertebral, para desresponsabilizar os responsáveis materiais do crime. Desta forma, acabam todos por ficar, moralmente, no patamar indecoroso dos criminosos que perpetraram o crime. Assim, há um grupelho de vândalos que vê os seus actos cobardemente protegidos pela desresponsabilização, escondendo-se por trás do grupo e de uma vergonhosa cultura de impunidade.

 

No mesmo fim-de-semana, mas numa outra latitude, um jornalista da TVI alega ter sido agredido e insultado na presença, e com a aquiescência, do presidente de um clube que prima pelas boas práticas exemplificadas nas escutas do processo “Apito Dourado”.

 

Neste reino pantanoso da irresponsabilidade, o absurdo não tem limites e, às tantas, ainda veremos as canetas de aluguer do costume a afirmar que as galhetas que o tal jornalista apanhou lá para as bandas do Freixo se deveram a uma rede no Estádio da Luz.

 

O Presidente da Liga assiste a tudo isto com a desresponsabilização do silêncio. E neste silêncio reside a mais fina ironia de tudo isto…

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 29 de Novembro e publicado na edição de 02/12/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 25.11.11

Old Trafford

Não fui ver o Benfica a Old Trafford. O Benfica não ganhou em Old Trafford. Ouvi o Benfica desde Old Trafford. O Benfica ganhou Old Trafford.

 

Eu sei que estava lá o Aimar e o Luisão, o Artur e o Javi, o Jorge Jesus e o Pietra, mas o Benfica que ganhou Old Trafford foi um Benfica de adeptos, sócios, simpatizantes, portugueses e benfiquistas. Foi um Benfica nascido na vontade e expressado na voz e na emoção de quem gritou a alma benfiquista durante mais de noventa minutos. Foi o Benfica de quem não renova contratos, pois assinou no benfiquismo um compromisso para a vida, um compromisso incondicional e intemporal. O Benfica que ganhou Old Trafford foi o Benfica de três mil vozes que deram voz a milhões de vontades. No Benfica que venceu Old Trafford estava a eficácia de Rogério Pipi, a elegância de José Águas, o magnetismo de Coluna, a rapidez de Simões, a abnegação de Toni, a determinação de Bento, o génio de Chalana, o benfiquismo de Rui Costa, a magia de Aimar… Mais do que tudo, estavam também as lágrimas do benfiquista desconhecido a quem me abracei no Bessa, no jogo do título no ano de Trapattoni; o sofrimento do benfiquista de pelo menos sete décadas que se senta atrás de mim no Estádio da Luz e que, sempre em silêncio, festeja os golos do Benfica apertando as mãos (fundindo as mãos) como se naquele aperto estivesse a capacidade de transformar o caos em cosmos. No Benfica que venceu Old Trafford estavam os sorrisos, as lágrimas, os abraços, os impropérios, as injustiças, as esperanças de todos os que sabem que, se não fossem benfiquistas, não seriam as pessoas que vieram a ser.

 

Dizem os jornais que o Benfica empatou em Old Trafford. Mentira, o Benfica ganhou Old Trafford, porque, durante mais de noventa minutos, o que se ouvia era a voz do Benfica cantando bem alto o nome do Glorioso. O resto foi um teatro de sonhos a silenciar-se perante a voz do Benfica, a nossa voz.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 22 de Novembro e publicado na edição de 25/11/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 18.11.11

O lamaçal

A Selecção da Federação Portuguesa de Futebol foi obrigada a jogar num campo de futebol bósnio que tinha um relvado num estado miserável e, para o piorar, os malvados bósnios até ousaram regar os poucos tufos de relva antes do jogo.

 

Não houve alma ligada ao futebol luso que não se tivesse indignado. Todos foram profícuos na adjectivação da situação: vergonhoso, ultrajante, inaceitável… Todos, sem excepção, condenaram o crime de lesa futebol, lesa verdade desportiva e lesa virilidade lusitana que os bósnios perpetraram. Houve jornalistas e opinadores que se revoltaram contra o facto de a Direcção da FPF se revoltar apenas nas entrevistas e não se revoltar formalmente, em documento próprio e enviado à UEFA, FIFA, ONU e Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O Madaíl, antes que os indignados o atolassem no lamaçal bósnio, lá preencheu a papelada e, formalmente, lavrou protesto. Os indignados suspiraram de alívio e o Madaíl também. Jogaram, mas jogaram sob protesto. Foi comovente ver tamanha indignação, tamanha revolta e tamanha luta pela dignidade que deve ser inerente a qualquer partida de futebol.

 

Assim, percebemos todos que um ervado mal semeado e abundantemente regado é, obviamente, algo de inaceitável para quem manda no futebol português e para os jornalistas desportivos lusos. Pelo contrário, apedrejar selvaticamente um autocarro com os futebolistas lá dentro, obrigar a equipa adversária a equipar-se fora do balneário, agredir os jogadores adversários com bolas de golfe durante os jogos, interromper sucessivamente um jogo com apagões de luz, receber árbitros no domicílio na antevéspera de um jogo, oferecer prostituas a árbitros depois dos jogos ou aliciar futebolistas adversários com futuros contratos… são práticas consideradas normais.

 

Abençoado futebol bósnio.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 12 de Novembro e publicado na edição de 18/11/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 17.11.11

Carlos Martins

O caminho é difícil. Que Deus te dê forças e à tua família.

 

 

por Pedro F. Ferreira às 00:53 | link do post
Sexta-feira, 11.11.11

Coisas estranhas

Antes do início do jogo, o treinador do nosso Benfica pediu apenas que, desta vez, em Braga, não ocorressem “coisas estranhas”.

 

Findo o jogo, constatámos que todo ele foi feito, mais uma vez, de coisas estranhas. Estranhamente faltou a luz por três vezes, durante a primeira parte do jogo. A EDP terá declinado responsabilidades, quem tem responsabilidades em organizar o jogo diz que é alheia a qualquer responsabilidade, o presidente da Liga de clubes demite-se de responsabilidades e de apurar responsáveis – nada de novo, vindo de quem vem – e o próprio Braga, num comunicado que poderia fazer parte do anedotário nacional, ainda acaba por ameaçar quem ousar questionar as suas hipotéticas responsabilidades no sucedido. Pela minha parte, quando as coisas são estranhas, questiono e não é com ameaças mais ou menos veladas que deixarei de as questionar. As coisas estranhas começam a acontecer com uma tal recorrência naquele estádio, aquando das visitas do nosso Benfica, que seria cegueira não as questionar.

 

Por falar em cegueira, pergunto-me o que terá levado o árbitro do jogo, o inefável Proença, a não querer ver uma grande penalidade sobre Luisão, uma agressão de Djamal a Gaitan, uma entrada violentíssima de Alan sobre Javi Garcia e a querer ver uma muito discutível grande penalidade do Emerson. Não incluo a exibição do senhor Proença no rol das coisas estranhas, pois a sua carreira habituou-nos a decisões deste teor, sempre extremamente criteriosas, que fazem dele um digno sucessor de árbitros da estirpe de Jorge Coroado ou Fortunato Azevedo.

 

Para finalizar, deixo ainda uma palavra a Alan e à sua indignação perante as palavras que, supostamente, Javi Garcia lhe teria dedicado. Alan habituou-nos a duas coisas: a enganar, através da simulação de agressões, a verdade desportiva; e a obedecer, de forma solícita, às orientações que lhe são dadas pelos seus superiores. Logo, não estranho as suas declarações, estranho o crédito que alguns lhe dão.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 08 de Novembro e publicado na edição de 11/11/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 04.11.11

Jogo decisivo

Neste próximo fim de semana o nosso Benfica vai jogar a Braga, cidade de grande implementação de benfiquismo.

 

Tradicionalmente, os jogos contra o Sporting de Braga, em Braga, eram jogos difíceis, disputados galhardamente, mas sempre extremamente leais e com respeito mútuo entre atletas e adeptos. Recentemente, fruto de uma tentativa de descaracterização dos pergaminhos do clube minhoto, as deslocações a Braga transformaram-se em vergonhosas demonstrações de violência, intolerância, provocações várias, frases incendiárias proferidas pelo ‘speaker’ de serviço e uma agressividade inaudita por parte dos atletas bracarenses. Tudo isto nas barbas dos dirigentes da Liga, tudo isto numa impunidade espúria, tudo isto fruto de uma cultura alheia que tem parasitado o ilustre clube minhoto.

 

É contra tudo isto que o Benfica tem de jogar e é a tudo isto que temos de ganhar. A vitória nestas partidas com o Braga, fora e em casa, é determinante para o futuro do campeonato. Apesar dos bons resultados desportivos da história recente do Braga, é minha convicção de que ainda não são candidatos ao título de campeão. Da mesma forma, é também minha convicção de que aquele, de entre os candidatos a campeão, que menos pontos perder nos jogos contra o Braga é o que estará mais próximo de alcançar o título.

 

Assim, este próximo jogo, que marca o final do primeiro terço do campeonato, assume um carácter decisivo, ainda que não definitivo. É neste tipo de jogos que se demonstra quem tem mais vontade de vencer, quem tem menos receio de se sacrificar em prol da equipa, quem tem a crença nas suas forças e encontra motivação na adversidade. Acredito nos nossos.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 01 de Novembro e publicado na edição de 04/11/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sábado, 29.10.11

Vale o que vale...

Para muitos até convém que não valha nada, mas, com a vitória de hoje sobre o Olhanense, o Benfica consegue o melhor começo de temporada das últimas duas décadas. O resto é conversa.

por Pedro F. Ferreira às 22:35 | link do post | comentar | ver comentários (43)
Sexta-feira, 28.10.11

Onda vermelha

O Benfica foi jogar e ganhar a Aveiro. Mais de vinte mil benfiquistas nas bancadas ajudaram a trazer vida a um estádio novo e já decrépito, fruto de um investimento mal pensado aquando do Euro 2004, e com uma decrepitude resultante de uma gestão de merceeiro que não permite uma manutenção minimamente digna. Vinte mil benfiquistas serviram de bodo ao Beira-Mar, da mesma forma que vão servindo de bodo a tudo quanto é clube espalhado por este Portugal de mão estendida em busca de esmola.

 

A chico-espertice de uns quantos dirigentes associada a uma vergonhosa falta de eficaz regulação dos preços dos bilhetes leva a que se aproveitem despudoradamente dos benfiquistas a cada deslocação do nosso clube a casa alheia. Vemos, ano após ano, clubes a subsistirem desportivamente num beija-mão subserviente a um dono alheio que vai satelitizando e parasitando clubes com treinadores, jogadores e até dirigentes e outros homens de trazer no bolso. E vemos que esses mesmos clubes subsistem financeiramente em grande parte graças à receita que conseguem aquando da visita do Benfica.

 

Na presente época, devido aos bons resultados da equipa, começamos a ver crescer essa onda vermelha que acompanha a nossa equipa para todo o lado. A onda que recentemente mostrou em Basileia como é que, jogando fora na Champions, acabávamos por ter um apoio superior aos da casa é a mesma que em Aveiro demonstrou um apoio massivo e inequívoco à equipa. Desta onda fazem parte os três mil que se deslocaram recentemente, a meio da tarde, ao Estádio da Luz para ver um… treino.

 

Esta onda vermelha de crença e benfiquismo merece uma equipa vencedora e profissionais dignos e empenhados, mas merece também que quem regula o futebol em Portugal saiba tratar com respeito os que, pela sua presença nos estádios, garantem a subsistência do futebol em Portugal. Infelizmente, nem a Liga nem a Federação nos têm respeitado.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 25 de Outubro e publicado na edição de 28/10/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 25.10.11

Eleições para a FPF

Na quinta-feira da semana passada, almoçando com 3 ilustres benfiquistas, sendo um deles um verdadeiro expert – talvez mesmo o benfiquista que melhor conhece a FPF – em assuntos respeitantes à Federação Portuguesa de Futebol, alguém garantia que, se nos próximos dias Fernando Seara surgisse na lista de Carlos Marta, seria um sinal muito forte de que Fernando Gomes não ganharia as eleições para a FPF.

Demorou menos de 24 horas a surgir o dito apoio de Fernando Seara e demorou muito menos para que se instalasse o pânico na candidatura de Fernando Gomes.

Entre um Fernando Gomes em quem não confio e um Carlos Marta alavancado por Lourenço Pinto... venha o diabo e escolha. Ou seja, escolher-se-á  a frigideira ou o lume, sendo que, aparentemente, em qualquer dos casos, Benfica e Sporting já foram comidos.

por Pedro F. Ferreira às 10:09 | link do post | comentar | ver comentários (38)
Sexta-feira, 21.10.11

A Catedral da Luz

Para a semana, celebrar-se-á mais um aniversário do nosso estádio. 25 de Outubro de 2003 foi a data de inauguração do actual ninho das águias, oficialmente denominado como Estádio do Sport Lisboa e Benfica. No entanto, é popularmente chamado como ‘Estádio da Luz’ e é apaixonadamente denominado como ‘A Catedral’.

 

Luz, Catedral… as amarras do nome oficial são quebradas pela identificação nominalista da universal família benfiquista. Assim, toda a nomeação é uma espécie de sacralização de um espaço profano, uma sacralização de origem profana, de simbólica profana, mas de linguagem sagrada. A mesma linguagem que nos leva a dizer que a camisola do Benfica é o ‘manto sagrado’ ou que o Benfica é o único clube que não permite a utilização da expressão ‘velhas glórias’, pois os que são denominados como ‘glória’ do clube jamais envelhecem na memória colectiva do benfiquismo.

 

Deste modo, temos a sacralização do espaço, do tempo, do símbolo e dos que, de entre todos, melhor o serviram. Olhar para a nossa Catedral, com todos os adeptos, os fiéis, ritualmente levantados durante a audição do “Ser Benfiquista” (para quando o regresso do nosso hino, “Avante, Avante p’lo Benfica”, ao nosso estádio?), levantando o cachecol antes de o recolocar, qual estola, em ombros, enquanto se espera a vénia dos nossos futebolistas aos adeptos tem algo de litúrgico. É a junção do ritual ao tempo, ao espaço e ao modo.

 

Compreende-se que vulgarmente se diga que o Benfica é uma religião. Objectivamente, não é. No entanto, sentimos que uma ida à nossa Catedral, à nossa casa, é mais do que uma viagem – é mais do que meramente passar por cima de uma experiência – é, essencialmente, uma forma profana de peregrinação. Ou seja, ir à nossa Catedral é viver uma experiência de crença no benfiquismo, de partilha de uma ideia de clube e de comunhão de uma vontade comum.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 18 de Outubro e publicado na edição de 21/10/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 14.10.11

A arte na ciência

A expressão não fez parangonas, não deu para grandes comentários, nem deu azo a que os pasquineiros tentassem criar uma crise artificial no seio do Benfica. A expressão era simples, Jorge Jesus disse que Aimar tinha a capacidade de transformar, no futebol, a ciência em arte.

 

Esta capacidade referida por Jorge Jesus vai ao encontro da ideia do professor Manuel Sérgio de que não há ciência sem imaginação. Ou seja, para que a sublimação se verifique é necessário esse arrojo de transformar os postulados científicos em algo que os transcenda: em arte. Interpretar dinamicamente os conceitos e os princípios de jogo defendidos por um treinador não está ao alcance de qualquer futebolista. Acrescentar, com qualidade, a essa dinâmica a tal imaginação está apenas ao alcance dos predestinados.

 

Temos, ao longo dos anos e mesmo após a geração de Eusébio, tido a felicidade de ver com o nosso emblema alguns desses predestinados. Chalana acima de todos, porque era o mais desconcertante, o mais imprevisível, o que conseguia, pela técnica e velocidade de execução, desequilibrar o adversário, empolgar a sua equipa e maravilhar plateias. Conheço muitos que, não sendo benfiquistas, iam à Luz para apreciar a arte de Chalana.

 

Actualmente é Aimar quem melhor sublima o futebol no nosso Benfica. Estranhamente, não tem o perfil dos que costumam empolgar as plateias. Não corre desenfreadamente pelas alas, não finta sucessivamente adversários, não surge com aquela irreverência de quem rejeita amarras tácticas e cria arte como solista. Não, o futebol em Aimar é arte na medida em que tem a imaginação para obrigar a que todos os que o rodeiam joguem com mais arte do que a que pensavam ter. Ou seja, Aimar tem a arte de potenciar a arte nos companheiros de equipa. E isto é uma ciência que poucos têm.

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 11 de Outubro e publicado na edição de 14/10/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 07.10.11

Comunicação

Engana-se todo o que olha para o futebol e o considera essencialmente como uma actividade física. O futebol é antes de qualquer outra coisa uma actividade humana.

 

Nesta perspectiva percebe-se a importância da comunicação no desempenho do futebolista, da equipa, do clube. Perceber qual o tempo e o modo da mensagem é, quase sempre, tão importante como a própria mensagem. É impensável ter uma equipa onde não há uma cumplicidade entre os seus membros. É impensável a cumplicidade numa liderança equívoca ou que comunica numa polifonia de vozes contraditórias.

 

Muitos não sabem, mas o último título de campeão vencido pelo Benfica foi alicerçado também num esforço enorme de comunicação abrangente, envolvendo muitos benfiquistas e com uma definição clara de objectivos. Percebemos a mensagem, interpretámos correctamente o tempo e o modo, agimos em conformidade e, desde o futebolista sem lugar a titular até ao adepto de bancada, passando pelo treinador, dirigentes e diferentes meios de comunicação do grupo Benfica (sítio na internet, jornal, televisão, revista) toda a gente comunicou um benfiquismo feito de abdicação de interesses próprios em prol do interesse colectivo.

 

Desde o início desta época que noto com agrado um renovado esforço na comunicação, na tentativa de aglutinar o clube em torno de um rumo comunicacional. Concordando ou não, esse rumo está lá, existe e tem sido cumprido. Por vezes, o que o pode fazer desmoronar é a ausência de vitórias. Felizmente, estas têm surgido. Resta agora que saibamos todos, desde os técnicos ao atleta menos utilizado, passando pelos dirigentes, lidar com o tempo e o modo da comunicação em tempo de vitória.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 04 de Outubro e publicado na edição de 07/10/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quarta-feira, 05.10.11

Inequivocamente

"Inequivocamente", o apoio de Luís Filipe Vieira a Fernando Gomes é um tremendo equívoco. Como tal, repito, não subscrevo, não assino.

por Pedro F. Ferreira às 11:44 | link do post
Sexta-feira, 30.09.11

A banalidade

Banalmente, o Benfica empatou no estádio do FCP. Um empate é um resultado banal. O jogo foi banal. E nesta banalidade reside a novidade.

 

O facto de o Benfica ter ido jogar contra o FCP e ter acontecido apenas a banalidade de um jogo de futebol é algo de extraordinário. Não houve agressões gratuitas, não houve violência bárbara, não houve apedrejamento do autocarro dos nossos, não houve ameaças aos profissionais do nosso clube, não se criou um clima de terror, não se assistiu a espectáculos deprimentes dados por títeres de apito na boca e ninguém se lembrou de inocentemente incendiar o ambiente com ironia dita fina.

 

Tudo isto deveria ser referido, louvado e dado como a primeira explicação para que o Benfica pudesse sair do estádio do adversário com a ligeira vantagem de ter empatado no terreno do principal rival na luta pelo título. No entanto, e cito as palavras de Eça de Queirós, “Neste país, no meio desta prodigiosa imbecilidade nacional” o que serviu de tema para discussão foi (pasme-se!) um imaginado pontapé do Cardozo no rabo do Fucile. Pontapé que não existiu e que provocou em Fucile o acto reflexo de se queixar da cabeça antes de se lembrar que talvez fosse melhor queixar-se do traseiro. Sempre dava mais verosimilhança à encenação. Depois, foi um corre-corre de especialistas em física, cinética, balística e generalidades afins para provarem como a simples deslocação do ar junto à região glútea pode provocar dores imediatas na cabeça e, como tal, o malvado Cardozo deveria ter sido expulso por nunca ter agredido o Fucile.

 

Afinal, a banalidade manteve-se no pós-jogo. Por cá, já é banal fazer de um não existente pontapé no rabo um assunto de interesse nacional. Por outro lado, a corrupção no desporto, de tão banal, já nem é discutida. É, como tantos outros assuntos, convenientemente esquecida e diligentemente silenciada.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 27 de Setembro e publicado na edição de 30/09/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 20.09.11

Não subscrevo, não assino

Fernando Gomes, presidente da Liga de Clubes, anunciou a sua candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Diz-se (no momento em que escrevo este texto é apenas isso mesmo) que esta candidatura poderá ter o apoio da Direcção do Benfica.

 

Fernando Gomes está ligado ao maior escarro da história do futebol português. Surge numa posição pouco abonatória nas escutas do processo “Apito Dourado” e, após uma mal encenada divergência com o presidente do FCP, surgiu como candidato a presidente da Liga. Venceu, também com o apoio do Benfica, e o máximo que lhe ouvi foi um silêncio conivente com as “olegarices” que ajudaram a atirar com o Benfica para fora da luta pelo título nas primeiras jornadas da época passada. Silêncio que foi para mim compreensível, pois as ditas “olegarices” estavam em perfeita sintonia com as práticas do clube que fiel e servilmente serviu durante anos e com as quais sempre anuiu, como mostram as escutas no youtube.

 

A hipotética eleição desta personagem nem sequer faz justiça à máxima de Lampedusa, pois neste caso nada muda e tudo fica na mesma. Pior, num momento em que surgem notícias sobre a renegociação dos direitos televisivos por parte do Benfica (renegociação individual e com valores compatíveis com o real valor desses mesmos direitos), esta candidatura traz consigo uma visão contrária às pretensões do Benfica, defendendo uma negociação colectiva desses mesmos direitos, hipocritamente em nome de uma propalada maior justiça competitiva. Se este Fernando Gomes quer, realmente, uma maior justiça competitiva, deve começar por combater as práticas que continuam a medrar no mesmo edifício onde ficou conhecido como o “Nandinho das facturas”.

 

Acerca deste hipotético apoio do Benfica à candidatura de Fernando Gomes, repito as palavras do poeta Jorge de Sena, “Não, não, não subscrevo, não assino”.

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por Pedro F. Ferreira às 19:19 | link do post
Sexta-feira, 09.09.11

Das certezas inabaláveis

Terminou a época de transferências. Ao longo de dois longos meses, depositamos a esperança de que as contratações sejam reforços e não desilusões. Sofremos com a possibilidade de vermos alguns dos nossos futebolistas preferidos a mudar de ares e vamos desconfiando do discernimento de quem tem a responsabilidade de formar um plantel equilibrado e capaz.

 

Há uns três anos, levei uma das maiores lições de futebol de que me recordo. Habituado que estava a formar planteis em diferentes jogos de computador e em muitas conversas de café, lá parti eu, cheio de certezas alicerçadas no empirismo de quem nunca teve a responsabilidade de formar um plantel com futebolistas reais num mundo real, para uma conversa com uma das maiores glórias do futebol português e internacional, e que tinha como função concretizar a construção de um plantel para ser campeão. Em poucos minutos percebi que eu nada sabia do que era um plantel, de como se formava, dos pressupostos. Poucos minutos bastaram para perceber que a ignorância é ousada e que muitas (mas não todas) das críticas que se fazem ao trabalho dos profissionais se deve ao puro desconhecimento do que é a realidade. Nesse dia, antes daquela conversa, achava que aquele plantel estava desequilibrado e não oferecia grandes esperanças. Após a conversa, percebia a lógica e a coerência que estavam subjacentes à sua construção.

 

No entanto, continuava teimosamente convicto de que havia decisões muito erradas, particularmente na construção de todo o lado esquerdo da equipa. Lembro-me bem de que, nesse dia, critiquei desbragadamente a saída de Reyes, a decisão de manter Di Maria no plantel e a possibilidade de um dia vir a ter o Fábio Coentrão como defesa esquerdo…

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 06 de Setembro e publicado na edição de 09/09/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Sexta-feira, 02.09.11

A lista de Jesus

Foi hoje divulgada a lista de inscritos para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Há duas escolhas de Jorge Jesus que estão muito longe de ser consensuais.

 

A decisão de não incluir na lista o espanhol Capdevila não é pacífica, mas dou o benefício da dúvida a Jorge Jesus. Ele é que trabalha com Capdevila todos os dias, ele lá saberá se o espanhol está ou não interessado em trabalhar de acordo com as orientações do treinador. Ou seja, J.J. tinha de abdicar de um dos estrangeiros e abdicou de quem, neste momento, lhe dá menos garantias. Não seria a minha escolha, mas aceito que possa haver argumentos que a defendam e que o treinador não possa tornar públicos.

 

Por outro lado, a decisão de incluir na lista o César Peixoto é, para mim, incompreensível. Não está em causa a qualidade, ou falta dela, de Peixoto. Está em causa o passado recente em que soubemos que o futebolista teria recusado fazer parte do plantel, caso o treinador o tencionasse utilizar como defesa esquerdo. Esta atitude do futebolista só pode ter um destino: porta da rua é serventia da casa. O destino, aparentemente, seria este. No entanto, o referido auto-proscrito foi incluído na lista para a Champions e excluído da lista para o Campeonato Nacional. E isto, apesar do argumento da necessidade de ter mais um português para podermos inscrever mais futebolistas, é uma decisão que arrepia uma gestão desportiva de bom-senso. Após um arrumar da casa em que não foi necessário andar envolvido em transferências de última hora, esta decisão é preocupante, pois faz lembrar decisões tomadas em cima do joelho que me pareciam definitivamente arredadas do Clube. E isto ultrapassa o arbítrio do treinador, pois envolve todos os que, com ele, são co-responsáveis por esta decisão.

 

No meio de toda esta salgalhada dispensável e desnecessária com o defesa esquerdo, desejo muitas felicidades ao Luís Martins, caso tenhamos a necessidade de substituir o Emerson. Aliás, já vi grandes carreiras começarem, aproveitando ‘excentricidades’ destas.

por Pedro F. Ferreira às 19:13 | link do post | comentar | ver comentários (33)

Jaime Graça e os dribles da vida

Em 2008, escrevi o seguinte texto n'O Cromo dos Cromos:

 

 

O Jaime Graça foi um dos mais talentosos meio-campistas da sua geração. Irmão do Emídio Graça, recentemente aqui recordado, o Jaime levou a sua capacidade de drible para fora das quatro linhas: driblou a morte no famoso episódio do falecimento do Luciano (salvou-se a si, ao Eusébio e ao Malta da Silva) e driblou-a novamente no grave acidente de automóvel, em 1972. Continua ligado ao futebol e ao Benfica.

 

Hoje, desejo sinceramente que o nosso Jaime Graça consiga, mais uma vez, driblar a morte e que celebre mais um grande golo da vida.

 

[segundo um email que recebi, o Jaime Graça  está, no Hospital de S. José, a recuperar de uma cirurgia ao cérebro]

por Pedro F. Ferreira às 15:59 | link do post | comentar | ver comentários (8)

Ricardo Gomes

A notícia surgiu e, mais uma vez como em tantas outras ocasiões, obrigou-nos a reflectir. Ricardo Gomes apanhado à traição por um avc corria risco de vida.

 

No sítio do Benfica na internet (www.slbenfica.pt) surgiu o comunicado que fazia eco dos desejos de todos os benfiquistas. Nesse comunicado, Ricardo era considerado o “nosso” Ricardo. O que leva um futebolista a ser identificado com o sentir colectivo de milhões de adeptos do nosso Benfica? O que leva a que um futebolista, tanto tempo após ter terminado o seu percurso profissional no clube, possa ser considerado um dos nossos? Que relação emocional é esta com os adeptos de um clube (e com o clube) que ultrapassa contratos, cláusulas, adendas e outras minudências que transformam a paixão em razão?

 

Após os tempos de Humberto Coelho, Ricardo foi o melhor defesa-central que vi no Benfica. Jogava de cabeça levantada, comandava toda a defesa e liderava toda a equipa. Parecia jogar de smoking, tal era a classe do seu futebol. Impunha-se com a serenidade de quem sabe melhor do que os outros qual a melhor forma de ser eficaz. Vi-o como capitão de equipa do Benfica. Foi, salvo erro, o primeiro capitão de equipa do nosso clube que não tinha a nacionalidade portuguesa. Pela sua dimensão, essa “heresia” foi por todos encarada como uma virtude canónica. O Ricardo ultrapassava essa questão de ser português ou não. Para nós, o Ricardo era de nacionalidade benfiquista… mesmo quando envergava a braçadeira de capitão da canarinha.

 

Nos anos em que o vi com a camisola do Benfica senti (sentimos) que a sua presença ultrapassava o tempo do ‘agora’. O Ricardo é um dos nossos, essencialmente porque se distinguiu no Benfica como um grande Homem antes de ser um grande futebolista.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 30 de Agosto e publicado na edição de 02/09/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 01.09.11

'Dia de Benfica' - um novo blog

Eu e o autor do blog "Dia de Benfica" estamos pontual e saudavelmente em desacordo relativamente ao nosso Benfica (e lá vão uns telefonemas e uns jantares para compreendermos a razão do outro), mas é, sem dúvida, um dos benfiquistas com quem ainda me vai dando algum prazer discutir o Benfica. Anda há muito tempo pela blogosfera e, hoje, abriu um novo espaço: "Dia de Benfica".

por Pedro F. Ferreira às 19:58 | link do post
Sexta-feira, 26.08.11

Quem protege o jogo?

O que há de mais fascinante no jogo é a imprevisibilidade do desfecho. Não sendo aleatório, é sempre impossível de determinar. Na esperança que antecede todos os jogos reside o fascínio do jogo. Antes do início de um jogo acreditamos que um desfecho é uma possibilidade e nunca uma certeza. Essa incerteza é o que nos faz ter a paixão pelo futebol.

 

Agora, imaginemos que deixamos de acreditar na imprevisibilidade, deixamos de acreditar que o desfecho do jogo se encontra no final do mesmo e passamos a saber que o desfecho do jogo foi determinado antes do seu início. Deixará de ser um jogo, passará a ser um embuste. Quando isso acontecer, matar-se-á o jogo, acabar-se-á o futebol, porque se acaba a inocência de acreditar.

 

Actualmente, o jogo está seriamente ameaçado. Declan Hill, em 2008, publicou “The Fix”, uma excelente obra sobre a falta de verdade no futebol. Essa obra foi recentemente publicada em Portugal e titulada “Máfia no Futebol”. Aconselho a sua leitura, sabendo que, após essa leitura, perdemos o que nos restava de inocência, mas percebemos melhor o comportamento de árbitros, dirigentes e futebolistas. Compreendemos melhor o que leva um determinado treinador, num qualquer minuto 58, a substituir os dois futebolistas que melhor estavam a jogar; compreendemos por que motivo um treinador se vê obrigado a substituir um excelente guarda-redes, ao intervalo, com o medo que esse futebolista facilite na segunda parte; compreendemos como a prostituição é tão importante para poder chantagear quem tem o poder de decidir um jogo…Percebemos que nem os jogos das fases finais dos Campeonatos do Mundo estão a salvo de serem decididos antes de terem começado.

 

Mais do que tudo, percebemos que a protecção do jogo não está na competência das regras, das leis ou dos regulamentos, está na seriedade das pessoas.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 23 de Agosto e publicado na edição de 26/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 08:08 | link do post
Domingo, 21.08.11

Parabéns, miúdo, foste enorme.

 

Nélson Oliveira

por Pedro F. Ferreira às 04:29 | link do post
Sexta-feira, 19.08.11

De cócoras

Numa das escutas telefónicas que imortalizam a prestação do sr. Costa como dirigente desportivo, ouve-se o dito defender que Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, fica bem de cócoras.

 

De facto, os ‘vitores pereiras’ que andam há trinta anos pelo futebol português têm-se habituado a ter perante o sr. Costa essa atitude de fiel subserviência de quem abana o rabo na expectativa do osso. Só assim se percebe a nomeação de Olegário Benquerença para apitar o jogo do clube do sr. Costa frente ao Vitória de Guimarães. Já na época passada, este mesmo Olegário decidiu contribuir para a farsa de campeonato a que assistimos, ao ir àquele mesmo estádio prejudicar despudoradamente o nosso Benfica. Agora, foi lá prejudicar os da casa. Nos dois casos há uma constante: de cócoras, foi beneficiado o clube do sr. Costa. Para os mais saudosistas, dá para reviver os tempos de António Garrido, José Pratas, Martins dos Santos, Carlos Calheiros, José Guímaro, António Costa, Isidoro Rodrigues, Donato Ramos, Fortunato Azevedo e tantos outros ‘Coroados’ da vida.

 

No final, e afinal, está tudo como sempre esteve. E, de cócoras, a comunicação social subverte o primeiro dos seus propósitos, ou seja, silencia-se. Fá-lo de forma cobarde, conivente e hipócrita. No final da primeira jornada, todos – e bem – escreveram como o Benfica perdeu pontos por culpas e responsabilidades próprias; mas todos se esqueceram de referir que o clube do sr. Costa ganhou pontos à custa de ajudas alheias. E, assim, de cócoras e branqueando a voz do dono, ainda nos querem convencer de que as palavras de Falcao a pedir que o deixem sair é apenas uma brilhante estratégia urdida por quem nunca falha, nunca, nem quando o treinador lhe foge na véspera do começo da época…

 

Nesta imensa farsa, os únicos que nunca falham são os que, solícitos, ficam de cócoras perante o sr. Costa. Esses, realmente, há trinta anos que não lhe falham.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 16 de Agosto e publicado na edição de 19/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

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por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Quinta-feira, 18.08.11

22,5 = 40 = 45

 

o sr. Costa, exímio negociador, exímio estratega, exímio conselheiro matrimonial e exímio frequentador de lupanares, garantia que o Falcao só sairia por 45 milhões. Garantia e repetia a garantia.

 

o dito Falcao é envolvido num negócio de 45 milhões, 40 milhões pelo colombiano e 5 milhões pela Micaela. Ou seja, Falcao saiu por 22,5 milhões

 

a comunicação social que insulta o presidente do Benfica quando permite a saída de jogadores abaixo da cláusula de rescisão é a mesma que louva o excelente negócio feito pelo sr. Costa.

 

os lorpas comem a limpeza da imagem, comem o sabão com que a comunicação social limpa a imagem ao sr. Costa e ainda fazem bolhinhas com a boca. Continuem…

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atendendo à salgalhada que vai na caixa de comentários, adenda:

 

- Há pouco mais de uma semana, o sr. Costa repetiu "Ninguém sairá abaixo da cláusula".

 

- O Atlético de Madrid pagou por Falcao e Micaela 45 milhões. Pelos dois. As contas foram distribuídas em 40 + 5. Vai dar ao mesmo que 22,5 + 22,5 ou 30 + 15 ou 35 + 10... é indiferente. Nos cofres do fcp entram, por esses dois jogadores, 45 milhões. 45 milhões era a cláusula de um deles. A do outro era de 30 milhões. Objectivamente, o Atlético levou, por 45 milhões, dois futebolistas cujas cláusulas de rescisão somavam 75 milhões.

 

- Garantidamente, se esse negócio fosse feito pelo SLB teríamos a notícia dada como um fracasso negocial, pois tinham os dois saído por valores abaixo das cláusulas, com uma diferença de 30 milhões, depois do sr. Costa ter garantido que ninguém sairia abaixo da cláusula. Sempre que isso aconteceu no Benfica, gerou-se o Carnaval de que todos nos lembramos...

 

- Repito, se fosse um negócio do Benfica, sujar-se-ia a imagem do negócio e haveria muitos a emprenharem pelos ouvidos. Como foi do fcp, limpou-se o negócio e continuam os mesmos a emprenhar pelos ouvidos.

 

- Em momento algum digo que o negócio foi bom ou mau. O que questiono no post é  a forma como o negócio é apresentado. De forma muito bondosa, demasiado bondosa. No entanto, a julgar pela quantidade de sabão engolido, vejo que também foi muito eficaz.

por Pedro F. Ferreira às 22:06 | link do post | comentar | ver comentários (44)
Quarta-feira, 17.08.11

A luta que nos espera

 

 

"Benfica vende jogos por €40 milhões e ataca Sport TV" fonte: Expresso

 

Se isto se concretizar, poderá abrir-se uma grande oportunidade de expurgar do futebol português grande parte da podridão que o tem atacado nestas últimas três décadas. Poderá isto ser a grande oportunidade de termos o Benfica a competir acima deste limbo terceiro-mundista em que nos encontramos enleados.

 

Até à efectivação deste negócio, o Benfica será atacado como nunca foi na sua história. Tentar-se-á envenenar a opinião pública contra o Clube, colocar-se-á, de forma ainda mais cobarde do que a habitual, em causa a credibilidade e o bom nome de quem estiver prestes a assinar o contrato.

 

Far-se-á tudo, mas mesmo tudo, para evitar que isto aconteça e que se acabe com uma das piores e mais poderosas faces de uma farsa com trinta anos de existência. A única forma de resistir aos ataques que sofreremos é sermos unidos, não emprenharmos pelos ouvidos, não credibilizarmos as palavras que os inimigos (é o termo) colocarão estrategicamente na comunicação social. É essencial que não façamos eco dessas palavras. É essencial que não sejamos nós, os próprios adeptos, a fazer o jogo do inimigo. O assunto é sério, muito mais sério do que parece.

 

Escolhida a trincheira, não há lugar a deserções.

 

 

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a foto é de Rui Bento

por Pedro F. Ferreira às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (40)
Segunda-feira, 15.08.11

Análise ao Twente (por Sérgio Berenguer)

 

Sérgio Berenguer, comentador da Benfica TV, partilha com os leitores da Tertúlia Benfiquista a sua análise ao próximo adversário do Sport Lisboa e Benfica:

 

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«Não sendo o mais importante adversário do Sport Lisboa e Benfica, a verdade é que ultrapassar o F.C.Twente no “Play-off” de acesso à fase de grupos da Champions League assume grande importância (económica, sim, mas sobretudo moral e mobilizadora) para o que será o Benfica na temporada 2011/12 que agora se inicia.

 

Campeão em 2009/2010, sob a batuta do inglês Steve McClaren somando 86 pontos (mais um que o Ajax, mais 8 que o PSV e mais 23 que o Feyernoord) e Vice-Campeão em 2010/2011 (perdeu o jogo e o título para o Ajax na última jornada da competição) sob o comando técnico de Michel Preud´Homme, o F.C. Twente é um digno representante do futebol tecnicista e de ataque do país das tulipas.

 

Agora comandado por Co Adriaanse (que curiosamente perdeu com o Glorioso em casa e fora no ano em que treinou em Portugal), o Twente apresentou recentemente para esta época um modesto orçamento de 45,5 milhões de euros, sendo que entre saídas (fez uma única transferência relevante por 3 milhões de euros de Theo Janssen para o Ajax) e entradas (de baixo custo como o lateral direito Cornelisse, proveniente do FC Utrecht, e o médio Willem Janssen oriundo do Roda), pouco se alterou a estrutura do plantel para esta nova época, que se iniciou com “saborosa” vitória na Supertaça sobre o Ajax (2-1) com quem discute actualmente o domínio da Liga Holandesa.

 

Se é verdade que a laranja mecânica, e tudo o que se lhe seguiu com origem nela, foram esquemas revolucionários, a verdade é que o futebol holandês não está mais na linha da frente quanto á revolução táctica, mantendo contudo no seu ADN a filosofia ofensiva como principal característica. Ainda que seja equipa (independentemente da era McClaren, Preud’Homme ou Adriaanse) que mantenha por principio a colocação rápida da bola nos flancos, dando largura ao campo, circulando jogo, partilhando do tradicional sistema táctico holandês do 4x3x3, este Twente é, ainda assim, por norma, o mais conservador dos clubes que dominam a Liga Holandesa.

 

 

 

Na baliza, apenas alguma indisponibilidade física impedirá Mihailov de ser titular, o que colocaria na baliza do Twente o veterano (40 anos) Boschker (como ocorreu na 1ª jornada da Liga Holandesa 2011/2012). O quarteto defensivo manterá, tudo indica, intacta a dupla de centrais formada pelo brasileiro Douglas (muito forte no jogo aéreo, muito sereno e com bom domínio de bola) e Peter Wisgerhof (na ausência/indisponibilidade de algum deles o provável substituto será o sueco Rasmus Bengtsson), com Cornelisse (ex- FC Utrecht) como provável lateral direito (o venezuelano Rosales pode ser outra opção, ele que pode jogar nesta posição ou mais adiantado como ala) e Tiendalli como lateral esquerdo (a alternmativa pode ser o belga Buysse).

 

No meio campo, e tal como na época transacta, o Twente parece surgir em 2011/12 a apostar muitas vezes num duplo-pivot formado por Brama, mais defensivo, ele que fora acompanhado em 2010/11 por Theo Janssen e cuja responsabilidade das transições parece ser agora, em 2011/12, assumida por Willem Janssen. Este duplo-pivot liberta para o apoio ao gigante austríaco Marc Janko, as duas principais figuras da equipa: De Jong e Brian Ruiz.

 

Sobre Luuk de Jong sabe-se (conforme descrito no trabalho “Os 20 negócios de jogadores que recomendamos em 2011” pelo FUTEBOL FINANCE) tratar-se de um “avançado centro de origem, também capaz de actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, viveu a sua época de afirmação na Eredivisie, ao juntar 12 assistências a 12 golos em 32 jogos. Muito inteligente a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, e extremamente oportuno em zona de finalização, sabe tirar partido do seu bom remate com os pés - o direito é o que melhor define - e do seu poderoso jogo aéreo. Muito trabalhador e com grande sentido colectivo, revela muito bons apontamentos no passe, de costas ou de frente para a baliza, e, apesar da sua elevada estatura, é rápido, móvel e capaz de produzir desequilíbrios no um para um”. Os noventa minutos jogados por De Jong na final da Supertaça frente ao Ajax (30-07-2011) serviram para confirmar todas estas características.

 

Quanto a Brian Ruiz, o conhecido mestre do “tico-tico” da Costa-Rica  - que foi falado como potencial reforço do Sport Lisboa e Benfica e vê agora o seu nome associado ao Totenham)  –  é claramente jogador para outros voos (entenda-se: clube de maior dimensão e aspiração no futebol internacional).  

 

Em Maio de 2010, Luís Feitas Lobo descrevia este jogador não como “um ala, longe disso, nem será verdadeiramente só um avançado. É um vagabundo da ligação entre meio-campo e ataque que, movendo-se a toda a largura dos últimos 30 metros, sabe ler os espaços na hora certa para passar ou surgir a rematar”. Para melhor o descrever, dele disse: “A sua forma de jogar, elegante, toque de bola perfeito, cabeça levantada e serenidade a cada passe ou remate, contrastam com a clássica imagem guerreira do jogador da América latina (…). Quase uma ironia de classe no futebol da Costa Rica. Chegou à Europa (…) quando o Gent da Bélgica o descobriu no Aljulense, na pátria dos tico-tico, o nome que tornou célebre a selecção costa-riquense. (…) Parecendo quase deslizar pelos relvados, abalou as estruturas do futebol das tulipas” no ano em que o uruguaio Luis Suarez (hoje no Liverpool) mesmo marcando 35 golos não fez do Ajax campeão, o qual caiu aos pés do Twente de Mclaren, do duplo-pivot Brama-Janssen, do extremo esquerdo Stoch e do vagabundo… Ruiz.

 

Para as posições normalmente desempenhadas por Ruiz e De Jong – e quando estes perdem alguma capacidade física - Co Adriaanse tem chamado (com menor eficácia e intensidade) o holandês Ola John e/ou o alemão Thilo Leugers.

 

Finalmente, no flanco esquerdo do meio campo / ataque do Twente, o holandês de 20 anos Steven Berghuis foi titular no jogo da Supertaça e na 1ª jormada frente ao NAC pelo que parte como principal candidato ao lugar, o qual pode ser igualmente desempenhado quer pelo sueco Bajrami (muito rápido, sobre a esquerda, finta menos mas extremamente objectivo a procurar a área) ou o belga (de origem marroquina) Chadli, que é normalmente jogador que arranca com muita mobilidade desde a esquerda e surge por dentro, em diagonais com sentido único: a baliza adversária.

 

Como sérios avisos ao Benfica, deverão constar a vitória do Twente na fase de Grupos da Champions League no ano passado em Bremen (0-2) e os resultados suados do todo poderoso Inter Milão (1-0 em Milão e 2-2 na Holanda) que lhe garantiram o 3º lugar no grupo atras de Inter e Tottenham, de onde transitou para a Liga Europa. Nessa competição em que o Benfica atingiu as meias-finais, o Twente eliminou o Rubin Kazin (2-0 e 2-2) nos 1/16 Final, depois o Zenit (3-0 e 0-2) nos 1/8 Final, caindo aos pés do Vilarreal nos 1/4 Final com duas derrotas (1-3 em casa e 5-1 em Espanha). É uma equipa que, tal como Benfica, normalmente marca pelo que todos os cuidados defensivos serão poucos... fora e em casa, onde tudo certamente se decidirá.

 

Certo, certo é que se tratará de duelo difícil entre duas equipas cujo ADN as obriga a fazer do ataque a sua melhor defesa.»

 

texto de Sérgio Berenguer

por Pedro F. Ferreira às 12:27 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Sexta-feira, 12.08.11

Futebol de autor

Houve e há futebolistas que, pela sua capacidade de imprimir a todas as movimentações e decisões individuais um sentido colectivo, deixaram a sua impressão digital no imaginário dos adeptos.

 

Futebolistas como Johan Cruijff, Enzo Francescoli, Rui Costa ou Xavi exemplificam a capacidade de perceber o futebol para além do momento em que individualmente se tem a bola no seu domínio. De entre os vários nomes que se podem juntar a este grupo, destaco Pablo Aimar. “El Mago” Aimar é superlativo a pensar o futebol como uma dinâmica colectiva. À sua rapidez de raciocínio, que o leva a ter aquele centésimo de segundo que lhe permite antecipar a movimentação do adversário e da bola, junta uma invulgar qualidade de execução técnica. Olhamos para Aimar e vemo-lo dirigir toda uma equipa, descobrir espaço entre linhas adversárias, antecipar um desequilíbrio defensivo adversário, forçar esse mesmo desequilíbrio e obrigar a que todos os que o acompanham na sua movimentação ofensiva acabem por tirar partido das suas decisões. A capacidade que Aimar tem de descodificar o propósito das movimentações globais de companheiros e adversários manifesta-se com uma espontaneidade tal que aparenta ser um simples “puro acontecer”. Nessa ilusória simplicidade está encerrada a complexidade de perceber a sua acção como uma função em que nada é aqui e agora, porque todo o ‘aqui’ e ‘agora’ só existem com efectividade se forem a preparação de um espaço e tempo futuros. Se todos temos a percepção de que não há serviço colectivo nos futebolistas que não são capazes de se encontrarem com a equipa, basta ver as orientações que Aimar dá aos seus companheiros para perceber como há futebolistas que “obrigam” a que todos se encontrem entre si, de forma dinâmica.

 

Para além disso, há ainda a consciência de que em Aimar a vida se manifesta com mestria muito para além do futebol. Aliás, é na sua conduta como homem e cidadão que começa o futebol de autor que o imortaliza.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 09 de Agosto e publicado na edição de 12/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 07:07 | link do post
Quinta-feira, 11.08.11

Máfia no Futebol

 

[link] [link]

 

Declan Hill investigou, correu o mundo, correu riscos (ainda corre) e, num acto essencialmente de coragem, denunciou.

 

A obra, que recentemente foi editada em Portugal, deveria ser de leitura obrigatória para todos os que seguem o futebol, particularmente o futebol português das últimas três décadas.

 

Aquilo que todos ouvimos aquando das escutas do processo “Apito Dourado” já é bastante elucidativo de como se traficam influências e favores; de como se chantageia, ameaça, agride e se mantém um conjunto de árbitros no bolso, prontos a usar em caso de necessidade.

 

Esta obra de Declan Hill vai mais longe: explica como é que um guarda-redes comete um erro básico contra a equipa que o vai contratar ou como um defesa pode ajudar a viciar um resultado. Explica o que leva alguns treinadores a retirarem de campo os melhores jogadores, com o resultado empatado, lá por volta dos 60 minutos de jogo. Explica porque é que jornalista, futebolistas e dirigentes calam, colaboram e se tornam cúmplices de um jogo sujo em que a única coisa limpa é a bola.

 

É uma leitura essencial e indispensável. Haverá, em Portugal, quem tenha a independência e a coragem de fazer e publicar uma investigação deste género?

por Pedro F. Ferreira às 01:17 | link do post | comentar | ver comentários (27)
Terça-feira, 09.08.11

Sobre a agressão a Pedro Proença

Considero Pedro Proença um mau árbitro. Esteve ligado a alguns momentos da história recente do futebol português em que prejudicou, de forma clara, o Benfica. Alguns desses momentos foram determinantes para que ainda hoje tenhamos agentes de práticas corruptas a pavonearem-se no futebol português.

 

 

No entanto, a opinião que tenho (e como eu têm muitos benfiquistas) de Pedro Proença não legitima nem atenua, em momento algum, qualquer prática de violência exercida contra o mesmo. Isto é claro e nem me parece que seja discutível. Deste modo, concordo e revejo-me inteiramente no comunicado do Benfica. [link]

 

É a mensagem adequada no tempo e no modo. Seria importante que todos os adeptos do Benfica, independentemente da revolta que sentem quando se recordam dos erros de Pedro Proença, percebessem a verdadeira dimensão destas palavras…

por Pedro F. Ferreira às 15:05 | link do post | comentar | ver comentários (64)
Domingo, 07.08.11

Aimar

“Os adeptos mostraram-se muitos entusiasmados. É sempre bom jogar numa equipa como esta, que conta com este tipo de adeptos, que apoiam sempre os jogadores.” Pablo Aimar dixit.

 

Gosto de Aimar, é um excelente futebolista e mais inteligente do que aqueles adeptos que acham que "sempre" é apenas quando ganham.

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por Pedro F. Ferreira às 00:30 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Sexta-feira, 05.08.11

A treta

Depois do discurso contra o Sul, do discurso sobre a penhora da retrete, do discurso em torno da fruta para dormir, do discurso em que imitava um aparelho de gps e indicava orientações sobre a localização da sua casa a um árbitro na antevéspera de apitar um jogo do seu clube e de tantos outros discursos a que a parvónia denomina “fina ironia”, o sr. Costa surgiu agora com o discurso da treta, referindo-se à venda dos direitos desportivos do guarda-redes Roberto.

 

Considero que o actual discurso da treta do sr. Costa constitui-se como uma evolução e, finalmente, está adequado à figura que o enuncia. Isto é de louvar. Aliás, foi também interessante ver como a comunicação social alinhada com o senhor do tal discurso da treta tentou, por todos os meios, desvalorizar o adversário do Benfica nesta fase da Liga dos Campeões. Numa atitude bacoca e a roçar um estranho e infundado complexo de superioridade, muitos foram os meios de comunicação social portugueses que não se cansaram de tentar desvalorizar o Trabzonspor. Houve mesmo alguns ‘opinadeiros’ que queriam demonstrar a fraqueza do nosso adversário referindo-se a uma suposta fraca qualidade e desorganização do futebol turco. Isto, meus caros, é uma treta. O futebol turco, no que respeita à tentativa de zelar pela verdade desportiva, dá lições a toda a organização do futebol português. No futebol turco, como se comprova com a actual situação criminal de alguns dirigentes (entre os quais os do Trabzonspor), não se considera uma treta a tentativa de adulterar resultados. Da mesma forma que não é um qualquer cacique de aldeia que, com duas tretas e um par de balelas, escarra na Justiça e leva um conjunto de lorpas a fazerem das tretas letra de lei e código deontológico.

 

Chegará o dia em que ainda nos vão querer obrigar a acreditar que há dirigentes de clubes que recebem árbitros em casa apenas para terem inocentes conversas da treta. Enfim, isto, como diria um tal de Calheiros, já são outros quinhentinhos…

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 02 de Agostoe publicado na edição de 05/08/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 15:30 | link do post
Quarta-feira, 03.08.11

A CMVM e a sua estranha forma de regular

 

1- Preâmbulo:

 

Como adepto e sócio do Sport Lisboa e Benfica e accionista da Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, considero que o Sport Lisboa e Benfica não deve ter qualquer problema em prestar todos os esclarecimentos que alguma entidade deste país entenda solicitar. Assim, aprecio os esclarecimentos prestados pelo Benfica à CMVM, acerca da transferência de Roberto.

 

Como cidadão português exijo que um regulador como a CMVM actue sempre e não apenas quando o mediatismo obriga.

 

 

2- A transferência de Roberto:

 

Vejamos, «a transferência do atleta Roberto foi concretizada e validada em cartório notarial. Foi celebrada com uma sociedade desportiva e uma sociedade de direito espanhol.» Repito: «esta transferência foi concretizada por via de escritura notarial, com uma sociedade desportiva da primeira Liga espanhola e uma outra sociedade de direito espanhol idónea e em relação de domínio com aquela primeira. Além disso, importa referir que os valores estabelecidos se encontram garantidos nomeadamente por títulos de crédito e a transferência em causa foi já devidamente ratificada pelos “Administradores Concursales” (i.e Administradores Judiciais) da Real Zaragoza SAD.»[link]

 

 

3- Situações em que a CMVM não pediu esclarecimentos:

 

Alex Sandro [link]; Hulk [link]; James [link] e [link]; C. Rodriguez [link]; Walter [link]; Liedson [link]

 

De entre todos estes, destacam-se o caso de C. Rodriguez (o comunicado diz que pagaram 7 milhões de euros, mas não dizem a quem) e o de Liedson (o SCP nem sequer diz por quanto foi vendido, apenas dizem qual é o impacto “positivo”, segundo eles, nas contas).

 

:::

 

Além disso, importa não esquecer que as duas maiores transferências da história do FCP foram efectuadas com dois clubes da II Divisão do Uruguai – o Rentistas/Hulk e Maldonado/Alex Sandro – sem que alguém tivesse questionado sequer o valor pago, quanto mais se o preço era justo…

 

4- Conclusão:

 

À CMVM exige-se que actue com uma inquestionável uniformidade de critérios. Não o tem feito!

Tudo isto me leva a reflectir sobre as razões que movem os responsáveis da CMVM em relação à Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD. Tudo isto me leva a não acreditar na boa-fé da CMVM.

 

::::

 

 

Post que teve como base o post de JG no Red Pass (http://redpass.blogs.sapo.pt/501360.html)

por Pedro F. Ferreira às 17:50 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Sexta-feira, 29.07.11

Saber ser grato

Ter a possibilidade de, como atleta, servir um dos poucos clubes míticos no Mundo deveria ser encarado como um privilégio. Os privilégios agradecem-se.

 

Recentemente, ao ler o livro que Helena Águas escreveu sobre o seu pai, o nosso José Águas, percebia-se o sentimento de permanente agradecimento que o grande José Águas tinha para com o Benfica, os seus colegas de equipa e os adeptos do clube. A todos, em vários momentos, José Águas agradecia. Além disso, agradecia o privilégio de poder ter servido o Benfica com tal dignidade que acabou por fazer parte do património simbólico de todos nós, benfiquistas.

 

A vida deu-me o privilégio de trocar ideias, conversar e debater o Benfica com muitos dos que foram (e são) faróis do benfiquismo e exemplos de gratidão para com o Benfica. Desde Nené a Rui Costa, passando por Pietra ou Toni, todos demonstram, nos pequenos gestos, nas expressões que utilizam e nas ideias que veiculam, uma gratidão ao Benfica apenas ao alcance dos que sabem ser humildes na grandeza. São-no naturalmente, sem gestos calculados, sem teatralizar o sentimento, ou seja, são-no genuinamente. Perceberam que, pela sua conduta, passaram a fazer parte da história simbólica do Benfica. E, também por isso, não desperdiçam o privilégio de ficar com as pessoas, os adeptos, os benfiquistas, na sua história.

 

Alcançar este patamar não se consegue a beijar o emblema, a envergar a braçadeira de capitão ou a fazer declarações de circunstância. Consegue-se com respeito pelo Benfica e gratidão honesta pela possibilidade de se tornar um símbolo para milhões de pessoas. Uns sabem perceber o tempo, o espaço e o modo. Esses são os que ficam. Outros nunca perceberão sequer o tema abordado neste texto. Esses são os que passam.

 

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Artigo de opinião escrito e enviado para a redacção do jornal "O Benfica" no dia 26 de Julho e publicado na edição de 29/07/2011 do jornal "O Benfica".

 

[Se alguém quiser manifestar-me a sua opinião, pode fazê-lo para este endereço: tertuliabenfiquista@gmail.com]

por Pedro F. Ferreira às 09:09 | link do post
Terça-feira, 26.07.11

Análise ao Trabzonspor (por Sérgio Berenguer)

Sérgio Berenguer, comentador da Benfica TV, partilha com os leitores da Tertúlia Benfiquista a sua análise ao próximo adversário do Sport Lisboa e Benfica:

 

___

 

«O Trabzonspor é o adversário do Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, jogos a realizar a 27 de Julho (no Estádio da Luz) e a 2 de Agosto (no Estádio Huseyin Avni Aker Stadi com capacidade para cerca de 25 mil pessoas).

Considerado um dos “4 grandes da Turquia” a par de

  • Fenerbahçe         (18 títulos);
  • Galatasary           (17 títulos); e
  • Besiktas               (13 títulos),

o Trabzonspor já venceu o campeonato por seis vezes (1975-76, 1976-77, 1978-79, 1979-80, 1980-81, 1983-84) mas não é campeão há quase 30 anos. Venceu igualmente a Taça da Turquia por oito ocasiões (1977, 1978, 1984, 1992, 1995, 2003, 2004, 2010), tantas quantas as que venceu a Supertaça, sendo que venceu a do ano passado.

Este clube do norte da Turquia (já na parte asiática) - que foi durante muitos anos a única equipa de fora da capital a vencer a Liga (o Bursapor igualou o feito em 2009/10) - acabou a última época com os mesmos pontos do campeão Fenerbahçe, tendo perdido no “goal average” pois apesar de ter sido a equipa com menos golos sofridos no campeonato (23), apresentou saldo positivo de 46 golos contra os 50 golos do campeão que marcou 84 e sofreu 34.

Com um excelente registo de 25 vitórias e 7 empates em 34 partidas da última edição da Liga Turca, o Trabzonspor apenas sofreu duas derrotas (2-0 na casa do campeão e 1-3 frente ao Manisaspor, 10º classificado) e foi, segundo a generalidade da imprensa turca, a equipa que melhor futebol praticou naTurquia em 2010/11.

Fruto desse 2º lugar na “Super Ligi”, o Trabzonspor tem acesso à 3ª Pré-Eliminatória da Champions League, competição em que procura este ano chegar pela primeira vez à fase de grupos.

Em termos tácticos, na última época esta equipa turca apostou habitualmente em dois sistemas consoante o opositor e se o jogo era no seu reduto ou fora (4-4-2 e/ou 4-3-3), sendo que é uma equipa reconhecidamente de posse de bola e que ataca por qualquer zona do terreno não evidenciando qualquer preferência pelas zonas laterais ou central.

Apesar de sistemas e processos consolidados, o técnico Senol Günes não abdicou de ir introduzindo ao longo da temporada algumas variações na estrutura da equipa, sobretudo do meio campo para a frente, mantendo contudo a estrutura defensiva praticamente inalterável.

Relativamente ao ano transacto, o onze base habitual (quando em 4 x 4 x 2, em losango) do Trabzonspor era composto por:

GR: Onur Kıvrak (25 jogos titular) ou Tolga Zengin (9 jogos titular)

Defesa: Os laterais Ceyhun Gülselam (na direita) e Hrvoje Cale (na esquerda) acompanhavam os centrais Giray Kaçar e Egemen Korkmaz.

Meio campo: Selçuk Inan, como médio defensivo, Burak Yilmaz pela esquerda, Alanzinho (ou Ibrahim Yattara) pela direita e o argentino Gustavo Colman no centro.

Ataque: em apoio a Umut Bulut (30 jogos como titular, 13 golos) surgia invariavelmente o brasileiro Jajá Coelho (27 jogos como titular, 12 golos).

Para a nova temporada 2011/12, e ainda que tenha conseguido manter o seu melhor marcador da última época (o médio ofensivo Burak Yilmaz com 19 golos), verificaram-se diversas saídas, de entre as quais se destacam naturalmente os casos de Umut Bulut (para o Toulouse, o qual pudemos ver evoluir no relvado da Luz já nesta pré-temporada no jogo de apresentação aos sócios do S.L.Benfica) e Jajá Coelho (para o Al-Ahli).

 

 

 

Em termos de reforços, Zokora, médio que chegou do Sevilha, é certamente o reforço mais sonante desta formação que quer aceder à Liga dos Milhões, sendo que também a contratação do avançado Altintop (Frankfurt) alimenta o sonho dos adeptos do clube de conquistar o título e brilhar na Liga dos Campeões.

 

 

Entre entradas e saídas – e para além do interessante fluxo, nas duas direcções, entre Trabzonspor e Galatasary – a equipa da cidade de Trabzon, continuará a ser um conjunto bastante forte que, a exemplo de todas as equipas turcas, procurará tirar vantagem do ambiente bastante adverso que consegue gerar para os adversários quando os recebe no seu reduto.

Se na Luz poderá apostar num esquema mais comedido, é contudo expectável que em casa o Trabzonspor aposte num 4 x 3 x 3 de muita mobilidade em que deveremos ter no onze inicial:

 

(link)

 

GR: Tolga Zengin ou Onur Kıvrak (a pré-temporada determinará quem arranca como titular, a experiência de Tolga ou a evidente qualidade de Onur)

Defesa: como lateral direito o reforço Ondrej Celustka (provável depois da saída de Gulselam para o Galatasary) ou o polaco Piotr Brozek (já mais entrosado com a equipa) e na esquerda o polivalente Serkan Balcı ou Hrvoje Cale (titular em 22 jogos no campeonato transacto). No eixo defensivo Giray Kaçar deve ter a companhia de Arkadiusz Głowacki ou Mustafa Yumlu, depois da saída de Egemen Korkmaz (25 jogos como titular) para o Besiktas de Simão Sabrosa, Quaresma, Hugo Almeida e Manuel Fernandes.

Meio campo: será expectável que o costa marfinense Didier Zokora seja o médio defensivo (compensando a saída de Selçuk Inan – jogador mais utilizado na equipa na temporada passada - para o Galatasary), partilhando o miolo do terreno com o argentino Gustavo Colman e o reforço Adrian Mierzejewski, este último mais adiantado e com maiores responsabilidades na organização do jogo ofensivo.

Ataque: no apoio ao goleador Halil Altıntop será de esperar o aparecimento do reforço Paulo Henrique pela direita (Alanzinho pode ser igualmente opção) e Burak Yilmaz pela esquerda.   

Na deslocação a Lisboa, se não quiser (e certamente não quererá) ser tão ofensivo, o técnico Senol Günes poderá apostar num 4 x 2 x 3 x 1, em que Colman jogará ao lado de Zokora na frente do quarteto defensivo, ficando o meio campo entregue a Alanzinho (na direita, mais defensivo que Paulo Henrique), Burak Yilmaz (na esquerda) e Mierzejewski (no centro) com Altintop na frente, ou o próprio Paulo Henrique, dependendo do estado de forma do primeiro.

Outra alternativa, o 4 x 4 x 2 em que comparado com o 4 x 3 x 3, pode Serkan Balcı se juntar no meio campo (preferencialmente pela esquerda) a Adrian Mierzejewski (direita), Zokora e Colman (no centro do terreno) e ficando Burak Yilmaz no apoio ao ponta de lança mais posicional.

Na sua pré-época, o Trabszonspor fez já três jogos e empatou todos 1-1 (FC Oţelul, Genk e Charleroi).

Será certamente uma eliminatória complicada para S.L.Benfica em que será determinante a obtenção de um bom resultado em casa (seria sobretudo importante não sofrer golos) e manter a tendência da época transacta de marcar fora.

Passando esta terceira pré-eliminatória, o S.L.Benfica será cabeças de série no play-off de acesso à Champions, a última fase antes da fase de grupos.»

 

Texto de: Sérgio Berenguer

por Pedro F. Ferreira às 11:30 | link do post | comentar | ver comentários (15)

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